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O ESTADO E OS SISTEMAS CONSTITUCIONAIS

Elementos essenciais para a existência de um Estado:

● Povo
● território
● poder político

Processos de formação: 1º pacíficos ou violentos


2º de acordo c/ as leis do Estado a que até então pertenciam
ou contra essas leis
3º Desenvolvimento interno ou externo

Estado é a complexidade de organização e actuação, caracterizada pela institucionalização,


pela coercibilidade e autonomização do poder político e pela sedentariedade (sendo estas as
notas características do Estado)

1º - Complexidade
. centralização do poder;
. multiplicação e articulação de funções;
. diferenciação de órgãos e serviços;
. enquadramento dos indivíduos em termos de faculdades, prestações e imposições.

O Estado tem uma continuidade indefinida, o que conduz à...

2º - Institucionalização (do poder)


. dissociação entre a autoridade política e a pessoa que no momento a exerce;
. permanência do poder para além da mudança de titular;
. subordinação ao bem comum (ex. Segurança Social para todos;
. criação de instrumentos jurídicos de mediação, de formação da vontade colectiva (órgãos e
figuras afins)

3º - Coercibilidade
A administração da justiça entre pessoas ou grupos monopólio da força física

4º - Autonomização do poder político (das instituições)


. procura cumprir finalidades internas e externas;
. pretende defender-se da ameaça dos outros países;
. O Estado promove a segurança interna e externa, dirigindo a sociedade, o que conduz ao
“fenómeno burocrático”, onde surge uma mística do poder que justifica as suas acções em
nome de objectivos próprios originando a sua própria autonomia.

5º - Sedentariedade – continuidade no tempo / continuidade no espaço*

* esta implica: ligação do poder e da comunidade a um determinado território;


fixação num território

1
Daí o papel histórico do território - local de fixação de um povo

Chegando a dar no nome ao - Local de agregação ou integração de elementos


próprio Estado diversos no Próprio Estado num mesmo povo

Com importantes efeitos jurídicos: - uma das bases do sentido de identidade de um


cidadania, nacionalidade, direitos povo ao longo dos tempos
e deveres
- uma das bases de permanência do poder político

1.
FASES DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO
O Estado na História – localização histórica do Estado:

Modelo Jelinek dos Tipologia Marxista


“Tipos fundamentais de Estado” (Modos de Produção)
1) Estado Oriental 1) Estado Despótico
2) Estado Grego 2) Estado Clavagista
3) Estado Romano 3) Estado Feudal
4) Estado Medieval 4) Estado Capitalista
5) Estado Moderno (e europeu) 5) Estado Socialista
1. É o que interessa

1. Estado Oriental:

● Teocracia (poder religioso);


● forma monárquica em (monarca = Deus)
● ordem hierárquica e hierática (diz respeito à igreja, poder sacerdotes);
● reduzidas garantias dos indivíduos;
● larga extensão territorial e aspiração a constituir um império universal (guerra santa).

Com lugar à parte: Israel crença monoteísta e


recusa a divindade dos reis e sujeição à lei ditada por Deus, no
caso, A.T.

2. Estado Grego

● Identificação do Estado com a polis (cidade)


● Prevalência do factor pessoal em que Estado = comunidade dos cidadãos + metecos +
mulheres + escravos === > diferenciação do tipo de pessoas
● Inexistência de liberdade fora do Estado (ié, a pessoa em si, não está livre do poder
político)
● Direitos políticos atribuídos aos homens.

É neste âmbito (no período da democracia Ateniense) que se encontra o maior contributo
original para o pensamento político-constitucional, se bem que o conceito de democracia fosse
“sui generis”:
● outra concepção de liberdade (existência de escravos)
● direitos políticos só atribuídos aos homens, e entre eles, só a certos estratos

2
● igualdade perante a lei só diz respeito aos cidadãos.

3. Estado Romano

● Roma nasceu de um agrupamento de famílias (gens), cultivando-se uma visão do poder


em que o direito não é inato mas: adquirido
conquistado
mantido
● Poder centralizado no Imperador;
● Poder político reservado a 1 único titular
● Expansão da cidadania a um largo espaço territorial
● Consciência da separação entre poder público e poder privado (do pater familiae) e da
consequente distinção entre direito público e direito privado.
- Direitos básicos do cidadão:
Jus Sufragi (direito ao voto)
Jus Honorum ( direito de acesso às magistraturas)
2. Jus Connubi (direito de casamento legítimo)
Jus Commercii (direito de celebrar actos jurídicos)
● progressiva atribuição de direitos aos estrangeiros (“is Gentium”)
● De salientar, ainda, a importância do Direito Público Romano quanto à evolução política ao
longo do tempo realeza / Monarquia
República
Principado
● surge 1 movimento de perspectiva religiosa: o Cristianismo
O Cristianismo veio contestar o carácter sagrado do Imperador.
Reconhece à pessoa uma nova posição dentro da comunidade política:
- a pessoa torna-se um valor em si porque “criado à imagem e semelhança de Deus”
- todos os homens são pessoas com igual dignidade

Até então:

Deus Deus Deus

Rei Rei Reicom crença Deus


cristã
Magistrados Magistrados Homem
● podendo ser imediata a relação!
Súbditos

4. Estado Medieval

Podemos identificar 2 momentos: 1º momento -> invasões Bárbaras


2º momento -> Reconquista Cristã / Reconstrução

Aquele 1º momento faz com que surja no 2º momento um fenómeno em que se vive,
simultaneamente, um ambiente de insegurança geral a para da pequena segurança social.
Daí verificar-se a decomposição e ausência do poder, levando-nos a uma situação complexa
em que temos:
Autoridade <------------------------ Poder Real <-------------------------- Poder Parcelar
Universal

Igreja Senhores feudais


e corporações

3
. Como não há uma relação geral e imediata entre os súbditos e o Rei, os direitos são-lhes
conferidos, não enquanto cidadãos individuais, mas sim enquanto membros de um grupo:
privilégios, regalias, imunidades. Obviamente, avulta o poder da Igreja.

5) Estado Moderno e Europeu:

Ressurge a noção de Estado na sua plena acepção:


● concentração do poder no rei
● território com limites precisos

O poder chega a todo o lado com as características de : concentração


Institucionalização

Este tipo, para além das gerais, tem características próprias:

. Estado Nacional (em que o factor determinante é a nação ou comunidade histórica, e


já não a religião, raça, ocupação bélica)
. Laicidade ou Secularização (uma vez que o poder já não prossegue fins religiosos
estado islâmico
. Soberania (noção: poder supremo que dá ao Estado a capacidade para vender as
resistências internas à sua acção, bem como para afirmar a sua independência em
relação aos outros)

Este tipo de estado surge em diversos momentos:

Mais cedo ------------------------------------------- > na Península Ibérica e Inglaterra


Lentamente, ao longo do séc. XIV e XV -------- > França

1. Evolução do estado moderno Europeu

Tendo como critério uma perspectiva política e jurídico-positiva que entende o Estado como
um processo político e jurídico de agir, podemos encontrar:

* Estado Estamental – fase de transição até o monarca atingir todo o poder

* Estado Absoluto - aquele em se opera a máxima concentração de poder no Rei, isto


porque:
1º - a vontade do Rei é Lei
2º - as regras jurídicas são exíguas, vagas e quase todas não reduzidas
a escrito.

É neste tipo de surge um desdobramento do Estado em:

Estado (propriamente dito com soberania)


Fisco (entidade de direito privado, que contrata, que se obriga, etc.)

E há também que estabelecer uma divisão em dois sub-períodos:

1– Monarquia de Direito Divino (até princípios do séc. XVIII)


2– Despotismo esclarecido [já se começa a libertar do fundamento religioso
do seu poder. Incremento do capitalismo (1ª fase: capitalismo comercial; 2ª fase capitalismo
industrial). A burguesia revela ser o sector mais dinâmico da sociedade, contribuindo com
receitas para o Estado.

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2. Estado Constitucional, Representativo ou de Direito

Há que analisar os factores de surgimento do Estado Constitucional:


● correntes filosóficas do Contratualismo, Individualismo, Iluminismo, Locke, Montesquieu,
Rousseau, Kant.
● Movimentos económicos, sociais e políticos.

A verdadeira viragem no plano europeu dá-se com a Revolução Francesa (1789), tendo sido
também importantes factos como:

● o início da revolução industrial inglesa, bem como a sua história política recente
● o exemplo dos EUA com as primeiras constituições escritas em sentido moderno.

1.

Verifica-se, pois, traços de mudança:

ANTES DEPOIS

. tradição . contrato social

. soberania do Príncipe . Soberania Nacional e a lei como


expressão da vontade geral

. Exercício do poder por um . exercício por muitos, eleitos pela


só ou seus delegados colectividade

. Razão de Estado . Estado como executor de normas jurídicas

. súbditos . cidadãos, com a atribuição a todos os homens,


apenas por serem homens, de direitos
consagrados na lei.
1.
Traços de mudança estes que potenciam o surgimento de novos instrumentos técnico-
jurídicos, em que os principais são:

. A Constituição
. O princípio da legalidade
. As Declarações de Direitos
. A separação de poderes legislativo
executivo
judicial
. A representação política

Desta nova concepção, os textos mais significativos são Americanos e Franceses:


● em 1776 Declaração de direitos da Virgínia
Declaração de independência dos EUA
● em 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão Revolução Francesa

Temos, então, que, numa primeira noção:

Estado Constitucional -> assenta numa Constituição reguladora tanto de toda a sua
organização como de relação com os cidadãos e tendente à limitação de poder.

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Governo Representativo -> em que se opera uma dissociação entre a titularidade e o
exercício do poder, sendo que a titularidade radica no povo, na nação, que confere o poder a
governantes eleitos ou considerados representativos da colectividade.

Estado de Direito -> aquele em que, para garantia dos direitos dos cidadãos se estabelece
juridicamente a divisão do poder em que o respeito pela legalidade se eleva o critério da
acção dos governantes.

-------------------------------// -------------------------------------------//-----------------------------------

No séc. XIX, o Estado Constitucional surge-nos como Estado Liberal Burguês, assente na ideia
de liberdade, e em nome dela, empenhado em limitar o poder político, quer:
● internamente (pela sua divisão)
● externamente (reduzindo ao mínimo as funções do Estado na sociedade)

Mas, as transformações não são só políticas, são também sociais, realçando-se (no campo das
liberdades dos indivíduos) as seguintes:

. liberdade contratual
. absolutização da propriedade privada
. a recusa, durante largo período, da liberdade de associação (por se entender, no plano dos
princípios, que a associação reduzia a liberdade; e no plano prático, por se recear a força da
associação dos mais fracos economicamente)
. desvios ao princípio democrático (apesar da sua proclamação formal) através da atribuição
do direito de voto aos possuidores de certos bens ou rendimentos, ou seja, os únicos que
tendo responsabilidades sociais, deveriam ter responsabilidades políticas = sufrágio censitário
sufrágio universal (288º/h).

Ainda assim, contributos importantes do Liberalismo para o pensamento político-constitucional


actual:

De forma directa:

abolição da escravatura
transformação do direito e do processo penal
progressiva supressão de privilégios de nascimento
liberdade de imprensa

De forma indirecta:

fenómeno de “auto-regência” do direito que consiste na possibilidade de alguns princípios


estabelecidos no sentido de privilegiar a burguesia, virem a beneficiar todas as classes.
Exemplos disso são: - liberdade de associação (que leva à conquista da liberdade sindical)
- princípio da soberania do povo (que conduz ao sufrágio universal)
1. Sistemas e Famílias Constitucionais
Sumário:

○ Generalidades
○ Os sistemas/famílias constitucionais:
● Matriz Inglesa ou Britânica (+ antiga, + sólida + berço do governo parlamentar)

● Matriz Norte-Americana (federalismo; governo presidencial; fiscalização da constitucionalidade das leis


pelos tribunais)

● Matriz Francesa ( constitucionalismo como movimento revolucionário)


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● Matriz Soviética (com origem na Rev. Russa de Out/Novembro de 1917, em que se verifica a subordinação
de toda a organização política, económica e social aos objectivos de realização do Socialismo e Comunismo
definidos pelo partido).

No caminho que percorremos para o estudo do Direito Constitucional Português, é


imprescindível percorrer os principais quadros constitucionais mundiais ( o Direito
Comparado).
Uma das vias que nos permitem uma visão alargada é a formação de sistemas e famílias de
Direito Constitucional.

1. Matriz Inglesa ou Britânica:

Na sua formação e evolução podemos observar três grandes fases:


Fase dos primórdios: 1215 – Magna Carta, limita os poderes do monarca
Fase de transição: Início do Séc. XVII, luta entre o rei e o parlamento
Petition of Rights (1628)
Instruments of Government (1653) importante papel de “Cromwell”
Revolução Inglesa (1688) ,
Fase contemporânea: 1832 a 1929
● fase da democratização em que se passa de um sistema eleitoral para um sufrágio
universal de adultos de ambos os sexos
● perda da importância da Câmara dos Lordes, em benefício da Câmara dos Comuns,
cabendo aos partidos o papel propulsor na vida política.

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Fenómeno da “Sobreposição Institucional” consiste no facto de instituições de natureza


completamente diversa coexistirem interpenetrando-se, através dos tempos, sem se
destruírem, apenas definindo novas funções e novos equilíbrios.

Sobreposição Institucional

PARLAMENTO

Rei Câmara dos Lordes (nobreza) Câmara dos Comuns

------------------------------------------- Predomínio da autoridade----------------------------------------


Até ao séc. XVII Desde o séc. XVII e meados do Desde o séc. XIX
Séc. XIX (para o gabinete)

Período Monárquico Período Aristocrático Período Democrático

Hoje, a situação é de um absoluto predomínio da Câmara dos Comuns, órgão de


representação popular, numa época marcadamente democrática.

No Direito Constitucional Inglês, a origem das normas pertence ao costume (sendo caso único
no mundo, nos nossos dias).

É que, com efeito, a Constituição Inglesa é uma Constituição não escrita (unwritten
constitution); assente em princípios não escritos, enraizados na organização social e política
dos Britânicos. Prevalecem, pois, as Regras Consuetudinárias.
Apesar do grande número de “Leis Constitucionais” escritas:

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. Magna Carta (1215)
. Petition of Rights (1628)
. Lei de Habeas Corpus (1679)
. Bill of Rights (1689)
. Act of Suplement (1701)
. Acto de União com a Escócia (1707)
. Leis eleitorais do séc. XIX e XX.

