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Abril

2020

FORMAÇÃO

NCRF 28 – Benefícios
dos Empregados

DIS3320

Márcio Pereira

www.occ.pt
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

FICHA TÉCNICA

Título: NCRF 28 – Benefícios dos Empregados

Autor: Márcio Pereira

Capa e paginação: DCI - Departamento de Comunicação e Imagem da OCC

© Ordem dos Contabilistas Certificados, 2020

Não é permitida a utilização deste Manual, para qualquer outro fim que não
o indicado, sem autorização prévia e por escrito da Ordem dos Contabilistas
Certificados, entidade que detém os direitos de autor.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Índice
1. Introdução ........................................................................................................................... 7
2. Objetivo e conceitos da NCRF 28 ...................................................................................... 9
2.1 Objetivo da norma ................................................................................................................ 9
2.2 Âmbito.................................................................................................................................... 9
2.3 Definições ............................................................................................................................. 11
Caso Prático 1 – Contratos de trabalho temporário ...................................................... 15
Caso Prático 2 – Realizações de utilidade social ............................................................. 17
3. Contas a utilizar ................................................................................................................ 19
4. Benefícios a curto prazo dos empregados ....................................................................... 27
4.1 Benefícios Monetários ................................................................................................... 32
Caso Prático 3 – Cálculo so salário/hora ......................................................................... 33
Caso Prático 4 - Processamento de Salários dos Órgãos Sociais ................................... 35
Caso Prático 5 - Processamento de Salários dos Trabalhadores ................................... 36
Caso Prático 6 - Processamento de Salários dos Trabalhadores ................................... 37
Caso Prático 7 - Processamento do Subsídios de Natal.................................................. 38
Caso Prático 8 – Estimativa de Férias e Subsídios de Férias......................................... 39
Caso Prático 9 – Estimativa de Férias, Subsídios de Férias e de Natal ........................ 41
Caso Prático 10 – Processamento das férias e Subsídios de Férias em 2020 ................ 43
4.2 Benefícios não monetários ............................................................................................ 45
Caso Prático 11 – Atribuição de casa de habitação ........................................................ 47
Caso Prático 12 – Atribuição de viatura a trabalhador ................................................. 49
Caso Prático 13 – Utilidade Social - Seguros .................................................................. 54
Caso Prático 14 – Utilidade Social – Vales sociais .......................................................... 55
Caso Prático 15 – Fornecimento de refeições aos trabalhadores .................................. 57
4.3 Ausências remuneradas a curto prazo ........................................................................ 59
Caso Prático 16 – Ausência remunerada ........................................................................ 62
Caso Prático 17 – Ausências remuneradas acumuláveis não gozadas .......................... 62
Caso Prático 18 – Ausências remuneradas não acumuláveis não gozadas ................... 64
4.4 Planos de participação nos lucros e de bónus ............................................................. 65
Caso Prático 19 – Gratificações aos gestores .................................................................. 69
Caso Prático 20 – Gratificações ao pessoal ..................................................................... 71
4.5 Benefícios dos empregados incluídos nos custos dos ativos ....................................... 74
Caso Prático 21 – Custos de produção de Ativos Fixos Tangíveis ................................ 75

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Caso Prático 22 – Custos de produção de Inventários ................................................... 76


5. Benefícios pós-emprego .................................................................................................... 77
5.1 Plano de benefícios definidos e Planos de contribuição definida .............................. 79
5.1.1 Plano de benefícios definidos.................................................................................... 80
Caso Prático 23 – Plano de benefícios definidos ............................................................. 88
Caso Prático 24 – Plano de benefícios definidos – Fundo de pensões ........................... 92
5.1.2 Plano de contribuição definida................................................................................. 94
Caso Prático 25 – Plano de contribuição definida – Fundo de pensões ........................ 95
Caso Prático 26 – Plano de contribuição definida – Fundo de pensões ........................ 96
5.2 Planos multiempregador .............................................................................................. 98
5.3 Planos estatais................................................................................................................ 99
5.4 Benefícios segurados ................................................................................................... 100
6. Outros benefícios a longo prazo ..................................................................................... 101
Caso Prático 27 – Estimativa de benefício a longo prazo sem plano associado ......... 102
7. Benefícios de cessação de emprego ................................................................................ 103
7.1 Cessação de emprego .................................................................................................. 103
Caso Prático 28 – Pagamento pela cessação do contrato de trabalho......................... 105
Caso Prático 29 – Pagamento pela cessação do contrato de trabalho......................... 107
7.2 Fundos de Compensação e Garantia do Trabalho ................................................... 109
Caso Prático 30 – Registo do FCT e do FGCT ............................................................. 114
Caso Prático 31 – Registo do Justo valor do FCT ........................................................ 116
Caso Prático 32 – Reembolso do FCT ........................................................................... 117
8. Beneficios de remuneração em capital próprio ............................................................ 119
9. Apresentação e divulgação ............................................................................................. 121
Referências Bibliográficas e Legislativas .............................................................................. 129

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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Abreviaturas

Art.º - Artigo
BADF - Bases de apresentação das demonstrações financeiras
CC - Contabilista Certificado
CCSS - Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social
CIRC - Código do imposto sobre rendimentos pessoas coletivas
CIRS – Código do imposto sobre rendimentos pessoas singulares
CNC - Comissão de Normalização Contabilística
CT - Código do Trabalho
DL - Decreto-lei
EC - Estrutura conceptual
ESNL - Entidades do setor não lucrativo
FAQ - Frequently asked questions (respostas a perguntas frequentes)
FCT - Fundo de compensação do trabalho
FGCT - Fundo de garantia de compensação do trabalho
IRC - Imposto sobre rendimento pessoas coletivas
IRS – Imposto sobre rendimento pessoas singulares
NC-ME - Norma contabilística para microentidades
NCRF - Normas contabilísticas e de relato financeiro
NCRF–PE - Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades
NCRF–ESNL - Norma contabilística e de relato financeiro para as entidades do setor não
lucrativo
ME - Mecanismo equivalente
OCC - Ordem dos Contabilistas Certificados
SNC - Sistema de normalização contabilística

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A folha está propositadamente branca.
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ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

1. Introdução

Este manual foi elaborado expressamente para as ações de formação segmentada da OCC,
sendo um complemento a outros efetuados em anos anteriores, com o objetivo de
atualização do estudo sobre o tema.

Neste sentido, foi elaborado esta manual, que pretende esclarecer o tema tratado na
Norma Contabilística e de Relato Financeiro (NCRF) 28 – Benefícios dos Empregados,
tendo em consideração a legislação atualmente em vigor.

Esta Norma Contabilística e de Relato Financeiro, publicada, juntamente com todas as


restantes, no Aviso n.º 8256/2015, de 29 de julho, com as alterações publicadas na
declaração de retificação n.º 918/2015, de 19 de outubro, tem por base a Norma
Internacional de Contabilidade IAS 19 — Benefícios dos Empregados, adotada pelo texto
original do Regulamento (CE) n.º 1126/2008 da Comissão, de 3 de novembro. Este
enquadramento será importante nos casos em que existam alterações às normas
internacionais.

Assim, no caso de as normas internacionais serem alteradas, estas alterações apenas serão
acolhidas em Portugal depois de alterado o aviso de publicação das normas contabilísticas
e de relato financeiro.

De referir que sempre que na presente NCRF existam remissões para as normas
internacionais de contabilidade, entende -se que estas se referem às adotadas pela União
Europeia, nos termos do Regulamento (CE) n.º 1606/2002 do Parlamento Europeu e do
Conselho de 19 de Julho e, em conformidade com o texto original do Regulamento (CE)
n.º 1126/2008 da Comissão, de 3 de Novembro. Mesmo com esta alteração do SNC a
partir de 01 de janeiro de 2016, as normas internacionais de contabilidade de referência,
para o caso de supressão de lacunas, por exemplo, continuam a ser as que já estavam a
ser utilizadas em 2010.

No entanto, relativamente a este assunto, muitas as empresas, para além das que aplicam
as Normas Internacionais de Contabilidade, por obrigação, ou por opção, derrogam o
normativo nacional e aplicam a IAS 19, na sua redação atual.

Neste manual, iremos abordar a NCRF 28, que pretende prescrever a contabilização e a
divulgação dos benefícios dos empregados.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O manual tem por base a NCRF 28, não se pretendendo abordar o tema dos benefícios
dos empregados nas microentidades, pequenas entidades ou entidades do setor não
lucrativo. De todo o modo, o tratamento dos benefícios dos empregados é muito similar
em todas os normativos contabilísticos. Sempre que considerarmos relevante, iremos
assinalar as diferenças entre os normativos.

O manual começa por apresentar os objetivos e o âmbito da norma. De seguida são


apresentados alguns conceitos referidos na norma (conceitos que consideramos
importantes). Posteriormente é feita uma referência às contas utilizadas, onde
apresentamos algumas propostas de subcontas a criar.

As regras de reconhecimento e mensuração serão explanadas por tipo de benefício,


recorrendo sempre que possível a exemplos, nos quais serão apresentados propostas de
lançamentos contabilísticos a efetuar. Ainda que não faça parte do âmbito deste trabalho,
sempre que se mostre pertinente iremos fazer referência ao tratamento fiscal deste tema.

As divulgações a efetuar, quer por estarem referidas na minuta do anexo para esta norma,
quer as que sejam exigidas por outras normas, designadamente a NCRF 5 – Divulgações
de Partes Relacionadas, serão também abordadas neste trabalho.

É importante considerarmos que esta norma não trata dos direitos e deveres dos
empregados. Estes estão legislados no Código do Trabalho1, ou em legislação específica
no caso dos funcionários públicos, por exemplo. Esta norma define como reconhecer e
mensurar os direitos e montantes atribuídos pela legislação específica de trabalho.

Ao longo deste manual, irão ser feitas algumas referências ao Código do Trabalho,
principalmente quanto ao enquadramento dos benefícios.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2. Objetivo e conceitos da NCRF 28

2.1 Objetivo da norma

A Norma Contabilística e de Relato Financeiro 28 (NCRF 28) Benefícios dos


Empregados tem como objetivo prescrever a contabilização dos benefícios dos
empregados, das entidades empregadoras que apliquem o regime geral do Sistema de
Normalização Contabilístico (SNC – 28 normas). Neste âmbito a norma exige que uma
entidade reconheça:

ü Um passivo quando um empregado tiver prestado serviços em troca de benefícios


dos empregados a serem pagos no futuro; e
ü Um gasto quando a entidade consumir o benefício económico proveniente do
serviço proporcionado por um empregado em troca dos benefícios dos
empregados.

2.2 Âmbito

Nos parágrafos 2 a 7 é delineado o âmbito desta norma. Assim sendo, esta norma deve
ser aplicada por um empregador na contabilização dos benefícios dos empregados,
incluindo aqueles proporcionados:

ü Segundo planos formais ou outros acordos formais entre uma entidade e


empregados individuais, grupos de empregados ou seus representantes;
ü Segundo requisitos legais, ou através de acordos sectoriais, pelos quais se exige
às entidades para contribuírem para planos nacionais, estatais, sectoriais ou
outros multiempregador; ou
ü Pelas práticas informais que deem origem a uma obrigação construtiva. Práticas
informais dão origem a uma obrigação construtiva quando a entidade não tiver
alternativa realista senão pagar benefícios aos empregados. É exemplo de uma
obrigação construtiva quando uma alteração nas práticas informais da entidade
causasse um dano inaceitável no seu relacionamento com os empregados.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os benefícios dos empregados incluem:

ü Benefícios a curto prazo dos empregados, tais como salários, ordenados e


contribuições para a segurança social, licença anual paga e licença por doença
paga, participação nos lucros e bónus (se pagáveis dentro de doze meses após o
final do período) e benefícios não monetários (tais como cuidados médicos,
habitação, automóveis e bens ou serviços gratuitos ou subsidiados) relativos aos
empregados correntes;
ü Benefícios pós-emprego tais como pensões, outros benefícios de reforma, seguro
de vida pós-emprego e cuidados médicos pós-emprego;
ü Outros benefícios a longo prazo dos empregados, incluindo licença por serviço
prolongado ou licença sabática, jubilação ou outros benefícios por serviço
prolongado, benefícios de invalidez a longo prazo e, se não forem pagáveis
completamente dentro de doze meses após o final do período, a participação nos
lucros, bónus e remunerações diferidas;
ü Benefícios de cessação de emprego; e
ü Benefícios de remuneração em capital próprio.

Os benefícios dos empregados incluem os benefícios proporcionados quer a empregados


quer aos seus dependentes e podem ser liquidados por pagamentos (ou o fornecimento de
bens e serviços) feitos quer diretamente aos empregados, aos seus cônjuges, filhos ou
outros dependentes quer a outros, tais como empresas de seguros.

Um empregado pode proporcionar serviços a uma entidade numa base de tempo


completo, de tempo parcial, permanente, eventual ou temporária. Para os fins desta
Norma, os empregados incluem diretores e outro pessoal de gerência.

Esta Norma não trata do relato dos planos de benefícios dos empregados.

Atendendo ao anteriormente exposto podemos observar que o âmbito da norma é bastante


abrangente e visa tratar de todos os benefícios proporcionado por uma entidade aos seus
empregados.

Para melhor entendimento do âmbito da norma é necessário atendermos às definições de


alguns conceitos.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
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2.3 Definições

O parágrafo 8 apresenta as definições para aplicação da norma, entre os quais destacamos


os seguintes:

Benefícios dos empregados: são todas as formas de remuneração dadas por uma entidade
em troca do serviço prestado pelos empregados.

Benefícios adquiridos pelos empregados: são benefícios dos empregados que não
estejam condicionados ao futuro.

Benefícios a curto prazo dos empregados: são os benefícios dos empregados (que não
sejam benefícios de cessação de emprego e benefícios de compensação em capital
próprio) que se vençam na totalidade dentro de doze meses após o final do período em
que os empregados prestem o respetivo serviço.

Benefícios a longo prazo dos empregados: são benefícios dos empregados (que não
sejam benefícios pós-emprego, benefícios de cessação de emprego e benefícios de
remuneração em capital próprio) que não se vençam na totalidade dentro de doze meses
após o final do período em que os empregados prestam o respetivo serviço.

Benefícios de remuneração em capital próprio: são benefícios dos empregados pelos


quais:

a) Os empregados têm direito a receber instrumentos financeiros de capital próprio


emitidos pela entidade (ou pela sua empresa mãe); ou

b) A quantia da obrigação da entidade para com os empregados depende do preço


futuro de instrumentos financeiros de capital próprio emitidos pela entidade.

Benefícios por cessação de emprego (términus): são benefícios dos empregados


pagáveis em consequência de:

a) A decisão de uma entidade cessar o emprego de um empregado antes da data


normal da reforma; ou de

b) A decisão de um empregado de aceitar a saída voluntária em troca desses


benefícios.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
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Benefícios pós-emprego: são benefícios dos empregados (que não sejam benefícios de
cessação de emprego e benefícios de compensação em capital próprio) que sejam
pagáveis após a conclusão do emprego.

Empregados: Na norma não apresenta uma definição de empregado, apena refere que
um empregado usufrui dos benefícios tratados nesta norma porque proporciona, à
entidade, serviços, sejam estes serviços executados numa base de tempo completo, de
tempo parcial, permanente, eventual ou temporária. Em regra, estamos perante
empregados quando existe um vínculo contratual entre a empresa contratante e o
empregado.

A Comissão de Normalização Contabilística (CNC), por intermédio da questão frequente


– setor empresarial (FAQ 18), transcreve o artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6
de novembro:

“Artigo 5.º

Os efetivos correspondem ao número de unidades trabalho-ano (UTA), isto é, ao número


de pessoas que tenham trabalhado na empresa em questão ou por conta dela a tempo
inteiro durante todo o ano considerado. O trabalho das pessoas que não tenham trabalhado
todo o ano, ou que tenham trabalhado a tempo parcial, independentemente da sua duração,
ou o trabalho sazonal, é contabilizado em fracções de UTA. Os efetivos são compostos:
a) Pelos assalariados; b) Pelas pessoas que trabalham para essa empresa, com um nexo de
subordinação com ela e equiparados a assalariados à luz do direito nacional; c) Pelos
proprietários-gestores; d) Pelos sócios que exerçam uma atividade regular na empresa e
beneficiem das vantagens financeiras da mesma. Os aprendizes ou estudantes em
formação profissional titulares de um contrato de aprendizagem ou de formação
profissional não são contabilizados nos efetivos. A duração das licenças de maternidade
ou parentais não é contabilizada."

Deste modo, somos da opinião que havendo vínculo contratual estamos perante
empregados com enquadramento na NCRF 28. Não havendo vínculo contratual estamos
perante dispêndios não enquadrados nesta norma.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
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Obrigação Construtiva: Por definição da NCRF 21, uma Obrigação construtiva é uma
obrigação que decorre das ações de uma entidade em que: (a) por via de um modelo
estabelecido de práticas passadas, de políticas publicadas ou de uma declaração corrente
suficientemente específica, a entidade tenha indicado a outras partes que aceitará certas
responsabilidades; e (b) em consequência, a entidade tenha criado uma expectativa válida
nessas outras partes de que cumprirá com essas responsabilidades.

Em termos resumidos podemos afirmar que os benefícios dos empregados incluem:

ü todas as compensações pelo serviço prestado pelos empregados, em dinheiro, ou


em espécie, referentes ao período em que o empregado está em funções ou
posteriores a este período;
ü as contribuições para a segurança social, ou outros regimes sociais, tal como por
exemplo a Caixa Geral de Aposentações;
ü outros valores a pagar aos empregados, por obrigações assumidas pela entidade
relacionadas com os seus empregados;
ü outros valores a pagar a terceiros, por exigência legal, ou obrigações assumidas
pela entidade, como por exemplo seguros de acidentes de trabalho ou seguros de
saúde contratados para os funcionários;
ü Pagamentos efetuados no âmbito do Fundo de Compensação do Trabalho (FCT)
e Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho (FGCT).

Assim, os benefícios dos empregados aos quais esta Norma se aplica incluem aqueles
proporcionados:

ü Segundo planos formais ou outros acordos formais entre uma entidade e


empregados individuais, grupos de empregados ou seus representantes, tal como
por exemplo os resultantes de contratos de trabalho;
ü Segundo requisitos legais, ou através de acordos sectoriais, pelos quais se exige
às entidades para contribuírem para planos nacionais, estatais, sectoriais ou outros
multiempregador; ou
ü Pelas práticas informais que deem origem a uma obrigação construtiva. Neste
caso, a entidade pode estar impedida de alterar as suas práticas informais, não por
exigência legal, mas porque a alteração dessas práticas iria causar um dano

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
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inaceitável e irreversível no seu relacionamento com os empregados, com impacto


na produtividade.

Estes benefícios incluem os benefícios proporcionados quer a empregados quer aos seus
dependentes (por exemplo a empresa pode ter como política atribuir um subsídio mensal
por cada filho), estes benefícios podem ser liquidados diretamente aos empregados, aos
seus cônjuges, filhos ou outros dependentes quer a outros, tais como empresas de seguros,
de acordo com o que for acordado com o trabalhador.

Um empregado usufrui dos benefícios tratados nesta norma porque proporciona, à


entidade, serviços, sejam estes serviços executados numa base de tempo completo, de
tempo parcial, permanente, eventual ou temporária. Assim, pelo serviço prestado à
entidade os funcionários têm o direito a uma retribuição que pode ser mensal ou com
outra periodicidade, que será tratada nos termos desta norma.

Para os fins desta Norma, o conceito de empregado inclui também diretores, gerentes,
administradores, membros do Conselho Fiscal, e outros órgãos da entidade (tal como por
exemplo os membros da Assembleia Geral), sejam estes detentores do capital ou não. De
referir que esta norma não se aplica aos detentores do capital, que não exercem qualquer
função na entidade, nem prestam serviços à entidade. Assim, um detentor de capital da
entidade que não exerça qualquer função na empresa, não terá qualquer remuneração,
pelo que não se lhe aplica esta norma.

Os benefícios aos empregados assumem as seguintes formas:

ü Benefícios a curto prazo dos empregados;


ü Benefícios pós–emprego;
ü Outros benefícios a longo prazo dos empregados;
ü Benefícios de cessação de emprego;
ü Benefícios de remuneração em capital próprio.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
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Caso Prático 1 – Contratos de trabalho temporário

A sociedade M dedica-se ao fabrico de artigos têxteis. Devido às constantes de


necessidade de mão-de-obra operacional, a entidade recorre frequentemente à contratação
de trabalhadores temporários, celebrando para o efeito contratos com empresas de
trabalho temporário. Nesse contrato os trabalhadores exercem os seus serviços sob a
alçada da sociedade M (entidade utilizadora do serviço) mas têm vínculo contratual
(contrato de trabalho) com a empresa de trabalho temporário. Mensalmente, estas
empresas de trabalho temporário emitem uma fatura com a totalidade dos gastos
suportados com os colaboradores temporários (salários, prestações para a segurança
social, etc.).

Como classificar estes gastos? Podemos considerar os gastos com estes trabalhadores
como gastos com o pessoal?

Comentários

De facto, a NCRF 28 não apresenta uma definição de empregado. No entanto, a norma


refere que um empregado usufrui dos benefícios tratados nesta norma porque
proporciona, à entidade, serviços, sejam estes serviços executados numa base de tempo
completo, de tempo parcial, permanente, eventual ou temporária.

Em regra, estamos perante empregados quando existe um vínculo contratual entre a


empresa contratante e o empregado. No caso do trabalho temporário, esse contrato é
celebrado entre o trabalhador e a empresa de trabalho temporário. Isto é, entre a entidade
utilizadora do serviço e o trabalhador não existe nenhum vínculo contratual.

No caso em concreto, a entidade celebrou um contrato com uma empresa de trabalho


temporário, logo estes trabalhadores não fazem parte da empresa. Por isso, somos da
opinião de que a contabilização destes gastos, como sendo gastos com o pessoal, não é a
forma mais correta, uma vez que esta destina-se apenas ao pessoal da empresa.

Na questão é referido que no caso em concreto os trabalhadores, apesar de não terem


vínculo contratual com a entidade (sociedade M), “atuam sob subordinação operacional

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

direta da Sociedade M”. Por esta razão, é levantada a possibilidade de aplicação da


característica qualitativa das demonstrações financeiras da substância sob a forma.

A esse respeito damos nota que a atividade das empresas de trabalho temporário encontra-
se regulada no D.L. n.º 358/89, de 17 de outubro, alterado pela Lei n.º 39/96, de 31 de
agosto e pela Lei n.º 146/99, de 1 de setembro. A Lei n.º 99/2003, de 27 de agosto, que
aprovou o Código do Trabalho, em vigor desde 2003-12-01, revogou os artigos 26.º a 30.º
do Decreto-Lei n.º 358/89, de 17 de outubro.

