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PESQUISA CONTRASTIVA PELA LENTE DA DIALÉTICA1

Augusto Cesar Rios Leiro (Líder do MEL/Fecom)


Adriana Pinheiro Santos
Daniela Santana Reis
Maria Isabel Lopes Perez
Paulo Cesar de Carvalho Lima
Rosemayre Alvaia Pinho Costa
Vanessa Ribeiro dos Santos

1 INTRODUÇÃO

A desestabilização das grandes estruturas sociais e a ampliação das


fronteiras do mundo no século XXI exigem novos olhares por parte da ciência. Não
obstante, a diversidade de estudos se multiplica na perspectiva de desvelar, analisar
e apreender fenômenos sociais, com isso, tornando-se exponencial, com isso, na
pesquisa científica a superação de abordagens e modelos hegemônicos na pesquisa
científica.
No conjunto de delineamentos investigativos que se situam na
contemporaneidade, está o contraste figura como categoria estruturante e
composição metodológica. Sublinha-se que, neste texto, à medida que são
capturadas sínteses conceituais sobre a pesquisa contrastiva, lacunas indicam a
fase embrionária desta construção.
Os leitores observarão que as sínteses aqui tecidas se relacionam com o
aporte teórico do materialismo histórico- dialético, eixo paradigmático que
fundamenta a análise da ação humana, e, portanto, de dos fenômenos
educacionais, com ênfase na lógica dialética. Por essa razão, dispõe-se, em seção
própria, onde são apresentados os fundamentos teóricos e as possibilidades de
análises a partir do contraste.

1.O presente texto foi construído a partir de discussões teórico-metodológicas realizadas entre
pesquisadores dos grupos de pesquisa ‘Mídia-memória, Educação e Lazer’ (MEL), da Universidade
Federal da Bahia (UFBA), e ‘Formação do Educador, Comunicação e Memória’ (Fecom), da
Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
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2. PRIMEIRAS CAPTURAS: O CONTRASTE

Tendo em vista o caráter polissêmico da palavra ‘contraste’, sua


compreensão direciona-se a distintos pontos de partida. A expressãoO termo
contraste é um verbete da língua portuguesa, utilizado em diversos contextos da
escrita e da linguagem, significando,que, em linhas gerais, significa “[...] uma
oposição entre coisas ou pessoas, das quais uma faz que a outra se destaque.”
(FERREIRA, 2010, p. 197). Sua significação faz parte da prática social vivenciada,
presente em distintos contextos.
No campo da publicidade e da arte gráfica, por exemplo, o contraste de cores
e luzes é empregado com a finalidade de despertar o interesse do expectador para o
que se quer expressar, uma vez que a cor é elemento básico da comunicação visual
e um aspecto importante na construção de imagens. Na área da saúde, é
reconhecido como substância química aplicada utilizada nos exames de imagens,
com o objetivo de facilitar a visualização de estados normais e/ou patológicos de
células, tecidos e órgãos, em pacientes, proporcionando diagnósticos mais eficazes
e tratamentos mais precisos pela por parte da medicina ocidental. Percebe-se que é
possível constituir um alicerce comum acerca do termo, tomando como base
diferentes ciências e óticas.
Não obstante, importa considerar que o contraste também comporta as
ambivalências que traduzem o sentido da dialética, permitindo conotações e
denotações provenientes desta dinâmica de pensamento. Este entendimento realça
o que existe de essencial em cada uma das acepções identificadas: a relação de
oposição e complementaridade simultâneas que revela as similitudes e
singularidades de fenômenos diversos. Para Kosik, (1976, p. 15),

O mundo da pseudoconcreticidade é um claro-escuro de verdade e engano.


