A Solidariedade

Primeira reunião da Super Região Brasil após a posse no Colegiado Nacional ocorrida dia 28.08.04 Itaici -SP Dias 10-11-12 de setembro 2004

“Deus é amor”
(1 JO 4, 16)

INTRODUÇÃO Esta verdade é o coração da fé cristã. A caridade é o coração do Evangelho, o caminho mais inteligível e eficaz da evangelização, especialmente hoje, que são mais estimados os testemunhos do que os mestres, e os mestres serão acreditados se forem testemunhos.E não podemos ser testemunhas da fé em Deus, em Jesus Cristo se não buscamos viver uma relação fraterna com todos, especialmente com os mais excluídos.(As citações bíblicas são muitas). A fraternidade é a marca do cristianismo. “Vejam como eles se amam”, diziam os que viam as primeiras comunidades cristãs. Tentativa de definição de Solidariedade. O primeiro passo para falar de solidariedade, penso que seja definir, ou tentar descrever, o que é solidariedade. Parece ser um dos sinais dos nossos tempos, este fenômeno maravilhoso, chamado solidariedade, e acontece nos mais diferentes níveis da vida e das necessidades humanas. O Vat II, no Decreto “Apostolicam actuositatem”, sobre o apostolado dos leigos, número 14, diz assim: “Entre os sinais mais alvissareiros de nosso tempo, pode-se enumerar o crescente e decisivo sentimento de solidariedade entre todos os povos”. Diante de necessidades materiais o nosso povo é muito sensível. É um fenômeno maravilhoso, ver pessoas das mais diferentes nacionalidades, raças e níveis sociais, se unirem para um mesmo objetivo: olhar para a pessoa humana em necessidade. O conceito, “solidariedade” tem uma história bastante longa e que foi tendo um crescimento e um enriquecimento progressivo ao longo do tempo. Contribuíram muito neste sentido os meios de comunicação social (MCS), mostrando ao mundo as mais diferentes necessidades e situações concretas do ser humano e colocando as pessoas em contato imediato, permitindo compreender melhor que somos e formamos uma só família humana. Podemos quase dizer, que, a solidariedade se tornou como que, o lado visível do amor invisível, ou como diz Bocos Merino, A., a solidariedade se tornou “uma categoria secularizada da caridade”. Se me permitem, eu diria que a solidariedade é o amor divino mostrando seu rosto, encarnando-se na pessoa humana, tanto para quem a recebe como para quem a pratica; é o amor de Deus que se encarna para se encontrar com a pessoa humana. Toda pessoa humana, mas especialmente o pobre e necessitado é uma oportunidade que Deus me oferece para que Ele, Deus, possa se revelar e possa agir através de mim.

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consiste em “saber compartilhar o que somos. É a partir deste encontro que surge o compromisso. O homem existe para se relacionar: com Deus. com os mesmos direitos e a mesma dignidade. Em sua totalidade. Mt 18. JO 1.O Evangelho nos ensina que a glória do homem não consiste nem nas riquezas e nem no poder. Este requisito da caridade. 21-23) e de um modo mais perfeito. Um relacionamento sadio acontece assim. 38). E a pessoa humana é um ser de relações. o Senhor está conosco. Jo 20. A solidariedade podemos considerá-la segundo os diferentes pontos de vista. O Papa repete sempre:”Não tenham medo” . Onde encontraremos esse Cristo? Basta abrir o coração ao desafio do amor deste mesmo Jesus e veremos que o encontramos de tantas maneiras. 1) e nas maravilhas da criação( cf. aberto às relações com os outros. na sua palavra (cf. diante do mundo material. dentro de nós mesmos(cf. pelo bem de cada um. O Direito Romano dá à solidariedade um sentido de obrigatoriedade moral. isto é. sempre que nos reunimos em seu nome(cf. como fez Jesus. que veio para servir e dar a sua vida. a solidariedade. mas sim na capacidade de oferecer e de servir. sinto-me filho. o conceito de solidariedade depende basicamente da idéia que se tem da pessoa humana. sinto-me senhor e diante dos outros. Sua presença em nosso caminho nos enche de esperança e de coragem. a solidariedade. 2 . Jo 6. (Sollicitudo rei socialis. 40). mas define a solidariedade como “uma firme e perseverante determinação de se empenhar pelo bem comum. Eu entro em comunhão com o outro se vejo nele um semelhante a mim. Deste enfoque jurídico se foi passando para outros enfoques. 