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0
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43
.3
93

O PSICÓLOGO ATUANDO EM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR.2


.4

PSICOLOGIA SOCIAL COMUNITÁRIA. 5


24
-0

HISTÓRICO DA PSICOLOGIA SOCIAL. 9


O OBJETO DA PSICOLOGIA SOCIAL. 10
S
E

CARACTERÍSTICAS DA PSICOLOGIA SOCIAL


ES

CONTEMPORÂNEA. 11
EN

RESUMO DO CAPÍTULO I – PSICOLOGIA SOCIAL (AROLDO


M

RODRIGUES, EVELINE ASSMAR E BERNARDO


A
M

JABLONSKI). 18
LI

OS FENÔMENOS PSICOSSOCIAIS NA PSICOLOGIA


PE

SOCIAL. 27
LI
FE

TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS. 32


TEORIA DA PSICOLOGIA SÓCIO HISTÓRICA. 44
N
SO

SUBJETIVIDADE 48
D

IDENTIDADE E SINTOMAS SOCIAIS 55


U

TEORIA DA ATRIBUIÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL 58


R

CLASSE SOCIAL 61
PROCESSOS BÁSICOS: COGNIÇÃO, ATITUDES E
PRECONCEITO 63
GESTÃO DA CLÍNICA EM SAÚDE MENTAL 67
PSICOLOGIA HOSPITALAR 74
QUESTÕES 89
QUESTÕES COMENTADAS E GABARITADAS 105
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O psicólogo atuando em equipe


multidisciplinar.

Equipes interdisciplinares:

05
5:
:3
interdisciplinaridade e

14
8
multidisciplinaridade em saúde.

01
/2
08
7/
-1
Interessa-nos, para fins de concurso, entender como essas equipes de

m
saúde se relacionam. Seu objetivo é claro: trabalhar com a saúde, mas quais as

co
l.
diferenças entre elas? Para diferenciar, devemos ter em foco a interação e a

ai
gm
composição. A interação é interdisciplinar quando alguns especialistas discutem

@
entre si a situação de um trabalhador/paciente sobre aspectos comuns a mais de
e4
uma especialidade. É multidisciplinar quando existem vários profissionais
ip
el
nf

atendendo o mesmo trabalhador/paciente (de maneira independente). É


so

transdisciplinar quando as ações são definidas e planejadas em conjunto. Na


ud
-r

prática, poucos são os trabalhos que contemplam essa diferenciação.


0

Independentemente do termo empregado, há expectativas de que profissionais


-0
43

da saúde sejam capazes de ultrapassar o desempenho técnico baseado em uma


.3
93

única arte ou especialização.


.4

Veja um quadro com distinções:


24
-0

Multidisciplinaridade Interdisciplinaridade Transdisciplinaridade


S

- Envolve mais de uma - Envolve mais de uma - Representar um nível


E
ES

disciplina disciplina de integração disciplinar


EN

- Cada disciplina - Adota uma perspectiva além da


M
A

envolvida mantém sua teórico-metodológica interdisciplinaridade


M
LI

metodologia e teoria sem comum para as - Etapa Superior de


PE

modificações disciplinas envolvidas integração onde não


LI
FE

- Não há integração dos - Promove a integração existe fronteira entre as


N

resultados obtidos dos resultados disciplinas


SO

- Busca a solução de um - Busca a solução dos - Um sistema de


D
U

problema imediato, sem problemas através da disciplina inovado


R

explorar a articulação. articulação das (supera o conceito de


disciplinas disciplina)
- Os interesses próprios - Nenhum saber é mais
de cada disciplina são importante que outro
preservados
Macete: MIT

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A ideia aqui é entender que a visão interdisciplinar é mais
amadurecida que a visão multidisciplinar por apresentar um compromisso com
a construção comum de um arcabouço teórico para explicar o fenômeno
estudado (mas sem perder a individualidade de cada profissão). Mais
especificamente, é importante saber que o conhecimento do psicólogo deve ser
considerado importante na construção do diagnóstico do médico do trabalho,
por exemplo, no entendimento do processo de saúde.
Creio que ainda seja necessário fazer uma série de esclarecimentos

05
adicionais sobre equipe multidisciplinar e equipe interdisciplinar. A primeira

5:
:3
diz respeito apenas a variedade de profissionais em uma dada equipe: ela pode

14
ser formada por profissionais das diferentes áreas: médicos, enfermeiros,

8
01
odontólogos, etc. Contudo, o conceito de interdisciplinariedade vai além disso

/2
08
segundo Japiassu:

7/
a interdisciplinaridade se caracteriza pela intensidade das

-1
a)

m
trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas,

co
no interior de um projeto específico de pesquisa. [...] O fundamento do

l.
ai
gm
espaço interdisciplinar deverá ser procurado na negação e na superação

@
das fronteiras disciplinares. [...]
b) e4
“A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das
ip
el

trocas entre os especialistas e pelo grau de interação real das disciplinas”.


nf
so

c) “A interdisciplinaridade é o princípio da máxima


ud

exploração das potencialidades de cada ciência, da compreensão dos seus


-r
0

limites, mas, acima de tudo, é o princípio da diversidade e da


-0
43

criatividade (...) não podendo jamais ser elemento de redução a um


.3

denominador comum, mas elemento teórico-metodológico da diferença


93
.4

e da criatividade”.
24
-0

d) O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando


S

se considera o fato trivial de que todo conhecimento mantém um


E
ES

diálogo permanente como os outros conhecimentos, que pode ser de


EN

questionamento, de confirmação, de complementação, de negação, de


M

ampliação, [...].
A
M
LI
PE

Em resumo, pode-se dizer que para que a interdisciplinaridade possa


LI

ser posta em prática, é necessário que haja uma equipe formada por vários
FE

profissionais. Mas, a existência dessa equipe não é garantia que essa troca
N
SO

intensa de saberes característica do trabalho interdisciplinar aconteça.


D

Já que estamos entrando na área de saúde, qual a definição que devemos


U
R

utilizar? Recomendo trabalharmos com a da OMS:


A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como
a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental
e social. Essa definição, até avançada para a época em que foi realizada, é, no
momento, irreal, ultrapassada e unilateral.
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-
89101997000600016&script=sci_arttext

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Em outras palavras, segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a


saúde é vista como um estado harmônico e multidimensional composto pelo
bem estar físico, mental e social. Assim, o papel do psicólogo é relevante no
processo de compreensão dos fenômenos de saúde e doença no trabalho e sua
atuação interdisciplinar deve ultrapassar a mera consulta a outros especialistas,
como ocorre no trabalho multidisciplinar, para articular constructos que
proporcionem um entendimento mais realista das situações humanas nas

05
organizações.

5:
:3
14
8
01
Atuação em equipes hospitalares

/2
08
7/
-1
Sobre a atuação do psicólogo no campo hospitalar, temos:

m
co
No âmbito hospitalar, a falta de clareza quanto às atribuições dos

l.
ai
diferentes profissionais, principal- mente em profissões emergentes, é um dos

gm
fatores que dificulta o trabalho em equipe. O hospital é uma instituição

@
e4
complexa, que envolve um grande número de especialidades. Esses profissionais
ip
são preparados para tomar decisões importantes em curto espaço de tempo.
el
nf

Tradicionalmente, tais decisões competem aos médicos. No entanto, com o


so
ud

aparecimento de novas especialidades, os médicos contam hoje com o auxílio de


-r

diversos profissionais de campos emergentes. Um desses campos é a Psicologia.


0
-0

A crescente inserção da Psicologia em equipes de saúde é hoje um fato


43
.3

reconhecido (LoBianco et al., 1994). No âmbito hospitalar, sabe-se que a


93

Psicologia vem participando mais ativamente na definição de condutas e


.4
24

tratamentos (Romano, 1999). Contudo, há queixas entre psicólogos de que


-0

muitas das suas observações clínicas não são prontamente aceitas pelas equipes.
ES

Tais dificuldades têm gerado discussões sobre qual o modo mais apropriado da
ES
EN

Psicologia se inserir nas equipes multidisciplinares.


M

Uma primeira condição para o trabalho multidisciplinar efetivo do


A
M

psicólogo é a clareza de suas atribuições e das expectativas concernentes a sua


LI

especificidade (Romano, 1999). No caso de estarem esclarecidas as atribuições


PE

do psicólogo, espera-se que ele seja capaz de se mostrar competente o suficiente


LI
FE

para que sua prática seja vista como necessária (Chiattone, 2000; Moré et al.,
N

2004).
SO
D

Uma das dificuldades apontadas na relação do psicólogo com a equipe é


U
R

a ausência de linguagem clara e objetiva. Em contraste, Seidl e Costa (1999)


informaram que tais dificuldades diminuem quando o psicólogo é pós-
graduado, desenvolve atividades de pesquisa e participa de eventos científicos.
Em estudo realizado na Escócia, Wild et al. (2003) verificaram que o
baixo índice de encaminhamento para tratamento psicológico estava mais
relacionado à falta de compreensão da prática do que à desconfiança dos
métodos. A partir desses resultados, os autores concluíram que há necessidade
dos psicólogos hospi- talares investirem em canais de comunicação que
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permitam divulgar e esclarecer o trabalho que realizam ou podem
realizar em hospitais.
Apesar dos avanços obtidos, o trabalho em equipe ainda constitui um
importante desafio para o desenvolvimento da Psicologia Hospitalar (Seidl &
Costa, 1999; Yamamoto & Cunha, 1998). Gavião e Pinto (2000) ouviram 80
psicólogos que trabalhavam em hospital e concluíram que o compromisso
interprofissional é ainda muito idealizado. Com efeito, a intervenção
multidisciplinar não ocorre de modo freqüente e sistemático (Bucher, 2003;

05
Crepaldi, 1999), podendo ser prejudicada por uma rígida discriminação

5:
:3
hierárquica (Romano, 1999). A discriminação hierárquica ocorre quando não se

14
diferencia status de função, substituindo-se as especificidades de cada membro

8
01
da equipe pelas relações de poder. A dinâmica de trabalho em equipe,

/2
08
fundamentada na diferença de cada especialista, depende da autonomia e do

7/
compartilhamento de responsabilidades. Em uma equipe bem-sucedida, o

-1
m
diálogo é aberto e cooperativo, favorecendo o rodízio natural de lideranças

co
situacionais (Romano, 1999).

l.
ai
gm
Fonte: Tonetto, Aline Maria, Gomes, William Barbos. A prática do psicólogo

@
hospitalar em equipe multidisciplinar. Estudos de Psicologia I Campinas I
24(1) I 89-98 I janeiro - março. 2007 e4
ip
el
nf
so
ud

Psicologia social comunitária.


-r
0
-0
43
.3
93
.4

Ótimo tópico para questões e vamos aproveitar para elucidar alguns


24

pontos relevantes. Podemos dizer que o objetivo da Psicologia Comunitária é:


-0

desenvolver ações em parceria com a comunidade, voltadas para o


ES
ES

desenvolvimento da autonomia e da cidadania da população, para o


EN

empoderamento dos grupos e a melhoria de sua qualidade de vida, abarcando


M

também ações de prevenção de doenças e de promoção da saúde.


A
M

E esse campo se caracteriza por ser:


LI
PE

[...] uma área da psicologia social que estuda a atividade do psiquismo


LI

decorrente do modo de vida do lugar/comunidade, estuda o sistema de relações


FE

e representações, identidade, níveis de consciência, identificação e pertinência


N
SO

dos indivíduos ao lugar/comunidade e aos grupos comunitários. Visa ao


D

desenvolvimento da consciência dos moradores como sujeitos históricos e


U
R

comunitários, através de um esforço interdisciplinar que perpassa o


desenvolvimento dos grupos e da comunidade. [...] Seu problema central é a
transformação do indivíduo em sujeito.
Fonte: Campos, R. H. F. (Org.). (2000). Psicologia social comunitária: da
solidariedade à autonomia. Petrópolis, RJ: Vozes.

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É válido destacar que o termo “Comunidade” é bastante
elástico e capaz de incluir em seu escopo desde um pequeno grupo social, um
bairro, uma vila, uma escola, um hospital, um sindicato, uma associação de
moradores, uma organização não - governamental, até abarcar os indivíduos
que interagem numa cidade inteira.
Historicamente a sua origem remonta a várias fontes: psiquiatria social
e preventiva, à dinâmica e psicoterapia de grupos, psicologia social, etc. Aliás
pelo que os autores da área contam, a Psicologia Social foi, no início, uma fonte

05
de oposição para a criação da Psicologia Comunitária em si.

5:
:3
Na América Latina, a expressão “Psicologia Comunitária” é empregada

14
desde 1975, com o objetivo de se fazer uma nova Psicologia Social, a partir da

8
01
preocupação de alguns psicólogos de distintos países latino-americanos com os

/2
08
escassos resultados sociais da Psicologia Social tradicional e por haver uma

7/
-1
grande necessidade de superar os graves problemas sócio-econômicos que ainda

m
hoje afetam a região.

co
[...]

l.
ai
gm
O distanciamento dos modelos predominantes na Psicologia Social dos

@
problemas sociais e sua incapacidade de dar respostas a estes problemas levaram
e4
um grupo de Psicólogos Sociais a questioná-la em seus objetivos, concepções,
ip
el

ações e resultados. Este movimento na Psicologia Social defendia a diversidade


nf
so

cultural e enfocava o contexto e a ideologia como questões que deveriam ser


ud
-r

centrais na área. Preocupava-se também com uma relação mais ativa e


0

comprometida dos Psicólogos com os problemas da sociedade.


-0
43

[...]
.3
93

Enquanto nos Estados Unidos a Psicologia Comunitária se originou,


.4

principalmente, como negação ao modelo médico tradicional, a partir de


24
-0

concepções acerca da saúde mental comunitária, na América Latina surgiu da


S

problematização social da própria Psicologia Social. Uma corrente da Psicologia


E
ES

Social contrapôs aos modelos clássicos da área (universalização, ahistoricização,


EN

descontextualização e descompromisso com os problemas concretos da


M

população) algumas questões relativas à concepção crítica da Psicologia Social,


A
M
LI

pautadas na história, nas diferenças culturais e nas relações de dominação das


PE

sociedades latino-americanas.
LI

Como representantes dessa corrente, temos Martín-Baró (espano-


FE

salvadorenho), Sílvia Lane (brasileira) e Maritza Montero (venezuelana). Suas


N
SO

obras estão voltadas para a construção de uma Psicologia Social crítica,


D
U

preocupadas com a realidade dos povos da América Latina e com os caminhos


R

de mudança dessa mesma realidade. Nessa perspectiva se evidencia a


participação social e o desenvolvimento da consciência. Nesta concepção, o
individuo é uma realidade histórico-social que se encontra fortemente
enraizado em um processo cultural que lhe é próprio, em um modo de vida
social peculiar, em uma estrutura social de classes e em um determinado espaço
histórico, geográfico, social, cultural, econômico, simbólico e ideológico;
compreende o individuo vivendo em uma dada realidade concreta, físico-social,

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participando de uma rede de relações sociais complexas (mais além
do interpessoal e do grupal) de uma sociedade de classes historicamente
determinada.
Fonte: Psicologia Comunitária - Cezar Wagner de Lima Góis

Desse trecho já podemos tirar algumas conclusões. A primeira é que a


Psicologia Comunitária apresenta duas escolas, a norte-americana e a latino-
americana. A primeira é caracterizada por ter se contraposto ao modelo

05
biomédico e desenvolvido uma proposta mais liberal e individualista da

5:
:3
psicologia comunitária. A segunda, a nossa, é mais coletivista e voltada para o

14
bem social. Outra diferença é que o modelo norte americano surgiu como uma

8
01
contraposição à Psicologia Clínica enquanto que o modelo latino-americano se

/2
08
opunha à Psicologia Social. Outra distinção é que o modelo norte americano

7/
-1
tendeu para um campo de saúde comunitária enquanto que o latino-americano

m
enveredou por uma proposta eminentemente política e pragmática. Essa

co
distinção é fácil de lembrar na hora da prova quando você associa essas

l.
ai
gm
distinções ao momento político vivido pelos países latino-americanos e os EUA

@
em meados do século passado. Enquanto nós estávamos envoltos em ditaduras
e4
e no começo de organizações sociais, eles estavam aprimorando o
ip
el

neoliberalismo e exportando seu modo de vida.


nf
so

Nos dois casos temos pressupostos comuns: o Empowerment, a criação


ud
-r

de identidade e a compreensão do próprio momento histórico. Sobre este


0

primeiro é válido salientar:


-0
43

Empowerment seria um processo através do qual as pessoas,


.3
93

organizações e comunidades tornam-se conscientes e proprietárias de suas


.4

próprias vidas, isto a partir tanto do controle pessoal, como da influência social.
24
-0

Rappaport (1981, 1987) sugere que este processo se dá, tanto por uma
S

determinação individual da autonomia com a própria vida, como por uma


E
ES

participação democrática na vida da comunidade. Neste sentido, articulado


EN

como um conceito capaz de uma compreensão da relação do indivíduo com o


M
A

mundo social, o empowerment define como níveis de atuação e entendimento,


M
LI

os níveis individual, grupal e comunitário.


PE

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/prc/v15n1/a21v15n1.pdf
LI
FE
N

É válido repisar que existem dois pontos que fundamentam o


SO

surgimento da Psicologia Comunitária na América Latina. O primeiro é a


D
U

oposição a Psicologia Social, que imitava predominantemente a abordagem


R

experimentalista norte-americana. O segundo é a o desenvolvimento de


movimentos que teriam se organizado como resposta à histórica frustração dos
cidadãos que sofriam de falta de atenção e interesse da parte de agências
governamentais responsáveis pela solução de seus problemas e de organizações
políticas que procuravam representá-los junto aos grupos locais detentores de
poder (Arendt, 1997).

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Para ficar mais fácil de você lembrar na hora da prova, fiz
uma tabela com diferenças e semelhanças:
Psicologia Comunitária Psicologia Comunitária Latino-
Norte Americana Americana
Semelhanças Trabalham com a identidade política, empowerment, contexto
histórico, compreensão das forças sociais e políticas que afetam
o processo de escolha. Nesses modelos está presente o
reconhecimento da capacidade do individuo e da própria

05
comunidade de serem responsáveis e competentes na construção

5:
:3
de suas vidas, bastando para isso a existência de certos processos

14
de facilitação social baseados na ação local e na conscientização.

8
01
Diferenças - Tendência - Tendência coletivista/grupos

/2
08
Individualista - Perspectiva comunitarista

7/
-1
- Perspectiva neoliberal - Contraposição ao modelo de

m
- Contraposição à Psicologia Social e ao modelo

co
Clínica e ao modelo comunitário americano.

l.
ai
gm
biomédico - Foco na mudança Social.

@
- Foco no
desenvolvimento e4
ip
el

humano
nf
so
ud
-r

Um bom artigo que sugiro caso sinta a necessidade de aprofundar mais


0

seus conhecimentos é o http://www.scielo.br/pdf/prc/v15n1/a21v15n1.pdf.


-0
43
.3
93
.4
24

Caracterização da Psicologia Social


-0
ES
ES
EN

A Psicologia Social estuda a


M

dependência e a
A
M

interdependência entre as
LI

pessoas.
PE

Robert B. Zajonc
LI
FE
N
SO
D

Antes de qualquer coisa, devemos definir o que é Psicologia Social.


U
R

Segundo David Myers, a Psicologia Social é uma ciência que estuda as


influências de nossas situações, com especial atenção a como vemos e afetamos
uns aos outros. Mais precisamente, ela é o estudo científico de como as pessoas
pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras. A psicologia social se
situa na fronteira da psicologia com a sociologia. Comparada com a sociologia
(o estudo das pessoas em grupos e sociedades), a psicologia social focaliza mais
nos indivíduos e usa mais experimentação. Comparada à psicologia da
personalidade, a psicologia social focaliza menos nas diferenças dos indivíduos e
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mais em como eles, em geral, veem e influenciam uns aos outros. A
psicologia social ainda é uma ciência jovem. Os primeiros experimentos nessa
área foram relatados há pouco mais de um século (1898), e os primeiros textos
de psicologia social surgiram em torno de 1900 (Smith, 2005). Somente a partir
da década de 1930 ela assumiu sua forma atual, e apenas a partir da Segunda
Guerra Mundial começou a emergir como o campo de vulto que é hoje. A
psicologia social estuda nosso pensamento, nossa influência e nossos
relacionamentos fazendo perguntas que intrigam a todos.

05
Advirto que temos várias escolas, e sub escolas, da psicologia social. É

5:
:3
pudente estudarmos todas, mesmo aquelas que não definem o que é psicologia

14
social e se perdem na sua construção histórica.

8
01
/2
08
Histórico da Psicologia Social.

7/
-1
m
co
Cada livro de psicologia social apresenta uma história e uma abordagem

l.
ai
diferente. Os autores nacionais tentam descrever a psicologia social através da

gm
própria história da psicologia social (e raramente chegam a uma conclusão). Os

@
e4
autores europeus e norte americanos insistem na segregação da psicologia social
ip
el

em etapas bem definidas. E a banca? A banca não tem tradição na área de


nf
so

psicologia social e definitivamente não apresenta posicionamento em sua base


ud

marxista ou behaviorista. Dito isso, vamos ao melhor texto que encontrei para
-r

definir, em breves palavras, a psicologia social.


0
-0
43
.3

No decorrer de sua breve história, a Psicologia Social tem se


93
.4

caracterizado pela pluralidade e multiplicidade de abordagens teóricas adotadas


24

como referenciais legítimos à produção de conhecimentos sociopsicológicos.


-0

Tal contexto tem dificultado sobremaneira a delimitação do objeto de estudo


ES
ES

ou mesmo dos vários objetos de estudo dessa disciplina. Contudo, o binômio


EN

indivíduo-sociedade, isto é, o estudo das relações que os indivíduos mantêm


M

entre si e com a sua sociedade ou cultura, sempre esteve no centro das


A
M

preocupações dos psicólogos sociais, com o pêndulo oscilando ora para um lado,
LI
PE

ora para o outro.


LI

[…]
FE

A ênfase maior dada ao indivíduo ou à sociedade fez com que diferentes


N
SO

autores (House, 1977; Stephan & Stephan, 1985) começassem a defender a


D

existência de duas modalidades de Psicologia Social: a Psicologia Social


U
R

Psicológica e a Psicologia Social Sociológica. A Psicologia Social Psicológica,


segundo a definição de G. Allport (1954), que se tornou clássica, procura
explicar os sentimentos, pensamentos e comportamentos do indivíduo na
presença real ou imaginada de outras pessoas. Já a Psicologia Social Sociológica,
segundo Stephan e Stephan (1985), tem como foco o estudo da experiência
social que o indivíduo adquire a partir de sua participação nos diferentes grupos
sociais com os quais convive. Em outras palavras, os psicólogos sociais da

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primeira vertente tendem a enfatizar principalmente os processos
intraindividuais responsáveis pelo modo pelo qual os indivíduos respondem aos
estímulos sociais, enquanto os últimos tendem a privilegiar os fenômenos que
emergem dos diferentes grupos e sociedades.
Para além dessa já hoje clássica divisão, a Psicologia Social desdobrou-se,
mais recentemente, em outra vertente, qual seja a Psicologia Social Crítica
(Álvaro & Garrido, 2006) ou Psicologia Social Histórico-Crítica (Mancebo &
Jacó-Vilela, 2004), expressões que abarcam, na realidade, diferentes posturas

05
teóricas. Assim é que, de acordo com Hepburn (2003), tanto o

5:
:3
Socioconstrucionismo (Gergen, 1997) e a Psicologia Discursiva (Potter &

14
Wetherell, 1987), como a Psicologia Marxista, o pós-modernismo e o

8
01
feminismo, entre outros, contribuem atualmente para o campo da Psicologia

/2
08
Social Crítica. Tais perspectivas guardam em comum o fato de adotarem uma

7/
postura crítica em relação às instituições, organizações e práticas da sociedade

-1
m
atual, bem como do conhecimento até então produzido pela Psicologia Social a

co
esse respeito. Nesse sentido, colocam-se contra a opressão e a exploração

l.
ai
gm
presentes na maioria das sociedades e têm como um de seus principais objetivos

@
a promoção da mudança social como forma de garantir o bem-estar do ser
humano (Hepburn, 2003). e4
ip
el

A evolução da Psicologia Social, nas diferentes partes de mundo, vem


nf
so

ocorrendo, de certa forma, associada às várias modalidades ou vertentes da


ud

disciplina. Assim é que, na América do Norte, e mais especialmente nos


-r
0

Estados Unidos da América, a Psicologia Social Psicológica foi e continua


-0
43

sendo a tendência predominante. Já na Europa, é possível se notar uma


.3

preocupação maior com os processos grupais e socioculturais, que sempre


93
.4

estiveram na base das preocupações da Psicologia Social Sociológica. Por outro


24
-0

lado, na América Latina, verifica-se a adoção da Psicologia Social Crítica como


S

abordagem preferencial à análise dos graves problemas sociais que costumam


E
ES

assolar a região.
EN

Fonte: FERREIRA, Maria Cristina. A Psicologia Social contemporânea:


M

principais tendências e perspectivas nacionais e internacionais. Psic.: Teor. e


A
M
LI

Pesq., Brasília , v. 26, n. spe, p. 51-64, 2010 . Available from


PE

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
LI

37722010000500005&lng=en&nrm=iso>. access
FE

on 01 July 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722010000500005.


N
SO
D
U
R

O objeto da Psicologia Social.


Se pararem você na rua e perguntarem “qual o objeto de estudo da
psicologia social?” O que você diria?

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Os grupos? As pessoas em suas relações interpessoais? As
representações sociais? Admitamos, qualquer resposta dada será incompleta.
Temos um sério problema de identificação do objeto da psicologia social.
Sobre isso:
Sob a luz da constituição histórica da Psicologia Social moderna torna-
se evidente o fato de que a Psicologia Social é uma disciplina relativamente
nova no ramo das ciências, e que, por isso, ainda há desafios e barreiras para
serem repensados na atualidade. No cerne de suas implicações, destaca-se a

05
dificuldade de definição do objeto de estudo dos Psicólogos Sociais.

5:
:3
A dificuldade de definição da psicologia social reside na

14
impressão dos seus objetivos. Sendo uma disciplina relativamente

8
01
recente, não há ainda acordo, no campo dos seus cultores, no

/2
08
sentido de delimitar-lhe os objetivos nítidos e a extensão de suas

7/
aplicações. Enquanto que, para uns, a psicologia social se

-1
m
aproxima da psicologia (McDougall), para outros, o seu objeto de

co
estudo quase se confunde com o da sociologia (Ellwood, Ross).

l.
ai
gm
Partindo desses dois pólos, da psicologia, e da sociologia, a

@
psicologia social não parece, à primeira vista, ser uma ciência
e4
autônoma, De um lado, no pólo da psicologia, tudo o que não
ip
el

pertence a psicologia fisiológica seria psicologia social: o homem é


nf
so

um animal gregário e todas as suas funções psíquicas só se


ud

compreenderiam no jogo das reações sociais; o comportamento


-r
0

humano é, antes de tudo, social, pela sua natureza ou pelo seus
-0
43

fins. De outro lado, todos os fatos sociais, tendo o homem como


.3
93

centro, reconheceriam uma base psicológica, e toda a sociologia se


.4

converteria numa psicologia (RAMOS, p. 27, 2003).


24
-0

Fonte: Junior, João Paulo Roberti e Justo, Ana Maria. A Psicologia Social
S

Entre Rumos E Vertentes. Revista Caminhos, On-line, “Humanidades”, Rio


E
ES

do Sul, a. 4, n. 6, p. 21-38, abr./jun. 2013.


EN
M
A
M
LI
PE

Características da Psicologia Social


LI
FE

contemporânea.
N
SO
D
U
R

Nesse ponto precisamos definir as escolas de psicologia social no mundo


e as suas característica no Brasil. Para isso, resumi um artigo “A Psicologia
Social contemporânea: principais tendências e perspectivas nacionais e
internacionais” e destaquei no próprio artigo os pontos mais importantes.
Acompanhe comigo.

A Psicologia Social na América do Norte: Evolução Teórica e Temática


[...]
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Assim é que, durante algum tempo, na América do Norte, a
Psicologia Social desenvolveu-se paralelamente no contexto de ambas as
disciplinas. Logo, porém, isto é, ainda nas primeiras décadas do século XX, a
Psicologia Social Psicológica estabelece-se como a tendência predominante no
cenário norte-americano, em especial nos Estados Unidos da América (EUA),
sob forte influência do behaviorismo.
Exemplo marcante de tal enfoque é o livro texto de Psicologia Social
publicado em 1924, por Floyd Allport, considerado um dos mais famosos

05
psicólogos sociais behavioristas da época. Ao defender que a Psicologia Social

5:
:3
deveria concentrar-se no estudo experimental do indivíduo, na medida em que

14
o grupo constituía-se tão somente em mais um estímulo do ambiente social a

8
01
que esse indivíduo era submetido, Allport define os contornos da Psicologia

/2
08
Social Psicológica como uma disciplina objetiva, de base experimental e focada

7/
no indivíduo (Franzoi, 2007).

-1
m
Os anos de 1920 e 1930 serão dominados pelo estudo das atitudes, da

co
influência social interpessoal e da dinâmica de grupos. No que tange às

l.
ai
gm
atitudes, a investigação concentrou-se no desenvolvimento de diferentes

@
técnicas destinadas a mensurar tal constructo tomado como um fenômeno
e4
mental (McGarty & Haslam, 1997). No que se refere à influência social e
ip
el

dinâmica de grupos, merecem destaque os experimentos realizados por Muzar


nf
so

Sheriff e Kurt Lewin, psicólogos europeus que imigraram para os EUA e


ud

receberam fortes influências do gestaltismo. Sheriff (1936) estava interessado


-r
0

no processo de formação de normas sociais, tendo chegado à conclusão de que


-0
43

os grupos desenvolvem normas que governam os julgamentos dos indivíduos


.3

que dele fazem parte, bem como dos novos membros que a elas também se
93
.4

adaptam, em função das normas grupais existirem à revelia de seus membros


24
-0

individuais.
S

Lewin e seus colegas (Lewin, Lippitt & White, 1939) dedicaram-se à


E
ES

análise da influência dos estilos de liderança e do clima grupal sobre o


EN

comportamento dos membros do grupo, tendo observado que o estilo de


M

liderança democrático produzia normas grupais construtivas e independentes,


A
M

que levavam à realização de um trabalho produtivo, independentemente da


LI
PE

presença ou não do líder. Já a liderança laissez-faire deixava os membros


LI

passivos, enquanto os grupos com liderança autocrática tornavam-se agressivos


FE

ou apáticos.
N
SO

Dois principais temas marcaram as duas décadas subsequentes, que


D

assinalam o período da Segunda Grande Guerra e do pós-guerra: atitudes e


U
R

percepção de pessoa. A investigação das atitudes, iniciada nos anos 20,


prosseguiu nas décadas seguintes com os experimentos de Carl Hovland e sua
equipe sobre comunicação e persuasão (Hovland, Janis & Kelley, 1953), que
levaram a importantes conclusões acerca dos diferentes fatores que interferiam
na mudança de atitudes (Goethals, 2003). Tais estudos, bem como os que lhes
sucederam, conferiram às atitudes um papel fundamental no campo da
Psicologia Social Psicológica, tendo levado alguns autores (e.g., McGuire,

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1968) a afirmar que tal fenômeno constituía-se em conceito central à
Psicologia Social.
A investigação sobre percepção de pessoas, que até hoje consiste em uma
das áreas centrais de estudo da Psicologia Social Psicológica, inicia-se com os
trabalhos de Fritz Heider (1944, 1946, 1958), que também imigrou da
Alemanha para os EUA durante a Segunda Grande Guerra, e recebeu forte
influência do gestaltismo. Na publicação de 1944, o autor realiza o primeiro
tratamento sistemático dos processos atribuicionais (Goethals, 2003), ao lançar

05
o argumento de que os indivíduos associam as ações das pessoas a motivos e

5:
:3
disposições internas, em função de perceberem uma justaposição ou gestalt

14
entre o modo pelo qual as pessoas se comportam e a natureza de suas

8
01
qualidades pessoais. Tal argumento sobre como as pessoas realizam atribuições

/2
08
causais será aprofundado no livro de 1958, traduzido para o português com o

7/
nome de "Psicologia das Relações Interpessoais". No artigo de 1946, Heider

-1
m
desenvolve a teoria do equilíbrio, segundo a qual as pessoas tendem a manter

co
sentimentos e cognições coerentes sobre um mesmo objeto ou pessoa, de modo

l.
ai
gm
a obter uma situação de equilíbrio. Quando esse equilíbrio se desfaz, elas

@
vivenciam uma situação de tensão e procuram restabelecê-lo, mediante a
e4
mudança de algum dos elementos da situação. Tal princípio encontra-se na
ip
el

base das teorias da consistência cognitiva que irão proliferar nos anos seguintes.
nf
so

Ainda na área de percepção de pessoas, merecem destaque os estudos de


ud

Solomon Asch (1946), que irá aplicar os princípios gestaltistas em seus


-r
0

experimentos sobre a formação de impressões. Seus resultados levam-no a


-0
43

concluir que as informações sobre as características pessoais do outro são


.3

organizadas em um todo coerente, que difere da soma das partes e pode ser
93
.4

modificado por peças críticas de informação que provocam a reorganização


24
-0

desse todo. Ademais, a ordem com que as informações são recebidas afeta a
S

formação da impressão global.


E
ES

Os anos de 1950 e 1960 assistem à renovação do interesse pelas


EN

pesquisas sobre influência social e processos intergrupais, conduzidas,


M

sobretudo, sob a liderança de Asch e Leon Festinger. Asch (1952), na esteira


A
M

dos trabalhos anteriores de Sheriff (1936) sobre formação de normas sociais, já


LI
PE

citados, interessa-se pela análise dos processos que levam os indivíduos a se


LI

conformarem com as normas do grupo ao realizarem julgamentos, ainda


FE

quando se torna evidente que tais julgamentos estão incorretos. Seus estudos
N
SO

sobre conformidade suscitaram uma série de desdobramentos posteriores,


D

relacionados à investigação dos diferentes fatores que influenciavam tal


U
R

fenômeno, além de inspirarem os experimentos clássicos de Milgram (1965),


sobre obediência à autoridade.
Festinger (1954), sob a influência das investigações realizadas por
Lewin, propõe a teoria dos processos de comparação social, na qual defende que
as pessoas necessitam avaliar suas habilidades e opiniões a partir de
comparações realizadas com outros indivíduos que lhes são similares. A referida
teoria suscitou uma série de experimentos, reemergiu algumas vezes ao longo

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dos anos 70 e encontra-se solidamente estabelecida no momento
atual, sendo usada, de forma recorrente, como mecanismo explanatório dos
processos de formação da identidade pessoal e social (Goethals, 2003).
Posteriormente, Festinger (1957) introduz a teoria da dissonância cognitiva, na
qual estabelece que as pessoas são motivadas a procurar o equilíbrio entre suas
atitudes e ações. Nesse sentido, quando instadas a mudar seu comportamento,
mostram-se propensas a modificar também suas atitudes, de modo a
restabelecerem o equilíbrio entre ações e atitudes. Apesar de ter sido alvo de

05
críticas, a referida teoria foi uma das principais responsáveis pelo

5:
:3
desenvolvimento da Psicologia Social Psicológica nas décadas seguintes

14
(Rodrigues, Assmar & Jablonski, 2000), tendo propiciado um grande número

8
01
de pesquisas experimentais rigorosas, conduzidas com a finalidade de testar seus

/2
08
vários pressupostos.

7/
As teorias da atribuição irão dominar o cenário sociopsicológico norte-

-1
m
americano a partir do final dos anos de 1960 e durante os anos de 1970 e 1980,

co
numa evidência da ascensão progressiva do cognitivismo no campo da

l.
ai
gm
Psicologia Social Psicológica. Apoiando-se nos pressupostos sobre as relações

@
interpessoais antecipados por Heider (1944, 1958), as referidas teorias e seus
e4
desdobramentos (Jones & Davis, 1965; Kelley, 1967; Ross, 1977; Weiner,
ip
el

1986) vão se debruçar sobre os processos cognitivos responsáveis pelos


nf
so

julgamentos sociais, isto é, pelos mecanismos que levam o indivíduo a perceber


ud

e atribuir causas internas (pessoais) ou externas (situacionais) ao


-r
0

comportamento do outro, bem como sobre os erros e vieses que interferem em


-0
43

tais processos. As investigações desenvolvidas no âmbito das teorias


.3

atribuicionais contribuíram não apenas para a elucidação de alguns dos


93
.4

princípios que governam o pensamento social, mas também para a maior


24
-0

compreensão de outros fenômenos psicossociais, como, por exemplo, a


S

depressão e o ajustamento conjugal (Goethals, 2003).


E
ES

A partir dos anos 1980, o cognitivismo se consolida de vez como a perspectiva


EN

dominante na Psicologia Social Psicológica e no cenário norte-americano. Em


M

consequência, o principal tema de investigação passa a ser a cognição social, que


A
M

tem como objetivo básico compreender os processos cognitivos que se


LI
PE

encontram subjacentes ao pensamento social (Fiske & Taylor, 1984). Adotando


LI

tal perspectiva, os psicólogos sociais cognitivistas se dedicam então a fazer uma


FE

reanálise de temas que já vinham sendo estudados há algum tempo, procurando


N
SO

agora, porém, desvelar os mecanismos cognitivos subjacentes a tais fenômenos,


D

tendência que se mantém até os dias atuais, conforme será visto mais à frente.
U
R

A Crise da Psicologia Social na América do Norte


A breve descrição da evolução teórica e temática da Psicologia Social
norte-americana evidencia que, com o passar do tempo, o modelo de pesquisa-
ação orientado para a comunidade e para o estudo dos grupos, introduzido por
Lewin ainda nos anos de 1930, foi sendo paulatinamente abandonado e
substituído pela investigação de fenômenos e processos eminentemente

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intraindividuais, de natureza cognitiva. Tendo como meta última a
investigação das leis universais capazes de explicar o comportamento social, a
Psicologia Social Psicológica estrutura-se progressivamente como uma ciência
natural e empírica, que desconsidera o papel que as estruturas sociais e os
sistemas culturais exercem sobre os indivíduos (Pepitone, 1981).
É nesse contexto que os anos de 1970 irão assistir ao surgimento da
chamada "crise da Psicologia Social", motivada pela excessiva individualização
da Psicologia Social Psicológica e dos movimentos sociais ocorridos nos anos de

05
1970 (como o feminismo, por exemplo). Nesse sentido, a crise da Psicologia

5:
:3
Social se caracterizou, sobretudo, pelo questionamento das bases conceituais e

14
metodológicas da Psicologia Social Psicológica até então dominante, no que

8
01
tange à sua validade, relevância e capacidade de generalização (Apfelbaum,

/2
08
1992).

7/
Os questionamentos se dirigiam principalmente à sua relevância social,

-1
m
isto é, ao fato dessa vertente da Psicologia Social usar uma linguagem científica

co
cada vez mais neutra e afastada dos problemas sociais reais e,

l.
ai
gm
consequentemente, desenvolver modelos e teorias que não eram capazes de

@
contribuir para a explicação da nova realidade social que surgia.
e4
Adicionalmente, criticava-se a artificialidade dos experimentos conduzidos em
ip
el

laboratório, a falta de compromisso ético de seus mentores e a excessiva


nf
so

fragmentação dos modelos teóricos (Jones, 1985).


ud

As críticas referidas suscitaram grande resistência da comunidade


-r
0

científica estabelecida à época. No entanto, contribuíram para o movimento de


-0
43

internacionalização da Psicologia Social, responsável pelo desenvolvimento de


.3

uma Psicologia Social Européia, mais preocupada com o contexto social, e,


93
.4

mais recentemente, de uma Psicologia Latino-Americana, voltada


24
-0

prioritariamente para os problemas sociais, a serem abordadas logo após uma


S

breve revisão do atual estado da arte da Psicologia Social na América do Norte.


E
ES
EN

A Psicologia Social na América do Norte: Tendências Atuais


M

Na atualidade, os psicólogos sociais da América do Norte continuam se


A
M

debruçando sobre temas tradicionais, que já tinham sido objeto de interesse dos
LI
PE

que construíram a história da disciplina naquele país, mas também vêm se


LI

dedicando a novas temáticas que contribuíram para expandir e diversificar o


FE

espectro de fenômenos sociais investigados no contexto norte-americano. De


N
SO

acordo com Ross, Lepper e Ward (2010), em capítulo publicado na quinta e


D

mais recente edição do Handbook of Social Psychology, três tópicos podem ser
U
R

considerados centrais à psicologia social, em função do continuado interesse


que vêm despertando, razão pela qual que se encontram presentes na maioria
dos livros textos e palestras sobre o assunto. São eles a cognição social, as
atitudes e os processos grupais. A esses tópicos, Ross e cols. ainda acrescentam
algumas novas vertentes da Psicologia Social que, mais recentemente, vêm
também se mostrando promissoras. Entre elas, merecem destaque a
Neurociência Social e a Psicologia Social Evolucionista. [...]

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A Psicologia Social na Europa: Evolução e Tendências Atuais


Apesar de a Psicologia Social europeia ter inicialmente caminhado lado
a lado com a Psicologia Social Psicológica, ela começou, a partir dos anos 1970
e motivada pela crise da Psicologia Social na América do Norte, a adquirir sua
própria identidade e a demonstrar maior preocupação com a estrutura social.
Desde então, ela vem crescendo progressivamente em tamanho e influência.
Entre os temas de estudo mais frequentes no contexto europeu encontram-se a

05
identidade social, que se insere principalmente no contexto das relações

5:
:3
intergrupais, e as representações sociais, que remetem a uma psicologia dos

14
grupos e coletividades.

8
01
[...]

/2
08
7/
A Psicologia Social na América Latina: Evolução e Tendências Atuais

-1
m
A Psicologia Social praticada na América Latina, até a década de 1970,

co
esteve grandemente influenciada pelo paradigma da Psicologia Social

l.
ai
gm
Psicológica, tendência até hoje dominante na América do Norte. Ao final da

@
década, porém, muitos psicólogos sociais latino-americanos iniciaram um forte
e4
movimento de questionamento à Psicologia Social norte-americana (em função
ip
el

de seu experimentalismo e individualismo), em prol de uma psicologia social


nf
so

mais contextualizada, isto é, mais voltada para os problemas políticos e sociais


ud

que a região vinha enfrentando. Estimulados pela arbitrariedade dos regimes


-r
0

militares e pela grande desigualdade social do continente, esses psicólogos


-0
43

sociais irão defender uma ruptura radical com a psicologia social tradicional
.3

(Spink & Spink, 2005).


