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Direito Administrativo

Embora de forma quase invisível, o Direito Administrativo, de uma forma


prática, regula directamente grande parte dos aspectos essenciais da nossa vida em
comunidade:
● Fornecimento da água
● Luz
● Telefone
● A actividade da empresa publica de transportes
● Se nos deslocamos a pé ou de carro para o instituto

O direito Administrativo é, portanto, o conjunto de normas que disciplinam a


administração pública. Regula também os direitos reais.
A administração aparece vestida de “ius imperium” através de um regulamento
geral e abstracto através de um contrato.

A Constituição define dois tipos principais de funções de estado:


● Função Principal: Função politica e função legislativa
● Função Secundária: Função jurisdicional e a função administrativa

A função administrativa compreende a actividade pública continua tendente à


satisfação das necessidades colectivas em cada momento seleccionadas, mediante prévia
opção constitucional e legislativa, com desígnios de colectividade pública.

●A Administração Pública
● As necessidades colectivas e a administração pública

Quando se fala em administração pública, tem-se presente todo um conjunto


de necessidades colectivas cuja satisfação é assumida como tarefa fundamental pela
colectividade, através de serviços por esta organizados e mantidos.
As grandes necessidades de carácter cultural e social são também, em grande
parte, satisfeitas mediante serviços que a colectividade cria e sustenta para benefício da
população: museus, biblioteca, etc.
A satisfação destas necessidades colectivas exige, enfim, avultados meios
humanos e materiais. Onde se manifeste uma necessidade colectiva, surgirá um serviço
público destino a satisfazê-la.
Nem todas as necessidades têm a mesma origem ou a mesma natureza: uns são
criados e geridos pelo Estado (policia, impostos), outros são entregues a organismos
autónomos que se auto-sustentam financeiramente (correios), outros ainda são
entidades tradicionais de origem religiosa hoje assumidas pelo Estado (Universidades).
Todos existem para a mesma finalidade, a satisfação das necessidades colectivas. As
necessidades colectivas situam-se na esfera privativa da administração pública. (Pág 27
e 28 – CDA)
● Conceito de Administração
● Sentido Orgânico:
A Administração pública é o sistema de órgãos, serviços e agentes do Estado,
bem como das demais pessoas colectivas públicas que asseguram em nome da
colectividade a satisfação regular e continua das necessidades colectivas de segurança,
cultura e bem-estar.
É empregada no sentido de organização: administração pública surge ai como
sinónimo de organização administrativa. A administração pública é nos dias de hoje um
vasto conjunto de entidades e organismos, que não é fácil conhecer de forma rigorosa.
A noção orgânica de administração pública compreende duas realidades
diferentes: por um lado, as pessoas colectivas públicas e os serviços públicos; por outro,
os funcionários e agentes administrativos. A primeira é constituída por organizações, e
a segunda formada por indivíduos. (págs. 30 a 36 – CDA)

Pessoas Colectivas de Direito Público:

Organizações, dotadas de personalidade jurídica – pessoas colectivas públicas


Outras não personificadas – serviços públicos

Funcionários e Agentes Administrativos:

Formada por indivíduos que põem a sua inteligência e a sua vontade ao serviço
das organizações administrativas para as quais trabalham.

● Sentido Material:
Actividade típica dos serviços públicos e agentes administrativos desenvolvida
no interesse geral da colectividade, com vista à satisfação regular e continua das
necessidades colectivas de segurança, cultura, bem-estar, obtendo para o efeito os
recursos mais adequados e utilizando as formas mais convenientes.
Em sentido material, a administração pública é uma actividade. É a actividade
de administrar. Administrar é, em geral, tomar decisões e efectuar operações com vista
à satisfação regular de determinadas necessidades, obtendo para o efeito os recursos
mais adequados e utilizando as formas mais convenientes. É uma actividade regular,
permanente e continua dos poderes públicos com vista à satisfação das necessidades
colectivas. Os fins da Administração pública são a segurança, a cultura e o bem-estar
económico e social. (págs. 36 a 39 – CDA)

● Sentido Formal
O sentido formal de administração pública exprime usualmente os modos de
actuação da administração pública em sentido orgânico quando exerce a
administração publica em sentido material e usa de poderes de autoridade que lhe dão
supremacia sobre os cidadãos.
Ex. A administração aprece-nos vestida do seu “ius imperium.”
A administração pública em sentido formal tem a ver com o modo próprio de
agir que caracteriza a administração pública em determinado tipo de sistemas de
administração.
● Conceito de Administração
● Administração Pública vs. Administração Privada

Administração pública Administração Privada

Colectividade Individuais e Concretas

Fim de interesse publico Fins pessoais e particulares

Satisfação de necessidades Colectivas Igualdade entre as partes

À administração pública não compete apenas promover a execução das leis:


cumpre-lhe também, por um lado, executar as directrizes e opções fundamentais
traçadas pelo poder político.
Embora tenham de comum o serem ambas administração, a administração
pública e a administração privada distinguem-se pelo objecto sobre que incidem, pelo
fim que visam prosseguir, e pelos meios que utilizam.

● Quanto ao objecto (págs. 39 e 40 – CDA):


● A administração pública versa sobre as necessidades colectivas
assumidas como tarefa e responsabilidade própria da colectividade.
● A administração privada incide sobre necessidades individuais – a gestão
dos bens desta ou daquela pessoa -, ou sobre necessidades que, sendo
de grupo, não atingem contudo a generalidade de uma colectividade
inteira (a administração do dote de uma família, do património de uma
associação, etc.)

● Quanto ao fim (pág. 40 – CDA):


● A administração pública tem necessidade de prosseguir sempre um
interesse público: o interesse público é o único fim que as entidades
públicas e os serviços públicos podem legitimamente prosseguir.
● A administração privada tem em vista, naturalmente, fins pessoais
ou particulares. Tanto pode tratar-se de fins lucrativos como de
fins económicos – de êxito pessoal, de carácter político – e ate, nos
indivíduos mais desinteressados, de fins puramente altruístas.

● Quantos aos meios (pags. 41 e 42 – CDA):


● Na administração privada, os meios jurídicos que cada pessoa utiliza
para actuar caracterizam-se pela igualdade entre as partes: os particulares
são juridicamente iguais entre si e, em regra, não podem impor uns
aos outros a sua própria vontade, salvo se isso decorrer de um acordo
devidamente celebrado.
● A administração publica, porque se traduz na satisfação de necessidades
colectivas que a colectividade decidiu chamara si, e porque tem de
realizar em todas as circunstâncias o interesse público definido pela lei
geral, não pode normalmente utilizar, face aos particulares, os mesmos
meios que estes empregam uns para com os outros.
A administração publica encontra-se limitada nas suas possibilidades de
actuação por restrições e deveres especiais, de natureza jurídica, moral e
financeira.
● A Administração pública e as Funções do Estado

● Função política (Politica e administração pública)


● Função Legislativa (Legislação e administração pública)
● Função Judicial (Justiça e administração pública)

● Função Politica (pags. 44 e 45 – CDA):


A política, enquanto actividade pública do Estado, tem um fim específico:
definir o interesse geral da colectividade. A administração pública existe para
prosseguir outro objectivo: realizar em termos concretos o interesse geral definido pela
política.
O objecto da política é as grandes opções que o país enfrenta ao traçar os rumos
do seu destino colectivo. O da administração pública é a satisfação regular e continua
das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem-estar económico e social.
A politica reveste carácter livre e primário, apenas limitada em certas zonas
pela constituição, ao, passo que a administração publica tem carácter condicionado
e secundário, achando-se por definição subordinada às orientações da politica e da
legislação.
Enquanto a administração publica, ainda que sujeita à direcção ou fiscalização
desses órgãos, está na maioria dos casos entregue a órgãos secundários e subalternos,
bem como a funcionários e agentes administrativos, e a numerosas entidades e
organismos estaduais, a politica pertence pró natureza aos órgãos superiores do estado.
Os órgãos políticos são, eleitos directamente pelo povo a nível nacional, ao
passo que os órgãos administrativos são nomeados ou, então eleitos por colégios
eleitorais restritos.
A política e a administração pública não são actividades insensíveis uma à
outra. A administração pública sofre a influência directa da política. Em regra, toda
a administração pública, alem de actividade administrativa, é também execução ou
desenvolvimento de uma politica. Por vezes é a própria administração, que se impõe e
sobrepõe à autoridade politica.
A distinção entre politica e administração pública é clara no plano das ideias,
mas não no plano dos factos quotidianos porque o órgão supremo da administração é
simultaneamente um órgão político fundamental – o governo.

