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Recife, 21 de agosto de 2018.

Meu querido Loirão da Pombona,


Meu anjo, Ítalo... Meu amor.
Nesse exato momento você deve estar pensando:

“Porra, Evenny quanta coisa para apenas um mês que nos conhecemos”.

Quer dizer, eu acho que você não pensa assim. Eu passei alguns dias pensando no
que fazer para você e isso me veio na cabeça. Prefiro a versão à mão, com as cartas,
letras e afins, porém, vamos deixa-la para quando eu puder ver sua carinha linda bem
de pertinho quando abrir os envelopes.

Então, essa é uma versão alternativa.

Eu deveria estar estudando para uma prova de Direito Constitucional, mas só penso
no quão bom é conversar com você, estar com você — mesmo que esteja há
quilômetros de distância. Nós dois sabemos que, tirando a saudade e o desejo latente
de querer abraçar e estar perto, toda essa lonjura não é problema para dois corações
que estão conectados desde o primeiro momento que se reconheceram.

Eu queria tanto não te querer, mas só de pensar nisso te quero ainda mais.
Complexo, não? Imagina você achar a sua outra metade, alguém que parece ser
destinado para você, mas... Nada é fácil. No meio de tanta bagunça, você parece me
fazer relaxar e esquecer que a vida é feita de baques. Me faz andar nas nuvens e
esquecer a dor dos espinhos que já experimentei.

Minha poesia teve sentido ao achar alguém que a lê com tanto afeto. Alguém que
de fato merece meus esforços. Tentar explicar o porquê de te amar é esbanjar
complexidade, meu anjo. Enumerar os porquês de ter me apaixonado por você seria
arriscar passar umas seis páginas definindo suas incontáveis e notáveis qualidades.

E nós sabemos que isso não é exagero.

Eu erro nas vezes que eu te pressiono, em que brigo e transformo algo natural em
uma coisa meio... Forçada. E peço desculpas por isso, por bater na tecla do “romance-
blá-blá-blá” ignorando que o que já temos é tão singelo e lindo. É que estou tão
acostumada em cobrar as coisas às pessoas que, quando finalmente, alguém chega
disposto a me fazer feliz, eu acabo repetindo o erro.

Mas, meu bem, o jeito que nos conhecemos foi meio inusitado, não é? Quem diria
que eu acharia minha cara metade no Tinder? E que ele começaria uma conversa
Recife, 21 de agosto de 2018.

falando sobre signos? Toda vez que me lembro da primeira vez que conversamos, caio
na risada.

Foi tudo tão novo, as mensagens tão intensas, as coisas tão... Fortes.

E o mais engraçado ainda é que... Isso ainda vai fazer um mês hoje.

E eu sinto que te conheço a minha vida toda.

A forma que me entende, o modo que parece ler meus pensamentos e


compreender minhas dúvidas, receios e dores. O jeitinho que aguenta minhas manhas
e me dá tanta atenção, mesmo sendo ocupado e tendo outras coisas para focar. A sua
disposição ao se dispor por inteiro para mim, me comove e emociona tanto que eu
mentiria ao dizer que não estão me escapando algumas lágrimas.

Conhecer-te foi como descobrir que uma parte minha estava passeando por aí sem
a minha autorização, foi como achar a peça que faltava nesse quebra cabeça que me
tornei após relações superficiais.

E Ítalo, eu te amo. Eu te amo como a luz de quatrocentos e oitenta e três estrelas


encapsuladas e brilhando juntas, como toda a luminosidade que seus belos olhos
esbanjam.

E eu juro por tudo que é mais sagrado, vou fazer o que estiver no meu alcance para
nunca te perder.

Quando eu digo que minha meta é te fazer feliz, eu não brinco.

Meu coração te tomou como prioridade.

Sabe Ítalo, um dia desses li uma frase que falava mais ou menos assim: “o amor é
feito a sorte, é preciso arriscar se você quiser ter”. Isso diz muito sobre a forma
como eu encaro a minha vida. E sobre como você encara a sua também. Amor é um
grito mudo que a gente escuta com o coração, mas não é todo mundo que consegue
ouvir. Precisa ter coragem! Coragem pra saber entender que é ele, coragem pra não
fugir quando se dá conta de que é ele, coragem pra enfrentar o medo de ser ele, pra
vencer a insegurança, os “e se…” que aparecem quase o tempo todo. Coragem pra
ficar mesmo com tantas incertezas. Coragem pra arriscar. E eu vejo muita coragem
em nós.

Se há alguns meses me perguntassem o que era o amor pra mim, eu teria na ponta
da língua uma resposta toda elaborada sobre sintonia e afinidade e dedicação e
passar por cima dos obstáculos pra fazer dar certo no final. Mas não! O amor dá
certo desde o começo. Eu achava que ele era muito complicado. Hoje não. Hoje, o
amor pra mim se resume ao seu sorriso. Aquele de canto que você deu quando me
olhou dando pulinhos no dia que nos vimos. Aquele que você nem percebe grudado
Recife, 21 de agosto de 2018.

nos seus lábios enquanto me escutar dialogar sobre situações que nem sempre fazem
sentido. Aquele que eu sei que tá lá, mesmo quando você está há quilômetros de
distância olhando pra nossa conversa no celular. Aquele que é meu.