O seu elemento próprio é de duplo sentido. O fenômeno indica a essência e,
ao mesmo tempo, a esconde. A essência se manifesta no fenômeno, mas
só de modo inadequado, parcial, ou apenas sob certos ângulos e aspectos.
(KOSIK, 1976, p. 15),

Conforme referenda o autor, a composição de significados fincada no


fenômeno é ambígua e propensa a equívocos, enquanto a dialética conduz à ideia
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de movimento, que é contrária às generalidades fixas dos métodos das ciências


naturais e matemáticas, com seus empiricismos que atribuem ao fenômeno uma
existência em si. Essa pseudoconcreticidade, que supostamente conduz a uma
exatidão, foi reivindicada pelas ciências sociais, em seu nascimento, para legitimar-
se e negar a inevitável relação entre pesquisador e objeto, como partes
indissociáveis da mesma matéria: a sociedade. Sendo assim, para conferir à ciência
seu caráter de objetividade, a tentativa de coisificação da realidade para conferir à
ciência seu caráter de objetividade elevou seu propósito de conhecer a um patamar
superior à própria expressão da vida, visto que a multiplicidade de suas formas
manifestas é uma marca incólume da existência humana.
É papel da própria ciência questionar as verdades ontológicas e
epistemológicas que sedimentaram e sedimentam os processos de construção do
conhecimento, visto que a realidade não pode ser contida em verdades estáticas. O
ser está em constante vir a ser. É preciso desvelar seu conteúdo interno em relação
e interação com seus determinantes, e suas categorias, que o constituem e mediam
o processo de abstração, e permiteindo-nos o conhecimento ontológico do ser em
sua imanente provisoriedade. É a partir ddessa perspectiva que se apontam
possibilidades outras, que considerem a relação de oposição/contraste, a matéria e
o pensamento, como constituições inseparáveis.
Embora as palavras ‘contraste’ e ‘comparação’ possam se manifestarser
tomadas como sinônimas em certos contextos, objetiva-se, com esse este
textoartigo, afirmar o contraste como um tipo de pesquisa que vai além do sentido
proposto pela comparação, mas sem subestimar esta última, uma vez que se
constitui em alicerce fundante da pesquisa em ciências sociais. A comparação já era
metodologia reconhecida nas ciências naturais e biológicas, imperantes no contexto
da ciência até o século XIX, sendo que, através de. Com os trabalhos de Comte ,
Durkheim e Weber, porém, iniciou-se a adaptação desta abordagem à realidade das
ciências sociais emergentes, corroborando para a fundação e consolidação da
sociologia e da pesquisa social, então em expansão (SCHNEIDER; E SCHIMITT,
1998).
Schneider e Schimitt (1998) Os autores registram que os precursores das
Ciências Sociais, cada um em seu tempo e com sua visão, encontraram na
comparação um caminho para a objetividade e o rigor científico. Segundo elesos
autores, o
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“[o...] uso da comparação, enquanto perspectiva de análise social, possui


uma série de implicações situadas no plano epistemológico, remetendo a
um debate acerca dos próprios fundamentos da construção do
conhecimento em ciências sociais.” (SCHNEIDER; SCHIMITT, 1998Idem, p.
1).

Tendo em vista as particularidades das ciências sociais, tais estudos


apontam para múltiplas e diferentes nuances e idiossincrasias referentes à
comparação, no decorrer da história, fazendo emergir as seguintes denominações:
pesquisa comparada, método comparativo, análise comparativa, abordagem
comparativa, educação comparada, etc.
Os procedimentos comparativos de Comte estão foram inspirados na biologia,
pois o autor considerava a sociedade como um organismo social complexo. Deste
Desse modo, apregoava que a sociologia deveria descobrir suas leis gerais e
invariáveis, por intermédio da comparação no tempo, e no espaço, entre diferentes
épocas históricas ou diferentes agrupamentos humanos. (SCHNEIDER; SCHIMITT,
1998Idem).
Durkheim avalizou a pesquisa comparada como campo intermediário entre a
complexidade dos objetos em seu estado bruto e as possibilidades de se
estabelecerem generalizações. Neste Nesse sentido, a comparação entre dois fatos
sociais permitiu ao sociólogo determinar o que seria fundamental para ser
investigadoinvestigar, estabelecendo as causas, os efeitos e as consequências.
(SCHNEIDER; SCHIMITT, 1998Idem).
Weber, por sua vez, negava a visão da sociedade como um sistema natural
que pode ser apreendida apreendido em sua totalidade. Enquanto ciência, Entendia
que, enquanto ciência, a sociologia deveria interpretar a ação social, sempre a partir
do ponto de vista de uma realidade infinita e complexa. A comparação, desse modo,
não está centrada na busca, não do paralelismo das variáveis, mas sim na
comparação entre casos históricos tomados em sua diversidade e singularidade
(SCHNEIDER; SCHIMITT, 1998Idem).
Também a temática do contraste pode ser tratada no campo filosófico, e seus
desdobramentos são capazes de repercutir em outras áreas. É oportuno destacar
que "“[...] do ponto de vista filosófico, a oposição e a incompatibilidade de
materialismo e idealismo são absolutas”". (LEFEBVRE, 1991, p. 58). Ou seja, duas
correntes essenciais estão em constante conflito: uma pressupõe a matéria como
fator primário, e a outra compreende exatamente o seu oposto, isto é, a ideia.
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Contrastar é dar visibilidade à unidade e às suas partes, sobretudo suas


