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OBSERVAÇÕES INICIAIS

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do edital específico da Maratona. Vocês foram incríveis! E agora possuem um material
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testarmos em formato de prova (com tempo cronometrado, ranking e estatísticas
individuais e gerais de desempenho). A equipe Mege ficará atenta aos primeiros
colocados para distribuirmos boas premiações! Além disso, todos os participantes da
Maratona Mege receberão ótimas notícias guardadas para o final de nossa proveitosa
janela de estudo. A nossa programação irá agora até o dia 17/05/2020 (com
apresentação do gabarito final de nosso simulado e liberação de ranking e premiações).
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QUESTÕES DE FIXAÇÃO DA MARATONA MEGE
Conteúdos abordados em grupos restritos com os inscritos na campanha de estudo

QUE 26/03/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

1. (FCC - 2019 - MPE-MT - Promotor de Justiça Substituto) À luz da disciplina dos


direitos e garantias fundamentais na Constituição Federal e da jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal na matéria,

(A) o transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de


sua classificação de gênero no registro civil, e poderá exercer tal faculdade tanto pela
via judicial como diretamente pela via administrativa, exigindo-se, para tanto, a
manifestação de vontade do indivíduo e laudos médico e psicossocial atestando a
necessidade da alteração.
(B) em tema de cooperação internacional na repressão a atos de criminalidade comum,
a existência de vínculos conjugais e/ou familiares com pessoas de nacionalidade
brasileira se qualifica como causa obstativa da extradição. 3
(C) os prazos da licença-adotante e das respectivas prorrogações podem ser inferiores
ao prazo da licença-gestante, ademais de, em relação à licença-adotante, ser possível a
fixação de prazos diversos em função da idade da criança adotada, conforme as
necessidades inerentes à fase de vida da criança.
(D) não é lícito ao Poder Judiciário impor à Administração pública obrigação de fazer,
consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em
estabelecimentos prisionais, sob o argumento de se dar efetividade ao postulado da
dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade
física e moral, em virtude de ser oponível à decisão o argumento da reserva do
possível, bem como o princípio da separação dos poderes.
(E) a entrada forçada em domicílio sem mandado judicial é lícita, mesmo em período
noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori,
que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade
dos atos praticados.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Recurso Extraordinário 670422
MIN. DIAS TOFFOLI
1 – O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de
sua classificação de gênero no registro civil, não se exigindo para tanto nada além da
manifestação de vontade do indivíduo, o qual poderá exercer tal faculdade tanto pela
via judicial como diretamente pela via administrativa.
2 – Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a
inclusão do termo “transgênero”.
3 – Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato,
vedada a expedição de certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio
interessado ou por determinação judicial.
4 – Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar,
de ofício ou a requerimento do interessado, a expedição de mandados específicos para
a alteração dos demais registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais
deverão preservar o sigilo sobre a origem dos atos.

(B) Incorreta.
Súmula 421, STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando
casado com brasileira ou ter filho brasileiro.

(C) Incorreta.
Recurso Extraordinário 778889
4
Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO
Os prazos da licença adotante não podem ser inferiores aos prazos da licença gestante,
o mesmo valendo para as respectivas prorrogações. Em relação à licença adotante,
não é possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada.

(D) Incorreta.
Recurso Extraordinário 592581
Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI
É lícito ao Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, consistente na
promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos
prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da pessoa humana e
assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que
preceitua o art. 5º, XLIX, da Constituição Federal, não sendo oponível à decisão o
argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes.

(E) Incorreta.
Recurso Extraordinário 603616
Relator(a): Min. GILMAR MENDES
A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período
noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori,
que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade
dos atos praticados.

2. (Ano: 2017, Banca: Cespe, Órgão: TJPR, Cargo: Juiz de Direito) Acerca da formação
histórica, da classificação e da eficácia dos direitos fundamentais, assinale a opção
correta.

(A) Por versar sobre o direito à saúde do trabalhador, a Convenção 162 da Organização
Internacional do Trabalho tem status de norma constitucional no ordenamento
jurídico brasileiro.
(B) A eficácia imediata dos direitos fundamentais encontra limites no núcleo irredutível
da autonomia pessoal, situação em que se configura a eficácia moderada na relação
entre os poderes privados e os indivíduos.
(C) A Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia, de 1776, similarmente à
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, proclamada na França em 1889,
simbolizou o ideal do legislador como representante do interesse geral.
(D) Por integrar o rol dos direitos fundamentais de defesa, a liberdade de associação é
incompatível com a edição de normas disciplinadoras do seu exercício pelo Estado.
5
RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
A Convenção não foi aprovada com status de Emenda Constitucional, na forma do que
dispõe o art. 5º, §3º, da CF/88. Versando sobre direitos humanos terá, portanto, status
de norma supralegal.

(B) Correta.
A eficácia dos direitos fundamentais de fato é imediata, mas nas relações privadas a
eficácia deve ser moderada pelo “núcleo irredutível da autonomia pessoal”, conforme
teoria de Canotilho, para a qual remetemos a leitura (V. DOUTRINA).

(C) Incorreta.
As declarações, embora tenham algum grau de semelhança, tiveram objetivos
distintos, uma vez que a declaração americana teve como foco a independência dos
estados, ao passo que a declaração francesa possuiu um foco no interesse do povo em
geral. Além disso, há um erro na data da Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão, que é datada de 1789.
(D) Incorreta.
Não há direito absoluto em nosso ordenamento jurídico. Assim, conforme estatui a
própria Constituição, é livre o direito de associação (art. 5º, XVII), sendo vedada a de
caráter paramilitar, podendo o Estado disciplinar o seu exercício caso haja alguma
ilegalidade em sua atuação.

DIREITO ELEITORAL

3. (TJAL/2019/JUIZ SUBSTITUTO/FCC) Sobre os órgãos da Justiça Eleitoral, é correto


afirmar:

(A) Compete ao Juiz Eleitoral processar e julgar o registro e o cancelamento de registro


dos diretórios municipais de partidos políticos.
(B) Junta Eleitoral é órgão da Justiça Eleitoral composta pelo Juiz de Direito, que a
preside, pelo representante do Ministério Público eleitoral e por dois a quatro
cidadãos de notória idoneidade.
(C) O Tribunal Superior Eleitoral é composto, entre outros, por dois Juízes dentre seis
advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Senado
Federal. 6
(D) Os tribunais regionais federais elegerão seu Presidente e Vice-Presidente dentre os
Juízes que os compõem.
(E) Além da função jurisdicional, o Juiz Eleitoral exerce função administrativa, já que
investido de poder de polícia. São exemplos dessa função administrativa: medidas para
impedir a prática de propaganda eleitoral irregular e o alistamento eleitoral.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
CE
Art. 29. Compete aos Tribunais Regionais:
I - processar e julgar originariamente:
a) o registro e o cancelamento do registro dos diretórios estaduais e municipais de
partidos políticos, bem como de candidatos a Governador, Vice-Governadores, e
membro do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas;

(B) Incorreta.
CE
Art. 36. Compor-se-ão as juntas eleitorais de um juiz de direito, que será o presidente,
e de 2 (dois) ou 4 (quatro) cidadãos de notória idoneidade.

(C) Incorreta.
CF
Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros,
escolhidos:
II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de
notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal.

(D) Incorreta.
CF
Art. 120
§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente- dentre
os desembargadores.

(E) Correta.
CE
Art. 35.
XVII - tomar todas as providências ao seu alcance para evitar os atos viciosos das
eleições;
7
Lei 9.504/97
Art. 41. A propaganda exercida nos termos da legislação eleitoral não poderá ser
objeto de multa nem cerceada sob alegação do exercício do poder de polícia ou de
violação de postura municipal, casos em que se deve proceder na forma prevista no
art. 40. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)
§ 1º O poder de polícia sobre a propaganda eleitoral será exercido pelos juízes
eleitorais e pelos juízes designados pelos Tribunais Regionais Eleitorais. (Incluído pela
Lei nº 12.034, de 2009)
§ 2º O poder de polícia se restringe às providências necessárias para inibir práticas
ilegais, vedada a censura prévia sobre o teor dos programas a serem exibidos na
televisão, no rádio ou na internet. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

4. (TJMG/2018/JUIZ DE DIREITO/CONSULPLAN) Avalie as seguintes asserções e a


relação proposta entre elas.

I. “No primeiro grau de jurisdição a Justiça Eleitoral fica a cargo do Juiz de Direito
designado pelo Tribunal Regional Eleitoral (Resolução TSE 21.009/02).”
PORQUE

II. “A competência do Juiz Eleitoral está prevista no art. 35 do Código Eleitoral e no


tratamento ao tema conferidos pela Lei das Eleições e pela Lei das Inexigibilidades.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

(A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.


(B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
(C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
(D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(I) Verdadeiro.
Na zona eleitoral que houver mais de uma vara da Justiça Comum, o TRE designará
aquela responsável pela competência eleitoral, que será exercida pelo período de 2
anos, salvo se só houver um juízo de direito atuando no espaço correspondente à zona
eleitoral, quando esse será designado por tempo indeterminado.
8
(II) Verdadeiro.
No tocante à competência dos Juízes Eleitorais, necessária a observância do art. 35 do
CE.
Há de se mencionar, ainda, o poder de polícia apontado pela Lei das Eleições (Lei nº
9.504/97), a ser exercido pelos juízes eleitorais, no tocante à propaganda eleitoral.
Essa Lei das eleições também prevê a competências para processar e julgar
reclamações ou representações nas eleições municipais (art. 96, I), dentre outras.
A LC nº 64/90 também prevê a competência dos juízes eleitorais para conhecer e
decidir as arguições de inelegibilidade de candidato a Prefeito, Vice-Prefeito e
Vereador (art. 2º, parágrafo único, III), bem como para conhecer e processar, nas
eleições municipais, a representação prevista na LC (art. 24).
Desse modo, o CE, em seu art. 35, atribui competências aos juízes eleitorais e as Leis
das Eleições e das Inexigibilidades tratam sobre os temas.
Contudo, essas competências dos juízes eleitorais não justificam a atribuição dessa
função designada pelo TRE, por isso, o item II não justifica o item I.
27/03/2020

DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL


LINDB

5. (Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: TJ-AC Prova: VUNESP - 2019 - TJ-AC - Juiz de
Direito Substituto) Segundo o que dispõe, expressamente, a Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro, na hipótese de expedição de uma licença sobre a qual
exista incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público,
havendo a necessidade de eliminar esse problema, a autoridade administrativa poderá,
atendidas as disposições legais:

(A) celebrar compromisso com os interessados.


(B) em recomendar alteração legislativa antes da decisão.
(C) de ingressar com ação declaratória no Poder Judiciário.
(D) contratar parecer de escritório de advocacia especializado. 9
RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

A questão é resolvida pela literalidade do art. 26 da LINDB - incluído pela Lei nº 13.655,
de 2018; regulado pelo Decreto nº 9.830 de 10 de junho de 2019 - que estabelece:

“Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação


contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de
expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva
do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta
pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar
compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável,
o qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. (Incluído
pela Lei nº 13.655, de 2018) (Regulamento) (grifo nosso).
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo:(Incluído pela Lei
nº 13.655, de 2018)
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e
compatível com os interesses gerais; (Incluído pela Lei nº 13.655, de
2018)
II – (VETADO); (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou
condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral;
(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para
seu cumprimento e as sanções aplicáveis em caso de
descumprimento. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
§ 2º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
Vê-se, pois que na hipótese de a autoridade entender conveniente
para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situações
contenciosas na aplicação do direito público, poderá celebrar
compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável e
as seguintes condições:
I - após oitiva do órgão jurídico;
II - após realização de consulta pública, caso seja cabível; e
III - presença de razões de relevante interesse geral.

6. (Ano: 2019 Banca: MPE-GO Órgão: MPE-GO Prova: MPE-GO - 2019 - Promotor de
Justiça Substituto) Sobre a vigência das normas no Direito Brasileiro, disciplinada pelo
Decreto-Lei n. 4.657/42 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro), é incorreto
afirmar: 10
(A) Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco
dias depois de oficialmente publicada, contudo, nos Estados estrangeiros, a
obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de
oficialmente publicada.
(B) Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique
ou revogue, sendo certo que a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o
declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria
de que tratava a lei anterior. Ademais, a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou
especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.
(C) O entendimento de que, quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo
com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito, não constitui norma
formal no Direito Brasileiro, mas um princípio norteador da atuação do magistrado.
(D) A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o
direito adquirido e a coisa julgada, sendo que, de acordo com a definição legal, reputa-
se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se
efetuou.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

(A) Correta.
LINDB
Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e
cinco dias depois de oficialmente publicada.
§ 1o Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se
inicia três meses depois de oficialmente publicada.

(B) Correta.
LINDB
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a
modifique ou revogue.
§ 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja
com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei
anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já
existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.
§ 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei
revogadora perdido a vigência.

(C) Incorreta.
11
LINDB
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais de direito.

(D) Correta.
LINDB
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o
direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957)
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo
em que se efetuou. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957).

28/03/2020

DIREITO DO CONSUMIDOR

7. (TJRO – Juiz Substituto – 2019 – Vunesp) Segundo o inteiro e exato teor das súmulas
vigentes editadas pelo Superior Tribunal de Justiça acerca das relações de consumo, é
correto afirmar que:
(A) o Código de Defesa do Consumidor é aplicável a quaisquer relações jurídicas
entabuladas entre entidade de previdência privada e seus participantes.
(B) se aplica o Código de Defesa do Consumidor a todos os contratos de plano de
saúde.
(C) é vedado ao banco mutuante reter, em qualquer extensão, os salários,
vencimentos e/ou proventos de correntista para adimplir o mútuo (comum) contraído,
ainda que haja cláusula contratual autorizativa.
(D) o Código de Defesa do Consumidor é aplicável a todas as espécies de contratos de
cartão de crédito.
(E) o Código de Defesa do Consumidor é aplicável aos empreendimentos habitacionais
promovidos pelas sociedades cooperativas.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Súmula 563 do STJ.
O CDC é aplicável apenas às entidades abertas de previdência complementar (não se
aplica às fechadas).
12
(B) Incorreta.
Súmula 608 do STJ.
O CDC aplica-se, via de regra, aos contratos de planos de saúde, salvo os
administrados por entidades de autogestão.

(C) Incorreta.
A Súmula 603 do STJ, que trazia a redação da assertiva, foi cancelada em agosto de
2018.

(D) Incorreta.
Súmula 532 do STJ.
Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa
solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação
de multa administrativa.

(E) Correta. Trata-se do exato teor da Súmula 602 do STJ.


8. (MPE-SP - 2015 - MPE-SP - Promotor de Justiça) Verifique a exatidão dos seguintes
conceitos à luz da lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor):

I - Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou


serviço para satisfazer suas necessidades.
II - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
III - Produto é qualquer bem material, móvel ou imóvel.
IV - Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, inclusive as
decorrentes das relações de caráter trabalhista.

Pode-se afirmar que:

(A) Apenas as assertivas II e III estão corretas.


(B) Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas.
(C) Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas.
(D) Apenas a assertiva II está correta.
(E) Apenas as assertivas II e IV estão corretas.
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RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(I) Incorreto.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
“Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final”

(II) Correto.
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou
jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação,
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização
de produtos ou prestação de serviços.

(III) Incorreto.
Art. 3° [...]
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
(IV) Incorreto.

Art. 3° [...]
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária,
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

9. (TJ-PA – 2019 – CESPE) O pai que usa de força física contra seu filho menor de idade
para discipliná-lo incide no que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
denomina:

(A) tratamento degradante.


(B) tratamento cruel.
(C) vexame.
(D) violência doméstica.
(E) castigo físico.
14
RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

Art. 18-A, parágrafo único do ECA - Para os fins desta Lei, considera-se: I - castigo físico:
ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a
criança ou o adolescente que resulte em: a) sofrimento físico; ou b) lesão;

10. (TJ-PR – 2019 – CESPE) A atual doutrina da proteção integral, que rege o direito da
criança e do adolescente, reconhece crianças e adolescentes como:

(A) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, mas que devem ser
responsabilizados pela própria situação de irregularidade.
(B) sujeitos de direito, devendo o Estado, a família e a sociedade lhes assegurar
direitos fundamentais.
(C) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, sendo o Estado o principal
responsável por lhes assegurar direitos.
(D) sujeitos de direito que devem ser responsabilizados pela própria situação de
irregularidade.
RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Doutrina da Proteção Integral - Esta doutrina parte da concepção de que as normas


que tratam de crianças e de adolescentes, além de concebê-los como cidadãos plenos,
devem reconhecer que estão sujeitos à proteção prioritária, uma vez que estão em
desenvolvimento biológico, social, físico, psicológico e moral. Dessa forma, determina
que deve-se garantir a toda criança e adolescente todos os direitos fundamentais
garantidos pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

A adoção da doutrina da proteção integral é fruto da Convenção Internacional dos


Direitos da Criança. Apesar de a denominação da convenção não incluir adolescente,
ela tem como padrão internacional que todo menor de 18 anos é considerado criança,
portanto, sendo possível a compatibilidade com o ordenamento jurídico brasileiro.

29/03/2020

DIREITO PENAL
15

11. (CESPE/TJBA/2019) De acordo com a doutrina predominante no Brasil


relativamente aos princípios aplicáveis ao direito penal, assinale a opção correta.

(A) O princípio da subsidiariedade determina que o direito penal somente tutele uma
pequena fração dos bens jurídicos protegidos, operando nas hipóteses em que se
verificar lesão ou ameaça de lesão mais intensa aos bens de maior relevância.
(B) O princípio da ofensividade, segundo o qual não há crime sem lesão efetiva ou
concreta ao bem jurídico tutelado, não permite que o ordenamento jurídico preveja
crimes de perigo abstrato.
(C) O princípio da adequação social serve de parâmetro ao legislador, que deve buscar
afastar a tipificação criminal de condutas consideradas socialmente adequadas.
(D) O princípio da taxatividade, ou do mandado de certeza, preconiza que a lei penal
seja concreta e determinada em seu conteúdo, sendo vedados os tipos penais abertos.
(E) O princípio da bagatela imprópria implica a atipicidade material de condutas
causadoras de danos ou de perigos ínfimos.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS
(A) Incorreta.
De acordo com o princípio da subsidiariedade, a atuação do Direito Penal é cabível
unicamente quando os outros ramos do Direito e os demais meios estatais de controle
social tiverem se revelado impotentes para o controle da ordem pública. Em outras
palavras, o Direito Penal funciona como um executor de reserva, entrando em cena
somente quando outros meios estatais de proteção mais brandos, e, portanto, menos
invasivos da liberdade individual não forem suficientes para a proteção do bem
jurídico tutelado.
(B) Incorreta.
De acordo com o princípio da ofensividade ou lesividade, não há infração penal
quando a conduta não tiver oferecido ao menos perigo de lesão ao bem jurídico. Este
princípio atende a manifesta exigência de delimitação do Direito Penal, tanto em nível
legislativo como no âmbito jurisdicional.

(C) Correta.
De acordo com esse princípio, não pode ser considerado criminoso o comportamento
humano que, embora tipificado em lei, não afrontar o sentimento social de Justiça.

(D) Incorreta.
“Lege certa”, taxatividade ou mandato de certeza O princípio da legalidade jamais
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cumprirá seu papel se a lei, ainda que anterior à conduta, puder ser editada de tal
modo genérico ou vago, que não se possa delimitar, com segurança e concretude,
quais comportamentos a ela se subsumem. Por esse motivo, são inconstitucionais os
tipos penais vagos. Deve a lei penal ser concreta e determinada em seu conteúdo, sob
pena de gerar incertezas quanto à sua aplicação e, consequentemente, provocar
indesejável insegurança jurídica. (André Estefam e Victor Eduardo Rios Gonçalves -
Direito penal esquematizado: parte geral)

(E) Incorreta.
De acordo com esse princípio, sem previsão legal no Brasil, inexiste legitimidade na
imposição da pena nas hipóteses em que, nada obstante a infração penal esteja
indiscutivelmente caracterizada, a aplicação da reprimenda desponte como
desnecessária e inoportuna. Apresenta desvalor da conduta e desvalor do resultado. O
fato é típico e ilícito, o agente é dotado de culpabilidade e o Estado possui o direito de
punir (punibilidade). É de se observar que a bagatela imprópria tem como pressuposto
inafastável a não incidência do princípio da insignificância (própria). Com efeito, se o
fato não era merecedor da tutela penal, em decorrência da sua atipicidade, descabe
enveredar pela discussão acerca da necessidade ou não de pena.
12. (Prova: CESPE - 2019 - TJ-PA - Juiz de Direito Substituto) O Ministério Público
ofereceu denúncia contra Paulo em razão de ele, mediante grave ameaça exercida com
o emprego de arma de fogo por um comparsa não identificado, ter subtraído de uma
pessoa R$ 80 e um aparelho celular que custava R$ 700. Perseguido por populares,
Paulo foi preso com os produtos do crime. Não houve apreensão da arma utilizada no
crime. Após confissão espontânea do crime, Paulo foi condenado à pena mínima pela
prática do crime de roubo simples, pois, na sentença, alegou-se que a arma de fogo
não havia sido utilizada pelo réu nem apreendida à época dos fatos. Tanto o Ministério
Público quanto a defesa, no entanto, recorreram da sentença: o Ministério Público
requereu o reconhecimento das qualificadoras de concurso de pessoas e emprego de
arma de fogo; a defesa, por sua vez, requereu o reconhecimento da tentativa e a
aplicação de pena aquém do mínimo, alegando atenuante da confissão espontânea e
aplicação do princípio da insignificância.

Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.

(A) O recurso ministerial não merece provimento, porque é indispensável o exame de


eficiência da arma utilizada no crime para o reconhecimento da qualificadora do
emprego de arma de fogo;
(B) Quanto ao recurso ministerial, deverá ser reconhecida apenas a qualificadora do
17
concurso de pessoas, pois o uso de arma de fogo não pode ser imputado a quem não a
portava;
(C) Como a confissão espontânea foi reconhecida na sentença, a pena poderá ser
minorada para aquém do mínimo legal;
(D) Quanto ao recurso da defesa, é inadmissível o reconhecimento da tentativa, pois,
para consumação do crime de roubo, é prescindível posse mansa e pacífica do bem
subtraído;
(E) Aplica-se ao caso o princípio da insignificância, em razão de o valor total dos bens
subtraídos ser inferior a um salário mínimo.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.

Desnecessário que a arma utilizada no roubo seja apreendida e periciada para que
incida a majorante do art. 157, § 2º-A, I, do Código Penal. O reconhecimento da
referida causa de aumento prescinde da apreensão e da realização de perícia na arma,
desde que o seu uso no roubo seja provado por outros meios de prova, tais como a
palavra da vítima ou mesmo de testemunhas. STF. 1ª Turma. HC 108034/MG, rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 05/06/2012. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1076476/RO, Rel.
Min. Jorge Mussi, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 449102/MS, Rel.
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 09/10/2018;

(B) Incorreta.

Nesse sentido, o STJ por meio do HC n° 352523/SC entendeu pela possibilidade de


compartilhamento de arma de fogo e a consequente configuração do crime de porte
ilegal na modalidade compartilhada, contanto que se evidencie, no caso concreto, que
todos os indivíduos tinham acesso e disponibilidade sobre a arma de fogo

Na ocasião, ressaltou-se que apesar dos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso
permitido e restrito (arts. 14 e 16 da Lei n° 10. 826/2003), serem crimes unissubjetivos,
admite-se a coautoria, bastando, para tanto, a demonstração de que havia o efetivo
compartilhamento da arma de fogo.

Como se sabe, crimes unissubjetivos são aqueles que podem ser praticados por apenas
uma pessoa ou por várias em uma mesma empreitada criminosa, é o que ocorre, por
exemplo, com o crime de homicídio, que pode ser praticado tanto de forma individual
quanto de forma coletiva;
18
(C) Incorreta.

