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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DO SONGO

Licenciatura em Engenharia Hidráulica

4o ANO

ENGENHARIA E AMBIENTE

Tema: AVALIAÇÃO DE RISCOS EM ESPAÇOS CONFINADOS NA


INDÚSTRIA MINEIRA

Discente: Docente:

Rafael Eliseu Rafael Zangado Enga Isabel Zunguze

Songo, Abril de 2020


INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DO SONGO

Licenciatura em Engenharia Hidráulica

4o ANO

Rafael Eliseu Rafael Zangado

Trabalho de Pesquisa apresentado à Instituto su-


perior politécnico de Songo como parte das exi-
gências da cadeira de Engenharia e Ambiente do
Curso de Licenciatura em Engenharia Hidráulica
sob a orientação da Engª Isabel Zunguze.

Songo, Abril de 2020

1-ii
AGRADECIMENTO

Primeiramente agradeço a Deus, por iluminar os meus caminhos e protecção diária em minha jor-
nada acadêmica. Agradeço aos colegas Zacarias Mazembe e Samuel Sithole pelo conselhos, obser-
vações e pela ajuda na compilação deste trabalho. Ao demais colegas pela experiência acadêmica e
a amizade.A engenharia Isabel pelas orientações e auxilio apresentado durante a realização do tra-
balho. Aos meus pais e irmãs por toda atenção, compressão e pelo apoio em todos os momentos.

i
LISTA DE FIGURAS

Figuras 1- Os principais tipos de rotura em escombreiras...........................................................17

Figuras 2- Sinais de Perigos.........................................................................................................18

ii
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Actividade económica e espaços confinados típicos …………….........................4


Tabela 2 – APR do espaço confinado.................................................................................... 12
Tabela 3 – Limites de tolerância para ruido contínuo ou intermitente………………………15

iii
LISTA DE ABREVIATURAS E ACRÓNIMOS

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas


APR - Análise Preliminar de Risco
ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Hygienists
IPVS - Imediatamente Perigoso a Vida e a Saúde
LIE - Limite Inferior de Explosividade
NIOSH - Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional - EUA
NR - Norma Regulamentadora
PET - Permissão de Entrada
NBR - Normas Técnicas
PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais

iv
RESUMO

A indústria mineira lidam em suas operações diárias com riscos naturais, provocados pelo homem
ou pela operação. Dentre os riscos envolvidos nas operações está o trabalho em espaço confinado. É
responsabilidade do empregador antecipar e reconhecer os riscos nos espaços confinados. A anteci-
pação e o reconhecimento dos riscos pode ser feito através da Análise Preliminar de Riscos e Per-
missão de Entrada e Trabalho. A correcta gestão de riscos exige a realização de exames médicos
específicos e de treinamentos, de forma que todos os trabalhadores envolvidos com a questão do
espaço confinado estejam aptos para tal.

Palavras-chave: Espaço confinado, Indústria mineira, avaliação dos riscos

v
ABSTRACT

The mining industry deals in its daily operations with natural risks, caused by man or by the opera-
tion. Among the risks involved in operations is confined space work. It is the employer's responsi-
bility to anticipate and recognize risks in confined spaces. The anticipation and recognition of risks
can be done through the Preliminary Risk Analysis and Entry and Work Permission. Proper risk
management requires specific medical examinations and training, so that all workers involved with
the issue of confined space are able to do so.

Keywords: Confined space, mining industry, risk assessment

vi
ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 1

1.1 OBJECTIVOS....................................................................................................................... 2
1.1.1 Objectivo Geral ............................................................................................................. 2
1.1.2 Objetivos específicos ..................................................................................................... 2
1.1.3 Metodologias ................................................................................................................. 2

2 DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS ESPAÇOS CONFINADOS .......................... 3

2.1 DEFINIÇÃO ........................................................................................................................ 3


2.2 LOCAIS ONDE PODEMOS ENCONTRAR .................................................................................. 4

3 INDÚSTRIA MINEIRA ........................................................................................................ 6

3.1 BREVE NOTAS SOBRE INDUSTRIA MINEIRA EM MOÇAMBIQUE ............................................. 6


3.2 EMPRESAS SELECCIONADAS PARA A AGREGAÇÃO E RECONCILIAÇÃO DA ITIEM ................. 7
3.2.1 Vale Mozambique LTD ................................................................................................. 7
3.2.2 Highland African Mining Company (HAMC)................................................................ 8
3.2.3 Rio Tinto Mining and Exploration Mozambique Ltd. ..................................................... 8
3.2.4 Kenmare Moma Mining (Mauritius) .............................................................................. 8
3.2.5 Sasol Petroleum Temane Ltd ......................................................................................... 9
3.2.6 Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) .................................................. 9
3.2.7 Sasol Petroleum Temane Ltd ....................................................................................... 10
3.3 RISCOS NA INDÚSTRIA MINEIRA ........................................................................................ 10
3.3.1 Os riscos associados à exploração mineira ................................................................... 10
3.3.2 Deslizamentos em escombreiras .................................................................................. 10

4 GESTÃO DOS RISCOS ...................................................................................................... 12