A celebração de contrato de trabalho, ao abrigo deste diploma, parece condicionada pela


verificação de alguma das situações previstas para a celebração de contrato de utilização.
Em concreto o artigo 175.º do Código de trabalho identifica as situações em que o
utilizador poderá recorrer ao trabalho temporário. Salvo melhor opinião, em termos
gerais, o recurso ao trabalho temporário tem como objetivo fazer face a situações pontuais
(ex. aumento de encomendas, substituição de empregados por ausência, etc.). Ou seja, em
princípio a legislação perece indicar que, a este tipo de contratos está intrínseca a ideia de
contratação limitada no tempo para fazer face a uma situação em concreto. Por esta razão,
somos da opinião que a característica qualitativa da substância sob a forma não deve ser
aplicada neste caso em concreto.

Assim sendo, nos casos em que existe um vínculo contratual entre os empregados e a
entidade, pelo processamento dos ordenados, salários e outras remunerações, dentro do
mês a que respeitem, debita-se as respetivas subcontas da conta 63 - Gastos com o pessoal,
por crédito de 231 – remunerações a pagar.

No caso de aquisição de trabalho temporário, também nos casos em que existe a cedência
de pessoal, não existe o processamento de salários, pelo que o gasto deve ser registado
numa subconta da conta 62 - Fornecimentos e serviços externos, por contrapartida a
crédito da conta de fornecedores que identifica a empresa de trabalho temporário ou a
entidade que cede os trabalhadores. Há autores que defendem que este tipo de custo deve
ser evidenciado em subconta da 621 - Fornecimentos e Serviços Externos - Subcontratos,
uma vez que existe um compromisso ou acordo devidamente formalizado. Não obstante,
outros procedimentos podem ser aceites, eventualmente em rubricas de carácter mais
residual. A utilização de trabalhos especializados face ao teor das notas explicativas não
nos parece ser o mais adequado, salvo melhor opinião.

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 2 – Realizações de utilidade social

A entidade N promoveu um jantar de natal para todos os seus colaboradores e principais


clientes. Este ano decidiu igualmente promover uma festa de natal para os filhos dos
empregados.

Estes dispêndios são gastos com o pessoal?

Comentários

A contabilização dos custos incorridos com o jantar de Natal destinada aos empregados
e seus familiares, assim como os custos incorridos com a realização da festa de natal para
os dependentes dos empregados, poderá fazer-se por contrapartida de uma conta 637 –
Gastos de ação social.

Já os custos incorridos com o jantar de natal dos clientes convidados não poderão ser
considerados como gastos com o pessoal. Estes gastos deverão ser contabilizados na
conta 6266 – Despesas de representação

Os encargos suportados pela empresa, relativos a festa/jantar de Natal dos seus


empregados e familiares, revestem a natureza de realizações de utilidade social previstas
no n.º 1 do artigo 43.º do Código do IRC e como tal reconhecidos como custo para efeitos
fiscais.

As despesas de representação para que possam ser consideradas como gastos fiscais,
haverá que atender aos requisitos exigidos pela legislação fiscal. Assim, o CIRC
considera como gastos dedutíveis todos aqueles em que o sujeito passivo incorreu ou
suportou para obtenção dos rendimentos sujeitos a IRC, conforme nos transmite o artigo
23.º do CIRC.

Nos termos do n.º 7 do artigo 88.º do CIRC "São tributados autonomamente à taxa de
10% os encargos dedutíveis relativos a despesas de representação, considerando-se como
tal, nomeadamente, as despesas suportadas com receções, refeições, viagens, passeios e
espetáculos oferecidos no País ou no estrangeiro a clientes ou fornecedores ou ainda a
quaisquer outras pessoas ou entidades."

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A folha está propositadamente branca.
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

3. Contas a utilizar

A seguir apresentamos as contas que são utilizadas com a aplicação da norma dos
benefícios dos empregados. Estas contas foram publicadas na portaria n.º 218/2015, de
23 de julho, dando seguimento às Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de julho, alterado e
republicado pelo Decreto-Lei n.º 98/2015, de 2 de junho, que aprova o SNC. Nestes
diplomas é mencionada a necessidade de publicação de uma portaria com um Código de
Contas de utilização generalizada, o Código de Contas específico das ESNL e o Código
de Contas específico das microentidades, e que se pretende sejam documentos não
exaustivos.

Assim sendo, com a Portaria n.º 218/2015, de 23 de julho, foi publicado o código de
contas que inclui:

1) Quadro síntese de contas;

2) Código de contas; e

3) Notas de enquadramento

As contas a ter em consideração, no reconhecimento e mensuração dos benefícios dos


empregados são as seguintes

Contas a pagar/receber:

23 Pessoal
231 Remunerações a pagar
2311 Aos órgãos sociais
2312 Ao pessoal
232 Adiantamentos
2321 Aos órgãos sociais
2322 Ao pessoal
……
237 Cauções (conta não disponível para microentidades)
2371 Dos órgãos sociais
2372 Do pessoal
238 Outras operações

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NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

2381 Com os órgãos sociais


2382 Com o pessoal
239 Perdas por imparidade acumuladas

Relativamente a estas contas, a portaria nas notas de enquadramento apenas refere o


seguinte:

231 - Remunerações a pagar

O movimento desta conta insere-se no seguinte esquema normalizado:

1.ª fase - pelo processamento dos ordenados, salários e outras remunerações, dentro do
mês a que respeitem: débito, das respetivas subcontas de 63 - Gastos com o pessoal, por
crédito de 231, pelas quantias líquidas apuradas no processamento e normalmente das
contas 24 - Estado e outros entes públicos (nas respetivas subcontas), 232 -
Adiantamentos e 278 - Outros devedores e credores, relativamente aos sindicatos,
consoante as entidades credoras dos descontos efetuados (parte do pessoal);

2.ª fase - pelo processamento dos encargos sobre remunerações (parte patronal), dentro
do mês a que respeitem: débito da respetiva rubrica em 635 - Gastos com o pessoal -
Encargos sobre remunerações, por crédito das subcontas de 24 - Estado e outros entes
públicos a que respeitem as contribuições patronais;

3.ª fase - Pelos pagamentos ao pessoal e às outras entidades: debitam-se as contas 231,
24 e 278, por contrapartida das contas da classe 1.

Chamamos a atenção para a definição de remuneração constante, quer na NCRF 28, quer
na NCRF 5 – Divulgação de Partes Relacionadas, que é bastante lata. Assim, para efeito
das normas a remuneração inclui todos os benefícios dos empregados sob todas as formas
de retribuição paga, a pagar ou proporcionada pela entidade, ou em nome da entidade, em
troca de serviços prestados à entidade.

Também inclui as retribuições pagas em nome da empresa-mãe da entidade com respeito


aos serviços prestados à entidade. Neste conceito alargado, a remuneração inclui:

a) Benefícios de curto prazo de empregados no ativo;

b) Benefícios pós-emprego;

20
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

c) Outros benefícios de longo prazo dos empregados;

d) Benefícios por cessação de emprego; e

e) Pagamento com base em ações.

Desta forma, na conta 23 – Pessoal, deverão ser reconhecidos todos os ativos e passivos
relacionados com as remunerações.

Impostos e Contribuições:

24 Estado e outros entes públicos


…..
242 Retenção de impostos sobre rendimentos
…..
245 Contribuições para a Segurança Social
248 Outras Tributações – FCT e FGCT

Nas notas de enquadramento é apenas feita referência à conta 242 - Retenção de impostos
sobre rendimentos

Esta conta movimenta a crédito o imposto que tenha sido retido na fonte relativamente a
rendimentos pagos a sujeitos passivos de IRC ou de IRS, podendo ser subdividida de
acordo com a natureza dos rendimentos.

Outras contas a receber e a pagar:

27 Outras contas a receber e a pagar


… ...
272 Devedores e credores por acréscimos (periodização económica)
… ...
2722 Credores por acréscimos de gastos… …
273 Benefícios pós-emprego (Conta não disponível para as microentidades).

Nas notas de enquadramento é apenas feita referência à conta 273 – Benefícios pós-
emprego, mencionando o seguinte:

Regista as responsabilidades da entidade perante os seus trabalhadores ou perante a


sociedade gestora de um fundo autónomo.

21
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No que respeita à utilização do regime do acréscimo, o reconhecimento dos benefícios


dos empregados implica movimentos contabilísticos nas contas de credores por
acréscimos de gastos. Nas operações relacionadas com o princípio da periodização
económica, para facilitar a verificação e análise daqueles saldos, sugerimos uma
subdivisão por valor a tipo de valor a pagar:

27 Outras contas a receber e a pagar


272 Devedores e credores por acréscimos (periodização económica)
2722 Credores por acréscimos de gastos
27221 Benefícios dos empregados
272211 Encargos com férias
272212Remunerações a pagar
272213 Gratificações a pagar
272214 …….

Tal como é referido na nota de enquadramento da conta 231 – Remunerações a pagar, nos
casos em que as entidades descontam do salário do trabalhador o desconto do valor
respeitante ao sindicato, esse montante descontado deve ser contabilizado na conta 278 –
Outros devedores e credores. Assim, propomos que seja criada uma conta especifica para
o efeito.

278 Outros devedores e credores


278X Sindicato

Diferimentos:

Principalmente em situações do reconhecimento de valores descontados, pela utilização


do regime do acréscimo, poderão ter que ser utilizadas contas de diferimentos,
designadamente:

28 Diferimentos
281 Gastos a reconhecer
… ...

No que respeita aos diferimentos, o código de contas apenas se refere uma conta para
todos os gastos a reconhecer. Assim, e para melhorar a análise da informação da entidade

22
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

e possibilitar maior informação aos serviços da empresa, sugerimos também uma


desagregação desta conta, de acordo com o tipo de gasto a reconhecer.

Assim, no que se reporta aos benefícios dos empregados, sugerimos uma subdivisão para
o pessoal (nomenclatura associada à conta 23 do código de contas):

28 Diferimentos
281 Gastos a reconhecer
2811 Pessoal

Investimentos Financeiros:

Para registo ao ativo financeiro relacionado com o FCT, o código das contas, e a
informação da CNC, referem a conta:

41 Investimentos financeiros
… ….
415 Outros investimentos financeiros (no caso das microentidades esta conta não
pode ser utilizada. Sugere-se a utilização da conta 414x).

4158 Outros

Gastos e rendimentos:

Nas contas de Gastos e rendimentos, os benefícios dos empregados são reconhecidos nas
seguintes contas:

63 Gastos com o pessoal


631 Remunerações dos órgãos sociais
632 Remunerações do pessoal
633 Benefícios pós-emprego
6331 Prémios para pensões
6332 Outros benefícios
634 Indemnizações
635 Encargos sobre remunerações
636 Seguros de acidentes no trabalho e doenças profissionais
637 Gastos de ação social
638 Outros gastos com o pessoal

23
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

66 Perdas por redução de justo valor


… ….
662 Em investimentos financeiros
77 Ganhos por aumento de justo valor
… ….
772 Em investimentos financeiros

Nas notas de enquadramento ao código de contas apenas é feita referência à conta 6331 .
Prémios para pensões:

Respeita aos prémios da natureza em epígrafe destinados a entidades externas, a fim de


que estas venham a suportar oportunamente os encargos com o pagamento de pensões
ao pessoal.

Nas contas de gastos, como podemos observar, o código de contas apenas inclui as contas
principais. Assim, e de acordo com a entidade, o plano de contas a utilizar deverá conter
todas as subcontas necessárias ao bom entendimento e compreensibilidade dos valores
reconhecidos como gastos com pessoal. Nesta desagregação deverá ser tida em
consideração quer os programas informáticos utilizados, quer a informação que a Gestão
das entidades necessita, proveniente dos registos contabilísticos, sintetizados num
balancete.

A título de sugestão, as contas de pessoal poderão ser desagregadas da seguinte forma:

as contas 631 - Remunerações dos órgãos sociais e 632 - Remunerações do pessoal:

63*01 – Remunerações
63*02 – Subsídio de Alimentação
63*03 – Prémios
63*04 – Gratificações
63*05 – Ajudas de Custo
63*06 – Encargos com férias e natal
63*07– Outros Benefícios dos empregados
…..
63*09 – Benefícios não monetários

24
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

as contas 635 - Encargos sobre remunerações:

6351 – Contribuições para a Segurança Social


63511 – Órgãos Sociais
63512 - Pessoal
6352 – Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho
63521 – Órgãos Sociais
63522 - Pessoal
6353 – ADSE
63531 – Órgãos Sociais
63532 - Pessoal
6354 – Caixa Geral de Aposentações
63541 – Órgãos Sociais
63542 - Pessoal
…..

As contas de 636 - Seguros de acidentes no trabalho e doenças profissionais, 637 Gastos


de ação social, 638 Outros gastos com o pessoal, poderão ser desagregadas entre Órgãos
Sociais e Pessoal, bem como em todos os gastos que sejam relevantes para a informação
a prestar à Gestão das entidades.

25
A folha está propositadamente branca.
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4. Benefícios a curto prazo dos empregados

Como já anteriormente referido, para um benefício dos empregados ser qualificado como
de curto prazo, são necessárias duas condições simultâneas (§8):

ü não sejam benefícios de cessação de emprego e benefícios de compensação em


capital próprio;
ü que se vençam na totalidade dentro de doze meses após o final do período em que
os empregados prestem o respetivo serviço.

No § 11 da norma é referido o seguinte:

11 - Quando um empregado tenha prestado serviço a uma entidade durante um período


contabilístico, a entidade deve reconhecer a quantia não descontada de benefícios a
curto prazo dos empregados que espera pagar em troca desse serviço:

a) Como um passivo (acréscimo de gasto), após dedução de qualquer quantia já


paga. Se a quantia já paga exceder a quantia não descontada dos benefícios, uma
entidade deve reconhecer esse excesso como um ativo (gasto antecipado) na
extensão de que o pré-pagamento conduzirá, por exemplo, a uma redução em
futuros pagamentos ou a uma restituição de dinheiro; e

b) Como um gasto, salvo se outra Norma Contabilística e de Relato Financeiro


exigir ou permitir a inclusão dos benefícios no custo de um ativo (ver, por
exemplo, NCRF 18 - Inventários e a NCRF 7 - Ativos Fixos Tangíveis).

Os parágrafos 12, 15 e 18 explicam como uma entidade deve aplicar este requisito a
benefícios a curto prazo dos empregados na forma de ausências permitidas e de planos
de participações nos lucros e de bónus.

De salientar que a norma se refere aos benefícios já adquiridos pelos empregados, uma
vez que não se encontram condicionados ao futuro. Estes colaboradores já prestaram
serviço à entidade pelo que têm direito a uma retribuição. Estes benefícios representam
já um direito dos empregados e não estão condicionados a qualquer ocorrência futura.

27
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Legislação Laboral

A legislação laboral (artigo 258. º do Código do Trabalho) estabelece como retribuição a


prestação a que, nos termos do contrato, das normas que o regem ou dos usos, o
trabalhador tem direito em contrapartida do seu trabalho. Esta retribuição compreende a
retribuição base e outras prestações regulares e periódicas feitas, direta ou indiretamente,
em dinheiro ou em espécie. A legislação laboral tem como presunção tratar-se de uma
remuneração qualquer prestação do empregador ao trabalhador.

Ainda de acordo com a legislação laboral (Art.º 259.º do Código do Trabalho), a prestação
retributiva não pecuniária, ou em espécie, deve destinar-se à satisfação de necessidades
pessoais do trabalhador ou da sua família. O valor das remunerações em espécie não pode
exceder o valor da remuneração em dinheiro, exceto se tal estiver disposto em
instrumento de regulamentação coletiva de trabalho.

Ainda no âmbito da legislação laboral, designadamente de acordo com o código de


trabalho, o artigo 260º refere que não se consideram retribuição:

a) As importâncias recebidas a título de ajudas de custo, abonos de viagem, despesas


de transporte, abonos de instalação e outras equivalentes, devidas ao trabalhador
por deslocações, novas instalações ou despesas feitas em serviço do empregador,
salvo quando, sendo tais deslocações ou despesas frequentes, essas importâncias,
na parte que exceda os respetivos montantes normais, tenham sido previstas no
contrato ou se devam considerar pelos usos como elemento integrante da
retribuição do trabalhador; Aplica-se, com as necessárias adaptações, ao abono
para falhas e ao subsídio de refeição;
b) As gratificações ou prestações extraordinárias concedidas pelo empregador como
recompensa ou prémio dos bons resultados obtidos pela empresa;
c) As prestações decorrentes de factos relacionados com o desempenho ou mérito
profissionais, bem como a assiduidade do trabalhador, cujo pagamento, nos
períodos de referência respetivos, não esteja antecipadamente garantido;
d) A participação nos lucros da empresa, desde que ao trabalhador esteja assegurada
pelo contrato uma retribuição certa, variável ou mista, adequada ao seu trabalho.

28
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Apesar do conceito de retribuição, em dinheiro e em espécie que conta da legislação


laboral, o conceito de benefício dos empregados, aos quais se refere esta norma, inclui os
valores a considerar em gastos com pessoal, pelo que é um conceito mais abrangente.

Neste conceito, para além das retribuições, também são considerados como gastos com o
pessoal situações que o código de trabalho exclui daquele conceito (por exemplo o
subsídio de alimentação, ajudas de custos, entre outros), e situações que nem sequer são
tratadas naquele código, tais como as contribuições para a segurança social.

Assim, os gastos com pessoal incluem os salários, ordenados, subsídio de alimentação,


outros subsídios, prémios de produtividade e outros prémios, comissões pagas aos
funcionários, pagamento de trabalho complementar, ajudas de custo e compensação pela
utilização de viatura própria, bem como as contribuições para a segurança social e os
seguros de acidentes de trabalho.

Ou seja, o conceito de benefício dos empregados inclui todos os valores, cujo pagamento
será por recurso meios monetários ou não (rendimentos em espécie), que a empresa
assume no momento em que celebra um contrato de trabalho com cada empregado.

Muitas vezes as empresas retribuem os seus funcionários com habitação, automóveis, que
serão utilizados pelo funcionário para uso particular, benefícios de seguros de saúde ou
vida e outras situações, que para efeitos desta norma são também tratados como
Benefícios de curto prazo dos empregados.

Os benefícios a curto prazo dos empregados incluem:

Benefícios Monetários

§ Salários e ordenados;
§ Subsídios de alimentação;
§ Prémios de produtividade e outros prémios;
§ Pagamento ao trabalho complementar;
§ Ajudas de custo e compensação pela utilização de viatura própria;
§ Contribuições para a segurança social;
§ Seguros de acidentes de trabalho;
§ Ausências permitidas a curto prazo em que se espera que as faltas
ocorram dentro de doze meses após o final do período em que os

29
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

empregados prestam o respetivo serviço, por exemplo: Licença


anual paga e licença por doença paga;
§ Participação nos lucros e bónus (se pagáveis dentro de doze meses
do final do período em que os empregados prestam o respetivo
serviço

Benefícios não monetários

§ tais como cuidados médicos, habitação, automóveis e bens ou


serviços gratuitos ou subsidiados (ex. Vales de infância, ginásios,
etc).
Devem ser incluídos no contrato de trabalho do funcionário, e com
implicações fiscais no âmbito do IRS e segurança social, uma vez
que irão ser tributados como rendimentos em espécie usufruídos
pelos titulares.

De notar que estes benefícios são relativos aos empregados correntes, ou seja, são
benefícios dos empregados em exercício de funções na empresa.

Reconhecimento e Mensuração

Como regra geral, a norma dos benefícios dos empregados requer que uma entidade
reconheça:

a) Um passivo quando um empregado tiver prestado serviços em troca de


benefícios de empregados a serem pagos no futuro; e

b) Um gasto quando a entidade consumir o benefício económico proveniente do


serviço proporcionado por um empregado em troca dos benefícios do empregado.

Transpondo esta regra geral para o código de contas, então teremos que reconhecer, como
passivo numa conta a pagar: 23- Pessoal, os montantes a pagar aos empregados por
retribuição do seu serviço prestado, cujo pagamento irá ocorrer no futuro. O
reconhecimento dos valores a pagar aos empregados, no futuro, numa conta 23 – Pessoal,
implica que a empresa já tem uma dívida pelo que devemos reconhecer os valores já
processados. No fim do mês esta conta poderá ter saldos de remunerações se, por exemplo

30
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

se a empresa tem pagamentos de remunerações em atraso, ou se a empresa paga a


remuneração processada num determinado mês até ao dia 8 do mês seguinte.

Associados ao reconhecimento das remunerações a pagar ao pessoal, calculadas pelo


processamento de vencimentos, também estão refletidos os valores a pagar ao estado e
outros entes públicos decorrentes, quer por retenções na fonte de IRS efetuadas aos
funcionários, quer por contribuições a pagar pela entidade.

As contas de acréscimos de gastos (2722 – Devedores e credores por acréscimos de gastos


– Credores por acréscimos de gastos – Remunerações a liquidar), devem utilizadas para
registo dos valores das estimativas relacionadas com remunerações a pagar aos
funcionários, ou seja, cálculo dos gastos estimados com as remunerações, ainda sem se
ter efetuado o processamento. Esta situação não representam uma dívida atual, mas sim
um valor que será processado e pago no futuro.

Por outro lado, sempre que a entidade utilizar ou consumir o benefício correspondente
aos serviços prestados pelos empregados, deverá ser reconhecido o gasto correspondente
em contas de gastos com pessoal. Assim, no caso de a empresa não proceder ao
pagamento das remunerações aos trabalhadores, deverá efetuar o processamento e
registar a dívida no balanço. Se a empresa apenas proceder ao pagamento das
remunerações no início do mês seguinte, a empresa deverá registar o gasto com as
remunerações no mês em que o funcionário prestou o serviço, efetuando este mês o
processamento dos vencimentos, ficando nas demonstrações financeiras a dívida, que será
liquidada o início do mês seguinte.

31
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4.1 Benefícios Monetários

Nos gastos com pessoal, deverão ser incluídas as retribuições a pagar aos empregados, ou
seja, os valores devidos aos empregados como pagamento do serviço prestado, ou do
exercício das suas funções.

De acordo com o conceito no site do INE (http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/3570):

Os ordenados e salários em dinheiro incluem os seguintes tipos de remunerações:

a) ordenados e salários de base a pagar em intervalos regulares;


b) acréscimos devidos a horas extraordinárias, trabalho noturno ou em fins de
semana, condições difíceis ou perigosas;
c) subsídios de custo de vida, de residência e de expatriação;
d) prémios com base na produtividade ou resultados, gratificação de fim de ano,
excluindo prestações sociais diretas a favor dos empregados;
e) subsídios de transporte para e do trabalho, excluindo subsídios ou reembolsos
de despesas de viagem, distância, mudança e despesas de representação
verificadas no exercício das suas funções;
f) remunerações por dias feriados ou férias anuais;
g) comissões, gratificações, senhas de presença e percentagens pagas aos
empregados;
h) prémios e outros pagamentos excecionais ligados aos resultados globais da
empresa, no quadro de sistemas de incentivos;
i) pagamentos feitos pelos empregadores aos seus empregados a título de
constituição de poupanças.

