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“O Processo de Formação de Preços no Mercado” 1

A concorrência é um dado essencial ao sistema econômico sendo indispensável o exercício pelo


Estado de uma atividade antitruste que coíba os abusos e que admita, senão fomente, o exercício de poder
econômico quando beneficie os interesses da comunidade.
A visão antitruste ainda não se desenvolveu de forma suficiente a ponto de evitar desvios na
utilização dos instrumentos próprios dessa atividade anticoncorrencial causados pela errônea compreensão
dos objetivos de tal espécie de ação estatal.
Por exemplo, em uma apelação em Mandado de Segurança 5.714-PE, DJU 10.04.1992, o Tribunal
Regional Federal da 5º. Região, a fim de legitimar o congelamento de preços levado a efeito pela Lei
8.178/91, buscou fundamento constitucional para a referida medida no princípio da repressão aos abusos do
poder econômico, afirmando, no mencionado acórdão, que o escopo fundamental dessa lei teria sido o de
“reprimir os abusos de poder econômico especialmente quanto ao aumento arbitrário de lucros, em estrita
observância ao que está preconizado pelo art. 173, § 4.º da CF.”
O Tribunal não se deu conta de que o congelamento de preços, por ser medida de caráter geral, que
não contempla a quantidade de poder econômico detida por seus destinatários, jamais poderia ser justificado
como forma de repressão ao abuso de poder econômico, já que coloca na mesma condição industriais e
artesãos, dotados de poder econômico ou não. Se não há poder econômico não pode haver abuso a coibir, é
óbvio. A repressão não é instrumento de controle de preços, destinado a combate de inflação. Não é
controlando preços que se preserva a concorrência mas justamente o contrário: é preservando a concorrência
que se obtêm preços menores.
Inicialmente ao estudo do direito concorrencial é necessário analisarmos o processo de formação de
preços no mercado. Este estudo é um pouco complexo para juristas pois analisa teorias econômicas.
Mas porque faz-se esta análise econômica?
1.º - para compreensão desta disciplina jurídica. Pois, sem ela não há como precisar o fenômeno do
poder e suas conseqüências nos mercados. Ou seja, a análise econômica serve a propósitos jurídicos como
instrumento na análise dos mercados reais, na medida em que permite seja auferido o nível de poder
econômico que os elementos detêm em um determinado mercado.
2.º - para compreensão de modelos econômicos, da função dos preços e dos mecanismos de sua
formação, bem como das perdas e ganhos que o poder econômico pode trazer à sociedade. Com estas
análises o jurista poderá reconhecer as diferentes condições a que estão sujeitos os concorrentes e analisar
seus impactos.
3.º - porque a teoria econômica representa o principal foco da discussão quando da aplicação das
normas de tutela da concorrência e de repressão ao abuso de poder econômico.
4.º - porque a decisão jurídica só poderá ser aferida mediante a análise da motivação econômica da
decisão.

A explicação da teoria dos preços tem como ponto fundamental o relacionamento das quantidades
ofertadas e procuradas de um determinado produto no mercado = lei da oferta e da procura.
O preço dos bens no mercado varia em relação diretamente proporcional à intensidade da procura
respectiva e inversamente proporcional à quantidade ofertada. Assim, quando há excesso de oferta ou falta
de procura, os preços caem, subindo quando houver maior procura ou diminuição da oferta.
Estudaremos agora as teorias econômicas de mercado, lembrando sempre que elas são modelos
teóricos, ideais, virtualmente impossíveis de serem encontrados de forma integral nos mercados reais. Esta
análise é feita com objetivo da obtenção de um parâmetro, um elemento de comparação.