93
.4

Nesse sentido, vários psicólogos latino-americanos passaram a adotar


24
-0

como referencial de seus estudos a Psicologia Social Crítica. Um autor


S

frequentemente citado como legítimo representante dessa perspectiva na


E
ES

Psicologia Social latino-americana é Martin-Baró, psicólogo e padre jesuíta


EN

espanhol, radicado em El Salvador, que defendia em suas obras o


M

desenvolvimento de uma psicologia social comprometida com a realidade social


A
M

latino-americana.
LI
PE

Como forma de ajudar a minorar a situação estrutural de injustiça social


LI

que permeia a maioria dos povos latino-americanos, Martín-Baró (1996)


FE

enfatiza que a principal tarefa do psicólogo social deve ser a conscientização de


N
SO

pessoas e grupos, como forma de levá-los a desenvolver um saber crítico sobre si


D

e sobre sua realidade, que lhes permita controlar sua própria existência. De
U
R

acordo com o autor, urge, portanto, que os psicólogos sociais contribuam para a
construção de identidades pessoais, coletivas e históricas capazes de romper a
situação de alienação das maiorias populares oprimidas e desumanizadas que
vivem à margem da sociedade dominan-te e, consequentemente, levar à
mudança social. Trata-se, assim, de desenvolver um saber psicológico
historicamente construído que se mostre capaz de compreender e contribuir
para sanar os problemas que atingem as maiorias populares e oprimidas. Para

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ele (Martin-Baró, 1989), então, a construção teórica em psicologia
social deve emergir dos problemas e conflitos vivenciados pelo povo latino-
americano, de forma contextualizada com sua história.
Outra autora de destaque no cenário latino-americano é Maritza
Montero, da Venezuela. Em revisão recente sobre a Psicologia Social Crítica
em seu país, Montero e Montenegro (2006) assinalam que ela se caracteriza
principalmente por questionar os modos de produção de conhecimento e
prática da Psicologia e perseguir a transformação social e a relevância social da

05
pesquisa e intervenção sobre os problemas sociais que assolam o país. Para

5:
:3
tanto, coloca-se contra as abordagens positivistas e experimentais, a

14
neutralidade científica e as perspectivas individualistas de abordagem dos

8
01
fenômenos psicossociais, defendendo, ao contrário, a produção de um

/2
08
conhecimento contextualizado, participante e co construído por pesquisadores e

7/
atores sociais, como forma de contribuir para a solução dos problemas sociais

-1
m
que vivenciam e transformar sua realidade social.

co
Apoiando-se primordialmente em tal referencial, os psicólogos

l.
ai
gm
venezuelanos, muitas vezes em colaboração com colegas latino-americanos de

@
outras nacionalidades, têm direcionado suas investigações para as temáticas dos
e4
estereótipos, autoimagens, identidades sociais, nacionalismo, movimentos
ip
el

sociais, poder social, relações de gênero, violência doméstica, direitos


nf
so

reprodutivos da mulher, entre outros. Tais estudos têm sido acompanhados,


ud

também, por uma intensa produção teórica sobre os princípios paradigmáticos


-r
0

da Psicologia Comunitária, bem como suas práticas e inserção no campo da


-0
43

ciência, sobre os modos de construção do conhecimento, sobre o conceito de


.3

empoderamento, sobre a pesquisa participativa etc. (Montero & Montenegro,


93
.4

2006).
24
-0

Iniciativas sob a perspectiva da Psicologia Crítica também têm


S

despontado em outros países latino-americanos como, por exemplo, a


E
ES

Colômbia (Molina-Valencia & Mesa, 2006), o Chile (Shafir, 2006) e o Brasil,


EN

que será objeto de análise mais detalhada na próxima seção. Cumpre registrar,
M

porém, que a Psicologia Social Crítica não é a única tendência dominante na


A
M

América Latina, na medida em que nela coexistem múltiplas tendências,


LI
PE

havendo, assim, vários psicólogos sociais na região que vêm desenvolvendo seus
LI

trabalhos com o apoio de referenciais da Psicologia Social norte-americana ou


FE

da Psicologia Social europeia. Nesse sentido, Álvaro e Garrido (2006)


N
SO

questionam se é possível afirmar a existência de uma Psicologia Social latino-


D

americana que reúna traços próprios de identidade.


U
R

Fonte: FERREIRA, Maria Cristina. A Psicologia Social contemporânea:


principais tendências e perspectivas nacionais e internacionais. Psic.: Teor. e
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Esse resumo de artigo, reduzido à terça parte, apresenta de forma bem


clara as tendências históricas e atuais da psicologia social.
Recomendo que faça um bom mapa mental para resumir as informações
dadas.
A seguir, apresentarei um outro resumo, complementar à aula de hoje.

05
Resumo do Capítulo I – Psicologia Social

5:
:3
14
(Aroldo rodrigues, Eveline Assmar e

8
01
/2
Bernardo Jablonski).

08
7/
-1
m
O que é Psicologia Social?

co
l.
Psicologia Social é o estudo científico da influência recíproca entre as

ai
gm
pessoas e dos processos cognitivo e afetivo gerados por esta interação. À

@
exceção da figura legendária de Robinson Crusoé e de eremitas, todos os seres
e4
ip
humanos vivemos em constante processo de dependência e interdependência
el
nf

em relação a nossos semelhantes. Um aperto de mão, uma reprimenda, um


so

elogio, um sorriso, um simples olhar de uma pessoa em direção a outra suscitam


ud
-r

nesta última uma resposta que caracterizamos como social. Por sua vez, a
0
-0

resposta emitida servirá de estímulo à pessoa que a provocou gerando, por seu
43

turno, um outro comportamento desta última, estabelecendo-se assim o


.3
93

processo de interação social.


.4

[...]
24
-0

A mera expectativa de como será o comportamento do outro (ou de seus


S

pensamentos ou sentimentos) influencia nossas ações. Consideremos uma


E
ES

situação hipotética: se uma pessoa espera uma reação negativa de alguém, é bem
EN

possível que ela inicie a interação de forma agressiva.


M
A

[...]
M
LI

Simultaneamente a manifestações comportamentais, processos mentais


PE

superiores (a expectativa de que falamos anteriormente e também nosso


LI
FE

julgamento, processamento de informação etc.) são desencadeados pelo


N

processo de interação e caracterizam o que se chama de pensamento social, ou


SO

seja, os processos cognitivos decorrentes da interação social.


D
U

[...]
R

Interação humana e suas consequências cognitivas, comportamentais e


afetivas constituem, pois, o objeto material da Psicologia Social, ou seja, aquilo
que a Psicologia Social estuda. O objeto formal da Psicologia Social, ou seja, a
maneira pela qual ela estuda seu objeto material, é o método científico, ou seja,
é toda atividade conducente à descoberta de um fato novo orientada pelo
paradigma.
[...]

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teoria à levantamento de hipóteses à teste empírico
das hipóteses levantadas à análise dos dados colhidos à
confirmação ou rejeição das hipóteses à generalização

[...] a Psicologia Social estuda a interação social e os concomitantes


cognitivos e emocionais inerentes à interação entre pessoas, e que o faz por
meio da utilização do método científico. Para completar a conceituação do que
seja Psicologia Social convém acrescentar-se uma outra característica: o caráter

05
situacional (ou latitudinal) do fenômeno psicossocial. Ressalte-se ainda que tais

5:
:3
fatores situacionais devem ter a característica de estímulos sociais. O

14
comportamento "procurar a sombra num dia de forte calor" é um

8
01
comportamento ditado por fatores situacionais, mas dificilmente se consideraria

/2
08
tal atividade como sendo um comportamento social. Este mesmo

7/
comportamento de evitar o sol e abrigar-se à sombra de uma árvore poderia ser

-1
m
um comportamento social caso os fatores situacionais por ele responsáveis

co
fossem um, ou uma combinação, dos seguintes: receio de que outras pessoas

l.
ai
gm
considerassem idiotice permanecer no sol quando havia uma confortável

@
sombra a dois metros de distância; desejo de evitar a transpiração que o sol
e4
suscitaria em virtude da necessidade de manter-se asseado para um encontro
ip
el

iminente; apreensão com a atribuição de frivolidade (desejo de exibir uma cor


nf
so

bronzeada para efeitos estéticos) que pessoas observando a permanência do


ud

indivíduo ao sol poderiam fazer. Nestes últimos casos, o comportamento de


-r
0

esquivar-se do sol e dirigir-se à sombra seria, sem dúvida, um comportamento


-0
43

social e nele se verificaria nitidamente a relevância dos fatores situacionais a que


.3

nos referimos, fatores estes de característica latitudinal ou horizontal, em vez de


93
.4

longitudinal ou vertical. Não quer isto dizer que fatores longitudinais


24
-0

(experiências passadas, fatores hereditários, características de personalidade)


S

não influam no comportamento social da pessoa. Influem e muito. Quando o


E
ES

psicólogo social os considera, todavia, faz isso ciente de que está utilizando uma
EN

variável longitudinal que interatua com variáveis situacionais na explicação de


M

um determinado comportamento. Em outras palavras, ele recorre a


A
M

ensinamentos emanados do estudo das características da personalidade


LI
PE

individual a fim de verificar as interações das variáveis individuais com os


LI

fatores situacionais. O que caracteriza o aspecto social do comportamento


FE

estudado, contudo, é a influência de fatores situacionais.


N
SO

[...] a Psicologia Social é o estudo científico de manifestações comportamentais


D

de caráter situacional suscitadas pela interação de uma pessoa com outras


U
R

pessoas, ou pela mera expectativa de tal interação, bem como dos processos
cognitivos e afetivos decorrentes do processo de interação social.

Psicologia Social e áreas afins do conhecimento


[...]
Psicologia Social e Sociologia

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Fontes importantes do conhecimento sociológico consideram
como objeto de estudo sociológico a sociedade, as instituições sociais e as
relações sociais (p. ex.: BROOM & SELZNICK, 1958; GIDDENS, 2009;
INKLES, 1963; ZGOURIDES & ZGOURIDES, 2000) Dificilmente se
encontra um psicólogo social ou um sociólogo que afirme, categoricamente, que
Psicologia Social e Sociologia são áreas totalmente distintas. A maioria se
inclina para a posição segundo a qual ambos estes setores do conhecimento
têm, pelo menos, um objeto formal um pouco distinto (maneira pela qual

05
estudam os fenômenos sociais), porém reconhecem a existência de uma área de

5:
:3
interseção bastante nítida em seu objeto material (os fenômenos sociais que

14
estudam). Esta é também a posição dos autores deste manual. Uma

8
01
representação gráfica satisfatória do inter-relacionamento entre Psicologia

/2
08
Social e Sociologia poderia ser representada mais ou menos como se vê na

7/
figura 1.1. Os fenômenos sociais enumerados nessa figura são meramente

-1
m
exemplificativos, não sendo nossa intenção exaurir a gama de fenômenos

co
tipicamente estudados pela Psicologia Social, pela Sociologia ou por ambas.

l.
ai
gm
Apesar de uma razoável área de interseção entre estas duas disciplinas, as

@
perguntas formuladas pelo psicólogo social e pelo sociólogo em suas
e4
investigações do objeto material que lhes é comum variam bastante. Tomemos
ip
el

o exemplo do fenômeno psicossocial da delinquência juvenil. Numerosos são os


nf
so

livros encontrados na literatura psicológica e sociológica sobre o assunto.


ud

[...]
-r
0
-0
43
.3
93
.4
24
-0
ES
ES
EN
M
A
M
LI
PE
LI
FE
N
SO
D

[...]
U
R

Psicologia Social Científica - Aplicações da Psicologia Social e tecnologia


social

A Psicologia Social é uma ciência e neste livro o leitor encontrará uma


razoável quantidade de descobertas científicas que são fruto da atividade de
pesquisa dos psicólogos sociais. No capítulo 14, exemplos de aplicações
decorrentes destes conhecimentos serão apresentados. Os tipos de investigações

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conduzidas na Psicologia Social Científica e os tipos de aplicações
comumente encontrados podem ser vistos no quadro a seguir:

Psicologia Social Científica


Pesquisa teórica
Pesquisa centrada num problema
Pesquisa metodológica
Pesquisa de avaliação

05
Pesquisa de réplica

5:
:3
Aplicações da Psicologia Social

14
Aplicações simples

8
01
Aplicações complexas (tecnologia social)

/2
08
7/
Quadro 1.3 Tipos de pesquisa e de aplicações em Psicologia Social

-1
m
co
Como esse quadro mostra, os psicólogos sociais dedicam-se a pesquisas

l.
ai
gm
destinadas a promover avanços teóricos (p. ex.: teste de hipóteses derivadas de

@
teorias; aperfeiçoamento do poder preditivo de teorias), ou a lançar luz sobre
e4
um problema específico (p. ex.: verificar se a densidade populacional influi no
ip
el

comportamento de ajuda nas cidades; verificar se uma liderança de-mocrática é


nf
so

mais ou menos eficaz que uma autocrática), ou a promover um refinamento


ud

metodológico (p. ex.: verificar se universitários se comportam de forma


-r
0

diferente de sujeitos não universitários; detectar tendenciosidades na coleta de


-0
43

dados), ou a avaliar a eficácia de uma intervenção (p. ex.: verificar se uma


.3

tentativa de mudança de atitude teve êxito ou não avaliar a eficácia de um


93
.4

programa destinado a diminuir o preconceito racial num determinado grupo


24
-0

social), ou, finalmente, apenas verificar a estabilidade e a generalidade de


S

achados anteriores por meio da condução de réplicas (p. ex.: verificar se achados
E
ES

psicossociais são trans históricos e/ou transculturais).


EN

Todos estes tipos de pesquisa integram a Psicologia Social Científica e


M

fornecem subsídios para sua aplicação a problemas psicossociais concretos.


A
M

Quando se lança mão de um achado específico para a solução de um problema


LI
PE

determinado (p. ex.: eliminar o sentimento de frustração de um grupo com o


LI

objetivo de diminuir sua agressividade; utilizar um determinado tipo de poder


FE

social para lograr uma mudança comportamental específica) estamos tratando


N
SO

de aplicações simples; se, todavia, combinamos achados existentes para utilizá-


D

los na solução de um problema social, estamos praticando o que Jacobo Varela


U
R

(1971) denomina de Tecnologia Social.


Varela (1975) define assim a Tecnologia Social: "É a atividade que
conduz ao planejamento de soluções de problemas sociais a partir de
combinações de achados derivados de diferentes áreas das ciências sociais" (p.
160).
A primeira distinção que se impõe na compreensão do que seja
tecnologia social é a que se refere à diferença de objetivos do cientista social

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(seja ele psicólogo social ou não básico ou aplicado) e do tecnólogo
social. O cientista não orienta sua atividade para a solução de problemas Dizem
Reyes e Varela (1980): "Frequentemente, achados científicos foram feitos por
alguém que não tinha a menor ideia de que eles iriam ser utilizados para algo de
útil ou de uma determinada maneira. A progressão do telégrafo para o telefone
e para o rádio é um exemplo. Mas Morse e Bell eram inventores. Os cientistas
atrás deles foram Faraday, Henry, Maxwell, Hertz e outros. Sem as descobertas
puramente científicas, as invenções que as seguiram não teriam sido possíveis.

05
Mas o cientista sozinho não poderia ter-nos legado as comunicações modernas.

5:
:3
Não era esta sua preocupação. Os tecnólogos foram imprescindíveis para dar os

14
passos necessários. Maxwell e os demais não estavam interessados em saber

8
01
como suas descobertas seriam usadas. Sua ocupação era bem distinta daquela de

/2
08
Bell ou de Marconi" (p. 49).

7/
Reyes e Varela (1980) salientam ainda que os cientistas sociais, no afã de

-1
m
atenderem à pressão social que clama pela relevância de suas pesquisas, criam

co
"programas aplicados". Acontece, porém, que pesquisa aplicada continua sendo

l.
ai
gm
pesquisa, isto é, a preocupação é a de descobrir a realidade em ambientes

@
naturais e continuar pesquisando até que se obtenha um conhecimento
e4
satisfatório e fidedigno desta realidade. O tecnólogo social não se preocupa em
ip
el

descobrir a realidade; ele deixa isto para os cientistas e, baseado nas descobertas
nf
so

destes últimos, procura resolver problemas concretos. No capítulo 9, ao


ud

tratarmos do fenômeno de influência social, mostraremos a tecnologia social em


-r
0

ação.
-0
43
.3

Marcos históricos da Psicologia Social Científica


93
.4
24
-0

[...]
S

1895: Gustave Le Bon publica seu livro La Psychologie des foules que,
E
ES

apesar de conter conceitos não empiricamente testáveis, suscitou o


EN

estudo científico dos processos grupais e, principalmente, dos


M

movimentos de massa.
A
M

1898: Norman Triplett conduz o primeiro experimento relativo a


LI
PE

fenômenos psicossociais, comparando o desempenho de meninos no


LI

exercício de uma atividade nas condições de isolamento ou juntamente


FE

com outros, fenômeno este que ficou conhecido como "facilitação


N
SO

social".
D

1908: William McDougall e Edward A. Ross publicam no mesmo ano


U
R

os primeiros livros intitulados Psicologia Social. Apesar do mesmo


título, a abordagem dos autores é distinta: McDougall é guiado por uma
posição instintivista e Ross salienta o papel da cultura e da sociedade no
comportamento humano.
1921: Morton Prince inicia a publicação do Journal of Abnormal and
So-cial Psychology, o qual se constitui, até 1964, na principal fonte de
publicação de estudo em Psicologia Social. 1928: Louis L. Thurstone

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inicia seus estudos relativos à mensuração das atitudes em seu
artigo "Atitudes Can Be Measured".
1935: Carl Murchison publica o primeiro Handbook of Social
Psychology.
1936: Kurt Lewin e seus associados dedicam-se com afinco à aplicação
de princípios teóricos na resolução de problemas sociais, caracterizando
o que ficou consagrado no termo action research. A influência de Lewin
em Psicologia Social é de tal ordem que Leon Festinger, comentando

05
uni li-vro sobre a obra de Kurt Lewin, declarou que 95% da Psicologia

5:
:3
Social contemporânea revela a influência lewiniana.

14
1936: George Gallup inicia o movimento de medida de opinião pública

8
01
em bases amplas tornando tal atividade uma realização de notável

/2
08
repercussão e alcance em Psicologia, Sociologia e Ciência Política.

7/
1936: Muzafer Sherif mostra experimentalmente como se formam as

-1
m
normas sociais, a partir de seus estudos sobre o efeito autocinético.

co
1939: Kurt Lewin, Ron Lippit e Ralph White publicam os resultados de

l.
ai
gm
seus estudos relativos à conduta de grupos funcionando em diferentes

@
atmosferas no que concerne ao tipo de liderança exercida.
e4
1943: Theodore M. Newcomb reporta seu estudo de quatro anos no
ip
el

Bennington College, mostrando como as atitudes podem se modificar


nf
so

em função da adesão a diferentes grupos de referência.


ud

1946: Fritz Heider publica seu artigo "Attitudes and Cognitive


-r
0

Organization" considerado o berço das teorias de consistência cognitiva


-0
43

que floresceram na década de 1950 e que continuam a ter relevante papel


.3

na Psicologia Social contemporânea.


93
.4

1953: Carl Hovland, Irving Janis e Harold Kelley publicam os resultados


24
-0

dos estudos do Grupo de Yale acerca dos fatores influentes na mudança


S

de atitudes.
E
ES

1954: Gardner Lindzey coordena o Handbook of Social Psychology.


EN

1957: Leon Festinger apresenta sua teoria da dissonância cognitiva que,


M

sem qualquer dúvida, constitui a teoria de maior valor heurístico em


A
M

Psicologia Social, inspirando uma grande quantidade de testes empíricos


LI
PE

e de aplicações.
LI

1958: Fritz Heider publica seu influente livro The Psychology of


FE

Interpersonal Relations. Esse livro lançou as bases do que é hoje


N
SO

conhecido como
D

teoria da atribuição e tem exercido influência significativa em Psicologia


U
R

Social desde sua publicação até os dias de hoje.


1964: Sob a presidência de Leon Festinger forma-se o Comitê de
Psicologia Social Transnacional que teve papel fundamental na criação
das associações de Psicologia Social europeia e latino-americana.
1965: Dois novos periódicos destinados a divulgar pesquisas em
Psicologia Social veem a lume: O Journal of Personality and Social
Psychology e o Journal of Experimental Social Psychology.

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1965: É criada a Associação Europeia de Psicologia Social
Experimental sob a presidência de Serge Moscovici (França). Poucos
anos depois esta associação inicia a publicação do periódico European
Journal of Social Psychology.
1968: G. Lindzey e E. Aronson coordenam a 2' edição do Handbook of
Social Psychology.
1970: Por conta dos trabalhos de Edward E. Jones, Harold H. Kelley,
Ke-ith E. Davis, Richard Nisbett, Bernard Weiner, John Harvey etc.,

05
extraordinário impulso é dado ao estudo do fenômeno de atribuição de

5:
:3
causalidade em Psicologia Social.

14
1970: Ganha grande visibilidade o movimento que se tornou conhecido

8
01
como a crise da Psicologia Social, durante o qual fortes ataques foram

/2
08
dirigidos às pesquisas de laboratório, aos procedimentos metodológicos e

7/
éticos e à falta de aplicação da Psicologia Social aos problemas sociais. A

-1
m
crise também se caracterizou pela crítica à pouca relevância prática das

co
pesquisas em Psicologia Social.

l.
ai
gm
1971: Realiza-se em Viria Del Mar, Chile, o primeiro workshop de

@
Psicologia Social na América Latina, do qual participaram as principais
e4
figuras da Psicologia Social latino-americana e três psicólogos de renome
ip
el

dos Estados Unidos. Foi então criado o Comitê Latino-Americano de


nf
so

Psicologia Social sob a presidência de Luis Ramallo (Chile), mais tarde


ud

transformado na Associação Latino-Americana de Psicologia Social.


-r
0

1973: Funda-se a Associação Latino-Americana de Psicologia Social,


-0
43

tendo como presidente Aroldo Rodrigues (Brasil). Integraram a diretoria


.3

em diferentes funções Héctor Cappello (México), José Miguel Salazar


93
.4

(Venezuela), Gerardo Marín (Colômbia), Julio Villegas (Chile) e


24
-0

Catalina Weinerman (Argentina). 1981: Harry C. Triandis e


S

colaboradores editam a obra Handbook of Cross-Cultural Psychology.


E
ES

1984: Susan Fiske e Shelley Taylor publicam o livro Social Cognition,


EN

que traduz a ênfase que se passou a dar em Psicologia Social aos


M

processos cognitivos.
A
M

1985: Gardner Lindzey e Elliot Aronson editam mais uma edição do


LI
PE

Handbook of Social Psychology.


LI

1986: O pensamento atribuicional em Psicologia Social serve de base


FE

para a Teoria Atribuicional de Motivação e Emoção proposta por


N
SO

Bernard Weiner em seu livro An Attributional Theory of Motivation


D

and Emotion. 1998: A 4' edição do Handbook of Social Psychology é


U
R

publicada, agora organizada por Gardner Lindzey, Susan T. Fiske e


Daniel T. Gilbert.
2001: Dijksterhuis e Bargh publicam na série Advances in Experimental
Social Psychology seu importante capítulo acerca dos efeitos automáticos
do processo de percepção social no comportamento social.

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2010: Vem a lume a 5' edição do Handbook of Social
Psychology editado novamente por Gardner Lindzey, Susan T. Fiske,
Daniel T. Gilbert.

No quadro 1.4 o leitor encontrará uma sinopse da história da Psicologia


Social. Nele a nossa preocupação foi mais a de exemplificar temas e nomes de
destaque em vários períodos do que a de sermos exaustivos. Saliente-se ainda
que o fato de certos tópicos não serem mencionados em determinados períodos

05
não significa que eles tenham sido ignorados. A finalidade da sinopse é mostrar

5:
:3
o surgimento e a maior importância dada ao estudo de certos fenômenos

14
psicossociais em alguns períodos aproximados de tempo.

8
01
/2
08
7/
-1
m
co
l.
ai
gm
@
e4
ip
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ud
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0
-0
43
.3
93
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24
-0
ES
ES
EN
M
A
M
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05
5:
:3
14
8
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-1
m
co
l.
ai
gm
@
e4
ip
el
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0
-0
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ES
ES
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M
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Os fenômenos psicossociais na psicologia


social.
O que são fenômenos psicossociais? Esse é o tipo de resposta que não

05
5:
aparece de forma clara nos manuais de psicologia social. Em tese, e para fins de

:3
14
concursos, são todos os fenômenos humanos. O que você deve entender é que

8
esses fenômenos são plurais e que existe uma diversidade de formas de

01
/2
compreensão. Em resumo, não conseguimos definir quais são e nem os

08
métodos exatos que devem ser usados. Isso é um problema? Para fins de

7/
-1
concurso e de ciência sim, mas argumenta-se que a própria realidade é plural e

m
co
que necessita de abordagens cada vez mais multimetodológicas para termos

l.
ai
resultados adequados.

gm
Em breves termos, o estudo dos fenômenos psicossociais representa tudo

@
e4
o que a psicologia estuda, incluindo psicopatologias, à luz do viés social. Esse
ip
viés social depende também da escola adotada.
el
nf

Um bom exemplo de como isso começou é o seguinte:


so
ud

Rodrigues (1986) salienta também que foi em 1897 que houve o


-r

primeiro experimento relativo a fenômenos psicossociais, e que este fora


0
-0

realizado por N. Tripplett com o objetivo de comparar o desempenho


43
.3

de meninos no exercício de uma atividade nas condições de isolamento


93

ou junto com outros. Conforme Moura (1993) percebeu-se que a


.4
24

velocidade de um corredor era 20% maior quando na presença de


-0

outros, chegando-se à conclusão de que a situação em grupo produzia


ES

mais ambições do que em isolamento na realização de tarefas.


ES

Júnior e Justo. Revista Caminhos, On-line, “Humanidades”, Rio


EN
M

do Sul, a. 4, n. 6, p. 21-38, abr./jun. 2013


A
M
LI

A seguir, apresento um trecho de artigo que tangencia alguns dos


PE

fenômenos psicossociais.
LI
FE
N

Cognição social
SO
D

Segundo Carlston (2010), a cognição social pode ser vista atualmente


U
R

como uma subárea da Psicologia, responsável por integrar uma série de micro-
teorias que, ao longo do tempo, foram se desenvolvendo no contexto da
Psicologia Social para explicar os modos pelos quais as pessoas pensam sobre si
mesmas e sobre as coisas, formam impressões acerca de outras pessoas ou
grupos sociais e explicam comportamentos e eventos. Apoiada no modelo de
processamento de informação (que considera a atenção e percepção, a memória
e o julgamento como diferentes etapas do processamento cognitivo), a cognição
social dedica-se, assim, a estudar o conteúdo das representações mentais e os
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mecanismos que se encontram subjacentes ao processamento da
informação social. Ela se focaliza, portanto, nos modos pelos quais as
impressões, crenças e cognições sobre os estímulos sociais (o próprio indivíduo,
bem como outras pessoas, grupos e eventos sociais) são formadas e afetam o
comportamento.
No que tange ao conteúdo das representações mentais, a premissa básica
é a de que as informações sociais são representadas cognitivamente sob a forma
de estruturas mentais, isto é, de estruturas gerais de conhecimento, construídas,

05
organizadas e estocadas na memória em categorias, com base nas informações

5:
:3
obtidas no contato do indivíduo com seu mundo social (Quinn, Macrae &

14
Bodenhausen, 2003). Essas estruturas são denominadas de esquemas sociais,

8
01
que podem tomar a forma de protótipos (representam os membros mais típicos)

/2
08
ou de exemplares (representam membros individuais), a serem acessados

7/
quando necessário.

-1
m
Tal acesso ocorre por meio do processamento da informação social,

co
mediante o qual o percebedor social identifica inicialmente os atributos

l.
ai
gm
salientes na pessoa alvo de sua percepção (Quinn & cols., 2003). Em seguida,

@
ele procura na memória as representações mentais ou esquemas similares aos
e4
atributos identificados, seleciona o mais apropriado e usa-o para realizar
ip
el

inferências acerca daquela pessoa, armazenando na memória de longo prazo a


nf
so

avaliação daí resultante.


ud

Subjacente a todo esse processo, há o pressuposto básico de que as


-r
0

pessoas são limitadas em sua capacidade de processar informações e, por essa


-0
43

razão, utilizam-se de certas estratégias ou heurísticas para lidar com o grande


.3

volume e complexidade de informações sociais a que são submetidas em seu


93
.4

dia-a-dia (Pennington, 2000). Com isso, acabam por cometer erros e distorções
24
-0

em seus julgamentos e tomadas de decisão.


S

Algumas questões chaves têm permeado as investigações na área da


E
ES

cognição social (Quinn & cols., 2003). Elas dizem respeito principalmente ao
EN

grau em que o processamento cognitivo é automático ou controlado, à


M

influência da motivação e do afeto na cognição social e ao fato de a cognição ser


A
M

abstrata ou situada.
LI
PE

No que diz respeito à automaticidade ou não do processamento da


LI

informação social, os resultados têm apontado que as pessoas podem realizar


FE

tanto julgamentos mais espontâneos e automáticos, quanto julgamentos mais


N
SO

conscientes e reflexivos, sendo que o uso de um tipo ou outro irá depender


D

principalmente de sua motivação e habilidade em cada situação (Pennington,


U
R

2000). Nesse sentido, muitos dos julgamentos sociais ocorrem de forma


inconsciente, não intencional, não controlável e demandam pouco da já
limitada capacidade humana de processamento. Contudo, fenômenos mais
complexos podem exigir um processamento mais consciente e controlado, o que
irá depender da habilidade cognitiva do percebedor e/ou do fato de o
processamento automático mostrar-se contrário a seus objetivos e metas.
O debate acerca das influências da motivação e do afeto na cognição

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social tem permeado essa área de estudos desde seus primórdios. Em
que pese o fato de os primeiros psicólogos sociais cognitivistas terem rejeitado
tais influências, as pesquisas mais recentes apontam que os afetos e motivações
individuais interagem com as cognições na determinação do comportamento
social (Schwarz, 1998). Nesse sentido, fatores motivacionais podem interferir
no grau de esforço cognitivo despendido no processamento da informação
social, bem como direcionar tal processamento, ao facilitar a ativação de
esquemas relevantes às metas do indivíduo (Quinn & cols., 2003). Por outro

05
lado, tem-se também verificado que a codificação, elaboração e julgamento

5:
:3
sociais são mediados pelas emoções, na medida em que elas contribuem para a

14
ativação de informações com elas congruentes, além de provocarem

8
01
reorganizações mentais que se mostrem mais consistentes com as experiências

/2
08
afetivas individuais (Quinn & cols., 2003).

7/
As investigações iniciais na área da cognição social dedicaram-se,

-1
m
sobretudo, a esclarecer as diferentes características associadas à representação e

co
processamento da informação social, ou seja, seu principal foco era uma

l.
ai
gm
cognição social abstrata e vinculada ao que se passava no interior da cabeça do

@
indivíduo. Mais recentemente, porém, os psicólogos sociais cognitivistas
e4
passaram a explorar as características da situação social que interferem nas
ip
el

estratégias de processamento, ou seja, uma cognição social situada. Com isso, a


nf
so

ênfase se desloca do "pensamento sobre os estímulos sociais" para o


ud

"pensamento no contexto social" (Schwarz, 1998). Os resultados iniciais de tais


-r
0

estudos já puseram em evidência que os julgamentos sociais de uma mesma


-0
43

pessoa alvo podem diferir em função dos diferentes indivíduos que realizam tais
.3

julgamentos, a depender da natureza das interações de cada um com a pessoa


93
.4

alvo. Desse modo, um conjunto de pessoas interagindo ativamente e


24
-0

compartilhando suas avaliações, transmitirão informações que serão


S

interpretadas e integradas diferentemente por cada percebedor (Smith &


E
ES

Collins, 2009).
EN

Entre os principais fenômenos psicossocias investigados atualmente, na


M

perspectiva da cognição social, encontram-se o self, a formação de impressões, a


A
M

percepção de pessoas e os estereótipos. No contexto do cognitivismo, o self é


LI
PE

conceituado como um autoesquema, isto é, como uma representação mental


LI

que contém o conhecimento do percebedor acerca de si próprio, no que se


FE

refere a suas características de personalidade, papéis sociais, experiências


N
SO

passadas e metas futuras (Quinn & cols., 2003). As pesquisas sobre essa
D

temática têm demonstrado que as pessoas diferem em termos dos atributos que
U
R

consideram centrais à sua autodefinição, das dimensões distintas de seus


autoesquemas que podem ser ativadas em situações diversas, das informações
relativas a seu autoconceito que são processadas de modo mais completo e que
são mais facilmente relembradas, e da forma com que a autodefinição do
indivíduo afeta as crenças e expectativas que ele traz para uma determinada
situação social. O self decorre, portanto, de um processo flexível e construtivo
de julgamento sobre si mesmo, que leva o indivíduo a se apresentar de

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diferentes maneiras, a depender do ambiente social em que se
encontra inserido, o que irá contribuir para sua adaptação a esse ambiente
(Quinn & cols., 2003).
Os estereótipos, a formação de impressões e a percepção de pessoas
constituem temas tradicionalmente estudados pela Psicologia Social e centrais à
área de cognição social. Em contraste com os autoesquemas, que contêm as
estruturas de conhecimento sobre o próprio indivíduo, os estereótipos
consistem em esquemas ou representações mentais sobre grupos sociais. Nesse

05
sentido, eles interferem ativamente no processo de formação de impressão e

5:
:3
percepção de pessoas, que é o responsável pela integração de informações e

14
avaliação de outros indivíduos, ou seja, pelas formas com que o percebedor

8
01
interpreta os indivíduos que o rodeiam. Os achados empíricos mais recentes

/2
08
nesse campo de estudos têm demonstrado que as pessoas costumam realizar

7/
inferências iniciais (formação e percepção de pessoa) baseadas em estereótipos,

-1
m
o que significa dizer que essas categorias sociais são ativadas de modo

co
automático ou inconsciente, tão logo o percebedor identifica um determinado

l.
ai
gm
indivíduo como pertencente a certo grupo social. Posteriormente, dependendo

@
de sua motivação e habilidade, poderá corrigir essa impressão inicial, com base
e4
em informações mais individualizadas e que se mostrem congruentes ou
ip
el

incongruentes com seus estereótipos (Quinn & cols., 2003).


nf
so

Em síntese, a investigação atual na área da cognição social evoluiu


ud

progressivamente, de modo a incluir temas não abordados inicialmente, como a


-r
0

automaticidade dos processos sociocognitivos, os afetos e a motivação. Tais


-0
43

avanços contribuíram sobremaneira para ampliar o escopo da teorização e


.3

pesquisa nesse campo de estudos, além de alargarem a compreensão da ampla


93
.4

gama de fenômenos responsáveis pela atuação do indivíduo em seu contexto


24
-0

social.
S

Fonte: FERREIRA, Maria Cristina. A Psicologia Social contemporânea:


E
ES

principais tendências e perspectivas nacionais e internacionais. Psic.: Teor. e


EN

Pesq., Brasília , v. 26, n. spe, p. 51-64, 2010 . Available from


M

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
A
M
LI

37722010000500005&lng=en&nrm=iso>. access
PE

on 01 July 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722010000500005.


LI
FE
N
SO

Sobre a atuação psicossocial


D
U
R

Segundo Ploner et al.:


Podemos dizer que, hoje, temos uma gama significativa de práticas
psicossociais em comunidade, indicando uma grande variedade de atuações,
trabalhos e perspectivas epistemológicas (Gohn, 1987; Landim, 1998;
Montero, 1994a; Freitas, 2000b). Tratam-se de práticas de intervenção ou
atuação psicológica/psicossocial com características distintivas:
a. Dirigem-se aos mais diversos segmentos da população (como
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bairros; cortiços; favelas; mangues; alagados; diferentes grupos populares, civis,


religiosos; diversos movimentos populares; segmentos ou setores de entidades
civis, profissionais, comunitárias; comissões e/ou fóruns em educação, saúde,
direitos humanos; entre outros);
b. Localizam o objeto de investigação e/ou ação dentro de um
enquadre teórico diversificado (indo do individual, passando pelo familiar,
por pequenos grupos, até organizações e movimentos comunitários e/ou

05
populares de dimensões maiores);

5:
c. Selecionam algum tema como central e prioritário em suas proposições

:3
14
(provenientes da área da saúde, educação, trabalho; relações comunitárias e

8
01
organizativas; direitos humanos, violência e cidadania; formação profissional;

/2
qualidade de vida; relações de exclusão e inclusão social; emprego, desemprego e

08
7/
falta de perspectiva de vida, entre outros),

-1
d. Empregam aportes teórico-metodológicos diferentes e, em

m
co
algumas ocasiões, antagônicos entre si (podem se distribuir em um continuun

l.
ai
em que em um dos pólos há a adoção de referenciais mais objetivistas,

gm
quantitativos e supostamente imparciais, e no outro extremo há, somente, a

@
e4
adoção de perspectivas analíticas qualitativas e participativas, excluindo
ip
el

qualquer tipo de recurso e/ou material quantitativo);


nf
so

e. Estabelecem um tipo de relação de conhecimento entre o


ud

profissional e a comunidade que imprime rumos para o trabalho desenvolvido


-r

(o foco da decisão recai em um dos pólos da relação ou na síntese de ambos).


0
-0
43

Assim, hoje, talvez fosse mais adequado nos referirmos a esse tipo de
.3

prática no plural, uma vez que há várias psicologias (sociais) comunitárias, e


93
.4

não apenas uma, e muito menos consensuais entre si, para não dizermos tendo
24

concepções de homem e de sociedade, muitas vezes, díspares e antagônicas


-0

entre si.
ES
ES

Fonte: PLONER, KS., et al., org. Ética e paradigmas na psicologia social


EN

[online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2008. 313 p.


M

ISBN: 978-85-99662-85-4. Available from SciELO Books


A
M

<http://books.scielo.org>
LI
PE
LI
FE
N
SO
D
U
R

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Teoria das representações sociais.


A Teoria das Representações Sociais é uma teoria sobre a produção dos
saberes sociais. Foi criada por Moscovici e aprofundada por Jodlet. A teoria está
especialmente dirigida aos saberes que se produzem no cotidiano, e que
pertencem ao mundo vivido. Busca entender a sua criação, formação,
manutenção e alteração. Em breves palavras, estuda como construímos a

05
realidade.

5:
Essa abordagem não busca criar uma perspectiva única e absoluta de

:3
14
construção de realidade, mas uma perspectiva ampla para entender os mais

8
01
diversos fenômenos e objetos do mundo social.

/2
Para entendermos bem essa teoria, vamos visitar dois trechos de artigos

08
7/
que tratam dos fundamentos e do surgimento histórico. Dificilmente haverá

-1
alguma informação possível de ser cobrada em concurso além das que serão

m
co
expostas aqui.

l.
ai
Segundo Arruda:

gm
A partir dos anos 60, com o aumento do interesse pelos fenômenos do
@
e4
domínio do simbólico, vemos florescer a preocupação com explicações para eles,
ip
el

as quais recorrem às noções de consciência e de imaginário. As noções de repre-


nf
so

sentação e memória social também fazem parte dessas tentativas de explicação e


ud

irão receber mais atenção a partir dos anos 80. Como vários outros conceitos
-r

que surgem numa área e ganham uma teoria em outra, embora oriundos da
0
-0
43

sociologia de Durkheim, é na psicologia social que a representação social ganha


.3

uma teorização, desenvolvida por Serge Moscovici e aprofundada por Denise


93
.4

Jodelet. Essa teorização passa a servir de ferramenta para outros campos, como
24

a saúde, a educação, a didática, o meio ambiente, e faz escola, apresentando


-0

inclusive propostas teóricas diversificadas.


ES
ES

[…]
EN

A psicologia social aborda as representações sociais no âmbito do seu


M

campo, do seu objeto de estudo a relação indivíduo-sociedade e de um interesse


A
M

pela cognição, embora não situado no paradigma clássico da psicologia: ela


LI
PE

reflete sobre como os indivíduos, os grupos, os sujeitos sociais, constroem seu


LI

conheci- mento a partir da sua inscrição social, cultural etc., por um lado, e por
FE

outro, como a sociedade se dá a conhecer e constrói esse conhecimento com os


N
SO

indivíduos. Em suma, como interagem sujeitos e sociedade para construir a


D

realidade, como terminam por construí-la numa estreita parceria – que, sem
U
R

dúvida, passa pela comunicação. Mas isso só pode acontecer a partir de uma
certa conjuntura científica, […]
A obra seminal de Moscovici, La Psychanalyse, son image, son public,
que contém a matriz da teoria, surge em 1961 na França, causando espécie nos
meios intelectuais pela novidade da proposta. Entretanto, foi um rápido
momento de impacto que não produziu desdobramentos visíveis. A perspectiva
moscoviciana permaneceu encerrada no Laboratório de Psicologia Social da

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École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e nos
laboratórios de colegas como Claude Flament, Jean Claude Abric, no sul da
França, e outros também interessados por ela, de forma mais dispersa, na
Europa. A teoria aparentemente não vinga de imediato, fazendo sua reaparição
com força total no início dos anos 80.
[…]
A Teoria das Representações Sociais TRS operacionalizava um conceito
para trabalhar com o pensamento social em sua dinâmica e em sua diversidade.

05
Partia da premissa de que existem formas diferentes de conhecer e de se

5:
:3
comunicar, guiadas por objetivos diferentes, formas que são móveis, e define

14
duas delas, pregnantes nas nossas sociedades: a consensual e a científica, cada

8
01
uma gerando seu próprio universo. A diferença, no caso, não significa

/2
08
hierarquia nem isolamento entre elas, apenas propósitos diversos. O universo

7/
consensual seria aquele que se constitui principalmente na conversação

-1
m
informal, na vida cotidiana, enquanto o universo reificado se cristaliza no

co
espaço científico, com seus cânones de linguagem e sua hierarquia interna.

l.
ai
gm
Ambas, portanto, apesar de terem propósitos diferentes, são eficazes e

@
indispensáveis para a vida humana. As representações sociais constroem-se
e4
mais freqüentemente na esfera consensual, embora as duas esferas não sejam
ip
el

totalmente estanques. O quadro a seguir tenta sintetizar um pouco do que foi


nf
so

explicitado, acrescentando a visão corrente de que no universo consensual


ud

aparentemente não há fronteiras, todos podem falar de tudo, enquanto no


-r
0

reificado só falam os especialistas. De acordo com ele, seríamos todos sábios


-0
43

amadores, capazes de opinar sobre qualquer assunto numa mesa de bar,


.3

diferentemente do que ocorre nos meios científicos, nos quais a especialidade


93
.4

determina quem pode falar sobre o quê.


