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UF2859- Processos e métodos de correção/fertilização do solo

UF2859

Processos e métodos de correção/fertilização


do solo

Formadora: Maria Clara Pereira, Engª 1


UF2859- Processos e métodos de correção/fertilização do solo

Objetivos

 Proceder à correção e fertilização do solo conduzindo, operando, regulando e afinando máquinas


e equipamentos agrícolas e alimentando-os com os produtos necessários, de acordo com o
trabalho pretendido.

 Efetuar a manutenção das máquinas de distribuição de corretivos e de fertilizantes orgânicos e


químicos.

Conteúdos

 Colheita de amostras para análise da fertilidade dos solos

 Correções de um solo - pH, matéria orgânica e fertilidade

 Drenagem

o Importância e sistemas

o Importação de solos de outros locais

 Adubos, fertilizantes e correctivos

o Classificação

o Características dos adubos

o Correctivos orgânicos e minerais

 Máquinas de distribuição de estrume, de chorume, de calcário e de adubos

o Tipos, constituição e funcionamento

o Regulações/afinações

o Reparação de pequenas avarias

o Manutenção/conservação

 Normas e técnicas de aplicação

o Cálculo de adubações

o Cálculo de débitos

 Integração das correções com a mobilização do solo

 Boas práticas de segurança, higiene e saúde no trabalho

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Noção de fertilidade do solo

Fertilidade é sinónimo de abundância, riqueza, fertilidade…; concerteza que já constatamos que as


plantas se desenvolvem melhor nuns locais em detrimento de outros. Isto pode significar que os solos
diferem na sua capacidade de fornecer os nutrientes às plantas. Um solo é considerado fértil quando é
capaz de fornecer à planta os nutrientes em quantidades e proporções adequadas ao seu bom
crescimento e desenvolvimento. Isto significa então, que os solos diferem nas suas capacidades de
fornecer os nutrientes às plantas. Essas diferenças são devidas à própria natureza do solo ou então de
condições que são criadas pelo próprio Homem.

As plantas para se desenvolverem convenientemente e resisteram às pragas e doenças precisam de estar


bem alimentadas. Actualmente o Jardineiro dispõe duma vasta gama de produtos para melhorar a
fertilidade dos solos (fertilização) e alimentar melhor melhor as plantas.

Fertilização:

É uma operação cultural que consiste na aplicação ao solo de fertilizantes, tais como : adubos, correctivos
e os estrumes.

Uma fertilização é considerada racional , quando os fertilizantes utilizados são os mais apropriados a
cada situação, nas quantidades e épocas mais adequadas e segundo as técnicas mais correctas, por forma
a obter os mellhores resultados e salvaguardando a qualidade do Ambiente.

A concretização destes princípios exige do Jardineiro alguns conhecimentos nomeadamente:

As necessidades das plantas

O teor do solo em nutrientes

As características dos fertilizantes e o seu comportamento no solo

As plantas para crescerem e se desenvolverem convenientemente, precisam de absorver alimentos


(nutrientes) do ar e da terra :

Do ar – pelas folhas absorvem carbono e oxigénio

Da terra – pelas raízes absorvem água e as substâncias minerais nela dissolvidas

Os nutrientes minerais provém:

Da própria terra

Dos adubos e de outros fertilizantes

Dos estrumes e de outras substâncias orgânicas


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Estes nutrientes minerais são deslocados até às folhas e outras partes verdes das plantas onde são
utilizados para o fabrico de matéria vegetal. A luz do Sol tem um papel indispensável nesse complexo
processo de formação da matéria vegetal.

Há no entanto nutrientes que provêm do ar e da água como o carbono, o oxigénio e o hidrogénio. Existem
em grandes quantidades e por isso não precisamos de nos preocupar com eles.

Os nutrientes minerais representam uma percentagem muito pequena do peso da planta. E são
representados quase na sua totalidade pelas cinzas que restam da planta que arde completamente

Nutrientes essenciais ao crescimento vegetal: macronutrientes e micronutrientes

Para provar que um nutriente é essencial é necessário demonstrar que a planta não se desenvolve
normalmente nem completa o seu ciclo de vida.

