A Solidariedade

Primeira reunião da Super Região Brasil após a posse no Colegiado Nacional ocorrida dia 28.08.04 Itaici -SP Dias 10-11-12 de setembro 2004

“Deus é amor”
(1 JO 4, 16)

INTRODUÇÃO Esta verdade é o coração da fé cristã. A caridade é o coração do Evangelho, o caminho mais inteligível e eficaz da evangelização, especialmente hoje, que são mais estimados os testemunhos do que os mestres, e os mestres serão acreditados se forem testemunhos.E não podemos ser testemunhas da fé em Deus, em Jesus Cristo se não buscamos viver uma relação fraterna com todos, especialmente com os mais excluídos.(As citações bíblicas são muitas). A fraternidade é a marca do cristianismo. “Vejam como eles se amam”, diziam os que viam as primeiras comunidades cristãs. Tentativa de definição de Solidariedade. O primeiro passo para falar de solidariedade, penso que seja definir, ou tentar descrever, o que é solidariedade. Parece ser um dos sinais dos nossos tempos, este fenômeno maravilhoso, chamado solidariedade, e acontece nos mais diferentes níveis da vida e das necessidades humanas. O Vat II, no Decreto “Apostolicam actuositatem”, sobre o apostolado dos leigos, número 14, diz assim: “Entre os sinais mais alvissareiros de nosso tempo, pode-se enumerar o crescente e decisivo sentimento de solidariedade entre todos os povos”. Diante de necessidades materiais o nosso povo é muito sensível. É um fenômeno maravilhoso, ver pessoas das mais diferentes nacionalidades, raças e níveis sociais, se unirem para um mesmo objetivo: olhar para a pessoa humana em necessidade. O conceito, “solidariedade” tem uma história bastante longa e que foi tendo um crescimento e um enriquecimento progressivo ao longo do tempo. Contribuíram muito neste sentido os meios de comunicação social (MCS), mostrando ao mundo as mais diferentes necessidades e situações concretas do ser humano e colocando as pessoas em contato imediato, permitindo compreender melhor que somos e formamos uma só família humana. Podemos quase dizer, que, a solidariedade se tornou como que, o lado visível do amor invisível, ou como diz Bocos Merino, A., a solidariedade se tornou “uma categoria secularizada da caridade”. Se me permitem, eu diria que a solidariedade é o amor divino mostrando seu rosto, encarnando-se na pessoa humana, tanto para quem a recebe como para quem a pratica; é o amor de Deus que se encarna para se encontrar com a pessoa humana. Toda pessoa humana, mas especialmente o pobre e necessitado é uma oportunidade que Deus me oferece para que Ele, Deus, possa se revelar e possa agir através de mim.

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Rm 1. ide ao seu encontro. Nestes diferentes enfoques foram se destacando alguns aspectos do homem. O Papa João Paulo II “define” a solidariedade. 20). social e teológico. a solidariedade. como fez Jesus. que veio para servir e dar a sua vida. o conceito de solidariedade depende basicamente da idéia que se tem da pessoa humana. Sua presença em nosso caminho nos enche de esperança e de coragem. Jo 20. não como um sentimento de terna compaixão pelos males de tantos. com o mundo e com os outros seres humanos. para renovar a face da terra. E a pessoa humana é um ser de relações. Em sua totalidade. sociológico antropológico. mas define a solidariedade como “uma firme e perseverante determinação de se empenhar pelo bem comum. porque todos somos responsáveis por todos”. pelo bem de cada um. JO 14. sinto-me senhor e diante dos outros. 51ss). Eu entro em comunhão com o outro se vejo nele um semelhante a mim. 38). o que acreditamos e o que temos”. Este requisito da caridade. a solidariedade. Um relacionamento sadio acontece assim. A solidariedade podemos considerá-la segundo os diferentes pontos de vista. diante do mundo material. sempre que nos reunimos em seu nome(cf. 20). Mt 25. podemos dizer. (Sollicitudo rei socialis. sinto-me filho. O homem existe para se relacionar: com Deus. aberto às relações com os outros. O Sínodo dos Bispos da América afirmava que a solidariedade é um requisito da caridade e que nasce de um verdadeiro encontro com Cristo. segundo as palavras da Escritura. Diante de Deus. no Sacramento da Reconciliação(cf. “Cada pessoa e cada grupo humano desenvolve sua identidade no encontro com os outros” (SD 279). onde o consideramos como indivíduo. isto é. Numa palavra. Onde encontraremos este Cristo e Senhor? Jesus Cristo enviou o Espírito Santo para fazer novas todas as coisas. JO 1. na sua palavra (cf. hoje é praticada em todas as relações humanas. Jo 6. dentro de nós mesmos(cf. 2 . É a partir deste encontro que surge o compromisso. o Senhor está conosco. Onde encontraremos esse Cristo? Basta abrir o coração ao desafio do amor deste mesmo Jesus e veremos que o encontramos de tantas maneiras. Em primeiro lugar. como filosófico. O Papa repete sempre:”Não tenham medo” . 