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Fichamento do capítulo “O processo de formação de preços no mercado”, do Livro O Poder Econômico de autoria de Sérgio Varella Bruna.
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MODELO DE CONCORRÊNCIA PERFEITA

A concorrência perfeita pressupõe:


 Multiplicidade de compradores e vendedores em número tal que a participação de cada um deles
na oferta global seja insignificante (ou seja, qualquer concorrente é incapaz de afetar de forma sensível os
volumes oferecidos ou procurados, e, portanto, incapaz de modificar o preço de equilíbrio ou de mercado).
 A quantidade produzida por unidade produtora será de tal sorte insignificante que uma eventual
redução de preços por parte de qualquer dos concorrentes fará com que a produção total deste seja
imediatamente vendida, sem que seus concorrentes possam disso se aperceber. E mais, por força da
composição das quantidades procuradas com o custo marginal individual, este modelo pressupõe que para o
concorrente individual, não seja economicamente possível aumentar a quantidade ofertada através de uma
redução individual de preço, pois com preços reduzidos, a fim de não apurar receitas inferiores aos seus
custos, deveria ele diminuir e não aumentar a produção.
 Portanto, o preço de mercado é absolutamente uniforme.
 O produto ofertado deve ser também absolutamente homogêneo, sem qualquer diferença entre
os bens produzidos pelos diversos produtores, não só em relação a preço, mas também em relação a
características como qualidade e apresentação, o que faz com que a identificação dos produtos por marcas de
comércio ou indústria seja incompatível com o modelo.
 Perfeita mobilidade dos fatores de produção, a fim de que todos os produtores tenham acesso às
tecnologias e aos insumos necessários à produção.
 Perfeito acesso às informações concernentes ao mercado, ou seja, pleno conhecimento do
produto e do preço de mercado.
 Inexistência do fenômeno das economias de escala, ou outras possíveis barreiras à entrada de
novos competidores.
 Instantaneidade de ajustes que, nos mercados reais, requerem algum tempo até se concretizarem,
fazendo com que, mesmo em mercados intensamente competitivos, uma eventual situação de desequilíbrio
possa perdurar durante algum tempo.
 A conjugação de todos este fatores revelará que todos os consumidores e compradores são
rigorosamente iguais entre si, e que este modelo conduzirá à conclusão de que em todas as atividades da
economia as taxas de lucro serão iguais, em uma dada situação de equilíbrio. Portanto, o poder econômico
está absolutamente ausente.2

Concorrência perfeita
- número elevado de empresas produtoras e de compradores,
- quantidade produzida por unidade é uniforme e insignificante,
- preço de equilíbrio prevalecente,
- inexistência de quaisquer diferenças entre os produtos ofertados,
- perfeita mobilidade dos fatores de produção,
- perfeito acesso às informações sobre o mercado,
- perfeita permeabilidade (não havendo qualquer barreira a entrada de novas empresas),
- não há possibilidade de que atitudes isoladas possam alterar as condições vigentes, são ineficazes
quaisquer tentativas de diferenciação ou concorrência extrapreço.
- taxas de lucro iguais em situação de equilíbrio,
- ausência de poder econômico.

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BRUNA, Sérgio Varella. O Poder econômico e a conceituação em seu abuso. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997, p. 28 e segs.
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MONOPÓLIO

