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DIODOS

Na semana anterior vimos que o diodo é um dispositivo eletrônico que permite a


passagem de corrente em apenas um sentido, e a bloqueia no sentido contrário. Antes de
prosseguirmos com o problema da retificação, vamos aprender um pouco mais das
características dos diodos.
Até o momento tratamos as duas situações de forma ideal, ou seja, quando o diodo
está em estado de condução (polarização direta) o consideramos como um curto circuito,
permitindo a passagem de toda a corrente, sem nenhuma perda. De forma semelhante,
quando ele não está conduzindo (polarização reversa) o tratamos como um circuito aberto.
As duas situações são ilustradas na Figura 1.

Figura 1 - Diodo ideal.

Em um curso de eletrônica, normalmente se utiliza o comportamento do diodo ideal


para introduzir aos alunos o princípio de funcionamento dos diodos. Para a análise e projeto
de circuitos eletrônicos devemos considerar as características reais dos diodos. A Figura 2
mostra a curva característica (tensão x corrente) de um diodo de silício.

Figura 2 - Curva característica de um diodo.

A primeira observação que podemos fazer a partir da curva do diodo é que os


diodos não obedecem a lei de Ohm. A equação da lei de Ohm descreve uma reta. Duas
regiões estão destacadas no gráfico. Na região direta o diodo está conduzindo e na região
reversa ele está bloqueando a corrente.
Na região direta, observamos que para valores abaixo de 0,7 V a corrente no diodo
é praticamente zero e a partir dessa tensão a corrente se eleva rapidamente enquanto a
tensão permanece completamente inalterada. Essa é a principal característica do diodo na
região de condução. A barreira formada na junção dos materiais tipo p e tipo n que
compõem o diodo exige que seja aplicado um valor mínimo de tensão em seus terminais
para permitir a passagem de corrente elétrica. No caso dos diodos de silício, consideramos
o valor mínimo de 0,7 V para que haja passagem corrente.
Na região inversa, o diodo não conduz corrente elétrica. Há uma corrente muito
pequena, chamada corrente inversa, que consegue passar pelo diodo, mas o seu valor é
muito pequeno (da ordem de microamperes) e por isso pode ser desprezada. À medida que
aumentamos a tensão de polarização reversa, nos aproximamos da região de ruptura (ou
região zener). O valor de tensão em que ocorre a ruptura é o limite máximo de tensão
reversa que o diodo consegue suportar e deve ser considerado nos projetos. Um tipo
especial de diodo, chamado diodo zener, utiliza essa característica para manter valores
fixos de tensão em alguns circuitos.
A partir desse momento, quando trabalharmos com diodos de silício,
consideraremos uma queda de tensão de 0,7 V quando houver passagem de corrente. No
caso de diodos de germânio, a queda de tensão é de 0,3 V.

CIRCUITOS COM DIODOS

Para compreender melhor observe o seguinte exemplo. Vamos calcular a corrente


no circuito da Figura 3.

Figura 3 - Circuito exemplo.

Nesse circuito temos uma fonte contínua de 10V, um diodo de silício e um resistor
de 0,5 kΩ. As tensões nesses elementos são representadas pelas letras E, V​D e V​ R​,
respectivamente.
Primeiramente precisamos determinar se o diodo estará conduzindo ou não. Para
que ele conduza, precisamos que a corrente flua no sentido do anodo para o catodo e que a
tensão da fonte seja maior que 0,7 V, por se tratar de um diodo de silício.
As duas condições são atendidas, logo, o diodo está conduzindo corrente. Por se
tratar de um diodo de silício no estado de condução de corrente, a tensão V​D é igual a 0,7 V.
Utilizando a LKT, podemos calcular a tensão V​R​.

−E+VD +VR = 0

Logo, V​R é igual a 9,3 V. Para calcular a corrente, podemos utilizar a lei de Ohm no
resistor. Assim,

I D = 9, 3/500

O valor da corrente no circuito é 18,6 mA. Observe que, para qualquer valor de R, a
tensão no diodo seria a mesma, mudando apenas a corrente. Por isso dizemos que o diodo
não obedece a lei de Ohm. Caso o diodo estivesse com a polaridade invertida, não haveria
corrente no circuito (I​D = 0) e, consequentemente, V​R também seria igual a zero. Além disso,
o diodo deve ser capaz de suportar a tensão reversa sobre ele, que nesse caso é igual a
tensão da fonte.

DIODOS EM SÉRIE

Podemos ter circuitos em que diodos são colocados em série, por diversas razões.
Observe o circuito da Figura 4.

Figura 4 - Diodos em série

As condições para que haja condução de corrente são praticamente as mesmas que
aquelas necessárias no caso de um diodo apenas. Eles devem estar diretamente
polarizados, ou seja, com o sentido da corrente gerada pela fonte indo do anodo para o
catodo, e a fonte deve ser maior do que a queda de tensão dos diodos em série. No caso
da Figura 4, temos um diodo de silício em série com um diodo de germânio. Logo, a fonte
deve ter tensão superior a 0,7 + 0,3 V para que haja corrente no circuito.
IMPORTANTE: Nos exercícios de eletrônica vocês notarão uma forma de
representar o circuito um pouco diferente do que estamos acostumados em circuitos CC.
Isso é feito para que o desenho do circuito fique mais limpo e visualmente mais fácil de
compreender. No caso da Figura 4, por exemplo, é omitida a fonte de 12V. Em seu lugar é
deixado um terminal com a indicação de 12 V positivos. Deve-se entender então que entre o
terminal 12 V e o terra há uma fonte de 12 V. A linha de terra geralmente é omitida também
e em seu lugar é utilizado o símbolo de terra como mostrado abaixo do resistor de 10 kΩ da
Figura 4. Portanto, todos os elementos conectados ao símbolo de terra estão conectados
uns aos outros.
ESTUDE OS EXEMPLOS RESOLVIDOS 2.4, 2.5, 2.6, 2.7, 2.8 E 2.9 DO LIVRO TEXTO DA
DISCIPLINA - DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS E TEORIA DE CIRCUITOS - BOYLESTAD
11ª EDIÇÃO

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