Você está na página 1de 97

EXERCÍCIOS DE TRATO VOCAL SEMIOCLUIDO

PARA PROFESSORES DE CANTO

Mara Behlau, PhD Glaucya Madazio, PhD Thays Vaiano, PhD Claudia Pacheco, MSc
mbehlau@cevbr.com gmadazio@cevbr.com tvaiano@cevbr.com cpacheco@cevbr.com
POSICIONAMENTO
▪ Esse curso é uma combinação de evidências práticas
e suporte de investigação científica
▪ O material reflete o posicionamento do CEV
▪ Há experiências e pesquisas conflitantes
▪ Quando usados para desenvolvimento vocal, podem
ser aplicados por profissionais da pedagogia vocal
▪ Compreender a fisiologia, objetivo, impacto, forma
de prescrição, cuidados e contraindicações é
responsabilidade profissional clínica e pedagógica
▪ O avanço na área desses exercícios é inegável
ETVSO: histórico e principais considerações
Mara Behlau, PhD
3 POSTURAS PROFISSIONAIS
ORL - LARINGOLOGISTA FGO. ESP. EM VOZ PROFESSOR DE CANTO

Função vocal e impacto


COMPETÊNCIA Medicina e doenças Pedagogia vocal
fisiológico
Anatomia, fisiologia,
Gêneros musicais e estilos
CONHECIMENTO Anatomia e fisiologia vocal análise perceptiva e
vocais
acústica
Processo vocal
CONCEITUALIZAÇÃO Impacto da doença na voz dinâmicos e suas Potencial artístico
interrelações
HABILIDADES
Menos desenvolvidas Ouvido funcional Ouvido musical
AUDITIVAS
Voz adaptada e Voz preferida para o gênero
FOCO Laringe saudável
habilidades vocais musical ou estilo vocal
SETTING MENTAL Anatômico Funcional Artístico
PREOCUPAÇÃO
Saúde Funcionalidade vocal Performance e estética vocal
CENTRAL
INTERVENÇÃO Qualidade de vida em Aspectos artísticos e
Tratamento - cura
PRINCIPAL voz performance
FORMAÇÃO
Pré-requisito Pré-requisito Geralmente não necessário
ACADÊMICA
Woo, 2009 – modificado por Behlau, Madazio, Pacheco 2019
HISTÓRICO DOS ETVSO
▪ São usados há mais de 100 anos!
▪ 1899 Spiess, Alemanha
▪ 1960 Sovijärvi, Finlândia - tubos de vidro - linguista
▪ 1980 Sihvo, Finlândia - ”LaxVoxR” - tubo de silicone
▪ Início do uso na terapia de voz
▪ 1990 Titze, USA
▪ Canudos para resistência e condicionamento vocais

Marketta Sihvo, Ph.D.


http://www.laxvox.com

LAX VOX®
Ingo Titze, Ph.D.
www.ncvs.org/
https://www.youtube.com/watch?v=asDg7T-WT-0
COMO SÃO FEITOS OS ETVSO?
▪ Por inserção de uma redução na área transversal do trato vocal
durante a fonação
▪ As semioclusões podem ser feitas:
▪ Pelos articuladores: língua e lábios
▪ Pela cavidade nasal
▪ Pelo prolongamento do TV com tubos ou canudos, no ar ou na água
TREINAMENTO DE VOZ COM TUBOS

▪ Proposta da Linguística
▪ 1960 Sovijärvi, Finlândia - tubos de vidro
▪ Inserção na Terapia de Voz
▪ 1980 Sihvo - Finlândia - ”LaxVoxR” - tubo de silicone
▪ 2006 Sihvo, Denizoglu – Finlândia, Turquia
▪ 2007 Simberg, Laine - Suécia
▪ Uso na Pedagogia Vocal
▪ 1990 Titze - USA – canudos para resistência vocal

Hipótese: alongamento do trato vocal com criação de uma


semioclusão pode melhorar as características vocais
Qual a fisiologia desses exercícios?
▪ Nas tarefas de semioclusão, a produção vocal se baseia mais na
interação fonte-filtro que nas forças de adução glótica -
Maxfield et al 2015
▪ Produção mais econômica
▪ Menor possibilidade de lesão tecidual

Fonação regular Fonação com ETVSO


maior pressão é a subglótica maior pressão é a supraglótica

www.voicesceincework.org
O que especificamente ocorre?

▪ Aumento da impedância acústica = reactância inertiva


▪ Impedância é o inverso da resistência = fonação mais fácil!

