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UFCD 3450

Maneio diário e
bem-estar do cavalo

Cláudia Rachão

Dezembro de 2020
ÍNDICE
PLANO DE FORMAÇÃO ......................................................................................................... 3
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 4
1. ALIMENTOS ...................................................................................................................... 5
1.1. Energia fornecida pelo Alimento ............................................................................... 5
1.2. Qualidade de um alimento .......................................................................................... 6
1.3. Tipos de Alimentos ...................................................................................................... 6
1.4. Exigências de nutrição .............................................................................................. 13
1.5. Atividades reprodução e lactação ............................................................................ 14
1.6. Crescimento ............................................................................................................... 15
1.7. Trabalho ou exercício................................................................................................ 15
1.8. Maneio alimentar ...................................................................................................... 16
1.9. Regras Gerais: ........................................................................................................... 16
1.10. Como e quando alimentar um cavalo .................................................................. 17
1.11. Frequência e horário das refeições ...................................................................... 17
1.12. Alimentação em grupo .......................................................................................... 18
1.13. Alimentação Individual......................................................................................... 19
1.14. Estimativa do peso vivo......................................................................................... 19
2. CUIDADOS E MANUTENÇÃO DOS CAVALOS, DAS INSTALAÇÓES E DOS
EQUIPAMENTOS .................................................................................................................... 21
2.1. Limpeza de instalações.............................................................................................. 21
2.2. Limpeza de arreios e acessórios ............................................................................... 23
2.3. Limpeza dos cavalos .................................................................................................. 24
2.4. Arreios e equipamentos utilizados ........................................................................... 28
2.5. Aparelhação ............................................................................................................... 31
2.6. Aplicação de diversos equipamentos ....................................................................... 37
2.7. Verificação do estado físico do cavalo ..................................................................... 49
2.8. Constantes fisiológicas normais do cavalo .............................................................. 50
3. REGRAS DE TRANSPORTE, EMBARQUE, TRANSPORTE E DESEMBARQUE
DE CAVALOS EM ATRELADO E CAMIÃO ...................................................................... 51
3.1. Outras informações relativas ao Transporte de Animais: ..................................... 52
3.2. Preparar o cavalo para uma viagem........................................................................ 53
CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 59
BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................................... 60
PLANO DE FORMAÇÃO
Designação da Formação: 3450 - Maneio diário e bem-estar do cavalo

Carga Horária 25 horas

Data 02, 03, 04, 05, 09, 10, 11 e 15 de dezembro de 2020


19h e 30m – 22h e 30m /19h – 23h
Horário
(as últimas sessões terão a duração de 4h e decorrerão entre as 19h e as 23h)
Local Viana Equestre – Areosa

Formador Cláudia Araújo


Todos os candidatos deverão possuir os seguintes requisitos:
Destinatários
- empregados, com pelo menos o 4.º ano de escolaridade;
- ou, desempregados, há menos de um ano (com comprovativo do centro de
emprego), com pelo menos o 12.º ano de escolaridade.
Entidade
ETAP - Escola Profissional
Formadora
Modalidade de
Formação Modular Certificada
Formação
Subsídio de Alimentação e Subsídio de Transporte
Regalias
(no caso de a formação ocorrer fora do horário de trabalho e com a duração mínima
de 3 horas/cada sessão)
• Caracterizar e aplicar os princípios inerentes ao maneio.
Objetivos
• Identificar e aplicar os princípios básicos de higiene e as normas de
segurança no tratamento dos cavalos, das instalações e equipamentos.
• Preparar o cavalo para uma viagem e treinar o embarque e desembarque.

• Alimentação
Conteúdos
o Métodos de alimentação
Programáticos
o Rações
o Horários e quantidades
o Atitudes dos cavalos
• Cuidados e manutenção dos cavalos, das instalações e equipamentos
o Limpeza de instalações
o Limpeza das camas
o Limpeza de arreios e acessórios
o Limpeza dos cavalos
o Arreios e equipamentos utilizados
o Aparelhação
o Verificação do estado físico do cavalo
o Regras de transporte
o Preparar o cavalo para uma viagem
o Embarque, transporte e desembarque de cavalos em atrelado e
camião
INTRODUÇÃO

O cavalo é um animal que foi feito para viver livre. Ao longo de muitos anos o
cavalo se adaptou ao meio ambiente e se desenvolveu a fim de estar sempre pastando,
atento para fugir de predadores e ter a sensação de proteção e bem-estar quando está junto
ao seu bando.
Hoje, a grande maioria dos cavalos domésticos vive em estábulos, com horários
fixos de alimentação e com socialização intraespecífica restrita ou quase nula. Conhecer
mais profundamente o comportamento natural do cavalo capacita-nos a compreendê-los
melhor, reconhecer as suas necessidades psicológicas e fisiológicas, e entender o motivo
de não conseguirmos o que estamos requisitando dele.
O tratador, o equitador, o instrutor de equitação, o terapeuta de equitação, o
médico veterinário e todas as outras pessoas que têm o mínimo de contato com os equinos
deveriam aprender mais sobre os conceitos básicos do comportamento equino.
Este domínio possibilitará ao homem bem instruído, adotar estratégias de maneio,
a fim de evitar causar medo, stress e dor a estes animais, além de fazer-se compreender
pelo cavalo e conseguir "ler" a sua peculiar linguagem corporal.
Ou seja, é fundamental para todos os que amam esse exímio animal!

«O TODO PODEROSO OLHOU PARA AS


CRIATURAS QUE TINHA FEITO:
TOMOU DO LEÃO A ALTIVA ARROGÂNCIA,
DO TIGRE A EXTREMADA DESTREZA,
DO CERVO A VELOCIDADE DO VENTO,
DA GAZELA O OLHO TERNO E EXPRESSIVO,
DO CÃO A FIDELIDADE,
DO ELEFANTE A MEMÓRIA,
DO CISNE O COLLO AIROSO
DO ONÁGARIO O PÉ DE FERRO.
LIGOU ESTAS QUALIDADES TODAS
NUM TODO DE HARMÓNICAS PROPORÇÕES
DE ELEGANTE CONTORNO - E SAIU O CAVALO.»
Silvestre Bernardo Lima.
1. ALIMENTOS

O cavalo é um herbívoro e a sua alimentação de base é constituída por volumosos,


ou seja, forragens, que são suficientes para cobrir as necessidades essenciais de
manutenção. No entanto, à medida que se eleva a exigência do trabalho, é importante
adicionar à dieta complementos concentrados, principalmente energéticos, sob a forma
de grãos de cereais e matérias-primas suculentas ou/e açucaradas.
No caso da reprodução e crescimento, estão aconselhados os complementos mais
proteicos, sob a forma de fontes azotadas vegetais e, por vezes, animais. Estas matérias-
primas podem ser condicionadas, moídas, misturadas e aglomeradas, para terminar num
alimento composto completo. Em função das disponibilidades locais, pode ser
acondicionado apenas o conjunto dos complementos, produzindo-se então um alimento
composto complementar, que pode ser utilizado quer com uma forragem, quer com uma
associação feno-cereais.
Estes alimentos são muito úteis quando não existem pastagens disponíveis para os
cavalos ou quando esta não é suficiente para suprir as suas necessidades.

1.1. Energia fornecida pelo Alimento

A energia pode ser definida, em termos físicos, como a capacidade de produzir


trabalho.
Os cavalos utilizam 80% a 90% do alimento ingerido para suprir as suas necessidades
energéticas. Assim a seguir à água, os nutrientes necessários para fornecer os nutrientes,
tais como os hidratos de carbono, as gorduras e em último caso as proteínas, são de longe
os mais importantes.
A energia fornecida por um alimento é geralmente expressa em calorias, joules ou
nutrientes digeríveis totais (NDT). Uma caloria corresponde à quantidade de calor que
é absorvido por grama de água destilada, quando a sua temperatura passa de 14,5 °C para
15,5 °C, à pressão atmosférica normal, e corresponde a 4, 1855 joules. No entanto, em
nutrição, 1 caloria, quer seja escrita em Caloria, caloria, Kcaloria, Kcal ou Kilocaloria, é
sempre igual a 1000 calorias usadas em física e química. Uma megacaloria (Mcal)
equivale a 1000 quilocalorias (Kcal). Os NTD também são um termo usado
frequentemente em nutrição e 1 kg destes equivale a 4400 Kcal.
Ou seja:

1 kcl (caloria)=4,1855 kjoule


1 mcal (megacaloria)= 1000 kcal
1 kg NDT (nutrientes digeríveis totais) = 4400 kcal
A quantidade de alimento seco que um cavalo adulto pode comer diariamente
corresponde a 3% do seu peso corporal, o que significa que um cavalo com 500 kg de
peso poderá ingerir 15 kg de alimentos diários. No entanto, a quantidade de alimento
necessária para suprir as necessidades do animal nos diversos nutrientes geralmente é
menor, pelo que estes devem consumir menor quantidade.

1.2. Qualidade de um alimento

A qualidade de um alimento, ou valor alimentar, é definida conjuntamente pela


sua apetência, ingerência, digestibilidade e composição nutritiva:

• Apetência – Caracteriza o desejo do cavalo pelo alimento. Depende das


propriedades organoléticas de cada alimento (cor, odor, consistência,
gosto), das preferências inatas ou adquiridas e dos hábitos do individuo.

• Ingerência – Corresponde ao nível de consumo voluntário relativamente


a um alimento deixado ao livre arbítrio. Embora, ao contrário dos
ruminantes, o cavalo seja capaz de compensar a mediocridade nutritiva das
forragens por um certo aumento do consumo, torna-se muitas vezes
necessário recorrer a alimentos concentrados (alto valor energético/ kg de
matéria seca) para complementar as forragens, de modo a não exagerar o
volume de ração.

• Digestibilidade – É a faculdade de um alimento de ser assimilado pelo


organismo no curso do trânsito digestivo graças a uma digestão enzimática
e, de seguida, microbiana. No geral, ela é inversamente proporcional à taxa
de celulose bruta e influencia grandemente a concentração nutritiva
(calorias / kg matéria seca).

• Composição nutritiva – Representa a riqueza em nutrientes digeríveis


aptos a cobrir as necessidades do organismo em energia, proteínas,
matérias gordas (fornecendo os ácidos gordos essenciais), minerais e
vitaminas. Como nenhum alimento é perfeito, importa realizar associações
judiciosas para constituir rações bem-adaptadas aos diferentes estados
fisiológicos do animal e plenamente satisfatórias dos pontos de vista
técnico, prático e económico.

1.3. Tipos de Alimentos

Existem dois grandes grupos de alimentos disponíveis para o cavalo: volumosos


e concentrados. Volumoso designa um alimento composto por plantas grosseiras ou
partes de plantas, com um alto teor de fibra e uma baixa quantidade de nutrientes
digeríveis, sendo arbitrariamente definidos como alimentos com mais de 18% de fibra
bruta. As forragens incluem pasto, o feno (solto ou prensado em cubos ou fardos), a
silagem e a palha.
Os concentrados abrangem todos os alimentos que têm um alto nível de energia
e baixa percentagem de fibra bruta (abaixo dos 18%). Geralmente são considerados
como concentrados todos os componentes da mistura de grãos; além dos grãos de

cereais, podem incluir suplementos proteicos, vitaminas, minerais, farelo, melaço e


óleo (gordura).

Volumosos
Deve-se fornecer a cada cavalo um mínimo de 0,75 kg a 1 kg de volumosa por
100 kg de peso corporal por dia sob a forma de feno ou pastagem de boa qualidade. Os
cavalos que tenham acesso a pastagem durante, pelo menos, 4 horas diárias, consumirão
uma quantidade suficiente de volumoso para reduzir significativamente as necessidades
de feno. O volumoso adiciona grande volume à dieta e tende a diluir os alimentos
concentrados, prevenindo assim a fermentação rápida no intestino, o que poderia causar
cólica ou laminite.
As foragens são os alimentos mais comuns e mais utilizados, e mais económicos.
Contudo o seu valor nutricional é o mais difícil de precisar.
Entre as forragens, podemos distinguir as forragens verdes, que podem constituir
a totalidade da ração na pastagem, e as forragens conservadas, que são os fenos, silagens
e palha, mais frequentemente complementadas com os alimentos concentrados.

