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Tópico Especial

Técnica do Arco Segmentado de Burstone


Burstone Segmented Arch Technique

Resumo ças incorretos podem se expressar cau-


O presente trabalho elucida as bases sando, muitas vezes, efeitos colaterais.
da filosofia da Técnica do Arco Segmen- O princípio que rege esta filosofia é o
tado de Burstone. Os princípios mecâni- conceito do “arco ideal”, ou seja, um
cos que regem a movimentação ortodôn- arco com dobras de primeira (VL), se-
Maurício Tatsuei tica são explorados de forma a elucidar o gunda (OC) e terceira (torções) ordens,
Sakima mecanismo de ação de vários dispositi- que após sua instalação os dentes de-
vos ortodônticos utilizados nesta técni- veriam buscar um posicionamento
ca. Uma seqüência mecânica e casos clí- mais próximo de uma oclusão ideal.
nicos são apresentados. Entretanto, quando se tem um proble-
ma localizado, geralmente os dentes
Introdução vizinhos são os elementos eleitos para
A utilização de aparelhos fixos na servirem de ancoragem, independente-
Ortodontia Contemporânea é regida por mente deles serem menores e mais frá-
duas bases filosóficas. geis que o dente problema e dessa mo-
A primeira e mais difundida é a vimentação requerer extensos movi-
guiada pela “forma do arco”. Para se mentos de vaivém nestes dentes. A mai-
obter o movimento desejado deve-se or parte das técnicas ortodônticas con-
dar dobras nos arcos ortodônticos que temporâneas se utilizam desta base fi-
se encaixam nas canaletas dos braque- losófica como princípio para o planeja-
tes para gerar as forças necessárias. mento das movimentações dentárias.
No entanto, como as forças não são le- A segunda e menos utilizada é a guia-
vadas em consideração no planejamen- da pelo planejamento do “sistema de for-
to da movimentação, sistemas de for- ças”. Nesta filosofia é essencial a deter-

Maurício Tatsuei Sakima A


Paulo Roberto Tatsuo Sakima B
Tatsuko Sakima C
Luiz Gonzaga Gandini Júnior D
Ary dos Santos Pinto E

A
Prof. Assist. Doutor do Departamento de Clínica Infantil e Coordenador do curso de Especialização
em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP.
B
Aluno do curso de Pós-Graduação (Mestrado) em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Arara-
quara - UNESP.
Unitermos: C
Prof. Titular Aposentado do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Arara-
Ortodontia; Técnica quara - UNESP.
do arco segmentado;
D
Prof. Assist. Doutor do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara
- UNESP.
Aparelhos fixos; E
Prof. Assist. Doutor do Departamento de Clínica Infantil e Coordenador do curso de Pós-Graduação
Mecânica. (Mestrado e Doutorado) em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP.

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minação de dois tipos de unidades, Nanda, Sachdeva, dentre outros que Princípios Mecânicos
ou seja, uma ativa composta de den- foram professores ou alunos do de- Os conceitos aqui apresentados re-
tes que necessitam ser movimentados partamento de Ortodontia da Univer- ferem-se à mecânica de corpos rígidos.
e outra de ancoragem ou reativa. O sidade de Connecticut. No Brasil, Corpos rígidos são aqueles cujas par-
objetivo é ser capaz de produzir o sis- esta técnica tem sido estudada e em- tículas têm relação fixa entre si, esta-
tema de força requerido pela unidade pregada nos cursos de pós-gradua- belecendo forma invariável.
ativa sem produzir efeitos colaterais ção da Faculdade de Odontologia de A força é uma entidade presente
indesejáveis na unidade de ancora- Araraquara- UNESP. na interação de corpos, causando mo-
gem. Um sistema de força ótimo in- O fundamento da técnica é a seg- vimento em corpos em repouso, ou
clui parâmetros como a magnitude mentação que significa a consolidação aumentando a velocidade de corpos
das forças, a proporção momento-for- dos dentes em unidades, permitindo já em movimento. Sua representação
ça e a constância das forças. A mag- usar cada bloco como um elemento é de um vetor aplicado, isto é, tem
nitude das forças varia dependendo dentário com mais inserção radicular. intensidade (ou magnitude), direção
do suporte periodontal e comprimento A partir da segmentação, divide-se os (ou orientação), sentido e ponto de
radicular dos dentes e pode ainda ser blocos em unidade ativa (aquela que aplicação. Intensidade é a quantida-
modificada de acordo com o centro de se deseja movimentar) e unidade de de força aplicada. Direção é a
rotação do movimento dentário re- reativa ou de ancoragem. orientação no espaço de como essa
querido. A proporção momento-força Com a segmentação, cada grupo força atua. Diz-se que duas forças têm
aplicada ao braquete é o parâmetro de dentes pode ser tratado da ma- a mesma direção se elas forem para-
crítico que determina onde se locali- neira mais adequada. Fios ortodôn- lelas. Sentido é o lado da direção para
zará o centro de rotação do movimen- ticos mais flexíveis podem ser usa- onde a força atua. Ponto de aplica-
to requerido, ou seja, é o que deter- dos nas áreas onde se deseja maior ção é a posição no corpo rígido onde
mina se o movimento dentário será movimentação e fios mais rígidos se imprime a força. A direção que
de translação, rotação pura ou com- são empregados nas áreas onde o po- passa pelo ponto de aplicação esta-
binação das anteriores. A constância sicionamento dos dentes já é adequa- belece a linha de ação dessa força
das forças inclui conceitos de dura- do, estabilizando estes dentes o mais (FIG. 1). A força, por ser uma entida-
ção no qual os sistemas de forças ope- precocemente possível. Desta forma, de espacial, pode ser decomposta e
ram e as alterações que ocorrem nes- tipos diferentes de fios podem ser representada pelos seus componentes
tes sistemas conforme os dentes se usados simultaneamente na mesma nos eixos x, y e z do espaço.
deslocam. arcada. A não necessidade de conti- O “Princípio da transmissibilidade”
A Técnica do Arco Segmentado güidade de inserção do fio ortodôn- rege a aplicação de forças, estabele-
(TAS), descrita por Burstone em tico no braquete do dente vizinho cendo que duas forças têm o mesmo
1962, se encontra neste segundo tipo torna possível obter-se uma maior efeito se tiverem a mesma intensida-
de base filosófica. Esta técnica con- distância entre os pontos de aplica- de e a mesma linha de ação. Pelo “Prin-
siste de uma seqüência de procedi- ção de forças, e também, sistemas de cípio da transmissibilidade”, uma for-
mentos ortodônticos baseados em forças mais coerentes podem ser pla- ça pode ter seu ponto de aplicação al-
princípios mecânicos suportados nejados. A seguir são apresentados terado para outra posição no corpo rí-
pelo ramo da Física chamado “me- alguns conceitos mecânicos e apli- gido e ainda assim continuar exercen-
cânica”. Os conhecimentos básicos cações na técnica. do o mesmo efeito, contanto que esse
advindos das áreas da estática, di-
nâmica e resistência dos materiais
são utilizados de uma maneira rígi-
Ponto de aplicação
da, com o propósito de estabelecer
passos clínicos lógicos no dia a dia
do ortodontista. O conjunto de co- Força Direção
nhecimentos científicos que supor-
tam a filosofia do arco segmentado,
advém, principalmente, dos esforços CM
do Dr. Charles Burstone da Universi- Intensidade
dade de Connecticut - EUA. Outros
pesquisadores e clínicos contribuí-
ram para o embasamento desta filo- Sentido
sofia de tratamento ortodôntico
como: Marcotte, Melsen, Norton, FIGURA 1 - Representação esquemática da força.