21-23) e de um modo mais perfeito. 40). no nosso próximo(cf. consiste em “saber compartilhar o que somos. O Direito Romano dá à solidariedade um sentido de obrigatoriedade moral.O Evangelho nos ensina que a glória do homem não consiste nem nas riquezas e nem no poder. na Eucaristia( cf. 23). sinto-me irmão. 1) e nas maravilhas da criação( cf. um ser humano. Deste enfoque jurídico se foi passando para outros enfoques. mas sim na capacidade de oferecer e de servir. Vários indivíduos com um compromisso moral diante de um objetivo único e idêntico que os comprometia na responsabilidade coletiva. com os mesmos direitos e a mesma dignidade. Mt 18.

assim. Deus encara os seres humanos como membros de uma comunidade e não apenas individualmente. quando diante do mundo se sente senhor e não escravo e quando diante dos outros se sente irmão e não um competidor(cf. A solidariedade cristã nasce do mesmo Deus e tem sua raiz no grande projeto que Deus tem sobre a pessoa humana. Deus sempre fala do “seu povo” e nunca de pessoas em particular. LG 1) até que Deus seja tudo em todos (cf. Deus não criou o homem para viver isoladamente. é nele “um sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano” (cf. guiado por Moisés. O objetivo último da vida humana é a solidariedade perfeita na eternidade e desta solidariedade fazemos um ensaio neste mundo. e. Deus quer que o homem viva em comunhão com ele e com tudo o que é dele. A exigência da solidariedade é bíblica. Este projeto começa se realizar quando o homem diante de Deus se sente filho. A origem e o destino comum chama à caridade e à solidariedade com aqueles com quem eu compartilho a origem e o destino. Deus conduziu o seu povo. do destino comum. com sua Encarnação. Mt 23. evangélica. 5). sua obra e sua doutrina. Chamou” seu povo “(Ex 3.”Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo fato de terem todas o mesmo Criador. A solidariedade se apresenta. Ninguém pode se aproximar de Deus sem se sentir levado ao encontro com os irmãos. A terra prometida é para o seu povo.O ponto de partida para uma autêntica solidariedade entre as pessoas é a consciência da origem comum. continuadora da obra de Cristo. Cristo ao assumir a natureza humana. Rm 5. por melhores que fossem aos seus olhos. 3 . A Igreja. É olhando para o Cristo servidor que descobrimos o seu amor à humanidade. como uma expressão da Koinonia cristã: comunhão com Deus e com o próximo. tornando-os irmãos (cf. O caráter comunitário e solidário da história da salvação se aperfeiçoa em Jesus Cristo. A fonte da solidariedade. (GS 32). mas em comunidade (cf. Como filhos. Eu não cresço independentemente dos outros e sem os outros. a marca é a responsabilidade de uns com os outros e não o fatalismo. meu Senhor. “Desde o início da história da salvação. Deus quer salvar o seu povo. 1 Cor 15. “Tudo é vosso. P 322). com todas as criaturas (CIC 344). não individualmente. nem meu crescimento pode ser desligado do crescimento dos outros. 8) comunicando o Espírito Santo que os torna capazes de amar a Deus e aos irmãos (cf. mas para formar comunidade.28).27).7-12)” e com ele fez a aliança no Sinai para manifestar esse seu desígnio. “Não é bom que o homem fique só” (Gen 1. uniu todos os homens em profunda solidariedade. à terra prometida. e de todas estarem ordenadas à sua glória” (CIC 344) Vejam o Cântico de São Francisco: Louvado sejas. a marca é a confiança e como irmãos. mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”. É a meta final que gera dinamismo e que lança a pessoa humana para a ação. Na revelação bíblica Deus se revela como alguém que quer nos fazer filhos seus e quer que nossas relações com Ele sejam de filhos. LG 9).