contradições, admitindo-as como pertencentes e pertinentes à unidade, e não como
excertos a serem suprimidos. Acrescentam-se à discussão o escrito deas seguintes
ponderações de Cheptulin (1982, p. 19) assinalando que:

[a...] as formações materiais do mundo simplesmente existem e nada mais.


Elas encontram-se em contínua interação. Nesse processo de interação
manifestam-se suas propriedades, que as caracterizam como corpos
isolados, determinados, fenômenos que, em certas circunstâncias, passam
uns pelos outros. O resultado disso é que todos os fenômenos da realidade
se encontram em um estado de correlação e de interdependência
universais. Mas, nesse caso, os conceitos, pelos quais o homem reflete, em
sua consciência, a realidade ambiente, devem ser igualmente
interdependentes, ligados uns aos outros, móveis e, em determinadas
circunstâncias, passar uns pelos outros e transformar-se em seus
contrários, porque é somente dessa maneira que eles podem refletir a
situação real das coisas. (CHEPTULIN, 1982, p. 19)

Essa relação complexa entre as partes e o todo e entre o todo e as partes,


bem como o rompimento com o pensamento binário de que as coisas são isto ou
aquilo, para admitir a coexistência com o seu contrário -– isto e aquilo em
simultaneidades ao mesmo tempo antagônicas e complementares -–, requer um
pensamento que considere a totalidade como ponto de partida e chegada. Busca-se,
na perspectiva da dialética, o entendimento da contradição, que confere movimento
contínuo à realidade objetiva o movimento contínuo por meio das transformações
históricas, com seus antagonismos e sínteses.

3. CATEGORIAS TEÓRICAS CAPTURADAS NO PERCURSO

No materialismo histórico- dialético, tomado como lente que apreende as


relações sociais, a realidade é concebida como unidade, em relação à qual as partes
são composições que possuem contornos particulares, porém, interdependentes, em
interação contínua, conferindo caráter dinâmico a esta realidade. Esse dinamismo
advém da contradição presente no interior de toda realidade, tendo como resultado o
desequilíbrio, o choque e o estímulo à nossa atenção. Caso assim não ocorresse,
"“[...] a mente tenderia a erradicar todas as sensações, criando um clima de morte e
de ausência de ser”. (DONDIS, 2015, p. 108).
Logo, torna-se fundamental, compreender a realidade, e o caráter complexo,
múltiplo e transitório da matéria e da materialidade da vida, sem os quais toda e
qualquer inferência constituir-se-ia-se em narrativa ficcional. A matéria compreende
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a realidade objetiva, e a consciência humana reflete essa realidade e a interpreta.


Ou seja, não há relatividade para a existência material, e a vida se produz e
reproduz na interação do ser humano com essa materialidade. Para Gadotti (1983),
a dialética não é um movimento espiritual que se opera no interior do entendimento
humano. O pensamento apreende a realidade e, por meio da abstração, supera a
aparência em direção à totalidade, . eEm outras palavras:, “[...] superação do nível
empírico ao nível concreto do real”. (MARTINS; LAVOURA, 2018, p. 226).
O materialismo histórico- dialético preconiza que, para se compreender as
partes de um objeto ou fenômeno, é necessário reconhecer o todo, a totalidade.
Ciente disso, faz-se necessário esclarecer que a todalidade aqui é entendida aqui
como

[...] um complexo geral estruturado e historicamente determinado. Existe


nas e através das mediações e transições múltiplas, pelas quais suas partes
específicas ou complexas – isto é, as “totalidades parciais” – estão
relacionadas entre si, numa série de inter-relações e determinações
recíprocas que variam constantemente e se modificam. (BOTTOMORE,
2013, p. 596, grifo do autor).

