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Violência popular

nas
manifestações
A favor (a posição do PCO)
As explosões populares
ocorridas no Brasil neste
mês de novembro são
sintomas de que a situação
no País está bem mais
próxima do Chile ou da
Bolívia do que poderia se
imaginar.
Dois supermercados da rede
Carrefour arderam em
chamas (Porto Alegre e São
Paulo), como resposta ao
assassinato por seguranças
do supermercado do
trabalhador negro João
Alberto. Na outra ponta do
País, na cidade de Macapá,
a população foi às ruas
contra os descasos dos
governos locais e

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nacional, depois de dias
sem energia elétrica.
Tão logo ocorreu o
assassinato de João
Alberto, a imprensa
burguesa na tentativa de
se antecipar às
manifestações que viriam a
ocorrer, saiu em defesa de
uma suposta pauta
“antirracista”, pura
demagogia que apenas
encobre o pavor da
burguesia diante de um
iminente levante dos
negros e da população
pobre no Brasil. Os
exemplos recentes da
revolta popular diante de
crimes bárbaros de negros
pela polícia nos EUA,
acendeu o sinal de alerta
da burguesia. Naquele
país, os negros
representam 15% da
população. No Brasil,
considerando os dados
oficiais do IBGE,
representam 56% da

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população, sendo que 75%
dos negros estão entre os
mais pobres do País. O
pavor da burguesia está em
que o povo "desça os
morros" e ponha abaixo o
regime burguês.
O PCO não tem dúvida em
defender que a população
pobre, os negros respondam
na mesma moeda à bárbarie
e à repressão permanentes
do Estado.
Obviamente que quanto mais
consciente o povo
revoltado estiver, maior
será o seu poder de dar um
rumo à luta de classes,
mas eficiente será o seu
“terror” revolucionário
contra os seus opressores,
por isso a construção do
partidos revolucionários
no País e no mundo é uma
condição fundamental.
Nesse sentido, os exemplos
do Chile e da Bolívia
podem e devem ser usados

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tanto no seu aspecto
positivo - a intervenção
violenta das massas foi
capaz de deter, pelo menos
momentaneamente, o golpe
de Estado em ambos os
países - mas, também, pelo
seu aspecto negativo, que
reside justamente na
ausência de partidos
revolucionários - o que
está permitindo com que o
imperialismo e a burguesia
manobrem com as ilusões do
povo.
Contra
O povo brasileiro assistiu
estarrecido a uma onda de
violência no País como
resposta a dois
acontecimentos:
manifestações em Porto
Alegre e em São Paulo com
os manifestantes chegando
a atear fogo nas
dependências de um
supermercado e a revolta
da população da cidade de

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Macapá. Em ambas as
situações, embora os
motivos que levaram aos
protestos sejam justos, a
intensidade das respostas,
não - respectivammente, o
assassinato do trabalhador
negro João Alberto em uma
depedência da rede de
supermercados Carrefour em
Porto Alegre e caos gerado
pelo apagão no Estado do
Amapá.
Não será com mais
violência que os graves
problemas sociais do povo
serão resolvidos no
Brasil. Aliás, a resposta
violenta aos casos em
questão, apenas acirra o
caráter fascista do regime
e faz com que ele se volte
com ainda mais violência
contra a população.
Tornou-se lugar comum no
Brasil, a polícia militar,
por exemplo, reagir com
mais violência contra as

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populações das periferias
das grandes cidades
brasileiras quando essas
reagem violentamente aos
abusos da PM.
Essa condição, também,
pode ser verificada por
outros dois exemplos, o
primeiro da história
recente do País e o
segundo um pouco mais
distante.
No primeiro caso, temos as
grandes manifestações de
2013 que foram brutalmente
reprimidas pela polícia,
principalmente após o
aparecimento dos black
blocs, que insistiam em
responder às forças de
repressão com violência.
Um segundo caso, foi o
recrudescimento da
ditadura militar saída do
golpe de 1964, com as
manifestações estudantis e
operárias, em 1968. Tanto
no primeiro como no

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segundo casos, a violência
das manifestações
populares permitiram o
regime se valesse do
próprio caos gerado para
aprofundar a repressão
popular. Em 2013 pode-se
afirmar que tivemos como
linha de continuidade o
golpe de 2016 e o governo
do fascista Bolsonaro. Já
1968 produziu o que de
mais sombrio já se
assistiu no Brasil, uma
brutal ditadura militar de
tipo fascista que
assassinou, “desapareceu”
e torturou milhares de
brasileiros.
“A virtude está no meio”.
Está no equilíbrio que
possa ser estabelecido em
determinada situação
política. Foi justamente a
sabedoria do centro
(esquerda e direita) que
permitiu a
redemocratização do Brasil
e, na contra-mão, o

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acirramento pela
polarização política que
levou ao bolsonarismo.
Talvez seja hora dos
políticos atuais
recuperarem a tradição
política que levou à
formação da frente que
elegeu Tancredo Neves.

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