A palavra monopólio, deriva do grego monopôlion, composta por monos (só) e pôlein (vender),
encerrando em si o sentido de “venda por um só”.
- sendo o único vendedor, o monopolista tem pleno controle da oferta, podendo determinar qual
será a quantidade total ofertada no mercado. Assim, através da variação das quantidades ofertadas, poderá
influir sobre o preço, fazendo-o oscilar de maneira inversamente proporcional ao volume da oferta. E como
pode decidir qual será o nível de oferta no mercado, provocará intencionalmente a escassez, a fim de que os
preços se elevem.
Em situação de monopólio, a sociedade é submetida a uma escassez artificial, provocada pelo
monopolista, que controla totalmente a oferta, a fim de maximizar seus lucros. Esta parcela excedente de
lucros é retirada da comunidade por força da manifestação do fenômeno do poder econômico. Ele representa,
além de ineficiência econômica, a injustiça social no que se refere à repartição de renda.
Ainda que esta renda adicional do monopolista fosse integralmente tributada, com vistas à
redistribuição de renda, o monopólio o continuaria a onerar a sociedade, porque lhe estaria impondo uma
escassez desnecessária.
Contudo, outras razões que não meramente a relação econômica eficiência-preço podem justificar a
existência de monopólios ou de graus de concentração empresarial diversos daqueles almejados pelo modelo
da concorrência perfeita.
A existência de economias de escala (redução do custo unitário à medida que aumenta o volume de
produção) pode justificar a existência e manutenção de um monopólio, até por questão de eficiência.
Pode ocorrer que em determinado mercado muitos competidores não alcancem escala de produção
suficiente e ofereçam seu produto a um preço superior ao de monopólio. As economias de escala podem dar
surgimento aos chamados monopólios naturais em cujos mercados virtualmente não há espaço para mais do
que um produtor e onde a existência de dois concorrentes provocará a falência de um deles, senão a ambos.
Tal poderá suceder quando ocorra o fenômeno das Escalas Mínimas de Eficiência, que se
caracteriza por tornar necessária a instalação de uma unidade mínima de produção, a fim de se atingir o nível
mínimo de eficiência na atividade. Se tal dimensão mínima for suficiente para o atendimento de todo o
mercado, a existência de dois competidores que não atinjam o volume mínimo de produção não lhes
possibilitará auferir recursos suficientes à manutenção da atividade.
E, a fim de se proceder à avaliação efetiva do custo social do monopólio, há que se investigar qual
a destinação dada pelo monopolista a seus lucros extraordinários. O emprego de tais recursos em atividades
socialmente relevantes pode justificar a existência do monopólio, caso representem um ganho social
proporcional ao custo adicional imposto à comunidade. Muito conhecida e debatida é a afirmação de
Schumpeter de que somente a concentração de poder econômico poderia fornecer recursos suficientes ao
avanço tecnológico.
Portanto, a admissão ou não de elevada concentração econômica em um dado mercado é questão de
política econômica que o Estado desenvolve através dos instrumentos que o Direito Econômico lhe provê.
Há também os monopólios legais, juridicamente assegurados a determinados agentes econômicos.
Não se trata, somente, dos monopólios que o Estado reserva para si, como ocorreu entre nós com o petróleo
e, em muitas nações, com produtos como o fumo, o chá, entre outros. Mas também dos monopólios que são
quase universalmente assegurados a agentes privados, como é o caso dos direitos autorais e dos privilégios
de marca e de patente, que outorgam a seus titulares direito de exploração econômica exclusiva, ainda que
eventualmente temporária.

Monopólio Puro – é caracterizado por apenas 1 vendedor e grande número de compradores.


- apenas uma empresa dominando a oferta,
- inexistência de competidores imediatos, sobretudo devido às barreiras existentes para o ingresso
de outras empresas no setor,
- inexistência de produtos capazes de substituir aquele produzido pela empresa monopolista,
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- poder de influência sobre os preços e sobre o regime de abastecimento do mercado e,
- plena dominação do mercado.

MONOPÓLIO BILATERAL – oposto à concorrência perfeita, é caracterizado por 1 comprador e


1 vendedor de cada lado.

CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA

- são estruturas de mercado em que há um grande número de empresas concorrentes, relativamente


iguais em poder concorrencial,
- as condições de ingresso são relativamente fáceis, todavia, cada empresa diferencia seu produto
criando um segmento próprio de mercado que dominará e procurará manter,
- o consumidor encontrará outros substitutivos não ocorrendo assim a caracterização do monopólio
puro,
- acentuada diferenciação dos produtos, todavia, as diferenciações não implicam a inexistência de
similares – substitutivos,
- apreciável capacidade de controle dos preços,
- forte concorrência e, ao mesmo tempo, elementos que implicam formas especiais de
monopolização.

Segundo Chamberlin, autor desta teoria, quando a diferenciação do produto faz-se presente, o
mercado afasta-se do modelo de concorrência pura e vai se aproximando do modelo de monopólio, segundo
o maior ou menor grau de diferenciação. E, no caso de produtos diferenciados, cada produtor é um
monopolista em relação à sua própria variedade de produto, embora sujeito à concorrência de produtos
sucedâneos, mais ou menos perfeitos. Assim, sua oferta individual será mais elástica do que em concorrência
pura, de forma que, em maior ou menor grau, pode ele influir sobre a quantidade vendida segundo sua
política de preços individual. É ele, um monopolista em concorrência.
Enquanto no regime de concorrência pura o mercado de cada vendedor confunde-se com o de seus
rivais pois tem-se um mercado único para todos, na concorrência monopolística os mercados de cada um dos
concorrentes estarão em certa medida isolados uns dos outros, de forma que não se tratará mais de um só
mercado para todos os competidores, senão de uma rede de mercados, em estreita relação, uma para cada
vendedor.

