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DIREITO FISCAL E ADUANEIRO

AULA :8 e 9 08-04-2020

TEMA: As relções Tributárias Formais


Revisão e Anulação do Acto Tributário, Recurso Gracioso e
Contencioso.
Direitos e Garantias dos Contribuintes.

Garantias Gerais – (continuação)


O cumprimento de qualquer obrigação, acha-se assegurado pela faculdade conferida ao
credor de obter coercivamente do devedor a respectiva prestação.
A acção creditória sobre o patrimóneo do devedor constitui, como se sabe, a garantia
comum das obrigações. Também o patrimóneo do sujeito tributário passivo constitui, a
garantia geral das obrigações. Mas estas beneficiam de um regime particularmente
favorável quanto á acção creditoria sobre o patrimóneo do devedor que corresponde a
execução fiscal.
Em regra, a realização coerciva do interesse do credor é precedida de uma acção
declarativa, na qual se reconheça o crédito, embora esse reconhecimento prévio não
seja, muitas vezes necessário, como no caso da acção de letra, que é ao mesmo tempo
declarativa e executiva.
Mas, o Estado, como aliás, outras entidades benefecia de um processo executivo próprio
para a realização dos seus interessses de credor, quer se trate de créditos tributários,
quer de outra qualquer natureza, pelo que deste processo das execuções fiscais se não
podem extrair conclusões quanto á natureza da obrigação tributária e até quanto á
natureza do Direito Fiscal, precisamente por se tratar de um processo comum a créditos
de natureza muito diversa.
No processo das execuções fiscais estruturado para tornar mais rápido e segura cobrança
coerciva dos créditos do Estado, insere-se uma acção declarativa, posto que nele se pode
ter de apreciar a existência da dívida, através da oposição ou dos embargos. Mas a
execução fiscal pressupõe que, normalmente, aquela existência já foi apurada através de
um processo conducente ao Acto tributário.
É por isso que, o processo das execuções fiscais mostra-se adequado á cobrança
coerciva de outras dívidas do Estado, cujo reconhecimento a nível minimamente
responsável pode não se ter verificado.

Garantias Pessoais
Além da garantia geral, temos também garantias especiais, que se distinam a reforçar a
primerira, a Garantia Geral.
As garantias especiais podem ser de duas espécies: pessoais ou reais.
Se estarmos perante a afectação de mais de um patrimóneo á vida fiscal, estamos
perante garantias pessoais. Se temos a afectação de apenas um ou determinados
patrimóneos, estamos perante garantias reais.
Quanto ás garantias pessoais temos duas: a fiança legal(ou responsabilidade) e a fiança
voluntária.
A fiança legal ou responsabilidade, verifica-se sempre que as normas fiscais
determinam que certas pessoas alheias à constituição do vínculo jurídico, mas com
especial conexão ao mesmo, podem ser chamados à execução fiscal; temos como
exemplos, os gerentes ou administradores.
Tal como o regime da solidariedade, temos que mais do que um patrimóneo, vai
responder pelo integral cumprimento da obrigação tributária. Mas enquanto o devedor
solidário responde pela totalidade da prestação. Já o responsável só é chamado à
execução depois de excutido o património do devedor originário.
Quando o reponsável é chamado à execução, tem depois o direito de regresso contra o
devedor originário. A natureza jurídica desta responsabilidade, segundo Brás Teixeira é
a de fiança legal e é, a situação em que alguém, por força de lei, vai garantir o
cumprimento de dívida alheia, ficando obrigado perante o credor.

As relções Tributárias Formais


O acto tributário (conceito, natureza e efeitos)

A relação jurídica de impostos e a verificação da previsão legal, dá origem a uma


relaçao de sujeito indeterminado e ilíquida, pelo que se impõe uma actividade destinada
a determinar em concrecto quem é o sujeito passivo, qual o valor dos bens que incide o
imposto, qual o montante da prestação e qual o débito tributário.
A Doutrina distingue nesta actividade processual duas operações a saber, lançamento e
a liquidação.
A 1ª, o lançamento, corresponde à determinação em concrecto do sujeito passivo da
obrigação fiscal e da matéria a colectável.
A 2ª, a liquidação, consiste na aplicação à matéria colectável apurada no lançamento, da
taxa do imposto em causa, com vista ao apuramento final da colecta- estas duas
operações constituem o processo tributário gracioso de formação do acto
tributário.
O estudo do processo tribuitário gracioso corresponde à análise do conjunto das
operações realizadas, pela aplicação da lei fiscal ao caso concrecto, determinar a divida
de imposto que certo contribuinte tem que pagar.
Por vezes, não é o contribuinte a pagar o imposto, mas a entidade patronal. Logo, o acto
tributário é efectuado pela empresa e temos aquí,a substituição fiscal.
Também no caso dos impostos indirectos, ( p.e. IVA), a liquidação cabe aos
contribuintes. Á Administração Fiscal, cabe controlar o lançamento e a liquidação do
imposto, ou seja, exercer a fiscalização sobre as operações.
É no âmbito do controlo da legalidade, que a Administrativo fiscal faz após o
procedimento do contribuinte e vai homologar o acto, desde que o contribuinte tenha
apurado bem a colecta. Enquanto não há homologação do acto, pelo menos tácita, a
liquidação é apenas provisória e, só se torna definitiva após a homologação. A
homologação pode surgir, tacitamente.

