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RUBEN YGUA

RUBEN YGUA
EVOLUÇÃO

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR
CRONOLOGIA
1

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

Contatos com o autor: ruben.ygua@gmail.com

RUBEN YGUA

O conteúdo deste trabalho, incluindo a verificação ortográfica, é da


exclusiva responsabilidade do autor 3

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

Dedicado a minha família. .

RUBEN YGUA

Introdução

Os métodos tradicionais de estudo do passado sempre deram maior


importância aos

interesses nacionalistas, religiosos e morais, que subordinaram o


fato histórico ao ponto de vista do sistema.

Foi assim que fomos educados.

Chegou a hora de simplificar e mostrar respeito pelos nossos


antepassados, procurando saber o que realmente aconteceu no
passado, e não apenas aquilo que eles se empenham em nos
doutrinar.
Depois de tantos anos estudando História, cheguei à conclusão de
que o melhor sistema de estudo é através de uma Cronologia
objetiva e imparcial que se limite a colocar cada acontecimento no
seu devido lugar no tempo, relatando a História sem manipulação.

Foi isso que me levou a escrever esta obra, que contém não só
fatos puramente políticos, como a fundação de cidades, o
nascimento de reinos e impérios, descobertas científicas e
geográficas, catástrofes naturais e epidemias; mas também inclui
informação sobre os mais diferentes campos da actividade humana:
química, astronomia, geografia, matemática, e assim por diante.
Paralelamente, a cronologia é complementada por dados que não
pertencem a uma data específica, mas a toda uma época, são

generalidades de cada sociedade, curiosidades, costumes, a


religião de cada civilização, invenções ou descobertas que não
podem ser inseridas em uma data exata.

O resultado de todo este conjunto é uma das cronologias mais


completas ao seu alcance, periodicamente actualizada com as
últimas descobertas arqueológicas e científicas, e que transporta o
leitor como se fosse testemunha viva do passado, facilitando dessa
forma sua compreensão da relação de fatos geograficamente
distantes entre si, mas que estão na verdade intimamente
conectados em sus inesperadas consequências. Isto é algo que a
história tradicional tem muitas vezes ignorado quando não favorecía
ou até prejudicava suas interpretações particulares.

Uma obra dessa magnitude não poderia ser publicada em um único


livro, então eu a dividi em várias coleções, e os originais em
espanhol estão sendo traduzidos para o francês, inglês, italiano,
alemão, holandês e português.

A cronologia transcorre da pré-história ao presente, ano a ano na


medida do possível.

Para aqueles que preferem um estudo mais profundo e detalhado,


preparei uma segunda cronologia, dia a dia, que por enquanto
abrange de 1789 a 1946, dividida em cinco coleções.

Amigos, com vocês.. a História dos nossos antepassados.

Ruben Ygua

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

8000-4500 AC.

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8000- A população mundial é estimada em cerca de oito milhões de


pessoas. Neste milênio a temperatura global aumenta, é o chamado
período Otimo do Holoceno, abarcando até 6000 aC.

registrando as temperaturas máximas do Holoceno, no norte da


Groelândia há evidências do

desaparecimento do gelo, o que aumentou o nível do mar. No Norte


de África começa o processo de desertificação que dará origem ao
SAARA, provocando o deslocamento das populações locais às
áreas que oferecem melhores condições de vida: o Nilo, a costa do
Mediterrâneo ou o interior Africano. No Vale do Nilo os invasores
misturam-se com a população nativa introduzindo novas técnicas
agrícolas e originando uma nova cultura que conduzirá à civilização
egípcia. O Oriente Médio está entrando em um novo período de
clima tropical com chuvas abundantes, aumenta o número de
habitantes na região, e há um intenso comércio entre as muitas
aldeias. Surge a aldeia de Tell Asward no oásis de Damasco, onde
se cultiva ervilhas, lentilhas e cevada. China: as culturas do vale do
Rio Amarelo tornam-se sedentárias, o porco é domesticado. Vietnã:
cultura HOA BINH CULTURE. Japão: a cultura Jomon difunde-se
alcançando numerosos grupos humanos. Estes primeros povos
nipônicos são imigrantes do sudeste da Asia, que chegaram às ilhas
em diferentes períodos, desplazando à população nativa Ainu, que
acabará recluída na ilha de Hokkaido. A cultura Jomon constroi
casas semi subterrâneas com telhado de palha, habitada por uma
família e construída em lugares afastados do interior embora esses
assentamentos sejam

abandonados em favor de zonas costeiras, quando o clima assim o


exige. Graças à cerâmica seus habitantes, que não conhecem a
agricultura, podem preservar e transportar água e alimentos mas os
recipientes são utilizados para muitas outras coisas, alguns são
construídos de grande tamanho a fim de usá-los como caixões no
enterro das crianças , um costume que durará milênios, quase até o
presente.

Outros vasos servem para transportar oferendas religiosas antes de


cada funeral. Também fabricam cerâmica com formas animais ou as
estuatuetas Dogu, uma representação de mulheres grávidas com
máscara no rosto e olhos esbugalhados. É bem possível que as
estatuetas Dogu tenham um significado ritual, porque muitas
parecem destinadas a combater feitiços. Há também círculos de
pedra de significado religioso aparente, ritos talvez de fertilidade, ou
para propiciar a pesca do salmão. Quanto aos utensilhos materiais,
eles são comuns, e geralmente consistem em pentes de laca,
grampos de cabelo de espinha de peixe, conchas e outros
ornamentos. América: no Canadá, as neves permanentes do manto
Laurentino desaparecem, trata-se dos últimos vestígios da última
idade do gelo, a retirada dos glaciais revela um territorio corroído
pelo peso do gelo , onde se formam numerosos lagos, nasce o
moderno rio São. Lourenço. Os primeros grupos humanos se
estabelecem no Pampa. Uruguai: é a época das mais antigas
ferramentas de pedra confirmando a presença de caçadores
paleolíticos: o homem Catalanense.

Lauricocha, Peru: fósseis humanos, pinturas rupestres e


ferramentas líticas. Piauí, Brasil: os registros mais antigos da
presença humana na Serra de Confusões. Extinção da preguiça
gigante, o Megatherium da América do Sul. Serra Leoa, Patagônia:
primeiros vestígios da presença humana: ferramentas de Obsidiana
preta, conchas e fogueiras.

7980- Em Stellmoor, Alemanha: o mais antigo arco Europeu, feito de


madeira de teixo ou ulmeiro. Ásia: cultura Changpin em Taiwan.
América: Em Oaxaca, México: em Guila Naquitz foram encontrados
restos humanos e úteis de pedra ao lado de sementes de abóbora
que, ao que tudo indica, foram cultivadas.

7970 - Na Dinamarca: acampamentos sazonais de pescadores


equipados com arpões e anzóis. Noyen-sur-Seine, França: primeiros
usos da nasa, uma rede em forma de funil..

7950- Na Anatólia central e oriental: há uma grande abundância de


obsidiana perto de Aksaray, em Bingol, em torno do Lago Van e na
Arménia. Os assentamentos nessa área utilizam a obsidiana quase
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exclusivamente como matéria-prima para sua indústria lítica, e


aqueles mais próximos às fontes de minério o trocam. Uma grande
parte desse intercâmbio já são núcleos preparados, que em
pequenas quantidades comerciam com áreas distantes como o sul
do Levante ou o Golfo Pérsico. Esta troca foi a base para o intenso
comércio entre diferentes comunidades. Também intercambiam
conchas do mar, que a arqueologia descubriu em cidades distantes
do mar (Çayönü), ou a jadeita, serpentina e pedras verdes do Tauro,
que foram encontradas em Abu Hureyra e outras cidades do
Levante, favorecendo a expansão das culturas neolíticas no Oriente
Próximo, por exemplo introduzindo o pastoreio no sul da Anatólia e
no norte do Levante, a partir da sua suposta origem no sul do
Cáucaso. América: os grupos humanos continuam se instalando e
se adaptando na América do Norte. As temperaturas subiram, as
estações são muito mais definidas e os animais são de menor
tamanho, após a extinção dos grandes mamíferos, forçando uma
adaptação dos caçadores e coletores, como sugerem as
ferramentas de pedra que

aparecem no planalto noroeste, adequadas para caçar pequenos


animais, enquanto nos desertos do sudoeste dos clãs Folsom
caçam veados e pequenos pássaros com suas pontas
características, enquanto coletam nozes e sementes que moem com
placas de pedra. Nas florestas orientais, os clãs tendem a se
estabelecer progressivamente em grandes acampamentos, sem
dúvida para aproveitar ao máximo os recursos sazonais, como a
coleta de sementes ou moluscos, a caça de veados e roedores.

7900- No sopé do Monte Zagro: a aldeia de Ali Kosh é uma pequena


aldeia com casas rectangulares de várias salas construídas com
tapial, consumo de cabras e ovelhas domésticas, caça e consumo
de cereais e frutos silvestres. Aldeia agrícola de Kut. No norte de
Espanha: Cultura asturiana, na zona cantábrica, com um sítio
representativo em Arnero. A indústria da pedra é de seixos, e o
osso, embora seja usado, é rudimentar. Existem também conchas
de moluscos, que complementam a dieta de javalis, corços e veados
dos habitantes. O habitat é em cavernas, mas eles também
constroem ao ar livre. No Báltico: a CULTURA KUNDA de
caçadores mesolíticos, eles são os primeiros colonizadores, que
levantam acampamentos em terraços fluviais, fazem punções,
adagas, pontas dentadas, azagaias com ranhuras, feitas de sílex, e
arpões de uma única fila de dentes, esses caçadores usam arcos de
dois metros de altura, feitos de madeira de coníferas. América: início
do cultivo da batata na Bolívia. Na Amazônia: a Fase Itapipoca no
rio Jamari, com indústria de lascas e raspadores de quartzo e
basalto. No noroeste da Argentina:a Patagônica Piedra Museo é um
lugar de abate e corte dos guanacos, caçados pelas bandas
nômades da zona com pontas de projétil de rabo de peixe.

7800- Monte Zagro: aldeias de Qermez Dere e Nemrik, com


pequenas cabanas circulares, caça e coleita de frutos, evidências da
domesticação de cabras. No oásis de Damasco: aldeia de Tell
Aswad, as cabanas são circulares, escavadas no chão com entre
2'5 e 3 m de diâmetro. Na indústria lítica, destacam-se as pontas de
flechas com entalhes, derivadas das típicas de El Khiam. A
agricultura é de trigo, cevada, ervilhas e talvez cevada. Não há trigo
selvagem nem no oásis nem na estepe circundante. Tell Aswad
parece um assentamento de populações vindas de fora que
trouxeram sementes de plantas domésticas e selvagens. América:
em Serra Leoa, Patagônia: primeiros sinais da presença humana:
ferramentas de obsidianas negras, conchas e fogueiras.

7700- Aldeia de Netiv Hagdud, a uma curta distância de Jericó, com


casas de adobe rectangulares ou quadradas, com cerca de 200
habitantes. Início da agricultura de cevada. indústria lítica tipo El
Khiam, choppers, bifaces, machados polidos e as folhas de foice
características (faca de Beit Taamir). Coreia do Sul: restos de um
navio de madeira, o mais antigo encontrado pela arqueologia.
América: na ravina de Las Conchas, perto de Antofagasta (no norte
do atual Chile), os primeiros assentamentos humanos.

7600- Nestes anos, os primeiros grupos humanos chegam a Creta,


talvez vindos da Anatólia ou da Grécia. No Oriente Próximo: as
culturas agrícolas do sudoeste estão consolidadas em cinco zonas 8

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principais, Síria, Palestina, Israel, parte da Anatólia e no Zagro.


Como sempre, há diferenças regionais, mas as ferramentas e a
organização humana são mais ou menos homogêneas. A
domesticação dos

animais é aprofundada, as trocas entre os grupos aumentam e as


aldeias adquirem uma maior

complexidade, o que inclui o início do uso da cal e do gesso na


construção. Na indústria, os micrólitos são abandonados em favor
da técnica laminar, e destacam-se as pontas de flechas com asas.
Uma inovação interessante é encontrada nos ritos funerários, em
que se adotou o costume de separar o crânio do cadáver, cobrindo-
o com argila, gesso ou outros minerais e tentando reproduzir as
características da face do defunto. O crânio é então depositado no
chão da sala e o corpo é enterrado sob o chão da mesma sala.

Os primeiros sinais dessas mudanças ocorrem em Tell Mureybit e


Abu Hureyra, no Eufrates sírio.

América: nos Andes peruanos inicia o cultivo do amendoim. Chile:


em Arica, Andes, é registrada a presença de clãs de caça nômades,
nos sítios arqueológicos foram encontradas grandes pontas de
lanças de pedra com lâminas serrilhadas, facas e raspadores, ossos
de camelídeos, cervídeos e outros animais menores. Viviam em
cavernas ou abrigos perto de rios e lagos.

7550- Mesopotâmia: o linho começa a ser utilizado na confecção de


tecidos. Na Síria: é fundada a cidade de Tell Halula, perto da fonte
do Eufrates. O solo das casas é caiado, os enterros são feitos
dentro de cada casa, grandes áreas coletivas para fogueiras e
artesanato, a agricultura era baseada em trigo e cevada. A caça
consistia em gazelas e gamos, nos seus primórdios a aldeia não
tinha muralhas defensivas, o que revela um período de paz. A
escavação revelou uma rica colecção de restos de plantas e animais
que caracterizam o Tell Halula como uma aldeia dos primeiros
agricultores e criadores de gado. América; ao sul do Chile: em
Marassi, Terra do Fogo, os primeiros assentamentos de caçadores,
são os mais antigos sinais da presença humana no extremo sul do
continente.

7500- Turquia: em torno do santuário de GOBEKLI TEPE forma-se


uma aldeia pertencente à cultura zarziense: habitações circulares,
agricultura e recolha, domesticação de ovelhas e cabras, monólitos
gravados com figuras de animais da fauna local e símbolos
religiosos abstractos. Em Jericó as antigas casas circulares são
substituídas por casas rectangulares com várias salas, actividade
agrícola extensiva e domesticação de cabras e ovelhas, cerâmica
com decoração imitando cestos de vime. São comuns em Jericó,
Katal Huyuk e Gobelki Tepe figuras de abutres gravadas em pedras,
sugerindo um mesmo culto religioso entre estas comunidades
paleolíticas. Em Kuyavia, Polónia: a mais antiga prova de
elaboração de queijo. Grécia: Grutas de Zaimis e Ulbrich e
assentamento ao ar livre de Sidari: grupos humanos que se
alimentam de moluscos terrestres e marinhos, pesca em pequenos
rios, colheita de lentilha selvagem e pesca do atum no mar. A
presença de obsidiana das ilhas de Melos é a prova mais antiga de
uma navegação no Mediterrâneo oriental. Grã-Bretanha: Star Carr é
um antigo local de habitação do Homo sapiens, um acampamento
estável com cabanas de planta circular semi-enterrada, pisos
pavimentados ou calcetados, poços de armazenamento de
alimentos, paredes de proteção contra o vento, casas, oficinas,
áreas de corte, etc., ou seja, a parafernália geral de grupos
humanos. São utilizados rolos de casca de bétula, caçam uros,
veados, alces, veados, corços e javalis, e coletam vegetais. É
possível que o cão seja domesticado neste momento nas Ilhas
Britânicas. Na Alemanha, surge a aldeia neolítica de Salbitz. Na
América do Norte, o mamute lanoso extingue-se. Patagônia,
Argentina: cultura Casapedrense das tribos caçadoras de guanacos.
No oeste da América do Norte começa a chamada Tradição Cultural
do Deserto, que inclui uma série de grupos com nomadismo
sazonal, coletores de sementes, raízes e frutos, caçadores que
usam pontas finas contra veados, coelhos e roedores, e também
pescadores, uma de suas principais características é a confecção
de cestas. Mais ao sul, em Oaxaca, território mexicano, o milho já
faz parte da dieta dos clãs ali estabelecidos. Javalinas e outros
objetos de madeira e osso são fabricados na Colômbia.