▪ Facilita o início da fonação e a sustentação da oscilação


▪ A energia acústica refletida reduz o limiar de pressão fonatória
▪ A maior pressão supraglótica reduz a pressão transglótica
▪ Isso modifica a adução das PPVV = levemente abduzidas ou aduzidas
▪ Essa é a configuração desejada nas disfonias hiper e hipofuncionais
▪ Permite alongamento e encurtamento com menor colisão entre as PPVV

Titze 2006; Titze & Laukkanem 2007; Gaskill & Quinney 2012; Guzmam et al 2013; Rosemberg
2013; Andrade et al 2014; Ogawa et al 2014; Kapsner-Smith et al 2015; Conroy et al 2014;
Hampaia et al 2015; Fantini et al 2017; Croake et al 2017; Mills et al 2017
Pressões Laríngeas

Adaptado de: Titze - http://ncvs.org/e-learning/tutorials/models.html


Ampliação do Trato Vocal
Volume do trato vocal
Tubo na água

Tomografia Computadorizada
Guzman et al 2013

(a) Sem LAX VOX (b) Com LAX VOX

Espaço faríngeo Espaço faríngeo


emissão normal durante ETVSO

Cortesia Sihvo
TVSO é sinônimo de exercícios com tubos?
▪ Não, tubos e canudos são apenas uma opção de exercício
▪ Na FONOTERAPIA, quase todos os exercícios são de TVSO
▪ menos bocejo-suspiro e massagem laríngea
▪ Podem ser feitos com e sem aparelhos
3 MODALIDADES BÁSICAS
Exercícios com tubos,
canudos e máscaras
1. Sons facilitadores em estreitamento estão na moda!
de trato vocal: vogais fechadas,
consoantes nasais

2. Alongamento artificial do trato vocal por


meio de tubos ou canudos no ar

3. Com acréscimo de segunda fonte de vibração:


língua, lábios, sons fricativos ou tubo na água
APLICAÇÃO DOS ETVSO
▪ Para disfônicos, como instrumento de terapia – aplicação
apenas por fonoaudiólogos – profissionais da saúde
▪ Para desenvolvimento vocal e condicionamento – pelos
profissionais que atuam na área
▪ Servem para reduzir os sinais iniciais de fadiga vocal
▪ Ajudam a desenvolver maior consciência do esquema corporal vocal

Fga e Fisio Flávia Badaró


Programa “ATLETAS DA VOZ”
Aquecimento e Condicionamento vocal para o desfile do Carnaval
Fga Thays Vaiano
TVSO com tubos é para qualquer pessoa?
▪ Não! Deve ser avaliado o impacto imediato do exercício
▪ Pequenas modificações podem produzir resultados diversos
▪ Avaliar o indivíduo e testar o impacto do exercício

Lax Vox

Tubo de vidro

Canudo de refrigerante
Canudinho de lollipop
Canudinho de pirulito
Tamanho e matéria interferem?
▪ Sim! Tubos rígidos e de vidro oferecem maior refração
▪ Canudos estreitos dão o maior impacto
▪ Canudos estreitos e alongados são os mais difíceis
▪ Não começar por eles
▪ Deixar para fases finais de terapia
▪ Ótimos para condicionamento
▪ Canudos de refrigerante são uma ótima escolha quando há
sensação de desconforto ou esforço excessivo nos exercícios
Que comprimento deve ter o tubo?
Tubo LAX VOX Lax Vox
Tamanho único = 35cm
Diâmetro = 9mm Tubo de Vidro

Tubo de vidro
Dobro da medida da
traqueia à boca Outros tubos:
Sovijärvi 1960 Refrigerante = 20,5cm
Crianças Diâmetro = 0,5cm
Meninas = 24 cm Lollipop grande = 18 cm
Meninos = 25cm Lollipop menor = 14 cm
Pirulito/canudinho = 9 cm
Adultos Diâmetro 0,3 cm
Soprano = 26cm
Mezzo = 26,5cm
Contralto = 27 cm ▪ J Voice. 2018 – Silva et al/ahead of print/
Tenor = 27 cm ▪ Diâmetro interno é mais importante que o comprimento
Baritono = 28cm ▪ Resistência ao fluxo é mais sensível na variação do diâmetro que no comprimento
▪ Para canudos pequenos, a configuração da boca impacta
Baixo = 29cm
ETVSO pode ser
usado com crianças
▪ Tanto para propósitos clínicos como para
pedagógicos – coro infantil
▪ Com sons facilitadores, sem problemas
▪ Com tubos, evitar os de vidro
▪ Canudos estreitos podem gerar muito esforço
▪ Usar canudos e tubos largos
▪ Acrescentar bolinhas, brinquedos na água
Cuidados especiais
▪ Como em qualquer exercício, controlar forma de execução
▪ Postura, força e esforço – verificar sensações no pós-imediato
▪ Monitorar sensações desagradáveis, como coceira, tosse e incômodo
▪ Verificar piora vocal com o exercício: poderia ser redução de tensão excessiva?

