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As enormes quantidades de lixo produzidas em Angola têm causado diversos impactos

negativos que contribuem para a crise ambiental, social e económica do país. Isto acontece
por haver falta de consciência sobre o consumo de certos produtos, especialmente
plásticos descartáveis, que são utilizados diariamente mesmo sem haver uma estratégia
nacional funcional de gestão de resíduos. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) considera Luanda como uma das cidades com
maior crescimento em África. Estima-se que em 2019 Luanda atingiu os 8,2 milhões de
habitantes, aproximadamente 27% da população total de Angola. A sobrepopulação
urbana causa uma enorme pressão na gestão de resíduos, sem que haja uma capacidade
de resposta proporcional à quantidade de lixo produzido diariamente pela cidade. O que
aconteceu neste final de semana na baía do Mussulo e nas praias de Luanda, não é
novidade, mas a situação tem se agravado ao longo dos anos sem que haja solução à
vista. 

Impactos da poluição 
Os plásticos são materiais não biodegradáveis de longa duração, muitos deles demorando
séculos para se degradarem. Existem diversos impactos negativos que afectam o país
devido à acumulação de lixo no mar e nos solos, dentre eles: 

– Impacto Económico: Aqui incluímos os gastos necessários para a limpeza e extracção das


enormes quantidades de lixo transportado para o mar, os custos relacionados com
a saúde pública, bem como o impacto no turismo, no comércio e até no investimento
estrangeiro.  
– Impacto Ecológico: Interfere com o funcionamento dos ecossistemas marinhos. A cadeia
alimentar é afectada porque peixes e aves confundem o lixo com comida.  
Só na semana passada (29.12.19 – 05.12.19) foram entregues mais de 1000
tartarugas bebés ao mar. Já pensou no quanto esta poluição marinha afecta a taxa de
sobrevivência delas?
– Impacto Social: A poluição causada pelo lixo transportado para o mar e para as praias tem
impacto negativo na saúde pública, pois cria condições propícias para a propagação de
doenças contagiosas. A longo prazo, o plástico ‘degradado’ transforma-se em
micropartículas que são ingeridas pelos peixes e outros animais marinhos, e acabam por
entrar na cadeia alimentar humana. Este problema tem sido alvo de muitos estudos pois
muitas doenças derivadas de mutações genéticas como o cancro, são desencadeadas
pelos químicos que estes resíduos contêm e que hoje já se encontram no corpo de todos
os seres vivos.  
[Ler Campanha de Plásticos e Campanha de Resíduos e Reciclagem] 
Estudos estimam que “cada pessoa ingere até 121 mil partículas de plástico por
ano, equivalente a aproximadamente 320 partículas por dia.”

Recomendações para soluções imediatas e


sustentáveis 
Existem várias soluções para o problema da gestão dos resíduos sólidos urbanos, mas
muitas delas “varrem o lixo para debaixo do tapete”, ou seja, não resolvem o problema.
Simplesmente armazenamos os resíduos fora do alcance dos nossos olhos.  
Deixamos aqui algumas recomendações que não só ajudariam na recolha dos resíduos
urbanos, mas ajudariam também a reduzir a produção destes resíduos. 

1. A criação de um plano estratégico de gestão de resíduos é extremamente urgente. Um plano


que vise enquadrar e impulsionar outros sectores produtivos, de forma eficiente e sustentável.  Algumas
explicações são dadas abaixo. 
2. Proibição da produção, comércio e uso de plásticos descartáveis (sacos, palhilhas, copos,
pratos, etc.). Esta seria uma medida extrema, mas bastante eficaz para uma redução massiva na produção
e comercialização de resíduos plásticos. Vários países Africanos já o fizeram com bastante sucesso. Ao
mesmo tempo é necessário disponibilizar-se alternativas aos plásticos descartáveis, tais como sacos de
pano, sacos de papel, bioplásticos e até alternativas como utilizar folhas de algumas plantas para embalar
alimentos. Isto poderá criar novas oportunidades de negócio incentivar a criação de uma indústria de
materiais mais sustentáveis. 
3. É extremamente urgente e necessário que se implemente um sistema de
recolha selectiva e tratamento com reciclagem de resíduos em Angola. Já existem soluções testadas e
implementadas noutros países que podem ser facilmente adaptadas e implementadas em Angola, para
podermos fazer a reciclagem de produtos como plásticos, metais, pneus. resíduos orgânicos e vidro. Os
resíduos orgânicos podem ser transformados em biofertilizantes sem haver a necessidade de se usar
fertilizantes à base de químicos, que são nocivos ao ambiente. 
4. As valas de drenagem existentes deveriam ser cobertas para se evitar que a população as use
como depósito de lixo. No final das valas deveria haver um sistema de filtragem e recolha de resíduos
sólidos, que já tem sido muito utilizado em vários países, conforme mostramos na imagem abaixo. 
5. Fazer uma campanha massiva e contínua de educação e sensibilização ambiental a nível
nacional, com especial atenção as escolas, instituições públicas, e comunidades. 

Créditos das imagens: Old Castle Infrastructure & Storm Water Systems

O que a EcoAngola está a fazer e o
que tu podes fazer 
É dever e responsabilidade de todos nós de termos atitudes e práticas que beneficiem tod
a a sociedade. Pequenas atitudes diariamente causam um impacto grande e aqui deixamo
s algumas dicas para reduzirmos o lixo que produzimos: 

 Deixar de utilizar descartáveis como folha de alumínio, sacos e garrafas de plástico, palhinhas,
cotonetes, entre outros, e utilizar materiais reutilizáveis como sacos de pano, recipientes reutilizáveis, etc. 
 Conhecer as regras sobre reciclagem e tentar saber o que podemos fazer dentro
da nossa própria comunidade sobre alguns materiais mais prejudiciais ao ambiente. 
 Educar a sociedade, a nossa família, os nossos amigos
e colegas sobre reciclagem e maneiras de reduzir o lixo, fazendo-os entender que esta é uma responsabilid
ade de todos nós. 
 Não deitar lixo no chão, não deixar na praia e nem deitar no
mar. Vamos todos trabalhar para beneficiar a sociedade todos os dias.
 Aprender a reparar em vez de deitar fora.
Pensar sempre se realmente precisamos de comprar um produto novo? Ou podemos melhorar o
que já temos? 
A EcoAngola está a tentar despertar os cidadãos angolanos sobre práticas mais
sustentáveis e ecológicas, promovendo melhores práticas que visem a conservação do
ambiente e a melhoria da qualidade de vida. Criamos o Movimento Verde para que
organizações e pessoas possam adoptar estas práticas e ajudar a melhorar a consciência
ambiental na nossa sociedade para que juntos enfrentemos a presente crise ambiental e
social que assola o país e o mundo. Regista-te e junta-te à família do Movimento
Verde da EcoAngola! Também te podes voluntariar em projectos, campanhas e iniciativas
da EcoAngola. Basta acompanhares as nossas campanhas, eventos e actividades no nosso
website e redes sociais – não há desculpas

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