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É POSSÍVEL REABRIR AS ESCOLAS

Jhonatan Almada, Diretor do CIEP

É preciso organizar a reabertura das escolas públicas em 2021 com os cuidados


sanitários devidos, por outro lado e em paralelo, priorizar a vacinação das equipes
escolares (professores, gestores, técnicos-administrativos e terceirizados). Não há tempo
a perder, estamos entregando uma geração de estudantes para a desigualdade por
incompetência e inação.
O trabalho de preparação para reabrir as escolas deve ocorrer neste mês de janeiro, que
na educação só deve ser férias para os estudantes e professores. As equipes técnicas
devem organizar a retomada das aulas ainda no primeiro semestre de 2021 de forma
gradual e escalonada.
A primeira tarefa é assegurar os insumos e adaptações necessárias, máscaras, álcool em
gel, distanciamento e reorganização das salas de aula e turmas. Se pode fazer a
retomada presencial escalonada a partir de fevereiro, conforme avançar a vacinação,
30% dos estudantes no primeiro mês, 50% no segundo mês, 75% no terceiro mês até
chegar a 100% no quarto mês letivo, existem muitas possibilidades e combinações
possíveis.
A segunda tarefa é construir e explicar a nova rotina escolar aos estudantes e famílias,
professores e equipes escolares de modo geral. Explicar não é só produzir cartilhas,
lembremos que alguns pais não sabem ler, precisa fazer vídeos e gravar áudios com as
orientações.
A terceira tarefa é avaliar o quanto conseguiram aprender em 2020 sob tão injustas
condições de ensino remoto. Feito o diagnóstico devemos começar a recuperação do
ensino e aprendizagem. No caso de gestões municipais novas, busquem saber o que já
foi feito pela administração anterior, cuidado com os números e estatísticas que
exageram o êxito e subestimam o fracasso. O poder público errou, falhou e tardou na
sua resposta para a educação pública.
A quarta tarefa é organizar a oferta parcial do ensino à distância combinado com o
ensino presencial, garantindo a inclusão digital. Não adianta chip se o estudante não tem
celular ou tablet, devemos agir sim, mas agir com inteligência e completude. Inclusão
digital deve ocorrer no bojo de programa consistente que alcance a escola e o domicílio
do estudante.
A quinta tarefa é formular o plano de contingência, caso existam estudantes ou
profissionais infectados, a escola suspende o ensino presencial e retoma o ensino a
distância. Isso exigirá bom senso por parte de toda a comunidade escolar e das
autoridades responsáveis.
A sexta tarefa é criar a sala de situação para monitorar e agir conforme a necessidade
durante a implementação da reabertura das escolas. Monitorar não é criar grupo de
whatsapp e enviar áudio ou texto, significa dispor de quadro situacional geral e
específico a ser checado constantemente, escola por escola, de forma presencial e
digital.
A sétima tarefa é estabelecer comunicação e transparência de todo o processo de
reabertura das escolas para a sociedade, isso vai ajudar a corrigir excessos e equívocos.
A tendência de filtrar o que está errado e mostrar somente o que está funcionando
falsifica a opinião pública, se livrar das contradições não as fazem sumir. Essa medida
demanda coragem e ponderação.
O que é inaceitável, sobretudo para os estudantes mais pobres que dependem da escola
pública, é o adiamento e o vácuo decisório. O trabalho não finaliza com decretos e
portarias, pois os documentos são estáticos, a educação é uma prática social dinâmica
que a eles não se reduz, nem se limita.

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