▪ Tubo de vidro não deve ser mordido


▪ Mal oclusão pode dificultar vedação de tubos e canudos – resultado?
▪ Excepcionalmente podeXxxxx haver alergia ao látex

▪ Interpretar os resultados
Xxxx com cautela – qualidade X conforto
▪ Atenção especial aosxxxxx
profissionais da voz
▪ Possibilidade de instabilidade vocal em
cantores com ajustes muito tenso
▪ Sertanejos podem sentir falta de controle vocal
e “voz livre demais” logo após o exercício X
x
Indivíduos com doença
pulmonar obstrutiva
crônica -DPOC, asma e
problemas similares

▪ Desconforto nas 1as. execuções


▪ Começar com tubo de vidro no ar
▪ Passar para canudo de refrigerante
▪ Seguir com tubo de vidro superficial
na água
▪ Quando reduzir o desconforto, usar
outras opções
▪ Sempre verificar o impacto imediato
do exercício
Por que variar?

▪ Porque o cérebro aprende melhor na


prática maciça e variável
▪ Os materiais usados têm diversas
propriedades de refração do som e
também variação na resistência, o que
modifica o impacto
▪ Treinamento com diversas
modalidades favorece uma calibração
da melhor condição vocal
▪ Dá autonomia para quem usa escolher
COMENTÁRIOS

▪ ETVSO tem base científica, explicação fisiológica e


acústica
▪ Servem para desenvolvimento, aquecimento,
condicionamento, desenvolvimento e reabilitação
vocal, dependendo da forma e dosagem de
aplicação
▪ Pequenas variações na execução podem produzir
resultados diversos
▪ A análise do impacto do exercício é uma questão
central na pedagogia e na clínica vocal
ETVSO: variações e aplicações
Glaucya Madazio, PhD
Qual ETVSO usar?
✓Objetivos
✓Impacto
Ampliação parede
de faringe
Aumento da sensação do trato
vocal dos lábios aos pulmões

Ampliação trato vocal e


sensação de relaxamento

Aumento da projeção Aumento da


Permitem fala e canto resistência
TUBOS DE RESSONÂNCIA

RÍGIDO FLEXÍVEL
Canudos
▪ Material, diâmetro e comprimento
Tubo na água X Tubo no ar
▪ A resistência é diferente!
▪ Quantidade de água e profundidade do tubo

Nasofibroscopia - Tubo no Ar Nasofibroscopia - Tubo na Água


Maior sensação do trato vocal Maior relaxamento – “massagem"
Maior controle da postura Maior controle do fluxo aéreo
doctorVOX

http://www.doctorvox.com
PocketVox

http://www.doctorvox.com
PocketVox

http://www.doctorvox.com
Fricativos sonoros X Canudos no ar

▪ Semelhantes, principalmente com o “j”

- Fricativo de menor estreitamento


“j” - TMF é mais curto quando comparado com “v” e “z”

“v” e “z” ▪ - Não se favorecem do alongamento do TV

Quando há distorção na produção


articulatória, o exercício fica
prejudicado e deve ser substituído
Nasais X Tubos

▪ São exercícios diferentes


▪ Sons nasais: calibradores naturais da voz
▪ São exercícios universais

Quando há sensação de coceira e irritação


com nasais, os tubos na água são a melhor
opção alternativa e podem favorecer o uso
posterior de exercícios de sons nasais
Vibratórios X Tubos
▪ São exercícios diferentes
▪ Tubo na água: maior pressão retroflexa e sensação do trato vocal
▪ Vibração + tubo na água: aumenta o efeito do exercício, mas não é
fácil de controlar!

