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DISCIPLINA DE PORTUGUÊS

TESTE DE AVALIAÇÃO SUMATIVA


Domínios: Leitura (15%), Educação literária (25%), Gramática (15%), Escrita (30%)

8º ___ ____de _________________de 2021


E
Nome:_________________________________________________________
nt Nº ____
re
Leitura: _______ Educação Literária: _______ Gramática: _______
g Escrita: _______
Encarregado de Educação: _______________________________________________
ue
Ano letivo 2020/2021 e
Professora: m
__
GRUPO I – LEITURA (100%) (15%) __
Lê o texto. Se necessário, consulta o vocabulário. /_
__
Origem das festas de aniversário: por que festejamos? _/
Todos os anos, na mesma data, o ritual repete-se: bolo de anos, velas, cantar os parabéns,
amigos e familiares, presentes. Algo tão habitual que nem nos perguntamos porque replicamos,
a cada ano, estes costumes. As festas de aniversário são sempre motivo de alegria e são
acontecimentos relativamente frequentes nas nossas vidas porque, para além de nós próprios,
5 há sempre um amigo, um colega ou um familiar que faz anos.
São aquelas datas que tentamos a todo custo não esquecer (uns com mais sucesso que
outros porque a memória nem sempre é infalível 1), pois sabemos como são importantes para os
aniversariantes.
Mas, afinal, porque organizamos festas de aniversário? Já se perguntou porque há sempre
um bolo com velas para soprar?
10 Do porquê das festas à origem das festas de aniversário
As teorias que explicam as festas consideram-nas como um retorno às origens, servindo
para recordar e dar sentido à existência (no fundo servem para sair um pouco da rotina do dia a
dia). Através da festa celebra-se a vida e reforçam-se elos sociais e a própria identidade. No
caso particular das festas de aniversário, esse regresso às origens é fácil de entender: basta
vermos que a origem da palavra aniversário vem do latim anniversarius, que significa “que
15 volta, acontece todos os anos”. Trata-se, por isso, de um ritual repetido todos os anos para
recordar uma data importante do passado.
Sabe-se que as festas para celebrar o aniversário têm origens mágicas e religiosas, apesar de
no caso do Cristianismo estas terem passado a ser aceites apenas no século IV, quando se
começou a comemorar o nascimento de Cristo. Contudo, as primeiras festas de anos remontam
aos tempos do Antigo Egito. Inicialmente, os aniversários eram apenas reservados às pessoas
20 mais importantes e aos deuses, mas com o tempo esse costume passou a ser alargado a todas
as pessoas.
Rituais desvendados
Certos costumes, ainda hoje utilizados nas festas de aniversário, têm origens muito antigas.
Por exemplo, o bolo de anos e as velas tiveram início com os gregos, que faziam bolos redondos
25 como a Lua, iluminados com velas, em homenagem à deusa Ártemis 2. As velas estão associadas
a poderes mágicos e à satisfação de pedidos: por isso ainda hoje se trinca a vela para pedir um
desejo. Já o facto de estarmos rodeados dos nossos amigos e familiares, que nos felicitam com
desejos de “Parabéns” e “Muitas felicidades”, tinha como objetivo inicial proteger o
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aniversariante dos espíritos maus e atrair os espíritos bons.
Cantar os parabéns é mais um modo de felicitar a pessoa que faz anos. Acreditava-se
30 também que receber presentes daria uma proteção ainda maior contra os maus espíritos, bem
como fazer uma refeição em conjunto. Deste modo, e apesar de já não acreditarmos muito em
espíritos maus, continuamos ainda hoje em dia, pela força da tradição, a fazer uma festa com
aqueles que nos são mais próximos, recheada de comida e presentes, sem esquecer o bolo de
aniversário com as velas.
Atualmente, as festas de aniversário servem para celebrar mais um ano de vida de forma
35 alegre e divertida.
Rita Lobo in https://www.saibamais.net (consultado em 29/02/2020).
VOCABULÁRIO: 1 infalível: que não pode falhar. │ 2 Ártemis: deusa grega ligada à vida selvagem e à caça.

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1. Assinala, com um X, todos os tópicos que se referem a informações contidas no texto.


(25%)
(A) As festas de aniversário estão associadas a momentos de alegria e convívio.
(B) Nunca se esquecem as datas das festas de aniversário de quem nos é próximo.
(C) O aniversário corresponde a uma celebração que se repete todos os anos.
(D) Já no Antigo Egito se celebravam festas de aniversário.

