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MÉTODOS DE PESQUISA

5ª EDIÇÃO

METODOLOGIA
de PESQUISA
Roberto Hernández Sampieri
Carlos Fernández Collado
María dei Pilar Baptista Lucio

- ==--= ~ - e ____. h
H557m Hernández Sampieri,Roberto.
Metodologiade pesquisa/ Roberto Hernández Sampieri, Carlos Fernández
Collado,Maria dei Pilar Baptista Lucio ; tradução: Daisy Vazde Moraes ;
revisãotécnica:Ana Gracinda Queluz Garcia,Dirceu da Silva,Marcos Júlio.-
5. ed. - Porto Alegre: Penso, 2013.
624 p.: il.; 28 cm+ 1 CD-ROM

ISBN978-85-65848-28-2

1. Métodos de pesquisa. 1. Fernández Collado,Carlos. II. Baptista Ludo,


María dei Pilar. III. Título.

CDU 001.891

Catalogaçãona publicação:Ana Paula M. Magnus CRB 10/2052


Dr.RobertoHernándezSampieri
Diretor do Centro de Investigacióny dei Doctorado en Administración de la Universidadde Celaya
Professor-pesquisadordo Instituto PolitécnicoNacional
Diretor do Centro de Investigaciónen Métodos Mixtos de la AsociaciónIberoamericana de la Comunicación

Dr.CarlosFernándezCollado
Professor-pesquisadordo Instituto PolitécnicoNacional
Presidente da AsociaciónIberoamericana de la Comunicación
Diretor do Máster Universitarioen Dirección de Comunicacióny Nuevas Tecnologíasde la Universidadde Oviedo

Dra. María dei PilarBaptistaLudo


Diretora do Centro Anáhuac de Investigación,ServiciosEducativosy Posgrado de la Facultadde Educación
UniversidadAnáhuac

Tradução:
DaisyVazde Moraes
Consultoria,supervisão e revisão técnica desta obra:
Ana Gracinda Queluz Garcia (Capítulos 14 e 15)
Doutoraem Ciências(Psicologia
Escolar)pela Universidadde e SãoPaulo(USP).
Dirceu da Silva(Capítulos 1 a li)
Doutorem Educaçãopela USP.Professorda UniversidadEstadual
e de Campinas(Unicamp).
Marcos Júlio (Capítulos 12, 13, 16 e 17)
Mestreem LínguaEspanholae LiteraturasEspanholae Hispano-Americana pela USP.

2013
-
11,· "A

Obra originalmente publicada sob o título Metodologíade la investigación,5, Edição.


ISBN 9786071502919

Copyright© 2010,McGraw-Hill/InteramericanaEditores, S.A.


de C.V:,México.Todos os direitos reservados.

Tradução para a língua portuguesa copyright© 2013, Penso Editora, uma empresa Grupo A.
Todos os direitos reservados.

Gerente editorial
LetíciaBispodeLima
Colaboraramnestaedição
Editora
LfviaAllgayerFreitag
Capa
PaolaManica
Ilustração de capa
istockphoto.com/OGphoto
Preparação de original
Iara FrichenbruderKengeriski
Leitura final
CristineHendersonSevero
Editoração eletrônica
ArmazémDigital®EditoraçãoEletrônica- RobertoCarlosMoreiraVieira

Reservadostodos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à


PENSOEDITORALTDA.,uma empresa do GRUPOA EDUCAÇÃOS.A.
Av.Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana
90040-340- Porto Alegre,RS
Fone: (51) 3027-7000-Fax: (51) 3027-7070

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte,


sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,
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SÃOPAULO
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L
A Deus, aos meus adoráveispais, Pala e Roberto;
à minha família:Elisa,Pola, Is, Erick, Roberto,Alexis,Fer,Andrés;
aos meus amigos, Carlos,José Luís e Raúl;
às minhas patologias e aos meus colaboradores da Universidad de Celaya
RobertoHernándezSainpieri

Aos meus filhos, ffiigo e Alouso


CarlosFernándezCollado

Aos meus alunos


PilarBaptistaLucio
Agradecimentos

Gostaríamos de expressar nossa gratidão às pessoas e suas instituições educativas que sempre nos
deram respaldo e facilitaram a preparação deste livro:

Lic. Raúl Nieto Boada


Presidentedo ConselhoGeralda Universidadde Celaya
Lic. Carlos Esponda Morales
Diretorgeralda Universidadde Celaya
Dr. Héctor Martínez Castuera
Secretáriode ServiçosEducativosdo InstitutoPolitécnicoNacional
Dr. Jesús QuirceAndrés
Reitorda UniversidadAnáhuac,MéxicoNorte.
Dr. VicenteGotor Santamaría
Reitormagnificoda Universidadde Oviedo

Tambémagradecemosaos professoresde metodologiade pesquisade toda a AméricaHispânica


por seu valiosofeedbackpara melhorar e atualizar a presenteediçãoem sua totalidade,assimcomo aos
alunos de língua espanholaleitoresdo livro,que nos motivaram a manter estelivro.
Finalmente,agradecemosa Ana Cuevas,Antonio Hernández, Chris Mendozae SergioMéndez,
da Universidadde Celaya,por suascolaboraçõesna obra, e aos editoresanteriores,Bruno Pecinae Noé
Islas.
Sumário

Prefácio ..................................................................................................................... 17
Estrutura pedagógica................................................................................................... 23

PARTE1
Os enfoques quantitativoe qualitativona pesquisa científica

1 Definiçõesdos enfoques quantitativo e qualitativo, suas semelhançase diferenças...... 28


Comoa pesquisapodeser definida?................................................................................ 30
Quaisenfoquesforam adotadosna pesquisa? ................................................................... 30
Quaissãoas características do enfoquequantitativode pesquisa? ...................................... 30
Quaissãoas características do enfoquequalitativode pesquisa?........................................ 33
Quaissão as diferençasentreo enfoquequantitativoe o qualitativo?.................................. 35
Qualdos enfoquesé o melhor?....................................................................................... 41
Resumo....................................................................................................................... 44
Conceitosbásicos......................................................................................................... 45
Exercícios.................................................................................................................... 45
Os pesquisadores opinam............................................................................................... 45

2 Nascimentode um projeto de pesquisaquantitativo, qualitativo ou misto: a ideia......... 49


Comosurgemas pesquisasquantitativas,qualitativasou mistas?....................................... 51
Resumo....................................................................................................................... 55
Conceitosbásicos......................................................................................................... 55
Exercícios.................................................................................................................... 55
Exemplosdesenvolvidos................................................................................................ 55
Os pesquisadores opinam............................................................................................... 56

PARTEli
O processoda pesquisaquantitativa

3 Formulação do problemaquantitativo ..................................................................... 60


O que significaformularo problemade pesquisaquantitativa?............................................ 61
Quaissãoos elementosda formulaçãodo problemade pesquisano processoquantitativo? .... 61
Resumo....................................................................................................................... 68
Conceitosbásicos......................................................................................................... 69
Exercícios.................................................................................................................... 69
Exemplosdesenvolvidos................................................................................................ 69
Os pesquisadores opinam............................................................................................... 71

4 Desenvolvimento da perspectiva teórica:


revisãoda literaturae construção do marcoteórico.................................................. 73
O que significao desenvolvimento da perspectivateórica?................................................. 75
Quaissão as funçõesdo desenvolvimento da perspectivateórica?...................................... 75
Quaissão as etapasdo desenvolvimento da perspectivateórica?........................................ 76
Algumasobservaçõessobreo desenvolvimento da perspectivateórica................................ 87
Qualmétodopodemosseguirparaorganizare construiro marcoteórico?............................ 88
Seráque a revisãoda literaturafoi adequada? .................................................................. 93
110 Sumário

Redaçãodo marcoteórico.............................................................................................. 94
Resumo....................................................................................................................... 95
Conceitosbásicos......................................................................................................... 95
Exercícios.................................................................................................................... 95
Exemplosdesenvolvidos................................................................................................ 96
Os pesquisadores opinam............................................................................................... 96

5 Definição do alcance da pesquisa a ser realizada:


exploratória, descritiva,correlacionai ou explicativa .................................................. 99
Quealcancespodeter o processode pesquisaquantitativa?............................................ 100
Emque consistemos estudosde alcanceexploratório?.................................................... 101
Emque consistemos estudosde alcancedescritivo?....................................................... 102
Emque consistemos estudosde alcancecorrelacionai? ................................................... 103
Emque consistemos estudosde alcanceexplicativo?..................................................... 105
Umamesmapesquisapodeincluir diferentesalcances?................................................... 106
Do quedependeque uma pesquisacomececomo
exploratória,descritiva,correlacionaiou explicativa?....................................................... 107
Qualdos quatroalcancesparaum estudoé o melhor?..................................................... 108
O que acontececom a formulaçãodo problemaquandose defineo alcancedo estudo?....... 108
Resumo..................................................................................................................... 109
Conceitosbásicos....................................................................................................... 109
Exercícios.................................................................................................................. 109
Exemplosdesenvolvidos.............................................................................................. 109
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 11O

6 Formulação de hipóteses.................................................................................... 111


O que são as hipóteses?.............................................................................................. 113
Seráque devemosformularhipótesesem toda pesquisaquantitativa?............................... 113
As hipótesessão sempreverdadeiras? ........................................................................... 113
O que são as variáveis?............................................................................................... 114
De ondesurgemas hipóteses? ...................................................................................... 114
Quaiscaracterísticasuma hipótesedeveter?.................................................................. 116
Quaissão os tipos de hipóteses?.................................................................................. 117
O quesão as hipótesesde pesquisa? ............................................................................. 117
O quesão as hipótesesnulas?...................................................................................... 124
O quesão as hipótesesalternativas?............................................................................. 125
Seráque é possívelformularhipótesesde pesquisa,
hipótesenulae alternativaem uma mesmapesquisa? ...................................................... 126
Quantashipótesesdevemser formuladasem uma pesquisa? ............................................ 127
Emuma mesmapesquisaé possívelformularhipótesesdescritivasde
um dadoprognosticadoem uma variável,hipótesescorrelacionais,
hipótesesda diferençaentre grupose hipótesescausais?................................................. 127
O que significatestar hipóteses? ................................................................................... 128
Qualé a utilidadedas hipóteses?.................................................................................. 128
O que acontecequandonão se traz evidênciaa favor das hipótesesde pesquisa? ............... 129
As variáveisde umahipótesedevemser definidascomo parte de sua formulação?............. 129
Definiçãoconceituaiou constitutiva.............................................................................. 130
Definiçõesoperacionais............................................................................................... 130
Resumo..................................................................................................................... 133
Conceitosbásicos....................................................................................................... 133
Exercícios.................................................................................................................. 134
Exemplosdesenvolvidos.............................................................................................. 135
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 135
Sumário 11

7 Concepçãoou escolhado desenhode pesquisa..................................................... 138


O queé um desenhode pesquisa?................................................................................ 140
Comodevemosaplicaro desenhoescolhidoou desenvolvido? .......................................... 140
No processoquantitativo,de quaistipos de desenhosdispomosparapesquisar? ................. 140
Desenhosexperimentais.............................................................................................. 141
Comodefinimosa maneirade manipularas variáveisindependentes? ................................ 144
Qualé o segundorequisitode um experimento?............................................................. 147
Quantasvariáveisindependentes e dependentesdevemser incluídas
em um experimento? ................................................................................................... 147
Qualé o terceirorequisitode um experimento? ............................................................... 148
Comoconseguiro controlee a validadeinterna?............................................................. 149
Umatipologiasobreos desenhosexperimentais .............................................................. 154
Experimentos"puros".................................................................................................. 156
O queé a validadeexterna?......................................................................................... 163
Quaispodemser os contextosdos experimentos? ........................................................... 165
Qualé o alcancedos experimentose de qual enfoqueelesvêm?....................................... 166
Simbologiados desenhoscom emparelhamento em vez de seleçãopor sorteio................... 166
Quaissão os outrosexperimentos?Quaseexperimentos .................................................. 167
Passosde um experimento ........................................................................................... 167
Desenhosnão experimentais........................................................................................ 168
Quaissão os tipos de desenhosnão experimentais? ........................................................ 169
Desenhostransversaisdescritivos................................................................................. 171
Quaissão as características
da pesquisanão
experimentalse comparadacom a pesquisaexperimental? ............................................... 181
Resumo..................................................................................................................... 183
Conceitosbásicos....................................................................................................... 184
Exercícios.................................................................................................................. 185
Exemplosdesenvolvidos.............................................................................................. 186
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 187

8 Seleçãoda amostra............................................................................................ 189


Emumapesquisasempretemosuma amostra?.............................................................. 191
Primeiro:sobreo queou quemos dadosserãocoletados? ................................................ 191
Comodelimitamosumapopulação? ............................................................................... 193
Comoselecionara amostra?......................................................................................... 194
Comoselecionamosuma amostraprobabilística?............................................................ 196
Comoé realizadoo procedimentode seleçãoda amostra?................................................ 202
Listagense outrasestruturasamostrais......................................................................... 204
Tamanhoótimo da amostra.......................................................................................... 206
Comoe quaissão as amostrasnão probabilísticas? ......................................................... 208
Resumo..................................................................................................................... 209
Conceitosbásicos....................................................................................................... 21O
Exercícios.................................................................................................................. 21O
Exemplosdesenvolvidos.............................................................................................. 211
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 212

9 Coletados dados quantitativos


............................................................................ 214
O que implicaa etapade coletade dados?..................................................................... 216
O quesignificamedir?................................................................................................. 216
Quaisrequisitosum instrumentode mensuraçãodevesatisfazer?..................................... 218
Comosabemosse um instrumentode mensuraçãoé confiávele válido?............................ 225
Qualé o procedimentoparaconstruirum instrumentode mensuração? .............................. 227
12 · Sumário

Trêsquestõesfundamentaisparaum instrumentoou sistemade mensuração ..................... 227


Dequaistipos de instrumentosde mensuraçãoou coleta de
dadosquantitativosdispomosna pesquisa? .................................................................... 234
Escalasparamensuraras atitudes................................................................................. 260
Outrosmétodosquantitativosde coletados dados.......................................................... 275
Comosão codificadasas respostasde um instrumentode mensuração? ............................ 277
Resumo..................................................................................................................... 284
Conceitosbásicos....................................................................................................... 286
Exercícios.................................................................................................................. 286
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 287
Ospesquisadores opinam............................................................................................. 289

1OAnálisedosdadosquantitativos........................................................................... 291
Qualdeveser o procedimentoparaanalisarquantitativamenteos dados?........................... 293
Passo1: selecionarum programade análise................................................................... 293
Passo2: executaro programa...................................................................................... 297
Passo3: exploraros dados........................................................................................... 297
Estatísticadescritivaparacadavariável......................................................................... 302
Passo4: avaliara confiabilidade e validadeconseguidapeloinstrumentode mensuração ........ 315
Passo5: analisaras hipótesesformuladasutilizando
testesestatísticos(análiseestatísticainferencial)............................................................ 320
Testede hipóteses...................................................................................................... 325
Análisesparamétricas .................................................................................................. 326
Estatísticamultivariada................................................................ ,.,............................. 339
Análisesnão paramétricas ............................................. ,........................ ,.............. ,,..... 340
Outroscoeficientesde correlação................................................................................. 345
Passo6: realizaranálisesadicionais.............................................................................. 349
Passo7: prepararos resultadosparaapresentá-los .......................................................... 349
Resumo........... ,,................ ,.......... ,............................................................................ 350
Conceitosbásicos....................................................................................................... 351
Exercícios.................................................................................................................. 352
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 353
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 357

11 Relatóriode resultadosdo processoquantitativo.................................................... 359


Antes de elaboraro relatóriode pesquisa,é necessário
definiros receptoresou usuáriose o contexto................................................................ 361
Resumo..................................................................................................................... 369
Conceitosbásicos....................................................................................................... 369
Exercícios.................................................................................................................. 369
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 369
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 370

PARTE Ili
O processoda pesquisa
qualitativa

12 Iníciodo processoqualitativo:formulaçãodo problema,


revisãoda literatura,surgimento dashipóteses e imersãono campo......................... 374
Essênciada pesquisaqualitativa................................................................................... 376
O quesignificaformularo problemade pesquisaqualitativa?............................................ 376
Qualé o papelda revisãoda literaturae da teoriana pesquisaqualitativa?......................... 381
Qualé o papeldas hipótesesno processode pesquisaqualitativa?.................................... 382
Já temos a formulaçãoinicial e definimoso papelda literatura,
qualé o próximopasso?.............................................................................................. 383
Entramosno ambienteou campo,e...? .......................................................................... 385
Resumo..................................................................................................................... 395
Conceitosbásicos....................................................................................................... 396
Sumário 13

Exercícios.................................................................................................................. 396
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 396
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 399

13 Amostragemna pesquisaqualitativa .................................................................... 401


Apósa imersãoinicial: a amostrainicial......................................................................... 403
Resumo..................................................................................................................... 411
Conceitosbásicos....................................................................................................... 411
Exercícios
.................................................................................................................. 411
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 412
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 412

14 Coletae análisedos dados qualitativos................................................................. 414


Entramosno campoe escolhemosa amostrainicial,e agora?........................................... 416
Coletados dadosa partir do enfoquequalitativo............................................................. 416
Papeldo pesquisadorna coletados dadosqualitativos..................................................... 417
Observação ................................................................................................................ 419
Entrevistas................................................................................................................. 425
Sessõesprofundasou gruposfocais.............................................................................. 432
Documentos,registros,materiaise artefatos.................................................................. 440
Biografiase históriasde vida........................................................................................ 444
Triangulação de métodosde coletados dados................................................................ 446
Análisedos dadosqualitativos...................................................................................... 447
Análisedos dadosqualitativoscom o auxíliodo computador............................................ 476
Rigorna pesquisaqualitativa........................................................................................ 478
Formulação do problema,semprepresente..................................................................... 485
Resumo..................................................................................................................... 485
Conceitosbásicos....................................................................................................... 487
Exercícios.................................................................................................................. 487
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 488
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 492

15 Desenhosdo processode pesquisaqualitativa....................................................... 495


Desenhosde pesquisaqualitativa:um comentárioprévio.................................................. 497
Quaissão os desenhosbásicosda pesquisaqualitativa?.................................................. 497
Desenhosde teoriafundamentada ................................................................................. 497
Desenhosetnográficos................................................................................................ 506
Desenhosnarrativos.................................................................................................... 509
Desenhosde pesquisa-ação .......................................................................................... 514
Outrosdesenhos ......................................................................................................... 520
Umúltimocomentário................................................................................................. 521
Resumo..................................................................................................................... 521
Conceitosbásicos....................................................................................................... 522
Exercícios.................................................................................................................. 522
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 523
Ospesquisadores opinam............................................................................................. 524

16 Relatóriode resultados do processo qualitativo ...................................................... 526


Relatóriosde resultadosda pesquisaqualitativa.............................................................. 528
Estruturado relatórioqualitativo................................................................................... 529
Revisãoe avaliaçãodo relatório.................................................................................... 540
Relatóriodo desenhode pesquisa-ação .......................................................................... 541
Comoc·t1arref erencias
• · em um reatono 1 · · de pesquisa · qua1· · ?...................................... .. 541
1tat1va
Resumo..................................................................................................................... 542
Conceitosbásicos....................................................................................................... 542
Exercícios.................................................................................................................. 542
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 542
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 545
14 Sumário

PARTEIV
Os processos
mistosde pesquisa

17 Métodosmistos................................................................................................. 548
Emque consisteo enfoquemisto ou os métodosmistos?................................................ 550
Qualé a posiçãodosmétodosmistosdentrodo panoramaou
variedadeda pesquisa? ................................................................................................ 550
Os métodosmistos:seráque elesrepresentam o fim da "guerra"
entrea pesquisaquantitativae a pesquisaqualitativa?..................................................... 551
Porque utilizaros métodosmistos?............................................................................... 553
Qualé o apoiofilosóficodos métodosmistos?................................................................ 555
Processomisto........................................................................................................... 557
Desenhosmistosespecíficos........................................................................................ 565
Amostragem.............................................................................................................. 583
Coletados dados........................................... ,............................................................ 584
Análisedos dados....................................................................................................... 588
Resultadose inferências.............................................................................................. 591
Desafiosdos desenhosmistos...................................................................................... 592
Relatóriosmistos........................................................................................................ 594
Validadedos estudosmistos........................................................................................ 595
Resumo..................................................................................................................... 596
Conceitosbásicos....................................................................................................... 597
Exercícios.................................................................................................................. 597
Exemplosdesenvolvidos .............................................................................................. 598
Os pesquisadores opinam............................................................................................. 601

Agradecimentos
especiais.......................................................................................... 605
Índiceonomástico
..................................................................................................... 613
Índiceremissivo
........................................................................................................ 618
Conteúdo
doCD*

Capítulos
1. Historiade los enfoquescuantitativo,cualitativoy mixto: raícesy momentosdecisivos
2. La ética en la investigación
3. Perspectivateórica:comentariasadicionales
4. Estudiosde caso
5. Diseiiosexperimentales: segundaparte
6. Encuestas(surveys)
7. Recolecciónde los datascuantitativos:segundaparte
8. Análisisestadístico:segundaparte
9. Elaboraciónde propuestascuantitativas,cualitativasy mixtas
1O. Parâmetros,criterios,indicadoresy/o cuestionamientos paraevaluar
la calidadde una investigaciónlcuantitativa,cualitativay mixta)
11. Consejosprácticospararealizarinvestigación(novo!)
12. Ampliacióny fundamentación de los métodosmixtos Inovo!)
Referencias bibliográficas de la obraimpresa
Programas (software)
1. STATS0 , versión2.0
2. ATLAS.ti
3. SISI': Sistemade lnformaciónparael Soportea la lnvestigación
(auxiliardei estilo APA y otros elementos)(novo!)
Manuales(novos!)
1. SPSSPASW
2. Atlas.ti
3. Manualde introducciónai estiloAPA paracitas y referencias
4. Manualdei programaSISI
Ejemplos
1. Tomade decisiones,satisfaccióny pertenenciadei profesoradoanálisis
: en
dos escuelaspreparatoriasde GuadalajaraMéxico
, linvestigacióncualitativa)
2. Vocesdesdeel pasado:la guerracristeraen el estadode
Guanajuato,1926-1929 (investigacióncualitativa)
3. Entre"no sabíaqué estudiar"y "esa fue siempremi opción":selecciónde instituciónde educaci-
ón
superiorpor partede estudiantesen una ciudaddei centrode México(investigacióncualitativa)
(novo!)
4. Ejemplode un proyectode tesis (investigacióncuantitativa)
5. Diseiiode una escalaautoaplicableparala evaluaciónde la
satisfacciónsexualen hombresy mujeresmexicanos(estudiomixto)
6. Validaciónde un instrumentoparamedirla culturaempresarialen funcióndei
climaorganizacionaly vincularempiricamente ambosconstructos(novo!)
Apéndices(actualizados)
1. Publicacioneperiódicas
s másimportantes(revistascientíficaso journals)
2. Principalesbancos/servicios de obtenciónde fuentes/basesde datos/
páginasweb paraconsultade referenciasbibliográficas
3. Respuestas a los ejercicios
4. Tablasestadísticas

* Conteúdo em espanhol.
Prefácio

Metodologiade pesquisa,em sua quinta edição, é uma obra totalmente atualizada e inovadora, se-
guindo os últimos avanços no campo da pesquisa das diferentes ciências e disciplinas. Como suas
edições anteriores, ela também é o resultado da opinião e das experiências proporcionadas por de-
zenas de docentes e pesquisadores da América Hispânica.
Mantém seu caráter didático e multidisciplinar, mas expande suas perspectivas, já que é um
livro interativo que vincula o conteúdo do texto impresso com o material incluído no CD• que o
acompanha, que ao longo do livro foi destacado com um ícone na lateral do texto.

@ ESTRUTURA
DA OBRA

Conforme fizemos na edição anterior, nesta obra abordamos os três enfoques da pesquisa, vistos
como processos: o quantitativo, o qualitativo e os métodos mistos. O livro está estruturado em qua-
tro partes:

Parte 1:Os enfoques quantitativo e qualitativo na pesquisa científica. Consta de dois capítulos: o 1,
"Definições dos enfoques quantitativo e qualitativo, suas semelhanças e diferenças", que compara a
naturezae as característicasgerais dos processos quantitativoe qualitativo;e o 2, «Nascimento de
um projeto de pesquisa quantitativo, qualitativo ou misto: a ideia", que apresenta o primeiro passo
desenvolvido em qualquer estudo: conceber uma ideia para pesquisar.
Parte II: O processo da pesquisa quantitativa. Do Capítulo 3 ao 11, em que mostramos passo a pas-
so o processo quantitativo, que é sequencial.
Parte III: O processo da pesquisa qualitativa. Do Capítulo 12 ao 16, em que comentamos o proces-
so qualitativo,que é iterativoe recorrente.
Parte IV: Os processos mistos de pesquisa. Formada pelo Capítulo 17, "Métodos mistos': que apre-
senta diferentes processos concebidos na pesquisa mista ou híbrida.

Ao longo dos capítulos, o leitor encontrará o material básico para disciplinas de todos os ní-
veis de educação superior e pós-graduação. Desse modo, a obra em seu conjunto pode ser adaptada
às necessidades e agendas de praticamente qualquer professor.
Os itens ou temas de edições anteriores que não aparecem nesta edição impressa podem ser
encontrados no CD anexo (no livro indicamos o capítulo em que estão). Por exemplo: as referên-
cias bibliográficas, alguns testes estatísticos, a observação e a análise de conteúdo. Caso não consiga
localizar algum tema, pedimos que o leitor procure no CD que acompanha esta edição.
Queremos ressaltar que esta edição não perdeu conteúdos nem informação, mas foi reestru-
turadapara que o livro fosse mais manuseávele incluísse o que normalmente é ensinado nos cur-
sos essenciais de pesquisa, deixando para o CD os temas mais especializados. Essas características
tornam a obra mais flexível.
O esquema da página 19 detalha a estrutura da obra e sua correlação com os capítulos do CD.
No início de cada capítulo, o leitor encontrará um esquema que mostra o passo no processo de pes-
quisa e os temas que serão estudados, para que consiga visualizar seu avanço no estudo do tema.
Além disso, no início de cada capítulo incluímos uma síntese desse diagrama e enfatizamos a parte
a que o capítulo se refere.

• N. de R.: CD com conteúdo em espanhol.


,
i

18 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado& BaptistaLucio

(0 CONTEÚDO
DO CD

O CD anexo contém 12 capítulos que ampliam os conteúdos da parte impressa e incluem outros te-
mas adicionais. A seguir listamos cada um e também os capítulos do texto impresso com os quais
estão relacionados.

1. Historiade losenfoquescuantitativo,cualitativoy mixto:raícesy momentosdecisivos(é comple-


mento dos Capítulos 1 e 17 do W).
2. La éticaen la investigación(tema adicional, destinado a todos os processos e etapas, mas deve
ser considerado desde a formulação do problema).
3. Perspectivateórica:comentariasadicionales(complementa e amplia o Capítulo 4 do W).
4. Estudiosde caso(complementa e amplia os Capítulos 7, 8 e 17 do W).
5. Disefíosexperimentales:
segundaparte (complementa e amplia o Capítulo 7 do W).
6. Encuestas(surveys)(complementa e amplia o Capítulo 7 do W).
7. Recolecciónde los datas cuantitativos:segundaparte (complementa e amplia o Capítulo 9
doill).
8. Análisisestadístico:segundaparte (complementa e amplia o Capítulo 10 do W).
9. Elaboracióndepropuestascuantitativas,cualitativasy mixtas (tema adicional relacionado pra-
ticamente a todos os capítulos do W).
1O. Parámetros,
criterios,indicadores
y/o cuestionamientos
paraevaluarlacalidadde unainvestigación
(tema adicional vinculado praticamente a todos os capítulos do ID).
11. Consejosprácticospara realizarinvestigación(ligado a toda a obra, mas reforça principalmente
os conteúdos do Capítulo 3 do W).
12. Ampliacióny fundamentaciónde los métodosmixtos (complementa e amplia o Capítulo 17
doill).

No CD o leitor também poderá descobrir diversas ferramentas, como:

• o programa denominado Sistema de Información para e! Soporte a la Investigación (SIS!®),que


entre outras questões é útil para elaborar citações no texto e referências bibliográficas de acordo
com o estilo da American Psychological Association (APA);
• demo do programa ATLAS.ti"para análise qualitativa;
• o já conhecido softwareSTATS®para a aprendizagem e realização de cálculos estatísticos básicos
e determinação do tamanho da amostra;
• manuais: IBM-SPSS,ATLAS.ti,SIS! e o estilo APA (embora o CD não inclua uma versão do pro-
grama SPSS, o estudante pode obter uma versão de teste no site www.spss.com).

Além de exemplos de estudos quantitativos, qualitativos e mistos, assim como apêndices so-
bre revistas acadêmicas e bases de informação que podem ser consultados nas diferentes áreas do
conhecimento.

(0 OBJETIVO
DA OBRA

O livro Metodologiadepesquisatem como objetivos que o leitor:

1. Entenda que a pesquisa é um processo composto por outros processos extremamente inter-
-relacionados.
2. Possa contar com um manual que o ajude a realizar pesquisas quantitativas, qualitativas e
mistas.
3. Compreenda diversos conceitos de pesquisa que geralmente são tratados de maneira complexa
e pouco clara.
4. Veja a pesquisa como algo cotidiano e não como algo destinado aos professores e cientistas.
5. Possa recorrera um só texto de pesquisa-porque este é autossuficiente- e não tenha de con-
sultar uma grande variedade de obras porque algumas abordam aspectos que outras não.
6. Mantenha-se atualizado em matéria de métodos de pesquisa.
Capítulo 1 CD
Historia de /os
Capítulo 11 CD
Consejos prácticos
Capítulo 3 CD
Perspecti va
Capítulo 5 CD
Diseiios Capítulo 6 CD
Capítul o 7 CD
Recolección
Capítulo 8 CD
Análisis
m
U>
--4
,
teórica: :X,
de los datas
enfoques para realizar
comentarias
experimentales : Encuestas
cuantitativos :
estadístico: e:
cuantitativo, investigación segunda parte --4
adicionales segunda parte
segunda parte e:
r
cualitativo y mixto
:X,
)>
·•··· ~. ··········....
............. ··· o
o
'
Capítulo3
Passo2
Formular o
'
Capítulo4
..,., 3 ~ e.,.,,, ,
Capítulo6
Passo5
Capítulo 7
Passo6
Capítulo 8
Passo7
'
Capítulo9
'
Capítulo 10
Cap ítulo 11
r-
<
:X,
o
problema de Desenvol- Passo4 Estabelece r Passo 10
ver a Definir a Conceb er Selecionar Passo 8 Passo9
pesquisa: a(s) Elaborar o 3:
perspe c- pesquisa e ou escolher uma Coletar os Analisar
objetivos, hipótese (sl, relatório de ""C
perguntas , tiva seu definindo as
o desenho amostra dados os dados :o
teórica alcance apropriado adequada
resultados m
justificativa e 1 variáveis (1)
(1)
viabil idade
o
m

' -
(")

Capítulo 1
Capítulo 12 CD o
Capítulo 17 Métodos mistos Ampl iación y
Capítulo 2
Enfoque s • Formular o problema misto Capítulo4 CD
Passo1 fundamen tación
quantitat ivo e • Concebe r e racionalizar o desenho Estud ios de caso
Conceber a de lo s métod os
qualita t ivo, • Amostrar
ideia a ser mixtos
semelhanças Capítulo 11 CD • Coletar e analisar os dados
pesquisada
e diferenças Consejos dependendo do desenho
prácticos • Gerar inferências e metainferências
para realizar • Elaborar o ou os relatórios de
investigación resultados

Capítulo 16
Passo 4B Concebe r
o desenho ou a
Capítulo 12 abordagem da
Passo2 Inicia r o Capítulo 13 Passo 3 pesquisa Capitulo16 Passo5
processo Escolher as
Elaborar o relatório
qua litativo: unidades de análise
de resultados
formular o ou casos iniciais e a
qualitativos s:
problema amos tra de origem Capitulo 14 ~
o
a.
Passo 4A o
Coletar e analisar
o
co
;;;·
os dados
a.
(D
qualitativos
UTILIZAM TODOS OS PROCESSOS E PASSOS "O
(D
u,
.e
e:
;;;·
Capítulo 9 CD Elaboración de Capítulo 1O CD Parámetro s, Q)

Capítulo2 CD La ética p ropuesta s cua ntit ativas, c riter ios, indicadores y/o
en la inve stigación cualitat ivas y mixtas cuestionamientos para evaluar la
(utiliza todo o processo ) (utiliza todo o processo) ca lidad de una invest ig ación ....
e.o
20 Hernández
Sarnpieri, Collado& Baptistalucio
Fernández

O livro é dirigido para matérias sobre pesquisa, metodologia, metodologia de pesquisa,mé-


todos de análise e similares dentro de diversasciências ou disciplinas;também para que seja utili-
zado em áreassociais,jurídicas,administrativas) econômicas,da saúde,etc.
O texto pode ser utilizado em cursos introdutórios, intermediários e avançados, de acordo
com o critério do professor.
A obra se refere a um tipo específicode pesquisa: a pesquisacientífica.Esse termo costuma
provocar ceticismo,confusão e, às vezes,desconforto em alguns alunos. É provável que essesestu-
dantes tenham um pouco de razão, seja porque seus cursos anteriores de pesquisa foram entedian-
tes e elesnão descobriram uma aplicaçãopara ela em seu dia a dia; ou porque seus professoresnão
tiveram paciênciapara explicar a metodologiade pesquisa de maneira simplese criativa.Ou, talvez,
porque os livros que leu sobre o tema eram confusos e intrincados. Mas a verdade é que a pesquisa
é relativamentesimples,extremamenteútil e estámuito ligada ao dia a dia. Ela também pode ser di-
vertida e significativa.
Aprender pesquisa é mais fácildo que se imagina. É como começar a utilizar o computador e
a navegarna internet. Basta ter alguns conhecimentos.
Nossaposição sobre a metodologia de pesquisa está presente em toda a obra. Acreditamosno
"pluralismo metodológico" ou na "liberdade de método'; por isso podemos ser considerados
pragmáticos.Estamosconvencidosde que tanto a pesquisa quantitativacomo a qualitativae a mis-
ta proporcionaramsubsídiosimportantes ao conhecimento gerado nas diferentesciências e disci-
plinas.
Privilegiamoso emprego das três formas para a realização de pesquisa científica,desde que
sejam conduzidaseticamente,de maneira legale respeitando os direitos humanos dos participantes
e dos usuários e leitores. Também acreditamos que o pesquisador deve agir com honestidade ao
tentar compartilhar seus conhecimentos e resultados, e também sempre buscar a verdade. Com a
aplicaçãodo processo de pesquisa científicaem qualquer de suas modalidades, desenvolvemosno-
vos entendimentosque,por sua vez,produzemoutrasideias e questõesparaestudar.É assimque as
ciênciase a tecnologia avançam.Além disso,compartilhamos a ideia de Richard Grinnell:"Nada é
para sempre de acordo com o método científico".

@ MITOSSOBREA PESQUISACIENTÍFICA

Dois mitos foram criadossobre a pesquisa científica,que são apenas isso: "mitosn,uma espécie de
"lenda urbana" que não se justifica.Vamosver rapidamente essesmitos:

• Primeiro mito: a pesquisa é extremamentecomplicada e difícil

Durante anos, algumaspessoas disseram que a pesquisa é muito complicada,difícil,somente


para pessoascom idade avançada,com cachimbo,óculos,barba e cabelosbrancos, além de mal cui-
dados;própria de "mentesprivilegiadas";e até mesmo um assunto de "gênios".No entanto,a pes-
quisa não é nada disso.Averdade é que não é tão intrincada nem difícil.Qualquer ser humano pode
fazer pesquisa e realizá-lacorretamente, desde que aplique o processo de pesquisa correspondente.
O que precisamosé conhecer essesprocessose suas ferramentas fundamentais.

• Segundo mito: a pesquisa não tem ligaçãoalguma com o mundo cotidiano, com a realidade

Existemestudantes que acham que a pesquisacientífica é algo que não tem relaçãocom a rea-
lidade cotidiana. Outros consideram que é "algo"que somente se costuma fazer em centros muito
especializadose institutos com nomes longos e complicados.
Primeiramente,é necessáriolembrarque a maior parte das invenções no mundo, de uma ou
de outra maneira, são produto da pesquisa. Criações que, claro, estão ligadas à nossa vida diária:
desde o projetorde cinema,o náilon, o marca-passo,o aspirador,o motor de combustão,o telefone
celular e o CD até medicamentos, vacinas,foguetes,brinquedos de todo tipo e roupas que utiliza-
mos diariamente.
Graças à pesquisa, processos industriais são criados, organizaçõessão desenvolvidase sabe-
mos como é a história da humanidade, desde as primeiras civilizaçõesaté os tempos atuais. Tam-
Metodologia
de pesquisa 21

bém é possívelconhecer desde nossa própria estrutura mental e genética até saber como atingir um
cometa em plena trajetória a milhões de quilômetros da Terra,além de explorar o espaço.
Na pesquisa,inclusive,são abordados temas como as relaçõesinterpessoais (amizade,namo-
ro e casamento,p. ex.), a violência,os programas de televisão,o trabalho, as doenças,as eleiçõespre-
sidenciais,os esportes,as emoções humanas,a maneirade nos vestirmos,a famíliae tantos outros
que são habituais em uossas vidas.

Porqueé útil e necessárioque um estudanteaprendaa pesquisar?

Nestestempos de globalização,se a pessoa que concluiu o ensiuo superior não tiver conhecimentos
sobrepesquisa, estará em desvantagemem relação aos outros ou às outras colegas(da mesma ins-
tituição e de outras universidadesou equivalentesem todo o mundo), porque cada vez mais as ins-
tituiçõeseducacionaisprocuramdiferenciarseus alunos dos demais,por isso enfatizammais a pes-
quisa (para formar melhor seus estudantes e prepará-los para que sejam mais competitivos, além
de habilitá-lospara frequentar outras universidadese institutos). Não conhecer os métodos de pes-
quisa significaráficar para trás.
Alémdisso,hoje não é possívelimaginar uma série imensa de trabalhos sem mencionar a pes-
quisa.Podemosimaginar um gerente de marketingem cuja área não seja realizadapesquisa de mer-
cados?Como seus executivospoderiam saber o que seus clientesquerem? Como elespoderiam sa-
ber qual é sua posição no mercado? Eles realizam pesquisa ao menos para estarem cientes de seus
níveise participaçãono mercado.
Será que conseguimosimaginar que um engenheiro que pretende construir um edificio,uma
ponte ou uma casa não pense em realizar um estudo do solo?Ele deverá simplesmente fazer uma
pequena pesquisa sobre aquilo que é pedido por seu cliente,por quem o encarrega da construção.
Podemospensar em um médico cirurgião que não faça um diagnóstico precisode seu pacien-
te antes da operação?E em um candidato para um cargo, com o voto popular, que não realizepes-
quisas de levantamento para saber como o voto o favorecee qual é a opinião das pessoas sobre ele?
Em um contador que não busque e analise as novas reformas fiscais?Em um biólogo que não rea-
lize estudos de laboratório? Em um criminalista que não investiguea cena do crime?Em um jorna-
lista que não faça o mesmo com suas fontes de informação?
E também enfermeiras, economistas, sociólogos,antropólogos, psicólogos,arquitetos, enge-
nheirosem todasas suas ramificaçõesveterinários
, ,dentistas,administradores,comunicólogos,ad-
vogados,enfim, com todo tipo de profissionais.
Na verdade,talvez existam médicos, contadores,engenheiros,administradores,jornalistase
biólogosque trabalham sem que precisem estar em contato com a pesquisa: mas seu trabalho cer-
tamenteé muito precário.
A pesquisa é muito útil para diferentes finalidades:criar novos sistemas e produtos; resolver
problemaseconômicos e sociais; situar-se no mercado,elaborarsoluções e até avaliarse fizemos
algocorretamente ou não. E até mesmo para abrir um pequeno negócio familiar é convenienteuti-
lizá-la.
Quanto mais pesquisafor gerada,mais progressoexiste;seja em um bloco de nações,um país,
uma região, uma cidade, uma comunidade, uma empresa, um grupo ou um individuo. Não é por
acaso que as melhores companhias do mundo são as que mais investem em pesquisa.
De fato, todos os sereshumanos fazem pesquisafrequentemente. Quando nos sentimos atraí-
dos por uma pessoa que conhecemosem alguma reunião ou uma sala de aula, tentamos pesquisar
se ela sente o mesmo. Quando um grande personagem histórico nos interessa,indagamos como ele
viveue morreu. Quando procuramos emprego nos dedicamosa pesquisar quem oferecetrabalho e
em quais condições.Quando comemos algo gostoso queremos saber a receita. Essessão apenas al-
guns exemplosde nosso afã por pes~uisar.É algo que fazemosdesde crianças. Ou alguém não viu
um bebê tentando averiguar de onde vem um som?
A pesquisacientíficaé, em essência,como qualquer tipo de pesquisa, só que mais rigorosa, or-
ganizadae realizadade maneira mais cuidadosa. Como Fred N. Kerlingersempre diz: é sistemática,
:mpírica e crítica. Isso se aplica tanto a estudos quantitativos,qualitativos ou mistos. O fato de ser
s15temática"implica que existe uma disciplina para realizara pesquisa científicae que os fatos não
são abandonados à causalidade.O fato de ser "empírica"denota que coletamos e analisamosdados.
·~'}
..!Jt'i"',

22 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado& BaptistaLucio

E ser "crítica"significaque é avaliadae aperfeiçoadaconstantemente. Pode ser mais ou menos con-


trolada, mais ou menos flexívelou aberta, mais ou menos estruturada, principalmente no enfoque
qualitativo,mas nunca caótica e sem método.
Essetipo de pesquisa cumpre dois propósitos fundamentais: a) produzir conhecimentoe teo-
rias (pesquisabásica) e b) resolverproblemas (pesquisa aplicada). Graças a essesdois tipos de pes-
quisa a humanidade evoluiu.A pesquisa é a ferramenta para conhecer o que nos rodeia e seu cará-
ter é universal.Como disse um dos pensadores mais famosos do final do século XX,Carl Sagan,ao
falardo possível contato com seres"inteligentes"de outros mundos:

Se forpossívelse comunicar,nós já sabemossobreo queserãoas primeirascomunica-


ções:serásobrea única coisaque as duas civilizaçõescertamentetêm em comum;ou
seja,a ciência.Talvezo interessemaior fosse transmitirinformaçãosobresua música1
por exemplo,ou sobreconvençõessociais;mas as primeirascomunicaçõesconsegui-
dasserãode fatocientíficas.
(Saganet ai.,1978)

A pesquisacientíficaé entendida como um conjunto de processos sistemáticos e empíricos


utilizado para o estudo de um fenômeno; é dinâmica, mutável e evolutiva.Pode se apresentar de
três formas: quantitativa, qualitativae mista. Esta última implica combinar as duas primeiras. Cada
uma é importante,valiosae deve ser respeitadada mesma maneira.
Por último, temos de dizer que hoje a pesquisa é desenvolvidaem equipee, quando descobri-
mos um sentido para ela, pode ser divertida e criar fortes laços de amizade entre os membros do
grupo. Essa foi a experiênciade milhares de jovens que se aventuraram nela, que passaram a vê-la
como algo importante tanto para sua formação como para o futuro e não como um "jugo".Tam-
bém diremos que não existepesquisa perfeita,pois nenhum ser humano pode ser perfeito; a ques-
tão é nos empenharmosao máximo. Por isso é que como professorese estudantestemos de ''correr
o risco"e realizarpesquisa;então, ''mãosà obra".
RobertoHernándezSampieri
CarlosFernándezCollado
PilarBaptista Lucio
Estrutura
pedagógica

A estrat égia peda gógica seguida por este livro foi amplamente testada e aceita por seus inúm eros
leitor es e usuários. Em cada capítul o o estuda nt e encontrará:

Passo S Estabelecimento das


Processo de pesquis a hipóteses
quantitat iva Analisar a conveniênciade
• Esquema do processo em estudo formularou não hipóteses que
orientem o restante da pesquisa.
para que o estudante possa Formularas hipóteses da pesqui-
sa, desde que tenha sido consi-
encontrá -lo em relação ao deradoconveniente.
esquema completo da obra. Tornarprecisas as variáveis das
hipóteses.
Definirconceitua
lmente as
variáveisdas hipóteses.
Definir operacionalmente as
variáveisdas hipóteses.

0 0 Objetivos da aprendizagem
Aoconclui
r estecapitulo,o alunoserácapazde:
• Síntese e objet ivos da aprendizagem no início
1. conheceras atividades
quedeve realizar pararevisara literaturarelacionada
comum problemade
pesquisaquantitativa; de cada capítulo, para que o leitor saiba quai s
2. ampliarsuashabilidadesna buscae revisãoda literatura,assimcomono desenvolvimento de perspec~
tivasteóricas;
são os temas de estud o e o que se espera em
3. estarcapacitadopara,combasena revisãoda literatura,construirmarcosteóricosou de referência relação ao seu avanço na revisão do texto.
quecontextualizemum problema de pesquisaquantitativa;
4. compree ndero papelquea literaturadesempenha noprocesso da pesquisaquantitativa.

Síntese
Nestecapítulo,comentamose aprofundamosa maneirade contextualizar
o problemade pesquisa
formula-
do, medianteo desenvolvimento
de umaperspectiva
teórica.
O~todl~ a ltóricl

...
Detalhamosas atividadesque um pesquisador realiza paraobteresseresultado:detectar,obtere con-
sultar a literaturaapropriada
parao problemade pesquisa,extraire recompila
r a informaçãode interessee ..,,,
construir o marcoteórico .

~
o.~ -
""'."'"""-'""'"'
udoprogriostictdo
• C«rtlladonlis
• 0.liferançade~
• C.UU-

• Os mapas conceituais permitem


1 ~·-
-
__

- --[E= ..-
-L•
I-Mtsma sopç6tsqu,eeship6teMS
pnqc.liu

relacionar facilmen te os conceitos


e os pontos relevantes.
.____
1 r=-==:::'"'-···,
.... t«Jeleciorlel -

Expicl1iw -
Sio form.AldnhipOtaes corrllac:ionM

Siofomdld.lship6tnasc..JNis
24 Hernández
Sampieri,
Ferná
ndezCollado& BaptistaLucio

Exempb
Dodesenhode pré-teste/pós-testecom grupocontrole
Um pesqutSador quer ll'IÚsaf o eft1to de utilizar um OVOdid!bco com cll1Ç6H pata ensinar h.MMtos dt
h98Mpal'l~sde 4 1 SV1os. • Exemplos in seridos no texto conforme os temas são
Pergunta de pe$QU1$1: "Ser6que ot OVDsdicUtic<ls comc.,ç6es sio INIS 1f1tivospn lnSl'III' Mbi1os
de higieneP• • as criJoçu de 4 a 5 anos se comparadoscomouuos ml:1odostradicionaisde ensml" . desenvolvidos, para reforçar de maneira imediata
H,pótes- de pnquiu: ·os OVDsdidâticos sho uml'Ntodo mas efetivo de ensw, de hábitosde higiene
para•s crilnçH de 4 1 5 anos do QUt 1 ~io V9fbal, os Imosimp,,u01•. os pontos estudados.
C1mcnanç11de 4 a 5 anos fofam salecionldaspor sorteioparaquatro grupos:

1 um wuporecebtrástsuuçio sobtt hibi l0$ dt t.Qlfl'lilcomum DVD comCMICIIUIH I canç6u com30


minulos de duaçjo;
2. owo grupore<:ebefjeXl)liceçõessobt• hihlt os dt higieM dt uma p,olesSOfaWtrulda 1)1(11no. o
tempo •• dt 30 minutos, p«gunm Riowh l)efl'Midas;
3, o te,cewoQNpo lefi um lrlro infantililosuldo com explicaç6essobre hibltos de higienela p.bk.açlo
foi penudaPf'I QUt un,1 cn.-.çaCOffll.lffldt 4 1 5 "'°'a 1N ..-n30 minutos!;
4. o grupo coritroie assistlfl!io OVOsobre outro tem, durante 30 nw.i tos.

Os gruposi-manecerlo simullw·1eament1 em qu,uo salas de aula. Todas as explicaç6es !OVO,lflStru·


çio oral, IMolconudo • mesma inlotma,çlo• as inr.uuç ões sio pad(oniudu.
Anta df lntd1t o lf,t lamtfl l O uperimen tal, Sld ll)ic:ldo um IHII paratodos os Vf1JPO'sobft conhe·
cimento de hibitos de higienecriadoespecialmentepara crianças, e N t~ seti aplicadoquando todos
tiYlfem 1tctbido a exl)licaçio d!tnuo do ~men to C01tesponden 1e. O exM'll)Ao
seria tsQUematiz:ldoda
uguin te forma:

TABELA 7l
Diagrama do exemplode desenho de prê·teste / pós-teste com grupo controle
RG, o, VideodidáticolX1I o,
RG, o, Explicaçlo'ffll>IIIX2I
º•
o, o,
Nlo-
RG, leitwtdtlMoutradotx,I

RG, o, o,

--
Tes1tde~
T
•tes t es pa,1 anaisar (11111
cadagrupo (0 1 MI c~ado
1
loi o m6todo de ensino mlil efetivo (()1,
T
Testedt conhecmentos
sobretigiel'le

As posslvtts corrip,r~Õff MSSI dtsenho tio: ti .We 0$ pt•·llSIQ !01, 0,. 0. 10,1, bl tntfl os pós-
o., O.• o_i. e) o pamode poo1os de
• 01, o, se comparldo I o., Osse QXT'lpltldo I O.• 07 se comparldo • 0,1
dl o gtl'lho de pontos dos grupos .-me eles. Assimcomo em lodos os dewtios e,r;periment ais, possível
1tr mais de Uffll vWVel d~ !• IPQfexemplo. ffltrnH por hM!itos de 1'19-. HlrsflÇio com O
etc.). Nesse e.aso,os p,i• lestes e os pós-test es medirlo div«us v11~veisdependffltes.
m6todo de ltflSll'IO,

Resumo
Nessa fa,e da ~ i necesdrio INIÜ W N ,
conveniente ou nio fonnula' hipó(esn, iuo
dtptnde do llcn:e inicialdo atudo (upk,ratório,
~. conlladonalou explicawoJ,
Mtip)tnnslopr~pnwitórilstobttu
retaç6e1 enu. duas ou mait vriwis • N IC)Oiam
Cldn da rn,nawl mosttldl 1\1 Fq.1 8. 7.

..............
-. ..........
Como li tip6tnes l"ANSt a llterNtivll M9lffl

do mnmo modo. mn comos lllmeotot Cfl" n


earacteri.r:am.
-
AI hipóteN:S de pesqij:u, por IUI vez, alo dlssifl -


em~or~•~ldol. M hipótnn ~ são dmificadlt em: •I
As hipóteses do o ctntro do eMOquequantitlti\lo-- hipótesa nutistieff por tsl#Nltiva, bl hip6ttMS
n mlsticu pol' correClçio• cl lipõ(e,es tstitistl-
As hipótesescontlfflveritveíl:ettn slo propri,,dl· Cff dadifere:nça .-itr, ~- Sio pc6priasde esru-
dH c:ujevlriaçlo i MCttfy.t de • mtdid1, obsef- dos quantitativol. Bis tio revisadasno Capitulo 8
vtdl ou inferida, do CD:"ANisis tstldlstico: N9Jf'dtp11tt".
As hipótfftS ~- ~ d.a fOffl'IUiaçio Emuma mesmapnqlJiu , posslvel fOffllWf 1.n1
do problema • dl reviúo da liler111ne, j s vez•, • ou vkin 1-ipóttsfl de difartntes:tipos.
pa'tirdeleorial. Dentrodo enfoque dldulivo,qwntilalfvo, - hipóta-,
As NpótnN dewm .. menrI lffll sítueçio, um NS alo contramdll comI rNidade pari qu1 sejam
contu to, um tmbiente ou wn ewnto emp(rico. M aceiluounieil,ldls em\lT\contexto~.
varih-tis contida drltm llf práas, CCI009ta • As ~-- dou orinaç6a de lrRI pnquiu.
c:onNQUirem • oblervedel na rulidldt; • re6lçlo
entfWUYlriiveisdevtMcilnl,Wl'ONimiltmen
Mhll. As tlipót... tanbn p«uTI ISl.- ligt-
·
A fOfl1UIÇJo dt hip6ttMI clfflml jun10 com 11
definições conceituaá I OpeflciOf'IIÍS das YIÓ6Yeil
contidn111hipcknl.
• Glossário na later al da página, resumo e

_ -· lista de conceitos básicos como ferramenta s


dal I tic:nicatditponfw,il pan ....._, Uma definiçlo conc.wal cü outr0 nomepan 1
Ao CMfinir o llcanot do acudo ~ório. dwc:ri- vlriM, como" folM lrRI definiçio de dicionm

~--·
M, ~ou~•-
dot decidi~
o petqUIN-
ou nio hlpótael. b MN· comovamosffildi' •
A dtfiniçio operacionllrdic.11
funda mentais para que o leitor possa reler e
vwvtt.
cklt1XJ)lora16riosniotloMllbtlecidnhipóttMI.
M hipót- '6o dmfictdu .m: Em'9M'\Upt,IQl,lisasnio6pot1Ntllormullrhip6- verificar o que aprendeu.
.. ..
......
, tesa porQUtO fen6tnenoI Mf estudldo ' desc,o.
flhKido OUM pttdsa dt W\form1Çlo Plfl utlbe-
lecf .... lrna, islo ICOl'ltecti .soment 1 f'l0I estudos
clhlpóceMt~•

-~ _
dl hipót.., ntltlmcu. explofll6rios • MI llgunl estudos descritivosl.

Conceitos
básicos

-_ v-
Defnçio--

v--
Hip6tesn eltlffiWYn:
HipólnnCM.Cáabivwdu

.........
~CII.IN!amuttivlrildu
Hipótnescorr4llacionld

Hip6teMs da dífentlÇt entre orupos


lipcknN:ducnwudovalo(devW
......
Hip6tnesH1adf1ic.N

TintedehipóttM:S
Tipodehip6tetlt

vwwi deptnden11
Varwtellnt~
veit

As amostras são categorizadas basicamente em duas grandes ramificações: as amostrasmio probabi- 0 01


lísticase as amostrasprobabilísticas.Nas amostras probabilísticas todo s os elementos da po pulação
têm a mesma possibilidade de ser escolhidos e são obtidos pela definição das ca-
racte rísticas da popu lação e do tam anho da amos tra e pela seleção aleatória ou AMOSTRA PROBAB ILISTICA
mecânica das unidad es de análise. Imagine o pro cedimento para obter o número Subgrupo da população em que
premiado em um sorteio de loteria . Esse número vai sendo formado no momen- todos os elementos desta têm a
to do sorteio. Nas loter ias tradicionais isso é feito a partir das bo linhas com um mesma possibilidadede ser
dígito, que são retirada s (depois de misturá- las mecanicamente ) até forma r o nú - escolhidos.
mero, assim todos os númer os têm a mesma possibilidade de ser escolhid os.
Metodologiade pesquisa 25

Exercícios
1. Formuleuma perguntasobre um problemade pes• tos assaltosocorreramdiariamentedurante os
quisaexploratório,um descritivo, um correlacionaie últimos 12 meses?Quantosroubosa moradias?
um explicativo. Quantoshomicídios?Quantosassaltosa comér-
2. Vá a umlugarondevárias pessoasse reúnem(está· cios?Quantosroubosa carros?Quantosferidos?
dia de futebol,uma lanchonete,um shopping,uma bl Qual é a opiniãodos empresáriospanamenhos
festa) e observeo que conseguir do lugar e o que sobrea cargatributária?
está acontecendo; depois, retire um tópico de e) O alcoolismodas esposasprovocamais separa-
estudoe elaboreumapesquisacom alcancecorreia· ções e divórciosdo que o alcoolismodos mari•
cionale explicativo
. dos?(Noscasamen tos da classealta e de origem
3. As seguintesperguntasde pesquisa correspondem latino-americana quevivem em NovaYork.)
a qual tipo de estudo?Consulteas respostasno d) Quaissãoas razõespe{asquaisum determinado
• Exercíciosem que o leitor CD anexo• Apéndice3 • Respuestasa los ejer- programa teve a maior plateia na história da
tem um parâmetro de cfciost. televisãode determinadopaís?
ai Qualé o graudeinsegurança
a quese expõemos 4. Em relaçãoao problemade pesquisaformuladono
seu avanço em relação habitantesda cidadede Madri?Em média,quan- Capítulo 3, a qual tipo de estudo ele corresponde?
à aprendizagem.
• Exemplos desenvolvidos Exemplosdesenvolvidos
conforme cada enfoque é A televisão e a criança O par e a relação ideais
analisado para reforçar A pesquisacomeça como descritiva e terminacomo A pesquisa começacomodescritiva,poiso que sepretende
de maneira imediata os descritiva/correlacional,
pois pretendeanalisaros usose é queos universitários panicipantes
caracterizemcom "'8-
as gratificaçõesda televisãoem criançasde diferentes fificativoso pare a relaçãoideais(protótipos),masno final
pontos estudados. níveissocioeconõm icos, idades,gênerose outrasvariá- serácooelaciooal,pois rá vincularos adjetivosutilizados
veis (iremosrelacionarnível socioeconõmicoe uso da paradescrever o par idealcomos atribuídos
D relaçãoideal.
televisão,entre outras). Dambém ira tentarhierarqu~aressesadjetivos.

Ospesquisadores
opinam
Acreditoque devemosfazer os estudantesverem que Em um mesmoestudo6 possível combinardiferen•

• No final de cada capítulo, há a compreendero m6todocientificonão é difk:ile que, por-


tanto, pesquisar a realidadetambém nio o é. A pes-
tes enfoques;também estratégias e desenhos,visto
que podemosestudar um p<oblemaquantítativamen te
quisabem utitizada6 umaferramentavaliosa do profis- e. ao mesmotempo, penetrarem níveis de maiorpro-
seção "Os pesquisadores opinam': siof\Mem qualquer,rea: não há melhorfomia de prop0f fundidadepar ITWNO das estrat~ias dos estudosqua~ta•
na qual mostramos os pontos soluçõeseficientes e criativaspara os problemasdo que
ter conhecimentosprofundos a respeito da situaçio.
tivas. Esta 6 umaexcelentemaneirade estudarascom•
plexasrealidadesdo comportamento social.
de vista de acadêmicossobre a Tambémé precisofazer com que compreendam que a Quanto aos avanços conquistados em pesquisa
teoriae a realidadenio são Polosopostos,mas estão quantitativa, destacamosa criação de instrumentos
pesquisa científica. totalmenterelacion8dos. para mediruma série de fenômenospsicossociaisque
Um problemade pesquisabem formulado6 a chave até pouco tempo e1amconsideradosimpossíveisde
de acessopacao trabalhoem ge<al, poisdessamaneira abocdarcientificamen t e. Por outro lado, o desenvolvi•
permitea precisãonos IM"ni tes da pesquisa,a organiza• menta e o uso disseminadodo computadocna pesquisa
ção adequadado marcoteórico e as relaçõesentre as facilitMamo uso de desenhos,com os quais 6 possivef
variáveis;portanto,6 possívelconseguirresolvero pro• estudar diversasMlfluênciassobre uma ou mais variá•
blemae gecardados relevantespara interpretara reaU• veis. Isso &pfoximoua complexareafidadesocialã teo-
dade que se desejaexplica,. ria cientifica.
qualitativo na pesquisa científica
1
Definiçõesdosenfoques
quantitativo
e qualitativo,
suassemelhanças e diferenças

• Enfoque quantitativo
Metodologia • Enfoque qualitativo
da pesquisa • Enfoque misto

Objetivosda aprendizagem
ºº Ao concluir este capítulo, o aluno será capaz de:
1. definir o enfoque quantitativo e o qualitativo da pesquisa;
2. reconheceras característicasdo enfoquequantitativo e do qualitativo;
3. identificar o processoquantitativo e o qualitativo da pesquisa;
4. determinaras semelhançase as diferençasentre o enfoquequantitativoe o qualitativoda pesquisa.