Súmula 231-STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução


da pena abaixo do mínimo legal.

A confissão espontânea não pode servir de fundamento para a redução da pena-base


abaixo do grau mínimo previsto em lei. A confissão é uma atenuante (art. 65, III, “d”, do
CP) e, segundo entendimento acima sumulado do STJ, as atenuantes não podem
reduzir a pena do réu abaixo do mínimo legal;

(D) Correta.

Posto que o STJ adota a teoria da amotio/apprehensio, conforme enunciado 582:

“Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de


violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa
e pacífica ou desvigiada";
(E) Incorreta.

Não se aplica princípio da insignificância ao crime de roubo porque se trata de delito


complexo que envolve patrimônio, grave ameaça e a integridade física e psicológica da
vítima, havendo, portanto, interesse estatal na sua repressão.

Assim, tal conduta não pode ser considerado como de mínima ofensividade,
desprovido de periculosidade social, de reduzido grau de reprovabilidade e de
inexpressividade.
STJ. 6ª Turma. RHC 56431/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
18/06/2015.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

13. (Prova: CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial) De acordo
com o Código de Processo Penal, é cabível ao juiz substituir a prisão preventiva pela
domiciliar a

(A) homem que, condenado pelo crime de corrupção passiva, seja o único responsável
pelos cuidados do seu filho de dez anos de idade.
19
(B) mulher que tenha praticado o crime de abandono de incapaz contra seu filho de
cinco anos de idade.
(C) pessoa de setenta e cinco anos de idade condenada pela prática do crime de
estelionato.
(D) gestante condenada pelo crime de furto qualificado, desde que já tenha
ultrapassado o sétimo mês de gravidez.
(E) mulher que, condenada pelo crime de roubo, tenha filho de um ano de idade.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente
for: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

I - maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).


II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403,
de 2011).
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade
ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
IV - gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze)
anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos
estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou
responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão
domiciliar, desde que: (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).

I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela
Lei nº 13.769, de 2018).
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. (Incluído pela Lei nº
13.769, de 2018).

20
14. (Prova: FCC - 2018 - DPE-AP - Defensor Público) O sistema acusatório

(A) se caracteriza por separar as funções de acusar e julgar e por deixar a iniciativa
probatória com as partes.
(B) se verifica quando a Constituição prevê garantias ao acusado.
(C) tem sua raiz na motivação das decisões judiciais.
(D) vigora em sua plenitude no direito brasileiro.
(E) privilegia a acusação, sedo próprio dos regimes autoritários.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta.
No sistema acusatório, existe separação entre os órgãos incumbidos de
realizar a acusação e o julgamento, o que garante a imparcialidade do julgador e, por
conseguinte, assegura a plenitude de defesa e o tratamento igualitário das partes.

(B) Incorreta.
A assertiva está incompleta uma vez que não é essa característica que define
inteiramente o sistema acusatório. Vide explicação da assertiva “A”.

(C) Incorreta.
A assertiva está incompleta uma vez que não é essa característica que define
inteiramente o sistema acusatório. Vide explicação da assertiva “A”.

(D) Incorreta.

No Brasil, é adotado o sistema acusatório, pois há clara separação entre a


função acusatória — do Ministério Público nos crimes de ação pública — e a julgadora.
Contudo, não se trata do sistema acusatório puro, uma vez que, apesar de a regra ser a
de que as partes devam produzir suas provas, admitem-se exceções em que o próprio
juiz pode determinar, de ofício, sua produção de forma suplementar.

Esse sistema foi reforçado pela Lei nº 13.964/19 (Lei Anticrime), que proibiu
expressamente o juiz de decretar prisão preventiva e outras medidas cautelares de
ofício. Confira:
Art. 282. § 2º As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz
a requerimento das partes ou, quando no curso da
investigação criminal, por representação da autoridade policial 21
ou mediante requerimento do Ministério Público.

Esse dispositivo difere da redação anterior, que dizia:

§ 2o As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz, de ofício


ou a requerimento das partes ou, quando no curso da
investigação criminal, por representação da autoridade policial
ou mediante requerimento do Ministério Público. (Incluído pela
Lei nº 12.403, de 2011).

ANTES DA LEI ANTICRIME APÓS A LEI ANTICRIME

No curso do processo o juiz poderia, de O juiz não pode, nem na fase de


ofício ou a requerimento das partes, investigações nem no curso do processo,
decretar medidas cautelares. Já na fase decretar medidas cautelares de ofício.
da investigação criminal o juiz só poderia
decretar medidas cautelares mediante
representação do Delegado de Polícia ou
requerimento do MP.
Esse mesmo entendimento, que foi previsto para as medidas cautelares em
geral, foi repetido pelo legislador da Lei Anticrime no caso da prisão preventiva.
Confira:

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo


penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a
requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente,
ou por representação da autoridade policial.

A redação anterior do dispositivo dizia:

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo


penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no
curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do
querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade
policial. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Porém, a Lei nº 13.964/19 trouxe a previsão de que é possível que o juiz, de


ofício, revogue a prisão preventiva se, no correr da investigação ou do processo,
verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decretá-la, se
sobrevierem razões que a justifiquem (art. 316, caput).
22
(E) Incorreta.
Trata-se da definição do sistema inquisitivo. Nesse sistema, cabe a um só
órgão acusar e julgar. O juiz dá início à ação penal e, ao final, ele mesmo profere a
sentença.
O acusado é mero objeto do processo, não sendo considerado sujeito de
direitos.
Antes do advento da CF/88, era admitido em nossa legislação em relação à
apuração de todas as contravenções penais e dos crimes de homicídio e de lesões
corporais culposos. Era o chamado processo judicialiforme, que foi banido de nossa
legislação pelo art. 129, I, da CF, que conferiu ao MP a iniciativa exclusiva da ação
pública.

30/03/2020

SÚMULAS DO STF

15. Julgue o item a seguir.


É prescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de
herança.

RESPOSTA: INCORRETO
COMENTÁRIOS

É justamente o contrário, conforme dispõe a Súmula nº 149 do STF: "É imprescritível a


ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de herança.

16. Julgue o item a seguir.


Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se
alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal.

RESPOSTA: CORRETO
COMENTÁRIOS

Enunciado em conformidade com a Súmula nº 734 do STF.


23

DIREITO PENAL

17. Julgue o item abaixo de acordo com o que dispõe o CP quanto aos crimes em
espécie.
O delito de estelionato se procede mediante representação, salvo quando, dentre
outros casos, a vítima tiver mais de 70 anos de idade.

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Antes das alterações trazidas pelo Pacote Anticrime o crime de estelionato era
de ação penal pública incondicionada. Após o pacote, em regra, o crime será
processado mediante ação penal pública condicionada à representação.
Ainda assim, excepcionalmente o estelionato será de ação penal pública
incondicionada quando a vítima for a Administração Pública (direta ou indireta),
criança ou adolescente, pessoa com deficiência, maior de 70 anos e incapaz.

Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo


alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício,
ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
§ 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima
for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - a Administração Pública, direta ou indireta; (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
II - criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - pessoa com deficiência mental; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)

18. No que se refere ao limite das penas, julgue o item abaixo:

O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ultrapassar o


24
limite de 30 anos e, desse modo, caso o réu seja condenado a várias penas privativas
de liberdade cuja junção seja superior a 30 anos, elas devem necessariamente ser
unificadas para atender ao limite máximo previsto no CPB.

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

O enunciado está incorreto tendo em vista que o Pacote Anticrime aumentou o limite
máximo do tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade, que deixou de
ser de 30 anos e passou para 40 anos. Houve, portanto, uma inovação in malam
partem ao acrescentar 10 anos ao limite de cumprimento de pena no país.

Ademais, caso o agente seja condenado a várias penas privativas de liberdade cuja
junção delas seja superior a 40 anos, as penas deverão ser unificadas para que o limite
máximo (antes de 30, agora de 40 anos) não seja excedido. Logo, mesmo que o agente
seja condenado à pena privativa de liberdade de 100 anos, como ilustração, cumprirá
somente os 40 anos.
Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não
pode ser superior a 40 (quarenta) anos. (Redação dada pela Lei nº
13.964, de 2019)
§ 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja
soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para
atender ao limite máximo deste artigo. (Redação dada pela Lei nº
13.964, de 2019)

31/03/2020

DIREITO ELEITORAL

19. (Prova: CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial) O objetivo
da ação de investigação judicial eleitoral é

(A) declarar a nulidade de pleito eleitoral por erro de direito. 25


(B) apurar denúncias de atos que configurem abuso de poder econômico e(ou) político
durante campanha eleitoral.
(C) cassar mandato irregular após a diplomação.
(D) contestar atos administrativos praticados pela justiça eleitoral.
(E) investigar antecedentes criminais de candidatos.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

LC 64/90
Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral
poderá representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional,
relatando fatos e indicando provas, indícios e circunstâncias e pedir abertura de
investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico
ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de
comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político, obedecido o
seguinte rito: (Vide Lei nº 9.504, de 1997)
20. (Prova: VUNESP - 2019 - TJ-RJ - Juiz Substituto) É condição de elegibilidade o
domicílio eleitoral na circunscrição, sendo que, para concorrer às eleições, o candidato
deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição

(A) pelo prazo de 1 (um) ano e estar com a filiação deferida no mesmo prazo.
(B) pelo prazo de 1 (um) ano e estar com a filiação até a data da convenção partidária.
(C) até a data do registro e estar com a filiação deferida no prazo de 1 (um) ano.
(D) pelo prazo de 6 (seis) meses e estar com a filiação deferida no mesmo prazo.
(E) pelo prazo de 1 (um) ano e estar com a filiação deferida até a data do registro.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

LEI 9504/1997

Art. 9º Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na


respectiva circunscrição pelo prazo de seis meses e estar com a filiação deferida pelo
partido no mesmo prazo. (Redação dada pela Lei nº 13.488, de 2017)

26
DIREITO DO CONSUMIDOR

21. (TJRS – Juiz Substituto – 2018 - Vunesp) Paciente com insuficiência renal grave
faleceu em decorrência de ingerir, por orientação médica, um anti-inflamatório, cuja
bula continha informações de possíveis reações adversas e a ocorrência de doenças
graves renais. O laboratório, fornecedor do produto,
(A) não responde, pois o produto tem periculosidade inerente (medicamento), cujos
riscos são normais à sua natureza e previsíveis.
(B) reponde objetivamente pela teoria do risco do empreendimento ou da atividade.
(C) responde objetivamente, por ser causador de um acidente de consumo.
(D) responde objetivamente pelos riscos do produto, pelo simples fato de tê-lo
colocado no mercado.
(E) responde subjetivamente, pois se trata de produto defeituoso.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

A questão cobrou decisão veiculada em informativo de jurisprudência do STJ.


Novidade de 2017 (Informativo 603): Em se tratando de produto de periculosidade
inerente (medicamento), cujos riscos são normais à sua natureza e previsíveis,
eventual dano por ele causado ao consumidor não enseja a responsabilização do
fornecedor. A Turma entendeu que NÃO havia fato do produto no caso de consumidor
que veio a morrer de insuficiência renal aguda após ingerir o medicamento. Isso
porque a bula advertia, expressamente, como possíveis reações adversas, a ocorrência
de doenças graves renais. Portanto, em se tratando de produto de periculosidade
inerente, cujos riscos são normais à sua natureza (medicamento com contraindicações)
e previsíveis (na medida em que o consumidor é deles expressamente advertido),
eventual dano por ele causado não enseja a responsabilização do fornecedor. (REsp
1.599.405, T3, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 17/4/2017).

Correta, portanto, somente a alternativa A.

01/04/2020

DIREITO CIVIL

22. (Prova: MPE-GO - 2019 - MPE-GO - Promotor de Justiça – Reaplicação) A Lei n.


13.655/18 trouxe importantes modificações para a Lei de Introdução às normas do
27
Direito Brasileiro. Sobre tais modificações, é correto afirmar:

(A) A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a


invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deverá indicar
de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas, sendo vedado ao
julgador, contudo, indicar as condições para que a regularização ocorra.
(B) A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto á validade de
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, cuja produção já se houver
completado, levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com
base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações
plenamente constituídas.
(C) Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste,
processo ou norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias jurídicas que
houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente.
(D) O agente público responder· pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas
em caso de dolo, culpa ou erro grosseiro.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
(A) Incorreta.
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar
de modo expresso suas consequências jurídicas e administrativas. (Incluído pela Lei nº
13.655, de 2018) (Regulamento)

Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o
caso, indicar as condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e
equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos
atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais
ou excessivos. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

(B) Correta.
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à
validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já
se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado
que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas
situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
(Regulamento)
28
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações
contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou
administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e
de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)

(C) Incorreta.
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os
obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu
cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados. (Regulamento)

§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste,


processo ou norma administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que
houverem imposto, limitado ou condicionado a ação do agente. (Incluído pela Lei nº
13.655, de 2018)

(D) Incorreta.
Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões
técnicas em caso de dolo ou erro grosseiro. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)
(Regulamento)
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

23. (Prova: VUNESP - 2019 - TJ-RO - Juiz de Direito Substituto) As causas cíveis serão
processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes
o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Em matéria de competência, é
correto afirmar que

(A) a incompetência relativa não pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas
em que atuar
(B) na execução por carta, a competência para julgar os embargos é, em regra, do juízo
deprecado.
(C) compete à Justiça estadual processar e julgar ação possessória ajuizada em
decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
(D) a presença da União ou de qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial,
afasta a competência do foro da situação do imóvel.
(E) há conflito de competência quando entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia
acerca da reunião ou separação de processos.

RESPOSTA: E 29
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 65, Parágrafo único do NCPC – “Art. 65. Prorrogar-se-á a
competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de
contestação. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo
Ministério Público nas causas em que atuar”.

(B) Incorreta. Art. 914, §2º, do NCPC – “Art. 914, § 2º Na execução por carta, os
embargos serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo deprecado, mas a
COMPETÊNCIA PARA JULGÁ-LOS É DO JUÍZO DEPRECANTE, salvo se versarem
unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação dos
bens efetuadas no juízo deprecado”.
(C) Incorreta. Súmula Vinculante 23 – “A Justiça do Trabalho é competente para
processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de
greve pelos trabalhadores da iniciativa privada”.
(D) Incorreta. Súmula 11 do Superior Tribunal de Justiça – “A presença da União ou de
qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial, não afasta a competência do
foro da situação do imóvel”.
(E) Correta. Art. 66, III, do NCPC – “Art. 66. Há conflito de competência quando: III -
entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de
processos”.
24. (Prova: FGV - 2019 - TJ-CE - Técnico Judiciário - Área Judiciária) Menor
absolutamente incapaz, regularmente representado por sua mãe, ajuizou ação em
foro relativamente incompetente, o que, todavia, deixou de ser arguido pelo réu na
primeira oportunidade de que dispunha. Todavia, ao ser intimado para atuar no feito,
o Ministério Público suscitou o vício de incompetência, no prazo legal.

Nesse cenário:
(A) a incompetência relativa se prorrogará, pois o Ministério Público não pode suscitá-
la;
(B) a incompetência relativa pode ser arguida pelo réu a qualquer tempo e grau de
jurisdição;
(C) caso a arguição de incompetência relativa seja acolhida, o processo deverá ser
extinto sem resolução do mérito;
(D) o juiz da causa pode pronunciar de ofício a incompetência relativa, remetendo os
autos ao juízo competente;
(E) a incompetência relativa pode ser arguida pelo Ministério Público, nas causas em
que atuar.
30
RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

(A) Incorreta. Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a
incompetência em preliminar de contestação.
(B) Incorreta. Art. 64, § 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer
tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício.
(C) Incorreta. Art. 64, § 3º Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos
serão remetidos ao juízo competente.
(D) Incorreta. Art. 64, § 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer
tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício.
(E) Correta. Art. 65, Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo
Ministério Público nas causas em que atuar.

02/04/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL
25. (Prova: VUNESP - 2019 - Prefeitura de São José do Rio Preto - SP - Procurador do
Município) De acordo com o artigo 8° da Constituição Federal, é livre a associação
sindical, observado o seguinte:

(A) é obrigatória autorização do Estado para a fundação de sindicato, vedadas ao


Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical.
(B) a criação de organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria
profissional ou econômica se aperfeiçoará com o registro do respectivo ato
constitutivo no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
(C) é obrigatória a filiação ao sindicato da respectiva categoria.
(D) é facultativa a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho.
(E) ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da
categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato,
31
ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência
e a intervenção na organização sindical;
[...]
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da
categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;
[...]
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
[...]

26. (Prova: CESPE - 2009 - PGE-PE - Procurador do Estado)

Chega de ação. Queremos promessas. Assim protestava o grafite, ainda em tinta fresca,
inscrito no muro de uma cidade, no coração do mundo ocidental. A espirituosa
inversão da lógica natural dá conta de uma das marcas dessa geração: a velocidade da
transformação, a profusão de ideias, a multiplicação das novidades. Vivemos a
perplexidade e a angústia da aceleração da vida. Os tempos não andam propícios para
doutrinas, mas para mensagens de consumo rápido. Para jingles, e não para sinfonias.
O direito vive uma grave crise existencial. Não consegue entregar os dois produtos que
fizeram sua reputação ao longo dos séculos. De fato, a injustiça passeia pelas ruas com
passos firmes e a insegurança é a característica da nossa era.
Na aflição dessa hora, imerso nos acontecimentos, não pode o intérprete beneficiar-se
do distanciamento crítico em relação ao fenômeno que lhe cabe analisar. Ao contrário,
precisa operar em meio à fumaça e à espuma. Talvez esta seja uma boa explicação
para o recurso recorrente aos prefixos pós e neo: pós-modernidade, pós-positivismo,
neoliberalismo, neoconstitucionalismo. Sabe-se que veio depois e que tem a pretensão
de ser novo. Mas ainda não se sabe bem o que é. Tudo é ainda incerto. Pode ser
avanço. Pode ser uma volta ao passado. Pode ser apenas um movimento circular, uma
dessas guinadas de 360 graus.
L. R. Barroso. Neoconstitucionalismo e constitucionalização do direito. O triunfo tardio
do direito constitucional no Brasil. In: Internet: (com adaptações).
Tendo o texto acima como motivação, assinale a opção correta a respeito do
constitucionalismo e do neoconstitucionalismo.

(A) O neoconstitucionalismo tem como marco filosófico o póspositivismo, com a


centralidade dos direitos fundamentais, no entanto, não permite uma aproximação
entre direito e ética.
(B) A democracia, como vontade da maioria, é essencial na moderna teoria
constitucional, de forma que as decisões judiciais devem ter o respaldo da maioria da
32
população, sem o qual não possuem legitimidade.
(C) No neoconstitucionalismo, a Constituição é vista como um documento
essencialmente político, um convite à atuação dos poderes públicos, ressaltando que a
concretização de suas propostas fica condicionada à liberdade de conformação do
legislador ou à discricionariedade do administrador.
(D) O constitucionalismo pode ser definido como uma teoria (ou ideologia) que ergue
o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão
estruturante da organização político-social de uma comunidade. Nesse sentido, o
constitucionalismo moderno representa uma técnica de limitação do poder com fins
garantísticos.
(E) O neoconstitucionalismo não autoriza a participação ativa do magistrado na
condução das políticas públicas, sob pena de violação do princípio da separação dos
poderes.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O constitucionalismo em sentido estrito confunde-se com a própria evolução


do Direito Constitucional, surgindo como técnica jurídica de combate ao absolutismo e
busca pela limitação do poder. Foi a “arma do liberalismo contra o absolutismo”.
Nessa busca, três ideias principais sempre se encontram presentes: garantia de
direitos, separação dos poderes e princípio do governo limitado (art. 16, Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão).

Vejamos alguns conceitos doutrinários de constitucionalismo estrito:

Canotilho – É a teoria que ergue o princípio do governo limitado indispensável


à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de
uma comunidade. Neste sentido, o constitucionalismo moderno representará uma
técnica de limitação do poder com fins garantísticos.

Kildare Gonçalves – Perspectiva Jurídica/Sociológica – O constitucionalismo


se trata de um sistema normativo, enfeixado na Constituição, e que se encontra acima
dos detentores do poder; sociologicamente, representa um movimento social que dá
sustentação à limitação do poder, inviabilizando que os governantes possam fazer
prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado.

André Ramos Tavares – Determina quatro sentidos para o constitucionalismo:


1) Limitar o poder arbitrário; 2) Imposição de que hajam cartas constitucionais escritas;
3) Evolução histórica-constitucional de um determinado Estado; e 4) Prevalência dos
33
direitos fundamentais como proteção ao regime autoritário.

Pedro Lenza – O constitucionalismo é um meio de limitação do poder


autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais, afastando-se da visão
autoritária do antigo regime (aproxima-se da posição de Ramos Tavares).

Para a teoria do neoconstitucionalismo, a Constituição é o centro do sistema.


A CF passa a ser uma norma jurídica dotada de imperatividade e superioridade (deixa
de ser apenas uma carta política). Busca-se, dentro dessa nova realidade, não mais
apenas atrelar o constitucionalismo à ideia de limitação do poder político, mas, acima
de tudo, busca-se a eficácia da Constituição, deixando o texto de ter um caráter
meramente retórico e passando a ser mais efetivo, especialmente diante da
expectativa de concretização dos direitos fundamentais.

O neoconstitucionalismo possui como principais características, as seguintes:

1) Positivação e concretização e um catálogo de direitos


fundamentais;
2) Onipresença dos princípios e das regras;
3) Inovações hermenêuticas;
4) Densificação da força normativa do Estado; e
5) Desenvolvimento da Justiça Distributiva.

Para o neoconstitucionalismo, a CF possui uma carga valorativa (axiológica),


fundamentada na dignidade da pessoa humana e nos direitos fundamentais. Assim,
não se fala apenas em uma simples hierarquia entre a CF, mas sim em uma
ponderação de valores entre suas próprias regras e princípios.
Dessa forma, a CF possui efeito irradiante em relação aos poderes e mesmo
aos particulares. Assim, seus efeitos se aplicam a todos os poderes e às relações entre
particulares (eficácia horizontal).

LÍNGUA PORTUGUESA

27. (Prova: MPE-SC - 2016 - MPE-SC - Promotor de Justiça – Vespertina) Apesar de o


trema ter desaparecido da língua portuguesa, ele se conserva em nomes estrangeiros,
como em Schürmann.
( ) CERTO
( ) ERRADO 34
RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Nos termos do Novo Acordo Ortográfico, o trema deixou de ser utilizado nas palavras
de língua portuguesa, mas o seu uso ainda é permitido nas palavras de origem
estrangeira (exemplos: Bündchen e Müller)

28. (Prova: MPE-SC - 2016 - MPE-SC - Promotor de Justiça – Vespertina) “O americano


Jackson Katz, 55, é um homem feminista – definição que lhe agrada. Dedica
praticamente todo o seu tempo a combater a violência contra a mulher e a promover
a igualdade entre os gêneros. (...) Em 1997, idealizou o primeiro projeto de prevenção
à violência de gênero na história dos marines americanos. Katz – casado e pai de um
filho – já prestou consultoria à Organização Mundial de Saúde e ao Exército
americano.” (In: Veja, Rio de Janeiro: Abril, ano 49, n.2, p. 13, jan. 2016.)

No texto acima, o sinal indicativo de crase foi empregado corretamente, em todas as


situações. Poderia ter ocorrido também diante dos verbos combater e promover, uma
vez que o emprego desse acento é facultativo antes de verbos.
( ) CERTO
( ) ERRADO

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

A crase obviamente não ocorre diante de palavras que não podem ser precedidas de
artigo feminino. É o caso dos verbos:

a) Não tenho nada a declarar.


b) Começamos a sofrer.
c) Chegou a titubear.

