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Você sabe o que é um ato de reparação dos pecados?


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A importância da espiritualidade da reparação na recepção dos sacramentos e na


prática das devoções

A espiritualidade reparadora faz parte da piedade cristã, pois é um dos efeitos


constitutivos do mistério da redenção realizado por Jesus Cristo. O Catecismo da Igreja
Católica nos ensina que “toda a vida de Cristo é mistério de Redenção”1. Esta nos vem,
antes de tudo, pelo sacrifício de Cristo na cruz, mas esse mistério está em ação em toda
a vida de Jesus. Por isso, Sua submissão a José e Maria, no tempo de Sua vida oculta2,
serve de “reparação para nossa insubmissão”3. Entretanto, a reparação dos nossos
pecados acontece de forma radical e definitiva no sacrifício de Cristo:

“Como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim,


pela obediência de um só, todos se tornarão justos”4. Pela Sua obediência até a morte,
Jesus se tornou o Servo Sofredor, que oferece Sua vida em “sacrifício expiatório”5.
Cristo “tomou sobre si o pecado de muitos homens”6, justificou-os tomando “sobre si
suas iniquidades”7. Por Seu sacrifício na cruz, “Jesus prestou reparação por nossas
faltas e satisfez o Pai por nossos pecados”8.

A importância dos sacramentos

Essa reparação pelos nossos pecados, realizada por Jesus Cristo no Seu sacrifício
na cruz, está presente nos sacramentos e se atualiza na celebração da Santa Missa. Pois,
“enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados dos
vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais”9. Por
isso, a participação na Santa Missa nos faz participantes da obra reparadora de Jesus
Cristo. Na celebração da Eucaristia, a reparação pelos nossos pecados e pelos pecados
do mundo faz parte do culto espiritual oferecido a Deus, juntamente com devida
adoração, a ação de graças e a súplica.

No sacramento da penitência, a reparação pelos pecados cometidos também está


presente, pois, na absolvição, é perdoada a pena eterna, ou seja, o castigo merecido
pelos nossos pecados. Esse sacramento é constituído de três atos do penitente e da
absolvição dada pelo sacerdote.

“Os atos do penitente são o arrependimento, a confissão ou manifestação dos


pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação”10.
Quando os pecados são cometidos contra a justiça, no caso de um bem roubado ou
contra a verdade, no caso de calúnia ou difamação, além da reparação espiritual11, que
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se dá pela oração, faz-se necessária a reparação material12, que pode ser a devolução do
bem roubado ou a prática de uma obra de caridade, no primeiro caso, ou a reparação
moral13, que pode ser o reconhecimento público do mal cometido, no segundo caso. A
reparação moral em às vezes, material do mal causado deve ser avaliada segundo a
medida do prejuízo causado e no quanto este obriga a consciência do penitente14.

Obras de misericórdia

Depois de recebermos a absolvição dos pecados no sacramento da penitência e


cumprir a penitência e as obras de reparação, a pena eterna é perdoada. Entretanto, a
pena temporal, que é a tarefa de eliminar as raízes que o pecado deixou em nós
mediante a mortificação das paixões desregradas, permanece. Por isso, são
particularmente importantes o jejum, a esmola, a penitência e a oração, que podem ser
oferecidos em reparação das penas pelos nossos próprios pecados e pelos pecados das
almas que estão no purgatório.

As obras de misericórdia corporais podem também ser oferecidas em reparação


pelos pecados: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir
os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os
mortos. Igualmente podemos oferecer as obras de misericórdia espirituais: dar bom
conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as
injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos
e defuntos.

Além das obras de misericórdia, podemos oferecer as indulgências concedidas


pela Igreja para apagar as penas temporais pelos nossos pecados ou pelas almas que
estão no Purgatório. São várias as celebrações, como a Festa da Misericórdia, orações
como o Rosário; e as ocasiões, como peregrinações aos santuários e aos lugares santos,
que são enriquecidas com as indulgências.