volta à Família e Comunidade originais: A Ssma Trindade. no décimo ano da Campanha da Fraternidade. às vezes leva a oprimir os outros para o uso da liberdade que o faz compartilhar as coisas com os irmãos. se são humanos. “O egoísmo escraviza. anseia ser libertado para ser colocado ao serviço da comunhão. devem nos inquietar e comprometer. línguas. Rm 8. o amor de Deus que nos transforma. a que se propõem viver os discípulos de Jesus. A solidariedade cristã tem seu fundamento na koinonia ou comunhão que temos com Deus e com os irmãos que Jesus Cristo nos comunica e que nós devemos testemunhar (cf. que se despojou a si mesmo e assumiu a condição de servo (cf. 19-22. Hb 4. Este mundo criado por Deus. onde não mais existem as distinções de raças. Fl 2. Paulo VI. 1-4). em mim e eu em Ti. É nossa condição de filhos de Deus e de irmãos que nos permite. o escraviza e. Ef 2. o amor liberta”. 10. em sua mensagem de abertura da CF de 1973. II. Segundo o plano de Deus. nacionalidades e nem classes sociais (cf. O Papa Paulo VI. que cada um recebeu neste mundo são como que “o lugar” de encontro com o mesmo Deus e com os irmãos. hoje as barreiras mais fortes de separação (cf. dizia a todos os brasileiros: Nesta quaresma busquem a conversão com um maior empenho: na oração e na penitência. 15) não teríamos recuperado a nossa dignidade de filhos de Deus. mas deveres”. são os grandes sinais reveladores de uma fraternidade ferida e uma solidariedade ainda distante e pouco ou mal compreendida. O evangelista João.14). dizíamos no ano 1973. os conflitos e a corrida ao armamento. conduzido pelo egoísmo dos homens. dons de Deus. A união entre os filhos de Deus “deve ser uma unidade como a que existe entre o Pai e seu Filho Jesus. sendo deveres. Que as relações entre o Pai e o Filho “são como que o arquétipo das relações entre Cristo e os cristãos”. pela participação e fraterna solidariedade. procurando umas fundamentações bíblicas da comunhão. se são autênticos. criada à sua imagem: “Como Tu. a situação dos homens era a separação. 4 . que causa de tantas divisões. Sem solidariedade. 30).Sem Jesus Cristo. Gal 3. Pai. no amor solidário (cf.75. As guerras. Foi Jesus Cristo quem nos salvou com um gesto da solidariedade para que nós vivamos também a solidariedade. Sem a solidariedade de Jesus Cristo.13. dizia: “Os ideais. Afirma Dodd Ch. 5. As relações do homem com o mundo também estão presentes no projeto de Deus. E. e esta conversão desabroche em generosa solidariedade. o Filho de Deus. em 31. possibilita e facilita a vida solidária entre todos. cf. cf. torna-se necessariamente comunhão de amor com os outros. 7. que eles sejam um em Nós” (Jo 17. não são sonhos.12. o ódio. 1 Jo 1. 11-21.26-28. Existe um texto chave sobre a vida de comunhão com Deus e com a comunidade humana e cristã. P 327). “os bens”. A Koinonia: Utopia cristã. especialmente nos bens materiais. num gesto de solidariedade para fazer brotar uma sociedade justa e humana. nunca haverá comunhão perfeita. GS 4043). Por estas e muitas outras razões. O homem deve passar do uso daquilo que o aliena.

