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Estruturas Pedagógicas

Direção-Geral dos Estabelecimentos


Área disciplinar de Biologia e Geologia
Escolares Ano letivo 2020/2021
Direção de Serviços da Região Centro

Os sismos, tremores de terra ou terramotos (sismos catastróficos) constituem um fenómeno geológico


que sempre aterrorizou as populações que vivem em determinadas zonas da Terra.

Sismos, são abalos naturais da crosta terrestre que ocorrem num período de tempo restrito, em
determinado local, e que se propagam em todas as direcções (Ondas Sísmicas), dentro e à superfície da
crosta terrestre, sempre que a energia elástica (movimento ao longo do plano de Falha) se liberta
bruscamente nalgum ponto (Foco ou Hipocentro). Ao ponto que, na mesma vertical do hipocentro, se
encontra à superfície terrestre dá-se o nome de Epicentro, quase sempre rodeado pela região
macrossísmica, que abrange todos os pontos onde o abalo possa ser sentido pelo Homem.

Bloco-diagrama mostrando uma representação esquemática do foco ou hipocentro, plano de falha e


epicentro.

Qualquer material rígido, de acordo com as leis físicas, quando submetido à acção de forças (pressões e
tensões) deforma-se até atingir o seu limite de elasticidade. Caso a acção da força prossiga o material entra
em ruptura, libertando instantaneamente toda a energia que havia acumulado durante a deformação
elástica. Em termos gerais, é aquilo que se passa quando a litosfera fica submetida a tensões. Sob o efeito
das tensões causadas, a maior parte das vezes, pelo movimento das Placas Tectónicas, a litosfera acumula
energia.

Logo que, em certas regiões, o limite de elasticidade é atingido, dá-se uma ou várias rupturas que se
traduzem por falhas. A energia bruscamente libertada ao longo destas falhas origina os sismos. Se as
tensões prosseguem, na mesma região, a energia continua a acumular-se e a ruptura consequente far-se-á
ao longo dos planos de falha já existentes. As forças de fricção entre os dois blocos de uma falha, bem como
os deslocamentos dos blocos ao longo do plano de falha, não actuam nem se fazem sentir de maneira
contínua e uniforme, mas por "impulsos" sucessivos, originando cada "impulso" um sismo, as chamadas
réplicas. Numa dada região, os sismos repetem-se ao longo do plano de falha, que por sua vez é um plano
de fraqueza na litosfera.

Compreende-se então porque é que os sismos se manifestam geralmente pelo abalo principal, logo no
seu início. Só no momento em que as tensões levaram as rochas rígidas e dotadas de certa elasticidade ao
"potencial de ruptura" é que esta se produziu, oferecendo um duplo carácter de violência e instantaneidade.
Mas depois da ruptura inicial, verifica-se uma série de rupturas secundárias, as quais correspondem ao
reajustamento progressivo das rochas fracturadas, originando sismos de fraca intensidade as já referidas
réplicas. Acontece que, por vezes, antes do abalo principal observam-se sismos de fraca intensidade
denominados por abalos premonitórios.

De notar que os sismos só se produzem em material rígido. Por consequência, os sismos produzem-se
sempre na litosfera, jamais na astenosfera que é constituída por material plástico.
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As ondas sísmicas propagam-se através dos corpos por intermédio de movimentos ondulatórios, como
qualquer onda, dependendo a sua propagação das características físico-químicas dos corpos atravessados.

As ondas sísmicas classificam-se em dois tipos principais: as ondas que se geram nos focos sísmicos
e se propagam no interior do globo, designadas ondas interiores, volumétricas ou profundas (ondas
P e S), e as que são geradas com a chegada das ondas interiores à superfície terrestre, designadas
por ondas superficiais (ondas L e R). No mesmo contexto referimos as ondas primárias, longitudinais,
de compressão ou simplesmente ondas P, ondas transversais, de cisalhamento ou simplesmente
ondas S, ondas de Love ou ondas L e ondas de Rayleigh ou ondas R.

Ondas P são ondas de compressão semelhantes às ondas sonoras e propagam-se em todos os


estados da matéria. As partículas afectadas deslocam-se na direcção de propagação da onda, com
velocidades que oscilam entre 6 e 13,6 Km/s.

Ondas S produzem nas partículas afectadas movimentos perpendiculares à direcção de propagação


da onda, com velocidades de propagação entre 3,7 e 7,2 Km/s. Não se propagam em meios fluídos.

