Você está na página 1de 6

27/09/2019 A influência do esporte de rendimento no esporte escolar: um breve histórico

Quer ganhar dinheiro com o seu aplicativo?

A influência do esporte de rendimento no esporte escolar:


um breve histórico
La influencia del deporte de rendimiento en el deporte escolar: una breve historia
Carlos Alberto Silva Gomes
Graduandos em Licenciatura Plena em Educação Física kalberto21@hotmail.com
pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) Francisco Flavio Sales Galdino
Acadêmicos do 8° Semestre de Educação Física fsales18@hotmail.com
(Brasil) Dayvid Wellington da Silva Coelho
dwscoelhozao@hotmail.com

Resumo
Diversos trabalhos no âmbito da Educação Física escolar têm apontado para a influência do esporte de rendimento no esporte escolar, com o objetivo de
destacar a busca exacerbada da vitória, seletividade, competitividade. Esse fato permite-nos, baseados nas idéias de autores como Tubino (1999); Barbieri (2001);
Rubio (2001), entre outros, que a escola acaba por perder sua verdadeira essência. Segundo esses autores, as atividades esportivas praticadas dentro da escola
deveriam proporcionar ao aluno o desenvolvimento de todas as suas potencialidades, motora, afetiva, cognitiva, socialização, cidadania, e não apenas reproduzir o
esporte que é praticado fora do seu âmbito. Sendo assim, o presente trabalho tem por finalidade discorrer sobre a influência do esporte de rendimento no esporte
escolar, a fim de atentar professores de educação física para a problemática em questão. Para tal faremos uma abordagem histórica sobre o fenômeno esportivo e
suas transformações ao longo do tempo, considerando que o esporte é fenômeno social, e como tal, sofre modificações em suas estruturas de acordo com que é
pregado na sociedade
Unitermos: Esporte-rendimento. Esporte-escolar. Educação Física.

Abstract
Several studies in the context of school physical education have pointed to the influence of sport performance in school sports, where we can highlight the
frantic quest for victory, selectivity, competitiveness. Resulting from this fact one might question, based on the ideas of authors such as Tubino, Barbieri, Rubio,
among others, the school eventually lost its true essence. They claim that the sport as an activity practiced within the school should provide students develop their
full potential, motor, affective, cognitive, socialization, citizenship, and not just play the sport that is practiced outside its scope. Therefore, this paper aims to
discuss the influence of sport performance in school sport in order to attend physical education teachers to the issues in question. To this end we will have a
historical approach on the sport phenomenon and its changes over time, considering that the sport is a social phenomenon, and as such, subject to modification in
their structures according to what is preached in society.
Keywords: Sports-performance. Sport-school. Physical Education.

EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 174, Noviembre de 2012. http://www.efdeportes.com/

1/1

1. Introdução

O trabalho que apresento aqui parte de uma pesquisa bibliográfica de autores que tratam do esporte de
rendimento, como Tubino (1999), Bracht (2005), Barbieri (2001), Rubio (2001) etc.

O esporte em suas diversas modalidades é uma das atividades mais praticadas em todo o mundo, considerado o
fenômeno sociocultural mais importante do final do século XX, atingindo todos os níveis sociais, Tubino (1999). Desse
modo, o esporte vira conteúdo hegemônico da educação física, e passa a ser visto no século XXI como uma grande
instituição vinculada á mídia, com o objetivo final de rendimento.

Para Voser (2002) as aulas de educação contribuíram para que os alunos dessem mais ênfase para aptidão física,
pois as escolas passam a serem comparadas com os clubes, academias, associações e etc. buscando no aluno/atleta
novos talentos para representarem à pátria em competições internacionais. Desse modo, faz-se necessário questionar
sobre a grande predominância da imagem que o esporte construiu em vários âmbitos, inclusive na escola.

Assis (2005), afirma que há um conjunto de criticas lançadas sobre a forma como o esporte tem sido desenvolvido
no âmbito escolar, o que pode acarretar numa serie de problemas relacionados à formação do individuo por conta da
forma como vem sendo disseminada a prática do esporte no âmbito escolar, deformando qualquer conceito de
educação.

https://www.efdeportes.com/efd174/esporte-de-rendimento-no-esporte-escolar.htm 1/6
27/09/2019 A influência do esporte de rendimento no esporte escolar: um breve histórico

A escola tem que desenvolver nos indivíduos suas potencialidades que vá favorecer o seu desenvolvimento de uma
forma benéfica junto à sociedade. Algumas das criticas citadas por Assis (2005) apontam para uma série de problemas
relacionados à formação do individuo, que seriam capazes de deformar qualquer conceito de educação, já que sua
essência é o desenvolvimento das potencialidades individuais e, respectivamente, coletivas. Tomando-se como suporte
as práticas esportivas embasadas, sobretudo no rendimento, esse artigo apresenta três tópicos distintos.