24
-0
ES
ES
EN
M
A
M
LI
PE
LI
FE
N
SO
D
U
R

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05
5:
:3
14
8
01
/2
08
7/
-1
m
co
l.
ai
gm
@
e4
ip
el
nf
so
ud
-r
0
-0
43
.3

O que Moscovici avança, com esta sistematização, é uma reabilitação do


93
.4

senso comum, do saber popular, do conhecimento do cotidiano, o


24

conhecimento “pré-teórico” de que falam Berger e Luckmann (1978). Se antes


-0
S

este saber era considerado confuso, inconsistente, equivocado (opinião sobre a


E
ES

qual tanto o iluminismo quanto o marxismo vão coincidir, acreditando que a


EN

superação do erro e da ignorância se dava pela via do pensamento científico).


M

Moscovici e Markova questionam a racionalidade científica e insurgem-se


A
M

contra a idéia de que as pessoas comuns, na vida diária, pensam


LI
PE

irracionalmente, ao afirmarem que:


LI

Na verdade, pode-se dizer que são os intelectuais que não pensam


FE

racionalmente, já que produziram teorias como o racismo e o nazismo.


N
SO

Acreditem: a primeira violência anti-semita ocorreu nas universidades, não nas


D

ruas. (1998, p.375)


U
R

Fonte: Arruda, Angela. Teoria das Representações Sociais e Teorias de


Gênero. Cadernos de Pesquisa, n. 117, nº 17. P. 127-147, novembro de 2002.

Agora vamos entender o que é a Teoria das Representações Sociais de


verdade. A seguir apresento parte do artigo mais objetivo e substancioso,
provavelmente, de toda a psicologia social. É tão raro disso acontecer que devo
exaltar esse feito. Vejam se estou correto ou não.

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Prepare o marcador de textos!
Para tratar do conceito de RS, é preciso compreender a passagem do
século XIX ao XX. O século XIX foi a época dos ideais revolucionários e dos
movimentos operários. Foi também o tempo de novos valores, ideias e
concepções de mundo. Do ponto de vista intelectual, foram reconstruídas
teorias e, entre estas, a da representação (BARRETO, 2005).
Etimologicamente, ‘representação’ provém da forma latina
‘repraesentare’ – ‘fazer presente’ ou ‘apresentar de novo’. Fazer presente alguém

05
ou alguma coisa ausente, mesmo uma ideia, por intermédio da presença de um

5:
:3
objeto (FALCON, 2000).

14
Jovchelovitch (1998) afirma que a noção de ‘representação’ era sinônimo

8
01
de cópia, de espelho do mundo. Representar era copiar ou reproduzir o social.

/2
08
Essa ideia influenciou, por longo tempo, as ciências sociais e a psicologia,

7/
-1
dando a ilusão da coincidência perfeita entre o psíquico e o mundo.

m
Na pré-história da Teoria das Representações, representação era

co
distinguida em dois níveis de fenômenos: o ‘individual’ e o ‘coletivo’, em razão

l.
ai
gm
da crença de que as leis que explicavam os fenômenos coletivos eram diferentes

@
das que explicavam os fenômenos individuais (FARR, 1995).
e4
Para Minayo (1995), os teóricos dessa fase estavam preocupados com o
ip
el

caráter coletivo das representações. Eram Schutz, Weber, Durkheim e Marx.


nf
so

Max Weber utilizou ‘Representação’ associando-a à ‘ideia’, ‘espírito’,


ud
-r

‘concepção’, ‘mentalidade’ para, de forma particular, elaborar sua noção de


0

‘visão de mundo’. Para Weber, a vida social – que consiste na conduta cotidiana
-0
43

dos indivíduos – é carregada de significação cultural. Essa significação provém


.3
93

da base material e das ideias, condicionando-se mutuamente (MINAYO,


.4

1995).
24
-0

Na concepção de Durkheim, o indivíduo sofre pressão das


S

representações dominantes na sociedade. É a sociedade que pensa ou exprime


E
ES

os sentimentos individuais. As representações não são, assim, necessariamente


EN

conscientes pelos indivíduos. Assim, de um lado, as representações conservam a


M

marca da realidade social onde nascem, mas também possuem vida


A
M
LI

independente, reproduzem-se e se misturam, tendo como causas outras


PE

representações e não apenas a estrutura social (MOSCOVICI, 2001).


LI

As críticas de Moscovici à concepção durkheimiana foram relevantes,


FE

pois:
N
SO

1) falta de preocupação em se buscar a origem da generalidade dos fenômenos


D
U

que o conceito de Representação Coletiva engloba: a ciência, a religião, os


R

mitos, a ideologia entre outros fenômenos sociais ou psíquicos;


2) a ausência da dinâmica das Representações Coletivas que não a torna
adequada aos estudos de sociedades complexas como a nossa onde existem
pluralidade de sistemas envolvidos (políticos, filosóficos, religiosos, entre
outros) e uma alta rotatividade do fluxo de representação.
Já Schutz usou o termo ‘senso comum’ para falar das Representações
Sociais do cotidiano. Para Shultz, da mesma forma que o conhecimento

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científico, o senso comum envolve conjuntos de abstrações,
formalizações e generalizações. Esses conjuntos são construídos, são fatos
interpretados no dia a dia. Desse modo, a existência cotidiana é dotada de
significados e portadora de estruturas de relevância para os grupos sociais que
vivem, pensam e agem em determinado contexto social. Esses significados -
que podem ser objeto de estudo dos cientistas sociais – são selecionados por
meio de construções mentais, de ‘representações’ do ‘senso comum’
(MINAYO, 1995).

05
Minayo (1995) mostra ainda uma terceira corrente na interpretação do

5:
:3
papel das Representações Sociais, a marxista. Aponta, na obra A Ideologia

14
Alemã, a categoria chave em Marx para tratar das representações, a consciência.

8
01
Para Marx, as representações, as ideias e os pensamentos são os conteúdos da

/2
08
consciência que, por sua vez, são determinadas pela base material.

7/
Para Jovchelovitch (1998), Moscovici emprestou de Durkheim o

-1
m
conceito de Representações Coletivas e o mudou para Representações Sociais.

co
De Freud, Moscovici tomou a ideia de que os processos inconscientes

l.
ai
gm
determinam à produção dos saberes sociais. Um dos textos decisivos para

@
Moscovici foi Teoria Sexual Infantil. Este estudo de Freud mostra como a
e4
criança quer saber e como o desejo de saber se intercala com o jogo entre os que
ip
el

querem e os que detêm o saber. Isso leva a criança a construir teorias que se
nf
so

erguem na base das relações entre o universo infantil e o universo adulto. Freud
ud

mostrou como o peso da transmissão cultural com aquilo que ela prescreve,
-r
0

permite ou interdita o conhecimento.


-0
43
.3

Conceitos e uso da Teoria das RS


93
.4

Guareschi (1996, p. 18) apresenta os elementos ligados ao conceito de


24
-0

Representação Social:
S

1) é um conceito dinâmico e explicativo, tanto da realidade social,


E
ES

como física e cultural, possui uma dimensão histórica e


EN

transformadora;
M

2) reúnem aspectos culturais, cognitivo e valorativo, isto é,


A
M

ideológicos;
LI
PE

3) estão presentes nos meios e nas mentes, isto é, ele se constitui


LI

numa realidade presente nos objetos e nos sujeitos; é um conceito


FE

relacional, e por isso mesmo social.


N
SO

O ato de representar não é um processo simples. Além da imagem, ele


D

carrega sempre um sentido simbólico. Conforme Jodelet (2001, p. 27), há


U
R

quatro características fundamentais no ato de representar:


- a representação social é sempre representação de alguma coisa
(objeto) e de alguém (sujeito);
- a representação social tem com seu objeto uma relação de
simbolização (substituindo-o) e de interpretação (conferindo-lhe
significações);
- a representação será apresentada como uma forma de saber: de

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modelização do objeto diretamente legível em diversos
suportes linguísticos, comportamentais ou materiais - ela é uma
forma de conhecimento;
- qualificar esse saber de prático se refere à experiência a partir da
qual ele é produzido, aos contextos e condições em que ele o é e,
sobretudo, ao fato de que a representação serve para agir sobre o
mundo e o outro.
Nesse caminho apontado por Jodelet (2001), a teoria das RS vai tratar da

05
produção dos saberes sociais, centrando-se na análise da construção e

5:
:3
transformação do conhecimento social. Saber aqui se refere a qualquer saber

14
produzido no cotidiano e que pertence ao mundo social

8
01
(JOVCHELOVITCH, 1998).

/2
08
Para Spink (1995a), as representações sociais são definidas como formas

7/
de conhecimento prático, inserem-se mais especificamente entre as correntes

-1
m
que estudam o conhecimento do senso comum. Tal privilégio já pressupõe a

co
ruptura com as vertentes clássicas das teorias do conhecimento, uma vez que

l.
ai
gm
estas abordam o conhecimento como saber formalizado, isto é, focalizam o

@
saber que já transpôs o limiar epistemológico, sendo constituídas por conjuntos
de enunciados que definem normas de verificação e coerência.e4
ip
el

Oliveira e Werba (2003) acrescentam que para aanálise das


nf
so

Representações Sociais há três níveis de compreensão:


ud

- nível fenomenológico – as RS são objetos de investigação. Esses


-r
0

objetos são elementos da realidade social, são modos de


-0
43

conhecimento, saberes do senso comum que surgem e se


.3

legitimam na conversação interpessoal cotidiana. Têm como


93
.4

objetivo compreender e controlar a realidade social;


24
-0

- nível teórico – é o conjunto de definições conceituais e


S

metodológicas, construtos, generalizações e proposições referentes


E
ES

às RS;
EN

- nível metateórico – é o nível das discussões sobre a teoria. Neste


M

expõem-se os debates e as refutações críticas aos postulados e


A
M

pressupostos da teoria comparando-a com modelos teóricos de


LI
PE

outras teorias.
LI

Há muito debate sobre o conceito de Representação Social, sua gênese,


FE

sua estruturação, sua dinâmica e possibilidade de mudança. A Teoria das


N
SO

Representações Sociais trata de operacionalizar o pensamento social em sua


D

dinâmica e sua diversidade. Parte do pressuposto de que existe forma de


U
R

conhecer e de se comunicar guiada por objetivos diferentes, formas que são


móveis. Moscovici define duas delas, ‘a consensual e a científica’, cada uma
gerando seu próprio universo.
Para Arruda (2002, p. 130) são:
- Universo consensual – [...] Aquele que se constitui
principalmente na conversação informal, na vida cotidiana. As
Representações Sociais constroem-se mais freqüentemente na

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esfera consensual, embora as duas esferas não sejam
totalmente estanques. As sociedades – são representadas por
grupos de iguais, todos podem falar com a mesma competência.
A Representação Social é o senso comum, acessível a todos.
- Universo reificado (ou científico) – Se cristaliza no espaço
científico, com seus cânones de linguagem e sua hierarquia
interna. A sociedade é de especialistas onde há divisão de áreas de
competência. Aqui é a Ciência que retrata a realidade

05
independente de nossa consciência; estilo e estrutura fria e

5:
:3
abstrata.

14
8
01
As Funções da Representação Social

/2
08
Para Moscovici (2004, p. 34), as representações apresentam duas

7/
funções:

-1
m
a) Elas ‘convencionalizam’ os objetos, pessoas ou acontecimentos

co
que encontram. Elas lhes dão uma forma definitiva, as localizam

l.
ai
gm
em uma determinada categoria e gradualmente as põem como um

@
modelo de determinado tipo, distinto e partilhado por um grupo
e4
de pessoas. Todos os novos elementos se juntam a esse modelo e
ip
el

se sintetizam nele. Mesmo quando uma pessoa ou objeto não se


nf
so

adequam exatamente ao modelo, nós o forçamos a assumir


ud

determinada forma, entrar em determinada categoria, na


-r
0

realidade, a se tornar idêntico aos outros, sob pena de não ser


-0
43

nem compreendido, nem decodificado. Nós pensamos através de


.3

uma linguagem; nós organizamos nossos pensamentos, de acordo


93
.4

com um sistema que está condicionado, tanto por nossas


24
-0

representações, como por nossa cultura;


S

b) Representações são ‘prescritivas’, isto é, elas se impõem sobre


E
ES

nós com uma força irresistível. Essa força é uma combinação de


EN

uma estrutura que está presente antes mesmo que nós comecemos
M

a pensar e de uma tradição que decreta o que deve ser pensado.


A
M

Essas representações são partilhadas pelas pessoas, influenciando-as. As


LI
PE

representações significam a circulação de todos os sistemas de classificações,


LI

todas as imagens e todas as descrições, mesmo as científicas (MOSCOVICI,


FE

2004).
N
SO

Para Abric (2000, p. 28), essas representações têm papel fundamental na


D

dinâmica das relações e nas práticas sociais e respondem a quatro funções que as
U
R

sustentam:
1) Função de saber: as RS permitem compreender e explicar a
realidade. Elas permitem que os atores sociais adquiram os
saberes práticos do senso comum em um quadro assimilável e
compreensível, coerente com seu funcionamento cognitivo e os
valores aos quais eles aderem.
2) Função identitária: as RS definem a identidade e permitem a

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proteção da especificidade dos grupos. As
representações têm por função situar os indivíduos e os grupos no
campo social, permitindo a elaboração de uma identidade social e
pessoal gratificante, compatível com o sistema de normas e de
valores socialmente e historicamente determinados.
3) Função de orientação: as RS guiam os comportamentos e as
práticas. A representação é prescritiva de comportamentos ou de
práticas obrigatórias. Ela define o que é lícito, tolerável ou

05
inaceitável em um dado contexto social.

5:
:3
4) Função justificadora: por essa função as representações

14
permitem, a posteriori, a justificativa das tomadas de posição e

8
01
dos comportamentos. As representações têm por função preservar

/2
08
e justificar a diferenciação social, e elas podem estereotipar as

7/
relações entre os grupos, contribuir para a discriminação ou para a

-1
m
manutenção da distância social entre eles.

co
Para compreender o fenômeno de algumas Representações Sociais,

l.
ai
gm
temos que perguntar: Por que criamos essas representações? A resposta é que a

@
finalidade de todas as representações é tornar familiar algo não-familiar
(MOSCOVICI, 2004). e4
ip
el

Moscovici considera que os universos consensuais são universos


nf
so

familiares nos quais as pessoas querem ficar, pois não há conflito. Nesse
ud

universo, tudo o que é dito ou feito, confirma as crenças e as interpretações


-r
0

adquiridas. Em geral, a dinâmica das relações é uma dinâmica de familiarização


-0
43

em que os objetos, pessoas e acontecimentos são compreendidos previamente.


.3

O não-familiar são as ideias ou as ações que nos perturbam e nos causam


93
.4

tensão. Essa tensão entre o familiar e o não-familiar é sempre estabelecida em


24
-0

nossos universos consensuais, em favor do primeiro.


S

No entanto, o que nos é incomum, não-familiar é assimilado e pode


E
ES

modificar nossas crenças. Esse é o processo de re-apresentar o novo


EN

(MOSCOVICI, 2004).
M

Para assimilar o não-familiar, dois processos básicos podem ser


A
M

identificados como geradores de RS, o processo de ‘ancoragem e objetivação’


LI
PE

(OLIVEIRA; WERBA, 2003).


LI

A ‘ancoragem’ é o processo pelo qual procuramos classificar, encontrar


FE

um lugar e dar nome a alguma coisa para encaixar o não-familiar. Pela nossa
N
SO

dificuldade em aceitar o estranho e o diferente, este é, portanto, percebido


D

como ‘ameaçador’. No momento em que nós podemos falar sobre algo, avaliá-
U
R

lo e, comunicá-lo mesmo vagamente, podemos, então, representar o não-usual


em nosso mundo familiar, reproduzi-lo como uma réplica de um modelo
familiar. Pela classificação do que é inclassificável, pelo fato de se dar um nome
ao que não tinha nome, nós somos capazes de imaginá-lo, de representá-lo
(MOSCOVICI, 2004).
Dessa soma de experiências e memórias comuns, extraímos as imagens, a
linguagem e os gestos necessários para superar o conflito gerado pelo saber não-

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familiar. Ancoragem e objetivação são maneiras de lidar com a
memória. A ancoragem mantém a memória em movimento, a qual é dirigida
para dentro e está sempre armazenando e excluindo objetos, pessoas e
acontecimentos classificados e nomeados por essa ancoragem de acordo com os
seus tipos. A objetivação, mais ou menos direcionada para fora (para outros),
elabora conceitos e imagens para reproduzi-los no mundo exterior
(MOSCOVICI, 2004, p. 78).

05
Os métodos e as técnicas de pesquisa na investigação com Representações

5:
:3
Sociais

14
Uma vez definido o problema a ser estudado e as populações envolvidas,

8
01
há que se decidir qual aspecto de RS será investigado para, em seguida, elaborar

/2
08
o instrumento e/ou procedimentos de pesquisa. Segundo Moscovici (1995), o

7/
objetivo do método é encontrar a verdade e a tarefa do pesquisador é de

-1
m
discernir qual dos métodos podem ser mantido com plena responsabilidade e,

co
qual deve ser abandonado, numa época de mudanças, tanto intelectual como

l.
ai
gm
sociais, sem precedentes.

@
A Teoria das Representações Sociais permitiu investigação com uma
e4
diversidade de métodos e técnicas de pesquisa. Discípulos de Moscovici como
ip
el

Denise Jodelet, Abric ampliaram os métodos e técnicas.


nf
so

No Brasil, no final dos anos 80, o conceito de RS surgiu nas revistas


ud

especializadas e simpósios internacionais. Após essa década, a TRS foi


-r
0

incorporada por pesquisadores de diferentes campos de investigação nas


-0
43

universidades. Destacaremos nesta seção, alguns exemplos dos métodos e


.3

técnicas de pesquisas na área. Para Wagner (1995, p. 164), no campo de


93
.4

pesquisa em Representações Sociais podem ser observados dois usos distintos


24
-0

de avaliação das RS, que dependem do interesse explicativo e do procedimento


S

de avaliação do pesquisador. Temos:


E
ES

a) Nível individual - a representação resultante será uma


EN

representação prototípica individualmente distribuída de


M

elementos comuns. Esses elementos prototípicos de uma


A
M

representação são frequentemente denominados núcleo central.


LI
PE

b) Nível Coletivo – as representações de um único e mesmo


LI

objeto social estão presentes em vários estados de elaboração em


FE

diferentes subgrupos e incluem aspectos diferenciados do objeto


N
SO

que variam na relevância que tem para cada subgrupo.


D

A representação global resultante é a representação coletiva completa


U
R

com elementos que não são comuns a todos os grupos, mas que são típicos ou
relevantes para um ou outro grupo social.
Há quatro dimensões metodológicas na pesquisa social, conforme Bauer
e Gaskell (2002). Estes assumem que o processo de pesquisa pode combinar
elementos ao longo das dimensões que seguem abaixo:
1. ‘os princípios do delineamento da pesquisa’, os quais incluem
os estudos de caso, estudos comparativos, levantamentos com

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amostragem, experimentos, observação participante e
etnografia;
2. ‘a obtenção de dados’, nível em que se consideram a entrevista
individual, o questionário, os grupos focais, filmes, vídeos,
observação sistemática, coleta de documentos e gravação de sons;
3. ‘a análise de dados’, que se subdivide em análise formal e
informal. A formal envolve os modelos estatísticos e as análises
estruturais. A informal envolve análise de conteúdo, a indexação,

05
a análise semiótica, a análise da retórica e a análise do discurso;

5:
:3
4. ‘o interesse do conhecimento’, que se refere às tradições dos

14
cientistas que podem ser identificadas em três categorias: controle

8
01
e predição, construção de consenso e emancipação e poder

/2
08
(empowerment).

7/
Na pesquisa em Representação Social, Spink (1995a) e Souza Filho

-1
m
(1995) apresentam alguns aspectos relativos às metodologias comumente

co
empregadas em estudos de RS:

l.
ai
gm
@
1 - Observação – Souza Filho (1995) afirma que o método de
e4
observação sistemática serve de pré-requisito para qualquer passo à frente no
ip
el

campo, é mais adotado pela maioria de estudiosos no mundo. Para Spink


nf
so

(1995a), a observação tem papel proeminente no estudo das representações


ud

sociais, dado que nos liberta da quantificação e da experimentação prematura


-r
0

com a consequente fragmentação do fenômeno estudado. A observação –


-0
43

estimulada pela teoria e armada de métodos analíticos e sutis – que nos dará os
.3

meios de entender a gênese e a estrutura das representações sociais in situ.


93
.4

Segundo Moscovici (2004), o estudo das representações sociais requer que nos
24
-0

retornemos aos métodos de observação.


ES
ES

2 - Coleta de dados – Souza Filho (1995) afirma que nessa fase, a


EN

compreensão do fenômeno seja feita em termos de observação, pois ainda não


M

se pode falar em causa e efeito, mas de interação entre elementos da realidade a


A
M

ser estudada. A ideia é trabalhar com pequenas amostras de diferentes


LI
PE

populações para evidenciar processos e produtos sociais a serem estudados em


LI

envergadura maior por instituições de pesquisa com mais recursos. O ideal seria
FE

usar a forma de linguagem mais próxima possível da realidade natural onde (e


N
SO

como) o fenômeno ocorre. De todo jeito, deve-se facilitar a expressão e a


D

interação, observada ou relatada, possibilitando o acesso do pesquisador à


U
R

realidade vivida pelo sujeito com outros sujeitos e com seus objetos de
representação. Para tanto, pode-se usar a observação participante, ou a
entrevista com roteiros abertos, ainda que contivesse temas geradores.
Segundo Spink (1995b), a coleta de dados exige longas entrevistas
semiestruturadas acopladas aos levantamentos do contexto social e dos
conteúdos históricos dos grupos estudados. A análise, centrada na totalidade do
discurso, é demorada e, consequentemente, utiliza-se de poucos sujeitos. O

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trabalho de interpretação do discurso segue os seguintes passos:
1. transcrição da entrevista;
2. leitura/escuta, intercalando a escuta de material gravado com a
leitura do material transcrito. Nessa etapa, é necessário ficar
atento às características do discurso: a variação (versões
contraditórias); a detalhes sutis, como silêncios, hesitações, lapsos
(investimento afetivo presente); retórica, ou organização do
discurso de modo a argumentar contra ou a favor de uma versão

05
dos fatos;

5:
:3
3. tendo apreendido os aspectos mais gerais da construção do

14
discurso, é preciso, em um terceiro momento, retornar aos

8
01
objetivos da pesquisa e, especialmente, definir claramente o

/2
08
objeto da representação.

7/
Spink (1995a) e Souza Filho (1995) apresentam outras formas para

-1
m
coletas de dados na pesquisa das Representações Sociais. Entre estas temos:

co
‘Técnicas Verbais’ – é a forma mais comum de trabalhar as

l.
ai
gm
representações. Consiste em dar voz ao entrevistado evitando impor as pré-

@
concepções e categorias do pesquisador. Como instrumento de pesquisa, o
e4
questionário pode ser enriquecido pela inclusão de um pequeno número de
ip
el

entrevistas em profundidade com alguns informantes representativos de


nf
so

posições sociais consideradas relevantes para a formação ou transformação das


ud

representações.
-r
0

‘Associação Livre ou Evocação Livre (EVOC)’ – a partir de um pequeno


-0
43

número de palavras-estímulo, podemos estabelecer associações livres. A técnica


.3

de coleta evocação livre foi proposta por Vergés (1992, apud NASCIMENTO-
93
.4

SCHULZE, 2000) que utilizou essa técnica para estudos de Representações


24
-0

Sociais por parte dos respondentes associadas aos conceitos de meio ambiente e
S

natureza. Essa técnica consiste em apresentar uma palavra geradora às pessoas e


E
ES

solicitar que produzam expressões ou adjetivos que lhe venham à cabeça


EN

(COSTA; ALMEIDA, 1999).


M

‘Dados já disponíveis’ – tais dados são as informações censitárias e


A
M

pesquisa de opinião convencional que indicam situações objetivas e subjetivas


LI
PE

da população estudada. Também são dados de materiais como textos,


LI

documentos pessoais, literatura de ficção, panfletos, anotações, desenhos.


FE

Moraes et al. (2000) utilizaram essa técnica para estudar as Representações de


N
SO

meio ambiente entre estudantes e profissionais de diferentes áreas de


D

conhecimento.
U
R

‘Técnica dos grupos focais’ - Spinelli (2002) utilizou essa técnica para
conhecer o conteúdo das Representações Sociais de Educação Ambiental dos
alunos de Licenciatura Plena em Pedagogia da Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT). Oliveira e Werba (2003) consideram essa técnica como um
dos instrumentos mais usados e desenvolvidos na investigação das
Representações Sociais. Os grupos focais podem ser descritos, basicamente,
como entrevistas que se fundamentam na interação desenvolvida dentro do

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grupo. O ponto-chave dos grupos focais é o uso explícito da
interação entre as pessoas para produzir dados e insights que seriam difíceis de
conseguir fora desta situação. Isso constitui uma vantagem da pesquisa com os
grupos focais, ou seja, a oportunidade que estes oferecem para a troca de ideias
de determinado tema, em um período limitado de tempo.
O emprego dessa técnica tem como objetivo focalizar melhor o objeto de
uma pesquisa; obter dados sobre atitudes, crenças e valores de um grupo ou de
uma comunidade. Além disso, auxilia o pesquisador a apreender o vocabulário

05
ou o universo nocional dos sujeitos para poder desenvolver os estudos

5:
:3
posteriores.

14
8
01
3 - Análise de Conteúdo – esta técnica permite visualizar os núcleos

/2
08
organizadores dos discursos, as variáveis e categorias, bem como os conflitos e

7/
consensos estabelecidos pelas pessoas dos grupos estudados. Possibilita observar

-1
m
os dados por meio de uma visão ampla, na qual a totalidade do material

co
coletado permite levantar categorias do grupo.

l.
ai
gm
De acordo com Bardin (1978), a análise de conteúdo (e de discurso)

@
apresenta duas funções complementares: a tentativa exploratória que amplia a
e4
descoberta dos conteúdos aparentes e a confirmação ou informação das
ip
el

hipóteses. A análise de conteúdo se faz pela técnica de codificação. Esta


nf
so

transforma os dados brutos do texto ou discurso, por recorte, agregação e


ud

enumeração, permitindo atingir uma representação do conteúdo. A técnica


-r
0

compreende três escolhas: a unidade de registro (o recorte), as regras de


-0
43

contagem (a enumeração), as categorias (a classificação e a agregação). A


.3

unidade de registro apresenta natureza e dimensões variáveis, podendo ser o


93
.4

tema, a palavra ou a frase (BARDIN, 1978).


24
-0

No que se refere às questões metodológicas, Spink (1995b) afirma que


S

atualmente o debate histórico sobre as possibilidades do conhecimento


E
ES

das ciências naturais e sociais tem levado a movimentos que convergem para
EN

uma epistemologia construtivista, ou seja, ao reconhecimento de que “a


M

realidade é caleidoscópica e que a multiplicidade de métodos pode enriquecer a


A
M

compreensão do fenômeno” (SPINK, 1995a, p. 128).


LI
PE

Para a autora, a utilização de diferentes instrumentos metodológicos


LI

para o desenvolvimento das teorias implícitas é um fator de enriquecimento da


FE

pesquisa, na medida em que permite a observação do objeto visto sob vários


N
SO

ângulos: explicações cognitivas, investimentos afetivos e demandas concretas


D

derivadas das ações no cotidiano.


U
R

Alguns pesquisadores de Representação Social na área de meio ambiente


utilizam a técnica de análise de conteúdo. Entre eles, Reigota (2002) em Meio
Ambiente e Representação Social; Arruda (1995) em Ecologia e
desenvolvimento: representações de especialista em formação e Tomanik
(2002), com o Grupo de Estudos Sócio-Ambientais (GESA-UEM/PR). Esses
estudiosos descrevem as Representações Sociais do meio ambiente em
segmentos da população para intervenção nos locais estudados.

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4 - Tratamento quantitativo - Spink (1995b) afirma que na validação


quantitativa de uma análise de RS, os testes paramétricos são os mais usados
para levantamentos extensivos. Os não-paramétricos são adotados para fazer
inferências em pequenas amostras. Os dados são importantes para quem
pretende tornar suas análises mais refinadas e seguras. O qui-quadrado, embora
seja um teste rudimentar, pode ser utilizado para a análise de RS, comparando
grupos a partir de frequências de temas ou atitudes.

05
Outra possibilidade de análise estatística são os testes de correlação que

5:
:3
exigem variáveis de tipo ordinal ou cardinal. Caso se pretenda verificar a relação

14
(associação ou dissociação) entre variável simbólica outra característica de

8
01
grupo, pode-se usar o teste de correlação.

/2
08
Souza Filho (1995) chama a atenção para investigações sociais. O

7/
primeiro cuidado se refere às ‘situações históricas gerais da sociedade e seu

-1
m
entorno’. O segundo cuidado, com consequência teórica e metodológica, é o da

co
‘especificação dos grupos de pertença’. Muitas vezes, apenas se têm amostras

l.
ai
gm
com indivíduos de acordo com os grupos sociológicos, quando o mais correto

@
seria especificar a dinâmica grupal, seu grau de coesão interna, normas, valores
e4
e linguagens. Pode-se recorrer nessa situação ao denominado grupo mínimo. O
ip
el

grupo mínimo é a técnica pela qual alguns psicólogos recriam no laboratório


nf
so

certas condições da vida social do grupo estudado.


ud

Em muitos casos, o uso de análise de conteúdo preconizado por Bardin


-r
0

(1978), é uma técnica que agrupa temas, expressões, discursos, modos de


-0
43

interação, entre outras particularidades, permitindo o entendimento do que


.3

ocorre em grupos reais a partir de inferência frequencial ou estatística.


93
.4

Fonte: Reis, Sebastiana Lindaura de Arruda e Bellini, Marta. Representações


24
-0

sociais: teoria, procedimentos metodológicos e educação ambiental . Acta


S

Scientiarum. Human and Social Sciences. Maringá, v. 33, n. 2, p. 149-159,


E
ES

2011
EN
M
A
M

Teoria da psicologia sócio histórica.


LI
PE
LI
FE

Essa teoria vai além da perspectiva marxista ou sócio-cultural. Temos de


N
SO

tratar aqui de Vygotsky, Bakhtin e Luria:


D

A perspectiva sócio-histórica, tendo o materialismo histórico-dialético


U
R

como pano de fundo, expressa em seus métodos e arcabouço conceitual as


marcas de sua filiação dialética. Analisando a produção de autores sócio-
históricos como Vygotsky, Bakhtin e Luria, percebo como a sua abordagem
teórica pode fundamentar o trabalho de pesquisa em sua forma qualitativa,
imprimindo-lhe algumas características próprias. A perspectiva sócio-histórica
baseia-se na tentativa de superar os reducionismos das concepções empiristas e
idealistas. Isso fica evidente no que Vygotsky (1896-1934) assinala como a

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"crise da psicologia" de seu tempo, que se debate entre modelos que
privilegiam ora a mente e os aspectos internos do indivíduo, ora o
comportamento externo. Procura desse modo construir o que chama de uma
nova psicologia que deve refletir o indivíduo em sua totalidade, articulando
dialeticamente os aspectos externos com os internos, considerando a relação do
sujeito com a sociedade à qual pertence. Assim, sua preocupação é encontrar
métodos de estudar o homem como unidade de corpo e mente, ser biológico e
ser social, membro da espécie humana e participante do processo histórico.

05
Percebe os sujeitos como históricos, datados, concretos, marcados por uma

5:
:3
cultura como criadores de idéias e consciência que, ao produzirem e

14
reproduzirem a realidade social, são ao mesmo tempo produzidos e

8
01
reproduzidos por ela (Freitas, 1996).

/2
08
Enquanto Vygotsky procura essa solução no campo psicológico, Bakhtin

7/
(1895-1975), enfrentando as teorias do fenômeno lingüístico, critica também as

-1
m
posições empíricas e idealistas do que denomina de objetivismo abstrato e

co
subjetivismo idealista e propõe, em sua perspectiva dialógica, o estudo da língua

l.
ai
gm
em sua natureza viva e articulada com o social pela interação verbal.

@
Analisando uma obra de Luria (1983), companheiro de Vygotsky,
e4
verifica-se também toda uma preocupação em encontrar um método de
ip
el

pesquisa compatível com este homem concreto e social. Justificando sua opção
nf
so

de trabalho, Luria comenta que, em sua época, a ciência podia ser dividida em
ud

duas categorias: a clássica e a romântica. Identifica a ciência clássica como


-r
0

aquela que focaliza os eventos de maneira fragmentada, concentrando-se em


-0
43

suas partes, em seus elementos isolados. Desta forma, a realidade viva fica
.3

reduzida a esquemas áridos e abstratos, o que bem se expressa na famosa frase


93
.4

de Goethe: "Cinzenta é a teoria, verde é a árvore dourada da vida". Luria


24
-0

observa que, em contrapartida, a ciência romântica não segue o reducionismo


S

dos clássicos, nem subdivide a realidade viva. Para ela é importante preservar na
E
ES

íntegra a variadíssima riqueza da vida, da realidade dos eventos concretos. A


EN

ciência romântica, assim, esforçava-se por ascender a uma compreensão


M

científica que não perdesse essas conotações de realidade viva e variada. Luria
A
M

comenta que a ciência romântica, no entanto, apresenta limitações, escapando-


LI
PE

lhe muitas vezes uma análise racional e paciente que é substituída por
LI

impressões intuitivas. Assim compreende que a solução encontrada por


FE

Vygotsky em relação à crise da psicologia, ou seja, conservar a concretude do


N
SO

fenômeno estudado, sem ficar nos limites da mera descrição, ou sem perder a
D

riqueza da descrição e avançar para a explicação, deve ser também uma das
U
R

metas da pesquisa. Considerando que o que faz da atividade psíquica uma


atividade psíquica é a sua significação, Bakhtin (1988) afirma que o objetivo da
psicologia não pode se restringir a explicar os fenômenos pela sua causalidade,
mas que deve se preocupar sobretudo em descrevê-los. Nisso apóia-se em
Dilthey, para quem somente uma psicologia descritiva e explicativa pode servir
de base às ciências humanas. Apesar de se reportar a Dilthey e considerar o seu
valor pela importância dada à significação e aos aspectos descritivos

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interpretativos, Bakhtin reconhece a base idealista de seu
pensamento, que não leva em conta o caráter social do signo. Vê aí a sua
limitação: a não-compreensão do vínculo indispensável entre signo e
significação. O signo, em Dilthey, serve apenas para expressar a vida interior,
privando o mundo material de todo o sentido e significação, dando primazia a
um espírito (sujeito) fora do tempo e do espaço. Ora, para Bakhtin, o signo é
um fenômeno do mundo exterior, e sua realidade é totalmente objetiva. Assim,
um signo não só reflete e refrata a realidade, como tem uma encarnação

05
material. Nesse sentido "a própria consciência só pode surgir e se afirmar como

5:
:3
realidade mediante a encarnação material em signos" (1988, p.33).

14
Pode-se perceber que as idéias de Vygotsky, Luria e Bakhtin procuram

8
01
realizar o objetivo clássico de focalizar os fatos, mas sem perder de vista a meta

/2
08
romântica de conservar toda a riqueza do objeto. Luria (1983) comenta que

7/
Marx descreve esse processo com a singular expressão: ascender ao concreto. As

-1
m
palavras de Luria expressam a sua convicção de que a abordagem científica

co
tradicional quantitativa é fundamentalmente limitada com respeito à vida. Para

l.
ai
gm
ele a ciência tem de ter algo mais, um complemento indispensável: a arte tem

@
de entrar na ciência, na qualidade de arte da descrição.
e4
Fonte: FREITAS, Maria Teresa de Assunção. A abordagem sócio-histórica
ip
el

como orientadora da pesquisa qualitativa. Cad. Pesqui., São Paulo , n. 116, p.


nf
so

21-39, July 2002 . Available from


ud
-r

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-
0

15742002000200002&lng=en&nrm=iso>. access
-0
43

on 03 July 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742002000200002.


.3
93
.4

Para encerrarmos esse tópico:


24
-0

A Psicologia socio-histórica foi criada em meio à Revolução Russa. Com


S

base na teoria marxista, podemos entender isso quando Veer e Valsiner (2001)
E
ES

afirmam que, como aspecto fundamental, Vygotsky usa o pensamento marxista


EN

para dizer que os seres humanos diferem dos animais no momento em que têm
M
A

uma história social e coletiva, não se adaptando passivamente à natureza, pois


M
LI

fazem uso de instrumentos no processo de trabalho. Outra ideia, vinda da teoria


PE

de Marx, foi a experiência duplicada, que consiste na capacidade do homem de


LI
FE

prever os resultados, ou seja, o homem é capaz de pensar nas consequências de


N

seus atos, e com isso ponderar qual seria a melhor ação.


SO

Vygotsky é tido também como um psicólogo interacionista por levar em


D
U

consideração o plano filogenético, que é a história da espécie, para entender


R

como se originam os processos que hoje são tipicamente humanos (Oliveira,


s/d): o sociogenético, que é a história da cultura onde o sujeito está inserido (a
autora acrescenta que esse plano não diz respeito somente a país, mas também a
classe social, valores, família, tipos de pares ou até mesmo a convivência
religiosa), e o plano ontogenético, que trata da história do desenvolvimento do
indivíduo como Ser desde seu nascimento; a ontogênese atenta não para o que
o sujeito aprendeu, mas para como ele aprendeu.

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Com os estudos de Rego (1995), é possível entender que um
dos conceitos mais abrangentes de Vygotsky é o de que os processos
psicológicos superiores – que correspondem aos funcionamentos tipicamente
humanos, tais como imaginação, planejamento, memória ativa, pensamento
abstrato, atenção voluntária, ações conscientemente controladas, pensamento
abstrato, raciocínio dedutivo e capacidade de planejamento – têm sua origem
no meio histórico e cultural (sociogênse e ontogênese), emergindo dos
processos psicológicos elementares.

05
Vygotsky lança mão do materialismo histórico dialético não só para

5:
:3
desenvolver seu conceito como também para explicá-lo, pois ele afirma que os

14
processos psicológicos superiores têm sua origem nas relações sociais, assim,

8
01
entende que o sujeito não é um mero receptáculo, mas é produtor e produzido

/2
08
pelo contexto em que vive.

7/
-1
É com os processos psicológicos superiores que Vygotsky apresenta um

m
conceito relacionado a outro, pois não há internalização se não houver

co
mediação, sendo que os dois estão intrinsecamente ligados aos processos

l.
ai
gm
psicológicos superiores. “Mediação, em termos genéricos, é o processo de

@
intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação deixa, então,
e4
de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento” (Oliveira, 2002, p. 26).
ip
el

Vygotsky acreditava que a relação do homem com o mundo é uma


nf
so

relação fundamentalmente mediada, e destacou dois tipos de elementos


ud
-r

mediadores, que são os instrumentos e os signos.


0

O instrumento é um elemento interposto entre o trabalhador e o objeto


-0
43

de seu trabalho, assim amplia a possibilidade de transformação do ambiente.


.3
93

Os signos são como se fossem os instrumentos, mas usados no campo


.4

psicológico. Oliveira (2002) explica que o signo age como instrumento na


24
-0

atividade psicológica, da mesma forma que a ferramenta em um trabalho


S

manual, por exemplo.


E
ES

Nesse processo, há também a internalização, que é outro conceito básico


EN

da teoria de Vygotsky. O processo de internalização é alcançado por dois


M

movimentos: o primeiro, com a utilização de marcas externas, transforma-se em


A
M
LI

processos internos de mediação, ou ainda, são desenvolvidos sistemas


PE

simbólicos, que organizam os signos em estruturas complexas e articuladas.


LI

Goes (2000) afirma que, para Vygotsky, o sujeito constitui suas formas
FE

de ação e sua consciência nas relações sociais; dessa forma, a ação do sujeito é
N
SO

considerada a partir da ação entre sujeitos. O plano psicológico, portanto, só


D
U

pode ser compreendido nas suas dimensões social, cultural e individual.


R

Assim, o desenvolvimento é alicerçado no plano das interações, ou seja, é


socialmente construído, e, nesse plano, é possível entender que os sistemas
simbólicos, e principalmente a linguagem, exercem papel essencial na
comunicação e na constituição de significados compartilhados que consentem
interpretações de objetos, eventos e situações do mundo circundante.
A linguagem como um todo, ou seja, todas as suas formas ocupam lugar
central na teoria de Vygotsky, uma vez que é um sistema simbólico básico de

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todos os grupos culturais. Outro fator que a torna importante para a
teoria é o surgimento do pensamento verbal e da linguagem, porque é o
momento em que o biológico se transforma em sociohistórico (Oliveira, 2002).
Vygotsky também introduziu dois níveis de desenvolvimento: nível de
desenvolvimento real, “o nível de desenvolvimento das funções mentais da
criança que se estabeleceram como resultado de certos ciclos de
desenvolvimento já completados” (Vygotsky, 2007, pp. 95-96), ou seja, é o que
o indivíduo consegue fazer de forma autônoma, independentemente do auxílio

05
de qualquer outro sujeito, enquanto o nível de desenvolvimento potencial se

5:
:3
refere à resolução de problemas sob a orientação de outro indivíduo mais

14
capacitado ou com mais experiência naquela tarefa. O grande diferencial da

8
01
teoria de Vygotsky é a zona de desenvolvimento proximal, que define as

/2
08
funções que ainda não amadureceram, mas que estão em processo de

7/
amadurecimento (Vygotsky, 2007).

-1
m
Fonte: LIMA, Paula Márcia de; CARVALHO, Carolina Freire de Carvalho

co
de. A Psicoterapia Socio-Histórica. Psicol. cienc. prof., Brasília , v. 33, n.

l.
ai
gm
spe, p. 154-163, 2013 . Available from

@
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
98932013000500015&lng=en&nrm=iso>. access on 03 July 2015. e4
ip
el
nf
so
ud
-r
0
-0
43
.3
93
.4
24
-0
ES
ES
EN
M
A
M
LI
PE
LI
FE

Subjetividade
N
SO
D
U

A subjetividade é um processo complexo, dinâmico e contextualizado


R

que remete à cognição que temos da realidade e aos condicionantes aprendidos


ao longo do tempo e, também, proporcionados pelo ambiente. No passado, a
subjetividade era vista apenas como um campo abstrato e entendido como um
fenômeno eminentemente individual. Na atualidade, percebemos a
subjetividade como um fenômeno social que é aprendido ao longo da vida e é
influenciado tanto pelos nossos propósitos em determinados momentos quanto
pelas distorções de julgamento.
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Estudar esse assunto significa entender os autores que versam
sobre isso e um pouco de suas distorções. Nos tópicos seguintes
aprofundaremos mais esse tópico.