● Função Legislativa (pág. 46 – CDA):


A função legislativa encontra-se no mesmo plano, ou ao mesmo nível, que a
função politica.
Na verdade, também a legislação define opções, objectivos, normas abstractas,
enquanto a administração executa, aplica e põe em prática o que lhe é superiormente
determinado.
A diferença principal entre a legislação e administração está em que, nos dias de
hoje, a administração pública é uma actividade totalmente subordinada à lei: a lei é o
fundamento, o critério e o limite de toda a actividade administrativa.
De uma parte, podem citar-se casos de leis que materialmente contem decisões
de carácter administrativo.
De outra parte, há actos de administração que materialmente revestem todos os
caracteres de uma lei, faltando-lhes apenas a forma e a eficácia da lei.
● Função Judicial (págs. 47 e 48 – CDA):
Estas duas actividades têm importantes traços comuns: ambas são secundárias,
executivas, subordinadas à lei. Mais relevantes, porém, são os traços que as distinguem:
uma consiste em julgar, a outra em gerir.
A justiça visa aplicar i direito aos casos concretos, a administração pública visa
prosseguir interesses gerais da colectividade.
A justiça aguarda passivamente que lhe tragam os conflitos sobre que tem de se
pronunciar; a administração pública toma activamente a iniciativa de satisfazer as
necessidades colectivas que lhe estão confiadas. A justiça está acima dos interesses, é
desinteressada, não é parte nos conflitos que decide; a administração pública defende e
prossegue os interesses colectivos a seu cargo, é parte interessada.
A justiça é assegurada por tribunais cujos juízes são independentes no seu
julgamento e inamovíveis no seu cargo; pelo contrário, a administração pública é
exercida por órgãos e agentes hierarquizados, de modo que em regra os subalternos
dependem dos seus superiores, devendo-lhes obediência nas decisões que tomam e
podendo ser transferidos ou removidos livremente para o cargo ou lugar diverso.
As actividades frequentemente se entrecruzam, a ponto de ser por vezes difícil
distingui-las: a administração publica pode em certos casos praticar actos
jurisdicionalizados, assim como os tribunais comuns podem praticar actos
materialmente administrativos, desde que se mantenha sempre presente qual o critério a
utilizar – material, orgânico ou formal -, a distinção subsiste e continua possível.

Administração Pública vs. Função Politica

Administração Pública Função Pública

Realiza em termos concretos o interesse Define interesse geral da colectividade


definido pela política

Satisfação regular e contínua das Natureza criadora, inovadora


necessidades colectivas

Natureza Executiva Carácter livre e primário

Órgãos secundários e subalternos Órgãos Superiores dos estado

Administração pública vs. Função Legislativa

Administração Pública Função Legislativa

Executa, aplica, põe em prática o que lhe é Define opções, objectivos, normas
determinado abstractas
Actividade Subordinada lei Fundamento, o critério, o limite de toda a
actividade

Administração Pública vs. Função Jurisdicional

Administração Pública Função Jurisdicional

Gerir Julgar

Interesses Gerais Colectividade Aplica direito aos casos concretos

Iniciativa Passiva

Fim de Interesse Público Desinteressada

Relação Hierárquica Juízes Independentes

● Capítulo II – Evolução histórica da Administração


Pública
● A Administração Pública tem conhecido uma evolução significativa tanto do
ponto de vista organizatório como funcional e material.

● 1. Época Medieval (págs.59 a 61 – CDA)


A Época Medieval corresponde ao período que vai do séc. V ao séc. XV e está fortemente
ligada ao regime senhorial e ao modo de produção da vida económica e social desta
época, verificando-se assim uma forte descentralização política do estado (sendo mesmo assim o
príncipe o centro da vida política, onde a monarquia era predominante), uma privatização do poder)
. Uma nota decisiva desta época (devida à sua situação política de enfraquecimento do poder
central à dispersão do povoamento) é a ausência de institucionalização da sociedade política
devido à inexistência de órgãos incumbidos de servir qualquer interesse geral. Toda a
organização social é baseada nos laços de subordinação pessoal (concepção patrimonial
das funções públicas, baseada na família, na propriedade, na sucessão hereditária). Quando se
fala em administração é sempre com referência a administração directa dos interesses dos
pequenos grupos. Por estas razões não faz sentido falar em administração pública. Contudo,
alguns autores, como o professor Rogério Soares refere uma sub-época da época Medieval,
designada por Época do estado de justiça, caracterizada por uma relativa defesa dos direitos
dos cidadãos, junto dos tribunais, mas aqui o Direito que se faz valer em tribunal é apenas o
direito privado e não o direito administrativo.
Costumam ser referidos três tipos de organizações nesta época:
● Administração Municipal – administração das cidades
● Administração das Igrejas
● Administração militar (fortemente hierarquizada).

● A Administração Pública no Estado Medieval (págs.59 a 61 – CDA)

O Estado Medieval é o tipo histórico de Estado da Idade Média.


Os seus principais aspectos políticos são: forte descentralização politica do
Estado, com o feudalismo ou o regime senhorial; privatização do poder politico – a
noção de imperium substituída pela de dominium; concepção patrimonial das funções
públicas, baseada na família, na propriedade, na sucessão hereditária, e na venalidade
dos ofícios; substituição da civitas ou do populus pelo príncipe como centro da vida
politica.
É nesta em que há o aparecimento das primeiras doutrinas que defendem a
origem popular do poder.
Durante a Idade Média, alguns sinais evidenciam a presença da administração
pública na vida colectiva.
Entre eles, destaque-se a existência de órgãos centrais de delegados locais do
Rei em todo o território e de funcionários régios cobrando impostos, abrindo estradas,
construindo edifícios públicos, etc.
O enfraquecimento do poder central, a dispersão do povoamento e a necessidade
de auto – organização espontânea das populações das vilas e aldeias conduzem
entretanto ao aparecimento de fórmulas de governo local ou de auto – administração,
através das quais as comunidades locais formadas na base dos laços de vizinhança
chamam a si o desempano das mais variadas funções de administração pública, tais
como construção de estradas e caminhos, regulamentação de ferias e mercados, gestão
de baldios, e mais tarde questões de urbanismo e de intervenção económica.
Como em fases anteriores, continua a haver indiferenciação entre a
administração e a justiça. O rei administra e julga; os corregedores e juízes de fora,
delegados do soberano nos vários lugares do reino, exercem simultaneamente a
administração e a justiça; com os concelhos e as freguesias sucede o mesmo.

No Estado Medieval
Século V D.C. ao Século XV
● Forte descentralização política do Estado
● Imperium substituída por dominium
● Família, propriedade, sessão hereditária
● Príncipe como centro da vida política
● Hierarquia dos funcionários
● The King can do no wrong.

● 2. A transição para a época moderna

Entre o final da Idade Média e a criação dos Estados modernos vão-se afirmar correntes
fundamentais na área do direito administrativo. Uma primeira linha racionalizadora que vai
reflectir uma nova forma de organização administrativa e uma segunda linha centralizadora,
que vai concentrar todos os poderes no rei. Esta concentração de poderes resulta de motivos
religiosos, motivos militares e motivos económicos. Com a reforma protestante dá-se uma
maior autonomização ao poder político face ao poder religioso. No plano militar, as várias
guerras dão origem à criação de exércitos e ao estabelecimento de administrações de guerra.
No plano económico, a abertura da economia ou do comércio vai aproximar as populações,
as cidades e reforçar a coesão entre os estados.

Conclusão:
Resulta de todo esse movimento e concentração e de institucionalização e de autonomização
de poder político perante o poder religioso, a emergência de figura do Estado (na sua
acepção actual) com a sua própria administração.

● A Administração Pública no Estado Moderno:

● O Estado Corporativo (pags. 62 a 66 - CDA):

O Estado moderno é o tipo histórico de Estado característico da Idade Moderna


e Contemporânea.
Abrangendo este período cinco séculos, tem sido hábito distinguir nele vários
subtipos de Estado, correspondentes a outras tantas fases demarcadas – o estado
corporativo, o estado absoluto, o estado liberal, etc.
O Estado corporativo é o subtipo do Estado moderno característico da fase da
Monarquia limitada pelas ordens, também conhecido por Estado estamental.
Os seus principais caracteres políticos são: forma de transição entre o Estado
medieval e o Estado moderno.
O Estado corporativo cresce e robustece-se liquidando o feudalismo ou o regime
senhorial no plano político, e a sua administração aumenta com o exército, com as
finanças, com a justiça, com a expansão colonial.
D. João IV cria dois departamentos centrais em 1643 – a Secretaria de Estado e
a Secretaria das Mercês e Expediente e um terceiro um pouco mais tarde, a Secretaria
da Assinatura.
Em 1736, a nova reforma da administração central começa a revelar o embrião
do que seria, dai em diante, a estrutura governativa.