20). segundo as palavras da Escritura. “Cada pessoa e cada grupo humano desenvolve sua identidade no encontro com os outros” (SD 279). 20). porque todos somos responsáveis por todos”. hoje é praticada em todas as relações humanas. O Papa João Paulo II “define” a solidariedade. no nosso próximo(cf. sinto-me irmão. um ser humano. Nestes diferentes enfoques foram se destacando alguns aspectos do homem. não como um sentimento de terna compaixão pelos males de tantos. Vários indivíduos com um compromisso moral diante de um objetivo único e idêntico que os comprometia na responsabilidade coletiva. 23). como filosófico. O Sínodo dos Bispos da América afirmava que a solidariedade é um requisito da caridade e que nasce de um verdadeiro encontro com Cristo. no Sacramento da Reconciliação(cf. Numa palavra. Em primeiro lugar. Mt 25. o que acreditamos e o que temos”. Diante de Deus. sociológico antropológico. Onde encontraremos este Cristo e Senhor? Jesus Cristo enviou o Espírito Santo para fazer novas todas as coisas. JO 14. onde o consideramos como indivíduo. na Eucaristia( cf. social e teológico. Rm 1. podemos dizer. com o mundo e com os outros seres humanos. para renovar a face da terra. ide ao seu encontro. 51ss).

A origem e o destino comum chama à caridade e à solidariedade com aqueles com quem eu compartilho a origem e o destino. Cristo ao assumir a natureza humana. meu Senhor. “Desde o início da história da salvação. Eu não cresço independentemente dos outros e sem os outros. não individualmente. LG 9). e.7-12)” e com ele fez a aliança no Sinai para manifestar esse seu desígnio. quando diante do mundo se sente senhor e não escravo e quando diante dos outros se sente irmão e não um competidor(cf. 3 . mas em comunidade (cf. uniu todos os homens em profunda solidariedade. Deus não criou o homem para viver isoladamente. Na revelação bíblica Deus se revela como alguém que quer nos fazer filhos seus e quer que nossas relações com Ele sejam de filhos. Ninguém pode se aproximar de Deus sem se sentir levado ao encontro com os irmãos. O objetivo último da vida humana é a solidariedade perfeita na eternidade e desta solidariedade fazemos um ensaio neste mundo. como uma expressão da Koinonia cristã: comunhão com Deus e com o próximo. mas para formar comunidade. 8) comunicando o Espírito Santo que os torna capazes de amar a Deus e aos irmãos (cf. “Não é bom que o homem fique só” (Gen 1.”Existe uma solidariedade entre todas as criaturas pelo fato de terem todas o mesmo Criador. mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”. Como filhos. evangélica. tornando-os irmãos (cf. A Igreja. nem meu crescimento pode ser desligado do crescimento dos outros. Deus quer que o homem viva em comunhão com ele e com tudo o que é dele. a marca é a responsabilidade de uns com os outros e não o fatalismo. e de todas estarem ordenadas à sua glória” (CIC 344) Vejam o Cântico de São Francisco: Louvado sejas.27). A terra prometida é para o seu povo. O caráter comunitário e solidário da história da salvação se aperfeiçoa em Jesus Cristo. por melhores que fossem aos seus olhos. Este projeto começa se realizar quando o homem diante de Deus se sente filho. A solidariedade cristã nasce do mesmo Deus e tem sua raiz no grande projeto que Deus tem sobre a pessoa humana. sua obra e sua doutrina. a marca é a confiança e como irmãos. Mt 23. P 322). guiado por Moisés. é nele “um sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano” (cf. continuadora da obra de Cristo. A exigência da solidariedade é bíblica. É a meta final que gera dinamismo e que lança a pessoa humana para a ação.O ponto de partida para uma autêntica solidariedade entre as pessoas é a consciência da origem comum. com todas as criaturas (CIC 344). Deus quer salvar o seu povo. A fonte da solidariedade. assim. Rm 5. à terra prometida. 5). do destino comum. 1 Cor 15. Chamou” seu povo “(Ex 3. Deus sempre fala do “seu povo” e nunca de pessoas em particular. LG 1) até que Deus seja tudo em todos (cf. Deus encara os seres humanos como membros de uma comunidade e não apenas individualmente. (GS 32). É olhando para o Cristo servidor que descobrimos o seu amor à humanidade. A solidariedade se apresenta. Deus conduziu o seu povo. “Tudo é vosso.28). com sua Encarnação.

