Você está na página 1de 52

Governo do Estado do Rio de Janeiro

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Projetos Especiais


Instituto Estadual de Florestas - IEF
Comissão Pró-Parque Estadual
da Serra da Tiririca
Prefeitura Municipal de Niterói
Prefeitura Municipal de Maricá

Programa de Implantação do
Parque Estadual da Serra da Tiririca
- PESET-

1ª VERSÃO

Rio de Janeiro

Abril de 1994
"Aproximamo-nos agora de uma cadeia de montanhas, conhecida como Serra de Inoã. O
selvático espetáculo excedeu de muito tudo quanto a minha fantasia concebera sobre as
grandes cenas da natureza. Entramos num profundo vale, em que a água muito límpida
ora corre sobre um leito de pedra, ora descansa em lagoa tranquila, pouco além de uma
floresta imensa. Por toda a parte, as palmeiras e as magníficas árvores da região se
entrelaçavam tanto com as trepadeiras, que era impossível à vista penetrar aquela
espécie de muralha verdejante"......"Quando atingimos o alto da Serra de Inoã, vimos,
acima das grandes árvores, numerosos papagaios voando aos pares com grande alarido.
Era o papagaio de cabeça vermelha, aí conhecidos como camutanga ou chauá"....."A
serra de Inoã é um braço que se projeta para o mar da altaneira cadeia montanhosa que
corre paralela a costa. Cobrem-na densas florestas, onde existem muitas qualidades
úteis de madeira".....e o" pequeno macaco vermelho conhecido como mariquina"....
"Esse belo animalzinho é aí chamado de sauí-vermelho"....... "Continuando a viagem,
descemos a uma aprazível região campestre e passamos a noite na fazenda Inoã".

Trecho extraído do livro "Viagem ao Brasil" do Príncipe naturalista Maximiliano de Wied


Newied, que narra aspectos da travessia da Serra da Tiririca no ano de 1815, que a época
se chamava Serra de Inoã. O papagaio-chauá e a que se refere o autor é um animal raro
nos dias atuais. Quanto ao sauí-vermelho trata-se do mico-leão dourado. É possível que a
fazenda Inoã, onde Maximiliano se hospedou, seja uma ainda hoje existente em Itaipuaçu,
situada entre a serra da Tiririca e a Pedra de Inoã, que possui um casarão em mau estado.
ÍNDICE
APRESENTAÇÃO
1. INTRODUÇÃO
2. A POLÍTICA DE PARQUES DO IEF E DOS MUNICÍPIOS DE NITERÓI E
MARICÁ
3. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
3.1. Enquadramento Macroambiental
3.2. Enquadramento Macrohidrográfico
4. ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS
4.1. Constituição e Legislação Federal
4.2. Constituição e Legislação Estadual
4.3. Síntese dos Aspectos Conceituauis e Legais
5. SINOPSE DO PESET E ÁREA DE INFLUÊNCIA
5.1. Histórico
5.2. Enquadramento Ecológico
5.3. Características Geobiofísicas
5.4. Inserção Regional
5.5. Problemas
6. PROCEDIMENTOS DE IMPLANTAÇÃO
6.1. Primeira Etapa
6.2. Segunda Etapa
6.3. Terceira Etapa
7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES.
8. BIBLIOGRAFIA

ANEXOS

I. Mapa do Parque
II. Especificações Legais sobre Parques
III. Normas Legais do PESET
IV. Escopo do Estudo de Projeto Básico do PESET
V. Escopo do Plano Diretor de Manejo
VI Croqui das Placas de Sinalização
VII. Referências Bibliográficas Úteis
VIII. Sugestões Relativas ao Manejo da Fauna e Flora

APÊNDICE - Recortes de Jornais


APRESENTAÇÃO

Em 1991, após uma intensa campanha promovida por Ong's de Niterói, Maricá e São
Gonçalo, o Governo do Estado do Rio de Janeiro criou, através da Lei 1901 de 29 de
novembro de 1991, o Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET. Localizado nos
municípios de Niterói e Maricá, o Parque constitui um empreendimento público que se
destina a promover o desenvolvimento daqueles municípios, criando oportunidades de
geração de empregos e renda através do estímulo ao ecoturismo, assim como assegurar a
preservação da biodiversidade local e a perpetuidade dos benefícios indiretos
proporcionados pela natureza, entre as quais se incluem a proteção do solo, encostas e
mananciais e a amenização climática dos bairros do entorno.

Embora tenha sido criado em novembro de 1991, o Parque não pode ainda ser implantado
devido principalmente a carência de recursos disponíveis, e da falta de uma estratégia
objetiva que possibilite a cooperação institucional e a busca de parceiros na iniciativa
privada. Sob este enfoque, a Comissão Pró-Parque Estadual da Serra da Tiririca, preparou
o presente programa, com o objetivo de submeter à iniciativa privada, as Prefeituras de
Niterói e Maricá e as ONG's, uma proposta de planejamento participativo visando a
implantação efetiva do Parque Estadual da Serra da Tiririca e sua operacionalização.
1. INTRODUÇÃO

O presente documento, eleborado pela Comissão Pró-Parque Estadual da Serra da


Tiririca, compreende o Programa de Implantação Parque Estadual da Serra da Tiririca.
Seu conteúdo abrange inicialmente uma exposição sobre o IEF e a política em execução
ou idealizada pelo órgão relacionada a gestão dos Parques Estaduais e a política dos
municípiuos relacionada ao tema. A seguir aborda a localização geográfica do PESET, os
aspectos legais relacionados a categoria Parque e uma sinopse do PESET e de sua área de
influência. Em sequência descreve os procedimentos operacionais para implantação e
apresenta um crograma físico e nove anexos.
2. A POLÍTICA DE PARQUES DO IEF E DOS MUNICÍPIOS DE NITERÓI E
MARICÁ

2.1. A Política do IEF

O Instituto Estadual de Florestas-IEF foi criado pela Lei 1071/86, regulamentada pelo
Decreto 9.763/87. Inicialmente, o IEF era uma autarquia constituida a partir do
Departamento de Recursos Naturais Renováveis da Secretaria de Agricultura e
Abastecimento, do qual herdou os bens móveis e imóveis e seu pessoal. Posteriormente,
em 1988, a Lei 1315, que institui a Política Florestal do Estado do Rio de Janeiro,
autorizou o Poder Executivo a transformar o IEF em fundação, ato consumado pelo
Decreto 11.782/88, que foi alterado mais tarde pelo Decreto 12.014/89.

Sua estrutura básica compreende uma Diretoria de Administração e Finanças, uma


Diretoria de Desenvolvimento e Controle Florestal e uma Diretoria de Conservação da
Natureza. Compete ao IEF, de acordo com artigo 9º, inciso IV da Lei 1315/88 "propor a
criação e administrar as unidades de conservação do Estado do Rio de Janeiro". Esta
incumbência legal é exercida pela Diretoria de Conservação da Natureza, que administra
as unidades de conservação mostradas no quadro abaixo.

Quadro I - Unidades de Conservação Administradas pelo IEF

Denominação Ato Legal de Criação Superfície Localização (Municípios)


(ha)
PE. do Desengano Dec.-Lei 250 de 13/4/70 22.400 Campos, São Fidélis e
Santa Maria Madalena
PE da Ilha Grande Dec.15.273 de 28/6/71 5.500 Angra dos Reis
PE da Pedra Branca Lei 2.377 de 28/6/74 12.500 Rio de Janeiro
PE da Serra da Tiririca Lei 1901 de 29/11/91 (*) Niterói e Maricá
RE de Juatinga Dec. 17.981 de 10/10/92 8.000 Parati
RBA de Guaratiba Dec. 7549 de 20/11/74 2.500 Rio de Janeiro
RB de Araras XXXXXXXXX 1.900 Petrópolis
RF do Grajaú Decreto 1911 de 22/06/78 50 Rio de Janeiro
Notas: PE - Parque Estadual; RB - Reserva Biológica; RE - Reserva Ecológica; RF - Reserva
Florestal; RBA - Reserva Biológica e Arqueológica; (*) - Sem limites definitivos

Para a implantação e gestão de suas Unidades de Conservação, é intenção do IEF


consolidar uma política que se apoie nos seguintes princípios:

 participação das Prefeituras Municipais, da comunidade científica, do setor turístico


privado e da sociedade organizada no processo de implantação e gestão de unidades
de conservação, que se concretize a partir da elaboração conjunta de Planos Diretores
de Manejo e do estabelecimento de conselhos gestores em cada unidade de
conservação;

 tornar as unidades de conservação um instrumento de desenvolvimento econômico do


Estado e dos Municípios, a partir de uma estratégia consistente de inserção regional
que gere emprego e renda;

 obtenção de parceiros na iniciativa privada para a execução de trabalhos conjuntos e a


efetivação de mecanismos que tornem as unidades de conservação auto financiáveis;
 regularização fundiária definitiva e promoção, onde couber, através da articulação com
os órgãos públicos competentes, de projetos de reassentamento urbanos e rurais das
famílias afetadas, prevendo a construção de moradias dignas e, no segundo caso,
também a excecução de projetos de desenvolvimento agroflorestal com cessão de
título de posse;

2.2. A Política de Niterói

Em Niterói, a criação, implantação e gestão de unidades de conservação é uma tarefa da


Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, cujas atribuições encontram-se definidas na
Lei XXXXXXXXXX. Além desta norma legal, diversos instrumentos sobre o assunto
encontram-se estabelecidos na Lei Orgânica e na Lei 1157 de 29/12/92, que instituiu o
Plano Diretor Municipal. Além do PESET, o múnicipio contém várias unidades de
conservação, estando as principais mostradas no quadro abaixo.

Quadro II - Unidades de Conservação de Niterói

Denominação Atos Legais Superfície Subordinação


(ha) Administrativa
Parque Municipal da Pedra do Lei 1254 de 28/12/93 ------- Município
Cantagalo
Parque da Cidade Lei 1157 de 29/12/92 1,5 Município
Área de Relevante Interesse Constituição Estadual, 38.100 Estado
Ecológico da Baía de Art. 266, V
Guanabara
Reserva Biológica de Goethea Ato 11 de 19/3/32 ------- Municipal
Área de Proteção Ambiental das Lei 1157 de 29/12/92 ------- Município
Lagunas e Florestas de Niterói
Área de Especial Interesse Lei 1157 de 29/12/92, Lei ------- Município
Ambiental do Morro da Viração Orgânica, art. 323, VII
AEIA do Morro das Andorinhas Lei 1157 de 29/12/92, Lei ------- Município
Orgânica, art. 323, IX
AEIA da Praia do Sossego Lei Orgânica, art 323, VII ------- Municipal
e Dec. 6106/91
AEIA das Lagunas de Lei 1157 de 29/12/92, Lei -------
Piratininga e Itaipú Orgânica, art. IV e V, Estado e Município
Dec. Est. 7576 de
19/09/84
AEIA da Duna Grande de Itaipú Lei Federal 3924 de
26/07/61, Lei Orgânica, 1 União e Município
arts. 251 e 323, VII
Canto Sul da Praia de Itaipú e Resolução INEPAC n° 25
Ilhas do Pai, da Mãe e da de 27/04/87 ------- Estado
Menina
Ilha da Boa Viagem Lei 1157 de 29/12/92, Lei ------- União e Município
Orgânica, art. 323, VI
Jardim Botânico de Niterói Lei 1157 de 29/12/92, 24, 3 Estado
Dec. Est. 914 de
16/05/1906
Horto de Itaipú Lei 1157 de 29/12/92, 2 Município
Dec.1492/72
AEIA das Praias de Adão e Eva Lei Orgânica, art. 323, ------- Município
III, Lei 827 de 25/06/90
Ilha dos Cardos Resolução INEPAC de ------- Estado
19/06/85

2.3. A Política de Maricá

No município de Maricá, a tarefa de criar, implantar e administrar as unidades de


conservação está a cargo da Secretaria de XXXXXXXXXXXXX, cujas atribuições são
definidas na Lei XXXX.

Quadro III - Unidades de Conservação de Maricá

Denominação Atos Legais Superfície Subordinação


(ha) Administrativa
Área de Proteção Ambiental Decreto Estadual XXXX 486 Estado
(APA) de Maricá
Área de Proteção Ambiental Lei Orgânica, art. 339 (*) Município
(APA) da Serra da Tiririca
Área de Proteção Ambiental Lei Orgânica, art. 339 (*) Município
(APA) da Ilha da Cardosa
Área de Proteção Ambiental Lei Orgânica, art. 339 (*) Município
(APA) da Ponta do Fundão
Área de Relevante Interesse Lei Orgânica, art. 338, II (*) Município
Ecológico do Sistema Lagunar
de Maricá
(*) - Não implantadas
3. LOCALIZAÇÃO E OBJETIVOS

O Parque Estadual da Serra da Tiririca situa-se na Região Sudeste do Brasil, no Estado do


Rio de Janeiro, estando inserido na Região Metropolitana do Município do Rio de Janeiro.
Começa entre as praias de Itacoatiara e Itaipuaçu, extendendo-se entre Niterói e Maricá
até a estrada estadual RJ-106 (Anexo I).