32
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Cálculo do salário/hora

No artigo 271.º do Código do Trabalho é apresentado a fórmula de cálculo para apurar o


custo hora da retribuição. Assim, a fórmula é a seguinte:

(Rm × 12):(52 × n)

Sendo que:

Rm é o valor da retribuição mensal

n o período normal de trabalho semanal, definido em termos médios em caso de


adaptabilidade.

Este valor é importante, por exemplo, para determinar o valor a descontar pelas horas de
faltas sem direito a retribuição.

______________________________________________________________________
Caso Prático 3 – Cálculo do salário/hora

A empresa ABC tem nos seus quadros uma colaborador que aufere o rendimento base de
800 euros. Qual o custo hora deste colaborador?

Resolução

Custo hora = (800 *12) / 52 * 40 horas) = 4,62

33
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Reconhecimento e Mensuração

Refere a norma que quando um empregado tenha prestado serviço a uma entidade durante
um período contabilístico, a entidade deve reconhecer a quantia não descontada de
benefícios a curto prazo dos empregados que espera ser paga em troca desse serviço:

a) Como um passivo (acréscimo de gasto), após dedução de qualquer quantia já


paga, a título de adiantamento, por exemplo.

b) Como um gasto, salvo se outra Norma Contabilística e de Relato Financeiro


exigir ou permitir a inclusão dos benefícios no custo de um ativo (como um custo
de produção, ver, por exemplo, NCRF 18 — Inventários e a NCRF 7 — Ativos
Fixos Tangíveis).

Nos casos em que a quantia já paga exceder a quantia não descontada dos benefícios, uma
entidade deve reconhecer esse excesso como um ativo (gasto antecipado), ou seja, a
subconta da conta 23-Pessoal poderá apresentar saldos devedores.

O facto de poderem existir saldos devedores nas contas de pessoal, explica a necessidade
de existir na conta de pessoal uma conta de “239 - Perdas por imparidade acumuladas”.
Ou seja, existindo saldos devedores, deverá ser aferida da probabilidade desses montantes
virem a ser descontado em valores a pagar ao pessoal no futuro (ver NCRF 12 –
Imparidade de Ativos). Podem existir situações em que a empresa tenha efetuado um
adiantamento a um funcionário, que deixa de prestar serviço na entidade e não tenha
capacidade para pagar o montante em dívida. Neste caso a entidade tem um ativo que não
é “realizável”, pelo que deverá ser constituída uma perda por imparidade. Esta perda por
imparidade não cumpre com as disposições do art.º 28º-A do CIRC, pelo que não será
aceite como gastos para efeitos fiscais.

34
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 4 - Processamento de Salários dos Órgãos Sociais

O órgão de gestão da empresa XPTO é composta por três gestores. Relativamente aos
Órgãos Sociais, a empresa XPTO apresentou no mês de novembro de 2019 os seguintes
valores:

ü Valor bruto dos vencimentos de 15.000 euros


ü Despesas de representação (10% do vencimento), sem necessidade de
apresentação de comprovativo de despesa: 1.500 euros
ü Subsídio de alimentação (nos limites legais definidos na portaria): 286,20 euros
ü Ajudas de custo (nos limites legais definidos em portaria): 1.850 euros
ü Contribuições para a Segurança Social
o 23,75 parte da entidade
o 11% parte de gestor
ü Retenções na fonte de IRS: 20% (taxa média)

Registos a efetuar no mês de novembro

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63101 – Remunerações 15.000,00 Cada gestor aufere 5.000 euros de salário


bruto
63102 – Sub. Alimentação 286,20 4,77 * 20 dias * 3 gestores
63105 – Ajudas de Custo 1.850,00
63111 – Despesas de Representação 1.500,00
6351 – Contribuições para S. Social 3.918,75 (15.000+1.500) * 23,75%
2421 – Retenção na fonte de IRS 3.300,00 (15.000+1.500) *20%
2451 – Contribuições S.Social 5.733,75 3.918,75 + 1.815 [(15.000+1.500) *11%]
2311 – Remunerações a Pagar aos 13.521,20
Órgãos Sociais
22.554,95 22.554,95

35
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 5 - Processamento de Salários dos Trabalhadores

Relativamente aos trabalhadores, a empresa XPTO tem nos seus quadros 100
colaboradores. No mês de novembro de 2019 apresenta os seguintes valores:

ü Valor bruto dos vencimentos de 85.000 euros


ü Subsídio de alimentação pago por através de cartão de refeição (nos limites legais
definidos na portaria): 15.260 euros
ü Ajudas de custo (nos limites legais definidos em portaria): 5.000 euros
ü Prémios de produtividade: 8.500 euros
ü Contribuições para a Segurança Social
o 23,75 parte da entidade
o 11% parte de gestor
ü Retenções na fonte de IRS: 10% (taxa média)

Registos a efetuar no mês de novembro

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63201 – Remunerações 85.000,00 Salário médio de 100 trabalhadores


63202 – Sub. Alimentação 15.260,00 (4,77 * 1,60) = 7,63 * 20 dias * 100
trabalhadores
63205 – Ajudas de Custo 5.000,00
63203 – Prémios de produtividade 8.500,00
6352 – Contribuições para S. Social 22.206,25 (85.000+8.500) * 23,75%
2421 – Retenção na fonte de IRS 9.350,00 (85.000+8.500) *10%
2452 – Contribuições S.Social 33.031,25 22.206,25 + 10.825,00 [(85.000+8.500)
*11%]
2312 – Remunerações a Pagar ao 93.585,00
Pessoal
135.966,25 135.966,25

36
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 6 - Processamento de Salários dos Trabalhadores

Relativamente aos trabalhadores, a empresa XYZ tem nos seus quadros 1 colaborador.
No mês de março de 2020 apresenta os seguintes valores:

ü Valor bruto do vencimento de 1.000 euros


ü Subsídio de alimentação pago em dinheiro: 4,77 euros
ü 5 dias de faltas injustificadas
ü Taxa de IRS de 5%
ü Dias úteis: 22

Cálcule o valor a pagar

Resolução

Custo Hora = (1.000 * 12) / (52 * 40) = 5,77

Funcionário A Cálculos
Vencimento ilíquido 1 000,00
Falta 1 dia 230,80 5 dias * 8Horas * 5,77
769,00
subsídio de refeição 81,09 17 dias * 4,77
850,00
Descontos:
IRS 42,00 850 * 5%
Segurança Social (986,71*11%) 93,53 850 * 11%
Vencimento Líquido 714,76

37
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 7 - Processamento do Subsídios de Natal

Em dezembro de 2019 a empresa XPTO deverá processar o Subsídio de Natal para os


Órgãos Sociais e colaboradores. Neste caso prático, são utilizados como referência os
montantes dos casos práticos 3 e 4.

Registos a efetuar no mês de dezembro

Sub. Natal - Órgão Sociais

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63106 – Encargos com Sub. Natal 15.000,00 Cada gestor aufere 5.000 euros de salário
bruto
6351 – Contribuições para S. Social 3.562,50 15.000 * 23,75%
2421 – Retenção na fonte de IRS 3.000,00 15.000*20%
2451 – Contribuições S.Social 5.212,50 3.562,50 + 1.650 [15.000*11%]
2311 – Remunerações a Pagar aos 10.350,00
Órgãos Sociais
18.562,50 18.562,50

Sub. Natal - Pessoal

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63206 – Encargos com Sub. Natal 85.000,00 Salário médio de 100 trabalhadores
6352 – Contribuições para S. Social 20.187,50 85.000 * 23,75%
2421 – Retenção na fonte de IRS 8.500,00 85.000 * 10%
2452 – Contribuições S.Social 29.537,50 20.187,50 + 9.350,00 [85.000 *11%]
2312 – Remunerações a Pagar ao 67.150,00
Pessoal
105.187,50 105.187,50

38
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 8 – Estimativa de Férias e Subsídios de Férias

De acordo com a legislação em vigor, designadamente o artigo 237º do Código do


Trabalho, os empregados ganham o direito às férias e ao subsídio de férias, no dia 1 de
janeiro de cada ano, por terem prestado serviços numa entidade durante o ano (ou parte
do ano) anterior.

Assim a entidade deverá reconhecer esta responsabilidade assumida com os empregados


como gasto do ano em que estes prestaram serviço, e ganharam o direito a férias e a
receber o respetivo subsídio. A contrapartida desta responsabilidade será uma conta de
passivo 2722 – Outras contas a receber e a pagar – Devedores por acréscimos de gastos.

Tendo em consideração a empresa XPTO e as informações constantes nos casos práticos


3, 4 e 5, a estimativa de férias e subsídio de férias a ser pagas no ano de 2020 é a seguinte:

Estimativa de Férias e Sub.Férias - Órgãos Sociais

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63106 – Encargos com Férias e 31.500,00 (15.000 * 1,05) * 2 (5% de aumento previsto
Sub.Férias para 2019)
6351 – Contribuições para S. Social 7.481,25 31.500 * 23,75%
27221 – Outras contas a receber e a 38.981,25 Para melhorar a informação dos analistas,
pagar - Credores por acréscimos de internos à empresa, por recurso a balancetes,
gastos – Encargos com férias a conta de credores por acréscimos de gastos
deverá ser repartida de acordo com a natureza
do gasto. Assim, sugere-se a criação de várias
subcontas, uma para encargos com férias.

38.981,25 38.981,25

39
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Estimativa de Férias e Sub.Férias - Pessoal

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63206 – Encargos com Férias e 173.400,00 (85.000 * 1,02) * 2 (2% de aumento previsto
Sub.Férias para 2019)
Este cálculo deve ter em conta o número de
trabalhadores que transitam de 2018 e no dia
1 de janeiro de 2019 ainda se encontram ao
serviço da entidade (neste caso são 100
trabalhadores)
6352 – Contribuições para S. Social 41.182,50 85.000 * 23,75%
27221 – Outras contas a receber e a 214.582,50 Para melhorar a informação dos analistas,
pagar - Credores por acréscimos de internos à empresa, por recurso a balancetes,
gastos – Encargos com férias a conta de credores por acréscimos de gastos
deverá ser repartida de acordo com a
natureza do gasto. Assim, sugere-se a
criação de várias subcontas, uma para
encargos com férias.
214.582,50 214.582,50

40
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 9 – Estimativa de Férias, Subsídios de Férias e de Natal

No ano de 2019, se a empresa pretender fazer este registo mensal, os movimentos


contabilísticos serão exatamente os mesmos dos casos práticos 5 e 6, sendo que a única
diferença é a periodicidade deste registo que é mensal e os valores que serão
correspondentes a um duodécimo.

Estimativa de Férias e Sub. Férias e Natal - Órgãos Sociais

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63106 – Encargos com Férias e Sub. 3.875,00 (31.500 + 15.000) / 12


Férias e Sub. Natal
6351 – Contribuições para S. Social 920,31 3.875 * 23,75%
27221 – Outras contas a receber e a 4.795,31 Para melhorar a informação dos analistas,
pagar - Credores por acréscimos de internos à empresa, por recurso a balancetes,
gastos – Encargos com férias a conta de credores por acréscimos de gastos
deverá ser repartida de acordo com a natureza
do gasto. Assim, sugere-se a criação de várias
subcontas, uma para encargos com férias.

4.795,31 4.795,31

41
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Estimativa de Férias e Sub. Férias e Sub. Natal - Pessoal

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63206 – Encargos com Férias e Sub. 21.533,00 (85.000 + 173.400) / 12


Férias Este cálculo deve ter em conta o número de
trabalhadores que transitam de 2018 e no dia
1 de janeiro de 2019 ainda se encontram ao
serviço da entidade (neste caso são 100
trabalhadores)
6352 – Contribuições para S. Social 5.114,09 85.000 * 23,75%
27221 – Outras contas a receber e a 26.647,09 Para melhorar a informação dos analistas,
pagar - Credores por acréscimos de internos à empresa, por recurso a balancetes,
gastos – Encargos com férias a conta de credores por acréscimos de gastos
deverá ser repartida de acordo com a
natureza do gasto. Assim, sugere-se a
criação de várias subcontas, uma para
encargos com férias.
26.647,09 26.647,09

42
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 10 – Processamento das férias e Subsídios de Férias em 2020

A gestão das empresas XPTO decidiu não aumentar o vencimento dos gestores no ano de
2020.

ü Valor bruto dos vencimentos de 15.000 euros

Registo das Férias e Sub. Férias em 2020 - Órgãos Sociais

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

27221 – Outras contas a receber e a 37.125,00 15.000 * 1,2375 * 2


pagar - Credores por acréscimos de
gastos – Encargos com férias
2451 – Contribuições S.Social 10.425,00 [(15.000 * 23,75%) + (15.000 * 11%)] * 2

2421 – Retenção na fonte de IRS 6.000,00 15.000 * 20% * 2


2311 – Remunerações a Pagar aos 20.700,00 (15.000 – 1.650 – 3.000) * 2
Órgãos Sociais
63106 – Encargos com Férias e Sub. 1.500,00 30.000 – 31.500
Férias
6351 – Contribuições para S. Social 356,25 1.500 * 23,75%
27221 – Outras contas a receber e a 1.856,25 38.981,25 – 37.125,00
pagar - Credores por acréscimos de
gastos – Encargos com férias

38.981,25 38.981,25

43
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Relativamente ao pessoal, a gestão das empresas XPTO decidiu aumentar o vencimento


dos trabalhadores no ano de 2020 em 2,5%.

ü Valor bruto dos vencimentos de 87.125 euros

Registo das Férias e Sub. Férias em 2020 - Pessoal

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

27221 – Outras contas a receber e a 214.582,50 87.125 * 1,2375 * 2 = 215.634,38


pagar - Credores por acréscimos de A estima total foi de 214.582,50
gastos – Encargos com férias
2452 – Contribuições S.Social 60.551,88 [(87.125 * 23,75%) + (87.125 * 11%) * 2

2421 – Retenção na fonte de IRS 17.425,00 87.125 * 10% * 2

2312 – Remunerações a Pagar ao 137.657,50 (87.125,00 – 9.583,75 – 8.712.50) * 2


Pessoal
63206 – Encargos com Férias e Sub. 850,00 (86.700 – 87.125) * 2
Férias
6352 – Contribuições para S. Social 201,88 850,00 * 23,75%
215.634,38 215.634,38

Como se constata no exemplo, a alteração das estimativas, por se tratarem de uma


correção da estimativa, deverá ser registada nos gastos do ano, conforme dispõe a Norma
Contabilística e de relato financeiro n.º 4.

Conforme disposto na NCRF 4 – Políticas Contabilísticas, Alterações nas Estimativas


Contabilísticas e Erros, o efeito de alteração da uma estimativa (que no momento em que
foi efetuada foi tido em consideração todo o conhecimento disponível, sendo que aquela
era a melhor estimativa possível, de acordo com os dados e conhecimento no momento)
terá efeitos no próprio exercício, ou seja, não tem efeitos retrospetivos.

44
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4.2 Benefícios não monetários

Os empregados de uma entidade podem beneficiar, para além das retribuições pagas em
dinheiro, de benefícios não monetários, tais como, por exemplo:

ü Habitação
ü Automóvel
ü Seguros de saúde
ü Outros seguros
ü Vales Sociais
ü Viagens de Férias
ü …..

Nestes casos os empregados usufruem de outros meios e bens, como retribuição pela
prestação do serviço na entidade.

Convém referir que o Código do Trabalho estabelece limitações ao pagamento de


retribuições em espécie, e refere, no artigo 259º, que:

a) A prestação retributiva não pecuniária deve destinar-se à satisfação de


necessidades pessoais do trabalhador ou da sua família…

b) O valor das prestações retributivas não pecuniárias não pode exceder o da parte
em dinheiro, salvo o disposto em instrumento de regulamentação coletiva de
trabalho.

No caso do benefício não monetário, de utilização de viatura automóvel, conforme dispõe


o art.º 2º n.º 3 b) 9, são considerados como rendimentos de trabalho dependente
(rendimentos da Categoria A de IRS), os resultantes da utilização pessoal pelo trabalhador
ou membro de órgão social de viatura automóvel que gere encargos para a entidade
patronal, quando exista acordo escrito entre o trabalhador ou membro do órgão social e a
entidade patronal, sobre a imputação àquele da viatura automóvel.

A tributação, em sede de IRS, do uso da viatura automóvel pelo trabalhador está definida
no art.º 24º n.º 5, e corresponde ao produto de 0,75% do seu valor de mercado, reportado
a 1 de janeiro do ano em causa (Portaria 383/2003, de 14 de maio), pelo número de meses
de utilização da mesma.

45
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

É importante sublinhar que os rendimentos em espécie não são sujeitos a retenção.

Podem ou devem ser incluídos no recibo de vencimento, mas mais importante, é


obrigatório inclui-los na DMR - Declaração Mensal de Remunerações e fazê-los constar
da declaração de rendimentos a entregar ao trabalhador ou membro de órgão social até
20 de janeiro do ano seguinte, por força do disposto no artigo 119.º, n.º 1, alínea b) do
CIRS.

Considerando que os rendimentos em espécie não são sujeitos a retenção na fonte, pelo
que, se forem incluídos no recibo de vencimentos não devem ser adicionados ao restante
vencimento para efeitos de determinação da taxa de retenção na fonte a aplicar (inserir no
recibo numa linha separada).

Em sede de Segurança Social, de acordo com o artigo 46.º do Código dos Regimes
Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social, Lei n.º 110/2009, para efeitos
de delimitação da base de incidência contributiva consideram-se remunerações as
prestações pecuniárias ou em espécie que nos termos do contrato de trabalho, das normas
que o regem ou dos usos são devidas pelas entidades empregadoras aos trabalhadores
como contrapartida do seu trabalho.

“5 - Constituem base de incidência contributiva, além das prestações a que se referem os


números anteriores, todas as que sejam atribuídas ao trabalhador, com carácter de
regularidade, em dinheiro ou em espécie, direta ou indiretamente como contrapartida da
prestação do trabalho."

Entendemos pela leitura da redação do n.º 5 do artigo 46.º do CC que estão igualmente
sujeitas a incidência contributiva outras prestações que não tenham sido mencionadas
neste artigo 46.º, desde tenha um caráter regular.

A empresa regista estas situações como benefícios de curto prazo dos empregados,
registando estes valores nos gastos com pessoal. Estes gastos são aceites como gastos
para efeitos de IRC.

As quantias, ainda que pagas em espécie aos trabalhadores, que configuram um


rendimento na esfera deste sendo como tal tributadas, consideram-se como gastos
dedutíveis em termos fiscais, na ótica da entidade patronal, conforme resulta do disposto
no artigo 23.º do Código do IRC (CIRC).

46
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 11 – Atribuição de casa de habitação

A entidade XPTO arrendou dois apartamentos, uma para ser ocupado pelo gestor e outro
para ser ocupado pelo responsável do departamento comercial. O valor mensal das rendas
é de 1.000 euros por cada apartamento. A entidade vai incluir estes montantes no recibo
salarial do gestor e do trabalhador. Como contabilizar estas rendas?

Comentários

Em termos contabilísticos, a renda suportada pela entidade patronal seria contabilizada


na conta 6261 - Rendas e alugueres. Mas na medida em que esse gasto é incorrido,
inteiramente, para disponibilização do imóvel ao trabalhador então, poder-se-á, desde
logo contabilizar as rendas pagas em subconta da conta 63- Gastos com o pessoal.

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63109 – Benefícios não Monetários – 1.000,00


Órgão Sociais
63209 - Benefícios não Monetários – 1.000,00
Pessoal
278 ou 12 2.000,00 Recibo da renda
2.000,00 2.000,00

Apontamento Fiscal

A atribuição de casa de habitação ou subsídio de residência a trabalhador ou membro de


um órgão social é um rendimento em espécie da categoria A (artigo 2.º, n.º 3, alínea b),
ponto 4 do Código do IRS (CIRS).

A forma de calcular o rendimento em espécie é dada pelo artigo 24.º, n.º 2 do CIRS,
correspondendo o rendimento em espécie à diferença entre o valor do respetivo uso e a
importância paga a esse título pelo beneficiário, observando-se na determinação daquele
as regras seguintes:

"a) O valor do uso é igual à renda suportada em substituição do beneficiário;

47
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Não havendo renda, o valor do uso é igual ao valor da renda condicionada,


determinada segundo os critérios legais, não devendo, porém, exceder um terço
do total das remunerações auferidas pelo beneficiário;

c) Quando para a situação em causa estiver fixado por lei subsídio de residência
ou equivalente quando não é fornecida casa de habitação, o valor de uso não pode
exceder, em qualquer caso, esse montante."

Se a entidade, além da atribuição de casa de habitação suporta igualmente os encargos da


sua utilização, deve igualmente ter o enquadramento como rendimentos em espécie.

As quantias, ainda que pagas em espécie aos colaboradores, que configuram um


rendimento na esfera deste sendo como tal tributadas, consideram-se como gastos
dedutíveis em termos fiscais, na ótica da entidade patronal, conforme resulta do disposto
no artigo 23.º do Código do IRC (CIRC).

Contudo, deverá ter ainda em atenção a alínea f) do n.º 1 do artigo 2.º-A do CIRS, na qual
refere que não se consideram rendimentos do trabalho dependente "as importâncias
suportadas pelas entidades patronais com encargos, indemnizações ou compensações,
pagos no ano da deslocação, em dinheiro ou em espécie, devidos pela mudança do local
de trabalho, quando este passe a situar-se a uma distância superior a 100 km do local de
trabalho anterior, na parte que não exceda 10% da remuneração anual, com o limite de €
4.200 por ano."

Em termos de Segurança Social, de referir o n.º 2 do artigo 46.º do Código Contributivo


(CC) que determina quais as prestações do trabalho dependente que estão sujeitas a
contribuições para a Segurança Social.

Assim, integram a base de incidência contributiva, designadamente, as seguintes


prestações: "a) A remuneração base, em dinheiro ou em espécie;

(...)

m) Os subsídios de residência, de renda de casa e outros de natureza análoga, que tenham


carácter de regularidade;” (...)

48
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 12 – Atribuição de viatura a trabalhador

A entidade XPTO tem atribuídas 3 viaturas aos gestores e 1 a um colaborador


(Responsável do Departamento de Vendas). As referidas viaturas foram adquiridas no
ano de 2017 pelo valor de 50.000 euros cada. Os gastos suportados com as viaturas são
gastos com o pessoal? Se sim, qual o montante a considerar para o ano de 2019?

Comentários

Os gastos com as viaturas são registados nas respetivas contas de gastos, atendendo à sua
natureza (em regra contas 62 e 64). Em termos práticos não é habitual estes montantes
serem retirados dessas contas e segregadas na conta 63.