Ondas L são ondas superficiais, propagam-se pela superfície terrestre e as partículas deslocam-se
segundo um plano horizontal. Imprimem ao solo movimentos de vibração lateral. Nos sismos com
focos pouco profundos, são as que transportam mais energia e as que têm efeitos mais destruidores.

Ondas R são de período longo e produzem nas partículas afectadas movimentos elípticos sobre
planos verticais e em sentido oposto à direcção de propagação. São semelhantes a vagas.

As ondas sísmicas são detectadas e registadas nas estações sismográficas por aparelhos chamados
sismógrafos. Os sismógrafos mais antigos eram, essencialmente, constituídos por um pêndulo (vertical ou
horizontal) ao qual eram acoplados diversos mecanismos de amplificação, de amortecimento e de registo.

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Alguns destes sismógrafos ainda se encontram em pleno funcionamento. Os sismógrafos mais modernos são
do tipo electromagnético. Os registos efectuados por estes aparelhos são os sismogramas, cuja
interpretação, reservada a especialistas, consiste no reconhecimento e na leitura dos tempos de chegada das
ondas sísmicas, permitindo calcular a que distância se encontra o epicentro de um determinado sismo, a
chamada distância epicentral. Deste modo, com os dados fornecidos por três estações sismográficas é
possível determinar a localização exacta do epicentro de um sismo.

Os sismos não apresentam uma distribuição aleatória à superfície do planeta Terra, mas estão repartidos
de acordo com um padrão bem definido. Esta repartição ordenada encaixa perfeitamente na Tectónica de
Placas, particularmente, no que concerne aos limites das zonas de subducção (fossas).

As regiões sísmicas encontram-se sobretudo nas fronteiras das placas litosféricas. Existe uma
sismicidade (termo que traduz a frequência dos sismos numa dada região) difusa fora daqueles limites
denominada sismicidade intraplacas. A maioria dos sismos observam-se nas fronteiras das placas, bem
como a maior parte da actividade vulcânica. Estes sismos são denominados sismos tectónicos. Podemos
dizer, sem cometer um erro grosseiro, que os alinhamentos dos sismos indicam os limites das placas
tectónicas.

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Distribuição dos sismos, assinalados pelos pontos negros, registados no último século. Compare
com os limites das placas tectónica.

Senão vejamos a distribuição geográfica das principais zonas sísmicas:


1) Zona do Círculo Circum-Pacífico - esta zona rodeia o oceano Pacífico, abrangendo as costas do
México e da Califórnia, Golfo do Alasca, Arquipélago das Aleutas, Península de Camechátca, as Curilhas e a
costa oriental do Japão, dividindo-se a partir daqui em dois ramos:
a) um que atravessa a Formosa e Filipinas;
b) o outro seguindo as Ilhas Polinésias (Marianas e Carolinas Ocidentais ).
Os dois ramos unem-se na Nova Guiné, costeando, seguidamente, o bloco firme da Austrália, seguindo
até às ilhas Fiji e Kermadec, Nova Zelândia até ao continente Antárctico. Prossegue pela Cordilheira dos
Andes, ao longo do litoral ocidental da América do Sul, passando pelas ilhas de Páscoa e Galápagos. O
círculo fecha-se com um pequeno anel que passa pelo Arquipélago das Caraíbas.

2) Zona de ondulação alpina da Europa e da Ásia - tem início na África do Norte e na Espanha e
estende-se, depois, com largura crescente, até aos altos planaltos do Pamir ( NW dos Himalaias no
Tajiquistão ), descendo, em seguida, pela Cordilheira Birman ( SE dos Himalaias ), passando à costa
ocidental da Indonésia, onde vai encontrar-se com o Círculo Circum-Pacífico.

3) Zona da Dorsal Meso-Atlântica - zona sísmica que segue a cadeia de montanhas submarinas ao
longo de toda a dorsal meso-oceânica Atlântica. Passa pela Islândia e os Açores, bifurcando-se a oeste de
Portugal para alcançar a região mediterrânica.

4) Zona compreendida entre a costa meridional da Arábia e a ilha de Bouvet, no oceano Antárctico
- zona sísmica análoga à do Atlântico ( placas divergentes ), está relacionada com a cadeia dos altos fundos
que separa o oceano Índico em duas partes.
Para completar este inventário de geografia sísmica, assinalamos a sismicidade do Grande Rift Africano,
marcado pela sucessão dos Grandes Lagos e das regiões vizinhas de fractura do Mar Vermelho.