● O Estado Absoluto (pags. 66 a 70 – CDA):

O Estado absoluto é o subtipo do Estado moderno característico da fase da


Monarquia absoluta.
Os seus principais aspectos políticos são: centralização completa do poder real;
enfraquecimento da nobreza, ascensão da burguesia; não convocação das Cortes; a
vontade do rei com lei suprema; culto da razão do Estado; incerteza do direito e
extensão máxima do poder discricionário; o Estado como reformador da sociedade e
distribuidor das luzes; recuo nítido em matéria de garantias individuais face ao Estado.
Com o absolutismo real, novos e importantes avanços têm lugar no crescimento
e aperfeiçoamento da máquina administrativa.
Em França, consolida-se o Estado moderno, assente na centralização do poder
político e administrativo e na organização e expansão dos grandes serviços públicos
nacionais.
O maior ponto fraco deste imponente sistema administrativo é o modo de
recrutamento da Coroa em cada região. O sistema foi melhorado com Frederico
Guilherme I, que criou as 1ªs cadeiras da ciência da administração.
Em Portugal, as reformas pombalinas vão no mesmo sentido.

No Estado Moderno – Absoluto


Século XVII – XVIII
● Centralização completa do poder real
● Enfraquecimento da nobreza
● Ascensão da burguesia
● Vontade do rei como lei suprema – L´État c’est moi
● FISCO e NAÇÂO
● A Revolução Francesa (pags. 70 a 72 - CPA):

Com a revolução francesa triunfam os ideais do liberalismo individual contra o


autoritarismo tradicional da Monarquia Europeia.
Os cidadãos passam a ser titulares de direitos subjectivos públicos, invocáveis
perante o Estado. Estabelece-se o Principio da Separação dos Poderes: a Coroa perde o
poder legislativo, que é atribuído ao Parlamento, e o poder judicial, que é confiado aos
tribunais, ficando apenas para si o poder executivo.
O princípio da legalidade impede a Administração de invadir a esfera dos
particulares ou prejudicar os seus direitos sem ser com base numa lei emanada do poder
legislativo. Administrar converte-se em sinónimo de executar as leis. Se os órgãos da
Administração violam a lei e com isso ofendem a esfera subjectiva dos cidadãos, estes
podem recorrer a tribunal para fazer valer os seus direitos frente à administração. Nasce
a preocupação de conferir aos particulares um conjunto de garantias jurídicas, capazes
de os proteger contra a arbítrio administrativo cometido sob forma de ilegalidade: surge
assim, o Direito Administrativo moderno.

● A Revolução liberal em Portugal e as reformas de Mouzinho da


Silveira (Pags. 72 a 76 – CDA):

Uma das principais reformas introduzidas em França é a separação entre a


administração e a justiça, confiando-se as tarefas executivas a órgãos administrativos e
a função jurisdicional aos tribunais. O mesmo Sucedeu em Portugal.
A constituição determinou a separação dos poderes legislativo, executivo e
judicial, atribuindo o primeiro às Cortes, o segundo ao Rei e aos Secretários de Estado,
e o terceiro aos juízes, e estabelecendo que «cada um destes poderes é de tal maneira
independente, que um não poderá arrogar a si as atribuições do outro».
Mouzinho da Silveira elaborou e fez aprovar um conjunto de diplomas
fundamentais que modificaram de uma ponta à outra a Administração portuguesa. Pela
mão dele nasceu a moderna Administração publica portuguesa. A novidade
fundamental das reformas de Mouzinho da Silveira foi a diferenciação das funções
administrativa e jurisdicional, bem como a correspondente separação entre órgãos
administrativos e tribunais.

● 4. Época Liberal (subtipo do Estado Moderno)


● Características do Estado Liberal
Em jeito de síntese, pode dizer-se que as características gerais do Estado Liberal são:
a) O aparecimento das primeiras Repúblicas nos países ocidentais;
b) A afirmação da ideia de contrato social, em substituição do primado da tradição;
c) A consagração da plenitude do Estado-Nação, ou seja, da soberania nacional, em vez da
soberania do príncipe;
d) A adopção do sistema de governo representativo: em vez do exercício do poder por um só
ou pelos seus delegados, o exercício por muitos, eleitos pela colectividade;
e) A adopção do parlamentarismo;
f) O aparecimento dos partidos políticos;
g) A elaboração de constituições;
h) A consagração de uma «trilogia» de valores fundamentais: liberdade, propriedade e
segurança;
i) A divulgação de declarações de direitos e, em especial, a proclamação da igualdade jurídica
de todos os homens, independentemente do nascimento ou de quaisquer outros factores;
j) A afirmação do princípio da separação de poderes;
l) O entendimento da lei como expressão da vontade geral; a consagração do princípio da
legalidade e, em especial, da subordinação do Estado à lei: em vez da razão de Estado, o
Estado como executor de normas jurídicas;
m) O culto da separação entre o Estado e a Sociedade;
n) O reconhecimento da existência de direitos do homem, anteriores e superiores ao Estado,
que este deve respeitar: em vez de súbditos, cidadãos;
o) O reforço das garantias individuais face ao Estado

A propósito deste Estado, há duas ideias fundamentais a considerar a ideia de liberdade e a ideia de
separação de poderes. É precisamente em nome dessa liberdade que no Estado Liberal se afirma a
necessidade de limitar o poder político, quer através da sua divisão e repartição por vários órgãos,
quer através da redução ao mínimo das tarefas por ele desempenhadas.
A implementação da época liberal passou então, pela afirmação de dois princípios
fundamentais, que se revelaram decisivos para a formação do direito administrativos.
● O Principio da separação de poderes
Após a Revolução Francesa, consagra-se a separação entre a função administrativa e a função
judicial, impedindo que os tribunais e as entidades administrativas interfiram reciprocamente nas
respectivas actividades, e bem assim a impossibilidade de os tribunais conhecerem dos litígios que
eventualmente surjam entre a Administração e os particulares.
É precisamente a partir desse especial entendimento do princípio da separação de poderes
que se vão criar os tribunais administrativos e que, num segundo momento (aquando da
criação do princípio da legalidade), como fruto da própria actuação destes, vai surgir o Direito
Administrativo, com um regime próprio, ou seja a existência de uma jurisdição administrativa
especializada e a sujeição da Administração a regras diferentes das do Direito Privado
Os poderes deveriam estar bem limitados, bem definidos para que não houvesse
preponderância, supremacia de um poder sobre o outro, pois só deste modo o estado
conseguiria sobreviver.
Mas apesar disto, há um controlo de uns poderes sobre os outros. No entanto, o que não
deve acontecer é que um poder entre na esfera de outro poder.

Separação de Poderes - Prática


●Separação entre a administração pública e a justiça (a função da
administração pública é administrar e não julgar embora houvesse uma
altura que a administração pública, administrava e julgava; nalguns casos
a administração pública vai julgar alguma sensação de conflito entre a
administração pública e o portador, acontecendo o mesmo ao contrário.

● Equilíbrio de poderes, delimitação das competências, visa evitar a interferência


na esfera do outro poder pois por exemplo o poder político interfere no poder
judicial.

Para que tal fosse possível era necessário, assegurar que Administração Pública ficasse
subordinada às leis do Parlamento e, desta forma, impedida de interferir nos domínios que a
sociedade civil, para ela própria, quisesse reservar. É, assim, consagrado o princípio da legalidade
da Administração Pública.

● Evolui rapidamente para a afirmação de preponderância do parlamento sobre os


outros poderes.

●Outro princípio e o Princípio da legalidade da administração que subordina


a administração à lei. É partir daqui que nasce o Estado de Direito e o Direito
Administrativo, com o objectivo de proteger os direitos dos cidadãos perante as
autoridades administrativas.

Observação: A Administração Pública só pode actuar dentro dos limites de lei, não
podendo assim abusar do lugar de supremacia.
Em caso de conflito vai haver uma prevalência do Direito Público sobre o Direito
Privado.

Alguns dos acontecimentos que tiveram lugar na primeira metade do séc. XX, vieram
precipitar algumas mudanças do estado liberal,
Criando-se assim uma nova forma de Estado O Estado de Direito Social.

● Administração Pública Portuguesa


1ª República
Marcada pelas fortes preocupações culturais e sociais e pela enorme
instabilidade politica que a impediu de realizar actos com alguma utilidade e
estabilidade no tempo em muitos domínios.
Por outro lado, é marcada pela criação de novos ministérios: Ministério da
Instrução Pública, Ministério do Trabalho e desdobramento do Ministério do Fomento
em Ministério da Agricultura e Ministério do Comércio.