Na Amazônia, o sítio Dona Stella é abandonado, talvez porque o


clima ficou intolerável. Norte da Argentina: o primeiro cultivo
comprovado de milho e feijão na caverna Huachichocana, em Jujuy.
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Caverna Inca existe arte rupestre, sob a forma de grandes círculos


brancos e alguma representação zoomórfica esquemática, esses
povos alimentavam-se de veados, lagartos e caracóis, e podem ter
domesticado o guanaco e a vicunha.
7450- A agricultura continua seu processo evolutivo, após a seleção
das espécies, são abordados desenvolvimentos como a técnica do
pousio, que aparece em primeiro lugar, seguida pela implantação de
fertilizantes orgânicos e finalmente pela invenção do arado, que vai
revolucionar novamente a produção.

A criação de gado segue um processo semelhante, após os


ovicaprinos tenta-se a domesticação de espécies maiores, que são
mais rentáveis, o porco é domesticado na faixa sírio-palestiniana.
Em Jericó há evidências da domesticação de ovelhas e do aumento
da variedade de plantas cultivadas. Assentamentos em Abu Hureyra
e Tell Halula, ambos da Síria, este último é uma aldeia de gado e
agrícola protegida por um muro, com cereais, árvores frutíferas,
cabras e ovelhas, casas de adobe ou paredes de alvenaria
rebocadas com cal, fogueira dentro e esteiras esparto. Em Tell
Mureybit: a primeira cerâmica da região, e em Jericó, que já é um
grande povoado, o trigo, o porco e as cabras são consumidos no
interior do seu grande muro de pedra com fosso e torre circular. Na
Jordânia: aldeia de Ain Ghazal. Em Israel: Naal Oren tem casas
pavimentadas com pedras. Portugal: clãs que se alimentam de
moluscos, peixes e crustáceos de água doce instalam
acampamentos semi-nômadas nas margens do rio Muge.

JERICÓ

A população estimada de Jericó pode ter chegado a 2.000


pessoas, pelo que o número de casas não deve ter sido inferior
a 200. Uma muralha rodeava todo o povoado, com uma torre
anexa da qual ainda resta um fragmento de 8 metros de altura.
O interior da torre tinha um corredor de 1,70

metros de altura que levou a uma escadaria de pedra, da qual


restam 22 degraus, que serviu para subir ao topo da estrutura.
As cabanas de Jericó são circulares com um diâmetro de 5
metros e 3

metros de altura, parcialmente enterradas. A cobertura é cônica


e com estruturas de varas cobertas com folhas no exterior. As
paredes são feitas de tijolos de barro secos ao sol. Os túmulos
estão em fossos debaixo do chão. Em muitos casos, as casas
foram erguidas sobre um monte, produto de ocupações
anteriores. Os arqueólogos encontraram agulhas, alfinetes,
arpões, lanças e pontas de flechas. O sal era um produto para o
comércio do Mar Morto e para a conservação de alimentos. O
betume era utilizado para cobrir os cestos para os tornar
impermeáveis (a cerâmica ainda não existia). A moagem dos
cereais era feita em moinhos manuais em casa. O cereal moído
e amassado com água e cozido era a base da comida. Além dos
cereais havia leguminosas (lentilhas e ervilhas) e frutas (figos).
Os tijolos de barro eram feitos à mão com uma base plana e um
topo arredondado. Às vezes havia incisões para os ajustar. A
Lama misturada com palha evitava rachaduras quando secava
ao sol. Usavam arco e as flechas (feitas de madeira com ponta
de pedra). A foice era feita de madeira curvada na qual os
cortadores (folhas de sílex) eram inseridos.

7400- No Zagro, destacam-se as aldeias de Qermez Dere e Nemriq,


com cabanas circulares de adobe com bancos fixados à parede. Em
Nemriq as casas rodeiam um pátio central pavimentado com seixos,
uma espécie de praça, além da qual aparecem as áreas de trabalho,
oficinas, casas, silos, e assim por diante. Ainda não tem agricultura,
pelo que a dieta é de gazelas, raposas, ovelhas e cabras selvagens
e, em menor grau, bois e equídeos, aves, cobras e rãs. Os cereais e
leguminosas selvagens também são colhidos.

Nas cidades da Tessália, Macedônia e Cíclades, no Mar Egeu:


criação extensiva de ovinos e caprinos como fonte de carne, a caça
já não é necessária. Ucrânia, a mais antiga evidência de tratamento
cirúrgico: um crânio com marcas de trepanação. População humana
estabelece-se em Ghar Dalam, Malta. América: a mais antiga
evidência de cultivo de milho na América Central. Assentamentos
costeiros em Quebrada de Quereo, no Chile, com uma exploração
eficiente dos recursos marinhos.

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7370-Em Jericó há um vácuo de mais de um século sem


informação, possivelmente a cidade foi abandonada ou destruída.

7300- Em Espanha: sambaquis de moluscos en Mazaculos,


Astúrias, pertencentes à cultura asturiana, que também é
caracterizada por um modelo picareta muito peculiar. Como os
moluscos são colhidos no outono-inverno, o resto do ano os
acampamentos sazonais são construídos em áreas de caça.
América: Patagônia, Argentina: arte rupestre da Cueva de las
Manos, as mais antigas manifestações artísticas dos povos sul-
americanos.

7250-Egito, no Wadi Sora ao sul do planalto de Gilf Kebir: arte


rupestre da Gruta das Bestas. Um grande santuário aparece em
Cayönu Tepesi, Anatólia, uma enorme sala de 9 x 10 mts.,
pavimentada com uma espécie de mosaico de cores feitas com
seixos muito bem ordenados. É um símbolo da ascensão das
crenças religiosas em todo o sudoeste asiático, onde objetos rituais,
estatuetas, amuletos e rituais funerários proliferam mais e mais.
Uma nova aldeia nasce em Beidha, ao sul da Jordânia, com casas
de pedra e adobe e telhados apoiados por postes de madeira.

7220- Construção das novas muralhas de Jericó, com uma torre de


pedra no centro do muro. No interior, as casas redondas são
substituídas por edifícios retilíneos feitos de tijolos em fundações de
pedra. Os tijolos foram feitos com as impressões profundas do
polegar para facilitar sua manipulação.

Nenhum edifício foi escavado na sua totalidade. Normalmente,


vários quartos formavam um aglomerado em torno de um pátio
central. Os quartos são vermelhos ou rosados e o chão é feito de
cal, formando o que é conhecido como terraço. Algumas impressões
de tapetes feitos de juncos ou juncos foram preservadas. Os pátios
têm chão de barro. Foram descobertas pontas de setas (tipo espiga
ou com entalhe lateral) e pontas dentadas, foices laminadas,
cinzeis, raspadores, alguns machados de obsidiana preta e
obsidiana verde de fonte desconhecida. Tigelas e alguns machados,
placas e tigelas de calcário macio.

Também ganchos feitos de pedra. Ferramentas ósseas: espátulas e


brocas. Figuras de gesso

antropomórficas, quase em tamanho real. Algumas figuras


antropomórficas de argila também foram encontradas. Conchas e
pedaços de malaquita. Em Ali Kosh, no Monte Zagro, o trigo de
espelta gêmea começa a ser cultivado, importado de algum lugar,
porque até essa época era desconhecido na região. Já se pode
dizer que o Neolítico está totalmente estabelecido na área, com a
agricultura desenvolvida, tendo em vista as numerosas aldeias.

7200- Jordânia: aldeia de Ain Ghazal, formada por habitações


circulares agrupadas em torno de um grande edifício retangular,
possivelmente um templo ou santuário.

Na Alta Mesopotâmia: região do Vale do Gorga, assentamentos


agrícolas com moradias em tijolo e dois tipos de residências:
algumas com uma fogueira elevada e paredes queimadas por
fumaça, e outras sem espaço para fogueira, menores, com um piso
bem alisado. Em algumas destas últimas foram encontradas figuras
de barro muito estilizadas. Usavam ornamentos de ossos e folhas
de obsidiana. Estas culturas teriam tido contacto com os seus
vizinhos Yarim Tepe, Jeitun (Turquemenistão do Sul) e Sialk II (Irão
Central), ao longo do vale do Gorgan. América: a cultura chinchorro
nasceu no Peru, com aldeias de pescadores no vale de Camarones
e Arica.

7150- África: em Cartum, Sudão, um povoado sedentário de cultura


pré-agrícola que praticava caça e pesca, com arpões de ossos e
pedras de trituração. As casas eram cabanas de juncos e lama, e
faziam cerâmica decorada com linhas onduladas impressas e
pontos. Grécia: Na Caverna de Franchti há indústria 11

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em placas realizada por uma população que consome vegetais,
moluscos marinhos e terrestres e alguma pesca. Áustria: no Lago
Constança e no Lago Starnberg, no sul da Alemanha, surgiram
numerosas aldeias em palafitas, onde se desenvolve uma vida de
caçadores-recolectores-pescadores e início da agricultura.

7100-Alsacia, França: Crânios com sinais óbvios de trepanação


foram encontrados em Ensisheim.

Anatólia: uma erupção vulcânica destrói a cidade de Asikli.


Mesopotâmia: primeira enxada de pedra polida, estende-se o pomar
seco. Na cidade de Cayonu (Halaf-A) criação intensiva de porcos
em estábulos permanentes perto da aldeia de Halaf-1. No norte da
Mesopotâmia: aldeia de Umm Dabaghiyah, era um curtume a partir
do qual eram distribuídas peles de animais, com casas retangulares
de vários quartos de adobe decorados com pinturas de animais e
outros motivos. Havia áreas de armazenamento com

estruturas celulares. A cerâmica é simples (tigelas e potes), por


vezes pintada de vermelho com decorações plásticas ou incisas. A
indústria lítica era feita de sílex e algumas obsidianas importadas.
Eles cultivavam trigo, cevada e leguminosas, e tinham ovelhas,
cabras, porcos e bois domésticos. Eles caçavam a gazela e a
onagra selvagem. Existem várias aldeias semelhantes na área de
Djebel Sinjar.

Ásia: novos grupos de colonos chegam às Filipinas vindos do


continente, a maioria deles negros, alguns talvez da Indonésia.

7050- Na Anatólia, CULTURA DE JARMO: Foi provavelmente


desenvolvida por uma população oriunda de outras terras com
diferentes técnicas agrícolas, constrói casas rectangulares com
telhados de lama e palha, de várias salas, em aldeias de até 500
habitantes, costuras e tecidos em linho e lã, agricultura e
domesticação de cabras, caça, cerâmica, tatuagens corporais,
pulseiras e colares. A cidade de Abu Hureyra tinha 11 hectares, com
casas de adobe retangulares com vários quartos, branqueadas com
cal e decoradas com pinturas, amplo desenvolvimento do comércio.
A aldeia de Jarmo no seu início era formada por cerca de vinte e
cinco casas, com paredes de adobe em fundações de pedra e
telhados de lama secos ao sol. Estas casas eram frequentemente
reparadas ou reconstruídas. No total, cerca de 150

pessoas viviam na aldeia, que era claramente uma povoação


permanente. Nos estágios iniciais há uma preponderância de
objetos feitos de pedra, sílex e obsidiana. A utilização deste último
material, obtido na zona do lago Van, a 200 quilómetros de
distância, sugere que já existia alguma forma de comércio
organizado, assim como a presença de conchas ornamentais do
Golfo Pérsico. Nos níveis mais antigos, foram encontrados cestos
impermeáveis com pitch, que está facilmente disponível na área. A
actividade agrícola é atestada em Jarmo pela presença de siclos de
pedra, cortadores, tigelas e outros objectos, para a recolha,
preparação e armazenamento de alimentos, e também pelos
recipientes de mármore gravados.

Outras investigações mostraram que os habitantes da aldeia de


Jarmo cultivavam trigo de dois tipos, espelta e espelta, um tipo de
cevada e lentilhas primitivas. Também foi possível identificar
diferentes espécies de plantas silvestres na dieta dos habitantes do
Jarmo, como ervilhas, bolotas, sementes de alfarroba, pistache e
trigo selvagem. Há provas de que eles domesticaram cabras,
ovelhas e cães. Nos estratos mais modernos foram encontrados
porcos, juntamente com a primeira evidência de cerâmica, Jarmo é
um dos locais mais antigos em que a cerâmica foi encontrada.

7040- Anatólia: primeiros assentamentos humanos no local da futura


Hacilar, cabanas circulares com o reboco típico do piso, pintadas e
aplicadas da mesma forma que em Jericó. Sob algumas casas
foram encontrados crânios sem esqueletos, como já foi visto em
outros lugares do Oriente Médio, possivelmente é um culto aos seus
antepassados, mas o cemitério principal, fica fora da aldeia.

7000- As primeiras aldeias neolíticas já surgiram no Egito, uma vida


de agricultores sedentários está se desenvolvendo. Na Anatólia,
Diarbekir é uma aldeia murada onde, para além da habitual indústria
lítica, o cobre não aquecido é utilizado para algumas funções. Em
Cayönu Tepesi, no sudeste, o porco é domesticado. As casas aqui
são retangulares, algumas até de 10 x 5 m, construídas com
fundações de 12

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pedra, com o piso elevado acima do exterior para o proteger da


umidade e pavimentado com calcário e pedra britada. Em Cayonu
pode ser visto um possível planeamento urbanístico, tendo em conta
o monólito vertical que se ergue na praça formada pelas
construções, que por sua vez divergem em tamanho e materiais, ou
seja, são dedicadas a diferentes usos. Na mesma área, Caber
Huyuk e Boy Tepe também são aldeias de edifícios retangulares
com paredes de adobe. A agricultura em todos estes assentamentos
é de trigo e cevada, com alguma presença de leguminosas como
ervilhas e grão-de-bico, mas não há gado. As proteínas animais
provêm da caça de cabras selvagens, javalis e uro principalmente, a
indústria lítica é obsidiana, típica da região, que como já vimos é por
vezes utilizada para exportação, e também modelam pequenas
figuras de animais ou humanos em barro cozido. Os vasos e
pulseiras de mármore e alabastro que apareceram em alguns locais
indicam uma relação com o Zagro. Por último, é de notar que pode
muito bem haver movimentos de população destes territórios para a
Europa. Início da agricultura no Egeu. Por razões desconhecidas, o
santuário de Gobekli Tepe é completamente enterrado e
abandonado. Deste milénio são as mais antigas referências ao
cultivo da noz na Pérsia. No Paquistão: aldeia de Mehrgarh, que em
seu primeiro período não conhece cerâmica, seus habitantes eram
semi-nômades que cultivavam trigo e cevada, e criavam ovelhas,
cabras e outros tipos de gado. A aldeia era constituída por cabanas
de barro simples com quatro subdivisões internas. Numerosas
sepulturas foram encontradas, muitas delas com oferendas
elaboradas, como cestas, pedras, ferramentas de ossos, grãos,
pulseiras, pingentes e, em alguns casos, animais abatidos.
Ornamentos de conchas do mar, calcário, turquesa, lápis lazúli,
arenito e cobre polido foram encontrados, juntamente com figuras
simples de mulheres e animais. Um único machado de pedra foi
descoberto num enterro, e vários foram obtidos na superfície. Estes
eixos de pedra são do período mais antigo no contexto estratificado
do Sul da Ásia.

China: a domesticação de animais começa no vale do Rio Amarelo,


surgem as primeiras civilizações neolíticas, Peilikan e Cishan. Em
várias regiões da África, surgiram culturas especializadas na pesca
em rios, pântanos e lagos, foram encontrados arpões e anzóis
ósseos, cerâmicas originais, canoas, ferramentas de pedra, redes,
ossos de peixes, répteis e mamíferos aquáticos. América: Península
de Santa Elena, Equador: aldeias de agricultores (milho e
abóboras). A agricultura de feijão começa na América Central. Início
da agricultura na Bolívia. EUA: Fóssil do Homem de Kennewick,
raça branca e não mongolóide, ao qual pertencem os nativos
americanos, é debatido se é uma prova de emigração europeia.

