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11/01/2021 Os juízos sintéticos a priori como fundamento do conhecimento – Pensamento Extemporâneo

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Pensamento Extemporâneo
FACULDADE DOM LUCIANO MENDES - FILOSOFIA A QUALQUER
TEMPO

Os juízos sintéticos a priori


como fundamento do
conhecimento

 admin  9 de agosto de 2012 | 1

Daniel Junio Gonçalves da Silva

Immanuel Kant (1724-1804) pode ser considerado


um divisor de águas na história da loso a. Há
quem a rme que se pode fazer uma loso a
contra Kant ou a favor de Kant; mas nunca sem
Kant. De fato Kant é dos maiores lósofos da
modernidade. Seu pensamento propôs uma
revolução tão grande e signi cativa que ele
próprio o comparou a revolução criada por
Copérnico no campo da astronomia; destarte
surgiu a expressão “Revolução copernicana de
Kant”; referindo-se à revolução que Kant propôs
com relação ao tema do conhecimento.

O presente artigo tem como base a obra “Crítica


da Razão Pura”. É nesta obra que Kant vai tratar
do problema do conhecimento, do valor dos
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conhecimentos e é aqui que poderemos constatar


a revolução copernicana realizada por Kant. Nosso
objetivo aqui é mostrar como os juízos são
necessários no processo do conhecimento. Porém
antes de nos atermos aos juízos analisaremos
alguns aspectos do processo de conhecimento em
Kant que nos ajudarão a distinguir os juízos.

1 O que é conhecer?

Kant inicia a obra “Crítica da Razão Pura”


realizando uma distinção entre conhecimento
puro e conhecimento empírico, e coloca a
experiência como fonte ou princípio de todo o
conhecimento humano. Analisando então essa
a rmação podemos pensar que Kant por colocar a
experiência como princípio do conhecimento é um
lósofo empirista. No entanto, aprofundando um
pouco mais na “Crítica da Razão Pura” veremos
que não se trata de empirismo, mas sim de um
criticismo. “Segundo o tempo, portanto, nenhum
conhecimento em nós precede a experiência, e
todo o conhecimento começa com ela”. (KANT,
1980 p. 23).

Porém não signi ca que todo conhecimento se


origine justa e unicamente da experiência. Vemos
desenvolver na obra um confronto. De um lado
estão os conhecimentos puros e de outro os
conhecimentos empíricos. “Tais conhecimentos
denominam-se a priori e distinguem-se dos
empíricos, que possuem suas fontes a posteriori,
ou seja, na experiência”. (KANT, 1980 p.23). Para
compreendermos o tema dos juízos é necessário
que compreendamos a base da “Crítica da Razão
Pura”. Quando Kant distingue dois tipos de
conhecimento, que a princípio se denominam
puro e empírico, ele está dizendo que no processo
do conhecimento temos um conhecimento que é
independente da experiência e que está ligado à
abstração; esse conhecimento denominamos
puro, destarte este possui suas fontes a priori. Em
contrapartida, trata de um outro conhecimento
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que possui suas fontes a posteriori, ou seja, na


experiência; este denominamos empírico.

Feita esta distinção, podemos chegar à conclusão


de que os conhecimentos a priori são aqueles que
independem totalmente da experiência e os a
posteriori são aqueles que se dão por meio da
experiência. No entanto, encontramos nos
conhecimentos a priori uma problemática: as
proposições só podem ser consideradas puras
quando nelas não é constatado nada de base na
experiência. Para esclarecer esta situação,
vejamos o que Kant exempli cou: “Assim, por
exemplo, a proposição: cada mudança tem sua
causa, é uma proposição a posteriori, só que não
pura, pois mudança é um conceito que só pode ser
tirado da experiência”. (KANT, 1980 p. 24). Sobre
a experiência ele esclarece:

 A experiência jamais dá aos seus juízos


universalidade verdadeira ou rigorosa, mas
somente suposta e comparativa (por indução),
de maneira que temos propriamente que dizer:
tanto quanto percebemos até agora, não se
encontra nenhuma exceção como possível,
então não é derivado da experiência, mas vale
absolutamente a priori. (KANT, 1980 p. 24).

Antes de tratar mais especi camente sobre o tema


dos juízos, Kant já prenuncia que no
conhecimento humano existem juízos que ele
disse serem necessários e universais, logo são
puros a priori. Um exemplo claro disso são as
proposições matemáticas. Quando digo que
(2+2=4) não preciso passar pelo dado da
experiência para poder chegar a tal conclusão. Os
conhecimentos a priori, puros, são
indispensáveis, eles se fazem presentes em nossa
faculdade de conhecer. “quando suprimirdes do
vosso conceito empírico de um objeto corpóreo ou
incorpóreo todas as propriedades ensinadas pela
experiência, não podereis tirar-lhe aquela pela

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qual o pensais como substancia ou como aderente a


uma substância” (KANT, 1980 p. 25).