Devoção ao Sacratíssimo Coração de Jesus

A espiritualidade da reparação se faz presente de modo especial na devoção ao


Sacratíssimo Coração de Jesus. Muitos santos propagaram essa devoção. Dentre eles,
destacamos São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina
de Sena, o Beato Henrique Suso, São Pedro Canísio, São Francisco de Sales, São João
Eudes, São João Bosco e Santa Margarida Maria Alacoque. Com a ajuda do seu diretor
espiritual, o beato Cláudio de la Colombière, Santa Margarida, com o seu ardente zelo,
conseguiu que o culto ao Sagrado Coração de Jesus adquirisse um grande
desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse
das demais formas da piedade cristã.
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Dentre as associações que promovem o culto ao Coração de Jesus, as piedosas
práticas de reparação, de modo especial destacam-se as manifestações de ardentíssima
piedade e devoção do Apostolado da Oração. Este propaga a devoção da comunhão
reparadora nas nove primeiras sextas-feiras em desagravo ao Sagrado Coração de
Jesus, segundo as revelações a Santa Margarida Maria Alacoque.

Para que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus produza frutos mais abundantes
na família cristã e em toda a humanidade, o Papa Pio XII recomenda: “procurem os
féis unir a ela estreitamente a devoção ao Coração Imaculado da Mãe de Deus”15. Pois
foi por vontade de Deus que, na obra da Redenção humana, a Virgem Maria estivesse
inseparavelmente unida a seu Filho Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da
caridade de Cristo e dos Seus sofrimentos, aos quais foram intimamente associados o
amor e as dores de Sua Mãe Santíssima. “Por isso, convém que o povo cristão, que de
Jesus Cristo, por intermédio de Maria, recebeu a vida divina, depois de prestar ao
Sagrado Coração o devido culto, renda também ao amantíssimo coração de Sua Mãe
celestial os correspondentes obséquios de piedade, amor, agradecimento e reparação”16.

Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração da Virgem Maria

Considerando que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus está intimamente


unida a do Imaculado Coração da Virgem Maria, a espiritualidade da comunhão
reparadora ganha particular importância. Essa realidade nos foi confirmada pela
própria Virgem Maria, em uma de suas aparições, a Irmã Lúcia em Fátima, Portugal.
Nossa Senhora mostrou o seu Coração Imaculado rodeado de espinhos, que significam
os nossos pecados; e pediu que fizéssemos atos de reparação, de desagravo, para tirar
esses espinhos dele.

De modo especial, a Virgem de Fátima recomendou a devoção reparadora dos


cinco primeiros sábados. Segundo Irmã Lúcia, “da prática da devoção dos primeiros
sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a
paz do mundo”17. Por isso, nos tempos de guerra e violência em que vivemos, torna-se
particularmente urgente o desagravo das ofensas contra o Coração Imaculado da
Virgem Mãe de Deus.

Assim, a espiritualidade reparadora tem como finalidade nos conduzir a Jesus


Cristo e à salvação eterna. Por isso, procuremos com maior empenho conhecer melhor
essa doutrina da Santa Mãe Igreja sobre a reparação das penas temporais e das ofensas
contra o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria. Pois,
conhecendo melhor a espiritualidade da reparação, viveremos melhor esse caminho
que nos coloca no mistério da Redenção da humanidade. Que a vivência da
espiritualidade da reparação das penas temporais pelos nossos pecados e pelas almas
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do purgatório e do desagravo das ofensas contra o Coração de Jesus e o Coração de
Maria sejam causa de salvação eterna para muitos.

Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!

Referências:

1 CONCÍLIO VATICANO II. Catecismo da Igreja Católica, 517.

2 Cf. Lc 2, 51.

3 CONCÍLIO VATICANO II. Op. cit., 517.

4 Rm 5, 19.

5 Cf. Is 53, 10.

6 Cf. Is 53, 12.

7 Cf. Is 53, 11.

8 CONCÍLIO VATICANO II. Op. cit., 615.

9 Idem, 1414.

10 Idem, 1491.

11 Cf. CEC 2454.

12 Idem, 2412; 2454; 2487.

13 Idem, 2487.

14 Cf. idem, ibidem.

15 PAPA PIO XII. Carta Encíclica Haurietis Aquas, 74.

16 Idem, ibidem.

17 SANTUÁRIO DE FÁTIMA. Mensagem de Fátima: Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados.

O que são orações de reparação?