Os dois tipos principais de forragens são as leguminosas e as gramíneas. As


leguminosas apresentam características florais associadas, as mais usadas na alimentação
dos cavalos são o trevo e a luzerna, também conhecida por
alfafa. As gramíneas são as mais numerosas na atualidade, caracterização se por ser
plantas herbáceas com os caules

mais ou menos endurecidos e ocos por dentro, do tipo de cana, as flores são pequenas e
pouco vistosas. Fazem parte desta família todos os cereais como o arroz, o centeio, o
milho, o trigo, a cevada, o milho-miúdo, o sorgo, etc.
Quanto maior for o número de grãos de uma forragem, maior é o seu valor
nutritivo.
O ideal é ter uma pastagem contendo gramíneas e leguminosas, que não só fornece
a maior quantidade e equilíbrio dos nutrientes totais como permite uma estação mais
longa de pastoreio.

Pasto ou forragem verde


Os prados naturais, pela sua flora variada, são muitos bons para os cavalos, uma
vez que a alimentação destes não vise o mais alto rendimento forrageiro, mas o melhor
equilíbrio alimentar e uma boa apetência.

Palha
Constituída quase exclusivamente de colmos maturos, tem uma fraca
digestibilidade. Para a alimentação do cavalo é preferível a palha de aveia, que ao ser
menos celulósica, é ligeiramente mais digestível. No entanto a palha de trigo é a mais
usada, por ser a mais comum, sendo também utilizada muito frequentemente para a cama
dos cavalos.

Silagem ou fenação
Para se obter uma silagem, as forragens, de milho, sorgo e pequenos cereais ou
grãos, são cortadas sem serem secas (ou são humedecidas). As plantas inteiras, talos,
folhas e grãos, são então picadas e compactadas, sendo de seguida colocadas em
estruturas que as protegem da exposição ao ar, denominadas por silos. Este meio permite
obter um rendimento máximo de nutrientes por unidade de solo.
A silagem, quando é de boa qualidade, é altamente nutritiva. Por outro lado, se
estiver estragada ou mofada, pode ser tóxica para os cavalos. Como é um alimento
fermentado, alguns cavalos podem não querer comê-lo até se habituarem. Não deve
constituir mais de metade da forragem na ração animal.

Escolha de um bom feno


Para formar feno, a forragem é cortada, empilhada e seca no campo. Se após a
secagem a humidade for maior que 13%, o feno pode criar bolor. O feno pode ser disposto
em pilhas, fardos ou prensados em cubos ou pellets para armazenamento. A maior parte
de feno é encontrada em fardos, cubos ou pellets.
O feno de prado natural representa muitas vezes a base da ração em período de
invernal ou em zonas mais ou menos urbanas. Este deve ser são, sem bolores nem poeiras,
apetecível, delgado, tenro, bem verde e de odor agradável.

Os equinos aceitam vários tipos de fenos e a disponibilidade regionalizada deve ser


considerada. Por exemplo, em locais onde a produção de feno de alfafa (leguminosa) é
difícil, deve-se optar por utilizar um bom feno de gramínea. Dentre os fatores a serem
considerados, o mais importante é a limpeza do material, mas a análise química e o tipo
de animal a ser alimentado também devem ser considerados.

Feno bom é feno limpo

Fenos embolorados e contaminados com terra, mesmo que em pequena


quantidade, não devem ser oferecidos aos animais porque podem causar problemas
respiratórios diminuindo a capacidade respiratória podendo levar a danos pulmonares
irreversíveis afetando o desempenho quando necessitam ser exercitados ou até mesmo
quando estão em descanso.
Animais que tenham sido expostos a fenos sujos podem desenvolver a reação
mesmo que depois sejam alimentados com fenos limpos. Além dos problemas
respiratórios, bolores podem causar também problemas digestivos e reprodutivos.

Associação do tipo de feno ao tipo de cavalo

Nem todos os equinos têm a mesma necessidade de nutrientes, assim sendo pode-
se usar diferentes fenos (de diferentes espécies: gramíneas X leguminosas; ou de
diferentes estádios de maturidade) para as diferentes categorias.
Éguas e cavalos adultos usados para atividades de recreação têm baixas exigências
nutricionais quando comparados com éguas lactantes, potros em crescimento e animais
submetidos a grandes esforços.
O fornecimento de um feno de melhor densidade de nutrientes para animais com
baixa exigência nutricional pode fazer com que o animal engorde ou então fazer com que
o animal comendo menos supra as suas exigências.
Este último especto, em um primeiro momento pode parecer muito bom porque
dá uma impressão de economia. Entretanto, essa restrição na quantidade ingerida pode
fazer com que o apetite do animal não seja satisfeito e levá-lo a mastigar outras coisas
como pedaços de madeira, cercas, árvores, etc., criando um comportamento indesejável.
Concentrados

Os concentrados são os alimentos que fornecem uma alta concentração de energia


alimentar e, por esta razão, têm uma quantidade baixa de fibra bruta (menos de 18%). A
maioria é composta por grãos de cereais, suplementos proteicos e melaço.
Como regra geral os concentrados nunca devem constituir mais de metade do peso
total do alimento ingerido pelo cavalo.

Os alimentos concentrados não devem igualmente ser fornecidos menos do que 2


vezes ao dia. Se a quantidade de concentrados fornecida de uma só vez for maior que
3,5kg, deve aumentar-se a frequência da alimentação para 3 vezes ao dia em intervalos
de aproximadamente 8 horas, mantendo a mesma, ingestão diária.

Grãos de cereais
Os grãos de cereais ocupam um lugar crescente na ração do cavalo à medida que
se elevam as necessidades energéticas, principalmente pelo aumento da intensidade do
trabalho. Assim, uma vez, que estes grãos são utilizados principalmente como fonte de
energia, o custo em relação à energia oferecida deve ser o fator mais importante a
considerar na escolha do tipo de grão. A maioria dos equinos prefere alimento ao qual
está habituado e, por isso, a ingestão de grãos de cereais, muitas vezes, é diminuída
quando se muda o tipo de grão fornecido.
Como os grãos de cereais mais comuns podemos encontrar a aveia, o milho, a
cevada, o trigo, o centeio e sorgo.

Subprodutos dos grãos de cereais


Os principais são o farelo de trigo, o dreche e o glúten. O farelo de trigo é usado
na alimentação do cavalo, principalmente devido às suas propriedades emolientes sobre
o trato digestivo, Graças ao seu poder de absorção e ao seu teor em celulose, facilita o
trânsito digestivo, sendo aconselhável nos cavalos com cólica por obstipação.
Fornecido a seco, o farelo absorve o seu peso em água no estomago, aumentando
de volume. Devido a este facto, as doses demasiado grandes podem provocar sobrecargas
gástricas e cólicas. Para evitar esse efeito, o farelo deve ser disperso sobre outros
alimentos, ou bem molhado antes da sua distribuição.
O dreche é o termo utilizado para designar os resíduos da fermentação alcoólica
dos grãos, como é o caso, por exemplo, do resíduo da cevada empregue no fabrico da
cerveja. Se não forem desidratados, os dreches alteram-se rapidamente sendo preferível
não os usar nas rações dos cavalos. Sob a forma desidratada, aproxima-se do farelo de
trigo pelo seu teor em celulose, mas são mais ricos em proteínas.
O glúten é um coproduto das fábricas de amido, é um concentrado proteico. O
glúten comercializa-se geralmente sob a forma de grânulos. Classicamente era usado o de
milho, mas atualmente é mais utilizado o de trigo.
Frutos, tubérculos e subprodutos vegetais

O principal objetivo destes alimentos é aumentar o apetite e refrescar os cavalos


que só dispõe de uma alimentação com matérias-primas secas e sem verduras que são
submetidos a regimes de trabalho intensivos.

• Cenouras – podem ser dadas até 10 kg/cavalo/dia, não são nefastas para a
saúde, mas quando dadas em excesso podem ter efeito laxante, devido ao
seu volume podem diminuir o apetite do cavalo e fazê-lo baixar o nível de
alimentação global

• Batatas – Podem representar grande parte da ração de 8 a 10


kg/cavalo/dia. Não devem ser dadas batatas podres ou verdes pois contém
solanina. As batatas cozidas são mais apetecíveis e mais digestivas para os
cavalos.

• Beterrabas – Têm a mesma função que as cenouras podendo ser dadas


nas mesmas quantidades. Não se devem dar beterrabas geladas ou
alteradas.

• Polpas de beterraba – As polpas de beterraba açucaradas, frescas ou


ensiladas devem ser de perfeita qualidade para entrar na alimentação dos
cavalos e mesmo assim só para cavalos rústicos (exemplo: percheron,
garranos). As polpas secas devem ser molhadas caso contrários provocam
cólicas gástricas muito graves ou mesmo mortais. A sua apetência é boa.
A dose diária recomendada é de 2 a 3 kg/cavalo/dia.

• Melaço – Existem vários tipos de melaço, como por exemplo de amido,


milho, cana ou beterraba, sendo estes dois últimos os mais usados. São
muito apetecíveis e ricos em açúcares sendo considerados boas fontes
energéticas. A dose máxima admissível é de 2 a 2,5 kg/cavalo/dia.

• Alfarroba – é um fruto (vagem) muito rico em açúcares pelo que é muito


apetecível e nutritiva para o cavalo. Pode fornecer-se sem inconvenientes
até 4 kg/cavalo/dia. Porém as sementes devem ser eliminadas pois são
duras e praticamente indigestíveis. As vagens devem ser secas, moídas e
misturadas com outros alimentos para obrigar os animais a mastigá-las
bem.

• Polpas e bagaços de frutos – As polpas de frutos são bem digeridas


devido à sua riqueza em pectinas e em açúcares solúveis. Após
desidratadas, podem ser incorporadas nos alimentos compostos. Após
desidratadas, podem ser incorporadas nos alimentos compostos.
(exemplos: bagaço de maçã, bagaço de uva. Deve ser limitado a 2
kg/cavalo/dia pois pode conter elevado nível de álcool.
• Açúcar – O açúcar em natureza é uma excelente fonte energética muito
boa para o trabalho muscular. As vantagens são múltiplas: digestão rápida
e completa, assimilação quase imediata e utilizada pela célula muscular
com maior rendimento. Deve ser consumido com moderação espalhado na
comida e sempre depois do trabalho.

• Mel – O mel é uma fonte energética muito apetente e menos rápida de ser
usada pelo músculo que o açúcar.

• Óleo – A adição de óleo vegetal na ração (60 ml, 2 vezes por dia) torna o
pêlo do cavalo mais brilhante. Os óleos vegetais são ricos em ácidos
gordos.

• Farinha de sementes (suplementação proteica) – A farinha se sementes


de algumas leguminosas contém uma elevada quantidade de proteína.
Entre as utilizadas temo as sementes oleaginosas, as mais utilizadas, tais
como os subprodutos da extração do óleo de soja, das sementes de algodão,
linhaça, amendoim, semente de açafrão, sementes de gergelim, sementes
de girassol ou coco. As sementes proteaginosas de certas leguminosas,
exemplo ervilha e favas, são ricas em proteína e lisina sendo muito
utilizadas na alimentação de éguas gestantes.

Alimentos de origem animal


Os suplementos proteicos de origem animal são geralmente derivados dos
produtos impróprios para consumo humano (da indústria de carnes enlatadas) e de leite
excedente ou de produtos derivados do leite. São geralmente pouco usados devido ao seu
valor económico.

Alimentos completos
O alimento completo permite assegurar a cobertura de todas as necessidades
nutritivas dos cavalos. Os alimentos completos permitem fornecer rações bem ajustadas
tanto a nível qualitativo como quantitativo.
1.4. Exigências de nutrição

As exigências de nutrição incluem aquelas apenas para manter o animal


(manutenção de temperatura corporal, circulação sanguínea, batimentos cardíacos,) mais

um mínimo de exercício naturalmente necessário para o bem-estar do animal.