● Administração Pública Portuguesa


2ª República
Manteve-se o princípio geral da separação entre a administração e a justiça.
Instalou-se entretanto um claro predomínio da administração central sobre a
administração municipal. O Estado, movido pelo autoritarismo político e pelo
intervencionismo económico, converteu-se na mais importante peça de todo o aparelho
administrativo; as suas funções, os seus serviços e os seus funcionários tornaram-se
muito numerosos. A extensão da administração central superou a da administração
municipal. Mas não houve apenas um aumento da posição da administração central em
extensão, passou também a haver um controlo ou predomínio do poder central sobre os
órgãos locais.

● Administração Pública Portuguesa


3ª República (25 Abril)
Corresponde tipicamente ao modelo de Estado democrático. Consolidou-se o
princípio da separação entre a administração e a justiça, manteve-se o predomínio da
administração central sobre a administração municipal, que se iniciara com o Estado
Novo, embora atenuado.
A administração continua a ser a mais importante de todas as formas de
administração pública, sem que a administração local autárquica consiga contrabalançá-
la, como sucede na generalidade das democracias europeias.

Por outro lado, a constituição de um regime democrático trouxe consigo como


é natural, uma liberalização do sistema de garantas dos particulares contra os actos da
administração: criação do “provedor de justiça”, maior jurisdicionalização do Supremo
Tribunal Administrativo, dever de fundamentação dos actos administrativos, reforço do
sistema de execução das sentenças dos Tribunais Administrativos.
Só em 2002 se aprovou e publicou uma profunda e ousada reforma do
contencioso administrativo, que coloca Portugal a par dos países europeus mais
avançados nesta matéria.
A administração pública, que era politicamente condicionante e economicamente
condicionada, apresenta-se-nos agora no pólo oposto, sendo hoje politicamente
condicionada e economicamente condicionante.

● Liberalização do sistema de Garantias dos particulares contra os actos da


administração
● Autonomização da função administrativa
● Nacionalizações
● Expropriações
● Regionalização

Codificação
Sabe-se o que é um Código: um Diploma que reúne, de forma sintética,
científica e sistemática, as normas de um ramo do Direito ou, pelo menos, de um sector
importante de um ramo do Direito.
Em Portugal, não existe uma codificação global do Direito Administrativo ou,
sequer, da sua parte geral, sendo curioso em todo o caso que exista – e somos um dos
raros países do mundo onde isso acontece – um diploma a que se chama oficialmente
Código Administrativo.
O Código Administrativo apenas codifica uma parcela, embora importante, do
Direito Administrativo português; aquela que se refere à administração local comum.
Nem sequer toda a administração local está regulada no Código Administrativo, mas
apenas a administração local comum, que é constituída por três categorias de entidades:
autárquicas locais; magistrados administrativos; e pessoas colectivas de utilidade
pública administrativa local.
O Código Adminstrativo actual data de 1936-40. È portanto, ainda, o Código
Administrativo do regime da Constituição de 1933. Mas este Código administrativo de
1936-40 não foi o primeiro que em Portugal se publicou com tal denominação.
A verdade é que ele foi o coroamento de uma longa tradição, que vem
precisamente desde um século antes.
A codificação do direito administrativo:
● Está fora de causa a codificação integral do Direito Adminstrativo, tornada
absolutamente inviável pela enorme quantidade e diversidade das suas normas;
● A tradição portuguesa – que remonta aos primórdios do constitucionalismo –
de codificação do direito da administração local e se projectou na sucessão de
códigos administrativos, perdeu-se depois de 1974;
● Simultaneamente, consolidou-se o movimento no sentido da codificação do
Direito adjectivo da administração pública – com inúmeros exemplos no direito
comparado – que esteve na origem do Código do Procedimento Administrativo
de 1992, revisto em 1996;
● A regulamentação legal do contencioso administrativo, antes dispersa e
incoerente, foi muito recentemente reformada e resistematizada em dois
diplomas – o novo Estatuto dos Tribunais Administrativos Fiscais e o Código de
Processo nos Tribunais Administrativos.

● Contencioso Administrativo
O contencioso Administrativo não competia aos tribunais comuns mas sim a
instâncias de carácter jurisdicional separadas, que eram Tribunais administrativos.
Em 1974, os Tribunais Administrativos as denominadas auditorias
administrativas: uma em Lisboa e outra no Porto.
Ainda que vistos como órgãos Jurisdicionais, os Tribunais Administrativos
sempre foram considerados pela doutrina mais influente “Órgãos Administrativos”
e, logo, como parte integrante da Administração. Embora órgãos relativamente
independentes, estavam organicamente inseridos na esfera da presidência do concelho
de ministros (e não do ministério da justiça, como sucedia com os Tribunais Judiciais)
Os instrumentos processuais reduziam-se ao recurso contencioso de anulação
de actos administrativos, por um lado, e as acções administrativas em matéria
contratual e de responsabilidade civil, por outro.
As sentenças dos Tribunais Administrativos eram formalmente obrigatórios,
mas a Administração podia eximir-se legitimamente ao seu cumprimento, invocando
“impossibilidade, grave prejuízo ou embaraço na sua execução”.
A justiça administrativa sofreu alterações profundas com a revolução de Abril e
foi sem sombra de dúvida uma das grandes conquistas da revolução – até esta altura a
justiça administrativa sempre foi vista como uma justiça de segunda classe.
A partir de 1974, muitas foram as alterações: os tribunais administrativos
passaram para a esfera do ministro da justiça e logo na sua primeira versão, a
constituição de 1976 regulou os Tribunais Administrativos como verdadeiros Tribunais,
ficando estes no mesmo plano que os Tribunais, como garantiu enfaticamente o
Direito dos Administrados à impugnação contenciosa de todos os actos administrativos
definitivos executórios.
Com a revisão Constitucional de 1989, os Tribunais administrativos constituem
uma jurisdição própria.

● Os sistemas de administração pública,

A estruturação da Administração Pública varia em função do tempo e do espaço. A história e o


direito comparado mostram bem que os modos jurídicos de organização, funcionamento e controle da
Administração não são os mesmos em todas as épocas e em todos os países. Define-se como sistema
administrativo, o modo jurídico típico de organização, funcionamento e controlo da Administração
Pública.

Sistema Administração Tradicional:

O sistema tradicional assentava nas características seguintes:


● Indiferenciação das funções administrativa e jurisdicional e, consequentemente,
inexistência de uma separação rigorosa entre os órgãos do poder executivo e do
poder judicial.
● Não subordinação da Administração pública ao princípio da legalidade e,
consequentemente insuficiência do sistema de garantias jurídicas dos particulares
face à administração.

Nesta altura não havia a separação de poderes, nem uma sistemática e rigorosa
subordinação da administração pública à lei, ou seja, não havia normas que regulassem
a administração pública. Numa palavra não havia Estado de direito.

É comum distinguir-se dois tipos tradicionais de sistemas de administração.


● Sistema administrativo de tipo britânico ou de “administração
judiciária”
● Sistema administrativo de tipo francês ou de “administração executiva”

●1.1 O Sistema administrativo de tipo francês de “administração


executiva”

Do ponto de vista da estrutura administrativa a Administração Pública, aparece fortemente


centralizado e hierarquizada, sendo o poder local dependente do parlamento. Ou seja,
existia uma Administração Central organizada hierarquicamente e ao nível do poder local, existia
os “prefeitos” que chefiavam os vários departamentos territoriais e eram nomeados pelo governo.
Para além dos prefeitos, existia os municípios sem autonomia administrativa e financeira que eram
presididos pelo “Maire” que era também nomeado pelo governo. Os poderes hierárquicos mais
elevadas estão centralizados no governo e nos ministérios respectivos.
São consagrados direitos subjectivos públicos, que são reconhecidos aos particulares que os podem
invocar perante a administração, nomeadamente através da Declaração Universal dos Direitos
do Homem – 1789, no entanto verifica-se neste sistema administrativo uma menor protecção
dos direitos e interesses das pessoas em prol de uma valorização da defesa dos interesses da
Administração pública.
A administração pública encontra-se a um conjunto de regras próprias que têm por função
por um lado atribuir à administração poderes sobres os seus cidadãos e por outro lado
criar um conjunto de regras próprias que submetem a administração a deveres, sujeições
e restrições nas suas relações com os particulares. Uma das características principais da
administração pública é a de executar as suas próprias decisões (privilégio da execução prévia)
independentemente de qualquer pronúncia judicial, este é aliás um dos poderes exorbitantes
reconhecidos à administração pelo direito administrativo.
A administração pública actua ao abrigo das normas de direito administrativo, está
sujeita a decisões dos tribunais administrativos, que não gozam da plena jurisdição face à
administração pública . Estas formam uma ordem jurisdicional própria e autónoma em
relação aos tribunais comuns (212º da CRP). É assim que sempre que está em causa uma
decisão unilateral tomada pela Administração Pública, no exercício dos seus poderes o
tribunal administrativo só pode anular este acto se ele for ilegal, não pode como é óbvio
declarar as consequências desta anulação, nem obrigar a Administração Pública a proceder
de determinada maneira, nem condená-la a tomar certa decisão, nem obrigá-la a adoptar
determinado comportamento.
Se os tribunais são independentes perante a administração. A administração é também
independente perante aquelas (princípio da separação dos poderes).
Finalmente deve referir-se a existência de órgãos especiais dentro da própria administração,
responsáveis pelo seu controlo, o que significa que para além do exercício de funções
de controlo por parte dos órgãos hierarquicamente superiores, que têm em regra o poder
de anulação, revogação e modificação dos actos praticados. Existem por vezes órgãos
administrativos incumbidos de exercer funções de controlo sobre as actuações dos órgãos da
administração pública.
Este controlo é feito por órgãos públicos e não por órgãos jurisdicionais.

