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MATERIAL DE APOIO

Disciplina: Direito Administrativo


Professor: Roberto Baldacci
Aulas: 01 e 02| Data: 30/01/2017

ANOTAÇÃO DE AULA

SUMÁRIO

DICAS DE ESTUDO
FUNÇÃO ADMINISTRATIVA
Função Administrativa Conforme o Modelo de Administração
Função Administrativa Conforme Separação de Poderes
Função Administrativa Através dos 3 Elementos de Composição

DICAS DE ESTUDO

 Anotação de Aula (Direito Administrativo X Direito Econômico e Direito Financeiro);

 Manual de Apoio: Acadêmico. José dos Santos Carvalho Filho – Editora Atlas / Maria Sylvia Zanella Di
Pietro – Editora Saraiva;

 Leitura Constante de Lei Seca (Colocar no Material com Data). 50% do tempo (ler insistentemente).

FUNÇÃO ADMINISTRATIVA

São três as abordagens sobre função administrativa:

a) Modelo de Administração;

b) Separação de Poderes;

c) 3 Elementos de Composição.

Função Administrativa Conforme o Modelo de Administração

Na Evolução Histórica são três os modelos de administração mais importantes:

Patrimonialismo substituído por Burocrático (ou Burocracia), substituído por Gerencialismo.

1) Modelo Patrimonialista

Marco Referencial no Mundo: vigorou o patrimonialismo até o início do Século XVIII (Europa Medieval). O modelo
de governo era o Absolutista.

Marco Referencial no Brasil: segundo a corrente majoritária, não houve modelo patrimonialista. A corrente
minoritária, por sua vez, diz que patrimonialismo de forma pura não houve, mas havia fortes traços
patrimonialistas no período de 1880, Governo de Marechal Deodoro (República Velha) e no período da Política do
Café com Leite.

Características Essenciais:

 Confusão entre o público e o privado do Soberano;

Extensivo Essencial Modular


CARREIRAS JURÍDICAS
Damásio Educacional
 A coisa pública e o interesse público pertenciam ao Soberano (o poder não pertence nem a lei e nem ao
Estado, mas ao Soberano);

*Função da Estrutura Administrativa: satisfazer o Soberano (ela não tem compromisso nem com o Estado e nem
com o povo).

**O Patrimonialismo é caracterizado por:

 Nepotismo – cargos e funções públicas são reservados para parentes e familiares do Soberano e não são
acessíveis a mais ninguém. Súmula Vinculante 13 proíbe nomeação até 3º grau (inclusive).

SÚMULA VINCULANTE 13
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta,
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da
autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o
exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função
gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas,
viola a Constituição Federal.

Nepotismo Cruzado – é o ajustamento de nomeações recíprocas entre dois agentes para burlar a Súmula
Vinculante nº 13. “Nomeie meu filho que eu nomeio seu filho”.

Para o STF, a Súmula Vinculante nº 13 não é aplicável para cargos políticos.

 Gerontocracia – é a perpetuação no poder. O poder pertence ao Soberano.

 Clientelismo – compras e contratações do Estado recai sempre sobre os mesmos, porque são amigos e
familiares do Soberano. Não é relevante nem preço e nem qualidade.

 Fisiologismo – é o próprio desvio do exercício da função pública ou desvio de poder. Exercer função
pública para obter benefícios pessoais.

2) Modelo Burocrático

Em 14 de julho de 1789 houve a Queda da Bastilha que marcou a introdução do Iluminismo e o fim do
Absolutismo.

A coisa pública, o interesse público e o poder público passam a pertencer ao Estado.

Marco Referencial no Mundo: Século XVIII ao Século XX.

Marco Referencial no Brasil: introduzido no primeiro governo do Getúlio Vargas por Decreto.

A função da Administração passa ser atender ao Estado e não ao povo. Nesse modelo, a Administração não tem
compromisso com o povo.