Em Niterói, de acordo com a organização territorial estabelecida pelo Plano Diretor


Municipal, aprovado pela Lei 1.157 de 29 de dezembro de 1992, o Parque insere-se nas
Regiões de Planejamento Leste e Oceânica, ocupando terras dos bairros de Várzea das
Moças, Engenho do Mato, Itaipú e Itacoatiara.

Em Maricá, o Parque abarca terras do Distrito de Inoã, em especial as localidades


(bairros) de Itaipuaçú, XXXXXXXXXX.(Lei de uso do solo)

O acesso a área do Parque se dá pela diverasa vias, sendo as principais a estrada de Itaipú
e a RJ - 106.

O Parque Estadual da Serra da Tiririca tem os seguintes objetivos:

 propiciar um espaço de lazer para a comunidade, bem como possibilitar


odesenvolvimento de atividades científicas, culturais, educativas, turísticas e
recreativas.

 proteger as nascentes e cabeceiras dos rios.

 manter a vazão dos mananciais utilizados pela população e a recarga do lençol


freático, através das infiltrações e deflúvios da serra;

 preservar os animais silvestres da Mata Atlântica, que se árefugiaram na serra devido a


expanção das áreas urbanas circunvizinhas;

 assegurar a integridade das florestas e demais formas de vegetaçãode preservação


permanente, mencionadas no artigo 2º da Lei Federal 4.771/65, existente na serra ,
cuja remoção é vedada, com vistas a contribuir na conservação de um índice mínimo
de cobertura florestal no Estado do Rio de Janeiro;

 conservar amostras representativas da biodiversidade fluminense, constituindo um


banco genético em condições de fornecer propágulos para projetos de arborização e
reflorestamentos ecológicos, bem como para pesquisas científicas.

 proteger a paisagem e seus mirantes.

 assegurar o convívio da população humana com outras formas de vida vegetal e


animal.
 valorizar os municípios de Niterói e Maricá, permitindo o desenvolvimento do turismo
e, por conseguinte, o aumento da arrecadação.

 promover atividades de assistência agrossilvopastoril, com base ecológica, aos


pequenos agricultores que residam nos arredores do Parque.

 promover a continuidade dos serviços ambientais proporcionados pela vegetação, que


trazem benefícios a todos os habitantes.

3.1. Enquadramento Macroambiental

Do ponto de vista macroecológico, podem ser reconhecidos 7 biomas no Brasil, a saber:


Amazônia, Roraima-Guianense, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Mata de Araucária e
Campos do Sul. O Parque Estadual da Serra da Tiririca localiza-se no bioma da Mata
Atlânica, que originalmente era constituído por Florestas e outras formações vegetais que
se extendiam por uma faixa de 3.500 km ao longo do litoral brasileiro. Sua superfície
primitiva alcançava 1.000.000 de Km², abrangendo terras dos estados do Ceará, Rio
Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas
Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul, além de se extender ao Paraguai e a Argentina.

3.2.. Enquadramento Macrohidrográfico

As terras abrangidas pelo Parque, seguindo-se o sistema de classificação adotado pelo


Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica - DNAEE, que segue as regras
definidas na Portaria 447 de 20.4.1976 do Ministério das Minas e Energia, que
regulamentou o Decreto Federal 77.410 de 12.4.76, situam-se na unidade
macrohidrográfica denominada bacia 5 - Bacia do Atlântico Sul, Trecho Leste, que
compreende a área de drenagem dos rios que deságuam no Atlântico Sul, entre a foz do
rio São Francisco, ao norte, e a a divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ao sul.
4. ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS

Este capítulo, com base na legislação federal, estadual e municipal, apresenta uma
descrição dos aspectos conceituais e legais referentes as Unidades de Conservação de uma
forma geral, bem como os que disciplinam a categoria Parque, além de relacionar as
principais normas municipais relacionadas ao uso do solo.

4.1. Constituição e Legislação Federal

A Constituição Federal, em seu capítulo de Meio Ambiente (art. 225, § 1º, inciso III),
determina que "incumbe ao Poder Público definir, em todas as unidades da Federação,
espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a
alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização
que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção". Os espaços
territoriais especialmente protegidos a que se refere a Constituição, são as unidades de
conservação e os espaços protegidos por outras formas legais. De acordo com a
Constituição Federal (art. 225, § 1º, inciso III), uma unidade de conservação só pode ser
suprimida ou alterada por lei, mesmo tendo sido criada por decreto.

A Lei Federal nº 6.938/81, alterada pelas Leis nº 7.804/89 8.028/90, que instituiu a
Política Nacional do Meio Ambiente, estabeleceu como um dos instrumentos para sua
execução "a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder
Público federal, estadual e municipal" (art. 9º, VI). Foi dada também competência ao
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) para "estabelecer normas, critérios e
padrões relativos ao controle e a manutenção da qualidade do meio ambiente, com vistas
ao uso racional dos recursos ambientais, principalmente os hídricos".

Já o Decreto nº 99.274/90 que a regulamentou, dispõe em seu artigo 1º que "na execução
da Política Nacional do Meio Ambiente, cumpre ao Poder Público, nos seus diferentes
níveis de governo proteger as áreas representativas dos ecossistemas mediante a
implantação de unidades de conservação e preservação ecológica", e considera como
infração sujeita a multa (art. 34º): "ferir, matar ou capturar, por quaisquer meios, nas
Unidades de Conservação, exemplares de espécies consideradas raras na biota regional"
(inciso VII); "causar degradação ambiental mediante assoreamento de coleções de água
ou erosão acelerada, nas Unidades de Conservação" (inciso VIII). O mesmo decreto,
através do artigo 7º, inciso X, reitera a competência dada ao CONAMA para "estabelecer
normas gerais relativas as unidades de conservação e as atividades que possam ser
desenvolvidas em suas áreas circundantes".Observa-se assim, que o CONAMA recebeu
uma delegação legal para editar normas gerais sobre unidades de conservação. Exercendo
esta atribuição, o CONAMA, através de sua Resolução nº 011/87, relaciona como
unidades de conservação as seguintes "categorias de sítios ecológicos de relevância
cultural declaradas pelo Poder Público".

a) Estação Ecológica f) Floresta Nacional, Estadual e Municipal


b) Reserva Ecológica g) Monumentos Naturais
c)Área de Proteção Ambiental, especialmente h) Jardins Botânicos
suas Zonas de i) Jardins Zoológicos
Vida Silvestre e os Corredores Ecológicos j) Hortos Florestais
d) Parques Nacionais, Estaduais e Municipais l) Área de Relevante Interesse Ecológico (incluída
e) Reserva Biológica pela Resolução CONAMA nº 12 de 14/12/88)"
A categoria de unidade de conservação denominada Parque foi instituída pelo Decreto
Federal nº 23.793 de 23 de janeiro de 1934, antigo Código Florestal. Nesta mesma época,
era realizada no Brasil a I Conferência para a Conservação da Natureza. Em 15 de
setembro de 1965 foi instituído o novo Código Florestal, Lei nº 4.771, substituindo o
Decreto nº 23.973/34. Seu texto, em especial o artigo 5º, letra a, conceitua a categoria
Parque. O regulamento dos Parques Nacionais foi aprovado pelo Decreto nº 84.017 de 21
de setembro de 1979.

O artigo 5º, letra "a" da Lei nº 4.771/65 afirma que o "Poder Público criará Parques
Nacionais, Estaduais e Municipais com a finalidade de resguardar atributos
excepcionais da natureza, conciliando a proteção integral da flora, da fauna e das
belezas naturais, com a utilização para objetivos educacionais, recreativos e científicos".

Observa-se que o conceito é válido para Parques criados pelas três instâncias de governo.
Ao aprovar o regulamento dos Parque Nacionais, o Decreto nº 84.017/79 estabeleceu nos
parágrafos 1º, 2º e 3º do artigo 1º os seguintes conceitos:

§ 1º - ..... consideram-se Parques Nacionais, as áreas geográficas extensas e delimitadas,


dotadas de atributos naturais excepcionais, objetivo de preservação permanente,
submetidas à condição de inalienabilidade e indisponibilidade no seu todo.

§ 2º - Os Parques Nacionais destinam-se a fins científicos, culturais, educativos e


recreativos e, criados e administrados pelo Governo Federal, constituem bens da União
destinados ao uso comum do povo, cabendo às autoridades, motivadas pelas razões de
sua criação, preservá-los e mantê-los intocáveis.

§ 3º - O objetivo principal dos Parque Nacionais reside na preservação dos ecossistemas


englobados contra quaisquer alterações que os desvirtuem.

Releva mencionar o status de bem de uso comum do povo dado aos Parque pelo Decreto.
Segundo Machado (1992) o "Código Civil Brasileiro previu três tipos de bens públicos: os
de uso comum do povo, os de uso especial e os dominiciais. Diferenciou-os de modo
nítido, pois os dominiciais constituem o patrimãnio da União, dos estados ou dos
municípios como objeto de direito pessoal ou real. Os bens de uso pessoal são destinados
ao serviço público."

O Código Civil, assevera o autor, exemplificou os bens de uso comum do povo


empregando a expressão "tais como". Outros bens poderão ser enquadrados na categoria
bens de uso comum do povo, como foram os parques pelo Decreto nº 84.017/79.

Assim, os parques, ao lado das praças, mares, rios e estradas, são bens de uso comum do
povo e, como tal, inalienáveis.Bens como o mar e os rios são destinados, pela natureza,
para o uso comum. Outros o são pela vontade humana, em conseqüência da vida em
cidades, como as ruas e praças (Machado, 1992). Os parques, sob este ponto de vista,
ocupariam uma situação intermediária.

Como o Estado do Rio de Janeiro não possui regulamento detalhado sobre Parques
Estaduais, serão utilizadas as disposições contidas no Decreto nº 84.017/79 para
especificar as regras básicas de um Parque. Para facilitar a interpretação do Decreto, os
artigos foram reagrupados por assunto, conforme mostrado no Anexo II.
4.2 - Constituição e Legislação Estadual

Há vários dispositivos na Constituição do Estado, promulgada em 05/10/89, que tratam


de assuntos relativos às Unidades de Conservação de propriedade do Estado, além
daqueles que estabelecem determinações gerais relacionadas a questão. Entre os de
interesse, listam-se os seguintes artigos: 32; 73 (III, IV, VI e VII); 74 (VI, VII); 213 (§ 1º,
I, II, III, IV); 224 (§ 2º e § 3º); 226 (§ 1º, § 2º e § 3º); 227 (I e II, alíneas a, b, f, g); 228
(§ 1º, § 2º, § 3º, § 4º e § 6º, I, II e III), 230 ( § 1º e § 2º); 231 (V); 232; 233; 249; 251
(II); 252 (III); 253 (II e III); 258 (§ 1º, II, III e IV); 263 (§ 2º); 265 (I, II, III, IV, V, VI e
VII); 266 (I, II e V); 267; 268; 269; 270; 319 (VIII e IX); 340; 341 (VII); 347 (parágrafo
único); 348 (parágrafo único); 355 (VIII); 356; 357 (§1º e § 2º). No Ato das Disposições
Constitucionais Provisórias, releva mencionar os seguintes artigos : 26, 27 e seus incisos,
39, 43, 44 e 58.

Compete ao Poder Público Estadual, de acordo com o inciso III do artigo 258, "implantar
sistema de unidades de conservação representativo do ecossistema originais do espaço
territorial do Estado". O sistema ainda não foi regulamentado.

O artigo 268 assinala que "a iniciativa do Poder Público de criação de unidades de
conservação, com a finalidade de preservar a integridade de exemplares dos
ecossistemas, será imediatamente seguida dos procedimentos necessários a
regularização fundiária, demarcação e implantação da estrutura de fiscalização
adequadas." Com relação as unidades de conservação já existentes, merece destacar as
seguintes determinações contidas no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:

"Art. 26 - No prazo de doze meses, o Poder Público dará execução plena aos planos
diretores das áreas de proteção ambiental e dos parques estaduais, assegurada a
participação dos poderes públicos municipais e de representantes das associações civis
locais que tenham como objetivo precípuo a proteção ambiental."

"Art. 27 - A contar da promulgação desta lei, o Estado promoverá, no prazo máximo de


dois anos:

II - a conclusão da demarcação e, quando couber, a regularização dos planos


diretores, a implantação de estruturas de fiscalização adequadas e a averbação no
registro imobiliário das restrições administrativas de uso das áreas de relevante
interesse ecológico e das unidades de conservação."

O prazo para a execução desta tarefa, portanto, expirou em 5 de outubro de 1991. O


Parque Estadual do Serra da Tiririca foi incluído no Edital de tombamento do Sistema
Orográfico Serra do Mar/Mata Atlântica, publicada no DORJ de 6 de março de 1991. O
memorial descrito deste edital está sendo revisto pelo IEF, dentro das atividades de
criação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Encontra-se em vigor a Deliberação CECA nº 17 de 16 de fevereiro de 1978, que


estabelece definições sobre as categorias de Unidade de Conservação do Estado. Este
diploma legal descreve o objetivos, a definição, as considerações básicas e as exigências
mínimas para um Parque Estadual, no tocante a proteção jurídica, a dimensão, a utilização
e ao manejo.

