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Ciências dos Materiais

Profa. Dra. Vânia Caldas de Sousa


Profa. Dra. Célia de Fraga Malfatti
Súmula

 1. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS


 2. ESTRUTURA ATÔMICA
 3. ESTRUTURA CRISTALINA
 4. MICROESTRUTURA (FASES)
 5. PROPRIEDADES VS. ESTRUTURA
 6. DEGRADAÇÃO DOS MATERIAIS
Objetivos da Disciplina:

 Introduzir aos alunos as diferentes classes de


materiais, partindo dos conceitos básicos de
estrutura ao nível atômico e molecular.
 Correlacionar o arranjo atômico com as
propriedades dos materiais.
 Estudar as interrelações que existem entre a
microestrutura, as propriedades macroscópicas
(mecânicas, elétricas, magnéticas, químicas) e
aplicabilidade dos materiais.
 As tendências atuais inovadoras da Ciência e
Engenharia dos Materiais, serão ilustradas a partir
de classes específicas de materiais.
Aula Data Tema

1 26/09 Introdução – Ciências dos Materiais - Classificação


Discussão da ementa

2 03/10 Estrutura Atômica e Ligações químicas


Estrutura Cristalina dos materiais

3 10/10 Estrutura Cristalina dos materiais-Continuação


4 17/10 Imperfeições

5 24/10 Prova 1
6 31/10 Microestrutura e fases (Diagramas de Fases)

Regras das fases


Diagramas de Fases
Regra da Alavanca

7 07/11 Propriedades dos materiais - Mecânicas, Elétricas, Térmicas, Magnéticas, óticas(feriado dia 15
de novembro)

8 14/11 Propriedades dos materiais - Mecânicas, Elétricas, Térmicas, Magnéticas, óticas

9 21/11 Degradação dos materiais

10 28/11 Prova 2

11 05/12 Recuperação
12 12/12 Exame
Método de avaliação

 A MÉDIA FINAL ⇒ MF será a média aritmética das


duas (2) avaliações escritas:
 MF = (P1 + P2)/2.
 Os conceitos atribuídos em função da média final
serão:
 Conceito “A” ⇒ 9,0 ≤ MF ≤ 10,0
 Conceito “B” ⇒ 7,5 ≤ MF < 8,9
 Conceito “C” ⇒ 6,0 ≤ MF < 7,4
 Conceito “D” ⇒ 0,0 ≤ MF < 5,9
 Para lograr aprovação na disciplina o aluno deverá
obter no mínimo o conceito “C”.
Método de avaliação-Observação
• Aluno com nota menor do 4 deverá fazer recuperação.

• Mais de uma nota abaixo de 4, o aluno deverá prestar exame

(desde que sua soma de pontos seja igual ou superior a 6).

• O aluno que desejar recuperar conceito poderá recuperar a

nota de uma prova no dia da recuperação (substituindo a

nota anterior).
Bibliografia básica
 [1] CALLISTER Jr., W.D. – “Ciência e Engenharia de
Materiais uma Introdução”, , LTC Ed. 5ª Ed., Rio de
Janeiro, 2002.
 [2] SHACKELFORD, J.F. - "Introduction to Materials
Science for Engineers", MacMillan Publishing Company
Ed. 4ª Ed., New York, 1996.
 [3] VAN VLACK, Lawrence Hall. – “Princípios de ciência
dos materiais”, Edgard Blucher, S. Paulo 1973-1995.
 [4] Smith, William F.: Materials Science and
Engineering. New York, McGraw-Hill Publ. Co., 2a. Ed.
1989.
 [5] SMITH, W.F. – “Princípios de Ciência dos Materiais”,
3a Ed., McGraw-Hill, Lisboa, 1998.
Bibliografia complementar
 [1] KITTEL, C. – “Introduction to solid-state physics”,
New York, John Wiley, 1996.
 [2] HIGGINS, R. A. – “Propriedades e Estruturas dos
Materiais em Engenharia”, São Paulo, Difusão Européia
do Livro, 1982.
 [3] ATKINS, P.W. – “Chemistry: molecules, matter and
changes”, , W. H. Freeman, New York, 1999.
 [4] Askeland, Donald R.: The Science and Engineering
of Materials, 2ª Edição, London, Chapman and Hall,
1991.
 [4] ASKELAND, D.R. & PLULÉ, P. Ciência e Engenharia
dos Materiais. São Paulo: Cengage Learning, 584 p,
2008.
 [5] Anderson, J.C. et alli: Materials Science. 4º Edição,
London, Chapman and Hall, 1990.
Introdução

