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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos

ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

FICHA TÉCNICA

Título: NCRF 10 - Custos de empréstimos obtidos

Autor: Ana Cristina Pinto Ferreira

Capa e paginação: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OCC

© Ordem dos Contabilistas Certificados, 2020

Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não
o indicado, sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Contabilistas
Certificados, entidade que detém os direitos de autor.

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Acrónimos

Art.º Artigo
BADF Bases de apresentação das demonstrações financeiras
CC Contabilista Certificado
CIRC Código do imposto sobre rendimentos pessoas coletivas
CNC Comissão de Normalização Contabilística
DL Decreto-lei n.º
EC Estrutura conceptual
ESNL Entidades do setor não lucrativo
FAQ Frequently asked questions (respostas a perguntas frequentes)
IES Informação empresarial simplificada
IRC Imposto sobre rendimento pessoas coletivas
NC-ME Norma contabilística para microentidades
NCM Normalização contabilística para microentidades
NCP Normas de contabilidade pública
NCP-PE Norma de contabilidade pública—pequenas entidades
NCRF Normas contabilísticas e de relato financeiro
NCRF–PE Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades
NCRF–ESNL Norma contabilística e de relato financeiro para as entidades do setor não lucrativo
OCC Ordem dos Contabilistas Certificados
RETGS Regime Especial de Tributação dos Grupos de Sociedades
SNC Sistema de normalização contabilística
SNC-AP Sistema de normalização contabilística para as administrações publicas

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Índice
1. Introdução ........................................................................................................................................... 5
2. Âmbito de aplicação ......................................................................................................................... 8
3. Conceitos........................................................................................................................................... 12
3.1. Custos de empréstimos obtidos ................................................................................................ 12
3.2. Custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização .............................................. 15
3.3. Ativo que se qualifica ................................................................................................................. 20
3.4. Método do juro efetivo ............................................................................................................... 23
4. Código de contas ............................................................................................................................. 25
5. Reconhecimento e mensuração .................................................................................................... 33
5.1. Empresas que aplicam o regime geral ..................................................................................... 33
5.2. Pequenas entidades .................................................................................................................... 39
5.3. Microentidades ............................................................................................................................. 41
5.4. Alteração de regime de normalização ..................................................................................... 42
5.5. Entidades do setor não lucrativo .............................................................................................. 44
5.6. Entidades que aplicam o SNC-AP .............................................................................................. 44
5.7. Pequenas entidades que aplicam o SNC-AP ............................................................................ 47
6. Interação com outras normas ........................................................................................................ 48
6.1. Ativos fixos tangíveis .................................................................................................................. 48
6.2. Ativos intangíveis ......................................................................................................................... 50
6.3. Propriedades de investimentos ................................................................................................. 51
6.4. Inventários .................................................................................................................................... 52
6.5. Contratos de construção ............................................................................................................ 53
6.6. Ativos biológicos .......................................................................................................................... 55
7. Apresentação e divulgação ............................................................................................................ 56
8. Implicações das medidas de proteção dos créditos das empresas ......................................... 62
9. Tratamento fiscal ............................................................................................................................ 65
10. Conclusões .................................................................................................................................... 78
Anexos - Normativos da Contabilidade ................................................................................................ 81
Anexos - Fiscalidade................................................................................................................................ 96
Referências Legislativas ....................................................................................................................... 100
Referências Bibliográficas .................................................................................................................... 101
Web Referências .................................................................................................................................... 103

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1. Introdução
Com a publicação em 02 de junho de 2015, do DL 98/2015, verificaram-se as primeiras
alterações ao Sistema da Normalização Contabilística, que estava em vigor desde 01 de
janeiro de 2010. Este processo de alteração culmina com a publicação, ainda em 2015, de
toda a legislação diretamente relacionada com aquele normativo, designadamente:

➢ Código de Contas - DL 218/2015, de23 de julho, e declaração de retificação n.º 41-


A/2015, de 21 de setembro
➢ Modelos de demonstrações financeiras - DL 220/2015, de23 de julho, e declaração de
retificação n.º 41-B/2015, de 21 de setembro
➢ Estrutura Conceptual – Aviso n.º 8.254/2015, de 29 de julho e declaração de retificação
n.º 917/2015, de 19 de outubro;
➢ Norma Contabilística para Microentidades - Aviso n.º 8.255/2015, de 29 de julho, e
declaração de retificação n.º 914/2015, de 19 de outubro;
➢ Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro - Aviso n.º 8.256/2015, de 29 de julho e
declaração de retificação n.º 918/2015, de 19 de outubro;
➢ Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades - Aviso n.º
8.257/2015, de 29 de julho e declaração de retificação n.º 915/2015, de 19 de outubro;
➢ Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Entidades do Setor Não Lucrativo-
Aviso n.º 8.259/2015, de 29 de julho e declaração de retificação n.º 916/2015, de 19 de
outubro;
➢ Normas Interpretativas - Aviso n.º 8.258/2015, de 29 de julho;

Assim, neste pacote legislativo foram republicadas todas as normas incluídas com o SNC,
designadamente as Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro, a Norma Contabilística e
de Relato Financeiro para Pequenas Entidades, a Norma Contabilística para Microentidades
e a Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Entidades do Setor Não Lucrativo. De
referir que em alguns casos as alterações não foram muito relevantes, e por vezes, apenas
estavam relacionadas com a aplicação do acordo ortográfico.

Estas alterações implicaram a republicação da totalidade das normas. Na verdade, qualquer


alteração que ocorra às normas, pelo facto de estas estarem publicadas em avisos, implicará
sempre a publicação na integra dos avisos, ou seja das normas.

Conforme já foi referido, destas alterações, muitas não foram muito relevantes, no entanto,
as verificadas na Norma Contabilística e de Relato Financeiro 10 – Custos de Empréstimos
Obtidos, foram alterações com importância e impacto nas demonstrações financeiras e no
resultado apresentado pelas entidades, por terem efeito nas regras de mensuração.

Esta Norma Contabilística e de Relato Financeiro, publicada, juntamente com todas as


restantes normas, no Aviso n.º 8.256/2015, de 29 de julho, com as alterações publicadas
na declaração de retificação n.º 918/2015, de 19 de outubro, tem por base a Norma

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Internacional de Contabilidade IAS 23 — Custos de empréstimos obtidos, adotada pelo texto


original do Regulamento (CE) n.º 1126/2008 da Comissão, de 3 de novembro. Este
enquadramento será importante nos casos em que existam alterações às normas
internacionais.

Assim, sempre que ocorram alterações nas as normas internacionais, estas alterações não
serão acolhidas de imediato em Portugal, ou seja, as alterações às normas internacionais
apenas serão acolhidas em Portugal depois de alterado o aviso de publicação das normas
contabilísticas e de relato financeiro.

Para as empresas que, em detrimento do SNC optem por utilizar as Normas internacionais,
estas deverão utilizar sempre as versões mais recentes destas normas, o que implica que
deverão ter em consideração todas as alterações a estas normas.

Quanto ao SNC, será de referir que sempre que numa NCRF existam remissões para as
normas internacionais de contabilidade, entende -se que estas se referem às adotadas pela
União Europeia, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1606/2002 do Parlamento Europeu e
do Conselho de 19 de Julho e, em conformidade com o texto original do Regulamento (CE)
n.º 1126/2008 da Comissão, de 3 de Novembro. Mesmo com esta alteração do SNC a partir
de 01 de janeiro de 2016, as normas internacionais de contabilidade de referência, para o
caso de supressão de lacunas, por exemplo, continuam a ser as que já estavam a ser
utilizadas em 2010.

Ao longo deste manual tentaremos enquadrar e definir os custos de empréstimos obtidos,


para as:

• entidades que apliquem o SNC – Regime geral, com 28 normas – NCRF 10;
• pequenas entidades – Ponto 10 da NCRF-PE;
• microentidades – Ponto 10 da NC-ME;
• entidades do setor não lucrativo - Ponto 10 da NCRF-ESNL, e
• entidades que aplicam o SNC-AP – NCP 7.

Na análise da NCRF 10 – Custo dos empréstimos Obtidos, começaremos por analisar


conceitos muito específicos, designadamente os seguintes:

• custos de empréstimos obtidos;


• custos de empréstimos elegíveis para capitalização;
• ativos que se qualificam;
• método do juro efetivo.

Posteriormente iremos verificar as contas do Código das Contas que estão relacionadas com
os movimentos dos custos dos empréstimos obtidos. Para além das contas de gastos e

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rendimentos relacionados com os encargos financeiros líquidos, os custos de empréstimos


obtidos podem estar incorporados nos custos de produção de ativos.

As regras de reconhecimento e mensuração serão explanadas, separadamente, por tipo de


entidade, tendo em consideração a sua dimensão, bem como o sistema normativo que
escolheram. Neste manual também iremos abordar asas entidades do setor não lucrativo e
entidades que aplicam o SNC-AP.

Como já foi referido, os custos de empréstimos obtidos podem, em determinadas situações


fazer parte integrante do valor de custo de alguns ativos, pelo que iremos abordar estas
situações, fazendo uma abordagem das normas em causa, e tentando expor exemplos
práticos.

Quanto à apresentação e divulgações, vamos analisar as linhas das demonstrações


financeiras onde podemos ter os efeitos dos registos dos custos dos empréstimos obtidos,
tentando também explanar as divulgações a efetuar no anexo, de acordo com as exigências
para a preparação deste documento.

Este manual foi elaborado na altura de publicação das medidas de apoio às empresas por
causa do efeito que estas estão a sentir da pandemia Covid-19, que implicou a redução e
encerramento de algumas atividades. Assim, foi publicada a Lei n.º 10-J/2020, de 26 de
março, com medidas excecionais de proteção dos créditos das famílias, empresas,
instituições particulares de solidariedade social e demais entidades da economia social,
bem como um regime especial de garantias pessoais do Estado, no âmbito da pandemia da
doença COVID-19.

Neste manual, incluímos, em capítulo próprio exemplos do efeito destas medidas aplicáveis
às empresas.
Ainda que o título deste manual não refira o tratamento fiscal dos custos de empréstimos
obtidos, consideramos importante incluir no manual um capítulo com esta informação,
exemplificando as correções que podem ser necessárias na declaração de rendimentos
modelo 22 do ano em que a entidade regista os gastos de financiamento líquidos e os anos
seguintes.

De referir que na lei 32/2019, de 3 de maio, foi alterado o CIRC, com o objetivo de reforçar
o combate às práticas de elisão fiscal, transpondo para a legislação nacional a diretiva (UE)
2016/1164, de 12 de julho, com a redação que lhe foi dada pela diretiva (UE) 2017/952,
de 29 de maio. Esta legislação inclui alterações à <Lei Geral Tributária, ao Código de
Procedimento e de Processo Tributário e ao CIRC, onde foi alterado o previsto nos números
12 e 13 do art.º 67º daquele código.

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2. Âmbito de aplicação
Neste manual, iremos abordar os custos dos empréstimos obtidos, cujo tratamento está
prescrito na NCRF 10, que se reporta aos custos dos empréstimos obtidos, bem como
aqueles que sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo
que se qualifica.

Assim, e conforme refere o §2 da NCRF 10, para as entidades de maior dimensão, e para as
entidades que, por opção aplicam o SNC regime geral, esta norma deve ser aplicada na
contabilização dos custos de empréstimos obtidos.

Em resumo, a NCRF 10 aplica-se ao registo de todos os custos de empréstimos obtidos,


independentemente de estes serem reconhecidos como ativos (por via da capitalização) ou
como gastos do exercício.

O âmbito de aplicação desta norma também tem muita importância para a justificação do
valor a apresentar na demonstração dos resultados. De referir que a consideração dos custos
dos empréstimos obtidos como sendo uma parte do ativo que se qualifica, implica o
reconhecimento destes no balanço no ativo, conjuntamente com o custo de produção do
ativo. Por outro lado, a consideração dos custos dos empréstimos obtidos como sendo um
gasto do período implica que estes sejam apresentados na Demonstração dos resultados,
nas linhas:

Neste mapa, podemos ler a diferença dos totalizadores: Resultado operacional entes de
gastos de financiamento e de impostos e Resultado antes de impostos, como sendo os gastos
de financiamento líquidos (gastos deduzidos de rendimentos), e que estão repartidos pelas
linhas:
• Juros e rendimentos similares obtidos
• Juros e gastos similares suportados.

É assim importante pensar-se no conteúdo destas duas linhas.

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
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Olhando apenas para a linha de juros e rendimentos similares obtidos, a CNC considerou
importante fazer uma explicação dos valores a incluir nesta linha, tendo publicado em 2012
a seguinte informação, que se aplica também às demonstrações financeiras preparadas para
os períodos que se iniciaram até 01 de janeiro de 2016 (destacamentos em bold nossos):

“No modelo da demonstração de resultados por natureza adotado no SNC


pretendeu-se proporcionar informação quanto às diferentes fases de formação do
resultado líquido do período, identificando métricas geralmente usadas na análise
financeira. Tem-se, consequentemente: o resultado antes de depreciações, gastos
de financiamento e impostos (correspondente à sigla anglo saxónica EBITDA),
resultado operacional - antes de gastos de financiamento e impostos -
(correspondente à sigla anglo saxónica EBIT) e resultado antes de impostos
(correspondente à sigla anglo saxónica EBT).

O resultado antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos, é um


indicador que, ao eliminar os efeitos das decisões de financiamento, permite
analisar e comparar o desempenho/rentabilidade entre empresas.

O resultado operacional é um indicador que permite comparações sem te r em conta


os efeitos derivados de diferentes estruturas de capital e taxas de imposto.

O resultado antes de impostos permite estabelecer comparações entre entidades


sujeitas a diferentes jurisdições fiscais.

Nas métricas supra, sempre se utilizou a expressão "gastos de financiamento" (e


não a de resultados financeiros) para identificar o gasto líquido de
financiamento, ou seja, o gasto respeitante ao financiamento contraído pela
empresa, deduzido de eventuais rendimentos financeiros anteriores à sua
utilização. Esta mesma posição já havia sido expressa pela CNC quando no seu site
divulgou no documento "Modelo de demonstrações financeiras – Observações e
ligações às NCRF" 1 que a rubrica "Juros e rendimentos similares obtidos"
compreende as quantias de rendimentos obtidos relacionados com o financiamento
da entidade.

Assim, a CNC entende que sob a rubrica de "Juros e rendimentos similares obtidos"
da demonstração de resultados por natureza serão inscritas, primordialmente, as
quantias que figurem na conta 7915 – Juros, dividendos e outros rendimentos
similares – Juros obtidos – De financiamentos obtidos, devendo nessa rubrica da
Demonstração de resultados por naturezas ser também considerados outros

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http://www.cnc.min-financas.pt/SNC_projecto/SNC_MDF_observacoes.pdf

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rendimentos (por exemplo diferenças de câmbio ou outros) que se


relacionem/derivem do financiamento da entidade, de forma a garantir que se
respeite o princípio subjacente ao apuramento do resultado operacional (antes de
gastos de financiamento e impostos).”

Atualmente a CNC reviu esta opinião e publicitou em 2018 a seguinte opinião, agora restrita
à linha de Juros e rendimentos similares obtidos (sublinhado nosso):

“A CNC é de entendimento que na rúbrica juros e rendimentos similares d a


demonstração de resultados por naturezas prevista no SNC serão de incluir os
rendimentos de natureza financeira, nomeadamente os evidenciados nas contas
782 – Descontos de pronto pagamento obtidos, 791 – Juros obtidos, 792 – Dividendos
obtidos e 793 – Diferenças de câmbio favoráveis.

Contudo alguns dos rendimentos evidenciados nestas contas poderão ser de


natureza operacional, devendo afetar o resultado operacional. “

Assim, ainda que com um enquadramento diferente, continua a ser essencial não incluir
nestas linhas da demonstração dos resultados, os gastos e rendimentos que registados nas
contas 69 – Gastos e perdas de financiamento2 e 79 – Juros, Dividendos e outros rendimentos
similares do código de contas, mas que tenham um carater operacional. Nestes casos, estes
gastos e rendimentos devem ser apresentados, na demonstração dos resultados, na linha de
outros gastos e de outros rendimentos.

Por outro lado, poderão existir gastos e rendimentos registados na conta 68 – Outros gastos
e na conta 78 – Outros rendimentos, que tenham uma natureza financeira, e como tal devem
ser apresentados nestas linhas da Demonstração dos Resultados.

O conceito de “natureza operacional” pode ser obtido na NCRF 2 – Demonstração dos fluxos
de caixa onde é referido que:

• As atividades de financiamento: são as atividades que têm como consequência


alterações na dimensão e composição do capital próprio e nos empréstimos obtidos
pela entidade.
• As atividades de investimento: são as atividades relacionadas com a aquisição e
alienação de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos em
equivalentes de caixa.
• As atividades operacionais: são as principais atividades geradoras de rédito da
entidade e outras atividades que não sejam de investimento ou de financiamento.

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Consideramos que são situações pouco prováveis

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
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Assim, apenas os gastos e rendimentos que não acolhem a definição de financiamento, ou


investimento, podem ser classificados como operacionais. Na análise dos conceitos, iremos
apresentar alguns exemplos.

Exemplo:

No entanto, podemos desde já pensar numa empresa que tem um financiamento, pelo que
reconhece gastos relacionados com este financiamento. Se a empresa tiver
simultaneamente uma aplicação financeira, os juros recebidos não devem ser deduzidos ao
gasto de financiamento, por serem de natureza operacional. Assim, devem ser apresentados
na demonstração dos resultados na linha de outros rendimentos.

Exemplo:

No entanto um tratamento diferente já pode ter o caso de uma empresa tem um


financiamento, garantido por uma aplicação financeira, por exigência da entidade
financiadora. Esta empresa reconhece gastos relacionados com este financiamento, bem
como rendimentos, relacionados com a aplicação financeira, que devem também ser
associados aos gastos do financiamento a deduzir, e como tal devem ser apresentados, na
demonstração dos resultados, na linha de Juros e rendimentos similares obtidos.

Estas situações têm impacto no apuramento do EBITDA, bem como no tratamento fiscal dos
gastos de financiamento, conforme previsto no art.º 67º do CIRC.
Ainda considerando o âmbito da NCRF 10, uma entidade não tem a obrigação de aplicar a
NCRF 10 a custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição,
construção ou produção de:

a) Um ativo que se qualifica mensurado pelo justo valor, por exemplo, um ativo biológico;
ou
b) Inventários que sejam fabricados, ou de outro modo produzidos, em grandes quantidades
de uma forma repetitiva.
Efetivamente esta norma aplica-se à decomposição destas linhas da demonstração dos
resultados, considerando a particularidade de permitir (agora é exigir) a capitalização
destes custos aos ativos que se qualifiquem.

O âmbito de aplicação que consta da NCRF 10 é similar ao referido na IAS 23.

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
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3. Conceitos
O ponto 5, a NCRF 10 – custos dos empréstimos obtidos, refere que uma entidade deve
capitalizar os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição,
construção ou produção de um ativo que se qualifica.

Esta afirmação implica a necessidade de esclarecer alguns conceitos, designadamente os


seguintes:

• Custo de empréstimos obtidos;


• Custo de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização;
• Ativo que se qualifica;
• Método do juro efetivo.

3.1. Custos de empréstimos obtidos


De acordo com a NCRF 10, os custos de empréstimos obtidos são os custos de juros e outros
incorridos por uma entidade relativos aos pedidos de empréstimos de fundos.

A NCRF 10, identifica os custos dos empréstimos obtidos, de uma forma muito similar à que
consta da IAS 23. De acordo com a NCRF 10 os custos dos empréstimos obtidos incluem:

a) Gastos com juros calculados com base na utilização do método do juro efetivo, tal como
descrito na NCRF 27 — Instrumentos Financeiros;
b) Encargos financeiros relativos a locações financeiras reconhecidas de acordo com a NCRF
9 — Locações; e
c) Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira até
ao ponto em que sejam vistos como um ajustamento do custo dos juros.

A definição de custos de empréstimos obtidos que consta da NCRF-PE e da NC-ME são


idênticas a esta definição apresentada na NCRF 10.

Aqui convém realçar que até 01 de janeiro de 2016, constavam nesta definição (na norma
aplicável até à data) as seguintes situações:

(a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos a curto e longo prazo;


(b) Amortização de descontos ou de prémios relacionados com empréstimos obtidos;
(c) Amortização de custos acessórios incorridos em ligação com a obtenção de empréstimos;
(d) Encargos financeiros relativos a locações financeiras reconhecidas de acordo com a NCRF
9 — Locações; e
(e) Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira até
ao ponto em que sejam vistos como um ajustamento do custo dos juros.

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Assim, na com a alteração do SNC a partir de 01 de janeiro de 2016, o referido na alínea (b)
e (c) acima deixou de constar como fazendo parte do custo de juros e o texto referido na
alínea (a) foi alterado.

Para efeitos de apuramento do lucro tributável, a definição que constava do CIRC, antes da
alteração da Lei 32/2019, de 3 de maio e da circular n.º 7/2013 estava em conformidade
com a definição da NCRF 10 que constava no SNC em vigor até 2010. Atualmente, com as
alterações introduzidas no CIRC pela Lei 32/2019, de 3 de maio, o conceito de custos dos
empréstimos obtidos é similar aos que consta na NCRF 10, na sua versão atual. No capítulo
8 deste manual este conceito encontra-se muito desenvolvido.

O custo dos empréstimos obtidos inclui a expressão “Gastos com juros”, pelo que é
importante esclarecer o que são gastos com juros.

O conceito de gastos com juros implica mais do que apenas os juros incorridos, ou seja, o
conceito de gastos com juros pretende refletir todos os gastos incorridos com a entidade
com determinado financiamento. Assim, os gastos com juros são todos os gastos associados
ao financiamento, os quais não existiriam caso a entidade não tivesse contratado o
financiamento, incluindo assim:

• Juros
• Imposto do selo
• Comissões bancárias pelo financiamento
• Gastos com garantias para o financiamento
• …..

Este conceito, ainda que não esteja expressamente referido nas normas, pode ser retirado
da noção de taxa de juro efetiva que consta no apêndice A da IFRS 9:

“A taxa que desconta exatamente os pagamentos ou recebimentos de caixa futuros


estimados ao longo da duração esperada do ativo financeiro ou do passivo financeiro à
quantia escriturada bruta de um ativo financeiro ou ao custo amortizado de um passivo
financeiro. Ao calcular a taxa de juro efetiva, uma entidade deve estimar os fluxos de caixa
esperados considerando todos os termos contratuais do instrumento financeiro (por
exemplo, pré-pagamento, extensão, opções call e semelhantes), mas não deve considerar
as perdas de crédito esperadas. O cálculo inclui todas as comissões e pontos pagos ou
recebidos entre as partes do contrato que são parte integrante da taxa de juro efetiva (ver
parágrafos B5.4.1 a B5.4.3), os custos de transação, e todos os outros prémios ou
descontos. Existe um pressuposto de que os fluxos de caixa e a duração esperada de um
grupo de instrumentos financeiros semelhantes possam ser estimados fiavelmente.
Contudo, nos raros casos em que não seja possível estimar fiavelmente os fluxos de caixa

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ou a duração esperada de um instrumento financeiro (ou grupo de instrumentos


financeiros), a entidade deve usar os fluxos de caixa contratuais durante todo o prazo
contratual do instrumento financeiro (ou grupo de instrumentos financeiros).”