Contudo, a atribuição de viatura aos trabalhadores é um benefício dos empregados pelo


que, não seria de todo descabido que a entidade efetuasse a respetiva reclassificação de
modo a que estes gastos ficassem reconhecidos na conta 63.

Em termos de tributação em IRS, o disposto no número 9 da alínea b) do n.º 3 do artigo


2.º do Código do IRS: "... 3 - Consideram-se ainda rendimentos do trabalho dependente:
(...)

b) As remunerações acessórias, nelas se compreendendo todos os direitos, benefícios ou


regalias não incluídos na remuneração principal que sejam auferidos devido à prestação
de trabalho ou em conexão com esta e constituam para o respetivo beneficiário uma
vantagem económica, designadamente:

(...)

9) Os resultantes da utilização pessoal pelo trabalhador ou membro de órgão social de


viatura automóvel que gere encargos para a entidade patronal, quando exista acordo
escrito entre o trabalhador ou membro do órgão social e a entidade patronal sobre a
imputação àquele da referida viatura automóvel;"

Assim sendo, a utilização de viatura automóvel, para ser tributável em IRS como
rendimento do trabalhador é necessário que exista acordo escrito entre o trabalhador ou
membro do órgão social e a entidade patronal sobre a imputação da viatura.

49
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Em termos de IRC e tendo em conta o disposto no artigo 23.º do Código do IRC (CIRC)
"são dedutíveis todos os gastos e perdas incorridos ou suportados pelo sujeito passivo
para obter ou garantir os rendimentos sujeitos a IRC".

Estes rendimentos, sendo tributados em IRS na categoria A, são gastos fiscalmente


dedutíveis em sede de IRC, como gastos com o pessoal para efeitos do apuramento do
lucro tributável da empresa, pelo que, não deverão ser acrescidos no quadro 07 da Modelo
22, nem estarão sujeitos a tributação autónoma, como nos refere especificamente a alínea
b) do n.º 6 do artigo 88.º do CIRC, que transcrevemos:

"6 - Excluem-se do disposto no n.º 3 os encargos relacionados com: (...) b) Viaturas


automóveis relativamente às quais tenha sido celebrado o acordo previsto no n.º 9) da
alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS."

Para efeitos de tributação em IRS o rendimento anual corresponde ao produto de 0,75%


do valor de mercado da viatura, reportado a 1 de janeiro do ano em causa, pelo número
de meses de utilização da mesma.

Valor a Tributar = Valor de mercado (reportado a 1 de janeiro do ano em causa) x


0.75% x meses de utilização

No caso em apreço, o valor de aquisição das viaturas foi de 50.000 euros, tendo sido
adquiridas no ano de 2017. Deste modo é necessário calcular o valor de mercado
reportado a 1 de janeiro do ano de 2019.

Valor de mercado = 50.000 * (1-0,35) = 32.500

Assim sendo, em termos de tributação em IRS cada gestor e o colaborador na sua


declaração de rendimento irão ser tributados:

Valor a tributar (mensal) = 32.500 * 0,75% = 243,75 euros

De referir o número 7do artigo 24.º do CIRS: considera-se valor de mercado o que
corresponder à diferença entre o valor de aquisição e o produto desse valor pelo
coeficiente de desvalorização acumulada constante de tabela a aprovar por portaria do
membro do Governo responsável pela área das finanças, sendo a mesma a Portaria n.º
383/2003 de 14 de maio.

50
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Coeficientes de desvalorização
Portaria n.º 383/2003
Idade do veículo Desvalorização Desvalorização
anual acumulada
0 0,00 0,00
1 0,20 0,20
2 0,15 0,35
3 0,10 0,45
4 0,10 0,55
5 0,10 0,65
6 0,05 0,70
7 0,05 0,75
8 0,05 0,80
9 0,05 0,85
10 ou superior 0,05 0,90

Em termos de contribuições para a Segurança social, fazem parte da base de incidência


de segurança social, estabelecida no artigo 46º n.º 1 s) do CCSS, as despesas resultantes
da utilização pessoal pelo trabalhador de viatura automóvel que gere encargos para a
entidade empregadora. O valor de tributação mensal corresponde a 0,75% do valor de
aquisição da viatura. Assim, este valor vai se manter ao longo de toda a vida da viatura,
não tendo qualquer alteração com o desgaste da viatura.

Considera-se que a viatura é para uso pessoal sempre que tal se encontre previsto em
acordo escrito entre o trabalhador e a entidade empregadora do qual conste:

a) A afetação, em permanência, ao trabalhador, de uma viatura automóvel


concreta;

b) Que os encargos com a viatura e com a sua utilização sejam integralmente


suportados pela entidade empregadora;

c) Menção expressa da possibilidade de utilização para fins pessoais ou da


possibilidade de utilização durante vinte e quatro horas por dia e o trabalhador não
se encontre sob o regime de isenção de horário de trabalho.

51
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Considera-se ainda que a viatura é para uso pessoal sempre que no acordo escrito seja
afeta ao trabalhador, em permanência, viatura automóvel concreta, com expressa
possibilidade de utilização nos dias de descanso semanal. Esta componente não constitui
base de incidência nos meses em que o trabalhador preste trabalho suplementar em pelo
menos dois dos dias de descanso semanal obrigatório ou em quatro dias de descanso
semanal obrigatório ou complementar.

Resumindo, para efeitos de Segurança Social a fórmula de cálculo será:

Valor da contribuição = Valor de aquisição da viatura * 0,75%

No caso em concreto, em termos de contribuição para a Segurança Social, cada gestor e


o colaborador na sua declaração de rendimento irão ser tributados:

Valor da contribuição (mensal) = 50.000 * 0,75% = 375 euros

De notar que, excluem-se das tributações autónomas os encargos relacionados com


Viaturas automóveis relativamente às quais tenha sido celebrado o acordo previsto no n.º
9) da alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS.

Em alguns sistemas informáticos, para se obter a declaração prevista no art.º 119º n.º 1
alínea b) do CIRS (declaração a entregar até 20 de janeiro de cada ano), exigem que o
rendimento em espécie seja processado. Nestes casos, sugerimos que seja efetuado o
seguinte lançamento contabilístico, em substituição do lançamento contabilístico
Processamento das Remunerações em espécie – Descontos e Encargos, acima:

52
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Processamento mensal das remunerações em espécie – Órgãos Sociais

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63109 – Benefícios não Monetários – 731,25 243,75 * 3 (valor tributável para efeitos de
Órgão Sociais IRS)
63109 - Benefícios não Monetários – 123,75 375 * 3 * 11% (valor do desconto para a SS
Órgão Sociais relativos ao funcionário)

6351 – Contribuições para a 267,19 375 * 3 * 23,75% (valor do desconto para a


S.Social SS relativos à entidade)

63109 - Benefícios não Monetários – 731,25 Remunerações em espécie não estão sujeitas
Órgão Sociais a retenção na fonte

2451 – Contribuições para a S. 390,94


Social
1.122,19 1.122,19

Processamento mensal das remunerações em espécie – Pessoal

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63209 – Benefícios não Monetários – 243,75 valor tributável para efeitos de IRS
Pessoal
63109 - Benefícios não Monetários – 41,25 375 * 1 * 11% (valor do desconto para a SS
Órgão Sociais relativos ao funcionário)
6351 – Contribuições para a Social 89,06 375 * 1 * 23,75% (valor do desconto para a
SS relativos à entidade)
63109 - Benefícios não Monetários – 243,75 Remunerações em espécie não estão sujeitas
Órgão Sociais a retenção na fonte
2451 – Contribuições para a S. 130,31
Social
374,06 374,06

53
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 13 – Utilidade Social - Seguros

A entidade XPTO, como forma de incentivar os trabalhadores, decidiu atribuir um seguro


de saúde a todos os colaboradores assim como aos seus familiares diretos (cônjuges e
descendentes). Estamos perante um benefício dos empregados?

Comentários

Em termos da norma, os benefícios dos empregados incluem os benefícios


proporcionados quer a empregados quer aos seus dependentes e podem ser liquidados por
pagamentos (ou o fornecimento de bens e serviços) feitos quer diretamente aos
empregados, aos seus cônjuges, filhos ou outros dependentes quer a outros, tais como
empresas de seguros. Deste modo, os valores dos seguros de saúde devem ser
contabilizados numa conta 63109 – Benefícios não Monetários – Órgão Sociais e 63209
– Benefícios não Monetários – Pessoal (as contas são sugestão nossa).

Em termos de tributação em IRS, face à redação da alínea e) do n.º 1 do artigo 2.º-A do


Código do IRS (CIRS), artigo aditado pela Lei n.º 82-E/2014, de 31 de dezembro, não
constituem rendimento tributável, em sede deste imposto:

"As importâncias suportadas pelas entidades patronais com seguros de saúde ou doença
em benefício dos seus trabalhadores ou respetivos familiares desde que a atribuição dos
mesmos tenha caráter geral."

Daqui resulta, que se o seguro de saúde apenas é atribuído a alguns trabalhadores, essas
importâncias estão sujeitas a tributação na esfera destes, como trabalho dependente, assim
como estão sujeitas a segurança social.

Portanto, na medida em que os seguros de saúde e de acidentes pessoais não são


automaticamente qualificáveis como rendimento de trabalho dependente, para serem
aceites fiscalmente terão de se inserir no artigo 43.º do Código do IRC (CIRC).

Para o efeito de inclusão dos seguros de saúde, acidentes pessoais e de vida no artigo 43.º
do CIRC, os mesmos devem ser estabelecidos para a generalidade dos trabalhadores
permanentes da empresa, segundo um critério objetivo e idêntico para todos os
trabalhadores ou no âmbito de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho para
as classes profissionais onde os trabalhadores se inserem.

54
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Deste modo, temos que os prémios pagos referentes aos seguros (saúde, acidentes
pessoais) a favor dos trabalhadores e respetivos familiares e/ou gerentes só poderão ser
considerados no âmbito do artigo 43.º - Realizações de utilidade social, se a empresa tiver
constituído idênticos benefícios para todos os trabalhadores permanentes da empresa.

Caso Prático 14 – Utilidade Social – Vales sociais

A empresa XPTO pretende disponibilizar Tickets Infância e Tickets educação aos seus
colaboradores. Estamos perante um benefício dos empregados?

Comentários

Tal como no caso anterior, também estes gastos devem ser considerados benefícios dos
empregados. Assim sendo, o gasto com a aquisição dos tickets deve ser registado numa
conta 638 – Outros gastos com o pessoal.

Em termos fiscais temos o seguinte:

Em termos de IRS, não é considerado rendimento na esfera do trabalhador, como tal, não
há sujeição a IRS, se se verificarem os seguintes requisitos (alínea b) do n.º 1 do artigo
2.º -A do Código do IRS):

"1- Não se consideram rendimentos do trabalho dependente:

b Os benefícios imputáveis à utilização e fruição de realizações de utilidade social e de


lazer mantidas pela entidade patronal, desde que observados os critérios estabelecidos
no artigo 43.º do Código do IRC e os 'vales infância' emitidos e atribuídos nas condições
previstas no Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de janeiro

(...)"

Por sua vez o artigo 43.º do Código do IRC dispõe:

"1 - São também dedutíveis os gastos do período de tributação, incluindo depreciações


ou amortizações e rendas de imóveis, relativos à manutenção facultativa de creches,
lactários, jardins-de-infância, cantinas, bibliotecas e escolas, bem como outras realizações
de utilidade social como tal reconhecidas pela Direcção-Geral dos Impostos, feitas em

55
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

benefício do pessoal ou dos reformados da empresa e respetivos familiares, desde que


tenham carácter geral e não revistam a natureza de rendimentos do trabalho dependente
ou, revestindo-o, sejam de difícil ou complexa individualização relativamente a cada um
dos beneficiários.

9 - Os gastos referidos no n.º 1, quando respeitem a creches, lactários e jardins-de-infância


em benefício do pessoal da empresa, seus familiares ou outros, são considerados, para
efeitos da determinação do lucro tributável, em valor correspondente a 140%. (...)"

Em resumo:

- Os trabalhadores que tenham filhos, ou equiparados, com idade inferior a 7 anos,


poderão ver a sua remuneração acrescida mediante a atribuição destes vales sociais,
denominados de "Vales infância" (cf. alínea a), n.º 1 do artigo 1.º do DL 26/99) sem
qualquer limite.

- Os trabalhadores que tenham filhos, ou equiparados, com idades entre os 7 e os 25 anos,


podem beneficiar da atribuição dos vales sociais, denominados de "Vales educação" (cf.
alínea b), n.º 1 do artigo 1.º do DL 26/99).

- Não haverá sujeição a Taxa Social Única. No entanto, como o artigo 48.º do Código
Contributivo não refere limites, à semelhança do IRS, não conhecemos qual a
interpretação da Segurança Social (aconselhamos a obter esse esclarecimento junto dos
respetivos serviços).

56
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 15 – Fornecimento de refeições aos trabalhadores

Determinado restaurante decidiu fornecer as refeições aos colaboradores em substituição


do subsídio de alimentação em dinheiro.

Estamos perante um benefício aos empregados?

Pelo fornecimento das refeições é necessário efetuar algum registo contabilístico?

Comentários

Em termos contabilísticos, o custo suportado com as refeições fornecidas aos empregados


deve ser reconhecido como gasto do período a que digam respeito. Esse gasto deve ser
classificado como um benefício de empregados de curto prazo.

A conta para registar estes benefícios de empregados poderá ser a conta 637x - Gastos de
ação social.

Considerando que se trata de refeições fornecidas como compensação pelo trabalho


prestado (p.e. em substituição do subsídio de refeição), os registos contabilísticos podem
ser:

Pelo consumo das matérias utilizadas para o fornecimento das refeições para os
empregados:

- Débito da conta 383 - Reclassificação e regularização de inventários e ativos biológicos


- Matérias-primas, subsidiárias e de consumo, por crédito da conta 33 - Matérias-primas,
subsidiárias e de consumo, pelo custo dos bens consumidos.

Pelo reconhecimento do gasto:

- Débito da conta 637x - Gastos de ação social por contrapartida a crédito da conta 383 -
Reclassificação e regularização de inventários e ativos biológicos - Matérias-primas,
subsidiárias e de consumo, pelo custo dos bens consumidos.

Em termos de IRC, no caso de se tratar de empregados afetos a uma atividade tributável


em sede deste imposto, os gastos suportados com as referidas refeições fornecidas aos
empregados são aceites em termos fiscais, desde que tenham natureza de rendimentos do
trabalho dependente, conforme a alínea d) do n.º 1 do artigo 23.º do Código desse imposto.

57
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Deve ser criado um mapa de controlo das refeições fornecidas aos empregados no
restaurante ou cantina da entidade, para determinar o número de dias em que cada
empregado utiliza esse benefício e deduzir ao número de dias de subsídio de refeição a
pagar em numerário pela empresa, bem como para controlo contabilístico, fiscal e de
gestão.

58
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4.3 Ausências remuneradas a curto prazo

Relativamente às ausências dos trabalhadores, a norma trata apenas as ausências


remuneradas, uma vez que, as ausências não justificadas por regra implicam a perda de
retribuição. Uma entidade deve reconhecer o custo esperado de benefícios dos
empregados na forma de ausências remuneradas (§12):

a) No caso de ausências remuneradas acumuláveis quando os empregados prestam


serviço que aumente o seu direito a ausências permitidas futuras; e

b) No caso de ausências remuneradas não acumuláveis, quando as faltas ocorram.

Existem várias situações em que uma entidade remunera os empregados mesmo quando
estes não se encontram no exercício das suas funções por ausência, tais como:

ü Férias;
ü Doença e incapacidade a curto prazo;
ü Maternidade ou paternidade;
ü Serviço dos tribunais;
ü Serviço militar.

O direito a ausências permitidas subdivide -se em duas categorias:

a) Acumuláveis;

As ausências permitidas não gozadas acumuláveis são as que são reportáveis e possam
ser usadas em períodos futuros se o direito do período corrente não for usado totalmente.

Nestes casos, se não forem gozadas, podem ser adquiridas, ou seja, os empregados têm
direito a um pagamento em dinheiro quanto ao direito não utilizado ao saírem da entidade,
ou não adquiridas, sendo que neste caso, os empregados não têm direito a um pagamento
a dinheiro pelo direito não utilizado ao saírem.

Assim, surge uma obrigação à medida que os empregados prestam serviço que aumente
o seu direito a ausências permitidas futuras.

59
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Não acumuláveis

As ausências permitidas não acumuláveis não são possíveis de transferir para outros
períodos temporais. Elas esgotam-se no momento em que deveriam ser gozadas, ou seja,
elas ficam perdidas se o direito do período corrente não for totalmente usado e não dão
aos empregados o direito de um pagamento a dinheiro por direitos não utilizados quando
saírem da entidade.

A título de exemplo, temos os pagamentos por doença (na medida em que os direitos
passados não utilizados não aumentam os direitos futuros), licença por maternidade ou
paternidade ou ausências permitidas por serviço nos tribunais ou serviço militar.

Os parágrafos 15 a 17 da norma tratam a forma de contabilização das ausências


acumuláveis e não acumuláveis. A este respeito, a norma apresenta o seguinte exemplo
ilustrativo:

Uma entidade tem 100 empregados, cada um dos quais tem direito a cinco dias úteis de
baixa por doença paga em cada ano. As baixas por doença não utilizadas podem ser
reportadas durante um ano de calendário. As baixas por doença são retiradas em
primeiro lugar do direito do ano em curso e em seguida de qualquer saldo reportado do
ano anterior (uma base LIFO). Em 31 de dezembro de 20X1, o direito não utilizado médio
é de dois dias por empregado. A entidade espera, com base na experiência passada que
se mantenha, que 92 empregados não tirarão mais de cinco dias de baixa por doença
paga em 20X2 e que os restantes oito empregados tirarão uma média de seis dias e meio
cada um.

A entidade espera pagar um adicional de 12 dias de baixa por doença em consequência


do direito não utilizado acumulado em 31 de dezembro de 20X1 (um dia e meio cada,
para oito empregados). Por conseguinte, a entidade reconhece um passivo igual ao
pagamento de 12 dias de baixa por doença.

60
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Em termos de legislação laboral refere que as faltas podem ser justificadas ou


injustificadas. Sendo que as faltas injustificadas implicam sempre a perda de retribuição.

Quanto às faltas justificadas, o Código de Trabalho refere as seguintes:

ü As dadas, durante 15 dias seguidos, por altura do casamento;


ü A motivada por falecimento de cônjuge, parente ou afim;
ü A motivada pela prestação de prova em estabelecimento de ensino;
ü A motivada por impossibilidade de prestar trabalho devido a facto não imputável
ao trabalhador, nomeadamente observância de prescrição médica no seguimento
de recurso a técnica de procriação medicamente assistida, doença, acidente ou
cumprimento de obrigação legal;
ü A motivada pela prestação de assistência inadiável e imprescindível a filho, a neto
ou a membro do agregado familiar de trabalhador;
ü A motivada por deslocação a estabelecimento de ensino de responsável pela
educação de menor por motivo da situação educativa deste, pelo tempo
estritamente necessário, até quatro horas por trimestre, por cada um;
ü A de trabalhador eleito para estrutura de representação coletiva dos trabalhadores;
ü A de candidato a cargo público, nos termos da correspondente lei eleitoral;
ü A autorizada ou aprovada pelo empregador;
ü A que por lei seja como tal considerada.

As faltas referidas acima, determinam a perda de retribuição nas seguintes situações:

ü Por motivo de doença, desde que o trabalhador beneficie de um regime de


segurança social de proteção na doença;
ü Por motivo de acidente no trabalho, desde que o trabalhador tenha direito a
qualquer subsídio ou seguro;
ü Por motivo de assistência inadiável e imprescindível a filho, a neto ou a membro
do agregado familiar do trabalhador;
ü A autorizada ou aprovada pelo empregador.

Assim, vão existir situações de licenças, faltas e dispensas que não determinam perda de
quaisquer direitos, salvo quanto à retribuição. Estas licenças, faltas e dispensas, para
efeito do valor dos benefícios dos empregados vão deduzir ao montante da retribuição do
funcionário.

61
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Existindo situações de ausências permitidas, a entidade deve reconhecer o custo esperado


de benefícios a curto prazo de empregados, ou seja, no caso de ausências remuneradas:

a) acumuláveis quando os empregados prestam serviço que aumente o seu direito


a ausências remuneradas futuras;
b) não acumuláveis, quando as faltas ocorram.

Caso Prático 16 – Ausência remunerada

Determinado empregado faltou dois dias ao trabalho, entregando uma declaração


justificativa de ter ido efetuar um exame na universidade.

Comentários

No processamento das remunerações de cada mês em que o empregado beneficia (goza)


das ausências remuneradas (faltas sem qualquer perda de remuneração), não vão ser
considerados quaisquer deduções à remuneração, pelo que o gasto com as ausências
permitidas é reconhecido naquele mês. Não existe qualquer movimento contabilístico a
efetuar, uma vez que este gasto vai ser reconhecido com o processamento das
remunerações do mês em causa.

Caso Prático 17 – Ausências remuneradas acumuláveis não gozadas

Durante o ano de 2019 não foram gozadas pelos trabalhadores férias. Por acordo com a
entidade deverão ser pagas ao empregado. O montante em causa ascende a 50.000 euros.
Que registos contabilísticos devem ser efetuados?

Comentários

Estas ausências são reportáveis e podem ser usadas em períodos futuros se o direito do
período corrente não for usado totalmente. A entidade deve mensurar o seu custo esperado
como a quantia adicional que a entidade espera pagar em consequência do direito não
utilizado que tenha acumulado à data do balanço.

Neste caso a obrigação da entidade são os pagamentos adicionais que se espera que
surjam exclusivamente do facto de o benefício acumular.

62
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Registo em 2018
Ausências permitidas acumuláveis, não gozadas, a pagar no ano seguinte
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63207 – Outros benefícios dos 50.000,00 Estimativa do valor a pagar


empregados
6351 – Contribuições para a S- 11.875,00 50.000 * 23,75%
Social
27221 - Credores por acréscimos 61.875,00
de gastos – Outros Benefícios
61.875,00 61.875,00

Este registo deve ser feito mensalmente sempre que existam estas situações.

No ano seguinte, no momento do pagamento destas ausências permitidas, depois de fazer


o processamento dos valores a pagar, deverá ser efetuado o seguinte lançamento:

Registo em 2019
Ausências permitidas acumuláveis, não gozadas, processamento do valor a pagar
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

27221 - Credores por acréscimos 61.875,00


de gastos – Outros Benefícios
2421 – Retenção na fonte de IRS 6.187,50 50.000 * 10% (taxa média)
2451 – Contribuições para a S. 17.375,00 50.000 * 23,75% + 50.000*11%
Social
2312 – Remunerações a pagar ao 38.312,50
Pessoal
61.875,00 61.875,00

63
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 18 – Ausências remuneradas não acumuláveis não gozadas

Determinado colaborador, por motivo de doença, faltou ao trabalho durante 1 mês. Nesse
período de tempo apresentou a respetiva baixa. A entidade deve registar algum gasto com
o pessoal?

