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Fevereiro

2020

FORMAÇÃO

Atualização Fiscal em IRC


– aspetos práticos

DIS1120

Amândio Silva

www.occ.pt
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

FICHA TÉCNICA

Título: Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos

Autor: Amândio Silva

Capa e paginação: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OCC

© Ordem dos Contabilistas Certificados, 2020

Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não
o indicado, sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Contabilistas
Certificados, entidade que detém os direitos de autor.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ÍNDICE
I. NOTA INTRODUTÓRIA 5
II. INCIDÊNCIA 10
III. MODALIDADES DE DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL 28
IV. DETERMINAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL 29
V. TAXAS 79
VI. LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO 82
VII. REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO 89
BIBLIOGRAFIA 103
CASOS PRÁTICOS 105
ANEXOS 125
Anexo I - Modelo 22 - IRC 126
Anexo II - Portaria 1040/2001 de 28 de agosto 192
Anexo III - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigo 23.º - Conceito de Gastos 194
Anexo IV - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigo 6.º - Abrangência do Regime de transparência fiscal... 196
Anexo V - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigo 23.º - Deslocações ao estrangeiro de sócios gerentes 200
Anexo VI - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigos 23.º e 40.º 202
Anexo VII - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigos 28.º-B e 41.º 203
Anexo VIII - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigo 39.º 205
Anexo IX - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigo 43.º 207
Anexo X - Portaria 362/2019 de 09 de outubro 211
Anexo XI - FICHA DOUTRINÁRIA - Artigo 46.º 213
Anexo XII - DEPRECIAÇÃO DE VIATURAS 216

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I. NOTA INTRODUTÓRIA

1. Enquadramento constitucional: a tributação do “rendimento real”

Para compreender devidamente as normas fiscais definidas no Código do IRC há


que atender, em primeiro lugar, ao enquadramento constitucional da tributação das
empresas: a tributação das empresas incide fundamentalmente, sobre o seu rendimento
real (artigo 104.º n.º 2 da Constituição da República Portuguesa).

O legislador constitucional estabeleceu a obrigatoriedade da tributação das


empresas, nas suas mais variadas formas – os vários tipos de sociedades ou as empresas
em nome individual –, de acordo com o seu rendimento real. Mas o que é o rendimento
real?

No contexto histórico da evolução dos impostos sobre o rendimento, a referência à


tributação do lucro “real” opõe-se à tributação do lucro “normal” (consagrado no regime
fiscal anterior para a maioria das empresas1) como tal considerado o rendimento que podia
ser obtido em condições normais de exploração, independentemente dos condicionalismos
económicos que possam afectar a actividade2. Com efeito, neste regime, não se pretendia
tributar um lucro aproximado ao lucro efectivo, mas apenas aquele que seria expectável
num plano puramente teórico-económico e determinável segundo um processo meramente
mecânico.

A tributação do “rendimento real” afasta-se deste mecanismo presuntivo de


rendimento e visa a conformação da tributação à capacidade do sujeito passivo de
imposto. Trata-se da concretização do princípio da capacidade contributiva, pedra basilar
do nosso sistema fiscal. O princípio da capacidade contributiva (embora não tenha
1
O Código da Contribuição Industrial separava os contribuintes em três grupos: A, B e C. Os grupos B e C
eram tributados sobre os lucros presumidos ou normalizados, respectivamente.
2
XAVIER DE BASTOS, “O Princípio de Tributação do Rendimento Real e a Lei Geral Tributária”,
Fiscalidade, n.º 5, 2001, cit., p. 10.

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consagração constitucional expressa) decorre do princípio constitucional da igualdade,


numa dupla vertente: por um lado, todos devem pagar impostos, mas, por outro, todos
devem pagar de acordo com um critério uniforme: a capacidade económica de cada um.

O texto constitucional admite, ainda assim, alguns desvios ao princípio da tributação


pelo lucro real. Recorde-se que, como referimos, a Constituição consagra que a tributação
das empresas incide fundamentalmente (e não, exclusivamente) sobre o seu rendimento
real. Se, por um lado, a expressão “fundamentalmente” visa estabelecer uma obrigação de
apuramento do lucro tributável tendo por base essencialmente o rendimento real; poderá
afirmar-se, por outro lado, que são admitidas correcções ou presunções que, não
correspondendo a uma alteração substancial do rendimento real, o conformem aos
objectivos e princípios do Direito Fiscal.

Este entendimento tem reflexos importantes na configuração concreta do


apuramento do rendimento tributável. O legislador terá que procurar a “justa medida” do
princípio da tributação pelo lucro real. Deve, por isso, exigir-se que as alterações
introduzidas ao princípio da tributação sobre o lucro real sejam justificadas por outros
objectivos da tributação.

De forma a não anular o preceito constitucional, é nosso entender, que os desvios ao


princípio da tributação segundo o rendimento real devem pautar-se pelo cumprimento de
três requisitos cumulativos: (i) as correcções operadas pelo Direito Fiscal não podem
corresponder a alterações profundas que descaracterizem o rendimento real; (ii) o
legislador deve adoptar um critério de estrita necessidade e razoabilidade; (iii) as
correcções devem estar devidamente justificadas e fundamentadas pelos objectivos ou
princípios fiscais.

Veja-se a este respeito os mecanismos de avaliação indirecta previstos no artigo 87.º


e seguintes3 da Lei Geral Tributária que admitem métodos de avaliação indirecta nos casos
de (i) regime simplificado de tributação; (ii) impossibilidade de comprovação e
quantificação directa e exacta dos elementos indispensáveis à correcta determinação da

3
A avaliação indirecta parte de indícios, presunções ou outros elementos de que a administração disponha
para determinação do valor dos rendimentos ou bens tributáveis (n.º 2 do artigo 83.º da LGT).

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matéria tributável; e (iii) a matéria tributável do sujeito passivo se afastar, sem razão
justificada, mais de 30% para menos ou, durante três anos seguidos, mais de 15% para
menos, do que resultaria da aplicação de indicadores objectivos de actividade de base
técnico-científica referidos na presente lei. Estes mecanismos constituem, neste contexto,
excepções ao princípio constitucional da tributação do rendimento real, apenas
admissíveis por impossibilidade de tributação de acordo com as regras de determinação do
rendimento real ou por expressa opção do contribuinte.

Não é, todavia, claro que algumas das soluções consagradas no Código visem
“promover a justiça social, a igualdade de oportunidades e as necessidades de correcções
das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento”, fins consagrados
expressamente no artigo 5.º da LGT, questionando-se, pelo contrário, se algumas dessas
soluções não visam o aumento da receita tout court.

2. Noção de Rendimento: A Teoria do Incremento Patrimonial

No Código do IRC, o legislador nacional adoptou uma noção extensiva de


rendimento, de acordo com a chamada Teoria do Incremento Patrimonial4. Segundo esta
teoria, o rendimento abarca todo e qualquer acréscimo de riqueza do sujeito passivo sem

4
Existem três grandes modelos de rendimento fiscal: (i) o rendimento-produto, que limita o rendimento aos
fluxos periódico de determinada actividade produtiva (fruit of the tree theory), excluindo os ganhos ou
perdas de capital e os proveitos extraordinários ou mais-valias; (ii) o rendimento-consumo que identifica o
rendimento com o fluxo de serviços proporcionados a um sujeito, traduzido pelo consumo; e (iii) o
rendimento acréscimo (também designada Teoria do Incremento Patrimonial) que se traduz na soma do
consumo e do incremento líquido do património (o rendimento corresponderá à soma do consumo com a
riqueza no fim de determinado período subtraindo a riqueza inicial; o rendimento inclui o produto da
actividade do sujeito passivo, as transferências ocasionais, o capital inicial, bem como o consumo e o valor
dos bens duradouros).
A generalidade dos países adoptou o modelo de rendimento acréscimo ainda que adaptado às
particularidades dos objectivos fiscais. Cfr. MANUEL H. DE FREITAS PEREIRA, “A Periodização do
Lucro Tributável”, Ciência e Técnica Fiscal, n.º 349, Janeiro-Março de 1988, pp. 15-28. Cfr. também
TOMÁS DE CASTRO TAVARES, “Da Relação de Dependência Parcial entre a Contabilidade e o Direito
Fiscal na Determinação do Rendimento Tributável das Pessoas Colectivas: Algumas Reflexões ao Nível dos
Custos”, Ciência e Técnica Fiscal, n.º 396, 1999, Lisboa, pp. 41-45.

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diminuição do acervo patrimonial inicial. Deste modo, além do rendimento do produto,


acresce o consumo e o incremento líquido do património5.

Em conformidade com a adopção da Teoria do Incremento Patrimonial, o lucro


tributável abarca toda a variação, quer positiva quer negativa, do património entre
períodos, seja essa variação proveniente da exploração, quer seja extraordinária,
excluindo-se apenas algumas variações expressamente previstas no Código do IRC. Neste
conceito alargado de lucro, estão também as mais-valias e menos-valias que tiverem sido
realizadas.

Sem prejuízo desta forma de apuramento do lucro tributável, a preocupação de


assegurar a continuidade da empresa levou à admissão de mecanismos de exclusão ou
diferimento de parte dessas variações, no caso, por exemplo, do reinvestimento de mais-
valias, dedução de prejuízos fiscais, etc.

3. Do lucro contabilístico ao lucro tributável

A exacta percepção da relação entre a contabilidade e a fiscalidade é fundamental


para a compreensão da sistematização e interpretação das regras fiscais de determinação
do lucro tributável.

No preâmbulo do Código do IRC, o legislador afirmou expressamente que,


incidindo a tributação sobre a realidade económica constituída pelo lucro, a contabilidade,
enquanto instrumento de medida e informação dessa realidade, é, naturalmente, o suporte
na determinação do lucro tributável. Assim, há que “reportar, na origem, o lucro
tributável ao resultado contabilístico ao qual se introduzem, extracontabilisticamente, as
correcções – positivas ou negativas – enunciadas na lei para tomar em consideração os
objectivos e condicionalismos próprios da Fiscalidade” (Cfr. Preâmbulo do Código do

5
Cfr. MANUEL H. FREITAS PEREIRA, “A base tributável do IRC”, in CTF, n.º 360, Out-Dez de 1990, p.
127 e ss. e PAULO PITTA E CUNHA, A Fiscalidade dos Anos 90 (Estudos e Pareceres), Coimbra, 1996, p.
21.

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IRC). A adopção das regras e princípios contabilísticos pelo Direito Fiscal funda-se no
reconhecimento da importância da Contabilidade na mensuração das realidades
económicas e, igualmente, da sua necessária imparcialidade face aos vários utilizadores
dessa informação: sócios, administração, Estado, credores, clientes, fornecedores, público
em geral, etc.

Esta opção manteve-se – e foi até reforçada -com as alterações ao Código do IRC,
introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 159/2009, de 13 de Julho, que adaptou as regras de
determinação do lucro tributável às Normas Internacionais de Contabilidade e Sistema de
Normalização Contabilística.

Temos, assim, a consagração de um modelo de dependência parcial6: o Código do


IRC assume o acervo de princípios e normas contabilísticas para determinação do lucro
tributável, o qual é alcançado tendo por base o lucro contabilístico, mas introduz
expressamente as correcções positivas ou negativas que considera relevantes para a
prossecução dos fins próprios do Direito Fiscal.

6
TOMÁS DE CASTRO TAVARES considera existirem três modelos: a dependência total: o lucro
tributável assume plenamente o rendimento que emerge do balanço; a total autonomia: existe uma rigorosa
separação entre as regras e procedimentos contabilísticos para apuramento do lucro comercial e as regras e
procedimentos fiscais para apuramento do lucro fiscal; e, por fim, uma solução intermédia que identificou
como dependência parcial: o resultado contabilístico é o ponto de partida do lucro tributável que se
submeterá a ajustamentos extracontabilísticos com vista ao apuramento do resultado fiscal. TOMÁS DE
CASTRO TAVARES, Da Relação..., cit., pp. 48 -49

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II. INCIDÊNCIA

1. Incidência pessoal

O Código do IRC começa por definir, (de uma forma bastante ampla) os sujeitos
passivos de imposto, ou seja, sobre quem incide o imposto. De acordo com o artigo 2.º o
imposto vai incidir sobre todas as pessoas colectivas, com ou sem personalidade jurídica,
residentes em território português, bem como as não residentes que aqui obtenham
rendimentos. Para este efeito, consideram-se residentes as pessoas colectivas que tenham
sede ou direcção efectiva em território português.

Assim, são sujeitos passivos de imposto as pessoas coletivas residentes em território


nacional que disponham de personalidade jurídica, nomeadamente as sociedades
comerciais, as sociedades civis, as cooperativas, as empresas públicas e as demais pessoas
colectivas de direito público (Estado, regiões autónomas, autarquias locais, institutos
públicos, associações públicas, etc.) e privado (por exemplo, as associações patronais e
sindicatos).

Mais, são também sujeitos passivos do IRC as entidades sem personalidade jurídica
que tenham sede ou direcção efectiva em território português, desde que os seus
rendimentos não estejam sujeitos a tributação em sede de IRS ou IRC na esfera das
pessoas singulares ou colectivas que a integram7. É o caso, expressa o n.º 2 do artigo 2.º,
das heranças jacentes (artigo 2046.º do Código Civil), das pessoas colectivas em relação
às quais seja declarada a invalidade, as associações e sociedades civis sem personalidade
jurídica e as sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, anteriormente ao registo
definitivo (especial referência às denominadas “sociedades irregulares” que, apesar de o
processo de constituição ainda não estar completo, adquirirem personalidade tributária).

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Nomeadamente, os condomínios, as heranças indivisas ou os consórcios que são tributados na esfera dos
membros que as constituem.

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Por último, são sujeitos passivos do IRC as entidades não residentes que aqui
obtenham rendimentos, os quais não integrem o âmbito de incidência do Código do IRS.

2. Incidência real

Definidos os sujeitos passivos do IRC, cabe agora determinar a base de incidência


do imposto. Para este efeito, o legislador distingue claramente os sujeitos passivos
residentes dos sujeitos passivos não residentes e, dentro destes, aqueles que dispõem ou
não de estabelecimento estável.

Assim, os sujeitos passivos residentes que exerçam uma actividade de natureza


comercial, industrial ou agrícola são tributados pelo seu lucro. São actividades de natureza
comercial, industrial ou agrícola todas aquelas que consistam na realização de operações
económicas de carácter empresarial, incluindo as prestações de serviço (n.º 4 do artigo
3.º).

Os sujeitos passivos residentes que não exerçam a título principal uma actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola estão sujeitos a IRC pelo seu rendimento global,
correspondente à soma algébrica das diversas categorias consideradas para efeitos de IRS,
bem como os incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito.

Os sujeitos passivos não residentes que possuam um estabelecimento estável em


território português são tributados pelo lucro imputável a esse estabelecimento. Caso os
sujeitos passivos não residentes não possuam estabelecimento estável ou os lucros não
lhes sejam imputáveis, o IRC incide sobre o rendimento das diversas categorias
consideradas para efeitos de IRS. Notamos que não há, à semelhança das entidades
residentes que não exercem a título principal uma actividade de natureza comercial,
industrial ou agrícola, uma tributação do rendimento global mas a tributação separada ou
individualizada em cada uma das categorias.

Assume, assim, especial importância na definição do modo de tributação das


entidades não residentes a existência de estabelecimento estável.

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i) Estabelecimento estável

No artigo 5.º define-se o conceito de estabelecimento estável: qualquer instalação


fixa através da qual seja exercida uma actividade de natureza, comercial, industrial ou
agrícola, nomeadamente um local de direcção, uma sucursal, uma oficina, uma mina, um
poço de petróleo ou de gás, uma pedreira ou qualquer outro lugar de extracção de
recursos naturais situados em território português.

Atendendo à sua natureza temporária, consagra-se que o local ou estaleiro de


construção, instalação ou montagem, as actividades de coordenação, fiscalização e
supervisão em conexão com os mesmos ou as instalações, plataformas ou barcos de
perfuração utilizados para a prospecção ou exploração de recursos naturais só
constituem um estabelecimento estável se a sua duração for superior a seis meses8. O
mesmo prazo é também aplicável ao subempreiteiro.

Não podemos descurar que, conforme se referiu, na instalação física deve ser
exercida efectivamente uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.

Por outro lado, os n.ºs 7 e 8 consagram uma delimitação negativa de estabelecimento


estável: o exercício exclusivo num escritório ou armazém de uma actividade meramente
preparatória ou auxiliar – armazenamento, depósito ou entrega de mercadorias; pesquisa
de mercado, recolha de informação, publicidade, etc. – não integra o conceito de
estabelecimento estável.

O conceito de estabelecimento estável abrange, além das instalações físicas já


referidas, as denominadas representações permanentes: uma pessoa que atue em território
português por conta de uma empresa que disponha e exerça poderes de vinculação da
empresa na intermediação e conclusão de contratos. Afastam-se deste conceito os

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Notamos que na convenção modelo da OCDE o prazo é de 12 meses.

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comissionistas ou profissionais independentes que, por sua conta e risco, angariem


clientes.

Consideram-se imputáveis ao estabelecimento estável os rendimentos de qualquer


natureza obtidos por seu intermédio, bem como os demais rendimentos obtidos em
território português resultantes de atividades idênticas ou similares àquelas que foram
realizadas através do estabelecimento estável (artigo 3.º, n.º 3).

REGRAS DE IRC
Pessoas com
sede ou direção Totalidade dos rendimentos,
efetiva em terr. incluindo os obtidos fora do
português território português

Com estabelecimento Rendimentos imputáveis ao


Pessoas sem estável estabelecimento estável
sede ou direção
efetiva em terr.
português Sem estabelecimento
estável Rendimentos considerados
obtidos em território português

Fonte: PINHEIRO PINTO, Fiscalidade, 2011

3. Regime de transparência fiscal

A tributação dos lucros das sociedades e, após a sua distribuição, a tributação na


esfera dos seus sócios ou accionistas – individuais ou pessoas colectivas – gera uma dupla
tributação económica. No artigo 6.º, o legislador cria um regime especial de eliminação da
dupla tributação – designado de transparência fiscal – em que a matéria colectável é
imputada aos sócios ou membros da sociedade transparente, mesmo que não tenha havido
distribuição de lucros, incidindo assim a tributação apenas ao nível dos sócios.

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No preâmbulo à versão original do CIRC são apontados três objetivos à


transparência fiscal

Com este mecanismo, o enquadramento fiscal é neutro face à forma de exercício de


uma actividade: os membros da entidade transparente são tributados nos mesmos termos
que o seriam se exercessem a actividade directamente. Na dicotomia clássica de tributação
em sede de IRS ou IRC, a neutralidade fiscal assume especial importância, por força da
cada vez maior diferença de taxas de tributação. Acresce ainda que a imputação da matéria
colectável aos sócios evita também o diferimento do pagamento do imposto que poderia
resultar da não distribuição dos lucros pelas sociedades.

Este regime é obrigatoriamente aplicável às (i) sociedades civis não constituídas sob
a forma comercial; (ii) sociedades de profissionais; (iii) sociedades de simples
administração de bens, cuja maioria do capital pertença, directa ou indirectamente, durante
mais de 183 dias do exercício social, a um grupo familiar ou cujo capital social pertença,
em qualquer dia do exercício, a um número de sócios não superior a cinco e nenhum deles
seja pessoa colectiva de direito público; e (iv) agrupamentos complementares de empresa
(ACE) e agrupamentos europeus de interesse económico (AEIE).

Sociedades de profissionais

Para este efeito, clarifica o Código do IRC que as sociedades de profissionais são as
sociedades que se constituem para o exercício de uma actividade profissional
especificamente prevista no artigo 151.º do Código do IRS, no qual todos os sócios
singulares sejam profissionais dessa actividade. Estas sociedades reportam-se a sociedades
de profissionais liberais (como é o caso das sociedades de advogados, médicos, revisores
oficiais de contas, etc.), na sua larga maioria, enquadrados em associações públicas
profissionais – Ordens ou Câmaras. O conceito de sociedade de profissionais para efeitos
de enquadramento no regime de transparência fiscal é, normalmente, distinto dos
conceitos e modelos definidos na regulamentação de cada profissão que, por sua vez,

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caminham para uma cada vez maior interdisciplinaridade9, afastando-as do regime de


transparência fiscal.

Com a reforma do Código do IRC de 2014, alargou-se o conceito de sociedades de


profissionais. Nos termos da alínea a) do n.º 4 do art.º 6º do CIRC é considerada sociedade
de profissionais:

“1) A sociedade constituída para o exercício de uma atividade profissional


especificamente prevista na lista de atividades a que se refere o artigo 151.º do
Código do IRS, na qual todos os sócios pessoas singulares sejam profissionais dessa
atividade;

2) A sociedade cujos rendimentos provenham, em mais de 75%, do exercício


conjunto ou isolado de atividades profissionais especificamente previstas na lista a
que se refere o artigo 151.º do Código do IRS, desde que, cumulativamente, durante
mais de 183 dias do período de tributação, o número de sócios não seja superior a
cinco, nenhum deles seja pessoa coletiva de direito público e, pelo menos, 75% do
capital social seja detido por profissionais que exercem as referidas atividades, total
ou parcialmente, através da sociedade;”

Se os sócios de uma sociedade de profissionais forem pessoas singulares, nos termos


do artigo 20.º do Código do IRS (CIRS), constitui rendimento tributável no âmbito da
categoria B, os rendimentos imputados pela sociedade de profissionais, ou seja, a matéria
coletável que foi apurada. No entanto, se o valor auferido pelo sócio a título de
adiantamento por conta de lucros for de montante superior ao resultado imputado, então, o
que vai constituir rendimento da categoria B do sócio da sociedade transparente é este
adiantamento por conta de lucros.

No momento da distribuição dos lucros, já não há sujeição destes lucros a IRS. Tais
lucros (ou os adiantamentos por conta dos lucros) são excluídos de tributação na categoria

9
Nos termos do artigo 27.º da Lei n.º 2/2013, de 10 de Janeiro, podem ser sócias das sociedades de
profissionais pessoas que não possuam as qualificações profissionais. Só excepcionalmente são admitidas
restrições a esta regra.

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e, por isso, também não ficam sujeitos a retenção na fonte aquando do seu pagamento ou
colocação à disposição.

Em relação às obrigações de pagamento, em sede de IRC, apenas haverá sujeição a


tributação autónoma. Os pagamentos por conta são feitos pelos sócios na esfera do IRS.
As sociedades transparentes estão dispensadas do pagamento especial por conta. Pela
mesma razão, não há lugar à aplicação de derrama municipal.

As sociedades de simples administração de bens

Uma sociedade qualifica-se como de simples administração de bens por duas razões:
a primeira, relativa à participação do seu capital e a segunda, referente ao seu objeto social
e natureza dos rendimentos obtidos.

- A maioria do capital social pertence, direta ou indiretamente, durante mais de 183


dias do exercício social, a um grupo familiar, ou cujo capital social pertença, em qualquer
dia do exercício social, a um número de sócios não superior a cinco e nenhum deles seja
pessoa coletiva de direito público.

Para este efeito, é considerado um grupo familiar, o grupo constituído por pessoas
unidas por vínculo conjugal ou de adoção e bem assim de parentesco ou afinidade na linha
reta ou colateral até ao 4.º grau, inclusive.

A sociedade de simples administração de bens limita a sua atividade à administração


de bens ou valores mantidos como reserva ou para fruição ou à compra de prédios para a
habitação dos seus sócios, bem como aquela que conjuntamente exerça outras atividades e
cujos rendimentos relativos a esses bens, valores ou prédios atinjam, na média dos últimos
três anos, mais de 50% da média, durante o mesmo período, da totalidade dos seus
rendimentos.

Como traço distintivo destas entidades face às demais, temos a importância e


contributo dos sócios para o desenvolvimento da atividade em causa: veja-se o regime de
responsabilidade solidária nas sociedades civis (artigos 997.º e ss do Código Civil), a

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essencialidade do trabalho do sócio para o desenvolvimento da atividade das sociedades


de profissionais, e a qualidade de sócios-proprietários do património gerido pelas
sociedades de simples administração de bens.

Agrupamentos Complementares de Empresas (ACE) e Agrupamento Europeu de


Interesse Económico (AEIE)

Os agrupamentos complementares de empresas são entidades constituídas por


pessoas singulares ou coletivas, nomeadamente por sociedades comerciais, que se
agrupam, sem prejuízo da sua personalidade jurídica, a fim de melhorarem as condições
de exercício ou de resultado das suas atividades.

Os ACE adquirem personalidade jurídica com o registo da sua constituição na


Conservatória do Registo Comercial.

O Agrupamento Europeu de Interesse Económico, criado pelo Regulamento (CEE)


n.º 2137/85 do Conselho, de 25 de Julho de 1985, é uma entidade jurídica de caráter
internacional e de tipo associativo, com um objetivo económico mas não lucrativo, que
visa facilitar ou desenvolver a atividade económica dos seus membros e aumentar os
resultados daquela atividade, através da partilha de recursos, atividades, capacidades e
competências. Um AEIE deve ser composto, no mínimo, por dois membros, oriundos de
Estados-Membros diferentes.

O AEIE também adquire personalidade jurídica com a inscrição definitiva da sua


constituição no Registo Comercial.

Assim promove-se a imputação da matéria colectável ao sócio ou, no caso dos ACE
e AEIE, dos lucros e prejuízos, na proporção da respectiva quota, salvo expressa
referência em sentido contrário no pacto social da entidade.

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A sociedade transparente não é, assim, tributada em sede de IRC, salvo quanto às


tributações autónomas, integrando-se a matéria colectável na categoria B do IRS ou no
IRC do sócio, consoante se trate de uma pessoa singular ou colectiva, respectivamente.
Apesar da não tributação em sede de IRC, as sociedades transparentes estão sujeitas ao
cumprimento de todas as obrigações declarativas, nomeadamente das declarações de
inscrição, alterações ou cessação, da declaração periódica de rendimentos e da declaração
anual de informação contabilística e fiscal (n.º 7 do artigo 117.º).

Doutrina Administrativa

Portaria n.º 1041/2001, de 28 de agosto

Informação Vinculativa – Proc. 201700195 – Sociedades de agentes de execução

4. Extensão da obrigação de imposto

De acordo com o denominado princípio do rendimento mundial, as pessoas


colectivas e outras entidades com sede ou direcção efectiva em território português, são
tributadas em IRC pela totalidade dos seus rendimentos, incluindo os obtidos fora desse
território. As pessoas colectivas e outras entidades que não tenham sede nem direcção
efectiva em território português estão sujeitas ao princípio da fonte pelo que apenas serão
tributadas em Portugal quanto aos rendimentos nele obtidos.

No n.º 3 do artigo 4.º, o legislador enumera os rendimentos que considera obtidos


em território português seguindo três critérios de conexão com o nosso território: (i) a
localização dos bens geradores dos rendimentos (alíneas a), b) e e)); (ii) a sede ou direcção

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efectiva da entidade pagadora (al. c)); e (iii) a localização do exercício da actividade (al.
d)) 10.

Consideram-se ainda obtidos em território português, para efeitos de tributação das


entidades não residentes, com ou sem estabelecimento estável, os seguintes rendimentos:

a) ganhos resultantes da transmissão onerosa de imóveis;

b) ganhos resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do


capital de entidades com sede ou direcção efectiva em território português;

c) os seguintes rendimentos cujo pagamento seja efectuado por entidades


residentes ou imputáveis a estabelecimento estável situado em território português: i)
rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial (direitos de autor e
“royalties”) e da prestação de informações respeitantes a um experiência adquirida no
sector industrial, comercial ou científico (“know-how”), ii) rendimentos derivados do
uso ou da concessão do uso de equipamento agrícola, industrial, comercial ou
científico, iii) outros rendimentos de aplicação de capitais (dividendos, juros, etc.), iv)
remunerações auferidas na qualidade de membros de órgãos estatutários de pessoas
colectivas e outras entidades, v) prémios de jogo, lotarias, rifas, totoloto e apostas
mútuas, quaisquer sorteios ou concursos, vi) intermediação na celebração de
quaisquer contratos, vii) rendimentos de outras prestações de serviços realizados ou
utilizados em território português, com excepção dos relativos a transportes,
comunicações e actividades financeiras, viii) rendimentos de operações relativas a
instrumentos financeiros derivados;

d) rendimentos derivados do exercício em território português da actividade de


profissionais de espectáculos ou desportistas;

e) incrementos patrimoniais derivados de aquisições a título gratuito


respeitantes a bens situados em território português, nomeadamente direitos reais

10
RUI DUARTE MORAIS, Apontamentos ao IRC, Almedina, 2007, p. 18.

19
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

sobre bens imóveis, bens móveis registados ou sujeitos a registo, partes


representativas do capital e outros valores mobiliários, direitos de propriedade
industrial, direitos de autor e direitos conexos registados ou sujeitos a registo, direitos
de crédito, e partes representativas do capital de sociedades que não tenham sede ou
direcção efectiva em território português mas cujo activo seja predominantemente
constituído por direitos reais sobre imóveis situados no nosso território.

Inevitavelmente, a manifestação de uma soberania ilimitada sobre os residentes em


território português gera dupla tributação pela invocação do princípio da fonte pelo país
onde foi gerado o rendimento. Em sentido inverso, a invocação pelo nosso país do
princípio da fonte relativamente a rendimentos pertencentes a entidades não residentes
implicará também a dupla tributação desses rendimentos. Esta dupla tributação pode ser
anulada ou mitigada caso os países envolvidos tenham celebrado uma convenção para
evitar a dupla tributação11.

O n.º 4 do artigo 4.º estabelece também os limites da soberania fiscal ao esclarecer


as situações em que, face ao ténue elemento de conexão, consideramos não haver extensão
da obrigação de imposto.

Em primeiro, não são tributados em território português os rendimentos enumerados


na alínea c) do número 3 (acima transcrito) quando os mesmos constituam encargo de
estabelecimento estável situado fora do território português. Assume-se assim plenamente
o efeito das regras relativas à tributação dos estabelecimentos estáveis: os rendimentos do
estabelecimento estável de uma entidade com sede ou direcção efetiva em território
português, mas situado noutro território, são aí tributados.

Em segundo, não são também tributados os rendimentos relativos a prestações de


serviço realizadas integralmente fora do território português, salvo se estiverem
relacionadas com bens situados no nosso território ou com estudos, projectos, apoio
técnico ou à gestão, serviços de contabilidade ou auditoria e serviços de consultoria,
organização, investigação e desenvolvimento em qualquer domínio (serviços que, pela sua

11
Disponíveis para consulta no Portal das Finanças.

20
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

natureza, são facilmente deslocalizáveis), caso em que estas prestações de serviço


consideram-se realizadas em território nacional. Nesta circunstância, visa-se estender a
competência tributária do Estado português, face à natureza imaterial dos serviços em
causa.

A tributação dos rendimentos considerados como obtidos em território nacional, por


não residentes sem estabelecimento estável pode efetivar-se de duas formas distintas:

- Por retenção na fonte a título definitivo;

- Através da entrega da modelo 22, na qual é feita a autoliquidação do IRC e do


Anexo E da IES onde se discrimina o rendimento e se fazem as deduções aplicáveis por
forma a obter o rendimento líquido sujeito a tributação.

Rendimentos que obtidos em Portugal que obrigam à entrega da modelo 22 e Anexo


E da IES:

- Mais-valiasƒmenos-valias decorrentes da venda de imóveis;

- Mais-valiasƒmenos-valias decorrentes de operações sobre partes sociais ou de


outros valores mobiliários;

- Rendimentos prediais (estes também estão sujeitos a retenção não definitiva à taxa
de 25%);

- Incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito

Rendimentos obtidos por não residente sem estabelecimento estável tributados por
retenção a título definitivo (art.º 94º do CIRC) e taxas aplicáveis (art.º 87º n.º 4 do CIRC):

21
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Natureza do rendimento Taxa aplicável

Rendimentos de artistas ou desportistas 25%

Royalties 25%

Aluguer de equipamento agrícola, industrial,


25%
comercial ou científico

Assistência técnica 25%

Dividendos 25%

Juros de suprimentos 25%

Juros de títulos de dívida 25%

Outros rendimentos de capitais 25%

Remunerações dos órgãos estatutários 25%

Comissões 25%

Rendimentos de outras prestações de serviços 25%

Prémios de rifas, totoloto, jogo de loto, ou de


quaisquer sorteios ou concursos 35%

Apesar das normas fiscais do IRC preverem a retenção na fonte, a título definitivo,
haverá que aferir, a aplicabilidade das isenções do art.º 14º do CIRC (distribuição de
lucros e reservas, ou pagamento de juros ou de royalties), ou ainda de Convenção para
Evitar a Dupla Tributação.

22
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5. Isenções

Apesar da ampla regra de incidência pessoal, há um leque muito variado de isenções


de IRC previstas no Código do IRC, Estatuto dos Benefícios Fiscais ou legislação avulsa.
Distinguem-se por se tratarem de isenções pessoais (subjectivas), por atenderem à
qualidade do sujeito passivo, ou isenções reais (objectivas) por atenderem directamente a
uma actividade ou rendimento. Funcionalmente, as isenções podem também ser
automáticas ou dependerem de reconhecimento prévio.

Nas isenções pessoais e automáticas, temos, desde logo, a) o Estado, as Regiões


Autónomas e as autarquias locais, bem como qualquer dos seus serviços, estabelecimentos
e organismos, ainda que personalizados, compreendidos os institutos públicos, com
excepção das entidades públicas com natureza empresarial12; b) as associações e
federações de municípios e as associações de freguesia que não exerçam actividades
comerciais, industriais ou agrícolas; e, as instituições de segurança social e previdência a
que se referem os artigos 115.º e 126.º da Lei n.º 32/2002, de 20 de Dezembro. A isenção
destas entidades não compreende os rendimentos de capitais, com excepção dos
rendimentos decorrente de operações de swap e operações cambiais a prazo realizadas
pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público.

As pessoas colectivas de utilidade pública administrativa e as instituições


particulares de solidariedade social13, bem como as pessoas colectivas àquelas
equiparadas, beneficiam também de uma isenção automática que não abrange, contudo, os
rendimentos empresariais derivados do exercício das actividades comerciais ou industriais
ou de títulos ao portador não registados e está condicionada aos requisitos previstos nas
alíneas a) a c) do n.º 3 do artigo 11.º, relativos ao exercício efectivo dos fins estatutários e
afectação dos rendimentos a esses mesmos fins.

12
Não estão também isentos os rendimentos dos estabelecimentos fabris das forças armadas resultantes de
actividades de natureza industrial ou comercial, não relacionadas com a defesa e segurança nacionais.
13
Nos termos do artigo 115.º da Lei n.º 64-B/2011, de 30 de Dezembro, foram revogadas as isenções
concedidas ao abrigo do disposto na al. b) do n.º 1 do artigo 10.º do Código do IRC, na redacção anterior, a
entidades anexas de instituições particulares de solidariedade social.

23
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Constitui ainda uma isenção pessoal, mas dependente de reconhecimento prévio, a


prevista para as pessoas colectivas de mera utilidade pública que prossigam, exclusiva ou
predominantemente, fins científicos ou culturais, de caridade, assistência, beneficência,
solidariedade social ou defesa do meio ambiente. São-lhe também aplicáveis as regras
previstas no n.º 3 do artigo 10.º, como seja a exclusão do âmbito da isenção dos
rendimentos empresariais. O reconhecimento desta isenção é da competência do Ministro
das Finanças, a requerimento dos interessados, mediante despacho publicado no Diário da
República, que define a respectiva amplitude, de harmonia com os fins prosseguidos e as
actividades desenvolvidas para a sua realização, pelas entidades em causa e as
informações dos serviços competentes da Direcção-Geral dos Impostos e outras julgadas
necessárias.

Os rendimentos derivados do exercício de actividades culturais, recreativas e


desportivas beneficiam de uma isenção de natureza real (objectiva) e automática (artigo
11.º). Só podem beneficiar desta isenção associações legalmente constituídas para o
exercício dessas actividades que (i) em caso algum distribuam resultados e os membros
dos seus órgãos sociais não tenham, por si ou interposta pessoa, algum interesse directo ou
indirecto nos resultados de exploração das actividades prosseguidas; e (ii) disponham de
contabilidade ou escrituração de todas as suas actividade que permita a verificação dos
presentes requisitos, bem como apurar o imposto relativo aos eventuais rendimentos não
isentos, nomeadamente os que resultem de qualquer actividade comercial, industrial ou
agrícola exercida, ainda que a título acessório, incluindo os provenientes de publicidade,
direitos respeitantes a qualquer forma de transmissão, bens imóveis, aplicações financeiras
e jogo do bingo. No entanto, o artigo 54.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais confere aos
rendimentos destas entidades uma isenção de IRC, desde que a totalidade dos seus
rendimentos brutos sujeitos a tributação, e não isentos, não exceda o montante de €
7500,00. Atento o valor, é clara a intenção do legislador de apenas isentar as entidades que
tenham rendimentos muito reduzidos e, em regra, acessórios.

São ainda isentos de IRC mas dependentes de reconhecimento, os lucros realizados


pelas pessoas colectivas e outras entidades de navegação marítima e aérea não residentes
provenientes da exploração de navios ou aeronaves, desde que isenção recíproca e

24
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

equivalente seja concedida às empresas residentes da mesma natureza. Esta reciprocidade


deve ser reconhecida pelo Ministro das Finanças, em despacho publicado no Diário da
República.

Isenção de dividendos

Constitui também uma isenção automática e objectiva a isenção concedida aos


dividendos pagos por uma entidade residente em território português a outra entidade ou
estabelecimento estável residente num Estado-membro da União Europeia (UE) ou do
Espaço Económico Europeu (EEE), ou um país com o qual Portugal tenha celebrado um
acordo para evitar a dupla tributação, na qual esta detenha uma participação no capital não
inferior a 10% e desde que esta tenha permanecido na sua titularidade, de modo
ininterrupto, durante um ano, nos termos definidos na Directiva n.º 2011/96/UE, do
Conselho, de 30 de Novembro de 2011 (Diretiva “Mães-Afiliadas”).

Para que não opere a retenção na fonte pela entidade pagadora, deve ser feita prova
do preenchimento das condições definidas na Directiva mediante declaração de residência
confirmada e autenticada pelas autoridades fiscais competentes do Estado membro da UE
ou EEE da entidade beneficiária dos rendimentos. Caso a entidade beneficiária não
cumpra, à data da colocação à disposição dos dividendos, o requisito temporal, pode, logo
que complete um ano, requerer a devolução do imposto, através de solicitação dirigida aos
serviços competentes da Autoridade Tributária (artigo 95.º).

Juros e royalties

Estão também isentos de IRC os juros e royalties (n.º 14 do artigo 14.º) cujo
beneficiário efetivo seja uma sociedade de um Estado-membro da União Europeia ou um
estabelecimento estável situado noutro Estado-membro de uma sociedade de um Estado-
membro, devidos ou pagos por sociedades comerciais ou civis sob a forma comercial,
cooperativas e empresas públicas residentes em território português ou por um
estabelecimento aí situado de uma sociedade de outro Estado-membro, desde que
verificados os requisitos da Diretiva n.º 2003/49/CE, a saber:

25
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

a) As sociedades beneficiárias dos juros ou royalties:

i) Estejam sujeitas a um dos impostos sobre os lucros enumerados na subalínea iii)


da alínea a) do artigo 3.º da Diretiva n.º 2003/49/CE, do Conselho, de 3 de junho de
2003, sem beneficiar de qualquer isenção;

ii) Assumam uma das formas jurídicas enunciadas na lista do anexo à Diretiva n.º
2003/49/CE, do Conselho, de 3 de junho de 2003;

iii) Sejam consideradas residentes de um Estado membro da União Europeia e que,


ao abrigo das convenções destinadas a evitar a dupla tributação, não sejam
consideradas, para efeitos fiscais, como residentes fora da União Europeia;

b) A entidade residente em território português ou a sociedade de outro Estado membro


com estabelecimento estável aí situado seja uma sociedade associada à sociedade que é o
beneficiário efetivo ou cujo estabelecimento estável é considerado como beneficiário
efetivo dos juros ou royalties, o que se verifica quando uma sociedade

i) Detém uma participação direta de, pelo menos, 25 % no capital de outra


sociedade; ou

ii) A outra sociedade detém uma participação direta de, pelo menos, 25 % no seu
capital; ou

iii) Quando uma terceira sociedade detém uma participação direta de, pelo menos,
25 % tanto no seu capital como no capital da outra sociedade e, em qualquer dos
casos, a participação seja detida de modo ininterrupto durante um período mínimo
de dois anos;

c) Quando o pagamento seja efetuado por um estabelecimento estável, os juros ou os


royalties constituam encargos relativos à atividade exercida por seu intermédio e sejam
dedutíveis para efeitos da determinação do lucro tributável que lhe for imputável;

26
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

d) A sociedade a quem são efetuados os pagamentos dos juros ou royalties seja o


beneficiário efetivo desses rendimentos, considerando-se verificado esse requisito quando
aufira os rendimentos por conta própria e não na qualidade de intermediária, seja como
representante, gestor fiduciário ou signatário autorizado de terceiros e no caso de um
estabelecimento estável ser considerado o beneficiário efetivo, o crédito, o direito ou a
utilização de informações de que resultam os rendimentos estejam efetivamente
relacionados com a atividade desenvolvida por seu intermédio e constituam rendimento
tributável para efeitos da determinação do lucro que lhe for imputável no Estado membro
em que esteja situado.

27
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

III. MODALIDADES DE DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL

Em resultado das regras de incidência real supra descritas, temos que as entidades
sujeitas a IRC apuram a matéria colectável sujeita a imposto, de acordo com as seguintes
regras:

(i) Para as entidades residentes em território português que exerçam, a título


principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, a matéria
colectável tem por base o lucro contabilístico, com as correcções introduzidas pelo
Código, ao qual se deduzem os prejuízos fiscais (artigo 52.º) e eventuais benefícios
fiscais;

(ii) Para as entidades residentes em território português que não exerçam, a


título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, a
matéria colectável obtém-se pela soma algébrica dos rendimentos líquidos das várias
categorias do IRS (rendimento global), incluindo os incrementos patrimoniais a
título gratuito, nos termos do artigo 53.º e seguintes.

(iii) As entidades não residentes e com estabelecimento estável em


território português apuram a matéria colectável nos mesmos termos que as
entidades residentes (ponto (i)), com a dedução dos prejuízos fiscais (artigo 52.º) a
ser objecto de autorização prévia do responsável máximo da Autoridade Tributária e
Aduaneira quando se pretenderem deduzir prejuízos fiscais anteriores à transferência
da sede ou direcção efectiva da entidade com a correspondente transferência do
património para o estabelecimento estável (al. c) do n.º 1 do artigo 15.º);

(iv) As entidades não residentes e sem estabelecimento estável são


tributadas em território português de acordo com as diversas categorias do IRS,
determinados nos termos do artigo 56.º, incluindo os incrementos patrimoniais
obtidos a título gratuito.

28
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

IV. DETERMINAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL

1. Introdução

O Código do IRC determina, no n.º 2 do artigo 3.º, que o lucro tributável consiste na
diferença entre os valores do património líquido no fim e no início do período de
tributação apurado nos termos definidos pelo direito contabilístico e as correcções
estabelecidas pelo Código do IRC.

Inicia-se assim o apuramento do resultado do período, em termos contabilísticos,


através da demonstração dos resultados, apurado pela diferença entre rendimentos e
gastos; ou, em alternativa, poderá ser determinado com recurso às contas do balanço,
correspondendo à diferença entre o capital próprio no final do exercício e o capital próprio
no início do exercício14, ressalvando a não existência ao longo do período de novas
entradas de capital ou adiantamentos de resultados aos sócios. Neste caso, haverá que
atender a estes valores para determinar o resultado líquido.

Contudo, conforme referido supra, o legislador acabou por adoptar uma solução
híbrida: acolhe, na base, o resultado liquido apurado pela demonstração de resultados mas
acresce, de seguida, as variações patrimoniais não reflectidas naquele resultado, em
obediência, já o referimos, à Teoria do Incremento Patrimonial.

Para que tal aconteça, a contabilidade deve estar organizada de acordo com as regras
de normalização contabilística e legislação em vigor. Deve também reflectir claramente as
variações patrimoniais que sejam sujeitas ao regime geral do IRC, para que possam
distinguir-se das restantes.

14
O capital próprio final seria a diferença do ativo e do passivo, subtraindo-lhes a soma do capital próprio
inicial e das reservas, ou seja, R = A – P – (Ci + R).

29
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Assim, nos termos do artigo 17.º, o lucro tributável corresponde à soma algébrica do
resultado liquido do período, com as variações patrimoniais positivas e negativas
verificadas no mesmo período e não reflectidas naquele resultado, determinados com
base na contabilidade e eventualmente corrigidos, nos termos do Código. Ou seja,

Resultado Líquido

+/-
Variações Patrimoniais

+
Correções Fiscais

Deduzir:
Lucro Tributável
-Prejuízos fiscais
-Benefícios fiscais

Matéria Coletável

Taxas

Nota: representação visual simplificada do modelo de tributação das entidades residentes que exercem
a título principal uma atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.

2. Periodização do lucro tributável

A periodização do lucro tributável pressupõe a repartição da vida da empresa em


espaços temporais que, como refere o artigo 8.º, coincidem, em regra, com os anos civis,
tal como acontece com as regras previstas no Código das Sociedades Comerciais (artigos
65.º e 66.º do CSC) para a organização das contas.

No caso de grupos de empresas residentes que sejam obrigadas a consolidar contas


ou não residentes com estabelecimento estável, permite-se a adopção de um período
diferente para que o período coincida entre as várias entidades relacionadas, tendo em

30
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

vista a apresentação conjunta das contas. Quando razões de interesse económico o


justifiquem, nomeadamente adequar o ciclo fiscal ao ciclo económico15, o Ministro das
Finanças pode, a requerimento dos interessados, com a antecedência mínima de 60 dias
contados da data do início do período pretendido, autorizar a adopção de um período fiscal
diferente. Em ambas as situações, o novo período de tributação deve ser mantido durante
cinco anos.

A segmentação da vida da entidade para apuramento do lucro tributável exige a


definição de regras precisas para imputação dos rendimentos e gastos a cada período, sob
pena de o resultado ser “manipulado” com a antecipação ou adiamento de gastos ou
rendimentos16. No direito contabilístico, o regime do acréscimo previsto no parágrafo 22
da Estrutura Conceptual determina que os efeitos das transacções e de outros
acontecimentos são reconhecidos quando eles ocorram (e não quando caixa ou
equivalentes de caixa sejam recebidos ou pagos) sendo registados contabilisticamente e
relatados nas demonstrações financeiras dos períodos com os quais se relacionem.

Em consonância, o artigo 18.º estabelece que os rendimentos e os gastos, assim


como as outras componentes positivas ou negativas do lucro tributável, são imputáveis ao
período de tributação em que sejam obtidos ou suportados, independentemente do seu
recebimento ou pagamento, de acordo com o regime de periodização económica.

Assim, os réditos17 relativos a vendas consideram-se em geral realizados, e os


correspondentes gastos suportados, na data da entrega ou expedição dos bens
correspondentes ou, se anterior, na data em que se opera a transferência de propriedade; os
réditos relativos a prestações de serviços consideram-se em geral realizados, e os
correspondentes gastos suportados, na data em que o serviço é concluído, excepto no caso
de serviços continuados ou sucessivos, em que os rendimentos e gastos são imputados

15
Por exemplo, na agricultura, o ciclo económico de algumas culturas é recortado com o fim do ano civil.
16
FREITAS PEREIRA refere que “a especialização temporal das componentes do lucro é ainda mais
importante para efeitos fiscais do que contabilísticos, dados os condicionalismos em que decorre a
determinação do imposto a pagar, de modo a evitar desvios de resultados entre exercícios diferentes com
propósitos de minimização da carga fiscal. FREITAS PEREIRA, “A periodização do lucro tributável”,
Ciência e Técnica Fiscal, nº 349, pp. 77 ss.
17
Réditos são os rendimentos que provêm da actividade corrente (ordinária) de uma entidade, incluindo
vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e rendas (parágrafo 72 da Estrutura Conceptual).

31
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

proporcionalmente à sua execução; Os réditos e os gastos de contratos de construção


devem ser periodizados tendo em consideração o critério da percentagem de acabamento
(artigo 19.º).

Os réditos relativos a vendas e prestações de serviços são reconhecidos, para efeitos


fiscais, pela quantia nominal da contraprestação (n.º 5 do artigo 18.º). Afasta-se, deste
modo, a aplicação das regras previstas na NCRF 20 e IAS 18 relativas à diferença entre o
justo valor e a quantia nominal da retribuição em caso de diferimento no tempo da
prestação, denominado rédito de juros.

Excepcionalmente, as componentes positivas ou negativas consideradas como


respeitando a períodos anteriores só são imputáveis ao actual período de tributação quando
na data de encerramento das contas daquele a que respeitam eram imprevisíveis ou
manifestamente desconhecidas18. Referimo-nos, por exemplo, à devolução de uma
mercadoria que ocorre no ano posterior ao da venda inicial. Nesta circunstância, aceita-se
o seu reconhecimento no ano subsequente.

A não dedutibilidade fiscal de gastos verificados que, por erro, não foram
contabilizados no período a que se referem tem sido objecto de repetidas decisões
jurisprudenciais nos nossos tribunais, visando um equilíbrio entre o princípio da
periodização e o princípio da justiça. Com efeito, a correcção de um erro, exige, segundo o
mais elementar princípio de justiça, uma correcção a montante com a inclusão dos gastos
no período correcto, a que pode corresponder um efeito neutro ao nível da receita fiscal.
Assim, não havendo prejuízo para a receita fiscal, “na ponderação dos valores em causa
(por um lado o princípio da especialização dos exercícios que é uma regra
legislativamente arbitrária de separação temporal, para efeitos fiscais, de um facto
tributário de duração prolongada e, por outro lado, o princípio da justiça, que reflecte
uma das preocupações nucleares de um Estado de Direito), é manifesto que, numa

18
Em termos contabilísticos, uma vez encerrado o exercício, a correcção do erro é retrospectiva, com
reexpressão do comparativo das demonstrações financeiras seguintes. O tratamento dos erros é tratado na
NCRF n.º 4, Aviso n.º 15655/2009, de 7 de Setembro e na Norma Internacional de Contabilidade (IAS) n.º 8
– Políticas Contabilísticas , Alterações nas Estimativas Contabilísticas e Erros.

32
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

situação de incompatibilidade se deve dar prevalência a este último princípio. 19”

A periodização de gastos com efeitos prolongados no tempo é sujeito a tributação no


momento da sua efectiva liquidação ou exercício do direito: o pagamento em acções aos
trabalhadores e membros dos órgãos estatutários, pelo exercício dos seus cargos,
concorrem para a formação do lucro tributável do período de tributação em que os
respectivos direitos ou opções sejam exercidos; os gastos relativos a benefícios de
cessação de emprego, reforma ou outros benefícios pós-emprego de longo prazo dos
empregados que não sejam considerados rendimentos de trabalho dependente ou não
estejam abrangidos pelo artigo 43.º do Código do IRC são imputáveis ao período de
tributação em que a importâncias sejam pagas.

Os gastos das explorações silvícolas plurianuais podem ser imputados ao lucro


tributável tendo em consideração o ciclo de produção. Assim, é considerado para efeitos
de apuramento do lucro tributável a quota-parte desses gastos, imputados na percentagem
que a extração efetuada nesse período de tributação represente na produção total do
mesmo produto, sendo esses gastos atualizados pela aplicação dos coeficientes
desvalorização da moeda.

Nas entidades que utilizem o método de equivalência patrimonial, não são relevantes
fiscalmente os rendimentos e gastos registados na contabilidade decorrentes da utilização
daquele método, bem como, não são consideradas como variações patrimoniais positivas
ou negativas quaisquer registos inerentes na classe 5. Só existe rendimento, para efeitos de
IRC, decorrente da posse e manutenção dessas participações, quando existir distribuição
de lucros, pelo montante distribuído, devendo estes serem imputados ao período de
tributação em que se adquire o direito aos mesmos (n.º 8 do art.º 18º do CIRC).Igualmente
não relevam, para determinação do lucro tributável do empreendedor, os rendimentos e
gastos, bem com outras variações patrimoniais quanto um parceiro reconheça o seu
interesse num empreendimento conjunto utilizando o método da consolidação
proporcional.

19
Acórdão do STA, de 19 de novembro de 2008, Proc. n.º 325/08. Vide também Acórdãos do STA de 19 de
Junho de 2010, Proc. n.º 214/07 e de 5 de Julho de 2011, Proc. n.º 658/11.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Nos termos do artigo 18.º n.º 9, não têm relevância para efeitos de apuramento do
lucro tributável, os ajustamentos decorrentes da aplicação do justo valor (n.º 9 do art.º 18º
do CIRC), exceto:

- Se forem instrumentos financeiros reconhecidos pelo justo valor através de


resultados, desde que, quando se trate de instrumentos de capital próprio tenham um preço
formado num mercado regulamentado e o sujeito passivo não detenha, direta ou
indiretamente, uma participação no capital igual ou superior a 5% do respetivo capital
social;

- Se tratem de ativos biológicos consumíveis;

Nos demais casos, não obstante a contabilização desses ajustamentos de justo valor
como gastos ou rendimentos do período, só serão considerados na determinação do lucro
tributável no período de tributação em que os elementos ou direitos que lhes deram origem
sejam alienados, exercidos, extintos ou liquidados.

Os gastos relativos a benefícios de cessação de emprego, benefícios de reforma e


ainda outros benefícios pós emprego ou a longo prazo dos empregados que não sejam
considerados rendimentos de trabalho dependente, nos termos da primeira parte do n.º 3)
da alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS só são imputáveis ao período de
tributação em que as importâncias sejam pagas ou colocadas à disposição dos respetivos
beneficiários. Só não ficam abrangidos por esta disposição os benefícios de utilidade
social enquadrados no art.º 43º do CIRC.

Contratos de construção

O art.º 19º do CIRC, em consonância com a NCRF 19, estabelece o tratamento fiscal
dos “contratos de construção” De acordo com o § 3 da NCRF 19, “Contrato de
construção: é um contrato especificamente negociado para a construção de um ativo ou
de uma combinação de ativos que estejam intimamente inter-relacionados ou
interdependentes em termos da sua conceção, tecnologia e função ou do seu propósito
ou uso final.”