Os dispositivos legais peculiares ao PESET que estão em vigência são a Lei 1901/91, o
Decreto 18.598/93 e a Resolução SEMAM nº 72/93.
4.3. Sintese dos Aspectos Conceituais e Legais

O PESET constitui uma unidade integrante da Administração Pública do Estado do Rio de


Janeiro, estando subordinado ao Instituto Estadual de Florestas - IEF, órgão da Secretaria
de Estado do Meio Ambiente e Projetos Especiais.

Criado pela Lei 1901 de 29/11/91 o Parque‚ é considerado um bem público destinado ao
uso comum do povo, de acordo com o artigo 66, inciso I da Lei Federal 3.071 de 1 de
dezembro de 1916 (Código Civil). Além das normas mencionadas, seu regime legal se
apóia nos seguintes diplomas:

Federais

 Constituição Federal, artigo 225, Parágrafo 1º, inciso III;

 Lei Federal 4771 de 15 de setembro de 1965, artigos 5º, letra a, Parágrafo único e 26º,
letra d (Código Florestal);

 Decreto Federal 84.017 de 21 de setembro de 1979 - Aprova o Regulamento dos


Parques Nacionais;

 Resolução CONAMA 011/88 - Dispõe sobre os procedimentos administrativos a


serem seguidos em unidades de conservação atingidas por fogo, bem como na
realização de ações preventivas;

 Resolução CONAMA 013/90 - Estabelece normas inerentes ao entorno de unidades


de conservação;

Estaduais

 Constituição do Estado do Rio de Janeiro (Diversos dispositivos);

 Decreto 9.760 de 11 de março de 1987 - Regulamenta a Lei 1.130/87 e define as


normas para uso e ocupação do solo a que deverão submeter-se os projetos de
parcelamento e desmembramento.

 Lei Estadual 1.315 de 7 de junho de 1989 - Dispõe sobre a Política Florestal;

 Deliberação CECA nº 17 de 10 de fevereiro de 1978 - Dispõe sobre as Categorias de


Áreas Protegidas..

 Decreto 18.598 de 19 de Abril de 1993 - Dispõe sobre os limites da área de estudo


para a demarcação do perímetro definitivo do Parque Estadual da Serra da Tiririca.

 Resolução SEMAM nº 72 de 22 de março de 1993 - Institui a Comissão Pró-Parque


Estadual da Serra da Tiririca
Municipais
 Lei Orgânica de Niterói de 4/4/90, art. 232, I e art. 18 do Ato das Disposições
Transitórias - declara a serra da Tiririca como Área de Preservação Permanente

 Lei 1.157 de 29 de dezembro de 1992 - Institui o Plano Diretor de Niterói

 Decreto Municipal 5.902/90 - Declara a Serra da Tiririca como área de preservação


permanente

 Lei Orgânica de Maricá de 5/3/1990, art 339.

 Lei de Uso do Solo de Maricá xXXXXXXXXX

Os principais diplomas legais relacionados ao PESET integram o anexo III.


5. SINOPSE DO PESET E ÁREA DE INFLUÊNCIA

5.1. Histórico

As ações para proteção da Serra da Tiririca tiveram início em meados da década de 80, a
partir de iniciativas solitárias de um morador de Itaipuaçú, o professor da UFF Cláudio
Martins, e do biólogo e professor Jorge Antônio Pontes, morador de São Gonçalo, tendo
este último fundado em 1986 o Clube de Conservação da Natureza e Exploração
Suçuarana - CNES, que constitui a primeira entidade a promover uma campanha em favor
da proteção da Serra. Em 1987, Pontes publicou no Boletim da Fundação Brasileira para a
Conservação da Natureza - FBCN, um artigo intitulado "Serra da Tiririca, RJ: necessidade
de conservação".

No início da 1989, moradores de Itaipú, tendo a frente o biólogo Paulo Carvalho Filho,
denunciaram a Prefeitura de Niterói um desmatamento na Serra da Tiririca. Fiscais da
Prefeitura, em conjunto com o Batalhão Florestal e membros da FEEMA, da Federação
das Associações de Moradores de Niterói - FAMNIT e da Associação de Moradores de
Itaipú, que estavam reunidos na sede da Prefeitura Distrital da Região Oceânica, foram ao
local e conseguiram flagrar o desmatamento, interrompendo-o. A Prefeitura de Niterói,
constatando diversas irregularidades na planta, cancelou o projeto do condomínio.

Este episódio, amplamente divulgado na imprensa, impulsionou a criação de uma


campanha pela proteção da Serra, tendo sido criado ainda em 1989 a "Frente Tiririca",
integrada por entidades ambientalistas com o CNES, a FAMNIT, a Federação das
Associações de Moradores de Maricá - FAMAR, a Associação Fluminense de
Engenheiros e Arquitetos - AFEA, o Partido Verde e moradores sem vínculos
associativos.

A Frente Tiririca patrocinou discussões e eventos para atrair a atenção pública para a
defesa da Serra da Tiririca, chegando a apresentar um documento sobre o assunto ao IEF.
Infelizmente, a Frente Tiririca deixou de existir no início de 1990. Em novembro de 1989,
várias pessoas que faziam parte da Frente Tiririca, juntamente com membros do CNES,
fundaram o Movimento Cidadania Ecológica - MCE, tendo como um dos objetivos dar
continuidade e fortalecer a campanha.

No mês seguinte, o MCE formou um grupo de trabalho para a preparar uma proposta
fundamentada para proteção da Serra da Tiririca. O estudo abrangeu a utilização gratuita
de um avião particular para sobrevôo, caminhadas de reconhecimento a pé e de carro,
fotografias, consulta a literatura técnica e uma análise da legislação federal., estadual e
municipal. Finalizado ainda em 1989, o documento recebeu o título de "Serra da Tiririca:
Proposta de Uso e Proteção - Plano de Trabalho", e foi submetido no início de 1990 a
uma empresa privada para obter financiamento.

Durante o ano de 1990, o MCE promoveu e participou de diversas atividades, a saber:


atuou no processo de elaboração da Lei Orgânica de Niterói, promulgada em 4 de abril de
1990, no qual se conseguiu aprovar um artigo de autoria do MCE, que declarou a Serra
da Tiririca como área de preservação permanente; auxiliou o Superintendente de Meio
Ambiente da Prefeitura de Niterói na preparação do Decreto 5.902/90, que estabeleceu o
polígono da área de preservação permanente; patrocinou diversas caminhadas ao topo da
Serra da Tiririca, conseguindo veicular a campanha em jornais como "O Globo", "O
Fluminense" e "Jornal do Brasil", realizou de gestões junto ao Governo do Estado para
inclusão da Serra da Tiririca no ato de Tombamento da Serra do Mar/Mata Atlântica,
participou do evento "Terra e Democracia" e promoveu festas em bares e ao ar livre,
incluíndo uma que lotou a praia de Camboinhas no verão.

Em Maricá, o trabalho da Associação de Moradores e Amigos do Recanto de Itaipuaçu


junto a Câmara de Vereadores, proporcionou que a Serra da Tiririca fosse declarada como
área de proteção ambiental pela Lei Orgânica de 5/3/1990.

Em decorrência do Plano Collor, a iniciativa de obter recursos da iniciativa para o projeto


de proteção da Serra não foi bem sucedida. Tendo em vista este fato, o MCE mudou de
estratégia e, a partir da revisão do documento existente, produziu um novo que recebeu o
título de "Exposição de Motivos para a Criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca",
no qual foram anexados mapas, fotografias, abaixo assinado, parecer do Jardim Botânico
sobre a flora local e uma minuta de projeto-de-lei. No final de 1990, o MCE sobmeteu o
projeto a apreciação da Assembléia Legislativa.

Monitorando a tramitação do projeto-de-lei na Assembléia Legislativa, o MCE passou a


enfatizar a necessidade de criação de um Parque Estadual. Assim, em janeiro de 1991, o
MCE e a Associação de Moradores e Amigos do Recanto de Itaipuaçu, com apoio do
IEF, organizaram um Encontro Pró-Parque Estadual da Serra da Tiririca em Itaipuaçu..

Em 4 de abril de 1991, é publicado no Diário Oficial do Poder Legislativo o projeto-de-lei


34/91, que dispõe sobre a criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Dando
continuidade a campanha, o MCE voltou a promover caminhadas na Serra, conseguindo
colocar a Serra da Tiririca na primeira página da edição dominical do Jornal do Brasil de
10/3/91, e em programas de televisão como o "Globo Ecologia" (8/9/91) e "Jornal da
Manchete Edição Nacional".

Em 29 de novembro de 1991, após ser aprovado pela Assembléia Legislativa, o projeto-


de-lei 34/91 foi sancionado pelo governador Leonel Brizola, transformando-se na Lei
1901/91. Estava criado o Parque Estadual da Serra da Tiririca após cerca de dois anos e
meio de campanha.

De novembro de 1991 até o início de 1993, devido a carência de recursos financeiros,


dificuldade de alocar funcionários do IEF para as atividades esclusivas de implantação do
Parque e a realização da RIO-92, as medidas executadas pelo IEF se restringiram ao
reforço na fiscalização da área.

Fato relevante ocorreu em dezembro de 1992 quando, através da Lei Municipal 1.157 que
institui o Plano Diretor de Niterói, a parte niteroiense da Serra passou a ser considerada
com "Área de Especial Interesse Ambiental".

Em 22 de março de 1993, foi instituida a Comissão Pró-Parque Estadual da Serra da


Tiririca através da Resolução SEMAM nº 72, presidida pelo Diretor de Conservação da
Natureza do IEF. A Comissão conta com 12 membros, dela participando representantes
da sociedade civil, das Prefeituras de Niterói e Maricá e de diversos órgãos do Estado.

No mês seguinte, tendo por base um estudo entregue ao IEF pelo Movimento Cidadania
Ecológica, foi baixado o Decreto 18.598 de 19 de abril de 1993, dispondo sobre os limites
da área de estudo para a demarcação do perímetro definitivo do Parque Estadual da Serra
da Tiririca.

A instalação da Comissão Pró-Parque Estadual da Serra da Tiririca ocorreu em XXXXX.


Desde esta época, a Comissão já se reuniu por XX vezes, deliberando sobre os seguintes
assuntos:
Faltam informações dos seguintes documentos:Documentos da Frente Tiririca, Ação na
Justiça do Petersen, A Atuação do Movimento Ecológico de Itaipuaçu (quando foi
fundado e as atividades que desenvolveu), Documentos do Omar

Em fevereiro de 1994, o IEF solicitou ao Movimento Cidadania Ecológica a colaboração


para elaborar um Programa de Implantação da Serra da Tiririca, cuja primeira versão, que
constitui este documento, foi concebida a partir da minuta elaborada pelo MCE.

5.2. Enquadramento Ecológico

O Parque Estadual da Tiririca insere-se no bioma da Mata Atlântica. A superfície original


do bioma da Mata Atlântica foi durante muito tempo objeto de controvérsia entre os
cientistas. De fato, foi a partir dos estudos do Consórcio Mata Atlântica, iniciados na
segunda metade da década de 80 e da entidade civil SOS Mata Atlântica que passou a
existir um consenso sobre o assunto. Trabalho fundamental neste sentido foi o "Atlas dos
Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica", publicado em 1990 pela SOS
Mata Atlântica, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e IBAMA, produzido na
escala 1:1.000.000 a partir de imagens de satélite.

O espaço geográfico do bioma Mata Atlântica, como resultado daqueles estudos, passou a
ser considerado como o constituido pelas áreas primitivamente revestidas por diversos
ecossistemas florestais especificados no Mapa de Vegetação do Brasil, publicado pelo
IBGE em 1988, e ainda pelos ecossistemas associados, a saber (Câmara, 1992):

 Ecossistemas Florestais: Florestas ombrófilas densas e mistas, Florestais estacionais


decíduas e semidecíduas, Matas de encostas e topos de serras nordestinas ("chãs" e
"brejos").

 Ecossistemas associados: mangues, vegetação de restinga e das ilhas oceânicas,


encraves de cerrado, campos e campos de altitude

A Mata Atlântica originalmente estendia-se por uma faixa de 3.500 km ao longo do litoral
brasileiro, desde a costa leste do Estado do Rio Grande do Norte, até o norte do Estado
do Rio Grande do Sul. Na metade setentrional dessa extensão, a Mata Atlântica
apresentava-se numa faixa costeira relativamente estreita, mas do sul da Bahia para o sul e
para oeste, ela alargava-se progressivamente, atingindo o sul de Mato Grosso do Sul e
Goiás, o leste do Paraguai e o extremo nordeste da Argentina.

Fora daí, ela possuía numerosas ocorrências na forma de manchas e matas de galeria (ou
mata ciliar) no sul, centro e nordeste. Sob a configuração de mata de galeria, ela adentrava
a caatinga, o cerrado e o pampa gaúcho, sempre acompanhando os cursos d'água em
faixas que variavam de poucos metros até centenas de metros, raramente ultrapassando
em quilômetro. No interior da caatinga, as matas ciliares são sempre estreitas. Em forma
de manchas, também chamadas de capão, encontrava-se a Mata Atlântica disseminada
pelo Brasil Central, Sul e nas serras nordestinas, onde é chamada pelo povo
pernambucano de "brejos" ou chãs.