Comentários

A entidade não reconhece qualquer passivo ou gasto até ao momento da falta, porque o
serviço do empregado não aumenta a quantia do benefício.

Estas ausências não implicam qualquer pagamento futuro. Elas ocorrem sem qualquer
direito a recebimentos no futuro

64
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4.4 Planos de participação nos lucros e de bónus

O parágrafo 18 da norma refere:

18 - Uma entidade deve reconhecer o custo esperado dos pagamentos de participação


nos lucros e bónus segundo o parágrafo 11 quando, e só quando:

a) A entidade tenha uma obrigação presente legal ou construtiva de fazer tais


pagamentos em consequência de acontecimentos passados; e

b) Possa ser feita uma estimativa fiável da obrigação.

Existe uma obrigação presente quando, e só quando, a entidade não tem alternativa
realista senão a de fazer os pagamentos.

A norma refere que, alguns planos de participação nos lucros estão condicionados à
permanência dos trabalhadores na entidade durante determinado período de tempo
específico. Nestas situações estamos perante uma obrigação construtiva à medida que os
empregados prestam o serviço. Desta forma com o decorrer do tempo vai aumentando a
quantia a ser paga se os trabalhadores permanecerem ao serviço até ao final do período
especificado. Na mensuração desta obrigação construtiva a entidade deve ter em
consideração a possibilidade de alguns trabalhadores saírem sem receber pagamentos de
participação nos lucros.

De sublinhar que o pagamento de gratificações não resulta necessariamente de uma


obrigação legal. Em muitos casos a entidade tem a prática de pagar bónus. Também nestes
casos estamos perante uma obrigação construtiva porque não tem alternativa realista
senão de pagar a gratificação. A mensuração da obrigação construtiva deve refletir a
possibilidade de alguns empregados poderem sair sem receberem a gratificação (§20).

65
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A estimativa fiável da obrigação legal ou construtiva de um plano de participação nos


lucros ou de bónus pode ser feita quando, e só quando (§21):

a) Os termos formais do plano contenham uma fórmula para determinar a quantia


do benefício;

b) A entidade determine as quantias a serem pagas antes das demonstrações


financeiras serem aprovadas para emissão; ou

c) A prática passada dê evidência clara da quantia da obrigação construtiva da


entidade.

A norma limita a obrigação segundo planos de participação nos lucros e de bónus aos
empregados, excluindo os proprietários das entidades (sócios). Desta forma, o custo do
plano de participação nos lucros e de bónus de ser reconhecido como um gasto e não
como uma distribuição de lucro líquido.

Para que o pagamento da participação nos lucros e bónus possam ser considerados
benefícios de curto prazo dos empregados, é necessário que se vençam totalmente dentro
de doze meses após o final do período em que os empregados prestam o respetivo serviço
(pagamento até ao final do ano seguinte ao da prestação do serviço dos empregados).
Caso o pagamento seja efetuado para lá destes dozes meses, esses pagamentos são
benefícios a longo prazo dos empregados (§23).

Considerando o anteriormente exposto, os lucros das sociedades podem, mediante


deliberação em Assembleia Geral de sócios/acionistas, ser distribuídos aos detentores de
capital e aos trabalhadores (inclui órgão de gestão), gratificações.

Estas gratificações estão excluídas do conceito de retribuição constante no artigo 260º do


Código do Trabalho.

Foi sendo prática, na medida em que tal é permitido pelos resultados obtidos, as entidades
atribuírem, por deliberação em Assembleia Geral, gratificações, quer aos administradores
e gerentes, quer aos funcionários.

Uma entidade pode não ter obrigação legal de pagar uma gratificação, uma vez que estes
pagamentos dependem unicamente de propostas do órgão de gestão das entidades, que

66
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

deverão ser aprovados em Assembleia Geral de Acionistas/Sócios, e não são derivados


da lei.

No entanto, o pagamento de tais gratificações e bónus, pela prática das entidades, por
vezes implica que as entidades se vejam com a obrigação de satisfazer as expectativas
dos empregados, com o objetivo de não defraudar as expectativas dos trabalhadores, para
que estes mantenham os índices de produtividade.

Nestes casos, a entidade tem uma obrigação construtiva, isto porque não tem alternativa
realista senão de pagar a gratificação.

De acordo com a NCRF 21 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes,


uma obrigação construtiva é uma obrigação que decorre das ações de uma entidade em
que:

a) por via de um modelo estabelecido de práticas passadas, de políticas publicadas


ou de uma declaração corrente suficientemente específica, a entidade tenha
indicado a outras partes que aceitará certas responsabilidades; e

b) em consequência, a entidade tenha criado uma expectativa válida nessas outras


partes de que cumprirá com essas responsabilidades.

As gratificações a pagar deverão ser reconhecidas nos gastos do exercício em que o


serviço foi prestado à entidade, pelo valor da sua estimativa.

Esta estimativa das gratificações, reconhecidas como gasto do ano, deverá ser,
posteriormente, objeto de deliberação em Assembleia Geral, sendo que o resultado
líquido a aprovar já tem considerado o efeito dos gastos provenientes das gratificações.
Como exemplo do texto da ata propomos o seguinte:

“Tendo-se verificado no exercício um desempenho que proporcionou um resultado que


justifica conceder uma gratificação aos trabalhadores, o Conselho de Administração/a
gerência propôs que fosse atribuída uma gratificação de balanço no montante de
_________ euros, já contabilizada nos resultados do ano. Desta forma, o Conselho de
Administração/Gerência propõe aos Senhores Acionistas/Sócios a seguinte aplicação de
resultados:

67
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

- Que seja atribuída uma gratificação de balanço aos Trabalhadores, no montante de €


____ (_____ euros) e aos Administradores/Gerentes no montante de € ____ (_____
euros), já deduzida ao resultado líquido do exercício;

e que

- O resultado líquido do exercício no montante de € _____ (______ euros), tenha a


seguinte aplicação:

- Reservas legais, o montante de € ____ (_____ euros);

- Reservas livres, o montante de €____ (__________euros);

- Reserva especial – lucros retidos e reinvestidos, ________ € (_____________ euros);

- Dividendos, o montante de ____________ Euros.

O Presidente da Mesa pôs a proposta de aplicação de resultados à votação, tendo a


mesma sido aprovada por unanimidade.”

No que respeita aos lucros distribuídos aos detentores do capital, que não sejam
trabalhadores da empresa, mantém-se um direito destes, conforme dispõe o artigo 21º do
Código das Sociedades Comerciais (direito dos sócios quinhoar nos lucros). Nestes casos,
esta distribuição de lucros não assume a forma de gratificação, mas sim de pagamento de
dividendos, considerados como rendimentos de capitais dos beneficiários, e como tal não
tem o tratamento prescrito nesta norma.

As gratificações, ou participações nos lucros e bónus, atribuídas a trabalhadores e


administradores/gerentes, são consideradas benefícios dos empregados de curto prazo,
sempre e só se forem pagáveis nos 12 meses após o fim do período. Nos casos em que o
período económico coincide com o ano civil, estas deverão ser pagas até ao fim do ano
seguinte.

De referir que estas gratificações apenas são aceites como gastos no ano em causa, tendo
em consideração as limitações das gratificações pagas aos administradores e gerentes
(art.º 23-A, nº 1 alínea o) do CIRC), e se foram pagas até ao fim do ano seguinte (art.º 23-
A, nº 1 alínea n) do CIRC).

68
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 19 – Gratificações aos gestores

A entidade XPTO tem como prática comum a atribuição de gratificações ao gestor que
não detém direta ou indiretamente do capital da empresa. Habitualmente, a percentagem
é de 5% do lucro. No final do ano de 2019, a entidade prevê um resultado líquido do
período de 2.000.000 euros. Como contabilizar esta operação?

Comentários

Registo em 2019
Estimativa da gratificação - Gestores
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63104 – Gratificações 100.000,00 2.000.000 * 5%


27221 - Credores por acréscimos 100.000,00
de gastos – Gratificações
100.000,00 100.000,00

Nos 12 meses seguintes ao fim do período, ou seja, durante o ano seguinte, no momento
do pagamento das gratificações, depois de fazer o processamento dos valores a pagar
(podemos considerar que a Assembleia Geral deliberou pagar 80.000,00 euros de
gratificações), então deverá ser efetuado o seguinte lançamento:

Registo em 2020
Pagamentos da gratificação - Gestores
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

27221 - Credores por acréscimos 100.000,00


de gastos – Gratificações
63104 – Gratificações 20.000,00
2421 – Retenção na fonte de IRS 16.000,00 80.000 * 20% (taxa média)
2311 – Remunerações a Pagar aos 64.000,00
Órgão Sociais
100.000,00 100.000,00

Para que esta gratificação seja aceite como gasto de IRC em 2019, ela deverá ser paga na
totalidade atá ao fim do ano de 2020. Caso tal não aconteça, a empresa deverá acrescer,

69
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

na declaração de rendimentos modelo 22 reportada a 2020, o valor não paga, acrescido


de juros. Não existe necessidade de proceder à substituição da declaração de rendimentos
apresentada no ano de 2019. Aliás, conforme instruções de preenchimento da declaração
de rendimentos modelo 22:

“Salienta-se que, nos termos do artigo 23.º-A, n.º 1, alínea n), os gastos relativos à
participação nos lucros têm que ser pagos ou colocados à disposição dos seus
beneficiários até ao final do período de tributação seguinte.

Caso não se verifique esta condição, ao valor do IRC liquidado relativamente ao período
de tributação seguinte adiciona-se o IRC que deixou de ser liquidado no período de
tributação respetivo, acrescido dos juros compensatórios correspondentes (art.º 23.º-A,
n.º 5).

Esta correção é efetuada no campo 363 do Quadro 10 e os respetivos juros


compensatórios são indicados no campo 366 do mesmo Quadro.”

Fiscalmente, a existência de gratificações pode ter impacto no cálculo do IRC, uma vez
que estas apenas são aceites como gasto de IRC:

ü se os montantes foram pagos ou colocados à disposição dos beneficiários até ao


fim do período de tributação seguinte, conforma já referido acima;
ü os gastos relativos à participação nos lucros por membros de órgãos sociais,
quando os beneficiários sejam titulares, direta ou indiretamente, de partes
representativas de, pelo menos, 1% do capital social, na parte em que exceda o
dobro da remuneração mensal auferida no período de tributação a que respeita o
resultado em que participam.

Adicionalmente será de referir que, em sede de IRC, são tributados autonomamente, à


taxa de 35% (45% se a entidade tiver prejuízo fiscal no período), os gastos ou encargos
relativos a bónus e outras remunerações variáveis pagas a gestores, administradores ou
gerentes quando estas representem uma parcela superior a 25% da remuneração anual e
possuam valor superior a € 27.500, salvo se o seu pagamento estiver subordinado ao
diferimento de uma parte não inferior a 50% por um período mínimo de três anos e
condicionado ao desempenho positivo da sociedade ao longo desse período (art.º 88 nº
13º, alínea a)).

70
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 20 – Gratificações ao pessoal

Em março de 2019, na Assembleia de aprovação de contas do ano 2018, os sócios da


sociedade XPTO decidiram atribuir uma gratificação no valor de 150.000 euros, a todos
os colaboradores, esta é a primeira vez na sua história que tal acontece. Que registos
contabilísticos devem ser efetuados em 2019?

Comentários

Como já foi referido, contabilisticamente a NCRF 28 determina que a participação nos


lucros ("gratificações de balanço") seja considera como um gasto (§ 11 (b)), sem prejuízo
da explicação de como a entidade deve aplicar este requisito a planos de participação nos
lucros (§§ 12,15 e 18).

O § 18 refere que uma entidade deve reconhecer o custo esperado dos pagamentos de
participação nos lucros e bónus segundo o parágrafo 11 quando, e só quando:

(a) A entidade tenha uma obrigação presente legal ou construtiva de fazer tais
pagamentos em consequência de acontecimentos passados; e

(b) possa ser feita uma estimativa fiável da obrigação.

Mesmo quando a entidade não tenha obrigação legal, pode ainda assim ter uma obrigação
construtiva, é o que sucede, por exemplo quando uma entidade tenha a prática enraizada
de remunerar os trabalhadores através de gratificações por participação nos lucros. Nesse
caso se não existir um plano formal de participação nos lucros ou bónus ainda assim pode
existir uma prática passada que proporcione uma evidência clara da quantia dessa
obrigação construtiva permitindo preencher o requisito "da existência de uma estimativa
fiável".

Neste caso em concreto, não existe obrigação legal ou construtiva, uma vez que no
passado nunca tinham sido atribuídas gratificações aos trabalhadores.

Deste modo, não estão reunidos os pressupostos da NCRF 28, pelo que, no ano de 2018
não foi registado nenhuma estimativa para gratificações a atribuir aos colaboradores.
Deste modo, em resultado da decisão dos sócios em março de 2019, deverá ser
considerado o seguinte registo contabilístico:

71
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Registo em 2019
Pagamentos da gratificação - Pessoal
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

56x – Resultados Transitados 150.000,00


2312 – Remunerações a Pagar ao 150.000,00
Pessoal
150.000,00 150.000,00

Em termos fiscais a Circular n.º 9/2011 (ainda em vigor) vem pugnar pelo tratamento
como variação patrimonial negativa:

"2. No entanto, se em reunião da assembleia geral for decidido atribuir aos empregados
uma determinada quantia, a título de participação nos lucros, a mesma é fiscalmente
dedutível para efeitos fiscais.

Como a contabilização deste facto patrimonial só se verifica no período de tributação em


que ocorre a deliberação, só neste período é que a variação patrimonial negativa daí
decorrente pode concorrer, nos termos do artigo 24.º do Código do IRC, para a formação
do respetivo lucro tributável."

Em termos de Segurança Social, tratando-se de gratificações por participação nos lucros,


refere o n.º 3 do artigo 6.º da Lei n.º 110/2009, de 16 de setembro, que o disposto na alínea
r) do artigo 46.º do Código Contributivo só entrará em vigor depois de regulamentado,
desta forma as participações nos lucros (gratificações de balanço) não estão ainda sujeitas
a Segurança Social, e como tal não devem ser incluídos na Declaração de Remunerações
por Internet (DRI).

A NCRF 28 tem um apêndice com um exemplo de tratamento da situação dos planos de


participação nos lucros, e recomendamos a sua leitura (Exemplo ilustrativo do parágrafo
19).

Um plano de participação nos lucros exige que uma entidade pague uma proporção
especificada do seu lucro anual aos empregados que a serviram durante o ano. Se
nenhum dos empregados sair durante o ano, o total dos pagamentos de participação nos
lucros será de 3% do lucro. A entidade estima que a rotação de pessoal reduzirá os

72
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

pagamentos a 2,5% do lucro. A entidade reconhece um passivo e um gasto de 2,5% do


lucro.

73
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4.5 Benefícios dos empregados incluídos nos custos dos ativos

No que respeita aos gastos com pessoal, estes podem, de acordo com o prescrito nas
normas NCRF 18 — Inventários e NCRF 7 — Ativos Fixos Tangíveis, ser incluídos nos
custos dos ativos. Aliás, a mão-de-obra direta é uma componente do custo de produção
dos inventários ou dos ativos fixos tangíveis, conforme normas específicas.

Neste caso, para além do lançamento normais do processamento de salários, as entidades


vão considerar estes gastos no cálculo do custo de produção/construção dos ativos, quer
de inventários, quer de ativos tangíveis. Desta forma, o gasto com pessoal será incluído
no custo do ativo, sendo reconhecido como gasto no momento em que este ativo seja
vendido, ou em função da produção/utilização.

Com base nas fichas de produção a entidade vai efetuar o registo da variação dos
inventários de produção, ou os trabalhos para a própria entidade, por contrapartida da
conta de inventários ou ativos fixos tangíveis. Assim, o custo da mão-de-obra vai ser uma
componente no custo do ativo, e não tem qualquer impacto no resultado do ano, uma vez
que na demonstração dos resultados está reconhecido nos gastos com pessoal e na
variação dos inventários de produção (como rendimento) ou nos trabalhos para a própria
entidade.

74
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 21 – Custos de produção de Ativos Fixos Tangíveis

Determina empresa de construção, durante o ano de 2019 construi um armazém para


armazenar todos os inventários e equipamentos. Os montantes aplicados na referida
construção foram:

ü Consumo de materiais, registados em FSE: 50.000 euros


ü Mão-de-obra utilizada na ampliação: 15.000 euros

Comentários

Mensalmente a entidade deve preparar uma folha de obra onde serão incorporados todos
os gastos suportados com a construção do AFT.

Trabalhos para a própria empresa

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

453 – Investimentos em Curso - 65.000,00


AFT
741 – Trabalhos para a própria 65.000,00 Compensação dos gastos registados nas
empresa contas (61, 62, 63, 64, etc.)

65.000,00 65.000,00

Com base nas fichas de produção a entidade vai efetuar o registo da variação dos trabalhos
para a própria entidade, por contrapartida da conta de ativos fixos tangíveis. Assim, o
custo da mão-de-obra vai ser uma componente no custo do ativo, e não tem qualquer
impacto no resultado do ano, uma vez que na demonstração dos resultados está
reconhecido nos gastos com pessoal e nos trabalhos para a própria entidade.

75
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 22 – Custos de produção de Inventários

Determinada empresa fabril apresenta a seguinte informação relativa ao ano de 2019:

Ficha do produto
Consumo de Materiais 5.000.000
Mão-de-obra direta 1.400.000
Encargos gerais de fabrico 550.000
6.950.000

Comentários

Mensalmente a entidade deve preparar uma folha de obra onde serão incorporados todos
os gastos suportados com a produção de Inventários.

Inventários

Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

34 – Produtos acabados e 6.950.000,00


intermédios
731 – Variação de inventários 6.950.000,00 Compensação dos gastos registados nas
contas (61, 62, 63, 64, etc.)
6.950.000,00 6.950.000,00

Com base nas fichas de produção a entidade vai efetuar o registo da variação dos
inventários de produção, por contrapartida da conta de inventários ou ativos fixos
tangíveis. Assim, o custo da mão-de-obra vai ser uma componente no custo do ativo, e
não tem qualquer impacto no resultado do ano, uma vez que na demonstração dos
resultados está reconhecido nos gastos com pessoal e na variação dos inventários de
produção (como rendimento).

76
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5. Benefícios pós-emprego

De acordo com o § 24 da norma os Benefícios pós-emprego incluem:

a) Benefícios de reforma, tais como pensões; e

b) Outros benefícios pós-emprego, tais como seguros de vida pós-emprego e


cuidados médicos pós-emprego.

Estes benefícios pós-emprego acontecem sempre que a entidade, por opção, os


proporcione aos seus ex-empregados. Estes benefícios dos empregados visam compensar
serviços passados efetuados pelos empregados. Pelo que, na situação atual estes
empegados já não prestarem serviços à empresa.

A atribuição destes benefícios aos empregados, normalmente está precedida de


negociações entre a entidade e as comissões de trabalhadores, ou os representantes dos
trabalhadores, nas quais são definidos os planos de benefícios pós-emprego e são
elaborados acordos formais ou informais pelos quais uma entidade proporciona
benefícios pós - emprego a um ou mais empregados.

Não existe, assim qualquer obrigação legal, para a entidade, de atribuir estes benefícios
aos seus empregados, podendo existir uma obrigação construtiva decorrente da prática da
entidade e das expectativas que foram criadas aos empregados. A existência de um plano
de benefícios pós-emprego, só por si, já cria fundadas expectativas aos empregados, de
que irão usufruir deste benefício.

Estes benefícios não são benefícios de cessação de emprego, ainda que sejam pagáveis
após a conclusão do emprego, no entanto não pretendem compensar o trabalhador pela
situação de cessão da sua relação de trabalho com a empresa.

Existem vários tipos de benefícios pós-emprego, com níveis de responsabilidade


diferentes para a entidade e regalias diversas para os empregados.

Uma entidade deve aplicar esta norma a todos os acordos de benefícios pós-emprego, que
envolvam o estabelecimento de uma entidade separada para receber as contribuições e
pagar os benefícios.

77
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Assim, esta norma aplica-se unicamente às situações em que existe intervenção de


seguradoras ou fundos próprios, que recebem os prémios pagos pela entidade, e que
procedem ao pagamento dos benefícios aos beneficiários.

Os ativos de um plano de benefícios pós-emprego compreendem:

a) Ativos detidos por um fundo de benefícios a longo prazo de empregados; e

b) Apólices de seguros elegíveis, sendo que nesta situação o produto da apólice


tem as mesmas condições dos ativos.

Um fundo de benefícios a longo prazo de empregados, detém ativos e/ou apólices de


seguros elegíveis (desde que sejam emitidas por uma seguradora, que não seja uma parte
relacionada da entidade que relata), que:

a) Sejam detidos por uma entidade (um fundo) que esteja legalmente separada da
entidade que relata e exista unicamente para pagar ou financiar os benefícios dos
empregados;

b) Estejam disponíveis para ser usados, unicamente, para pagar ou financiar os


benefícios dos empregados;

c) Não estejam disponíveis para os credores da própria entidade que relata (mesmo
em falência); e

d) Não possam ser devolvidos à entidade que relata, salvo se/ou:

Os restantes ativos do fundo sejam suficientes para satisfazer todas as


respetivas obrigações de benefícios dos empregados do plano ou da
entidade que relata; ou

Os ativos sejam devolvidos à entidade que relata para a reembolsar


relativamente a benefícios de empregados já pagos.

Assim, os ativos do plano, bem como as apólices de seguro elegíveis, têm que ser detidos
por uma entidade legalmente separada da que contribui para o plano, e só podem ser
utilizados para o fim a que se destinam, ou seja pagar aos empregados os correspondentes
benefícios.

78
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No caso de a entidade ter um fundo com gestão própria, não se aplica o disposto nesta
norma, mas sim a NCRF 21 – Provisões, Ativos e Passivos Contingentes para efeitos de
quantificação e registo das responsabilidades assumidas pela entidade.

5.1 Plano de benefícios definidos e Planos de contribuição


definida

Os planos de benefício pós-emprego classificam-se como planos de benefícios definidos


ou como planos de contribuição definida, dependendo da substância económica do
plano que resulte dos seus principais termos e condições.