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Este preceito aplica-se à determinação dos resultados de contratos de construção que


se iniciem e se concluam em períodos contabilísticos diferentes, mesmo que, no total
tenha um período de realização inferior a um ano.

O critério de determinação de resultados para efeitos de apuramento do lucro


tributável, o critério da percentagem de acabamento.

3. As variações patrimoniais positivas e negativas

O apuramento do resultado líquido do exercício, como vimos, não tem em atenção


as variações do capital próprio e, para tal, deve acrescer-se ao resultado líquido as
variações patrimoniais positivas não reflectidas ou deduzir-se as variações patrimoniais
negativas, como sejam, por exemplo, os ganhos ou perdas resultantes da venda do capital
social ou dos subsídios recebidos relacionados com o activo não corrente.

No Código do IRC, artigos 21.º e 24.º, o legislador fiscal optou por contemplar as
situações que não são susceptíveis de influenciar o lucro tributável, por não fazerem parte
da actividade normal da empresa.

Nesta situação, de sinal positivo, encontramos os capitais investidos pelos sócios na


empresa, seja a que título for (entradas de capital, cobertura directa de prejuízos através da
conta de resultados transitados20, ou outras operações sobre instrumentos de capital
próprio, incluindo instrumentos financeiros derivados) as mais-valias potenciais ou
latentes do capital próprio, ainda que expressas pela contabilidade, incluindo as reservas
de reavaliação legalmente autorizadas, uma vez que apenas serão consideradas, em
respeito pelo princípio de tributação do lucro real, com a sua transmissão, as contribuições
no âmbito da associação em participação e da associação à quota e as relativas a impostos

20
Os resultados transitados integram os capitais próprios e constituem os lucros ou perdas de exercícios
anteriores. Os sócios podem deliberar uma cobertura de prejuízos directamente na conta de resultados
transitados.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

sobre o rendimento21; de sinal contrário, as saídas em dinheiro ou espécie a título de


remuneração ou redução do capital ou partilha de património, as liberalidades que não
estejam relacionadas com a actividade do contribuinte, as menos-valias potenciais ou
latentes e as relativas a impostos sobre o rendimento.

Pela sua importância, cabe ainda uma referência para as gratificações atribuídas a
trabalhadores e membros dos órgãos sociais a título de participação nos lucros que
figurava, até à entrada em vigor das alterações ao Código do IRC introduzidas pelo
Decreto-Lei n.º 159/209, de 13 de Julho, como variação patrimonial negativa. No novo
normativo contabilístico (parágrafo 18 da NCRF 28 – Benefícios dos Empregados e
parágrafo 17 e ss da Norma Internacional de Contabilidade n.º 19 - Benefícios dos
Empregados), estas gratificações devem ser consideradas gastos do próprio exercício a
que respeitam os lucros quando (i) a entidade tenha uma obrigação legal ou construtiva22
de fazer tais pagamentos em consequência de acontecimentos passados e (ii) possa ser
feita uma estimativa fiável da obrigação. Ora, não sendo cumpridos um ou os dois
requisitos citados e consequentemente a estimativa do gasto não tiver sido reconhecida,
caso a assembleia geral da entidade venha a deliberar a atribuição destas gratificações e a
efectuar o seu pagamento, estamos, em termos fiscais, perante uma variação patrimonial
negativa que irá influenciar o lucro tributável desse período.

Não integram o lucro tributável as variações patrimoniais positivas ou negativas que


resultem da aplicação do método de equivalência patrimonial.

Subsídios para ativos não correntes

Podem constituir, por fim, uma variação patrimonial positiva os subsídios


relacionados com ativos não correntes (artigo 22.º) sempre que o enquadramento fiscal se

21
Constitui também uma variação patrimonial positiva que não concorre para a formação do lucro tributável
do devedor a alteração das suas dívidas no âmbito de um plano de insolvência ou plano de pagamento (n.º 2
do artigo 268.ºdo Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas).
22
Este conceito resulta da tradução literal do texto da norma internacional “constructive obligation” que não
nos parece ser transponível para a nossa ordem jurídica.

36
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

distinga do tratamento contabilístico destes subsídios. O parágrafo 22 da NCRF 22 –


Contabilização dos subsídios do governo e divulgação de apoios do governo determina
que os subsídios do governo não reembolsáveis relacionados com activos fixos tangíveis e
intangíveis devem ser apresentados no balanço como componente do capital próprio, e
imputados como rendimentos do exercício numa base sistemática e racional durante a vida
útil do activo.

Em sede de IRC, temos regras distintas consoante o tipo de ativo a que o subsídio
se destina:

a) Se os subsídios respeitarem a ativos depreciáveis ou amortizáveis, então


devem ser incluídos, para efeitos de determinação do lucro tributável, na proporção
da depreciação ou amortização (com o limite da quota mínima de depreciação ou
amortização) calculada sobre o custo de aquisição ou produção.

b) Se os subsídios respeitarem a ativos intangíveis sem vida útil definida,


devem ser incluídos, para efeitos de determinação do lucro tributável, em partes
iguais durante os primeiros 20 períodos de tributação seguindo a regra de
imputação do custo de aquisição desses ativos, prevista no art.º 45º A.

c) Se os subsídios respeitarem a propriedades de investimento e ativos


biológicos não consumíveis, mensurados pelo modelo do justo valor, devem ser
incluídos no lucro tributável, em partes iguais, durante o período de vida útil
(desses ativos não correntes) que se deduz da quota mínima de depreciação que
seria fiscalmente aceite caso esses ativos permanecessem registados ao custo de
aquisição, conforme o art.º 45º A.

d) Se os subsídios respeitarem a ativos não depreciáveis ou não amortizáveis


(ex: terrenos) devem ser incluídos no lucro tributável, em frações iguais, durante os
períodos de tributação em que tais bens sejam inalienáveis nos termos da lei ou do
contrato referente à atribuição do subsídio; ou nos restantes casos, durante 10 anos,
sendo o primeiro o do recebimento do subsídio.

37
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os subsídios incluídos na previsão legal das alíneas a) a d) a inclusão para efeitos de


determinação do lucro tributável deve ser efetuada independentemente do recebimento do
subsídio, atendendo apenas ao momento em que, pelas normas contabilísticas os subsídios
devam ser reconhecidos nas demonstrações financeiras da entidade beneficiária.

4. Rendimentos

De acordo com o n.º 1 do artigo 20.º do Código do IRC, consideram-se rendimentos


os resultantes quer do exercício normal da actividade de uma empresa quer de uma acção
ocasional, básica ou meramente acessória.

Ou seja, adopta-se um conceito lato de rendimento, exemplificando-se: vendas ou


prestações de serviços, descontos, bónus, abatimentos, comissões e corretagens;
rendimentos de imóveis; rendimentos de carácter financeiro, tais como juros, dividendos,
descontos, ágios; rendimentos de propriedade industrial ou análogo; prestações de carácter
científico ou técnico; mais-valias realizadas; indemnizações; subsídios ou subvenções à
exploração.

São também considerados como rendimentos, nos termos do n.º 9 do artigo 18.º, os
ajustamentos decorrentes da aplicação do justo valor a instrumentos de capital próprio
cotados em mercado regulamentado em que o sujeito passivo não detenha, directa ou
indirectamente, uma participação no capital superior a 5% do respectivo capital social.

5. Gastos

Nos termos do n.º 1 do artigo 23.º,consideram-se gastos dedutíveis todos os gastos e


perdas incorridos ou suportados pelo sujeito passivo para obter ou garantir os rendimentos
sujeitos a IRC.

38
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

De seguida, o Código enumera, de forma detalhada (mas meramente


exemplificativa), alguns gastos que, cumpridos os requisitos descritos, são considerados
gastos fiscais (cfr. artigo 23.º), como sejam:

a) Os relativos à produção ou aquisição de quaisquer bens ou serviços, tais


como matérias utilizadas, mão-de-obra, energia e outros gastos gerais de produção,
conservação e reparação;

b) Os relativos à distribuição e venda, abrangendo os de transportes,


publicidade e colocação de mercadorias e produtos;

c) De natureza financeira, tais como juros de capitais alheios aplicados na


exploração, descontos, ágios, transferências, diferenças de câmbio, gastos com operações
de crédito, cobrança de dívidas e emissão de obrigações e outros títulos, prémios de
reembolso e os resultantes da aplicação do método do juro efetivo aos instrumentos
financeiros valorizados pelo custo amortizado;

d) De natureza administrativa, tais como remunerações, incluindo as


atribuídas a título de participação nos lucros, ajudas de custo, material de consumo
corrente, transportes e comunicações, rendas, contencioso, seguros, incluindo os de vida,
doença ou saúde e operações do ramo «Vida», contribuições para fundos de poupança -
reforma, contribuições para fundos de pensões e para quaisquer regimes complementares
da segurança social, bem como gastos com benefícios de cessação de emprego e outros
benefícios pós-emprego ou a longo prazo dos empregados;

e) Os relativos a análises, racionalização, investigação, consulta e projetos de


desenvolvimento;

f) De natureza fiscal e parafiscal;

g) Depreciações e amortizações;

h) Perdas por imparidade;

39
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

i) Provisões;

j) Perdas por redução do justo valor em instrumentos financeiros;

k) Perdas por redução do justo valor em ativos biológicos consumíveis que


não sejam explorações silvícolas plurianuais;

l) Menos-valias realizadas;

m) Indemnizações resultantes de eventos cujo risco não seja segurável.

Mas para que exista dedutibilidade em sede de IRC acresce a condição destes gastos
estarem comprovados documentalmente (n.º 3 do art.º 23º do CIRC).

No n.º 4 deste art.º 23º do CIRC são estabelecidos os elementos mínimos que o
documento comprovativo do gasto deve conter, quando se refira à aquisição de bens ou
serviços:

a) Nome ou denominação social do fornecedor dos bens ou prestador dos


serviços e do adquirente ou destinatário;

b) Números de identificação fiscal do fornecedor dos bens ou prestador dos


serviços e do adquirente ou destinatário, sempre que se tratem de entidades com residência
ou estabelecimento estável no território nacional;

c) Quantidade e denominação usual dos bens adquiridos ou dos serviços


prestados;

d) Valor da contraprestação, designadamente o preço;

e) Data em que os bens foram adquiridos ou em que os serviços foram


realizados;

40
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Além deste requisito, os gastos também devem comprovados documentalmente (n.º


3 do art.º 23º do CIRC), conforme estabelece o n.º 4 e 6.

No n.º 4 são estabelecidos os elementos mínimos que o documento comprovativo do


gasto deve conter, quando se refira à aquisição de bens ou serviços:

a) Nome ou denominação social do fornecedor dos bens ou prestador dos


serviços e do adquirente ou destinatário;

b) Números de identificação fiscal do fornecedor dos bens ou prestador dos


serviços e do adquirente ou destinatário, sempre que se tratem de entidades com residência
ou estabelecimento estável no território nacional;

c) Quantidade e denominação usual dos bens adquiridos ou dos serviços


prestados;

d) Valor da contraprestação, designadamente o preço;

e) Data em que os bens foram adquiridos ou em que os serviços foram


realizados;

O n.º 6 deste preceito estabelecem ainda, que, se o fornecedor dos bens ou o


prestador do serviço estiver obrigado à emissão da fatura nos termos do Código do IVA, o
documento comprovativo acima referido deve então assumir a forma de fatura. Ou seja, a
fatura passa a ser o documento relevante quando se trate de entidades obrigadas a emitir
fatura.

41
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

6. Gastos não dedutíveis

Além da regra geral prevista no artigo 23.º, o art.º 23º A do CIRC estabelece limitações
adicionais à aceitação de gastos reconhecidos contabilisticamente, para efeitos de
determinação do lucro tributável, tendo por fundamento razões de política fiscal.

Ou seja, ainda que alguns dos gastos aqui considerados cumpram com os requisitos do
art.º. 23º do CIRC, o artigo 23.º-A tipifica aqueles que não serão aceites fiscalmente e, por
isso, serão corrigidos no quadro 07 da declaração modelo 22.

Assim, não são aceites fiscalmente:

a) O IRC, incluindo as tributações autónomas, e quaisquer outros impostos que direta


ou indiretamente incidam sobre os lucros;

Não é aceite, por razões de técnica fiscal, a estimativa do imposto feita nesse período de
tributação, as correções de estimativa de imposto de exercícios anteriores que tenham sido
contabilizados como gastos, os impostos diferidos que tenham sido contabilizados a débito
na conta 8122 – Imposto diferido, bem como os pagamentos especiais por conta que sejam
desreconhecidos como ativo, uma vez esgotado o prazo de dedução.

b) As despesas não documentadas;

Inserem-se na previsão desta norma, os encargos suportados que não tenham qualquer
suporte documental, o que, por si só, resulta também dos requisitos previstos no artigo
23.º.

c) Os encargos cuja documentação não cumpra o disposto dos n.ºs 3 e 4 do art.º 23º,
bem como os encargos evidenciados em documentos emitidos por sujeitos passivos com
número de identificação fiscal inexistente ou inválido ou por sujeitos passivos cuja
cessação de atividade tenha sido declarada oficiosamente nos termos do n.º 6 do artigo 8.º.

42
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O incumprimento dos requisitos previstos no art.º. 23º n.º 3 e n.º 4 do CIRC,


nomeadamente a falta de emissão de fatura pelo sujeito passivo obrigado a emitir fatura.
Também não é aceite se o sujeito passivo não estiver devidamente registado como sujeito
passivo, o que exige a verificação prévia do cadastro no Portal das Finanças. Com esta
disposição, impõe-se aos contribuintes o dever de verificarem a existência fiscal do
fornecedor dos bens ou serviços, impedindo a dedução fiscal de gastos fictícios ou
resultantes de práticas de fraude fiscal.

d) As despesas ilícitas, designadamente, as que decorram de comportamentos que


fundamentadamente indiciem a violação da legislação penal portuguesa, mesmo que
ocorridos fora do alcance territorial da sua aplicação.

e) As multas, coima e demais encargos, incluindo os juros compensatórios e moratórios,


pela prática de infrações de qualquer natureza que não tenham origem contratual, bem
como por comportamentos contrários a qualquer regulamentação sobre o exercício de
atividade;

Com o objetivo de não “atenuar” indiretamente a pena aplicada ao infrator, a alínea


d) do artigo 45.º impede a aceitação como gasto fiscal das multas, coimas e demais
encargos pela prática de infrações, de qualquer natureza, que não resultem de obrigações
contratuais, incluindo os juros compensatórios. Em sentido contrário, as eventuais
indemnizações decorrentes de contratos estão expressamente afastadas desta disposição,
constituindo, desde que devidamente comprovadas, um gasto fiscal23.

f) Os impostos, taxas e outros tributos que incidam sobre terceiros que o sujeito passivo
não esteja legalmente autorizado a suportar;

Não constituem também gasto fiscal os impostos que incidam sobre terceiros ou
sobre entidade não esteja legalmente autorizada a suportar (al. c)), nomeadamente, nas
situações de substituição tributária (por exemplo, o IVA liquidado mas não repercutido ou

23
Vide, sobre este tema, o Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, de 28 de Fevereiro de 2011,
Proc. 5201/11.

43
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

retenções de impostos sobre o rendimento que o sujeito passivo estava obrigado a efetuar
e não o fez)24.

f) As indemnizações pela verificação de eventos cujo risco seja segurável;

Ficam também excluídas as indemnizações pela verificação de eventos cujo risco seja
segurável. Exige-se, neste caso, uma análise casuística para avaliar se o comportamento
dos órgãos de gestão na (não) contratação dos seguros foi diligente e prudente25. Esta
limitação não abrange eventuais franquias ou limites de exclusão, de acordo com as
práticas correntes das Companhias de Seguros.

g) As ajudas de custo e os encargos com compensação pela deslocação em viatura


própria do trabalhador, ao serviço da entidade patronal, não faturados a clientes,
escriturados a qualquer título, sempre que a entidade patronal não possua, por cada
pagamento efetuado, um mapa através do qual seja possível efetuar o controlo das
deslocações a que se referem aqueles encargos, designadamente os respetivos locais,
tempo de permanência, objetivo e, no caso de deslocação em viatura própria do
trabalhador, identificação da viatura e do respetivo proprietário, bem como o número
de quilómetros percorridos, exceto na parte em que haja lugar a tributação em sede de
IRS na esfera do respetivo beneficiário;

Os documentos das ajudas de custo devem conter a seguinte informação:

1) Nome do beneficiário e respetivo NIF;

2) A data e o local da deslocação;

3) Tempo de permanência;

4) Objetivo da deslocação;

24
Sobre a responsabilidade em caso de substituição tributária, vide o artigo 28.º da Lei Geral Tributária.
25
RUI DUARTE MORAIS, Apontamentos…, p. 94.

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5) Montante diário atribuído;

6) Valor total atribuído.

- Tratando-se de compensação por deslocação em viatura própria do trabalhador, o


mapa itinerário, deve conter:

1) Nome do beneficiário e respetivo NIF;

2) Matrícula da viatura,

3) A data e o local da deslocação;

4) Tempo de permanência;

5) Objetivo da deslocação;

6) Número de quilómetros percorridos;

7) Montante atribuído por quilómetro;

8) Valor total atribuído.

i) Os encargos com o aluguer sem condutor de viaturas ligeiras de passageiros ou mistas,


na parte correspondente ao valor das depreciações dessas viaturas que, nos termos das
alíneas c) e e) do n.º 1 do artigo 34.º, não sejam aceites como gastos;

É claro o objetivo de aplicar o mesmo regime fiscal, por razões de neutralidade fiscal, ao
aluguer e à aquisição de viaturas.

j) Os encargos com combustíveis na parte em que o sujeito passivo não faça prova de
que os mesmos respeitam a bens pertencentes ao seu ativo ou por ele utilizados em
regime de locação e de que não são ultrapassados os consumos normais;

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Além das regras relativas às viaturas, o legislador introduz uma norma anti-abuso
para os combustíveis: só são aceites comos gastos os encargos com combustíveis em que o
sujeito passivo faça prova de que os mesmos respeitem a bens do imobilizado ou por ele
utilizados em regime de locação e que não são ultrapassados os consumos normais
(médias de consumo por quilómetro).

k) Os encargos relativos a barcos de recreio e aeronaves de passageiros que não


estejam afetos à exploração do serviço público de transportes nem se destinem a ser
alugados no exercício da atividade normal do sujeito passivo;

l) As menos-valias realizadas relativas a barcos de recreio, aviões de turismo e


viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, que não estejam afetos à exploração de serviço
público de transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da atividade normal
do sujeito passivo, exceto na parte em que correspondam ao valor fiscalmente depreciável
nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º ainda não aceite como gasto;

m) Os juros e outras formas de remuneração de suprimentos e empréstimos feitos


pelos sócios à sociedade, na parte em que excedam a taxa definida por portaria do membro
do Governo responsável pela área das finanças, salvo no caso de se aplicar o regime
estabelecido no art. 63.º;

Para evitar uma utilização desproporcionada do mecanismo de remuneração dos


sócios através de suprimentos ou outros empréstimos feitos pelos sócios, a al. j) limita a
dedutibilidade fiscal aos juros que não excedam o valor correspondente à taxa da Euribor a
12 meses do dia da constituição da dívida ou outra taxa definida por Portaria do Ministro
das Finanças. A Portaria n.º 279/2014, de 30/12, estabelece um spread de “2% a acrescer à
Euribor a 12 meses e, caso se trate de uma pequena e média empresa (PME), o spread é de
6%26. Esta limitação não é aplicável às entidades a que se aplique o regime dos preços de
transferência previsto no artigo 63.º.

26
Nos termos do artigo 2.º do anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de Novembro, a categoria das micro,
pequenas e médias empresas é constituída por empresas que empregam menos de 250 pessoas e cujo volume
de negócios anual não excede 50 milhões de euros ou cujo balanço total anual não excede 43 milhões de
euros.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

n) Os gastos relativos à participação nos lucros por membros de órgãos sociais


e trabalhadores da empresa, quando as respetivas importâncias não sejam pagas ou
colocadas à disposição dos beneficiários até ao fim do período de tributação seguinte;

As gratificações atribuídas aos empregados a título de participação de resultados,


quer sejam gastos do período ou variações patrimoniais, só são aceites fiscalmente se
foram pagos ou colocados à disposição dos beneficiários até ao fim do período de
tributação seguinte. Se assim for, ao IRC liquidado neste período, adiciona-se o IRC que
deixou de ser liquidado em resultado da dedução das importâncias que não foram pagas ou
colocadas à disposição, à qual acrescem juros compensatórios.

o) Sem prejuízo da alínea anterior, os gastos relativos à participação nos lucros por
membros de órgãos sociais, quando os beneficiários sejam titulares, direta ou
indiretamente, de partes representativas de, pelo menos, 1% do capital social, na parte em
que exceda o dobro da remuneração mensal auferida no período de tributação a que
respeita o resultado em que participam.

Quanto à detenção de partes sociais, releva quer a detenção direta, quer a indireta, ou seja,
quando as partes do capital da sociedade sejam da titularidade do cônjuge, respetivos
ascendentes ou descendentes até ao 2.º grau. (n.º 6 do art.º 23º A do CIRC), ou que o
membro do órgão social detenha, indiretamente, participação na entidade por via da
detenção do capital noutras empresas que tenham adquirido títulos de capital dessa
entidade.

p) A contribuição sobre o setor bancário.

A contribuição sobre o setor bancário foi instituída pela Lei do Orçamento do Estado para
2011 (Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro) e está regulamentada pela Portaria n.º
121/2011, de 30 de março.

q) A contribuição extraordinária sobre o setor energético;

47
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Trata-se de uma contribuição extraordinária criada pelo art. 228.º da Lei n.º 83.º C/2013,
de 31 de dezembro (Lei OE2014).

r) As importâncias pagas ou devidas, a qualquer título, a pessoas singulares ou


coletivas residentes fora do território português e aí submetidas a um regime fiscal a que
se referem os n.ºs 1 ou 5 do artigo 63.º-D da Lei Geral Tributária, ou cujo pagamento seja
efetuado em contas abertas em instituições financeiras aí residentes ou domiciliadas, salvo
se o sujeito passivo provar que tais encargos correspondem a operações efetivamente
realizadas e não têm um caráter anormal ou um montante exagerado.

Nos termos do n.º 7 do artigo 23.º-A, devem ser considerados não só os países constantes
da lista publicada de “paraísos fiscais” (a última atualização foi feita pela Portaria n.º 345-
A/2016, de 30 de dezembro) mas também os países que, não constando dessa lista, não
disponham de um imposto de natureza idêntica ou similar ao IRC ou, existindo, a taxa
aplicável seja inferior a 60% da taxa de imposto prevista no n.º 1 do artigo 87.º do Código
do IRC (inferior a 12,6%), sempre que cumpra os demais requisitos previstos no artigo
63.º-D da LGT.

7. Inventários

Os inventários são activos detidos para venda no decurso ordinário da actividade ou


em processo de produção para essa venda. Podem também assumir a forma de materiais
ou consumíveis a serem aplicados no processo de produção ou na prestação de serviços.

As regras de mensuração (ou valorimetria), para efeitos de determinação dos


rendimentos e gastos fiscais relativos aos inventários são, nos termos do artigo 26.º do
Código do IRC, os que resultam da aplicação de métodos que utilizem: a) custos de
aquisição ou produção; b) custos padrões apurados de acordo com técnicas contabilísticas
adequadas; c) preços de venda deduzidos da margem normal de lucro; preços de vendo
dos produtos colhidos de activos biológicos no momento da colheita, deduzidos dos custos
estimados no ponto de venda, excluindo os de transporte e outros necessários para colocar

48
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

os produtos no mercado; e d) valorimetrias especiais para os inventários tidos por básicos


ou normais.

Do descrito, não há qualquer incompatibilidade entre os métodos de mensuração de


inventários aceites pelas regras contabilísticas e os aceites fiscalmente.

No caso dos inventários requererem um período superior a um ano para atingirem a


sua condição de uso ou venda, incluem-se no custo de aquisição ou de produção, os custos
de empréstimos obtidos que lhes sejam directamente atribuíveis.

No artigo 28.º permite-se ainda a dedução no apuramento do lucro tributável dos


ajustamentos em inventários (perdas por imparidade) reconhecidos no período de
tributação até ao limite da diferença entre o custo de aquisição ou de produção dos
inventários e o respectivo valor realizável líquido (VRL) referido à data do balanço,
quando este for inferior àquele. Para este efeito, considera-se VRL o preço de venda
estimado no decurso normal da actividade do sujeito passivo nos termos do n.º 4 do artigo
26.º, deduzido dos custos necessários de acabamento e venda. Se houver reversão desta
perda por imparidade, o correspondente rendimento concorre para o lucro tributável.

7. Depreciações e Amortizações

O processo de depreciação ou amortização27 é a imputação sistemática da quantia


depreciável de um activo durante a sua vida útil (período durante o qual uma entidade
espera que um activo esteja disponível para uso ou, num sentido funcional, o número de
unidades de produção ou similares que uma entidade espera obter do activo – parágrafo 6
da NCRF n.º 7 – Activos Fixos Tangíveis). O processo de depreciação visa cumprir o
princípio da periodização, balanceando os rendimentos e gastos obtidos com a utilização
de activo. Por outro lado, só são sujeitos a depreciação os activos sujeitos a deperecimento
em resultado da sua utilização ou do decurso do tempo. Os terrenos, por exemplo, não são

27
A diferença entre estes dois conceitos reporta-se ao respectivo objecto. De acordo com as NCRF 6 –
Activos Intangíveis e 7 – Activos Fixos Tangíveis, são “depreciáveis” os activos fixos tangíveis e
“amortizáveis” os activos intangíveis.

49
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

depreciáveis por se considerar que, em regra28, não estão sujeitos a desgaste com o tempo.
Em conformidade, o artigo 34.º refere que não são aceites como gastos as depreciações e
amortizações de elementos do activo não sujeitos a deperecimento (al a), incluindo,
relativamente, aos imóveis, a parte correspondente aos terrenos (al. b)).

Nos termos do artigo 29.º, estão sujeitos a depreciação ou amortização os activos


fixos tangíveis (itens que sejam detidos para uso na produção ou fornecimento de bens ou
serviços, para arrendamento a outros ou para fins administrativos que se espera sejam
usados durante mais de um período), os activos intangíveis (activos não monetários
identificáveis sem substância física29), os activos biológicos não consumíveis (activos
biológicos de produção30) e as propriedades de investimento (edifícios ou terrenos detidos
para obter rendas ou para valorização ou ambas e não para uso na produção ou
fornecimento de bens e serviços ou para finalidades administrativas ou venda no decurso
ordinário do negócio).

Nos artigos seguintes, determinam-se os métodos de depreciação e amortização que


devem ser utilizados, remetendo-se para o Decreto-Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de
Setembro (adiante, Decreto-Regulamentar), a determinação das taxas de depreciação e
amortização a aplicar, que se encontram fixadas de forma pormenorizada em tabela anexa
ao referido diploma. Em boa verdade, o Decreto-Regulamentar vai além da mera fixação
das taxas a que se refere o artigo 31.º do Código do IRC: replica, inova, desenvolve e
sistematiza todo o regime de depreciações e amortizações fiscais, à semelhança do anterior
Decreto-Regulamentar 2/90, de 14 de Setembro.

Os ativos só são sujeitos a depreciação após entrarem em funcionamento ou


utilização. No entanto, no n.º 2 do artigo 1.º do Decreto-Regulamentar acrescenta-se
alguma flexibilidade a esta regra ao afirmar-se que o processo de depreciação dos activos

28
Com excepção, por exemplo, de pedreiras, aterros e afins.
29
Para que satisfaça a definição de activo intangível, o item que ser (i) identificável, (ii) a entidade tem que
ter o controlo sobre o recurso e a (iii) existência de benefícios económicos futuros. Alguns exemplos:
conhecimentos científicos ou técnicos, concepção de e implementação de novos processos ou sistemas,
licenças, propriedade intelectual, conhecimento de mercado e marcas, licenças, direitos de comercialização,
franchises, direitos de comercialização, filmes, listas de clientes, etc.
30
Por exemplo, o gado, do qual pode ser obtido leite, vinhas, árvores de fruto e árvores a partir das quais se
possa obter lenha por desbaste.

50
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

biológicos que não sejam consumíveis e a amortização dos activos intangíveis inicia-se (i)
a partir da sua aquisição ou (ii) do início de actividade, se posterior ou (iii) no caso dos
activos intangíveis especificamente associados à obtenção de rendimentos, a partir da sua
utilização para esse fim.

O método-regra a utilizar no processo de depreciação é o método da linha recta –


que consiste no reconhecimento do gasto de forma constante ao longo do período de vida
útil definida para o activo. A taxa de depreciação prevista no Decreto-Regulamentar é
aplicável ao (i) custo de aquisição ou de produção; (ii) ao valor resultante de reavaliação
ao abrigo de legislação fiscal; ou (iii) ao valor de mercado, à data de abertura da escrita,
para os bens objecto de avaliação para esse efeito, quando não seja conhecido o custo de
aquisição ou de produção.

Em alternativa ao método da linha reta, os sujeitos passivos podem optar pelo


método das quotas decrescentes para os activos fixos tangíveis novos que não sejam
edifícios, viaturas ligeiras de passageiros ou mistas (excepto se afectas à exploração de
serviço público de transportes ou destinada a ser alugada no exercício desta actividade) ou
mobiliário e equipamentos sociais. As taxas de depreciação são as previstas no Decreto-
Regulamentar, aplicando aos valores do ativo referidos no parágrafo anterior, os
coeficientes previstos no n.º 3 do artigo 31.º, ou seja: 1,5, se o período de vida útil do
elemento é inferior a cinco anos; 2, se o período de vida útil do elemento é de cinco ou
seis anos; 2,5, se o período de vida útil do elemento é superior a seis anos. A aplicação
destes coeficientes permite uma depreciação mais acelerada (maior gasto fiscal) nos
primeiros anos de vida útil do activo.

Permite-se ainda que, mediante requerimento prévio da Autoridade Tributária e


Aduaneira, ao início do processo de depreciação, o sujeito passivo possa aplicar outros
métodos. Dependente da aceitação do Fisco está também a alteração do método de
depreciação ou amortização após a sua entrada em funcionamento ou utilização.

A regra de ouro do regime fiscal das depreciações e amortizações é a fixação


administrativa do período de vida útil do activo através das taxas de depreciação ou

51
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

amortização definidas na tabela anexa ao Decreto-Regulamentar. Para permitir um regime


mais ou menos intensivo de depreciação, consoante a situação concreta, as taxas mínimas
de depreciação correspondem a metade da taxa definida na tabela (a que se chama taxa
máxima). Dito de outro modo, o período de vida útil do activo varia entre o período que
resulta da aplicação da taxa prevista no Decreto-Regulamentar e o seu dobro31. As
depreciações ou amortizações fiscais que ultrapassem estes limites não são aceites.
(alíneas c) e d) do n.º 1 do artigo 34.º). Mantém-se também nesta matéria a possibilidade
de a Autoridade Tributária e Aduaneira autorizar, mediante requerimento prévio, a
utilização de quotas inferiores (mas não superiores), desde que devidamente justificado.

Na definição do mapa de depreciações ou amortizações, o sujeito passivo pode


utilizar taxas de depreciação anuais ou em duodécimos, prática em que se atende ao
número de meses contados desde o mês de entrada em funcionamento ou utilização dos
elementos e, no ano da transmissão, inutilização ou termo da vida útil, aos meses
decorridos até ao mês anterior à ocorrência de qualquer um destes factos.

A alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º considera ainda que não são aceites fiscalmente as
depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, incluindo os veículos
eléctricos, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação que
exceda o limite ora definido pela Portaria n.º 467/2010, de 7 de Julho.

Deste modo, só são aceites fiscalmente as depreciações das viaturas até ao limite que
corresponda ao ano de aquisição da viatura. Há, como se pode verificar, uma vontade de
penalizar a utilização de viaturas ligeiras por consideração de que se trata de um activo em
que a destrinça entre a sua utilização para fins privados ou fins empresariais é muito ténue

Não são, de todo, aceites fiscalmente as depreciações de barcos de recreio e aviões


de turismo e todos os gastos com estes relacionados, desde que tais bens não estejam
afectos à exploração do serviço público de transportes ou não se destinem a ser alugados
no exercício da actividade normal do sujeito passivo.
31
Consideremos, para exemplo, um veículo automóvel ligeiro de passageiros. Nos termos do código 2375 da
Tabela II anexa ao Decreto-Regulamentar, a taxa de depreciação é de 25% a que correspondem 4 anos de
vida útil. Como a taxa mínima é metade daquela, ou seja, 12,5%, temos um período máximo de 8 anos de
vida útil.

52
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Cabe uma última referência para duas regras especiais: (i) as despesas com projectos
de desenvolvimento (exploração de resultados de trabalhos de investigação ou de outros
conhecimentos científicos ou técnicos que visem a melhoria de produtos, processos,
serviços, etc.) podem ser consideradas gasto fiscal no período de tributação em que são
suportadas (artigo 32.º); (ii) os elementos do activo cujos custos unitários não ultrapassem
€ 1000,00 podem ser totalmente depreciados ou amortizados no período em que foram
adquiridos (artigo 33.º).

Nos termos do artigo 33º do CIRC, os elementos do ativo sujeitos a deperecimento


cujos custos unitários não ultrapassem € 1.000, permite-se a dedução integral, no período
de tributação em que sejam reconhecidos. Não podem beneficiar desta disposição os
ativos fixos tangíveis que façam parte integrante de um conjunto de elementos que deva
ser depreciado ou amortizado como um todo.

Atendendo à na Informação Vinculativa Despacho de 11-02-2010 – Processo: 2010


000157, esta norma acabou por perder todo o sentido. O ponto 8 da citada Informação
Vinculativa refere que não é aplicável o disposto neste artigo 33º do CIRC, aos elementos
com vida útil superior a um ano. Há, portanto, uma divergência substancial entre a norma
fiscal e a contabilística (NCRF n.º 7), com a prevalência desta última.

Depreciações e amortizações não dedutíveis para efeitos fiscais

O art.º 34º do CIRC enumera as limitações à aceitação como gasto fiscal das
depreciações e amortizações.

Não são aceites como gastos fiscais as depreciações e amortizações de elementos do


ativo não sujeitos a deperecimento, bem como as depreciações de imóveis na parte
correspondente ao valor dos terrenos ou na parte não sujeita a deperecimento.

Também não são aceites as depreciações e amortizações que excedam os limites


estabelecidos nos artigos anteriores (arts. 29.º a 33.º ) e as praticadas para além do período
máximo de vida útil, ressalvando-se os casos especiais devidamente justificados e aceites
pela Autoridade Tributária e Aduaneira.

53
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

É também esta a norma que estabelece a não dedutiblidade fiscal das depreciações
das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, incluindo os veículos elétricos, na parte
correspondente ao custo de aquisição ou ao valor revalorizado excedente ao montante a
definir por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças, bem como
dos barcos de recreio e aviões de turismo.

A exceção a esta limitação só se aplica quando tais veículos estejam afetos à


exploração do serviço público de transportes ou se destinem a ser alugados no exercício da
atividade normal do sujeito passivo.

Os limites de custo de aquisição das viaturas ligeiras de passageiros e mistas, foram


fixados pela Portaria n.º 467/2010, de 7 de julho, e dependem do ano de aquisição da
viatura.

Exercício de aquisição da Limite art. 34º CIRC)


Tipo de energia
viatura

Antes de 2010 Todos 29.927,87

2010 Todos 40.000,00

2011 Gasóleo/Gasolina 30.000,00

Elétrica 45.000,00

Gasóleo/Gasolina 25.000,00
2012 a 2014
Elétrica 50.000,00

Gasóleo/Gasolina 25.000,00

Elétrica 62.500,00
2015 e períodos seguintes
Veículos híbridos plug 50.000,00
in
GPL ou GNV 37.500,00

54
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Créditos incobráveis

O conceito de crédito incobrável distingues do conceito de perda por imparidade


pela sua certeza ou definitividade. Neste sentido, para evitar um duplo reconhecimento do
gasto, o disposto no art.º 41º do CIRC, opera de forma subsidiária ao disposto nos artigos
28º-A e 28º-B do CIRC.

O sujeito passivo de IRC pode reconhecer o crédito incobrável quando os créditos se


tornam incobráveis sem que tenha sido reconhecida, contabilisticamente, a perda por
imparidade – não ser verificou risco de incobrabilidade - ou por dizer respeito a outros
créditos. Admite-se ainda que tendo sido reconhecida a perda por imparidade, não tenha
sido aceite fiscalmente integralmente.

Assim, para efeitos de apuramento do lucro tributável, os créditos incobráveis


podem ser considerados gastos ou perdas do período de tributação desde que a
incobrabilidade resulte de:

a) Processo de execução, após constar no registo informático de execuções


quanto à extinção da execução por não terem sido encontrados bens penhoráveis (alínea b)
do n.º2 do Código de Processo Civil, na redação dada pela Lei n.º 41/2013, de 26 de
junho);

b) Em processo de insolvência, quando a mesma for decretada de caráter


limitado após o trânsito em julgado da sentença de verificação e graduação de créditos
prevista no Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas ou, quando exista
homologação do plano objeto de deliberação na assembleia de credores.

c) Em processo especial de revitalização, após homologação do plano de


recuperação pelo juiz, previsto no artigo 17.º-F do Código da Insolvência e da
Recuperação de Empresas;

d) Nos termos previstos no SIREVE, após celebração do acordo previsto no


artigo 12.º desse regime;

55
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

e) No âmbito de litígios emergentes da prestação de serviços públicos


essenciais, após decisão arbitral;

f) Nos termos do regime jurídico da prestação de serviços públicos essenciais,


os créditos se encontrem prescritos e o seu valor não ultrapasse o montante de € 750.

Perdas por imparidades em ativos não corrente

O legislador fiscal restringiu fortemente a dedutibilidade fiscal das perdas por


imparidade em ativos não correntes, como sejam ativos fixos tangíveis, ativos intangíveis,
ativos biológicos não consumíveis (ativos biológicos de produção) e propriedades de
investimento-

Ou seja, só são aceites fiscalmente as perdas por imparidade resultantes de desastres,


fenómenos naturais, inovações técnicas excecionalmente rápidas ou alterações
significativas, com efeito adverso, no contexto legal, sob condições estritas de
comprovação.

Para comprovar e justificar a aceitação do gasto com tais perdas por imparidade
deve atender se ao período de tributação em que venha a ocorrer o abate físico, o
desmantelamento, o abandono ou a inutilização de tais ativos:

a) Se o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização de tais


ativos não se verificarem no período de tributação em que ocorreram os factos que
determinaram a desvalorização excecional, os procedimentos a desenvolver são:

- Fazer uma exposição devidamente fundamentada, no sentido de obter da


Autoridade Tributária e Aduaneira a aceitação de tais perdas por imparidade como gastos;

- Tal exposição deve ser apresentada até ao fim do primeiro mês do período seguinte
ao da ocorrência dos factos que determinaram tais desvalorizações excecionais;

56
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

- Deve conter documentação comprovativa de tais factos, como a decisão do órgão


de gestão que os confirme; a justificação do montante da desvalorização excecional e
ainda a indicação do destino a dar aos ativos.

A decisão de aceitação de tais perdas é da competência do diretor de finanças da


área da sede, direção efetiva ou estabelecimento estável do sujeito passivo. Para os
sujeitos passivos objeto de acompanhamento pela Unidade dos Grandes Contribuintes, a
decisão supra referida compete ao diretor desta Unidade.

b) Se o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a inutilização de tais


ativos se verificarem no período de tributação em que ocorreram os factos que
determinaram as desvalorizações excecional, a aceitação fiscal depende dos seguintes
procedimentos:

- Comunicação ao serviço de finanças da área do local onde aqueles bens se


encontrem, com a antecedência mínima de 15 dias, o local, a data e a hora do abate físico,
do desmantelamento, do abandono ou da inutilização e o total do valor líquido fiscal dos
mesmos.

-Comprovação do abate, desmantelamento, abandono ou inutilização dos bens


através da elaboração do respetivo auto, assinado por duas testemunhas;

- Identificação e comprovação dos factos que originaram as desvalorizações


excecionais;

- O auto deve ser acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa,


contendo, relativamente a cada ativo: a descrição, o ano e o custo de aquisição, bem como
o valor líquido contabilístico e o valor líquido fiscal;

Toda esta documentação deve integrar o processo de documentação fiscal, o


designado dossier fiscal (n.º 6 do art.º 31.ºB).

57
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A comunicação ao Serviço de Finanças da realização do abate, a comprovação do


abate físico, desmantelamento, abandono ou inutilização dos ativos, através do respetivo
auto, que deve ser acompanhado de relação discriminativa dos elementos em causa,
também se exige quando ocorrer o abate físico, o desmantelamento, o abandono ou a
inutilização dos ativos que tenham sofrido desvalorizações excecionais em períodos de
tributação anteriores.

Sem prejuízo, o n.º 7 atenua significativamente o preceito ao admitir que as perdas


por imparidade de ativos depreciáveis ou amortizáveis que não sejam aceites fiscalmente
serão consideradas como gastos, em partes iguais, durante o período de vida útil restante
desse ativo ou, sem prejuízo do disposto no artigo 46.º, até ao período anterior àquele em
que se verificar o abate físico, o desmantelamento, o abandono, a inutilização ou a
transmissão do mesmo.

8. Perdas por imparidade e créditos incobráveis

Um activo está em imparidade quando a sua quantia recuperável é inferior à quantia


escriturada no balanço da entidade32. Para este efeito, a quantia recuperável deverá
corresponder ao maior dos seguintes valores: (i) justo valor do activo menos os custos de
venda (valor que resultaria da alienação do activo entre entidades não relacionadas e
comprometidas com a celebração do negócio, subtraídos os custos com a alienação) e (ii)
o valor de uso (valor presente dos rendimentos esperados com o uso do activo e da sua
alienação no final da vida útil).

Em obediência ao princípio contabilístico da imagem verdadeira e apropriada, as


empresas devem verificar anualmente se os seus activos estão sobreavaliados. Se tal se
verificar, devem reconhecer a existência de uma perda por imparidade que, atendendo a
que se trata de uma estimativa, deve ser revertida se houver, em períodos futuros,
evidências de que a perda por imparidade diminuiu ou deixou de existir. Em

32
De acordo com o parágrafo 4 da NCRF 12, Perdas por Imparidade, uma perda por imparidade é o
excedente da quantia escriturada de um activo, ou de uma unidade geradora de caixa, em relação à sua
quantia recuperável.

58
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

consequência, no período da reversão, o valor da perda por imparidade deve ser


considerado uma componente positiva do lucro tributável (rendimento).

Em termos fiscais, Perdas o art.º 28º Aº do CIRC enuncia as perdas por imparidade
em dívidas a receber reconhecidas na contabilidade, que podem ser dedutíveis para efeitos
de determinação do lucro tributável:

a) As relacionadas com créditos resultantes da atividade normal, incluindo os juros


pelo atraso no cumprimento de obrigação, que, no fim do período de tributação, possam
ser considerados de cobrança duvidosa e sejam evidenciados como tal na contabilidade;

b) As relativas a recibos por cobrar reconhecidas pelas empresas de seguros;

À semelhança das depreciações e amortizações, a aceitação fiscal do gasto abrange


não só as perdas por imparidade contabilizadas no exercício, mas também as que tenham
sido contabilizadas em períodos de tributação anteriores.

São ainda dedutíveis para efeitos de determinação do lucro tributável em IRC,


perdas por imparidade e outras correções de valor para risco específico de crédito, em
títulos e em outras aplicações, contabilizadas de acordo com as normas contabilísticas
aplicáveis, no mesmo período de tributação ou em períodos de tributação anteriores, pelas
entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal e pelas sucursais em Portugal de
instituições de crédito e outras instituições financeiras com sede noutro Estado membro
da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu.

Perdas por imparidade em créditos de cobrança duvidosa

Nas condições que regulam a aceitação fiscal das perdas por imparidade em créditos
de cobrança duvidosa existem diferenças relevantes relativamente ao enquadramento
contabilístico.

Desde logo, apenas ficam abrangidos os créditos resultantes da atividade normal da


entidade. Para efeitos de classificação de um crédito de cobrança duvidosa é necessário

59
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

que o risco de incobrabilidade esteja devidamente justificado (n. º 1 do art.º 28.º-B do


CIRC), o que acontece nas seguintes situações:

a) O devedor tenha pendente processo de execução, processo de insolvência,


processo especial de revitalização (PER) ou procedimento de recuperação de empresas por
via extrajudicial ao abrigo do Sistema de Recuperação de Empresas por Via Extrajudicial
(SIREVE), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 178/2012, de 3 de agosto;

b) Os créditos tenham sido reclamados judicialmente ou em tribunal arbitral;

c) Os créditos estejam em mora há mais de seis meses desde a data do respetivo


vencimento e existam provas objetivas de imparidade e de terem sido efetuadas
diligências para o seu recebimento.

Na situação prevista na alínea c) a aceitação fiscal das imparidades é feita em


determinada percentagem do crédito, atendendo ao número de meses em que este está em
mora.

a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;

b) 50% para créditos em mora há mais de 12 meses e até 18 meses;

c) 75% para créditos em mora há mais de 18 meses e até 24 meses;

d) 100% para créditos em mora há mais de 24 meses.

A mora conta-se a partir da data de vencimento da respetiva fatura, ou se existiu


acordo posterior quanto ao estabelecimento de novos prazos de pagamento, quando tais
novos prazos se vencerem.

Como as regras contabilísticas não limitam o reconhecimento de perdas por


imparidade apenas a créditos resultantes da atividade normal, ou condicionado a critérios

60
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

relacionados com o prazo de mora e em função de uma percentagem do crédito, temos


várias situações suscetíveis de gerar correções fiscais.

Nos créditos em que o devedor tenha pendente processo de execução, processo de


insolvência, processo especial de revitalização (PER) ou procedimento de recuperação de
empresas por via extrajudicial ao abrigo do Sistema de Recuperação de Empresas por Via
Extrajudicial (SIREVE), a dedutibilidade da perda por imparidade pode ser, desde logo,
feita a pelo valor total do crédito ou na percentagem que falte para perfazer a totalidade da
dívida.

Pelo n.º 3 do art. 28.º B não são considerados de cobrança duvidosa:

a) Os créditos sobre o Estado, Regiões Autónomas e autarquias locais ou


aqueles em que estas entidades tenham prestado aval;

b) Os créditos cobertos por seguro, com exceção da importância


correspondente à percentagem de descoberto obrigatório, ou por qualquer espécie de
garantia real;

c) Créditos sobre pessoas singulares ou pessoas coletivas que detenham, direta


ou indiretamente, mais de 10% do capital da empresa ou sobre membros dos seus órgãos
sociais, salvo nos casos das alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 28.º-B.

d) Créditos sobre empresas participadas em mais de 10% do capital, quer tal


detenção seja direta, quer seja indireta.

e) Os créditos entre empresas detidas, direta ou indiretamente, nos termos do n.º 6


do artigo 69.º, em mais de 10% do capital pela mesma pessoa singular ou coletiva, salvo
nos casos previstos na al. a) e b) do n.º 1.

61
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

9. Provisões

De acordo com o parágrafo 8 da NCRF 21 – Provisões, passivos contingentes e


activos contingentes – as provisões são “passivos de tempestividade ou quantia incerta”33.

Dita o princípio da prudência que as entidades devem, apesar da incerteza quanto ao


tempo ou valor da obrigação, calcular e evidenciar nas suas contas a estimativa dos
encargos que irão assumir. Este juízo de prudência, que se traduz no reconhecimento da
forte probabilidade de existência de uma obrigação, deve conciliar-se com o objectivo de
garantir a fiabilidade da informação contabilística, que implica não sobrestimar as
obrigações ou passivos. Atentos à necessidade de garantir o equilíbrio entre estes dois
objectivos, as normas contabilísticas estipulam um conjunto de critérios, de natureza
cumulativa, para que a provisão seja reconhecida: (i) uma entidade tenha uma obrigação
presente, como resultado de um acontecimento passado; (ii) seja provável que um exfluxo
de recursos que incorporem benefícios económicos será necessário para liquidar a
obrigação; e (iii) possa ser feita uma estimativa fiável da quantia da obrigação.
(parágrafo 13 da NCRF 21 – Provisões, passivos contingentes e activos contingentes). Se
reconhecida a provisão, os órgãos de gestão da entidade devem, anualmente, à data do
balanço, aferir da necessidade do reforço ou reversão da provisão.

Das provisões que preencham os requisitos expressos pelo direito contabilístico34, o


artigo 39.º tipifica aquelas que são aceites fiscalmente, i.e.: a) as que se destinem a fazer
face a obrigações e encargos derivados de processos judiciais em curso que possam
originar a saída de recursos para pagamento de indemnizações ou outras obrigações a que
o sujeito passivo seja condenado; b) as que se destinem a fazer face a encargos com
garantias prestadas a clientes, de natureza legal ou contratual; c) as provisões técnicas
constituídas obrigatoriamente, por força de normas emanadas pelo Instituto de Seguros de
Portugal, de carácter genérico e abstracto, por todas as entidades sujeitas a supervisão; d)
as que, constituídas pelas empresas pertencentes ao sector das indústrias extractivas ou de

33
Nos termos do parágrafo 9 da Estrutura Conceptual, passivo “é uma obrigação presente da entidade
proveniente de acontecimentos passados, da liquidação da qual se espera que resulte um exfluxo de
recursos da entidade incorporando benefícios económicos”.
34
Não há uma referência expressa a que as provisões fiscais só podem ser aceites se contabilizadas nem
cremos ser necessário face ao disposto no artigo 17.º.

62
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

tratamento e eliminação de resíduos, se destinem a fazer face aos encargos com a


reparação dos danos de carácter ambiental dos locais afectos à exploração, sempre que tal
seja obrigatório e após a cessação desta, nos termos da legislação aplicável.

Relativamente às provisões para garantias a clientes, o seu montante anual é


determinado pela aplicação às vendas e prestações de serviços sujeitas a garantia,
efectuadas no período de tributação, de uma percentagem que não pode ser superior à que
resulta da proporção entre a soma dos encargos derivados de garantias a clientes
efectivamente suportados nos últimos três períodos de tributação e a soma das vendas e
prestações de serviços sujeitas a garantia efectuadas nos mesmos períodos.

10. Realizações de utilidade social

As realizações de utilidade social são gastos da empresa com os trabalhadores,


reformados e seus familiares que tenham carácter geral e não revistam a natureza de
rendimentos de trabalho dependente, ou revestindo-o, sejam de difícil ou complexa
individualização. A expressa regulamentação destes benefícios visa definir os seus limites
ou majoração e afastá-los do crivo do artigo 23.º já que alguns destes gastos poderiam não
ser aceites fiscalmente.

Assim, são realizações de utilidade social os gastos suportados pelas empresas com
a manutenção de creches, lactários, jardins-de-infância, cantinas, bibliotecas, passes
sociais e outras que sejam reconhecidas pela Autoridade Tributária e Aduaneira. Os gastos
relativos a creches, lactários e jardins de infância são majorados em 140%.

São, ainda, consideradas realizações de utilidade social, até ao limite de 15%35 das
despesas com pessoal escrituradas a título de remunerações nesse período, os gastos
suportados com:

a) Contratos de seguros de acidentes pessoais, bem como com contratos de seguros


de vida, de doença ou saúde, contribuições para fundos de pensões e equiparáveis ou para

35
O limite é elevado para 25% se os trabalhadores não tiverem direito a pensões da segurança social.

63
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

quaisquer regimes complementares de segurança social, que garantam, exclusivamente, o


benefício de reforma, pré-reforma, complemento de reforma, benefícios de saúde pós-
emprego, invalidez ou sobrevivência a favor dos trabalhadores da empresa;

b) Contratos de seguros de doença ou saúde em benefício dos trabalhadores,


reformados ou respetivos familiares, contratos de seguro de doença e de acidentes
pessoais, bem como com contratos de seguros de vida, contribuições para fundos de
pensões e equiparáveis ou para quaisquer regimes complementares de segurança social,
que garantam, exclusivamente, o benefício de reforma, benefício de saúde pós-emprego,
invalidez ou sobrevivência a favor dos trabalhadores da empresa.

A aceitação destes encargos depende do cumprimento das condições previstas no n.º


4 do artigo 43.ª, em síntese: (i) carácter generalizado para todos os trabalhadores e de
acordo com critérios objectivos, salvo termos definidos em instrumento de
regulamentação colectiva; (ii) a gestão das contribuições não pertença à empresa; (iii) não
sejam considerados rendimentos de trabalho dependente, nos termos do Código do IRS;
(iv) os prémios e contribuições não podem em conjunto com os rendimentos isentos
previstos no artigo 18.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais exceder os limites aqui
previstos.

Em caso de incumprimento dos limites acima descritos ou das condições previstas


no parágrafo anterior, o sujeito passivo fica sujeito à penalização de agravamento do IRC
a pagar, de acordo com o previsto no n.º 10 do artigo 43.º.

Ativos intangíveis, propriedades de investimento e ativos biológicos não consumíveis

O art.º 45º A consagra um regime fiscal específico para os ativos que, pela sua
natureza ou regime contabilístico aplicável, não determinam a imputação de gastos ao
período de tributação ou reconhecimento de eventuais perdas.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

São abrangidos por esta norma:

a) Ativos intangíveis que não tenham uma vigência temporal limitada e


goodwill adquirido numa concentração de atividades empresariais;~

Consideramos, para este efeito, os elementos de propriedade industrial tais como


marcas, alvarás, processos de produção, modelos e outros direitos assimilados, adquiridos
a título oneroso.

Com as alterações introduzidas à Norma Contabilística e de Relato Financeiro n.º 6,


a vigorar a partir de 1 de janeiro de 2016, um ativo intangível com uma vida útil
indefinida passa a ser amortizado num período máximo de 10 anos, o que cria uma
dissociação entre o reconhecimento fiscal (20 anos) e a amortização contabilística (10
anos).