Em Inglaterra o costume prevalece sobre a lei = Common Law

Rule of Law (ié, Regra do Direito, ou Princípio da Legalidade) e isto porque o direito deve dar
aos indivíduos a necessária protecção contra o exercício arbitrário do poder.

----// --------

Este quadro é ainda completado pela acção dos tribunais que preenchem o conteúdo de uma
série de liberdades (através da solução de casos e da indução e generalização a partir deles)
que constam essencialmente em três documentos:
● Magna Carta
● Petition of Rigts
● Bill of Rights

Assume, assim, grande importância “A Jurisprudência”.


Sendo que o juiz é o órgão essencial do direito e só é direito o que é aplicável pelo juiz.

Quanto à organização política:

O princípio fundamental é o da Soberania ou Supremacia do Parlamento existindo, por outro


lado, um governo (também ele parlamentar):
● existência do gabinete liderado pelo Primeiro-Ministro
● o parlamento (agora só a 2 câmaras) é o centro da vida política
● os ministros respondem perante o parlamento
● as orientações políticas corresponde, às da maioria

- expansão geográfica: Austrália, Canadá, Malta, Índia, Irlanda, Israel, Nova Zelândia, ...

2. Sistema Norte-Americano:

A Constituição dos EUA data de 1787 !


Este sistema tem 7 artigos + 26 aditamentos (“amendments”) e foi influenciado pelo sistema
britânico.

É uma constituição rígida, porque não pode ser alterada nos mesmos moldes em que as leis
ordinárias o são. Mas, também é uma constituição flexível porque vai sendo desenvolvida e
adaptada através dos aditamentos.

Fontes do sistema

● o sistema jurídico inglês e o pensamento político do séc. XVIII, perante as condições da


América do Norte
● as constituições outorgadas às 12 colónias
● grandes princípiios de direito público : “No taxation without representation”
● Common Law com o papel do juiz

Razões para ser uma Federação:


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● grande extensão territorial;
● antecedência de colónias já independentes.

Razões para ser uma república:

● ausência de dinastia;
● igualdade política que existia.

Importância da experiência histórica dos EUA:

1º - 1ª Revolução anti-colonial vitoriosa;


2º - Primeira e mais duradoura constituição em sentido moderno
3º - 1º estado federal;
4º - 1º estado a decretar a separação das confissões religiosas;
5º - 1º estado alicerçado no princípio democrático;
6º - 1º sistema de governo presidencial alicerçado na ideia da separação de poderes.

O Federalismo (o que implica?)


. Cada estado decreta e altera a sua própria constituição, respeitando a forma republicana.

Senado (2 senadores por cada estado)


1. . Estrutura de 2 Câmaras
Câmara dos Representantes (pessoas eleitas em proporção do nº
de habitantes)

2. . Aditamentos à Constituição americana

votos de 2/3 dos membros das 2 câmaras


¾ do Estado

. À Federação são atribuídas as seguintes matérias:

● defesa;
● moeda (dólar);
● correios;
● comércio externo.

. Igualdade Jurídica dos Estados


● igual participação no processo de revisão constitucional
● igual capacidade dos cidadãos noutros Estados
● reconhecimento de actos públicos, documentos e processos reduzidos em qualquer Estado

3. Direitos fundamentais: Num primeiro momento não existiu uma enunciação, tendo sido
concretizados pelos primeiros dez aditamentos (1791).

1. Papel dos Tribunais -> Judicial Review


Atribuído a todos os tribunais quer estaduais, quer federais, o poder de fiscalizar a
constitucionalidade das normas. Todas as normas podem ser objecto de fiscalização, à
excepção daquelas que são de decisão política.

Sistema político:
● presidencialismo;
● poder executivo cabe ao Presidente dos EUA;
● (artº 123 CRP)
● poder legislativo cabe ao Congresso (2 Câmaras: dos Representantes e dos Senadores)
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● o Presidente responde numa perspectiva criminal -> “Impeachment”
- Presidente -> iniciativa de criar as leis;

- Congresso -> faculdade de liberação das leis;


Senadores -> mandato de 6 anos;
Representantes -> mandato de 2 anos;
Pres. República -> mandato de 5 anos.

Expansão geográfica:

Imitação: México, Brasil, São Salvador (países de língua espanhola)


Globais
Imposição: países sob o domínio Americano: Coreia do Sul, Filipinas, Libéria

Federal: Índia, Canadá, Austrália


Parciais Presidencial: Franca (Constituição de 1848)
Judicial Review: Commowealth; Japão após 1946, Portugal desde 1911

3. Matriz Francesa:

Este sistema tem início em 1789, com a Revolução Francesa que marca a ruptura com o
Estado Absoluto.

A constituição é escrita porque era 1 forma de dissuadir os governantes de a violarem.


Em França (cf. Sièyes), a Constituição decorre de um poder constituinte distinto dos demais
poderes (constituídos).
Daí que, na concepção francesa, a força jurídica formal e a sua rigidez tendem a excluir o
costume.

Ao contrário do sistema Americano, em França os Tribunais não têm competência para


apreciar a constitucionalidade das normas. O que existe é um órgão que centraliza essa
competência: “Conselho Constitucional”.

2. Segundo Sieyès: Poder constituínte Poder constituído

Quanto ao sistema político?

|------- surge o semi-presidencialismo...

Governo --------- Presidente da República ------------- Parlamento

Centro principal da decisão política


Mandato de 7 anos, ou indefinidamente
Com domínio reservado Defesa e Política Externa

Expansão geográfica:

● Numa 1ª fase, com as guerras da revolução


● grande parte do continente europeu (com Portugal e Espanha)
● América latina;
● Numa 2ª fase, com a difusão do Republicanismo
- Portugal 1911
● 3ª fase com a independência das ex-colónias de França e Bélgica

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● Hoje, podemos ver nuances do sistema em: Portugal, Espanha, Holanda, Luxemburgo,
Itália, Bélgica, Grécia, Roménia

4. Matriz Soviética:

● com origem na Revolução Russa de Outubro de 1917, segundo proposta de Lenine de


“todo o poder aos “Sovietes” Conselhos de operários, soldados, camponeses, marinheiros
● Todo do poder para o Partido Comunista (único partido)
● O partido exerce o poder em nome do povo
● Chefe de Estado é o Secretário Geral do Partido Comunista
● Fiscalização das normas é atribuída ao Partido Comunista que envia directivas de como
deve ser interpretada a Constituição
● O papel dos tribunais é reduzido

Difusão do sistema soviético:

● 1º Rússia /1917
● 1922: surge a URSS
● 1924: surge a nova Constituição que formaliza essa Constituição
Hoje: Cuba, China, Coreia do Norte, Laos, Vietname

5. Sistema Brasileiro:

Nasce ao mesmo tempo que o sistema constitucional Português, com a Revolução de 1820.
A nossa Constituição de 1822 foi votada por deputados portugueses e brasileiros, mas nunca
chegou a vigorar no Brasil.
A 1ª Constituição Brasileira é, pois, a de 1824, outorgada/elaborada por D. Pedro I do Brasil
(IV de Portugal).
1888 – abolição da escravatura
15/11/1889– Proclamação da República Federativa do Brasil

Constituição de 1891 Sistema Norte-Americano


Câmara dos Deputados
+
Senado Estados
Distrito Federal

1930 – Revolução de Outubro, (verificam-se as ditaduras militares do Brasil) 5 Constituições


1985 – O Presidente volta a ser eleito por sufrágio directo
1988- nova Constituição: consagração dum vasto leque de direitos
capacidade eleitoral activa aos 16 anos (obrigatória p/ > 18 anos)

Organização do poder político:

● Presidente da República (eleito a 2 voltas, como em Portugal). Mandato de 4 anos,


auxiliado pelos Ministros de Estado.
● Congresso Bicameral Câmara dos Deputados
Senado

O CONSTITUCIONALISMO PORTUGUÊS

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Tal como o Francês, o constitucionalismo português tem, também, origem revolucionária, com
a ideia de corte com o passado. De facto, em 6 constituições, só uma não tem origem numa
revolução:

1822 (23/01) -------- Revolução Liberal 1820 (Porto 24/8); eleições para as cortes
constituintes
excepção
1826 ----------- “Carta Constitucional” outorgada por D. Pedro IV

1838 ---------- Revolução 1836 (Anticartista Liberais Radicais vs. Cartistas (partidários da
Carta Constitucional

1911 --------- Revol. 1910 (5/10) (Revolução Republicana, I República)

1933 -------- 1926 (Revolução militar Gomes da Costa institui a ditadura, Salazar -> Ministro
das Finanças em 1928, Presidente do Conselho de Ministros em 1932).

1976 --------- Revolução do 25 de Abril de 1974

3. 3 PERÍODOS:

. Instauração do Liberalismo (1820-1851)


1º - Época Liberal . Regeneração (1851-1891)
(1820-1926) . Crise da Monarquia Constitucional (1891-1910)
4 constituições . 1ª República (1910-1926)

. 1926-1928 -> fase do governo militar directo


2º -Estado Novo . 1928-1945 -> início e apogeu do Estado Novo
(1926-1974) . 1945-1961 -> fase da decadência e fuga ao modelo europeu
Constitucionalismo (“orgulhosamente sós”)
Corporativo e . 1961-1974 –> fase final c/ as guerras do Ultramar.
Autoritário

3º - Época actual . 11/03 a 25/11/75 (“verão quente”)


. 25 de Abril de 1974 a 11 Março de 75
(1974...) . 25/11/75 até aos nossos dias

2. MODOS DE ELABORAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES

. Assembleias Constituintes: 1822, 1911, 1976


. Assembleias Constituintes submetidas a sanção real: 1838
. Elaborada pelo governo e objecto de um plebiscito (aprovada em referendo): 1933
. Escrita/elaborada pelo rei e doada/outorgada: 1826 (Carta Constitucional)

25 de Abril de 1974, e depois...?

CRP de 2 de Abril de 1976 publicada em 10 de Abril de 76.


Entrada em vigor: 25 de Abril de 1976.

O PODER CONSTITUINTE

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De acordo com a teoria clássica do poder constituinte proposta por Sieyes, uma Constituição
pressupões, um
Poder constituinte: -> Originário
-> Derivado (em sentido impróprio = poder de revisão)
-> Formal
-> Material

Originário: poder de criar um conj. de normas jurídicas às quais é atribuído 1 valor superior
e que ‘constituem’ a Constituição. É o poder de criar uma ou mais vezes. O poder reside na
nação.(- população, território e Estado (Gov. AR))

Derivado: poder de introduzir alterações ao texto constitucional em vigor, de acordo com as


regras e procedimentos descritos na Constituição (art.º 284º e ss. da CRP).

Formal: poder de criar 1 complexo normativo ao qual se atribui o valor da Constituição.

Material: poder de qualificar como direito Constitucional formal certas matérias e princípios.

Num 1º momento: poder de escolher quais as matérias que vão fazer parte da Constituição
(dtos. Trabalhadores).
Num 2º momento: poder de disciplinar e regular essas mesmo matérias (art.º 54º CRP –>
dtº à greve).

Perante este quadro, existirá uma ...?

RESERVA DE CONSTITUIÇÃO: EXISTIRÁ? (art.º 288º CRP) Não!


Havendo sempre matérias que terão de se manter na Constituição – caso dos direitos
fundamentais ou da organização do poder político – e havendo outras que ainda estarão
por regular à medida que os tempo vão evoluindo, podemos dizer que não há reserva de
Constituição.

A quem caberá, então, a titularidade do poder constituinte?


A origem do poder soberano tem por base as teorias da soberania:

Teológicas – poder tem origem divina, mas diverge na forma de


Na transmissão
Idade Média
Contratualistas - defendem um pacto entre o povo e o monarca em que o
povo cede o poder ao monarca

Na Soberania popular (Rousseau)


Idade Moderna
Soberania nacional (Sieyès)

Soberania Popular: partia de uma compreensão literal em que o poder pertencia ao povo, a
todas as componentes do povo, ou seja, cada cidadão com uma parcela do poder soberano.
Se a titularidade é individual, o exercício há-de ser colectivo, sob a forma de Assembleia.

Soberania Nacional: o poder pertence à Nação e parte de uma concessão liberal do princípio
democrático de acordo com o qual a nação será tudo, menos o monarca e as classes
privilegiadas. A figura da Nação impede que o poder chegue ao povo.

OS PROCEDIMENTOS CONSTITUINTES

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1. Representativo ou indirecto (o povo participa no início)
2. Directo (o povo participa no final – há plebiscito)
3. Misto (o povo participa no início e no final – a assembleia é eleita para elaborar mas
não tem poder para aprovar)
4. Monárquico.

Qual é a posição do povo (titular do poder constituinte) na feitura da Constituição?