2 Os juízos analíticos e sintéticos

Na “Crítica da Razão Pura”, Kant vai analisar o


valor dos conhecimentos puramente racionais,
através de sua revolução copernicana vai colocar
em questão não mais o objeto do conhecimento,
mas sim como se dá o processo humano de
conhecimento. Nesta obra Kant propõe uma
loso a transcendental. Com a revolução de Kant
não mais o objeto é o centro do conhecimento,
mas sim o sujeito cognoscente. Destarte, para
trilhar tal caminho parte da distinção entre: juízos
analíticos e sintéticos. “Juízos analíticos (os
a rmativos) são, portanto, aqueles em que a
conexão do predicado com o sujeito for pensada
por identidade; aqueles, porém, em que essa
conexão for pensada sem identidade, devem
denominar-se juízos sintéticos” (KANT, 1980 p.
27).

Kant é um pensador metódico, de forma que


podemos a rmar: os juízos analíticos independem
da experiência; se independem da experiência
podemos a rmar que são então a priori; se são a
priori não podem ser conhecidos, ou não geram
conhecimento. Foi por isso que Kant também os
denominou como “juízos de elucidação”, ou seja,
esclarecem ou tornam claro tal conhecimento,
mas não geram. Por esta razão é que neste juízo o
predicado já está contido no sujeito.

Em contrário, os juízos sintéticos dependem da


experiência; se dependem da experiência, logo são
a posteriori. Ao contrário dos juízos analíticos,
estes ampliam nosso conhecimento, produzem
conhecimento, por isso é que Kant também os
denominou como “juízos de ampliação”, porém
estes não são universais, pois derivam da
experiência. Depois desta primeira distinção nos
deparamos com um problema: de um lado estão os
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juízos analíticos que não podem ser conhecidos;


de outro lado estão os juízos sintéticos que podem
ser conhecidos mas não são universais. Sobre qual
juízo se fundamenta a ciência do conhecimento?
Qual saída para essa difícil questão?

 Sobre tais princípios sintéticos, isto é,


princípios de ampliação, repousa todo o objeto
ultimo do nosso conhecimento especulativo a
priori; os princípios analíticos são, na verdade,
altamente importantes e necessários, mas só
para chegar àquela clareza dos conceitos
exigida para uma síntese segura e vasta ao
invés de uma aquisição realmente nova.
(KANT, 1980, p. 28).

A saída apresentada por Kant é notável. Segundo


ele, o objeto do nosso conhecimento especulativo
repousa sobre os princípios sintéticos. Porém,
ressalta ele que estes princípios sintéticos devem
ser a priori. “A ciência se baseia em um terceiro
tipo de juízo, ou seja, no tipo de juízo que, a um só
tempo, une a aprioridade, ou seja, a universalidade
e a necessidade, com a fecundidade, e portanto a
‘sinteticidade’” (REALE, 2005, p. 357). Destarte,
vemos então a necessidade de se formular um
juízo que fundamente a ciência e o conhecimento,
porém que seja possível de ser conhecido e
universalizado. Ora esse juízo será então o juízo
sintético a priori. Sobre este é que deve se
fundamentar o conhecimento humano.

3 Considerações nais

Diante do dilema criado pelos juízos analíticos e


sintéticos, Kant apresenta um importante
caminho para fundamentar o conhecimento
humano: os juízos sintéticos a priori. Aos poucos
durante o desenrolar da “Crítica da Razão Pura”
Kant vai então realizando uma grande mudança
no campo da teoria do conhecimento. A distinção
dos juízos analíticos e sintéticos e o apontamento
dos juízos sintéticos a priori como fundamento do
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conhecimento apresentados no início da obra


abrem caminho para a grande revolução
copernicana de Kant e para uma análise dos
conhecimentos, ou melhor, do modo como o
homem conhece.

Referências

KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Trad.


Valério Rohden e Baldur Moosburger. São Paulo:
Abril Cultural, 1980. (Os Pensadores).

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da


Filoso a: de Spinoza a Kant, v. 4. Trad. Ivo
Storniolo. São Paulo: Paulus, 2005.

Categorias Daniel Junio Gonçalves da Silva, Kant


Tags Epistemologia, juízos sintéticos a priori

 A compreensão de liberdade na Fé e razão no pensamento de Blaise 


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supremo da moralidade

1 comentário

Haylton Gomes
16 de março de 2014 (20:30) #

Entender um lósofo do calibre de Emmanuel Kant não é tarefa fácil. Para piorar a
situação, não se encontra artigos e cazes na internet. Este texto do Daniel Silva está de
parabéns pois começou a me aparecer a luz no m do túnel, me fazendo pensar que
entender Kant não é uma coisa impossível, basta encontrar o artigo certo.

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