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FACULDADE DE JUAZEIRO DO NORTE – FJN

COORDENAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO EM MATEMÁTICA E FÍSICA

JOGOS MATEMÁTICOS: FACILITADOR DA APRENDIZAGEM

ANDRÉ LUIZ DA SILVA

Juazeiro do Norte-CE, janeiro de 2011


ANDRÉ LUIZ DA SILVA

JOGOS MATEMÁTICOS: FACILITADOR DA APRENDIZAGEM

Trabalho de conclusão do curso – Artigo Científico


– apresentado à Coordenação do Curso de
Especialização em Matemática e Física ministrado
pela Faculdade de Juazeiro do Norte – FJN em
cumprimento às exigências para a obtenção do
título de Especialista.

Orientadora: Maria Nadir Sampaio Menezes –


Professora Especialista e Mestranda em letras

Juazeiro do Norte-CE, janeiro de 2011


ANDRÉ LUIZ DA SILVA

JOGOS MATEMÁTICOS: FACILITADOR DA APRENDIZAGEM

Trabalho aprovado em: _________/__________________/____________________

Nota: ____________________

Professora: Maria Nadir Sampaio Menezes

Juazeiro do Norte-CE, janeiro de 2011


JOGOS MATEMÁTICOS: FACILITADOR DA APRENDIZAGEM

ANDRÉ LUIZ DA SILVA¹


MARIA NADIR SAMPAIO MENEZES²

Resumo

Este trabalho faz uma análise da aplicação dos jogos matematicos no ensino da
matemática. Relata uma breve abordagem histórica, analisando o processo de
ensino-aprendizagem através do método tradicional, cujo, praticamente, não se
usava o lúdico nas práticas pedagógicas de ensino, como por exemplo, os jogos que
até mesmo quando usados, eram de maneira superficial sem a preocupação de
associá-lo ao conteúdo apresentado. Também apresenta a necessidade de sua
utilização como apoio ou, até mesmo, uma alternativa à meios didáticos cujo
objetivos era a memorização de fórmulas e dados, tendo em vista que aproxima ao
aluno o conteúdo aplicado, transformando o que antes era abstrato e repetitivo em
algo concreto, prático e até divertido de se estudar, vindo a facilitar e melhorar os
resultados da aprendizagem. Ainda ressalta a importância do professor nesse
processo, pois ele deve saber qual o jogo e o momento certo a ser aplicado durante
aula para que todas as metas sejam alcançadas, além de estar preparado para as
eventuais adversidades que possam surgir durante a tividade.

Palavras-Chaves: Jogos. Aprendizagem. Matemática. Aluno. Professor.

Abstract

This work is an analysis of the application of games mathematician in the teaching of


mathematics. Reports a brief historic approach, analyzing the educational process of
learning through the traditional method, whose, practically, it is not used the
pedagogical practices ludic in education, for example, the games that even when
used, were very superficial way without the concern of it associating to content
presented. Also shows the need for its use as support or, even, an alternative to
means didactic whose objectives was the memorizing of formulae and data, In view
of that approximates the student content applied, transforming the which before was
abstract and repetitive something concrete, practical and even amusing to study,
coming to facilitate and improve the results of learning. Yet the importance of
professor in the process, because he must know where the game and the right time
to be applied during lesson for all the targets are achieved, in addition to be prepared
for any adversities that may arise during the competitiveness.

Keywords: Games. Learning. Mathematic. Student. Teacher.

1 Licenciado em Matemática – andreluizpm2007@gmail.com


2 Professora Especialista e Mestranda em Letras - nadirsampaiomenezes@hotmail.com
Sumário

1. Introdução...............................................................................................................6

2. Utilização do jogos como estratégia pedagógica....................................................8

3. Importância do professor no processo ensino-aprendizagem...............................16

4. Referências............................................................................................................20
Introdução

O uso dos jogos no ensino da matemática é uma tendência matemática. A

escolha desssa estratégia de ensino como objeto de estudo se deu em função de

sua utilização propiciar que o aluno compreenda regras a serem utilizadas no

processo de aprendizagem e assimile conteúdos antes abstratos.

Ao longo da história, o ensino da matemática nas escolas ocorreu de

diferentes formas no trabalho docente de acordo com as diferentes concepções

pedagógicas. Segundo Libâneo (1998), ganha enfoques metodológicos

diferenciados de acordo com a concepção pedagógica que o professor assume em

sua prática docente, podendo ser mais ou menos crítica. Estão ligadas as diferentes

tendências que a educação assumiu no seu desenvolvimento histórico.