1. Representativo ou indirecto: o povo elege os seus representantes à assembleia
constituinte (dura ± 2 anos), que vai ter o poder de elaborar e aprovar a Constituição.
No fim de elaborada a Constituição, a assembleia extingue-se. Posteriormente, é eleita
nova Assembleia que adopta as normas da nova Constituição. Este é o modelo clássico
de Portugal, pois, utilizou-se 4 vezes.
2. Directo: O povo só participa na fase final porque o texto da Constituição já lhe é
apresentado pelo Governo e o povo vota por plebiscito.
3. Misto: = Técnica da Assembleia Constituinte não soberana. O povo elege os seus
representantes à Assembleia Constituinte, mas os deputados não têm poder para
aprovar a Constituição. Na fase final, o povo aprova a Constituição. O povo participa
na fase inicial e final. ESTA É A FORMA MAIS JUSTA.
4. Monárquico: O povo não participa. O Monarca elabora e aprova a Constituição.
Ex.: Cartas Constitucionais (1926) -> aprovada pelo rei D. Pedro I do Brasil
Constituições Outorgadas
Constituições Doadas

============================
Exercícios:
Plebiscito = directo = colocar à disposição de todos os que têm direito a voto
=============================

1. TEORIAS E PROCEDIMENTOS NAS CONSTITUIÇÕES PORTUGUESAS

1822 – teoria da Soberania Nacional / Procedimento representativo

Constituições 1826 – O poder: monarquia / Procedimento monárquico


1. Monárquicas “Carta Constitucional” - é uma Constituição outorgada
1838 – poder: Soberania Nacional / procedimento misto

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foi pactuada porque houve intervenção da Rainha

1911 – Teoria da Soberania Nacional / Procedimento Representativo

Constituições 1933 – Teoria da Soberania Nacional / procedimento directo


2. Republicanas
1976 – Teoria popular / procedimento representativo ou indirecto
(pela 1ª vez surgem eleições)

Continuidade formal e material


Ex: se teve os mesmos conjuntos de normas em vigor e valores
Ex: nos EUA: 1767 _____________________________________-> hoje

Descontinuidade formal: o nosso exemplo: a Constituição foi quebrada várias vezes: 1822,
1826, 1838...
Descontinuidade material: quebra com os valores materiais; ex: a nossa história
constitucional.
NATUREZA DO PODER CONSTITUINTE:
Poder de facto versus poder de direito:
Ex.: 1 pessoa rapta outra = poder de facto
1 pessoa é levada pelas autoridades: poder de direito
ex.: há uma revolução e cria-se uma Constituição: poder de facto
No nosso caso, criou-se a Junta Nacional de Salvação, onde as 1as. Leis criadas foram:
1ª Criação do Conselho da Revolução
2ª destituição do presidente e do 1º Ministro
3ª criação da Constituição provisória

2. LIMITES DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

O poder constituinte originário não pode tudo. Há limites, e estes podem ser:

Vieira de Andrade Jurídicos (princípio da igualdade, liberdade)


Não jurídicos (éticos, morais, económicos)

Gomes Canotilho “Condicionantes não jurídicas”:

15
* Dados reais e naturais:
Dado Antropológico: consiste nos padrões
de comportamento do conjunto de pessoas a
quem se dirige a Constituição e que não devem
ser menosprezadas. Ex.: O P.C. não poderia
reconhecer como base da família, no contexto
português, a poligamia.

Dados Institucionais: instituições do país que


não devem ser desrespeitadas. Ex.: família;
propriedade privada; autonomia do poder
local.

Imagens do Homem: Ex.: na organização do


poder político há que assegurar formas como o
referendo, a eleição directo,etc.

Fins da comunidade: ex.: liberdade religiosa.

Sentimento Jurídico: a forma como uma


comunidade julga que algo é justo ou injusto.
Ex.: pena de morte + racismo, não se
identificam com o sentir português!

Experiência de valores: Ex.: igualdade rácica,


liberdade, paz.

- Todos estes dados formam a Supraconstitucionalidade autogenerativa que deve ser


entendida como uma reserva de justiça, figurando-se todos estes dados acima do poder
constituinte originário.
Ou seja, há algo sempre acima da própria Constituição. Conjunto de valores que se criam a si
próprios (generativa), adaptam-se aos tempos.

TIPOS DE CONSTITUIÇÃO

. Constituições escritas Aquelas em que as normas constitucionais se


encontram reunidas, de uma forma sistemática,
num documento escrito. Ex.: CRP de 1976
1ª Classificação

. Constituições não escritas Aquelas em que, não obstante a existência de


normas constitucionais, (com origem no
costume) não existe um texto escrito que os
reúne e sistematiza. Ex.: Constituição Inglesa,
onde predominam os costumes institucionais
(tem o mesmo valor que as outras leis):
(transmitidos de geração em geração):
● existência de Monarquia;
● poderes do Monarca;
● Parlamento Bicameral;
● Governo Parlamentar.
16
. Constituições flexíveis -> Aquelas cujas normas têm exactamente omesmo
valor jurídico que as leis ordinárias, logo, podem
ser substituídas pelo legislador ordinário. A
diferença entre um tipo e outro de lei está, pois,
no conteúdo, não na força hierárquica. Ex.: Reino
Unido, Israel, Nova Zelândia.
Logo, pode ser substituída pelo legislador
ordinário. A Constituição vale tanto como as
outras leis.

2ª Classificação . Constituições rígidas (não flexíveis) Aquelas cujas normas têm um valor
hierárquico superior ao das leis ordinárias, não
sendo alteráveis pelo legislador ordinário. São
intocáveis.

. Constituições semi-rígidas (as + comuns) São relativamente rígidas, ou


seja, são aquelas cujas normas têm um valor
hierárquico superior ao das leis ordinárias, mas
que admitem a sua revisão desde que se observe
um “processo agravado de revisão” = tanto mais b
grave quanto as revisões feitas. Ex: a n/
Constituição.
As semi-rígidas têm também diversos graus,
consoante se possa mais ou menos facilmente
alterá-las, isto é, podem Ter processos de revisão
diferentes (com muitos ou poucos limites) ex.:
CRP 1976 vide art.º 3º/3 + 284º ss.

rígidas e semi-rígidas -- escritas


Nota: normalmente:
Flexíveis - não escritas

. Constituição em sentido formal É o conj. de normas jurídicas que reúne


os requisitos ou condições gerais exigidas para
que um acto tenha a natureza de fonte formal de
norma constitucional:
- poder Constituinte
● Intenção Normativo-Constitucional
● Procedimento Idóneo
● Exigência de força jurídica superior (de valor
supra-legislativo) ex: carácter rígido ou semi-
rígido.

. Constituição em sentido material É o conj. de normas jurídicas que
disciplinam os aspectos fundamentais relativos
à estrutura do Estado e da sociedade,
independentemente das fontes formais de
onde essas mesmas normas provêm. Podem,
por exemplo, estar integradas em convenções
internacionais. Ex.: art.º 8º, 16º/2 logo... A
perspectiva material é mais ampla que a
17
formal.

=========================
Debate
Espanha legaliza casamento gay, foi até apresentado novo C.C..
E se fosse em Portugal? Na Constituição: art.º 36º: todos têm direito de constituir família, mas,
art.º 1577º C.C. diz que o casamento é celebrado entre sexos diferentes.
O C.C. teria de ser alterado. Art.º 1601º a) do CC tem de ter em conta a idade.

PODER CONSTITUINTE DERIVADO (ou poder de revisão)

Que limites tem o legislador para alterar o texto da Constituição?

O Poder de Revisão (Leis de Revisão (=LC) 161º/a); 166ª/1; 119º/1/a); 284º ss.)
É o poder de alterar as normas da Constituição obedecendo aos procedimentos e regras
previstas na própria Constituição.

A Constituição não pode ser revista por referendo: 115º/3

Da leitura dos art.os 284º ss. conclui-se que a nossa Constituição é do tipo semi-rígido, pois
exige para a sua modificação um processo agravado em relação ao processo de formação das
leis ordinárias.
Esse processo agravado é, assim, um instrumento da garantia da Constituição. Com ele,
assegura-se uma relativa estabilidade da Constituição.

Implica a existência de limites ao poder de revisão. Assim:

... assim, temos os limites:

Limites Formais: (161º/a); 166ª/1; 119º/1/a); 284º ss.)

a. quanto ao titular do poder de revisão: aqui, quem procede à revisão é o órgão legislativo
ordinário (284º/1), mas de acordo com um processo agravado:
- exigência de um parecer ou participação de outros órgãos;
- exigência de maiorias qualificadas para a deliberação (286º/1)*; *Nosso sistema – Ver.
Ordinária, Ver. Extraordinária.
- exigência de deliberações intervaladas no tempo (2 Câmaras);
- ou, ainda, a exigência da participação directo do povo [contra: 115º/4/a)];
- ainda a criação de órgãos especiais.

b. Relativos às maiorias deliberativas:


Rev. Ordinária, 286º/1 – ⅔
Rev. Extraordinária, 284º/2 – 4/5 (1º momento assume
poder de revisão)
286º/1 - ⅔ (2º momento aprova
revisão)

c) Temporais: Rev. Ord. – 284º/1 – 5 anos ligado à ideia de renovação do órgão legislativo, através
de eleições / 4 anos – art.º 171/1; 174º/1.

Rev. Extr. – 284º/2 – em qualquer momento a ocorrência de uma extraordinária


não interrompe o prazo entre
duas
18
ordinárias, cf. 284º/1/in fine
Uma revisão extraordinária não interrompe a ordinária:

2000 --------------------------------- 2003 ------------------------------ 2005


rev. Ord. Rev. Ext. rev. Ord.

A renovação do órgão legislativo é feito consoante as legislaturas (171º/1), para que, na data
da revisão ordinária, não estejam presentes os mesmos deputados em exercício na revisão
anterior.

d. Circunstanciais art.º 289º (vd. 19º/2) porque essas circunstâncias excepcionais podem
constituir ocasiões favoráveis à imposição de alterações constitucionais. (Se o processo já
tiver sido iniciado aquando das situações, será suspenso, e só depois do termo daquelas
retomado).
Não pode ser praticado nenhum acto constitucional em estado de sítio ou estado de
emergência, (19º/2; 134º d) e 138º) pois, podia levar a uma condição que facilitasse a
alteração dos princípios da Constituição.

Limites Formais:

a. Limites inferiores – Quando se revê a Constituição, pode-se “acrescentar” assuntos que


até então não estavam previstos. Tratam-se de novas matérias que adquiriram dignidade
constitucional.
Ex.: 26º n.º 3 – identidade genética; 35º - utilização da informática; 60º - direitos do consumidor.

A moderna tarefa da Constituição 81º/i)


Então, podemos perguntar: uma lei de revisão poderá inserir na Constituição qualquer
matéria? A resposta é sim. Tal como não existe a obrigatoriedade de manter uma reserva de
matéria constitucional no momento do exercício do poder constituinte (originário), também
não há limites ao poder de revisão de incluir esta ou aquela matéria.

b. Limites Superiores – As matérias que já estão na Constituição podem ser revistas, desde
que respeitados os limites do art.º 288º!
O cerne da Constituição não pode ser objecto de revisão. Isto leva a outra distinção:
1. Limites expressos: - são os limites previstos no próprio texto da Constituição 288º
Ex.: não poderíamos mudar o Estado p/ um Estado Federado no art.º 6º, porque o
288º al. a) não autoriza.

2. Limites tácitos: - que resultam do entendimento global da Constituição


Ex.: venda de uma ilha do Arquipélago: art.º 5º n.º 3.

Nota: será defensável vincular gerações futuras a ideias de legitimação e a projectos políticos que,
provavelmente, já não serão os mesmos que pautaram o legislador constituinte?
Em princípio sim. Há que assegurar a possibilidade de as constituições cumprirem a sua tarefa e esta
não é compatível com a total disponibilidade da Constituição pelos órgãos de revisão, designadamente
quando o órgão de revisão é o órgão legislador ordinário. Nem tão pouco aos redutores 2/3.

A modificabilidade das próprias normas de revisão!


Ou seja, os limites de revisão são absolutos ou relativos?

Absolutos – intocáveis (defendido pela escola de Coimbra do Prof. Gomes Canotilho)


19
Limites Relativos – podem ser alterados (defendido pela escola de Lisboa do Prof. Jorge Miranda,
utilizando a técnica da dupla revisão , ex.: numa 1ª revisão altera-se uma parte do
texto e numa 2ª altera-se o restante).

Esta técnica do Prof. Jorge Miranda não é de defender :

1º - Normas de revisão são normas supraconstitucionais (normas superiores às outras);


2º - A supressão dos limites pode ser um indício de fraude à Constituição;
3º - Nenhuma fonte pode dispor do seu regime jurídico arrogando-se um valor que
constitucionalmente não tem.

No entanto, a não concordância com esta técnica não impede a admissibilidade de alterações
substanciais, constitucionalmente legítimas.
Ou seja, desde que se mantenham os princípios que se retiram dos limites materiais, isto,
independentemente da sua concreta formulação na Constituição.

Nota: as LC não podem ser objecto de fiscalização preventiva ou veto, ou seja, não podem deixar de ser
promulgadas pelo P.R. – 286º/3.

Além dos limites formais e materiais, temos ainda um outro requisito formal (art.º 286º/2;
287º/1 e 2) --> a necessidade de a revisão da Constituição ser feita de modo expresso.
Assim:

Expressa: - as alterações à Constituição têm que ser visíveis no local do texto onde
se efectuam – 287º
1. Revisão

Tácita – não implica novo texto, pelo que não são visíveis à partida e ± difíceis de
interpretar. Ex.: “amendments” americanos. Desvantagens: incertezas.

Parcial – caso a caso, tema a tema. São feitas através de substituições,


supressões ou aditamentos, cf. 287º/1

Em sentido formal – texto completamente novo


Revisão Total
a)
Em sentido material – substituição de matérias essenciais (é uma
revisão parcial que incide sobre o cerne político
da Constituição).

a. implica a reformulação de toda a Constituição.

Consequências da não observância dos limites do poder de revisão:

Inexistência ≠ Invalidade ( o acto chega a existir)

nulidade anulabilidade

A diferença é que não chega a produzir efeitos jurídicos. Há falta de forma 220ºCC.

Exemplos:
nos casos de falta de competência absoluta dos órgãos de que emanou a lei de revisão:
- Lei aprovada pelo governo;
20
- Lei aprovada por referendo sob proposto do P.R.
Inexistência – qualidade de um acto jurídico ao qual falta um elemento
constitutivo essencial.

ORDEM JURÍDICA PORTUGUESA

Divisão Clássica / Ramos do Direito:

Direito Público Direito Privado


. Dto. Constitucional . Dto. Civil (constitui o Dto. Privado geral em comum)
. Dto. Internacional . Dto. Comercial Dto. Privado especial
. Dto. Administrativo . Dto. Trabalho
. Dto. Criminal / Penal (tem normas de Dto. Público)
. Dto. Fiscal
. Dto. Processual

Critérios da Clássica distinção Dto. Público Vs. Dto. Privado

1. Teoria dos interesses:


A norma será de Dto. Público quando o fim dessa norma visa tutelar um interesse
colectivo.
A norma será de Dto. Privado, quando o fim da norma visa satisfazer interesses
individuais, dos particulares.

Ex.: 131º C. Penal pune o homicídio – Dtº. Público.


875º CC – contrato de compra e venda – Dtº. Privado

Críticas:
A teoria dos interesses é insuficiente porque protege não só os direitos privados como os
públicos. Em muitos dos casos, não se sabe qual o interesse dominante.