Autores que trabalham a subjetividade


A subjetividade é o caminho para entender a formação do sujeito.
Porém, ao longo do tempo, muitos autores dedicaram partes de suas vidas para

05
5:
explicar o que era essa subjetividade, como ela se formava e a sua natureza. Para

:3
14
fins de concurso, interessa-nos a escola francesa.

8
A questão é: quem estuda a subjetividade? Principalmente, três

01
/2
pensadores da Filosofia francesa: Félix Guattari, Michel Foucault e Gilles

08
Deleuze. O que esses três pensadores têm em comum? A visão marxista e a

7/
-1
perspectiva de que o sujeito não se constitui antes da subjetividade, mas

m
co
somente a partir dela. Em outras palavras, não há uma natureza humana

l.
ai
comum entre todos, mas um aprendizado social constante e determinado

gm
historicamente que determina a identidade dos indivíduos.

@
Eis a foto desses sujeitos: e4
ip
el
nf
so
ud
-r
0
-0
43
.3
93
.4
24
-0
S

O primeiro é Félix Guatarri (nunca contrarie uma pessoa com


E
ES

olhos muito juntos). O segundo é Michel Foucault e o terceiro é Gilles


EN

Deleuze.
M

Félix Guattari define subjetividade da seguinte forma: “(. . .)


A
M

subjetividade não é passível de totalização ou de centralização no indivíduo”1.


LI
PE

Ou seja, vai dar trabalho conceituar subjetividade para Guatarri!


LI

Para ele, a subjetividade não pertence ao indivíduo e nem é algo


FE

estático, com um conteúdo definido. Ao contrário, a subjetividade é um


N
SO

fenômeno relacional, dinâmico e que é construído sempre a partir do “outro


D
U

social”. Assim, segundo o mesmo autor, a subjetividade é essencialmente


R

fabricada e modelada no registro do social.


Ela é precária e parcial. Precária por ser sempre incompleta e
frágil, por ser constantemente alterada. Parcial por ser constantemente
reconstruída a partir de nossas experiências singulares e, portanto, próprias. Sua

1
Mansano, Sonia Regina Vagas. Sujeito, subjetividade e modos de subjetivação na
contemporaneidade. Revista de Psicologia da UNESP, 8(2). 2009.
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construção leva em conta múltiplos componentes, heterogêneos na
maioria das vezes, que sempre se organizam de forma provisória para a
construção da realidade. É das trocas coletivas de registros que constituímos
nossa natureza humana e nossos valores, afetos e ideias.
Como não podia deixar de ser, para Félix Guatarri, a
subjetividade depende dos componentes vigentes em instituições, práticas e
procedimentos vigentes em cada tempo histórico. Que componentes são esses?
Tecnologia, linguagem, ciência, mídia, instituições, trabalho, capital,

05
informações, etc. Esses componentes podem ser abandonados, modificados e

5:
:3
reinventados em um movimento de misturas e conexões contínuos e

14
incessantes. Há um fluxo constante de movimentos entre o sujeito, sua

8
01
subjetividade e esses componentes. Observe que novos componentes são

/2
08
recorrentemente inventados e abandonados tendo, portanto, valor e duração

7/
históricos.

-1
m
Como não podia deixar de ser, o pé no marxismo não deixa

co
Guatarri escapar ao seu legado. Ele considera o capitalismo uma forma de

l.
ai
gm
dominação vigente que luta para impedir qualquer forma de movimento

@
próprio do indivíduo em direção a sua independência, evitando, assim, os
processos de singularização do sujeito. e4
ip
el

Seu entendimento de subjetividade, portanto, adquire um aspecto


nf
so

político. Qualquer mudança social deve começar, fundamentalmente, por


ud

mudanças de subjetividade.
-r
0

Michel Foucault, por sua vez, dedicou-se a estudar os processos


-0
43

de subjetivação. Ou seja: o modo pelo qual seres humanos tornam-se sujeitos.


.3

Seu método de trabalho é a investigação histórica e a análise dos elementos


93
.4

gerados por essa investigação. A subjetivação e a construção da identidade


24
-0

depende, portanto, do momento histórico em que vivemos e dos


S

condicionantes sociais aos quais estamos inseridos. Porém, essa mesma


E
ES

subjetivação é variável e pode apresentar mudanças em relação ao que


EN

deveríamos ser e ao que de fato somos.


M

Para este autor, a tendência ao universalismo (independente desse


A
M

universalismo ter uma ênfase no individualismo como forma de dominação ou


LI
PE

de um coletivismo de dominação) exerce um controle sobre o sujeito,


LI

obrigando-o a um comportamento obediente e dócil, inibindo as diferenças.


FE

Gilles Deleuze, avançando em algumas ideias de Foucault, defende que o


N
SO

sujeito somente existe após a subjetividade. Não há um sujeito antes de sua


D

construção subjetiva e, portanto, não existe uma condição humana prévia que
U
R

determine quem somos. A identidade social é construída socialmente através


das experiências e do contato com a realidade. Porém, para Deleuze, no contato
entre as forças existentes, é impossível prever o resultado desse encontro do
sujeito com novas pressões do ambiente. Essas pressões, forças, são os
elementos sociais que exercem influência sobre o sujeito.
Juntando Deleuze e Foucault, temos:

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Por isso mesmo, o sujeito não pode ser concebido como uma
entidade pronta, mas ele se constitui à medida que é capaz de entrar em contato
com essas forças e com as diferenças que elas encarnam, sofrer suas ações e, em
alguma medida, atribuir-lhes um sentido singularizado. Nesse movimento,
parte delas passa a compor o homem, dando uma forma (provisória) para o
“lado de dentro”. Quais são essas forças que compõem o homem? Salienta
Foucault: “(. . .) força de imaginar, de recordar, de conceber, de querer”
(Deleuze, 1988, p. 132). Cabe assinalar que a potência de ação dessas forças

05
também é variável. Assim, diante de uma dada experiência vivida, elas podem

5:
:3
ou não se manifestar.

14
Fonte: Mansano, Sonia Regina Vagas. Sujeito, subjetividade e modos de

8
01
subjetivação na contemporaneidade. Revista de Psicologia da UNESP, 8(2). 2009.

/2
08
7/
-1
m
Distorções na subjetividade

co
l.
ai
gm
Saindo do estudo dos autores, temos uma série de efeitos e conceitos

@
e4
para dominarmos tecnicamente a subjetividade humana. Estudar isso,
ip
el

especialmente para a nossa banca, significa seguirmos o roteiro apresentado


nf

pelo livro Psicologia Social, de Myers, de 2014.


so
ud

Myers apresenta duas iniciais distorções acerca da subjetividade: efeito


-r

holofote e ilusão de transparência:


0
-0

Efeito Holofote: a crença de que os outros estão prestando mais


43
.3

atenção em nossa aparência e comportamento do que realmente


93

estão.
.4
24

Ilusão de Transparência: A ilusão de que nossas emoções


-0

escondidas transparecem e podem ser facilmente identificadas


ES

pelo outros.
ES
EN

Além dessas distorções, temos dezenas de outras possíveis de


M

enumeração. O fato é que a mais comum é a dicotomização da realidade. Essa


A
M

dicotomia ocorre, geralmente, quando classificamos e desqualificamos uma


LI

outra subjetividade que afete nosso bem estar. Em outras palavras, significa
PE
LI

separar o que achamos útil para a nossa segurança psicológica e o que


FE

descartamos e, imediatamente, classificamos através de um discurso


N
SO

desqualificador.
D

Um excelente exemplo é a corrida eleitoral. Quem é melhor? Dilma ou


U
R

Aécio? Pergunte para um filiado de cada partido e claramente você verá um


discurso dicotomizado e pouco racional. Seria a racionalidade uma forma de
coibir tal distorção? Não necessariamente. Veremos isso adiante.

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Identidade e Contexto Social. Constituição da Subjetividade e
Identidade. Identidade e Processo de Individuação. Identidade e Sintomas
Sociais.

Entende-se por individuação o processo que conduz o indivíduo à


construção da sua identidade. Essa identidade é, como sabemos, baseada em
nossa subjetividade e em nossa relação com o meio. A noção de identidade,

05
portanto, contém duas dimensões: uma de ordem individual e outra de ordem

5:
:3
coletiva, mas que estão interconectadas.

14
O aspecto mais importante de nossa identidade é o nosso self. Esse self

8
01
pode ser entendido como nosso autoconceito, nossa identidade pessoal. Os

/2
08
elementos do seu autoconceito, as crenças específicas pelas quais você define a

7/
si mesmo, são seus auto esquemas.

-1
m
co
Autoconceito: respostas de uma pessoa à pergunta:

l.
ai
gm
“quem sou eu?”.

@
e4
Autoesquema: crenças sobre si mesmo que organizam e
ip
el

guiam o processamento de informações relacionadas ao


nf
so

self.
ud
-r
0

Esse autoconceito fundamenta nossa autoeficácia e nossa autoestima.


-0
43
.3

Auto eficácia: o senso de que somos competentes e


93
.4

eficazes, distinguindo da autoestima, que é o nosso senso


24
-0

de valor próprio. Um bombardeiro poderia sentir alta


S

auto eficácia e baixa autoestima.


E
ES
EN
M

Autoestima: auto avaliação global ou senso de valor


A
M

próprio de uma pessoa.


LI
PE
LI

Nossos autoconceitos incluem não apenas nossos auto esquemas sobre


FE

quem atualmente somos, mas também quem podemos nos tornar e o que
N
SO

tememos nos tornar. Esses são os selves possíveis e eles nos motivam tanto para
D

buscarmos o que queremos quanto para evitarmos o que não queremos.


U
R

Selves possíveis: imagens que sonhamos ou que


tememos nos tornar no futuro.

Para defendermos esse autoconceito e os selves possíveis, utilizamos


mecanismos de autoproteção e de agressão para mantermos equilibrada nossa
autoestima.

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Narcisismo, autoestima e agressão: narcisismo e


autoestima interagem para influenciar a agressividade.
Há correlação positiva entre a autoestima e o nível de
agressão (quanto maior a autoestima, maior é a chance
de resposta comportamentos agressivos).

05
Individualismo versus coletivismo

5:
:3
14
8
Temos duas tendências para lidarmos com as relações entre indivíduos e

01
/2
sociedade.

08
7/
-1
Individualismo é o conceito de dar prioridade aos seus

m
co
próprios objetivos e não aos do grupo e definir sua

l.
ai
identidade em termos de atributos pessoais mais do que

gm
de identificações do grupo.

@
e4
ip
Coletivismo significa dar prioridade às metas de nossos
el
nf

grupos (com frequência nossa família extensa ou grupo


so
ud

de trabalho) e definir nossa identidade de acordo.


-r
0
-0

Nossa identidade é formada através da relação social. Dessa relação


43
.3

temos o diálogo entre nossos valores e expectativas com a realidade. Surge,


93

dessa relação, o lócus de controle.


.4
24
-0

Lócus de controle: o grau em que as pessoas percebem


ES

os resultados como internamente controláveis por seus


ES

próprios esforços ou como externamente controlados


EN
M

pelo acaso ou por forças externas.


A
M
LI

Um baixo senso de lócus de controle gera o desamparo aprendido.


PE
LI
FE

Desamparo aprendido: senso de desesperança e


N

resignação adquirido quando um ser humano ou um


SO

animal percebe que não tem controle sobre maus eventos


D
U

repetidos. (Eventos aversivos incontroláveis à Percebida


R

a falta de controle à Desamparo aprendido).

Para cuidarmos de nós, mantermos a autoestima elevada, e para


defendermos nosso grupo, adotamos dois tipos de viés:

Viés do auto serviço: tendência de perceber a si mesmo


de modo favorável. Exemplos: atribuir o próprio sucesso
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à capacidade e esforço, e o fracasso à sorte e a coisas


externas; comparar-se favoravelmente com os outros;
otimismo irrealista; falso consenso e unicidade. Atenção:
esse autosserviço pode ter tanto um viés adaptativo
(quando ajuda a enfrentar melhor a realidade e reduzir o
estresse e depressão) quanto desadaptativo (quando
geram dissensos em grupos em função do elevado

05
individualismo ou geram maiores expectativas de

5:
reconhecimento do ambiente social).

:3
14
8
01
Viés favorável ao grupo: Quando os grupos são

/2
comparáveis, a maioria das pessoas considera o seu

08
7/
próprio grupo superior. Uma das táticas usadas para

-1
reduzir o valor de outros grupos é o viés favorável ao

m
co
grupo. Significa invalidar (por meio de explicação) os

l.
ai
comportamentos positivos dos integrantes de outros

gm
grupos; também, atribuir-lhes comportamentos

@
e4
negativos a suas disposições (ao mesmo tempo se
ip
el

desculpando tal comportamento por parte de seu grupo).


nf
so
ud

Decorrente desses tipos de viés, temos formas particulares de lidarmos


-r

com o efeito social.


0
-0
43
.3

Atribuições autofavoráveis: uma forma de viés de


93
.4

autosserviço; a tendência a atribuir desfechos positivos a


24

si mesmo e desfechos negativos a outros fatores.


-0
ES
ES

Pessimismo defensivo: o valor adaptativo de antever


EN

problemas e aproveitar a ansiedade para motivar uma


M

ação efetiva.
A
M
LI

Efeito do falso consenso: a tendência de superestimar a


PE
LI

semelhança de nossas opiniões e de nossos


FE

comportamentos indesejáveis ou malsucedidos.


N
SO
D

Efeito de falsa unicidade: a tendência de subestimar a


U
R

semelhança de nossas habilidades e de nossos


comportamentos desejáveis ou bem-sucedidos.

Auto impedimento: proteger a nossa autoimagem com


comportamentos que criam uma desculpa cômoda para o
posterior fracasso.

Auto apresentação: o ato de se expressar e se comportar


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de modos destinados a criar uma impressão favorável ou


uma impressão que corresponda a nossos ideais. Refere-
se a desejar uma imagem desejada tanto para uma plateia
externa (outras pessoas) quanto para uma plateia interna
(nós mesmos).

Auto monitoramento: estar sintonizado com o modo

05
como nos apresentamos em situações sociais e ajustamos

5:
nosso desempenho para criar a impressão desejada.

:3
14
8
01
/2
08
7/
-1
Identidade e Sintomas Sociais

m
co
l.
ai
gm
Aqui vai a minha aposta para esse concurso. Se algo desse tema for

@
cobrado, creio que sairá do seguinte trecho de artigo: e4
ip
A abordagem sociológica referente ao princípio de identidade de Morin
el
nf

diz que a noção de sujeito tem uma lógica biológica, que corresponde à lógica
so
ud

própria do ser vivo. O indivíduo é, evidentemente, produto de um processo de


-r

reprodução, ou seja, é produto do encontro entre um espermatozóide e um


0
-0

óvulo. Mas, esse produto é, ele mesmo, produtor no processo que concerne a
43
.3

sua progenitura num ciclo rotativo da vida. Também, a sociedade é, sem


93

dúvida, o produto de interações entre indivíduos. Essas interações, por sua vez,
.4
24

criam uma organização que tem qualidades próprias, em particular a linguagem


-0

e a cultura. Essas qualidades retroatuam sobre os indivíduos desde que vêm ao


ES

mundo, dando-lhes linguagem, cultura, etc. Isso significa que os indivíduos


ES
EN

produzem a sociedade, que produz os indivíduos. O sujeito é, pois um objeto


M

que ora se converte em causa, ora em efeito, ora em produto, ora em produtor.
A
M

Se lembrarmos as experiências fornecidas ao bebê pela mãe, veremos que


LI

estas irão ser determinantes na constituição da identidade da criança, a


PE

depender também de como esta mãe experienciou e recebeu cuidados relativos a


LI
FE

sua vivência de quando era bebê. Se as experiências, em sua maioria, são


N

gratificadoras para o bebê, este perceberá o mundo como predominantemente


SO
D

bom, e assim, se relacionará com este.


U
R

Em caso contrário, caso as experiências de privação e frustração


predominem neste relacionamento, a forma como a criança reagirá a sua
vivência de mundo será de agressão e destrutividade, desesperança,
desencantamento e apatia.
Klein já havia enfatizado até a importância das fantasias inconscientes na
formação da personalidade de um indivíduo e sua relação com as experiências
de realidade em sua conhecida teoria de desenvolvimento emocional primitivo
(seio bom x seio mau), enquanto Winnicott ressaltou a importância de um
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ambiente facilitador para os processos de maturação e integração do
ego do bebê.
Freud,em seu texto sociológico Psicologia das Massas e Análise do Eu,
descreveu a influência que sofre um indivíduo sob muitos aspectos, de pessoas
que adquiriram para ele importância de primeira ordem, enfatizando que as
relações familiares são o modelo de compreensão do que caracteriza
essencialmente a experiência humana. Esta formação social encontra-se entre o
modo de existência narcisista e o da existência da coletividade. Desta maneira,

05
entendemos a circularidade no processo de identidade e a relação de causa e

5:
:3
efeito que isto acarreta.

14
Se pensarmos na sociedade atual, dita moderna, com um capitalismo

8
01
selvagem acarretando cada vez mais desigualdades sociais, desestruturação

/2
08
familiar (com perda de vínculos e modelos parentais afetivos e continentes),

7/
violência, fome e miséria absolutas, obrigando os indivíduos a novas formas de

-1
m
produção, de consumo e de sujeição ao poder, através de enganosas estratégias

co
de dominação, percebemos a terrível imagem de mundo que está sendo

l.
ai
gm
apresentada às nossas crianças e o modo como estão constituindo-se suas

@
identidades e subjetividades.
e4
Concordamos com Maffesoli quando este caracteriza a identidade como
ip
el

uma sucessão de processos de identificação: ...o Eu é feito pelo outro, em todas


nf
so

as modulações que se pode dar a essa alteridade. Desta forma, o sujeito em seu
ud

caráter individualista fragiliza-se dando espaço à potência social. O coletivo vai


-r
0

determinar, então, o modo de ser dos sujeitos no contexto histórico-social no


-0
43

qual está inserido. Isto constitui o que o autor denomina máscaras da


.3

identidade.
93
.4

Touraine também vai descrever a formação do Ego como o produto final


24
-0

da ação exercida pelo Superego sobre o Id. Deste modo, o sujeito parece jamais
S

triunfar, anula-se a si mesmo, identificando-se com aquilo que lhe é exterior e


E
ES

impessoal.
EN

É bem verdade que, desde o século XVII, e particularmente a partir de


M

Descartes, o homem viveu um dualismo em relação ao conhecimento objetivo,


A
M

científico, e ao conhecimento intuitivo, reflexivo, ou seja, o mundo dos sujeitos.


LI
PE

Na ciência clássica, e mesmo nas ciências humanas e sociais, a subjetividade


LI

aparece como contingência, fonte de erros, e ainda hoje, assistimos à expulsão


FE

do sujeito no que se refere a sua singularidade e subjetividade, em detrimento


N
SO

de uma visão estruturalista, racionalista e cientificista.


D

A conseqüência disto, na era contemporânea, é uma incapacidade dos


U
R

indivíduos subjetivarem, tornarem-se sujeitos, o que resulta nos inúmeros


sintomas sociais da contemporaneidade, dentre os quais destacamos as
enfermidades. Estas se constituem formas inadequadas do sujeito lidar com a
sua subjetividade, fazendo expressar no corpo sintomas introjetados de uma
cruel realidade exterior.
O sujeito não se separa do corpo social no qual se constitui e está
inserido, não é livre para agir e ser reconhecido como ator, restando-lhe apenas

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a despersonalização, o sacrifício de si e a identificação com a ordem
impessoal da natureza ou da história.
Este pensamento sobre identidade é compartilhado por Guattari,
Rolnik, quando falam em agenciamentos coletivos de subjetividade. A
subjetividade é essencialmente fabricada e modelada no registro do social, mas
assumida e vivida pelos indivíduos. Essa subjetividade oscila desde uma relação
de alienação e opressão, na qual há uma sujeição ao processo de subjetivação, a
uma relação de expressão e criação, na qual o indivíduo se reapropria dos

05
componentes da subjetividade, produzindo o que os citados autores chamaram

5:
:3
de singularização.

14
Realmente, em cada sujeito singular, ocorre esta elaboração do material

8
01
cultural e sua transformação em traços psíquicos, ou seja, uma articulação entre

/2
08
o histórico-cultural e o psíquico, entre as estruturas sociais e o inconsciente.

7/
-1
m
IDENTIDADE, DOENÇA E SUBJETIVIDADE

co
[...]

l.
ai
gm
Se considerarmos a doença como uma disfunção orgânica ou psíquica,

@
que, por sua manifestação, quebra a dinâmica de desenvolvimento do indivíduo
e4
como um ser global, gerando desarmonia na pessoa e ocasionando um abalo
ip
el

estrutural na condição de ser dentro de sua sociocultura, entendemos, portanto,


nf
so

que com a doença, acontece uma ruptura na dinâmica e nas relações existentes
ud

entre o indivíduo consigo mesmo e com o mundo. O sujeito acometido por


-r
0

uma enfermidade, enquanto perdurar esta, assumirá uma nova condição. É


-0
43

quando surge o fenômeno ser ou estar doente, determinado por mudanças e


.3

perdas que modificarão sua identidade através da aquisição de novos processos


93
.4

de subjetivação.
24
-0

Canguilhem afirma que o estado de saúde de uma pessoa é o reflexo da


S

inconsciência que o indivíduo tem em relação ao próprio corpo. A condição de


E
ES

consciência surge pela sensação dos limites e obstáculos à saúde, tornando- se


EN

uma ameaça ao equilíbrio que cada um de nós, na condição de indivíduos,


M

deseja preservar.
A
M

Realmente a doença é sentida pelo indivíduo como uma agressão,


LI
PE

gerando um abalo na condição de ser. Se a sua instalação é de forma abrupta,


LI

vai dificultar ainda mais a adaptação gradativa à facticidade. A pessoa enferma


FE

tem ameaçado seu futuro com a impossibilidade de que não mais possa
N
SO

recuperar-se; a doença, dependendo de sua gravidade afasta o indivíduo doente


D

do convívio familiar, social, profissional, isolando-o e, por vezes,


U
R

discriminando-o. O próprio processo terapêutico, que envolve hospitalizações e


inúmeros procedimentos clínicos e/ou cirúrgicos, contribui para a
impessoalidade, anomia e perda da identidade anterior.
Santos, Sebastiani enfatizam que, para o ser doente, a enfermidade é
sentida como uma perda do Eu anterior, resultando em insatisfação e
desespero. O paciente entrega- se ao médico com o objetivo de resgatar a
identidade perdida.

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Porém, relembrando o pensamento de Groddeck, vemos que
saúde e doença, ao contrário do que normalmente se pensa, não são conceitos
opostos, mas sim, formas de expressão de uma só vida. A doença é uma criação
do organismo, é uma forma de manifestação ou um desejo de expressar algo
com a enfermidade. O citado autor enfatiza ainda que ficar doente tem um
sentido.
Pensamos, assim, que a enfermidade ou o sintoma é um ato metafórico,
ou seja, está no lugar de algo que não aparece. Esta doença ou sintoma deveria

05
ter sido simbolizada de outra forma, mas isto não foi possível, e o corpo tomou

5:
:3
o seu lugar, dando origem à enfermidade corporal.

14
É esta a correlação que, talvez, possamos fazer com a questão da

8
01
identidade e da subjetividade. Pessoas que, por algum fator causal (psicológico,

/2
08
social ou cultural), constroem suas doenças, manifestando seus sintomas das

7/
mais variadas maneiras (diferentes disfunções orgânicas e psíquicas) e

-1
m
subjetivando na forma possível e aceitável para a contemporâneidade. Estamos

co
nos referindo aqui ao contexto ético, constituído histórico e culturalmente, no

l.
ai
gm
qual o sujeito vai poder manifestar-se através dos inúmeros sintomas sociais,

@
entre os quais encontramos a problemática de saúde do nosso povo.
e4
Fonte: Coutinho, Yvana Oliveira. Identidade, subjetividade e sintoma na era
ip
el

contemporânea. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, vol. 16, num. 2,


nf
so

2003, pp. 49-53.


ud
-r
0
-0
43
.3
93
.4
24
-0
ES
ES
EN
M
A
M
LI
PE
LI
FE

Teoria da Atribuição em Psicologia Social


N
SO
D
U
R

A seguir transcrevo um excelente artigo que explica a Teoria da


Atribuição.

[...] A teoria da atribuição é uma das categorias da psicologia social que


foi apresentada por Fritz Heider, Kelley e Harold E. Edward Jones. Esta teoria
explica a maneira como a pessoa interpreta as causas dos eventos, o
comportamento de si mesmo e aos outros também.

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Psicologia Social
A psicologia social é o estudo científico de como os pensamentos das
pessoas, sentimentos e comportamentos são influenciados pela presença real,
imaginada ou implícita dos outros (psicólogo americano, Gordon Allport,
1985). Isto, naturalmente, não significa que ele explica todos os problemas
sociais, em vez disso, existem várias outras formas de determinar o fenômeno
social. Ao estudar as percepções das pessoas e os motivos, podemos
compreender por diversos cultos sociais como o racismo e sexismo a existir.

05
Curiosamente, estudando os sentimentos das pessoas e pensamentos, podemos

5:
:3
dizer o porquê e o que faz uma pessoa cair no amor. Essas descobertas dos

14
psicólogos sociais tendem a ser empíricos e teorias baseadas em laboratório, ao

8
01
invés de geral e global. Algumas das questões centrais relacionadas a ele são:

/2
08
Cognição social: Isto envolve o estudo dos processos cognitivos de

7/
compreender os outros e a nós mesmos. É basicamente o estudo de como as

-1
m
pessoas processam, armazenam e recuperar as informações disponíveis

co
socialmente, e aplicar o conhecimento a várias situações na vida cotidiana.

l.
ai
gm
Auto-imagem: Auto-imagem em nada, mas uma imagem mental de si

@
mesmo um, que é bastante resistente à mudança. Esta mudança não é apenas
e4
em termos de aparência física, como altura, peso, aparência, sexo, etc., mas
ip
el

também outros aspectos como, as coisas aprendidas no passado, quer por sua
nf
so

própria experiência e os erros ou por outros.


ud

[...]
-r
0

Atribuição Definição Theory


-0
43

A teoria da atribuição está preocupado com a forma como as pessoas


.3

interpretam eventos e relacioná-los com seu pensamento e comportamento. É


93
.4

uma percepção cognitiva que afeta a sua motivação. Esta teoria foi proposta
24
-0

pela primeira vez em um livro chamado, A Psicologia das Relações


S

Interpessoais por Fritz Heider, em 1958. De acordo com Heider, os homens se


E
ES

comportam como cientistas amadores em situações sociais. Ele também disse


EN

que, geralmente explicar o comportamento de duas maneiras: ou se atribui o


M

comportamento de uma pessoa ou uma situação. Atribuição significa,


A
M

literalmente, um subsídio de responsabilidade. Embora, a teoria foi proposta


LI
PE

inicialmente por Heider (1958), mais tarde, Edward E. Jones (1972) e Harold
LI

Kelley (1967) desenvolveram uma estrutura teórica, que é agora visto como um
FE

epítome da psicologia social.


N
SO

A teoria divide os atributos de comportamento em duas partes, fatores


D

externos ou internos.
U
R

Atribuição interna: Quando uma atribuição interna é feita, a


causa do comportamento do dado está dentro da pessoa, ou seja,
as variáveis que tornam uma pessoa responsável como atitude,
aptidão, caráter e personalidade.
Atribuição externa: Quando uma atribuição externa é feita, a
causa do comportamento é atribuído à situação em que o
comportamento foi observado. A pessoa responsável pelo

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comportamento pode atribuir a causalidade para o
ambiente ou o clima.
Em 1967, Kelley tentou explicar a forma como as pessoas percebem
atribuição interna e externa. Ele tentou isso, postulando o princípio da co-
variação. Este modelo ficou conhecido como modelo de covariação. O princípio
básico dos estados modelo covariação que o efeito é atribuído a uma das causas
que co-varia ao longo do tempo. Isto também significa que o comportamento
em várias ocasiões varia. O modelo de covariação considera três tipos principais

05
de informações para tomar uma decisão de atribuição e de observar o

5:
:3
comportamento de uma pessoa. Os três tipos de informações são:

14
Consenso informação: Isso responde ao fato de, como as pessoas com

8
01
estímulos semelhantes se comportam em situações semelhantes. Se a maioria

/2
08
das pessoas se comportam da mesma forma, ou seja, suas reações são

7/
partilhadas por muitos, o consenso é de alta. Mas, se ninguém ou poucas

-1
m
pessoas compartilham as reações, o consenso é baixa.

co
Informações distinção: Trata-se, como uma pessoa reage a diferentes

l.
ai
gm
situações. Existe um distintivo muito baixo, se a pessoa reage de forma

@
semelhante em todos ou na maioria das situações. No entanto, se uma pessoa
e4
reage de forma diferente em diferentes situações, diz-se que a especificidade é
ip
el

alta.
nf
so

Informações de consistência: Se a resposta de uma pessoa a estímulos


ud

diferentes e em situações variadas permanece a mesma, em seguida, a


-r
0

consistência é elevada.
-0
43

Mas o modelo Kelly covariação tem algumas limitações. O ser mais


.3

importante que isso, não consegue distinguir entre o comportamento


93
.4

intencional e não intencional.


24
-0

Fonte: Saúde e Fitness. Disponível em: http://saude-info.info/teoria-da-


S

atribuicao-de-psicologia-social.html
E
ES
EN

Ainda acerca da Teoria da Atribuição, temos as definições de Myers.


M
A
M
LI

Teoria da atribuição: a teoria sobre como as pessoas


PE

explicam o comportamento dos outros – por exemplo,


LI

atribuindo-o a disposições internas (traços, motivos e


FE

atitudes permanentes) ou a situações externas.


N
SO
D
U

Atribuição disposicional: atribuir o comportamento à


R

disposição e aos traços de uma pessoa.

Atribuição situacional: atribuir o comportamento ao


ambiente.

Erro fundamental de atribuição: a tendência do


observador de subestimar influências situacionais e

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superestimar influencias disposicionais no


comportamento dos outros (também conhecido como
viés de correspondência, porque como muita frequência
vemos o comportamento como correspondente a uma
disposição). Ex. Fulano (roubou, matou, trucidou, virou
argentino) porque quis, mas por ser (pobre, branco, etc.)

05
Ampliando o conhecimento da teoria das atribuições, temos o seu efeito

5:
mais nocivo quando delimita e, através de um preconceito, reduz as capacidades

:3
14
humanas através das profecias autorrealizadoras.

8
01
/2
Profecia autorealizadora: uma crença que leva à própria

08
7/
concretização. (Ex: fracasso escolar)

-1
m
co
l.
ai
Confirmação Comportamental: um tipo de profecia

gm
autorrealizadora na qual as expectativas sociais das

@
e4
pessoas as levam a se comportar de modos que fazem os
ip
el

outros confirmarem suas expectativas.


nf
so
ud
-r
0
-0
43
.3
93
.4
24
-0
ES
ES
EN
M

Classe Social
A
M
LI
PE

Para entendermos as diferenças individuais e as diferenças de classes,


LI
FE

devemos ter em mente o conceito de normalidade e anormalidade. As classes


N

são agrupamentos de pessoas segundo determinados critérios. No estudo de


SO

classes a identificação de classes pode refletir parâmetros estatísticos e


D
U
R

qualitativos (podendo variar num continuum). Uma classe social, por


exemplo, é um grupo de pessoas que têm status social similar segundo critérios
diversos, especialmente o econômico. O presidente do IBGE afirma que
recentemente muitos brasileiros que deixaram a faixa de pobreza e
miserabilidade e ingressaram no mercado de trabalho. Uma classe de sala de
aula é um grupo de alunos pertencentes a uma sala de aula. Em psicologia
podemos identificar diversos tipos de classes: alcoólatras, pessoas com QI com

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dois desvios padrões acima da média, crianças com Transtorno de
Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Não confunda o conceito de “classes” aqui trabalhado com o conceito
de “classes de comportamentos”. Apesar de tratarem de grupos (conjuntos)
delimitados, as classes de comportamentos, para Skinner, são comportamentos
contingentes. Uma classe de comportamentos, nas palavras de Botomé (2009)
pode ser explicado da seguinte forma:
“Aquilo que é chamado de “andar de bicicleta” é

05
um bom exemplo para entender o que é uma classe geral

5:
:3
de comportamentos (ou classe de comportamentos).

14
Aquilo que é denominado de “andar de bicicleta” é uma

8
01
classe de comportamentos. Mas por quê? Para andar de

/2
08
bicicleta a pessoa precisa aprender a segurar a bicicleta em

7/
pé com as mãos. Ela precisa aprender a passar uma das

-1
m
pernas por sobre o quadro da bicicleta para alcançar os dois

co
pedais. Precisa aprender a pedalar. Precisa aprender a se

l.
ai
gm
equilibrar com a bicicleta em movimento. Tem que ser

@
capaz de direcionar o guidão para não colidir com outras
e4
coisas. Necessita aprender a usar os freios. Todos esses
ip
el

comportamentos são denominados, em conjunto, de


nf
so

“andar de bicicleta” porque não há necessidade de falar de


ud

cada um dos comportamentos que constituem essa classe


-r
0

geral.”
-0
43

Fonte:
.3

http://www.cfh.ufsc.br/~ppgp/Saulo%20Botome.pdf
93
.4
24
-0

Deve-se destacar, no entanto, que existe a Teoria das Diferenças


S

Individuais. Essa teoria (mais apropriada pela psicologia social, sociologia e


E
ES

comunicação) supõe uma massa constituída de uma multidão de indivíduos


EN

capazes de, em teoria, reagir diferentemente em virtude de suas diferenças de


M

repertórios. Assim, mesmo sob um mesmo conjunto de estímulos, reagem de


A
M

forma diferente de acordo com suas personalidades.


LI
PE

O que é importante saber é que a identificação de diferenças


LI

individuais pode ser uma subetapa para a classificação em classes determinadas


FE

(diagnóstico). Precisamos enquadrar em classes para supor prognósticos e


N
SO

propor tratamentos (se necessário). Porém, é importante salientar, aproveitando


D

o início de nossos enfoques mais sociais na aula de hoje, que o liberalismo


U
R

utilizou o conceito de diferenças individuais para explicar as desigualdades


sociais. Assim, para eles, cada um faz o aproveitamento diferenciado das
condições sociais que a sociedade “igualitariamente” lhe oferece. Obviamente
que essa é uma visão distorcida e em defesa do próprio liberalismo. Esse
pressuposto liberal é desbancado, principalmente, pelo argumento que não
partimos de um mesmo ponto para termos acesso a escolhas iguais (não existe
igualdade de partida).

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Infelizmente, em paralelo ao florescer capitalista, a
psicologia também se desenvolveu com ênfase no individual em detrimento da
visão social, enquadrada em uma realidade e um contexto. A Psicologia passa
então a se debruçar nos estudos sobre a natureza humana, inconsciente,
processos de escolha, sofrimento, etc. A vida social é vista como uma
exacerbação dos fenômenos psicológicos (Totem e Tabu é um bom exemplo) e
os fenômenos sociais que afetam a singularidade são vistos a partir da ótica do
sofrimento e da adaptação. Assim, o fenômeno psicológico é visto como

05
descolado da realidade.

5:
:3
Aproveitando a introdução do assunto, essa perspectiva liberal e

14
baseada no sujeito reforça a exclusão social e faz uma acaba funcionando para a

8
01
conversão social. Outro livro que você deve ler após passar no seu concurso é

/2
08
“Cem anos de psicoterapia e o mundo cada vez pior” de Hillman e Ventura.

7/
O uso dos testes psicológicos são um testemunho dessa condição.

-1
m
Muitos testes foram criados por brancos nos EUA para justificar as diferenças

co
de classe e de condições entre brancos e negros naquele país. César Lombroso,

l.
ai
gm
um cientista italiano estudou a estrutura craniana por medida, de assassinos e

@
ladrões condenados em prisões, e as comparou com o cidadão comum,
e4
concluindo que havia uma simetria característica na caixa craniana do assassino.
ip
el

Este é um exemplo de construção ideológica na ciência, baseada no conceito de


nf
so

natureza humana, que se presta para justificar as diferenças sociais.


ud

Ninguém duvida hoje em dia que o nosso mundo interno seja forjado
-r
0

de acordo com as condições sociais (culturais, econômicas e de acesso a outros


-0
43

conteúdos) na qual vivemos. Nossa própria realidade é capaz de limitar nossas


.3

escolhas e circunscrever nosso desenvolvimento. No entanto, a psicologia ainda


93
.4

precisa de alguns saltos de qualidade para avançar em discussões sobre o papel


24
-0

de protagonismo dessa ciência diante das condições sociais em que vivemos.


ES
ES
EN
M
A
M
LI
PE

Processos Básicos: cognição, atitudes e


LI
FE

preconceito
N
SO
D
U
R

A definição de cognição, atitudes e preconceito é bastante simplória para


nossa preparação. Aqui vale aprofundar cada um desses temas e demonstrar as
suas relações.
A cognição social é o fundamento das nossas atitudes sociais. Em caso
de distorções, podemos manifestar preconceitos ou atitudes pouco úteis para o
convívio humano, assim como também podemos reforçar conceitos sociais
discriminantes e imorais.
O fundamento da relação dessa tríade é o nosso self interdependente.
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Self interdependente: interpretar a nossa identidade em


relação aos outros.

Para lidarmos com esse self, interpretamos a realidade e nem sempre o


que pensamos é o que fazemos de fato. Surge o conceito de atitudes duais.

Atitudes duais (dois tipo de atitudes que não são,

05
necessariamente, antagônicas): atitudes implícitas

5:
:3
(automáticas) e explícitas (conscientemente controladas)

14
diferentes ante o mesmo objeto. Atitudes explícitas

8
01
verbalizadas podem mudar com educação e persuasão;

/2
08
atitudes implícitas mudam lentamente, com prática que

7/
forma novos hábitos.

-1
m
co
O fato de não ter coerência entre as atitudes implícitas e as explicitas não

l.
ai
gm
significa que soframos por conta disso. Ao contrário, muitas vezes tal

@
descompasso serve justamente para mantermos nosso bem estar psicológico e o
nosso papel social. e4
ip
el

Entender como processamos a realidade significa entender o fenômeno


nf
so

priming.
ud
-r
0

Priming: ativar determinadas associações na memória.


-0
43
.3

Nem as memórias são ativadas aleatoriamente e nem elas são


93
.4

recuperadas em sua integridade. Dependendo de nosso estado de humor e das


24
-0

circunstâncias e que estamos, tenderemos a lembrar de determinados fatos em


S

detrimento de outros. Além disso, a forma de lembrar também varia de acordo


E
ES

com o momento em que vivemos (a memória não é um depósito objetivo de


EN

informações).
M

Voltando ao processo de cognição social, é comum observarmos a


A
M

perseverança da crença para mantermos o nosso bem estar psicológico.


LI
PE
LI

Perseverança da crença: persistência de nossas


FE

concepções iniciais mesmo com o descrédito de suas


N
SO

bases.
D
U
R

Outro efeito que pode nos enganar na interpretação da realidade é o da


desinformação.

Efeito da desinformação: a incorporação de


informações errôneas à lembrança do evento, depois de
testemunhar um evento e receber informações enganosas
sobre ele. (adição de informações enganosas sobre um

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evento e que podem induzir a um erro de memória).

Como é possível perceber, raramente nos dirigimos à realidade para


entendermos como ela realmente funciona. Afastar a subjetividade é uma tarefa
árdua e quase sempre estaremos norteados por pensamentos automáticos e da
busca de elementos que confirmem o que achamos que já sabemos.

05
Processamento controlado: pensamento “explícito” que

5:
é deliberado, reflexivo e consciente.

:3
14
8
01
Processamento automático: pensamento “implícito” que

/2
não requer esforço, habitual a sem consciência, e que

08
7/
corresponde aproximadamente à “intuição”.

-1
m
co
Fenômeno da confiança excessiva: tendência de ser mais

l.
ai
confiante do que correto – de superestimar a precisão de

gm
suas crenças.

@
e4
ip
el

Viés da confirmação: tendência de buscar informações


nf
so

que confirmem nossas suposições


ud
-r

A fundamentação desses pensamentos automáticos é a heurística.


0
-0
43
.3

Heurística: uma estratégia de pensamento que nos


93
.4

permite julgar de maneira rápida e eficiente.


24
-0

A vantagem da heurística é a economia de informações e a velocidade


ES
ES

com a qual entendemos a realidade. Temos dois tipos de heurística.


EN
M

Heurística da representatividade: a tendência de


A
M

presumir, às vezes a despeito de probabilidades


LI

contrárias, que alguém ou alguma coisa pertence a um


PE
LI

determinado grupo caso pareça (represente) um membro


FE

típico.
N
SO
D

Heurística da disponibilidade: uma regra cognitiva que


U
R

julga a probabilidade das coisas em termos de sua


disponibilidade na memória. Se exemplos de alguma
coisa não demoram para vir à cabeça, presumimos que
eles são comuns.

No livro Psicologia Social de Myers, temos o seguinte quadro de


heurísticas:

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Heurística Definição Exemplo Mas pode levar a


Representativi Julgamentos Concluir que Carlos Desconsiderar
dade instantâneos de se
é bibliotecário em outras
alguém ou algo se
vez de informações
encaixa em uma
caminhoneiro importantes.
categoria. porque ele
representa melhor a

05
imagem que temos

5:
:3
dos bibliotecários.

14
Disponibilidad Julgamentos Estimar a violência Dar demasiada

8
01
e rápidos sobre a de adolescentes importância a

/2
08
probabilidade dos após tiroteios na exemplos vívidos

7/
fatos (seu grau de escola. e, assim, por

-1
disponibilidade na exemplo, temer as

m
co
memória). coisas erradas.

l.
ai
gm
@
Essas heurísticas podem ocorrer em conjunto e são o fundamento do
e4
preconceito social, incluindo o racismo. Geram atitudes distorcidas e ajudam a
ip
el

reconfirmas crenças distorcidas da realidade.


nf
so

Como exemplos de distorções originadas das falhas heurísticas, temos


ud
-r
0

Erro de atribuição: atribuir um comportamento à fonte


-0
43

errada.
.3
93
.4
24

Pensamento contrafactual: imaginar cenários e


-0
S

desfechos alternativos que poderiam ter acontecido, mas


E
ES

não aconteceram.
EN
M

Correlação ilusória: percepção de uma relação onde não


A
M

existe nenhuma, ou percepção de uma relação mais forte


LI
PE

do que realmente existe.