A pesar da matemática ser considerada, por muitos, uma disciplina sisuda e

abstrata, devido a forma que foi apresentada ao longo dos séculos, uma boa forma
de estudá-la é por meio da exploração de maneira lúdica, de forma que o prazer, a

criatividade e a satisfação pessoal estejam presentes durante a resolução do

problema.

Com a utilização de jogos se estabelece um vínculo que une a vontade e o

prazer enquanto se realiza a atividade, tendo como consequência, um ambiente

atraente para o aluno e, assim, gratificante para o professor, que presencia seus

alunos empolgados num aprendizado mais dinâmico.

Vale ressaltar, ainda, a importância do papel do professor, uma vez que o

mesmo deve estar atualizado e preparado para as eventuais dificuldades e

questionamentos dos alunos que surgirão durante a depois da realização das

atividades.
2. Utilização do jogos como uma estratégia pedagógica

O avanço das discussões sobre o papel e a natureza da educação e o

desenvolvimento da psicologia, em meio as transformações sociais e políticas,

influenciaram historicamente para que as teorias pedagógicas que justificam a

utilização de jogos nas salas de aula sofressem modificações ao longo dos anos.

Até o século XVI acreditava-se que a criança tinha a mesma capacidade de

assimilação do adulto, apenas menos desenvolvida, daí o ensino visava corrigir as

deficiências através da transmissão de conhecimentos, consistindo basicamente na

memorização de fórmulas, regras, procedimentos ou verdades localmente

organizadas. O uso de materiais ou objetos era considerado perda de tempo, uma

atividade que perturbava o silêncio ou a disciplina da classe, os poucos que

utilizavam o faziam de maneira puramente demonstrativa.

No século XVII, este ensino foi questionado, com destaque para o Comenius
(1592-1671), considerado pai da didática. No século XVIII, Rousseau (1712-1778),

foi o percursor de uma nova concepção de escola ao considerar a educação como

um processo natural de desenvolvimento da criança, ao valorizar o jogo, o trabalho

manual, a experiência direta das coisas. Nesta concepção de educação, surgem as

propostas de Pestalozzi (1746-1827), um dos pioneiros na configuração da “escola

ativa”, cujo acreditava que uma educação seria de fato educativa se proviesse da

atividade dos jovens, onde as descrições deveriam preceder as definições.

No início do século XX, após experiências com crianças excepcionais, a

médica e educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), desenvolveria diversos

materiais manipulativos com forte apelo a percepção visual e tátil, destinados à

aprendizagem da matemática que posteriormente foram estendidos para o ensino de

classes normais.

O ensino da matemática no método tradicional está voltado a


transmissão do conhecimento construído pelo professor e a aprendizagem ocorre na

medida que os alunos vão captando as informações apresentadas e até mesmo

decorando textos, fórmulas, repetindo as informações, ou seja, é um ensino voltado

a memorização sem que haja a compreensão das informações, fazendo com que

esta disciplina seja compreendida por muitos como uma disciplina pronta e acabada,

cujos alunos sentem muita dificuldade em compreender os significados.

A aprendizagem por meio de aulas expositivas, acompanhadas apenas de

livros didáticos, tornam as aulas monótonas e sem sentido para os alunos,

impedindo a elaboração do conhecimento. Daí a necessidade do professor despertar

o interesse do aluno, uma vez que ele estará motivado quando se apresentar

interessado pelo assunto da aula. E isto é possível pois esta matéria possui uma

extensa quantidade de exemplos ou aplicações, tanto na natureza quanto na vida

real.
Atualmente os métodos de ensino estão cada vez mais enfatizando , além

das técnicas como instrução programada baseada no estudo através de módulos

instrucionais, o emprego de metodologias que empregam tecnologias modernas

como retroprojeção, filmes e slides, dentre outros, ou até mesmo computadores.

Nesta tendência, os jogos pedagógicos seriam seriam mais valorizados que

os materiais concretos, uma vez que pode vir tanto no início de um novo conteúdo

com a finalidade de despertar o interesse da criança, quanto no final visando a

fixação da aprendizagem além de reforçar o desenvolvimento de atitudes e

habilidades.

Para Irene de Albuquerque (1954, p.33), o jogo didático “serve para a fixação

ou o treino da aprendizagem. É uma variedade de exercício que apresenta

motivação em si mesma, pelo seu objetivo lúdico. Ao fim do jogo, a criança deve ter

treinado alguma noção, tendo melhorado sua aprendizagem”.