Síntese
Nestecapítulo definimoso enfoquequantitativo e o qualitativo da pesquisa,suas semelhançase diferenças.
Tambémidentificamosas característicasessenciaisde cada enfoque e mostramosque ambosforam ferra-
mentasigualmentevaliosaspara o desenvolvimento das ciências. Por outro lado, apresentamosem termos
geraisos processosquantitativo e o qualitativo da pesquisa.
Características
• Medefenômenos
• Utiliza estatística
• Testa hipóteses
• Realizaanálise de
causa-efeito

Processo
• Sequencia l
• Dedutivo
• Comprobatório
• Analisa a realidadeobjetiva

Benefícios
• Generalização
de resultados
• Controlesobreos fenômenos
• Precisão
• Réplica
• Previsão

Enfoquesda
Misto [co mbinaçãodo enfoquequantitativo
pesquisa
L:_
do qualitativo
- -

Características
• Exploraos fenômenosem profundi-
dade
• É basicamenteconduzidoem ambien-
tes naturais
• Os significadossão extraídosdos
dados
• Nãose fundamentana estatística

Processo
• Indutivo
• Recorrente
• Analisamúltiplas realidadessubjetivas
• Não tem sequência linear

Benefícios
• Profundidade de significados
• Extensão
• Riquezainterpretativa
• Contextualizao fenômeno

No Capítulo 1 do CD que acompanha este livro,você encontrará informaçãosobre a história dos enfoques
quantitativo,
qualitativoe misto e, no Capítulo 12,uma ampliaçãodos métodos mistos para este capítuloe para
obra. o Capítulo 17 desta )
30 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado
& BaptistaLucio

@' COMOA PESQUISAPODESERDEFINIDA?


A pesquisa é um conjunto de processos sistemáticos,críticos e empíricos aplicados no estudo de
um fenômeno.

@' QUAISENFOQUES
FORAMADOTADOS
NA PESQUISA?
Oa1 Ao longo da História da Ciência surgiram diversascorrentes de pensamento - como o empirismo,
o materialismodialético,o positivismo, a fenomenologia,o estruturalismo- e diversosmarcosin-
terpretativos como a etnografia e o construtivismo, que deram origem a diferentes caminhos na
busca do conhecimento. Não vamos nos aprofundar neles aqui; sua revisão, embora rápida, pode
ser encontrada no CD que acompanha esta edição.1 No entanto, e devido às diferentes premissas
que dão suporte a elas,a partir do século passado essas correntes se "polarizaram" em duas aborda-
gens principais para indagar: o enfoque quantitativo e o enfoque qualitativo da pesquisa.2
Ambos os enfoques empregam processos cuidadosos, metódicos e empíricos em seu esforço
para gerar conhecimento, e é por isso que a definição anterior de pesquisa pode ser aplicada aos
dois de maneira igual,pois também utilizam, em termos gerais, cinco fasessimilarese relacionadas
entre si (Grinnell, 1997):

1. Realizama observaçãoe a avaliaçãode fenômenos.


2. Criam suposiçõesou ideias como consequênciada observação e da avaliaçãorealizadas.
3. Demonstram o quanto as suposiçõesou as ideias têm fundamento.
4. Revisamessassuposiçõesou ideias se baseando nas provas ou na análise.
5. Propõem novasobservaçõese avaliaçõespara esclarecer,modificar e fundamentar as suposições
e ideias ou f}tépara geraroutras.

Embora a abordagem quantitativa e a qualitativa compartilhem essas estratégias gerais,cada


uma possui suas próprias características.

@' QUAISSÃOAS CARACTERÍSTICAS


DO
ENFOQUE
QUANTITATIVO
DEPESQUISA?

002 O enfoque quantitativo (que representa, conforme dissemos, um conjunto de processos) é se-
quencial e comprobatório. Cada etapa precede à seguinte e não podemos "pular ou evitar" passos,3
a ordem é rigorosa, embora, claro, possamos redefinir alguma fase. Parte de
ENFOQUE QUANTITATIVOUtiliza uma ideia que vamos delimitando e, uma vez definida, extraímos objetivos e
a coleta de dados paratestar hipó- perguntasde pesquisa, revisamosa literaturae construímos um marco ou uma
teses, baseando-se na medição perspectiva teórica. Das perguntas, formulamos as hipóteses e determinamos as
numéricae na análiseestatística variáveis;desenvolvemosum plano para testá-las (desenho); medimos as variá-
para estabelecerpadrõese veis em um determinado contexto; analisamos as medições obtidas (geralmen-
comprovarteorias.
te utilizando métodos estatísticos) e estabelecemos uma série de conclusões em
relação às hipóteses. Esse processo é representado na Figura 1.1 e será desenvol-
vido na segunda parte do livro.
O enfoque quantitativo tem as seguintescaracterísticas:

1. O pesquisadorformulaum problelnadeestudodelimitadoe concreto.Suasperguntas de pesquisa


versam sobre questões específicas.
2. Uma vez formulado o problema de estudo, o pesquisador considera o que foi pesquisado
anteriormente (a revisãoda literatura)e constrói um marcoteórico(a teoria que deverá guiar
seu estudo), do qual deriva uma ou várias hipóteses(questões que irá verificar se são corretas
ou não) e as submete a teste mediante o emprego dos desenhos de pesquisa apropriados. Seos
resultadoscorroboram as hipótesesou são congruentescom estas,forneceevidênciaa seu favor.
Se forem refutados, eles são descartados para buscar melhores explicaçõese novas hipóteses.
Ao confirmar as hipóteses, a teoria que dá suporte a elas passa a ter crédito. Se esse não for o
caso, então é necessáriodescartaras hipóteses e, eventualmente,a teoria.
Metodologia
de pesquisa 31

3. Assim, as hipót eses (por ora, vamos cham á-las de crenças) são geradas antes de se coletar e
analisar os dado s.
4. A coleta de dadosse fund amenta na medição (medimos as var iáveis ou os conceitos contidos
nas hipóteses). Essa coleta é realizada quando utilizamos procedimentos padronizados ou
aceitos por uma com uni dade científica. Para que uma pesquisa seja crível e aceita por outros
pesquisadores, temos de demonstrar que esses procedimentos foram seguidos. Como nesse
enfoque o que se pretend e é medir,os fenômenos estudados devem conseguir ser observados
ou se referirao "mundo real':
5. Como os dados são produto de medições, eles são representados por números (quantidades)
e devem ser analisadoscom métodosestatísticos.
6. O que se busca no processo é o controle máximo para conseguir que outras explicações pos-
síveis, diferentes ou "rivais" à proposta do estudo (hipóteses), sejam descartadas e se exclua
a incerteza e minimize o erro . É por isso que se confia na experimentação e/ou nos testes de
causa-efeito.
7. As análises quantitativas são interpretadas de acordo com as prev isões iniciais (h ipótese s) e
os estudos anteriores (teoria). A interpretação é uma explicação sobre como os resultado s se
encaixam no conhecimento existente (Creswell, 2005).
8. A pesqu isa quantita tiva deve ser a mais "objetiva" possível. 4 Os fenômenos observados e/ou
medidos não devem ser afetados pelo pesq u isador. Este deve evitar, na medida do possível, que
seus temores, crenças, desejos e tendê ncias influenciem os resultados do estu do ou interfiram
nos processos, e que também não sejam alterados pelas tendênc ias de outros (Unrau, Gr inne ll
e Williams, 2005).
9. Os estudos quantitativos seguem um padrão previsível e estruturado (o processo) e é preciso
ter presente que as decisões críticas precisam ser tomadas antes de coletar os dados.
10. Em uma pesquisa quantitativa o que se pretende é general izar os resultados encontrados em
um grupo ou segmento (amostra) para uma coletividade maior (un iverso ou popu lação). E
também que os estudos realizados possam ser replicados.
11. No final, o que se ten ta fazer com os estudos quant ita tivos é explic ar e preve r os fenômenos
pesquisados, buscan do regular idades e relações causais entre elementos. Isso sign ifica que a
meta principal é a con strução e demonstração de teor ias (que explicam e preveem).
12. Nesse enfoque, se o processo for rigorosamente seguido e algumas regras lógicas forem seguidas,
os dados gerados terão os padrões de validade e confiabilidade e suas conclusões irão contr ibuir
para gerar conhecimento.
13. Essa abordagem utiliza a lógica ou raciocínio dedutivo, que começa com a teor ia para a partir
dela derivar expressões lógicas denominadas hipóteses que o pesquisador busca testar.
14. A pesquisa quantitativa pretende identificar leis universais e causais (Bergma n, 2008).
15. A busca quantitativa ocorre na realidade externa do ind ivíduo. Isso nos leva a uma explicação
sobre como a realidade é entendida com essa abordagem da pesq uisa.

Fase1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 Fase 5


'
Revisão da Elaboração de
Ideia Formulação do literatura e Visualizaçãodo hipótesese
problema desenvolvimento alcancedo estudo definição de
do marco teórico variáveis

Fase1O Fase9 Fase8 Fase7 Fase 6

Elaboração do Definição e Desenvolvimento


relatório de Análise dos dados Coletade dados seleçãoda do desenhode
resultados amostra pesquisa

FIGURA
1.1 Processo quantitativo.
32 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado
& Baptis
ta Lucio

Para essa última finalidad e, utilizarem os a explicação de Grinnell (1997) e Creswell (1997)
que encerra quatro pontos :

1. Existem duas realidades: a primeira é internae consiste das crenças, pressuposições e experiências
subjetivasdas pessoas. Estas podem variar: desde muito vagas ou gerais (intui ções) até crenças
bem organizadas e desenvolvidas logicamente por meio de teorias formais. A segunda realidade
é objetiva,externae independente das crenças que tivermos sobre ela (a autoestima, uma lei, as
mensagens televisivas, uma edificação, a AIDS, etc., acontecem, isto é, cada uma delas é uma
realidade independentemente do que pensamos a seu respeito).
2. Essa realidade objetiva é suscetível de ser conh ecida. De acordo com essa premissa, é possível
pesqui sar uma realidade externa e autônoma do pesquisador.
3. Precisamos compreen der ou ter a maior quantidade de informação a respeito da realidade
objet iva. Conhecemos a realidade do fenômeno e os eventos que a rodeiam por meio de suas
manife staçõe s, e para entender cada realidade (o porquê das coisas) precisamos registrar e
analisar esses eventos. É claro que no enfoque quantitativoo subjetivo existe e tem um valor
para os pesquisadores; só que, de alguma mane ira, esse enfoque se dedica a mostrar como o
conhecimento se adapta tão bem à realidade objetiva . Documentar essa coincidência é um
propósito central de mu itos estud os qu antitati vos (quando achamos que uma doença provoca
efeitos e isso realmente acontece, quando captamos a relação "real" entre as motivações de um
sujeito e sua cond uta, quando supomos que um material tem uma determinada resistência e
ele realmente tem, entre outros).
4. Quando as pesquisas críveis dem onst rarem que a realidadeobjetivaé diferente de no ssas cren-
ças, estas devem ser modificadas ou adaptadas a essa realidad e. Isso pode ser visto na Figura
1.2 (note qu e a "realidade " não muda , é a mesma; o que se ajusta é o conjunto de crenças ou
hipóte ses do pesquisador, portanto , a teor ia) .

No caso das ciências sociais, o enfoqu e quanti tativo parte do princípio de qu e o mund o "so-
cial" é intrin secamente cognoscível e todos nós podemos estar de acordo com a natureza da reali-
dad e social.

Prnr,e1rarealidade Segurda rea',dade


A realidade sub,et Ia A real,dadee bJe111
a
1
l1nterna1 011::rra ,

---~-

Crenças(hipóteses) Pesquisaquantitativa ~ Realidade(fenômeno)


do pesquisador
,,-
As crenças(hipóteses)do
Se coincidirem
pesquisadorsão aceitascomo Realidade(fenômeno)
válidas,a teoria é comprovada.

As crenças (hipóteses)do
pesquisadorsão rejeitadas,elas Se não coincidirem
Realidade(fenômeno)
precisamser modificadasjunto ~
com a teoria.

FIGURA1.2 Relaçãoentre a teoria, a pesquisae a realidadeno enfoquequantitativo.


Metodologia
de pesquisa 33

(0' QUAISSÃOAS CARACTERÍSTICAS


DO
ENFOQUE
QUALITATIVO
DEPESQUISA?

o enfoque qualitativo5 também se guia por áreas ou temas significativosde pesqnisa.No entanto, 002
ao contrário da maioria dos estndos quantitativos, em que a clarezasobre as perguntas de pesquisa
e as hipótesesdevem vir antes da coleta e da análise dos dados, nos estudosquali-
tativosé possíveldesenvolverperguntas e hipóteses antes, durante e depois da co- ENFOQUE QUALITATIVOUtiliza
leta e da análise dos dados. Geralmente, essas atividades servem para primeiro a coleta de dados sem medição
descobrir qnais são as perguntas de pesquisa mais importantes, e depois para numéricaparadescobrirou
aprimorá-lase respondê-las.A ação indagativa se move de maneira dinâmica em aprimorarperguntasde pesquisa
arnbosos sentidos:entre os fatos e sua interpretação,e é um processo mais "cir- no processode interpretação.
cular"no quala sequêncianem sempreé a mesma, ela varfade acordo com cada
estudo específico.Na Figura 1.3 tentamos mostrá-lo, mas precisamos dizer que é
simplesmenteisso, uma tentativa, porque sua complexidadee flexibilidadesão maiores. Esse pro-
cessoé mostrado na terceira parte do livro.
Para compreender a Figura 1.3,é necessário observar o seguinte:

a} Embora certamente exista uma revisão inicial da literatura, esta pode ser complementada em
qualquer etapa do estudo e apoiar desde a formulação do problema até a elaboração do relató-
rio de resultados (o vínculo teoria-etapas do processo é representado por setas curvas).
b} Na pesquisa qualitativa geralmente é necessário retornar às etapas anteriores. Por isso, as setas
das fasesque vão da imersão inicial no campo até o relatório de resultados podem ser vistas em
dois sentidos.Por exemplo,o primeiro desenho do estudo pode ser modificado quando defini-
mos a amostra inicial e pretendemos ter acessoa ela (quando, por exemplo,queremos observar
determinadaspessoas em seus ambientes naturais e por alguma razão descobrimosque isso não
pode ser feito;nesse caso, a amostrae os ambientesde estudo precisamvariare o desenho deve
ser adaptado). Essefoi o caso de um estudante que desejavaobservar criminosos de alta pericu-
losidadecom certascaracterísticasem uma prisão,mas o acesso foi negado e ele teve de ir a ou~
tra prisão, onde entrevistou criminosos menos perigosos. Quando analisamos os dados tam-
bém podemos notar que precisamos de um número maior de participantes ou de outras pesso-
as que não foram inicialmente incluídas, o que modifica a amostra concebida originalmente.
Ou, ainda, que devemos analisar outro tipo de dados não consideradosno início do estudo (por
exemplo,havíamos planejado realizar somente entrevistas e descobrimos documentos valiosos
dos indivíduos que podem nos ajudar a compreendê-los melhor, como seria o caso de seus "di-
áriospessoais").
e) A imersão inicial no campo significase sensibilizarcom o ambiente onde o estut;loserá realiza-
do, identificar informantes que contribuam com dados e nos guiem pelo lugar, penetrar e se
concentrar na situação de pesquisa, além de verificara factibilidadedo estudo.
d) No caso do processo qualitativo,a amostra, a coleta e a análise são fasesrealizadaspraticamente
de maneira simultânea.

Alémdisso,o enfoquequalitativo
possui as seguintescaracterísticas:

1. O pesquisadorformula um problema, mas não segue um processo claramente definido.Suas


formulaçõesnãosão tão específicasquanto no enfoque quantitativo e as perguntas de pesquisa
nemsempre foram conceituadas nem definidas por completo.
2. Na busca qualitativa,em vez de iniciar com uma teoriaespecíficae depois "voltar')ao mundo
empírico para confirmar se ela é apoiada pelos fatos, o pesquisador começa examinando o
mundo social e nesse processo desenvolveuma teoria coerente com os dados, de acordo com
aquilo que observa, geralmente denominada por teoriafundamentada(Esterberg,2002),com
a qual observa o que acontece.Em outras palavras, as pesquisasqualitativasse baseiam mais
em urna lógica e em Úmprocesso indutivo (explorar e descrever,e depois gerar perspectivas
teóricas).Vão do particular ao geral.Por exemplo,emum típico estudo qualitativo,o pesquisa-
dor entrevistaurna pessoa,analisa os dados obtidos e tira algumasconclusões;posteriormente,
entrevistaoutrapessoa, analisaessa nova informaçãoe revisaseus resultadose conclusões;do
34 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado
& Baptista
Lucio

Fase2 Fase3
Fase 1
Formulaçãodo Imersão inicial no
.. problema campo
+
Fase 4

Fase9

Elaboraçãodo
\ /
Literatura existente ------- Concepçãodo
desenhodo estudo
relatório de resulta-
dos (marcoreferencial) --. i--'
//
--==---~

\
Fase5
+
Fase8 Fase6 Definiçãoda
amostrainicial do
Interpretação de estudo e acessoa
resultados Fase7 Coleta de dados
ela

t .. Análisedos dados t

FIGURA
1.3 Processoqualitativo.

mesmo modo, realiza e analisa mais entrevistas para com preender o que busca. Isto é, segue
todos os passos até chegar a uma perspectiva mais geral.
3. Na maioria dos estudos qualitativos, as hipóteses não são testadas, elas são construíd as duran-
te o processo e vão sendo aprimoradas conforme mais dados são obtidos ou, então, são um
resultado do estudo.
4. O enfoque se baseia em métodos de coleta de dado s não padronizados nem totalmente pre-
determinado s. Não efetuamos uma medição numérica, portanto, a análise não é estatística .
A coleta dos dados consiste em obter as perspect ivas e os pontos de vista dos participantes

I
(suas emoções, prioridades, experiências, significados e outros aspectos subjetivos). Também
são de interesse as interações entre indivíduos, grupos e coletividad es. O pesquisador formula
perguntas abertas, coleta dados apresentados pela linguagem escrita, verbal, não
verbal e também visual, que ele descreve e analisa para que sejam transformados
DADOSQUALITATIVOSDescrições
em temas relacio?ados, e recon?ece suas tendências pess?ªf (!odd, 2005)_.~or isso,
detalhadasde situações,eventos,
a preocupação direta do pesqmsador se concentra nas vivencias dos part1c1pantes,
pessoas,interações,condutas
observadase suas manifestações.
tal como foram (ou são) sentidas e experimentadas (Sherman e Webb, 1988).
Patton (1980, 1990) define os dados qualitativos como descrições detalhadas de
situações, eventos, pessoas, int erações, condutas observadas e suas manifestações.
5. Nesse sentido , o pesquisador qualitat ivo utiliza técnicas para coletar dados, como a observação
não estruturada, entrevistas abertas, revisão de documentos, discussão em grupo, avaliação de
experiências pessoais, registro de histórias de vida, e int eração e introspecção com grupos ou
comunidades.
6. O processo de indagação é mais flexível e se mo ve entre as respostas e o desenvolvimento da
teoria. Seu propósito consiste em "reconst ruir" a realidade, da mesma forma como ela é ob-
servada pelos atores de um sistema social previamente definido. Muitas vezes é chamado d e
holístico,porque é preciso considera r o "todo" 6 sem reduzi-lo ao estudo de suas partes.
7. O enfoque qualitativo avalia o desenvolvimento natural dos acontecimentos, isto é, não há
manipulação nem estimula ção em relação à realidade (Corbetta, 2003).
8. A pesquisa qualitativa se fundamenta em uma persp ectiva interpretativa centrada no entendi-
mento do significado das ações de seres vivos, pr incipalmente dos humanos e suas instituiçõe s
(busca interpretar aquilo que vai captando ativamente ).
Metodologia
de pesquisa 35

Postula que a "realidade" é definida por meio das interpretações que os participantes da
g,
pesquisa fazem a respeito de suas próprias realidades. Desse modo, há uma convergência de
várias "realidades'; ao menos a dos participantes, a do pesquisador e a produzida mediante a
interação de todos os atores. Também são realidades que vão sendo modificadas no decorrer
do estudo e são fontes de dados.
1o. Nesse sentido, o pesquisador é introduzido nas experiências dos participantes e constrói o
conhecimento, sempre consciente de que é parte do fenômeno estudado. Assim, no centro da
pesquisa está a diversidade de ideologias e as qualidades únicas dos indivíduos.
11. As indagações qualitativas não pretendem generalizar probabilisticamente os resultados para
populações mais amplas nem obter necessariamente amostras representativas; normalmente
nem pretendem que seus estudos consigam ser replicados.
12. O enfoque qualitativo pode ser pensado como um conjunto de práticas interpretativas que
tornam o mundo ''visível':o transformamem uma série de representaçõesna forma de ob-
servações, anotações, gravações e documentos. É naturalista(porque estuda os objetos e os
seres vivos em seus contextos ou ambientes naturais e cotidianos) e interpretativo(pois tenta
encontrar sentido para os fenômenos em função dos significados que as pessoas dão a eles).

Dentro do enfoque qualitativo, conforme já comentamos, existe uma


variedade de concepções ou marcos de interpretação, só que em todos eles existe PADRÃOCULTURAL Denominador
um denominador comum que poderíamos situar no conceito de padrão cultural comumdosmarcos-de interpretação
(Colby, 1996), que parte da premissa de que toda cultura ou sistema social possui qualitativos,
que parte da premissa
um modo único para entendersituações e eventos.Essacosmovisão,ou maneira de que toda cultura ou sistema
de ver o mundo, afeta a conduta humana. Os modelos culturais estão no centro socialpossuium modoúnicopara
do estudo do qualitativo, pois são entidades flexíveis e maleáveis que são marcos entendersituações e eventos.
referenciais para o ator social e construídos pelo inconsciente, aquilo que foi
transmitido por outros e pela experiência pessoal.
Creswell (1997) e Neuman ( 1994) sintetizam as atividades principais do pesquisador qualita-
tivo com os seguintescomentários:

• Obtém um ponto de vista "interno" ( de dentro do fenômeno), embora mantenha uma perspec-
tiva analítica ou alguma distância como observador externo.
• Utiliza diversas técnicas de pesquisa e habilidades sociais de uma maneira flexível, de acordo
com as exigências da situação.
• Não define as variáveis com o propósito de manipulá-las experimentalmente.
• Produzdadosna forma de notas extensas,diagramas,mapasou ''quadroshumanos"paragerar
descrições bem detalbadas.
• Extrai significado dos dados e não precisa reduzi-los a números nem deve analisá-los estatisti-
camente (embora a contagem possa ser utilizada na análise).
• Entende os participantes do estudo e se identifica com eles; não registra apenas fatos objetivos,
((frios".
• Mantém uma perspectiva dupla: analisa os aspectos explícitos, conscientes e evidentes, assim
como os implícitos, inconscientes e subjacentes. Nesse sentido, a própria realidade subjetiva é
objeto de estudo.
0
Observaos processossem invadir)alterarou imporum ponto de vista externo,mas da maneira
como são percebidos pelos atores do sistema social.
• É capaz de trabalhar com paradoxos, incerteza, dilemas éticos e ambiguidade.

@' QUAISSÃOAS DIFERENÇASENTREO


ENFOQUEQUANTITATIVOE O QUALITATIVO?

O enfoquequalitativobusca principalmente a "dispersão ou expansão" dos dados e da informação, 004


enquanto o enfoquequantitativopretende intencionalmente "delimitar" a informação (medir com
precisão as variáveis do estudo, ter "foco").7
Nas pesquisas qualitativas, a reflexão é a ponte que une o pesquisador e os participantes (Mer-
tens, 2005).
36 Hernández
Sampieri,
FernándezCollado& BaptistaLucio

Da mesma forma que um estudo quan tita tivo se baseia em outro s estudos anteriores , o qua-
litativo se fundament a primord ialmente em si mesmo. O primeir o é ut ilizado para consolidar as
crenças (formul adas de mane ira lógica em uma teor ia ou um esquem a teórico) e estabelecer com
exatidão padrões de compor tam ento em uma populaç ão; e o segundo, para const ruir crenças pró-
prias sobre o fenômen o estudado, como no caso de um grupo de pessoas ún icas.
Para enfatizar as características de ambos os enfoques e aprofundar em suas diferenças, prefe-
rimos resumi-las na Tabela 1.1, na qual procuramos fazer mais uma comparaçã o do que expor uma
a uma. Algumas concepções foram adaptadas ou reformu ladas de diversos autore s.8

TABELA1.1
Diferenças entreo enfoquequantitativoe o qualitativo

Definições !dimensões) Enfoquequantitativo Enfoque qualitativo

Marcosreferenciais
gerais Positivismo,
neopositivismo
e pós-positivismo. Fenomenologia, construtivismo, naturalismo,
básicos interpretativismo.
Pontode partida• Existeumarealidadea se conhecer. Existeumarealidadea se descobrir , construire
Issopodeserfeito pelamente. interpretar.A realidadeé a mente.
Realidade
a serestudada Existeumarealidade
objetivaúnica.O mundo Existemváriasrealidades subjetivas construídas
na
é pensadocomoexternoao pesquisador. pesquisa , quevariamem suaformae conteúdoentre
indivíduos,grupose culturas. Porisso, o pesquisador
qualitativoparteda premissade queo mundosocial
é "relativo• e somentepodeserentendidoa partirdo
pontode vistados atoresestudados.Emoutras
palavras, o mundoé construídopelopesquisador .
Naturezada realidade A realidade
nãomudapor causadas A realidademuda, sim, porcausadas observaçõese
observaçõese mediçõesrealizadas." da coletade dados.
Objetividade Procuraserobjetivo. Admitesubjetividade.
Metasda pesquisa Descrever
, explicare preveros Descrever,compreender e interpretaros fenômenos,
fenômenos(causalidade). por meiodaspercepções e dos significados
Gerare comprovarteorias. produzidospelasexperiênciasdos participantes.
Lógica Aplica-se a lógicadedutiva.Dogeralao Aplica-se a lógicaindutiva.Do particularao geral
particular(dasleise teoriaaosdados). (dosdadosàs generalizações - nãoestatísticas- e à
teoria).
Relaçãoentreciências As ciênciasfísicas/naturaise as sociaissão As ciênciasfísicas/naturaise as sociaissão
físicas/naturais
e sociais umaunidade.Osprincípiosdasciências diferentes.Osmesmosprincípiosnãopodemser
naturaispodemseraplicados àsciênciassociai
s. aplicados.
Posiçãopessoal Neutra.O pesquisador "deixade lado"seus Explícita.O pesquisador
reconhece seuspróprios
do pesquisador própriosvalorese crenças.Suaposiçãoé valorese crenças,que são, inclusive
, partedo
"imparcial
", tentaassegurarprocedimentos estudo.
rigorosose "objetivos•de coletae análisedos
dados,assimcomoevitarque suaspropensões
e tendênciasinfluenciemnosresultados.

Interaçãofísicaentreo Distanciada,
separada. Próxima
, costumahaver contato.
pesquisador e o fenômeno

Interaçãopsicológicaentre Distanciada,
neutra,semenvolvimento. Próxima, empática, comenvolvimento.
o pesquisadore o fenômeno

(conti nua)
Metodologiade pesquisa 37

TABELA
1.1
Diferençasentre o enfoquequantitativo e o qualitativo (continuação)

Definições(dimensões) Enfoquequantitativo --~~ Enfoquequalitativo

Papel dosfenômenos Ospapéissãomaispassivos. Os papéissãomaisativos.


estudados(objetos ,
seres vivos, etc.)

Relaçãoentreo pesquisador De independência


e neutralidade,
nãose De interdependência,
se influenciam
. Nãosão
e o fenômeno estudado afetam. Sãoseparados. separados.
Formulação
do problema Delimitado
, demarcado
, específico
. Aberto, livre, nãoé delimitadoou demarcado
. Muito
Poucoflexível. flexível.
Usoda teoria A teoriaé utilizadaparaajustarseus A teoriaé um marcoreferencial.
postulados ao mundoempírico.

Criação da teoria da
A teoriaé criadaa partirdacomparação A teorianãosefundamenta emestudosanteriores,
pesquisaanteriorcomos resultados
do estudo. masé criadaou construidaa partirdosdados
Naverdade,estessãoumaextensãodos empíricos obtidose analisados.
estudosantecedentes.
Papeldarevisão A literaturatem um papelcrucial,orientaa A literaturadesempenha umpapelmenosimportante
daliteratura pesquisa.É fundamentalparaa definiçãoda no inicio,emborasejarealmente importanteno
teoria,dashipóteses,do desenhoe das desenvolvimento do processo.Algumasvezes,ela
demaisetapasdo processo. indicao caminho, maso querealmenteindicao rumo
é a evoluçãode eventos, duranteo estudoe a
aprendizagem quesãoobtidosdosparticipantes.O
marcoteóricoé um elementoqueajudaa justificara
necessidade de pesquisa
r umproblemaformulado.
Algunsautoresdo enfoquequalitativoconsideram
queseupapelé apenasauxiliar.
A revisãoda literaturae as O pesquisador faz umarevisãoda literatura O pesquisador , maisdo quese fundamentar na
variáveisou conceitos principalmente parabuscarvariáveis revisãoda literaturaparaselecionar
e definiras
de estudo significativas
quepossamsermedidas . variáveisou os conceitos-chavedo estudo,confiano
próprioprocessode pesquisaparaidentificá-los e
descobrircomose relacionam .
Hipóteses As hipótesessãotestadas.Elassão As hipótesessãocriadasduranteo estudoe no final
estabelecidasparaquesejamaceitasou deste.
rejeitadas,
dependendodo graude
certeza(probabilidade).
Desenho da pesquisa Estruturado
, predeterminado Aberto,flexível, construído
duranteo trabalhode
(precedea coletadosdados). campoou a realização do estudo.
População-amostra O objetivoé generalizar
os dadosde uma Geralmente,a pretensãonãoé generalizar
os
amostraparaumapopulação (deumgrupo resultadosobtidosna amostraparaumapopulação.
pequenoa um maiorl.
Amostra Muitossujeitossãoenvolvidosna pesquisa Poucossujeitossãoenvolvidos,porquea intenção
porquea intençãoé genera
lizaros resultados nãoé necessariamente
generalizaros resultadosdo
do estudo. estudo.
Composi
çãoda amostra Casosqueem conjuntosãoestatisticamente Casosindividuais,representativos
nãoa partirdo
representativos. pontode vistaestatístico.
Natureza dosdados A naturezadosdadosé quantitativa A naturezadosdadosé qualitativa
(dadosnuméricos). (textos,narrativas,significados,
etc.).
Tipo dedados
Dadosconfiáveise sólidos.Eminglês:hard. Dadosprofundose enriquecedores
. Eminglês: soft.

!continua)
38 HernándezSampier
i, FernándezColla
do & BaptistaLucio

1.1
TABELA
Diferençasentre o enfoque quantitativo e o qualitativo (continuação)

Definições (dimensões) Enfoquequantitativo Enfoque qualitativo

Coletade dados A coletase baseia em instrumentos O objetivoda coletade dadosé proporcionarum


padronizados.Éuniformeparatodosos casos. entendimento maiorsobreos significadose as
Osdadossãoobtidospor observação,medição experiências
daspessoas.O pesquisadoré o
e documentação de medições.Osinstrumentos instrumentode coletade dados,quese apoiaem
utilizadossãoaquelesquesemostraram diversastécnicasdesenvolvidasduranteo estudo.
válidose confiáveisem estudosanteriores ou, Ouseja,a coletade dadosnãoé iniciadacom
então,novosinstrumentos sãocriadoscom instrumentospreestabelecidos,
masé o pesquisad or
basenarevisãoda literaturae elessãotestados quecomeçaa aprenderpor meioda observaçãoe
e ajustados.As perguntasou itensutilizados dasdescrições dosparticipantes
e pensaemformas
sãoespecíficos,compossibilidades pararegistraros dadosquevãosendoaprimorados
predeterminadas de resposta. conformea pesquisaavança .
Concepção dosparticipantes Os participantes
sãofontesexternasde dados. Os participantes
sãofontesinternasde dados.
na coletade dados O pesquisadortambémé um participante.

Finalidade
da análise Descrever
asvariáveise explicarsuas Compreender
aspessoase seuscontextos
.
dosdados mudançase movimentos .
Características
da análise • Sistemática. Intensautilizaçãoda estatística • A análisevariadependendo de comoos dados
dosdados (descritivae inferencial)
. foramcoletados .
• Baseada emvariáveis. • Fundamentada na induçãoanalítica.
• Impessoal. • Usomoderado da estatística(contagem,
algumas
• Posteriorà coletade dados. operações aritméticas).
• Baseada emcasosou pessoase suas
manifestações .
• Simultânea à coleta de dados.
• A análiseconsisteemdescreverinformação e
desenvolver temas.

Formatodosdadosque Osdadossãorepresentados
emformatode Dadosno formatode textos, imagens,peças
serãoanalisados númerosquesãoanalisados
estatisticamente. audiovisuais,
documentos e objetospessoais.

Processo
de análise A análisecomeçacomideiaspreconcebidas, Geralmente,a análisenãocomeçacomideias
dosdados baseadas nashipótesesformuladas. Umavez preconcebidas sobrecomoos conceitosou variáve is
coletadosos dadosnuméricos,estessão se relacionam
. Depoisqueos dadosverbais , escritos
transferidos
paraumamatriz,queé analisada e/ouaudiovisuais sãoagrupados,elespassama fazer
medianteprocedimentos estatísticos
. partede umabasede dadoscomposta portexto
e/ouelementos , queé analisadaparadeterminar
visuais
significados
e descrever o fenômenoestudadoa partir
do pontode vistade seusatores. As descrições de
pessoassãointegradas àsdo pesquisador.

Perspectivado pesquisador Externa(à margemdosdados).O pesquisador Interna(a partirdos dados)


. O pesquisador
envolve
na análisedosdados nãoenvolveseusantecedentese suas seusprópriosantecedentes e experiências
na análise
,
experiências
naanálise,mantémdistânciadela. assimcomosuarelaçã o comosparticipantes
do estudo.

Principais
critériosde Objetividade,
rigor,confiabilidade
e validade. Credibilidade
, confirmação,
valoraçãoe
avaliaçãona coletae transferência.
análisedosdados

Apresentação
de resultados Tabelas,diagramas
e modelosestatísticos
. O pesquisador empregaumavariedade de formatos
O formatode apresentação
é padrão. pararelatarseusresultados : narrativas
, fragmentos
de textos, vídeos, áudios
, fotografiase mapa s,
diagramas , matrizese modelosconceituais. O
formatovariapraticamente emcadaestudo.

(conti nua)
Metodologiade pesquisa 39

TABELA 1.1
Diferençasentre o enfoque quantitativo e o qualitativo (continuação)

Definições (dimensões) Enfoque quantitativo Enfoque qualitativo

Relatóriode resultados Os relatóriosutilizam um tom objetivo, Os relatóriosutilizamum tom pessoale emotivo.


impessoal,não emotivo.

• Becker(1993) diz: a •realidade" é o ponto mais estressantenas ciências sociais. As diferençasentre os dois enfoquestiveram um tom eminente-
mente ideológico.O grande filósofo alemão Karl Popper (1965) nos fez entender que a origem de visões conflitantes, sobre o que é ou deve ser o
estudodo fenômenosocial, est á nas premissasde diferentesdefiniçõessobre o que é a realidade. O realismo, a partir de Aristóteles, estabeleceque
0 mundoconsegueser conhecido pela mente. Kant introduz a ideia de que o mundo pode ser conhecidoporque a realidadese assemelhaàs formas
que a mente tem. EnquantoHegelvai para um idealismopuro e propõe: •o mundo é minha mente•. Certamenteque este último é confuso, e assim
0 consideraPopper,alertandoque o grande perigo dessa posição é que permite o dogmatismo (como se pode comprovar com o exemplo do mate-
rialismodialético). O avanço no conhecimento, diz Popper,necessitade conceitos que possamosrefutar ou comprovar. Essa característica delimita
0 que é e o que não é ciência.
•• Emboraalgunsfísicos, ao estudar as partículas, tenham notado quão relativa é essa afirmação.

Para que o leitor que se inicia nesse ofício tenha uma ideia da diferen ça entr e as duas abord a-
gens, vamos utilizar um exemplo bem simp les e cotidiano referente à atraç ão física, ainda que para
algum as pessoas possa parecer ingênuo. Claro que no exemplo não consideramos as implicações
paradigmáticas que estão por trás de cada enfoqu e; mas realmente insistimos que, em termos prá-
ticos, os dois contribuem para o conh ecimento de um fenômeno .

Exemplo
Compreensãodos enfoques quantitativo e qualitativo da pesquisa

Vamos supor que um(al estudante está interessado(alem saber quais fatores contribuempara que uma
pessoa sejadefinida e vista como "atraente e conquistadora" (que cativa os indivíduosdo gênerooposto
e consegue fazer com que se sintam atraídos por ele ou ela e se apaixonem). Então, decide realizar um
est udo (suaideia para pesquisar)em sua escola.
De acordo com o enfoque quantitativo-dedutivo, o estudante formularia seu problema de pesquisa
definindo seu objetivo e sua pergunta(o que quer fazer e o que quer saber).
O objetivopoderiaser, por exemplo:"conheceros fatoresque determinamque uma pessoajovem seja
vista como atraentee conquistadora",e a perguntade pesquisa: "Quais fatores determinamque uma pes-
soa jovem seja vista como atraentee conquistadora?".

Um tema da pesquisa quantitativa-dedutiva poderia ser "Quais fatores determinam que uma pessoa jovem seja vista
corno atraente
e conquistadora?".
40 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado
& Baptista
Lucio

Emseguida,revisariaestudos sobre a atraçãofísicae psicológicanas relaçõesentre jovens,a percep-


ção dos(as)jovenssobreessas relações,os elementosque interferemno inícioda convivênciaamorosa1 as
diferençaspor gênerode acordocom os atributose as qualidadespelosquais se sentem atraídos,etc.
Deixariaseu problemade pesquisamaispreciso;selecionariaumateoriaqueexplicassede maneirasatis-
fatória- com base emestudosanteriores- a atraçãofísicae psicológica,a percepçãode atributose qualida-
des desejáveisem pessoasdo gêneroopostoe a paixãonas relaçõesentrejovens;e também,se fosse pos-
sível,formulariaumaou váriashipóteses.Porexemplo:"os meninose as meninasque obtêmmaisconquistas
amorosase são vistos(as)comomais'atraentes'são aqueles(as)que têm maiorprestígiosocialna escola,que
confiammaisem sí e são mais extrovertidos(as)".
Depois,poderiaentrevistaras amigase os amigosde sua escola perguntandoaté que pontoo prestígio
social,a confiançaem si e a extroversãoinfluenciamna "conquista"e na "atração"em relaçãoàs pessoas
do outro gênero. Poderia,inclusive,utilizarquestionáriosjá estabelecidos,bem elaboradose confiáveis.
Talvezentrevistasseapenas uma amostrade estudantes.Tambémseria possívelperguntarparaas pessoas
jovens,que têm famade conquistadorase atraentes,o que elas pensama esse respeito.
Alémdisso, analisariaos dadose a informaçãodas entrevistaspara obterconclusõessobre suas hipó-
teses. Talveztambémfizesseuma experiênciaescolhendoindivíduosjovensque tivessemdiferentesgraus
de prestígio,segurançae extroversão{níveisdo perfil"conquistadore atraente"),deixando•oslivrespara
conquistarjovensdo gêneroopostoe assimavaliaros resultados.
Seu interesseseriageneralizarsuas descobertas,ao menos em relaçãoao que aconteceem sua comu-
nidadeestudantil.Tenta comprovarsuas crenças e, caso não consigademonstrarque o prestígio,a con-
fiançaem si e a extroversãosejamfatores relacionadoscom a conquistae a atração, então poderiatentar
outras explicações;quemsabe acrescentandofatores como a maneiracomose vestem, se são cosmopoli·
tas (se viajarammuito,conhecemoutras culturas),a inteligênciaemocional,entre outros aspectos.
Noprocesso,irádeduzindoda teoriao que encontraem seu estudo. Claroque, se a teoriaque escolheu
for inadequada,seus resultadosserão pobres.
De acordocom o enfoquequalitativo-indutivo, mais do que revisaras teorias sobre certos fatores, o
que o estudantefariaseria se sentar na cafetariapara observaros meninose as meninasque têm famade
serem atraentes e conquistadores.Observariaa primeirapessoajovemque considerasseter essas caracte*
rísticas,começariaa analisá•lae construiriaumconceitosobre ela (Comoé? Quaissão suas características?
Comose comporta?Quaissão seus atributose qualidades?De que forma se relacionacom os demais?).
Tambémseriatestemunhade comoconquistaos(as)colegas.Dessaforma,chegariaa algumasconclusões.
Posteriormentefaria o mesmo (observar)com outras pessoas jovens. Pouco a pouco entenderiapor que
esses(as) colegas são considerados(as)atraentes e conquistadores(as).E disso poderia surgir algum
esquemaque expliqueas razõespelasquaisessas pessoas conquistamas outras.
Depois,por meiode perguntasabertas, entrevistariaestudantes de ambos os gêneros {considerados
atraentes)e tambémaquelesque foramconquistadospor eles. A partirdaí chegarianovamentea descober-
tas e conclusõese poderiafundamentaralgumashipóteses, que no final contrastariacom as de outros
estudos. Nãoseria indispensávelobter uma amostrarepresentativanem generalizarseus resultados.Mas,
ao ir conhecendocada um dos casos, entenderiaas experiênciasdos sujeitosconquistadorese atraentese
dos conquistados.
Sua ação seria indutiva:de cada caso estudadotalvez obtivesseo perfilque procurae tambémo signi-
ficadode conquistar.

Devemos insistir que tanto no processo quantitativo quanto no qualitativo é possívelvoltar


para uma etapa anterior.Além disso, a formulação sempre pode ser modificada,ou seja,ela está em
evolução.
Em ambos os processos,as técnicas de coleta dos dados podem ser múltiplas. Por exemplo,na
pesquisaquantitativa:questionáriosfechados,registrosde dados estatísticos,testespadronizados,sis-
temas de medições fisiológicas,etc. Nos estudos qualitativos:entrevistasprofundas, testesprojetivos,
questionáriosabertos,sessõesde grupos, biografias,revisão de arquivos,observação,entre outros.
Finalmente,para concluir a respostapara a pergunta desseitem, na Tabela 1.2 comparamos as
etapasfundamentais de ambos os processos,tendo como base os conceitosdescritosanteriormente.
Metodologia
de pesquisa 41

TABELA
1.2•
comparaçãodas etapasde pesquisanos processosquantitativo e qualitativo

Processosfundamentaisdo
Característicasquantitativas processogeral de pesquisa Característicasqualitativas

• Voltadaparaa descrição, • Voltadaparaa exploração,


a
previsãoe explicação descriçãoe o entendimento
• Específica
e delimitada
• Voltadaparadados
Formulação
do
problema
.. • Gerale ampla
• Voltadaparaas experiências
dos
mensuráveisou observáveis participantes

• Papelfundamental • Papel secundário


Revisãoda
• Justificativa
paraa formulação • Justificativaparaa formulaçãoe a
literatura
e a necessidadedo estudo necessidade do estudo

• Instrumentos
predeterminados • Osdadossurgempouco a pouco
Coletados
• Dadosnuméricos • Dadosemtexto ou imagem
• Númeroconsiderável
de casos dados • Númerorelativamentepequenode casos

• Análiseestatística • Análisede textose materialaudiovisual


• Descriçãode tendências,
comparação
de gruposou relaçãoentrevariáveis
Análise
dosdados
.. • Descrição,análisee desenvol
de temas
vimento

• Compa raçãode resultadoscom • Significadoprofundodosresultados


previsõese estudosanteriores

• Padro
nizadoe fixo
• Objetivoe semtendências
Relatório
de
resultados
.. • Emergente
• Reflexi
e flexível
vo e com aceitação
de tendência
s

• Adaptada de Creswell(2005, p.44).

(0 É O MELHOR?
QUALDOSENFOQUES

Do nosso ponto de vista, ambos os enfoques são muito valiosos e contribuíram de maneira notável
para o avanço do conhecimento. Nenhum é intrinsecamente melhor do que o outro. São apenas
abordagens diferentes para o estudo de um fenômeno. A pesquisaquantitativanos oferece a opor-
tunidade de generalizaros resultados mais amplamente, ela nos permite ter o controle sobre os fe-
nômenos, assim como um ponto de vista de contagem e suas magnitudes. Também nos proporcio-
na uma grande possibilidade de réplica e um enfoque sobre pontos específicosdesses fenômenos,
além de facilitar a comparação entres estudos similares. Já a pesquisaqualitativaproporciona pro-
fundidade aos dados, dispersão, riqueza interpretativa, contextualização do ambiente ou entorno,
detalhese experiências únicas. Também traz um ponto de vista "novo, natural e holístico" dos fenô-
menos, assim como flexibilidade.Além disso, o método quantitativo foi o mais utilizado em ciên-
cias como a física, a química e a biologia. Então, ele é mais apropriado para as ciências chamadas
"exatasou naturais''. O método qualitativo foi empregado mais em disciplinas humanísticas como
a antropologia, a etnografia e a psicologia social.
No entanto, os dois tipos de estudo são úteis para todos os campos, como iremos mostrar ao
longo deste livro. Por exemplo, um engenheiro civilpode realizar uma pesquisa para construir um
grande edifício.Ele utilizaria estudos quantitativos e cálculos matemáticos para levantar sua cons-
trução, e analisaria dados estatísticos referentes à resistência de materiais e estruturas similares
construídas em subsolos iguais nas mesmas condições. Mas ele também pode enriquecer o estudo
realizando entrevistas abertas com engenheiros experientes que transmitiriam a ele suas vivências,
os problemas que enfrentaram e as soluções adotadas.Também poderia conversarcom futuros mo-
radores do edifício para conhecer suas necessidadese se adaptar a elas.
Um estudioso dos efeitos de uma desvalorização na economia de um país complementaria
suas análisesquantitativas com sessõesprofundas com especialistase realizariauma análise históri-
ca (tanto quantitativa quanto qualitativa) dos fatos.
42 HernándezSampie
ri, Fernández
Collado& BaptistaLucio

Um analista da opin ião púb lica, ao pesquisar sobre os fatores que mais interferem na votação
para a próxima eleição, utilizaria gru pos focais com discussão aberta (qualitat ivos), além de pesqui -
sas por amostragem (quantitativas).
Um m édico que tenta descobrir quais elemen tos deve considerar para tra tar de pacientes em
fase termi nal e conseguir que enfren tem sua situação da melhor man eira possível, poder ia revisar a
teoria disponíve l, consultar pesqu isas quantitativas e qualitat ivas a esse respeito para conduzir uma
série de observações estruturadas da relação m édico-paciente em casos terminais (realizando uma
amostragem de atos de com unicação e quantificando-os) . Além disso, poder ia entrevistar doent es
e médicos com técnicas qualitativas e organizar grupos de pacien tes para qu e falem abertam ente
dessa relação e do tratam ent o que desejam. No final, pode tirar suas conclusões e obter pergun tas
de pesquisa, hipó teses ou novas áreas de estud o.
No passado, tant o o enfoqu e quantit ativo como o qualitativo foram considerados visões
opostas, não conciliáveis, que nã o deveriam se mesclar . Os críticos do enfoquequantitativodisseram
que ele é "impessoal, frio, redu cionista, restritivo, fechado e rígido''. Além disso, consideravam que
as pessoas eram estud adas como "objetos", e que as diferenças individuais e culturais entre gru pos
não podiam ter sua média calculada nem ser agru padas estatisticam ente . Já os detr atores do enfo-
que qualitativo o consideravam "vago, subjetivo, inválido, me ram ente especulativo, sem possibilid a-
de de réplica e sem dados sólidos que apoiem as conclusões". Argume ntavam que não se tem con -
trole sobr e as variáveis estudad as e qu e falta o poder de entendim ento sobre as medições.
O divórcio entr e amb os os enfoqu es nasceu da ideia de qu e um estudo com um enfoqu e po-
deria neutr alizar o outro. Era um a noção que imp edia a união entr e o enfoqu e quantit ativo e o qu a-
litativo.
A posição assumid a nesta obra sempr e foi qu e são enfoqu es compl em ent ares, isto é, cada um
com sua respectiva função é utilizado para conh ecer um fenômeno e levar à solução dos diversos
problemas e question am ento s. O pesquisador deve ser metodolo gicam ent e plural e se or ientar pelo
contexto , pela situa ção, pelos recursos disponíveis, por seus objetivos e pelo problema de estud o.
Essa é, realm ent e, uma postur a pragmáti ca.
A seguir apresent am os exemplo s de pesquisas que, utilizando um ou outro enfoque, tinham
como objet ivo fundamental o mesmo fenômeno de estudo (Tabela 1.3).

TABEL
A 1.3
Exemplosde estudos quantitativos e qualitativos voltadosparao mesmotema de pesquisa

Tema-objeto de
estudo alcance Estudosquantitativos Estudos qualitativos

A família MariaElenaOto Mishima(1994):Lasmigraciones GabrielCareaga(1997):Mitosy fantasiasdela


a Méxicoy la conformación
de la familiamexicana. classemediaen México.
Alcancedo estudo Descriçãoda procedência
dos imigrantesao México; O livro é umaabordagem críticae teóricado
suaintegraçãoeconômicae socialemdiferentes surgimentoda classemédiaemum paíspouco
esferasda sociedade
. desenvolvido. O autorcombinaa análise
documental,política, dialéticae psicanalítica
com
a pesquisasociale biográficaparareconstruir
tipologiasou famíliastípicas.
A comunidade ProdiptoRay,FrederickB. Waisanene Everett LuizGonzáles s (1995): Puebl
e Gonzále o en vi/o.
Rogers(1969):Theimpactof communication on
ruraldevelopment.
Alcancedo estudo Determinacomoocorreo processode comunicação O autordescreveemdetalhea micro-históriade
de inovaçõesemcomunidades ruraise identificaos SanJoséde Gracia,ondesãoexaminadas e
motivosparaaceitarou rejeitara mudançasocial. entrelaçadas
as vidasde seuscolonizadorescom
Tambémestabelece quetipo de meiode seupassadoe outros aspectosda vidacotidiana.
comunicação é o maisbenéfico.

(continua)
Metodologia
de pesquisa 43

TABE
LA1.3
Exemplosde estudosquantitativos e qualitativos voltados para o mesmotema de pesquisa(continuação)

Tema-objetode 1

estudo/alcance Estudosquantitativos Estudosqualitativos

As ocupações LindaD. Hammond(2000): Teacher


qualityand HowardBecker(1951): Theprofessionaldance
studentachievement. musicianandhis audience
.

Alcancedo estudo Estabelece


correlações
entreestilosde ensino, Narração detalhadade processos
de identificação
desempenho daocupaçãodocentee êxitodos alunos. e outrascondutasde músicosdejazz tendocomo
basesuascompetências e seuconhecimento
sobremúsica.

Organizações
de P. Marcus,P. Baptistae P. Brandt(1979): WilliamD. Bygravee DanD'Heilly(editores)(1997):
trabalho Ruraldeliverysystems. Theportab/eMBAentrepreneurship casestudies.

Alcancedo estudo Pesquisaque demonstraa poucacoordenação que Compêndio de estudosde casoque apoiama
há emumaredede serviçossociais.Recomenda análisesobrea viabilidade
de novasempresas
e os
políticasa seremseguidasparaconseguirqueos desafiosqueenfrentamnosmercadosemergentes.
serviçoscheguemaosdestinatários.

O fenômenourbano LouisWirth(1964):tCuálessonlas variablesque ManuelCastells(1979): Theurbanquestion.


afectanla vidasocialen la ciudad?

Alcancedo estudo A densidade


da populaçãoe a escassez
de moradia O autorcriticaaquiloqueo urbanismo
sãoconsideradas
influentesnodescontentamento tradicionalmente
estuda,e argumenta quea
político. cidadenãoé maisdo queumespaçoondese
expressam e manifestam as relaçõe
s deexploração.

O comportamento RobertJ. Sampsone JohnH. Laud(1993):Crimein the MartínSánchezJankowski(1991): /standsin the


delinquente• making:pathwaysand turningpointsthroughfile. street:gangsandAmericanurbansociety.

Alcancedo estudo Ospesquisadores analisaram


novamente os dados Durante1Oanoso pesquisador estudou37
coletadosentre1939 e 1963 pelocasal de cientistas ganguesde LosAngeles,Bostone NovaYork.
sociais(Sheldone EleanorGlueck).Analisamas Jankowskiconviveue inclusivefez partedas
variáveisqueinfluenciamo comportamento desviante gangues(sendoaté mesmopresoe ferido).
de adolescentesautoresde delitos. Suaindagação profundatevecomofoco o
indivíduo,as relaçõesentreos membrosda
ganguee seuvínculocoma comunidade.

• Parauma revisão mais ampla dessesestudos, com a finalidadede analisara diferença entre uma abordagemquantitativa e uma qualitativa, reco-
mendamoso livro de Corbetta (2003, p. 34-43).

Se olharmos mais atentamente para a Tabela 1.3, é possível ver que os estudos quantitativos
estabelecem relações entre variáveis com a finalidade de chegar a proposições mais precisas e fazer
recomendações específicas.Por exemplo, a pesquisa de Rogerse Waisanen ( 1969) indica que nas so-
ciedades rurais a comunicação interpessoal é mais eficazdo que a comun icação dos meios coletivos.
O que se espera é que nos estudos quantitativos os pesquisadores elaborem um relatório com seus
resultados e ofereçam recomendações aplicáveis a uma população mais ampla, que servirão para a
solução de problemas ou a tomada de decisões.
O alcance final dos estudos quantitativos consiste, muitas vezes, em compreender um fenô-
meno social complexo. O important e não é medir as variáveis envolvidas nesse fenômeno, mas en-
tendê-lo.
Vamos pegar como exemplo o estudo das ocupações e seus efeitos na conduta individual que
está na Tabela 1.3, nele é possível notar a divergência à qual nos referimos. No clássico estudo de
Howard Becker (1951) sobre o músico de jazz, o autor consegue nos fazer compreender as regras e
os ritos no desempenho dessa profissão. "E a utilidade de seu alcance?",podem perguntar alguns; ela
não está somente em compreender esse contexto, mas no fato de que as normas que o orientam po-
dem ser transferidas para outras situações similares de trabalho. Por outro lado, o estudo quantita -
44 Hernández
Samp
ieri, Fernández
Collado& BaptistaLucio

tivo de Hammond (2000) procura estabelecer claramente variáveis pessoais e do desempenho da


profissão docente, que sirvam para formular políticas de contratação e de capacitação para o ma-
gistério. Para quê? Com a única finalidade de aumentar o êxito acadêmico dos estudantes.
Por últim o, a pesquisa de Samp son e Laud (1993) teve como objetivo analisar a relação ent re
nove variáveis estru turais independentes ou causas (entre outras a aglomeração habitacional, o nú-
mero de irmãos, o status socioeconôm ico, as tendências dos pais, etc.) e o comportamento delin -
quente (variável dependente ou efeito). Ou seja, gerar um modelo teórico explicativo que pudesse
ser extrapolado aos jovens nort e-ame ricano s da época em que os dados foram coletados . Enquanto
o estudo qualit ativo de Sánch ez Jankowski ( 1991) pretende construir as vivências dos membros das
gangues, os mot ivos da adesão e o significado de ser m embro destas, assim como compreender as
relações entre os ator es e seu papel na sociedade. Em out ras palavras: entend ê-los.
Na quarta parte deste livro, no Capítu lo 17, comenta mos sobre a visão mista, que implica jun-
tar os dois enfoques em uma mesma pesquisa, o que Hern ández Sampier i e Mendonza (2008) cha-
mara m de - metaforicamente faland o - "o casamento quantitat ivo-qual itativo''.

Resumo
• A pesquisa é definida como "um conjunto de pro- fica - é umaespéciede "guarda-chuva" no qualincluí-
cessossistemáticos e empíricosaplicadono estudo mos uma variedade de concepções,visões,técnicase
de um fenômeno". estudosnãoquantitativos.Eleé utilizado,primeiro,para
• Durante o século XX dois enfoques surgiram para descobrire aprimorarperguntasde pesquisa.
realizar pesquisa:o enfoque quantitativoe o enfo- • Na busca qualitativa, em vez de iniciar com uma
que qualitativo. teoria específica e depois "voltar" para o mundo
• Emtermos gerais, os dois enfoquesutilizamproces- empírico para confirmar se a teoria é apoiadapelos
sos cuidadosos,sistemáticose empíricosparagerar fatos, o pesquisadorcomeça examinandoo mundo
conhecimento. social e, nesse processo, desenvolve uma teoria
• A definiçãode pesquisaé válidatanto parao enfoque "consistente" com a qual observa o que acontece.
quantitativoquanto parao qualitativo. Os dois enfo- • Na maioria dos estudos qualitativos as hipóteses
ques são um processo que, por sua vez, integra não são testadas, são construídas durante o pro-
diversosprocessos.O enfoquequantitativoé sequen- cessoe vão sendoaprimoradas conformemaisdados
cial e comprobatório.Cadaetapaprecedeà seguinte são coletados,ou são um resultadodo estudo.
e nãopodemos"pular ou evitar" passos,emboraseja • O enfoque se baseia em métodos de coleta de
possível, claro, redefinir alguma fase. O processo dados não padronizados.Não se efetua uma medi-
qualitativoé "em espiral"ou circular,no qual as eta- ção numérica, portanto, a análise não é estatística.
pas a serem realizadasinteragem entre si e não A coleta dos dados consiste em obter as perspecti-
seguemuma sequênciarigorosa. vas e os pontos de vista dos participantes.
• No enfoquequantitativoas perguntasa serempes- • O processode indagaçãoé flexível e se move entre
quisadassão específicase delimitadasdesdeo início os eventose sua interpretação,entre as respostase
de um estudo. Além disso, as hipóteses são estabe- o desenvolvimento da teoria. Seu propósito é
lecidaspreviamente,isto é, antesde coletar e anali- "reconstruir"a realidade,da mesmaforma como ela
sar os dados. A coleta dos dadosse fundamentana é observadapelos atores de um sistemasocial pre-
mediçãoe a análiseem procedimentosestatísticos. viamente definido. Muitas vezes é chamado de
• A pesquisa quantitativadeve ser a mais "objetiva" "holístico", porqueé precisoconsideraro "todo" sem
possível, evitando a influência das tendências do reduzi-lo ao estudo de suas partes.
pesquisadorou de outras pessoas. • As indagaçõesqualitativasnão pretendemgenerali-
• Os estudosquantitativos seguemum padrãoprevi- zar os resultados de maneira probabilística para
sível e estruturado(o processo}. populaçõesmais amplas.
• Em uma pesquisaquantitativa o que se pretendeé • O enfoque qualitativo busca principalmentea "dis-
generalizaros resultadosencontradosem um grupo persão ou expansão" dos dados e informação;
para uma coletividade maior. enquanto o quantitativo pretende,de maneirainten-
• A meta principaldos estudosquantitativos é a cons- cional, "delimitar" a informação.
trução e a demonstraçãode teorias. • Ambos os enfoquessão muito valiosos e contribuí-
• O enfoquequantitativo utiliza a lógica ou raciocínio ram de maneira notável para o avanço do conheci-
dedutivo. mento.
• O enfoquequalitativo- às vezeschamadodepesquisa • A pesquisa quantitativa nos oferece uma grande
naturalista,fenomenológica , interpretativaou etnográ- oportunidadede réplica e um enfoquesobre pontos
Metodologiade pesquisa 45

específicos dos fenômenos, além de faci litar a com- • Os métodos quant itativos foram os mais utilizados
paração entre estudos similares. pelas ciências chamadas exatas ou nat urais. Os
• Já a pesquisa qualitativa proporciona profundidade qualitativos foram empregados mais nas humanas.
aos dados, dispersão, riqueza int erpret at iva, con- • Nos dois processos as técnicas de coleta dos dados
textualização do ambiente ou entorno, detalhes e podem ser múltiplas.
experiências únicas. Também traz um ponto de • Ant eriormente, o processo quantitati vo era equipa-
vista "novo, natural e completo" dos fen ômenos, rado ao método científico. Hoje, t anto o processo
assim como fl exibilidade. quantitativo quanto o qualitativo são considerados
formas de fazer ciência e produzir conhecimento.