O Bioma da Mata Atlântica constitui em síntese uma grande região outrora coberta
predominantemente por florestas, que ocupa terras dos estados do Ceará, Rio Grande do
Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais,
Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul, além de se extender ao Paraguai e a Argentina

Primitivamente, a Mata Atlântica cobria pouco mais de 1 milhão de km² (12% do


território nacional), sendo então o terceiro maior bioma do Brasil, suplantado apenas pela
Floresta Amazônica e pelo Cerrado. A antiga continuidade da mata foi perdida, e hoje, ela
se resume a fragmentos isolados de diversos tamanhos que, somados, perfazem cerca de
8,8% (35.000 km²) de sua cobertura original (Fundação SOS Mata
Atlântica/INPE/IBAMA, 1990) ou 5% (Consórcio Mata Atlântica, 1992). Estudos
concluidos em 5 estados revelam a seguinte situação:

Quadro II- Desmatamento da Mata Atlântica.

Estado Rio de São Paulo Espírito Paraná Santa


Janeiro Santo Catarina
Desmatou (ha) 30.579 61.720 19.212 144.240 99.412
Em relação ao que 3.26 3.44 4.56 8.76 6.11
havia em 1985 (%)
Restaram (ha) 896.234 1.731.472 403.392 1.503.098 1.527.794
Em relação a área do 20.97 7.17 8.74 7.73 16.25
Estado (%)
Fonte: SOS Mata Atlântica

Em termos de biodiversidade, destacam-se os seguintes aspectos:

 das 10.000 espécies vegetais que ocorrem na Mata Atlântica, cerca de 50% são
endêmicas, isto é, só existem no bioma (Myers, 1988)
 estima-se a presença de 2.500 espécies de árvores, sendo que 54 % deste total são
endêmicas (Coimbra Filho, 1984, Fonseca, 1985) e, dentre as bromélias, palmeiras e
outras epífitas o índice alcança 70% (Consórcio Mata Atlântica, 1992)
 cerca de 51(39%) das 131 espécies de mamíferos são endêmicas (Mittermeier, 1986)
 entre as aves, pelos menos 146 espécies e 68 subespécies são endêmicas (Cracraft,
1985)
 171 das 202 espécies de animais brasileiros ameaçados de extinção ocorrem no bioma
(Consórcio Mata Atlântica, 1992)

Segundo Mariano(1989), apesar da Mata Atlântica ser muito exuberante e diversificada,


em certos trechos podendo apresentar-se mais rica e variada que a própria floresta
amazônica, pouca atenção tem sido dada ao seu conhecimento científico.
Estimativas dão conta que o Estado do Rio de Janeiro possuía por volta de 1500, uma
cobertura florestal em 97% de seu território. Em 1958 eram 25%, passando para 15% em
1979 e 13% em 1982 (Magnanini, 1983). Dados mais recentes publicados pela Fundação
S.O.S MATA ATLÂNTICA, obtidos a partir da análise de imagens de satélite entre 1985
e 1990, mostram que o Estado perdeu, neste período, 30.579 ha de florestas, o que
equivale a destruição de um campo de futebol por hora.

O Atlas sobre a Evolução da Cobertura Florestal do Rio de Janeiro mostra ainda que
restavam em 1990 cerca de 896.324 ha de florestas, correspondendo a 20,97% da
superfície do Estado.

Em suma, dos 1.000.000 de km2 da cobertura original da Mata Atlântica, o Estado do Rio
detinha 42.006 km2 (97% da área do Estado), o que correspondia a 4,2% da superfície
total do bioma. Dos 5% que hoje restam, o que totaliza 50.000 km2, o Estado abriga
8.963,240 km2, o que equivale a 18% ou quase 1/5.

5.3. Características Geobiofísicas

As feições geológicas da Serra da Tiririca remontam a tempos pré-cambrianos, sendo


fruto de uma granitogênese provocada no decurso de um choque da placa tectônica
americana com a africana, no ciclo brasiliano, há cerca de 680-600 milhões de anos. Seu
embasamento rochoso é uma exposição de gnaisses facoidais de fácies sintectônicas da
"Suíte Intrusiva Serra dos Órgãos" (Brasil, 1983)

Estas rochas originaram, por decomposição, solos predominantemente rasos. As


partículas minerais, transportadas pela ação das chuvas, por ventos e, principalmente, por
processos gravitacionais, depositaram-se nas rampas menos íngremes ou acumulararam-se
em frestas dos paredões rochosos. Os solos são básicamente podzolicos vermelho amarelo
álico, podzólico vermelho escuro eutrófico, litossolo (Brasil, 1983) e formações turfosas.

A Serra da Tiririca pertence a unidade geomorfológica de "Colinas e Maciços Costeiros",


caracterizada por possuir textura fraturada e dobrada e apresentar pães-de-açucar e serras
orientadas. Apresenta também blocos falhados basculados para o norte, cujas encostas
convexas expõem diáclases curvas (Brasil, 1983). A Serra da Tiririca é constituida por um
conjunto de elevações denominadas Costão (217 m), Alto Mourão (369 m), e pelos
Morros do Elefante (412 m), do Telégrafo (387 m), da Penha (128 m), do Cordovil (256
m), da Serrinha (277 m) e do Catumbi (344 m). .

Nascem na Serra os rios Várzes das Moças e do Ouro, que são formadores do rio Aldeia,
que pertence a bacia da Baía de Guanabara; assim com alguns afluentes do rio João
Mendes, o córrego da Tiririca e a vala de Itacoatiara, que integram a bacia da laguna de
Itaipú; o rio Inoã, contribuinte da laguna de Maricá e vários cursos que deságuam no canal
da Costa, dentre as quais se destaca o rio Itaocaia.

A cobertura vegetal, segundo Pontes (1987), mesmo não possuindo as características de


uma formação primária de Mata Atlântica, apresenta nos trechos mais elevados porções
significativas de matas em bom estado. Básicamente, a Serra é revestida por matas
secundárias em vários estágios de sucessão, vegetação de costão rochosos e bananais e,
em pequena escala, por pastagens. Embora existam poucos estudos botânicos
abrangentes, acredita-se que a vegetação da Serra possua uma flora composta
majoritariamente por espécies nativas da Mata Atlântica. Cabe mencionar o registro da
massaranduba (Manilkara subsericeae), palmito (Euterpe edulis), ipê-amarelo (Tabebuia
sp), figueira da terra (Dorstenia arifolia) e o monjolo (Newtonia contorta) entre outros.
Estudos desenvolvidos pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro realizados na região do
Alto Mourão obtiveram resultados de grande interesse e valor científico. Cerca de 350
espécies vegetais pertencentes a 100 famílias foram identificadas, sendo a maioria de
ocorrência a Mata Atlântica.

Diversas plantas raras foram reencontradas, entre as quais se incluem Erythroxylum


frangulifolium, Simira sampaiona, Croton urticaefolium, Solanuam jurici, Astronium
glaziovii, Wildbrandia glaziovii, Picrammia grandifolia e Poutenia psamophylla.

De acordo com estudos da PMN/UFF/FEEMA (1992), nas encostas do córrego da


Tiririca ou dos Colibris (Morro do Telégrafo), a flora é composta de urucuranas
(Hieronyma alchorneoides), tapiá-mirim (Alchornea triplinervea), cajá (Spondias
macrocarpa), paineira (Chorisia crispifolia), chichá (Sterculia apoetala), jacaré
(Piptadenia sp), fruta-de-paraó (Allophylus sp), andá-assu (Joannesia princeps),
jequitibás (Cariniana sp), mamica-de-porca (Fagara rhoifolia), carrapeta (Guarea
tuberculata), pau-d'alho (Galesia gorarema), estaladeira (Pachystroma longifolia) e pau-
ferro (Caesalpina ferrea).

Quanto a fauna, poucos dados encontram-se disponíveis, com exceção daqueles obtidos
pelos estudos de Pontes (1987), que vem investigando a região desde 1985. Destacam-se
entre os animais de maior porte até aqui registradas o jaguarundi (Felis yagouarundi), o
cachorro do mato (Cerdocyon thous) e o ouriço caixeiro (Coendou sp). Levantamentos
expeditos realizados pelo Clube de Observadores de Aves (COA) já registraram mais de
130 espécies. Na enseada do Bananal, ocorrem tartarugas marinhas.

5.4. Inserção Regional

Para efeito de melhor compreensão sobre a inserção regional, adota-se aqui,


preliminarmente, três áreas de interesse, a saber:

 áreas de influência direta e indireta


 área potencial de macroinfluência

A área de influência direta consiste na superfície formada pela área do Parque


propriamente dita e por uma área situada no entorno do perímetro do Parque, incluindo a
área especificada no Decreto 18.598 de 19/4/93. A área de influência indireta compreende
os municípios abrangidos pelo Parque

A área potencial de macroinfluência é designada como aquela de onde partiriam a maioria


de seus visitantes, atraídos pelo pleno funcionamento do Parque. Considera-se que que o
Parque atingirá a fase de pleno funcionamento quando estiver com a sua situação fundiária
equacionada, com o Plano Diretor de Manejo em execução e com a infra-estrutura de
administração e serviços instaladas.

A área de influência indireta do PESET compreende os municípios de Niterói, que conta


com um território de 130 Km² e uma população de 416 mil habitantes e Maricá, que
possui uma superfície de 339 Km² e 46,5 mil habitantes.

Pode-se especular a princípio como área potencial de macroinfluência a Região


Metropolitana do Rio de Janeiro, que possui uma população de cerca de 9.600 milhões de
habitantes, o que corresponde a 76,3% do total do Estado.

5.5. Problemas
Os principais problemas do Parque Estadual da Serra da Tiririca são:

 desconhecimento da realidade fundiária

 pouca informação da população em relação ao Parque.

 ausência de placas de sinalização

 a falta de equipe administrativa própria

 não há qualquer base física do Parque.

 ausência de plano diretor de manejo.

5.6. Ong's com Atuação Local

Nos municípios de Niterói, Maricá e São Gonçalo, destacam-se as seguintes Ong's


envolvidas nas ações do Parque Estadual da Serra da Tiririca:

 Niterói: Movimento Cidadania Ecológica, SOS Lagoas, Movimento de Resistência


Ecológica, Caminhantes Independentes, Associação Fluminense de Engenheiros e
Arquitetos, Federação das Associações de Moradores de Niterói, Conselho da
Região Oceânica, Associação dos Moradores de Maravista, Associação dos
Moradores de Itaipú

 Maricá: Movimento Ecológico de Itaipuaçú e Associação de Moradores e Amigos do


Recanto de Itaipuaçu

 São Gonçalo: Univerde.


6. PROCEDIMENTOS DE IMPLANTAÇÃO

A implantação do PESET abrangerá três etapas, cujo escopo é descrito a seguir.

6.1. Primeira Etapa

A primeira etapa compreende a realização de uma articulação institucional e a promoção


de contatos com a sociedade civil e a iniciativa privada, visando estabeler o modelo
organizacional e um cronograma para o desenvolvimento de diversas atividades executivas
de parceria.

Inicialmente, caberá ao IEF designar um funcionário que irá responder pela gerência do
Parque e constituir um acervo da documentação existente sobre a área do Parque, em
poder das Ong's e órgãos públicos, com apoio da Comissão Pró-Parque Estadual da Serra
da Tiririca.

A seguir, através da Comissão, o IEF deverá promoverá contatos com órgãos públicos
listados no quadro abaixo e as Prefeituras dos municípios de Niterói e Maricá, com o
intuito de se estabelecer as bases de uma cooperação institucional. Na ocasião, o
Programa de Implantação do PESET será submetido a apreciação dos referidos órgãos,
para que seja discutida e elaborada uma versão final do mesmo.

Quadro III - Órgãos públicos federais e estaduais e tipos de apoio que poderão
proporcionar

Órgão Público Tipo de Apoio


Furnas Centrais Elétricas levantamento fundiário
Procuradoria do Estado promover a regularização fundiária
Empresa de Assistência Técnica e Extenção desenvolvimento de projetos de apoio agrícola as
Rural - EMATER-RIO comunidades do entorno e de reassentamentos
Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do desenvolvimento de projetos de apoio agrícola as
Rio de Janeiro - PESAGRO comunidades do entorno
Empresa de Obras Públicas - EMOP construção da sede do Parque e outras instalações
Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado do oferecimento de bolsas para pesquisas em
Rio de Janeiro - FAPERJ biodiversidade no Parque
Fundação Centro de Informações e Dados do Rio cessão de dados sócio-econômicos sobre os
de Janeiro - CIDE municípios
Cia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro - execução de projetos de reassentamento urbano
CEHAB
Fundo de Controle Ambiental - FECAM recursos financeiros
Cia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro - execução de estudo sobre potencialidade turística
TURISRIO
Banco do Estado do Rio de Janeiro BANERJ recursos financeiros
Secretaria de Estado de Justiça, Departamento do identificação dos imóveis públicos estaduais em
Patrimônio Imobiliário Niterói e Maricá para reassentamento
Secretaria de Estado de Educação educação ambiental
Elaborada a versão final do Programa, a Comissão deverá promover audiências públicas
em Niterói e Maricá para expor aos segmentos sociais interessados o documento final do
programa e obter sugestões.