 TIPOS E CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS


 RELAÇÃO: ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-
PROPRIEDADES
 SELEÇÃO DE MATERIAIS
INTRODUÇÃO
MATERIAIS
 utilização – desde os primórdios da civilização
 são parte integrante da vida humana
 o conhecimento dos materiais definiu as diversas idades da história da
humanidade: idade da pedra, idade do bronze, idade do ferro

Com uso, por exemplo, em:


- máquinas
- estruturas
- dispositivos
- produtos
2 milhões de anos 5.000 anos 3.000 anos 400-300 anos 100 anos 60 anos
INTRODUÇÃO

EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DOS MATERIAIS:


compreensão das propriedades dos materiais e a conseqüente capacidade de
desenvolver e preparar novos materiais para aplicações particulares

Obtenção de
Materiais avançados
Materiais inteligentes
Nanomateriais
INTRODUÇÃO
MATERIAIS

reflexivo
Ciências e Engenharia dos Materiais
Campo interdisciplinar voltado à invenção de
novos materiais e ao aperfeiçoamento dos já
conhecidos.

Mediante o desenvolvimento da correlação entre

Composição-Microestrutura -Síntese -Processamento


Ciências e Engenharia dos Materiais

 Ciência dos materiais – concentra-se nos


fundamentos científicos da correlação entre
síntese e processamento - microestrutura-
propriedades.
 Engenharia dos materiais- desenvolve
modos de converter ou transformar materiais
em dispositivos ou estruturas úteis.
CLASSIFICAÇÃO DOS
MATERIAIS

Classificação dos Metais


materiais
Polímeros
Cerâmicas
Compósitos
Semicondutores
ASKELAND, D.R. e PHULÉ, P.P.,2008
METAIS
Materiais metálicos são constituídos de elementos
metálicos;
ligações metálicas entre os átomos;
Condutividade elétrica e térmica;
 Usinabilidade, ductilidade entre outros.
Materiais metálicos
POLÍMEROS
-material não metálico constituído de cadeias de moléculas longas e
flexíveis de carbono, formadas pela polimerização de hidrocarbonetos.
Ex: C e H (Polietileno (C2H4)n) , outros elementos: oxigênio(acrílico)
Nitrogênio(Nylon), silício( silicones)
-Ligações covalentes (C-C), (C- H), ligações secundárias fracas de Van
der Waals, entre as moléculas

- Isolante térmico e elétrico;


-Termoplásticos -longas cadeias
moleculares não rigidamente
conectadas- dúcteis;
-Termofixos-cadeias apresentam
ligações cruzadas- mais
resistentes e frágeis;
Materiais Poliméricos
CERÂMICAS
•materiais inorgânicos, não-metálicos onde normalmente o tratamento
térmico está envolvido na sua produção e/ou aplicação.
•Compostos contendo elementos metálicos e não -metálicos (C, N, O, P
E S)
•formados por elementos eletronegativos e eletropositivos da tabela
periódica, portanto a maioria das ligações são iônicas, mas podem
ocorrer ligações covalentes como nos carbetos, nitretos e boretos.-

-Refratários;
-Resistência ao desgaste e
dureza elevada;
-Inércia química;
-Isolante térmico e elétrico
-frágeis
Materiais Cerâmicos
Vidro e vitro cerâmica