2. Teoria da subordinação ou sujeição:


O Dtº. Público disciplina relações entre entidades que estão numa posição de supremacia
e subordinação, ou se quisermos, de supra-ordenação e infra-ordenação. Publico privado
O Dtº. Privado regula uma situação entre entidades numa posição de igualdade ou
equivalência. Privado privado

Ex.: 131º C. Penal: o Estado pune e condena = supremacia e subordinação


Ex.: O Sr. A vende ao Sr. B = circunstâncias equivalentes

Críticas:
a. por vezes, do Dtº. Público regula relações entre entidades que estão em situação de
equivalência, como acontece com as autarquias locais (municípios e freguesias); ou as
relações interorgânicas (entre órgãos de soberania).
b. O Dtº. Privado disciplina, também, algumas vezes situações onde existem posições
relativas de supra-ordenação e infra-ordenação. Ex.: poder paternal, tutela, relações
entre sociedades e os seus membros, relação laboral.

3. Teoria dos Sujeitos: (a mais justa)


Assenta na especial posição que cada um sujeitos ocupa na relação. Assenta na qualidade
dos sujeitos das relações jurídicas disciplinadas pelas normas a qualificar de Dtº Público ou
Privado.

Estamos perante:
21
Direito Privado: regula as relações jurídicas estabelecidas entre particulares ou entre
particulares e o Estado ou outros entes públicos; mas intervindo o Estado, ou esses
entes públicos, em veste de particular, ou seja, despido de “imperium” ou do seu poder
soberano.

Estamos perante:

Direito Público: quando se tratam de normas que estruturam, o Estado e outras pessoas
colectivas dotadas de qualidades ou prerrogativa próprias do poder estadual. Ex.:
municípios, freguesias, IPL; ou disciplinam as relações desses entes providos de “Jus
Imperium” entre si ou com os particulares. Necessário se temos, portanto, que um dos
sujeitos da relação disciplinada seja um ente titular de “imperium” , de autoridade e que
intervenha nessa veste.

Resumindo esta teoria:


Sempre que o Estado está com o seu poder soberano = dtº público
O inverso = dtº privado.

INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL

É a atribuição de um significado a um ou vários símbolos linguísticos escritos na


Constituição, com o fim de se obter uma decisão de problemas práticos, normativo-
constitucionalmente fundada.

Os juristas buscam as soluções apenas no Direito vigentes. Ora, o Direito vigente é


composto por normas! Mas, será a norma equivalente a enunciado? Não.

Enunciado/Formulação/Disposição ≠ Norma

O enunciado da norma é qualquer disposição que faz parte de um texto normativo. São
as palavras que estão escritas. É parte de um texto por interpretar.

A norma é o sentido ou significado adscrito a qualquer disposição. Parte de texto já


interpretado.
Norma
Divide-se em

Hipótese Estatuição
ou pressupostos de facto ou consequência jurídica
ou âmbito normativo ou programa normativo

diz respeito à parte da realidade social que contém o conj. de princípios e regras
a norma pretende disciplinar. através das quais o Dtº. Pretende disciplinar
a parte da realidade prevista na
hipótese da
norma.

Exs.: 131º C.Penal “Quem matar outra pessoa é punido com pena de prisão de 8 a 16
anos”
Hipótese Estatuição
49º CRP – Direito de sufrágio

22
Assim: as normas jurídicas ligam uma Estatuição a uma Hipótese, fazendo corresponder
consequências jurídicas à verificação de determinados pressupostos de facto.

Nota: por vezes há referências a: - “fragmentos de normas”;


- “segmentos de normas”;
- “articulação de normas”.

Tais referências aplicam-se nos casos de:

a. Disjunção de Normas: N1? N2? N3?

Quando uma só disposição/enunciado, exprime uma ou outra norma segundo as diversas


possibilidades de interpretação.
Ex.: 24º/1 CRP – esta disposição pode conter, pelo menos, 3 normas, consoante o
significado que lhe é adscrito. Então:
N1: ... desde o momento do nascimento até ao momento da morte.
N2: ... desde o momento da concepção até ao momento da morte.
N3: ... desde o momento em que, de acordo com os dados da ciência começa a haver vida
intra-uterina até ao momento da morte.
13º dia após a fecundação (nidação)
Portanto, não é indiferente, para efeitos de protecção e punição (ex.: interrupção da gravidez)
optar-se por uma ou outra interpretação.

b. Conjunção de Normas: N1+N2+N3

Quando o mesmo enunciado exprime não apenas uma, mas várias normas conjuntamente.
Ex.: art.º 18º n.º 1 CRP; tem 3 normas:
N1: ... são directamente aplicáveis
N2: ... vinculam entidades públicas fragmentos
N3: ... vinculam entidades privadas.

c. Sobreposição de Normas: Ni = N1+N2+N3

Surge quando dois enunciados exprimem normas que se sobrepõem parcialmente.


Ex.: art.º 3º/3 + 277º/1
Ni -> N1 (normas) + N2 (actos políticos) + N3 (actos jurisdicionais)

Ambos os artigos impõem a conformidade com a Constituição, mas o 3º é mais amplo,


abrange leis e demais actos (políticos, jurisdicionais). O art.º 3º sobrepõe-se ao 277º/1.

Há regras sobre como interpretar as normas jurídicas. De acordo com o método


Hermenêutico Clássico, há que Ter em conta:

Método 1) Elemento literal (filológico, gramatical, textual)


Hermenêutico 2) Elemento Sistemático (lógico)
Clássico 3) Elemento histórico (em sentido amplo ou “strictu senso”)
4. Elemento teológico (racional)

1. É a letra da lei. Mas, por vezes, isto não basta, pois, uma palavra pode querer dizer muita
coisa. É desde logo o 1º contacto que se tem com a norma, mas não é suficiente porque
existem diferentes significados, consoante os contextos.

23
2. Quando enquadramos a norma, temos de considera que ela existe num sentido mais
amplo. Há que Ter em conta p conjunto de várias disposições e não interpretá-la como um
caso isolado. Ex.: 1023º CC (é necessário ir ver o que são coisas móveis e imóveis), 202º,
204º, 205º. Ex.: 18º /2 CRP = leis são direitos, liberdades e garantias = legislada pela AR
ou governo (c/ autorização da AR).

3. Elemento histórico --- amplo a) em sentido genérico “lato sensu”: temos de Ter em conta
a situação formal em que a norma surgiu e foi aprovada, ex.: actas, artigos de jornal.

--- estrito b) tem em conta o contexto e factores históricos jurídico-


social em que a norma surgiu.
Ex.: 293º CRP recorrendo ao elemento histórico alterou-
se este artigo de falava de Timor Leste.

4. Diz respeito ao “Telos” / objectivo da norma; pensar no fim que o legislador tinha quando
elaborou a norma. Ex.: lenocínio 170º C. Penal.

PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO

1. PRINCÍPIO DA UNIDADE DA CONSTITUIÇÃO


Este princípio diz-nos que a Constituição deve ser interpretada de forma a evitar
contradições entre as suas normas. O princípio obriga o intérprete a considerar a
Constituição na sua globalidade e a procurar harmonizar os espaços de tensão existentes
entre as normas constitucionais a concretizar. As normas devem ser consideradas não
como normas isoladas e dispersas, mas sim como preceitos integrados, num sistema
interno unitário de regras e princípios.

2. PRINCÍPIO DA CONCORDÂNCIA PRÁTICA (ou da harmonização)


Diz respeito à solução entre a colisão de direitos. Impõe a coordenação e combinação
dos bens jurídicos em conflito, de forma a evitar o sacrifício (total) de uns em relação aos
outros. Ex.: o direito à vida num acidente de viação entre um médico e um indigente.
Ex.: direito à liberdade de expressão vs. Direito de reserva da vida privada.
Art.º 25º/1 CRP. Temos de interpretar as normas da Constituição por forma a garantir os
dois direitos: restringir os direitos de 1 e os de outro.

3. PRINCÍPIO DA MÁXIMA EFECTIVIDADE (da eficiência ou da interpretação efectiva)


Perante as várias interpretações, atribui-se aquela que tiver maior eficácia, mais
sentido amplo. Ou seja, se uma norma constitucional admitir várias interpretações
plausíveis, o intérprete deve fazer uma análise dos resultados a que elas conduzem,
optando, em seguida, pela interpretação que leve mais longe a realização das finalidades
constitucionais.
Ex.: 24º CRP.
Ponto óptimo
N1 ---------------------------- | ----------------------------- N2

4. PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR

Interpreta-se de forma a que abranja os vários grupos para que vivam em comum.
Ex.: 41ºCRP – liberdade religiosa, grupos sociais
Uma mesquita muçulmana todos os dias, à mesma hora, chama os fiéis para virem rezar.
Mas, um conj. de moradores não quer aquela mesquita ali.

24
5. PRINCÍPIO DA CONFORMIDADE FUNCIONAL (ou da justeza)

Interpreta de forma a criar a paz entre os vários órgãos, normalmente o legislador e o


Tribunal Constitucional.
Se existirem dúvidas sobre o sentido exacto do uma determinada norma organizatória,
deve procurar-se um sentido que não ponha em causa o esquema constitucional de
competências e funções. Tem especial importância no âmbito das relações entre o
legislador e o Trib.Const.

--------// -----------
Princípio da Interpretação das Leis em Conformidade com a Constituição_

Ganha relevância autónoma quando a utilização dos vários elementos interpretativos não
permite a obtenção de um sentido inequívoco dentre os vários significados da norma.
Portanto, no caso de normas polissémicas ou plurissignificativas deve dar-se preferência
à interpretação que lhe dê um sentido em conformidade com a Constituição. Esta
formulação comporta três dimensões:

a. O princípio da prevalência da Constituição: sempre que surgirem várias interpretações


só pode utilizar-se a que está de acordo com a Constituição.

b. O princípio da conservação de normas: de entre as várias interpretações, se pelo


menos uma vai a favor da Constituição, deve-se manter esta última, para não existir
desperdício de normas.

c. O princípio da exclusão, da interpretação conforme a Constituição, mas, “contra


legem” : não podemos forçar a interpretação da norma de forma a que concorde com
a Constituição. É preferível dizer logo que a norma é inconstitucional.

A CONSTITUIÇÃO COMO SISTEMA ABERTO DE REGRAS E PRINCÍPIOS

Ponto de partida: o sistema jurídico do Estado de Direito Democrático Português é um


sistema normativo aberto de regras e princípios.

1. é um sistema jurídico, porque é um sistema dinâmico de normas;


2. É um sistema normativo, porque a estruturação das expectativas referentes a valores,
programas, funções e pessoas, é feita através de normas;
3. É um sistema aberto porque é passível de adaptar consoante o tempo;
4. É um sistema de regras e princípios porque o sistema não se reconhece só sobre regras ou
só sobre princípios.

A teoria da metodologia jurídica tradicional distinguia: Norma ≠ Princípios.


Agora, iremos adoptar uma perspectiva segundo a qual:

Normas

Regras Princípios

● regras e princípios são duas espécies de normas;


● a distinção entre regras e princípios é uma distinção entre duas espécies de normas.

Os sistemas constitucionais devem ser abertos de regras e princípios. Pois:

25
. um sistema só de regras conduz-nos ao legalismo, em que as normas não são
“elásticas”. Num sistema autoritário estamos mais próximos do legalismo.
. um sistema só de princípios levanta mais problemas de interpretação, porque não há
regras.

TIPOLOGIA DE PRINCÍPIOS E DE REGRAS


A delimitação do tema dentro dos quadros do Dtº. Constitucional leva-nos à distinção:

Tipologia de Princípios
1. Princípios Jurídicos Fundamentais
2. Princípios Políticos Constitucionalmente Conformadores
3. Princípios Constitucionais Impositivos
4. Princípios Garantia

Quanto aos Princípios:

1. Princípios Jurídicos Fundamentais

São os que estão historicamente objectivados e progressivamente introduzidas na


consciência das pessoas.
Ex.: princípio fundamental da proibição do excesso: 18º/2, 19º/4; 28º/2; 272º/2.
Função (+): controlar o uso excessivo de poder.

2. Princípios Políticos Constitucionalmente Conformadores

Condensam as opções políticas nucleares e reflectem a ideologia inspiradora da


Constituição:
● princípios da organização económico-social – 80º a)
● princípios definidores da estrutura do Estado – 6º
● princípios estruturantes do regime político – 288º b)
● princípios caracterizadores da forma de governo e da organização política em geral. 111º,
10º, 49º.

3. Princípios Constitucionais Impositivos

Todos os que, sobretudo no âmbito da Constituição dirigente, impõem aos órgãos do


Estado, sobretudo ao legislador, a realização de fins e a execução de tarefas. Designam-
se também por: normas-tarefas; normas programáticas.
Ex.: princípio da independência nacional – 9º a)
Princípio da correcção das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento
– 81º/b) + 9º/ d).

4. Princípios Garantia

Visam constituir directamente certos direitos e garantias aos cidadãos.


Ex.: Princípio Nullunm crimen sine lege 29º/1 e 3
Princípio Nulla poena sine lege
Princípio do Juiz Natural 32º/9
● aquele que foi sorteado para julgar a causa. Quando a causa é distribuída ao juiz
26
natural. Tentar violar a regra da distribuição é violar a Constituição.
Princípio do Non bis in idem e – 29º/5
- “ninguém pode ser julgado mais do que uma vez pela prática do mesmo crime”
Princípio indubio pro reo – 32º/2
● “todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de
condenação, devendo ser julgado no + curto prazo ...”
= impossibilidade de recurso (+/- 15 dias)
enquanto a sentença for passível de recurso, mantém-se a presunção de inocência.

Tipologia de Regras
1. Regras Jurídico-Organizatórias

a. Regras de Competência: as que na Const. reconhecem as atribuições de cada órgão


b. Regras de Criação de Órgãos (normas orgânicas) ver CRP
c. Regras de Procedimento

2. Regras Jurídico-Materiais

a. Regras de Direitos Fundamentais (art.º 24º e ss.)


b. Regras de Garantias Institucionais (que reconhecem e se destinam a proteger
instituições) – 36º, 67º, 68º, 74º.
c. Regras Determinadoras de Fins e Tarefas do Estado (ligadas aos p. impositivos) –
63º/2 e 66º/2.
d. Regras Constitucionais Impositivas
● em sentido amplo (que fixam tarefas e directivas materiais ou Estado)
● em sentido restrito, de carácter permanente e concreto
imposições legiferantes (de fazer alguma lei) - vinculam os órgãos do Estado,
sobretudo a A.R. e o governo de forma permanente e concreta ao cumprimento de
determinadas tarefas fixadas, inclusivé directrizes materiais. – 64º a)
ordens de legislar – dizem respeito à obrigatoriedade do legislador emanar
1 ou várias normas destinadas à instituição e funcionamento dos órgão
institucionais. Ex.: A. Aut. Comerciais.
Ex.: 274º/2 e 224º.
Nota: a importância das normas constitucionais impositivas deriva do facto de elas
imporem um dever concreto e permanente , materialmente determinado, que, no caso de
não ser cumprido, dará origem a uma omissão constitucional – 283º.