4.1 ANALISE PRELIMINAR DE RISCOS DO ESPAÇO CONFINADO ................................................. 12


4.2 RISCOS EM ESPAÇOS CONFINADOS .................................................................................... 13
4.3 RISCOS AMBIENTAIS ......................................................................................................... 15
4.3.1 Físicos ......................................................................................................................... 15
4.3.2 Químicos ..................................................................................................................... 17
4.3.3 Biológicos ................................................................................................................... 17
4.3.4 Ergonômicos ............................................................................................................... 18
vii
4.3.5 Programa de entrada em espaço confinado ................................................................... 18
4.3.6 Equipamentos .............................................................................................................. 19
4.3.7 Reconhecimento e avaliação ........................................................................................ 20
4.4 PROCEDIMENTO DE PERMISSÃO DE ENTRADA .................................................................... 21
4.4.1 Permissão de entrada ................................................................................................... 21
4.4.2 Treinamento ................................................................................................................ 22
4.4.3 Sinalização .................................................................................................................. 23

5 CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 24

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................ 25

viii
1 INTRODUÇÃO

A extração mineral é uma de muitas atividades humanas que têm contribuído nos últimos cem anos
para a degradação ambiental, quer do local onde se encontram instaladas, quer por vezes, da região
envolvente.
Na actividade mineira e, em particular, na subterrânea, são muitos os riscos presentes e estes, estão
associados às características do material rochoso perfurado, uso de explosivos, eventual presença de
gases tóxicos, presença de águas subterrâneas, emprego cada vez maior de máquinas e equipamen-
tos, possibilidade de ocorrência de incêndios, todos eles fazem parte do espectro alargado de riscos
com o qual todos os mineiros e comunidades envolventes convivem diariamente. Um dos riscos na
mineração subterrânea mas frequentes é o espaço confinado.
Segundo a NBR 14787 (ABNT, 2001), “espaço confinado é qualquer área não projetada para
ocupação contínua, a qual tem meios limitados de entrada e saída e na qual a ventilação existente
é insuficiente para remover contaminantes perigosos e/ou deficiência/enriquecimento de oxigênio
que possam existir ou se desenvolver” . Os espaços pode ser encontrados em vários sectores como
agricultura, Construção civil, indústria de Petróleo e Gás, Metalurgia, Serviços de sanitários, Ope-
rações Marítimas, entre outras. Antes de entra em um espaço confinado onde se pretende realizar
uma actividade de ser feita a gestão de riscos identificados, acompanhado pelo seu respectivo trei-
namento para fazer frente a um possível acidente que possa surgir.

1
1.1 Objectivos

1.1.1 Objectivo Geral

Avaliar riscos em espaços confinados na indústria mineira

1.1.2 Objetivos específicos

Caracterizar espaços confinados;


Relatar acidentes em espaços confinados;
Classificar e gerir os riscos nos espaços confinados;
Propor medidas para controle dos riscos.

1.1.3 Metodologias

A metodologia usada, consistiu na pesquisa científico- didáctica com auxílio de normas tais como
ABNT (NBR-14.787, NR-9,NR-33,NR-22 com o propósito de compilar informações credíveis
acerca do tema apresentado, e por consultas adicionais de matérias electrónicos elaborou-se o pre-
sente trabalho.

2
2 DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS ESPAÇOS CONFINADOS

2.1 Definição

Para NR-33 (BRASIL, 2012) espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para
ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente
é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de
oxigênio.

Para NIOSH (1978) “ espaço confinado está relacionada com ageometria, atmosfera e a forma de
acesso/saída de um ambiente onde podem ocorrer inúmeras situações perigosas e que podem apre-
sentar riscos, tais como físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos”.

Em geral, os espaços confinados são locais que permanecem fechados por médios ou longos perío-
dos de tempo, mas precisam ser acessados em determinado momento por profissionais encarrega-
dos de realizar um trabalho específico internamente, como manutenção inspeção, limpeza ou resga-
te .
Segundo MORAES (2009):
“em número de óbitos, estes locais só são superados pelos acidentes com queda de
altura na construção civil. Os motivos que normalmente levam aos acidentes fatais
nestes locais são: a não identificação do local como tal, a falta de cuidados específi-
cos para a actividade (subestimação dos riscos), a ignorância dos riscos (falta de trei-
namento), presença de gases inertes imperceptíveis aos sentidos como o argónio e o
nitrogênio, operações de resgate sem treinamento, etc”.

Abertura de linha: Alívio intencional de um tubo, linha ou duto que esteja transportando ou tenha
transportado substâncias tóxicas, corrosivas ou inflamáveis, um gás inerte ou qualquer fluido em
volume, pressão ou temperatura capaz de causar lesão.

3
Aprisionamento: Condição de retenção do trabalhador no interior do espaço confinado, que impe-
ça sua saída do local pelos meios normais de escape ou que possa proporcionar lesões ou a morte do
trabalhador.

Área classificada: Área na qual uma atmosfera explosiva de gás está presente ou na qual é prová-
vel sua ocorrência a ponto de exigir precauções especiais para construção, instalação e utilização de
equipamento elétrico.

Avaliação de local: Processo de análise onde os riscos aos quais os trabalhadores possam estar ex-
postos num espaço confinado são identificados e quantificados. A avaliação inclui a especificação
dos ensaios que devem ser realizados e os critérios que devem ser utilizados.

Condição de entrada: Condições ambientais que devem permitir a entrada em um espaço confina-
do onde haja critérios técnicos de proteção para riscos atmosféricos, físicos, químicos, biológicos
e/ou mecânicos que garantam a segurança dos trabalhadores.

Condição proibitiva de entrada: Qualquer condição de risco que não permita a entrada em um
espaço confinado.

Entrada: Ação pela qual as pessoas ingressam através de uma abertura para o interior de um espa-
ço confinado. Essa ação passa a ser considerada como tendo ocorrido logo que alguma parte do
corpo do trabalhador ultrapasse o plano de uma abertura do espaço confinado

Equipamentos de resgate: Materiais necessários param a equipe de resgate utilizar nas operações
de salvamento em espaços confinados.

