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Desenvolvimento de um Aplicativo SIGWEB da Área Urbana do Município de Pedras de Fogo-PB Lucia
Desenvolvimento de um Aplicativo SIGWEB da Área Urbana do Município de Pedras de Fogo-PB Lucia

Desenvolvimento de um Aplicativo SIGWEB da Área Urbana do Município de Pedras de Fogo-PB

Lucia Helena Gurjão de SOUSA (1); Marcos Leonardo Ferreira dos SANTOS (2); Cícero Fidélis da SILVA NETO (3); Glauciene Justino Ferreira da SILVA (4);

(1) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Rua Gov. José Gomes da Silva, 1161, Tambaúzinho, João Pessoa-PB, CEP: 58042-200 Tel: (83) 8860-1812 e-mail: helena_geotec@yahoo.com (2) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, e-mail: marcosleo_fs@hotmail.com (3) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, e-mail: cic_neto@hotmail.com (4) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, e-mail: glauc_geo@hotmail.com

RESUMO

Este artigo apresenta a criação de um aplicativo WebGis, focado na disponibilização da base de dados do

perímetro urbano do município de Pedras de Fogo-PB. Esta aplicação tem como objetivo facilitar o acesso de órgãos públicos, privados e da população local através da Internet às informações geográficas da cidade. Tal tecnologia se tornou comum nos grandes centros urbanos, mas nos últimos anos municípios de menor porte buscam nas geotecnologias ferramentas capazes de suprirem a falta de informação de dentro de seus limites territoriais, visando evitar desatualização em sua base de dados e consequentemente prejuízos econômicos. Para o desenvolvimento da aplicação, este trabalho apresenta metodologia de disponibilização de dados na Internet, que utilizou softwares de SIG (Sistema de Informação Geográfica) relacionados ao tema, como o programa de disponibilização de dados na Internet AlovMap. A partir da criação da aplicação, foi possível acessar dados da área urbana da cidade, que envolvem temas ligados à educação, saúde, comércio, vegetação

e

cultura. Dessa forma, o acesso às informações facilita a tomada de decisões por parte dos gestores públicos

e

privados da região.

Palavras-chave: geoprocessamento; Internet; SIG; disponibilização

1. INTRODUÇÃO Nos últimos anos a Internet sofreu um enorme avanço, se transformando de uma

1. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos a Internet sofreu um enorme avanço, se transformando de uma simples visualização de texto, para uma ilimitada gama de funções, que englobam visualização de imagens e transmissão de áudio e vídeo por meio de potentes ferramentas de navegação. Independente do fim, o uso da Internet tornou-se um grande aliado para a transferência de informações em todos os segmentos da sociedade moderna.

Atualmente, com uma maior cobrança da sociedade com os gastos públicos, é necessário manter a população informada sobre os problemas de um determinado local e automaticamente suas resoluções. Na Administração Pública, a realidade dos problemas que envolvem uma gestão municipal é mais complicada por envolver diversos atributos e por manter uma relação direta com a população. A Internet com o passar dos anos, caminhou lado a lado com as outras formas de divulgação do poder público, atingido todos os níveis da sociedade.

Com o rápido crescimento das grandes cidades, criou-se a necessidade de acompanhamento e monitoramento dessa explosão urbana nos grandes centros de forma paralela. Além disso, a falta de disponibilização de informações geográficas de um determinado município para sua população culmina em uma involução, tanto para os órgãos públicos quanto os privados, que pode atingir direta ou indiretamente vários ramos da sociedade, como por exemplo, o setor de comércio, educação, saúde e indústria.

Desse modo, surge o Sistema de Informações Geográficas (SIG), que com a utilização de softwares específicos ao tema e unido a Internet, supri esta deficiência presente em grande parte dos municípios brasileiros. O uso de um sistema de informações georreferenciadas possibilita a população compreender e utilizar as informações de cidades, regiões e países de maneiras variadas, sejam elas para trabalhos acadêmicos, análises de uso e ocupação do solo. A administração pública nos últimos anos fez das técnicas de geoprocessamento uma aliada na atualização e fiscalização de áreas diversas, que quando não realizadas contribuem de forma negativa na economia da referida região.