se são humanos. dons de Deus. a que se propõem viver os discípulos de Jesus. 1 Jo 1. “os bens”. conduzido pelo egoísmo dos homens. O Papa Paulo VI. 30). cf. II. 1-4). 4 .Sem Jesus Cristo. GS 4043). o amor de Deus que nos transforma. nunca haverá comunhão perfeita. o amor liberta”. não são sonhos. anseia ser libertado para ser colocado ao serviço da comunhão. num gesto de solidariedade para fazer brotar uma sociedade justa e humana. “O egoísmo escraviza. mas deveres”. os conflitos e a corrida ao armamento. O evangelista João. 7. Por estas e muitas outras razões. Este mundo criado por Deus. em mim e eu em Ti.75. se são autênticos. Ef 2. Existe um texto chave sobre a vida de comunhão com Deus e com a comunidade humana e cristã. e esta conversão desabroche em generosa solidariedade. O homem deve passar do uso daquilo que o aliena. línguas. são os grandes sinais reveladores de uma fraternidade ferida e uma solidariedade ainda distante e pouco ou mal compreendida.13. Foi Jesus Cristo quem nos salvou com um gesto da solidariedade para que nós vivamos também a solidariedade. que cada um recebeu neste mundo são como que “o lugar” de encontro com o mesmo Deus e com os irmãos. Que as relações entre o Pai e o Filho “são como que o arquétipo das relações entre Cristo e os cristãos”. dizíamos no ano 1973. As relações do homem com o mundo também estão presentes no projeto de Deus.26-28. Pai. que causa de tantas divisões. devem nos inquietar e comprometer. dizia a todos os brasileiros: Nesta quaresma busquem a conversão com um maior empenho: na oração e na penitência. Gal 3. sendo deveres. em 31. no décimo ano da Campanha da Fraternidade. criada à sua imagem: “Como Tu. possibilita e facilita a vida solidária entre todos. o ódio. às vezes leva a oprimir os outros para o uso da liberdade que o faz compartilhar as coisas com os irmãos. Fl 2. 15) não teríamos recuperado a nossa dignidade de filhos de Deus. 11-21. torna-se necessariamente comunhão de amor com os outros. Sem solidariedade.12. E. As guerras. dizia: “Os ideais. nacionalidades e nem classes sociais (cf. Segundo o plano de Deus. A Koinonia: Utopia cristã. 5. que se despojou a si mesmo e assumiu a condição de servo (cf. hoje as barreiras mais fortes de separação (cf. o Filho de Deus.14). pela participação e fraterna solidariedade. P 327). especialmente nos bens materiais. Hb 4. que eles sejam um em Nós” (Jo 17. Afirma Dodd Ch. A união entre os filhos de Deus “deve ser uma unidade como a que existe entre o Pai e seu Filho Jesus. Paulo VI. o escraviza e. 10. Sem a solidariedade de Jesus Cristo. 19-22. procurando umas fundamentações bíblicas da comunhão. a situação dos homens era a separação. A solidariedade cristã tem seu fundamento na koinonia ou comunhão que temos com Deus e com os irmãos que Jesus Cristo nos comunica e que nós devemos testemunhar (cf. onde não mais existem as distinções de raças. cf. em sua mensagem de abertura da CF de 1973. no amor solidário (cf. Rm 8. É nossa condição de filhos de Deus e de irmãos que nos permite. volta à Família e Comunidade originais: A Ssma Trindade.