A IFRS 9 considera também a existência de uma taxa de juro efetiva ajustada, que define
como:

“A taxa que desconta exatamente os pagamentos ou recebimentos de caixa futuros


estimados durante a duração esperada do instrumento financeiro ao custo amortizado de
um ativo financeiro que é um ativo financeiro comprado ou criados em imparidade de
crédito. Ao calcular a taxa de juro efetiva ajustada pelo crédito, uma entidade deve estimar
os fluxos de caixa esperados considerando todos os termos contratuais do ativo financeiro
(por exemplo, pagamento antecipado, extensão, opções call e semelhantes) e as perdas de
crédito esperadas. O cálculo inclui todas as comissões e pontos pagos ou recebidos entre
as partes do contrato que são parte integrante da taxa de juro efetiva (ver parágrafos
B5.4.1-B5.4.3), os custos de transação, e todos os outros prémios ou descontos. Existe um
pressuposto de que os fluxos de caixa e a duração esperada de um grupo de instrumentos
financeiros semelhantes possam ser estimados fiavelmente. Contudo, nos raros casos em
que não seja possível estimar fiavelmente os fluxos de caixa ou a duração restante de um
instrumento financeiro (ou grupo de instrumentos financeiros), a entidade deve usar os
fluxos de caixa contratuais durante todo o prazo contratual do instrumento financeiro (ou
grupo de instrumentos financeiros).”

Naquela IFRS é considerado que na taxa de juro devem ser consideradas todos os termos
contratuais do instrumento financeiro. Ora se o instrumento financeiro for um contrato de
financiamento, os termos contratuais do contrato de financiamento incluem gastos para
além dos juros, que devem ser registados e apresentados nas demonstrações financeiras
como gastos de juros.

No que respeita ao SNC-AP, e porque este pacote legislativo publicado em 2015, teve como
base também as NCRF, tem uma definição de custos de empréstimos obtidos diferente da
que atualmente consta no SNC, e coincidente com a que anteriormente estava em vigor.

Assim, no âmbito do SNC-AP, os custos de empréstimos obtidos são juros e outros gastos
suportados por uma entidade relativos a empréstimos obtidos.

Para as entidades que aplicam o SNC-AP, os custos de empréstimos obtidos podem incluir:

(a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos;


(b) Amortização de descontos ou prémios relativos a empréstimos obtidos;
(c) Amortização de custos acessórios suportados com a obtenção de empréstimos;
(d) Encargos financeiros relativos a locações financeiras; e

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
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(e) Diferenças de câmbio relativas a empréstimos em moeda estrangeira na medida em que


sejam consideradas como um ajustamento do custo dos juros.

3.2. Custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização


A NCRF 10 refere que os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis
à aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica são os custos de
empréstimos obtidos que teriam sido evitados se o dispêndio no ativo que se qualifica não
tivesse sido feito.

Sempre que uma entidade contrai empréstimos especificamente com o fim de obter um
ativo que se qualifica, os custos dos empréstimos obtidos que estejam relacionados
diretamente com esse ativo que se qualifica podem ser prontamente identificados. Por
exemplo, se a entidade contrata um financiamento para adquirir um ativo que se qualifica
é fácil fazer esta associação, pelo é fácil identificar os custos que a entidade incorre por
ter tido acesso a este financiamento são custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização.

No entanto, reconhece-se que em determinados casos pode ser difícil fazer a associação
entre o financiamento e aquisição do ativo, sendo que nestes casos também poderá ser mais
difícil determinar o valor dos custos dos empréstimos elegíveis para capitalização.

Especificamente a NCRF 10 refere que pode ser difícil identificar um relacionamento direto
entre certos empréstimos obtidos e um ativo que se qualifica, nestes casos é difícil
determinar os empréstimos obtidos que poderiam de outra maneira ser evitados.

Nas situações que o processo de financiamento é centralizado, ou seja , as empresas podem


ter acesso a crédito de forma centralizada, como por exemplo ter acesso a determinado
plafond de crédito que vão utilizando conforme as necessidades, sendo que podem utilizar
este plafond de crédito para dificuldades de tesouraria, ou para adquirir/produzir ativos
que se qualificam, pode tornar-se difícil identificar o financiamento associado à aquisição
do ativo que se qualifica

No caso dos grupos de empresas é muito frequente que os financiamentos sejam


contratualizados pela empresa-mãe, podendo também existir uma variedade de
instrumentos de dívida para pedir fundos emprestados a taxas de juro variáveis. Por outro
lado, a empresa-mãe pode depois fazer empréstimos às outras entidades do grupo, nem
sempre existindo relacionamentos entre os primeiros e os segundos, sendo que em muitos
casos os empréstimos vão sendo feitos na medida em que as empresas vão necessitando de
meios financeiros. Se as participadas obtiverem empréstimos com finalidades definidas,
para estas é possível calcular os custos de empréstimos elegíveis para capitalização. Na
empresa-mãe os custos dos empréstimos não são elegíveis para capitalização.

15
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Em situações, em que existem empréstimos em moeda estrangeira, associados a ativos que


se qualificam, principalmente se forem empréstimos obtidos em moedas com flutuações em
taxas de câmbio, pode ser difícil determinar a quantia de custos de empréstimos obtidos
que sejam diretamente atribuíveis à aquisição de um ativo que se qualifica.

A quantia dos custos de empréstimos obtidos elegível para capitalização deve ser
determinada com base nos custos reais dos empréstimos obtidos incorridos com os
empréstimos durante o período menos qualquer rendimento de investimento temporário
desses empréstimos.

No caso de os empréstimos serem concedidos por tranches, os custos dos empréstimos


elegíveis para capitalização devem incorporar todas as tranches que estão a originar custos
de empréstimos.

No caso de a empresa contratualizar um empréstimo para aquisição de um ativo que se


qualifica, e nas condições deste empréstimo vai manter uma aplicação financeira que
originará rendimentos para a entidade, o valor de custos de empréstimo elegíveis para
capitalização correspondem ao valor dos juros e outros gastos deduzido do valor dos
rendimentos que a empresa aufere pela aplicação que detém.

Exemplo Prático 1

Uma empresa contratualizou um empréstimo para construção de um imóvel, com as


seguintes condições:

Valor do empréstimo:
Valor recebido em 10-2019: 100.000,00 euros
Valor recebido em 01-2020: 500.000,00 euros

Período de carência de pagamento de capital: 2 anos a contar da 1ª Tranche

Aplicação financeira na instituição para garantir parcialmente o financiamento: 250.000,00


euros, constituída no momento do recebimento da 1ª Tranche

Despesas e Rendimentos com o empréstimo (31-12-2019):

1ª Tranche 2ª Tranche
Pela utilização de crédito (0,6%) 600,00
Juros empréstimo (5%) 1.250,00
Imposto do selo s/juros (4%) 50,00

16
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Juros aplicação financeira 1% 562,50

Valor do custo dos empréstimos elegíveis para capitalização: 1.337,50 euros


(600+1.250+50-562,50)

Despesas e Rendimentos com o empréstimo (31-03-2020):

1ª Tranche 2ª Tranche
Pela utilização de crédito (0,6%) 3.000,00
Juros empréstimo (5%) 1.250,00 6.250,00
Imposto do selo s/juros (4%) 50,00 250,00
Juros aplicação financeira 1% 562,50

Valor do custo dos empréstimos elegíveis para capitalização: 10.237,50 euros


(1.250+50) + (3.000+6.250+250-562,50)

Muitas vezes a contratação do empréstimo e a disponibilização dos fundos pode ocorrer


antes de a empresa iniciar os dispêndios com o ativo que se qualifica. Nestes casos, os
fundos são, muitas vezes, temporariamente investidos aguardando o seu dispêndio no ativo
que se qualifica.

Ao determinar a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização


durante um período, qualquer rendimento do investimento gerado de tais fundos é deduzido
dos custos incorridos nos empréstimos obtidos.

Exemplo prático 2

Uma empresa contratualizou um empréstimo para construção de um imóvel, com as


seguintes condições:

Valor do empréstimo: 250.000,00 euros


Data da disponibilização dos fundos: 01-02-2020
Data de início de construção: 31-01-2020
Data dos pagamentos aos fornecedores: 28-02-2020
Taxa de juro da aplicação financeira: 2,5%
Taxa de juro do empréstimo: 4%
Os juros são pagos e recebidos mensalmente.

17
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A empresa vai receber juros da aplicação financeira que fez com o empréstimo, sendo que
este rendimento deve ser deduzido aos gastos de juros.

31-01-2020 28-02-2020 31-03-2020


Empréstimo 250.000,00 250.000,00 250.000,00
Pagamentos fornecedores 0,00 0,00 135.000,00
Aplicação financeira 0,00 250.000,00 115.000,00
Pela utilização de crédito (0,6%) 1.500,00 0,00 0,00
Juros empréstimo (4%) 0,00 833,33 833,33
Imposto do selo s/juros (4%) 33,33 33,33
Juros aplicação financeira 1% 520,83 520,83
Custo do empréstimo 1.500,00 345,83 345,83

A NCRF 10 refere que na medida em que os fundos sejam pedidos de uma forma geral e
usados com o fim de obter um ativo que se qualifica, a quantia de custos de empréstimos
obtidos elegíveis para capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de
capitalização aos dispêndios respeitantes a esse ativo.

A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos custos de empréstimos obtidos
aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que estejam em circulação no período,
que não sejam empréstimos contraídos especificamente com o fim de obter um ativo que
se qualifica.

A quantia dos custos de empréstimos obtidos capitalizados durante um período não deve
exceder a quantia dos custos de empréstimos obtidos incorridos durante o período.

É frequente que as empresas tenham vários empréstimos para fazer face às suas
necessidades de tesouraria, à aquisição de bens, e para o financiamento de ativos que se
qualificam. É nestes casos que a empresa tem que calcular a taxa de capitalização média.

Exemplo prático 3

Uma empresa contraiu vários empréstimos para fazer face às suas necessidades de
tesouraria e de investimento:

Objetivo do empréstimo Taxa Montante


Aquisição de equipamento
6,50% 35.000,00
informático
Tesouraria 7,00% 50.000,00

18
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Geral 6,50% 100.000,00


Geral 5,50% 75.000,00
Geral 4,75% 65.000,00
Aquisição de ativo que se
4,00% 150.000,00
qualifica
Total 475.000,00

Esta empresa tem na sua conta de financiamentos valores de 475.000,00 euros, dos quais
35.000 euros estão afetos à aquisição de ativos que não se qualificam, 50.00 euros para
apoio à tesouraria, e 150.000 euros afetos a ativos que se qualificam.

O financiamento dos ativos que se qualificam, para além de ter sido feito com por recurso
aquele financiamento específico, também utilizou outros plafonds que a empresa tinha
disponíveis, apresentados como financiamentos com objetivo geral.

Assim, a empresa tem que calcular a taxa média de capitalização, considerando apenas os
empréstimos gerais:

6,5%*100.000+5,5%*75.000+4,75*65.000
= 5,71%
100.000+75.000+65.000

Neste caso concreto a taxa de capitalização a considerar é de 5,71%.

No caso de grupos de empresas, e em determinadas circunstâncias, pode ser apropriado


incluir todos os empréstimos obtidos da empresa-mãe e das suas subsidiárias quando seja
calculada uma média ponderada dos custos dos empréstimos obtidos. Noutras
circunstâncias, pode ser apropriado para cada subsidiária use uma média ponderada dos
custos dos empréstimos obtidos aplicável aos seus próprios empréstimos obtidos.

Como foi referido acima, podemos encontrar muitas situações em que é difícil determinar
o custo dos empréstimos obtidos, e outras em que têm que ser considerados pressupostos
que têm que ser cuidados. Assim, a NCRF 10 recomenda o bom senso na quantificação dos
custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização.

Quanto ao SNC-AP, a NCP 7 refere que sempre que uma entidade contrai empréstimos com
o fim específico de obter um determinado ativo que se qualifica, o que é muito frequente
na administração pública, os custos de empréstimos obtidos que estejam diretamente
relacionados com esse ativo podem ser prontamente identificados.

19
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No entanto a NCP 7 refere que pode ser difícil identificar uma relação direta entre alguns
empréstimos obtidos e um ativo que se qualifica e determinar os empréstimos obtidos que
de alguma forma poderiam ter sido evitados.

A NCP 7 também alerta para as dificuldades na identificação dos custos associados a ativos
que se qualificam quando um grupo público usa uma variedade de instrumentos de dívida
para obter fundos a taxas de juro variáveis, e transfere esses fundos com base em critérios
diversos a outras entidades do grupo.

Na medida em que os empréstimos sejam contraídos especificamente com a finalidade de


obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização nesse ativo deve corresponder aos custos reais suportados durante o período
menos qualquer rendimento relativo ao investimento temporário desses empréstimos.

Nos casos em que os empréstimos sejam contraídos genericamente e usados com a finalidade
de obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegíveis
para capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de capitalização aos
dispêndios relativos a esse ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos
custos dos empréstimos obtidos aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que
estejam em aberto durante o período, e que não sejam empréstimos especificamente
contraídos para obter um ativo que se qualifica.

Claro que a quantia dos custos de empréstimos obtidos capitalizados durante um período
não deve exceder a quantia dos custos de empréstimos obtidos durante esse período,
considerando que todos os financiamentos estão associados a ativos que se qualificam.

3.3. Ativo que se qualifica


De acordo com as definições da NCRF 10, um ativo que se qualifica é um ativo que leva
necessariamente um período substancial de tempo para ficar pronto para o seu uso
pretendido ou para venda. Pode-se entender que um período substancial de tempo implique
um período superior a 1 ano.

A título de exemplo a NCRF 10, bem como a IAS 23, referem que os seguintes ativos podem
constituir ativos que se qualificam:

a) Inventários;
b) Instalações industriais;
c) Instalações de geração de energia;
d) Ativos intangíveis;
e) Propriedades de investimento.

20
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os ativos financeiros, e os inventários que sejam fabricados, ou de outro modo produzidos,


durante um curto período de tempo não são ativos que se qualificam.

Os ativos que estejam prontos para o seu uso pretendido ou para a sua venda quando
adquiridos não são ativos que se qualificam.

A característica que os ativos que se qualificam têm que, obrigatoriamente, ter é a de


serem ativos cujo período de construção, instalação implica um período de tempo
substancial.

Como exemplo destes ativos podemos ter:

a) Inventários – Construção de prédios para venda, construção de prédios para venda


fracionada, produção de um equipamento complexo com duração superior a 1 ano;
b) Instalações industriais – Construção da uma instalação fabril para desenvolvimento da
atividade, que será registada com Ativo fixo tangível;
c) Instalações de geração de energia;
d) Ativos intangíveis – desenvolvimento de software para venda, desenvolvimento de
receitas e de fórmulas3;
e) Propriedades de investimento – Construção de imóveis para arrendamento futuro.

Esta norma tem particular importância para as seguintes entidades:

• Empresas de construção civil


• Empresas que produzem equipamentos cujo processo produtivo é complexo e como
tal demorado, ou seja, o processo produtivo demora um tempo substancial:
Construção naval, equipamentos para pedreiras, equipamentos fabris pesados,
entre outros
• Empresas de investimento em imóveis
• Empresas que promovem a construção de instalações por subcontratação

São exemplos de ativos que não se qualificam:

• Ativos prontos para o seu uso ou para venda quando adquiridos;


• Ativos com necessidade de instalação, mas de curto prazo;
• Inventários fabricados ou produzidos durante curto período de tempo, mesmo que
sejam de produção continua.

3
Considerando as regras de capitalização deste ativo previstas nas normas, por exemplo na NCRF 6 – ativos intangíveis

21
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Porque existem ativos que se qualificam, cujo tratamento está prescrito noutras normas,
a NCRF 10 tem uma interação muito grande com essas normas.

Não podemos esquecer que para a administração publica, a NCP 7 tem uma importância
acrescida, porque estas entidades têm muitas obras que executam ao longo do tempo, por
administração direta ou por empreitada: Centros escolares, centros de saúde, hospitais,
infraestruturas rodoviárias, e que estão registadas no seu ativo, e que podem ser
classificadas como ativos que se qualificam.

Como exemplos de ativos que se qualificam, a NCP 7 refere os seguintes:

• edifícios administrativos;
• hospitais;
• infraestruturas, tais como estradas, pontes;
• instalações de geração de energia;
• inventários que exijam um período substancial de tempo para serem colocados em
condições de uso ou venda.

Exemplo prático 4 (adaptado do manual de implementação do SNC-AP)

Uma autarquia delibera, em 2017, fazer um parque industrial para atrair novos
investimentos e negócios locais.

Está previsto que a sua construção dure cerca de 30 meses até o parque industrial poder
ser utilizado.

O custo estimado com o parque industrial é de 1.500.000 euros e será financiado da


seguinte forma:

• Subsídio comunitário: 400.000 euros


• Recursos próprios da autarquia: 1.100.000 euros
• % financiamento por capitais próprios 73,33% =1.100.000/1.500.000

A construção inicia-se em 02-2018 e termina em 06-2019

O subsídio é recebido totalmente antes do início da construção.

O total de juros relativos aos financiamentos obtidos pela autarquia, o total de dispêndios
neste investimento e o total de dispêndios efetuados durante o período de construção são
os seguintes:

22
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2017 2018 2019 2020


Total dos juros dos financiamentos obtidos 0 48.000 60.000 33.750
Total dos dispêndios no parque industrial 0 500.000 650.000 350.000
Total dos investimentos de capital
0 850.000 900.000 500.000
efetuados

Valor dos custos com empréstimos obtidos a capitalizar como parte do custo do parque
industrial tem que ser calculada a taxa média de capitalização:

2017 2018 2019 2020


Total dos juros dos empréstimos a
0 18.979 31.776 8.662
capitalizar

Explicações dos valores:

2018:
Período de capitalização 11 meses (início da capitalização em 02-2018)

48.000*(500.000/850.000)*11/12 = 25.882
25.882*73,33% = 18.979

2019:
Período de capitalização 12 meses

60.000*(650.000/900.000)*12/12 = 43.333
43.333 *73,33% = 31.776

2020:
Período de capitalização 6 meses (cessação da capitalização em 06-2018)

33.750*(350.000/500.000)*6/12 = 11.813
11.813*73,33% = 8.662

3.4. Método do juro efetivo


A NCRF 10 não tem uma definição de método do juro efetivo, apesar de referir que os
gastos com juros calculados com base na utilização do método do juro efetivo. No entanto
a estrutura concetual, a NCRF 20 – Rédito e a NCRF 27 – Instrumentos Financeiros definem
este método.

23
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Assim, o método do juro efetivo é um método de calcular o custo amortizado de um ativo


financeiro ou de um passivo financeiro (ou grupo de ativos financeiros ou de passivos
financeiros) e de imputar o rendimento dos juros ou o gasto dos juros durante o período
relevante. O método do juro efetivo reflete assim, o referido no pressuposto do regime do
acréscimo quanto aos gastos de financiamento.

A taxa de juro efetiva é a taxa que desconta os pagamentos ou recebimentos de caixa


futuros estimados durante a vida esperada do instrumento financeiro ou, quando
apropriado, um período mais curto, na quantia escriturada líquida do ativo financeiro ou
do passivo financeiro.

A IAS 39 tem uma definição muito idêntica, sendo neste caso de acrescentar as definições
de taxa de juro efetiva e de taxa de juro efetiva ajustada, conforme referido no capítulo
3.1. deste manual.

24
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4. Código de contas
O DL 158/2009, de 13 de Julho, alterado e republicado pelo DL 98/2015, de 2 de junho,
que aprova o SNC, refere que irá ser publicado por portaria um Código de Contas de
utilização generalizada, o Código de Contas específico das ESNL e o Código de Contas
específico das microentidades, que se pretende sejam documentos não exaustivos.

Tendo em consideração a simplificação acima, com a portaria n.º 218/2015, de 23 de julho,


foi publicado o código de contas que inclui:

1) Quadro síntese de contas;


2) Código de contas; e
3) Notas de enquadramento

O efeito do registo dos custos de empréstimos obtidos tem impacto em várias contas, por
ser uma parte do custo dos seguintes ativos:

• Inventários;
• Ativos fixos tangíveis;
• Ativos intangíveis;
• Propriedades de investimento;
• Ativos biológicos;
• Contratos de construção.

Para além destas contas, existem contas específicas onde podem estar registados custos
de empréstimos obtidos, designadamente as contas 69 – Gastos e perdas de financiamento4
e 79 – Juros, Dividendos e outros rendimentos similares:

4
Consideramos que são situações pouco prováveis

25
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

De referir que as contas a serem utilizadas pelas empresas que utilizam o regime geral, de
28 normas, coincidem na totalidade com as contas a utilizar pelas pequenas entidades e
entidades do setor não lucrativo.

26
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No entanto quanto à microentidades há contas que estão vedadas a estas entidades,


designadamente as contas:

7912 – Juros obtidos de outras aplicações de meios financeiros líquidos


7913 – Juros obtidos de financiamentos concedidos a associadas e empreendimentos
conjuntos
7914 – Juros obtidos de financiamentos concedidos a subsidiárias
7921 – Dividendos obtidos de aplicações de meios financeiros líquidos
7922 – Dividendos obtidos de associadas e empreendimentos conjuntos
7923 – Dividendos obtidos de subsidiárias
7928 – Dividendos obtidos de outras

Por outro lado, a conta 7918 a ser utilizada pelas microentidades passa a ter a designação
de outros.

Adicionalmente, podem existir outras contas ondem podem estar registados gastos de
financiamento, conforme conceito referido no capítulo 3.1 deste manual. De relembrar
que as pequenas entidades, as micro entidades e as entidades do setor não lucrativo, se
tiverem como ativos imóveis cujo objetivo é a obtenção de rendimento, estas não os
registam como propriedades de investimento, mas sim como ativos fixos tangíveis.

Por outro lado, as microentidades apenas reconhecem os gastos de custos de empréstimos


obtidos como gasto do exercício, existindo na mesma a necessidade de aplicar o conceito
de gastos de financiamento líquidos, referido no ponto 3.1..