6.2. Segunda Etapa

A segunda etapa compreende a elaboração do Estudo de Projeto Básico do PESET, que


constitui um estudo para coletar, processar e sistematizar as informações sócio-
econômicas e ambientais existentes sobre o Parque e as áreas de interesse e delinear as
medidas para sua implantação. As áreas de interese são:

 Área de Estudo: constitui a área especificada no artigo 1º do Decreto 18.598 de 19 de


Abril de 1993
 Área de Influência Direta - compreende a área de estudo e uma faixa ao redor da
mesma, a ser estabelecida pelo estudo de projeto básico com base em critérios sociais
e ambientais

O estudo deverá avaliar ainda aspectos importantes relacionados ao Parque, presentes na


Área de Influência Indireta, que compreende os municípios de Niterói e Maricá e da
Macroárea Potencial de Influência, que é caracterizada pela Região Metropolitana do Rio
de Janeiro.

Para a promoção do Estudo, a Comissão deverá preparar um Termo de Referência, cujo


escopo preliminar é apresentado no Anexo IV, e constituir uma equipe técnica que irá
conduzi-lo, que deverá ser integrada por técnicos do IEF, de uma universidade, das
prefeituras e de órgãos estaduais.

O estudo tem como objetivo:

 propor os limites definitivos do Parque, a serem fixados por decreto


 propor uma estratégia para inserção regional
 estabelecer a estratégia para promover a regularização fundiária e estimar o custo
frente a diversas alternativas de negociação para indenização ou reassentamento
 preparar um diagnóstico ambiental e gerar subsídios para o Plano Diretor de Manejo
• esboçar a estratégia de autosustentabilidade financeira

Ressaltam-se os seguintes aspectos que vem sendo levantados pela Ong's relacionados ao
Parque, e que o estudo deverá considerar nas suas propostas e recomendações:

 Os limites definitivos do Parque deverão incluir o brejo da Penha, situado em


Itaipuaçu, que constitui um refúgio de aves residentes e migratórias, e ainda uma parte
da baixada do córrego dos Colibris (ou da Tiririca), este no lado de Niterói.

 Os posseiros de baixa renda poderão ser contratados como funcionários do Parque


 O estudo deverá indicar os locais mais adequados, em Niterói e Maricá, para serem
transformados em Zonas de Uso Intensivo pelo Zoneamento do Parque, na qual
poderá abrigar camping, praçinha com brinquedos, lanchonete, churrasqueiras,
restaurante, área para pique-nique, sanitário e lava-pratos, anfiteatro ao ar livre,
estacionamento, etc, e em Zona de Uso Especial para instalação de Sede
Administrativa e Centro de Visitantes e os locais propícios para construção de guaritas
e cercas,.

 Se houver necessidade de remanejamento de posseiros e lavradores, estes deverão ser


realocados em terras planas, com solos apropriados e oferta de água, devendo ainda
receber assistência técnica, crédito e título de posse. Para reduzir o custo de eventuais
remanejamentos, sugere-se contactar a prefeitura de Maricá, afim de avaliar-se a
possibilidade de utilizar terrenos da municipalidade para o assentamento.

 Avaliar a reintrodução de jacarés-do-papo-amarelo (Caiman latirostris) e de capivaras


no brejo da Penha e de determinados animais como o veado (Mazama sp), a preguiça
comum (Bradypus variegatus), o macaco-prego e outros nas Matas.

6.3. Terceira Etapa

De posse do relatório do "Estudo de Projeto Básico do PESET", a Comissão definirá as


medidas a serem executadas à nivel estadual e municipal. Dentre estas medidas ressalta-se:

 Envio ao Governador de minuta de Decreto fixando os limites definitivos;


 Preparação do Programa de Regularização Fundiária;
 Definição da Estratégia de Inserção Regional;
 Formulação do Plano Diretor de Manejo;

O Plano Diretor de Manejo será elaborado por uma equipe técnica escolhida pela
Comissão, que deverá ser integrada por técnicos do IEF, de uma universidade, das
prefeituras e dos órgãos estaduais. A Comissão deverá preparar inicialmente um Termo de
Referência, cujo escopo preliminar é apresentado no Anexo V.

Encerrada a elaboração do Plano Diretor de Manejo, a Comissão Pró-Parque da Serra da


Tiririca se extinguirá, sendo substituida por um Conselho Gestor do Parque, cuja
composição e atribuições serão definidas no regimento interno do Parque. A este
Conselho caberá coordenar a execução das atividades previstas no Plano Diretor de
Manejo

7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES.
8. BIBLIOGRAFIA

ABEMA. Brasil 92: Perfil Ambiental e Estratégias. São Paulo, Associação Brasileira
das Entidades de Meio Ambiente/Governo do Estado de São Paulo, 1992. 218 p.

AB'SABER, A.N. Potencialidades paisagísticas brasileiras. Geomorfologia, São Paulo,


55, 1977.

AB'SABER, A.N. Os domínios morfoclimáticos e fitogeográficos do Brasil. USP,


IGEOSP, Orientação 3, São Paulo, 1967:

AB'SABER, A.N. O domínio dos mares da morro no Brasil. Geomorfologia, São Paulo,
2, 1966.

ANDRADE-LIMA, D. Present-day forests refuges in Northeastern Brazil. In: PRANCE,


G.T. Biological Diversification in the Tropics. New York, Columbia University Press.
1982. p. 245-251.

BRASIL. Projeto RADAMBRASIL. Folhas SF 23/24, Rio de Janeiro/Vitória. Rio de


Janeiro, 32: 1-767, 1983.

BRASIL. Comissão Interministerial para a preparação da Conferência das Nações Unidas


sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CIMA). Subsídios Técnicos para a
Elaboração do Relatório Nacional do Brasil para a CNUMAD. Brasília. Versão
Preliminar, 1991.

BRASIL. Comissão Interministerial para a preparação da Conferência das Nações Unidas


sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CIMA). O Desafio do Desenvolvimento
Sustentável: Relatório do Brasil para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento. Brasília, 1992. 204 p.

BROWN Jr, K, S. Biogeografia e Conservação das Florestas Atlântica e Amazônicas


Brasileiras. In: SEMA/IWRB/CVRD. Desenvolvimento Econômico e Impacto
Ambiental em Áreas de Trópico Úmido Brasileiro: a experiência da CVRD. Rio e
Janeiro, Cia Vale do Rio Doce, 1987. p.85-92

CÂMARA, I de G. Plano de Ação para a Mata Atlântica. São Paulo, Fundação S.O.S.
Mata Atlântica, 1992.

CAMPOS, L. F. G. de. Mappa Florestal do Brasil. Rio de Janeiro, Ministério da


Agricultura, Indústria e Comércio, Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil,
Typografia da Diretoria do Serviço de Estatística, 1912. (Edição Fac-similar da Secretaria
de Estado de Meio Ambiente de São Paulo, 1987)

CHAVES, A.F.H.; ZEMBRUSCKI, S.G. e FRANÇA, A.M.C. Introdução. In: CHAVES,


A.F.H.(ed). Geomorfologia da Margem Continental Brasileira e das Áreas Oceânicas
Adjacentes. Rio de Janeiro, PETROBRÁS/DNPM/CPRM/DHN e CNPq, 1979. p.11-23.
(Série Projeto REMAC nº 7)
COIMBRA-FILHO, A. F. Situação da fauna na floresta atlântica. Bol FBCN, Rio de
Janeiro, 19:89-110, 984.

CONSÓRCIO MATA ATLÂNTICA/UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS.


Reserva da Biosfera da Mata Atlântica : Plano de Ação. Campinas, 1992. 2 vols.

CONSÓRCIO MATA ATLÂNTICA/UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS.


1º Seminário Nacional da Reserva da Bosfera da Mata Atlânica. Campinas, 1991.

CONSÓRCIO MATA ATLÂNTICA. Seminário sobre Financiamento Internacional


para a Mata Atlântica. Vitória, 1991.

COSTA, J.P.de O e CORRÊA, F. A Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. São Paulo


em Perspectiva, 6(1-2):106-111, 1992

CRACRAFT, J. Historical biogeography and patterns of differentiation within the South


America avifauna: areas of endemism. In: BUCKLEY, P.A. et al. (ed). Neotropical
Ornitology. Washington, American Ornithologist's Union, 1985. p. 49-84

DIEGUES, A.C.S; CARDOSO, E.S. e LEITÃO, W. Populações litorâneas,


movimentos sociais e ecossistemas da costa brasileira. São Paulo, USP/CEMAR ,
Centro de Cultura marítima, 1992.

FEEMA. Subsídios para Proteção da Serra do Mar no Estado do Rio de Janeiro.


1987.

FONSECA, G.A.B. da. The vanishing Brazilian Atlantic forest. Biol. Conserv., 34:17-34,
1885

FORUM das ONG's BRASILEIRAS. Os Ecossitemas: a Mata Atlântica. In.__. Meio


Ambiente e Desenvolvimento: uma Visão das ONG's e Movimentos Sociais
Brasileiros. Relatório do Forum de ONG's Brasileiras preparatório para a Conferência da
Sociedade Civil sobre Meio Ambiente e Desevolvimento. Rio de Janeiro, 1992. p.96-102.

FUNDAÇÃO S.O.S. MATA ATLÂNTICA/INPE/IBAMA. Atlas dos Remanescentes


Florestais de Domínio Mata Atlântica. Escala 1:1.000.000. São Paulo, 1990.

FUNDAÇÃO S.O.S. MATA ATLÂNTICA. Workshop Mata Atlântica: Problemas,


Diretrizes e Estratégias de Conservação, Atibaia, 1990. São Paulo, Anais da Reunião
Nacional sobre Proteção dos Ecossistemas Naturais da Mata Atlântica, 1990. 64 p..

FUNDAÇÃO S.O.S. MATA ATLÂNTICA. Mata Atlântica. Rio de Janeiro, Ed Index,


1992.

FUNDAÇÃO S.O.S. MATA ATLÂNTICA/INPE/IBAMA. Atlas dos Remanescentes


Florestais de Domínio Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro. São Paulo, 1993.
FUNDREM. Maricá: Plano Diretor. Rio de Janeiro, Fundação para o Desenvolvimento
da Região Metropolitana, 1979.

GOLFARI, L. e MOOSMAYR, H. Manual de Reflorestamento do Estado do Rio de


Janeiro. BD-RIO, 1980. 382 p.

GONZAGA, A.P. et alii. A avifauna da Mata Atlântica. In: SEMA/IWRB/CVRD.


Desenvolvimento Econômico e Impacto Ambiental em Áreas de Trópico Úmido
Brasileiro: a experiência da CVRD.rio e janeiro, Cia Vale do Rio Doce, 1987. p.73-84

IBGE. Geografia do Brasil: Região Sudeste, Rio de Janeiro, 1977

IBGE. Classificação da Vegetação do Brasil Adaptado a um Sistema Universal. Rio


de Janeiro, 1991. 123 p.

MACHADO, P.A.L. Direito Ambiental Brasileiro. 2ª ed. São Paulo, Editora Revista
dos Tribunais, 1989. 478 p.

MAGNANINI, A. et alii. Atlas de Elementos Ambientais do Estado do Rio de


Janeiro. Rio de Janeiro, FEEMA, 1981. 31 p. (Cadernos FEEMA, Série Congressos, 06)

MARIANO, M.C. Mata Atlântica: situação atual da pesquisa e preservação. In: O Meio
Ambiente: sua ocupação e recuperação. Anais do XIII Simpósio Anual da Academia de
Ciências do Estado de São Paulo, Publicações ACIESP, 67:167-146, 1988.

MCE. Exposição de Motivos sobre o Projeto de Lei que Dispõe Sobre a Criação do
Parque Estadual da Serra da Tiririca. s.l., Movimento Cidadania Ecológica, s.d., 20 p.

MCE. Serra da Tiririca: Proposta de Uso e Proteção - Plano de Trabalho. Niterói,


Movimento Cidadania Ecológica, 1989.

MITTERMEIER, R.A. Atlantic forest: now for the goods news. IUCN Bull. 17 (1-3): 30,
1986

MYERS, N. Threatened biotas: "Hotspots" in tropical forests. Environmentalist, 8(3):1-


20, 1988.

NAS. Research Prioritities in Tropical Biology. Washington, Committee on Research


Priorities inTropical Biology, National Academy of Science, 1980. 116p.

PMN/UFF/FEEMA. Diagnóstico Ambiental. Niterói, Prefeitura Municipal de Niterói,


Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente/Universidade Federal Fluminense-
UFF/Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente-FEEMA, 1992.

PONTES, J.A.L. Serra da Tiririca, RJ: necessidade de conservação (1ª Contribuição).


Bol. FBCN, 22:89-94, 1987.
RIO DE JANEIRO.(Estado). Comissão de Estudos para o Tombamento do Sistema Serra
do Mar/Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro. Tombamento da Serra do
Mar/Mata Atlântica. Relatório Final. Rio de Janeiro, 1991. 37 p.

RIO DE JANEIRO.(Estado). Atlas Fundiário do Estado do Rio de Janeiro. Rio de


Janeiro, Secretaria de Estado de Assuntos Fundiários/Instituto de Terras e Cartografia,
1991. 177 p.