Nas dorsais meso-oceânicas (médio-oceânicas), bem como nas falhas transformantes, originam-se
numerosos sismos de intensidade moderada. Estes produzem-se a uma profundidade, abaixo do fundo
oceânico, entre 1.000 a 2.000 metros e, praticamente, não afectam o homem.
Nas zonas de subducção têm origem sismos superficiais (profundidade do foco até 80 Km), muito
embora, os sismos superficiais ocorram particularmente ao longo das dorsais meso-oceânicas (limites
divergentes), intermédios (profundidade do foco entre 80 e 300 Km, concentrando-se, particularmente, nos
limites convergentes) e profundos (profundidade do foco entre 300 e 700 Km, encontrando-se unicamente
nos limites convergentes). É aqui que se originam os terramotos mais violentos e também os mais mortíferos,
por causa da sua situação geográfica, frequentemente, localizada em regiões de forte densidade
populacional (Chile, Japão, México).

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Ocorrências sísmicas mostradas segundo a profundidade da localização do foco ou hipocentro.
Legenda: amarelo (superficiais) = profundidade do foco até 25 Km; vermelha (intermédios) =
profundidade do foco entre 26 e 75 Km; negra (profundos) = profundidade do foco entre 76 e 660 Km

Uma boa ilustração da sismicidade, bem como a sua relação directa com a Tectónica de Placas, são os
mapas históricos, representados em baixo, dos sismos de África e da América do Sul. Eles mostram a
repartição dos sismos função da profundidade do foco.

O mapa mostra a distribuição dos sismos de África, ocorridos entre 1977 e 1997, função da
profundidade do foco.

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O mapa mostra a distribuição dos sismos da América do Sul, ocorridos entre 1975 e 1995, função da
profundidade do foco.

Alguns sismos são acompanhados de fenómenos secundários, tais como ruídos sísmicos, alteração do
caudal ou nível em fontes, poços e águas subterrâneas, surgimento de fumarolas vulcânicas...e formação de
tsunamis ou maremotos.

Tsunami é uma palavra japonesa representada por dois caracteres. O do topo lê-se "tsu" que significa
"porto" e o da base "nami" que significa "onda".

Os tsunamis são enormes vagas oceânicas que, quando se abatem sobre as regiões costeiras, têm
efeitos catastróficos. Estas vagas chegam a atingir alturas superiores a 15 metros e, contrariamente às ondas
causadas pelo vento, envolvem toda a massa de água, isto é, desde o fundo marinho à crista da onda.

Constituem, pois, verdadeiras "montanhas de água" deslocando-se a velocidades que chegam a atingir
700 Km por hora. Frequentemente avançam e recuam repetidamente sobre as regiões mais baixas com um
enorme poder destruidor, dando origem ao que é designado por raz de maré.

Os tsunamis podem ser provocados por deslizamentos de terras nos fundos oceânicos, erupções
vulcânicas, explosões, queda de meteoritos e sismos. Normalmente são provocados por abalos sísmicos
com epicentro no oceano, os quais causam variações bruscas dos fundos oceânicos.

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Vista aérea da região costeira da Ilha Chiloe, no Chile, mostrando os estragos provocados pelo
tsunami de 22 de Maio de 1960. O epicentro do sismo, com o foco a 33 Km de profundidade, localizou-
se no Pacífico a sul da região central do Chile.

Os tsunamis podem percorrer grandes distâncias a partir do epicentro do sismo causador. Em 1960, um
tsunami do Pacífico (ver fotografia acima) com origem a sul do Chile, após 7 horas atingiu a costa do Havai,
onde matou 61 pessoas; 22 horas após o sismo, o tsunami já tinha percorrido 17.000 Km, atingindo a costa
do Japão em Hocaido, onde matou 180 pessoas.

O Japão é uma das regiões do Pacífico mais afectadas pelos tsunamis. Em 1896, um tsunami "engoliu"
aldeias inteiras ao longo de Sanriku, no Japão, tendo matado cerca de 26.000 pessoas.

Os efeitos dos tremores de terra, da maneira como se manifestam aos sentidos do homem, têm sido
classificados por ordem de importância. As primeiras tentativas para a avaliação da intensidade dos sismos
foram feitas no século XVII, decorrentes da necessidade de avaliar os abalos sísmicos no Sul de Itália.

