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BIOÉTICA 2012 1º SEMESTRE

DEFINIÇÃO............................................52

PRINCIPIOS............................................52
Relatório Belmont...............................52
Principio da autonomia.......................52
Principio da beneficência....................53
Principio da não-maleficiência............53
Principio do respeito...........................53
Princípio da justiça..............................53

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) 54

COMITES DE ÉTICA................................54
Comitê de ética em pesquisa (CEP).....54
Comissão nacional de ética em pesquisa (CONEP) 54

BIOÉTICA E PESQUISA............................55

Resolução 196/96...............................55
Lei Arouca 11.794...............................55
Lei 11794/2008...................................55

VIDA HUMANA COMO VALOR BIOÉTICO 56

Declaração universal dos direitos humanos 56


Artigos.........................................57

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS 59

Artigos.................................................59

PROJETO DE PESQUISA..........................60

ASPÉCTOS ÉTICOS E METODOLÓGICOS. 60


Identificação.......................................60
Título...................................................60
Autores................................................60
LOCAL DE ORIGEM E DE REALIZAÇÃO....60
Introdução...........................................60
Objetivos.............................................60
Método...............................................60
Cronograma........................................60
Orçamento..........................................60
Referências..........................................60

VISÃO RELIGIOSA DA MORTE.................61

ÉTICA E EUTANÁSIA...............................61
Eutanásia............................................61
Classificação da eutanásia...........61
Distanásia...........................................61
Ortotanásia.........................................61

ACONTECIMENTOS ENVOLVENDO ASPÉCTOS ÉTICOS 62

PROJETO MANHATTAN................................62
Julgamento de Nuremberg.................62
CÓDIGO DE NUREMBERG.............................62
Declaração de Genebra......................62
Declaração de Helsing........................62
Projeto Apollo.....................................62
Projeto genoma humano....................62
DESLIZES ÉTICOS NA PESQUISA.............63
Caso de Tukegee.................................63
Caso hospital de Willowbrook............63
Caso Jewish Chronic Diase Hospital do Brooklin 63

DEFINIÇÃO
É uma área do conhecimento interdisciplinar, cuja
finalidade é compreender e resolver questões
éticas relacionadas aos avanços tecnológicos da
biologia e da medicina e questões que de alguma
forma influenciam as nossas vidas. Termo criado
em 1971, pelo oncologista norte americano Van
Rensselaer Potter, sua maior preocupação era
buscar uma saída para o desequilíbrio causado
pelo homem na natureza.

Figura 1: Van Rensselaer Potter (1911-2001) Bioquímico norte


americano foi professor de oncologia no laboratório Mcardle
para pesquisa do câncer por 50 anos.

Então a bioética chegou como a ciência, que visa


minimizar os conflitos e controversas morais,
pelas práticas no âmbito das ciências da saúde e
do ponto de vistas de alguns sistemas de valores.
Tais conflitos surgem das interações humanas em
sociedades a princípio seculares. Para
entendermos melhor a bioética precisamos
conhecer a ética que é uma palavra de origem
grega Ethos que significa morada do homem na
terra, casa, costumes tradicionais, busca do senso
comum e conhecimento religioso. Os romanos
traduziram o Ethos para o latim Mores que
significa costume.

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PRINCIPIOS dominantes na sociedade ou daqueles aceitos
Relatório Belmont pelos profissionais de saúde.
Apresenta os princípios básicos que podem ajudar O respeito pela autonomia da pessoa conjuga-se
na solução dos problemas éticos surgidos na com o principio da dignidade da natureza humana,
pesquisa com seres humanos. Os princípios aceitando que o ser humano é um fim em si
elencados são: mesmo, não somente um meio de satisfação de
 O principio do respeito às pessoas; interesse de terceiros, comerciais, industriais, ou
 O principio da beneficência; dos próprios profissionais e serviços de saúde.
O ser humano não nasce autônomo, torna-se
 O princípio da justiça;
autônomo e para isto contribuem variáveis
Beauchamp e Children tentam apresentar uma
estruturais biológicas, psíquicas e socioculturais.
teoria de princípios básicos da moral alicerçada
Nas situações de autonomia reduzidas cabe a
no:
terceiros, familiares ou mesmo aos profissionais
 Principio da não-maleficiência;
de saúde decidir pela pessoa não-autonoma.
 Principio da beneficência; Deve se salientar que autonomia do paciente, não
 Principio da beneficência; sendo um direito moral absoluto poderá vir a se
 Principio da justiça. confrontar com a do profissional de saúde. Este
pode, por razões éticas se opor aos desejos do
paciente de realizar certos procedimentos, tais
como técnicos de reprodução assistidas,
eutanásia ou aborto.

