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RESENHA CRÌTICA

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva –


PNEEPEI (MEC, 2008) constitui um importante marco para a garantia da inclusão de
estudantes da Educação Especial nas escolas regulares, assegurando o acesso ao ensino
comum e ao atendimento educacional especializado (AEE). Suas bases legais estão firmadas
na Constituição Federal de 1988, que trata os alunos titulares da Educação Especial nos
dispositivos referentes à Educação em geral (a matéria, no texto constitucional anterior, era
tratada no âmbito da assistência social). O Brasil ratificou essa Convenção com equivalência
de Emenda Constitucional, por meio do Decreto Legislativo nº186/2008 e do Decreto da
Presidência da República nº 6.949/2009.
O Programa foi lançado em 2003, cinco anos antes da publicação da PNEEPEI.
Apesar de todos esses desafios, a realidade dos sistemas de ensino vem se modificando e a
sociedade se mobiliza em defesa da educação inclusiva e do direito à não discriminação.
Além da evolução do acesso à escola, a matrícula dos estudantes público alvo da educação
especial no ensino comum, que em 2003 era de apenas 24% do total, em 2017 passou a
representar 84%, conforme dados do Censo Escolar (INEP/MEC).
Segundo uma Pesquisa nacional do MEC proposta pelo Ministério da Educação
(MEC) e coordenada pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença
(Leped), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto de
Pesquisa do Discurso do Sujeito Coletivo (IPDSC), no âmbito da cooperação internacional da
Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).
Pode-se inferir que as percepções e posições dos sujeitos sobre a inclusão escolar estão
ancoradas na convicção do direito de todos à educação, e nos ganhos que a educação inclusiva
traz aos estudantes com e sem deficiência do ponto de vista pedagógico, da socialização e da
aprendizagem de valores. Além disso, 89,14% dos entrevistados perceberam ganhos na vida
dos profissionais da educação, dos pais e estudantes que vivenciam o processo de inclusão.
Entretanto, na análise dos slides da SECADI que mostram alguns tópicos da proposta que
pretende homologar por meio de consulta pública, compreende-se que não se trata de
“atualização” da Política e, sim, de uma alteração em relação à concepção de deficiência e à
perspectiva inclusiva da educação especial.
No mais, a pesquisa nacional acima mencionada a Escola e suas Transformações a
partir da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva foi desconsiderada pela
gestão da SECADI/MEC.
Nos últimos anos, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da
Educação Inclusiva (PNEEPEI) passa por muitos desafios. Atualmente, o Brasil passa por
drásticas transformações, não só pela pandemia vigente, mas também pelo quadro banal que
se apresenta diante das instituições de Ensino: o Ministério da Educação (MEC) fará uma
reforma nas diretrizes fundamentais da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva
da Educação Inclusiva – PNEEPEI (2008), sob a justificativa mórbida e sem fundamento de
necessidade de “atualização”. Pela lei, os sistemas educacionais devem ser inclusivos. A
proposta de reforma EXCLUI do nome da Política o termo “na perspectiva da educação
inclusiva”. O direito à educação se equipara ao direito à VIDA! Afinal, educação é direito
central, fundamental para que os demais direitos sejam exercidos.
Atualmente, há pressões dos diversos setores da sociedade, inclusive uma carta aberta
pela manutenção do decreto 671/08 e também o posicionamento do Fórum Nacional de
Educação Inclusiva, exigindo que o MEC, por meio da SECADI, aprofunde a implementação
da PNEEPEI; não hierarquize seres humanos; mantenha a educação especial como
modalidade de ensino transversal e não substitutiva; e cumpra com o seu papel de oferecer
educação para todos, na classe comum da escola regular. O apoio de todos a favor do
Manifesto Inclusão Já é um basta contra a miséria, o descaso e o retrocesso na política de um
Brasil mal governado.

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