2. Para cada item, escolhe a opção que completa corretamente as afirmações que se seguem,
de acordo com o texto. (25%)
2.1. As festas de aniversário são um
(A) símbolo da rotina do dia a dia.
(B) sinal de que cada ano se fica mais velho.
(C) ritual anual para celebrar uma data importante.
(D) pretexto para comer e receber presentes.

2.2. As festas de aniversário já existiam no Antigo Egito e, inicialmente, (25%)


(A) destinavam-se a todas as pessoas, independentemente da classe social.
(B) eram reservadas aos deuses mais importantes.
(C) tinham vários aspetos associados à magia.
(D) eram reservadas às pessoas importantes e aos deuses.

3. Associa a informação da coluna A ao seu significado na coluna B. (25%)


Coluna A Coluna B
A. “bolo de anos redondo” 1. “proteção contra os maus espíritos”
B. “as velas” 2. “poderes mágicos e satisfação de pedidos”
C. “Parabéns e Muitas Felicidades” 3. “homenagem à deusa Ártemis”
D. “presentes” 4. “afastar os maus espíritos e atrair os bons”

GRUPO II - EDUCAÇÃO LITERÁRIA (100%) (25%)

Lê o excerto de Vanessa vai à luta, de Luísa Costa Gomes e consulta as notas.

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[Vanessa é uma menina que gostaria de receber uma metralhadora como prenda nos seus
anos. A sua mãe espera um bebé.]

VANESSA VAI À LUTA

Finge estar a escrever uma carta.

VANESSA Querida Mana (risca), Querido Mano (risca), Querida Coisa, cá estou outra vez a
escrever-te a fingir, porque ainda não sei umas quantas letras e ainda falta uma semana
para eu fazer sete anos. Vou ter uma festa com todos os meus amigos da escola e de
5 fora da escola, as prendas é que vão ser uma porcaria, bom, mas não era disto que eu
te queria falar. (Risca) Estive a pensar melhor no que te disse da outra vez e acho que o
melhor é vires como rapariga, se ainda fores a tempo de escolher. Vais ver como é fixe
ser rapariga. Para já és muito mais linda do que um rapaz. Tens uma pele muito
rosadinha e quando fores crescida não precisas de fazer a barba e não picas na cara
10 quando dás beijinhos. Depois vais ter montes de bonecas fixes, barbies e assim, e vais-
te divertir bué a ajudar a Mãe a limpar a loiça e a fazer as camas e outras coisas
maravilhosas e também podes fazer o almoço e o jantar quando fores crescida, não é
fantástico? Portanto, olha que o que eu te digo é verdade. Vem como rapariga, por
favor, para ver se param de me chatear. Assim, se vieres de rapariga, já têm com que se
15 entreter. (Pausa) Obrigada. Beijinhos da Vanessa.

Pela direita entra a FADA MARINA, toda vestida de tule cor-de-rosa. É muito possidónia 1 e
fala numa voz muito fininha.

MARINA Estás a chorar, querida?


VANESSA (olhando-a, espantada) Eu? Não.
20 MARINA Sentes-te triste e desiludida, porque não pudeste ir ao baile.
VANESSA Qual baile?
MARINA E não tens absolutamente nada que vestir. Oh, pobre de ti… nem um par de
jeans… nem uma camisolinha de caxemira2… nem um par de sabrinas douradas…
VANESSA Mas de que é que estás a falar, ó pirosa? Estou de pijama, mas tenho montes de
25 roupa no armário, olha!...
MARINA E precisas de transporte… Queres com certeza uma bela carruagem dourada?
E cocheiro de galonas3 douradas…
VANESSA Mas que mania dos dourados!
MARINA Não tens por aí uma abóbora?
30 VANESSA Não me fales em abóbora, que eu detesto abóbora, detesto sopa de abóbora,
detesto pastéis de abóbora… (Vai-se aproximando e começa a remexer nos folhos do
vestido da FADA MARINA)
MARINA (Fazendo uma birra, batendo com o pé) Mas eu preciso de uma abóbora, eu quero
uma abóbora, sem abóbora nada feito, não te arranjo a carruagem, não arranjo, não
35 arranjo, não consigo trabalhar desta maneira!!!
VANESSA Ih, que grande birra, mas para que é que tu queres uma abóbora agora a meio da
noite?
MARINA Para a transformar em carruagem, ora abóbora!
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VANESSA E para que é a carruagem, ó monga?
40 MARINA Para ires ao baile, minha estúpida! […]
VANESSA É que eu queria uma metralhadora pelos anos. E a minha Mãe diz…

Luísa Costa Gomes, Arte da conversação seguido de Vanessa vai à luta, Lisboa, Livros Cotovia, pp. 93-97.
Vocabulário:
1
possidónia: convencida. 2 caxemira: lã fina. 3 galonas: ornamentos de cerimónia.