Diante disso, não se pode conhecer o todo por meio de suas partes em
separado, uma vez que o todo é maior que a soma das partes. Nesse sentido,
refere-se à totalidade, a partir da qual nenhum fato ou objeto da realidade pode ser
apreendido isoladamente, fora do seu contexto e das suas relações interacionais.
Saviani (2015, p. 26) nos apresenta então a categoria mediação, como
sendo“
[...] uma categoria central da dialética que, em articulação com a “‘ação
recíproca”, ’, compõe com a “‘totalidade” ’ e a “‘contradição”, ’ o arcabouço categorial
básico da concepção dialética da realidade e do conhecimento”. (SAVIANI, 2015, p.
26, grifos do autor).
Ou seja, a mediação permite a análise dos fenômenos, conduzindo à
construção dos conceitos, à abstração e às determinações simples. Uma vez feita
essa elaboração teórica, em direção oposta, a mediação favorece a síntese, a partir
da qual a teoria será apresentada aos objetos, entendidos como sendo portadores
de totalidades de determinações.
Apoiado na visão marxiana, Saviani (2015, p. 33) diz afirma que: “
A centralidade da categoria mediação deriva diretamente da centralidade do
trabalho, que é o processo pelo qual o homem, destacando-se da natureza, entra
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em contradição com ela, necessitando negá-la para afirmar sua humanidade” (grifos
do autor). (SAVIANI, 2015, p. 33, grifo do autor).
A noção de dialética emerge da Antiguidade, com ada filosofia grega da
Antiguidade, inicialmente como a arte do diálogo (CLEMENT et al., 1999), para, em
seguida, a partir de Heráclito, apontar para a interação fecunda entre elementos
opostos, produzindo a ideia de mutabilidade do mundo através do confronto com a
contradição, que habita tudo o que existe. A percepção desses jogos entre
contrários, que vão tecendo tramas ao mesmo tempo singulares e plurais, resulta na
compreensão do caráter de multidimensionalidade, mutabilidade e transitoriedade do
mundo.
A partir de Hegel, o conceito passa a ter um sentido radicalmente novo, em
com o qualque o pensamento adquire "“[...] um ritmo ternário: afirmação (ou tese),
negação (ou antítese), negação da negação (ou síntese)” (CLÉMENT et al, 1999, p.
98). Nesse sentido, a dialética é um conceito que cria em torno do movimento da
contradição uma ideia de processo, estabelecendo uma ligação interna da qual
derivam o movimento e a transformação, no âmbito do espírito, do pensamento e da
história concreta.
Trata-se de uma compreensão passível de crítica, à na medida em que,
fincado fincada no pensamento idealista, mistifica essa trajetória de sucessão de
estados dando ao espírito o caráter de princípio e fim. Ou seja, ao se sobrepor a
ideia (espírito) à materialidade do mundo, subtraisubtraem-se as relações concretas,
que se estabelecem de diferentes modos e por diversas vias, entre a natureza e os
seres humanos (reciprocamente), como elementos deflagradores que criam, em
torno do movimento da contradição, uma ideia de processualidade.
Dessa forma, a dialética histórica, porém idealista, de Hegel, é contraditada
pela dialética histórica e materialista2 de Marx e Engels, que fundamenta o
pensamento marxiano. Contrariamente, o pensamento positivista, fundamentado
que teve em em Descartes um deus seus principais expoentes, através doem
particular na obra seu Discurso sobre do Método, defende a distinção, pela
ciência, às das ideias claras e evidentes, assim como o início do estudo partindo