Em Trinidad e Tobago: sítio arqueológico de Banwari Trace com os


sinais mais antigos de presença humana.
TUBERCULOSE
Uma das hipóteses mais aceitas sobre o surgimento do
Mycobacterium (o germe que causa a

tuberculose) propõe que o ancestral comum chamado


Marchaicum, "bactéria livre", teria dado origem ao
Mycobacterium moderno, incluindo o M. tuberculosis. A
mutação teria ocorrido

durante o Neolítico, em relação à domesticação de bovinos


selvagens na África.

6950- O grande glaciar escandinavo desaparece completamente


das Ilhas Britânicas, forma-se uma parte do Canal da Mancha e, nos
territórios agora sem gelo, os seres humanos desenvolvem
rapidamente várias culturas. Na Europa: expansão das avelãs,
olmos, freixos e, em geral, das florestas de folha caduca.

Na Tunísia: a cultura CAPSIENSE, caracterizada pela prática da


avulsão dos dentes, prática que ainda existe entre as mulheres de
algumas populações africanas, os ovos de avestruz, ricamente
decorados, foram utilizados como recipientes, o que atrasou o início
da cerâmica, pedras trabalhadas em folhas finas, abundância de
microlitros geométricos, adornos de conchas e as pinturas
monumentais de Tassili, consumo intenso de caracóis. A cidade de
Lefaat, perto do atual Mosul: ovelhas, cabras, vacas e veados. As
casas de Lefaat são construídas com paredes de pedra. Irlanda:
cabanas apoiadas em madeira no Mont Sandel, com excelente
técnica de carpintaria. América: Na costa do Pacífico da Guatemala,
pimentas picantes, aboboras, abobrinhas e abacates começam a
ser cultivados. Na América do Norte: Cultura Flat, 13

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR
com seus pontos originais, gradualmente substitui Folsom, enquanto
no sul da Califórnia o povo Chumash estabelece-se. Na
Mesoamérica o cultivo da abóbora, de forma incipiente, já existe em
Tehuacán, México.

E em Tamaulipas, ao norte, seus habitantes entram na chamada


Fase do Inferno, com coleta seletiva de vegetais e moradia em
cavernas. Na Costa Rica há áreas de pedreiras e oficinas em
Turialba, um assentamento de grupos de 20 a 30 caçadores e
coletores, enquanto na Nicarágua os humanos

colonizaram Zelaya. Os primeiros habitantes chegam ao Haiti,


vindos da Flórida ou Yucatan, depois de terem navegado em algum
tipo de barco simples. Há também assentamentos humanos em
Trinidad, outra ilha caribenha.

6900- Bulgária: Assentamento neolítico de Cernavodă, a necrópole


onde foram descobertas as famosas estatuetas de "O Pensador" e
"A Mulher Sentada". CULTURA HAMÂNGIA: com aldeias modestas
e não fortificadas, ao longo da costa, nas margens da região
lacustre, vivendo por vezes em grutas, cerâmicas com decorações
gravadas e estatuetas antropomórficas em terracota de excepcional
expressão artística e sepulturas com corpos colocados virados para
cima. Fundação da Eumolpia, agora Plovdiv, e da aldeia de Baia-
Hamangia. No sul da Jordânia: cidade murada de Beidha, com suas
grandes casas retangulares pintadas com ocre, vermelho ou verde
cal, intensa atividade comercial com Jericó, esculturas de barro da
Deusa-Mãe, importados do Eufrates. No Zagro, a aldeia de Ali Kosh
evolui, grandes casas separadas por pátios e vielas. Os mortos
eram enterrados, sozinhos ou em grupos, às vezes com
ornamentos. Eles continuam a levar os rebanhos de cabras para as
pastagens de montanha no verão. Consumo intenso de peixe, frutos
do mar e aves aquáticas. Grécia: o consumo de lentilhas e a pesca
do atum são cada vez mais importantes na dieta. América: novo
assentamento humano na Terra do Fogo, em Túnel.

6850- No vale do Nilo existem grupos humanos estabelecidos nos


oásis, como Kharga e Kom Ombo. Em alguns assentamentos no
Sudão, foram encontrados arcos e flechas bastante sofisticados;
pinturas murais e cerâmica não polida. Wadi Halfa parece estar
relacionado com o Maghrebi Capsiense. Perto de Cartum existem
grupos mesolíticos de indústria microlítica com uma importante
produção de arpões ósseos, por exemplo em Kassala e Ennedi. No
Zagro: aldeia de Chagha Sefid, cultivam trigo, cevada e lentilhas,
criam cabras e ovelhas, mas a caça e a colheita completam a sua
dieta. No norte da Mesopotâmia: Diga a Maghzaliyeh aldeia com
casas de adobe retangular em plintos de pedra, com uma parede de
pedra com torres, o que é raro neste período. O material
arqueológico é semelhante ao da região de Zagro, embora pareça
que eles utilizaram o arco, como sugerido pelo tipo de pontas de
flechas encontradas, o que poderia indicar contatos com Levante e
Anatólia. China: cultura Houli, no vale do Yangtze, onde começou o
cultivo do arroz.

6800- Na Tessália, Grécia: A CULTURA NEOLÍTICA DE SESKLO,


com aldeias de pequenas casas feitas de barro e tijolos de madeira,
agricultura de trigo e cevada, rebanhos mantidos de ovelhas,
porcos, vacas e cabras, desenvolveram uma cerâmica refinada e
muito elaborada. As casas da aldeia localizavam-se ao lado umas
das outras e eram retangulares, quase quadradas, com paredes de
barro ou barro com contrafortes nos interiores e uma fila de postes
no centro que suportava o telhado. A porta, localizada na parede
mais curta, foi acessada por um alpendre apoiado por dois postes.
O interior foi dividido por paredes perpendiculares às paredes
longas e a sala principal estava na parte de trás. É a versão
primitiva do mégaro que teria tanta influência na construção ao
longo dos séculos. Nos níveis inferiores do proto-Sesklo não foram
encontradas cerâmicas, mas seus habitantes logo desenvolveram
cerâmicas vidradas muito finas (vasos e copos) que foram
decoradas com pinturas geométricas vermelhas ou marrons.

Durante o período de Sesklo, foram incorporados novos tipos de


cerâmica, graças à experimentação sobre o foco calorífico dos
fornos, que consegue um aumento das temperaturas com
excelentes resultados nas peças. Durante o processo observa-se
que alguns minerais, como a malaquita e a azurite, quando
submetidos a calor intenso liberam cobre fundido. É o que acontece
em Cayönu Tepesi, na 14

RUBEN YGUA

Anatólia, onde há pinos de cobre batido feitos com a técnica de


martelagem. Como o cobre é um mineral pouco frequente, as peças
são apenas decorativas ou de prestígio, sem qualquer repercussão
na sociedade. No final do período, a decoração é desenvolvida com
motivos em chamas. As cerâmicas deste estilo "clássico" de Sesklo
também foram usadas na Macedônia Ocidental e na Sérvia. Uma
característica importante dessa cultura é a abundância de
estatuetas de mulheres, muitas vezes grávidas. Os primeiros grupos
humanos chegaram a Malta, talvez da Sicília.

6780- Na Síria: a cidade de Tell Halula é abandonada pelos seus


habitantes, possivelmente devido a uma invasão ou epidemia. A
cidade tinha sido protegida por um muro de pedra um século antes.
Em Chipre existem algumas aldeias, como Shillourokambos e
Petratu Limniti, talvez de colonos da Anatólia, a julgar pela sua
tecnologia.

6750 - No Paquistão e na Índia, a agricultura incipiente do vale do


Indo e a planície de Kachi espalharam-se por um amplo território.
Tailândia: Na Caverna do Espírito há sinais de consumo de feijão
silvestre, pimenta e ervilha.

6700- Israel: a evidência mais antiga da aldeia de Atlit Yam:


comunidade pesqueira, poços de água doce protegidos por muros
de pedra, casas retangulares com fogos interiores, fósseis com a
evidência mais antiga de tuberculose e depósitos de peixes. As
casas de Beidha, na Jordânia, tornam-se maiores, talvez para servir
a sua crescente população. As paredes interiores são rebocadas
com areia e cal e pintadas de verde, ocre ou vermelho. Grécia: na
Caverna de Franchti, os microlitros aumentam e aparece a
obsidiana da ilha de Melos, o que revela uma intensa navegação no
Mediterrâneo oriental. Chipre: alguns sítios aparecem,
Shillourokambos e Petratu Limniti, talvez de colonos da Anatólia, a
julgar pela sua tecnologia.

6650- Anatólia: cidade de Beldibi. Em Jericó existe um vácuo de


alguns séculos de signos humanos, possivelmente a cidade tenha
sido abandonada por razões desconhecidas. Na Jordânia, a aldeia
de Ain Ghazal atinge um grande esplendor, simbolizado pelas
figuras de barro colorido que são feitas, expressão do culto com o
qual as deusas da fertilidade ou os deuses do gado são adorados.
Os mortos são também honrados reconstruindo com gesso os
traços do rosto do defunto, que é então colocado na sepultura da
família.

6600- O clima entra numa fase mais quente. Na Europa, o clima


favorece a expansão geral das florestas de folha caduca, o gelo nos
glaciares derrete a um ritmo mais rápido, aumentando a subida do
nível do mar. O Neolítico começa a se desenvolver em algumas
regiões europeias, seja pela chegada de técnicas e pessoas do
leste ou como desenvolvimento autônomo, no momento em terras
planas e férteis. A arquitetura de madeira e argila aparece em
aldeias em palafitas próximas a rios, lagos ou pântanos, entre os
mais representativos estão Mullerup e Holmegaard. Na Estônia e na
Finlândia, numerosas aldeias surgem no vale do Kunda, armas e
outros utensílios são fabricados. Mesopotâmia: no rio Tigre, a aldeia
de Tell Es-Sawwan, protegida por uma paliçada de toros e pedras,
casas quadrangulares, túmulos ricamente decorados, trigo, cevada,
linho e agricultura leguminosa, primeiros sistemas de irrigação,
cerâmica decorada vermelha e preta. Os túmulos de Tell es-Sawwan
têm por vezes magníficos enxovais, com figuras de alabastro,
copos, cerâmicas e outros objetos, o que indicaria uma certa
diferenciação social.

6550- Anatólia: em Jarmo o porco é domesticado. Chipre: aldeia


neolítica fortificada de Khirokitia. Na Escandinávia desenvolvem
duas raças de cães não lobos. O Sudoeste Asiático está produzindo
um grande aumento populacional, possivelmente ligado ao
desenvolvimento do Neolítico, que atinge sua plenitude 15
DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

aqui à medida que se expande de seus lugares de origem para


regiões periféricas, em princípio para a bacia do Tigre e as encostas
orientais do Zagro, no Irã, e gradual mas relativamente rápido para o
leste e oeste, especificamente o Sul da Ásia (através do
Turcomenistão e Afeganistão) e as regiões do Sudeste Europeu.
Por um lado, a agricultura provoca um aumento do sedentarismo,
enquanto a pecuária tende a impor o nomadismo pastoral e,
consequentemente, o abandono de algumas aldeias para construir
novas ou ampliar as que existiam em áreas muitas vezes próximas,
como Jericó, Beidha e outras em benefício de Ghoraife ou Tell
Ramad, no oásis de Damasco. Em todo o caso, os centros
populacionais multiplicam-se e, ao mesmo ritmo, intensificam ou
estabelecem redes de intercâmbio de produtos, incluindo a
obsidiana da Anatólia e as conchas mediterrânicas. O
desenvolvimento tecnológico do Neolítico produz excedentes de
produção mas também a necessidade de materiais, multiplicam-se
as redes de troca, e também a interdependência dos grupos, é
habitual o aparecimento de produtos estrangeiros nos depósitos, e
para que o comércio funcione, mesmo de aldeia em aldeia, eles têm
que forjar ao mesmo tempo lideranças, talvez até hierarquias, já
meio definidas anteriormente para estruturar a gestão dos próprios
recursos.

Quanto ao progresso tecnológico, com os avanços no uso do fogo,


melhores recipientes começam a ser feitos, o uso de gesso e cal é
generalizado e a indústria lítica é aperfeiçoada com o polimento,
uma técnica que envolve seleção meticulosa da rocha, que deve ser
de difícil fratura, geralmente basalto, granito, ardósia, mármore, jade
ou obsidiana, dependendo dos territórios. O polimento consiste,
depois de extrair o núcleo da rocha por percussão e depois trabalhá-
lo finamente, num atrito da peça com algum elemento abrasivo,
muito frequentemente arenito. Quanto à indústria de ossos, embora
o gado assegure o fornecimento de matéria-prima, há poucas
variações. Na agricultura, há uma expansão das culturas de trigo
duro e leguminosas. Na Síria, há sinais de cultivo de linho em Tell
Ramad.

6500- A subida do nível do mar forma o Estreito de Torres,


separando a Austrália da Nova Guiné.

Período pré-dinástico no Egipto: um grande número de aldeias de


agricultores surgem, são aldeias de estrutura modesta, cabanas
simples de juncos e lama de forma circular, silos escavados no solo
por vezes forrados com esteiras de juncos. A cerâmica é conhecida
e o trabalho de madeira, osso e pedra polida, bem como cestaria e
tecelagem de linho. Eles consumiam ovelhas, cabras e bois
domésticos, bem como trigo e cevada, mas também caçavam,
pescavam e colhiam vegetais. Foram encontrados arpões e pontas
de osso, e tinham foices com cabo de madeira, pontas de seta e
folhas com retoque bifacial plano. As conchas do mar e as contas de
colar de pedra eram usadas como ornamentos. A população egípcia
está aumentando em número, graças em parte às contínuas ondas
de emigrantes do Saara. A utilização da lavoura é generalizada na
Anatólia. China: as primeiras culturas neolíticas, Peilikan e Cishan,
precursoras da cultura Yangshao, que se fundirão com os
Dawenkou e os Hongshan para dar origem à cultura Longshan, que
marca o início da unidade territorial e política da planície chinesa do
norte. Na América do Norte, com o último transbordamento, o
grande lago Agassiz desaparece, em seu lugar formam-se os atuais
Grandes Lagos. No Chile, o povo Chinchorro é o primeiro a
mumificar seus mortos. Na Terra do Fogo: assentamento humano
em Imiwaia.

6450- Na Tessália, Grécia: em elevações de terreno e perto de


planícies férteis ou locais de pastagem, erguem-se uma após outra
pequenas aldeias de agricultores e pastores, com casas de forma
quadrada, algumas com fundações de pedra e muros apoiados por
postes. A agricultura é de cereais, para os quais se utilizam foices e
moinhos, e a domesticação de caprinos, ovinos e suínos. Os
enterros estão em fossos com trousseaux pequenos, embora
incinerações são praticadas, e a cerâmica começa, é de boa
qualidade mas com formas simples. Depósitos em Argissa Magoula,
Sesklo, Achileion e outros. Mais ao norte, na Macedônia, Nea
Nikomedeia é uma aldeia de grandes casas retangulares ao lado de
um enorme edifício cheio de ídolos. A agricultura, a pecuária e a
cerâmica também vieram aqui. No Zagro: aldeia de Tepe Guran, de
pastores de cabras. No Líbano: primeiras povoações nas
instalações da futura cidade de Byblos.

Rússia: na península de Kamchatka, a grande erupção do vulcão do


Lago Kurile, é a segunda erupção mais poderosa do Holoceno.
Nova Guiné: a agricultura começa entre o povo papuano.

16

RUBEN YGUA

6400- Na Anatólia: a aldeia de Suberde, a pastagem de ovinos e a


agricultura de cereais e lentilhas. Na América do Norte, melhores
ferramentas são produzidas, a cerâmica é inventada e os montes
são construídos para serem enterrados. As pedras são usadas para
moer comida. Os bisontes e os animais mais pequenos são
caçados.

6350- Curdistão: Em Karim Shair existem numerosas enxadas de


sílex, pedras de moer, moinhos de mão e poços de armazenamento
(silos). Há também pontas de flechas de pedra e obsidiana, martelos
de pedra polida e alguns machados com aresta de corte polida. Há
também colar de contas, brincos, anéis e pulseiras todos polidos.
América: Em Las Vegas, Equador, localizado na península de Santa
Helena, aparecem dardos, lanças e facas de cana. No sul da
Amazônia, a Tradição Sinimbu surge no Pantanal de Guaporé, com
conchas (aqui chamadas de sambaquis) e pontas de projétil.