03/04/2020

DIREITO ADMINISTRATIVO

29. (2017 – CESPE – TJ-PR – Juiz Substituto) De acordo com o art. 54 da Lei n.º
9.784/1999, o direito da administração de anular os atos administrativos de que
decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da
35
data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. Trata-se de hipótese em que
o legislador, em detrimento da legalidade, prestigiou outros valores. Tais valores têm
por fundamento o princípio administrativo da:

(A) Presunção de legitimidade.


(B) Autotutela.
(C) Segurança jurídica.
(D) Continuidade do serviço público.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

Autotutela é o poder conferido à Administração Pública para rever os atos


administrativos por ela praticados, seja para anulá-los, quando ilegais, ou revogá-los,
por motivo de conveniência ou oportunidade, nos termos da Súmula nº 473 do STF. A
questão pede, no entanto, o princípio que fundamenta a limitação desse poder, que é
o princípio da segurança jurídica, por meio do qual se busca privilegiar a estabilidade
das relações jurídicas e a boa-fé de seus participantes. Com vistas à proteção da
segurança jurídica, a Lei Federal nº 9.784/99 estabelece prazo de 05 anos para a
Administração anular os atos que sejam favoráveis a particulares, salvo má-fé do
beneficiado, sob pena de se tornar legítima a situação jurídica.

30. (2017 – CESPE – TJ-PR – Juiz Substituto) Com base na Lei Federal nº 9.784/1999,
assinale a opção correta acerca da revogação e dos elementos dos atos administrativos.

(A) A revogação de um ato administrativo deve apresentar os seus motivos


devidamente externados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos.
(B) O ato de delegação pode ser revogado a qualquer tempo pela autoridade
delegante ou pela autoridade delegada.
(C) O ato de delegação deve ser publicado no meio oficial, mas não o de sua revogação.
(D) Caso um ato administrativo esteja eivado de vício de legalidade, o Poder Judiciário
terá de revogá-lo.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. Todas as alternativas trazem conceitos e requisitos dispostos na Lei


Federal nº 9.784/1999. Esta alternativa expressa o entendimento contido no art. 50 da
36
referida lei, que dispõe que “os atos administrativos deverão ser motivados, com
indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: VIII - importem anulação,
revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo”.

(B) Incorreta. O ato de delegação pode ser revogado a qualquer tempo pela autoridade
delegante, no entanto, tal competência não cabe ao delegatário, conforme afirma a
alternativa, nos termos do art. 14, § 2º da Lei Federal nº 9.784/1999 (“o ato de
delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante”).

(C) Incorreta. Tanto o ato de delegação quanto o de revogação deverão ser publicados
no meio oficial, nos termos do art. 14 da citada lei.

(D) Incorreta. O Poder Judiciário não é competente para revogar ato administrativo
editado por outro Poder, apenas para anular atos ilegais, quando provocado. A
Administração, por outro lado, deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício
de legalidade, e pode revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos (art. 53 da Lei Federal nº 9.784/1999).

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


31. (Prova: FCC - 2019 - MPE-MT - Promotor de Justiça Substituto) O Estatuto da
Criança e do Adolescente assegura o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade,

(A) inclusive o da preservação da imagem.


(B) inclusive o de trabalhar em qualquer idade.
(C) exceto o de participar da vida política, na forma da lei.
(D) exceto o de brincar, praticar esportes e divertir-se.
(E) exceto o de buscar refúgio, auxílio e orientação.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
ECA
Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:
I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as
restrições legais;
II - opinião e expressão;
III - crença e culto religioso;
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;
V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
VI - participar da vida política, na forma da lei;
37
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica
e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da
identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos
pessoais.

32. (Prova: FCC - 2018 - DPE-AM - Defensor Público) A comunidade formada pelos pais
ou qualquer deles e seus descendentes corresponde, no Estatuto da Criança e do
Adolescente, ao conceito de família

(A) biológica.
(B) consanguínea.
(C) natural.
(D) vertical.
(E) parental.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS
ECA
Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer
deles e seus descendentes.

04/04/2020

PROCESSO PENAL

33. (2016 – VUNESP – TJM-SP – JUIZ) A respeito dos princípios processuais penais, é
correto afirmar:
(A) a ausência de previsão de atividade instrutória do juiz em nosso ordenamento
processual penal brasileiro decorre do princípio da imparcialidade do julgador.
(B) o direito ao silêncio, que está previsto na Constituição da República, em
conformidade com a interpretação sedimentada, só se aplica ao acusado preso.
(C) o princípio da motivação das decisões e das sentenças penais se aplica a todas as
decisões proferidas em sede de direito processual penal, inclusive no procedimento do
Tribunal de Júri.
(D) o princípio do contraditório restará violado se entre a acusação e a sentença 38
inexistir correlação.
(E) o princípio da verdade real constitui princípio supremo no processo penal, tendo
valor absoluto, inclusive para conhecimento e para valoração das provas ilícitas.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Há hipóteses de atividade instrutória do juiz no atual ordenamento. Por exemplo, o art.
156 do CPP prevê que é facultado ao juiz de ofício ordenar, mesmo antes de iniciada a
ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes,
observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida.

(B) Incorreta.
O investigado ou acusado tem direito ao silêncio em todas as fases da persecução
penal, independentemente de estar preso ou solto.

(C) Incorreta.
No procedimento do Tribunal do Júri se aplica o sistema da convicção íntima.
(D) Correta.
Gustavo Henrique Righi Ivahy Badaró afirma que “toda violação da regra de correlação
entre acusação e sentença implica em um desrespeito ao princípio do contraditório. O
desrespeito ao contraditório poderá trazer a violação do direito de defesa, quando
prejudique as posições processuais do acusado, ou estará ferindo a inércia da
jurisdição, com a correlativa exclusividade da ação penal conferida ao Ministério
Público, quando o juiz age de ofício. Em suma, sempre haverá violação do
contraditório, sejam suas implicações com a defesa ou com a acusação”.

(E) Incorreta.
O princípio da verdade real não é supremo e absoluto, inclusive porque, em regra, não
se admite a valoração das provas ilícitas.

34. (2018 – VUNESP - TJ/SP - JUIZ) São princípios constitucionais processuais penais
explícitos e implícitos, respectivamente:

(A) dignidade da pessoa humana e juiz natural; e insignificância e identidade física do


juiz.
(B) intranscendência das penas e motivação das decisões; e intervenção mínima (ou
ultima ratio) e duplo grau de jurisdição.
39
(C) contraditório e impulso oficial; e adequação social e favor rei (ou in dubio pro reo).
(D) não culpabilidade (ou presunção de inocência) e duração razoável do processo; e
não autoacusação (ou nemo tenetur se detegere) e paridade de armas.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
O princípio da identidade física do juiz está expresso no CPP:
Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência,
ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o
caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
§ 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008).

(B) Incorreta.
O princípio da intervenção mínima (ou ultima ratio) é de Direito Penal, e não de Direito
Processual Penal.
(C) Incorreta.
O princípio do impulso oficial não está expresso no CPP, mas sim no CPC (art. 2º). Em
que pese possa haver discussão se esta previsão supre o enunciado, se entende que o
princípio do in dubio pro reo está expresso no seguinte dispositivo:
Art. 5º, LVII, da CF - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória;

(D) Correta.
Os princípios da presunção de inocência e duração razoável do processo têm expresso
assento constitucional, conforme se confere a seguir:
Art. 5 º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)

LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
Segundo a doutrina, o princípio da não autoacusação é implícito na CF quando esta
afirma que é direito do preso permanecer calado. É o mesmo caso do princípio da
paridade de armas, que também é implícito na CF e decorre do contraditório e da
40
ampla defesa. Confira:
Art. 5º. LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
Art. 5º. LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;

DIRIETO CONSTITUCIONAL

35. (Prova: VUNESP - 2012 - DPE-MS - Defensor Público) Tendo em vista o disposto na
Carta Magna brasileira, assinale a alternativa que contempla corretamente os direitos
sociais garantidos aos trabalhadores.

(A) Participação nos lucros, ou resultados, vinculada à remuneração, e,


excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a
indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa.
(B) Duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; proteção em face da automação,
na forma da lei.
(C) Jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de
revezamento, salvo negociação coletiva; remuneração do serviço extraordinário
superior, no mínimo, em sessenta por cento à do normal.
(D) Proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
salário-família pago em razão do dependente de todo trabalhador, nos termos da lei.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
[...]
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e,
excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos
termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
41
semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho; (Vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de
revezamento, salvo negociação coletiva;
[...]
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por
cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º)
[...]
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a
indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;

36. (Prova: FUNIVERSA - 2015 - PC-DF - Delegado de Polícia) No que diz respeito aos
direitos e às garantias fundamentais, assinale a alternativa correta à luz da
interpretação dada pelo STF.
(A) O advogado tem direito, no interesse de seu cliente, a ter acesso aos elementos de
prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado pela polícia,
digam respeito ao exercício do direito de defesa.
(B) Não é inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento de bens para
admissibilidade de recurso administrativo.
(C) As associações podem ser dissolvidas, por meio de ato administrativo, quando se
verificar a prática de atos ilegais.
(D) Os sindicatos e as associações representam os seus filiados como substituto
processual na defesa de interesses e direitos coletivos ou individuais homogêneos,
desde que haja prévia autorização dos sindicalizados e associados.
(E) As propriedades rurais não serão objeto de penhora para pagamento de débitos
decorrentes de sua atividade produtiva.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

(A) Correta.
Súmula Vinculante 14
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos
de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
42
(B) Incorreta.
Súmula Vinculante 21
É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens
para admissibilidade de recurso administrativo.

(C) Incorreta.
Constituição Federal
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas
atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
julgado;

(D) Incorreta.

Constituição Federal
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
[...]
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

(E) Incorreta.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua
atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;

05/04/2020

DIREITO PENAL

37. (Prova: VUNESP - 2019 - TJ-RJ - Juiz Substituto) João invade um museu público
disposto a furtar um quadro. Durante a ação, quando já estava tirando o quadro da
parede, depara-se com um vigilante. Diante da ordem imperativa para largar o quadro,
e temendo ser alvejado, vulnera o vigilante com um projétil de arma de fogo. O
43
vigilante vem a óbito; e João, impressionado pelos acontecimentos, deixa a cena do
crime sem carregar o quadro. De acordo com o entendimento sumulado pelo Supremo
Tribunal Federal, praticou-se

(A) furto qualificado tentado em concurso com homicídio qualificado consumado.


(B) roubo próprio tentado em concurso com homicídio consumado.
(C) roubo impróprio tentado em concurso com homicídio consumado.
(D) latrocínio tentado.
(E) latrocínio consumado.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

Súmula 610-STF: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que


não se realize o agente a subtração de bens da vítima.
38. (Prova: FUMARC - 2018 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto) NÃO é um
elemento do tipo culposo de crime:

(A) Conduta involuntária.


(B) Inobservância de dever objetivo de cuidado.
(C) Previsibilidade objetiva.
(D) Tipicidade.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

Elementos do crime culposo


1º) Conduta humana voluntária;
2º) Infração ao dever objetivo de cuidado;
Calcado no princípio da confiança, espera-se que todos atuem com cuidado, para não
prejudicar terceiros. Ex.: espera-se que os motoristas parem no sinal vermelho.
3º) Resultado naturalístico involuntário;
Via de regra, os crimes culposos são materiais, portanto, para que estejam
consumados, exige-se modificação física no mundo exterior.
4º) Nexo causal entre conduta e resultado;
44
5º) Previsibilidade objetiva do resultado;
Possibilidade de se antever o perigo advindo da conduta. A Previsibilidade objetiva
deve ser analisada de acordo com aquilo que se espera do homem médio.
6º) Tipicidade.
A culpa é sempre expressa. Art. 18, parágrafo único – “Salvo os casos expressos em lei,
ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente”.

SÚMULAS DO STJ

39. Não caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.


( ) CERTO
( ) ERRADO

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS
Assertiva que se contrapõe ao que dispõe a Súmula 370 do STJ, que assevera que
"caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado".

40. Julgada procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a


partir da data da propositura da ação.
( ) CERTO
( ) ERRADO

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

Os alimentos são devidos a partir da data da citação e não da propositura da ação,


como bem assevera o texto da Súmula 277 do STJ, senão vejamos: "julgada
procedente a investigação de paternidade, os alimentos são devidos a partir da data
da citação".

41. É inválida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação.


45
( ) CERTO
( ) ERRADO

RESPOSTA: ERRADA
COMENTÁRIOS

De acordo com a Súmula 549 do STJ, "é válida a penhora de bem de família
pertencente a fiador de contrato de locação".

06/04/2020

SÚMULAS DO STJ

42. No seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação


pelo terceiro prejudicado direta e exclusivamente em face da seguradora do apontado
causador do dano.

( ) CERTO
( ) ERRADO
RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Enunciado em consonância com o que dispõe o texto da Súmula 529 do STJ.

43. Nos casos de empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica, é


competente a Justiça estadual para o julgamento de demanda proposta
exclusivamente contra a Eletrobrás. Requerida a intervenção da União no feito após a
prolação de sentença pelo juízo estadual, os autos devem ser remetidos ao Tribunal
Regional Federal competente para o julgamento da apelação se deferida a intervenção.

( ) CERTO
( ) ERRADO

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Enunciado idêntico ao texto da Súmula 553 do STJ.


46

DIREITO CONSTITUCIONAL

44. (Prova: UEG - 2018 - PC-GO - Delegado de Polícia) O racismo e os crimes hediondos
constituem, segundo a Constituição (CRFB),

(A) ambos crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia.


(B crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia, o primeiro, e crimes
inafiançáveis e imprescritíveis, os segundos.
(C) ambos crimes inafiançáveis e imprescritíveis.
(D) crime inafiançável e imprescritível, o primeiro, e crimes inafiançáveis e
insuscetíveis de graça ou anistia, os segundos.
(E) ambos crimes inafiançáveis, mas prescritíveis, pois o ordenamento constitucional
não admite a ideia de imprescritibilidade.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

Art. 5º, CRFB/88 [...]


XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena
de reclusão, nos termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou
militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

07/04/2020

DIREITO ADMINISTRATIVO

45. (Prova: FCC - 2019 - MPE-MT - Promotor de Justiça Substituto) “Atividade estatal
47
consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse
público”, conceitua-se

(A) coercibilidade.
(B) discricionariedade.
(C) autoexecutoriedade.
(D) poder de polícia.
(E) probidade administrativa.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

CONCEITO DE PODER DE POLÍCIA


Código Tributário Nacional

Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,


limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene,
à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de
atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à
tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966)

DIREITO DO CONSUMIDOR

46. (CEBRASPE – 2019 – TJ-PA – Juiz de Direito Substituto) Acerca de bancos de dados
e cadastros de consumidores, assinale a opção correta, de acordo com a jurisprudência
do STJ.

(A) O registro do nome do consumidor em bancos de dados deve ser precedido de


comunicação escrita, na qual deve ser atestado o recebimento da notificação.
(B) A notificação que antecede a inscrição do nome do consumidor nos bancos de
dados deve ser promovida pelo fornecedor que solicita o registro no órgão
mantenedor do cadastro de proteção ao crédito.
(C) A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao
crédito até o prazo máximo estabelecido em lei, ainda que anteriormente ocorra a
prescrição da execução.
(D) O Banco do Brasil, na condição de gestor do cadastro de emitentes de cheques sem
fundos (CCF), é responsável por notificar previamente o devedor acerca da sua
48
inscrição nesse cadastro.
(E) Efetuado o pagamento do débito pelo devedor, cabe ao órgão mantenedor do
cadastro de proteção ao crédito a exclusão do registro da dívida no cadastro de
inadimplentes.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
A primeira parte da alternativa está correta, pois há necessidade de prévia
comunicação escrita ao consumidor sobre a sua inscrição em bancos de dados.
Responsável pela comunicação da inscrição  órgão mantenedor do cadastro de
proteção ao crédito (Súmula 359 STJ)
A parte final, entretanto, está incorreta, pois já ficou assentado que é dispensável o
atestado de recebimento da comunicação pelo consumidor.
A existência de Aviso de Recebimento na notificação ao devedor sobre sua inscrição
negativa é dispensável, na esteira da Súmula 404 do STJ.

(B) Incorreta.
Responsável pela comunicação prévia da inscrição  órgão mantenedor do cadastro
de proteção ao crédito (Súmula 359 STJ)
Responsável pela retirada do nome após quitação  credor/fornecedor (Súmula 548
STJ) – prazo de 05 dias úteis, a partir do integral e efetivo pagamento.

(C) Correta.
Súmula 323 do STJ.
Súmula 323 do STJ. A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de
proteção ao crédito até o prazo máximo de cinco (5) anos, independentemente da
prescrição da execução.

(D) Incorreta.
Para o STJ, o CCF é um cadastro de consulta restrita (ou seja, em princípio, seus dados
não são exteriorizados) e, portanto, não haveria necessidade de notificação prévia do
emitente de cheque sem fundos (mas apenas se e quando fosse dada publicidade aos
dados do referido cadastro).
Desse modo, o Banco do Brasil – na qualidade de executor do sistema CCF – e o Banco
Central – BACEN não têm obrigação de notificação prévia e não são partes legítimas
para figurar no polo passivo de ações de reparação de danos fundadas na ausência de
prévia notificação. Foi editado, recentemente, enunciado nesse teor:
Súmula 572 do STJ. O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes
49
de Cheques sem Fundos (CCF), não tem a responsabilidade de notificar previamente o
devedor acerca da sua inscrição no aludido cadastro, tampouco legitimidade passiva
para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação.

(E) Incorreta.
Responsável pela comunicação da inscrição  órgão mantenedor do cadastro de
proteção ao crédito (Súmula 359 STJ)
Responsável pela retirada do nome após quitação  credor/fornecedor (Súmula 548
STJ) – prazo de 05 dias úteis, a partir do integral e efetivo pagamento.

47. (VUNESP – 2019 – TJ-RO – Juiz de Direito Substituto) Os legitimados meta-


individuais constantes do Código de Defesa do Consumidor poderão propor, em nome
próprio e no interesse das vítimas ou seus sucessores, ação civil coletiva de
responsabilidade pelos danos individualmente sofridos em decorrência da colocação,
comercialização e circulação de produtos ou serviços no varejo, observando-se que
(A) decorrido o prazo de 06 (seis) meses sem habilitação de interessados em número
compatível com a gravidade do dano, poderão os legitimados coletivos promover a
liquidação e execução da indenização devida.
(B) em caso de concurso de créditos decorrentes de condenação em direitos difusos e
de indenizações pelos prejuízos individuais resultantes do mesmo evento danoso,
estas terão preferência no pagamento.
(C) em caso de procedência do pedido, a condenação será certa, líquida e exigível,
fixando a responsabilidade do réu pelos danos causados.
(D) proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que os
interessados possam intervir no processo como assistentes, sem prejuízo de ampla
divulgação pelos meios de comunicação social por parte dos órgãos de defesa do
consumidor.
(E) o Ministério Público, se não ajuizar a ação, atuará como litisconsorte.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 100 do CDC.


Art. 100. Decorrido o prazo de um ano sem habilitação de interessados em número
compatível com a gravidade do dano, poderão os legitimados do art. 82 promover a
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liquidação e execução da indenização devida.

(B) Correta. Art. 99 do CDC.


Art. 99. Em caso de concurso de créditos decorrentes de condenação prevista na Lei
n.° 7.347, de 24 de julho de 1985 e de indenizações pelos prejuízos individuais
resultantes do mesmo evento danoso, estas terão preferência no pagamento.

(C) Incorreta. Art. 95 do CDC.


No caso da sentença de procedência de ação coletiva para a tutela de direitos
individuais homogêneos, será condenatória genérica, vez que não há individualização
do montante devido nem das vítimas a serem ressarcidas. Tais fatores serão apurados
em liquidação de sentença.
Art. 95. Em caso de procedência do pedido, a condenação será genérica, fixando a
responsabilidade do réu pelos danos causados.

(D) Incorreta. Arts. 94 do CDC.


A intervenção propiciada com a publicação do edital é na qualidade de litisconsorte, e
não de assistente.
Art. 94. Proposta a ação, será publicado edital no órgão oficial, a fim de que os
interessados possam intervir no processo como litisconsortes, sem prejuízo de ampla
divulgação pelos meios de comunicação social por parte dos órgãos de defesa do
consumidor.

(E) Incorreta. Art. 92 do CDC.


Art. 92. O Ministério Público, se não ajuizar a ação, atuará sempre como fiscal da lei.

08/04/2020

DIREITO CIVIL

48. (VUNESP – 2018 – TJ-RO – Juiz de Direito Substituto) Maria, grávida de 9 meses,
juntamente com seu esposo José, estavam caminhando na rua, quando foram
atropelados por Carlos. José faleceu imediatamente em razão do atropelamento.
Verificou-se que o atropelamento se deu em razão de Carlos não ter realizado as
devidas manutenções em seu veículo que estava com defeitos no sistema de frenagem.
O atropelamento ocorreu no dia 01.03.2003. Carlos foi condenado por homicídio
culposo e cumpriu pena. Em 02.03.2019, Joaquim, filho de Maria e José, na época do
acidente, nascituro, nascido um dia após a morte do pai, assistido por aquela, ajuizou
ação de indenização por danos morais contra Carlos. Acerca do caso hipotético, é
51
possível afirmar corretamente que

(A) por não ter conhecido o pai, não pode Joaquim postular danos morais, podendo
requerer, apenas, o pagamento de eventuais danos materiais por não ter sido
sustentado financeiramente pelo pai.
(B) a pretensão está prescrita, tendo em vista o decurso de prazo superior a três anos
da data do falecimento de José.
(C) Carlos não pode ser demandado, tendo em vista que já foi condenado
criminalmente pelo fato, em razão da vedação do bis in idem.
(D) Joaquim não pode demandar alguém por um fato ocorrido antes de seu
nascimento, tendo em vista que a personalidade se inicia após o nascimento com vida.
(E) é possível a postulação de danos morais em razão da morte do pai ocorrida antes
do nascimento do autor, independentemente de prova de dor e sofrimento.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. O fato de Joaquim não ter conhecido o pai, não retira o direito de
pleitear danos morais. A propósito, no que atine a situação jurídica do nascituro, a
corrente concepcionista é aquela que prevalece entre os doutrinadores
contemporâneos do Direito Civil Brasileiro. Para essa corrente, o nascituro tem direitos
reconhecidos desde a concepção. Tem também prevalecido na recente jurisprudência
do STJ, que reconhece dano moral ao nascituro, pela morte de seu pai ocorrida antes
do seu nascimento (ex: STJ, REsp 1.487.089/SP).

(B) Incorreta. Não há que se falar em prescrição, uma vez que nos termos do art. 198, I,
do CC/02, a prescrição só começa a correr para menores na data em que deixam de ser
absolutamente incapazes, ou seja, quando completam seus 16 anos de idade.

(C) Incorreta. Carlos pode ser demandado, tendo em vista a independência das
instâncias, não existindo bis in idem. Nesse sentido, dispõe o CC/02:
“Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo
questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando
estas questões se acharem decididas no juízo criminal.”;
Sublinhe-se ser esse o entendimento da jurisprudência do STJ (REsp 1798127 / PR).

(D) Incorreta. Conforme comentado no item inaugural, no que atine a situação jurídica
do nascituro, a corrente concepcionista é aquela que prevalece entre os doutrinadores
contemporâneos do Direito Civil Brasileiro. Para essa corrente, o nascituro tem direitos
reconhecidos desde a concepção. Tem também prevalecido na recente jurisprudência
52
do STJ, que reconhece dano moral ao nascituro, pela morte de seu pai ocorrida antes
do seu nascimento (ex: STJ, REsp 1.487.089/SP).