Estas exigências são diretamente dependentes do tamanho (peso vivo) do animal, do
ambiente (regiões frias ou quentes) e da eficiência individual dos processos digestivos e
metabólicos (difícil de medir).
As variações individuais entre animais podem ser grandes, principalmente porque
ao contrário de outras espécies domésticas, os equinos não sofreram nenhum tipo de
seleção para eficiência ou uniformidade (tamanho).
Todos os alimentos são constituídos por diferentes quantidades e tipos de
nutrientes. Esses nutrientes são: água, hidratos de carbono, gorduras, proteínas,
minerais e vitaminas.

A ração deve ser sempre avaliada seguindo esta ordem. Deve sempre começar por
garantir que a água é suficiente e que os hidratos de carbono e gorduras do alimento
garantem a manutenção das exigências energéticas do animal. De seguida, assegurar que
a ração contém quantidades adequadas de outros nutrientes para que todas as necessidades
sejam atingidas. É indispensável ter em conta que as exigências nutricionais variam com
a idade, com o trabalho a que os animais estão sujeitos e no caso das fêmeas, nos períodos
de gestação e lactação.

Energia
As exigências podem ser medidas em Megacalorias de Energia Digestível (ED) e
a mudança de peso é a maneira mais fácil de avaliar a adequação ou não do consumo de
energia.
A avaliação desse parâmetro deve ser incorporada na rotina diária de avaliação do
animal e deve-se fazer ajustes no consumo de concentrado entre 10 e 15 % do que está
sendo atualmente consumido para que se consiga o ajuste no ganho ou perda do peso.
Conforme a qualidade do volumoso oferecido, muitas vezes animais adultos em
manutenção podem satisfazer as suas exigências somente com a forragem.

Proteína
As exigências de proteína para animais em manutenção são baixas e normalmente
podem ser satisfeitas com uma forragem de boa qualidade. O consumo de proteína acima
das exigências é desnecessário, caro e transformado em energia, podendo prejudicar o
animal em determinadas situações. Há algumas pesquisas que mostram um efeito
negativo sobre o balanço de líquidos e desempenho de animais que participam de provas
de resistência quando são alimentados com dietas de altos teores de proteína.
Cabe ressaltar que um leve excesso não tem comprovação científica de que irá
prejudicar o animal visto que as proteínas são compostas de carbono, hidrogênio,
oxigênio e nitrogênio onde os 3 primeiros compostos são transformados em
energia e o último excretado via urina.

Minerais
Como na maioria dos alimentos (com exceção de rações comerciais) os níveis de
sódio são abaixo das exigências, sugere-se que seja oferecido um sal mineralizado de boa
qualidade aos animais.
As forragens normalmente possuem concentração média/alta de cálcio e fósforo
para animais em manutenção. Dietas onde a relação cálcio: fósforo esteja entre 1,5 ou
2,0: 1 podem ser adequadas para a maior parte das categorias de animais e nunca deve ser
inferior a 1: 1. Entretanto, para animais adultos essa relação pode chegar até 5: 1.
A observação dos componentes da dieta é muito importante. Por exemplo, feno
de alfafa ou de outras leguminosas ricas em cálcio podem ter relações Ca: P de até 15: 1,

sendo necessária a inclusão de outro tipo de forragem (feno de gramínea), para


um melhor ajuste dessa relação.
O fornecimento, à livre acesso, de uma mistura mineral (sal mineralizado) e de
suplementos comerciais balanceados auxilia no fornecimento de minerais, de forma mais
equilibrada.

Vitaminas
Normalmente as exigências de manutenção podem ser satisfeitas também com
uma forragem de boa qualidade.
Entretanto, há variações nas concentrações de vitaminas entre os vários tipos de
alimentos, há perdas de vitaminas durante os processos usados para fazer a conservação
de alimentos (por ex: feno) de forma que muitas vezes se faz necessário a suplementação.
Outro aspeto importante é que os equinos sintetizam as vitaminas do complexo B e para
animais em manutenção a suplementação é praticamente desnecessária.

Água
Um suprimento adequado de água é essencial para os equinos. O conteúdo de água
corporal é relativamente constante (68 a 72% do peso do corpo desengordurado). Um dos
principais fatores influenciando o consumo de água é o consumo de alimentos (segundo
a literatura, 2 a 3 litros de água para cada kg de matéria seca consumida).
Dependendo do exercício praticado as exigências de água podem ser aumentadas entre
20 e 300%.

1.5. Atividades reprodução e lactação

Durante os primeiros 8 meses de gestação, a exigência de éguas adultas é


levemente maior do que as exigências de mantença porque ocorre somente 40% do
crescimento fetal. Os restantes 60 % são acumulados durante os últimos 3 meses de
gestação. Nessa fase, um desequilíbrio da dieta pode levar à parição de um potro
pequeno, com baixo peso e ainda, à perda de tecido corporal da égua (perda de escore).
Em termos reprodutivos, para reconcepção, a égua deve ganhar entre 0,2
e 0,4 kg/dia durante os últimos três meses de gestação.

Durante a lactação há um aumento muito grande das exigências nutricionais. Em


relação a energia, algo em torno de duas vezes a mantença e, este aumento é
proporcional à quantidade de leite produzido pela égua sendo que a produção está
relacionada ao peso da égua.
Normalmente a égua produz em torno de 3 % do seu peso vivo em leite nos primeiros 3
meses de lactação e, em torno de 2 % entre o 4° e 6° mês de lactação.

1.6. Crescimento

Em termos gerais pode-se considerar dois níveis de crescimento para potros: a)


rápido e b) moderado. Como em outras espécies, existe a necessidade de que todos os
nutrientes estejam em quantidades e proporções adequadas, para que o crescimento seja
otimizado. A diferença básica entre os dois níveis de crescimento é as taxas de ganho de
peso impostas aos animais, com consequentes diferenças nas concentrações de nutrientes
exigidas (mais nutrientes para o nível rápido de crescimento).
A lisina é o aminoácido mais limitante para equinos e sugere-se que haja uma
concentração na dieta em torno de 0,65 % para potros lactentes e 0,5 % para potros jovens
desmamados.

1.7. Trabalho ou exercício

A influência do exercício ou trabalho sobre as exigências nutricionais depende da


intensidade, da duração, do tamanho do animal e do peso do cavaleiro. O exercício afeta
mais as exigências de energia e minerais como sódio, cloro, potássio e cálcio, se o animal
suar muito.
Exercícios leves podem ser considerados como uma cavalgada leve sem exigir do
animal, moderados como trabalho com gado em fazenda, provas de freio executadas em
torneios, exposições e provas de saltos. Como exercícios pesados, podem ser
considerados as corridas em jóquei, jogos de pólo, etc...
Normalmente, uma hora de trabalho moderado eleva as exigências de manutenção
acima daquela que pode ser suprida somente por uma forragem de boa qualidade.
Quando os animais estão se exercitando, há perdas de minerais e água do
organismo através do suor sendo necessário fazer a reposição. No caso da reposição de
eletrólitos (minerais), estes devem ser misturados em água e fornecidos ao animal.
Água limpa e fresca deve estar sempre disponível
aos animais que não estejam quentes de exercício.

1.8. Maneio alimentar

Deve-se sempre incluir forragens (bons pastos, fenos) na dieta dos animais para
que seja mantido um bom funcionamento do trato digestivo.
Como regra geral, a exigência de forragem pode ser preenchida fornecendo-se em
torno de 1 % do peso vivo do animal (ex: feno).
Em algumas situações onde exige-se muito dos animais ou, com fêmeas lactantes,
é necessário fornecer algum tipo de concentrado (incluindo aqui rações comerciais) que
são mais digestíveis do que as forragens. Assim sendo, a formulação da parte concentrada
da dieta deve levar em consideração as exigências nutricionais da categoria em questão e
a proporção dessas exigências que serão preenchidas pelo volumoso (forragem).

Como regra geral, quando os animais são alimentados com feno de alfafa
(leguminosa rica em proteína), pode-se sugerir uma ração (concentrado) com um menor
teor de proteína bruta. Já se a forragem for um feno de gramínea (Tifton, Coast-Cross,
etc.., que possuem menores teores de proteína) pode-se sugerir uma ração (concentrado)
com um teor maior de proteína bruta.
A manutenção de um padrão dos alimentos que compõem a dieta é muito
importante na alimentação de equinos. Se houver necessidade de mudança, faça-a de
forma gradual.
Lembre-se que há uma variabilidade individual muito grande e que o olho do
tratador é uma ferramenta muito importante principalmente para definir se a ingestão de
energia está sendo adequada.

1.9. Regras Gerais:

1) Alimente os animais no mínimo 2 vezes por dia;


2) Seja consistente na quantidade e no tipo de alimento fornecido. Se qualquer mudança
for necessária, promova-a gradualmente (entre uma e duas semanas);
3) Garanta acesso facilitado ao sal mineralizado;
4) Mantenha água limpa e fresca à vontade em bebedouros limpos;
5) Lembre-se de montar um esquema de vermifugação eficiente;
6) Estabeleça cronograma periódico para verificação do estado dentário, vacinação e
desparatização;
7) Monitorize a condição corporal (peso) regularmente;
8) Garanta exercício regular e contínuo;
9) Nunca permita que o animal exercitado ainda quente tenha livre acesso à água;
10) Observe diariamente os aspetos fisiológicos de maneira geral, como temperatura,
pulsação, respiração, etc.

1.10. Como e quando alimentar um cavalo

Alimentar adequadamente os animais é essencial para um desenvolvimento


normal, boa reprodução e desempenho. A ideia é fornecer uma quantidade adequada, não
excessiva, dos nutrientes exigidos. Contudo, somente fornecer alimentos não garante que
os animais tenham uma adequada nutrição. Como e Quando o equino é alimentado pode
ser tão importante como com O Que ele é alimentado.

Como o animal é alimentado quer dizer em que tipo de sistema de alimentação ele é
mantido: em grupo ou individual. Quando o animal é alimentado inclui o número e
horário das refeições. Uma boa prática de alimentação irá fazer com que o animal
consuma a dieta adequadamente, tendo um mínimo desperdício.

1.11. Frequência e horário das refeições

Em um ambiente natural (em pastejo) os animais podem passar até 60 % do tempo


comendo. Os períodos de consumo e descanso são intercalados de forma que raramente
são separados por mais do que 2 a 3 horas de descanso.
Em criações comerciais onde os animais são mantidos na maior parte do tempo à
pasto, eles mantêm o comportamento muito próximo do descrito acima. Entretanto, em
situações onde os animais têm acesso limitado a pastagens, ou encontram-se em piquetes
com muito pouco pasto, deverão receber os nutrientes de alimentos conservados (fenos)
e concentrados.
À pasto os animais podem gastar de 12 a 14 horas por dia pastejando, mas, em
comparação, animais estabulados recebendo feno e concentrado podem tê-los consumido
em 2 a 4 horas.
Com animais em estábulo e quando a dieta é rica em forragem, mais tempo será
gasto no processo de ingestão do que quando há uma grande fração de concentrado.
Assim sendo, com animais estabulados e ocupando menos tempo ingerindo alimento do
que àqueles em situações de pasto, muitas vezes o tempo é ocupado com atividades
indesejáveis como mastigar a madeira das baias, sendo que na maioria das vezes esse
comportamento ocorre à noite ou quando há pouca forragem na dieta.
Os equinos evoluíram de maneira que consomem pequenas quantidades de
alimento várias vezes ao dia, ao invés de uma grande quantidade uma ou duas vezes. O
trato digestivo dos equinos permite acomodar pequenas refeições, já que o estômago é
relativamente pequeno.
Mesmo assim, é comum notarmos criações onde os animais
recebem alimento somente uma ou duas vezes (ocasionalmente 3 vezes) ao dia.

Esta prática de maneio da alimentação pode ser eficiente em termos de maneio e


otimização de mão-de-obra, mas pode não ser adequada quando o animal recebe grandes
quantidades de concentrado.