2 Ao se apropriarem do conceito da dialética hegeliana, Marx e Engels (2001) fazem uma inversão
significativa. Enquanto Hegel entendia a dialética numa perspectiva idealista, npor meio da qual as
contradições que animam a história humana provêm proveriam do espírito e das ideias, Marx e
Engels inauguram um novo campo epistemológico ao afirmarem que o motor da história são as
contradições desencadeadas pela materialidade do mundo e da vida social humana.
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dpelas estruturas mais simples, para até chegar as às mais complexas, para o qual
a fragmentação do todo é condição (RUSSEL, 2001).
A compreensão sobre da ideia de contraste e a discussão sobre a pesquisa
contrastiva amplia-se no aprofundamento do estudo das leis da dialética -– Lei da
unidade e luta dos contrários, Lei da passagem da quantidade à qualidade e Lei da
negação da negação (EGRY, 2006) -– pois estas apresentam princípios que
corroboram para o entendimento da noção de contraste.
Um destes princípios, por exemplo, trata da relação entre aparência e
essência (EGRY, 2006idem), explicando que a realidade mostra a essência ao
mesmo tempo em que a esconde. Ou seja, não se dá em uma relação de evidência
e distinção imediatas. A realidade dá pistas do fenômeno ao mesmo tempo em que
disfarça sua essência, ao olhar menos avisado. Tal constatação se assemelha à
noção de contraste, na medida em que a figura que se destaca do fundo pode se
apresentar como algo que na verdade não é, ou ainda que, sob outra luz, se
apresentear-se de forma distinta.

O fenômeno é um conjunto dos aspectos exteriores, das propriedades, e é


uma forma de manifestação da essência. (...) [...] Embora sendo uma forma
de expressão da essência, o fenômeno não coincide com ela, mas dela
distingue-se e chega mesmo a deformá-la. A deformação produz-se pelo
fato de que a essência do objeto manifesta-se mediante a interação desse
último com outros objetos, que o rodeiam, que têm influência sobre o
fenômeno, introduzem certas modificações em seu conteúdo e, exatamente
por isso, o enriquecem. Em decorrência disso, o fenômeno aparece como a
síntese do que vem da essência, do que é condicionado por ela e do que é
introduzido do exterior, do que é condicionado pela ação da realidade que
rodeia o objeto, isto é, dos outros objetos que lhe estão ligados.
(CHEPTULIN, 1982, p. 278).

Nesse sentido, o fenômeno é variável ao conforme o contexto, e contrastar


significa dar relevo às partes constituintes do todo em interação, em movimento,
considerando que seus aspectos internos relacionam-se invariavelmente aos
aspectos externos, que (re)produzem uma aparência peculiar e que podem conduzir
ao erro, a uma falsa compreensão da essência. Aparência/fenômeno e essência se
são opostos, mas a compreensão da essência não pode prescindir da captura dos
fatores contingentes que configuram a aparência do fenômeno, pois do contingente
também emergem as pistas que conduzem à apreensão da essência.
Outro princípio contido nas leis da dialética trata da relação entre o singular e
o universal, entre o particular e o geral (EGRY, 2006). Ou seja, o geral se concretiza
nas totalidades parciais, embora não seja o resultado da soma das partes, pois cada
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parte contém contém algumas das características presentes no universal. O


contraste atuaria, então, destacando o fenômeno sob a luz da teoria, que o
possibilitariará sua interpretação.
Ainda nessa perspectiva, enquanto paradigma, o materialismo histórico-
dialético f, enquanto paradigma, fundamenta a proposta da análise contrastiva, na
medida em que busca superar as dicotomias ainda vigentes no âmbito da
abordagem qualitativa. Abordagem essa que, por vezes, reforça a exclusão (ou este
ou aquele), e se aprisiona ao imediato em sua pseudoconcreticidade, em detrimento
do entendimento essencial dos fundamentos da realidade humana. Quanto mais se
analisa e se abstrai o objeto, mais ele se concretiza. Conhecê-lo é alcançar suas
múltiplas determinações e numerosas relações (MARTINS, 2017).
A pesquisa contrastiva, tomando esta lógica como base, enfatiza e dá a
devida importância aos diferentes pontos de vista do objeto, considerando o seu
movimento e percurso histórico. Deste Desse modo, amplia a sua abrangência,
tornando-a mais concreta e real. , sem Não estabelece a eleição deprivilegiar um
aspecto em detrimento do de outro. A harmonia se encontra exatamente no
contrário: eles concordam entre si, pois se complementam, não existindo a exclusão
e nem a oposição dicotômicas, conforme anunciado por Marx. A essência supera a
aparência. Sobre isso, Marx e Engels destacam que

[a]...] a produção real da vida aparece na origem da história, ao passo que


aquilo que é propriamente histórico aparece como separado da vida comum,
como extra e supraterrestre. As relações entre os homens e a natureza são,
por isso, excluídas na história, o que engendra a oposição entre a natureza
e a história. (MARX; ENGELS, 2001, p. 47).