(E) Correta. Com esteio nos fundamentos exarados nos itens antecedentes, forçoso
concluir que é possível a postulação de danos morais em razão da morte do pai
ocorrida antes do nascimento do autor, independentemente de prova de dor e
sofrimento.

Aliás, a jurisprudência do STJ possibilita ao nascituro a indenização por danos


morais, os quais devem ser decorrentes da violação da dignidade da pessoa humana
(em potencial), desde que, de alguma forma, comprometam o seu desenvolvimento
digno e saudável no meio intrauterino e o consequente nascimento com vida, ou
repercutam na vida após o nascimento, como no caso em apreço.

Sob tal aspecto, no REsp 931.556, o STJ afiançou que “(...) é da essência do
dano moral ser este compensado financeiramente a partir de uma estimativa que
guarde alguma relação necessariamente imprecisa com o sofrimento causado,
justamente por inexistir fórmula matemática que seja capaz de traduzir as
repercussões íntimas do evento em um equivalente financeiro (...)”. “(...) O dano moral
não é a dor; esta é a conseqüência irrecusável do dano naquele que o suporta – e
como tal, é variável, imprecisa e inexpugnável aos olhares de terceiros. (...)”.

“(…) No mais, se fosse possível alguma mensuração do sofrimento decorrente da


ausência de um pai, arriscaria dizer que a dor do nascituro poderia ser considerada
ainda maior do que aquela suportada por seus irmãos, já vivos quando do falecimento
do genitor. Afinal, maior do que a agonia de perder um pai, é a angústia de jamais ter
podido conhece-lo, de nunca ter recebido dele um gesto de carinho, enfim, de ser
privado de qualquer lembrança ou contato, por mais remoto que seja, com aquele que
lhe proporcionou a vida (…)”.

DIREITO PENAL

49. (INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES - Escrivão de Polícia) O sujeito que obtém para si
ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém
53
em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, incorre no
delito de
(A) furto qualificado.
(B) furto de coisa comum.
(C) extorsão.
(D) dano.
(E) estelionato.

RESPOSTA: E
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Código Penal
Estelionato
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio,
induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro
meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de
réis. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)
50. (VUNESP – 2018 – TJ-SP – Juiz de Direito Substituto) Quanto ao crime de
estelionato, assinale a alternativa correta.

(A) O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, antes do recebimento da


denúncia, não obsta a propositura da ação penal.
(B) Configura crime de estelionato na modalidade fraude no pagamento por meio de
cheque sem previsão de fundos a cártula emitida para pagamento de dívida
preexistente.
(C) O estelionato na modalidade fraude para recebimento de indenização do seguro,
crime de atividade formal, prescinde, para a consumação, da obtenção da vantagem
ilícita em prejuízo alheio.
(D) A pena aumenta-se de 1/3 (um terço), se o crime é cometido em detrimento de
entidade de direito público ou instituto de economia popular, assistência social ou
beneficência, excluindo-se entidades autárquicas da Previdência Social que são regidas
por lei própria.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS
54
(A) Incorreta. Súmula 554 do STF, interpretada ao inverso, indica que o pagamento até
o recebimento da denúncia obsta ao prosseguimento da ação penal.
(B) Correta. Não configura crime de estelionato a emissão de cheque sem suficiente
provisão de fundos, ou a frustração do respectivo pagamento, se a cártula
consubstancia pagamento de dívida preexistente (STJ RHC 19314 / CE).
(C) Incorreta. A doutrina é unânime ao afirmar que o delito é formal, em razão do
descrito no art. 171, 2º, V do Código Penal.
(D) Incorreta. As entidades autárquicas da Previdência Social, como o INSS, estão
abrangidas pela qualificadora.

09/04/2020

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

51. (CEBRASPE – 2019 – TJ-PR – Juiz de Direito Substituto) À luz do entendimento


jurisprudencial do STJ a respeito de aplicação da lei processual, de atos processuais e
de execução fiscal, julgue os itens a seguir.
I - Nos processos judiciais, a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais é regida
pela lei vigente na data de prolação da sentença.
II - O prazo recursal da parte que for intimada, por oficial de justiça, a respeito de
decisão judicial se inicia na data de cumprimento do mandado, e não com a juntada do
mandado ao processo.
III - Na execução fiscal, o prazo de um ano de suspensão do processo, previsto na Lei
de Execução Fiscal, e da respectiva prescrição intercorrente se inicia automaticamente
na data de ciência da fazenda pública a respeito da não localização do devedor ou da
inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido.

Assinale a opção correta.


(A) Apenas os itens I e II estão certos.
(B) Apenas os itens I e III estão certos.
(C) Apenas os itens II e III estão certos.
(D) Todos os itens estão certos.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(I) Correta. “O marco temporal para a aplicação das normas do CPC/2015 a respeito da
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fixação e distribuição dos ônus sucumbenciais é a data da prolação da sentença ou, no
caso dos feitos de competência originária dos tribunais, do ato jurisdicional
equivalente à sentença (AgInt no REsp 1509088 / RJ; Relator(a) Ministro BENEDITO
GONÇALVES (1142); PRIMEIRA TURMA; DJe 28/02/2019)”.

(II) Incorreta. “Nos casos de intimação/citação realizadas por Correio, Oficial de Justiça,
ou por Carta de Ordem, Precatória ou Rogatória, o prazo recursal inicia-se com a
juntada aos autos do aviso de recebimento, do mandado cumprido, ou da juntada da
carta (REsp 1632777/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, CORTE
ESPECIAL, julgado em 17/05/2017, DJe 26/05/2017 – Informativo 604)”.

(III) Correta. “O prazo de 1 (um) ano de suspensão do processo e do respectivo prazo


prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e 2º da Lei n. 6.830/1980 - LEF tem início
automaticamente na data da ciência da Fazenda Pública a respeito da não localização
do devedor ou da inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido, havendo,
sem prejuízo dessa contagem automática, o dever de o magistrado declarar ter
ocorrido a suspensão da execução (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. REsp 1340553/RS,
Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/09/2018,
DJe 16/10/2018 – Informativo 635)”.
SÚMULAS DO STJ

52. Para a incidência da majorante prevista no art. 40, V, da Lei n. 11.343/2006, é


necessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da Federação, não sendo
suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual.
( ) CERTA
( ) ERRADA

RESPOSTA: ERRADA
COMENTÁRIOS

Assertiva que se contrapõe ao texto da Súmula 587 do STJ:

“Para a incidência da majorante prevista no art. 40, V, da Lei n.11.343/2006, é


desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da Federação, sendo
suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual.”

56
53. É inaplicável o princípio da insignificância tanto nos crimes, como nas
contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.

( ) CERTA
( ) ERRADA

RESPOSTA: CERTA
COMENTÁRIOS

Enunciado de acordo com a Súmula 589 do STJ.

10/04/2020

DIREITO ADMINISTRATIVO

54. (Prova: CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia) Acerca do poder de polícia —
poder conferido à administração pública para impor limites ao exercício de direitos e
de atividades individuais em função do interesse público —, julgue o próximo item.
São características do poder de polícia a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a
coercibilidade.

(A) Certo
(B) Errado

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Os atributos do poder de polícia comumente elencados pela doutrina e


jurisprudência são a (i) discricionariedade, a (ii) autoexecutoriedade e a (iii)
coercibilidade.

a) Discricionariedade

De acordo com a doutrina tradicional, capitaneada por Hely Lopes MEIRELLES,


o poder de polícia é atividade discricionária, pois a Administração disporia de um
espaço de liberdade para decidir, num juízo de conveniência e oportunidade, sobre os
atos de polícia.
Entretanto, como visto, há atividades de polícia vinculadas, a exemplo do
57
consentimento de polícia de licença, que confere ao administrado, diante do
atendimento de requisitos previstos em lei e atos regulamentares, direito subjetivo ao
exercício de determinada atividade ou uso de bem.
Assim sendo, a doutrina mais moderna rejeita o presente atributo, embora
ainda mereça menção por sua importância histórica e por corresponder à maioria dos
atos de polícia.

b) Autoexecutoriedade

A autoexecutoriedade corresponde à possibilidade de a Administração


executar/implementar suas medidas de polícia independentemente da interferência
do Poder Judiciário.
Por se tratar de uma intrusão na esfera de liberdade dos particulares, somente
existe mediante previsão legal ou em caso de urgência de interesse público, a exemplo
da retirada de pessoas e demolição de imóvel que ameace ruína.

c) Coercibilidade

Cuida-se da possibilidade de a Administração impor, unilateralmente, medidas


de polícia aos administrados, que devem cumpri-las independentemente de sua
vontade e sem a intervenção do Judiciário, inclusive mediante o emprego de força e
sob pena de aplicação de meios indiretos de coerção.

DIREITO ELEITORAL

55. (FCC - 2020 - TJ-MS - Juiz Substituto) O artigo 1o, inciso I, alínea “e”, da Lei
Complementar federal no 64, de 18 de maio de 1990, estabelece, como causa de
inelegibilidade para qualquer cargo, a condenação, pelos crimes que especifica, em
decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a
condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena. A
esse respeito, o Tribunal Superior Eleitoral tem decidido que

(A) o prazo concernente à hipótese de inelegibilidade em questão projeta-se por 8


(oito) anos após o cumprimento da pena, seja ela privativa de liberdade, restritiva de
direito ou multa.
(B) o reconhecimento da prescrição da pretensão executória pela Justiça Comum
afasta a inelegibilidade em questão.
(C) os crimes contra a ordem tributária não estão abrangidos pela citada hipótese de 58
inelegibilidade.
(D) o Tribunal do Júri não pode ser considerado órgão judicial colegiado para os fins da
aplicação dessa hipótese de inelegibilidade.
(E) os crimes previstos na Lei de Licitações (Lei federal no 8.666, de 21 de junho de
1993) não estão abrangidos pela citada hipótese de inelegibilidade.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta.
Súmula 61/TSE. “O prazo concernente à hipótese de inelegibilidade prevista no art. 1º,
I, e, da LC nº 64/1990 projeta-se por oito anos após o cumprimento da pena, seja ela
privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa”.

(B) Incorreta.
Súmula 59/TSE. O reconhecimento da prescrição da pretensão executória pela Justiça
Comum não afasta a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/1990,
porquanto não extingue os efeitos secundários da condenação.

(C) Incorreta.
Segundo decisão proferida na Ac.-TSE, de 19.12.2016, no AgR-REspe nº 40650, os
crimes contra a ordem tributária enquadram-se nos crimes contra a administração
pública, previstos no item “1”, da alínea “e”, inciso I, do art. 1, da LC 64/90, de modo
são abrangidos pela hipótese de inelegibilidade tratada na questão.

(D) Incorreta.
Segundo decisão proferida na Ac.-TSE, de 11.11.2014, no RO nº 263449 e, de
21.5.2013, no REspe nº 61103: a inelegibilidade prevista no item 9, da alínea “e”, inciso
I, do art. 1, da LC 64/90, incide nas hipóteses de condenação criminal emanada do
Tribunal do Júri, órgão colegiado soberano, integrante do Poder Judiciário.

(E) Incorreta.
Segundo decisão proferida na Ac.-TSE, de 4.10.2012, no REspe nº 12922, os crimes
contra a administração e o patrimônio públicos, previstos no item “1”, da alínea “e”,
inciso I, do art. 1, da LC 64/90, abrangem os previstos na Lei de Licitações.

56. (FCC - 2020 - TJ-MS - Juiz Substituto) À luz da jurisprudência do Tribunal Superior
Eleitoral, no âmbito do processo de registro de candidatos para disputa de mandato
eletivo,
59
(A) a Carteira Nacional de Habilitação não gera a presunção da escolaridade necessária
ao deferimento do registro de candidatura.
(B) o partido que não impugnou o pedido de registro de candidato não tem
legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se se cuidar de matéria
constitucional.
(C) há formação de litisconsórcio passivo necessário entre o candidato e seu partido ou
coligação, na ação de impugnação de registro de candidatura.
(D) compete à Justiça Eleitoral verificar a prescrição da pretensão punitiva ou
executória do candidato e declarar a extinção da pena imposta pela Justiça Comum.
(E) o juiz eleitoral não pode conhecer de ofício da existência de causas de
inelegibilidade ou da ausência de condição de elegibilidade, mesmo que resguardados
o contraditório e a ampla defesa.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Súmula 55/TSE. A Carteira Nacional de Habilitação gera a presunção da escolaridade
necessária ao deferimento do registro de candidatura.
(B) Correta.
Súmula 11/TSE. No processo de registro de candidatos, o partido que não o impugnou
não tem legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se se cuidar de
matéria constitucional.
(C) Incorreta.
Súmula-TSE nº 39. Não há formação de litisconsórcio necessário em processos de
registro de candidatura.

“[...] Inexiste, em impugnação de registro de candidatura, litisconsórcio passivo


necessário entre o candidato e o partido político ou coligação pela qual se pretende
concorrer às eleições. [...]” (Ac. de 18.9.2008 no AgR-REspe nº 29.627, rel. Min.
Marcelo Ribeiro; no mesmo sentido o Ac. de 12.12.2000 nos EERESPE nº 18.151, rel.
Min. Fernando Neves; e o Ac. de 13.10.2004 nos EARESPE nº 22.908, rel. Min. Gilmar
Mendes.)
(D) Incorreta.
Súmula 58 do TSE: Não compete à Justiça Eleitoral, em processo de registro de
candidatura, verificar a prescrição da pretensão punitiva ou executória do candidato e
declarar a extinção da pena imposta pela Justiça Comum.
(E) Incorreta.
60
Súmula-TSE nº 45: Nos processos de registro de candidatura, o Juiz Eleitoral pode
conhecer de ofício da existência de causas de inelegibilidade ou da ausência de
condição de elegibilidade, desde que resguardados o contraditório e a ampla defesa

11/04/2020

DIREITO PROCESSUAL PENAL

57. (Prova: CESPE - 2020 - TJ-PA - Oficial de Justiça – Avaliador) De acordo com o
entendimento do STF, o uso de algemas

(A) é uma excepcionalidade e deve ser justificado previamente, de forma oral ou por
escrito.
(B) é restrito à prisão penal, sendo inadmissível na prisão cautelar, devido ao princípio
da inocência.
(C) ensejará responsabilidade disciplinar, civil e penal da autoridade que o determinar,
caso seja injustificado.
(D) ensejará a anulabilidade da prisão e dos atos subsequentes, caso seja injustificado.
(E) é lícito somente nas hipóteses de fundado receio de fuga e de perigo à integridade
física de terceiros.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS
Súmula Vinculante 11
Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar,
civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a
que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

58. (Prova: VUNESP - 2019 - Prefeitura de São José dos Campos - SP – Procurador) Nos
exatos termos do art. 302 do CPP, considera-se em flagrante delito quem
(A) cometeu a infração penal nas últimas 24h.
(B) é imediatamente reconhecido como autor do crime pela vítima.
(C) é avistado em conduta que gera fundada suspeita, logo após o crime.
(D) é encontrado com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser
61
ele autor da infração.
(E) é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa,
em situação que faça presumir ser autor da infração.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS
Código de Processo Penal
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa,
em situação que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração.

59. (Prova: FCC - 2019 - TJ-MA - Oficial de Justiça) São medidas cautelares diversas da
prisão,
(A) o reconhecimento de pessoas e a monitoração eletrônica.
(B) o comparecimento periódico em juízo e o recurso em sentido estrito.
(C) a proibição de ausentar-se da comarca e o regime aberto.
(D) a proibição de manter contato com pessoa determinada e o interrogatório.
(E) a fiança e a proibição de acesso ou frequência a determinados lugares.

RESPOSTA: E
COMENTÁRIOS
Código de Processo Penal

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (Redação dada pela Lei nº 12.403,
de 2011).
I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para
informar e justificar atividades; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por
circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante
desses locais para evitar o risco de novas infrações; (Redação dada pela Lei nº 12.403,
de 2011).
III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias
62
relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; (Redação
dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou
necessária para a investigação ou instrução; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o
investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos; (Incluído pela Lei nº 12.403,
de 2011).
VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica
ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações
penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com
violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-
imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração; (Incluído pela Lei nº
12.403, de 2011).
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do
processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada
à ordem judicial; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
IX - monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
DIA 12/04/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

60. À luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em matéria de direitos e


garantias fundamentais e aspectos correlatos,

(A) admitem-se limitações por lei ao livre exercício das profissões, sendo consideradas
legítimas quando o inadequado exercício de determinada atividade possa vir a causar
danos a terceiros e desde que obedeçam a critérios de adequação e razoabilidade.
(B) o uso de células-tronco embrionárias, ainda que em pesquisas científicas para fins
terapêuticos, autorizadas em lei federal, viola o direito à vida, pela potencialidade de
formação de pessoa humana, cuja dignidade recebe proteção máxima constitucional.
(C) é compatível com a Constituição Federal a interpretação segundo a qual a
interrupção da gravidez de feto anencéfalo viola o direito à vida, recaindo na esfera de
proteção que a legislação penal outorga a esse bem jurídico, vedando sua prática.
(D) a obrigatoriedade de aceitação de transferência de alunos entre universidades,
ainda que instituída por lei e observada a identidade de natureza jurídica das
instituições de ensino superior envolvidas, é incompatível com a Constituição, segundo
a qual o acesso aos níveis mais elevados do ensino é assegurado segundo a capacidade
63
de cada um.
(E) admitem-se limitações ao livre exercício de atividade econômica, ainda que sob a
forma de cobrança indireta de tributos, desde que estabelecidas por lei e com vistas à
tutela de outros princípios constitucionais da ordem econômica, como a livre
concorrência e a redução das desigualdades regionais e sociais.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

De acordo com o artigo 5º XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou


profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Trata-se, pois,
de norma de eficácia contida que deve respeitar a proporcionalidade e razoabilidade).

(B) O uso de células tronco em pesquisas já foi julgado constitucional pelo STF e,
inclusive, é tratado em lei específica (LEI Nº 11.105, DE 24 DE MARÇO DE 2005.)

(C) O STF já julgou constitucional a interrupção de gravidez quando o feto é anencéfalo


(ADPF 54)
(D) A transferência de alunos de universidades é constitucional segundo entendimento
do STF desde que respeitada a identidade da instituição (privada-privada, pública-
pública). Nesse ponto importante destacar também que o STF entende que caso um
servidor público seja transferido de forma compulsória para outra localidade que não
tenha universidade particular em semelhança àquela que ele cursava, terá direito de
se matricular em universidade pública.

(RE) 601580, com repercussão geral)

(E) Incorreta. Nos termos do artigo 170, CF: Art. 170. A ordem econômica, fundada
na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a
todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os
seguintes princípios (...).

Não há qualquer menção na CF sobre a possibilidade de limitação de tal atividade.

61. (Prova: FCC - 2019 - TJ-MA - Oficial de Justiça) À luz do que dispõe a Constituição
Federal sobre os direitos e deveres individuais e coletivos,
64
(A) é a todos assegurada, após o regular pagamento de taxas, a obtenção de certidões
em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de
interesse pessoal.
(B) a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
(C) a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira
em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ainda que lhes seja mais favorável a
lei pessoal do de cujus.
(D) no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização prévia em dinheiro.
(E) a lei não excluirá da apreciação do Poder Legislativo lesão ou ameaça a direito.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Constituição Federal
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;
[...]
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei
brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja
mais favorável a lei pessoal do "de cujus";
[...]
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra
ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
[...]
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
[...]
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
65
julgada;

62. (Prova: MPE-SC - 2019 - MPE-SC - Promotor de Justiça – Matutina) Em


conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, os tratados e
convenções sobre direitos humanos que não foram aprovados na forma do art. 5º, §
3º, da Constituição da República Federativa do Brasil, possuem natureza de normas
supralegais.

(A) Certo
(B) Errado

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

“Os tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil possuem status
normativo supralegal, o que torna INAPLICÁVEL a legislação infraconstitucional com
eles conflitantes, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação e que, desde a
ratificação, pelo Brasil, sem qualquer reserva, do Pacto Internacional dos Direitos Civis
e Políticos (art. 11) e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San
José da Costa Rica (art. 7º, 7), não há mais base legal para a prisão civil do depositário
infiel”. (RE 466343, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em
03/12/2008, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-104 DIVULG 04-06-2009 PUBLIC 05-
06-2009)

13/04/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

63. (CESPE - 2019 - Prefeitura de Boa Vista - RR - Procurador Municipal) João, de


dezoito anos de idade, foi contratado como frentista em um posto de gasolina
localizado em Boa Vista – RR. O contrato de trabalho foi firmado em regime de tempo
parcial para uma jornada de vinte e cinco horas semanais.

Considerando essa situação hipotética, julgue o item seguinte de acordo com a


Constituição Federal de 1988 e a CLT.

A idade de João não constitui óbice ao exercício da atividade de frentista, uma vez que
66
a Constituição Federal de 1988 admite o trabalho em condições de periculosidade aos
maiores de dezoito anos de idade.

(A) Certo
(B) Errado

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Constituição Federal

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:
[...]
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e
de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a
partir de quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
64. (MPE-SC - 2016 - MPE-SC - Promotor de Justiça – Matutina) É livre a associação
profissional ou sindical, sendo permitida a criação de mais de uma organização sindical,
em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma
base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados,
não podendo ser inferior à área de um Município.

(A) Certo
(B) Errado

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

Constituição Federal

Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:


[...]
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau,
representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que
será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser
67
inferior à área de um Município;

65. (VUNESP - TJ-RO – 2019 – Juiz de Direito Substituto) Considere que Joseph,
estrangeiro residente no Brasil há 4 anos, tenha solicitado formalmente perante a
Prefeitura de Rondônia que lhe fosse permitido alterar seus dados pessoais registrados
no referido órgão, pois um de seus sobrenomes estaria incorreto. A Prefeitura de
Rondônia, no entanto, indeferiu o pedido de Joseph, sob o fundamento de que, por
não se tratar de brasileiro, não havia a necessidade de que os seus dados pessoais
estivessem integralmente corretos. Nessa hipótese, caso não concorde com a situação
mencionada, e a partir da disciplina constitucional sobre os remédios constitucionais,
Joseph

(A) poderá impetrar habeas data, remédio constitucional destinado a qualquer


pessoa – física ou jurídica – nacional ou estrangeira, para assegurar a retificação de
seus dados pessoais, vez que se encontram em banco de dados públicos.
(B) não poderá se valer de nenhum dos remédios constitucionais previstos pela
Constituição, pois esses são reservados apenas aos brasileiros, natos ou naturalizados.
(C) poderá impetrar mandado de injunção, mas apenas poderá fazê-lo após interpor
recurso administrativo em face da decisão que indeferiu o seu pedido de retificação de
dados.
(D) poderá ajuizar ação popular, mecanismo constitucional assegurado a qualquer
pessoa quando constado abuso do poder do Estado.
(E) poderá impetrar mandado de segurança, uma vez que teve violado direito líquido e
certo amparado pela Constituição brasileira, ainda que na condição de estrangeiro.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. Segundo a jurisprudência do STF, é ampla a legitimidade para propor


habeas data, sendo este remédio constitucional acessível aos brasileiros e estrangeiros:

‘’Os legitimados ativos para a propositura da ação seriam pessoas físicas e jurídicas,
nacionais e estrangeiras. Em relação aos contribuintes, seria assegurado o direito de
conhecer as informações que lhes dissessem respeito em bancos de dados públicos ou
de caráter público, em razão da necessidade de preservar seu nome, planejamento
empresarial, estratégia de investimento e, em especial, a recuperação de tributos
pagos indevidamente, entre outras.(…) Nesse sentido, dever-se-ia entender como
68
possível a impetração do “habeas data” de forma a esclarecer à pessoa física ou
jurídica os valores por ela pagos a título de tributos ou qualquer outro tipo de
pagamento constante dos registros da Receita Federal ou qualquer outro órgão
fazendário das entidades estatais. RE 673707/MG, rel. Min. Luiz Fux, 17.6.2015. (RE-
673707)

(B) Incorreta. Conforme destacado, os estrangeiros podem se valer do habeas data.