2.2 Locais onde podemos encontrar

Os espaços confinados podem ser encontrados na indústria de papel e celulose, indústria gráfica,
indústria alimentícia, indústria da borracha, do couro e têxtil, indústria naval e operações marítimas,
indústrias químicas e petroquímicas, serviços de gás, serviços de águas e esgoto, serviços de eletri-

4
cidade, serviços de telefonia, construção civil, beneficiamento de minérios, siderúrgicas e metalúr-
gicas, agricultura, agroindústria, entre outros (NIOSH, 1987).

A NR-33 (BRAZIL,2013) propôs uma tabela que exemplifica os espaços confinados encontrados
em diversas industriais e atividades econômicas.

Tabela 1 - Actividade económica e espaços confinados típicos

Fonte: BRASIL, 2013

Segundo MORAES JUNIOR (2008), “um dos grandes problemas das áreas ou espaços confinados
é que nem todas as pessoas sabem como identificá-los, distinguindo-os dos demais locais de traba-
5
lho, e, principalmente, avaliar o risco envolvido nos trabalhos efetuados neste ambiente. Para o
leigo, trabalhar neste ou naquele lugar não faz muita diferença, principalmente no que diz respeito
aos riscos ali presentes”.

Todos os espaços confinados devem ser adequadamente sinalizados, identificados e isolados, para
evitar que pessoas não autorizadas adentrem a estes locais. Antes de um trabalhador entrar num
espaço confinado, a atmosfera interna deverá ser testada por trabalhador autorizado e treinado, com
um instrumento de leitura direta, calibrado e testado antes do uso, adequado para trabalho em áreas
potencialmente explosivas, intrinsecamente seguro, protegido contra emissões eletromagnéticas ou
interferências de radiofrequências, calibrado e testado antes da utilização para as seguintes condi-
ções:
•Concentração de oxigênio;
•Gases e vapores inflamáveis;
•Contaminantes do ar potencialmente tóxicos.

3 INDÚSTRIA MINEIRA

3.1 Breve Notas sobre Industria Mineira em Moçambique

Moçambique é um país dotado de vasta riqueza em recursos naturais incluindo carvão, gás natural,
areias minerais e reservas de petróleo. A diversidade geológica de Moçambique oferece uma vasta
gama de minerais e metais incluindo ouro, urânio, titânio, carvão e bauxite. A cintura de Manica no
oeste de Moçambique é a fonte primária do ouro, cobre, ferro, bauxite e recursos similares no país.
As reservas de gás natural dos campos de Pande/Temane, na província de Inhambane estimam-se
em mais de 5 milhões de TJ. Estima-se que as reservas totais de carvão sejam de pelo menos 6 bili-
ões de toneladas, incluindo as minas de Moatize e Mucanha Vuzi na província de Tete.

A maior parte dos recursos naturais de Moçambique ainda não estão explorados. Desde 2003, a
indústria extractiva de Moçambique tem atraído uma crescente atenção do sector privado. Os fluxos
de capital têm ganhado dimensão e um conjunto de empresas de países como a África do Sul, Rús-
sia, Brasil e Índia, têm estado a comprar acções nas minas ao longo do país, facto que significa a
emergente importância da indústria mineira na economia de Moçambique. Perto de 217 milhões de
6
dólares americanos foram investidos no sector mineiro do país em 2007, acima de 169 milhões de
dólares americanos em 2005.A exploração mineira tornar-se-á muito importante num futuro breve
quando vários mega-projectos começarem a mostrar resultados na produção e na exportação. As-
sim, a implementação da ITIE pode ser uma ferramenta importante para assegurar que os benefícios
resultantes da exploração sejam utilizados para o benefício do País. Os minerais que estão a ser ex-
plorados actualmente incluem titânio, tântalo, mármore, ouro, carvão, bauxite, granito, calcário e
pedras preciosas. Existem também depósitos conhecidos de pegmatitos, platinoides, urânio, bento-
nite, ferro, cobalto, crómio, níquel, cobre, granito, flúor, diatomite, esmeraldas, turmalinas e apatite.
O sector extractivo tem um potencial para contribuir muito mais para a economia nacional do que
aquilo que faz hoje, uma vez que tem atraído grandes investimentos. Em 2006, o sector contribuiu
com 1.6% do PIB, mas projecta-se que esta taxa cresça até 5% em 2011.

Segundo SELEMENA:
“Na indústria extractiva moçambicana (e de vários países em desenvolvimento), as
empresas são a fonte primária de informação que é gerida pelo governo bem como
aquela que é consumida pelo público. Trata-se aqui de informação relacionada com
quantidades, qualidades dos recursos extractivos, que determinam o seu valor. Ou se-
ja, o sistema de valorização dos recursos é totalmente dependente das empresas sem
possibilidade do governo aferir, de forma independente, a veracidade da informação
que lhe é apresentada.

3.2 Empresas Seleccionadas para a Agregação e Reconciliação da ITIEM

3.2.1 Vale Mozambique LTD

Vale Moçambique Ltd é detido por um grupo brasileiro de mineração, Vale (anteriormente, Empre-
sa Vale do Rio Doce).A mina situa-se no Distrito de Moatize, Província de Tete. O depósito de
Moatize constitui uma das maiores reservas conhecidas de carvão de coque que resta em África e é
o único depósito de carvão de coque de alta qualidade conhecido em África.

