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Discente: Lauro José Cardoso

Docente: Carlos Costa


Disciplina: Teorias do Patrimônio Cultural

Resenha

Camillo Boito, conforme Beatriz Kuhl, foi uma das figuras de destaque do
século XIX, tendo sido arquiteto, restaurador, historiador e outras profissões. Mas foi
enquanto restaurador e teórico que ficou consagrado na historiografia da restauração. De
uma forma geral, Boito percebe restauração "como um mal necessário", chegando a
comparar esse ato do restauro à atuação de um cirurgião. Boito faz a construção da sua
teoria com o intuito de estabelecer princípios de restauração com recursos mais
equilibrados e ponderados, pois como é dito no texto de Kuhl, o autor preconizava por
"uma espécie de domesticação" do restauro, num momento em que muitos não eram de
acordo e desprezavam tal prática restaurativa e arquitetônica, ainda na época muito
associada a Violet-Le-Duc. Por exemplo, no que tânge as esculturas, existe a
consideração por parte de Boito que, não se pode fazer qualquer tentativa de
restauração, cuja condução pode levar ao perigo e erro. Lembrando que, o autor também
acreditava que aquelas restaurações que já foram realizadas, "não possuíam valor
artístico, capaz de ser justificado em termos de manutenção, "aconselhando que todos os
acréscimos fossem retirados sem remissão".
Tratava-se de um intelectual, que possuía múltiplas funções tanto como
arquiteto, restaurador, professor e teórico em constante busca e inovação, pelos seus
textos escritos e os seus projetos, que sem margem para dúvidas abriu "novos caminhos
para a arte de seu tempo, em meio a um momento cultural complexo e paradoxal", tal
como a própria obra Os Restauradores. Que por exemplo dividiu a restauração
arquitetônica em três diferentes tipos: arqueológica, pictórica e arqueológica, para além
de enumerar oito princípios de evidências que "as intervenções não são antigas".
Desta forma, parafraseando Camillo Boito, o bom restauro precisa ser precedido
de um bom entendimento e amor ao monumento em que se pretende restaurar. Ainda no
seu texto, Boito faz uma distinção entre os conceitos de restaurar e conservar, em que o
mesmo trata os restauradores enquanto "homens quase sempre supérfluos e perigosos".
Logo, de uma forma resumida, as contribuições de Boito são contrárias tanto aos ideais
restaurativos preconizados por Violet e Ruskin, buscando, se podemos assim dizer, um
meio-termo na restauração, na qual só poderá ser usada em termos e casos de extrema
necessidade, a partir de concepções como distinguibilidade e mínima intervenção,
princípios esses que são, atualmente, preconizados.