USP/UICN/F.FORD. Programa de Áreas Úmidas no Brasil. Inventário das Áreas


Úmidas do Brasil. São Paulo, Universidade de São Paulo,1990
ANEXO I

Mapa do Parque
ANEXO II
Especificações Legais sobre Parques
(com base no Decreto Federal 84.017/79)

Atributos da área a ser transformada em parque

Art. 2º - Serão considerados Parques Nacionais as áreas que atendam às seguintes exigências:possuam um
ou mais ecossistemas totalmente inalterados ou parcialmente alterados pela ação do homem, nos quais as
espécies vegetais e animais, os sítios geomorfológicos e os "habitats", ofereçam interesse especial do ponto
de vista científico, cultural, educativo e recreativo, ou onde existam paisagens naturais de grande valor
cênico.

II - tenham sido objeto, por parte da União, de medidas efetivas tomadas para impedir ou eliminar as
causas das alterações e para proteger efetivamente os fatores biológicos, geomorfológicos ou cênicos, que
determinaram a criação do Parque Nacional;

III - condicionem a visitação pública a restrições específicas, mesmo para propósitos científicos, culturais,
educativos, ou recreativos.

Estudo prévio

Art. 41º - O estudo para criação de Parques Nacionais deve considerar as necessidades do sistema nacional
de unidade de conservação, onde amostras dos principais ecossistemas naturais fiquem preservadas,
evitando-se o estabelecimento de unidades isoladas que não permitam total segurança para a proteção dos
recursos naturais renováveis.

Art. 42º - Propostas para criação de Parques Nacionais devem ser precedidos de estudos demonstrativos
das bases técnico-científicas e sócio-econômicas, que justifiquem sua implantação.

Criação de Parque

Art. 43º - O decreto de criação de Parques Nacionais estabelecerá o prazo dentro do qual será executado e
aprovado o respectivo Plano de Manejo.

§ 1º - Para os Parques Nacionais já criados, o IBAMA providenciará, dentro do prazo máximo de 5


(cinco) anos, a elaboração dos respectivos Planos de Manejo.

§ 2º - O Plano de Manejo sofrerá revisão periódica a cada 5 (cinco) anos, obedecendo-se no entanto o
estabelecido no plano básico.

Plano de Manejo

Art. 5º - A fim de compatibilizar a preservação dos ecossistemas protegidos, com a utilização dos
benefícios deles advindos, serão elaborados estudos das diretrizes visando um manejo ecológico adequado
e que constituirão o Plano de Manejo.

Art. 6º - Entende-se por Plano de Manejo o projeto dinâmico que, utilizando técnicas de planejamento
ecológico, determine o zoneamento de um Parque Nacional, caracterizando cada uma das suas zonas e
propondo seu desenvolvimento físico, de acordo com suas finalidades.
Art. 7º - O Plano de Manejo indicará detalhadamente o zoneamento da área total do Parque Nacional que
poderá, conforme o caso, conter no todo, ou em parte, as seguintes zonas características:

I - Zona Intangível - é aquela onde a primitividade da natureza permanece intacta, não se tolerando
quaisquer alterações humanas, representando o mais alto grau de preservação. Funciona como matriz de
repovoamento de outras zonas onde já são permitidas atividades humanas regulamentadas. Esta zona é
dedicada à proteção integral de ecossistemas, dos recursos genétivos e ao monitoramento ambiental. O
objetivo básico do manejo é a presevação garantindo a evolução natural;

II - Zona Primitiva - é aquela onde tenha ocorrido pequena ou mínima intervenção humana, contendo
espécies da flora e da fauna ou fenãmenos naturais de grande valor científico. Deve possuir as
características de zona de transição entre a Zona Intangível e a Zona de Uso Extensivo. O objetivo geral
do manejo é a preservação do ambiente natural e ao mesmo tempo facilitar as atividades de pesquisa
científica, educação ambiental e proporcionar formas primitivas de recreação;

III - Zona de Uso Extensivo - é aquela constituída em sua maior parte por áreas naturais, podendo
apresentar alguma alteração humana. Caracteriza-se como uma zona de transição entre a Zona Primitiva e
a Zona de Uso Intensivo. O objetivo do manejo é a manutenção de um ambiente natural com mínimo
impacto humano, apesar de oferecer acesso e facilidade ao público para fins educativos e recreativos;

IV - Zona de Uso Intensivo - é aquela constituída por áreas naturais ou alteradas pelo homem. O ambiente
é mantido o mais próximo possível do natural, devendo conter: centro de visitantes, museus, outras
facilidades e serviços. O objetivo geral do manejo é o de facilitar a recreação intensiva e educação
ambiental em harmonia com o meio;

V - Zona Histórico-Cultural - é aquela onde são encontradas manifestações históricas e culturais ou


arqueológicas, que serão preservadas, estudadas, restauradas e interpretadas para o público, servindo à
pesquisa, educação e uso científico. O objetivo geral do manejo é o de proteger sítios históricos ou
arqueológicos, em harmonia com o meio ambiente;

VI - Zona de Recuperação - é aquela que contém áreas consideravelmente alteradas pelo homem. Zona
provisória, uma vez restaurada, será incorporada novamente a uma das zonas permanentes. As espécies
exóticas introduzidas deverão ser removidas e a restauração deverá ser natural ou naturalmente agilizada.
O objetivo geral de manejo é deter a degradação dos recursos ou restaurar a área;

VII- Zona de Uso Especial - é aquela que contém as áreas necessárias à administração, manutenção e
serviços do Parque Nacional, abrangendo habitações, oficinas e outros. Estas áreas serão escolhidas e
controladas de forma a não conflitarem com seu caráter natural e devem localizar-se, sempre que possível,
na periferia do Parque Nacional. O objetivo geral de manejo é minimizar o impacto da implantação das
estruturas ou os efeitos das obras no ambiente natural ou cultural do Parque.

Art. 3º - O uso e a destinação das áreas que constituem os Parques Nacionais devem respeitar a
integridade dos ecossistemas naturais abrangidos.

Art. 25º - O desenvolvimento físico dos Parques Nacionais limitar-se-á ao essencialmente adequado para o
seu manejo.

Art. 30º - A utilização dos valores científicos e culturais dos Parques Nacionais, impõe a implantação de
programas interpretativos que permitam ao público usuário compreender a importância das relações
homem-meio ambiente.

Art. 31º- Para recepção, orientação e motivação do público, os Parques Nacionais disporão de Centros de
Visitantes, instalados em locais designados nos respectivos Planos de Manejo e onde se proporcionará aos
visitantes oportunidade para bem aquilatar seu valor e importância.
Art. 32º - Os Centros de Visitantes disporão de museus, de salas de exposições e de exibições, onde se
realizarão atividades de interpretação da natureza, com a utilização, de meios audiovisuais, objetivando à
correta compreensão da importância dos recursos naturais dos Parques Nacionais.

Art. 33º - Para o desenvolvimento das atividades de interpretação ao ar livre, os Parques Nacionais
disporão de trilhas, percursos, mirantes e anfiteatros, visando a melhor apreciação da vida animal e
vegetal.

Art. 34º - As atividades desenvolvidas ao ar livre, os passeios, caminhadas, escaladas, contemplação,


filmagens, fotografias, pinturas, piqueniques, acampamentos e similares, devem ser permitidos e
incentivados, desde que se realizem sem perturbar o ambiente natural e sem desvirtuar as finalidades dos
Parques Nacionais.

Art. 35º - Sempre que possível, os locais destinados a acampamento, estacionamento, abrigo, restaurante e
hotel, localizar-se-ão fora do perímetro dos Parques Nacionais.

Parágrafo único - Sempre que absolutamente necessária, com o fim de proporcionar ao público maiores
oportunidades de apreciar e de se beneficiar dos valores dos Parques Nacionais, a localização dessas
facilidades dentro dos seus limites, restringir-se-á as Zonas de Uso Intensivo, nas condições previstas no
Plano de Manejo.

Recomendações gerais e vedações

Obras e exploração de recursos hídricos

Art. 8º - São vedadas, dentro da área dos Parques Nacionais, quaisquer obras de aterros, escavações,
contenção de encostas ou atividades de correções, adubações ou recuperação de solos.

Parágrafo único - Nas Zonas de Uso Intensivo ou de Uso Especial, poderão eventualmente, ser autorizadas
obras ou serviços, desde que interfiram o mínimo possível com o ambiente natural e se restrinjam ao
previsto nos respectivos Planos de Manejo.

Art. 9º - Não são permitidas, dentro das áreas dos Parques Nacionais, quaisquer obras de barragens,
hidrelétricas, de controle de enchentes, de retificação de leitos, de alteração de margens e outras
atividades que possam alterar suas condições hídricas naturais.

Parágrafo único - Quaisquer projetos para aproveitamento limitado e local dos recursos hídricos dos
Parques Nacionais, devem estar condicionados rigorosamente ao objetivo primordial de evitar alteraçõe ou
perturbações no equilíbrio do solo, água, flora, fauna e paisagem, restringindo-se ao indicado no seu Plano
de Manejo.

Art. 20º - Toda e qualquer instalação necessária à infra-estrutura dos Parques Nacionais, sujeitar-se-á a
cuidadosos estudos de integração paisagística, aprovados pelo IBAMA.

Art. 24º - É vedada a execução de obras que visem a construção de teleféricos, ferrovias, rodovias,
barragens, aquedutos, oleodutos, linhas de transmissão ou outras, que não sejam do interesse do Parque
Nacional.

Art. 26º - A locação, os projetos e os materiais usados nas obras dos Parques Nacionais devem condizer
com os ambientes a proteger e revestir-se da melhor qualidade possível.

Art. 27º - Só serão admitidas residências nos Parques Nacionais, se destinadas aos que exerçam funções
inerentes ao seu manejo.
§ 1º - As residências concentrar-se-ão nas áreas indicadas no respectivo Plano de Manejo, de preferência
na periferia dos Parques Nacionais e afastadas da Zona Intangível.

§ 2º - O uso de residências nos Parques Nacionais obedecerá à regulamentação própria, a ser estabelecida
quando da aprovação de seu Plano de Manejo.

Sinalização

Art.21º - É expressamente proibida a instalação ou afixação de placas, tapumes, avisos ou sinais, ou


quaisquer outras formas de comunicação audiovisual ou de publicidade que não tenham relação direta com
o programa interpretativo dos Parques Nacionais.

Destino final de lixo

Art. 22º - É vedado o abandono de lixo, detritos ou outros materias, que maculem a integridade
paisagística, sanitária ou cênica dos Parques Nacionais.

Art. 29º - Os despejos, e detritos que se originarem das atividades permitidas nos Parques Nacionais,
deverão ser tratados e expelidos além de seus limites.

Parágrafo único - Sempre que tal medida revelar-se impossível,serão empregados técnicas adequadas, tais
como: aterro sanitário, incineração ou qualquer outra forma de tratamento que torne os detritos inócuos
para o ambiente, seus habitantes e sua fauna.

Fogo

Art. 23º - É expressamente proibida a prática de qualquer ato que possa provocar a ocorrência de incêndio
nas áreas dos Parques Nacionais.

Parágrafo único. O fogo só será usado como técnica de manejo, quando indicado no Plano de Manejo.

Vendas de produtos

Art. 36º - A direção dos Parques Nacionais poderá permitir a venda de artefatos e objetos adequados ás
finalidades de interpretação.

Atividades religiosas, reuniões e outros eventos

Art. 37º - As atividades religiosas, reuniões de associações ou outros eventos, só serão autorizados pela
direção dos Parques Nacionais, quando:

I - existir entre o evento e o Parque Nacional uma relação real de causa e efeito:

II - contribuírem efetivamente para que o público bem compreenda as finalidades dos Parque Nacionais:

III - a celebração do evento não trouxer prejuízo ao patrimãnio natural a preservar.

Equipamentos pessoais dos visitantes

Art. 38º - São proibidos o ingresso e a permanência nos Parques Nacionais de visitantes portanto armas,
materias ou instrumentos destinados a corte, caça, pesca ou quaisquer outras atividades prejudiciais á
fauna e á flora.
Corte, coleta, paisagismo, reflorestamento, eliminação de
plantas exóticas e controle fitosanitário

Art. 10º - É expressamente proibida a coleta de frutos, sementes, raízes ou outros produtos dentro da área
dos Parques Nacionais.

Parágrafo único - A coleta ou apanha de espécimes vegetais só será permitida para fins estritamente
científico, de acordo com projeto a ser aprovado pelo IBAMA, quando seja de interesse dos Parques
Nacionais.

Art. 11º - O abate e o corte, bem como o plantio de árvores, arbustos e demais formas de vegetação só
serão admitidos nas Zonas de Uso Intensivo, Uso Especial e Histórico-Cultural, mediante as diretrizes dos
respectivos Planos de Manejo.

Parágrafo único - Nas Zonas de Uso Intensivo e de Uso Especial, os arranjos paisagísticos darão
preferência á utilização de espécies das formações naturais dos ecossistemas do próprio Parque Nacional,
limitando-se ao mínimo indispensável á utilização de espécies estranhas á região.

Art. 12º - Nas Zonas Intangível, Primitiva e de Uso Extensivo, não será permitida interferência na
sucessão vegetal, salvo em casos de existência de espécies estranhas ao ecossistema local, ou quando
cientificamente comprovada a necessidade de restauração.

Parágrafo único - A necessidade de eliminação de espécies estranhas comprovar-se-á por pesquisa


científica.