Consoante as quantidades em que os nurtientes são requeridos pelas plantas, os estudos em crecimento
vegetal permitem distinguir macronutrientes e micronutrientes ou oligoelementos.

Macronutrientes principais: são absorvidos em maiores quantidades – azoto,fósforo e potássio, estes


nutrientes também se podem designar por Elementos Nobres

Macronutrientes secundários: Vêm logo a seguir em consumo pelas plantas – cálcio, magnésio e enxofre

Micronutrientes ou oligoelementos: Igualmente indispensáveis, mas que as plantas consomem em


pequenas quantidades – ferro, manganês, zinco, cobre, boro, molibdénio e cloro.

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Nutrientes principais: Nutrientes secundários

Azoto (N) Cálcio (Ca)

Fósforo (F) Magnésio (Mg)

Potássio (K) Enxofre (S)

Micronutrientes

Ferro (Fe)

Manganês (Mn)

Zinco (Zn)

Cobre (Cu)

Boro (Bo)

Molibdénio (Mo)

Cloro (Cl)

Os micronutrientes podem tornar-se rapidamente tóxicos para as plantas. Razão pela qual se torna
indispensável a sua aplicação só em caso de reconhecida carência.

Qualquer dos nutrientes indicados é absolutamente indispensável à vida das plantas . Acaso haja carência
de qual quer um deles, Macro ou Micro nutrientes, a planta reduz o seu crescimento e apresenta
sintomas, ao nível das folhas, nos botões de crescimento ou nos frutos.

A Lei do mínimo é a base da fertilização

O êxito de qualquer cultura (nível de líquido armazenado no barril) é condicionado pelo nutriente que
relativamente às suas necessidades, se encontra em menores quantidades. A este nutriente chama-se
factor limitante. Por essa razão, não basta adicionar ao solo só os macronutrientes, mas é impreterível a
aplicação dos micronutrientes.

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Colheita de amostras para analise

O recurso a analises de terras, como meio para obter dados


susceptiveis de serem utilizados numa mais correcta aplicação dos
fertilizantes, é o metodo mais prático.

Este metodo é executado após a colheita de uma amostra


significativa do solo a analisar.

A colheita pode ser feita em qualquer altura do ano, evitando-se que


o terreno se encontre muito humido ou excessivamente seco.

Deverá fazer-se com dois meses de antecedênciada da data provavél de fertilização da cultura, tendo o
cuidado de preencher o boletim de informação o melhor possivél.

A profundidade da amostra depende, pode ser feita a 10 cm de profundidade se for o caso de pastagens
ou relvados; colhe-se uma amostra de terra até uma profundidade de 20 cm e outra entre os 20 cm e os
50cm de profundidade para o caso de instalação de árvores ou arbustos.

Procedimentos da colheita da amostra

Se o terreno não for uniforme deve ser dividido;

Percorrer em ziguezague cada uma das parcelas, pequenas amostras na camada arável, que se
deitam no balde;

Evitar de colher a amostra em locais encharcados, próximos de caminhos, de habitações e de


currais;

Após recolher uma amostra em todos os pontos, deve-se misturar bem a terra, retirando as
partículas de maiores dimensões, obtendo-se assim uma amostra representativa do terreno;

Desta amostra retira-se uma parte, mais ou menos meio quilo, que se coloca num saco plástico
sendo devidamente identificado pelo preenchimento da etiqueta, que se coloca um cordel que
ata o saco.

Na figura abaixo está representado o procedimento para a colheita de amostra de terra.

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Colheita de amostra de solo, com pá e com sonda.

Funções e Sintomas de Carência dos Nutrientes nas Plantas

Os sintomas de carências nas plantas não são todos iguais. Assim sendo, vão-se referênciar os aspectos
mais característicos.

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Azoto (N)

Funções: Constituinte de compostos orgânicos ( ex: proteínas, clorofila). As plantas ficam mais fracas
quando existe em excesso, tombando com mais facilidade (acama)

Sintomas

Excesso: Carência:

- Crescimento vegetal acelerado; - Redução do crecimento; -


Folhas com cor verde escura - Clorose foliar;

- A vegetação é muito suculenta; - Ramos caulinares púrpuros ou

- Diminuição de resistência a doenças; vermelhos;

- Retardamento da floração; - Os sintomas numa fase inicial

- Ciclo de vida encurtado. acentuam-se nas partes mais

velhas das plantas

Fósforo (P)
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Funções: Constituintes de compostos orgânicos (ex: enzimas). Dá robustez à planta, favorece o


enraizamento, amadurece bem os frutos e facilita o arranque rápido e vigoroso da planta.

