Você está na página 1de 4

PRÉ-UNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER Aluno(a):

DISCIPLINA: Literatura PROFESSORA: Suéllen da Mata


Data: 11 / 01 / 2021

Modernismo – 2ª geração Lista 17


Questão 1 – ENEM 2016

O nacionalismo constitui tema recorrente na literatura romântica e na modernista. No trecho, a representação da


pátria ganha contornos peculiares porque

A) o amor àquilo que a pátria oferece é grandioso e eloquente.

B) os elementos valorizados são intimistas e de dimensão subjetiva.

C) o olhar sobre a pátria é ingênuo e comprometido pela inércia.

D) o patriotismo literário tradicional é subvertido e motivo de ironia.

E) a natureza é determinante na percepção do valor da pátria.


Comentário: No texto, o autor relaciona a pátria às memórias subjetivas de sua infância, valorizando
elementos nacionais ligados a si.

Questão 2 – ENEM - 2011


Lépida e leve

Língua do meu Amor velosa e doce, [...]


que me convences de que sou frase, Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
que me contornas, que me vestes quase, amo-te como todas as mulheres
como se o corpo meu de ti vindo me fosse. te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
Língua que me cativas, que me enleias pela carne de som que à ideia emprestas
os surtos de ave estranha, e pelas frases mudas que proferes
em linhas longas de invisíveis teias, nos silêncios de Amor!...
de que és, há tanto, habilidosa aranha...

MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento).

A poesia de Gilka Machado identifica-se com as concepções artísticas simbolistas. Entretanto, o texto
selecionado incorpora referências temáticas e formais modernistas, já que, nele, a poeta

A) procura desconstruir a visão metafórica do amor e abandona o cuidado formal.

B) concebe a mulher como um ser sem linguagem e questiona o poder da palavra.


C) questiona o trabalho intelectual da mulher e antecipa a construção do verso livre.

D) propõe um modelo novo de erotização na lírica amorosa e propõe a simplificação verbal.

E) explora a construção da essência feminina, a partir da polissemia de “língua”, e inova o léxico.

Comentário: Como bem menciona a alternativa E, as incorporações de referência temáticas e formais


modernistas são realizadas na medida em que a poeta inova o léxico em expressões como “língua-lama” ou
“língua- resplendor”, em que há polissemia no uso do substantivo “língua”, que se refere tanto ao idioma
quanto ao órgão humano. Além disso, pode-se perceber claramente a essência feminina pelo uso de adjetivos
como “velosa”, “doce” e “lépida”.

Questão 3 – ENEM 2006

Namorados

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: A moca se lembrava:


— Antônia, ainda não me acostumei com o seu — A gente fica olhando…
[corpo, com a sua cara. A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
A moca olhou de lado e esperou. — Antônia, você parece uma lagarta listrada.
— Você não sabe quando a gente e criança e de A moca arregalou os olhos, fez exclamações.
[repente vê uma lagarta listrada? O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
Manuel Bandeira.

No poema de Bandeira, poeta modernista, destaca-se como característica da escola literária dessa época

A) a reiteração de palavras como recurso de construção de rimas ricas.

B) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do cotidiano.


C) a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema abordado.
D) a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do estilo literário dessa época.
E) o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Realismo.
Comentário: Nesta questão, o ENEM quer saber se o vestibulando reconhece alguns recursos linguísticos
utilizados pelo Modernismo com finalidades literárias. O principal deles é o uso da linguagem cotidiana, a
linguagem falada, coloquial ou ainda informal. Opondo-se ao Parnasianismo, movimento anterior que pregava
o preciosismo linguístico (uso de palavras raras, construção de rimas ricas), o Modernismo propõe uma
liberdade quanto ao uso da língua, podendo o poeta recorrer à linguagem do dia a dia, desde que com algum
objetivo, buscando a construção da literariedade do texto. Um bom exemplo disso é o poema “Pronominais” de
Oswald de Andrade. Não poderia ser a A, pois não há rimas ricas no poema (não há se quer rimas, os versos são
livres ou brancos). A alternativa C também não se sustenta, pois fala em simetria de versos (versos com as
mesmas medidas), o que não ocorre. A alternativa D fala em tema do amor romântico, característica própria do
Romantismo e não do Modernismo (aliás, o poema descontrói a visão do amor romântico, satirizando a
conversa entre namorados). Por fim, a E fala em recurso ao diálogo, mas cita o Realismo, o que é um
contrassenso, pois a pergunta se refere ao Modernismo.
QUESTÃO 4
SENTIMENTAL

Ponho-me a escrever teu nome


- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
com letras de macarrão.
Eu estava sonhando...
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
E debruçados na mesa todos contemplam
Neste país é proibido sonhar.
esse romântico trabalho.
Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!
Carlos Drummond de Andrade
Esse poema é caracteristicamente modernista, porque nele:

A) A uniformidade dos versos reforça a simplicidade dos sentimentos experimentados pelo poeta.

B) Tematiza-se o ato de sonhar, valorizando-se o modo de composição da linguagem surrealista.

C) Satiriza-se o estilo da poesia romântica, defendendo os padrões da poesia clássica.

D) A linguagem coloquial dos versos livres apresenta com humor o lirismo encarnado na cena cotidiana.

E) O dia a dia surge como novo palco das sensações poéticas, sem imprimir a alteração profunda na linguagem
lírica.

Comentário: Drummond faz uso da linguagem coloquial em seu poema de amor moderno, diferente da poesia
de linguagem rebuscada dos poetas românticos, cuja temática enaltecia o amor romântico e o culto à mulher
inatingível.
Questão 5 – Enem 2009
Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira. é doce herança itabirana.


Principalmente nasci em Itabira. De Itabira trouxe prendas diversas que ora te
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. ofereço:
Noventa por cento de ferro nas calçadas. esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
Oitenta por cento de ferro nas almas. este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
E esse alheamento do que na vida é porosidade e este couro de anta, estendido no sofá da sala de
[comunicação. visitas;
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, este orgulho, esta cabeça baixa...
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
e Hoje sou funcionário público.
[sem horizontes. Itabira é apenas uma fotografia na parede.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas,
penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é
feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do
poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as
concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima
a) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos
linguísticos típicos da oralidade.
b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados
históricos.
c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam
a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.
d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com
as prendas resgatadas de Itabira.
e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor
pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.

Comentário: É possível observar a tensão entre o “eu” e a sua comunidade através da análise dos
versos “Itabira é apenas uma fotografia na parede. / Mas como dói!”.