Você está na página 1de 4

ARTIGO

Desafios dos serviços de saúde ambulatoriais expostos em meio à urgência


da Covid – 19

Challenges of outpatient health services exposed amid Covid's urgency - 19

Layara Fernandes Barros

Universidade Estadual do Piauí, E-mail:

Irene Oliveira Magalhães

Universidade Anhanguera – Uniderp, E-mail: yreni.olliveira@hotmail.com

Resumo:

MATERIAL E MÉTODOS

Estudo com pesquisa do tipo exploratória vista a necessidade de pensar acerca das mudanças
ocorridas no fazer profissional dos profissionais de saúde, bem como refletir sobre as limitações e
problemáticas sociais expostas junto ao aumento dos casos da Covid 19 na sociedade brasileira. A opção
pelo tipo de pesquisa escolhida encontrasse no fato de que “pesquisas exploratórias são desenvolvidas
com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato. Este tipo
de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado [...]”. (GIL, 1999, p.
27).

A presente pesquisa tem uma abordagem primordialmente qualitativa por exigir o detalhamento e
estudo de situações que não podem ser expressas quantitativamente apenas. Desse modo, reflete
subjetivamente o contexto em que está inserida a situação analisada na presente pesquisa.

A fim de consolidar a metodologia, fez-se uso de pesquisa bibliográfica através de bibliografia


eletrônica por meio da análise de bancos de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia ne
Estatística), além da análise crítica de artigos da biblioteca eletrônica de periódicos científicos Scielo,
além de pesquisa bibliográfica eletrônica fora usado a consulta de material impresso. Outro mecanismo de
coleta de informações para andamento e conclusão do presente artigo foi o uso de pesquisa documental
feita em consulta aos documentos de trabalho de notificação e acompanhamento dos casos de Covid 19
usado por médicos e enfermeiros durante a pandemia, os quais trazem detalhes específicos sobre a
gravidade da doença e da importância dos procedimentos a serem realizados.

Para a obtenção dos dados necessários a pesquisa quanto ao aspecto social, no site do IBGE/
Covid 19 https://covid19.ibge.gov.br/, foi escolhido o link Indicadores Sociais 2018 para refletir sobre o
desenvolvimento social e acesso da população brasileira aos serviços de saneamento básico; em seguida
visitou-se o link Aglomerados Subnormais 2019 para refletir sobre as regiões periféricas e suas demandas
refletidas nos serviços ambulatoriais durante a pandemia. Todos os recursos necessários à produção e
submissão dessa pesquisa foram financiados pelos próprios autores.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diante do aumento alarmante dos casos da Covid 19, é necessária a percepção atenta sobre o
prisma da questão social e da considerável notoriedade que esta tem a apresentar frente aos desafios
vivenciados nos últimos meses pelos serviços ambulatoriais de saúde.

É preciso dizer que embora nas diversas políticas sociais a questão social seja apenas mais um
entre tantos desafios, na situação atual, a mesma tem sido indissociável da questão de saúde nacional;
pois, de acordo com publicação do CFESS Manifesta: Dia Mundial da Saúde (2020, p. 2), “ao impactar a
totalidade da vida social, a propagação mundial do novo Coronavírus explicita e reflete o nexo entre a
política de saúde e as demais políticas públicas, inclusive as econômicas, sempre usadas como
justificativa do freio nos investimentos sociais [...]”.

Isso se faz notar no momento de crise sanitária na saúde nacional e mundialmente através das
demandas de atendimento que têm chegado até às Unidades de Saúde, pois o desafio vivenciado nos
últimos meses tem revelado de forma mais acentuada o que há muito é perceptível e existente na
sociedade brasileira. As desigualdades de acesso aos serviços básicos de saúde e saneamento têm posto à
luz um dos inúmeros desafios acentuados por meio desta pandemia. Entretanto, tais desafios crescem
proporcionalmente à precariedade da rede pública de saúde municipal e do acesso das populações mais
vulneráveis aos bens e serviços necessários para contenção do avanço da Covid 19.