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novo ponto de aplicação esteja na força. Esta deve ter sua linha de ação ção de uma força cuja linha de ação
mesma linha de ação da primeira for- passando pelo centro de massa desse encontra-se afastada do centro de re-
ça (FIG. 2). corpo. O centro de massa de um corpo sistência do dente difere do descrito
A aplicação de forças também é rígido é o ponto que atua como se toda anteriormente. A aplicação dessa for-
regida pelo “Princípio da ação e rea- a sua matéria estivesse concentrada ça faz com que o dente tenda a girar
ção”, que estabelece que se um cor- em si. No sistema mastigatório, o den- ao redor do centro de resistência, e que
po exerce uma força num segundo te atua como um corpo rígido que so- esse ponto siga a trajetória pré-deter-
corpo, este responde exercendo uma fre ações restritivas à sua movimen- minada por essa força. Essa tendên-
força de igual intensidade, mesma tação pelo periodonto de sustentação. cia rotacional é denominada de mo-
direção e sentido oposto, no primei- O ponto que tem comportamento aná- mento e é proporcional à força aplica-
ro corpo. logo ao centro de massa do dente é o da e à distância da linha de ação da
A ação de várias forças sobre um centro de resistência do sistema den- força ao centro de resistência. Como é
corpo pode ser substituída pela resul- te-periodonto. Esse ponto concentra resultado da aplicação de uma força,
tante, que é obtida através de adição toda a resistência ao movimento exer- também é denominado momento de
vetorial. A resultante da ação de duas cida por influências externas como por uma força (FIG. 5).
forças com o mesmo ponto de aplica- exemplo pressão ou tração. Como não O movimento quando o corpo
ção é determinada pela diagonal do é possível se estabelecer um modelo gira ao redor do centro de resistên-
paralelogramo, cujos lados são estas experimental ideal, o centro de resis- cia do corpo é descrito como rota-
forças. Também pode ser obtida fa- tência do dente é estimado de forma ção pura e ocorre pela atuação de
zendo-se a soma individualmente em empírica (FIG. 4). O centro de resistên- momento apenas. Para que haja ge-
cada componente dos eixos x, y e z cia varia de acordo com o tamanho e ração de momento com força resul-
(FIG. 3). forma das raízes, bem como com a pre- tante igual a zero, são necessárias
É possível se estabelecer um movi- sença de reabsorções apicais ou per- as ações de duas forças de igual in-
mento de translação (movimento de das ósseas horizontais e verticais. tensidade, atuando em sentidos
corpo) pela aplicação de uma única O movimento causado pela aplica- opostos e orientados por duas li-

F1
F2

F1
F2

FIGURA 2 - Princípio da transmissibilidade. FIGURA 3 - Representação esquemática de adição vetorial e o


vetor resultante.

FIGURA 4 - Representação dos centros de resistência de cada FIGURA 5 - Representação do momento de uma força.
tipo de dente.

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d

350 g 1

10mm
M=F.d
F F
350 g 2

3500 g-mm
FIGURA 6 - Representação de um binário. FIGURA 7 - Representação de dois sistemas equivalentes de
força.

nhas de ação paralelas e não-coin- 1 - translação – movimento em que momento/força aplicada ao braque-
cidentes. Essas duas forças descre- o dente é deslocado de corpo. te que estabelecem os tipos de movi-
vem um binário e o momento gera- 2 - inclinação controlada – mo- mento dentário. A TAB. 1 fornece os
do por elas é denominado momen- vimento com o centro de rotação lo- valores da proporção momento/for-
to de um binário. Esse momento é calizado no ápice radicular do den- ça para os tipos de movimentos
calculado multiplicando-se a soma te. Todos os pontos se movimentam dentários desejados.
das intensidades das forças pela num único sentido. As porções mais A aplicação de um binário com um
metade da distância entre as linhas afastadas do centro de rotação so- momento resultante com intensidade
de ação dessas forças. A força re- frem uma maior amplitude de mo- dez vezes maior que a força e sentido
sultante é nula (FIG. 6). vimento. oposto ao momento gerado pela força
Os três tipos de movimentos 3 - inclinação não-controlada – aplicada no braquete, gera um movi-
agora podem ser descritos por suas movimento com o centro de rotação mento de translação. Este mesmo ra-
entidades geradoras: na primeira, localizado no meio da raiz, próximo ciocínio deve ser feito para o entendi-
movimento causado pela aplicação do centro de resistência do dente. Par- mento dos outros tipos de movimento
de força passando pelo centro de re- te do dente é deslocada num sentido e dentário da TAB. 1.
sistência, sem geração de momen- o restante no sentido oposto. A Técnica do Arco Segmentado pos-
to; na segunda, movimento causa- 4 - movimento radicular – movi- sui dispositivos mecânicos pré-calibra-
do pela aplicação de força passan- mento com o centro de rotação locali- dos em que estas proporções momen-
do afastada do centro de resistên- zado no extremo mais oclusal ou to/força são conhecidas, permitindo
cia, com geração de momento; e na incisal do dente. Nesse movimento há planejar o tipo de movimento dentá-
terceira, aplicação de duas forças grande deslocamento radicular do den- rio desejado (FIG. 8).
que se anulam e geram momento te e pouco deslocamento coronal.
apenas, no centro de resistência. A Técnica do Arco Segmentado Mecânica da Movimentação de
Um movimento causado por uma permite o controle dos tipos de mo- Dois Dentes
força é determinado pela intensida- vimentos dentários através do con- O estudo da mecânica envolvida na
de da força e pela localização de sua trole da aplicação de diferentes movimentação de dois dentes pelo uso
linha de ação em relação ao centro quantidades de momento e de força de dispositivos mecânicos pode ser
de resistência. no braquete, já que não é possível dividida em dois tipos:
Um sistema de forças pode ser re- alterar seus pontos de aplicação. 1 - sistema estaticamente determi-
presentado por um vetor no ponto de Assim pode-se controlar a proporção nado;
aplicação ou por um sistema equiva-
lente no centro de resistência. Dois sis-
temas de forças são ditos equivalen-
TABELA 1
tes quando provocam o mesmo efeito Valores da proporção momento/força, em milímetros,
(FIG. 7). para cada tipo de movimento dentário, segundo BURSTONE.
Tipo de movimento dentário Proporção Momento/Força
Tipos de Movimentos Dentários Translação 10/1
Os movimentos de um corpo esta- Inclinação controlada 8/1
belecem os tipos de movimentos den- Inclinação não-controlada 5/1
tários: Movimento radicular 12/1