Ademais, diante da característica da universalidade dos direitos fundamentais, é certo
que a grande maioria destes pode ser exercidas por brasileiros e estrangeiros, inclusive
não-residentes.

(C) Incorreta. O mandado de injunção, previsto no artigo 5º, inciso LXXI da


Constituição do Brasil de 1988, é um dos remédios-garantias constitucionais, usada em
um caso concreto, individualmente ou coletivamente, com a finalidade de viabilizar o
exercício dos direitos e garantias constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, soberania e cidadania, cujo exercício esteja inviabilizado em razão da
ausência de uma norma regulamentadora. Não se aplica na espécie.

(D) Incorreta. Não é o caso de ação popular, eis que esta é reservada para os casos em
que há lesão ao patrimônio público.
(E) Incorreta. O mandado de segurança é residual e somente pode ser impetrado
quando o direito não for amparado por habeas corpus e habeas data;

LMS

Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo,


não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com
abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo
receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais
forem as funções que exerça.

14/04/2020

DIREITO CIVIL

66. (CEBRASPE – TJ-PR – 2019 – Juiz de Direito Substituto) Eduardo, na qualidade de


pai registral, ajuizou ação de anulação de registro de nascimento, tendo como
fundamento um exame de DNA comprobatório de ausência de vínculo genético entre 69
ele e o filho registrado. Nessa situação hipotética, à luz do entendimento
jurisprudencial do STJ, o magistrado deverá:

(A) considerar irrelevante o resultado do exame de DNA, uma vez que o registro de
nascimento, após formalizado, não é passível de anulação;
(B) reconhecer como nulo de pleno direito o registro de nascimento;
(C) exigir, além do exame de DNA, prova robusta de que Eduardo fora induzido a erro
ou coagido a registrar o filho de outrem como seu;
(D) considerar suficiente a comprovação da ausência de vinculo genético entre
Eduardo e o filho registrado e declarar a anulação do registro de nascimento.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

Nos termos do Informativo 604 do STJ, não basta a prova da ausência de vínculo
biológico para fins de processamento da ação negatória de paternidade, devendo estar
demonstrada a ocorrência, também, de vício no consentimento do pai registral:

A relativização da coisa julgada estabelecida em ação de investigação de


paternidade – em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo
genético a unir as partes – não se aplica às hipóteses em que o reconhecimento do
vínculo se deu, exclusivamente, pela recusa do investigado ou seus herdeiros em
comparecer ao laboratório para a coleta do material biológico. Na origem, trata-se de
demanda negatória de paternidade por meio da qual as autoras pretendem valer-se da
relativização da coisa julgada material formada em anterior ação investigativa, na qual,
com base em provas testemunhais, reconheceu-se o vínculo familiar entre a recorrida
e o pai das autoras (recorrentes no especial). No que diz respeito à pretensa
relativização da coisa julgada, cabe destacar que esta Corte Superior de Justiça, em
sintonia com a orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE n. 363.889-DF,
Rel. Min. Dias Toffolli, julgado em 2/6/2011, tem admitido a tese nas ações
investigatórias ou contestatórias de paternidade julgadas sem amparo em prova
genética. No entanto, o cabimento dessa excepcional orientação, no sentido da
relativização da coisa julgada estabelecida em ações de investigação de paternidade
em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético a unir as
partes, em decorrência da não realização do exame de DNA, estava inscrito em um
peculiar contexto em que a impossibilidade de realização do exame decorria da
ausência de condições da parte de adimpli-lo e, ainda, da negativa de o Estado fazê-lo,
ou seja, por circunstâncias notadamente alheais à vontade das partes. A orientação,
assim, não pode ter aplicação quando a não realização da prova pericial na demanda
investigatória anterior deveu-se, exclusivamente, à recusa de uma das partes em
comparecer ao laboratório para a coleta de material biológico – no caso, a recusa dos
70
herdeiros, entre eles as recorrentes (herdeiras do de cujus que teve a paternidade
reconhecida). Nesse cenário, não só é viável como é plenamente escorreito o
julgamento da ação investigatória com base nas provas testemunhais colhidas,
aplicada, em conjunto, à presunção juris tantum de paternidade, nos termos do
enunciado da Súmula n. 301/STJ, bem como em observância ao art. 2º-A, parágrafo
único, da Lei n. 8.560/92, não havendo como superar-se ou relativizar-se a coisa
julgada material que qualificara a sentença de procedência da referida demanda de
investigação de paternidade ajuizada pela recorrida contra o pai das recorrentes. Ora,
negando-se, a recorrente, a produzir a prova que traria certeza à controvérsia
estabelecida nos autos da anterior ação de investigação de paternidade, não pode,
agora, utilizar-se, maliciosamente, da ausência da referida prova como fundamento
para a propositura de ação negatória de paternidade e, com isso, buscar ver alterada a
decisão que lhe fora desfavorável, sob pena de incorrer em violação da boa-fé objetiva.
Diante da inaplicabilidade da conclusão a que o STF chegara quando do julgamento,
com repercussão geral reconhecida, do RE 363.889-DF à presente controvérsia, deve-
se manter a extinção da demanda negatória de paternidade com fundamento na coisa
julgada formada na anterior ação investigatória.
REsp 1.562.239-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, por unanimidade, julgado
em 9/5/2017, DJe 16/5/2017.
67. (CEBRASPE – TJ-PR – 2019 – Juiz de Direito Substituto) Júlia e Leandro casaram-se
no regime obrigatório de separação de bens. Enquanto estavam casados, Leandro
recebeu um terreno a título de doação, e, alguns meses depois, ele faleceu.
Considerando-se essa situação hipotética, é correto afirmar que, à luz do
entendimento jurisprudencial, para fins de partilha, os bens adquiridos na constância
do casamento:

(A) comunicam-se entre Júlia e Leandro, desde que comprovado o esforço comum
para a sua aquisição
(B) não se comunicam entre Júlia e Leandro, exceto o terreno doado
(C) não se comunicam entre Júlia e Leandro, ainda que seja comprovado o esforço
comum para sua aquisição
(D) comunicam-se entre Júlia e Leandro, inclusive o terreno doado.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

Trata-se de mudança na posição do STJ, que passou a entender, até mesmo de forma
71
mais esmiuçada à Súmula 377 do STF, que somente os bens onerosamente adquiridos
na constância do casamento por ambas as partes é que se comunicam, quando
casados pelo regime da separação obrigatória ou legal de bens, sob pena de
desvirtuamento deste regime de bens.

No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do


casamento, desde que comprovado o esforço comum para sua aquisição. No entanto,
a adoção da compreensão de que o esforço comum deve ser presumido (por ser a
regra) conduz à ineficácia do regime da separação obrigatória (ou legal) de bens, pois,
para afastar a presunção, deverá o interessado fazer prova negativa, comprovar que o
ex-cônjuge ou ex-companheiro em nada contribuiu para a aquisição onerosa de
determinado bem, conquanto tenha sido a coisa adquirida na constância da união. Por
sua vez, o entendimento de que a comunhão dos bens adquiridos pode ocorrer, desde
que comprovado o esforço comum, parece mais consentânea com o sistema legal de
regime de bens do casamento, recentemente adotado no Código Civil de 2002, pois
prestigia a eficácia do regime de separação legal de bens. Caberá ao interessado
comprovar que teve efetiva e relevante (ainda que não financeira) participação no
esforço para aquisição onerosa de determinado bem a ser partilhado com a dissolução
da união (prova positiva). EREsp 1.623.858-MG, Rel. Min. Lázaro Guimarães
(Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), por unanimidade, julgado em
23/05/2018, DJe 30/05/2018.

DIREITO PENAL

68. (CEBRASPE – MP-CE – 2020 – Promotor de Justiça) Joaquim, com o intuito de


fornecer energia elétrica a seu pequeno ponto comercial situado em via pública,
efetuou uma ligação clandestina no poste de energia elétrica próximo a seu
estabelecimento. Durante dois anos, ele utilizou a energia elétrica dessa fonte, sem
qualquer registro ou pagamento do real consumo. Em fiscalização, foi constatada a
prática de crime, e, antes do recebimento da denúncia, Joaquim quitou o valor da
dívida apurado pela companhia de energia elétrica.

Consoante a jurisprudência do STJ, nessa situação hipotética, Joaquim praticou o crime


de:

(A) furto simples, cuja punibilidade não foi extinta com o pagamento do débito, apesar
de essa circunstância poder caracterizar arrependimento posterior.
(B) estelionato, cuja punibilidade não foi extinta com o pagamento do débito, apesar
72
de essa circunstância poder caracterizar arrependimento posterior.
(C) furto mediante fraude, cuja punibilidade não foi extinta com o pagamento do
débito, apesar de essa circunstância poder caracterizar arrependimento posterior.
(D) furto mediante fraude, cuja punibilidade foi extinta com o pagamento do débito
antes do oferecimento da denúncia.
(E) estelionato, cuja punibilidade foi extinta com o pagamento do débito antes do
oferecimento da denúncia.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

A jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento que a


ligação clandestina de energia elétrica trata-se de furto mediante fraude, cuja
punibilidade não se extingue com o pagamento do débito antes do recebimento da
denúncia, o qual pode caracterizar arrependimento posterior.

Por conseguinte, a assertiva que traz tal entendimento, eliminando as demais, trata-se
da letra C.
PROCESSO PENAL E PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. FURTO DE ENERGIA
ELÉTRICA MEDIANTE FRAUDE PRATICADO POR EMPRESA CONTRA CONCESSIONÁRIA
DE SERVIÇO PÚBLICO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO PAGAMENTO DO DÉBITO
ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. IMPOSSIBILIDADE. POLÍTICA CRIMINAL
ADOTADA DIVERSA. NÃO APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ART. 34 DA LEI N. 9.249/95.
TARIFA OU PREÇO PÚBLICO. TRATAMENTO LEGISLATIVO DIVERSO. PREVISÃO DO
INSTITUTO DO ARREPENDIMENTO POSTERIOR. RECURSO DESPROVIDO.

Tem-se por pretensão aplicar o instituto da extinção de punibilidade ao crime de furto


de energia elétrica em razão do adimplemento do débito antes do recebimento da
denúncia.
Este Tribunal já firmou posicionamento no sentido da sua possibilidade. Ocorre que no
caso em exame, sob nova análise, se apresentam ao menos três causas impeditivas,
quais sejam; a diversa política criminal aplicada aos crimes contra o patrimônio e
contra a ordem tributária; a impossibilidade de aplicação analógica do art. 34 da Lei n.
9.249/95 aos crimes contra o patrimônio; e, a tarifa ou preço público tem tratamento
legislativo diverso do imposto.
O crime de furto de energia elétrica mediante fraude praticado contra concessionária
de serviço público situa-se no campo dos delitos patrimoniais. Neste âmbito, o Estado
ainda detém tratamento mais rigoroso. O desejo de aplicar as benesses dos crimes
tributários ao caso em apreço esbarra na tutela de proteção aos diversos bens
73
jurídicos analisados, pois o delito em comento, além de atingir o patrimônio, ofende a
outros bens jurídicos, tais como a saúde pública, considerados, principalmente, o
desvalor do resultado e os danos futuros.
O papel do Estado nos casos de furto de energia elétrica não deve estar adstrito à
intenção arrecadatória da tarifa, deve coibir ou prevenir eventual prejuízo ao próprio
abastecimento elétrico do País. Não se pode olvidar que o caso em análise ainda traz
uma particularidade, porquanto trata-se de empresa, com condições financeiras de
cumprir com suas obrigações comerciais. A extinção da punibilidade neste caso
estabeleceria tratamento desigual entre os que podem e os que não podem pagar,
privilegiando determinada parcela da sociedade.
Nos crimes contra a ordem tributária, o legislador (Leis n. 9.249/95 e n. 10.684/03), ao
consagrar a possibilidade da extinção da punibilidade pelo pagamento do débito,
adota política que visa a garantir a higidez do patrimônio público, somente. A sanção
penal é invocada pela norma tributária como forma de fortalecer a ideia de
cumprimento da obrigação fiscal.
Nos crimes patrimoniais existe previsão legal específica de causa de diminuição da
pena para os casos de pagamento da “dívida” antes do recebimento da denúncia. Em
tais hipóteses, o Código Penal – CP, em seu art. 16, prevê o instituto do
arrependimento posterior, que em nada afeta a pretensão punitiva, apenas constitui
causa de diminuição da pena.
A jurisprudência se consolidou no sentido de que a natureza jurídica da remuneração
pela prestação de serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica,
prestado por concessionária, é de tarifa ou preço público, não possuindo caráter
tributário. Não há como se atribuir o efeito pretendido aos diversos institutos legais,
considerando que os dispostos no art. 34 da Lei n. 9.249/95 e no art. 9º da Lei n. 10.
684/03 fazem referência expressa e, por isso, taxativa, aos tributos e contribuições
sociais, não dizendo respeito às tarifas ou preços públicos.
Recurso ordinário desprovido.
(RHC 101.299/RS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministro JOEL ILAN
PACIORNIK, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/03/2019, DJe 04/04/2019)

15/04/2020

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

69. (CEBRASPE – TJ-PA – 2019 – Juiz de Direito Substituto) A regra de que as partes
deverão submeter-se ao quanto decidido pelo órgão jurisdicional coaduna-se com o
princípio do(a)

(A) inafastabilidade da apreciação pelo Poder Judiciário.


74
(B) adequação.
(C) segurança jurídica.
(D) inevitabilidade.
(E) dispositivo.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Segundo o Princípio da Inafastabilidade, a prestação jurisdicional deve


sempre ser realizada, ainda que para se dizer que o direito não existe, ou,
simplesmente, para se declarar a incompetência. Nesse sentido, dispõe o artigo 5º,
XXXV, da Constituição que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão
ou ameaça a direito”. Em redação quase idêntica, preceitua o artigo 3º do NCPC que
“não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito” (Explicação
retirada do material das Turmas Regular e Extensiva para a Magistratura Estadual).
(B) Incorreta. O Princípio da Adequação determina que o processo devido é aquele
cujas normas sejam adequadas aos direitos que serão tutelados (adequabilidade
objetiva), aos sujeitos que participam do processo (adequabilidade subjetiva) e aos fins
para os quais foram criados (adequabilidade teleológica) (Explicação retirada do
material das Turmas Regular e Extensiva para a Magistratura Estadual).

(C) Incorreta. A segurança jurídica é decorrência da Definitividade (Imutabilidade), que


é a característica da Jurisdição que a individualiza, pois somente as decisões judiciais
podem se tornar imutáveis e indiscutíveis (objetiva a segurança jurídica). Esta
característica decorre da força da coisa julgada material (art. 502 do NCPC – “Art. 502.
Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a
decisão de mérito não mais sujeita a recurso.”) (Explicação retirada do material das
Turmas Regular e Extensiva para a Magistratura Estadual).

(D) Correta. Pelo princípio da inevitabilidade, tratando-se, a jurisdição, de emanação


do próprio poder estatal, as partes hão de se submeter ao que for decidido pelo órgão
jurisdicional, posicionando-se em verdadeira sujeição perante o Estado-Juiz. Assim,
não podem as partes evitar os efeitos decorrentes da decisão estatal (Explicação
retirada do material das Turmas Regular e Extensiva para a Magistratura Estadual).

(E) Incorreta. O princípio do dispositivo representa a regra de que, no processo, a


75
atuação do juiz depende da iniciativa das partes, conforme dispõe o artigo 2º do NCPC,
segundo o qual “o processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei” (Explicação retirada do material das
Turmas Regular e Extensiva para a Magistratura Estadual).

70. (CEBRASPE – TJ-PA – 2019 – Juiz de Direito Substituto) De acordo com o Código de
Processo Civil (CPC), o domicílio para fins de competência do foro em ação ajuizada em
desfavor de sociedade sem personalidade jurídica que tenha descumprido obrigação
contratual será o do local onde

(A) a obrigação tiver sido contraída.


(B) a obrigação deverá ser satisfeita.
(C) o representante for encontrado.
(D) o representante legal tiver residência fixa.
(E) a sociedade exercer suas atividades.
RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

Art. 53, III, “c”, do NCPC – “Art. 53. É competente o foro: III - do lugar: c) onde exerce
suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem personalidade
jurídica;”.

DIREITO DO CONSUMIDOR

71. (MPE-GO - 2019 - MPE-GO - Promotor de Justiça – Reaplicação) No âmbito do


Direito do Consumidor (Lei n. 8.078/90), assinale a alternativa que está em desacordo
com posicionamento dominante no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ):

(A) A devolução em dobro dos valores pagos pelo consumidor, prevista no art. 42,
parágrafo único, do CDC, pressupõe tanto a existência de pagamento indevido quanto
a má-fé do credor.
(B) A ação de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo 76
prescricional estabelecido no Código Civil.
(C) Configura-se abusiva a cláusula de cobrança de juros compensatórios incidentes
em período anterior á entrega das chaves nos contratos de compromisso de compra e
venda de imóveis em construção sob o regime de incorporação imobiliária.
(D) As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por
fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no ‚âmbito de
operações bancárias.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de


que a repetição em dobro do indébito (art. 42, parágrafo único, CDC) pressupõe a
existência do pagamento indevido e a má-fé do credor. (STJ, 4ª Turma, AgRg no AREsp
196530 / SP 2012/0134324-0, rel. Min. RAUL ARAÚJO, julgado em 23/06/2015,
publicado em 03/08/2015)
(B) Incorreta. Súmula 412 do STJ: A ação de repetição de indébito de tarifas de água e
esgoto sujeita-se ao prazo prescricional estabelecido no Código Civil.

(C) Correta.

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 670.117 - PB (2010/0182236-6)


RELATOR: MINISTRO SIDNEI BENETI
[...]
DECISÃO
1.- QUEIROZ GALVÃO EMPREENDIMENTOS S/A interpõe Embargos de Divergência
contra Acórdão proferido pela C. Quarta Turma deste Tribunal, Relator o E. Min. LUIS
FELIPE SALOMÃO, assim ementado (fl. 297):
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.
COBRANÇA DE JUROS COMPENSATÓRIOS DURANTE A OBRA. "JUROS NO PÉ".
ABUSIVIDADE. INEXISTÊNCIA DE EMPRÉSTIMO, FINANCIAMENTO OU QUALQUER USO
DE CAPITAL ALHEIO.
1. Em contratos de promessa de compra e venda de imóvel em construção, descabe
a cobrança de juros compensatórios antes da entrega das chaves do imóvel - "juros
no pé" -, porquanto, nesse período, não há capital da construtora/incorporadora
mutuado ao promitente comprador, tampouco utilização do imóvel prometido.
2. Em realidade, o que há é uma verdadeira antecipação de pagamento, parcial e
77
gradual, pelo comprador, para um imóvel cuja entrega foi contratualmente diferida no
tempo. Vale dizer, se há aporte de capital, tal se verifica por parte do comprador para
com o vendedor, de sorte a beirar situação aberrante a cobrança reversa de juros
compensatórios, de quem entrega o capital por aquele que o toma de empréstimo.
3. Recurso especial improvido.
2.- Alega a embargante que o Aresto hostilizado diverge do entendimento assentado
pela C. Terceira Turma, no julgamento do REsp 379.941/SP, Rel. Min. MENEZES
DIREITO, DJ 2.12.02, no sentido de que inexiste abusividade na cláusula contratual que
estipulou a cobrança de juros compensatórios em percentual simples de 1% (um por
cento) ao mês, antes da entrega do imóvel. (fl. 351) É o relatório.
3.- Tendo em vista restar, em princípio, configurada a divergência entre os Acórdãos
deste Tribunal no que se refere à possibilidade de cobrança de juros compensatórios
durante a construção do imóvel, admitem-se os Embargos de fls. 351/367.
4.- Dê-se vista ao embargado para, se o quiser, apresentar impugnação no prazo legal
(artigo 267 do RISTJ).
5.- Após, colha-se o parecer do Ministério Público Federal (art.
266, § 4°, do RI/STJ).
Intimem-se.
Brasília, 16 de novembro de 2010.
Ministro SIDNEI BENETI
Relator
(Ministro SIDNEI BENETI, 18/11/2010)

(D) Incorreta. Súmula 479 do STJ: As instituições financeiras respondem objetivamente


pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por
terceiros no âmbito de operações bancárias.

16/04/2020

DIREITO PROCESSUAL PENAL

72. (CEBRASPE – MP-CE – 2020 – Promotor de Justiça de Entrância Inicial) Na hipótese


de haver duplo julgamento do mesmo fato, deve prevalecer o processo em que:

(A) o inquérito tiver sido instaurado primeiro.


(B) a denúncia tiver sido ofertada primeiro.
(C) a sentença for mais favorável ao acusado.
(D) a sentença transitar em julgado primeiro.
(E) a sentença for prolatada primeiro.
78
RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

O Superior Tribunal de Justiça decidiu que diante do duplo julgamento do mesmo fato,
deve prevalecer a sentença que transitou em julgado em primeiro lugar, conforme
Informativo 642 de 15/03/2019.

Cinge-se a controvérsia a definir qual sentença deve prevalecer na hipótese da


existência de duas sentenças definitivas em ações penais distintas pelo mesmo fato.
No caso em exame, a prevalência da primeira decisão imutável é reforçada pela
quebra do dever de lealdade processual por parte da defesa. Ainda que os
documentos anexados aos autos permitam concluir que eles foram assistidos pela
Defensoria Pública nas duas ações penais – possivelmente, por profissionais distintos –,
é pouco crível que, quando cientificados da segunda persecução criminal existente em
seu desfavor, não hajam informado a pessoa responsável pela sua defesa que já
estavam sendo processados pelos mesmos fatos. A leitura da segunda sentença –
proferida após o trânsito em julgado da condenação – permite concluir que a
duplicidade não foi mencionada sequer nas alegações finais. Tudo leva a crer que,
sabedora da dupla persecução criminal contra os réus, e que já haviam sido
condenados no outro processo a defesa prosseguiu na segunda ação e, ao ser exitosa,
buscou a anulação do primeiro decisum na via mandamental. No ponto, deve-se
destacar ser assente nessa Corte Superior o entendimento de que: “Vige no sistema
processual penal o princípio da lealdade, da boa-fé objetiva e da cooperação entre os
sujeitos processuais, não sendo lícito à parte arguir vício para o qual concorreu em sua
produção, sob pena de se violar o princípio de que ninguém pode se beneficiar da
própria torpeza – nemo auditur propriam turpitudinem allegans” (RHC n. 77.692/BA,
Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª Turma, DJe 18/10/2017). Ademais, sobre o tema, o
Supremo Tribunal Federal entende que “demonstrado o ‘bis in idem’, e assim a
litispendência, prevalece a condenação imposta na primeira ação” (HC n. 69.615/SP,
Rel. Ministro Carlos Velloso, 2ª Turma, DJ 19/2/1993) e que “os institutos da
litispendência e da coisa julgada direcionam à insubsistência do segundo processo e da
segunda sentença proferida, sendo imprópria a prevalência do que seja mais favorável
ao acusado” (HC n. 101.131/DF, Rel. Ministro Luiz Fux, Rel. p/ acórdão Ministro Marco
Aurélio, 1ª Turma, DJe 10/2/2012). Com base nessas premissas, reconhece-se a
prevalência da primeira sentença transitada em julgado. (RHC 69.586-PA, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, por maioria, julgado em
27/11/2018, DJe 04/02/2019).