27
PRINCÍPIOS ESTRUTURANTES (FUNDAMENTAIS)

O PRINCÍPIO DO ESTADO DE DIREITO (art.º 2º; 9º/b)

Os Princípios Fundamentais - 1º ao 11º CRP - são o “cimento” de todas as regras da


Constituição. Os princípios são sempre mais elásticos.

Alvo de uma evolução desde o séc. XVIII, o PED preconiza uma limitação do Estado
pelo Direito (pelas normas jurídicas). O Estado de Direito surge, assim, como reacção
à monarquia absoluta, procurando a “substituição de um governo de homens por um
governo de leis”.

A - Surgem como
dimensões
fundamentais do
PED:
1. Juridicidade
2. Constitucionalidade:
a. Vinculação do legislador à Constituição
b. Vinculação dos restantes actos do Estado à Constituição
c. Reserva de Constituição
d. Força Normativa da Constituição
3. Sistema de Direitos Fundamentais
4. Divisão / Separação de Poderes
● dimensão negativa
● dimensão positiva
● separação horizontal, vertical, pessoal.
5. Garantia da Administração Autónoma Local

1. Juridicidade

Tem a ver com a ideia de opção do n/ Estado ser um Estado de Direito como medida de
todas as coisas.
Ou seja, por um lado, o Direito é o critério orientador das regras de conduta ou
comportamentos, por outro, o Direito garante direitos mas funciona também como forma
de protecção por quem exerce o poder. Ex.: 9º

2. Constitucionalidade

O Estado de Direito é um Estado constitucional!


Pressupõe a existência de uma Constituição que sirva de ordem jurídico-normativa
fundamental vinculativa de todos os poderes públicos.
Deste princípio de constitucionalidade e de supremacia da Constituição, podemos deduzir
outros elementos do Estado de Direito (art.º 3º/3):
● Vinculação do legislador à Constituição: é a exigência de que as leis têm que ter a forma
e procedimento conforme a Constituição. É preciso que o conteúdo esteja conforme à
Constituição = implica uma vinculação material, formal e que respeite as regras do limite
(288º).
● Vinculação dos restantes actos do Estado à Constituição
As sentenças dos Tribunais não podem ser inconstitucionais.
● Princípio da Reserva da Constituição
28
Não há reservas, mas têm que lá estar sempre os princípios fundamentais e a organização
do poder político.
● Força normativa da Constituição
Significa que quando determinado assunto é regulado por matérias constitucionais, ele
não pode ser afastado, quaisquer que sejam os pretextos invocados (ex.: “superiores
interesses da nação”, etc.). A Constituição tem mais força que essas barreiras.

3. Sistema de Direitos Fundamentais

Isto porque o Estado de Direito é, essencialmente, um Estado de direitos fundamentais,


perspectivando o homem como pessoa, como cidadão, como trabalhador e como
administrado.

4. Divisão / Separação de Poderes

Existe uma divisão de poderes para não existir um Estado autoritário.

Com uma dimensão negativa: funciona como uma forma de limitação de poderes.
Com uma dimensão positiva: dividir o poder é uma garantia de que ele será melhor
exercido.

Podemos, ainda, perspectivar a divisão de poderes em:


horizontal: diz respeito à divisão tripartida (executiva, legislativa e judicial) num plano de
igualdade -178º/5
vertical: tem-se em conta um hierarquia de poderes – ex.: 147º; 231º e 235º : Ass. Rep
● Ass. Regional – Ass. Municipais.
pessoal: diz respeito às questões das incompatibilidades – 16º/2 – Há cargos que são
incompatíveis com outros ex.: 216º/2.

5.Garantias

Garantias da Adm. Autónoma Local. Ex. 241º (regulamentos) de cemitérios, etc.

B – Como
Sub-Princípios do PED: 1) Princípio da legalidade da Administração
. p. da prevalência ou supremacia da lei
. p. da reserva de lei
. p. da precedência de lei
2) P. da Segurança Jurídica e da Protecção da Confiança Jurídica
dos Cidadãos.
. p. da precisão ou determinabilidade das leis
. p. da segurança jurídica
. ideia da previsibilidade “ex ante”
. ideia da estabilidade ou eficácia “ex post”
. p. da protecção da confiança
. p. da proibição dos pré-efeitos
. p. da proibição de leis retroactivas / da
retroactividade
3) P. da Proibição do Excesso (ou da proporcionalidade)
. p. da conformidade ou adequação de meios
. p. da exigibilidade ou da necessidade
4) P. da Protecção Jurídica e das Garantias Processuais.

29
1. Princípio da legalidade da Administração

Implica a sujeição da administração pública à lei, o que significa que a administração


pública não pode actuar acima ou à margem da lei.
Este pode ser ainda dividido em:
● Princípio da prevalência ou supremacia da lei que nos transmite a ideia de que a lei
prevalece, em virtude da sua supremacia, sobre toda a actividade da adm. Pública,
independentemente da sua natureza.
● Princípio da reserva de lei há certas matérias que devem ser reguladas pelo
parlamento através de uma lei: reserva absoluta – 164º; reserva relativa – 165º. Caso
especial e único em toda a Constituição de reserva de Decreto-Lei: 198º/2. A A.R. pode legislar
sobre todas as matérias, excepto as reservadas ao governo 161ºc)
● Princípio da precedência de lei Toda a actividade da administração deve ter uma lei
que lhe antecede e que justifica a sua actuação – 112º/7.

2. Princípio da Segurança Jurídica e da Protecção da Confiança Jurídica dos Cidadãos

Num estado de direito, valores de confiança e segurança jurídica são valores a preservar.
O homem necessita de uma certa segurança para conduzir, planificar e conformar
autónoma e responsavelmente a sua vida.
Este princípio pode dividir-se então em:
■ P. da previsão ou determinabilidade das leis: as leis devem claras e densas. Têm de ser
facilmente compreendidas por todas as pessoas e devem regular de forma suficiente.
■ P. da segurança jurídica: aqui há que ter em conta:
■ 1º: ideia de previsibilidade “ex ante” : os cidadãos já devem saber com o que devem
contar quando a lei vem a público: debates, divulgação das reuniões, etc. ...
■ 2º: ideia da estabilidade ou eficácia “ex post”: quando um determinado acto ou
decisão foi feito de acordo com as regras, esse acto ou decisão são inalteráveis, ex.
dos casos julgados e alçadas. Embora seja, por vezes, possível reabrir um caso julgado.

Alçadas:
| STJ | Acima deste valor
--------------------------------------------
| Relação | até 3.000 cts.
---------------------------------------------
|Comarca | até 750 cts.

Ex.: uma acção de 2.000 cts. Entra na Comarca e vai no máximo até à Relação.
Seja qual for o valor da acção, entra sempre 1º na Comarca.

■ P. da protecção da confiança:
■ P. da proibição dos pré-efeitos: nenhuma norma pode produzir efeitos antes da sua
publicação no jornal oficial (DR) , caso contrário, é ineficaz.
Articular 119º/1º e 2º CRP + Lei n.º 74/98 de 11/11
“Vacatio legis” – período que decorre entre a publicação e a entrada em vigor.
■ P. da proibição de leis retroactivas / da retroactividade: são leis que pretendem ter
efeito sobre situações que se verificaram no passado e que ainda subsistem.
Há casos em que a retroactividade é:
● imposta: 29º n.º 4
● proibida expressamente: leis penais, 29º n.º 1; Leis restritivas de DLG 18º/3.

3. Princípio da Proibição de Excesso (ou da proporcionalidade)

Este por sua vez, engloba:


30
. p. da conformidade da adequação de meios: a medida adoptada para a realização do
interesse público deve ser apropriada para a prossecução do fim ou fins a ele subjacentes.
. p. da exigibilidade ou da necessidade: o cidadão tem direito à menor desvantagem
possível. Assim, exige-se sempre a prova de que, para a obtenção de determinados fins,
não era possível adoptar outro meio menos oneroso para o cidadão.

4. Princípio da Protecção Jurídica e das Garantias Processuais


Um Estado de Direito há-de, necessariamente, prever a existência de uma importante
protecção jurídico individual sem lacunas.
Vejam-se artºs. 20º; 28º/1, 32º/5; 209º/4.

O PRINCÍPIO DO ESTADO DEMOCRÁTICO

Dimensões 1. Como Princípio Normativo


Fundamentais 2. Como processo de democratização
1. Como princípio informador do Estado e da sociedade
2. Como princípio e norma de organização

Sub-princípios 1) Princípio da Soberania Popular


Caracterizadores - forma negativa
Do PED - forma positiva
2) Princípio da Representação Popular
- 1ª Ideia de actuação no interesse do povo
3) Princípio da Democracia Semi-Directa
- a figura do Referendo
4) Princípio da Separação de Poderes cf. art.º
111º

Democracia: poder exercido pelo povo. Ex. 1º, 2º; 9º, 10º/1; 108º, 109º

Dimensões 1) Como Princípio Normativo


Fundamentais 2) Como processo de democratização
3. Como princípio informador do Estado e da sociedade
4. Como princípio e norma de organização

1) Como Princípio Normativo


Aponta para a democracia como uma forma de vida.
Temos de analisar a própria democracia como um princípio normativo.
No n/ sistema é encarado como um impulso global dirigente = regra a seguir.

2) Como processo de democratização


Aparece como 1 processo dinâmico apontando para determinadas metas /objectivos a realizar:
- construção de uma sociedade livre, justa e solidária (1º)
- realização da democracia económica, social e cultural (2º)
- promoção do bem-estar e qualidade de vida do provo é a igualdade real entre os portugueses
(ºd)

3. Como Princípio informador do Estado e da Sociedade

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O princípio democrático não se resume à esfera estadual. Há ideia do povo estender os
seus tentáculos às diversas realidades económicas, sociais, etc.
Ex.: 77º, 54º/5 b); 38º/2 a).

4. Como princípio e norma de organização

Numa sociedade, a organização pode ser:


● democrática
● não democrática

ex.:
51º/5 – é a própria CRP que exige aos partidos políticos a organização democrática, a fim de
cumprir o princípio da norma de organização do Princípio Democrático.

55º/3 – associações sindicais


267º/4 – associações públicas: ex.: Ordem dos Médicos
- associações privadas: ex.: Associação dos Bombeiros Voluntários

Sub-princípios 1) Princípio da Soberania Popular


Caracterizadores - forma negativa
Do PED - forma positiva
2) Princípio da Representação Popular
1ª Ideia de actuação no interesse do povo
3) Princípio da Democracia Semi-Directa
- a figura do Referendo
4) Princípio da Separação de Poderes cf. art.º 111º

1. Princípio da Soberania Popular

O que legitima o exercício do poder do homem sobre os outros homens?


Através da ideia da soberania popular, em que o poder reside no povo.
Ex.: 1º; 3ª CRP

A autoridade política tem origem apenas no povo.


A soberania pode ser vista de duas formas:
● Negativa – implica a distinção entre o poder do povo e outros (ex.: castas)
● Positiva - a soberania popular a existir deve implicar uma legitimação democrática
efectiva, através do n.º 10º da CRP.

2. Princípio da Representação Popular

Implica que o exercício da função de domínio não cabe ao titular do poder, mas sim aos
órgãos de soberania: 110º (PR, AR, Gov. Trib.), 10º, 108º e 113º.

A actuação dos órgãos de soberania deve ter em conta o povo e o seu bem-estar 147º.

3. Elementos da Democracia semi-directa

Introduz a ideia de que a CRP, para além das sugestões a favor da demo participativa,
contém elementos de demo semi-directa: ex.: referendo 115º/5 e 240º
Ver exemplos nas fotocópias dos acórdãos.

32
Será que a ideia da democracia semi-directa põe em causa a primazia da
representatividade? Não. Fundamentação: há matérias que não podem ser questionadas:
115º/4.
4. Princípio da separação de poderes

Em que se perspectiva a separação como elemento da repartição, limitação e controlo do poder.

O Princípio Democrático relaciona-se com 3 temas essenciais:


A – Princípio Democrático e Direitos Fundamentais:
Há uma íntima relação entre estas duas dimensões porque:
1º reconhecimento explícito de direitos políticos:
● DLG de participação política (49º, 50º, 51º e 52º)
● Direitos dispersos, embora da mesma natureza: ex. 40º
2º reconhecimento de direitos não políticos, mas que são pressupostos de uma ordem
livre e democrática: 37º, 38º, 45º e 46º
B – Princípio Democrático e Direito de Sufrágio:
Os princípios materiais do sufrágio: 10º, 49º, 113º e 115º/9
1. Princípio da Universalidade do sufrágio (12º) deve ser visto numa perspectiva dinâmica
Ex: são inconstitucionais todas as decisões que vão contra o direito de voto ex.: 30º/4
2. Princípio da imediaticidade do voto
O voto tem de resultar imediatamente da manifestação da vontade do eleitor, sem ser
intermediado por “grandes eleitores” ou de qualquer vontade alheia. Os eleitores devem ter
a última palavra.

3. Princípio da liberdade do voto


Implica | liberdade de votar ou não votar
| liberdade no próprio voto
. a liberdade de votar é um direito cívico 49º/2
. o direito de voto deve ser exercido sem coacção.

4. Princípio do sufrágio secreto


Exige-se a pessoalidade do voto. Não há votos por correspondência ou por procuração.
Os presos votam antes.
Os emigrantes votam no PR antes.
Pessoalidade # presencialidade: o voto pode ser pessoal sem ser presencial: ver. 121º/2 e
3.
É proibido sinalizar o voto (listas diferentes, papel e urnas diferentes ou não seladas).

5. Princípio da igualdade de sufrágio 13º

Exige a regra: a cada homem um voto. A igualdade que se exige não é apenas simples mas sim
material: cada voto deve contribuir de igual forma para o sistema eleitoral.