Cortesia Juvenal de Moura


Vibração de lábios X Canudinho X Tubo na água

- Lábios e canudinho produzem maior redução nas medidas acústicas


- Canudinho reduziu o desvio auditivo percebido pelo clínico
- Lábios e tubo na água reduzem percepção de desvantagem do sujeito
- Tubo na água causa maior conforto e melhor qualidade vocal para os sujeitos

Meerschman et al 2019
Máscara de Ventilação
▪ Disseminada por Franco Fussi, Itália
▪ Idealizada pelo espanhol Alfonso Borragan

Video 1 Video 2
- Efeito positivo na fala quando a máscara é usada com fala encadeada
- Fonação mais fácil e mais eficiente após 5 minutos de contagem de números

- Ocorre redução no limiar de pressão fonatória e pressão subglótica, além de


aumento no TMF, com efeito maior em indivíduos disfônicos

Frisancho et al, 2018


Máscara X Tubo/canudo

▪ Máscara é melhor por permitir


treinamento da fala e do canto
▪ Máscara é semelhante a copo
com furo
▪ Pode exigir pressão muito grande
e causar desconforto inicial
▪ Efeito dos canudinhos é
geralmente mais proeminente
que o das máscaras, mas o
exercício é mais artificial
Pré e Pós-Máscara
▪ Vídeo Alfonso Borragan – 30’ treinamento
Máscara com utilidade dupla
Inspiração
Hidratação

Fonação
Impedância

Franco Fussi
VocalFeel
https://www.vocalfeel.com

“VocalFeel is a medical device which has


been developed primarily to facilitate the
warming up, cooling down and vocal
habilitation and rehabilitation, making
the most of benefits gleamed from out
two effective and all natural principles:
vocal fold hydration and increased vocal
tract impedance."
doctorVOX
COM maskVOX
Máscaras de ventilação + tubos acoplados

▪ Permitem fonação e
inalação

▪ Não são práticos


▪ Resultados semelhantes
KAZOO
▪ Oferece apoio auditivo externo
▪ O paciente ouve se o fluxo de ar é adequado ou não
FONAÇÃO NO COPO
▪ Copo de isopor de café com leite (10oz = 295ml) com
▪ Furo em sua base no diâmetro de um lápis
▪ Borda do copo deve selar totalmente a boca do indivíduo
▪ Vogal, fala, canto
▪ Efeito semelhante ao das máscaras
▪ Facilita o registro vocal mix
FIRMEZA GLÓTICA e “ONDA NA CAVERNA”
▪ Resistência é modificada alterando-se a forma da caverna
▪ Efeito bumerangue do som no espaço orofaríngeo
▪ Fala e canto

Exercício de Firmeza Glótica “Onda na caverna”


SHAKER
▪ Foco: trabalhar pressão expiratória positiva
com sonorização
▪ Abertura faringe
▪ Flexibilidade das PPVV

Cortesia Thays Vaiano


ETVSO para o condicionamento vocal
Dra Thays Vaiano
CONDICIONAMENTO
LONGO PRAZO

CURTO PRAZO

AQUECIMENTO
AQUECIMENTO CORPORAL
MELHORAR A DINÂMICA
MUSCULAR

PREPARAM INDIVÚDOS PARA A


EXIGÊNCIA DE UM EXERCÍCIO

PREPARAÇÃO CINÉTICA E
COORDENAÇÃO DAS ESTRUTURAS

ADEQUAÇÃO DO ESTADO FÍSICO E


PSIQUICO IDEAL

Bishop D, 2003
M

BENEFÍCIOS e
n
o
Aumento da frequência cardíaca r

r
Maior flexibilidade dos tecidos moles
i
s
c
Aumento na velocidade de transmissão neural
o

d
Aumento no poder de contração e relaxamento
e

Maior economia de movimento l


e
s
Maior fluxo sanguíneo õ
e

Bishop D, 2003 s
AQUECIMENTO VOCAL

c
" onsiderado uma sequência estruturada de
exercícios que preparam a voz para atividades de
fala, canto ou qualquer outro uso profissional"

Behlau M, Oliveira G, 2009


AQUECIMENTO VOCAL
▪ organiza corpo e mente para a atividade de vocal
▪ melhora a qualidade vocal
▪ diminui risco de lesões
▪ propicia preparo ideal para um bom desempenho vocal

Van Lierde KM et al., 2011; Gish A et al., 2012; Saxon KG et al., 2009
Aquecimento vocal só com tubos?
▪ Não!
▪ Geralmente é insuficiente
▪ Podem ser usados no início do aquecimento, mas
de modo isolado não produzem aquecimento
▪ Exercícios de produção vocal, projeção e treino de
habilidades necessárias para as tarefas que se
seguem devem ser inseridos
PROGRAMA DE CONDICIONAMENTO
▪ OBJETIVO