7
A gigante mineira brasileira teve a concessão mineira de Moatize em 2004, a qual cobre 250 quiló-
metros quadrados. Os trabalhos de construção na mina começaram em Março de 2009. O início das
exportações de carvão está previsto para 2011.

A empresa tem como meta produzir 11 milhões de toneladas de carvão de coque a partir de 2011.
Estima-se que 8.5 milhões de toneladas da produção prevista serão de carvão metalúrgico e 2.5 mi-
lhões de toneladas para o carvão térmico. O carvão metalúrgico é usado para a produção de aço e o
carvão térmico para a geração de energia eléctrica.

3.2.2 Highland African Mining Company (HAMC)

A Highland African Mining Company (HAMC) produz tântalo em Marropino no distrito de Ile, na
Província Central da Zambézia. A empresa é detida pela Noventa Ltd, com 100 por cento das ac-
ções. A HAMC começou a produção em 2003 mas terminou as suas operações em 2009. Retomou
os seus trabalhos em 2010. A empresa opera na restabelecida mina de tantalite de Marropino em
Moçambique, actualmente a única operação mineira de tantalite de escala industrial no país. A em-
presa tem igualmente planos bastante avançados para a construção da segunda mina em Morrua,
cerca de 40 km à norte de Marropino.
O tântalo é usado largamente na indústria electrónica.

3.2.3 Rio Tinto Mining and Exploration Mozambique Ltd.

Rio Tinto Moçambique Ltd., detida em 100% pela Rio Tinto PLC, está envolvido na Prospecção e
Pesquisa de areias pesadas em Moçambique. A empresa tem levado a cabo vastos programas de
perfurações, amostragem e testagem em vários blocos ao longo da costa moçambicana entre
Inhambane e Xai-Xai. Contudo, a empresa Rio Tinto ainda não alcançou o estágio de estudo de
viabilidade, o que significa que a produção pode levar ainda algum tempo.

3.2.4 Kenmare Moma Mining (Mauritius)

A Kenmare Moma Mining (Mauritius) é uma empresa que é 100% detida pela Kenmare Resources
PLC (Irlanda). A Kenmare tem o seu projecto de mineração de titânio no Distrito de Moma na Pro-
víncia de Nampula, localizada na costa nordeste de Moçambique. O depósito cobre três zonas mine-
8
ralizadas costeiras: Moma, Congolane e Quingas. O Projecto de Minerais de Titânio de Moma
compreende um grande depósito dos minerais de titânio, ilmenite, rutílio, assim como zircão (um
co-produto de grande valor da mineração de minerais de titânio). A unidade de Moma iniciou a ope-
ração em 2007.
O pigmento do dióxido de titânio é utilizado em revestimentos de protecção como tintas para viatu-
ras e habitação, protectores solares, plásticos, papel e têxteis, assim como num crescente número de
produtos alimentares e cosméticos.O Zircão é utilizado na produção de opacificadores para telhas
cerâmicas e produtos refractários utilizados nas indústrias de aço e fundição.

3.2.5 Sasol Petroleum Temane Ltd

A Sasol Petróleo, uma empresa de Energia Sul Africana, opera actualmente os Campos de Gás Na-
tural de Pande e Temane na Província de Inhambane com a CMH e IFC. A Sasol Petroleum é o
maior accionista com 70% das acções, sendo as restantes acções partilhadas em 25% pela CMH e
5% pela IFC. O projecto de gás de Pande -Temane inclui um gasoduto, concluído em 2004, cobrin-
do mais de 865 km entre Temane e o complexo de processamento petroquímico de gás de Sasol em
Secunda, na África do Sul. A conclusão do projecto permitiu que Moçambique produzisse, expor-
tasse e vendesse cerca de 85 milhões de gigas joules de gás em 2004/05. Previa-se que esta quanti-
dade aumentasse para 120 milhões de gigas joules em 2008.

3.2.6 Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH)

A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos que é subsidiária da Empresa Nacional de Hidro-


carbonetos (ENH) foi incorporada no dia 20 de Outubro de 2000, em Maputo. A estrutura de parti-
lha de acções da empresa compreende a seguinte divisão: 70% para a ENH, 20% para o Governo de
Moçambique e 10% para entidades corporizadas e indivíduos.
A CMH representa o interesse da ENH nas suas operações da iniciativa conjunta com a Empresa
Sasol Petroleum Temane Ltd na exploração do gás natural de Pande -Temane com 25% das acções.
As partilhas da empresa de classe C pertencentes às entidades corporizadas e indivíduos estão cota-
das na Bolsa de Valores de Moçambique (BMV).

9
3.2.7 Sasol Petroleum Temane Ltd

A Sasol Petroleum, uma empresa de Energia Sul Africana, opera actualmente os Campos de Gás
Natural de Pande e Temane na Província de Inhambane com a CMH e IFC. A Sasol Petroleum é o
maior accionista com 70% das acções, sendo as restantes acções partilhadas em 25% pela CMH e
5% pela IFC. O projecto de gás de Pande -Temane inclui um gasoduto, concluído em 2004, cobrin-
do mais de 865 km entre Temane e o complexo de processamento petroquímico de gás de Sasol em
Secunda, na África do Sul. A conclusão do projecto permitiu que Moçambique produzisse, expor-
tasse e vendesse cerca de 85 milhões de gigas joules de gás em 2004/05. Previa-se que esta quanti-
dade aumentasse para 120 milhões de gigas joules em 2008.

3.3 Riscos na indústria mineira

3.3.1 Os riscos associados à exploração mineira

Na indústria mineira o risco é definido como uma característica física ou química de um material,
processo ou instalação que tem o potencial de causar danos às pessoas e ao ambiente PINO,2002
apud (GONÇALVES, 2011).