Estamos todos sob a mesma tempestade e participamos do mesmo esforço coletivo para não deixar
a população à deriva. Mas não estamos no mesmo barco. A desigualdade social encontrada no
Brasil é um terreno fértil para a disseminação da COVID-19, dificultando o isolamento social,
restringindo acesso a insumos básicos para higiene e proteção, e dificultando a própria assistência
aos serviços de Saúde. (MYNAIO; FREIRE, 2020).
Somado a todos os desafios e incertezas anunciadas com a disseminação da pandemia pelo mundo,
vemos que no Brasil, os desafios são ainda maiores, pois pouco se sabe sobre as características e
comportamento da transmissão da COVID-19 num contexto de grande desigualdade social, com
populações vivendo em condições precárias de habitação e saneamento, sem acesso sistemático à água e
em situação de aglomeração. (WERNECK; CARVALHO, 2020).

Falar sobre dados do ibge sobre acesso ao saneamento

Com as ideias levantadas até então, fica notório que o Brasil apresenta o enorme e assustador
desafio de controlar o aumento dos casos da Covid 19 para reduzir os índices de contágio e superlotação
dos serviços de saúde, atrelado ao compromisso de garantir em curto espaço de tempo a garantia do
mínimo social para as classes pauperizadas conseguirem adotar as medidas de prevenção eficazes no
combate à doença. Vivemos nos dias atuais o reflexo de uma sociedade desigual, onde parte
considerável desta não detém condições mínimas de responder à ameaça do vírus, que infelizmente não
escolhe classe social; deixando os desprovidos socialmente ainda mais expostos às consequências de
uma crise sanitária como esta.

Nesse contexto, advém a fragilidade dessas populações, pois além de vivenciar suas rotinas
mudadas pelo medo de uma contaminação, concomitantemente vivem o dilema de escolher entre
resguardar-se em suas habitações ou buscar sobreviver contra a fome e desemprego já constante em seus
cotidianos.

Nesse quesito, não se pode deixar de reconhecer que a pandemia, evidentemente, agravará
algumas expressões da questão social, especialmente, o desemprego. Inclusive, a narrativa
neoliberal oscila entre um discurso a favor das medidas de prevenção (como o afastamento social)
e a famigerada defesa da economia, sob o subterfúgio de que a bancarrota (e a miséria que
supostamente surge daí) matará mais do que a COVID-19. (SOUZA, 2020).
REFERÊNCIAS

CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. CFESS Manisfesta: Dia Mundial da Saúde. Brasília
(DF), 2020. Disponível em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/2020-CfessManifesta-
DiaMundialSaudeCoronavirus.pdf> Acesso em: 22 mai. 2020.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 2008.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2020. Disponível em:


<https://covid19.ibge.gov.br/>. Acesso em: 20 mai. 2020.

MINAYO, M.C.S; FREIRE, N.P. Pandemia exacerba desigualdades na Saúde. Ciência & Saúde
Coletiva. Rio de Janeiro, v. 25, n. 5, mai.2020. ISSN 1678-4561. Disponível em:
<http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/pandemia-exacerba-desigualdades-na-saude/17579>.
Acesso em: 25 mai. 2020.

WERNECK, G. L; CARVALHO, M. S. A pandemia de COVID-19 no Brasil: crônica de uma crise


sanitária anunciada. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 36, n. 5, mai. 2020. ISSN 1678-
4464. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
311X2020000500101&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 25 mai.2020.

SOUZA, D. de O. A pandemia de COVID-19 para além das Ciências da Saúde: Reflexões sobre sua
determinação social. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 25, n. 5, mai.2020. ISSN 1678-4561.
Disponível em:< http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/a-pandemia-de-covid19-para-alem-
das-ciencias-da-saude-reflexoes-sobre-sua-determinacao-social/17562> Acesso em: 27 mai. 2020.