Portanto, este trabalho de pesquisa tem o objetivo de apresentar o uso de uma aplicação WebGis, focado em informações da área urbana do município de Pedras de Fogo-PB, e mostrar a importância do uso dessa tecnologia também em cidades de pequeno porte, podendo ser usada por gestores, tanto públicos quanto privados, e por usuários leigos.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O termo geoprocessamento, quando classificado como ferramenta, utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica e que vem influenciando de maneira crescente as áreas de cartografia, analise de recursos naturais, transportes, comunicação, energia, planejamento urbano e rural (Câmara, 1999).

Para Câmara & Medeiros (1998, p. 03), os países de grande dimensão e com carência de informações adequadas para tomadas de decisões sobre problemas urbanos e ambientais, o geoprocessamento apresenta um enorme potencial, principalmente se baseado em tecnologias de custo relativamente baixo, em que o conhecimento é adquirido localmente.

Essa definição também pode ser utilizada quando nos referirmos a municípios, mesmo aqueles de menor porte, mas que da mesma maneira necessitam de ferramentas disponíveis para se obter um planejamento que gere produtos satisfatórios, tanto para gestores quanto para usuários.

Segundo Ferreira (1997), para mapear e indicar respostas às várias questões sobre planejamento urbano e regional, meio rural e levantamento de recursos renováveis, o Geoprocessamento usa como principal instrumento os Sistemas de Informações Geográficas (SIG).

Este instrumento é formado por cinco elementos básicos, o hardware, software, dados, pessoas e métodos, com destaque para os dois primeiros, componentes essenciais para a aplicação do Sistema de Informações Geográficas, independente da área de uso.

A união de hardware e softwares de SIG possibilita a inclusão, o armazenamento, combinação, avaliação, e tratamento de dados geográficos, das mais diversas disciplinas, na qual podemos citar algumas, como Cartografia, Sensoriamento Remoto, Topografia, Aerofotogrametria.

O produto final dessa união resulta em mapas temáticos digitais, podendo substituir os tradicionais mapas

O produto final dessa união resulta em mapas temáticos digitais, podendo substituir os tradicionais mapas

analógicos. Para um usuário comum ter acesso a essas informações, a forma mais utilizada atualmente é por

meio da Internet. Quanto à apresentação, estes mapas podem ser estáticos ou dinâmicos. Estes mapas são subdivididos em somente para ver e interativos. A Figura 1 detalha os mapas que são disponibilizados na Web.

Figura 1 detalha os mapas que são disponibilizados na Web. Figura 1 – Mapas na Web

Figura 1 Mapas na Web Fonte: Kraak 2001 (apud Medeiros).

Para Oliveira (2008), o novo modelo de organização das informações na Internet é baseado no conceito clássico da ciência geográfica, a dependência espacial, característica que integra a Cartografia com as diversas áreas do conhecimento.

A Internet, com sua importância na divulgação da informação espacial, unida aos Sistemas de Informações

Geográficas proporciona aos usuários novas oportunidades de ter acesso aos dados, explorando ferramentas

disponíveis para facilitar o mesmo.

3.

MATERIAIS E MÉTODOS

3.1

Área de Estudo

A área de estudo do presente trabalho é o município de Pedras de Fogo, que de acordo com os dados da

última contagem populacional realizada pelo IBGE (2007), atingiu uma população total de 26.279 habitantes, sendo 15.408 moradores da zona urbana e 10.871 residentes na zona rural. O município possui uma área territorial de 401 km², sendo apenas 2,392 km² pertencentes à área urbana, seu IDH é de 0.568 segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD (2000).

O município está localizado na Microrregião do Litoral Sul, inserida na Mesorregião da Zona da Mata do

Estado da Paraíba. Está situado entre as coordenadas geográficas 07º23'32" S/35º09'12" W e 07º20'55"

S/34º57'19" W, e sua sede está a uma altitude de 177 m.

Pedras de Fogo faz limite territorial com os municípios de Juripiranga, São Miguel de Taipu, Cruz do

Espírito Santo, Santa Rita, Alhandra, Caaporã e Itambé, esse último pertencente ao Estado de Pernambuco.

A cidade está distante da capital João Pessoa 42,365 km, e possui como principal via de acesso a rodovia

BPB 101, sentido sul . A Figura 2 mostra a localização do município.