Principio da beneficência
Principio da autonomia Assegura o bem estar das pessoas e evitando
Autonomia é um termo derivado do Grego danos, e garante que sejam atendidas seus
(próprio) e nomos (lei, regra, norma). Significa interesses. Busca-se a maximização do beneficio
auto-governo, da pessoa de forma decisões que e a minimização dos agravos.
afetem sua vida saúde, da pessoa de forma A beneficência, no seu significado filosófico moral,
decisões que afetem sua vida, sua saúde quer dizer fazer o bem. a beneficência, é uma
integridade física psíquica, suas relações sociais. manifestação da benevolência. O moralista
refere-se à capacidade de o ser humano decidir o britânico Butter, diz que existe no homem, de
que é bom., ou o que é seu bem-estar. forma prioritária, um principio natural de
É o respeito à vontade, aos valores morais dos benevolência ou da postura e realização do bem
indivíduos e à sua intimidade. As pessoas têm o dos outros e que, do mesmo modo, temos
direito de decidir sobre as questões relacionadas propensão a cuidar da nossa própria vida, saúde e
ao seu corpo e à sua vida, em indivíduos bens particulares.
intelectualmente deficientes, e no caso de A benevolência tem as seguintes características:
menores de 18 anos, este princípio deve ser É uma disposição emotiva que tenta fazer bem
exercido pela família ou pelo responsável legal. aos outros;
Para que exista uma autonomia é preciso, a É uma qualidade boa do caráter das pessoas,
existência de alternativa ou opção desejada, a uma virtude;
ação ou que seja possível que o agente as crie, É uma disposição para agir de forma correta;
pois só existe apenas um único caminho a ser De forma geral todos os seres humanos normais
seguido, não há propriamente o exercício da possuem.
autonomia. O principio da benevolência tenta, num primeiro
Quando não há liberdade de pensamento, nem momento, a promoção da saúde e a prevenção da
opções, quando se tem apenas uma alternativa de doença e, em segundo lugar, para os bens e os
escolha, ou ainda quando não exista liberdade de males buscando a prevalência dos primeiros.
agir conforme a alternativa ou opção desejada, a A beneficência no seu sentido estrito deve ser
ação empreendida não pode ser julgada entendida, conforme o relatório Belmont, com uma
autônoma. dupla obrigação, primeiramente a de não causar
Respeitar a autonomia é reconhecer que ao danos e, em segundo lugar a de maximizar o
individuo cabe possuir certos pontos de vistas e número de possíveis benefícios e minimizar os
que é ele quem deve deliberar e tomar decisões prejuízos.
segundo seu próprio plano de vida e ação, É evidente que o médico e demais profissionais de
embasado em crenças, aspirações e valores saúde não podem exercer o principio da
próprio, mesmo quando divirjam daqueles beneficência de modo absoluto. A beneficência
tem também seus limites. O primeiro dos quais
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seria a dignidade individual intrínseca a todo o ser sociedade apreseNtava-se tal qual a do soberano.
humano. Quando Aristóteles e São Tomas do Aquino
É difícil mostrar onde fica o limite entre falavam da perfeição moral do rei, para quem os
beneficência com obrigação ou dever e a súditos deveriam demonstrar incondicional
beneficência como ideal ético que deve animar a obediência, se reconhece de imediato o mesmo
consciência moral de qualquer profissional. modelo na relação médico-paciente. O médico,
O principio da beneficência tem como regra na como orei e o sacerdote, representava o comum
prática médica, odontológica, psicológica e da e, a perfeição moral. Nesse modelo de justiça
enfermagem, entre outras, o bem do paciente, o paciente eram destituídas de autonomia e recebia
seu bem-estar e os seus interesses, de acordo uma parcela de atendimento médico proporcional
com os critérios do bem fornecidos pela medicina, à sua categoria.
esses profissionais procuram o bem do paciente Somente na modernidade a justiça deixou de ser
conforme o que a medicina, a odontologia, a concebida como condição natural para
enfermagem e a psicologia entendem que pode transformar-se em decisão moral.
ser bom no caso ou situação apresentado. no final do séc. 17. John Locke descreveu como
direito primários de todo ser humano o direito à
vida, à saúde, à integridade física, à liberdade e à
propriedade.
Para Lucke, a verdadeira justiça erigia-se num
contratoo social que obrigatoriamente emanava do
exercício da liberdade individual do estado a plena
liberdade do contrato substituía o velho ajuste
natural.
Principio da não-maleficiência TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E
Assegura que sejam minerados ou evitando danos ESCLARECIDO (TCLE)
físicos aos sujeitos da pesquisa ou pacientes. É
Estabelecido pelo código de Nuremberg,
universalmente consagrado através do aforismo
regulamentado pela Declaração de Helsinque e
hipocrático primum non nocere. as origens desse
adotada pela Associação Médica Mundial em
principio remontam a tradição hipocrática: cria o
1964. A pessoa tem o direito de consentir ou
hábito de duas coisas, socorrer ou não causar
recusar propostas ou recusar propostas de caráter
danos. Nem sempre o principio da não-
preventivo, diagnóstico ou terapêutico que afetam
maleficiência é entendido corretamente, pois a sua
ou venha a afetar sua integridade físico-psíquica
prioridade pode ser questionada.
ou social. Na esfera jurídica, a primeira decisão
Os próprios pacientes seriam os primeiros a
que tratou da questão parece ter sido o caso
questionar a prioridade moral da beneficência não
States veros Bakes & Staplenton, julgado em
sendo assim, os médicos recusar-se-iam a intervir
1767 na Inglaterra: dois médicos foram
sempre que houvesse um risco ameaçador grave.
considerados culpados por não terem obtidos a
Convém observar que o principio não causar
consentimento do paciente quando a realização
danos nem sempre tem sido interpretado da
da cirurgia de membro inferior que resultou em
mesma forma, mudando de acordo co as
amputação.
circunstâncias históricas e as instituições.
O processo Schloendorff versus Socit of New
York Hospital, do inicio séc. 20. Refere-se à um
Principio do respeito
senhora que, em 1908, dirigindo-se ao New York
Incorpora duas convicções éticas, primeiramente é
Hospital com queixas abdominais, foi
que os indivíduos tenha, de fato, sua autonomia
encaminhada por médico que diagnosticou a
respeitada: significa que em casos de pesquisas
existência de tumor benigno instalado no útero,
envolvendo humanos, o respeito pela pessoa
para o qual indicou ser necessário a realização de
exige que entrem voluntariamente e com