Ex.:
Conservadores / Trabalhistas
51. 49 1) C: 51 3) C: 40 / T: 66
51. 49 T: 49
40. 66
52. 48 2) C:51 4) C:52 5) C:30

33
30. 70 T:49 T:48 T:70
53. 46

278 322 6) C:54 / T:46

De acordo com o sistema maioritário, os Conservadores ganharam em 4 circunscrições por maioria.


Com o princípio da igualdade ganharam os Trabalhistas.

Cláusulas Barreira – alguns sistemas impõem condicionamentos na conversão dos votos em


mandatos, exigindo um número mínimo de votos em todas as circunscrições. Em Portugal não é
permitido: 152º/1/2 e 113º/5.

6. Princípio da periodicidade
A própria constituição determina que o povo seja consultado sobre o exercício do poder.
118º - princípio da renovação.

C – Princípio Democrático e Sistema Eleitoral

1º Sistema Maioritário
Surgiu no séc. XIII até XV. É o mais antigo. “The winner takes it all”. Ou se ganha tudo
ou se perde tudo.
Pode ocorrer de duas maneiras:
| simples = 1 volta maioria absoluta
| a duas voltas: 1ª volta apura os dois partidos mais votados.
2ª volta vão a votos os 2 mais votados.

Em Portugal para eleger o PR é assim.

Em regra, este sistema funciona nos ciclos uninominais (só há 1 mandato em jogo);
quando há + de 1 mandato em jogo aplica-se o sistema proporcional:

116º/3; 136ª 2/3; 163ª g); 141º; 142º; 168º/5


maioria qualificada: 284º, 286ºss, 278º/4; 281º f) e g)
Vantagens do maioritário

1º - sistema dos governos funcionais


2º - alternância do poder através do sistema bi-partidário (ora governa um ora outro).
3º - a oposição torna-se + forte
4º - permite o voto + pessoal

Desvantagens do maioritário:

1º - favorece a desigualdade dos votos quanto ao valor do resultado (pode perder por 1)
2º - há mais partidos que não conseguem ficar representados.

2º Sistema Proporcional

● Defendido na Revolução Francesa por Mirabeau, surgiu no final do séc. XIX.


● “A cada um o que lhe é devido” = ideia base do sistema proporcional
E tanto proporcional tanto quanto o nº de mandatos em causa.

Vantagens deste sistema:

34
1º - Igualdade material do valor do resultado dos votos: voto do cidadão A = ao do
cidadão B
2º - Adequação à democracia partidária
3º - representação de todos os grupos sociais.

Desvantagens:
1º - torna o voto impessoal (o eleitor não conhece o eleito).
2º - conduz à pulverização (=pluripartidarismo) partidária (quantos mais partidos <
hipótese
de maioria absoluta)
3º - torna menos fraca a oposição (os maiores engolem os mais pequenos).

O sistema proporcional é de tal forma importante que na nossa Constituição foi


transformado num limite material – 288º.

Nós temos representação proporcional, mas para escolher o PR é o sistema maioritário.

Victor d’ Hondt: método da média + alta


149º/1 – círculos eleitorais – prevê a aplicação deste sistema.

113º/5
231º/2
239º/2 representação proporcional -> autarquias locais

Dec.-Lei 169/99 n.º de mandatos que existe para atribuir


(ver apontamentos de Ciência Política sobre votos)

Em caso de empate na atribuição de 1 mandato, atribui-se este à lista menos votada.

DIREITOS FUNDAMENTAIS

Direitos Direitos Pessoais


Fundamentais Liberdades e Garantias De participação política
24º 57 Dos Trabalhadores

Direitos Económicos Sociais e Culturais


58º 79º

Tipologia Direitos do Catálogo 24º 79º


Direitos fora do Catálogo (ex.: 20º e 21º)
Direitos só materialmente constitucionais (ex.: 72º CC)
Direitos análogos aos DLG (ex.: 27º = 20º)

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Regime Geral Princípio da Universalidade
Dos Direitos Princípio da Igualdade Proibição da discriminação
Fundamentais Proibição do arbítrio
tem 3 regras: Obrigação da diferenciação

Acesso aos Tribunais

Regime Aplicabilidade Directa


Específico dos Vinculação de entidades públicas
DLG Vinculação de entidades privadas
Leis restritivas / limitadoras:
Tipos
Limites dos limites . Autorização expressa da CRP
(cf. 18º) . Lei formal e organicamente constitucional
(lei da AR ou DL autorizado)
. Carácter geral e abstracto
. Observância da não retroactividade
. Observância do P. da proibição do
excesso
. Observância do P. da salvaguarda do
núcleo essencial

Tipologia:
Direitos do Catálogo: integra todos os direitos incluídos na parte I da CRP 24º a 79º
Direitos fora do catálogo: continuam na Constituição mas não fazem parte daquele grupo.
Direitos só materialmente constitucionais: os que, não constantes da CRP, estão fora da
CRP mas com o mesmo valor desta: ex.: Direitos Fundamentais dos Dtºs do Homem.
Direitos análogos aos DLG: direitos que, não o sendo (24º - 57º) vão beneficiar de um
regime específico. Direitos que não fazem parte do catálogo mas que, por analogia, se
aplicam os direitos do catálogo. Ex.: 20º é análogo ao 27º.

Regime Geral
Regime Geral ≠ Regime Específico
Princípio da Universalidade: 12º
12º só prevê os portugueses. O 15º resolve o problema dos estrangeiros / apátridas.
Público: ex.: direito ao bom nome
Direitos atribuídos às pessoas colectivas
De Dtº Privado

Esta Constituição não exige a personalidade jurídica (66º CC) quando atribui os direitos
fundamentais. Ex.: 263º/1; 265º/2.
Direitos fundamentais colectivos: ex.: organizações sindicais, organizações de moradores.

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Por vezes basta a existência
Titularidade ≠ capacidade de direitos. Ex.: direito de sufrágio, dtº de casar.

Princípio da Igualdade 13º


13º/1 esta igualdade tem de ser entendida em 2 perspectivas:
a. na aplicação do direito
b. na criação do próprio direito
igualdade material (= tratar por igual o que é igual e desigualmente o que é desigual)
ex.: 1l leite €0,50
cidadão A ganha 500,00/mês
cidadão B ganha 1500,00/mês
no pagamento do IRS, B tem tabela superior ao do A houve cuidado na criação do direito

O princípio da Igualdade engloba 3 dimensões:


a. proibição da discriminação – 13º/2
Sempre que surge uma distinção como critério vai contra o 13º/2.
Diferenciação só é permitida se:
● não referenciar os do artº 13º/2
● tiver um fim legítimo.

b. proibição do arbítrio
Proibem-se as proibições do tratamento 13º/1
Não devem ser feitas de forma que não sejam objectivos racionais, objectivos e válidos.
Proibição de situação e tratamento desigual: ex.: taxa de irs.

c. obrigação da diferenciação
É necessário diferenciar quando com objectivo da igualdade, quando para uma mesma
situação os intervenientes não sejam diferentes. = protecção social.
O Estado procura, eliminando ou atenuando barreiras.
Ex.: 59º/2 c)
68º/3
69º/2 – crianças
72º - 3ª idade
36º - casamento
47º/2 – acesso à função pública

Acesso aos Tribunais (20º)

Essencial ao exercício dos direitos fundamentais, é ter o exercício e a defesa dos direitos
fundamentais.

Regime especial dos DLG – 18º

a. Aplicabilidade directa (especial atenção ao 18º)

as regras e princípios são imediatamente eficazes e actuais


tudo o que está do 24º ao 57º
37
valem sem lei ou ausência de lei
valem contra a lei e em vez da lei

(inconstitucionalidade)

b. vinculação de entidades públicas

Que entidades?
1. o legislador (do AR, Gov. e Ass. Leg. Regiões Autónomas)
2. a administração (governo)
3. os tribunais

O legislador sente-se vinculado pelos DLG sob 2 perspectivas:


(-) não pode fazer lei contra os DLG
(+) sempre que actue deve fazê-lo de forma a concretizar os DLG, optimizando-os.

A administração: na actuação da adm. (governo). Os actos que pratica devem respeitar


os DLG.

Os Tribunais: os juizes devem 1º obediência à Constituição do que às leis ordinárias.


Entre o princípio da legalidade e a Constituição, prevalece a última.

c. Vinculação de entidades privadas

Existe uma relação horizontal: cidadão A cidadão B estão ao mesmo nível

2 Perspectivas:
● vinculação directa / imediata: perspectiva que a n/ Constituição adoptou
● vinculação indirecta: diz que o Estado tem de estar entre A e B.

d. Leis restritivas / limitadoras : = limites dos limites

Existem limites ao exercício dos DLG.


Ex.: 37º; 38º; 26º
É possível restringir os DLG, mas com limites.
Nem sempre o que as pessoas pensam que o Direito protege efectivamente protege:
ex.: 47º: escolha da profissão tem de haver um filtro. Não se compadece com as escolhas
ilícitas.

Tipos de restrições:

● limites directos, imediatos e expressos: estabelecidos directamente pelo legislador


constituinte no texto da Constituição. Explicam o que se pode e o que não se pode.: 46º,
45º.
● Limites ou restrições estabelecidas por lei, mediante autorização da Constituição: aquelas
cujas normas da CRP admitem de forma expressa, através da intervenção do legislador
mediante lei. (sempre que diga: “salvo as restrições legais”. Ou seja, remete para o
legislador ordinário.)

Limites dos Limites – 18º

a. autorização expressa ca CRP – 18º/2

38
b. lei formal e organicamente constitucional = ou por lei da AR ou do governo c/ autorização
da AR 165º b)
Há leis tão especiais que só podem ser legisladas pela AR:
Cidadania: ex.: 26º/4 164º f)
Associação política: 51º 164º h)
164º o) 270º

c. carácter geral e abstracto 18º/3


Têm de se adaptar a um número de situações, para todos e todas as circunstâncias.

d. Observância da não retroactividade 18º/3


Engloba estas duas situações:
Retroactividade ≠ retrospectividade

situação com início no passado situações que tiveram início no passado
mas já resolvida mas que ainda se mantêm

e. Observância do princípio da proibição do excesso 18º/2


As leis devem ser proporcionais e não excessivas.

f. Observância do princípio da salvaguarda do núcleo essencial


Quando está em causa proteger um direito, é preciso restringir outro, mas não ao ponto
de extingui-lo.

Ex: a árvore cujos ramos pendem para o lado do muro do vizinho:

A B

Solução: cortam-se os ramos que pendem sobre o muro de A.

PARA ANALISAR OS CASOS:

Temos de começar pelos limites um a um, porque são cumulativos!!

CONCORRÊNCIA DE DIREITOS
Surge quando o comportamento dum mesmo titular preenche os pressupostos de facto de
vários direitos fundamentais.
Pode assumir duas formas:
Concorrência de direitos cruzamento de direitos fundamentais
Quando o mesmo comportamento de um titular é abrangido
Ex.: jornalista: 37º, 38º, 40º

Acumulação de direitos fundamentais


39
Colisão ou Conflito de direitos
Surge quando o exercício de um direito fundamental, por parte de um titular, colide com o
exercício de um direito fundamental, por parte de um outro titular.
Pode assumir duas formas:
Colisão /conflito colisão de direitos entre vários titulares de direitos fundamentais
de direitos
colisão entre direitos fundamentais e bens jurídicos da comunidade do
ou Estado

SOLUÇÕES PARA OS CONFLITOS


1. Restrições dos Direitos (quando autorizados pela CRP)
2. Utilização da concordância prática: harmonização:
● logo ao nível legislativo (caso a caso, em tribunal)
● no momento da elaboração de uma norma (caso a caso).

Acumulação de Direitos Fundamentais


Quando para assegurar uma protecção eficaz de um bem jurídico protegido pela CRP se
atribui aos indivíduos um conjunto de direitos. Ex.: direito de participação política.
---------------------------------------------------
Exemplos de conflitos:
1. O direito do cidadão A e do cidadão B
O cidadão A publicou na net uma foto-montagem onde B aparecia nua = colisão de
direitos:
A defendia que era propriedade artística
B defendia que era ofensa ao bom nome.

2. Ou do cidadão A e o bem jurídico da comunidade e o Estado.


O dono do Castelo de Leiria queria demoli-lo para aí se construir uma urbanização.

A Protecção de Direitos Fundamentais

Meios de defesa 1) garantia de acesso aos Tribunais (20º, 202º/2, 268º)


Jurisdicionais 2) garantia de recurso contencioso
(implicam recurso 3) direito de acesso à justiça administrativa (268º/4)
ao Tribunal) 4) direito do suscitar a questão da constitucionalidade ou da ilegalidade
(280º)
5) acção de responsabilidade (22º, 27º/5, 29º/6, 27º)
6) direito de acção popular (52º/3)

Meios de defesa 1) direito de resistência [21º + 7º/3 (colectivo)]


Não Jurisdicionais 2) direito de petição [52º, 110º, 23º, 281º/2 d), 283º]

40
(recurso gracioso) 3) direito a um procedimento justo (267º/5, 261º/1)
4) direito à autodeterminação informativa (35º)
5) direito ao arquivo aberto (268º/2)

Quanto aos meios de defesa jurisdicionais:

1) Garantia de acesso aos tribunais (20º, 202º/2, 268º)


Direito à protecção jurídica através dos tribunais e sentenças exequíveis 205º/2

2) Garantia de recurso contencioso


Existe a possibilidade de resolver os problemas dentro do próprio sistema administrativo,
mas, se não resultar, há sempre a possibilidade de recurso contencioso.

Actos activos – o que a administração pública fez


Actos omissivos – o que a administração pública não fez

Será que um único Tribunal deve tratar de todos os assuntos? Não. Todos os tribunais
tratam de matérias de DLG.

3. Direito de acesso à justiça administrativa


Relacionado com a administração pública - 268º

4) Direito de suscitar a questão da inconstitucionalidade ou da ilegalidade (280º)

5) Acção de responsabilidade (22º, 27º/5, 29º/6,27º)


Acções por parte do Estado
Acções que vêm de actos administrativos actos ilícitos
Acções que vêm de actos materiais

Também há circunstâncias de actos lícitos: ex.: expropriações 62º/2

6) Direito de acção popular (52º/3)


Tem como finalidade a defesa dos interesses difusos que são do interesse de muitos.

Quanto aos meios de defesa não jurisdicionais:

1) Direito de resistência [21º + 7/3 (colectivo)]


Situações que justificam determinados actos mas não justificam a desobediência civil.