Conceitosbásicos
Análise dos dados lógic a indutiva
Coleta dos dados Padrão cultu ral
Dados qualitativos Processo de pesquisa
Dados quantitati vos Processo qualitativo
Enfoque qualitati vo Processo quantitativo
Enfoque quantitativo Realidade
Hipóteses Teoria
lógica dedutiva

Exercícios
1. Revise os resumos de um artigo científico que se 2. De acordo com o que você leu neste capítul o, quais
refira a um estudo quantitativo e um artigo cientí- seriam as diferenças entre ambos os estud os? Dis-
fico que seja o resultado de um estudo qualitativo, cuta as implicações com seu professor e colegas.
de preferência sobre um tema similar. 3. No CD anexo você encontrará uma série de revistas
cient íficas com característica quantitativa e qualita-
tiva para escolher os artigos (Material complementa -
rio • Apéndices • Apéndice 1 . Publicaciones perió-
dicas más importantes).

Os pesquisadores
opinam
Ideiassobreo que é pesquisare como se faz isso Não importa se você chegou ou não a essa res-
posta, você pode ter uma ideia do que é a pesquisa . De
Estou muito grata aos autores por terem me convidado qualquer modo, eu dou algumas pistas que facilitam
para compartilhar meus pensamentos sobre pesquisa chegar ao resultado: imagine que toda pessoa convi-
neste livro tão importante. Gostaria de dar algumas ideias dada para uma festa é um ponto na superfície de um
sobre o que é pesquisar e como se faz isso. Começarei papel. Dois pontos representam dois convidados; três
citando um exemplo que um professor da Universidade pontos, três convidados, etc. Então, pegue uma caneta
de Columbia me mostrou no início de meus estudos. para desenhar dois pontos em um papel em branco, que
Você foi convidado para uma festa ... Nela você pode serão identificados como A e B. Esses dois convidados
conhecer um determinado convidado ou não conhecê-lo. (A e B) podem se conhecer ou não. Caso eles se conhe-
O mesmo acontece com cada um dos convidados. Com çam, una dois pontos com uma linha contínua , caso
base nisso, formulo uma pergunta: em uma festa, qual não, com uma linha descontínua .
deve ser o número mínimo de convidados para que seja Podemos transferir o dilema da festa para um pro-
possível garantir que, diante de qualquer relação exis- blema de união de pontos em uma folha com linhas con-
tente entre eles (que se conheçam ou que não se conhe- tínuas e descontínuas. Quantos pontos temos de dese-
çam), sempre vamos encontrar ao menos um grupo de nhar em uma folha para que, não importando como
três que se conhecem entre si ou, ainda, um grupo de estejam unidos (com linha continua ou descontínua),
três que são desconhecidos? A resposta é seis. Em seja possível garantir que sempre vamos encontrar um
outras palavras, podemos garantir que em uma festa grupo de três em que, ou todos estão unidos com linhas
onde há seis convidados, vamos encontrar um grupo de contínuas ou, ainda, todos com linhas descontínuas?
três (desses seis) em que ou três se conhecem entre eles Naturalmente que não será uma festa de três porque,
ou, ainda, os três são desconhecido s. por exemplo, quando A conhece B (linha contínua entre
46 HernándezSampieri, FernándezCollado & Baptista Lucio

ambos), mas não conhece C (linha descontínua entre B sarnes garantir que vamos encontrar diante de qualquer
e C), não será possível encontrar o subgrupo de três em situação (que os convidados se conheçam ou não), ao
que todos estão unidos com uma linha contínua ou menos um grupo de cinco convidados em que ou todos
todos unidos com uma linha descontínua. O mesmo se conhecem ou todos sejam desconhecidos ? Você
acontece em um grupo de quatro. E o mesmo acontece ficará surpreso se eu disser que até agora ninguém
em um grupo de cinco (veja a figura). encontrou a resposta para essa pergunta!
Com cinco pontos nós não podemos garantir que Eu suponho que você tentou responder ao menos a
sempre vamos encontrar um subgrupo de três pessoas primeira pergunta. Portanto, deixe-me perguntar outra
em que todos estão unidos por uma linha contínua ou coisa: você encontrou alguma forma para chegar à res-
todos por uma linha descontínua, mas caso a situação posta? Lembre-se de que encontrar a resposta para a
que observamos na figura aconteça, então não existe um última pergunta certamente o tornará famoso instanta -
subgrupo de três convidados que estão unidos por uma neamente. Resumidamente, pesquisa não é outra coisa
linha contínua ou por uma descontínua (isto é, que os do que encontrar respostas satisfatórias para pergun-
três se conheçam ou não). Portanto, nós demonstramos tas . As perguntas não precisam ser tecnicamente com-
que se colocarmos menos de seis pontos em um papel plexas, embora possam surgir dificuldades técnicas em
será impossível garantir que diante de qualquer situação alguma das fases do processo. Em vez disso, elas pode-
{os diferentes convidados se conheçam entre si ou não) riam ser (e, de fato, as melhores são) simples questões
seja possível encontrar um subgrupo de três em que do dia a dia . Surpreendentemente , a pesquisa de nível
todos estão unidos com linhas contínuas ou descontí- mais elevado, quando apresentada com os termos téc-
nuas. Então, o que aconteceria com seis? Se desenhar- nicos de um campo determinado, pode parecer muito
mos seis pontos em um papel em branco, podemos teórica e abstrata ou muito distante da realidade. Mas,
garantir que encontraremos sempre um subgrupo de três por incrível que pareça, ela costuma surgir de situações
em que todos estejam unidos com linhas contínuas ou simples da vida real.
descontínuas? Isso pode ser facilmente visto da seguinte Esse tipo de pesquisa descrita anteriormente - que
forma: vamos voltar para a festa de cinco e acrescentar é conhecida como análise de redes - é realizada em
mais uma pessoa, F. Agora, independentemente das com- laboratórios de pesquisa, e é por isso que eu gostaria de
binações de linhas (contínuas ou descontínuas) com que terminar com uma descrição de como funciona esse tipo
unimos F às outras, sempre haverá um subgrupo de três de laboratório, tendo como base o laboratório de comu-
que está unido com linhas contínuas ou descontínuas. nicação humana da Universidade de Columbia , onde
A próxima pergunta é: qual tamanho deverá ter a trabalho parte do ano, e o da Associación lberoamericana
festa para que possamos garantir que vamos encontrar de la Comunicacíon, alojada na Universidade de Oviedo,
ao menos um grupo de quatro convidados em que todos primeiro laboratório de comunicação da Espanha.
se conheçam ou todos sejam desconhecidos? Essa
questão foi resolvida há muitos anos pelo famoso mate- Como funciona um laboratório
mático Erdõs. A resposta é 18 e é complicado chegar a
ela. A resposta de Erdõs é a mais simples que se Primeiro, a ciência não é desenvolvida por uma pessoa,
conhece {de fato, ele era conhecido por sua devoção à mas sim por um grupo, uma equipe. A comunidade cien-
simplicidade em pesquisa, assim como na vida) e exigiu tífica nasce de uma investigação extremamente cuida-
mais de uma dúzia de páginas de testes técnicos mate- dosa onde se formam pesquisadores. Também é um
máticos. lugar físico, onde um grupo de pessoas trabalha em
As perguntas anteriores são as primeiras e mais equipe. Geralmente, um laboratório consiste em um ou
simples do denominado "dilema da festa# . Agora você vários pesquisadores principais cuja responsabilidade é
deve se perguntar qual é a resposta para a terceira conseguir custear o laboratório e supervisionar o traba-
questão: qual tamanho deverá ter a festa para que pos- lho científico. No próximo nível estão os pesquisadores
que obtiveram recentemente sua pós-graduação ou
estão em processo de obtê-la. Eles terão como respon-
A sabilidade gerenciar os experimentos dentro do labora-
tório. Finalmente, temos os assistentes de pesquisa,
geralmente estudantes de graduação ou trabalhadores
assalariados que ajudam no trabalho diário dentro do
laboratório, como preparar os experimentos, capturar
B
I , ,
e dados e codificar as condutas observadas.
I \ , É importante considerar que existem questões éti-
', I \ .,,."'
,.'
I '
, '(
cas envolvidas no estudo do comportamento humano.
Quando estudamos comportamento, estudamos pes-
' ,,
~ soas que devem ser tratadas de acordo com os padrões
, '
, ' éticos. Devemos tratar as pessoas com autonomia, per-
,, ,I , '
mitindo que elas escolham livremente participar ~a
D E observação científica; tratá-las com altruísmo, isso sig-
Metodologiade pesquisa 47

.. ue devemos max imizar os benefícios dos partici- Então, agora só me resta comen tar as imp licaç ões
n1f1caq , 1 f . . d .. 1
e minimizar qualque r passive e eito preJu 1c1a da pesquisa na sociedade; algo relativame nt e simp les . O
~~ . .
ue possa ser produzido no processo, por isso os part1- con hecim ento permite que a sociedade seja mais efi-
q_ tes devem ganhar pelo fato de faze r parte da pes- ciente e avance. Por isso a pesqui sa, com o único pro-
c1pan d . . , .
. Esse ganho pode ser e ucac1ona1, ps1co1og1co ou pósito de aumentar o conhecimento da sociedade (agora
quisa. , • •
.
f ,nane . . 1as. com 1ustIca,
e·,ro• Finalmente, devemos t rata- , co m a era da internet , uma sociedade internaciona l glo -
todas as pessoas podem se benef 1c1arigualmente da bal) é a base e possivelmente a única força condutora
pesquisa e nenhum grupo específico de pessoas deve dos seres humano s para uma vida melhor. A continui -
orrer algum tipo de risco. dade desse processo gradual está garantida , pois como
c Qual O motivo dessas fo rmalidad es que, às vezes, disse o grande filósofo Carl Jasper s, "a respo sta para
odem até ser cansativas? Elas nos permitem criar rei- um problema sempre traz novas quest ões".
~eradamente, de maneira controla da , ambientes onde os
participa ntes ou gru po de participantes possam se DoutoraLauraGalguera
envolve r em um compo rtam ento específico. Universidade de Oviedo (Espanha)
Universidadede Columbia (Estados Unidos)

os estudantes ouvem tan to falar sobre corno a pesquisa debate de oposição entre os dois tipo s começa a ser
é difíc il e chata que chegam a essa etapa de sua esco- superado.
laridade com a mente cheia de preconceitos e trabalham Outro avanço na pesquisa é a internet; antig amente ,
sob pressão, com medo e até mesmo ódio em relação a a revisão da literatura era longa e entediante, hoje acon-
ela. tece o contrário, o pesquisador pode se dedicar mais à
Antes que se envolvam nas tarefas rotineiras da ela- análise da informação em vez de escrever dados em
boração de um projeto é preciso fazer com que reflitam centenas de cartões.
sobre sua at itude diante dessa tentativa, para que valo- No entanto, ainda existem pesquisadores e docen-
rizem a pesquisa em sua justa dimensão, já que a ideia tes que gostam de adotar posturas radicais . Eles se
não é levá-los a acreditar que ela é a panaceia que irá comportam como a "c riança do martelo", qu e após
solucionar todos os problemas, ou que some nte nos paí- conhecer essa ferramenta passa a ver tudo que está a
ses do primeiro mund o é que se tem capac idade para sua vo lta como um prego , sem sequer questionar se o
realizá-la. que precisa é de um serrote ou uma chave de fenda .
A pesquisa é mais urna das fontes de conhecimento ,
portanto, se a decisão foi ampliar suas fronte iras, será CarlosG. AlonzoBlanquero
indispensável realizá-la co m responsabilidade e ética. Professor-pesquisador titular
Embora a pesquisa quant itati va esteja consolidada Facultad de Educación
como a predominante no horizonte científi co internacio - UniversidadAutónoma de Yucatán
nal, nos últim os cinco anos a pesqui sa qualitativa pas- Mérica, México
sou a ter maior aceitação; por outro lado, o antigo

@' NOTAS

1. No CD anexo o leitor encontrará um capítulo sobre os antecedentes da abordagem quant itativa e qua-
litativa (ver o primeiro capít ulo: "Historia de los enfoques cuantitativo, cualitativo y mixto").
2. Embo ra no CD se aborde mais detalhadamente esse tema , por ora basta dizer que o enfoque quantit at ivo
nas ciências sociais surge fundam entalmente na obra de Auguste Com te ( 1709-1857) e :Êmile Durkheim
(1858- 19 17). Eles sugeriram que o estudo sobre os fenômenos sociais tem de ser "científico", isto é, sus-
cetível à aplicação do mesmo método que era ut ilizado com êxito nas ciências natura is. Eles defendia m
que todas as "coisas" ou fenôme nos estudados pelas ciências eram men sur áveis. Essa corrente é chamada
de positivismo. O enfoque qual itativo tem sua orige m em outro pioneiro das ciências sociais: Max Weber
( 1864-1920), que introduz o termo Verstehen ou "ente nder", com o qual reconhece que além da descrição
e m edição de variáveis sociais, tamb ém é preciso considerar os significados subjetivos e a compreensão do
contexto em que ocorre o fenômeno . Weber propôs um método híbrido, com ferramentas como os tipos
ideais, no qual os estudos não sejam somen te de variáveis macrossocia is, mas de ocorrências individuais.
3. Não podemos, por exemplo, definir e selecionar a amostra antes de formularmos as hipóteses; també m
não é possível coletar ou analisar dados se não desenvolvemos previamente o desenho ou definimos a
amostra.
4. Claro que sabemos que não existe a objetividade "pura ou completa".
48 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

s. Esse enfoque também ficou conhecido como pesquisa naturalista, fenomenológica, interpretativa ou
etnográfica, e é uma espécie de (<guarda-chuva"no qual se inclui uma variedade de concepções, visões,
técnicas e estudos não quantitativos. De acordo com Grinnell (1997) existem diversos marcos interpre-
tativos, como o interacionismo, a etnometodologia, o construtivismo, o feminismo, a fenomenologia,
a psicologia dos constructos pessoais, a teoria crítica, etc., que são incluídos nesse "guarda-chuva para
realizar estudos':
6. Aqui o "todo" é o fenômeno de interesse. Por exemplo, em seu livro PoliceWork,Peter Manning (1997)
mergulha por semanas no estudo e na análise do trabalho policial. Seu interesse é compreender as relações
e a lealdade que surgem entre pessoas que se dedicam a essa profissão. E ele consegue isso sem "medição"
de atitudes, apenas captando o fenômeno próprio da vida na polícia.
7. Vamos utilizar o exemplo de uma câmera fotográfica: no estudo quantitativo definimos o que vamos
fotografar e tiramos a foto. No qualitativo é como se a função "zoom in" (aproximação) e "zoom ouf'
(distanciamento) fossem constantemente utilizadas para capturar em uma área qualquer a imagem de
interesse.
8. Creswell (2009 e2005), García e Berganza (2005),Mertens (2005), Todd (2005), Unrau, Grinnell e Willians
(2005), Corbetta (2003), Sandín (2003), Esterberg (2002), Guba e Lincoln (1994).
2
Nascimentode umprojeto
de pesquisaquantitativo,
qualitativoou misto:a ideia

Processo de pesquisa Passo 1 O início de uma pesquisa:


quantitativa, qualitativa o tema e a ideia
• Pensar no tema a ser pesquisado.
ou mista
• Gerar a ideia que será estudada.

OQ Objetivosda aprendizagem
Ao conclui r este capítulo, o aluno será capaz de:

1. conhecer as fontes que podem inspirar pesquisas científicas, independentemente de ser um enfoque
quantitativo, qualitativo ou misto;
2. gerar ideias potenciais para pesquisar a partir de uma perspectiva científica quantitativa, qualitativa ou
mista.

Síntese
Neste capítulo, mostramos como as pesquisas de qualquer tipo são iniciadas: pelas ideias. Também falamos
sobre as fontes que inspiram essas ideias de pesquisa e a maneira de desenvolvê-las, para assim conseguir
formular propostas de pesquisa científica tanto quantitativas como qualitativas ou mistas. No final, sugeri-
mos crité rios para gerar boas ideias.
Projet os de pesquisa

iniciam com Objetivas


no
----
1 Enfoque
~uantitati vo

Ideias que devem:


• Ajudar a resolver problemas
• Trazer conhecimentos
• Gerar questões
Aproximam no Enfoque
Ideias Subjetivas
realidades ---- [ qualitativo
• Novas
• Estimulantes
• Emocionantes
• Inspiradoras

Intersubjetivas

Cujas fontes são:


• Experiências
• Materiais escrit os
• Mater iais audiovisuais
• Teorias
• Conversas
• Internet
Metodologia
de pesquisa 511

SURGEMAS PESQUISAS
coMO TATIVAS QUALITATIVASou MISTAS?
ouANTI ,
das ideias, não importando o tipo de paradigma que funda-
\S pesquisas 5urgedm m enfoque que iremos seguir. Para iniciar uma pesquisa, IDEIASDEPESQUISASão o primeiro
r estu o ne O .
111enta noss~ d uma ideia; ainda não conhecemos o substituto de uma boa contato que temos com a
re precisamos e realidade que será pesquisada ou
semP
;deia. . _ sso primeiro contato com a realidadeobjetiva(do ponto de com os fenômenos, eventos e
As id~ias_sao):ºrealidade subjetiva(do ponto de vista qualitativo) ou a rea- ambientes que serão estudados.
.
vista q uant1tat1vo
b. . , (a partir da visão
. . )
mista que d evera, ser pesqmsa
· d
o.
/idadeintersu1ettva

fontes de ideias para uma pesquisa


. . de variedade de fontes quepodem gerarideiasde pesquisa,entre as quais estão as ex-
E- xiste
. uma . •gr,m · · escntos
· (livros, artigos
· d e revistas
· .,di cos, d ocumentos e
001
dividuais, os matenrus ou peno
P enências m . d 'd.
ateriais audiovisuais e os programas era 10 ou te 1ev1sao, . - a 1n1ormaçao
. e - di , el na m-
.
) spon1v
teses
· ,osm sua ampla gama d e poss1"bil.d
( i ad es, como sites,
· wruns
,, d e discussao,
- entre outros ) , as teo-
ternet em . • b -de
, descobertas como produto de pesqll!-sas, as conversas pessoais, a o servaçao e 1atos, as cren-
nas, as . N
,- t, n1esmo as intuições e os pressentimentos. e
o entanto, as 1ontes que d-ao origem
· às 1·d eias
· nao-
çats_eª eelaci·onadascom sua qualidade. O fato de um estudante ler um artigo cientifico e retirar dele
es ao r . . .
urna ideia de pesquisa não sigmfica necessariamente que esta seJa melhor do que a de outro estudan-
te que a obteve enquanto assistia a un_i ~e ou a uma partida de futeb?I da Copa Libertadores. Es-
sas fontes também conseguem gerar ideias, separadamente ou em conJunto; por exemplo, quando
Sintonizamos o noticiário e ficamos sabendo sobre casos de violência ou terrorismo, podemos come-
·çar então a desenvolver uma ideia para realizar uma pesquisa. Depois podemos conversar a respeito
da ideia com alguns amigos e torná-la um pouco mais precisa ou modificá-la; e, posteriormente,
buscar informação sobre elas em revistas e jornais ou até mesmo consultar artigos científicos e livros
Sobre violência, terrorismo, pânico coletivo, multidões, psicologia de massas, etc.
O mesmo poderia ser feito no caso da imigração, do pagamento de impostos, da crise econô-
mica, das relações familiares, da amizade, das propagandas no rádio, das doenças sexualmente
transmissíveis, da administração de uma empresa, do desenvolvimento urbano e de outros temas.

Comosurgemas ideiasde pesquisa?


Um~ ideia pode surgir onde os grupos se reúnem - restaurantes, hospitais, bancos, indústrias, uni- 002
Yemdades e tantas outras formas de associação - ou quando se observa as campanhas para qual-
~ue; cargo político. Alguém poderia se perguntar: Será que toda essa publicidade serve para algo?
er ~ue tantos cartazes, outdoors,anúncios na televisão e muros pintados têm algum efeito sobre
os e1e1tores>
mi · Tamb
. , 1gerar I.d eias
e'm e. poss1ve . ao 1er uma reVJsta
. d e divu 1gaçao- - por exemp 1o, ao ter-
as ~~r u_martigo sobre a política exterior espanhola, alguém poderia pensar em uma pesquisa sobre
nem:~oe~ruais en;re ~ Espanha e a América Latina-, ao estudar em casa, ver televisão ou ir ao ci-
O
lações h me rom~nl!co da moda poderia sugerir uma ideia para pesquisar algum aspecto das re-
1
exemploe erosse~u.ais -, ao conversar com outras pessoas ou ao lembrar alguma experiência. Por
(li!V) q' u_mmedico que a partir da leitura de notícias sobre o vírus da imunodeficiência humana
_neturna~e;ra saber mais sobre os avanços no combate a essa doença. Enquanto ''navega" na inter-
tendo no pssoa pode ter ideias de pesquisa ou, ainda, por causa de algum evento que esteja aconte-
_ror1srno
. emresente·' um exempl o sena. o caso d e uma Jovem
. que I'e na imprensa
. ' . so b re o
noticias ter-
1
:,fenõmeno ni ~uma parte do mundo e inicia um estudo sobre como seus conterrâneos veem esse
' D s empos atuais.
Ih ma aluna japo d
· eres de 35 a nesa e mestrado em desenvolvimento humano iniciou um estudo com mu-
55
;"" Provocado p i"nos que ficaram viúvas recentemente. Seu objetivo era analisar o efeito psicológi-
,~bia a ela dar e a pe~da d? esposo porque uma de suas melhores amigas havia sofrido tal perda e
Ptofundo. apoio ª amiga (Miura, 2001). Essa experiência foi casual, mas motivou um estudo
52 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

Às vezes, as ideias são proporcionadas por outras pessoas e satisfazem determinadas necessi-
dades. Por exemplo, um professor pode nos pedir uma pesquisa sobre determinado tema; no traba-
lho, um superior pode solicitar um estudo específico a um subordinado, ou um cliente contratar
uma agência para realizar uma pesquisa de mercado.

A imprecisãodas ideiasiniciais

A maioria das ideias iniciais é vaga e exige ser analisada com cuidado para que se transforme em
formulações mais precisas e estruturadas, principalmente no processo quantitativo. De acordo com
Labovitz e Hagedorn (1981), quando uma pessoa desenvolve uma ideia de pesquisa deve se familia-
rizar com o campo de conhecimento no qual essa ideia se encontra.

Exemplo
Urnajovem (Mariana),ao refletir sobre o namoro poderia fazer a seguinte pergunta: uouais aspectoscon-
tribuem para que um homem e uma mulhertenham uma relaçãoque seja cordial e satisfatória para ambos?",
e decidir realizar uma pesquisa que estude os fatores presentes na evolução do namoro. No entanto, até
esse momento sua ideia é vaga e ela deve especificardiversas questões, tais como:

• Se irá incluir em seu estudo todos os fatores que podem interferir no desenvolvimento do namoro ou
apenas alguns deles.
• Se irá se concentrar em pessoasde uma determinadaidade ou de várias idades.
• Se a pesquisaterá um enfoque psicológicoou sociológico.

Ela também precisa começar a ver se irá utilizar o processo quantitativo, o qualitativo ou um estudo
misto. Talvez seu interesseseja relacionaros elementosque afetam o namoro no caso de estudantes (criar
uma espécie de modelo), ou prefira entender o significado do namoro para jovens de sua idade. Para que
possacontinuar sua pesquisaé indispensávelque ela se insira na área de conhecimentoem questão. Deverá
conversar com pesquisadoresno campo das relaçõesinterpessoais: psicólogos, psicoterapeutas,pessoas
da área de comunicaçãoe de desenvolvimentohumano,e também procurar e ler alguns artigos e livros que
abordem o namoro, conversar com várjos casais, assistir a alguns filmes educativos sobre o tema, buscar
sites na internet com informação útil para sua ideia e realizaroutras atividades similares para se familiariza'r
com seu tema de estudo. Quandojá"estiver totalmente acostumadocom ele, estará em condiçõesde tornar
sua ideia de pesquisamais precisa.

Uma jovem poderia ter a ideia de pesquisar: "Quais aspectos contribuem para que um homem e uma mulher tenham
uma relação que seja cordial e satisfatória para ambos?".
Metodologia
de pesquisa 53