Certo será dizer que a indústria mineira hoje tem uma preocupação crescente com os acidentes ex-
ternos e internos ocorridos na exploração, o que a leva a produzir estudos de avaliação de riscos de
forma a poder detetar os chamados pontos fracos ao nível do funcionamento das instalações, assim
como no processo extrativo que inclui as explosões, como dos danos provocados ao ambiente.

3.3.2 Deslizamentos em escombreiras

As modificações na morfologia, a perda de solo, a alteração da qualidade da água, a inevitável per-


da de vegetação e as modificações na rede de drenagem causadas pela exploração e aliadas às es-
combreiras ou mesmo às galerias subterrâneas podem induzir, nas zonas envolventes, um aumento
do risco de desprendimentos, deslizamentos dos taludes, assim como abatimento de terrenos (subsi-
dências) e aumento da carga sólida dos cursos de água, com assoreamentos e consequentes inunda-
ções.

10
Segundo LADEIRA (1999,Pag 98) apud (GONÇALVES, 2011):“Os movimentos de massa embora
dependentes de factores externos como a precipitação, estão no entanto condicionados pelas ca-
racterísticas geológicas e geotécnicas inerentes à escombreira, o que torna este tipo de movimentos
um assunto privilegiado na questão da estabilidade destas”.

Independentemente de existirem inúmeras classificações para este tipo de movimentos, apresenta-


mos de seguida aqueles que nos parecem ser os que apresentam um maior significado para a estabi-
lidade / instabilidade de taludes de escombreiras.

As formas de instabilidade em escombreiras, são apresentadas pelo ITGE (1989, p. 33) e podem
classificar-se tendo em conta a posição da superfície de rotura em:

Superficiais, quando não afectam a base da escombreira;


Profundas, sempre que atingem a base da escombreira.

Podemos identificar os tipos de rotura de acordo com a geometria das mesmas. Assim temos:

Deslizamentos rotacionais (circulares) – próprios de materiais com granulometria fina e com pro-
priedades geotécnicas homogéneas; por regra adopta-se um arco de circunferência para a superfície
de escorregamento;

Deslizamento misto – trata-se de movimentos bastante complexos geralmente associados a escor-


regamentos rotacionais que incluem componentes translacionais e ou do tipo fluxo na sua base;

Deslizamentos translacionais – próprios dos materiais com fortes anisotropias, estas roturas ocor-
rem através de um plano; é um tipo de movimento que poderá ocorrer quando a base de apoio da
escombreira não é suficientemente resistente para suportar o peso dos estéreis.

11
Fig.1- Os principais tipos de rotura em escombreiras, FONTE:GONÇALVES, 2011

Instabilidade de escombreiras, que se traduz geralmente em movimentos de vários tipos, condicio-


nados por diversos factores intrínsecos (tipo de material e granulometria, variações de temperatura e
humidade, queda intensa de precipitação, seja em curtos períodos de tempo ou em períodos mais
longos, efeito de vibrações, mecanismos erosivos, etc.), e que pode ter consequências gravosas para
pessoas e equipamentos, obstrução de vias de comunicação, assoreamento de rios e, por vezes, em
função da quantidade do material deslizado poderá este bloquear provisoriamente a totalidade do
curso de água, funcionando como barragem, criando aqui a acumulação de água a montante.

São normalmente casos como este que assumem um aspecto mais catastrófico pois o efeito momen-
tâneo de barragem ao ser removido, favorece o aparecimento de uma nova frente destruidora de
água e lama, eventualmente contaminada por metais pesados que invariavelmente vão inviabilizar a
prática da agricultura por um largo período de tempo nos campos atingidos pela enxurrada (GUI-
DICINI; NIEBLE 1983).

4 GESTÃO DOS RISCOS

4.1 Analise preliminar de Riscos do espaço confinado

Segundo RANGEL et all:


“Diante da identificação do espaço confinado e obtendo todas as informações
relevantes a segurança do trabalho, tornou-se necessária a execução de uma
APR deste ambiente em cumprimento às determinações da NR-33, mensu-
rando todas as informações necessárias à preservação da vida e da saúde dos

12
trabalhadores que venham a ter a necessidade de executar tarefas no referido
local”.

Conforme consta na tabela abaixo, foram mensurados os riscos (eventos), as suas prováveis causas,
as consequências (danos) e as medidas de controlo (recomendações) relevante ao espaço confinado
escolhido, obtendo-se a APR do mesmo:
Tabela 2 – APR do espaço confinado

Fonte: RANGEL et all

4.2 Riscos em Espaços confinados

Atmosfera de risco é, segundo a NBR 14787 (ABNT, 2001), “condição em que a atmosfera em um
espaço confinado possa oferecer riscos ao local e expor os trabalhadores ao perigo de morte, in-
capacitação, restrição da habilidade para auto resgate, lesão ou doença aguda causada por uma
ou mais das seguintes causas”:

a) Gás/vapor ou névoa inflamável em concentrações superiores a 10% do seu Limite Inferior


de Explosividade (LIE);

b) Poeira combustível viável em uma concentração que se encontre ou exceda o Limite Infe-
rior de Explosividade (LIE);

c) Concentração de oxigênio atmosférico abaixo de 19,5% ou acima de 23% em volume;

d) Concentração atmosférica de qualquer substância cujo limite de tolerância seja publicado


na NR-15 do Ministério do Trabalho e Emprego ou em recomendação mais restritiva, como

13
por exemplo da American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), e
que possa resultar na exposição do trabalhador acima desse limite de tolerância;

e) Qualquer outra condição atmosférica Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde (IPVS).