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Proporções Momento/Força 2 - sistema estaticamente indeter-
minado.
O sistema estaticamente determi-
nado consiste da aplicação de um bi-
5/1 8/1 10/1 12/1
nário no braquete de um único dente
estabelecendo um sistema de forças em
que é possível se prever com facilida-
de seus efeitos. O sistema de forças es-
taticamente determinado é encontra-
do no uso de dispositivos em que uma
das extremidades é encaixada na
canaleta do braquete, e a outra extre-
midade atua em apenas um ponto de
aplicação de força. Desta forma, só é
Inclinação Inclinação Translação Movimento possível o desenvolvimento de mo-
Não- Controlada Radicular
controlada mento (binário) na extremidade
inserida na canaleta do braquete. A
Tipos de movimento dentário visualização do sistema de forças é
FIGURA 8 - Tipos de movimentos e proporções momento/força. bastante simples (FIG. 9). Outra carac-
terística importante é que o sistema es-
taticamente determinado não altera o
sentido das forças e dos momentos sob
desativação, apenas a intensidade dos
mesmos. Os seguintes dispositivos
mecânicos estabelecem sistemas esta-
ticamente determinados: arco de intru-
são, “cantilever”, arco de extrusão.
O segundo tipo é o sistema de for-
ças estaticamente indeterminado, que
ocorre quando se utiliza dispositivos
que são encaixados nos braquetes em
FIGURA 9 - Sistema de forças estaticamente determinado. suas duas extremidades. Como carac-
terística desse sistema tem-se que du-
rante a desativação do aparelho pode
A B ocorrer mudanças tanto na intensi-
dade como no sentido das forças e
momentos, isto é, a diminuição da
força aplicada não é proporcional à
diminuição do momento.
Nos sistemas de forças estatica-
mente indeterminados são mostra-
dos três desenhos básicos e seus me-
canismos de atuação. Os sistemas de
forças estão representados na FIG.
C 10 e caracterizam as dobras em “V”
e em degrau.
Os dispositivos mecânicos utili-
zados na Técnica do Arco Segmen-
tado que representam este tipo de
sistema são a alça em “T” para re-
tração, a alça para correção radicu-
lar, a barra palatina e o arco lingual,
FIGURA 10 - Mecanismos de ação. A) dobra em degrau. B) dobra em “V” simétrico
entre outros.
(centralizado). C) dobra em “V” assimétrico (descentralizado).

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Acessórios utilizados na TAS como "cantilevers", alças retangulares, palatinas. Podem ser tubos simples de
A TAS não requer uma prescrição alças para correção radicular e alças "T" 0,036" x 0,072" (FIG. 13) utilizados com
específica de braquetes para a aplica- para retração, entre outros. Além destes arcos linguais e barras palatinas, con-
ção de seus princípios. Os conceitos tubos também apresenta um gancho por feccionados com fios redondos de es-
mecânicos podem ser aplicados em cervical e mesial (FIG. 11). pessura 0,032" ou 0,036". Um outro
aparelhos pré-ajustados (“straight- tipo de acessório lingual 0,032" x
wire”)ou mesmo em aparelhos B - Tubos dos primeiros molares infe- 0,032" chamado de braquete "hinge
“edgewise” convencionais com cana- riores cap" de Burstone (FIG. 14) encaixa ar-
letas 0,022” x 0,028”. Entretanto, para Os tubos dos primeiros molares cos linguais e barras palatinas confec-
um melhor aproveitamento do poten- inferiores são duplos e contém uma cionadas com fios quadrados 0,032" x
cial dos dispositivos mecânicos que canaleta principal 0,022" x 0,028" 0,032".
serão apresentados, faz-se necessária (conversível) e um tubo horizontal
a utilização de alguns acessórios, des- auxiliar 0,017" x 0,025" localizado D - Tubos acessórios de Marcotte
critos a seguir: cervicalmente em relação ao princi- Marcotte utiliza na sua clínica
pal. Apresentam ainda um gancho por um segmento de tubo retangular
A - Tubos dos primeiros molares supe- cervical e mesial para apoio de elás- 0,022" x 0,028" de 2mm soldado per-
riores ticos em cadeia e inter-maxilares (FIG. pendicular e centralmente a outro
Os tubos dos primeiros molares 12). segmento de mesmo tamanho e in-
superiores são triplos, contendo uma troduzido no segmento de arco an-
canaleta (conversível) 0,022" x 0,028" C - Tubos linguais terior, entre caninos e incisivos late-
para o arco principal, ou segmento Os tubos linguais são acessórios rais. Estes tubos soldados proporci-
posterior, um tubo acessório 0,017" x geralmente utilizados nos primeiros onam distâncias inter-tubos (seg-
0,025" posicionado para cervical e um molares superiores e inferiores, mas mentos anterior/posterior) maior, o
terceiro tubo de 0,045" por oclusal que também podem ser colocados que possibilita um melhor controle
para a utilização do aparelho extra- nos outros molares. Estes servem de do movimento dos segmentos. Estes
bucal. O tubo auxiliar serve para o apoio para dispositivos ortodônticos tubos são bastante versáteis uma vez
encaixe de dispositivos ortodônticos como os arcos linguais e as barras

FIGURA 11 - Tubo triplo do primeiro FIGURA 12 - Tubo duplo do primeiro mo- FIGURA 13 - Tubo lingual.
molar superior. lar inferior.