procedimentos cirúrgicos. A paciente submeteu-se
informações adequadas. A segunda é que
à cirurgia, tendo seu útero tirando. Mas pouco
pessoas com capacidades intelectuais reduzida
tempo depois a realização do ato acusa o médio e
sejam protegidas.
o hospital perante os tribunais alegando ter sido
enganada e operada sem que houvesse dado seu
Princípio da justiça
consentimento. Ocaso chegou à corte suprema do
Exige que os benefícios e os riscos da pesquisa
estado de New York, que sentenciou
sejam repartidos com igualdade entre os
favoravelmente a queixosa.
participantes da pesquisa, tratando os indivíduos
No Brasil não recolhimento do consentimento da
de acordo com suas necessidades.
pessoa é tipificado como ilícito penal apenas
os gregos entendiam a justiça como uma
quando for ocasionado por uma conduta dolosa,
propriedade natural das coisas. Na cultura grega
de acordo com o art. 146, § 3º do código penal.
identificava-se uma superioridade do bem comum
sobre o individual. a figura do médico nessa
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No Brasil a resolução 196/96 regulamenta os envolvidos em pesquisas com seres humanos tem
critérios bioéticos na pesquisa envolvendo seres a atribuição de apreciar os projetos de pesquisa
humanos. Essa resolução foi criada pelo Conselho de área temáticas especiais, enviados pelo CEP.
Nacional de Saúde (CNS), que criou o Comitê de É composta por 13 membros titulares e seus
Ética em Pesquisa (CEP) e a Comissão Nacional suplentes, sendo 5 personalidades destacadas no
de Ética em Pesquisa (CONEP). campo da ética. Na pesquisa e na saúde e 8
A TCLE é um documento que consiste na personalidades da área da saúde com destacada
aprovação do sujeito da pesquisa, livre de fraude, atuação nos campos teológicos, pelo menos um
suborno ou intimidação, após explicação completa tem que ser da área da gestão da saúde. A
sobre a natureza da pesquisa, e seus riscos. O CONEP cabe o exame dos aspectos éticos da
indivíduo tem total liberdade para se retirar a pesquisa envolvendo seres humanos.
qualquer momento da pesquisa, sem qualquer
prejuízo a sua pessoa.
O TCLE deve estar redigido em linguagem
acessível, incluir justificativa, deve ser elaborado
pelo pesquisador responsável, e ser aprovado
pelo CEP.
O consentimento prevê a autorização relativa
aos não capazes de assinar o documento, como
em pesquisas envolvendo crianças e adolescentes
portadores de doenças mentais ou em
comunidades culturalmente diferentes como a
indígena, o consentimento deve ser individual e
comunitário através de seus lideres.
COMITES DE ÉTICA
Comitê de ética em pesquisa (CEP) BIOÉTICA E PESQUISA
Criado para defender os interesses, integridade e Experiências com seres humanos trouxeram
dignidade dos sujeitos da pesquisa, contribuindo vários benefícios para a humanidade, mas
para o desenvolvimento da pesquisa dentro de também são fontes de preocupação as pessoas
padrões éticos. Ele deverá ser composto de 7 que estão atentas à preservação dos interesses
membros sendo profissionais da área da saúde do bem humano. Atualmente cresceu muito os
das ciências exatas, sociais e humanas e um estudos biomédicos, notícias de estudos que
membro da sociedade representando os usuários tiveram sucesso e alegação de abuso se
das instituição. Esses membros não poderão ser multiplicaram. Pesquisas mal sucedida deram
remunerados por essa atividade. origem a vários escândalos públicos que
O desenho e o desenvolvimento de cada indignaram a comunidade científica e a opinião
procedimento experimental envolvendo de cada pública do mundo inteiro.
procedimento experimental envolvendo o ser A bioética passou a ser usada para regulamentar
humano devem ser claramente formulados em um a realização dessas pesquisas de forma digna
protocolo de pesquisa, o qual deverá ser para os sujeitos e também para os pesquisadores.
submetido, à consideração, discussão e Assim toda ação na pesquisa deve ser justificada
orientação de um comitê especialmente pela ética, embasada pela moral e respaldada
designado, independente do investigador e, do pelas leis.
patrocinador.
Estes comitês desempenham um papel central Resolução 196/96
não permitindo que nem pesquisares nem Criou normas para o controle ético de pesquisa
patrocinadores sejam que os únicos a julgar, se envolvendo seres humanos. A 196/96 são
seus projetos estão de acordo com as orientações resoluções constituídas por instâncias regionais
aceitas. Dessa forma, seu objetivo é proteger as CEP e uma instância federativa o CONEP órgão
pessoas, sujeitos das pesquisas de possíveis nacional de controle de pesquisa envolvendo
danos, preservando seus direitos e assegurando à seres humanos. Esta resolução também orienta
sociedade que a pesquisa vem sendo feita de sobre os aspectos éticos que devem ser
forma eticamente correta. observados nos protocolos de pesquisa e
determina que toda pesquisa que envolve seres
Comissão nacional de ética em pesquisa humanos independente da área do conhecimento
(CONEP) deve ser apreciada por um CEP. De acordo com a
O CONEP foi criado pela resolução CNA nº resolução 196/96, o projeto de pesquisa deve
196/96 para desenvolver a regulamentação sobre gerar conhecimento, trazendo algo inovador, tanto
proteção dos sujeitos da pesquisa e para constituir em seus propósitos, quanto em seus métodos de
um nível de recursos disponíveis qualquer dos desenvolvimento. Esse conhecimento deve ter
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relevância científica, agregando valores ao • O terceiro critério diz respeito à substituição da
conhecimento científico. O procedimento deve ser experimentação em animais por métodos
reprodutível em qualquer lugar do planeta. É dever alternativos com respostas e repetibilidade
dos pesquisadores respeitar os sujeitos das confiáveis, com vistas à sua aplicação na saúde
pesquisas nos seus anseios, desejos e dúvidas, humana e animal.
bem como na sua história de vida, nos seus
valores crenças, não realizando qualquer ato que Lei 11794/2008
lhe cause constrangimentos estranheza. Respeitar Dispõe sobre as regras de tratamento de animais
as vontades dos sujeitos da pesquisa é um dos em atividades de pesquisa científica em todo o
itens básicos para a sua realização. O sujeito da Brasil. A utilização de animais é restrita ao
pesquisa deve receber todas as informações a estabelecimento de ensino superior,
respeito dos riscos e benefícios do seu estabelecimento de educação profissional de nível
desenvolvimento e estar ciente e apto para médio e técnico da área biomédica.
decidir-se voluntariamente, em participar da
pesquisa apesar dos riscos.