Relata a NBR 14787 (ABNT, 2001) que todo e qualquer trabalho em espaço confinado,
obrigatoriamente, deverá ter no mínimo duas pessoas, sendo uma delas denominada vigia.
Além disso, deverá desenvolver e implementar procedimentos para os serviços de emergên-
cia especializada e primeiros-socorros para o resgate dos trabalhadores em espaços confina-
dos. Desenvolver e implementar um procedimento para preparação, emissão, uso e cancela-
mento de permissões de entrada. Desenvolver e implementar procedimentos de coordenação
de entrada que garantam a segurança de todos os trabalhadores, independentemente de haver
diversos grupos de empresas no local. Interromper as operações de entrada sempre que sur-
gir um novo risco de comprometimento dos trabalhos.
Circunstâncias que requerem a revisão da permissão de entrada em espaços confinados, porém não
limitada a estas:

a) Qualquer entrada não autorizada num espaço confinado;

b) Detecção de um risco no espaço confinado não coberto pela permissão;

c) Detecção de uma condição proibida pela permissão;

d) Ocorrência de um dano ou acidente durante a entrada;

e) Mudança no uso ou na configuração do espaço confinado;

f) Queixa dos trabalhadores sobre a segurança e saúde do trabalho.

Contudo os riscos que trabalhadores podem estar sujeitos no espaço confinado são:

• Falta ou excesso de oxigénio;

14
• Incendio ou explosão, pela presença de vapores e gases inflamáveis.

• Intoxicações por substâncias químicas;

• Infecções por agentes biológicos

• Afogamentos

• Soterramentos

• Quedas

• Choques eléctricos

4.3 Riscos ambientais

Consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes
de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são
capazes de causar danos à saúde do trabalhador (BRASIL, 2014).

4.3.1 Físicos

Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar expostos os traba-
lhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizan-
tes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom. Destes riscos físicos o ruído,
calor, radiações não ionizantes e umidade são encontrados com frequência nos espaços confinados.
O nível de pressão sonora muitas vezes provoca efeitos indesejáveis pela sua reflexão nas paredes e
teto do espaço confinado (BRASIL, 2013). O ruído poderá atingir níveis excessivos, por meio da
utilização de máquinas e equipamentos no interior do espaço confinado. Para isso deve ser levado
em consideração a intensidade e o tempo de exposição conforme mostrado na tabela 3 (BRASIL,
2011).

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Segundo TALON; MARQUES (2011) ” a temperatura no interior do espaço confinado deve estar
abaixo de 45º C. Garantir o fluxo de ar (insuflamento/exaustão) é de extrema importância para
baixar a temperatura dentro dos espaços confinados”.

O calor é intensificado pela circulação reduzida do ar, aquecimento de superfícies e equipamentos


no interior do espaço confinado e radiação solar constante (BRASIL,2013).

Para atenuar os efeitos do calor sobre os trabalhadores, deve-se revezar e manter a adequada hidra-
tação dos mesmos. Presentes em intensidades elevadas nas operações de soldagem, as radiações não
ionizantes, como a infravermelha e a ultravioleta apresentam aumento risco ao trabalhador visto que
a instalação de biombos é difícil (BRASIL, 2013).

Tabela 3 – Limites de tolerância para ruido contínuo ou intermitente.

Fonte: BRASIL, 2013

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BRASIL (2013) relata que nos espaços confinados, muitas vezes o nível do piso é inferior ao nível
do lençol freático, dificultando a retirada de líquidos de dentro dos espaços confinados, e, conse-
quentemente favorecendo a ocorrência de umidade. A presença de umidade pode encharcar o uni-
forme e botas do trabalhador, nas atividades realizadas em galerias, tanques, poços subterrâneos,
praça de máquinas, entre outros espaços confinados.

4.3.2 Químicos

Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no


organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores,
ou que, pela natureza da actividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo orga-
nismo através da pele ou por ingestão. A presença de contaminantes e a deficiência de oxigênio
podem provocar a intoxicação, asfixia (simples ou química) e, eventualmente, a morte dos trabalha-
dores.
Os contaminantes (aerodispersóides, gases ou vapores) podem ser gerados pelas substâncias arma-
zenadas, pela decomposição de matéria orgânica, por vazamentos, ou pela atividade desenvolvida
no espaço confinado.
O uso de motores à combustão é proibido em espaços confinados, pois, segundo BRASIL (2013),
geram dióxido de carbono (asfixiantes simples) e monóxido de carbono (asfixiante químico), que
podem formar uma atmosfera imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde (IPVS), e a ventilação geral
normalmente não é capaz de diluir os contaminantes gerados em grandes concentrações.
A oxidação normal de estruturas metálicas, a presença de bactérias, as operações que envolvam
chamas abertas, a liberação ou formação de asfixiantes simples como o argônio, nitrogênio, metano
e dióxido de carbono e o consumo de ar pelos trabalhadores dentro do espaço confinado são alguns
dos processos que também diminuem o percentual de oxigénio no seu interior. A descontaminação
do espaço confinado é crucial para a liberação dos trabalhos no seu interior (BRASIL, 2013).