2. A história do esporte sob perspectivas distintas

Para uma compreensão mais precisa acerca do esporte Bracht (2005), afirma ser preciso vinculá-lo ao jogo. Para
Huizinga (1980), o jogo deve ser entendido como:

...uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo
e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias dotadas de um
fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria, (HUINZINGA, 1980, p. 33).

Com esse conceito, podemos entender que toda e qualquer modalidade esportiva, (futsal, futebol, handebol, etc.)
apresenta em sua estrutura, mesmo que de forma superficial, elementos do jogo. Partir da premissa da similaridade
entre esporte e jogo Huizinga (1980) coloca também este ultimo fenômeno dentro de certas restrições pre-
determinadas, como imposição de regras, modelos, busca de rendimento, recordes, medalhas, juízes, capitães, que,
se por um lado caracterizam o esporte, acabam descaracterizando o jogo, o qual apresenta componente como a
espontaneidade, a flexibilidade, o descompromisso, a criatividade, a fantasia, a expressividade, na busca de
rendimento, desaparecendo o prazer.

Existem duas hipóteses referentes á gênese do esporte moderno, a tese da continuidade, defendida por Guttman
descontinuidade, defendida por autores como Chatier (1994), Bracht (2005), e
(1978), e Mandel (1986), e a tese da
Elias e Dunning (1992). Para fundamentar a tese de que a origem do esporte moderno estaria na continuidade,
Guttman (1978), e Mandel (1986), afirmam que o esporte moderno é apenas uma pequena transformação das
atividades físicas, a qual eles chamam de “esporte”, que ocorreu no século XVIII, mais que já eram praticados na era
primitiva, na sociedade grega, sociedade romana e idade média. Esses autores afirmam que o esporte moderno possui
muitas características dessas atividades físicas praticadas nas sociedades antigas, como por exemplo, o caráter
competitivo e a busca da vitória, o que faziam com que guerreiros dessas épocas se submetessem á treinamentos
com vários objetos, a fim de aprimorarem seu condicionamento físico. Guttman (1978), afirma ainda que os
movimentos que esses atletas das varias modalidades esportivas fazem hoje, muito se assemelham as de tempos
atrás.

Em contraposição a tese de Mandel (1986) e Guttman (1978), Chartier (1994) afirma que o esporte tem sua origem
na Inglaterra do século XVIII. Para esse autor, os jogos praticados na Inglaterra do século XVIII representam uma
ruptura entre as atividades praticadas pelas sociedades antigas e o esporte moderno. Nesse sentido, Bracht (2005)
cita como exemplo, a criação de regras na Inglaterra que passam a ser universais, e ainda, a criação de federações
que tinha como objetivo organizar campeonatos e regulamentá-los.

Bracht (2005) aborda que os passatempos que eram praticados nas sociedades antigas geralmente estavam
vinculados a rituais e festas para exaltação de deuses, ou seja, essas práticas ficavam como auxiliar de alguma
comemoração. Na Inglaterra, por outro lado, eles vão ser realizados com espaços próprios e adequados. Então houve
todo um clima favoreceu ao desenvolvimento do esporte na Inglaterra como, por exemplo, a consolidação do estado
moderno, a chegada da revolução industrial, a qual demandava grande parte do tempo da população Stigger (2005).

No final do século XVIII e inicio do XIX, os esportes passaram a ser cada vez mais praticados na sociedade inglesa.
Bracht (2005) afirma que esse processo de ampliação das práticas esportivas não se deu de forma passiva, já que

https://www.efdeportes.com/efd174/esporte-de-rendimento-no-esporte-escolar.htm 2/6
27/09/2019 A influência do esporte de rendimento no esporte escolar: um breve histórico

havia práticas da classe popular que não eram praticados pela burguesia, como era o caso dos movimentos ginásticos,
e também havia práticas que eram praticados somente pela burguesia.

O esporte agora atendendo um maior numera de pessoas, passa a ser utilizado como objeto de divertimento e
correção dos males surgidos na sociedade, como forma de “educar”, trazendo bons modos, evitar doenças, ou seja,
uma forma de socialização. Ramos (1982) utiliza o seguinte argumento para justificar o objetivo do esporte na
sociedade inglesa:

Por esse motivo, a igreja e os educadores preconizaram, para ambos os males, também a prática de
jogos e desportos. Sob o aspecto higiênico e da recreação, era indicada a substituição dos divertimentos
comuns ao povo e á juventude (bebidas, jogos de azar e maus costumes) pelos jogos e desportos,
praticados ao ar livre e num estímulo constante das qualidades e tendências naturais da natureza
humana (RAMOS 1982, p. 228).