Art. 18º - Somente será realizado o controle de doenças e pragas, mediante autorização fornecida pelo
IBAMA, após apreciação de projeto minucioso, baseado em conhecimentos técnicos, cientificamente
aceitos e sob direta supervisão dos respectivos Diretores.

Coleta, aprisionamento, remoção e manejo dos animais

Art.13º - É expressamente proibida a prática de qualquer ato de perseguição, apanha, coleta,


aprisionamento e abate de exemplares da fauna dos Parques Nacionais, bem como quaisquer atividades
que venham a afetar a vida animal em seu meio natural.

Parágrafo único - A coleta ou apanha de espécimes animais só será permitida para fins estritamente
científicos, de acordo com projeto a ser aprovado pelo IBAMA, quando seja do interesse dos Parques
Nacionais.

Art. 14º - É vedada a introdução de espécies estranhas aos ecossistemas protegidos.

Art. 15º - A título de regra geral, o controle da população animal ficará entregue aos fatores naturais de
equilíbrio, incluindo os predadores naturais.

§ 1º - O controle adicional será permitido em casos especiais, cientificamente comprovados, desde que
realizado sob orientação de pesquisador especializado e mediante fiscalização da Administração dos
Parques Nacionais.

§ 2º - É proibido o exercício de caça esportiva ou amadorista no recinto dos Parques Nacionais, ainda que
para efeito de controle da superpopulação animal.

Art. 16º - Os animais domésticos, domesticados ou amansados, sejam aborígenes ou alienígenas, não
poderão ser admitidos nos Parques Nacionais.
Parágrafo único - Em caso de necessidade, poderá ser autorizada, pelo IBAMA, a introdução de
permanência de animais domésticos destinados ao serviço dos Parques Nacionais, observadas as
determinações do respectivo Plano de Manejo.

Art. 17º - Os exemplares de espécies alienígenas, serão removidos ou eliminados com aplicação de
métodos que minimizem pertubações no ecossistema e preservem o primitivismo das áreas, sob a
responsabilidade de pessoal qualificado.

Parágrafo único - Se a espécie já estiver integrada no ecossistema, nele vivendo como naturalizada e se,
para sua erradicação, for necessário o emprego de métodos excessivamente perturbadores do ambiente,
permitir-se-á sua evolução normal.

Reflorestamento, enriquecimento florístico e repovoamento da fauna

Art. 19º - É lícito reintroduzir espécies, ou com elas repovoar os Parques Nacionais, sempre que estudos,
técnico-científicos aconselharem essa prática, e mediante autorização do IBAMA.

Pesquisa científica

Art. 39º - As atividades de pesquisa, estudos e reconhecimento, somente serão exercidas após autorização
prévia do IBAMA, obedecendo sempre os termos da Convenção para Proteção das Belezas Cênicas, da
Flora e da Fauna dos Países da América.

Art. 40º - Autorizações especiais para estudo ou pesquisas somente serão concedidas nos seguintes casos:

I - quando do interesse ao manejo do próprio Parque Nacional;

II - se indispensáveis para dirimir dúvidas biológicas a respeito das espécies dificilmente encontráveis fora
da área protegida.

§ 1º - Não se permitirá a coleta ou apanha de espécimes para formar coleções ou mostruários, exceto
quando de interesse exclusivo do Parque Nacional.

§ 2º - Para obtenção de autorização especial é indispensável que o interessado pertença a instituição


científica oficial ou credenciada, ou que a elas seja indicado.

Sanções

Art. 49º - As pessoas físicas ou jurídicas, que infringirem as disposiç¨es do presente Regulamento, ficam
sujeitas às seguintes penalidades:

I - multa;
II - apreensão;
III - embargo.

Art. 50º - Multa é a penalidade pecuniária aplicada ao infrator pelos fiscais do Parque Nacional e fixada
com bases no Maior Valor de Referência vigente no País.

Art.51º - Apreensão é a captura de armas, munições, material de caça ou pesca, e do produto da infração,
irregularmente introduzidos ou colhidos no Parque.

Art.52º - Embargo é a interdição de obras ou iniciativas não expressamente autorizadas ou previstas no


Plano de Manejo, ou que não obedeçam às prescrições regulamentares.
Art. 53º - Respondem solidariamente pela infração:

I - seu autor material;


II - o mandante;
III - quem, de qualquer modo, concorra para a prática da mesma.

Contribuições

Art. 47º - A visitação e a utilização de áreas de acampamento, abrigos coletivos ou outros nos Parques
Nacionais, ficam condicionadas ao pagamento das contribuições fixadas pelo IBAMA.

Art. 48º - As rendas resultantes do exercício de atividades de uso indireto dos recursos dos Parques
Nacionais, bem como subvenções, dotações e outras que estes vierem a receber, inclusive as multas
previstas neste Regulamento, serão recolhidos ao Banco Nacional de Crédito Cooperativo S/A. - BNCC, a
crédito do IBAMA. O parágrafo único do artigo 5º da Lei 4771, com a redação dada pela Lei 7835 de
13.11.89 assinala que a receita será destinada em pelo menos 50% ao custeio da manutenção e
fiscalização, bem como em obras de melhoria da unidade de conservação.

Estrutura administrativa e regimento interno

Art. 44º - Os Parques Nacionais disporão de estrutura administrativa compreendendo: direção, pessoal,
material, orçamento e serviços.

Art.45º - Os Parques Nacionais serão dirigidos por Diretores designados pelo IBAMA, escolhidos entre
pessoas de reconhecida capacidade técnico-científica no que se refere a conservação da natureza.

Art.46º - O horário normal de trabalho nos Parques Nacionais é idêntico ao fixado para o serviço público
federal, ressalvados os regimes especiais estabelecidos no regimento interno de cada Parque, para atender
a atividades específicas.

Art. 56º - Para cada Parque Nacional será baixado, quando da aprovação de seu Plano de Manejo, um
regimento interno que particularizará situaç¨es peculiares, tendo como base o presente Regulamento.
ANEXO III

Normas Legais do PESET

Estaduais

 Lei Estadual 1.315 de 7 de junho de 1989 - Dispõe sobre a Política Florestal;

 Deliberação CECA nº 17 de 10 de fevereiro de 1978 - Dispõe sobre as Categorias


de Áreas Protegidas..

 Lei 1901 de 29/11/91 - Cria o Parque Estadual da Serra da Tiririca

 Decreto 18.598 de 19 de Abril de 1993 - Dispõe sobre os limites da área de estudo


para a demarcação do perímetro definitivo do Parque Estadual da Serra da Tiririca.

 Resolução SEMAM nº 72 de 22 de março de 1993 - Institui a Comissão Pró-


Parque Estadual da Serra da Tiririca

Municipais
 Decreto Municipal de Niterói 5.902/90 - Declara a Serra da Tiririca como área de
preservação permanente

Federais

 Resolução CONAMA 011/88 - Dispõe sobre os procedimentos administrativos a


serem seguidos em unidades de conservação atingidas por fogo, bem como na
realização de ações preventivas;

 Resolução CONAMA 013/90 - Estabelece normas inerentes ao entorno de


unidades de conservação;
ANEXO IV

Escopo de Projeto Básico do PESET


.Apresentação

.1 Introdução
.2 Objetivos
.3. Aspectos Gerais do PESET
.3.1. Histórico
.3.2. Localização, Enquadramento e Acessos
.3.2.1. Enquadramento Geopolítico
.3.2.2.. Enquadramento Biogeográfico Terrestre
.3.2.3. Enquadramento Biogeográfico Fluvial e Hidrográfico
.4. Diagnóstico Sócio-Ambiental
.4.1. Caracterização Geobiofísica da Área de Influência Direta
.4.1.1 Clima
.4.1.2. Subsolo e Relevo
.4.1.3. Solos
.4.1.4. Águas Superficiais Interiores
.4.1.5. Vegetação e Flora
.4.1.6. Oceanografia Física do Mar Adjacente
.4.1.7. Avaliação Preliminar dos Recursos Cênicos
.4.2. Caracterização Sócio-econômica e Cultural
.4.2.1. Sinopse Sócio-econômica da Área Potencial de Macroinfluência
.4.2.2. Caracterização da Área de Influência Indireta
.a) O município de Niterói
.b) O município de Maricá
.4.2.3. Planos Governamentais Co-localizados
.4.2.4. Caracterização da Área de Estudo e de Influência Direta
.a) Uso do solo e infra-estrutura
.b) Perfil sócio econômico das famílias residentes
.c) Situação Fundiária
.5. Diretrizes e Recomendações Para as Etapas Posteriores
.5.1. Descrição dos Limites Definitivos do Parque
.5.2. Custo e Estratégia de Indenização e Reassentamento
.5.3. Estratégia de Inserção Regional, Auto-Sustentabilidade Financeira e Gestão
Compartilhada
.5.4. Zoneamento Preliminar e Diretrizes Relacionadas ao Plano Diretor de Manejo
.6. Considerações Finais
.7. Bibliografia
ANEXOS

ANEXO I - Legislação Aplicada


ANEXO II - Relação das Espécies da Flora
ANEXO III - Desenhos

Des. 1. Série, Grupos e Formações Geológicas


Des. 2. Litologia
Des. 3. Áreas com Pedidos de Pesquisa ou Lavra de Recursos Minerais
Des. 4. Unidades Geomorfológicas
Des. 5. Hipsometria
Des. 6. Classes de Declividade
Des. 7. Hidrografia (microbacias, alagados, etc)
Des. 8. Topografia da Faixa de Mar Adjacente
Des. 9. Solos
Des. 10. Cobertura Vegetal
Des. 11. Uso e Ocupação do Solo da Área de Influência Direta
Des. 12. Imóveis da Área de Estudo
Des. 13. Proposta Preliminar de Zoneamento
Des. 14. Locais Selecionados para a Infra-Estrutura Administrativa e de Lazer

Relação das Figuras a serem colocadas no interior do texto, produzidas em A4 ou A3.

Figura 1. Enquadramento Geopolítico


Figura 2. Enquadramento Biogeográfico
Figura 3. Enquadramento Biogeográfico Fluvial e Hidrográfico
Figura 2. Inserção Regional
Figura 3. Enquadramento Macrohidrográfico
Figura 4. Enquadramento nos Biomas do Brasil
Figura 6. Pluviosidade Média Mensal
Figura 7. Balanço Hídrico
ANEXO V

Escopo do Plano Diretor de Manejo


.APRESENTAÇÃO

.1. INTRODUÇÃO

.2. ASPECTOS GERAIS DO PARQUE

.2.1. Histórico e Objetivos


.2.2. Localização e Acessos
.2.3. Enquadramento Macroecológico
.2.4. Enquadramento Macrohidrográfico

.3. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA E SITUAÇÃO LEGAL

.4. CARACTERIZAÇÃO GEOBIOFÍSICA


.4.1. Clima
.4.2. Subsolo e Relevo
.4.3. Solos
.4.4. Águas Superficiais
.4.5. Vegetação e Flora
.4.6. Fauna
.4.7. Recursos Cênicos

.5. CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA E CULTURAL

.5.1 Perfil Sócio-econômico da Região Metropolitana do Rio de Janeiro


.5.2. Inserção Física do Parque na Região Metropolitana do Rio de Janeiro
.5.2.1. O município de Niterói
.5.2.2. O município de Maricá
.5.3. Uso e Ocupação do Solo no Entorno do Parque
.5.4. Planos Co-localizados
.5.5. Restrições Legais ao Uso e Ocupação do Solo na Área de Influência Direta

.6. MANEJO E DESENVOLVIMENTO

.6.1 Zoneamento
.6.1.1. Zona Primitiva
.6.1.2. Zona de Uso Extensivo
.6.1.3. Zona de Uso Especial da Administração
.6.1.4. Zona de Uso Intensivo
.6.2. Diretrizes e Normas das Zonas
.6.3. Capacidade de Carga
.6.4. Programas de Manejo
.6.4.1. Programa de Manejo Ambiental
.6.4.2. Programa de Uso Público
.6.4.3. Programa de Implantação
.6.4.4. Programa de Operação
.6.4.5. Articulação Inter-Institucional
.6.5. Síntese da Organização Espacial
.6.5.1. Áreas de Recuperação
.6.5.2. Áreas de Serviço do Parque
.6.5.3. Áreas de Desenvolvimento

7. CRONOGRAMAS FÍSICO-FINANCEIRO

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

9. BIBLIOGRAFIA

Figuras no interior do texto: Figura 1 - Enquadramento Geopolítico; 2 - Inserção


Regional, 3 - Enquadramento nos Biomas do Brasil, 5 - Enquadramento Hidrográfico; 6 -
Pluviosidade Média Mensal; 7 - Balanço Hídrico; 8 - Solos; 9 - Hidrografia; 10 -
Cobertura Vegetal e Uso do Solo, 11 - Organograma do Parque.