 Amorfo
 Geralmente obtido da sílica fundida
 Formação de vidros seguida da nucleação de
pequenos cristais no seu interior– vitro
cerâmicas
Vidro metálico(tenacidade e Resistência)
 Os vidros metálicos se comportam
elasticamente como os polímeros, mas
são mais fortes do que as ligas
metálicas. Isto os torna quase
inquebráveis, mantendo o formato e
sendo difíceis de serem riscados.
 O arranjo desordenado dos seus
átomos lhe dá propriedades
mecânicas e magnéticas muito
peculiares.
 liga de paládio, níquel, cobre e fósforo.
 Zircônio, Titânio
 Vários metais são maleáveis devido a
defeitos (deslocamentos) em sua
estrutura cristalina.
 Mas os vidros metálicos não têm rede
cristalina e nem deslocamentos, mas,
mesmo assim, são maleáveis e
extremamente resistentes.
Semicondutores
- Feitos de silício , germânio e arseneto de gálio- utilizados em computadores
e aparelhos eletrônicos.
-condutividade elétrica intermediária-Condutividade entre isoladores
cerâmicos e a dos metálicos
Componentes semicondutores- GaAs, CdS, ZnO etc
GaAs- arseneto de gálio- retificador de alta temperatura e material de laser
CdS-sulfeto de cádmio – uso em célula solar de baixo custo para conversão
de energia solar em energia elétrica. ZnO, SnO2 -dopado- varistores

Elementos
semicondutores-
Separa os metais
dos não metais
Compósitos
Combinação de
propriedades de dois ou
mais materiais.

Toda tabela periódica


exceto a coluna dos gases
nobres

Fibra de vidro

Epoxi reforçado com


fibra de grafita
Resistência mecânica representativa para diferentes categorias de
materiais [ASKELAND, D.R. & PLULÉ, P. 2008]
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
Estrutura atômica
Estrutura cristalina
ESTRUTURA Microestrutura

Ciências dos Macroestrutura


materiais

PROPRIEDADE PROCESSAMENTO
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
DIVISÃO DA ESTRUTURA NOS MATERIAIS
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
ESTRUTURA

PROPRIEDADE PROCESSAMENTO

Mecânicas
Químicas
Físicas
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
PROPRIEDADES DOS MATERIAIS

 Mecânicas
 resistência à tração, compressão, flexão;
 resistência ao escoamento, à fluência, à
fadiga;
 Ductilidade;
 módulo de elasticidade;
 resistência ao desgaste.
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
 Físicas- características que não são
significativamente afetadas pelas tensões
mecânicas. ASKELAND, D.R. & PLULÉ, P.
2008.
 Magnéticas
 elétricas

 térmicas
 ópticas
 densidade

 Químicas
 resistência à corrosão
Estrutura X Propriedades

3 % porosidade 0,3 % porosidade

Monocristal-Alumina
Policristalino 5%
Policristalino-não porosidade-opaco
poroso-translúcido
Estrutura X Propriedades

Alumínio-dúctil Magnésio - frágil


Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
- PROPRIEDADES DE SUPERFÍCIE
reatividade com o meio,
resistência à corrosão e ao
desgaste, biocompatibilidade,
efeito decorativo
DE CORPO
comportamento mecânico,
propriedades elétricas e
magnéticas, condutividade térmica
Propriedades dos Materiais
Aplicações Propriedades
Propriedades dos Materiais
Aplicações Propriedades
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
ESTRUTURA

PROPRIEDADE PROCESSAMENTO

Extrusão
Injeção
Fundição
Laminação
Colagem ....
Relação entre estrutura, propriedades e
processamento
Processo de fabricação definido de acordo:
 Matéria prima

 Função

 Forma

 Dimensão

 Peso
Processos de
fabricação de
metais
Processos de Fabricação
CERÂMICOS
 Conformação de pó seco ou semi seco-
prensagem;uniaxial, biaxial, isostática
 Conformação de massas plásticas-
extrusão,injeção, torneamento ou “jiggering”
 Colagem

POLÍMEROS
Moldagem por injeção, sopro, compressão
Laminação(calandragem)
Extrusão
Processos de fabricação
SEMI-CONDUTORES
Crescimento de cristais
Deposição química de vapores
COMPÓSITOS
Fundição, incluindo infiltração
Conformação
Junção: junção adesiva, ligadura por
explosão, por difusão
Compactação e sinterização
Processos de fabricação x microestrutura
- DIFERENTES PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
DIFERENTES MICROESTRUTURAS
Relação entre estrutura, propriedades,
processamento e Desempenho
ESTRUTURA