Sintomas

Excesso: Carência:

- Encontra-se em falta na maioria dos solos; - Crescimento caulinar e radicular reduzido;

- Aparecimento de áreas necróticas nas folhas e

pecíolo;

- Folhas jovens escuras ou verde-azuladas e as mais

e as mais velhas avermelhadas;

- Os sintomas numa fase inicial, acentuam-se nas


. partes mais velhas das plantas.

Potássio (K)

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Funções: Necessário à síntese proteica e síntese de clorofila, bem como à actividade enzimática.
Regulador osmótico (ex: abertura e fecho das células de guarda) . Dá resistência à acama e a certas
doenças, melhora os frutos e favorece o enchimento das sementes.

Sintomas

Excesso: Carência:

- Encontra-se com certa abundância nos nossos - Crescimento muito reduzido;

solos. - Clorose matizada da folha, seguida de desen-

volvimento de manchas necróticas;

- Folhas recurvadas e enroladas sobre a face

superior;

- Encurtamento de entre-nós;

- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-se

nas partes mais velhas da planta.

Cálcio (Ca)

Funções: Componente da parede celular , sendo necessária à manutenção da sua estrutura e das suas
propriedades. Tem grande influência nas propriedades do solo (pH, estrutura…), pelo que é muito
importante encontrar-se no solo em quantidades adequadas.

Sintomas

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Excesso: Carência:

- Alteração do ritmo da divisão celular. - Má formação das folhas jovens;

- Curvamento dos ápices;

- Clorose marginal que progride para necrose;

- Redução do crescimento radicular;

- As raízes apresentam uma coloração castanha;

- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-se nas zonas mais jovens da planta;

Magnésio (Mg)

Funções: Constituinte da clorofila e proteinas

Sintomas

Excesso: Carência:

- Interfere na absorção do cálcio e potássio - Extensas cloroses intervenais;

- Necrose foliar;

- Encurtamento de entre-nós

- Redução do crecimento;

- Inibição da floração;

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- Morte prematura das folhas;

- Degeneração dos frutos;

- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-

-se nas paretes mais velhas da planta

Enxofre (S)

Funções: Constituinte de compostos orgânicos ( ex: componente do centro activo de enzimas e vitaminas)

Sintomas - Carência:

- Redução de crescimento;

- Clorose foliar;

- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas;

- Os sintomas de deficiência são semelhantes aos do azoto mas, neste caso, o amarelecimento é mais
uniforme, estendendo-se a toda a planta.

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Ferro (Fe)

Funções: Necessário à síntese de clorofila e à divisão celular. Respiração e síntese das proteinas; fixação
do azoto atmosférico pelo Rhizobium.

Sintomas

Carência:

- Extensa clorose foliar em que as nervuras permanecem verdes;

- Redução de crescimento;

- Inibição do desenvolvimento de primórdios foliares;

- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas;

- Solos calcários e ou com calcário activo;

- Solos compactados, encharcados e ou com baixas temperaturas;

- Excesso de fósforo.

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Manganês (Mn)

Funções: Essencial à fotossíntese e necessário à sintese de clorofila.

Sintomas Carência:

- Clorose intervenal nas folhas mais jovens:

- Enrolamento e queda das folhas;

- Pontos necróticosespalhados nas folhas;

- Os sintomas numa fase inicial, acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas;

- Compactação, temperaturas baixas e solos muito secos;

- Excesso de ferro e outros micronutriente.

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Zinco (Zn)

Funções: Síntese de hormonas de crescimento e regulador do consumo de água.

Sintomas

Carência:

- Redução do crescimento, impedindo o alongamento dos caules (entrenós curtos) e a expansão foliar;

- Ausência de floração e frutificação;

- Os sintomas numa fase inicial acentuam-se nas partes mais velhas das plantas;

- Solos graníticos e ou muito arenosos;

- Solos argilosos e ricos em magnésio.