O amor é leve. É engraçado. É descomplicado. É uma manhã ensolarada de domingo


com café na cama e um cafuné preguiçoso antes de levantar. É um picolé de maracujá
em uma tarde de calor insuportável. É a certeza que eu tenho desde a primeira vez
que te vi de que a gente não é dessa vida. Somos de outras. Nossos caminhos já se
cruzaram antes, por isso desde o começo foi intenso demais. Se alguma vez eu ouvi
falar sobre alguma teoria de alma gêmea, tenho certeza de que a explicação parecia
com a sensação que eu tenho cada vez que converso com você ou quando fitei seus
olhos enquanto você encarava os meus. É um choque que percorre do dedinho do
pé ao último fio de cabelo. É uma paz que silencia todo caos do mundo inteiro.

Agora eu consigo ver que apesar de todo aquele romantismo shakespeariano, a


coisa toda é muito mais simples do que eles pintam. A coisa, no caso, é o que tá
morando dentro da gente. Ela é bonita, tranquila e boa. Faz a gente suspirar de-va-
ga-ri-nho e sentir que o universo tá completo só por ter os dois juntinhos. Talvez
paixão seja aquilo que tira o nosso mundo do lugar e amor o que o coloca de volta
onde ele deve estar. Eu já tive várias paixões, hoje é mais que isso. Sabe, sempre fui
meio fã dos clichês, dos finais felizes, das histórias que parecem ter sido feitas à mão
por um romancista dos anos 60. Talvez por isso eu seja tão fã da gente. É engraçado,
mas quando eu te olho, parece que fomos feitos um para o outro.

Espero não estar errada.

Logo eu que sempre acreditei que para o amor dar certo a gente tinha que
seguir uma receita de bolo, respeitar as medidas, o tempo e os ingredientes, mas
você me prova todos os dias que para ser feliz não tem nada a ver com isso. Amor tem
ritmo próprio, a gente não comanda nada, só acompanha. A receita talvez seja
exatamente compreender o que isso significa e pensar o quanto você está disposto
a aceitar e se doar pra isso. Tenho percebido que o mundo bate de frente tentando
fazer o amor se encaixar no tempo deles. Eu mesma já bati algumas vezes. E quebrei
a cara. Mas com você eu comecei a entender que nem sempre precisa ter
explicação, que nem tudo requer uma dose de razão, às vezes a gente sente e isso já
é tudo, como tem sido pra nós.

Acho que se contássemos para as pessoas exatamente como é que a gente se


conheceu, quase ninguém veria sentido na nossa história ou apostaria nela, mas
quando eu te olhei naquele dia, senti como se tudo que vivi até agora tivesse sido
preparado p’ra sua chegada. Acho que o universo estava só ajeitando as coisas dentro
da gente pro outro poder entrar e morar no momento certo. E é isso que realmente faz
diferença, entende? Como as coisas se encaixam mesmo fugindo do óbvio, do comum,
do normal. E não importa se você achar que estou indo rápido demais, ou se o correto
Recife, 21 de agosto de 2018.

era que eu tivesse calma, ou se é perigoso me jogar dessa forma sem nenhuma
proteção e nem se dizem que é incomum se envolver em um espaço tão curto de
tempo. Não importa nada disso, porque é o que eu disse antes, cada amor segue seu
ritmo próprio, e o nosso tem pressa para ser feliz.

Eu sei que é difícil parar pra pensar e conseguir entender como é que chegamos até
aqui, que tudo ficou meio bagunçado e se ajeitou magicamente quando os nossos
caminhos se cruzaram por acaso, mas mesmo no meio desse caos, posso te fazer um
pedido? Promete que vai continuar comigo mesmo quando o sol tiver com
preguiça de aparecer e o nosso dia ficar um pouco nublado? Promete que seus
olhos não vão deixar de confessar o quanto você me ama toda vez que pausa-los por
um tempo em cima de mim? E que o seu sorriso bobo, mesmo há 7.704 quilômetros de
distância (ou mais), vai continuar aparecendo quando ver o meu nome no visor? Eu
prometo que cê vai permanecer marcado feito tatuagem nos meus poros, na minha
alma. Prometo que meu coração vai acelerar cada vez que eu me lembrar da
gente.

E que o inverno vai continuar morando no meu estômago cada vez que eu te olhar.

É que eu sempre quis viver uma história de cinema, dessas que esgotam ingressos
na bilheteria, concorrem ao Oscar e faz as pessoas chorarem. Mas desde que te
conheci, tenho visto que a realidade pode ser bem melhor. Você é a poesia que eu
quero ler todos os dias ao acordar. Para o resto da vida. É a música que eu quero
ouvir mesmo quando a minha cabeça estiver parecendo que vai explodir. É o café
amargo que ainda vou te fazer amar. O motivo do meu último sorriso do dia. E a
minha mensagem favorita. Se me pedissem pra citar qual foi a principal coisa que eu
aprendi nesses últimos dias, eu diria que é que se você tá pronto pra amar de
verdade, tem que estar pronto, também, para entender que não é como fazer um
bolo, não tem quantidade certa, temperatura ideal, medidas prontas, é que aqui você
está construindo uma vida. E eu sinto que a minha será ao lado da sua. Não importa
como, o que sinto é que você é o meu lar.

De todas as coisas que eu sei, Ítalo, você é a minha maior (e melhor) certeza.

Com muito amor,


A sua, apenas sua,

Evenny Joyce.

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