Até final de 2015, o goodwill também não era suscetível de ser amortizado
contabilisticamente, apenas devia ser testado quanto à imparidade, e registadas as
respetivas perdas por imparidade em gastos do exercício quando ocorram.

b) Propriedades de investimento, quer resultem de uma aquisição, de grandes


reparações e beneficiações ou ainda de benfeitorias nessas propriedades de
investimento, quando mensurados ao justo valor;

Contabilisticamente, as propriedades de investimento são mensuradas pelo modelo do


custo ou pelo modelo do justo valor.

Como o CIRC determina que o justo valor não é aceite fiscalmente (arts. 18.º n.º 9 e 23.º
do CIRC), o n.º 2 deste art.º 45.º-A vem permitir, quando a mensuração contabilística foi
feita ao justo valor, a imputação fiscal do custo de aquisição dessas propriedades de
investimento e ainda das grandes reparações, beneficiações, benfeitorias realizadas nessas
propriedades de investimento, durante o período de vida útil que se deduz da quota
mínima de depreciação, que seria usada se esse ativo fosse mensurado pelo modelo do
custo.

65
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A imputação desse custo de aquisição é feita ao longo do período definido em partes


iguais.

c) Ativos biológicos não consumíveis que, subsequentemente à aquisição


sejam mensurados ao justo valor;

Quando a entidade aplique a Norma contabilística e de relato financeiro 17 –


Agricultura, os ativos biológicos de produção e os ativos biológicos consumíveis são
valorizados ao justo valor, pelo que o presente regime vem também resolver esta
dissociação entre o enquadramento fiscal e contabilístico.

11. Regime das mais-valias e menos-valias realizadas

O regime das mais-valias e menos-valias fiscais constitui, porventura, o exemplo


paradigmático do afastamento absoluto das regras fiscais relativamente às regras
contabilísticas. Não se trata de, à semelhança de outros componentes do lucro tributável,
incluir normas anti-abuso ou limitações - que também existem - mas de uma divergência
absoluta das regras de cálculo e reconhecimento das mais ou menos-valias fiscais.

De acordo com o artigo 46.º, as mais-valias ou menos-valias realizadas são os


ganhos obtidos ou as perdas sofridas mediante transmissão onerosa, qualquer que seja o
título por que se opere e, bem assim, os decorrentes de sinistros ou os resultantes da
afectação permanente a fins alheios à actividade exercida, de activos fixos tangíveis,
activos intangíveis, activos biológicos que não sejam consumíveis e propriedades de
investimento (ainda que qualquer destes activos tenha sido reclassificado como activo não
corrente detido para venda)36, bem como os instrumentos financeiros que não sejam
reconhecidos ao justo valor, nos termos do n.º 9 do artigo 18.º37.

36
Um ativo não corrente deve ser qualificado como detido para venda se a sua quantia escriturada é
recuperada principalmente através de uma transacção de venda em vez de o ser pelo uso continuado. Para
tal, o ativo deve estar disponível para venda imediata na sua condição presente, sujeito apenas aos termos
habituais do processo de venda e esta seja altamente provável (parágrafos 7 e 8 da NCRF n.º 8 – Activos não
correntes detidos para venda e unidades operacionais descontinuadas. Como o Código do IRC não

66
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O cálculo da mais-valia ou menos-valia é dado pela diferença entre o valor de


realização, líquido dos encargos que lhe sejam inerentes, e o valor de aquisição deduzido
das perdas por imparidade e outras correcções de valor previstas no artigo 35.º, bem como
das depreciações e amortizações aceites fiscalmente38, nos termos previstos no Código.

Assim,

+/- Valia Fiscal = (Vr-Enc.) – (Vaq-PI-Daf) x Coef.39

A diferença no cálculo da mais-valia ou menos-valia fiscal relativamente à mais-


valia ou menos-valia contabilística resulta, essencialmente, das correcções que resultam do
regime de depreciações e amortizações, perdas por imparidade e a aplicação do coeficiente
de desvalorização da moeda.

O valor de realização é, em regra, o valor da contraprestação. Há, no entanto,


algumas regras especiais (n.º 3 do artigo 46.º) para a determinação do valor da
contraprestação: (i) no caso de troca (permuta, por exemplo) é atendido o valor de
mercado dos bens ou direitos recebidos, acrescido ou diminuído, consoante o caso, da
importância em dinheiro conjuntamente recebida ou paga; (ii) no caso de expropriações ou
de bens sinistrados será tido em conta o valor da correspondente indemnização; (iii) no
caso de bens afectos permanentemente a fins alheios à actividade exercida será
determinante o seu valor de mercado; (iv) nos casos de fusão ou cisão será relevante o
valor de mercado dos elementos transmitidos em consequência daqueles actos; e (v) no

reconhece esta classificação, na transmissão onerosa destes activos não correntes detidos para venda aplica-
se o mesmo regime fiscal que seria aplicável antes da sua reclassificação. Sobre o tratamento fiscal dos
activos não correntes detidos para venda, vide a Circular n.º 8/2011, de 5 de Maio, DGCI.
37
Como referimos no ponto 4, as variações positivas e negativas que resultem da cotação em mercado
regulamentado de instrumentos financeiros são aceites fiscalmente, desde que o sujeito passivo não detenha,
directa ou indirectamente, uma participação no capital superior a 5% do respectivo capital social (artigo 18.º
n.º 9).
38
Contrariamente ao defendido pela Autoridade Tributária e Aduaneira na Circular 6/2011, somos da
opinião que no cálculo da mais-valia ou menos-valia resultantes da alienação de viaturas ligeiras de
passageiros, deve atender-se às depreciações fiscalmente aceites, nos termos expressamente aqui previstos.
39
Vr = Valor de realização; Enc = Encargos com a venda; Vaq = Valor de aquisição; PI = Perdas por
Imparidade; Daf = Depreciações ou amortizações fiscalmente aceites; Coef = Coeficiente de desvalorização
da moeda.

67
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

caso de alienação de títulos de dívida, será atendível o valor da transacção, líquido dos
juros contáveis desde a data do último vencimento ou da emissão, até à data da
transmissão, bem como da diferença atribuível àqueles períodos, entre o valor de
reembolso e o preço da emissão, nos casos de títulos cuja remuneração seja constituída por
aquela diferença.

Se estivermos perante a alienação de direitos reais sobre bens imóveis deve adoptar-
se como valor de realização, para efeitos da determinação do lucro tributável, valores
normais de mercado que não podem ser inferiores aos valores patrimoniais tributários
definitivos que serviram de base à liquidação do imposto municipal sobre as transmissões
onerosas de imóveis (IMT) ou que serviriam no caso de não haver lugar à liquidação deste
imposto, ou à liquidação de imposto do selo (IS) no caso de doações (artigo 64.º). Ou seja,
se o valor constante do contrato for inferior ao valor patrimonial tributário do imóvel, é
este o valor que deve ser considerado para determinação da mais-valia ou menos valia,
excepto se provar, nos termos do artigo 139.º, que o preço praticado é efectivamente
inferior ao valor considerado para efeitos de IMT.

Os coeficientes de correção monetária, definidos por portaria do Ministro das


Finanças (Portaria n.º 317/2018, de 11 de dezembro), visam atualizar o valor de aquisição
como resultado do efeito de desvalorização da moeda ao longo do período de detenção
mas só são aplicados se já tiverem decorrido, pelo menos dois anos, desde a data de
aquisição (artigo 47.º). Este coeficiente não é aplicável aos instrumentos financeiros, com
excepção das partes de capital.

Não integram o conceito de mais-valias ou menos-valias os resultados obtidos em


consequência da entrega pelo locatário ao locador dos bens objecto de locação financeira e
os resultados obtidos com a transmissão onerosa ou afectação de títulos de dívida cuja
remuneração seja constituída, total ou parcialmente, pela diferença entre o valor do
reembolso ou de amortização e o preço de emissão, colocação ou endosso, por serem
tributados como rendimentos de juros.

68
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

As menos-valias realizadas relativamente a barcos de recreio, aviões de turismo e


viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, que não estejam afectos à exploração de serviço
público de transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da actividade normal
do sujeito passivo não são aceites como gasto.

Saliente-se por fim que a tributação das mais-valias apuradas pode ser mitigada em
caso de reinvestimento dos valores de realização dos activos alienados. Deste modo, o
saldo positivo entre as mais-valias e as menos-valias realizadas com a transmissão onerosa
de ativos tangíveis, ativos intangíveis ou ativos biológicos que não sejam consumíveis ou,
detidos por um período não inferior a um ano, é considerado em metade do seu valor. Para
este efeito, o valor de realização da totalidade dos activos transmitidos deve ser
reinvestido na aquisição, produção ou construção de ativos fixos tangíveis, ativos
intangíveis ou de ativos biológicos que não sejam consumíveis no período anterior de
tributação, no próprio período ou até ao fim do segundo período de tributação seguinte.

No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor de realização, o


regime do reinvestimento é aplicado à parte proporcional da diferença entre as mais-valias
e as menos-valias.

Se o reinvestimento não tiver sido concretizado, total ou parcialmente, até ao final


do segundo período de tributação seguinte ao da realização, tributa-se como rendimento
do período o saldo positivo entre as mais-valias e as menos-valias, ou a parte proporcional
que não foi objecto de reinvestimento, majorados de 15%.

13. Eliminação da dupla tributação económica

A tributação do lucro na esfera da própria sociedade e na esfera do sócio ou


accionista (dividendo) gera uma dupla tributação económica: o mesmo rendimento é

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

sujeito a imposto na esfera de dois sujeitos passivos diferentes40. Para evitar esta dupla
tributação, o artigo 51.º exige o cumprimento cumulativo dos seguintes requisitos:

a) O sujeito passivo detenha direta ou indiretamente, uma participação não


inferior a 10% do capital social ou dos direitos de voto da entidade que distribui os lucros
ou reservas:

b) A participação tenha sido detida, de modo ininterrupto, durante o ano


anterior à distribuição dos lucros ou, se detida há menos tempo, desde que a participação
seja mantida durante o tempo necessário para completar aquele período;

c) A entidade beneficiária não seja abrangida pelo regime da transparência


fiscal;

d) A entidade que distribui os lucros ou reservas esteja sujeita e não isenta de


IRC, ou sujeita ao imposto especial de jogo (art.º 7º do CIRC), ou caso seja residente
noutro Estado Membro que esteja sujeita a um dos impostos enumerados na Parte B do
anexo I da Diretiva n.º 2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro (Diretiva “Mães-
Afiliadas”), ou a um imposto de natureza idêntica ou similar ao IRC e a taxa legal
aplicável à entidade não seja inferior 60% da taxa de IRC prevista no n.º 1 do art.º 87º do
CIRC (60%x 21% = 12,6%);

e) A entidade que distribui os lucros não pode ser entidade residente em país,
território ou região que se encontre sujeito um regime fiscal claramente mais favorável
(constante da Portaria dos “paraísos fiscais”).

Não sendo cumprido o disposto na alínea d) atrás citada, poderá ainda o sujeito
passivo beneficiar da eliminação integral da dupla tributação económica desde que sejam
cumpridos, cumulativamente, as condições previstas no art.º 66º n.º 6 do CIRC (n.º 2 do
art.º 51º do CIRC)

40
Por contraponto à dupla tributação jurídica em que o mesmo rendimento é sujeito a tributação duas ou
mais vez na esfera do mesmo sujeito passivo, relativamente ao mesmo período.

70
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Quando a distribuição de lucros e reservas seja efetuada por entidade residente fora
de território nacional e não estejam preenchidos os requisitos para a eliminação da dupla
tributação económica, tais lucros e reservas podem ainda beneficiar do crédito de imposto
por dupla tributação internacional previsto nos arts. 91º e 91º A do CIRC.

O n.º 10 do art.º 51º do CIRC estabelece duas condições adicionais à aplicação deste
mecanismo de eliminação da dupla tributação económica, quanto aos lucros e reservas
distribuídos:

a) Não podem corresponder a gastos dedutíveis para a entidade que distribui


os lucros;

b) Terão de ser distribuídos por entidades sujeitas e não isentas de imposto


sobre o rendimento ou, quando aplicável, provenham de rendimentos sujeitos e não
isentos de imposto sobre o rendimento nas sociedades subafiliadas, salvo quando a
entidade que distribuí os lucros ou reservas seja residente num Estado Membro da União
Europeia ou um Estado Membro do Espaço Económico Europeu;

O artigo 51º B do CIRC estabelece as regras de comprovação do cumprimento dos


requisitos previstos no art.º 51º do CIRC no que respeita à eliminação da dupla tributação
económica.

Se a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) tiver dúvidas sobre a veracidade dessas


declarações ou documentos apresentados pelos sujeitos passivos de imposto, caberá à AT
provar que tais declarações ou documentos ou ainda as informações neles incluídas não
estão corretas, quando a entidade que distribui os lucros ou reservas tenha a sua sede ou
direção efetiva, em:

a) Estado membro da União Europeia;

b) Estado membro do Espaço Económico Europeu que esteja vinculado a


cooperação administrativa no domínio da fiscalidade;

71
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

c) Estado, país ou território com o qual Portugal tenha celebrado uma


Convenção para evitar a dupla tributação internacional ou um acordo sobre troca de
informação em matéria fiscal;

Quando a entidade que distribui os lucros ou reservas tenha a sua sede ou direção efetiva
noutro Estado, país ou território que não seja nenhum dos supra mencionados, o ónus da
prova, da veracidade dos documentos e da informação neles constante, é do sujeito
passivo beneficiário desses rendimentos;

Pelo art.º 51º D, o mecanismo de eliminação da dupla tributação económica


respeitante aos lucros e reservas distribuídas também se pode aplicar a estabelecimentos
estáveis situados em território português de:

a) Entidade residente num Estado membro da União Europeia, desde que essa
entidade preencha os requisitos e condições estabelecidos no art.º 2º da Diretiva n.º
2011/96/UE, de 30 de novembro;

b) Entidade residente num Estado membro do Espaço Económico Europeu


sujeita a obrigações de cooperação administrativa no domínio da fiscalidade equivalentes
às estabelecidas no âmbito da União Europeia, desde que esta entidade preencha os
requisitos e condições equiparáveis aos estabelecidos no artigo 2.º da Diretiva n.º
2011/96/EU, de 30 de novembro;

c) Entidade residente num Estado, que não conste da lista de países, territórios
ou regiões sujeitos a um regime fiscal claramente mais favorável (os ditos “paraísos
fiscais”), aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela área das
finanças, com o qual tenha sido celebrada convenção para evitar a dupla tributação, que
preveja cooperação administrativa no domínio da fiscalidade equivalente à estabelecida no
âmbito da União Europeia e que nesse Estado esteja sujeita e não isenta de um imposto de
natureza idêntica ou similar ao IRC.

72
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Mais-valias e menos-valias realizadas com a transmissão de partes sociais

Não concorrem para a determinação do lucro tributável dos sujeitos passivos com
sede e direção efetiva em território português, as mais-valias e as menos-valias realizadas
mediante transmissão onerosa de partes sociais detidas ininterruptamente por um período
não inferior a um ano, desde que verificadas as seguintes condições à data da respetiva
transmissão onerosa:

a) A participação detida (direta ou indiretamente) pelo sujeito passivo


alienante não seja inferior a 10% do capital social ou dos direitos de voto da entidade
participada;

b) A entidade alienante não seja abrangida pelo regime da transparência fiscal;

c) A entidade participada esteja sujeita e não isenta de IRC, ou sujeita ao


imposto especial de jogo (art.º 7º do CIRC), ou caso seja residente noutro Estado Membro
que esteja sujeita a um dos impostos enumerados na Parte B do anexo I da Diretiva n.º
2011/96/UE, do Conselho, de 30 de novembro (Diretiva “Mães-Afiliadas”), ou a um
imposto de natureza idêntica ou similar ao IRC e a taxa legal aplicável à entidade não seja
inferior 60% da taxa de IRC prevista no n.º 1 do art.º 87º do CIRC (60%x 21% = 12,6%);

d) A entidade participada não pode ser entidade residente em país, território


ou região que se encontre sujeito um regime fiscal claramente mais favorável (constante
da Portaria dos “paraísos fiscais”).

As condições são idênticas às enunciadas nas alíneas a), c), d) e e) do n.º 1 do art.º
51º do CIRC.

A condição elencada na alínea c) acima descrita pode ser substituída pelo


cumprimento das condições do n.º 6 do art.º 66º do Código de IRC.

73
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Esta exclusão da concorrência para a determinação do lucro tributável também se


aplica às mais-valias e menos valias realizadas com a transmissão de outros instrumentos
de capital próprio associados a tais partes sociais, como é o caso de transmissões de
prestações suplementares (n.º 2 do art.º 51.º C do CIRC).

De acordo com o art.º 51º D, o regime atrás exposto quanto às mais-valias e menos-
valias realizadas com a transmissão onerosa de partes sociais também se pode aplicar a
estabelecimentos estáveis situados em território português.

14. Dedução de prejuízos fiscais

Como já referimos, apesar das regras de periodização do lucro tributável, o


legislador estabeleceu um princípio de solidariedade entre períodos ao permitir a dedução
dos prejuízos de um período nos períodos seguintes. Mais do que uma característica
predominantemente fiscal, as regras de dedução de prejuízos têm subjacente uma profunda
racionalidade económica e percepção dos ciclos da vida de uma empresa que se
prolongam durante vários exercícios até que os investimentos e planos de
desenvolvimento definidos pelos órgãos de gestão produzam resultados.

Assim, de acordo com a actual redacção do artigo 52.º, os prejuízos fiscais apurados
em determinado período de tributação são deduzidos aos lucros tributáveis de um ou dos
cinco períodos posteriores, à exceção dos sujeitos passivos que exerçam, diretamente e a
título principal, uma atividade económica de natureza agrícola, comercial ou industrial e
que estejam abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro, os quais podem
fazê-lo em um ou mais dos doze períodos de tributação posteriores.

O número de anos de dedução dos prejuízos fiscais tem sido objecto de alteração nos
últimos anos, conforme tabela que se anexa:

Período de Período de Percentagem máxima de


tributação dedução dedução
2009 e anteriores 6 Exercícios 100%
2010 4 Exercícios 100%
2011 4 Exercícios 100%

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2012 e 2013 5 Exercícios 75% do lucro tributável


2014, 2015 e 2016 12 Exercícios 70% do lucro tributável
2017/201/20198 5 Exercícios – 70% do lucro tributável
Não PME
2017/2018/2019 12 Exercícios - 70% do lucro tributável
PME

A dedução a efetuar em cada um dos períodos de tributação seguintes não pode


ultrapassar 70% do lucro tributável, não obstando a que a parte do prejuízo não deduzida o
seja nos períodos seguintes, com respeito pelos limites temporais. Com esta alteração, o
legislador impede que as entidades com muitos prejuízos reportáveis conseguissem evitar
o pagamento de qualquer imposto.

Por outro lado, a aplicação de métodos indirectos em determinado período obsta à


dedução dos prejuízos fiscais, ainda que se encontrem dentro dos limites de dedução, não
ficando, porém, prejudicada a dedução nos exercícios futuro em que o lucro tributável seja
apurado por métodos directos. Esta norma não impede, no entanto, a dedução dos
prejuízos fiscais apurados por aplicação de métodos indirectos, nos termos gerais41.

No n.º 8 do artigo 52.º impede-se a dedução de prejuízos quando, à data do termo do


período de tributação em que é efectuada a dedução de prejuízos se tiver verificado uma
alteração da titularidade de, pelo menos 50%, do capital social ou da maioria dos votos.42.
Em casos especiais de “manifesto interesse económico”, mediante requerimento prévio, o
Ministro das Finanças pode autorizar que estas limitações não sejam aplicáveis43. O n.º 9
do art.º 52º do CIRC enuncia as situações de alteração da titularidade do capital ou dos
direitos de voto, que não são tidas em consideração para perda desse benefício:
41
Vide Acórdão do STA, de 25 de Fevereiro de 2011, Proc. 865/10 e de 10 de Janeiro de 2007, Proc.
589/06.
42
“Por definição comum, uma alteração substancial consiste na mudança da substância, da essência, do
núcleo fundamental, estruturante, de uma coisa/actividade, que, por efeito dessa transformação, se passa a
apresentar ou desenvolver em moldes diferentes, com características próprias, quantitativa e/ou qualitativa,
nitidamente, diversas das antecedentes.” – Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, de 26 de
Outubro de 2010, Proc. 03847/10.
43
Se os prejuízos se reportarem ao período imediatamente anterior ao das alterações e estas ocorram antes
da entrega da declaração periódica de rendimentos, o requerimento pode ser apresentado no prazo de 15
dias, contados do termo do prazo de entrega da declaração (n.º 12 do artigo 52.º).

75
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

a) Passagem da titularidade do capital social ou dos direitos de voto de direta


para indireta, ou de indireta para direta, bem como das quais resulte a transmissão daquela
titularidade entre sociedades cuja maioria do capital social ou dos direitos de voto seja
detida direta ou indiretamente, nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, por uma mesma
entidade;

b) Decorrentes de operações efetuadas ao abrigo do Regime especial aplicável


às fusões, cisões, entradas de ativos e permutas de partes;

c) Decorrentes de sucessões por morte

d) Quando o adquirente detenha ininterruptamente, direta ou indiretamente,


mais de 20% do capital social ou da maioria dos direitos de voto da sociedade desde o
início do período de tributação a que respeitam os prejuízos;

e) Quando o adquirente seja trabalhador ou membro dos órgãos sociais da


sociedade, pelo menos desde o início do período de tributação a que respeitam os
prejuízos.

No caso de o contribuinte beneficiar de isenção parcial ou de redução de IRC, os


prejuízos fiscais não poderão se deduzidos, em cada período de tributação, dos lucros
tributáveis das restantes. Permite-se, todavia, que, uma vez terminada a aplicação do
regime de isenção ou redução de taxa e hajam prejuízos destas actividade que não foram
reportados, o contribuinte possa, dentro dos limites temporais, deduzir estes prejuízos ao
lucros tributáveis das restantes actividades.44

O artigo 75.º estabelece um regime excepcional de transmissão de prejuízos fiscais


em caso de fusão, cisão ou entrada de activos com transferência de estabelecimento
estável. A dedução dos prejuízos pela nova sociedade ou sociedades beneficiárias, nos
termos e prazos previstos no artigo 52.º, depende de autorização do Ministro das Finanças,
mediante requerimento em que se comprove que a fusão é realizada por “razões

44
Informação Vinculativa, Proc. 1664/06, com despacho do Subdirector Geral do IR, de 21 de Novembro de
2006.

76
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

económicas válidas”. Trata-se de uma reserva ao regime de neutralidade fiscal justificada


com a necessidade de prevenir eventuais abusos.

No âmbito do regime especial de tributação de grupos de sociedades previsto nos


artigos 69.º a 71.º prevê-se ainda que os prejuízos das sociedades do grupo verificados em
períodos de tributação anteriores ao início da aplicação do regime só podem ser deduzidos
ao lucro tributável do grupo até ao limite do lucro da sociedade a que respeitam; os
prejuízos do grupo apurados nos períodos em que seja aplicado o regime só podem ser
deduzidos aos lucros tributáveis do grupo.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

IV.
V. TAXAS

1. Taxas

A taxa de IRC aplicável aos sujeitos passivos que exerçam, diretamente, e a título
principal atividade de natureza agrícola, industrial ou comercial é de 21%.

Porém, quando estes sujeitos passivos sejam qualificados como pequena e média empresa
podem beneficiar de uma taxa mais reduzida. A referida taxa é de 17%, sendo aplicável
aos primeiros € 15.000 de matéria coletável. Ao valor da matéria coletável que exceda €
15.000 aplica-se a taxa de 21%.

Pelo n.º 3 do art.º 87º do CIRC, estabelece-se que a aplicação da taxa reduzida de 17%
está sujeita às regras europeias aplicáveis em matéria de auxílios de minimis7. Para efetuar
o controlo dos limites em termos de auxílios de minimis deve ser quantificado o benefício
obtido com a aplicação desta taxa reduzida, no campo 904-B do quadro 09 do Anexo D à
declaração modelo 22.

Taxas aplicáveis na Região Autónoma dos Açores

No caso de entidades que tenham sede ou direção efetiva ou estabelecimento estável


Região Autónoma dos Açores, e obtenham rendimentos imputáveis àquela Região
Autónoma, às taxas vigentes no art.º 87º do CIRC, aplica-se uma redução de 20% (n.º1 do
art.º 5º do Decreto Legislativo Regional n.º 2/99/A). Tal redução é aplicável para os
períodos de tributação que se iniciam em ou após 1 de janeiro de 2014.

Deste modo, para os sujeito passivos que exercem, a título principal, atividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola, as taxas a aplicar aos rendimentos correspondentes às
instalações situadas nos Açores, para os períodos que se iniciem em 1 de janeiro de 2015 é
16,8% e 13,6% (n.º 1 e n.º 2 do art.º 87º do CIRC).

Taxas aplicáveis na Região Autónoma da Madeira

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Na Região Autónoma da Madeira, o Decreto Legislativo Regional n.º 26/2018/M, de 31


de dezembro, que aprova o Orçamento da Região Autónoma da Madeira para 2019,
reduziu as taxas de IRC.

Assim, a taxa de IRC aplicável aos períodos de tributação com início em ou após 1 de
janeiro de 2019 é reduzida para 20% (anteriormente, 21%). No caso de sujeitos passivos
de IRC que qualifiquem como pequenas ou médias empresas, a taxa de IRC passa a ser de
13% (anteriormente, 16%), aplicável aos primeiros 15.000 Euros de matéria coletável (a
taxa normal de IRC é aplicável ao excedente).

2. Taxas de tributação autónoma

Em total dissociação com a estrutura do IRC, o artigo 88.º enumera um conjunto de


gastos que são sujeitos a tributação. Assim, além das regras relativas aos encargos não
dedutíveis, penalizam-se com o pagamento de um imposto autónomo determinados gastos.

Taxa em caso
Tipo de encargos Taxa
de prejuízo

Despesas não documentadas 50% ou 70% 60% ou 80%

Encargos com viaturas ligeiras de passageiros, motos e 10%, 27,5% ou 20%, 37,5% ou
motociclos 35% 45%

Despesas de representação 10% 20%

Despesas correspondentes a importâncias pagas ou


devidas, a qualquer título, a pessoas singulares ou
35% ou 55% 45% ou 65%
coletivas residentes fora do território português e aí
submetidas a um regime fiscal claramente mais favorável;

Encargos relativos a ajudas de custo e a compensação pela


5% 15% (1)
deslocação em viatura própria do trabalhador;

80
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Lucros distribuídos por entidades sujeitas a IRC a sujeitos


23% 33%
passivos que beneficiam de isenção total ou parcial;

Os gastos ou encargos relativos a indemnizações, bónus e


outras remunerações variáveis pagas a gestores, 35% 45%
administradores ou gerentes.

As taxas de tributação autónoma foram substancialmente agravadas em 2011


(através da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro) para a generalidade dos gastos,
adicionando-se, inclusive, uma tributação suplementar de 10%, quando os sujeitos
passivos apresentem prejuízos fiscais.

Neste art.º 88º do CIRC está prevista a tributação autónoma dos seguintes encargos:

81
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

V. LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO
VI.

A liquidação do IRC é feita pelo próprio sujeito passivo na declaração periódica de


rendimentos e tem por base a matéria colectável declarada. Na falta de entrega da
declaração, a Autoridade Tributaria e Aduaneira procede ao apuramento da matéria
colectável, tendo por base o valor anual da retribuição mínima mensal ou, quando
superior, a matéria colectável do exercício mais próximo ou, não existindo, os elementos
que tenha ao seu dispor (artigo 90.º n.ºs 1 e 2).

Com os limites previstos no artigo 92.º, à colecta apurada após a aplicação da taxa à
matéria colectável são efectuadas, segundo a ordem indicada, as seguintes deduções
relativas a: (1) crédito por dupla tributação internacional (artigo 91.º); (2) benefícios
fiscais que operam por dedução à colecta; (3) Pagamento Especial por Conta; e (4)
retenções na fonte suportadas pelo sujeito passivo não susceptíveis de compensação ou
reembolso.

As obrigações de pagamento decorrentes do Código do IRC não se cingem ao


imposto autoliquidado que resulte da entrega da declaração periódica de rendimentos
(modelo 22)

Quando se trate de entidades que exercem, a título principal, atividade de natureza


comercial, industrial ou agrícola, e aos não residentes com estabelecimento estável temos
ainda de considerar três tipos de pagamentos distintos que representam entregas por conta
do imposto devido a final.

1. Três pagamentos por conta (PC) durante o ano;

2. Um pagamento especial por conta (PEC), que pode ser entregue em duas
prestações;

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Três pagamentos adicionais por conta da derrama estadual

Em relação aos valores devidos aquando da entrega da declaração modelo 22, serão
considerados não só o IRC (onde se inclui as tributações autónomas) mas igualmente a
chamada derrama estadual prevista no art.º 87º A do CIRC.

Mas, no cálculo dos valores a pagar (ou a serem reembolsados) terá de se tomar em
consideração as entregas efetuadas por conta destes impostos, quer pelo sujeito passivo: os
pagamentos por conta e o pagamento especial por conta e o pagamento adicional por
conta da derrama estadual, quer por terceiros, como é o caso da retenção na fonte que
tenha sido feita pelas entidades pagadoras do imposto.

Não há lugar ao pagamento ou reembolso de IRC que resulte da entrega do modelo


22, ainda que em substituição de declaração entregue anteriormente, quando o seu
montante for inferior a € 25.

Da entrega da declaração periódica de rendimentos, também pode ocorrer


reembolso, devendo este ser feito até ao fim do 3.º mês seguinte ao do seu envio, quando a
declaração tenha sido enviada no prazo legal e não contenha erros de preenchimento. Não
sendo efetuado o reembolso neste prazo, acrescem à quantia a restituir juros
indemnizatórios a taxa idêntica à aplicável aos juros compensatórios a favor do Estado.

Pagamentos por conta

Como atrás referido e como resulta do seu nome, são adiantamentos por conta do
imposto que será pago a final. São três os pagamentos por conta a realizar durante o
exercício, com os seguintes vencimentos:

a) Julho;

b) Setembro;

c) 15 de dezembro

83
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No caso de empresas com período de tributação diferente do ano civil, os três


pagamentos terão de ser realizados até ao final do 7.º, 9.º e dia 15 do 12.º mês do respetivo
período de tributação.

Os pagamentos por conta são calculados com base no imposto liquidado nos termos
do n.º 1 do artigo 90.º do CIRC, ou seja, considerando a coleta relativamente ao período
imediatamente anterior àquele, líquida de retenções na fonte.

Existem duas fórmulas de cálculo dos pagamentos por conta, que se diferenciam em
função do volume de negócios:

- Volume de negócios igual ou inferior a € 500.000,00

Pagamentos por Conta = (Coleta do período anterior - retenções na fonte do período


anterior) x 80%

- Volume de negócios superior a € 500.000,00

Pagamentos por Conta = (Coleta do período anterior - retenções na fonte do período


anterior) x 95%

O montante assim obtido é dividido pelas três prestações.

A “coleta do período anterior” corresponde ao campo 351 do quadro 10 da


declaração modelo 22 e as “retenções na fonte do período anterior” ao campo 359 da
mesma declaração.

84
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Apenas é possível limitar ou suspender o terceiro pagamento por conta, pelo que os
dois primeiros pagamentos são sempre obrigatórios.

A condição para suspender o terceiro pagamento é a verificação, pelo sujeito passivo


que o montante do pagamento por conta já efetuado é igual ou superior ao imposto que
será devido com base na matéria coletável do período de tributação.

Pagamento especial por conta (PEC)

Este pagamento aplica-se, igualmente, apenas às entidades que exercem, a título


principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, e aos não residentes com
estabelecimento estável, estando previsto no art.º 106º do CIRC.

Trata-se de um único pagamento, embora possa ser realizado em duas prestações:


em março e em outubro. Para as entidades que tenham um período de tributação diferente
no ano civil este pagamento deve realizar-se no terceiro e décimo mês.

Também existe um período especial para entrega do PEC para os sujeitos passivos
que tenham cessado o enquadramento no regime simplificado, por terem ultrapassado,
nesse período, o montante anual ilíquido de rendimentos ou o limite do total do balanço,
retroagindo esse enquadramento a 1 de janeiro. Nesses casos, o PEC é efetuado numa
única prestação até final do 3º mês do período de tributação seguinte (n.º 14 do art.º 106º
do CIRC). Este prazo diferenciado justifica-se por o sujeito passivo não ter realizado o
PEC nos meses devidos por se julgar enquadrado no regime simplificado.

Não há lugar a PEC, no período de tributação em que se inicia a atividade e no


período seguinte.

85
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Embora possa ter também a natureza de pagamento por conta do imposto devido a
final, a insuficiência de coleta pode determinar que este pagamento fique em crédito.

O montante do pagamento especial por conta é igual a 1 % do volume de negócios


relativo ao período de tributação anterior, com o limite mínimo de € 850, e, quando
superior, é igual a este limite acrescido de 20 % da parte excedente, com o limite máximo
de € 70 000. Ao montante assim apurado deduzem-se os pagamentos por conta calculados
nos termos do artigo 105.º do CIRC, efetuados no período de tributação anterior.

O limite mínimo de € 850 resultou de alteração da Lei do Orçamento do Estado para


2017 (Lei 42/2016, 28/12. O anterior limite mínimo era de € 1.000

O volume de negócios a considerar, no cálculo do PEC, corresponde ao valor das


vendas e dos serviços prestados geradores de rendimentos sujeitos e não isentos.

Dispensa de realização de PEC:

a) Os sujeitos passivos totalmente isentos de IRC, ainda que a isenção não


inclua rendimentos que sejam sujeitos a tributação por retenção na fonte com caráter
definitivo, bem como os sujeitos passivos que apenas aufiram rendimentos não sujeitos ou
isentos;

b) Os sujeitos passivos que se encontrem com processos no âmbito do Código


da Insolvência e da Recuperação de Empresas, a partir da data de instauração desse
processo;

c) Os sujeitos passivos que tenham deixado de efetuar vendas ou prestações de


serviços e tenham entregue a correspondente declaração de cessação de atividade a que se
refere o artigo 33.º do Código do IVA;

86
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

d) Os sujeitos passivos aos quais seja aplicado o regime simplificado de


tributação.

e) Os sujeitos passivos que não efetuem o pagamento até ao final do terceiro


mês do respetivo período de tributação, desde que as obrigações declarativas
previstas nos artigos 120.º e 121.º, relativas aos dois períodos de tributação
anteriores, tenham sido cumpridas nos termos neles previstos.

A situação prevista na alínea c) implica duas condições cumulativas, não bastando


que se tenha entregue declaração de cessação para efeitos de IVA. Haverá que também se
tenha deixado de efetuar vendas e/ou prestações de serviços.

O PEC apurado será tanto menor, quanto maiores forem os pagamentos por conta
calculados e realizados no ano anterior. Sendo estes últimos indexados à coleta obtida no
período anterior, tendencialmente, o PEC destina-se a penalizar as entidades que não
apresentam imposto (coleta) ou em que o seu valor é diminuto face ao volume de
negócios.

O pagamento especial por conta apenas pode ser deduzido à coleta apurada. Se não
existe coleta ou esta é insuficiente, então tal pagamento, ou a parte que excede a coleta,
fica em crédito para o exercício ou exercícios seguintes. A Lei n.º 2/2014, de 16 de
janeiro, que procedeu à Reforma do IRC alargou o prazo de dedução de cinco exercícios
(o próprio e mais quatro) para sete exercícios (o próprio e mais seis) (art.º 93º n.º 1 do
CIRC).

A citada Lei de Reforma do IRC também passou a prever a possibilidade de


reembolso do PEC, sobre a parte não deduzida findo o prazo concedido para dedução à
coleta, sem necessidade de cumprir condições adicionais de rácios de atividade ou de ficar
sujeito a inspeção tributária. Para solicitar o reembolso apenas necessita e entregar
requerimento dirigido ao chefe do serviço de finanças da área da sede, direção efetiva ou
estabelecimento estável em que estiver centralizada a contabilidade, no prazo de 90 dias a
contar do termo do período de tributação em que terminou o prazo para dedução à coleta.

87
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

VII. REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO

A reintrodução de um regime simplificado de tributação é uma das principais


alterações da denominada reforma do Código do IRC, aprovada pela Lei 2/2014, de 16 de
Janeiro. Como é sabido, o regime simplificado em IRC introduzido pelo Decreto-Lei n.º
198/2001, de 3 de julho, foi suspenso, com efeitos a partir do período de 2009, pelo artigo
72.º da Lei nº 64-A/2008, de 31 de Dezembro e definitivamente revogado no ano seguinte
pela Lei n.º 3-B/2010, de 28 de Abril (Lei do OE 2010) .O abandono deste regime à data
resultou da reduzida adesão das empresas: apenas ficavam enquadrados no regime
simplificado de tributação alguns contribuintes que, incautos, não exerciam devidamente a
opção ou aqueles que conseguiam, legitimamente, obter vantagens fiscais na determinação
da matéria coletável.

Para defesa da proposta de reintrodução do novo regime, a Comissão para a


Reforma do IRC invoca como principal argumento a redução dos custos de observância
das regras fiscais não só para os contribuinte mas também para a própria Autoridade
Tributária e Aduaneira (AT) na fiscalização e acompanhamento destes contribuintes. 45

Apesar dos fundamentos para A criação do regime simplificado em 2000 e 2013


serem, no essencial, os mesmos, o novo regime simplificado tem diferenças assinaláveis
que o distinguem claramente do regime anterior. Desde logo, porque se trata de um
verdadeiro regime opcional (opting in) e não um regime-regra que os contribuintes podem
afastar optando pelo regime geral de tributação (opting out). Esta alteração reduz
imediatamente a litigância judicial sobre as regras de enquadramento no regime
simplificado que caracterizaram o regime anterior e enquadra logicamente a imposição
constitucional da tributação do rendimento real como regime principal. De notar também,
como analisaremos adiante, a preocupação em enquadrar de forma claramente mais
favorável as principais atividades comerciais e industriais46.

45
COMISSÃO PARA A REFORMA DO IRC – 2013, Relatório Final – Uma Reforma do IRC virada para
a Competitividade, o Crescimento e o Emprego, Junho 2013, pp.69-79.
46 Segundo a Comissão de Reforma do IRC, poderão aderir ao regime simplificado 197.400 empresas e destas 161 mil

terão um regime mais favorável (atentos às estatísticas das empresas que em 2011 entregaram a declaração modelo 22).

89
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Analisaremos de seguida o enquadramento constitucional do regime simplificado,


evolução e análise das suas principais características.

Enquadramento constitucional: o regime simplificado e a tributação do “rendimento


real”

A introdução de um regime simplificado de tributação deve atender, em primeiro


lugar, ao enquadramento constitucional da tributação das empresas: a tributação das
empresas incide fundamentalmente, sobre o seu rendimento real (artigo 104.º n.º 2 da
Constituição da República Portuguesa).

O legislador constitucional estabeleceu a obrigatoriedade da tributação das


empresas, nas suas mais variadas formas – os vários tipos de sociedades ou as empresas
em nome individual –, de acordo com o lucro ou rendimento real.

No contexto histórico da evolução dos impostos sobre o rendimento, a referência à


tributação do lucro “real” opõe-se à tributação do lucro “normal” (consagrado no regime
fiscal anterior para a maioria das empresas47) como tal considerado o rendimento que
podia ser obtido em condições normais de exploração, independentemente dos
condicionalismos económicos que possam afetar a atividade48. Com efeito, neste regime,
não se pretendia tributar um lucro aproximado ao lucro efetivo, mas apenas aquele que
seria expectável num plano puramente teórico-económico e determinável segundo um
processo meramente mecânico.

A tributação do “rendimento real” afasta-se assim deste mecanismo presuntivo de


rendimento e visa a conformação da tributação à capacidade do sujeito passivo de

47 O Código da Contribuição Industrial separava os contribuintes em três grupos: A, B e C. Os grupos B e C eram

tributados sobre os lucros presumidos ou normalizados, respectivamente.


48 XAVIER DE BASTOS, “O Princípio de Tributação do Rendimento Real e a Lei Geral Tributária”, Fiscalidade, n.º 5,

2001, cit., p. 10.

90
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

imposto. Trata-se da concretização do princípio da capacidade contributiva, pedra basilar


do nosso sistema fiscal. O princípio da capacidade contributiva (embora não tenha
consagração constitucional expressa) decorre do princípio constitucional da igualdade,
numa dupla vertente: por um lado, todos devem pagar impostos, mas, por outro, todos
devem pagar de acordo com um critério uniforme: a capacidade económica de cada um.

O texto constitucional admite, ainda assim, alguns desvios ao princípio da tributação


pelo lucro real. Recorde-se que, como referimos, a Constituição consagra que a tributação
das empresas incide fundamentalmente (e não, exclusivamente) sobre o seu rendimento
real. Se por um lado a expressão “fundamentalmente” visa estabelecer uma obrigação de
apuramento do lucro tributável tendo por base essencialmente o rendimento real; poderá
afirmar-se, por outro lado, que são admitidas correções ou presunções que, não
correspondendo a uma alteração substancial do rendimento real, o conformem aos
objetivos e princípios do Direito Fiscal.

Este entendimento tem reflexos importantes na configuração concreta do


apuramento do rendimento tributável. O legislador terá que procurar a “justa medida” do
princípio da tributação pelo lucro real. Deve, por isso, exigir-se que as alterações
introduzidas ao princípio da tributação sobre o lucro real sejam justificadas por outros
objetivos da tributação. 49

Veja-se a este respeito os mecanismos de avaliação indireta previstos no artigo 87.º


e seguintes50 que admitem métodos de avaliação indireta nos casos de (i) regime
simplificado de tributação; (ii) impossibilidade de comprovação e quantificação direta e
exata dos elementos indispensáveis à correta determinação da matéria tributável; e (iii) a
matéria tributável do sujeito passivo se afastar, sem razão justificada, mais de 30% para
menos ou, durante três anos seguidos, mais de 15% para menos, do que resultaria da

49 De forma a não anular o preceito constitucional, é nosso entender, que os desvios ao princípio da tributação segundo o
rendimento real devem pautar-se pelo cumprimento de três requisitos cumulativos: (i) as correções operadas pelo Direito
Fiscal não podem corresponder a alterações profundas que descaracterizem o rendimento real; (ii) o legislador deve
adotar um critério de estrita necessidade e razoabilidade; (iii) as correções devem estar devidamente justificadas e
fundamentadas pelos objetivos ou princípios fiscais.
50 A avaliação indireta parte de indícios, presunções ou outros elementos de que a administração disponha para

determinação do valor dos rendimentos ou bens tributáveis (n.º 2 do artigo 83.º da LGT).

91
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

aplicação de indicadores objetivos de atividade de base técnico-científica referidos na


presente lei.

O regime simplificado de tributação constitui, assim, uma exceção ao princípio


constitucional da tributação do rendimento real: a tributação não é efetuada com base na
matéria tributável efetiva ou real mas com base em indicadores objetivos de base técnico-
científica ou coeficientes aplicáveis ao valor das vendas de mercadorias e produtos ou aos
rendimentos obtidos pelos prestadores de serviços.

A conformidade constitucional deste regime normal de tributação resulta do seu


carácter opcional ou voluntário. Tal tem sido reiteradamente referenciado pela
jurisprudência dos tribunais superiores. No Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo
de 12/05/2007, Proc. 0959/06, em que se arguia a inconstitucionalidade do regime
simplificado em sede de IRC, diz-se: “A tributação segundo este regime simplificado é
facultativa, sendo colocada na disponibilidade do sujeito passivo a opção pela tributação
pelo rendimento real, como resulta da parte final do n.º 1 do referido art. 53.º. Nestas
condições, impõe-se a conclusão de que o sistema de tributação de acordo com o regime
simplificado não é incompatível com a regra do art. 104.º, n.º 2, da CRP, pois, por um
lado, o facto de não se tratar de uma imposição absoluta abre ao legislador ordinário a
possibilidade de estabelecer exceções e, por outro lado, sendo garantida a todos os
sujeitos passivos de IRC a possibilidade de serem tributados pelo rendimento real se o
pretenderem, é manifesto que a exceção prevista não desvirtua aquele regime regra de
tributação das empresas pelo rendimento real.51

De igual modo, SALDANHA SANCHES acrescenta que o regime simplificado


“tem sempre como pressuposto uma ação do contribuinte que renuncia ao seu direito
subjetivo de ser tributado com base na contabilidade. E que, procedendo a uma estimativa
dos custos que vai suportar e declarar, opta pela dedução estandardizada.”52

51
No mesmo sentido, a título de exemplo, veja-se os acórdãos do TCAS, de 09/05/2006, Proc. 01096/06; do STA, de
26/06/2007, Proc. 0163/07; do TCAN, de 06/11/2008, Proc. 01069/05.9BEBRG.
52 SALDANHA SANCHES, Revista Fiscalidade 7/8, Julho/Outubro 2001, p. 48. Em sentido diverso, CASALTA
NABAIS tem defendido que o “legislador goza de significativa liberdade conformadora para estabelecer exceções ao
princípio, para criar desvios ao modelo. Exceções ou desvios ao princípio cuja legitimidade constitucional há-de ter por

92
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O direito de o contribuinte optar ou não pelo enquadramento no regime simplificado


confere ao regime um carácter facultativo que para ser atrativo terá de oferecer ao
contribuinte regras fiscais mais favoráveis no quantum fiscal ou, em alternativa, a
simplificação administrativa e a segurança jurídica que compensem um potencial
agravamento do imposto. Não se vislumbrado uma especial e relevante simplificação
administrativa, cremos poder afirmar que o incentivo terá de resultar das condições fiscais
mais vantajosas para o contribuinte.

1. Âmbito de aplicação

Nos termos do n.º 1 do artigo 86.º-A do Código do IRC podem optar pelo regime
simplificado de determinação da matéria coletável os sujeitos passivos residentes, não
isentos nem sujeitos a um regime especial de tributação (como, por exemplo, os sujeitos
passivos enquadrados no regime especial dos grupos de sociedades ou no regime de
transparência fiscal), que exerçam a título principal uma atividade de natureza comercial,
industrial ou agrícola, desde que, cumulativamente, preencham as seguintes condições:

(i) Tenham obtido, no período de tributação imediatamente anterior,


um montante anual ilíquido de rendimentos não superior a € 200 000;
(ii) O total do seu balanço relativo ao período de tributação
imediatamente anterior não exceda € 500 000;
(iii) Não estejam legalmente obrigados à revisão legal de contas;
(iv) O respetivo capital social não seja detido em mais de 20%, direta ou
indiretamente, nos termos do n.º 6 do artigo 69.º, por entidades que não
preencham alguma das condições previstas nas alíneas anteriores, exceto
quando sejam sociedades de capital de risco ou investidores de capital de risco;
(v) Adotem o regime de normalização contabilística para mico
entidades aprovado pelo Decreto-Lei n.º 36-A/2011, de 9 de Março;

suporte outros princípios, nomeadamente o princípio da praticabilidade das soluções jurídicas.” In JOSÉ CASALTA
NABAIS, Introdução ao Direito Fiscal das Empresas, 2013, p. 43.

93
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

(vi) Não tenham renunciado à aplicação do regime nos três anos


anteriores, com referência à data em que se inicia a aplicação do regime.

Face ao anterior regime simplificado, verifica-se um alargamento do universo das


entidades abrangidas: de um limite máximo de rendimentos de €149.639,37, passamos
para um limite mais alargado de €200.000,00. No ano de início de atividade, o
enquadramento faz-se em conformidade com o volume anualizado dos rendimentos
estimados na declaração de início de atividade que terá de ser inferior a €200.000,00.

Para impedir a proliferação de sociedades constituídas exclusivamente para


beneficiar das regras previstas neste regime, o legislador afasta deste regimes as entidades
que sejam participadas, em mais de 20%, por outras entidades que tenham um total de
rendimentos superior a € 200.000,00 e um total de balanço que exceda € 500.000,00. O
objetivo é tentar evitar que o regime simplificado fomente a criação de formas jurídicas ou
entidades artificiais com o objetivo exclusivo de poupança fiscal. Apesar desta norma anti-
abuso, não se impede, em termos práticos, a criação sucessiva de empresas que nunca
ultrapassam os requisitos para enquadramento no regime simplificado por, por exemplo,
sócios particulares.

A limitação prevista na al. e) causa alguma perplexidade: as empresas que


pretendem optar pelo enquadramento no regime simplificado de tributação devem optar
pelo regime de normalização contabilística para microentidades, aprovado pelo Decreto-
Lei n.~36-A/2011, de 9 de março, o que parece constituir mais uma clara interferência do
Direito Fiscal no Direito Contabilístico. A eventual necessidade ou intenção de uma
empresa prestar contas e elaborar as suas demonstrações financeiras com regras mais
completas, nos termos regime geral do Sistema de Normalização Contabilística (SNC),
publicado pelo Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de Julho ou da Norma Contabilística de
Relato Financeiro para as Pequenas Entidades (NCRF-PE), publicada pelo Aviso n.º
15654/2009, de 7 de Setembro, afasta-a do enquadramento no regime simplificado.
Parece-nos uma regra desproporcionada, atendendo a que o legislador tinha sempre a
possibilidade de introduzir as limitações ao resultado contabilístico que entendesse nas

94
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

regras fiscais de determinação da matéria coletável. Caímos, mais uma vez, na histórica
influência do Direito Fiscal nas opções contabilísticas das empresas.

Um vez enquadrado no regime simplificado, se o sujeito passivo renunciar, não pode


voltar a optar pelo regime simplificado antes de decorridos três anos sobre a mesma. Este
constrangimento legal confere ao sujeito passivo uma estabilidade fiscal a médio prazo e
evita a opção pontual pelo regime simplificado para enquadramento específico de uma
qualquer operação, da qual resultem vantagens fiscais.

Opção pelo regime simplificado de determinação da matéria coletável

A opção pelo regime simplificado é feita na declaração de início de atividade, se


cumpridos os respetivos requisitos e o sujeito passivo tiver declarado um total de
rendimentos inferior a € 200.000,00.

Para as empresas que já iniciaram a atividade, a opção é feita através de entrega de


uma declaração de alterações, a apresentar até ao final do segundo mês do período em que
pretendam ficar enquadrados no regime simplificado. Caso o período de tributação
coincida com o ano civil, a opção deve ser feita até ao final do mês de fevereiro 53, desde
que o total de balanço e rendimentos do ano anterior não sejam superiores aos limites
previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 86.º-A.

Uma vez feita a opção pelo regime simplificado, cumpridos os requisitos legais, o
sujeito passivo pode manter-se indefinidamente no regime simplificado.

Em sentido contrário, o regime simplificado cessa quando deixarem de se verificar


os respetivos requisitos ou o sujeito passivo renuncie voluntariamente à sua aplicação
(com o efeito de não puder voltar a optar pelo regime simplificado durante três anos).

53
Excepcionalmente, em 2014, o prazo de opção foi prorrogado até 31 de março de 2014 – Despacho n.º
57/2014-XIX, de 28 de Fevereiro.

95
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Quanto à cessação involuntária do regime simplificado, os requisitos previstos nas


alíneas a), b) do n.º 1 do artigo 86.º-A do Código do IRC só deixam de se verificar no ano
seguinte. Como o montante de rendimentos e total de balanço dizem respeito ao período
de tributação anterior, caso o contribuinte opte, até final de Fevereiro, pelo regime
simplificado, só no período seguinte é que estes requisitos poderão não se verificar. Esta
interpretação não é, no entanto, partilhada pelos serviços da AT na doutrina administrativa
vertida na Circular n.º 6/2014, da Direção de Serviços de IRC. No exemplo aí apresentado,
caso o sujeito passivo reunisse, no início de 2014, as condições exigidas no n.º 1 do artigo
86.º-A do CIRC, poderia, até final de fevereiro, optar pela aplicação do regime
simplificado. Feita a opção, caso o montante ilíquido de rendimentos ultrapasse nesse
mesmo ano o limite de € 200.000,00, o sujeito passivo fica automaticamente enquadrado,
ainda nesse ano, no regime geral. Não podemos concordar com esta interpretação. No
caso, em momento algum durante o ano de 2014, o contribuinte deixou de cumprir os
requisitos previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 86.º-A do CIRC porque os limites
de rendimentos e total de balanço aí previstos referem-se ao ano anterior (2013). No ano
seguinte, o contribuinte ficará enquadrado no regime geral porque efetivamente não
preenche o requisito previstos na al. a) do n.º 1 do artigo 86.º-A do Código do IRC.54

O requisito da al. d) relativo à participação de 20% poderá deixar de se verificar em


qualquer momento do período de tributação.

O legislador introduziu também - de forma inovadora mas, eventualmente, inusitada


-, uma norma de natureza “sancionatória”: o regime simplificado cessa quando o sujeito
passivo não cumpra as obrigações de emissão e comunicação das faturas previstas no
Código do IVA e no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto (n.º 5
do artigo 86.º-A). Mesmo admitindo que a faturação é um elemento essencial na aferição
do total de rendimentos para o enquadramento e determinação da matéria coletável no
regime simplificado, também, pelas mesmas razões, o será no regime geral de tributação e
não podemos, mutais mutados, afasta-lo deste regime. Parece, em síntese, haver uma clara

54
Mais uma vez, as divergências de interpretação quanto às regras de opção pelo regime simplificado contribuirão para
o aumento da litigância fiscal.

96
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

assunção de que o enquadramento no regime simplificado é mais favorável para o


contribuinte, pelo que o incumprimento fiscal é sancionado com a perda do benefício.

Quando se trate da renúncia voluntária ao enquadramento no regime simplificado, o


sujeito passivo deve comunicar esta intenção no mesmo prazo da opção de
enquadramento, ou seja, até ao final do 2.º mês do período de tributação do próprio ano
em que pretende ser tributado pelo regime geral.

Os efeitos da cessação ou renúncia reportam-se ao 1.º dia do período de tributação.


Neste caso, o sujeito passivo deve efetuar os pagamentos especiais por conta em falta
(porque não devidos no regime simplificado) até ao fim do 3.º mês do período de
tributação seguinte (n.º 14 do artigo 106.º do CIRC).

2. Determinação da matéria coletável

A principal dificuldade do legislador quando cria um regime simplificado é


determinar as regras de apuramento do imposto a pagar e, em especial, sobre qual a
matéria coletável a que iremos aplicar a taxa.