6300- Ilhas Ryukyu, Japão: grande erupção da Caldeira Kikai.


Primeiros assentamentos humanos nas premissas do futuro
Damasco, na Síria, domesticação do boi do uro selvagem. As uvas,
originárias da costa do Cáspio, propagaram-se à Mesopotâmia e à
Anatólia. A cidade de Jericó é reconstruída com edifícios de tijolo
sobre bases de pedra, formando ruas rectas; as novas casas têm
várias salas à volta de um pátio central, com paredes pintadas a
vermelho e pavimentos de cal, foram encontradas sepulturas
colectivas e uma construção que pode ter funcionado como capela
ou templo; escavações encontradas ganchos de pedra, pontas de
setas, foices, cinzéis e raspadores, eixos, pratos e copos obsidianos
verdes, bem como ferramentas ósseas e figuras antropomórficas de
gesso e argila. Tem 2500 habitantes. Em Jericó e Ain Ghazal
aumenta o número de cereais cultivados e, onde não existiam,
incorporam-se leguminosas, grão-de-bico e lentilhas. À
domesticação da cabra, em Jericó e Beidha acrescenta-se a ovelha.

6280- Fundação da cidade de KATAL HUYUK na Anatólia com 32


hectares, o maior de seu tempo, onde vestígios de artesanato em
madeira, tecelagem de lã, casas rebocadas com cal, cerâmica e
uma religião desenvolvida foram encontrados. Irã, Monte Zagro: a
aldeia de Ali Kosh evoluiu, casas de pedra maiores, sepulturas em
um cemitério, adornos pessoais, pesca, agricultura e pecuária,
ferramentas de pedra, moinhos de mão, cestas e cerâmicas, sinais
de comércio com regiões próximas.

6250- Na Europa e na Ásia, a carpintaria está em grande


desenvolvimento, com a utilização de cinzéis e instrumentos de
precisão, não só para habitação, mas também para obras de grande
escala, como poços, vedações ou canais de irrigação. Em Katal
Huyuk: primeiras evidências da fundição de cobre. No sul da Itália,
Sicília e ilhas vizinhas, e na costa de Trieste: primeira produção de
cerâmica impressa. Na China: aldeia de Ban Po. Austrália: arte
rupestre com figuras pintadas na rocha, incluindo peixes de água
salgada e crocodilos.

6200- Mesopotâmia: começa um período de clima seco e fresco,


emerge a aldeia de Choga Mami, com o mais antigo sistema de
irrigação conhecido, com canais para transportar água para as
terras agrícolas. No Zagro, a aldeia de Ali Kosh continua a evoluir,
agora tem uma indústria laminar lítica, com pouca obsidiana.
Moinhos manuais, argamassas e recipientes de pedra polida
abundam. Há restos de esteiras e cestos, alguns forrados a betume.
A cerâmica aparece com muitos vasos pintados. Há figuras
humanas e animais modeladas em barro. Muitos objetos
decorativos, alguns com pedras importadas.

17

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

6150- Mesopotâmia: as grandes aldeias do Tigre e do Eufrates


estão gradualmente a construir barragens e canais, com os quais se
obtém um excedente de produtos agrícolas. É entre ambas as
bacias que surge a aldeia de UMM DABHAGIYAH, que se
caracteriza pelas suas grandes construções

retangulares divididas em quartos, talvez utilizados como depósitos.


Bovinos, ovicaídeos e porcos; cultivam trigo e usam cobre. A caça e
coleta ainda é praticada, sua principal fonte é a caça de onagros
para venda de peles para comunidades vizinhas. No sul da
Mesopotâmia, junto ao mar, a ocupação humana é mínima porque a
área do delta é muito pantanosa, com fauna de búfalos selvagens,
javalis, muitas aves e uma miríade de mosquitos em meio ao calor
opressivo. É certamente um local difícil de estabelecer a agricultura,
mas mesmo assim construíram cabanas circulares no vale do
Hamrin, junto ao Zagro, a aldeia de Rihan, sem olaria mas com
agricultura, e também campamentos temporários em Choga Banut,
Choga Mish e Bonet Fazili. É a partir deste momento, com o
domínio das primeiras técnicas de irrigação, que a área começa a
ser povoada. É possível que os primeiros comerciantes marinhos já
tenham navegado ao longo das costas árabes.

O comércio é cada vez mais importante e está geralmente


ligado a certas migrações, que levam os avanços do neolítico
para lugares com menor desenvolvimento tecnológico e social,
como a Europa.

6100- DESLIZAMENTO DE STOREGGA: O colapso de grande


parte da plataforma continental na Noruega causa o maior tsunami
da história, afetando catastroficamente as populações humanas nas
costas europeias, discute-se se esta catástrofe sepultou as últimas
áreas da ponte de terra entre a Grã-

Bretanha e o continente. O território que os arqueólogos denominam


Doggerland é coberto pelo Mar do Norte, deixando apenas suas
partes mais altas, que ficará por mil anos como uma grande ilha a
leste da Grã-Bretanha. Aparentemente, é neste momento que os
grupos humanos migram para a Alemanha e Áustria, construindo
aldeias de cabanas rectangulares, com cerâmicas decoradas por
linhas geométricas, praticando a agricultura e a pecuária com clara
influência do Médio Oriente. Supõe-se que chegaram navegando
pelo Danúbio, ou talvez sejam populações deslocadas das costas
do Mar do Norte. Nasce a CULTURA DE TELL HALAF, que se
estende do Monte Zagro até o Mediterrâneo, com seus principais
centros na planície do alto Tigre (Arpachiya), e o triângulo de Habur
(Tell Halaf, Tell Brak, Tell Chagar Bazar).

6050- Primeiras plantações de arroz na Tailândia. África: deserto de


Núbia, a 100 km do Nilo, construção do cromlech de Nabta Playa.
Em Jericó são feitos os primeiros tijolos cozidos. Saara Oriental:
começa o pastoreio e o cultivo de cereais. China: na bacia alta e
média do Rio Amarelo há avanços significativos no desenvolvimento
humano, com a extensão da agricultura da mexoeira, couve,
ameixas e avelãs e a domesticação de suínos, frangos e cães, este
último também utilizado para a caça, além de ser um componente
da dieta. Aldeias Egou, Yan Lin, Yu Shi, Wu-lan e Bampo, esta
última com casas de planta circular, oval ou quadrada, construída
com lama misturada com palha de painço e juncos em postes de
madeira, algumas com o chão abaixo do nível externo e quase
todas com uma camada de gesso ou terra compactada como
pavimento. O espaço interior está dividido em quartos, com fogueira
e despensa.

6000- No final do período Ótimo do Holoceno, as temperaturas


mundiais registram um declínio gradual neste milênio, com invernos
mais longos e breves verões, no Oriente Próximo começa o
PERÍODO

BOREAL SECO, numerosas aldeias são abandonadas no Sinai e no


sul da Palestina, grupos humanos migram para o norte da Palestina
fundando a cultura TAHUNIENSE. Grupos humanos com
conhecimento das técnicas agrícolas do Médio Oriente entram na
Europa através do Danúbio e fundam LEPENSKI VIR.

Chipre: a aldeia de Khirokitia é abandonada pelos seus habitantes, a


ilha de Chipre permanecerá desabitada durante os próximos 1500
anos. Os primeiros colonos chegam a Creta: são grupos de 18

RUBEN YGUA

caçadores neolíticos de origem desconhecida. Na Dinamarca e na


Scania: CULTURA DE KONGEMOSE

(caçadores, coletores e pescadores). Na caverna de Svarthola, em


Rogaland (Noruega) cerca de 25

pessoas deixam os primeiros vestígios de ocupação. A laranja é


provavelmente já cultivada na China. Na Mesoamérica: começa a
agricultura da pimenta (o Chile mexicano) e do pimentão. O período
de clima árido, com escassas chuvas, reduz gradualmente o volume
do mar Querandinense na América do Sul, os grandes rios Uruguai
e Paraná formam ecossistemas de água doce. No Uruguai: Cultura
Cuareimense, com paleo-agricultura e ferramentas de pedra mais
elaboradas que seu antecessor, o Homem do Catalanense. Chile:
cemitério indígena de Cuchipuy, o mais antigo do país. Tribos
conhecidas como proto-esquimós, de cultura mesolítica,
estabelecem-se na região ártica, na costa sul do Alasca e no oeste
do Canadá, impondo-se aos habitantes locais, que eram pescadores
de salmão. Peru: os mais antigos vestígios do cultivo da batata-
doce. Em Santarém, Brasil, aldeias de pescadores e coletores de
frutos do mar fazem as primeiras cerâmicas do continente.
5950- Mediterrâneo: Uma grande erupção do vulcão Etna na costa
oriental da Sicília causou um enorme tsunami que deixou a sua
marca em vários lugares no Mediterrâneo oriental, por exemplo, no
assentamento de Atlit Yam (Israel), hoje abaixo do nível do mar, que
foi subitamente abandonado naquela época. Uma cerâmica
decorada é elaborada no Líbano, e os bois são domesticados na
costa síria, Ras Shamra e Bouqras. Nos oásis sírio e jordaniano,
como El Kowm e Ain Ghazal, os assentamentos já são sedentários,
com zonas pastorais próximas. A agricultura começa no Elam. Katal
Huyuk, Anatólia: casas com paredes pintadas com mapas. Ucrânia:
nasce a cultura mesolítica de Dnieper-Donets. No Alto Nilo, um
território do Egipto e do Sudão, os criadores da Cultura Elkabiana
fabricam argamassas, pedras de moer e foices para a recolha de
cereais selvagens. No norte do Egito, os grupos ainda são
caçadores e coletores. Na Arménia, Geórgia e Azerbaijão:
CULTURA SHULAVERI-SHOMU, com a utilização e

exportação de obsidiana para vários locais do sudoeste asiático,


criação de gado e agricultura.

5900- O Oriente Próximo entra em uma fase climática úmida,


embora ainda haja áreas muito estéreis de deserto e estepe, no
território que vai do Sinai ao Curdistão iraquiano através do Jordão.
A área de Zagro é mais chuvosa, e em sua parte iraniana, em
Choga Mami, são construídos os primeiros canais de irrigação. A
metalurgia do cobre se espalha pelo sul da Anatólia, Iraque e Zagro
no Irã, por isso supõe-se que essas regiões, ricas em minério de
cobre, poderiam ser os lugares ondea fundição desse minério foi
feita pela primeira vez. No norte dos Bálcãs e no Danúbio: cultura de
HAMANGIA, não há provas de que era agrícola, eles faziam vasos
de cerâmica com desenhos geométricos e figuras humanas de
terracota de uma excelente nota fiscal. Grupos da Ligúria colonizam
a Sardenha. Irã: surge a civilização do rio Zayandeh, cujas
escavações ainda estão em andamento. Escultura da mulher
sentada de Katal Hüyuk.
Ásia: Os marinheiros austronésios estão estabelecidos no vale do
rio Yagtze, na China, e no sul de Taiwan.

Nas ilhas Aleutas estabelecem seus primeiros habitantes, vindos


das migrações da Sibéria. América: o milho é cultivado na ravina de
Tiliviche (norte do Chile). Nos EUA temperaturas planalto noroeste
subida e secura e, portanto, o consumo de mexilhões de salmão e
de água doce entre grupos humanos, para reduzir a fauna de
mamíferos de grande porte. Hohokam índios já vivem no norte da
Califórnia, e no Sudoeste, muito árido, que continua a tradição
cultural do deserto, na verdade, uma série de grupos com
características semelhantes, que, pelo menos em Sulphur Springs
usando tiras de couro e Hoes.

Geralmente estilo de vida sedentário ou semi-sedentários está


tomando conta em muitas partes da América do Norte, embora nas
florestas orientais, que ocupam do Canadá ao Golfo do México sem
exceder o limite das grandes planícies, numerosos grupos de
caçadores proliferam mantendo um estilo vida nômade. Na América
Central surge um novo assentamento, em Acahualinca, perto de
Manágua, na Nicarágua. A agricultura também se estende ao sul
dos Andes, enquanto no centro há numerosos assentamentos. Peru:
na Cueva del Guitarrero, cestas e tapetes são feitos. No Chile,
forma-se o deserto do 19

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

Atacama, inúmeras espécies de plantas e animais desaparecem,


alterando a vida dos grupos humanos, muitos dos quais emigram.
Na Argentina: Cultura Ayampitín, eram caçadores de guanacos e
coletores de sementes, faziam pontas de flecha com formato
lanceolado.

5880- A cidade de Jericó é abandonada pela segunda vez, as


causas são desconhecidas. Monte Zagro: fundação das aldeias
neolíticas de Yarim e Buqras: com agricultura intensiva e pecuária;
no entanto, essas aldeias não abandonaram completamente a caça
e a coleta, é uma cultura de transição. Uma das atividades
comerciais mais prolíficas foi a caça de onagros para a venda de
suas peles.

5870- Em Téviec, França: a arqueologia descobriu vários esqueletos


de pessoas, mortas por flechas, provavelmente durante um
combate. Na Escandinávia: CULTURA DE KONGEMOSE,
caçadores-coletores e pescadores. Grupos humanos ocupam a
caverna de Svarthola na Noruega.

5850- Mesopotâmia: primeira cerâmica em Tell-es-Sawwan, um dos


principais locais próximos a Samarra e Arpachiyah. Na planície de
Konya, região central da Anatólia, o regime de chuva permite a
agricultura sem irrigação. É o território onde prospera Catal Hüyük,
com 139 casas geralmente quadradas entre as quais há pelo menos
40 santuários, são grandes edifícios com murais e esculturas de
touros sagrados presas às paredes. A maior delas é uma grande
sala decorada com esculturas que representam, provavelmente,
deusas da fertilidade, enquanto o resto ocupam uma média de 25
m2. As cerâmicas são escassas e de formas simples, com pouca ou
nenhuma decoração e, no que diz respeito à indústria, são
fabricados recipientes de madeira e sacos de couro, cobre
martelado e objetos obsidianos com entalhe laminar, facas e pontas
de projétil. São cultivadas mais de uma dúzia de variedades de
cereais, leguminosas e linho, esta com necessidade de algum tipo
de irrigação, o gado é de ovinos e caprinos, o boi está em processo
de domesticação e são caçados veados veados, javalis e leopardos.
Aqui, também, a complexidade da organização social e da
arquitetura apontam para o início de uma hierarquia social,
corroborada por túmulos com diferentes níveis de enxovais, embora
em sua execução eles sejam homogêneos. O Neolítico também se
manifesta em outros lugares da Anatólia, como a Cilícia e a planície
de Amuq. Em Mersin, as cerâmicas impressas são feitas com
conchas e cordas que sugerem contactos com a costa síria.