▪ MÉTODO
✓ Aumento da capacidade muscular de gerar força e potência
✓ Melhora da eficiência muscular
✓ Melhora da resistência muscular

McArdle et al., 1996


CONCEITOS CONSIDERADOS
▪ Composição muscular
▪ Vias metabólicas
▪ Produção de ATP
▪ Metabolismo do exercício
▪ Sistemas energéticos
▪ Padrão de resposta muscular
▪ Biomecânica
▪ Dose-Resposta
CONCEITOS
• Atividade física • Atividade vocal
• Qualquer forma de atividade • Qualquer forma de atividade
muscular que resulta no vocal que resulta no gasto
gasto energético energético proporcional ao
proporcional ao trabalho trabalho muscular
muscular
• Condicionamento físico • Condicionamento vocal
• Conjunto de atributos que as • Conjunto de atributos vocais
pessoas têm, ou que as pessoas têm, ou
desenvolvem, relacionados à desenvolvem, relacionados à
capacidade de realizar a capacidade de realizar a
atividade física atividade vocal
• Exercício físico • Exercício vocal
• Subgrupo da atividade física • Subgrupo da atividade vocal
que é planejado com o que é planejado com o
objetivo de melhorar ou objetivo de melhorar ou
manter o condicionamento manter o condicionamento
Caspersen CJ, Poewll KE & Christenson GM, 1985
FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO
▪ o tecido muscular é altamente adaptável a
mudanças em condições que podem incluir
▪ Exercícios
▪ Falta de exercícios
▪ Perda de tecido
▪ Estimulação elétrica
▪ Crescimento, desenvolvimento e envelhecimento

Folland e Williams, 2007; Lieber,2010


Princípios da fisiologia do exercício para
o treinamento vocal
PRINCÍPIOS DO
TREINAMENTO
MUSCULAR
PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO MUSCULAR

SOBRECARGA

INTENSIDADE

FREQUÊNCIA

ESPECIFICIDADE

REVERSIBILIDADE
SOBRECARGA

“para ter efeito de treinamento, o músculo deve


fazer uma ação maior que a realizada
normalmente durante seu uso"

Astrand et al., 1960


SOBRECARGA
▪ RISCOS • MEDIDAS DE SEGURANÇA
▪ Pressão
▪ Hiperfunção vocal
– Lenta progressão
▪ Constrição – Alternar grupos musculares
▪ Lesão – ETVSO
ETVSO

“Exercícios de trato vocal semi-ocluído reduzem o


impacto de colisão entre as pregas vocais durante a
vibração e, portanto, são exercícios vocais econômicos.”
Titze, 2002
DIÂMETRO – COMPRIMENTO – FLUXO DE AR
Exercício

Síntese de proteínas
específicas

Pico 4-8 horas

Retorno após 24h


NÃO EXISTE RECEITA PRONTA!
“Em muitos casos, o treinamento é mais uma arte que
uma ciência. O sucesso dos diferentes programas de
condicionamento costuma ser avaliado pelas
realizações individuais ou pelos recordes de vitórias-
derrotas e não por trabalhos científicos.”
Mc Ardle et al, 1992
ETVSO na voz cantada
Claudia Pacheco, MSc
Trato Vocal – Filtro

Lábio
Mandíbula
Língua
Configurações Palato mole
Laringe
Faringe
Cavidades oral e nasal
Fonte-Filtro X Controle de Fluxo

▪ Tubos, canudos, sons vibrantes e fricativos são


excelentes exercícios de controle de fluxo aéreo

▪ Exercícios com tubos influenciam na percepção da


ressonância
▪ Exercícios com tubos, sons vibrantes e fricativos são
melhores para aumento de TMF
▪ Exercícios com canudos estreitos curtos e longos são
excelentes para condicionamento vocal e nas fases finais
de terapia
▪ Canudos de diâmetro menor são mais difíceis do que
canudos de diâmetro maior
Efeitos no Trato vocal – ETVSO
canudo
PRÉ- DURANTE - PÓS -
ETVSO ETVSO ETVSO