Características iniciais do sistema administrativo de tipo francês:


● Separação dos poderes
● Estado de Direito
● Centralização
● Sujeição da Administração aos tribunais administrativos
● Subordinação da Administração ao direito administrativo
● O privilégio da execução prévia
● Garantias jurídicas dos particulares
(Ver livro para saber o que são)

● 1.2 O Sistema administrativo de tipo britâncio de “administração


judiciária”.

● É consagrado o princípio da separação de poderes. O poder executivo (rei) é proibido de dar


ordens, transferir ou admitir juízes, na sequência do Act of Settlement (1701).
● Consagração do Estado de Direito; assiste-se à subordinação do rei ao direito, nomeadamente
ao direito consuetudinário (Common Law).
Consequência: os particulares vêem consagrados os seus direitos e garantias que podem invocar
junto da administração pública, Surge com a Bill of Rights – 1689, ou seja existe uma maior
protecção dos direitos e interesses dos particulares. Aplicação do direito comum.
● Modo de organização: sistema descentralizado e não hierarquizado. Havia distinção entre
Administração central e local, em que ambas possuíam independência e autonomia.
● Sujeição da Administração aos tribunais comuns: todos os litígios entre a administração e os
particulares eram resolvidos pelos tribunais comuns.
● Sujeição da Administração pública ao direito comum: os Administração Pública (rei e
funcionários) encontram-se subordinados ao direito a que se sujeitam todos os cidadãos. O que
leva a que a administração não seja dotada de poderes ou prerrogativas de autoridade.
● Execução judicial das decisões administrativas: A administração pública não pode executar as
suas decisões por autoridade própria.
● Garantias jurídicas dos particulares: os cidadãos dispõem de um sistema de garantias contra
as ilegalidades e abusos da administração pública.

Uma das características típicas do sistema administrativo é também o de execução judicial


das decisões administrativas.
Assim se um órgão da administração pública toma uma decisão desfavorável ao
particular, por exemplo uma ordem de expulsão ou demolição e se o particular não acatar
voluntariamente esta decisão o órgão administrativo que proferiu, não poderá por si só
empregar meios coercivos para impor o respeito pela sua decisão. Terá de ir ao Tribunal
para obter deste uma sentença que torne imperativa essa decisão, o que significa que as
decisões unilaterais da administração pública não têm em principio força executória própria
não podendo ser impostas pela coação sem a prévia intervenção do poder judicial.
Neste sistema os tribunais gozam do princípio da plena jurisdição face à administração
pública neste aspecto, o juiz pode anular as decisões consideradas ilegais mas também
ordenar as autoridades administrativas que cumpram a lei. Tais ordens ou injunções são
normalmente acatadas pela administração pública, e em caso de desobediência determinam
a responsabilidade dos titulares dos cargos públicos.
Também neste sistema o procedimento administrativo assume uma grande importância,
marcada pela necessidade de os órgãos administrativos, exercerem as suas funções
no âmbito do procedimento tendo em conta as diversas fases, regras e princípios do
procedimento administrativo.

● Conclusão

● 2. A aproximação dos sistemas da administração judicial.


Ao longo dos tempos verificou-se uma aproximação relativa dos dois sistemas devido
à influência recíproca que exerceram um sobre o outro.
Passou a ser frequente a utilização do direito privado por parte da administração,
tendo conduzindo à privatização da Administração pública.
A administração passou assim socorrer-se das formas jurídico-civis de organização
e actuação. Também se tornou cada vez mais comum a ideia de que a administração
pública, não pode executar coactivamente as suas decisões, a menos que a lei o
preveja expressamente. Os actos administrativos não tem de modo algum força
executório o que implica que a utilização por parte da Administração Pública de
meios coactivos, esteja sempre dependente da intervenção dos tribunais com efeito
os tribunais administrativos, têm poderes para forçar a execução pela administração
de sentenças anulatórias dos seus actos. Bem como para condenar a administração
a fazer ou não fazer (alguma coisa) quando estão em causa direitos subjectivos e
interesses legalmente protegidos pelos particulares.
Temos vindo a assistir a um reforço dos poderes dos tribunais administrativos
desde com reforma do contencioso administrativo de 2002/2003 que se traduziu na
aprovação de um novo estatuto dos tribunais administrativos e fiscais e de um novo
código de processo dos tribunais administrativos respectivamente, lei nº 13/2002 de
19 de Fevereiro e (para o código) lei nº15/2002 de 22 de Fevereiro.
Ambos os diplomas entraram em vigor no dia 1 de Janeiro de 2004.

Sistema Britânico – Administração judiciária Sistema Francês – Administração executiva

Traços Comuns

Separação de poderes, embora no francês muito


mais extremista e defesa dos direitos (Inglaterra
– Bill of rights / França – DU dos direitos do
Homem)

Traços Específicos

- Descentralização e não hierarquizado. - A AP centralizada e hierarquizado (o poder local


é dependente do parlamento).

- Sujeição aos tribunais comuns - Sujeição aos tribunais administrativos

- Tribunais de plena jurisdição - Tribunais administrativos não gozam da plena


jurisdição face à administração pública.
- Garantias dos administrados efectivada pelos - Garantias dos administrados efectivados através
tribunais comuns, maior protecção dos direitos e dos tribunais administrativos Menor protecção dos
interesses dos particulares. direitos e interesses das pessoas. (valorização da
defesa dos interesses da Administração Pública).

- Aplicação do direito comum - Aplicação do direito administrativo.

- Execução judicial das decisões - Privilégio de execução prévia.

●O Direito Administrativo como Ramo do Direito


● Subordinação da Administração Pública ao Direito

● A administração está submetida ao direito. Aparece vinculada pelo direito, sujeita a


normas jurídicas obrigatórias e públicas, que têm como destinatários tanto os próprios
órgãos e agentes da administração como os particulares, os cidadãos em geral.
● Do princípio da submissão da administração ao direito decorre que toda a actividade
administrativa, e não apenas uma parte dela, deve subordinar-se à lei.
● A administração pública está subordinada ao direito e é controlada, em nome do
direito, pelos tribunais. Está subordinada aos tribunais e ao direito administrativo, e
também ao direito privado e aos tribunais judiciais.
● Temos de ter em intenção que nem todas as relações jurídicas estabelecidas entre a
administração e os particulares são da competência dos tribunais administrativos:
● O controlo jurisdicional das detenções ilegais, nomeadamente através
do «habeas corpus», pertence aos tribunais judiciais.
● As questões relativas ao estado e capacidade das pessoas, bem como as
questões de propriedade ou posse, são também das atribuições dos tribunais
comuns.
● Os direitos emergentes de contratos civis, comerciais ou de trabalho
celebrados pela administração, estão igualmente incluídos na esfera reservada
da jurisdição ordinária.
● Numa palavra: «a razão de ser os tribunais administrativos não reside hoje em dia
no privilégio de um foro privativo da administração, mas na vantagem de uma
especialização maternal dos órgãos jurisdicionais.

● Noção/Conceito de Direito Administrativo

● Sistema de normas jurídicas distintas do Direito Privado, que regulam a organização


e funcionamento da AP, bem como as relações que estabelece com outro sujeito de
Direito no exercício da actividade administrativa de gestão pública.