Isto é fato, uma vez que quando o aluno brinca, em especial a criança,

demonstra prazer em aprender, além da oportunidade de lidar com seus anseios em

busca da satisfação de seus desejos. Segundo Muniz (2008) o brincar é um

mediador do conhecimento e das representações sociais da matemática. A

curiosidade que a move para participar da brincadeira é, de certo modo, a mesma

que move os cientistas em suas pesquisas. Daí a necessidade de conciliar a alegria

da brincadeira com a aprendizagem escolar.

Pode-se garantir essa satisfação através da utilização dos jogos no ensino da

matemática, não no sentido do prazer do novo, de consumir jogos, mas pelo prazer

de ser ativo, pensante, questionados e reflexivo no processo de aprender.

Libâneo (1998) diz que fazer com que os alunos aprendam e gostem de

descobrir formas para resolver as situações matemáticas é um desafio para os

professores, forçando-os a buscarem alternativas metodológicas diferenciadas, para


assim tornarem o seu ensino e aprendizagem mais significativos em outros modelos

dos aplicados nas tendências liberais da educação. Afirma ainda, que a matemática,

sendo ela uma ciência, engloba um amplo campo de relações, regularidades e

coerências, que exige capacidade individuais como a curiosidade, a investigação, a

de generalizar, projetar, prever e abstrair. E o desenvolvimento destas amplia os

meios para que o sujeito compreenda o mundo que o cerca, tanto em situações mais

próximas, na vida cotidiana, como nas de caráter mais geral.

D' Ambrósio (1991, p.1) afirma que “[...] há algo errado com a matemática que

estamos ensinando. O conteúdo que tentamos passar a diante através dos sistemas

escolares é obsoleto, desinteressante e inútil”. Com estas palavras ele nos mostra a

necessidade de abandonar o tradicionalismo, ou seja, a forma de ver a matemática

como uma disciplina que desperta ansiedade e medo em crianças, jovens e adultos,

além de apresentar o maior índice de reprovação nas escolas. Evidenciam, ainda,


uma urgente reflexão a cerca das novas estratégias pedagógicas que auxiliem na

facilitação do processo ensino-aprendizagem dessa disciplina, ao mesmo tempo que

estimulem nos alunos o pensamento independente, lhes permitindo a utilização de

recursos e instrumentos úteis no seu cotidiano.

Das estratégias pedagógicas no ensino da matemática, provavelmente a mais

produtiva é a que envolve o jogo, quer na aprendizagem de noções, quer como

meios de favorecer os processos que que intervêm no ato de aprender e ainda há o

aspecto afetivo que, por sua vez, se encontra implícito no próprio ato de jogar, uma

vez que o mais importante é o envolvimento do indivíduo que brinca. A atividade

lúdica é, em sua essência, um grande laboratório em que ocorre experiências

inteligentes e reflexivas, nas quais resultam na produção de conhecimento.

Os jogos constituem uma forma interessante de propor problemas, pois


permite que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a
criatividade na elaboração de estratégias de resolução e busca de soluções.
Propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções vivas e
imediatas, que estimula o planejamento das ações; possibilitam a
construção de uma atitude positiva perante os erros, um vez que as
situações sucedem-se rapidamente e podem ser corrigidas de forma
natural, no decorrer da ação, sem deixar marcas negativas.”
(PCNs – Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental, 1998)

Neste contexto, trabalhar com jogos matemáticos pode vir a ser uma

alternativa na elaboração das estratégias didáticas que visam a otimização do

processo ensino-aprendizagem de matemática, isto referente a assimilação de

técnicas de criação de algoritmos e utilização do raciocínio lógico-matemático na

resolução de problemas, tornando-o familiar ao estudante, além de ser um

ferramenta poderosa na interação social, onde o aluno deve expressar para os

outros participantes do jogo como chegou a determinada solução e confrontando

com as maneiras diferentes e questionamentos de seus colegas para a solução de

um mesmo problema.

No jogo em si, a participação ativa do aluno sobre o seu saber se destaca por

pelo menos dois motivos. Um deles está ligado ao fato de proporcionar que os

estudantes estabeleçam uma relação positiva com a aquisição de conhecimento,


uma vez que o conhecer passa a ser percebido como real possibilidade. Os que têm

dificuldades de aprendizagem, aos poucos vão modificando a imagem negativa

passando a tê-la como uma atividade interessante e desafiadora.