▪ Durante e após o exercício Guzman et al


2013
▪ Abaixamento da posição vertical da laringe
▪ Véu palatino mais alto
▪ Durante o exercício
▪ Espaço hipofaríngeo mais amplo
Tubos, similares e cantores
▪ Não desafinam cantores e são usados pela elite vocal!
▪ Tubos e canudos modificam a interação fonte e filtro
▪ Ajustes compensatórios podem ser eliminados
▪ O impacto imediato pode ser de instabilidade vocal
▪ O cantor pode sentir falta de controle vocal no curto-prazo
▪ Sensação de instabilidade é maior quando há problemas vocais
▪ No médio e longo prazo são muito positivos

Estão na moda!
Emma Marrone – cantora italiana
Emma
Renée Fleming
Renée Fleming - Il sogno di Doretta Puccini
Novela “Cheia de Charme”

“Chayene” aquece a voz


Efeito em coros treinados e experientes
▪ 15 participantes - coro americano experiente do ensino médio
▪ 2 peças renascentistas gravadas pré e pós protocolo de ETVSO
▪ Análise de LTAS
▪ Canudo de 14mm comprimento X 3mm diâmetro
Protocolo do Titze no YouTube – 4 minutos
▪ 6 glissandos de 10 a 15s, ascendentes e depois descendentes
▪ Variações nos glissandos com acentos, definidos por pulsos abdominais
intensos, com retorno aos sons mais graves possíveis
▪ 5 vezes com 3 acentos e aumentando-se um acento por vez, até chegar em 7
▪ Canto em uníssono de “Star Spangled Banner”
▪ Resultados
▪ Aumento de energia do espectro entre 2-4KHz e menor contribuição nas
regiões agudas
▪ Diferenças menor de 1dB, não audíveis, mas há prováveis outros impactos
▪ Os cantores perceberam a emissão como mais fácil e econômica

Manternach et al 2017
Exercícios

Diferentes escalas ascendentes e


descendentes

Glissandos ascendentes e descendentes

Sirene

Cuidar para que não haja escape de ar pelo nariz durante a execução do exercíc
Exercícios

Ao fazer o exercício gentilmente remova


o canudo e observe a emissão do som
nas diferentes escalas

Música
Fonte-Filtro X Controle de Fluxo

▪ Após o exercício

▪ Ressonância alta
▪ Sensação de menor esforço laríngeo à
fonação
▪ Embora o som pareça mais suave a
projeção é perceptível
▪ Voz mais equilibrada (fonação e
respiração)
▪ Melhor percepção das estruturas
superiores da caixa de ressonância
Quanto tempo podem ser feitos?
Autoavaliação Autoavaliação Autoavaliação Autoavaliação
- Esforço no - Esforço no - Esforço no - Esforço no
exercício exercício exercício exercício

Pré Pós 1’ Pós 3’ Pós 5’ Pós 7’

1 min 2 min 2 min 2 min

Autoavaliaç Autoavaliaç Autoavaliaç Autoavaliaç Autoavaliaç


ão ão ão ão ão
- Esforço na - Esforço na - Esforço na - Esforço na - Esforço na
fala fala fala fala fala

Mulheres com disfonia comportamental


Positivo até o 5º minuto; predomínio de melhoras no 3º min; sobrecarga 7º
min
Mulheres vocalmente saudáveis
Usufruem parcialmente; 7 minutos não parece significar sobrecarga
Paes, Behlau 2017
Há outros resultados sobre tempo de exercício?

▪ Sim!
▪ Estudo com medidas acústicas: limiar de pressão fonatória - LPF,
fluxo aéreo médio, cociente de contato, frequência fundamental,
jitter, shimmer e proporção ruído-harmônico, após 2 durações de
exercícios, 5 e 10 min
▪ Coletou dados em 6 momentos de fonação em canudinho
▪ Pré, pós imediato, pós 5, 10, 15 e 20 min
▪ LPF reduziu após 5’ e retornou à linha de base após outros 5’
▪ LPF reduziu após 10’ e manteve-se assim além dos 5’
▪ Fluxo médio reduziu após 5 e 10’ e manteve-se assim pro 20’
▪ 10’ de exercícios produzem efeitos optimais e relativamente continuados
no LPF e, assim, recomenda-se prática repetida

Kanq et al 2018

Prof. Titze recomenda tempos longos – cuidado com sensações


desagradáveis!
DÚVIDAS ?
MUITO OBRIGADA!

Mara Behlau, PhD Glaucya Madazio, PhD Thays Vaiano, PhD Claudia Pacheco, MSc
mbehlau@cevbr.com gmadazio@cevbr.com tvaiano@cevbr.com cpacheco@cevbr.com