1. A AP está subordinada ao Direito (266º/2 CRP) = princípio da legalidade


2. A actividade administrativa é uma actividade jurídica a partir da qual surgem
direitos e deveres para os particulares e para ela.
3. A adm é fiscalizada pelos tribunais.
● Por influência do sistema francês, a AP está sujeita ao Direito Administrativo, e aos
Tribunais Administrativos (ramo de Direito Público especial).
● O Direito Administrativo é um sistema de normas distintas do Direito Privado, que
visam ser aplicadas a relações em que uma parte é a entidade pública e a outra parte
é um particular.

● Estas normas vão regular a organização e o funcionamento da adm. Pública.


O DA diz-nos quais são os organismos e instituições públicas e como funcionam
(CPA).

● O DA regula também as relações entre sujeitos de direito, (entre entidades públicas).

● O DA regula apenas a actividade materialmente administrativa. Os actos praticados


regulados pelo Direito Privado ou Político são matérias fora do âmbito do DA. (ver
138/139).

● «Ramo do direito publico constituído pelo sistema de normas jurídicas que regulam
a organização e o funcionamento da administração publica, bem como as relações
por ela estabelecidas com outros sujeitos de direito no exercício da actividade
administrativa de gestão pública.»

● O Direito Administrativo como Direito Publico

● O Direito administrativo é, na ordem jurídica portuguesa, um ramo do direito


público. E é um ramo do direito público, qualquer que seja o critério adoptado para
distinguir o direito publica do direito privado.
● O direito administrativo é direito público, porque as normas de direito
administrativo são estabelecidas tendo em vista a prossecução do interesse
colectivo, e destinam-se justamente – quer pelos poderes de autoridade que
conferem, quer pelas restrições e sujeições que estabelecem.
● O direito administrativo é direito público, porque os sujeitos de direito que
compõem a administração são, sujeitos de direito publico, entidades públicas ou,
como também se diz, pessoas colectivas públicas.

● Tipos de Normas administrativas

● O direito administrativo é um conjunto de normas jurídicas. O direito administrativo


será, de todos os ramos do direito, aquele que comporta um maior numero de
normas jurídicas.
● É um conjunto organizado, estruturado, obedecendo a princípios comuns e dotado
de um espírito próprio.
● Neste sistema de normas há a considerar, três modalidades de normas jurídicas, três
tipos de normas administrativas: são as normas orgânicas, as normas funcionais e as
normas relacionais.
● Normas Orgânicas: normas que regulam a organização da administração
publica: são normas que estabelecem as entidades e organismos que fazem
parte da administração, e que determinam a sua estrutura, os seus órgãos e os
seus serviços: definem a sua organização. Têm relevância jurídica externa,
não interessando apenas à estruturação interior da administração e muito
particularmente, aos cidadãos.
(art.º 267º CRP)
● Normas Funcionais: dentro desta categoria destacam-se, pela sua particular
relevância, as normas processuais. São as regulam o modo de agir especifico da
administração pública, estabelecendo processos de funcionamento.
● Normas relacionais: regulam as relações da administração com os outros sujeitos
de direito no exercício da actividade administrativa. São as mais importantes, até
porque representam a maior parte do direito administrativo material, ao passo
que as referimos até aqui são de direito administrativo orgânico e processual.
São as que regulam as relações entre a administração e outros sujeitos de direito
no desempenho da actividade administrativa

● Há três relações jurídicas reguladas pelo direito administrativo:


● Relações entre a administração e os particulares
● Relações entre duas ou mais pessoas colectivas públicas
● Certas relações entre dois ou mais particulares
● Entendemos que são caracteristicamente administrativas as seguintes espécies de
normas relacionais:
● Normas que conferem poderes de autoridade à administração publica
● Normas que submetem a administração a deveres, sujeições ou limitações
especiais, impostas por motivos de interesse público
● Normas que atribuem direitos subjectivos ou reconhecem interesses legítimos
face à administração.

● Actividade de Gestão publica e de Gestão privada

● A gestão pública é uma expressão que se utiliza no nosso direito para designar a
actividade pública da administração. É a actividade da administração desenvolvida
sob a égide do direito administrativo.
● A gestão privada é para designar a actividade que a administração desempenha,
ainda e sempre para fins de interesse público. É a actividade da administração
pública desenvolvida sob a égide do direito privado.
● São actos de gestão privada os que se compreendem numa actividade em que a
pessoa colectiva, despida do poder público, se encontra e actua numa posição de
paridade com os particulares a que os actos respeitam e, portanto, nas mesmas
condições e no mesmo regime em que poderia proceder um particular, com
submissão às normas de direito privado.
● São actos de gestão pública os que se compreendem no exercício de um poder
ou dever público, integrando eles mesmos a realização de uma função publica da
pessoa colectiva, independentemente de envolverem ou não o exercício de meios de
coacção, independentemente ainda das regras, técnicas ou de outra natureza, que na
prática dos actos devam ser observadas.

● Natureza do Direito Administrativo


● As principais teses são três: o direito administrativo é um direito excepcional,
o direito administrativo é o direito comum da administração pública, o direito
administrativo é o direito comum da função administrativa.
● O Direito administrativo como direito excepcional: é um conjunto de
excepções ao direito privado. O direito privado era a que se aplicaria
sempre que não houvesse uma norma excepcional do direito administrativo
aplicável.
● O direito administrativo como direito comum da administração publica: O
direito administrativo é, pois, um direito comum. É a concepção subjectiva
ou estatuária do direito administrativo.
● O direito administrativo como direito comum da função administrativa:
o direito administrativo não é, o único ramo dos direito aplicável à
administração pública. Há três ramos do direito que regulam a administração
pública:
● O direito privado
● O direito privado administrativo
● O direito administrativo

● Função do Direito Administrativo

● As principais opiniões são duas:


● A função do direito administrativo é conferir poderes de autoridade à
administração pública, de modo a que ela possa fazer sobrepor o interesse
colectivo aos interesses privados.
● A função do direito administrativo é reconhecer direitos e estabelecer
garantias em favor dos particulares frente ao Estado, de modo a limitar
juridicamente os abusos do poder executivo e a proteger os cidadãos contra
os excessos da autoridade do estado.
● Nenhuma destas teorias é verdadeira. A função do direito administrativo não é,
apenas «autoritária», nem é apenas «liberal» ou «garantistica».
● O direito administrativo desempenha uma função mista, ou uma dupla função:
legitimar a intervenção da autoridade pública e proteger a esfera jurídica dos
particulares; permitir a realização do interesse colectivo e impedir o esmagamento
dos interesses individuais, organizar a autoridade do poder e defender a liberdade
dos cidadãos.

● Caracterização genérica do direito Administrativo

● «É a procura permanente de harmonização das exigências da acção administrativa,


na prossecução dos interesses gerais, com as exigências de garantia dos particulares,
na defesa dos seus direitos e interesses legítimos.»
● É aquela permanente harmonização entre as exigências da administração e
as exigências dos particulares, que sem dúvida constitui a tarefa fundamental
do legislador ao fazer as opções que se vão traduzir em normas de direito
administrativo.
● Traços específicos do Direito Administrativo:

● Juventude: O direito administrativo é hoje um direito bastante jovem: nasceu com a


revolução francesa.
● Influência Jurisprudencial: Jurisprudência – é a orientação que se desprende
das decisões dos tribunais. O direito administrativo, nasceu em França por
via jurisprudencial: surgiram 1º os tribunais administrativos, para subtrair à
administração a possibilidade de intromissão no poder judicial, e forma depois
os tribunais administrativos, ao tomar contacto com os casos surgidos da acção
administrativa, que começaram a ensaiar soluções novas, regras específicas,
princípios e conceitos diferentes daqueles que se aplicavam nos tribunais judiciais
à luz do direito civil. Também em Portugal a jurisprudência tem grande influência
no direito administrativo. Em 1º lugar, cumpre ter presente que nenhuma regra
legislativa vale apenas por si própria. Em 2º lugar, acontece que há casos omissos.
E quem vai preencher as lacunas são os tribunais administrativos, aplicando a esses
casos normas que os não abrangiam, ou criando para eles normas até ai inexistentes:
portanto inovando.
● Autonomia: O direito administrativo é um ramo autónomo do direito, diferente
dos demais pelo seu objecto e pelo seu método, pelo espírito que domina as suas
normas, pelos princípios gerais que as enformam. Sendo o direito administrativo
um ramo do direito autónomo, constituído por normas e princípios próprios, e não
apenas por excepções ao direito privado, havendo lacunas a preencher, essas lacunas
não podem ser integradas através de soluções que se vão buscar direito privado.
● Codificação parcial: Código: diploma que reine, de forma sintética, científica
e sistemática, as normas de um ramo do direito ou, pelo menos, de um sector
importante de um ramo de direito. Em Portugal não existe uma codificação global
do direito administrativo ou, sequer, da sua parte geral, sendo curioso em todo o
caso que exista um diploma a que se chama oficialmente Código administrativo. O
código administrativo apenas abarca uma parcela limitada, embora importante, do
nosso Direito administrativo.