2) Direito de petição [52º, 110º, 23º, 281º/2 d), 283º]


Quando a pessoa verifica que os seus direitos fundamentais estão em causa, há direito de
petição.

Recurso ao Provedor de Justiça – 23º


de acções ou omissões de poderes públicos
não tem poder decisório

3) Direito a um procedimento justo (267º/5, 261º/1)


Quando tem uma participação do cidadão.
Configura-se com o direito a ser ouvido
à participação

41
4) Direito à autodeterminação informativa (35º)

5) Direito ao arquivo aberto (268º/2)

42
CASOS PRÁTICOS

Forma de resolução:

A.R.
1. Identificar a
competência formal
Governo

2. Quanto ao sentido material: . identificar os direitos fundamentais

. colisão ou concorrência de direitos?


. regime geral
. regime específico

Caso 1
O Governo aprovou em Conselho de Ministros, um Decreto-Lei que:
1º - Impõe o encerramento imediato de todas as mesquitas existentes no território
nacional.
2º - Proíbe todas as práticas religiosas islâmicas.
Justificou tal procedimento com a necessidade de acautelar o direito fundamental dos
cidadãos à segurança, especialmente após as ocorrências do 11 de Setembro.
Quid Iuris?
Violação do Direito Fundamental: religião – 41º
Quanto à competência formal:
o Governo pode 165º/1 b)
o Conselho de Ministros pode: 200º/ 1d)

Quanto ao aspecto material:


colisão de direitos: 27º, entre a comunidade islâmica e a comunidade geral (segurança pública).

Ao analisar o regime específico:


18º/2 e 3
autorização da AR
não tem carácter geral e abstracto porque é dirigido a um grupo específico

Caso 2
A Assembleia da República, face aos problemas causados por casamentos simulados
(1577º + 240º CC), celebrados entre cidadãos do leste da Europa e cidadãos portugueses,
decidiu aprovar uma lei que proíbe a celebração de casamentos entre cidadãos nacionais e
estrangeiros.
Quid Iuris?
Competência formal: Ok
Competência material:
- princípio da universalidade
- Direito fundamental: contrair casamento: sim: 36º/1 + 15º

Limite dos limites: . tem autorização expressa da CRP


. Lei formal e organicamente constitucional

43
. Carácter geral e abstracto: não
. retroactividade
. observância do princípio do núcleo essencial
. observância da proibição do excesso
= violação do princípio da universalidade

Caso 3

Em virtude do aumento exponencial dos distúrbios causados por vendedores ciganos, no


espaço do mercado municipal e feira do município X, um grupo de utentes do referido
mercado levou a cabo um abaixo-assinado que entregou ao Presidente da Câmara
Municipal.
Pretendiam que a autarquia solucionasse tal problema, limitando o acesso ao mercado de
tais vendedores.
Perante o elevado número de assinaturas de eleitores do município em causam a
autarquia emana uma norma que:
1º Proíbe o acesso ao mercado dos feirantes ciganos que não residam no município (o que
acontece com a maioria dos que, até então, o frequentavam).
2º Estabeleceu uma multa no valor de 1000 euros, para os que violarem aquela norma.
Num dia de feira, Manuel, vendedor cigano que reside no concelho Y, vendia sapatos
quando foi surpreendido por funcionários da Câmara que lhe apreenderam a mercadoria e
lhe determinaram o pagamento da multa de 1000 euros.
Quid Iuris?
Quanto à competência formal: 251º - a Assembleia delibera
252º - a Câmara executa

Violação do princípio da igualdade: 13º/2

Aspecto material: 251º - A Assembleia Municipal delibera e a Câmara só executa

Caso 4

Insatisfeito com as prestações actuais do Provedor de Justiça, o governo decidiu nomear


uma outra figura para o cargo.
Quid Iuris?
23º/3 + 163º/h

Caso 5

O governo aprovou as seguintes normas:


1ª – prisão perpétua para os crimes de homicídio qualificado e abuso sexual de menores.
2ª – perda do direito de voto aos condenados a penas superiores a 5 anos de prisão.
Quid Iuris?
1ª – 165º/c) com autorização da AR
30º/1 não pode prisão perpétua
2ª – 30º/4/5 pode votar
49º direito de sufrágio

44
Caso 6

António celebrou contrato de arrendamento com Xavier sobre um apartamento em


Leiria, em Janeiro de 2002. Emigrou para o Luxemburgo em Outubro desse ano. Xavier
intentou acção de despejo no início deste mês. António vem defender-se pelo seu direito à
habitação.
Xavier alega: 64º/1/i) - RAU

Conflito de Direitos: direito à propriedade privada e direito à habitação [(65º,1 c)]


Conclusão: todos têm direito à habitação, mas têm que habitar!

ESTRUTURAS ORGANIZATÓRIO-FUNCIONAIS
Diz respeito à organização do poder político.

Competência:
O poder de acção e de actuação atribuído aos vários órgãos e agentes constitucionais, com o fim de
prosseguirem as tarefas de que são constitucional ou legalmente incumbidos.

PRINCÍPIO FUNDAMENTAL

Há que ter em conta: Repartição vertical


O Princípio da separação e visa a delimitação das competências e as relações de controlo segundo
Interdependência dos critérios fundamentalmente territoriais (competências do Estado
Órgãos de Soberania Central, competências Regionais e Locais).
111º CRP
Repartição horizontal
Refere-se à diferenciação funcional (legislação, execução, jurisdição), à
delimitação institucional de competências e às relações de controlo e
interdependência recíproca entre os vários órgãos de soberania.

------------------------------------------------------------- X ---------------------------------------------------------
-----

Ora, os veículos estabelecidos entre os vários órgãos constitucionais reconduzem-se a dois tipos
principais:

Controlo Primário – relativamente aos titulares dos órgãos. Exprimem-se na nomeação ou


revogação (demissão, exoneração) dos titulares dos órgãos.
Ex.: 133º f) e g); 163º e).

Assim, o controlo primário ou subjectivo consiste no poder constitucionalmente


reconhecido a certos órgãos constitucionais de soberania de provocar, em certos casos e em
determinadas condições, a “novação estrutural de outros órgãos”.

Secundário – incide sobre os actos, visando eliminar o acto viciado ou sanar o vício ou
vícios constantes do acto.

Nota: o nosso estudo abarca apenas o controlo primário.

45
Responsabilidade Exprime a situação/relação de confiança do controlado face ao controlante,
respondendo pelos efeitos e pelas orientações políticas da sua actividade.
Ex.: 190º, 194º e 195º.

Ver os modelos

A variável portuguesa do padrão básico:


Regime Misto Parlamentar-Presidencial

Elementos do Regime Parlamentar (Republicano)


● Existência de um “Gabinete” dirigido por um PM (como órgão de soberania institucionalmente
autónomo).
110º, 182º, 183º/1

● Responsabilidade política ministerial perante o Parlamento.


190º, 191º,/2, que implicam: 195º/1/e) e f) + 163º/e).

● Referenda Ministerial o não cumprimento implica a inexistência do acto


140º e 197º/1/a)

Elementos do Regime Presidencial


● Instituição de um PR, eleito através de sufrágio directo
121º

● Direito de veto político e legislativo (Se o acto vem da AR, o veto pode ser superado, se é do Gov. não)
136º e 279º/1
Veto político: manifesta a sua discordância política relativamente ao acto legislativo
Veto legislativo: dizer que a norma é inconstitucional. O PR é obrigado a vetar. Antes disso, procurou o
Tribunal Constitucional: acto preventivo.

● Existência de poderes de direcção política (uma vez que, nem tudo está sujeito a referenda).

Elementos do Regime Parlamentar Dualista


● Dupla responsabilidade do Governo
160º

● O direito de dissolução da AR
133º/e) (com os limites do 172º)

Temos, então, um Trialismo Horizontal

46
- Existe um PR que pouco pode sem o Governo,
- O Governo nada pode sem a confiança da AR;
- A AR pode ser dissolvida pelo PR.

Ver esquema painel II

Casos Práticos

1. Agastado com as pressões jornalísticas, o PR decidiu, no intuito de as evitar, viajar para o


Brasil. O seu assessor de imprensa deu notícia de que o PR tenciona ficar por lá 15 dias.
Quid Iuris?
129º - ausência do território nacional
- não pode sem o assentimento da AR
- até 5 dias pode, mas avisando a AR
163º b)
a. Na sua ausência, o PR morreu, e o PR interino decidiu dissolver a AR.
132º - substitui o PR Interino
139º - O PR interino não pode dissolver a AR

b. O PR interino decidiu marcar novas eleições.


139º - só ouvido o conselho de Estado
145º b)

2. O PR nomeou Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, sob proposta do Governo. No
entanto, argumentando com o facto de ser ele o comandante supremo da FA, não permitiu que
o PM tivesse qualquer intervenção nessa nomeação.
133º - O PR pode nomear sob proposta do Governo
134º a) – exerce as funções de Comandante Sup. das FA
120º - O PR é o comandante supremo das FA
140º - carece de referenda ministerial

47
A Constituição como “Norma Normarum”
Ou seja, a CRP como norma primária sobre a produção jurídica.
Neste âmbito, a CRP cumpre as seguintes funções:

1º - Identifica as Fontes de Direito do Ordenamento Jurídico Português


Art.º 8º - Direito Internacional e Comunitário
56º/4 – Convenções Colectivas de Trabalho
112º - Actos Normativos
115º – Referendo
161º, 164º, 165º - Leis da AR
198º - Decretos-lei do Governo
226º - Estatutos das Regiões Autónomas
227º - Actos normativos das Regiões Autónomas
241º - Regulamentos das Autarquias Locais

2º - Determina os critérios de validade, eficácia e hierarquia das normas produzidas pelas várias
fontes de Direito
Art.º 112º/2 - Lei = DL
112º/3 – Leis com valor reforçado (lei que carece de aprovação por > de 2/3)
112º/4/5 + 227º - Direito Geral da República “Direito Autonómico”
112º/7/8 + 241º Actos Normativos Legislativos Actos Normativos da Administração
112º/9 – Revela a forma e o valor das Directivas Comunitárias transpostas para a ordem
jurídica interna

A Constituição é a norma primária sobre a conduta jurídica.


112º/2 Lei = Dec.-Lei, mas, com tendencial paridade.
O art. 8º - direito internacional
A quem cabe negociar – 197º b)

Governo, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros

A aprovação 161º i) – AR com as respectivas remissões

A publicação 119º b)

A ter em conta no 119º: a hierarquia de a) a i) !!

3º - Individualiza as Competências Normativas


Art.º 161º, 164º, 165º - Competência Legislativa da AR
198º - Competência Legislativa do Governo
227º - Competência Normativa das Regiões Autónomas
241º - Competência regulamentar das Autarquias Locais
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----
As dificuldades hodiernas na definição da hierarquia:
Antes:

Normas Constitucionais Normas de Direito Internacional (8º/1)


48
Normas de Dtº Internacional Direito Interno (anterior e posterior) cf. 8º CRP
Direito Comunitário + Direito Internacional: prevalecem sempre sobre as normas de Direito Interno, quer
anterior quer posterior

Tudo isto resulta num pluralismo de normas.


Existem várias fontes de normas:

II – PLURICENTRISMO LEGISLATIVO EXTERNO

FONTES INTERNACIONAIS FONTES COMUNITÁRIAS FONTES INTERNAS

Tratados Leis, Decretos-Leis,

Convenções (tratados e Regulamentos Decretos legislativos regionais


acordos)
Directivas

III – PLURICENTRISMO LEGISLATIVO INTERNO

ÓRGÃOS LEGISLATIVOS DA ÓRGÃOS LEGISLATIVOS


REPÚBLICA REGIONAIS

Assembleia da República Governo Assembleias Regionais

Leis Decretos-Leis Decretos Legislativos Regionais

I – PLURIMODALIDADE LEGISLATIVA (ver fotocópias)

Leis a considerar no nosso estudo:


● Leis Constitucionais
● Leis orgânicas (não são diferentes, estão numa categoria diferente, o 166º/2 identifica-as.
Grande parte das leis orgânicas são feitas pela AR. Ver formas dos actos no 166º.
Se for uma lei orgânica 163º/2. Se não: 166º…
- maior exigência nas maiorias para as aprovar: 168º/5
- exigem maioria superior na superação do veto
● Leis de autorização legislativa (165º)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----
Caso prático
Ainda antes de terem lugar as eleições autárquicas de 2005, o Governo pretende alterar a lei eleitoral dos
titulares dos órgãos do poder local. Quid Iuris?
1º - O Governo pode? Não. Fundamento: 164º l)
2º O PR vetou politicamente.
É uma lei orgânica: 136º/ 3
Ver 112º.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----

Ainda relativamente às Fontes de Direito:


49
1. Princípio da hierarquia

1. Constituição 2. Lei Constitucional 3. Lei 4. Lei de autorização 5. Dec.-Lei 6….


6. Regulamento

Lei e Decreto-Lei são iguais, mas, o Decreto-Lei não é absoluto.


As normas comunitárias valem mais do que as normas internas.
Inderrogabilidade ????

2. Princípio da Competência
A cada acto normativo diferente compete um órgão diferente. Ex.: Lei AR // Dec.-Lei Governo

3. Princípio sobre/de Produção Jurídica


112º/5 – “nenhuma lei pode criar outras categorias de actos legislativos ou conferir a actos de outra natureza
o poder de, com eficácia externa interpretar, integrar, modificar…”
Ex.: os Assentos, antigamente previstos no C.C. como fonte de Direito, deixaram de o ser. O órgão
jurisdicional (STJ) não tinha competência legislativa, mas os seus acórdãos tinham força de lei, de forma
imperativa. O que se tornou inconstitucional.

LEIS DE AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA:


Previsão: artigos 161º d), 165º e 198º/ 1 b)/3

Limites de Autorização Legislativa (cf. 165º):

Materiais Definição do Objecto da Autorização


Relacionados Não basta indicar de modo vago, genérico ou “flutuante” as matérias que irão ser objecto de DL
c/ conteúdo Autorizados. É necessário concretizar. Por exemplo: alterar penas de crimes.

Determinação do Sentido da Autorização e Extensão (165º/2)


Com os princípios orientadores do Governo na emanação de DL Autorizados.
O Governo é que solicita autorização à AR para legislar e, normalmente, já com a proposta.