Quando os cavalos são alimentados 2 vezes ao dia pode ocorrer:


Quando é fornecido uma grande quantidade de concentrado antes da forragem, o animal
pode consumir rapidamente e ter reduzido o seu apetite pela forragem. Assim, o animal
pode desperdiçar o feno fornecido posteriormente, inclusive misturando-o com a cama da
baia. Neste caso o animal deixará de consumir os nutrientes contidos no feno. Além disso,
o consumo rápido e em grande quantidade, de algum concentrado (rações, grãos de
cereais), aumenta a possibilidade de ocorrer algum distúrbio digestivo.
De acordo com a literatura, a quantidade máxima sugerida de u concentrado rico em
amido que deve ser fornecida em uma única refeição à um animal adulto (com 450 kg ou
mais) é de 1,6 a 2,0 kg. Quando é fornecido uma quantidade maior, o amido pode passar
para o intestino grosso onde será fermentado por microrganismos no ceco e cólon,
podendo levar à ocorrência de cólicas.

1.12. Alimentação em grupo

Algumas vezes os animais são mantidos em grupos, em piquetes de pastagem.


Para animais adultos, com exigência nutricional baixa e, se a forragem for de qualidade,
pode ser que somente a forragem satisfaça as exigências. Entretanto, com animais em
crescimento e éguas lactantes, somente a forragem é insuficiente para fornecer todos os
nutrientes necessários.
Também, conforme a estação do ano (seca ou inverno) pode ser necessário algum
tipo de suplementos. Nesses casos o alimento será fornecido no piquete onde os animais
estão e eles irão competir. Uma das desvantagens da alimentação em grupo é a dificuldade
em suprir as exigências nutricionais quando os animais são de diferentes categorias. Se a
dieta for feita de forma a suprir as exigências daqueles animais mais exigentes dentro do
grupo, se torna dispendiosa e pode fornecer nutrientes em excesso para àquelas categorias
menos exigentes presentes no grupo.

Há uma hierarquia social entre os animais e esta é mais frequentemente expressa


de forma mais clara durante estes períodos de alimentação onde os animais mais
dominantes podem perseguir os mais submissos mantendo-os longe do alimento. Nessas
situações é comum encontrarmos os animais dominantes super condicionados (gordos) e,
se o alimento suplementar for concentrado poderá levar à ocorrência de cólica e laminite.
Com relação aos animais submissos, podem não receber alimento suficiente, perder peso
e pode haver ainda, injúrias resultantes de brigas.
1.13. Alimentação Individual

A principal vantagem de um sistema de alimentação individual é que cada animal


pode receber uma dieta que poderá preencher exatamente as suas exigências. Devido à
individualidade, há flexibilidade nas quantidades e tipos de alimentos que podem ser
utilizados e não há brigas pela competição por alimento. Como desvantagem podemos
citar a maior exigência de mão-de-obra individualizada que deve ser despendida com os
animais.
Além do exposto acima, pode ocorrer ainda distúrbios comportamentais (chutar
as divisórias das baias, trombam contra a porta da baia) quando os animais estão em baias
contíguas, no momento da alimentação.

1.14. Estimativa do peso vivo

Apesar de não ser tão exato como a balança, pode-se estimar o peso do cavalo utilizando
uma fita métrica e fazendo os cálculos necessários.

1º passo: Medir o cavalo

a) Deve medir o perímetro torácico do cavalo, na cilha.


b) E também a distância entre o ombro e a bacia, o ponto mais saliente.

2º passo: Calcular

Adulto

Peso = a2 x b / 11900 – Fórmula simplificada de Carroll e Huntingdon

Ou seja, multiplicar o valor que obteve da cilha por ele próprio (cilha x cilha) e depois
deve multiplicar pelo valor que obteve do comprimento (cilha x cilha x comprimento) e
de seguida dividir por 11900 (cilha x cilha x comprimento / 11900).

Exemplificando, um cavalo que mede 170 cm na cilha e 160 de comprimento deverá ter
perto de 388 kg – 170 x 170 x 160 / 11900

Potro

O calculo do peso de um potro é diferente:

Peso = (a – 25) / 0,07


Ou seja, o peso é igual ao perímetro torácico, ao qual se retira 25 e apenas depois se
divide por 0,07.

Exemplificando, um potro que tenha 120 cm de perímetro pesa 135 kg.

Existem outros cálculos mais exatos, mas a dificuldade de execução é elevada. Para o
cálculo de dosagem de alimentos, medicamentos ou comparação de pesos antes/depois
de uma viagem ou competição, estes cálculos são suficientes.

Para saber se um cavalo está em forma, pode fazer uma apalpação às seguintes zonas:
garrote, pescoço, atrás dos ombros e costelas. Um cavalo gordo tem estas zonas cobertas
com gordura, um cavalo magro tem essas zonas demasiado expostas. Num cavalo com o

peso ideal, as costelas não estão visíveis, mas podem ser sentidas com o passar dos
dedos.
2. CUIDADOS E MANUTENÇÃO DOS CAVALOS, DAS
INSTALAÇÓES E DOS EQUIPAMENTOS

2.1. Limpeza de instalações


Limpeza das boxes
Ao contrário do que se pensa, a limpeza das boxes é indispensável e um fator
muito importante do trato com cavalos. Esse serviço que comumente é deixado nas mãos
de outras pessoas pode fornecer informações relevantes sobre o seu animal. É interessante
que você observe a consistência de suas fezes, a conformação da cama e verifique a
capacidade que ela está tendo de absorver água. Assim você pode prevenir possíveis
complicações futuras.
Além disso, a saúde e o bem-estar dos animais dependem do ambiente em que
eles vivem, por isso deve ser um ambiente limpo, arejado e confortável.

Pisos: Os pisos mais indicados são os de cimento recoberto com serrim ou aparas de
madeira ou papel, e o piso sintético de borracha. São os mais fáceis para a desinfeção e
limpeza diária, impedindo a proliferação de bactérias e fungos oportunistas. O piso de
terra é o menos indicado por apresentar maior contaminação para os animais.

Cama: A cama deve ser examinada pelo menos duas vezes ao dia (de manhã e à tarde).
Com o garfo retire todo o esterco e toda a parte molhada pela urina, lembrando que toda
a cama retirada junto com o esterco e com a urina deve ser reposta, para que não haja
desníveis. Mesmo com essa limpeza diária deve-se ficar de olho nos níveis de amônia. A
amônia é um composto nitrogenado presente na urina dos cavalos, mas em níveis altos
pode ser nociva, causando condições inflamatórias nas vias aéreas dos equídeos. Boa
ventilação e estratégias de higiene práticas, como citamos, são necessárias para livrar
umas boxes de amônia.

Comedouro e bebedouro: Devem ser lavados com água corrente duas vezes ao dia.
Deve-se limpar o comedouro de ração após cada refeição, com a ajuda de uma escova
para tirar partículas de alimento que sobraram, evitando que elas apodreçam e sejam
ingeridas pelo seu cavalo na próxima refeição.
Fique atento ao limo que pode se desenvolver no fundo do bebedouro e trazer problemas
para a saúde digestiva dos equinos. Portanto esvazie o bebedouro e esfregue o fundo e as
laterais para limpá-lo.

O que existe para higienização das boxes?

Sabões e detergentes são os produtos químicos de limpeza que podem ser


utilizados nessas instalações. Esses suprimentos se destinam a emulsionar a gordura e a
graxa. O detergente é bastante seguro e para a higienização
de boxes devemos preferir os detergentes alcalinos, que farão remoção da matéria
orgânica.

Como deve ser feito a desinfeção de uma cama?

Para a desinfeção de camas temos produtos como detergentes a base de amônia


quaternária que são altamente tóxicos contra microrganismos (bactérias, fungos e vírus)
por isso são conhecidos por sua ação biocida. Em alguns casos junto à amônia quaternária
pode vir o glute aldeído que é um desinfetante de ação rápida e eficaz contra as bactérias.
Temos a cal, muito utilizado pelo seu custo benefício.

A creolina é um potente bactericida e germicida e é eficaz na limpeza de áreas


contaminadas. Vale ressaltar que para a obtenção de um bom resultado sem comprometer
a segurança, a creolina deve ser diluída de acordo com as recomendações do fabricante,
o mais comum a ser recomentado é utilizar 2,5L de água para um frasco de 100ml de
creolina.

Uma vez entendido a importância de cada estrutura que compõe uma boxe e o
ponto crítico de cada espaço, podemos citar como cada estrutura deve ser limpa e o que
temos para essa desinfeção. Para a desinfeção da boxe, a periodicidade com que se deverá
ser feita depende principalmente de condições ambientais, do tipo de piso, sendo que nos
pisos de terra a desinfeção deve ser mais frequente, e se houve ou não animais doentes
naquela instalação.

Desinfeção do piso com cal: A cal possui potente ação germicida, ou seja, é capaz de
destruir todos os microrganismos. As vantagens da cal são o baixo custo, o fácil acesso
no comércio, a boa eficácia e a fácil aplicação. Uso da cal em piso de cimento: primeiro
faça a limpeza seca com uma vassoura para remover toda a sujeira, depois lave o piso
com água corrente e espelhe a cal virgem (1 kg/m2) por toda a superfície ainda húmida,
se necessário borrife mais água. O tempo de ação é de aproximadamente 2 horas. Por fim
remova toda a cal sem deixar resíduos significantes. A cal pode ser usada também para a
desinfeção de pisos de terra.
Nos comedouros e bebedouros deve-se fazer a limpeza seca primeiro, retirando
toda a sujeira. Depois com água corrente e auxílio de um detergente esses comedouros
devem ser lavados. Lembrando que para que a desinfeção seja eficaz é necessário a
remoção de toda matéria orgânica. O recomendado é utilizar uma solução de detergente,
para facilitar a limpeza. Esses detergentes devem ser substâncias com ação humedecedora
e surfactante que com adição de água aumentam seu poder de remoção de sujeira. Além
disso, deve ter efeito emulsionante dissolvendo e saponificando as gorduras, para que
essas não voltem a se depositar na superfície.

Quais os benefícios de se desinfetar uma boxe?


Uma baia corretamente desinfetada significa uma baia livre de ectoparasitas e de
moscas. As moscas são infestações comuns em qualquer propriedade que cria animais,
sobretudo em locais onde há erros de maneio da criação, estes insetos inconvenientes
aumentam o

stress e a irritabilidade do animal, além de serem vetor de doenças como a anemia


infeciosa que acomete muitos equinos causando perda de apetite, depressão e
consequentemente prejudicando a performance do seu cavalo. A anemia infeciosa é uma
doença que infelizmente não possui tratamento ou vacina.

Com a baia corretamente desinfetada, seu animal estará mais confortável e com
menos stress, o que o deixará menos tenso e irritado facilitando o maneio, proporcionando
ganho de peso e uma vida mais saudável a ele.

2.2. Limpeza de arreios e acessórios

Todas as pessoas que possuem ou trabalham com cavalos devem ser responsáveis também
pelo material usado pelos cavalos. Devemos lembrar de tudo que o cavalo necessita para viver,
incluindo os materiais de cocheira que fazem parte do maneio destes animais.