Cobre (Cu)
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Funções: Metabolismo dos hidratos de carbono e do azoto; formação de clorofila; produçaõ de sementes
e viabilidade de pólen. Aumento da resistência às doenças.

Sintomas

Carência:

- Folhas verde – azuladas escuras, retorcidas e enroladas, que posteriormente desenvolvem manchas
cloróticas intervenais e necrose;

- Excessos de fósforo, potássio e zinco no solo ou através das adubações;

- Solos graníticos e ou muito arenosos.

Boro (B)

Funcões: Desenvolvimento dos meristemas apicais; síntese de proteinas; polinização e respiração.

Sintomas

Carência:

- Orgãos de reserva afectados;

- Desorganização dos meristemas;

- Morte precoce das extremidades caulinares;

- Folhas com malformações e pecíolos quebradiços;

- Floração completamente suprimida e quando ocorre verifica-se a formação de frutos e sementes


anormais;

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- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-se nas zonas mais jovens da planta;

- Excesso de azoto;

- Condições de enxarcamento ou de secura;

- Altas intensidades luminosas ou regadios.

Molibdénio (Mo)

Funções: Essencial para afixação do azoto e assimilação de nitrato porque é um activador das enzimas
envolvidas no processo.

Sintomas

Carência:

- Manchas cloróticas intervenais seguidas de necrose marginal e enrolamento foliar;

- Interfere com a frutificação;

- Os sintoma, numa faseinicial, acentuam-se nas zonas mais jovens das plantas;

- Solos ácidos muito lavados;

- Excesso de enxofre, cobre,mangânes e ferro;

- Temperaturas baixas, solos muito secos ou encharcados.

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Cloro (Cl)

Funções: Necessário para a fotossíntese.

Sintomas

Carência

- Crescimento reduzido em mais de 50%;

- Folhas cloróticas e necróticas;

- Atrofiamento das raízes;

- Os sintomas, numa fase inicial, acentuam-se nas partes mais velhas da planta;

- A deficiência de Cloro na Natureza tem baixa probabilidade de se verificar, raramente se observam


plantas com deficiência em Cloro.

Características e Comportamento dos Fertilizantes


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Fertilizantes- São substâncias que contêm elevada quantidade de nutrientes para as plantas.

Os fertilizantes dividem-se em correctivos e adubos.

Os correctivos são utilizados principalmente para melhorar algumas propriedades do solo, como por
exemplo o excesso de acidez e alcalinidade.

Os adubos aplicam-se principalmente para fornecer nutrientes às plantas. Por vezes têm as duas funções.

Diferentes Tipos de Fertilizantes

EEstrume

Orgânicos CComposto

C Correctivos PPalha

TTurfa

Fertilizantes

CCalcário

Minerais GGesso

EEnxofre

AAdubos

Os fertilizantes utilizados são de diferentes tipos: orgânicos, de origem vegetal, animal ou mista e
minerais se são constituídos por substâncias químicas. Conforme a tabela seguinte:

Correção do pH

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Os corretivos minerais, são utilizados para provocar subidas de pH, corretivos alcalinizantes e é utilizado
o calcário ou seja faz-se uma calagem para se fazer a correção da acidez.

Os corretivos devem ser espalhados uniformemente sobre o terreno e incorporados através de uma
lavoura ou gradagem.

Devem ser aplicados com alguma antecedência em relação à sementeira. As quantidades de corretivo a
usar são referidas ao calcário moído, e também vêm descritas no boletim do resultado da amostra do
solo.

A calagem não é um remédio milagroso capaz de resolver todos os problemas, é necessário usá-la com
sabedoria associando à prática da estrumação e adubação racional.

ou pelo contrário provocar o seu abaixamento corretivos acidificantes (o calcário e enxofre, são usados
para a correção, respetivamente). Isto é, além dos nutrientes que levam ao solo, os corretivos melhoram
as suas propriedades químicas, físicas e biológicas.

Correção da matéria orgânica

Os corretivos orgânicos, como os estrumes, para além da quantidade de nutrientes que têm exercem um
efeito extraordinariamente benéfico nas propriedades físicas e biológicas do solo. O solo fica mais
quente, mais fácil de trabalhar, mais permeável e com maior capacidade de armazenamento de água.