LI
FE

Ilusão de controle: percepção de eventos incontroláveis


N
SO

como sujeitos a nosso controle ou como mais


D

controláveis do que são.


U
R

Regressão para a média: a tendência estatística de


escores extremos ou de comportamento radical
retornarem à media.

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Viés de impacto: superestimar o impacto duradouro de eventos causadores de


emoção.

05
5:
:3
Negligência imunológica: a tendência humana de subestimar a rapidez e a força

14
do “sistema imune psicológico”, o qual permite recuperação e resiliência

8
01
emocional depois que coisas ruins acontecem.

/2
08
7/
-1
Gestão da clínica em saúde mental

m
co
l.
ai
gm
Alguns breves trechos de artigo:

@
e4
As políticas públicas brasileiras estão estruturadas a favor do avanço da
ip
el

Reforma Psiquiátrica e da configuração de redes de atenção que garantam o


nf
so

acesso qualificado. Nesse contexto, propõe-se que os Centros de Atenção


ud

Psicossocial (CAPS) sejam responsáveis pela organização da rede de Saúde


-r

Mental, posicionando-se como uma referência para os demais serviços nas


0
-0
43

questões que envolvem sofrimento mental. Tal posicionamento exige que esses
.3

serviços respondam a dois mandatos: cumprir com sua função de saúde pública,
93
.4

respondendo na cultura pelo endereçamento da loucura, e fazê-lo segundo uma


24

clínica sustentada no acolhimento e no acompanhamento singular da


-0

construção subjetiva feita por cada paciente.


ES
ES

A complexidade que envolve o trabalho proposto aos CAPS exige a


EN

criação de arranjos que facilitem a aproximação singularizada entre


M

profissionais, pacientes e território de vida destes, possibilitando a construção e


A
M

o acompanhamento de projetos terapêuticos sensíveis às necessidades peculiares


LI
PE

a cada sujeito na relação consigo, com o seu sofrimento, com o CAPS e com o
LI

meio social que habita. Um dos arranjos destinados a tal finalidade é o trabalho
FE

de referência, organizado através de profissionais ou equipes de referência. Seu


N
SO

funcionamento baseia-se na formação de vínculo entre usuários e profissionais e


D

na co-construção do tratamento 5, de tal modo que, mediante a elaboração


U
R

compartilhada do projeto terapêutico, um profissional ou um grupo deles toma


para si os encargos do acompanhamento do paciente em suas diferentes facetas,
tais como questões emocionais, familiares, educacionais, habitacionais, laborais
e financeiras 6.
Material elaborado pelo Ministério da Saúde explicita que cabe ao
terapeuta de referência, em contínuo diálogo com sua equipe técnica e com o
usuário, monitorar junto deste o seu projeto terapêutico individual, fazer

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contatos com a família do paciente e avaliar periodicamente as metas
traçadas. Recente trabalho avaliou 78,88% dos CAPS existentes no país e
aponta que 49% destes trabalham a partir do técnico de referência e 31,8%
utilizam o modelo de mini-equipes de profissionais de referência como
dispositivos de acompanhamento dos projetos terapêuticos individualizados 7.
A despeito da ampla utilização desse arranjo, bem como de sua
importância para a viabilização do tratamento, ainda são escassos os trabalhos
que avaliam sua implantação e funcionamento, bem como balizamentos éticos e

05
conceituais que o sustentam.

5:
:3
No contexto internacional, o arranjo cujas funções se aproximam

14
daquelas delegadas às equipes de referência é o Case Management. Trata-se de

8
01
um processo em que um profissional, ou uma equipe, toma para si a

/2
08
responsabilidade de sustentar um relacionamento de suporte com um paciente

7/
no seu ambiente, identificando e assegurando-lhe a gama de recursos internos e

-1
m
externos essenciais para a vida em sociedade. Evidenciou-se que contribui para

co
diminuir drasticamente o número de internações psiquiátricas e aumentar a

l.
ai
qualidade de vida dos pacientes 9.

gm
@
Nos Estados Unidos, as abordagens terapêuticas do Case
e4
Management dividem-se entre Brokering Case Management e Clinical Case
ip
el

Management. Para o primeiro, a equipe é responsável pela inserção do paciente


nf
so

no meio extra-hospitalar, favorecendo as adaptações necessárias. Já no segundo,


ud

os profissionais se colocam como terapeutas primários, realizando ações de


-r
0

gerenciamento e de terapêutica clínica. Uma das vantagens do arranjo é sua


-0
43

flexibilidade para com as necessidades dos usuários, adotando uma abordagem


.3

multidisciplinar e orientações terapêuticas que almejam a reinserção social do


93
.4

paciente e não apenas a remissão de sintomas.


24
-0

[...]
S

Clínica e organização do serviço


E
ES

Os profissionais designam o técnico de referência como o "pivô", o


EN

"chave", o "coração" do CAPS. Explicam que ele tem a função de articulação do


M

tratamento junto ao paciente, identificando as necessidades, desejos, limites e


A
M

possibilidades deste, em diversos âmbitos. Reconhecem que é esperado que a


LI
PE

equipe de referência facilite a circulação do paciente entre os diversos


LI

profissionais, contudo sempre há um ou dois deles de quem cada usuário é mais


FE

próximo.
N
SO

Ao discutir as diferentes configurações do arranjo, os profissionais


D

concluem que é a "direção clínica" que deve determinar se o trabalho se estrutura


U
R

a partir do modelo de um ou dois profissionais de referência centrais, ou a partir


da equipe, com as funções diluídas. Portanto, entendem que as diversas
configurações possuem vantagens, conforme as necessidades de cada paciente.
Porém, contam que há grande dificuldade em formar redes dentro e fora do
CAPS, ainda que se trabalhe em equipe de referência. Afirmam que é comum
que o profissional de referência seja "...responsabilizado pela vida do paciente e
não apenas pelo seu tratamento...", ou que "...a equipe deposite nele tudo que é difícil

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para ela lidar coletivamente...". Nessas situações, bastante frequentes,
é como se dissessem uns aos outros "toma que o filho é seu", o que lhes representa
risco de praticar formas de controle sobre o usuário.
A constituição de redes externas ao CAPS é reconhecida como essencial,
mas de difícil sustentação, devido à escassez de recursos comunitários e à
sobrecarga do trabalho (associada, principalmente, ao grande número de
pacientes). Vários profissionais fazem apoio matricial nas unidades básicas e
despendem esforços para o compartilhamento de ações junto a serviços do

05
território dos pacientes. Entretanto, avaliam que essas iniciativas são

5:
:3
insuficientes e entendem que as UBS também se encontram sobrecarregadas,

14
tendo pouco tempo para a construção de um trabalho compartilhado com o

8
01
CAPS e apresentando dificuldades em destinar a atenção devida aos pacientes

/2
08
de saúde mental.

7/
Segundo esses sujeitos, a natureza e a diversidade de funções que

-1
m
envolvem o trabalho dos profissionais de referência constituem outro aspecto

co
que dificulta a sustentação da clínica. Dentre essas funções, encontram-se as

l.
ai
gm
denominadas de "burocráticas", tais como preenchimento de APACs

@
(Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade) e formulários para
e4
aquisição de benefícios, e aquelas ligadas à sobrevivência dos usuários, como
ip
el

aquisição de documentos pessoais, alimentação e moradia.


nf
so

Quando não discutidas e compartilhadas, essas práticas acarretam


ud

sobrecarga de trabalho e sofrimento. Segundo os profissionais, "...a equipe ou o


-r
0

profissional de referência vão responder pelo tratamento do ponto de vista prático, vão
-0
43

gerenciar mesmo. (...) Mas, cada profissional escolhe se prefere responsabilizar-se


.3

apenas pelas questões práticas, sendo puramente burocrático, ou se pretende oferecer


93
.4

um contorno clínico para suas condutas...".


24
-0

Para os familiares, a disponibilidade dos profissionais e o


S

acompanhamento de necessidades cotidianas e situações de crise são os fatores


E
ES

que definem o trabalho das equipes de referência. Eles percebem que os


EN

técnicos de referência são aqueles mais próximos do paciente e valorizam a


M

possibilidade de serem atendidos, sempre que necessário, por profissionais com


A
M

quem estão vinculados. Destacam a importância de contarem com assistência às


LI
PE

necessidades cotidianas, como preenchimento de formulários e, em sua maioria,


LI

dizem frequentar o CAPS principalmente nos momentos de crise do usuário.


FE

Nessas situações, é com o profissional de referência que conversam sobre os


N
SO

problemas que estão vivenciando e as providências necessárias.


D

Os usuários pouco falam das equipes de referência (constituída pelos


U
R

profissionais), mas discorrem enfaticamente acerca de uma atividade terapêutica


grupal, denominada "grupo de referência". Trata-se de um espaço formal, de
encontros semanais, entre parte dos profissionais e dos usuários de uma mesma
equipe de referência. Dizem que é nesse grupo que "ficam sabendo como está a
vida do outro", pois compartilham experiências.
Identificam um ou dois profissionais como os "seus referências" e
reportam-se a outros como "da sua referência", aludindo à equipe de referência.

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Explicam que o profissional de referência é pessoa com quem
conversam e tomam decisões. Foi quem os recebeu no CAPS, percebe quando
não estão bem ou não vão ao serviço, faz visitas em casa, conversa com a
família, indica leito noite, visita-lhes nas internações hospitalares, ajuda a
conseguir benefícios, procurar trabalho e lugar para viver.
A realização de tantas funções parece ser facilitada pela organização em
equipe de referência, já que esta permite que os profissionais se alternem de
modo que um deles sempre esteja no serviço. Uma paciente pontua: "Eu diria

05
que o grupo [equipe] de referência é um determinado número de pessoas que cuidam

5:
:3
da gente. Se um funcionário tira férias, ou se ausenta, há outra pessoa com quem você

14
pode contar...". Para que as equipes de referência funcionem dessa forma,

8
01
identificamos dois fatores fundamentais: a constância do acompanhamento e a

/2
08
disponibilidade dos profissionais em acompanhar os pacientes nas diversas

7/
questões que lhes são necessárias. Assim, a mesma usuária continua: "...A

-1
m
relação que eu tenho com as psicólogas da minha referência é diferente daquela que

co
tenho com outros profissionais do CAPS. Os outros não me conhecem; se eu vou

l.
ai
gm
conversar com eles, preciso contar toda a minha história novamente. E, para mim,

@
isso não dá certo".
e4
Através desse acompanhamento constante, outro fator valorizado pelos
ip
el

usuários é a possibilidade de serem percebidos singularmente, ainda que nem


nf
so

sempre consigam expressar aquilo que estão sentindo. Uma paciente pondera:
ud

"...uma referência que conhece a paciente, por conversar com ela há muito tempo,
-r
0

poderá perceber que alguma coisa está errada, como um pensamento de suicídio...". Já
-0
43

outra paciente assevera que, para ter tal percepção, a profissional de referência
.3

"...precisa acreditar nas verdades do paciente. Não pode ir dando sentença...".


93
.4

Todos os pacientes evidenciam ter relações de intensa proximidade e


24
-0

confiança com seus profissionais de referência, com quem contam para diversos
S

tipos de mediação da vida cotidiana. Todavia, tal proximidade apresenta alguns


E
ES

riscos de práticas controladoras. Uma paciente conta: "Referência é uma pessoa


EN

que toma conta da gente. Ela toma conta de mim, ela é minha responsável, é ela que
M

comanda tudo direitinho o que eu tenho que fazer, é ela que arrumou o benefício para
A
M

mim, que fica com o dinheiro, que controla tudo".


LI
PE

Por um monitoramento avaliativo


LI

A realização das oficinas permitiu que os sujeitos analisassem esses


FE

resultados e construíssem alguns parâmetros para a avaliação contínua daqueles


N
SO

aspectos eleitos como problemáticos. Assim, propuseram formas de


D

acompanhar o trabalho de referência no cotidiano dos serviços, pautadas nas


U
R

seguintes questões:
• Qual a porcentagem de pacientes que tiveram seu caso discutido no último
ano?
• Quantas dessas discussões incluíram o paciente e sua família?
• A equipe de referência discute, pelo menos, dois casos por semana?
• Os pacientes são atendidos, em grupo ou individualmente, por outros
profissionais além do seu profissional de referência e do seu médico?

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Discussão
Sabemos que a organização de uma equipe não garante a comunicação
efetiva entre seus componentes nem, tampouco, a aproximação destes com os
usuários. Os profissionais parecem pontuar essa problemática quando dizem
sentir-se excessivamente responsabilizados pelo caso, embora trabalhem em
equipe de referência e reconheçam situações de compartilhamento. Nesse
sentido, alguns autores sugerem que o funcionamento das equipes requer

05
permanente construção de pontes que permitam o tráfego entre os

5:
:3
profissionais, de tal modo que coloquem afinidades e diferenças em contato,

14
sem negá-las ou emudecê-las 6. Quando desobstruído, esse tráfego permite que

8
01
os pacientes circulem pelo serviço e pelos trabalhadores, encontrando distintos

/2
08
espaços de expressão e acolhimento para as suas experiências.

7/
Indicamos que o sustentáculo principal dessas pontes seja a construção

-1
m
do caso clínico, a qual permite que o paciente delineie os caminhos que

co
permeiam seu tratamento e indique suas necessidades, ao seu modo, tal como

l.
ai
gm
uma usuária recomenda ao afirmar que o profissional de referência "precisa

@
acreditar nas verdades do paciente". Esse trabalho exige um saber-fazer pautado
e4
nas relações cotidianas que envolvem a vida do paciente e, por isso, não pode
ip
el

ser completamente governado por planos pré-definidos. É necessário que o


nf
so

profissional suspenda seus saberes e tenha paciência e perseverança para


ud

acompanhar os passos do usuário no seu mundo social, ajudando-o a ampliar


-r
0

suas possibilidades de relação, no ritmo que lhe é possível.


-0
43

Instiga-nos identificar que profissionais e usuários localizam a clínica em


.3

lugares distintos: enquanto estes sentem-se cuidados quando recebem ajuda


93
.4

para a mediação da vida cotidiana, aqueles questionam-se acerca de tais


24
-0

práticas, entendendo que elas requerem um "contorno" clínico, e incomodam-


S

se com a possibilidade de que se transformem em assistencialismo. Tal


E
ES

incômodo é anunciado tanto pelos técnicos universitários, quanto por aqueles


EN

de nível médio, que explicitam a sensação de que o campo não pode admitir
M

tanta mistura.
A
M

Alguns autores nos ajudam a lidar com esse contraste, defendendo que o
LI
PE

trabalho clínico do profissional de saúde mental é político e se faz a partir das


LI

relações cotidianas do paciente, devendo instigá-lo a aumentar sua autonomia,


FE

favorecendo, concomitantemente, transformações sociais, de modo que os


N
SO

espaços de convívio com a diferença possam se ampliar. Desconsiderar tal


D

articulação incita práticas disciplinares e prescritivas, por serem desvinculadas


U
R

da experiência vivida e significada pelo paciente.


Sendo assim, vale questionar se os profissionais não estariam destinando
demasiadamente seus investimentos para o cotidiano do CAPS, em detrimento
da construção de um trabalho compartilhado com a atenção básica, por
exemplo. Não obstante os trabalhadores relatarem a realização de apoio
matricial em UBS, identificamos que a clínica dos pacientes psicóticos
permanece localizada dentro do CAPS e, em certa medida, dissociada de

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práticas radicadas no território dos pacientes. Esse quadro é
evidenciado pelos familiares que reconhecem nos técnicos de referência sua
única fonte de ajuda. Observe-se que essa forma de organizar o trabalho pode
favorecer o excesso de responsabilização dos profissionais de referência, tal
como eles mesmos se queixam.
Notemos, entretanto, que os profissionais que participaram da pesquisa
reclamam que, muitas vezes, não contam com o apoio de atores fora do CAPS.
Logo, é preciso considerar também a necessidade de ações da política de saúde

05
e de intersetorialidade que ofereçam recursos para o trabalho junto ao território.

5:
:3
Faz-se necessário, ainda, reconhecer a complexidade que envolve a

14
construção de um trabalho próximo ao usuário e, simultaneamente,

8
01
compartilhado com profissionais de dentro e fora do CAPS. Tal complexidade

/2
08
exige que a equipe disponha de espaços de supervisão institucional para analisar

7/
suas defesas inconscientes e tratar dos sofrimentos inerentes a uma prática que

-1
m
envolve relações íntimas com colegas e pacientes. Relações estas que ocorrem

co
num campo em que, sem se desfazer dos núcleos disciplinares, é necessário

l.
ai
gm
flexibilizar suas fronteiras, a fim de ampliar a capacidade de compreensão e

@
intervenção sobre as necessidades globais do paciente.
e4
Os aspectos que familiares e usuários valorizam do trabalho de referência
ip
el

nos permitem defender que a função de mediação da vida cotidiana dos


nf
so

usuários é facilitada pelo arranjo, uma vez que, através deste, os profissionais
ud

devem acompanhar seus pacientes nas diversas esferas da vida. Assim,


-r
0

concepções de clínica que consideram o sujeito na sua constante relação com o


-0
43

mundo social 3 instrumentalizam o profissional de referência a realizar também


.3

um importante trabalho político, na medida em que estimulam negociações


93
.4

entre os usuários e a cidade, contribuindo para que os sujeitos ampliem sua


24
-0

capacidade de realizar trocas e dialogar com a diferença. Consequentemente,


S

esses profissionais participam da execução da tarefa política da Reforma


E
ES

Psiquiátrica brasileira.
EN

Observemos que, ao desempenhar a mediação do cotidiano dos usuários,


M

não cabe ao técnico de referência fazer por estes, mas sim se adaptar ao ritmo e
A
M

às necessidades deles, oferecendo suporte para o contato consigo e com o outro,


LI
PE

bem como para as vivências que decorrem desse contato, estejam elas
LI

relacionadas ao ganho de autonomia ou a sensações de agonia e ruptura. No


FE

entanto, os profissionais asseveram que esse processo lhes exige o


N
SO

estabelecimento de relações muito próximas com seus pacientes, as quais os


D

sensibilizam para diferentes questões, como aquelas ligadas às paixões


U
R

profundas dos usuários ou à vida social destes, geralmente permeada por


extrema miséria. Tamanha proximidade pode levar o técnico de referência a
assumir atitudes onipotentes ou controladoras, correndo o risco de "controlar
tudo direitinho", conforme aponta uma usuária. Nesse contexto, ele tende a
oscilar movimentos em que fica identificado com o paciente (de modo excessivo
e patológico) e outros em que tenta dele se afastar, podendo desenvolver, por
exemplo, práticas burocráticas cindidas da clínica.

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Essas considerações nos levam a supor que o trabalho de
referência estrutura-se sobre um paradoxo: por um lado, os pacientes precisam
de relações singulares, em que os profissionais se identifiquem com eles e
reconheçam sua singularidade. Por outro lado, precisam também de um arranjo
sólido, que interdite tal identificação, quando ela não se mostra patológica.
Portanto, é imprescindível a constante comunicação entre as estruturações
coletivas e individualizadas, para que elas, permanentemente, sustentem-se,
desestabilizem-se e toquem-se. Esse fluxo de movimento permite que o

05
paciente encontre variados espaços para experimentar sua polifonia, alojá-la e

5:
:3
movimentá-la. Dentre as estruturas coletivas de sustentação, destacamos as

14
equipes de referência e os serviços e atores sociais de diferentes áreas, como

8
01
educação e serviço social.

/2
08
Os profissionais reconhecem que as equipes de referência funcionam

7/
como espaço de compartilhamento dos casos e de trocas de saberes, mas

-1
m
também observam que nem sempre elas funcionam desse modo. Salientamos

co
que a sustentação dos espaços de compartilhamento nas equipes exige

l.
ai
gm
regularidade de encontros, discussões e trabalho em comum, o que requer certa

@
escolha por parte dos profissionais de construírem e sustentarem uma instância
e4
coletiva de gestão da clínica. As oficinas da pesquisa criaram parâmetros para a
ip
el

avaliação desse trabalho, propondo a verificação do número casos discutidos e


nf
so

de atores envolvidos nessa discussão. Contudo, tal como os profissionais


ud

indicam, é provável que esse acompanhamento encontre resistências situadas


-r
0

nas relações de mercado de trabalho, nas buscas pessoais pela diferenciação e


-0
43

nas angústias ligadas aos ferimentos narcísicos, inerentes ao contato com a


.3

diferença 6. Acreditamos ser viável lidar com esses problemas através da


93
.4

sustentação de uma política pública de saúde mental, orientada pelos princípios


24
-0

da Reforma Psiquiátrica, e por meio da orientação clínica indicada pelos


S

pacientes.
E
ES

Cientes da complexidade que envolve esse trabalho, sugerimos que o


EN

profissional de referência sustente suas práticas em alguns balizamentos éticos


M

oferecidos pelas regras técnicas freudianas 24 que interditam as pretensões


A
M

onipotentes de tudo escutar, entender e saber 24. Para tanto, indicamos que
LI
PE

desenvolvam habilidade de suportar a habitação de uma zona paradoxal,


LI

localizada num interstício entre sua presença implicada junto ao paciente e sua
FE

capacidade de ausentar-se, colocando-se em reserva 25. Assim, é necessário


N
SO

colocar-se disponível para experimentar um contato emocional vivo com o


D

paciente, mas, ao mesmo tempo, conseguir se ausentar, reservando a este o


U
R

centro da cena. Para tanto, pode contar com suas próprias reservas, como as
experiências pessoais, a capacitação técnica, a supervisão 25 e também com a
equipe de referência.
Fonte: MIRANDA, Lilian; ONOCKO-CAMPOS, Rosana T.. Análise das
equipes de referência em saúde mental: uma perspectiva de gestão da
clínica. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro , v. 26, n. 6, p. 1153-
1162, June 2010 . Available from

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<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
311X2010000600009&lng=en&nrm=iso>. access
on 09 Aug. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2010000600009.

Psicologia hospitalar

05
5:
Dois livros que você deve buscar para aprofundar seus conhecimentos ao

:3
14
máximo sobre esse assunto são: Manual de Psicologia Hospitalar (Alfredo

8
01
Simonetti) e tudo de Chiattone (especialmente seu capítulo no livro “Psicologia

/2
da Saúde – um Novo Significado Para a Prática Clínica”). Arrisco dizer que são

08
7/
as bíblias do mundo dos concursos nessa área.

-1
Ao final dessa aula você deve saber os seguintes assuntos:

m
co
a) Definição de Psicologia Hospitalar

l.
ai
b) Conceitos: interconsulta, grupos de apoio, grupos Balint, etc.

gm
c) Como a psicologia hospitalar se caracteriza (formação e atuação

@
profissional) e4
ip
el

d) A avaliação psicológica no contexto hospitalar


nf
so

e) Psicologia Hospitalar em contextos específicos


ud

f) Algumas pitadinhas de ética no campo da Psicologia Hospitalar


-r
0
-0
43
.3

O que é a Psicologia Hospitalar


93
.4
24
-0

De acordo com o CFP, o psicólogo especialista em Psicologia


S

Hospitalar tem sua função centrada nos âmbitos secundário e terciário de


E
ES

atenção à saúde, atuando em instituições de saúde e realizando atividades como:


EN

atendimento psicoterapêutico; grupos psicoterapêuticos; grupos de


M
A

psicoprofilaxia; atendimentos em ambulatório e unidade de terapia intensiva;


M
LI

pronto atendimento; enfermarias em geral; psicomotricidade no contexto


PE

hospitalar; avaliação diagnóstica; psicodiagnóstico; consultoria e


LI
FE

interconsultoria.
N
SO

O Contexto da Psicologia Hospitalar


D
U
R

A psicologia hospitalar é uma área da psicologia da saúde que destina-se


a promoção da saúde no contexto hospitalar. Ela não possui um corpo teórico
próprio, mas um contexto de aplicação e um conjunto de princípios que
permitem e justificam a inserção do psicólogo no contexto em questão. Não
tem como objetivo tratar da psicopatologia psiquiátrica, mas do sofrimento
humano nesse contexto.

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Aqui temos de definir alguns termos para não corrermos o
risco de errarmos na prova. A psicologia hospitalar é oriunda da medicina
psicossomática e a psicologia médica. Aproximou-se da medicina
comportamental (quase sinônimo de psicologia da saúde) e constituiu campo
próprio, mas dentro da psicologia da saúde. Tranquilo, não é? Nem tanto...
O que é a medicina psicossomática? E psicologia médica?
A Medicina Psicossomática é a especialidade médica das enfermidades
etiologicamente determinadas por fatores emocionais, suscetíveis de

05
compreensão psicanalítica desde que adequadamente interpretados os conflitos

5:
:3
inconscientes específicos (Eksterman, 1975). Explicar os determinantes

14
psicológicos dos sintomas corporais tem sido o principal objetivo daqueles que

8
01
se dedicam à Medicina Psicossomática.

/2
08
O conceito de Psicossomática integra três perspectivas: a doença com sua

7/
-1
dimensão psicológica; a relação médico-paciente com seus múltiplos

m
desdobramentos; a ação terapêutica voltada para a pessoa do doente, este

co
entendido como um todo biopsicossocial (Eksterman, 1975). No Brasil, a

l.
ai
gm
grande maioria dos que militam em Psicossomática são psicanalistas,

@
psiquiatras e psicólogos que trabalham com referenciais analíticos (Mello Filho,
1992). e4
ip
el

Seguindo a vertente de Balint na Inglaterra, um psicanalista húngaro que


nf
so

realizou obra fundamental sobre a relação terapêutica em Medicina, e dando


ud
-r

um sentido eminentemente prático, Pierre Schneider propõe e define, em 1971,


0

a Psicologia Médica como um campo de estudo da relação médico-paciente


-0
43

(Mello Filho, 1992 & 2005).


.3
93

A Psicologia Médica é o braço clínico da concepção psicossomática


.4

original, com uma diferença fundamental: a Psicossomática estuda as relações


24
-0

mente-corpo e seu foco é a patogenia, enquanto a Psicologia Médica estuda as


S

relações assistenciais e seu foco é a terapêutica. O primeiro ressalta a questão


E
ES

diagnóstica e o segundo, a atuação clínica (Eksterman, 1992). Desse modo, "a


EN

Psicologia Médica vem a ser o todo que contém o particular, a visão


M

psicossomática da Medicina" (Mello Filho, 1992, p. 19), ou seja, a


A
M
LI

Psicossomática ficou sendo o campo conceitual e a Psicologia Médica o terreno


PE

da prática profissional.
LI

A Psicologia Médica tem como principal objetivo de estudo as relações


FE

humanas no contexto médico. A compreensão do homem em sua totalidade, no


N
SO

seu diálogo permanente entre mente e corpo, na sua condição biopsicossocial é


D
U

fundamental para a Psicologia Médica (Muniz & Chazan, 1992).


R

Os autores da Psicologia Médica afirmam que o campo é


primordialmente médico, como o próprio nome indica. A "sintomatologia
psíquica esconde, mascara o quadro orgânico que subjaz a estas condições que
necessitam de uma abordagem eminentemente médica. São situações que
exigem a presença de um médico no seu comando" (Mello Filho, 2005, p. 15).
Segundo Mello Filho (2005), o doente do corpo, com sintomas psicossomáticos
ou somatopsíquicos, é um paciente para ser assistido, a princípio, pelo médico.

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O paciente pode ser assistido pelo psicólogo, pelo assistente social,
por nutricionistas, pelo fisioterapeuta etc, sempre sob supervisão de um médico.
A Medicina Comportamental é uma área do conhecimento relacionada
às ciências da saúde, que reúne técnicas de modificação de comportamento para
prevenção, tratamento ou reabilitação. Fundamenta-se no conceito de que uma
grande parcela das doenças que afetam o homem decorre, principalmente, de
comportamentos disfuncionais. A Medicina Comportamental vem se
desenvolvendo desde a década de 70, com o encontro de diversas linhas de

05
pesquisa básica e aplicada sobre o papel fundamental da cognição, emoção e

5:
:3
comportamento para a etiologia, exacerbação, curso e prognóstico das doenças

14
da área médica (Neves Neto, 2004).

8
01
A história da Medicina Comportamental é recente, década de 70, e

/2
08
surge como uma reação dos profissionais da saúde descontentes com a divisão

7/
mente e corpo difundidas pelo modelo biomédico, e insatisfeitos com a

-1
m
Medicina Psicossomática que somente empregava teorias psicodinâmicas para

co
investigação das causas psicológicas de diferentes doenças físicas (Neves Neto,

l.
ai
gm
2004). A primeira utilização do termo Medicina Comportamental foi em um

@
livro no qual tenta diferenciá-la da medicina psicossomática, já que alguns
e4
autores entendiam que esta não cumpria seu papel de adaptar seus métodos e
ip
el

intervenções para ser mais clinicamente útil e relevante (De Marco, 2003).
nf
so

A característica definidora fundamental da Medicina Comportamental é


ud

a interdisciplinaridade, por se tratar de um conjunto integrado de


-r
0

conhecimentos biopsicossociais relacionado com a saúde e as doenças físicas, ou


-0
43

seja, considera a saúde e a doença como estados multideterminados por um


.3

amplo leque de variáveis, entre as quais se devem incluir as do tipo somático ou


93
.4

biofísicas, as do tipo psicológico ou comportamentais e as externas ou


24
-0

ambientais (Caballo, 1996).


S

O termo "Medicina Comportamental" é utilizado frequentemente e


E
ES

incorretamente como similar da "Psicologia da Saúde", porém, sua prática


EN

também inclui terapias psicofisiológicas aplicadas, tais como biofeedback,


M

hipnose e terapia comportamental de distúrbios físicos, aspectos da terapia


A
M

ocupacional, medicina, reabilitação e fisiatria, bem como medicina preventiva


LI
PE

(Caballo, 1996; Neves Neto, 2004; Leite, 2010).


LI

Já a Psicologia Hospitalar "é o campo de entendimento e tratamento dos


FE

aspectos psicológicos em torno do adoecimento" (Simonetti, 2004, p. 15). Para


N
SO

lidar com essa dimensão afetiva/emocional, a Psicologia Hospitalar é a


D

especialidade da Psicologia que disponibiliza para doentes, familiares e


U
R

profissional da equipe de saúde, o saber psicológico, que vem a resgatar a


singularidade do paciente, suas emoções, crenças e valores (Bruscato, 2004). O
objetivo da Psicologia Hospitalar é a elaboração simbólica do adoecimento, ou
seja, ajudar o paciente a atravessar a experiência do adoecimento através de sua
subjetividade (Simonetti, 2004).
De acordo com a definição do órgão que rege o exercício profissional do
psicólogo no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia, CFP (2010), o psicólogo

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especialista em Psicologia Hospitalar atua em instituições de saúde,
participando da prestação de serviços de nível secundário e terciário da atenção
à saúde, realizando atividades como: atendimento psicoterapêutico; grupos
psicoterapêuticos; grupos de psicoprofilaxia; atendimentos em ambulatório e
unidade de terapia intensiva; pronto atendimento; enfermarias em geral;
psicomotricidade no contexto hospitalar; avaliação diagnóstica;
psicodiagnóstico; consultoria e interconsultoria.
Ainda segundo o CFP, o psicólogo oferece e desenvolve atividades em

05
diferentes níveis de tratamento, tendo como principal tarefa a avaliação e

5:
:3
acompanhamento de intercorrências psíquicas dos pacientes que estão ou serão

14
submetidos a procedimentos médicos, visando basicamente a promoção e/ou a

8
01
recuperação da saúde física e mental. Promove intervenções direcionadas à

/2
08
relação médico/paciente, paciente/família, paciente/paciente e do paciente em

7/
relação ao processo do adoecer, hospitalização e repercussões emocionais que

-1
m
emergem neste processo. Além de atuar em instituições de saúde, atua também

co
em instituições de ensino superior e/ou centros de estudo e de pesquisa, visando

l.
ai
gm
o aperfeiçoamento ou a especialização de profissionais em sua área de

@
competência, ou a complementação da formação de outros profissionais de
e4
saúde de nível médio ou superior, incluindo pós-graduação lato e stricto sensu
ip
el

(CFP, 2010).
nf
so

O termo Psicologia Hospitalar tem sido usado no Brasil para designar o


ud

trabalho de psicólogos em hospitais. Essa denominação é inexistente em outros


-r
0

países além do Brasil (Sebastiani, 2003; Yanamoto, Trindade & Oliveira, 2002;
-0
43

Tonetto & Gomes, 2005). Yanamoto, Trindade e Oliveira (2002) e Chiattone


.3

(2000) explicam que o termo Psicologia Hospitalar é inadequado por pertencer


93
.4

à lógica que toma como referência o local para determinar as áreas de atuação, e
24
-0

não prioritariamente as atividades desenvolvidas. Assim, o termo denomina um


S

local de atuação e não um campo de saber.


E
ES

A APA (2010) demarca o trabalho do psicólogo em hospitais como um


EN

dos possíveis locais de atuação do psicólogo da saúde. Chiattone (2000) refere


M

que a Psicologia Hospitalar é apenas uma estratégia de atuação em Psicologia


A
M

da Saúde, e que, portanto, deveria ser denominada "Psicologia no contexto


LI
PE

hospitalar".
LI

Fonte: ALMEIDA, Raquel Ayres de e MALAGRIS, Lucia Emmanoel


FE

Novaes. A prática da psicologia da saúde. Rev. SBPH [online]. 2011, vol.14,


N
SO

n.2 [citado 2013-06-11], pp. 183-202 . Disponível em:


D
U

<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
R

08582011000200012&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1516-0858.

A atuação do psicólogo hospitalar


O foco da psicologia hospitalar é o paciente, sempre. Porém, sua atuação
não se refere apenas à atenção direta ao paciente, refere-se também atenção que
é dispensada à família e a equipe de saúde, dentro de sua atuação profissional.
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A atuação do psicólogo hospitalar promove mudanças, atividades
curativas e de prevenção, diminui o sofrimento que a hospitalização e a doença
causam ao sujeito. Sua atuação ocorre tanto no nível primário quanto
secundário e terciário de promoção à saúde.

Objetivos da Psicologia Hospitalar

05
5:
Simonetti constrói um quadro bastante didático quando define a

:3
14
psicologia hospitalar (p. 29):

8
Definição: A psicologia hospitalar é o campo de entendimento e

01
/2
tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento.

08
Objetivos: O objetivo da psicologia hospitalar é a subjetividade. O

7/
-1
objetivo da psicologia hospitalar é ajudar o sujeito a fazer a travessia da

m
co
experiência do adoecimento.

l.
ai
Filosofia: A filosofia da psicologia hospitalar é curar sempre que

gm
possível, aliviar quase sempre, escutar sempre. A filosofia da medicina é a cura;

@
a da psicologia hospitalar, além-da-cura. e4
ip
Estratégia: A estratégia da psicologia hospitalar é tratar do adoecimento
el
nf

no registro simbólico. É pela palavra que o psicólogo realiza seu trabalho.


so
ud

Técnica: Escuta analítica e manejo situacional.


-r

Paradigma: O ser humano como um todo... Se não o todo, ao menos o


0
-0

plural. “Não existem doenças, existem doentes.”(Perestrello).


43
.3
93

É um quadro bem sintético e bastante elucidativo. Principalmente pode


.4
24

demonstrar que toda questão sobre Simonetti deve ser entendida a partir do
-0

viés da psicanálise. Ele criou classificações próprias, mas sempre dentro da


ES

psicanálise.
ES

A psicanálise não é a única abordagem existente dentro do contexto


EN
M

hospitalar. Diversas outras linhas influenciam a forma de atuar do psicólogo


A

hospitalar. Mas é a psicanálise a linha mais comum das intervenções nesse


M
LI

campo, especialmente através da psicoterapia breve psicodinâmica (ou apenas


PE

dinâmica).
LI
FE

Ainda sobre a definição da psicologia hospitalar e de suas funções:


N
SO
D

De acordo com Cabral citando Rodríguez e Marín (2003) a Psicologia


U
R

Hospitalar é um conjunto de contribuições científicas, educativas e profissionais


que as várias correntes da psicologia oferecem para prestar uma assistência de
maior qualidade aos pacientes hospitalizados. O psicólogo hospitalar é o
profissional que detém esses saberes e técnicas para aplicá-los de forma
sistemática e coordenada, sempre com o intuito de melhorar a assistência
integral do sujeito hospitalizado. O trabalho do psicólogo hospitalar é
especificamente direcionado ao restabelecimento do estado de saúde do doente

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ou, ao controle dos sintomas que comprometem bem-estar do
paciente. Ainda segundo esse mesmo autor existem seis tarefas básicas do
psicólogo hospitalar:
A função de coordenação, relacionadas às atividades com os
funcionários da instituição.
A função de auxilio à adaptação, intervindo na qualidade do processo
de adaptação e recuperação do paciente internado.
A função de inter-consulta: auxiliando outros profissionais a lidarem

05
com o paciente.

5:
:3
A função de enlace, de intervenção, por meio de delineamento e

14
execução de programas com os demais profissionais, para modificar ou

8
01
instalar comportamentos adequados dos pacientes.

/2
08
Assistência direta: atua diretamente com o paciente.

7/
A função de gestão de recursos humanos: aprimora os serviços dos

-1
m
profissionais da instituição, o que contribui de forma significativa para a

co
promoção de saúde.

l.
ai
gm
No contexto hospitalar, o psicólogo deve buscar estabelecer um contato mais

@
próximo com outras profissões. A saúde não é de competência de um único
e4
profissional, ela é uma prática interdisciplinar e os profissionais das muitas e
ip
el

diferentes áreas de atuação, devem agregar-se em equipes de saúde. De acordo


nf
so

com Chiattone (2003) tendo como objetivos comuns estudar as interações


ud

somatopsicossociais e encontrar métodos adequados que propiciem uma prática


-r
0

integradora, tendo como enfoque a totalidade dos aspectos inter-relacionados à


-0
43

saúde e à doença.
.3

Conjuntamente com o enfoque da humanização do atendimento em


93
.4

saúde, a interdisciplinaridade é uma das bases da tarefa do psicólogo que


24
-0

adentra ao hospital, pois partindo do pressuposto de que o ser doente deve ser
S

considerado biopsicossocial. “Essas três esferas interdepende e inter-


E
ES

relacionam-se à outra, mantendo o ser doente, intercâmbios contínuos com o


EN

meio em que vive, num constante esforço de adaptação à sua nova condição de
M

doente [...].” (CHIATTONE, 2003, p. 32).


A
M

Está abrangência multidisciplinar e estratégica da atuação do psicólogo


LI
PE

hospitalar, pelo reconhecimento do campo de saúde como uma realidade


LI

complexa, e que necessita de conhecimentos distintos integrados é que define a


FE

necessidade de intervenção de forma imediata. Portanto, estas ações deveriam


N
SO

envolver profissionais de diferentes áreas em uma rede de complementaridade


D

onde são mantidas as exigências organizacionais unitárias.


U
R

Fonte: Vieira, Lamarquiliania Neiler Lacerda. A Atuação do Psicólogo no


Contexto Hospitalar. Disponível em: http://psicologado.com/ acessado em
agosto de 2014.

Problemas da Psicologia Hospitalar no Brasil


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Os problemas são vários. Podemos agrupar, de modo geral e
muito objetivo, em três dimensões:
a) a formação: precária, insuficiente para a prática hospitalar, centrada no
modelo de psicoterapia clínica, sem articulação com as instituições
hospitalares.
b) a complementação da formação: é necessária uma especialização para a
melhor atuação do psicólogo hospitalar; e
c) a atuação: a ação é variada e fragmentada, não existe um paradigma

05
comum de atuação dos profissionais de psicologia hospitalar. Estamos

5:
:3
em uma fase pré-paradigmática (em função do fraco e disperso

14
desenvolvimento da psicologia no Brasil).

8
01
/2
08
Ainda sobre essas críticas:

7/
-1
A prática da psicologia hospitalar dentro do ambulatório do HRAC se

m
assemelha ao que Soares (2001) postula como sendo adequada. Pois, para este

co
autor, o profissional da Psicologia deve promover condições favoráveis a

l.
ai
gm
reabilitação comportamental do paciente, enfatizar a melhora na relação

@
profissional-paciente, a preparação de pacientes para tratamentos cirúrgicos e
e4
hospitalização, favorecer a adesão ao tratamento e prescrições médicas, prepará-
ip
el

los para intervenções invasivas e aversivas.


nf
so

[...]
ud
-r

As relações de uma forma geral são permeadas de aspectos conflitivos e


0

antagônicos. No ambiente hospitalar, a confusão de papéis e a falta de


-0
43

conhecimento de cada especialidade tornam as relações difíceis,


.3
93

transferencialmente carregadas, envolvendo aspectos de rivalidade e hostilidade,


.4

sedução e indiscriminação, potencializadas pela proximidade dos contatos e por


24
-0

aspectos institucionais como cultura organizacional, clima organizacional entre


S

outros fenômenos.
E
ES

O psicólogo que adentra para o ambiente hospitalar deve adquirir esta


EN

percepção, caso contrário sua inserção e a efetividade do seu trabalho se iniciam


M

prejudicados. A exemplo disto, Felício (1998) refere que um sintoma dessa


A
M
LI

dificuldade acontece a partir das atuações cotidianas, onde o psicólogo se alia


PE

com o paciente contra a equipe, isolando-se com ele, não fazendo relatórios
LI

nem orientando seus colegas sobre o caso. Ou ainda pode ocorrer de o


FE

psicólogo ser manipulado pela equipe contra o paciente ou sua família. É


N
SO

necessário que os profissionais atuem em equipe multidisciplinar, com o


D
U

objetivo de compreender os processos sociais e psicológicos do paciente, além


R

do reconhecimento de fatores psíquicos que interferem em seus quadros


clínicos. Contudo, para o psicólogo, trabalhar em equipe não é uma tarefa das
mais tranquilas, pois, desde a sua formação, a maior parte do tempo, sua
atuação se faz de forma solitária.
Fonte: WAISBERG, Ariane David; VERONEZ, Fulvia de Souza;
TAVANO, Lílian D’Aquino e PIMENTEL, Maria Cecíli. A atuação do
psicólogo na Unidade de Internação de um hospital de reabilitação. Psicol. hosp.

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(São Paulo) [online]. 2008, vol.6, n.1 [citado 2014-07-31], pp. 52-
65 . Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-
74092008000100005&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1677-7409.