5830-No Zagro, esplendor da cultura da TELL HALAF, entre o Tigre


e o Eufrates. As inundações destes rios exigem uma canalização da
água para obter boas colheitas, ou seja, a construção de canais e
diques que regulam o fluxo e a dessecação dos pântanos, infra-
estruturas que exigem uma mão-de-obra numerosa e organizada.
Isto requer um poder centralizado, que distribui os encargos e
benefícios entre os cidadãos e regula a concorrência com outras
cidades, porque as obras afectam necessariamente várias aldeias.
Mesmo assim, não se pode evitar que essas enchentes muitas
vezes devastem casas, colheitas, gado e até mesmo a vida de
pessoas que, diante da desgraça, culpam os deuses por seu
destino. Isso abre caminho para a ação de intermediários, indivíduos
que afirmam lidar com as divindades e falar em seu nome e assim
se colocam em uma posição predominante para enfrentar os
problemas. Nas aldeias aparecem as primeiras ruas pavimentadas,
alguns edifícios redondos e abobadados e uma série de outras
melhorias, além da infra-estrutura de irrigação. Desenvolve-se uma
arte decorativa cujos temas alternam naturalismo e geometria. Os
motivos do duplo machado são repetidos insistentemente. A figura
da Deusa Mãe é encontrada como um desenho e como um objeto.
Em comparação com as culturas anteriores, há um refinamento da
pasta cerâmica e melhoria dos fornos que conseguem atingir altas
temperaturas e que preludiam a passagem para o domínio da
tecnologia do cobre. Os selos de pedra são utilizados para delimitar
a propriedade dos objectos sobre os quais são aplicados. A sua
origem revela relações comerciais desde o planalto anatoliano até
ao Golfo Pérsico. O cobre mineral e o chumbo são utilizados 20

RUBEN YGUA

para a elaboração de pequenos objetos, magníficos vidros de pedra


são modelados, há um excelente trabalho da obsidiana. A cultura do
Tell Halaf representa um novo e importante passo no caminho que
em breve levará ao surgimento das primeiras cidades, no sentido de
estabelecimento urbano e organização social, e sua influência
chega ao Irã e Anatólia. Além disso, existem outros locais
importantes, como Arpachiyah e Karkemish, com silos redondos
para cereais.
5820- Inícios da agricultura em algumas zonas dos Balcãs, com
técnicas que revelam a sua origem na Anatólia, existem cerâmicas
nas zonas marítimas costeiras e no Danúbio, em algumas ilhas do
Adriático e vales da Bósnia, Montenegro e Dalmácia, onde a caça e
recolha continua. Vila de Crvena Stijena (Montenegro) e Zelena
Pecina (Herzegovina). Nas margens do Danúbio, Lepenski Vir
progrediu e tem mais de 50 cabines com um plano trapezoidal, com
uma fogueira interior e dois telhados de toras de duas vertentes,
impermeabilizados com palha e lama. O fato de uma das casas ser
consideravelmente maior do que as outras poderia indicar uma
hierarquia, mas isso não foi provado. São pescadores, caçadores e
coletores com cerâmicas, possivelmente como resultado de trocas
com grupos vizinhos, mas o que realmente surpreende são as
técnicas de construção, com recursos admiráveis para a época.
Neste ponto, o Mediterrâneo oriental apresenta uma economia
baseada na recolha de leguminosas e cereais selvagens, caça ao
veado e ao javali e pesca ao atum, com uma indústria de microlitros
não geométricos, muito abundante. O assentamento de Knossos,
em Creta, tem semelhanças com alguns da Anatólia, e na Grécia, a
Caverna do Franchti Peloponeso já tem agricultura e pecuária de
ovicaprides. Mais ao norte, na área que se estende desde os
Cárpatos até ao Reno, as comunidades agrícolas começam a
estabelecer-se nos locais mais férteis, são aldeias com agricultura
incipiente, que produzem cerâmica de bandas.

5800- Mesopotâmia: cultura HASSUNA-SAMARRA, as


comunidades agrícolas de montanha estão definitivamente
estabelecidas nas proximidades do rio Tigre. A cultura Hassuna é
caracterizada por suas cerâmicas avançadas, geralmente pintadas
sobre fundo mate, marrom avermelhado ou preto. Os temas não são
figurativos. Os motivos decorativos desta cerâmica (certos triângulos
rodeados de losangos, cruzes de suástica, etc.) reaparecem em
Nínive, Baghuz, no meio do Eufrates, na planície da Anatólia e
mesmo no sopé do Tauro. Na zona do Tigre médio e através do
território que sobe até às primeiras elevações do Zagro, a Cultura
Samarra constitui uma variação da Hassuna, as aldeias aqui têm
uma estrutura complexa, são extensas e erguidas em torno de um
pátio central, com ruas, compostas por construções retangulares de
paredes de adobe às quais se colocam contrafortes nos ângulos
exteriores, para reafirmar o piso superior. A aldeia está rodeada por
um fosso e uma parede, também feita de barro e com portões de
acesso. Os locais principais são Tell-es-Sawwan e Choga Mami,
pioneiros na implantação de irrigação baseada em canais que, das
encostas da montanha, recolhem água para a planície, onde a
aldeia é erguida. Os cereais e o linho são cultivados, os bovinos são
ovinos, caprinos, bois, suínos e cães e a dieta é completada com
produtos da pesca e da caça. Os enterros continuam a ser feitos
debaixo do chão da sala, adultos às vezes envolvidos em esteiras e
crianças em potes, com enxoval de figurinhas femininas para as
quais eles colocam conchas ou botões de asfalto para representar
os olhos. A cerâmica é muito simples, sob a forma de jarros, tigelas,
vasos e pratos grandes decorados com motivos zoo ou
antropomórficos. A cultura CAPSIENSE do Magrebe expande-se
ainda mais para sul a partir do seu núcleo tunisino-argelino, para o
Sahara e talvez para o vale do Nilo e mesmo para o Quénia, de
acordo com descobertas em El Mekta, Ain Keda e outros. No Sara
Oriental há aldeias de pecuaristas que também cultivam cereais. A
ilha de Chipre é subitamente ocupada por um povo neolítico de
origem desconhecida, que funda o chamado Horizonte de Khirokitia,
com um grande avanço social e tecnológico em relação aos grupos
anteriores do local. Alguns elementos desta cultura indicam a sua
origem em zonas próximas, mas a sua arquitectura de casas
circulares agrupadas, chamadas tholos, feitas de pedra ou adobe,
com telhados planos e sótãos no interior são originais. Polónia:
CULTURA DO DANÚBÉ, as primeiras comunidades rurais com
gado, cultivo de cereais e cerâmica. Na planície húngara, grupos
humanos 21

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

instalam-se em Starcevo-Koros, construindo aldeias claramente


influenciadas pelo Próximo Oriente.
América: algumas aldeias do vale do México tornam-se sedentárias,
talvez com o início da agricultura do feijão. Em Tehuacán se cultiva
abóbora, chili e abacate, e quando as pessoas morrem, são
enterradas em grandes fossos com um pequeno enxoval após
algum tipo de ritual funerário. Em Tamaulipas não diferem muito,
embora as plantas cultivadas sejam de variedades diferentes, tanto
a abóbora, que é frequentemente utilizada como recipiente, como a
pimenta. No ambiente amazônico do litoral da Guayana, inicia-se a
Fase Alaka, com sambaquis e coleta de hortaliças e frutas. Na
Amazônia brasileira, continua a Fase Itapipoca e, no Rio Pacatuba,
inicia-se a Fase Pacatuba, com uma indústria semelhante à anterior.
No Uruguai, surge uma indústria lítica de pontas de cauda de peixe.
Em Catamarca, noroeste da Argentina: cultura Ampajango de
coletores de raízes e plantas, com indústria lítica grosseira de lascas
de basalto e sem pontas de projétil. Em Campo Laborde, na Pampa,
foram encontradas pontas de lança junto aos restos de uma
preguiça gigante. O Pampa sofre uma mudança de clima que obriga
os grupos humanos a se adaptarem a diferentes ambientes,
acentuando sua diversificação, continuam sendo sociedades de
caçadores e coletores, mas proliferam as oficinas para a fabricação
de ferramentas, por exemplo de morteiros, que além de serem
usados para moer sementes servem para o esmagamento de
minerais, com os quais se obtêm diferentes cores.

5760- Em França, o vulcão Puy de Dôme entra em erupção.

5750- Na Síria: fundação do Laili. No Sudão, na região de Cartum,


foram descobertas pontas de lança de alta tecnologia, juntamente
com uma indústria microlítica de quartzo. Na Grécia, os sítios de
Achileion, Soufli e Gedizi apresentam uma indústria lítica lamelar em
que predominam as foices, a utilização de enormes quantidades de
obsidiana das ilhas mediterrânicas revela o grande desenvolvimento
da navegação na região. No sul da Itália e ilhas próximas existem
vários depósitos de grupos agrícolas e pastores, com grande
incidência ainda de caça e exploração de recursos marinhos. A
indústria é microlítica e a cerâmica impressa. A aldeia de Coppa
Nevigata é fortificada, parece um lugar de assentamento de colonos
vindos do leste. Outros locais importantes são Rendina, Pulla e a
Gruta de Mazo na Sicília.

5700- A cidade de Katal Huyuk é abandonada pelos seus


habitantes, possivelmente devido à seca ou a uma epidemia. Neste
ponto é possível que haja comércio entre as aldeias de Creta, os
habitantes da Anatólia e as ilhas do Egeu. Na Tessália, Grécia,
CULTURA DE PROTO-SESKLO: casas quadradas ou retangulares
construídas em adobe, cultivo de trigo, aveia, cevada, lentilhas,
ervilhas, as frutas consumidas são variadas: maçãs, amoras,
ameixas, uvas, avelãs, amêndoas e pistácios, domesticação de
cabras, ovelhas, vacas e porcos. Irão: os mais antigos vestígios do
centro religioso de TAPEH SIALK.

América: na ilha de São Paulo, Alasca, extinção dos últimos


mamutes peludos, causada pela escassez de água doce na ilha.

5650- Anatólia: a cidade de Beldibi é abandonada por seus


habitantes, por razões desconhecidas, a cidade de Chukurken
emerge mais ao norte. América do Norte: O Oregon tem a maior
erupção do Holoceno (força 7) no Monte Mazama, que colapsa em
uma caldeira profunda.

5630-Anatólia: nível arqueológico VI do HACILAR, que entra em seu


período de esplendor, foram encontrados nove edifícios, agrupados
em torno de uma praça, feita de barro. Suas casas, com salas
retangulares, com pátio, tinham sua entrada pelo teto, estavam
situadas em torno de praças ou vielas, ao contrário de outras
culturas com as quais se relaciona, como a de Catal Huyuk. Cada
casa foi construída sobre uma base de pedra para protegê-la das
inundações. As paredes eram feitas de madeira e barro ou 22

RUBEN YGUA

tijolo de barro, com argamassa de cal. As vigas de madeira


suportariam um telhado plano. É provável que estas casas tivessem
um piso superior de madeira. Os interiores tinham um acabamento
liso com gesso que raramente era pintado. Com o passar do tempo
foram feitas mudanças nas casas, e no interior foram encontradas
pedras de moer, argamassas e brasas. Também abriram buracos
nas paredes para serem usados como armazéns ou armários. A
cozinha foi separada da sala principal e os níveis superiores foram
utilizados como celeiros e/ou oficinas. Os meios de subsistência
eram a agricultura, principalmente espelta, espelta, farinha de trigo,
cevada, ervilha e ervilhaca, e a criação de animais, encontrando
ossos de bovinos, suínos, ovinos, caprinos e cães. A cerâmica era
simples, embora alguns espécimes representem animais.
Numerosas figuras femininas nuas em barro destacam-se,
possivelmente representando alguma divindade.

5600- No noroeste da África, começa a desertificação extrema do


Saara, levando a migrações maciças para o Vale do Nilo. No istmo
de Karelia emerge a CULTURA DO PEINE, de caçadores-coletores
com uma cerâmica característica. Grécia, Lago Orestiada: surge a
aldeia de Dispilio, construída sobre uma ilha artificial no lago.
Cultura Mehrgarh do vale do Indus: curtimento de peles, fabricação
de contas, cerâmica e talvez algum cobre. Mas a coisa mais
surpreendente nesses grupos é que eles praticam odontologia, a
primeira do mundo, à vista dos dentes perfurados que apresentam
alguns restos fósseis. Várias aldeias tendem a tornar-se centros de
distribuição agrícola e a construir imensos silos, enquanto no interior
da Índia algumas aldeias agrícolas também começam a surgir no
vale superior do Ganges, a sul das montanhas Vindhya. Entre as
principais aldeias estão Mahagara, Chopani-Mando e Chirand.
América: Gruta de Guitarrero, Peru: os registros mais antigos de
cultivo de feijão. Na Guiana: A cultura Alaka faz as primeiras
cerâmicas.

5580- A cultura Hassuna da Mesopotâmia evolui, agora tem como


base econômica a agricultura de sequeiro, e embora a caça, que é
praticada com estilingue, tenha diminuído em importância, ela
mantém certa importância porque a atividade pecuária ainda está
em processo de crescimento. Nos dois séculos desde o seu
aparecimento, a cerâmica foi refinada, agora decorada com linhas
geométricas pintadas de vermelho sobre um fundo claro e com
figuras zoológicas e antropomórficas, e exportada para lugares
muito remotos, como a Anatólia ou o Irão. Os edifícios também
foram muito melhorados, com casas mais sólidas, retangulares,
divididas em quartos e construídas com tijolo cru, com forno no
interior para assar pão. As aldeias são defendidas com um fosso, e
em geral parecem ser uma continuidade das de Umm Dabaghiyah,
sobretudo porque as casas são construídas em torno de uma praça,
um estilo de urbanismo que vai caracterizar as aldeias
mesopotâmicas. No que diz respeito à agricultura, as técnicas e
formas de irrigação são permanentemente aumentadas, o que é
feito aproveitando as inundações no Tigre e depois armazenando o
grão em depósitos de argila enterrados no solo. No que diz respeito
à indústria, são feitos figurinos em terracota e vasos de mármore
translúcido, por vezes com a cruz gamada como decoração.

5550 - Mesopotâmia. Os primeiros trabalhos conhecidos de


secagem de pântanos, em Tell el-Oueilli. Na região da Cilícia e no
norte da Síria e do Líbano, até 20 aldeias foram construídas em
áreas férteis, a maioria delas na costa, provavelmente por colonos
do Eufrates em busca de novos assentamentos.

Canaã: A cidade de Gubla tem formas particulares de cerâmica,


moradias quadradas ou retangulares, paredes de pedra e pisos de
pedra revestidos com calcário. Em todas as aldeias há uma
pecuária e agricultura bem desenvolvidas, complementadas pela
caça, pesca e coleta de frutas. Em Schletz, Áustria: A arqueologia
revelou os restos mortais de 67 indivíduos recuperados do fundo de
uma vala. 27 deles eram crianças, 26 homens, a maioria deles
velhos, e 13 mulheres, das quais apenas 4 eram jovens. Muitos dos
crânios recuperados apresentam fracturas de tamanho e forma
semelhantes, indicando o uso do mesmo tipo de arma para os
matar. Ásia: No sul da China, através da bacia de Sijiang, surgem 23

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

assentamentos estáveis em Nanning, Bazitou e Dong-xiang, de


origem semi-autoctónica ou copiados dos seus vizinhos do sul. No
nordeste, a cultura Peiligang do Rio Amarelo continua, com
pequenas povoações e desenvolvimento agrícola. A indústria é de
microlites de pedra polida, com moinhos, grandes enxadas e foices
dentadas, enquanto a cerâmica é grosseira, pratos e tigelas. Japão:
em Sannai Maruyama, as casas são construídas com postes
ancorados em um buraco. Talvez sejam construções públicas, com
túmulos representando figuras de animais. África: Grupos de língua
proto-chádica se estabeleceram no território do Lago Chade, até
mesmo em áreas ao norte da Nigéria.

5500- Catástrofe do Mar Negro: o colapso do dique natural que


separava o Egeu do Bósforo e do Mar Negro inundou centenas de
quilómetros de terra costeira na região. Essa inundação forma o
actual Mar Negro, deslocando numerosos grupos humanos para a
Europa e o Médio Oriente, as técnicas agrícolas propagam-se na
Alemanha e nas costas do Alto Danúbio, outros grupos estão
estabelecidos na

Mesopotâmia, onde introduzem os seus sistemas de irrigação e a


utilização da charrua. Isto origina as culturas de EL OBEID na
Mesopotâmia e TASIENSE no Egipto. A agricultura de soja começa
na Coreia e no Japão. China, Vale do Rio Yangtze: os sinais mais
antigos do cultivo do pêssego. América, México: Assentamento
Zohapilco: ferramentas agrícolas e armas de pedra. Primeiras
aldeias sedentárias no Peru: começa a agricultura da batata.

5480 - O Próximo Oriente continua o seu processo de


desenvolvimento, em Hacilar, Anatólia, a arquitetura evoluiu para se
tornar tão complexa como a de Catal Huyuk, com casas de dois
andares. Um pouco mais ao sul, na região da Cilícia e no norte da
Síria e do Líbano são construídas até 20 aldeias em áreas férteis, a
maioria delas na costa, muito provavelmente por colonos do
Eufrates em busca de novos assentamentos, incluindo Mersin, e
Ugarit na Síria, ambos com casas retangulares de pedra, cerâmica
de formas simples e indústria lítica de placas com retoque por
pressão, lascas e pontas de flechas de sílex ou obsidiana. No
Líbano: a aldeia de Gubla desenvolve formas particulares de
cerâmica, habitações com uma base quadrada ou retangular numa
peça única, paredes de pedra e pavimentos de pedra cobertos de
cal.