Limpeza da Sela

• O ideal é limpar o material após cada uso; neste caso, é suficiente a limpeza com sabão de
glicerina.
• O uso do óleo será mensal ou quinzenal, conforme o estado do couro, ou ainda após exposição
intensa a água, suor ou lama;
• Quando a limpeza de material é esporádica, o óleo pode ser usado com mais frequência, até
mesmo a cada limpeza, desde que seja empregado com moderação, sem encharcar o couro;
• Para a limpeza, molhar a esponja e espremê-la em seguida, deixando-a apenas ligeiramente
húmida. Passar o sabão na esponja, com a intenção de fazer um “creme” que será aplicado no
couro.
• O sabão não deve fazer espuma, nem deixar traços de humidade no couro; se isto acontece, a
esponja está molhada demais;
• A esponja deve ser enxaguada frequentemente no balde sempre que ficar suja. O pano pode ser
usado para retirar excesso de humidade;
• Se o material está muito sujo, é preciso limpá-lo primeiro com a esponja mais molhada, secando-
o logo em seguida com o pano, e se necessário deixando-o secar à sombra antes de continuar;
• Periodicamente, é necessário retirar os detritos das costuras, utilizando palitos de dente ou uma
escovinha húmida;
• Também esporadicamente, é aconselhável limpar os metais (estribos, fivelas, argolas) com bom-
bril, tendo em atenção para não danificar o couro. Em alpaca e latão, pode passar-se “Silvo” ou
produto similar;
• Uma boa maneira de passar óleo, especialmente em material limpo frequentemente, é colocar
uma gota de óleo na esponja húmida, junto com o sabão de glicerina. Assim, os dois produtos são
aplicados simultaneamente, poupando tempo;
Limpeza da Cabeçada

• Caso a embocadura seja lavada após cada uso, não é necessário retirá-la da cabeçada; se a
embocadura estiver muito encardida, desmontá-la e deixar de molho no balde, deixando sua
limpeza para o final;
• Pendurar a cabeçada num gancho ou cabide próprio, afastando entre si cabeçada, rédeas, peitoral
e gamarras;
• Aplicar a esponja com sabão de glicerina, e eventualmente óleo, da maneira descrita acima,
abrindo fivelas e passadores, e dando especial atenção às áreas em contato com metal, bem como
aquelas mais expostas ao suor do cavalo;
• Uma boa limpeza se caracteriza pelo fato de a cabeçada imediatamente ficar com melhor aspeto,
destacando-se das demais;
• Por último, limpar a embocadura e recolocá-la na cabeçada; pendurar a cabeçada da mesma
maneira que é posta no cavalo (cabeçada-rédeas-peitoral), alinhando testeira, focinheira e
embocadura; É possível enrolar cisgola e focinheira em volta da cabeçada, o que aumenta a
organização e facilita o transporte do material;

Limpeza de outros Materiais

• Caneleiras, cloches e outros protetores de material sintético devem ser lavados com água e sabão
logo após o trabalho - por exemplo, no duche, após o cavalo - e deixados a secar à sombra;
• Caneleiras e protetores de boleto de couro devem ser lavadas com água e sabão de glicerina, e
depois tratadas com óleo conforme a necessidade;
• As mantas devem ser escovadas diariamente, depois de secas, retirando os pêlos e parte da
sujidade. Devem ser lavadas no mínimo quinzenalmente;

Materiais limpos e em bom estado de conservação evitam assentaduras e possíveis


ferimentos em partes como garrotes, barriga, focinho e canelas!

2.3. Limpeza dos cavalos

A limpeza diária é um cuidado necessário ao pêlo, pele, crina e cauda e também aos cascos
do cavalo que está recolhido. Um tratador experiente demora de meia a três quartos de
hora nesta tarefa. Um novato precisará provavelmente de mais tempo devido a fadiga
causada por um trabalho a que não está habituado. No entanto um trabalho bem feito tem
as suas compensações, já que haverá poucas coisas que agradam mais do que um cavalo
bem tratado.
Estojo de limpeza:
Antes de começar a limpar o seu cavalo, todos os cavaleiros devem ter uma noção do
que um estojo de limpeza deve conter.

Brussas – Para remoção de poeira e caspa do pêlo, crina e cauda.


Almofaça – Feita de metal para limpar a brussa. De plástico ou de borracha para
tirar a lama ou sujidade agarrada ao cavalo.

Cardoa – Para tirar a sujidade maior, lama agarrada e poeira, tendo bastante
aplicação na limpeza do cavalo em geral.

Ferro de cascos – Para limpar os cascos, especialmente a ranilha e as suas


lacunas.
Untura e pincel – Para untar os cascos.
Pente de crina
Esponjas – Para limpar olhos, focinho, nariz e anûs.
Panos de rede ou mandil – Para um polimento final depois da limpeza.
Almofada de massagem ou boneca de palha – Para melhorara a circulação e
para massajar.
Escova – Para usar humedecida na crina, cauda e membros.
Como fazer a limpeza: Limpeza dos cascos

Para limpar os cascos, o cavaleiro deve colocar-se ao lado dos membros, tomando
sempre muita atenção aos membros posteriores. De seguida, o cavaleiro deve passar a
mão no membro, pedindo ao cavalo que ele o levante. O cavaleiro deve segurar o casco
do cavalo com uma mão e com a outra limpar com o ferro de cascos no sentido contrário
ao vértice da ranilha.
No final da limpeza, o cavaleiro deve guardar o ferro de cascos e passar o unto,
em todo o casco (na palma e muralha), com o pincel próprio.

Dicas:

Se não conseguir que o seu cavalo levante o membro, peça ajuda ao tratador ou
ao seu monitor.

Se o cavalo for novo, vá com calma, faça com que ele se sinta confortável com o
seu toque. Acaricie-o no corpo, nos membros anteriores e posteriores e só quando ele
estiver à vontade e descontraído, peça para ele levantar a mão ou o pé.

Por vezes os insetos podem atrapalhar na tarefa, se for o caso, utilize o spray
para insetos no seu cavalo.

Como fazer a limpeza: Limpeza do pêlo e membros

O cavalo deve ser limpo sempre de cima para baixo e de frente para trás. O
cavaleiro pega na almofaça e na brussa, passando a primeira três vezes em movimentos
circulares, no pêlo do cavalo (se o cavalo for muito sensível, é aconselhável que se utilize
a almofaça de borracha) e a segunda deve-se passar no pêlo com movimentos curtos e a
cada três passagens o cavaleiro precisa de passá-la na almofaça para extrair o pó e a
sujidade. No fim de passar a almofaça e a brussa, o cavaleiro deve pegar na cardoa e em
movimentos leves e curtos, deve repetir o processo de limpeza de cima para baixo e de
frente para trás. No final passe a luva para brilho em todo o corpo, deve utilizar esta luva,
também nos membros, pois ela retira a poeira e dá brilho.
Dicas:

Tenha em atenção as reações do seu cavalo durante a escovagem. Se ele colocar


as orelhas para trás e se mostrar agitado é sinal de que pode estar a sentir-se
incomodado com o que está a fazer, procure fazê-lo de outra maneira. Por exemplo
utilizando menos pressão sobre as escovas.
As zonas com mais ossos, são sensíveis, tenha atenção e diminua a pressão
nelas.
Não é conveniente passar a almofaça de plástico e de borracha nos membros e
nunca deve passar a de ferro, nos membros, opte apenas por utilizar a brussa em gestos
leves e no final a luva para brilho.

Como fazer a limpeza: Limpeza da crina e da rabada

Antes de escovar o pêlo o cavaleiro deve começar na crina, depois sim passar para
o corpo e no final passar para a rabada. Deve pegar na cardoa e passar madeixa a madeixa
para retirar a sujidade e o pó. Se desejar entrançar as crinas ou se elas estiverem muito
embaraçadas, deve passar com o amaciador de crina e rabada e com o pente para fazer a
divisão correta para entrançar.
Quando passar para a rabada tenha atenção para não se colocar atrás do cavalo,
em vez disso, coloque-se ao lado de um dos membros posteriores do cavalos, pegue a
rabada com uma mão e puxe-a até si, depois vá largando pequenas madeixas para as
limpar. Para limpar a rabada, o cavaleiro pode passar a cardoa, primeiro para tirar restos
de palha ou de aparas. Depois passe o amaciador de crina e rabada e a escova, limpando
sempre primeiro a parte de baixo da rabada, até estar desembaraçada e assim
sucessivamente até chegar ao topo, desta maneira não vão cair muitos fios da rabada.
2.4. Arreios e equipamentos utilizados

Cabeçada

As cabeçadas são ajustáveis nas fivelas porque as cabeças dos cavalos não são todas do mesmo
tamanho, mas o desejável é que cada cavalo tenha a sua cabeçada de trabalho, tal como a de
prisão.

• Cachaceira: Parte do arreio que passa por detrás das orelhas do animal;

• Testeira: Parte da cabeçada que cinge a testa. Não é regulável e, por isso, deve ser
escolhida com tamanho suficiente para não comprimir a testa, o que leva a cachaceira a
magoar as orelhas;

• Cisgola ou Sisgola: Parte do arreio que passa pela parte inferior da goela e que evita que
a cachaceira possa deslizar para a frente. Normalmente mais fina não pode, em caso
algum, comprimir o topo da garganta ou a goela do cavalo, devendo caber uma mão entre
ambas;

• Faceiras: Há uma à direita e outra à esquerda da face do animal. É a correia da cabeçada


no prolongamento da cachaceira desde a intersecção com a testeira até ao extremo que
afivela com o bridão ou com o freio. A altura do bridão na boca do cavalo regula-se nas
fivelas das faceiras, por forma a ficar em franco contato com as comissuras dos lábios,
mas sem as repuxar demasiado. De preferência, as duas faceiras devem ficar do mesmo
cumprimento evitando-se, no entanto, utilizar os últimos furos (mais curtos) que se
guardam para afivelar de novo quando uma ponta parte. A cabeçada está de bom tamanho
quando o bridão não arrepanha (curta) a comissura labial, ou pelo contrário, quando o
bridão não está descaído (comprido) ficando a meio da boca. A verificação deste erro faz-
se ajustando as rédeas e verificando que as faceiras não arqueiam, afastando-se das faces
cada vez que as nossas mãos atuam.

• Focinheira: Peça da cabeçada destinada a impedir que o cavalo abra a boca e se furte ao
efeito dos ferros ou embocaduras. Serve para limitar a abertura e não para fechar a boca.
Por isso o seu ajustamento é delicado porque, se insuficiente, não serve para nada, mas
se excessivo é, muitas vezes, a causa direta de instabilidade da cabeça e enervamento do
cavalo. Em qualquer dos vários modelos existentes devemos ter a noção que ajustar, não
é apertar nem a boca nem as narinas.

• Rédea: Correia que transmite a ação das mãos à embocadura;

• Embocadura: Peças que estão colocadas na boca do cavalo. O Mais vulgar é o bridão
ou o freio com o bridão. Na gíria também se lhe chama ferros.

• Bridão: Peça metálica do arreio de cabeça que é constituída por um bocado articulado
com argolas que afivelam nas faceiras e/ou rédeas. Atua sobre as comissuras labiais,
magoa menos que o freio.

Selas
Existem 3 tipos básicos de sela:

Sela de Ensino Selim de Saltos Selim Ensino/Obstáculos

Sela é o equipamento colocado na região dorso-lombar do cavalo para proporcionar um


assento mais seguro ao cavaleiro. As selas são produzidas em diferentes dimensões. O tamanho
adequado ao atleta possibilita seu exato posicionamento e equilíbrio.
Cepilho ou Cepinho- É a parte dianteira da sela, que envolve a cernelha. Deve ter largura e altura
suficientes para não a ferir.

Patilha- É a parte traseira da sela. Deve sempre ser mais alta que o cepilho.

Coxim- Deve ser ligeiramente inclinado para frente, a fim de aliviar o lombo do cavalo e distribuir
o peso do cavaleiro mais próximo à cernelha, onde passa a vertical do centro de gravidade do
cavalo, mantendo, assim, um perfeito equilíbrio do conjunto.

Suadouro- É a parte inferior da sela, que exerce pressão direta sobre a região dorso-lombar do
cavalo, apoiando-se sobre a manta. Por isso, deve ter enchimento perfeito para atuar como
amortecedor.

Abas e abinhas- As abas devem ser suficientemente longas para dar apoio perfeito às pernas e,
normalmente, têm uma saliência acolchoada na frente, destinada a apoiar os joelhos. As abinhas
são curtas, cobrindo o apoio dos loros e dando mais estética às selas.

Cilha- É a peça de couro, algodão ou náilon que passa pelo tórax do cavalo, tendo a finalidade de
ajustar a sela, dando segurança ao cavaleiro. Deve passar atrás do codilho para não causar
ferimentos.

Loros- São tiras de couro que sustentam os estribos, colocados de preferência na vertical que
passa pelo centro de gravidade do cavalo.