são constituídos pela filiação divina e conseqüentemente pela fraternidade. o evangelista contempla as manifestações de Deus. * Entre estes conceitos destaca-se o conceito “Conhecer Iahweh”. Dt 5. com o indiscutível dever da solidariedade. II. Toda revelação divina. e reflete. AT e NT. aparece como principal obra de amor a Deus. Essa comunhão não é um alvo inatingível.Neste texto. 7). No NT. 2-21). * No Deuteronômio. a observância dos seus mandamentos. temos a mesma doutrina. 5 . Os vínculos que unem os seguidores de Jesus. apontam para esta meta e coloca as exigências. às relações com o próximo (cf. com o significado de “julgar a causa do humilhado e do pobre” (Jr 22. Os profetas expressam de muitas maneiras a experiência de Deus no amor eficaz e concreto ao próximo. 1 Jo 1. 3 10-18). A comunhão entre as pessoas divinas é o único caminho a ser seguido pelos filhos de Deus e irmãos em Jesus Cristo.16. uma real comunhão com Deus. a fé e o amor. ainda que a plenitude seja no reino definitivo. que nada mais é do que a mesma vida de comunhão que o Pai e o Filho vivem no Espírito Santo de amor. especialmente sobre o grande dom que o Pai nos fez de seu Filho (Jo 3.8). O amor a Deus aparece como fruto e expressão do amor ao próximo. Mq 6. “a religião autêntica ou religião interior”. É um compromisso na relação com o próximo. ou se é apenas experiência imaginária e vazia de conteúdo real (cf. os quais se referem. Jesus começa sua missão na Galiléia despertando o interesse dos seus ouvintes sobre a paternidade de Deus em relação aos homens (Mt 5. partindo da vida concreta e que se constituem como critérios para discernir a autenticidade da experiência de comunhão com Deus. que na verdade são exigências do amor cujo objeto é Deus e o próximo. * Outra idéia. mostram a experiência de fé como experiência que compromete com a vida. 1-4. em grande parte. deve ser uma realidade já presente. os que praticam uma religião autêntica. na experiência da vida fraterna. João escreve seu Evangelho e suas Cartas a partir de uma experiência de fé do que é a comunhão com Deus. AT e NT. O amor aos irmãos sempre se apresenta na Escritura como o caminho para a experiência de Deus e como a expressão de sua autenticidade. Encontramos vários conceitos nos livros proféticos. 16) e chega à feliz conclusão que “Deus é amor”. são os critérios que possibilitam ver se existe ou não. Para João. mostrando que pertencemos a uma única família em que todos temos Deus como Pai e que todos. sua maneira de agir na história. Koinonia com Deus na Koinonia com os irmãos. portanto somos irmãos. À luz da fé. João tenta realçar a absoluta originalidade da vida de comunhão entre os cristãos.