em grande parte. AT e NT. o evangelista contempla as manifestações de Deus. que nada mais é do que a mesma vida de comunhão que o Pai e o Filho vivem no Espírito Santo de amor. 5 . os que praticam uma religião autêntica. uma real comunhão com Deus. 16) e chega à feliz conclusão que “Deus é amor”. 1 Jo 1. A comunhão entre as pessoas divinas é o único caminho a ser seguido pelos filhos de Deus e irmãos em Jesus Cristo. Jesus começa sua missão na Galiléia despertando o interesse dos seus ouvintes sobre a paternidade de Deus em relação aos homens (Mt 5. e reflete. Encontramos vários conceitos nos livros proféticos. 7). ou se é apenas experiência imaginária e vazia de conteúdo real (cf. 2-21). a fé e o amor. são constituídos pela filiação divina e conseqüentemente pela fraternidade. Essa comunhão não é um alvo inatingível.16. É um compromisso na relação com o próximo. João tenta realçar a absoluta originalidade da vida de comunhão entre os cristãos. deve ser uma realidade já presente. II. À luz da fé.Neste texto. “a religião autêntica ou religião interior”.8). partindo da vida concreta e que se constituem como critérios para discernir a autenticidade da experiência de comunhão com Deus. portanto somos irmãos. Koinonia com Deus na Koinonia com os irmãos. na experiência da vida fraterna. com o indiscutível dever da solidariedade. às relações com o próximo (cf. mostrando que pertencemos a uma única família em que todos temos Deus como Pai e que todos. * Outra idéia. Para João. O amor aos irmãos sempre se apresenta na Escritura como o caminho para a experiência de Deus e como a expressão de sua autenticidade. com o significado de “julgar a causa do humilhado e do pobre” (Jr 22. AT e NT. Os profetas expressam de muitas maneiras a experiência de Deus no amor eficaz e concreto ao próximo. * Entre estes conceitos destaca-se o conceito “Conhecer Iahweh”. a observância dos seus mandamentos. Mq 6. 1-4. Os vínculos que unem os seguidores de Jesus. ainda que a plenitude seja no reino definitivo. João escreve seu Evangelho e suas Cartas a partir de uma experiência de fé do que é a comunhão com Deus. No NT. aparece como principal obra de amor a Deus. Toda revelação divina. mostram a experiência de fé como experiência que compromete com a vida. sua maneira de agir na história. O amor a Deus aparece como fruto e expressão do amor ao próximo. temos a mesma doutrina. 3 10-18). Dt 5. os quais se referem. que na verdade são exigências do amor cujo objeto é Deus e o próximo. especialmente sobre o grande dom que o Pai nos fez de seu Filho (Jo 3. apontam para esta meta e coloca as exigências. são os critérios que possibilitam ver se existe ou não. * No Deuteronômio.