Quanto às entidades que aplicam o SNC-AP, os códigos das contas a utilizar que constam
do plano de contas multidimensional são as seguintes:

27
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A nota de enquadramento da conta 6911 Juros de financiamentos obtidos é referido que


nesta conta devem ser registados os juros suportados com financiamentos obtidos
(excluindo a dívida pública) e não capitalizados nos termos da NCP 7 — Custos de
Empréstimos Obtidos. Os gastos de financiamento capitalizados serão reconhecidos nos
gastos de produção/aquisição do ativo que se qualifica.

Atualmente falar em planos de contas e códigos de contas implica sempre falar em


taxonomias.

28
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

As taxonomias a utilizar por microentidades são as seguintes:

29
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

As taxonomias a utilizar pelas restantes entidades são as seguintes:

30
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Por força das exigências atualmente em vigor, designadamente quanto às taxonomias,


é necessário, no momento em que se cria a empresa no software de contabilidade, e se
escolhe o plano de contas a utilizar, e posteriormente se efetuam os registos
contabilísticos, esteja bem definido qual o sistema normativo a utilizar.

Assim, não podemos abrir um exercício de uma empresa com base nos critérios
anteriores, por exemplo como uma microentidade, para depois no momento do

31
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

encerramento optar por apresentar as demonstrações financeiras como uma pequena


entidade.

A opção pelo sistema normativo a utilizar durante o exercício deve ser feita no início do
mesmo, e deverá ter em consideração as diferenças entre os vários sistemas de
normalização.

32
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5. Reconhecimento e mensuração

5.1. Empresas que aplicam o regime geral


Uma entidade deve capitalizar os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente
atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica como parte do
custo desse ativo. Assim, na ficha de apuramento do custo deste ativo devem ser incluídos
os custos dos juros, tal como todos os restantes custos utilizados.

A título de exemplo apresentamos uma ficha com o resumo dos custos de produção, com
indicação dos custos diretos:

Ficha resumo de produto/construção


Gasto Descrição do gasto Valor
CMVMC
FSE
Subcontratos
Honorários
Trabalhos especializados
…..
Gastos com pessoal

Gastos financeiros Custo de empréstimos obtidos
(apresentação do valor líquido)
Total

De referir que os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à


aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica são capitalizados como
parte do custo desse ativo, na medida em que seja provável que deles resultarão benefícios
económicos futuros para a entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados. Para
tal estes devem ser considerados como um custo direto na repartição de custos na
contabilidade analítica para as entidades que tenham o sistema de contabilidade de custos
(ou centros de custos) a funcionar. Para as restantes entidades, o processo de apuramento
do custo de aquisição/produção destes ativos deve incluir estes custos conjuntamente com
os outros custos diretos.

Quanto aos restantes custos de empréstimos obtidos (inclui custos de empréstimos afetos a
ativos que não se qualificam, por exemplo leasing de aquisição de um automóvel,
empréstimo para aquisição de um imóvel pronto a utilizar), estes devem ser registados como
um gasto no período em que sejam incorridos.

33
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Conforme referido, no apuramento do custo de aquisição/produção de um ativo que se


qualifica estão incluídos, entes outros gastos, os custos de empréstimos obtidos. Assim, o
valor do custo de aquisição/produção destes ativos é superior existindo financiamento.

Desta forma, existindo níveis de financiamento muito elevados, com a capitalização de


gastos de financiamento, podemos ficar perante situações em que a quantia escriturada ou
o custo final esperado do ativo que se qualifica exceda a sua quantia recuperável ou o seu
valor realizável líquido. Nestes casos estamos perante um ativo que deverá ser sujeito a um
ajustamento, nos termos do referido na NRCF18 (para os inventários) ou a perdas por
imparidade, nos termos da NCRF 12.

Exemplo prático 5

Imaginemos o caso de uma empresa que está a construir um equipamento industrial para
venda, cujo prazo de construção é substancial, que permite a sua classificação como sendo
um ativo que se qualifica.

No momento da encomenda a empresa considerou que iria solicitar um financiamento para


fazer face a esta construção, pelo que deverá capitalizar os custos de empréstimos obtidos
como custo de produção do ativo que se qualifica, ou seja, do equipamento em produção.

A empresa faz um orçamento, no qual inclui os custos de empréstimos obtidos, nos custos
de produção, tendo em consideração uma taxa de juro prevista, e um prazo de produção
do equipamento expetável.

Tendo em consideração o preço de venda que este produto tem no mercado, a empresa tem
uma margem que lhe permite um lucro. O preço de venda no mercado é de 250.000,00
euros.

Depois do processo produtivo, e porque a taxa de juro que a empresa conseguiu obter para
o financiamento foi superior à prevista, foi apurado um custo com a produção deste
equipamento que ascende a 265.000,00 euros.

Não sendo possível alterar o preço de venda, porque a existência de um mercado


concorrencial não o permite, a empresa tem registado nos seus inventários produtos para
venda, cujo custo de produção é de 265.000,00 euros e o preço de venda é de 250.000,00
euros.

Assim, no pressuposto de a empresa ter este produto no seu inventário no fim do ano, a
empresa deverá registar na contabilidade um ajustamento, nos termos previstos na NCRF

34
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

18 (perda por imparidade em inventários de acordo com o código de contas), no valor de


15.000,00 euros por unidade produzida:

Débito Crédito
652 – Perdas por imparidade em inventários 15.000,00
349 – Perdas por imparidade em produtos acabados e
15.000,00
intermédios

Para efeito de apuramento do lucro tributável esta perda por imparidade só é aceite como
um gasto para efeitos de IRC se existir prova do valor de venda, conforme (art.º 28º e n.º 4
do art.º 26º do CIRC).

A empresa vai apresentar esta ativo no balanço, na linha de inventários, no caso de só ter
uma unidade deste produto para venda, o montante a apresentar no inventário tem que ser
de 250.000,00 euros.

No anexo vai referir que estes inventários têm um ajustamento de 15.000,00 euros e na
nota dos custos de empréstimos obtidos vai referir qual o montante de custos de
financiamento que foram capitalizados nos inventários.

Por outro lado, no anexo vai referir que a quantia de inventários é a seguinte:

Produtos e trabalhos em curso 265.000,00


Perdas por imparidade em produtos acabados e intermédios -15.000,00
Quantia escriturada 250.000,00

Início da capitalização
A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que se
qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser incorridos;


b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e
c) As atividades que sejam necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido
ou venda estejam em curso.

Conforme já foi referido, no caso de a empresa ter solicitado um empréstimo que ainda não
foi utilizado, porque ainda não iniciaram os pagamentos aos fornecedores, ou seja a
construção do ativo já iniciou, já existem terceiros a fornecer bens, a prestar serviços e em
consequência a emitir faturas, o empréstimo já foi disponibilizado, no entanto porque não
foi utilizado foi feita uma aplicação financeira que está a gerar rendimentos. Nestes casos
deve iniciar-se já a capitalização dos custos de empréstimos, sendo que também vão ser

35
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

considerados os rendimentos obtidos com esta aplicação financeira. Assim, o valor a


considerar na obra como custo de empréstimos obtidos, corresponde aos juros e despesas
associadas ao empréstimo, deduzidos dos rendimentos decorrentes da aplicação financeira

De referir que os dispêndios de um ativo que se qualifica incluem somente os dispêndios


que tenham resultado em pagamentos de caixa, transferência de outros ativos ou a assunção
de passivos que incorram em juros. Assim, as estimativas efetuadas não terão reflexo na
capitalização de juros. Ou seja, em 31 de dezembro de determinado ano, não deve ser feita
a estimativa de juros a serem capitalizados. Estes apenas serão registados no momento do
seu pagamento.

De referir também que é comum que as atividades necessárias para preparar o ativo para o
seu uso pretendido ou para a sua venda tenham uma abrangência maior do que a construção
física do ativo.

Estas atividades incluem o trabalho técnico e administrativo anterior ao começo da


construção física, bem como as atividades associadas com a obtenção de licenças antes do
começo da construção física.

A título de exemplo a NCRF 10 refere as seguintes situações:

• A fase de desenvolvimento de um projeto implica início da capitalização, pelo que


os custos de empréstimos obtidos deverão ser capitalizados desde o início da fase
de desenvolvimento do projeto.
• A aquisição de um terreno para posteriormente iniciar uma construção, não implica
o início desta construção, não existindo um nexo de causalidade entre a aquisição
do terreno e o início da construção. Assem os custos de empréstimos obtidos
incorridos devem ser registados como gasto do período.

Assim, o início de uma prestação de serviços relacionada com a obra é indício de início da
obra e como tal início da capitalização. Por outro lado, as aquisições relacionadas com a
obra (terreno, material…), não implicam o início da obre. Na verdade, estas aquisições
podem ser efetuadas para aproveitar oportunidades de negócio e a obra poderá ter início
em momento do tempo posterior. Desta forma, estas aquisição não são, por si, indícios de
que a obra se iniciou, e como tal deve ser iniciada a capitalização dos custos dos
empréstimos obtidos.

Suspensão da capitalização
A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve ser suspensa sempre que, durante
períodos extensos, o desenvolvimento das atividades que sejam necessárias para preparar
o ativo para o seu uso pretendido ou venda estejam em curso, sejam interrompidos.

36
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Não existe na norma um conceito do que é um período extenso, sendo que esta situação
deve ser fundamentada pela empresa, tendo mais uma vez que existir bom senso.

No entanto durante estes períodos de suspensão no desenvolvimento das atividades a serem


desenvolvidas no ativo, os custos de empréstimos obtidos continuam a ser incorridos pela
entidade, no entanto não podem ser capitalizados, pelo que devem ser reconhecidos como
gasto do exercício, ainda que estes ativos não se encontrem concluídos.

Imaginemos uma obra que é embargada. Durante este período a obra não tem qualquer
desenvolvimento, sendo que a continuação da capitalização poderá implicar um desvio
substancial no valor de construção, porque o período de capitalização vai ser superior.
Assim, ficaríamos perante um ativo cujo valor não representa o seu verdadeiro valor. Por
isso se compreende a suspensão da capitalização. De referir que na preparação do
orçamento desta obra, não estava prevista esta paragem.

No entanto, a capitalização dos custos de empréstimos obtidos não é suspensa durante um


período, quando esteja sendo levado a efeito trabalho técnico e administrativo substancial.
Nestes casos o ativo ainda não se encontra preparado para o uso pretendido ou para venda.
De referir também que a capitalização dos custos de empréstimos obtidos também não é
suspensa quando uma demora temporária seja uma parte necessária do processo de tornar
um ativo pronto para o seu uso pretendido ou para a sua venda. Nestes casos a demora e a
“paragem” na construção do ativo já estavam previstas, e fazem parte do processo normal
de produção. A NCRF 10 refere, como exemplo, que a capitalização continua durante o
período necessário alargado para que alguns inventários atinjam a maturação ou o período
alargado durante o qual os níveis altos das águas atrasam a construção de uma ponte, se
tais níveis de água altos são usuais durante o período da construção na região geográfica
envolvida. Estamos então perante situações previstas e como tal devem fazem parte das
regras de mensuração do ativo. Nestes casos, no orçamento preparado para a produção,
esta paragem já está considerada.

Cessação da capitalização
A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve cessar quando substancialmente
todas as atividades necessárias para preparar o ativo elegível para o seu uso pretendido ou
para a sua venda estejam concluídas, ou seja, quanto um ativo está concluído, deve cessar
a capitalização dos custos de empréstimos obtidos.

Um ativo está normalmente pronto para o seu uso pretendido ou para a sua venda quando
a construção física do ativo estiver concluída mesmo se o trabalho administrativo de rotina
puder ainda continuar.

Existindo modificações menores, tais como a decoração de uma propriedade conforme as


especificações do comprador ou do utente, que sejam tudo o que está por completar, isto

37
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

indica que todas as atividades estão substancialmente concluídas, pelo que o ativo está
concluído, mesmo antes destas modificações.

Existem ativos cuja conclusão pode ocorrer por partes, por exemplo um empreendimento
ou uma zona industrial com várias fases de construção e como tal várias fases de conclusão.
Nestes casos, a capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas
as atividades necessárias para preparar essa parte para o seu pretendido uso ou venda
estejam concluídas. Considera-se cada fase como sendo um ativo, para efeito de cessação
da capitalização relativa a essa fase.

A NCRF 10 refere, como exemplo, um parque empresarial compreendendo vários edifícios


em que cada um deles pode ser usado individualmente é um exemplo de um ativo que se
qualifica relativamente ao qual cada parte está em condições de ser usada embora a
construção continue noutras partes. Cada parte está separada das restantes, e pode operar
individualmente.

Um exemplo diferente é o caso de uma instalação industrial, que necessita de estar


totalmente concluída, podendo, no entanto, ter fases que já estão concluídas e outras que
ainda estão com obras em curso. Neste caso, qualquer uma das fases daquele ativo não
pode ser utilizada individualmente, pelo que apenas se considera qua o ativo está concluído
quando estiver toda a obra finalizada.

Exemplo prático 6

Uma entidade resolveu proceder à construção de um edifício para uma nova unidade fabril.

O prazo de construção é de 3 anos (início em 01-2017 e fim da construção em 12-2019)

O investimento foi de 5.000.000 euros

A empresa contratou um financiamento bancário de 5.000.000 euros, com início em 01-2017


e por um prazo de 15 anos.

Os custos do empréstimo bancário foram de:

2017 2018 2019 2020


Total dos juros dos empréstimos a
150.000 202.000 205.000 208.000
capitalizar

A empresa capitalizou os custos dos empréstimos obtidos nos anos de 2017 a 2019, tendo
reconhecido os custos de empréstimos obtidos de 2020 como gasto do ano.

38
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Assim, a demonstração dos resultados apresenta os seguintes valores, relativamente a este


financiamento:

2017 2018 2019 2020


Juros e gastos similares suportados 0 0 0 208.000

A linha dos juros e gastos suportados de 2020 não é comparável com os anos anteriores,
porque os custos de empréstimos obtidos passaram a ser reconhecidos como gasto do
exercício. Ainda que nos anos anteriores os valores dos custos de empréstimos obtidos
capitalizados estão divulgados na nota dos custos dos empréstimos obtidos. Assim, em 2020,
pode ter interesse divulgar esta cessação de capitalização de juros, para que o leitor das
demonstrações financeiras não seja induzido em erro.

5.2. Pequenas entidades


Existem algumas diferenças entre a NCRF-PE e as o conjunto completo de normas do SNC,
que podem ter impacto fiscal, e que também podem ter impacto na escolha de normativo
a utilizar, porque uma entidade com os limites de pequena entidade (à data do balanço
não ultrapassa 2 dos seguintes limites: 4.000.000 euros de total de balanço, 8.000.000
euros de volume de negócios líquido e 50 trabalhadores em média) pode utilizar a norma
contabilística e de relato financeiro para as pequenas entidades, no entanto pode optar
por utilizar um conjunto completo de 28 normas (28 NCRF). Esta opção, justifica-se muitas
vezes pela obrigação de apresentar contas que apresentem de forma verdadeira e
apropriada a entidade.

Esta preocupação é maior porque existem diferenças entre estes normativos (NCRF-PE e o
SNC), que podem ter impacto das demonstrações financeiras apresentadas, e que
passaremos a identificar:

• As demonstrações financeiras das pequenas entidades são mais simplificadas, sendo


de destacar o facto de que estas utilizam modelos de balanço, demonstração dos
resultados e anexo reduzidos e estão dispensadas de preparar a demonstração dos
fluxos de caixa e a demonstração das alterações do capital próprio;
• As pequenas entidades não podem proceder à revalorização de ativos intangíveis;
• Nas pequenas entidades, o reconhecimento de impostos diferidos apenas é exigido,
para todas as situações, quando estas utilizarem o modelo de revalorização nos
ativos fixos tangíveis;
• As pequenas entidades mensuram algumas participações financeiras pelo modelo de
custo, designadamente os Fundos de Compensação do Trabalho;

39
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

• As pequenas entidades utilizam o método de equivalência patrimonial ma


mensuração das participações financeiras com influência significativa, por opção,
podendo mensurar estas participações financeiras pelo modelo de custo;
• Nas pequenas entidades, as propriedades de investimento, são reconhecidas como
ativos fixos tangíveis.

Assim, apesar de existirem diferenças entre a NCRF-PE e o regime geral do SNC, no que se
reporta aos custos de empréstimos obtidos, não existem diferenças significativas entre os
dois regimes.

Uma pequena entidade deve capitalizar os custos de empréstimos obtidos que sejam
diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica,
como parte do custo desse ativo, quando seja provável que deles resultarão benefícios
económicos futuros para a entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados.

Nas restantes situações, incluindo nos custos de empréstimos associados a ativos que não
se qualificam, as pequenas entidades reconhecem os custos de empréstimos obtidos como
um gasto, no período em que sejam incorridos.

Tal como referimos para as entidades de maior dimensão, como as pequenas entidades são
obrigadas a capitalizar os custos dos empréstimos obtidos, o que implicará um acréscimo
dos custos de aquisição/produção dos ativos que se qualificam.

Este acréscimo pode fazer com que exista necessidade de registar ajustamentos (perdas
por imparidade em inventários) ou uma perda por imparidade.

A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que se
qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser incorridos;


b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e
c) As atividades que sejam necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou
venda estejam em curso.

A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve ser suspensa durante os períodos
extensos em que o desenvolvimento das atividades que sejam necessárias para preparar o
ativo para o seu uso pretendido ou venda estejam em curso, seja interrompido.

A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve cessar quando substancialmente
todas as atividades necessárias para preparar o ativo elegível para o seu uso pretendido ou
para a sua venda estejam concluídas.

40
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Quando a construção de um ativo que se qualifica for concluída por partes e cada parte
estiver em condições de ser usada enquanto a construção continua noutras partes, a
capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar essa parte para o seu pretendido uso ou venda estejam
concluídas.

No que respeita às regras de início, suspensão e cessação da capitalização, as disposições


da NCRF-PE são muito resumidas, pelo que pode existir necessidade de consultar a NCRF
10 para conseguir interpretar devidamente estas regras.

5.3. Microentidades
Existem algumas diferenças entre a NC-ME e um conjunto completo de normas do SNC (28
NCRF), que podem ter impacto fiscal, e que também podem ter impacto na escolha de
normativo a utilizar, porque uma entidade com os limites de microentidade (à data do
balanço não ultrapassa 2 dos seguintes limites: 350.000 euros de total de balanço, 700.000
euros de volume de negócios líquido e 10 trabalhadores em média) deve utilizar a norma
contabilística para microentidades, no entanto pode optar por utilizar a norma
contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades ou pela utilização de um
conjunto completo de 28 normas (28 NCRF). Esta opção, justifica-se muitas vezes pela
obrigação de apresentar contas que apresentem de forma verdadeira e apropriada a
entidade.

Esta preocupação é maior porque existem diferenças entre estes normativos (NC-ME e o
SNC, que passaremos a identificar:

• As demonstrações financeiras das microentidades são mais simplificadas, sendo de


destacar o facto de que estas estão dispensadas, a partir das contas reportadas a
2016, de elaborar o Anexo, e o relatório de gestão, desde que preparem a
informação adicional e complementar com informação sobre as ações/quotas
próprias;
• As microentidades não podem utilizar do justo valor como critério de mensuração
de um ativo;
• As microentidades não podem proceder à revalorização de ativos fixos tangíveis ou
ativos intangíveis;
• As microentidades não podem capitalizar encargos com financiamentos, sendo estes
sempre gastos do exercício, mesmo se relacionados com ativos que se qualificam ;
• Nas microentidades os ativos biológicos consumíveis e os produtos agrícolas são
reconhecidos como inventários e os ativos biológicos de produção são tratados como
ativos fixos tangíveis.
• Nas microentidades não existe nunca o reconhecimento de impostos diferidos;

41
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

• As microentidades mensuram as participações financeiras pelo modelo de custo,


não sendo possível e mensuração destas pelo método de equivalência patrimonial;
• Nas microentidades, as propriedades de investimento, são reconhecidas como ativos
fixos tangíveis.

Uma das diferenças entre os normativos é o tratamento diferente dos custos de


empréstimos obtidos.

Para as microentidades, os custos de empréstimos obtidos devem ser reconhecidos,


sempre, como um gasto no período em que sejam incorridos. Não existe a possibilidade de
capitalização dos custos com empréstimos obtidos.

5.4. Alteração de regime de normalização


Alteração do regime de normalização:

NCRF-PE SNC
SNC NCRF-PE

Como foi referido, não existem diferenças entre a NCRF-PE e o regime geral, por isso uma
entidade que tenha elaborado as suas de acordo com a NCRF-PE e no ano seguinte as
pretenda elaborar (ou seja obrigado a elaborar) de acordo com o regime geral do SNC, não
tem preocupações com o “ajustamento de transição”, relativamente aos custos dos
empréstimos obtidos.

Uma situação diferente é o caso da alteração do regime de normalização:

NC-ME SNC
NC-ME NCRF-PE
SNC NC-ME
NCRF-PE NC-ME

Uma microentidade que tenha ativos que se qualificam em construção, se no ano seguinte
optar por utilizar o SNC regime geral, ou a NCRF-PE, vai passar a ter que capitalizar, a
partir do momento que deixa de utilizar a NC-ME, os custos dos empréstimos como custo
de produção do ativo que se qualifica.

Estas situações implicam “ajustamentos de transição” que devem ser efetuados neste
processo de alteração de utilização de normativo de referência.

42
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Exemplo Prático 7

Entidade utilizou em 2019 a NC-ME


Tem a sua sede e unidade fabril em construção
Para este investimento contratualizou um empréstimo bancário
Em 2020 passa a utilizar a NCRF-PE

A partir de 01-01-2020 passa a capitalizar os custos de empréstimos obtidos associados ao


ativo que se qualifica.

Esta empresa, utilizando a MC-ME, reconheceu os custos com empréstimos obtidos em 2019
como gastos do período.

Assim, no valor final deste ativo, apenas estarão incluídos os custos dos empréstimos
obtidos a partir de 01-01-2020.

Uma pequena entidade que tenha ativos que se qualificam em construção, se no ano
seguinte optar por utilizar o NC-ME, esta entidade, que capitalizava os custos de
empréstimos obtidos, e vai deixar de os capitalizar, a partir do momento que passa a
utilizar a NC-ME.

Exemplo Prático 8

Entidade utilizou em 2019 a NCRF-PE


Tem a sua sede e unidade fabril em construção
Para este investimento contratualizou um empréstimo bancário
Em 2020 passa a utilizar a NC-ME

Até 31-12-2019 esta entidade capitalizava os custos com empréstimos obtidos, e a partir
de 01-01-2020 deixa de o fazer, passando a registar os custos de empréstimos obtidos como
gasto do ano de 2020.