FIGURA 14 - Braquete lingual “hinge cap” de Burstone. FIGURA 15 - Tubos acessórios de Mar-
cotte.

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que possibilitam o encaixe de dispo- cos de extrusão, barra palatina, arco apenas um ponto de contato (braço
sitivos ortodônticos em qualquer lingual e aparelhos extrabucais. de alavanca). Com o “cantilever”,
área do arco (FIG. 15). A utilização A fase de fechamento de espaços consegue-se facilmente estimar o
destes tubos viabilizam a aplicação se caracteriza pela utilização de dife- sistema de forças presente em ambas
da TAS com qualquer prescrição de rentes sistemas de forças para as situ- as unidades, considerando o compri-
braquetes “edgewise”. ações em que se necessitam de maior mento do mesmo e a quantidade de
ou menor perda de ancoragem. O fe- força liberada (medida diretamente
Fases do Tratamento pela TAS chamento dos espaços é realizado com com um tensiômetro). Dessa forma
O tratamento pela TAS nem sem- o auxílio de alças em “T” entre os seg- fica menos complexo prever o resul-
pre segue uma sistemática de fases ou mentos com pré-ativações e posicio- tado clínico. O “cantilever” geralmen-
seqüência rígida de tratamento. No namentos específicos para cada caso. te é construído com um segmento de
entanto, descreveremos aqui a seqüên- Não se utiliza a mesma mecânica para fio 0,017” x 0,025” de aço inoxidá-
cia mais utilizada no tratamento orto- todos os casos como na maioria das vel ou de liga de titânio-molibdênio
dôntico. As fases do tratamento estão técnicas. (TMA), podendo conter helicóides
divididas assim: A fase de finalização tem por ob- próximo à extremidade inserida no
1 - Fase inicial: alinhamento e ni- jetivo o detalhamento da oclusão e tubo, o que aumenta a sua flexibili-
velamento intra-segmentar e consoli- dos posicionamentos dentários. Ge- dade. É indicado para se fazer tra-
dação dos segmentos; ralmente é realizada com o auxílio de cionamento, intrusão, inclinação
2 - Nivelamento inter-segmentar; arcos contínuos e elásticos interma- vestibular e lingual de dentes, utili-
3 - Fechamento de espaços; xilares, dependendo da necessidade zando-se o segmento posterior como
4 - Finalização. de cada caso. unidade reativa, além de servir à ver-
A fase inicial se caracteriza pelo ticalização de molares quando algu-
nivelamento e alinhamento intra- 1. Fase Inicial: Nivelamento e ma extrusão é permitida. A ativação
segmentar e tem por objetivo a con- Alinhamento Intra-segmentar deste dispositivo possibilita a libe-
solidação dos segmentos para as fa- e consolidação dos Segmentos ração de forças leves e constantes,
ses seguintes. É nesta fase que se Esta fase se caracteriza pela cor- praticamente sem alteração do sis-
planeja os movimentos dentários reção dos posicionamentos dos den- tema de forças durante a desativa-
mais extensos, e também, a movi- tes que nas fases subseqüentes pode- ção ou movimentação do elemento
mentação de dentes com raízes gran- rão servir de ancoragem. São plane- ativo.
des. As verticalizações de molares, jadas as correções mais extensas de A FIG. 16 mostra as ativações de
os tracionamentos dentários, as cor- posicionamento individual de dentes, um "cantilever" de TMA no canino
reções de giroversões e as correções tais como verticalizações de molares nos sentidos vestibular, intrusivo e
de posicionamento transversal são e caninos, tracionamento de dentes extrusivo. A unidade reativa é com-
feitas nesta fase. Para tanto podem inclusos, correção de giroversões se- posta pelos molares unidos por uma
ser utilizados desde simples segmen- veras e mordidas cruzadas posterio- barra palatina e pelos demais den-
tos de fio até dispositivos mecâni- res, bem como é iniciada a correção tes com exceção do canino, estabi-
cos ativos como “cantilevers”, barra do relacionamento sagital lizados por um arco de fio retangu-
palatina, arco lingual, alças retan- intermaxilar. Serão apresentados nes- lar de aço inoxidável 0,019” x
gulares, alças para correção radicu- te capítulo os modos de ação de dis- 0,025”.
lar e alças em “T” para retração par- positivos ortodônticos como os A FIG. 17 mostra uma situação clí-
cial de dentes. “cantilevers”, a barra palatina, o arco nica muito comum. Na fase de finali-
A fase seguinte (nivelamento inter- lingual, a alça para correção radicu- zação do tratamento o segundo mo-
segmentar) visa a correção da sobre- lar, e a alça retangular. lar superior esquerdo erupcionou em
mordida e a correção dos planos oclu- vestíbulo versão numa situação de
sais. Ao final desta fase os segmentos 1.1 - Dispositivos mecânicos da mordida cruzada vestibular. A corre-
anterior e posterior, direito e esquer- TAS utilizados na fase inicial ção do posicionamento deste dente
do, bem como o relacionamento verti- pelas técnicas convencionais envol-
cal entre as arcadas superior e infe- 1.1.1 - “Cantilevers” veria a colocação de um tubo e o re-
rior deverão estar niveladas entre si. “Cantilever” pode ser definido torno a fios mais flexíveis para o ali-
Nesta fase podem ser usados desde como um segmento de fio ortodôn- nhamento do mesmo, correndo o ris-
arcos contínuos passando pelos seg- tico no qual uma extremidade é co de alterar o posicionamento do
mentos anterior e posterior, até a uti- inserida num braquete ou tubo, en- primeiro molar superior que se encon-
lização de mecânicas separadas ou quanto que a outra extremidade é tra bem engrenado. Com a utilização
combinadas de arcos de intrusão, ar- amarrada numa outra unidade por dos princípios da TAS, um "cantilever"