sidadede conheceros antecedentes


NeceS
, trarno tema é necessário conhecer estudos, pesquisas e trabalhos anteriores,principal
men-
para enpessoanão é especialista nesse tema. Conhecer o que foi feito a respeito de um tema
tese a ajuda a:
• Não pesquisarsobrealgum tema quejá foi estudadoa fundo. Isso implica que_uma boa pesquisa
deve ser original, o que pode ser consegmdo quando abordamos um tema nao estudado,
quan-
do nos aprofundamos em um tema pouco ou medianamente conhecido, ou quando
trazemos
ma visão diferente ou inovadora para um problema mesmo que ele já tenha sido reiterada-
~ente analisado (por exemplo: a família é um tema muito estudado; mas, se alguém a analisa
de
um ponto de vista diferente, digamos, a partir da maneira como ela é apresentada nos filmes
es-
panhóis recentes, isso daria à sua pesquisa um enfoque original).
• Estruturar mais formalmente a ideia de pesquisa. Por exemplo, quando uma pessoa vê um
proarama de televisão com muitas cenas de conteúdo sexual explícito ou implícito, ela talvez
se
inte;esse em realizaruma pesquisa sobre esse tipo de programas.No entanto,
sua ideia é confusa, não sabe como abordar o tema e este não está estrutura- ESTRUTURAÇÃO DA IDEIA DE
do; então, consulta diversas fontes bibliográficas sobre ele, conversa com al- PESQUISARefere-se a esboçar
guém que conhece a temática e analisa mais programas desse tipo; e, quando com maiorclarezae formalidadeo
já se aprofundou no campo de estudo correspondente, é capaz de esboçar que queremos pesquisar.
com maior clareza e formalidade o que quer pesquisar. Vamos supor que ela
decida se centrar em um estudo quantitativo sobre os efeitos que esses progra-
mas provocam na conduta sexual dos adolescentes argentinos;ou, então, decida compree
nder
os significados que essas transmissões televisivas têm para eles (qualitativo). Também poderia
abordar o tema sob outro ponto de vista, por exemplo, pesquisar se há ou não uma quantidad
e
considerável de programas com muito conteúdo sexual na televisão argentina atual, quais
são
os canais e os horários em que eles são transmitidos, quais situações mostram esse tipo
de con-
teúdo e como isso é feito (quantitativo). Dessa maneira, sua ideia se tornarámuito mais precisa.
Claro que no enfoque qualitativo da pesquisa o propósito não é sempre contar com uma
ideia e
uma formulação de pesquisa completamente estruturadas;mas sim com uma ideia e uma
visão
que nos leve a um ponto de partida e, em qualquer caso, é aconselhável consultar fontes
ante-
riores para obter referências, mesmo que no final nosso estudo comece partindo de bases
pró-
prias e sem estabelecer alguma crença preconcebida.
• Selecionara perspectivaprincipal a partir da qual a ideia depesquisaseráabordada.Na realidade,
embora os fenômenos do comportamento humano sejam os mesmos, eles podem ser
analisa-
dos de diversas formas, de acordo com a disciplina dentro da qual a pesquisa se encaixa.
Por
exemplo, se as organizações forem estudadas basicamente a partir do ponto de vista da
comu-
nicação,o interesse estaria centrado em aspectos como as redes e os fluxos de comunicação
nas
organizações,os meios de comunicação, os tipos de mensagens emitidas e seu excesso, a distor-
ção e a omissão da informação. Por outro lado, se forem estudadas mais do ponto de vista
so-
ciológico, a pesquisa iria se ocupar de aspectos como a estruturahierárquicanas organiza
ções,
os perfis socioeconómicos de seus membros, a migração dos trabalhadores de áreas rurais
para
áreasurbanase seu ingresso em centros fabris, as ocupações e outros aspectos. Se o ponto de
vis-
ta adotado for fundamentalmente psicológico, outras questões seriam analisadas, como
os pro-
cessos de liderança, a personalidade dos membros da organização, a motivação no trabalho.
Mas, se o enfoque das organizações for predominantemente mercadológico, então seriam
pes-
quisadas questões como os processos de compra e venda, a evolução dos mercados e as relações
entre empresas que competem dentro de um mercado.
PERSPEC TIVA
PRINCIPALOU
A maioria das pesquisas, apesar de estar dentro de uma estrutura ou de uma
FUNDAMENTALDisciplinaa partir
Per~pectiva específica, não pode deixar de tocar de alguma forma em temas que
da qual se aborda uma ideia de
e~teJam relacionados com diferentes campos ou disciplinas (por exemplo, as teo-
pesquisautilizandoconhecimentos
rias ~a _agressãosocial desenvolvidas pelos psicólogos foram utilizadas pelos co- provenientesde outroscampos.
lllumcologos para pesquisar os efeitos que a violência televisionada provoca na
~~~<lutadas ~ríanças que são expostas a '.'la). P?rt~nto, quando consideramos o
. . .
c oque selec10nado falamos de perspectiva prmc1pal ou fundamental, e não de perspectiv
a um-
a. A escolha de uma ou de outra tem implicações significativas no desenvolvimento de um
estudo.
54 Hernández
Sampieri,Fernández
Collado& BaptistaLuclo

Também é comum realizar pesquisas interdisciplinares que abordem um terna utilizando várias es-
truturas ou perspectivas.
Se urna pessoa quer saber o que deve fazer para o desenvolvimento de um município, ela de-
verá utilizar urna perspectiva ambiental e urbanística para analisar aspectos corno vias de comuni-
cação, solo e subsolo, áreas verdes, densidade populacional, características das moradias, disponibi-
lidade de terrenos, aspectos legais, etc. Mas não pode se esquecer de outras perspectivas como a
educacional, de saúde, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, entre outras. Além
disso, não importa se adotamos um enfoque qualitativo ou quantitativo da pesquisa, sempre temos
de escolher uma perspectiva principal para abordar nosso estudo ou determinar quais perspectivas
irão conduzi-lo. Então, estamos falando de perspectiva (disciplina a partir da qual a pesquisa é es-
sencialmente conduzida) e enfoque do estudo (quantitativo, qualitativo ou misto).

Pesquisapréviasobreos temas

É evidente que, quanto mais se conhece um tema, mais eficiente e rápido será o processo de apri-
morar a ideia. Claro que existem temas que foram mais pesquisados que outros, portanto, seu cam-
po de conhecimento está mais bem estruturado. Esses casos exigem formulações mais específicas.
Poderíamos dizer que existem:

• Temasjá pesquisados,estruturadoseformalizados,sobre os quais é possível encontrar documen-


tos escritos e outros materiais que relatam os resultados de pesquisas anteriores.
• Temasjá pesquisados,mas menos estruturadoseformalizados,que já foram pesquisados, embora
existam somente alguns documentos escritos e outros materiais que relatam essa pesquisa; oco-
nhecimento pode estar disperso ou não ser acessível. Por isso, seria necessário procurar os estu-
dos não publicados e recorrer a meios informais como especialistas no tema 1 professores·, ami-
gos, etc. A internet é uma ferramenta valiosa nesse sentido.
• Temaspoucopesquisadosepouco estruturados,que exigem um esforço para encontrar aquilo que
foi parcamente pesquisado.
• Temasnão pesquisados.

Critériospara gerar ideias

Alguns pesquisadores famosos sugeriram os seguintes critérios para gerar ideias produtivas de pes-
quisa:

• As boas ideias intrigam, estimulam e excitam o pesquisadorpessoalmente.Ao escolher um tema


para pesquisar, e mais concretamente uma ideia, é importante que ele seja atraente. É muito
chato ter de trabalhar em algo que não seja de nosso interesse. Quanto mais a ideia estimular e
iij
motivar o pesquisador, mais ele irá se envolver no estudo e mais predisposição terá para vencer
1:1
os obstáculos que surgirem.
• As boas ideiasde pesquisa "nãosão necessariamentenovas,mas originais':Muitas vezes é necessá-
' rio atualizar estudos anteriores ou adaptar as formulações vindas de pesquisas realizadas em
contextos diferentes ou, às vezes, conduzir certas formulações por novos caminhos.
• As boas ideias de pesquisapodem servir para elaborarteoriase solucionarproblemas.Uma boa
ideia pode levar a uma pesquisa que ajude a formular, integrar ou comprovar uma teoria ou a
iniciar outros estudos que, unidos à pesquisa, conseguem formar uma teoria. Ou, ainda, gerar
novos métodos de coletar e analisar dados. Em outros casos, as ideias dão origem a pesquisas
que ajudam a resolver problemas. Assim, um estudo elaborado para analisar os fatores que pro-
vocam condutas delituosas nos adolescentes poderia contribuir para a criação de programas
voltados para a resolução de diversos problemas de delinquência juvenil.
• As boas ideiaspodem servirpara gerarnovasperguntas e questionamentos.Algumas delas preci-
sam ser respondidas, mas também devemos criar outras. Às vezes um estudo consegue gerar
mais perguntas do que respostas.

1..
Metodologiade pesquisa 55

Resumo
squisas surgem a partir de ideias, que podem vir sobre a ideia ou buscar referências. Mas isso não
• A s pe l"d d - ,
de diferentes fontes, e sua qua I a e nao esta neces- nos impede de adotar uma perspectiva única e pró-
sariamente relacionada com a fonte da qual vêm. pria.
• Geralmente, as ideias são vagas e devem ser tradu- • As boas ideias devem estimular o pesquisador, ser
·das em problemas mais concretos de pesquisa, originais e servir para a elaboração de teorias e a
:~r isso precisamos fazer uma revisão bibliográfica resolução de problemas.

Conceitosbásicos
Enfoque de pesquisa Inovação na pesquisa
Estruturação da ideia de pesquisa Perspectiva da pesquisa
Fontes geradoras de ideias de pesquisa Tema de pesquisa
Ideias de pesquisa

Exercícios
1. Veja um filme romântico e retire duas ideias de pes- são frutíferas? Quais ideias são mais úteis, as que
quisa. vieram do filme ou as do artigo científico? Como as
2. Selecione uma revista científica (consulte no "Mate- ideias surgiram?
rial complementario" do CD o Apéndice 1, a lista de 4. Navegue na internet e retire uma ideia de estudo
revistas científicas), escolha um artigo e retire duas como resultado de sua experiência.
ideias de pesquisa. 5. Escolha uma ideia de pesquisa que você irá desenvol-
3. Compare as ideias retiradas do filme e do artigo e ver durante a leitura do livro. Primeiro, utilizando o pro-
responda as seguintes perguntas: Todas as ideias cesso quantitativo e depois, o processo qualitativo.

Exemplosdesenvolvidos
Exemplosquantitativos Shoppingscenters
A televisãoe a criança Conhecer a experiência de compra em shoppíngs cen-
ters.
Descrever os usos que a criança faz da televisão e as
gratificações que obtém ao ver programas televisivos.
Exemplosde métodos mistos
O pare a relaçãoideais
Identificar os fatores que descrev ~m o casal ideal. A pesquisa mista é um novo enfoque e implica combinar
o método quantitativo e o qualitativo em um mesmo
O abusosexualinfantil estudo. Por ora, vamos dar apenas urna ideia de um
Avaliar os programas para prevenir o abuso sexual exemplo desse tipo de pesquisa. No Capítulo 17 apro-
infantil.
fundamos as características e os desenhos do processo
misto e incluímos diversos exemplos (entre eles este
Exemplosqualitativos sobre a moda), assim como no Capítulo 12 do CD: ~
"Ampliación y fundamentación de los métodos rnixtos". .,
A guerraCristera
• em Guanajuato
Compreender a guerra Cristera em Guanajuato ( 1926- A modae as mulheresbrasileiras
1929) a partir das perspectivas de seus atores. Saber corno as mulheres brasileiras definem e avaliam a
moda.
Consequências
do abusosexualinfantil
Entender as experiências do abuso sexual infantil e suas
consequências a longo prazo.

• N. de T.: A luta entre a Igreja Católica e o Estado, ocorrida no México.


56 Hernández Sampieri, Fernández Collado & Baptista Lucio

Os pesquisadoresopinam
A formulação do problema ajuda a saber o que quere- menta de trabalho, além de permitir realizar pesquisa em
mos pesquisar, a identificar os elementos presentes no lugares remotos.
processo e a definir o enfoque, porque na perspectiva É fundamental incutir nos estudantes a import ância
quantitativa e qualitativa definimos claramente qual é o de obter conhecimentos por meio de uma pesquisa,
objeto de análise em uma situação determinada e, assim como um pensamento crítico e lógico, além de
dependendo do tipo de estudo que pretendemos reali- dizer a eles que para iniciar um projeto é necessário
zar, ambos podem ser mesclados. revisar a literatura existente e se manter informado
Hoje existem muitos recursos para trabalhar em sobre os problemas sociais.
pesquisa qualitativa, e entre eles estão os livros, que Em meu campo de trabalho, a docência, a pesquisa
apresentam técnicas e ferramentas atualizadas, e tam- é escassa, porque não se dedica tempo suficiente a ela;
bém as redes de computadores nas quais os pesquisa- no entanto, na área de ciências, o governo desenvolve
dores podem obter informação para novos projetos. projetos muito importantes para o país.
Na pesquisa quantitativa se destaca o desenvolvi-
mento de programas eletrônicos. Por exemplo, em DilsaEneidaVergaraD.
minha área, que é a de engenharia de sistemas compu- Docente em tempo integral
tacionais, existe o software de monitoramento, que Facultad de lngeniería de Sistemas Computacionales
contribui para a avaliação e o desempenho do hardware. Universidad Tecnológicade Panamá
Em ambos os enfoques, a internet representa uma ferra- EI Dorado, Panamá

O pesquisador não é só aquele indivíduo de avental Quanto aos enfoques quantitativo e qualitativo da
branco fechado em um laboratório. A pesquisa tem um pesquisa, podemos dizer que houve mudanças-significa-
vínculo com a comunidade, o âmbito social ou a indús- tivas. Por exemplo, a pesquisa qualitativa adquiriu um
tria. Ela não é realizada apenas pelos gênios; qualquer nível mais elevado tanto no discurso como em seu
pessoa pode realizá-la, desde que se prepare para isso. marco epistemológico, além do desenvolvimento de ins-
Um projeto começa com a formulação de perguntas trumentos muito mais válidos para realizá-la.
baseadas na observação; essas perguntas surgem Na pesquisa quantitativa houve um avanço nos pro-
durante uma conferência, enquanto lemos os jornais ou cessos, e softwares foram criados para facilitar a tabula-
na realidade cotidiana, e devem ser validadas por pes- ção de dados; hoje os marcos epistemológicos também
soas que possuem conhecimento sobre o tema abor- são trabalhados de uma maneira mais adequada. Vale lem-
dado para atestar que são relevantes, que servem para brar que nesse tipo de pesquisa os testes estatísticos são
realizar uma pesquisa e se esta, realmente, contribuiu muito importantes para determinar se existem diferenças
com a disciplina relacionada ou se irá solucionar algum significativas entre medições ou grupos, além de ajudar a
problema. obter resultados mais objetivos e precisos.
Depois vem a formulação do problema, que se for
redigida de maneira clara e precisa representará um GertrudysTorresMartínez
grande avanço. Sem descartar que posteriormente seja Docente pesquisadora
necessário fazer ajustes ou tornar as ideias mais preci- Facultad de Psicología
sas, mas na essência ela deve conter aquilo que foi pro- UniversidadPiloto de Colombia
posto no início. Bogotá, Colômbia

Quando um estudante conhece a obra Metodologia todas as suas várias edições, que significa mais do que
de pesquisa,talvez a veja apenas como um texto desco- uma tiragem maior de livros. Como poucos títulos dispo-
nhecido, uma escolha de seu professor ou até mesmo níveis no mercado, este foi revisado e atualizado, não só
uma proposta bibliográfica do programa de uma disci- como uma decisão unilateral de seus autores e editores,
plina - a não ser que o trabalho de pesquisa esteja mas também como parte de um processo de melhoria
ligado a sua profissão, talvez por estar redigindo sua contínua por meio do produtivo e bilateral feedback com
tese ou também porque a busca e a análise da informa- seus leitores, com aqueles que fizeram dela a primeira
ção façam parte de sua função no trabalho -, mas, escolha por antonomásia na hora de pensar em ensinar
tirando esses casos, ele a vê como mais um texto obri- teoria e ilustrá-la com casos reais sobre metodologia,
gatório. No entanto, se for um professor, essa obra já é muito mais do que repetir ou imitar exercícios do livro,
uma companheira de suas aventuras docentes, uma mas com a ideia de criar indivíduos que de maneira
obra clássica, mas nem por isso desatualizada, pois autônoma e criativa sejam capazes de iniciar uma pes-
entre suas virtudes está o fato de conseguir ter êxito em quisa original ou continuar o que foi pesquisado por
-----
Metodologiade pesquisa 57

as bases suficientes para produzir novo mais, melhoramos a compreensão de um tema e tam-
outros com d. . 1· E
. to em suas diferentes IscIp Inas. , para bém encontramos a solução que todos buscavam, cami-
nhecImen
co . •sso uma obra deve estar sempre aberta a nho ou método que pelas mãos de Hernández Sampieri
conseguir 1 ' . ,
. es para melhorar, coisa que dentro da area de empreendemos reiteradamente, desde sua obra até
seus leitor , . , .
ia talvez esta seJa a unica que o fez, recu- espaços virtua is e fóruns on-line como material de apoio
metodoIog . b
se transformar em um clássico ou est-seller em formato eletrônico que potencializa as já poderosas
sando-se a ,
tempo envelhece, e que ate aqueles que o ferramentas metodológicas, que expõe e submete à
que com O .
. h como livro de cabeceira o abandonam pela revisão crítica de seus leitores para assim melhorar a
tin am , , . , .
·dade do atual e e esta u1tIma caracteristIca que obra e, como um esforço em cadeia, melhorar tanto
necessI ' . .
define O livro de Hernández Samp1eri e colaborador_es, seus alcances como a produtiva assimilação e a prática
• os leva por um caminho que começa com as dife- dos usuários do livro, pois é de consulta permanente.
poIs n . . . . d
tre a abordagem qualitativa e a quantItat1va a Mais do que um livro passageiro em nossas vidas, che-
rençaS en . .
realidade para formular um problema da maneira mais gou para ficar e nos fazer continuar juntos o caminho
adequada, defini-lo de uma forma que_nos leve a novas metódico de como encontrar as respostas que busca-
respostas sem cair nos mesmos c~mmhos de_sempre. mos todos os dias de nossas vidas.
Propondo um desenho de pesquisa que, aliado aos
caminhos idôneos para coletar informação confiável e DoutorMoisésDei PinoPena
tanto analisá-la como interpretá-la, nos coloquem em Universidad lberoamericana
condições de dizer encontramos algo novo, sabemos México, D.F.
Parte li
O processo da
pesquisa quantitativa
3
Formulação
do problemaquantitativo

Passo 2 Formulação do problema de pesquisa


Processo de • Estabelecer os objetivos de pesquisa.
pesquisa • Desenvolver as perguntas de pesquisa .
quantitativa • Justificar a pesquisa e analisar sua viabilidade.
• Avaliar as deficiências no conhecimento do
problema.

ºª Objetivosda aprendizagem
Ao concluir este capítulo, o aluno será capaz de:

1. formular de maneira lógica e coerente problemas de pesquisa quantitativa com todos os seus elemen-
tos;
2. redigir objetivos e perguntas de pesquisa quantitativa;
3 . compreender os critérios para avaliar um problema de pesquisa quantitativa.

Síntese
Neste capítulo iremos mostrar como a ideia é desenvolvida e se transforma na formulação do problema de pes-
quisa quantitativa. Em outras palavras, explicamos como formular um problema de pesquisa. Os cinco elemen-
tos analisados no capítulo são fundamentais para formular quantitativamente um problema: objetivos de pes-
quisa, perguntas de pesquisa, justificativa da pesquisa, viabilidade desta e avaliação das deficiências no co-
nhecimento do problema.

Formula ção do problema quantitativo

Cujos crité rios são: E seus elementos são: Im plica aprimorar


• Delimita r o problema ideias
• Objetivos: que são os guias do estudo
• Relação entre variáveis • Perguntas de pesquisa: que devem ser claras e
• Formular co mo pergunta são o "o quê" do estudo
• Aborda r um problema • Justificativa do estudo: é o porquê e o para
mensurável ou observáve l quê do estudo
• Viabilidade do estudo que im plica:
- disponibilidade de recursos
- alcances do estudo
- co nsequências do estudo
• Deficiências no conhecimento do problema que
orientam o estudo:
- estado do conhecimen t o
- novas perspectivas a serem est udadas
---
g
---
O QUESIG
NIFICAFORMULARO PROBLEMA

. . d
DE PESQUISAQUANTITATIVA?
Metodologia

squisa foi pensada e o cientista, estudante ou especialista se aprofundou no


de pesquisa 611

Q uando a idei~ e p:olheu O eufoque, já está em condições de formular o problema de pesquisa.


tefflª ern q uestao e esta contar com um b om me·1o d o e mm·1o entusiasmo
. d"1311 · -
se nao
De nada ª quisar. Na verdade,formularo problema não é nada mais do FORMULACÃOQUANTITATIVADO
soubermos o que p;s turar mais formalmente a ideia de pesquisa.A passagem da PROBLEMÁDesenvolvimento da
qt1eapnuwrm.e esla;ão do problema muitas vezes pode ser imediata, quase auto- ideia utilizando cinco elementos:
ideia paraª foi mb~ levar uma quantidade considerável de tempo; isso depende 1. objetivos de pesquisa,
máuca,· ou tam . . .emdo O pesquisador esta• com o tema a ser ab or d a d o, d a comp 1e- 2. perguntas de pesquisa,
- fan11 1ianza d h d
de quao . . d ideia, da existência de estudos antecedentes, o empen o o 3.justificativa da pesquisa,
:xidad: pro~:~. :uas habilidades pessoais. Selecionar um tema ou uma ideia não 4. viabilidade da pesquisa,
pesquisado d' t mente na posição de considerar qual informação terá de coletar, 5. avaliação das deficiências no
<?colo ca ime
. ª e como irá analisar
.ta1 dos · os dados obtidos.
· Antes, ele precisa
· for- con hec,mento
· do problema.
om quais me o !' . d . .
e bl na específicoem termos concretos e exp 1c1tos, e maneira que seJa
mular.o p!rdoe, r pesquisado com procedimentos científicos (Selltiz et al., 1980).
suscet1ve e se l - . .
. • é essência das formu açoes quant1tat1vas.
Deltmti:;ã/conforme diz Ackoff (1_967),~°:problema bem formulado_ está !"arc\al_mente reso!vi-
t maior for a exatidão, mais poss1b1hdades de obter uma soluçao sat1sfatona. O pesqmsa-
dd.o; qduanºer capaz não só de conceituar o problema, mas também de escrevê-lo de forma clara, pre-
or eves , . _ . , .
.,__
. acessível. Muitas vezes ele sabe o que deseJa fazer, mas nao como comunica-lo aos demais, en-
c1sac e • d . • .
Jão ele precisa realizar um es1~rçom_aiorpara tra u_zirseu J?~nsamento em termos compreens1ve1s,
pois hoje a maioria das pesqmsas eXIgea colaboraçao de vanas pessoas.

Critériospara formular o problema

'De acordo com Kerlinger e Lee (2002), os critérios para formular adequadamente um problema de 001
pesquisa quantitativa são:

• o problema deve apresentar uma relação entre dois ou mais conceitos ou variáveis;
• o problema deve estar formulado como pergunta, claramente e sem ambiguidade; por exemplo:
Que efeito? Em quais condições ... ? Qual é a probabilidade de ... ? Como está relacionado
com ... ?;
• a formulação deve implicar a possibilidade de realizar um teste empírico, ou seja, a factibilidade
de ser observado na "realidade única e objetiva". Por exemplo, se alguém pretende estudar quão
•~blime é a alma dos adolescentes, está formulando um problema que não pode ser testado em-
piricamente, pois "o sublime" e «a alma" não são observáveis. Claro que o exemplo é extremo,
;as ele nos lembra de que o enfoque quantitativo trabalha com aspectos da realidade que po-
. em ser observados e mensurados .

.0° QUAISSÃOOS ELEMENTOSDA FORMULACÃODO


PROBLEMA
DE PESQUISANO PROCESSO
Q.UANTITATIVO?
!'~ra
nós O l
·:JÍJV{)s
de;,s s e_•mentas para formular um problema são cinco e estão relacionados entre si: os obje-
.., }iaçiiodasd~''J,'ª:asperguntasdepesquisa,a justificativa e a viabilidadedo estudo,assim como a ava-
\;,_·
__
·; zcienczasno conhecimentodo problema.

>:ô~etivosd
•êz... a Pesquisa
F,•c.,:,,·:..-,;~_._ •
v. V:j> \,tJI1e1ro
· .
":'}lliisase Preciso deter •
"t•. . · buscam ant d mmar O que a pesquisa pretende, isto é, quaissão seusobjetivos.Algumas pes-
lllencion;r qu~ . e tudo, contrib~ir para resolver um determinado problema; nesse caso, deve-
e e de que maneITa achamos que o estudo irá ajudar a resolvê-lo; outras têm
I
62 Hernández
Sampieri,Fernández
Collado& BaptistaLucio

como objetivo principal comprovar uma teoria ou trazer evidência empírica a seu
OBJETIVOSOEPESQUISAIndicam o favor. Os objetivos devem ser apresentados com clareza para evitar possíveis distor-
que queremosna pesquisae devem
ções no processo de pesquisa quantitativa e serem possíveis de atingir (Rajas, 2002);
serapresentados comclareza,pois
são os guiasdo estudo.
são osguias do estudoe é preciso tê-los presentes durante todo seu desenvolvírnen-
to. É claro que os objetivos especificados precisam ser congruentes entre si.

Exemplo
Pesquisade Mariana sobre o namoro

Vamoscontinuarcom o exemplodo capítuloanteriordizendoque, apósMarianater se familiarizado como


tema e decididorealizaruma pesquisaquantitativa,ela descobriuque segundoalgunsestudosos fatores
mais importantessão a atraçãofísica, a confiança,a proximidadefísica, o grau com que cada um dos
namoradosreforçapositivamente a autoimagemdo outroe a semelhançaentreambos(emcrençasfunda~
mentaise valores).Então,os objetivosde sua pesquisapoderiamser formuladosda seguintemaneira:

• determinarse a atraçãofísica,a confiança,a proximidadefísica,o reforçoda autoestimae a semelhança


têm uma influênciaimportanteno desenvolvimento do namoroentrejovensda Catalunha;
• avaliarquaisdos fatoresmencionados é mais importanteno desenvolvimento do namoroentre esses
jovens;
• analisarse há ou não diferençasentre os homense as mulheresem relaçãoà importânciaatribuídaa
cada um dosfatoresmencionados;
• analisarse há ou nãodiferençasentreos casaisde namoradosde diferentesidadesem relaçãoà impor~
tânciadadaa cada um dessesfatores.

Também é bom lembrar que durante a pesquisa é possível surgir objetivos adicionais, que os
objetivos iniciais sejam modificados e até mesmo substituídos por outros objetivos novos, depen-
dendo do rumo tomado pelo estudo.

Perguntasde pesquisa
002 Além de definir os objetivos concretos da pesquisa é conveniente formular, por meio de uma ou vá-
rias perguntas, o problema que será estudado. Ao fazer isso na forma de perguntas temos a vanta-
gem de apresentá-lo de maneira direta, minimizando a distorção (Christensen, 2006). As perguntas
representam o o quê?da pesquisa.
Nem sempre na pergunta ou perguntas comunicamos totalmente o problema, com toda sua
riqueza e conteúdo. Às vezes formulamos somente o propósito do estudo, embora as perguntas de-
vam resumir o que a pesquisa terá de ser.Nesse sentido) não podenios dizer que
PERGUNTASOEPESQUISALevam existe uma forma correta de apresentar todos os problemas de pesquisa, pois cada
às respostasque queremosobter um deles exige uma análise especifica. As perguntas gerais precisam ser esclareci-
com a pesquisa. As perguntas não das e delimitadas para delinear a área-problema e sugerir atividades pertinentes
devem utilizartermosambíguos para a pesquisa (Ferman e Levin, 1979).
nem abstratos. As perguntas muito gerais não levam a uma pesquisa concreta, portanto,
aquelas como: Por que alguns casamentos duram mais do que outros? Por que há
pessoas mais satisfeitas com seu trabalho do que outras? Em quais programas de
televisão há muitas cenas de sexo? As pessoas que fazem psicoterapia mudam com o tempo? Os ge-
rentes se comprometem mais com sua empresa do que os trabalhadores? Como os meios de comu-
nicação de massa se relacionam com o voto? etc.) devem ser delimitadas.Essasperguntas são mais
ideias iniciais que devem ser aprimoradase se tornar mais precisas para que orientem o início de
um estudo.
A últírna pergunta, por exemplo, fala de "meios de comunicação de massa", termo que írnpli-
ca o rádio, a televisão, os jornais, as publicações)o cinema, os outdoors,a internet e tantos outros.
Também se menciona "voto"sem especificaro tipo, o contexto nem o sistema social, se é uma vo-
tação política de nível nacional ou local, sindical, religiosa, para escolher o representante de uma câ-
Metodologide
a pesquisa 63

·ndustrial ou um cargo público como um prefeito ou um


mara I
bro do parlamento. E, mesmo no caso d e o voto ser pensado
mer\ma eleição presidencial, a relação apresentada não leva a ela-
para . d .
·aratividadespertinentes para esenvo1ver uma pesqmsa, a não
bar que se pense em "um grand e estud o " que
ana1·1seto d os os pos-
:::eis vínculos entre os dois termos (meio de comunicação de mas-
sa e voto).
De fato, a pergunta formnlada dessa maneira provoca muitas
dúvidas: iremos pesquisar os efeitos que a propaganda veiculada
nesses meios pode ter na conduta dos votantes? Iremos analisar o
papel desses meios como agentes de socialização política em rela-
ção ao voto? Iremos pesquisar em que medida o número de men-
sagens políticas nos meios de comunicação de massa aumenta du-
As perguntásde pesquisadevem ser concretas, pois
rante os períodos eleitorais? Será que vamos estudar como os resul-
não é o mesmo votar para um conselheirojuvenil e
tados da votação afetam a opinião das pessoas que trabalham
votar para escolhero presidentede um país.
nessesmeios? Ou seja, não fica claro o que será realmente feito.
O mesmo acontece com as outras perguntas, elas são muito
gerais. Em vez disso, é possível formular perguntas muito mais específicas como: Será que o tempo
que os casais gastam diariamente para avaliar sua relação está relacionado com o tempo que duram
seus casamentos (em um contexto específico, por exemplo: casais há mais de 20 anos casados e que
moram nos subúrbios de Madri)? Qual é a ligação entre a satisfação no trabalho e a instabilidade
do cargo de administração nas indústrias com mais de mil trabalhadores em Caracas, Venezuela?
No decorrer do último ano, será que as séries americanas de televisão CSI e Law & Order contêm
mais cenas de sexo do que as novelas chilenas? Conforme as psicoterapiastranscorrem,será que as
expressões verbais de discussão e exploração de futuros planos pessoais manifestados pelas pacien-
tes aumentam ou diminuem (nesse caso, mulheres executivas que moram em Barranquilla, Colôm-
bia)? Existe alguma relação entre o nível hierárquico e a motivação intrínseca para o trabalho nos
empregados do Ministerio de Economia y Finanzas Públicas da Argentina? Qual é a média de horas
diárias que as crianças das áreas urbanas da Costa Rica veem televisão? Será que a exposição dos vo-
tantes aos debates televisivos dos candidatos à presidência da Guatemala está correlacionada à de-
cisão de votar ou de se abster?
As perguntaspodem ser mais ou menosgerais,conformefoi mencionadoanteriormente,mas na
maioriados casosé melhor que sejam precisas,sobretudono casode estudantesque estãose iniciando
na pesquisa.Claro que existem macroestudos que pesquisam muitas dimensões de um problema e
que, inicialmente, chegam a formular perguntas mais gerais. No entanto, quase todos os estudos
versamsobre questões mais específicas e limitadas.

Exemplo
Pesquisade Mariana sobre o namoro

Ao aplicaro que foi dito anteriormenteno exemploda pesquisasobreo namoro,as perguntasde pesquisa
Poderiamser:

• Será que a atraçãofísica, a confiança,a proximidadefísica, o reforçoda autoestimae a semelhanç


a
exercemuma influênciasignificativano desenvolvimento do namoro?(O desenvolvimento do namoro
seriaentendidocomoa avaliaçãoqueos nç:imorado realizam
s sobresua relação,o interessequedemons~
tram e sua disposição em dar continuidadea ela.)
• Qualdessesfatoresexercemaiorinfluênciana avaliaçãoda relação,no interessequedemonstra
me na
disposiçãoem dar continuidade a ela?
• Existeum vínculoentre a atraçãofísica, a confiança,a proximidade física, o reforçoda autoestimae a
semelhança?
• Existealgumadiferençaporgênero(entreos homense as mulheres)em relaçãoao pesoquedão a
cada
fator na avaliaçãoda relação,no interesseque demonstrame em sua disposiçãoem dar continuidad
e
a
ela?
64 Hernández
Sampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

• Será que a idade está relacionadacom o peso dado a cada fator em relação à avaliaçãoda relação, ao
interesseque demonstram por esta e à disposição em dar continuidade a ela?

Conforme podemos observar, as perguntas estão completamente relacionadascom seus respectivos


objetivos(vãojuntas, são um reflexodestes).
Já sabemosque o estudo será realizadona Catalunha,mas precisamosser mais específicos,por exemplo:
realizá~lo
entre estudantesdo curso de Administraçãoda UniversidadAutónomade Barcelona.
Então, dando uma simples olhada no tema, podemos notar que ele será muíto abrangentee, a menos
que se conte com muitos recursose tempo, seria necessáriolimitar o estudo como, por exemplo, à questão
da semelhança,Assim, poderíamosperguntar:Será que a semelhançaexerce algumainfluênciasignificativa
sobre a escolhado par no namoro e na satisfaç:ãodentro deste?

De acordo com Rojas (2002) também é necessário estabelecer os limites temporais e espaciais
do estudo ( época e lugar) e traçar um perfil das unidades de observação (pessoas, jornais, moradias,
escolas, animais, eventos, etc.), perfil que, embora seja uma tentativa, é muito útil para definir o tipo
de pesquisa que será realizada. Então, é muito difícil que todos esses aspectos sejam incluídos nas
perguntas de pesquisa; mas é possível formular uma ou várias perguntas, que virão acompanhadas
de uma rápida explicação sobre o tempo, o lugar e as unidades de observação do estudo.
Assim como no caso dos objetivos, durante o desenvolvimento da pesquisa é possível modifi-
car as perguntas originais ou acrescentar outras; e, como sugerimos até agora, a maioria dos estu-
dos formula mais de uma pergunta, pois desse modo é possível abranger diversos aspectos do pro-
blema a ser pesquisado.
León e Montero (2003) mencionam os requisitos que as perguntas de pesquisa devem preen-
cher:1

• as respostas não devem ser conhecidas (se forem, não valeria a pena realizar o estudo);
• as respostas devem ter evidência empírica ( dados observáveis ou mensuráveis);
• implicam utilizar meios éticos;
• devem ser claras;
• o conhecimento obtido deve ser substancial (trazer conhecimento para um campo de estudo).

Justificativada pesquisa

Além dos objetivos e das perguntas de pesquisa também é necessáriojustificar o estudo mediante a
exposiçãode suasrazões(o para quê e/ ou porquêdo estudo). A maioria das pesquisas é realizada com
um propósito definido, pois não são simplesmente realizadas pelo capricho de
uma pessoa, e esse propósito deve ser suficientemente significativo para que sua
JUSTIFICATIVADA PESQUISAIndica
realização seja justificada. Além disso, em muitos casos temos de explicar por que
o porquê da pesquisa expondo
suas razões. Com a justificativa
é conveniente realizar a pesquisa e quais são seus benefícios: um bacharel deverá
devemos demonstrar que o estudo
explicar a um comitê escolar a importância da tese que pensa realizar, o pesquisa-
é necessário e importante. dor universitário fará o mesmo com o grupo de pessoas que aprovam projetos de
pesquisa em sua instituição e até mesmo com seus colegas, o assessor terá de es-
clarecer a seu cliente os benefícios que serão obtidos de um estudo determinado,
o subordinado que propõe uma pesquisa ao seu superior deverá dar razões de sua
utilidade. O mesmo acontece em quase todos os casos. Independentemente de serem estudos quan-
titativos ou qualitativos, a justificativa sempre é importante.

Critériospara avaliara importânciapotencialde uma pesquisa

Uma pesquisa consegue ser oportuna por diversos motivos: talvez ajude a resolver um problema so-
cial, a construir uma nova teoria ou a gerar novas perguntas de pesquisa. Aquilo que alguns consi-
Metodologiade pesquisa 65

levante para pesquisar pode não ser relevante para outros. A opinião das pessoas costuma
d~rai_nr:anto a isso. No entanto, é possível estabelecer critérios para avaliar a utilidade de um estu-
difenr q sto e estes são evidentemente flexíveis e de maneira alguma os únicos. A seguir, indicamos
do pro~~sses critérios formulados como perguntas, que foram adaptados deAckoff (1973) e Miller
algu: d (2002). Também vamos afirmar que, quanto mais respostas forem dadas de maneira po-
5
e_ ª nsatisfatória, mais bases sólidas a pesquisa terá para justificar sua realização.
51nva e

• Conveniência.Quão oportuna é a ~es~uisa? Isto é,_para quê serve? , _


0
Relevânciasocial.Qual sua rmpo:tancia par~ a soc1eda~e? Quem sera beneficiado _com ~s resul-
t dos da pesquisa? De que maneira? Resummdo, qual e seu alcance ou sua proJeçao social?
J~plicaçõespráticas.Ela irá ajudar a resolver algum problema real? Tem implicações importan-
• tes para uma ampla gama de problemas práticos?
• Valorteórico.Com a pesquisa, algum vazio de conhecimento será preenchido? Será que é possí-
vel generalizar os resultados para princípios mais amplos? A informação obtida pode servir para
revisar, desenvolver ou apoiar uma teoria? Será possível conhecer melhor o comportamento de
uma ou de diversas variáveis ou a relação entre elas? Ela oferece a oportunidade de uma explo-
ração frutífera de algum fen~meno ou ambiente? O que se espera saber agora com os resultados
que antes não se conhecia? E possível sugerir ideias, recomendações ou hipóteses para futuros
estudos?
• Utilidademetodológica.A pesquisa pode ajudar a criar um novo instrumento para coletar ou
analisar dados? Ela contribui para a definição de um conceito, uma variável ou uma relação en-
tre variáveis? Será que com ela é possível conseguir melhorar a forma de experimentar com uma
ou mais variáveis? Será que ela sugere como estudar mais adequadamente uma população?

Claro que dificilmente uma pesquisa consegue responder de maneira positiva a todas essas
perguntas; às vezes ela considera apenas um critério.

Exemplo
Pesquisade Mariana sobre o namoro
Marianapoderiajustificar seu estudo da seguinte maneira:2
De acordo com Méndez (2009), uma das preocupaçõescentrais dos jovens é a relaçãocom seu par
sentimental.Emum estudo de Mendonza(2009) podemosver que os(as)universitáríos(as)que têm dificul-
dadescom seusparesou estão fisicamentedistantes deles (vamosdizer que moram em outra cidade ou se
encontramde maneiraocasional)têm um desempenhoacadêmicomais baixo do que aqueles(as)que man-
têm um relacionamentoharmoniosoe se encontramregularmente.Muiiiz e Rangel(2008) descobriramque
um namorosatisfatório aumentaa autoestima...
Do mesmomodo, 85% dos universitáriosdedicamum tempo considerávelde seus pensamentosao seu
par !Torres,2009),.. [Éimportante incluir cifras de outros estudosque mostrem a importânciae magnitude
do problemaem estudo.]
A pesquisaformulada irá contribuir para gerar um modelo para entender esse importante aspecto na
vida dos(as)jovens estudanteslatino-americanos(as){valor teórico). Os resultados do estudo também aju-
darãoa criar maior consciênciaentre os mentores dos(as) universitários(as)sobre esse aspecto de seu
aconselhamento, e quandoalgum delestiver problemasem seu relacionamento,eles poderãoassessorá-los
maisadequadae integralmente(implicaçãoprática). Por outro lado, com a pesquisaserá possíveldesenvol-
ver um método para medir as variáveis do estudo no contexto catalão, mas com aplicaçõesem outros
ambienteslatino•americanos(valor metodológico)...

ViªbT
1
idadeda pesquisa

dos elementos anteriores é necessário considerar outro aspecto importante da formulação do


A.lpr!mbl
ema· a . b'l"d
· via ' t ade ou factibilidade própria do estudo; para tanto, devemos levar em conta a
66 HernándezSarnpieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

1
disponibilidade de recursos financeiros, humanos e materiais que irão determinar, em último case
os alcances da pesquisa (Rajas, 2002). Também é indispensável termos acesso ao lugar ou context,
\i' em que a pesquisa será realizada. Ou seja, temos de nos perguntar de maneira realista: Será que
!: possível realizar essa pesquisa? Quanto tempo levará para realizá-la? Esses questionamentos sã,
:ii1
particularmente importantes quando sabemos de antemão que iremos dispor de poucos recurso
para realizá-la.

l:!//
' ,, li
!i
1;

1il Exemplo
Um caso de inviabilidade

Este fato ocorreu há alguns anos, quando um grupo de estudantes de ciências da comunicação decidiu
realizarseu trabalho de conclusão de curso (TCC)sobre o efeito que teria introduzira televisão em uma
comunidadeonde ela não era conhecida. O estudo buscava, entre outras coisas, analisarse os padrõesde
consumo mudavam, se as relações interpessoaiseram modificadase se as atitudes e os valores centrais
dos habitantes - religião,atitudes em relaçãoao casamento, à família,ao trabalho,etc. - se transformavam
com a introduçãoda televisão. A pesquisa era interessante porque havia poucos estudos similares,e esta
traria informaçãoútil para a análise dos efeitos desse meio, a difusão de inovações e para muitas outras
áreas de conhecimento.No entanto, o custo da pesquisa era muito alto (serianecessário adquirirmuitos
televisores e dá-los de presente aos habitantes ou alugá-los,fazer com que as transmissões chegassem à
comunidade,contratar muitas pessoas, fazer consideráveisgastos em provisões,etc.), e isso ia muitoalém
das possibilidadeseconômicasdos estudantes, mesmo que conseguissemfinanciamento.Alémdisso, leva-
ria bastante tempo para realizá-lo(cerca de três anos), levandoem conta que se tratava de um TCC. Certa-
mente que para um pesquisadorespecializadona área este tempo não representariaum obstáculo. O fator
"tempo" variaem cada pesquisa;às vezes os dados são solicitadospara logo,enquanto em outras o tempo
não é relevante.Existemestudos que duramvários anos porque sua natureza assim o exige.

Avaliaçãodas deficiênciasno conhecimentodo problema

Também é importante considerarmos, em relação ao nosso problema de pesquisa, os seguinte


questionamentos: O que mais precisamos saber do problema? O que falta estudar ou abordar? C
que não consideramos? O que esquecemos? As respostas para essas perguntas irão nos ajudar asa
ber onde se encontra nossa pesquisa na evolução do estudo do problema e quais perspectivas nova
poderíamos trazer.
No entanto, de acordo com Hernández Sampieri e Méndez (2009), esse elemento da formulaçã<
somente pode ser incluído se o pesquisador já trabalhou anteriormente ou possui um vínculo com ,
tema de estudo, e esse conhecimento permite que ele tenha uma visão clara do problema a ser indaga
do. Caso contrário, a avaliação das deficiências no conhecimento do problema terá de serrealizada de
pois de ter feito uma revisão mais completa da literatura, e isso é parte do próximo passo no procesS<
de pesquisa quantitativa. Para dar um exemplo: ao iniciar sua pesquisa, Nuiiez (2001) pretendia en
tender o sentido de vida dos professores universitários, utilizando os conceitos de Viktor E. Frank!.
No entanto, era a primeira vez que se aprofundava nessas noções e, nesse momento, ela não sabia qu
havia pouquíssimos instrumentos para medir essa variável tão complexa ( e menos ainda no context<
latino-americano). Foi somente após revisar a literatura que percebeu isso, então modificou sua for
mulação e se dedicou, primeiro, a desenvolver e validar um questionário que medisse o sentido d,
vida, para depois compreender sua natureza e seu alcance nos docentes.

Consequênciasda pesquisa

Embora não seja por razões cientificas, mas sim éticas, 4 o pesquisador precisa se questionar sobr•
as consequênciasdo estudo.No exemplo anterior do caso de inviabilidade, supondo que a pesquis:
Metodologiade pesquisa 67

Objetivos da pesquisa

Perguntas de pesquisa

Elementos da formulação do
problema de pesquisa no
Justificativa da pesquisa
processo quantitativo

Viabilidadeda pesquisa

Avaliação das deficiências no conhecimento do problema

FIGURA3.1 Elementosda formulaçãodo problemana pesquisaquantitativa.

houvesse sido realizada, seria oportuno se perguntar antes de realizá-la como ela iria afetar os habi-
tant es da comunidade.
Vamos sup or que alguém queira realizar um estudo sobre o efeito de um medicamento mui-
to forte, que é utilizado no tratam ento de algum tipo de esquizofren ia. Nesse caso, teria de refletir
sobre a conveniência de realizar ou não a pesquisa, o que não contradiz o postulado de que a pes-
qu isa científica não estuda aspectos morais nem faz esse tipo de julgamento . Ela não faz isso, mas
também não significa que um pesquisador n ão possa decidir se realiza ou não um estudo por que
este irá provocar efeitos prejudiciais em outros seres humano s. Aqui, estamos falando de cancelar
uma pesq uisa por questões de ética pessoal, e não de realizar um estudo com questões éticas ou mo -
rais. A decisão de realizar ou não uma pesquisa, devido às consequ ências que ela pode acarretar, é
uma decisão pessoal de quem a idealiza. Do ponto de vista dos autores , também é um aspecto da
formulação do problema que deve ser discutido, e a responsabilidade é algo muito digno de ser con-
siderado sempre que vamos realizar um estudo. Em relação a essa questão, hoje a pesquisa sobre a
clonagem oferece desafios interessantes.
Para alguns estudantes é comp lexo delimitar a formu lação do problema (ver Figura 3. 1), por
isso a seguir sugerimos um método gráfico simples para essa finalidade, que funcionou para várias
pessoas.
Vamos supor que uma estudante se interesse pelo "desenvolvimento humano pessoal': por
"seu próprio gênero" e pelo "divórcio", e decida realizar uma pesqu isa sobre "algo" relacionado a es-
ses conceitos, mas para ela é difícil delimitar sua pesquisa e formu lá-la. Então, ela pode :

1. Primeiro escrever os conceitos que tem como "alvo".

Desenvolvimento
humano{abrange
conceitos
mõltiplos) Mulheres(deque
idades,lugar,etc.?)

Seus conceitos, que ainda são muito gerais, precisam ser delimitados.

2. Depois, buscar conceitos mais específicos para seus conceitos gerais.


68 HernándezSampieri,Fernández
Collado& Baptista Lucio

Autoestima (um elemento


do desenvolvimento
humano pessoal) Pacenas(mulheres de
La Paz, Bolívia) com
renda elevada Divórcio recente (um
ano ou menos)

3. Após tornar os conceitos mais precisos, redigir o objetivo e a pergunta de pesquisa (um de
cada é o suficiente).

Objetivo:
Determinar quais os efeitos que o divórcio recente provoca na autoestima (mulherespacenas de
30 a 40 anos com um nível socioeconômico elevado, divórcio recente de um ano ou menos).

Pergunta de pesquisa:
Qual o efeito do divórcio recente na autoestima dessas mulheres?

Comentário: A formulação pode ser enriquec ida com dados ou testemunhos que nos ajudem a si-
tuar o estudo ou a necessidade de realizá-lo.
Por exemplo: Se formu larmos um a pesquisa sobre as consequências da violência com armas
de fogo nas escolas, podemos acrescentar estatísticas sobre o número de incidentes violentos desse
tipo, o número de vítimas, testemunhos de especialistas no tema, pais de família ou estudantes qu e
tenham testem unhado os fatos, etc.

Resumo
• Formularo problemade pesquisaquantitativa con- devem ser encontradascom a pesquisa;a justifica-
siste em aprimorare estruturarde maneiramaisfor- tiva nos indica por que e para quê se deve fazer a
mal a ideia de pesquisa,desenvolvendocinco ele- pesquisa; a viabilidadenos mostra se é possívelrea-
mentosda pesquisa: objetivos, perguntas, justifica- lizá-lae a avaliaçãode deficiências nos situa na evo-
tiva, viabilidadee avaliaçãodas deficiências. lução do estudo do problema.
• Na pesquisaquantitativa,os cinco elementosdevem • Os critérios principais para avaliar a importância
ser capazesde levar a umapesquisaconcretae com potencial de uma pesquisa são: conveniência,rele-
possibilidadede teste empírico. vância social, implicaçõespráticas, valor teórico e
• No enfoquequantitativo, a formulação do problema utilidade metodológica. Além de analisar a viabili-
de pesquisaantecede a revisão da literatura e os dade da pesquisa,é precisoconsiderarsuas possí-
outros processos de pesquisa, mas essa revisão veisconsequências .
podemodificar a formulaçãooriginal. • A formulaçãode um problemade pesquisanão pode
• Os objetivos e as perguntasde pesquisadevemser incluir julgamentos morais nem estéticos, mas o
congruentesentre si e caminharno mesmosentido. pesquisador deve se questionarse é ou não ético
• Os obfetivosdeíerminamo que se pretendecom a realizá-la.
pesquisa;as perguntasnos dizem quais respostas
Metodologiade pesquisa 69

Conceitosbásicos
Avaliação das deficiências no conhecimento do problema Justificativa da pesquisa
Consequências da pesquisa Objetivos de pesquisa
Critérios para avaliar uma pesquisa Perguntas de pesquisa
Formulação quantitativa do problema Processo quantitativo
Viabilidade da pesquisa

Exercícios
1. Veja um filme sobre estudantes (de nível médio ou com crianças de escolas públicas das zonas rurais
superior) e sua vida cotidiana, retire uma ideia, da província de Salta, na Argentina. O estudo seria
depois consulte alguns livros ou artigos que abordem realizado com crianças que frequentam seu primeiro
essa ideia e, por último, formule um problema de pes- curso de matemática.
quisa quantitativa em torno dessa ideia, no mínimo Pergunta: O estilo de liderança (democrático-auto -
com: objetivos, perguntas e justificativa da pesquisa. crático) do professor está relacionado com o nível
2. Selecione um artigo de uma revista científica que de aprendizagem de conceitos matemáticos elemen-
contenha os resultados de uma pesquisa quantita- tares?
tiva e responda às seguintes perguntas: Quais são
Formulação 2
os objetivos dessa pesquisa? Quais são as pergun-
tas? Qual é sua justificativa? Objetivo: Analisar as variáveis relacionadas com o
3. Quanto à ideia que escolheu no Capítulo 2, trans- processo de ensino-aprendizagem das crianças em
forme-a em uma formulação do problema de pes- idade pré-escolar.
quisa quantitativa. Pergunte a si mesmo: Os objeti- Perguntas: Quais são as variáveis que se relacionam
vos são claros, precisos e levarão à realização de com o processo de ensino-aprendizagem?
uma pesquisa "de fato"? As perguntas são ambí- Você acha que a segunda formulação é muito glo-
guas? O que vou conseguir com essa formulação? É bal? Ela poderia ser melhorada em relação à pri-
possível realizar essa pesquisa? Além disso, avalie meira? Se, sim, de que maneira?
sua formulação de acordo com os critérios expostos 5. Alguns qualificativos que não são aceitos na formu-
neste capítulo. lação de um problema de pesquisa são:
4. Compare os seguintes objetivos e perguntas de pes- Ambíguo Vago
quisa. Qual das duas formulações é mais específica Confuso Ininteligível
e clara? Qual você acha que é a melhor? Lembre-se Geral Incompreensível
de que estamos trabalhando com a visão quantita- Vasto Desorganizado
tiva. Injustificável Incoerente
Formulação 1 Irracional Inconsistente
Preconceituoso
Objetivo: Analisar o efeito de utilizar um professor
autocrático ou um professor democrático na apren- Que outros qualificativos um problema de pesquisa
dizagem de conceitos da matemática elementar não pode aceitar?

Exemplosdesenvolvidos
A televisãoe a criança • Conhecer o tipo de controle que os pais exercem
sobre a atividade de seus filhos de ver televisão.
Objetivos • Analisar que tipo de crianças veem mais televisão.
• Descrever o uso que as crianças da Cidade do Perguntas de pesquisa
México fazem dos meios de comunicação coletiva. • Qual é o uso que as crianças da Cidade do México
• Indagar o tempo que as crianças da Cidade do fazem dos meios de comunicação coletiva?
México passam vendo televisão. • Quanto tempo diferentes tipos de crianças passam
Descrever quais são os programas preferidos das vendo televisão da Cidade do México?
crianças da Cidade do México. • Quais são os programas preferidos dessas crianças?
Determinar as funções e gratificações que a televi- • Quais as funções e as gratificações da televisão
são tem para a criança da Cidade do México. para a criança da Cidade do México 7
70 HernándezSampieri,FernándezCollado& Baptista Lucio

• Que tipo de controle os pais exercem sobre seus O par e a relação ideais
filhos em relação à atividade de ver televisão?
Objetivo
Justificativa Identificar os fatores que descrevem o par ideal dos
Para a maioria das crianças, as principais atividades são jovens universitá rios de Celaya, no México .
ver telev isão, dormir e ir à escola. Então, a televisão é o
meio de comunicação preferido pelos pequenos. Estima- Perguntasde pesquisa
-se que, em média, a criança vê mais de três horas e • Quais são os fatores que descrevem o par ideal dos
meia de televisão diariamente, e o relatório de uma jovens universitários de Celaya?
agência de pesquisa calculou que, ao completar 15 • Os fatores que descrevem o par ideal são ou não
anos, uma criança viu mais de 16.000 horas de conte- similares entre os jovens e as jovens universitárias
údos televisivos (Fernández Collado et ai., 1998). Esse de Celaya? (Isto é, será que há diferenças por
fato provocou diversos questionamentos de pais, pro- gênero?)
fessores, pesquisadores e também da sociedade como Justificativa
um todo sobre a relação criança-televisão e seus efeitos De que forma os jovens universitários de Celaya reco-
na infância. Por isso se considerou importante estudar nhecem que sua relação de namoro dá certo ou não?
essa relação com o propósito de analisar o papel que Quais bases consideram para decidir entre seguir
um agente socializador tão relevante como a televisão adiante e se envolverem mais, morar juntos ou se casar?
tem na vida da criança. Ou, ao contrário, para procurar outro par? Essas pergun-
Por outro lado, a pesquisa poderia contribuir para tas são muito interessantes, mas complexas em suas
confrontar, com os dados do México, os dados encon- respostas. Por isso, vários estudos, como o desenvol-
trados em outros países sobre os usos e as gratifica- vido por Fletcher e Fitness (1996), tiveram como foco
ções da televisão para a criança. conseguir uma aproximação às respostas para essas
Viabilidadeda pesquisa perguntas.
A pesquisa é viável, pois dispõe dos recursos necessá- Pesquisas anteriores mostraram que os julgamentos
rios para realizá-la. É preciso pedir a autorização dos ou as decisões concernentes às relações de namoro se
diretores das escolas públicas e particulares seleciona- baseiam, por um lado, nas expectativas que cada inte-
das para que o estudo seja realizado. Também obter o grante tem em relação a seu par e, por outro, nas per-
apoio de diversas associações que tentam elevar o con- cepções atuais do relacionamento que mantém com ele
teúdo pró-social e educativo da televisão mexicana, o (Fletcher e Thomas, 1996; Rusbult, Onizuka e Lipkus,
que facilitará a coleta de dados. Por outro lado, é impor- 1993; Sternberg e Sarnes, 1985). Os atributos que os
tante que os pais ou os tutores dos meninos e meninas, indivíduos dão a seu par também são importantes no
que fazem parte da amostra, deem seu consentimento início e durante o desenvolvimento da relação (Fletcher
para que elas respondam ao questionário que, claro, etal., 1999).
será feito com o acordo destas, que são a fonte dos A presente pesquisa busca examinar a estrutura e a
dados. função das relações ideais de namoro dos jovens de
Celaya, guiada por teorias e pesquisas anteriores que
Consequências da pesquisa mantêm um desenho com um enfoque cognitivo.
A equipe de pesquisadevetratar os meninos e as meni- O estudo mostra que pode ser útil ao considerar que
nas que participam do estudo com muito respeito. Não as relações de casal são muito importantes para a vida
fará perguntasdelicadasou que possamincomodar de das pessoas (Fletcher et ai., 1999), e o fato de ser rea-
modoalgum às crianças,o que se pretendeé simples- lizado com um grupo privilegiado e de grande impacto
mentefazera estimativade seusconteúdostelevisivos social, como são os jovens universitários, torna essa
preferidos
. Não anteciparalgum efeito negativo; ao indagação muito relevante.
contrário,o que se pretendeé proporcionar
informação
valiosaàs pessoasque trabalhamcom os meninose as Viabilidadeda pesquisa
meninasda Cidadedo México.Ela serviráparaque os Para que o estudo seja viável, a população ou universo
paisou tutoressaibammaissobreuma das atividades ficará restrita aos cursos de administração das princi-
maisimportanteparaa maioriade seusfilhos:ver tele- pais instituições de educação superior de Celaya.
visão.Serámuitoútil aos educadoresparaque entrem Com isso, a pesquisa mostra-se factível, já que é
no mundode seuspequenosalunos.Paraa sociedade possível contar com os recursos financeiros, materiais e
mexicana,é extremamentefrutíferocontarcom dados humanos para que seja realizada.
atualizadosa respeitodosconteúdosaosquaismaisse
expõemas criançasda principalcidadedo país, para Consequências
da pesquisa
que possarefletir sobrea relaçãocriança-televisão
no Com o estudo, vamos conseguir identificar os fatores
contextonacional . que descrevem o par ideal do jovem universitário de
Metodologiade pesquisa 71

Celaya, e com isso tentaremos gerar um maior entendi- valorizar as ações de outros , rejeitar os cont atos que
mento das relações amorosas próximas mantidas por sejam incômodos ou abusivos para eles e, diante des-
esse importante grupo populacional. tes, buscar ajuda denunciando para adultos confiáveis.
Como a pesquisa apresentará seus resultados Junto com os programas de prevenção surge a necessi-
mediante informação agrupada e não de maneira indivi - dade de sistemas que permitam avaliar sua eficácia, de
dual, tanto a confidencialidade como toda questão ética maneira válida e confiável, e também que possam medir
serão respeitadas. seus alcances, suas consequências e, dependendo do
caso, seus possíveis efeitos colaterais.
o abusosexualinfantil
Viabilidadeda pesquisa
Objetivo O estudo é viável, já que foram detectadas instituições
Comparar o desempenho em função da validade e con- interessadas em instrumentar programas de prevenção
fiabilidade de duas medidas, uma cognitiva e a outra ao abuso sexual infantil; além disso, qualquer esforço
comportamental, para avaliar os programas de preven- educativo que não for avaliado, não completa seu ciclo.
ção ao abuso em meninos e meninas entre 4 e 6 anos. Então, é necessário obter a anuência de autoridades
Perguntade pesquisa escolares, pais de família ou tutores , assim como dos
Qual das duas medidas para avaliar os programas de meninos e das meninas. Primeiro a pesquisa exigiria que
prevenção ao abuso infantil terá maior validade e confia- os programas fossem implantados para depois medir
bilidade, a cognitiva ou a comportamental? seu impacto.

Justificativa Consequências
da pesquisa
Os estudos de Putman (2003) indicam que entre 12 e Qualquer ação destinada a proteger os meninos e as
35% das mulheres e entre 4 e 9% dos homens sofreram meninas de qualquer parte do mundo deve ser bem
algum tipo de abuso sexual durante a infância. As con- recebida, ainda mais quando se trata de uma questão
sequências derivadas do abuso sexual infantil (ASI) que pode ter sérias consequências em sua vida. Claro
podem ser classificadas em transtornos físicos e psico- que o estudo deve ser conduzido por especial istas no
lógicos. Diversos estudos encontraram uma grande terna, habituados a tratar com crianças pequenas que
quantidade de consequências a curto e longo prazo, tenham uma enorme sensibilidade. Durante o desenvol-
mas a maioria está inserida no psicológico. vimento da pesquisa tanto os professores e as professo-
Como resposta para a preocupação social de prote- ras, os pais ou tutores como os diretores das escolas
ger aqueles que são mais vulneráveis e diante da evi- deverão ser consultados sobre cada passo a ser seguido.
dência de que o abuso sexual a menores não é um fato As pessoas que irão instrumentar os programas serão
isolado nem localizado, no qual devemos considerar os envolvidas de forma permanente e devem preencher
dados que gera, é que surgiram os programas de pre- diversos requisitos, entre eles serem pais ou mães de
venção ao abuso sexual infantil (PPASI). No geral, estes família com filhos em idades similares aos participantes
têm como objetivo desenvolver nas meninas e nos da amostra. É uma pesquisa que permitirá que as crian-
meninos os conhecimentos e as habilidades para cuida- ças estejam mentalmente preparadas e treinadas para
rem de si mesmos, de maneira assertiva e efetiva, ao se opor ou evitar o abuso sexual.

Os pesquisadoresopinam
i----_______:__ __ _

• Acredito que devemos fazer os estudantes verem que ção adequada do marco teórico e as relações entre as
compreender o método científico não é difícil e que, por- variáveis; portanto, é possível conseguir resolver o pro-
tanto, pesquisar a realidade também não o é. A pes- blema e gerar dados relevantes para interpretar a reali-
quisa bem utilizada é urna ferramenta valiosa do profis- dade que se deseja explicar.
sional em qualquer área; não há melhor forma de propor Em um mesmo estudo é possível combinar diferen -
soluções eficientes e criativas para os problemas do que tes enfoques; também estratégias e desenhos, visto
ter conhecimentos profundos a respeito da situação. que podemos estudar um problema quantitativamente
Também é preciso fazer com que compreendam que a e, ao mesmo tempo, penetrar em níveis de maior pro-
teoria e a realidade não são polos opostos, mas estão fundidade por meio das estratégias dos estudos qualita-
totalmente relacionados. tivos. Esta é uma excelente maneira de estudar as com-
Um problema de pesquisa bem formulado é a chave plexas realidades do comportamento social.
de acesso para o trabalho em geral, pois dessa maneira Quanto aos avanços conquistados em pesquisa
permite a precisão nos limites da pesquisa, a organiza- quantitativa, destacamos a criação de instrumentos
72 Hernández Sampieri, FernándezCollado & Baptista Lucio

para medir uma série de fenômenos psicossociais que Embora seja difícil precisar os parâmetros de urna
até pouco tempo eram considerados impossíveis de boa pesquisa, é claro que ela se caracteriza pela relação
abordar cient ificamente. Por outro lado, o desenvolvi- harmoniosa entre os elementos de sua estrutura interna;
mento e o uso disseminado do computador na pesquisa além disso, por sua originalidade, importância social e
facilitaram o uso de desenhos, com os quais é possível ut ilidade. A única coisa que não é recomendáv el na ati-
estudar diversas influências sobre uma ou mais variá- vidade científica é que o pesquisador aja de maneira
veis. Isso aproximou a complexa realidade social à t eo- negligente .
ria científica.
A pesquisa qualitativa foi consol idada ao se deter- EdwinSalustioBlas
minar seus limites e possibilidades; também houve um Facultadde Psicologia
avanço em suas técnicas para sintetizar dados e mane- Universidadde Lima
jar situações próprias. Ao mesmo tempo , com esse Lima, Peru
modelo se consegue estudar questões que não podem
ser analisadas com o enfoque quantitativo.

Os estudantes que estão se iniciando na pesquisa come- zada em estudos de doutorado em Filosofia, Epistemo-
çam formulando um problema em um contexto geral, logia, Educação e Linguística, entre outras áreas. A s
depois inserem a situação no contexto nacional e regio- contribu ições desses estudos se caracterizam por sua
nal para, por último , projetá-lo no âmbito local; isto é, riqueza em descrição e análise.
no lugar onde estão academicamente situados (campo, O enfoque qualitat ivo e o quantitat ivo, vistos como
laboratório, sala de aula, etc .). teorias filosóficas, são completamente diferentes ; no
Na Universidad de Oriente, na Venezuela, a pes- entanto, como técnicas para o desenvolvimento de uma
quisa adquiriu relevância nos últimos anos por duas pesquisa, podem ser combinados principalmente em
razões: o crescimento do quadro de professores e a relação à análise e à discussão de resultados.
diversificação de carreiras em Engenharia, área em que
as pesquisassão geralmente quantitat ivas-positivi stas, MarianellisSalazarde Gómez
com resultados muito satisfatórios.
Professor titular
Da mesma forma, no estudo de fenômenos sociais Escuelade Humanidades
e em ciências da saúde o enfoque qualitativo, visto Universidadde Oriente
como uma teoriada pesquisa, apresenta grandes avan- Anzoátegui, Venezuela
ços. É uma ferramenta metodológica geralmente ut ili-

@ NOTAS

l. Os comentários entre parênteses são acréscimos nossos.


2. Por questão de espaço, o exemplo foi simplificado e reduzido , o importante é que se compreen da como
justificar uma pesquisa.
3. Importante psicoterapeuta do século XX,que foi confinado no campo de concentração de Theresienstad t
no final da Segunda Guerra Mundial, onde esboçou o conceito da busca de um sentido para a vida do
ser humano .
4. No CD anexo (Material comp lementario • Capítulos • Capítulo 2), o leitor encontrará um capítulo
sobre a ética na pesquisa.
4
Desenvolvimentoda perspectiva
teórica:revisãoda literaturae
construçãodo marcoteórico

Passo 3 Desenvolvimento da
Processo de pesquisa perspectiva teórica
quantitativa • Revisar a literatura.
• Detectar a literatura apropriada.
• Obter a literatura apropriada.
• Consultar a literatura apropriada.
• Extrair e recompilar a informação
de interesse.
• Construir o marco teórico .

OQ Objetivosda aprendizagem
Ao concluir este capítulo, o aluno será capaz de:

1. conhecer as atividades que deve realizar para revisar a literatura relacionada com um problema de
pesquisa quantitativa;
2 . ampliar suas habilidades na busca e revisão da literatura, assim como no desenvolvimento de perspec-
tivas teóricas;
3. estar capacitado para, com base na revisão da literatura, construir marcos teóricos ou de referência
que contextualizem um problema de pesquisa quantitativa;
4. compreender o papel que a literatura desempenha no processo da pesquisa quantitativa.

Síntese
Neste capítulo, comentamos e aprofundamos a maneira de contextualizar o problema de pesquisa formula-
do, mediante o desenvolvimento de uma perspectiva teórica .

Detalhamos as atividades que um pesquisador realiza para obter esse resultado: detectar, obter e con-
sultar a literatura apropriada para o problema de pesquisa, extrair e recompilar a informação de interesse e
construir o marco teórico.
Suas funções são:
• Orientar o estudo
Desenvolvimentoda perspectivateórica • Prevenir erros
• É a terceira etapa da pesquisa quantitativa • Amp liar o hor izonte
• Proporciona o "estado da arte" do conheci- • Estabelecer a necessidade da pesquisa
mento • Insp irar novos estudos
• Dá o apoio histórico • Ajudar a formular hipóteses
• Fornecer um marco de referência

• Teoria desenvolvida
• Várias teorias desenvolvidas
epende do grau no • Generalizações empíricas
esenvolvimento do _,. • Descobertas parciais

IT onhecimento • Orientações não


pesquisadas e ideias vagas
Construção
Suas etapas são: do marco
teórico

l
organizada Vertebração (ramificação )
edificada -------1 • do índice

IT or Mapeamento de temas e
autores

Primárias
~antes Secundárias
[ Terciárias Apoia-se na busca
pela internet e sua
Revisão da finalidade é obter
literatura (deve referências ou fontes
ser seletiva) primárias
• Revisar
• Detectar
~ases • Consultar
• Extrair e recompilar
• Integrar

No CD anexo (Mater ial comp lementari a • Capítulos) , você encontrará o Capítulo 3, "Perspectiva teórica: comentarias
adicionales", que amplia os conteú dos exposto s neste Capitulo 4, principalmente ao que se refere à teoria e à construção
de teorias, assim como à busca de referências. Parte do material que estava em edições anteriores, neste capítulo, foi
atualizado e transferido para o CD (ele não foi eliminado).
Metodologiade pesquisa 7 5

O QUESIGNIFICAO DESENVOLVIMENTO
DA PERSPECTIVA
TEÓRICA?

':'·idêsenvolvimento da perspectiva teórica é um processo e um produto. Um pro-


DESENVOLVIMENTO DA
-~50de imersão no conhecimento existente e disponível que pode estar vinculado
PERSPECTIVA TEÓRICAApoiar
nossa formulação do problema, e um produto (marco teórico) que, por sua vez, é
teoricamente o estudo, desde que
,,artede um produto maior: o relatório de pesquisa (Yedigis e Weinbach, 2005). o problema de pesquisa já tenha
'·" Uma vez que o problema de estudo foi formulado - isto é, quando já temos sido formulado.
'\Objetivos e as perguntas de pesquisa - e quando, além disso, avaliamos sua rele-
ncia e factibilidade, então o próximo passo é fundamentar teoricamenteo estudo
f:I7rnández Sampieri e Méndez, 2009), que neste livro iremos denominar desenvolvimentodaperspec-
Isso implica expor e analisar as teorias,as conceituações,
"_Y:a"teórica. as pesquisaspréviase os anteceden-
eremgeralque sejam considerados válidos para o correto encaixe do estudo (Rojas, 2002).
Também é importante esclarecer que marco teórico não é o mesmo que teoria; portanto, nem
·p_qosos estudos que incluem um marco teórico têm de ser fundamentados em uma teoria. É um
:pnto que iremos ampliar ao longo do capítulo e seu complemento no CD.
A perspectiva teórica proporciona uma visão sobre onde se situa a formulação proposta den-
p;_dàcampo de conhecimento no qual iremos "caminhar". Segundo Mertens (2005), ela nos mos-
'à,como a pesquisa se encaixa no panorama ·(bigpicture)daquilo que se sabe a respeito de um tema
:q'tt_ópico estudado. Também pode nos proporcionar ideias novas e é útil para compartilhar as re-
,~~ptesdescobertas de outros pesquisadores.

QUAISSÃO AS FUNÇÕESDO DESENVOLVIMENTO


DA PERSPECTIVATEÓRICA?
teórica cumpre diversas funções dentro de uma pesquisa; entre as principais destaca-
sete seguintes:

Ajuda a prevenir erros cometidos em outras pesquisas.


Orienta sobre como o estudo deverá ser realizado. De fato, ao recorrermos aos antecedentes,
podemos notar como um problema específico de pesquisa foi abordado:
• que tipos de estudos foram realizados;
• com que tipo de participantes;
.• como os dados foram coletados;
• em que lugar foi realizado;
• que desenhos foram utilizados.
Mesmo no caso de descartarmos os estudos prévios, estes irão nos orientar sobre o que queremos
e o_que não queremos para nossa pesquisa.
Amplia o horizonte do estudo ou guia o pesquisador para que se centre em seu problema e
evite fugir da formulação original.
Documenta a necessidade de realizar o estudo.
Leva à formulação de hipóteses ou afirmações que mais tarde deverão ser submetidas à prova
na realidade, ou nos ajuda a não formulá-las por razões bem fundamentadas.
Inspira novas linhas e áreas de pesquisa (Yurén Camarena, 2000).
Proporciona uma estrutura de referência para interpretar os resultados do estudo. Embora
possamos não estar de acordo com esse marco ou não utilizá-lo para explicar nossos resultados,
ele é ponto de referência.

>Exemplo
' Sobre uma pesquisa sem sentido por não contar com uma perspectiva teórica
'
k{_Se_ tentarmos provar que determinadotipo de personalidadeaumenta a possibilidadede que um indivíduo
, seja líder, ao revisarmosos estudos sobre liderança na respectiva literatura iríamosperceber que essa pes-
76 HernándezSampieri,FernándezCoitado& Baptistalucío

quisa não tem sentido, pois já foi amplamentedemonstrado que a lideranç


aé essencialmenteproduto da
interaçãoentre três elementos:característicasdo líder,característicasdos seguido
res (membrosdo grupo)
e a própriasituação. Por isso, possuir certas características de personalidade
não está necessariamente
relacionadocom o surgimentode um líderem um grupo {nemtodos os "grande
s líderes históricos" eram
extrovertidos,por exemplo).

@' QUAIS SÃO AS ETAPASDO DESENVOLVIMENTO


DA PERSPECT IVA
TEÓRICA?
Normalmente, ele contém duas etapas:

• a revisão analítica da literatura correspondente;


• a construção do marco teórico, que pode implicar a adoção de uma
teoria.

Oa1 Em que consistea revisãoda literatura?

A revisão da literatura implica detectar,consultare obtera bibliografia


REVISÃODA LITERATURA
Consiste (referên-
cias) e outros materiais úteis para os propósitos do estudo, dos quais
em detectar, consultar e obter a temos de ex-
trair e recompilara informação relevante e necessária para delimitar nosso
bibliografiae outros materiais úteis pro-
blema de pesquisa. Essa revisão deve ser seletiva,porque todo ano
para os propósitos do estudo, dos em diversas
quais extraímos e sintetizamos partes do mundo são publicados milhares de artigos em revistas acadêm
icas, pe-
informaçãorelevante e necessária riódicos, livros e outros tipos de materiais nas diferentes áreas do conheci
mento.
para o problema de pesquisa. Se quando revisamos a literatura descobrimos que na área de interess
e existem
5.000 possíveis referências, é evidente que devemos selecionar apenas
as mais im-
portantes e recentes e que também estejam diretamente ligadas à nossa
formula-
ção do problema de pesquisa. Às vezes, revisamos referências de estudos
tanto quantitativos como
qualitativos, independentemente do nosso enfoque, porque estão muito
relacionadas com nossos
objetivos e perguntas.
A seguir, comentamos os passos normalmente seguidos para revisar
a literatura.

Inícioda revisãoda literatura

Oa2 A revisão da literatura pode ser iniciada diretamente com a coleta das
referências ou fontes primá-
rias, 1 que acontece quando o pesquisador sabe onde pode encontrá-las,
está bem familiarizado com
o campo de estudo e tem acesso a elas (pode utilizar material de bibliote
cas, cinematecas, hemero-
tecas e banco de informação). No entanto, é pouco comum que isso
aconteça dessa forma, princi-
palmente em lugares onde se pode contar com um número reduzido
de centros bibliográficos, pou-
cas revistas acadêmicas e livros.
Por isso, é recomendáveliniciara revisãoda literaturaconsultandoum
ou váriosespecialistasno
tema (algum professor, por exemplo) e procurando-via internet- fontes
primárias em centros ou
sistemas de informação e bases de referências e dados.
Para tanto, precisamos escolher as "palavras-chave': "marcadores" ou
"termos de busca", que
devem ser característicos do problema de estudo e retirados da ideia
ou tema e da formulação do
problema. Este último exige algumas leituras preliminares para ser
aprimorado e completado. Os
especialistas também podem nos ajudar a selecionar tais palavras.
Se os termos forem vagos e gerais vamos obter uma consulta com muitas
referências e infor-
mação que não são apropriadas para nossa formulação. Nesse sentido
, as bases de referências fun-
cionam como os "gatilhos ou motores de busca" (Google, Yahoo, Altavis
ta, etc.).
Por exemplo, ao realizarmos uma consulta com palavras como "escola
","educação", ''comuni-
cação': "empresas" ou "personalidade,' aparecerão milhares de referênc
ias, então <<ficaremosperdi-
dos em um mundo de informação".
Metodologia
de pesquisa 77

portanto, os termos de busca _devem ser pre~isos, po~qu_e,se nossa. formulação for concreta, a
terá maior enfoque e sentido e nos levara a referencias apropnadas. Nossa busca também
consu ,lt a r feita com pa1avras em nossa ['mgua e em mg· l'es, pms· uma gran d e quantidade
· de fontes
devera se ..
. , rias está nesse 1d10ma.
primaAo recorrermos a uma base de dados, somente nos interessam as referências que estiveren1 es-
. . ente relacionadas com o problema específico a ser pesquisado. Por exemplo, se pretendemos
rre1tam .
r ar a relação entre o e11ma - -
organ1zac1ona 1e a sat1s1açao
· , - no trab aIho, como Iremos
· encontrar as
11
~ \:ss primárias que estão verdadeiramente ligadas ao nosso problema de estudo? Primeiro, com a
_onisãode uma base de dados apropriada. Se nosso tema é sobre clima organizacional e satisfação
,ev trabalho, então não iríamos consultar uma base de referências sobre questões de química, como
;~emical Abstracts, nem uma base de dados com referências da história da arte, mas uma base de
. formação com fontes primárias relacionada com a matéria de estudo, como é o caso do Wiley In-
~rScience, Comunication Abstracts e ABI/INFORM (bases de dados corretas para nossa pesquisa).
Seevamos comparar diferentes métodos educativos por meio de um experimento, devemos recorrer
2
à base de referências adequada: ERIC (Education Resources Information Center). Em espanhol e
português, também existem algumas bases, como Latindex e Redalyc,para diversas ciências e disci-
plinas; bvs,ciências da saúde; ENFISPO,enfermagem, etc.3
Após escolhermos a base de dados que iremos utilizar, consultamos o catálogode temas, concei-
tose termos(thesaurus)respectivo, 4 que contém um dicionário ou vocabulário no qual podemos en-
contrar uma lista de palavras para realizar a busca. Do catálogo devemos selecionar as palavras ou os
conceitos-chave que direcionem a consulta. Também podemos realizar uma buscaavançadacom esses
termos, utilizando os operadores do sistema booleano:and (e), or (ou) e not (não). Com os marcado-
res e as preposições, estabeleceremos os limites da consulta ao banco ou à base de referências, 5
A busca nos proporcionará uma lista de referências relacionadas com as palavras-chave (em
outras palavras, a lista obtida dependerá desses termos chamados marcadores, que escolhemos do
dicionário ou simplesmente utilizamos os que estão incluídos na formulação). Por exemplo, se nos-
so interesse se centra em "procedimentos cirúrgicos para o câncer de próstata em idosos" e vamos
revisar na base de referências "MEDLINE_1997-2008" (para medicina), se selecionarmos as pala-
vras ou marcadores ''câncer próstata", o resultado da consulta será uma lista de todas as referências
bibliográficas que estiverem em tal base e que se relacionem com esses termos (doença). Se a busca
foi realizada em 28 de janeiro de 2009 obtemos 39.643 referências (que são muitas, por isso temos
de utilizar mais marcadores ou aumentar nossa precisão). Ao acrescentarmos o termo "idoso" ore-
sultado foi de 14,282 referências (que ainda são muitas). E, ao acrescentarmos "cirurgià' (porque
nosso estudo realmente se centra nela), o número é muito mais palpável, 132 fontes primárias. En-
tão, as buscas avançadas podem ser delimitadas por datas (por exemplo, últimos três anos, de 2005
a 2010, de 2000 a 2009).

-!::.... __
!- ..-- _ __
___ _ _,.. ........
.,.....,...._.,
1-M......,,__.,. ___ _
1-..---;;Jij
1----·•-•IÍij
1_
1,,.....,...,._
'
1~.!::':"
--~
···~e""'"":".º_,-~
BO,q<Ndarela!MIa un• ~lna
..
b,.,,i..,,~-•<Drn~
1..-- ...-"'"-""'"'"'"'-~-·-"'·••1,ij

\~ Etaoor>,·~--·
..-
t- ...,.~-- _ .............
- ...~ ...
llil,quodH nlat!vao a un loma
' .

! .-~-_- ..--"'"""'~~-----

O Googletem um dos melhores sistemas de busca avançada, mas para uma consulta adequada é neces-
sário recorrer a outras bases de referências mais especializadas, como EBSCO,SAGE,ERIC,MEDLINE, _,
PsyclNFO,entre outras (ver Apéndice 2, no CD).
78 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

Exemplo
Na maioriadas basesde referênciasou revistashá duasopçõesde busca:
o Busca simples ("search")
Geralmenteapareceum quadro ou janela que pede para introduzir os temos de busca, nessecaso escre-
vemos as palavrase clicamosno localcorrespondentepara iniciara busca. Se colocarmosos marcado-
res entre aspas, sabemos que será literal, como se usássemos o conector "e" {"and").

'
Janela para introduzirtermos ' ou ir
Clique:busca

• Busca avançadal"advancedsearch"J
Nesse tipo de busca geralmente aparecem várias janelas ou quadros para inserir os termos (um por
quadro), além dos operadoresbooleanoscorrespondentese, com frequência, outra janela para restringir
a busca por campo (autor, publicação, volume, etc.; embora a opção por default seja: "todos os cam-
pos" ["a// fields"]). E em algum lugar se coloca o intervalo de tempo de busca (este varia em diferentes
casos, é questão de situá-lo e utilizá-lo para restringir a consulta a um período: tal mês e ano a tal mês

i! e ano - ou simplesmente de tal ano a outro - ou número dos últimos anos}.

l!
Botão de busca

[ romantic .Jt and····•·lillL.(ove. .. JLAlifields


! adol:s~nte Hand factors iLAlifields

1 1 r
Janelas para introduzir termos
T r
Campos

Quanto aos livros, mais especificamente, já sabemos que é possível buscar


Para escolhê-
PALAVRAS-CHAVE
nas páginas das principais editoras e livrarias, assim como em outros lugares
i:
1
-las recomendamos: escrever um
(Amazon, AbeBooks, etc.).
(1 título preliminar do estudo e
ji
selecionar duas ou três palavras
Das referências encontradas nas buscas, escolhemos as mais apropriadas
que captem a ideia central, retirar
(vamos comentar sobre isso um pouco mais adiante).
F··~,_
Também existem bancosde dadosque são consultadosmanualmente,
f os termos da formulação ou
utilizar os que os autores mais onde as referências são buscadas em livros. No Capítulo 3 do CD anexo
destacados no campo de nosso explicamos esse processo. Também são apresentados diversos exemplos
estudo costumam empregar em de buscas.
. suas formulações e hipóteses. Na Consultar na internet é necessário e tem suas vantagens, mas se não buscar~,
maioria dos artígos de revistas é mos em sitescom informação científica ou acadêmica verdadeiramente de quali-
liíi comum incluir as palavras-chave dade, pode ser arriscado. Não é recomendável recorrer a sitescom um grande uso
no início. comercial. Creswell (2005 e 2009) faz uma análise das vantagens e desvantagens ·
de utilizar a internet na busca de literatura apropriada para a formulação do pro· ..
blema, conforme mostramos na Tabela 4.1.

Obtenção(recuperação)da literatura

Após identificarmos as fontes primárias adequadas, precisamos localizá-las nas bibliotecas físicase
eletrônicas, cinematecas, hemerotecas, videotecas ou outros lugares onde elas estão. Se cOinpr~r-
mos artigos de revistas científicas, fazemos o download e salvamos em nosso HD para sua posterior.·
consulta (e também costumam ser impressos). Se forem livros comprados via internet, temos de es· •
perar que cheguem às nossas mãos, etc.
Metodologia
de pesquisa 79

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Loot.n91MUWU«t-lf0ffl.,,,..r llll h Olntury"1tlfflunl.lm-. rytll,bud fnt9" .. ll'\9.ISl!>fhlri


tt.1,Sllff'~----• ·1•1p1pt)~-•.c!'I- ,
E.11.91 &01402 H OOO 1 91 &014JJ7l H S 197HO U 1u,o,&O, ~

Amazonfoi consideradoa livraria virtual mais completa da rede.


0

Consulta da literatura

Após localizarmos fisicamente as referências (literatura) de interesse, vamos consultá-las. O prime i-


ro passo é selecionar as q_ue serão de utilidade para nosso marco teórico específico e desprezaraque-
las que não nos servem. As vezes, uma fonte pr im ária pode se referir a nosso pro blema de pesqu isa,
mas não ser útil porque não considera o tema do ponto de vista que pretendemos adota r, po rque
novos estudos foram realizados com explicações mais satisfatór ias que invalidara m seus resu ltados
ou foram contrá rios às suas conclusões, porque erros de método foram detectados ou porque fo-
ram realizados em contextos completamente diferentes ao de nossa pesqu isa, etc. Quando a detec-

TABELA 4.1
Vantagens e desvantagensde utilizara internet como fonte para localizar bibliografia

Vantagens Desvantagens

Acessofácil 24 horas. Geralmenteas pesquisas colocadasemsitesnãosão


revisadaspor especialistas.
Grande quantidadede informação em diversossites sobre Osrelatóriosde pesquisaincluídosnossitespodemser textos
muitos temas. plag
iadosoumostrados semo consentimentodo(s)autor(esl,
masissonãotemoscomosaber.
Inform
açãoemnossapróprialíngua.

Inform
ação recente.

Comos buscadores o acessoa sites é imediato.

st
Os e udoslocalizados podem ser impressosde imediato.
80 HernándezSampieri, FernándezCollado & Baptista Lucio

ção da literatura for real izada mediante compi lações ou banco de dados em
que há um breve resu.
mo de cada referência, o risco de escolher uma fonte primária sem utilidade
será menor.
Em todas as áreas de conhecimento, asfontes primárias mais utilizadas para
elaborar marcos
teóricos são: livros, artigos de revistas científicase palestras apresentadasem
congressos,simpósiose
eventossimilares,entre outras razões, po rqu e essas fontes são as que sistemat izam
mai s a inform a-
ção, geralme nt e aprofundam mais no tema que desenvolvem e são altament
e especializadas, além
de conseg uirmo s acessá-las via internet. Assim, Creswe ll (2009) recome nd
a confiar, na med ida do
possível, em artigos de revistas científicas que são avaliados critica mente por
editor es e espec ialistas
antes de sua pub licação .
No caso do s livros, para delim itar sua uti lidade devido ao tempo, convém
começar ana lisan-
do o índice de conteúd o e o índ ice analítico ou de mat ér ias, que dão uma ideia
dos temas incluído s
na ob ra. Quand o são arti gos de revistas científicas, o mais adequado é revisar
primeiro o resum o e
as pal avras-c have e, no caso de ele ser considerado útil, exam inar as concl usões,
observações ou co-
mentários finais ou, em último caso, o art igo todo.
Merte ns (2005) e Creswe ll (2005) sugerem uma revisão qu e pode ser aplicada
, praticam ente,
a qu alqu er tipo de referência, confor m e vemos na Figura 4.1.
Par a selecionar as fontes primár ias úteis para elaborar o marco teórico, é oport
un o fazer as se-
guint es pergunta s:

• A referência está rela cionada com meu pro blema de pesquisa?


• Com o?
• Qua is aspectos ela aborda?
• Ela ajuda a desenvo lver meu estudo de uma maneira m ais rápida e profunda
?
• A partir de qu e visão e perspec tiva aborda o tema? Psicológ ica, antropol
óg ica, sociológ ica, mé -
dica, legal, econômica, da comuni cação, administrativa?

A resposta para essa última pergunta é muito importante. Po r exemplo, se


o que pretende -
mo s é est ud ar a relação entr e superi or e sub ordinado em termos do efeito
que o feedback positi-
vo do prim eiro tem na motivação para as conqui stas do segundo, a pesquisa
possui um enfoq u e
mais da comunicação. Vamos supor qu e enc on tramos um art igo que aborda
a relação super ior e
subordin ado ou chefe-s ubordin ado mas tra ta das atribuições ad min istrativa
s que certo tipo de
sub ordinado s tem em determinadas empr esas. É óbvio que esse artigo dev
e ser descartado, pois
enfo ca o tema de out ra perspec tiva.

Formulação
do Amostra:tamanho,
problemae Paradigma
do característicasdos
pesquisador Desenho
hipótese participantes,
métodode
seleçãoutilizado

Estratégia
de análisee tipos
Se as referências não coincidirem em sua
de análiserealizados
formulação com a nossa, elas são desprezadas ou
reavaliadas. Quando o paradigma é diferente
devemos considerar se são úteis. O desenho, a
amostra, a análise, os resultados e a discussão
devem ser apropriados (consistentes) de acordo
com a formulação do estudo revisado. Resultados
e discussão

FIGURA4, 1 Revisão de uma referência primária.


Metodologia
de pesquisa 81

Isso não significa que não possamos recorrer a outros campos de conhecimento para comple-
r a revisão da literatura,pois em alguns casos é possível encontrar referênciasextremamente úteis
ta ,
.moutras areas.
e Paraanalisaras referências,vamos lembrar o que devemos considerar:

• proximidade ou semelhança com nossa formulação (utilidades);


0 semelhança com nosso método e amostra;
• data de publicação ou divulgação (quanto mais recente, melhor);
0 que envolva pesquisa empírica (coleta e análise de dados);
• rigor e qualidade do estudo (quantitativo, qualitativo ou misto).

Quanto ao apoio bibliográficoalguns


, pesquisadores consideram que não se deve recorrer a
obras preparadas fora do país, porque a informação que apresentam e as teorias que defendem fo-
ram elaboradas para outros contextos e situações. Embora isso esteja correto, não significa que de-
vemos desprezar ou não utilizar esse material; a questão é saber como usá-lo. Talvez a literaturaes-
trangeirapossa ajudar o pesquisador local de diversas maneiras: pode oferecer a ele um bom ponto
de partida, guiá-lo no enfoque e tratamento que dará ao problema de pesquisa, orientá-lo a respei-
to dos diversos elementos presentes no problema, centrá-lo em um problema específico, sugerir
como construir um marco teórico, etc.
Um caso ilustrativo foram os estudos de Rota (1978), cujo propósito primordial era analisar o
efeito que a exposição à violência televisionada tem na conduta agressiva das crianças. Quando o au-
tor citado revisou a literatura, constatou que praticamente não haviam sido realizados estudos pré-
vios no México; mas que nos Estados Unidos foram realizadas diversas pesquisas e que também ha-
via diferentes teorias a esse respeito (teoria do reforço, teoria da catarse e as teorias dos efeitos dis-
funcionais). Baseando-se na literatura americana, o autor começou a realizar estudos no México. Seus
resultados diferiram dos encontrados nos Estados Unidos, embora os antecedentes localizados nessa
nação tenham sido uma excelente estrutura de referência e um ponto de partida para suas pesquisas.
Claro que, às vezes, certos fenômenos evoluem ou mudam com o tempo. Por exemplo, talvez
uma geração de crianças não sofra a influência de certos efeitos da televisão e outra geração sim, o
que significa que as ciências não são estáticas.Hoje, nossa percepção sobre diversos fenômenos mu-
dou com a decifração do genoma humano, os atos terroristas de 2001 nos Estados Unidos, o tsuna-
mi que impactou a Ásia em 2004, o desenvolvimento das comunicações telefônicas ou os eventos
locais.
Uma vez selecionadas as referências ou fontes primárias úteis para o problema de pesquisa, nós
a revisamoscuidadosamentee extraímos a informação necessáriapara integrá-Iae desenvolvero mar-
co teórico. Nesse sentido, é recomendável anotar os dados completos de identificação da referência. 6

Que informaçãoou conteúdoextraímosdas referências?

Às vezes, extraímos uma só ou várias ideias, outras uma cifra, um resultado ou diversos resultados.
Isso varia em cada caso, alguns exemplos são mostrados no CD anexo, Capítulo 3: "Perspectiva teó- ..•
D~··.-;·••
rica:comentarias adicionales,: i.
Ao identificarmos a literatura útil, podemos desenhar um mapa de revisão,que é uma "ima-
gem de conceitos" do agrupamento proposto em relação às referências da formulação e que ilustra
como a indagação irá contribuir para seu estudo. Um exemplo disso será apresentado mais adiante.
Após reunirmos a literatura considerada para a elaboração do mapa de revisão,também deve-
mos começar a fazer os resumos dos artigos e documentos mais relevantes e a extrair as ideias, ci-
fras e comentários. Ess_esresumos e informação serão combinados posteriormente no marco teóri-
co (Hernández Sampieri e Méndez, 2009).

O que a revisãoda literaturapode nos revelar?

Dn_idos propósitos da revisão da literatura é analisar e discernir se a teoria existente e a pesquisa an-
tenor sugerem uma resposta (ainda que parcial) para a pergunta ou as perguntas de pesquisa; e
82 Hernández
Sampieri,
Fernández & BaptistLuclo
Cofiado a

também se ela oferece um sentido a ser seguido dentro da formulação


de nosso estudo (Danhke,
1989).
A literatura revisada pode revelar diferentes graus no desenvolviment
o do conhecimento:
o que existe uma teoria completamente desenvolvida,com fartaevidênc
ia en1pírica7 que pode ser
empregada em nosso problema de pesquisa;
• que existem várias teorias que podem ser empregadas em nosso problem
a de pesquisa;
0 que existem "partese fragmentos,,de teoria com algum respaldo empíri
co, que sugerem variá~
veis potencialmente importantes e que são aplicadas ao nosso problem
a de pesquisa (podem ser
generalizações empíricas e hipóteses com o apoio de alguns estudos);
0 que existem descobertasinteressantes,mas parciais,que não se adapta
m a uma teoria;
• que só existem orientações ainda não estudadas e ideias vagamente
relacionadas com o proble-
ma de pesquisa.

Tambémpodemos descobrir que os estudos anterioresnão são consist


entes ou claros,que seu
método é frágil (em seus desenhos, amostras, instrumentos para coletar
dados, etc.), e suas aplica-
ções não puderam ser realizadas corretamente ou demonstraram ter
problemas (Mertens, 2005).
Dependendo do caso, a estratégia que iremos utilizar para construir e
organizar nosso marco
teóricopode variar.

1. Existênciade urna teoria completamentedesenvolvida


Quando a revisão da literatura revela que existe uma teoria capaz de descrev
er, explicar e prever
a formulação ou o fenômeno com um estudo lógico, completo, profund
o e coerente, a melhor
estratégiapara construir o marco teórico é utilizar essa teoria como sua
própria
TEORIA Conjunto de proposições
estrutu ra.
Devemos lembrar que, de maneira geral, uma teoria é um conjunto de
inter~relacionadas
capazesde proposições
explicarpor que e como um inter-re lacionadas, capazes de explicar por que e como um fenômeno ocorre.
Nas
fenômeno ocorre. palavras de Kerlinger e Lee (2002): a teoria é um conjunto de constructos
1 tos) vinculados, definições e proposições que apresentam uma visão sistemá
fenômenos ao especificaras relações entre variáveis,com o propósito
(concei-
tica dos
de explicar
e preveros fenômenos.
As teorias podem estar mais ou menos desenvolvidas e ter maior ou
menor valor. Os cri-
térios para avaliá-las, sua explicação e ilustração e também as concepç
ões errôneas sobre o
que é uma teoria, poderão ser encontradas pelo leitor no CD, Capítulo
3, "Perspectiva teórica:
comentarias adicionales':
Então, se descobrimos uma teoria que explica muito bem o problema
de pesquisa que nos
interessa, devemos ter o cuidado de não pesqnisar algo já estudado
profundamente. Vamos
imaginar que alguém pretende realizar uma pesquisa para testar a seguint
e hipótese referente
ao Sistema Solar: ''Asforças centrípetas se projetam para os centros de
cada planeta" (Newton,
1684, p. 61). Isso seria ridículo, porque é uma hipótese formulada há mais
de 300 anos, testada
de maneira exaustiva e que passou a fazer parte do saber comum.
Quando encontramos uma teoria sólida que explique a formulação de
interesse, devemos
dar ao nosso estudo um novo enfoque: a partir do que já está compro
vado, propor outras
perguntas de pesquisa, claro que aquelas que a teoria não conseguiu
resolver; ou, ainda, para
aprofundar e ampliar elementos da teoria e visualizar novos horizon
tes. Caso isso aconteça,
seria interessante submetê-las a teste empírico em outras condições.
Por exemplo, uma teoria
sobre as causas da satisfação no trabalho desenvolvida no Japão e que
queremos testar na Ar-
gentina ou no Brasil; ou uma teoria dos efeitos da exposição a conteúd
os sexuais na televisão
que tenha sido somente pesquisada em adultos, mas não em adolescentes.
No caso de um.ateoria desenvolvida,nosso marco teórico consistiriaem explica
ra teoria,seja
proposição por proposição, ou de forma cronológica, mostrando sua
evolução. Vamos supor
que tentamos resolver a seguinte questão: Quais são as características
do trabalho relacionadas
com a motivação pelas tarefas laborais? 8 Ao revisarmos a literatura podería
mos encontrar uma
teoria extremamente desenvolvida, designada como a teoria da relação
entre as características
do trabalho e a motivação intrínseca. Essa teoria pode ser resumida no
modelo da Figura 4.2
(adaptado deHackman e Oldham, 1980, p. 83)9 •
Metodologia de pesquisa 83

Nosso marco teórico teria como base essa teo ria, incor po rando certas referências de inte-
resse. Alguns autores iriam estrutur á- lo da seguint e mane ira:
1. A motivação intrí nseca em relação ao traba lho
1.1 O que é a motivação intrínseca no con texto de tra balh o?
1.2 A import ância da motivação intr ínseca no trabal ho: sua relação com a pro dutividade
2. Os fato res do trabalho
2. 1 Fatores organ izaciona is (clima organizacional, políticas da empre sa, instalações, ca-
racterísticas estruturais da organ ização: taman ho, tecno logia, normas da organização,
ent re outras questões) [Abordados de forma bem resumida porque o foco da pesquisa
está em outros aspectos]
2.2 Fatores do desempenho (atrib uições internas, sen timentos de com p etência e autod e-
termi nação, etc.) [Também abordadosresumidamentepela mesma razão}
2.3 Fatores pessoais (con hecimentos e habi lidades, in teresse inicia l pelo trabalho e var iá-
veis de persona lidad e, necessida des de desenvolvi m ento, etc. ) [Também abordadosde
maneira resumida]
2.4 Fatores de recomp ensa extrín seca (salário, benefícios e out ros tipos de recomp ensas)
[Comentados resumidamente]

Características do trabalho Estados psicológicos críticos Resultado

Variedade no trabalho
---

--
Identificação dos Percepçãoda importância Motivação intrínseca em
resultados do trabalho
~

do trabalho relação ao trabalho


:
------
-
~

Valor (importância)
'
da tarefa
:,
-

Autonomia .. Percepçãoda
responsabilidade pelos
resultados do trabalho

Feedbackdo Conhecimento dos


desempenho resultados
do trabalho

Moderadores

Conhecimentos
e habilidades

Necessidadde
e crescimento

Satisfatores
contextuais

FIGURA
4.2 Moderadores da relação entre as características de trabalhoe a motivaçãointrínseca.
84 Sampieri,
Hernández Co!lado
Fernández Lucio
& Baptista

3. Características do trabalho
3.1 Variedade no trabalho •
3.2 Identificação dos resultados do indivíduo no produto final
3.3 Importância do trabalho
3.4 Autonomia
3.5 Feedbackdo desempenho
3.5.l Feedbackproveniente de agentes externos (superiores, supervisão técnica eco-
legas de trabalho, que também são uma forma de recompensa extrínseca)
3.5.2 Feedbackproveniente do próprio trabalho
3.6 Outras características
4. A relação entre as características do trabalho e a motivação intrínseca [Aqui comentaría-
mos como essascaracterísticasse relacionamentre si e a forma como se associam,como um
todo,à motivaçãointrínseca.Nessaparte do marco teórico,as característicasdo trabalhose-
riam consideradasem conjunto,enquanto no item 3 mencionamossua correlaçãoindividual
com a motivaçãointrínseca.Ou seja,explicaríamoso modelodos moderadoresda relaçãoen-
tre as característicasdo trabalhoe a motivaçãointrínsecacomo sefosse um resumo.]
Nesse caso, pelo menos cerca de 80% do marco teórico seria desenvolvido nos itens 3 e 4. Já
o item 2 é narrativo e geral e poderia ser eliminado. Seu papel se limita a centrar o estudo nas
variávejs de interesse. No pessoal, agruparíamosos fatores organizacionais, do desempenho,
pessoais e de recompensas extrínsecas em apenas um item, pois serão comentados em termos
muito gerais. Assim, obteríamos uma divisão mais simples dos capítulos.
Outraperspectivaparanosso marco teórico seriaa cronológicaque , consiste em desenvolver
historicamente a evolução da teoria (analisar as contribuições mais importantes para o proble-
ma de pesquisa até chegar à teoria resultante). Se ele fosse desenvolvido com uma perspectiva
cronológica, teríamos a seguinte estrutura:
1. A motivação intrínseca e a motivação extrínseca: uma divisão da motivação em relação ao
trabalho
2. Os modelos motivacionais clássicos para estudar a motivação intrínseca
2.1 Antecedentes: década de 1950
2.2 Frederick Herzberg: década de 1960
2.3 Victor Vromm: das décadas de 1950 à de 1970
2.4 Edward E. Lawer: das décadas de 1960 à de 1970
2.5 Edward L. Deci: das décadas de 1970 à de 1990
3. O modelo de redesenho do trabalho (Richard Hackman e Greg Oldham)

1 Da década de 1980 até hoje 1

4. As novas redefinições: Richard Ryan e Edward Deci, Kenneth W. Thomas


De 2000 até hoje
Nos parágrafos, falaríamos sobre as características do trabalho que cada autor considerou
ou sobre uma perspectiva determinada, assim como sua relação com a motivação intrínseca.
[Emborao item 2 deva ser abordadode maneira bem resumida.JNo final, incluiríamos a teoria
resultante, produto de anos de pesquisa. Independentemente de decidirmos construir o marco
teórico de maneira cronológica ou desmembrar a estrutura da teoria (abordando uma a uma
as proposições e os elementos principais dela), o importante é explicar claramente a teoria e
a forma como se aplica ao nosso problema de pesquisa.

2. Existênciade várias teoriasaplicáveisao nossoproblema depesquisa


Se ao revisar a literatura descobrimos várias teorias e/ou modelos aplicáveis ao problema de
pesquisa, podemos escolher uma(um) e nos basearmos nela(e) para construirmos o marco
teórico (desmembrando a teoria ou de maneira cronológica); ou também pegarmos partes de
algumas ou de todas as teorias.
Na primeira situação, escolhemos a teoria que tenha uma avaliação mais positiva (de
acordo com os critérios para avaliar uma teoria, comentados no Capítulo 3 do CD) e
que se aplique mais ao problema de pesquisa. Por exemplo, se a formulação se ceritra nos
\

j
Metodologiade pesquisa 85
feitos que os programas de televisão com elevado conteúdo sexual
têm nos adolescentes,
e aderíamos encontrar teorias que expliquem o efeito de ver sexo
na televisão, mas ape-
~as uma delas se refere aos adolescentes ou conta com evidênc
ia empírica do contexto
escolhido. Sem dúvida, esta deveria ser a teoria que selecionaríamos
para construir nosso
marco teórico.
Na segunda situação, pegaríamos da teoria somente aquilo que se relacion
a com o problema
de estudo. Nesses casos, antes de construir o marco teórico, convém
fazer um esboço deste,
analisá-lo, decidir o que vai ser incluído de cada teoria, procurando
não cair em contradições
lógicas (às vezes diversas teorias rivalizam totalmente em um ou
mais aspectos; se aceitarmos
que diz uma teoria devemos desprezar o que postulam as demais)
0 . Quando as proposições
mais importantes das teorias não são compatíveis umas com as outras,
devemos escolher ape-
nas uma. Mas se somente diferem em aspectos secundários, pegamo
s as proposições centrais
que são mais ou menos comuns a todas elas e escolhemos as partes
de cada teoria que sejam
de interesse e que possam ser acopladas umas às outras.
o mais comum para construir o marco teórico é pegar uma teoria como base e
retirar
elementos de outras teorias úteis. 10
3. Existênciade ''partese pedaços"de teorias (generalizaçõeempíric
s as)
Em certos campos do conhecimento não se dispõe de muitas teorias GENERALIZAÇÕES EMPÍRICAS
que
expliquem os fenômenos que estudam; às vezes temos apenas general Proposiçõesque foram comprova•
izações
empíricas, isto é, proposições que foram comprovadas na maior das na maiorparte das pesquisas
parte das
pesquisas realizadas. Quando revisamos a literatura é bem provável realizadas (formam a base do que
encontrar
esse tipo de situação. O que fazemos então-é construir a perspectiva serão as hipótesessubmetidasa
teórica,
mais do que adotar ou adaptar uma ou várias teorias. teste).
Se ao revisarmos a literatura encontramos uma proposição única
ou se
na formulação pensamos em limitar a pesquisa a uma generalização
empírica (hipótese), então
o marco teórico é criado incluindo os resultados e as conclusões
dos estudos antecedentes,
de acordo com algum esquema lógico ( de maneira cronológica, por
variável ou conceito da
proposição, o.u pelas implicações das pesquisas anteriores). Mas temos
de lembrar que nosso
estudo deve inovar. 11 Se nossa pergunta de pesquisa fosse: Os indivídu
os de um sistema social
que conhecem primeiro uma inovação estão mais expostos aos canais
interpessoais de comu-
nicação do que aqueles que a adotam posteriormente~ 12, nosso marco
teórico consistiria em
comentar os estudos de difusão de inovações que, de uma ou outra
maneira, fizeram referência
ao problema de pesquisa. Comentar implicaria descrever cada estudo,
o contexto em que foi
realizado e os resultados e as conclusões a que se chegou.
Então, quase todos os estudos fazem várias perguntas de pesquisa ou
uma pergunta da qual
surgem diversas proposições. Nesses casos, o marco teórico também
seria fundamentado nos
estudos anteriores que se referem a essas proposições. Os estudos são
comentados e vão sendo
relacionados uns com os outros de acordo com um critério coerente
(cronologicamente, por
proposição ou pelas variáveis do estudo). As vezes as proposições
se entrelaçam de maneira
lógica para, por tentativa, construir uma teoria (a pesquisa pode começa
r a integrar uma teoria
cuja função será aprimorar estudos futuros).
Quando nos deparamos com generalizações empíricas, é comum
organizarmos o marco
teórico a partir de cada uma das variáveis do estudo. Por exemplo
, se o que pretendemos é
pesquisar o efeito de certas dimensões do clima organizacional sobre
a rotatividade de pessoal,
nosso marco teórico poderia ter a seguinte estrutura:

1. Definições fundamentais: o clima organizacional e a rotativid


ade de pessoal
2. Dimensões do clima organizacional 13 e seu efeito na rotatividade
de pessoal
2.1 Estado de espírito
2.2 Apoio da direção
2.3 Motivação intrínseca
2.4 Autonomia
2.5 Identificação com a organização
2.6 Satisfação laboral

Em cada subseção do item 2 definiríamos a dimensão e incluiríamos


as generalizações ou
proposições empíricas sobre a relação entre a variável e a rotativid
ade.
86 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado& BaptistaLucio

As generalizações empíricas descobertas na literatura são a base do que serão as hipótese


submetidas a teste e, às vezes, elas são a própria hipótese. O mesmo acontece quando essa
proposições fazem parte de uma teoria.
4. Descobertasinteressantes,mas parciais,que não se adaptam a uma teoria
Na literatura, podemos descobrir que não existem teorias nem generalizações empíricas, ma
somente alguns estudos prévios relacionados - relativamente - com nossa formulação. Pod,
mos organizá-las como antecedentesde forma lógica e coerente, destacando a mais relevant
em cada caso e citá-las como pontos de referência. Devemos nos aprofundar naquilo que cad
antecedente oferece.
Por exemplo, o estudo já mencionado no capítulo anterior de Núfiez (2001), que fina:
mente desenhou uma pesquisa para validar um instrumento que medisse o sentido de vida d
acordo com o pensamento e a filosofia de Viktor Frank!. Ao revisar a literatura, descobriu qu
havia outros testes logoterapêuticos que mediam o propósito de vida; mas que não refletia,
totalmente o pensamento desse autor. Ele construiu seu marco teórico com base no model
concebido por Frank! (manifestações do espírito, liberdade, responsabilidade, consciênci
valores,etc.) e utilizou os instrumentos prévios como pontos de referência.Não recorreua urr
teoria, ele adaptou um esquema de pensamento e delimitou seu estudo com outros anterior,
(que desenvolveram diversos instrumentos de medição). Entre alguns de seus itens do marc
teórico ele incluiu pontos como os seguintes:
Medição do sentido de vida
• Testes logoterapêuticos
f • O teste de propósito vital de Crumbaugh e Maholick (PIL)
l • Pesquisas realizadas com o PIL
• Pesquisasno México
l • Teste de Song
• Escala de vazio existencial (EVS) do MMPI
i • Questionário de propósito vital (LPQ)
• O teste do significado do sofrimento, de Starck
• Teste de Belfast
• Logoteste de Elizabeth Lukas
5. Existênciade orientaçõesainda nãopesquisadase ideiasvagamenterelacionadascom o problen
de pesquisa
Às vezes se descobre que poucos estudos foram realizados dentro do campo de conhecimen
em questão. Nesses casos o pesquisador tem de buscar literatura que, embora não se refira,
problema específico da pesquisa, possa ajudá-lo a se orientar dentro dele. Paniagua (1985),.
fazer uma revisão da bibliografia sobre as relações interpessoais do comprador e do vended
no contexto organizacional mexicano, não detectou nenhuma fonte prírnária sobre o ter
específico. Então, utilizou referências sobre relações interpessoais vindas de outros context
(superior-subordinado, entre colegas de trabalho e desenvolvimento das relações em geral
aplicou-as à relação comprador-vendedor para construir o marco teórico.
Vamos pegar outro caso parailustrarcomo o marco teórico é construído nas situações 1:
que não há estudos prévios sobre o problema de pesquisa específico. Vamos supor que a idei
analisar quais fatores do contexto de trabalho provocam o medo de ter êxito 14 e causam impac
na motivação para o êxito nas secretárias que trabalham na área burocrática do governo da Co
Rica. Possivelmente se descubra que não há nenhum estudo a esse respeito, mas talvez exist,
pesquisas sobre o medo e a motivação para o êxito das secretárias costa-riquenhas (embc
não trabalhem no governo) ou de supervisores de departamentos públicos ( embora não s<
especificamente, a ocu11ação que nos interessa). Se o segundo também não ocorre, talvez n
existam estudos que abordem ambas as variáveis com executivos de empresas privadas ou
secretárias de repartições públicas de outros países. Se esse não for o caso, é possível recor
às pesquisas sobre o medo e a motivação para o êxito, apesar de terem sido provavelme1
realizadas entre estudantes de outro país. Mas, se não houvesse nenhnm antecedente, po<
ríamos recorrer aos estudos iniciais de motivação para o êxito de David McClelland e aos
medo do êxito, embora, por exemplo, para o medo do êxito seria possível encontrar inúme
referências (Mulig et ai., 2006; Chalk et ai., 2005; Kocovski e Endler, 2000; Lew,Allen, Papouc
e Ritzler, 1998; Janda, O'Grady e Capps, 1978; Cherry e Deaux, 1978; Tresemer, 1977 e 1971
Metodologia
de pesquisa 87

an 1975; entre outras). Mas, supondo que elas também não existissem, poderíam os
z uc1(erm ) . . -
·rer a estudos gerais sobre medo e mot1vaçao . No entanto, quase sempre se conta com um
reco;º de part ida. As exceções nesse sentido são muito poucas. As queixas de que "não há nada':
1
P,º! guém estudo u isso", "não sei em quais antecede ntes eu posso me basear", geralmente se
dnin m a uma revisão msu· fi ciente
· da 11·tera tu ra. Outro exemp lo sobre o que fazer quan do
não
h:~~teratura (inclusive sobre questões não pesquisadas) pode ser encontrado no já mencionado
Capítulo 3 do CD anexo.

ALGUMAS OBSERVAÇÕESSOBREO ,
DESENVOLVIMENTO
DA PERSPECTIVATEORICA
cesso quant itativo sempr e é convenien te efetuar a revisão da literatura e apresentá- la de uma
Nopr~a organizada (seja ela chamada de mar co teórico, estrutu ra de referên cia, conh ecim ento dis- 003
rnane . ) , e em bora nossa
'vel ou de qualquer outra maneira
00 1 pesqui•sa possa se centrar em um o b"Jettvo
·
P avaliação ou me d.1ção mmto
de · espec1'fi1co (por exemp 1o, um estu d o qu e
som ent e preten d a med"1r
, riáveis específicas, como no caso de um censo dem ográfico em um a determina da comuni dade
'.ª que mediríamos nível socioeco nôm ico, nivel edu cativo, idade, gênero, tamanh o da famíl ia, etc.),
~~ecornend ável revisar o que foi feito ant es (com o os censos demo gráficos anterior es fora m reali-
zados nessa comunid ade ou, se não hou ver ant ecedent es, como foram realizados em comuni dades
similares; quais problem as eles tiveram, como foram resolvidos; qu e inform ação relevant e foi ex-
cluída, etc.). Isso ajudar á a criar um estud o melhor e mais completo .
o papel do marco teórico é fund ament al antes e depois de coletar os dados. Isso pod e ser vis-
to na Tabela 4.2. 0 04
Ao construi rm os o marco teórico devem os nos centr ar em no sso probl ema de pesqui sa sem
divagar em outros tem as alheios ao estud o. Um bom ma rco teórico não é aqu ele qu e contém muit as
páginas, mas que abo rd a com profundid ade apenas os aspectos relacionado s com o problem a e que
une de maneira lógica e coerente os conceitos e as propo sições existentes em estud os ant eriores.
Outro aspecto important e que às vezes esque cemo s: constru ir o marco teóri co não significa apenas
reunir informação, mas tamb ém ligá-la e int erp retá-la (nele a redação e a narrativa são im por tan -

TABELA 4.2
Papel do marco teórico durante o processo quantit ativo

Antes de coletaros dados ele nos ajuda a... Após coletar os dados ele nos ajuda a...

Explicar as diferençase semelhan


ças entre nossosresultados e o
conhecimento existente.
Analisarformasde comopodemosinterpretar os dados.
88 HernándezSarnpieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

tes, porque as partes que irão integrá-lo devem estar entrelaçadas e não se deve ((pula/' de uma ideia
a outra).
Um exemplo que, embora grosseiro, é ilustrativo do que acabamos de comentar seria o de al-
guém que tenta pesquisar como a exposição aos programas de televisão com elevado conteúdo se-
xual afeta os adolescentes, e desenvolve uma estrutura do marco teórico mais ou menos assim:

1.A televisão
2.História da televisão
3.Tipos de programas televisivos
4.Efeitos macrossociais da televisão
5.Usos e gratificações da televisão
5.1 Crianças
5.2 Adolescentes
5.3 Adultos
6. Exposição seletiva à televisão
7. Violência na televisão
7.1 Tipos
7.2 Efeitos
8. Sexo na televisão
8.1 Tipos
8.2 Efeitos
9. O erotismo na televisão
10. A pornografia na televisão

É óbvio que isso seria divagar em um "mar de temas''. Sempre devemos nos lembrar de que é
muito diferente escrever um livro didático, que trata a fundo uma área determinada de conheci-
mento, e elaborar um marco teórico em que devemos ser seletivos.

@' QUAL MÉTODOPODEMOSSEGUIRPARA


ORGANIZARE CONSTRUIRO MARCOTEÓRICO?

Uma vez extraída e recompilada a informação que nos interessa das referências apropriadas para
nosso problema de pesquisa, podemos começar a elaboraro marcoteórico,que terá como base a in-
tegração da informação recompilada.
Um passo prévio consiste em ordenaressainformaçãode acordo com um ou vários critérios
lógicos e adequados ao tema da pesquisa. À,; vezes, ordenamos cronologicamente; outras, por sub-
temas ou por teorias, etc. Por exemplo, se utilizarmos fichas ou documentos em arquivos e pastas
(no computador) para recompilar a informação, então eles serão ordenados de
MÉTODODE MAPEAMENTO acordo com o critério que definimos. De fato, há quem trabalhe seguindo um
Consiste em elaborar um mapa método próprio de organização. Em suma, o que importa é que ele seja eficaz.
conceituai para organizare Hernández Sampieri e Méndez (2009) e Creswell (2009) sugerem o método
construir o marco teórico.
1 de mapeamento - elaborar primeiro um mapa - para orgaruzar e construir o
marco teórico. Além disso, nós autores recomendamos outro: por índices (tudo é
estruturado a partir de um índice geral).

Método de mapeamentopara construirD marco teórico

Esse método implica elaborar um mapa conceitua! e, com base neste, aprofundar na revisão da li-
teratura e no desenvolvimento do marco teórico.
Como todo mapa conceitua!, sua clareza e estrutura dependem de selecionarmos os termos
adequados, e isso também está relacionado com uma formulação enfocada. Vamos explicá-lo com
um exemplo.

J
J
Metodologia
de pesquisa 89

Exernplo .
O clirna organizacional
--- pio de mapa da literatura para um estudo cujo objetivo primordial era "validar uma escala
Esteé ºn:' ex::ma organizacionalno contexto de trabalho mexicano"(HernándezSampieri,2005). A revi~
O
para m~dtr ra 50 centrouem estudos que incluíssemdefinições e modelos do clima organizacional1 5 {suas
t
sãoda litera ~ efeitos},assim como instrumentosque o medissem(por isso foi preciso recorrer a pesquisas
e
seu ram seus componentes,d.1mensoes
ausas e .d - ou variave1s
., . 1.
ue cons1era
q As palavras-chavede busca foram:
. rganizacional"(e, obviamente,organízatíonalc!ímate): foi utilizadoporque representa a área
1. "Clima o
central do estudo.
"Mensuração"(measurement):porque_se pretende_v_al~dar um instr~mentode mensuração.
2· "Definicões"(definitions): pela necess1dadede defm1çoesdo conceito.
3· "Dimen.sões" e "fatores" (dimensionse factors): buscava-seconsideraras dimensõesvistas como parte
4.
do climaorganizacional.
"Modelos"{models):para encontrar esquemas empíricossobre suas causas e seus efeitos.
5.
6.
Posteriormenteforam incluídasvariáveisrelacionadascom o climaorganizacionalcomo organizational
culture {culturaorganizacional) e work involvement (envolvimentono trabalho),para ver suas diferenças
em relação ao conceito de interesse; no entanto, elas foram excluídasdo exemplo para não deixá-lo
muitoextenso.
Essaspalavrasapresentaramresultados na busca de referênciasem diferentes bases de dados (Wiley
lnterScience,Sage Journals, Latindex,ERICe ABI/INFORM).
Portanto,o mapainicialde conceitosfoi o da Figura4.3 {nessecaso, a estrutura tem comofundamento
os conceitos-chave).

Clima organizacional

FIGURA
4.3 Demonstração de um mapa da literatura com o exemplo do clima organizacional.

Os conceitos-chavedo mapa permanecemou são desmembradosem subtemas, de acordo com o que


indicara literaturaessencialque revisarmos(eles serão temas na perspectivaou marco teórico).O mapa vai
sendodesdobradoem subtemas, conformepodemos ver na Figura4.4.
Os autores principaissão colocadosno mapa (Figura4.5).
Então,estruturamoso marco teórico tendo como base os quatro temas:
1. Definições,característicase enfoques do climaorganizacional
2. Dimensõesdo climaorganizacional
3· Modelosdo climaorganizacional
4· Mensuraçãodo climaorganizacional
5· Conclusõespara o marco teórico
Cadatema se desdobraem subtemas, por exemplo:
1
· Definições,característicase enfoques do clima organizacional
1· 1 Definiçõesfundamentais
1·2 . Característicasorganizacionaisou percepções?
Dicotomiado clima:objetivo-subjetivo
1·2-1 Concepçãodo climacomo medidavariada dos atributos organizacionais{visão"objetiva")
l .2,2 O climacomo a medidaperceptivados atributos individuais
1·2-3 O climacomo a medidaperceptivados atributos organizacionais
13
· Climaindividual,grupalou coletivo?
1
.4 O climae outras variáveisorganizacionais:semelhançase diferenças

¾tt .....
''"·t.:

..
. e II do & BaptistaLucio
!9~O~
-- ~H~e~rn
~á~
n~de:'.z
~S~a~m~p~
ie~ri:....,
~Fe~rn~a~n~de:'.z~o~a
~~~:.:::::_::~-- - -------------- - ------