● Ramos do Direito Administrativo:

● A principal divisão que se pode traçar dentro do direito administrativo é a que se


estabelece entre o direito administrativo geral e o direito administrativo especial.
● Direito Administrativo Geral: incluem-se as normas fundamentais deste ramo do
direito, os seus conceitos basilares, os seus princípios gerais, as regras genéricas
aplicáveis a todas as situações, quaisquer que sejam as suas características
particulares ou específicas.
● Direito Administrativo Especial: são as normas que versam sobre cada um dos
sectores específicos da administração pública. Os ramos fundamentais do direito
administrativo especial são cinco, a saber:
● Direito Administrativo Militar: ocupa-se da organização das forças armadas,
do regime jurídico da defesa nacional, dos deveres e encargos impostos por
razões de defesa nacional aos cidadãos e, em geral, das regras próprias de
funcionamento das instituições militares
● Direito Administrativo Cultural: abrange a regulamentação jurídica do
sistema escolar; da acção cultural do Estado, da defesa do património
artístico, histórico e arquitectónico do país, e da organização e
funcionamento dos serviços públicos culturais, tais com museus, arquivos e
bibliotecas; da investigação científica e tecnológica; do apoio à juventude e
ao desporto; e dos espectáculos.
● Direito Administrativo Social: abrange o regime jurídico dos serviços
públicos de carácter social, nomeadamente hospitais e outros
estabelecimentos de saúde pública, serviços de assistência social, serviços de
previdência ou segurança social.
●Direito Administrativo Económico: é um ramo que pelo seu
desenvolvimento tende a separar-se do próprio direito administrativo, sob a
designação de direito económico – que, de resto, é uma disciplina que já faz
parte dos planos de estudos actuais dos cursos de direito. Nela se abrangem
matérias da maior relevância como os aspectos jurídicos da intervenção do
Estado na economia, suas formas e limites; empresas públicas, empresas
nacionalizadas e empresas de economia; planeamento económico. E ainda
matérias como as nacionalizações, as privatizações, as entidades reguladoras
independentes.
● Direito Financeiro: inclui o direito orçamental e da contabilidade pública, e
o direito fiscal. O direito financeiro e o direito fiscal fazem parte do direito
administrativo. O direito administrativo especial contêm normas de direito
publico que regulam de modo especifico a organização, o funcionamento e o
controlo jurídico de sectores importantes de administração publica estadual,
como são a administração financeira e administração fiscal.

● Fronteiras do Direito Administrativo:

●Direito Administrativo e Direito privado: são distintos pelo seu objecto, uma
vez que enquanto o direito privado se ocupa das relações estabelecidas pelos
particulares entre si na vida privada, o direito administrativo ocupa-se da
administração pública e das relações de direito publico. São distintos pela origem
e pela sua idade, pois o direito privado nasceu na Roma antiga, enquanto o direito
administrativo nasceu na revolução francesa. São distintos pela soluções materiais
que consagram para os problemas de que se ocupam, porque o direito privado
adopta soluções de igualdade entre as partes, por assentar no principio da liberdade
e da autonomia da vontade, ao passo que o direito administrativo adopta soluções
de autoridade.
● No plano da técnica jurídica: o direito administrativo começou por ir
buscar determinadas noções ao direito civil
● No plano dos princípios: já sabemos que durante muito tempo o direito
administrativo foi considerado pelos autores como uma espécie de zona
anexa ao direito civil, e subordinada a este: o direito administrativo seria
feito de excepções ao direito civil, de cláusulas exorbitantes, de normas
derrogatórias do direito civil.
● No plano das soluções concretas: é hoje vulgar assistir-se à adopção
pelo direito administrativo de certas soluções inspiradas por critérios
tradicionais do direito privado.
●Direito Administrativo e direito Constitucional: bastará relembrar que o direito
constitucional está na base e é o fundamento de todo o direito publico de um pais,
mas isso é ainda mais verdadeiro, se possível, em relação ao direito administrativo
é, em múltiplos aspectos, o complemento, o desenvolvimento, a execução de
direito constitucional.
● Direito Administrativo e Direito Judiciário: outro ramo do direito publico é o direito
judiciário, constituído pelas normas que regulam a organização e o funcionamento
dos tribunais e disciplinam o desempenho, por estes, da função jurisdicional.
Costuma-se dividir o direito judiciário em duas grandes secções: uma é formada
pelo direito judiciário em sentido restrito, e a outra pelo direito processual. O
direito judiciário «stricto sensu», que regula a orgânica e o funcionamento dos
tribunais, tem grandes semelhanças com o direito administrativo: trata-se de
regular serviços públicos que visam satisfazer uma necessidade colectiva.
● Direito Administrativo e Direito Penal: o direito penal ou direito criminal é o ramo
do direito público constituído pelo sistema das normas que qualificam certos factos
como crimes e regulam a aplicação aos seus autores de penas criminais.
● Direito Administrativo e Direito Internacional: é conhecida a noção de direito
internacional, ou direito internacional público. Nele se incluem, designadamente,
certas normas jurídicas que dizem respeito às administrações públicas dos Estados
e que, uma vez aceites por estes, através da celebração de tratados, passam a
regular em cada país aspectos importantes da sua vida administrativa interna: é
aquilo a que se chama o direito internacional administrativo.

● Princípios Fundamentais

● Direito de Informação e de Acesso

Os cidadãos têm o direito de ser informados pela administração, sempre que


o requeiram, sobre o andamento dos processos em que sejam directamente
interessados, bem como o de conhecer as resoluções definitivas que sobre eles
forem tomadas.

Art. 268 CRP

● Princípio da Administração Aberta


Foi instituído o princípio da administração aberta, ou do arquivo aberto, ou
seja, o livre e geral acesso aos documentos administrativos pelo cidadão comum
independentemente da invocação (ou da existência) de um interesse directo.
Excepções:
● Matérias relativas à segurança interna e externa;
● Matérias relativas à investigação criminal
● Matérias relativas à intimidade das pessoas (documentos nominativos,
segredos comerciais, industriais, ou que digam respeito à vida interna das
empresas)
Livre e geral acesso aos documentos administrativos, pelo cidadão comum,
independentemente da invocação (ou da existência) de um interesse.

● Direito ao recurso
È garantido aos administrados tutela jurisdicional efectiva dos seus direitos
ou interesses legalmente protegidos, incluindo, nomeadamente, o reconhecimento
desses direitos ou interesses, a impugnação de quaisquer actos administrativos que
os lesem, independentemente da forma, a determinação da prática de actos

● Interesse Público Primário:


Cuja satisfação e definição compete aos órgãos do Estado no desempenho das
suas funções politica e legislativa.
● Interesse Público Secundário
São aqueles cuja definição é feita pelo legislador mas cuja satisfação cabe à
Administração Pública no desempenho da função administrativa.

● Princípio da Prossecução do Interesse Público


● Interesse Público Primário:
Cuja satisfação e definição compete aos órgãos do Estado no desempenho das
suas funções politica e legislativa.
● Interesse Público Secundário
São aqueles cuja definição é feita pelo legislador mas cuja satisfação cabe à
Administração Pública no desempenho da função administrativa.

● Dever da Boa Administração


A ideia de que a actividade administrativa se deve traduzir em actos cujo
conteúdo seja também inspirado pela necessidade de satisfazer da forma mais racional
possível o interesse público constitucional e legalmente fixado.

● Princípio da Proporcionalidade
O termo proporcionalidade corresponde, a uma ideia de variação correlativa de
duas grandezas; enquanto conceito jurídico - administrativo, as grandezas conexionadas
são os benefícios decorrentes da decisão administrativa para o interesse público
prosseguido pelo órgão decisor e os respectivos custos, metidos pelo inerente sacrifício
de interesses dos particulares (também se pode designar esta ideia por racionalidade da
decisão)
Decompõe-se em três níveis de apreciação:
● A exigibilidade do comportamento administrativo;
● A adequação do comportamento administrativo à prossecução do
interesse público;
● A proporcionalidade em sentido estrito, a existência de uma proporção
entre as vantagens decorrentes da prossecução do interesse público e os
sacrifícios inerentes dos interesses privados.
● Princípio da Boa-Fé
Consagrado no artigo 6º - A do CPA, não apresenta especificidade no que
respeita à sua aplicação à administração pública. Sobressaem, porém, os dois limites
negativos que ele coloca à actividade administrativa pública:
● A administração pública não deve atraiçoar a confiança que os particulares
interessados puseram num certo comportamento seu;
● A administração Pública também não deve iniciar o procedimento
legalmente previsto para alcançar um certo objectivo com o propósito de
atingir um objectivo diverso, ainda que de interesse público.