Em todas estas aldeias há uma pecuária e agricultura bem


desenvolvidas, complementadas pela caça, pesca e colheita de
frutos.

5470- Na fronteira turco-síria, Tell Halaf passa por uma fase de


fabricação de amuletos sob a forma de cabeça de touro e figuras em
terracota de pombos ou mulheres sentadas segurando seus
enormes seios.

Também fazem magníficas cerâmicas, que exportam para a Síria e


para a Cilícia, onde foram encontradas imitações.

5450- Os mares atingem aproximadamente os seus níveis actuais.


No Danúbio a CULTURA DANÚBIANA floresce, são povos agrícolas
possivelmente deslocados pelo desastre do Mar Negro, que
cultivaram os solos férteis dos Balcãs ao Canal da Mancha, eram
criadores de vacas, porcos, ovelhas, cabras e cães. Eles faziam
cerâmica de bandas, e usavam uma ferramenta versátil (foice,
machado e arma) de pedra, chamada Shoe-last celt em inglês e
Schuhleistenkeil em alemão. Existem provas da sua utilização como
arma nos restos mortais de Talheim, Neckar (Alemanha) e Schletz
(Áustria). A presença de conchas de Spondylus do Mediterrâneo
sugere comércio de longa distância. Nos Balcãs: cultura
GUMELNITSA de criadores de gado e agricultores, embora a caça e
a pesca deve ter sido de grande importância, uma vez que um
grande número de arpões de ossos e chifres foram encontrados,
aldeias com casas retangulares de adobe e tapial, os telhados eram
de dupla face com janelas redondas. Os povoados estão
organizados ortogonalmente, sendo um bom exemplo Potianitsa,
povoado fortificado com três linhas paralelas de paliçada, planta
retangular de 45 × 30 metros com uma entrada em cada lado e com
2 ou 3 quartos. As cerâmicas e os ídolos lembram os da Vinça, mas
a cerâmica possui acabamento peculiar, com superfícies brilhantes
obtidas com a aplicação de grafite e cozedura a temperaturas muito
24
RUBEN YGUA

elevadas. A metalurgia está totalmente consolidada. Existem eixos


planos, ganchos de arame, pinos com cabeça espiral dupla e eixos
de perfuração transversal, do tipo Vidra. Os ornamentos de ouro são
considerados em certa medida definidores da cultura de Gumelnitsa.
As minas búlgaras de Ai Bunar devem ter sido a fonte da maior
parte do minério utilizado na Idade do Cobre. Os assentamentos
balcânicos, para além da influência que recebem, são geralmente
pequenas aldeias nos vales, por vezes em locais montanhosos, mas
sempre nas proximidades de cursos de água, com casas
retangulares ou quadradas feitas de madeira coberta de barro. O
gado é de ovicaprinos, embora em alguns lugares o boi possa ser
domesticado, e a agricultura de cereais, com pesca e colheita de
frutas e moluscos. A cerâmica é geralmente bastante simples, as
inevitáveis figuras de barro são feitas e os enterros são feitos em
poços dentro das aldeias, com enxovais simples. Há comércio de
produtos entre as aldeias e com partes do sudoeste asiático. Os
locais mais significativos, além do Starcevo, são Vucedol na Croacia
e Lepenski Vir, onde fazem estranhas figuras antropomórficas, e a
pesca do esturjão é praticada no Danúbio. Em Vlasac, evidências da
presença de cães domesticados. A Cultura VINCA do Danúbio
abrange áreas da Bulgária, Sérvia e Roménia e caracteriza-se, para
além da sua estreita relação com a Starcevo, por uma cerâmica
escura e pelo fabrico de figuras humanas com cabeça de ave. Nas
margens do Adriático, a cerâmica cardial aparece junto com um
cultivo incipiente de cereais e domesticação animal,
presumivelmente relacionado com os grupos anteriores. No
Paquistão: começa o segundo período cultural de Mehrgarh, com
suas primeiras cerâmicas. No Iraque: aldeia de Yarim Tappeh,
pertencente à cultura HASSUNA com cerâmica de boa qualidade.

5440- Através do Danúbio, através das planícies húngaras, os


emigrantes introduzem o Neolítico na Europa Central, onde
encontram excelentes territórios para a actividade agrícola, muito
melhores do que nos Balcãs, com vales fluviais, grandes florestas e
enormes áreas de pastagem. Os grupos autóctones que povoam
estes territórios são invadidos por uma cultura superior e, embora
durante algum tempo as populações coexistam em territórios
adjacentes, é inevitável que haja lutas e que os invasores se
imponham. O principal obstáculo para a atividade agrícola na
Europa Central é a escassez de espaços abertos, o que obriga a
derrubar ou queimar florestas, esta prática se espalha rapidamente,
pois as cinzas podem ser utilizadas como fertilizantes até que a
área, após várias colheitas, se torne improdutiva, quando o
processo é reiniciado em uma área vizinha. A população torna-se
itinerante e o habitat transitório, embora haja exceções. A agricultura
é basicamente de trigo e cevada, e a pecuária de porcos, vacas,
cães e ovicóides, com predominância de ovelhas e porcos para sua
melhor adaptação a este novo tipo de pastagem. As aldeias são
pequenas mas com casas grandes, feitas de madeira e lama, às
vezes até 40 metros de comprimento, silos são construídos, há uma
área de ferramentas e muitas vezes paliçadas ao redor das aldeias,
mais para controlar os animais do que como um elemento
defensivo. Desta forma, ocorre o fim da Maglemose Nórdica,
coincidindo com o aparecimento da necrópole no sul da

Escandinávia e a chegada à Dinamarca de grupos de caçadores e


pescadores, com anzóis e arpões mais modernos e recolha de
moluscos.

5430- Monte Zagro: a cidade de Umm Dabaghiyah é abandonada,


possivelmente por uma invasão.

Aparentemente, um período de invasões violentas começa no


Oriente Próximo, como sugere o grande número de assentamentos
que desaparecem em trinta anos, a origem e identidade dos povos
invasores é desconhecida; só sabemos que eles destroem a cultura
de Tell Halaf.

5420 - Mesopotâmia: invasores de origem desconhecida destroem


Arpachiya no Alto Tigre.

5410- A cultura de Hamangia desaparece quando ocorrem invasões


na região entre os Balcãs e os Cárpatos.
25

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

5400- Anatólia: a cultura da uva é generalizada; foram encontradas


provas da produção de vinho.

África: os mais antigos vestígios da agricultura de trigo e cevada no


Vale do Nilo. Em Portugal, os sambaquis da foz do Tejo se
estendem a outras zonas. São grupos mesolíticos que constroem
pequenos acampamentos de cabanas, com necrópoles, indústria
microlítica geométrica e pouca indústria óssea, alguns socos e
espátulas. Eles caçam veados, javalis, uros, cavalos, coelhos e
aves, e os principais locais são em Muge, Portancho, Cova de
Onca. Em França há caçadores de javalis, veados, cavalos e
coelhos, que entram em contacto com grupos agrícolas e pecuários
incipientes instalados na costa sul, estas comunidades neolíticas
estão estabelecidas na costa do Mediterrâneo, embora seja possível
que as primeiras tentativas de agricultura e pecuária tenham lugar
em Dourgne, junto aos Pirinéus mas sem acesso ao mar. Também
em Chateauneuf-les.Martigues, na costa, e na pequena aldeia ao ar
livre de Le Baratin, praticam uma agricultura de trigo, cevada,
leguminosas e pastoreio de ovelhas, cabras, bois ajudados por
cães. A indústria lítica de todos esses lugares é mesolítica, com
lascas e moinhos manuais, embora a experimentação esteja
começando com machados polidos. Em Le Baratin, há cabanas
circulares de 5 metros de diâmetro, áreas de armazenamento,
residências e diversas áreas de trabalho. América: enquanto o
cultivo do milho se estende através dos Andes centrais, o
assentamento amazônico de Dona Stella, que havia sido
abandonado, é novamente ocupado. A fase Itapipoca, agora com
bifaces de quartzo, também continua na Amazônia. No Peru, os
camelídeos começam a ser domesticados.

5390- Anatólia: a CULTURA DE TELL HALAF é abruptamente


interrompida, nível VI de Arpachiya mostra vestígios de destruição,
evidência de intrusão violenta de povos recém-chegados.
5380 - Banyoles, Espanha: o mais antigo arco neolítico encontrado
pela arqueologia, feito de madeira teixo.

5350- No sul de França e no norte de Itália, predomina a agricultura


cerealífera e a criação de caprinos, ovinos e, por vezes, bois, que se
encontram estabulados em grutas; há também a caça e a pesca
como complemento alimentar. Este desenvolvimento agrícola veio
provavelmente da Europa Oriental e inclui vasos globulares, tigelas
e potes de cerâmica cardial. A indústria lítica é laminar e o osso é
importante, os depósitos encontram-se principalmente na costa,
como o abrigo dos pombos de Font-des-Pigeons e a gruta de
Grotte. As povoações da Alsácia, da Bélgica e das Ilhas Britânicas
estão relacionadas com as da Europa Central, onde a agricultura
também se espalha, estendendo-se até ao vale do Reno e à Suíça,
antes de chegar aos territórios mais setentrionais. Estes
assentamentos são caracterizados por suas casas de madeira
alongadas (até 30 x 7 mts.) que servem como armazenamento e
para alojamento de animais, dois exemplos são Elsloo, na Holanda,
e Bylany, na República Checa. América: ocupação humana do rio
Guayabero na Amazônia. Na Patagônia e na Terra do Fogo, a
Casapedrense é uma indústria de caçadores de guanacos com
boleadoras de pedra.

5330- Na Índia: difusão do cultivo do algodão. CULTURA CISHANA


no norte da China, com agricultura de milho. A aldeia principal é
Wuán, com cabanas semi-enterradas, poços para armazenamento e
domesticação de porcos e galinhas.

5320- Anatólia: nível arqueológico II de FACILAR: cerâmica pintada,


os vasos são decorados com desenhos geométricos, a aldeia é
fortificada e tem um pequeno templo.

5300- Cultura ERTEBÖLLLIENSE no sul da Escandinávia, norte da


Alemanha e Holanda: são caçadores, pescadores e coletores,
usavam redes de pesca e ferramentas de ossos como anzóis,
arpões típicos com 26

RUBEN YGUA
chifres de veados ou ossos de cetáceos, espátulas, pentes, socos e
pulseiras. Uma característica típica da sua economia era a colheita
de moluscos e a pesca. Entre os animais que caçavam havia
veados, javalis e mamíferos marinhos. Este aumento do consumo
de animais marinhos deve-se à melhoria das tecnologias de pesca e
de navegação, como os anzóis e as redes. No Egito: CULTURA DO
FAYUM no Delta do Nilo, é o mais antigo povoado neolítico egípcio
conhecido. As casas eram feitas de cana ou de palha trançada;
faziam ferramentas, foices, facas, pontas de flechas e machados de
pedra; cultivavam trigo, cevada, ervas e linho. Pesca intensa no
Nilo: moluscos e caracóis, percas-do-Nilo, etc. Possivelmente ainda
eram semi-nômades, mantendo silos permanentes nos diferentes
assentamentos. Não sabemos nada sobre as suas sepulturas ou
rituais funerários. Na estação chuvosa, a população se reuniria nos
assentamentos maiores acima do nível do lago, se dedicando à
agricultura, como indicam as numerosas adegas e os restos de
equipamentos de colheita e moagem de grãos. Criavam porcos,
ovelhas, cabras e cães; embora a caça não fosse negligenciada, era
de menor importância.

5280- Espanha: grupos de emigrantes, possivelmente do sul da


França, introduziram cerâmicas, novas variedades de trigo e
cevada, criação de ovinos e caprinos.

5260- A Távoa de Dispilio, contendo símbolos da escrita grega.

5250- Egito: na parte ocidental do delta, a aldeia de Merimde era


grande, com cerca de 2,5 hectares, com 27 pequenas cabanas
ovais e 125 túmulos, suas características são semelhantes às de
Fayum, mas a cerâmica, preta, é mais elaborada e decorada, e
fazem maças de pedra. As cabanas tinham fogueiras locais no
interior, permitindo que a fumaça escapasse através de uma
abertura no teto. O chão era feito de barro, geralmente com uma
cavidade para depositar um jarro com a provisão de água. As
cabanas estavam dispostas em círculo em torno de uma esplanada
central vazia, os currais e silos eram mantidos fora da aldeia.
Pequenas estatuetas femininas relacionam esta cultura com a dos
Natufienses. Espanha: A aldeia de La Draga, no lago de Banyoles
de Gerona, ocupa uma área de 3000 m2, com palafitas de madeira,
áreas de lixo, cozinha, depósitos e celeiro, cultivo de cereais, feijões
e ervilhas, gado e caça adicional de veados, corças, raposas e cães.
Eles usavam cabos de madeira para utensílios, incluindo as foices.
Perto de Leipzig, Alemanha, o Adonis de Zschernitz é uma figura de
argila de grande precisão anatômica, dedicada à fertilidade.

5212- Paraguai: Fogueiras e ferramentas de pedra são os mais


antigos vestígios da presença humana no país.

5200-Egito: aldeia e necrópole de El Omari, à direita do Nilo, em


frente ao Cairo. Heidelberg, Alemanha: primeira evidência de
tuberculose em humanos. China: o declínio da cultura Changpin em
Taiwan, provavelmente porque eles foram subjugados ou
deslocados pelos austronésios; eles serão sucedidos pela cultura
Tapenkeng, de agricultores e fazendeiros, vivendo em aldeias
agrícolas organizadas como sociedades hierárquicas nas quais
havia grupos de elite que controlavam o poder político e ritual.

Domesticação da galinha no Rio Amarelo.

5150- A cultura YANGSHAO da China ocupa o território desde o


Gansu, no norte, até a planície central no Vale do Rio Amarelo: é
uma sociedade agrícola com porcos e talvez galinhas e gado, que
também pratica caça, pesca e coleta. A indústria lítica é constituída
por enxadas, pás, facas e mãos de argamassa, havendo também
cerâmica, diferente de área para área, com figuras lineares e por
vezes peixes pintados a preto ou vermelho.

27

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

5100 - Alsácia, França: crânio com marcas de ter sofrido uma


trepanação. Mar do Norte: as águas cobrem definitivamente a ilha
que atualmente é conhecida por Dogger Bank, a leste da Grã-
Bretanha. No sul da Itália numerosas povoações aparecem
subitamente nos vales, são cidades que levantam cabanas
circulares em aldeias agrícolas cercadas por fossos, com
escavações em forma de C que parecem uma espécie de trincheira,
talvez para o gado, ou como reserva de água. América, Peru: Na
cultura Chinchorro começa o Período das múmias negras, os
preparadores do funeral retiraram os órgãos do falecido, limparam
seu esqueleto completamente e depois o reforçaram com paus ao
longo dos ossos, que foram amarrados com fibra vegetal
enlameada. Imediatamente, eles remodelaram o corpo com argila
cinza e muitas vezes o vestiram com a pele do mesmo indivíduo ou
de outro (como o leão-marinho). A cabeça foi adornada com uma
máscara facial e uma peruca de cabelo humano preto curto.
Finalmente, pintaram todo o corpo com uma pátina de óxido de
manganês, o que lhe deu uma cor brilhante, azulada e negra.

5080- Na África, a agricultura se expande irregularmente por todo o


continente, o inhame, arroz, painço, sorgo e palma de óleo são
cultivados, ou bananas e coqueiros do sul da Ásia. Muitos animais
estão sendo domesticados, e em algumas áreas menos férteis será
o gado que definirá os estilos de vida que atingiram o presente. No
Sahel, o arroz e o sorgo africanos são cultivados e a galinha é
domesticada, como mostram as pinturas Tassili, e um pouco mais
ao norte, em Marrocos, são gravados em pedra. Há também
migrações a partir daqui devido às alterações climáticas, pessoas do
Magrebe que chegam ao Senegal e se instalam como caçadores e
pescadores.