Estribos- Servem de apoio aos pés do cavaleiro, devendo sempre ficar perpendiculares ao corpo
do cavalo, para facilitar a flexão e a solidez do cavaleiro.
Equipamentos de proteção
Todos os tipos de proteção são indispensáveis para manter a boa saúde das articulações,
tendões e ligamentos.
Impedem o contato da ferradura com áreas sensíveis do animal, evitando cortes e lesões.
Protegem as articulações do impacto com obstáculos ou durante o transporte.

2.5. Aparelhação

Para além da limpeza, o cavaleiro deve começar a aprender a aparelhar o seu


cavalo desde cedo, pelo menos na fase em que passa para a sela, para conseguir ter mais
autonomia e estar preparado para qualquer eventualidade. Esta tarefa tem de ser pensada
conforme o trabalho que queira fazer e as necessidades do cavalo. Se quiser saltar convém
utilizar um arreio de saltos de obstáculos e umas caneleiras, porém se quiser fazer ensino
o mais adequado será um arreio de dressage e umas ligaduras. Depois de escolhido o
material está na hora de começar a trabalhar, este texto vai ajudar os cavaleiros a
escolherem o seu material e a colocá-lo corretamente.
Primeiro prenda o cavalo e mantenha-o assim, quer seja dentro ou fora da
cavalariça, até ter acabado de o aparelhar.
Poupa tempo e é mais seguro, já que o mantém razoavelmente quieto, evitando
que se vá embora ou se mova, ou ainda mordisque ou escouceie outros cavalos.
Escove o cavalo para remover alguma sujidade secas ou marcas antigas de suor,
particularmente nas zonas onde assentam a sela e a cilha.
Junte todo o material que vai usar, como a sua chibata ou stick, toque, luvas, etc...

Preparativos - A sela:

➢ Verifique se os estribos e loros estão na sela e puxados para cima.


➢ Aperte a cilha do lado direito, deixando os últimos quatro furos acima das fivelas
para apertar se/ou quando necessário.
➢ Verifique se as proteções das fivelas estão no sítio.
➢ Dobre a cilha para trás sobre o coxim da sela.
➢ Se estiver a usar um xairel, coloque-o no cavalete e ponha a sela em cima, puxando
bem o xairel para a frente sob o cepinho.

Preparativos - A cabeçada:

➢ Abra a cisgola, a focinheira e se usar uma cabeçada de freio-bridão ou pelham, a


ponta da gamarrilha devem ser usadas presas ao orifício existente do lado
esquerdo do freio, bem como a barbela deve ser enfiada no gancho esquerdo.
➢ Largue as rédeas.
➢ Se a cabeçada não for a que o cavalo costuma usar, ajuste-a de maneira a que
tenha a certeza de que é suficientemente grande para o cavalo e tenha as faceiras
afiveladas sem passar as pontas pelos passadores.
➢ Ponha a gamarra se necessário.

Fale ao cavalo à medida que se aproxima e aparelhe-o pelo lado esquerdo, se o cavalo
lhe for desconhecido, caso contrário mantenha o hábito de o fazer em ambos os lados.
É usual por primeiro a gamarra, o colar e depois o arreio, com a cilha levantada, e
finalmente a cabeçada; isto permite a sela acomodar-se no dorso do cavalo e, no tempo
frio, aquecer. Também evita que o cavalo se impaciente ou que tente mordê-lo, o que viria
a acontecer mais cedo ou mais tarde, se este for aparelhado e apertado logo de seguida.
Quanto mais próximo se mantiver da espádua do cavalo menos probabilidades terá de
apanhar com um coice.

Procedimento – A sela:

➢ Solte o cavalo, ponha a gamarra, com a fivela do colar do lado esquerdo, e volte
a prendê-lo.
➢ Alise o pêlo com as mãos no sítio onde vão assentar a sela e a cilha, certificando-
se que não têm sujidade, suor seco ou qualquer corpo estranho que cause
ferimentos.
➢ Segurando a arcada da frente com a mão esquerda e a detrás com a mão direita,
coloque a sela suavemente, mas bem afrente do garrote.
➢ Deixe-a escorregar para trás numa posição que não fique nem no garrote nem nos
rins do cavalo. Nunca faça a sela deslizar para a frente contra o correr do pêlo.
➢ Verifique se a aba suadora da sela não está dobrada e tudo está liso e direito sobre
as abas.
➢ Se usar um xairel, veja se está direito e bem puxado, com folga sob arcada da
frente.
➢ Indo por baixo ou pela frente vá rápido, mas calmamente até ao pescoço do cavalo,
do lado direito. Baixe a cilha e veja se tudo está também direito sobre esta. É muito
importante que vá de volta para fazer isto, já que não pode verificar corretamente
por cima do arreio.
➢ Voltado para o lado esquerdo e mantendo o ombro perto da espádua do cavalo,
dobre-se e pegue na cilha, enfie na argola da gamarra e afivele-a de maneira a que,
não ficando apertada, o esteja suficientemente para que a sela não escorregue.
Para uma confirmação deve conseguir passar a mão entre a cilha e o cavalo.
Certifique-se que a pele não faz nenhuma prega por trás dos codilhos e de que as
fivelas da cilha estão à mesma altura.
➢ Depois de apertar a cilha, deve ter ainda mais quatro furos na correia da cilha
acima da fivela, também do lado esquerdo. Se não houver, é porque a cilha é
demasiado comprida. Deixe as proteções das fivelas para cima até a cilha ser
definitivamente apertada. O aperto da cilha deve ser verificado periodicamente
durante o trabalho, especialmente no caso de um cavalo que se contraia. A cilha
deve estar suficientemente apertada, de maneira a assegurar-se que o arreio não
vai escorregar, mas não tão apertada que cause desconforto desnecessário.

Procedimento – A rabicheira:

Se usar a rabicheira, deverá pô-la depois da cilha apertada.


➢ Estando perto do posterior esquerdo, pegue na cauda com a mão direita e passe-a
pela argola da rabicheira.
➢ Tenha cuidado para que a rabicheira fique bem na inserção da raiz e que toda a
cauda fique bem acamada.
➢ Passe a correia pelo «D» da parte detrás da sela e ajuste o comprimento, de
maneira a que a sela fique no bem sítio, mas não tão curto que faça levantar a
cauda.

Procedimento – A cabeçada:

A figura que se segue ilustra 2 métodos. Os primeiros passos são os mesmos para qualquer
deles:
➢ Tire a cabeçada de onde a tinha pendurado, ponha a mão esquerda sobre a testeira
e cachaceira e coloque a cabeçada sobre o braço com a testeira perto do cotovelo.
➢ Coloque as fivelas das rédeas à frente da cachaceira no braço esquerdo, deixando
as duas mãos livres.
➢ Enfie as rédeas na cabeça e pescoço do cavalo. Assim poderá segurar o cavalo
quando retirar o cabeção de prisão.
➢ Retire o cabeção de prisão e pendure-o – não o deixe cair simplesmente num lugar
em que tanto você como o cavalo o possam pisar.
➢ Se o cavalo estiver na boxe ou cavalariça, vire-o para a luz e continue seguindo o
método 1 ou o método 2.
Método 1

➢ Agarre a testeira com a mão direita.


➢ Com a mão esquerda debaixo do focinho do cavalo, deixe o bocado do bridão
seguro entre o indicador e o polegar.
➢ Dobre o indicador e procure entre os lábios do cavalo, do lado direito, a barra na
boca do cavalo. Isto fará com que o cavalo abra a boca.
➢ Mantendo a mão direita perto da testa do cavalo, pexe a cabeçada, usando a mão
esquerda para guiar o bridão lentamente na boca do cavalo.
➢ A mão esquerda pode agora dar assistência à mão direita, ao passar a testeira sobre
as orelhas, uma de cada vez, tenha cuidado para alisar a crina e topete e deslize os
dedos sob a testeira para verificar que nada está dobrado.
➢ Aperte as diferentes fivelas, começando pelas orelhas e descendo depois.
Certifique-se que à medida que as vai apertando põe as pontas nos passadores.

➢ Aperte a cisgola, permitindo que toda a sua mão passe entre esta o lado da maxila,
quando a cabeça do cavalo está levantada. Nunca deverá ficar tão apertada que
interfira com a respiração ou movimento da cabeça.
➢ Ponha-se de frente e certifique-se de que: A testeira está direita, imediatamente
abaixo das orelhas, mas não tocando nas mesmas, e de um comprimento que não
interfira com a cabeçada puxando-a para a frente; a focinheira está direita; a
cabeçada está toda ela direita e a embocadura estão direitas na boca do cavalo.
➢ Agora, afivele a focinheira, deixando dois dedos de espaço estre esta e o chanfro
do cavalo, permitindo assim que o cavalo abra um pouco a boca e relaxe as
maxilas. Ajuste o comprimento da focinheira do lado esquerdo de maneira a que
fique no meio, entre as ganachas e a boca. Verifique se tudo está ajustado de
maneira a que as faceiras não toquem nos olhos do cavalo.
➢ Quando usar gamarra de argolas desfivele as rédeas – quando usar uma cabeçada
de freio-bridão ou pelham – passe-as pelas argolas e volte a afivelá-las.
➢ Ajuste o bridão de ambos os lados, contando os furos para se assegurar que não
fica torcido.
➢ Colocar e ajustar a barbela: Prenda o primeiro elo ao gancho do lado direito; tem
de se ter em atenção que a barbela fique lisa de encontro à barbada. A argola que
existe no meio deve estar solta; Mantendo a barbela torcida para a direita e
mudando a mão de maneira a que o seu polegar direito fique por detrás e por
baixo, reponha o ultimo elo no gancho; Ajuste-a até ao comprimento requerido,
do lado esquerdo, a não ser que lhe sobrem mais de três elos, neste caso, encurte
a barbela dos dois lados na mesma proporção.
Método 2

➢ Ponha a mão direita sob o maxilar do cavalo, envolvendo o focinho até onde
puder, imediatamente acima das narinas.
➢ Agarre ambas as faceiras nesta mão, mantendo-as perto da cabeça do cavalo.
➢ Com o polegar esquerdo abra-lhe a boca e ponha a embocadura como no método
1, com a sua mão direita puxe, suavemente a cabeçada para cima.
➢ Com as duas mãos passe a cachaceira para além das orelhas do cavalo.
➢ Daqui em diante continue como no método 1. O método 2 dá-lhe mais controlo,
já que está mais perto do cavalo e dispões da mão direita para o acalmar e evitar
que se mova. É também mais seguro quando se coloca a cabeçada a um cavalo
novo.

As figuras que se seguem mostram uma cabeçada de bridão e outra de freio-bridão postas
corretamente.
Finalmente:
➢ Verifique a cilha e as proteções das fivelas ajustando-as, se necessário. Como
precaução sensata ponha-se de pé em frente ao cavalo e peça-lhe que levante uma
mão de cada vez, alisando alguma ruga que possa haver na zona do cilhadouro.
➢ Se têm de deixar o cavalo aparelhado, passe as rédeas por debaixo dos estribos,
coloque o cabeção de prisão sobre a cabeçada e prenda-o. De outra maneira o
cavalo pode passar as rédeas por cima da cabeça e pisá-las ou, ainda pior, esposar-
se e estragar o arreio.
➢ Limpe os cascos do cavalo se ele está numa boxe ou cavalariça.
➢ Acabe de arranjar o seu próprio equipamento, toque, luvas, chibata, etc.
➢ Quando estiver pronto para montar, desprenda o cavalo e tire-lhe o cabeção de
prisão.
➢ Quando o levar para fora, passe as rédeas por cima da cabeça do cavalo, certifique-
se que os estribos estão levantados e evite que batam nalguma saliência,
particularmente nas portas. Pendure a cabeçada de prisão num prego ou no fecho
da porta de maneira a estar á mão quando voltar.
➢ Verifique rapidamente se o cavalo está corretamente aparelhado.

2.6. Aplicação de diversos equipamentos

Cabeçadas

(Fazer como descrito em APARELHAR DO CAVALO PARA UMA PROVA –


Procedimentos: Cabeçada).

Sela

(Fazer como descrito em APARELHAR DO CAVALO PARA UMA PROVA –


Procedimentos: Sela).