Objetivo(s) da Psicologia Hospitalar

05
5:
Aqui versaremos, en-passant, sobre a psicologia institucional.

:3
14
Para que haja uma conscientização por parte de todos os profissionais da

8
01
área médica dentro do ambiente hospitalar, o psicólogo tem como atuação

/2
básica, a humanização desde os cuidados com os pacientes até a equipe que os

08
7/
compõe.

-1
Segundo CAMON (1995) a psicologia hospitalar tem como objetivo

m
co
principal, diminuir o sofrimento do paciente provocado pela hospitalização.

l.
ai
Assim, a atuação do psicólogo junto ao paciente internado, deverá ser muito

gm
clara no contexto hospitalar e não psicoterápica dentro de moldes chamado

@
e4
“Setting terapêutico”. Isso acontece quando o psicólogo consegue trabalhar com
ip
um modelo amplo de atuação decorrente do processo e dentro dos conceitos de
el
nf

vida do paciente.
so
ud

Em contra partida, BLEGER (1989) sustenta que o profissional ao se


-r

deparar com a situação hospitalar junto ao paciente deve passar da atividade


0
-0

psicoterápica (doença e cura) à da psico-higiene, para isso impõem-se uma


43
.3

passagem dos enfoques individuais aos sociais.


93

Portanto, pode-se dizer que a intervenção psicoterápica, seja qual for sua
.4
24

modalidade, visa produzir uma mudança adaptativa para o equilíbrio do


-0

paciente frente a seus conflitos.


ES

CAMON (1992) coloca que é importante ressaltar a formação do


ES
EN

profissional na área hospitalar, decorrente da necessidade de uma reavaliação


M

emocional, dos próprios limites pessoais e principalmente da abrangência que


A
M

sua atuação irá atingir.


LI

Segundo BLEGER (1989) os objetivos da psicologia hospitalar tem


PE

como base terapêutica, no sentido que todo o hospital (sua estrutura) se


LI
FE

transforme em si mesma um agente psicoterápico de grande eficiência, em


N

profundidade e amplitude.
SO
D

À partir desse mesmo conceito, MOURA (1991 apud CAMON,1996)


U
R

discute que quando o paciente é internado num hospital, o que se torna


emergente e urgente são suas necessidades que precisam ser atendidas –
necessidades biológicas e orgânicas.
RIBEIRO (1993 apud CAMON,1996) acrescenta em sua reflexão à
respeito do hospital e sua inserção no mundo contemporâneo, como sendo
uma oficina, e o médico seu principal mecânico, tendo o tempo como fator
importante onde se produza mais e melhor .

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Tais considerações são importantes observadas frente à
necessidade de cura do paciente, mas principalmente o profissional da área
médica precisa não só de subsídios teóricos e práticos mas sim refletir sobre as
necessidades biológicas, psíquicas e sociais que o paciente está sofrendo pelas
modificações de sua realidade anteriormente tratada.
Segundo MICELI (1988) o psicólogo passa a ser fundamental, como
sendo o facilitador da comunicação entre soluções de problemas e sua atuação
junto à equipe médica. Segundo este prima é muito importante que consiga

05
detectar os recursos internos e externos de que o paciente dispõe para lidar com

5:
:3
tais situações de stress, podendo assim, ajudá-lo, estimulando-o com atividades

14
cognitivas e comportamentais, para melhora de sua integridade física e psíquica

8
01
e assim favorecendo suas relações interpessoais. Sendo importante que o

/2
08
psicólogo investigue a história de vida do paciente, o que ele pensa, sente no

7/
presente, que hipóteses faz sobre sua doença e tratamento. Com isso, as

-1
m
expectativas, mudanças, sentimentos de perda e angústia, percepção de si

co
mesmo e de sua imagem corporal antes e após o diagnóstico de sua patologia,

l.
ai
gm
poderão ser trabalhados de maneira correta e eficaz. Assim, o paciente poderá

@
observar o processo de adoecer desvinculado dos sentimentos de culpa e castigo,
e4
e também a cura como noção de prêmio. Esses aspectos são observados com a
ip
el

internação, onde o paciente, está submetido a ansiedade e preocupação com a


nf
so

cirurgia e suas conseqüências, suas possíveis e prováveis seqüelas, trazendo


ud

assim sentimentos de perda, solidão e medo, sendo importante também


-r
0

observar o estado emocional do paciente, que poderá atrapalhar ou até mesmo


-0
43

impedir a realização da cirurgia. Isso porque a internação hospitalar, separa o


.3

paciente do contexto familiar e social justamente no momento em que mais está


93
.4

fragilizado emocionalmente, diminuindo sua auto-estima e assim provocando


24
-0

sentimento de despersonalização.
S

No entanto, é importante que o psicólogo tenha uma visão ampla sobre


E
ES

o adoecer, a maneira como culturalmente cada um lida com determinada


EN

situação, pois para o paciente o adoecer é uma ameaça à auto-imagem corporal


M

idealizada, à identidade e à própria existência de qualquer que seja sua patologia


A
M

diagnosticada.
LI
PE

[...]
LI

Deste modo, essa nova visão do profissional da área hospitalar, além de


FE

todos os aspectos referentes à sua atuação, é preciso que este profissional insira
N
SO

conceitos de humanização dentro da instituição na qual atua, principalmente


D

trabalhar de maneira humana todos os demais profissionais da área, para que


U
R

possa ocorrer de forma positiva o trabalho com os pacientes internados. Assim,


a humanização do hospital traz em seu bojo de atuação a condição de análise
das relações interpessoais, de modo que não haja de maneira isolada, para que
assim possa atingir seus objetivos decorrentes de sua atuação (CAMON,1995).
[...]
Segundo SANTOS e SEBASTIANI (s/d apud CAMON, 1996) com a
internação, o indivíduo percebe que não é mais o mesmo, pois há uma ruptura

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em sua história , fazendo com que o mesmo perca ou tenha sua
identidade abalada.
Fonte: Psicologia Hospitalar: A atuação do Psicólogo na enfermaria e na
internação

Um pouco de ética na psicologia hospitalar

05
5:
E sobre a ética na saúde? Resumidamente é a parte da aplicação estrita

:3
14
do nosso código de ética. Sobre isso, vale a pena destacar:

8
01
Nesse ponto, posso tentar responder à segunda questão: em que o

/2
psicólogo que trabalha em instituições de saúde deve pautar-se para que sua

08
7/
postura possa ser considerada ética?

-1
Tentarei responder a essa questão considerando três possibilidades: 1) o

m
co
psicólogo deve pautar-se no Código de Ética Profissional do Psicólogo, pois o

l.
ai
seu cumprimento garante uma postura ética; 2) o psicólogo deve agir com base

gm
em suas convicções pessoais, guiado por seus valores e princípios, construídos

@
e4
ao longo de sua formação pessoal e profissional; 3) o psicólogo deve agir tendo
ip
el

como base princípios éticos que servem a todos, ou seja, princípios que não
nf

priorizem crenças ou valores pessoais.


so
ud

A primeira e a segunda possibilidade citadas baseiam-se no resultado de


-r

uma pesquisa realizada com psicólogas que atuam em instituições de saúde.


0
-0

Essa pesquisa constitui parte do Trabalho de Conclusão de Curso de minha


43
.3

autoria. Na oportunidade da pesquisa, foram entrevistadas seis psicólogas. O


93

objetivo foi pesquisar, principalmente, o conceito dessas profissionais no que


.4
24

concerne a ética, e identificar quais princípios servem como norteadores de suas


-0

práticas profissionais. A terceira possibilidade apontada constituiu a hipótese da


ES

pesquisa do referido Trabalho de Conclusão de Curso. As considerações


ES
EN

apresentadas a seguir baseiam-se na fundamentação teórica, discussões e


M

conclusão do trabalho.
A
M

Considerando a primeira possibilidade, convém questionar: será que a


LI

conduta ética pode sustentar-se unicamente no cumprimento do Código de


PE
LI

Ética Profissional do Psicólogo? E mais: o Código está no campo da ética ou


FE

no campo da moral?
N
SO

Anteriormente citei que o Código de Ética Profissional ou Código


D

Deontológico insere-se no quadro das normas jurídicas. Dessa forma, podemos


U
R

considerá-lo como sendo um sistema de regras, externo ao sujeito, cuja


finalidade é regular as ações dos profissionais da categoria, apontar suas
responsabilidades e deveres, bem como demarcar seus direitos. Agir de acordo
com as normas instituídas no Código Deontológico da categoria profissional
não é evidência suficiente para demarcar uma postura ética, pois o Código de
Ética Profissional tem caráter coercitivo devido às sanções a que são submetidos
aqueles que infringem alguma das normas que constituem o mesmo. A ética,
quando entendida como sendo uma postura reflexiva sobre a moral, possibilita a
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compreensão de que o Código de Ética Profissional é uma legislação
com objetivos específicos, sendo assim, subordinado à ética.
Por ser a ética compreendida como uma reflexão acerca das normas
morais vigentes, esta não se encontra expressa em Códigos, não existe na forma
de leis, não implica sanções, não normatiza quais são os comportamentos
adequados numa dada situação. Portanto, o cumprimento daquilo que está
instituído é da ordem da lei, da moral, e não da ética. Não obstante, ser ético
não implica cumprir o que manda a lei, mas refletir criticamente sobre as

05
normas morais vigentes, sejam elas sustentadas por hábitos, normas ou leis

5:
:3
regulamentadas pelo Estado ou órgão fiscalizador da categoria profissional.

14
Faz-se necessária a compreensão de que o Código não traz, em seus

8
01
cinquenta artigos, respostas precisas às questões éticas. Daí a necessidade de

/2
08
não limitar-se aos conteúdos inscritos no Código. Fica demarcado, portanto, o

7/
caráter referencial do mesmo, ou seja, que este serve como um relevante

-1
m
norteador para as atividades dos profissionais da categoria, pois trata de

co
direitos, deveres e responsabilidades. As particularidades de cada situação

l.
ai
gm
exigem uma ampla reflexão que inclui o Código de Ética Profissional do

@
Psicólogo, mas não se limita a ele.
e4
A segunda possibilidade apontada refere-se à ação do psicólogo guiada
ip
el

por seus valores e princípios, construídos ao longo de sua formação pessoal e


nf
so

profissional. Certamente devemos considerar que os princípios do psicólogo são


ud

relevantes e devem ser considerados e respeitados. No entanto, na relação com a


-r
0

pessoa atendida, não cabe ao psicólogo priorizar aquilo que ele, profissional da
-0
43

saúde, considera bom e correto, aquilo que acredita e valoriza. Atuando baseado
.3

unicamente em suas crenças e valores pessoais, o psicólogo estará trabalhando


93
.4

em prol da moralização, da adaptação da pessoa atendida a padrões que ele


24
-0

julga relevantes e, consequentemente, estará pondo em segundo plano os


S

valores, crenças e princípios da pessoa a quem está prestando os seus serviços. É


E
ES

a postura ética que permite a coexistência de valores que podem diferir (valores
EN

do psicólogo e valores da pessoa atendida), pois o respeito permeia as relações


M

onde há a reflexão crítica sobre a moral. Nesse caso, a diferença não é vista
A
M

como desvio, mas como uma das muitas possibilidades de ser e viver.
LI
PE

A terceira possibilidade que apontei refere-se à ação do psicólogo


LI

baseada em princípios éticos que servem a todos, portanto, princípios que não
FE

priorizem crenças ou valores pessoais. Aqui interroguei-me acerca da existência


N
SO

de princípios éticos que orientem os psicólogos frente às intervenções em


D

instituições de saúde. Pautar o agir em princípios sustentados pela ética talvez


U
R

fosse o recurso para uma ação profissional livre de padrões fundamentados em


regras, normas ou valores pessoais. No entanto, não foram encontradas, através
de pesquisa bibliográfica, referências a princípios éticos que pautem,
especificamente, a intervenção dos psicólogos nas instituições de saúde. Porém,
foram encontrados princípios que norteiam o trabalho de todos os profissionais
vinculados aos cuidados com a saúde.

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Fonte: MEDEIROS, Giane Amanda. Por uma ética na saúde:
algumas reflexões sobre a ética e o ser ético na atuação do psicólogo. Psicol.
cienc. prof. [online]. 2002, vol.22, n.1 [cited 2013-06-11], pp. 30-37 . Available
from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
98932002000100005&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1414-
9893. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932002000100005.

Meus queridos colegas, eu ia parar por aqui, mas tomo essa licença

05
poética para citar a continuação do primeiro artigo que vimos. Ele é realmente

5:
:3
excepcional para a área. Acompanhe:

14
Psicologia Hospitalar

8
01
Como já mencionado anteriormente, o termo Psicologia Hospitalar tem

/2
08
sido usado no Brasil para designar o trabalho de psicólogos da saúde em

7/
-1
hospitais. Algumas pesquisas têm identificado o Brasil como um dos pioneiros

m
mundiais na construção de uma nova especialidade em Psicologia, a Psicologia

co
Hospitalar, que agrega os conhecimentos da Ciência Psicologia para aplicá-los

l.
ai
gm
às situações especiais que envolvem os processos doença-internação-tratamento

@
permeados por uma delicada e complexa relação determinada pela tríade
e4
enfermo-família-equipe de saúde. Não se trata, portanto, de simplesmente se
ip
el

transpor o modelo clássico de trabalho psicológico e psicoterápico desenvolvido


nf
so

no consultório para o hospital, mas do desenvolvimento de teorias e técnicas


ud
-r

específicas para a atenção às pessoas hospitalizadas, que em sua grande maioria


0

apresentam demandas psicológicas associadas ao processo doença-internação-


-0
43

tratamento, tanto como processos determinantes quanto como reações que


.3
93

podem agravar o quadro de base destes pacientes, e/ou impor sequelas


.4

dificultando ou mesmo inviabilizando seu processo de recuperação (Sebastiani


24
-0

& Maia, 2005).


S

De acordo com Simonetti (2004, p. 15) "A Psicologia hospitalar é o


E
ES

campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do


EN

adoecimento". Segundo o autor, o objeto da psicologia hospitalar se refere aos


M

aspectos psicológicos e não às causas psicológicas. Para o autor, psicologia


A
M
LI

hospitalar não trata apenas das doenças com causas psíquicas, mas sim dos
PE

aspectos psicológicos de toda e qualquer doença. Desta forma, toda doença


LI

apresenta aspectos psicológicos; toda doença encontra-se repleta de


FE

subjetividade, e por isso, pode-se beneficiar do trabalho da psicologia


N
SO

hospitalar.
D
U

Simonetti (2004) afirma que, diante da doença, o ser humano manifesta


R

subjetividades: sentimentos, desejos, pensamentos e comportamentos, fantasias


e lembranças, crenças, sonhos, conflitos e o estilo de adoecer. Esses aspectos
podem aparecer como causa da doença, como desencadeador do processo
patogênico, como agravante do quadro clínico, como fator de manutenção do
adoecimento, ou ainda como consequência desse adoecimento. Nesse sentido, o
objetivo da psicologia hospitalar é a elaboração simbólica do adoecimento, ou

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seja, ajudar o paciente a atravessar a experiência do adoecimento
através de sua subjetividade.
O setting terapêutico na realidade hospitalar é peculiar: o psicólogo deve
adaptar sua atuação visto que os espaços e condições hospitalares são muito
diferentes do setting da atuação clínica em consultório (Ismael, 2005). O espaço
físico não é privativo ao atendimento psicológico, como o valorizado na teoria e
modelo de consultório. O atendimento pode ser interrompido a qualquer
momento por médicos, enfermeiros e técnicos, que estão cumprindo seus

05
deveres e suas funções. Além disso, pode ser necessário atender ao paciente no

5:
:3
meio de outros vários pacientes, se for em uma grande enfermaria. Nesses

14
casos, há impossibilidade de se manter sigilo.

8
01
Diante desses aspectos, a postura do psicólogo é importante para a sua

/2
08
inserção no hospital – deve ser flexível com o objetivo de contornar as

7/
dificuldades e reconhecer que seu trabalho sofrerá interrupções, adiantamentos

-1
m
e cancelamentos fora de sua esfera de controle, pois a prioridade das ações

co
médicas tem que ser respeitada. O psicólogo ainda deve conhecer a doença do

l.
ai
gm
paciente a quem ele presta atendimento, além de sua evolução e prognóstico

@
(Romano, 1999; Ismael, 2005).
e4
Acompanhar a evolução do paciente quanto aos aspectos emocionais que
ip
el

a doença traz é o objetivo principal do trabalho. Mas o psicólogo pode ainda


nf
so

utilizar de grupos educativos, que facilitam a conscientização do paciente e


ud

família no contexto da doença e das formas de tratamento, e trabalhos em


-r
0

equipe no sentido de facilitar a relação equipe/paciente/família.


-0
43

Alguns locais do hospital são por si só desencadeadores de quadros ou


.3

reações psicopatológicas, independente de certas variáveis como idade, sexo,


93
.4

tipo e prognóstico da doença (Romano, 1999). Será descrita a seguir a


24
-0

assistência psicológica nas unidades hospitalares.


S

No ambulatório clínico é realizada uma investigação especializada e


E
ES

elucidativa, tratamento e, caso necessário, indicação para internação. Dessa


EN

forma, a investigação pode revelar um resultado definitivo e esclarecedor a uma


M

das duas hipóteses diagnósticas (positiva ou negativa), fazendo com que o


A
M

paciente tenha respostas diversas quanto à ansiedade que envolve o momento.


LI
PE

Geralmente o paciente de ambulatório vem ao psicólogo depois que é orientado


LI

pelo médico a se submeter a um acompanhamento psicológico, uma vez


FE

observado algum problema emocional a ser cuidado. O grande desafio do


N
SO

psicólogo é fazer o paciente aceitar a doença e não lutar contra ela, ajudando-o
D

a conviver com ela sem sofrimento adicional (Romano, 1999; Ismael, 2005).
U
R

Romano (1999) sugere que o psicólogo que atua em ambulatório de um


hospital somente proponha acompanhamento psicológico àqueles pacientes
cujo problema emocional principal guarde estreita ligação com sua patologia
orgânica. Entretanto, diante da escassez de atendimentos clínicos ambulatoriais
disponíveis para a população, o que se vê nos ambulatórios dos hospitais são
atendimentos psicoterápicos que visam aliviar o sofrimento psíquico
independente da patologia física que o paciente possa carregar consigo.

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As unidades de emergência ou pronto-socorro exigem
prontidão de conhecimentos porque sempre se está esperando o desconhecido.
Por outro lado, faltam condições para o atendimento adequado, não há vagas
que possibilitem a continuidade do atendimento, e muitos dos pacientes que
recorrem às emergências o fazem para driblar uma longa fila de espera por uma
consulta e pela possibilidade de fazer exames. Nessa situação é até possível que
o médico perceba os aspectos emocionais da queixa do paciente, mas não pode
mantê-lo na unidade. O tratamento do psicólogo deve ser pontual – ter início,

05
meio e fim, uma vez que o paciente nem sempre ficará internado. O psicólogo

5:
:3
precisa ter habilidades que envolvem rapidez de raciocínio, perícia em ações e

14
contar com o apoio de recursos da comunidade para encaminhamentos não só

8
01
pertinentes e com eficiência real, mas que também estejam disponíveis para

/2
08
acolher prontamente esse paciente (Romano, 1999; Ismael, 2005).

7/
As unidades de internação ou enfermarias são a essência, a característica

-1
m
principal de um hospital. Como o próprio nome diz, o paciente ficará internado

co
no hospital. Na hospitalização, o paciente perde sua individualidade, sente uma

l.
ai
gm
brusca ruptura com seu cotidiano, sente-se agredido pela rotina hospitalar e seu

@
horário rígido, o que acaba por levá-lo ao processo de despersonalização,
e4
caracterizado pela sensação de perda de identidade e autonomia.
ip
el

As possíveis reações emocionais do paciente envolvem passividade ou


nf
so

agressividade, argumentação sobre aspectos sem importância, manifestações de


ud

raiva ou depressão pela dificuldade em aceitar não só sua doença, mas todo o
-r
0

processo de hospitalização e tratamento. Há também o medo da invalidez


-0
43

permanente, de depender do outro, da dor física, da anestesia em casos de


.3

cirurgia e de retornar para casa após a hospitalização, além das alterações na


93
.4

autoimagem. O paciente enquanto hospitalizado é incitado a ficar mais


24
-0

introspectivo e reavaliar sua vida e seus valores (Ismael, 2005).


S

Nessas unidades, o psicólogo irá abordar com o paciente sua


E
ES

hospitalização, o que ela significa para o doente e para sua família, além de
EN

tentar conhecer um pouco de sua história de vida e sua doença. As questões


M

psicológicas a serem abordadas devem ser focais, visando sempre àqueles


A
M

aspectos estritamente relacionados com a doença, as dificuldades adaptativas à


LI
PE

instituição hospitalar, o processo do adoecer e os meios diagnósticos. É


LI

importante ressaltar que nessa unidade de atendimento é o psicólogo quem


FE

procura o paciente, oferece ajuda a ele e ficará disponível também para sua
N
SO

família (Romano, 1999; Ismael, 2005).


D

As unidades de terapia intensiva (UTI) são aquelas destinadas a receber


U
R

pacientes em estado grave, com possibilidade de recuperação, exigindo


permanentemente assistência médica e de enfermagem, além da utilização de
equipamentos especializados. Podem acolher pacientes clínicos ou cirúrgicos, e
as ações desempenhadas nesta unidade são diuturnas, rápidas e precisas,
exigindo o máximo de eficiência da equipe, além de conter o limite entre a vida
e a morte. Na maioria das vezes, são áreas restritas à circulação, principalmente

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de pessoas estranhas à equipe e onde, geralmente, os familiares têm
pouco ou nenhum acesso (Romano, 1999).
Com o passar do tempo, a UTI modernizou-se em termos tecnológicos e
aumentou também a preocupação com a humanização e com o atendimento
personalizado ao indivíduo. Até a arquitetura buscou soluções menos
traumatizantes e iatrogênicas, já que foi constatado que o ambiente gerava
muitas desordens psicológicas, fruto de distúrbios psíquicos prévio, complicação
subjacente à própria doença ou medicação, impacto emocional da doença,

05
fatores ambientais como privação de sono, ruídos constantes, monotonia

5:
:3
sensorial e ausência de orientação (Romano, 1999).

14
Para muitas pessoas a UTI é sinônimo de morte iminente. Esses

8
01
aspectos são vividos o tempo todo na rotina diária da unidade, exigindo das

/2
08
pessoas que nela trabalham e que nela lutam pela vida, um posicionamento

7/
muito duro frente à morte. Muitas vezes essas pessoas se veem obrigadas a

-1
m
refugiar-se no racional para aguentar a pressão emocional que tudo isso causa.

co
Tem-se, portanto, como objetos da atenção do psicólogo na UTI uma tríade

l.
ai
gm
constituída de paciente, sua família e a própria equipe de saúde. O sofrimento

@
físico e psíquico do paciente precisa ser entendido como uma coisa única, pois
e4
os dois aspectos interferem um no outro, visando um caminho de
ip
el

enfrentamento da dor, do sofrimento e eventualmente da própria morte mais


nf
so

digna e menos sofrida (Angerami-Camon, Trucharte, Knijnik & Sebastiani,


ud

2006). É importante criar as condições de comunicação nesse momento: o


-r
0

psicólogo deve buscar o "falar" do paciente, seja através de gestos, olhares ou


-0
43

gemidos, e ser o porta-voz do doente (Romano, 1999).


.3

A família, igualmente angustiada e sofrida, que se sente impotente para


93
.4

ajudar seu familiar e que também se assusta com o espectro da morte, também
24
-0

precisa da atenção do psicólogo e deve ser envolvida no trabalho com o paciente


S

por ser uma das raras motivações que este tem para enfrentar o sofrimento. O
E
ES

psicólogo deve facilitar, criar e garantir a comunicação efetiva e afetiva entre


EN

paciente/família e equipe, identificando qual membro da família tem mais


M

condições intelectuais e emotivas para estar recebendo as informações da equipe


A
M

(Romano, 1999; Angerami-Camon, Trucharte, Knijnik & Sebastiani, 2006).


LI
PE

A equipe de saúde também vivencia no seu cotidiano esse significado de


LI

viver e morrer, vivendo sentimentos ambivalentes de onipotência e impotência,


FE

a cobrança da expectativa de todos os envolvidos e a percepção da própria


N
SO

finitude. O psicólogo deve atuar como facilitador do fluxo dessas emoções e


D

reflexões, detectar os focos de stress e sinalizar as defesas exacerbadas


U
R

(Angerami-Camon, 2002).
A organização e funcionamento dos serviços de psicologia em um
hospital geral podem ser de duas formas: Sistema de Consultoria e Sistema de
Ligação. No primeiro, o psicólogo avalia, indica e/ou realiza um tratamento
para o paciente que está sob os cuidados de outros profissionais. A presença do
psicólogo é episódica, respondendo a uma solicitação específica de outro
profissional. Sua atuação se baseia em auxiliar no diagnóstico, no tratamento,

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no plano de ação, fornecendo orientações ao paciente, aos familiares
e aos membros da equipe (Bruscato, 2004).
No sistema de ligação, o psicólogo está inserido na equipe que cuida do
paciente. O profissional da Psicologia tem um contato contínuo com um dos
diversos serviços/clínicas/departamentos/unidades do Hospital Geral por ser
um membro efetivo das equipes locais, atendendo seus pacientes, participando
de reuniões clínicas e lidando com aspectos da relação estabelecida entre
equipes, pacientes e famílias. Os atendimentos têm caráter informativo,

05
profilático e terapêutico (Bruscato, 2004).

5:
:3
Além dessas formas de atuação, o serviço de Psicologia Hospitalar pode

14
e deve ainda contar com um setor de cursos e estágios e um setor de pesquisa e

8
01
atividades interdisciplinares. Um serviço de Psicologia Hospitalar deve ter por

/2
08
finalidade, além do desenvolvimento de atividades assistenciais, atividades de

7/
ensino e investigação científica, contribuir para aperfeiçoamento dos padrões

-1
m
profissionais, éticos e científicos da Psicologia da Saúde (Bruscato, 2004;).

co
Fonte: ALMEIDA, Raquel Ayres de e MALAGRIS, Lucia Emmanoel

l.
ai
gm
Novaes. A prática da psicologia da saúde. Rev. SBPH [online]. 2011, vol.14,

@
n.2 [citado 2013-06-11], pp. 183-202 . Disponível em:
e4
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
ip
el

08582011000200012&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1516-0858.


nf
so
ud
-r
0

Questões
-0
43
.3
93
.4

Questões Inéditas Alyson Barros


24

Julgue os itens a seguir


-0

1. O efeito manada e definido em psicologia social como a capacidade da


ES
ES

multidão em buscar a individuação social.


EN

( ) Certo ( ) Errado
M
A
M

2. O preconceito é uma forma de interação social pautada na confirmação de


LI
PE

estereótipos e de evidências dos papéis.


LI

( ) Certo ( ) Errado
FE
N
SO

3. A subjetividade humana, para Foucault, é vista como um elemento


D

influenciado por determinantes biológicos e sociais, sempre modulados pelo


U
R

momento histórico.
( ) Certo ( ) Errado

4. Segundo Guatarri, os processos de singularização são reprimidos pelas


forças dominantes no controle da subjetividade humana.
( ) Certo ( ) Errado

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5. Os processos de subjetivação representam o modo como o
sujeito deixa o papel de objeto para tornar-se sujeito atuante em um papel social
pré-definido.
( ) Certo ( ) Errado

6. Os auto esquemas são crenças sobre si mesmo que organizam e guiam o


processamento de informações relacionadas ao self.
( ) Certo ( ) Errado

05
5:
:3
7. O processo de individuação ocorre antes da formação da identidade.

14
( ) Certo ( ) Errado

8
01
/2
08
8. Os selves possíveis são projeções de identidades almejadas ou repudiadas.

7/
( ) Certo ( ) Errado

-1
m
co
9. O coletivismo representa a tendência a dar prioridade aos próprios

l.
ai
gm
objetivos e não aos do grupo.

@
( ) Certo ( ) Errado
e4
ip
el

10. O lócus de controle é o grau em que as pessoas percebem os resultados


nf
so

como internamente controláveis por seus próprios esforços ou como


ud

externamente controlados pelo acaso ou por forças externas.


-r
0

( ) Certo ( ) Errado
-0
43
.3

11. CESPE - MPU – 2013


93
.4

A análise da sedução e fascinação é importante para o diagnóstico dos jogos de


24
-0

poder e de desejo nas instituições.


S

( ) Certo ( ) Errado
E
ES
EN

12. CESPE - SERPRO – 2013


M

Sedução e fascinação são indissociáveis e elementos importantes para a


A
M

compreensão dos complexos jogos de poder e de desejo nas organizações.


LI
PE

( ) Certo ( ) Errado
LI
FE

13. FCC - 2009 - TJ-SE - Analista Judiciário - Psicologia


N
SO

Nas discussões relativas às prisões e instituições totais destacam-se dois


D

autores que por sua obra, tornaram-se referência para os estudiosos da


U
R

Psicologia Criminal. São eles:


a) Jean Piaget e Humbert Maturana.
b) Sigmund Freud e Carl Gustav Jung.
c) Michel Foucault e Erving Goffman.
d) Jürgen Habermas e José Bleger.
e) Donald Woods Winnicott e Edgar Morin.

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14. FCC - 2012 - MPE-AP - Analista Ministerial - Psicologia
Na atualidade, as instituições totais recebem críticas no tocante ao abrigamento
de adolescentes em conflito com a lei, pois
a) dificultam a vida social porque os adolescentes vivem isolados, realizando
cada atividade diária de forma apenas individual e nunca em grupo.
b) partem de uma visão médica e assistencialista sobre os cuidados que devem
recair sobre aqueles que cometem atos infracionais.
c) dificultam a formação de grupos e o estabelecimento de rotinas pré-

05
estabelecidas pelos dirigentes.

5:
:3
d) oneram a sociedade já que usualmente são utilizados espaços com grande

14
valorização imobiliária.

8
01
e) privilegiam apenas o controle e a segurança, despersonalizando os indivíduos.

/2
08
7/
15. CEPERJ - 2012 - DEGASE - Psicólogo

-1
m
Segundo Erving Goffman, as instituições totais retiram do indivíduo sua

co
capacidade de decisão e escolha, por meio de rígidos regulamentos, sanções e

l.
ai
gm
julgamentos dos dirigentes. A afirmativa que não descreve ação implementada

@
por essas instituições é:
e4
a) A conduta do interno no interior da instituição é constantemente observada
ip
el

e qualquer ato fora do determinado pode futuramente ser usado contra ele
nf
so

próprio.
ud

b) A presença de autoridade escalonada responsável pela garantia do


-r
0

cumprimento das regras determinadas, mesmo que isso inclua castigos físicos
-0
43

ou morais.
.3

c) Tudo pertence à instituição e pode ser retirado a qualquer momento.


93
.4

d) O interno consegue equilibrar suas necessidades pessoais ao poder e


24
-0

organizar livremente, e por conta própria, sua rotina diária no interior da


S

instituição.
E
ES

e) O internado pode renunciar a certos níveis de sociabilidade, a fim de evitar


EN

incidentes.
M
A
M

16. CEPERJ - 2012 - DEGASE - Psicólogo


LI
PE

“Os processos pelos quais o eu da pessoa é mortificado são relativamente padronizados


LI

nas instituições totais.”


FE

GOFFMAN, 2007 (p.24)


N
SO

Identifique abaixo as afirmativas que são exemplos de mortificação da


D

identidade do indivíduo:
U
R

I- Permissão para visitas a qualquer tempo.


II- Perda de direitos civis.
III- Uso de violência e ações de humilhação para a obtenção de obediência.
IV- Alteração na aparência pessoal e não permissão para posse de bens pessoais.
V- Direito à expressão e opinião próprias.
A alternativa que contém a indicação das afirmativas corretas é:
a) II e III

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b) II, III e IV
c) III, IV e V
d) I, IV e V
e) I, III e IV

17. FCC - 2012 - TRE-SP - Analista Judiciário - Psicologia


Os grupos podem diferir em sua aparência e comportamento, no entanto,
interiormente todos têm três elementos básicos: interação, atividades e

05
a) recursos.

5:
:3
b) atitudes.

14
c) sistemas.

8
01
d) sentimentos.

/2
08
e) raciocínios.

7/
-1
m
18. FCC - 2012 - TRE-SP - Analista Judiciário - Psicologia

co
A estrutura latente dos grupos, na concepção de Moreno, não é apenas uma

l.
ai
gm
distribuição de afetos dentro do grupo. É uma realidade afetiva e cognoscitiva,

@
pois representa para cada membro do grupo as formas como: vivem o grupo e
e4
seus membros; vive sua própria situação dentro do grupo; percebe os outros e a
ip
el

distância social que experimenta em relação a eles e como é


nf
so

a) reconhecido por si.


ud

b) atingido pelos outros.


-r
0

c) percebido pelos outros.


-0
43

d) representado emocionalmente pelos outros.


.3

e) acolhido pelos outros membros do grupo.


93
.4
24
-0

19. CESPE - MPU – 2013


S

Conforme a abordagem da psicologia comunitária, as relações de poder são


E
ES

determinadas pelas situações caracterizadas pela substituição do ideal de ego do


EN

indivíduo pelo superego do grupo.


M

( ) Certo ( ) Errado
A
M
LI
PE

20. CESPE - SERPRO – 2013


LI

Julgue os itens subsequentes, com relação ao sentido do trabalho nas


FE

organizações.
N
SO

O trabalho pode assumir tanto uma condição de neutralidade quanto de


D

centralidade na vida dos trabalhadores, assim como na identificação desses


U
R

indivíduos com a sociedade.


( ) Certo ( ) Errado

21. CESPE - SERPRO – 2013


Os indivíduos constroem suas concepções de trabalho à medida que vivenciam
as relações com o meio em que vivem.
( ) Certo ( ) Errado

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22. CESPE - MPU – 2013


Os grupos operativos propõem a vinculação entre a dinâmica de grupo e o
referencial da terapia ocupacional.
( ) Certo ( ) Errado

23. FCC – TRT – Alagoas – 2014


Ao definir inclusão, Will Schutz (1994) diz que se trata de uma necessidade

05
interpessoal de estabelecer e manter relacionamento satisfatório com as pessoas,

5:
:3
tendo em vista sua

14
(A) interação e associação.

8
01
(B) motivação e relação.

/2
08
(C) maturidade emocional e conhecimento técnico.

7/
(D) posição social e status no grupo.

-1
m
(E) aceitação e reconhecimento intragrupal.

co
l.
ai
gm
24. FCC – TRT – Alagoas – 2014

@
A Teoria Cognitivista, ao estudar os grupos, enfatiza a importância de
compreender como os indivíduos e4
ip
el

(A) acionam os mecanismos de defesa nas relações com o grupo e desenvolvem


nf
so

os processos de identificação e de regressão.


ud

(B) se comportam como consequência de seu espaço vital ou campo


-r
0

psicológico e acionam os outros membros do grupo.


-0
43

(C) recebem e integram as informações sobre o mundo social e como essa


.3

informação influi em seu comportamento.


93
.4

(D) compartilham suas experiências pessoais subjetivas e como se relacionam


24
-0

diante de conflitos grupais.


S

(E) acionam uma rede de atração pessoal e como essa rede influi na formação e
E
ES

extinção dos grupos.


EN
M

25. FGV – DP – RJ – 2014


A
M

Jurandir Freire Costa, na análise de importantes transformações na


LI
PE

subjetividade contemporânea, considera que o “corpo está se tornando o


LI

referente privilegiado para a construção das identidades pessoais”. Segundo


FE

Freire Costa, esse fenômeno se articula


N
SO

(A) à não superação do Édipo na cultura contemporânea e à derrocada das


D

instâncias educativas tradicionais.


U
R

(B) ao capitalismo globalizado que disseminou atributos físicos como modelos


e ao esvaziamento da política partidária.
(C) à proliferação do uso de drogas (lícitas e ilícitas) e ao consumismo sem
limites.
(D) ao remapeamento cognitivo do corpo físico e à invasão da cultura pela
moral do espetáculo.
(E) à educação sentimental e às transformações no funcionamento familiar.

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26. FGV – FUNARTE – 2014


Leon Festinger, um dos mais importantes teóricos da psicologia social, cunhou,
em 1957, o termo dissonância cognitiva, que pode ser definido como:
(A) o sentimento de ansiedade e tensão interna provocado pela percepção da
inconsistência lógica entre duas cognições diferentes, incluindo atitudes,
crenças e comportamentos;
(B) o conjunto de manifestações comportamentais suscitadas pela interação de

05
uma pessoa com outras pessoas ou pela mera expectativa de tal interação;

5:
:3
(C) a substituição do paradigma vigente na ciência normal por um novo

14
paradigma, resultado de uma espécie de revolução científica;

8
01
(D) a modificação do modo de pensar e agir de cada indivíduo em relação a

/2
08
crenças e valores, criando assim novas informações ou cognições sobre alguns

7/
dos seus conceitos pessoais;

-1
m
(E) o aprendizado de cada indivíduo na relação com os outros indivíduos pela

co
apropriação da realidade criada pelas gerações anteriores.

l.
ai
gm
@
27. FGV – FUNARTE – 2014
e4
Segundo Michel Foucault, a proteção e o evitamento da depredação das novas
ip
el

formas de acúmulo de riqueza na modernidade fizeram proliferar uma


nf
so

tecnologia de vigilância e controle, que se instalou no século XVIII e caracteriza


ud

nossa sociedade até os dias de hoje. Tal tecnologia corresponde:


-r
0

(A) à repressão social;


-0
43

(B) à exclusão da pobreza;


.3

(C) ao grande enclausuramento;


93
.4

(D) à luta de classes;


24
-0

(E) ao panoptismo.
ES
ES

28. FGV – DP – RJ – 2014


EN

No conhecido livro “Vigiar e Punir”, Foucault reflete sobre a técnica do exame,


M

que consistiria em uma tecnologia


A
M

(A) do poder soberano que invisibiliza, desterritorializa e militariza.


LI
PE

(B) do poder disciplinar que visibiliza, individualiza e normaliza.


LI

(C) do poder disciplinar que singulariza, invisibiliza e pune.


FE

(D) do poder fluido que controla, medicaliza e incita.


N
SO

(E) do poder soberano que normaliza, cerimonializa e pune.


D
U
R

29. CESPE - SEGERES - Especialista em Desenvolvimento Humano e


Social – 2011
A teoria da atribuição analisa como o ser humano explica o comportamento das
outras pessoas baseando-se em causas internas, ou seja, em motivos da própria
pessoa que observa o comportamento de outra.

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30. CESPE - SEGERES - Especialista em Desenvolvimento
Humano e Social – 2011
Estereótipos e preconceito são conceitos independentes.

31. CESPE - SEGERES - Especialista em Desenvolvimento Humano e


Social – 2011
Ao fazer pesquisas, o psicólogo social deve atingir o realismo experimental, o
que justifica o uso de simulação, caso em que se disfarça a situação de

05
experimento para o participante.

5:
:3
14
32. CESPE – ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de Psicologia

8
01
– 2010

/2
08
Julgue os itens que se seguem, acerca de intervenção psicossocial.

7/
Constituem fases do processo de intervenção psicossocial: diagnóstica,

-1
m
delineamento da intervenção, desenvolvimento da intervenção, avaliação da

co
intervenção, devolução e divulgação dos resultados.

l.
ai
gm
( ) Certo ( ) Errado

@
e4
33. CESPE – ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de Psicologia
ip
el

– 2010
nf
so

Julgue os itens que se seguem, acerca de intervenção psicossocial.


ud

Na elaboração de um projeto de intervenção psicossocial, dispensa-se a


-r
0

observação das normas científicas, tais como o embasamento teórico e o


-0
43

estabelecimento de objetivos gerais e específicos.


.3

( ) Certo ( ) Errado
93
.4
24
-0

34. CESPE – ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de Psicologia


S

– 2010
E
ES

Julgue os itens que se seguem, acerca de intervenção psicossocial.


EN

O conceito de intervenção psicossocial abrange qualquer grupo, instituição ou


M

comunidade, independentemente das condições socioeconômicas que os


A
M

caracterizam.
LI
PE

( ) Certo ( ) Errado
LI
FE

35. FCC - TRT - 13ª Região (PB) - Analista Judiciário – Psicologia – 2014
N
SO

Segundo Serge Moscovici, a Teoria das Representações Sociais


D

constitui, de certo modo, o coração da Psicologia Social, sendo que os


U
R

fenômenos sociais que permitem identificar de maneira concreta as


representações e trabalhar sobre elas, dentro das quais se elaboram os saberes
populares e o senso comum, são as
a) ligações.
b) suposições.
c) fantasias.
d) previsões.

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Prefeitura de Fortaleza
e) conversações.

36. FCC - MPE-PE - Analista Ministerial – Psicologia – 2012


Matéria apresentada no Boletim semanal da ONU Brasil (no 3, 20 de maio de
2011) focaliza o Dia Internacional contra a Homofobia e conta que a Alta
Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fez um alerta para
o aumento dos crimes homofóbicos, isto é, contra
a) a discriminação de gênero e perseguição a homens.

05
b) homens e grupos de homens.

5:
:3
c) pessoas que desenvolvem comportamentos fóbicos por indivíduos do sexo

14
masculino.

8
01
d) lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

/2
08
e) a discriminação de gênero e perseguição a mulheres e homens.

7/
-1
m
37. FGV - TJ-AM - Analista Judiciário – Psicologia – 2013

co
Nas últimas décadas, os papéis desempenhados por indivíduos de diferentes

l.
ai
gm
gêneros têm sofrido algumas modificações, fruto das mudanças introduzidas

@
pelo feminismo.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta. e4
ip
el

a) O estudo de sociedades primitivas mostra que o cuidar de crianças e


nf
so

idosos nem sempre era uma tarefa das mulheres.


ud

b) O estudo das diferentes sociedades mostra que o cuidar das crianças e


-r
0

idosos é uma função feminina que não é modificada culturalmente.


-0
43

c) Na atualidade, vem se verificando a desestabilização do pai como figura


.3

de lei e autoridade.
93
.4

d) Na atualidade, houve significativa diminuição da participação da mulher em


24
-0

atividades de ensino.
S

e) Na atualidade, há uma participação significativa do pai nas situações do


E
ES

cuidado com as crianças.