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construído com fio de TMA 0,017" x para aumentar o comprimento do lizado para gerar a força extrusiva
0,025" e com uma ativação que ge- mesmo de forma a liberar forças necessária. A vantagem deste siste-
rava uma força lingual no dente 27 mais leves e constantes. Observe na ma é que ele libera força extrusiva
foi utilizado. O elemento ativo era o seqüência o bom controle da movi- leve no dente a ser tracionado, pro-
segundo molar a ser lingualizado e mentação desejada. vocando efeitos colaterais mínimos
o elemento de ancoragem era com- A FIG. 18 mostra o acompanha- no bloco de ancoragem e por ser fixo
posto por todos os dentes anteriores mento radiográfico do tracionamen- não depende da colaboração do pa-
aos primeiros molares (inclusive) es- to de um primeiro molar incluso (de- ciente.
tabilizados por uma barra palatina vido a um dente supranumerário). A FIG. 19 mostra um caso clíni-
(0,9 mm) e por um arco retangular Como elemento de ancoragem foi uti- co em que o dente 33 se encontrava
de aço inoxidável 0,019" x 0,025". O lizado o aparelho quadrihélice que incluso. Após a abertura do espaço
"cantilever" foi construído saindo por estava apoiado nos segundo mola- necessário, foi indicada a cirurgia
mesial do tubo do primeiro molar res decíduos. Um "cantilever" foi uti- para colagem de um acessório no

A B A

C D B
FIGURA 16 - Ativações do “cantilever”.

A B C

C D D
FIGURA 17 - Descruzamento de 2º molar. FIGURA 18 - Tracionamento de 1º molar.

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dente incluso para o início do tra- elasticidade do "cantilever". As van- "cantilever" composto construído
cionamento. Neste caso o elemento tagens deste sistema incluem a não com fio TMA 0,017" x 0,025" solda-
ativo era o dente 33 enquanto que sobrecarga dos dentes vizinhos (in- do a ponto em outro segmento de fio
o elemento de ancoragem era com- cisivo lateral e primeiro premolar) de TMA 0,018". Este "cantilever" pos-
posto de todos os outros dentes in- e a possibilidade de escolha do lo- sibilitou uma força extrusiva oblíqüa
feriores estabilizados por um arco cal para onde este dente deve ser necessária para se evitar a reabsor-
rígido além do arco lingual cons- tracionado, evitando assim reces- ção radicular do dente 22. Ao mes-
truído com fio 0,9 mm. Foi utiliza- sões gengivais. mo tempo foi utilizada uma alça re-
do um "cantilever" construído com A FIG. 20 mostra um caso clínico tangular para gerar um momento
fio 0,016" x 0,022" de aço inoxidá- onde o dente 23 se encontrava im- para levar a raiz do dente 22 para a
vel soldado diretamente no arco lin- pactado no ápice radicular do dente mesial. A seqüência radiográfica
gual. A confecção de vários helicói- 22, gerando uma dilaceração na raiz mostra o sucesso do tracionamento,
des serve para gerar forças mais le- do incisivo lateral. O tracionamento que dificilmente seria conseguido de
ves e constantes, aumentando a foi realizado utilizando um outra forma.

FIGURA 19 - Tracionamento de canino incluso.

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1.1.2 - Arco lingual e barra com dimensões de 0,036” x 0,072”. guais são inseridos a fim de se obter
palatina Recentemente, fios quadrados 0,032” o máximo de estabilidade dos seg-
O arco lingual e a barra palatina x 0,032” de TMA e de aço inoxidável, mentos posteriores. Para tanto, fios
são componentes importantes na TAS. pré-contornados, foram desenvolvidos mais rígidos devem ser utilizados
Estes arcos são geralmente utilizados para agilizar a mecânica, devendo ser (0,036” ou 0,032” x 0,032” de aço
conectados por lingual dos primeiros acoplados aos braquetes linguais inoxidável). Alças nas barras palati-
molares. Entretanto, podem ser utili- “hinge cap”. nas de estabilização devem ser evita-
zados nos premolares e nos outros Os arcos linguais podem ser usa- das e os arcos linguais devem ser o
molares quando houver necessidade. dos de duas maneiras distintas: mais curto possível.
Construídos com fios redondos de aço • Reforço de ancoragem - uso pas- A FIG. 21 mostra a aplicação de um
inoxidável ou de TMA, com espessu- sivo. binário na correção da giroversão do
ras de 0,036” (0,9mm) ou 0,032” • Correção do posicionamento dos 2º premolar inferior. Além da eficiên-
(0,8mm) dependendo de sua finalida- molares - uso ativo. cia clínica este sistema praticamente
de, são inseridos nos tubos linguais Quando passivos, os arcos lin- não provoca efeitos colaterais.

FIGURA 20 - Tracionamento de canino impactado (continuação na página seguinte).

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Na FIG. 22 iniciou-se a correção da
giroversão do dente 24 pela utilização
de uma força mesial aplicada por pa-
latino. Após a movimentação mesial
desejada, um binário foi aplicado no
dente.
A movimentação de molares
pode ser conseguida com os arcos
linguais e barras palatinas nos três
planos e de maneira simétrica ou
assimétrica. São utilizados para
este fim, arcos linguais e barras
palatinas construídos com fios mais
flexíveis, podendo haver a incorpo-
ração de alças. Fios de TMA de
0,032” redondos ou 0,032” x 0,032”
quadrados ou ainda, 0,032” de aço
inoxidável são mais indicados para
FIGURA 20 - Tracionamento de canino impactado (continuação da página anterior).
a confecção destes dispositivos ati-
vos. Com um planejamento correto
consegue-se fazer contrações e ex-
pansões, correções de giroversões,
verticalizações unilaterais, distali-
zações assimétricas e correções de
inclinações (torque) simétricas e as-
simétricas. Aconselha-se ao inician-
te obter alguma experiência com uti-
lização de typodont na simulação e
cada tipo de movimento. No treina-
mento é essencial o desenho da geo-
metria inicial, do sistema de força
FIGURA 21 - Correção da giroversão do 2º premolar.

FIGURA 22 - Correção da giroversão do 1º premolar.