No processo de transição, este ativo transita pela sua quantia escriturada, ou seja, com os
custos de empréstimos obtidos capitalizados até à data da transição para o NC-ME.

Assim, no valor final deste ativo, apenas estarão incluídos os custos dos empréstimos
obtidos até de 31-12-2019.

43
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5.5. Entidades do setor não lucrativo


A NCRF -ESLN é muito similar à NCRF-PE. A NCRF-ESNL aplica-se às entidades do setor não
lucrativo, apesar de que estas entidades podem optar por utilizar o regime geral do SNC,
com 28 normas.

Uma entidade do setor não lucrativo deve capitalizar os custos de empréstimos obtidos que
sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo que se
qualifica, como parte do custo desse ativo, quando seja provável que deles resultarão
benefícios para o desenvolvimento de atividades futuras da entidade e tais custos possam
ser fiavelmente mensurados.

Nos restantes casos a entidade deve reconhecer os custos de empréstimos obtidos como
gasto do período que ocorrem.

Nos casos destes ativos que se qualificam, pode existir a necessidade de verificar se a
quantia escriturada ou o custo final esperado do ativo que se qualifica excede a sua quantia
recuperável ou o seu valor realizável líquido. Sempre que a quantia escriturada for superior
quantia recuperável ou o seu valor realizável líquido, deve ser reconhecida uma perda por
imparidade, ou um ajustamento (perda por imparidade em inventários).

A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que se
qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser incorridos;


b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e
c) As atividades que sejam necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou
venda estejam em curso.

A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve ser suspensa durante os períodos
extensos em que o desenvolvimento das atividades que sejam necessárias para preparar o
ativo para o seu uso pretendido ou venda estejam em curso seja interrompido.

A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve cessar quando substancialmente
todas as atividades necessárias para preparar o ativo elegível para o seu uso pretendido ou
para a sua venda estejam concluídas.

5.6. Entidades que aplicam o SNC-AP


Para as entidades que aplicam o SNC-AP, a norma NCP7 — Custos de Empréstimos Obtidos
prescreve o tratamento contabilístico dos custos de empréstimos obtidos.

44
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Esta norma exige que tais custos sejam considerados como gastos do período. Porém, a
Norma permite, como tratamento alternativo, a capitalização de custos de empréstimos
obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo
que se qualifica.

Ou seja, o regime regra é o de reconhecimento dos custos de empréstimos obtidos como


gasto do ano em que são incorridos, ainda que esteja previsto um regime alternativo que
prevê a capitalização destes custos, com restrições quanto ao financiamento e ao ativo.

A NCP 7 refere que os custos de empréstimos obtidos devem ser reconhecidos como um gasto
no período em que são suportados independentemente de como esses empréstimos são
aplicados.

No entanto, no caso dos custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à
aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica devem ser capitalizados
como parte do custo desse ativo.

Por outro lado, estes custos devem ser capitalizados como parte do custo do ativo quando
for provável que deles resultem benefícios económicos futuros ou potencial de serviço para
a entidade e os custos possam ser mensurados com fiabilidade.

O tratamento contabilístico dos custos de empréstimos obtidos previsto para as entidades


que aplicam o SNC-AP é diferente do previsto no SNC, sendo ainda de opção.

No caso de opção pela capitalização dos custos de empréstimos obtidos, esse tratamento
deve ser aplicado de forma consistente a todos os custos de empréstimos obtidos que sejam
diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de todos os ativos que se
qualifica da entidade.

Nestas entidades que aplicam o SNC – AP, a quantia escriturada ou o custo final esperado do
ativo que se qualifica exceder a sua quantia recuperável ou valor realizável líquido. Nestes
casos, a quantia escriturada deve ser reduzida ou anulada de acordo com os requisitos da
NCP 9 — Imparidade de Ativos.

Se o ativo que se qualifica for um inventário, e a quantia escriturada ou o custo final


esperado do ativo que se qualifica exceder o valor realizável líquido, deve ser registado uma
perda por imparidade em inventários, conforme previsto na NCP 10.

Início da capitalização
A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que se
qualifica deve começar quando:

45
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

(a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser efetuados;


(b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser suportados; e
(c) As atividades necessárias com vista a preparar o ativo para o uso pretendido ou venda
estejam em curso.

A NCP 7 esclarece que as atividades necessárias para preparar o ativo para o seu uso
pretendido ou venda envolvem mais do que a sua construção física, incluindo o trabalho
técnico e administrativo anterior ao começo da construção física, tal como as atividades
associadas à obtenção de licenças.

Suspensão da capitalização
A capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve ser suspensa quando o
desenvolvimento do ativo estiver interrompido por períodos extensos, devendo durante esses
períodos ser registados como gastos.

Sempre as entidades suportem custos de empréstimos obtidos durante um período alargado


no qual as atividades necessárias para preparar um ativo para o seu uso pretendido ou venda
são interrompidas, estes devem ser reconhecidos como gastos do exercício.

No entanto, a capitalização de custos de empréstimos obtidos normalmente não é suspensa


durante um período em que está a ser executado trabalho técnico e administrativo
significativo.

Existindo paragens no processo produtivo do ativo que se qualifica, que estão previstas, por
serem normais, certas e expectáveis, a capitalização de custos de empréstimos não é
suspensa.

Cessação da capitalização
A capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar o ativo que se qualifica para o seu uso pretendido ou venda estão
substancialmente concluídas.

Em geral um ativo está pronto para o seu uso pretendido ou venda quando a respetiva
construção física estiver concluída, mesmo se algum trabalho administrativo de rotina
continuar.

Em resumo, o manual de implementação do SNC-AP tem o seguinte esquema, que parece


muito esclarecedor:

46
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Se a construção de um ativo que se qualifica for concluída por fases e cada dessas fases
estiver em condições de ser usada enquanto as restantes estão a ser construídas, a
capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar essa parte para o seu uso pretendido ou venda estiverem
substancialmente concluídas. Assim, se cada uma das fases for independente das restantes,
a capitalização dos custos dos empréstimos deve cessar na data em que cada fase fica
concluída.

Como exemplos a NCP 7 refere os seguintes:

• Um parque empresarial compreendendo vários edifícios em que cada um deles pode


ser usado isoladamente. – A capitalização deve cessar relativamente à conclusão de
cada fase do parque empresarial.
• Um bloco operatório num hospital quando toda a construção tem de ser concluída
para o bloco poder ser usado – A capitalização deve cessar no fim da construção deste
ativo como um todo.
• Uma instalação de tratamento de efluentes onde vários processos são usados em
sequência em diferentes partes da instalação– A capitalização deve cessar no fim da
construção deste ativo como um todo.
• Uma ponte que faça parte de uma autoestrada– A capitalização deve cessar no fim
da construção deste ativo como um todo.

5.7. Pequenas entidades que aplicam o SNC-AP


A NCP-PE prevê um tratamento para os custos de empréstimos obtidos muito idêntico ao
referido anteriormente.

47
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

6. Interação com outras normas


Como já foi referido a NCRF 10 a NCRF-PE, a NCRF-ESNL exigem que os custos dos
empréstimos obtidos sejam capitalizados como parte do custo de produção dos ativos que
se qualificam. No que respeita ao SNC-AP, as normas NCP 7 e a NCP-PE permitem a
capitalização.

Assim, resta saber o que dizem as restantes normas sobre os custos de aquisição/produção
de ativos.

6.1. Ativos fixos tangíveis


A NCRF 7 prescreve o tratamento contabilístico para ativos fixos tangíveis, sendo que estas
ativos são itens tangíveis:

a) Sejam detidos para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, para


arrendamento a outros, ou para fins administrativos; e
b) Se espera que sejam usados durante mais do que um período

O reconhecimento de um ativo fixo tangível apenas deve ocorrer se:

a) For provável que futuros benefícios económicos associados ao item fluam para a
entidade; e
b) O custo do item puder ser mensurado fiavelmente.

Os ativos fixos tangíveis são mensurados:

• Inicialmente pelo custo


• Subsequentemente pelo custo ou pelo modelo de revalorização.

O custo de um item do ativo fixo tangível compreende:

a) O seu preço de compra, incluindo os direitos de importação e os impostos de compra


não reembolsáveis, após dedução dos descontos e abatimentos;
b) Quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo na localização e condição
necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida; e
c) A estimativa inicial dos custos de desmantelamento e remoção do item e de restauro do
local no qual este está localizado, em cuja obrigação uma entidade incorre quando o item
é adquirido ou como consequência de ter usado o item durante um determinado período
para finalidades diferentes da produção de inventários durante esse período.

48
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os custos diretamente atribuíveis são:

a) Custos de benefícios dos empregados (ver subsidiariamente a NCRF 28 — Benefícios dos


Empregados) decorrentes diretamente da construção ou aquisição de um item do ativo fixo
tangível;
b) Custos de preparação do local;
c) Custos iniciais de entrega e de manuseamento;
d) Custos de instalação e montagem;
e) Custos de testar se o ativo funciona corretamente, após dedução dos proventos líquidos
da venda de qualquer item produzido enquanto se coloca o ativo nessa localização e
condição (tais como amostras produzidas quando se testa o equipamento); e
f) Honorários.

Há custos que nunca podem ser custos de um item do ativo fixo tangível, que são:

a) Custos de abertura de novas instalações;


b) Custos de introdução de um novo produto ou serviço (incluindo custos de publicidade ou
atividades promocionais);
c) Custos de condução do negócio numa nova localização ou com uma nova classe de
clientes (incluindo custos de formação de pessoal); e
d) Custos de administração e outros custos gerais.

Os ativos que se qualificam são ativos contruídos pela própria entidade.

O custo de um ativo construído pela própria entidade determina-se usando os mesmos


princípios quanto a um ativo adquirido, referidos anteriormente.

A NCRF 7 remete para a NCRF 10 — Custos de Empréstimos Obtidos, que estabelece critérios
para o reconhecimento do juro como componente da quantia escriturada de um item do
ativo fixo tangível construído pela própria entidade.

O custo de um item do ativo fixo tangível é equivalente ao preço em dinheiro à data do


reconhecimento.

Se o pagamento for diferido para além das condições normais de crédito, a diferença entre
o equivalente ao preço em dinheiro e o pagamento total é reconhecida como juro durante
o período de crédito a não ser que esse juro seja reconhecido na quantia escriturada do
item de acordo com o tratamento previsto na NCRF 10.

49
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

6.2. Ativos intangíveis


A NCRF 6 tem como objetivo desta Norma Contabilística e de Relato Financeiro é o de
prescrever o tratamento contabilístico de ativos intangíveis.

Se um ativo é um recurso controlado por uma entidade como resultado de acontecimentos


passados e do qual se espera que fluam benefícios económicos futuros para a entidade,
também um ativo intangível é um ativo não monetário identificável sem substância física.

Um ativo intangível, para ser reconhecido deve:

• Ser identificável;
• Ser controlado pela entidade;
• Gerar benefícios económicos futuros que fluam para a entidade

Os ativos intangíveis são mensurados:

• Inicialmente pelo seu custo


• Subsequentemente pelo custo, ou pelo modelo de revalorização se se tratarem de
ativos com

O custo de um ativo intangível adquirido separadamente compreende:

a) O seu preço de compra, incluindo os direitos de importação e os impostos sobre as


compras não reembolsáveis, após dedução dos descontos comerciais e abatimentos; e
b) Qualquer custo diretamente atribuível de preparação do ativo para o seu uso pretendido.

Os custos diretamente atribuíveis são:

a) Custos de benefícios dos empregados diretamente resultantes de levar o ativo à sua


condição de funcionamento;
b) Honorários resultantes diretamente de levar o ativo até à sua condição de
funcionamento; e
c) Custos de testes para concluir se o ativo funciona corretamente.

A NCRF 6 exemplifica dispêndios que não fazem parte do custo de um ativo intangível e
que são:

a) Custos de introdução de um novo produto ou serviço (incluindo custos de publicidade ou


atividades promocionais);
b) Custos de condução do negócio numa nova localização ou com uma nova classe de
clientes (incluindo custos de formação de pessoal); e

50
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Perdas operacionais incorridas antes de a propriedade de investimento ter atingido o


nível de ocupação previsto; ou
c) Quantidades anormais de material, mão -de -obra ou outros recursos consumidos
incorridos na construção ou desenvolvimento da propriedade.

6.4. Inventários
O objetivo da NCRF 18 é o de prescrever o tratamento para os inventários. Um aspeto
primordial na contabilização dos inventários é a quantia do custo a ser reconhecida como
um ativo e a ser escriturada até que os réditos relacionados sejam reconhecidos.

Os inventários são ativos:

a) Detidos para venda no decurso ordinário da atividade empresarial;


b) No processo de produção para tal venda; ou
c) Na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de produção ou na
prestação de serviços.

Os inventários devem ser mensurados pelo custo ou valor realizável líquido, dos dois o mais
baixo.

O custo dos inventários deve incluir:

a) todos os custos de compra;


b) custos de conversão; e
c) outros custos incorridos para colocar os inventários no seu local e na sua condição atuais.

Os custos de compra de inventários incluem:

a) o preço de compra;
b) direitos de importação e outros impostos (que não sejam os subsequentemente
recuperáveis das entidades fiscais pela entidade); e
c) custos de transporte, manuseamento; e
d) outros custos diretamente atribuíveis à aquisição de bens, de materiais e de serviços.

Os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na


determinação dos custos de compra.

Os custos de conversão de inventários incluem:

a) os custos diretamente relacionados com as unidades de produção, tais como mão-de -


obra direta;

51
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Perdas operacionais incorridas antes de a propriedade de investimento ter atingido o


nível de ocupação previsto; ou
c) Quantidades anormais de material, mão -de -obra ou outros recursos consumidos
incorridos na construção ou desenvolvimento da propriedade.

6.4. Inventários
O objetivo da NCRF 18 é o de prescrever o tratamento para os inventários. Um aspeto
primordial na contabilização dos inventários é a quantia do custo a ser reconhecida como
um ativo e a ser escriturada até que os réditos relacionados sejam reconhecidos.

Os inventários são ativos:

a) Detidos para venda no decurso ordinário da atividade empresarial;


b) No processo de produção para tal venda; ou
c) Na forma de materiais ou consumíveis a serem aplicados no processo de produção ou na
prestação de serviços.

Os inventários devem ser mensurados pelo custo ou valor realizável líquido, dos dois o mais
baixo.

O custo dos inventários deve incluir:

a) todos os custos de compra;


b) custos de conversão; e
c) outros custos incorridos para colocar os inventários no seu local e na sua condição atuais.

Os custos de compra de inventários incluem:

a) o preço de compra;
b) direitos de importação e outros impostos (que não sejam os subsequentemente
recuperáveis das entidades fiscais pela entidade); e
c) custos de transporte, manuseamento; e
d) outros custos diretamente atribuíveis à aquisição de bens, de materiais e de serviços.

Os descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na


determinação dos custos de compra.

Os custos de conversão de inventários incluem:

a) os custos diretamente relacionados com as unidades de produção, tais como mão-de -


obra direta;

52
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) os gastos gerais de produção fixos e variáveis que sejam incorridos ao converter matérias
em produtos acabados.

Os gastos gerais de produção fixos são os custos indiretos de produção que permaneçam
relativamente constantes independentemente do volume de produção, tais como a
depreciação e manutenção de edifícios e de equipamento fabris e os custos de gestão e
administração da fábrica. Os gastos gerais de produção variáveis são os custos indiretos de
produção que variam diretamente, ou quase diretamente, com o volume de produção tais
como materiais indiretos.

Nos custos dos inventários, outros custos são incluídos até ao ponto em que sejam incorridos
para os colocar no seu local e condição atuais.

Há custos excluídos do custo dos inventários e que devem ser reconhecidos como gastos do
período em que sejam incorridos, que são:

a) Quantias anormais de materiais desperdiçados, de mão -de -obra ou de outros custos de


produção;
b) Custos de armazenamento, a menos que esses custos sejam necessários ao processo de
produção antes de uma nova fase de produção;
c) Gastos gerais administrativos que não contribuam para colocar os inventários no seu
local e na sua condição atuais; e
d) Custos de vender.

A NCRF 18 refere que em circunstâncias limitadas, os custos de empréstimos obtidos são


incluídos no custo dos inventários. Estas circunstâncias estão identificadas na NCRF 10 —
Custos de Empréstimos Obtidos, e estão relacionadas com a exigência de capitalização dos
custos de empréstimos obtidos em ativos que se qualificam.

6.5. Contratos de construção


A NCRF 19 pretende rever o tratamento contabilístico de réditos e custos associados a
contratos de construção.

Um contrato de construção é um contrato especificamente negociado para a construção de


um ativo ou de uma combinação de ativos que estejam intimamente inter-relacionados ou
interdependentes em termos da sua conceção, tecnologia e função ou do seu propósito ou
uso final.

53
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os contratos de construção podem ser:

• Contrato de “cost plus”


• Contrato de preço fixado

O contrato de “cost plus” é um contrato de construção em que a entidade contratada é


reembolsada por custos permitidos ou de outra forma definidos mais uma percentagem
destes custos ou uma remuneração fixada.

O contrato de preço fixado é um contrato de construção em que a entidade contratada


concorda com um preço fixado ou com uma taxa fixada por unidade de output que, nalguns
casos, está sujeito a cláusulas de custos escalonados.

o rédito do contrato e os custos do contrato associados ao contrato de construção devem


ser reconhecidos como rédito e gastos respetivamente com referência à fase de
acabamento da atividade do contrato à data do balanço.

Os custos do contrato de construção devem compreender:

a) Os custos que se relacionem diretamente com o contrato específico;


b) Os custos que sejam atribuíveis à atividade do contrato em geral e possam ser imputados
ao contrato; e
c) Outros custos que sejam especificamente debitáveis ao cliente nos termos do contrato.

Os custos que diretamente se relacionem com um contrato específico incluem:

a) Custos de mão -de -obra, incluindo supervisão;


b) Custos de materiais usados na construção;
c) Depreciação de ativos fixos tangíveis utilizados no na construção;
d) Custos de movimentar os ativos fixos tangíveis e os materiais para e do local da
construção;
e) Custos de alugar instalações e equipamentos;
f) Custos de conceção e de assistência técnica que estejam diretamente relacionados com
o contrato;
g) Custos estimados de retificar e garantir os trabalhos, incluindo os custos esperados de
garantia; e
h) Reivindicações de terceiros.

Estes custos devem ser reduzidos por qualquer rendimento inerente que não esteja incluído
no rédito do contrato como, por exemplo, o rendimento proveniente da venda de materiais
excedentários e da alienação de instalações e equipamentos no fim do contrato.

54
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Nos custos que podem ser atribuíveis à atividade do contrato em geral e que podem ser
imputados a contratos específicos, incluem-se:

a) Seguros;
b) Os custos de conceção e assistência técnica que não estejam diretamente relacionados
com um contrato específico; e
c) Gastos gerais de construção.

Os gastos gerais de construção incluem custos tais como a preparação e processamento de


salários do pessoal de construção.

Os custos que possam ser atribuíveis à atividade do contrato em geral e possam ser
imputados a contratos específicos também incluem os custos de empréstimos obtidos nos
termos previstos na NCRF 10 — Custos de Empréstimos Obtidos.

Há custos que nunca são atribuídos à atividade do contrato ou que não lhe possam ser
imputados são excluídos dos custos de um contrato de construção. Tais custos incluem:

a) Custos administrativos gerais cujo reembolso não esteja especificado no contrato;


b) Custos de alienação;
c) Custos de pesquisa e desenvolvimento cujo reembolso não esteja especificado no
contrato; e
d) Depreciação de ativos fixos tangíveis ociosos que não sejam usados num contrato
particular.

6.6. Ativos biológicos


A NCRF 17 prescreve o tratamento contabilístico e a apresentação de demonstrações
financeiras relativas à atividade agrícola.

Um ativo biológico é um animal ou planta vivos.

Uma entidade deve reconhecer um ativo biológico ou produto agrícola quando, e quando:

a) A entidade controle o ativo como consequência de acontecimentos passados;


b) Seja provável que benefícios económicos associados ao ativo fluirão para a entidade; e
c) O justo valor ou custo do ativo possa ser fiavelmente mensurado.

Um ativo biológico deve ser mensurado, no reconhecimento inicial e em cada data de


balanço, pelo seu justo valor menos os custos de alienação.

A capitalização de custos de empréstimos obtidos aplica-se aos ativos biológicos que estão
mensurados pelo modelo de custo, ainda que este processo de mensuração seja excecional
e aplicável quendo não é possível mensurar fiavelmente o justo valor dos ativos.

55
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

7. Apresentação e divulgação
Como já referimos a NCRF 10 e o referido na NCRF-PE e na NC-ME tem aplicação na
mensuração de diversos ativos, designadamente inventários, ativos fixos tangíveis, ativos
intangíveis, propriedades de investimento e ativos biológicos. Assim, no ativo existem muitas
linhas que na sua mensuração tiveram em consideração o referido nas disposições sobre
custos de empréstimos obtidos.

No entanto, no passivo salientam-se as linhas de apresentação dos financiamentos, cujo


tratamento está previsto na NCRF 27 – Instrumentos financeiros, mas que são muito utilizadas
para testes os custos dos empréstimos obtidos, bem como quais são os que estão afetos a
ativos que se qualificam.

Nunca será demais referir que, e tendo em consideração a NCRF 1 – Estrutura e Conteúdo
das Demonstrações Financeiras, os modelos que constam da portaria 220/2015, 24 de julho,
incluem a informação mínima a apresentar.

Assim, linhas de itens adicionais, títulos e subtotais podem ser apresentados na face do
balanço quando tal apresentação for relevante para uma melhor compreensão da posição
financeira da entidade.

Por outro lado, uma entidade deve divulgar, ou na face do balanço ou no anexo, outras
subclassificações das linhas de itens apresentadas, classificadas de uma forma apropriada
para as operações da entidade.

Todas as linhas sem qualquer valor no ano ou no ano anterior devem ser eliminadas.

No entanto, no preenchimento da IES, e como estamos perante modelos harmonizados e de


apresentação rígida, a desagregação de informação e a eliminação de linhas previstas na
NCRF 1 e nas bases de apresentação para as demonstrações financeiras, não serão aplicadas.

Já na Demonstração dos Resultados, os gastos de financiamento líquido terão a seguinte


apresentação

56
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Entidade: ……………………………………………………………..
DEMONSTRAÇÃO (INDIVIDUAL OU CONSOLIDADA) DOS RESULTADOS POR NATUREZAS
unidade
PERÍODO FINDO EM XX DE YYYYYYY DE 200N monetária

DATAS
RENDIMENTOS E GASTOS NOTAS
31 XXX N 31 XXX N-1

….
Resultado antes de depreciações, gastos de
financiamento e impostos

…….