A escala era rudimentar. Os sismos eram classificados em ligeiros, moderados, fortes e muito fortes. Mais
tarde desenvolveram-se escalas mais pormenorizadas com 12 graus, como a Escala Modificada de
Intensidades de Mercalli, constituída por 12 graus de intensidades estabelecidos de acordo com um
questionário-padrão, segundo a intensidade crescente do sismo.

O recurso à utilização das intensidades tem a vantagem de não necessitar de medições realizadas com
instrumentos, baseando-se apenas na descrição dos efeitos produzidos. Tem ainda a vantagem de se aplicar
quer aos sismos actuais, quer também aos sismos ocorridos no passado (sismicidade histórica).

Contudo, tem vários inconvenientes importantes, sendo, talvez, o mais importante aquele que resulta da
sua subjectividade. Face a esta limitação, era natural que se procurasse criar uma nova grandeza que fosse
independente do factor subjectividade.

Esta nova grandeza é a magnitude. A magnitude está relacionada com a quantidade de energia libertada
durante um sismo. Em 1931, Wadati, cientista japonês concebeu uma escala para esta grandeza, que foi
posteriormente aperfeiçoada nos Estados Unidos por Richter, pelo que ficou conhecida pela designação de
escala de Richter. O modo como se pretende determinar a energia libertada pelo sismo assenta na medição
da amplitude máxima das ondas registadas nos sismogramas. Foram definidos nove graus para a escala de
Richter.

O valor da magnitude correspondente a cada grau, é dez vezes superior ao valor anterior. Assim, por
exemplo, a diferença entre a quantidade de energia libertada num sismo de magnitude 4 e um outro de
magnitude 7, é de 30X30X30=27.000 vezes.

Um determinado sismo possui apenas uma só magnitude, mas é sentido com intensidade diferente
conforme a distância do local ao epicentro.

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Graus de
intensidade da  
Escala Designação Efeitos
Modificada de  
Mercalli
I Imperceptível Não é sentido pelas pessoas. Pássaros e outros animais podem manifestar
uma certa inquietude. Apenas registado pelos sismógrafos.
II Fraco Sentido apenas por algumas pessoas em repouso, particularmente as que se
encontram em andares superiores dos edifícios. Objectos suspensos oscilam.
III Ligeiro Sentido apenas pelas pessoas que se encontram em casa, assemelhando-se
a uma vibração provocada pela passagem de um veículo pesado a grande
velocidade.
IV Moderado Abalo perceptível pela maioria das pessoas, quer ao nível do solo quer nos
edifícios. Vibração de portas e janelas, loiças nos armários e ranger do
soalho. Ligeiras oscilações de alguns automóveis parados.
V Ligeiramente forte Sentido por toda a população. Os objectos suspensos oscilam; móveis podem
deslocar-se; nas paredes e tectos, podem surgir pequenas fendas; estuques e
cal podem cair das paredes e tectos; paragem dos pêndulos dos relógios.
VI Forte Sismo sentido por todas as pessoas, que entram em pânico saindo
precipitadamente para a rua; os sinos das igrejas tocam espontaneamente.
VII Muito forte As pessoas têm dificuldade em permanecer em pé durante o abalo principal.
Nas construções surgem fendas. Alterações nas nascentes. Produzem-se
ondas na superfície dos tanques com água e as águas turvam-se. Sentido nos
automóveis em movimento.
VIII Destruidor Pânico na população. As construções sólidas e com boas fundações sofrem
alguns danos, os outros sofrem danos acentuados com desabamentos. Caem
chaminés de fabricas. Dão-se derrocadas de terrenos. Surgem fendas no
solo. A condução dos veículos pesados é perturbada. Variação do nível da
água nos poços.
IX Ruinoso Desmoronamento de alguns edifícios. Há danos consideráveis em
construções muito sólidas. Rotura de canalizações subterrâneas. Queda de
pontes. Deformação das linhas férreas. Largas fendas no solo.
X Desastroso Destruição da maior parte dos edifícios. Forte movimentação de terrenos.
Desmoronamento de estradas e barragens. Transbordamento de água em
canais, lagos e rios.
XI Muito desastroso Destruição da quase totalidade dos edifícios, mesmo os mais sólidos. Caem
pontes, diques e barragens. Destruição da rede de canalizações e das vias de
comunicação. Formam-se grandes fendas no terreno, acompanhadas de
desligamentos. Há grandes escorregamentos de terrenos.
XII Catastrófico Destruição total da área afectada. Profundas alterações nas montanhas,
vales, cursos de água, enfim de toda a topografia.