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Nós, católicos, temos o dever de reparar o dano espiritual causado pelos nossos
pecados e pelos da humanidade
Desde Adão e Eva, a humanidade tenta reparar os danos que infligem a outras
pessoas. Embora Jesus Cristo tenha feito o último ato de reparação no Calvário, os
católicos acreditam que ainda precisamos fazer o que pudermos para reparar os danos
que cometemos.
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O Catecismo da Igreja Católica explica que, depois de confessar nossos pecados
no sacramento da reconciliação, ainda precisamos consertar os danos que causamos
aos outros:

“Muitos pecados prejudicam o próximo. Há que fazer o possível por reparar esse
dano (por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a boa reputação daquele
que foi caluniado, indenizar por ferimentos). A simples justiça o exige. Mas, além
disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações com
Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedia todas as desordens
causadas pelo pecado. Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar a perfeita
saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar os seus pecados:
«satisfazer» de modo apropriado ou «expiar» os seus pecados. A esta satisfação
também se chama penitência.” (Catecismo da Igreja Católica, 1459)
Embora isso se refira principalmente a atos físicos de reparação, também é
possível oferecer orações de reparação por danos pessoais e danos causados por outras
pessoas. A Enciclopédia Católica explica:

“Somos restaurados à graça através dos méritos da morte de Cristo, e essa graça
nos permite adicionar nossas orações, trabalhos e provações às de Nosso Senhor” e
preencher as coisas que estão querendo os sofrimentos de Cristo. Podemos, portanto,
fazer algum tipo de reparação à justiça de Deus por nossas próprias ofensas contra Ele
e, em virtude da Comunhão dos Santos, a unidade e a solidariedade do Corpo místico
de Cristo, podemos também fazer satisfação e reparação pela pecados dos outros ”.
Desta forma, podemos ajudar a reparar os danos espirituais que outros causaram
e contribuir para a cura do mundo. O próprio Jesus apareceu à Santa Margarida Maria
Alacoque e pediu-lhe para promover a devoção ao seu Sagrado Coração como forma
de reparar os vários pecados cometidos contra ele.

Orações de reparação também podem ser pensadas como “orações de amor”,


proclamando a Jesus o amor que você tem por ele, mesmo quando outros o rejeitam.

Acima de tudo, as orações de reparação nos ajudam a entender que nossas ações
têm consequências físicas e espirituais. A justiça exige que consertemos o dano de
ambas as maneiras, invocando o toque de cura de Deus sobre nossos pecados e os
pecados do mundo.
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ATO DE REPARAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
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Em 1928, o Papa Pio XI entregou uma oração urgente a toda a Igreja: o ato de
reparação ao Sagrado Coração de Jesus. Aprenda a rezá-lo e conheça a teologia por
trás dessa importante prática de piedade.

Neste ano de 2017, as duas mais importantes nações lusófonas do mundo


experimentam o privilégio de um Jubileu Mariano: em Portugal, por um lado, celebra-
se o primeiro centenário das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima; no
Brasil, por outro, comemoram-se os 300 anos do encontro, nas águas do Rio Paraíba, da
imagem milagrosa da Virgem de Aparecida.

Dentre as várias formas pelas quais o site do Padre Paulo Ricardo deseja ajudar
seus alunos e visitantes a viverem bem esse tempo de graça, destaca-se a prática dos
"primeiros sábados do mês", uma devoção ensinada por Nossa Senhora à Irmã Lúcia
cuja finalidade é reparar os pecados cometidos contra o seu Imaculado Coração. Para
entender mais exatamente em que consiste esse piedoso exercício, vale a pena conferir
a "A Resposta Católica" que temos a este respeito.

Mas os cristãos, particularmente os de nossa época, podem ser levados a


perguntar: o que significa, afinal de contas, esta palavra — "reparação"?

Tão ausente de nossas homilias, meditações e orações quanto as verdades do


pecado e do inferno, as palavras "reparação", "satisfação" e "desagravo", todas elas
sinônimas, foram relegadas por muitos teólogos como "peças de museu", pertencentes a
uma doutrina arqueológica, da qual o homem moderno deveria desfazer-se de uma vez
por todas, já que não serviria mais, dizem eles, às necessidades "práticas" do mundo
atual.

Achille Ratti, o Papa Pio XI, governou a Igreja de 1922 a 1939.