PROPRIEDADE PROCESSAMENTO

DESEMPENHO
 como os materiais se comportam nas condições de serviço
 (laboratório, acompanhamento e análise post-mortem)
Efeitos do meio sob o comportamento do
material
 Os materiais têm seu comportamento influenciado
pelo meio em que se encontram:

- TEMPERATURA
- CORROSÃO
- RADIAÇÃO
- DESGASTE
Efeitos do meio sob o comportamento do
material
 Temperatura
Tendência: ↑ T ↓ RM
troca
rápida de temperatura - catastrófica

Aumento de
temperatura
diminui a
resistência
mecânica dos
materiais
Efeitos do meio sob o comportamento do
material
 Corrosão
Metais e polímeros  reagem com O2 e outros gases
aumento de temperatura reage mais
pode ocorrer corrosão por líquidos
pits, trincas ⇒ fratura
Cerâmicos  fadiga estática(reação química ativada por aplicação de tensão)

Hidrogênio dissolvido no
cobre
fratura frágil

Alumínio
atacado por
bactéria
Efeitos do meio sob o comportamento do
material
 Radiação De alta energia

Ex.: neutrons de reatores nucleares que podem afetar a estrutura interna dos
materiais, diminuir a resistência mecânica e fragilizar o material, devido a formação
de fissuras.

 Desgaste Abrasão

Ex.: pisos cerâmicos desgastados com o tráfego de pessoas


Tetraedro de ciências e engenharia de
materiais – supercondutores cerâmicos
 Cerâmica – isolante
 YBCO- podem transportar
corrente elétrica sem
interferência -Supercondutores
 Limitação - T < 150 K
 Como reter o comportamento
supercondutor em T maiores?
 Como ter elevada densidade
de corrente de fios por
grandes distâncias?

Avaliaram
Resultados

 Síntese controlada de pós ultrafinos ou filmes


finos para fabricar os dispositivos
 Como a cerâmica é frágil - para fazer fios
longos e mais resistentes- preencheram
tubos de prata com pós cerâmicos
supercondutores e os moldaram no formato
de fios.
Critérios de Seleção de Materiais

Função

Material Forma

Processo
Critérios de Seleção de Materiais
 Considerações dimensionais
 Considerações de forma
 Considerações de peso
 Considerações de resistência mecânica
 Resistência ao desgaste
 Conhecimento das variáveis de operação
 Facilidade de fabricação
 Requisitos de durabilidade
 Números de unidades
 Disponibilidade de materiais
 Custo
 Existência de especificações e códigos
 Viabilidade de reciclagem
 Valor de sucata
 Grau de normalização
Critérios de seleção

 IMPORTANTE:

 Organizar os procedimentos de seleção - Índice


de merito(IM)
 IM – Relaciona os critérios mais importantes de
acordo com o produto que se quer obter e sua
função
Índice de merito(IM)- Res/peso(mais
conhecida)
 EX: Material para um quadro de bicicleta
 1- Material x Resistência

PRFC-polímero reforçado com fibra de carbono


2- Índice de mérito(IM)- Res/peso

3 - Custo

Só em casos de bicicleta
de altíssimo desempenho
Ciência dos Materiais-DEMAT-EE-UFRGS

SELEÇÃO DE MATERIAIS
Em resumo deve-se selecionar um material que:
1. Apresente as propriedades adequadas

Compromisso entre propriedades


Confiabilidade
2. Possa ser processado na forma desejável
3. Seja economicamente viável (matéria-prima e processo de fabricação)
4. Possa ser produzido com baixo impacto ambiental e possa ser reciclado
SELEÇÃO DE MATERIAIS
RELAÇÃO: RESISTÊNCIA/DENSIDADE
Projeto racional para a eco - seleção

 16.5

Selecionar materiais
Reduzir consumo de Buscar menor Design visando:
recicláveis;
energia consumo de energia
- menor peso
Selecionar materiais
Reduzir liberação de Reduzir emissões de
-menor perda de calor biodegradáveis:
CO2 gases
-Menor perda elétrica Excluir materiais
Reduzir desperdício de
tóxicos
material (recursos não
renovável)