Embocaduras

As embocaduras são os equipamentos colocados na boca do animal, sendo fixados na


cabeçada e ligados à mão do cavaleiro através das rédeas. Basicamente há dois tipos:
bridões e freios.

➢ Bridões
Pela sua suavidade o bridão é a primeira e a última de todas as embocaduras. A
primeira por ser a indicada para potros, ainda com pouca confiança na mão do cavaleiro.
A última por ser para o cavalo bem-ensinado a que menos o incomoda.
Deve-se usar sempre o bridão com os anéis de borracha para proteger a comissura
dos lábios.
Em posição normal, a articulação do bridão descansa sobre a língua do cavalo.
Quando o cavaleiro fecha os dedos gerando tensão nas rédeas, a articulação central
do bridão fecha-se e os dois tramos do bridão apoiam-se sobre as barras inferiores do
maxilar. Normalmente, o cavalo defende-se da dor
procurando abrir a boca, razão pela qual se usa sempre a focinheira para que a flexão
exigida atue no maxilar inferior e Na

nuca, pois esta ativa toda a coluna vertebral: pescoço, dorso, lombo garupa e membros
posteriores.

Os tipos básicos de bridão são:


➢ Freios
O freio é uma embocadura com uma peça que atravessa a boca do animal
(bocado), com ou sem montada (elevação) e formando uma única peça com os ramos
laterais (cambas). Deve ser usado com barbela. O freio é tanto mais violento quanto
maiores forem as cambas, mais fino o bocado e mais acentuada a montada. O freio
pelham colocado em cabeçada simples possibilita, em uma única embocadura, combinar
os efeitos diferentes de freio e bridão. O freio polo tem cambas articuladas com o bocado,
tornando-o mais suave, tendo ação de descontração para os cavalos com o maxilar muito
rígido. Alguns Exemplos:

➢ Freio Pelham

O freio pelham condensa numa só peça o bridão com cambas e barbela atuando, assim,
como freio. É uma embocadura suave, sem muita precisão, predispondo a uma colocação
baixa da cabeça e própria para uma equitação simples. A rédea superior atua como bridão;
a rédea inferior aciona a camba, atuando em alavanca como freio.
➢ Freio e Bridão

O freio e bridão são utilizados simultaneamente no adestramento em virtude da sua


independente ação compensadora. O freio é essencialmente um abaixador, devendo ser
utilizado no sentido do eixo do cavalo. O bridão deve ser empregado nos deslocamentos
laterais e em todo o trabalho que implique na elevação da cabeça e pescoço e a encurvação
do pescoço e da coluna vertebral.
Rédeas e acessórios

➢ Peitoral

Esta peça serve para impedir que o arreio se movimente para trás, deslocando-o do
local ideal.

Como colocar

Normalmente os arreios têm uma prisão para os fechos do peitoral e depois o


cavaleiro deve apertar o peitoral na cilha.

➢ Gamarras

São dispositivos para limitar os movimentos de elevação da cabeça do cavalo,


amortecendo as ações das mãos dos cavaleiros.

Gamarras Fixas Gamarra de argolas

Como colocar

Deve ser regulada na altura da linha que liga a rédea da boca do cavalo à mão do
cavaleiro, porém nunca mais baixa.
Colocação Mal regulada

Bem colocado

➢ Chambons

O Chambon é um dos melhores equipamentos para o trabalho de guia para treinar


cavalos novos, porque desenvolve os músculos da linha superior do cavalo, pescoço,
dorso, lombo, garupa e encaixe dos membros posteriores em baixo da massa corporal.
Torna o cavalo flexível e estabelece um equilíbrio natural. Dá total liberdade para o cavalo
movimentar a cabeça lateralmente, para frente ou para trás, limitando somente levantar a
cabeça e o pescoço para cima, e, neste caso, a pressão do bridão não é para trás e sim na
parte superior da boca. Abaixa o pescoço, mantendo a cabeça inclinada para frente, nunca
encapotando o cavalo.

Como colocar

O equipamento consta de uma peça de couro presa à cachaceira com duas argolas
laterais, uma corda de náilon de 1,35m de cada lado, presa com um mosquetão no bridão,
passando pela argola superior da peça de couro presa na cachaceira, fixando-se na rédea
central da parte inferior da cilha entre os anteriores do cavalo.
➢ Rédeas Gogue Independente

Pode ser usada para os trabalhos de guia ou montados com rédeas normais, pois
acalma o cavalo.

Como Colocar

É análoga ao Chambon, com a diferença que seus extremos não estão presos às
argolas do bridão, mas, passando por elas, vão fixar-se à rédea central que está presa na
parte inferior da cilha entre os anteriores do cavalo.

➢ Rédeas Gogue Dirigidas


Nunca deve ser utilizada como rédea única, mas sim, com as rédeas normais do bridão.
Apresentam uma vantagem sobre as rédeas alemãs, pois exercem pressão sobre dois
lugares, nuca e boca, de modo mais suave, e facilitam a encurvação do pescoço
diretamente que, quando obtida, o cavaleiro deve soltar as rédeas imediatamente e
acariciar o cavalo.

Como Colocar:

É análoga à independente, porém as extremidades, ao invés de serem atadas à


rédea central presa na parte inferior da cilha, depois de passarem pelas argolas do bridão
vão até a mão do cavaleiro.

➢ Rédeas Alemãs

São duas rédeas fixadas uma em cada lado na parte média da cilha e que passam
pela argola do bridão e voltam às mãos do cavaleiro, combinando as funções de rédea e
gamarras abaixadores.
Aumentam a potência da embocadura, limitam a flexão lateral do pescoço e os
movimentos de elevação do focinho.
A sua maior eficácia é alcançada com atuação de uma rédea direta ativa e outra
reguladora, para as mudanças de direção.
Fixadas na parte inferior da cilha entre os anteriores, podem encapotar o cavalo,
tornando-as prejudiciais.
Como colocar

INCORRECTO CORRECTO

Proteções

Há numerosos tipos de proteções para impedir que os cavalos se magoem ou sejam


magoados ocasionando diversas lesões.
Os tipos principais de cada uma deles fabricados numa grande variedade de
materiais e modelos, são:
➢ Caneleiras – Em couro, plástico, lona feltro.
➢ Protetores de boleto – Em couro, plástico ou tecido grosso.
➢ Protetores da coroa do casco – Para prevenir pisadelas de outros cavalos,
principalmente quando se joga polo ou em viagens. São normalmente feitos de
material almofadado e estreito coberto de cabedal.
➢ Cloches – Da forma de um sino e feitas de borracha, ajustam-se a parte inferior da
quartela.
➢ Protetores de tendão – Protegem os tendões das mãos de possíveis alcançadelas
ocasionais pelos pés. São bem almofadados na parte posterior e devem moldar-se
a anatomia dos tendões.
➢ Proteções de viagem – Para evitar danos durante o transporte. Incluem os modelos:
➢ Caneleiras de viagem – que envolvem a canela desde a parte de cima do joelho ou
curvilhão até a coroa do casco.
➢ Proteção de curvilhão – Geralmente feitas de feltro grosso e couro.
➢ Joelheiras – Que também podem ser utilizadas quando se exercita o cavalo na
estrada ou quando se trabalha em obstáculos. A correia de cima deve estar

➢ suficientemente apertada para evitar que a proteção caia. A fita de baixo evita que
rode, mas deve estar suficientemente larga para não limitar os movimentos.
➢ Pólo – De vários modelos, geralmente maiores que as proteções normais e
concebidas especificamente contra ressaltos de bolas de pólo e de sticks,
alcançadelas, pisadelas, etc...
➢ Rodilhas – Ajustadas à volta da coroa para evitar que o casco magoe o codilho
quando o cavalo está deitado (codilheira). Só são necessárias quando o cavalo já
está ferido, não como precaução normal.
Colocação

Por vezes as proteções dianteiras e traseiras do mesmo conjunto são de modelos


diferentes, por isso certifique-se que as coloca corretamente.
As fivelas e fitas devem estar do lado de fora, com as pontas viradas para trás.
Comece pela fivela do meio e depois afivele a de cima e a de baixo, certifique-se
que a pressão exercida é uniforme e de que o aperto é o indispensável para que a proteção
não escorregue. Quando retirar a proteção desaperte as fivelas de baixo para cima.
Certifique-se de que todas as pontas estão nos respetivos passadores para que as
fivelas não se desapertem.

Cuidados

As proteções devem ser bem limpas depois de usadas, já que a sujidade, areias ou
quaisquer corpos estranhos podem causar graves problemas. Mantenha as pontas o mais
maleáveis possível.
Se ficarem rígidas ou duras, à parte do perigo de poderem estalar e partir, terá
bastante dificuldade em apertá-las e desapertá-las. Deve ter-se cuidado com as proteções
que tenham fechos de metal, já que se bater com eles, podem abrir-se.

2.7. Verificação do estado físico do cavalo

Os cavalos, de um modo geral, apresentam certas características e atitudes que


nos permitem avaliar o seu estado de saúde.
Assim, os olhos devem ser brilhantes e sem corrimentos, as orelhas móveis e
alertas e a pele com pêlo macio, lustroso e mais ou menos longo de acordo com o tipo
de estabulação e estação do ano. A pele não deve apresentar crostas ou alopecias (falta
de pelo).

O cavalo saudável deve comer com apetite, mastigar facilmente os alimentos e


apresentar-se com uma boa condição física, ou seja, nem gordo nem demasiado magro.
As fezes devem ser firmes e com uma coloração que pode variar de castanho
claro a verde-escuro, dependendo da dieta. É normal os cavalos alimentados com pasto
terem as fezes mais moles. A urina pode variar de quase incolor a amarelo claro e os
animais devem urinar várias vezes ao dia.
Os membros não devem apresentar qualquer aumento de temperatura à
palpação nem qualquer tumefação (inchaço). Quando o cavalo se encontra em estação, é
normal descansar um dos membros posteriores, mas nunca os anteriores. A mudança
contínua de posição também é normal.
Os dentes dos cavalos devem ser observados anualmente por um médico
veterinário, pois podem necessitar de ser grosados.
2.8. Constantes fisiológicas normais do cavalo
• Temperatura rectal – A temperatura rectal normal de um cavalo varia entre
37,5ºC e 38,5ºC.

• Frequência respiratória normal em repouso – A frequência respiratória


normal em repouso varia entre as 8 e as 12 respirações por minuto e é definida,
observando o abdómen do cavalo, de modo a ver os movimentos respiratórios.

• Frequência cardíaca normal em repouso – Deve-se encontrar entre os 33 e os


44 batimentos por minuto. Para determinar o valor correto da frequência
cardíaca em repouso, o cavalo deve estar calmo e relaxado. Este valor pode
então ser obtido através da pressão dos dedos sobre uma artéria, de forma a
sentir o pulsar desta, ou com o uso de um estetoscópio. Há várias localizações
onde uma artéria pode ser palpada. A artéria mandibular é, geralmente, a mais
usada, sendo a sua localização no lado interno do corpo da mandibula. Outras
localizações possíveis incluem a parede do tórax, junto ao codilho, por baixo da
base da cauda e nos lados lateral ou medial das quartelas (artérias digitais
palmares). No caso de se utilizar o estetoscópio para ouvir o batimento cardíaco,
este é colocado no lado esquerdo da parede do tórax, mesmo por de trás do
codilho.

• Membranas mucosas – As membranas mucosas que devem ser observadas


incluem as gengivas, a mucosa ocular, as narinas e o lado interno da vulva, nas
fêmeas, e devem apresentar uma coloração rosada.

• Tempo de repleção capilar (TRC) – Para determinar o TRC de um cavalo,


pressiona-se a gengiva com um dedo de modo a ficar esbranquiçada nesse local.
Retira-se o dedo e conta-se o tempo que a gengiva demora a retornar à coloração
normal, que deve ser de um a três segundos. Este parâmetro dá uma indicação do
estado da circulação sanguínea, podendo, quando alterado, sugerir anemia,
congestão, choque, desidratação ou problemas circulatórios.