Após terem sido ponderadas várias alternativas pela Comissão de Reforma do IRC55,
o legislador optou por manter o modelo já previsto no regimes simplificados em IRS e

55
“Um primeiro modelo assentaria na aplicação de uma taxa sobre o volume de negócios a fim de
determinar o imposto a pagar. Um outro regime, baseado em coeficientes, traduz-se numa forma de
determinação do rendimento a tributar. Este resulta da aplicação de determinados coeficientes aos vários
tipos de rendimentos (derivados de vendas, prestação de serviços e outros) obtidos pelas entidades às quais
seja aplicável. A lei apenas presume os custos, aceitando como corretos, em princípio, os rendimentos
apurados pelo contribuinte.
Um terceiro modelo assentaria na atual estrutura de determinação do IRC. A busca do lucro tributável
implicaria o respetivo cálculo através da consideração dos rendimentos contabilizados e de uma estrutura
de gastos simplificada. Ou seja, dos gastos reconhecidos contabilisticamente, nem todos influenciariam o
resultado fiscal.
Um quarto modelo funcionaria com recurso a um número significativo de parâmetros económicos e
permitiria a obtenção de uma base para a tributação. Tentar-se-ia elaborar uma fórmula na qual se
ponderariam, com peso relativo diverso, certos fatores, à semelhança do esquema vigente em sede de IMI. A
título de mero exemplo, conceber-se-ia uma imposição com base nas seguintes variáveis: atividade
desenvolvida (volume de negócios), postos de trabalho criados (número de empregos líquidos criados no
período) e volume de investimento realizado (em ativos tangíveis ou intangíveis).

97
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

IRC: estabelecer um conjunto de coeficientes para os vários tipos de rendimentos


declarados pelos contribuintes e presumir os respetivos custos.

Assim, a matéria coletável obtém-se através da aplicação dos seguintes coeficientes:

Rendimentos Coef.

Vendas de mercadorias e produtos 0,04

Prestações de serviços (hotelaria e similares, restaurantes e bebidas, exceto


rendimentos de alojamento local na modalidade moradia e apartamentos) 0,04

Rendimentos de alojamento local na modalidade moradia e apartamentos 0,35

Rendimentos das atividades profissionais (artigo 151.º do CIRS) 0,75

Restantes rendimentos de prestações de serviços 0,10

Subsídios destinados à exploração 0,10

Subsídios não destinados à exploração 0,30

Rendimentos (Know how) 0,95

Outros rendimentos de capitais 0,95

Resultado positivo dos rendimentos prediais 0,95

Saldo positivo das mais-valias e menos-valias 0,95

Restantes incrementos patrimoniais 0,95

Valor de aquisição dos incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito 1,00

No ano de início de atividade e no seguinte, os coeficientes relativos às vendas de


mercadorias e produtos, prestações de serviço efetuadas no âmbito de atividades hoteleiras

Um quinto seria baseado em métodos indiretos de aplicação automática, em que, partindo-se das
características técnicas de exploração (v.g., número de trabalhadores, número de viaturas utilizadas,
consumo de água ou energia, área ocupada na atividade), se estimaria um rendimento presumivelmente
obtido em condições normais de exploração.” COMISSÃO PARA A REFORMA DO IRC – 2013,
Relatório Final..., p. 72.

98
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

e similares, restauração e bebidas, outras prestações de serviço e subsídios à exploração


são reduzidos em 50% e 25%, respetivamente.

É manifesta a preocupação do legislador em ampliar o número de coeficientes para


tentar abarcar expressa e individualmente os diversos tipos de rendimentos. Lembramos
que, no anterior regime simplificado em IRC, havia apenas dois coeficientes (0,20 para as
vendas de mercadorias e produtos e 0,45 para os restantes proveitos)56. Outra nota
relevante está relacionada com as diferenças de coeficientes entre o regime simplificado
em IRS e IRC, fomentando a fuga para o IRC da generalidade das atividades empresariais.
Parece-nos também potencialmente negativo a existência de dois coeficientes para os
rendimentos de prestações de serviços: 0,75 aplicável especificamente aos rendimentos de
atividades profissionais concretamente previstas na lista anexa ao Código do IRS e 0,10
aplicável aos rendimentos das restantes prestações de serviço. A considerável diferença
dos dois coeficientes poderá contribuir para a criação de mecanismos e formas artificiais
de enquadramento nas “outras prestações de serviço”.

No n.º 2 do artigo 86.º-B estabelece-se que a matéria coletável não pode ser inferior
a 60% do valor anual da retribuição mensal garantida (para o período de 2014, este valor é
de € 4.074,00), com exceção do ano de início de atividade e seguinte em que, nos mesmos
termos acima assinalados, a matéria coletável tem uma redução de 50% (€ 2.037,00) e
25% (€ 3.055,50). Em consequência, os sujeitos passivos enquadrados no regime
simplificado terão sempre matéria coletável e consequente imposto mínimo a pagar;
também não haverá prejuízos fiscais a deduzir porque tal possibilidade não existe sequer
no regime simplificado. Relativamente aos prejuízos fiscais que possam existir no regime
geral, atendendo a que o regime simplificado é relativo à determinação da matéria
coletável e não do lucro tributável, as sociedades também não poderão deduzi-los. Caso
venha a cessar o enquadramento no regime simplificado, não haverá qualquer
impedimento à sua dedução, se ainda estiverem dentro do período de reporte, nos termos
gerais.

56
Tal resultará provavelmente do carácter provisório daqueles coeficientes que só seriam aplicáveis até à
aprovação dos indicadores de base técnico-científica, o que nunca veio a acontecer.

99
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Outra consequência a assinalar em resultado da natureza do regime simplificado é a


não sujeição à obrigação de pagamento da derrama municipal uma vez que esta incide
sobre o lucro tributável.

O cálculo das mais-valias e menos-valias fiscais de ativos não correntes57 sofre


algumas adaptações, nomeadamente quanto às taxas de depreciação a considerar para os
ativos depreciáveis ou amortizáveis durante o período de enquadramento no regime
simplificado em que não foram elaborados os mapas de amortização ou depreciação
fiscais. A solução encontrada foi considerar, para aquele período, as taxas mínimas
previstas no Decreto-Regulamentar 25/2009, de 14 de setembro. De outro modo, a mais-
valia fiscal tenderia a ser desproporcionada face ao valor real do ativo alienado.

Assim, as mais-valias e as menos-valias correspondem à diferença entre o valor de


realização (VR), líquido dos encargos que lhe sejam inerentes (Enc), e o valor de
aquisição (VA) deduzido das perdas por imparidade (PI) e outras correções de valor
(Ocv), das depreciações ou amortizações que tenham sido fiscalmente aceites e das quotas
mínimas de depreciação ou amortização relativamente ao período em que seja aplicado
este regime simplificado (Dep/Am). À semelhança dos disposto no artigo 47.º do Código
do IRC para o regime geral, o valor de aquisição é atualizado mediante a aplicação dos
coeficientes de desvalorização da moeda (Coef).58Ao resultado apurado, será aplicável o
coeficiente de 0,95 previsto na al. e) do n.1 do artigo 86.º-B.

O legislador foi omisso quanto à possibilidade de considerar fiscalmente o


reinvestimento do valor de realização dos ativos alienados, pelo que esse benefício não
existe no regime simplificado. Houve, no entanto, o cuidado de salvaguardar a
manutenção da obrigação do sujeito passivo que declarou no regime geral a opção pelo
reinvestimento e beneficiou da exclusão parcial de tributação da mais-valia. Neste sentido,
o n.º 10 do artigo 86.º-B estabelece uma sanção similar à prevista no n.º 6 do artigo 48.º:
caso não se concretize o reinvestimento até ao fim do 2.º período de tributação seguinte ao

57
Nos termos da Norma Contabilística das Microentidades, são activos não correntes os activos fixos
tangíveis, incluindo as propriedades de investimento e os activos biológicos não consumíveis, os activos
intangíveis e os activos financeiros cuja natureza seja de longo prazo.
58
MVF/mvf = (Vr-Enc)-(VA-PI-Ocv-Dep/Am)xCoef

100
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

da realização, acresce à matéria coletável desse período de tributação a diferença ou a


parte proporcional da diferença não incluída no lucro tributável majorada em 15%.

No caso de vendas de bens imóveis, se o valor constante do contrato for inferior ao


valor patrimonial tributário definitivo (VPT) do imóvel, será este o valor a considerar para
efeitos de determinação da matéria colectável, nos termos do artigo 64.º do Código do
IRC, com as necessárias adaptações. Ou seja, a diferença positiva entre o VPT e o valor do
contrato será tributada como se de uma mais-valia se tratasse.

Os subsídios relacionados com ativos não correntes depreciáveis ou amortizáveis


são considerados, depois da aplicação do coeficiente de 0,30, pelo montante que
proporcionalmente corresponder à quota mínima de depreciação ou amortização,
mantendo-se a solução descrita supra para o cálculo da mais-valia ou menos-valia.

3. Taxas de tributação e outros encargos

Ao contrário do que sucedia no anterior regime simplificado, não se previu a


aplicação de uma taxa de IRC diferente das aplicáveis no regime geral. Assim sendo, as
taxas de imposto serão as mesmas que vigoram para o regime geral de tributação em IRC:
uma taxa de 17% para os primeiros € 15.000,00 de matéria coletável e uma taxa de 23%
para o excedente.

Por força do disposto na alínea d) do n.º 11 do artigo 106.º do Código do IRC, os


sujeitos passivos enquadrados no regime simplificado ficam dispensados do pagamento
especial por conta.

Mais, nos termos do n.º 15 do artigo 88.º do mesmo Código, não são aplicáveis aos
sujeitos passivos a que se aplique o regime simplificado as taxas de tributações autónomas
relativas a (i) despesas de representação; (ii) ajudas de custo e deslocações em viatura
própria do trabalhador; (iii) lucros distribuídos por entidades sujeitas a IRC a sujeitos

101
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

passivos total ou parcialmente isentos; (iv) indemnizações, bónus e outras remunerações


variáveis a gestores, administradores ou gerentes. Ou seja, só estão sujeitas a tributação
autónoma (i) as despesas não documentadas; os (ii) encargos relacionados com viaturas
ligeiras de passageiros, motos ou motociclos, excluindo os veículos movidos
exclusivamente a energia elétrica e (iii) as despesas correspondentes a importâncias pagas
ou devidas, a qualquer título, a pessoas singulares ou coletivas residentes fora do território
português e aí submetidas a um regime claramente mais favorável, salvo se o sujeito
passivo provar que correspondem a operações efetivamente realizadas e não têm carácter
anormal ou um montante exagerado.

Por último, nos termos do n.º 8 do artigo 90.º, à coleta só são efetuadas as deduções
relativas à dupla tributação internacional e às retenções na fonte não suscetíveis de
compensação. Os sujeitos passivos enquadrados no regime simplificado não podem, por
exemplo, utilizar quaisquer benefícios fiscais que operem como dedução à coleta.

102
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

BIBLIOGRAFIA

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

CASOS PRÁTICOS1

1. Tributação de não residentes

Exemplo 1

Em 2017, a sociedade portuguesa Fobos, Lda. pagou 26.000 euros de comissões a uma
empresa polaca relativamente à intermediação nas vendas que o seu estabelecimento estável
na Polónia está a realizar naquele país. Também suportou gastos de 14.000 euros relativos a
um estudo de mercado realizado por uma empresa brasileira para aferir da probabilidade de
se vir a expandir para o mercado sul-americano.
Indique se os rendimentos pagos às empresas polaca e brasileira devem ser considerados, ou
não, como obtidos em território nacional?

Resolução:
As comissões pagas à empresa polaca, embora sejam devidas por uma entidade com sede e
direção efetiva em território nacional, não se consideram obtidas em Portugal, por deverem
ser imputadas ao estabelecimento estável que a Fobos tem na Polónia, uma vez que
constituem encargos com as vendas que tal estabelecimento realiza naquele país. É esta a
conclusão que decorre da primeira parte do n.º 4 do art.º 4º do CIRC.

No caso dos rendimentos pagos à empresa brasileira, mesmo sendo realizados integralmente
fora do território português, estão relacionados com estudos de mercado, pelo que, de
acordo com a parte final do n.º 4 do art. 4º do CIRC, são sempre considerados obtidos em
território nacional.

Exemplo 2

A sociedade Dione pagou 11.200 euros serviços de publicidade a uma empresa italiana para
promoção de um empreendimento turístico em Génova.

Indique se os rendimentos pagos à empresa italiana devem ser considerados como obtidos em
território nacional?

Resolução:
Tratam-se de rendimentos de prestação de serviços (que não seja intermediação na
celebração de contratos) realizados fora do território nacional e sobre bens que também aqui
não estão situados. Logo, não tais rendimentos não se consideram obtidos em Portugal (n.º 4
do art.º 4º do CIRC).

1
Casos práticos retirados e atualizados da Sebenta de Atualização Fiscal em IRC – Aspetos Práticos
(2017), da autoria de Ana Cristina Silva.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Exemplo 3

A empresa belga Ariel é sócia da empresa Reia com sede em território nacional e sujeito passivo
de IRC. Detêm uma quota na empresa portuguesa de 28% do capital social.
A sociedade Ariel efetuou suprimentos de capital, sujeitos a juros anuais à taxa de 3%, conforme
contrato celebrado entre ambas as empresas.
A empresa belga debitou em março de 2017, juros relativos aos suprimentos concedidos, no
valor de 2.650 euros.

Deve a sociedade Reia fazer retenção na fonte sobre os juros destes suprimentos?

Resolução:

Os juros pagos a uma entidade sedeada noutro Estado-membro podem ficar isentos em
Portugal, não havendo que efetuar qualquer retenção na fonte, quando estejam cumpridos os
requisitos e condições previstos no n.º 13 do artigo 14.º do CIRC (transposição da Diretiva
2003/49/CE, de 3 de junho de 2003 - Diretiva dos Juros e Royalties).

A isenção de IRC depende da verificação cumulativa das seguintes condições:


a) A entidade beneficiária dos juros:
i) Esteja sujeita a um dos impostos sobre os lucros enumerados na subalínea iii) da alínea
a) do artigo 3.º da Diretiva n.º 2003/49/CE, do Conselho, de 3 de junho de 2003, sem beneficiar
de qualquer isenção;
ii) Assuma uma das formas jurídicas enunciadas na lista do anexo à Diretiva n.º
2003/49/CE.

Para poder beneficiar da isenção de IRC referida a sociedade Ariel deve entregar o formulário
Modelo n.º 01-DJR devidamente certificado pelas entidades competentes do seu Estado de
residência (Administração Fiscal Belga), o qual terá a validade de dois anos, nos termos do n.º 2
e 3 do artigo 98.º do CIRC.

O artigo 98.º do CIRC também estabelece que não existe obrigação de se efetuar a retenção na
fonte de IRC, quando, por força de uma convenção destinada a eliminar a dupla tributação ou
de um outro acordo de direito internacional que vincule o Estado Português ou de legislação
interna, a competência para a tributação dos rendimentos auferidos por uma entidade que não
tenha a sede nem direção efetiva em território português e aí não possua estabelecimento
estável ao qual os mesmos sejam imputáveis não seja atribuída ao Estado da fonte ou o seja
apenas de forma limitada.

Deste modo, se não forem verificados os requisitos do n.º 13 do art. 14º do CIRC, pode ainda
ser acionada a Convenção celebrada com a Bélgica para Evitar a Dupla Tributação (Decreto-Lei
n.º 619/70, de 15/12). Para tal, a empresa belga deve entregar o formulário Mod. 21-RFI
devidamente certificado pelas entidades competentes do seu Estado de residência
(Administração Fiscal Belga), ou em alternativa, este formulário ser acompanhado por
documento emitido por essa autoridade do Estado de residência do beneficiário que ateste
residência fiscal e a sujeição a imposto sobre o rendimento dessa empresa na Bélgica, o qual
terá a validade de um ano.

Assim, caso a empresa belga comprove a residência fiscal no seu país, a empresa pagadora dos
rendimentos auferidos em Portugal, apenas deve efetuar retenção na fonte sobre 15% dos
rendimentos brutos, uma vez que o referido artigo 11.º da CDT, neste caso concreto, estabelece
uma limitação na tributação ao Estado de origem dos rendimentos (Portugal).

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Pelo art.º 7.º do n.º 3 alínea b) subalínea 1) do CIRS (por remissão do n.º 6 do art.º 94º do CIRC),
a obrigação da retenção na fonte ocorre na data do vencimento dos juros.

2. Sociedades de Transparência Fiscal

Exemplo 4

Em 2010, foi constituída uma sociedade por quotas, cujo objeto social contempla o exercício das
atividades de consultoria fiscal e de comércio de software de gestão. Como a sociedade nunca
exerceu a atividade de venda de software, em março de 2014 os sócios deliberaram proceder
ao arrendamento de parte das instalações que tinham sido adquiridas para instalar uma loja,
ocupando o restante com um novo escritório. Sabendo que os três sócios exercem a atividade
de consultores fiscais através da sociedade, qual o enquadramento desta em relação ao regime
de transparência fiscal?

Resolução:
Embora a referida sociedade tenha previsto no seu pacto social duas atividades distintas, só
exerce (e exerceu), efetivamente, a atividade que está prevista na lista a que se refere o art.º
151º do CIRS com o código 4012 − Consultores fiscais. Também, o facto de obter rendimentos
acessórios relativos ao arrendamento de instalações, aqui como forma de rentabilização de
ativos, não lhe permite o afastamento do regime de transparência fiscal.

Finalmente, verificam-se as duas últimas condições: os três sócios são profissionais dessa
atividade e exercem-na efetivamente através da sociedade. Assim, a referida sociedade
encontra-se sujeita ao regime de transparência fiscal, de acordo com o conceito estabelecido
na subalínea 1) da alínea a) do n.º 4 do art.º 6º do CIRC.

Exemplo 5

A sociedade Kepler, Lda. tem como objeto a prática de medicina, sendo constituída por quatro
sócios: um médico pediatra; um médico dentista; um médico de clínica geral e um médico
cardiologista.
Em novembro de 2015, o médico cardiologista reformou-se deixando de exercer medicina,
pelo que passou apenas a exercer funções de gerente na referida sociedade.
Qual o enquadramento da sociedade Kepler em relação ao regime de transparência fiscal, no
período de 2016, sabendo que, neste ano, apenas 3 dos sócios exerceram a sua atividade na
sociedade?

Resolução:

Em primeiro lugar, o facto de os sócios serem profissionais de especialidades médicas distintas


não afasta a aplicação do conceito de sociedade de profissionais.

Em 2015, todos os sócios exercem funções na Kepler, mas só três deles é que exercem a sua
atividade profissional (médicos) através da sociedade. O quarto sócio passa a desempenhar
apenas funções de gerente, o que não releva para o conceito aqui abordado.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

De acordo com a definição constante na subalínea 1) da alínea a) do n.º 4 do art.º 6º do CIRC,


uma vez há um socio que deixou de exercer a sua atividade profissional através da sociedade,
poderíamos dizer que a Kepler não se enquadraria no regime de transparência fiscal. Mas
desde 1 de janeiro de 2016, que vigora, igualmente, uma segunda definição de sociedades de
profissionais, e como iremos ver a seguir, a transparência fiscal passa a abranger também esta
sociedade.

Exemplo 6
A sociedade Juno é uma sociedade de mediadores imobiliários, cujo objeto social é a prática da
mediação na venda e arrendamento de imóveis, única atividade da empresa e exercida em
exclusivo pelos seus titulares do capital. Pretendendo os atuais cinco sócios admitir mais um
sócio também devidamente habilitado para o exercício da mediação imobiliária, qual o
enquadramento da sociedade Juno, em 2016, quanto ao regime de transparência fiscal?

Resolução:

Ainda que passe a ter 6 sócios, a sociedade não fica excluída do regime de transparência fiscal,
desde que todos os sócios exerçam a atividade de mediador imobiliário na sociedade (código
1330 da Tabela anexa ao CIRS).
A exclusão do regime de transparência fiscal por a sociedade ter mais de cinco sócios, só se
verifica na definição da subalínea 2) da alínea a) do n.º 4 do CIRC. Na definição de sociedades
de profissionais que ainda subsiste na subalínea 1), e que aqui é aplicável, não tem relevância o
número de sócios da sociedade, para a inclusão ou exclusão do regime.

3. Periodização do lucro tributável

Exemplo 7

A sociedade Mercúrio, Lda. dedica-se à construção de imóveis para venda. Em janeiro de 2017,
devido à crescente dificuldade em vender dois imóveis em inventário, celebrou um contrato
com a empresa Juno com as seguintes condições: a Juno tomará posse do imóvel em maio de
2017 para proceder a obras de adaptação do imóvel à sua atividade de hotelaria; nos 12 meses
seguintes pagará um valor de 5 mil euros mensais pela utilização do referido imóvel; a escritura
definitiva só será celebrada em junho de 2018, pelo valor total de 350.000 euros mas sendo
descontado o valor dos pagamentos mensais efetuados pela Juno.

Quando é que, para efeitos de IRC, deve ser reconhecido o rédito da venda o imóvel por parte
da sociedade Mercúrio?
Resolução:
As condições do contrato levam-nos a concluir que a sociedade Mercúrio terá transferido para
a empresa Juno os riscos e vantagens significativos da propriedade dos bens, em maio de 2017,
pois a compradora irá já nele proceder às obras necessárias para o adaptar à atividade aí a
desenvolver, sendo que a quantia do rédito pode ser fiavelmente mensurada, bem como os
gastos inerentes à transação. O facto da escritura apenas ser realizada em junho de 2018, não
impede que o rédito desta operação deva ser reconhecido em 2017, quer de acordo com as
normas contabilísticas, quer com as normas fiscais.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Exemplo 8

O contabilista da sociedade Tétis tomou conhecimento, já após a aprovação de contas de 2017,


que existiam 9 faturas de fornecedores de serviços que não lhe tinham sido entregues para
serem registados em 2017, período em que se deram as aquisições. Tais faturas totalizam 36 mil
euros.
Estando as contas da Tétis de 2017 já encerradas e aprovadas, o contabilista da Tétis fez o registo
contabilístico dessas aquisições em 2018, na data em que detetou o erro, e seguiu as regras da
NCRF 4 relativas à correções de erros. Tratando-se de gastos que deveriam ter sido reconhecidos
em 2017 (em subcontas da conta 62 − Fornecimentos e serviços Externos), sendo um erro
materialmente relevante, a contrapartida do crédito das contas de fornecedores foi a conta 56-
Resultados transitados.

Exemplo 9

Em 2017, em virtude de uma restruturação do Departamento de Assistência Técnica a


sociedade acordou com 3 trabalhadores a cessação dos respetivos contratos de trabalho, tendo
sido estabelecidas as respetivas indemnizações no valor total de 72.000 euros.
Embora os contratos de trabalho tivessem cessado em novembro, as indemnizações só foram
pagas aos trabalhadores em janeiro de 2018.
Em que período fiscal deve ser considerado o gasto fiscal decorrente da cessação desses
contratos?

Resolução:
Apesar do montante das indemnizações ter de ser reconhecido como gasto contabilístico em
2017, período em que se deram as desvinculações dos trabalhadores, tais gastos só são aceites
fiscalmente no período de tributação em que as indemnizações foram pagas ou colocadas à
disposição. O que só ocorre em 2018.
Em resumo: no quadro 07 da modelo 22 do período de 2017 acresce-se 72.000 euros e no
quadro 07 da modelo 22 de 2016 deduz-se os 72.000 euros.

4. Variações Patrimoniais

Exemplo 10

Em virtude dos prejuízos acumulados obtidos nos três últimos anos os sócios da sociedade Luna,
Lda. deliberaram em Assembleia Geral, a cobertura de prejuízos no valor de 16.000 euros por
entradas diretas de sócios. E que, perspetivando-se a continuação da situação desfavorável
decidiram ainda a exigibilidade de prestações suplementares no total de 22.000 euros, em
conformidade com as regras do pacto social.
O sócio Jorge Manuel anunciou a sua intenção de fazer uma doação a título gratuito à sociedade
de um imóvel, com um valor de mercado de 55.000 euros, com um valor patrimonial tributário
atual de 58.000 euros.
Qual o impacto, na determinação do lucro tributável da Luna, das três decisões tomadas em
Assembleia Geral?

Resolução:
A cobertura de prejuízos e realização de prestações suplementares: tratam-se de incrementos
patrimoniais não refletidos no resultado líquido da Luna que estão previstos nas exceções do
art.º 21º do CIRC (alíneas b) e c)) pelo que não concorrem para a determinação do lucro
tributável da Luna.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Mas no que respeita à doação do imóvel, esta já concorre para a formação do lucro tributável
da Luna, pois não se encontra prevista nas exceções. Pelo n.º 2 deste art.º 21º do CIRC considera-
se como valor de aquisição desta doação, o valor de mercado do imóvel mas que não pode ser
inferior ao valor que resultar da aplicação das regras de determinação do valor tributável
previstas no Código do Imposto do Selo. Ou seja, o valor que irá ser acrescido no campo 703 do
quadro 07 da modelo 22 será o VPT (valor patrimonial tributário) do imóvel por ser superior ao
valor de mercado.

Exemplo 11

A sociedade Solaris efetuou, em 2016, uma revalorização de uma máquina industrial,


originando um reconhecimento de 9.000 euros a crédito na conta 5891 - Excedentes de
revalorização de activos fixos tangíveis e intangíveis -Outros excedentes - Antes de imposto
sobre o rendimento. Na conta 5892 - Excedentes de revalorização de activos fixos tangíveis e
intangíveis -Outros excedentes − Impostos diferidos encontra-se registado um montante de
1.890 euros, correspondentes a impostos diferidos.
Qual o impacto, na determinação do lucro tributável da Solaris, do reconhecimento da reserva
de reavaliação e do reconhecimento de impostos diferidos?
Resolução:
A reserva de reavaliação da máquina industrial constitui um incremento da situação líquida da
Solaris, mas que não é relevante na determinação do lucro tributável desta empresa, porque
constitui apenas uma mais-valia potencial (alínea b) do n.º 1 do art.º 21º do CIRC). Só existirá
tributação pela venda deste ativo fixo tangível, e caso se concretize a previsão de valorização
acima do custo de aquisição após dedução das depreciações acumuladas e perdas por
imparidade acumuladas.
Também o valor reconhecido como impostos diferidos (aqui como um decréscimo ao capital
próprio) não concorre para a determinação do lucro tributável, como iremos ver em seguida
quando abordarmos as variações patrimoniais negativas.

Exemplo 12

A sociedade Mercúrio Lda. tem um capital social de 750.000 euros. Em 2018, deliberou a
redução do capital social com reembolso aos sócios de 250.000 euros.
Qual o impacto que esta operação terá na determinação do lucro tributável da sociedade
Mercúrio?

Resolução:
Embora tratando-se de uma variação patrimonial negativa, a redução do capital com reembolso
aos sócios está expressamente mencionada nas exceções previstas no art.º 24º alínea c) do
CIRC, pelo que não concorre para a formação do lucro tributável da sociedade Mercúrio.

5. Encargos não dedutíveis

Exemplo 12
Relativamente a 2017, a sociedade Tétis registou na conta 812 - Imposto sobre o rendimento
do período um montante de 14.650 euros, relativos à estimativa do imposto desse período.
Relevou ainda, na conta 6885 Insuficiência da estimativa para impostos, um valor de 894
euros, correspondente a um valor de imposto de 2015 que foi incorretamente estimado.

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Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Quais as correções que a Tétis deve efetuar no quadro 07 da declaração modelo 22?
Resolução:
A Tétis deve acrescer no campo 724 do quadro 07 relativo a 2016, um montante total de
15.544 euros (14.650 + 894).

Exemplo 13
A sociedade Mercúrio suportou em 2017, um valor total de despesas de 17.800 euros
reconhecidos como gastos do período, relativamente às quais, após a verificação cuidada
pelo contabilista apresentaram alguns problemas na comprovação documental:
- 7.380 euros de despesas com um advogado apenas tituladas com notas de honorários.
- 5.820 euros de aquisições de serviços realizadas a um fornecedor, relativamente ao
qual se verificou que tinha a atividade cessada oficiosamente em 2010;
- 4.600 euros de levantamentos de caixa sem qualquer documento de suporte e sem
que se tenha conseguido identificar a pessoa que procedeu a tais retiradas de caixa. Na
reconciliação efetuada no final do ano o valor em falta foi registado em gastos.
Quais as correções que a sociedade Mercúrio deve efetuar no quadro 07 da declaração
modelo 22?
Resolução:
Ainda que o citado advogado estivesse enquadrado no regime especial de isenção do art.º
53º do CIVA, deveria ter emitido faturas. Não o tendo feito a sociedade incorre na
penalização da não aceitação fiscal deste encargo, nos termos da alínea c) do n.º 1 do art.
23º A do CIRC.
Igualmente, os gastos com as aquisições de serviços realizadas ao fornecedor com atividade
cessada oficiosamente não concorrerão para a determinação do lucro tributável, ao abrigo
da mesma norma.
Não havendo nenhum documento que titule os levantamentos de caixa, nem sendo
identificado o beneficiário desse rendimento, serão tais gastos contabilísticos considerados
como despesas não documentadas, com uma dupla consequência: não aceitação fiscal desse
gasto e sujeição a tributação autónoma.
Em síntese, a acrescer no quadro 07 da declaração modelo 22: Campo 731 − 7.380 euros
Campo 726 − 5.820 euros
Campo 716 − 4.600 euros

Exemplo 14
Em 2017, a sociedade Titã celebrou um contrato de locação para uso de uma viatura ligeira
de passageiros, durante 4 anos. O valor de mercado desta viatura é de 35.000 euros, tendo o
contrato sido considerado como uma locação operacional.
O contrato iniciou a sua vigência em 1 de março de 2017, tendo a Titã suportado uma
prestação mensal de 824,16 euros, sendo 729,16 relativo à amortização financeira do capital
e 95 de juros e outros encargos administrativos.
O valor total dos encargos suportados com essa locação em 2017 (10 meses) foram de:
7.291,67 euros de amortização financeira e 950 euros de juros e outros encargos.
Quais as correções que a sociedade Titã deve efetuar no quadro 07 da declaração modelo 22?

111
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Resolução:
Se a sociedade Titã tivesse feito a aquisição direta da viatura ligeira de passageiros teria
registado os 35.000 euros no seu ativo fixo tangível. Considerando uma depreciação anual
correspondente a uma vida útil mínima (4 anos) conforme a taxa de 25% prevista na tabela II
do Decreto-Regulamentar n.º 25/2009, a quota anual de depreciação seria 8.750 euros e a
depreciação mensal (utilizando os duodécimos) de 729,17 euros.
Mas como, nos termos do art.º 34.º do CIRC apenas são aceites fiscalmente depreciações até
um custo de aquisição da viatura de 25.000 euros (para aquisições no ano 2017), haveria
correções fiscais, na depreciação praticada que exceda esse valor.
25.000 euros x 25% = 6.250 (limite aceite da quota de depreciação anual)
6.250 ÷12 = 520.83 (limite aceite da quota de depreciação mensal)
Considerando uma depreciação por duodécimos correspondente a 10 meses de utilização
teríamos:
729,17 euros x 10 = 7291,70 euros (depreciação contabilística) 520,83 x 10 = 5208,30 euros
(depreciação aceite em IRC)
Considerando que se trata de uma locação operacional teremos:
- O valor dos juros e encargos administrativos é aceite na sua totalidade − 950 euros
- O montante da amortização financeira é só aceite até 5.208,30 euros, por ser o encargo que
seria dedutível na determinação do lucro tributável em caso de aquisição direta.
Deste modo, há a acrescer no quadro 07 campo 732: 2.083.37 euros (7.291.67 -5208,30).

Exemplo 15
Em Assembleia Geral da sociedade Europa, os sócios deliberaram a distribuição de
gratificações por conta de lucros, no montante total de 26.000 euros, distribuídos da
seguinte
forma:
- Sócio-gerente− 10.500 euros
- Gerente − 10.500 euros
- Diretor de produção − 2.500 euros
- Engenheiro-Chefe − 2.500 euros
O sócio-gerente detém 35% do capital e não é remunerado. A esposa do engenheiro-chefe
detém 5% do capital da sociedade por herança de seu pai. Os restantes beneficiários não
participam no capital da sociedade.
O valor total das gratificações foi reconhecido, na contabilidade, como gasto de 2016.
Quais as correções que a sociedade Calisto deve efetuar no quadro 07 da declaração modelo
22?
Resolução:
Apenas haverá correção no quadro 07 campo 735 (a acrescer) relativamente à gratificação
distribuída ao sócio gerente, pois este é simultaneamente, titular de mais de 1% do capital e
membro de um órgão social (a gerência). Como não aufere qualquer remuneração, o valor a
acrescer é o montante total da gratificação.

112
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Apesar do engenheiro-chefe deter, indiretamente, mais de 1% do capital, não é membro de


nenhum órgão social da Calisto, por isso não se aplica qualquer limitação na aceitação fiscal
do gasto reconhecido na contabilidade.

6. Perdas por imparidade em créditos de cobrança duvidosa

Exemplo 16
A sociedade Marte S.A, à data de 31/12/2016, apurou contabilisticamente que existia um
risco bastante elevado de não vir a receber a quantia de € 4.500, que tinha sido faturada ao
seu cliente Mercúrio, Lda., em 31/01/2016. Por isso reconheceu a perda por imparidade a
100%.
Fiscalmente, teremos a seguinte situação:

Créditos de cobrança duvidosa - perdas por imparidade e correções fiscais


Correção
Valor da quadro
Período % Valor correção 07
de Registo Acumulado Valor aceite aceite (no no modelo
tributação contabilístico aceite (acumulado) período) período 22

a
2016 4500 25% 112 1125 3375 acrescer
5

não há
2017 reversão 75% 337 2250 2250 a deduzir
5

não há
2018 reversão 100% 450 1125 1125 a deduzir
0

A Marte, S.A. irá acrescer no quadro 07 campo 718 da modelo 22 de 2016, o excesso entre o
valor da imparidade constituída (4.500 euros) e o valor aceite (1.125 euros).
Na modelo 22 dos períodos de tributação de 2017 e 2018, continuando o crédito em mora e,
por isso, com perdas por imparidade já reconhecidas a 100% do valor do crédito, em 2016, a
Marte irá poder deduzir no quadro 07 campo 781, a parcela do valor que é aceite em cada
um desses períodos.

113
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Resolução:
Se a sociedade Titã tivesse feito a aquisição direta da viatura ligeira de passageiros teria
registado os 35.000 euros no seu ativo fixo tangível. Considerando uma depreciação anual
correspondente a uma vida útil mínima (4 anos) conforme a taxa de 25% prevista na tabela II
do Decreto-Regulamentar n.º 25/2009, a quota anual de depreciação seria 8.750 euros e a
depreciação mensal (utilizando os duodécimos) de 729,17 euros.
Mas como, nos termos do art.º 34.º do CIRC apenas são aceites fiscalmente depreciações até
um custo de aquisição da viatura de 25.000 euros (para aquisições no ano 2017), haveria
correções fiscais, na depreciação praticada que exceda esse valor.
25.000 euros x 25% = 6.250 (limite aceite da quota de depreciação anual)
6.250 ÷12 = 520.83 (limite aceite da quota de depreciação mensal)
Considerando uma depreciação por duodécimos correspondente a 10 meses de utilização
teríamos:
729,17 euros x 10 = 7291,70 euros (depreciação contabilística) 520,83 x 10 = 5208,30 euros
(depreciação aceite em IRC)
Considerando que se trata de uma locação operacional teremos:
- O valor dos juros e encargos administrativos é aceite na sua totalidade − 950 euros
- O montante da amortização financeira é só aceite até 5.208,30 euros, por ser o encargo que
seria dedutível na determinação do lucro tributável em caso de aquisição direta.
Deste modo, há a acrescer no quadro 07 campo 732: 2.083.37 euros (7.291.67 -5208,30).

Exemplo 15
Em Assembleia Geral da sociedade Europa, os sócios deliberaram a distribuição de
gratificações por conta de lucros, no montante total de 26.000 euros, distribuídos da
seguinte
forma:
- Sócio-gerente− 10.500 euros
- Gerente − 10.500 euros
- Diretor de produção − 2.500 euros
- Engenheiro-Chefe − 2.500 euros
O sócio-gerente detém 35% do capital e não é remunerado. A esposa do engenheiro-chefe
detém 5% do capital da sociedade por herança de seu pai. Os restantes beneficiários não
participam no capital da sociedade.
O valor total das gratificações foi reconhecido, na contabilidade, como gasto de 2016.
Quais as correções que a sociedade Calisto deve efetuar no quadro 07 da declaração modelo
22?
Resolução:
Apenas haverá correção no quadro 07 campo 735 (a acrescer) relativamente à gratificação
distribuída ao sócio gerente, pois este é simultaneamente, titular de mais de 1% do capital e
membro de um órgão social (a gerência). Como não aufere qualquer remuneração, o valor a
acrescer é o montante total da gratificação.

114
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Apesar do engenheiro-chefe deter, indiretamente, mais de 1% do capital, não é membro de


nenhum órgão social da Calisto, por isso não se aplica qualquer limitação na aceitação fiscal
do gasto reconhecido na contabilidade.

6. Perdas por imparidade em créditos de cobrança duvidosa

Exemplo 16
A sociedade Marte S.A, à data de 31/12/2016, apurou contabilisticamente que existia um
risco bastante elevado de não vir a receber a quantia de € 4.500, que tinha sido faturada ao
seu cliente Mercúrio, Lda., em 31/01/2016. Por isso reconheceu a perda por imparidade a
100%.
Fiscalmente, teremos a seguinte situação:

Créditos de cobrança duvidosa - perdas por imparidade e correções fiscais


Correção
Valor da quadro
Período % Valor correção 07
de Registo Acumulado Valor aceite aceite (no no modelo
tributação contabilístico aceite (acumulado) período) período 22

a
2016 4500 25% 112 1125 3375 acrescer
5

não há
2017 reversão 75% 337 2250 2250 a deduzir
5

não há
2018 reversão 100% 450 1125 1125 a deduzir
0

A Marte, S.A. irá acrescer no quadro 07 campo 718 da modelo 22 de 2016, o excesso entre o
valor da imparidade constituída (4.500 euros) e o valor aceite (1.125 euros).
Na modelo 22 dos períodos de tributação de 2017 e 2018, continuando o crédito em mora e,
por isso, com perdas por imparidade já reconhecidas a 100% do valor do crédito, em 2016, a
Marte irá poder deduzir no quadro 07 campo 781, a parcela do valor que é aceite em cada
um desses períodos.

115
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Exemplo 17
A empresa Sol, Lda. concedeu em fevereiro de 2014, um crédito a um seu cliente, no valor
de € 2.000, com prazo de pagamento a 60 dias. Apesar do crédito nunca ter sido pago, a Sol,
Lda. nunca reconheceu perdas por imparidade, porque o seu cliente continuou a pagar
regularmente as outras dívidas que tinha, pelos normais fornecimentos e não tinha
quaisquer indícios de que este tivesse quaisquer dificuldades financeiras.
Em dezembro de 2017, a empresa teve conhecimento que esse seu cliente estava a
atravessar dificuldades financeiras graves, pelo que reconheceu a perda de imparidade em
100% sobre tal crédito.
Quais as correções que a sociedade Sol deve fazer no quadro 07 da declaração modelo 22 de
2014?
a) Acresce € 1.500
b) Acresce € 1.000
c) Acresce € 2.000
d) Não há correções a efetuar;
Resolução:
Se a empresa Sol conseguir provar que, apesar da mora, não havia risco de incobrabilidade
do crédito antes de dezembro de 2017, a totalidade da perda por imparidade deve ser
considerada gasto fiscal, nesse período de 2017. Ou seja, não devem existir correções no
quadro 07 da declaração modelo 22, pois já estamos perante um crédito em mora há mais
de 24 meses.

Exemplo 18
Em janeiro de 2016, a empresa Ariel vendeu à sociedade Reia, mercadoria no valor de 5.300
euros. Em outubro desse mesmo ano a Reia entrou em processo de insolvência, pelo que a
sociedade Ariel reconheceu, nas demonstrações financeiras de 2016, uma perda por
imparidade no valor total do crédito que tinha concedido na sequência dessa venda.
Sabendo que a Ariel participa em 22% do capital da Reia, quais as correções a fazer no quadro
07 da declaração 22 da Ariel quanto às perdas por imparidade?
Resolução:
Apesar da Ariel ter uma percentagem de participação no capital da Reia superior a 10%, pelo
facto desta última estar em processo de insolvência permite que haja aceitação fiscal da
perda por imparidade reconhecida. Não há assim quaisquer correções fiscais a efetuar.

7. Depreciações e amortizações em ativos não correntes

Exemplo 19
A sociedade Vénus possui um edifício administrativo adquirido em 2005, pelo valor de 300.000
euros. A sociedade estima um valor residual para esse edifício de 40.000 euros. Em 2016, a
depreciação praticada sobre o edifício é de 5.200 euros.
Sabendo que a taxa de depreciação fixada no Decreto-Regulamentar n.º 25/2009, para este
tipo de edifícios é de 2%, quais as correções fiscais que a Vénus deve fazer, na declaração
modelo 22?

116
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Resolução:
Depreciação fiscal
Considerando a vida útil mínima: (300.000 − 40.000) x 2% = 260.000 x 2% = 5.200
E considerando a vida útil máxima: (300.000 − 40.000) x 1%= 260.00 x 1% = 2.600
A sociedade Vénus não terá de efetuar qualquer correção fiscal relativa às depreciações
praticadas sobre o edifício administrativo.

Exemplo 20

A sociedade Urano possui um equipamento de produção cujo custo de aquisição é de € 5.000.


Nos termos da tabela II − taxas genéricas do Decreto Regulamentar n.º 25ƒ2009, a taxa de
depreciação prevista é 25%, correspondendo a 4 anos de vida útil.
Na tabela seguinte pretende-se expressar o reflexo fiscal em IRC, quanto à definição de vida
útil que seja feita com base as regras contabilísticas.

Depreciações contabilísticas e correções fiscais

Depreciação contabilística Depreciação fiscal Correção

N.º anos vida Taxa Quota Quota Quota Valor Quadro


útil anual mínima máxima 07

10 10% 500,00 625,00 1.250,00 125,00 -

8 12,5% 625,00 625,00 1.250,00 0 -

4 25% 1.250,00 625,00 1.250,00 0 -

3 33,33 1.666,67 625,00 1.250,00 416,67 a


% acrescer

No caso de, contabilisticamente se definir um período de vida útil de 10 anos, a quota de


depreciação reconhecida como gasto no período de tributação em causa, fica abaixo da quota
mínima, pelo que fica definitivamente perdido o valor da diferença entre a quota mínima fiscal
e a depreciação praticada (€ 125 = 625 − 500).
Definindo-se uma vida útil contabilística de 8 ou de 4 anos, ou entre estes dois valores, não há
qualquer correção fiscal.
Se se definir uma vida útil de 3 anos, valor abaixo do período mínimo de vida útil fiscal (os 4
anos) em cada um dos 3 períodos de tributação haverá lugar ao acréscimo de € 416,67 no
quadro 07 da declaração modelo 22. Porém, no período fiscal que corresponderia ao 4º ano de
vida útil, embora não haja qualquer gasto de depreciação contabilizado referente a tal
equipamento, o sujeito passivo pode deduzir no quadro 07 1.250 euros, que corresponde ao

117
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

somatório das correções feitas nos três exercícios (3 x 416,67).

8. Provisões

Exemplo 21

A sociedade Úrano, SA comercializa o produto Xis20, oferecendo uma garantia de 3 anos contra
defeitos de fabrico. Nos três últimos períodos de tributação, as vendas realizadas desse produto
Xis20 e os encargos suportados com as garantias concedidas, foram os seguintes:

Exercícios 2014 2015 2016 Totais

Vendas 180.000,00 190.000,00 240.000,00 610.000,00

Encargos com garantias 7.000,00 8.500,00 12.000,00 27.500,00

No exercício de 2016, a Úrano, SA reconheceu contabilisticamente uma provisão para garantias


a clientes de € 12.000.
Quais as correções fiscais que a sociedade Úrano deve efetuar no quadro 07 da declaração
modelo 22?
Resolução:
Limite da provisão aceite fiscalmente = 240.000 (vendas 2016) x 27.500 (encargos 2014/2015 e
2015) ƒ610.000 (Vendas 2014/2015 e 2016)
Limite da provisão aceite fiscalmente = 240.000 (vendas 2016) x 4,5082% Limite da provisão
aceite fiscalmente = 10.819,70
Correção fiscal (a acrescer na linha 721 do quadro 07)= 12.000 − 10.819,70 = 1.180,30

9. Depreciações e amortizações não dedutíveis para efeitos fiscais

Exemplo 22

A sociedade Júpiter, Lda., adquiriu em 2016, um veículo ligeiro de passageiros a gasóleo, para
serviço da gerência, pelo valor de 45.000 euros. A vida útil do referido veículo foi definida em 5
anos.
Quais as correções a efetuar, no quadro 07 da declaração modelo 22, relativamente às
depreciações reconhecidas na contabilidade?

Resolução:
Porque a viatura ligeira foi adquirida em 2016, o limite de valor de aquisição para efeitos de
cálculo das depreciações aceites fiscalmente é de 25.000 euros. A vida útil definida
contabilisticamente encontra-se no intervalo admitido entre vida útil mínima fiscal (4 anos) e
vida útil máxima fiscal (8 anos), pelo que não há qualquer correção.
A única correção fiscal abrange apenas o excesso de depreciações em relação ao valor-limite
fiscal (os 25.000 euros).
Depreciação anual praticada: 45.000 x 20% = 9.000
Valor limite da depreciação aceite: 25.000 x 20% = 5.000 Quadro 07 campo 719 (a acrescer):
4.000

118
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

10. Créditos incobráveis

Exemplo 23
Em fevereiro de 2015, a sociedade Proteu concedeu um crédito ao seu cliente Galileu, no valor
de 4.200 euros.
Aquando do encerramento do período de 2014, constatou que, tendo o crédito já 8 meses de
mora, que nenhuma das interpelações ao cliente para regularização do valor ou estabelecer
um plano de pagamentos surtiu efeito, e que eram notórias as suas dificuldades financeiras.
Assim, a Proteu reconheceu, nas suas demonstrações financeiras, uma perda por imparidade
no valor total da dívida (4.200 euros) tendo acrescido no campo 718 do quadro 07 da modelo
22 − 3.150 euros, uma vez que, pelo art.º 28º B do CIRC só são aceites fiscalmente perdas por
imparidade até 25% do valor do crédito, quando a mora se situa entre 6 e 12 meses.
Sabendo que, em março de 2016 foi pedida a insolvência da Galileu, tendo sido reconhecida
em outubro desse ano a insolvência de carater limitado, qual o impacto que tem na
determinação do lucro tributável da Proteu?
Resolução:

Se no final de 2016 já transitou em julgado a sentença que declarou a insolvência de caráter


limitado, temos que:
- Contabilisticamente, o desreconhecimento do crédito não se materializa, nem num ganho
nem numa perda, porque já tinha sido reconhecida a perda por imparidade a 100% do valor do
crédito;
- Fiscalmente, há que acionar o benefício concedido pelo art.º 41º do CIRC, uma vez que estão
reunidas as condições para aceitação da perda fiscal. Na linha do quadro 07 da modelo 22 deduz-
se os 3.150 euros, que corresponde à parcela do valor do crédito que tinha sido corrigida no
período anterior.

Exemplo 24
A sociedade Plutão tem créditos sobre um cliente que foi declarado insolvente por sentença
transitada em julgado, em meados de 2016. Os créditos resultam de vendas de mercadorias,
tituladas por faturas datadas de 2012. A Plutão reclamou esses créditos junto do administrador
da insolvência em novembro de 2015. Não foram reconhecidas quaisquer imparidades.
Qual o tratamento em IRC, à luz do disposto no art.º 41º do CIRC, sabendo que os créditos da
Plutão constam da lista de créditos reconhecidos pelo Administrador da Insolvência?

Resolução:
A possibilidade de aceitação fiscal da perda decorrente do crédito se ter tornado incobrável,
tem de ser precedida do desreconhecimento do crédito, na contabilidade, e este só pode fazer-
se quando os direitos contratuais do credor aos fluxos de caixa resultantes do ativo financeiro
tenham expirado nos termos do parágrafo 30 da Norma Contabilística e de Relato Financeiro
(NCRF) 27 − Instrumentos Financeiros.

Mas, no caso apresentado, ainda que já se tenha dado o trânsito em julgado da sentença de
verificação e graduação de créditos prevista no Código da Insolvência e da Recuperação de
Empresas ou a homologação do plano objeto de deliberação na assembleia de credores, está
prejudicada a aceitação fiscal da perda resultante desse desreconhecimento contabilístico.

Além do crédito já datar de 2012 e, por isso, ser difícil com base na mora já existente ter um
argumento válido para não se ter reconhecido imparidades nos períodos anteriores, sabemos
também que a Plutão reclamou o crédito em 2015. Por isso, no limite, nesta data, a sociedade
Plutão deveria ter reconhecido imparidades sobre 100% do crédito, que seriam aceites

119
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

fiscalmente pela totalidade, nos termos da alínea a) do n.º 1 do art.º 28º B do CIRC. Não tendo
reconhecido as imparidades, em períodos anteriores, quando a Plutão verificou existir risco de
incobrabilidade, não estão reunidas as condições para se poder acionar o disposto no art.º 41º
do CIRC, e para a perda direta ser considerada, fiscalmente, nesse período de 2016.

11. Realizações de utilidade social

Exemplo 25

A empresa Oberon contratou com uma seguradora a constituição de um seguro de saúde para
todos os seus trabalhadores e respetivos familiares, o qual constituiu um encargo anual, no
período de 2016, de 9.000 euros.
Os gastos com o pessoal relativos a remunerações, relativamente ao período de 2016,
totalizam 35.000 euros. Os trabalhadores da Oberon têm direito a pensões da segurança
social.
Como se enquadram estes benefícios concedidos pela Oberon, quanto à determinação do lucro
tributável de 2017?

Resolução:
O seguro de saúde, sendo atribuído à generalidade dos trabalhadores da Oberon e respetivos
familiares e na medida que preencha os requisitos aplicáveis do n.º 4 do art.º 43º do CIRC, será
considerado uma realização de utilidade social.
Porém, a aceitação do gasto suportado na atribuição deste seguro, para efeitos de
determinação do lucro tributável, está limitada a 15% das despesas com o pessoal escrituradas
a título de remunerações, ordenados ou salários.
Limite aceite = Remunerações x 15% = 35.000 x 15% Limite aceite = 5.250 euros
Valor a acrescer no campo 723 do quadro 07 = Gasto suportado − limite aceite = 9.000 -5.250 =
3.750 euros

12. Mais-valias e menos-valias fiscais

Exemplo 26

Em janeiro de 2014, a sociedade Calisto, Lda. adquiriu um guindaste, por 16.000 euros, tendo
começado a utilizá-lo na sua atividade nesse mesmo mês. No período de 2016, a empresa fez
opção pelo regime simplificado de determinação do lucro tributável, mas manteve neste regime
apenas nesse ano, regressando ao regime geral no período de 2017.
Em janeiro de 2017, a sociedade Calisto vendeu o guindaste à sociedade Io, Lda., por 11.000
euros. Sabendo que a Calisto, Lda. contabilisticamente seguiu sempre a taxa de 12,5% prevista
no Decreto-Regulamentar n.º 25/2009, quais as correções que deve fazer no quadro 07 da
declaração modelo 22?

Resolução:
Valor de realização: 11.000 Valor de aquisição: 16.000
Depreciações contabilísticas: 6.000

2014 − 2.000

2015 − 2.000

2016 − 2.000

120
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2017 − 0

Depreciações a considerar fiscalmente: 5.000

2014 − 2.000

2015 − 2.000

2016 − 1.000 (quota mínima em 2016 porque esteve no regime simplificado)

2017 − 0

Mais-valia contabilística: 11.000 − (16.000 − 6.000) = 1.000

Mais-valia fiscal: 11.000 − (16.000 − 5.000) x 1,00 = 0

Correções a fazer no quadro 07 da declaração modelo 22:

- Deduz no campo 767 − a mais-valia contabilística: 1.000

- Não há qualquer acréscimo ou dedução a fazer relativamente à mais/menos valia fiscal


porque é zero.

Exemplo 27

(exemplo adaptado da Circular n.º 6/2011)

Em janeiro de 2010, um sujeito passivo de IRC adquiriu, por € 50.000,00, uma viatura ligeira de
passageiros, depreciando-a pelo método das quotas constantes, à taxa de 25%.
Em dezembro de 2011 a viatura é alienada por € 35.000,00. Assim:
- Em 2010
Depreciação contabilística: 50.000,00 x 25% = 12.5000,00
Depreciação fiscal: 40.000,00 x 25% = 10.000,00 (acresce 2.500,00 no campo 719 do Quadro
07)
- Em 2011
Valor de realização: € 35.000,00 Menos-valia contabilística
35.000,00 - (50.000,00 - 12.500,00) = 2.500,00
Menos-valia fiscal [ainda sem a restrição prevista no artigo 23º A, n.º 1, alínea l)] 35.000,00 -
(50.000,00 - 12.500,00) = 2.500,00
Menos-valia fiscal dedutível [artigo 23º A, n.º 1, alínea l)]
40.000,00 ƒ 50.000,00 x 2.500,00 = 2.000,00

Parcela da menos-valia a acrescer autonomamente: € 500,00


Correcções no Quadro 07:
- Campo 736 - Acréscimo de € 2.500,00 menos-valia contabilística
- Campo 752 - Acréscimo de € 500,00 parcela não dedutível
- Campo 769 - Dedução de € 2.500,00 menos-valia fiscal

121
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

13. Reinvestimento

Exemplo 28

No período de 2016, a sociedade Saturno, SA obteve, relativamente à venda de ativos fixos


tangíveis, uma diferença positiva entre as mais-valias fiscais e as menos-valias fiscais de
€ 20.000. Como planeia adquirir novos equipamentos industriais, optou pelo
reinvestimento total dos valores de realização (€ 100.000).
Qual a relevância do reinvestimento na determinação do lucro tributável da sociedade Saturno
em 2016?
Quais as correções fiscais nos períodos seguintes, se a Saturno não concretizar o reinvestimento
planeado? E se apenas reinvestir 60.000 euros?
Resolução:

Tributação no exercício de 2016, por ter manifestado a intenção de reinvestimento.