5070- Malta, na caverna de Ghar Dalam, foram descobertos ossos


de animais domesticados.

5050- En Na Anatólia central: fundação da segunda Katal Huyuk.


Primeiro cultivo de azeitonas na Anatólia. No Mar Egeu: primeiros
sinais de comunidades organizadas nas ilhas Cíclades. Na Índia e
no Egipto: os registos mais antigos de consumo de cebola. Em
Omã, Ras al-Hamra é uma aldeia de pescadores. África: Em Wadi
Halfa (Sudão) uma cultura pouco conhecida está se desenvolvendo,
importando quartzo e sílex egípcio, com cerâmica não decorada ou
com linhas pontilhadas, com motivos variados. Eles parecem ser
pastores, embora isso não possa ser confirmado, e a única coisa
evidente é que eles dependem inteiramente do Nilo e da caça que
ronda em torno dele. No Alto Egipto: a aldeia de El Tarif é
fortemente influenciada por alguns grupos no Sudão, principalmente
pela sua indústria de pedra.

O que tem atraído a atenção desta aldeia é um círculo de pedras


que parece um calendário,

provavelmente construído por pastores e usado para observações


astronómicas. China: No vale do Yangzi, a aldeia de Henudu, na
costa de Zhejiang, cultiva uma variedade temperada de arroz em
campos inundados e com a ajuda de enxadas. Abóboras, soja,
castanhas de água, pêssegos, nozes, amoras, lírios de água,
tâmaras e alguns legumes também são cultivados, e o cão, porco e
búfalo foram domesticados.

5030 - O arroz do centro-sul da China está a espalhar-se


rapidamente para norte. Assim, já se pode dizer que todo o território
chinês conhece a agricultura, cultivando leguminosas, painço, lótus,
tubérculos e outros, e a pecuária, com cães, porcos e búfalos. Eles
também trabalham com osso e madeira, e vivem em palafitas.
Oceania: cultivo de bananas nas terras altas da Nova Guiné.

5020- No vale do Indo: uma verdadeira metalurgia do cobre começa


na cultura Mehrgarh. No Elam é desenvolvido um Neolítico
completo. Na Jordânia: a aldeia de Ain Ghazal é abandonada,
provavelmente devido ao esgotamento do meio ambiente. Na
Capadócia, a norte da Anatólia, a aldeia de Puruskanda está a
adquirir grande prosperidade.

28

RUBEN YGUA

5010-Sicília: povoado de Molffeta, na Puglia, fabricante de cerâmica


pintada de vermelho sobre fundo castanho, com habitat em grutas
onde se constroem cabanas e necrópoles na vizinhança, com os
cadáveres flexionados e em fossos. A agricultura é de cereais, e
eles têm animais domésticos.

5000- O clima global atravessa um novo período de aumento das


temperaturas, com todas as suas consequências para a flora e a
fauna, influenciando o desenvolvimento da sociedade humana.
Grande difusão da CULTURA DE EL OBEID na Mesopotâmia: a
agricultura avança graças ao uso do arado e ao controle das águas
superficiais, por meio de técnicas de irrigação baseadas em canais.
Este desenvolvimento permitiu que a agricultura florescesse em
novas áreas da Mesopotâmia, a cerâmica tem características muito
características, paredes mais finas, aparência de "navios-tartaruga",
frascos maiores agora equipados com asas, e até mesmo garrafas
com pescoços longos. No período Obeid, foram encontrados os
primeiros vestígios de edifícios religiosos integrados nas cidades
(templos). Inicialmente estavam na forma de terraços, edifícios
retangulares e telhados planos. Estas construções são a origem dos
zigurates, formados pela sobreposição de vários terraços de largura
decrescente. Primeiros assentamentos nas instalações do futuro
Beycesultán na Anatólia. Há um intenso intercâmbio comercial e
cultural entre as diferentes cidades e vilas de Creta, Egeu,
Mesopotâmia e Anatólia, ajudando a difundir o Culto do Touro. Início
da agricultura e da criação de gado entre as tribos semi-nômades do
Norte de África. O dingo chega à Austrália vindo da Ásia. América:
Primeiras colheitas da pimenta-jalapenho no México. Domesticação
da cobaia no Peru. Sítio arqueológico de El Abra, Colômbia:
esqueletos humanos completos. América do Norte: chegada de uma
nova corrente migratória, os povos de língua Na-dené, também
ocorrem movimentos migratórios na Baía de Hudson, no norte do
Canadá, enquanto os povos Alutiiq praticam caça e pesca no
Alasca. Na Grande Bacia Oeste, as altas temperaturas têm causado
a dessecação das fontes de água, incluindo alguns grandes lagos
como o de Lahontan, afetando o modo de vida de algumas tribos,
novos tipos de pontas de projéteis surgem e a importância da coleta
e tratamento de grãos aumenta. Em outras áreas, persistem grupos
de caçadores e coletores descendentes da cultura Clovis. Grupos
de caingangues paleolíticos são estabelecidos no Chaco, Paraguai.
Agricultura incipiente de tubérculos na Costa Rica, pedras para
moer sementes e conchas de ostras e caranguejos na costa do
Panamá (Cerro Mangote) e novos assentamentos em Monkey Point,
Nicarágua. Novos grupos de

imigrantes do continente chegam à ilha de Trinidad e se instalam em


Banwari Trace. No Chile, e devido ao recém-formado Deserto do
Atacama, é originado o deslocamento de tribos para as costas, que
logo dará origem aos Aymara, Atacameños e Diaguitas no norte,
Mapuches no centro e Chonos, Onas, Yaganes e Alacalufes na
Patagônia. No litoral atlântico, no rio Uruguai e em áreas do Paraná
e Rio Grande do Sul há abundantes sinais de presença humana,
enquanto no noroeste do Uruguai, em áreas arenosas e semi-
desérticas, há montes artificiais, usados talvez para enterros.

4970- Anatólia: nível arqueológico I do HACILAR: o assentamento


difere significativamente das camadas anteriores, então acredita-se
que houve recém-chegados que se estabeleceram aqui. O local está
agora fortemente fortificado. A cerâmica é de alta qualidade e é
geralmente pintada de vermelho sobre fundo creme com motivos
geométricos ou figuras estilizadas como pássaros ou cabeças de
touro, podendo ter forma zoomórfica, e seria a primeira do seu
género a ser encontrada na Anatólia.

4950- Nas costas mediterrânicas italianas, francesas e espanholas,


nas costas norte-africanas e na Córsega: difusão da CERÂMICA
CARDIAL, introduzida graças à navegação costeira e às rotas
terrestres que da Anatólia atravessam a Grécia e a Albânia para
terminar a oeste. Aqueles que o trazem são também portadores de
novas técnicas para o cultivo de trigo e cevada, mas é o gado que
adquire maior desenvolvimento nestes lugares europeus, de
ovicaprinos e porcos, pelas condições do território. Por essa razão,
também o habitat nestes lugares é em cavernas. Na costa leste
espanhola existem depósitos 29

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR
nas Grutas de lÓr e Cueva de la Cocina, entre outras, e ao ar livre
na Casa de Lara. Nestas regiões, são introduzidos motivos
antropomórficos esquemáticos para decoração cardíaca, enquanto
nos Pirinéus franceses orientais, em Montbolo e na sua área de
influência, de aldeias também mais pecuárias do que agricultores, a
cerâmica é lisa e globular. Espanha: aldeia lacustre de Bañolas, com
ferramentas de madeira, armas, objetos líticos e os arcos neolíticos
mais antigos da Europa. Fundação da terceira Jericó, os restos do
local mostram ligação com grupos sírios e com aldeias a oeste do
Eufrates, há edifícios de adobe e pisos de gesso retilíneo. Incêndio
e abandono de Hacilar. Fundação de Mersin e Tarso na Anatólia. Na
Ucrânia: cultura Jvalynsk. Pacífico: novos grupos humanos chegam
à Indonésia, são proto-malaios de baixa estatura, pele escura, nariz
esmagado e lábios proeminentes.

4900- Irão, Monte Zagro: fundação de Godin Tepe, para proteger a


exploração do lápis-lazúli e o seu comércio. A metalurgia do cobre já
é bem conhecida e utilizada pelas civilizações do Oriente Médio,
Creta e Anatólia. Na Mesopotâmia: os semitas de El Obeid fundam
Eridu, inicialmente uma simples aldeia neolítica de agricultores e
pescadores, com abundante produção cerâmica. Alemanha: Círculo
de Goseck, o templo mais antigo da Europa Central. Mar Egeu: nas
ilhas Cíclades, a CULTURA SALIAGOS com aldeias de salas
rectangulares, sobre fundações de pedra, fechadas por um muro
perimetral; cerâmica de formas geométricas, cuja superfície escura
é decorada com motivos opacos, brancos, retilíneos ou curvos;
pontos obsidianos e pequenas figuras esquemáticas e naturalistas.
Na China: a cultura neolítica de YANGSHAO

ao longo do curso central do Rio Amarelo cultivou extensivamente o


painço. Em algumas aldeias, o trigo ou o arroz eram cultivados. Eles
domesticaram animais como cães e porcos, assim como ovelhas,
cabras e vacas, embora a maior parte do consumo de carne fosse
proveniente da caça e da pesca. Eles também praticavam um tipo
primitivo de sericultura. Seus utensílios de pedra eram polidos e
mostram uma grande especialização. Esta cultura é conhecida pela
sua cerâmica pintada. Os artesãos faziam uma cerâmica pintada em
branco, vermelho e preto, com desenhos de animais ou rostos
humanos, ou desenhos geométricos. Ao contrário da cultura
Longshan, a cultura Yangshao não conhecia a roda do oleiro. Os
cemitérios sempre estavam localizados fora de uma grande vala,
embora haja dúvidas se a vala era meramente defensiva ou
simbólica, ou que separava ambos os mundos, o dos mortos e o dos
vivos. As escavações mostraram que as crianças eram enterradas
em vasos cerâmicos pintados. O sítio

arqueológico na cidade de Banpo, perto de Xian, é um dos sítios


mais conhecidos desta cultura. Foram encontradas casas muito
grandes, cercadas por casas menores, o que pode indicar uso
comunitário ou diferenciação de status entre os habitantes. Nas
casas, pode-se reconhecer fornos para cozinhar e/ou aquecer, e
algumas plataformas que podem ser usadas para dormir.

4860- América do Norte: No Oregon, a caldeira profunda do Monte


Mazama está finalmente cheia de água e torna-se o Lago da
Cratera, o mais profundo da região. Estima-se que levou 800 anos
para completar seu volume de água.

4850- Na Grécia, Creta e Macedónia a agricultura é bastante


diversificada, com trigo, cevada, aveia, milho, ervilhas e lentilhas,
frutas, pistácios e outras nozes. O gado é ovicaprino, boi ou porco,
dependendo da zona, e a caça é feita a veados, javalis, lebres,
castores e tartarugas. A olaria é produzida em todas as áreas. Na
Tessália e na Macedônia ocidental e central, a cultura Dimini se
espalha, substituindo gradualmente a cultura Sesklo. Bulgária:
tabelas de Gradeshnitsa, província de Vratsa, são um testemunho
importante da possível escrita neolítica conhecida como escrita
Vinča. Em Espanha, o Asturiense chega ao fim. China: na
CULTURA HEMUDU da costa, o cultivo intensivo de arroz origina
uma organização social e aldeias caracterizadas por habitações em
palafitas sobre lagos, gravuras e esculturas de madeira com motivos
animais e vegetais. Este povo tem características de mongolóides,
mas também austronesios, o que indica uma possível mistura com
as populações do Pacífico. América: na Amazônia brasileira, a fase
Itapipoca do rio Jamari é diluída no Massanganá, que se caracteriza
pelo aparecimento 30

RUBEN YGUA

das primeiras terras negras indígenas (solos férteis de depósitos


ósseos e carvão resultante da queima).

Os assentamentos são construídos em ravinas nos rios e a indústria


lítica é de raspadores, bigornas e morteiros.
MENIRES E CROMLECH
Os megálitos começam a aparecer na Europa, trata-se de
monumentos de grande dimensão,

geralmente feitos com pedras enormes, por vezes gigantescas,


outros são construídos em

cavernas naturais e há mesmo alguns de madeira. O


megalitismo é um fenômeno que não se

enquadra na definição de cultura porque as construções


aparecem em diferentes grupos

humanos, territórios e datas, e apresentam dissimilaridades.


Para começar, não é possível determinar um lugar de origem
claro porque surgem autonomamente em diferentes regiões,
com a característica comum de serem construções de
aparência física imponente, colocadas em

lugares estratégicos. Eles são geralmente sepulcros coletivos


que são usados por longos períodos, mas há também templos,
ou locais de culto, e alinhamentos de pedras, ou pedras
afundadas solitárias, chamados menires (derivado do galês
maen "pedra" e hir "longo") muito frequentes na Bretanha.
Estes monumentos têm um aspecto ideológico, simbólico e
religioso, como obra

colectiva e como elemento distintivo que serve de sinalética,


talvez da terra comunal, que é testemunhada pelos túmulos
com os restos mortais dos antepassados, ou talvez dos direitos
do grupo sobre essa mesma terra. Os primeiros monumentos
megalíticos aparecem na fachada

atlântica da França, em Gaignogh e Kerkado, Bretanha, e são


túmulos corredor. Quando os
menires são agrupados, são chamados de cromlech ou henges.

4800- Portugal: começa a cultura megalítica. Na Bretanha (França),


Grã-Bretanha e Irlanda começa a cultura das pedras de
Stonehenge. Início da agricultura na Grã-Bretanha. Nas Astúrias,
Espanha: dólmens da necrópole de Monte Areo. Egito: primeiras
aldeias em El Omãi, de caçadores e coletores.

Mesopotâmia: parece que os semitas da cultura El Obeid fundaram


Ur, que seria em seu início uma simples aldeia neolítica. Nas Troas,
no Bósforo: o primeiro povoado em Kum Tepe, os habitantes viviam
da pesca, e sua dieta incluía ostras. Os mortos eram enterrados,
mas não tinham grandes enxovais funerários. Na China há uma
nova cultura: a Dawenkou na península de Shandong e na bacia
Amarela, ou seja, na zona centro/norte. Tinham uma agricultura de
painço e um grande desenvolvimento da suinicultura, que se reflete
nas figurinhas de terracota. As cerâmicas são muito elaboradas,
com potes de dois cabos e copos com pé.

4750- Paquistão: O terceiro período de Mehrgarh, a metalurgia do


cobre começa. A produção de faiança vidrada e de figuras de
terracota tornou-se muito pormenorizada. As figuras femininas eram
adornadas com tinta e tinham vários tipos de penteados e
ornamentos. Uma variedade de itens foram encontrados nos
enterros das mulheres. Os primeiros botões de selagem foram
produzidos em terracota e osso, e tinham desenhos geométricos
variados. Sua tecnologia incluía pedras e brocas de cobre, fornos
updraft, grandes fornos de fossa e cadinhos que derretiam o cobre.
Comércio intenso com as aldeias da India.

África: a agricultura e os avanços neolíticos chegam à região de


Cartum, no Sudão, possivelmente a partir do norte.

4730- Na Grécia: as aldeias de Jassatepe e Otzaki são exemplos do


início do urbanismo, protegidas por muros. Na Mesopotâmia, a
cultura de Tell Halaf está em apogeu, do Eufrates ao Diyala, no
Zagro, com cidades menores do que na anterior, construções são
construídas com falsa cúpula (tholos) para armazenamento ou usos
domésticos, às vezes base circular e outros retangulares, as setas
desaparecem, um grande número de foices são feitas para
agricultura de cereais, leguminosas, linho e culturas secas e o 31

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

gado é muito variado, talvez com o uso do boi para algum trabalho
agrícola. Praticam a caça e mariscos também são colhidos.