OLIGOPÓLIO

Tal como o termo monopólio, a palavra oligopólio deriva do grego: oligos (poucos) e pôlein
(vender), significando venda por poucos. E, havendo poucos ofertantes no mercado, duas são as hipóteses de
conduta: a independência ou o conluio.
Havendo colusão entre os partícipes, teremos a formação de cartel, o qual, se lograr reunir todos
os ofertantes, procederá tal como um monopólio, porém, com alguma instabilidade.
E a outra forma de conduta seria a inexistência de acordo entre os concorrentes oligopolistas,
agindo cada um sem levar em conta a reação que sua atitude pudesse causar em seu rival.
O preço em regime de oligopólio, embora não tão alto como o de monopólio, tende a ser superior
ao que se estabeleceria em regime de concorrência pura. Isto clarifica mais ainda na medida em que
consideremos os oligopolistas capazes de antecipar a reação de seus concorrentes, efetivos ou potenciais.
Quando poucos concorrentes estão no mercado e sabem que uma baixa individual de preços irá causar a
mesma atitude dos rivais, com perdas mútuas, o oligopolista tenderá a não tomar a iniciativa de baixar seus
preços. Eles tenderão, assim, ainda que tacitamente, a estabelecer seus preços em um nível superior ao de
mercado em concorrência perfeita, mas provavelmente inferior ao de monopólio, por temerem o acesso de
empresas concorrentes.
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Para a compreensão desta forma de equilíbrio, útil se mostra o exame da Teoria dos Jogos que
cuida da análise da interação dos comportamentos estratégicos dos indivíduos. Em uma estrutura de
oligopólio, se cada competidor tiver compreensão total do impacto de suas atitudes nas reações dos demais, o
preço será o de monopólio.
Se não houver essa compreensão, o preço será determinado pelo equilíbrio, podendo ocorrer, caso
considerem os concorrentes que o preço de seus competidores é constante, venha-se instaurar uma “guerra de
preços” que reduzirá o preço aproximando-o do nível concorrencial puro, o que também ocorrerá se todos os
oligopolistas não tiverem nenhuma compreensão de sua influência direta ou indireta sobre os demais.
Em suma, o nível de compreensão que possuam os oligopolistas acerca do funcionamento do
mercado e das próprias características deste, influem decisivamente no resultado que se obterá em relação
aos preços.
Por outro lado, a concorrência nos oligopólios podem ser à nível de qualidade de produtos e não
apenas quanto à preços, sendo comum, também, competirem em nível de atrativos psicológicos.

OLIGOPÓLIO
- é caracterizado por pequeno número de vendedores dominando o mercado e por grande número
de compradores,
- as industrias podem produzir bens e serviços padronizados ou diferenciados,
- devido ao pequeno número de empresas dominantes, o controle sobre os preços pode ser amplo,
dando lugar a conluios e práticas conspirativas,
- a concorrência extrapreço é considerada vital, pois a “guerra de preços” pode vir a prejudicar
todas as empresas do setor. Então, estas recorrem a outros expedientes concorrenciais sobretudo nos casos
em que é possível a diferenciação do produto,
- o ingresso de novas empresas geralmente é difícil.

MONOPSÔNIO E OLIGOPSÔNIO

Estes termos constituem imagem reflexa do monopólio e do oligopólio e também, derivam do


grego: mono e oligos = um só e poucos, enquanto opsônein indica a posição de comprador. Assim,
monopsônio indica a existência de um só comprador e oligopsônio a compra por poucos.
O monopsonista e o oligopsonista procurarão maximizar seus ganhos e o farão através do controle
da procura. Exercendo controle sobre a procura global no mercado, reduzirão suas compras, a fim de baixar
os preços de mercado. O preço de equilíbrio, por sua vez, localizar-se-á em patamar inferior ao preço
puramente concorrencial.

- Monopsônio – é caracterizado por apenas 1 comprador e grande número de vendedores.


- Oligopsônio – é caracterizado por pequeno número de compradores e grande número de
vendedores.