1. Seleciona a razão que justifica por que Vanessa finge “estar a escrever uma carta” (l. 1).
(15%)
(A) Ela finge porque em palco não é fácil escrever ao mesmo tempo que se fala.
(B) Ela finge porque ainda não aprendeu a escrever bem.
(C) Ela finge porque não queria verdadeiramente escrever aquela carta.
(D) Ela finge porque queria escrever aquela carta mais tarde.

2. Vanessa apresenta na sua carta ao bebé algumas vantagens de se ser rapariga. (15%)
2.1. Retira do texto um exemplo de cada tipo de vantagem.
‒ Vantagens nos brinquedos.
‒ Vantagens físicas.
‒ Vantagens nas tarefas.

2.2. Transcreve um excerto que mostre que Vanessa diz o contrário do que pensa. Justifica
a tua escolha. (10%)

2.3. Explica por palavras tuas a verdadeira intenção de Vanessa ao dar este conselho ao bebé
com base na afirmação “Vem como rapariga, por favor, para ver se param de me
chatear” (ll. 13-14). (15%)

3. Completa (na folha de teste) a tabela com três atitudes da Fada Marina que mostrem que
ela pensa que Vanessa é semelhante a uma Cinderela da história de fadas. (15%)

1.a atitude Afirma que __________________________________________________

2.a atitude Afirma que __________________________________________________

3.a atitude Acredita que _________________________________________________

4. Relê as indicações cénicas das linhas 16-17, 31-32 e 33. (15%)


4.1. Assinala a opção que indica as finalidades destas indicações cénicas.
(A) Mostrar que Marina se veste e se comporta sempre como uma fada.
(B) Dar a ideia de que Marina não possui a magia de uma fada.
(C) Indicar características do cenário e do guarda-roupa de todas as personagens.
(D) Evidenciar a personalidade fútil da fada pelo guarda-roupa e pelas atitudes.

5. Assinala a indicação cénica que poderia acompanhar a fala de Vanessa no final do texto.
(15%)
(A) (Mostrando uma cara de horror e fazendo um gesto de nojo).
(B) (Falando com voz triste e mostrando um olhar desiludido).
(C) (Dançando com um ar trocista e fazendo um gesto que imita um vómito).
(D) (Falando com voz zangada e imitando com aborrecimento um rapaz).
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GRUPO III – GRAMÁTICA (100%) (15%)

1. Associa as palavras sublinhadas nas frases da coluna A à sua classe de palavras na coluna B.
(25%)

Coluna A Coluna B

A. A Vanessa portou-se bem para receber 1. Advérbio


uma prenda. 2. Conjunção
B. A fada dirigiu-se para casa da Vanessa. 3. Preposição
C. Vanessa respondeu rapidamente. 4. Pronome
D. A fada ofereceu-lhe a metralhadora. 5. Verbo

2. Identifica e classifica as orações subordinadas das frases seguintes. (30%)


a) Sempre que brincava, Vanessa evitava as bonecas.
b) A fada ficou aborrecida dado que não tinha uma abóbora.
c) Caso Vanessa fosse ao baile, a fada oferecia-lhe um vestido.

3. Seleciona a opção que completa corretamente cada afirmação (3.1. e 3.2.).


3.1. A única frase cujo constituinte sublinhado tem a função de modificador do nome é
(25%)
(A) Uma metralhadora cor-de-rosa não era o sonho de Vanessa.
(B) A metralhadora era o que Vanessa desejava desde sempre.
(C) Vanessa disse que queria como prenda uma metralhadora.
(D) A metralhadora era a prenda mais desejada por Vanessa.

3.2. A única frase cujo constituinte sublinhado tem a função de complemento direto é
(A) Vanessa considerava horríveis as roupas de menina.
(B) O sonho da mãe era vesti-la com roupas de menina.
(C) Aquele vestido e aquela camisola eram roupas de menina.
(D) Na festa foram-lhe oferecidas roupas de menina pelos amigos.