Resultado operacional antes de gastos de


financiamento e impostos

Juros e rendimentos similares obtidos


Juros e gastos similares suportados

Resultado antes de impostos

…….

Do mesmo modo, que é referido para o balanço, a NCRF 1, refere que os modelos que constam
da portaria 220/2015, de 24 de julho, incluem a informação mínima a apresentar. Desta forma,
linhas de itens adicionais, títulos e subtotais podem ser apresentados na face da demonstração
dos resultados, quando tal apresentação for relevante para uma melhor compreensão do
desempenho financeiro da entidade.

Todas as linhas sem qualquer valor no ano ou no ano anterior devem ser eliminadas.

De referir que as normas atualmente em vigor, não incluem qualquer capítulo com as
divulgações a efetuar no anexo, sendo que estas passaram a constar unicamente no modelo de
anexo às contas, exceto para as microentidades, que estão dispensadas de elaborar o anexo.

Quanto às divulgações a efetuar, estas são muitos simples e reduzidas.

57
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Assim, as entidades que aplicam o regime geral do SNC devem proceder à seguintes divulgações
no anexo:

• Quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o período, total e


discriminada por naturezas de ativos que se qualificam.

Nesta divulgação basta fazer um quadro que pode ter a seguinte estrutura:

Ativo Custos de empréstimos


capitalizados
Inventários
Ativos fixos tangíveis
Ativos intangíveis
Propriedades de investimento
Ativos biológicos
Total

Se a empresa o entender, pode ser feita uma descriminação ainda maior dos custos de
empréstimos por cada ativo.

A nível de referência cruzada o número desta nota deve ser apresentado, no balanço,
na coluna de notas de todos os ativos aqui referidos.

• Taxa de capitalização usada para determinar a quantia do custo dos empréstimos


obtidos elegíveis para capitalização.

Neste caso basta divulgar a taxa de capitalização, não existindo necessidade de


apresentar os dados que deram origem a esta taxa.

• A estas divulgações, exigidas na nota 12 do anexo publicado na portaria 220/2015, de


24 de julho (anexo 6), será de acrescer as divulgações exigidas na nota 4 daquele
documento, onde serão divulgadas as principais políticas contabilísticas,
designadamente as bases de mensuração usadas na preparação das demonstrações
financeiras.

Quanto aos custos dos empréstimos, nesta divulgação devem ser referidos os critérios
de capitalização, ou seja, se os custos dos empréstimos foram capitalizados ou
reconhecidos como custo do ano.

Podem existir entidades que pretendam desenvolver as divulgações das suas políticas
contabilísticas na nota respetiva a cada área.

58
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

As entidades que aplicam a NCRF-PE devem proceder à seguintes divulgações no anexo:

• Quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o período, total e


discriminada por naturezas de ativos que se qualificam.

Nesta divulgação basta fazer um quadro que pode ter a seguinte estrutura:

Ativo Custos de empréstimos


capitalizados
Inventários
Ativos fixos tangíveis
Ativos intangíveis
Propriedades de investimento
Ativos biológicos
Total

Se a empresa o entender, pode ser feita uma descriminação ainda maior dos custos de
empréstimos por cada ativo.

A nível de referência cruzada o número desta nota deve ser apresentado, no balanço,
na coluna de notas de todos os ativos aqui referidos.

• A estas divulgações, exigidas na nota 6 do anexo publicado na portaria 220/2015, de 24


de julho (anexo 10), será de acrescer as divulgações exigidas na nota 3 daquele
documento, onde serão divulgadas as principais políticas contabilísticas,
designadamente as bases de mensuração usadas na preparação das demonstrações
financeiras.

Quanto aos custos dos empréstimos, nesta divulgação devem ser referidos os critérios
de capitalização, ou seja, se os custos dos empréstimos foram capitalizados ou
reconhecidos como custo do ano.

Podem existir entidades que pretendam desenvolver as divulgações das suas políticas
contabilísticas na nota respetiva a cada área.

As microentidades, como já foi referido, estão dispensadas de elaborar o anexo, desde que
preparem a informação adicional/complementar, e desde que nesta informação também façam
referência às quotas/ações próprias, estando também dispensadas de elaborar o relatório de
gestão.

59
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No entanto, uma microentidade pode pretender preparar o anexo, sendo que neste caso deverá
utilizar a minuta do anexo para as pequenas entidades, por serem as que por dimensão lhe
estão mais próximas. Neste caso a microentidade também deverá preparar o relatório de
gestão.

As entidades do setor não lucrativo, que aplicam o regime geral para estas entidades previsto
na NCRF-ESNL devem proceder à seguintes divulgações no anexo:

• Quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o período, total e


discriminada por naturezas de ativos que se qualificam.

Nesta divulgação basta fazer um quadro que pode ter a seguinte estrutura:

Ativo Custos de empréstimos


capitalizados
Inventários
Ativos fixos tangíveis
Ativos intangíveis
Propriedades de investimento
Ativos biológicos
Total

Se a empresa o entender, pode ser feita uma descriminação ainda maior dos custos de
empréstimos por cada ativo.

• A estas divulgações, exigidas na nota 6 do anexo publicado na portaria 220/2015, de 24


de julho (anexo 16), será de acrescer as divulgações exigidas na nota 3 daquele
documento, onde serão divulgadas as principais políticas contabilísticas,
designadamente as bases de mensuração usadas na preparação das demonstrações
financeiras.

Quanto aos custos dos empréstimos, nesta divulgação devem ser referidos os critérios
de capitalização, ou seja, se os custos dos empréstimos foram capitalizados ou
reconhecidos como custo do ano.

A nível de referência cruzada o número desta nota deve ser apresentado, no balanço,
na coluna de notas de todos os ativos aqui referidos

Assim, as entidades que aplicam o regime geral do SNC-AP devem proceder à seguintes
divulgações no anexo:

60
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

• A política contabilística adotada para os custos de empréstimos obtidos.


Conforme já foi referido, as entidades que aplicam o SNC procedem a estas divulgações
numa das primeiras notas do anexo.

• Quantia de custos de empréstimos obtidos capitalizada durante o período.

Nestas divulgações não é necessária a divulgação por tipo de ativo, no entanto a


entidade pode considerar que esta informação é pertinente e como tal divulgar a
informação no quadro apresentado acima.

• Taxa de capitalização usada para determinar a quantia do custo dos empréstimos


obtidos elegíveis para capitalização (quando for necessário aplicar uma taxa média de
capitalização a empréstimos obtidos para fins gerais).

Neste caso basta divulgar a taxa de capitalização, não existindo necessidade de


apresentar os dados que deram origem a esta taxa.

No entanto o manual de implementação do SNC-AP sugere que as entidades públicas


preparem o seguinte quadro:

Este quadro deve apresentar informação separada para os empréstimos de curto e de


médio e longo prazo.

De forma complementar a informação incluída no quadro, o manual de implementação


do SNC-AP refere que deve ser prestada a seguinte informação:

• Se os empréstimos foram de médio e longo prazo, as datas ou intervalos de datas em


que se vencem os empréstimos, indicando por exemplo os empréstimos que se vencem
a mais de 5 anos.

• Se algum dos empréstimos tiver sido utilizado para financiar a aquisição, construção ou
produção de um ativo nos termos previstos da NCP 7 – custo de empréstimos obtidos, a
quantia de juros suportados que foram capitalizados, isto é, acrescidos ao custo do
ativo, bem como a taxa de capitalização utilizada.

• A quantia de juros de mora que tenham sido debitadas incluídos na coluna de juros, se
relevante.

61
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

8. Implicações das medidas de proteção dos créditos das empresas


Como é do conhecimento, a Organização Mundial de Saúde qualificou, no passado dia 11 de
março de 2020, a emergência de saúde pública ocasionada pela doença COVID -19 como uma
pandemia internacional. Em Portugal foi declarado o estado de emergência, em 18 de março
de 2020, que se manteve até 02 de maio de 2020, tendo passado depois a estado de
calamidade.

Durante o período do estado de emergência, foram definidas medidas excecionais e


extraordinárias, que implicaram o encerramento de algumas atividades, ou por exigência
legal, ou por falta de mercado. Outras atividades ficaram reduzidas a níveis muito inferiores
aos verificados até 18 de março de 2020.

Claro que estas medidas tiveram um impacto nefasto na economia, pelo que surgiu a
necessidade de implementar diversas medidas de apoio à economia. De entre estas medidas
verificou-se a necessidade de criar medidas tendo em vista a proteção das empresas
nacionais para assegurar o reforço da sua tesouraria e liquidez, atenuando os efeitos da
redução da atividade económica.

Neste sentido foram aprovadas as seguintes medidas de apoio à atividade económica,


designadamente para promover o reforço de tesouraria:

• Criação de linhas de crédito específicas


Foram criadas linhas de crédito para apoiar as s empresas dos setores mais afetados
pelas medidas adotadas para conter o surto do COVID-19. Estas linhas são para apoio
de tesouraria, com um prazo até 6 anos.
• Proibição da revogação das linhas de crédito contratadas
Esta medida pretende a proibição de revogação, total ou parcial, de linhas de crédito
contratadas e empréstimos concedidos, nos montantes contratados à data 27 de
março de 2020 e a té setembro de 2020
• Prorrogação dos créditos até setembro de 2020
Prorrogação, até 30 de setembro de 2020, de todos os créditos com pagamento de
capital no final do contrato, vigentes em 27 de março de 2020, juntamente, nos
mesmos termos, com todos os seus elementos associados, incluindo juros, garantias,
designadamente prestadas através de seguro ou em títulos de crédito
• Suspensão dos pagamentos dos créditos até setembro de 2020
Suspensão, relativamente a créditos com reembolso parcelar de capital ou com
vencimento parcelar de outras prestações pecuniárias, durante o período em que
vigorar a presente medida, do pagamento do capital, das rendas e dos juros com
vencimento previsto até ao término desse período, sendo o plano contratual de
pagamento das parcelas de capital, rendas, juros, comissões e outros encargos
estendido automaticamente por um período idêntico ao da suspensão, de forma a

62
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

garantir que não haja outros encargos para além dos que possam decorrer da
variabilidade da taxa de juro de referência subjacente ao contrato, sendo igualmente
prolongados todos os elementos associados aos contratos abrangidos pela medida,
incluindo garantias

Estas medidas aplicam-se às empresas que:


a) Tenham sede e exerçam a sua atividade económica em Portugal;
b) Sejam classificadas como microempresas, pequenas ou médias empresas de acordo com
a Recomendação 2003/361/CE da Comissão Europeia, de 6 de maio de 2003;
c) Não estejam, a 18 de março de 2020, em mora ou incumprimento de prestações
pecuniárias há mais de 90 dias junto das instituições, ou estando não cumpram o critério de
materialidade previsto no Aviso do Banco de Portugal n.º 2/2019 e no Regulamento (UE)
2018/1845 do Banco Central Europeu, de 21 de novembro de 2018, e não se encontrem em
situação de insolvência, ou suspensão ou cessão de pagamentos, ou naquela data estejam já
em execução por qualquer uma das instituições;
d) Tenham a situação regularizada junto da Autoridade Tributária e Aduaneira e da
Segurança Social, na aceção, respetivamente, do Código de Procedimento e de Processo
Tributário e do Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança
Social, não relevando até ao dia 30 de abril de 2020, para este efeito, as dívidas constituídas
no mês de março de 2020.

Estas medidas aplicam -se a:


• operações de crédito concedidas por instituições de crédito,
• operações de crédito concedidas por sociedades financeiras de crédito,
• operações de crédito concedidas por sociedades de investimento,
• operações de crédito concedidas por sociedades de locação financeira,
• operações de crédito concedidas por sociedades de factoring
• operações de crédito concedidas por sociedades de garantia mútua,
• operações de crédito concedidas por sucursais de instituições de crédito e de
instituições financeiras a operar em Portugal.

Contratação de linhas de crédito


Estes empréstimos são empréstimos de apoio à tesouraria, e como tal, os gastos de
financiamento, juros, custos de garantia e outras despesas decorrentes destes empréstimos
devem ser reconhecidas nos gastos do ano em que incorrem.

Quanto às divulgações, pelo facto de estes empréstimos terem garantia do Estado, as


empresas que os cotratam estão a obter um apoio do estado, que no âmbito da NCRF 22
devem ser divulgados no anexo.

63
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Proibição da revogação das linhas de crédito contratadas


Esta medida pretende uma continuidade dos créditos contratados à data de 27 de março de
2020, que eventualmente terminassem até 30 de setembro de 2020.
Assim, qualquer crédito que esteja em curso não pode ser revogado pela instituição
financeira.
Estando perante uma medida de continuidade de créditos que já existiam, e que têm que
ser mantidos, o registo dos gastos de financiamento deverá ser o que estava a ser
considerado até esta data.

Prorrogação dos créditos até setembro de 2020


Esta medida pretende uma continuidade dos créditos contratados à data de 27 de março de
2020, que eventualmente terminassem até 30 de setembro de 2020.
Sendo uma medida de continuidade de créditos que já existiam, o registo dos gastos de
financiamento deverá ser o que estava a ser considerado até esta data.
Se o crédito estava associado a um ativo que se qualifique, o fim deste crédito pode ser
prorrogado e se o ativo se mantiver em construção, os juros podem continuar a ser
capitalizados.

Suspensão dos pagamentos dos créditos até setembro de 2020


A suspensão das prestações pode incluir o pagamento do capital, das rendas e dos juros com
vencimento previsto até ao término desse período, sendo o plano contratual de pagamento
das parcelas de capital, rendas, juros, comissões e outros encargos estendido
automaticamente por um período idêntico ao da suspensão.

Assim, no caso de a empresa optar pela suspensão unicamente da parte do capital, a


instituição financeira continuará a debitar e a receber os juros. Assim, estes devem continuar
a ser registados da mesma forma que acontecia antes da pandemia e da suspensão. Ou seja,
se o financiamento se reportava a um ativo que se qualifica, este juro deve ser capitalizado.
Se o financiamento era de tesouraria, ou estava a associado a ativos que não se qualificam,
então os juros devem ser reconhecidos como gasto do período.

No caso de a empresa optar pela suspensão da prestação capital e juros, então deverão
existir alguns cuidados no registo do custo dos empréstimos obtidos.
Efetivamente durante o período de 27 de março a 30 de setembro, este empréstimo não
implicará o pagamento de juros, no entanto estes continuam a ser incorridos, e ainda que a
empresa não os pague, os juros devem ser estimados e registados nos gastos do exercício se
estiverem relacionados com financiamentos de tesouraria, ou financiamentos relacionados
com ativos que não de qualificam. Se os financiamentos estiverem associados a ativos que
se qualificam, os gastos destes empréstimos apenas deverão ser registados como fazendo
parte do custo de produção do ativo (ou sejam, capitalizados) depois de serem pagos.

64
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

9. Tratamento fiscal
A ideia de que a fiscalidade poderia interferir na estrutura de capital das empresas, no
sentido de reduzir o nível de endividamento passou a ser uma realidade. O normal é que as
empresas necessitem de financiamento, próprio ou alheio, para fazer face aos seus
compromissos.

Os gastos de financiamento, que de acordo com a alínea c) do n.º 2 do art.º 23º do CIRC, são
gastos os de natureza financeira, tais como juros de capitais alheios aplicados na exploração,
descontos, ágios, transferências, diferenças de câmbio, gastos com operações de crédito,
cobrança de dívidas e emissão de obrigações e outros títulos, prémios de reembolso e os
resultantes da aplicação do método do juro efetivo aos instrumentos financeiros valorizados
pelo custo amortizado, são gastos fiscalmente aceites.

Até ao ano de 2013, existiam regras de subcapitalização, que foram eliminadas da legislação
fiscal, passando a ser aplicáveis por todas os sujeitos passivos de IRC, com exceção das
entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal e da Autoridade de Supervisão de
Seguros e Fundos de Pensões5. A tributação existente à data permitia que as empresas
utilizassem o financiamento, não só como um apoio para lhes possibilitar a assunção de
compromissos, mas também como uma vantagem fiscal, designadamente dando mais
importância ao financiamento por recurso a capital alheio em detrimento do financiamento
por recurso a capital próprio. Esta situação era como uma vantagem fiscal para algumas
empresas, situação que passou a ser alterada em 2013, com a introdução no CIRC da
limitação à dedutibilidade dos gastos financeiros.

Assim, a partir de 2013, passou a estar incluída no CIRC uma limitação à dedutibilidade dos
gastos financeiros. Efetivamente, de acordo com o disposto no art.º 67º do CIRC, os gastos
de financiamento líquidos concorrem para a determinação do lucro tributável até ao maior
dos seguintes limites:

a) 1.000.000,00 euros6; ou

b) 30%7 do resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento


líquidos e impostos (EBITDA, calculado nos termos do CIRC).

Sempre que o período de tributação seja inferior a 1 ano (por força do início de atividade
ou cessação de atividade), o limite de 1.000.000 euros (apenas este limite) deve ser

5
Antigo Instituto de Seguros de Portugal
6
Inicialmente eram 3.000.000,00 euros
7
A disposição transitória referia que em 2013 os gastos de financiamento poderiam ascender a 70% do resultado
antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento líquidos e impostos, sendo que esta percentagem
foi sendo reduzida gradualmente até que a partir de 2017 passou a ser de 30%

65
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

considerado proporcionalmente ao número de meses do período de tributação. De referir


que os meses são sempre considerados completos, ou seja, a cessão de atividade em 20 de
agosto implica que a empresa tem que considerar um período de 8 meses.

Por força da disposição transitória prevista no n.º 7 do art.º 12º da Lei 2/2014, de 16 de
janeiro, o valor de 30% do resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de
financiamento líquidos e impostos, só se aplica para os períodos de tributação de 2017 e
seguintes.

Este regime aplica-se aos gastos de financiamento líquidos, independentemente da


localização do domicílio fiscal do credor (ou seja, inclui os gastos de financiamento auferidos
por instituições financeiras localizadas fora de Portugal) e de existirem ou não relações
especiais entre a empresa e a entidade de recebe o valor equivalente ao gasto financeiro.

Para efeitos da debilidade dos gastos de financiamento, o CIRC considerava (até à publicação
da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio), ou seja, até ao apuramento do lucro tributável de 2018,
gastos de financiamento líquidos as importâncias devidas ou associadas à remuneração de
capitais alheios, deduzidos dos rendimentos de idêntica natureza, designadamente:

a) juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos a curto e longo prazos;


b) juros de obrigações e outros títulos assimilados;
c) amortizações de descontos ou de prémios relacionados com empréstimos obtidos;
d) amortizações de custos acessórios incorridos em ligação com a obtenção de
empréstimos, encargos financeiros relativos a locações financeiras;
e) diferenças de câmbio provenientes de empréstimos em moeda estrangeira.

Este conceito de gastos de financiamento deverá ser completado com o referido na circular
da AT n.º 7/2013 de 19 de agosto, que refere que os gastos de financiamento líquidos são as
importâncias devidas ou associadas à remuneração de capitais alheios deduzidos dos
rendimentos de idêntica natureza, englobando-se neste conceito, a título exemplificativo os
seguintes:

a) juros de descobertos bancários;

b) juros de empréstimos obtidos a curto e longo prazos;

c) juros de obrigações e outros títulos assimilados;

d) amortizações de descontos ou de prémios relacionados com empréstimos obtidos;

e) amortizações de custos acessórios incorridos em ligação com a obtenção de


empréstimos;
Por outro lado, a circular refere o conceito de custos amortizações de custos
acessórios (alínea d) anterior) inclui os custos de transação referidos no paragrafo
da NCRF 27 – Instrumentos financeiros, ou seja, os custos incrementais que sejam

66
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

diretamente atribuíveis à aquisição, emissão ou alienação de um ativo ou passivo


financeiro. De referir que um custo incremental é aquele que não seria incorrido
se a entidade não tivesse adquirido, emitido ou alienado o instrumento
financeiro.

Como exemplo de custos de transação a circular da AT n.º 7/2013 refere as


comissões bancárias e o imposto do selo. Alertamos para as implicações
contabilísticas deste conceito, que induzem que o imposto de selo dos juros seja
registado diretamente como um custo de juros e não como um outro gasto,
apresentado na Demonstração dos Resultados como um gasto operacional.

f) encargos financeiros relativos a locações financeiras;


Os encargos suportados pelos locatários são os registados de acordo com o
previsto na NCRF 9 – Locações.

g) diferenças de câmbio provenientes de empréstimos em moeda estrangeira;


Neste conceito englobam-se as diferenças de câmbio provenientes de
empréstimos em moeda estrangeira, correspondentes a importâncias devidas ou
associadas á remuneração de capitais alheios. De referir que estas apenas
deverão ser consideradas até ao ponto que sejam vistas como um ajustamento
do custo dos juros.

h) juros associados a operações de factoring com recurso8.

A diferença destes dois conceitos (n.º 12 do art.º 67º do CIRC e circular n.º 7/2013) é que na
circular é referido o que os juros relativos a operações de factoring com recurso também
entram para este conceito de gastos de financiamento líquidos.

Por outro lado, quer o CIRC quer a circular, referem situações exemplificativas de gastos de
financiamento líquidos, não sendo referências exaustivas.

Convém também referir que a circular da AT n.º 7/2013 refere que os rendimentos ou gastos
relativos a um instrumento financeiro, designado como instrumento financeiro de cobertura9
de um endividamento devem ser considerados no cálculo dos gastos de financiamento
líquido.

No entanto, no dia 3 de maio de 2019 foi publicada a Lei n.º 32/2019, para os exercícios
concluídos a partir desta data, bem como para o apuramento do lucro tributável de 2019,
que reforça o combate às práticas de elisão fiscal, transpondo para a legislação nacional a
diretiva (UE) 2016/1164, de 12 de julho, com a redação que lhe foi dada pela diretiva (UE)

8
No factoring com recurso o risco da operação é assumido pela empresa (aderente), ou seja, a instituição financeira não assume
o risco de insolvência dos Clientes da empresa (devedores). Por outro lado, as instituições financeiras têm o direito de regresso
sobre os adiantamentos efetuados à empresa aderente em caso de insucesso das cobranças aos seus Clientes.
9
Conforme §5 da NCRF 27, um instrumento financeiro de cobertura é um derivado designado ou (apenas para a cobertura de
risco de alterações nas taxas de câmbio de moeda estrangeira) um ativo financeiro não derivado designado ou um passivo
financeiro não derivado cujo justo valor ou fluxos de caixa se espera que compense as alterações no justo valor ou fluxos de
caixa de um item coberto designado.