Temporais Fixação de Data Final (decorrida a qual decai o poder do Governo para legislar sobre as
Matérias objecto de autorização legislativa)

Os limites implicam a própria publicação ou bastam-se com a promulgação pelo PR ou até com a
aprovação em Conselho de Ministros?

Entende-se que a publicação não é necessária, porque:


- por um lado, a publicação é um acto sucessivo, estranho ao exercício da autorização legislativa
e,

- por outro lado, a publicação é apenas condição de eficácia e não de existência, cf. 119º/2.

------------------------------------------------------------------------------------------------
Exemplo de estudo:

50
- ver lei de autorização 16/2000
- saber: esquema de apresentação dos diplomas

51
Exercício
Prazo: 180 dias
aprovação: 11/07/02
Lei de autorização Lei n.º 23/02, de 21/08 promulgação: 02/08/02
publicação: 06/08/02

Estatuto Câmara dos Solicitadores Lei n.º 88/03, de 26/04 aprovada em CM 20/02/03
Promulgação: 04/04/03
Referenda: 09/04/03
Vigência: 26/05/03

O critério da contagem do prazo: a partir da entrada em vigor. Se nada disser, contar os 5 dias da Lei 74/98.

Caso Prático
O Governo, face ao resultado de um referendo sobre a matéria, decidiu finalmente, criar o concelho de Canas
de Senhorim. Tal decisão foi justificada pelo facto de tal região cumprir todos os requisitos necessários para o
efeito.
Quid Iuris?
164º n) – matéria de competência absoluta da AR
236º/1 – definição de autarquias locais
136º/2 – se o PR vetasse a lei
115º/4 d) – não permite o referendo nesta matéria

Caso Prático

Em virtude do degradado estado do parque habitacional, o Governo pretende ampliar as situações em que o
despejo se considera justificado.
1º: pode fazê-lo?
165º 1/b) – reserva relativa da AR
165º 1/h) – regime geral do arrendamento rural e urbano
2º: a AR determinou ao Governo um prazo de 90 dias, a contar da data da entrada em vigor da lei de
autorização, facto que se verificou em 01/09/02. O Governo enviou diploma autorizado ao PR para que este o
promulgasse no dia 20 de Novembro de 2002, sendo aquele publicado em 09/12/02.
Quid Iuris?
Set. 30 dias + Out. 31 dias + Nov 19 = 80 dias.
Para que seja enviado no dia 20, tem que estar aprovado em Conselho de Ministros.

O Xavier foi despejado dizendo que a Lei era inconstitucional, porque não foi promulgada no prazo.
Não tem razão. A lei foi aprovada.

52
Garantia da Constituição
Inconstitucionalidades

Para uma Constituição ser valorativa tem de prever mecanismos de auto-protecção:


1º revisão da Constituição
2º fiscalização da constitucionalidade (há que assegurar que os actos praticados o são de acordo com a CRP)
277º ss.

No nosso sistema não se fiscalizam actos, mas sim normas. O Tribunal Constitucional é que diz se são, ou
não, inconstitucionais.
Não se diz: a norma é constitucional
Mas sim: a norma é, ou não, inconstitucional.

Tipos de por Acção – Resulta de um comportamento positivo dos órgãos do Estado


Inconstitucionalidade ou fez-se algo que não se devia ter feito. Ex.. o Gov. legislou sobre o 164º

(para analisar, seguir por Omissão – Resulta de um comportamento negativo


a ordem 1,2,3 …)
Total ou Parcial

Material – quando se verifica o desrespeito por normas materiais


(ex. 13º, 24º)
Identificar se há violação dos DLG. Faltam parte dos procedimentos.

Formal – quando se verifica o desrespeito por normas procedimentais (119º)


Falta de publicação Relacionado c/ procedimentos

Orgânica – quando se verifica o desrespeito por normas de competência


(ex.: temas do 164º por DL do Governo)
Relacionado c/ a competência dos vários órgãos

Originária – quando a norma contraria a CRP desde o momento em que surge no


ordenamento jurídico tem a ver com o tempo
ou
Superveniente – Quando a norma não é inconstitucional no momento do seu surgimento,
mas passa a sê-lo em virtude da aprovação de uma revisão constitucional
ou de uma nova constituição.

Antecedente ou Imediata - quando a norma é, em si mesma, inconstitucional.


Ou Consequente, Derivada ou Reflexa – Quando a norma não contraria
directamente a CRP, mas depende de outra que está desconforme, violando a CRP (ex.: DL
autorizado + Lei de autorização inconstitucional). Efeito “dominó”: quando cai uma cai a outra.

53
Fiscalização da Constitucionalidade
Pode classificar-se:

Quanto ao objecto: de quaisquer actos (o nosso sistema só fiscaliza normas, não actos)

de normas

Quanto à natureza política


do órgão fiscalizador:
jurisdicional (desde a 1ª revisão constitucional em 1982)

Quanto ao número de concentrada – do modelo austríaco (segundo Kelser): só o Trib. Const. pode decidir
Órgãos que a
Exercem: difusa – do sistema Americano: “Judicial Review”
É também: sucessiva + concreta ou abstracta.

O sistema Português é a combinação dos 2. Todos os tribunais podem apreciar a


constitucionalidade das normas.

Quanto ao momento Preventiva – antes da entrada em vigor da norma


Em que é - será também: concentrada e abstracta
Exercida Sucessiva - após a entrada em vigor da norma

Quanto às concreta - aplicada num caso especial


Circunstâncias
Abstracta – quando não está em causa nenhuma fiscalização concreta.

Espécies de fiscalização da inconstitucionalidade


277º e ss.
Quando as normas (só leis orgânicas) vão a veto do PR, este deve esperar 8 dias para a vetar, porque
sobre as leis orgânicas também pode ser pedida fiscalização: Tribunal Constitucional, pelo PM ou 1/5 da AR
(278º74).

Anotações ao quadro:

● **282º: norma publicada em Janeiro -------------- inconstitucional em Setembro ---------


● Efeitos a partir de Janeiro
282º/2/3 – não são reapreciados os casos anteriores, salvo os casos julgados.

● 119º g) – publicação das decisões do TC

● Repristinação = volta a entrar em vigor o que estava antes:


X --------------------- Y ---------------------

X substituído por y
Y declarado inconstitucional, logo x volta a entrar em vigor.

● A concreta passa a abstracta, através do 281º/3.

54
● Pedir a fiscalizaçãona preventiva, o PR tem 8 dias a partir do momento em que recebe o diploma.

● Ministro da República: os Ministros da República = Representantes da República

Pode pedir a fiscalização c/ base no 278º + 45º da Lei Const. 1/2004.

● Fiscalização por omissão é uma fiscalização concentrada: só o TC pode intervir.

● O termo “pronunciar” só se aplica na fiscalização preventiva !!

● A fiscalização sucessiva é pedida em casos em que as normas já estão em vigor

● “A Quo” – de que se recorre “Ad quem” – para o qual se recorre

● Princípio do factor legis: (280º/3) sempre que uma norma está me vigor, presume-se que é
constitucionalmente válida.

● 280º/5 - forma de proporcionar a realização do n.º 3 do 281º


- quando uma norma foi considerada inconstitucional 1 vez, das vezes seguintes, noutro caso…
ex.:
Norma X
Caso A – o juiz decide que é inconstitucional. O MP é obrigado a recorrer = concedida
Caso B – o juiz não considera desta forma
Caso C – o juiz considera o mesmo que o juiz do caso A = concedida
Caso D – idem = concedida
O TC terá que declarar a inconstitucionalidade c/ força obrigatória geral
O Mp é obrigado no caso B a “provocar” o TC e lembrar do A.

55
Caso prático 1
Foi notícia nos órgãos de comunicação social o facto de alguns movimentos de cidadãos pretenderem que se
realize um referendo com vista à descriminalização (tornar não crime) do aborto.
1º - Poderá tal iniciativa ter sucesso?
2º - Suponha ainda que o PR faleceu entretanto. Como se suprirá tal falta?
3º - Poderá o titular substituto de tal cargo tomar qualquer iniciativa no sentido de concretizar a vontade do
movimento dos cidadãos acima referidos?
Quanto ao aspecto formal:
115º/2- referendo por iniciativa da Ar ou Governo
Aborto = dtº à vida = 242/1
DLG = competência da AR
161º j) = Ar propõe ao PR 134º/c – submete a referendo
2ª questão: PR interino previsto no 132º (e é o PR da Assembleia)
223º/2ª): TC verifica e confirma a morte do PR
3º questão: Não. Fundamento: 139º/1 + 134º c).

Caso prático 2
Insatisfeito com a medida tomada pelos movimentos dos cidadãos, o Governo aprovou em Conselho de
Ministros, legislação contendo normas que limitam a possibilidade de iniciativa de referendo aos cidadãos do
sexo masculino.
1º Poderá o governo aprovar tal legislação?
2º Identifica algum tipo de inconstitucionalidade nessas normas? Se sim, quais?
3º Poderá as normas aprovadas pelo Governo ser objecto de fiscalização da constitucionalidade.
Se sim: - de que tipo?
- por quem?
- em que prazo?
- quais os efeitos de uma decisão positiva de inconstitucionalidade?

1º: Não pode: 164º b) – reserva absoluta da AR


2º: Princípio da igualdade proibição da discriminação em razão do sexo: 13º/2
Inconstitucionalidades: orgânica, material, antecedente, originária
3º: Tipo: fiscalização preventiva
Quem: TC = fiscalização concentrada
Por quem: PR 278º/1
Prazo: 8 dias 288º/3
Efeitos: 279º/1 veto obrigatório
Se a norma vem do Governo, o veto é insuperável.

Caso Prático 3
O Governo aprovou um Decreto Lei no qual definiu novos critérios a ter em conta nas indemnizações
atribuídas em caso de expropriação por utilidade pública.
O referido diploma publicado em Outubro de 2002, entre outras novidades, passou a atribuir €500 por cada m 2
de terreno expropriado, com efeitos a partir de Janeiro de 2004.

56
O Sr. António tinha sido expropriado em Abril de 2004, tendo-lhe sido atribuída uma indemnização de €750/
m2. Recebeu, na passada semana, uma notificação exigindo-lhe a devolução das quantias pagas acima do
disposto no novo DL.
Quid Iuris?
Aspecto formal:
Reserva relativa da AR governo 165º/1 l).
Aspecto material:
62º - Direito à propriedade privada.
Meios defesa aconselhados: recurso contencioso para Tribunal Administrativo

Caso Prático 4
O Governo aprovou um DL no qual atribui novos critérios a ter em conta na atribuição da cidadania
portuguesa. O referido diploma, aprovado em 15/10/04, entre outras novidades, passou a proibir a atribuição
de tal cidadania aos filhos de portugueses que tenham nascido no estrangeiro. O novo regime foi anunciado
pelo porta-voz do Governo no dia 18/10/04, através da Comunicado lido na RTP Internacional.
Joana, filha de pais portugueses, nascida no Canadá, viu-lhe ser recusada a cidadania portuguesa, no passado
dia 30 de Outubro, com base naquele diploma.
Aspecto formal:
DLG – reserva absoluta da AR: 164º f) (reveste forma de lei orgânica)
Aspecto material:
Cidadania portuguesa: 4º, 26º/4
Publicidade da norma: 119º: no DR !!
Tipo de inconstitucionalidade:
- formal (falta de publicidade)
- orgânica
- material.
Forma de Fiscalização:
- preventiva (uma vez que ainda não foi publicada)
- feita pelo PR

Caso Prático 5
António residia em Leiria e foi condenado a 8 anos de prisão.
Desde o momento da sua condenação que cumpre a sua pena no E.P. de Faro. Por força da distância e de
dificuldades financeiras, a mulher e seus 2 filhos menores, não o vêm há cerca de 3 anos. António requereu
transferência para Coimbra, pedido que lhe foi negado.
Direitos fundamentais
direito à segurança de todos (por isso ele está preso)
mais isso não justifica que ele esteja preso tão longe.
podia pedir transferência com base em:
30º/4/5 + 36º/3/5 + 68º/1 + 67º
Se, após tudo isto lhe continuasse a ser negada a transferência:
meios de defesa: recurso ao Provedor de Justiça – 23º

57
Caso prático 6
César é magistrado do MP (= procurador) na Câmara de Ourém. Durante esta semana, viu ser publicado um
Decreto-Lei contendo normas onde se previa a integração dos magistrados judiciais (=juízes) e do MP numa
mesma carreira e estatuto.
Quid Iuris?

Quanto ao aspecto formal:


- reserva relativa da AR: 165º/1 p)
Quanto ao aspecto material:
- MP 219º/2 – goza de estatuto próprio
- 215º/1 – os juízes dos TJ formam um só corpo e regem-se por um só estatuto.
Inconstitucionalidade por:
- acção, material, antecedente, originária
Fiscalização: sucessiva, abstracta
Consequências das fiscalização: 282º/1

Caso prático 7
Ana e João são alunos do curso de Solicitadoria da ESTG. Quando ambos realizavam o exame de DC, João
verificou que a Ana foram concedidos +30m para realizar a prova. Indignado com tal situação, fez queixa
ao Conselho Directivo. A atitude do vigilante foi justificada com a aplicação das normas constantes no
regulamento do IPL sobre a realização de exames por alunos de deficiências, que era o caso de Ana.
Quid Iuris?
Em causa: Princípio da igualdade 13º
obrigação da diferenciação Ana tinha direito
Para além disso, o CD argumentava também que o princípio da igualdade invocado pelo João não estava ainda
previsto em acto legislativo.
Falso. Está na CRP: 18º/1 os DLG têm aplicabilidade directa.

Caso prático 8
Pedro, docente do Departamento de Engenharia Informática da ESTE, foi demitido das suas funções, com o
fundamento de pertencer ao partido PAP, manifestamente defensor de ideologias racistas.
Quid Iuris?
O artº 46º/4 diz que não são permitidas organizações racistas. Se Pedro fosse membro, sê-lo-ia de forma
discreta, para não dizer secreta.
No entanto, o que estava aqui em causa era o direito ao Trabalho: 58º e 59º.
Pedro não poderia ser despedido em função das suas ideologias, a não ser que as doutrinasse nas aulas.

PR

PM
Governo

AR

Constituição

Constituição
58
Dtº Interno

Dtº Comunitário

Dtº Interno

Dtº Internacional

Quanto ao conteúdo

De forma:

3ºClassificação

59