“A comunhão dos santos é precisamente a Igreja”. Ef 4. Assim o bem de Cristo é comunicado a todos os membros. cremos na comunhão dos santos. Quem pratica o amor. todos os carismas perderiam sua força e seu sentido. Uma Nova Aliança é anunciada pelos profetas e realizada por Cristo. 18). por ser a Cabeça. “Tive fome e me destes de comer. O amor ao próximo é a resposta do homem ao amor de Deus e de Cristo. esta unidade decorre do plano de Deus. 6 . Em Jesus Cristo encontramos a resposta que devemos dar através do amor aos irmãos. A comunidade de Jesus surgiu da Páscoa mediante a ação do Espírito do Ressuscitado. Deve ser um amor efetivo. 11-20). pois. é o vínculo da perfeição. A fé que é poderosa e capaz de fazer milagres. eficaz. b) 4. o bem de uns é comunicado aos outros. vive no amor do Pai como Cristo vive no amor do Pai. “Há um só Senhor” (Ef 4. o amor do cristão deve ser generoso. (cf. O CIC 946 diz que este artigo “creio na comunhão dos santos” é uma explicitação do anterior “creio na Igreja” e acrescenta: “Que é a Igreja senão a assembléia de todos os santos?”. 22). 37-40). Encontramos a solidariedade já no AT. 5-11). 28. Esta comunidade nos é narrada por Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos e nos faz três relatos: a) 2. O Apóstolo Paulo insiste na unidade que deve haver. 42-46.Este amor de Deus aos homens tem conseqüências para a vida: é preciso imitá-lo nas relações com o próximo. Col 3. feito de obras. A solidariedade cristã e a Igreja como Povo de Deus e Corpo de Cristo. A fonte e o modelo é o amor de Cristo e o modelo de unidade é a que existe entre o Pai e o Filho (cf JO 17.. sendo ele mesmo a Cabeça deste Novo Povo (At 20. Como o amor de Deus. 15). É nele que encontramos Deus com segurança (cf. O amor resume a lei e os profetas (cf. Mt 22.26). Assim é necessário pensar que há uma comunhão de bens na Igreja onde o mais importante membro é o mesmo Jesus Cristo. 31) porque nele está a plenitude da lei.. para São Paulo é manifestá-lo até chegar aos inimigos. Viver no amor. 20-23. No dia do juízo final o que nos deixa confiantes é o amor para com os irmãos. 1 JO 3. é superior a todos os carismas (cf. 5-6) e nela há lugar para todos (Gl 3. 2). 1 Jo 4. Esta comunicação na Igreja se faz através dos Sacramentos (CIC 946-947)”. quando Deus escolhe um Povo e com ele faz uma aliança que reforça a solidariedade entre os que formam este povo.28). seria uma força acorrentada sem o amor. gratuito. 1 cor 12. fundando o Novo Povo em seu sangue. Rm 5. O amor é o primeiro fruto do Espírito (cf. “Uma vez que todos formamos um só corpo.”. 12-14). que une e sustenta todas as atitudes cristãs (cf. Gal 5. 6). Sem o amor. é imitação do amor de Cristo. A esperança não falha porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. Gal 5. O amor fraterno é a manifestação do amor que o Pai nos mostrou no dom de seu Filho. No Credo confessamos que cremos na Igreja e depois acrescentamos. “Vivei no amor como Cristo viveu no amor do Pai e se entregou por vós” (Ef 5.32-35. Santa Teresinha encontrou no amor todas as vocações. 11-16. c) 5. (cf.