VIDA HUMANA COMO VALOR BIOÉTICO


Entre os valores inerentes à condição humana
Lei Arouca 11.794 está a vida. Por necessidade material, psíquica,
Lei 11.794, de 8 de outubro de 2008, o Conselho espiritual, todo ser humano depende de outros
Nacional de Controle de Experimentação Animal para viver, para desenvolver sua vida e para
(Concea), vinculado ao Ministério da Ciência e sobreviver. A ética de um povo ou de um grupo
Tecnologia, passou a regular e normatizar os social é um conjunto de costumes consagrados,
procedimentos de experimentação animal no país. informado por valores.
Basicamente, o pesquisador deve obedecer a no final da idade média, no séc., 13, aparece,
três critérios básicos: Santo Tomas de Aquino, terá importância para a
O primeiro é em relação ao número máximo de recuperação do reconhecimento da dignidade
animais a ser utilizado na pesquisa. Não é essencial da pessoa humana.
permitido utilizar mais animais que o necessário. Santo Tomas de Aquino retomou Aristóteles, sob
Se, por exemplo, 10 camundongos satisfazem muitos aspectos e procurou fixar conceitos
uma pesquisa, não é permitido dobrar ou triplicar universais. e procurou fixar conceitos universais,
este número sem uma justificativa. Do mesmo tomando a vontade de deus como fundamentos
modo, um número muito reduzido de animais pode dos direitos humanos, santo Tomas condena as
determinar a inconsistência dos resultados e, violências e discriminação dizendo que o ser
assim, invalidar a pesquisa, o que significa ter que humano tem direitos naturais que devem ser
refazer o experimento e fazer uso de outros respeitados. Chegando a afirmar o direito de
animais. rebelião dos que forem submetidos a condições
O tipo de pesquisa e a variabilidade prevista para indignas.
os dados geralmente requerem um bom No campo das ideias surgem grandes filósofos
planejamento estatístico. políticos, que reafirmam a existência dos direitos
• O segundo critério é em relação ao bem-estar fundamentais da pessoa humana, sobretudo os
animal. Todo animal que é utilizado numa direitos a liberdade e à igualdade, mas dando
pesquisa deve ser submetido a determinados como fundamentos desses direitos a própria
cuidados. Ele não pode sofrer, tem que ser natureza humana, descoberta e dirigida pela
convenientemente anestesiado, no caso de uma razão.
cirurgia, assim como receber cuidados pré e pós- Isso favoreceu a eclosão de movimentos
operatórios, com relação a analgésicos e revolucionários que, associado a burguesia e a
antibióticos, por exemplo. Além disso, deve plebe, ambos interessados na destruição dos
receber alimentação adequada, viver em um seculares privilégios, levaram a derrocada do
ambiente com temperatura controlada e sem antigo regime e abriram caminho para a ascensão
barulho ou outros fatores de estresse. Tudo isso política da burguesia. Os pontos culminantes
diz respeito ao bem-estar do animal, ele tem que dessa fase revolucionária foram a independência
ser tratado de maneira a não sofrer danos ou das colônias inglesas da América do norte, em
estresse que venham a prejudicar as observações 1776, e a revolução francesa, que obteve a vitoria
e causar sofrimento. em 1789.

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Em 1789 foi publicada a declaração dos direitos fundamentais para todos, sem distinção de raça,
do homem e do cidadão, onde se afirmava no art. sexo, língua ou religião.
1º, que todos os homens nascem e permanecem
livres e iguais em direitos, mas, ao mesmo tempo,
admitia a distinções sociais, as quais, conforme a
declaração deveriam ter fundamentos na utilidade
comum.
Sob o pretexto de garantir o direito a liberdade e
esquecendo a igualdade, foram criadas novas
formas políticas que passaram a caracterizar o
estado liberal, burguês: o mínimo possível de
interferência nas atividades econômicas e sociais,
superação dos objetivos do capitalismo, com
plena liberdade contratual, garantia da
propriedade como direito absoluto, sem
responsabilidade social, e ocupação dos cargos e
das funções públicas mais relevantes apenas por
pessoas do sexo masculino e com independência
econômica.
Essa produção de injustiça teve como
consequência a perda da paz, com duas guerras
mundiais no séc. 20, chegando-se a extremos, de Artigos
violência contra a vida e a dignidade da pessoa Art. 1: Todas as pessoas nascem livres e iguais
humana. há pessoas que colocam suas ambições em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
pessoais, acima dos valores humanos, sem consciência e devem agir em relação umas às
perceber que desse modo eliminam qualquer outras com espírito de fraternidade.
barreira ética e semeam a violência, criando Art. 2: Toda pessoa tem capacidade para gozar
insegurança para si próprio e para seu patrimônio. os direitos e as liberdades estabelecidos nesta
São contra os direitos humanos os que, em nome Declaração, sem distinção de qualquer espécie,
do progresso cientifico e de um futura e incerto seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião
beneficio da humanidade, ou alegando atitude política ou de outra natureza, origem nacional ou
piedosa em defesa da dignidade humana, pregam social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra
ou aceitam com facilidade a inexistência de limites condição.
éticos para as experiências cientificas ou uso dos Art. 3: Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade
conhecimentos médicos para apressar a morte de e à segurança pessoal.
uma pessoa. Art. 4: Ninguém será mantido em escravidão ou
servidão, a escravidão e o tráfico de escravos
Declaração universal dos direitos humanos serão proibidos em todas as suas formas.
Foi adotada pela Organização das Nações Unidas Art. 5: Ninguém será submetido à tortura, nem a
em 10 de dezembro de 1948. tratamento ou castigo cruel, desumano ou
As ideias e valores dos direitos humanos são degradante.
traçadas através da história antiga e das crenças Art. 6: Toda pessoa tem o direito de ser, em
religiosas e culturais ao redor do mundo. Filósofos todos os lugares, reconhecida como pessoa
europeus da época do Iluminismo desenvolveram perante a lei.
teorias da lei natural que influenciaram a adoção Art. 7: Todos são iguais perante a lei e tem
de documentos como a Declaração de Direitos de direito, sem qualquer distinção, a igual proteção
1689 da Inglaterra, a Declaração dos Direitos do da lei. Todos têm direito a igual proteção contra
Homem e do Cidadão de 1789 da França e a qualquer discriminação que viole a presente
Carta de Direitos de 1791 dos Estados Unidos. Declaração e contra qualquer incitamento a tal
Durante a Segunda Guerra Mundial, os aliados discriminação.
adotaram as Quatro Liberdades: liberdade da Art. 8: Toda pessoa tem direito a receber dos
palavra e da livre expressão, liberdade de religião, tributos nacionais competentes remédio efetivo
liberdade pornecessidades e liberdade de viver para os atos que violem os direitos fundamentais
livre do medo. que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou
A Carta das Nações Unidas reafirmou a fé nos pela lei.
direitos humanos, na dignidade e nos valores Art. 9: Ninguém será arbitrariamente preso,
humanos das pessoas e convocou a todos seus detido ou exilado.
estados-membros a promover respeito universal e Art. 10: Toda pessoa tem direito, em plena
observância dos direitos humanos e liberdades igualdade, a uma audiência justa e pública por
parte de um tribunal independente e imparcial,