Figura 2 – Localização da Área de Estudo 3.2 Coleta e Tratamento dos Dados Os
Figura 2 – Localização da Área de Estudo 3.2 Coleta e Tratamento dos Dados Os

Figura 2 Localização da Área de Estudo

3.2 Coleta e Tratamento dos Dados

Os dados utilizados como base para este trabalho pertencem ao Plano Diretor Participativo local e foram disponibilizados pela Prefeitura do referido município.

Diante de uma diversidade de informações, optou-se por utilizar as referentes ao uso e ocupação do solo urbano (Figura 3) e, para complementação do aplicativo, usou-se também o Mosaico de Fotografias Aéreas (Figura 4) da mesma área.

o Mosaico de Fotografias Aéreas (Figura 4) da mesma área. Figura 3 – Arquivo DWG, Uso

Figura 3 Arquivo DWG, Uso e Ocupação do Solo Fonte: Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo.

Figura 4 – Ortofotocarta da Área Urbana do Município Fonte: Prefeitura Municipal de Pedras de
Figura 4 – Ortofotocarta da Área Urbana do Município Fonte: Prefeitura Municipal de Pedras de

Figura 4 Ortofotocarta da Área Urbana do Município Fonte: Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo.

Visto que, o arquivo de interesse estava no formato dwg, foi necessário convertê-lo para shapefile utilizando o software ArcGIS 8.3, como pode-se observar na Figura 5. Após a conversão, os shapes foram analisados e organizados de forma que fosse possível uma rápida compreensão das informações transmitidas, facilitando assim a implementação do SIG.

transmitidas, facilitando assim a implementação do SIG. Figura 5 – Conversão dos Arquivos DWG em shapefile

Figura 5 Conversão dos Arquivos DWG em shapefile

Partindo dos arquivos gerados na conversão, foram definidos para serem utilizados dados relativos ao Limite do Perímetro Urbano, a Divisão de Bairros, ao Uso e Ocupação do Solo e a Classificação dos Prédios Públicos. Tornou-se necessário o uso de um shape do estado da Paraíba com as divisões municipais. O Mosaico de Pedras de Fogo sendo o único arquivo de imagem existente foi submetido a uma conversão,

gerando a imagem Mosaico_Pedras_de_Fogo.jpg, essa conversão se fez necessária porque o ALOV não disponibiliza o

gerando a imagem Mosaico_Pedras_de_Fogo.jpg, essa conversão se fez necessária porque o ALOV não disponibiliza o formato de arquivo tif.

Os dados foram georreferenciados no sistema de coordenadas UTM SAD69 zona 25 e, sobrepondo os shapes

e a imagem foi montado o SIG (Figura 6).

os shapes e a imagem foi montado o SIG (Figura 6). Figura 6 – Montagem do

Figura 6 Montagem do SIG no Software ArcGIS

Para disponibilizar os dados via WEB foi gerado um arquivo XML, definindo nele o teor da aplicação, e o arquivo HTML, que vem definindo a apresentação gráfica, sendo ambas as linguagens para o desenvolvimento de Websites.

O ALOV, software de disponibilização utilizado neste trabalho, por ser prático e suficiente para

disponibilizar volumes de informações de médio e pequeno porte, torna possível que os dados geográficos

(shapefiles) sejam reconhecidos pela página gerada a partir das linguagens citadas anteriormente.

4.

RESULTADOS

A metodologia descrita resultou em um aplicativo WebGis (Figura 7) que disponibiliza mapas associados às informações dos municípios da Paraíba, com destaque para a área urbana do município de Pedras de Fogo,

que é a área de estudo. A partir dele, tem-se acesso ao banco de dados referente a cada feição gráfica e pode-

se também realizar consultas, já que o Alov torna a aplicação interativa com ferramentas básicas e diversificadas.