• Estado de hidratação – Para ter uma ideia do estado de hidratação de um


cavalo, o método mais simples consiste em fazer uma prega de pele no pescoço
ou na espádua, depois soltar e verificar se a prega se desfaz imediatamente. Se
isto não suceder e a prega demorar tempo a desaparecer, é porque o cavalo se
encontra desidratado.
3. REGRAS DE TRANSPORTE,
EMBARQUE, TRANSPORTE E DESEMBARQUE DE
CAVALOS EM ATRELADO E CAMIÃO
3.1. Outras informações relativas ao Transporte de Animais:

• O Regulamento n.º 1/2005 de 22 de dez. 2004, e o Decreto-Lei n.º 265/2007 de


24 julho, alterado pelo Decreto-lei 158/2008 de 8 de Agosto, estabelecem
as Obrigações dos Transportadores, Organizadores e Detentores no Transporte
dos Animais
• Documentação do Transporte Rodoviário de Animais

• Normas Técnicas relativas ao Transporte Rodoviário de Animais

• Normas Técnicas relativas ao Transporte Marítimo

• Despacho de aprovação de instalações de limpeza e desinfeção de meios de


transporte de animais vivos

• Procedimento de aprovação e alteração de instalações de limpeza e desinfeção


de meios de transporte de animais vivos

• Lista das Instalações Aprovadas pela DGAV, e Lista de Desinfetantes

• MODELOS: Instalações de limpeza e desinfeção de veículos utilizados no


transporte de animais vivos:

o Requerimento para aprovação/renovação de funcionamento de instalação


de limpeza e de desinfeção de meios de transporte utilizados no
transporte de animais vivos

o Requerimento para alteração da aprovação de funcionamento de


instalação de limpeza e de desinfeção de meios de transporte utilizados
no transporte de animais vivos

o Modelo de declaração de limpeza e desinfeção de meios de transporte –


Todos os transportes, exceto os transportes de transferência de aves para
vida

o Modelo de declaração de limpeza e desinfeção para transferência de aves


para vida - Apenas para os meios de transporte utilizados em
transferências de aves para vida

(Data de atualização: 23 novembro 2020)

3.2. Preparar o cavalo para uma viagem

O transporte de um cavalo, seja para um pequeno trajeto ou para uma longa


viagem entre continentes, é sempre um momento de preocupação para os detentores. É
objetivo deste artigo apontar alguns dos aspetos a ter em consideração com o intuito de
minimizar a ocorrência de complicações associadas ao mesmo.

Independentemente do tempo ou da distância, o transporte suscita nos equinos


uma resposta que varia de indivíduo para indivíduo. Conhecer o nosso cavalo ajuda a
prever algumas destas reações. De seguida iremos enumerar algumas das situações mais
frequentes e como as abordar
O meu cavalo nunca viajou que cuidados devo ter?

Por natureza os cavalos são receosos relativamente a novos espaços ou ambientes.


Quanto maior for o seu contacto com as condições de transporte menor será o estímulo
stressante. É importante que o animal esteja familiarizado com as rampas e com as
movimentações da viatura. Se o seu cavalo viaja pela primeira vez, vale a pena simular a
entrada e saída do carro, assim como a sensação de permanecer no seu interior e a própria
deslocação. Dependendo do carácter mais ou menos nervoso do seu animal esta
habituação poderá acontecer de forma espontânea na primeira tentativa ou demorar
alguns dias. Regra geral esta aprendizagem surge de uma forma muito natural nos animais
jovens, mais curiosos por natureza.

O procedimento de carga deverá ser feito da forma mais tranquila possível


deixando o animal interagir com a viatura, por forma a sentir-se mais confiante (Foto 2).
Não se deve esquecer que os cavalos são naturalmente desconfiados no que diz respeito
a situações desconhecidas e, como tal, necessitam do seu tempo de habituação.

A utilização de alimento no interior do carro ou o uso de recompensas poderá ajudar (Foto


3). Alguns animais viajam melhor acompanhados; tratando-se de uma espécie

que vive em grupo a existência de outros animais dentro do carro poderá ajudar a “quebrar
o gelo”. Em qualquer circunstância e se o seu animal vai viajar com um transportador não
se esqueça de fornecer toda a informação relevante, pois só desta forma ele saberá melhor
como lidar com a situação.

Como devo preparar a minha carrinha ou reboque para uma viagem?


A última situação que quer ter durante uma viagem é ter uma avaria mecânica com
o seu cavalo no interior; certifique-se que o carro ou reboque está em perfeitas condições
mecânicas. A pressão e estado dos pneus assumem uma importância extrema em viaturas
que se deslocam esporadicamente. Certifique-se que tem os meios necessários para
substituir uma roda com os animais no interior.

A limpeza representa uma pedra basilar para evitar problemas de saúde durante
ou após a viagem. Isto é tanto mais verdade quanto maior for a duração da mesma, pois
aumenta o tempo de exposição. A viagem por si só constitui um desafio ao sistema
imunitário do seu cavalo. O espaço de viagem é confinado e como tal a proximidade com
a pele, boca e mucosa nasal é elevada. Estas são as principais portas de entrada para um
qualquer agente patogénico. É importante certificar-se que a viatura está absolutamente
limpa antes de a utilizar na viagem seguinte (Foto 4). A utilização de aparas ou outro
material absorvente é recomendável uma vez que concentra a urina e as fezes facilitando
a sua remoção.

Qual a documentação que deve acompanhar o meu cavalo?

No território nacional a legislação atual prevê a movimentação dos cavalos apenas


acompanhados pelo seu documento de identificação. Nas deslocações para países da
Comunidade Europeia será obrigatória a emissão de um certificado sanitário
Internacional também conhecido como TRACES. Para tal, deverá contactar o seu Médico
Veterinário ou transportador que o ajudarão neste processo.

A deslocação para países terceiros está sujeita a requisitos sanitários específicos.


Deverá atempadamente informar-se sobre as exigências do país de destino junto do seu
Médico Veterinário por forma a levar a cabo todos os procedimentos dentro dos limites
previstos. Estes, regra geral, traduzem-se na recolha de amostras biológicas e seu
posterior envio para laboratórios de referência. Tenha presente que alguns destes testes
poderão demorar até duas semanas antes de serem conhecidos os seus resultados.
Proteção térmica: Devo ou não usar mantas?

Os cavalos são uma espécie perfeitamente adaptada ao frio e como tal deveremos
ter sempre esta ideia presente na altura de tomar decisões (Foto 5). Como regra, os cavalos
viajam melhor sem manta. O calor produzido pelos seus corpos e pela sua respiração é
suficiente para elevar a temperatura de forma considerável no espaço de viagem. Dito
isto, se a temperatura no interior do carro for inferior a 10ºC a utilização de uma manta
fina poderá ser adequada para um animal tosquiado, deixando de fazer sentido no caso de
o pêlo se encontrar no seu tamanho natural. Tenha presente que a temperatura tem
tendência a subir tanto mais depressa quanto maior for o número de animais
transportados; do mesmo modo também existe uma tendência para a temperatura subir
durante o dia e baixar durante a noite. Com temperaturas superiores a 10ºC a utilização
de mantas provoca, regra geral, um aumento da sudação com o inconveniente de o cavalo
permanecer molhado, num espaço onde a humidade relativa é sempre bastante alta, em
consequência da sua respiração.

Estes aspetos deverão ser tidos em conta antes de optar pela utilização de uma
manta de viagem. Todavia não se esqueça que nos meses de Inverno, nos locais de
descanso, as temperaturas poderão baixar drasticamente ou ser bastante inferiores ao
compartimento de viagem, pelo que o envio de mantas adequadas para colocação nestas
circunstâncias é aconselhado.
Ventilação durante a viagem

Este ponto representa talvez o aspeto mais importante por forma a garantir que o
seu cavalo não adoece durante ou depois do transporte. No Verão a temperatura no
compartimento de viagem não poderá ultrapassar os 35ºC. Para tal, deverão ser abertas
janelas e claraboias por forma a garantir uma boa circulação do ar. Em carros equipados
com ventilação mecânica esta deverá ser utilizada em temperaturas superiores a 20ºC. A
vantagem destes equipamentos consiste na remoção da camada de ar mais quente que se
encontra na parte superior do compartimento. Se as temperaturas ultrapassarem os 35.ºC
pondere a possibilidade de efetuar a viagem durante a noite. A qualidade do ar é outro
aspeto favorecido pela ventilação; como regra geral e em caso de dúvida mais vale
ventilar a mais do que a menos. Em transportes partilhados esta é inquestionavelmente a
forma mais eficaz de reduzir a contaminação cruzada entre os animais.

No Inverno a ventilação assume uma importância ainda maior. A temperatura no


compartimento de viagem é, na maioria das vezes, superior ao exterior da viatura. Esta
diferença provoca a condensação (Foto 6) do vapor de água eliminado pela respiração
dos animais nas paredes do carro. É do conhecimento geral que a maioria dos agentes
patogénicos necessita de um maior ou menor grau de humidade sendo este um meio por
excelência para ao seu desenvolvimento e propagação. Assim sendo, a única forma de
reduzir a humidade relativa no espaço de viagem é através da ventilação. Não tenha receio
das correntes de ar, lembre-se que os cavalos estão melhor preparados para o frio do que
para o calor.

Alimentação e Abeberamento

Regra geral os cavalos deverão ter sempre feno à disposição durante a viagem,
não nos devendo esquecer que os equinos são animais de ingestão contínua (Foto 7). Em
viagens de curta duração uma rede ou saco de feno representa uma distração e, como tal,
é sempre bem recebida por eles. Habitualmente são utilizados sacos ou redes com uma
malha fina (3x3cm) de modo a reduzir o desperdício que cai para o chão, enquanto
prolongamos a duração da mesma.

A grande maioria dos animais entretém-se demoradamente de volta das redes


contribuindo para a redução do stress associado à viagem. Nas viagens de longa duração
a ingestão e presença de alimento no estômago evita o aparecimento de doenças
associadas ao jejum, nomeadamente a ulceração gástrica. No caso de o seu cavalo sofrer
de problemas respiratórios crónicos deverá consultar o seu Médico Veterinário sobre as
melhores opções e transmitir essa informação ao transportador.

O fornecimento de água durante a viagem representa muitas vezes um desafio. Na


realidade a maioria dos animais rejeita a ingestão de água durante as viagens. Todavia em
alturas de maior calor (>30ºC), deverá ser oferecida água fresca em intervalos regulares
(a cada 2 a 3h).
Descanso

Nas viagens de longa duração tenha sempre em consideração o correto


planeamento do descanso dos animais. Existe uma série de locais que acolhem animais
em viagem onde estes poderão desfrutar de um período fora da viatura com acesso a
material de cama, água e alimento (Foto 8). Estes períodos permitem ao animal repor o
seu equilíbrio hídrico e energético assim com reduzir o nível de stress associado ao
transporte. A duração dos períodos de condução deverá ter em consideração as
características do espaço de viagem da viatura e o nível de conforto que proporciona aos
animais, assim como o grau de habituação dos mesmos ao transporte. Períodos de 10 a
14h diárias poderão ser levados a cabo na maioria das circunstâncias.
CONCLUSÃO
O presente manual foi elaborado com o objetivo de se tornar o suporte da
formação de Maneio Diário e Bem-estar do cavalo a realizar nas instalações da
VianaEquestre – Associação Hípica de Viana do Castelo.
Os seus conteúdos foram trabalhados de maneira a tornar a informação clara e
percetível a todos os participantes.
Da minha parte considero os objetivos cumpridos desejando apenas que este
manual se torne uma ferramenta base no desenvolvimento de formações semelhante.
BIBLIOGRAFIA

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Virginia Cooperative Extension, Publication 406-473, 16p., Virginia State
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Ana Teresa Martins da Silva, Hipologia – Guia para o estudo do cavalo, Editora Lidel,
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MANUAL OFICIAL DE FORMAÇÃO EQUESTRE 2ª edição, Volume I – sela 1,2,3 e
4, pela Federação Equestre Portuguesa;

Manual Prático de Equitação, pela The British Horse Society e The Poney Club,
Edições Habitat.

Revista Equitação, magazine bimestral de equitação e tauromaquia, Invespor, Lda.

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