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A parábola do trigo e do joio

(Mateus 13:24-30)
– JCA – Ap’s

Apresentação da parábola
Os escravos, preocupados com o joio que está a crescer junto do trigo, vão ter com o
homem (dono? Rendeiro? Dono dos escravos?) que semeou uma bela semente no seu
campo e propõe-lhe arrancar o joio. Ora, o homem teme que, inadvertidamente, ao
apanhar o joio, também possam, ao mesmo tempo, arrancar o trigo. E propõe que
deixem o trigo e o joio crescer juntos (13:30). E, depois, na altura da ceifa, dirá aos
ceifeiros que apanhem primeiro o joio e o atem para ser queimado e recolham o trigo
no seu celeiro.

Reflexões avulsas
Trata-se duma parábola extremamente simples. Contudo, podem-se levantar várias
questões e começam, então, os problemas pelos quais somos convocados à reflexão.
a) a primeira questão é a do inimigo que, na calada da noite, enquanto os homens
dormem, semeia o joio no meio do trigo e vai-se embora (13:25). Quem é este
inimigo? Inimigo dos homens? Inimigo ou rival do homem que semeara o trigo?

b) Depois, porque não cortar o mal pela raiz? Não o devemos cortar pela raiz?
Aparentemente não!... Mas, porquê deixar o trigo e o joio crescer juntos (13:30)?
Deixar que o joio cresça é uma boa solução ou uma solução prudente? Ou imprudente,
afinal?

c) O amo, o cultivador, teme que ao arrancar o joio, também o trigo seja arrancado.
Mas não se distinguem? São assim tão parecidos e é preciso que cresçam para se
tornarem mais visíveis, distinguindo-se melhor...

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JCA – A parábola do trigo e do joio
Outros textos

“Esta parábola explica a coexistência e, com frequência, o entrelaçamento do bem


com o mal no mundo, em nossas vidas e na própria História da Igreja. Jesus ensina-nos
a ver as coisas com realismo e a afrontar cada problema com clareza de princípios, mas
também com prudência e paciência. Isto supõe uma visão transcendente da História, a
qual se sabe pertencer a Deus, e que todo o resultado final é obra da sua Providência.
Qualquer que seja, aqui, não nos é ocultado o destino final – de dimensão escatológica
– dos bons e dos maus: está simbolizado pela colheita do grão para o celeiro e a
queima do joio.” São João Paulo II, Audiência geral, 25 de setembro de 1991

Ver notas de Hannah Arendt sobre o Eichmann e a banalidade do mal.


Cf. https://ensina.rtp.pt/artigo/a-banalidade-do-mal-de-hannah-arendt/

JCA: O rosto do mal não é maléfico. Quando esperávamos ver no rosto do nazi um
rosto diabólico, eis-nos que surge um homem banal, que podia ser o nosso vizinho,
com quem nos cruzamos todos os dias, sem suspeitar das suas terríveis atividades.

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JCA – A parábola do trigo e do joio

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