A verdade, porém, é que "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre" (Hb 13,
8). Se os primeiros cristãos completavam na sua carne o que faltava à paixão de Cristo,
conforme o testemunho da própria Escritura (cf. Cl 1, 24), quem somos nós para agir de
outra forma ou ainda sugerir o contrário? Afirmar levianamente que o Evangelho poderia
mudar com os tempos, ou que parte dele se tornou "ultrapassada", é indício, na verdade,
de uma grande petulância, quando não de uma tremenda falta de fé. Ora, se Jesus de
Nazaré é verdadeiramente Deus e homem — como sempre acreditou a Igreja —, se Ele
é, de fato, "a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai", como diz o Catecismo (§ 65),
como poderia a sua revelação ser considerada insuficiente, incompleta ou adaptável?
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Estariam por acaso "fora de moda" os ensinamentos do próprio Deus? Será que somos
tão soberbos a ponto de pretendermos corrigir o que Ele mesmo e os seus Apóstolos não
só pregaram como viveram?

Se ainda resta, portanto, um pouquinho de fé que seja na cabeça de nossos


contemporâneos, para confirmar o dever que temos de reparar as ofensas cometidas por
nós mesmos contra Deus, nada melhor do que recordar o ensinamento sólido do
Magistério da Igreja sobre esse assunto.

A seguir, você encontra alguns trechos preciosos da encíclica Miserentissimus


Redemptor [1], com a qual o Papa Pio XI deu à Igreja universal a belíssima oração do
"Ato de Reparação ao Sagrado Coração de Jesus" (que também se encontra logo abaixo).
Neste documento, o Santo Padre responde, com a Tradição e as Sagradas Escrituras, aos
principais obstáculos que geralmente são colocados à prática da reparação, ajudando
nossa inteligência a compreender a teologia por trás dessa sadia devoção popular.

Ora, ainda que a copiosa Redenção de Cristo abundantemente nos tenha "perdoado
todos os nossos pecados" (cf. Col 2, 13), em virtude daquela admirável disposição da divina
Sabedoria, pela qual se deve completar em nossa carne o que falta às tribulações de Cristo
por seu Corpo, que é a Igreja (cf. Col 1, 24), aos louvores e satisfações que Cristo, em nome
dos pecadores, ofereceu a Deus, não só podemos como, ainda mais, devemos acrescentar
também os nossos próprios louvores e satisfações.

[...] Mas como podem estes atos expiatórios consolar a Cristo, que reina ditosamente
nos céus? "Dá-me um coração que ame e entenderás o que digo", respondemos com estas
palavras de Santo Agostinho, tão convenientes a este ponto.

Com efeito, quem ama verdadeiramente a Deus, se considera os fatos passados, vê e


contempla a Cristo trabalhando em favor do homem, sofrendo, suportando as mais duras
penas, quase desfeito sob o peso da tristeza, de angústias e opróbrios "por nós homens e para
a nossa salvação", "esmagado por nossas iniquidades" ( Is 53, 5) e curando-nos com suas
chagas. Ora, quanto mais profundamente penetram as almas piedosas estes mistérios, mais
claro veem que os pecados e crimes dos homens, em qualquer tempo perpetrados, foram a
causa de que o Filho de Deus se entregasse à morte; e ainda agora esta mesma morte, com suas
mesmas dores e tristezas, de novo Lhe é infligida, já que cada pecado renova a seu modo a
Paixão do Senhor: "Novamente crucificam o Filho de Deus e O expõe a vilipêndios" (Hb 6,
6). E se por causa também dos nossos pecados futuros, por Ele previstos, a alma de Cristo
padeceu aquela tristeza de morte, não há dúvida de que algum consolo Cristo recebeu também
de nossa futura, mas também prevista, reparação, quando "o anjo do céu Lhe apareceu"
(Lc 22, 43) para consolar seu Coração oprimido de tristeza e angústias. Por isso, podemos e
devemos consolar aquele Coração Sacratíssimo, incessantemente ofendido pelos pecados e
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pelas ingratidões dos homens, por este modo admirável, mas verdadeiro, pois, como se diz
na Sagrada Liturgia, o mesmo Cristo, pelos lábios do salmista, se queixa a seus amigos de ter
sido abandonado: "Impropério e miséria esperou meu coração: e busquei quem
compartilhasse da minha tristeza e não houve ninguém; busquei quem me consolasse e não
encontrei" (Sl 69, 21).

