Você está na página 1de 15

Licenciatura em Gestão de Empresas

Auditoria

5. Objetivos e Procedimentos de
Auditoria

5.4 – Investimentos (ativos fixos


tangíveis, ativos intangíveis, ativos em
curso, ativos não correntes detidos para
venda)

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


43 - Ativos fixos tangíveis
NCRF 7
Integra os ativos tangíveis, móveis ou imóveis, que a empresa utiliza
para o desenvolvimento da sua atividade, que não se destinam a ser
transformados ou vendidos, com um carácter de permanência
superior a um ano. A classificação destes investimentos depende do
tipo de atividade desenvolvida pela empresa.

Inclui igualmente as benfeitorias e as grandes reparações que sejam de


acrescer ao custo daqueles imobilizados.

Inclui também a estimativa de despesas futuras com desmontagem e remoção do


ativo, recuperação do local, atualizadas para o momento de aquisição, a uma taxa
de referência.

Bens em regime de locação financeira

Se os Investimentos (ou benfeitorias) não estiver em condições de entrar em


funcionamento, é registado na conta 45 – Investimentos em Curso, até estar
concluído, momento em que se transfere então para a 43.

1
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
43x – Ativos Fixos Tangíveis
Aquisições Desreconhecimento

Outros gastos - Alienação

Benfeitorias - Abate

•Terrenos e Recursos Naturais


•Edifícios e outras Construções
•Equipamento Básico
•Equipamento de transporte
Divide-se em: •Equipamento administrativo
•Equipamentos Biológicos
•Outros Ativos fixos tangíveis
•Depreciações acumuladas
•Perdas por imparidade acumuladas

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


43 - Ativos fixos tangíveis
Depreciação
Imputação sistemática do custo do ativo (deduzido do seu valor residual)
ao longo da sua vida útil, refletindo simultaneamente (do lado dos gastos)
a sua contribuição anual para a formação do rendimento e a perda de valor
do investimento provocada pela sua utilização.

Vida útil
Período durante o qual uma entidade espera que um ativo esteja disponível
para uso ou o número de unidades de produção ou semelhantes que uma
entidade espera obter com a utilização do ativo.

Valor residual
Quantia estimada que uma entidade obteria correntemente pela alienação
do ativo (após dedução dos gastos estimados de alienação) se o ativo já
tivesse a idade e as condições esperadas no final da sua vida útil.

2
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

Mensuração
Inicial

Custo de aquisição: preço de compra - descontos comerciais +


todos os gastos

Subsequente

Modelo do custo: valor de aquisição - depreciações


acumuladas

Modelo de Revalorização: justo valor - depreciações


acumuladas subsequentes

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

Depreciações
A Depreciação é a operação contabilística que visa
simultaneamente a imputação do custo da utilização
dos ativos pelos diversos exercícios e a atualização do
valor desses mesmos bens.

É determinada com base na vida útil ou económica dos


ativos e traduz a perda de valor dos ativos ao longo da sua
vida útil.

Para a determinação da vida útil e do período de


depreciação, as entidades podem regular-se pelo Decreto
Regulamentar 25/2009, de 14 de setembro, onde estão
definidas as taxas de depreciação de acordo com o tipo de
bens e os sectores de atividade.

3
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

1. Método da linha reta: a quota de depreciação é


igual ao longo da vida útil do ativo.
2. Método do saldo decrescente: as quotas de
depreciação vão decrescendo ao longo da vida
útil dos bens, nos 1º anos as quotas são maiores
que nos últimos anos.
3. Método das unidades de produção: as quotas de
depreciação dependem do volume de produção
determinado anualmente.

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

Métodos de registo das Depreciações

1 - Método direto
Débito Crédito
64 - Gastos de depreciação e 43 - Ativos Fixos Tangíveis
amortização

vantagens inconvenientes

Maior facilidade de registo Desconhecimento do valor de


O saldo da conta do ativo fixo aquisição do investimento
corresponde ao seu valor Desconhecimento do montante
contabilístico das depreciações efectuadas

4
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

Métodos de registo das Depreciações

2 - Método indireto
Débito Crédito
64 - Gastos de depreciação e 438 – Depreciações acumuladas
amortização

vantagens inconvenientes

Dá em qualquer momento o total Movimenta um maior número de


das depreciações efectuadas em contas
qualquer ativo fixo Menos imediata a determinação do
O saldo das contas de ativos fixos valor contabilístico
tangíveis representa o seu valor de
aquisição

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


Desreconhecimento:
A quantia escriturada de um item do ativo fixo tangível deve
ser desreconhecida:
a) no momento da alienação; ou
b) quando não se esperam futuros benefícios económicos do
seu uso ou alienação (abate).