O materialismo parte da compreensão de que a matéria antecede a ideia,


portanto, advoga que a consciência, que nasce das interações de homens e
mulheres com a natureza e entre si, portantoou seja, das relações materiais. Mas
não apenas isso. A consciência é histórica porque essas interações estão situadas
no tempo e no espaço e são dialéticas porque seu fluxo é de movimento contínuo e
dinâmico. A coerência entre a perspectiva contrastiva e o materialismo histórico-
dialético dá-se a partir da necessária apreensão de que existe uma realidade
objetiva fora da consciência. A matéria é o princípio primeiro, e a consciência o
aspecto secundário, o derivado. Deste Desse modo, a consciência é uma
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propriedade da matéria, a mais organizada que existe, e sua função é refletir a


realidade objetiva (TRIVIÑOS, 1987).
Além disso, importa considerar todas as categorias e leis da dialética, em
especial, a Lei da unidade e luta dos contrários. Essa relação de oposição inerente à
existência material da vida conduz à passagem de um estado ao outro. Assim, a
vida e a morte, o passado e o futuro, a doença e a cura, são opostos que não se
excluem. Eles Iinteragem, complementam-se e originam o novo, que não é outro em
si, mas síntese. ; Incluiinclui, neste sentido, a necessidade de distinguir as
contradições: interiores e exteriores, essenciais e não essenciais, fundamentais e
não fundamentais, principais e acessórias (CHEPTULIN, 1982) como formas de
abstração da realidade.
Nesse contexto, abstrair não é tornar incompreensível, conotação comumente
conferida ao abstrato. , Mmas o contrário: elevar a realidade ao pensamento,
tornando-o capaz de apreendê-la em suas contradições, de destacdestacá-laa do
fundo sem esvair sua concreticidade histórica. Fundo e cena estão continuamente
contrastadosem contraste.
A partir deste desse arcabouço teórico, a pesquisa contrastiva não admite a
exclusão, ; ela emerge e se conclui, temporariamente, na prática social. Essa alusão
a uma temporalidade efêmera resulta da consciência do fluxo contínuo da história,
das relações materiais e do pensamento. , Oo que exclui a ideia de doutrinação, de
verdades estáticas e absolutas, que estigmatizam a ciência.

4. CAMINHOS PARA A PESQUISA CONTRASTIVA

A pesquisa contrastiva aqui supostade que se trata aqui se propõe-se a


constituir uma modalidade de investigação qualitativa ou quali-quantitativa,
sustentada na abordagem materialista histórico-dialética, que procura interpretar o
objeto de análise de maneira crítica e histórica, a partir de suas contradições e suas
inter-relações sociais, políticas e econômicas.
Superando a ideia de pesquisa comparada, a pesquisa contrastiva poderá se
apoiar em diferentes epistemologias de pesquisa que venham a utilizar a noção de
contraste, porém aqui reivindicamos o seu uso vinculado às categorias de totalidade,
contradição e mediação, todas dentro dno âmbito da perspectiva dialética como
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lógica central, para abordar os problemas do conhecimento, da história e da própria


realidade.
O entendimento do contraste na perspectiva da dialética reporta-se a à
articulação de entre três categorias nucleares, que constituem a tríade metodológica
elaborada por Marx para compreender a realidade objetiva, conforme explica Paulo
Netto (2011). A categoria totalidade diz respeito a um complexo de múltiplas
totalidades específicas e determinantes, umas das outras, que constituem a
totalidade concreta e macroscópica, isto que implica requer a análise de que seja
analisado cada um desses complexos cada um desses complexos na pesquisa
contrastiva.
Sabendo que esses complexos de totalidades são articulados, o autorPaulo
Netto (2011, p. 57) aborda a categoria da contradição como produtora da
dinamicidade, do movimento e da contínua transformação de cada uma e de todas
as totalidades:. "“A natureza dessas contradições, seus ritmos, as condições de seus
limites, controles e soluções dependem da estrutura de cada totalidade"” (NETTO,
2011, p.57), sendo o objetivo da pesquisa identificá-las e também ressaltá-las.
Finalmente, a categoria mediação é crucial no processo investigativo, uma
vez que ela, através dos seus sistemas internos e externos, articulam as referidas
totalidades. Sem capturar e compreender as relações mediadoras, tomadas nas
suas diversidades, a totalidade se tornaria indiferenciada, ou seja, perderia o seu
caráter concreto (PAULO NETTO, 2011, p. 57Idem).
Para a ampliação do arcabouço de produção de conhecimento das ciências
sociais, a perspectiva contra-hegemônica para a ampliação do arcabouço de
produção de conhecimento das ciências sociais, demanda a reflexão histórica e
dinâmica dos fenômenos, para engendrara fim de capturar sua totalidade em
movimento, sem se render aos reducionismos hierarquizantes da vida humana. Ao
interrogar mecanismos de pesquisa relacionados a noções fragmentadas da
realidade, coadunamos estamos de acordo com Giraud (2009), que, no vislumbrea
de um delineamento para a unir união das diferenças para além dque supere as
comparações naturalizadas.
Conforme assevera Minayo (2011), a pesquisa qualitativa procura investigar a
realidade humano-social pela similaridade e a completude na diversidade,
valorizando e destacando o que é fundamental e singular, superando o aspecto
puramente classificatório e hierárquico da diferença, sendo queuma vez que esta
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não se opõe a à pesquisa quantitativa, posto visto que, quantidade é propriedade e,