Acrescenta-se que a Paixão expiatória de Cristo se renova e, de certo modo, continua


e se completa em seu Corpo Místico, que é a Igreja, já que, servindo-nos outra vez das
palavras de Santo Agostinho ( In Ps., 86), "Cristo padeceu quanto devia padecer, e nada falta
à medida de sua Paixão. A Paixão, pois, está completa, mas na Cabeça; faltava ainda a Paixão
de Cristo no Corpo". Nosso Senhor mesmo se dignou declará-lo quando, ao aparecer a Saulo,
"que respirava ameaças e morte contra o discípulos" (At 9, 1), lhe disse: "Eu sou Jesus, a
quem persegues" (At 9, 5), significando claramente que nas perseguições contra a Igreja é a
Cabeça divina da Igreja a quem se atinge e impugna. E isso com razão, porque Jesus Cristo,
que ainda padece em seu Corpo Místico, deseja ter-nos por sócios na expiação, e isto no-lo
exige nossa própria incorporação a Ele: pois sendo como somos "corpo de Cristo e cada um,
de sua parte, é um dos seus membros" (1Cor 12, 27), é necessário que o que padece a Cabeça,
padeçam-no com Ela os seus membros (cf. 1Cor 12, 26).

Quão necessárias sejam, especialmente em nossos tempos, a expiação e a reparação, é


coisa clara a quem olhe e contemple este mundo que, como dissemos no início, "está sob
poder do mal" ( 1Jo 5, 19). De todas as partes chega a Nós o clamor de povos que gemem,
cujos príncipes ou governantes se congregaram e conspiraram juntos contra o Senhor e sua
Igreja (cf. Sl 2,2). Por essas regiões vemos atropelados todos os direitos divinos e humanos;
demolidos e destruídos os templos, os religiosos e as religiosas expulsos de suas casas,
afligidos com ultrajes, tormentos, cárceres e fome; multidões de meninos e meninas arrancadas
do seio da Madre Igreja e induzidos a renunciar e blasfemar contra Jesus Cristo e a cometer
também os mais horrendos crimes da luxúria; todo o povo cristão duramente ameaçado e
oprimido, colocado a todo instante em ocasião de, ou apostatar da fé, ou padecer uma terrível
morte. Tudo isso é tão triste que nestes acontecimentos parece prenunciar-se "o princípio
daquelas dores" que precederiam "o homem de pecado que se levanta contra tudo o que se
chama Deus ou é cultuado" (2Ts 2, 4).

E ainda é mais triste, veneráveis irmãos, que entre os próprios fiéis, lavados no Batismo
com o sangue do Cordeiro Imaculado e enriquecidos com a graça, haja tantos homens de toda
classe que, com inacreditável ignorância das coisas divinas e envenenados de falsas doutrinas,
vivem longe da casa do Pai uma vida repleta de vícios; uma vida, pois, não iluminada pela
luz da verdadeira fé, nem reconfortada pela esperança da felicidade futura, nem aquecida e
fomentada pelo calor da caridade, de modo que eles parecem verdadeiramente jazer na
escuridão e na sombra da morte. Ademais, aumenta cada vez mais entre os fiéis a negligência
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da disciplina eclesiástica e daquelas antigas instituições em que toda a vida cristã se funda e
pela qual a sociedade doméstica é governada e se defende a santidade do
matrimônio; totalmente menosprezada ou depravada com lisonjas de bajulação a educação das
crianças, até mesmo negado à Igreja o poder de educar a juventude cristã; o esquecimento
deplorável da modéstia cristã na vida e principalmente no vestido da mulher; a cobiça
desenfreada das coisas perecíveis, o desejo desproporcional das honrarias mundanas; a
difamação da autoridade legítima e, finalmente, o desprezo da palavra de Deus, de maneira
que a fé é destruída ou é posta à beira da ruína.