11-20). O amor resume a lei e os profetas (cf.. por ser a Cabeça. quando Deus escolhe um Povo e com ele faz uma aliança que reforça a solidariedade entre os que formam este povo. 12-14). “Vivei no amor como Cristo viveu no amor do Pai e se entregou por vós” (Ef 5. Encontramos a solidariedade já no AT. é imitação do amor de Cristo. é superior a todos os carismas (cf. 42-46. (cf. b) 4. esta unidade decorre do plano de Deus. 5-6) e nela há lugar para todos (Gl 3. é o vínculo da perfeição. 18). No dia do juízo final o que nos deixa confiantes é o amor para com os irmãos. que une e sustenta todas as atitudes cristãs (cf. 6). O amor fraterno é a manifestação do amor que o Pai nos mostrou no dom de seu Filho.. A fonte e o modelo é o amor de Cristo e o modelo de unidade é a que existe entre o Pai e o Filho (cf JO 17. Esta comunidade nos é narrada por Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos e nos faz três relatos: a) 2. Ef 4. É nele que encontramos Deus com segurança (cf. O CIC 946 diz que este artigo “creio na comunhão dos santos” é uma explicitação do anterior “creio na Igreja” e acrescenta: “Que é a Igreja senão a assembléia de todos os santos?”.Este amor de Deus aos homens tem conseqüências para a vida: é preciso imitá-lo nas relações com o próximo. 28. seria uma força acorrentada sem o amor. 20-23. gratuito. c) 5. “Tive fome e me destes de comer. 31) porque nele está a plenitude da lei. Em Jesus Cristo encontramos a resposta que devemos dar através do amor aos irmãos. eficaz.32-35. O amor é o primeiro fruto do Espírito (cf. Deve ser um amor efetivo. Assim é necessário pensar que há uma comunhão de bens na Igreja onde o mais importante membro é o mesmo Jesus Cristo. 37-40).26). A comunidade de Jesus surgiu da Páscoa mediante a ação do Espírito do Ressuscitado. A fé que é poderosa e capaz de fazer milagres. 2). Viver no amor. 1 Jo 4. pois. Col 3. Santa Teresinha encontrou no amor todas as vocações. Como o amor de Deus. fundando o Novo Povo em seu sangue. No Credo confessamos que cremos na Igreja e depois acrescentamos. 22). Mt 22. “Uma vez que todos formamos um só corpo. “Há um só Senhor” (Ef 4. Quem pratica o amor. o bem de uns é comunicado aos outros. 11-16. O amor ao próximo é a resposta do homem ao amor de Deus e de Cristo.28). 15). Gal 5. A solidariedade cristã e a Igreja como Povo de Deus e Corpo de Cristo. 6 .”. Assim o bem de Cristo é comunicado a todos os membros. 1 JO 3. cremos na comunhão dos santos. para São Paulo é manifestá-lo até chegar aos inimigos. “A comunhão dos santos é precisamente a Igreja”. (cf. Esta comunicação na Igreja se faz através dos Sacramentos (CIC 946-947)”. 5-11). Rm 5. o amor do cristão deve ser generoso. feito de obras. Gal 5. vive no amor do Pai como Cristo vive no amor do Pai. Uma Nova Aliança é anunciada pelos profetas e realizada por Cristo. todos os carismas perderiam sua força e seu sentido. 1 cor 12. O Apóstolo Paulo insiste na unidade que deve haver. sendo ele mesmo a Cabeça deste Novo Povo (At 20. Sem o amor. A esperança não falha porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf.