3. Importância do professor no processo ensino-aprendizagem

Os professores ao utilizarem os jogos no ensino da matemática devem ter

cuidado com o trabalho pedagógico durante e depois dele, para que não fique a

sensação de que o jogo, por si mesmo, estará trabalhando análises,

desencadeamentos ou formalizações de conceitos matemáticos. Sua aplicação tem

suas vantagens desde que o professor tenha definido todos os objetivos, de forma

clara, do que pretende atingir com a atividade proposta, uma vez que as situações

vivenciadas durante a partida levam o jogador a planejar próxima jogadas que tenha

um melhor aproveitamento. Vale ressaltar que isso só ocorrerá se houver

intervenções pedagógicas por parte do professor.


O professor é o responsável pela escolha de um jogo adequado para

determinada situação e prepará-lo com cuidado, pois através da aplicação dos jogos

matemáticos, ele é capaz de fazer com que os alunos percebam o quanto é

prazeroso estudar a matemática, promovendo a fixação do assunto abordado, além

de desenvolver o raciocínio lógico, mudando a rotina da classe, além de despertar o

interesse de aprender matemática.

Isto representa, em sua essência, uma mudança de postura do professor em

relação ao ensino da matemática, ou seja, seu papel muda de comunicador,

transmissor de conhecimento, para o de observador, organizador, consultor

mediador, interventor, controlador e incentivador da aprendizagem, interferindo

neste processo apenas quando for necessário, através dos questionamentos, como

por exemplo, que levem os alunos a mudanças de hipóteses com o objetivo de

forçar a reflexão ou a socialização das descobertas, mas sem nunca dar a reposta
certa.

Realmente quando o aluno joga gera muita conversa na sala de aula e isto é

inevitável. Porém o professor pode considerar que muitos esses diálogos são

importantes, pois a interação dos alunos é um dos objetivos dos jogos. Através do

diálogo enfatizando a importância das opiniões contrárias para a descoberta de

estratégias chega-se a resultados positivos. Daí a necessidade de um professor

criativo e dinâmico capaz de transformar o ambiente da sala de aula em um

favorável à imaginação, a criação e descobertas, proporcionando a construção dos

conhecimentos matemáticos. Vale ressaltar que o resultado desta meodologia de

trabalho é demorado e o professor deverá ter paciência até alcançar seus objetivos.

Diante disto, ao propor um jogo um jogo a seus alunos, o professor deve

estabelecer e deixar bem claro seus objetivos, bem como verificar se a metodologia

é a adequada para a faixa etária a ser trabalhada e que este jogo represente uma
atividade desafiadora aos alunos para que o processo de aprendizagem seja

desencadeado. Em outras palavras, antes de levar os jogos para a sala de aula, o

professor deve estudá-los, previamente, cada um deles e, para isso é necessário

jogar. Através da análise de suas próprias jogadas e reflexão de seus erros e acertos

ele será capaz de colocar questões que irão auxiliar seus alunos e ter noção das

dificuldades que encontrarão. Além disso, deve estar consciente das adversidades e

situações previsíveis que poderão surgir na classe com os alunos, estando atento

para aproveitá-las da melhor maneira possível, explorando as novas possibilidades

do jogo, antes não imaginadas, que provavelmente irão aparecer, contribuindo para

a construção da autonomia, criticidade, criatividade, responsabilidade e cooperação

entre os participantes.
Referências

ALBUQUERQUE, Irene de. Metodologia da Matemática. Rio de Janeiro: Conquista,


1954.

D’AMBRÓSIO, U. Matemática, ensino e educação: uma proposta global. Temas &


Debates,São Paulo, 1991.

LARA, Isabel Cristina Machado de. Jogando com a Matemática de 5ª a 8ª série. São
Paulo:Rêspel, 2003.

LIBANÊO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1998.

MOURA, Manoel Oriosvaldo de. O jogo e a construção do conhecimento


matemático. Série Idéias n. 10, São Paulo: FDE, 1992. p. 45-52.

MUNIZ, Cristiano Alberto. Jogo da Criança e Atividade Matemática. Capítulo 1 a 5,


(no prelo)

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS; Matemática Terceiro e Quarto Ciclos


do Ensino Fundamental / Secretaria de Educação Fundamental – Brasília: MEC /
SEF, 1998.

FIORENTINI, Dário; Uma Reflexão sobre o uso de Materiais Concretos e jogos no


Ensino da Matemática. SBEM-SP. Boletim, nº 7, jul-ago 1990. Disponível em:
<www.mat.ufmg.br/.../umareflexão_sobre_o_uso_de_materiais_concretos_e_jogos_no_ensin
o_da_matematica.doc>. Acesso às:16 hr de 24/01/2011