Formam o cúmulo destes males tanto a preguiça e a negligência dos que, dormindo ou
fugindo como os discípulos, vacilantes na fé, miseravelmente desamparam a Cristo oprimido
de angústias e rodeado dos sequazes de Satanás, quanto a deslealdade dos que, à imitação do
traidor Judas, ou temerária e sacrilegamente comungam, ou desertam para os acampamentos
inimigos. Deste modo, inevitavelmente se nos apresenta ao espírito a ideia de que se
aproximam os tempos preditos por Nosso Senhor: "E, ante o progresso crescente da
iniquidade, a caridade de muitos se esfriará" ( Mt 2, 24). [...]

Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão
ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados
na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade
tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo
coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez
cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa
misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que,
errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo
como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo
da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos,
mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de
corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias
contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do
desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim,
dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja.

Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniqüidades!


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Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os
merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação,
que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias
sobre nossos altares.

Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso
firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da
lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo,
impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso
serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a


espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de
perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso
santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai
e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Notas

A tradução portuguesa apresentada neste post encontra-se disponível aqui. Limitamo-


nos a fazer apenas algumas pequenas correções de detalhe, a fim de que o texto em
português se ajustasse melhor tanto ao teor quanto à forma do original latino.

R.26 REPARAÇÃO NO CATECISMO DA IGREJA


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R.26.1 Cristo repara a desobediência de Adão e os nossos pecados

§411 A tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do "novo Adão", que, por sua
"obediência até a morte de Cruz" (Fl 2,8), repara com superabundância a desobediência
de Adão. De resto, numerosos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher anunciada
no "proto-evangelho" a mãe de Cristo, Maria, como "nova Eva". Foi ela que, primeiro
e de uma forma única, se beneficiou da vitória sobre o pecado conquistada por Cristo:
ela foi preservada de toda mancha do pecado original e durante toda a vida terrestre,
por uma graça especial de Deus, não cometeu nenhuma espécie de pecado.

§615 Como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim,


pela obediência de um só, todos se tornarão justos" (Rm 5,19). Por sua obediência até
a morte, Jesus realizou a substituição do Servo Sofredor que "oferece sua vida em
sacrifício expiatório", "quando carregava o pecado das multidões", "que ele justifica
levando sobre si o pecado de muitos". Jesus prestou reparação por nossas faltas e
satisfez o Pai por nossos pecados.
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R.26.2 Dever de reparação

§2487 Toda falta cometida contra a justiça e a verdade impõe o dever de reparação,
mesmo que seu autor tenha sido perdoado. Quando se toma impossível reparar um erro
publicamente, deve-se fazê-lo em segredo; se aquele que sofreu o prejuízo não pode
ser diretamente indenizado, deve-se dar-lhe satisfação moralmente, em nome da
caridade. Esse dever de reparação se refere também às faltas cometidas contra a
reputação de outrem. Essa reparação, moral e às vezes material, será avaliada na
proporção do dano causado e obriga em consciência.

R.26.3 Eucaristia oblação em reparação dos pecados

§1414 Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida em reparação dos pecados


dos vivos e dos defuntos, e para obter de Deus benefícios espirituais ou temporais.

R.26.4 Reparação da injustiça

§2412 Em virtude da justiça comutativa, a reparação da injustiça cometida exige a


restituição do bem furtado a seu proprietário:

Jesus abençoa Zaqueu por causa de seu compromisso: "Se defraudei a alguém, restituo-
lhe o quádruplo" (Lc 19,8). Aqueles que, de maneira direta ou indireta, se apossaram
de um bem alheio têm obrigação de o restituir ou de devolver o equivalente em natureza
ou em espécie, se a coisa desapareceu, bem como os frutos e lucros que seu proprietário
legitimamente teria auferido. São igualmente obrigados a restituir, proporcionalmente
à sua responsabilidade e ao benefício auferido, todos os que participaram de alguma
maneira do roubo, ou tiraram proveito dele com conhecimento de causa, como, por
exemplo, Os mandantes, os que ajudaram ou encobriram o roubo.

§2454 Toda forma de apropriação e uso injusto dos bens de outrem é contrária ao
sétimo mandamento. A injustiça cometida exige reparação. A justiça comutativa exige
a restituição do bem roubado.

R.26.5 Reparação das culpas contra a verdade

§2509 Toda falta cometida contra a verdade exige reparação.

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