Os estrumes contem grande quantidade de nutrientes, sendo que 1 tonelada de estrume contêm em
média 5 Kg de Azoto, 3 Kg de Fosforo e 7 Kg de potássio. Os estrumes poderão ser utilizados sempre que
é possível, havendo no entanto algumas restrições nos estrumes de galináceos.

Correção da fertilidade

Os adubos minerais podem ter um ou mais elementos principais ou nobres. Quando são constituídos
apenas por um elemento chamam-se Elementares, se têm dois ou mais elementos chamam-se
Compostos. Os compostos podem ser Complexos ou Mistos. Nos adubos complexos os macroelememtos
principais combinam-se entre si durante o fabrico. No caso dos adubos mistos, estes resultam da simples
mistura de adubos elementares.

Azotados (com azoto)

Elementares Fosfatados (com fósforo)

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Potássicos (com potássio)

Adubos

Binários: com dois elementos, N e P, N e K ou P e K

Compostos

Ternários: com três elementos NPK

Para se fazer uma escolha acertada dos adubos a utilizar é necessário conhecer as suas características.
Sendo que uma das características mais importantes é a sua concentração, ou seja, a sua riqueza em
nutrientes. Mede-se normalmente em unidades fertilizantes.

No entanto convem conhecer outras características. Há adubos que tornam os solos ácidos, são adubos
acidificantes, outros são alcalinizantes e ainda os neutros, que nem acidificam nem alcalinizam.

1Kg de N representa uma unidade fertilizante de azoto.

1 Kg de P2O5 representa uma unidade fertilizante de fósforo.

1 Kg de K2O representa uma unidade fertilizante de patássio.

Quando se diz que um adubo tem 18% de P2O5 significa que em 100 Kg de adubo há 18 unidades
fertilizantes de fósforo

100 Kg de nitrato de amónio a 20.5% = 20.5 Kg de N = 20.5 unidades fertilizantes de azoto

100 Kg de superfosfato de cal a 18% = 18 Kg de P2O5 18 unidades fertilizantes de fósforo

100 Kg de cloreto de potássio a 60% = 60 Kg de K2O 60 unidades fertilizantes de potássio

Nota:

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Nos adubos fluidos a concentração é dada como nos adubos sólidos, isto é, referida a 100 Kg de adubo.
Complementarmente pode também ser dada referida a um litro ou 100 litros, indicando-se igualmente a
massa volúmica ou densidade, como é vulgarmente designada.

Exemplo:

Solução azotada 32

Concentração por 100 Kg 32 Kg de N

Concentração por 100 litros 41,6 Kg de N

Adubos elementares

Os adubos elementares ou simples são os que contêm somente um elemento nobre (N, P ou K)

Adubos azotados

São os adubos elementares que fornecem azoto ao solo e à planta. O azoto pode estar sob a forma de
nitrato ou de amónio ou sob outras formas que no solo facilmente se transformam nestas, como a
amídica.

Há adubos nítricos, amoniacais, nitroamoniacais e amídicos:

Adubos nítricos – azoto na forma nítrica (NO3).

Adubos amoniacais – azoto na forma amoniacal ( NH4).

Adubos nitroamoniacais – azoto nas formas nítrica e amoniacal.

Adubos amídicos – azoto na forma amídica (NH2).

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Adubos compostos

Os adubos compostos são os que contêm mais que um elemento nobre.

Apresentam-se sempre com três grupos de algarismos, separados por um traço, que representam o
número de unidades fertilizantesexistentes em 100Kg de adubo, respectivamente, de azoto, fósforo e
potássio.

Vantagens na utililização de adubos compostos

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Dispensam a mistura de adubos simples.

Permitem economizar no transporte, armazenamento e distribuição.

A distribuição no solo é mais uniforme.

As adubações efectuadas são normalmente mais equilibradas.

Mistura de adubos simples e correctivos

Há adubos que nunca se devem misturar e outros que depois de misturados têm que ser aplicados
imediatamente no solo. Conforme o diagrama seguinte.