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para decidir de seus direitos e deveres ou do pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela
fundamento de qualquer acusação criminal contra observância, isolada ou coletivamente, em público
ele. ou em particular.
Art. 11: Art. 19: Toda pessoa tem direito à liberdade de
§ 1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso opinião e expressão; este direito inclui a liberdade
tem o direito de ser presumida inocente até que a de, sem interferência, ter opiniões e de procurar,
sua culpabilidade tenha sido provada de acordo receber e transmitir informações e ideias por
com a lei, em julgamento público no qual lhe quaisquer meios e independentemente de
tenham sido assegurada todas as garantias fronteiras.
necessárias à sua defesa. Art. 20:
§ 2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer § 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de
ação ou omissão que, no momento, não reunião e associação pacíficas.
constituíam delito perante o direito nacional ou § 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de
internacional. Tampouco será imposta pena mais uma associação.
forte do que aquela que, no momento da prática, Art. 21:
era aplicável ao ato delituoso. § 1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no
Art. 12: Ninguém será sujeito a interferências na governo de seu país, diretamente ou por
sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na intermédio de representantes livremente
sua correspondência, nem a ataques à sua honra escolhidos.
e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção § 2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao
da lei contra tais interferências ou ataques. serviço público do seu país.
§ 3. A vontade do povo será a base da
Art. 13: autoridade do governo; esta vontade será
§ 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de expressa em eleições periódicas e legítimas, por
locomoção e residência dentro das fronteiras de sufrágio universal, por voto secreto ou processo
cada Estado. equivalente que assegure a liberdade de voto.
§ 2. Toda pessoa tem o direito de deixar Art. 22: Toda pessoa, como membro da
qualquer país, inclusive o próprio, e a este sociedade, tem direito à segurança social e à
regressar. realização, pelo esforço nacional, pela cooperação
Art. 14: internacional e de acordo com a organização e
§ 1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o recursos de cada Estado, dos direitos
direito de procurar e de gozar asilo em outros econômicos, sociais e culturais indispensáveis à
países. sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua
§ 2. Este direito não pode ser invocado em caso personalidade.
de perseguição legitimamente motivada por Art. 23:
crimes de direito comum ou por atos contrários § 1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre
aos propósitos e princípios das Nações Unidas. escolha de emprego, a condições justas e
Art. 15: favoráveis de trabalho e à proteção contra o
§ 1. Toda pessoa tem direito a uma desemprego.
nacionalidade. § 2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem
§ 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua direito a igual remuneração por igual trabalho.
nacionalidade, nem do direito de mudar de § 3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma
nacionalidade. remuneração justa e satisfatória, que lhe
Art. 16: assegure, assim como à sua família, uma
§ 1. Os homens e mulheres de maior idade, sem existência compatível com a dignidade humana, e
qualquer restrição de raça, nacionalidade ou a que se acrescentará se necessário, outros
religião, têm o direito de contrair matrimônio e meios de proteção social.
fundar uma família. Gozam de iguais direitos em § 4. Toda pessoa tem direito a organizar
relação ao casamento, sua duração e sua sindicatos e neles ingressar para proteção de seus
dissolução. interesses.
§ 2. O casamento não será válido senão com o Art. 24: Toda pessoa tem direito a repouso e
livre e pleno consentimento dos nubentes. lazer, inclusive alimentação razoável das horas de
Art. 17: trabalho e férias periódicas remuneradas.
§ 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só Art. 25:
ou em sociedade com outros. § 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida
§ 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua capaz de assegurar a si e a sua família saúde e
propriedade. bem estar, inclusive alimentação, vestuário,
Art. 18: Toda pessoa tem direito à liberdade de habitação, cuidados médicos e os serviços sociais
pensamento, consciência e religião; este direito indispensáveis, e direito à segurança em caso de
inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou
a liberdade de manifestar essa religião ou crença,
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outros casos de perda dos meios de subsistência
fora de seu controle.
§ 2. A maternidade e a infância têm direito a
cuidados e assistência especiais. Todas as
crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio
gozarão da mesma proteção social.
Art. 26:
§ 1. Toda pessoa tem direito à instrução. A
instrução será gratuita, pelo menos nos graus
elementares e fundamentais. A instrução
elementar será obrigatória. A instrução técnico-
profissional será acessível a todos, bem como a
instrução superior, esta baseada no mérito.
§ 2. A instrução será orientada no sentido do
pleno desenvolvimento da personalidade
humana e do fortalecimento do respeito pelos
direitos humanos e pelas liberdades