4700- Provadia, Bulgária: Cidade neolítica dedicada à produção de


sal, que adquiriu grande prosperidade. A cidade tinha 350
habitantes, era protegida por uma paliçada e uma torre de pedra,
tinha um centro religioso e casas de até dois andares.
Aparentemente, a cidade existiu até 4200 a.C., as causas do seu fim
são desconhecidas. As minas de cobre de Rudna Glava em Bor,
onde cerca de 30 poços foram explorados por meio de sistemas
semelhantes aos de Ai Bunar. Eles são considerados uma das mais
antigas evidências européias de mineração de cobre. No Danúbio,
templos de madeira e terra são construídos ao lado dos
assentamentos. Na Irlanda, uma tribu de caçadores e coletores com
algum gado e marisqueiros constrói megalitos em Carrowmore. Em
Knocknarea: 40 sepulturas foram descobertas, algumas com os
corpos queimados após serem submetidos a algum tipo de sacrifício
ritual, incluindo o canibalismo. América: Sinais de um grande
tsunami na costa do Pacífico do Canadá, as consequências são
desconhecidas.

4650-Egito: CULTURA MAADI, com aldeias de cabanas circulares e


estruturas retangulares com câmaras e fogões subterrâneos.
Grandes vasos de cerâmica para armazenamento, que também era
feito em poços ou silos forrados com argila ou esteiras. Também
foram desenvolvidas atividades artesanais, como a fundição de
objetos de cobre das minas Dyebel Ataqa e Sinai. A característica
mais proeminente da cultura Maadi é o conhecimento da metalurgia
e do uso do cobre, já que os habitantes da aldeia de Maadi
controlavam o intenso comércio entre o Vale do Nilo e a península
do Sinai. Os túmulos eram fossas ovais cobertas com madeira ou
esteiras, com um ou mais corpos encolhidos e descansando do seu
lado esquerdo, voltados para o sul e cobertos com peles e com
ofertas variadas e enxovais (pás, colheres, vasos e pentes de
marfim e figuras humanas de marfim ou barro). As cerâmicas
características são vermelhas com bordas e interiores escurecidos.
O cobre batido começa a ser trabalhado e começa a técnica da
pasta vítrea.

4600- Chegada dos sumérios à Mesopotâmia fundindo-se com os


semitas nativos da cultura de El Obeid: fundação de Uru-Dug, ou
Eridu, no mesmo lugar onde havia uma antiga aldeia semita de El
Obeid à qual os sumérios acrescentaram um templo e algumas
casas de adobe, o governo é exercido por uma casta sacerdotal que
talvez inclua um rei-padre. É o resultado da necessidade de
organizar excedentes na agricultura irrigada e do consequente
crescimento do comércio, do sector primário (agricultura e pecuária)
e do artesanato, que já conhece uma grande especialização de
funções: ferramentaria, carpintaria, construção, cestaria, tecelagem
e outras. É essencial regular as regras que regem esse complexo
tecido social, com esse objetivo se impõe uma casta aristocrática,
principalmente sacerdotes, que através da arrecadação de impostos
para a realização de obras públicas e a administração desse tesouro
tomaram o poder. Os templos são o centro e núcleo da vida da
população, templos cuja arquitectura é simples, compostos por uma
sala central rodeada por alguns quartos, todos construídos num
grande terraço. Como a justificação deste poder é invocada deuses
e a religião é sofisticada, é o tempo dos reis semilegendarios Alulim,
Alalngar, En-Menluana e En-Mengalana. Fim da cultura Tell Halaf no
norte sírio-iraquiano, abruptamente, muito provavelmente
violentamente, pela invasão de elementos de Obeid. Este facto
marca de certo modo o futuro a médio prazo da região, pois significa
o predomínio da zona sul da Mesopotâmia sobre a primazia
tradicional das regiões setentrionais. Na Europa Central, nasce a
cultura de RÖSSEN. Na China, coexiste com a cultura Hemudu, a
cultura MAJIABANG, na região do Lago Taihu, que é fortemente
influenciada por ela. Para além do cultivo do arroz tem importantes
actividades de caça e pesca, alojamento em palafitos, ferramentas
de madeira e ossos e gado de porcos, cães, bois e búfalos. Em
Qiucheng e Guangfulin há uma ferramenta triangular que lembra
uma charrua.

32

RUBEN YGUA

ALULIM, O PRIMEIRO NOME PRÓPRIO MENCIONADO PELA


HISTÓRIA

Alulim, na antiga cultura mesopotâmica, é o primeiro de todos


os reis antediluvianos, vindo da cidade suméria de Eridu. A
Lista Real Suméria tem a seguinte entrada para Alulim: "Depois
que a realeza desceu dos céus, o reino estava em Eridug
(Eridu). Em Eridug, Alulim tornou-se rei; governou por 28.800
anos" Alulim foi um mortal de uma linhagem divina, um filho de
Ea, deus da sabedoria e da antiga cidade de Eridu, que trouxe
as artes da civilização para aquela cidade, de Dilmun. O mito de
Alulim diz que ele cortou ou quebrou as asas de Ninlil ou Sud
(Vento do Sul).

Anu, por causa disso, está furiosa e manda chamá-lo. Enki


aconselha-o a ir vestido de luto, para que quando os guardiães
da casa de Anu (as portas do céu), Dumuzi e Ningizzida lhe
perguntarem sobre seu traje, Alulim diz que é porque ele sente
falta de alguns deuses em sua terra. Quando os guardiões
perguntaram-lhe que divindades ele perdeu, ele teve que
responder que Dumuzi e Ningizzida. Enki, sabia que isso
agradaria aos porteiros da casa de Anu e, portanto, eles
falariam favoravelmente de Alulim a Anu. Alulim escutou e ele o
fez, mas Enki também o advertiu para não comer a comida que
Anu lhe ofereceu. Anu impressionado com a sinceridade de
Alulim lhe

oferece o alimento da imortalidade, que Alulim rejeita e perde a


oportunidade de ser imortal.
Finalmente, a primeira pessoa mencionada pela história, cuja
existência é realmente provada, é o Rei Meshkiangasher, em
4290.

4580- Egipto: no Nilo, cultura MERIMDE, com pequenas cabanas


semi-enterradas, feitas de esteiras de junco, com plantas de forma
circular ou elíptica. Grandes cestos enterrados serviram de silos
para guardar cereais. Criavam carneiros, ovelhas, bois, cabras e
porcos. Eles também tinham cães, e caçavam hipopótamos e
crocodilos ao longo do Nilo. Também pescavam e apanhavam
moluscos. Não tinham uma área específica de cemitério, os mortos
eram enterrados junto ao povoado, em buracos ovais, em posição
de lado, sem objetos funerários e oferendas escassas. Os corpos
das crianças eram simplesmente atirados para os buracos do lixo. A
cerâmica mais antiga, delicadamente trabalhada, com decoração
impressa em espinhas de peixe, denota relações com o Médio
Oriente, enquanto os objetos encontrados nos seguintes estratos
indicam relações com Núbia, a sul. As cerâmicas dos níveis
superiores são feitas de argila e fragmentos de palha, o que nos
permitiu obter recipientes maiores com formas mais fechadas, como
panelas e garrafas.

4570- Mesopotâmia: o rei sumério Jushur funda a cidade de Kish;


nenhuma evidência arqueológica foi encontrada para corroborar sua
existência ou identidade; se fosse uma figura histórica, marcaria o
início do período dinástico arcaico ou protodinástico da
Mesopotâmia.

4560- Mesopotâmia: em Eridu: os reinados de En-Zipazianna e En-


Medurana se sucedem. Neste ponto já existem rotas de caravanas
que ligam as aldeias do Nilo, principalmente Buto, Maadi e
Heliopolis, com as comunidades da Síria e Canãa, de onde
comunicam com a Mesopotâmia e possivelmente contactando o
distante vale do Indo.

4555-Mesopotâmia: em Kish, reinado semi-legendário de


Kullassina-Bel.
4550- Egito: a aldeia de El Omani evolui para uma comunidade
agrícola e pecuária, com casas circulares de adobe, nos poços
existentes foram encontradas sementes de trigo e cevada, supõe-se
que foram usadas como silos. Entre os restos de animais estão a
maioria das vacas, ovelhas e porcos; há também linho, bem como
outras ervas utilizadas em cestaria. As ferramentas encontradas são
líticas, um 33

DO CAÇADOR AO AGRICULTOR

conjunto de bifaces, pontas de flechas e foices. As cerâmicas são


vermelhas ou pretas, com quase nenhuma decoração. As estatuetas
femininas são feitas de argila ou marfim para alguns túmulos, e
também pinos de osso, cestaria, trabalho em couro e grampos de
cabelo, com agricultura e pecuária e um papel importante para a
pesca. O vestido é feito de peles ou tela áspera, os olhos são
pintados com malaquite, óleo de mamona extraído de plantas
selvagens é usado e silos subterrâneos são construídos e cobertos
com tapetes. Há uma necrópole perto da aldeia. Os corpos foram
envoltos em esteiras e colocados em posição fetal, descansando no
lado esquerdo e com a cabeça voltada para o sul. Ao lado deles,
depositaram um pote de lama. Há especulação com uma possível
crença na ligação oeste - mais além, ali, ligada à estrada que corre
o Sol. O facto de os enxovais conterem pertences do falecido e de o
cadáver estar protegido contra o frio com peles dá maior
probabilidade à existência de práticas religiosas baseadas no Duat
(Além) segundo a terminologia clássica egípcia, os túmulos de
animais, vacas, cães, ovelhas, cabras e até lobos, apontam para a
existência de um deus guardião da morte sob a forma de chacal.
Alguma teoria afirma que o enterro de animais no Badariense está
relacionado com a fertilidade, feminina ou masculina, dado que este
tipo de mitologia também existe em outras partes da África.

Mesopotâmia: em Ediru sucedem-se os reinados de Ubartutu e


Sukurlam. A Espanha já conhece algumas técnicas agrícolas, mas
apenas em certas zonas, e as mudanças ocorrem muito lentamente.
A técnica de polimento começou a aparecer ao lado de novas
ferramentas de pedra, como dentes falciformes, novas pontas de
flechas, moinhos de mão e pulseiras, enquanto em colheres de
osso, espátulas, cinzéis, paletas, agulhas, anéis, etc., foram feitas, e
em cerâmica cerâmica cerâmica cerâmica cardial foi imposta. Na
Catalunha, foram construídas cabanas de madeira, mas o habitat
era geralmente mantido em cavernas, como as de Montserrat ou da
Cova del Parco, com cultivos de cereais e gado. Na costa
cantábrica, a vida mesolítica continua, mas com cerâmica em alguns
lugares, e em Aragão e Levante há sinais de gado doméstico,
cultivo de cereais e a primeira cerâmica em Costalena (Saragoça),
Botiquería de los Moros (Teruel) e uma série de sítios em Valência.
No que diz respeito ao sul, há certeza de crescimento de trigo e
cevada, colheita de bolotas, pinhões e azeitonas, gado de
ovicaprinos, suínos e cães e fabricação de cestas e tapetes de
esparto. Também aqui o habitat predomina em cavernas, como a
Carihuela del Piñar, em Granada, e a Caverna de Nerja de Málaga,
por vezes com áreas de enterro, e há algum povoado ao ar livre,
como o Granada de Las Majólicas. China: o búfalo de água é
domesticado. América: primeira cerâmica da cultura de San Jacinto
na Colômbia. Terceiro assentamento de Paso Otero, na Argentina,
com guanaco como principal componente da dieta, junto com
caracóis marinhos. Na Pampa, a indústria Casapedrense de
guanacos e caçadores de veados com boleadoras continua, assim
como os fabricantes de raspadeiras, racloirs e facas. Em geral, a
agricultura e a pecuária alcançam um importante desenvolvimento
na América do Sul, na região dos Andes com pastagens de
camelídeos, especificamente a lhama e, em menor medida, a
alpaca.

4540 - Índia: na zona do Ganges, a agricultura continua seu


desenvolvimento, e a metalurgia se expande, do subcontinente é
exportado mineral de cobre, ouro, prata e pedras preciosas para o
Oriente Próximo, aparece cobre fundido e moldado em vários
lugares da Mesopotâmia e Anatólia. Na Tal-I-I-Iblis, no Zagro, é
construído o primeiro forno de fundição de metal conhecido.
4530- Mesopotâmia: em Kish, reinado do semilegendário
Nangishlishma. Na Síria, uma aldeia desconhecida constrói um
monumento megalítico constituído por quatro círculos exteriores de
pedra basáltica, os maiores 160 metros de diâmetro, com um monte
no centro, conhecido como Gilgal Refaim ("roda fantasma"). É
provavelmente um lugar de adoração com funções de calendário e
observatório cósmico. No seu namoro existem inúmeras propostas,
antes e depois desta data. Em Malta começa a Fase Skorba,
caracterizada por um aumento da população agrícola e pecuária
que, devido à falta de espaço na ilha para essas atividades, começa
a cortar florestas e provoca erosão em algumas áreas. Existe
comércio com o exterior, como o demonstra o aparecimento de
obsidiana das ilhas de Lipari e Pantellaria.

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RUBEN YGUA

4520-Mesopotâmia: em Kish, reinado do semi-legendário En-


Tarahana. A cerâmica aparece em Omã.

4500- O lento crescimento do nível dos oceanos, iniciado em torno


de 12.000, culmina. Os continentes e ilhas adquirem seus contornos
atuais. Mesopotâmia: em Kish os reinados de Babum, Puannum e
Kalibum se sucedem. Novamente a cidade de Katal Huyuk é
abandonada por seus habitantes, que fundam Can Hasan ao norte
da cidade anterior. Na Ucrânia: cultura de CUCUTENI, nos vales do
Bug e Dniester, até o Dnieper: aldeias protegidas por fossos e
aterros, pouco uso de metais, cerâmica de alta qualidade, as
grandes povoações do sul da Ucrânia, perto dos rios Prut, Dniester
e Bug, costumavam estar em locais estratégicos e protegidos por
valas e aterros, chegando a conter entre 1200 e 1700 estruturas
(casas, armazéns ou oficinas), que acomodariam vários milhares de
habitantes. Os edifícios seguiram um plano urbano, dispostos em
círculos concêntricos sucessivos, com vielas radiais a partir do
centro da população e aproveitando ao máximo o espaço disponível.
Há bairros inteiros de artesãos especializados, que tinham fornos
complexos e uma roda de oleiro, o que lhes permitiria produzir a sua
cerâmica em série.

Na Roménia e na Moldávia, as povoações eram um pouco mais


pequenas, mas mesmo assim, de

dimensões consideráveis, como a de Petreni, com cerca de 500


estruturas que podiam acolher entre 2000

e 4000 pessoas, no baixo Danúbio algumas aldeias perto do Lago


de Boian são defendidas com um fosso, os seus colonos fazem
figuras femininas de barro cozido e a cerâmica é decorada com
formas sinuosas. A existência de assentamentos fortificados
estáveis e o aparecimento de edifícios únicos levaram muitos
investigadores a afirmar que as fases mais recentes da Cucuteni-
Tripilia poderiam constituir a mais antiga evidência europeia de
proto-estados. Ao mesmo tempo surge a cultura de Sredny Stog, na
Ucrânia e na Crimeia, caracterizada por seus machados de pedra
polida, seus túmulos simples, há evidências da domesticação do
cavalo. Existe intensa especulação sobre a possível origem da
língua proto-Indo-européia desta cultura. Em Igren (perto da cidade
de Dnipropetrovsk, Ucrânia) foram encontrados vinte túmulos de
estilo Sredny Stog-, nos quais se descobriu que a longevidade
média dos adultos era bastante alta, e as mulheres viviam mais
tempo do que os homens. A Ilha de Malta é colonizada por grupos
humanos que navegaram da Sicília, introduzindo a agricultura, a
cerâmica rudimentar e os primeiros animais domésticos. Polónia:
cultura Lengyel, exploração e comércio de sal, criação de gado e
cerâmica mais elaborada. China: aldeia neolítica de Banpo: cabanas
cercadas por um fosso defensivo. África, Núbia: na área de Kadero,
Dakka e Eish el Shahinab, inicia-se a agricultura e a pecuária nas
proximidades do rio Nilo.

Nesta época o cavalo foi domesticado na Ásia Central.

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