portanto, parte da matéria. Segundo a autora:

A diferença entre qualitativo-quantitativo é de natureza. Enquanto cientistas


sociais que trabalham com estatística apreendem dos fenômenos apenas a
região “visível, ecológica, morfológica e concreta”, a abordagem qualitativa
aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas,
um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas.
O conjunto de dados quantitativos e qualitativos, porém, não se opõem. Ao
contrário, se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage
dinamicamente, excluindo qualquer dicotomia. (MINAYO, 2001, p. 22).

Nossa perspectiva considera que qualidade e quantidade, comoas


dimensões qualidade e quantidade da pesquisa, são categorias que podem se
amalgamar. , bem como que associam a qualidade se associa à essencialidade,
assim como e a quantidade à grandeza, e o particular e ao geral,
desconsiderando que ambas são, ao mesmo tempo, constituídas e
constituintes nessa interação recíproca. A compreensão dessa dinâmica
apenas é possível na perspectiva do contraste pela lente da dialética.
Cabe destacar que a compreensão dos fenômenos sociais, quando aliada a
à lógica dialética, indica uma qualidade ampliada e elimina "‘falsos dualismos" ’, que,
de acordo com Gamboa (2006, p. 403), dependem “[...] mais da lógica das
articulações das formas de abordar os problemas, dos processos da elaboração das
respostas para esses problemas, das formas de compreender a ciência e a
produção do conhecimento, que das escolhas técnicas (p. 403)”. Enquanto a lógica
formal, ao esquadrinhar a realidade por meio da caracterização e da classificação,
termina por afastar a realidade dela mesma, a lógica dialética, através da categoria
mediação, abstrai a realidade, suas multideterminações e seus nexos interacionais,
para retornar ao real concreto corporificado na sua totalidade, – a síntese do
movimento dialético, em sua provisoriedade historicamente situada.
Neste Nesse sentido, a lógica dialética, aliada à perspectiva contrastiva,
efetiva-se para transpor, mas sem desconsiderar,, os estudos que apenas
classificam e distinguem os objetos. , Uuma vez que tudo está em movimento e todo
movimento é causado por elementos contraditórios, coexistindo que coexistem numa
totalidade estruturada. (GADOTTI,1990). A superação da análise de regularidades
estatísticas ou eventos fixos e dogmáticos pauta novos caminhos para a
aproximação com os fenômenos, e subverte os consensos científicos superficiais
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para abarcar objetividades e subjetividades com critérios dinâmicos de cientificidade