fundamentais. A instrução promoverá a
compreensão, a tolerância e a amizade entre
todas as nações e grupos raciais ou religiosos,
e coadjuvará as atividades das Nações Unidas
em prol da manutenção da paz. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS
§ 3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do DOS ANIMAIS
gênero de instrução que será ministrada a seus
A Declaração Universal dos Direitos dos Animais
filhos.
foi proclamada pela UNESCO em sessão
Art. 27:
realizada em Bruxelas - Bélgica, em 27 de Janeiro
§ 1. Toda pessoa tem o direito de participar
de 1978. A Declaração Universal dos Direitos
livremente da vida cultural da comunidade, de fruir
Animais é uma proposta para diploma legal
as artes e de participar do processo científico e de
internacional, levado por ativistas da causa pela
seus benefícios.
defesa dos direitos animais à UNESCO em 15 de
§ 2. Toda pessoa tem direito à proteção dos
Outubro de 1978, em Paris e que visa criar
interesses morais e materiais decorrentes de
parâmetros jurídicos para os países membros da
qualquer produção científica, literária ou artística
Organização das Nações Unidas, sobre os direitos
da qual seja autor.
animais.
Art. 28: Toda pessoa tem direito a uma ordem
social e internacional em que os direitos e
Artigos
liberdades estabelecidos na presente Declaração
Art. 1º: Todos os animais nascem iguais perante a
possam ser plenamente realizados.
vida e têm os mesmos direitos à existência.
Art. 2º: Todo o animal tem o direito a ser
respeitado. O homem, como espécie animal, não
pode exterminar os outros animais ou explorá-los
violando esse direito; tem o dever de pôr os seus
conhecimentos ao serviço dos animais. Todo o
animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à
proteção do homem.
Art. 3º: Nenhum animal será submetido nem a
maus tratos nem a atos cruéis. Se for necessário
matar um animal, ele deve de ser morto
instantaneamente, sem dor e de modo a não
provocar-lhe angústia.
Art. 4º: Todo o animal pertencente a uma espécie
selvagem tem o direito de viver livre no seu
próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou
aquático e tem o direito de se reproduzir. Toda a
privação de liberdade, mesmo que tenha fins
educativos, é contrária a este direito.
Art. 5º: Todo o animal pertencente a uma espécie
que viva tradicionalmente no meio ambiente do
homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo
e nas condições de vida e de liberdade que são
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próprias da sua espécie. Toda a modificação
deste ritmo ou destas condições que forem
impostas pelo homem com fins mercantis é
contrária a este direito.
Art. 6º: Todo o animal que o homem escolheu
para seu companheiro tem direito a uma duração
de vida conforme a sua longevidade natural. O
abandono de um animal é um ato cruel e
degradante.
Art. 7º: Todo o animal de trabalho tem direito a
uma limitação razoável de duração e de
intensidade de trabalho, a uma alimentação
reparadora e ao repouso.
Art. 8º: A experimentação animal que implique
sofrimento físico ou psicológico é incompatível
com os direitos do animal, quer se trate de uma
experiência médica, científica, comercial ou
qualquer que seja a forma de experimentação. PROJETO DE PESQUISA
As técnicas de substituição devem de ser ASPÉCTOS ÉTICOS E METODOLÓGICOS
utilizadas e desenvolvidas.
Todos os projetos de pesquisa apresentam os
seguintes elementos:
Art. 9º: Quando o animal é criado para
alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado,
Identificação
transportado e morto sem que disso resulte para
É um bloco de informações de identificação
ele nem ansiedade nem dor.
composto pelo título, autores e local de origem e
Art. 10º: Nenhum animal deve de ser explorado
de realização.
para divertimento do homem. As exibições de
animais e os espetáculos que utilizem animais são
Título
incompatíveis com a dignidade do animal.
Deve ser claro, de fácil compreensão inicial de
Art. 11º: Todo o ato que implique a morte de um
sua finalidade. É a primeira forma de contato do
animal sem necessidade é um biocídio, isto é um
leitor com o projeto, é um elemento importante em
crime contra a vida.
sua elaboração.
Art. 12º: Todo o ato que implique a morte de um
grande número de animais selvagens é um
Autores
genocídio, isto é, um crime contra a espécie. A
Os que preenchem os critérios de autoria que
poluição e a destruição do ambiente natural
devem ser citados no projeto. É um procedimento
conduzem ao genocídio.
ético baseado na fidelidade que deve existir entre
Art. 13º: O animal morto deve de ser tratado com
os membros do grupo que realiza a pesquisa em
respeito. As cenas de violência de que os animais
conjunto. Tendo clara indicação de quem é o
são vítimas devem de ser proibidas no cinema e
pesquisador responsável pelo projeto todos os
na televisão, salvo se elas tiverem por fim
autores devem ter qualificação acadêmica e
demonstrar um atentado aos direitos do animal.
cientifica compatível com sua participação no
Art. 14º: Os organismos de proteção e de
projeto.
salvaguarda dos animais devem estar
apresentados a nível governamental. Os direitos
do animal devem ser defendidos pela lei como os LOCAL DE ORIGEM E DE REALIZAÇÃO
direitos do homem. Permite caracterizar a instituição, serviço,
unidade, setor ou curso que avalia o projeto, que o
credencia para ser realizado. O responsável pelo
local de realização deve ser consultado
previamente ao encaminhamento do projeto para
a analise por um CEP.