67
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2017/952, de 29 de maio, que alterou o CIRC, designadamente a definição de gastos de


financiamento do n.º 12 do art.º 67º do CIRC, a qual passa a considerar:

a) Os gastos de financiamento, como sendo:

• os juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos a curto e longo prazos


ou quaisquer importâncias devidas ou imputadas à remuneração de capitais alheios,
abrangendo, designadamente, pagamentos no âmbito de empréstimos participativos
e montantes pagos ao abrigo de mecanismos de financiamento alternativos, incluindo
instrumentos financeiros islâmicos;
• os juros de obrigações, abrangendo obrigações convertíveis, obrigações subordinadas
e obrigações de cupão zero, e outros títulos assimilados;
• as amortizações de descontos ou de prémios relacionados com empréstimos obtidos,
amortizações de custos acessórios incorridos em ligação com a obtenção de
empréstimos;
• os encargos financeiros relativos a locações financeiras;
• as depreciações ou amortizações de custos de empréstimos obtidos capitalizados no
custo de aquisição de elementos do ativo;
• os montantes calculados por referência ao retorno de um financiamento no âmbito
das regras em matéria de preços de transferência;
• os montantes de juros nocionais10 no âmbito de instrumentos derivados ou de
mecanismos de cobertura do risco relacionados com empréstimos obtidos;
• os ganhos e perdas cambiais relativos a empréstimos obtidos e instrumentos
associados à obtenção de financiamento;
• as comissões de garantia para acordos de financiamento;
• as taxas de negociação e gastos similares relacionados com a obtenção de
empréstimos;

Passam também a estar definidos os gastos de financiamento líquidos, como sendo os gastos
de financiamento que concorram para a formação do lucro tributável após a dedução, até à
respetiva concorrência, do montante dos juros e outros rendimentos de idêntica natureza,
sujeitos e não isentos.

Para efeito fiscal, e para o cálculo do resultado antes de depreciações, amortizações, gastos
de financiamento líquidos e impostos (EBITDA), que constava do nº 13 do art.º 67º do CIRC
(antes da publicação da Lei n.º 32/2019, de 3 de maio), este era o apurado na contabilidade,
corrigido de:

a) Ganhos e perdas resultantes de alterações de justo valor que não concorram para a
determinação do lucro tributável;
b) Imparidades e reversões de investimentos não depreciáveis ou amortizáveis;

10
De acordo com as definições no site da CMVM, temos que Capital nocional, também designado por nocional ou valor nocional (notional
principal amount), é o capital de referência (ou montante teórico) de um instrumento derivado. Assim, por exemplo, num swap (contrato de
permuta de cash flows) é sobre este capital nocional que são calculados os juros e, portanto, a que estão indexados ambos os fluxos monetários
do swap. Ainda como exemplo, se um contrato de futuros sobre um índice um ponto de índice corresponder a EUR 250, adquirir um único
contrato de futuros por 1000 pontos é semelhante ao investimento de EUR 250 000 (250 x EUR 1000). Donde, EUR 250 000 é o valor nocional
subjacente ao contrato de futuros adquirido.

68
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

c) Ganhos e perdas resultantes da aplicação do método da equivalência patrimonial ou,


no caso de empreendimentos conjuntos que sejam sujeitos passivos de IRC, do método
de consolidação proporcional;
d) Rendimentos ou gastos relativos a partes de capital às quais seja aplicável o regime
previsto nos art.º 51º e 51º-C do CIRC, ou seja os rendimentos relacionados com a
eliminação da dupla tributação e rendimentos e gastos com as mais e menos valias
resultantes da alienação de partes de capital;
e) Rendimentos ou gastos imputáveis a estabelecimento estável situado fora do
território português relativamente ao qual seja exercida a opção prevista no n.º 1 do
art.º 54º-A do CIRC;
f) A contribuição extraordinária sobre o setor energético.
g) A contribuição extraordinária sobre a indústria farmacêutica.

Com a publicação da Lei n.º 32/2019, de 03 de maio, o nº 13 do art.º 67º do CIRC passa a
referir que o resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento
líquidos e impostos corresponde ao lucro tributável ou prejuízo fiscal sujeito e não isento,
adicionado dos gastos de financiamento líquidos e das depreciações e amortizações que
sejam fiscalmente dedutíveis.

Ou seja, o valor do EBITDA, que anteriormente era apurado pelo valor apresentado na
demonstração dos resultados na linha abaixo, e depois corrigido nos termos do referido no
CIRC:

69
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

EBITDA - DR

Passa a ser calculado com base no lucro tributável, ou prejuízo fiscal, obtido no quadro 07
da declaração modelo 22 de IRC, acrescido dos gastos de financiamento líquidos e das
depreciações e amortizações que sejam fiscalmente dedutíveis. Este valor não considera os
montantes apresentados na demonstração dos resultados, obtidos de acordo com a
contabilidade.

Existem assim diferenças entre o EBITDA apresentado na demonstração dos resultados e o


valor do EBITDA para efeitos fiscais:

Contabilidade Efeito fiscal


EBITDA Linha da demostração dos Lucro tributável + gastos de
resultados assinalada na DR financiamento + depreciações e
acima amortizações aceites para efeito
fiscal
Gastos de Valor apresentado na DR, Valor calculado de acordo com o n.º
financiamento correspondente à diferença 12 do art.º 67º do CIRC que deve
líquidos entre os juros e rendimentos corresponder o valor apresentado na
DR, por similitude de conceitos

70
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

similares obtidos e juros e


gastos similares suportados
Gastos/reversão Valor apresentado na DR, na Depreciações e amortizações aceites
de depreciação linha gastos/reversões de para efeitos fiscais, ou seja,
depreciação e amortização considerando o valor acrescido da
linha 719 da declaração de
rendimentos modelo 22, bem como
eventuais deduções.

No que respeita ao cálculo do “Resultado antes de depreciações, gastos de financiamento


líquidos e impostos”, a circular refere que este valor pode ser obtido na Demonstração dos
resultados, o que agora, para apuramento do lucro tributável de 2019, deixa de ser aplicável,
face à alteração do n.º 13 do art.º 67º do CIRC. Efetivamente, na demonstração dos
resultados, podemos obter este valor, no entanto este deve ser corrigido de acordo com o
previsto no n.º 13 do art.º 67º do CIRC.

Existindo os gastos e rendimentos de estabelecimento estável nos valores apresentados nesta


demonstração dos resultados, estes devem ser eliminados, ou seja, a demonstração dos
resultados deverá apresentar unicamente os valores de rendimentos e gastos efetuados pela
empresa que exerce atividade no território nacional.

Dados os limites previstos no art.º 67º do CIRC, no caso de as empresas terem encargos de
financiamento superiores a 1.000.000,00 euros, devem verificar o enquadramento neste
artigo, de modo a verificar se os gastos financeiros são dedutíveis na totalidade.

Por outro lado, nos casos em que o montante dos gastos de financiamento deduzidos seja
inferior a 30% do EBITDA, calculado nos termos do CIRC, a parte não utilizada até este limite
acresce ao montante máximo dedutível até ao 5.º período de tributação posterior. A circular
n.º 7/2013 chama a este efeito a constituição de um crédito (“folga”).

De referir que se a empresa cessar a sua atividade, e ainda existirem valores de gastos de
financiamento líquidos, tributados em períodos anteriores, a deduzir em períodos seguintes,
aplica-se a regra geral, ou seja, tem que se considerar as limitações referidas no art.º 67º,
extinguindo-se o direito à dedução dos que não forem passíveis de dedução.

A legislação fiscal tem definido um mecanismo de reporte dos gastos de financiamento.

Efetivamente, os gastos de financiamento líquidos não dedutíveis, ou seja, tributados,


acrescidos na declaração de rendimentos modelo 22 na linha 748, podem ainda ser
considerados na determinação do lucro tributável de um ou mais dos cinco períodos de
tributação posteriores, conjuntamente com os gastos financeiros desse mesmo período,
observando-se as limitações previstas no número anterior. Assim, os gastos de financiamento

71
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

acrescidos nos 5 anos anteriores, podem ser deduzidos desde que se observem os limites de
dedução, na declaração de rendimentos modelo 22 na linha 795.

Quanto a este mecanismo de reporte, ou seja, a possibilidade de dedução na linha 795 da


declaração de rendimentos modelo 22 dos gastos de financiamento acrescidos nos 5 anos
anteriores, o manual de preenchimento do quadro 07 da declaração de rendimentos impõe
as seguintes limitações:

• Na dedução devem ser sempre utilizados em primeiro lugar os gastos de financiamento


líquidos que não foram dedutíveis (acrescidos) há mais tempo. Assim, têm que ser
acrescidos, para efeitos de reporte, em primeiro lugar os que foram acrescidos há mais
tempo.
• A soma do montante inscrito na linha 795 da declaração de rendimentos modelo 22,
com os gastos de financiamento do período não pode exceder o maior dos limites
referidos no art.º 67º do CIRC (1.000.000 euros ou 30% do resultado antes de
depreciações, gastos de financiamento líquidos e impostos, calculado nos termos do
CIRC)

Os ajustamentos a efetuar nos anos seguintes aos gastos de financiamento (até ao 5º período
de tributação seguinte), deixam de ser aplicáveis quando se verificar, à data do termo do
período de tributação em que é efetuada a dedução ou acrescido o limite, que, em relação
àquele a que respeitam os gastos de financiamento líquidos ou a parte do limite não
utilizada, se verificou a alteração da titularidade de mais de 50% do capital social ou da
maioria dos direitos de voto do sujeito passivo, exceto no caso de ser aplicável o disposto
no n.º 9 do art.º 52º do CIRC ou de ser obtida autorização do membro do Governo responsável
pela área das finanças em caso de reconhecido interesse económico, mediante requerimento
a apresentar na Autoridade Tributária e Aduaneira, nos prazos previstos nos n.ºs 13 e 14 do
art.º 52º do CIRC, consoante os casos.

As linhas previstas no quadro 07 da declaração de rendimentos modelo 22, relacionadas com


a limitação à dedução dos encargos financeiros serão:

A Acrescer
Linha 748 – Limitação à dedutibilidade de gastos de financiamento líquidos (art.º 67º)

A Deduzir
Linha 795 – Reporte dos gastos de financiamento líquidos de períodos de tributação
anteriores (art.º 67º)

72
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Exemplo prático 9

Uma entidade apresenta como resultado antes de depreciações, gastos de financiamento


líquidos e impostos, calculado nos termos do CIRC, o montante de 550.000 €.

Os encargos financeiros desta entidade ascendem a 1.256.000 euros.

Conforme disposto no art.º 67º do CIRC, os encargos financeiros incorridos pela empresa
estão limitados ao maior dos seguintes valores:

• 1.000.000 euros
• 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento líquidos e impostos,
calculado nos termos do CIRC

No entanto estes valores de encargos de financiamento líquidos:

• são superiores a 1.000.000 euros


• são superiores a 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento
líquidos e impostos, ou seja, os encargos financeiros são superiores ao limite de 30% do
EBITDA, calculado nos termos do CIRC (30%*550.000 = 165.000 euros)

Assim, a empresa deverá efetuar as seguintes correções, correspondente a limitação dos


encargos fiscais dedutíveis, na declaração modelo 22 reportada a 2019:

A acrescer:
Limitação à dedutibilidade de gastos de financiamento
Linha 748 256.000 €
líquidos (art.º 67º)

Acréscimo: 1.256.000 - 1.000.000 = 256.000

Este acréscimo pode ser considerado na determinação do lucro tributável de um ou mais dos
cinco períodos de tributação posteriores (2020 a 2024), conjuntamente com os gastos
financeiros desse mesmo período, observando-se as limitações previstas na legislação, por
dedução da linha 795 da declaração de rendimentos modelo 22 a apresentar nos anos de
2020 a 2024.

73
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Exemplo prático 10

Uma entidade apresenta como resultado antes de depreciações, gastos de financiamento


líquidos e impostos, o montante de 4.500.000 €.

Os encargos financeiros desta entidade ascendem a 1.150.000 euros.

Conforme disposto no art.º 67º do CIRC, encargos financeiros incorridos pela empresa estão
limitados ao maior dos seguintes valores:

• 1.000.000 euros
• 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento líquidos e impostos,
calculado nos termos do CIRC

No entanto estes valores de encargos de financiamento líquidos:

• são superiores a 1.000.000 euros


• são inferiores a 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento
líquidos e impostos, ou seja, os encargos financeiros são superiores ao limite de 30% do
EBITDA, calculado nos termos do CIRC (30%*4.500.000 = 1.350.000 euros)

Neste caso em concreto a totalidade dos gastos financeiros, no montante de 1.150.000 euros,
é aceite como gasto de IRC do ano em apreço, conforme prevê a alínea c) do n.º 2 do art.º
23º do CIRC e por não estar limitado pelo art.º 67º do CIRC.

No entanto o montante de (1.350.000-1.150.000) = 200.000 euros, acresce ao montante


máximo dedutível no ano de tributação seguinte, podendo ser utilizado até ao 5.º período
de tributação posterior.

Exemplo prático 11

Uma entidade apresenta como resultado antes de depreciações, gastos de financiamento


líquidos e impostos, o montante de 3.500.000 €.

Os encargos financeiros desta entidade ascendem a 1.025.000 euros.

A empresa tinha um reporte do ano anterior a deduzir de 250.000 euros.

Conforme disposto no art.º 67º do CIRC, encargos financeiros incorridos pela empresa estão
limitados ao maior dos seguintes valores:

74
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

• 1.000.000 euros
• 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento líquidos e impostos,
calculado nos termos do CIRC

No entanto estes valores de encargos de financiamento líquidos:

• são superiores a 1.000.000 euros


• são inferiores a 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento
líquidos e impostos, ou seja, os encargos financeiros são superiores ao limite de 30% do
EBITDA, calculado nos termos do CIRC (30%*3.500.000 = 1.050.000 euros)

Neste caso em concreto a totalidade dos gastos financeiros, no montante de 1.025.000 euros,
é aceite como gasto de IRC do ano em apreço, conforme prevê a alínea c) do n.º 2 do art.º
23º do CIRC e por não estar limitado pelo art.º 67º do CIRC.

O montante de (1.050.000-1.025.000) 25.000 euros, acresce ao montante máximo dedutível


no ano de tributação seguinte, podendo ser utilizado até ao 5.º período de tributação
posterior.

No entanto, como a empresa tem disponíveis 250.000 euros de gastos de financiamento


líquidos acrescidos em anos anteriores, pode utilizar o mecanismo de reporte e assim,
deduzir na declaração de rendimentos modelo 22 na linha 795 o montante de 25.000 euros
(1.050.000 -1.025.000), permanecendo o valor de 225.000 euros a deduzir em períodos
seguintes.

Assim, a empresa deverá efetuar as seguintes correções, correspondente a limitação dos


encargos fiscais dedutíveis, na declaração modelo 22 reportada a 2019:

A acrescer:
Limitação à dedutibilidade de gastos de financiamento
Linha 748 0€
líquidos (art.º 67º)

A Deduzir:
Reporte dos gastos de financiamento líquidos de
Linha 795 25.000 €
período de tributação anteriores (art.º 67º)

75
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Valores que a empresa tem para reportar para o futuro o montante de 250.000 euros:

Ano Reporte Utilização Valor a Reporta a


reporte reportar utilizar até
2018 (n-1) 250.000 25.000 225.000 2023
2019 (n) 25.000 25.000 2024

No fim da análise fiscal desta situação, será de referir que o disposto no art.º 67º do CIRC
apenas se aplica aos gastos registados na contabilidade.

Assim, existindo custos de empréstimos obtidos que foram incluídos no custo de produção
dos ativos que se qualificam, ou seja, que são capitalizados, estes não contribuem para os
limites do art.º 67º do CIRC.

Esta informação pode ser confirmada pela leitura do ponto 2 alínea e) da circular n.º 7/2013,
que refere que os gastos de financiamento líquidos não incluem os juros e outros gastos de
financiamento que sejam capitalizados, nos termos da NCRF 10.

Regime Especial de Tributação dos Grupos de Sociedades (RETGS)

Existindo um grupo de sociedades, com opção pelo regime especial de tributação dos
grupos de sociedades, a sociedade dominante pode optar, para efeitos da determinação do
lucro tributável do grupo, pela aplicação do disposto no art.º 67º do CIRC (limitação à
dedutibilidade dos gastos de financiamento) aos gastos de financiamento líquidos do grupo
nos seguintes termos:

a) O limite para a dedutibilidade ao lucro tributável do grupo corresponde ao valor de


1.000.000,00 euros, independentemente do número de sociedades pertencentes ao
grupo ou,

b) quando superior, ao valor de 30% do EBITDA, calculado nos termos do CIRC, com base
na soma algébrica dos resultados antes de depreciações, amortizações, gastos de
financiamento líquidos e impostos das sociedades que compõem o grupo;

c) Os gastos de financiamento líquidos de sociedades do grupo relativos aos períodos de


tributação anteriores à aplicação do regime e ainda não deduzidos apenas podem ser
deduzidos, tendo em consideração os limites ao endividamento, correspondente à
sociedade a que respeitem, calculado individualmente;

d) quando os encargos foram inferiores a 30% do EBITDA, calculado nos termos do CIRC,
a parte do limite não utilizado, por sociedades do grupo em períodos de tributação
anteriores à aplicação do regime apenas pode ser acrescido nos termos daquele número
ao montante máximo dedutível dos gastos de financiamento líquidos da sociedade a que
respeitem, calculado individualmente;

76
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

e) Os ajustamentos efetuados nos anos seguintes aos gastos de financiamento líquidos


de sociedades do grupo, bem, só podem ser utilizados pelo grupo, independentemente
da saída de uma ou mais sociedades do grupo.

A opção da sociedade dominante pela tributação tendo em consideração a limitação à


dedutibilidade de gastos de financiamento deve ser mantida por um período mínimo de três
anos a contar da data em que se inicia a sua aplicação, o qual é automaticamente prorrogável
por períodos de um ano, exceto no caso de renúncia.

Esta opção, bem como a renuncia, devem ser comunicadas à Autoridade Tributária e
Aduaneira através do envio, por transmissão eletrónica de dados, de declaração de
alterações, nos termos ao art.º 118º do CIRC, até ao fim do 3.º mês do período de tributação
em que se pretende iniciar a respetiva aplicação ou dela renunciar.

Caso exista a opção pela tributação pelo Regime Especial de Tributação dos Grupos de
Sociedades (RETGS), deve ser adotado o seguinte procedimento:

• Cada uma das sociedades que integra o grupo, incluindo a sociedade dominante, deve
preencher o Quadro 07 da sua declaração de rendimentos modelo 22, por forma a
apurar o respetivo resultado fiscal como se o RETGS não fosse aplicável. Assim, deve
aplicar as regras gerais do art.º 67.º para efeitos do apuramento do seu lucro
tributável, acrescendo, sendo caso disso, os gastos de financiamento líquidos que
excedam o maior dos limites previstos nas alíneas a) e b) do n.º 1 do art.º 67.º do
CIRC.

• Nos termos do n.º 1 do art.º 70.º, a sociedade dominante calcula o lucro tributável
do grupo através da soma algébrica dos lucros tributáveis e dos prejuízos fiscais
apurados nas declarações periódicas individuais de cada uma das sociedades do
grupo, inscrevendo-o no campo 380 do Quadro 09.

Se a sociedade dominante exercer a opção prevista no art.º 67.º, nos termos e prazos
referidos, conforme referido acima, ou seja se a sociedade dominante optar pela aplicação
do regime de limitação à dedutibilidade de gastos de financiamento aos gastos de
financiamento líquidos do grupo, o resultado fiscal do grupo deve ser corrigido, sendo caso
disso, do efeito da aplicação da opção.

77
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

10. Conclusões
O registo do custo dos empréstimos obtidos deixou de ter um regime de opção entre o
reconhecimento como gasto ou a capitalização como custo de um ativo que se qualifica.
Assim, a partir de 01 de janeiro de 2016, para as empresas que aplicam o regime geral do
SNC, bem como para as empresas que aplicam a NCRF-PE, estas passam a ser obrigadas a
capitalizar os custos de empréstimos obtidos relacionados com ativos que se qualificam.

Esta alteração pode ter um impacto muito grande nos resultados das empresas e no valor
dos ativos que se qualificam. Podem existir situações que que o elevado grau de
financiamento, que implicará a capitalização de custos de empréstimos obtidos elevados,
irá aumentar o valor dos ativos de tal forma que estes possam apresentar uma quantia
escriturada superior à sua quantia recuperável, o que dará origem a quantificação e o registo
de uma perda por imparidade, tendo em consideração o disposto na NCRF 12 ou NCRF 18.

No que respeita às microentidades, estas mantém procedimentos de registo de custos de


empréstimos obtidos idênticos ao regime anterior, no entanto o regime destas empresas de
menos dimensão é o de reconhecimento dos custos dos empréstimos sempre como gasto do
exercício, mesmo nos casos em que os custos de empréstimos obtidos estão relacionados
com ativos que se qualificam.

Existe assim a diferentes formas de registo dos custos dos empréstimos obtidos, consoante
o sistema de normalização adotado pelas empresas:

Custos de empréstimos Restantes custos de


obtidos associados a ativos empréstimos obtidos
que se qualificam
SNC – Regime geral Capitalização de custos de Reconhecimento dos custos
empréstimos no valor do dos empréstimos como
ativo gastos do exercício
NCRF-PE Capitalização de custos de Reconhecimento dos custos
empréstimos no valor do dos empréstimos como
ativo gastos do exercício
NC-ME Reconhecimento dos custos Reconhecimento dos custos
dos empréstimos como dos empréstimos como
gastos do exercício gastos do exercício

NCRF-ESNL Capitalização de custos de Reconhecimento dos custos


empréstimos no valor do dos empréstimos como
ativo gastos do exercício

78
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Estas diferenças podem fazer com que as microentidades, que pretendam capitalizar os
custos de empréstimos obtidos como fazendo parte do custo do ativo, utilizem a NCRF-PE,
exercendo a opção de utilização das normas que se encontra definida na legislação

No caso do SNC-AP, os procedimentos são diferentes, porque estavam em consistência com


a versão do SNC que estava em vigor até 31-12-2015. Nestes casos, as formas de registo dos
custos dos empréstimos obtidos, consoante a dimensão da entidade são as seguintes:

Custos de empréstimos Restantes custos de


obtidos associados a ativos empréstimos obtidos
que se qualificam
SNC-AP – Regime geral Capitalização de custos de Reconhecimento dos custos
empréstimos no valor do dos empréstimos como
ativo gastos do exercício
ou
Reconhecimento dos custos
dos empréstimos como
gastos do exercício
SNC-AP pequenas entidades Capitalização de custos de Reconhecimento dos custos
empréstimos no valor do dos empréstimos como
ativo gastos do exercício
ou
Reconhecimento dos custos
dos empréstimos como
gastos do exercício

Nas medidas de apoio à economia, por força do COVID-19, estão definidas medidas com
impacto nos gastos de financiamento, existindo necessidade de concertar os registos
contabilísticos com estas medidas. Por outro lado, a necessidade de divulgações de apoios
do estado é necessária se estamos perante empréstimos obtidos com aval do Estado.