e verdade.
A pesquisa contrastiva, fundamentada no paradigma materialista histórico-
dialético, ancora-se, portanto, nas categorias contradição, totalidade e mediação,
instaurando, ao mesmo tempo, um caminho de apreensão do real e uma concepção
da realidade.
Ao trilhar esse caminho, o(/a) pesquisador(/a) é convidado(/a) a ir além do
fenômeno em si e a romper com os misticismos que encobrem a realidade sob um
manto de designação do espírito, para compreendê-la a partir das relações materiais
dos seres humanos com a natureza e entre si. Com isso, a realidade se mostra
como uma determinação histórica sincrônica (que revela o momento atual) e
diacrônica (que desvela sua origem e o processo que gesta o momento atual). Mas
esses revelar e desvelar não são atos dados pelo fenômeno em sua imediatez. ; são
composições do real construídas por meio da abstração desse real e das mediações
que conectam suas multideterminações.
Basicamente, o que diferencia o objeto das ciências naturais do objeto das
ciências sociais e humanas é a complexidade que habita inerente a este último. A
realidade é uma totalidade complexa que só pode ser apreendida por mediação das
suas determinantes, igualmente complexas, que se interligam e compõem cenários
e contextos específicos e inigualáveis, incomparáveis. A realidade não é um todo
composto por engrenagens que, somadas, se encaixam e que somadas a
compõem.
A compreensão da totalidade em sua complexidade implica admitir que esse
complexo é desencadeado pela contradição. É esse jogo de antagonismos , de
paradoxos que destitui a existência da simplicidade causal de que isto decorre
daquilo. Esse jogo permanente de entre tese e antítese, compondo sínteses que, em
tese, já guardam suas antíteses, é o próprio jogo da história. E, se mudam os
jogadores mudam, se osos campos/tabuleiros/cenários mudam, então, mudam-se as
condições do jogo também. É como um caleidoscópio: a cada movimento uma nova
composição. Isso é a dialética.
A análise em perspectiva contrastiva advoga uma concepção de realidade
que pressupõe que o real/fenômeno está em permanente composição, construção,
transformação. A síntese que se obtém da saturação da análise dos nexos entre a
realidade e suas multideterminações, por meio da abstração, retorna à realidade
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concreta, mas não como verdade absoluta. Mas, e sim como conhecimento
historicamente situado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa contrastiva configura-se como meio de captar a realidade sem lhe


subtrair a objetividade e a singularidade, que a constitui constituem em uma
totalidade própria. Pretende-se, com ela, dialogar com outras perspectivas de
pesquisa, inferindo sobreatendimento a o compromisso ético da ciência de jamais
reduzir ou encapsular a realidade.
Com pesquisa contrastivaela, fortalece-se a tentativa de ampliar a pesquisa
científica, para que seja entendida como perspectiva epistemológica e metodológica
propiciadora da visão de complementaridade entre o que está sendo contrastado,
em substituição das às ideias de comparação, que se esgotam em si mesmas e são
insuficientes para analisar a totalidade da realidade social concreta e o seu
movimento histórico e dialético. Com isso se quer, dizer que nem os cenários sociais
e nem os sujeitos, em suas representações últimas, podem ser destituídos de sua
complexidade e de suas contradições, nem tampouco da mutabilidade dinâmica à
qual está fadada a vida.
Definida com bases epistemológicas e ontológicas interessadas em uma
educação emancipatória, na qual as lógicas científicas acolham distintos
procedimentos metodológicos articulados entre si para apreender o real concreto, a
pesquisa contrastiva, pela lente da dialética, implica em assumir um projeto
societário comprometido com as transformações sociais na qual as lógicas
científicas acolhem distintos procedimentos metodológicos articulados em apreender
o real concreto.
Importa, a partir da pesquisa contrastiva, ampliar a pesquisa científica
até abranger para oa entendimento concepção de umade perspectiva
metodológica propiciadora da visão de complementaridade entre o que está
sendo contrastado, em substituição das às ideias de comparação, que, como já
frisado, se esgotam-se em si mesmas e são insuficientes para analisar a
totalidade da realidade social concreta e o seu movimento histórico e dialético.
Fica posto o estímulo desafiador de articular a pesquisa contrastiva, de
natureza dialética, com temas das realidades social e educacional objetivadas, a
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exemplo dos estudos matriciais sobre a internacionalização da educação, e da


juventude e da condição juvenil, bem como sobre a educação básica, a educação
profissional, a educação superior, o sindicalismo e o trabalho docente, as políticas
públicas, as culturas corporais, os estudos do lazer, a formação de educadores,
dentre outros.
O presente texto é também um convite a à continuidade da reflexão aqui
debatida posta e um desafio a para pensarmos coletivamente em trilhas teórico-
metodológicas no macrocampo da educação, de modo a entendê-la como um
caleidoscópio que nos ensina que a realidade esta está em movimento.

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