Clima organizacional

Concepções e definições:
Dimensões:
Debates: Diversas, mais de 85 diferentes. As
a) Essência. que foram mais consideradasna
• Medida múltipla dos atributos literatura: estado de espírito, apoio da
organizacionais.
direção, inovação, percepção da
• Medida perceptiva dos atributos empresa ou identificação, comunica-
individuais. ção, percepção do desempenho,
• Medida perceptiva dos atributos motivação intrínseca, autonomia,
organizacionais. satisfação geral, liderança, visão e
b) Individual ou coletivo.
recompensas.
c) Objetivo ou subjetivo.

Modelos:
Com maior profusão empírica e os mais recentes:
Instrumentos para • J. L. Gibson, J. M. lvancevich e J. H. Donnelly.
medi-lo: • Modelo da diversidade da efetividade gerencial (W.
28 detectados (cinco Wilborn).
validados para o meio de • Modelo intermediador do clima organizacional (C. P.
trabalho de interesse). Parker et ai.).
• Modelo do processo de senso comum (L. R. James
e L. A. James).

FIGURA4.4 Mapa da literatura desdobradoem temas e subtemas.

Dessemodo,colocamoso conteúdodasreferências em cadaitem (ondehouvernecessidade). Valelem-


brar que estasforam obtidas fundame
ntalmente de revistas:Journal of Organizational Behavior, Human
Resource Management, Journal of Management, Human Resource Development Quarterly, Academy of
Management Review, European Journal of Work and Organizational Psychology, lnvestigación Administrativa
e outras, além de livros.Parasaber quaisrevistassãoimportantesé precisoconsiderar o Fator de Impacto(FI
ou lmpact Factor),que é um indicado r bibliométr
ico elaboradopelolnstitute for Scientific (ISI)dos Estados
Unidos e publicadono Journal Citation Reports (JCR).ondeas revistase as matérias são compiladaspor
ordemalfabética.Cadarevistarecebeum número(FI)queé calculadodividindoa somadas citaçõesrealiza-

Clima organizacional

Concepções e definições: Dimensões:


O clima é perceptual,subjetivo e produto da Litwin e Stringer (1968); Clarke,Sloanee
interaçãoentre os membrosda organização. Aiken (2002); Pattersone colaboradores
Litwin e Stringer {1968); Brunet (2002); (2005); Brunet (2002); Parkere colabora-
McKnight e Webster (2001); Gonçalves dores (2003); 0chitwa (20041; Arvidsson
(2004); Sparrow (2001); Jamese Sells e colaboradores(20041; Andersone West
(1981 ); Parkere colaboradores(2003) ... (1998) •.•

Instrumentos para medi-lo: Modelos:


Parkere colaboradores(2003); 0chitwa Jamese colaboradores(19901; James e
(2004); Arvidssone colaboradores(2004); James (1992); Jamese Mclntyre (19961;
Andersone West (19981; Pattersone Gibsone Donnely(1979); Parkere
colaboradores(20051; Aralucen(20031... colaboradores(20031...

FIGURA4.5 Mapa da literatura com autores.16


Metodologia
de pesquisa 9 '11

. duranteum ano, que é dividido pelo númerototal de artigos publicadospor essarevista nos
das a essa revista
. Comesse ind.rcadar tenta-se med.1ro grau de d·t - ou u·impacto" e, portanto,de pres-
I usao
. nos anterior85• , . , ... _
doisª blicacão, embora tambem se1apassiveiconhecer o FI de um autor ou uma mst1tutçao.
tigio dessapuacar ~ue 05 autores podem ir mudando com o tempo. Se HernándezSampieritivesse realizado
Vale de:~ 2009, teria de incluir novas referências: Gray (2007) com seu livro A c/ímate of success,
seu 0studo (200B) com sua obra Organízational clímateat híghereducationinstitutions,D' Amato (2009),
Pernbert~:ro Psycho/ogical and organizational
c/imateresearche Sarros, Coopere Santora (2008) com seu
1
co~ 58,,u .ldinga climate for innovationthrough transformationalleadershipand organizationalculture",
8
artigo UI 17
cionaralgunsexemplos.
para men