A caridade não procura seu próprio interesse (1 Cor 13.Nestes relatos vemos a vida que surpreendia e desconcertava a quantos observavam. tem seu fundamento na consciência de pertencermos à mesma família. modelo de verdadeira Igreja. 1 Cor 3. cf.24)”. Se vivemos é para o Senhor que vivemos e se morremos é para o Senhor que morremos (Rm 14. composta de diferentes raças. que é o Espírito da união. em primeiro lugar. Apesar de todas as diferenças vivem um amor tão profundo que todos se sentem um só. Lc 19). até o sacrifício da própria vida na cruz.32). A comunidade de bens é simples conseqüência da profunda comunhão no Espírito. Cada carisma é para a utilidade de todos. com o Pai e com os irmãos. Esta partilha ou solidariedade não se funda sobre uma amizade natural. do egoísmo e injustiça para a justiça e a partilha.(cf. 22-23). Esta comunidade fundada por Jesus. fala da comunhão de fé. 7 . É uma virtude que não olha somente os bens materiais (cf. abrir-se ao próximo. verdadeira comunhão de vida. mas nós somos de Cristo e Cristo é de Deus (cf.44) e “ninguém considerava como seus os bens que possuíam”. é uma exigência da fraternidade humana e cristã (cf. “Solidariedade é também compartilhar o que cremos”. O cristão é um administrador dos bens do Senhor. mas se funda no comportamento de Deus Pai para com todos. em seguida. A passagem. O princípio da solidariedade. de quem são irmãos e com o Espírito Santo. mas tinham tudo “em comum” (At 4. a família de Jesus. mediante a ação do Espírito Santo. A comunhão com o Senhor o levou a uma transformação de sua mente e foi quando ele e sentiu a necessidade da justiça. O CIC fala da comunhão dos Sacramentos. mas o entregou por nós (Rm 8.5. Tratava-se do fato concreto da comunidade de Jesus. da solidariedade (cf. A verdadeira riqueza cristã está na capacidade de compartilhar. chamada também de caridade social. O CIC. Comunhão da caridade. autêntica comunhão de vida e de bens (At 2. At 2. expressão de comunhão. depois da Páscoa se reunia para expressar sua fé em Jesus e mostrar o caminho que Ele seguiu. de modo que os bens “pessoais” se tornam “comuns” por livre disposição da pessoa. A solidariedade.32). “Subo ao meu Pai e vosso Pai. CIC 1942). CIC 1939). Lucas coloca em relevo o que seria impossível com base na pura sociologia apesar de se tratar do Povo de Deus. unidos em comunhão de vida com Deus Pai de quem todos são filhos. Comunhão dos carismas. 4. e. A comunidade de Jerusalém. uma intensa comunhão com Cristo.7). Todos os Sacramentos nos unem a Deus. com Deus Filho humanado. 34-35).” A verdadeira koinonia supõe também comunhão de almas e corações. 42). por Ele. “Ninguém vive para si e ninguém morre para si mesmo. que se sente motivada pela entrega que Jesus fez de todo o seu ser. Nestes textos se constata uma atitude peculiar. morto e ressuscitado. aparece no episódio do encontro de Cristo com Zaqueu. convencidos de que tudo é nosso. vivida pelos irmãos que surgiram da Páscoa: tudo o que cada um possui. Com a expressão “uma só alma e um só coração”.A fé de cada um é a fé da Igreja que se enriquece quando se partilha. “Entre eles não havia necessitados” (cf. 10. números 949-953. A verdadeira koinonia supõe. e. vivia uma vida de verdadeira koinonia. é colocado ao serviço de todos. em primeiro lugar. que não poupou seu próprio Filho.