● Princípio da Imparcialidade
Consagrado no art. 266, nº2, da CRP, inscreve-se também no relacionamento
da Administração Pública com os cidadãos: procura assegurar que a tomada
da decisão administrativa leve em consideração todos os interesses, públicos e
privados, relevantes, e por outro evitar que a prossecução de um interesse público
se confunda com quaisquer interesses privados com que a actividade administrativa
possa contender ou se possa envolver.
O princípio da imparcialidade determina que a administração pública não deve
favorecer nem prejudicar especialmente nenhum interesse privado.

● Princípio da Igualdade
O princípio da igualdade impõe que se trate de modo igual o que é juridicamente
igual e de modo diferente o que é juridicamente diferente, na medida dessa
diferença.
● Art.266, nº2 CRP
● Art. 13 CRP
● Art. 5 CPA

● Princípio da Justiça
Traduz a ideia de que a actividade administrativa está condicionada por critérios
de justiça material. Está inequivocamente ligado com o princípio da legalidade.

● Princípio da Legalidade
O princípio da legalidade produz dois tipos de efeitos:
● Efeitos negativos: como a Administração Pública está proibida de
violar a lei, se o fizer, os seus actos sofrerão uma consequência jurídica
desfavorável, a invalidade.
● Efeitos positivos: os actos administrativos são tidos por legais até que
um tribunal administrativo decida em contrário; é por esta razão que a
impugnação contenciosa não suspende, em princípio, os efeitos do acto
recorrido.

● Fundamento democrático: relacionado com a reserva de lei.


○ Lei – Lei A. República
● Fundamento Garantístico: dotado de previsibilidade, no sentido que não vai
surpreender o administrado.
● Preferência de lei
Perante qualquer actuação da Administração Pública, a decisão tem de
ser subordinada ou de acordo com a própria lei.
● Reserva de Lei
Nos termos da lei, compete à Assembleia da República legislar sobre
determinadas matérias (art. 164/165 CRP)

Princípio da legalidade – Bloco da Legalidade.

● Teoria do estado de necessidade


É uma consequência do próprio princípio da legalidade, a teoria do estado de
necessidade está previsto na lei – art. 339º C. Civil

● Teoria dos Actos Políticos


Não são excepções, mas sim consequências, ou seja, qualquer acto praticado tem
de estar de acordo com o princípio da legalidade.

● Notificação dos interessados


Os actos administrativos estão sujeitos a notificação dos interessados, na forma
prevista na lei, e carecem de fundamentação expressa e acessível quando afectem
direitos ou interesses legalmente protegidos pelos cidadãos.
O órgão administrativo deve justificar a decisão que tomou, assim, são
notificados todos os actos que lesem ou afectem a esfera jurídica do administrado,
perante a falta de fundamentação, o acto administrativo está sujeito a anulabilidade
– art. 135.º CPA.

● Discricionariedade

Discricionariedade é a liberdade de acção administrativa, é a margem de livre


apreciação, dentro dos limites permitidos pela lei, ou seja, a lei deixa certa margem de
liberdade de decisão diante de um caso concreto, de modo que a administração poderá
optar por uma entre as várias soluções possíveis, todas, porém, válidas perante o direito.
É, portanto, um poder que o direito concede à Administração, de modo explícito ou
implícito, para a prática de actos administrativos, com a liberdade na escolha segundo
os critérios de conveniência, oportunidade e justiça, próprios da autoridade, observando
sempre os limites estabelecidos em lei, pois estes critérios não estão definidos na lei.
Os actos administrativos devem sempre visar o interesse social ou interesse
colectivo, não obedecendo estes parâmetros o acto será nulo, por desvio de poder ou
finalidade, que poderá ser reconhecido ou declarado pela própria Administração ou
Poder Judiciário.
A Administração está obrigada a sempre escolher os melhores meios para
satisfazer o interesse público, devem escolher a melhor maneira para praticar tais actos.
A eficiência deve ser considerada um limite da discricionariedade.

Discricionariedade:
● Discricionariedade de acção
(agir ou não agir)
● Discricionariedade de escolha
(escolha entre duas possibilidades de actuação definidas pela lei)
● Discricionariedade criativa
(actuação concreta dentro dos limites jurídicos aplicáveis)
● Discricionariedade técnica
(quando implica juízos técnicos)
Controlo:
● Controlo de legalidade;
● Controlo de mérito;
● Controlo jurisdicional;
● Controlo administrativo.
Podem-se impugnados:
● Com fundamento em incompetência;
● Com fundamento em vício de forma;
● Com fundamento em violação de lei
● Erro de facto

● Poder Discricionário da Administração Pública


Prática
As decisões da administração pública assentam numa racionalização própria.
Margem de livre decisão administrativa ( quanto maior for o espaço de liberdade
menores serão as vinculações das decisões administrativas).
Ausência de controlo jurisdicional.

● Como é que a lei modela a actividade administrativa?


Sob duas formas:
. Vinculação – ex.: acto tributário: a lei define todos os passos
. Discricionariedade – ex: nomeação de 1 governador civil (a lei só diz que
administração deve nomear 1 cidadão capaz e maior)

Ou a lei regula todos os actos da actividade administrativa (vinculação) ou não


(discricionariedade).
Sucede que o que eventualmente se deve defender é que: mesmo nos actos
vinculados, há sempre margem de manobra e nos actos discricionários há actos
vinculados.
Exemplo do Governador Civil: é a lei que nos diz quem nomeia. Mesmo no acto
discricionário podemos encontrar vinculação à lei.

Conclusão: o poder discricionário da administração pública está sempre vinculado


à lei, quer quanto ao fim, quer quanto à competência. A AP deve respeitar os
princípios gerais de direito (266º CRP). O poder discricionário é um poder-dever.
É um poder jurídico.

O que devemos entender hoje sobre discricionariedade?


A discricionariedade é a liberdade concedida à adm. desta adoptar um de entre
vários comportamentos possíveis, escolhendo aquele que a adm. considerar como
sendo mais adequado à realização do interesse público protegido pela norma que o
confere.

Def. do nosso professor: O poder discricionário confere à autoridade administrativa


uma certa latitude de apreciação quanto à decisão a tomar, permitindo-lhe escolher
entre soluções juridicamente fundadas aquela que lhe parece mais oportuna.
significa que
Hoje: o poder discricionário não deve ser definido como uma simples liberdade que
a adm. tem de escolher uma solução, mas como um dever jurídico de escolha de
uma solução legalmente possível, mais adequada ao interesse público.

Sucede que estas decisões são soluções que caem no campo da decisão
administrativa de mérito. Estas decisões não podem alteradas pelos tribunais.
Apenas se pode invocar a ilegalidade do procedimento administrativo. Ex: violar o
princípio da legalidade, ou da proporcionalidade.

Por que existe o poder discricionário?


Razões Práticas: seria impossível a lei regular todos os aspectos da
actividade administração. É conveniente que a lei deixe uma margem de liberdade
de escolha / decisão.
Razões Jurídicas: o poder discricionário visa assegurar um tratamento
equitativo dos casos individuais. A administração necessita de uma margem de
autonomia jurídica.

É um poder cujo âmbito se estende a vários momentos da actividade administrativa:


passa pelo conteúdo, forma da decisão, tempo da decisão.

Mas, é também um poder limitado.


Existem dois limites:
a própria lei (a lei, os princípios constitucionais)
limites que resultam do própria auto-vinculação. A administração quando usa
o poder discricionário, fá-lo:
- casuisticamente (caso a caso)
- definindo ela própria normas genéricas que a levam a actuar de determinada
forma.

Como se pode controlar a obediência da Administração a estes limites?


Controlo da legalidade se obedece ou não à lei
Controlo do mérito se as suas decisões são as + eficientes / oportunas
Controlo jurisdicional levado a cabo pelos tribunais administrativos
Controlo administrativo feito dentro e pelo própria organização (caso exista
hierarquia ou não.

Estas formas interagem entre si. Ex.: o pode ser feito através do e do .
O controlo do só pode ser levado a cabo pelo .
É aqui que se assegura o princípio da separação de poderes. O poder executivo da
AP é separado do judicial.

Como pode um particular impugnar uma decisão da Administração Pública?


Antes: considerava-se que os actos discricionários da adm. só podiam ser
impugnados com base no desvio de poder. Hoje: o controlo é muito alargado. Todos
os vícios (de forma, de competência) são fundamento para impugnar 1 acto da
administração