A burguesia inglesa passa a ver o esporte como uma poderosa arma de intervenção na sociedade, ou seja, como
uma forma de controlar o comportamento da classe proletariado. Esse fato justifica o maior interesse da burguesia em
difundir a prática esportiva. Dessa forma então, há aumento no numero de espaços esportivos criados para que a
população pudesse estar vinculada á esse fenômeno, e assim ter uma maior vivência do habito.

3. Esporte de rendimento nas escolas

O esporte logo após ser inserido nas escolas inglesas no final do século XVIII, foi assimilado pelas universidades
com intuito de que os filhos da burguesia continuassem á realizá-lo Bracht (2005). Com isso, conforme Tubino (1999),
o esporte passa a ganhar uma maior regulamentação, pois vão ser criadas federações e associações responsáveis pela
organização dos campeonatos, e principalmente, pelo respeito aos códigos.

Para Rúbio (2001), o esporte passou a ser essencial para os filhos da burguesia futuros lideres que aderiam ao
esporte com intuito de receber disciplina e liderança. No final do século XVIII, as escolas inglesas nesse período
tinham o objetivo desenvolver nos filhos dos burgueses a coragem, a capacidade de resistir ao sofrimento, de trabalho
em equipe, o altruísmo, a lealdade, ou seja, esses jovens eram mandados para as escolas e universidades com
objetivo de aprender a viver de acordo com os valores que estavam sendo praticados na sociedade, como
competitividade, lucros, entre outros, (WALVIN apud STTIGER 2005 p.33).

Tubino (1999) aborda que ao longo do tempo o esporte foi crescendo e ganhando um maior número de
modalidades, autonomia das federações, com uma grande intervenção do estado, principalmente como auto-
divulgação, ou seja, o esporte desenvolveu uma maior importância frente ao estado.

Caso presente durante a chamada Guerra Fria, entre URSS e EUA, onde esses utilizavam o esporte como poder
político-ideológico a fim de mostrarem ao mundo a supremacia de seus sistemas, respectivamente socialismo e
capitalismo como, por exemplo, nas Olimpíadas de Helsinque 1952 onde havia grande investimento nos atletas que
participavam desse evento, para que eles conseguissem bons resultados para seus países. O esporte segundo Tubino
(1999), ao decorrer dos anos perde seu caráter pedagógico, e de pouco a pouco incorpora o sentido de rendimento.

Tubino (1999) aponta que na década de 60 o esporte passa á ser alvo de várias criticas, principalmente por ser
voltado unicamente á busca de rendimento. Surge assim, além do esporte de rendimento, outras duas manifestações
esportivas esporte-participação, praticado como forma de lazer, e o esporte-educação, sendo esse ultimo, como
aborda um dos elementos do conceito de esporte indicado para o Brasil, o qual tem por finalidade o desenvolvimento
integral do homem como um ser autônomo, democrático e participante, contribuindo para a cidadania.

4. A influência da mídia no contexto escolar

https://www.efdeportes.com/efd174/esporte-de-rendimento-no-esporte-escolar.htm 3/6
27/09/2019 A influência do esporte de rendimento no esporte escolar: um breve histórico

O esporte de rendimento passa a ter uma maior intervenção a partir de seu processo de reconceituação da mídia.
Esta que agora passa a divulgar os campeonatos, além de ser um modo de financiar o sistema comercial do esporte.
Deste modo Betti (1998), atentar para o modo de como a sociedade vê e prática o esporte, que vem se alterando
rapidamente, devido a influencia dos meios de comunicação. Questões como educação e lazer foram essências para
alegação da intervenção do estado através do esporte na sociedade, mais esse papel foi pouco á pouco cabendo aos
meios de comunicações, a função do estado passa a ser restrita somente á interesses econômicos. Ainda nas idéias de
Bracht (2005):

A organização esportiva que dirige o esporte-espetáculo e que procura manter-se enquanto dirigente
da instituição esportiva, somente mantém a questão da educação, da saúde e da confraternização no
seu discurso, para suprir eventuais déficits de legitimidade social, no entanto, concretamente, trata-se
de mero exercício de retórica: a lógica interna que dirige que orienta as ações no interior do sistema
esportivo de alto rendimento é impermeável aos argumentos educacionais, da saúde e da
confraternização (BRACHT, 2005, p. 110).