Assim sendo, as categorias de benefícios pós-emprego estabelecidas na norma são as


seguintes:

ü Planos de Benefícios definidos


(§§ 41 a 52)
Planos multiempregador (§§28 a 30)

Planos Estatais (§§31 a 33)


ü Planos de contribuição definida
Benefícios segurados (§§34 a 37)
(§§ 38 a 40)

79
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5.1.1 Plano de benefícios definidos

Inicialmente a norma define os planos de benefícios definidos, por exclusão do conceito


dos planos de contribuição definida. Assim, a norma refere que os planos de benefícios
definidos são planos de benefícios pós-emprego que não sejam planos de contribuição
definida.

Nos casos dos planos de benefícios definidos, a entidade define e estabelece quais os
benefícios que pretende atribuir aos empregados, e assume as responsabilidades para que
estes usufruam desses benefícios na reforma. A título de exemplo, nos casos em que a
reforma estabelecida por lei não corresponda à totalidade do vencimento do empregado
no ativo, a entidade pode decidir acordar com os trabalhadores que lhes irá complementar
o vencimento para a totalidade.

O que fica acordado entre a entidade e o trabalhador, é o benefício que este usufruirá, e
não o montante a pagar pela entidade pelo benefício atribuído aos empregados. Este
montante depende de estudos complexos e específicos, e cálculos que poderão ser
efetuados por atuários. Estes cálculos incluem vários fatores de incerteza e pressupostos,
designados como pressupostos atuariais.

Assim, nos planos de benefícios definidos:

a) A obrigação da entidade é a de proporcionar os benefícios acordados com os


empregados correntes e antigos; e

b) O risco atuarial e o risco de investimento recaem, na substância, na entidade.


Se a experiência atuarial ou de investimento forem piores que o esperado, a
obrigação da entidade pode ser aumentada.

A entidade necessita de várias informações para poder reconhecer o plano de benefícios


definidos, normalmente constantes relatórios emitidos pelos fundos, elaborados com base
em estudos atuariais, que incluem informação sobre o custo dos serviços, que inclui:

a) Custo do serviço corrente, que é o aumento no valor presente da obrigação de


benefícios definidos resultante do serviço do empregado no período corrente.

80
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Custo do serviço passado, que é a variação do valor presente da obrigação de


benefícios definidos pelo serviço do empregado em períodos anteriores, resultante
de uma alteração do plano (introdução, revogação ou alteração de um plano de
benefícios definidos) ou de um corte (uma redução significativa, por parte da
entidade, do número de empregados abrangidos pelo plano); e

c) Qualquer ganho ou perda aquando da liquidação.

Os Ganhos e perdas atuariais, são variações do valor presente da obrigação de benefícios


definidos resultantes de:

ü Ajustamentos de experiência (os efeitos de diferenças entre os anteriores


pressupostos atuariais e aquilo que realmente ocorreu); e
ü Os efeitos de alterações nos pressupostos atuariais16. Os pressupostos
atuariais a serem usados na determinação do custo de benefícios de
reforma deverão ser pressupostos apropriados e compatíveis,
incorporando níveis de ordenados projetados à data da reforma.

Nestes planos, a obrigação da entidade não está limitada à quantia que concorda contribuir
para o fundo, podendo a responsabilidade da entidade exceder as contribuições que são
feitas anualmente para o fundo.

No caso destes Planos de benefícios definidos, a principal incógnita que as entidades têm
que estimar é o montante a pagar aos empregados pela atribuição destes benefícios. Isto
porque este valor depende de vários fatores, tais como a rotação dos empregados na
empresa (estes benefícios são calculados no pressuposto de que todos os empregados no
ativo se manterão até à idade da reforma), eventuais falecimentos de empregados no ativo,
alterações de vencimentos dos empregados, inflação, os montantes da reforma a pagar
pela segurança social, valorização e composição dos ativos do plano, entre outras
situações.

Para além do referido anteriormente, a responsabilidade da entidade pode superar as


contribuições efetuadas, nos casos de a entidade assumir uma obrigação legal ou
construtiva por meio de:

a) Uma fórmula de benefícios do plano que não esteja exclusivamente ligada à


quantia das contribuições;

81
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Uma garantia, seja indiretamente através de um plano ou diretamente, de um


retorno especificado nas contribuições; ou

c) Aquelas práticas informais que dão origem a uma obrigação construtiva, tais
como quando uma entidade tem um passado de benefícios crescentes para antigos
empregados para se manter a par da inflação mesmo quando não existe obrigação
legal de o fazer.

Em resumo podemos dizer que nos planos de benefícios definidos, a empresa acordou
com os colaboradores conceder-lhes determinados benefícios (ex. complemento de
pensão de reforma), mas não se sabe qual será o seu valor, uma vez que ele dependerá de
vários fatores, tais como:

ü a rotação dos empregados;


ü o eventual falecimento ante da idade da reforma;
ü a progressão na carreira;
ü a inflação;
ü a pensão da Segurança Social;
ü a valorização dos ativos do plano;
ü etc.

O risco atuarial e o risco de investimento recaem, em substância, na empresa.

Nos planos de benefícios definidos terá de se obter um estudo atuarial para se determinar
o valor da obrigação futura, o qual deverá ser descontado para a data presente, devendo
ser comparado com o justo valor dos ativos do plano que eventualmente exista.

A lógica subjacente à contabilização deste tipo de custos é que o empregado tem duas
remunerações:

ü uma que é paga a curto prazo (salário); e


ü outra que será paga desde a data da sua reforma até à sua morte (complemento
de pensão de reforma).

O que tem de se fazer é estimar o valor atual das pensões a pagar e considerá-lo como
gasto durante a sua vida ativa do empregado. Dessa forma, estaremos a correlacionar os

82
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

benefícios decorrentes do trabalho do empregado com a totalidade dos gastos necessários


para ter aqueles benefícios.

Reconhecimento e Mensuração dos Planos de benefícios definidos

A NCRF reconhece que a contabilização dos planos de benefícios definidos é complexa,


uma vez que são necessários pressupostos atuariais para mensurar a obrigação e o gasto
(existe também a possibilidade de ganhos e perdas atuariais). Além disso, as obrigações
são mensuradas numa base descontada porque elas podem ser liquidadas muitos anos
após os empregados prestarem o respetivo serviço.

De acordo com a norma, devemos contabilizar não só a obrigação legal segundo os termos
formais de um plano de benefícios definidos, mas também qualquer obrigação
construtiva, que tenha surgido a partir das práticas informais da entidade. As práticas
informais dão origem a uma obrigação construtiva quando a entidade não tiver outra
alternativa realista senão pagar os benefícios dos empregados.

A quantia reconhecida como um passivo (ativo) de benefícios definidos deve ser o líquido
do valor presente da obrigação de benefícios definidos à data do balanço, deduzido do
justo valor à data do balanço dos ativos do plano.

Devemos determinar o valor presente das obrigações de benefícios definidos e o justo


valor de quaisquer ativos do plano com suficiente regularidade, a fim de que as quantias
reconhecidas nas Demonstrações Financeiras não difiram de forma materialmente
relevante das quantias que seriam determinadas à data do balanço. A quantia determinada
conforme acima pode ser negativa (um ativo). A entidade deve mensurar o ativo
resultante ao mais baixo de:

a) o excedente no plano de benefícios definidos; e


b) o limite máximo de ativos (utilizando a taxa de desconto referida no § 69 da NCRF
28)

83
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O total líquido das quantias abaixo deve ser reconhecido como um gasto ou como um
rendimento, exceto na medida em que ou norma (NCRF) exija ou permita a sua inclusão
no custo de um ativo:

ü custo do serviço corrente;


ü custo de juros;
ü custo dos serviços passados;
ü perdas ou ganhos aquando da liquidação.

Valor presente das obrigações de benefícios definidos e do custo do serviço corrente

A norma encoraja, mas não exige, o envolvimento de um atuário qualificado para


determinar o valor presente das obrigações da entidade. Além disso, é permitida a
possibilidade de se efetuar o estudo atuarial em data anterior à data do balanço. No
entanto, se ocorrerem transações materiais e outras alterações significativas, o estudo
atuarial deve ser atualizado.

De acordo com a NCRF 28, devemos utilizar o método de crédito da unidade projetada
para determinar o valor presente das obrigações de benefícios definidos e do respetivo
custo do serviço corrente e, quando aplicável, o custo dos serviços passados.

Na determinação do valor presente das obrigações de benefícios definidos e do respetivo


custo do serviço corrente e, quando aplicável, do custo dos serviços passados, devemos
atribuir o benefício aos períodos de serviço, de acordo com a forma de benefícios do
plano. Porém, se o serviço de um empregado nos últimos anos conduzir a um nível
materialmente mais elevado de benefício que em anos anteriores, a entidade deve atribuir
benefício numa base de linha reta desde:

a) a data em que o serviço do empregado dá lugar pela primeira vez a benefícios


segundo o plano; até
b) a data em que o serviço do empregado dá lugar pela primeira vez a benefícios
segundo o plano, que não sejam provenientes de novos aumentos de ordenados.

84
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Pressupostos atuariais

Vários pressupostos atuariais são utilizados no cálculo do valor presente das obrigações
de benefícios definidos:

ü taxa de desconto;
ü aumentos salariais;
ü aumento da esperança de vida;
ü taxa de rotação dos empregados;
ü etc

Relativamente à taxa de desconto, a norma refere que a taxa usada para descontar as
obrigações de benefícios pós-emprego deve ser determinada com referência aos
rendimentos do mercado à data do Balanço em obrigações de alta qualidade emitidas por
sociedades. Em países em que não haja um mercado ativo de tais obrigações, devem ser
usados os rendimentos de mercado à data do Balanço em títulos do Tesouro. A moeda e
prazo das obrigações das sociedades ou dos títulos do Tesouro deve ser consistente com
a moeda e o prazo esperado das obrigações de benefício pós-emprego.

No que se refere aos ordenado, benefícios e custos médicos, a NCRF 28 refere que as
obrigações de benefícios pós-emprego devem ser mensuradas numa base que reflita:

ü aumentos estimados de ordenados futuros;


ü os benefícios estabelecidos nos termos do plano (ou que resultem de qualquer
obrigação construtiva que vá para além desses termos) à data de Balanço; e
ü alterações futuras estimadas num nível de quaisquer benefícios do Governo que
afetem os benefícios pagáveis segundo um plano de benefícios definido, se, e só
se:
o essas alterações forem detetadas antes da data do Balanço; ou
o o passado histórico, ou outra evidência credível, indicie que esses
benefícios do Governo se alterarão de algum modo previsível (ex. em linha
com alterações futuras nos níveis gerais de preços ou níveis gerais dos
ordenados).

85
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Os pressupostos acerca de custos médicos devem tomar em conta as alterações futuras


estimadas no custo dos serviços médicos, que resultem não só da inflação como de
alterações especificas nos custos médicos.

Ganhos e perdas atuariais e seu tratamento contabilístico

Os ganhos e perdas atuariais decorrem de diferenças entre os pressupostos atuariais


anteriores e os reais, bem como de alterações nos pressupostos atuariais.

A norma refere que os ganhos e perdas atuariais podem resultar de:

ü taxas inesperadamente altas ou baixas de rotação dos empregados, de reformas


antecipadas ou de mortalidade ou de aumento de ordenados, em benefícios ou
custos médicos;
ü efeito de alterações nas estimativas de futuras rotações de empregados, de
reformas antecipadas ou de mortalidade ou de aumentos em ordenados, em
benefícios ou custos médicos;
ü efeito de alterações na taxa de desconto; e
ü diferenças entre o retorno real e o retorno esperado dos ativos do plano.

De acordo com a NCRF 28, os ganhos e perdas atuariais devem ser contabilizados no
capital próprio.

Custo dos serviços passados

O custo dos serviços passados é o valor presente da obrigação de benefícios definidos,


por serviços prestados pelos empregados em períodos anteriores, que surja no período
corrente devido à introdução ou melhoria de um plano de benefícios definidos.

Segundo a norma, o custo dos serviços passados é reconhecido como um gasto na mais
antiga das seguintes datas:

ü quando ocorre a alteração ou o cancelamento antecipado do plano


ü quando a entidade reconhece os custos de reestruturação relacionados (ver NCRF
21) ou os benefícios de cessação.

86
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Liquidações

De acordo com a norma, uma liquidação do plano ocorre quando a entidade celebra uma
transação que elimina todas as futuras obrigações construtivas ou legais relativamente a
parte ou a todos os benefícios proporcionados por um plano de benefícios definidos (ex.
a entidade efetua um pagamento em dinheiro que a liberta da sua obrigação).

Quando acorrem liquidações de planos de benefícios definidos, normalmente resultam


ganhos ou perdas. Segundo a norma, esses ganhos ou perdas devem ser reconhecidos
quando a liquidação ocorre, correspondendo à diferença entre o valor presente da
obrigação de benefícios definidos e o preço de liquidação.

Apresentação – Compensação

Não se deve proceder à compensação de ativos de um plano com passivos de outro plano.
A norma apenas permite essa compensação quando:

ü exista um direito legalmente executável de usar um excedente num plano para


liquidar obrigações de outro plano; e
ü se pretenda liquidar as obrigações numa base líquida, ou realizar simultaneamente
o excedente de um plano e liquidar a obrigação de outro plano.

87
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 23 – Plano de benefícios definidos

Uma empresa tem um plano de benefícios definidos em que paga, no momento da


reforma, uma quantia de 100 euros por cada ano de serviço. A taxa de desconto é de 8%

Um determinado empregado entrou para a empresa cinco anos antes da data em que atinge
a idade normal de reforma.

Qual o gasto anual deste plano?

Comentários

Na tabela seguinte são apresentados os cálculos para este plano ao longo dos 5 anos

Anos de serviço 1 2 3 4 5
Gasto inicial - 100 200 300 400
acumulado
Gasto do ano 100 100 100 100 100
Gasto total 100 200 300 400 500
Gasto do ano 73,5* 79,38** 85,74*** 92,59*** 100
descontado
Juros do ano - 5,88 12,70 20,58 29,63
Gasto total do 73,50 85,26 98,44 113,17 129,63
ano
Responsabilidade 73,50 158,76 257,20 370,37 500
acumulada

*Assim calculado: 100 x (1+0,08)-4


**Assim calculado: 100 x (1+0,08)-3
***Assim calculado: 100 x (1+0,08)-2
****Assim calculado: 100 x (1+0,08)-1

88
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 19 – Gratificações aos gestores

A entidade XPTO tem como prática comum a atribuição de gratificações ao gestor que
não detém direta ou indiretamente do capital da empresa. Habitualmente, a percentagem
é de 5% do lucro. No final do ano de 2019, a entidade prevê um resultado líquido do
período de 2.000.000 euros. Como contabilizar esta operação?

Comentários

Registo em 2019
Estimativa da gratificação - Gestores
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

63104 – Gratificações 100.000,00 2.000.000 * 5%


27221 - Credores por acréscimos 100.000,00
de gastos – Gratificações
100.000,00 100.000,00

Nos 12 meses seguintes ao fim do período, ou seja, durante o ano seguinte, no momento
do pagamento das gratificações, depois de fazer o processamento dos valores a pagar
(podemos considerar que a Assembleia Geral deliberou pagar 80.000,00 euros de
gratificações), então deverá ser efetuado o seguinte lançamento:

Registo em 2020
Pagamentos da gratificação - Gestores
Contas Débito Crédito Cálculos e comentários

27221 - Credores por acréscimos 100.000,00


de gastos – Gratificações
63104 – Gratificações 20.000,00
2421 – Retenção na fonte de IRS 16.000,00 80.000 * 20% (taxa média)
2311 – Remunerações a Pagar aos 64.000,00
Órgão Sociais
100.000,00 100.000,00

Para que esta gratificação seja aceite como gasto de IRC em 2019, ela deverá ser paga na
totalidade atá ao fim do ano de 2020. Caso tal não aconteça, a empresa deverá acrescer,

89
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

bem como gastos com benefícios de cessação de emprego e outros benefícios pós-
emprego ou a longo prazo dos empregados;”

Art.º. 43.º - Realizações de utilidade social

“(…)”

2 - São igualmente considerados gastos do período de tributação, até ao limite de 15%


das despesas com o pessoal contabilizadas a título de remunerações, ordenados ou salários
respeitantes ao período de tributação, os suportados com:

a) Contratos de seguros de acidentes pessoais, bem como com contratos de


seguros de vida, de doença ou saúde, contribuições para fundos de pensões e
equiparáveis ou para quaisquer regimes complementares de segurança social, que
garantam, exclusivamente, o benefício de reforma, pré-reforma, complemento de
reforma, benefícios de saúde pós-emprego, invalidez ou sobrevivência a favor dos
trabalhadores da empresa;

b) Contratos de seguros de doença ou saúde em benefício dos trabalhadores,


reformados ou respetivos familiares.

3 - O limite estabelecido no número anterior é elevado para 25%, se os trabalhadores não


tiverem direito a pensões da segurança social.

4 - Aplica-se o disposto nos n.ºs 2 e 3 desde que se verifiquem, cumulativamente, as


seguintes condições, à exceção das alíneas d) e e), quando se trate de seguros de doença
ou saúde, de acidentes pessoais ou de seguros de vida que garantam exclusivamente os
riscos de morte ou invalidez.

(…)

6 - As contribuições destinadas à cobertura de responsabilidades com os benefícios


previstos no n.º 2 do pessoal no ativo em 31 de dezembro do ano anterior ao da celebração
dos contratos de seguro ou das entradas para fundos de pensões correspondentes aos
benefícios por tempo de serviço anterior a essa data, são igualmente aceites como gastos
nos termos e condições estabelecidos nos n.ºs 2, 3 e 4, podendo, no caso de aquelas
responsabilidades ultrapassarem os limites estabelecidos naqueles dois primeiros

90
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

números, mas não o dobro dos mesmos, o montante do excesso ser também aceite como
gasto, anualmente, por uma importância correspondente, no máximo, a um sétimo
daquele excesso, sem prejuízo da consideração deste naqueles limites, devendo o valor
atual daquelas responsabilidades ser certificado por seguradoras, sociedades gestoras de
fundos de pensões ou outras entidades competentes.

7 - As contribuições suplementares destinadas à cobertura de responsabilidades por


encargos com benefícios previstos no n.º 2, quando efetuadas em consequência de
alteração dos pressupostos atuariais em que se basearam os cálculos iniciais daquelas
responsabilidades, reportados à data da celebração do contrato de seguro ou da
constituição do fundo de pensões ou à data em que as responsabilidades foram
transferidas, e desde que devidamente certificadas pelas entidades competentes, podem
também ser aceites como gastos nos seguintes termos:

a) No período de tributação em que sejam efetuadas, num prazo máximo de


cinco, contado daquele em que se verificou a alteração dos pressupostos
atuariais ou a transferência de responsabilidades;

(…)

12 - No caso de resgate em benefício da entidade patronal, o disposto no n.º 10 pode


igualmente não se aplicar, se for demonstrada a existência de excesso de fundos originada
por cessação de contratos de trabalho.

13 - Não concorrem para os limites estabelecidos nos n.ºs 2 e 3 as contribuições


suplementares para fundos de pensões e equiparáveis destinadas à cobertura de
responsabilidades com benefícios de reforma que resultem da aplicação:

(…)

c) Das normas internacionais de contabilidade adotadas pela União Europeia ou do


SNC, consoante os casos, sendo consideradas como gastos, em partes iguais, no
período de tributação em que se aplique pela primeira vez um destes novos
referenciais contabilísticos e nos quatro períodos de tributação subsequentes.

14 - A condição a que se refere a alínea b) do n.º 4 pode deixar de se verificar desde que
seja demonstrado que a diferenciação introduzida tem por base critérios objetivos,

91
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

designadamente em caso de entidades sujeitas a processos de reestruturação empresarial,


devendo esta alteração ser comunicada à Autoridade Tributária e Aduaneira até ao termo
do período de tributação em que ocorra.”

Caso Prático 24 – Plano de benefícios definidos – Fundo de pensões

Determinada entidade tem constituído um fundo de pensões a favor dos seus empregados.
Este fundo de pensões é de benefícios definidos e apresenta os seguintes dados:

31.12.2017 31.12.2018
Valor presente da obrigação 31 de dezembro 16.336.000,00 20.520.000,00
Evolução do fundo
Valor do Fundo em 01.01 11.687.000,00 12.762.000,00
Contribuições da entidade no ano (prémio pago) 600.000,00 640.000,00
Benefícios pagos a reformados -470.000,00 -705.000,00
Retorno esperado dos ativos do Plano 945.000,00 1.050.000,00
Valor do Fundo em 31.12 12.762.000,00 13.747.000,00
Passivos benefícios definidos 3.574.000,00 6.773.000,00
Acréscimo de responsabilidade (passivo) 3.199.000,00

31.12.2017 31.12.2018
Custo dos serviços 654.000,00 520.000,00
Custos dos juros 951.000,00 1.070.000,00
Ganhos e Perdas atuariais reconhecidas 1.235.000,00 638.000,00
Justo valor dos ativos do plano -945.000,00 - 1.050.000,00
Ganhos a reconhecer 1.895.000,00 1.178.000,00

92
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Contabilização

Pagamento da contribuição para o plano/fundo em 31.12.2018

Contas Débito Crédito

6331 – Benefícios pós-emprego – Prémios para 640.000,00


pensões (contribuições)
12 – Depósitos à Ordem 640.000,00
640.000,00 640.000,00

Responsabilidade assumidas com o plano benefícios definidos em 31.12.2018

Contas Débito Crédito

6331 – Benefícios pós-emprego – Prémios para 3.199.000,00


pensões (contribuições)
12 – Depósitos à Ordem 3.199.000,00

3.199.000,00 3.199.000,00

93
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5.1.2 Plano de contribuição definida

Relativamente aos planos de contribuição definida o § 25 da norma refere:

a) A obrigação legal ou construtiva da entidade é limitada à quantia que ela


aceita contribuir para o fundo) Assim, a quantia dos benefícios pós-emprego
recebidos pelo empregado é determinada pela quantia de contribuições pagas por
uma entidade (e, se for o caso, também pelo empregado) para um plano de
benefícios pós-emprego ou para uma entidade de seguros, juntamente com os
retornos do investimento provenientes das contribuições; e

b) Em consequência, o risco atuarial (que os benefícios possam vir a ser inferiores


aos esperados) e o risco de investimento (que os ativos investidos possam vir a
ser insuficientes para satisfazer os benefícios esperados) recaem no empregado.

De acordo com as definições da norma, os planos de contribuição definida são planos de


benefícios pós emprego pelos quais uma entidade paga contribuições fixadas a uma
entidade separada (um fundo) e não terá obrigação legal ou construtiva de pagar
contribuições adicionais se o fundo não detiver ativos suficientes para pagar todos os
benefícios dos empregados relativos ao serviço destes no período corrente e em períodos
anteriores.

Assim, a responsabilidade da entidade resume-se ao pagamento do prémio acordado com


a seguradora ou fundo, e fica limitada ao valor destas contribuições.