Saldo positivo tributável entre mais-valias e menos-valias fiscais = 20.000 x 50% = 10.000, (a
acrescer no campo 740 do quadro 07)
Se até ao fim do exercício de 2018, não tiver concretizado o reinvestimento dos valores de
realização, deverá ser feita a seguinte correção:
Parcela do saldo tributável entre mais-valias e menos-valias fiscais = 20.000 − 10.000= 10.000
Valor a incluir na determinação do lucro tributável (2018) = 10.000 + (10.000 x 15%) = 11.500
Se até ao fim do período de reinvestimento (2018) tivesse reinvestido apenas € 60.000,
teríamos:
Parte proporcional mais-valia fiscal com reinvestimento = 20.000 x 60.000ƒ100.000 = 12.000
Saldo entre mais-valias e menos-valias fiscais que deveria ter sido tributado = 20.000 - 50% x
12.000 = 14.000
Valor a incluir na determinação do lucro tributável (2017) = (14.000 − 10.000) x (1+0,15) = 4.600
(a acrescer, no campo 741 do quadro 07)

14. Regime de Participation exemption

Exemplo 29

Em resultado da Assembleia Geral da sociedade Luna, Lda. foi deliberado distribuir 50.000 euros
de lucros referentes ao período de 2015. Os lucros foram colocados à disposição dos sócios dia
5 de abril de 2016.
Um dos sócios da Luna, Lda. é a sociedade Miranda com sede em Portugal, que adquiriu 33% do
capital em julho de 2015.
Qual a relevância desses lucros auferidos pela sociedade Miranda, na determinação do lucro
tributável de 2016.
Resolução:
Verificadas as seguintes condições, os lucros auferidos pela sociedade Miranda são excluídos na
determinação do lucro tributável do período de 2016:
a) O sujeito passivo detenha direta ou direta e indiretamente, nos termos do n.º 6 do artigo
69.º, uma participação não inferior a 10% do capital social ou dos direitos de voto da
entidade que distribui os lucros ou reservas;
b) A participação referida no número anterior tenha sido detida, de modo ininterrupto,
durante o ano anterior à distribuição ou, se detida há menos tempo, seja mantida durante
o tempo necessário para completar aquele período;

122
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

c) O sujeito passivo não seja abrangido pelo regime da transparência fiscal previsto no
artigo 6.º;
d) A entidade que distribui os lucros ou reservas esteja sujeita e não isenta de IRC, do
imposto referido no artigo 7.º, de um imposto referido no artigo 2.º da Diretiva n.º
2011ƒ96ƒUE, do Conselho, de 30 de novembro, ou de um imposto de natureza idêntica ou
similar ao IRC e a taxa legal aplicável à entidade não seja inferior a 60% da taxa do IRC
prevista no n.º 1 do artigo 87.º;
e) A entidade que distribui os lucros ou reservas não tenha residência ou domicílio em país,
território ou região sujeito a um regime fiscal claramente mais favorável constante de lista
aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças..."
Neste caso, verifica-se que à data do encerramento das contas (31 dezembro de 2016) e na data
do preenchimento da modelo 22 (maio de 2017), já se completou o prazo de um ano de
detenção da participação na Luna, por parte da sociedade Miranda, pelo que estão já reunidas
as condições para beneficiar da exclusão destes lucros.
Apesar de se poderem excluir estes lucros distribuídos aquando da determinação do lucro
tributável, porque já se completou o prazo, a sociedade que distribuiu os lucros não pôde aplicar
a dispensa prevista na alínea c) do n.º 1 do art.º 97º do CIRC, uma vez que à data em que se deu
a obrigação de retenção na fonte não se tinham contemplado ainda um ano de detenção da
participação.

Exemplo 30

A sociedade Mercúrio detém uma participação de 30%, na sociedade Júpiter desde 2004. Ambas
as sociedades são consideradas residentes fiscais em território nacional e sujeitas e não isentas
de IRC.
Por dificuldades financeiras, a sociedade Mercúrio ponderou a venda desta participação em
novembro de 2016, tendo encontrado um comprador interessado.
Os cenários que ser apresentaram à Mercúrio foram os seguintes:

- Vender a participação antes do final do ano de 2016, por 35.000 euros, obtendo uma mais-
valia de 16.000 euros;
- Manter a participação e aguardar a distribuição de lucros de 2016. Prevê-se que seja atribuída
à Mercúrio 12.000 euros, respeitantes a lucros.
Qual o impacto da tributação em IRC, da Mercúrio, em cada um destes dois cenários?

Resolução:

Quer no cenário da venda da participação no capital, quer no cenário da distribuição de lucros,


os rendimentos obtidos (mais-valia e lucros, respetivamente) são excluídos na determinação
do lucro tributável da sociedade Mercúrio (de 2016 e de 2017, no 1º cenário e no 2ª cenário,
respetivamente), pois verificam-se todas as condições para aplicação do regime de participation
exemption:
- A participação detida pela Mercúrio não é inferior a 10% do capital social ou dos
direitos de voto da entidade participada e é detida, ininterruptamente, há mais de 1
ano;
- A sociedade Mercúrio não se encontra sujeita ao regime de transparência fiscal;
-A sociedade Júpiter está sujeita e não isenta de IRC e é residente em território nacional
(não é residente num “paraíso fiscal”).

123
Atualização fiscal em IRC – aspetos práticos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ANEXOS

125
01
MODELO EM VIGOR A PARTIR DE JANEIRO DE 2019

R. P. PERÍODO DE TRIBUTAÇÃO

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS 1 2

AUTORIDADE TRIBUTÁRIA
De / _____ / _____ a / _____ / _____
E ADUANEIRA ___________ ___________
IRC
02 ÁREA DA SEDE, DIREÇÃO EFETIVA OU ESTAB. ESTÁVEL
D E C L A R A Ç Ã O SERVIÇO DE FINANÇAS 1
DE
RENDIMENTOS
CÓDIGO
MODELO 22
03 IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
1 DESIGNAÇÃO 2
N.o DE IDENTIFICAÇÃO FISCAL (NIF)

3 TIPO DE SUJEITO PASSIVO


Residente que exerce, a título principal, ativi- Residente que não exerce,a título principal, Não residente com Não residente sem
dade comercial, industrial ou agrícola atividade comercial, industrial ou agrícola estabelecimento estável estabelecimento estável

1 2 3 4

3-A QUALIFICAÇÃO DA EMPRESA NOS TERMOS DO ANEXO AO DECRETO-LEI N.º 372/2007, DE 6 DE NOVEMBRO
Se assinalou os campos 1 ou 3 do Quadro 03 - 3, indique como se qualifica nos termos previstos no Anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 06 de novembro
Micro empresa 3 Pequena empresa 4 Média empresa 1 Não PME 2
ANTES DE PREENCHER ESTA DECLARAÇÃO LEIA COM ATENÇÃO AS INSTRUÇÕES QUE A ACOMPANHAM

3-B ORGANISMOS DE INVESTIMENTO COLETIVO

Indique se se trata de um Organismo de Investimento Coletivo tributado nos termos do artigo 22.º do EBF 1
3-C IMPUTAÇÃO DE RENDIMENTOS (Art.º 5.º, n.º 9)

É considerado um estabelecimento estável para efeitos da imputação prevista no n.º 9 do artigo 5.º? Sim 1
4 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS
Isenção Isenção Redução Transparência Grupos de NIF da sociedade dominante / Responsável
Geral definitiva temporária de taxa Simplificado fiscal sociedades (art.º 69.º-A, n.ºs 3 e 4)
1 3 4 5 6 7 8 9
Pretende exercer a opção pelas taxas do art.º 87.º, n.º 1? Ocorreu alguma das situações referidas Artigo 36.º-A Regime especial das atividades de transporte
(art.º 91.º, n.º 2 da Lei n.º 3 - B/2010, de 28 de abril) no ex-art.º 87.º, n.º 7? do EBF marítimo (Dec.-lei n.º 92/2018, de 13 de novembro)

Sim 10 Sim 11 12 13

4-A TRANSFERÊNCIA DE RESIDÊNCIA/CESSAÇÃO DA ATIVIDADE DE ESTABELECIMENTO ESTÁVEL/AFETAÇÃO DE ELEMENTOS PATRIMONIAIS (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)

Se no período de tributação ocorreu transferência de residência, afetação de elementos patrimoniais a estabelecimento estável situado fora do território português, cessação
da atividade ou transferência de elementos patrimoniais de estabelecimento estável situado em território português, indique o local de destino

1 Países da UE/EEE 2 Outros

04 CARACTERÍSTICAS DA DECLARAÇÃO
1 TIPO DE DECLARAÇÃO
Declaração de substituição Declaração de substituição
1 1.ª Declaração do período 2 (art.º 122.º, n.ºs 1 e 2)
3 (art.º 64.º, n.º 4)

Declaração de substituição Declaração de substituição Declaração de substituição


4 (art.º 120.º , n.ºs 8 e 9)
5 (art.º 64.º, n.º 4) fora do prazo legal
6 (art.º 122.º, n.º 3)
Ano Mês Dia
Data

2 DECLARAÇÕES ESPECIAIS 3 ANEXOS

Declaração com período especial de tributação Anexo A


1 (Derrama Municipal)
Anexo B
Declaração do Declaração do Declaração do Antes da Após a Antes da Após a 2 (antigo regime simplifi-
grupo período de liquidação periodo de cessação alteração alteração dissolução dissolução cado em vigor até 2010)
Anexo C
3 (Regiões Autónomas)
1 2 3 4 5 9 10
 4 Anexo D
(benefícios fiscais)
Declaração Data da transmissão/aquisição Anexo E
Data da cessação do período do início (entidades não residentes Data da dissolução 5 (regime simplificado)
de atividade sem estabelecimento estável)
Anexo F
Ano Mês Dia Ano Mês Dia Ano Mês Dia 6 (OIC)
MUITO IMPORTANTE

6 7 8 11 Anexo G
7 (transporte marítimo)

05 IDENTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL E DO CONTABILISTA CERTIFICADO

NIF do representante legal 1 Ano Mês Dia


Data da receção 3
NIF do contabilista certificado 2
07 APURAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL
RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 701 . . ,
Variações patrimoniais positivas não refletidas no resultado líquido do período (art.º 21.º) e quota-parte do subsídio respei-
tante a ativos não correntes, não depreciáveis/não amortizáveis [art.º 22.º n.º 1, al. b) a al. d)] 702 . . ,
Variações patrimoniais positivas (regime transitório previsto no art.º 5.º, n.ºs 1, 5 e 6 do DL n.º 159/2009, de 13/7) 703 . . ,
Variações patrimoniais negativas não refletidas no resultado líquido do período (art.º 24.º) 704 . . ,
Variações patrimoniais negativas (regime transitório previsto no art.º 5.º, n.ºs 1, 5 e 6 do DL n.º 159/2009, de 13/7) 705 . . ,
Alteração do regime fiscal dos contratos de construção (correções positivas) 706 . . ,
Alteração do regime fiscal dos contratos de construção (correções negativas) 707 . . ,
SOMA (campos 701 + 702 + 703 - 704 - 705 + 706 - 707) 708 . . ,
Matéria coletável / lucro tributável imputado por sociedades transparentes, ACE ou AEIE (art.º 6.º) 709 . . ,
Correções relativas a períodos de tributação anteriores (art.º 18.º, n.º 2) 710 . . ,
Vendas e prestações de serviços com pagamento diferido: diferença entre a quantia nominal da contraprestação e o justo
valor (art.º 18.º, n.º 5) 711 . . ,
Gastos referentes a inventários e a fornecimentos e serviços externos com pagamento diferido: gastos de juros (art.º 18.º,
n.º 5) 782 . . ,
Anulação dos efeitos do método da equivalência patrimonial e do método de consolidação proporcional no caso de em-
preendimentos conjuntos que sejam sujeitos passivos de IRC (art.º 18.º, n.º 8) 712 . . ,
Ajustamentos não dedutíveis decorrentes da aplicação do justo valor (art.º 18.º, n.º 9) 713 . . ,
Pagamentos com base em ações (art.º 18.º, n.º 11) 714 . . ,
Gastos de benefícios de cessação de emprego, benefícios de reforma e outros benefícios pós emprego ou a longo prazo
dos empregados (art.º 18.º, n.º 12) 715 . . ,
Gastos suportados com a transmissão onerosa de partes de capital (ex-art.º 23.º, n.ºs 3, 4 e 1.ª parte do n.º 5) 717 . . ,
Provisões não dedutíveis ou para além dos limites legais (art.ºs 19.º, n.º 4 e 39.º) e perdas por imparidade fiscalmente não
dedutíveis de ativos financeiros 721 . . ,
IRC, incluindo as tributações autónomas, e outros impostos que direta ou indiretamente incidam sobre os lucros [art.º 23.º
-A, n.º 1, al. a)] 724 . . ,
Impostos diferidos [art.º 23.º-A, n.º 1, al. a)] 725 . . ,
Despesas não documentadas [art.º 23.º-A, n.º 1, al. b)] 716 . . ,
Encargos não devidamente documentados [art.º 23.º-A, n.º 1, al. c)] 731 . . ,
Encargos evidenciados em documentos emitidos por sujeitos passivos com NIF inexistente ou inválido ou por sujeitos pas-
sivos cessados oficiosamente [art.º 23.º-A, n.º 1, al. c)] 726 . . ,
Despesas ilícitas [art.º 23.º-A, n.º 1, al. d)] 783 . . ,
Multas, coimas e demais encargos, incluindo juros compensatórios e moratórios, pela prática de infrações [art.º 23.º-A,
n.º 1, al. e)] 728 . . ,
Impostos, taxas e outros tributos que incidam sobre terceiros que o sujeito passivo não esteja legalmente obrigado a
suportar [art.º 23.º-A, n.º 1 , al. f)] 727 . . ,
A ACRESCER

Indemnizações por eventos seguráveis [art.º 23.º-A, n.º 1, al. g)] 729 . . ,
Ajudas de custo e encargos com compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador [art.º 23.º-A, n.º 1,
al. h)] 730 . . ,
Encargos com o aluguer de viaturas sem condutor [art.º 23.º-A, n.º 1, al. i)] 732 . . ,
Encargos com combustíveis [art.º 23.º-A, n.º 1, al. j)] 733 . . ,
Encargos relativos a barcos de recreio e aeronaves de passageiros [art.º 23.º-A, n.º 1, al. k)] 784 . . ,
Juros e outras formas de remuneração de suprimentos e empréstimos feitos pelos sócios à sociedade [art.º 23.º-A, n.º 1, al. m)] 734 . . ,
Gastos não dedutíveis relativos à participação nos lucros por membros dos órgãos sociais [art.º 23.º-A, n.º 1, al. o)] 735 . . ,
Contribuição sobre o setor bancário [art.º 23.º-A, n.º 1, al. p)] 780 . . ,
Contribuição extraordinária sobre o setor energético [art.º 23.º-A, n.º 1, al. q)] 785 . . ,
Importâncias pagas ou devidas a entidades não residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado [art.º 23.º-A, n.º 1, al. r)
e n.º 7] 746 . . ,
50% de outras perdas relativas a partes de capital ou outras componentes de capital próprio (ex-art.º 45.º, n.º 3, parte final) 737 . . ,
Outras perdas relativas a instrumentos de capital próprio e gastos suportados com a transmissão onerosa de instrumentos 786
de capital próprio de entidades não residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado (art.º 23.º-A, n.ºs 2 e 3) . . ,
Perdas por imparidade em inventários para além dos limites legais (art.º 28.º) e em créditos não fiscalmente dedutíveis ou
para além dos limites legais (art.ºs 28.º-A a 28.º-C) 718 . . ,
Perdas por imparidade de ativos não correntes (art.º 31.º-B) e depreciações e amortizações (art.º 34.º, n.º 1), não aceites
como gastos 719 . . ,
40% do aumento das depreciações dos ativos fixos tangíveis em resultado de reavaliação fiscal (art.º 15.º, n.º 2 do DR
25/2009, de 14/9) 720 . . ,
Créditos incobráveis não aceites como gastos (art.º 41.º) 722 . . ,
Realizações de utilidade social não dedutíveis (art.º 43.º) 723 . . ,
Menos-valias contabilísticas 736 . . ,
Mais-valia fiscal resultante de mudanças no modelo de valorização [art.º 46.º, n.º 5, al. b)] 738 . . ,
Diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais sem intenção de reinvestimento (art.º 46.º) 739 . . ,
50% da diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias fiscais com intenção expressa de reinvestimento (art.º
48.º, n.º 1) 740 . . ,
Acréscimos por não reinvestimento ou pela não manutenção dos ativos na titularidade do adquirente (art.º 48.º, n.º 6) 741 . . ,
07 APURAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL (cont.)
Mais-valias fiscais - regime transitório [art.º 7, n.º 7, al. b) da Lei n.º 30-G/2000, de 29/12 e art.º 32.º, n.º 8 da Lei n.º 109-B/2001, de 27/12] 742 . . ,
Correções relativas a instrumentos financeiros derivados (art.º 49.º) 743 . . ,
Prejuízos de estabelecimentos estáveis situados fora do território português (art.º 54.º -A) 787 . . ,
Correções relativas a preços de transferência (art.º 63.º, n.º 8) 744 . . ,
Diferença positiva entre o valor patrimonial tributário definitivo do imóvel e o valor constante do contrato [art.º 64.º, n.º 3 al. a)] 745 . . ,
Imputação de rendimentos de entidades não residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado (art.º 66.º) 747 . . ,
A ACRESCER (cont.)

Limitação à dedutibilidade de gastos de financiamento líquidos (art.º 67.º) 748 . . ,


Correções nos casos de crédito de imposto por dupla tributação jurídica internacional (art.º 68.º, n.º 1) 749 . . ,
Correções nos casos de crédito de imposto por dupla tributação económica internacional (art.º 68.º, n.º 3) 788 . . ,
Correções resultantes da opção pelo regime especial aplicável às fusões, cisões, entradas de ativos e permutas de partes sociais
(art.ºs 74.º, 76.º e 77.º)
750 . . ,
Transferência de residência, afetação de elementos patrimoniais a estabelecimento estável situado fora do território português, cessação da atividade ou transferência
de elementos patrimoniais de estabelecimento estável situado em território português: saldo positivo referente aos elementos patrimoniais transferidos para outro 789 . . ,
Estado membro da UE ou do EEE ou afetos a estabelecimento estável aí situado (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)
Transferência de residência, afetação de elementos patrimoniais a estabelecimento estável situado fora do território português, cessação da atividade ou transferência
de elementos patrimoniais de estabelecimento estável situado em território português: saldo positivo referente aos elementos patrimoniais transferidos para países fora 790 . . ,
da UE ou do EEE ou afetos a estabelecimento estável aí situado (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)

Donativos não previstos ou além dos limites legais (art. 62.º, 62.º-A e 62.º-B do EBF)
os
751 . . ,
Encargos financeiros não dedutíveis (ex-art.º 32.º, n.º 2 do EBF) 779 . . ,
Adicional ao Imposto Municipal sobre imóveis (art.º 135.º-J do Código do IMI) 797 . . ,
Gastos e perdas relativos às atividades de transporte marítimo às quais é aplicável o regime especial de determinação da matéria coletável
(art.º 6.º do Anexo ao Decreto-Lei n.º 92/2018, de 13 de novembro)
799 . . ,
Outros acréscimos 752 . . ,
SOMA (campos 708 a 752) 753 . . ,
Despesas ou encargos de projeção económica plurianual contabilizados como gasto na vigência do POC e ainda não aceites fiscalmente
[art.º 22.º al. f) do DR 25/2009, de 14/9]
754 . . ,
Prejuízo fiscal imputado por ACE ou AEIE (art.º 6.º) 755 . . ,
Correções relativas a períodos de tributação anteriores (art.º 18.º, n.º 2) 756 . . ,
Vendas e prestações de serviços com pagamento diferido: rédito de juros (art.º 18.º, n.º 5) 757 . . ,
Gastos referentes a inventários e a fornecimentos e serviços externos com pagamento diferido: diferença entre a quantia nominal da
contraprestação e o justo valor (art.º 18.º, n.º 5)
791 . . ,
Anulação dos efeitos do método da equivalência patrimonial e do método de consolidação proporcional no caso de empreendimentos conjuntos
que sejam sujeitos passivos de IRC (art.º 18.º, n.º 8)
758 . . ,
Ajustamentos não tributáveis decorrentes da aplicação do justo valor (art.º 18.º, n.º 9) 759 . . ,
Pagamentos com base em ações (art.º 18.º, n.º 11) 760 . . ,
Pagamento ou colocação à disposição dos beneficiários de benefícios de cessação de emprego, benefícios de reforma e outros beneficios pós
emprego ou a longo prazo dos empregados (art.º 18.º, n.º 12)
761 . . ,
Reversão de perdas por imparidade tributadas (art.ºs 28.º, n.º 3 e 28.º-A, n.º 3) 762 . . ,
Depreciações e amortizações tributadas em períodos de tributação anteriores (art.º 20.º do DR 25/2009, de 14/9) 763 . . ,
Perdas por imparidade tributadas em periodos de tributação anteriores (art.ºs 28.º, 28.º -A, n.º 1 e 31.º -B, n.º 7) 781 . . ,
Reversão de provisões tributadas (art.ºs 19.º, n.º 4 e 39.º, n.º 4) 764 . . ,
A DEDUZIR

Restituição de impostos não dedutíveis e excesso da estimativa para impostos 765 . . ,


Impostos diferidos [art.º 23.º -A, n.º 1, al. a)] 766 . . ,
Gasto fiscal relativo a ativos intangíveis, propriedades de investimento e ativos biológicos não consumíveis (art.º 45.º -A) 792 . . ,
Mais-valias contabilísticas 767 . . ,
50% da menos-valia fiscal resultante de mudanças no modelo de valorização [art.º 46.º, n.º 5.º, al. b) e ex-art.º 45.º, n.º 3, parte final] e 50% da diferença
negativa entre as mais e as menos-valias fiscais de partes de capital ou outras componentes do capital próprio (ex-art.º 45.º, n.º 3, 1.ª parte)
768 . . ,
Diferença negativa entre as mais-valias e as menos-valias fiscais (art.º 46.º) 769 . . ,
Correções relativas a instrumentos financeiros derivados (art.º 49.º) 770 . . ,
50% dos rendimentos de patentes e outros direitos de propriedade industrial (art.º 50.º -A) 793 . . ,
Eliminação da dupla tributação económica de lucros e reservas distribuídos (art.ºs 51.º e 51.º -D) 771 . . ,
Lucros de estabelecimentos estáveis situados fora do território português (art.º 54.º -A) 794 . . ,
Correção pelo adquirente do imóvel quando adota o valor patrimonial tributário definitivo para a determinação do resultado tributável na respe-
tiva transmissão [art.º 64.º, n.º 3, al. b)]
772 . . ,
Reporte dos gastos de financiamento líquidos de períodos de tributação anteriores (art.º 67.º) 795 . . ,
Correções resultantes da opção pelo regime especial aplicável às fusões, cisões, entradas de ativos e permutas das partes sociais
(art.ºs 74.º, 76.º e 77.º)
773 . . ,
Transferência de residência, afetação de elementos patrimoniais a estabelecimento estável situado fora do território português, cessação da atividade ou transferência de
elementos patrimoniais de estabelecimento estável situado em território português: saldo negativo referente aos elementos patrimoniais transferidos para fora do território 796 . . ,
português ou afetos a estabelecimento estável aí situado (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)

Benefícios fiscais 774 . . ,


Réditos e rendimentos relativos às atividades de transporte marítimo às quais é aplicável o regime especial de determinação da matéria
coletável (art.º 6.º do Anexo ao Decreto-Lei n.º 92/2018, de 13 de novembro)
800 . . ,
Outras deduções 775 . . ,
Perdas por imparidade em créditos e benefícios pós-emprego ou a longo prazo de empregados (art.º 4.º do anexo à Lei n.º 61/2014, de 26
de agosto)
798 . . ,
SOMA (campos 754 a 775 + 798) 776 . . ,
PREJUÍZO PARA EFEITOS FISCAIS (Se 776 > 753) 777 . . ,
LUCRO TRIBUTÁVEL (Se 753 ≥ 776) (a transportar para o quadro 09) 778 . . ,
08 REGIMES DE TAXA
08.1 REGIMES DE REDUÇÃO DE TAXA ASSINALAR TAXAS DE
COM X TRIBUTAÇÃO

Estabelecimentos de ensino particular (ex-art.º 56.º do EBF) 242 20%

Benefícios relativos à interioridade (art.º 41.º-B e ex-art.º 43.º do EBF) 245 12,5% / 21%

Antigo Estatuto Fiscal Cooperativo (art.º 7.º, n.º 3 da Lei n.º 85/98, de 16/12) 248 20%

Entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira (ex-art.º 35.º do EBF) 260 3%

Entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira (art.os 36.º e 36.º-A do EBF) 265 5%

247
ASSINALAR TAXAS DE
08.2 REGIME GERAL COM X TRIBUTAÇÃO

Região Autónoma dos Açores (Dec. Leg. Regional n.º 2/1999/A, de 20/1) 246 13,6% / 16,8%

Região Autónoma da Madeira (Dec. Leg. Regional n.º 2/2001/M, de 20/2) 249 16% / 21%

Rendimentos prediais de entidades não residentes sem estabelecimento estável (art.º 87.º, n.º 4) 262 25%

Mais-valias imobiliárias / incrementos patrimoniais obtidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável (art.º
263 25%
87.º, n.º 4)

Mais-valias mobiliárias obtidas por entidades não residentes sem estabelecimento estável (art.º 87.º, n.º 4) 266 25%
Rendimentos decorrentes da alienação de unidades de participação em FII e de participações sociais em SII, auferidos por
267 10%
entidades não residentes sem estabelecimento estável (art.º 22.º-A, n.º 1, al. c) do EBF)

Outros rendimentos obtidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável 264

09 APURAMENTO DA MATÉRIA COLETÁVEL


Regime simplificado (em
(transporte do Q. 07) Cód. Regime geral Cód. Com redução de taxa Cód. Com isenção Cód.
vigor até 2010)

1. PREJUÍZO FISCAL 301 312 323


. , . , . ,
2. LUCRO TRIBUTÁVEL 302 313 324 400
. , . , . , . ,
Regime especial dos grupos de sociedades
Soma algébrica Gastos de financiamento líquidos
dos resultados fiscais Lucros distribuídos(ex-art.º 70.º, n.º 2) (opção prevista no art.º 67.º, n.º 5)

380 . . , 381 . . , 395 . . ,


Ajustamento REAID (art.º 5.º, n.º 1 al. b) Resultados internos eliminados ao abrigo do ante-
do Anexo à Lei n.º 61/2014, de 26 agosto) rior RTLC, a incluir no lucro tributável do período Resultado fiscal do grupo

500 . . , 376 . . , 382 . . ,


Prejuizos individuais deduzidos, verificados em períodos
anteriores ao início da aplicação do regime 396 . . , NIF

Quotas-partes dos prejuízos fiscais deduzidas em caso de


aquisição de grupos de sociedades (art.º 71.º, n.ºs 4 e 5) 398 . . , NIF

Prejuízos fiscais dedutíveis 303 . . , 314 . . , 325 . . , 401 . . ,


Prejuízos fiscais autorizados/transmitidos
(art.º 75.º, n.ºs 1 e 3) 383 . . , 386 . . , 389 . . , 392 . . ,
Prejuízos fiscais autorizados/transmitidos
[art.º 15.º, n.º 1, al. c) e art.º 75.º, n.º 5] 384 . . , 387 . . , 390 . . , 393 . . ,
Prejuízos fiscais não dedutíveis
(art.º 52.º, n.º 8) 385 . . , 388 . . , 391 . . , 394 . . ,
3. DEDUÇÕES:
Prejuízos fiscais deduzidos 309 . . , 320 . . , 331 . . , 407 . . ,
Discriminação dos prejuízos fiscais deduzidos, 309.1 Período 309.2 Montante 320.1 Período 320.2 Montante 331.1 Período 331.2 Montante
por período de apuramento e montante . . , . . , . . ,
Benefícios fiscais 310 . . , 321 . . , 332 . . , 408 . . ,
4. MATÉRIA COLETÁVEL:
(2 - 3)
311 . . , 322 . . , 333 . . , 409 . . ,
ZFM - Matéria coletável que excede os plafonds
máximos (art.ºs 36.º, n.º 3 e 36.º-A, n.º 4 do EBF) 336 . . ,
COLETIVIDADES DESPORTIVAS - Dedução
das importâncias investidas até 50% da 399 . ,
matéria coletável (art.º 54.º, n.º 2 do EBF)
Existindo prejuizos fiscais autorizados/transmitidos, indique:

Total do valor utilizado no período (397-A


+ 397-B)
397 . ,
Valor utilizado no período [art.º 15.º, 397-A
n.º 1, al. c) e art.º 75.º, n.º 5] . , NIF

Valor utilizado no período (art.º 75.º,


n.ºs 1 e 3)
397-B . , NIF

Matéria Coletável do regime especial (campo 11 do quadro 04 do anexo G) 300 . . ,


MATÉRIA COLETÁVEL NÃO ISENTA, [(311 - 399) + 322 + 336] ou 409 ou campo 42 do anexo E, exceto o campo 300 346 . . ,
10 CÁLCULO DO IMPOSTO
Imposto à taxa normal (art.º 87.º, n.º 2, 1.ºs € 15.000,00 de matéria coletável das
PME) (c. 311 do q.09 da m22 ou c. 42 do anexo E) x 17% 347-A . . ,
Imposto à taxa normal (art.º 87.º, n.º 1) (c. 311 do q.09 da m22 ou c. 42 do
anexo E) x 21%
347-B . . ,
Imposto a outras taxas 348 %) 349 . . ,
Imposto imputável à Região Autónoma dos Açores 350 . . ,
Imposto imputável à Região Autónoma da Madeira 370 . . ,
COLETA (347-A + 347-B + 349 + 350 + 370) 351 . . ,
Derrama estadual (art.º 87.º-A) 373 . . ,
COLETA TOTAL (351 + 373) 378 . . ,
Dupla tributação jurídica internacional (DTJI - art.º 91.º) 353 . . ,
Dupla tributação económica internacional (art.º 91.º-A) 375 . . ,
Benefícios fiscais 355 . . ,
Adicional ao Imposto Municipal sobre imóveis (art.º 135.º-J do CIMI) 470 . . ,
Pagamento especial por conta (art.º 93.º) 356 . . ,
TOTAL DAS DEDUÇÕES (353 + 375 + 355 + 356 + 470) ≤ 378 357 . . ,
TOTAL DO IRC LIQUIDADO (378 - 357) ≥ 0 358 . . ,
Resultado da liquidação (art.º 92.º) 371 . . ,
Retenções na fonte 359 . . ,
Pagamentos por conta (art.º 105.º) e Pagamento por conta autónomo 360
(Lei n.º 7-A/2016, de 30 de março, art.º 136.º, n.º 2) . . ,
Pagamentos adicionais por conta (art.º 105.º-A) 374 . . ,
IRC A PAGAR (358 + 371 - 359 - 360 - 374) > 0 361 . . ,
IRC A RECUPERAR (358 + 371 - 359 - 360 - 374) < 0 362 . . ,
IRC de períodos anteriores 363 . . ,
Reposição de benefícios fiscais 372 . . ,
Derrama municipal 364 . . ,
Dupla tributação jurídica internacional (art.º 91.º) - Países com CDT e quando
DTJI > 378 379 . . ,
Tributações autónomas 365 . . ,
Juros compensatórios 366 . . ,
Juros de mora 369 . . ,
TOTAL A PAGAR [361 ou ( - 362) + 363 + 372 + 364 - 379 + 365 + 366 + 369] > 0 367 . . ,
TOTAL A RECUPERAR [( - 362) + 363 + 372 + 364 - 379 + 365 + 366 + 369] < 0 368 . . ,
10-A JUROS COMPENSATÓRIOS
Discriminação do valor indicado no campo 366 do quadro 10:
Juros compensatórios declarados por 366-A Juros compensatórios declara- 366-B
atraso na entrega da declaração . . , dos por outros motivos . . ,
10-B TRANSFERÊNCIA DE RESIDÊNCIA/CESSAÇÃO DA ATIVIDADE DE ESTABELECIMENTO ESTÁVEL/AFETAÇÃO DE ELEMENTOS PATRIMONIAIS (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)
Modalidade de pagamento do imposto correspondente (art.º 83.º, n.º 2)

1 imediato [al. a)] 2 diferido [al. b)] 3 fracionado [al. c)]

IRC + Derrama estadual Derrama municipal


Valor do pagamento diferido ou fracionado 377-A . . , 377-B . . ,
Total dos pagamentos diferidos ou fracionados (377-A + 377-B) 377 . . ,
TOTAL A PAGAR (367 - 377) > 0 430 . . ,
TOTAL A RECUPERAR [367 ou (- 368) - 377] < 0 431 . . ,
11 OUTRAS INFORMAÇÕES
Volume de negócios do período
Total de rendimentos do período 410 . . ,
(a repartir no quadro 11-B, se for caso disso)
411 . . ,
Diferença positiva entre o valor considerado para efeitos de liquidação do IMT e o valor constante do contrato, nos
casos em que houve recurso ao procedimento previsto no art.º 139.º
416 . . ,
Ano Mês Dia
Data em que ocorreu a transmissão das partes sociais (art.º 51.º, n.º 9 e art.º 88.º, n.º 11) 418
Tratando-se de microentidade, indique se, em alternativa às normas contabilísticas para microentidades (NC-ME), opta pela aplicação das normas contabilísticas e de
relato financeiro para as pequenas entidades (NCRF-PE) ou das normas contabilísticas e de relato financeiro (NCRF) [art.º 9.º-D do DL n.º 158/2009, de 13 de julho] 423 Sim
Ocorreu no período de tributação uma operação de fusão com eficácia retroativa (n.º 11 do art.º 8.º) da qual é socie-
dade beneficiária? 429 Sim

11-A ATIVOS POR IMPOSTOS DIFERIDOS (AID) - Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto
Discriminação dos AID inscritos nas demonstrações financeiras a que respeita a Mod.22: Informação adicional:
AID de perdas por imparidade em
créditos 460 . . , Capital próprio 463 . . ,
AID de benefícios pós-emprego ou 461 . . , Crédito Tributário 464 . . ,
a longo prazo de empregados
Ano Mês Dia
Outros AID 462 . . , Data da entrada em liquidação 465
11-B REPARTIÇÃO DO VOLUME ANUAL DE NEGÓCIOS DO PERÍODO PELAS CIRCUNSCRIÇÕES (CONTINENTE, AÇORES E MADEIRA)
Volume global de negócios não isento 1 . . ,
Volume de negócios, não isento, imputável às instalações situadas na Região Autónoma da Madeira (RAM) 2 . . ,
Volume de negócios, não isento, imputável às instalações situadas na Região Autónoma dos Açores (RAA) 3 . . ,
Rácio 1 (RAM) = (campo 2 : campo 1) 4 ,
Rácio 2 (RAA) = (campo 3 : campo 1) 5 ,
Rácio 3 (CONTINENTE) = 1 - (rácio 1 + rácio 2) 22 ,
12 RETENÇÕES NA FONTE
N.o DE IDENTIFICAÇÃO FISCAL (NIF) 1 RETENÇÃO NA FONTE 2 . . ,
13 TRIBUTAÇÕES AUTÓNOMAS
Despesas de representação (art.º 88.º, n.º 7) 414 . . ,
Encargos efetuados ou suportados com ajudas de custo e de compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador
(art.º 88.º, n.º 9) 415 . . ,
Lucros distribuídos por entidades sujeitas a IRC a sujeitos passivos que beneficiem de isenção total ou parcial (art.º 88.º, n.º 11) 417 . . ,
Encargos com viaturas (antiga redação do art.º 88.º, n.º 3) (regime em vigor até 31/12/2013) 420 . . ,
Encargos com viaturas (ex-art.º 88.º, n.º 4) (regime em vigor até 31/12/2013) 421 . . ,
Indemnizações por cessação de funções de gestor, administrador ou gerente [art.º 88.º, n.º 13, al. a)] 422 . . ,
Gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis pagas a gestores, administradores ou gerentes [art.º 424
88.º, n.º 13, al. b)] . . ,
Encargos não dedutíveis nos termos da al. h) do n.° 1 do artigo 23.°-A suportados pelos sujeitos passivos que apresentem
prejuízo fiscal (art.º 88.º, n.º 9) (regime em vigor até 31/12/2016) 425 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e de mercadorias - Se CA < € 25.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. a)] 426 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e de mercadorias - Se CA ≥ € 25.000,00 e < € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. b)] 427 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e de mercadorias - Se CA ≥ € 35.000,00 [art.º 88.º, n.º 3, al. c)] 428 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in - Se CA < € 25.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. a) e n.º 17] 432 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in - Se CA ≥ € 25.000,00 e < € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. b) e n.º 17] 433 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in - Se CA ≥ € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. c) e n.º 17] 434 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV - Se CA < € 25.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. a) e n.º 18] 435 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV - Se CA ≥ € 25.000,00 e < € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. b) e n.º 18] 436 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV - Se CA ≥ € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. c) e n.º 18] 437 . . ,
Despesas não documentadas [art.º 88.º , n.º 1] (Regime Simplificado ou OIC abrangidos pelo art.º 22.º, n.º 8 do EBF) 438 . . ,
Importâncias pagas ou devidas a entidades não residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado [art.º 88.º , n.ºs 1 e 8] (Regime
Simplificado ou OIC abrangidos pelo art.º 22.º, n.º 8 do EBF) 439 . . ,
13-A TRIBUTAÇÕES AUTÓNOMAS - ZONA FRANCA DA MADEIRA (art.º 36.º-A, n.º 14 do EBF)
Despesas de representação (art.º 88.º, n.º 7) 440 . . ,
Encargos efetuados ou suportados com ajudas de custo e de compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador
(art.º 88.º, n.º 9) 441 . . ,
Lucros distribuídos por entidades sujeitas a IRC a sujeitos passivos que beneficiem de isenção total ou parcial (art.º 88.º , n.º 11) 442 . . ,
Indemnizações por cessação de funções de gestor, administrador ou gerente [art.º 88.º, n.º 13, al. a)] 443 . . ,
Gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis pagas a gestores, administradores ou gerentes [art.º 444
88.º, n.º 13, al. b)] . . ,
Encargos não dedutíveis nos termos da al. h) do n.° 1 do artigo 23.°-A suportados pelos sujeitos passivos que apresentem
prejuízo fiscal (art.º 88.º, n.º 9) (regime em vigor até 31/12/2016) 445 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e de mercadorias - Se CA < € 25.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. a)] 446 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e de mercadorias - Se CA ≥ € 25.000,00 e < € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. b)] 447 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e de mercadorias - Se CA ≥ € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. c)] 448 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in - Se CA < € 25.000,00 [art.º 88.º, n.º 3, al. a) e n.º 17] 449 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in - Se CA ≥ € 25.000,00 e < € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. b) e n.º 17] 450 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in - Se CA ≥ € 35.000,00 [art.º 88.º, n.º 3, al. c) e n.º 17] 451 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV - Se CA < € 25.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. a) e n.º 18] 452 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV - Se CA ≥ € 25.000,00 e < € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. b) e n.º 18] 453 . . ,
Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV - Se CA ≥ € 35.000,00 [art.º 88.º , n.º 3, al. c) e n.º 18] 454 . . ,
14 CRÉDITO DE IMPOSTO POR DUPLA TRIBUTAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL (CIDTJI)
1 2 3 Apuramento no período 7 8

Código 4 5 Fração 6
Tipo de rendimentos Saldo não deduzido do imposto relativa a Dedução efetuada no Saldo que transita
do País Imposto pago no Crédito de imposto período
estrangeiro [art.º 91.º, rendimentos obtidos no do período
n.º 1, al. a)] estrangeiro [art.º 91.º,
n.º 1, al. b)]

. . , . . , . . , . . , . . , . . ,
TOTAL do CIDTJI com CDT . . , . . , . . , . . ,
TOTAL do CIDTJI sem CDT . . , . . , . . , . . ,
TOTAL do CIDTJI . . , . . , . . , . . ,
INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO DA
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS MODELO 22
(impresso em vigor a partir de 2019)
DIREÇÃO DE SERVIÇOS DO IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO
DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

Instruções de preenchimento da declaração modelo 22


(impresso em vigor a partir de janeiro de 2019)

Indicações gerais

1. As presentes instruções DEVEM SER RIGOROSAMENTE OBSERVADAS, por forma a


eliminar deficiências de preenchimento que, frequentemente, originam erros centrais e
liquidações erradas.

2. A declaração modelo 22 deve ser apresentada pelos seguintes sujeitos passivos:

 entidades residentes, quer exerçam ou não, a título principal, atividade de natureza


comercial, industrial ou agrícola;
 entidades não residentes com estabelecimento estável em território português;
 entidades que não tenham sede nem direção efetiva em território português e neste
obtenham rendimentos não imputáveis a estabelecimento estável aí situado, desde
que, relativamente aos mesmos, não haja lugar a retenção na fonte a título definitivo.

3. Nos termos dos n.ºs 6 e 8 do artigo 117.º do Código do IRC (CIRC), apenas estão
dispensadas da apresentação da declaração modelo 22:

 As entidades isentas ao abrigo do artigo 9.º do Código, exceto quando estejam


sujeitas a uma qualquer tributação autónoma ou quando obtenham rendimentos de
capitais que não tenham sido objeto de retenção na fonte com caráter definitivo;
 As entidades não residentes sem estabelecimento estável em território português
que apenas aufiram, neste território, rendimentos isentos ou sujeitos a retenção na
fonte a título definitivo.

4. A declaração é enviada, anualmente, por transmissão eletrónica de dados, até ao último


dia do mês de maio, independentemente de esse dia ser útil ou não útil, e para os
sujeitos passivos com período especial de tributação, até ao último dia do 5.º mês
posterior à data do termo desse período, independentemente de esse dia ser útil ou não
útil, conforme n.ºs 1 e 2 do artigo 120.º do CIRC.

5. Relativamente às entidades não residentes em território português e que aqui obtenham


rendimentos não imputáveis a estabelecimento estável aí situado, a obrigatoriedade de
MOD. 004.01

entrega da declaração modelo 22 só ocorre nos casos em que não haja lugar a retenção

Av. Eng. Duarte Pacheco, 28 - 7.º , Lisboa – 1099-013 Tel: (+351) 21 383 42 00 Fax: (+351) 21 383 45 93
Email: dsirc-dl@at.gov.pt www.portaldasfinancas.gov.pt Centro de Atendimento Telefónico: (+351) 707 206 707
INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO DA
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS MODELO 22
(impresso em vigor a partir de 2019)

DIREÇÃO DE SERVIÇOS DO IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO


DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

na fonte a título definitivo, devendo então observar-se os prazos previstos no n.º 5 do


artigo 120.º do CIRC.

6. Os sujeitos passivos com período de tributação diferente do ano civil e as sociedades


dominantes enquadradas no regime especial de tributação de grupos de sociedades
quando procedam ao envio da declaração do grupo, devem indicar o tipo de declaração
que vão submeter no quadro de pré-preenchimento prévio à submissão da declaração.

7. Para que a declaração seja corretamente rececionada (certa centralmente) deve:

 Preencher a declaração diretamente no Portal ou abrir o ficheiro previamente


formatado;
 Validar a informação e corrigir os erros detetados (validações locais);
 Submeter a declaração;
 Consultar, a partir do dia seguinte, a situação definitiva da declaração. Se, em
consequência da verificação da coerência com as bases de dados centrais, forem
detetados erros, deve a mesma ser corrigida (validações centrais).

8. Sobre os procedimentos a adotar para correção dos erros centrais, dispõe de ajuda no
Portal das Finanças em: apoio ao contribuinte → manuais → manual de correção de
erros centrais.

9. A declaração considera-se apresentada na data em que é submetida, sob a condição de


correção de eventuais erros no prazo de 30 dias, findo o qual, sem que os mesmos se
mostrem corrigidos, a declaração é considerada como não apresentada, conforme n.º 5
da Portaria n.º 1339/2005, de 30 de dezembro.

10. Antes da verificação de coerência com as bases de dados centrais, a declaração


encontra-se numa situação de receção provisória, em conformidade com as regras de
envio constantes do n.º 4 da referida portaria.

11. Se a declaração se encontrar com erros centrais, deve a mesma ser corrigida através do
sistema de submissão de declarações eletrónicas, não devendo proceder ao envio de
uma nova declaração para corrigir os erros. Caso a declaração seja corrigida com
sucesso, considera-se apresentada na data em que foi submetida pela primeira vez.

12. O comprovativo da entrega obtém-se diretamente no Portal das Finanças, através da


impressão da declaração na opção Serviços → Modelo 22 de IRC → obter comprovativo.

2 / 60
INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO DA
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS MODELO 22
(impresso em vigor a partir de 2019)

DIREÇÃO DE SERVIÇOS DO IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO


DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

13. Os sujeitos passivos devem manter atualizada a morada e restantes elementos do


cadastro, designadamente o NIB utilizado para efeitos de reembolsos, devendo proceder às
necessárias alterações, sendo caso disso, através da apresentação da respetiva declaração
de alterações ou pela forma prevista no artigo 119.º do CIRC.

01 PERIODO DE TRIBUTAÇÃO

 O período de tributação a indicar, em termos gerais, coincide com o ano civil, devendo ser
inscrito no formato ano-mês-dia.

 O período de tributação pode ser inferior a um ano nas situações previstas no n.º 4 do
artigo 8.º do CIRC, devendo em qualquer destes casos ser assinalado, em simultâneo, o
campo respetivo no quadro 04.2 - campos 3, 4, 7 ou 8.

 Pode ainda ser superior a um ano, relativamente a sociedades e outras entidades em


liquidação, em que terá a duração correspondente à desta, desde que não ultrapasse 2
anos (n.º 8 do artigo 8.º e n.º 1 do artigo 79.º do CIRC), devendo preencher-se este campo
segundo o período a que respeitam os rendimentos, sendo igualmente assinalado o quadro
04.2 - campo 2.

 Quando se trate de declaração apresentada por entidades não residentes sem


estabelecimento estável que obtenham rendimentos prediais e os ganhos mencionados na
alínea b) e nos n.ºs 3) e 8) da alínea c), ambas do n.º 3 do artigo 4.º do CIRC, o período de
tributação a indicar corresponde ao ano civil completo, exceto nos casos em que tenha
ocorrido cessação de atividade.

 Nas situações previstas nas alíneas b) e c) do n.º 5 do artigo 120.º do CIRC, o período de
tributação a inscrever será de 01/01 até à data da transmissão onerosa do imóvel ou da
aquisição do incremento patrimonial, devendo esta data ser também inscrita no quadro 04.2
– campo 8.

 Os sujeitos passivos de IRC que, nos termos do n.º 2 do artigo 8.º, tenham adotado um
período de tributação diferente do ano civil, devem inscrever no campo 2 o ano
correspondente ao primeiro dia do período de tributação.

 Uma declaração de substituição não pode alterar o período de tributação constante de uma
declaração certa centralmente.

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02 ÁREA DA SEDE, DIREÇÃO EFETIVA OU ESTAB. ESTÁVEL

 O campo 1 do quadro 02 é preenchido automaticamente pelo sistema, de acordo com o


código do Serviço de Finanças da área da sede do sujeito passivo constante no cadastro.

03 IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO

3 TIPO DE SUJEITO PASSIVO

 Os campos relativos à designação e tipo de sujeito passivo são preenchidos


automaticamente pelo sistema, segundo a informação constante no cadastro.

 Caso o campo relativo ao tipo de sujeito passivo não se encontre preenchido:

 As sociedades por quotas e unipessoais por quotas, sociedades anónimas,


cooperativas, sociedades irregulares e outras sociedades bem como os agrupamentos
complementares de empresas e os agrupamentos europeus de interesse económico
devem assinalar o campo 1 – residente que exerce, a título principal, atividade
comercial, industrial ou agrícola.
 As associações ou fundações e outras pessoas coletivas de direito público assinalam,
em regra, o campo 2 – residente que não exerce, a título principal, atividade comercial,
industrial ou agrícola.

 No caso de o pré-preenchimento não se encontrar correto, o sujeito passivo deve proceder à


correção ou atualização da informação, através da apresentação de uma declaração de
alterações, nos termos do n.º 5 do artigo 118.º do CIRC. Após esta alteração, corrige e
submete a declaração modelo 22 que entretanto se encontrava em erro.

3-A QUALIFICAÇÃO DA EMPRESA NOS TERMOS DO ANEXO AO DECRETO-LEI N.º 372/2007, DE 6 DE NOVEMBRO

Este quadro é de preenchimento obrigatório pelos sujeitos passivos residentes que exerçam,
diretamente e a título principal, uma atividade económica de natureza comercial, industrial ou
agrícola e pelos não residentes com estabelecimento estável.

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Divisão de Liquidação

 Os sujeitos passivos devem assinalar neste quadro o estatuto de micro, pequena ou


média empresa, nos termos previstos no anexo ao Decreto-Lei n.° 372/2007, de 6 de
novembro. Assim, se se qualifica como micro empresa deve assinalar o campo 3, se se
qualifica como pequena empresa deve assinalar o campo 4, ou se se qualifica como
média empresa deve assinalar o campo 1. Os restantes sujeitos passivos assinalam o
campo 2. Caso não tenham solicitado a certificação junto do Instituto de Apoio às
Pequenas e Médias Empresas e à Inovação, I.P. (IAPMEI, I.P.), a qual constitui prova
bastante dessa qualificação, devem estar em condições de comprovar a mesma.

Nos termos do artigo 2.º do anexo ao referido diploma,

 a categoria de média empresa é constituída por empresas que empregam menos de


250 pessoas e cujo volume de negócios anual não excede 50 milhões de euros ou cujo
balanço total anual não excede 43 milhões de euros.

 A categoria de pequena empresa é constituída por empresas que empregam menos de


50 pessoas e cujo volume de negócios anual não excede 10 milhões de euros ou cujo
balanço total anual não excede 10 milhões de euros.

 A categoria de micro empresa é constituída por empresas que empregam menos de 10


pessoas e cujo volume de negócios anual não excede 2 milhões de euros ou cujo
balanço total anual não excede 2 milhões de euros.

Categoria de empresa Efetivos Volume de negócios ou Balanço total


Média < 250 ≤ 50 milhões de euros ≤ 43 milhões de euros
Pequena < 50 ≤ 10 milhões de euros ≤ 10 milhões de euros
Micro < 10 ≤ 2 milhões de euros ≤ 2 milhões de euros

Tratando-se de uma empresa que tenha empresas parceiras e associadas, nos termos
definidos no anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro, a determinação dos
resultados da empresa (cálculo dos efetivos e dos montantes financeiros) é efetuada de acordo
com o disposto no artigo 6.º do anexo ao referido decreto-lei.

Assim, ainda que os dados da empresa se encontrem dentro dos limites para poder ser
qualificada como PME, se os dados agregados (da empresa e das suas parceiras e

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associadas) ultrapassarem tais limites, as empresas envolvidas não podem obter a qualificação
de PME.

Devem observar-se, ainda, todos os conceitos e critérios a utilizar para aferir o respetivo
estatuto de PME não referidos nas presentes instruções, mas que constam do anexo ao
Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 143/2009, de 16 de
junho e pelo Decreto-Lei n.º 81/2017, de 30 de junho.

3-B ORGANISMOS DE INVESTIMENTO COLETIVO (OIC)

 Este quadro é de preenchimento apenas para os Organismos de Investimento Coletivo


(OIC) previstos no n.º 1 do artigo 22.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF), com a
redação dada pelo Decreto-Lei n.º 7/2015, de 13 de janeiro, em vigor a partir de 1 de julho
de 2015, ou seja, fundos de investimento mobiliário, fundos de investimento imobiliário,
sociedades de investimento mobiliário e sociedades de investimento imobiliário que se
constituam e operem de acordo com a legislação nacional, os quais estão ainda obrigados
ao preenchimento do anexo F.

 Os fundos de investimento que beneficiem de isenção de IRC (vg. os fundos de


investimento imobiliário em recursos florestais, previstos no art.º 24.º do EBF e os fundos
de investimento imobiliário destinados à reabilitação urbana, previstos no art.º 71.º do
mesmo diploma), não assinalam este quadro, devendo entregar o anexo D da declaração.

3-C IMPUTAÇÃO DE RENDIMENTOS (Art.º 5.º, n.º 9)

Este quadro é preenchido pelos sócios ou membros, que não tenham sede nem direção efetiva
em território português, das entidades referidas no artigo 6.º do Código do IRC (entidades
sujeitas ao regime de transparência fiscal), para efeitos da imputação prevista neste artigo,
considerando-se que os mesmos obtêm esses rendimentos através de estabelecimento estável
nele situado. Estes sujeitos passivos devem preencher os campos 709 ou 755 do quadro 07,
consoante os casos.

4 REGIMES DE TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS

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Campo 1 – Regime geral

 As entidades residentes que exercem, a título principal, atividades de natureza comercial,


industrial ou agrícola, estão, em regra, abrangidas pelo regime geral - campo 1, com
exceção das suscetíveis de usufruírem de uma das taxas reduzidas indicadas no quadro
08.1, as quais devem assinalar o campo 5 - redução de taxa.

 As entidades não residentes com estabelecimento estável estão também, em regra,


abrangidas pelo regime geral - campo 1, com exceção das suscetíveis de usufruírem de
uma das taxas reduzidas indicadas no quadro 08.1, as quais devem assinalar o campo 5 -
redução de taxa.

 As taxas específicas das Regiões Autónomas previstas no Decreto Legislativo Regional n.º
2/99/A, de 20 de janeiro e no Decreto Legislativo Regional n.º 2/2001/M, de 20 de fevereiro,
não constituem regimes de redução de taxa, pelo que os sujeitos passivos que
obtenham rendimentos imputáveis àquelas circunscrições devem também assinalar o
campo 1 - regime geral, com exceção das suscetíveis de usufruírem de uma das taxas
reduzidas indicadas no quadro 08.1, as quais devem assinalar o campo 5 - redução de
taxa.