Mistura de adubos, estrumes e corretivos calcários

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Cálculo de uma mistura de adubos

Exemplo:

Suponhamos que temos à nossa disposição os seguintes adubos:

Sulfato de amónio a 21%

Superfosfato de cal a 42%

Sulfato de potássio a 50%

Pretendemos obter uma mistura que forneça:

10 Unidades de azoto

6 Unidades de fósforo

10 Unidades de potássio

Cálculo para o azoto (N)

1º - Unidades fertilizantes de N pretendidas em 100 Kg da mistura………………10 unidades de N

2º - Unidades fertilizantes (N) em 100Kg de adubo simples (sulfato de amónio)…21 unidades de N

Quantidades de sulfato de amónio a usar para preparar 100 Kg de mistura

Multiplicam –se as unidades pretendidas (10) por 100 e divide-se o resultado pela concentração do adubo
(21).

10 x 100 = 1000

1000 : 21 = 48 Kg

São necessários 48 Kg de sulfato de amónio

Cálculo para o fósforo (P2O5)


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1º - Unidades fertilizantes de P2O5 pretendidas em 100 Kg da mistura……………6 unidades de P2O5

2º - Unidades fertilizantes (P2O5) em 100 Kg do adubo simples (superfosfato)…...42 unidades de P2O5

Quantidades de superfosfato de cal a 42% a usar para preparar 100 Kg de mistura

Multiplicam-se as unidades pretendidas (6) por 100 e divide-se o resultado pella concentração de adubo
(42).

6 x 100 =600

600 : 42 = 14 Kg

São necessários 14 Kg de superfosfato 42%

Cálculo para o potássio (K2O)

Seguir as regras de cálculo anteriormente expostas para o azoto o fósforo.

Resultado: São necessários 20 Kg de sulfato de potásio

Pesam-se as quantidades indicadas de cada adubo e completa-se até 100Kg com outro material inerte
(constituinte do adubo),como por exemplo: areia, cinza, etc.

Sulfato de amónio 48 Kg

Superfosfato 42% 14 Kg

Sulfato de potássio 50% 20 Kg

Soma…………………...............82 Kg

Areia…………………………...18 Kg

Total 100 Kg

Obtêm-se 100 Kg de mistura com a formula 10-6-10

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Escolha de um adubo composto

1º - Determinar o equilibrio da adubação a aplicar: dá-se o valor 1 à quantidade de N a usar, e ao P2 O5


o valor resultante da divisão das quantidades a usar de cada um pela quantidade do N.

Exemplificando:

60 Kg de N – valor para o equilibrio: 1

95 Kg de P2 O5 - valor para o equilibrio: 95 : 60 = 1,6 (aprox.)

100 Kg de K2 O – valor para o equilibrio: 100 : 60 = 1,7 (aprox.)

O equilibrio da adubação de fundo é, então, de: 1:1,6:1,7

2º - Escolher um adubo que tenha o mesmo equilibrio, ou aquele que se aproxime mais, ex:

10-10-10

12-24-12

13-13-20

7-14-14

Neste caso o adubo escolhido seria o 7-14-14, pois é aquele que mais se aproxima do equilibrio 1:2:2

3º - Determinar a quantidade de adubo a usar

No caso dos adubos compostos ternários, a determinação da quantidade a utilizar pode fazer-se com
qualquer dos nutrientes, sendo no entanto o mais comum o azoto.

Sabendo que em 100 Kg do adubo 7-14-14 existem 7Kg de N, para termos 60 Kg de N precisamos de 850
Kg de adubo.

60 x 100 : 7 = 857 Kg (aproximadamente)


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Aplicação e escolha dos adubos

As adubações podem ser feitas antes ou na altura da sementeira e são designadas por adubações de
fundo. Mas há aquelas que são realizadas depois do nascimento das plantas, e são designadas por
adubações de cobertura.

As adubacões de fundo podem ser efectuadas a lanço, quando feitas sobre todo o terreno; ou apenas em
certas zonas o que se designa por adubação localizada.

As adubações localizadas podem ser feitas:

No sulco ou rego

Em covas

Em bandas ou

faixas

As adubações de cobertura podem ser efectuadas a lanço e localizadas

As adubações localizadas podem ser feitas:

Em bandas ou faixas

Em coroa (nas árvores)

Em furos (nas árvores)

Há outros tipos de adubações como a foliar em que o adubo é dissolvido em água e posteriormente
aplicado sobre as plantas com aparelhos específicos como o pulverizador. Este tipo de adubações dá
muito bons resultados quando se pretende fazer uma aplicação com micronutrientes.