O ganho ou perda decorrente do desreconhecimento de um


item do ativo fixo tangível deve ser incluído nos resultados
quando o item for desreconhecido.

1. Ganho (conta 7871/7872)


2. Perda (conta 6871/6872/6873)

5
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
Alienação do ativo fixo com lucro (mais valia)

Depreciações contabilizadas pelo método direto

432/3/4/5/6/7 7871 12/278


Valor do bem na contabilidade Valor de venda do bem

Depreciações contabilizadas pelo método indireto – Mais vulgar


432/3/4/5/6/7 7871 12/278 438
Valor de compra do bem Valor de venda do bem

Valor das depreciações acumuladas

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


Alienação do ativo fixo com prejuízo (menos valia)

Depreciações contabilizadas pelo método direto

432/3/4/5/6/7 6871 12/278


Valor do bem na contabilidade Valor de venda do bem

Depreciações contabilizadas pelo método indireto – Mais vulgar

432/3/4/5/6/7 6871 12/278 438


Valor de compra do bem Valor de venda do bem

Valor das depreciações acumuladas

6
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
Informação a divulgar nas Demonstrações
Financeiras

De acordo com a NCRF 7 (§§ 72 a 75):


1. Critérios de mensuração e métodos de depreciação utilizados, vidas
úteis ou taxas de depreciação consideradas;
2. Quantias escrituradas brutas e depreciações acumuladas no início e no
fim do período, bem como o valor das depreciações reconhecidas nos
resultados do período;
3. Compromissos contratuais relacionados com a sua aquisição;
4. Data de eficácia de eventuais revalorizações;
5. Divulgar se esteve ou não envolvido, no processo de revalorização, um
avaliador independente;
6. Os métodos e pressupostos significativos aplicados na estimativa do
justo valor;
7. Valor do excedente de revalorização.

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


44 - Ativos intangíveis
NCRF 6
Integra os ativos intangíveis, são despesas que, pelo seu elevado
valor e pelo seu efeito, prolongado no tempo, no desenvolvimento
da atividade da empresa, não são considerados como custos de
um só exercício mas sim ativos a amortizar em vários anos.

Despesas de investigação/pesquisa: devem ser levadas diretamente a gastos do período


(não existe evidência do retorno económico futuro).
Despesas de desenvolvimento de produtos e serviços: tratam-se de dispêndios incorridos
após a fase de pesquisa e por isso espera-se a existência de fluxos monetários futuros. As
despesas devem ser capitalizadas.

Não devem ser reconhecidos como Ativos Intangíveis:


 Marcas geradas internamente;
 Títulos de publicações;
 Listas de clientes;
 Despesas com constituição de empresas ou aumentos de capital;
 Despesas de arranque (Start-up);
 Formação;
 Publicidade e atividades promocionais;
 Dispêndios com mudança de local ou reestruturação empresarial

7
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
44x – Ativos Intangíveis
Aquisições Desreconhecimento

Outros gastos - Alienação


- Abate

•Goodwill
•Projetos de desenvolvimento
•Programas de computador
•Propriedade Industrial
Divide-se em:
•Outros ativos intangíveis
•Amortizações acumuladas
•Perdas por imparidade acumuladas

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


Mensuração
Inicial

Custo de aquisição: preço de compra - descontos comerciais +


todos os gastos

Subsequente

Modelo do custo: valor de aquisição – amortizações


acumuladas.

Modelo de Revalorização: justo valor – amortizações


acumuladas subsequentes.

8
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
44 - Ativos intangíveis

Vida útil de ativos intangíveis

Na determinação da vida útil de um ativo intangível devem considerar-se


os seguintes factores:
• Uso esperado do ativo;
• Os ciclos de vida típicos para o ativo;
• Obsolescência técnica, tecnológica, comercial ou de outro tipo;
• A estabilidade do sector em que o ativo opera;
• Limites legais ou outros no uso do ativo.

Um ativo intangível com uma vida útil finita é amortizado, e um ativo


intangível com uma vida útil indefinida (≠ de infinita) não é sujeito a
amortização.