Nestes textos se constata uma atitude peculiar. até o sacrifício da própria vida na cruz. Apesar de todas as diferenças vivem um amor tão profundo que todos se sentem um só. 22-23). 1 Cor 3. É uma virtude que não olha somente os bens materiais (cf. CIC 1939). morto e ressuscitado. vivida pelos irmãos que surgiram da Páscoa: tudo o que cada um possui. A verdadeira koinonia supõe. A verdadeira riqueza cristã está na capacidade de compartilhar. números 949-953. em primeiro lugar. “Ninguém vive para si e ninguém morre para si mesmo. A caridade não procura seu próprio interesse (1 Cor 13. composta de diferentes raças. vivia uma vida de verdadeira koinonia.44) e “ninguém considerava como seus os bens que possuíam”.Nestes relatos vemos a vida que surpreendia e desconcertava a quantos observavam. verdadeira comunhão de vida. em primeiro lugar. por Ele. mas nós somos de Cristo e Cristo é de Deus (cf. mas tinham tudo “em comum” (At 4. A passagem. e. da solidariedade (cf. Comunhão da caridade. O CIC fala da comunhão dos Sacramentos. é colocado ao serviço de todos.24)”. depois da Páscoa se reunia para expressar sua fé em Jesus e mostrar o caminho que Ele seguiu. 4. cf. 7 . 10. é uma exigência da fraternidade humana e cristã (cf.5. modelo de verdadeira Igreja. aparece no episódio do encontro de Cristo com Zaqueu. mas o entregou por nós (Rm 8. mediante a ação do Espírito Santo. A comunhão com o Senhor o levou a uma transformação de sua mente e foi quando ele e sentiu a necessidade da justiça. unidos em comunhão de vida com Deus Pai de quem todos são filhos. Cada carisma é para a utilidade de todos. O princípio da solidariedade. A solidariedade. Tratava-se do fato concreto da comunidade de Jesus. 42). autêntica comunhão de vida e de bens (At 2. Lucas coloca em relevo o que seria impossível com base na pura sociologia apesar de se tratar do Povo de Deus. “Solidariedade é também compartilhar o que cremos”. tem seu fundamento na consciência de pertencermos à mesma família.32). abrir-se ao próximo. Esta comunidade fundada por Jesus. que se sente motivada pela entrega que Jesus fez de todo o seu ser. A comunidade de Jerusalém.” A verdadeira koinonia supõe também comunhão de almas e corações.A fé de cada um é a fé da Igreja que se enriquece quando se partilha. Todos os Sacramentos nos unem a Deus. Esta partilha ou solidariedade não se funda sobre uma amizade natural. A comunidade de bens é simples conseqüência da profunda comunhão no Espírito. fala da comunhão de fé. a família de Jesus. At 2. do egoísmo e injustiça para a justiça e a partilha. que é o Espírito da união. e. com o Pai e com os irmãos. com Deus Filho humanado. de quem são irmãos e com o Espírito Santo. Lc 19). Com a expressão “uma só alma e um só coração”. Se vivemos é para o Senhor que vivemos e se morremos é para o Senhor que morremos (Rm 14. “Entre eles não havia necessitados” (cf. de modo que os bens “pessoais” se tornam “comuns” por livre disposição da pessoa.32). que não poupou seu próprio Filho. em seguida. expressão de comunhão. “Subo ao meu Pai e vosso Pai. mas se funda no comportamento de Deus Pai para com todos. uma intensa comunhão com Cristo. Comunhão dos carismas.(cf.7). CIC 1942). O cristão é um administrador dos bens do Senhor. O CIC. 34-35). chamada também de caridade social. convencidos de que tudo é nosso.