 Os residentes que não exercem, a título principal, atividade de natureza comercial,


industrial ou agrícola, bem como os não residentes sem estabelecimento estável, ainda que
abrangidos por taxas específicas, assinalam também o campo 1 - regime geral, apesar de o
apuramento da coleta ser efetuado nos campos 348 e 349 do quadro 10.

Campos 3 e 4 – Regime de isenção

 O regime de isenção definitiva só pode ser assinalado pelos sujeitos passivos que dela
beneficiem e que são, designadamente, os identificados no quadro 031 do anexo D.

 Do mesmo modo, o regime de isenção temporária também só pode ser assinalado pelos
sujeitos passivos que beneficiem de um regime de isenção com caráter temporário,
nomeadamente, os referidos no quadro 032 do anexo D.
 Os regimes de isenção temporária e isenção definitiva não podem coexistir
simultaneamente.

Campo 5 – Regime de redução de taxa

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 Devem assinalar este campo, todos os sujeitos passivos abrangidos por uma das situações
previstas no quadro 08.1.

Campo 6 – Regime simplificado

 Devem assinalar este campo os sujeitos passivos residentes, não isentos nem sujeitos a um
regime especial de tributação, que exerçam, a título principal, uma atividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola, e que, verificando cumulativamente as condições
enumeradas nas alíneas a) a f) do n.º 1 do artigo 86.º-A do CIRC, tenham optado, nos
termos previstos no n.º 4 do mesmo artigo, pelo regime simplificado de determinação da
matéria coletável.

 O apuramento da matéria coletável é efetuado no anexo E e transportado para o campo 346


do quadro 09 da declaração.

 Devem também assinalar este campo os sujeitos passivos que pretendam entregar a
declaração modelo 22 relativa a períodos de 2010 ou anteriores e que naqueles períodos se
encontravam enquadrados no regime simplificado de determinação do lucro tributável
previsto no ex-artigo 58.º do CIRC. Neste caso, o apuramento do lucro tributável é efetuado
no anexo B e transportado para o campo 400 do quadro 09 da declaração modelo 22.

 O antigo regime simplificado foi revogado pelo artigo 92.º da Lei n.º 3-B/2010, de 28 de abril
(Orçamento do Estado para 2010) pelo que o campo 6 deste quadro só se aplica a períodos
de tributação anteriores a 2011.

Campos 1 e 7 – Regime de transparência fiscal

 Tratando-se de entidades sujeitas ao regime de transparência fiscal, são assinalados, em


simultâneo, os campos 1 e 7 – regime geral e transparência fiscal.

Campos 1 e 8 – Regime especial de tributação de grupos de sociedades

 Os sujeitos passivos enquadrados no regime especial de tributação de grupos de


sociedades devem assinalar em simultâneo os campos 1 e 8 – regime geral e grupos de
sociedades, indicando, no campo 9, o NIF da sociedade dominante ou, no caso de opção
pelo regime previsto no art.º 69.º-A do CIRC, o NIF da sociedade com sede ou direcção

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efetiva em território português designada para assumir a responsabilidade pelo


cumprimento de todas as obrigações que incumbem à sociedade dominante.

 Nos casos em que a sociedade dominante, residente num Estado membro da União
Europeia ou do Espaço Económico Europeu que esteja vinculado a cooperação
administrativa no domínio da fiscalidade equivalente à estabelecida no âmbito da União
Europeia, possua um estabelecimento estável em território português através do qual sejam
detidas as participações sociais nas sociedades dominadas, deve ser inscrito o NIF deste
estabelecimento.

Campo 10 – Opção pela taxa do artigo 87.º, n.º 1

 A possibilidade de opção pela aplicação da taxa do regime geral do IRC não tem
aplicação aos períodos de 2011 e seguintes.

Campo 11 – Aplicação do ex-artigo 87.º, n.º 7 do CIRC (apenas para períodos de 2009 a
2011)

 Face ao disposto no n.º 7 do artigo 87.º do CIRC, revogado pela Lei n.º 64-B/2011, de 30
de dezembro, a taxa referida no primeiro escalão da tabela prevista no n.º 1 não é aplicável,
no período de tributação respetivo, sujeitando-se a totalidade da matéria coletável à taxa de
25 % quando:

a) Em consequência de operação de cisão ou outra operação de reorganização ou


reestruturação empresarial efetuada depois de 31 de dezembro de 2008, uma ou mais
sociedades envolvidas venham a determinar matéria coletável não superior a €
12.500,00;
b) O capital de uma entidade seja realizado, no todo ou em parte, através da
transmissão dos elementos patrimoniais, incluindo ativos intangíveis, afetos ao período
de uma atividade empresarial ou profissional por uma pessoa singular e a atividade
exercida por aquela seja substancialmente idêntica à que era exercida a título individual.

 Os sujeitos passivos que se encontrem nestas condições devem assinalar o campo 11


deste quadro.

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 O cálculo do imposto é efetuado apenas no campo 347-B do quadro 10 (taxa de IRC =


25%).

Campo 12 - Artigo 36.º-A do EBF

 Este campo deve ser obrigatoriamente assinalado pelas entidades licenciadas na Zona
Franca da Madeira a partir de 1 de janeiro de 2015, às quais é aplicável o regime previsto no
artigo 36.º-A do EBF.

 Também deve ser assinalado pelas entidades licenciadas ao abrigo do regime previsto no
artigo 36.º do EBF, que preencham os requisitos previstos no artigo 36.º-A e optem por este
novo regime.

Campo 13 – Regime especial de determinação da matéria coletável aplicável à atividade


de transporte marítimo

 Este campo deve ser assinalado exclusivamente pelas empresas que tenham optado pelo
regime especial de determinação da matéria coletável aplicável às atividades de transporte
marítimo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 92/2018, de 13 de novembro. Neste caso, deve ser
entregue o Anexo G.

TRANSFERÊNCIA DE RESIDÊNCIA/CESSAÇÃO DA ATIVIDADE DE ESTABELECIMENTO ESTÁVEL/AFETAÇÃO DE


4-A
ELEMENTOS PATRIMONIAIS (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)

 Os campos relativos a este quadro apenas são assinalados nos casos em que a
declaração de rendimentos corresponda ao período de tributação em que ocorreu:

a) A cessação de atividade de entidade com sede ou direção efetiva em território


português em resultado da transferência da respetiva residência para fora desse
território e desde que os respetivos elementos patrimoniais não permaneçam
efetivamente afetos a um estabelecimento estável da mesma entidade situado em
território português;

b) A afetação de elementos patrimoniais de uma entidade residente a um seu


estabelecimento estável situado fora do território português, relativamente ao qual
tenha sido exercida a opção prevista no n.º 1 do artigo 54.º-A do CIRC (não

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concorrência para a determinação do lucro tributável em IRC dos lucros e prejuízos


imputáveis ao estabelecimento estável);

c) A cessação de atividade em território português de estabelecimento estável de


entidade não residente que implique a transferência de elementos patrimoniais para
fora desse território;

d) A transferência, por qualquer título material ou jurídico, para fora do território


português, dos elementos patrimoniais que se encontrem afetos a estabelecimento
estável de entidade não residente situado em território português.

 O campo 1 é assinalado quando, nas situações referidas nas alíneas a) a d) do ponto


anterior, o local de destino dos elementos patrimoniais seja um Estado membro da
União Europeia ou do Espaço Económico Europeu, neste último caso, desde que exista
obrigação de cooperação administrativa no domínio do intercâmbio de informações e da
assistência à cobrança equivalente à estabelecida na União Europeia. Nestes casos, se
houver lugar ao preenchimento do campo 789 do quadro 07, o sujeito passivo pode
optar por uma das modalidades de pagamento do imposto correspondente previstas no
n.º 2 do artigo 83.º do CIRC, devendo, para o efeito, preencher o quadro 10-B (ver
instruções deste quadro).

 O campo 2 é assinalado quando o local de destino dos elementos patrimoniais acima


referidos não seja um Estado membro da União Europeia ou do Espaço Económico
Europeu, neste último caso, desde que exista obrigação de cooperação administrativa
no domínio do intercâmbio de informações e da assistência à cobrança equivalente à
estabelecida na União Europeia.

04 CARACTERISTICAS DA DECLARAÇÃO

1 TIPO DE DECLARAÇÃO

Neste quadro é sempre indicado se se trata de primeira declaração do período - campo 1 ou de


declaração de substituição - campos 2, 3, 4, 5 ou 6.

Campo 1 – 1.ª Declaração do período

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 Só pode existir uma primeira declaração para cada período de tributação, exceto no ano em
que, nos termos do artigo 8.º do CIRC, seja adotado um período de tributação diferente do
que vinha sendo seguido nos termos gerais. Neste caso, há uma primeira declaração
relativa ao período que decorre entre o início do ano civil e o dia imediatamente anterior ao
do início do novo período de tributação. E há também uma primeira declaração referente ao
novo período de tributação.

Declarações de substituição

 As declarações de substituição devem ser integralmente preenchidas, sendo possível


apurar o diferencial de imposto a pagar e gerar a consequente referência de pagamento
através da Internet, logo após a submissão.

 Todas as declarações modelo 22 de substituição devem obedecer às condições previstas


nos n.ºs 1, 2 ou 3 do artigo 122.º do Código do IRC, conforme os casos.

 Quando seja aplicável o regime de tributação dos grupos de sociedades (RETGS), a


entrega de uma declaração de substituição (individual) nos termos do artigo 122.º do CIRC
determina a apresentação, pela sociedade dominante, da declaração de substituição relativa
ao grupo.

Campo 2 – Declaração de substituição – artigo 122.º, n.ºs 1 e 2 do CIRC

 Nos termos do n.º 1 do artigo 122.º do CIRC, quando tenha sido liquidado imposto inferior
ao devido ou declarado prejuízo fiscal superior ao efetivo, deve ser apresentada declaração
de substituição, ainda que fora do prazo legalmente estabelecido.
 Porém, nos termos do n.º 2 desta mesma disposição legal, é estipulado o prazo de um ano
para a apresentação de declarações modelo 22 de substituição para correção da
autoliquidação da qual tenha resultado imposto superior ao devido ou prejuízo fiscal inferior
ao efetivo.

 Este campo é também utilizado para as declarações de substituição submetidas dentro dos
prazos legais de entrega, referidos no artigo 120.º do CIRC.

Campo 3 – Declaração de substituição – artigo 64.º, n.º 4 do CIRC

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 Este campo é assinalado quando se trate de declaração de substituição apresentada nos


termos do n.º 4 do artigo 64.º do CIRC, ou seja, quando o valor patrimonial tributário
definitivo do imóvel não estiver determinado até ao final do prazo estabelecido para a
entrega da declaração do período a que respeita a transmissão.

Neste caso, a apresentação da declaração é efetuada durante o mês de janeiro do ano


seguinte àquele em que os valores patrimoniais tributários se tornaram definitivos.

 As declarações de substituição apresentadas por força desta disposição legal só produzem


efeitos se a alteração efetuada pelo sujeito passivo, comparativamente à declaração anterior
(certa e liquidada), consistir exclusivamente na correção prevista na alínea a) do n.º 3 do
artigo 64.º do CIRC (campo 745 do quadro 07 - ajustamento positivo), não devendo ser
utilizadas para a introdução de quaisquer outras correções à autoliquidação.

 Caso esta declaração seja submetida fora de prazo legal, deve ser assinalado o campo 5 e
não este campo.

Campo 4 – Declaração de substituição – artigo 120.º, n.ºs 8 e 9 do CIRC

 O campo 4 deste quadro é assinalado quando se trate de declaração de substituição


apresentada nos termos do n.º 8 ou 9 do artigo 120.º do CIRC. Neste caso, o prazo para a
apresentação da declaração é de 60 dias a contar da data da verificação do facto que a
determinou. Esta data deve ser indicada no campo 418 do quadro 11.

 Sobre este campo, ver as instruções do campo 417 do quadro 13.

Campo 5 – Declaração de substituição – artigo 64.º, n.º 4 do CIRC, submetida fora do


prazo legal

 Se a declaração a apresentar nos termos do n.º 4 do artigo 64.º do CIRC for submetida fora
do prazo referido nesta disposição legal, deve ser assinalado este campo.

Campo 6 – Declaração de substituição – artigo 122.º, n.º 3 do CIRC

 Com a publicação da Lei n.º 64-A/2008, de 31 de dezembro (Orçamento do Estado para


2009) foi aditado o n.º 3 ao artigo 122.º do CIRC.

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 Esta disposição permite que o prazo de um ano referido no n.º 2 do artigo 122.º do CIRC
seja, em caso de decisão administrativa ou sentença superveniente, contado a partir da data
em que o declarante tome conhecimento dessa mesma decisão ou sentença, sendo aquela
indicada neste campo da declaração.

 Estão nestas condições, nomeadamente, as situações de concessão de benefício fiscal por


ato ou contrato quando este seja concluído após o decurso do prazo normal de entrega de
declaração de substituição do período em causa ou os casos de dedução de prejuízos
dependente de autorização ministerial (vd. n.º 12 do artigo 52.º do CIRC), quando esta seja
proferida fora do prazo referido.

 Assim, para efeitos do alargamento do prazo de entrega de declarações de substituição das


quais resultem correções a favor do sujeito passivo, não são tidos em conta quaisquer
factos supervenientes mas apenas aqueles que se consubstanciam numa decisão
administrativa ou sentença judicial que não foi possível ao sujeito passivo conhecer no
decurso do prazo geral previsto no n.º 2 do artigo 122.º do CIRC.

 Face à especificidade que envolve este tipo de declarações, as mesmas são alvo de análise
por parte dos serviços da AT.

 Apenas produzem efeitos, aquelas declarações que reúnam as condições referidas no n.º 3
do artigo 122.º do CIRC e com as consequências referidas no n.º 4 deste mesmo artigo,
quando seja aplicável.

2 DECLARAÇÕES ESPECIAIS

 Os campos relativos a declarações especiais são de preenchimento obrigatório somente nas


situações aí previstas: declaração do grupo, declaração do período de liquidação,
declaração do período de cessação, declaração com período especial de tributação,
declaração antes ou após a dissolução ou declaração do período do início de tributação.

Campo 1 – Declaração do grupo

 Quando for aplicável o regime especial de tributação dos grupos de sociedades, a


sociedade dominante deve enviar a declaração periódica de rendimentos relativa ao lucro

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tributável do grupo apurado nos termos do artigo 70.º do CIRC, devendo assinalar este
campo.

 Cada uma das sociedades do grupo, incluindo a sociedade dominante, deve também
apresentar a sua declaração periódica de rendimentos onde seja determinado o imposto
como se aquele regime não fosse aplicável, nos termos da alínea b) do n.º 6 do artigo 120.º
do Código do CIRC. Nestas declarações individuais não é assinalado este campo.
 Sempre que alguma das sociedades do grupo apresente declaração de substituição da
declaração prevista na alínea b) do n.º 6 do artigo 120.º do Código do IRC, a sociedade
dominante também deve proceder à substituição da declaração periódica de rendimentos
do grupo prevista no n.º 5 do artigo 122.º.

Campo 2 – Declaração do período de liquidação

 No período em que ocorre o encerramento da liquidação, desde que o período de liquidação


não ultrapasse dois anos, podem ser entregues duas declarações de rendimentos, sendo a
primeira, obrigatória e referente ao início do período até à data do encerramento da
liquidação (declaração do período de cessação) e uma facultativa (declaração do período
de liquidação), respeitante a todo o período de liquidação, isto é, desde a data da dissolução
até à data da cessação, conforme previsto no artigo 79.º do CIRC.

 A declaração relativa ao período de liquidação tem por objetivo corrigir o lucro tributável
declarado durante este período o qual tem natureza provisória.

Campo 3 – Declaração do período de cessação

 Ocorrendo cessação de atividade, nos termos do n.º 5 do artigo 8.º do CIRC, deve ser
assinalado este campo, indicando-se simultaneamente a respetiva data no campo 6. Neste
caso, a declaração de rendimentos deve ser enviada até ao último dia do terceiro mês
seguinte ao da data da cessação, independentemente de esse dia ser útil ou não útil, nos
termos do n.º 3 do artigo 120.º do mesmo Código.

 A cessação de atividade para efeitos de IRC ocorre nas situações referidas no n.º 5 do
artigo 8.º do CIRC. Em consequência, este campo não pode ser assinalado no caso de o
sujeito passivo ter declarado a cessação de atividade apenas para efeitos de IVA.

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

Campos 4 e 5 – Declaração com período especial de tributação (antes da alteração e


após a alteração)

 Estes campos são assinalados sempre que o período de tributação não coincida com o ano
civil, nos termos do n.º 2 do artigo 8.º do CIRC.

 No ano em que seja adotado um novo período anual de tributação, há lugar ao envio de
duas declarações, uma relativa ao período da tributação (inferior a um ano) que decorre
entre 1 de janeiro e o último dia desse período e outra relativa ao novo período de
tributação.

 O campo 4 – antes da alteração, é assinalado no caso de períodos de tributação inferiores a


doze meses.

 Na declaração correspondente ao período referido na alínea d) do n.º 4 do artigo 8.º do


CIRC deve-se assinalar o campo 4 – antes da alteração e nas declarações dos períodos
seguintes, de acordo com o período de tributação adotado, é assinalado sempre o campo 5
– após a alteração.

 Tratando-se de declaração relativa a sujeito passivo que tenha declarado início de atividade
e tenha adotado, logo no momento do início de atividade, um período de tributação diferente
do ano civil, são assinalados em simultâneo os campos 4 – antes da alteração e 7 –
declaração do período do início de tributação, caso o período de tributação seja inferior a
doze meses ou os campos 5 – após a alteração e 7 – declaração do período do início de
tributação, caso o período de tributação tenha a duração de um ano completo.

 No caso de declaração relativa a sujeito passivo que tenha adotado um período de


tributação diferente do ano civil e que pretenda enviar uma declaração relativa ao período de
cessação, por ter cessado a atividade para efeitos de IRC, são assinalados em
simultâneo o campo 4 – antes da alteração (por se tratar de um período inferior a doze
meses), o campo 3 – declaração do período de cessação e o campo 6 – data da cessação.

Campo 7 – Declaração do período do início de atividade

 Este campo é assinalado quando se trate da primeira declaração apresentada pelo sujeito
passivo após o início de atividade.

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 A data do início do período de tributação indicada no campo 1 do quadro 1 tem que ser
igual à data constante do cadastro.

Campo 8 – Data da transmissão/data da aquisição

 As entidades não residentes sem estabelecimento estável, quando estejam obrigadas à


apresentação da declaração de rendimentos no prazo de 30 dias previsto nas alíneas b) e c)
do n.º 5 do artigo 120.º do CIRC, devem indicar, neste campo, a data da transmissão
onerosa do imóvel ou a data da aquisição do incremento patrimonial, devendo esta coincidir
com a data do final do período de tributação indicada no quadro 01 – campo 1.

Campo 9 – Antes da dissolução e Campo 10 – Após a dissolução

 Caso a dissolução e a cessação (encerramento da liquidação) ocorram na mesma data, é


entregue apenas uma declaração relativa ao período decorrido desde o início do período de
tributação até à data da cessação (declaração do período de cessação). Neste caso, devem
ser assinalados apenas os campos 3 e 6.
 Ocorrendo a dissolução e a cessação no mesmo período de tributação, mas em datas
diferentes, sem prejuízo da observância do disposto na alínea a) do n.º 2 do artigo 79.º do
CIRC, devem ser entregues:
 Uma declaração relativa ao período decorrido desde o início do período de tributação
até à data da dissolução. Neste caso, deve ser assinalado apenas o campo 9;
 Uma declaração relativa ao período decorrido entre o dia seguinte ao da dissolução e a
data do encerramento da liquidação. Neste caso, devem ser assinalados
simultaneamente os campos 3, 6 e 10.
 Caso não ocorra a cessação (encerramento da liquidação) até ao final do período em que
ocorreu a dissolução, deve ser entregue uma declaração relativa ao período decorrido entre
o dia seguinte ao da dissolução e o final do período de tributação. Neste caso, deve ser
assinalado apenas o campo 10.
 Caso o período de liquidação se prolongue pelos períodos seguintes (mas desde que não
exceda dois anos), é entregue uma declaração por período, que terá natureza provisória,
sendo o lucro tributável corrigido face à determinação do lucro tributável correspondente a
todo o período de liquidação. Neste caso, deve também ser assinalado apenas o campo 10.

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 No período em que ocorra o encerramento da liquidação e consequente cessação de


atividade, é entregue uma declaração relativa ao período decorrido desde o início do
período de tributação até à data desta. Neste caso, devem ser assinalados simultaneamente
os campos 3, 6 e 10. É também entregue uma declaração correspondente a todo o período
de liquidação que irá corrigir o lucro tributável apurado anteriormente.
Exemplo:
Suponha-se que a empresa X é uma PME que se dissolve em 30 de junho de 2018,
entrando em liquidação. A data do encerramento desta ocorrerá em 30 de maio de 2020.
Vejamos como se deve proceder, de harmonia com o preceituado no artigo 79.º do CIRC
(valores em euros):

Obrigações declarativas:
► Até 30/11/2018 – Deve assinalar o campo 9 - Antes da dissolução
 Declaração modelo 22 relativa ao período de 01/01/2018 a 30/06/2018, com
imposto a pagar, apurado a título definitivo (3.000 x 17% = 510).
► Até 31/05/2019 – Deve assinalar o campo 10 - Após a dissolução
 Declaração modelo 22 referente ao período de 01/07/2018 a 31/12/2018, com
imposto a pagar, apurado a título provisório (5.000 x 17% = 850).
► Até 31/05/2020 – Deve assinalar o campo 10 - Após a dissolução
 Declaração modelo 22 referente ao período de 2019, com imposto a pagar,
apurado a título provisório (2.000 x 17% = 340).
► Até 31/08/2020
 Declaração modelo 22 (de cessação) respeitante ao período de 01/01/2020 a
30/05/2020, sem imposto a pagar; Deve assinalar o campo 3, preencher o campo 6
e assinalar o campo 10
 Declaração modelo 22 com o movimento global de todo o período de liquidação
(desde 01/07/2018 a 30/05/2020) para correção do resultado, donde:

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Divisão de Liquidação

LT (5.000 + 2.000 – 6.000) = 1.000


IRC (1.000 x 17%) = 170
IRC já pago (850 + 340) = 1.190
IRC a recuperar (1.190 – 170) = 1.020
Deve assinalar o campo 2 - declaração do período de liquidação

3 ANEXOS

 A declaração modelo 22 tem 7 anexos (A, B, C, D, E, F e G), sendo que os anexos B e E


referem-se ao regime simplificado de tributação. Quanto a estes anexos devem ter-se em
conta as seguintes especificidades:
 O anexo B aplica-se aos períodos de 2010 e anteriores e destina-se a ser preenchido pelos
sujeitos passivos enquadrados no regime simplificado de determinação do lucro
tributável previsto no ex-artigo 58.º do CIRC, o qual foi revogado pelo artigo 92.º da Lei n.º
3-B/2010, de 28 de abril (Orçamento do Estado para 2010).

 O anexo E aplica-se aos períodos de 2014 e seguintes e destina-se a ser preenchido pelos
sujeitos passivos residentes que exerçam a título principal uma atividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola que verifiquem, cumulativamente, as condições exigidas
nas alíneas a) a f) do n.º 1 do artigo 86.º-A do CIRC e tenham optado pelo regime
simplificado de determinação da matéria coletável, nos termos do n.º 3 do mesmo artigo.

 O anexo F aplica-se aos períodos de 2015 e seguintes e destina-se ao apuramento do


imposto, pelos Organismos de Investimento Coletivo nos termos do art.º 22.º do EBF, com a
redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 7/2015, de 13 de janeiro, e do regime transitório previsto
no artigo 7.º deste diploma.

 O anexo G aplica-se aos períodos de 2018 e seguintes e destina-se ao apuramento da


matéria coletável das atividades de transporte marítimo, sempre que tenha sido feita a
opção pelo regime especial aprovado pelo Decreto-Lei n.º 92/2018, de 13 de novembro.

05 IDENTIFICAÇÃO DO REPRESENTANTE LEGAL E DO CONTABILISTA CERTIFICADO

 É obrigatória a indicação do número de identificação fiscal do representante legal.

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Divisão de Liquidação

 No entanto, a designação de representante é meramente facultativa, em relação às


entidades que sejam consideradas, para efeitos fiscais, como residentes:

- noutro Estado membro da União Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária,


Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia,
França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda,
Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Romênia e Suécia); ou

- num Estado membro do Espaço Económico Europeu, desde que esteja vinculado
a cooperação administrativa no domínio da fiscalidade equivalente à estabelecida no
âmbito da União Europeia (Islândia e Noruega).

 Os administradores de uma sociedade, sendo os respetivos representantes legais, devem,


ainda que se tratem de pessoas não residentes em Portugal e que aqui não obtenham
rendimentos, possuir número de identificação fiscal, por força do disposto no artigo 29.º do
Decreto-Lei n.º 147/2013, de 28 de janeiro.
 Todos os sujeitos passivos são obrigados a enviar a declaração de rendimentos através da
opção “Contabilistas Certificados”, com exceção das entidades que não exercem, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, quando não estejam
obrigadas a possuir contabilidade regularmente organizada, e das entidades não residentes
sem estabelecimento estável.

07 APURAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL

 Este quadro, a preencher somente pelas entidades que exerçam, a título principal, uma
atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, bem como pelas entidades não
residentes com estabelecimento estável, destina-se ao apuramento do lucro tributável que
corresponde ao resultado líquido do período, apurado na contabilidade (o qual é
demonstrado na declaração anual de informação contabilística e fiscal – IES, a que se refere
a alínea c) do n.º 1 do artigo 117.º do CIRC), eventualmente corrigido nos termos do CIRC e
outras disposições legais aplicáveis.

 Este quadro não deve ser preenchido pelas entidades que assinalaram o campo 1 do
quadro 03-B Organismos de Investimento Coletivo, atendendo que o lucro tributável
das mesmas é apurado no Anexo F.

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Divisão de Liquidação

 Este quadro não deve ser preenchido no caso de declaração do grupo nem no caso de
tributação pelo regime simplificado de determinação da matéria coletável.

 Mesmo que não existam correções para efeitos fiscais, deve ser sempre preenchido o
campo 701.

 Se o resultado líquido do período for nulo, o campo 701 é preenchido com o valor zero.

 O valor indicado no campo 701 deste quadro tem que coincidir com o indicado nos campos
respetivos dos anexos A, B ou C da IES, para as entidades obrigadas à sua apresentação.

 Os benefícios fiscais a que se refere o campo 774 deste quadro são todos os que operam
por dedução ao rendimento, nomeadamente os relativos à criação de emprego (benefício
revogado pela Lei n.º 43/2018, de 9 de agosto, com efeitos a partir de 1 de julho de 2018),
ao mecenato, sendo obrigatória a sua discriminação no quadro 04 do anexo D.

 Tratando-se de sujeitos passivos com mais de um regime de tributação de rendimentos, o


apuramento do lucro tributável é feito globalmente, efetuando-se a respetiva discriminação
por regimes de tributação no quadro 09, nos campos 301, 312 ou 323, no caso de prejuízo
fiscal, ou nos campos 302, 313 ou 324, havendo lucro tributável.

 As linhas em branco podem ser utilizadas para evidenciar outras correções para além das
expressamente previstas no impresso. Neste caso, o sujeito passivo deve juntar uma nota
explicativa ao processo de documentação fiscal a que se refere o artigo 130.º do CIRC.

 As instruções de preenchimento relativas a cada um dos campos deste quadro podem ser
consultadas no respetivo manual, disponível no Portal das Finanças, em Apoio ao
Contribuinte → Informação útil →Manuais.

08 REGIMES DE TAXA

 Este quadro deve ser preenchido exclusivamente por sujeitos passivos com rendimentos
sujeitos a redução de taxa (campo 5 do quadro 03.4) ou quando existam rendimentos que,
embora enquadrados no regime geral, estejam numa das situações referidas no quadro
08.2.

08.1 REGIMES DE REDUÇÃO DE TAXA

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Campo 242 – Estabelecimentos de ensino particular (artigo 56.º do EBF)

 Os rendimentos dos estabelecimentos de ensino particular integrados no sistema educativo


ficam sujeitos a tributação em IRC à taxa de 20 %, salvo se beneficiarem de taxa inferior.
Este benefício foi revogado pelo Orçamento de Estado para 2012 (Lei n.º 64-B/2011,
de 30 de dezembro) pelo que este campo só deve ser preenchido para os períodos de
tributação de 2011 e anteriores.

Campo 245 – Benefícios relativos à interioridade (artigo 41.º-B e ex-artigo 43.º do EBF)

Benefícios fiscais relativos à instalação de empresas em territórios do interior, previstos


no artigo 41.º-B do EBF:

 Este campo deve ser assinalado pelas empresas que beneficiem da taxa de IRC de 12,5%
aos primeiros € 15.000,00 de matéria coletável, ao abrigo do artigo 41.º-B do EBF.

 Podem usufruir deste benefício as empresas que exerçam, diretamente e a título principal,
uma atividade económica de natureza agrícola, comercial, industrial ou de prestação de
serviços em territórios do interior, que sejam qualificados como micro, pequena ou média
empresa (PME), nos termos previstos no anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de
novembro, alterado pelos Decretos-Lei n.ºs 143/2009, de 16 de junho, e 81/2017, de 30 de
junho, e que reúnam as condições previstas no n.º 2 do artigo 41.º-B do EBF.

 As áreas territoriais beneficiárias constam do anexo à Portaria n.º 208/2017, de 13 de julho.

 Os sujeitos passivos que utilizarem este benefício são obrigados a preencher o quadro 09
do anexo D.

Benefícios fiscais à interioridade previstos no ex-art.º 43.º do EBF:

 Este campo também deve ser assinalado pelas empresas que beneficiem de uma taxa
reduzida em IRC, ao abrigo do anterior regime à interioridade previsto no ex-artigo 43.º do
EBF.

 Podem usufruir do benefício de redução de taxa (15%), as empresas que exerçam,


diretamente e a título principal, uma atividade económica de natureza comercial, industrial
ou de prestação de serviços nas áreas do interior. No caso de instalação de novas

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entidades, cuja atividade principal se situe nas áreas beneficiárias, a taxa é reduzida a 10%
durante os primeiros cinco períodos de atividade. Estas reduções de taxa foram
revogadas pelo Orçamento de Estado para 2012 (Lei n.º 64-B/2011 – 30/12) pelo que
este campo só deve ser preenchido para os períodos de tributação de 2011 e
anteriores.

 Em termos transitórios, uma empresa constituída, até ao final do período de tributação de


2011 numa das áreas beneficiárias, pode continuar a beneficiar da aplicação de uma taxa
reduzida de 10% em sede de IRC até ao término dos cinco períodos de atividade
expressamente mencionados na alínea b) do n.º 1 do mesmo normativo. Esta possibilidade
terminou no período de 2015.

 Nos termos do n.º 2 do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 55/2008, de 26 de março, considera-se
que a atividade principal está situada nas zonas beneficiárias quando os sujeitos passivos
tenham a sua sede ou direção efetiva nessas áreas e nelas se concentre mais de 75% da
respetiva massa salarial.

 As áreas beneficiárias foram aprovadas pela Portaria n.º 1117/2009, de 30 de setembro.

 Os sujeitos passivos que utilizarem estas taxas são obrigados a preencher o quadro 09 do
anexo D.

Campo 248 – Estatuto Fiscal Cooperativo (artigo 7.º, n.º 3 da Lei n.º 85/98, de 16 de
dezembro)

 Este campo destina-se a assinalar a taxa reduzida de 20% aplicável até ao período de
2011, ao resultado tributável das cooperativas, com exceção dos resultados provenientes
de operações com terceiros e de atividades alheias aos fins cooperativos, aos quais era
aplicável a taxa geral prevista no n.º 1 do artigo 87.º do CIRC.

 Atualmente o regime fiscal das cooperativas consta do artigo 66.º-A do EBF.

Campo 260 – Entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira (artigo 35.º do EBF)

 Os rendimentos das entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira, a partir de 1 de


janeiro de 2003 e até 31 de dezembro de 2006, para o exercício de atividades industriais,

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comerciais, de transportes marítimos e de outros serviços não excluídos do regime especial


aplicável a estas entidades, que observassem os respetivos condicionalismos previstos no
n.º 1 do artigo 33.º do EBF, foram tributados em IRC, nos períodos de 2007 a 2011, à taxa
de 3%. Esta redução de taxa foi revogada pelo Orçamento de Estado para 2012 (Lei
n.º 64-B/2011, de 30/12) pelo que este campo só deve ser preenchido para os
períodos de tributação de 2011 e anteriores aplicáveis.

 Os sujeitos passivos abrangidos por este benefício fiscal estão obrigados a preencher o
quadro 06 do anexo D.

Campo 265 – Entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira (artigos 36.º e 36.º-A do
EBF)

Regime previsto no artigo 36.º do EBF:

 Os rendimentos das entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira, a partir de 1 de


janeiro de 2007 e até 31 de dezembro de 2014, para o exercício de atividades industriais,
comerciais, de transportes marítimos e de outros serviços não excluídos do regime especial
aplicável a estas entidades, que observem os respetivos condicionalismos previstos no ex
n.º 1 do artigo 33.º do EBF, são tributados em IRC, nos períodos de 2013 a 2020, à taxa de
5% (n.º 1 do art.º 36.º do EBF, com a redação dada pelo artigo 24.º da Lei n.º 75-A/2014,
de 30 de setembro).

 Este regime aplica-se, igualmente, a partir do período de tributação de 2012, inclusive, a


todas as entidades licenciadas antes de 1 de janeiro de 2007 e que beneficiavam dos
anteriores regimes previstos nos artigos 33.º e 35.º do EBF.

 Os sujeitos passivos abrangidos por este benefício fiscal estão obrigados a preencher os
campos 601 a 604, 606 e 607 do quadro 06 do anexo D.

Regime previsto no artigo 36.º-A do EBF:

 Os rendimentos das entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira, a partir de 1 de


janeiro de 2015 e até 31 de dezembro de 2020, que observem os respetivos
condicionalismos previstos no artigo 36.º-A do EBF, bem como as entidades que optem
pela aplicação deste regime nos termos do n.º 16 desta disposição, são tributados em IRC,

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nos períodos de 2015 a 2027, à taxa de 5% (n.º 1 do art.º 36.º-A do EBF, aditado pela Lei
n.º 64/2015, de 1 de julho).
 Os sujeitos passivos abrangidos por este regime fiscal estão obrigados a preencher o
quadro 06 e o subquadro 061 do anexo D.

 O excesso de benefício apurado no campo 618 do subquadro 061 do anexo D, deve ser
transportado para o campo 372 do quadro 10 da declaração.

08.2 REGIME GERAL

Campos 246 e 249 – Regiões Autónomas (Decreto Legislativo Regional n.º 2/99/A, de 20
de janeiro, e Decreto Legislativo Regional n.º 2/2001/M, de 20 de fevereiro)

 Os rendimentos imputáveis às Regiões Autónomas, de acordo com os regimes previstos


no Decreto Legislativo Regional n.º 2/99/A, de 20 de janeiro com a redação dada pelo
Decreto Legislativo Regional n n.º 1/2018/A, de 3 de janeiro, e no Decreto Legislativo
Regional n.º 2/2001/M, de 20 de fevereiro com a redação do Decreto Legislativo Regional
n.º 2/2018/M, de 9 de janeiro, são considerados rendimentos do regime geral.

 Quando existam rendimentos imputáveis às Regiões Autónomas, os sujeitos passivos estão


obrigados a enviar o anexo C da declaração modelo 22, exceto se a matéria coletável do
período for nula.

 As taxas regionais são aplicáveis aos sujeitos passivos do IRC, que:

 tenham sede, direção efetiva ou estabelecimento estável numa região autónoma;


 tenham sede ou direção efetiva noutra circunscrição e possuam sucursais, delegações,
agências, escritórios, instalações ou quaisquer formas de representação permanente
sem personalidade jurídica própria na região;
 tenham sede ou direção efetiva fora do território nacional e possuam estabelecimento
estável numa região autónoma.

 As taxas regionais aplicáveis ao período de 2018 são as seguintes:

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Divisão de Liquidação

 Região Autónoma dos Açores (aplicação do n.º 1 do artigo 5.º do Decreto


Legislativo Regional n.º 2/99/A, de 20 de janeiro, com a redação dada pelo Decreto
Legislativo Regional n.º 1/2018/A, de 3 de janeiro).

Pequenas e médias empresas Grandes empresas


Matéria coletável (em euros) Taxas (%) Taxas (%)
Até 15 000 …………………….. 13,6
16,8
Superior a 15 000 ……………. 16,8

Não podem aplicar estas taxas as empresas que exerçam atividades financeiras,
bem como do tipo ‘serviço intragrupo’ (centros de coordenação, de tesouraria ou de
distribuição) e as entidades enquadradas no regime especial de tributação de grupos
de sociedades, as quais são tributadas à taxa geral em vigor para a circunscrição
fiscal do continente.

 Região Autónoma da Madeira (aplicação dos artigos 2.º e 3.º do Decreto


Legislativo Regional n.º 2/2001/M, de 20 de fevereiro, com a redação dada pelo
Decreto Legislativo Regional n.º 2/2018/M, de 9 de janeiro).

Pequenas e médias empresas Grandes empresas


Matéria coletável (em euros) Taxas (%) Taxas (%)
Até 15 000 …………………….. 16
21
Superior a 15 000 ……………. 21

Campo 262 – Rendimentos prediais de entidades não residentes sem estabelecimento


estável

 A taxa do IRC que incide sobre os rendimentos prediais obtidos por entidades não
residentes sem estabelecimento estável em território português é 25% nos termos do n.º 4
do art.º 87.º do CIRC.

Campo 263 – Mais-valias imobiliárias/incrementos patrimoniais obtidos por entidades


não residentes sem estabelecimento estável (artigo 87.º, n.º 4)

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Divisão de Liquidação

 A taxa do IRC que incide sobre os ganhos resultantes da transmissão onerosa de bens ou
direitos imobiliários e mobiliários, bem como a incidente sobre os incrementos patrimoniais
gratuitos obtidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável em território
português é 25%.

Campo 264 – Outros rendimentos obtidos por entidades não residentes sem
estabelecimento estável

 Este campo é utilizado no caso de declarações relativas a rendimentos não sujeitos a


retenção na fonte a título definitivo.

Campo 266 - Mais-valias mobiliárias obtidas por entidades não residentes sem
estabelecimento estável (artigo 87.º, n.º 4)

 A taxa do IRC que incide sobre os ganhos resultantes da transmissão onerosa de bens ou
direitos mobiliários obtidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável em
território português é 25%. Chama-se, no entanto, a atenção para a isenção prevista no
art.º 27.º do EBF.

Campo 267 – Rendimentos de unidades de participação em FII e de participações sociais


em SII, auferidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável em território
português (artigo 22.º-A, n.º 1, al. c) do EBF)

 A taxa do IRC que incide sobre os rendimentos decorrentes da alienação das unidades de
participação em fundos de investimento imobiliário (FII) e de participações sociais em
sociedades de investimento imobiliário (SII) de que sejam titulares sujeitos passivos não
residentes, que não possuam estabelecimento estável em território português ao qual estes
rendimentos sejam imputáveis, é de 10%, nos termos da parte final da al. c) do n.º 1 do art.º
22.º-A do EBF.

09 APURAMENTO DA MATÉRIA COLETÁVEL

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 Este quadro é de preenchimento obrigatório para os campos relativos ao lucro tributável e


prejuízo fiscal, mesmo nos casos em que o valor apurado não dê origem ao pagamento do
imposto.
 Estes valores são preenchidos automaticamente pela aplicação nos casos de sujeitos
passivos obrigados ao preenchimento do quadro 07 e quando lhes seja aplicável apenas um
regime de tributação.

 As entidades que assinalaram o campo 1 do quadro 03-B Organismos de Investimento


Coletivo (OIC) não devem preencher este quadro, sendo a sua matéria coletável apurada no
Anexo F.

 Os campos correspondentes à coluna “Regime simplificado”, só devem ser preenchidos


para períodos anteriores a 2011, uma vez que se destinam ao apuramento da matéria
coletável, quando o lucro tributável foi determinado pelo regime simplificado previsto no ex-
artigo 58.º do CIRC, o qual foi revogado pelo artigo 92.º da Lei n.º 3-B/2010, de 28 de abril
(Orçamento do Estado para 2010).

 Os valores da matéria coletável relativa aos campos 311, 322, 333 ou 409 (este último para
períodos anteriores a 2011), consoante o caso, são sempre preenchidos.

 Os valores das deduções, a efetuar pela ordem indicada, devem ser inscritos somente até
à concorrência do lucro tributável e, no caso dos prejuízos fiscais, com o limite previsto no
n.º 2 do artigo 52.º do Código do IRC.

Apuramento da matéria coletável relativa aos rendimentos auferidos pelas entidades


licenciadas na Zona Franca da Madeira

 Quando a matéria coletável relativa aos rendimentos auferidos pelas entidades licenciadas
na Zona Franca da Madeira ultrapassem os plafonds máximos previstos nas alíneas a) a f)
do n.º 3 do artigo 36.º e no n.º 4 do artigo 36.º-A, ambos do EBF, é inscrito no campo 322 o
montante correspondente ao limite da matéria coletável à qual se aplica a taxa
reduzida, e no campo 336 o excedente a esse limite.

Regime especial de tributação de grupos de sociedades

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 Quando se tratar de declaração do grupo, o lucro tributável/prejuízo fiscal é inscrito no


campo 380.

 No campo 381 só deve ser mencionada a parte dos lucros distribuídos entre as sociedades
do grupo que se encontre incluída nas bases tributáveis individuais. Este campo só pode
ser utilizado para períodos de tributação anteriores a 2011, dado que o n.º 2 do artigo
70.º do Código do IRC foi revogado pela Lei n.º 55-A/2010, de 31 de dezembro (Orçamento
do Estado para 2011).

 O campo 395 deve ser preenchido pela sociedade dominante que tenha optado, para efeitos
de determinação do lucro tributável do grupo, pela aplicação do n.º 5 do artigo 67.º do CIRC
aos gastos de financiamento líquidos do grupo, quando estes excedam os limites previstos
no referido artigo. Esta opção é comunicada à AT através do envio de declaração de
alterações até ao fim do terceiro mês do período de tributação em que se pretende iniciar a
respetiva aplicação.

 O campo 500 deve ser preenchido pela sociedade dominante, para efeitos de apuramento
do resultado fiscal do grupo, quando a dedução dos gastos e das variações patrimoniais
negativas a que se refere o n.º 1 do artigo 4.º do Anexo à Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto,
exceder o menor dos montantes referidos nas alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 5.º do Anexo
à referida Lei.

 O campo 376 deve ser preenchido pela sociedade dominante, o qual deve incluir o montante
dos resultados internos que tenham sido eliminados ao abrigo do anterior regime de
tributação pelo lucro consolidado (RTLC), em vigor até à alteração promovida pela Lei n.º
30-G/2000, de 29 de dezembro, e que se considerem realizados no período, nos termos do
regime transitório previsto no n.º 2) da alínea a) do n.º 2 do artigo 7.º da referida Lei.

 Nos períodos de 2016 e 2017, nos termos do artigo 136.º da Lei n.º 7-A/2016, de 30 de
março (O.E. para 2016), e do n.º 1 do artigo 198.º da Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro
(O.E. para 2017), deve ser obrigatoriamente incluído neste campo, um quarto daqueles
resultados que não tenham sido considerados realizados até ao termo do período de
tributação que se inicie em ou após 1 de janeiro de 2015 ou em ou após 1 de janeiro de
2016, respetivamente.

 O montante a inscrever no campo 382 corresponde à soma algébrica dos campos 380, 381,
376 e 395.

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Divisão de Liquidação

 O campo 396 é utilizado nas situações previstas na alínea a) do n.º 1 do artigo 71.º do
CIRC, ou seja, os prejuízos verificados em períodos anteriores ao do início de aplicação do
regime só podem ser deduzidos ao lucro tributável do grupo até ao limite do lucro tributável
da sociedade a que respeitam. Nestas situações deve ser indicado neste campo o(s) NIF
da(s) entidade(s) e o montante dos prejuízos utilizado no período a que respeita a
declaração.

 O campo 398 aplica-se sempre que a sociedade dominante de um grupo de sociedades


adquira o domínio da sociedade dominante de um outro grupo de sociedades, devendo nele
inscrever-se as quotas-partes dos prejuízos do grupo imputáveis às sociedades, nos termos
dos números 4 ou 5 do artigo 71.º do CIRC, as quais são dedutíveis como prejuízos fiscais
individuais, nos termos do número 1 da mesma disposição.

 A matéria coletável apurada no campo 346, obtém-se pela dedução ao resultado fiscal do
grupo inscrito no campo 382 dos montantes constantes dos campos 309 e 310.

 Todas as deduções relativas ao regime especial de tributação de grupos de sociedades são


efetuadas na coluna do regime geral.

Dedução de prejuízos

 Nos campos 309, 320 e 331, são inscritos os prejuízos fiscais deduzidos em cada um dos
regimes, e nos respetivos subcampos devem ser discriminados os montantes deduzidos por
período do respetivo apuramento. Note-se que a Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro (O.E.
para 2017), revogou o n.º 15 do artigo 52.º do Código do IRC, deixando assim de ser
obrigatória a dedução, em primeiro lugar, dos prejuízos fiscais apurados há mais tempo.

 Mantém-se, no entanto, a obrigatoriedade de dedução dos prejuízos fiscais ao lucro


tributável do período subsequente, não podendo o sujeito passivo, caso possa, deixar de
efetuar essa dedução.

 Os prejuízos fiscais dedutíveis devem corresponder aos prejuízos fiscais verificados em


cada um dos períodos, líquidos do montante eventualmente já deduzido, nos termos do
artigo 52.º do CIRC.

 Os prejuízos fiscais apurados em períodos de tributação que se iniciem em ou após 1 de


janeiro de 2017, são deduzidos aos lucros tributáveis, havendo-os, de um ou mais dos
cinco períodos de tributação posteriores, à exceção dos sujeitos passivos que exerçam,

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diretamente e a título principal, uma atividade económica de natureza agrícola, comercial ou


industrial e que estejam abrangidos pelo Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro
(PME), os quais podem fazê-lo em um ou mais dos doze períodos de tributação posteriores.

 De notar que, relativamente aos prejuízos fiscais apurados nos períodos de tributação
de 2010 e 2011, o período de reporte é de quatro anos; nos períodos de tributação de 2012
e 2013, o período de reporte é de cinco anos e nos períodos de 2014 a 2016 o período de
reporte é de doze anos.

Quadro resumo:
Períodos de apuramento  Prazo de dedução 
2010 e 2011  4 anos 
2012 e 2013  5 anos 
2014 a 2016  12 anos 
2017 e  Se PME  12 anos 
seguintes  Grandes empresas  5 anos 

 A dedução a efetuar em cada um dos períodos de tributação, a inscrever no campo 309, 320
e 331, não pode exceder o montante correspondente a 70% do respetivo lucro tributável
(75% para as deduções aos lucros tributáveis relativos aos períodos de tributação de 2012 e
2013) e aplica-se aos prejuízos fiscais apurados em períodos de tributação anteriores. A
parte não deduzida pode sê-lo, nas mesmas condições, até ao final do período de dedução
(n.º 2 do artigo 52.º do CIRC).

 Quando o contribuinte beneficiar de isenção parcial e ou de redução de IRC, os prejuízos


fiscais sofridos nas respetivas explorações ou atividades não podem ser deduzidos, em
cada período de tributação, dos lucros tributáveis das restantes, conforme n.º 5 do artigo
52.º do CIRC. Porém, terminada a aplicação do regime de isenção parcial ou de redução de
taxa considera-se que o remanescente de um prejuízo sofrido numa atividade isenta ou com
redução de taxa, que não foi possível reportar aos lucros tributáveis sujeitos a idêntico
regime de tributação, pode vir a ser reportado, desde que observados os limites temporais
gerais que permitem o reporte, nos lucros tributáveis da mesma empresa respeitantes ao
conjunto das suas atividades.

 Nos termos do n.º 1 do artigo 75.º do CIRC, os prejuízos fiscais das sociedades fundidas
podem ser deduzidos dos lucros tributáveis da nova sociedade ou da sociedade
incorporante, nos termos e condições estabelecidos no artigo 52.° e até ao fim do prazo

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referido no n.° 1 do mesmo artigo, contado do período de tributação a que os mesmos se


reportam. Podem também ser deduzidos os prejuízos fiscais transmitidos no âmbito das
operações referidas no n.º 3 do mesmo artigo.

A dedução deve observar a limitação prevista no n.º 4 do artigo 75.º do CIRC.

 Caso a fusão ou as operações referidas nos n.ºs 1 e 3 do artigo 75.º do CIRC, na redação
anterior à dada pela Lei n.º 2/2014, de 16 de janeiro, tenham ocorrido em data anterior a 01
de janeiro de 2014, a dedução só é possível depois de autorizada a sua transmissão.

 Do mesmo modo, quando se verifique a cessação da atividade de um sujeito passivo em


virtude da transferência da sede ou direção efetiva para fora do território português, mas
aqui seja mantido um estabelecimento estável, este pode aproveitar dos prejuízos anteriores
àquela cessação, na proporção do valor de mercado dos elementos patrimoniais afetos ao
estabelecimento estável nos termos do n.º 1) da alínea c) do n.º 1 do artigo 15.º do CIRC.
Neste caso deve ser indicado no campo 384, 387, 390 ou 393, conforme o regime aplicável,
apenas o valor a utilizar no período a que respeita a declaração.

 Caso a cessação da atividade tenha ocorrido em data anterior a 1 de janeiro de 2014, nos
termos do n.º 1) da alínea c) do n.º 1 do artigo 15.º do CIRC, na redação anterior à dada
pela Lei n.º 2/2014, de 16 de janeiro, a dedução só é possível depois de autorizada a sua
transmissão, por parte do Diretor-Geral da AT.

 Nas situações referidas, ou seja, quando se verifique a existência de prejuízos fiscais


transmitidos, deve ser indicado, no campo 397, o montante total dos prejuízos utilizado no
período a que respeita a declaração.

 Esta informação deve ser autonomizada, consoante a situação, indicando-se no campo 397-
A ou/e 397-B o valor que lhe corresponda. Deve(m) também ser indicado(s) o(s) NIF(s) da(s)
entidade(s) envolvida(s).

 Nos termos do n.º 8 do artigo 52.º do CIRC, os prejuízos fiscais não são dedutíveis quando
se verificar, à data do termo do período de tributação em que é efetuada a dedução, que,
em relação àquele a que respeitam os prejuízos, se verificou a alteração da titularidade de
mais de 50% do capital social ou da maioria dos direitos de voto.

Esta limitação também se aplica, relativamente às situações ocorridas antes de 1 de janeiro


de 2014, quando, nos termos do n.º 8 do artigo 52.º do CIRC, na redação anterior à dada

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pela Lei n.º 2/2014, de 16 de janeiro, tenha sido modificado o objeto social da entidade a
que respeita ou alterada, de forma substancial, a natureza da atividade anteriormente
exercida.

 O Ministro das Finanças pode autorizar, em casos especiais de reconhecido interesse


económico e mediante requerimento a apresentar à Autoridade Tributária e Aduaneira que
não seja aplicável a limitação aí prevista, conforme referido no n.º 12 do artigo 52.º do CIRC
(vd., todavia os n.ºs 9 e 10 desta disposição).

 Caso ocorra a situação prevista no n.º 8 do artigo 52.º do CIRC e não seja feito o pedido
referido no n.º 12 do mesmo artigo ou não tenha sido autorizada a dedução dos prejuízos,
são indicados nos campos 385, 388, 391 e 394, conforme o regime de tributação do sujeito
passivo, os prejuízos fiscais não dedutíveis. Estes campos só devem ser preenchidos no
período de tributação em que ocorreu a alteração da titularidade de mais de 50% do
capital social ou da maioria dos direitos de voto e o montante a declarar deve
corresponder à totalidade do saldo dos prejuízos fiscais dedutíveis no final do período de
tributação anterior.

 As entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal devem também incluir no


campo 385, sendo caso disso, o montante referido na alínea b) do artigo 3.º do Decreto-
Regulamentar n.º 11/2017, de 28 de dezembro, ou seja, o montante da diferença positiva,
apurada a 1 de janeiro de 2017, entre o valor das provisões por perdas por imparidade de
crédito constituídas ao abrigo do Aviso n.º 3/95 e as imparidades constituídas a 1 de janeiro
de 2017 referentes aos mesmos créditos de acordo com o normativo contabilístico aplicável,
que não foi considerado para efeitos de determinação do lucro tributável nos termos da
alínea a) do mesmo artigo.
 Caso esteja a ser preenchida uma declaração referente ao período de tributação de 2016,
deve ser indicado, também neste campo, o montante referido na alínea b) do artigo 3.º do
Decreto Regulamentar n.º 5/2016, de 18 de novembro.

Coletividades Desportivas

 No campo 399, podem ser deduzidas as importâncias investidas pelos clubes desportivos
em novas infraestruturas, não provenientes de subsídios, até 50% da matéria coletável

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inscrita no campo 311 e transportada do campo D243 do quadro 07 do anexo D da IES (art.º
54.º, n.º 2 do EBF).

 O valor a inscrever neste campo corresponde ao valor da dedução do período apurada no


campo 1113 do quadro 11 do anexo D à declaração modelo 22.

Regime simplificado de determinação da matéria coletável

 O campo 346 é de preenchimento automático, exceto no caso de aplicação do regime


simplificado de determinação da matéria coletável. Neste último caso, deve ser inscrito o
valor da matéria coletável apurada no campo 42 do anexo E à declaração modelo 22.

Atividades de transporte marítimo

 No campo 300 é inscrita a matéria coletável apurada no campo 17 do quadro 04 do Anexo


G, relativo às atividades de transporte marítimo às quais se aplique o regime especial
previsto no Decreto-Lei n.º 92/2018, de 13 de novembro.

10 CÁLCULO DO IMPOSTO

 Este quadro destina-se ao cálculo do imposto.