O esporte que surge depois da sua junção com os canais de comunicação é o chamado esporte mercadoria, Bracht
(2005). Ou seja, o esporte passa a gerar grandes lucros, com utilização dos atletas esportivos como divulgador de
mercadoria da indústria cultural, principalmente os atletas que de alguma forma alcançaram o auge de sua carreira,
tidos então do ponto de vista social como “Deuses”.

Esse fato então influência diretamente no imaginário, e até mesmo no modo de vida dos amantes do esporte,
contribuindo para alienação e para a perda da racionalidade. Bracht (2005), isto implica também compreender a
organização institucional da cultura corporal em nossa sociedade; é preciso prepará-lo para ser um consumidor do
esporte espetáculo, para o que deve possuir uma visão crítica do sistema esportivo profissional, e instrumentos
conceituais e perceptivos para uma apreciação estética e técnica do esporte.

Bracht (2005) aponta que o esporte de rendimento é sem duvida uma forma de gerar lucro para setores como,
mídia, indústria cultural e também para o estado que mesmo tendo a obrigação de promover nos espaços de lazer, e
principalmente nas escolas um esporte que possua em seu bojo características próprias, que venham a desenvolver
valores diferentes dos desenvolvidas no esporte de rendimento, seletividade, competitividade, exclusão, vitoria,
simplesmente faz vista grossa, e acabam por continuar na mesmice.

5. Esporte Escolar nos séculos XX e XXI

Mesmo na década de 1960 tendo ocorrido o processo de ampliação do significado esportivo, o esporte que tem se
delineado na escola é apenas aquele que Moreira (1995) chama de esporte competitivo, onde se deve seguir
rigidamente às regras estabelecidas pelas federações. Nessas regras, há a ausência da cooperação e a prevalência do
individualismo, o qual visa vitória á qualquer custo, e ainda incentiva a exclusão. No entanto, há varias concepções de
educação física diferente da que ainda estar e voga.

É tarefa da Educação Física preparar o aluno para ser um praticante lúcido e ativo, que incorpore o
esporte, o jogo, a dança e as ginásticas em sua vida, para deles tirar o melhor proveito possível.(
BRACHT, 2005 p.15)

Temos que considerar que o trato com esporte na escola muito já avançou, em termos de lidar com ser humano
não apenas como um ser biológico, um esporte não somente voltado para o desenvolvimento da aptidão física,
Moreira (1995). Existem leis federais que fundamentam o fato de que o esporte enquanto atividade praticada dentro
da escola tem por obrigação desenvolver características diferentes das presentes no esporte de rendimento. Uma
dessas leis é a citada por Barbieri (2001), referente à publicação da lei nº 8.672, de 06 de julho de 1993 e o
conseqüente Decreto do Presidente da Republica, os quais estabeleciam a realização de um esporte dentro do espaço
https://www.efdeportes.com/efd174/esporte-de-rendimento-no-esporte-escolar.htm 4/6
27/09/2019 A influência do esporte de rendimento no esporte escolar: um breve histórico

escolar que deveria evitar seletividade, competitividade, mas, ao contrário, desenvolver a cidadania, ou seja, contribuir
para o desenvolvimento completo do aluno, rejeitando as práticas do esporte de alto rendimento em seu âmbito.

Temos ainda que considerar o papel dos professores de Educação Física nesse processo, Kunz (2001), afirma que
apesar do esporte normativo ou de rendimento não ser totalmente destituído de valores pedagógicos, as chances para
uma transformação didática se faz absolutamente necessária, especialmente por colocar exigências tão altas que não
possam ser acompanhadas pela maioria dos alunos. Deste modo, tal procedimento gera seletividade, assumida pela
Educação Física, quando alunos com maior rendimento esportivo são separados dos alunos de menor rendimento.

Esse tipo de situação é conceituado por Moreira (1995) como trabalho mecânico, repetitivo, executado ao longo do
ano letivo. Já Darido e Rangel (2003) desenvolveu um trabalho de observação nas aulas de professores das
universidades UNESP e USP e percebeu que ao longo da aplicação do esporte de rendimento na escola, vários alunos
acabavam por ficar de fora das aulas, simplesmente por não possuírem habilidade em determinada pratica esportiva.

Assim, mestre-aprendiz, professor-aluno, educador-educando devem estabelecer, fundamentados na


busca da humanização de ambos, uma relação genuína, sabendo que ninguém, tampouco educa a se
mesmo; que ninguém liberta ninguém, nem se liberta sozinho, mais a sim que os homens se educam se
libertam em comunhão e midiatizados pelo mundo. (BARBIERI, 2001, p. 81).