4.3.3 Biológicos

Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre
outros micro-organismos que podem afetar a saúde dos trabalhadores. BRASIL (2013) afirma que
os espaços confinados possuem condições propícias para a proliferação de micro-organismos e al-

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gumas espécies de animais, em virtude da umidade alta, iluminação deficiente, água estagnada e
presença de nutrientes.
Animais como ratos, morcegos, pombos e outros, que possuem acesso fácil a espaços confinados, e
os utilizam como abrigo contra seus predadores, são vetores de doenças transmissíveis ou hospedei-
ros intermediários. Cobras, insetos e outros artrópodes podem provocar intoxicações e doenças. Nos
espaços confinados podem ser encontradas poeiras que contenham material biológico potencial-
mente patogênico, pela presença de excrementos, urina, saliva e demais fluidos orgânicos proveni-
entes desses animais.

4.3.4 Ergonômicos

O tamanho e a geometria da abertura de entrada dos espaços confinados dificultam muitas vezes o
acesso e a movimentação nos mesmos, fazendo com que algumas atividades sejam executadas com
postura desconfortável e excesso de esforço. A realização de revezamento de trabalhadores, a orga-
nização, evitando entrada e saídas desnecessárias, minimizam os riscos (BRASIL, 2013).

A NR-09 (BRASIL, 2014) estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação do Progra-


ma de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) por parte de todos os empregadores. Através do
PPRA é possível antecipar, reconhecer, avaliar e controlar os riscos ambientais (físicos, químicos e
biológicos) existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho. O objetivo principal do
PPRA é a preservação da saúde e da integridade dos empregados (BRASIL, 2014).

4.3.5 Programa de entrada em espaço confinado

Manter permanentemente um procedimento de permissão de entrada que contenha a permissão de


entrada, arquivando-a.

Implantar as medidas necessárias para prevenir as entradas não autorizadas. Identificar e avaliar os
riscos dos espaços confinados antes da entrada dos trabalhadores. Providenciar treinamento periódi-
co para os trabalhadores envolvidos com espaços confinados sobre os riscos a que estão expostos,
medidas de controlo e procedimentos seguros de trabalho. Manter por escrito os deveres dos super-

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visores de entrada, dos vigias e dos trabalhadores autorizados com os respectivos nomes e assinatu-
ras.
Implantar o serviço de emergências e resgate mantendo os membros sempre à disposição, treinados
e com equipamentos em perfeitas condições de uso. Providenciar exames médicos admissionais,
periódicos e demissionais. É importante salientar que sejam feitos exames complementares, requisi-
tados pelo médico do trabalho, de acordo com a avaliação do tipo de espaço confinado.

Desenvolver e implementar os meios, procedimentos e práticas necessárias para operações de en-


tradas seguras em espaços confinados, incluindo, mas não limitado, aos seguintes:

a) Manter o espaço confinado devidamente sinalizado e isolado, providenciando barreiras


para proteger os trabalhadores que nele entrarão;

b) Proceder a manobras de travas e bloqueios, quando houver necessidade;

c) Proceder a avaliação da atmosfera quanto à presença de gases ou vapores inflamáveis, ga-


ses ou vapores tóxicos e concentração de oxigênio; antes de efetuar a avaliação da atmosfe-
ra, efetuar teste de resposta do equipamento de detecção de gases;

d) Proceder a avaliação da atmosfera quanto à presença de poeiras, quando reconhecido o


risco;

e) Purgar, inertizar, lavar ou ventilar o espaço confinado, para eliminar ou controlar os riscos
atmosféricos;

f) Proceder avaliação de riscos físicos, químicos, biológicos e/ou mecânicos.

4.3.6 Equipamentos

Deverão estar disponíveis os seguintes equipamentos, sem custo aos trabalhadores, funcionando
adequadamente e assegurando a utilização correta:

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a) Equipamento de sondagem inicial e monitorização contínua da atmosfera, calibrado e testado
antes do uso, adequado para trabalho em áreas potencialmente explosivas. Os equipamentos que
forem utilizados no interior dos espaços confinados com risco de explosão deverão ser instrin-
secamente seguros e protegidos contra interferência eletromagnética e radiofrequência, assim
como os equipamentos posicionados na parte externa dos espaços confinados que possam estar
em áreas classificadas;

b) Equipamento de ventilação mecânica para obter as condições de entrada aceitáveis, através


de insuflamento e/ou exaustão de ar. Os ventiladores que forem instalados no interior do espaço
confinado com risco de explosão deverão ser adequados para trabalho em atmosfera potencial-
mente explosivas, assim como os ventiladores posicionados na parte externa dos espaços confi-
nados que possam estar em áreas potencialmente explosivas;

c) Equipamento de comunicação, adequado para trabalho em áreas potencialmente explosivas;

d) Equipamentos de proteção individual e movimentadores de pessoas adequados ao uso em


áreas potencialmente explosivas;

e) Equipamento para atendimento pré-hospitalar;

f) Equipamento de iluminação, adequado para trabalho em áreas potencialmente explosivas.

4.3.7 Reconhecimento e avaliação

Reconhecer os espaços confinados existentes, cadastrando-os e sinalizando-os. Restringir o acesso a


todo e qualquer espaço que possa propiciar risco à integridade física e à vida. Garantir a divulgação
da localização e da proibição de entrada em espaço confinado para todos os funcionários não auto-
rizados. Designar as pessoas que têm obrigações ativas nas operações de entrada, identificando os
deveres de cada trabalhador, e providenciar o treinamento requerido. Testar as condições nos espa-
ços confinados para determinar se as condições de entrada são seguras. Monitorar continuamente as
áreas onde os trabalhadores autorizados estiverem operando.