no seu interior. denunciando as injustiças. Na luta para uma sociedade mais justa. cuja finalidade é levar os cristãos ao conhecimento do significado hoje de sua missão no mundo. O amor cristão está intimamente ligado à ação (cf. Afinal. Desde o início do cristianismos os cristãos não se contentavam em anunciar o Evangelho do amor. especialmente na América Latina. É preciso estar disponíveis para viver novos estilos de organização e de convivência social que 8 . O trabalho no sentido de se conseguir mais solidariedade humana e cristã nos permite perceber a ação de Deus na história. Linhas da espiritualidade da solidariedade. 18). As mudanças rápidas que ocorrem no mundo trazem uma carga de insegurança muito grande. as obras. em 1967 criou a Pontifícia Comissão de Justiça e Paz. A nova face da solidariedade cristã estimula a busca constante de novas formas. Somos convidados a viver como família de Deus. Uma experiência de fraternidade universal vai adquirindo dimensões cada vez maiores e necessariamente se transforma em comunhão de amor com todos e em participação fraterna. Deus aparece conduzindo para metas novas e por caminhos nem suspeitados anteriormente. mostrando as grandes necessidades em que se encontra a pessoa humana. como o inspirador das mudanças sociais. A solidariedade que o amor cristão exige não se encerra nos estreitos limites de nacionalismos exagerados ou de regionalismos mal entendidos. mas se esforçavam por vivê-lo na fraternidade. A experiência de Deus como Senhor da história faz surgir a esperança. foi crescendo a consciência que a fé tem que encontrar expressões concretas. institucionalizar-se. A solidariedade cristã no mundo atual. unindo forças. sem pensar em outros lugares. 1 JO 3. defender e promover a pessoa humana com todos os seus direitos. O documento de Puebla fez um grande levantamento. Caminhos concretos de uma ação solidária. A esperança orienta e sustenta os esforços feitos para viver como família de Deus que manifesta a koinonia.III. Em primeiro lugar torna-se necessário o desprendimento de modos de pensar e de ser. Foram surgindo as mais diversas iniciativas como manifestação concreta de solidariedade. pequenas parcelas de cada um. Somos convidado a fazer experiência de conversão por meio de um despojamento que gere compromisso. que será plena no fim dos tempos. Desafios da solidariedade eficaz. Uma nova ordem internacional deve nascer diz o Vat II e Paulo VI. Jesus Cristo. Ele aparece guiando-a internamente. Hoje os meios de solidariedade são cada vez mais escassos se olharmos individualmente e por isso torna-se necessário unir-se. A koinonia cristã sempre procurou ser vivida de acordo com as circunstâncias de cada época.

Não devemos apenas nos sentir representados porque somo do Movimento. Não é suficiente experimentar as alegrias e esperanças. Entre eles está o nosso próximo encontro de Lurdes em 2006. onde tudo é colocado em comum e dividido para todas as necessidades. Existem muitas formas de eu estar presente. Todos estaremos presentes através daqueles que lá estarão. a solidariedade e a paz” em S. abordando o tema: “Educar para a justiça. A verdadeira caridade me torna feliz pensando que alguém está lá também com a minha gotinha de suor ou melhor dizendo com minha gotinha de amor feito solidariedade. devemos investir. Há casais que podem fazer e fazem muito pelo Movimento e que se não for pela solidariedade. Não é um encontro para os que podem. É o encontro internacional do Movimento. É uma única família. somos uns 30. dias 10-22 de janeiro de 2005 9 . Somos a grande família. A solidariedade é uma prática que acontece com a nossa contribuição mensal. Quantas pessoas poderiam fazer sua inscrição? Imaginemos fazer isso alguns meses! Precisamos nos mentalizar e converter para a solidariedade. De quem esperamos retorno. Imaginemos se cada um desse um real de solidariedade. Também. Ao despojamento se deve unir o compromisso. sentimos o gosto desta realidade.favoreçam maior justiça e respeito à dignidade humana e isto supõe renúncias a situações de privilégios pessoais ou de grupos. Mas. No Brasil. as tristezas e as angustias dos homens. Não é cristão pensar que se eu não vou também não vou ajudar aos outros.Paulo no Cesep. Nos encontros fora do nosso país e até mesmo no nosso país. mas queremos que todos estejam representado por uma forma de participação que é a solidariedade. È bom termos em consideração que o tema da CF de 2005 é justamente “Educar para a Solidariedade e a Paz”. Talvez poderíamos nos questionar se somos fiéis e coerentes. Essa prática já nos é familiar. é preciso aceitar os questionamentos e que todos se empenhem em trabalho solidário para a transformação das estruturas injustas e desumanas. existem momentos extraordinários.000 pessoas. não poderão. No Movimento das ENS Nós formamos uma grande comunidade cristã. presente em todo o mundo (73 países). setembro. em 2005 acontecerá o 18º_ curso ecumênico promovido pelo Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e Educação Popular(CESEP).

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