A vida útil de um ativo intangível que não esteja a ser amortizado (com vida
útil indefinida) deve ser revista no final de cada ano.

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

1. Método da linha recta


2. Método das unidades de produção:

O método de amortização usado deve refletir o modelo pelo qual se


espera que os futuros benefícios económicos do ativo sejam consumidos
pela entidade. Se não for possível determinar de forma fiável esse
modelo, deve usar-se o método da linha recta.

O gasto da amortização deve ser reconhecido em resultados a menos


que uma outra norma permita ou exija incluí-lo na quantia escriturada
de um outro ativo.

O valor residual de um ativo intangível com uma vida útil finita é


normalmente nulo.

9
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
Desreconhecimento:
A quantia escriturada de um item do ativo intangível deve ser
desreconhecida:
a) no momento da alienação; ou
b) quando não se esperam futuros benefícios económicos do
seu uso ou alienação (abate).

O ganho ou perda decorrente do desreconhecimento de um


item do ativo intangível deve ser incluído nos resultados
quando o item for desreconhecido.

1. Ganho (conta 7871/7872)


2. Perda (conta 6871/6872/6873)

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


Informação a divulgar nas Demonstrações
Financeiras

De acordo com a NCRF 6 (§§ 117 a 123):


1. Vidas úteis (indefinidas ou finitas) e taxas de amortização praticadas;
2. Métodos de amortização utilizados;
3. Valor bruto, amortização acumulada (e indicação das perdas de
imparidade) no início e no fim do período em causa;
4. Linhas da demonstração de resultados afetadas pela amortização de
ativos intangíveis;
5. Reconciliação entre o valor no início e o valor no fim do período;
6. A quantia agregada do dispêndio de pesquisa e desenvolvimento
reconhecido como gasto no período;
7. Ativos intangíveis mensurados pelo modelo de revalorização.

10
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos
45 – Investimentos em Curso

Abrange os investimentos em curso, enquanto não estiverem


concluídos.
Inclui ainda os adiantamentos por conta de investimentos
quando o preço esteja previamente fixado.

Após a conclusão do investimento, o seu valor é transferido


para as respetivas subcontas de investimentos da classe 4,
passando a ser susceptível de depreciação/amortização a partir
da sua entrada em funcionamento.
46 – Ativos não correntes detidos para venda

Destina-se a registar aqueles ativos em que a sua quantia


escriturada é recuperada principalmente através da transação
de venda em lugar de o ser pelo uso continuado.

Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos


Leasing
I. Celebração do contrato

43x 2513
L = Valor do bem locado,
L L líquido de IVA, se
dedutível.

II. Pagamentos mínimos de locação

2513 6911 24322 12


A J IVA R

A = Amortização; J = Juros; R = A+IVA+J


III. Depreciação económica IV. Exercício da opção de compra

438 642 2513 12

Q Q Vr Vr

Q = Quota anual de depreciação Vr = Valor residual

11
Área de Investimentos: Aspetos contabilísticos

Subsídios ao Investimento
I. Celebração do contrato/atribuição do subsídio
278 593

S S

II. Recebimento do subsídio


278 12

S S

III. Transferência anual, em proporção ao cálculo e registo das depreciações


593 7883

s’ s’

No final da vida útil do bem a conta 593 deve ficar saldada.

Área de Investimentos: Medidas de controlo interno


A tomada de decisão sobre a política de investimentos deve
caber à Administração.
Após a tomada de decisão deve-se selecionar o fornecedor, emitir ordem de
compra (celebrar contrato), rececionar o bem e conferir fatura.

Manual do ativo fixo:


• Definição da política de capitalização
• Procedimentos contabilísticos dos bens construídos pela empresa
• Classificação contabilística das faturas dos fornecedores
• Arquivo específico das cópias das faturas dos fornecedores
• Definição da política de depreciação a ser seguida
• Procedimentos relativamente a bens totalmente depreciados mas ainda
em funcionamento
• Procedimentos contabilísticos relativos ao abate dos bens
• Codificação dos bens
• Ficheiro dos bens
• Instruções para contagem física dos bens e comparação com ficheiro
• Procedimentos contabilísticos relacionados com o leasing
• Cobertura de seguros

12
Área de Investimentos: Medidas de controlo interno
Política de capitalização:
Na aquisição de um bem deve-se decidir se ele deve ser:
• capitalizado (classificado com investimento)
• não capitalizado (classificado como gasto)

Dois fatores influem nesta decisão (capitalização):


1. Duração mínima de um ano
2. Materialidade (depende da dimensão e deve-se ter
em atenção bens englobáveis)
NOTA: O Código do IRC aceita a dedução num único período
de ativos cujos custos unitários não ultrapassem 1000 euros

Existência de ficheiro dos investimento:


O Artigo 51º do código do IVA .