Nesta percepção, não podemos deixar de destacar o real papel do esporte no contexto escolar, visto que esta tem
como função trabalhar na formação social do individuo afirma que se deve ter uma orientação educativa para que
possamos trabalhar de forma mais adequada o esporte nas aulas de educação física (Moreira, 1995). Para Assis
(2005) a escola é compreendida como uma instituição que reproduz características da sociedade, mas também como
meio do que ele chama de contra-hegemonia, onde se inclui o esporte modificado, ou seja, contrário ao esporte de
rendimento.

Para que o esporte enquanto atividade praticada dentro da escola mude seu sentido, segundo Moreira (1995), é
preciso que seu sentido retorne ao jogo, resgatando a ludicidade, o valor do homo ludens, através de modalidades
motrizes de expressão humana. Fugindo desse modo, da esportivização dos jogos tradicionais e prevalecendo o
caráter desinteressado e descontraído dos jogos.

6. Considerações finais

Ao longo do tempo o esporte em suas diversas modalidades ganhou grande prestigio social. Na Inglaterra do
século XVIII, foi usado como forma de supremacia de uma classe sobre a outra. Surgindo como um grande fenômeno
no século XX. Com isso, torna-se um grande foco por parte de instituições, que o usavam como forma de alcançarem
seus objetivos, e é a partir desse momento que surge o esporte espetáculo, tão enfatizado e posto em evidência
quando se fala em esporte. Desse modo a imagem do esporte acaba ganhando contornos equivalentes ao de alta
performance, sendo este um processo que afetou diretamente a essência do esporte educacional, o qual
consideramos não como um reprodutor de características do esporte de rendimento, competitividade, seletividade,
busca das vitória, mais sim servir como meio de desenvolvimento integral do homem, todas suas potencialidades. È
importante então tanto professores como a própria escola analisarem como o esporte estar sendo pregado em seu
âmbito, se estar realmente contribuindo para o desenvolvimento integral dos alunos, ou simplesmente estar
reproduzindo o esporte de alta performance. Logo o trabalho teve como foco, abordar sobre a influência do esporte
de alto rendimento na escola, a fim de atentar professores de Educação Física, para que percebam que o esporte não
se limita apenas no desenvolvimento da aptidão física.

Referências bibliográficas

https://www.efdeportes.com/efd174/esporte-de-rendimento-no-esporte-escolar.htm 5/6
27/09/2019 A influência do esporte de rendimento no esporte escolar: um breve histórico

BARBIERI, Cesar Augustus Santos. Esporte Educacional: Uma possibilidade para a restauração do humano
homem. Canoas: Ed. ULBRA, 2001.
CHARTIER, Roger. Le sport ou la libération contrôlée des emotions. Paris, Editora: Fayard, 1994.
DARIDO, S.C.; RANGEL, I.C.A. Educação Física na Escola: implicações para a pratica pedagógica, Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura, 5ª ed. Perspectiva, SP, 1980.
KUNZ, Elenor. Ensino & mudança. 2ª ed. Editora: Ijuí, Florianópolis, 2001.
MOREIRA, Wagner Wey. Educação Física Escolar, uma abordagem fenomenológica, 3ª ed. campinas, SP :
editora da Unicamp,1995:

RAMOS, J. J. Os exercícios físicos na historia e na arte. São Paulo: IBRASA, 1982.


RÚBIO, K. O atleta e o mito do herói. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
ASSIS, Sávio. Reinventando o esporte: possibilidades da pratica pedagógica, 2ª ed. Campinas, SP: Autores
Associados, Chancela Editorial CBCE, 2005.

STIGGER, Marco Paulo. Educação Física, esporte e diversidade, Campinas, SP: Autores Associados, 2005.
TUBINO, Manoel José Gomes. Dimensões sociais do esporte. 2ª ed. revista. SP, Cortez, 2001.
TUBINO, Manoel Jose Gomes. O que é esporte, SP: Editora Brasiliense, Coleção Primeiro Passos, 1999.
BETTI, Mauro. Sociologia da Educação Física e esporte no Brasil: passado, presente e futuro. Rio de Janeiro,
Universidade Gama Filho, 1994.

VOSER, Rogério da Cunha e GIUSTI, João Gilberto. O futsal e a escola: uma perspectiva pedagógica, Porto
Alegre: Editora Artmed, 2002.

Outros artigos em Portugués

Recomienda este sitio

Buscar

Búsqueda personalizada
EFDeportes.com, Revista Digital · Año 17 · N° 174 | Buenos Aires, Noviembre de 2012
© 1997-2012 Derechos reservados

https://www.efdeportes.com/efd174/esporte-de-rendimento-no-esporte-escolar.htm 6/6

Você também pode gostar