EN
M

38. UPENET/IAUPE - HSE - Psicólogo - 2009


A
M

Segundo Eksterman (1994), a forma como a enfermidade é vivenciada é


LI
PE

sempre um acontecimento singular, uma experiência pessoal que é inerente à


LI

história de cada um, ao seu modo de se conduzir, de viver e de se relacionar


FE

com as demais pessoas. Para ele, é o indivíduo que atribuirá à doença e às


N
SO

vicissitudes dela consequentes um sentido particular, que só pode ser


D

compreendido dentro do conjunto de sua história. Baseado nisso, as


U
R

possibilidades de intervenção psicológica no âmbito hospitalar estão na direta


dependência de uma série de fatores que incluem
A) a clientela e as demandas a serem atendidas, o contexto institucional no qual
a ação terapêutica será empreendida, a orientação teórica e técnica do psicólogo
e os objetivos pretendidos na intervenção.
B) a clientela e as demandas a serem atendidas, os objetivos pretendidos na
intervenção, a doença do paciente e a orientação teórica do psicólogo.

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C) o contexto institucional no qual a ação terapêutica será́
empreendida, a orientação teórica e técnica do psicólogo, a doença do paciente
e os objetivos pretendidos na intervenção.
D) a clientela e as demandas a serem atendidas, a gravidade da doença do
paciente, o contexto institucional no qual a ação terapêutica será́ empreendida,
a orientação teórica e técnica do psicólogo.
E) as demandas a serem atendidas, a orientação teórica e técnica do psicólogo e
a doença do paciente.

05
5:
:3
39. UPENET/IAUPE - HSE - Psicólogo - 2009

14
O atendimento psicológico no contexto hospitalar tem como objetivo a

8
01
minimização do sofrimento provocado pela hospitalização e pela doença numa

/2
08
ação integrada com os demais membros da equipe de saúde em um trabalho

7/
interdisciplinar. Sendo assim, em quais mudanças, a intervenção psicológica no

-1
m
hospital está focada?

co
A) Analisar as situações de conflitos não explicitadas que envolvem tanto a

l.
ai
gm
equipe quanto a instituição, recolhendo informações com os envolvidos:

@
paciente, família e equipe, para realizar um diagnóstico da situação e aliviar o
sofrimento do paciente. e4
ip
el

B) A atuação do psicólogo no contexto hospitalar não está somente limitada à


nf
so

atenção direta ao paciente, devendo ser considerada a relação paciente-equipe


ud

de saúde sempre fundamentada numa atuação profissional.


-r
0

C) Na facilitação das relações, numa atividade curativa e preventiva,


-0
43

trabalhando os conteúdos manifestos e latentes em relação à doença e ao


.3

sentido dado pelo indivíduo.


93
.4

D) Dar real importância às representações que o indivíduo tem da doença em


24
-0

geral e da sua doença em particular; sem deter-se à simbologia cultural, social e


S

individual ligada à sua doença.


E
ES

E) No atendimento psicológico indireto realizado por meio da interconsulta,


EN

em que se identificam fatores iatrogênicos no funcionamento dos serviços


M

hospitalares.
A
M
LI
PE

40. IADES – Januário Cicco – Hospitalar – 2014


LI

Em relação ao uso da psicoterapia no hospital geral, assinale a alternativa


FE

correta.
N
SO

(A) A intervenção psicológica deve ser norteada pela psicoterapia breve e de


D

apoio na maioria dos casos.


U
R

(B) Ao adotar a psicoterapia de longo prazo no hospital, o psicólogo realça o


aspecto preventivo de sua intervenção, pois, ao focar nas questões relativas ao
adoecimento, à internação e ao tratamento, evita a progressão do desequilíbrio
psicológico do paciente.
(C) As psicoterapias de apoio são indicadas para pacientes em situações de
crise, não devendo jamais ser utilizada com pacientes de patologia crônica, com
processos irreversíveis ou incuráveis.

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(D) As técnicas de psicoterapia individual foram delimitadas no
contexto hospitalar como as de maior coerência e eficácia.
(E) Para os casos ambulatoriais, deverá ser adotada a psicoterapia por tempo
prolongado, duas vezes por semana.

41. IADES – Januário Cicco – Hospitalar – 2014


“Sinto falta dele agora e sou atormentada pelos meus erros, por que, no começo
da gravidez, eu não queria ele, pelas vezes que fui impaciente com seu choro.

05
Acho que todas mães sentem-se fracassadas como eu ... para mim é até mesmo

5:
:3
um pecado continuar vivendo depois que se perde um filho”(relato de uma mãe

14
de um bebê morto que aos 6 meses de vida há três anos).

8
01
Considerando a situação hipotética, assinale a alternativa que mais se

/2
08
adequa à posição do psicólogo diante dessa situação.

7/
(A) Desestimular a expressão de sentimentos e procurar desculpabilizá-la.

-1
m
(B) Suspeitar do desenvolvimento de luto patológico e atentar para o risco de

co
suicídio da mãe e encaminhá-la para acompanhamento psiquiátrico.

l.
ai
gm
(C) O relato apresentado, não dá indícios de rebaixamento de autoestima e

@
empobrecimento do ego que marcam a diferença entre luto e melancolia, por
e4
isso não é necessário fazer um diagnóstico diferencial entre eles.
ip
el

(D) Promover um processo de elaboração do luto, em que o afeto (libido) que


nf
so

havia sido destinado para o objeto amado (mãe), que deixou de existir, possa
ud

continuar nele e não retornar para o próprio sujeito (filho).


-r
0

(E) Suspeitar que se trata de um caso de stress pós-traumático.


-0
43
.3

42. IADES – Januário Cicco – Hospitalar – 2014


93
.4

Maria, mãe de Francisca, portadora de uma fissura labiopalatal,


24
-0

apresentou o seguinte relato: “Não queria me separar de minha filha na cirurgia


S

e na internação. Fui para o grupo de pais com as psicólogas, ortodentistas,


E
ES

médicos, assistentes sociais e enfermeiras, que acontece toda semana na


EN

enfermaria e lutamos muito, até que conseguimos finalmente o alojamento


M

conjunto no hospital”. O atendimento em grupo descrito por Maria é uma


A
M

ferramenta privilegiada pelos psicólogos hospitalares e são normalmente


LI
PE

denominados de
LI

(A) grupos Balint.


FE

(B) grupos sociais.


N
SO

(C) grupos de orientação e apoio.


D

(D) grupos de controle.


U
R

(E) grupos psicanalítico.

43. IADES – Januário Cicco – Hospitalar – 2014


Relacionando uma crise à teoria de Coping, utilizada pelos psicólogos da
saúde, é correto afirmar que
(A) um evento estressor é sempre percebido como negativo, por isso torna-se
uma ameaça quando há uma falência dos modos de enfrentamento e adaptação,

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podendo levar a uma crise.
(B) as pessoas estão à mercê dos estressores. Por isso, são passivas e reagem de
modo pouco adaptativo às situações de estresse.
(C) o modo de enfrentamento de uma crise pode ser determinado por história
passada, seus valores e crenças pessoais, mas tem pouco a ver com a avaliação da
situação e com seus recursos pessoais e sociais disponíveis para serem usados na
situação.
(D) o conceito de Coping se aproxima do conceito de crise, pois trata-se de um

05
processo de manejo de demandas (internas ou externas) que são avaliadas como

5:
:3
sobrecarregando ou excedendo os recursos do indivíduo.

14
(E) o conceito de Coping diz respeito a qualquer situação, boa ou ruim, que

8
01
exige do indivíduo esforços adaptativos.

/2
08
7/
44. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014

-1
m
Na maternidade, a psicóloga é chamada a atender uma paciente de 55

co
anos de idade, que foi hospitalizada ao procurar atendimento médico com

l.
ai
gm
vários sinais de início de trabalho de parto. Ao exame, a ginecologista não

@
constatou batimentos cardíacos fetais e suspeitou de óbito fetal. Após ultrassom
e4
de urgência, verificou-se que a paciente não tinha útero, pois tinha se
ip
el

submetido a uma histerectomia total há dois anos. A psicóloga tentou abordar a


nf
so

paciente, mas ela parecia não ver ninguém, estava gemendo e falando
ud

repetidamente que seu filho estava para nascer. Considerando essa situação
-r
0

hipotética, é correta afirmar que o psicólogo hospitalar, para atender bem à


-0
43

paciente, deve ter conhecimento de que se trata de um quadro de


.3

(A) pseudociese.
93
.4

(B) esquizofrenia.
24
-0

(C) depressão pós-parto.


S

(D) simulação.
E
ES

(E) psicose puerperal.


EN
M
A

45. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014


M
LI

Sra. Isabel é mãe de Bruno, que nasceu com mielomeningocele e


PE

hidrocefalia e apresentou o seguinte relato: “Não queria me separar de meu


LI
FE

filho nas cirurgias e na internação na UTIN. Fui para o grupo de pais com a
N

psicóloga, médicos, assistentes sociais e enfermeiras, que acontece toda semana


SO

na UTI neonatal, e vi que não estava sozinha... Outras mães também estavam
D
U

passando por dificuldades com seus bebês e isso me ajudou muito”. No que se
R

refere ao atendimento em grupo descrito por Sra. Isabel é correto afirmar que
se trata de uma ferramenta privilegiada pelos psicólogos hospitalares que
trabalham em hospitais e é normalmente denominado de grupo
(A) Balint.
(B) de orientação e apoio
(C) social.
(D) de controle.
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(E) psicanalítico.

46. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014


Ao se pensar no bebê internado na UTIN, deve-se lembrar de que ele,
assim como a criança que nasceu saudável, precisa ter seu desenvolvimento
afetivo preservado e, para que isso ocorra, será preciso da presença dos pais
(Brasil, 2002). Cunha (2002) mostra que o bebê prematuro, mesmo doente,
tem sua capacidade de sedução muito desenvolvida para conquistar o cuidador.

05
Deve-se então ajudar os pais a serem conquistados por seu bebê. Em relação a

5:
:3
esse assunto, assinale a alternativa que apresenta uma atuação característica do

14
psicólogo na UTIN.

8
01
(A) Apresentar o bebê aos pais, mostrar a eles as competências já existentes no

/2
08
bebê deles, tais como virar-se na direção de suas vozes.

7/
-1
(B) Mostrar a diferença nos valores de saturação de oxigênio na presença deles e

m
a sensibilidade ao toque.

co
l.
(C) Ajudar a equipe e a família na busca da segurança do bebê, minimizando ao

ai
gm
máximo esse sofrimento.

@
(D) Estar atento à comunicação do bebê.
e4
ip
(E) Lembrar a todos que, mesmo sendo bebê, esse deve ser considerado como
el
nf

sujeito dotado de emoções, que sente dor e possui sua própria individualidade,
so
ud

que deve ser respeitada.


-r
0
-0

47. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014


43

Raramente as mães são preparadas psicologicamente pelas equipes de


.3
93

saúde durante a gestação para enfrentar uma UTI Neonatal (UTIN). O


.4
24

psicólogo hospitalar, nesse ambiente, é muito importante para dar assistência às


-0

mães no sentido de ampará-las nesse momento difícil, marcado por


ES

sentimentos de medo, angústia, ansiedade e culpa. Com relação ao trabalho do


ES

psicólogo na UTIN, assinale a alternativa que se afasta dos propósitos da


EN

atuação dele.
M
A

(A) Orientar as mães acerca de como lidar com o bebê, da importância do


M
LI

contato pele a pele e da conversa.


PE

(B) Acompanhar a mãe nas visitas ao seu filho, favorecendo a relação mãe filho
LI
FE

para que esta não fique prejudicada.


N

(C) Controlar o índice de infecções hospitalares, a mortalidade dos bebês


SO
D

hospitalizados e a regulação de leitos da UTIN.


U
R

(D) Mediar a relação entre a equipe e a mãe.


(E) Estimular as mães a se integrarem e serem ativas no papel de mãe durante
a internação do filho.

48. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014


O espaço para o psicólogo atuar na obstetrícia é extremamente vasto,
porém a realidade mostra que são poucos profissionais que abrangem todas as
atuações que a literatura aponta. Assinale a alternativa que caracteriza
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corretamente o papel do psicólogo na obstetrícia.
(A) Auxiliar a equipe no diagnóstico diferencial do Blues, depressão pós-parto
e na psicose puerperal.
(B) Realizar manobras relacionadas à proteção ao períneo e ao manejo do polo
cefálico no momento do parto.
(C) Atuar apenas no pós-parto, auxiliando na amamentação e na inserção do
pai. Evitar a atuação durante o parto, pois é um momento exclusivo dos
médicos e dos enfermeiros obstetras.

05
(D) Estimular o luto patológico em situação de bebe natimorto, bebê

5:
:3
malformado.

14
8
(E) Acompanhar as gestantes em maternidades somente se elas forem

01
/2
encaminhadas por seus médicos obstetras.

08
7/
-1
49. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014

m
Em seu livro Manual de Psicologia Hospitalar, Simonetti (2004)

co
l.
apresenta três técnicas para que o psicólogo consiga promover a fala do

ai
gm
paciente: a entrevista, a associação livre e o silêncio. No que se refere a essas

@
técnicas, assinale a alternativa correta.
e4
ip
(A) O silêncio permite ao paciente uma fala sem roteiros, em que ele tem a
el
nf

oportunidade de um espaço para falar o que vier à mente, assim o psicólogo


so
ud

também exerce a função de uma escuta livre.


-r

(B) Em ambas as técnicas, associação livre e entrevista, as perguntas buscam só


0
-0

a obtenção de dados, sem privilegiar o vínculo paciente-psicólogo.


43

(C) No silêncio, não se deve valorizar, em um primeiro momento, temas


.3
93

relacionados à doença, pois, se apenas a doença for valorizada, o psicólogo nada


.4
24

mais fará que repetir o discurso médico.


-0

(D) A associação livre é uma estratégia utilizada pelo psicólogo para alcançar
ES

assuntos mais acessíveis, como, por exemplo, a doença ou o motivo da


ES
EN

internação, o uso dos remédios, onde mora, a profissão, o estado civil.


M

(E) O silêncio é essencial e deve ser respeitado pelo psicólogo, pois ele estimula
A
M

a fala do paciente ao funcionar como um vácuo, que puxa as palavras e pede


LI

para ser preenchido.


PE
LI
FE

50. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014


N
SO

Segundo Chiatonne (2000), é consenso que o psicólogo hospitalar deve


D

seguir requisitos mínimos - teóricos e práticos – para a atuação, orientação,


U
R

supervisão, formação específica nas áreas clínica e hospitalar – na graduação,


especialização e pós-graduação e experiência pertinente na área.
Quanto à formação do psicólogo para atuar no hospital, essa autora
alerta que
(A) a formação acadêmica pouco interfere na inserção e no desempenho técnico
do psicólogo hospitalar, apesar de possuir características próprias, adequadas e
específicas ao hospital.
(B) 90% dos psicólogos formados assegura que a formação universitária os
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preparou suficientemente para atuar em hospitais, pois há muito
contato com a área ainda na graduação.
(C) pode ocorrer uma crise de identidade, pois os psicólogos hospitalares
chegam a duvidar da eficiência e cientificidade de sua tarefa, desqualificando-a
por não se enquadrar em qualquer das atividades aprendidas nos cursos de
formação acadêmica.
(D) não é desejável uma especialização em psicologia hospitalar nem ao final do
curso, nem depois da graduação.

05
(E) requer uma formação socialmente desarticulada das instituições de saúde, e

5:
:3
descomprometida com as realidades sociais e inserida em um contexto maior

14
institucional.

8
01
/2
08
51. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014

7/
-1
O trabalho de psicólogos hospitalares se revela tão intenso que já se pode

m
falar em consolidação da área da psicologia hospitalar no Brasil, que inclusive já

co
l.
consegue realizar congressos ou encontros de âmbito nacional. Em relação à

ai
gm
atuação do psicólogo nessa área, é correto afirmar que cabe ao psicólogo

@
hospitalar
e4
ip
(A) trabalhar dificuldades conjugais e familiares geradas antes da doença em si,
el
nf

para poder promover a cura psíquica, considerando a condição clínica do


so

paciente.
ud
-r

(B) promover qualidade de vida dos membros da equipe, tratando a condição


0
-0

psicodinâmica de cada um.


43

(C) “psicologizar” a equipe para que sejam psicoterapeutizados quanto aos seus
.3
93

aspectos emocionais, e assim haja uma troca simultânea de experiências entre


.4
24

ela e os pacientes.
-0

(D) ser o único responsável pela verdadeira humanização do hospital.


ES

(E) trabalhar a aceitação e adaptação dos limites do processo de adoecimento e


ES

do tratamento, o manejo da dor e do estresse, a tomada de decisões e o preparo


EN
M

para procedimentos invasivos, entre outros.


A
M
LI

52. IADES – UFBA – Hospitalar – 2014


PE

O psicólogo hospitalar que atua em uma enfermaria de neurologia ou


LI
FE

neurocirurgia utiliza-se dos conhecimentos da neuropsicologia para avaliar


N

muitos pacientes com lesões cerebrais ou outras doenças que atingem o sistema
SO

nervoso central. A avaliação neuropsicológica é uma importante ferramenta de


D
U
R

trabalho que consiste em uma avaliação que


(A) é padronizada e inclui a anamnese e testes de funções cognitivas superiores.
(B) inclui orientação temporal, pessoal e espacial; linguagem, nomeação e
compreensão verbal; leitura e escrita.
(C) exclui atenção e memória; atenção auditiva e visual; percepção; gnosias;
praxias; pensamento; raciocínio lógico e cálculo.
(D) deve ser realizada para verificar não só as disfunções, mas também as
potencialidades do paciente de um ponto de vista cognitivo e emocional.
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(E) não é adequada para avaliar as funções cognitivas superiores e
nem os aspectos emocionais do paciente.

53. IADES – HUOL – Hospitalar – 2014


De acordo com a literatura da área de psicologia da saúde, é correto afirmar
que, no momento da avaliação psicológica do paciente internado, o trabalho do
psicólogo hospitalar normalmente difere daquele que é desenvolvido em um
psicodiagnóstico tradicional?

05
(A) Sim, pois, no período de hospitalização, o psicólogo deve avaliar o

5:
:3
momento específico do adoecimento e suas repercussões na vida do paciente.

14
(B) Não, pois toda avaliação psicológica consiste em um psicodiagnóstico,

8
01
independentemente do local onde se realize.

/2
08
(C) Não, somente quando o psicólogo utiliza teste na sua avaliação, o que

7/
-1
raramente acontece em um trabalho dentro dos hospitais.

m
(D) Sim, pois o psicólogo hospitalar deve avaliar as defesas utilizadas pela

co
equipe de saúde que interferem no estado clínico do paciente.

l.
ai
gm
(E) Não, pois o psicólogo hospitalar deve avaliar o nível de adesão do paciente

@
às normas e aos procedimentos hospitalares.
e4
ip
el

54. IADES – HUOL – Hospitalar – 2014


nf
so

No hospital, ao avaliar ou intervir junto ao paciente, o psicólogo não observa


ud

rotineiramente
-r
0

(A) o processo adaptativo.


-0
43

(B) o psiquismo do doente.


.3
93

(C) o surgimento de quadros psicopatológicos reativos.


.4

(D) os transtornos mentais.


24
-0

(E) a relação do paciente com sua doença.


ES
ES

55. IADES – HUOL – Hospitalar – 2014


EN

As instituições podem ser definidas como as normas culturais, históricas,


M

sociais que formam a trama social que une os indivíduos. Uma dimensão
A
M

fundamental que une e atravessa todos os níveis da rede social. Em relação à


LI
PE

instituição hospitalar, segundo Chiattone (2000), é correto afirmar que


LI

(A) o hospital geral é caracterizado por regras, rotinas, condutas específicas,


FE

dinâmicas que não devem ser respeitadas e seguidas pelo psicólogo hospitalar,
N
SO

pois ele lida com os aspectos subjetivos e não objetivos do tratamento.


D
U

(B) a instituição, com suas características, não limita as possibilidades de


R

atuação do psicólogo hospitalar, pois ele deve ser independente e soberano


quanto à sua clínica.
(C) o ambiente hospitalar não interfere no desempenho técnico e na definição
da tarefa psicológica.
(D) o modelo biopsicossocial, adotado por todos os psicólogos da saúde, foi
historicamente valorizado e tem felizmente superado o modelo biomédico na
estrutura da assistência em saúde.

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(E) os papéis, as atitudes e as atividades do psicólogo, ainda hoje,
não são bem delimitados pelas instituições de saúde ou pelo próprio
profissional.

56. IADES – EBSERH – UFPI – Psicólogo Hospitalar – 2012


Apesar do avanço tecnológico das cirurgias e anestesias, o paciente
cirúrgico nunca se sente totalmente seguro, pois este procedimento tende a
gerar intenso desconforto emocional, onde o indivíduo tem o seu futuro

05
incerto, manifestando sentimentos de impotência, isolamento, medo da morte,

5:
:3
da dor, da mutilação, de ficar incapacitado e das mudanças na sua imagem

14
corporal. Assim, diante da necessidade de realizar uma cirurgia, o paciente

8
01
sente ameaçada a sua integridade física e psicológica. Acerca da contribuição da

/2
08
psicologia na atenção ao paciente cirúrgico, assinale a alternativa correta.

7/
(A) A cirurgia, em si, pode alterar a imagem corporal do paciente levando-o a

-1
m
desenvolver dificuldades de adaptação e produzindo no indivíduo um superávit

co
na relação do sujeito no mundo, traduzindo- se no plano da motricidade, da

l.
ai
gm
percepção e da relação com o outro.

@
(B) Entende-se que o paciente está efetivamente preparado para realizar uma
e4
cirurgia, sendo desnecessária à atuação psicológica neste momento.
ip
el

(C) Faz-se necessário o psicólogo atuar no sentido de reorganizar o esquema da


nf
so

consciência do paciente no mundo, ou seja, seu novo esquema corporal que foi
ud

modificado pela intervenção cirúrgica.


-r
0

(D) A tensão e ansiedade no pré-operatório contribuem para a alta aderência ao


-0
43

programa de reabilitação e reduzem o risco de outras intercorrências no pós-


.3

operatório.
93
.4

(E) A efetivação de um bom acompanhamento psicológico no pré-operatório


24
-0

não tem influência direta nas reações do paciente no trans e no pós-operatório.


ES
ES

57. IADES – EBSERH – UFPI – Psicólogo Hospitalar – 2012


EN

O crescente desenvolvimento técnico da medicina e dos hospitais


M

provocou o deslocamento do lugar da morte, que raramente ocorre em casa. O


A
M

fim da vida pode ser acompanhado de muito sofrimento, pacientes e familiares


LI
PE

podem se sentir abandonados. Em relação ao tema e às relações que o


LI

acompanha, assinale a alternativa correta.


FE

(A) A morte no contexto hospitalar traz para os profissionais de saúde a


N
SO

impossibilidade de entrar em contato com os seus processos de morte e


D

finitude.
U
R

(B) Os profissionais de saúde não vivem processos de luto pela perda de alguns
de seus pacientes.
(C) O medicinal evoca uma função, a de cuidar, e está presente tanto em quem
trata como em quem é tratado. O medicinal do paciente sempre funciona em
harmonia com o medicinal do profissional de saúde.
(D) O prolongamento da vida e o avanço da técnica medica trouxeram um
convívio maior com os processos de morrer para familiares e profissionais da

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área de saúde. Vê-se a preocupação de abrir espaços de
compartilhamento pela maior convivência com a morte.
(E) O paciente, quando internado na UTI, por vezes sofre perdas físicas, mas
não ao nível de sua singularidade e subjetividade.

58. IADES – EBSERH – UFPI – Psicólogo Hospitalar – 2012


Em relação ao papel do psicólogo na realidade institucional, assinale a
alternativa correta.

05
(A) A atuação do psicólogo no contexto hospitalar pode ser definida como

5:
:3
prática psicoterápica, ou seja, se dá de acordo com um “setting terapêutico”

14
definido e preciso.

8
01
(B) O psicólogo hospitalar deve ter como objetivo principal a minimização do

/2
08
sofrimento provocada pela hospitalização.

7/
(C) O aprendizado acadêmico do psicólogo é suficiente para embasar sua

-1
m
atuação institucional.

co
(D) A atuação do psicólogo num hospital não deve ser submetida à vontade ou

l.
ai
gm
desejo do paciente de receber ou não esse tipo de ajuda.

@
(E) Não deverá haver limites de atuação para o psicólogo dentro de uma
e4
instituição, ou seja, o atendimento do psicólogo não precisará ser norteado a
ip
el

partir dos princípios institucionais.


nf
so
ud
-r
0
-0
43
.3

Questões Comentadas e Gabaritadas


93
.4
24
-0
ES
ES

Questões Inéditas Alyson Barros


EN

Julgue os itens a seguir


M

1. O efeito manada e definido em psicologia social como a capacidade da


A
M

multidão em buscar a individuação social.


LI

( ) Certo ( ) Errado
PE
LI

Gabarito: E
FE

Comentários: Efeito manada é a tendência de pessoas seguirem grupos


N
SO

maiores, sem julgamento racional de seu comportamento. Não é o processo de


D

individuação, mas o famoso “Maria vai com as outras” em uma escala maior.
U
R

A melhor charge para explicar esse efeito é a seguinte:

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05
5:
:3
14
8
01
/2
08
7/
-1
m
co
l.
ai
gm
@
e4
ip
el
nf
so
ud
-r
0
-0
43
.3
93
.4
24
-0

2. O preconceito é uma forma de interação social pautada na confirmação de


ES
ES

estereótipos e de evidências dos papéis.


EN

( ) Certo ( ) Errado
M

Gabarito: E
A
M

Comentários: O preconceito é fundamentado em uma interpretação anterior às


LI

evidências conclusivas e reais. Obviamente que podemos ter preconceitos


PE
LI

apenas com evidências parciais da realidade, mas, de fato, não há no


FE

preconceito uma confirmação completa dos papéis (pois deixaria de ser um


N
SO

conceito pré-concebido nesse caso).


D

Para ilustrar, é válido lembrar que para legitimar a escravidão no Brasil, por
U
R

exemplo, foram utilizadas justificativas teológicas e até fisiológicas para


justificar o injustificável. Foram criados mitos para explicar o tráfico negreiro
para o Brasil. Uma dessas ideias pré-concebidas era de que escravocratas e
fazendeiros acreditavam tinham uma missão civilizadora de dar educação aos
negros e de apresentar-lhes o trabalho e o cristianismo. Período vergonhoso da
nossa história recente.

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3. A subjetividade humana, para Foucault, é vista como um
elemento influenciado por determinantes biológicos e sociais, sempre
modulados pelo momento histórico.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Foucault, Deleuze e Guatarri não falam de qualquer
determinante biológico, ao contrário, defendem a construção social da
identidade e da subjetividade a partir da visão social e histórica.

05
5:
:3
4. Segundo Guatarri, os processos de singularização são reprimidos pelas

14
forças dominantes no controle da subjetividade humana.

8
01
( ) Certo ( ) Errado

/2
08
Gabarito: C

7/
Comentários: Definição perfeita.

-1
m
co
5. Os processos de subjetivação representam o modo como o sujeito deixa o

l.
ai
gm
papel de objeto para tornar-se sujeito atuante em um papel social pré-definido.

@
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E e4
ip
el

Comentários: Essa definição extrapolou um pouco o conceito de subjetivação


nf
so

de Foucault. Para esse autor os processos de subjetivação nada mais são que a
ud

forma pela qual seres humanos tornam-se sujeitos, dentro ou não dos papéis
-r
0

sociais previamente definidos.


-0
43
.3

6. Os auto esquemas são crenças sobre si mesmo que organizam e guiam o


93
.4

processamento de informações relacionadas ao self.


24
-0

( ) Certo ( ) Errado
S

Gabarito: C
E
ES

Comentários: Definição perfeita.


EN
M

7. O processo de individuação ocorre antes da formação da identidade.


A
M

( ) Certo ( ) Errado
LI
PE

Gabarito: E
LI

Comentários: A melhor forma de entender essa relação, para todos os autores


FE

levantados, é que a individuação ocorre em paralelo a formação da identidade.


N
SO

A relação de paralelismo é lógica, pois a individuação é justamente a formação


D

da identidade.
U
R

8. Os selves possíveis são projeções de identidades almejadas ou repudiadas.


( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Definição correta. Selves possíveis são imagens que sonhamos ou
que tememos nos tornar no futuro.

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Prefeitura de Fortaleza
9. O coletivismo representa a tendência a dar prioridade aos
próprios objetivos e não aos do grupo.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Esse é o conceito de individualismo.

10. O lócus de controle é o grau em que as pessoas percebem os resultados


como internamente controláveis por seus próprios esforços ou como

05
externamente controlados pelo acaso ou por forças externas.

5:
:3
( ) Certo ( ) Errado

14
Gabarito: C

8
01
Comentários: Definição correta.

/2
08
7/
11. CESPE - MPU – 2013

-1
m
A análise da sedução e fascinação é importante para o diagnóstico dos jogos de

co
poder e de desejo nas instituições.

l.
ai
gm
( ) Certo ( ) Errado

@
Gabarito: C
Comentários: Aqui cabe uma breve referência: e4
ip
el

Vale lembrar que, nas relações cotidianas de trabalho das organizações, há duas
nf
so

modalidades de controle pelo amor: a fascinação e a sedução. Por meio desses


ud
-r

dois mecanismos, as organizações conseguem impor de maneira sutil a sua


0

cultura e dominar o inconsciente do indivíduo deixando pouca margem tanto


-0
43

para o pensamento e quanto para a postura/ação crítica dentro e fora da


.3
93

empresa. Quanto à fascinação, ela está bem próxima da relação hipnótica e


.4

confere ao hipnotizador um domínio quase que completo do indivíduo. Há,


24
-0

segundo ENRIQUEZ (1991), um conjunto de consequências que caracterizam


S

essa relação: a submissão do indivíduo, o deixar de lado tudo aquilo que não diz
E
ES

respeito ao objeto amado, a ausência de crítica, a alienação e a submissão


EN

voluntária. Em suma, a relação hipnótica consiste em abandono amoroso.


M

O fascínio por determinado objeto pode ser conquistado, de acordo com


A
M
LI

ENRIQUEZ (1991), por meio de ritos de grandes comemorações, de grandes


PE

festas triunfais. Busca-se, por meio do discurso adequado, os meios para a


LI

obtenção dos objetivos do hipnotizador. Os hipnotizadores lançam mão do


FE

discurso de que cada pessoa que os siga pode se tornar um herói, um ser
N
SO

imortal, tornar-se uma pessoa acima das outras, objeto de reconhecimento e de


D
U

admiração. O indivíduo, de sua parte, vai atrás seja do reconhecimento,


R

intrinsecamente ligado ao narcisismo, seja da admiração, do ser referência para


as outras pessoas. Enfim o indivíduo é convidado pelo hipnotizador a fazer
parte do clube dos raros e a organização, de acordo com FREITAS (2000,
p.111), constrói para o indivíduo a ilusão mesma do clube dos raros. Segundo a
autora, “ela propõe a fantasia do ser um, traduzida no eu faço parte da
organização e ela faz parte de mim, o sucesso dela é o meu sucesso e vice-versa”.
Portanto, o narcisismo individual se confunde com o organizacional: de um

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lado, está o indivíduo desejoso de fazer parte de um grupo poderoso
e que pode dar sentido a sua vida; e de outro, a organização surge como sendo o
local de satisfação do desejo. O indivíduo acredita que, seguindo todas as
orientações do hipnotizador, poderá se tornar um herói, um semideus, e desta
maneira, estará disposto a se perder no objeto de fascínio, aguardando o
cumprimento da promessa contida no discurso do hipnotizador. Espera fundir-
se ao objeto amado, fugindo de si mesmo em direção ao outro, ao do
hipnotizador, o líder carismático que, com seu perfil megalomaníaco e

05
paranóico, vai envolvê-lo o indivíduo, inclusive, com sua permissão: “trata-se de

5:
:3
uma verdadeira gestão psíquica do sujeito, na qual todos os caminhos, em

14
última instância, o levam à frustração. Como Narciso, ele está condenado a um

8
01
amor impossível. Ele se desdobrará para satisfazer às elevadas expectativas da

/2
08
empresa, que criou um perfil perfeito e impossível de se atingido” (FREITAS,

7/
2000, p.114).

-1
m
Ao lado da fascinação, a sedução é uma outra modalidade do controle pelo

co
amor. Mas, diferentemente daquela, a sedução sai um pouco da vertente do

l.
ai
gm
sagrado. Nela, também, não existe nada fantástico, ou fora do comum: “a

@
sedução reside na aparência: um sorriso insinuante, palavras escolhidas com
e4
precaução, frases agradavelmente balanceadas, uma certa banalização dos
ip
el

problemas permitem ao discurso de ser suficientemente agradável”


nf
so

(ENRIQUEZ, 1991, p.252 tradução nossa). Em termos gerais, o sedutor


ud

busca, por meio de estratégias bem definidas, ser o detentor dos desejos das
-r
0

outras pessoas. FREITAS (2000, p.149) compreende a sedução como o convite


-0
43

a uma fantasia de rara beleza, como “um processo, uma relação dual, fugitiva
.3

em sua promessa de charme e intensidade das emoções prazerosas que podem


93
.4

ocorrer nesse encontro sugerido com a magia e o encantamento a ser


24
-0

desfrutado”. O sedutor espera o comprometimento do indivíduo para a


S

realização de algo que ele deseje. E o seduzido, quando entra no jogo, apenas
E
ES

vai atender às necessidades e desejos do sedutor, tendo como provável destino,


EN

o auto-abandono. O sedutor deseja o amor do seduzido, o controle de sua


M

vontade, alienando-o e cerceando sua liberdade de pensamento e de ação.


A
M
LI

Fonte: Siqueira, Marcus Vinicius Soares. O Discurso Organizacional em


PE

Recursos Humanos e a Subjetividade do Indivíduo – uma Análise Crítica.


LI

Fundação Getulio Vargas. Escola de Administração de Empresas de São Paulo.


FE

São Paulo. 2004.


N
SO
D
U
R

12. CESPE - SERPRO – 2013


Sedução e fascinação são indissociáveis e elementos importantes para a
compreensão dos complexos jogos de poder e de desejo nas organizações.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Veja os comentários da questão anterior.

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13. FCC - 2009 - TJ-SE - Analista Judiciário - Psicologia


Nas discussões relativas às prisões e instituições totais destacam-se dois
autores que por sua obra, tornaram-se referência para os estudiosos da
Psicologia Criminal. São eles:
a) Jean Piaget e Humbert Maturana.
b) Sigmund Freud e Carl Gustav Jung.

05
c) Michel Foucault e Erving Goffman.

5:
:3
d) Jürgen Habermas e José Bleger.

14
e) Donald Woods Winnicott e Edgar Morin.

8
01
Gabarito: C

/2
08
Comentários: Será que as questões do dia da sua prova serão assim?

7/
-1
m
co
14. FCC - 2012 - MPE-AP - Analista Ministerial - Psicologia

l.
ai
gm
Na atualidade, as instituições totais recebem críticas no tocante ao abrigamento

@
de adolescentes em conflito com a lei, pois
e4
a) dificultam a vida social porque os adolescentes vivem isolados, realizando
ip
el

cada atividade diária de forma apenas individual e nunca em grupo.


nf
so

b) partem de uma visão médica e assistencialista sobre os cuidados que devem


ud

recair sobre aqueles que cometem atos infracionais.


-r
0

c) dificultam a formação de grupos e o estabelecimento de rotinas pré-


-0
43

estabelecidas pelos dirigentes.


.3

d) oneram a sociedade já que usualmente são utilizados espaços com grande


93
.4

valorização imobiliária.
24
-0

e) privilegiam apenas o controle e a segurança, despersonalizando os indivíduos.


S

Gabarito: E
E
ES

Comentários: O foco das instituições totais é sobre a reconstrução da


EN

subjetividade do sujeito. Essas instituições totais existem, segundo Goffman,


M

para manter a ordem social e para garantir a segurança daqueles que seguem os
A
M

valores morais da ideologia vigente.


LI
PE
LI

15. CEPERJ - 2012 - DEGASE - Psicólogo


FE

Segundo Erving Goffman, as instituições totais retiram do indivíduo sua


N
SO

capacidade de decisão e escolha, por meio de rígidos regulamentos, sanções e


D

julgamentos dos dirigentes. A afirmativa que não descreve ação implementada


U
R

por essas instituições é:


a) A conduta do interno no interior da instituição é constantemente observada
e qualquer ato fora do determinado pode futuramente ser usado contra ele
próprio.
b) A presença de autoridade escalonada responsável pela garantia do
cumprimento das regras determinadas, mesmo que isso inclua castigos físicos
ou morais.

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c) Tudo pertence à instituição e pode ser retirado a qualquer
momento.
d) O interno consegue equilibrar suas necessidades pessoais ao poder e
organizar livremente, e por conta própria, sua rotina diária no interior da
instituição.
e) O internado pode renunciar a certos níveis de sociabilidade, a fim de evitar
incidentes.
Gabarito: D

05
Comentários: A letra D pressupõe liberdade e a liberdade é a principal coisa

5:
:3
retirada dos internos das instituições totais.

14
8
01
16. CEPERJ - 2012 - DEGASE - Psicólogo

/2
08
“Os processos pelos quais o eu da pessoa é mortificado são relativamente padronizados

7/
nas instituições totais.”

-1
m
GOFFMAN, 2007 (p.24)

co
Identifique abaixo as afirmativas que são exemplos de mortificação da

l.
ai
gm
identidade do indivíduo:

@
I- Permissão para visitas a qualquer tempo.
II- Perda de direitos civis. e4
ip
el

III- Uso de violência e ações de humilhação para a obtenção de obediência.


nf
so

IV- Alteração na aparência pessoal e não permissão para posse de bens pessoais.
ud

V- Direito à expressão e opinião próprias.


-r
0

A alternativa que contém a indicação das afirmativas corretas é:


-0
43

a) II e III
.3

b) II, III e IV
93
.4

c) III, IV e V
24
-0

d) I, IV e V
S

e) I, III e IV
E
ES

Gabarito: B
EN

Comentários: Lembre-se que não há liberdade em instituições totais, assim,


M

nada de permissão para visitas a qualquer tempo e nem direito à expressão e


A
M

opinião próprias.
LI
PE
LI
FE

17. FCC - 2012 - TRE-SP - Analista Judiciário - Psicologia


N
SO

Os grupos podem diferir em sua aparência e comportamento, no entanto,


D

interiormente todos têm três elementos básicos: interação, atividades e


U
R

a) recursos.
b) atitudes.
c) sistemas.
d) sentimentos.
e) raciocínios.
Gabarito: D
Comentários: Esse é o ciclo de Moscovici, explicado no trecho abaixo:

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No interior de quaisquer grupos se fazem presentes três elementos básicos:


interação, atividade e sentimento. (HAMPTOM, 1991. p. 108).
Interação
Refere-se ao comportamento interpessoal, que pode variar de grupo para grupo.
A relação social de interação não implica, necessariamente, no estabelecimento
de uma conversa ou de um contato pessoal muito próximo. Quando os atos de
duas ou mais pessoas que se encontram, estão intimamente relacionados, é

05
possível reconhecer e se falar em interação (HAMPTON, 1991, p. 108).

5:
:3
Atividade

14
As coisas que as pessoas fazem são denominadas simplesmente atividades. No

8
01
contexto organizacional desde o ato de falar até o executar tarefas de alta

/2
08
complexidade, são ações que determinam a atividade por elas exercida. Dessa

7/
-1
forma, é possível notar que há diferença entre as atividades desenvolvidas pelas

m
diversas pessoas junto a uma organização. Tais diferenças podem ser medidas e

co
tomadas como indicadores de desempenho. (HAMPTON, 1991, p. 108).

l.
ai
gm
Assim, ao avaliar uma determinada atividade, necessário se faz um

@
reconhecimento de que a mesma, por mais insignificante que pareça, é de vital
e4
importância junto ao meio organizacional. As pessoas responsáveis pela
ip
el

execução de tarefas de alta complexidade não são, por si só, auto- suficientes.
nf
so

Realizá-las depende da realização de outras atividades consideradas menos


ud
-r

complexas ou, aparentemente, sem quaisquer importâncias.


0

Sentimento
-0
43

O terceiro elemento, sentimento, “[...] inclui os processos mentais e emocionais


.3
93

que estão dentro das pessoas e que não podem ser vistos, mas cuja presença é
.4

inferida a partir das atividades e interações das pessoas”. De tal modo, “[...] um
24
-0

sorriso sugere um determinado sentimento, um punho ameaçador sugere outro.


S

Mas são as atitudes, os sentimentos, as opiniões e as crenças compartilhadas


E
ES

pelas pessoas que interessam especialmente para a compreensão do


EN

comportamento dos grupos.”(Ibid, p. 110)


M
A

Fonte: Soares, Jeannette Oliveira Santos. Comportamento e relações


M
LI

interpessoais nas organizações: breve análise da SEFAZ/BA após a


PE

implementação do PROMOSEFAZ. Universidade Federal da Bahia. 2004.


LI
FE
N

18. FCC - 2012 - TRE-SP - Analista Judiciário - Psicologia


SO

A estrutura latente dos grupos, na concepção de Moreno, não é apenas uma


D
U

distribuição de afetos dentro do grupo. É uma realidade afetiva e cognoscitiva,


R

pois representa para cada membro do grupo as formas como: vivem o grupo e
seus membros; vive sua própria situação dentro do grupo; percebe os outros e a
distância social que experimenta em relação a eles e como é
a) reconhecido por si.
b) atingido pelos outros.
c) percebido pelos outros.
d) representado emocionalmente pelos outros.

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e) acolhido pelos outros membros do grupo.
Gabarito: C
Comentários: O foco da teoria de Moreno, a arrisco dizer que até para Lewin,
é o campo psicológico. Esse campo psicológico é o campo dos fenômenos
percebidos pelo sujeito (e não os fatos reais) e que constitui a subjetividade
humana.

05
19. CESPE - MPU – 2013

5:
:3
Conforme a abordagem da psicologia comunitária, as relações de poder são

14
determinadas pelas situações caracterizadas pela substituição do ideal de ego do

8
01
indivíduo pelo superego do grupo.

/2
08
( ) Certo ( ) Errado

7/
Gabarito: E

-1
m
Comentários: A psicologia comunitária se caracteriza por ser:

co
[...] uma área da psicologia social que estuda a atividade do psiquismo

l.
ai
gm
decorrente do modo de vida do lugar/comunidade, estuda o sistema de relações

@
e representações, identidade, níveis de consciência, identificação e pertinência
e4
dos indivíduos ao lugar/comunidade e aos grupos comunitários. Visa ao
ip
el

desenvolvimento da consciência dos moradores como sujeitos históricos e


nf
so

comunitários, através de um esforço interdisciplinar que perpassa o


ud
-r

desenvolvimento dos grupos e da comunidade. [...] Seu problema central é a


0

transformação do indivíduo em sujeito.