 No regime de transparência fiscal e por força do disposto no artigo 12.º do CIRC, não há
lugar ao preenchimento deste quadro, com exceção do campo 365 relativo às tributações
autónomas.
 Quando for aplicável o RETGS e por força do disposto no n.º 6 do artigo 120.º do CIRC:
- A sociedade dominante, na declaração relativa ao lucro tributável do grupo, deve apurar
neste quadro o imposto a pagar ou a recuperar relativo ao grupo;
- Por sua vez, cada uma das sociedades do grupo, incluindo a sociedade dominante,
deve, também, na sua declaração individual, proceder ao preenchimento deste quadro,
determinando o imposto como se o regime não lhe fosse aplicável.

Campos 347-A e 347-B – Imposto à taxa normal (taxas gerais)

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Divisão de Liquidação

 O campo 347-A só pode ser preenchido pelos sujeitos passivos que assinalaram o campo 1,
3 ou 4 do quadro 3-A da declaração, ou seja, pelos sujeitos passivos que exerçam,
diretamente e a título principal, uma atividade económica de natureza agrícola, comercial ou
industrial que sejam qualificados como pequena ou média empresa (PME), nos termos
previstos no anexo ao Decreto-Lei n.° 372/2007, de 6 de novembro - ver instruções ao
quadro 3-A da declaração.

Nestes casos, e para os períodos de tributação iniciados em ou após 2015-01-01, a taxa de


IRC aplicável aos primeiros € 15.000,00 de matéria coletável é de 17 % (campo 347-A),
aplicando-se a taxa de 21% à matéria coletável excedente (campo 347-B).

 A aplicação da taxa de 17% (ou as taxas correspondentes de 13.6% ou de 16% em vigor na


R. A. dos Açores e na R. A. da Madeira, respetivamente) prevista no ponto anterior está
sujeita às regras europeias aplicáveis em matéria de auxílios de minimis, pelo que os
sujeitos passivos que beneficiem deste escalão de taxa devem preencher o quadro 09 do
anexo D.

 Os sujeitos passivos que exerçam, diretamente e a título principal, uma atividade económica
de natureza agrícola, comercial ou industrial e que não sejam qualificados como PME
devem, para os períodos de tributação iniciados em ou após 2015-01-01, efetuar o cálculo
do imposto apenas no campo 347-B, aplicando a taxa de 21% a toda a matéria coletável.

 Para os rendimentos obtidos em períodos de tributação compreendidos entre os períodos de


tributação de 2009 e 2011, inclusive, são aplicáveis as seguintes taxas:

 12,5% para a parte da matéria coletável até € 12.500,00, inclusive (campo 347-A);
 25% para a parte da matéria coletável superior a € 12.500,00 (campo 347-B).

Assim, o campo 347-A só deve ser preenchido para os períodos de tributação aqui
referidos.
 Para os períodos de tributação de 2012 e 2013, o cálculo do imposto é efetuado apenas no
campo 347-B, utilizando a taxa de 25%.

 Para o período de tributação de 2014, o cálculo do imposto no campo 347-B, é efetuado à


taxa de 23%.

Campos 348 e 349 – Imposto a outras taxas (taxas especiais e taxas reduzidas)

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Divisão de Liquidação

 Os campos 348 e 349 destinam-se à aplicação das taxas especiais previstas nos n.ºs 4 e 5
do artigo 87.º do CIRC e das taxas reduzidas referidas no quadro 08.1, bem como da taxa
especial prevista no ex-n.º 3 desta disposição (antigo regime simplificado, para períodos
anteriores a 2011).

 Estes campos destinam-se também à aplicação da taxa de 12,5% sobre os primeiros €


15.000,00 de matéria coletável, apurada pelas empresas instaladas em territórios do interior,
ao abrigo do artigo 41.º-B do EBF.

 A taxa do IRC para as entidades que não exercem a título principal atividades de natureza
comercial, industrial ou agrícola, aplicável ao período de tributação de 2016 é de 21%. A
taxa aplicável aos períodos de tributação de 2011 a 2015, é de 21,5%.

 Note-se que sempre que sejam aplicadas taxas reduzidas, que não as previstas no CIRC,
deve ser assinalado o campo respetivo no quadro 08.1 - regimes de redução de taxa.

Campo 350 – Imposto imputável à Região Autónoma dos Açores

 Este campo é preenchido sempre que existam rendimentos imputáveis à Região


Autónoma dos Açores, nos termos do Decreto Legislativo Regional n.º 2/99/A de 20 de
janeiro, com a redação dada pelo Decreto Legislativo Regional n.º 1/2018/A, de 3 de janeiro
e como tal suscetíveis de beneficiarem da taxa regional aí prevista, sendo o cálculo da
coleta efetuado no anexo C.

 As taxas regionais do IRC estão indicadas nas instruções do quadro 08.2.

Campo 370 - Imposto imputável à Região Autónoma da Madeira

 O campo 370 é utilizado sempre que existam rendimentos imputáveis à Região


Autónoma da Madeira, nos termos do Decreto Legislativo Regional n.º 2/2001/M, de 20 de
fevereiro, com a redação dada pelo Decreto Legislativo Regional n.º 2/2018/M, de 9 de
janeiro, sendo o cálculo da coleta igualmente efetuado no anexo C.
 As taxas regionais do IRC estão indicadas nas instruções do quadro 08.2.

Campo 373 - Derrama estadual

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Divisão de Liquidação

 A derrama estadual prevista no artigo 87.º-A do CIRC incide sobre a parte do lucro
tributável superior a € 1.500.000,00, sujeito e não isento de IRC, apurado por sujeitos
passivos residentes em território português que exerçam, a título principal, uma atividade
de natureza comercial, industrial ou agrícola e por não residentes com estabelecimento
estável em território português, sendo determinada pela aplicação das seguintes taxas:

 Período de tributação de 2018:


Taxas
Lucro Tributável (em euros)
(em percentagens)
De mais 1.500.000 até 7.500.000 3
De mais 7.500.000 até 35.000.000 5
Superior a 35.000.000 9

 Períodos de tributação de 2014 a 2017:

Taxas
Lucro Tributável (em euros)
(em percentagens)
De mais 1.500.000 até 7.500.000 3
De mais 7.500.000 até 35.000.000 5
Superior a 35.000.000 7

 Período de tributação de 2013:

Taxas
Lucro Tributável (em euros)
(em percentagens)
De mais 1.500.000 até 7.500.000 3
Superior a 7.500.000 5

 Período de tributação de 2012:

Taxas
Lucro Tributável (em euros)
(em percentagens)
De mais 1.500.000 até 10.000.000 3
Superior a 10.000.000 5

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 Períodos de tributação de 2011 e 2010:

Taxas
Lucro Tributável (em euros)
(em percentagens)
Superior a 2.000.000 2,5

 A derrama regional a vigorar na Região Autónoma dos Açores foi aprovada pelo Decreto
Legislativo Regional n.º 21/2016/A, de 17 de outubro, sendo que as taxas de cada escalão
correspondem a 80% das taxas nacionais indicadas anteriormente.

 Quando seja aplicável o regime especial de tributação dos grupos de sociedades, a(s)
taxa(s) incide(m) sobre o lucro tributável apurado na declaração periódica individual de
cada uma das sociedades do grupo, incluindo a da sociedade dominante.

 A sociedade dominante inscreve na declaração do grupo, neste campo, o somatório das


derramas estaduais individualmente calculadas, incumbindo-lhe o respetivo pagamento.

 As entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira, às quais se aplique o regime


previsto no artigo 36.º-A do EBF, ficam sujeitas à limitação de 80% da derrama
regional.

 As entidades abrangidas pelo regime de tributação dos Organismos de Investimento


Coletivo (OIC) estabelecido no artigo 22.º do EBF estão isentas da derrama estadual
conforme previsto no n.º 6 do referido artigo, com a redação dada pelo Decreto-Lei n.º
7/2015, de 13 de janeiro.

Campos 353 – Dupla tributação jurídica internacional, 375 – Dupla tributação económica
internacional, 355 - Benefícios fiscais e 356 - Pagamento especial por conta

As deduções a inscrever nestes campos são as referidas nas alíneas a) a d) do n.º 2 do artigo
90.º do CIRC e devem ser efetuadas pela ordem indicada no referido normativo legal.

 Como, por força do n.º 9 do referido preceito, o total do IRC liquidado (campo 358) tem de
ser positivo ou nulo, o total das deduções inscrito no campo 357 não pode ser superior ao
montante constante do campo 378 - coleta total.

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Divisão de Liquidação

Assim, só pode ser inscrito (pela ordem indicada) nos campos 353, 375, 355 e 356, o
montante das deduções até ao valor da coleta total, a qual é composta pelo somatório
do IRC propriamente dito e da derrama estadual.

 O valor a inscrever no campo 353 deve corresponder ao “Total geral” apurado na coluna 7
do quadro 14 da declaração (valor da dedução efetuada no período relativa a países com
Convenção e sem Convenção), com o limite do montante inscrito no campo 378.

 O valor a inscrever no campo 375 refere-se à dedução por dupla tributação económica
internacional, aplicável, por opção do sujeito passivo, quando na matéria coletável deste
tenham sido incluídos lucros e reservas, distribuídos por entidade residente fora do território
português, que preencham os requisitos previstos no artigo 91.º-A do CIRC e aos quais não
seja aplicável o disposto no artigo 51.°.
 As deduções relativas a benefícios fiscais que operam por dedução à coleta (campo 355)
devem ser discriminadas no quadro 07 do anexo D.

Campo 470 – Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis

 Este campo destina-se à inscrição do crédito correspondente ao montante do adicional ao


imposto municipal sobre imóveis (AIMI) pago durante o período a que respeita o imposto, no
caso da opção pela dedução à coleta, nos termos do n.º 2 do artigo 135.º-J do Código do
Imposto Municipal sobre Imóveis.

 A dedução é efetuada à coleta apurada nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 90.º do
Código do IRC, e até à sua concorrência, limitada à fração correspondente aos rendimentos
gerados por imóveis, a ele sujeitos, no âmbito da atividade de arrendamento ou
hospedagem.

 Esta opção prejudica a dedutibilidade em sede de IRC do respetivo gasto, pelo que o
mesmo deve ser acrescido no campo 797 do quadro 07. O montante deduzido à coleta não
está sujeito ao limite previsto no n.º 1 do artigo 92.º do CIRC.

Campo 371 – Resultado da liquidação

 Este campo destina-se à inscrição do montante correspondente à diferença positiva apurada


nos termos do disposto do n.º 1 do artigo 92.º do CIRC.

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

Campo 359 – Retenções na fonte

Este campo é preenchido automaticamente pelo sistema em função dos valores constantes das
declarações modelo 10. O sujeito passivo pode proceder à alteração do valor exibido nos casos
em que considere que o mesmo não está correto.

Campo 360 – Pagamentos por conta e Pagamento por conta autónomo

Este campo é preenchido automaticamente pelo sistema e inclui quer os pagamentos por conta
efetuados ao abrigo ao artigo 105.º do CIRC, quer o pagamento por conta autónomo efetuado
nos termos do n.º 2 do artigo 234.º da Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro.

 Tratando-se de declaração de substituição, todo o quadro 10 deve ser preenchido como


se se tratasse de uma primeira declaração, não devendo ser inscrito no campo 360 o valor
do IRC pago relativamente à autoliquidação anteriormente efetuada.

 As empresas abrangidas pelo regime especial de tributação dos grupos de sociedades


(RETGS) devem, nas respetivas declarações individuais, inscrever os valores dos
pagamentos por conta que seriam devidos caso fossem tributadas individualmente, ou seja,
caso não estivessem no âmbito daquele regime.

 A limitação dos pagamentos por conta é apenas possível relativamente à terceira entrega
por conta.

Campo 374 – Pagamentos adicionais por conta

 O montante dos pagamentos adicionais por conta da derrama estadual, a que se refere
o artigo 105.º-A do CIRC, indicado neste campo, é preenchido automaticamente pelo
sistema.

Campo 363 – IRC de períodos anteriores

 Este campo destina-se, nomeadamente, à indicação do IRC que deixou de ser liquidado nos
termos do n.º 5 do artigo 23.º-A do CIRC.

Campo 372 – Reposição de benefícios fiscais

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 Este campo destina-se à reposição de benefícios fiscais ainda que os mesmos possam
respeitar a períodos anteriores.

 É também utilizado quando são excedidos os limites, como por exemplo no caso dos
incentivos fiscais sujeitos à regra de minimis (campo 906 do quadro 09 do anexo D).

 É ainda utilizado quando seja incumprido o disposto na alínea c) do n.º 3 do artigo 27.º do
Código Fiscal do Investimento, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 249/2009, de 23 de setembro
e revogado pelo Decreto-Lei n.º 162/2014, de 31 de outubro, e na alínea c) do n.º 4 do artigo
22.º do novo Código Fiscal do Investimento aprovado por este último decreto-lei.

 O valor constante deste campo nunca pode ser inferior ao somatório dos montantes
apurados no campo 618 do quadro 061, no campo 906 do quadro 09 e no campo 1016 do
quadro 10, ambos do anexo D.

Campo 364 – Derrama municipal

 Nos termos do n.º 1 do artigo 18.º da Lei n.º 73/2013, de 3 de setembro, a derrama
municipal incide sobre o lucro tributável sujeito e não isento de IRC (com o limite máximo
de 1,5%) que corresponda à proporção do rendimento gerado na área geográfica do
município por sujeitos passivos residentes em território português que exerçam, a título
principal, uma atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e não residentes com
estabelecimento estável neste território.

 Assim, as entidades residentes que não exerçam, a título principal, uma atividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola e as entidades não residentes sem
estabelecimento estável, não devem inscrever qualquer valor neste campo.

 De acordo com o previsto no n.º 4 do mesmo artigo, os municípios podem deliberar o


lançamento de uma taxa reduzida de derrama para os sujeitos passivos cujo volume de
negócios no ano anterior não ultrapasse os € 150.000,00. Neste caso, coexistirão duas
taxas no respetivo município: a taxa normal, aplicável à generalidade dos sujeitos passivos e
uma reduzida, aplicável apenas àquele universo.

 Sempre que o sujeito passivo tenha estabelecimentos estáveis ou representações locais em


mais de um município e a matéria coletável seja superior a € 50.000,00, a derrama é
apurada no anexo A desta declaração (n.º 2 do 18.º da Lei n.º 73/2013, de 3 de setembro).

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 No caso de declarações do grupo, no regime especial de tributação dos grupos de


sociedades, o cálculo da derrama é efetuado de acordo com o regime previsto no n.º 8 do
artigo 18.º da Lei n.º 73/2013, de 3 de setembro.

 Assim, quando seja aplicado este regime de tributação, a derrama é calculada e indicada
individualmente por cada uma das sociedades na sua declaração, sendo preenchido,
também individualmente, o anexo A, se for caso disso. O somatório das derramas assim
calculadas é indicado no campo 364 do quadro 10 da correspondente declaração do
grupo, competindo o respetivo pagamento à sociedade dominante.

 As entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira, às quais se aplique o regime


previsto no artigo 36.º-A do EBF, ficam sujeitas à limitação de 80% da derrama
municipal.

 As entidades abrangidas pelo regime de tributação dos Organismos de Investimento


Coletivo (OIC) estabelecido no artigo 22.º do EBF estão isentas da derrama municipal,
conforme previsto no n.º 6 do referido artigo, com a redação dada pelo Decreto-Lei n.º
7/2015, de 13 de janeiro.

Campo 379 – Dupla tributação jurídica internacional – Países com CDT

 Quando o sujeito passivo tenha obtido rendimentos em país com o qual tenha sido
celebrada Convenção para evitar a dupla tributação (CDT) e que sejam tributados nos
dois Estados, a dedução do crédito de imposto por dupla tributação jurídica internacional
pode ser efetuada até à concorrência do somatório da coleta total (campo 378) e da
derrama municipal (campo 364).

 Este campo só deve ser preenchido quando o crédito de imposto relativo à dupla tributação
jurídica internacional não pôde ser integralmente deduzido no campo 353, por ser superior à
coleta total (campo 378).

O valor excedente, se respeitar a países com CDT, pode ser deduzido neste campo até à
concorrência do valor da derrama municipal inscrito no campo 364.

Campo 365 – Tributações autónomas

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Divisão de Liquidação

 O campo 365 destina-se, nomeadamente, à aplicação das taxas de tributação autónoma


referidas no artigo 88.º do CIRC e na alínea b) do n.º 2 do artigo 18.º do EBF.

 Existindo despesas não documentadas e pagamentos a entidades não residentes sujeitas a


um regime fiscal privilegiado, para além da tributação autónoma, devem as mesmas ser
acrescidas nos campos 716 e 746, respetivamente, do quadro 07. Quando tais
despesas/pagamentos sejam efetuados por sujeitos passivos total ou parcialmente isentos,
ou que não exerçam, a título principal, atividades de natureza comercial, industrial ou
agrícola, e ainda por sujeitos passivos que aufiram rendimentos do exercício de atividades
sujeitas a imposto especial do jogo, são aplicadas as taxas agravadas referidas nos n.ºs 2 e
8 do artigo 88.º do CIRC.

 A não tributação em IRC das entidades abrangidas pelo regime de transparência fiscal,
nos termos do artigo 6.º do CIRC não as desobriga da apresentação da declaração
periódica de rendimentos. Existindo despesas e encargos sujeitos a tributação autónoma
nos termos do artigo 88.º, devem as mesmas ser quantificadas no campo 365, competindo o
correspondente pagamento à entidade sujeita ao regime de transparência fiscal.

 Caso seja aplicável o RETGS e para efeitos da aplicação do n.º 14 do artigo 88.º do CIRC, o
que releva é o resultado fiscal do grupo. Assim, havendo prejuízo fiscal do grupo, o
montante das tributações autónomas que a sociedade dominante inscreve neste campo já
deve ser calculado utilizando as taxas elevadas, sendo desconsiderado o aumento das
taxas que cada uma das sociedades do grupo aplicou por ter apurado prejuízo fiscal.

Por sua vez, cada uma das sociedades do grupo, incluindo a sociedade dominante,
determina o montante das respetivas tributações autónomas utilizando, sendo caso disso,
as taxas elevadas, e inscreve-o neste campo, na sua declaração individual.

 Os Organismos de Investimento Coletivo (OIC) abrangidos pelo regime estabelecido no


artigo 22.º do EBF estão sujeitos, com as necessárias adaptações, às taxas de tributação
autónoma previstas no artigo 88.º do CIRC, nos termos gerais aí previstos, conforme n.º 8
daquele dispositivo, com a redação dada pelo Decreto-Lei n.º 7/2015, de 13 de janeiro.

 As entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira abrangidas pelo regime previsto


no artigo 36.º-A do EBF, que realizem despesas e encargos imputáveis a atividades
exercidas na Zona Franca da Madeira, declaram tais despesas e encargos no quadro 13-

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Divisão de Liquidação

A da declaração, e determinam o montante das tributações autónomas na proporção


da taxa do IRC aplicável, exceto quanto às tributações autónomas previstas nos n.ºs 1
e 8 do artigo 88.º do CIRC.

Campo 366 – Juros compensatórios

 O campo 366 destina-se à inscrição de juros compensatórios, designadamente, os referidos


no n.º 5 do artigo 23.º-A, do CIRC. Caso seja preenchido é solicitada informação adicional
relevante, para efeitos de cobrança, nos campos 366-A e 366-B do quadro 10-A.

Campo 367 – Total a pagar

 Existindo total a pagar, apurado no campo 367, o pagamento da autoliquidação pode ser
efetuado utilizando a respetiva referência gerada pela aplicação ou através de uma guia P1,
no prazo estabelecido na alínea b) do n.º 1 do artigo 104.º, ou no n.º 1 do artigo 108.º,
ambos do CIRC, consoante o caso.

 Sempre que o pagamento seja efetuado fora do prazo legal, há lugar a juros de mora,
conforme dispõe o artigo 109.º do CIRC.

TRANSFERÊNCIA DE RESIDÊNCIA/CESSAÇÃO DA ATIVIDADE DE ESTABELECIMENTO ESTÁVEL/AFETAÇÃO DE


10-B
ELEMENTOS PATRIMONIAIS (art.ºs 83.º, 84.º e 54.º-A, n.º 11)

Este quadro deve ser preenchido quando ocorra a transferência ou afetação de elementos
patrimoniais para outro Estado membro da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu,
neste último caso, desde que exista obrigação de cooperação administrativa no domínio do
intercâmbio de informações e da assistência à cobrança equivalente à estabelecida na União
Europeia, em consequência:

a) Da cessação de atividade por transferência de residência da sociedade;

b) Da afetação de elementos patrimoniais de uma entidade residente a um seu


estabelecimento estável relativamente ao qual tenha sido exercida a opção prevista no
n.º 1 do artigo 54.º-A do CIRC;

c) Da cessação de atividade de estabelecimento estável de entidade não residente;

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

d) Da transferência, por qualquer título material ou jurídico dos elementos patrimoniais


que se encontrem afetos a estabelecimento estável de entidade não residente.

Deve ser assinalada qual a modalidade de pagamento escolhida relativa ao imposto


correspondente ao saldo positivo resultante das diferenças, à data da cessação, da
transferência ou da afetação, entre os valores de mercado a essa data e os valores fiscalmente
relevantes dos referidos elementos patrimoniais, ainda que não expressos na contabilidade
(campo 789 do quadro 07).

As modalidades de pagamento permitidas são as seguintes:

 Imediato – pela totalidade do imposto apurado, nos termos da alínea a) do n.º 2 do


artigo 83.º do CIRC; ou

 Diferido – no ano seguinte àquele em que se verifique, em relação a cada um dos


elementos patrimoniais considerados, a sua extinção, transmissão, desafetação da
atividade da entidade ou transferência, por qualquer título, material ou jurídico, para um
território ou país que não seja um Estado membro da União Europeia ou do Espaço
Económico Europeu, neste último caso, desde que exista obrigação de cooperação
administrativa no domínio do intercâmbio de informações e da assistência à cobrança
equivalente à estabelecida na União Europeia, pela parte do imposto que corresponda
ao resultado fiscal relativo a cada elemento individualmente identificado, nos termos da
alínea b) n.º 2 do artigo 83.º do CIRC; ou

 Fracionado – em frações anuais de igual montante, correspondentes a um quinto do


montante do imposto apurado, nos termos da alínea c) n.º 2 do artigo 83.º do CIRC.

A opção pelo pagamento imediato determina que o valor a pagar ou a recuperar da


declaração de rendimentos corresponde ao valor apurado no campo 367 ou no campo 368.

A opção pelo pagamento diferido ou pelo pagamento fracionado, a que se referem as


alíneas b) e c) do n.º 2 do artigo 83.º do CIRC, implicam o vencimento de juros até à data do
pagamento efetivo, bem como a obrigatoriedade de entrega da declaração modelo oficial
(modelo 29), podendo, em caso de fundado receio de frustração da cobrança do crédito
tributário, haver lugar à prestação de garantia bancária que corresponda ao montante do
imposto acrescido de 25%.

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

Campos 377-A e 377-B

Estes campos só são preenchidos no caso de a opção não ter sido a do pagamento imediato,
devendo neles inscrever-se os valores do IRC (incluindo a derrama estadual) e da derrama
municipal correspondentes ao valor inscrito no campo 789 do quadro 07 da declaração, ou
seja, os valores cujo pagamento é diferido ou fracionado.

Para determinar os valores a inscrever nestes campos (campos 377-A e 377-B), deve o sujeito
passivo proceder ao apuramento do imposto (quadro 10) com e sem o acréscimo de valores no
campo 789 do quadro 07 e:

i) O montante a inscrever no campo 377-A será o correspondente à diferença entre o


imposto a pagar ou a recuperar que apurou, respetivamente, nos campos 361 ou 362 e o
imposto que apuraria nos mesmos campos caso não procedesse ao acréscimo antes
referido;

ii) O montante a inscrever no campo 377-B será o correspondente à diferença entre o valor
constante do campo 364, líquido do montante inscrito no campo 379, e o deste valor
líquido que seria apurado caso não procedesse ao referido acréscimo.

O montante inscrito no campo 377-A deve corresponder ao total da coluna 3 do subquadro 03


do quadro 6 da declaração modelo 29 ou ao total da coluna 2 do subquadro 01 do quadro 7 da
mesma declaração.

O montante inscrito no campo 377-B deve corresponder ao total da coluna 4 do subquadro 03


do quadro 6 da declaração modelo 29 ou ao total da coluna 3 do subquadro 01 do quadro 7 da
referida declaração.

A declaração modelo 29 deve ser apresentada no prazo fixado no n.º 3 do artigo 120.º do
CIRC, ou no prazo fixado no n.º 1 ou 2 do mesmo artigo para os casos a que se referem o n.º
11 do artigo 54.º - A e a alínea b) do n.º 1 do artigo 84.º do CIRC.

Campo 430 – Total a pagar

Existindo total a pagar, apurado neste campo, o pagamento da autoliquidação pode ser
efetuado utilizando a respetiva referência gerada pela aplicação ou através de uma guia P1, no

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Divisão de Liquidação

prazo estabelecido na alínea b) do n.º 1 do artigo 104.º, ou no n.º 1 do artigo 108.º, ambos do
CIRC, consoante o caso.

11 OUTRAS INFORMAÇÕES

Campo 411 – Volume de negócios do período

 Neste campo é indicado o volume de negócios do período de tributação, o qual deve ser
discriminado no quadro 11-B sempre que tenha sido obtido em mais do que uma
circunscrição (Continente, Açores ou Madeira).

Campo 416 – Diferença positiva entre o valor considerado para efeitos de liquidação do
IMT e o valor constante do contrato, nos casos em que houve recurso ao procedimento
previsto no artigo 139.º do CIRC

 Este campo é preenchido sempre que o sujeito passivo tenha efetuado o pedido de
demonstração a que se refere o artigo 139.º do CIRC (prova do preço efetivo na
transmissão de imóveis). Neste caso, o valor inscrito neste campo não deve ser acrescido
no campo 745 do quadro 07.

Campo 418 – Data em que ocorreu a transmissão das partes sociais (artigo 88.º, n.º 11)

 Indicar a data da verificação do facto que determinou a obrigatoriedade de entrega da


declaração.

Campo 423 – Tratando-se de microentidade, indique se, em alternativa às normas


contabilísticas para microentidades (NC-ME), opta pela aplicação das normas
contabilísticas e de relato financeiro para as pequenas entidades (NCRF-PE) ou das
normas contabilísticas e de relato financeiro (NCRF) [art.º 9.º-D do Decreto-Lei n.º
158/2009, de 13 de julho]

 Nos termos do disposto no n.º 1 do artigo 9.º da Lei n.º 159/2009, de 13 de julho, na
redação dada pelo Decreto-Lei n.º 98/2015, de 2 de junho, consideram-se microentidades
as empresas que, à data do balanço, não ultrapassem dois dos três limites seguintes:
 Total do balanço: € 350.000,00;

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Divisão de Liquidação

 Volume de negócios líquido: € 700.000,00;


 Número médio de empregados durante o exercício: 10.

 Nos termos do n.º 1 do artigo 9.º-D do Decreto-Lei n.º 158/2009, as microentidades devem
adotar a norma contabilística para microentidades (NC-ME).

 Contudo, nos termos do n.º 2 do mesmo artigo, estas entidades podem optar na
declaração de rendimentos a que se refere a alínea b) do n.º 1 do artigo 117.º do Código
do IRC, pela aplicação das normas contabilísticas e de relato financeiro para pequenas
entidades (NCRF-PE) ou das normas contabilísticas e de relato financeiro (NCRF). Neste
caso, esta opção deve ser identificada neste campo.

 No caso de a microentidade ter optado por estas normas contabilísticas (NCRF ou NCRF-
PE), não pode ficar enquadrada no regime simplificado de determinação da matéria
coletável.

Campo 429 – Ocorreu no período de tributação uma operação de fusão com eficácia
retroativa (n.º 11 do art.º 8.º do CIRC) da qual é sociedade beneficiária?

 O campo 429 deve ser assinalado pela sociedade incorporante sempre que ocorram no
respetivo período de tributação operações de fusão nos termos do n.º 1 do artigo 73.º do
Código do IRC com efeitos fiscais retroativos.

11-A ATIVOS POR IMPOSTOS DIFERIDOS (AID) – Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto

Este quadro deve ser preenchido apenas pelos sujeitos passivos de IRC que aderiram ao
regime especial aplicável aos ativos por impostos diferidos (e a ele não renunciaram),
aprovado pela Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto.

De acordo com o n.º 1 do artigo 6.º do anexo à Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto, os ativos por
impostos diferidos que tenham resultado da não dedução de gastos e variações patrimoniais
negativas com perdas por imparidade em créditos e com benefícios pós-emprego ou a longo

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

prazo de empregados, a que se refere o n.º 1 do artigo 4.º, são convertidos em créditos
tributários quando o sujeito passivo:

a) Registe um resultado líquido negativo do período nas suas contas anuais, depois de
aprovadas pelos órgãos sociais, nos termos da legislação aplicável;
b) Entre em liquidação por dissolução voluntária, insolvência decretada por sentença
judicial ou, quando aplicável, revogação da respetiva autorização por autoridade de
supervisão competente.

Conforme n.º 7 do mesmo artigo 6.º, deve ser inscrito na declaração periódica de rendimentos
prevista no artigo 120.º do Código do IRC relativa ao período de tributação em que se verifique
alguma das situações previstas no n.º 1, o montante do crédito tributário apurado nos termos
dos n.ºs 2.º a 6.

 No campo 460 deve ser declarado o montante dos ativos por impostos diferidos relativos a
perdas por imparidade em créditos.

 No campo 461 deve ser declarado o montante dos ativos por impostos diferidos relativos a
benefícios pós-emprego ou a longo prazo de empregados.
 No campo 462 deve ser declarado o montante dos outros ativos por impostos diferidos.
 No campo 463 deve ser declarado o capital próprio.
 No campo 464 deve ser declarado o valor do crédito tributário resultante da conversão das
perdas por imparidade em créditos e com benefícios pós-emprego ou a longo prazo de
empregados (art.º 6.º do anexo da Lei n.º 61/2014, de 26 de agosto).

REPARTIÇÃO DO VOLUME ANUAL DE NEGÓCIOS DO PERÍODO PELAS CIRCUNSCRIÇÕES (CONTINENTE,


11-B
AÇORES E MADEIRA)

As receitas de cada circunscrição são determinadas pela proporção entre o volume anual de
negócios do período de tributação correspondente às instalações situadas em cada região
autónoma e o volume anual total de negócios do período, nos termos do n.º 2 do artigo 26.º da
Lei Orgânica n.º 2/2013, de 2 de setembro, que aprovou a Lei das Finanças das Regiões
Autónomas.

Devem preencher este quadro todas as entidades que obtenham rendimentos em mais do que
uma circunscrição, ou obtenham rendimentos exclusivamente na Região Autónoma dos Açores

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

ou na Região Autónoma da Madeira, ainda que a matéria coletável seja nula e, portanto, não
haja lugar à apresentação do Anexo C.

 No campo 1 é declarado o volume global de negócios não isento, obtido no período de


tributação em todas as circunscrições (Continente, Açores e Madeira);

 No campo 2 é declarado o volume de negócios não isento, imputável às instalações


situadas na Região Autónoma da Madeira (RAM);

 No campo 3 é declarado o volume de negócios não isento, imputável às instalações


situadas na Região Autónoma dos Açores (RAA);

 O volume global de negócios corresponde ao valor das transmissões de bens e


prestações de serviços, com exclusão do imposto sobre o valor acrescentado (n.º 3 do
art.º 26.º da referida Lei Orgânica);

 Tratando-se de bancos, empresas de seguros e outras entidades do setor financeiro


para as quais esteja prevista a aplicação de planos de contabilidade específicos, o
volume de negócios é substituído pelos juros e rendimentos similares e comissões ou
pelos prémios brutos emitidos e comissões de contratos de seguro e operações
consideradas como contratos de investimento ou contratos de prestação de serviços,
consoante a natureza da atividade exercida pelo sujeito passivo, de harmonia com o
disposto no n.º 5 do artigo 106.º do Código do IRC;

 Os rácios correspondentes aos campos 4, 5 e 22 são calculados automaticamente;

 O somatório dos campos 4, 5 e 22 é igual a 1,000;

 O campo 22 é apurado por diferença entre 1,000 e a soma dos rácios indicados nos
campos 4 e 5, para efeitos de apuramento da coleta restante, imputável ao território do
continente.

12 RETENÇÕES NA FONTE

 Os valores deste quadro são preenchidos automaticamente em função dos elementos


constantes da declaração modelo 10.

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 Sempre que tenham sido indicados valores no campo 359 do quadro 10 (retenções na
fonte) diferentes dos pré-preenchidos, deve corrigir-se os valores deste quadro, sendo, para
o efeito, necessário proceder à identificação das entidades retentoras através do respetivo
NIF, indicando igualmente o valor retido.

13 TRIBUTAÇÕES AUTÓNOMAS

 Nos campos 414, 415, 417, 420, 421, 422, 424 a 428 e 432 a 439, devem ser indicados os
valores que serviram de base ao cálculo das tributações autónomas referidas do artigo 88.º
do CIRC, conforme os casos. Relativamente a sujeitos passivos que tenham optado pelo
regime simplificado de determinação da matéria coletável, devem ser apenas indicados
os valores respeitantes às tributações autónomas referidas nos n.ºs 3 e 4 do artigo 88.º.

 As entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira abrangidas pelo regime previsto


no artigo 36.º-A do EBF, que realizem despesas e encargos afetas a atividades exercidas
na Zona Franca da Madeira, declaram tais despesas e encargos no quadro 13-A da
declaração, exceto quanto às tributações autónomas previstas nos n.ºs 1 e 8 do artigo 88.º
do CIRC.

 As taxas de tributação autónoma são elevadas em 10 pontos percentuais quanto aos


sujeitos passivos que apresentem prejuízo fiscal no período de tributação a que respeita
quaisquer dos factos tributários referidos no artigo 88.º. Este agravamento não se aplica
aos sujeitos passivos tributados pelo regime simplificado de determinação da matéria
coletável, nem aos encargos previstos na parte final do n.º 9 desta disposição, os quais
devem ser inscritos no campo 425.

 Quando seja aplicável o regime especial de tributação do grupo de sociedades previsto


no artigo 69.º do CIRC, a responsabilidade pelo pagamento cabe à sociedade dominante
nos termos do artigo 115.º do CIRC. O agravamento afere-se tendo em consideração o
resultado do grupo. Assim, caso seja apurado um resultado fiscal do grupo negativo, as
taxas de tributação autónoma a que respeitam quaisquer dos factos tributários referidos no
artigo 88.º são agravadas em 10 pontos percentuais.

Campo 414 – Despesas de representação (artigo 88.º, n.º 7)

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Divisão de Liquidação

 São tributados autonomamente, à taxa de 10%, os encargos efetuados ou suportados


(dedutíveis ou não dedutíveis) relativos a despesas de representação, considerando-se
como tal, nomeadamente, as despesas suportadas com receções, refeições, viagens,
passeios e espetáculos oferecidos no país ou no estrangeiro a clientes ou fornecedores ou
ainda a quaisquer outras pessoas ou entidades.

Campo 415 – Encargos efetuados ou suportados com ajudas de custo e de


compensação pela deslocação em viatura própria do trabalhador (artigo 88.º, n.º 9)

 São tributados autonomamente, à taxa de 5%, os encargos efetuados ou suportados (sejam


ou não dedutíveis) relativos a despesas com ajudas de custo e de compensação pela
deslocação em viatura própria do trabalhador, ao serviço da entidade patronal, não
faturados a clientes, escriturados a qualquer título, exceto na parte em que haja lugar a
tributação em sede de IRS na esfera do respetivo beneficiário.

Campo 417 – Lucros distribuídos por entidades sujeitas a IRC a sujeitos passivos que
beneficiam de isenção total ou parcial (artigo 88.º, n.º 11)

 São tributados autonomamente, à taxa de 23 %, os lucros distribuídos por entidades


sujeitas a IRC a sujeitos passivos que beneficiam de isenção total ou parcial, abrangendo,
neste caso, os rendimentos de capitais, quando as partes sociais a que respeitam os lucros
não tenham permanecido na titularidade do mesmo sujeito passivo, de modo ininterrupto,
durante o ano anterior à data da sua colocação à disposição e não venham a ser mantidas
durante o tempo necessário para completar esse período.

Campo 420 – Encargos com viaturas (artigo 88.º, n.º 3, na redação anterior à da Lei n.º
2/2014, de 16 de janeiro)

 São tributados autonomamente à taxa de 10 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos não isentos subjetivamente e que exerçam, a título principal, atividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas ligeiras de
passageiros ou mistas cujo custo de aquisição seja igual ou inferior ao montante fixado nos
termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC, motos ou motociclos, excluindo os

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Divisão de Liquidação

veículos movidos exclusivamente a energia elétrica (regime em vigor até 31 de dezembro


de 2013).

 A Portaria n.º 467/2010, de 7 de julho, fixou os montantes que devem ser aplicados nos
termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC, para as viaturas adquiridas no período
de 2010 e seguintes.

 No que respeita às viaturas adquiridas em períodos anteriores a 1 de janeiro de 2010, o


montante a considerar, no âmbito do regime referido, é de € 29.927,87, tal como previsto na
redação da alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do Código do IRC que vigorou até essa data.

Campo 421 – Encargos com viaturas (artigo 88.º, n.º 4, revogado pelo artigo 13.º da Lei
n.º 2/2014, de 16 de janeiro)

 São tributados autonomamente à taxa de 20 % os encargos efetuados ou suportados pelos


sujeitos passivos não isentos subjetivamente e que exerçam, a título principal, atividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas ligeiras de
passageiros ou mistas cujo custo de aquisição seja superior ao montante fixado nos termos
da alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do CIRC (regime em vigor até 31 de dezembro de 2013).

 Ver igualmente as instruções de preenchimento do campo 420.

Campo 422 – Indemnizações por cessação de funções de gestor, administrador ou


gerente [artigo 88.º, n.º 13, alínea a)]

 São tributados autonomamente, à taxa de 35 %, os gastos ou encargos relativos a


indemnizações ou quaisquer compensações devidas não relacionadas com a concretização
de objetivos de produtividade previamente definidos na relação contratual, quando se
verifique a cessação de funções de gestor, administrador ou gerente, bem como os gastos
relativos à parte que exceda o valor das remunerações que seriam auferidas pelo exercício
daqueles cargos até ao final do contrato, quando se trate de rescisão de um contrato antes
do termo, qualquer que seja a modalidade de pagamento, quer este seja efetuado
diretamente pelo sujeito passivo quer haja transferência das responsabilidades inerentes
para uma outra entidade.

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Divisão de Liquidação

Campo 424 – Gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis


pagas a gestores, administradores ou gerentes [artigo 88.º n.º 13, alínea b)]

 São tributados autonomamente, à taxa de 35 %, os gastos ou encargos relativos a bónus e


outras remunerações variáveis pagas a gestores, administradores ou gerentes quando
estas representem uma parcela superior a 25 % da remuneração anual e possuam valor
superior a € 27.500,00, salvo se o seu pagamento estiver subordinado ao diferimento de
uma parte não inferior a 50 % por um período mínimo de três anos e condicionado ao
desempenho positivo da sociedade ao longo desse período.

Campo 425 – Encargos não dedutíveis nos termos da alínea h) do n.º 1 do artigo 23.º-A
do CIRC suportados pelos sujeitos passivos que apresentem prejuízo fiscal no período a
que os mesmos respeitam (artigo 88.º, n.º 9, última parte, em vigor até 31 de dezembro
de 2016)

 São tributados autonomamente, à taxa de 5%, os encargos não dedutíveis nos termos da
alínea h) do n.º 1 do artigo 23.º-A do CIRC suportados pelos sujeitos passivos que
apresentem prejuízo fiscal no período a que os mesmos respeitam. A tributação destes
encargos não está sujeita ao agravamento previsto no n.º 14 do artigo 88.º (regime em vigor
até 31 de dezembro de 2016).

Campo 426 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e viaturas ligeiras de


mercadorias referidas na alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º do código do Imposto sobre
Veículos (CISV) com um custo de aquisição inferior a € 25.000,00 [artigo 88.º, n.º 3, alínea
a)]

 São tributados autonomamente à taxa de 10 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas
ligeiras de passageiros e viaturas ligeiras de mercadorias referidas na alínea b) do n.º 1 do
artigo 7.º do CISV, motos ou motociclos, com um custo de aquisição inferior a €
25.000,00. Estão excluídos os encargos efetuados ou suportados com veículos movidos
exclusivamente a energia elétrica.

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Divisão de Liquidação

Campo 427 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e viaturas ligeiras de


mercadorias referidas na alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º do código do Imposto sobre
Veículos (CISV) com um custo de aquisição igual ou superior a € 25.000,00, e inferior a €
35.000,00 [artigo 88.º, n.º 3, alínea b)]

 São tributados autonomamente à taxa de 27,5 % os encargos efetuados ou suportados


por sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas
ligeiras de passageiros e viaturas ligeiras de mercadorias referidas na alínea b) do n.º 1 do
artigo 7.º do CISV, motos ou motociclos, com um custo de aquisição igual ou superior a
€ 25.000,00, e inferior a € 35.000,00. Estão excluídos os encargos efetuados ou
suportados com veículos movidos exclusivamente a energia elétrica.

Campo 428 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros e viaturas ligeiras de


mercadorias referidas na alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º do Código do Imposto sobre
Veículos (CISV) com um custo de aquisição igual ou superior a € 35.000,00 [artigo 88.º,
n.º 3, alínea c)]

 São tributados autonomamente à taxa de 35 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas
ligeiras de passageiros e viaturas ligeiras de mercadorias referidas na alínea b) do n.º 1 do
artigo 7.º do CISV, motos ou motociclos, com um custo de aquisição igual ou superior a
€ 35.000,00. Estão excluídos os encargos efetuados ou suportados com veículos movidos
exclusivamente a energia elétrica.

Campo 432 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in com um
custo de aquisição inferior a € 25.000,00 [artigo 88.º, n.º 3, alínea a) e n.º 17]

São tributados autonomamente à taxa de 5 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título principal,
atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com viaturas ligeiras de
passageiros híbridas plug-in, com um custo de aquisição inferior a € 25.000,00.

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Divisão de Liquidação

Campo 433 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in com um
custo de aquisição igual ou superior a € 25.000,00, e inferior a € 35.000,00 [artigo 88.º, n.º
3, alínea b) e n.º 17]

 São tributados autonomamente à taxa de 10 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com
viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in, com um custo de aquisição igual ou
superior a € 25.000,00, e inferior a € 35.000,00.

Campo 434 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in com um
custo de aquisição igual ou superior a € 35.000,00 [artigo 88.º, n.º 3, alínea c) e n.º 17]

 São tributados autonomamente à taxa de 17,5 % os encargos efetuados ou suportados


por sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com
viaturas ligeiras de passageiros híbridas plug-in, com um custo de aquisição igual ou
superior a € 35.000,00.

Campo 435 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV
com um custo de aquisição inferior a € 25.000,00 [artigo 88.º, n.º 3, alínea a) e n.º 18]

 São tributados autonomamente à taxa de 7,5 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com
viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV, com um custo de aquisição
inferior a € 25.000,00.

Campo 436 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV
com um custo de aquisição igual ou superior a € 25.000,00, e inferior a € 35.000,00 [artigo
88.º, n.º 3, alínea b) e n.º 18]

 São tributados autonomamente à taxa de 15 % os encargos efetuados ou suportados por


sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com


viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV, com um custo de aquisição
igual ou superior a € 25.000,00, e inferior a € 35.000,00.

Campo 437 – Encargos com viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV
com um custo de aquisição igual ou superior a € 35.000,00 [artigo 88.º, n.º 3, alínea c) e
n.º 18]

 São tributados autonomamente à taxa de 27,5 % os encargos efetuados ou suportados


por sujeitos passivos que não beneficiem de isenções subjetivas e que exerçam, a título
principal, atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, relacionados com
viaturas ligeiras de passageiros movidas a GPL ou GNV, com um custo de aquisição
igual ou superior a € 35.000,00.

Campo 438 – Despesas não documentadas (artigo 88.º, n.º 1) - Sujeitos passivos
tributados pelo regime simplificado ou OIC abrangidos pelo art.º 22.º, n.º 8 do EBF)

 Neste campo devem ser inscritas as despesas não documentadas tributadas


autonomamente à taxa de 50%, suportadas pelos sujeitos passivos tributados pelo regime
simplificado de determinação da matéria coletável ou pelos Organismos de Investimento
Coletivo (OIC) abrangidos pelo artigo 22.º, n.º 8 do EBF, os quais não preenchem o quadro
07 da declaração.

Campo 439 – Importâncias pagas ou devidas a entidades não residentes sujeitas a um


regime fiscal privilegiado (artigo 88.º, n.ºs 1 e 8) - Sujeitos passivos tributados pelo
regime simplificado ou OIC abrangidos pelo art.º 22.º, n.º 8 do EBF)

 Neste campo devem ser inscritas as importâncias pagas ou devidas, a qualquer título, por
sujeitos passivos tributados pelo regime simplificado de determinação da matéria coletável
ou pelos Organismos de Investimento Coletivo (OIC) abrangidos pelo artigo 22.º, n.º 8 do
EBF, a entidades não residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado, as quais são
tributadas, autonomamente, à taxa de 35%.

13-A TRIBUTAÇÕES AUTÓNOMAS – ZONA FRANCA DA MADEIRA (art.º 36.º-A, n.º 14 do EBF)

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 As entidades licenciadas na Zona Franca da Madeira, abrangidas pelo regime previsto no


artigo 36.º-A do EBF, que realizem despesas e encargos imputáveis a atividades exercidas
na Zona Franca da Madeira, declaram neste quadro tais despesas e encargos, exceto
quanto às tributações autónomas previstas nos n.ºs 1 e 8 do artigo 88.º do CIRC, as quais
são declaradas nos campos 716 e 746 do quadro 07, respetivamente.

 A coleta das tributações autónomas é determinada de acordo com a proporção da taxa do


IRC aplicável, exceto quanto às tributações autónomas previstas nos n.ºs 1 e 8 do artigo
88.º do CIRC (n.º 14 do artigo 36.º-A do EBF).

 Para os períodos de 2016 a 2018, a proporção é efetuada do seguinte modo:

►Taxa de tributação autónoma x [(5/21) x 100]

 Assim, as taxas correspondentes, arredondadas à centésima, são as seguintes:


Campo Taxa
440 2,38%
441 1,19%
442 5,48%
443 8,33%
444 8,33%
445 -
446 2,38%
447 6,55%
448 8,33%
449 1,19%
450 2,38%
451 4,17%
452 1,79%
453 3,57%
454 6,55%

 As taxas de tributação autónoma são elevadas em 2,38% quanto aos sujeitos passivos que
apresentem prejuízo fiscal no período a que respeitem quaisquer dos factos tributários
referidos artigo 88.º do CIRC, relacionados com o exercício de uma atividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola não isenta de IRC (art.º 88.º, n.º 14 do CIRC).

 No preenchimento destes campos, deverão ser observadas as instruções dos campos


correspondentes do quadro 13, com as necessárias adaptações.

14 CRÉDITO DE IMPOSTO POR DUPLA TRIBUTAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

 A coluna 8 deste quadro só pode ser preenchida para períodos de tributação que se
iniciem em ou após 2014-01-01, dado que, para períodos de tributação anteriores não
havia suporte legal para o respetivo reporte. Pelo mesmo motivo, a coluna 3 apenas pode
ser preenchida para períodos de tributação que se iniciem em ou após 2015-01-01.

 Quando tenham sido incluídos na matéria coletável rendimentos obtidos no estrangeiro,


deve ser inscrito neste quadro o crédito de imposto por dupla tributação jurídica
internacional apurado nos termos do artigo 91.º do CIRC.

 No caso de existência de estabelecimentos estáveis no estrangeiro, o CIDTJI só é aplicável


caso o sujeito passivo não tenha optado pela não concorrência dos lucros e dos prejuízos
imputáveis para efeitos de determinação do lucro tributável, nos termos do artigo 54.º-A.

 Na coluna 1 – Código do País deve(m) ser selecionado(s) o(s) país(es) onde foram obtidos
os rendimentos.

 Na coluna 2 deve ser selecionado o tipo de rendimentos obtidos no estrangeiro que dão
direito a este crédito de imposto, ou seja, os lucros referentes a estabelecimento estável
e/ou outros rendimentos, procedendo, de seguida, ao preenchimento das restantes colunas.

 A coluna 4 destina-se a inscrever o montante do imposto sobre o rendimento pago no


estrangeiro.

 Na coluna 5 inscreve-se a fração do IRC, calculado antes da dedução, correspondente aos


rendimentos que no país em causa possam ser tributados, acrescidos da correção prevista
no n.º 1 do artigo 68.º do Código do IRC, líquidos dos gastos direta ou indiretamente
suportados para a sua obtenção.

 Na coluna 6 deve ser inscrito o menor dos valores apurados nas colunas 4 e 5.

Quando existir convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal, a
dedução a efetuar nos termos do n.º 1 do artigo 91.º não pode ultrapassar o imposto pago
no estrangeiro nos termos previstos pela convenção.

 No preenchimento da coluna 7, deve ter-se em consideração o seguinte:

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DAS PESSOAS COLETIVAS
Divisão de Liquidação

- O montante correspondente ao crédito de imposto por dupla tributação jurídica


internacional (CIDTJI) pode ser deduzido não só à coleta do IRC propriamente dita mas
também à derrama estadual (coleta total);

- No entanto, existindo crédito de imposto relativo a rendimentos obtidos em países com os


quais foi celebrada convenção para eliminar a dupla tributação (CDT), a respetiva dedução
é efetuada à soma da coleta total e da derrama municipal.

- A dedução do crédito de imposto que, por insuficiência de coleta não foi possível efetuar
no período de tributação em que os rendimentos obtidos no estrangeiro foram incluídos na
matéria coletável, pode ser efetuada nos termos previstos no n.º 4 do artigo 91.º, após a
dedução correspondente ao período.

 Assim, o total da coluna 7 do CIDTJI tem de corresponder à soma dos montantes deduzidos
nos campos 353 e 379 do quadro 10 da declaração (ver instruções de preenchimento destes
campos).

 A parte do CIDTJI que exceda a coleta total só pode ser deduzida à derrama municipal
se disser respeito a rendimentos obtidos em países com CDT.

 Na coluna 8 (saldo que transita) é inscrita a parte do crédito de imposto que não foi possível
deduzir à coleta total nem à derrama municipal.