Assim, por força da pandemia COVID-19, podem existir registos e divulgações específicas a
efetuar nas demonstrações financeiras de 2020, e eventualmente nas demonstrações
financeiras de 2019, no ponto dos eventos subsequentes.

O tratamento Fiscal dos gastos líquidos de financiamento, para as microentidades não tem
qualquer ajustamento a efetuar, porque, em princípio, uma microentidade não deverá
atingir o valor de 1.000.000,00 euros de gastos líquidos de financiamento.

No entanto para as restantes entidades, principalmente para as entidades de maior


dimensão, desde que o valor dos gastos líquidos de financiamento seja superior a

79
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

1.000.000,00 euros, estas verificar e quantificar o valor dos gastos não aceites para efeitos
de IRC, bem como os valores a deduzir no futuro.

Nestes casos as empresas devem controlar o valor do reporte disponível para utilizar nos
anos futuros, pelo que sugerimos que seja incluído no dossier fiscal, preparado e organizado
nos termos do art.º 130º do CIRC, e tendo em consideração a portaria n.º 92-A/2011, de 28
de fevereiro (alterado pela portaria n.º 94/2013, de 04 de março e portaria n.º 51/2018, de
16 de fevereiro, os seguintes elementos:

• Cálculo do valor dos gastos de financiamento líquidos aceite para efeito de IRC, bem
como do valor a acrescer;

• Controlo do valor do reporte disponíveis para utilização no ano e nos 5 anos seguintes,
podendo ser utilizado um quadro do género:

Ano Reporte Utilização Valor a Reporta a


reporte reportar utilizar até
2018 (n-1) 250.000 25.000 225.000 2022
2019 (n) 25.000 25.000 2023

De referir que com as alterações ao n.º 13 do art.º 67º do CIRC, o cálculo do EBITDA passa a
ser efetuado de forma diferente sendo este valor calculado adicionando ao lucro tributável
ou prejuízo fiscal sujeito e não isento, aos gastos de financiamento líquidos e às
depreciações e amortizações que sejam fiscalmente dedutíveis.

80
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Anexos - Normativos da Contabilidade

Norma Contabilística e de Relato Financeiro 10

Custos de Empréstimos Obtidos

Objetivo

1 — O objetivo desta Norma Contabilística e de Relato Financeiro é o de prescrever o tratamento


dos custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção
ou produção de um ativo que se qualifica. Esta Norma exige que estes custos sejam
imediatamente considerados como parte do custo do ativo que se qualifica. Outros custos de
empréstimos obtidos são reconhecidos como gasto.

Âmbito

2 — Esta Norma deve ser aplicada na contabilização dos custos de empréstimos obtidos.

3 — Esta Norma não trata do custo real ou imputado do capital próprio, incluindo o capital
preferencial não classificado como passivo.

4 — Uma entidade não tem a obrigação de aplicar a Norma a custos de empréstimos obtidos
que sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de:

a) Um ativo que se qualifica mensurado pelo justo valor, por exemplo, um ativo biológico; ou

b) Inventários que sejam fabricados, ou de outro modo produzidos, em grandes quantidades de


uma forma repetitiva.

Definições

5 — Os termos que se seguem são usados nesta Norma com os significados especificados: Ativo
que se qualifica: é um ativo que leva necessariamente um período substancial de tempo para
ficar pronto para o seu uso pretendido ou para venda.

Custos de empréstimos obtidos: são os custos de juros e outros incorridos por uma entidade
relativos aos pedidos de empréstimos de fundos.

6 — Os custos de empréstimos obtidos incluem:

a) Gastos com juros calculados com base na utilização do método do juro efetivo, tal como
descrito na NCRF 27 — Instrumentos Financeiros;

b) Encargos financeiros relativos a locações financeiras reconhecidas de acordo com a NCRF 9


— Locações; e

81
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

c) Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira até ao


ponto em que sejam vistos como um ajustamento do custo dos juros.

7 — Dependendo das circunstâncias, qualquer dos seguintes elementos podem constituir ativos
que se qualificam:

a) Inventários;

b) Instalações industriais;

c) Instalações de geração de energia;

d) Ativos intangíveis;

e) Propriedades de investimento.

Os ativos financeiros, e os inventários que sejam fabricados, ou de outro modo produzidos,


durante um curto período de tempo não são ativos que se qualificam. Os ativos que estejam
prontos para o seu uso pretendido ou para a sua venda quando adquiridos não são ativos que se
qualificam.

Reconhecimento

8 — Uma entidade deve capitalizar os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente
atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica como parte do
custo desse ativo. Uma entidade deve reconhecer outros custos de empréstimos obtidos como
um gasto no período em que sejam incorridos.

9 — Os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição,


construção ou produção de um ativo que se qualifica são capitalizados como parte do custo
desse ativo, na medida em que seja provável que deles resultarão benefícios económicos
futuros para a entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados.

Custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização

10 — Os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição,


construção ou produção de um ativo que se qualifica são os custos de empréstimos obtidos que
teriam sido evitados se o dispêndio no ativo que se qualifica não tivesse sido feito. Quando uma
entidade contrai empréstimos especificamente com o fim de obter um particular ativo que se
qualifica, os custos dos empréstimos obtidos que estejam relacionados diretamente com esse
ativo que se qualifica podem ser prontamente identificados.

11 — Pode ser difícil identificar um relacionamento direto entre certos empréstimos obtidos e
um ativo que se qualifica e determinar os empréstimos obtidos que poderiam de outra maneira
ser evitados. Tal dificuldade ocorre, por exemplo, quando a atividade financeira de uma
entidade seja centralmente coordenada. Também surgem dificuldades quando um grupo usa
uma variedade de instrumentos de dívida para pedir fundos emprestados a taxas de juro

82
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

variáveis e empresta esses fundos em bases variadas a outras entidades no grupo. Outras
complicações surgem através do uso de empréstimos estabelecidos em ou ligados a moedas
estrangeiras, quando o grupo opera em economias altamente inflacionárias, e de flutuações em
taxas de câmbio. Como consequência, a determinação da quantia dos custos de empréstimos
obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição de um ativo que se qualifica é difícil
sendo de exigir o exercício de bom senso.

12 — Até ao ponto em que sejam pedidos fundos emprestados especificamente com o fim de
obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegível para
capitalização nesse ativo deve ser determinada como os custos reais dos empréstimos obtidos
incorridos nesse empréstimo durante o período menos qualquer rendimento de investimento
temporário desses empréstimos.

13 — Os acordos de financiamento de um ativo que se qualifica podem fazer com que uma
entidade obtenha fundos pedidos de empréstimo e incorra em custos de empréstimos
associados antes de alguns ou todos os fundos serem usados para dispêndios no ativo que se
qualifica. Em tais circunstâncias, os fundos são muitas vezes temporariamente investidos
aguardando o seu dispêndio no ativo que se qualifica. Ao determinar a quantia dos custos de
empréstimos obtidos elegíveis para capitalização durante um período, qualquer rendimento do
investimento gerado de tais fundos é deduzido dos custos incorridos nos empréstimos obtidos.

14 — Na medida em que os fundos sejam pedidos de uma forma geral e usados com o fim de
obter um ativo que se qualifica, a quantia de custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de capitalização aos dispêndios
respeitantes a esse ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos custos de
empréstimos obtidos aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que estejam em
circulação no período, que não sejam empréstimos contraídos especificamente com o fim de
obter um ativo que se qualifica. A quantia dos custos de empréstimos obtidos capitalizados
durante um período não deve exceder a quantia dos custos de empréstimos obtidos incorridos
durante o período.

15 — Em algumas circunstâncias, é apropriado incluir todos os empréstimos obtidos da empresa-


mãe e das suas subsidiárias quando seja calculada uma média ponderada dos custos dos
empréstimos obtidos. Noutras circunstâncias, é apropriado para cada subsidiária usar uma
média ponderada dos custos dos empréstimos obtidos aplicável aos seus próprios empréstimos
obtidos.

Excesso da quantia escriturada do ativo que se qualifica sobre a quantia recuperável

16 — Quando a quantia escriturada ou o custo final esperado do ativo que se qualifica exceda
a sua quantia recuperável ou o seu valor realizável líquido, a quantia escriturada é reduzida ou
anulada de acordo com as exigências de outras Normas. Em certas circunstâncias, a quantia da
redução ou do abate é revertida de acordo com essas outras Normas.

Início da capitalização

83
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

17 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que
se qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser incorridos;

b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e

c) As atividades que sejam necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou venda
estejam em curso.

18 — Os dispêndios de um ativo que se qualifica incluem somente os dispêndios que tenham


resultado em pagamentos de caixa, transferência de outros ativos ou a assunção de passivos
que incorram em juros. Os dispêndios são reduzidos por quaisquer pagamentos progressivos
recebidos. A quantia escriturada média do ativo durante um período, incluindo os custos de
empréstimos obtidos previamente capitalizados é normalmente uma aproximação razoável dos
dispêndios aos quais a taxa de capitalização é aplicada nesse período.

19 — As atividades necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou para a sua
venda englobam mais do que a construção física do ativo. Elas englobam o trabalho técnico e
administrativo anterior ao começo da construção física tais como as atividades associadas com
a obtenção de licenças antes do começo da construção física. Porém, tais atividades excluem
a detenção de um ativo quando nenhuma produção ou ação que altere a condição do ativo
esteja a ter lugar. Por exemplo, os custos de empréstimos obtidos incorridos enquanto um
projeto esteja em fase de desenvolvimento são capitalizados durante o período em que as
atividades relacionadas com o desenvolvimento estejam a decorrer. No entanto, os custos de
empréstimos obtidos incorridos enquanto terrenos adquiridos para fins de construção sejam
detidos sem qualquer atividade associada de desenvolvimento, não são elegíveis para
capitalização.

Suspensão da capitalização

20 — A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve ser suspensa durante períodos
extensos em que o desenvolvimento das atividades a que se refere o parágrafo 17(c) seja
interrompido.

21 — Os custos de empréstimos obtidos podem ser incorridos durante um período extenso em


que sejam interrompidas as atividades necessárias para preparar um ativo para o seu uso
pretendido ou para a sua venda. Tais custos são custos de detenção de ativos parcialmente
concluídos e não são elegíveis para capitalização. Porém, a capitalização dos custos de
empréstimos obtidos não é normalmente suspensa durante um período quando esteja sendo
levado a efeito trabalho técnico e administrativo substancial. A capitalização dos custos de
empréstimos obtidos também não é suspensa quando uma demora temporária seja uma parte
necessária do processo de tornar um ativo pronto para o seu uso pretendido ou para a sua
venda. Por exemplo, a capitalização continua durante o período necessário alargado para que
alguns inventários atinjam a maturação ou o período alargado durante o qual os níveis altos das

84
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

águas atrasam a construção de uma ponte, se tais níveis de água altos são usuais durante o
período da construção na região geográfica envolvida.

Cessação da capitalização

22 — A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve cessar quando substancialmente
todas as atividades necessárias para preparar o ativo elegível para o seu uso pretendido ou para
a sua venda estejam concluídas.

23 — Um ativo está normalmente pronto para o seu uso pretendido ou para a sua venda quando
a construção física do ativo estiver concluída mesmo se o trabalho administrativo de rotina
puder ainda continuar. Se modificações menores, tais como a decoração de uma propriedade
conforme as especificações do comprador ou do utente, sejam tudo o que está por completar,
isto indica que todas as atividades estão substancialmente concluídas.

24 — Quando a construção de um ativo que se qualifica for concluída por partes e cada parte
estiver em condições de ser usada enquanto a construção continua noutras partes, a
capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar essa parte para o seu pretendido uso ou venda estejam concluídas.

25 — Um parque empresarial compreendendo vários edifícios em que cada um deles pode ser
usado individualmente é um exemplo de um ativo que se qualifica relativamente ao qual cada
parte está em condições de ser usada embora a construção continue noutras partes. Um
exemplo de um ativo que se qualifica que necessita de estar concluído antes de que cada parte
possa ser usada é uma instalação industrial que envolve vários processos que sejam executados
em sequência em diferentes partes da fábrica dentro do mesmo local, tal como uma laminagem
de aço.

Data de eficácia

26 — Uma entidade deve aplicar esta Norma a partir do primeiro período que se inicie em ou
após 1 de janeiro de 2016.

27 — No período que se inicie em ou após 1 de janeiro de 2016, aquando da utilização desta


Norma, as entidades deverão proceder à aplicação prospetiva a que se referem os parágrafos
22 e 24 da NCRF 4 — Políticas Contabilísticas — Alterações nas Estimativas Contabilísticas e
Erros, e divulgar no Anexo as quantias que não sejam comparáveis.

28 — Esta Norma substitui a NCRF 10 — Custos de Empréstimos Obtidos, constante do Aviso n.º
15655/2009, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 173, de 7 de setembro de 2009.

85
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Ponto 10 da NCRF-PE

10 — Custos de empréstimos obtidos

10.1 — Os custos de empréstimos obtidos incluem:

a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos a curto e longo prazos;

b) Encargos financeiros com respeito a locações financeiras reconhecidas de acordo com o


capítulo 9; e

c) Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira até ao


ponto em que sejam vistos como um ajustamento do custo dos juros.

Reconhecimento

10.2 — Uma entidade deve capitalizar os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente
atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica, como parte do
custo desse ativo, quando seja provável que deles resultarão benefícios económicos futuros
para a entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados.

10.3 — Uma entidade deve reconhecer outros custos de empréstimos obtidos como um gasto,
no período em que sejam incorridos.

10.4 — Considera- se que um ativo se qualifica quando leva necessariamente um período


substancial de tempo para ficar pronto para o seu uso pretendido ou para venda.

Custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização

10.5 — Até ao ponto em que sejam pedidos fundos emprestados especificamente com o fim de
obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegível para
capitalização nesse ativo deve ser determinada como os custos reais dos empréstimos obtidos
incorridos nesse empréstimo durante o período menos qualquer rendimento de investimento
temporário desses empréstimos.

10.6 — Na medida em que os fundos sejam pedidos de uma forma geral e usados com o fim de
obter um ativo que se qualifica, a quantia de custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de capitalização aos dispêndios
respeitantes a esse ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos custos de
empréstimos obtidos aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que estejam em
circulação no período, que não sejam empréstimos contraídos especificamente com o fim de
obter um ativo que se qualifica. A quantia dos custos de empréstimos obtidos capitalizados
durante um período não deve exceder a quantia dos custos de empréstimos obtidos incorridos
durante o período.

86
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Excesso da quantia escriturada do ativo que se qualifica sobre a quantia recuperável

10.7 — Quando a quantia escriturada ou o custo final esperado do ativo que se qualifica exceda
a sua quantia recuperável ou o seu valor realizável líquido, a quantia escriturada é reduzida ou
anulada de acordo com as exigências de outros capítulos da presente Norma. Em certas
circunstâncias, a quantia da redução ou do abate é revertida de acordo com esses outros
capítulos.

Início da capitalização

10.8 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que
se qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser incorridos;

b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e

c) As atividades que sejam necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou venda
estejam em curso.

10.9 — A quantia escriturada média do ativo durante um período, incluindo os custos de


empréstimos obtidos previamente capitalizados é normalmente uma aproximação razoável dos
dispêndios aos quais a taxa de capitalização é aplicada nesse período.

Suspensão da capitalização

10.10 — A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve ser suspensa durante os
períodos extensos em que o desenvolvimento das atividades a que se refere o parágrafo 10.8
(c) seja interrompido.

Cessação da capitalização

10.11 — A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve cessar quando
substancialmente todas as atividades necessárias para preparar o ativo elegível para o seu uso
pretendido ou para a sua venda estejam concluídas.

10.12 — Quando a construção de um ativo que se qualifica for concluída por partes e cada parte
estiver em condições de ser usada enquanto a construção continua noutras partes, a
capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar essa parte para o seu pretendido uso ou venda estejam concluídas.

Ponto 10 da NC-ME

10 — Custos de empréstimos obtidos

87
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

10.1 — Os custos de empréstimos obtidos incluem:

a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos a curto e longo prazo;

b) Encargos financeiros com respeito a locações financeiras reconhecidas de acordo com o


capítulo 9 desta Norma; e

c) Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira até ao


ponto em que sejam vistos como um ajustamento do custo dos juros.

10.2 — Os custos de empréstimos obtidos devem ser reconhecidos como um gasto no período
em que sejam incorridos.

Ponto 10 da NCRF-ESNL

10 — Custos de empréstimos obtidos

10.1 — Os custos de empréstimos obtidos incluem:

a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos a curto e longo prazos;

b) Encargos financeiros com respeito a locações financeiras reconhecidas de acordo com o


capítulo 9 — Locações; e

c) Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos obtidos em moeda estrangeira até ao


ponto em que sejam vistos como um ajustamento do custo dos juros.

Reconhecimento

10.2 — Uma entidade deve capitalizar os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente
atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo que se qualifica, como parte do
custo desse ativo, quando seja provável que deles resultarão benefícios para o desenvolvimento
de atividades futuras da entidade e tais custos possam ser fiavelmente mensurados.

10.3 — Uma entidade deve reconhecer outros custos de empréstimos obtidos como um gasto,
no período em que sejam incorridos.

10.4 — Considera-se que um ativo se qualifica quando leva necessariamente um período


substancial de tempo para ficar pronto para o seu uso pretendido ou para venda. Custos de
empréstimos obtidos elegíveis para capitalização

10.5 — Até ao ponto em que sejam pedidos fundos emprestados especificamente com o fim de
obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegível para
capitalização nesse ativo deve ser determinada como os custos reais dos empréstimos obtidos

88
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

incorridos nesse empréstimo durante o período menos qualquer rendimento de investimento


temporário desses empréstimos.

10.6 — Na medida em que os fundos sejam pedidos de uma forma geral e usados com o fim de
obter um ativo que se qualifica, a quantia de custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de capitalização aos dispêndios
respeitantes a esse ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos custos de
empréstimos obtidos aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que estejam em
circulação no período, que não sejam empréstimos contraídos especificamente com o fim de
obter um ativo que se qualifica. A quantia dos custos de empréstimos obtidos capitalizados
durante um período não deve exceder a quantia dos custos de empréstimos obtidos incorridos
durante o período.

Excesso da quantia escriturada do ativo que se qualifica sobre a quantia recuperável

10.7 — Quando a quantia escriturada ou o custo final esperado do ativo que se qualifica exceda
a sua quantia recuperável ou o seu valor realizável líquido, a quantia escriturada é reduzida ou
anulada de acordo com as exigências de outros capítulos da presente Norma. Em certas
circunstâncias, a quantia da redução ou do abate é revertida de acordo com esses outros
capítulos.

Início da capitalização

10.8 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que
se qualifica deve começar quando:

a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser incorridos;

b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser incorridos; e

c) As atividades que sejam necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou venda
estejam em curso.

10.9 — A quantia escriturada média do ativo durante um período, incluindo os custos de


empréstimos obtidos previamente capitalizados é normalmente uma aproximação razoável dos
dispêndios aos quais a taxa de capitalização é aplicada nesse período. Suspensão da
capitalização

10.10 — A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve ser suspensa durante os
períodos extensos em que o desenvolvimento das atividades a que se refere o parágrafo 10.8
(c) seja interrompido.

Cessação da capitalização

10.11 — A capitalização dos custos dos empréstimos obtidos deve cessar quando
substancialmente todas as atividades necessárias para preparar o ativo elegível para o seu uso
pretendido ou para a sua venda estejam concluídas.

89
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

10.12 — Quando a construção de um ativo que se qualifica for concluída por partes e cada parte
estiver em condições de ser usada enquanto a construção continua noutras partes, a
capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar essa parte para o seu pretendido uso ou venda estejam concluídas.

NCP7 — Custos de Empréstimos Obtidos

I - Objetivo

1—Esta Norma prescreve o tratamento contabilístico dos custos de empréstimos obtidos,


exigindo geralmente que tais custos sejam considerados como gastos do período. Porém, a
Norma permite, como tratamento alternativo, a capitalização de custos de empréstimos
obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo
que se qualifica.

II - Definições

2—Os termos que se seguem são usados nesta Norma com os significados indicados: Ativo que
se qualifica é um ativo que necessita de um período substancial de tempo para ficar disponível
para o uso pretendido ou para venda. São exemplos de ativos que se qualificam: edifícios
administrativos, hospitais, infraestruturas tais como estradas, pontes e instalações de geração
de energia, e inventários que exijam um período substancial de tempo para serem colocados
em condições de uso ou venda. Outros investimentos bem como os inventários que sejam
produzidos de forma rotineira durante um curto período de tempo não são ativos elegíveis. Os
ativos que quando adquiridos estão prontos para o uso pretendido ou para venda também não
são ativos elegíveis. Custos de empréstimos obtidos são juros e outros gastos suportados por
uma entidade relativos a empréstimos obtidos. Estes podem incluir:

(a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos;

(b) Amortização de descontos ou prémios relativos a empréstimos obtidos;

(c) Amortização de custos acessórios suportados com a obtenção de empréstimos;

(d) Encargos financeiros relativos a locações financeiras; e

(e) Diferenças de câmbio relativas a empréstimos em moeda estrangeira na medida em que


sejam consideradas como um ajustamento do custo dos juros.

III - Reconhecimento

90
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

3—Exceto nas circunstâncias referidas no parágrafo seguinte, os custos de empréstimos obtidos


devem ser reconhecidos como um gasto no período em que são suportados independentemente
de como esses empréstimos são aplicados.

4—Os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição, construção
ou produção de um ativo que se qualifica devem ser capitalizados como parte do custo desse
ativo. Estes custos são capitalizados como parte do custo do ativo quando for provável que
deles resultem benefícios económicos futuros ou potencial de serviço para a entidade e os
custos possam ser mensurados com fiabilidade.

5—Quando uma entidade adotar o tratamento contabilístico da capitalização, esse tratamento


deve ser aplicado de forma consistente a todos os custos de empréstimos obtidos que sejam
diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de todos os ativos que se qualifica
da entidade.

IV - Custos de empréstimos obtidos que se qualificam para capitalização

6—Os custos de empréstimos obtidos diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou


produção de um ativo que se qualifica são os que teriam sido evitados se os dispêndios nesse
ativo não tivessem sido feitos. Quando uma entidade contrai empréstimos com o fim específico
de obter um determinado ativo que se qualifica, os custos de empréstimos obtidos que estejam
diretamente relacionados com esse ativo podem ser prontamente identificados.