Método por índice para construir o marco


, ·co (vertebrado a partir de um índice geral)
teon
A -periência mostra que outra maneira rápida e eficaz de construir um marco teórico é desenvol-
' e~rimeiro, seu índice experimental, global ou geral, e aprimorá-lo até que se torne bem específi-
~~~'paradepois colocar a informação (referên~ias) em s7,ulugar correspondent~ dent~o-do es~ue-
rna. A essa operação podemos dar o nome de vertebrar o marco ou a perspectiva teonca (cnar a
coluna vertebral desta).
Por outro lado, é importante insistir que o marco teórico não é um tratado de tudo aquilo que
tenha relação com tema global ou geral da pesquisa, mas ele deve se limitar aos antecedentes da for-
mulação específica do estudo. Se esta se refere aos efeitos secundários de um tipo de medicamento
concreto em adultos com um determinado perfil, então a literatura que revisarmos e incluirmos
deverá estar relacionada especificamente com o tema; não seria prático incluir itens como: "a histó-
ria dos medicamentos", "os efeitos dos _medicamentos em geral': "as reações secundárias dos medi-
camentos em bebês': etc.
O processo de "vertebrar" o marco teórico em um índice pode ser representado com o esque-
ma da Figura 4.6.
Assim, completamos os itens (temas e subtemas) com conteúdos retirados das referências
apropriadas para cada um deles, embora primeiro seja necessário estruturar o índice (a coluna ver-
tebral). A seguir mostramos um exemplo:

Exemplode um índice"vertebrado"
Aoelaboraruma pesquisa para determinaros fatores que interferemno voto para as eleiçõesmunicipaisna
Bolíviaforamencontrados, após a revisão da literatura,diversos fatores que causam um grande efeito no
Voto:
1· Imagemdo candidato
2· Imagemdo partidoou da força políticaque apoia o candidato
3- Estruturapartidária
4· Marketingpartidário
5· Marketingeleitoral
6· Açãoeleitoral
Nesse caso, estes seriam os temas, sendo que cada um se desdobraem subtemas e assim sucessiva•
mente,e o índiceficariada seguinte maneira:

Fatoresque interferem no voto para as eleições municipais, no caso da Bolívia


1· Imagemdo candidato
l .1 Antecedentesdo candidatoe informaçõessobre ele, que os votantes conhecem
92 HernándezSampieri,FernándezCollado& Bapt1staLucio

1.2 Atribuiçõesem relação ao candidato (honestidadepercebida, experiência,capacidade para gover~


nar, liderançaatribuída,carisma, simpatia,inteligênciae outras)
1.3 Percepçãoda famíliado candidatoe o vínculodo candidato com ela
1.4 Credibilidade
do candidato
1.5 Presença física do candidato
2. Imagemdo partidoou da força políticaque apoia o candidato
2.1 Antecedentes do partido políticoe conhecimentoque os votantes têm a respeitodele
2.2 Atribuiçõessobre o partido (honestidadedos governantes que pertencem ao partido, resultados
demonstradosde seus governos,experiênciade governo)
2.3 Identificaçãocom o partidopolítico
2.4 Credibilidade
do partidopolítico
3. Estruturapartidária
3.1 Númerode afiliados
3.2 Participaçãonas eleições
3.3 Lealdadepartidária
3.4 Organizaçãodo partido
3.5 Produtividadeda estrutura
4. Marketingpartidário
4.1 Investimentoem publicidadee propagandainstitucionalpermanente
4.2 Investimentoem publicidadee propagandados governos municipaispertencentes ao partido
5. Marketingeleitoral
5.1 Investimentoem publicidadee propagandaem meios de comunicaçãode massa durante as campa~
nhas políticas
5.2 Investimentoem marketingdireto durante as campanhas
6. Ação eleitoral
6.1 Discursosdo candidato, eventos e comícios
6.2 Solicitaçãodireta do voto
Quando o índice estiver pronto, vemos se está completo, se estão faltando ou sobrando itens para
aprimorá-los;depois buscamos referênciasapropriadaspara o desenvolvimentodo marco teórico.
Agoraintegramosas referênciasno lugarmais adequado.
Mas, no caso de notarmos que o estudo pode ser multo extenso, como o do exemplo {eletem uma
grande quantidadede variáveis),então podemostomar a decisão de especificarmais e delimitaro problema
(podemosnos centrar somente nos fatores de imagemdos candidatos que influenciamo voto).

Quantasreferênciasdevem ser utilizadaspara o marcoteórico?

Isso depende da formulação do problema, o tipo de relatório que estivermos elaborando e nossa
área de atuação, além do pressuposto. Portanto, não existe uma resposta exata, de maneira algu-
ma. No entanto, alguns autores sugerem que se utilizem aproximadamente 30 referências (Mer-
tens, 2005). Hernández Sampieri e colaboradores (2008) analisaram várias teses e dissertações,
assim como artigos de revistas acadêmicas nos Estados Unidos e no México, e consultaram vários
professores latino-americanos, encontrando parâmetros como os seguintes: em uma pesquisa em
um curso de graduação para uma matéria ou disciplina o número p<:Jdevariar entre 15 e 25, em
uma pequena monografia entre 20 e 30, em um trabalho de conclusão de curso entre 25 e 35, em
uma dissertação de mestrado entre 30 e 40, em um artigo para uma revista científica entre 50 e
70. Em uma tese de doutorado, o número aumenta entre 65 e 129 (não são de maneira alguma
padrões, mas aparecem na maioria dos casos). No entanto, devem ser referências diretamente re-
lacionadas com a formulação do problema, isto é, devemos excluir as fontes primárias que men-
cionam a formulação indiretamente ou de forma periférica, aquelas que não coletam dados ou
não se fundamentam nestes (que são simples opiniões de um indivíduo) e também as que são de
trabalhos escolares não publicados ou não têm o aval de uma instituição.

J
Metodologia de pesquisa 93

Subtema 1.1 Referência 1

Tema 1
Referência 2
Subtema1.2
Referência 3

Subtema2.1
Referência 4
Tema 2

Subtema2.2 f:{eferência 5

Referência6
Temas gerais Subtema3.1
Tema 3 Referência7
..,
-
~
Subtema3.2 Referência8

Subtema3.3 Referência9

Referência1O
1
Tema k
-
- Subtemak.1
Referência11
1 1
"
- Subtemak.2 Referênciak
l
As referências são colocadas no lugar mais adequado, às vezes em um
subtema ou sub1tem, às vezes em dois, em três ou mais ...

FIGURA4.6 Processo de vertebração do índice do marco teórico e posição das referências.

0 SERÁQUEA REVISÃODA LITERATURAFOI ADEQUADA?

As vezes surge essa dúvida, será que fizemos ou não um a revisão correta da literatura e tamb ém
uma boa seleção de referências para integrá- las no mar co ou perspectiva teór ica? Para responder
essa questão, é possível utilizar os seguin tes critérios em forma de perguntas. Se a resposta for "sim"
hara todas elas teremos a certeza de que, ao menos, nos empenhamos ao máximo e ninguém que
ouvesse tentado poderia ter obt ido um resultado melhor.

• Recorremos a alguns bancos de dados, seja com consulta manual ou por computado r? E pedi-
• mos referências de pelo menos cinco anos atrás?
• ~rocuramos em diretórios, motores de busca e espaços da internet (ao menos tr ês)?
Aonsultamos no mínim o quatro revistas científicas que costumam abordar o tema de intere sse?
• p consulta foi de cinco anos atrás até a data da pesquisa?
• procuramos em algum lugar onde havia teses e dissertações sobre o tema de inte resse?
• Crocuramos livros sobre o tema em pelo menos duas boas bibliot ecas físicas ou virtuais?
• S onsultamos mais de uma pessoa que soubesse algo sobre o tema?
/d
1
aparentemente, não descobrimos referências em bancos de dados, bibliotecas, hemerotecas,
d eotecas e cinematecas, então entramo s em conta to com algum a associação científica da área
e nosso probl ema de pesq uisa?
94 Hernândez
Sampieri,Fernánd&z
Cofiado& BaptistaLucio

Além disso, qúando existém teoria,; ou generalizações empíricas sobre um tema>seria apro-
priado acrescentar as seguintes perguntas para a autoavaliação:

• Quem são os autores mais importantes dentro do campo de estudo?


• Quais aspectos e variáveis foram pesquisados?
• Existe algum pesquisador que tenha estudado o problema em um contexto similar ao nosso?

Mertens (2005) acrescenta outras questões:

• Sabemos claramente qual é o panorama do conhecimento atual em relação a nossa formulação?


• Sabemos como nossa formulação foi conceituada?
• Produzimos uma análise crítica da literatura disponível? Reconhecemos os pontos fortes e fra,
cos da pesquisa prévia?
• A literatura revisada está livre de criticas, interesses, pressões políticas e instituciooais?
• O marco teórico mostra que nosso estudo é necessário ou importante?
• No marco ou perspectiva teórica fica claro como a pesquisa anterior tem um vínculo com nos-
so estudo?

@' REDAÇÃODO MARCOTEÓRICO

Construir o marco teórico implica redigir seu conteúdo, tecendo parágrafos e citando as referências
de maneira apropríada. Os comentários a esse respeito estão no Capítulo 11 deste livro.

Exemplo
Pesquisade Mariana sobre o namoro
Vamos recapitularo que.foi comentadoaté agora e retomar o exemplodo namoroapresentadonos dois
capítulosanteriores.O exemplofoi delimitadoà semelhança;a semelhançaexerce alguma influênciana
escolha do par no namoroe na satisfação do relacionamento?Isso tambémpoderiaser delimitadoà satís~
fação.
Se a jovem, Mariana, seguisse os passos que sugerimos para desenvolver sua perspectiva teôrica,
realizariaas seguintesações:
1, Iriaa um cybercafé, ao setor de infomiáticade sua universídadeou utilizariaseu própriocomputadore
se conectariaa vários meios de referências.Buscariareferênciasdos cinco últimosanos em PsyclNFO
(Psycho/ogica/AbstractsJ,SAGEJoumals e SociologicalAbstrncts (que seriam os bancos de dados
indicados),utilizandoas palavras«chaveou guias: atraction(atração},close (proximidade},relationships
\relacionamentos)e similarity(semelhança),tanto em sua próprialrnguacomoem inglês.Se tivessefeito
isso em 2009, logo de cara descobririaque existemdezenas de referências(desse.ano para trás, multas
delas gratuitas},que existem revi$tasque abordamo tema como a Journaf afYouth & Adolescence,
Joumal of Personalítyand SocialPsycho/ogye Journalof Socialand PersonaiRelatíonship,assim como
diversoslivros.Alémdisso, escreveriaou enviariaum e·mail para algumaassoclação·naciooalou inter-
nacionalpara pedirinformaçãoa esse respeito.
2. Selecionariaapenas as referênciasque abordassema semelhançanas relaçõesinterpessoais,prin_clpai~
menteas que se referemao namoro.
3. Construiriaseu marco teórico sobre a seguinte generalizaçãoempfrica,sugeridapela literaturaapro-
priada: nAs pessoas tendema selecionar,para suas relações interpessoai_s heterossexuais,indivíduos
semelhantes a elas no·que se refere à educação, nível socíoeconômíco,raça, religião,idade, cultura,
atitudes e até mesmo atrativo físicoe psíquico",Ou seja, a semelhançaentre duas pessoas do sexo
oposto aumenta a possíbllidadede que estabeleçamuma ralação interpessoal1como seria o caso do
namoro.
Metodologiada pesquisa 95

o deve ser o marco teórico?


~o extenS
oua
ergunta difícil de responder, m u ito comp lexa. No entanto, no Capítulo 3 do CD ane-
essa é urna Pento do presente cap1tu
, 1o, comentamos o pon to de vista
· d e a1gun s autores relevantes.
cornP1em
;,;_o,

Resumo

• O terceiro passo do processode pesquisaquantita- cl A existênciade generalizaçõesempíricasque se


tiva é apoiar teoricamenteo estudo. adaptema esse problema.
• O marco teórico ou a perspectiva teórica se integra dl Descobertas interessantes, mas parciais, que
com as teorias, enfoques teóricos, estudos e ante- não se adaptama uma teoria.
cedentes em geral, que se refiram ao problemade el Apenas a existência de orientações ainda não
pesquisa. estudadase ideias vagamenterelacionadascom
• Paraelaboraro marco teórico é necessáriodetectar, o problemade pesquisa.
obter e consultar a literatura e outros documentos A estratégiaparaconstruir o marco teórico varia em
apropriados para o problema de pesquisa, assim cada caso.
como extrair e compilar a informação de interesse. • Uma fonte importantepara construir um marco teó-
• A revisão da literatura pode ser iniciada manual- rico são as teorias. Umateoria é um conjunto de con-
mente ou recorrendoa bancos de dados e referên- ceitos, definiçõese proposiçõesunidasentre si, que
cias aos quais se tenha acesso na internet, utili- apresentamum ponto de vista sistemático de fenô-
zando palavras-chave . menosque especificamrelaçõesentre variáveis,cujo
• Ao compilar informação de referências é possível objetivo é explicare preveressesfenômenos.
extrair uma ou várias ideias, dados, opiniões, resul- • As funçõesmaisimportantesdas teoriassão: explicar
tados, etc. o fenômeno,prevê-loe sistematizaro conhecimento.
• A construção do marco teórico depende do que • O marco ou perspectiva teórica irá orientar o rumo
encontrarmosna revisãoda literatura: das etapas posterioresdo processode pesquisa.
ai A existência de uma teoria completamente • Ao construirmoso marco teórico, devemosnos cen-
desenvolvidaque possa ser aplicada ao nosso trar em nossoproblemade pesquisasem divagar em
problemade pesquisa. outros temas alheios ao estudo.
b) A existência de várias teorias que possam ser • Para dar origem à perspectiva teórica, sugerimos
aplicadasao problemade pesquisa. dois métodos: mapeamentoe vertebração.

Conceitosbásicos
Avaliaçãoda revisãorealizadana literatura Generalizaçãoempírica
Basesde referências/dados Marco teórico
Desenvolvimentoda perspectivateórica Modelo teórico
Esquemaconceituai Palavras-chave
Estratégiade elaboraçãodo marco ou perspectivateórica Perspectivateórica
Estruturado marco ou perspectivateórica Processoquantitativo
Fontesprimárias Referência
Funçõesdo marco teórico Revisãoda literatura
Teoria

Exercícios
1. Selecione um artigo de uma revista científica que quisa? Você acha que ele ajudou o pesquisadorou
contenhauma pesquisae analiseseu marco teórico. pesquisadoresem seu estudo?De que maneira?
Qual é o índice (explícito ou implícito) do marcoteó- 2. Quanto à formulação do problemade pesquisa que
rico dessa pesquisa7 O marco teórico está com- escolheu, busque, pelo menos, dez referências e
pleto7 Eleestárelacionado
como problema
depes- mstraiadelasa 'informaçãoapropriada.
96 HernándezSampieri,FernándezCollado& Baptista Lucio

3. Escolha duas ou mais teorias que façam referência 5. Revise no CD anexo a informação adicional sobre
ao mesmo fenômeno e compare-as. este capítulo (Capítulo 3, "Perspectiva teórica:
4. Construa um marco teórico apropriado para o pro- comentarias adicionales").
blema de pesquisa que escolheu no início da leitura
do livro.

Exemplosdesenvolvidos
A televisãoe a criança - O indivíduo
- O casal
Índicedo marcoteórico
- A relação
1 . O enfoque de usos e gratificações da comunicação
• Dimensões para avaliar as relações de casal.
de massa
- Superficiais/íntimas
1 .1 Princípios básicos
- Românticas/tradicionais versus não tra-
1.2 Necessidades satisfeitas pelos meios de comu-
dicionais
nicação de massa nas crianças
4.2 Teoria evolucionista
1.2.1 Diversão
• Dimensões do casal ideal
1.2.2 Socialização
- Relações próximas ou íntimas
1.2.3 Identidade pessoal
- Atrativo físico e social
1.2.4 Sobrevivência
1.2.5 Outras necessidades
O abusosexualinfantil
2. Resultados de pesquisas sobre o uso que a criança
faz da televisão (O relatório em formato de artigo está incluído no CD):
3. Funções que a televisão desempenha na criança e Material complementario /investigación cuantitativa /
gratificações que ela recebe por ver televisão Ejemplo 7 /Comparativo de instrumentos de evaluación
4. Conteúdos televisivos preferidos pela criança para programas de prevención dei abuso sexual infantil
5. Condições de exposição da criança à televisão en preescolares.
6 Controle que os pais exercem sobre seus filhos na
Índicedo marcoteórico
atividade de ver televisão
1. O problema do abuso sexual infantil
7. Conclusões referentes ao marco teórico
1 .1 Estatísticas internacionais
1.2 Dimensões do problema
O par e a relaçãoideais
2. Programas de prevenção ao abuso sexual infantil
Índicedo marcoteórico (PPASI)
1 . Contexto dos jovens universitários de Celaya 2.1 Tipos
2. Estrutura e função dos ideais nas relações de namoro. 2.2 Efeitos
3. Causas das relações bem-sucedidas e o conceito de 3. Avaliação dos PPASI
par ideal 3.1 CKAQ-R (EUA e versão em espanhol)
4. Teorias sobre as relações de namoro 3.2 What is situation test (WIST)
4.1 Teoria sociocognitiva 3.3 Role play protocol (RPP) (EUA e México)
• Constructos para o conhecimento das rela- 3.4 Taking about touching evaluation program
ções relevantes de casal 3.5 Evaluación de la prevención dei abuso (EPAI

Os pesquisadores
opinam

• Criar o hábito de pesquisar é uma obrigação que os pro-


fessores devem ter em relação aos seus alunos.Tam-
bém devem incentivar o desenvolvimento de projetos
que tenham aplicações práticas, pois um dos parâme-
tros que caracterizam uma boa pesquisa é o fato de ter
ou nas empresas, e não fique somente no papel, embora
seja publicado.

JoséYee de LosSantos
Docente
alguma utilidade, que resolva problemas na sociedade Facultadde Cienciasde la Administración
UniversidadAutónoma de Chiapas
Chiapas,México
Metodologia de pesquisa 97

A import ância de contextualizar as pesquisas produ- tes estat ísticos para a análise quantitati va agora são
zidas na América Latina está no fato de que possibilita mais completos e eficazes.
a criação de conhecimentos válidos e aplicáveis a nos- Em uma pesquisa é possível combinar técnicas
sas realidades. quantitat ivas e qualitativas para coletar informação ,
Na Venezuela, as disciplinas como Psicologia Social com questionários , observações e entrevista s. Mas no
e da Educação se mostram mais receptivas ao uso de plano ontológico e epistemo lógico não é possível mes-
estratégias qualitativas , que se tornaram uma forma clar os enfoques porque as formulações , no que se
científica e rigorosa de realizar pesquisa, apesar de os refere à visão de ciência e à relação com o objeto de
estigmas que ainda dominam certos círculos acadêmi- estudo, são muito divergentes .
cos. Na área tecnológica os avanços são impressionan-
tes, graças ao computador que permite a análise de
NataliaHernándezBonnett
dados quantitativos.
Professorapesquisadora
A tendên cia é mais estatística; por isso, as técnicas
Escuelade Psicología
de análise que servem para explicar fenômenos a partir
Facu/tad de Humanidadesy Educación
de várias dimensões foram aperfeiçoadas , ao mesmo
UniversidadCatólica Andrés Bel/o
tempo em que oferecem a maior quantidade de variá-
Caracas, Venezuela
veis para sua compreensão. Do mesmo modo, os paco-

(0 NOTAS

1. As referências ou fontes primárias pro porcionam dados de primeira mão, pois são documento
s que
incluem os resultados dos estudos corresponde ntes. Exemplos destas são: livros, antolog
ias, art igos de
publ icações periódicas, monografias, teses e d isserta ções, docu mentos o ficiais, relató rios
de assoc iações,
trabalhos apresen tados em conferências ou sem inários, ar tigos jornalís ticos, testemun h o de
especialistas,
documentários, vídeos em diferentes form atos, fórun s ou páginas na int ern et, etc.
2. Essas bases de referências têm pág inas em inglês, e nossa consulta será basicamen te de
termos nesse
idioma.
3. No CD anexo • (Material com plementa rio • Apénd ices • Apénd ice 2: "Prin cipales bancos/ser
v icios
de obtención de fuentes/bases de datos/ páginas web para consulta de referenc ias bibliográfi
cas", o leitor
encontra rá uma lista variada de bases para suas buscas.
4. De acordo com Corne ll University Library (2005) , o thesaurus é uma lista de todos os títulos
ou ma rca-
dores utilizados em um a determ inada base de dados, catálogo ou índ ice.
5. Se você, leitor, não está familiariza do com esses operado res ou preposições, ou nunca realizou
uma "busca
avançada", sugerimos recorrer ao Capítulo 3 do CD: "Perspect iva teórica: comentarias adicio
nales", no
qual seus usos e funções são explicados.
6. No CD anexo (Doc u mentos • Documento 3) o leito r encon tr ará um peque no m anual
baseado nas
normas da APA (Am eri can Psychological Association) que é utilizado na maioria das disciplin
as. Nele
mostramos quais elementos das princi pais referências devem ser anotados e como citá-las
na lista final de
referências ou bibliogra fia. O programa Sistem a de Inform ación para el Sopo rt e a la Investigac
ión (SISI)
e seu respectivo m anual cont idos no CD servem para gerar, incluir e organi zar referências
bibliográficas,
tanto no texto - citações - como no final na lista ou bibliografia - referências-, baseados
no estilo de
publicação da APA.
7.
A evidênc ia emp ír ica, segund o o enfoque quantitativo, refere-se aos dados da "realidade
" que apo iam
ou dão testemunh o de uma ou várias afirm ações. Dizem os que um a teori a recebeu apoio
ou evidência
emp írica quando há pesquisas científicas qu e most raram que seus postul ados são corr etos
na realidade
ob_servávleou m ensurável. As propos ições ou afirmações de uma teoria conseguem ter diversos
graus de
evidência empírica: a) se não há evidência emp ír ica a favor nem cont ra uma afirmação ela
é denom inada
de "hipótese"; b) se há apoio empírico, m as este é moderado, a afirmação ou proposiçã
o cost uma ser
deno m inada "gener alização emp írica", e c) se a evidência emp írica é indiscutí vel, falamos
nolds, 1980). de "lei" (Rey-
8.
Em um cont exto determi nado, como em empr esas do Parque Industrial de Villa El Salvador,
Peru. em Lima,
9.
Esse modelo contin ua sendo utilizado. Consulte, por exemplo: Hern ández Sampi eri (2005),
Forn aciari
10. ; Dean (2005), 0st hu s (2007), Ho rnun g e Rousseau (2007), Prowse e Prowse (2008) e Russell
(2008).
ara ver como um marco teórico se integra em uma teoria, sugeri mos ao leitor que revise
no CD que
a~ompanh a esta ed ição em "Materi al compl em ent aria", "ln vestigació n cuantitativ a': "Ejemplo
6: Valida-
ción de un instru mento para medir la cult ura em presarial en func ión dei clim a organ izacional
Yvinc ular
empíricame nte amb os constr utos".
98 HérnándezSampieri,FernándezCollado& Baptista Lucio

11. Às vezes são realizadas pesquisas para avaliar a falta de coerência entre estudos prévios, encontrar "buracos"
de conhecimento nestes ou explorar por que certas aplicações não puderam ser realizadas adequadamente.
12. Retirada de Rogers e Shoemaker (1971). Exemplos de inovações são a mOda, a tecnologia, os sistemas de
trabalho, etc.
13. Simplificamos as dimensões do clima organizacional para tornar o exemplo mais ágil.
14. Medo de ter êxito em um trabalho ou outra tarefa.
15. O clima organizacional é um conjunto de percepções dos indivíduos sobre seu meio interno de trabalho
(Hernández Sampieri, 2005).
16. Omitimos alguns dos nomes para tornar o exemplo mais curto. Também não são incluídas as citações
1 de referências na bibliografia do livro, pois o exemplo, embora seja real, é simplesmente utilizado para
' fins ilustrativos. Mas mencionamos as principais fontes em que foram localizadas.
17. Para ver quais elementos de uma referência são incluídos, lembramos que o leitor pode recorrer ao CD,
documento 3: "Manual basàdo en las normas de laAPA (American Psychological Association)" e utilizar
o programa SIS! (Sistema de Información para e! Suporte y la lnvestigación).

~;
J

j .

.
5
Definiçãodo alcanceda
pesquisaa ser realizada:exploratória,
descritiva,correlaciona!ou explicativa

Passo 4 Definir o alcance


Processo de pesquisa da pesquisa
quantitativa • Definir se a pesquisa começa
como exploratória, descritiva,
correlacionai ou explicativa.
• Tentar estimar qual será o
alcance final da pesquisa.

QQ Objetivo da aprendizagem
Ao concluir este capítulo, o aluno será capaz de:

1. conhecer os alcances dos processos da pesquisa quantitativa.

Síntese
Neste capítulo apresentamos um contínuo do alcance das pesquisas quantitativas: exploratórias, descritivas,
correlacionais e explicativas. Também mostramos a natureza e o propósito desses alcances em um estudo.

Exploratórios
• Pesquisam problemas pouco estudados
• Indagam a partir de uma perspectiva inovadora
• Ajudam a identificar conceitos promissores
• Preparam o terreno para novos estudos
Alcances

• Resultam da
revisão da
Descritivos
literatura e da • Consideram o fenômeno estudado e seus
perspectiva de ~ componentes
Pesquisa estudo _ _.-- • Medem conceitos
quantitativa • Dependem dos sao ~ • Definem variáveis
objetivos do
pesquisador
para combinar
\ ~ lorrelacionais
Oferecem prognósticos
os elementos no
Explicam a relação entre variáveis
estudo
Quantificam relações entre variáveis

plicativos•
Determinam as causas dos fenômenos

* N. de R.T.:Os estudos explicativos também são chamados de causais.


IT Geram um sentido de entendimento
São extremamente estruturados
100 HernándezSampieri,Fernández
Collado& BaptistaLucio

@ QUEALCANCESPODETERO PROCESSO
DE PESQUISAQUANTITATIVA?

oa, Se após a revisão da literatura decidimos que nossa pesq uisa vale a pena e que deve ser realizada, 0
próximo passo é ver o alcance qu e ela terá.
Conforme coment amo s em ed ições ant eriores deste livro, os alcances não devem ser conside-
rados como "tipo s" de pesquisa, porque, mais do qu e ser um a classificação, eles são um contínuo de
"causalidade" que um estudo pode ter, conforme mostramo s na Figura 5.1.

Exploratório Correlaciona)

-
Explicat ivo
Descrit ivo

FIGURA5.1 Alcances que pode ter um estudo quant itativo.

Essa reflexão é importante, poi s a estratégia de pesquisa depend e do alcance do estudo. Assim,
o desenho, os procedimentos e outros componentes do proc esso serão diferentes em estudos com
alcance exploratório, descritivo, correlacionai ou explicativo. Mas, na prática, qualquer pesquisa
pode incluir elementos de mais de um desses quatro alcances.
Os estudos exploratóriosservem para preparar o terreno e normalm ente antecedem as pesqui-
sas com alcances descritivos, correlacionais ou explicativos . Os estudo s descritivos - geralmente -
são a base das pesquisas correlacionais que , por sua vez, prop orcionam informação para realizar es-
tudos explicativos que geram um sentido de entendimento e são extremamente estruturados . As
pesquisas realizadas em um campo de conhecimento específico podem incluir diferentes alcances
nas distintas etapas de seu desenvolvimento. Uma pesquisa pode começar sendo exploratória, de-
pois pode ser descritiva e correlacionai e terminar como explicativa (Figura 5.2).
Então, surge necessariamente a seguinte pergunta : Do que depende para que nosso estudo co-
mece como exploratório, descritivo , correlacionai ou explicativo? A resposta não é simples, mas di-
remos que depende fundamentalmente de dois fatores: "o estado da arte" do conhecimento sobre o
problema de pesquisa, mostrado pela revisão da literatu ra, e também da perspecti va que pretende-
mos dar ao estudo. Mas, antes de analisarmos detalhadament e essa resposta, precisamos falar de
cada um dos alcances da pesquisa.

Pesqu
isa descritiva Pesqu
isa correlacionai • • • • • 1

Pesquisa exploratória
Geralmente antecede as
demais pesquisas

FIGURA 5.2 Alca nces da pesquisa.


Metodologia
de pesquisa 101

g EIVIQUECONSISTEMOS ESTUDOSDE ALCANCEEXPLORATÓRIO?

propósito
· - ]"iza dos quan do o ob"Jet1vo
· e· exammar
· ESTUDOSEXPLORATÓRIOS
b' . São.
d exploratónos sao rea d d b
um
.
• d d
rea11za os quan o o o Jet1vo
Os estu os problema de pesqmsa .
1
pouco estu a o, so re o qua temos mmtas .
e
d d
a ou um
1eJ11_
. ._ .
que não foi abordado antes. Ou seJa, quando a rev1sao da literatura
dúvidas oue existem apenas orientações não pesquisadas e ideias vagamente re-
1 examinarum tema poucoestu a o.

rev_eloudq~ com O problema de estudo ou, ainda, se queremos pesquisar sobre temas e áreas a par-
Iac10naa .
. d novas perspectivas.
ur e E e seria O caso de pesquisas que pretendessem analisarfenômenos desconhecidos ou novos:
d s:nça surgida recentemente, uma catástrofe que ocorreu em um lugar onde nunca havia
uma t ºido algum desastre, preocupações suscitadas a partir da decifração do código genético hu-
acon e~a clonagem de seresvivos, uma nova propriedade observadanos buracos negros do Univer-
mano urgimento de um meio de comunicação totalmente inovador ou.a visão de um fato histórico
so,os
dificada pela descob erta d e ev1"d•encia. que antes nao
- era ev1"dente.
mo O aumento da expectativa de vida além dos 100 anos, a futura população que irá habitar a
Lua,0 aquecimento global da Terra~ n!veis imprevistos, mudanç_asprofundas na concepção ~oca-
samento ou na ideolog1~de uma rehgiao, senam fatos que podenam gerar uma grande quantidade
de pesquisas exploratónas.
Os estudos exploratórios são como realizar uma viagem a um lugar desconhecido, do qual
não vimos nenhum documentário nem lemos algum livro, mas que tivemos conhecimento porque
alguém simplesmente fez um rápido comentário sobre o lugar. Ao chegar, não sabemos quais atra-
ções visitar,a quais museus ir, em quais lugares se come bem, como são as pessoas; em outras pala-
vras, não sabemos nada sobre o lugar. A primeira coisa que fazemos é explorar: perguntar sobre o 1
l
que fazer e aonde ir para o taxista ou o motorista do ônibus que irá nos levar ao hotel em que fica- 1
remos hospedados; além disso, devemos pedir informação ao recepcionista, ao camareiro, ao aten-
dente do bar do hotel, enfim, a todas as pessoas que considerarmos simpáticas. Claro que, se não
buscarmos informação e ela existir, perderemos a oportunidade de economizar dinheiro e muito ;
tempo. Assim, talvez vejamos algum espetáculo não tão agradável e que exige muita "grana" e ao
mesmo tempo deixamos de assistir a um espetáculo fascinante e mais econômico; sem dúvida, no
!
''.

1
caso da pesquisa científica a revisão inadequada da literatura traz consequências mais negativas do !
que a simples frustração de gastar em algo que, pensando bem, não nos deu prazer. 1

Importância

Os estudos exploratórios servem para nos tornar familiarizados com fenômenos relativamente des-
c?nhecidos, obter informação sobre a possibilidade de realizar uma pesquisa mais completa rela-
ciona~acom um contexto particular,pesquisar novos problemas, identificar conceitos ou variáveis
promissoras, estabelecer prioridades para pesquisas futuras ou sugerir afirmações e postulados.
D Esse tipo de estudos é comum na pesquisa, principalmente nas situações em que há pouca in-
or~ação. Esse foi o caso das primeiras pesquisas de Sigmund Freud, surgidas da ideia de que os
ro lemas de histeria estavam relacionados com as dificuldades sexuais; do mesmo modo, os estu-
. ~~ pioneiros da AIDS, os experimentos iniciais de Iván Pavlov sobre os reflexos condicionados e as
1
: ições, a análise de conteúdo dos primeiros videoclipes, as pesquisas de Elton Mayo na fábrica
To•w!horneda companhia Western Eletric, os estudos sobre terrorismo após os atentados contra as
Derres Gêmeas de Nova York em 2001, entre outros acontecimentos. Todos foram realizados em di-
rentes ép 1 . .
des h _ocase ugares, mas com um denommador comum: explorar algo pouco pesqmsado ou
con ecido.
tend. O~ est~dos exploratórios poucas vezes são um fim em si mesmo, eles geralmente determinam
Variáen~ias, identificam áreas,ambientes, contextos e situações de estudo, relações potenciais entre
ÇõesVeis;ou estabelecem o "tom" de pesquisas anteriores mais elaboradas e rigorosas. Essas indaga-
relac;eca~acterizampor serem mais flexíveis em seu método se comparadas com as descritivas,cor-
e el(jg°nais0 ~ explicativas, e são mais amplas e dispersas. Elas também envolvem um "risco" maior
em muaa paciência, serenidade e receptividade do pesquisador.

-..________________
1102 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

@ EM QUECONSISTEMOS ESTUDOSDEALCANCEDESCRITIVO?

Propósito
Geralmente, a meta do pesquisador é descreverfenômenos, situações, contextos e eventos; ou seja,
detalhar como são e se manifestam. Os estudos descritivos buscam especificar as propriedades, as
característicase os perfis de pessoas, grupos, comunidades, processos, objetos ou
ESTUDOSDESCRITIVOSBuscam qualquer outro fenômeno que se submeta a uma análise. Ou seja, pretendem uni-
especificarpropriedades,caracte- camente medir ou coletar informação de maneira independente ou conjunta so-
rísticase traços importantesde bre os conceitos ou as variáveisa que se referem,isto é, seu objetivo não é indicar
qualquerfenômenoque analisar- como estas se relacionam. Por exemplo, um pesquisador organizacional que te-
mos. Descrevetendênciasde um nha como objetivo descrever várias empresas industriais de Lima quanto a sua
grupo ou população. complexidade, tecnologia, tamanho, centralização e capacidade de inovação
mede essas variáveis e com seus resultados descreverá:

1. quanto é a diferenciação horizontal (subdivisão das tarefas), a vertical (número de níveis hie-
rárquicos) e a espacial (número de áreas de trabalho), assim como o número de metas definidas
pelas empresas (complexidade);
2. quão automatizadas estão (tecnologia);
3. quantas pessoas trabalham nelas (tamanho);
4. quanta liberdade para tomar decisões têm os diferentes níveis e quantos deles podem tomar
decisões (centralização das decisões) e
5. em que medida os métodos de trabalho e o maquinário conseguem ser modernizados ou
passam por mudanças (capacidade de inovação).

Mas o pesquisador não pretende analisar com seu estudo se as empresas com tecnologia mais
automatizada são aquelas que tendem a ser as mais complexas (relacionar tecnologia com comple-
xidade) nem nos dizer se a capacidade de inovação é maior nas empresas menos centralizadas (cor-
relacionar capacidade de inovação com centralização).
O mesmo ocorre com o psicólogo clinico que tem como objetivo descrever a personalidade
de um indivíduo. Ele se limitará a medi-la em suas diferentes dimensões (hipocondria, depressão,
histeria, masculinidade-feminilidade, introversão social, etc.), para depois conseguir descrevê-la.
Seu interesse não é analisar se maior depressão está relacionada com maior introversão social; mas,
se pretendesse estabelecer relações entre dimensões ou associar a personalidade com a agressividade
do indivíduo, seu estudo seria basicamente correlaciona}e não descritivo.

Importância
Assim como os estudos exploratórios servem fundamentalmente para descobrir e pressupor, os es-
tudos descritivos são úteis para mostrar com precisão os ângulos ou dimensões de um fenômeno,
acontecimento, comunidade, contexto ou situação.
Nesse tipo de estudos, o pesquisador deve ser capaz de definir, ou pelo menos visualizar, o que
será medido (quais conceitos, variáveis, componentes, etc.) e sobre o que ou quem os dados serão
coletados (pessoas, grupos, comunidades, objetos, animais, fatos, etc.). Por exemplo, se vamos me-
dir variáveis em escolas, precisamos indicar quais tipos teremos de incluir (públicas, particulares,
administradas por religiosos, laicas, com determinada orientação pedagógica, de um gênero ou ou-
tro, mistas, etc.). Se vamos coletar dados sobre materiais pétreos, devemos indicar quais. A descri-
ção pode ser mais profunda ou menos profunda, mas em qualquer caso ela se baseia na medição de
um ou mais atributos do fenômeno de interesse.

Exemplo
Um censodemográfico
nacionalé um estudodescritivo,
cujopropósito
é medirumasériede conceitos
em
um paise momentoespecíficos,aspectosda moradia(tamanhoem metrosquadrados,númerode andares
Metodologia
de pesquisa 103

~ odas, se conta ou não com energia elétrica e água encanada, combustívelutilizado,se a propriedade
e, comou alugada,loca1· • da morad.1aJ, •ml ormaçao
1zaçao • sobre os moradores {numero,
· · de comunicação
meios
8
e su ue dispõeme idade, gênero, bens, rendimentos, alimentação, local de nascimento, idiomaou língua,
d~.qião nível de escolaridade,ocupaçãode cada pessoa)e outras dimensõesconsideradasrelevantespara
1
re ~ns~- Nesse caso, o pesquisador escolhe uma série de conceitos a serem considerados que também
0
". denominadosde variáveis,depoisos medee os resultadosservempara que ele descrevao fenômeno
serao
de interesse (população). .. -
outros exemplosde estudos descnt1vossao:

1.
urnapesquisaque determina qual dos partidos políticos tem mais seguidoresem uma nação, quantos
votos conseguiucada um desses partidos nas últimas eleições nacionais e locais, assim como quão
favorável ou positiva é sua imagem perante os cidadãos.1 Observe que ela não nos diz os porquês
(razões).
. Umapesquisaque irá nos indicar quantas pessoasfrequentam a psicoterapiaem uma comunidadeespe-
2
cifica e a que tipo de psicoterapiaelas recorrem.

Etambém a informaçãosobre o número de fumantes em uma determinadacidade, as característicasde


um condutor elétrico, o número de divórcios anuais em uma nação, o número de pacientes atendidos em
um hospital, o índice de produtividadede uma fábrica e a atitude em relaçãoao aborto de um grupo espe-
cíficode jovens, todos são exemplosde informaçãodescritiva cujo propósito é dar um panorama(obter uma
"fotografia") do fenômeno ao qual se faz referência.

§ EM QUECONSISTEMOS ESTUDOSDE ALCANCECORRELACIONAL?

Os estudos correlacionais pretendem responder perguntas de pesquisa como as


ESTUDOSCORRELACIONAIS
seguintes: Será que a autoestima do paciente aumenta no decorrer de uma psico-
Associam variáveis mediante um
terapia direcionada a ele? Será que mais variedade e autonomia no trabalho sig- padrão previsível para um grupo
nifica mais motivação intrínseca em relação às tarefas laborais? Será que na Bolsa
de Valores de Buenos Aires há diferença entre o rendimento das ações de empre-
sas com muita tecnologia no setor de computadores e o rendimento das ações de
ou população.
1
empresas que pertencem a outro setor com um nível tecnológico menor? Os trabalhadores rurais
que adotam mais rapidamente uma inovação têm atitudes mais cosmopolitas do que aqueles que a
adotam depois? A distância física entre o casal de namorados está relacionada de maneira negativa
com a satisfação na relação?

Propósito

Esse ~pode estudos tem como finalidade conhecer a relação ou o grau de associação existente en-
tre do:s ou mais conceitos, categorias ou variáveis em um contexto específico.
t d As vezes analisamos somente a relação entre duas variáveis, mas geralmente colocamos no es-
u O relações entre três, quatro ou mais variáveis.
d Os estudos correlacionais, ao avaliar o grau de associação entre duas ou mais variáveis, me-
e em ~ada uma delas (supostamente relacionadas) e depois quantificam e analisam o vínculo. Essas
a~r~~ ações se apoiam em hipóteses submetidas a teste. Por exemplo, um pesquisador que queira
dúªi',ar a associação entre a motivação para o trabalho e a produtivídade, digamos, em várias in-
a ; n~s com mais de mil trabalhadores da cidade de Santa Fé de Bogotá, Colômbia, iria mensurar
Illaiotivaç~o e a produtividade de cada indivíduo para depois analisar se os trabalhadores com
tnenormo:ivação são ou não os mais produtivos. É importante insistir que, na maioria dos casos, as
stl
Pois _ra~oesdas variáveis a serem correlacionadas são provenientes dos mesmos participantes,
corn nao e comum que se correlacionem mensurações de uma variável realizadas em certas pessoas
ção e~ensurações de outra variável realizadas em pessoas diferentes. Assim, para estabelecer a rela-
traba]~r~ ª motivação e a produtividade, não seria válido correlacionar medições da motivação em
a ores colombianos com medições sobre a produtividade em trabalhadores peruanos.

~··.
104 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

Utilidade

A principal utilidade dos estudos correlacionais é saber como pode se comportar nm conceito ou
uma variável ao se conhecer o comportamento de outras variáveis vinculadas. Ou seja, tentar pre~
ver o valor aproximado que terá um grupo de indivíduos ou casos em uma variável a partir do va-
lor que têm na ou nas variáveis relacionadas.
Um exemplo que talvez seja simples, mas que ajuda a compreender o propósito da previsão
nos estudos correlacionais, seria associar o tempo dedicado a estudar para uma prova com a nota
obtida nela. Assim, em um grupo de estudantes medimos quanto cada um se dedica a estudar para
a prova e também obtemos suas notas (medições da outra variável); posteriormente determinamos
se as duas variáveis estão relacionadas, e isso significa que uma varia quando a outra também o faz.
A correlação pode ser positiva ou negativa. Se for positiva, significa que alunos com valores
elevados em uma variável também tenderão a mostrar valores elevados na outra variável. Por exem-
plo, aqueles que estudaram mais tempo para a prova tenderiam a obter uma nota mais alta. Se for
negativa, significa que os sujeitos com valores elevados em uma variável tenderão a mostrar valores
baixos na outra. Por exemplo, aqueles que estudaram mais tempo para a prova de estatística tende-
riam a obter uma nota mais baixa.
Se não houver correlação entre as variáveis, isso pode indicar que estas oscilam sem seguir um
padrão sistemático entre si. Desse modo, haverá estudantes que têm valores elevados em uma das
duas variáveis e baixo na outra, sujeitos que têm valores elevados em uma variável e elevados na ou-
tra, alunos com valores baixos em uma e baixos na outra e estudantes com valores médios nas duas
variáveis. No exemplo mencionado, haverá aqueles que dedicam muito tempo estudando para a
prova e obtêm notas elevadas, mas também aqueles que dedicam muito tempo e obtêm notas bai-
xas; outros que dedicam pouco tempo e tiram boas notas, mas também aqueles que dedicam pou-
co tempo e vão mal na prova.
Se duas variáveis estão correlacionadas e conhecemos a dimensão da associação, temos base
para prever, com maior ou menor exatidão, o valor aproximado que terá um grupo de pessoas em
uma variável ao sabermos que valor tem na outra.
Os estudos correlacionais se distinguem dos descritivos principalmente no fato de que, en-
quanto estes últimos se centram em medir com precisão as variáveis individuais (algumas das quais
podem ser medidas de maneira independente em uma só pesquisa), os primeiros avaliam, com a
maior exatidão possível, o grau do vínculo entre duas ou mais variáveis, sendo possível incluir vá'."
rios pares de avaliações desse tipo em uma só pesquisa (normalmente se inclui mais de uma corre-
lação). Para compreender essa diferença, vamos apresentar um exemplo simples.

Exemplo
Vamos supor que um psicanalistatem como pacientes um casal, Ana e Luís. Pode falar sobre eles de
maneiraindividuale independente;ou seja, comentarcomoé Ana {fisicamente,quanto à sua personalidade,
predileções,motivações,etc.) e como é Luís;ou, ainda, falar sobre seu relacionamento:como eles se tra-
tam e percebemseu casamento, quanto tempo eles passam juntos diariamente,quais atividadescomparti-
lham e outros aspectos similares. No primeirocaso, a descrição é individual(se Ana e Luís fossem as
variáveis,os comentáriosdo analista seriam o produto de um estudo descritivo de ambos os cônjuges),
enquanto no segundoo enfoque é relacional{ointeresse primordialé a relação matrimoniade l Ana e Luís).
Então, em um mesmo estudo podemos ter interesse tanto em descrever os conceitos e as variáveisde
maneiraindividualcomo a relação que têm.

Importância

A pesquisa correlaciona], de alguma forma, tem um valor explicativo, embora parcial, pois o fato de
saber que dois conceitos ou variáveis se relacionam contribui para que se tenha alguma informação
explicativa. Por exemplo, se a aquisição de vocabulário por um grupo de crianças de certa idade (va-

.j
Metodologia
de pesquisa 1105

os dizer entre 3 e 5 anos) está relacionada com a exposição a um programa educativo de televisão,
mse fato consegue proporcionar algum grau de explicação sobre como as crianças adquirem alguns
es nceitos. Do mesmo modo, se a semelhança de valores em casais de certas comunidades indígenas
c~atemaltecas está relacionada com a probabilidade de que se casem, essa informação nos ajuda a
~]icar por ,qu~ ~guns desses casais se_cas_ame ?utros_ não:
Não ha duvida de que a explicaçao e pamal, pms existem outros fatores relacionados com a
aquisição de co~ceitos e~ decis_ãode se casar. <3uanto ;11aiorfor o n~ero de_variáveis que se associam
no estudo e ma10r for a mtens1dade das relaçoes, mais completa sera a explicação. No exemplo sobre
a decisãode se casar,se descobrirmosque, além da semelhança,as variáveistambém estão relaciona-
das a tempo parase conhecerem,vínculo das famílias dos noivos, ocupação do noivo, atrativofísico e
conservadorismo, então o grau de explicação para a decisão de se casar será maior. Além disso, se
acrescentarmosmais variáveisrelacionadascom tal decisão,a explicaçãose tornarámais completa.

Riscos:correlaçõesespúrias(falsas)

Às vezes, duas variáveis podem estar aparentemente relacionadas, mas na realidade isso pode não ser
bem assim. No âmbito da pesquisa, isso é conhecido como correlação espúria. Vamos supor que rea-
lizamos uma pesquisa com crianças, cujas idades oscilam entre 8 e 12 anos, com o propósito de anali-
sar quais variáveis estão relacionadas com a inteligência e esta fosse medida com algum teste de QI.
Vamossupor,também, que aparecea seguinte tendência:para maior estaturamaior inteligên-
cia;ou seja, que as criançasfisicamente mais altas tenderam a obter uma nota maior no teste de in-
teligência em relação às crianças mais baixas. Esses resultados não teriam sentido. Não poderíamos
dizer que a estaturaestá correlacionadacom a inteligência, embora os resultados do estudo assim o
indicassem.
Isso acontece pelo seguinte: a maturidade está associada com as respostas para um teste de inteli-
gência. Assim, crianças de 12 anos (normalmente mais altas) desenvolveram maiores habilidades cog-
nitivas para responder o teste (compreensão, associação, retenção, etc.), do que as crianças de 11 anos;
estas, por sua vez,desenvolveram mais essas habilidades do que as de 10 anos, e assim sucessivamente
até chegar às crianças de 8 anos (normalmente as de menor estatura), que possuem menos habilidades
do que os demais para responder o teste de inteligência. Estamos diante de uma correlação espúria, cuja
((explicação" não é só parcial,mas errônea;nesse caso,serianecessáriorealizartimapesquisaem um ní-
vel explicativo para saber como e por que as variáveis estão supostamente relacionadas.

@' EM QUECONSISTEMOS ESTUDOSDE ALCANCEEXPLICATIVO?

Propósito

Os estudos explicativos vão além da descrição de conceitos ou fenômenos ou do


e5tabelecimento de relações entre conceitos; ou seja, são responsáveis pelas causas
1
ESTUD~SEXPLICATIVOSPrete ndem
d?s eventos e fenômenos físicos ou sociais. Como seu próprio nome diz, seu prin- determ,~aras causas d?s eventos,
cipal interesse é explicar por que um fenômeno ocorre e em que condições ele se acontecimentos ou fenomenos
mani'esta
11 d · ·, · -
, ou por que uas ou mais vanave1sestao re1
· d as.
aciona estudados.
. . Por exemplo, mostrar as intenções do eleitorado é uma atividade descritiva
(mdicar,de acordo com uma pesquisa de opinião realizadaantes da eleição, quantas pessoas "irão"
~otar?º' candidatos é um estudo descritivo), e relacionar essas intenções com conceitos como ida-
d~ e genero dos votantes ou a extensão do esforço propagandístico realizado pelos partidos dos can-
aidatos (estudo correlacionai) é diferente de mostrar por que alguém poderia votar em determina-
os candidatos e outras pessoas nos demais candidatos ( estudo explicativo). 2 Fazendo novamente
un_ia_analogia com o exemplo do psicanalista e seus pacientes, no estudo explicativo é como se o
~edico dissesse por quais razões Ana e Luís se tratam de tal maneira (não como se tratam, porque
15 0
~ corresponderia a um nível correlacionai). Supondo que conduzissem "bem" seu casamento e a
~e ação fosse percebida por ambos como satisfatória, o médico iria explicar por que isso acontece
e_ssamaneira. Além disso, ele iria nos explicar por que realizam certas atividades e passam deter-
minado tempo juntos.
106 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

Exemplo
Diferenças entre um estudo de alcance explicativo, um descritivo e um correlacionai

Os estudos explicativosresponderiamperguntascomo: Quais efeitos podemter nos adolescentesperua-


nos, habitantes de zonas urbanas e com um nívelsocioeconômicoelevado, o fato de verem videoclipescom
muito conteúdo sexual? A que se devem esses efeitos? Quais variáveis influenciamos efeitos e de que
maneira? Por que muitos adolescentes preferem ver videoclipescom muito conteúdo sexual em vez de
outros tipos de programas e videoclipes? Quais usos os adolescentes dão ao conteúdo sexual dos videocli-
pes? Quais gratificaçõestêm pelo fato de se exporemaos conteúdos sexuais dos videoclipes?
Um estudo descritivosomente responderia perguntas como: Quanto tempo esses adolescentes dedi·
cam para ver videoclipese principalmentevídeos com muito conteúdo sexual? Em que medida eles têm
interesse de ver esse tipo de vídeos? Emsua hierarquiade preferênciapor certos conteúdos televisivos,que
lugar ocupa os videoclipes?Eles preferem ver videoclipescom alto, médio, baixo ou nenhum conteúdo
sexual? Já um estudo correlacionairesponderiaperguntas do tipo: Será que a exposiçãoa videoclipescom
muito conteúdo sexual, pelos adolescentes menClonados,está relacionadacom o controle que seus pais
exercem sobre a escolha de programas feita pelos jovens? Para maior exposiçãodos adolescentes a video-
clipes com elevado conteúdo sexual, haverá uma maiormanifestação de estratégias nas relações interpes-
soais para estabelecer contato sexual? Terão uma atitude mais favorável em relação ao aborto?

Grau de estruturaçãodos estudosexplicativos

As pesquisas explicativas são mais estruturadas do que os estudos com os demais alcances e, de fato,,,,
envolvem os propósitos destes (exploração, descrição e correlação ou associação), além de propor-__ ..,
cionarem um sentido de entendimento do fenômeno a que fazem referência.

@ UMA MESMA PESQUISAPODEINCLUIRDIFERENTES


ALCANCES?

Às vezes, uma pesquisa pode ser caracterizada como basicamente exploratória, descritiva, correia..,
cional ou explicativa, mas não estar unicamente posicionada como tal. Isto é, ainda que um estudo
seja em essência exploratório ele irá conter elementos descritivos; ou, ainda, um estudo correlacio-<
nal pode incluir componentes descritivos, e o mesmo acontece com os demais alcances. .,
Também devemos lembrar que uma pesquisa pode começar sendo exploratória ou descritiva,,(
e depois ser correlacional e até mesmo explicativa.
Um exemplo seria o de um pesquisador que pensa realizar um estudo para determinar as
zões pelas quais certas pessoas (de um determinado país) sonegam impostos. Seu objetivo inicial
seria de caráter explicativo. No entanto, o pesquisador, ao revisar a literatura, não encontra antece"'.'_
dentes que se apliquem a seu contexto (as referências tiveram sua origem em nações muito diferen~
tes do ponto de vista socioeconómico, da legislação fiscal, da mentalidade dos habitantes, etc.). En~
tão, deve começar a explorar o fenômeno com algumas entrevistas com as pessoas que trabalham
no Ministério da Fazenda (ou seu equivalente), com contribuintes (que pagam impostos) eco
professores universitários que ministram aulas sobre temas fiscais e, posteriormente, gerar dados
sobre os níveis de sonegação de impostos.
Mais adiante, descreve o fenômeno com maior exatidão e o associa com diversas variáveis:
correlaciona grau de sonegação de impostos com nível de rendimentos (Aqueles que ganham mais'
sonegam mais ou menos os impostos?), profissão (Existem diferenças no grau de sonegação de im-,
postos entre médicos, engenheiros, advogados, comunicólogos, psicólogos, etc.?) e idade (Quant<{
maior for a idade haverá menos sonegação de impostos?). Finalmente, consegue explicar por que aS
pessoas sonegam impostos (causas da sonegação tributária) e quem sonega mais. -
O estudo começa como exploratório, para depois ser descritivo, correlacionai e explicativo'.-:
(ele não pode estar inserido apenas em algum dos tipos citados).
A seguir, mostramos na Tabela 5.1 os objetivos e importância das diferentes pesquisas, umaI
espécie de manual para o leitor. -
Metodologia
depesquisa 107

.rropósitos e importância dos diferentes alcances das pesquisas

Propósito âas pesquisas Importância

4í_~ª~\'.;cúf
Jê_tiX{f~.~-~:½J1i:ât~rnJ~~-rn:t/
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p~_5:q~I_~-ªr:r9:~9_S_
'antifa;' 0m.r~_ê9.f,?~//:>·
1J8~l_t_1áp~_:_y,à_rt1x~_\_~,::H~,
:::_:pf_p_b;1~.T~,S_!::i,1,.~.q1ftt9~rP,~
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re·s·~:6:.n:s--~v;:i_:·~:~ià,à}:;_~--si_;·i~~Sj}Yê~tô(:e~,.-:i'
,~~~º-_l_~-i'?s_:,P~ºB?-~i-_~2:,s;_~-~:~t~~l,\fªl_~--~:,
-~r--·}9_~i~!-~_::'·_~e_U_'._éri_~_~.i~--ª.I
t,~n~~-~n9s;:.tt~i_f.°:s ..~rá
qyfyT .- -~e:~ti_d?_:.,9.te,nt~,~-d_irQ~_nt().:~9;,cf~_i:iõ,rrie
..-f7p-ª_.~-~r~_:,?C-~r.r~':.é'
i,~-~~re:s_.~-r1i.~-:~~li_~~r,;_90,_r.:
__
?-íl,l,;qu~,i:~--:cop~_i_9,õ13_s_
~-1~_:
__ referêi,cia.<'-i
s_~.::,r~_a,~if~s~_~i.:·o~.:_P,_~,(q~e 1
du8s:_ou.(Jlais;_var_iáy€is-~stãn._réla_ç-ionàdas_,:-:-:'
·

DO QUEDEPENDEQUEUMA PESQUISACOMECECOMO EXPLORATÓRIA,


C>ESCRITIVA,
CORRELACIONAL
OU EXPLICATIVA?
:/,

_Ç9_riforme já mencionamos, são dois os principais fatores que influem para que uma pesquisa co-
·ec:esendo exploratória, descritiva, correlacional ou explicativa:

·Q_conhecimento atual sobre o tema de pesquisa revelado pela revisão da literatura;


á_perspectiva que o pesquisador pretende dar a seu estudo.

q)<:onhecimento
atual sobre o tema de pesquisa
éf,se fator nos mostra quatro possibilidades de influência. Primeiramente, a literatura pode revelar
q_Ú~·,não existem antecedentes sobre o tema em questão ou que eles não são aplicáveis ao contexto
P:féjual irá se desenvolver o estudo, então a pesquisa deverá ser iniciada como exploratória. Se a li-
{~Iª:tura nos revela orientações ainda não estudadas e ideias vagamente relacionadas com o proble-
.\~_a_de pesquisa, então a situação é semelhante, ou seja, o estudo começará sendo exploratório. Por
~rnplo, se o que pretendemos é realizar uma pesquisa sobre o consumo de drogas em determina-
'.?,~(í.frisõese queremos saber: Até que ponto isso acontece? Que tipos de droga são consumidos? E
[~-º,-~:is
outras? A que se deve esse consumo? Quem fornece os entorpecentes? Como ela entra nas pri-
_.:19.~.s?
Quem as distribui? etc., mas descobrimos que não existem antecedentes nem temos uma ideia
e precisa sobre o fenómeno, então o estudo começaria sendo exploratório.
.:c,la'ra
}{;:·_\:--·:Em
segundo lugar, a literatura pode nos revelar que existem ''partes e pedaços" de teorias com i
?BP:io_empíricomoderado; ou seja, estudos descritivos que detectaram e definiram certas variáveis H
fgeneralizações. Nesses casos nossa pesquisa pode começar sendo descritivaou con-elacional,pois
J:p:ram descobertas algumas variáveis nas-quais podemos fundamentar o estudo. Também é possível
fcl~ciémarvariáveis a serem medidas. Se a nossa intenção é descrever o uso que um grupo específi-
FR_.de·crianças faz da televisão, podemos encontrar pesquisas que sugerem variáveis a serem consi-
108 Hernández
Sampieri,Fernández
Cofiado& BaptistaLucio

deradas: tempo que dedicam diariamente para ver televisão, conteúdos que veem mais, atividade~
que realizam enquanto veem televisão, etc. A elas podemos acrescentar outras, como o controle doS'
pais sobre o uso que as crianças fazem da televisão. O estudo será correlacionai quando os antecei-
dentes nos proporcionam generalizações que vinculam variáveis (hipóteses) sobre as quais trabf
lhar, por exemplo: quanto maior for o nível socioeconômico menos tempo será dedicado à atividad ·
de ver televisão.
Em terceiro lugar,a literatura pode nos revelar que existeuma ou váriasteorias que podem sef
aplicadas ao nosso problema de pesquisa; nesses casos, o estudo pode começar sendo explicativo. S_e__
o que pretendemos é ava1iar por que certos executivos estão mais motivados intrinsecamente par ·
o trabalho do que outros, quando revisamos a literatura podemos encontrar a teoria sobre a relaçã()
entre as características do trabalho e a motivação intrínseca, que possui evidência empírica de di/
versos contextos. Então, começaríamos a pensar em realizar um estudo para explicar o fenômeri(>,
em nosso contexto.

A perspectiva que daremos ao estudo

Por outro lado, o sentido ou perspectiva que o pesquisador der ao seu estudo irá determinar corri
iniciá-lo. Se sua intenção é realizar uma pesquisa sobre um tema previamente estudado, mas qu
dar a ela um sentido diferente, então o estudo pode começar como exploratório. Nesse sentido, a-li
derança foi pesquisada em contextos e situações bem diversificadas (em organizações de diferentf
tamanhos e características, com trabalhadores da linha de produção, gerentes, supervisores, etc.; rt
processo de ensino-aprendizagem; em diversos movimentos sociais de massa e muitos outros an{_.
bientes). As prisões como forma de organização também foram estudadas. No entanto, talvez ai
guém pretenda realizar uma pesquisa para analisar as características das mulheres líderes nas prf
sões femininas da cidade de San José, na Costa Rica e também quais fatores permitem que exerça
essa liderança. Nesse caso 1 o estudo começará como exploratório, desde que não existam anteceden2
tes desenvolvidos a respeito dos motivos que provocam esse fenômeno (a liderança).

0 QUAL DOS QUATROALCANCESPARA UM ESTUDOÉ O MELHOR?

Nós, autores, escutamos essa pergunta da boca dos estudantes, e a resposta é muito simples: tod
Os quatro alcances do processo de pesquisa quantitativa são igualmente válidos e importantes':
contribuíram para o avanço das diferentes ciências. Cada um tem seus objetivos e razão de ser. Ne
se sentido, um estudante não deve se preocupar se seu estudo vai ser ou irá começar como explo_i-
tório, descritivo, correlacionai ou explicativo; na verdade, seu interesse deve ser realizá-lo berrt
contribuir para o conhecimento de um fenômeno. O faia de a pesquisa ser de um tipo ou de outt(l
ou incluir elementos de um ou mais alcances, depende de como se formula o problema de pestjui_
sa e dos antecedentes prévios. A pesquisa deve ser realizada "sob medida" para o problema form\i::
lado. Não dizemos a priori:"Vou realizar um estudo exploratório ou descritivo", mas primeiro fo{
mulamos o problema e revisamos a literatura e, depois, analisamos se a pesquisa terá um ou ou(
alcance.

0 O QUEACONTECECOM A FORMULAÇÃODO PROBLEMA


QUANDOSE DEFINEO ALCANCEDO ESTUDO?

Após a revisão da literatura, a formulação do problema pode permanecer sem mudanças, mocif,
car-se radicalmente ou passar por alguns ajustes. O mesmo acontece quando definimos o alcan
ou os alcances de nossa pesquisa.

' .
Metodologia de pesquisa 109

Resumo
• Após efetuarmos a revisão da literatura e aprimorar- serve para desenvolver métodos que serão utiliza-
mos a formulação do problema, vamos considerar dos em estudos mais profundos.
quais alcances, inicial e final, terá nossa pesquisa: • Os estudos descritivosservem para analisar como é e
exploratório,descritivo,correlaciona/ou explicativo. como se manifesta um fenômeno e seus componentes.
ou seja, até onde, em termos de conhecimento, o • Os estudos correlacionaispretendem determinar
estudo pode chegar? como os diversos conceitos, variáveis ou caracterís-
• Às vezes, ao desenvolvermos nossa pesquisa pode- ticas estão relacionados ou vinculados entre si ou,
mos perceber que o alcance será diferente daquele também, se não estão relacionados.
que havíamos planejado. Os estudos explicativosquerem encontrar as razões
• Alcance algum da pesquisa é superior aos demais, ou as causas que provocam certos fenômenos. No
todos são significativos e valiosos. A diferença nível cotidiano e pessoal, seria como pesquisar por
para escolher um ou outro está no grau de desen- que uma jovem gosta tanto de ir dançar, por que um
volvimento do conhecimento em relação ao tema a edifício foi incendiado ou por que um atentado ter-
ser estudado e aos objetivos e perguntas formula- rorista foi realizado.
das. Uma mesma pesquisa pode abranger finalidades
• Os estudos exploratóriostêm como objetivo essen- exploratórias no início e terminar sendo descritiva,
cial nos familiarizar com um tópico desconhecido, correlaciona! e até mesmo explicativa - tudo depende
pouco estudado ou novo. Esse tipo de pesquisas dos objetivos do pesquisador.

Conceitosbásicos
Alcance do estudo Explicação
Correlação Exploração
Descrição

Exercícios
1. Formule uma pergunta sobre um problema de pes- tos assaltos ocorreram diariamente durante os
quisa exploratório, um descritivo, um correlacionai e últimos 12 meses? Quantos roubos a moradias?
um explicativo. Quantos homicídios? Quantos assaltos a comér-
2. Vá a um lugar onde várias pessoas se reúnem (está- cios? Quantos roubos a carros? Quantos feridos?
dio de futebol, uma lanchonete, um shopping, uma b) Qual é a opinião dos empresários panamenhos
festa) e observe o que conseguir do lugar e o que sobre a carga tributária?
está acontecendo; depois, retire um tópico de c) O alcoolismo das esposas provoca mais separa-
estudo e elabore uma pesquisa com alcance correla- ções e divórcios do que o alcoolismo dos mari-
cionai e explicativo. dos? (Nos casamentos da classe alta e de origem
3. As seguintes perguntas de pesquisa correspondem latino-americana que vivem em Nova York.)
a qual tipo de estudo? Consulte as respostas no d) Quais são as razões pelas quais um determinado
CD anexo • Apéndice 3 • Respuestas a los ejer- programa teve a maior plateia na história da
cícios) . televisão de determinado país?
a) Qual é o grau de insegurança a que se expõem os 4. Em relação ao problema de pesquisa formulado no
' habitantes da cidade de Madri? Em média, quan- Capítulo 3, a qual tipo de estudo ele corresponde?

Exemplosdesenvolvidos
A televisãoe a criança O pare a relaçãoideais
A pesquisa começa como descritiva e termina corno A pesquisa começa corno descritiva, pois o que se pretende
descritivalcorrelacional, pois pretende analisar os usos e é que os universitários participantes caracterizem com qua-
as gratificações da televisão em crianças de diferentes lificativos o par e a relação ideais (protótipos), mas no final
ní~eis socioeconômicos, idades, gêneros e outras variá- será correlacionai, pois irá vincular os adjetivos utilizados
veis (iremos relacionar nível socioeconômico e uso da para descrever o par ideal com os atribuídos à relação ideal.
televisão, entre outras). Também irá tentar hierarquizar esses adjetivos.
110 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

O abusosexualinfantil avaliar os programas de prevenção ao abuso ern me .


nos e meninas entre 4 e 6 anos. Explicativo porque p~'-
Essa pesquisa tem um alcance correlacionai/explicativo.
tende analisar qual tem maior validade e confiabiiidade.
Correlacionai porque irá determinar a relação entre duas assim como suas razões. e,
medidas, uma cognitiva e a outra comportamental, para

Os pesquisadores
opinam
Uma boa pesquisa é aquela que dissipa dúvidas com o Existem estudos que combinam métodos qualitati-
uso do método científico, ou seja, explica claramente as vos e quantitativos de pesquisa, embora sem um sólido
relações entre variáveis que afetam o fenômeno em referencial teórico. Essa superficialidade não se mani-
estudo; da mesma forma, planeja com cuidado os festa somente no âmbito conceituai, mas também no
aspectos metodológicos com a finalidade de garantir a técnico, pois quase não há exemplos de combinação de
validade e confiabilidade de seus resultados. técnicas estatísticas complexas com técnicas qualitati-
Em relação à forma de abordar um fenômeno, seja vas sofisticadas.
qualitativa ou quantitativamente, existe um debate A escolha de um ou outro método depende dos
muito antigo que, no entanto, não chega a uma solução objetivos - talvez gerar teoria ou transformar a reali-
satisfatória . Alguns pesquisadores consideram tais dade - e do contexto do pesquisador, que terá de definir
enfoques como modelos separados, pois se baseiam em o enfoque a ser empregado, pois é importante que seja
suposições bem diferentes sobre como o mundo fun- rigoroso, tanto no teórico como no metodológico, além
ciona, como o conhecimento é criado e qual é o papel de congruente com seu propósito.
dos valores.
Apesar de os processos e objetivos diferirem em CeciliaBalbásDiez Barroso
ambos os enfoques, e de empregarem os resultados de Coordenadorada Área de PsicologiaEducativa
maneira divergente, alguns pesquisadores consideram Escuelade Psicologia
que existe a possibilidade de que os dois ofereçam UniversidadAnáhuac
meios complementares para se conhecer um fenômeno. Estado do México, México

Antes de iniciar um projeto de pesquisa é necessário uma explicativa, assim como deixar claro para eles que
que o estudante avalie suas preferências e conhecimen- esta última contém uma hipótese e um marco teórico
tos, assim como a possibilidade de escolher um orienta- muito precisos, que exige um excelente manejo dos ins-
dor que seja especialista na área de seu interesse; e trumentos metodológicos, pois estes, dependendo do
também que analise os trabalhos que vão sendo realiza- caso, permitirão contrastar as hipóteses.
dos em sua escola e em outros países.
A partir daí, formulará o problema que queira escla- MariaIsabel Martínez
recer, e isso irá ajudá-lo a pôr suas ideias em ordem e Diretora da Escuelade Economia
definir as variáveis, e também contribuirá para situá-lo Escuelade Economia
no contexto em que a pesquisa será realizada. UniversidadCatólicaAndrés Bel/o
Nesse sentido, os professores devem mostrar a Caracas, Venezuela
seus alunos a diferença entre uma pesquisa descritiva e

@ NOTAS

1. É importante notar que a descrição do estudo pode ser mais geral ou menos geral ou detalhada; por
exemplo, poderíamos descrever a imagem de cada partido político em todo o país, em cada estado, em
cada cidade ou município (e também nos três níveis).
2. Conforme mencionamos, é possível alcançar certo nível de explicação quando :
a) relacionamos diversas variáveis ou conceitos e estes estão vinculados entre si (não apenas dois ou três,
mas a maioria deles);
b) a estrutura de variáveis apresenta correlações consideráveis; e, além disso,
c) o pesquisador conhece muito bem o fenômeno de estudo.
Por ora, devido à complexidade do tema, não nos aprofundamos em algumas considerações sobre a
explicação e a causalidade, que iremos abordar mais adiante .
6
Formulaçãode hipóteses

Passo 5 Estabelecimento das


Processo de pesquisa hipóteses
quantitativa • Analisar a conveniência de
formular ou não hipóteses que
orientem o restante da pesquisa.
• Formular as hipóteses da pesqui-
sa, desde que tenha sido consi-
derado conveniente.
• Tornar precisas as variáveis das
hipóteses.
• Definir conceitualmente as
variáveis das hipóteses.
• Definir operacionalmente as
variáveis das hipóteses.

00 Objetivosda aprendizagem
Ao concluir este capítulo, o aluno será capaz de:

1. compreender os conceitos de hipótese, variável, definição conceituai e definição operacional de uma


variável;
2. conhecer e entender os diferentes tipos de hipótese;
3. aprender a deduzir e formular hipóteses, assim como definir de maneira conceituai e operacional as
variáveis contidas em uma hipótese;
4. dar respostas para as preocupações mais comuns a respeito das hipóteses.

Síntese
Neste capítulo mostramos que nessa etapa da pesquisa é necessário analisar se é ou não conveniente for-
mular hipóteses, dependendo do alcance inicial do estudo (exploratório, descritivo, correlacionai ou explica-
tivo). Também definimos o que é hipótese, apresentamos uma classificação dos tipos de hipóteses, torna-
mos o conceito de variável mais preciso e explicamos maneiras de deduzir e formular hipóteses. Além dis-
so, Por um lado estabelecemos a relação entre a formulação do problema, o marco teórico e o alcance do
estudo e, por outro, as hipóteses.
O desenvolvimento
da perspectivateórica

leva à

Formulação do problema

do qual surge(m)

• Descritivas de um valor ou
dado prognosticado
Hipóteses • Correlacionais
De pesquisa
• Da diferença de grupos
São explicações • Causais
provisórias da
relação entre duas ou
mais variáveis . Mesmas opções que as hipóteses
Nulas
[ de pesquisa
Suas funções são:
• Guiar o estudo
Mesm~s opções que as hipóteses de
• Proporcionar Alternativas
[ pesquisa
explicações
• Apoiar a compro-
vação de teorias
Estatísticas*
[ De estimativa
De correlação
De diferença de médias

São
formula- Exploratório --.. Não são formuladas
das de
acordo Descritivo --- • Quando se prognostica um fato ou dado
com o
alcance Correlacionai ---.. São formuladashipótesescorrelacionais
do
estudo
Explicativo __ ..., São formuladashipótesescausais

Características
• Referir -se a uma situação real
• Suas variáveis ou termos devem ser comi;reensíveis, precisos e
concretos
• As variáveis devem ser definidas conceituai e operacionalmente
• As relações entre variáveis devem ser claras e verossímeis
• Os termos ou variáveis, assim como as relações entre elas, devem ser
observáveis e mensuráveis
• Devem estar relacionadas com técnicas disponíveis para serem
testadas

*Você pode consultar o desenvolvimento do tema sobre hipóteses estatísticas no inicio do Capitulo 8 do CD anexo:
"Análisis estadístico : segunda parte".
Metodologiade pesquisa 113

'O QUESÃO AS HIPÓTESES? HIPÓTESES Explicações provisórias


do fenômeno pesquisado que são
"\~~-·ofientaçõespara uma pesquisa ou estudo. As hipóteses mostram o que es~
..7'\tentando comprovar e são definidas como explicações provisórias sobre o
··_....eno pesquisado. Surgem da teoria existente (Williams, 2003) e devem ser
1 formuladas como proposições .

· Wadas como proposições. De fato, são respostas provisórias para as perguntas de pesquisa. 001
"dizerque em nossa vida cotidiana elaboramos constantemente hipóteses sobre muitas coisas e
i~--_averiguamos sua veracidade. Por exemplo, um rapaz formula uma pergunta de pesquisa:
'.'.que Paola gosta de mim?" e uma hipótese: ('Paola me acha atraente': Essa hipótese é uma ex-
â,~ãoprovisória e está formulada como proposição. Depois ele vai investigar se aceita ou não a
?té_se,quando for paquerar Paola e observar o resultado obtido.
As hipóteses são o centro, a medula e o eixo do método dedutivo quantitativo.

SERÁQUEDEVEMOSFORMULARHIPÓTESES
'< EMTODA PESQUISAQUANTITATIVA?

-~p/n'emtodas as pesquisas quantitativas formulam hipóteses. O fato de formularmos ou não hi-


)ê~es depende de um fator essencial: o alcance inicial do estudo. As pesquisas quantitativas que
pnulam hipóteses são aquelas cuja formulação define que seu alcance será correlacionai ou expli-
t~X<J,.ou as que têm um alcance descritivo, mas que tentam prognosticar uma cifra ou um fato.
está resumido na Tabela 6.1.
Um exemplo de estudo com alcance descritivo e prognóstico seria aquele que pretende so-
J~ medir o índice de delitos em uma cidade (não se procura relacionar a incidência de delitos
fatores como o crescimento populacional 1 o aumento dos níveis de pobreza ou o uso de
:·:.:·-.Outros
t?_g_~s; menos ainda determinar as causas de tal índice). Então, por tentativa iria prognosticar me-
ilpte·uma hipótese alguma cifra ou proporção: o índice de delitos para o seguinte semestre será
~H-~rdo que um delito para cada mil habitantes.
'>\_,_Os estudos qualitativos, normalmente, não formulam hipóteses antes de coletar dados (em-
r_a.:nemsempre isso aconteça). Sua natureza é essencialmente induzir as hipóteses por meio da
~ta.e análise dos dados, conforme iremos comentar na terceira parte do livro, '(O processo da pes-
i_s,~qualitativa".
Emuma pesquisa podemos ter uma, duas ou várias hipóteses.

AS HIPÓTESES
SÃOSEMPREVERDADEIRAS?

·_s,;~ipóteses
não são necessariamente verdadeiras: podem ser ou não verdadeiras .e podem ser ou
-~p.comprovadas com dados. São explicações provisórias, não os fatos em si.Ao formulá-las, o pes- 1
}sador não está totalmente certo de que irão ser comprovadas. Conforme mencionam e exempli- 1
~amBlack e Champion ( 1976), uma hipótese é diferente da afirmação de um fato. Se alguém for-
Jlàa seguinte hipótese (referindo-se a um país determinado): "as famílias que vivem em áreas ur- 1
l
l
f;9rmulação de hipóteses em estudos quantitativos com diferentes alcances
"1114 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

banas têm menos filhos do que as famílias que vivem em áreas rurais",esta pode ser ou n~
comprovada.Mas, se uma pessoa afirma isso tendo como base a informação de um censo dernogr~º
fico recente realizado nesse país, ela não está formulando uma hipótese, mas afirmando um fato a,
No âmbito da pesquisa científica, as hipóteses são proposições aproximadas sobre as relaçõ
entre duas ou mais variáveis,e se apoiam em conhecimentos organizados e sistematizados. Uma v-es
que se comprova uma hipótese, esta tem um impacto no conhecimento disponível, que pode
modificado e, consequentemente, podem surgir novas hipóteses (Williams, 2003 ). er
:i
As hipóteses podem ser mais ou ser menos gerais ou precisas e envolver duas ou mais variá.
veis. De qualquer modo, são apenas proposições sujeitas à comprovação empírica e à verificação n
realidade. a

Exemplosde hipóteses
• "A proximidade geográficaentre as residências
do casalde namoradosestá relacionadapositivamente
com o nívelde satisfaçãoproporcionado por seu relacionamento."
• "O índicede câncerpulmonaré maiorentre os fumantesdo que entre os nãofumantes,"
0
11
Conformeas psicoterapiasdirigidasao pacientese desenvolvem,há um aumentodas expressõesver~
baisde discussãoe exploraçãode planospessoaisfuturose uma diminuição das manifestaçõesde fatos
passados."
• "Quantomaisvariedadehouverno trabalho,maiorseráa motivaçãointrínsecaem relaçãoa ele."

Observe,porexemplo,quea primeirahipótesevinculaduasvariáveis:"proximidade
geográficaentre as
residências
dos namorados"e "nívelde satisfaçãocom o relacionamento".

oa, (0' O QUESÃO AS VARIÁVEIS?


Agora precisamos definir o que é uma variável. Uma variável é uma propriedade que pode oscilar
e cuja variação pode ser medida ou observada. Exemplos de variáveis são: o gênero, a motivação in-

VARIÁVELPropriedade que tem


uma variação que pode ser medida
e observada.
I
trínseca em relação ao trabalho,o atrativo físico, a aprendizagem de conceitos, a religião, a resistên-
cia de um material, a agressividade verbal, a personalidade autoritária, a cultura
fiscal e a exposição a uma campanha de propaganda política. O conceito de variá-
vel pode ser aplicado a pessoas ou outros seres vivos, objetos, fatos e fenômenos,
que adquirem diversos valores em relação à variável mencionada. Por exemplo, a
inteligência, já que é possível classificar as pessoas de acordo com sua inteligência:
nem todas as pessoas a possuem no mesmo nivel, isto é, há uma variação nele.
Outros exemplos de variáveis são: a produtividade de um determinado tipo de semente, ara-
pidez com que se oferece um serviço, a eficiência de um procedimento de construção, a eficácia de
uma vacina, o tempo que uma doença demora em se manifestar,entre outros exemplos. Há varia-
ção em todos os casos.
As variáveis adquirem valor para a pesquisa científica quando conseguem se relacionar com
outras variáveis,ou seja, se fazem parte de uma hipótese ou uma teoria. Nesse caso elas costumam
ser chamadas de constructos ou construções hipotéticas.

(0' DE ONDESURGEMAS HIPÓTESES?


No enfoque quantitativo, se o processo de pesquisa foi realizado passo a passo é natural que as hipó-
teses surjam da formulação do problema que é, conforme lembramos, reavaliado e se necessário re-
formulado após a revisão da literatura. Ou seja, são provenientes da própria revisão da literatura:
Nossas hipóteses podem surgir do postulado de uma teoria, de sua análise, de generalizações empíri-
cas apropriadas para nosso problema de pesquisa e de estudos revisados ou antecedentes consultados.

~N. de R.T.:A necessidadede as hipóteses«nasceremda literatura"é um dos aspectosmais considerados


quando especialistasavaliamartigos,dissertações,teses,etc.
Metodologia
de pesquisa 1115

A hipóteses podem surgir até por analogia, ao aplicar certa informação a outros contextos, como a teoria de campo em psicolo~
gi: que surgiu da teoria do comportamento dos campos magnéticos.

Existe, então, uma relação muito estreita entre a formulação do problema, a revisão da litera-
tura e as hipóteses. A revisão inicial da literatura feita para nos familiarizar com o problema de es-
tudo nos leva a formulá-lo, depois ampliamos a revisão da literatura e aprimoramos ou tornamos
a formulação mais precisa, da qual derivamos as hipóteses. Ao formularmos as hipóteses, reavalia-
mos nossa formulação do problema.
Devemos lembrar que os objetivos e as perguntas de pesquisa podem ser confirmados ou me-
lhorados durante o desenvolvimento do estudo. Também é possível que durante o processo surjam
outras hipóteses que não foram consideradas na formulação original, produto de novas reflexões,
ideias ou experiências; discussões com professores, colegas ou especialistas na área; ou até mesmo
<Ideanalogias, ao descobrir semelhanças entre a informação de outros contextos e a de nosso estu-
do" (Rajas, 2001). Esse último caso aconteceu várias vezes nas ciências. Por exemplo, algumas hipó-
teses na área da comunicação não verbal sobre a prática da territorialidade humana surgiram de es-
tudos relacionados a esse tema, só que em animais; algumas concepções da teoria de campo ou psi-
cologia tipológica ( cujo principal expoente foi Kurt Lewin) têm antecedentes na teoria do
comportamento dos campos eletromagnéticos. As hipóteses da teoria Galileu - propostas por
Joseph Woelfel e Edward L. Fink (1980) - para medir o processo da comunicação têm origens im-
portantes na física e outras ciências exatas (as dinâmicas do "ed, se apoiam em noções da álgebra
vetorial), Selltiz e colaboradores (1980, p. 54-55), ao falarem das fontes de onde surgem as hipóte-
ses, escrevem:

As fontes de hipóteses de um estudo são muito importantes na hora de determinar a


natureza da contribuição da pesquisa no corpusgeral de conhecimentos. Uma hipóte-
se que simplesmente emana da intuição ou de uma suspeita pode, afinal, dar uma im-
portante contribuição para a ciência. Mas, se ela somente foi comprovada em um es-
tudo, existem duas limitações quanto à sua utilidade. Primeiramente, não existe segu-
rança de que as relações entre as variáveis encontradas em um determinado estudo
serão encontradas em outros estudos [...] Em segundo lugar, uma hipótese baseada
simplesmente em uma suspeita não é propícia para ser relacionada com outro conhe-
cimentó ou teoria. Então, as descobertas de um estudo baseadas nessas hipóteses não
possuem uma clara conexão com o amplo corpusde conhecimento da ciência social.
Elas podem suscitar questões importantes, podem estimular pesquisas posteriores e
podem até mesmo ser integradas mais tarde em uma teoria explicativa. Mas, a não ser
que esses avanços ocorram, a probabilidade de ficarem como fragmentos isolados de
informação é muito grande.
Uma hipótese que nasce das descobertas de outros estudos, de alguma forma está
livre da primeira dessas limitações. Se a hipótese estiver baseada em resultados de ou-
tros estudos, e se o presente estudo apoia a hipótese daqueles, o resultado poderá ter
1116 Hernández
Sampieri,Fernández
Collado& BaptistaLucio

servidoparaconfirmaressa relaçãode uma formanormal [...] Uma hipótese que n~


se apoia simplesmente nas descobertas de um estudo prévio, mas em uma teoria a.o
termos mais gerais,estálivre da segundalimitação:a de distanciamentode um corp'lll
.. mais geral.
dde outnna "'

As hipótesespodemsurgirmesmoque não exista um corpusteóricoabundante

Concordamos com o fato de que as hipóteses surgidas de teorias com evidência empírica supera 111
as duas limitações mostradas por Selltiz e colaboradores (1980), e também com a afirmação de que
uma hipótese que nasce das descobertas de pesquisas anteriores supera a primeira dessas limitações.
Mas precisamos insistir que hipóteses úteis e frutíferas também podem ter sua origem em formula-
ções do problema cuidadosamente revisadas, mesmo que o corpusteórico que as apoia não seja
abundante. As vezes, a experiência e a observação constante oferecem matéria potencial para o es-·
tabelecimento de hipóteses importantes, e podemos dizer o mesmo sobre a intuição. Quanto mec
nos apoio empírico prévio tiver uma hipótese, mais cuidado deveremos ter em sua elaboração e
avaliação, porque também não é recomendável formular hipóteses de maneira superficial.
Uma falha realmente grave na pesquisa é formular hipóteses sem ter revisado com cuidado a
literatura, pois poderíamos cometer erros como o de sugerir hipótese sobre algo que foi muito com-
provado ou de algo contundentemente desprezado. Um exemplo grosseiro, mas ilustrativo, seria
pretender estabelecer a seguinte hipótese: "Os seres humanos podem voar por si mesmos, somente·
com seu corpo". Em síntese, a qualidade das hipóteses está relacionada positivamente com a revisão
inesgotável da literatura.

0' QUAISCARACTERÍSTICAS
UMA HIPÓTESEDEVETER?

Dentro do enfoque quantitativo, para que uma hipótese seja digna de ser considerada, deve reunir
certos requisitos:

1. A hipótese deve se referir a uma situação "real". Conforme argumenta Rajas (2001), as
hipóteses somente podem ser submetidas a teste em um universo e um contexto bem defi-
nidos. Por exemplo, uma hipótese referente a alguma variável do comportamento gerencial
( digamos, a motivação) deverá ser submetida a teste em uma situação real ( com certos
gerentes de organizações existentes). Algumas vezes, na mesma hipótese essa realidade se
torna explícita (por exemplo, "As crianças guatemaltecas que vivem em áreas urbanas vão
imitar mais a conduta violenta da televisão do que as crianças guatemaltecas que vivem em
áreas rurais") e, outras vezes, a realidade é definida pelas explicações que acompanham a
hipótese. Assim, a hipótese: "Quanto maior for o feedback sobre o desempenho no trabalho
que um gerente proporciona aos seus supervisores, mais elevada será a motivação intrínseca
destes em relação a suas tarefas laborais'; não explica quais gerentes, de qual empresa. Então
é preciso contextualizar a realidade dessa hipótese; afirmar, por exemplo, que são gerentes
de todas as áreas, de empresas exclusivamente industriais com mais de mil trabalhadores e
situadas em Medellín, na Colómbia.
É muito comum que quando nossas hipóteses vêm de uma teoria ou uma generalização
empírica (afirmação várias vezes comprovadas na "realidade") sejam manifestações contex-
tualizadas ou casos concretos de hipóteses gerais abstratas. A hipótese "quanto maior for a
satisfação com o trabalho maior será a produtividade" é geral e suscetível de ser testada em
diversas realidades (países, cidades, parques industriais ou, ainda, em uma só empresa; com
diretores, secretárias ou operários, etc.; em empresas comerciais, industriais, de serviços ou
combinações desses tipos, atividade comercial ou com outras características). Nesses casos, ao
testarmos nossa hipótese contextualizada traríamos evidência a favor da hipótese m~is geral. É
óbvio que os contextos ou as realidades podem ser mais ou menos gerais e que normalmente
foram explicados claramente na formulação do problema. O que fazemos ao estabelecer as
hipóteses é voltar a analisar se os contextos são os adequados para nosso estudo e se é possível
ter acesso a eles (confirmamos o contexto, buscamos outro ou ajustamos a hipótese).
i) ri
H f

l
'

Metodologia
de pesquisa 1117

. 'veis ou termos da hipótese devem ser compreensíveis, precisas e as mais concretas


z, As vana
, .s Termos vagos ou con fu.sos nao
- tem
• espaço em uma h'1potese.
' Assim,
· g]obalização da
possiveii~ e sinergia organizacional são conceitos imprecisos e gerais que devem ser substituídos
economtros mais especi'fi cos e concretos.
por tção entre variáveis proposta por uma hipótese deve ser clara e verossímil (lógica). É
1~
3, A a ensável que a forma como as variáveis estão relacionadas fique clara e que essa relação
10_ ispode ser ilógica, A hipótese: "A diminuição do consumo de petróleo nos Estados Unidos

na~ pelacionada com o grau de aprendizagem da álgebra pelas crianças que frequentam as
est ª las
r póblicas de Buenos Aires" sena · 1nverossrm
· ' il . N-ao e' passive
' 1consi'd era-
' 1a.
~e~ rmos ou variáveis da hipótese devem ser observáveis e mensuráveis, assim como a relação
4, ~ eosta entre eles, ou seja, ter referentes na realidade, As hipóteses científicas, assim como
pr ;bjetivos e as perguntas de pesquisa, não incluem aspectos morais nem questões que não
os ssamos medir. Hipóteses como "Os homens mais felizes vão para o céu" ou "A liberdade
~o espírito está relacionada com a vontade angelical" implicam conceitos ou relações que não
~ssuem referentes empíricos; portanto, não são úteis como hipótese para investigar cientifi-
~amente nem podem ser submetidas a teste na realidade. .
As hipóteses devem estar relacionadas com técnicas disponíveis para testá-las. Esse requisito está
5,
estreitamente ligado ao anterior e se refere ao fato de que, quando formulamos uma hipótese,
temos de analisar se existem técnicas ou ferramentas de pesquisa para verificá-la, se é possível
desenvolvê-las e se estão ao nosso alcance.

Vamos supor que essas técnicas existem, mas que por algumas razões não temos acesso a elas.
Então,alguém poderia tentar comprovar hipóteses referentes ao desvio de orçamento nos gastos do
governo de um país latino-americano ou à rede de narcotraficantes na cidade de Miami, mas não
dispor de formas eficazes para obter seus dados. Nesse caso, embora sua hipótese seja teoricamente
muito valiosa, na realidade não pode ser testada.

@' QUAISSÃO OS TIPOSDE HIPÓTESES?

Existemdiversas maneiras de classificar as hipóteses, mas aqui vamos nos concentrar nos seguintes
tipos:

1. Hipóteses de pesquisa
2. Hipóteses nulas
3, Hipóteses alternativas
4. Hipóteses estatísticas
f:c·
'
Estas últimas serão revisadas no Capítulo 8 do CD: "Análisis estadístico: segunda parte".

~ O OUESÃO AS HIPÓTESESDE PESQUISA?


A ·1 ::,
hiq~ 0 que ao longo deste capítulo definimos como hipóteses são, na verdade, as i,
HIPÓTESESDE PESQUISAProposi-
: ,tes_esde pesquisa. Estas são definidas como proposições provisórias sobre as
P ss1ve1srelaç- , van'áveis
. e d evem satlsLazer ções provisóriassobre a ou as
sito . oes entre d uas ou mais .e .
os cinco •
reqm-
possíveisrelaçõesentre duasou
(qus ~enc:onados. Elas costumam ser simbolizadas como Hi ou H 1, H 2, H 3, etc.
•~-ºsao várias) e também denominadas hipóteses de trabalho.
a as hipóteses de pesquisa podem ser:
1 mais variáveis.

a) descr't'
1
b) ivas de um valor ou dado prognosticado·
correlacionais· , ,,,.
e) de d'f,
1 ' !i,_
d) erença de grupos·
causais. , .,
ÍÊ
t\1
1118 HemándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

1
Hipótesesdescritivasde um dado ou valor prognosticado

Essas hipóteses, às vezes, são utilizadas em estudos descritivos, para tentar prever um dado ou valor
em uma ou mais variáveis que serão medidas ou observadas. Mas vale a pena comentar que não são
todas as pesquisas descritivas que formulam hipóteses desse tipo ou afirmações mais gerais ("a an.
siedade nos jovens alcoolistas será elevada"; "durante este ano o orçamento para publicidade irá au~
mentar entre 50 e 70%,,; "a motivação extrínseca dos operários das zonas industriais de Valência
Venezuela, vai diminuir"; "o número de tratamentos psicoterápicos irá aumentar nas cidades d~
América do Sul com mais de três milhões de habitantes"). Não é fácil realizar estimativas com rela-
tiva precisão sobre certos fenômenos.

Exemplos
003 H1: "O aumento do númerode divórciosde casais cujas idades oscilamentre os 18 e 25 anos será de 20%
no próximoano." lEm um contexto específicocomo uma cidade ou um país)
Hi: "A inflaçãodo próximosemestre não será superiora 3%."

Hipótesescorrelacionais

Especificam as relações entre duas ou mais variáveis e correspondem aos estudos correlacionais ("o
tabagismo está relacionado com a presença de doenças pulmonares"; "a motivação pelo êxito está
vinculada com a satisfação laboral e o estado de espírito no trabalho"; "a atração física, as demons-
trações de afeto, a semelhança em valores e a satisfação no namoro estão associadas entre si").
No entanto, as hipóteses correlacionais não podem somente determinar se duas ou mais
variáveis estão vinculadas, mas também como estão associadas. Elas conseguem chegar ao nível
preditivo e parcialmente explicativo.
Nos seguintes exemplos não só determinamos que há relação entre as variáveis, mas também
como é a relação (que direção segue). Claro que é diferente formular hipóteses em que duas ou mais
variáveis estão vinculadas e supor como são essas relações. No Capítulo 10, "Análise dos dados quan-
titativos': explicamos mais a fundo o tema da correlação e os tipos de correlação entre variáveis.

Exemplos
"Quantomaiorfor a exposiçãodos adolescentes a videoclipescom conteúdo sexual elevado, maiorserá o
surgimentode estratégias nas relações interpessoaispara manter contato sexual." {Aquia hipótese indica
que quando uma variávelaumenta, a outra também aumenta; e vice-versa,quando uma variáveldiminuia
outra também.)
"Quantomaiorfor a autoestima,menorserá o medode obter êxito." (Aquia hipótese indicaque quando
uma variávelaumenta a outra diminui;e se esta diminuia outra aumenta.)
"As telenovelaslatino-americanasmostram cada vez mais cenas com muito conteúdo sexual." {Nessa
hipótese há a correlaçãode duas variáveis:época ou tempo em que as telenovelassão produzidase con-
teúdo sexual.)

Devemos acrescentar o seguinte: em uma hipótese de correlação, a ordem em que colocarmos


as variáveis não é importante (nenhuma variável antecede a outra; não há relação de causalidade).
É o mesmo indicar ('para maior X, maior Y",do que "para maior Y,maior X"; ou "para maior X, me~
nor Y':do que ((para menor Y, maior X'.
Metodologiade pesquisa 1119

1:xernplos
onseguemnotas mais altas na prova de estatística tendem a alcançaras notas mais altas na 003
lesquec
~,Aque
" . 1
-8 ,, é O mesmoque os que conseguemter as notas mais a tas na prova de economiasão
provade econo:i m 8 obter notas mais altas na prova de estatística".
les que ten e
8 que

f, me aprendemos desde pequenos: "A ordem dos fatores (variáveis) não altera o produ-
~on or )" Claro que isso também acontece na correlação, mas não nas relações de causalida-
10 (a Iupótese d~remos ver que, sim, a ordem das variáveis é importante. Mas na correlação não fa-
de, em que pi~velindependente ( causa) e dependente (efeito). Quando somente há correlação, esses
larnos devarisam ter sentido. Os estu dantes que m1aam . . . seus cursos de pesqmsa . costumam m . dºtear
termodsplrecótese qual é a variável independente e qual é a dependente em toda hipótese. Isso é um
01 to a up h" ó .
e ode ser feito somente nas 1p teses causais.
erro. Issop d d 1 · dº ., · ·
Por outro lado, é comum que quan o se pret_en e corre ac10nar_ 1v:rsas vanave1s na pes~u~sa
#

m várias hipóteses, e cada uma delas relac10ne um par de vanave1s. Por exemplo, se quises-
se tens1,arelacionar as vanave1s
·, - fí s1ca,
· como atraçao · "da d e fís1ca
· con fí ança, prmam1 · e equ1"dad e no na-
semo
moro (todas entre s1.) , entao - e1ormu 1anamos
, as hº1poteses
, correspon d entes.

Exemplos
H1: "Paramaioratração física, menorconfiança."
H2 : HParamaioratração física, maiorproximidadefísica."
H3 : "Paramaioratração física, maiorequidade."
H4: "Paramaiorconfiança,maiorproximidadefísica."
H5: "Paramaiorconfiança,maiorequidade."
Ha:"Paramaiorproximidadefísica, maiorequidade."

Essas hipóteses devem ser contextualizadas em sua realidade (com quais casais) e submetidas
.ateste empírico.

"Íi' ,
lpotesesda diferençaentre grupos

:as hipóteses são formuladas em pesquisas cuja finalidade é comparar grupos. Por exemplo, va-
é p:/upr que um publicitário acha que um comercial televisivo em preto e branco, cujo objetivo
fêren~u~ Ir os adole~centes que começam a fumar para que deixem de fazê-lo, tem uma eficácia di-
é tnai: ; um colondo. Sua pergunta de pesquisa seria: Um comercial televisivo em preto e branco
para q: ~•~ que um colorido?, cuja mensagem é persuadir os adolescentes que começam a fumar
e eIXemde fazê-lo. E sua hipótese ficaria formulada assim:

Exemplos
Hi: "O efeito pe .
colo'd rsuasivo para deixar de fumar não será o mesmo em adolescentes que vejam a versão
1
Pret: abdocomercialtelevisivodo que o efeito em adolescentes que vejam a versão do comercialem
003
e rance."
120 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

Outros exemplos desse tipo seriam:

Exemplos
Hí: "Os adolescentesdão mais importâncíaaos atrativos físicos em suas relaçõesde casal do que as
adolescentes."
Hi: "O tempo que as pessoas contagiadas por transfusão de sangue levam para desenvolver a AIDS é
menor do que as que adquirem o HIV por transmissãosexual."

Nos três exemplos anteriores apresentamos uma possível diferença entre grupos, só que n
primeiro deles apenas determinamos que há diferença entre os grupos comparados; mas não afiÍ''
mamas em qual dos grupos o impacto será mais determinante. Não determinamos se o efeito pef
suasivo é maior em adolescentes que veem o comercial em preto e branco ou naqueles que o vee
colorido. Somente nos limitamos a dizer que esperamos encontrar uma diferença. Mas, no segun.
do, além de a hipótese determinar a diferença, especifica qual dos grupos terá um maior valor
variável de comparação (os jovens são aqueles que, segundo se pensa, darão maior importância.a.
atrativo físico). O mesmo acunkce com o terceiro exemplo (desenvolvem mais lentamente a doen
ça aqueles que a adquirem por transmissão sexual).
Quando o pesquisador não possui bases para pressupor a favor de qual grupo será a difereri'
ça, ele formula uma hipótese simples de diferença entre grupos (como no primeiro exemplo dos co'
merciais). E quando ele realmente possui essas bases, estabelece urna hipótese direcional de diferen
ça entre grupos (como nos outros exemplos). Este último normalmente acontece quando a hipót
se vem de uma teoria ou estudos antecedentes ou, ainda, quando o pesquisador está bastant
familiarizado com o problema de estudo.
Esse tipo de hipótese consegue abranger dois1 três ou mais grupos.

Exemplo

003 H1: "As cenas da novelaA verdadede Paolaterão mais conteúdo sexual do que as da novelaSentimentos
de Christiane estas, por sua vez, um maior conteúdo sexual do que as cenas da novela Mariana,meu
últimoamor".2

Alguns pesquisadores consideram as hipóteses de diferença entre grupos como um tipo de hi


pótese correlacionai, porque em último caso relacionam duas ou mais variáveis. O caso do atratiV'
físico relaciona a variável "gênero" com a variável "atribuição da importância do atrativo físico n
relações de casal".

Hipótesesque estabelecemrelaçõesde causalidade

Esse tipo de hipótese não só afirma a ou as relações entre duas ou mais variáveis e a maneira com
elas se manifestam, como também propõe um "sentido de entendimento'' das relações. Tal sentid'
pode ser mais ou menos completo, pois depende do número de variáveis incluídas, mas todas es
hipóteses estabelecem relações de causa-efeito.
Metodologiade pesquisa 121

~emplos
i: :, "-A desintegração do casamento provoca baixa autoestima nos filhos e nas filhas". {No exemplo, além
de se estabelecer uma relação entre as variáveis,propõe-se a causalidade dessa relação.)
"Umclimaorganizacionalnegativo cria níveis baixosde inovação nos empregados."

_Ashipóteses correlacionais podem ser simbolizadas como ''X-Y''; e as hipóteses causais como
igura 6.1.

Influi ou causa
"X-------------------- Y"
(Uma variável) (Outra variável)

Simbolizaçãoda hipótese causal. .

,::--:.:_.,,_:_correlação
e causalidade são conceitos associados, mas diferentes. Se duas variáveis estão cor-
1I~çio·nadas,isso não implica necessariamente que uma será causa da outra. Vamos supor que uma
-~,rresa fabrica um produto que é pouco vendido e decide melhorá-lo, ela faz isso e lança uma
,~_Plg~phapara anunciar o produto no rádio e na televisão. Depois, nota um aumento nas vendas
R.J?_roduto.Os executivos da empresa podem dizer que o lançamento da campanha está relaciona-
.,~;:_~om o aumento das vendas; mas se a causalidade não for demonstrada, não é possível garantir
~-t;:3:.
campanha tenha provocado esse aumento. Talvez a campanha seja a causa do aumento, mas
_.:.X~~ a causa em si seja o aprimoramento do produto, uma excelente estratégia de comercialização
:JW?titro fator ou, ainda, todas podem ser causas.
;:,t--..Outro caso é aquele que explicamos no capítulo anterior, no qual a estatura parecia estar cor-
, _a~ionadacom a inteligência em crianças (as com maior estatura tendiam a obter as notas mais
.,~ffiº teste de inteligência); mas a realidade foi que a maturidade era a variável que estava relacio-
,---p_.~·
~om a resposta para um teste de inteligência (mais do que a inteligência em si). A correlação
,--~-::Ji~hasentido; e menos ainda tendia a estabelecer uma causalidade, ao afirmar que a estatura é
?~,H.f~·-ª·ª inteligência ou que, pelo menos, tem uma influência sobre ela. Ou seja, nem todas as cor-
~:I~5_õ.e_s têm sentido e nem sempre que encontramos uma correlação podemos inferir causalidade.
i:!l~da vez que se obtém urna correlação se supusesse causalidade, isso equivaleria a dizer que toda
,...:_:,jt1.e
·se observa uma mulher e uma criança juntas pudéssemos supor que ela é a mãe, quando
,:-g_e:_:s:er
sua tia, uma vizinha ou uma mulher que por acaso ficou muito perto da criança.
Pilra estabelecer causalidade é preciso ter demonstrado correlação, mas, além disso, a causa
t;:_e_.vir antes do efeito. As mudanças na causa também têm de provocar mudanças no efeito.
Quando falamos de hipótese, as supostascausassão conhecidas como variáveisindependentes
,_,_/:.:,.,..
fAs· efeitoscomo variáveisdependentes.Somente é possível falar de variáveis independentes e de-
ft_ridentesquando formulamos hipóteses causais ou hipóteses de diferença entre grupos, sempre e
q~·iindonessas últimas se explique qual é a causa da suposta diferença na hipótese.
A seguir, apresentamos diferentes tipos de hipóteses causais:

Hipóteses causais bivariadas. Nestas se estabelece uma relação entre uma variável indepen-
dente e uma variável dependente. Por exemplo: "Perceber que outra pessoa do gênero oposto
é semelhante a alguém em termos de religião, valores e crenças, provoca em nós mais atração
em relação a ela" (ver Figura 6.2).
Hipóteses causais multivariadas. Estabelecem relação entre diversas variáveis independentes
e uma dependente, ou uma independente e várias dependentes, ou diversas variáveis indepen-
dentes e várias dependentes.
~1~ . . F . d Collado & Baptista Lucio
2~2~ - ~ H~er~n

n~d~e
~z~S
a~m~p~
1e:'.
r~1,~er~
n~an ~~~~!:.::.:.:.:::...=---------------
~e:..z --------------.....

Percepção da semelhança ej ,..


religião , valores e crenças ----------------., Atrativo

- X
~~~~~~----~~~-.!
y
(Normalmente, a variáve l indepe ndent e
(Variável dependente, simbol izada
é simbolizada como X em hipóteses
como Y)
causais , enquanto em hipóteses
correlacionais não sign ifi ca variável
independente, visto que não há
suposta causa)