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5532 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-B N.o 199 — 28 de Agosto de 2001

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS


Anos Coeficiente

o
Portaria n. 1040/2001
1985 ..................................... 2,72
de 28 de Agosto 1986 ..................................... 2,48
1987 ..................................... 2,26
O artigo 44.o do Código do Imposto sobre o Ren- 1988 ..................................... 2,06
dimento das Pessoas Colectivas (IRC), aprovado pelo 1989 ..................................... 1,82
Decreto-Lei n.o 442-B/88, de 30 de Novembro, e o 1990 ..................................... 1,64
1991 ..................................... 1,45
artigo 50.o do Código do Imposto sobre o Rendimento 1992 ..................................... 1,35
das Pessoas Singulares (IRS), aprovado pelo Decreto- 1993 ..................................... 1,25
-Lei n.o 442-A/88, de 30 de Novembro, prevêem a actua- 1994 ..................................... 1,19
lização anual dos coeficientes de desvalorização da 1995 ..................................... 1,14
1996 ..................................... 1,10
moeda para efeitos de correcção monetária dos valores 1997 ..................................... 1,08
de aquisição de determinados bens e direitos. 1998 ..................................... 1,05
Assim: 1999 ..................................... 1,03
Manda o Governo, pelo Ministro das Finanças, que 2000 ..................................... 1,00
os coeficientes de desvalorização da moeda a aplicar
aos bens e direitos alienados durante o ano de 2001,
cujo valor deva ser actualizado nos termos dos arti- Portaria n.o 1041/2001
gos 44.o do Código do Imposto sobre o Rendimento de 28 de Agosto
das Pessoas Colectivas e 50.o do Código do Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, para efeitos Em cumprimento do disposto no n.o 2 do artigo 33.o
de determinação da matéria colectável dos referidos do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas
impostos, são os constantes do quadro anexo. Singulares (IRS), importa fixar limites, quer quanto aos
encargos admitidos na determinação do rendimento
O Ministro das Finanças, Guilherme d’Oliveira Mar- líquido da categoria B ou na matéria colectável das socie-
tins, em 1 de Agosto de 2001. dades de profissionais sujeitas ao regime de transpa-
ANEXO
rência fiscal, inerentes aos encargos com a utilização
de viaturas ligeiras de passageiros ou mistas afectas ao
Quadro de actualização dos coeficientes de desvalorização exercício da actividade, quer quanto ao número máximo
da moeda a que se referem os artigos 44.o de veículos motorizados que poderão ser considerados
do CIRC e 50.o do CIRS como afectos ao exercício das respectivas actividades.
Assim:
Anos Coeficiente Manda o Governo, pelo Ministro das Finanças, nos ter-
mos do n.o 2 do artigo 33.o do Código do IRS, o seguinte:
Até 1903 ................................. 3 416,83 1.o Sem prejuízo do disposto na alínea a) do n.o 1
1904 a 1910 ............................... 3 180,65 do artigo 33.o do Código do IRS:
1911 a 1914 ............................... 3 050,61
1915 ..................................... 2 714,11 a) Para cálculo da dedução respeitante à reinte-
1916 ..................................... 2 221,52 gração de viaturas ligeiras de passageiros ou mis-
1917 ..................................... 1 773,44 tas, não será tomada em consideração a parte
1918 ..................................... 1 265,30 do valor de aquisição ou reavaliação que exceda
1919 ..................................... 969,71
1920 ..................................... 640,73 o limite estabelecido na alínea e) do n.o 1 do
1921 ..................................... 418,06 artigo 33.o do Código do IRC;
1922 ..................................... 309,60 b) Para cálculo da dedução referente a prestações
1923 ..................................... 189,49 devidas pelo aluguer sem condutor de viaturas
1924 ..................................... 159,51
1925 a 1936 ............................... 137,48 ligeiras de passageiros ou mistas, não será tomada
1937 a 1939 ............................... 133,50 em consideração a parte das importâncias pagas
1940 ..................................... 112,35 correspondente ao valor das reintegrações dessas
1941 ..................................... 99,77 viaturas que, nos termos das alíneas c) e e) do
1942 ..................................... 86,14
1943 ..................................... 73,36 n.o 1 do artigo 33.o do Código do Imposto sobre
1944 a 1950 ............................... 62,28 o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), não
1951 a 1957 ............................... 57,12 sejam aceites como custo, sendo esse excesso
1958 a 1963 ............................... 53,71 eventualmente deduzido das diferenças ocorridas
1964 ..................................... 51,32
1965 ..................................... 49,46 nos anos em que a amortização financeira foi
1966 ..................................... 47,24 inferior àquela reintegração máxima.
1967 a 1969 ............................... 44,19
1970 ..................................... 40,92 2.o O disposto no número anterior é aplicável aos
1971 ..................................... 38,95
1972 ..................................... 36,41 veículos motorizados não automóveis afectos ao exer-
1973 ..................................... 33,10 cício de actividades profissionais e empresariais ou ao
1974 ..................................... 25,38 activo imobilizado de sociedades de profissionais sujeitas
1975 ..................................... 21,69 ao regime de transparência fiscal.
1976 ..................................... 18,16
1977 ..................................... 13,94 3.o O número de viaturas ou veículos afectos ao exer-
1978 ..................................... 10, 92 cício das respectivas actividades, independentemente do
1979 ..................................... 8,60 título por que a afectação se opere, excepto relativa-
1980 ..................................... 7,76 mente aos de cilindrada inferior a 125 cm3, é limitado
1981 ..................................... 6,34
1982 ..................................... 5,27 a uma unidade por titular de rendimentos da categoria B
1983 ..................................... 4,20 do IRS, por sócio, no caso de sociedade de profissionais
1984 ..................................... 3,27 sujeita ao regime de transparência fiscal, e por traba-
N.o 199 — 28 de Agosto de 2001 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-B 5533

lhador ao serviço dos referidos sujeitos passivos, quando, 9.o Em caso de extravio, destruição ou deterioração
em qualquer caso, seja comprovada a indispensabilidade é passada uma segunda via do cartão ou atribuído um
do seu uso. novo crachá, conforme o caso, sendo esta situação igual-
4.o O disposto na presente portaria é aplicável na mente objecto de registo.
determinação dos rendimentos líquidos ou do resultado 10.o Sempre que ocorra extinção ou suspensão da rela-
imputável dos anos de 2001 e seguintes, competindo aos ção jurídica de emprego, suspensão preventiva nos ter-
titulares dos rendimentos ou às sociedades de profis- mos do artigo 54.o, n.o 1, do Decreto-Lei n.o 24/84, de
sionais sujeitas ao regime de transparência fiscal excluir 16 de Janeiro, ou utilização de um qualquer instrumento
da consideração como encargos ou custos dedutíveis os de mobilidade, o crachá e os cartões a que alude a pre-
relativos aos veículos que excedam os limites fixados. sente portaria são obrigatoriamente devolvidos.
5.o É revogada a Portaria n.o 128/97, de 22 de 11.o É revogada a Portaria n.o 822/92, de 11 de Setem-
Fevereiro. bro, cessando a validade do crachá e dos cartões emitidos
ao seu abrigo.
O Ministro das Finanças, Guilherme d’Oliveira Mar- 12.o A presente portaria entra em vigor no dia
tins, em 6 de Agosto de 2001. seguinte ao da sua publicação.
O Ministro da Justiça, António Luís Santos Costa,
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA em 8 de Agosto de 2001.
ANEXO I
Portaria n.o 1042/2001
Crachá
de 28 de Agosto
O Decreto-Lei n.o 275-A/2000, de 9 de Novembro,
estabelece os meios através dos quais se identificam os
funcionários e agentes da Polícia Judiciária.
A indicação no cartão de identificação das prerro-
gativas e direitos do respectivo titular faculta ao fun-
cionário o exercício dos direitos que dependem da exi-
bição do cartão e permite aos cidadãos reconhecerem
se o funcionário actua no respeito pelos direitos, liber-
dades e garantias consignados na Constituição e na lei.
Assim, ao abrigo do n.o 5 do artigo 14.o do Decre- to-
Lei n.o 275-A/2000, de 9 de Novembro, e ouvidas as
associações sindicais representativas do pessoal da
Polícia Judiciária:
Manda o Governo, pelo Ministro da Justiça, o seguinte:
1.o São aprovados os modelos de crachá e de cartão 1 — Medidas: 41 mm×51 mm.
de livre trânsito, respectivamente representados nos 2 — Crachá de metal tombak dourado, em fundo azul, com a
anexos I e II à presente portaria, para identificação dos legenda «Polícia Judiciária» em esmalte azul, numerado no verso.
funcionários a que se refere o n.o 1 do artigo 14.o do
Decreto-Lei n.o 275-A/2000, de 9 de Novembro. ANEXO II
2.o É aprovado o modelo de cartão de livre acesso
dos funcionários referidos no n.o 3 do artigo 14.o do Cartão de livre trânsito
Decreto-Lei n.o 275-A/2000, de 9 de Novembro, repre-
sentado no anexo III à presente portaria.
3.o É aprovado o modelo de cartão de identificação (a)
dos membros do Conselho Superior da Polícia Judi-
ciária, representado no anexo IV à presente portaria.
4.o É aprovado o modelo do cartão de identificação
dos funcionários referidos no n.o 4 do artigo 14.o do
Decreto-Lei n.o 275-A/2000, de 9 de Novembro, repre-
sentado no anexo V à presente portaria.
5.o Do verso dos cartões de livre acesso e de iden- (b)
tificação representados nos anexos III e V deve constar
obrigatoriamente:
a) A circunscrição em que exerce funções;
b) A localidade da residência e o local da sede
do departamento em que exerce funções.

6.o Os cartões são autenticados com a assinatura do


director nacional da Polícia Judiciária ou do seu substituto
legal e com o selo branco da Directoria Nacional da Polí-
cia Judiciária, aposto de forma a marcar aquela assinatura
e a parte inferior esquerda da fotografia do titular.
7.o Os cartões são substituídos sempre que se verifique
qualquer alteração dos elementos neles inscritos.
8.o A emissão, distribuição, substituição e devolução (a) Verde.
dos cartões são objecto de registo em livro próprio ou (b) Vermelho.
em suporte informático.
INFORMAÇÃO VINCULATIVA

FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: Código do IRC


Artigo: Artigo 23º
Assunto: Conceito de Gastos
Processo: 694 / 2017 – Despacho de 2017 / 07 / 14 da Subdiretora-Geral do IR e das
Relações Internacionais
Conteúdo: A questão colocada prende-se com as formalidades exigidas na emissão de
recibos:

1. Dispõe o Art. 123º/1 do CIRC que, as sociedades comerciais ou civis sob forma
comercial, as cooperativas, as empresas públicas e as demais entidades que exerçam,
a título principal, uma atividade comercial, industrial ou agrícola, com sede ou direção
efetiva em território português, bem como as entidades que, embora não tendo sede
nem direção efetiva naquele território, aí possuam estabelecimento estável, são
obrigadas a dispor de contabilidade organizada nos termos da lei que, além dos
requisitos indicados no nº 3 do artigo 17º, permita o controlo do lucro tributável.

2. Para a concretização deste objetivo contabilístico, todos os lançamentos devem


estar apoiados em documentos justificativos datados e suscetíveis de serem
apresentados sempre que necessário – Art. 123º/2 a) do CIRC.

3. Nessa medida, em virtude dos serviços funerários prestados, e em consequência do


respetivo recebimento do preço, e de maneira a que os mesmos, possam ser
comprovados, a sociedade deve emitir fatura-recibo ou fatura, com discriminação dos
bens fornecidos, serviços prestados e preço a pagar e recibo como documento de
quitação respeitante ao recebimento do preço.

4. Para tanto, determina o Art. 787º do Código Civil que quem cumpre a obrigação tem o
direito de exigir quitação daquele a quem a prestação é feita.

5. A emissão destes documentos compete à entidade que presta os serviços funerários,


os quais devem ser apresentados a quem é responsável pelo pagamento dos mesmos.

6. No caso especifico dos serviços religiosos, se a contratação dos mesmos estiver


incluída nos serviços a prestar pela agência funerária, este serviço deverá estar
discriminado na fatura emitida pela mesma à família do defunto, apesar de ser apenas
uma intermediária deste serviço.

Processo: 922 / 2017


INFORMAÇÃO VINCULATIVA

7. Neste caso, a agência funerária recebe o pagamento do preço total por parte dos seus
clientes e efetua o pagamento na parte respetiva à instituição religiosa, que, em
consequência, deve emitir o respetivo recibo de quitação à requerente.

8. A agência funerária, neste caso, regista um rendimento igual ao gasto suportado.

9. No caso de os serviços funerários não estarem incluídos nos serviços a prestar pela
agência funerária, os seus clientes devem efetuar diretamente o pagamento dos
serviços religiosos à respetiva instituição, pelo que deverá então a instituição religiosa
emitir recibo de quitação e apresentar o mesmo à pessoa que efetuou o pagamento
dos citados serviços.

Processo: 922 / 2017


FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: Código do IRC


Artigo: 6º
Assunto: Abrangência do regime de transparência fiscal a sociedade de profissionais em
que a atividade prosseguida por todos os sócios é a de agente de execução
Processo: 2017001951 com Despacho de 2017.10-12 da Diretora de Serviços
Conteúdo: A sociedade requerente veio solicitar informação vinculativa sobre o seu
enquadramento no regime de transparência fiscal alegando, para o efeito,
ter alterado o seu objeto social para “exercício exclusivo e em comum da
atividade de agentes de execução” e que, não se confundindo nem
integrando a figura de agente de execução na de solicitador ou de
advogado, por a atividade que desenvolve não configurar uma atividade
especificamente prevista na lista de atividades a que se refere o artigo
151º do CIRS, poderia questionar-se o seu enquadramento no nº 1 da
alínea a) do nº 4 do artigo 6º do Código do IRC (CIRC).

. O regime de transparência fiscal, enquanto regime especial de tributação


em sede de IRC, caracteriza-se genericamente pela imputação aos sócios
da matéria coletável determinada nos termos do CIRC “integrando-se, nos
termos da legislação que for aplicável, no seu rendimento tributável para
efeitos de IRS ou de IRC, consoante o caso“, não se encontrando “as
sociedades e outras entidades” abrangidas por esse regime sujeitas a
tributação em sede de IRC, salvo quanto às tributações autónomas (cfr. nº
1 do artigo 6º do CIRC e art. 12º do CIRC).

. Estão, obrigatoriamente, abrangidas por esse regime todas as


sociedades com sede ou direção efetiva em território português, ainda
que não tenha havido distribuição de lucros, que, de seguida se
enumeram: as sociedades civis não constituídas sob a forma comercial;
as sociedades de profissionais; as sociedades de simples administração
de bens, cuja maioria do capital social pertença, direta ou indiretamente,
durante mais de 183 dias do exercício social, a um grupo familiar, ou cujo
capital social pertença, em qualquer dia do exercício social, a um número
de sócios não superior a cinco e nenhum deles seja pessoa coletiva de
direito público; os agrupamentos complementares de empresas e os
agrupamentos europeus de interesse económico, com sede ou direção
efetiva em território português, que se constituam e funcionem nos termos
legais, no que respeita aos lucros ou prejuízos do exercício determinados
nos termos do CIRC (cfr. nº 2 do artigo 6º do CIRC).

. As Sociedades de Profissionais são as definidas pela alínea a) do nº 4


do artigo 6º do CIRC e compreendem quer “a sociedade constituída para
o exercício de uma atividade profissional especificamente prevista na lista
de atividades a que se refere o artigo 151º do CIRS” (cfr. nº 1 da alínea a)
) quer a “sociedade cujos rendimentos provenham, em mais de 75%, do
exercício conjunto ou isolado de atividades profissionais especificamente
previstas na lista a que se refere o artigo 151º do Código do IRS, desde
que, cumulativamente, durante mais de 183 dias do período de tributação,

Processo:
1
o número de sócios não seja superior a cinco, nenhum deles seja pessoa
coletiva de direito público e, pelo menos, 75% do capital social seja detido
por profissionais que exercem as referidas atividades, total ou
parcialmente através da sociedade”.

. Por sua vez, a lista de atividades a que se refere o artigo 151º do CIRS
consta do Anexo I da Portaria 1011/2001, de 21/08.

. A atividade 6 da Tabela sob a epígrafe de “Juristas e solicitadores”


compreende: com o código 6010, Advogados; com o código 6011
Jurisconsultos; com o código 6012 Solicitadores.

. A atividade de agente de execução, enquanto nominativamente


designada como tal, não se encontra especificamente prevista na tabela a
que se refere o art. 151º do CIRS, pelo que se impõe averiguar se se trata
de uma nova atividade ou, apenas, se constitui uma das modalidades
possíveis de solicitadoria, com efeitos restritos ao contexto específico de
um processo de execução.

. A dilucidação da questão está fundamentalmente dependente da análise


da figura de agente de execução cujo regime jurídico emerge da Lei
154/2015, de 14 de setembro, com entrada em vigor em 14-10-2015, que
transformou a Câmara dos Solicitadores em Ordem dos Solicitadores e
dos Agentes de Execução, e aprovou o respetivo Estatuto, em
conformidade com a Lei n.º 2/2013, de 10 de janeiro, que, por sua vez,
estabeleceu o regime jurídico de criação, organização e funcionamento
das associações públicas profissionais.

.No que se reporta às sociedades de profissionais, o nº 1 do art. 95º


desse Estatuto permite que os solicitadores e os agentes de execução
estabelecidos em território nacional possam exercer as respetivas
profissões constituindo-se ou ingressando em sociedades profissionais de
solicitadores e de agentes de execução, podendo uma mesma sociedade
ter ambos os objetos sociais, desde que “os membros dos órgãos de
administração de sociedades de solicitadores e ou de agentes de
execução sejam profissionais inscritos na respetiva ordem” (cfr. nº 4
desse art.). Contudo, o nº 5 proibe a existência de quaisquer outras
sociedades multidisciplinares que integrem solicitadores ou agentes de
execução.

. O Estatuto da Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução, em


sede de Título II, sob a epígrafe “Das atividades profissionais”, integra, a
par de disposições gerais aplicáveis aos solicitadores e agentes de
execução (Capítulos I, II e III) , um capítulo relativo aos solicitadores
(capítulo IV) em cujo âmbito se integra a enunciação do princípio da
exclusividade do respetivo exercício, e um capítulo respeitante aos
agentes de execução (capítulo V).

. O agente de execução é definido como “o auxiliar da justiça que, na


prossecução do interesse público, exerce poderes de autoridade pública
no cumprimento das diligências que realiza nos processos de execução,

Processo:
2
nas notificações, nas citações, nas apreensões, nas vendas e nas
publicações no âmbito de processos judiciais, ou em atos de natureza
similar que, ainda que não tenham natureza judicial, a estes podem ser
equiparados ou ser dos mesmos instrutórios”, esclarecendo-se,
definitivamente, que “ainda que nomeado por uma das partes
processuais, não é mandatário desta nem a representa” (cfr. art. 162º).

. Em sede de incompatibilidades com o exercício de funções de agente de


execução, o artigo 165º refere, na alínea a) do seu nº 1, a do exercício do
mandato judicial, sendo que, as incompatibilidades a que está sujeito o
agente de execução estendem-se aos solicitadores, advogados e demais
colaboradores com quem partilhem instalações ou tenham sociedade
profissional.

. As funções exercidas pelos agentes de execução, na perspetiva da


desjudicialização do processo executivo, gerou a criação legal de um
novo conceito - o de agente executivo - e de uma nova profissão - a de
agente de execução - mas não gerou, por essa via, a consagração e/ou o
desenvolvimento de uma nova atividade distinta da de uma solicitadoria
especializada.

. A matriz da atividade, enquanto atividade profissional, é a mesma - a de


solicitadoria - cujo âmbito objetivo não se encontra delimitado na referida
Tabela de Atividades, a qual é meramente enunciativa, não podendo o
intérprete distinguir onde o legislador o não faz.

. Nesse sentido, vd. o nº 1 do art. 4º da Lei 23/2002, onde se expressa a


figura “do solicitador de execução”, com competência para, “como agente
executivo, proceder à realização das diligências incluídas na tramitação
do processo executivo, que não impliquem a prática da atos
materialmente reservados ao juiz, nem contendam com o exercício do
patrocínio por advogado”.
A evolução legislativa em torno do processo executivo gerou um avolumar
das funções do solicitador executivo, acentuando-se a impossibilidade da
sua equiparação à de um funcionário judicial, restringindo-se a sua
definição à de mero “auxiliar da justiça” ainda que possa exercer poderes
de autoridade pública no cumprimento das diligências que realiza nos
processos de execução, nas notificações, nas citações, nas apreensões,
nas vendas e nas publicações no âmbito de processos judiciais ou em
atos de natureza similar.

. A transmudação da sua designação de “solicitador” para “agente” deveu-


se ao alargamento do universo dos profissionais que passou a abarcar -
mero expediente de recrutamento de profissionais com formação rápida
face às crescentes necessidades desses agentes no mercado profissional
(no preâmbulo do DL 226/2008, fala-se na necessidade de aumentar o
número de agentes de execução para garantir uma efetiva possibilidade
de escolha pelo exequente).

. Por outro lado, a neutralidade no desempenho das funções de agente de


execução da nova categoria de profissionais ora admitidos - os

Processo:
3
advogados - foi garantida na previsão do nº 1 do art. 85º do Estatuto da
Ordem dos Advogados, ao vedar-se aos advogados inscritos no colégio
dos agentes de execução o exercício do mandato judicial em toda a sua
extensão (e não apenas em sede de execução como sucedia
anteriormente).

. Também, a evolução da reforma do processo executivo veio acentuar a


vertente liberal da profissão de agente de execução, ainda que, no que se
refere às suas relações com o exequente - por quem é pago (vd. art. 721º
do CPC, nº 1), designado, de entre os designados em lista oficial (cfr. nº 1
do art. 720º do CPC) e, eventualmente substituído (cfr. nº 3 do art. 720º
do CPC) - não seja deste mandatário nem o represente (cfr. art. 162ºdo
EOSAE). Contudo, a componente privada da sua nomeação, o facto de
atuar em nome próprio e o modo da regulação da sua atuação apontam
no sentido da caracterização da atividade que desenvolvem como sendo
a de uma solicitadoria especializada.

. Pelo que se conclui pelo correto enquadramento da requerente enquanto


sociedade constituída para o exercício de uma atividade profissional
especificamente prevista na lista de atividades a que se refere o artigo
151º do CIRS.

Processo:
4
INFORMAÇÃO VINCULATIVA

FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: CIRC
Artigo: Artigo 23.º
Assunto: DESLOCAÇÕES AO ESTRANGEIRO DE SÓCIO GERENTE
Processo: 1618/2017 Despacho de 07/07/2017, da Diretora de Serviços

Conteúdo: A questão em apreço prende-se com o enquadramento em sede de IRC dos


encargos com deslocações ao estrangeiro efetuadas pelo sócio gerente.

1- Os gastos com bilhete de avião, alojamento e refeições pelas deslocações


efetuadas ao estrangeiro são considerados como deslocações e estadas, no caso
de serem suportados por documentos emitidos em nome da empresa, devendo
estes conter todos os elementos previstos no n.º 4 do art.º 23.º do CIRC.
São considerados como ajudas de custo, quando respeitem a verbas fixas diárias
atribuídas ao pessoal (em sentido lato) para deslocações em serviço, destinadas a
refeições e alojamento, não estando o transporte compreendido neste conceito de
ajuda de custo.
Relativamente às verbas atribuídas como ajudas de custo, o pessoal não tem de
prestar contas à empresa, tornando-se por isso desnecessária a apresentação dos
documentos comprovativos do gasto que efetuou. O documento de suporte é
apenas um documento interno com todos os elementos necessários à
comprovação de que o gasto foi efetuado com vista à obtenção de rendimentos
por parte da empresa.

2- Para que as ajudas de custo sejam dedutíveis para efeitos de determinação do


lucro tributável, mesmo quando contabilizadas como gastos, quando não tenham
sido faturadas aos clientes, é necessária a elaboração de um mapa através do qual
seja possível efetuar o controlo das deslocações a que se referem aqueles
encargos, designadamente os respetivos locais, tempo de permanência e o
objetivo, de acordo com o definido na alínea h) do n.º 1 do art.º 23.º-A do CIRC.

3- Assim, as deslocações do sócio gerente ao estrangeiro ao serviço da empresa,


tendo em vista obter ou garantir os rendimentos sujeitos a IRC, o montante
despendido com a aquisição do bilhete de transporte (no caso de avião) será
aceite como gasto ao abrigo da alínea d) do n.º 2 do art.º 23.º do CIRC, desde que
a respetiva companhia aérea emita uma fatura pela aquisição do mesmo, com
todos os elementos previstos no n.º 4 do art.º 23.º do CIRC.

4- Relativamente aos gastos com o alojamento e as refeições suportados na


deslocação ao estrangeiro ao serviço da empresa, esta pode optar por atribuir
uma verba fixa diária (ajudas de custo) não estando o seu valor sujeito a IRS,
desde que o montante atribuído não ultrapasse o montante fixado para os
trabalhadores que exercem funções públicas, que, para o ano de 2017, de acordo
com a Portaria n.º 1153-D/2008, de 31/12, alterada pelo art.º 42.º da Lei n.º 66-

Processo 1618/17
INFORMAÇÃO VINCULATIVA
B/2012, de 31/12, para os membros dos órgãos sociais é de €100,24.
Neste caso, o sócio gerente não tem que prestar contas à empresa e,
consequentemente, não tem de apresentar os documentos comprovativos das
despesas. Tal não prejudica, todavia, que a empresa deva comprovar a natureza
de ajuda de custo da despesa e que a sua dedutibilidade esteja dependente da
observância dos requisitos previstos na referida al. h) do n.º 1 do art.º 23.º - A do
CIRC.
O valor das ajudas de custo, caso não sejam debitadas aos clientes, estão sujeitas
a tributação autónoma à taxa de 5%, exceto na parte em que haja lugar a
tributação em sede de IRS na esfera do respetivo beneficiário, de acordo com o
n.º 9 do art.º 88.º do CIRC.
Caso o sujeito passivo apresente prejuízo fiscal no período de tributação em que
efetuou ou suportou as ajudas de custo, a taxa de tributação autónoma será
elevada em 10 pontos percentuais cf. n.º 14 do citado art.º 88.º.

5- Caso a empresa opte por não atribuir uma verba fixa diária (ajuda de custo),
mas por suportar (para além do transporte) as despesas com o alojamento e as
refeições, para que o gasto seja dedutível, para além de ser demonstrado que
foram efetuadas ao serviço da empresa com vista à obtenção de rendimentos,
terão de estar suportadas por documentos que contenham os requisitos previstos
no n.º 4 do art.º 23.º do CIRC.
Nesta opção, não há sujeição a tributação autónoma

Processo 1618/17
FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: Código do IRC


Artigo: 23º e 40º
Assunto: Pagamentos de quotizações à Ordem dos Advogados e contribuições à Caixa
de Previdência dos Advogados e Solicitadores

Processo: 433/2006 – Despacho de 24 de Julho de 2007, do Senhor Subdirector-Geral


João Durão, na qualidade de substituto legal do Senhor Director-Geral

Conteúdo: Dos montantes despendidos por sociedade civil profissional de advogados no


pagamento de quotas devidas à Ordem dos Advogados (OA), bem como no
pagamento à Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS),
tanto dos seus advogados-sócios, como dos advogados-associados, apenas
são fiscalmente dedutíveis, como custos ou perdas, no seio da sociedade de
advogados, nos termos dos artigos 23º e 40º do Código do IRC, as quotas
mensais devidas à OA dos seus advogados-sócios e desde que não seja
admitido, segundo a forma prevista no nº 4 do artigo 5º Regime Jurídico das
Sociedades de Advogados, o exercício da advocacia fora do âmbito da
sociedade.

Processo:
1
FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: Código do IRC


Artigo: 28.º-B e 41.º
Assunto: Desreconhecimento de créditos incobráveis não abrangidos pelo art.º 41.º do CIRC -
consequências fiscais
Processo: 2014 002462, com Despacho do SEAF XXI n.º 97/2016, de 2016-05-12
Conteúdo: Alteração do entendimento sancionado por Despacho do Diretor-Geral, de
2014-01-28, no âmbito do Processo n.º 2013 001629 e vertido na ficha doutrinária
relativa ao tema “Créditos incobráveis não abrangidos pelo art.º 41.º -
consequências fiscais do seu desreconhecimento”.

O anterior entendimento assentou na necessidade de se verificar uma das condições


previstas no então parágrafo 30 (agora parágrafo 31) da Norma Contabilística e de
Relato Financeiro (NCRF) 27 – Instrumentos Financeiros para que pudessem ser
desreconhecidos, sem quaisquer consequências fiscais, os créditos de cobrança
duvidosa, em mora há mais de 24 meses e com perda por imparidade reconhecida pelo
valor total dos mesmos, considerados pelo sujeito passivo como créditos incobráveis mas
não abrangidos pelo disposto no artigo 41.º do Código do IRC (CIRC).

Reanalisado o assunto e consultada a Comissão de Normalização Contabilística (CNC),


foi entendido que as condições identificadas no então parágrafo 30 (agora parágrafo 31)
da NCRF 27 para o desreconhecimento de ativos financeiros só são aplicáveis a
elementos que verificam o conceito e os critérios de reconhecimento de ativos a que se
refere a Estrutura Conceptual (EC) do Sistema de Normalização Contabilística (agora
publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 146, de 29 de julho de 2015, através do
Aviso n.º 8254/2015), o que não é o caso destes “ativos”.

Assim, não reunindo estes “ativos” os requisitos para serem reconhecidos como tal, ficou
prejudicado o referido entendimento.

Neste contexto, divulga-se o entendimento sancionado pelo despacho do Secretário de


Estado dos Assuntos Fiscais, n.º 97/2016.XXI, de 2016-05-12:

1. Não se aplicando, para efeitos contabilísticos, a exigência de verificação de uma das


condições identificadas no atual parágrafo 31 da NCRF 27 ao desreconhecimento de
um “ativo financeiro” que esteja nas condições atrás referidas, uma vez que o
elemento já não obedece ao conceito e critérios de reconhecimento de um ativo,
permite-se, também para efeitos fiscais que, num cenário de imparidade total, seja
removido do balanço e, portanto, desreconhecido, um crédito de cobrança duvidosa
que, por estar em mora há mais de dois anos e por ter sido já reconhecida (e aceite
fiscalmente) uma perda por imparidade de valor igual ao do crédito, tem uma quantia
monetária de zero.

2. Verifica-se um cenário de imparidade total “quando uma entidade, depois de ter


efetuado as diligências de cobrança consideradas adequadas e reunir as provas

Processo: 2014 002462


1
disponíveis, concluir que já não existem expetativas razoáveis de recuperação de
crédito”.

3. Para que possa ser (i) preservada a informação histórica dos créditos que deixaram
de figurar no balanço, porque tidos como incobráveis, (ii) salvaguardada a eventual
recuperação, total ou parcial, que resulte em rendimento tributável e (iii) feita a
prova, se solicitada pela AT, do desfecho da transação, o sujeito passivo deve
integrar no processo de documentação fiscal a que se refere o artigo 130.º do CIRC
(dossier fiscal), informação individualizada relativa aos créditos desreconhecidos, a
qual deve conter, nomeadamente, os seguintes elementos:

a. Identificação do cliente (nome, local da sede e NIF);

b. Identificação da fatura relativa a cada crédito de cobrança duvidosa (número,


data e respetivo montante em dívida o qual não pode incluir o IVA liquidado
quando o sujeito passivo tenha acionado o procedimento de regularização a
seu favor previsto nos artigos 78.º-A e 78.º-B do Código do IVA);

c. Montante das perdas por imparidade contabilizadas, aceites e não aceites


fiscalmente;

d. Indicação dos seguintes factos, quando e se ocorrerem:

i. Liquidação
ii. Perdão de dívida
iii. Sentença judicial
iv. Cessão a título definitivo de créditos vencidos
v. Outros.

Para além desta informação, o sujeito passivo deve dispor dos comprovativos das
diligências de cobrança efetuadas e dos respetivos resultados e de quaisquer outros
elementos que atestem que já não existem expetativas razoáveis de recuperação do
crédito.

Processo: 2014 002462


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INFORMAÇÃO VINCULATIVA

FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: CIRC
Artigo: Artigo 39.º
Assunto: Provisão para processo judicial em curso

Processo: 258/17, Desp.º de 03/05/2017 da SBDG

Conteúdo: A questão em apreço prende-se com a aceitação como gasto fiscal da provisão
para processos judiciais em curso no período de tributação, relativamente à
apresentação de uma ação judicial por parte de um trabalhador contra a
sociedade, reclamando compensação pecuniária pela cessação do contrato de
trabalho e respetivas consequências decorrentes do respetivo “Acordo de
Pagamento”.

Nos termos do n.º 1 do art.º 39.º do Código do IRC (CIRC) podem ser
deduzidas para efeitos fiscais, entre outras, as provisões que se destinem a
fazer face a obrigações e encargos derivados de processos judiciais em curso
por factos que determinariam a inclusão daqueles entre os gastos do período
de tributação.

A determinação da provisão deve ter por base as condições existentes no


final do período de tributação, cf. n.º 2 do art.º 39.º do CIRC.

As provisões que não devam subsistir por não se terem verificado os


eventos a que se reportam e as que forem utilizadas para fins diversos dos
expressamente previstos consideram-se rendimentos do respetivo período de
tributação, de acordo com o n.º 4 do art.º 39.º do CIRC.

Os gastos relativos a benefícios de cessação de emprego são imputáveis ao


período de tributação em que as importâncias são pagas ou colocadas à
disposição dos respetivos beneficiários, cf. n.º 12 do art.º 18.º do CIRC.

No caso em apreço, a provisão constituída contabilisticamente, para fazer


face a processos judiciais em curso, no período de tributação, não será
aceite como gasto fiscal, uma vez que os encargos derivados do facto
(compensação pecuniária pela cessação do contrato de trabalho do
empregado), para o qual foi constituída, não serão de incluir entre os gastos
deste período de tributação, de acordo com o n.º 1 do art.º 39.º, conjugado
com o n.º 12 do art.º 18.º, ambos do CIRC. Assim, o montante relativo à
constituição da provisão em causa, terá de ser acrescido no quadro 07,
campo 721 da Mod. 22, relativa ao período de tributação.

Tendo havido acordo das partes, em n+1, em que o Autor da ação reduz o
valor a receber e a sociedade reconhece que é devedora do mesmo
montante, há que contabilisticamente anular a provisão em causa (conta de
balanço) por contrapartida da conta de reversões de provisões deduzindo
esse valor no campo 764 do Quadro 07 da Mod. 22 do período n+1.
Quanto ao valor acordado, correspondente ao benefício de cessação de
emprego, é gasto fiscal do período de tributação de n+1, ao abrigo do n.º 12
do art.º 18.º do CIRC e, como a Provisão para Processos Judiciais em Curso,

Processo n.º 258/17


INFORMAÇÃO VINCULATIVA
foi acrescida no Quadro 07 da Mod. 22, do período de tributação de n, a
sociedade, na declaração Mod. 22 relativa ao período de tributação de n+1,
irá deduzir no quadro 07, no campo 761, esse montante.

Processo n.º 258/17


FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: Código do IRC


Artigo: Art.º 43.º
Assunto: Enquadramento dos Vales Sociais
Processo: 2018 000508, sancionado por Despacho, de 29 de junho de 2018, da
Subdiretora-Geral do IR

Conteúdo: 1. Está em causa uma empresa que pretende implementar um pacote de medidas de
apoio social a todos os colaboradores, designadamente “Tickets Infância e Tickets
Ensino e/ou Care”. Pretende saber qual o respetivo enquadramento fiscal.

2. O Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de janeiro, na redação dada pela Lei n.º 82-E/2014
de 31 de dezembro, estabelece as condições de emissão e atribuição, com caráter
geral, dos denominados Vales Sociais e aplica-se às entregas pecuniárias
efetuadas pelas entidades empregadoras às entidades emissoras, para a criação de
fundos destinados à emissão de Vales Sociais a serem utilizados junto das
entidades aderentes.

3. Nos termos do n.º 2 do art.º 1.º daquele Decreto-Lei, na redação dada pela Lei n.º
82-E/2014, de 31 de dezembro, os denominados Vales Sociais têm por fim
proporcionar, através da constituição de fundos, o apoio das entidades
empregadoras aos seus trabalhadores que tenham a cargo filhos ou equiparados
nas seguintes idades:
a) Com idade inferior a sete anos - vales infância;
b) Com idade compreendida entre os sete e os 25 anos - vales educação.

4. Consideram-se Vales Sociais nos termos do n.º 1, do art.º 3.º do referido Decreto-
Lei, os títulos que incorporem o direito à prestação de serviços de educação e de
apoio à família com filhos ou equiparados, bem como à aquisição de manuais e
livros escolares, cujas idades se enquadram nos escalões referidos no n.º 2 do art.º
1.º, dos trabalhadores por conta de outrem.

5. Dispõe ainda o n.º 1 do art.º 10.º do referido Decreto-Lei, que os encargos


suportados pelas entidades empregadoras com o pagamento daqueles Vales
Sociais são considerados gastos do período, nos termos do n.º 9 do art.º 43.º do
CIRC, o qual, por sua vez dispõe que “Os gastos referidos no n.º 1, quando
respeitem a creches, lactários e jardins-de-infância em benefício do pessoal da
empresa, seus familiares ou outros são considerados, para efeitos da determinação
do lucro tributável, em valor correspondente a 140%.”, ou seja, beneficiam de uma

Processo: 2018 000508


1
majoração de 40%.

6. Quantos aos Tickets Infância (Vales Infância), pese embora a entidade refira que os
mesmos serão atribuídos a todos os colaboradores, desde que elegíveis, isto é,
desde que tenham a cargo filhos ou equipados com idade inferior a sete anos, indica
que, relativamente aos montantes a atribuir a cada colaborador, o valor não será
necessariamente o mesmo, dado que pretende fazê-lo depender de determinados
critérios, designadamente “por métricas internas com base em funções, antiguidade
e o atingimento de objetivos”.

7. Com o sistema dos Vales Sociais pretendeu-se apoiar a continuidade do acesso ao


benefício de natureza fiscal, relativamente ao contributo das empresas no esforço
financeiro desenvolvido pelos trabalhadores com a educação dos seus filhos, em
condições semelhantes às existentes caso estivéssemos perante a gestão direta
pelas empresas dos equipamentos sociais de apoio aos trabalhadores, condições
essas que se encontram previstas no n.º 1 do art.º 43.º do CIRC. Deste modo, a sua
atribuição tem que ter caráter geral, isto é, devem ser atribuídos a todos os
trabalhadores em condições idênticas, não podendo a sua atribuição estar sujeita a
outras condições adicionais impostas pela entidade empregadora, que não sejam as
previstas no Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de janeiro. De facto, o conceito de “caráter
geral” deve ser o mesmo quer para efeitos de IRS e do disposto no Decreto-Lei n.º
26/99, de 28 de janeiro, quer para efeitos de IRC.

8. No caso concreto, a atribuição dos Vales Infância nos moldes indicados não cumpre
as condições estabelecidas pelo Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de janeiro, porquanto a
sua atribuição está sujeita a outras condições adicionais impostas pela entidade
empregadora, que não são as previstas no aludido decreto-lei, condições essas
(“métricas internas com base em funções, antiguidade e atingimento de objetivos”)
que remetem para o conceito de remunerações acessórias, auferidas devido à
prestação de trabalho ou em conexão com esta e, como tal, para a consideração
dos montantes dos referidos “tickets” como rendimentos do trabalho dependente

9. De facto, a atribuição dos mesmos configura um rendimento de trabalho dependente


enquadrável na alínea b) do n.º 3 do art.º 2.º do CIRS, a qual refere que se
consideram ainda rendimentos de trabalho dependente “… as remunerações
acessórias, nelas se compreendendo todos os direitos benefícios ou regalias não
incluídos na remuneração principal que sejam auferidos devido à prestação de
trabalho ou em conexão com esta e constituam para o respetivo beneficiário uma
vantagem económica.”, conjugada com o n.º 11 do mesmo artigo, que refere “(…)
consideram-se rendimentos do trabalho do sujeito passivo os benefícios ou regalias

Processo: 2018 000508


2
atribuídos pela respetiva entidade empregadora a qualquer pessoa do seu agregado
familiar (…)”.

10. Refira-se ainda que, conforme estipula o n.º 3 do art.º 9.º do mesmo Diploma, a
atribuição dos Vales Sociais (Vales Infância e Vales Educação) não pode constituir
uma substituição, ainda que parcial, da retribuição laboral devida ao trabalhador.

11. Uma vez que as verbas a atribuir a este título revestem a natureza de rendimento do
trabalho dependente, nos termos da alínea b) do n.º 3 do art.º 2.º do Código do IRS,
para efeitos de IRC são considerados como gastos nos termos do art.º 23.º do
respetivo diploma.

12. Quanto aos Ticket Ensino (Vales Educação) os mesmos revestem a natureza de
rendimentos de trabalho dependente na totalidade, face às alterações introduzidas
pela Lei do Orçamento de Estado para 2018.

13. De facto a Lei do Orçamento de Estado para 2018 procedeu à alteração da alínea b)
do n.º 1 do art.º 2.º A do CIRS, eliminando a exclusão de tributação relativa aos
Vales Educação até ao limite anual de 1.100 euros por dependente com idade
compreendida entre os 7 e os 25 anos (que vigorou entre 2015 e 2017), pelo que, a
partir de 01-01-2018, a totalidade dos montantes atribuídos aos colaboradores em
Vales Educação, reveste a natureza de rendimentos de trabalho dependente na
esfera do trabalhador, nos termos da citada alínea b) do nº 3 do art.º 2.º do Código
do IRS..

14. Acresce ainda que, de acordo com os critérios elencados pela entidade para a sua
atribuição (“métricas internas com base em funções, antiguidade e atingimento de
objetivos”), à semelhança do já referido quanto aos Vales Infância, não cumpre as
condições estabelecidas pelo Decreto-Lei n.º 26/99, porquanto, tratando-se de uma
medida de cariz social, a sua atribuição terá que ter caráter geral, isto é, deverão ser
atribuídos a todos os trabalhadores em condições idênticas, não podendo a sua
atribuição estar sujeita a outras condições adicionais impostas pela entidade
empregadora, que não sejam as previstas no aludido Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de
janeiro.

15. De qualquer modo, considerando-se os “Tickets Ensino” atribuídos como


rendimentos do trabalho dependente, o gasto respetivo é aceite na esfera da
entidade empregadora, nos termos do art.º 23.º do CIRC.

16. Quanto aos “Ticket Care” os mesmos não se encontram previstos no Decreto-Lei n.º
26/99, de 28 de janeiro, ao contrário do que sucede com os Vales Infância e Vales
Educação. Acresce que, nos termos em que a entidade equaciona a sua atribuição

Processo: 2018 000508


3
(“métricas internas com base em funções, antiguidade e atingimento de objetivos”),
os mesmos configuram um rendimento de trabalho dependente, enquadrável na
alínea b) do n.º 3 do art.º 2.º do CIRS, pelo que, também para efeitos de IRC,
poderão ser considerados gastos nos termos do art.º 23.º do respetivo diploma.

Processo: 2018 000508


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Diário da República, 1.ª série

N.º 194 9 de outubro de 2019 Pág. 22

FINANÇAS

Portaria n.º 362/2019

de 9 de outubro

Sumário: Portaria que procede à atualização dos coeficientes de desvalorização da moeda a


aplicar aos bens e direitos alienados durante o ano de 2019.

O artigo 47.º do Código do Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (Código do
IRC), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-B/88, de 30 de novembro, republicado pela Lei n.º 2/2014,
de 16 de janeiro, e o artigo 50.º do Código do Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singu-
lares (CIRS), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de novembro, republicado pela Lei
n.º 82-E/2014, de 31 de dezembro, preveem a atualização anual dos coeficientes de desvalorização
da moeda para efeitos de correção monetária dos valores de aquisição de determinados bens e
direitos.
De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes ao
Índice de Preços no Consumidor exceto habitação demonstram que houve uma variação positiva
de 0,95 %.
Importa, assim, proceder à atualização dos coeficientes de desvalorização da moeda de acordo
com a referida variação.
Assim:
Manda o Governo, pelo Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, nos termos do artigo 47.º
do Código do IRC e do artigo 50.º do Código do IRS, o seguinte:

Artigo único
Coeficientes de desvalorização da moeda a aplicar aos bens e direitos alienados durante o ano de 2019

Os coeficientes de desvalorização da moeda a aplicar aos bens e direitos alienados durante


o ano de 2019, cujo valor deva ser atualizado nos termos dos artigos 47.º do Código do IRC e 50.º
do Código do IRS, para efeitos de determinação da matéria coletável dos referidos impostos, são
os constantes do quadro anexo.

O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Manuel Veiga dos Santos Mendonça
Mendes, em 30 de setembro de 2019.

ANEXO

Quadro de atualização dos coeficientes de desvalorização da moeda a que se referem


os artigos 47.º do Código do IRC e 50.º do Código do IRS

Anos Coeficientes

Até 1903 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4778,49


1904 a 1910 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4448,21
1911 a 1914 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4266,33
1915 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3795,73
1916 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3106,82
1917 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2480,17
1918 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1769,53
1919 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1356,15
1920 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 896,08
1921 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 584,66
1922 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 432,99
1923 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264,98
1924 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223,06
1925 a 1936 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192,26
1937 a 1939 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186,71
Diário da República, 1.ª série

N.º 194 9 de outubro de 2019 Pág. 23

Anos Coeficientes

1940 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157,11
1941 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139,54
1942 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120,47
1943 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102,59
1944 a 1950 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87,08
1951 a 1957 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79,89
1958 a 1963 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75,12
1964 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71,80
1965 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69,15
1966 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66,08
1967 a 1969 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61,79
1970 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57,22
1971 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54,46
1972 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50,92
1973 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46,29
1974 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35,50
1975 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30,33
1976 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25,40
1977 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19,47
1978 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15,25
1979 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12,03
1980 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10,85
1981 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8,87
1982 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7,36
1983 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5,90
1984 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4,57
1985 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3,83
1986 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3,46
1987 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3,17
1988 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2,85
1989 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2,56
1990 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2,29
1991 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2,03
1992 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,87
1993 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,73
1994 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,65
1995 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,58
1996 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,54
1997 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,52
1998 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,47
1999 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,45
2000 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,42
2001 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,33
2002 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,28
2003 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,24
2004 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,22
2005 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,20
2006 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,16
2007 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,14
2008 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,10
2009 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,12
2010 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,10
2011 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,06
2012 a 2015 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,03
2016 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,02
2017 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,01
2018 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,00

112625813

www.dre.pt
INFORMAÇÃO VINCULATIVA

FICHA DOUTRINÁRIA

Diploma: Código do IRC


Artigo: Artigo 46º
Assunto: Conceito de Mais-Valias e de Menos-Valias de Imóveis
Processo: 2 662 / 2016 – Despacho de 2017 / 07 / 05 da Diretora de Serviços
Conteúdo: A questão colocada prende-se com a tributação das mais-valias de imóveis
registados como ativos fixos tangíveis:

1. O Art. 46º/1 a) do Código do IRC (CIRC) considera mais-valias ou menos-valias


realizadas os ganhos obtidos ou as perdas sofridas mediante transmissão
onerosa, qualquer que seja o título por que se opere, e, bem assim, os
decorrentes de sinistros ou os resultantes da afetação permanente a fins
alheios à atividade exercida, respeitantes a ativos fixos tangíveis.

2. Estabelece o nº 2 do mesmo preceito que as mais-valias e as menos-valias são


dadas pela diferença entre o valor de realização, líquido dos encargos que
lhe sejam inerentes, e o valor de aquisição, deduzido das depreciações e
amortizações aceites fiscalmente, das perdas por imparidade e outras
correções de valor.

3. Segundo o Art. 46º/3 g) do CIRC entende-se, para as situações de compra e


venda, por valor de realização o valor da respetiva contraprestação.

4. Assim, a mais-valia corresponderá à diferença entre o valor de realização,


líquido dos encargos que lhe sejam inerentes, e o valor de aquisição deduzido
da depreciação praticada e aceite fiscalmente no período de tributação em
causa.

5. No caso de imóveis, quando o valor de alienação é inferior ao VPT, é aplicável a


norma anti abuso prevista no Art. 64º do CIRC, pelo que o valor de alienação
adotado deve ser o valor normal de mercado e que, neste caso, corresponde ao
VPT.

6. Estabelece aquele preceito que os alienantes e adquirentes de direitos reais


sobre bens imóveis devem adotar, para efeitos da determinação do lucro
tributável nos termos do presente Código, valores normais de mercado que
não podem ser inferiores aos valores patrimoniais tributários
definitivos que serviram de base à liquidação do imposto municipal

Processo: 922 / 2017


INFORMAÇÃO VINCULATIVA

sobre as transmissões onerosas de imóveis (IMT) ou que serviriam no


caso de não haver lugar à liquidação deste imposto.

7. Assim, de acordo com o nº 2 do mesmo preceito, sempre que nas referidas


transmissões onerosas o valor constante do contrato seja inferior ao valor
patrimonial tributário definitivo do imóvel, é este o valor a considerar pelo
alienante e adquirente, para determinação do lucro tributável.

8. Para esse efeito, nos termos da al. a) do nº 3 daquele normativo, o alienante


deve efetuar uma correção, no campo 745 da declaração de rendimentos do
período de tributação a que é imputável o rendimento obtido com a operação
de transmissão, correspondente à diferença positiva entre o VPT definitivo do
imóvel e o valor constante do contrato.

9. No entanto, o valor de alienação pode ser aceite se se instaurar procedimento


nos termos do Art. 139º do CIRC, e se fizer prova que o preço praticado na
transmissão do imóvel foi efetivamente aquele que o sujeito passivo declarou,
ou seja, o preço de venda inferior ao VPT que serviu de base à liquidação do
IMT.

10. Quanto ao adquirente, nos termos da al. b) do mesmo preceito, adotará, à


semelhança do alienante, o VPT definitivo para a determinação de qualquer
resultado tributável em IRC relativamente ao imóvel, caso este valor não tenha
sido alterado em sede do referido procedimento previsto no Art. 139º do CIRC.

11. Dado que o adquirente dos bens imóveis não os contabiliza pelo valor
patrimonial tributário (VPT), quando este é superior ao valor de aquisição, não
se pode aceitar o respetivo acréscimo de depreciação que resultaria dessa
contabilização.

12. Consequentemente, quando o imóvel for transmitido, o resultado fiscal é


apurado considerando como valor de aquisição o VPT e não o custo de
aquisição que reconheceu no seu ativo, quando efetivamente aquele valor for
superior ao valor de aquisição.

13. Quanto a uma eventual isenção das mais-valias apuradas, determina o Art. 48º
do CIRC que, em caso de reinvestimento do valor de realização, na sua
totalidade, a diferença positiva entre as mais valias e as menos valias apuradas
são apenas consideradas em 50% do seu valor para a determinação do lucro
tributável, se verificados os requisitos legais aí previstos.

Processo: 922 / 2017


INFORMAÇÃO VINCULATIVA

14. No caso de se verificar apenas o reinvestimento parcial do valor de realização,


o disposto no número anterior é aplicado à parte proporcional da diferença
entre as mais-valias e as menos-valias a que o mesmo se refere – Art. 48º/2
do CIRC.

15. Para beneficiar deste regime, os sujeitos passivos devem mencionar a


intenção de efetuar o reinvestimento na declaração a que se refere a
alínea c) do nº 1 do artigo 117º (declaração anual de informação contabilística
e fiscal) do período de tributação em que a realização ocorre, comprovando na
mesma e nas declarações dos dois períodos de tributação seguintes os
reinvestimentos efetuados.

16. Contudo, de acordo com o Art. 48º/6 do CIRC, se o referido reinvestimento não
for concretizado, total ou parcialmente, até ao fim do 2º período de
tributação seguinte ao da realização, considera-se como rendimento desse
período de tributação, respetivamente, a diferença ou a parte proporcional da
diferença não incluída no lucro tributável, majorada em 15%.

Processo: 922 / 2017


Classificação: 1 0 0 . 2 0 . 4 0 0
Segurança:
Processo: 2 0 1 8 0 0 0 9 4 4

GABINETE DA SUBDIRETORA-GERAL DO IR E DAS RELAÇÕES


INTERNACIONAIS

Ofício Circulado N.º: 20.203 2019-01-25 Ex.mo(s) Senhor(es)


Entrada Geral: 2018 001112
Subdiretores-Gerais
N.º Identificação Fiscal (NIF): Diretor da Unidade dos Grandes Contribuintes
Sua Ref.ª: Diretores de Serviços
Técnico: Diretores de Finanças
Chefes de Finanças

Assunto: DEPRECIAÇÃO DE VIATURAS - VALOR RESIDUAL

Tendo-se suscitado dúvidas acerca da dedutibilidade fiscal do valor das depreciações reconhecidas
contabilisticamente, relativas a viaturas ligeiras de passageiros e certas categorias de viaturas ligeiras de
mercadorias, quando o valor residual estimado pela empresa representa valores elevados, sendo
mesmo, nalguns casos, superior ao custo de aquisição depreciável para efeitos fiscais, divulgam-se as
seguintes instruções:

1. O n.º 2 do art.º 31.º do Código do IRC (CIRC), na redação dada pela Lei n.º 2/2014, de 16 de
janeiro, e o n.º 5 do art.º 2.º do Decreto Regulamentar (DR) n.º 25/2009, de 14 de setembro, na
redação dada pelo DR n.º 4/2015, de 22 de abril, estabelecem, designadamente, que, para
efeitos da determinação do valor depreciável ou amortizável, se deduz o valor residual.

2. Deste modo, o valor depreciável ou amortizável de um ativo obtém-se deduzindo ao custo de


aquisição o valor residual.

3. Porém, face ao disposto na alínea e) do n.º 1 do art.º 34.º do CIRC, o custo de aquisição aceite
para efeitos fiscais não pode ser superior ao constante na Portaria n.º 467/2010, de 7 de julho,
alterada pela Lei n.º 82-D/2014, de 31 de dezembro, pelo que não são fiscalmente dedutíveis as
depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas na parte correspondente ao custo
de aquisição que excede o montante definido na referida portaria.

4. Caso seja estimado um valor residual para a viatura, o mesmo é deduzido ao custo de aquisição
para efeitos de determinação da depreciação, quer contabilística, quer fiscal.

5. Atendendo a que, para efeitos fiscais, o custo de aquisição depreciável se encontra limitado aos
montantes definidos na referida Portaria n.º 467/2010, por força do disposto na alínea e) do n.º 1
do art.º 34 do CIRC, o valor residual a deduzir àquele montante deve ser o que corresponde à
proporção entre o valor residual estimado pela empresa e o custo de aquisição da viatura.

6. A título exemplificativo, temos que:


MOD. 52.4

Av.ª Engenheiro Duarte Pacheco, 28 19.º LISBOA – 1099-013 Tel: (+351) Fax: (+351) 213834970
Email: www.portaldasfinancas.gov.pt Centro de Atendimento Telefónico: (+351) 217 206 707
GABINETE DA SUBDIRETORA-GERAL DO IR E DAS RELAÇÕES
INTERNACIONAIS

i) Na determinação da depreciação contabilística, ao custo de aquisição da viatura (no caso,


€100.000,00) deduz-se o valor residual (no caso € 50.000,00) de acordo com o parágrafo 53 da
NCRF 7, procedendo-se à imputação do valor obtido (quantia depreciável) durante a vida útil
estimada para o mesmo (no caso em apreço, ao longo dos 4 anos), no montante de €
12.500,00:

Custo de aquisição: € 100.000,00


Valor residual estimado pela entidade: € 50.000,00
Quantia depreciável (contabilística) = € 100.000,00 - € 50.000,00 = € 50.000,00
Depreciação contabilística (anual) = € 50.000,00/4 = € 12.500,00

ii) Na determinação da depreciação fiscal, ao custo de aquisição da viatura definido na


Portaria n.º 467/2010, alterada pela Lei n.º 82-D/2014, de 31 de dezembro, (no caso em
apreço, € 25.000,00), deduz-se o valor residual de acordo com a alínea b) do n.º 2 do art.º 31.º
do CIRC conjugado com o n.º 5 do art.º 2.º e n.º 1 do art.º 3.º do D. R. n.º 25/2009, mas na
proporção (percentagem) que o valor residual estimado pela entidade, representa no custo de
aquisição da viatura, aplicando-se, de seguida, a taxa de depreciação prevista na tabela anexa
ao D.R. n.º 25/2009 (que no caso é 25%):

Custo de aquisição: € 100.000,00


Valor residual estimado pela entidade: € 50.000,00
Peso do valor residual no custo de aquisição (valores contabilísticos): 50.000,00/100.000,00 =
50% (no caso em apreço, o valor residual estimado pela entidade corresponde a 50% do valor de aquisição )
Custo de aquisição aceite para efeitos fiscais (Portaria n.º 467/2010): € 25.000,00
Valor residual “ajustado” (a considerar para efeitos fiscais): 50%* € 25.000,00 = € 12.500,000
Valor depreciável = € 25.000,00 - € 12.500,00 € = € 12.500,00
Depreciação anual = € 12.500,00 * 25%= € 3.125,00

7. Assim, e em síntese, se o sujeito passivo tiver estimado um valor residual para uma viatura
ligeira de passageiros ou mista e se o respetivo custo de aquisição for superior ao que consta da
Portaria n.º 467/2010, de 7 de julho, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 82-D/2014, de
31 de dezembro, o valor residual a deduzir ao custo de aquisição fiscalmente depreciável é o
que corresponder à proporção entre o valor residual estimado pelo sujeito passivo e o custo de
aquisição da viatura.

Com os melhores cumprimentos,

A Subdiretora-Geral

OfCir/20.203/2019 2/2