Técnicas de aplicação de fertilizantes

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Da esquerda para a direita:

A lanço;

Dissolvidos em água;

Na água de rega;

Por sulcos ou aspersão e em pulverização foliar;

Cobertura localizada;

De fundo localizada;

Injecção em árvores;

Localizada mecânica de adubos gasosos;

Localizada na forma de furos;

Enterramento de leguminosas previamente fertilizadas.

Avaliação da fertilidade do solo

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As plantas para se desenvolverem convenientemente e resisteram às pragas e doenças precisam de estar


bem alimentadas. Para isso é necessário que o solo tenha a capacidade em fornecer nutrientes às culturas
nele instalados. Mas para sabermos se o solo tem ou não esses nutrientes é necessário recorrer à
avaliação da fertilidade. Esta é efectuada através da avaliação dos aspectos químicos, físicos e biologicos,
dando aos seguintes conceitos de fertilidade:

Fertilidade química;

Fertilidade física;

Fertilidade biologica.

A fertilidade fíca e quimica desempenham no conjunto um papel mais importante, porque tanto em
termos práticos como economicos são mais dificeis de melhorar.

É possivel corrigir a textura e a estrutura dos solos, a sua profundidade e declive, as pedras em excesso
podem ser retiradas, a desinfecção dos solos pode eliminar agentes patogénicos, mas qualquer destas
transformações, pelo menos em termos economicos não pode ser suportada pela maioria das culturas.

Por tal motivo a avaliação da fertilidade é feita, sobretudo, com base nos parametros quimicos, ou seja,
na avaliação dos teores em nutrientes, matéria organica e no pH do solo.

A fertilidade pode ser então avaliada através de diversos critérios, dos quais se salientam a análise das
terras, a análise das plantas e a análise biológica.

Colheita e correcções de um solo

Colheita de amostras de solo para análise

A análise das terras constitui, ainda hoje, sem dúvida, o meio a que mais frequentemente se recorre para
obtenção de dados susceptíveis de ser utilizados numa maior correcta utilização dos fertilizantes.

De facto, trata-se de um critério de avaliação da fertilidade que, embora apresentando várias limitações,
é aquele que, dada a facilidade e rapidez com que pode ser aplicado, mais extensivamente é utilizado na
prática.

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O recurso a analises de terras, como meio para obter dados susceptiveis de serem utilizados numa mais
correcta aplicação dos fertilizantes, é o metodo mais prático.

Este metodo é executado após a colheita de uma amostra significativa do solo a analisar.

A colheita pode ser feita em qualquer altura do ano, evitando-se que o terreno se encontre muito humido
ou excessivamente seco.

Deverá fazer-se com dois meses de antecedênciada da data provavél de fertilização da cultura, tendo o
cuidado de preencher o boletim de informação o melhor possivél.

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A profundidade da amostra depende, pode ser feita a 10 cm de profundidade se for o caso de pastagens
ou relvados; colhe-se uma amostra de terra até uma profundidade de 20 cm e outra entre os 20 cm e os
50cm de profundidade para o caso de instalação de árvores ou arbustos.

Procedimentos da colheita da amostra

Se o terreno não for uniforme deve ser dividido;

Percorrer em ziguezague cada uma das parcelas, pequenas amostras na camada arável, que se
deitam no balde;

Evitar de colher a amostra em locais encharcados, próximos de caminhos, de habitações e de


currais;

Após recolher uma amostra em todos os pontos, deve-se misturar bem a terra, retirando as
partículas de maiores dimensões, obtendo-se assim uma amostra representativa do terreno;

Desta amostra retira-se uma parte, mais ou menos meio quilo, que se coloca num saco plástico
sendo devidamente identificado pelo preenchimento da etiqueta, que se coloca um cordel que
ata o saco.