***Veio combater o patrimonialismo vinculando o Poder Público à Lei.

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***É a introdução do Princípio da Estrita Legalidade Pública que diz que o poder é exercido na forma da lei e a
função administrativa depende sempre de prévia lei para ser exercida.

Com isso, a introdução da burocracia combate o nepotismo, porque cargos e funções somente mediante
concurso, disponível a todos. A burocracia combate a gerontocracia, porque o poder é limitado pela lei. A
burocracia combate o clientelismo, porque compras e contratações somente por licitações. A burocracia combate
o fisiologismo, porque impera o princípio da impessoalidade e lei de improbidade.

Modelo burocrático é preso a modelos, formulários e processos. Um bom administrador é aquele que bem
preenche os formulários, independente da eficiência e satisfação da população.

3) Modelo Gerencialista/ Gerencialismo/ Nova Gestão

Marco Referencial no Mundo: Ano de 1978 – Margaret Tatcher – Elaborou o “New Public Management” (Nova
Gestão Pública). É um novo modelo de administração que promove a convergência da Administração Privada
mais eficiente para dentro da Administração Pública. Exemplos: parcerias público-privadas, Organizações Sociais,
contratos de gestão pública em geral.

**A coisa pública e o interesse público passam a pertencer ao povo. O Estado é o mero gestor para o povo –
chamado de “PSO – Public Service Orientation” – se existe função de exploração administrativa, sempre deve ser
voltada para o povo, não importa se de forma indireta ou direta.

A função da Administração é satisfazer o povo.

O modelo gerencial prima pela melhoria ou o aprimoramento da burocracia, dando ênfase na eficiência pública.

Marco Referencial no Brasil: em 1995 foi criado o Ministério Administrativo de Reforma do Estado (MARE), que
tinha por objetivo concluir o Programa Nacional da Desburocratização, iniciado em 1979 pelo Presidente
Figueiredo (Regime Militar). Os trabalhos desse ministério foram concluídos pela EC 19/1998 – Emenda da
Reforma Administrativa. Essa Emenda introduz o Gerencialismo ou o “New Public Management” e trouxe para o
artigo 37, caput, da CF, o princípio da eficiência e o tornou explícito, para que passe a ser determinante pra a
Administração.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos


Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

Função Administrativa Conforme Separação de Poderes

O Estado é um ente uno e o critério funcional diz que é composto por povo, delimitado em seu território, gozando
de soberania.

O Estado vem dividido no exercício de funções. Algumas são funções meramente independentes (Ministério
Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública) e outras que são funções típicas de soberania (Constituem os
Três Poderes – Judiciário, Legislativo e Executivo).

**Observação: A Polícia Federal pode ser incluída como funções independentes e equiparada ao MP, TC e DP por
uma lei que está tramitando. Ficar Atento!!!!

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A função típica do Poder Judiciário é aplicar concretamente a lei para solucionar conflitos com definitividade. A
função típica do Legislativo é editar as leis e promover a fiscalização do Executivo. As funções típicas do Executivo
consistem em editar as políticas através do Governo e executar as forças políticas através da administração. O
Executivo exerce de forma preponderante a função administrativa. É o Executivo que tem compromisso direto
com o povo.

O Poder Judiciário e Legislativo exercem função administrativa de forma atípica e, portanto, não tem
compromisso direto com o povo. A função atípica é de se autoadministrar, com compromisso indireto com o
povo.

Função Administrativa Através dos 3 Elementos de Composição

a) Objetivo – indica o que essa função faz. É sempre o atendimento dos interesses públicos do povo de
forma direta ou indireta. É o “Public Service Orientation”.

b) Subjetivo – indica quem exerce a função administrativa. Função administrativa é exercida pelos órgãos
que, em conjunto, formam a administração direta pelas pessoas jurídicas estatais que, em conjunto,
formam a administração indireta e, eventualmente, particulares no exercício da gestão pública ou por
investidura em serviços públicos.

c) Formal – indica como a função é exercida. É exercida por Regime Jurídico de Direito Público.

***PRÓXIMA AULA – Regime de Direito Público.

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