Por conseguinte, a assertiva que elenca esse entendimento é a letra “D”, excluindo-se
todas as demais alternativas como resposta certa.
79

73. (FCC - 2018 - Câmara Legislativa do Distrito Federal - Inspetor de Polícia Legislativa)
Considerando o entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, a
competência para

(A) processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada em razão da


qualificação do órgão expedidor, não importando a entidade ou órgão ao qual foi
apresentado o documento público.
(B) o processo por contravenção penal, quando praticada em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades é da Justiça Federal.
(C) o processo e julgamento dos crimes relativos a entorpecentes é da justiça dos
estados, salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando, então, a competência
será da Justiça Federal.
(D) processar e julgar os crimes praticados contra funcionário público federal, ainda
que relacionados com o exercício da função, é da Justiça Estadual.
(E) o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso
relativo a estabelecimento particular de ensino é da Justiça Federal.
RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso
de documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado
o documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor.

(B) Incorreta. Súmula 38 - STJ: Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da


Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em
detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades.

(C) Correta. Súmula 522 – STF: Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando,
então, a competência será da justiça federal, compete à justiça dos estados o processo
e julgamento dos crimes relativos a entorpecentes.

(D) Incorreta. Súmula 147 – STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes
praticados contra funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da
função.

(E) Incorreta. Súmula 104 – STJ: Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento
80
dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento
particular de
ensino.

74. (CESPE - 2020 - MPE-CE - Promotor de Justiça de Entrância Inicial) A ausência da


assinatura das testemunhas em relatório circunstanciado de busca e apreensão
legalmente realizada pela polícia consiste em:

(A) Causa de nulidade relativa da diligência realizada, que será validada somente se as
testemunhas forem ouvidas em juízo posteriormente;
(B) Mera irregularidade formal na diligência realizada, não sendo causa de nulidade;
(C) Causa de nulidade relativa da diligência realizada, que será validada somente se o
advogado de defesa tiver comparecido na delegacia após a realização do ato;
(D) Nulidade absoluta, desde que a diligência tenha sido realizada para atender
procedimento da Lei de Combate às Organizações Criminosas;
(E) Causa de nulidade absoluta da diligência realizada em qualquer tipo de
procedimento penal.
RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Esse é o entendimento da 5ª Turma do STJ. Vejamos:

“De outra parte, também não prospera a alegação de ilicitude das provas ocasionada
pela falta de lançamento das assinaturas de duas testemunhas no auto
circunstanciado de busca e apreensão (A QUESTÃO DISPÕE QUE FOI LEGALMENTE
REALIZADA A BUSCA PELA POLÍCIA).

Com efeito, por ser dispensada a expedição do mandado de busca e apreensão, em


razão da situação de flagrância, também não inexiste nulidade, por descumprimento
do disposto no art. 245, § 7º, do Código de Processo Penal.

A respeito: “HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO ILÍCITO DE


ENTORPECENTES. ALEGAÇÃO DE ILICITUDE DA PROVA, AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE
DO DELITO E NULIDADE DO LAUDO DEFINITIVO DE CONSTATAÇÃO DA SUBSTÂNCIA
ENTORPECENTE. ILEGALIDADES NÃO EVIDENCIADAS. 1. Em casos de crimes
permanentes, não se faz necessário a expedição de mandado de busca e apreensão,
podendo, pois, a autoridade policial ingressar no interior do domicílio, a qualquer hora
81
do dia ou da noite, para fazer cessar a prática criminosa e, como no caso em questão,
apreender a substância entorpecente que nele for encontrada. 2. Por ser dispensada a
expedição do mandado de busca e apreensão, também não há de se falar em sua
nulidade, por descumprimento do disposto no art. 245, § 7º, do Código de Processo
Penal. Ressalte-se, ademais, que a descrição da diligência e a assinatura das
testemunhas constam do auto de prisão em flagrante. 3. Não se vislumbra a nulidade
do laudo definitivo de constatação da substância entorpecente. Pelo que se extrai de
seu próprio teor, bem como do consignado no acórdão ora hostilizado, não há
qualquer divergência na data de sua realização. 4. Ordem denegada.” (HC65.215/MG,
5ª Turma, Rel. Min. LAURITA VAZ, DJ de 23/04/2007).”;

17/04/2020

DIREITO ADMINISTRATIVO

75. (CESPE – TJ-PR – 2019 – Juiz de Direito Substituto) Considerando a jurisprudência


do STJ, julgue os seguintes itens, relativos à responsabilidade civil do Estado.
I. O Estado responde civilmente por danos decorrentes de atos praticados por seus
agentes, mesmo que eles tenham agido sob excludente de ilicitude penal.
II. A despeito de situações fáticas variadas no tocante ao descumprimento do dever de
segurança e vigilância contínua das vias férreas, a responsabilização da concessionária
é uma constante, passível de ser elidida somente quando cabalmente comprovada a
culpa exclusiva da vítima.
III. A responsabilidade civil do Estado por condutas omissivas é subjetiva, devendo ser
comprovados concomitantemente a negligência na atuação estatal, o dano e o nexo
de causalidade entre o evento danoso e o comportamento ilícito do poder público.

Assinale a opção correta.

(A) Apenas os itens I e II estão certos.


(B) Apenas os itens I e III estão certos.
(C) Apenas os itens II e III estão certos.
(D) Todos os itens estão certos.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS
82
(I) Correta. A teor do art. 37, § 6º, da CF/88, a responsabilidade civil do Estado é de
natureza objetiva, independendo da demonstração de culpa/dolo do agente causador
do dano, prescindindo, enfim, da discussão sobre licitude ou ilicitude do ato lesivo.
Para a configuração do dever estatal de indenizar, assim, basta que haja uma conduta
imputável à Administração, dado certo, anormal e especial e nexo de causalidade. É
esse o entendimento do STJ, no sentido de que a excludente de ilicitude somente
importa quando se está diante de responsabilidade civil de natureza subjetiva, o que
não é o caso (REsp 111.843/PR, Min. Rel. José Delgado).

(II) Correta. O STJ consagrou o entendimento de que, caso a concessionária não tenha
adotado medidas adequadas de segurança (v.g., cercado e fiscalizado os trilhos) e
tenha a vítima culposamente ingressado nas linhas de ferro (por imprudência, por
exemplo), haverá culpa concorrente, não se excluindo a responsabilidade da
concessionária de serviço público que administra o transporte ferroviário, mas apenas
atenuante de sua responsabilidade. Entretanto, caso a concessionária tenha tomado
medidas de proteção idôneas e, mesmo assim, a vítima tenha ingressado nos trilhos,
de forma culposa ou dolosa, haverá culpa exclusiva da vítima, rompendo-se o nexo de
causalidade, sem dever de indenizar da concessionária. Confira-se:
A Seção, ao apreciar REsp submetido ao regime do art. 543-C do CPC e Res. N. 8/2008-
STJ, ratificando a sua jurisprudência, firmou o entendimento de que, no caso de
atropelamento de pedestre em via férrea, configura-se a concorrência de causas
quando: a concessionária do transporte ferroviário descumpre o dever de cercar e
fiscalizar os limites da linha férrea, mormente em locais urbanos e populosos,
adotando conduta negligente no tocante às necessárias práticas de cuidado e
vigilância tendentes a evitar a ocorrência de sinistros; e a vítima adota conduta
imprudente, atravessando a composição ferroviária em local inapropriado. Todavia, a
responsabilidade da ferrovia é elidida, em qualquer caso, pela comprovação da culpa
exclusiva da vítima. REsp 1.210.064-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em
8/8/2012.

(III) Correta. Esse é o entendimento mais tradicional na doutrina administrativista


(escólio de Celso Antônio Bandeira de Mello, com base nas lições de Osvaldo Aranha
Bandeira de Mello, à luz da doutrina francesa da faute du service) e consagrado na
jurisprudência do STJ (AgRg no REsp 1345620/RS, j. em 24/11/2015) e do STF.
Ressalve-se, contudo, a tendência do STF de reconhecer a natureza objetiva da
responsabilidade civil do Estado por omissão, relacionando-a com a ideia de “omissão
específica” (STF, ARE nº 655.277 ED/MG, j. em 24/04/2012).

83
76. (CESPE – TJ-PR – 2019 – Juiz de Direito Substituto) Considerando a jurisprudência
do STJ, julgue os itens a seguir, relativos à licitação.

I – Não é devida indenização a permissionário de serviço público de transporte coletivo


por prejuízos suportados em razão de déficit das tarifas cobradas quando ausente
prévio procedimento licitatório para a contratação.
II – A contratação direta, quando não caracterizada hipótese de dispensa ou
inexigibilidade, gera lesão presumida ao erário, na medida em que o poder público
perde a oportunidade de contratar a melhor proposta. Havendo a nulidade da
contratação, a contratada pode ser condenada à devolução integral dos valores
recebidos, ainda que tenha efetivamente prestados os serviços.
III – Configura ato de improbidade administrativa a contratação direta de advogados
pela administração pública sob o fundamento de inexigibilidade de licitação devido à
notória especialização dos contratados para a atuação em causas específicas.

Assinale a opção correta.

(A) Apenas o item I está certo.


(B) Apenas o item II está certo.
(C) Apenas os itens I e III estão certos.
(D) Apenas os itens II e III estão certos.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(I) Correta. Não há garantia de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do


contrato não precedido de licitação (Info 535 STJ)

(II) Incorreta. A indevida dispensa de licitação causa dano in re ipsa ao erário, não
sendo necessária, nesse caso, prova do dano, respondendo o agente que contratou
diretamente de forma indevida [e eventuais terceiros] por improbidade administrativa
por dano ao erário (REsp 817.921/SP). Entretanto, a Administração deve pagar pelos
serviços efetivamente prestados pela contratada, sob pena de enriquecimento sem
causa.

(III) Incorreta. Admite-se a contratação direta de advogados por inexigibilidade de


licitação para a atuação em casos específicos, quando configurado “serviço técnico
profissional especializado” a reclamar notória especialização do causídico (art. 13, V,
c/c art. 25, II, todos da Lei Federal nº 8.666/1993). Aquilo que não se admite, contudo,
84
e isso caracteriza ato de improbidade administrativa, é a contratação genérica de
advogados privados pela Administração Pública. É esse o entendimento do STJ. Por
todos:

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CONTRATAÇÃO DIRETA DE SERVIÇO DE ADVOCACIA


PELO MUNICÍPIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO NO CASO CONCRETO. VIOLAÇÃO DOS
ARTS. 3º, 13 E 25 DA LEI DE 8.666⁄93 E 11 DA LEI DE 8.429⁄92. EXECUÇÃO DOS
SERVIÇOS CONTRATADOS. APLICAÇÃO DE MULTA CIVIL EM PATAMAR MÍNIMO.
Publicação do acórdão recorrido anteriormente à vigência do novo CPC
1. No caso, o Recurso Especial impugna acórdão publicado na vigência do CPCde 1973,
sendo exigidos, pois, os requisitos de admissibilidade na forma prevista naquele código
de ritos, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do STJ, conforme
o Enunciado Administrativo 2, aprovado pelo Plenário do Superior Tribunal de Justiça
em 9.3.2016.
Desnecessidade de sobrestamento do feito apesar de reconhecida a existência de
repercussão geral sobre a matéria
2. A repercussão geral da matéria versada no Recurso Especial em exame foi
reconhecida, nos autos do Recurso Extraordinário 656.558, cuja origem é o Agravo de
Instrumento 791.811⁄SP.
3. Contudo, o pedido de sobrestamento do processo em decorrência da admissão de
Recurso Extraordinário sob o regime da Repercussão Geral não deve ser acolhido. Isso
porque, até a presente data, o relator do referido Recurso Extraordinário não proferiu
decisão determinando a suspensão de todos os processos que tratam do mesmo
assunto, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC⁄2015.
4. Portanto, deve ser observada a jurisprudência desta Corte Superior, segundo a qual
o reconhecimento da repercussão geral pelo STF não impõe, em regra, o
sobrestamento dos Recursos Especiais pertinentes. Nesse sentido: EDcl no AgRg no
REsp 1468858⁄SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em
9.6.2016, DJe 17.6.2016, AgInt no AREsp 880.709⁄PR, Rel. Ministro Mauro Campbell
Marques, Segunda Turma, julgado em 9.6.2016, DJe 17.6.2016 Síntese da demanda
5. Trata-se na origem de Ação de Improbidade Administrativa ajuizada pelo Ministério
Público do Estado de Minas Gerais contra Sociedade de Advogados, tendo em vista a
contratação desta, sem licitação, para fazer o acompanhamento de defesas do
Município perante os Tribunais de Justiça e de Contas, além de atividade consultiva
nas áreas de licitação e finanças públicas, no período de 2001 a 2004 pela quantia total
de R$ 136.723,84 (cento e trinta e seis mil, setecentos e vinte e quatro reais e oitenta
e quatro centavos), válidos para o referido período.
6. Em primeiro e segundo graus o pedido foi julgado improcedente.
7. No Recurso Especial, o Ministério Público Mineiro alega violação dos arts. 13, V,
e 25, II, § 1º, da Lei 8.666⁄1993 e 11, I, da Lei 8.429⁄1992. Condições legais para a
85
inexigibilidade de licitação: possibilidade de contratação de serviços advocatícios sem
licitação
8. Nos termos do art. 13, V c⁄c art. 25, II, § 1º, da Lei 8.666⁄1993 é possível a
contratação de serviços relativos ao patrocínio ou defesa de causas judiciais ou
administrativas sem procedimento licitatório. Contudo, para tanto, deve haver a
notória especialização do prestador de serviço e a singularidade deste. A
inexigibilidade é medida de exceção que deve ser interpretada restritivamente.
9. A singularidade envolve casos incomuns e anômalos que demandam mais que a
especialização, pois apresentam complexidades que impedem sua resolução por
qualquer profissional, ainda que especializado.
Contratação direta de serviços não singulares – violação dos arts. 13 e 25 da
Lei 8.666⁄93 e 11 da Lei 8.429⁄92 – improbidade administrativa caracterizada – afronta
aos princípios administrativos
10. Na demanda em análise, a municipalidade, a pretexto da singularidade dos serviços
de advocacia, terceirizou em bloco, entre os anos de 2001 e 2004, com dispêndio de
cerca de R$ 136.723,84 (cento e trinta e seis mil, setecentos e vinte e quatro reais e
oitenta e quatro centavos, válidos para o referido período), atividades que são
próprias e bem poderiam ter sido executadas pelos advogados que integram, com
vínculo público, a Prefeitura de Visconde do Rio Branco-MG.
11. A leitura dos autos indica que o objeto dos sucessivos contratos (ao todo foram 04)
era absolutamente genérico, pois consistente na prestação de serviços técnico-
especializado de assessoria e consultoria e patrocínio judicial e administrativo e
congêneres.
12. Tais tarefas não podem ser consideradas como singulares no âmbito da atividade
jurídica de um Município. Os procedimentos que correm nos respectivos Tribunais de
Contas, de maneira geral, versam sobre assuntos cotidianos da esfera de interesse das
municipalidades. E mais, assuntos de licitação e de assessoria em temas financeiros
não exigem conhecimentos demasiadamente aprofundados, tampouco envolvem
dificuldades superiores às corriqueiramente enfrentadas por advogados e escritórios
de advocacia atuantes na área da Administração Pública e pelo assessoria jurídica do
município.
Ilegalidade. Serviços não singulares.
13. A contratação de serviços sem procedimento licitatório, quando não caracterizada
situação de inexigibilidade, viola os princípios da legalidade, impessoalidade,
moralidade e eficiência e os deveres de legalidade e imparcialidade e configura
improbidade administrativa. Ausente o prejuízo ao erário no caso concreto, a situação
amolda-se ao conceito de improbidade administrativa, nos termos do art. 11, caput, e
inciso I, da Lei 8.429⁄1992. Nesse sentido: REsp 1.038.736⁄MG, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4.5.2010, DJe 28.04.2011; REsp 1.444.874⁄MG,
Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 3.2.2015, DJe 31.3.2015,
86
e REsp 1.210.756⁄MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,
julgado em 2.12.2010, DJe 14.12.2010.
Art. 11 da Lei 8.429⁄92 dolo genérico
14. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que o art. 11 da Lei 8.429⁄1992
dispensa a comprovação de intenção específica de violar princípios administrativos,
sendo suficiente o dolo genérico. No caso, é indiscutível a intenção do ex-Prefeito de
contratar sem licitação e a aceitação do encargo por parte da Sociedade de Advogados.
Ou seja, indubitável a vontade livre e consciente das partes em efetivar a contratação
direta.
Divergência jurisprudencial demonstrada
15. No julgamento do REsp 488842⁄SP, esta Corte entendeu que, “Patente a
ilegalidade da contratação, impõe-se a nulidade do contrato celebrado, e, em razão da
ausência de dano ao erário com a efetiva prestação dos serviços de advocacia
contratados, deve ser aplicada apenas a multa civil, reduzida a patamar mínimo (10%
do valor do contrato, atualizado desde a assinatura)”.
16. A apontada divergência jurisprudencial realmente ocorre, porque naquela
oportunidade o STJ apreciou situação bastante assemelhada. Os serviços eram de
mesma natureza (primordialmente o acompanhamento de processos no TCE⁄SP).
17. A decisão neste Recurso Especial deve seguir as linhas adotadas no citado
paradigma (REsp 488842⁄SP), por conta da profundidade dos debates ali travados, com
dois pedidos de vista e principalmente em razão da similitude entre os casos
confrontados.
18. A multa civil, que não ostenta feição indenizatória, é perfeitamente compatível
com os atos de improbidade listados nos autos e tipificados no art. 11 da Lei 8.429⁄92.
19. Patente a ilegalidade da contratação, impõe-se a nulidade do contrato celebrado, e,
em razão das circunstâncias específicas e peculiares dos fatos narrados nos autos,
deve ser aplicada apenas a multa civil a cada um dos agentes envolvidos, em patamar
mínimo (10% do valor total das contratações, atualizados desde a assinatura do
primeiro pacto).
20. As conclusões acima são praticamente as mesmas a que chegou a Segunda Turma
ao julgar o REsp 488842⁄SP (Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Rel. p⁄ Acórdão
Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05⁄12⁄2008). Considerando a similitude
fática e jurídica entre os casos, seguem-se aqui as orientações ali firmadas, a fim de
resguardar a isonomia entre as situações.
Conclusão
21. Recurso Especial parcialmente provido.
Recorrente: Ministério Público do Estado de Minas Gerais
(STJ – RESP nº 1.505.356-MG – 2ª Turma – 10 de novembro de 2016 (data do
julgamento) DJe: 30/11/2016– rel. Min. Herman Benjamin)

87
DIREITO ELEITORAL

77. (VUNESP - 2019 - Prefeitura de Francisco Morato - SP – Procurador) Assinale a


alternativa que traz a correta redação de uma súmula do Tribunal Superior Eleitoral.

(A) É inadmissível o recurso especial eleitoral quando a questão suscitada foi debatida
na decisão recorrida mas não foi objeto de embargos de declaração.
(B) A União não é parte legítima para requerer a execução de astreintes, fixada por
descumprimento de ordem judicial no âmbito da Justiça Eleitoral.
(C) Contra acórdão que discute, simultaneamente, condições de elegibilidade e de
inelegibilidade é cabível o recurso ordinário.
(D) Compete à Justiça Eleitoral, em processo de registro de candidatura, verificar a
prescrição da pretensão punitiva ou executória do candidato e declarar a extinção da
pena imposta pela Justiça Comum.
(E) O processo de registro de candidatura é o meio adequado para se afastarem os
eventuais vícios apurados no processo de prestação de contas de campanha ou
partidárias.
RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Súmula 72, TSE: É inadmissível o recurso especial eleitoral quando a
questão suscitada não foi debatida na decisão recorrida e não foi objeto de embargos
de declaração.

(B) Incorreta. Súmula 68, TSE: A União é parte legítima para requerer a execução de
astreintes, fixada por descumprimento de ordem judicial no âmbito da Justiça Eleitoral.

(C) Correta. Súmula 64, TSE: Contra acórdão que discute, simultaneamente, condições
de elegibilidade e de inelegibilidade, é cabível o recurso ordinário.

(D) Incorreta. Súmula 58, TSE: Não compete à Justiça Eleitoral, em processo de registro
de candidatura, verificar a prescrição da pretensão punitiva ou executória do
candidato e declarar a extinção da pena imposta pela Justiça Comum.

(E) Correta. Súmula 51, TSE: O processo de registro de candidatura não é o meio
adequado para se afastarem os eventuais vícios apurados no processo de prestação de
contas de campanha ou partidárias.
88

18/04/2020

DIREITO PENAL

78. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Acerca da ação penal, das causas
extintivas da punibilidade e da prescrição, julgue o seguinte item.

Conforme entendimento do STF, a persecução penal por crime contra a honra de


servidor público no exercício de suas funções é de ação pública condicionada à
representação do ofendido.

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

Súmula 714/STF:
É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra
de servidor público em razão do exercício de suas funções.

79. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Com base no entendimento do STJ,
julgue o próximo item, a respeito de aplicação da pena.

A confissão espontânea na delegacia de polícia retratada em juízo deverá ser


considerada atenuante da confissão espontânea, ainda que o magistrado não a utilize
para fundamentar a condenação do réu.

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

“O entendimento desta Corte firmou-se no sentido de que a atenuante de confissão


espontânea deve incidir na segunda fase da dosimetria da pena, mesmo que tenha
sido parcial ou qualificada, seja judicial ou extrajudicial, ou, ainda, que dela o réu
venha a se retratar, desde que tal manifestação seja utilizada para formar a convicção
89
do magistrado e para fundamentar a condenação do réu.”

(STJ – AgRG no HC: 444.925 MS 2018/0082097-0, Relator: Ministro REYNALDO SOARES


DA FONSECA, Data de Julgamento: 04/09/2018, T5 – QUINTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 13/09/2018)

80. (CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal) Diogo, condenado a
sete anos e seis meses de reclusão pela prática de determinado crime, deve iniciar o
cumprimento da pena no regime semiaberto. Todavia, na cidade onde se encontra, só
há estabelecimento prisional adequado para a execução da pena em regime fechado.
Nessa situação, o juiz poderá determinar que Diogo inicie o cumprimento da pena no
regime fechado.

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS
Súmula Vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a
manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar,
nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.

19/04/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

81. (CESPE - 2019 - Prefeitura de Campo Grande - MS - Procurador Municipal) Acerca


dos direitos e das garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988,
julgue o item a seguir.

Entidade sindical constituída há menos de um ano e sediada em município da


Federação tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo a fim de
garantir direito líquido e certo de seus filiados que tenha sido lesado por ato de
autoridade da administração fazendária federal.

RESPOSTA: CERTO
90
COMENTÁRIOS

Constituição Federal

Art. 5º [...]
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou
associados;

82. (Prova: CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Considerando as disposições da


Constituição Federal de 1988 e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) a
respeito de agentes públicos, julgue o item a seguir.

Segundo o STF, o surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o


mesmo cargo de certame anterior cujo prazo de validade ainda não tenha terminado,
em regra, não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados
no certame anterior fora das vagas previstas no edital.

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo,


durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito
à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas
as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada pela administração, caracterizada por
comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca
necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame, a
ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. (RE 837.311/PI, rel. Min. Luiz Fux,
dezembro/2015).

83. (CEBRASPE – MP-CE – 2020 – Promotor de Justiça) Durante prisão em flagrante de


Paulo pelo cometimento de crime de homicídio, policiais analisaram os registros
telefônicos das últimas ligações no aparelho celular dele e identificaram o número de
91
outro envolvido, Pablo, que foi acusado de ser o possível mandante. Após a prisão de
ambos, a defesa de Pablo impetrou habeas corpus, sob o argumento de que os
policiais haviam violado o direito fundamental de sigilo das comunicações de dados,
estabelecido no inciso XII do art. 5.º da Constituição Federal de 1988 (CF) — “XII é
inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual
penal”.

Quanto à extensão da proteção conferida pelo referido dispositivo constitucional na


situação hipotética em apreço, assinale a opção correta, à luz da jurisprudência do STF.