FIGURA6.2 Esquema de relação causal bivariada.

Exemplo
"A coesão e a centralidadeem um grupo submetidoa uma dinâmic
a, assim como o tipo de liderança exer-
cida dentro dele, determinamsua eficácia para atingir suas metas primária
s." (Figura6.3)

Independentes
Dependente

Coesão

Centralidade Efetividade na conquista das metas


prim árias

Tipo de lideranç a

Simbolizadas como:

x,
y

FIGURA6.3 Esquema de relação causal mult ivariada.

Exemplo
Q Q3 "A variedadee a autonomia no trabalho, assim como o feedback provenie
ntedo desenvolvimento deste,
geram maior motivação intrínseca e satisfação laborais.• (Figura 6.4)
Metodologiade pesquisa 123

Independen tes Dependentes

Variedade no tra balho r


Motivação intrínseca

Autonomia no trabalho
Satisfação laboral

fe edbackproven iente do trabalho

Simb olizada s corno:

FIGURA6.4 Esquema de relação causal multivariada com duas variáve is dependentes.

As hipó teses multiv ariada s podem propor outro tip o de relações causais, em que certas variá-
veis intervêm modificando a relação [hipótese com a presença de variáveis int erveniente s].

Exemplo
"O salário aumenta a motivação intrínseca dos trabalhadores quando é pago de acordo com o desempe- 003
nho.• (Figura 6.5)

Salário .. Motivaçãointrínseca

(Variável independente) Condiçõesde pagamentodo (Variáve l dependente)


salário

(Variável interveniente)

X •,.__________ ., y
Simbolizada s corno

FIGURA
6.5 Esquema causal com variável int erveniente.

un a ~ h?s~ível que haja estrutura s causais de variáveis mais complexas difíceis de expressar em
1
Propso ipotes e, porque as variáveis se relacionam entre si de diferentes maneiras. Então, pod emo s
oras relações causais em duas ou mais hipóte ses ou de forma gráfica (ver Figura 6.6).
124 Hernández Sampieri , Fernández Collado & Bapt ist a Lucio

Sa1--
ano .. Oportunidade de
1 capacitação

Integração .
-

- ,,
Comunicaçãoinstrumental . Satisfação Realocaçãode
-
li laboral pessoal

Comunicação formal 1
1 1:
-

Centralização .
-
,,

Integração Efetividade Formalização Centralização Inovação

FIGURA6.6 Estruturacausalcomplexamultivariada.

A Figura 6.63 poder ia ser desmembrada em várias hipóteses; por exemplo,

H 1: "O salário aumenta a satisfação laboral."


H 2: "A integração, a comunica ção instrumental e a comu nicação formal aum entam
a satisfação
laboral."
H 3: "A centra lização diminui a satisfação laboral."
H4 : "A satisfação laboral influi na realocação de pessoal."
H 5: "A oportunidade de capacitação influencia a ligação ent re a satisfação labora
l e a realocação
de pessoal."
H 6: "A realocação de pessoal afeta a int egração, a efetividade organ izacional, a
formalização, a
centralização e a inovação."

Quando as hipóteses causais são submetidas à análise estatística, avalia-se a influênc


ia d e cada
var iável ind ependente (causa) na dependente (efeito), e a influ ência conjunta
de todas as variáveis
independentes na dependente ou nas dependentes.

@' O QUE SÃO AS HIPÓTESESNULAS?4

HIPÓTESESNULAS Proposiçõesque
negamou refutam a relação entre
variáveis.
I As hipóteses nulas, de alguma maneira, são o reverso das hipóteses de
pesquisa.
Também são proposições sobre a relação entre variáveis, só que servem para refutar
ou negar aquilo que a hip ótese de pesquisa afirma. 5 Se a hip ótese de pesquisa
"Os adolescentes dão mais importância ao atrativo físico em suas relações de
do que as adolescentes", a hipótese nula postula ria: "Os adolescentes não dão
diz:
casal
mais
importância ao atrativo fisico em suas relações de casal do que as adolescentes".
Metodologiade pesquisa 125

• de hipótese é a contrap~rtida da hipótese d_epes~uisa, eris:em praticamente tan-


0
como esse up ]as quanto de pesqmsa. Ou seJa, a class1ficaçaode h1poteses nulas é similar à
•póteses nu . . . d .. d al . . ,
ipos de l11 • de pesqmsa: h1poteses nu 1as escnl!vas e um v or prognosl!cado, h1poteses
tos t d s hipóteses d . ., . h' ó
-, ologia a dizem a relação entre uas ou mais vanave1s, 1p teses que negam que existe di-
toPe negam ou contra que são compara d os e hi poteses
• que negam are Jaçao
- d e causal'd
1 ad e entre duas
f.~en<;ªentr~.gru~os todas as suas formas). ABhipóteses nulas são simbolizadas assim: H 0 •
eumais variaveis t:ns exemplos de hipóteses nulas, que correspondem a exemplos de hipóteses de
o Vamosverag
. . , mencionados.
pesqu!S• Jª

Exemplos
nto do número de divórcios de casais cujas idades oscilam entre os 18 e 25 anos, não será
Ho: uoaume
de 20% no próximoano." . ~ . ,, . .
'Na-oexiste relação entre a autoestima e o medo de obter ex1to. (Hrpotesenula referente a uma cor-
Ho:
relação.)
Ho: u As cenas da novela A verda_de de Paolanão terá maior conteúdo sexual do que as da novela Senti-
mentos de Christian,e nem estas terão maior conteúdo sexual do que as cenas da novela Mariana,
meu último amor". Essa hipótese nega a. diferença entre grupos e também poderia ser formulada
assim: "Não existem diferenças no conteúdo entre as cenas das novelas A verdadede Paola,Senti-
mentosde Christiane Mariana,meu últimoamor".Ou, ainda, "O conteúdo sexual das novelas A ver-
dadede Paola,Senamentos de Christiane Mariana,meu últimoamor é o mesmo".
Ho: "A percepção da semelhança em termos de religião, valores e crenças não provoca maior atração."
jHipótese que nega a relação causal.)

[0 O QUESÃO AS HIPÓTESESALTERNA
TIVAS? HIPÓTESES ALTERNATIVASSão
possibilidades diferentes ou
Como o próprio nome já diz, são possíveis alternativas para as hipóteses de pes- "alternativas" para as hipóteses
quisa e a nula: oferecem outra descrição ou explicação diferente das proporciona-
das por esses tipos de hipóteses. Se a hipótese de pesquisa diz: "Esta cadeira é ver-
melha,; a nula irá afirmar: "Esta cadeira não é vermelha,,, e uma ou mais hipóteses
1
de pesquisa e a nula.

alternativas poderiam ser formuladas: "esta cadeira é azul': ((esta cadeira é verde", ''esta cadeira é
amarela'; etc. Cada uma delas é uma descrição diferente das proporcionadas pelas hipóteses de pes-
quisa e pela nula.
As hipóteses alternativas são simbolizadas como Ha e somente podem ser formuladas quan-
do realmente existem outras possibilidades, além das hipóteses de pesquisa e da nula. Se esse não
for o caso, elas não devem ser formuladas.

Exemplos
Hi: "O candidato A vai obter na eleição para a presidência do conselho escolar entre 50 e 60% do total
de votos."
Ho: "O candidato A não vai obter na eleição para a presidência do conselho escolar entre 50 e 60% do
total de votos."
Ha: "O candidai~ A vai obter na eleição para a presidência do conselho escolar mais de 60% do total de
votos,"
Ha: "O candidato A vai obter na eleição para a presidência do conselho escolar menos de 50% do total de
Votos."
l

126 Hernández
Sampieri,Fernández
Collado& BaptistaLucio

Exemplos
Hi: "Osjovensdão maisimportânciaao atrativofísicoem suasrefaçõesde
casaldo que as jovens."
H0 : "Osjovensnão dão maisimportância
ao atrativofísicoem suasrelaçõesde casaldo queas jovens."
Ha: "Osjovensdão menosimportânciaao atrativofísicoem suasrelações
de casaldo queas jovens."

Neste último exemplo dos jovens, se a hipótese nula tivesse sido formula
da da seguinte ma-
neira:

Exemplo
H0 : "Osjovensnão dão maisou menosimportância
ao atrativofísicoem suasrelaçõesde casaldo queas
jovens."

Não haveria possibilidade de formular uma hipótese alternativa, pois


as hipóteses de pesqui-
sa e a nula englobam todas as possibilidades.
As hipóteses alternativas são, conforme podemos ver, outras hipóteses de
pesquisa adicionais
à hipótese de pesquisa original.

~ SERÁQUE É POSSÍVELFORMULARHIPÓTESESDE PESQUISA,


HIPÓTESENULA E ALTERNATIVAEM UMA MESMA PESQUISA?

Não existem regras universais a esse respeito, nem mesmo consens


o entre os pesquisadores. Pode-
mos ler em artigo de alguma revista científica no qual apenas a hipótes
e de pesquisa é formulada; e,
em outra, encontrar um artigo somente com a hipótese nula. Um
artigo em uma terceira revista no
qual podemos encontrar apenas as hipóteses de pesquisa e a nula, mas
não as alternativas. Em uma
quarta publicação, outro artigo que contenha a hipótese de pesquisa
e as alternativas. E mais outro
no qual apareçam hipóteses de pesquisa, nulas e alternativas. Essa situação
é similar nos relatórios
apresentados por um pesquisador ou uma empresa. O mesmo acontec
e em dissertações de mestra-
do e teses de doutorado, estudos de divulgação popular, relatórios de
pesquisas governamentais, li-
vros e outras formas de apresentar estudos de diversos tipos.
Em estudos que contêm análise de dados quantitativos, a opção mais
comum é incluir somen-
te a ou as hipóteses de pesquisa (Degelman, 2005, consultor da Americ
an Psychological Associa-
tion). Alguns pesquisadores somente enunciam uma hipótese nula ou
de pesquisa quando pressu-
põem que o leitor de seu relatório irá deduzir a hipótese contrária.
Nossa recomendação é que, embora as hipóteses de pesquisa sejam
incluídas de maneira ex-
clusiva, todas estejam presentes, não só quando são formuladas, mas
durante todo o estudo. Isso
ajuda a fazer com que o pesquisador esteja sempre alerta para todas
as possíveis descrições e expli-
cações do fenômeno considerado; assim ele poderá ter um panoram
a mais completo daquilo que
analisa.
AAmerican Psychological Association (2002) recomenda que, para decidir
que tipo de hipó-
tese deve ser incluído no relatório, é preciso consultar os manuais ou
um assessor qualificado de sua
universidade ou as normas de publicações.
Metodologiade pesquisa 127

A?
DEVEMSERFORMULADASEM UMA PESQUIS
auA NTASHIPÓTESES

. é diferent e. Algum as co ntêm gr ande var iedade de hipóteses porque o problema de


. , .s ) , enqu an to out ras contêm
l . r 15 ou mais. vanave1
esqu1samplexo (p . ex., preten d em reaciona
cada P
pesquisadé e~ hipót eses. Tudo depend e do estudo que será realizado.
ada com o número de h ipóte-
unia ou u~idade de uma pesqu isa não está necessa riamente relacion
A qlua ontém. Nesse sentid o, devemos ter o número de hipóteses
necessár ias para guiar o es-
ue e a e
ses q ma a mais nem uma a m eno s.
rudo, nem u '

EM UMA MESMAPESQUISAÉ POSSÍVELFORMULAR


HIPÓTESESDESCRITIVASDE UM DADO PROGNOSTICADO
HIPÓTESES
EMUMA VARIÁVEL,HIPÓTESESCORRELACIONAIS,
DA DIFERENÇAENTREGRUPOSE HIPÓTESESCAUSAIS?
os tipo s de hipóteses, porque o
A sposta é sim. Em uma mesma pesquisa é possíve l estab elecer todos
e alguém elaboro u um estud o em uma cidade la-
reblcma de pesquisa assim o exige. Vamo s supor qu
f1
~ºo-american a e suas pergunt as de p esquisa e hipót eses poderia
de
m
hipó
ser
teses
as
.
mo strada s na Tabela 6.2.
Tamb ém podemo s observar
Nesse exemplo, encontr amos todo s os tipos gerais
es (escolar idade e sua diferença por gêne-
que não há pergunt as qu e n ão são tr aduzid as em hipótes
las, pois não di spomos de in formação a esse
ro). Isso talvez se deva ao fato de qu e é difícil estab elecê-
respeito. - caso progn ostiquem
Os estudo s que começam e termi nam como de scritivo s vão form ular
is poderão estabele cer hip óteses descritiva s por es-
um dado - hip óteses descritivas ; os correlac iona
(quando estas não expli cam a causa que pr ovo-
timativa, correlacionai s e de diferen ça en tr e grupos
s descritiv a s de prognós tico, corre lacio-
ca a diferença ); já os exp licativos poderão incluir hipótese
qu e uma pe squi sa pode abo rdar
nais, de diferenç a ent re gru po s e causais . Não podemo s esqu ecer
também pr ecisam os salien tar que
parte do problema de maneira descritiva e parte explicativa. Mas
se deve ao fato de que às vezes é difí cil
os estudos descritivo s não costumam conter hipót eses, e isso
precisar o valor qu e pode se m anif esta r em um a variável .

A
TABEL6.2
ses
Exemplode um estudocom váriasperguntas de pesquisae hipóte

Perguntasde pesquisa Hipóteses

na A taxa de desemprego nacidadede Baratilloseráde 5% no


Oualserá,no finaldo ano,a taxade desemprego
cidadedeBaratillo? finaldo ano (Hi:% = 5).
A taxa médiadarenda r oscilaentre650 e 700
famDiamensal
Oualé a taxamédiada rendafamiliarmensalna
cidadede Baratillo? dólaresIH1: 650 s X s .
7001

Existemdiferençasentreosdistritos(bairrosou equivalentes)
da~idadede Baratino quantoà taxade desemprego?
(Existembairrosou distritoscommaioresíndicesde desemprego?!
médiadosJovense dasJovensque
~uaié a taxadeescolaridade
porgêneroa esserespeito?
Existemdiferenças
vtvemem BaratHlo?
com
dessacidadeestá relacionado
Oaumentoda delinquência
0desemprego?

iiscaido governo ?
provocaumarejeiçãocontra a política
taxade desemprego

iáveis x e y (ver Capít ulo 10).


N. de R.T.:A notação rxyrefere-se à correl ação de Pearson entre as var
1128 HernándezSampieri,fernándezCo!lado& BaptistaLucio

Os tipos de estudo que não estabelecem hipóteses são os exploratórios.


Não podemos pres-
supor (afirmando) algo que ainda vamos explorar. É como se antes
do primeiro encontro colll
uma pessoa totalmente desconhecida do gênero oposto, começássemos
a conjecturar o quanto é
simpática, quais interesses e valores ela tem, etc. Não poderíamos nem
mesmo antecipar o quan-
to ela seria atraente para nós, e talvez no primeiro encontro nos
deixássemos levar por nossa hna~
ginação; mas na pesquisa isso não pode acontecer. Se ela nos proporc
ionar mais informação Ou-
gares onde gosta de ir, ocupação, religião, nível socioeconômico, tipo
de música que gosta e gru-
pos aos quais é associada), podemos criar mais hipóteses, embora
estejamos nos baseando ern
estereótipos. E se nos dessem informação muito pessoal e íntima sobre
ela, poderíamos sugerir
hipóteses sobre que tipo de relação vamos estabelecer com essa pessoa
e por quê ( explicações
provisórias).

0' O QUE SIGNIFICATESTARHIPÓTESES?

Conforme mencionamos desde o início deste capítulo, as hipóteses


do processo quantitativo são
submetidas a teste ou escrutínio para determinar se são apoiadas ou refutad
as, de acordo com aqui-
lo que o pesquisador observa. E é por isso que elas são formuladas na
tradição dedutiva. Então, não
podemos realmente provar se uma hipótese é verdadeira ou falsa,
mas argumentar se foi aprovad a
ou não de acordo com certos dados obtidos em uma pesquisa específica.
Do ponto de vista técnico,
uma hipótese não é aceita por meio de um estudo, mas pela evidênc
ia que apresentamos a favor ou
contra ela.6 Quanto mais pesquisas apoiarem uma hipótese, mais credibil
idade ela terá; e, claro, será
válida para o contexto (lugar, tempo e participantes ou objetos) em que
foi comprovada. Pelo me-
nos probabilisticamente.
No enfoque quantitativo, as hipóteses são submetidas a teste na "realida
de" quando aplicamos
um desenho de pesquisa, coletamos dados com um ou vários instrum
entos de medição e analisa-
mos e interpretamos esses mesmos dados. E, conforme diz Kerlinger
(1979), as hipóteses são ins-
trumentos muito poderosos para o avanço do conhecimento, pois, embora
sejam formuladas pelo
ser humano, podem ser submetidas a teste e demonstradas como provave
lmente corretas ou incor-
retas, sem a interferência dos valores e das crenças do indivíduo.

@ QUAL É A UTILIDADEDAS HIPÓTESES?

É provável que alguém pense que com o que foi exposto neste capítulo
seja possível saber claramen-
te qual é o valor das hipóteses para a pesquisa. No entanto, achamos
que é necessário aprofundar
um pouco mais nesse ponto, mencionando as principais funções das
hipóteses.
1. Em primeiro lugar, são as orientações de uma pesquisa no enfoque quantita
tivo. Formulá-Ias
nos ajuda a saber o que estamos tentamos buscar, testar. Elas proporc
ionam ordem e lógica
ao estudo. São como os objetivos de um projeto administrativo: as sugestõ
es formuladas nas
hipóteses podem ser soluções para os problemas de pesquisa. Se elas são
ou não, essa é exata-
mente a tarefa do estudo (Selltiz et ai., 1980).
2. Em segundo lugar, têm uma função descritiva e explicativa, dependendo
do caso. Toda vez
que uma hipótese recebe evidência empírica a seu favor ou contra,
ela nos diz algo sobre o
fenômeno com o qual se associa ou faz referência. Se a evidência for a favor,
a informação sobre
o fenômeno aumenta; e mesmo se a evidência for contra descobrimos
algo sobre o fenômeno
que antes não sabíamos.
3. A terceira função é testar teorias. Quando várias hipóteses de uma teoria
recebem evidência
positiva, a teoria vai se tornando mais forte; e, quanto mais evidência houver
a favor daquelas,
mais evidência haverá a favor desta.
4. Uma quarta função é sugerir teorias. Diversas hipóteses não estão associa
das com teoria al-
guma; mas o que pode acontecer é que como resultado do teste de uma
hipótese seja possível
construir uma teoria ou suas bases. Isso não é muito comum, mas já
chegou a acontecer.
Metodologiade pesquisa 129
)::j,-'c
)"•-:·->
coNTECEQUANDONÃO SE TRAZ
0 O oU:NACIA
1:VIDE
A FAVORDAS HIPÓTESESDE PESQUISA?

uma conversa como esta entre duas pessoas que acabam de analisar os dados de 004
-_ o escutar .
:,.150uar , uma pesqmsa):
,, (que e
,suatese . . f

d d s não ap01am nossas h1poteses.


Elisa:OsE a ºra O que vamos fazer? Nossa tese não é útil.
b iel· ago '
Ga r "'. nos de fazer outra tese.
Elisa: ,ere1
dados nem sempre apoia'." ~s hipóteses. Mas o fato de que estes não ~agam e~~ência a fa-
Os. , t ses formuladas não s1gmfica,de maneira alguma, que a pesqmsa nao tem utilidade. Cla-
vor das hidpo~camos contentes quando aquilo que supomos condiz com a nossa "realidade''. Se fizer-
· "" o grupo mais· popu 1ar d e musica
ro quefito osões como: "eu gosto d a Manana, ,. nesta c1'dd'
a e e o meu
mosa
grupo
:n:ª~to':
. ,a,or
"tal equipe vai ganhar o próximo campeonato nacional de futebol"; "Paola, Chris,
· d ar mmto
L pita vão me aJU · " ' · que e1as se1am
· a vencer este pro bl ema," para n ó s sera' satis1atono ·
Sergio~d ~ Existe também aquele que formula urna pressuposição e depois a defende a qualquer cus-
cumpn:o ~endo consciência de que se equivocou. Isso é humano; porém, na pesquisa o objetivo final
to, meshecimento e, nesse sentido, os dados contra urna hipótese também oferecem entendimento. O
é. o con - . 'd' . fa d h' ,
,mportante é analisar por que nao se apresentou eVI enc1a a vor as 1poteses.
Aliás, é bom citarmos Van Dalen e Meyer (1994, p. 193):

Para que as hipóteses tenham utilidade, não é necessário que as respostas para os pro-
blemas apresentados sejam corretas. Em quase todas as pesquisas o estudioso formula
várias hipóteses e espera que alguma delas dê uma solução satisfatóría para o proble-
ma. Ao eliminar cada uma das hipóteses, ele vai estreitando o campo no qual deverá
encontrar a resposta.

E acrescentam:

O teste de "hipóteses falsas" [que preferimos chamar de hipótesesque não receberam


evidênciaempírica]também é útil quando direciona a atenção do pesquisador ou de
outros cientistas para fatores ou relações imprevistas que, de alguma maneira, pode-
riam ajudar a resolver o problema.

A American Psychological Association (2002, p. 16) diz o seguinte, ao mencionar a apresenta-


ção das descobertas em um relatório de pesquisa: "Mencione todos os resultados relevantes, in-
cluindo aqueles que contradizem as hipóteses''.

0 AS VARIÁVEISDE UMA HIPÓTESEDEVEMSER


DEFINIDAS
COMO PARTEDE SUA FORMULAÇÃO?
tº formularmos urna hipótese é indispensável definir os termos ou variáveis incluídos nelas. E isso
necessário por vários motivos:
1.
P~ra que o pesquisador, seus colegas, os usuários do estudo e, geralmente, qualquer pessoa que
ira ler a pesquísa possam dar o mesmo significado para os termos ou as variáveis incluídas
nas hipóteses, é comum que um mesmo conceito seja empregado de diferentes maneiras. O
termo navios pode significar para alguém urna relação entre duas pessoas de gêneros opostos
que se comunicam de maneira interpessoal com a maior frequência que lhes é possível, que
quando estão "cara a cara" se beijam e se dão as mãos, que se sentem atraídos fisicamente
e compartilham informação que ninguém mais possui. Para outros poderia significar urna
relação entre duas pessoas de gêneros opostos que têm corno finalidade contrair matrimônio.

'N.deT-N . . . .
ê qu ·: ovioem espanhol pode ser usado tanto para namorado como para nmvo. No Brasil, a diferença
e noivo implica um compromisso maior, uma etapa anterior ao casamento.
130 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

Para um terceiro, uma relação entre dois indivíduos de gêneros opostos que mantêm relaçõe
sexuais, e alguém mais poderia ter outra concepção. E, no caso de pensarmos em realizar u~
estudo com casais de novios, não conseguiríamos saber com exatidão a quem incluir ou não
nesse estudol a não ser que definíssemos com a maior precisão possível o conceito de navios
Termoscomo "atitude,,,"inteligência"e "aproveitamento',podem ter vários significados ou se;
definidos de diversas maneiras.
2. Para termos a certeza de que as variáveis podem ser medidas, observadas, avaliadas ou inferidas
ou seja, que podemos obter delas dados da realidade. '
3. Confrontar nossa pesquisa com outras similares. Se já temos nossas variáveis definidas, pode-
mos comparar nossas definições com as de outros estudos para saber "se estamos falando da
mesma coisa".Se a comparação for positiva,vamos confrontaros resultadosde nossa pesquisa
com os resultados das demais.
4. Avaliar de maneira mais adequada os resultados de nossa pesquisa, porque as variáveis, e não
só as hipóteses, estão contextualizadas.

Em síntese, sem a definição das variáveis não há pesquisa.As variáveis devem ser definidas de
duas formas: conceituai e operacional.

@' DEFINIÇÃOCONCEITUALOU CONSTITUTIVA


001 Uma definição conceituai dá outros nomes para a variável. Assim, inibiçãoproativa poderia ser de-
finida como: "a dificuldade de recordar que aumenta com o tempo"; e poder como: "exercermais
influência sobre os demais do que estes sobre uma pessoa''. São definições de dicionários ou de li-
vros especializados (Kerlinger, 2002; Rojas, 2001), que quando descrevem a essência ou as caracte-
rísticas de uma variável, objeto ou fenômeno são chamadas de definições reais (Reynolds, 1986).
Estas são a adequação da definição conceituai às exigências práticas da pesquisa. Dessa forma, o ter-
mo atitude seria definido como "uma tendência ou predisposição para avaliar de alguma maneira
um objeto ou um símbolo desse objeto" (Haddock e Maio, 2007; Kahle, 1985; Oskamp, 1991). Se
nossa hipótese fosse:"Quanto maior for a exposição dos eleitores indecisos às entrevistastelevisivas
concedidas pelos candidatos, mais favorávelserá a atitude em relação ao ato de votar':teríamos de
contextualizar a definição conceituai de "atitude" {formular a definição real). A "atitude" em relação
ao ato de votar poderia ser definida como a predisposição para avaliar como positivo o fato devo-
tar em uma eleição.
Alguns exemplos de definições conceituais são mostrados na Tabela 6.3.
Essas definições são necessárias, mas insuficientes para definir as variáveis da pesquisa, por-
que não nos vinculam diretamente com "arealidade"ou com «o fenômeno, contexto, expressão,co-
munidade ou situação'~Não tem jeito, elas continuam se parecendo com conceitos. Os cientistas
precisam ir além: eles devem definir as variáveis utilizadas em suas hipóteses de tal maneira que
possam ser comprovadas e contextualizadas. E isso é possível quando utilizamos o que se conhece
como definições operacionais.

001 @' DEFINIÇÕESOPERACIONAIS


Uma definição operacional é o conjunto de procedimentos que descreve as atividades que um ob-
servador deve realizar para receber as impressões sensoriais, que indicam a existência de um con-
ceito teórico em maior ou menor grau (Reynolds, 1986, p. 52). Em outras palavras, ela especifica
quais atividades ou operações devem ser realizadas para medir uma variável. Uma definição opera-

I
cional nos diz que para coletar dados sobre uma variável é preciso fazer isso e mais isso, além de ar-
ticular os processos ou as ações de um conceito que são necessários para identificar seus exemplos
(MacGregor, 2006). Assim, a definição da variável "temperatura" seria o termô-
DEFINIÇÃO OPERACIONAL Conjunto
metro; e "inteligêncià' seria definida operacionalmente como as respostas para
de procedimentos e atividades que um determinado teste de inteligência (p. ex., Stanford-Binet ou Wechsler). Quan·
desenvolvemospara medir uma to à "satisfação sexual de adultos", existem várias definições operacionais para
variável. mensurar esse constructo: The Female Sexual Function Index (Índice da Função
Sexual Feminina, FSF!) (Rosen et ai., 2000) aplicável a mulheres; Golombok Rust

l
J
..J
Metodologiade pesquisa 131

ELA 6.3 . .
íAB de definições conce1tua1s
e,cell'IPI
OS
Definição conceituai
variável
Capacidadeparareconhecere controlarnossasemoções,assimcomoconduzircommaishabilidadenossas
Inteligência
relaçõe
s (Goleman,1996).
ernocional
A soma de todosos bense serviçosfinaisproduzidosem umaeconomiaduranteum períododeterminado , que
rroduto
podesertrimestralou anual.O PIBpodeser classificadocomonominalou real.No primeiro,os bense serviços
InternoBruto
finaissãocalculadospelospreçosvigentesduranteo período em questão,enquantono segundoos bense serviços
(PIBI
finaissãocalculadospelospreçosvigentesem um anobase (CIDE,2004).

Abusosexual A utilizaçãode um menorparaa satisfaçãodosdesejossexuaisde um adultoresponsável pelos cuidados da


criançae/ou em quemela confia(Barber,2005).
infantil
A utilizaçãode um menorde 12 anosparaa satisfaçãosexual.O abusosexualna infânciapodeincluir
contatofísico,masturbação,
relaçõessexuais(inclusivepenetração)e/oucontatoanalou oral.Mastambémpode
incluiro exibicionismo,
voyeurismo, a pornograf , 2000).
ia e/oua prostituiçãoinfantilIIPPF

Clima Conjuntode percepçõescompartilhadas


pelosempregados
em relaçãoaosfatoresde seuambientede trabalho
organizacional (Hernández i, 2005).
Sampier

Parideal(nas Protótipode ser humanoqueos indivíduosconsideramque possuios atributosmais valorizados


por elese que
relações representariaa opçãoperfeitaparase envolverem umarelaçãoamorosaromântica e íntimade longoprazo
românticas! (casar-seou ao menosmorarjunto) (Hernández Sampierie Mendonza,2008).

[nventory of Sexual Satisfation (Inventár io de Satisfação Sexual de Golombok e Rust, GRISS) (Rust
e Golombok, 1986; Meston e Derogatis, 2002) e El Inventario de Satisfación Sexual (Alvarez-Gayou,
2004)7, para ambos os gêneros.
A variável "renda familiar" poderia ser operacionalizada ao se perguntar sobre a renda pessoa l
de cada um dos mem bro s da família e depois somar as quantidades que cada um indicou. Em um
concurso de beleza o atrativo físico é operacionalizado ao se aplicar uma série de critérios que um
jurado utiliza para avaliar as cand idatas; os membros do jú ri dão uma nota para as conco rrentes em
cada critério e depois obtêm uma pon tu ação total do atrativo físico.
Quase sempre se dispõe de várias definições operac ionais (ou for ma s de operacionaliza r ) de
uma variável. Para definir operacionalmente a variável "personalid ade" temos diversas altern ativas:
os testes psicométricos, como as diferentes versões do Inventário Mult ifásico de Personalidade de
Minnesota (MMPI); testes projetivos como o teste de Rorschach ou o teste de apercepção temática
(TAT),etc.
É possível medir a ansiedade de um indivíduo por meio da observação direta dos espec ialis-
tas, q~e avaliam o nível de ansiedade dessa pessoa; com medições fisiológicas da atividade do siste-
:a rsicológ~co (pressão sanguínea, respir ações, etc.) e com a análise das respos tas para um questio-
l r_iode ansiedade (Reynolds, 1986, p. 52). A aprendizagem de um aluno em um curso de metod o-
dogiade pesqu isa seria medida com o empr ego de várias provas, um trabalho, ou um a combinação
e provas, trabalhos e práticas.
Alguns exemplos de definições operacionais estão incluídos na Tab ela 6.4 (mostra mos so-
mente os nomes e algumas caracterís ticas).
ele d Quando o pesqui sador dispõe de várias opções para definir operac ion alment e uma var iável,
ess, e~e escolher aquela que proporciona mais inform ação sobre a var iável, que capt e melhor sua
encia, adapte-se ao seu contexto e seja mais precisa. Ou, ainda, uma mistura dessas alternat ivas.
cont ?s critérios para avaliar uma definição operacional são basicamente quatro: adeq uação ao
de eudo, capacidade para captar os componentes da variável de interesse, confiab ilidad e e valida-
1
ta d:e;os ~al~ra esse respeito no Capítulo 9, "Co leta dos dados quantit ativos". Uma seleção corre-
to re: ~fimçoes operacionais disponíveis ou a criação da própria defini ção operacional estão mui-
ºPçõ ac~nadas _com uma revisão adequa da da literatu ra. Quando esta foi cuid adosa, temos mais
Çào. ;s e defimções operac ion ais para escolher ou mais ideias para desenvolver um a nova defini-
quaudo também podemos cont ar com essas definições, o traje to para a escolha do ou dos ins-
132 HernándezSampieri,FernándezCollado& Baptistaludo

TABELA6.4
Exemplosde definiçõesoperacionais

Variável

trumentos para coletar os dados é muito curto, só devemos tomar cuidado para que eles se adapt
ao desenho e à amostra do estudo. -
Normalmente na pesquisa temos diversas variáveis, portanto, várias definições conceituá'
operacionais serão formuladas.
Algumas variáveis não exigem que sua definição conceitual seja mencionada no relatório
pesquisa, porque esta é relativamente óbvia e compartilhada. O próprio título da variável a de
por exemplo, "gênero" e '<idade". Só que praticamente todas as variáveis exigem uma definição o
racional para serem avaliadas de maneira empírica, mesmo quando no estudo não sejam form_
das hipóteses. Sempre que houver variáveis, elas devem ser definidas operacionalmente. No exé
pio a seguir mostramos uma hipótese com as correspondentes definições operacionais das variá
que a integram.

QQ3 Exemplo
H1: "Quanto maiorfor a motivaçãointrínsecano trabalho, menor será o númerode faltas.''

Variável= "Motivaçãointrínsecano trabalho" "Númerode faltas"

Definições
conceituais:
l
"Estado cognitivoque reflete em que medidao
trabalhador atribuia eficáciade seu comportav
l
"O númerode vezes que o
trabalhador não comparece
menta no trabalho às satisfações ou benefícios ao trabalho na hora em que
derivadosde suas própriastarefas. Ou seja, a estava programadopara
acontecimentos que não sofrem a influência fazê-lo."
de uma fonte externa às suas tarefas. Esse
estado de motivaçãopode ser designado como
uma experiênciaautossatisfatória."

Definições
operacionais:
l
"Autorrelatóriode motivaçãointrínseca
(questionárioautoadminístrado)do Inventáriode
l
durante o último
Característicasdo Trabalho,versão mexicana."

I!
Metodologia
de pesquisa 133

O questionário de motivação intrín seca seria desenvolvido e adap tado ao contex to do estudo
na fase do processo quantitativo denominada de coleta de dados. Isso também poderia acontece r
com o processo para medir o "número de faltas no trab alho': Claro que também durante essa etapa
asvariáveis podem ser objeto de modificação ou ajuste e, portanto, também suas definições.

Resumo
• Nessafase da pesquisaé necessárioanalisar se é • As hipótesesde pesquisa,por sua vez, são classifi-
conveniente ou não formular hipóteses, isso cadasda maneiramostradana Figura 6. 7.
dependedo alcance inicial do estudo (exploratório, • Como as hipóteses nulas e as alternativas surgem
descrito, correlacionaiou explicativo). das hipótesesde pesquisa,podem ser classificadas
• As hipótesessão proposiçõesprovisórias sobre as do mesmo modo, mas com os elementos que as
relaçõesentre duas ou mais variáveis e se apoiam caracterizam.
em conhecimentosorganizadose sistematizados. • As hipóteses estatísticas são classificadas em: a)
• As hipótesessão o centro do enfoque quantitativo- hipóteses estatísticas por estimativa, b) hipóteses
·dedutivo. estatísticas por correlação e c) hipóteses estatísti-
• As hipótesescontêm variáveis; estas são proprieda- cas da diferençaentre grupos. São próprias de estu-
des cuja variaçãoé suscetívelde ser medida,obser- dos quantitativos. Elassão revisadasno Capítulo 8
vada ou inferida. do CD: •Análisis estadístico: segundaparte•.
• As hipóteses normalmente surgem da formulação • Em uma mesma pesquisaé possível formular uma
do problemae da revisãoda literatura e, às vezes, a ou várias hipótesesde diferentestipos.
partir de teorias. • Dentrodo enfoque dedutivo-quantitativo, as hipóte-
• As hipóteses devem se referir a uma situação, um ses sãocontrastadascom a realidadepara que sejam
contexto, um ambiente ou um evento empírico. As aceitasou rejeitadasem um contexto determinado.
variáveis contidas devem ser precisas, concretas e • As hipótesessão as orientaçõesde uma pesquisa.
conseguiremser observadasna realidade;a relação • A formulação de hipóteses caminha junto com as
entre as variáveisdeve ser clara, verossímile men- definições conceituais e operacionaisdas variáveis
surável. As hipóteses também precisam estar liga- contidas na hipótese.
das a técnicas disponíveispara testá-las. • Uma definição conceituai dá outro nome para a
• Ao definir o alcancedo estudo (exploratório,descri- variável,como se fosse uma definição de dicionário
tivo, correlacionaiou explicativo) é que o pesquisa- especializado.
dor decide estabelecerou não hipóteses. Nos estu- • A definiçãooperacionalindica como vamos medir a
dos exploratóriosnão são estabelecidas hipóteses. variável.
• As hipótesessão classificadasem: • Emalgumaspesquisasnão é possívelformular hipó-
a) hipótesesde pesquisa, teses porque o fenômeno a ser estudado é desco-
b) hipótesesnulas, nhecido ou se precisa de informação para estabe-
c) hipóteses alternativase lecê-las (mas isso acontece somente nos estudos
d) hipóteses estatísticas. exploratórios e em alguns estudos descritivos).

Conceitosbásicos
Definiçãoconceituai Hipótesesdescritivas do valor de variáveis
Definição operacional Hipótesesestatísticas
Hipóteses Hipótesesnulas
Hipótesesalternativas Teste de hipóteses
Hipótesescausaisbivariadas Tipo de hipóteses
Hipótesescausaismultivariadas Variável
Hipótesescorrelacionais Variável dependente
Hipótesesde pesquisa Variável independente
Hipótesesda diferençaentre grupos Variável Interveniente
134 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

a) Hipóteses descritivas de um dado ou valor que se prognostica

Hipóteses que estabelecem somente


J Bivariadas
relação entre variáveis
l Multivariadas
b) Hipóteses correlacionais

Hipóteses que mostram como Bivariadas


é a relação entre as variáveis
(hipóteses direcionais)
1 Multivariadas

Hipóteses que estabelecem diferenças


entre os grupos a serem comparados

c) Hipóteses da diferença entre grupos


Hipóteses que especificam a favor de
qual grupo (daquelesque são compara-
dos) é a diferença

Bivariadas
• Hipóteses com diversas variáveis
independentes e uma dependente
• Hipóteses com uma variável independente
e várias dependentes
d) Hipóteses causais Multivariadas • Hipóteses com diversas variáveis tanto
independentes como dependentes
• Hipóteses com presença de variáveis
intervenientes
• Hipóteses extremamente complexas

FIGURA6.7 Classificaçãodas hipótesesde pesquisa.

Exercícios
(Respostasno CD anexo, Material complementario• veem menostelevisão" é uma hipótesede pesq ·
~ Apêndices• Apêndice3)
1. Procureum artigo referente a um estudo quantita- 3. A hipótese: • As criançasde áreasrurais da pro
tivo em uma revista científicade seu campo ou área eia de Antioqua, Colômbia,veem diariamente
de conhecimento que contenha pelo menos uma média três horas de televisão". É uma hipótese
hipótese e responda: A(s) hipótese(s)está (estão) pesquisa:______ _
redigidasadequadamente?São inteligíveis?De que 4. Redija uma hipótese de diferença entre gruPoS
tipo elas são (de pesquisa,nula ou alternativa; des- indique quais são as variáveisque a integram.
critiva de um dado ou valor que se prognostica,cor- 5. Que tipo de hipótese é a seguinte: "A motiv
relacionai, de diferença entre grupos ou causal)? intrínsecaem relaçãoao trabalho por parte dose
Quais são suas variáveis e como estão definidas, cutivos de grandesindústriasinfluenciasua pr
conceituaiou operacionalmente?O que poderíamos vidade e sua mobilidadeascendentedentro da
melhorarno estudo em relaçãoàs hipóteses? nização"?
2. A hipótese: "As criançasde 4 a 6 anos que passam 6. Formuleas hipótesesque correspondem à Figura6
a maiorquantidadede tempo vendotelevisãodesen- 7. Formulea hipótesenula e a alternativa que co
volvem mais vocabulário do que as crianças que ponderiamà seguintehipótesede pesquisa:
Metodologiade pesquisa 135

H;: "Quanto mais assertiva for uma pessoa em suas 8. Formule uma hipótese e defina conceituai e opera-
relações interpessoais íntimas, maior número de cionalmente suas variáveis, de acordo com o pro-
conflitos verbais terá." blema que você desenvolveu em capítulos anterio-
res dentro da seção de exercícios.

Apatia
1
Marginalização
Desnutrição Retardo mental
aocioeconômica

Baixas defesas do
organismo

Doenças Doenças
infecciosas carenciais

Exemplosdesenvolvidos
A televisãoe a criança fatores e atributos para descrever tanto o par como a
relação ideal, por exemplo: Weis e Sternberg (2007) e
Algumas das hipóteses que poderiam ser formuladas são:
Fletcher e colaboradores ( 1999), nós consideramos que
H;: "As crianças da Cidade do México veem, em
estes foram conduzidos em contextos diferentes ao do
média, mais de três horas diárias de televisão."
latino-americano, razão pela qual é preferível partir de
H0 : "As crianças da Cidade do México não veem, em
uma perspectiva exploratória-descritiva e não estabele-
média, mais de três horas diárias de televisão."
cer hipóteses sobre quais fatores irão surgir.
H8 : "As crianças da Cidade do México veem, em
média, menos de três horas diárias de televisão."
H;: "O meio de comunicação de massa mais utilizado O abusosexualinfantil
pelas crianças da Cidade do México é a televisão." H;: "Para meninas e meninos de 4 a 6 anos, é mais
H;: "Quanto maior for a idade, maior será o uso da confiável e válido avaliar os programas de preven-
televisão." ção do abuso infantil com uma escala comporta-
H;: "As crianças da Cidade do México veem mais tele- mental do que com uma cognitiva."
visão de segunda a sexta-feira do que nos finais de Outra maneira de expressar essa hipótese:
semana.• H;: "As escalas comportamentais que avaliam os pro-
H;: "Os meninos e as meninas diferem quanto aos con- gramas de prevenção do abuso sexual infantil terão
teúdos televisivos preferidos." maior validade e confiabilidade do que as escalas
cognitivas."
O par e a relaçãoideais
Embora alguns estudos conduzidos no campo das rela-
ções interpessoais e do amor tenham encontrado alguns

Os pesquisadores
opinam
Uma das principais qualidades de um pesquisador é a Seja em uma pesquisa básica ou aplicada, um bom
curiosidade, embora também precise cultivar a observa- trabalho é aquele em que a equipe especialista colocou
ção, para que seja capaz de detectar ideias que o moti- todo seu empenho na busca de conhecimento ou solu-
vem a pesquisar.
136 Hernández Sampieri, Fernández Collado & Baptista Lucio

ções, mantendosemprea objetividadee a mente aberta rada. Para incentivar projetos em todas as áreas neces.
para tomar decisõesadequadas. sitamos do trabalho conjunto das universidades, do
Nas pesquisasde caráter multidisciplinar, quandoo governo e da indústria.
propósito é encontrar a verdade a partir de diversos
ângulosdo conhecimento,é possívelmesclaro enfoque GladysArgentinaPineda
quantitativo e o qualitativo; pois, a partir do enfoque Professora de tempo integra/
aplicado, cada ciência mantém seus próprios métodos, Facultadde lngeniería
categoriase especialidade. Universidad Católica Nuestra Sefiora de la Paz
Mesmo que a pesquisarealizadaem meu país ainda Tegucigalpa, Honduras
não seja suficiente, a qualidadesemprepode ser melho-

Em pesquisa, o estudante deve empregar ações para publicidade ou marketing precisamos definir uma série
descartarhipótesesdesnecessáriase sair do empirismo de problemas primários e secundários, tal conjunção
equivocado. O docente poderá facilitar essa tarefa se permitirá obter melhoresresultados.
orientá-lono desenvolvimentoe início de um projeto. Para realizar urna pesquisa de mercado utilizo urn
Uma boa pesquisaserá obtida à medidaque o espe- pacote de análise qualitativa, algo que muitas pessoas
cialista saiba claramenteo que quer fazer, suas ideias, veem corno urna operação para obter informação e
suas formulaçõese sua viabilidade. dados, e eu concordocom isso, porquequandoos resul-
Para aqueles que optaram pela pesquisa quantita- tados não são favoráveis reforçamosa ideia da utilidade
tiva, além de ela representarum processo de coleta e limitada dessapesquisa.
análisede dados com poucasmargensde erro, a produ- Tarnbérnapliquei a análisequalitativa em questões
ção de dados estatísticos permite controlar o surgi- propagandísticase acadêmicas. No Panamá,esse tipo
mento de respostase obter resultados positivos, desde de pesquisa é utilizado principalmenteem relação ao
que possacontar com recomendaçõespara melhoraros comércio e para sondar as opiniões políticas.
trabalhosquantificáveis.
O avanço em pesquisaqualitativa foi no sentido de Eric Dei RosarioJ.
fortalecê-la, pois possui diferentes opções para que Diretor de RelacionesPúblicas
possaser realizada,e isso não acontece com a coleta de UniversidadTecnológica de Panamá
dados matemáticosexatos. Professorde publicidade
Em cada modelo experimentalconsideramosos ele- Universidadlnteramericanade Panamá
mentos mais apropriadospara ela, e ambos podem ser Professorde marketing,publicidade y vendas
mesclados; por exemplo, quando em um projeto de ColumbusUniversity de Panamá
Panamá

Hoje, mais do que nunca, são necessáriosnovos conhe- tivos e quantitativos. Nessescasos é possível utilizar
cimentos que permitamtornar decisõessobre os proble- ambos os enfoques, sempre e de maneira complemen-
mas sociais, e isso só pode ser conseguidopor meio da tar.
pesquisa. MariaTeresaBuitrago
Paraobter êxito ao realizarum projeto é necessário Departamentode Economia
começarcom urna boa formulação do problemae, con- Universidad Autónoma de ColombiaManizales
forme o tipo de estudo, definir o enfoque que este terá. Colômbia
Algumas pesquisas corno as de mercado ou de
negócios abordam ao mesmo tempo aspectos qualita-

(0' NOTAS

1. Alguns pesquisadores consideram que essas hipóteses são afirmações un ivariadas. Argumentam que as
variáveis não se relacionam. Eles dizem que, mais do que relacionar as variáveis, o impo rtan te é saber
como um a variável irá se manifestar em um a constan te (no final, o grupo medido de pessoas ou objetos
é constante). Esse raciocfnio tem alguma validade, por isso deixamos a critério de cada leitor.
2. Claro que os nomes são fictícios. Se alguma novela teve esse nome (ou terá no futuro ) é mera coincidência.
3. As variáveis foram retiradas de Pr ice (1977) e Hern ández Sampieri (2005).
4. O sentido qu e este livro dá à hipó tese nul a é o mais usual: o de negação da hipótese de pesquisa proposto
por Fisher (1925) . Não propomos outras cono tações ou usos do termo (por exemplo, especificar urJJ
parâme tro zero) porque provocar ia confusões en tre estudantes que se iniciam na pesqu isa. Para aqueles
que desejam saber mais sobre o tema, recomenda mos as seguintes fontes: Van Dalen e Meyer (1994, P·
403-404) e, sobretu do, Henkel (1976, p. 34-40).
Metodologiade pesquisa 137

A hipótese nula é um componente essencial do teste de hipóteses na pesquisa. Ela é relevante quando
5.
foram efetuadas medições e as hipóteses vieram de teorias e têm de ser testadas. A hipótese de pesquisa
define certo padrão que será encontrado nos dados, e a análise estatística é desenhada para avaliar O grau
em que a evidência das medidas coletadas apoia a existência desse padrão. A hipótese nula é a hipótese
que indica que o padrão encontrado nos dados é simplesmente fruto da casualidade (Voi, 2003).
6. Aqui, preferimos não falar sobre a lógica do teste de hipóteses, o qual indica que a única alternativa aberta
em um teste de significância para uma hipótese está no fato de que é possível rejeitar uma hipótese nula
ou se equivocar ao rejeitá-la. Mas a frase '1se equivocar ao rejeitar" não é um sinônimo de aceitar.A razão
para não incluir essa perspectiva se deve a que, ao fazer isso, ela poderia confundir mais do que esclarecer
0 panorama para quem se inicia no tema. Quem quiser se aprofundar na lógica do teste de hipóteses,
recomendamos que consulte Blaikie (2007 e 2000) e Chalmers (1999). Principalmente Henkel (1976, p.
34-35) e outras referências que, do ponto de vista da epistemologia, defendem as posições a esse respeito,
como Popper (1992, 1996) e Hanson (1958).
7. A exposição detalhada dessa definição operacional de satisfação sexual poderá ser encontrada pelo leitor
no Exemplo 4 do CD anexo (em Material complementaria • Ejemplos • Diseiio de una escala autoa-
plicable para la autoevaluación de la satisfacción sexual en hombres e mujeres mexicanos).
7
Concepçãoou escolha
do desenhode pesquisa

Passo 6 Escolha ou desenvolvimento do


Processo de pesquisa desenho apropriado para a pesqu
quantitativa experimental, não experimental ou
múltipla
• Precisaro desenho específico.

oa Objetivosda aprendizagem
Ao concluir este capítulo, o aluno será capaz de:

1. definir o significadodo termo "desenho de pesquisa", assim como as implicaçõespor escolher


um ou outro tipo de desenho;
2. compreenderque em um estudo podem ser incluídos um ou vários desenhosde pesquisa;
3. conhecer os tipos de desenhosda pesquisaquantitativa e relacioná-los com os alcancesdo estudo;
4. compreenderas diferençasentre a pesquisaexperimentale a não experimental;
5. analisar os diferentesdesenhosexperimentaise seus graus de validade;
6. analisar os diferentes desenhosnão experimentaise as possibilidadesde pesquisaque cada um
oferece;
7. realizarexperimentose estudos não experimentais;
8 . compreendercomo o fator tempo altera a naturezade um estudo.