Correcção da fertilidade

Os adubos minerais podem ter um ou mais elementos principais ou nobres. Quando são constituídos
apenas por um elemento chamam-se Elementares, se têm dois ou mais elementos chamam-se
Compostos. Os compostos podem ser Complexos ou Mistos. Nos adubos complexos os macroelememtos
principais combinam-se entre si durante o fabrico. No caso dos adubos mistos, estes resultam da simples
mistura de adubos elementares.

Azotados (com azoto)

Elementares Fosfatados (com fósforo)

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Potássicos (com potássio)

Adubos

Binários: com dois elementos, N e P, N e K ou P e K

Compostos

Ternários: com três elementos NPK

Para se fazer uma escolha acertada dos adubos a utilizar é necessário conhecer as suas características.
Sendo que uma das características mais importantes é a sua concentração, ou seja, a sua riqueza em
nutrientes. Mede-se normalmente em unidades fertilizantes.

No entanto convem conhecer outras características. Há adubos que tornam os solos ácidos, são adubos
acidificantes, outros são alcalinizantes e ainda os neutros, que nem acidificam nem alcalinizam.

1Kg de N representa uma unidade fertilizante de azoto.

1 Kg de P2O5 representa uma unidade fertilizante de fósforo.

1 Kg de K2O representa uma unidade fertilizante de patássio.

Quando se diz que um adubo tem 18% de P2O5 significa que em 100 Kg de adubo há 18 unidades
fertilizantes de fósforo

100 Kg de nitrato de amónio a 20.5% = 20.5 Kg de N = 20.5 unidades fertilizantes de azoto

100 Kg de superfosfato de cal a 18% = 18 Kg de P2O5 18 unidades fertilizantes de fósforo

100 Kg de cloreto de potássio a 60% = 60 Kg de K2O 60 unidades fertilizantes de potássio

Nota:

Nos adubos fluidos a concentração é dada como nos adubos sólidos, isto é, referida a 100 Kg de adubo.
Complementarmente pode também ser dada referida a um litro ou 100 litros, indicando-se igualmente a
massa volúmica ou densidade, como é vulgarmente designada.

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Exemplo:

Solução azotada 32

Concentração por 100 Kg 32 Kg de N

Concentração por 100 litros 41,6 Kg de N

Adubos elementares

Os adubos elementares ou simples são os que contêm somente um elemento nobre (N, P ou K)

Adubos azotados

São os adubos elementares que fornecem azoto ao solo e à planta. O azoto pode estar sob a forma de
nitrato ou de amónio ou sob outras formas que no solo facilmente se transformam nestas, como a
amídica.

Há adubos nítricos, amoniacais, nitroamoniacais e amídicos:

Adubos nítricos – azoto na forma nítrica (NO3).

Adubos amoniacais – azoto na forma amoniacal ( NH4).

Adubos nitroamoniacais – azoto nas formas nítrica e amoniacal.

Adubos amídicos – azoto na forma amídica (NH2).

Adubos compostos

Os adubos compostos são os que contêm mais que um elemento nobre.

Apresentam-se sempre com três grupos de algarismos, separados por um traço, que representam o
número de unidades fertilizantesexistentes em 100Kg de adubo, respectivamente, de azoto, fósforo e
potássio.

Vantagens na utililização de adubos compostos

Dispensam a mistura de adubos simples.

Permitem economizar no transporte, armazenamento e distribuição.

A distribuição no solo é mais uniforme.

As adubações efectuadas são normalmente mais equilibradas.

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Bibliografia

Dobbs,Liz., 2002, O Livro de Jardineiro, Editora Estampa.

Bonar, Ann., 2003, Manual Prático de Plantas de Jardim, Editora Estampa.

Pedoja, A.F., 2003, El Calendario de los Trabajos a realizar mes a mes en el Jardín, Editorial de Vecchi.

Greenwood, Pipa., 1998, 1001 Sugestões de Jardinagem Prática, Editora Civilização.

Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação, Secretaria de Estado da Agricultura – Um Guia Para O


Agricultor, Vol. II

JOÃO, Quelhas dos Santos – Fertilização (apontamentos), Nova Edição.

ANTÓNIO, Sérgio Videira da Costa – Elementos Sobre Fertilidade do Solo e Fertilização, Ministério da
Agricultura, Pescas e Alimentação, Lisboa 1988.

ADP – Adubos de Portugal, Manual de Fertilização, Janeiro 2000.

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