Área de Investimentos: Medidas de controlo interno


QUESTI ONÁRI O SOBRE PROCEDI M ENTOS CONTABI LÍ STI COS E
M EDI DAS DE CONTROLO I NTERNO
Empresa: ______________
Área coberta: Ativos fixos tangíveis
Elaborado por ________ D ata __/__/__ Revisto por _________ D ata __/__/__ Pág.__
Descrição do procedimento contabilístico Não
aplicá-
e/ou da medida de controlo interno Sim Não Obs.
vel
1. Existe uma política relativa à aprovação de
compras de bens com base num orçamento
de investimentos devidamente aprovado?

2. Está definida a política que diferencie os


gastos capitalizáveis dos gastos não
capitalizáveis, incluindo grandes reparações e
conservação corrente?
::::

15. Os bens estão seguros contra roubo,


incêndio, inundações, etc. por valores
adequados e periodicamente revistos?

13
Área de Investimentos: Objectivos da Auditoria
Após a auditoria deve-se poder concluir:

• As políticas e procedimentos contabilísticos relacionadas com as dívidas


a pagar aos fornecedores são adequadas e estão a ser cumpridas
• Os saldos das contas estão representados por todos os bens e estes bens
estão associados à atividade da empresa
• Os saldos dos ativos intangíveis referem-se a ativos sem substância
física
• Os débitos efetuados representam capitalizações
• As quantias relativas a bens e direitos retirados foram expurgados dos
saldos do balanço e as contrapartidas foram bem contabilizadas
• As depreciações e amortizações são adequadas e calculadas de acordo
com o normativo aplicável
• Os saldos das contas depreciações/amortizações/imparidades são
adequados à vida útil esperada dos bens
• Os saldos das contas dos ativos em curso e respeitam a obras não
concluídas
• Todos os passivos relacionados com os ativos estão adequadamente
reconhecidos, mensurados e apresentados

Área de Investimentos: Procedimentos de Auditoria


Numa primeira auditoria

O primeiro trabalho do auditor deve ser a análise histórica da


evolução dos ativos fixos tangíveis, reconciliando os seus
valores, por conta e no final de cada ano, com os saldos do
razão.

Nesta análise o auditor deve ter em consideração a reavaliação


da ativos, se aplicável. Deve ter em consideração a diversa
legislação.

Nas depreciações acumuladas, o auditor deve verificar o a sua


adequação dada a taxa anual de depreciação e o número de
anos decorridos de utilização.

O saldo deve refletir a realidade sobre a vida útil do bem.

14
Área de Investimentos: Procedimentos de Auditoria
Em auditorias subsequentes:

O Auditor deve-se preocupar com os movimentos do período.


Deve preparar um mapa de trabalho que descrimine por conta
do razão o saldo inicial, os aumentos, reduções e
transferências, as reavaliações e o saldo final.

Este mapa de trabalho deve ser suportado por um mapa que


descrimine os aumentos e outro que descrimine os abates, por
conta da contabilidade.
O Auditor deve verificar:
• se existem autorizações de compra
• a titularidade dos bens sujeitos a registo
• se bens dizem respeito à atividade normal
• se contas de gastos incluem itens capitalizaveis
• as coberturas de seguros

Área de Investimentos: Procedimentos de Auditoria


Nos investimentos em curso o auditor deve analisar os
registos dos materiais aplicados, da mão de obra utilizada e a
imputação de gastos gerais de fabrico.
Deve ser analisado em conjunto com a conta 74 – Trabalhos
para a própria Entidade.

Programa de Auditoria
Nome do Cliente ________________________________________________
Área a examinar Investimentos não financeiros -
Data de referência da auditoria ____/____/____ Página Nº _____
QT TP N.º Descrição do objectivo/procedimento/teste IT MT TR
Objectivos de auditoria
Procedimentos/testes de auditoria
Outros aspetos

15