4. Transcreve, de cada frase, a oração subordinada substantiva completiva. (20%)


a) Vanessa perguntou-lhe se ela oferecia metralhadoras porque queria uma pelos anos.
b) A fada respondeu que as fadas tudo podiam, caso estivessem interessadas.

GRUPO IV – ESCRITA (100%) (30%)

A sociedade é responsável pela educação das suas crianças.

Do teu ponto de vista, a educação das meninas deve ser diferente da dos rapazes?
Escreve um texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de 150 e um máximo de
240 palavras, em que defendas o teu ponto de vista.
O teu texto deve integrar:
‒ a apresentação do teu ponto de vista sobre o tipo de educação que se deve dar às
crianças;
‒ a explicitação de duas razões que justifiquem a tua opinião;
‒ uma conclusão adequada.

Página 5
Bom trabalho!
Prof. -------------

CORREÇÃO

GRUPO I - LEITURA
1. (A), (C), (D)
1.1. (C)
Página 6
1.2. (D)
2. A – 3 B–2 C–4 D–1

GRUPO II - EDUCAÇÃO LITERÁRIA


1. (B)
2.1 Vantagens nos brinquedos: as bonecas são muito giras.
Vantagens físicas: as meninas são mais lindas que os rapazes.
Vantagens nas tarefas: ajudar a mãe a limpar a loiça.

2.2 Por exemplo: “vais-te divertir bué a ajudar a Mãe a limpar a loiça e a fazer as
camas e outras coisas maravilhosas e também podes fazer o almoço e o jantar
quando fores crescida, não é fantástico?” (ll. 10-13)
Esta afirmação mostra que Vanessa não é sincera no que afirma porque nenhuma
criança considera divertido ajudar nas tarefas domésticas. Estas tarefas são
aborrecidas.

2.3 Vanessa quer ter uma irmã para que os adultos deixem de implicar com ela. Com
uma menina, eles passarão a ocupar-se da pequenina e deixarão de centrar a atenção
em Vanessa.
3.
1.a atitude: Afirma que Vanessa está a chorar por não poder ir ao baile.
2.a atitude: Afirma que Vanessa não tem roupa para ir ao baile.
3.a atitude: Acredita que Vanessa quer uma carruagem para ir ao baile.
4.1. (D)
5. (B)

GRUPO III - GRAMÁTICA


1.
A–2
B–3
C–1
D–4

2. a) “Sempre que brincava” ‒ oração subordinada adverbial temporal


b) “dado que não tinha uma abóboda” ‒ oração subordinada adverbial causal
c) “Caso Vanessa fosse ao baile” ‒ oração subordinada adverbial condicional
3.1. (A)
3.2. (A)

4.
a) “se ela oferecia metralhadoras”
b) “que as fadas tudo podiam”

GRUPO IV - ESCRITA
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Na minha opinião, a educação de raparigas e de rapazes não deve assentar nas
diferenças que se consideram típicas do género de cada um.
Assim, a educação não deve partir de ideia sobre a personalidade de meninas e de
meninos e sobre as funções que estes devem desempenhar na sociedade e na família.
Por essa razão, para mim, é errado educar as meninas para serem mais sensíveis e mais
ligadas a sentimentos, vestindo-as de cor-de-rosa ou dando-lhes bonecas que imitam
bebés de que elas devem tomar conta, enquanto os rapazes devem ser fortes e
preparados para a dureza da vida, brincando com carros e metralhadoras. Meninos e
meninas devem ser educados da mesma forma, desempenhando as mesmas tarefas e
brincando com os brinquedos de que mais gostam, sejam estas bonecas ou carrinhos.
O que é importante na educação, a meu ver, é apostar no respeito pela diferença e
pela individualidade de cada um. Rapazes e raparigas têm semelhanças e diferenças,
assim com as raparigas têm semelhanças e diferenças entre si. O mesmo se aplica aos
rapazes. A sociedade deve educar para que todos percebam e aceitem as formas de ser
de cada um. Isso contribuirá para uma sociedade pacífica e com respeito pela cidadania.
Em suma, a educação não deve centrar-se numa diferença de géneros, que deve ser
vista como igual por todos, mas antes apostar na diferença e no respeito por essa mesma
diferença.
(235 palavras)

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