CARTEL

Cartéis são acordos explícitos ou tácitos entre concorrentes do mesmo mercado, envolvendo parte
substancial do mercado relevante, em torno de itens como preços, quotas de produção e distribuição e
divisão territorial, na tentativa de aumentar preços e lucros conjuntamente para níveis mais próximos dos de
monopólio. Fatores estruturais podem favorecer a formação de cartéis: alto grau de concentração do
mercado, existência de barreiras à entrada, homogeneidade de produtos e de custos, e condições estáveis de
custos e de demanda.
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O cartel é ajuste realizado entre concorrentes podendo ser de preços, divisão de mercados,
quantidade de produção, etc.
Não é necessário que haja poucos competidores para viabilizar a formação de um cartel, um
sindicato de panificação ou de motoristas de táxi pode fazê-lo, mesmo na presença de muitos competidores,
através da divulgação de tabelas de preço obrigatórias.
O cartel age como um monopolista: procura dimensionar o nível da oferta global no ponto em que
se igualem os custos marginais e a receita marginal; o preço, portanto, será o de monopólio, caso o cartel
abranja todos os concorrentes.

BARREIRAS AO INGRESSO DE CONCORRENTES

Na análise antitruste o nível de intensidade da concorrência em determinado mercado deve


considerar não só a concorrência efetiva, mas também a potencial ou eminente. Pois quando se trata de
monopólios, cartéis ou oligopólios, o grau de elevação do preço de equilíbrio dependerá da maior ou menor
facilidade com que novos concorrentes, atraídos pelos lucros excedentes, possam ingressar no mercado,
intensificando a concorrência.
E para levar a concorrência potencial em consideração se analisa as barreiras à entrada de novos
concorrentes no mercado em análise, ou seja, a maior ou menor facilidade de entrada de novos concorrentes.
Quando o ingresso no mercado é extremamente fácil, ainda que alto o grau de concentração, as
empresas nele atuantes deverão estabelecer seus preços mais proximamente ao nível competitivo, pois, no
caso de lucros excessivos, novos concorrentes ingressarão no mercado, aumentando a oferta e reduzindo os
preços.
As barreiras podem ser naturais, pois são inerentes às próprias características do mercado, como é o
exemplo das economias de escala. Ou podem ser artificiais, pois podem ser erigidas pelos detentores de
poder econômico, como exemplo, o caso da empresa que comprasse todas as patentes dos produtos
potencialmente concorrentes ao seu, para não explorá-las. E estas são objeto da ação repressora do Estado
com maior freqüência do que as naturais.
Diversos fatores podem ser considerados como barreiras à entrada, como exemplo;
- as economias de escala. Na presença de economias de escala, a empresa que detenha poder
econômico poderá exercer sua política de preços no sentido de, dimensionando seus lucros excedentes em
níveis inferiores ao ponto de maximização de lucros, tornar não atraente a entrada de seus concorrentes.
- o risco associados às exigências de altos investimentos de capital. São os “investimentos a fundo
perdido”, são aqueles que não podem ser reavidos pela recolocação dos fatores de produção fora do mercado
relevante. Caso uma empresa tenha que adquirir equipamentos altamente especializados, feitos sob medida,
poderá não conseguir vendê-los a bom preço a terceiros que tenham necessidades diferentes das suas. E seus
concorrentes normalmente não estarão interessados em comprar tais equipamentos, senão por valor reduzido.
- a necessidade de elevados gastos com publicidade / propaganda que não poderão ser recuperados
caso opte por abandonar o mercado. Este tipo de gasto é necessário quanto o produto concorrente goze de
alta reputação perante os consumidores, ensejando fenômenos como o de lealdade à marca, de forma que
somente uma intensa campanha publicitária possa habilitar o novo produto à concorrência.
- diferenciação do produto. Este pode revelar-se como uma barreira à entrada, na medida em que o
fabricante de um produto diferenciado desfruta de um certo poder monopolístico, em maior ou menor grau.
- dificuldade de acesso a fontes de matéria prima.
- atendimento de exigências legais em atividades regulamentadas. Elas podem aumentar os custos
representando investimento a fundo perdido. A regulamentação de atividade dá ensejo ao surgimento das
chamadas barreiras institucionais, criadas por exigências de ordem legal ou administrativa de atendimento a
padrões mínimos de qualidade, segurança, ecologia, saúde pública e outros.

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