Síntese
Paraque o pesquisadorconsigaresponderas perguntasde pesquisaapresentadase atingir os objetivosdo
tudo, ele deve selecionarou desenvolverum determinadodesenhode pesquisa.Quandoestabelecemose
mulamoshipóteses,os desenhostambém servemparasubmetê-lasa teste. Osdesenhosquantitativos
ser experimentaisou não experimentais.
Propomosuma classificaçãode desenhosnão experimentaisna qual consideramos:
a) O fator tempo ou o número de vezes em que os dados são coletados.
b) O alcance do estudo.

Também deixamos claro que nenhum tipo de desenho é intrinsecamentemelhor do que outro, mas qut
formulação do problema,os alcances da pesquisae a formulação ou não de hipóteses e seu tipo det
nam qual desenhoé mais adequadopara um determinadoestudo, sendo também possívelutilizar mais
um desenho.
Desenho de Cujo propósito é :
pesquisa • Responder perguntas de pesquisa
• Atingir objetivos do estudo
• Submeter hipóteses a teste

_____,. [Têm um grau mínimo


---EPré-experimentos
de controle

1- Quase 1-!mplicam grupos


L experimentos
----Lintactos

,, experimentais Experimentais
• Manipulação intencional
(que aplicam
estímulos ou
leExperimentos de variáveis
~----1 • L"puros" (independentes)
tratamentos)
• Medição de variáveis
(dependentes)
• Controle e validade
• Dois ou mais grupos de
comparação
• Participantes sorteados

oleta d,e_dados
~aracterística __. m um unico
omento
~
Transversal
Exploratórios

IT
--- -~ - Descritivos
Correlacionais

nalisar
--• ~opósito --. udancas ao
ngo do tempo
~

Lo11gi
tudinais ou
evolutivos
.. • Desenhos de
tendência (tremi)
• Desenhos de análise
evolutiva de grupos
(coorte)
• Desenho tipo painel
Em uma mesma pesquisa é
possível incluir dois ou mais
desenhos de diferentes
tipos (desenhos múltiplos) .

NoCD anexo (Material complementaria • Capítulos) o leitor encontrará o Capítulo 5, "Disefios experimentales : segunda
parte",que detalha os conteúdos desenvolvidos neste Capítulo 7, principalmente no que se refere à técnica de sorteio e ~
emparelhamento, e tamb ém a séries cronológicas, fatoriais e quase experimentos . Parte do material que estava em edições
anteriores, neste capítulo, foi atualizada e transferida para o CD (ou seja, não foi eliminada) .
140 HernándezSampierl,Fernández
Collado& BaptistaLucio

[0 O QUEÉ UM DESENHODE PESQUISA?

001 Quando a formulação do problema se tornou mais precisa, o alcance inicial da pesquisa foi defi
do e as hipóteses foram formuladas (ou não, devido à natureza do estudo), então o pesquisad
deve pensar em uma maneira prática e concreta de responder as perguntas de pesquisa, aléni'
atingir os objetivos fixados. Isso implica selecionar um uu mais <lesenhus <lepesquisa e aplicá-lof';:
contexto específico de seu estudo. O termo desenho se refere ao plano de ação ou estratégia criâ
para obter a informação que se deseja.
No enfoque quantitativo, o pesquisador utiliza seu desenho ou desenhos para analisar sê
hipóteses formuladas em um contexto determinado estão corretas ou para fornecer evidência aJê
peito das diretrizes da pesquisa (desde que ela não tenha hipóteses).
Para quem está iniciando na pesquisa, sugerimos que comece com estudos baseados em um Só
senha, para depois desenvolver indagações que impliquem mais de um desenho, desde que a situaçã0
pesquisa assim exigir. Utilizar mais de um desenho aumenta consideravelmente os custos da pesqui_'.
Para conseguir visualizar mais claramente essa questão do desenho) vamos lembrar uma
gunta coloquial do capítulo anterior: Será que Paola gosta de mim? Por que sim ou por que nã
1
a hipótese: "Paola me acha atraente porque fica sempre me olhando :
O desenho seria o plano de ação ou a estratégia para confirmar se é ou não correto que:-'s"
atraente para Paola (o plano de ação incluiria procedimentos e atividades propensas a encontra
resposta para a pergunta de pesquisa). Nesse caso, poderia ser: amanhã vou b
car Paola depois da aula de estatística, vou me aproximar dela, direi que ela es
DESENHO Plano de ação ou
estratégia que desenvolvemos
muito bonita e a convidarei para tomar um café. Quando estivermos na cafete
para obter a informação que vou segurar sua mão, e, se ela não retirá-la, eu a convidarei para jantar no pró_
mo fim de semana; caso ela aceite, no local onde estivermos jantando comentilf
queremos em uma pesquisa.
1 que a acho atraente e perguntarei se ela me acha atraente. Então, posso selecióll'
ou criar outra estratégia, tal como convidá-la para dançar ou ir ao cinema em
de jantar; ou, ainda, caso conheça várias amigas de Paola e também seja amigo delas, posso pergu
tar se elas acham que sou atraente para Paola. Na pesquisa, dispomos de diferentes tipos de d ·
nhos preconcebidos e devemos escolher um ou vários entre as alternativas existentes, ou deseny
ver nossa própria estratégia (p. ex., convidá-la para ir ao cinema e dar um presente para obse
qual é sua reação ao recebê-lo).
Se o desenho foi cuidadosamente elaborado, o produto final de um estudo (seus resultados) (e
mais possibilidades de êxito para gerar conhecimento. Pois selecionar um tipo de desenho ou ou_--
faz toda diferença: cada um possui suas características próprias, conforme poderemos ver a seg_-·;
Não é o mesmo perguntar diretamente a Paola se ela me acha atraente do que perguntar a suas a
gas; ou em vez de interrogá-la verbalmente pode-se analisar sua conduta não verbal (como me o
quais são suas reações quando a abraço ou quando me aproximo dela, etc.). Como também nãos
o mesmo se a questiono diante de outras pessoas do que se pergunto estando somente os dois. A p
cisão, a extensão e a profundidade da informação obtida variam em função do desenho escolhido_,;_,

[0 COMO DEVEMOSAPLICARO DESENHOESCOLHIDOOU DESENVOLVIDO?

002 Dentro do enfoque quantitativo, a qualidade de uma pesquisa está relacionada ao número de veZ
que aplicamos o desenho tal como foi preconcebido (principalmente no caso dos experimento'
Assim, em qualquer tipo de pesquisa o desenho deve ser adaptado diante de possíveis contingênc.·_
ou mudanças na situação (p. ex., um experimento no qual o estímulo experimental não fundo·
este deverá ser modificado ou adaptado).

[0 NO PROCESSOQUANTITATIVO,DE QUAIS TIPOS


DE DESENHOSDISPOMOSPARAPESQUISAR?
003 Na literatura sobre a pesquisa quantitativa, é possível encontrar diferentes classificações dos desenhô
Nesta obra adotamos a seguinte classificação:1 pesquisa experimental e pesquisa não experimental,
primeira pode ser dividida como as clássicas categorias de Campbell e Stanley (1966) em: pré-expef·
mentas, experimentos "puros" e quase experimentos. 2 A pesquisa não experimental é subdividida e
Metodologíade pesquisa 141

J1hos transversais e desenhos longitudinais. Dentro de cada classificação comentaremos os dese-


.:ó~,J!Specíficos.
Sobre os desenhos da pesquisa qualitativa falaremos em outro item do livro.
-,'Emtermos gerais, não consideramos que um tipo de pesquisa- e os seus respectivos desenhos
;:ej~_-
melhor do que outros (experimental versusnão experimental). Como mencionam Kerlinger
fe. (2002), ambos são relevantes e necessários, já que têm um valor próprio. Cada um possui suas
pcterísticas, e a decisão sobre que tipo de pesquisa e desenho específico selecionaremos ou de-
_)VólVeremosdepende da formulação do problema, o alcance do estudo e as hipóteses formuladas.

DESENHOSEXPERIMENTAIS
!que é um experimento?
t_êrmoexperimento possui pelo menos duas acepções, uma geral e outra específica. A geral se re-
"escolher ou realizar uma ação" e depois observar as consequências (Babbie, 2009). Esse uso
'·-'.~,
}êtmo é muito coloquial; assim, falamos de "experimentar" quando misturamos substâncias
·_frnicase vemos a reação provocada, ou quando mudamos de penteado e observamos o efeito que
?ª _transformação suscita em nossos amigos. A essência dessa concepção de experimento é que
._'_ge a manipulação intencional de uma ação para analisar seus possíveis resultados.
Uma acepção específica de experimento, mais de acordo com um sentido científico do termo,
{refere a um estudo em que são manipuladas intencionalmente uma ou mais variáveis indepen-
,9j_.ntes(supostas causas-antecedentes), para analisar as consequências que a manipulação tem so-
_.RJ~}Ima ou mais variáveis dependentes (supostos efeitos-consequentes), dentro de uma situação de
,çç>p_irole para o pesquisador. Essa definição talvez possa parecer complexa; no entanto, conforme
f?i-inos analisando seus componentes seu sentido se tornará mais claro (ver Figura 7.1).

Causa Efeito
(variável independente) (variável dependente)
X----------------,..y
.F.IGURA
7.1 Esquemade experimentoe variáveis.

_ Creswell (2009) denomina os experimentos como estudos de intervenç·ão, porque um pes-


_.::;,,-
.9.~isador cria uma situação para tentar explicar como ela afeta aqueles que participam dela em
_ê"órnparaçãocom aqueles que não participam. É possível experimentar com seres humanos, seres
Vivose certos objetos.
Os experimentos manipulam tratamentos, es_tímulos, influências ou intervenções (denomi-
~_.adasvariáveis independentes) para observar seus efeitos sobre outras variáveis (as dependentes)
,eínuma situação de controle. Vamos vê-los graficamente na Figura 7.2.
Ou seja, os desenhos experimentais são utilizados quando o pesquisador pretende determinar
possível efeito de uma causa que manipula. Mas, para determinar influências (p. ex., dizer que o
!tatamento psicológico reduz a depressão), é necessário preencher vários requisitos que serão mos-
trados a seguir.
Então, existem ocasiões em que não podemos ou não devemos experimentar. Por exemplo,
!)ão podemos avaliar as consequências do impacto - deliberadamente provocado - de um meteori-
tosobre um planeta, o estímulo é impossível de ser manipulado (quem consegue enviar um meteo-
,,,Jitoem determinada velocidade para que se choque com um planeta?). Também não podemos ex-
!}perimentar com fatos passados, assim como não devemos realizar determinado tipo de experirnen-
\ '_tospor questões éticas (p. ex., experimentar em seres humanos um novo vírus para conhecer sua
êVolução). Claro que já foram realizados experimentos com armas bacteriológicas e bombas atômi-
. Cas,castigos físicos com prisioneiros, deformações no corpo humano, el!.;., mas são situações que
"nãodevem ser permitidas em circunstância alguma.

º Uual é o primeirorequisito de um experimento?


O primeiro requisito é a manipulação intencional de uma ou mais variáveis independentes. A variável
.,,._
independente é a que se considera suposta causa em urna relação entre variáveis, é a condição antece-
dente, e o efeito provocado por essa causa é denominado de variável dependente (consequente).
142 HernándezSampieri, Fernández Collado & Baptista Lucio

Tratamento , estímulo, influência,


Variável dependente
intervenção, etc. Variável Influi em ...
(suposto efeito)
independente (suposta causa)

L_
--- --- -'·-- --~-----,---~
Um tratamento

· psicológico Reduz Depressão

Um tratamento médico Melhora Artrite

Um novo motor revolucionário Aumenta Velocidade

FIGURA7 .2 Exemplos da relação de variáveis independente e dependente.

E como foi mencionado no capítulo anterior referente às hipóteses, o pes-


quisador pode incluir em seu estu do duas ou mais variáveis indep endentes.
EXPERIMENTO Situação de
Quando realmente existe uma relação causal entre uma variável independente e
controle na qual manipulamos , de
uma dependent e, ao variar intenci onalm ente a primeira, a segunda tamb ém irá
maneira intencional, uma ou mais
variáveis independentes (causas)
variar . Por exemplo, se a motivação for a causa da produtividade, ao variar a mo-
para analisar as consequências
tivação a produtividade deverá variar.
des sa manipulação sobre uma ou
Um experimento é realizado para analisar se uma ou mais variáveis inde-
mais var iá veis dependentes pendentes afetam uma ou mais variáveis dependentes e por que fazem isso. Por
(efe itos). enquanto, vamos simplificar o problema de estudo em uma variável ind ependen-
te e uma dependente. Em um experiment o, a variável independente é mais inte-
ressante para o pesquisador, pois hipotetic amen te será um a das causas que pro-
duzem o suposto efeito. Para obter evidência dessa suposta relação causal, o pesquisador manipula
a variável indep endente e observa se a dependente varia ou não. Aqui, manipular é sinônimo de fa-
zer variar ou dar diferent es valores à variável indep endente .

Exemplo
Se um pesquisador quisesse analisar o possível efeito dos conteúdos televisivos antissociais na conduta
agressiva de determinadas crianças, ele poderia fazer que um grupo visse um programa de televisão com
esse tip o de conteúdo e outro visse um programa com conteúdo pró-social3 , e depois iria observar qual dos
dois grupos apresenta mais conduta agressiva.
A hipótese de pesquisa poderia mostrar o seguinte: • A exposição das crianças a conteúdo s antissociais
terá a tendência de provocar um aumento em sua conduta agressiva•. Desse modo, caso descubra que o
grupo que viu o programa antissocial apresenta mais conduta agressiva em relação ao grupo que viu o
programa pró-social, e que não há outra possível causa que possa ter afetado os grupos de maneira desi-
gual, ele comprovaria sua hipótese.
O pesquisador manipula ou faz oscilar a variável independente para observar o efeito na dependente, e
faz isso dando a ela dois valores: presença de conteúdos antissociais na televisão (programa antissocial) e
ausência de conteúdos antissociais na televisão (programa pró-social). O experimentador realiza a variação
de maneira proposital (não é casuall: possui o controle direto sobre a manipulação e cria as condições para
oferecer o tipo de variação desejado.
Metodologia
de pesquisa 143

. to para que uma variável seja considerada independente, ela deve preencher três
expenmen ,
Emum
requisJtos: .
der a dependente,
1, anr:ce ser manipulada;
vanarou . M

2, t olar essa vanaçao.


3, podercon r

., dependentepodeser medida
A vanave1
., d dente não pode ser manipulada, mas medida, para ver o efeito que a manipulação
1
À vafl~;e .e~e;pendente tem sobre ela. Isso pode ser esquematizado da seguinte maneira:
da vanave1in
Manipulação da Medição do efeito sobre
variável independente a variável dependente
XA y
Xn

A letra "X" costuma ser utilizada para simbolizar uma variável independente ou um trata-
mento experimental, e as letras ou subíndices "A,B···"indicam diferentes níveis de variação da inde-
pendente, a letra "Y'' é utilizada para representar uma variável dependente.

Níveisde manipulação
da variávelindependente

A manipulação ou variação de uma variável independente pode ser realizada em dois ou mais ní-
veis.O nível mínimo de manipulação é de presença-ausência da variável independente. Cada nível
ou grau de manipulação envolve um grupo no experimento.

Presença-ausência

Essenível ou grau implica que um grupo se expõe à presença da variável e o outro não. Posterior-
m~nte,os dois grupos são comparados para saber se o grupo exposto à variável independente dife-
re O grupo que não foi exposto.
m Por exemplo, para um grupo de pessoas com artrite se administra o trata-
ento médico e para o outro grupo, não. O primeiro grupo é conhecido como
1
GRUhPO CdONTROLE Também h
gru o e · ., .
no P_ xpenmental, e o outro, no qual a vanavel mdependente está ausente, e, de- con ec1 o como 9rupo testemun a.
er~unadogrupo controle. Mas, na verdade, ambos os grupos participam do ex-
P imento D · b . .
à cu d · epo1s o servarnos se houve ou nao alguma diferença entre os grupos no que se refere
ra ª doença (artrite).
"inte A pr:sença da variável independente normalmente é chamada de "tratamento experimental';
tratamrvençao experunen
· ' ui o experimenta
tal" ou "est1m · l". O u seJa,
· o grupo expernnent· ai receb e o
o grupento ou o estímulo experimental ou, o que dá no mesmo, é exposto à variável independente;
O
fato d controle não recebe o tratamento ou o estímulo experimental. Então, o
· e que um dos grupos nao
nifica
quesua ·· -
· se expon h a ao t ratamen t o expemnenta
• • •
·
,.
1 nao
- sig-
• •
· 1
GRUPOEXPERIMENTAL ·
E aquele
que rea]" participaçao no expenmento se1a passiva. Ao contrano, significa que recebe O tratamento ou o
•o estí~zi as mesmas atividades que o grupo experimental, exceto ser submetido estimulo experimental.
u º· No exemplo da violência televisionada, se o grupo experimental vai

.
.
1144 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio

ver um programa de televisão com conteúdo violento, o grupo controle poderia ver o mesmo Pr 'Í
grama, mas sem as cenas violentas (outra versão do programa). Se a ideia fosse experimentar co~
um medicamento, o grupo experimental iria consumir o medicamento, enquanto o grupo contro...j
j
le consumiria um placebo (p. ex., uma suposta pílula que na verdade é uma bala com baixo teor d 1
~=-, )
Geralmente, em um experimento é possível afirmar o seguinte: se em ambos os grupos tua 1
el
l
foi "igual" menos a exposição à variável independente, é muito razoável pensar que as diferenç~ ll
entre os grupos são devido à presença-ausênciadessa variável.

Mais de doisníveis

Outras vezes, é possível fazer variar ou manipular a variável independente em quantidades ou ní-
veis. Vamos supor mais uma vez que queremos analisar o possível efeito do conteúdo antissocial na
televisão sobre a conduta agressiva de determinadas crianças. Poderíamos fazer com que um grupo
fosse exposto a um programa de televisão extremamente violento (violência física e verbal); um se-
gundo grupo fosse exposto a um programa medianamente violento (apenas violência verbal); e um
terceiro a um programa sem violência ou pró-social. Nesse exemplo, haveria três níveis ou quanti-
dades da variável independente, que é representado da seguinte maneira:

X1 (programa extremamente violento)


X2 (programa medianamente violento)
(ausência de violência, programa pró-social)

Manipnlar a variável independente em vários níveis tem a vantagem de não só podermos de-
terminar se a presença da variável independente ou o tratamento experimental tem um efeito, mas
também se diferentes níveis da variável independente produzem efeitos diferentes. Ou seja, se o ta-
manho do efeito (Y) depende da intensidade do estímulo (X , Xi, X , etc.).
1 3
Então, quantos níveis de variação devem ser incluídos? Não existe uma resposta exata, depen~
de da formulação do problema e dos recursos disponíveis. Do mesmo modo, os estudos prévios e a
experiência do pesquisador podem nos dar uma luz nesse sentido, pois cada nível envolve um gru-
po experimental a mais. Por exemplo, no caso do tratamento médico, dois níveis de variação podem
ser suficientes para testar seu efeito, mas se tivermos de avaliar os efeitos de diferentes doses de um
medicamento, vamos ter tantos grupos quanto doses e, além disso, o grupo controle.

Modalidadesde manipulaçãoem vez de níveis

Existe outra forma de manipular uma variável independente, que consiste em expor os grupos ex-
perimentais a diferentes modalidades da variável, mas sem que isso envolva quantidade. Por exem-
plo, experimentar com tipos de sementes, meios para comunicar uma mensagem a todos os execu~
tivas da empresa (e-mail versustelefone celnlar ou celular versusmemorando escrito), vacinas, esti-
los de argumentações de advogados em tribunais, procedimentos de construção ou materiais.
Às vezes, a manipnlação da variável independente provoca uma combinação de suas quantidades
e modalidades. Os designers de automóveis fazem experiência com o peso do chassi (quantidade) e o ma-
terial com o qual é construído (modalidade) para conhecer seu efeito na aceleração de um veícnlo.
Finalmente, precisamos insistir que cada nível ou modalidade envolve, pelo menos, um gru-
po. Se houver três níveis (graus) ou modalidades, teremos no mínimo três grupos.

@' COMO DEFINIMOSA MANEIRADE


MANIPULARAS VARIÁVEISINDEPENDENTES?

Quando manipulamos uma variável independente é necessário especificar qual é o significado


dessa variável no experimento (definição operacional experimental). Ou seja, transferir o concei-
Metodologia de pesquisa 145

. para um estímulo experimental. Por exemplo, se a variável indep endente a ser mani-
re6: ~ir a exposição à v~olência telev~s!onada (em :d ultos), .ºpesq~isador deve pensar como
1
10
putad formar esse conceito em uma sene de operaçoes expenmenta1s. Nesse caso, poderia ser :
irá tr~ns ia televisionada será operaciona lizada (transpo rtada para a realidade) med iante a expo-
a_v~oJ: n~rn programa n o q~al haja brigas e pancadas, insultos, agres~ões, uso de ar~~s de fogo,
s1çao u tentat ivas de cnm es, portas arrom badas, pessoas aterronzadas, persegmçoes , etc. A
cri111
_es/í selecionamos um programa em que essas cond utas sejam mostradas (p. ex., CSI, Pri -
k
parur ª ou Law & order, ou uma novela produ zida na América Latina ou uma série espanhola
siofl bre:sses comportamento s sejam apresent ados) . Assim, o conceito abstra to se tran sforma em
emque
ferente real.
um re

Manipulação intencional de uma


ou mais variáveis independentes

Medir o efeito que uma ou Procurara validade


Controleou
mais variáveis independentes têm externada situação
validadeinterna
sobre uma ou maisdependentes experimental

FIGURA
7.3 Requisitos de um experimento.

Vamosver como um conceito teórico (grau de informação sobre a deficiência mental ) foi tra-
duzido, na prática, em dois níveis de manipula ção experimenta l.

Exemplo
Naves e Poplawsky (1984) elaboraram um experimento para testar a seguinte hipótese: "Quanto maior for
o grau de informação do sujeito comum sobre a deficiência mental, menor será a evitação na interação com
o deficiente mental" .4
A variável independente fo i "o grau de informação sobre a deficiência mental" (ou, melhor dizendo,
capacidade mental diferente); e a dependente, "a conduta de evitação na interação com pessoas com
capacidades mentais são diferentes " . A primeira foi manipulada por dois níveis de informação: 1) informa-
ção cult ural e 2) informação sociopsicol ógica sobre esse tipo de capacidade mental. Portanto, teve dois
grupos: um com informação cultural e outro com informa ção sociopsicológ ica. O primeiro grupo não rece-
beu nenhum tipo de informação sobre a deficiência mental ou a capacidade mental diferente, pois a supo-
sição foi: "que todo indivíduo, por pertencer à determinada cultura domina esse tipo de informação, que
consiste em noções gerais e normalmente estereotipadas sobre a deficiência mental; o que podemos con-
cluir com isso é que, se um sujeito baseia suas previsões sobre a conduta do outro no nível cultural, obterá
urna precisão mínima e poucas probabilidades de contro lar o evento comunicativo" (Naves e Poplawsky,
1984, p, 119) .
O segundo grupo foi a um centro de treinamento para pessoas cujas capacidades mentais são diferen-
tes onde teve uma reunião com elas, que proporcionaram informação sociopsicológica (algumas contaram
seus Problemas no trabalho e suas relações com superiores e colegas, e também trataram de temas como
0
amor e a amizade). Esse grupo pode observar o que é a "deficiência mental ou capacidade mental dife-
rente", como ela é tratada clinicamente e seus efeitos no dia a dia de quem a possui, além de receber
informação sociopsicológica a respeito.
Depois, todos os participantes foram expostos a uma interação surpresa com um suposto indivíduo
c?rn capacidade mental diferente (que, na verdade, era um ator treinado para se comportar como "defi-
ciente mental" e com conhecimento sobre o assunto. 5 A situação experimental foi rigorosamente contra-


·•·

146 HernándezSarnpieri,FernándezCollado& BaptistaLucio


.
--------

lada e as interaçõesforam filmadaspara mediro grau de evitaçãoem relaçãoao sujeitocom capacidade


mentaldiferente,utilizandoquatrodimensões:

a) distânciafísica,
b) movimentos corporaisquedenotavamtensão,
e) condutavisuale
d) conduta verbal.
A hipótesefoi comprovada,poiso grupocom informaçãoculturalmostrouumamaiorcondutade evi-
tação que o grupocom informaçãosociopsícológica.
·•.•.

Dificuldadesparadefinircomoas variáveisindependentes
serãomanipuladas

Às vezes, não é tão difícil transferir o conceito teórico (variável independente) para operações
práticas de manipulação (tratamentos ou estímulos experimentais). Manipular o salário (quan-
tidades de dinheiro pago), o feedback, o reforço e a administração de um medicamento não é
muito difícil. No entanto, às vezes, é realmente complicado representar o conceito teórico na re-
alidade, sobretudo com variáveis internas, variáveis que podem ter diversos significados ou vari,-
áveis que sejam difíceis de alterar. A socialização, a coesão, a tolerância, o poder, a motivação in~
dividual e a agressão são conceitos que exigem um esforço enorme do pesquisador para que pos-
sam ser operacionalizados.

Guiapara superaras dificuldades

Para definir como iremos manipular uma variável é necessário:

1. Consultarexperimentosantecedentespara ver se neles a forma de manipular a variável inde-


pendente foi bem-sucedida. Nesse sentido, é imprescindível analisar se a manipulação desses
estudos pode ser aplicada ao contexto específico do nosso, ou como poderia ser extrapolada
para nossa situação experimental.
2. Avaliar a manipulação antes de realizar o experimento. Existem várias perguntas que o
experimentador deve fazer para avaliar sua manipulação antes de realizá-la: as operações
experimentais.representam a variável conceitual que se tem em mente? Os diferentes níveis
de variação da variável independente farão com que os sujeitos de comportem de forma di-
ferente (Christensen, 2006)? Quais outras maneiras existem para manipular a variável? Esta é
a melhor? Se o conceito teórico não pode ser transferido adequadamente para a realidade, no
final talvez tenhamos realizado outro experimento bem diferente daquele que pretendíamos.
Se nossa intenção fosse averiguar o efeito da ansiedade na memorização de conceitos, e nossa
manipulação fosse errônea (em vez de provocar ansiedade, gerasse resistência), os resultados do
experimento talvez nos ajudassem a explicar a relação resistência-memorização de conceitos;
mas de maneira alguma servirão para analisar o efeito da ansiedade na memorização. E, ao
não percebermos isso, podemos achar que estamos dando alguma contribuição quando, na
verdade, não estamos.
Do mesmo modo, se a presença da variável independente no ou nos grupos experimentais
for precária, provavelmente não serão encontrados efeitos, mas isso não significa que eles não
existam. Se o que pretendemos é manipular a violência televisionada e nosso programa não é
realmente violento (inclui um ou outro insulto e algumas sugestões de violência física) e não
encontramos um efeito, não podemos realmente afirmar ou negar que exista um efeito, porque
a manipulação foi precária.
3. Incluirverificaçõespara a manipulação.Quando experimentamos com pessoas, existem várias
formas de verificar se a manipulação realmente funcionou. A primeira é entrevistar os parti·
cipantes. Vamos supor que, com a manipulação, pretendemos fazer com que um grupo esteja
muito motivado em relação a uma tarefa ou atividade e o outro não. Depois do experimento
Metodologia
de pesquisa 147

aderíamos entrevistar os indivíduos p~ra ver se o grupo que deveria estar muito motivado
P !mente estava, e o que grupo que nao devena estar motivado não estava. Uma segunda
~ea a é incluir mensurações referentes à manipulação durante o experimento. Por exemplo,
iorm ald . - d. d
·car uma esc a e mot1vaçao para os 01sgrupos quan o supostamente alguns devem estar
aplt -
motivados e outros nao.

[0' QUALÉ O SEGUNDOREQUISITODE UM EXPERIMENTO?


do requisito é medir o efeito que a variável independente tem na variável dependente. Isso
O se;~º é importante, e, como na variável dependente é possível observar o efeito, a medição deve
tam ,"1~a e confiável. Se não pudermos garantir que medimos de maneira adequada, os resultados
serva t • , - d d
_ rvirão e o experimento sera uma per a e tempo.
nao s;amos imaginar que estamos realizando um experimento para avaliar o efeito de um novo
. de ensino sobre a compreensão de conceitos políticos em certas crianças, e em vez de mensu-
tIPºcompreensãomensuramos a memorização. Por mais correta que seja a manipulação da variável
'.ª~ependente, o experimento será um fracasso porque a mensuração da dependente não é válida.
iu vamos supor que te~os dois grupos q~e serão comparados_co~ men~uraçõ_'."dif':,rentes, se en-
ntrarmos diferenças nao poderemos mais saber se foram devido a mampulaçao da mdependente
~~ porque foram aplicadas provas diferentes de compreensão. Os requisitos para medir correta-
mente uma variável são comentados no Capítulo 9: "Coleta dos dados quantitativos". No planeja-
mentode um experimento,é necessário deixar claro como as variáveis independentes serão medi-
das e como medir as dependentes.

[0 QUANTASVARIÁVEISINDEPENDENTESE DEPENDENTES
DEVEMSERINCLUÍDASEM UM EXPERIMENTO?

Não existem regras para isso; depende de como o problema de pesquisa foi formulado e das limita-
ções existentes. Se o pesquisador interessado em contrastar os efeitos dos apelos emocionais e dos
racionaisem comerciais televisivos sobre a predisposição de compra de um produto quer se centrar
apenas nesse problema, então ele terá somente uma variável independente e só uma dependente.
Mas se também quer analisar o efeito de utilizar comerciais em branco e preto em relação aos colo-
ridos, ele acrescentaria essa variável independente e a manipularia. Teria duas variáveis indepen-
dentes (apelo e colorido) e uma dependente (predisposição de compra) e quatro grupos (sem con-
tar o controle):

a) grupo exposto ao apelo emocional e comercial em preto e branco;


b) grupo exposto ao apelo emocional e comercial colorido;
e) grupo exposto ao apelo racional e comercial em preto e branco;
d) grupo exposto ao apelo racional e comercial colorido.

e Além disso, poderia acrescentar uma terceira variável independente: duração dos comerciais,
an:• }uarta: r~alidade dos modelos do comercial (pessoas vivas em contraposição aos desenhos
Veis.\ os) e assim sucessivamente. É claro que, na medida em que se auroenta o número de variá-
necelll.e_pendentes,também temos de aumentar as manipulações realizadas e o número de grupos
Poisssa~o para o experimento. Então, entraria em jogo o segundo fator mencionado (limitante),
cessá~.º enamos não contar com o número suficiente de pessoas para ter o número de grupos ne-
tº ou com o orçamento para produzir essa variedade de comerciais.
avaliarº: outro lado, em cada caso poderíamos optar por medir mais de uma variável dependente e
Çãode vanos efeitos das independentes (em diferentes variáveis). Por exemplo, além da predisposi-
tar as vco~p~a, mensurar a lembrança do comercial e sua avaliação estética. É óbvío que, ao aumen-
llipuJa:'aveis dependentes, não é preciso aumentar os grupos, porque essas variáveis não são ma-
núinero ~-Obque aumenta é o tamanho da mensuração (questionários com mais perguntas, maior
O
e servações, entrevistas mais longas, etc.), porque há mais variáveis para mensurar .

sii;[i· ...
'"l>J;-,;

...
148 HernándezSampieri,FernándezCollado& BaptistaLucio
l 1
lcl
@ QUALÉ O TERCEIRO
REQUISITODE UM EXPERIMENTO? !
'j
VALIDADEINTERNANível de
O terceiro requisito que todo experimento deve cumprir é o controle ou Valida. j
segurança que temos de que os de interna da situação experimental. O termo "controle" possui diversas conota.
ções dentro da experimentação. No entanto, sua acepção mais comum é que, se .
.·•i··•,·•.·•.·

resultados do experimento sejam


no experimento observamos que uma ou mais variáveis independentes variarn as
interpretados adequadamente e
dependentes, então a variação destas se deve à manipulação das primeiras e não a
sejam válidos lo que é conseguido
outros fatores ou causas; e se observamos que uma ou mais independentes não
quando há controle).
têm um efeito sobre as dependentes, então podemos confiar nisso. Em termos
mais coloquiais, ter <'controle))significa saber o que está realmente acontecendo
com a relação entre as variáveis independentes e as dependentes. Isso poderia ser ilustrado da se-
guinte maneira (Figura 7.4):

Experimento Tentativa de experimento


{com controle) (sem controle)

X--------+-Y X

Causalidade
ou
X não causalidade y Sem conhecimento de causa

FIGURA7 .4 Experimentos com controle e tentativa de experimento.

Quando há controle, é possível determinar a relação causal. Quando não conseguimos o con-
trole, não podemos conhecer essa relação (não sabemos o que está atrás do retângulo, talvez fosse,
por exemplo: "X • Y" ou "X Y"; isto é, que há correlação ou que não existe nenhuma relação). Na
estratégia de experimentação, o pesquisador não manipula uma variável apenas para comprovar a
covariação, só que ao efetuar um experimento é necessário realizar uma observação controlada
(Van Dalen e Meyer, 1994).
Uma terceíra forma de dizer isso é que conseguir controleem um experimento significa repri-
mir a influência de outras variáveis estranhas sobre as variáveis dependentes, para assim saber real-
mente se as variáveis independentes que nos interessam têm ou não efeito nas dependentes. Isso po-
deria ser esquematizado da seguinte maneira (ver Figura 7.5):

X
{estranhas e fontes
X de invalidação)

X
!S>ºs
B~t,,?>
'SS.o\?>
~-s
c,o<:-.
"' ,<:-
s-.1'
X {de interesse, variável Vemos seu efeito Y {variável
independente manipu-
dependente mensurada)
lada) ou sua ausência
FIGURA7.5 Experimentos com controle das variáveis estranhas.

Ou seja, "purificamos" a relação de X (independente) com Y(dependente) de outras possíveis


fontes que possam afetar Y e "contaminar" o experimento. Isolamos as relações que nos interessaJll·
Se o que queremos é analisar o efeito que um comercial pode ter sobre a predisposição de comprar
Metodologia
de pesquisa 149

U
nciado sabemos que talvez existam outras razões ou causas pelas quais as pessoas
o pro duto ancomprar o' produto ( qua lid ade, preço, caractenst1 , .
cas, prestígio da marca, etc.). Então,
pensarnem
' . ento é preoso· con tiro ar a passive
'l"flê"d
m u nc1a essas outras causas, para que assim pos-
oo expenm ber se O comercia ·1 tem ou nao- a1gum e1eito.
r· E, no caso contrario,
,. se o b servamos
que a pre-
5
samos. : de compra é elevada e não existe controle, não temos como saber se o comercial é a cau-
. os1çao
d,sp - os demais fatores.
sa ou ()se sa0 , d d .
esmo acontece com um meto o e ensmo, quan d o por me10. d .
e um experimen to quere-
rar sua influência na aprendizagem. Se não houver controle, não poderemos saber se uma
mos ava ~dizagem se deveu ao método, ao fato de os participantes serem extremamente inteligen-
boa ap~: terem conhecimentos aceitáveis sobre os conteúdos ou por qualquer outro motivo. Se não
tes, ao aprendizagem, não saberemos se isso foi porque os sujeitos estavam muito desmotivados
houver ção aos conteú d os a . d os, porque eram pouco • 1·
1 serem ensina inte igentes ou por qu aiquer ou-
emre ªsa Ou seja, tentamos descartar outras possíveis explicações para avaliar se a nossa é ou não
tra cauta ·(variáveis d
in epen d entes d e mteresse,
. estim, ul os ou tratamento .
s expenment ais. que tem
, o
",c?trrequenos interessa comprovar). Essas explicações rivais são as fontes de invalidação interna
e1e1o . .
(que podem invalidar o experimento).

Fontesde invalidaçãointerna

Existemdiversos fatores que talvez nos confundam e sejam o motivo de não sabermos mais se apre-
sença de uma variável independente ou um tratamento experimental provoca ou não um efeito ver-
dadeiro. São explicações rivais em relação àquela que diz que as variáveis independentes afetam as de-
pendentes. Campbell e Stanley (1966) definiram essas explicações rivais, que foram ampliadas por
Campbell (1975), Christensen (2006) e Babbie (2009). Elas são conhecidas como fontes de invalida-
ção interna porque ameaçam (são contra) precisamente a validade interna de um experimento. Esta
se refere ao grau de confiança que temos na possibilidade de interpretar os resultados do experimento
e que estes sejam válidos. A validadeinternaestá relacionada com a qualidade do experimento e ela é
conquistada quando existe controle, quando os grupos diferem entre si somente na exposição à variá-
vel independente (ausência-presença ou em níveis ou modalidades), quando as medições da variável
dependente são confiáveis e válidas e quando a análise é a adequada para o tipo de dados com os quais
estamos trabalhando. O controle em um experimento é alcançado eliminando essas explicações rivais
ou fontes de invalidação interna. Na Tabela 7.1 mencionamos rapidamente algumas dessas fontes de
invdalidação; uma explicação mais detalhada, assim como exemplos e outras fontes potenciais, o leitor _,_'._.·_:
:,
po erá encontrar no CD anexo • Capítulo 5, "Disefios experimentales: segunda parte''.
""

@' COMOCONSEGUIRO CONTROLEE A VALIDADEINTERNA?

Em um experimento é o controle que consegue a validade interna e ele é alcançado mediante:

1. vários grupos de comparação


(no mínimo dois);
2. equivalência dos grupos
em tudo, exceto na manipulação da ou das variáveis independentes.

V'.
anosgruposde comparação

!;11
um experimento é necessário ter, pelo menos, dois grupos para comparar. Primeiro, porque se ti-
m;:11?s~penas um grupo não é possível saber com certeza se as fontes de invalidação interna tiveram
fo Uen~,aou não. Por exemplo: se com um experimento queremos testar a hipótese: "quanto mais in-

tn::
noflnaçao_psicológica se tiver sobre uma classe social, menor será o preconceito em relação a elà'. Se
decis~~ '.oi ter somente um grupo no experimento, poderíamos expor os sujeitos a um prog_ra-
'Uase se:15,?ilizaçãono qual fosse proporcionada informação sobre a maneira como essa classe v,ve,
segu·!gtlstias e problemas, necessidades, sentimentos, contribuições para a sociedade, etc.; para em
1
po· ª observar o nível de preconceito (o programa incluiria palestras de especialistas, filmes e de-
UUentosgravados, leituras, etc.). Esse experimento poderia ser esquematizado assim:

..-------------
150 Herná
ndez Sampieri,Fernández
Collado& BaptistaLucio

Momento 1 Momento2
Exposição ao program a Observação do nível
de sensibilização de preconceito
TABELA7.1
Principais fontes de invalidação interna 6

Fonte ou ameaça
à validade interna Descrição da ameaça Em resposta, o pesquisadordeve:

História Eventosou acontecimentos queocorremduranteo Assegurar-se


de queos participantes
dos grupos
experimento e influenciamsomentealgunsdos experimentais
e controletenhamcontatocom os
participantes
. mesmoseventos.
Maturação Osparticipantespodemmudarou amadurecer duranteo Selecionarparticipantesparaos gruposque
experimentoe issopodeafetaros resultados. mudemou amadureçam de maneirasimilar
duranteo experimento.
Instabilidade
do Poucaou nulaconfiabilidade
do instrumento. Elaborarum instrumentoestávele confiável.
instrumentode
medição
Instabilidade
do As condiçõesdo ambientedo experimento
nãosãoiguais Conseguirque as condiçõesambientais
sejamas
ambiente paratodos os gruposparticipantes
. mesmasparatodos os grupos.
experimental
Aplicaçãode Quea aplicaçãode um teste ou instrumentode medição Ter testesequivalentes
e confiáveis
, masque não
testes antesdo experimento influencieas respostasdos sejamas mesmose queos gruposcomparados
indivíduosquandoo teste for aplicadoapóso experimento sejamequiparáveis.
(lembremsuasrespostas).
Instrumentação Queos testesou instrumentosaplicadosnosdiferentes Aplicaro mesmoteste ou instrumentoparatodos
gruposparticipantesnão sejamequivalentes. os indivíduosou gruposparticipantes.
Regressão Selecionarparticipantesque tenhampontuações
extremas Escolherparticipantesquenãotenhampontuaçõe
s
na variávelmedida(casosextremos)e que suaavaliação extremasou que estejampassandopor um
realnão sejamedida. momentofora do normal.
Seleção Queos gruposdo experimentonãosejamequivalentes
. Conseguirqueos grupossejamequivalentes
.
====
Mortalidade Queos participantesabandonem
o experimento. Recrutaro númerosuficientede participantespara
todos os grupos.
Difusãode Queos participantesde diferentesgruposse comuniquem Duranteo experimentomanteros grupostão
tratamentos e issoafeteos resultados. separadosquantofor possível
.
Compensação Queos participantes
do grupocontrolepercebamque Oferecerbenefíciosparatodosos grupos
nãorecebemnadae isso os desanimee afeteos participantes.
resultados.
Condutado Queo comportamento
do experimentador
afeteos Agir da mesmaformacomtodosos grupose ser
experimentador resultados. •objetivo•.

Tudo em um único grupo. O que acontece se observamos um nível baixo de preconceito no


grupo? Podemos deduzir com absoluta certeza que foi por causa do estímu lo? É claro que não. Pode
ser que o nível baixo de preconceito se deva ao programa de sensibilização, que é a forma de mani-
pular a variável independente "info rm ação psicológica sobre uma classe social': mas tamb ém ao
fato de que os participantes tinham um nível baixo de preconceito antes do experimento e, na ver-
dade, o programa não afetou . E isso não podemos saber, porque não há uma mensuração do nível
de preconceito no início do experimento (antes da apresentação do estímu lo experimental); ou
seja, não existe ponto de comparação. Mas, ainda que esse ponto de contraste inicial existisse, corP
apenas um grupo não poderíamos ter a certeza sobre qual foi a causa do nível de precon ceito. Va-
Metodologia de pesquisa

-~e preconceito antes do estímulo ou tratamento era alto e, depois do estímu-


;ç/{]\;..•·.. upor que o niv tamento seja a causa da mudança, mas talvez tenha acontecido o seguinte:
;;;>•.c.rsixO mº:Talvezo tra
\ lo, '" · . . t ste de preconceito tenha sensibilizado os sujeitos participantes e influenciado
rune1ro e
Que o P ra Osegundo teste. Ass1m,
.
as pessoas passaram a ter consciência sobre como
1· as resp 0stªs
Pªeconceituoso ao responder o primeiro teste (aplicação de teste).
50
é nega uvoserpr
. di ,duos selecionados ficaram cansa d os d urante o experimen
·
to e suas respostas para
Que 0stn vi te foram "às pressas" (maturação).
2° undo tes . . . , _ .
o seg experimento os sUJe1tospreconceituosos sa1ram ou entao uma parte important
durante o e
3, Que ( talidade experimental).
deles mor
. d outras razões. E, caso não se tivesse observado uma mudança no nível de precon-
0u, ain ª:meiro teste (antes do programa) e o segundo (depois do programa), isso poderia
O
.:c.t?,Ít~
entre pn exposição ao programa não tem efeitos, embora também pudesse acontecer
de o
·!,_/ignificar q~e ªdo ser muito preconceituoso e talvez o programa tenha, sim, efeitos em pessoas com
g_ruposelecio?sªdepreconceito. Se a mudança for negativa (maior nível de preconceito
í na segunda
.n veis normal
_ do que na primeira), também poderíamos supor que o programa aumenta o precon-
: fll~nsuraça:amos supor que algo tenha acontecido durante o experimento criando momentan
ea-
,seito,mas conceitos contra essa classe social ( um arrombamento no local provocado por
mente pre um indi-
. d d ssa classe), só que d epms. os participan
. .
tes "retornaram " ao seu n1ve
, 1
norm ai d e preconceito .
l'Í uo s~o) Também poderiam existir outras explicações .
.·(regre~pen;s com um grupo não podería'.."os ter~ c:rteza de que os :esultados for";'.11por
_causad?,
mulo experimental ou por outras razoes. A duvida sempre estara presente. Os expenmen
tl
es um grupo se baseiam em tos
. ou no que "aparentemente é"
suspeitas . d e fund amen-
, mas precisam
~~;Quando se tem um único grupo, corremos o risco de selecionar sujeitos atípicos (os mais inte-
Hgentesao experimentar com métodos de ensino, os trabalhadores mais motivados ao
experimen-
tàr com programas de incentivos, os consumidores mais críticos, os casais de namorados
mais inte-
grados, etc.) e de que a história, a maturação e as demais fontes de invalidação interna
interfiram,
sem que o experimentador perceba.
Por isso, o pesquisador deve ter, ao menos, um ponto de comparação: dois grupos, um
no
· qual se aplica o estímulo e outro em que não se aplica (o grupo controle). 7 Conforme
foi mencio-
~ado ao falarmos sobre manipulação, às vezes a exigência é ter vários grupos porque queremos
ave-
riguar o efeito de diferentes níveis ou modalidades da variável independente.

Equivalência
dos grupos

No entanto, para ter controle, não basta ter dois ou mais grupos, eles também precisam
ser simila-
res em tudo, menos na manipulação da ou das variáveis independentes. O controle implica
que
tu<lopermanece constante, salvo essa manipulação ou intervenção. Se entre dois grupos
que for-
°
ma1;1 experimento tudo é similar ou equivalente, exceto a manipulação da variável independe
nte,
asiiferenças entre os grupos podem ser atribuídas a ela e não a outros fatores ( entre os quais estão
as antes de invalidação interna).
c . Vamos imaginar que queremos testar se uma série de programas educativos de televisão para
/ianças gera maior aprendizagem se comparado com um método educativo tradiciona
l. Um gru-
ce~recebe O ensino com os programas, outro grupo o recebe da instrução oral tradiciona
l e um ter-
criiro grupo ded"1ca esse mesmo tempo brmcando
. .
livrement e na sala de aula. Vamos supor que as
10:n~as que aprenderam com os programas obtêm as melhoras notas em um teste de conhecimen-
mu~e ere~te a~s conteúdos ensinados, aqueles que receberam o método tradicional obtêm
notas
Ap~r; mais bruxas e aqueles que brincaram obtêm pontuações de zero ou próximas
a esse valor.
grupo nte:11-e':te,os ~regramas são um veículo melhor de ensino do que a instrução oral.
mani s fª~ Mas, se os
sao eqmva!entes, então não podemos confiar que as diferenças se devam, na verdade,
res /u. açao da variável independente (programas de televisão-instrução oral) e não a
à
outros fato-
lll;is: a combinação de ambos. Por exemplo, porque as crianças mais inteligentes,
estudiosas e
que sumpe~~adas foram colocadas no grupo que foi instruído pela televisão, ou simplesm
ente par-
a media de inteligência e aproveitamento era a mais elevada; ou a instrutora do método
tra-
l1
152 Hernández
Sampieri,
Fernández
Collado& Baptista
Lucio
l
dicional não tinha um bom desempenho, ou as crianças
expostas a esse último método recebera li
uma carga maior de trabalho e tinham provas no dia 111
em que o experimento foi realizado, etc
Quanto se deveu ao método e quanto a outros fatores? Para
o pesquisador, a resposta para essa per:
gunta passa a ser um enigma: não existe controle.
Se fossemos experimentar com métodos de motivação para
trabalhadores e formássemos u
grupo com aqueles que trabalham no turno matutino e
outro grupo com os do turno vespertino111
quem pode nos garantir que antes de iniciar o experimento
os dois tipos de trabalhadores estava~
igualmente motivados? Talvez existam diferenças na motiv
ação inicial porque os supervisores dos
diferentes turnos motivem de maneira e intensidade difere
ntes, ou talvez porque os do turno ves-
pertino preferissem trabalhar de manhã ou porque pagam
a eles menos horas extras, etc. Se não es-
tiverem igualmente motivados, talvez o estimulo aplicado
aos do turno da manhã aparentasse ser
mais efetivo quando, na verdade,não é bem assim. 0

Vamos ver um exemplo que ilustra o resultado tão negati


vo que pode ter a não equivalência
dos grupos nos resultados de um experimento. Que pesqu
isador testaria o efeito de diferentes mé-
todos para sensibilizar as pessoas sobre quão terrível pode
ser o terrorismo, se um grupo estiver for-
mado por membros da AI Qaeda e outro por familiares
das vítimas dos atentados em Londres, em
julho de 2005?
Os grupos devem ser equivalentes no início e durante todo
o desenvolvimento do experimen-
to, menos no que se refere à variável independente. Os instrum
entos de medição também devem ser
iguais e aplicados da mesma maneira.

Equivalênciainicial

Significa que os grupos são similares no momento em que


iniciamos o experimento. Se o experi-
mento se refere aos métodos educativos, os grupos devem
ser equiparáveis em termos de número
de pessoas, inteligência,aproveitamento,disciplina,memó
ria, gênero, idade, nível socioeconômíco,
motivação, alimentação, conhecimentos prévios, estado
de saúde física e mental, interesse pelos
conteúdos, extrov ersão, etc. Se inicialmente não são equiparáveis, digam
os quanto à motivação ou
aos conhecimentos prévios, as diferenças entre os grupos
- em qualquer variável dependente- não
poderiam com certeza ser atribuídas à manipulação da variáv
el independente.
A equivalência inicial não se refere a equivalências entre
individuas, por-
EQUIVALÊNCIAINICIALSignifica
que temos, por natureza,diferençasindividuais, mas à equiv
alênciaentre grupos.
que os grupossão similaresno Se tivermos dois grupos em um experimento é claro que
haverá, por exemplo,
momentoem que iniciamoso pessoa s muito inteligentes em um grupo, mas também haver
pessoas assim no
experimento. outro grupo. Se em um grupo há mulheres, o outro també
1 ma proporção. E assim com todas as variáveis que podem
dependentes, além da variável independente. A média de
m deve tê-las na mes-
afetar a ou as variáveis
inteligência, motivação,
conhecimentos prévios, interesse pelos conteúdos e demai
s variáveis deve ser a mesma nos grupos
de contraste. Mas não exatamente igual, pois não pode existir
uma diferença significativa nessas va-
riáveis entre os grupos.

Equivalênciaduranteo experimento

Além disso, durante o estudo, os grupos devem perma


necer similares nos aspectos relacionados
com o desenvolvimento experimental, exceto na manipulação
da variável independente: mesmas
instruções (salvo variações que sejam parte dessa manipulação
), pessoas que mantêm contato com
os participantes e maneira de recebê-los, lugares com caract
erísticas semelhantes (mesmos objetos
nas salas, clima, ventilação, som ambiente, etc.), mesma
duração do experimento, assim como do
momento, enfim, tudo aquilo que fizer parte do experimento
. Quanto maior for a equivalência du-
rante seu desenvolvimento, maior controle e possibilidade
haverá de que, se observarmos ou não
efeitos, estejamos seguros de que ele realmente aconteceu
ou não.
Quando trabalhamos simultaneamente com vários grupo
s, é difícil que aspessoas que dão as
instruções e observam o desenvolvimento dos grupos sejam
as mesmas. Então, devemos procurar
fazer com que seu tom de voz, aparência,idade, gênero e
outras característicascapazes de afetaros
Metodologia
de pesquisa 153
1111

j\{~ ais ou similares e, por meio de treinamento, devemos padronizar sua maneira
1tados 5·eJam igudispõe de menos salas ou Iugares d o que de grupos. Então, a colocação dos gru-
reSU ~ vezesse . d ,
a~ir,As · J,orários devem ser por sorte10, procuran o ,azer com que os tratamentos sejam
l
,eo a]aseos . , .. , 10 .. b
5 11as s 1105 ários Omais proximos poss1ve . utras vezes, os participantes rece em os estímu-
FºlicadoS hor te e sua exposição não pode ser simultânea. Eles devem ser sorteados de maneira
ap
( 5 jn d'1v1'dua!men
. ( ela manhã) as pessoas d e t o d os os grupos participem
· · d o experimento,
· o mesmo
ºue em um dia p te O tempo em que for necessário (os dias que durarem o experinlento ).
q de e duran
peJatar

guimosa equivalênciainicial?A seleçãopor sorteio


cornoconse
't do muito difundido para conseguir essa equivalência: a seleção
. te um me o
E,.is .
. . d d .
or sorteio dos parl!cipantes os grupos o expenmento em m-
( . SELEÇÃOALEATÓRIAou POR
ntea_tónadoutation).' A seleção por sorteio nos garante probabilisticamente SORTEIOÉ uma técnica de
g• ' mn . omtmais grupos são equ1va · l entes entre s1.
· E- uma t écn1ca
· d e contra 1e controle muito difundida para
U e do 15 ou d · d d " . garantir a equivalência inicial
q__
, 0 propósito ar ao pesquisa ora segurança e que vanave1s estra-
gue.tem c~:ídas ou desconhecidas, não irão afetar de maneira sistemática os quando selecionamos aleatoria-
mente os sujeitos para os grupos
nhas, cdon do estudo (Christensen, 2006). Essa técnica elaborada por Sir Ro-
resu1ta os . do experimento.
·.·tdA Fisher, na década de 1940, demonstrou durante anos que func10na para
to'rnar• equivalentes os grupos d e participantes.
<1a · · con1orme
' ·
menc10nam co-
éhran e Cox ( 1992, p. 24):
A seleção aleatória de alguma maneira é parecida com um seguro, pelo fato de ser uma
precaução contra interferências que podem ou não ocorrer, e serem ou não importantes
caso ocorram. Geralmente, é aconselhável ter o trabalho de distribuir aleatoriamente
mesmo quando não se espera que exista uma alteração importante ao deixar de faz~-lo.

A seleção por sorteio pode ser realizada utilizando pedaços de papel. Escrevemos o nome de
cada participante (ou algum tipo de símbolo que o identifique) em um deles, depois juntamos to-
;d,_óS
~s pedaços em algum recipiente, misturamos e vamos tirando - sem olhá-los-para formarmos
_0:5-:grtlpos.Por exemplo, se tivermos dois grupos, as pessoas com número ímpar iriam para o pri-
hteiro grupo; e as pessoas com número par, para o segundo grupo. Ou, ainda, se houvesse 80 pes-
s";as,os primeiros 40 papeizinhos retirados iriam para um grupo e os 40 restantes para o outro.
. Quando temos dois grupos, a seleção aleatória também pode ser realizada utilizando uma
Toeda. Listamos os participantes e designamos qual lado da moeda será o grupo J e qual lado o
~rupo 2. Jogamos a moeda com cada sujeito e, dependendo do resultado, ele vai para o grupo 1 ou
para O 2. Esse procedimento deve ser limitado a apenas dois grupos, porque as moedas têm duas fa-
c~; embora seja possível utilizar dados ou cubos, por exemplo.
.. U?'a terceira forma de selecionar os participantes para os grupos é com o programa STATS® 00000®
~ue est~ no CD anexo deste livro, selecionando o subprograma "Números aleatorios". Ele nume- r-
~~~eviamente todos os participantes (vamos supor que seja um experimento com dois grupos
te p pessoas no total, então ele numera os participantes do 1 ao 100). O programa faz a seguin-
tot~iunta n~ !anela: (<Quantos números aleatórios?". Então você escreve o número referente ao
0
~
hele ' •P~rtic1pantes no experimento, assim, tecla" 100". Imediatamente escolhe a opção: "Esta-
peno cer« 1imite
,,
. , . ", no 1·
super·1or e m1enor 1m1te . , . co 1oca "!" (sera, sempre "!") e no 1·1m1te
. 1n1enor . su-
gerar\o1ºº, O
(ou número total de participantes). Depois clica em "Calcular" e o programa irá
os,úJti numeras de maneira aleatória, assim, pode designar os primeiros 50 para um grupo e
5
o,8tuprno; oparno outro grupo ou, ainda, o primeiro número para o grupo 1 e o segundo para
0
cornple~ ' terceiro para o grupo 1, e assim sucessivamente. Como a geração dos números é
Pula umament~ aleatória, às vezes o programa duplica ou triplica alguns números, então você
Pos; e ao~u do_isdos números repetidos e continua designando sujeitos - números - para os gru-
que não h errnmar torna a repetir o processo e continua designando para os grupos os números
quatro gr aviam "saído" antes, até ter designado os 100 sujeitos para os dois grupos (se fossem
tes25 Parupos, os primeiros 25 iriam para o grupo J, os próximos 25 para o grupo 2, os seguin-
0
Asei" _ grupo 3 e os últimos 25 para o grupo 4).
ltanhas e ;,çao por sorteio produz controle, pois as variáveis que devem ser controladas (variáveis es-
ontes de invalidação interna) são distribuídas aproxinladamente da mesma maneira nos
154 Hernández
Sampieri,
Fernández & Baptista
Collado Lucío

grupos do experimento. E como a distribuição é bastante similar em todos os grupos, a influência d


outras variáveis que não sejam a ou as independentes se mantém constante, porque aquelas não p '
dem exercer nenhuma influência diferencial na(s) variável(eis) dependente(s) (Christensen, 2006) o,
A seleção aleatória funciona melhor quanto maior for o número de participantes com O q~
podemos contar para o experimento, isto é, quanto maior for o tamanho dos grupos. Nós, autor a)
recomendamos que cada grupo tenha ao menos 15 pessoas. 9
,,
'

Se a única diferença que distingue o grupo experimental e o controle for a variável indepen,
dente, então as diferenças entre os grupos podem ser atribuídas a ela. Mas se houver outras diferen,
ças, não poderemos fazer tal afirmação.
1
:,.

Outra técnica para conseguira equivalênciainicial:o emparelhamento

Um método alternativo para tentar fazer os grupos serem equivalentes no início


TÉCNICADE EQUIPARAÇÃOOU
é o emparelhamento ou a técnica de equiparação (em inglês, matching). O pro,
EMPARELHAMENTO Consiste em
cesso consiste em igualar os grupos com alguma variável específica que pode in-
igualar os grupos com alguma
variáv'elespecíficaque possa
fluenciar de maneira decisiva a ou as variáveis dependentes.
influenciarde maneiradecisivaa O primeiro passo é escolher a variável concreta de acordo com algum crité-
variável dependente. rio teórico. É óbvio que essa variável deve estar muito relacionada com as variá-
veis dependentes. Se nossa pretensão fosse analisar o efeito provocado pela utili-