20
4.4 Procedimento de permissão de entrada

Antes que a entrada seja autorizada, o empregador, ou seu representante com habilitação legal,
deverá documentar o conjunto de medidas necessárias para a preparação de uma entrada segura.
Antes da entrada, o supervisor, identificado na permissão, deve assinar a permissão de entrada para
autorizá-la. A permissão completa estará disponível para todos os trabalhadores autorizados, pela
sua fixação na entrada ou por quaisquer outros meios igualmente efetivos.

A permissão de entrada será encerrada ou cancelada quando:

a) As operações de entrada cobertas tiverem sido completadas;

b) Uma condição não prevista ocorrer dentro ou nas proximidades do espaço confinado;

c) Houver a saída, pausa ou interrupção dos trabalhos em espaços confinados.

4.4.1 Permissão de entrada

A permissão de entrada que documenta a conformidade das condições locais e autoriza a entrada
em cada espaço confinado, deve identificar:

a) Espaço confinado a ser adentrado;

b) Objetivo da entrada;

c) Data e duração da autorização da permissão de entrada;

d) Trabalhadores autorizados a entrar num espaço confinado, que devem ser relacionados e identifi-
cados pelo nome e pela função que irão desempenhar;

e) Assinatura e identificação do supervisor que autorizou a entrada;

f) Riscos do espaço confinado a ser adentrado;

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g) Medidas usadas para isolar o espaço confinado e para eliminar ou controlar os riscos do espaço
confinado antes da entrada.

4.4.2 Treinamento

O empregador, ou seu representante com habilitação legal, deve providenciar treinamento inicial e
periódico de tal forma que todos os trabalhadores envolvidos com a questão do espaço confinado
adquiram capacitação, conhecimento e habilidades necessárias para o desempenho seguro de suas
obrigações designadas.
Deverá ser providenciado o treinamento:

a) Antes que o trabalhador tenha as suas obrigações designadas;

b) Antes que ocorra uma mudança nas suas obrigações designadas;

c) Sempre que houver uma mudança nas operações de espaços confinados que apresentem um risco
sobre qual trabalhador não tenha sido previamente treinado;

d) Sempre que houver uma razão para acreditar que existam desvios nos procedimentos de entrada
nos espaços confinados ou que os conhecimentos dos trabalhadores não forem adequados (insufici-
entes ou impróprios) ou no uso destes procedimentos.

O treinamento deve estabelecer para o trabalhador proficiência nos deveres requeridos e introduzir
procedimentos novos ou revisados, sempre que necessário. O empregador, ou seu representante
com habilitação legal, deve assegurar que o treinamento requerido tenha sido realizado.

O conteúdo mínimo programático requerido de treinamento é:


a) Definição de espaço confinado;

b) Riscos de espaço confinado;

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c) Identificação de espaço confinado;

d) Avaliação de riscos;

e) Controle de riscos;

f) Calibração e/ou teste de resposta de instrumentos utilizados;

g) Certificado do uso correto de equipamentos utilizados;

h) Simulação;

i) Resgate;

j) Primeiros-socorros;

k) Ficha de permissão.

4.4.3 Sinalização

Apesar de não existir sinalização específica para trabalhos em espaços confinados na legislação,
pode-se colocar uma placa com informação adicional, que pode identificar os principais riscos e
informar quais são as medidas obrigatórias.

Fig. 2- Sinais de Perigos, Fonte: RANGEL et al

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5 CONCLUSÃO

Findo o presente trabalho, conclui – se que as actividades exercidas em espaços confinados na in-
dustria mineira ou em outro sector apresentam riscos que precisam ser geridos para trabalhar se com
máxima segurança possível. As empresas são responsáveis por garantir aos trabalhadores, requisitos
e um programa de entrada em espaço confinado para a execução das actividades com segurança.
Com isto, é obrigatório que a empresa apresente uma equipe de resgate bem treinada para fazer
frente há acidentes que possam surgir.

Contudo devem ser estabelecidas medidas de controle de risco, de acordo com tipo de risco que
apresenta um determinado espaço confinado, de modo prevenir que no processo de resgate possa
acontecer eventualidades que garantam insegurança da equipe de resgate.

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6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14606. Postos de serviço – Entra


da em espaço confinado. Rio de Janeiro, 2000

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR nº 14.787 Espaço Confinado – Preven-
ção de acidentes, procedimentos e medidas de proteção. São Paulo: ABNT. 2001.

NBR 14787: Espaço confinado - Prevenção de acidentes, procedimentos e medidas de proteção.


Rio de Janeiro, 2001.

Normas Regulamentadoras 33: Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Brasília
- DF, 2006.

MORAES, GIOVANNI. Normas Regulamentadoras Comentadas. Rio de Janeiro, 2009. Ed: Verde
Editora e Livraria Virtual.

MORAES JUNIOR, Cosmo Palasio de. Espaços confinados. 2008. Disponível em:
<http://www.cpsol.com.br/website/artigo.asp?cod=1872&idi=1&id=4123>. Acesso em: 05 de abr.
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NIOSH, National Institute for Occupational Safety and Health. A Guide to Safety in Confined
Spaces. 1987. Disponível em: <http://www.cdc.gov/niosh/docs/87-113/>. Acesso em: 2 de abr.
2020.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma regulamentadora nº 33 - Segurança e saúde


nos trabalhos em espaços confinados. 2012.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma regulamentadora nº 9 - Programa de preven-


ção de riscos ambientais. 2014.

25
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do Trabalho e Emprego. 2013.

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do Trabalho e Emprego. 2013.

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ografia e Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território: 2011.Pag. 131-142

SELEMANE,Thomas.Acesso a informação sobre indústria Extractiva em Moçambique.Sekelekani

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