Introdução
Situa o projeto no contexto do tema escolhido,
deve permitir um nivelamento dos conhecimentos,
possibilitando a compreensão do que vai ser
apresentado ao longo do projeto. Contem um
breve histórico sobre o tema a ser abordado.

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Objetivos
Caracteriza de forma reduzida a finalidade do
projeto. De acordo com a magnitude do projeto.
Nem todo projeto necessita de detalhar os
objetivos. Muitas vezes basta apenas caracterizar
um único objetivo simples. Os objetivos devem ser
redigidos utilizando verbos operacionais no
infinitivo, como forma de caracterizar diretamente
as ações que são propostas pelo projeto.

Método
Deve apresentar o tipo de delineamento que será
utilizado, podem apresentar fatores em estudos e
os desfechos previstos. A caracterização da
população a serem estudadas, quando for o caso,
as técnicas de amostragem e os critérios de VISÃO RELIGIOSA DA MORTE
seleção, inclusão e exclusão utilizadas, deve O homem é o único ser sobre a terra que tem
constar de forma explicita. consciência sobre seu inevitável fim. Somos os
únicos, a saber, que nossa passagem nessa terra
Cronograma é temporária. O avanço cientifico encontrou uma
Todo projeto de pesquisa tem um prazo para ser saída para o dilema da ética e a eutanásia. Essa
realizado. O cronograma expressa a saída é o fato de podermos medicamentar a
compatibilidade das atividades propostas com o morte.
tempo previsto para a realização do projeto como Passamos a determinar que nossos doentes
um todo. Este pode ser subdividido em grandes devem morrer nos hospitais e não mais em casa,
etapas, tais como: planejamento, execução e como era feito antes do séc. 19 onde era por
divulgação. vontade de Deus que as pessoas morreriam.
Agora a morte é algo técnico, no qual o médico
Orçamento decreta quando interromper todo e qualquer
Relaciona os recursos financeiros a serem tratamento. Dessa forma nem a família e nem o
utilizados ao longo de todo o projeto. Os itens indivíduo são senhores de sua própria morte. Tal
básicos, habitualmente descritos, são: material poder foi retirado em nome da ciência.
permanente, material de consumo, serviços de
terceiros e recursos humanos, incluindo neste ÉTICA E EUTANÁSIA
últimos as bolsas eventuais de remuneração.
A partir do juramento de Hipócrates, o pilar de
sustentação da profissão médica até hoje, a
Referências
administração de drogas letais ao paciente
A adequada citação de material bibliográfico
terminal ou a omissão de determinados recursos
utilizado é um pressuposto ético da produção
disponíveis, tem motivado intenso debate na
científica. As referências permitem ao leitor do
sociedade. O debate tornou-se acirrado no final do
projeto verificar as fontes de informações usadas
séc. 19 com a ocorrência de várias disputas entre
na elaboração do projeto, permitindo recuperar e
advogados e cientistas sociais, principalmente na
confrontar dados. Um cuidado especial deve ser
imprensa inglesa e americana. No passado
tomado com relação a fontes eletrônicas,
procuravam-se explicações para a morte no meio
especialmente as provenientes da internet. Todas
sobrenatural. Hoje recorremos à medicina para
elas devem ser referidas com a data da consulta e
tratar das questões relativas a esse assunto.
impressas para a documentação, pois são feitas
muitas modificações neste tipo de meio.
Eutanásia
Significa sistema que procura dar morte sem
sofrimento, a um doente incurável. É proibido em
vários países, inclusive no Brasil, onde a prática é
considerada homicídio. As pessoas que julgam a
eutanásia um mal necessário têm como principal
argumento poupar o paciente terminal irreversível
de seu sofrimento e avaliar a angústia de seus
familiares. Outro aspecto importante dessa
discussão é o custo financeiro, tanto social como
pessoal, causado pelo prolongamento de uma
impossibilidade de continuar. O custo social está
na superlotação de leitos nos hospitais e nos
11
gastos públicos com remédios e tratamentos Ortotanásia
desses pacientes. Por outro lado, se essa prática Esse termo tem sido usado como sinônimo de
fosse autorizada, poderia ter revolta por parte das morte natural (do grego Orthos=normal e
religiões, que são contra. Com o avanço da Thanatos=morte) na qual age por omissão. O
tecnologia médica, nas ultimas décadas, torna-se prolongamento da vida desses indivíduos, seja por
mais complexa essa discussão. Os aparelhos meio de terapêutica ou de aparelhos, nada mais
eletrônicos são capazes de garantir, longa representará do que uma batalha inútil e perdida
sobrevida vegetativa aos doentes e permitem que contra a morte, esta sim salvadora e redentora.
os sinais vitais sejam mantidos artificialmente, Para estes, se postula a morte piedosa, assistida,
mesmo em pacientes terminais, por muito tempo. dando fim aos seus males, pois, como afirma
Sênegal, filósofo grego, por única razão, a vida
não é um mal, pois ninguém é obrigado a viver.
Classificação da eutanásia ACONTECIMENTOS ENVOLVENDO
Essa classificação depende do critério ASPÉCTOS ÉTICOS
considerado, podendo ser classificados de várias
formas:
1. Classificação quanto ao tipo de ação: Projeto Manhattan
 Eutanásia ativa: é o ato deliberado de Projeto desenvolvido pelo EUA, Canadá e Reino
provocara morte sem sofrimento do paciente, Unido, durante a segunda guerra mundial, para
por fins misericordiosos; desenvolver armas nucleares. Foi dirigido pelo
 Eutanásia passiva: a morte do paciente ocorre general Leslie R, Grooves e a pesquisa foram
dentro de um quadro terminal, ou porque não dirigidas pelo físico J. Robert Oppenheimer. O
se inicia uma ação médica; projeto trabalhava na concepção, produção e
 Eutanásia de duplo efeito: a morte é acelerada detonação de três bombas nucleares em 1945:
como uma consequência indireta das ações A primeira bomba Trinity foi detonada em
médicas que são executadas visando ao alívio 16/07/1945 no Novo México. A segunda Little Boy
do sofrimento de um paciente terminal. foi detonada em 06/08/1945 sobre a cidade de
2. Classificação quanto ao consentimento do Hiroshima. A terceira Fat Man detonou em
paciente: 09/08/1945 na cidade de Nagasaki.
 Eutanásia voluntária: a morte é provocada
atendendo a vontade do paciente.
 Eutanásia involuntária: a morte é provocada
contra a vontade do paciente.
 Eutanásia não-voluntária: quando a morte é
provocada sem que o paciente se manifesta-
se contra ou a favor.