(A) A apreensão dos dados armazenados caracteriza violação do sigilo de comunicação


de dados.
(B) Não houve violação do direito ao sigilo das comunicações telefônicas.
(C) As provas decorrentes da análise policial são inadmissíveis, segundo a teoria do
fruit of the poisonous tree.
(D) A análise empreendida pelos policiais caracteriza interceptação telefônica, logo
dependia de prévia autorização judicial.
(E) Houve violação do direito fundamental ao sigilo das comunicações telefônicas.
RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

O sigilo tutelado pela norma do art. 5, inciso XII da Constituição Federal (comunicação
de correspondência, telegráfica, de dados e telefônica) engloba o fluxo de dados
(comunicação dinâmica) e não os dados em si, já armazenados (comunicação estática).

Assim, em geral, prevalece que a autoridade policial, durante o flagrante, possui poder
requisitório para acessar dados telefônicos como agenda eletrônica e registros de
ligações (histórico de chamadas), independentemente de autorização judicial.

Tal situação não viola o sigilo protegido pela norma constitucional, e não compreende
interceptação telefônica, que se refere ao acesso à fluência das comunicações
(comunicações em andamento) e é protegida pela cláusula de reserva de jurisdição.
Pela mesma razão, não se trata de prova ilícita.

OBS: a situação seria diferente se os policiais tivessem acessado o Whatsapp do


flagranteado, conforme art. 7, III da Lei 12.965/2014 (Marco Civil da Internet) e já
decidido pelo STJ (RHC 51.531-RO e RHC 67.379-RN).
92
INCORRETAS, portanto, as alternativas A, C, D e E, e CORRETA a alternativa B.

21/04/2020

DIREITO CIVIL

84. (CEBRASPE – MP-CE – 2020 – Promotor de Justiça) De acordo com a jurisprudência


do STJ, a proteção dada à impenhorabilidade do bem de família se aplica a

(A) bem dado em garantia hipotecária por cônjuges, caso eles sejam os únicos sócios
de pessoa jurídica devedora que esteja sendo executada.
(B) imóvel único de fiador dado como garantia de locação residencial.
(C) bem imóvel do devedor em execução promovida para o pagamento de dívidas
oriundas de despesas condominiais do próprio bem que originou o débito.
(D) imóvel único do devedor que esteja alugado a terceiros, se for demonstrado que a
renda da locação é utilizada para subsistência ou moradia da família do devedor.
(E) vaga de garagem residencial que pertença ao executado e possua matrícula própria
em registro de imóveis.
RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
É possível penhorar imóvel bem de família nos casos em que ele for dado em garantia
hipotecária de dívida contraída em favor de pessoa jurídica quando os únicos sócios da
empresa devedora são proprietários do bem hipotecado, em virtude da presunção do
benefício gerado aos integrantes da família.

O entendimento foi firmado em decisão unânime pela Segunda Seção do Superior


Tribunal de Justiça (STJ) ao negar recurso de um casal – únicos sócios da empresa
executada e proprietários de um imóvel hipotecado – que pretendia o reconhecimento
da impenhorabilidade do bem dado em garantia, sem ter sido apresentada prova de
que os integrantes da família não foram beneficiados (EAREsp 848498).

(B) Incorreta.
É possível a penhora do único bem imóvel do fiador do contrato de locação, em
virtude da exceção legal do art. 3º da Lei 8.009/90, inserida pelo art. 82, VII, da Lei
8.245/91, que, por ser de índole processual, tem eficácia imediata. Precedentes do STJ
93
e do STF (REsp 891290).

Súmula 549 do STJ: É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de


contrato de locação.

(C) Incorreta.
O entendimento de que “é permitida a penhora do bem de família para assegurar
pagamento de dívidas oriundas de despesas condominiais do próprio bem está em
sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Súmula
83 do STJ” (AgRg no Ag 1.041.751/DF).

O proprietário de imóvel gerador de débitos condominiais pode ter o seu bem


penhorado em ação de cobrança ajuizada em face de locatário, já em fase de
cumprimento de sentença, da qual não figurou no polo passivo (REsp 1.829.663-SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05/11/2019, DJe
07/11/2019).

(D) Correta.
Súmula 486 do STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja
locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a
subsistência ou a moradia da sua família.

(E) Incorreta.
“A jurisprudência desta corte já decidiu que as vagas de garagem, desde que tenham
matrícula e registro próprios, como no caso em exame, são penhoráveis,
independentemente de estarem relacionadas a imóvel considerado bem de família”
(STJ – AgRg no REsp 1554911/PR).

Súmula 449 do STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de
imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora.

85. (CEBRASPE – MP-CE – 2020 – Promotor de Justiça) João foi gravemente agredido
por Pedro, de quinze anos de idade. Em razão do ocorrido, João pretende ajuizar ação
de indenização por danos materiais e morais contra Pedro e os pais deste, Carlos e
Maria. No momento da agressão, Carlos e Maria estavam divorciados e a guarda de
Pedro era exclusiva de Maria.
94
Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta, de acordo com o
entendimento do STJ.

(A) A ação deve ser ajuizada exclusivamente em desfavor dos pais de Pedro, porque,
conforme a legislação, ele, por ser menor, não possui responsabilidade civil por seus
atos.
(B) A responsabilidade civil de Pedro pela reparação dos danos é subsidiária, em
relação a seus pais/responsáveis, e mitigada.
(C) Há litisconsórcio necessário entre Pedro e seus pais, em razão da responsabilidade
solidária entre o incapaz e seus genitores.
(D) A ação poderá ser ajuizada contra os pais de Pedro somente se for demonstrado
que ele não possui patrimônio para reparar o dano.
(E) A condição de guardião do filho menor é requisito essencial para a
responsabilização por ato praticado por incapaz, motivo pelo qual Carlos não possui
legitimidade para figurar na ação de responsabilidade civil.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
(A) Incorreta.
Vide comentários da alternativa B.

(B) Correta.
“1. A responsabilidade civil do incapaz pela reparação dos danos é subsidiária e
mitigada (CC, art. 928).

É subsidiária porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios
para ressarcir a vítima; é condicional e mitigada porque não poderá ultrapassar o
limite humanitário do patrimônio mínimo do infante (CC, art. 928, par. único e En.
39/CJF); e deve ser equitativa, tendo em vista que a indenização deverá ser equânime,
sem a privação do mínimo necessário para a sobrevivência digna do incapaz (CC, art.
928, par. único e En. 449/CJF).

Não há litisconsórcio passivo necessário, pois não há obrigação – nem legal, nem por
força da relação jurídica (unitária) – da vítima lesada em litigar contra o responsável e
o incapaz. É possível, no entanto, que o autor, por sua opção e liberalidade, tendo em
conta que os direitos ou obrigações derivem do mesmo fundamento de fato ou de
direito (CPC,73, art. 46, II) intente ação contra ambos – pai e filho -, formando-se um
litisconsórcio facultativo e simples.
O art. 932, I do CC ao se referir a autoridade e companhia dos pais em relação aos
95
filhos, quis explicitar o poder familiar (a autoridade parental não se esgota na guarda),
compreendendo um plexo de deveres como, proteção, cuidado, educação,
informação, afeto, dentre outros, independentemente da vigilância investigativa e
diária, sendo irrelevante a proximidade física no momento em que os menores
venham a causar danos.” (REsp 1436401 / MG).

(C) Incorreta. Vide comentários da alternativa B.


(D) Incorreta. Vide comentários da alternativa B.
(E) Incorreta. Vide comentários da alternativa B.

DIREITO PENAL

86. (VUNESP – TJ-MT – 2018 – Juiz de Direito Substituto) José revela a seu amigo João
que tem a intenção de furtar determinado veículo e, considerando que João é dono de
um “ferro velho” lhe propõe a compra do referido veículo após a consumação do furto.
João aceita a proposta e, após o furto, compra referido veículo de José. Considerando
a situação hipotética, João terá cometido o crime de
(A) furto qualificado.
(B) receptação qualificada.
(C) furto simples.
(D) receptação simples.
(E) favorecimento real.

RESPOSTA:
COMENTÁRIOS

Furto qualificado pelo concurso de pessoas (art. 155, 4º, IV do CP). João é partícipe do
furto e não pode responder pela receptação relativa ao mesmo bem. Também não há
favorecimento real pois João não ajudou a esconder a coisa, mas ajudou a subtrair,
tendo participação no crime anterior, além de ainda ter adquirido a coisa
posteriormente, afastando o favorecimento real.

22/04/2020

DIREITO PROCESSUAL CIVIL


96
87. (FCC - 2018 - PGE-AP - Procurador do Estado) No tocante à modificação da
competência,

(A) quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente,
no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito,
caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.
(B) caso a alegação de incompetência seja acolhida, o processo será sempre extinto
sem resolução do mérito, interrompida porém a prescrição.
(C) a competência relativa poderá modificar-se pela conexão, litispendência ou pela
continência.
(D) os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, mesmo que
um deles já tenha sido sentenciado.
(E) a incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de
contestação; se relativa a incompetência pode ser alegada em qualquer tempo e grau
de jurisdição e deve ser declarada de ofício.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS
Código de Processo Civil

(A) Correta. Art. 57. Quando houver continência e a ação continente tiver sido
proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida sentença
sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.

(B) Incorreta. Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como
questão preliminar de contestação.
[...]
§ 3º Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo
competente.

(C) Incorreta. Art. 54. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela
continência, observado o disposto nesta Seção.

(D) Incorreta. Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for
comum o pedido ou a causa de pedir.
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um
deles já houver sido sentenciado.

(E) Incorreta. Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como
97
questão preliminar de contestação.

§ 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de


jurisdição e deve ser declarada de ofício.

DIREITO DO CONSUMIDOR

88. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Acerca de legitimidade em demandas


coletivas, julgue o item subsequente.

Tanto a vítima do dano quanto seus sucessores detêm legitimidade para promover
liquidação e execução de sentença condenatória coletiva proferida em ação coletiva
para defesa de interesses individuais homogêneos.

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS
Código de Defesa do Consumidor

Art. 97. A liquidação e a execução de sentença poderão ser promovidas pela vítima e
seus sucessores, assim como pelos legitimados de que trata o art. 82.

Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente:
(Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
I - o Ministério Público,
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal;
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem
personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código;
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre
seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código,
dispensada a autorização assemblear.

89. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Acerca de legitimidade em demandas


coletivas, julgue o item subsequente.
98
A apuração da legitimidade ativa das associações e dos sindicatos como substitutos
processuais em ações coletivas passa pelo exame da pertinência temática entre os fins
sociais da entidade e o mérito da ação proposta.

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

“PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COLETIVA DE COBRANÇA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.


CADERNETAS DE POUPANÇA. ASSOCIAÇÃO DE AGRICULTORES. ILEGITIMIDADE ATIVA.
PERTINÊNCIA TEMÁTICA NÃO VERIFICADA. APRECIAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO
ESTATUTO. ENUNCIADOS N. 5 E 7 DA SÚMULA DO STJ.

1. A apuração da legitimidade ativa das associações e dos sindicatos como substitutos


processuais, em ações coletivas, passa pelo exame da pertinência temática entre os
fins sociais da entidade e o mérito da ação proposta. Precedentes. (...) 3. Agravo
regimental desprovido.” (AgRg no REsp 997.577/DF, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS
FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 18/09/2014, DJe 26/09/2014).

23/04/2020
DIREITO PROCESSUAL PENAL

90. (CESPE - 2020 - MPE-CE - Técnico Ministerial) Tales foi preso em flagrante em um
parque de Fortaleza pela prática do crime de estupro, tendo sido reconhecido pela
vítima, Marta, com a qual não possuía relação anterior. Há indícios de que Tales tenha
praticado outros crimes sexuais, tendo sido também reconhecido por outras vítimas.
A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir.

O juiz poderá aplicar medidas cautelares a Tales, como a monitoração eletrônica, ou,
se entender que estas não sejam adequadas ou suficientes, converter a prisão em
flagrante em prisão preventiva.

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

Código de Processo Penal

Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24
99
(vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de
custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da
Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá,
fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
[...]
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as
medidas cautelares diversas da prisão; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (Redação dada pela Lei nº 12.403,
de 2011).
[...]
IX - monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

91. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) André, com dezessete anos de idade, foi
apreendido pela prática de ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas.
Depois de ter sido conduzido à delegacia de polícia especializada, o adolescente foi
apresentado ao Ministério Público. O promotor de justiça que o entrevistou ofereceu-
lhe remissão cumulada com medida socioeducativa de semiliberdade. O magistrado
indeferiu a remissão ministerial, sob o fundamento de que a aplicação de medida
socioeducativa ao adolescente por ato infracional é de competência exclusiva do juiz, e
abriu vista ao Ministério Público para que apresentasse representação contra André
no prazo de 24 horas. Diante da negativa de homologação judicial e do retorno dos
autos, o promotor ofereceu representação contra André e o magistrado manteve a
internação provisória, designou audiência de apresentação e determinou a citação do
adolescente. Na sentença, o magistrado determinou a internação, fundamentando que
a conduta do adolescente era grave, embora não houvesse qualquer outra anotação
em sua folha de passagem.

Com relação a essa situação hipotética, julgue o seguinte item, de acordo com a
legislação pertinente e a jurisprudência dos tribunais superiores.

Embora não houvesse qualquer outra anotação na folha de passagem de André, a


atitude do magistrado de determinar a internação do adolescente foi correta, pois a
gravidade do fato praticado por ele basta para justificar a aplicação da medida
socioeducativa de internação, conforme jurisprudência do STJ.
100
RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

SÚMULA 492 - STJ

O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz obrigatoriamente
à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente.

92. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Determinada emissora de televisão


veiculou programa de entretenimento no qual, em um dos quadros, o apresentador
revelava o resultado de exames de DNA, para comprovar ou negar a paternidade de
crianças, e fazia comentários depreciativos acerca da concepção dessas crianças. A
emissora foi multada por transmitir esse programa em horário diverso do autorizado
pelo poder público.

Com referência a essa situação hipotética, julgue o item seguinte, de acordo com a
jurisprudência dos tribunais superiores.
Segundo jurisprudência do STF, a competência da União de classificar, para efeito
indicativo, as diversões públicas e os programas de rádio e televisão não lhe confere o
poder para determinar que a exibição da programação somente se dê em horários
determinados. Assim, não está a referida emissora obrigada a veicular programa
somente em horário autorizado pelo poder público, motivo pelo qual a multa aplicada
é indevida.

RESPOSTA: CERTO
COMENTÁRIOS

É inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no art. 254


do ECA. "Art. 254. Transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em horário
diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação: Pena - multa de vinte a cem
salários de referência; duplicada em caso de reincidência a autoridade judiciária
poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias." O
Estado não pode determinar que os programas somente possam ser exibidos em
determinados horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto
constitucional por configurar censura. O Poder Público pode apenas recomendar os
horários adequados. A classificação dos programas é indicativa (e não obrigatória).
101
STF. Plenário. ADI 2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016 (Info 837).

24/04/2020

DIREITOS HUMANOS

93. (FCC - 2018 - DPE-MA - Defensor Público) Considerando as recentes decisões da


Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Supremo Tribunal Federal, mais a
Resolução do Conselho Nacional de Justiça sobre o tema, no Brasil, pessoa transgênero,
maior de 18 anos, que pretenda alterar o prenome e o gênero no seu assento de
nascimento,

(A) deverá solicitar a alteração de prenome diretamente ao Registro Civil de Pessoas


Naturais, dependendo a alteração do gênero, todavia, de autorização judicial e
comprovação clínica da transexualidade.
(B) deverá procurar a Defensoria Pública para solicitar ao juiz a alteração, dispensada a
realização de cirurgia de redesignação sexual caso se comprove a adesão ao
tratamento hormonal.
(C) encaminhará o pedido, instruído por laudo psicológico, diretamente ao oficial de
Registro Civil, que decidirá após consulta ao juiz corregedor dos cartórios extrajudiciais.
(D) poderá formular a solicitação diretamente ao Registro Civil de Pessoas Naturais,
independentemente de prévia autorização judicial ou comprovação da realização de
cirurgia de redesignação sexual.
(E) deverá procurar o serviço de saúde de referência, cujos profissionais, se for o caso,
incumbir-se-ão, em caso de parecer favorável, de encaminhar a solicitação de
mudança diretamente ao Registro Civil de Pessoas Naturais competente.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de


transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou patologizantes,
possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no registro
civil.

STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson
Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).
102

DIREITO ELEITORAL

94. (Prova: VUNESP - 2019 - Câmara de São Miguel Arcanjo - SP - Procurador


Legislativo) Tício, de 18 anos, é eleitor desde os 16 anos. Sete meses antes das eleições
municipais, ele se filiou ao partido X, tendo por finalidade concorrer ao cargo de
vereador. Tício foi aprovado como um dos candidatos a ser indicado pelo partido, na
convenção realizada para tal fim. Não obstante, o partido político deixou de proceder
ao registro de sua candidatura, no prazo legal.

Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta.

(A) Tício ainda poderá requerer o registro de sua candidatura à Justiça Eleitoral, desde
que o faça até três meses antes das eleições.
(B) Tício ainda poderá requerer o registro de sua candidatura à Justiça Eleitoral, desde
que o faça até 48 horas da data da publicação da lista de candidatos, pela Justiça
Eleitoral.
(C) Tício não poderá requerer o registro de sua candidatura à Justiça Eleitoral, uma vez
que o registro de candidato é direito privativo do Partido Político.
(D) Tício ainda poderá requerer o registro de sua candidatura à Justiça Eleitoral, mas
não possuindo a idade mínima para concorrer a vereador, o registro será indeferido.
(E) Tício ainda poderá requerer o registro de sua candidatura à Justiça Eleitoral, mas
não contando com o prazo de filiação de um ano antes das eleições, o registro será
indeferido.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

Constituição Federal

Art. 14.
[...]
§ 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
[...]
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito,
Vice-Prefeito e juiz de paz;
103
d) dezoito anos para Vereador.

Lei 9.504/97

Art. 9º Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na


respectiva circunscrição pelo prazo de seis meses e estar com a filiação deferida pelo
partido no mesmo prazo.

Art. 11. Os partidos e coligações solicitarão à Justiça Eleitoral o registro de seus


candidatos até as dezenove horas do dia 15 de agosto do ano em que se realizarem as
eleições.
[...]
§ 2º A idade mínima constitucionalmente estabelecida como condição de elegibilidade
é verificada tendo por referência a data da posse, salvo quando fixada em dezoito anos,
hipótese em que será aferida na data-limite para o pedido de registro.
[...]
§ 4º Na hipótese de o partido ou coligação não requerer o registro de seus candidatos,
estes poderão fazê-lo perante a Justiça Eleitoral, observado o prazo máximo de
quarenta e oito horas seguintes à publicação da lista dos candidatos pela Justiça
Eleitoral.
95. (Prova: VUNESP - 2019 - Câmara de Mauá - SP - Procurador Legislativo) A Lei
Complementar no 135, de 2010, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, trouxe
alterações à Lei Complementar no 64/1990, que contempla casos de inelegibilidade,
na forma do disposto no artigo 14 § 9o da Constituição Federal de 1988. Assinale a
alternativa correta de acordo com referidos diplomas legais.

(A) É inelegível o que for condenado, em decisão transitada em julgado, em razão de


ter desfeito vínculo conjugal para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo
de 8 (oito) anos após a decisão que reconhecer a fraude.
(B) Logo após o cumprimento integral da pena, torna-se elegível a pessoa condenada
em decisão transitada em julgado por crime contra a economia popular.
(C) É inelegível a pessoa condenada por qualquer crime eleitoral, em decisão
transitada em julgado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos
após o cumprimento da pena.
(D) Assim que cumprida integralmente a pena, torna-se elegível a pessoa condenada
em decisão transitada em julgado, por crime de abuso de autoridade.
(E) É automaticamente inelegível, pelo período de 8 (oito) anos, aquele que tiver suas
contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas julgadas irregulares pelo
104
Tribunal de Contas.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

LEI COMPLEMENTAR Nº 64, DE 18 DE MAIO DE 1990

Art. 1º São inelegíveis:


I - para qualquer cargo:
[...]
n) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão
judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal
ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito)
anos após a decisão que reconhecer a fraude; (Incluído pela Lei Complementar nº
135, de 2010)

25/04/2020

DIREITO PENAL
96. (FCC – TJ-AL – 2019 – Juiz de Direito Substituto) Segundo entendimento
sedimentado dos Tribunais Superiores sobre crimes contra o patrimônio,

(A) há latrocínio tentado quando o homicídio se consuma, mas o agente não realiza a
subtração de bens da vítima, não se admitindo o estabelecimento de regime prisional
mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base na gravidade
abstrata do delito, se fixada a pena-base no mínimo legal.
(B) é possível o reconhecimento da figura privilegiada nos casos de furto qualificado,
se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a
qualificadora for de ordem subjetiva, não se admitindo, porém, a aplicação, no furto
qualificado pelo concurso de agentes, da correspondente majorante do roubo.
(C) a intimidação feita com arma de brinquedo não autoriza, no crime de roubo, o
reconhecimento da causa de aumento relativa ao emprego de arma de fogo,
consumando-se o crime com a inversão da posse do bem mediante emprego de
violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, imprescindível, porém, a posse
mansa e pacífica ou desvigiada.
(D) o condenado por extorsão mediante sequestro, dependendo da data de
cometimento da infração, poderá obter a progressão de regime após o cumprimento
de um sexto da pena, independendo a consumação do crime de extorsão comum a
105
obtenção de vantagem indevida.
(E) sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de
segurança no interior do estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a
configuração do crime de furto, admitindo-se a indicação do número de majorantes
como fundamentação concreta para o aumento na terceira fase de aplicação da pena
no crime de roubo circunstanciado.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Súmula 610-STF, Súmula 440-STJ e Súmula 719-STF.

(B) Incorreta. Súmula 511-STJ e Súmula 442-STJ.

(C) Incorreta. Súmula 582-STJ e Súmula 174-STJ (esta última foi cancelada, o seu
entendimento, portanto, não é mais aplicável).

(D) Correta. Súmula vinculante 26-STF, Súmula 471-STJ e Súmula 96-STJ.


(E) Incorreta. Súmula 567-STJ e Súmula 443-STJ.

DIREITO ADMINISTRATIVO

97. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) No que se refere a mandado de


segurança, ação civil pública, ação de improbidade administrativa e ação rescisória,
julgue o seguinte item.

De acordo com o STF, são imprescritíveis as ações de ressarcimento de danos ao erário


decorrentes de ato doloso de improbidade administrativa.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

“São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ATO 106


DOLOSO tipificado na Lei de Improbidade Administrativa”. STF. Plenário. RE 852475/SP,
Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
08/08/2018.

98. (FUNDEP (Gestão de Concursos) - 2019 - DPE-MG - Defensor Público) Analise as


afirmativas a seguir.

I. Segundo entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, a Ordem dos


Advogados do Brasil (OAB) não é obrigada a realizar concurso público para admitir
seus empregados.

PORQUE

II. A OAB é uma autarquia sui generis vinculada à administração pública indireta.

A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta.

(A) As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não justifica a I.


(B) As afirmativas I e II são verdadeiras e a II justifica a I.
(C) A afirmativa I é verdadeira e a II é falsa.
(D) A afirmativa I é falsa e a II é verdadeira.