A formação do acto tributário - o processo tributário gracioso

Princípios:

o processo tributário gracioso está submetida a determinados princípios. Desde logo


está submetido ao princípio de legalidade. Toda a actividade da Administração Fiscal
está sujeita à lei e nunca está sujeita a qualquer criterio de oportonidade e conveniência
Outro princípio que também deriva do princípio da legalidade é, o princípio da
verdade material. Este confere á entidade competente o poder para apreciar livremente
todo o material probatório disponível.
Está também submetido ao princípio da imparcialidade da decisão. O Estado ou a
Administração Fiscal está sujeito á lei e deve aplicá-la com objectividade e
imparcialidade possível.
Um quinto princípio é o princípio da não preclusão, segundo o qual desde que seja
respeitado o prazo geral da caducidade, os actos tributários podem ser praticados sem
que sejam sujeitos a um processo formal e rígido- flexibilidade do acto.
Temos ainda o princípio da estabilidade da decisão. Só dentro de certo prazo é que
um determinado acto tributário pode ser administrativa ou judicialmente impugnado,
tendo por base os fundamentos previstos na lei, sendo que estes fundamentos não são
taxativos, mas antes enuciativos.
O princípio da forma escrita, aplica-se também ao processo gracioso de formação do
acto. Todos os procedimentos tributários estão sujeitos à forma escrita, mas sem
sujeição a um processo rígido. E;
por fim temos o princípio da natureza gratuita do processo.

FASES:

Dentro do processo tributário gracioso podemos distinguir três fases: a Introditória, a


instrutória e a decisória.
A fase introdutória é aquela que dá origem ao processo e pode ser de iniciativa do
contribuinte ( prestando declarações) ou da própria Administração Fiscal. Em regra, esta
fase é da iniciativa do contribuinte, que se dirige á Administração Fiscal e, através de
declarações escritas, inicia o processo.
As declarações são efectuados em impressos e em formulários, previamente aprovados
pelo Governo e produzidos pela imprensa Nacional. Quanto á natureza jurídica destas
declarações as opiniões dividem-se, alguns afirmam que são actos constitutivos.
A doutrina maioritaria (Soares Martinez e Brás Teixeira) consideram uma
participação de ciência, pois o contribuinte cumpre uma prestação tributária acessoria e
leva à Administração Fiscal todos os dados para que esta possa determinar a acto final.
A Fase de Instrunção destina-se a comprovar os dados constantes das declarações
prestadas pelos contribuintes (preenchidas na fase anterior), acrestando aqueles dados
que não constem da mesma declaração. Quando os contribuintes preenchem e prestam
declarações iniciam o processo.
As declarações devem ser verdadeiras, reais e corresponder de facto à situação
verificada. Todos os elementos devem ser apresentados e sobretudo fundamentados, ou
seja, se por exemplo, há despesas, deve-se apresentar os documentos correspondentes
(recibos ou facturas).
Além da prova documental, também pode haver prova testemunhal e prova material,
podendo esta última ser por exame (coisas móveis), vistoria (coisas imóveis) ou
avaliação ( em todos outros casos).
A fase decisória culmina o processo e consiste na realização de um acto com
características de decisão definitiva, que define o montante em dívida ao Estado e que
deve ser notificado ao contribuinte para que este proceda ao pagamento. Nesta fase
conclui-se o processo tributário através do acto final da liquidação. Este acto tributário
tem que ser executado dentro dos prazos previstos na lei.
Notificação no processo Tributário
Uma questão que se suscita a propósito do prazo de caducidade é saber se basta que a
Administração Fiscal incie o processo para se começar a contar o prazo de caducidade
ou se é necessário que, apesar de iniciado e concluído o processo, se proceda à
notificação do contribuinte.
De facto é necessário a notificação do contribuinte para se que se começe a contar o
prazo, tendo em conta que o acto tributário se dirige a um sujeito, logo que este tem de
tomar conhecimento do acto e se tivermos em conta a segurança do Direito, temos de
concluir que só com a notificação o acto tributário se torna completo e perfeito, pois
trata-se de um verdadeiro acto receptício.