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necessário ao movimento desejado
e da observação da movimentação
adquirida.
A correção de mal posicio -
namento de molares geralmente oca-
siona efeitos colaterais difíceis de
serem evitados. Por terem um volu-
me radicular considerável, ao se uti-
lizar um arco contínuo, os dentes vi-
zinhos são eleitos para servirem de
ancoragem podendo ser movimenta-
dos de maneira indesejada. A FIG. 23
mostra uma solução para este pro-
blema utilizando uma barra palati-
na para a correção da giroversão de
um segundo molar superior. O ele-
mento de ancoragem é composto de
todos os dentes superiores com ex-
ceção do dente 27 que é o elemento
ativo. Para a correção foi utilizada
uma ativação em "V" simétrico, se-
melhante à ilustrada na FIG. 24. Ob-
serve que praticamente não houve
efeitos colaterais no molar do lado
oposto e no premolar adjacente ao
elemento ativo.
As FIG. 24 e 26 mostram algumas
ativações de 1ª ordem. A correção de
FIGURA 23 - Correção da giroversão do segundo molar com barra palatina.
giroversões, expansões e contrações de
molares podem ser conseguidas.
A FIG. 25 mostra o primeiro mo-
lar superior esquerdo cruzado. Foi uti-
lizado uma barra palatina com alça
com ativação semelhante a da FIG.
27. O elemento de ancoragem consis-
tiu dos dentes 14, 15 e 16. A abertu-
ra de espaços foi devido ao uso si-
multâneo do aparelho extrabucal nos
molares.

1.1.3 - Alça retangular


A alça retangular pode ser usada
para correção de problemas de primei-
ra e segunda ordens. É confeccionada
com fio 0,017” x 0,025” de aço inoxi-
dável ou TMA. A alça deve ser posici-
onada centralmente em relação ao
dente a ser corrigido e deve ter dimen-
sões que variam de 6 a 7 mm no senti-
do cérvico-oclusal, e de 8 a 10 mm no
sentido mésio-distal. Geralmente é
apoiada no segmento posterior que
serve de unidade de ancoragem.
As FIG. 27, 28 e 29 mostram três FIGURA 24 - Ativação do arco lingual para a correção da giroversão do dente 46.

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FIGURA 25 - Descruzamento de 1º molar.

possibilidades de ativação da alça re-


tangular para a movimentação distal
da raiz do canino. A checagem da po-
sição neutra (só os momentos atuan-
do) permite visualizar se haverá ou
não forças verticais.
A FIG. 30 mostra as dobras de pré-
ativação para a correção de giroversão
de canino. No primeiro exemplo é fei-
ta uma ativação da alça para levar a
distal para fora, com centro de rota-
ção localizado na crista marginal
mesial. No segundo, a ativação para
se obter o giro do canino no mesmo
sentido foi realizada, mas uma força
lingual foi incorporada deixando o cen-
tro de rotação deste movimento na
crista marginal distal.
FIGURA 26 - Ativação do arco lingual para a vestibularização do 46. A alça retangular ainda pode ser
utilizada para se conseguir extrusão
e intrusão de dentes. A FIG. 31 mos-
tra a ativação realizada para a obten-
ção da extrusão do canino superior
direito.
Na FIG. 32 está exposto um caso
clínico em que um movimento no ca-
nino superior esquerdo no sentido ex-
trusivo e da raiz para distal.
Se um arco contínuo tivesse sido
colocado, provavelmente o incisivo
lateral vizinho ao dente problema so-
FIGURA 27 - Alça retangular com ativação para distalização radicular e extrusão do
canino. freria movimentos indesejados.

Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial - v.5, n.2, p.91-115 - mar./abr. - 2000 103
Utilizando este dispositivo mecâni- 0,025". A FIG. 36 ilustra a ação da alça
co da TAS não houve a necessidade Um tubo de Marcotte é inserido no para correção radicular. Trata-se de
da colagem do acessório no incisi- arco de estabilização para o encaixe um paciente adulto com perda dos
vo lateral e o bloco de ancoragem da alça para correção radicular. dentes 36 e 46 que apresentava incli-
para esta movimentação foi com- Uma ativação em "V" simétrico é nações mesiais dos dentes 37 e 47.
posto pelos dentes posteriores su- realizada como indicada na FIG. 35, Forças extrusivas não poderiam ocor-
periores unidos por uma barra pa- com objetivo de verticalizar o molar rer, uma vez que o relacionamento de
latina. sem gerar forças extrusivas. molares era de Classe II completa e a

1.1.4 - Alça para correção radi-


cular
As alças para correção radicular
são segmentos de fio 0,017” x 0,025”
de TMA ou aço inoxidável a serem en-
caixados entre os segmentos anterior
e posterior para movimentar as raízes
no sentido mésio-distal nos dentes
posteriores e no sentido vestíbulo-lin-
FIGURA 28 - Alça retangular com ativação para distalização radicular do canino sem
gual, de incisivos. Quando o fio de aço força extrusiva.
é utilizado, helicóides de 3mm de diâ-
metro são incorporados nas áreas pró-
ximas ao encaixe nos braquetes e tu-
bos, aumentando a flexibilidade da
alça. Dependendo do tipo de ativação
realizada, forças verticais, intrusivas
ou extrusivas, podem ser geradas no
sistema.
A FIG. 33 ilustra a ativação para
distalização radicular do canino em "V"
simétrico, sem gerar forças verticais. FIGURA 29 - Alça retangular com ativação para distalização radicular e intrusão do
Se a ativação for em "V" assimétrico canino.
forças verticais são geradas, como
mostra a FIG. 34 quando se observa a
posição neutra.
Uma forma de se conseguir a ver-
ticalização de molar sem liberar força
extrusiva está ilustrada na FIG. 35 (ati-
vação em "V" simétrico).
Neste exemplo, todas os outros
dentes, com exceção do dente que se
deseja movimentar, são estabilizados
com um arco retangular 0,019" x FIGURA 30 - Formas de correção da giroversão do canino.

FIGURA 31 - Extrusão do canino.

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FIGURA 32 - Extrusão e verticalização do canino superior.

FIGURA 33 - Alças de TMA para correção radicular dos caninos.

FIGURA 34 - Posições neutras das diferentes ativações.

FIGURA 35 - Alça para correção radicular de aço inoxidável para verticalização de molar.

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FIGURA 36 - Verticalização de molares.

extrusão dos molares inferiores po-


deria ocasionar uma rotação mandi-
bular no sentido horário, dificultan-
do o término do tratamento ou até
condenando o paciente a uma cirur-
gia ortognática não prevista inicial-
mente.
Observe a verticalização dos mo-
lares inferiores com um aumento de
espaço para prótese no lugar dos
dentes 36 e 46, sem haver perda do
controle no sentido anteroposterior
do caso.

2. Nivelamento Inter-Seg-
mentar
O nivelamento entre os segmen-
tos é geralmente realizado com o au-
xílio do arco de intrusão associado, FIGURA 37 - Arco de intrusão.