Figura 7 – Tela inicial da Aplicação Como pode ser observado na Figura 8, dentre
Figura 7 – Tela inicial da Aplicação Como pode ser observado na Figura 8, dentre

Figura 7 Tela inicial da Aplicação

Como pode ser observado na Figura 8, dentre os mapas gerados e disponibilizados encontra-se o dos Bairros da Cidade.

e disponibilizados encontra-se o dos Bairros da Cidade. Figura 8 – Mapa Temático dos Bairros de

Figura 8 Mapa Temático dos Bairros de Pedras de Fogo-PB

O uso e ocupação do solo urbano na Figura 9, inicialmente foi definido como foco,

O uso e ocupação do solo urbano na Figura 9, inicialmente foi definido como foco, desde a escolha dos dados para se trabalhar, tendo em vista que é um tema que possa vir a interessar a população em geral assim como aos gestores e por serem de fácil compreensão se distribuídos espacialmente.

serem de fácil compreensão se distribuídos espacialmente. Figura 9 – Mapa do Uso e Ocupação do

Figura 9 Mapa do Uso e Ocupação do Solo da cidade de Pedras de Fogo-PB

Diante dos dados da Figura 9, e intencionando demonstrar a possibilidade de disponibilizar dados de diferentes dimensões, foram escolhidas as representações dos prédios públicos para uma classificação mais detalhada, como pode ser visto na Figura 10.

classificação mais detalhada, como pode ser visto na Figura 10. Figura 10 – Mapa Temático dos

Figura 10 Mapa Temático dos Prédios Públicos

5. CONCLUSÃO A disponibilização de SIG via internet, sendo considerada uma maneira prática de se

5.

CONCLUSÃO

A disponibilização de SIG via internet, sendo considerada uma maneira prática de se obter informações, já que se tem acesso remoto às mesmas, foi definida para ser a base de estudo desse trabalho, por envolver tecnologia, modernidade e praticidade, e poder ser utilizado por empresas de setores diferenciados, tanto públicas quanto privadas, desde que tenham interesse.

O aplicativo criado teve como propósito, além de apresentar a flexibilidade e eficiência do ALOV,

demonstrar que é possível facilitar a oferta de dados geográficos que podem vir a serem requeridos por pessoas comuns, profissionais, pesquisadores ou até mesmo gestores que em diversos casos desconhecem

seus domínios. Sendo estes dados de quaisquer tipos, desde que possam ser distribuídos espacialmente associados a informações armazenadas em bancos de dados.

Por fim, fica a sugestão, principalmente aos municípios de pequeno porte, do que se pode fazer para facilitar o acesso a informações locais por quem tiver interesse, em qualquer parte do mundo, via internet. O trabalho

foi realizado de forma simplificada, portanto não se resume só ao que foi feito, muitas informações podem

ser exploradas e disponibilizadas via WebGis. E as prefeituras que já possuem sua página na internet, podem expor as mais detalhadas informações já que provavelmente vai haver um servidor para armazenar um

volume de dados considerável.

REFERÊNCIAS

CÂMARA, G. Introdução ao Geoprocessamento. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Disponível em: <http://www.dpi.inpe.br/geopro/livros/anatomia.pdf> Acesso em: 07 jul. 2009.

CÂMARA, G.; MEDEIROS, J. S. de; BARBOSA, C. C. F.; CAMARGO, E. C. G. Geoprocessamento para Projetos Ambientais. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) São José dos Campos, SP - Maio,

1998.

FERREIRA, C.C.M. Zoneamento Agroclimático Para Implantação de Sistemas Agroflorestais Com Eucaliptos, em Minas Gerais. Dissertação Mestrado, Viçosa: UFV, 1997. 158p. Disponível em: < www.scielo.br/pdf/rbeaa/v6n3/v6n3a11.pdf> Acesso em: 03 jul. 2009.

IBGE. Contagem da População 2007. Disponível em:<http:// www.ibge.gov.br> Acesso em: 12 jul 2009.

MEDEIROS, L. C.; OLIVEIRA, L. C. S. de; SILVA, M. M. da. Sistema de Disponibilização de Informações Geográficas do Estado de Goiás na Internet (SIG OnLine). Trabalho de Conclusão de Curso. Goiânia: Cefet GO, 2005. Disponível em: <www.sieg.go.gov.br/downloads/SIG_ONLINE.pdf>Acesso em: 01 jul. 2009.

OLIVEIRA, E. F. GEOWEB: Os novos rumos da Internet. Revista InfoGeo, Ano 10, n. 53, p.26-29, 2008.

PARAÍBA. Prefeitura Municipal de Pedras de Fogo.

PNUD. Disponível em:<http:// www.undp.org.br/HDR/HDR2000/rdh2000/default.asp> Acesso em: 12 jul

2009.