Os riscos associados ao fundo (relacionados com questões atuariais ou de investimento)


recaem no empregado, uma vez que os montantes a receber dependem dos ativos
disponíveis no fundo.

Desta forma, nos planos de contribuição definida:

a) A obrigação legal ou construtiva da entidade é limitada à quantia que ela aceita


contribuir para o fundo. Assim, a quantia dos benefícios pós emprego recebidos
pelo empregado é determinada pela quantia de contribuições pagas por uma
entidade (e, se for caso, também pelo empregado) para um plano de benefícios
pós emprego ou para uma entidade de seguros, juntamente com os retornos do
investimento provenientes das contribuições; e

94
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

b) Em consequência, o risco atuarial (que os benefícios possam vir a ser inferiores


aos esperados) e o risco de investimento (que os ativos investidos possam vir a ser
insuficientes para satisfazer os benefícios esperados) recaem no empregado.

Em resumo podemos afirmar que nos planos de contribuição definida, a empresa efetua
contribuições de montante fixado para o fundo e não assume responsabilidade para pagar
contribuições adicionais caso o fundo não disponha de património suficiente. O risco
atuarial e o risco de investimento recaem nos empregados. A responsabilidade da empresa
é limitada ao valor das contribuições.

Uma vez que o risco atuarial e de investimento não é da empresa, neste tipo de planos
não há qualquer dificuldade de contabilização. Assim, a contabilização do gasto com as
contribuições deve ser efetuada no mesmo momento em que os empregados prestam
serviços para a entidade, não existindo outras responsabilidades da entidade.

Caso Prático 25 – Plano de contribuição definida – Fundo de pensões

Determinada entidade tem constituído um fundo de pensões, a favor dos seus


empregados. Este fundo é um plano de contribuição definida, ou seja, a entidade não tem
qualquer responsabilidade futura para com o empregado. O valor a entregar ao fundo
durante o ano de 2019 é de 100.000 euros.

Comentários

Registos contabilísticos do prémio a pagar

Prémio a pagar pelo plano de contribuição definida em 31.12.2018

Contas Débito Crédito

6331 – Benefícios pós-emprego – Prémios para 100.000,00


pensões (contribuições)
278 – Outros Devedores e Credores 100.000,00

100.000,00 100.000,00

95
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 26 – Plano de contribuição definida – Fundo de pensões

(após o empregado prestar o respetivo serviço)

Pagamento de um prémio a um fundo de pensões no montante de 50.000 euros, no caso


de ser contribuição definida e as contribuições para o plano não se vençam completamente
dentro de doze meses após o final do período em que os empregados prestam o respetivo
serviço:

ü Prémio a pagar ao fundo: 500.000 euros


ü Taxa de desconto de obrigação de alta qualidade: 2%
ü Pagamento da contribuição ao fundo: 31.12.2020
ü Os empregados terminaram o serviço em 30.06.2018

Comentários

Cálculo dos valores descontados

Valor a pagar em 31.12.2020 500.000,00


Valor descontado em 31.12.2019 (500.000 / (1+0,02) 490.196,00
Valor descontado em 31.12.2020 (500.000 / (1+0,02)2 480.584,00

Registos contabilístico de 2018

Prémio a pagar pelo plano de contribuição definida em 31.12.2020 (estimativa)

Contas Débito Crédito

6331 – Benefícios pós-emprego – Prémios para 480.584,00


pensões
281 – Gastos a reconhecer 19.416,00
278 – Outros Devedores e Credores 500.000,00

500.000,00 500.000,00

96
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Registos contabilístico de 2019

Reconhecimento dos gastos em 2019

Contas Débito Crédito

6331 – Benefícios pós-emprego – Prémios para 9.612,00


pensões
281 – Gastos a reconhecer 9.612,00

9.612,00 9.612,00

Registos contabilístico de 2020

Reconhecimento dos gastos em 2020

Contas Débito Crédito

6331 – Benefícios pós-emprego – Prémios para 9.804,00


pensões
281 – Gastos a reconhecer 9.804,00

9.612,00 9.612,00

Pagamento da Contribuição em 2020

Contas Débito Crédito

278 – Outros Devedores e Credores 500.000,00

12 – Depósitos à Ordem 500.000,00

500.000,00 500.000,00

97
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5.2 Planos multiempregador

Os planos multiempregador podem ser planos de benefícios definidos ou de contribuição


definida, desde que não sejam planos estatais que:

a) Ponham em conjunto ativos contribuídos por várias entidades que não estejam
sob controlo comum; e

b) Usem esses ativos para proporcionar benefícios aos empregados de mais de


uma entidade, na base de que os níveis de contribuições e de benefícios são
determinados não olhando à identidade da entidade que emprega os trabalhadores
em questão.

Nestes planos multiempregador, uma entidade adere a um fundo, eventualmente já


existente, para proporcionar benefícios aos seus empregados. Este fundo conta também
com a adesão de outras várias entidades, sem qualquer relacionamento entre elas.

Assim previamente ao reconhecimento destes planos, a entidade deverá conseguir


classificar o plano como sendo de benefícios definidos, ou de contribuição definida.

No caso de um plano de benefícios definidos não tivermos informação disponível,


devemos contabilizar o plano que se fosse um plano de contribuição definida.

98
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5.3 Planos estatais

Tal como os planos multiempregador, os planos estatais podem ser planos de benefícios
definidos ou de contribuição definida.

Os planos estatais são estabelecidos pela legislação para cobrir todas as entidades (ou
todas as entidades numa particular categoria, por exemplo um sector específico) e são
operados por um governo nacional ou local ou por outra organização (por exemplo, uma
agência autónoma criada especificamente para esta finalidade) que não está sujeita a
controlo ou influência pela entidade que relata.

Alguns planos estabelecidos por uma entidade proporcionam não sós benefícios
obrigatórios que são substitutos dos benefícios que de outra forma seriam cobertos por
um plano estatal bem como benefícios voluntários adicionais. Tais planos não são planos
estatais.

Muitos planos estatais são contribuídos numa base de «pay as you go», ou seja, as
contribuições são fixadas a um nível que se espera ser suficiente para pagar os benefícios
requeridos que se vençam no mesmo período. Por outro lado, os benefícios futuros
obtidos durante o período corrente serão pagos com contribuições futuras.

Contudo, na maioria dos planos estatais, a entidade não tem obrigação legal ou construtiva
de pagar esses futuros benefícios Desta forma, a sua única obrigação é a de pagar as
contribuições à medida que se vencem e se a entidade deixar de empregar membros do
plano estatal, não terá obrigação de pagar os benefícios obtidos pelos seus próprios
empregados em anos anteriores.

Por esta razão, os planos estatais são normalmente planos de contribuição definida, sendo
casos raros os planos estatais de benefícios definidos.

99
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

5.4 Benefícios segurados

A entidade pode acordar com os funcionários pagar prémios de seguro para contribuir
para o fundo de um plano de benefícios pós-emprego.

Na generalidade das situações, estes planos são planos de contribuição definida, exceto
se a entidade assumir outras obrigações com os empregados, tais como:

a) Pagar os benefícios dos empregados diretamente quando se vencem;

b) Pagar contribuições adicionais se o segurador não pagar todos os benefícios


futuros dos empregados.

100
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

6. Outros benefícios a longo prazo

Os outros benefícios a longo prazo dos empregados incluem benefícios tais como:

ü Licença de longo serviço ou licença sabática


ü Jubileu
ü Outros benefícios de longo serviço
ü Benefícios de invalidez a longo prazo
ü A participação nos lucros e bónus (se não forem pagáveis completamente dentro
de doze meses após o final do período)
ü Remunerações diferidas pagas doze meses ou mais após o fim do período no qual
seja obtida

Estes benefícios não são benefícios pós-emprego, nem benefícios de cessação de


emprego, mas vencem-se a mais de 12 meses após o final do período em que os
empregados prestam o respetivo serviço, e como tal só são pagáveis naquela altura.

Para além do facto de o seu vencimento ser a mais de 12 meses após o final do período
em que os empregados prestam o respetivo serviço, não existem outras diferenças entre
estes benefícios e os de curto prazo.

Segundo a norma, dado que a mensuração dos outros benefícios a longo prazo não
apresenta, usualmente o mesmo grau de incerteza dos benefícios pós-emprego e a
introdução de mudanças nesses benefícios raramente origina um montante significativo
de custos por serviços passados, a norma prescreve um método mais simples de
contabilização, não se reconhecendo a mensuração diretamente no capital próprio.

Para outros benefícios dos empregados a longo prazo deve ser, de acordo com a norma,
o total líquido das seguintes quantias:

ü O valor presente da obrigação de benefícios definidos à data de Balanço;


ü Menos: o justo valor à data do balanço dos ativos do plano (se os houver), dos
quais as obrigações devem ser liquidadas diretamente.

Para outros benefícios dos empregados a longo prazo, deve ser reconhecido o total líquido
das seguintes quantias como gasto ou como rendimento, exceto na medida em que outra
NCRF exija ou permita a sua inclusão no custo do ativo:

101
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ü Custos dos serviços;


ü Custo dos juros;
ü Remuneração do passivo (ativo) líquido dos outros benefícios a longo prazo;
ü Ganhos e perdas atuariais (os quais devem ser reconhecidos imediatamente);
ü Custos dos serviços passados (os quais devem ser reconhecidos imediatamente);
ü O efeito de quaisquer cortes ou liquidações.

Caso Prático 27 – Estimativa de benefício a longo prazo sem plano associado

Determinada entidade tem benefício a longo prazo do empregado por incapacidade de


longo prazo (sem plano associado). No ano de 2019 são conhecidos os seguintes
montantes:

31.12.2019
Valor presente da obrigação 31 de dezembro 155.000,00
Evolução do Fundo
Valor do plano em 01 de janeiro 0,00
Passivo benefícios definidos 155.000,00

Comentários

Registo contabilístico a efetuar

Estimativa de um benefício a longo prazo

Contas Débito Crédito

6332 – Benefícios pós-emprego – Outros 155.000,00


benefícios
2382 – Outras Operações com o Pessoal 155.000,00

155.000,00 155.000,00

Eventualmente a entidade poderá optar por utilizar uma outra subconta na conta 23 de
pessoal, aberta especialmente para este efeito. A conta 273 reporta-se unicamente às
responsabilidades a assumir pela empresa no caso de benefícios pós-emprego.

102
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

7. Benefícios de cessação de emprego


7.1 Cessação de emprego

A relação laboral que se estabelece entre a entidade e o empregado cessa nas seguintes
situações:

a) Caducidade do contrato

b) Despedimento

c) Resolução ou denúncia do contrato pelo trabalhador

As causas de caducidade do contrato de trabalho são:

a) Verificando-se o seu termo, para os contratos a prazo, este caduca no fim do


prazo;

b) Por impossibilidade superveniente, absoluta e definitiva, de o trabalhador


prestar o seu trabalho ou de o empregador o receber, tais como o caso de morte do
empregado, extinção de pessoa coletiva ou encerramento de empresa;

c) Com a reforma do trabalhador, por velhice ou invalidez.

De acordo com o Código do trabalho, pode existir despedimento:

ü por facto imputável ao trabalhador;


ü despedimento coletivo;
ü despedimento por extinção de posto de trabalho;
ü ou despedimento por inadaptação.

Nos benefícios de cessação de emprego, estamos perante situações de cessação da relação


laboral por despedimento.

Nalguns casos, tendo em consideração a legislação laboral e eventuais acordos entre


entidade patronal e trabalhadores, a cessão da relação laboral poderá dar origem ao direito
a uma compensação a pagar pelo empregador ao trabalhador. É nestes casos que estamos
perante benefícios de cessação de emprego.

103
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Estes Benefícios por cessação de emprego (terminus da relação laboral), são benefícios
dos empregados pagáveis em consequência de:

a) A decisão de uma entidade cessar o emprego de um empregado antes da data


normal da reforma; ou

b) Decisão de um empregado de aceitar a saída voluntária em troca desses


benefícios.

Um exemplo destas situações são as compensações e indemnizações pagas aos


empregados pela cessação da relação laboral, por iniciativa da entidade.

Uma entidade deve reconhecer benefícios de cessação de emprego como um passivo e


um gasto na mais antiga das seguintes datas:

a) Quando a entidade já não pode retirar a oferta de tais benefícios; ou

b) Quando a entidade reconhece os custos de uma reestruturação que se inscreve no


âmbito da NCRF 21 – Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes, e que
implica o pagamento de benefícios de cessação de emprego.

No caso dos benefícios de cessação pagáveis em consequência da decisão de uma


entidade cessar o emprego de um empregado, a entidade deixa de poder retirar a oferta a
partir do momento em que comunica aos empregados visados um plano de cessação que
cumpra todos os seguintes critérios:

a) As medidas necessárias para executar o plano tornam improvável que o plano


venha a sofrer alterações significativas;

b) O plano identifica o número de empregados cujo emprego se pretende cessar, as


respetivas categorias profissionais ou funções e a sua localização (mas o plano não
tem de identificar cada empregado individual), bem como a data de execução
prevista;

c) O plano estipula os benefícios de cessação que os empregados irão receber com


um grau de detalhe suficiente para permitir aos empregados determinar o tipo e a
quantia dos benefícios que irão receber quando o seu emprego cessar.

104
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Quando uma entidade reconheça benefícios de cessação, a entidade pode também ter
necessidade de contabilizar um corte de benefícios de reforma ou outros benefícios dos
empregados.

Uma entidade deve mensurar os benefícios de cessação de emprego no reconhecimento


inicial, e deve mensurar e reconhecer as alterações subsequentes de acordo com a natureza
do benefício do empregado, mas se os benefícios de cessação forem um alargamento dos
benefícios pós -emprego, a entidade deve aplicar os requisitos dos benefícios pós -
emprego. Caso contrário:

a) Se for de esperar que os benefícios de cessação sejam liquidados na totalidade até


doze meses após o fim do período de relato anual em que o benefício de cessação é
reconhecido, a entidade deve aplicar os requisitos dos benefícios a curto prazo dos
empregados;

b) Se não for de esperar que os benefícios de cessação sejam liquidados na totalidade


até doze meses após o fim do período de relato anual em que o benefício de cessação
é reconhecido, a entidade deve aplicar os requisitos dos outros benefícios a longo
prazo dos empregados.

Caso Prático 28 – Pagamento pela cessação do contrato de trabalho

Determinada entidade cessou o contrato de trabalho com um colaborador no ano de 2019,


tendo que pagar uma indemnização no valor de 50.000 euros. No momento de cessação
a entidade acordou com o colaborador o seguinte:

ü Valor da indemnização a pagar: 50.000 euros


ü Pagamento de 60% da indemnização em 01.04.2020
ü Pagamento de 40% da indemnização em 01.10.2020

105
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Comentários

Registos contabilísticos a efetuar

Processamento da indemnização a pagar


2019
Contas Débito Crédito

634 – Indemnizações 50.000,00

2312 – Pessoal – Remunerações a pagar 50.000,00

50.000,00 50.000,00

Pagamento em abril de 2020

Contas Débito Crédito

2312 – Pessoal – Remunerações a pagar 30.000,00

12 – Depósitos à Ordem 30.000,00

30.000,00 30.000,00

Pagamento em outubro de 2020

Contas Débito Crédito

2312 – Pessoal – Remunerações a pagar 20.000,00

12 – Depósitos à Ordem 20.000,00

20.000,00 20.000,00

De notar que, sempre que benefícios de cessação de emprego se vençam a mais de 12


meses após a data do balanço, estes devem ser descontados. Neste caso, os benefícios
venceram-se a menos de 12 meses após a data do balanço.

106
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 29 – Pagamento pela cessação do contrato de trabalho

Determinada entidade cessou o contrato de trabalho com um colaborador no ano de 2019,


tendo que pagar uma indemnização no valor de 250.000 euros. No momento de cessação
a entidade acordou com o colaborador o seguinte:

ü Valor da indemnização a pagar: 50.000 euros


ü Data da rescisão: 20.12.2019
ü Pagamento de 50% da indemnização em 01.10.2020
ü Pagamento de 50% da indemnização em 01.10.2021
ü Taxa de desconto: 3,5%

Comentários

Registos contabilísticos a efetuar

Processamento da indemnização a pagar


2019
Contas Débito Crédito Cálculos

634 – Indemnizações 241.688,84 125.000 + (125.000 *


1,035)-2
281 – Gastos a reconhecer 8.311,16

2312 – Pessoal – Remunerações a pagar 250.000,00


250.000,00 250.000,00

Pagamento em outubro de 2020

Contas Débito Crédito

2312 – Pessoal – Remunerações a pagar 125.000,00


12 – Depósitos à Ordem 125.000,00

125.000,00 125.000,00

107
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Pagamento em outubro de 2021

Contas Débito Crédito

2312 – Pessoal – Remunerações a pagar 125.000,00

12 – Depósitos à Ordem 125.000,00

634 – Indemnizações 8.311,16

281 – Gastos a reconhecer 8.311,16

133.311,16 133.311,16

De referir que, em sede de IRC, são tributados autonomamente, à taxa de 35% (45% se a
entidade tiver prejuízo fiscal no período), os gastos relacionados com indemnizações ou
quaisquer compensações devidas não relacionadas com a concretização de objetivos de
produtividade previamente definidos na relação contratual, quando se verifique a
cessação de funções de gestor, administrador ou gerente, bem como os gastos relativos à
parte que exceda o valor das remunerações que seriam auferidas pelo exercício daqueles
cargos até ao final do contrato, quando se trate de rescisão de um contrato antes do termo,
qualquer que seja a modalidade de pagamento, quer este seja efetuado diretamente pelo
sujeito passivo quer haja transferência das responsabilidades inerentes para uma outra
entidade (art.º 88 nº 13º, alínea a)).

108
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

7.2 Fundos de Compensação e Garantia do Trabalho

Fundos de Compensação do Trabalho e Fundos de Garantia de Compensação do Trabalho

O Orçamento do Estado para 2013, referia que: “Serão ainda prosseguidas as reformas
no âmbito da legislação laboral, nomeadamente a conclusão da terceira fase do
ajustamento das compensações por cessação de contrato de trabalho, da criação do fundo
de compensação do trabalho, da definição de critérios para a emissão das portarias de
extensão e da consolidação de um sistema de arbitragem laboral.”

Assim, ainda em 2013, foi publicada a seguinte legislação, que entrou em vigor a 01 de
outubro daquele ano:

ü Lei n.º 70/2013, de 30 de agosto, alterado pelo DL 210/2015, de 25 de setembro


ü Portaria 294-A/2013, de 30 de setembro
ü Regulamento 390-A/2013, 14 de outubro – Regulamento Fundo de Garantia de
Compensação do Trabalho (FGCT)
ü Regulamento 390-B/2013, 14 de outubro – Regulamento Fundo de Compensação
do Trabalho (FCT)

O Fundo de Compensação do Trabalho (FCT) e o Fundo de garantia de Compensação do


Trabalho (FGCT) são aplicáveis às relações de trabalho reguladas pelo Código do
Trabalho, aplicando-se aos contratos de trabalho celebrados após a sua entrada em vigor,
ou seja, após 01-10-2013, tendo sempre por referência a antiguidade, contada a partir do
momento da execução daqueles contratos.

Esta legislação aplica-se aos contratos celebrados pelas empresas de trabalho temporário,
qualquer que seja a duração do contrato celebrado com trabalhador temporário.

No entanto, são excluídos, os contratos de trabalho de muito curta duração, regulados


pelo art.º 142.º do Código do Trabalho (CT), e as relações de trabalho no âmbito dos
regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem
funções públicas.

O FCT e o FGCT são fundos destinados a assegurar o direito dos trabalhadores ao


recebimento efetivo de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato
de trabalho, calculada nos termos do artigo 366.º do Código do Trabalho.

109
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

O FCT e o FGCT são fundos de adesão individual e obrigatória, pelo empregador,


podendo este, no entanto, aderir a Mecanismo Equivalente (ME), em alternativa à adesão
ao FCT.

O FCT é um fundo de capitalização individual, que visa garantir o pagamento até metade
do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho, e que responde até
ao limite dos montantes entregues pelo empregador e eventual valorização positiva.

O FGCT é um fundo de natureza mutualista, que visa garantir o valor necessário à


cobertura de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de
trabalho, subtraído do montante já pago pelo empregador ao trabalhador.

O ME é um meio alternativo ao FCT, pelo qual o empregador fica vinculado a conceder


ao trabalhador garantia igual à que resultaria da vinculação do empregador ao FCT.

A adesão ao FCT determina, para o empregador, a obrigatoriedade do pagamento das


respetivas entregas, bem como das entregas para o FGCT.

As entregas são devidas a partir do momento em que se inicia a execução de cada contrato
de trabalho e até à sua cessação, salvo nos períodos em que não exista contagem de
antiguidade.

Estão previstas situações de suspensão das entregas do FCT, designadamente quando o


saldo da conta individualizada do trabalhador atingir metade dos valores limite de
compensação previstos no n.º 2 do artigo 366.º do Código do Trabalho.

Estão também previstas situações de dispensa de entregas do FCT, sempre que o contrato
de trabalho celebrado reconheça ao trabalhador antiguidade que lhe confira direito a
compensação de valor superior ao dos limites de compensação previstos no n.º 2 do artigo
366.º do Código do Trabalho.

O empregador deve declarar ao FGCT e, quando aplicável, ao FCT o valor da retribuição


base do trabalhador, devendo esta declaração ser objeto de atualização sempre que se
verifiquem alterações do seu montante ou das diuturnidades a que o trabalhador venha a
ter direito.

110
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A fiscalização e o procedimento de contraordenações previstas na presente lei relativas à


conduta do empregador são da competência da ACT.

O FCT, o FGCT e os ME têm o dever de comunicar à ACT todo e qualquer


incumprimento, pelo empregador, das obrigações previstas na presente lei.

Relativamente às infrações praticadas pelo empregador, aplica-se subsidiariamente o


regime de responsabilidades penal e contraordenacional previsto nos artigos 546.º a 565.º
do Código do Trabalho, bem como o regime processual aplicável às contraordenações
laborais e de segurança social, aprovado pela Lei n.º 107/2009, de 14 de setembro.

O empregador que não entregue ao trabalhador, total ou parcialmente, o valor da


compensação reembolsado pelo FCT ou pelo ME, que seja devido ao trabalhador, é
punido com as penas previstas nos n. os 1 e 5 do artigo 105.º do Regime Geral das
Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho.

Os factos descritos no número anterior só são puníveis se tiverem decorrido mais de 90


dias sobre o termo do prazo estipulado para a efetivação do reembolso, pelo FCT ou pelo
ME ao empregador.

O FCT e o FGCT são equiparados a fundos de capitalização administrados pelas


instituições da segurança social para efeitos do disposto na alínea d) do n.º 1 do artigo 9.º
do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), aprovado pelo
Decreto-Lei n.º 442 -B/88, de 30 de novembro.