Rev Dental Press Ortodon Ortop Facial - v.5, n.2, p.91-115 - mar./abr. - 2000 106
ção dos incisivos é requerida reco-
menda-se amarrar o arco de intrusão
no segmento anterior entre os incisi-
vos centrais.
Quando os incisivos se encontram
vestibularizados está indicada a utili-
zação do arco de intrusão de três pe-
ças, que consiste do segmento ante-
rior (quatro incisivos) estabilizados por
um fio 0,021” x 0,025” com uma ex-
tensão distal para o encaixe de dois
“cantilevers” (FIG. 38).
Após a intrusão dos incisivos é fei-
ta a estabilização dos mesmos com um
arco contínuo com desvio nos caninos
e é iniciada a intrusão desses caninos
com dois “cantilevers”.
A inclinação vestibular dos incisi-
FIGURA 38 - Arco de intrusão de três peças. vos pode ser conseguida com a utili-
zação de arcos contínuos ou com ar-
cos de intrusão amarrados numa po-
sição anterior ao centro de resistência
muitas vezes, a aparelhos extrabu- controle, é realizada inicialmente a do segmento anterior. A utilização de
cais, barra palatina, arco lingual, intrusão dos incisivos, seguidos pela fios de liga de níquel-titânio com cur-
"cantilevers", etc. Este nivelamento é intrusão dos caninos, minimizando a va de Spee reversa no arco inferior e
feito tomando por base algumas ca- magnitude das forças utilizadas e evi- acentuada no superior, pode dar um
racterísticas tais como presença de tando grandes forças extrusivas no melhor controle para se evitar a ex-
curvas de Spee incorretas, exposição segmento posterior. O controle da in- trusão dos dentes posteriores.
labial de incisivos superiores, altura clinação dos dentes anteriores é feito Quando a combinação dos movi-
facial ântero-inferior, idade do pacien- amarrando-se o arco de intrusão no mentos é requerida pode-se ligar os
te, entre outras. fio de estabilização do segmento an- caninos ao segmento anterior e colo-
Existem quatro maneiras básicas terior, de forma a direcionar a força car níveis de força vertical maiores no
de se corrigir uma mordida profunda: intrusiva anteriormente, posterior- arco de intrusão. Dessa forma obtém-
1. Intrusão real dos dentes ante- mente ou no centro de resistência des- se alguma intrusão no segmento an-
riores. te segmento. terior e extrusão no segmento poste-
2. Inclinação para vestibular dos O Arco de intrusão utiliza os mes- rior. A extrusão do segmento posteri-
dentes anteriores (intrusão relativa). mos princípios do “cantilever”, com or pode ser conseguida com aparelhos
3. Extrusão dos dentes posteriores uma ativação característica no senti- removíveis com batente anterior, as-
4. Combinação das anteriores . do ocluso-cervical. Pode ser construí- sociado ou não a aparelhos extrabu-
Dessas quatro maneiras, a intru- do com fio 0,017” x 0,025” de TMA cais com tração cervical.
são real dos dentes anteriores com um ou 0,018” x 0,025” de aço inoxidável O caso clínico ilustrado na FIG. 39
bom controle da inclinação é a mais com helicóides. Este arco é preso ao mostra a correção da sobremordida
difícil de ser obtida. Este movimento segmento posterior pelo tubo horizon- profunda em que estava presente ini-
requer aplicação de forças de baixa tal auxiliar dos primeiros molares. A cialmente uma assimetria na sobre-
magnitude e constantes na desativa- parte anterior do arco de intrusão é mordida. Para possibilitar a intrusão
ção. Burstone preconiza a utilização amarrada em um ou dois pontos no dos dentes anteriores inferiores foi
do arco de intrusão entre os segmen- fio de estabilização, não sendo encai- colado um segmento de fio, devido a
tos anterior e posterior com forças le- xado diretamente nas canaletas dos impossibilidade da colagem de bra-
ves e constantes para evitar efeitos braquetes dos dentes anteriores (FIG. quetes.
colaterais no segmento posterior e 37). Quando os incisivos apresentam A vantagem oferecida neste caso é
conseguir a intrusão desejada (80g de inclinações normais é recomendado que pelo fato de se poder escolher os
força para os quatro incisivos superi- atar o arco de intrusão no segmento elementos ativos e de ancoragem, mo-
ores e 50g de força para os incisivos anterior próximo ao terço distal dos vimentos maiores de um lado que do
inferiores). Ainda para um melhor incisivos laterais. Se a vestibulariza- outro podem ser planejados.

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FIGURA 39 - Correção de sobremordida profunda assimétrica.