As Auto- liquidações

Sempre existiram alguns impostos de autoliquidação, é o caso do imposto de selo e de


alguns Impostos de Consumo. Na actualidade a autoliquidação é precedida de um auto-
lançamento, porque o contribuinte só pode fixar a coleta depois de ter determinado os
vários elementos tributários. É admitida ou até exigida em relação a numerosos
impostos directos.
Nuns casos, a autoliquidação é obrigatória, e noutros facultativa. Tem sido muito
discutida a natureza desta autoliquidação, à qual vários autores negam a natureza de
acto tributário, enquanto outros, pretendem que se trata de uma liquidação realizada
pelo contribuinte, no uso de uma delegação do fisco.

As liquidações provisórias e adicionais.


A liquidação do imposto é em regra definitiva. Por vezes surgem liquidações
provisórias quando os serviços da Administração fiscal não dispõe de todos os dados
necessários à correcta liquidação do imposto mas, ainda assim, procedem à sua
liquidação.
Também podem surgir liquidações adicionais, quando os serviços da Administração
fiscal procedem após uma acção de fiscalização, a uma acção de correcção de êrros ou
omissões constantes das declarações efectuadas pelo contribuinte.

Revisão e Anulação do Acto Tributário, Recurso Gracioso e


Contencioso.
Um acto tributário, apesar de definitivo, está sujeito a revisão ou anulação oficiosa ou,
pode ser objecto de reclamação por parte do contribuinte ( reclamação graciosa ou
judicial).
Vamos aqui analisar os mecanismos de revisão da iniciativa do particular, que se
resumem em quatro, a saber: Reclamação graciosa, Impugnação Judicial e Recurso
Hierárquico.

Reclamação Graciosa

A reclamação graciosa é dirigida por requerimento a entidade competente, indicando os


fundamentos para tal. O requerimento da pessoa singular ou colectiva, tem de ser
entregue na Direcção da Área Fiscal da área de residência. O processo de reclamação
graciosa é em regra, gratuito
.
Impugnação Judicial.

É dirigida em requerimento ao Juíz do Tribunal Fiscal (tributário) de 1ª (primeira)


Instância. Neste caso, junto podem ir além dos documentos comprovativos, as
respectivas testemunhas. A petiçaõ é apresentada junto da respectiva Direcçõa da àrea
Fiscal.

Recurso Hierárquico
o recurso hierárquico deve ser dirigido ao orgão competente da administração Fiscal,
sendo que dessa decisão é possível recurso para o Tribunal Administrativo. O
fundamento deste recurso é que é a via processual correcta para que o contribuinte
conteste as alterações introduzidas pela Administração Fiscal ao nível da qualificação e
quantificação da matéria colectável.

Direitos e Garantias dos Contribuintes.


Não é líquida a noção de garantias do contribuinte, isto porque juridicamente a
expressão *garantias* anda associada a um reforço de uma posição jurídica já detida.
Não será nesse sentido que a expressão revela tributariamente, antes parecendo ser
importante reconduzir tal conceito ao de quaisquer direitos que tutelam o contribuinte,
enquanto tal e face ao poder tributário estatal. Serão como que meios de compensação
da soberania fiscal crescentemente exigidos em qualquer estado de Direito.
Outa garantia importante dos contribuintes, traduz-se no direito à fundamentação e
notificação dos actos tributários. Assim, todas as decisões em matéria tributária que
afectem direitos ou interesses legalmente protegidos conterão os respectivos
fundamentos de facto e de direito, sendo tal fundamentação notificada aos contribuintes,
conjuntamente com a decisão.
Se a comunicaçaõ ou notificação não contiver a sua fundamentação legal, ou outros
requisitos exigidos por por Lei, poderá o interessado, no prazo previsto para a
reclamação, para recurso ou para impugnação, requerer a notificação ou passagem de
certidão dos fundamentos que tenham sido omitidos. Neste caso, o prazo para reclamar
ou impugnar judicialmente, só se conta a partir de tal notificação ou da entrega da
certidão.
Goza ainda o contribuinte do direito a receber juros indemnizatórios, quando em
reclamação graciosa ou processo judicial, se determinar que houve êrro imputável aos
serviços, ou quando por motivo imputável aos serviços, não seja cumprido o prazo legal
de restituição oficiosa dos impostos.
Representa também uma garantia dos contribuintes, a caducidade do direito à liquidação
de imposto e de outras prestações de natureza tributária, quando tal direito não for
exercido ou a liquidação não for notificado ao contribuinte nos prazos regulamentados.
O mesmo se dirá da prescrição da obrigação tributária.
O direito à confidêncialidade fiscal, o qual abrange os dados relativos à situação
tributária dos contribuintes. Ainda em matéria de sigilo sublinha-se, no entanto, a
relevância do sigílio bancário, face à própria Administração fiscal.