Foram surgindo as mais diversas iniciativas como manifestação concreta de solidariedade. que será plena no fim dos tempos. Somos convidados a viver como família de Deus. Uma experiência de fraternidade universal vai adquirindo dimensões cada vez maiores e necessariamente se transforma em comunhão de amor com todos e em participação fraterna. unindo forças. O amor cristão está intimamente ligado à ação (cf. As mudanças rápidas que ocorrem no mundo trazem uma carga de insegurança muito grande. Uma nova ordem internacional deve nascer diz o Vat II e Paulo VI. 1 JO 3. defender e promover a pessoa humana com todos os seus direitos. Em primeiro lugar torna-se necessário o desprendimento de modos de pensar e de ser. Caminhos concretos de uma ação solidária. Somos convidado a fazer experiência de conversão por meio de um despojamento que gere compromisso. sem pensar em outros lugares. como o inspirador das mudanças sociais. Linhas da espiritualidade da solidariedade. É preciso estar disponíveis para viver novos estilos de organização e de convivência social que 8 . pequenas parcelas de cada um. Desafios da solidariedade eficaz. cuja finalidade é levar os cristãos ao conhecimento do significado hoje de sua missão no mundo. Na luta para uma sociedade mais justa. O documento de Puebla fez um grande levantamento. em 1967 criou a Pontifícia Comissão de Justiça e Paz. A solidariedade cristã no mundo atual. Desde o início do cristianismos os cristãos não se contentavam em anunciar o Evangelho do amor. A nova face da solidariedade cristã estimula a busca constante de novas formas. O trabalho no sentido de se conseguir mais solidariedade humana e cristã nos permite perceber a ação de Deus na história. 18). Jesus Cristo. foi crescendo a consciência que a fé tem que encontrar expressões concretas. denunciando as injustiças. as obras. A koinonia cristã sempre procurou ser vivida de acordo com as circunstâncias de cada época. mas se esforçavam por vivê-lo na fraternidade. institucionalizar-se.III. A esperança orienta e sustenta os esforços feitos para viver como família de Deus que manifesta a koinonia. Deus aparece conduzindo para metas novas e por caminhos nem suspeitados anteriormente. mostrando as grandes necessidades em que se encontra a pessoa humana. A experiência de Deus como Senhor da história faz surgir a esperança. A solidariedade que o amor cristão exige não se encerra nos estreitos limites de nacionalismos exagerados ou de regionalismos mal entendidos. especialmente na América Latina. Afinal. Ele aparece guiando-a internamente. no seu interior. Hoje os meios de solidariedade são cada vez mais escassos se olharmos individualmente e por isso torna-se necessário unir-se.

Não é cristão pensar que se eu não vou também não vou ajudar aos outros. sentimos o gosto desta realidade. Imaginemos se cada um desse um real de solidariedade. É uma única família.000 pessoas. setembro. Quantas pessoas poderiam fazer sua inscrição? Imaginemos fazer isso alguns meses! Precisamos nos mentalizar e converter para a solidariedade. Mas. em 2005 acontecerá o 18º_ curso ecumênico promovido pelo Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e Educação Popular(CESEP). Nos encontros fora do nosso país e até mesmo no nosso país. dias 10-22 de janeiro de 2005 9 . não poderão.favoreçam maior justiça e respeito à dignidade humana e isto supõe renúncias a situações de privilégios pessoais ou de grupos. Entre eles está o nosso próximo encontro de Lurdes em 2006. Essa prática já nos é familiar. Ao despojamento se deve unir o compromisso. existem momentos extraordinários. Há casais que podem fazer e fazem muito pelo Movimento e que se não for pela solidariedade. somos uns 30. mas queremos que todos estejam representado por uma forma de participação que é a solidariedade. Não é um encontro para os que podem. presente em todo o mundo (73 países). devemos investir. Talvez poderíamos nos questionar se somos fiéis e coerentes.Paulo no Cesep. abordando o tema: “Educar para a justiça. Somos a grande família. È bom termos em consideração que o tema da CF de 2005 é justamente “Educar para a Solidariedade e a Paz”. Não devemos apenas nos sentir representados porque somo do Movimento. Também. Existem muitas formas de eu estar presente. No Brasil. A verdadeira caridade me torna feliz pensando que alguém está lá também com a minha gotinha de suor ou melhor dizendo com minha gotinha de amor feito solidariedade. Todos estaremos presentes através daqueles que lá estarão. a solidariedade e a paz” em S. as tristezas e as angustias dos homens. No Movimento das ENS Nós formamos uma grande comunidade cristã. É o encontro internacional do Movimento. De quem esperamos retorno. onde tudo é colocado em comum e dividido para todas as necessidades. é preciso aceitar os questionamentos e que todos se empenhem em trabalho solidário para a transformação das estruturas injustas e desumanas. Não é suficiente experimentar as alegrias e esperanças. A solidariedade é uma prática que acontece com a nossa contribuição mensal.

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