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Recursos Expressivos

Adjetivação – uso expressivo de adjetivos.

 Adjetivação anteposta: “olhei para um cosmos em miniatura, deito de ínfimas


galáxias”
 Dupla adjetivação: “a lamina numa das mãos e a lamela (tão fina, tão frágil) na outra”
 Tripla adjetivação: “um velho pilar de granito, tombado e musgoso”

Alegoria – metáfora ou imagem que permite representar, da forma concreta, uma realidade
abstrata.

Ex.: Anjo – Bem; Diabo – Mal

Aliteração – repetição do mesmo som consonântico para intensificar a ideia que a frase ou o
verso pretendem transmitir

Ex.: O rato roeu a rolha da garrafa de rum do rei da Rússia.

Anáfora – repetição da mesma palavra ou expressão no início das orações, frases ou versos
sucessivos.

Ex.: “…pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha…”

Antítese – Oposição entre o significado de dois vocábulos ou expressões.

Ex.: “Consciente ou inconscientemente, adapto-me…”

Antonomásia – expressão de duas ideias contraídas.

Ex.: “sábio grego e troiano” – Ulisses e Eneias

Apóstrofe ou Invocação – interpelação de alguém, presente ou ausente, real ou fictício,


através do vocativo.

Ex.: “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!”

Assíndeto – encadeamento do enunciado sem o recurso a elementos de ligação como, por


exemplo, conjunções.

Ex.: “A tua raça quer partir, guerrear, sofrer, vencer, voltar.”

Assonância – repetição se sons vocálicos.

Ex.: “Há mar e mar, há ir e voltar.”

Advérbio expressivo – uso do advérbio com intenção de reforçar e conferir expressividade à


ideia transmitida.

Ex.: “…e Rui, alargando os braços respirou deliciosamente.”

Comparação – estabelecimento de relações de semelhança entre duas realidades diferentes,


com recurso a uma conjunção (como) ou a uma expressão comparativa (parecer, assemelhar-
se…)

Ex.: “E, como um cavalo bem ensinado, ele salta…”


Disfemismo – transmissão, de forma áspera ou rude, de uma realidade lógica.

Ex.: “(Uns por amigos, outros por parentes, outros por ver somente)”

Enumeração – nomeação sucessiva de elementos que têm entre si uma relação lógica.

Ex.: “A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta…”

Eufemismo – utilização de termos suaves para descrever uma realidade rude ou desagradável.

Ex.: Ir para o céu (=falecer)

Exclamação – recurso que consiste em expressar sentimentos de alegria, tristeza, prazer, dor…

Ex.: “Agora eram só deles, três chaves do cofre!...”

Gradação – apresentação de vários elementos que se relacionam entre si de acordo com uma
ordenação ascendente ou descendente.

Ex.: “Parecia ter-se enganado de quarto, de hotel, de praia, de país, de continente.”

Hipálage – atribuição de uma característica a um nome que, na realidade, pertence à pessoa


que o possui.

Ex.: “Nos cerros remotos, por cima da negrura pensativa dos pinheirais, branquejam ermidas.”

Hipérbato – inversão da ordem lógica das palavras na frase.

Ex.: “Longas são as estradas de Galileia.”

Hipérbole – exagero de uma determinada realidade.

Ex.: Não te via há séculos!

Interrogação ou pergunta retórica – recurso que consiste em fazer uma pergunta com intuito
de se reforçar o que é dito/escrito, sem se esperar resposta.

Ex.: “…quem podia pensar que um pastor de cabras havia de vir a ser governador de ínsulas?”

Ironia – figura que consiste em dizer uma coisa para que se subentenda outra (normalmente
contrária), geralmente com intenção de ridicularizar algo ou alguém.

Ex.: Estou muito contante com o teu comportamento! (frase dita por uma mãe ao filho, depois
de este se ter comportamento mal)

Metáfora – transposição do significado de uma palavra ou expressão para outra, por meio de
uma comparação implícita (assemelhando-se realidades diferentes).

Ex.: “Eu também sou uma nuvem”

Metonímia – designação de uma realidade com o recurso a outra que lhe é próxima (por ex., a
causa pelo efeito, o escritor pela obra, o produto pela matéria, ou vice versa).

Ex.: “Cesse tudo o que a Musa antiga canta”

Onomatopeia – imitação de sons e ruídos, com função expressiva.

Ex.: “…não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano…”


Paradoxo – utilização de termos contraditórios para uma mesma realidade.

Ex.: “Tu, só tu, puro Amor, com força crua”

Perífrase – substituição de uma palavra ou de um conceito curto por uma expressão mais
longa, com significado idêntico.

Ex.: O país à beira mar plantado (=Portugal)

Personificação – atribuição de propriedades humanas a realidades não humanas (animais,


plantas, seres, inanimados, ideias, intuições…)

Ex.: “Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha”

Pleonasmo ou redundância – utilização intencional de duas palavras ou expressões que


transmitem a mesma ideia.

Ex.: “vi, claramente visto, o lume vivo”

Polissíndeto – repetição dos elementos de ligação entre as palavras do enunciado.

Ex.: “Que as Estrelas e o Ceu e o Ar vizinho”

Reticências - recurso que consiste em deixar suspensa uma determinada ideia através de uma
pausa prolongada (em textos orais) ou no uso de reticências (em textos escritos).

Ex.: “Puxou uma das éguas para junto do cofre, ergueu a tampa, tomou um punhado de ouro…
mas oscilou, largando os dobrões, que retilintaram no chão, e levou das duas mãos ao peito.”

Símbolo – associação de um ser ou de um objeto a uma ideia ou conceito. Pode ser próprio de
uma cultura ou universalmente aceite.

Ex.: Balança – justiça; Pomba – paz;

Sinédoque – expressão da parte pelo todo ou do todo pela parte.

Ex.: “cometendo/O duvidoso mar num lenho leve” – Barco

Sinestesia – combinação de elementos que advêm de órgãos sensoriais diferentes.

Ex.: A tempestade desabafou e por toda a parte se sente o ruído cinzento da chuva. (sensação
auditiva + sensação visual)

Trocadilho – utilização de palavras que, jogando entre si, têm mais do que um sentido.

Ex.: “Aquela cativa/ Que me tem cativo”

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