Para efeitos de registos contabilísticos, os pagamentos do FCT efetuados pelo


empregador, conferem o conceito de uma aplicação financeira, efetuada para garantir o
pagamento de uma indemnização, eventualmente a pagar ao funcionário.

Como tal trata-se de um ativo financeiro, que poderá gerar rendimentos em função da
remuneração auferida por essa aplicação. Estes rendimentos podem existir também no
momento do reembolso.

Conforme refere a FAQ 288, disponibilizada no site da CNC, as entregas mensais para o
FCT, efetuadas pela entidade empregadora, devem ser reconhecidas como um ativo
financeiro dessa entidade, mensurado pelo justo valor, com as respetivas variações

111
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

A fiscalização e o procedimento de contraordenações previstas na presente lei relativas à


conduta do empregador são da competência da ACT.

O FCT, o FGCT e os ME têm o dever de comunicar à ACT todo e qualquer


incumprimento, pelo empregador, das obrigações previstas na presente lei.

Relativamente às infrações praticadas pelo empregador, aplica-se subsidiariamente o


regime de responsabilidades penal e contraordenacional previsto nos artigos 546.º a 565.º
do Código do Trabalho, bem como o regime processual aplicável às contraordenações
laborais e de segurança social, aprovado pela Lei n.º 107/2009, de 14 de setembro.

O empregador que não entregue ao trabalhador, total ou parcialmente, o valor da


compensação reembolsado pelo FCT ou pelo ME, que seja devido ao trabalhador, é
punido com as penas previstas nos n. os 1 e 5 do artigo 105.º do Regime Geral das
Infrações Tributárias, aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho.

Os factos descritos no número anterior só são puníveis se tiverem decorrido mais de 90


dias sobre o termo do prazo estipulado para a efetivação do reembolso, pelo FCT ou pelo
ME ao empregador.

O FCT e o FGCT são equiparados a fundos de capitalização administrados pelas


instituições da segurança social para efeitos do disposto na alínea d) do n.º 1 do artigo 9.º
do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), aprovado pelo
Decreto-Lei n.º 442 -B/88, de 30 de novembro.

Para efeitos de registos contabilísticos, os pagamentos do FCT efetuados pelo


empregador, conferem o conceito de uma aplicação financeira, efetuada para garantir o
pagamento de uma indemnização, eventualmente a pagar ao funcionário.

Como tal trata-se de um ativo financeiro, que poderá gerar rendimentos em função da
remuneração auferida por essa aplicação. Estes rendimentos podem existir também no
momento do reembolso.

Conforme refere a FAQ 288, disponibilizada no site da CNC, as entregas mensais para o
FCT, efetuadas pela entidade empregadora, devem ser reconhecidas como um ativo
financeiro dessa entidade, mensurado pelo justo valor, com as respetivas variações

112
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

reconhecidas em resultados, considerando-se que o valor das unidades de participação


divulgado pela entidade gestora do fundo poderá ser um referencial prático para o efeito.

Registo pelas entregas (mensais)

Conta 415 – Outros Investimentos Financeiros

Conta 4158 – Outros

Conta 41581 – FCT (eventualmente desagregado por funcionário)

a 12/26 – Depósitos à ordem / Outros Devedores e Credores – FCT

Registo pela atualização do Justo Valor

415 – Outros investimentos financeiros

a 772 – Ganhos por aumentos de justo valor em investimentos financeiros

Ou

662 – Perdas por reduções de justo valor em investimentos financeiros

a 415 – Outros investimentos financeiros

Quanto às pequenas entidades e microentidades, as entregas mensais para o FCT,


efetuadas pela entidade empregadora, devem ser reconhecidas como um ativo financeiro
na conta 415, dessa entidade, mensurado ao custo. A eventual valorização gerada pelas
aplicações financeiras dos valores do FCT será reconhecida como rendimento na data em
que ocorrer o reembolso à entidade empregadora.

No site do Fundo de Compensação de Trabalho estão disponíveis informações sobre a


composição do FCT bem como sobre as taxas de remuneração desta aplicação:

Folheto informativo

O reembolso à entidade empregadora do saldo da conta de registo individualizado do


respetivo trabalhador é considerado rendimento para efeitos fiscais, pelo montante
correspondente à valorização positiva gerada pelas aplicações financeiras dos valores
afetos ao FCT, deduzido das respetivas despesas administrativas.

113
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Estes rendimentos serão considerados rendimentos para efeitos de IRC, apenas no


momento em que sejam concretizados, ou seja no momento do reembolso.

Os pagamentos aos trabalhadores, são enquadráveis no disposto nos n. os 4 a 7 do artigo


2.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (CIRS), aprovado
pelo Decreto-Lei n.º 442 -A/88, de 30 de novembro, com as necessárias adaptações, ou
seja os pagamentos efetuados aos trabalhadores conferem o conceito de indemnização
para efeitos de IRS.

No que se reporta ao FGCT, as entregas efetuadas ao FGCT são consideradas gasto com
pessoal, aceita para efeitos do IRC, nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 23.º do
CIRC, no período de tributação em que são efetuadas.

635 – Gastos com o pessoal - Encargos sobre remunerações

a 12 ou 24 – Depósitos à ordem / Estado - FGCT

Aconselha-se a criação de uma subconta apropriada com o título Fundo de garantia de


compensação do trabalho. Considerando que a conta 6351 se reposta á segurança social

Em resumo, qualquer entidade deve, mensalmente, proceder ao reconhecimento dos


valores do FCT e FGCT a pagar no mês seguinte, sempre que tiver funcionários
contratados após 01 de outubro de 2013. De referir que este procedimento deve ser feito
na data do processamento a não na data do pagamento ao FCT e FGCT. Assim, em
dezembro de 2019 a empresa deverá reconhecer no ativo financeiro e nos gastos os
valores a pagar em janeiro de 2020 referentes ao FCT e ao FGCT.

Caso Prático 30 – Registo do FCT e do FGCT

A empresa XPTO pretende processar os vencimentos do mês de dezembro de 2019, nos


quais inclui órgãos sociais e funcinários. Os valores conhecidos são:

ü Remunerações de funcionários: 85.000 euros


ü Remunerações de funcionários contratados após 01.10.2013: 50.000 euros

114
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Quais os registos contabilísticos que devem ser efetuados?

Comentários

Processamento de dezembro - FCT


2019
Contas Débito Crédito Cálculos

4158 – Outros Investimentos Financeiros 462,50 50.000 * 0,925%


278 - Outros devedores e credores – FCT 462,50

462,50 462,50

Processamento de dezembro - FGCT


2019
Contas Débito Crédito Cálculos

6352 – Encargos sobre remunerações - 37,50 50.000 * 0,075%


FGCT
248 – Outras tributações – FGCT 37,50

37,50 37,50

Processamento em janeiro – FCT e FGCT


2020
Contas Débito Crédito Cálculos

278 - Outros devedores e credores – FCT 462,50


248 – Outras tributações – FGCT 37,50
12 – Depósitos à Ordem 500,00

500,00 500,00

115
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 31 – Registo do Justo valor do FCT

A empresa FCT adota o SNC base (28 normas). Relativamente ao FCT em 31 de dezembro sabe-
se a seguinte informação:

ü Valor do FCT na conta 4158: 10.550 euros


ü Valor do FCT pela consulta ao site: 11.000 euros

Deve ser feito algum registo?

Comentários

Considerando que a entidade adota o SNC base, a conta 4158 deve ser mensurada ao justo
valor. Assim sendo, em 31 de dezembro de 2019 a entidade deve ajustar o valor de modo
a refletir o justo valor do FCT.

Atualização do Justo Valor – FCT


2019
Contas Débito Crédito Cálculos

4158 – Outros Investimentos Financeiros 450,00 11.000 – 10.550

772 – Ganhos por aumentos do JV 450,00

450,00 450,00

Se o Justo valor em 31 de dezembro de 2019 fosse de 10.000 o registo seria:

Atualização do Justo Valor – FCT


2019
Contas Débito Crédito Cálculos

4158 – Outros Investimentos Financeiros 550,00 10.000 – 10.550

662 – Perdas por redução do JV 550,00


550,00 550,00

116
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Caso Prático 32 – Reembolso do FCT

Pressupondo que o montante reconhecido, no caso prático 29, na conta 4158 é relativo a
um único funcionário. Até á data a entidade já pagou ao FCT o montante de 10.000. Em
31 de dezembro de 2019, a entidade pretende solicitar a devolução deste montante ao
FCT porque vai despedir o empregado, pagando a indemnização devida. Esta entidade
adota o SNC base.

Que registos contabilisticos devem ser feitos?

Comentários

O FCT irá reembolsar a entidade atendendo ao justo valor das aplicações. Para as
entidades que aplica, o SNC, como já referido no caso prático 29, o rendimento ou perda
é reconhecido anualmente e não no momento do pagamento.

Reembolso – FCT
2019
Contas Débito Crédito Cálculos

4158 – Outros Investimentos Financeiros 11.000,00 primeiro cenário do caso

prático 29

12 – Depósitos à Ordem 11.000,00


11.000,00 11.000,00

117
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

No caso da entidade adotar as NCRF-PE ou NC-ME, o saldo da conta 4158 (nas micro
entidades não é possivel utilizar esta conta, terá que ser uma conta 414x), não é atualizado
para o justo valor. O saldo deverá estar mensurado ao custo histórico. Deste modo, no
momento do reembolso, as entidades enquadradas nestes regimes contabilísticos deverão
fazer o seguinte registo:

Reembolso – FCT
2019
Contas Débito Crédito Cálculos

4158 – Outros Investimentos Financeiros 10.000,00 Valor total dos pagamentos

12 – Depósitos à Ordem 11.000,00

7863 - Rendimentos e ganhos nos restantes 1.000,00


ativos financeiros – FCT
11.000,00 11.000,00

118
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

8. Beneficios de remuneração em capital próprio

Estamos perante situações de benefícios de remuneração em capital próprio sempre que


existem benefícios dos empregados pelos quais:

a) Os empregados têm direito a receber instrumentos financeiros de capital


próprio, emitidos pela entidade (ou pela sua empresa mãe); ou

b) A quantia da obrigação da entidade para com os empregados depende do preço


futuro de instrumentos financeiros de capital próprio, emitidos pela entidade.

Estes benefícios podem estar subordinados a planos de remuneração em capital próprio,


que são acordos formais ou informais pelos quais uma entidade proporciona benefícios
de remuneração em capital próprio para um ou mais empregados.

Nestes casos, os empregados recebem, por exemplo, ações/quotas da entidade, como


retribuição pelo serviço prestado na entidade.

A NCRF 28 não prescreve qualquer critério de reconhecimento, mensuração,


apresentação e divulgação desses benefícios.

119
A folha está propositadamente branca.
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

9. Apresentação e divulgação

Conforme dispõe a NCRF 1 – Estrutura e Conteúdo das Demonstrações Financeiras, os


modelos que constam da portaria 220/2015, 24 de julho, incluem a informação mínima a
apresentar. Assim, linhas de itens adicionais, títulos e subtotais podem ser apresentados
na face do balanço quando tal apresentação for relevante para uma melhor compreensão
da posição financeira da entidade.

Por outro lado, uma entidade deve divulgar, ou na face do balanço ou no anexo, outras
subclassificações das linhas de itens apresentadas, classificadas de uma forma apropriada
para as operações da entidade.

Todas as linhas sem qualquer valor no ano ou no ano anterior devem ser eliminadas.

121
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Entidade: ……………………………………………………………..

BALANÇO (INDIVIDUAL OU CONSOLIDADO) EM XX DE YYYY DE

200N unidade monetária

Rúbricas Notas Datas


31 XXX N 31 XXX N-1

Ativo

……..

Ativo Corrente

Outras Contas a Receber

Diferimentos

Total do Ativo

…….
Passivo
….

Passivo Corrente
Outras Contas a pagar

Total do Passivo

Já na Demonstração dos Resultados, os gastos com pessoal terão a seguinte apresentação

122
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Entidade: ……………………………………………………………..

DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS (INDIVIDUAL CONSOLIDADO) POR


NATUREZA

PERÍODO FINDO EM XX DE YYYY DE 200N……………..……unidade monetária

Rendimentos e Gastos Notas Datas


31 XXX N 31 XXX N-1

………

Gastos com o Pessoal

…….

Resultado antes de depreciações,


gastos de financiamento e impostos

…….

Do mesmo modo, que é referido para o balanço, a NCRF 1, refere que os modelos que
contam da portaria 220/2015, de 24 de julho, incluem a informação mínima a apresentar.
Desta forma, linhas de itens adicionais, títulos e subtotais podem ser apresentados na face
da demonstração dos resultados, quando tal apresentação for relevante para uma melhor
compreensão do desempenho financeiro da entidade.

Todas as linhas sem qualquer valor no ano ou no ano anterior devem ser eliminadas.

Nas Notas às contas, o modelo de balanço refere as divulgações a efetuar no âmbito da


NCRF 28. De referir que as normas atualmente em vigor, não incluem qualquer capítulo
com as divulgações a efetuar, sendo que estas passaram a constar no modelo de anexo às
contas. Neste documento são incluídas as seguintes divulgações:

123
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Divulgação de benefícios a curto prazo de empregados

ü Não existem divulgações específicas nesta norma para divulgação dos benefícios
a curto prazo dos empregados.
ü A distribuição dos resultados por gratificação, a pagar aos empregados, deverá
manter-se como informação a constar da proposta a apresentar no relatório de
gestão e no anexo às contas (ponto 32.4 do anexo às contas publicado na portaria
220/2015, de 24 de julho), para posterior deliberação em Assembleia Geral.

Divulgação de benefícios pós -emprego: planos de contribuição definida

Uma entidade deve divulgar a seguinte informação sobre planos de contribuição definida:

ü Quantia reconhecida como gasto; e


ü Informação acerca de contribuições para planos de contribuição definida
relativamente ao principal pessoal de gerência.

Divulgação de benefícios pós -emprego: planos de benefícios definidos

Uma entidade deve divulgar a seguinte informação sobre planos de benefícios definidos:

a) Explicitação das características dos planos de benefícios definidos e dos riscos


associados;
b) Identificação e explicitação das quantias nas demonstrações financeiras que
resultam dos planos de benefícios definidos:
i. Reconciliação dos saldos de abertura e de fecho para cada uma das
seguintes rubricas, se for caso disso: o passivo (ativo) líquido de
benefícios definidos, apresentando reconciliações separadas para os
ativos do plano, o valor presente da obrigação de benefícios definidos,
o efeito do limite máximo de ativos e quaisquer direitos de reembolso.
Cada reconciliação deve apresentar cada um dos seguintes elementos,
se for caso disso:
1. O custo do serviço corrente;
2. Os juros recebidos ou pagos;
3. A remensuração do passivo (ativo) líquido de benefícios
definidos;

124
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

4. O custo do serviço passado e os ganhos e perdas


resultantes de liquidações. Conforme previsto na NCRF
28, não é necessário distinguir o custo do serviço passado
e os ganhos e perdas resultantes de liquidações se estes
ocorrerem em conjunto;
5. O efeito de alterações cambiais;
6. As contribuições para o plano, indicando em separado as
contribuições do empregador e dos participantes do
plano;
7. Os pagamentos do plano, indicando em separado os
pagamentos referentes a quaisquer liquidações; e
8. Os efeitos de concentrações de atividades empresariais e
alienações.
ii. Uma entidade deve desagregar o justo valor dos ativos do plano em
classes que distingam a natureza e os riscos de tais ativos, subdividindo
cada classe de ativos do plano em ativos que têm um preço de mercado
cotado num mercado ativo e os que não têm;
iii. Uma entidade deve divulgar o justo valor dos instrumentos financeiros
transferíveis que a própria entidade detém como ativos do plano e o
justo valor dos ativos do plano que são imóveis ocupados ou outros
ativos usados pela entidade; e
iv. Uma entidade deve divulgar os pressupostos atuariais significativos
usados para determinar o valor presente da obrigação de benefícios
definidos.
c) Descrição sobre de que modo os planos de benefícios definidos podem afetar a
quantia, o calendário e incerteza dos fluxos de caixa futuros da entidade. Uma
entidade deve divulgar:
i. Uma análise de sensibilidade para cada pressuposto atuarial
significativo no fim do período de relato; e
ii. Os métodos e pressupostos usados para preparar a análise de
sensibilidade exigida na alínea anterior e as limitações de tais métodos.
d) Planos multiempregador. Se uma entidade participar num plano
multiempregador de benefícios definidos, deve divulgar:

125
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

i. Uma descrição dos acordos de financiamento, incluindo o método


usado para determinar a taxa de contribuições da entidade e quaisquer
requisitos de financiamento mínimo;
ii. Uma descrição da medida em que a entidade pode ser responsável
perante o plano pelas obrigações de outras entidades segundo os termos
e condições do plano multiempregador;
iii. iii) Uma descrição de qualquer afetação acordada de um défice ou
excedente em caso de liquidação do plano ou saída da entidade do
plano; e
iv. Se a entidade contabilizar o plano como se fosse um plano de
contribuições definidas, deve divulgar os seguintes elementos, para
além das informações exigidas nas alíneas i) a iii) e em vez das
informações exigidas nas alíneas a) a c):
1. O facto de o plano ser um plano de benefícios definidos;
2. A razão por que não está disponível informação
suficiente para habilitar a entidade a contabilizar o plano
como plano de benefícios definidos;
3. As contribuições previstas para o plano durante o
próximo período de relato anual;
4. Informações sobre qualquer défice ou excedente do
plano que possa afetar a quantia de contribuições futuras,
incluindo a base usada para determinar esse défice ou
excedente e as eventuais implicações para a entidade; e
5. Uma indicação do nível de participação da entidade no
plano, em comparação com outras entidades
participantes

Divulgação de outros benefícios a longo prazo de empregados

ü Não existem divulgações específicas nesta norma para divulgação dos benefícios
a longo prazo dos empregados.
ü Anteriormente, para cada categoria de outros benefícios a longo prazo que uma
entidade proporcione aos seus empregados, a entidade deveria divulgar:
o a natureza dos benefícios
o a quantia das suas obrigações

126
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

o e o nível de cobertura das responsabilidades à data do relato


o a quantia de quaisquer ganhos ou perdas atuariais no período corrente e as
políticas contabilísticas para tais ganhos ou perdas atuariais.

Divulgação de benefícios de cessação de emprego

ü Não existem divulgações específicas nesta norma para divulgação dos benefícios
de cessação de emprego.
ü Anteriormente, para cada categoria de benefícios de cessação de emprego que
uma entidade proporcione aos seus empregados, a entidade deveria divulgar:
o a natureza dos benefícios,
o a política contabilística adotada,
o a quantia das suas obrigações
o e o nível de cobertura das responsabilidades à data do relato.

Outras divulgações

Número médio de empregados durante o período, apresentado por categorias, e os gastos


de pessoal relativos ao período, repartidos entre salários e vencimentos, encargos sociais
e encargos com pensões.

Quando se trate de contas consolidadas, deve ser divulgado separadamente o número


médio de membros do pessoal empregado pelas empresas que sejam objeto de
consolidação proporcional

Divulgações Para além das divulgações constantes nesta norma, a NCRF 5 – Partes
Relacionadas

ü Uma entidade deve divulgar a remuneração do pessoal chave da gestão no total e


para cada uma das seguintes categorias:
o Total de remunerações;
o Total de benefícios de curto prazo dos empregados;
o Total de benefícios pós -emprego;
o Total de outros benefícios de longo prazo;
o Total de benefícios por cessação de emprego; e
o Total de benefícios de remuneração em capital próprio.

127
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

ü Se tiver havido transações com o Pessoal chave da gestão da entidade (ou da


respetiva entidade-mãe), uma entidade deve divulgar a natureza desse
relacionamento, assim como informação sobre as transações e saldos pendentes,
necessária para a compreensão do potencial efeito do relacionamento nas
demonstrações financeiras. No mínimo, as divulgações devem incluir:
o A quantia das transações;
o A quantia dos saldos pendentes;
o Ajustamentos de dívidas de cobrança duvidosa relacionados com a quantia
dos saldos pendentes; e
o Os gastos reconhecidos durante o período a respeito de dívidas incobráveis
ou de cobrança duvidosa de partes relacionadas.
ü Uma entidade deve divulgar a quantia dos adiantamentos e dos créditos
concedidos aos membros dos órgãos de administração, de direção ou de
supervisão, com indicação das taxas de juro, das condições principais e dos
montantes eventualmente reembolsados, amortizados ou objeto de renúncia,
assim como os compromissos assumidos em seu nome a título de garantias de
qualquer natureza, com indicação do montante global para cada categoria.

Quando se trate de demonstrações financeiras consolidadas, a divulgação dos montantes


das remunerações e dos adiantamentos e créditos concedidos aos membros dos órgãos de
administração, de direção e de supervisão, só deve ser feita para os montantes concedidos
pela empresa-mãe e pelas suas empresas subsidiárias aos membros dos órgãos de
administração, de direção e de supervisão da empresa-mãe.

128
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Referências Bibliográficas e Legislativas

Legislação

Código de Contas - DL 218/2015, de23 de julho, e declaração de retificação n.º 41-


A/2015, de 21 de setembro

Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC)

Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)

Código do Trabalho, aprovado pela Lei 7/2009, de 12 de Fevereiro

Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social,


aprovado pela Lei n.º 110/2009, de 16 de Setembro

Estrutura Conceptual – Aviso n.º 8.254/2015, de 29 de julho e declaração de retificação


n.º 917/2015, de 19 de outubro;

Modelos de demonstrações financeiras - DL 220/2015, de23 de julho, e declaração de


retificação n.º 41-B/2015, de 21 de setembro

Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro - Aviso n.º 8.256/2015, de 29 de julho e


declaração de retificação n.º 918/2015, de 19 de outubro

Norma Contabilística para Microentidades - Aviso n.º 8.255/2015, de 29 de julho, e


declaração de retificação n.º 914/2015, de 19 de outubro;

Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Pequenas Entidades - Aviso n.º


8.257/2015, de 29 de julho e declaração de retificação n.º 915/2015, de 19 de outubro;

Portaria 383/2003, de 14 de maio

Sistema de Normalização Contabilística aprovado pelo DL 158/2009, de 13 de Julho,


republicado no DL 98/2015, de 02 de junho

129
A folha está propositadamente branca.
NCRF 28 – Benefícios dos Empregados
ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

Bibliografia

Almeida, Rui M.P., Dias, Ana Isabel, Carvalho, Fernando, Sistema de Normalização
contabilística explicado, ATF

Rodrigues, João, Sistema de Normalização contabilística explicado, Porto Editora

Kaizeler, Ana Catarina, Cascais, Domingos, Farinha, José P., SNC Todas as Normas em
casos práticos

Sites

www.ine.pt

www.fundoscompensação.pt

www.seg-social.pt

www.portaldasfinancas.gov.pt

131

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