Distanásia Figura 2: (a) Leslie R, Grooves (1896-1970) Membro do


É a agonia prolongada, com sofrimento físico e exercido americano observou a construção do Pentágono.
mental do indivíduo lúcido. Esse termo foi Aposentou-se em 1948; (b) J. Robert Oppenheimer (1904-
1967) Físico norte americano, de família judia, seus últimos
proposto por Morache, em 1904. Apesar dos de vida fazia reflexões sobre problemas da relação da ciência
problemas clínicos relacionados ao atendimento e a sociedade. Morreu de câncer na garganta.
do paciente, o médico deve focalizar seus
esforços no alívio do sofrimento, para evitar ao Julgamento de Nuremberg
máximo os desconfortos do paciente em estado Foi o julgamentos dos principais criminosos de
terminal. A dor é apenas um de seus guerra da segunda guerra mundial, o julgamento
componentes, entretanto, o impacto que a dor tem foi de 20 de novembro de 1945 até 1 de outubro
na vida do paciente vária deste um desconforto de 1946, na cidade alemã de Nuremberg.
até a exaustão, que é a própria das doenças que
levam a morte direta ou indiretamente. Só tem
acesso à livre escolha de maneira adequada
aquela pessoa que tiver pleno conhecimento dos
fatos médicos ligados à sua doença. Para tanto, o
acesso à verdade essencial. Contudo, o direito à
verdade cria a obrigação de os médicos sempre
dizerem a verdade aos pacientes. O médico
prudente avaliará cada caso, tentando pesar os
prós e os contras.

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Figura 3: julgamento de Nuremberg.
Figura 4: A chegada do homem à Lua foi uma das
Código de Nuremberg conseqüências do Programa Apollo

Conjunto de princípios éticos que regem a


pesquisa com seres humanos, sendo considerado Projeto genoma humano
como uma das consequências do processo de Consistia em um esforço internacional para o
guerra de Nuremberg. Esse código possui dez mapeamento do genoma humano e a
princípios básicos e determina as normas de identificação de todos os nucleotídeos que o
consentimento informado e da legalidade de compõe. Centenas de laboratórios de todo o
coerção, regulamenta a experimentação cientifica, mundo se uniram à tarefa de sequenciar, um a
e defende a beneficência como um dos fatores um, os genes que codificam as proteínas do
justificáveis sobre os participantes dos corpo humano e também aquelas sequências
experimentos. de DNA que não são genes. Projeto iniciado em
Declaração de Genebra 1990, com prazo de 15 anos. Envolvia mais de
Aprovada pela assembleia geral das associações 5000 cientistas, de 250 laboratórios diferentes.
médicas mundiais na cidade de Genebra em 1948 Em 14 de abril de 2003, foi anunciado a
sofrendo alterações nos anos seguintes, a conclusão com sucesso do projeto, com a
declaração foi concebida como uma revisão sequênciação de 99,99% do genoma humano.
atualizada dos preceitos morais do Juramento de
Hipócrates e tem sido utilizado em vários países.

Declaração de Helsing
Conjunto de princípios que regem pesquisas com
seres humanos, foi regida pela associação médica
mundial em 1964. Ela é um importante documento
da história da ética em pesquisa, e surge como o
primeiro esforço significativo da comunidade DESLIZES ÉTICOS NA PESQUISA
médica para regulamentar a investigação em si.
Caso de Tukegee
Projeto Apollo O estudo de sífilis não tratada, ensaio clínico
Conjunto de missões espaciais controladas pela levado acabo pelo serviço de saúde dos EUA,
NASA entre 1961 a 1972, com objetivo de colocar entre 1932 a 1972, no qual 400 negros sifilíticos
o homem na lua. O projeto culminou com o pouso pobres e analfabetos, e mais 200 indivíduos
da Apollo 11 no solo lunar em 20/07/1969. O saudáveis para comparação foram usados como
objetivo de explorar a lua foi abandonado em 1972 cobaias na observação do progresso natural da
por motivo de pouco interesse popular e os altos sífilis sem medicamentos. Quando o estudo
custos. chegou ao fim, apenas 74 dos pacientes que
participaram estavam vivos, 35 tinham morrido de
sífilis, 100 morreram de complicações
relacionadas com a doença, 40 das esposas dos
pacientes foram infectadas, e 19 das suas
crianças nasceram com sífilis congênita.

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Figura 7: Caso Jewish Chronic Diase Hospital do Brooklin.

Figura 5: Caso de Tukegee.

Caso hospital de Willowbrook


Com o objetivo de desenvolver uma vacina para a
hepatite B, no período de 1956 a 1970, infectaram,
com o vírus da Hepatite B cerca de 700 a 800
crianças com deficiência mental. Os
pesquisadores pediram e receberam permissão
dos pais das crianças internadas com o
argumento de que mais cedo ou mais tarde todas
elas contrairiam a doença. Essa pesquisa
possibilitou o desenvolvimento da vacina.

Figura 6: Caso hospital de Willowbrook.

Caso Jewish Chronic Diase Hospital do


Brooklin
Com o propósito de aprender mais sobre a
relação do sistema imunitário com o câncer, em
1964, pesquisadores injetaram células hepáticas
cancerígenas em 22 pacientes idosos. Estes eram
informados que iriam receber algumas células
através de injeções mas o termo cancerígena foi
completamente omitida.

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