ANEXOS

ANEXO I - Legislação Aplicada

ANEXO II - Relação das Espécies da Fauna e Flora


Tabela 1 - Relação das Espécies da Flora
Tabela 2 - Relação dos Anfíbios de Ocorrência Provável e Confirmada
Tabela 3 - Relação dos Répteis de Ocorrência Provável e Confirmada
Tabela 4 - Relação das Aves de Ocorrência Provável e Confirmada
Tabela 5 - Relação dos Mamíferos de Ocorrência Provável e Confirmada

ANEXO III - Desenhos


PESET 1 - Zoneamento
PESET 2 - Planta do Sede Administrativa
PESET 3 - Planta do Centro de Visitantes
PESET 4 - Planta do Pórtico Principal
PESET 5 - Planta das Guaritas
PESET 6 - Planta dos Equipamentos de Lazer
PESET 7 - Planta dos Painéis de Exposição
PESET 8- Lay Out Proposto para a Zona de Uso Intensivo
PESET 9- Lay Out Proposto para a Zona de Uso da Administração
PESET 10 - Áreas Degradadas
ANEXO VI

Croqui das Placas de Sinalização

Parque Estadual da Serra da Tiririca


Criado em 29/11/91

Patrimônio Cultural do Povo Fluminense


(Constituição Federal, art. 216, V)

SEMAM/Instituto Estadual de Florestas


Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A

Parque Estadual da Serra da Tiririca


Área protegida de Mata Atlântica para
Preservação da Biodiversidade, Recreação,
Turismo e Educação Ambiental

SEMAM/Instituto Estadual de Florestas


Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A

Parque Estadual da Serra da Tiririca


Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
SEMAM/Instituto Estadual de Florestas
Prefeitura Municipal de Niterói/Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.
Parque Estadual da Serra da Tiririca

Centro de Visitantes/Sede Administrativa 


 720-8712
SEMAM/Instituto Estadual de Florestas
Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.

Parque Estadual da Serra da Tiririca

Mirante do Pedra do Elefante 


Altitude: 412 m.; Distância 1,2 Km
(Caminhada semi-leve)

SEMAM/Instituto Estadual de Florestas


Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.

Parque Estadual da Serra da Tiririca


Observação de Aves Migratórias
no Brejo da Penha 
SEMAM/Instituto Estadual de Florestas
Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.
Parque Estadual da Serra da Tiririca

ZONA DE USO INTENSIVO 


Praça, Churraqueiras, Lanchonete e Camping
SEMAM/Instituto Estadual de Florestas
Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.

Parque Estadual da Serra da Tiririca


Respeite as Aves Migratórias do
Brejo da Penha. No ano que vem elas voltam,
trazendo novos turistas voadores
SEMAM/Instituto Estadual de Florestas
Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.

Parque Estadual da Serra da Tiririca


Aqui habitam plantas e animais da
Mata Atlântica, seus vizinhos de bairro.
SEMAM/Instituto Estadual de Florestas
Prefeitura Municipal de Niterói Prefeitura Municipal de Maricá
Apoio: EMPRESA NONNONNOM S.A.
ANEXO VII
Referências Bibliográficas Úteis
São relacionadas a seguir diversas publicações para subsidiar a concepção e /ou execução
das atividades indicadas para o Parque Estadual da Serra da Tiririca.

MANEJO GERAL

AGEE, J.K. e JOHNSON, D.R. Ecosystem Management for Parks and Wilderness.
Seattle, University of Washington Press, 1988 273 p.

BATISTA, A.C. Incêndios Florestais. Recife, Universidade Federal Rural de


Pernambuco, 1990.

BERJMAN, S. e GUTIERREZ, R. La Arquitectura en Los Parques Nacionales.


Buenos Aires, Instituto Argentino de Investigaciones de História de la Arquitectura y del
Urbanismo/ Administracion de Parques Nacionales, 1988 124 p.

DESHLER, W.O. Una guia para la aplicación del concepto de uso multiple a la
problemática del manejo de bosques y areas silvestres. Santiago, FAO, 1979. 78 p.

FAO. National Parks Planning. FAO Forestry Paper, 6: 42p., 1976

FAO. Manual de Operaciones para Sistema de Áreas Protegidas. Guia FAO de


Conservacion, 9: 105p.,1985

FAO. National parks planning: a manual with annoted examples. Rome, 1988. 105p.
(Conservation Guide, 17)

FAO/PNUMA. Sistemas nacionales de áreas silvestres protegidas en America Latina.


Organizacio de las Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentacion, Oficina
Regional de la FAO para America Latina y el Caribe/Programa de las Naciones Unidas
para el Medio Ambiente. Santiago, Documento Técnico 3: 205 p., 1988.

GRIFFITH, J.J. Zoneamento: uma análisa crítica. Ambiente Rev. Cetesb de Tecnologia,
3(1): 20-25, 1989.

GRIFFITH, J.J. Aplicação do método McHarg no Planejamento do Parque Florestal


Estadual do Rio Doce. In: II Congr. de Defesa do Meio Ambiente. Anais, Vol.2. Rio de
Janeiro, UFRJ/ Clube de Engenharia, 1987. p. 278-292.

IBDF/IBRA. Parques Nacionais e Reservas Equivalentes. Brasília Instituto Brasileiro


do Desenvolvimento Florestal/ Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, 1969. 100 p.

IBDF. Política e Diretrizes dos Parques Nacionais do Brasil. Brasília, 1970


HJPKI, C. M. e LOOMIS JR., T.E. Manual para la Interpretacion del Ambiente en
Areas Silvestres. Turrialba, Costa Rica, CATIE, 1981. 38p. (Informe Técnico nº 15).

KANIAK, V.C. Trabalho de voluntários em proteção e manejo de Parques Nacionais


do Brasil. Curitiba, UFPr, 104 p. (Tese de Mestrado em Engenharia Florestal)

LEAL da SILVA, L. Ecologia: Manejo de Áreas Protegidas. Santa Maria, UFSM,


1992. 218 p.

LEITÃO FILHO, H. e AZEVEDO, D.B. Critérios gerais para a implantação de um


Parque Ecológico. Campinas, Ed. da UNICAMP, 1988. 55p.

MACNELLY, J. and MILLER, K. (ed). National Parks, Conservation and


Development: The Role of Protected Areas in Sustaining Society.Washington D.C.,
Smithsonian Institution, 1984.

MILANO, M.S. Curso de manejo de áreas silvestres. Curitiba, FUPEF, 1983. 102 p.

MILANO, M.S e RIZZI, N.E. e KANIAK, V.C. Princípios básicos de manejo e


administração de áreas silvestres. Curitiba, ITC, 1986. 56 p.

MOORE, A. & ORMAZABAL, P. Manual de Planificacion de Sistemas Nacionales de


Areas Silvestres Protegidas em América Latina, Metodologia e Recomendaciones.
Oficina Regional de la FAO para America Latina y el Caribe/Programa de las Naciones
Unidas para el Medio Ambiente. Santiago, Documento Técnico 4: 137 p., 1988.

MOORE, A.B., WENDT, L. PENNA, Y e CASTILLO DE RAMOS, I. Manual para la


Capacitación del Personal de Areas Protegidas. Washington, Dep. del Interior de los
EUA, Servicio de Parques Nacionales, Oficina de Asuntos Internacionales, 1989.

WELLS, M. BRANDON, K. e HANNAH, L. People and parks: linking protected area


management with local communities. Washington, D.C., World Bank, USAID e WWF,
1992

WETTERRBERG, G.B & PEREIRA, S. M. Legislação sobre unidades de conservação.


Silvicultura, São Paulo, 2 (8): 42-46, 1978.
WRI/IUCN/PNUMA. A Estratégia Global da Biodiversidade: Diretrizes de Ação
para Estudar, Salvar e Usar de Maneira Sustentável e Justa a Riqueza Biológica da
Terra. Curitiba, Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, 1992. 232 p.

ANÁLISE DE CUSTO BENEFÍCIO


(Valoração econômica de Unidades de Conservação

DANFELT, A. Alguns dados relativos aos custos e benefícios de parque nacionais na


América Latina. In: IBDF. Reunião Internacional sobre Administração de unidades
de conservação na região amazônica. Santarém, 1976.

DIXON , J.A. e SHERMAN, P.B. Economics of protected areas: a new look of


beneficits and costs. Washington, Island Press, 1990
INTERPRETAÇÃO, EDUCAÇÃO AMBIENTAL, TURISMO E LAZER

DIAS, A.C.; MOURA NETO, B.V. e MARCONDES, M.A.P. Trilha interpretativa do rio
Taquari: Parque Estadual Carlos Botelho. Bol. Téc. Inst. Flor., São Paulo, 1:11-32, 1986

FAO. Planification de Programas Interpretativos. Santiago, 1974.

FAO. Taller Internacional sobre Interpretacion Ambiental en Areas Silvestres


Protegidas. Santiago, Oficina Regional de la FAO para America Latina y el Caribe, 1989.
98 p.

HYPKI, C. e LOOMIS Jr, T.E. Manual para la interpretacion del areas silvestres.
Turrialba, CATIE, 1981. 38 p.

LITTON Jr, R.B. et alii. Water and landscape. New York, Port Washington, 1977. 314
p.

SCHEINER, T.C.M. O uso educativo da paisagem: educação ambiental e interpretação da


natureza. Bol FBCN, Rio de Janeiro, 19:180-191, 1984.

SCHEINER, T.C.M. Sobre turismo e visitação em parques nacionais. Ciências


Humanas, 111(10):12-20, 1979

SHARPE, G.W. Interpreting the Environment. New York, John Wiley & Sons, 1976

U.S.Department of the Interior. Bureau of Outdoor Recreation. Federal focal point in


outdoor recreation. Washington, 1968. 78 p.

U.S. Department of the Interior. National Park Service. Áreas nationales de estudio
ambiental: una guia. Washington, 1972. 50 p.

USDA Forest Service. Natural forest landscape management: the visual management
sistem. Washington, Agric. Handbook nº 462: 47 p., 1974.

WAGAR, J.A. The carrying capacity of wildlands for recreation. Washington, Society
of American Foresters, 1964.:24 p (Forest Monograph nº7)
ANEXO VIII
Sugestões relativas ao manejo da Fauna e Flora
Segundo critérios do Banco Mundial, uma área protegida deve ser suficiente para manter
a diversidade biológica e outros importantes valores ecológicos, devendo possuir um
tamanho suficiente que permita abrigar uma população viável do maior predador local ou
um território sazonal e rotas migratórias dos maiores herbívoros locais. Estes objetivos, de
acordo com a mesma fonte, são atingidos em geral em áreas acima de 100.000 ha, sendo
que áreas protegidas com superfícies menores que 10.000 ha podem ser um expediente de
curto prazo para uma expansão subsequente (Ledec e Goodland.1988).

Em áreas pequenas, espécies generalistas como o gambá (Didelphis marsupialis) e outros


tendem a se tornar abundantes, reduzindo a possibilidade de sobrevivência das espécies de
hábitos especialistas, que tendem a desaparecer. Além disso, áreas muito pequenas
apresentam diversidade biológica reduzida e não conseguem abrigar predadores de médio
e grande porte.

A ampliação do Parque da Tiririca para atingir superfícies extensas é uma tarefa


impossível. No entanto, releva mencionar que não existem mais na região o maior
predador local, no caso a onça (Panthera onca). Sendo assim, o tamanho da PESET deve
ser adequado, pelo menos, para a manutenção de predadores como o furão (Gallictis
vittata), o cachorro do mato (Cerdocyon thous) e talvez alguns felinos como o gatos do
mato (Felis wiedii) ou mesmo do jaguarundi (Felis yagouarundi). Estes animais podem
servir no futuro como indicadores da eficácia da PESET.

No entanto, para a manutenção de populações daqueles animais, será necessário se


promover o manejo dos habitats, tendo em vista o estado geral dos mesmos. O habitat é a
soma de todos os fatores do meio ambiente que uma espécie de animal requer para poder
sobreviver e reproduzir-se - alimento, água e abrigo - em uma dada área. Cada animal
silvestre tem requisitos espécíficos de habitat e, para qualquer espécie, o número de
indivíduos e possível distribuição estão limitadas pela qualidade, quantidade e
disponibilidade de habitat (Gysel e Lyon, 1987).

Através de técnicas de manejo do habitat, os animais são estimulados a se instalar ou


perambular pela área. Dada as condições ambientais dos habitats do PESET, estes
poderão ser melhorados através do manejo, que consiste basicamente em (Yaokun, 1987):

 incremento da oferta de água


 produção de alimentos e cobertura vegetal
 simulação de condições naturais de abrigo
Incremento da oferta de água.

Trata-se da construção de pequenas barragens nos cursos temporários, visando acumular


água para a dessedentação de animais residentes, servindo ainda para atrair novos
contingentes, bem como a escavação de depressões rasas que acumulem água para
populações da anfíbios.

Produção de alimentos e cobertura

A produção de alimento e cobertura é obtido por meio da recuperação da vegetação, de


modo a torna-la a mais diversificada e densa possível. Assim, a implantação de um horto é
de grande importância. Deve-se avaliar a possibilidade de efetuar o transplante de plantas
jovens de espécies arbóreas e arbustivas que estão em lotes urbanos que recebam
autorização das prefeituras para serem edificados.

Simulação de Condições Naturais de Abrigo

Esta atividade visa reproduzir artificialmente vários tipos de abrigo que são utilizados pela
fauna tanto para refúgio como para instalação de ninhos. Esta prática visa suprir a falta de
cavidades naturais nas árvores, que é uma exigência ecológica. Os abrigos artificiais são
construidos com material de baixo custo.