RESPOSTA: C
COMENTÁRIOS

ADI 3026, STF

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. § 1º DO ARTIGO 79 DA LEI N. 8.906, 2ª


PARTE. "SERVIDORES" DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. PRECEITO QUE
POSSIBILITA A OPÇÃO PELO REGIME CELESTISTA. COMPENSAÇÃO PELA ESCOLHA DO
REGIME JURÍDICO NO MOMENTO DA APOSENTADORIA. INDENIZAÇÃO. IMPOSIÇÃO
DOS DITAMES INERENTES À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA. CONCURSO
PÚBLICO (ART. 37, II DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL). INEXIGÊNCIA DE CONCURSO
PÚBLICO PARA A ADMISSÃO DOS CONTRATADOS PELA OAB. AUTARQUIAS ESPECIAIS E
AGÊNCIAS. CARÁTER JURÍDICO DA OAB. ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO
INDEPENDENTE. CATEGORIA ÍMPAR NO ELENCO DAS PERSONALIDADES JURÍDICAS
EXISTENTES NO DIREITO BRASILEIRO. AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA ENTIDADE.
PRINCÍPIO DA MORALIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DO
107
BRASIL. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A Lei n. 8.906, artigo 79, § 1º, possibilitou aos
"servidores" da OAB, cujo regime outrora era estatutário, a opção pelo regime
celetista. Compensação pela escolha: indenização a ser paga à época da aposentadoria.
2. Não procede a alegação de que a OAB sujeita-se aos ditames impostos à
Administração Pública Direta e Indireta. 3. A OAB não é uma entidade da
Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público independente,
categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro.
4. A OAB não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido
como "autarquias especiais" para pretender-se afirmar equivocada independência das
hoje chamadas "agências". 5. Por não consubstanciar uma entidade da Administração
Indireta, a OAB não está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer das suas
partes está vinculada. Essa não-vinculação é formal e materialmente necessária. 6. A
OAB ocupa-se de atividades atinentes aos advogados, que exercem função
constitucionalmente privilegiada, na medida em que são indispensáveis à
administração da Justiça [artigo 133 da CB/88]. É entidade cuja finalidade é afeita a
atribuições, interesses e seleção de advogados. Não há ordem de relação ou
dependência entre a OAB e qualquer órgão público. 7. A Ordem dos Advogados do
Brasil, cujas características são autonomia e independência, não pode ser tida como
congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está voltada
exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade institucional. 8. Embora
decorra de determinação legal, o regime estatutário imposto aos empregados da OAB
não é compatível com a entidade, que é autônoma e independente. 9. Improcede o
pedido do requerente no sentido de que se dê interpretação conforme o artigo 37,
inciso II, da Constituição do Brasil ao caput do artigo 79 da Lei n. 8.906, que determina
a aplicação do regime trabalhista aos servidores da OAB. 10. Incabível a exigência de
concurso público para admissão dos contratados sob o regime trabalhista pela OAB. 11.
Princípio da moralidade. Ética da legalidade e moralidade. Confinamento do princípio
da moralidade ao âmbito da ética da legalidade, que não pode ser ultrapassada, sob
pena de dissolução do próprio sistema. Desvio de poder ou de finalidade. 12. Julgo
improcedente o pedido. (STF - ADI: 3026 DF, Relator: EROS GRAU, Data de Julgamento:
08/06/2006, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 29-09-2006 PP-00031 EMENT VOL-
02249-03 PP-00478)

26/04/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

99. (CEBRASPE – MP-CE – 2020 – Promotor de Justiça) Conforme a jurisprudência do


STF, a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei, afaste sua incidência, no todo ou em
108
parte, viola, especificamente,

(A) a sistemática do controle difuso de constitucionalidade.


(B) o princípio da motivação adequada das decisões judiciais.
(C) o princípio da segurança jurídica.
(D) a cláusula de reserva de plenário.
(E) a presunção de constitucionalidade da lei.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

A questão cobrou conhecimento da redação literal do enunciado da súmula vinculante


nº 10:

“Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte”.
100. (CESPE - 2019 - Prefeitura de Campo Grande - MS - Procurador Municipal) Com
relação à organização do Estado e às funções essenciais à justiça, julgue o item
subsecutivo.

Por ser competência privativa da União legislar sobre telecomunicações, é


inconstitucional lei municipal que discipline o uso e a ocupação do solo urbano para
instalação de torres de telefonia celular no respectivo município.

RESPOSTA: ERRADO
COMENTÁRIOS

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO.


CONSTITUCIONAL. INSTALAÇÃO DE TORRES DE TELEFONIA CELULAR. COMPETÊNCIA
LEGISLATIVA MUNICIPAL PARA DISCIPLINAR O USO E A OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO.
AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Instalação de torres de
telefonia celular. Competência legislativa municipal para disciplinar o uso e a ocupação
do solo urbano. [RE 632.006 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 18-11-2014, 2ª T, DJE de 1º-
12-2014.]
109

101. (MPE-GO - 2019 - MPE-GO - Promotor de Justiça – Reaplicação) Assinale a


resposta incorreta:

(A) Segundo jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal, o ensino religioso


nas escolas públicas de ensino fundamental, que constituir· disciplina dos horários
normais, poderá ter natureza confessional, na medida que sua matrícula é facultativa
nos termos do artigo 210, § 1°, da CF/88.
(B) Entendeu o STF, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2566,
que é constitucional a proibição a proselitismo de qualquer natureza na programação
das emissoras de radiodifusão comunitária.
(C) É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade
religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana,
conforme entendimento recente do STF.
(D) Conforme a Constituição Federal, o serviço militar é obrigatório nos termos da lei e
que as Forças Armadas compete atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz,
após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo-se como tal o
decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem
de atividades de caráter essencialmente militar.
RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Correta. O STF entendeu que o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras
pode ter natureza confessional. STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig. Min. Roberto
Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/9/2017 (Info 879)

(B) Incorreta.

Ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO CONSTITUCIONAL. LEI N.


9.612/98. RÁDIODIFUSÃO COMUNITÁRIA. PROBIÇÃO DO PROSELITISMO.
INCONSTITUCIONALIDADE. PROCEDÊNCIA DA AÇÃO DIRETA. 1. A liberdade de
expressão representa tanto o direito de não ser arbitrariamente privado ou impedido
de manifestar seu próprio pensamento quanto o direito coletivo de receber
informações e de conhecer a expressão do pensamento alheio. 2. Por ser um
instrumento para a garantia de outros direitos, a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal reconhece a primazia da liberdade de expressão. 3. A liberdade religiosa não é
exercível apenas em privado, mas também no espaço público, e inclui o direito de
tentar convencer os outros, por meio do ensinamento, a mudar de religião. O discurso
110
proselitista é, pois, inerente à liberdade de expressão religiosa. Precedentes. 4. A
liberdade política pressupõe a livre manifestação do pensamento e a formulação de
discurso persuasivo e o uso do argumentos críticos. Consenso e debate público
informado pressupõem a livre troca de ideias e não apenas a divulgação de
informações. 5. O artigo 220 da Constituição Federal expressamente consagra a
liberdade de expressão sob qualquer forma, processo ou veículo, hipótese que inclui o
serviço de radiodifusão comunitária. 6. Viola a Constituição Federal a proibição de
veiculação de discurso proselitista em serviço de radiodifusão comunitária. 7. Ação
direta julgada procedente.

(ADI 2566, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Relator(a) p/ Acórdão: Min.


EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 16/05/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-
225 DIVULG 22-10-2018 PUBLIC 23-10-2018)

(C) Correta. É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a


liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de
matriz africana. (...) A proibição do sacrifício de animais em seus cultos negaria a
própria essência da pluralidade cultural, com a consequente imposição de
determinada visão de mundo. Ao se conferir uma proteção aos cultos de religiões
historicamente estigmatizadas, o legislador não ofende o princípio da igualdade. Ao
contrário, materializa esse princípio diante do preconceito histórico sofrido. STF.
Plenário. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 28/3/2019 (repercussão geral) (Info 935).

(D) Correta.

Art. 5º, CRFB/1988. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

[...]

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de


convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal
a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

28/04/2020

DIREITO PROCESSUAL CIVIL


111
102. (Prova: MPE-GO - 2019 - MPE-GO - Promotor de Justiça – Reaplicação) Segundo as
normas que definem os limites da jurisdição em nosso ordenamento processual civil,
pode-se afirmar que:

(A) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações de alimentos


quando o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens,
recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos.
(B) Compete, ainda,à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em
que o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil, sendo
que, no caso de pessoa jurídica, considera-se domiciliada no Brasil aquela que nele
tiver sua sede principal.
(C) Compete subsidiariamente à autoridade judiciária brasileira conhecer de ações
relativas a divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à
partilha de bens situados no Brasil, quando o titular seja de nacionalidade estrangeira
ou tenha domicílio fora do território nacional.
(D) A ação proposta perante tribunal estrangeiro induz litispendência e obsta a que a
autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas,
ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais
em vigor no Brasil. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira impede a
homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no
Brasil.

RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

(A) Correta. Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e
julgar as ações: I - de alimentos, quando: b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais
como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios
econômicos.

(B) Incorreta. Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as
ações em que: I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no
Brasil; (...) Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada
no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.

(C) Incorreta. Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de
qualquer outra: (...) III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável,
proceder à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.
112
(D) Incorreta. Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz
litispendência e não obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma
causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados
internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

103. (2018 – VUNESP – TJRS – JUIZ) Sobre prisão e medidas cautelares, é correto
afirmar:

(A) a) por se tratar de medida urgente, a prisão deverá ser efetuada em qualquer lugar
e dia e a qualquer hora.
(B) a falta de exibição do mandado não obsta a prisão se a infração for inafiançável.
(C) deverão ser aplicadas, observando-se a necessidade, adequação, regulamentação,
usos e costumes e os princípios gerais de direito.
(D) o juiz não pode dispensar a manifestação da parte contrária antes de decidir sobre
o pedido de medida cautelar.
(E) dispensa-se a assinatura no mandado de prisão quando a autoridade judiciária
responsável pela sua expedição se fizer presente em seu cumprimento.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. De acordo com o art. 283, §2º do CPP: A prisão poderá ser efetuada em
qualquer dia e a qualquer hora, respeitadas as restrições relavas à inviolabilidade do
domicílio.
OBS: Entendo que a presente questão é passível de anulação, uma vez que a presente
assertiva trouxe a regra geral, sem trazer em seu enunciado termos como “sempre”,
ou “em todos os casos”, ou afins. Assim, apesar de incompleto, o item não poderia ser
considerado errado pela banca examinadora.

(B) Correta. De acordo com o art. 287 do CPP.

(C) Incorreta. De acordo com o art. 282 do CPP, que só faz referência à necessidade e
adequação.

(D) Incorreta. De acordo com o art. 282, §3º do CPP, o juiz pode dispensar o
contraditório em casos de urgência ou perigo de ineficácia da medida.
113
(E) Incorreta. Inexiste essa previsão no nosso ordenamento processual penal.

104. (2019 – TJAC – CEBRASPE – JUIZ) Quanto à prisão temporária, assinale a alternava
correta.

(A) Caberá prisão temporária em homicídio qualificado, mas não em homicídio simples.
(B) A prisão temporária somente poderá ser executada depois da expedição de
mandado judicial.
(C) Por se tratar de medida cautelar, dada a urgência, na hipótese de representação da
autoridade policial, o Juiz poderá decidir independentemente de manifestação do
Ministério Público.
(D) O despacho que decretar a prisão temporária deverá ser fundamentado e
prolatado dentro do prazo de 48 horas, contadas a partir do recebimento da
representação ou do requerimento.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS
(A) Incorreta. Cabe tanto em homicídio simples quanto no homicídio qualificado,
desde que doloso: Art. 1° Caberá prisão temporária: (...) III - quando houver fundadas
razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou
participação do indiciado nos seguintes crimes: a) homicídio doloso (art. 121, caput, e
seu § 2°);

(B) Correta. De acordo com o art. 2º, §4º da Lei nº 7.960/89


Art. 2º. (...) § 4º Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em
duas vias, uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa.

(C) Incorreta. De acordo com o art. 2º, §1º da Lei nº 7.960/89 Art. 2º. (...) § 1° Na
hipótese de representação da autoridade policial, o Juiz, antes de decidir, ouvirá o
Ministério Público.

(D) Incorreta. O prazo é de 24 horas, de acordo com o art. 2º, §2º da Lei nº 7.960/89:
Art. 2º. (...) § 2° O despacho que decretar a prisão temporária deverá ser
fundamentado e prolatado dentro do prazo de 24 (vinte e quatro) horas, contadas a
partir do recebimento da representação ou do requerimento

29/04/2020 114
DIREITO PENAL

105. (CESPE - 2019 - DPE-DF - Defensor Público) Considerando o entendimento


jurisprudencial do STJ, julgue o item a seguir em relação às faltas disciplinares
praticadas no curso da execução penal.

O reconhecimento de falta grave decorrente da prática de fato definido como crime


doloso independe do trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

Súmula 526 - STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de


fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em
julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração
do fato.
DIREITO ELEITORAL

106. (MPE-SC - 2019 - MPE-SC - Promotor de Justiça – Matutina) Consoante a Lei


Complementar n. 64/1990, alterada pela Lei Complementar n. 135/2010, são
inelegíveis os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções
públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato de improbidade
administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver
sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos
8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

LC 64/90
115
Art. 1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
[...]
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas
rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade
administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver
sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos
8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto
no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem
exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição; (Redação dada pela
Lei Complementar nº 135, de 2010)

107. (MPE-SC - 2019 - MPE-SC - Promotor de Justiça – Matutina) Nos termos da Lei
Complementar n. 64/1990, caberá a qualquer eleitor, candidato, partido político,
coligação ou Ministério Público, no prazo de 5 (cinco) dias, contados da publicação do
pedido de registro do candidato, impugná-lo em petição fundamentada.
RESPOSTA: ERRADO

COMENTÁRIOS

LC 64/90
Art. 3° Caberá a qualquer candidato, a partido político, coligação ou ao Ministério
Público, no prazo de 5 (cinco) dias, contados da publicação do pedido de registro do
candidato, impugná-lo em petição fundamentada.

30/04/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

108. A respeito dos direitos e das garantias fundamentais e da aplicação da norma


constitucional, julgue o item.

Suponha-se que a lei estabeleça, no processo de seleção, que todos os membros da 116
carreira militar devem possuir uma determinada altura mínima. Nesse caso, de acordo
com a jurisprudência do STF, essa adoção de requisitos físicos deverá observar critérios
idôneos e proporcionais que guardem correlação com as atividades a serem
desempenhadas pelo servidor, não sendo constitucional, por exemplo, essa exigência
legal para médicos militares e capelães.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

Súmula 683 – Supremo Tribunal Federal

O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art.


7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do
cargo a ser preenchido.

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


109. (CESPE - 2019 - Prefeitura de Campo Grande - MS - Procurador Municipal) Com
base no Estatuto da Criança e do Adolescente, julgue o item subsequente.

É permitido que menor de quatorze anos de idade trabalhe, na condição de aprendiz,


em atividade compatível com o seu desenvolvimento, devendo-lhe ser garantidos o
acesso e a frequência obrigatória ao ensino regular e horário especial para o exercício
das atividades.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

ECA

Capítulo V
Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho
Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na
condição de aprendiz. (Vide Constituição Federal)
117

DIREITO DO CONSUMIDOR

110. (CESPE - 2019 - TJ-BA – Conciliador) O CDC autoriza que ação civil coletiva de
responsabilidade por danos individuais sofridos — defesa de interesses individuais
homogêneos — seja proposta

(A) pelo PROCON, sendo imprescindível a atuação do Ministério Público.


(B) pelos indivíduos que tenham sofrido os danos, caso em que se dispensa a atuação
do Ministério Público.
(C) pelas vítimas da relação de consumo, sendo imprescindível a atuação do Ministério
Público.
(D) por associações legalmente constituídas, caso em que se dispensa a atuação do
Ministério Público.
(E) pela União, pelos estados, pelos municípios e pelo Distrito Federal, sendo
prescindível a atuação do Ministério Público.
RESPOSTA: A
COMENTÁRIOS

CDC

Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente:
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem
personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código;

Art. 92. O Ministério Público, se não ajuizar a ação, atuará sempre como fiscal da lei.

01/05/2020

DIREITO CIVIL

111. Acerca das noções gerais de direito, julgue o item.

De acordo com o princípio de continuidade, adotado pela legislação brasileira, uma lei
que caia em desuso poderá ser considerada como revogada tacitamente.
118

RESPOSTA: ERRADO

COMENTÁRIOS

LINDB

Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a
modifique ou revogue.

112. (VUNESP - 2020 - AVAREPREV-SP - Procurador Jurídico) De acordo com o previsto


no Código Civil, assinale a alternativa correta.

(A) Os empresários individuais respondem pelos produtos postos em circulação desde


que comprovada a sua culpa ou dolo.
(B) Quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por
sua natureza, risco para os direitos de outrem, será necessário demonstrar imperícia,
imprudência ou negligência para a sua responsabilização.
(C) O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado nos casos de
força maior, mas não nos casos de culpa exclusiva da vítima.
(D) Depende da comprovação de culpa para a responsabilização civil do empregado
pelos atos de seus prepostos no exercício dos trabalhos que lhes competir.
(E) São responsáveis pela reparação civil, ainda que não haja culpa da sua parte, os que
gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente
quantia.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta.
Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários individuais
e as empresas respondem independentemente de culpa pelos danos causados pelos
produtos postos em circulação.
119
(B) Incorreta.
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa,
nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

(C) Incorreta.
Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não
provar culpa da vítima ou força maior.

(D) Incorreta.
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
[...]
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;

Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não
haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.
(E) Correta.
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
[...]
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a
concorrente quantia.

DIREITO ELEITORAL

113. (VUNESP - 2019 - Câmara de Piracicaba - SP – Advogado) Tendo em vista as


Súmulas do Tribunal Superior Eleitoral, assinale a alternativa correta.

(A) O exercício do mandato, por si só, é circunstância que comprova a condição de


alfabetizado do candidato.
(B) O juiz eleitoral pode, de ofício, instaurar procedimento para impor multa pela
veiculação de propaganda eleitoral irregular.
(C) O prazo de inelegibilidade pela condenação por abuso de poder econômico inicia
no dia da eleição em que se verificou e finda no dia de igual número no oitavo ano
seguinte.
120
(D) Nas ações que visem à cassação de registro, diploma ou mandato há litisconsórcio
passivo facultativo entre o titular e o respectivo vice da chapa majoritária.
(E) O partido político é litisconsórcio passivo necessário em ações que visem à
cassação da diplomação do candidato.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Súmula 15 - TSE: O exercício de mandato eletivo não é circunstância


capaz, por si só, de comprovar a condição de alfabetizado do candidato.

(B) Incorreta. Súmula 18 - TSE: Conquanto investido de poder de polícia, não tem
legitimidade o juiz eleitoral para, de ofício, instaurar procedimento com a finalidade de
impor multa pela veiculação de propaganda eleitoral em desacordo com a Lei nº
9.504/1997.
(C) Correta. Súmula 19 - TSE: O prazo de inelegibilidade decorrente da condenação por
abuso do poder econômico ou político tem início no dia da eleição em que este se
verificou e finda no dia de igual número no oitavo ano seguinte (art. 22, XIV, da LC nº
64/1990).

(D) Incorreta. Súmula 38 - TSE: Nas ações que visem à cassação de registro, diploma ou
mandato, há litisconsórcio passivo necessário entre o titular e o respectivo vice da
chapa majoritária.

(E) Incorreta. Súmula 40 - TSE: O partido político não é litisconsorte passivo necessário
em ações que visem à cassação de diploma.

02/05/2020

DIREITO ADMINISTRATIVO

114. (Simulado Mege) É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie


ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu
provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido,
salvo em hipóteses excepcionais em que haja substancial correspondência entre as 121
características dos dois cargos, sobretudo a respeito das atribuições incluídas nas
esferas de competência de cada qual.
RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 909 DO STF (2018)


Segundo entendimento do STF, é inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado
ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente
investido, salvo em hipóteses excepcionais em que haja substancial correspondência
entre as características dos dois cargos, sobretudo a respeito das atribuições incluídas
nas esferas de competência de cada qual.

ADI 3415 ED-segundos/AM, rel. Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 1º.8.2018.

115. (Simulado Mege) Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas


dotadas de personalidade jurídica de direito privado com patrimônio próprio e
autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem monopólio e com
finalidade de lucro.
RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 910 DO STF (2018)

A Primeira Turma do STF entende que não se submetem ao regime de precatório as


empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de direito privado com
patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem
monopólio e com finalidade de lucro.
RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber,
julgamento em 7.8.2018.

DIREITO ELEITORAL

116. (Simulado Mege) A convocação para o cadastro da biometria, amplamente


divulgada, intimando-se o eleitor por edital, é válida e, o seu não comparecimento,
implicará no cancelamento de seu título. 122
RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 917 DO STF (2018)

De acordo com o STF, é válido o cancelamento do título do eleitor que, convocado por
edital, não comparecer ao processo de revisão eleitoral, em virtude do que dispõe o
art. 14, “caput”, e § 1° da Constituição Federal de 1988 (CF).

ADPF 541 MC/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgamento em 26.9.2018.

03/05/2020

DIREITO CONSTITUCIONAL

117. (Simulado Mege) São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro e seis
anos para ingresso, respectivamente, na educação infantil e no ensino fundamental,
bem como a fixação da data limite de 31 de março para que referidas idades estejam
completas.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 909 DO STF (2018)

Segundo o entendimento do STF, são constitucionais a exigência de idade mínima de


quatro e seis anos para ingresso, respectivamente, na educação infantil e no ensino
fundamental, bem como a fixação da data limite de 31 de março para que referidas
idades estejam completas.

ADPF 292/DF, rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 1º.8.2018.

ADC 17/DF, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgamento
em 1º.8.2018.

123
118. (Simulado Mege) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem se firmado
no sentido de que os municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de
interesse local, ainda que, de modo reflexo, tratem de direito comercial ou do
consumidor, pois, diante da ausência um critério objetivo que possa balizar de maneira
absolutamente segura se a matéria normatizada transcende o interesse local, há de se
prestigiar a vereança local, que bem conhece a realidade e as necessidades da
comunidade.
RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 917 DO STF (2018)


O STF possui jurisprudência no sentido de que os municípios detêm competência para
legislar sobre assuntos de interesse local, ainda que, de modo reflexo, tratem de
direito comercial ou do consumidor, pois, diante da ausência um critério objetivo que
possa balizar de maneira absolutamente segura se a matéria normatizada transcende
o interesse local, há de se prestigiar a vereança local, que bem conhece a realidade e
as necessidades da comunidade.

RE 1.052.719 AgR/PB, rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 25.9.2018.


119. (Simulado Mege) Segundo o STF, é constitucional lei municipal que versa sobre a
proibição de transporte de cargas vivas em veículos em áreas urbanas e de expansão
urbana do Município.

RESPOSTA: ERRADO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 919 DO STF (2018)

Segundo entendimento do STF é inconstitucional lei municipal que versa sobre a


proibição de transporte de cargas vivas em veículos em áreas urbanas e de expansão
urbana do Município.

ADPF 514 MC-REF/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 11.10.2018.

ADPF 516 MC-REF/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgamento em 11.10.2018.

120. O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no momento em que proferiu as 124
declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, nos
casos em que as ofensas são divulgadas pelo próprio parlamentar na Internet.

RESPOSTA: CERTO

COMENTÁRIOS

INFORMATIVO 969 DO STF (2020).

O fato de o parlamentar se encontrar na Casa legislativa no momento em que proferiu


as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra,
porque ele depois divulgou essas ofensas na Internet.

A inviolabilidade material somente abarca as declarações que apresentem nexo direto


e evidente com o exercício das funções parlamentares. No caso concreto, embora
tenha feito alusão à Lei Rouanet, o parlamentar nada acrescentou ao debate público
sobre a melhor forma de distribuição dos recursos destinados à cultura, limitando-se a
proferir palavras ofensivas à dignidade dos querelantes. A liberdade de expressão
política dos parlamentares, ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da
civilidade. STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac.
Min. Marco Aurélio, julgado em 10/3/2020 (Info 969).

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