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A Guarda Nacional: O organismo inicial de

nossa história militar


Por Fábio Reimão de Mello - 09/03/2013

Relatos sobre o período que se serviu ao exército podem ser ouvidos com facilidade em
rodas de conversa em nossas cidades. Histórias empolgantes, causos engraçados ou
mesmo relatos sofridos, às vezes expostos de forma “um pouco” superdimensionada,
povoam com frequência as conversas dos riomafrenses.

Do tiro de guerra, ao Batalhão Mauá, ao Batalhão de Comunicações e até a atualidade


com o 5° RCC, vemos que organizações militares se sucedem em nossa terra desde a
década de 1920. Mas, a ligação de Rio Negro e Mafra ao fator militar é mais antiga do
que pode a princípio parecer. Antecedendo a presença dessas unidades, Riomafra já
possuía um organismo militar, ou melhor, paramilitar, sem sede fixa ou funcionamento
regular, mas que efetivamente entrou em combate em importantes episódios de nossa
história: A Guarda Nacional.

A Guarda Nacional foi criada em 1831, durante o período regencial (após a abdicação
de D. Pedro I e enquanto D. Pedro II não podia ser coroado imperador por ser menor de
idade) em que a turbulência política levou a ocorrência simultânea de diversas revoltas
armadas pelo país, às quais a então estrutura do exército, não tinha condições de
comportar, seja pelo pequeno efetivo, seja pelas dificuldades de deslocamento em
tempo oportuno até o local da revolta, devido tanto à extensão territorial do país, quanto
à quantidade e alcance dos meios de transporte disponíveis na época.

Assim para poder atuar com uma força armada em todo o território nacional, fazendo
frente a guerras ou revoltas, em apoio ao exército e, sem demandar para isso, de
grandes despesas financeiras, o governo regencial criou e organizou a Guarda Nacional
de forma a constituí-la com a população civil existente em cidades e localidades do país.

Dessa forma, os integrantes da guarda eram recrutados entre os cidadãos (e seus filhos)
que possuíam direito de voto, lembrando que somente tinham esse direito, aqueles que
possuíssem renda superior a 100 mil réis. Essas pessoas, após receberem um rápido

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treinamento, continuavam a exercer normalmente suas profissões em suas rotinas
diárias, não exercendo, portanto, a atividade militar, para a qual seriam convocados em
caso de necessidade.

Inicialmente a organização hierárquica da maior parte da guarda era montada a partir


de eleição realizada entre seus próprios integrantes, o que logo depois foi alterado para
a concessão de postos militares pelas Câmaras Municipais ou pelo Governo das
Províncias, passando a ter caráter político. Os agraciados com a concessão passavam
a utilizar a patente militar como título, junto aos seus nomes, como soa os casos, entre
muitos outros, dos riomafrenses Coronel Nicolau Bley Netto e Coronel José Severiano
Maia.

Coronel Bley Netto (sentado)

Do organismo inicial da Guarda Nacional em Riomafra, uma seção de cavalaria,


subordinada à estrutura da Vila Nova do Príncipe (Lapa), montada ainda na primeira
metade do século 19, por algumas oportunidades sua convocação ou mesmo o emprego
extra-oficial de integrantes pode ser vista, como em 1838 com a criação da “Divisão do
Rio Negro” para combate às forças farroupilhas, em 1893 para fazer frente aos

https://www.clickriomafra.com.br/guia/fatos-historicos/a-guarda-nacional-o-organismo-inicial-de-nossa-historia-militar/
maragatos durante a Revolução Federalista, em 1914, nos combates no Contestado e
também em 1930, mesmo após sua extinção, na revolução que levou Getúlio Vargas à
presidência da república.

Elementos da Guarda em atuação no Contestado

Porém, foi o crescimento do poder e autoridade dos coronéis, tanto sobre os guardas
quanto sobre a população, que chegou a ocasionar, em algumas oportunidades pelo
Brasil, a convocação e colocação da tropa contra o próprio governo e o exército, em
ações com motivações particulares, que contribuíram para a extinção oficial da Guarda
Nacional em 1922.

Assim, ao passo que a Guarda Nacional deixaria de existir, iniciava em Riomafra um


novo contexto de organização militar, com a chegada e instalação das organizações
militares regulares, cuja presença se faz até os dias de hoje.

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