-0
43

Fonte: Campos, R. H. F. (Org.). (2000). Psicologia social comunitária: da


.3
93

solidariedade à autonomia. Petrópolis, RJ: Vozes.


.4

Assim como na psicologia institucional, o indivíduo não se integra ao


24
-0

superego do grupo, ao contrário, busca realizar o seu ideal de ego. Veja:


S

Por sua vez, o indivíduo acredita que participando da comunidade formada


E
ES

pelos membros da empresa, especialmente da dos detentores de poder, ele será


EN

reconhecido e alcançará o seu ideal de ego. O que ocorre é que o indivíduo não
M
A

acredita apenas no sucesso e no reconhecimento por parte da empresa, ele


M
LI

acredita que ela, instituição sagrada do capitalismo, merece sua dedicação, seu
PE

empenho e qualquer renúncia da sua parte.


LI
FE

[..]
N

As organizações, fazendo uso de múltiplos mecanismos tais como a gestão do


SO

afetivo, enfatizam de maneira continuada a necessidade em se ter empregados


D
U

talentosos, leais e comprometidos com os objetivos e com o crescimento da


R

empresa. Igualmente, o discurso da comunidade se confunde com o do


comprometimento, pois procuram-se indivíduos que estejam comprometidos
com a organização e que sejam capazes de fazer parte de um “clube”, de uma
comunidade, a qual fortalece os laços afetivos entre os indivíduos que a
compõem. Para tanto, as grandes empresas fazem uso de mecanismos como a
fascinação, a sedução e a servidão voluntária: o indivíduo acredita que,
participando da comunidade formada pelos membros da empresa,
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especialmente dos detentores do poder, do sucesso, ele poderá ser
enfim reconhecido e atingir o seu ideal de ego. Da mesma forma que outras
categorias de análise, o comprometimento e a formação da comunidade na
empresa é trabalhado de maneira não somente explícita, mas com mecanismos
ocultos no discurso, que cada vez mais ideológico, faz com que o indivíduo
desenvolva a percepção da empresa, não apenas como um local de trabalho, em
que ele é remunerado para alguma atividade, mas como uma instituição
sagrada merecedora de sua dedicação, seu empenho e qualquer outra renúncia

05
que, porventura, seja necessária.

5:
:3
Fonte: Siqueira, Marcus Vinicius Soares. O Discurso Organizacional em

14
Recursos Humanos e a Subjetividade do Indivíduo – uma Análise Crítica.

8
01
Fundação Getulio Vargas. Escola de Administração de Empresas de São Paulo.

/2
08
São Paulo. 2004.

7/
-1
m
co
20. CESPE - SERPRO – 2013

l.
ai
gm
Julgue os itens subsequentes, com relação ao sentido do trabalho nas

@
organizações.
e4
O trabalho pode assumir tanto uma condição de neutralidade quanto de
ip
el

centralidade na vida dos trabalhadores, assim como na identificação desses


nf
so

indivíduos com a sociedade.


ud
-r

( ) Certo ( ) Errado
0

Gabarito: C
-0
43

Comentários: O trabalho ajuda a construir a identidade social do trabalhador e


.3
93

a imagem que o próprio trabalhador tem de si. Não significa que o trabalho será
.4

sempre o elemento central na vida do sujeito. Assertiva correta.


24
-0
S

21. CESPE - SERPRO – 2013


E
ES

Os indivíduos constroem suas concepções de trabalho à medida que vivenciam


EN

as relações com o meio em que vivem.


M

( ) Certo ( ) Errado
A
M
LI

Gabarito: C
PE

Comentários: Perfeita, sem comentários.


LI
FE

22. CESPE - MPU – 2013


N
SO

Os grupos operativos propõem a vinculação entre a dinâmica de grupo e o


D
U

referencial da terapia ocupacional.


R

( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Na verdade, os grupos operativos aparecem como uma proposta
de trabalho através do vínculo entre os participantes e a abordagem adotada.
Essa abordagem não é limitada pela terapia ocupacional, como afirma a
assertiva. O propósito dos grupos operativos são as atividades centradas na

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solução de situações estereotipadas, dificuldades de aprendizagem e
comunicação, devido à acumulação de ansiedade que desperta toda mudança.
Por fim:
Segundo Pichon-Rivière, entende-se por grupo um conjunto de pessoas
movidas por necessidades semelhantes e se reúnem em torno de uma tarefa
específica, um objetivo mútuo, onde cada participante é diferente e exercita sua
fala, sua opinião, seu silêncio, defendendo seu ponto de vista. E neste grupo o
indivíduo constrói sua identidade introjetando o outro dentro de si, ou seja,

05
mesmo quando uma pessoa está longe posso chamá-la em pensamento ou

5:
:3
mesmo todo conjunto. Assim o sujeito constrói sua identidade na sua relação

14
com o outro, estando povoado de outros grupos internos de forma que todos

8
01
esses integrantes do nosso mundo interno estão presentes em nossas ações.

/2
08
(FREIRE, 2000)

7/
Os grupos operativos se caracterizam pela relação que seus integrantes mantêm

-1
m
com a tarefa, que pode ser de cura ou aquisição de conhecimentos por exemplo.

co
As finalidades e propósitos dos grupos operativos são as atividades centradas na

l.
ai
gm
solução de situações estereotipadas, dificuldades de aprendizagem e

@
comunicação, devido à acumulação de ansiedade que desperta toda mudança. A
e4
ansiedade diante da mudança pode ser depressiva (abandono do vínculo
ip
el

anterior) ou paranóide (criada pelo novo vínculo e as inseguranças) (OSÒRIO,


nf
so

2003).
ud

Fonte: Alves, Eduardo Pereira e Cunha, Leandro de Souza. Grupos Operativos


-r
0

Pichon Rivière. Ed. Artigonal junho de 2010


-0
43
.3
93
.4

23. FCC – TRT – Alagoas – 2014


24
-0

Ao definir inclusão, Will Schutz (1994) diz que se trata de uma necessidade
S

interpessoal de estabelecer e manter relacionamento satisfatório com as pessoas,


E
ES

tendo em vista sua


EN

(A) interação e associação.


M

(B) motivação e relação.


A
M

(C) maturidade emocional e conhecimento técnico.


LI
PE

(D) posição social e status no grupo.


LI

(E) aceitação e reconhecimento intragrupal.


FE

Gabarito: A
N
SO

Comentários: Para Schutz e sua teoria FIRO, temos três componentes que
D

explicam as relações interpessoais: inclusão, controle e afeto. Como vimos em


U
R

aula:
Essas três necessidades de conduta interpessoal são suficientes para predizer e
explicar as relações interpessoais.
Inclusão se refere a associação, interação ou comunicação entre as pessoas.
A carência de inclusão denota exclusão, isolamento, solidão e abandono.
A conduta de Controle se relaciona com o processo de tomada de
decisões entre as pessoas. Controle é sinônimo de poder, autoridade,

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dominação, influência e a carência de controle indica submissão,
monitoramento, rebeldia e resistência.
Afeto diz respeito aos sentimentos de proximidade entre duas pessoas. Ele
é expresso através do amor, ternura e amizade. O efeito negativo contém o
ódio, a distância emocional e o ressentimento.

24. FCC – TRT – Alagoas – 2014

05
A Teoria Cognitivista, ao estudar os grupos, enfatiza a importância de

5:
:3
compreender como os indivíduos

14
(A) acionam os mecanismos de defesa nas relações com o grupo e desenvolvem

8
01
os processos de identificação e de regressão.

/2
08
(B) se comportam como consequência de seu espaço vital ou campo

7/
-1
psicológico e acionam os outros membros do grupo.

m
(C) recebem e integram as informações sobre o mundo social e como essa

co
informação influi em seu comportamento.

l.
ai
gm
(D) compartilham suas experiências pessoais subjetivas e como se relacionam

@
diante de conflitos grupais.
e4
(E) acionam uma rede de atração pessoal e como essa rede influi na formação e
ip
el

extinção dos grupos.


nf
so

Gabarito: C
ud
-r

Comentários: Vejamos de onde provavelmente saiu a questão:


0

Aqueles que estudam os fenômenos grupais adotam diferentes orientações


-0
43

teóricas, por exemplo: a teoria de campo, segundo a qual o comportamento é


.3
93

uma conseqüência de um campo de componentes interdependentes, Cartwright


.4

(1959) e Zander (1959). A abordagem do grupo social através da teoria


24
-0

psicanalítica, representada pelos trabalhos de Freud e Bion (1975), que


S

desenvolvem os conceitos de identificação, de regressão, os mecanismos de


E
ES

defesa e inconscientes no estudo dos grupos sociais. A teoria cognitivista


EN

representada pelo trabalho de Krech e de Crutchfield (1961), enfatiza a


M
A

importância de compreender como os atores sociais recebem e integram as


M
LI

informações sobre o mundo social e como essa informação influi em seu


PE

comportamento.
LI
FE

Encontra-se ainda entre os estudiosos de orientação dinamicista a abordagem


N

empírico- estatística que postula o uso da estatística como meio para


SO

identificação dos conceitos e leis gerais dos grupos sociais. Estes usam a análise
D
U

fatorial e os processos desenvolvidos no campo dos testes de Cottrell, Meyer e


R

Hamphill. O estudo do grupo social foi abordado, também, por meio de


modelos formais com bases na matemática por Simon, French e Harary entre
outros.
Cartwright e Zander (1968), ao analisarem as diferentes orientações teóricas e
os métodos empregados no estudo dos grupos sociais, enfatizam a contribuição
que esta diversidade teórica e experimental empresta ao desenvolvimento
científico dos fenômenos grupais. A distinção entre um agregado, de um lado,

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e, de outro, um grupo social, tem sido feita pelos psicólogos sociais,
mas para muitos deles não existe uma linha divisória rígida entre um e outro.
Lima, Conceição Maria Dias. Atores sociais e liderança no processo de
formação do capital social: proposta à cooperativa agropecuária.

25. FGV – DP – RJ – 2014


Jurandir Freire Costa, na análise de importantes transformações na

05
subjetividade contemporânea, considera que o “corpo está se tornando o

5:
:3
referente privilegiado para a construção das identidades pessoais”. Segundo

14
Freire Costa, esse fenômeno se articula

8
01
(A) à não superação do Édipo na cultura contemporânea e à derrocada das

/2
08
instâncias educativas tradicionais.

7/
-1
(B) ao capitalismo globalizado que disseminou atributos físicos como modelos

m
e ao esvaziamento da política partidária.

co
(C) à proliferação do uso de drogas (lícitas e ilícitas) e ao consumismo sem

l.
ai
gm
limites.

@
(D) ao remapeamento cognitivo do corpo físico e à invasão da cultura pela
moral do espetáculo. e4
ip
el

(E) à educação sentimental e às transformações no funcionamento familiar.


nf
so

Gabarito: D
ud
-r

Comentários: Primeiramente, quem é Jurandir Freire Costa? É um psiquiatra e


0

psicanalista com uma extensa literatura na área clínica e social.


-0
43

Jurandir Freire Costa, em seu livro O vestígio e a aura: corpo e consumismo na


.3
93

moral do espetáculo suscita que se tornou comum falar de “cultura do corpo”


.4

em alusão à preocupação moderna com a saúde e com a forma física. O autor


24
-0

nota, que à primeira vista, a expressão parece redundante, visto que toda cultura
S

é “do corpo”, pois cultura, conforme considera Freire Costa (2004), é gestação,
E
ES

manutenção e reprodução de hábitos físicos e mentais. Entretanto, salienta que


EN

a redundância é apenas aparente: “[...] Cultura do corpo, ou culto ao corpo, não


M

é uma definição; é um recurso de ênfase. A designação imprecisa chama a


A
M
LI

atenção para o fato de o corpo ter-se tornado um referente privilegiado para a


PE

construção das identidades pessoais”.(p.203). Dessa forma, empregamos a


LI

expressão tendo em vista tais considerações. Contudo, entendemos, que o


FE

termo “culto ao corpo” para além de ser um referente privilegiado na construção


N
SO

das identidades pessoais, também engendra questões ligadas à felicidade,


D
U

beleza, auto-estima, prosperidade e glamour. Assim, utilizamos a expressão em


R

um sentido amplo, conferindo relação com a moda, com a estética (na acepção
de aparência física), com a indústria de cosméticos, de alimentos dietéticos, de
cirurgias plásticas etc.
O próprio autor diz: Referir o sentimento de identidade ao corpo significa
definir o que somos e o que devemos ser, a partir de nossos atributos físicos.
Ou seja, atualmente, se tornou verossímil acreditar que a) atos psicológicos têm
origens e causas físicas e que b) aspirações morais devem ter como modelo

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desempenhos corpóreos ideais. Em outros termos, estamos nos
habituando a entender e a explicar a natureza da vida psíquica e das condutas
éticas pelo conhecimento da materialidade corporal. Sugiro que o culto ao
corpo vem sendo condicionado por vários fatores, entre os quais dois são
especificamente importantes: 1) o remapeamento cognitivo do corpo físico e 2)
a invasão da cultura pela moral do espetáculo. O primeiro fenômeno fornece as
justificativas racionais para a redescrição do que somos; o segundo, as normas
morais o que devemos ser. Em conjunto, os dois vêm competindo com outros

05
ideais de identidade pessoal, em particular com o ideal do sujeito sentimental.

5:
:3
14
26. FGV – FUNARTE – 2014

8
01
Leon Festinger, um dos mais importantes teóricos da psicologia social, cunhou,

/2
08
em 1957, o termo dissonância cognitiva, que pode ser definido como:

7/
(A) o sentimento de ansiedade e tensão interna provocado pela percepção da

-1
m
inconsistência lógica entre duas cognições diferentes, incluindo atitudes,

co
crenças e comportamentos;

l.
ai
gm
(B) o conjunto de manifestações comportamentais suscitadas pela interação de

@
uma pessoa com outras pessoas ou pela mera expectativa de tal interação;
e4
(C) a substituição do paradigma vigente na ciência normal por um novo
ip
el

paradigma, resultado de uma espécie de revolução científica;


nf
so

(D) a modificação do modo de pensar e agir de cada indivíduo em relação a


ud

crenças e valores, criando assim novas informações ou cognições sobre alguns


-r
0

dos seus conceitos pessoais;


-0
43

(E) o aprendizado de cada indivíduo na relação com os outros indivíduos pela


.3

apropriação da realidade criada pelas gerações anteriores.


93
.4

Gabarito: A
24
-0

Comentários: O conceito de dissonância cognitiva é o mesmo de incongruência


S

de Rogers.
E
ES
EN

27. FGV – FUNARTE – 2014


M

Segundo Michel Foucault, a proteção e o evitamento da depredação das novas


A
M

formas de acúmulo de riqueza na modernidade fizeram proliferar uma


LI
PE

tecnologia de vigilância e controle, que se instalou no século XVIII e caracteriza


LI

nossa sociedade até os dias de hoje. Tal tecnologia corresponde:


FE

(A) à repressão social;


N
SO

(B) à exclusão da pobreza;


D

(C) ao grande enclausuramento;


U
R

(D) à luta de classes;


(E) ao panoptismo.

Gabarito: E
Comentários: Essa tecnologia de controle (Vigiar e Punir) é denominada
Panoptismo. Sobre isso:
As relações sociais modernas têm para Foucault como característica a atuação

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de tal poder tríplice, exercido sobre os sujeitos por meio de vigilância
individual, controle e correção. O Panopticon de Bentham é a representação
arquitetônica típica de tal período: um edifício em forma de anel, dividido em
pequenas celas, no qual tudo o que era feito pelo indivíduo estava exposto ao
olhar de um vigilante, que ninguém poderia ver. Este tipo de poder pode
receber o nome de panoptismo, que não repousa mais sobre o inquérito, mas
sobre o exame. Dessa maneira, afirma o autor:
A multidão, massa compacta, local de múltiplas trocas, individualidades que se

05
fundem, efeito coletivo, é abolida em proveito de uma coleção de

5:
:3
individualidades separadas. Do ponto de vista do guardião, é substituída por

14
uma multidão enumerável e controlável; do ponto de vista dos detentos, por

8
01
uma solidão sequestrada e olhada (p. 190-191)

/2
08
O Panóptico automatiza o poder ao infundir naquele que é observado uma

7/
sensação consciente de uma vigilância permanente: arquitetura que cria e

-1
m
mantém uma relação de poder, portanto, que não mais depende daquele que o

co
exerce; os vigiados são presos em um sistema no qual eles mesmos são

l.
ai
gm
portadores das relações que os submetem. Em outras palavras, aquele que “[...]

@
está submetido a um campo de visibilidade, e sabe disso, retoma por sua conta
e4
as limitações do poder; fá-las funcionar espontaneamente sobre si mesmo; [...]
ip
el

torna-se o princípio de sua própria sujeição” (p. 192). O Panóptico dá ao poder


nf
so

a oportunidade de empreender novas experiências, modificar o comportamento


ud

de indivíduos, domesticá-los através de técnicas democraticamente controladas.


-r
0

A ampliação e organização do poder se faz visando ao recrudescimento das


-0
43

próprias forças sociais: aumento da produção, expansão da indústria,


.3

desenvolvimento da economia, potencialização da instrução.


93
.4

O panoptismo coloca em funcionamento uma forma de disciplina diferente da


24
-0

chamada disciplina-bloco. Enquanto esta se baseia na instituição fechada,


S

destinada à marginalização e à suspensão do tempo e do diálogo, a disciplina-


E
ES

mecanismo empreendida por essa nova técnica procura tornar o poder mais
EN

ágil, de atuação mais sutil, mais eficaz. Pode-se falar em uma verdadeira
M

inversão funcional das disciplinas, segundo o próprio autor. Anteriormente


A
M

assentados na tentativa de neutralizar os perigos fixando as populações agitadas,


LI
PE

os mecanismos de poder procuram, cada vez mais, produzir indivíduos úteis.


LI

Ademais, a multiplicação da disciplina é correlata à sua desinstitucionalização,


FE

“[...] as disciplinas maciças e compactas se decompõem em processos flexíveis


N
SO

de controle, que se pode transferir e adaptar” (p. 199).


D

O espetáculo cede espaço à vigilância. Na verdade, esta última deve


U
R

funcionar como uma forma de regulação inversa à primeira em uma sociedade


na qual a comunidade e a vida pública perdem espaço e são substituídas pela
prevalência do indivíduo privado, por um lado, e pelo Estado, por outro: “[...]
sob a superfície das imagens, investem-se os corpos em profundidade; atrás da
grande abstração da troca, processa-se o treinamento minucioso e concreto das
forças úteis; os circuitos da comunicação são os suportes de uma acumulação e
centralização do saber [...]” (p. 205).

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Fonte: Argolo, Pedro. O Panoptismo em Vigiar e Punir de Michel
Foucault (1926-1984). Disponível em: http://jus.com.br/artigos/28147/o-
panoptismo-em-vigiar-e-punir-de-michel-foucault-1926-
1984#ixzz3DbqCI6ow

28. FGV – DP – RJ – 2014


No conhecido livro “Vigiar e Punir”, Foucault reflete sobre a técnica do exame,

05
que consistiria em uma tecnologia

5:
:3
(A) do poder soberano que invisibiliza, desterritorializa e militariza.

14
(B) do poder disciplinar que visibiliza, individualiza e normaliza.

8
01
(C) do poder disciplinar que singulariza, invisibiliza e pune.

/2
08
(D) do poder fluido que controla, medicaliza e incita.

7/
(E) do poder soberano que normaliza, cerimonializa e pune.

-1
m
Gabarito: B

co
Comentários: Sobre isso:

l.
ai
gm
Quanto aos dispositivos disciplinares, ou instrumentos do poder disciplinar,

@
também são em número de três os seus principais, quais sejam: o olhar
e4
hierárquico, a sanção normalizadora e o exame. Vejamos brevemente cada um
ip
el

deles. O olhar hierárquico consiste antes na idéia mais ampla de vigilância. A


nf
so

vigilância é a mais importante máquina, a principal engrenagem do poder


ud
-r

disciplinar: ela contribui para automatizar e desindividualizar o poder, ao passo


0

que contribui para individualizar os sujeitos a ele submetidos. Ao mesmo


-0
43

tempo, a vigilância produz efeitos homogêneos de poder, generaliza a


.3
93

disciplina, expandindo-a para além das instituições fechadas. Nesse sentido,


.4

pode-se dizer que ela assegura, como explica Foucault, uma distribuição
24
-0

infinitesimal do poder.
S

...
E
ES

Finalmente, o exame é o último dos dispositivos do poder disciplinar que nos


EN

resta comentar. Antes de mais nada, cabe ressaltar que ele consiste em uma
M

espécie de articulação entre a vigilância e a sanção normalizadora. Em outras


A
M
LI

palavras, o exame constitui o indivíduo como objeto para análise e posterior


PE

comparação. Trata-se de um controle normalizante, uma vigilância que permite


LI

qualificar, classificar e punir. O exame estabelece sobre os indivíduos uma


FE

visibilidade através da qual eles são diferenciados e sancionados. Disso decorre


N
SO

que o exame é o resultado do somatório entre objetivação e sujeição: "ele


D
U

manifesta a sujeição dos que são percebidos como objetos e a objetivação dos
R

que se sujeitam" (Foucault 2001b: 154). Objetivação essa, ressalte-se, que opera
pela concomitância entre a visibilidade dos sujeitos e a invisibilidade da
disciplina. Ritualizado ao extremo, o exame tem ainda, e mais uma vez no
sistema foucaultiano, o atributo de colocar em funcionamento relações de poder
que permitem obter saber. Mais do que isso, com o exame, o indivíduo passa a
ser, ao mesmo tempo, efeito e objeto do poder e do saber: "o exame não se

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contenta em sancionar um aprendizado; é um de seus fatores
permanentes" (Foucault 2001b: 155).
Fonte: POGREBINSCHI, Thamy. Foucault, para além do poder disciplinar e
do biopoder. Lua Nova [online]. 2004, n.63 [cited 2014-09-17], pp. 179-201 .
Available from:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
64452004000300008&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-
6445. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-64452004000300008.

05
5:
:3
14
8
01
29. CESPE - SEGERES - Especialista em Desenvolvimento Humano e

/2
08
Social – 2011

7/
-1
A teoria da atribuição analisa como o ser humano explica o comportamento das

m
outras pessoas baseando-se em causas internas, ou seja, em motivos da própria

co
pessoa que observa o comportamento de outra.

l.
ai
gm
Gabarito: Anulada

@
Comentários:
e4
Segundo a CESPE: o item não aborda de forma pontual as causas que
ip
el

baseiam a teoria da atribuição, podendo levar os candidatos ao erro. Dessa


nf
so

forma, opta-se pela anulação do item.


ud
-r
0

30. CESPE - SEGERES - Especialista em Desenvolvimento Humano e


-0
43

Social – 2011
.3
93

Estereótipos e preconceito são conceitos independentes.


.4

Gabarito: E
24
-0

Comentários: Não, os estereótipos fundamentam os preconceitos. Assertiva


S

errada.
E
ES
EN

31. CESPE - SEGERES - Especialista em Desenvolvimento Humano e


M

Social – 2011
A
M
LI

Ao fazer pesquisas, o psicólogo social deve atingir o realismo experimental, o


PE

que justifica o uso de simulação, caso em que se disfarça a situação de


LI

experimento para o participante.


FE

Gabarito: C
N
SO

Comentários: Corretíssimo. Lembra-se do experimento de Milgram ou o de


D
U

Standford? Nos dois casos temos brilhantes experimentos da psicologia social


R

com simulações. Destaco que no de Milgram o sujeito estudado não sabia da


experiência enquanto que no de Standford todos eram voluntários.
Assertiva correta.

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32. CESPE – ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de
Psicologia – 2010
Julgue os itens que se seguem, acerca de intervenção psicossocial.
Constituem fases do processo de intervenção psicossocial: diagnóstica,
delineamento da intervenção, desenvolvimento da intervenção, avaliação da
intervenção, devolução e divulgação dos resultados.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C

05
Comentários: Mas Alyson, a devolução não deve ser individual? E tem alguma

5:
:3
coisa na questão falando que a devolução é grupal? Além disso, tem algum

14
problema na devolução da intervenção psicossocial ser grupal? Nenhum!

8
01
/2
08
7/
33. CESPE – ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de Psicologia

-1
m
– 2010

co
Julgue os itens que se seguem, acerca de intervenção psicossocial.

l.
ai
gm
Na elaboração de um projeto de intervenção psicossocial, dispensa-se a

@
observação das normas científicas, tais como o embasamento teórico e o
estabelecimento de objetivos gerais e específicos. e4
ip
el

( ) Certo ( ) Errado
nf
so

Gabarito: E
ud

Comentários: Dispensar? Nunca!


-r
0
-0
43
.3

34. CESPE – ABIN - Oficial Técnico de Inteligência – Área de Psicologia


93
.4

– 2010
24
-0

Julgue os itens que se seguem, acerca de intervenção psicossocial.


S

O conceito de intervenção psicossocial abrange qualquer grupo, instituição ou


E
ES

comunidade, independentemente das condições socioeconômicas que os


EN

caracterizam.
M

( ) Certo ( ) Errado
A
M

Gabarito: C
LI
PE

Comentários: Sempre!
LI
FE
N
SO

35. FCC - TRT - 13ª Região (PB) - Analista Judiciário – Psicologia – 2014
D

Segundo Serge Moscovici, a Teoria das Representações Sociais


U
R

constitui, de certo modo, o coração da Psicologia Social, sendo que os


fenômenos sociais que permitem identificar de maneira concreta as
representações e trabalhar sobre elas, dentro das quais se elaboram os saberes
populares e o senso comum, são as
a) ligações.
b) suposições.
c) fantasias.

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d) previsões.
e) conversações.
Gabarito: E
Comentários: Contrapondo-se ao saber científico, temos o saber consensual
(cotidiano). As diferenças, segundo Arruda (2002) são:
- Universo consensual – [...] Aquele que se constitui
principalmente na conversação informal, na vida cotidiana. As
Representações Sociais constroem-se mais freqüentemente na

05
esfera consensual, embora as duas esferas não sejam totalmente

5:
:3
estanques. As sociedades – são representadas por grupos de

14
iguais, todos podem falar com a mesma competência. A

8
01
Representação Social é o senso comum, acessível a todos.

/2
08
- Universo reificado (ou científico) – Se cristaliza no espaço

7/
científico, com seus cânones de linguagem e sua hierarquia

-1
m
interna. A sociedade é de especialistas onde há divisão de áreas de

co
competência. Aqui é a Ciência que retrata a realidade

l.
ai
gm
independente de nossa consciência; estilo e estrutura fria e

@
abstrata.
e4
ip
el
nf
so
ud
-r
0

36. FCC - MPE-PE - Analista Ministerial – Psicologia – 2012


-0
43

Matéria apresentada no Boletim semanal da ONU Brasil (no 3, 20 de maio de


.3

2011) focaliza o Dia Internacional contra a Homofobia e conta que a Alta


93
.4

Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fez um alerta para
24
-0

o aumento dos crimes homofóbicos, isto é, contra


S

a) a discriminação de gênero e perseguição a homens.


E
ES

b) homens e grupos de homens.


EN

c) pessoas que desenvolvem comportamentos fóbicos por indivíduos do sexo


M

masculino.
A
M

d) lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.


LI
PE

e) a discriminação de gênero e perseguição a mulheres e homens.


LI

Gabarito: D
FE

Comentários: A homofobia é uma perseguição contra aqueles que não


N
SO

pertencem ao tradicional gênero masculino ou feminino (associados com a


D

heterossexualidade).
U
R

37. FGV - TJ-AM - Analista Judiciário – Psicologia – 2013


Nas últimas décadas, os papéis desempenhados por indivíduos de diferentes
gêneros têm sofrido algumas modificações, fruto das mudanças introduzidas
pelo feminismo.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

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a) O estudo de sociedades primitivas mostra que o cuidar de
crianças e idosos nem sempre era uma tarefa das mulheres.
b) O estudo das diferentes sociedades mostra que o cuidar das crianças e
idosos é uma função feminina que não é modificada culturalmente.
c) Na atualidade, vem se verificando a desestabilização do pai como figura
de lei e autoridade.
d) Na atualidade, houve significativa diminuição da participação da mulher em
atividades de ensino.

05
e) Na atualidade, há uma participação significativa do pai nas situações do

5:
:3
cuidado com as crianças.

14
Gabarito: C

8
01
Comentários: O papel de “pai” ou até o conceito de pátrio poder, retirado da

/2
08
legislação brasileira, foi questionado.

7/
-1
m
38. UPENET/IAUPE - HSE - Psicólogo - 2009

co
Segundo Eksterman (1994), a forma como a enfermidade é vivenciada é

l.
ai
gm
sempre um acontecimento singular, uma experiência pessoal que é inerente à

@
história de cada um, ao seu modo de se conduzir, de viver e de se relacionar
e4
com as demais pessoas. Para ele, é o indivíduo que atribuirá à doença e às
ip
el

vicissitudes dela consequentes um sentido particular, que só pode ser


nf
so

compreendido dentro do conjunto de sua história. Baseado nisso, as


ud

possibilidades de intervenção psicológica no âmbito hospitalar estão na direta


-r
0

dependência de uma série de fatores que incluem


-0
43

A) a clientela e as demandas a serem atendidas, o contexto institucional no qual


.3

a ação terapêutica será empreendida, a orientação teórica e técnica do psicólogo


93
.4

e os objetivos pretendidos na intervenção.


24
-0

B) a clientela e as demandas a serem atendidas, os objetivos pretendidos na


S

intervenção, a doença do paciente e a orientação teórica do psicólogo.


E
ES

C) o contexto institucional no qual a ação terapêutica será́ empreendida, a


EN

orientação teórica e técnica do psicólogo, a doença do paciente e os objetivos


M

pretendidos na intervenção.
A
M

D) a clientela e as demandas a serem atendidas, a gravidade da doença do


LI
PE

paciente, o contexto institucional no qual a ação terapêutica será́ empreendida,


LI

a orientação teórica e técnica do psicólogo.


FE

E) as demandas a serem atendidas, a orientação teórica e técnica do psicólogo e


N
SO

a doença do paciente.
D

Gabarito: E
U
R

Comentários: Como responder a essa questão? Nenhuma chance para qualquer


um que tenha estudado seriamente. Nenhuma mesmo! A UPENET fez uma
caca enorme com essa questão. E de onde ela tirou isso? De Abram Eksterman,
o introdutor da Medicina Psicossomática no Brasil? Não. Ela tirou do
googlebooks, desse trecho aqui:

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05
5:
:3
14
8
01
/2
08
7/
-1
m
co
l.
ai
gm
@
e4
ip
el
nf
so
ud
-r

O livro é: A prática da psicologia hospitalar na Santa Casa de São Paulo,


0
-0

de Carmen Benedetti e Sandra Ribeiro de Almeida Lopes. Disponível lá no


43

googlebooks.
.3
93

Mas Alyson, como eu respondo uma dessas na prova? Sinceramente?


.4
24

Com uma questão ruim dessas, que não mede nem se o aluno é capaz de
-0

decorar nota de rodapé, a sorte tem mais chances que o estudo sério que
S

propomos aqui. Infelizmente...


E
ES
EN

39. UPENET/IAUPE - HSE - Psicólogo - 2009


M
A

O atendimento psicológico no contexto hospitalar tem como objetivo a


M
LI

minimização do sofrimento provocado pela hospitalização e pela doença numa


PE

ação integrada com os demais membros da equipe de saúde em um trabalho


LI
FE

interdisciplinar. Sendo assim, em quais mudanças, a intervenção psicológica no


N

hospital está focada?


SO

A) Analisar as situações de conflitos não explicitadas que envolvem tanto a


D
U

equipe quanto a instituição, recolhendo informações com os envolvidos:


R

paciente, família e equipe, para realizar um diagnóstico da situação e aliviar o


sofrimento do paciente.
B) A atuação do psicólogo no contexto hospitalar não está somente limitada à
atenção direta ao paciente, devendo ser considerada a relação paciente-equipe
de saúde sempre fundamentada numa atuação profissional.
C) Na facilitação das relações, numa atividade curativa e preventiva,
trabalhando os conteúdos manifestos e latentes em relação à doença e ao
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sentido dado pelo indivíduo.
D) Dar real importância às representações que o indivíduo tem da doença em
geral e da sua doença em particular; sem deter-se à simbologia cultural, social e
individual ligada à sua doença.
E) No atendimento psicológico indireto realizado por meio da interconsulta,
em que se identificam fatores iatrogênicos no funcionamento dos serviços
hospitalares.
Gabarito: A

05
Comentários: De onde saiu essa? De um post de 2008 do blog Psicologia

5:
:3
Hospitalar. Aproveito para colocar todo o post:

14
A intervenção psicológica no hospital

8
01
Atualmente a inserção do Psicólogo no contexto hospitalar é necessária e

/2
08
está cada vez mais presente. Na compreensão da saúde e da doença deve ser

7/
-1
considerada as influências do estilo de vida, padrões comportamentais, causas

m
ambientais e ecológicas. como exemplo temos as doenças cardiovasculares,

co
diabete, câncer, Aids, entre outras.

l.
ai
gm
Entre muitos aspectos a serem trabalhados quando se fala em saúde e

@
doença têm-se a evidência da educação de práticas saudáveis e políticas de
e4
prevenção, assim como nos tratamentos, a importância da adesão e a redução
ip
el

dos impactos da doença sobre a vida do indivíduo.


nf
so

O atendimento psicológico no contexto hospitalar tem como objetivo a


ud
-r

minimização do sofrimento provocado pela hospitalização e pela doença numa


0

ação integrada com os demais membros da equipe de saúde com um trabalho


-0
43

interdisciplinar.
.3
93

Uma contribuição importante que o Psicólogo pode agregar na


.4

compreensão diagnóstica está no âmbito das representações que o indivíduo


24
-0

tem da doença em geral e da sua doença em particular; no qual inclui a


S

simbologia cultural, social e individual ligada à sua doença.


E
ES

A atuação do psicólogo no contexto hospitalar não está somente limitada


EN

à atenção direta ao paciente, devendo ser considerada a tríade paciente-família-


M

equipe de saúde sempre fundamentado numa atuação profissional


A
M
LI

No atendimento psicológico indireto realizado por meio da interconsulta


PE

identificam-se fatores iatrogênicos no funcionamento dos serviços hospitalares,


LI

que influenciam e geram conseqüencias negativa na hospitalização.


FE

Busca-se então, analisar as situações de conflitos não explicitadas que


N
SO

envolve tanto a equipe quanto a instituição. Recolhendo-se informações com os


D
U

envolvidos: paciente, família e equipe e realizando-se um diagnóstico da


R

situação para aliviar a crise e restabelecer a relação equipe/paciente.


No caso de um atendimento específico a um paciente para diagnóstico e
aconselhamento no manejo da conduta, a pedido de um médico, faz-se a
mediação para manter a comunicação entre o paciente e os que estão
encarregados de assisti-lo, facilitando a compreensão do quadro e evolução
clínica, reforçando-se a importância da adesão e a colaboração aos

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procedimentos, bem como, mobilizando-o para sua participação
ativa em sua própria cura.
A intervenção psicológica no hospital está focada na promoção de
mudanças, na facilitação das relações, numa atividade curativa e preventiva,
trabalhando os conteúdos manifestos e latentes em relação à doença e ao
sentido dado pelo indivíduo à hospitalização, tendo como função diagnosticar e
compreender o que está envolvido na queixa, no sintoma, na patologia,
contribuindo também para a humanização do hospital numa função educativa.

05
Fonte: http://psicologia-hospitalar.blogspot.com.br/.

5:
:3
Esse Blog é mantido pelo Professor Paulo Freitas e vale a pena ser

14
explorado.

8
01
/2
08
40. IADES – Januário Cicco – Hospitalar – 2014

7/
-1
Em relação ao uso da psicoterapia no hospital geral, assinale a alternativa

m
correta.

co
(A) A intervenção psicológica deve ser norteada pela psicoterapia breve e de

l.
ai
gm
apoio na maioria dos casos.

@
(B) Ao adotar a psicoterapia de longo prazo no hospital, o psicólogo realça o
e4
aspecto preventivo de sua intervenção, pois, ao focar nas questões relativas ao
ip
el

adoecimento, à internação e ao tratamento, evita a progressão do desequilíbrio


nf
so

psicológico do paciente.
ud
-r

(C) As psicoterapias de apoio são indicadas para pacientes em situações de


0

crise, não devendo jamais ser utilizada com pacientes de patologia crônica, com
-0
43

processos irreversíveis ou incuráveis.


.3
93

(D) As técnicas de psicoterapia individual foram delimitadas no contexto


.4

hospitalar como as de maior coerência e eficácia.


24
-0

(E) Para os casos ambulatoriais, deverá ser adotada a psicoterapia por tempo
S

prolongado, duas vezes por semana.


E
ES

Gabarito: A
EN

Comentários:
M
A

Segundo Chiattone, no hospital, a capacidade de antecipação do psicólogo


M
LI

hospitalar ao paciente reflete a coerência dessa prática, dentro de uma lógica


PE

pautada pela prevenção do sofrimento psíquico. Além disso, segundo as normas


LI
FE

fundamentais da prevenção, quanto mais precoce for a intervenção, menores as


N

possibilidades de agravamento e maiores as expectativas de recuperação psíquica


SO

dos pacientes.(...) A intervenção é norteada pela terapia breve e/ou de


D
U

emergência, de apoio e suporte ao paciente, considerando-se o momento de


R

crise vivenciada pelo indivíduo na situação especial e crítica de doença e


hospitalização.
Fonte: GARCIA, Maria Lúcia Pinheiro; SOUZA, Ângela Maria Alves
e and HOLANDA, Teresa Cristina. Intervenção psicológica em uma unidade
de transplante renal de um hospital universitário. Psicol. cienc. prof. [online].
2005, vol.25, n.3 [cited 2014-07-30], pp. 472-483 . Available from:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-
www.psicologianova.com.br |127



Psicologia Nova
Professor Alyson Barros
Prefeitura de Fortaleza
98932005000300011&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1414-
9893. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932005000300011.

41. IADES – Januário Cicco – Hospitalar – 2014


“Sinto falta dele agora e sou atormentada pelos meus erros, por que, no começo
da gravidez, eu não queria ele, pelas vezes que fui impaciente com seu choro.
Acho que todas mães sentem-se fracassadas como eu ... para mim é até mesmo

05
um pecado continuar vivendo depois que se perde um filho”(relato de uma mãe

5:
:3
de um bebê morto que aos 6 meses de vida há três anos).

14
Considerando a situação hipotética, assinale a alternativa que mais se

8
01
adequa à posição do psicólogo diante dessa situação.

/2
08
(A) Desestimular a expressão de sentimentos e procurar desculpabilizá-la.

7/
(B) Suspeitar do desenvolvimento de luto patológico e atentar para o risco de

-1
m
suicídio da mãe e encaminhá-la para acompanhamento psiquiátrico.

co
(C) O relato apresentado, não dá indícios de rebaixamento de autoestima e

l.
ai
gm
empobrecimento do ego que marcam a diferença entre luto e melancolia, por

@
isso não é necessário fazer um diagnóstico diferencial entre eles.
e4
(D) Promover um processo de elaboração do luto, em que o afeto (libido) que
ip
el

havia sido destinado para o objeto amado (mãe), que deixou de existir, possa
nf
so

continuar nele e não retornar para o próprio sujeito (filho).


ud

(E) Suspeitar que se trata de um caso de stress pós-traumático.


-r
0

Gabarito: B
-0
43

Comentários: Segundo o Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia


.3

Médica, o luto patológico é um estado mental associado à perda de pessoas


93
.4

significativas e decorrente da interrupção do processo normal do luto,


24
-0

cronificando a sensação de perda e de todos os seus acompanhamentos.


S

Observe que o luto patológico difere do simples luto. Para a


E
ES

psicodinâmica, temos as seguintes caracterizações:


EN

a) do luto
M

O luto é a reação experimentada frente à morte ou perda de um ser


A
M
LI

amado ou de uma abstração equivalente (a pátria, a liberdade, um ideal etc.).


PE

Também podem ocorrer manifestações de luto em outros tipos de perdas de


LI

menor magnitude, como por exemplo em separações familiares, conjugais, de


FE

amigos; perda de um objeto de estimação ou de algum tipo de lembrança de


N
SO

valor emocional; mudar-se de casa; mudar-se de país.


D
U

O luto é um processo mental destinado à instalação de uma perda


R

significativa na mente. A parte perceptível deste processo se caracteriza,


inicialmente, pela repetida rememoração da perda sempre acompanhada do
sentimento de tristeza e de choro, após o que a pessoa acaba se consolando.
Com a evolução do processo, passam a ser rememoradas outras cenas,
agradáveis e desagradáveis, nem sempre seguidas de tristeza e choro, mas
sempre com a consolação final. É um processo de duração variável, porém
sempre lento, longo e acompanhado de graus variáveis de falta de interesse pelo

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Psicologia Nova
Professor Alyson Barros
Prefeitura de Fortaleza
mundo exterior, tristeza e seus corolários, que vão diminuindo
conforme o processo avança. O processo vai gradualmente se extingüindo com
desaparecimento da tristeza e do choro, instalação da consolação e volta do
interesse pelo mundo exterior. No final, com a quebra definitiva da ligação
afetiva, a pessoa perdida passa a ser apenas uma lembrança; o sentimento de
tristeza desaparece e a vida afetiva retoma seu curso voltando a ser possível
novas ligações afetivas.
b) do luto patológico

05
Por incapacidade de integrar a perda (e suas conseqüências

5:
:3
transformadoras) ao mundo mental, o processo normal do luto é interrompido

14
através da identificação do enlutado com a pessoa morta. Existem várias formas

8
01
e gradações de apresentação clínica desta situação psicodinâmica, todas

/2
08
relacionadas com a depressão e tendo na melancolia a forma extrema.

7/
Três linhas de compreensão desta incapacidade de elaborar uma perda

-1
m
significativa:

co
a) Freud foi o primeiro a apontar o papel da identificação do enlutado

l.
ai
gm
com o morto como “solução” para esta impossibilidade. Ele atribuiu à raiva

@
(hostilidade) para com a pessoa perdida um papel central na transformação do
luto normal em patológico. e4
ip
el

b) Melanie Klein foi a primeira a estabelecer a ligação entre os processos


nf
so

de luto havidos na primeira infância com a ocorrência de luto patológico em


ud

adultos. Acentuando o papel das relações objetais no primeiro ano de vida, e


-r
0

sempre na ótica da hostilidade presente nelas, atribuiu às experiências de