7—Pode ser difícil identificar uma relação direta entre alguns empréstimos obtidos e um ativo
que se qualifica e determinar os empréstimos obtidos que de alguma forma poderiam ter sido
evitados. Tal dificuldade ocorre, por exemplo, quando a atividade financeira da entidade é
coordenada centralmente. Também surgem dificuldades quando um grupo público usa uma
variedade de instrumentos de dívida para obter fundos a taxas de juro variáveis, e transfere
esses fundos com base em critérios diversos a outras entidades do grupo. Os fundos que tenham
sido pedidos a nível central podem ser transferidos para outras entidades dentro do grupo como
um empréstimo concedido, um subsídio ou uma injeção de capital. Estas transferências podem
ser feitas sem juros ou exigir que apenas uma parte do custo real de juro seja recuperado.
Como consequência, torna-se difícil determinar a quantia de custos de empréstimos obtidos
que sejam diretamente atribuíveis à aquisição de um ativo que se qualifica exigindo o exercício
de julgamento.

8—Na medida em que os empréstimos sejam contraídos especificamente com a finalidade de


obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização nesse ativo deve corresponder aos custos reais suportados durante o período
menos qualquer rendimento relativo ao investimento temporário desses empréstimos. De facto,
os acordos de financiamento de um ativo que se qualifica podem implicar que uma entidade
obtenha fundos e suporte custos de empréstimos antes de algum ou todos os fundos serem
utilizados em dispêndios com esse ativo. Nestas circunstâncias, os fundos são muitas vezes
temporariamente investidos aguardando a sua aplicação no ativo. Ao determinar a quantia dos

91
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

custos de empréstimos obtidos elegíveis para capitalização durante um período, qualquer


rendimento obtido com tais fundos deve ser deduzido dos custos suportados nos empréstimos
obtidos.

9—Na medida em que os empréstimos sejam contraídos genericamente e usados com a


finalidade de obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos
elegíveis para capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de capitalização
aos dispêndios relativos a esse ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos
custos dos empréstimos obtidos aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que
estejam em aberto durante o período, e que não sejam empréstimos especificamente
contraídos para obter um ativo que se qualifica. A quantia dos custos de empréstimos obtidos
capitalizados durante um período não deve exceder a quantia dos custos de empréstimos
obtidos durante esse período.

10 — Apenas os custos suportados com os empréstimos obtidos pela entidade podem ser
capitalizados. Quando uma entidade que controla obtém empréstimos que são transferidos para
uma entidade controlada sem qualquer imputação ou com imputação parcial de custos desses
empréstimos, a entidade controlada apenas pode capitalizar os custos de empréstimos que ela
própria suportou. Quando uma entidade controlada receber uma contribuição de capital isenta
de juro ou um subsídio de capital, não suportará quaisquer custos de empréstimos.

11 — Quando uma entidade que controla transferir fundos para uma entidade controlada com
imputação parcial de custos, esta última pode capitalizar a parte dos custos de empréstimos
que ela suportou. Nas demonstrações financeiras do grupo público, a quantia total dos custos
de empréstimos pode ser capitalizada no ativo que se qualifica desde que tenham sido feitos
os ajustamentos de consolidação apropriados para eliminar os custos capitalizados pela
entidade controlada.

12 — Quando uma entidade que controla transferiu fundos para uma entidade controlada sem
imputação de custos, nenhuma delas satisfaz os critérios de capitalização de custos de
empréstimos. Porém, se o grupo público satisfizer os critérios para capitalização, pode fazê-
lo, em relação aos ativos que se qualificam, nas suas demonstrações financeiras.

13 — Em algumas circunstâncias é apropriado incluir todos os empréstimos da entidade que


controla e das suas entidades controladas para calcular a média ponderada dos custos de
empréstimos. Noutras circunstâncias é apropriado que cada entidade controlada use a média
ponderada dos custos relativos aos seus próprios empréstimos.

IV.I — Excesso da quantia escriturada do ativo sobre a quantia recuperável

14 — Quando a quantia escriturada ou o custo final esperado do ativo que se qualifica exceder
a sua quantia recuperável ou valor realizável líquido, a quantia escriturada deve ser reduzida
ou anulada de acordo com os requisitos da NCP 9 — Imparidade de Ativos. Em determinadas
circunstâncias, a quantia da redução ou anulação pode ser revertida de acordo com aquela
norma.

92
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

IV.II — Início da capitalização

15 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que
se qualifica deve começar quando:

(a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser efetuados;

(b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser suportados; e

(c) As atividades necessárias com vista a preparar o ativo para o uso pretendido ou venda
estejam em curso.

16 — Os dispêndios num ativo que se qualifica incluem apenas os que tenham resultado em
pagamentos em dinheiro, transferências de outros ativos ou na assunção de passivos que gerem
juros. A quantia média do ativo registada durante um período, incluindo os custos já
capitalizados de empréstimos obtidos, é normalmente uma aproximação razoável dos
dispêndios aos quais a taxa de capitalização é aplicada nesse período.

17 — As atividades necessárias para preparar o ativo para o seu uso pretendido ou venda
envolvem mais do que a sua construção física, incluindo o trabalho técnico e administrativo
anterior ao começo da construção física, tal como as atividades associadas à obtenção de
licenças. Porém, tais atividades excluem a detenção de um ativo quando nenhuma produção
ou desenvolvimento que altere a sua condição esteja a ocorrer. Por exemplo, os custos de
empréstimos suportados enquanto um terreno está em preparação são capitalizados durante o
período em que estejam a decorrer atividades relacionadas com a mesma. Porém, os custos de
empréstimos obtidos enquanto um terreno adquirido para fins de construção está detido sem
qualquer atividade de preparação associada não são elegíveis para capitalização.

IV.III — Suspensão da capitalização

18 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve ser suspensa quando o


desenvolvimento do ativo estiver interrompido por períodos extensos, devendo durante esses
períodos ser registados como gastos.

19 — Podem ser suportados custos de empréstimos obtidos durante um período alargado no qual
as atividades necessárias para preparar um ativo para o seu uso pretendido ou venda são
interrompidas. Estes custos são custos de detenção de ativos parcialmente concluídos e não são
elegíveis para capitalização. Porém, a capitalização de custos de empréstimos obtidos
normalmente não é suspensa durante um período em que está a ser executado trabalho técnico
e administrativo significativo. A capitalização de custos de empréstimos também não é suspensa
quando uma interrupção temporária constitui uma fase necessária do processo para preparar
um ativo para o seu uso pretendido ou venda. Por exemplo, a capitalização continua durante o
período necessário para os inventários estarem prontos ou o período durante o qual os altos
níveis da água atrasam a construção de uma ponte, se tais níveis de água são comuns durante
o período de construção na região envolvida.

93
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

IV.IV — Cessação da capitalização

20 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar o ativo que se qualifica para o seu uso pretendido ou venda estão
substancialmente concluídas.

21 — Em geral um ativo está pronto para o seu uso pretendido ou venda quando a respetiva
construção física estiver concluída, mesmo se algum trabalho administrativo de rotina
continuar. Se tudo o que faltar concluir forem pequenas modificações, tais como a decoração
de uma propriedade de acordo com a especificação do comprador ou do utilizador, isso significa
que todas as atividades estão substancialmente concluídas.

22 — Quando a construção de um ativo que se qualifica for concluída por partes e cada parte
estiver em condições de ser usada enquanto contínua a construção de outras, a capitalização
dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades necessárias para
preparar essa parte para o seu uso pretendido ou venda estiverem substancialmente concluídas.

23—É exemplo de um ativo que se qualifica relativamente ao qual cada parte está em condições
de ser usada embora a construção continue noutras partes, um parque empresarial
compreendendo vários edifícios em que cada um deles pode ser usado isoladamente. São
exemplos de ativos elegíveis que necessitam de estar concluídos antes que qualquer parte possa
ser usada, um bloco operatório num hospital quando toda a construção tem de ser concluída
para o bloco poder ser usado, uma instalação de tratamento de efluentes onde vários processos
são usados em sequência em diferentes partes da instalação, e uma ponte que faça parte de
uma autoestrada.

Paragrafo 88 a 99 da NCP PE - Custos de empréstimos obtidos

88 — Custos de empréstimos obtidos são juros e outros gastos suportados por uma entidade
relativos a empréstimos obtidos. Estes podem incluir:

(a) Juros de descobertos bancários e de empréstimos obtidos;

(b) Amortização de descontos ou prémios relativos a empréstimos obtidos;

(c) Amortização de custos acessórios suportados com a obtenção de empréstimos;

(d) Encargos financeiros relativos a locações financeiras; e

(e) Diferenças de câmbio relativas a empréstimos em moeda estrangeira na medida em que


sejam consideradas como um ajustamento do custo dos juros.

Reconhecimento

94
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

89 — Os custos de empréstimos obtidos que sejam diretamente atribuíveis à aquisição,


construção ou produção de um ativo que se qualifica devem ser capitalizados como parte do
custo desse ativo. Estes custos são capitalizados como parte do custo do ativo quando for
provável que deles resultem benefícios económicos futuros ou potencial de serviço para a
entidade e os custos possam ser mensurados com fiabilidade.

90 — Exceto nas circunstâncias referidas no parágrafo anterior, os custos de empréstimos


obtidos devem ser reconhecidos como um gasto no período em que são suportados
independentemente de como esses empréstimos são aplicados.

91 — Ativo que se qualifica é um ativo que necessita de um período substancial de tempo para
ficar disponível para o uso pretendido ou para venda.

Custos de empréstimos obtidos que se qualificam para capitalização

92 — Na medida em que os empréstimos sejam contraídos especificamente com a finalidade de


obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos elegíveis para
capitalização nesse ativo deve corresponder aos custos reais suportados durante o período
menos qualquer rendimento relativo ao investimento temporário desses empréstimos.

93 — Na medida em que os empréstimos sejam contraídos genericamente e usados com a


finalidade de obter um ativo que se qualifica, a quantia dos custos de empréstimos obtidos
elegíveis para capitalização deve ser determinada pela aplicação de uma taxa de capitalização
aos dispêndios relativos a esse ativo. A taxa de capitalização deve ser a média ponderada dos
custos dos empréstimos obtidos aplicável aos empréstimos contraídos pela entidade que
estejam em aberto durante o período, e que não sejam empréstimos especificamente
contraídos para obter um ativo que se qualifica. A quantia dos custos de empréstimos obtidos
capitalizados durante um período não deve exceder a quantia dos custos de empréstimos
obtidos durante esse período.

94 — Quando a quantia escriturada ou o custo final esperado do ativo que se qualifica exceder
a sua quantia recuperável ou o valor realizável líquido, a quantia escriturada deve ser reduzida
ou anulada de acordo com os requisitos de outros capítulos da presente Norma. Em
determinadas circunstâncias, a quantia da redução ou anulação pode ser revertida de acordo
com esses mesmos capítulos.

Início da capitalização

95 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos como parte do custo de um ativo que
se qualifica deve começar quando:

(a) Os dispêndios com o ativo estejam a ser efetuados;

(b) Os custos de empréstimos obtidos estejam a ser suportados; e

95
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

(c) As atividades necessárias com vista a preparar o ativo para o uso pretendido ou venda
estejam em curso.

96 — Os dispêndios num ativo que se qualifica incluem apenas os que tenham resultado em
pagamentos em dinheiro, transferências de outros ativos ou na assunção de passivos que gerem
juros. A quantia média do ativo registada durante um período, incluindo os custos já
capitalizados de empréstimos obtidos, é normalmente uma aproximação razoável dos
dispêndios aos quais a taxa de capitalização é aplicada nesse período.

Suspensão da capitalização

97 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve ser suspensa quando o


desenvolvimento do ativo, previsto no parágrafo 94 (c), estiver interrompido por períodos
extensos, devendo durante esses períodos ser registados como gastos.

Cessação da capitalização

98 — A capitalização dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades
necessárias para preparar o ativo que se qualifica para o seu uso pretendido ou venda estão
substancialmente concluídas.

99 — Quando a construção de um ativo que se qualifica for concluída por partes e cada parte
estiver em condições de ser usada enquanto continua a construção de outras, a capitalização
dos custos de empréstimos obtidos deve cessar quando todas as atividades necessárias para
preparar essa parte para o seu uso pretendido ou venda estiverem substancialmente concluídas.

Anexos - Fiscalidade

Art.º 67º CIRC - Limitação à dedutibilidade de gastos de financiamento

1. Os gastos de financiamento líquidos concorrem para a determinação do lucro tributável até


ao maior dos seguintes limites:

a) 1.000.000 €; ou

b) 30% do resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento líquidos


e impostos.

2. Os gastos de financiamento líquidos não dedutíveis nos termos do número anterior podem
ainda ser considerados na determinação do lucro tributável de um ou mais dos cinco
períodos de tributação posteriores, após os gastos de financiamento líquidos desse mesmo
período, observando-se as limitações previstas no número anterior.

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

3. Sempre que o montante dos gastos de financiamento deduzidos seja inferior a 30% do
resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento líquidos e
impostos, a parte não utilizada deste limite acresce ao montante máximo dedutível, nos
termos da alínea b) do n.º 1, até ao 5.º período de tributação posterior.

4. Para efeito do disposto nos n.ºs 2 e 3, consideram-se em primeiro lugar os gastos de


financiamento líquidos não dedutíveis e a parte não utilizada do limite referido no
número anterior que tenham sido apurados há mais tempo.

5. Nos casos em que exista um grupo de sociedades sujeito ao regime especial previsto
no artigo 69.º, a sociedade dominante pode optar, para efeitos da determinação do
lucro tributável do grupo, pela aplicação do disposto no presente artigo aos gastos de
financiamento líquidos do grupo nos seguintes termos:

a) O limite para a dedutibilidade ao lucro tributável do grupo corresponde ao valor


previsto na alínea a) do n.º 1, independentemente do número de sociedades
pertencentes ao grupo ou, quando superior, ao previsto na alínea b) do mesmo
número, calculado com base na soma algébrica dos resultados antes de
depreciações, amortizações, gastos de financiamento líquidos e impostos apurados
nos termos deste artigo pelas sociedades que o compõem;

b) Os gastos de financiamento líquidos de sociedades do grupo relativos aos períodos


de tributação anteriores à aplicação do regime e ainda não deduzidos apenas podem
ser considerados, nos termos do n.º 2, até ao limite previsto no n.º 1 correspondente
à sociedade a que respeitem, calculado individualmente;

c) A parte do limite não utilizado, a que se refere o n.º 3, por sociedades do grupo em
períodos de tributação anteriores à aplicação do regime apenas pode ser acrescido
nos termos daquele número ao montante máximo dedutível dos gastos de
financiamento líquidos da sociedade a que respeitem, calculado individualmente;

d) Os gastos de financiamento líquidos de sociedades do grupo, bem como a parte do


limite não utilizado a que se refere o n.º 3, relativos aos períodos de tributação em
que seja aplicável o regime, só podem ser utilizados pelo grupo,
independentemente da saída de uma ou mais sociedades do grupo.

6. A opção da sociedade dominante prevista no número anterior deve ser mantida por um
período mínimo de três anos a contar da data em que se inicia a sua aplicação, o qual é
automaticamente prorrogável por períodos de um ano, exceto no caso de renúncia.

7. A opção e a renúncia mencionadas nos n.ºs 5 e 6, respetivamente, devem ser


comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira através do envio, por transmissão
eletrónica de dados, da declaração prevista no artigo 118.º, até ao fim do 3.º mês do
período de tributação em que se pretende iniciar a respetiva aplicação ou dela
renunciar.

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

8. O previsto nos n.ºs 2 e 3 deixa de ser aplicável quando se verificar, à data do termo do
período de tributação em que é efetuada a dedução ou acrescido o limite, que, em
relação àquele a que respeitam os gastos de financiamento líquidos ou a parte do limite
não utilizada, se verificou a alteração da titularidade de mais de 50% do capital social
ou da maioria dos direitos de voto do sujeito passivo, salvo no caso de ser aplicável o
disposto no n.º 9 do artigo 52.º ou de ser obtida autorização do membro do Governo
responsável pela área das finanças em caso de reconhecido interesse económico,
mediante requerimento a apresentar na Autoridade Tributária e Aduaneira, nos prazos
previstos nos n.ºs 13 e 14 do artigo 52.º, consoante os casos.

9. O disposto no presente artigo aplica-se aos estabelecimentos estáveis de entidades não


residentes, com as necessárias adaptações.

10. Sempre que o período de tributação tenha duração inferior a um ano, o limite previsto
na alínea a) do n.º 1 é determinado proporcionalmente ao número de meses desse
período de tributação.

11. O disposto no presente artigo não se aplica às entidades sujeitas à supervisão do Banco
de Portugal e do Instituto de Seguros de Portugal, às sucursais em Portugal de
instituições de crédito e outras instituições financeiras ou empresas de seguros, e às
sociedades de titularização de créditos constituídas nos termos do Decreto-Lei n.º
453/99, de 5 de novembro.

12. Para efeitos do presente artigo, consideram-se:

a) Gastos de financiamento, os juros de descobertos bancários e de empréstimos


obtidos a curto e longo prazos ou quaisquer importâncias devidas ou imputadas à
remuneração de capitais alheios, abrangendo, designadamente, pagamentos no
âmbito de empréstimos participativos e montantes pagos ao abrigo de mecanismos
de financiamento alternativos, incluindo instrumentos financeiros islâmicos, juros
de obrigações, abrangendo obrigações convertíveis, obrigações subordinadas e
obrigações de cupão zero, e outros títulos assimilados, amortizações de descontos
ou de prémios relacionados com empréstimos obtidos, amortizações de custos
acessórios incorridos em ligação com a obtenção de empréstimos, encargos
financeiros relativos a locações financeiras, depreciações ou amortizações de
custos de empréstimos obtidos capitalizados no custo de aquisição de elementos do
ativo, montantes calculados por referência ao retorno de um financiamento no
âmbito das regras em matéria de preços de transferência, montantes de juros
nocionais no âmbito de instrumentos derivados ou de mecanismos de cobertura do
risco relacionados com empréstimos obtidos, ganhos e perdas cambiais relativos a
empréstimos obtidos e instrumentos associados à obtenção de financiamento, bem
como comissões de garantia para acordos de financiamento, taxas de negociação e
gastos similares relacionados com a obtenção de empréstimos;

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Gastos de financiamento líquidos, os gastos de financiamento que concorram para


a formação do lucro tributável após a dedução, até à respetiva concorrência, do
montante dos juros e outros rendimentos de idêntica natureza, sujeitos e não
isentos.

13. Para efeitos do presente artigo, o resultado antes de depreciações, amortizações,


gastos de financiamento líquidos e impostos corresponde ao lucro tributável ou prejuízo
fiscal sujeito e não isento, adicionado dos gastos de financiamento líquidos e das
depreciações e amortizações que sejam fiscalmente dedutíveis.

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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Referências Legislativas
Circular da Autoridade Tributária n.º 7/2013 de 19 de agosto

Código de Contas - DL 218/2015, de23 de julho, e declaração de retificação n.º 41-A/2015, de


21 de setembro;

Código do Imposto sobre rendimento das pessoas coletivas (IRC), com a alteração da Lei n.º
32/2019, de 3 de maio

Decreto-lei n.º 10-J/2020, de 26 de março - Estabelece medidas excecionais de proteção dos


créditos das famílias, empresas, instituições particulares de solidariedade social e demais
entidades da economia social, bem como um regime especial de garantias pessoais do Estado,
no âmbito da pandemia da doença COVID-19.

Estrutura Conceptual – Aviso n.º 8.254/2015, de 29 de julho e declaração de retificação n.º


917/2015, de 19 de outubro;

IAS 23 – Custos de Empréstimos Obtidos

IAS 39 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração

IFRS 9 – Instrumentos Financeiros

Lei n.º 8/2020, de 10 de abril - Primeira alteração, por apreciação parlamentar, ao Decreto-
Lei n.º 10 -J/2020, de 26 de março, que estabelece medidas excecionais de proteção dos
créditos das famílias, empresas, instituições particulares de solidariedade social e demais
entidades da economia social, bem como um regime especial de garantias pessoais do Estado,
no âmbito da pandemia da doença COVID -19

Modelos de demonstrações financeiras - DL 220/2015, de23 de julho, e declaração de


retificação n.º 41-B/2015, de 21 de setembro;

Norma Contabilística para Microentidades - Aviso n.º 8.255/2015, de 29 de julho, e declaração


de retificação n.º 914/2015, de 19 de outubro;

Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro - Aviso n.º 8.256/2015, de 29 de julho e


declaração de retificação n.º 918/2015, de 19 de outubro, designadamente:

NCRF 1 – Estrutura e Conteúdo das Demonstrações Financeiras

NCRF 6 – Ativos Intangíveis

NCRF 7 – Ativos Fixos Tangíveis

NCRF 9 - Locações

NCRF 10 – Custos de Empréstimos Obtidos

100
NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

NCRF 11 – Propriedades de Investimento

NCRF 17 – Ativos biológicos

NCRF 18 – Inventários

NCRF 19 – Contratos de construção

NCRF 20 - Rédito

NCRF 22 - Contabilização dos Subsídios do Governo e Divulgação de Apoios do Governo

NCRF 27 – Instrumentos financeiros

Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades - Aviso n.º 8.257/2015,
de 29 de julho e declaração de retificação n.º 915/2015, de 19 de outubro;

Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Entidades do Setor Não Lucrativo- Aviso n.º
8.259/2015, de 29 de julho e declaração de retificação n.º 916/2015, de 19 de outubro;

Normas Interpretativas - Aviso n.º 8.258/2015, de 29 de julho;

Sistema de Normalização Contabilística aprovado pelo DL 158/2009, de 13 de julho, republicado


no DL 98/2015, de 02 de junho;

Sistema de Normalização Contabilística para as administrações públicas aprovado pelo DL


192/2015, de11 de setembro;

Regime simplificado do Sistema de Normalização Contabilística para as administrações públicas


aprovado pela Portaria 2018/2016, de 9 de agosto;

Notas de enquadramento ao Plano de Contas Multidimensional aprovado pela portaria


189/2016, de 14 de julho;

Referências Bibliográficas
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NCRF 10 - Custo dos empréstimos obtidos
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102
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Web Referências

www.portaldasfinancas.gov.pt

www.cmvm.pt

www.iapmei.pt

103
ANCRF 10 - dos
tributação Custo dos eempréstimos
artistas obtidos
desportistas em sede de IRS, IRC e IVA - vertente nacional e internacional
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

104 155

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