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3. Fechamento de Espaços feccionadas com fio TMA 0,017" x produzindo forças horizontais por
Após a fase de diagnóstico e pla- 0,025". Estas alças são posicionadas volta de 200g. Acredita-se que essas
nejamento do tratamento ortodôntico centralizadas na distância entre os forças leves facilitem a movimenta-
muitas vezes são necessárias extrações tubos do segmento anterior (entre in- ção dos dentes anteriores e dificultem
dentárias. O fechamento dos espaços cisivo lateral e canino) e do segmen- a dos posteriores devido a sua baixa
das extrações pode ocorrer de três for- to posterior (tubo auxiliar do primei- magnitude. A dobra na parte poste-
mas distintas: ro molar). São dadas dobras de pré- rior da alça produz uma proporção
a) somente retração anterior com ativação (FIG. 40) de forma a simu- momento/força capaz de gerar incli-
controle da unidade de ancoragem de lar um "V" simétrico. nação controlada no segmento ante-
forma que ela não contribua com o fe- Estas alças geralmente são ativa- rior e ao mesmo tempo no segmento
chamento dos espaços (ancoragem das 7mm gerando forças horizontais posterior movimentos de translação
máxima); de aproximadamente 340g. Após a e correção radicular. Por ser mais fá-
b) Combinação de retração anterior desativação de 1mm a perda em in- cil obter inclinação do que translação
e protração dos dentes posteriores (an- tensidade fica em torno de 50 a 60g. ou movimento radicular, a movimen-
coragem moderada); Com este tipo de ativação inicialmen- tação do segmento anterior ocorre de
c) Somente protração dos dentes te são geradas proporções momento/ maneira muito mais significativa que
posteriores, mantendo o segmento força de 7/1 ocasionando inclinações a do segmento posterior. Após o fe-
anterior em posição (ancoragem mí- controladas nos segmentos anterior e chamento dos espaços, alças para
nima). posterior. Com a diminuição da força, correção radicular são utilizadas para
Burstone classificou a ancoragem após certa desativação vai ocorrendo a correção das inclinações axiais dos
requerida em grupos A, B e C de acor- um aumento na proporção momento/ incisivos e caninos. A utilização de
do com a necessidade de ancoragem força gerando movimentos de trans- aparelho extrabucal no período no-
de cada caso ser máxima, moderada lação e posteriormente de correção ra- turno nessa fase geralmente é sufi-
ou mínima, respectivamente. dicular. Após 3mm de desativação é ciente para manter o segmento pos-
Para cada grupo de ancoragem fo- recomendada nova ativação da alça. terior sem perda de ancoragem. A FIG.
ram criados dispositivos mecânicos Este dispositivo mecânico não deve ser 42 ilustra um caso clínico tratado com
com dobras de pré-ativação específi- ativado a cada 3 semanas. este tipo de mecânica.
cos com o objetivo de gerar os siste- O caso clínico da FIG. 41 ilustra o No grupo C de ancoragem é utili-
mas de forças necessários. fechamento de espaços com a alça em zado o mesmo tipo de raciocínio só
Os dispositivos mecânicos utiliza- "T" do grupo B de ancoragem. Neste caso que invertido. A alça fica deslocada
dos no fechamento de espaços pela foram utilizados arcos de intrusão nor- para posterior enquanto que a do-
TAS são alças que não são influencia- mal no arco superior e de três peças no bra de pré-ativação é feita na parte
das pelo atrito entre fios e braquetes. inferior antes do início do fechamento anterior.
As mecânicas que dependem do de espaços. Na fase de finalização arcos Em casos em que há a necessidade
deslizamento dos fios nos braquetes contínuos foram utilizados para um de retração parcial de caninos geral-
geralmente tendem a utilizar forças de maior detalhamento da oclusão. mente esta é feita com o auxílio de al-
grande intensidade, uma vez que par- Para casos onde a ancoragem do ças em "T" centralizadas na distância
te delas são absorvidas pelo atrito en- grupo A é requerida recomenda-se o inter-braquetes (Grupo B). A diferença
quanto outra parte serve para a movi- uso da alça "T" deslocada para ante- na ativação é a necessidade de colo-
mentação. Além disso, forças pesadas rior. Uma dobra de 45 graus é feita cação de dobras de anti-rotação além
favorecem a perda de ancoragem. próxima do tubo do molar, gerando da diminuição na quantidade de ati-
Nos casos de ancoragem do gru- uma geometria em "V" assimétrico. A vação (5mm). O caso clínico da FIG.
po B são utilizadas alças em "T" con- ativação feita nesta alça é de 4mm 43 ilustra a retração parcial dos cani-

FIGURA 40 - Alça “T” de retração: a) sem pré-ativações, b) com dobras de pré-ativação e c) após instalação.

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FIGURA 41 - Fechamento de espaços do grupo B de ancoragem (continuação na página seguinte).

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FIGURA 41 - Fechamento de espaços do grupo B de ancoragem (continuação da página anterior).

nos superiores e inferiores, sem gerar contínuos aos invés dos dispositivos suma importância que conceitos bio-
movimentos de vaivém nos incisivos mecânicos apresentados nos capítulos mecânicos estejam bem claros para
laterais. anteriores. Portanto, mesmo utilizan- que um melhor aproveitamento dos
do uma técnica guiada pelo planeja- aparelhos ortodônticos e ortopédicos
4. Finalização mento dos "sistemas de forças" é ne- possa ser conseguido.
O detalhamento da oclusão, bus- cessário o conhecimento da filosofia Burstone conseguiu de uma ma-
cando o melhor engrenamento e che- da "forma do arco" para a obtenção de neira bastante simples utilizar os
cando os contatos dentários durante resultados finais mais favoráveis. princípios biomecânicos aplicando-os
as excursões mandibulares nos movi- Um exemplo clínico desta fase está em sua técnica. A TAS apresenta van-
mentos funcionais, é realizado com ar- ilustrado na FIG. 41. tagens indiscutíveis quando são ne-
cos contínuos associados ou não a cessárias extensas movimentações
elásticos inter-maxilares. Considerações Finais dentárias ou movimentações de den-
A precisão nos pequenos movimen- No dia a dia do ortodontista a apli- tes com grande volume radicular. A
tos requeridos nesta fase é melhor cação de forças nos dentes para a mo- ancoragem requerida para cada mo-
conseguida com a utilização de arcos vimentação é uma constante. É de vimento dentário planejado é bastan-

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FIGURA 42 - Fechamento de espaços do grupo A de ancoragem (continuação na página seguinte).

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FIGURA 42 - Fechamento de espaços do grupo A de ancoragem (continuação da página anterior).

FIGURA 43 - Retração parcial de caninos (continuação na página seguinte).

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ciente com relação a faltas. A perda
deste controle implica em sobrecorre-
ção muitas vezes desnecessárias ou até
movimentações ocorrendo muito além
do planejado. Isto se deve ao fato de
que as ativações dos dispositivos
ortodônticos são bastante extensas e
mesmo que o paciente não retorne ao
consultório ortodôntico para nova ati-
vação, a movimentação do elemento
ativo continua por vários meses.
A filosofia regida pelo "sistema de
forças" pode ser utilizada associada a
outras técnicas. Para tanto é importan-
te a definição dos elementos ativo e
reativo (de ancoragem) e o conheci-
mento do sistema de forças liberado
FIGURA 43 - Retração parcial de caninos (continuação da página anterior).
pelos dispositivos ortodônticos mecâ-
nicos a serem utilizados.
Como conclusão podemos afirmar
te estudada com o intuito de se evi- radas pelos dispositivos mecânicos que não existe uma técnica ideal para
tar efeitos colaterais indesejados. apresentados. Se por um lado esta ca- todos os pacientes, mas sim situações
Outra característica importante a racterística promove movimentos clínicas que são tratadas com muito
ser ressaltada é a magnitude (forças dentários eficientes e rápidos, por ou- mais facilidade se houver um domínio
leves) e a constância das forças libe- tro requer um controle maior do pa- das duas bases filosóficas existentes.

Abstract
This work presents Burstone’s seg- showing the way in which many orth- Uniterms: Orthodontics; Segmen-
mented arch technique philosophy. The odontic dispositives are used in this ted Arch Technique; Fixed applian-
mechanical principles that are involved technique. A mechanical sequence and ces; Mechanics.
in orthodontic movement are explored clinical cases are presented.

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