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Introdução à Mecânica

das Estruturas

Prof. Lucas Onghero

2019
1 Edição
a
Copyright © UNIASSELVI 2019

Elaboração:
Prof. Lucas Onghero

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.
ON58i

Onghero, Lucas

Introdução à mecânica das estruturas. / Lucas Onghero. – Indaial:


UNIASSELVI, 2019.

250 p.; il.

ISBN 978-85-515-0322-5

1. Mecânica das estruturas. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo


Da Vinci.

CDD 624.171

Impresso por:
Apresentação
Caros alunos, sejam bem-vindos ao curso de mecânica das estruturas,
nesta disciplina busca-se capacitar os alunos a analisar as estruturas
reticuladas no geral, sendo estas hiperestáticas, isostáticas ou hipostáticas.
Será dada maior ênfase às estruturas planas, determinando suas reações de
apoios e esforços internos pelos diferentes métodos existentes, aplicando
cada um com sura devida particularidade.

Se define estrutura a parte da construção responsável pela estabilidade


e pela resistência à esforços esternos aplicados. As estruturas devem
apresentar estabilidade local e global de todos os seus elementos, assim
como apresentar resistência mecânica para suportar os esforços, de maneira
que não ocorra a ruptura dos materiais que a compõem. Além disso, outro
fator que deve ser analisado nos sistemas estruturais é o seu desempenho
relacionado com as deformações de durabilidade, o qual está diretamente
ligado com a vida útil para a qual a estrutura foi planejada.

Uma vez definido o sistema construtivo e materiais a serem utilizados


na construção, é então desenvolvida a análise estrutural da edificação, sendo
a primeira parte de um projeto estrutural. Portanto, como objetivo desta
disciplina é esperado que ao final do estudo o aluno possa avaliar uma
estrutura, suas deformações e esforços à qual está submetida, partindo das
suas características como: geometria, dimensões, características mecânicas,
propriedades dos materiais utilizados, esforços externos aplicados.

Para atingir o objetivo proposto pela disciplina, a primeira unidade


apresenta os conceitos básicos que envolvem a análise estrutural: a representação
e redução dos esforços à um ponto; sua representação em uma estrutura,
a formulação de sistemas equivalentes de forças para facilitar a análise da
estrutura; os conceitos que envolvem o equilíbrio da estrutura e a estática dos
sistemas materiais planos e espaciais. Além disso, serão abordadas, ainda nesta
unidade, as definições dos tipos de apoios considerados durante a análise; como
é realizada a determinação das reações que surgem nos apoios das estruturas.

Ainda na primeira unidade será abordado o conceito de tensão e como


estas tensões são transmitidas pela estrutura, para então ser iniciada a análise
das tensões/esforços solicitantes das estruturas, onde ocorre o primeiro contato
do leitor com os teoremas fundamentais da estática para construções e um dos
principais métodos de análises para estruturas isostáticas e hipostáticas.

A Unidade 2 tem como foco apresentar alguns dos modelos de


estruturas isostáticas mais utilizados e suas particularidades, além das
considerações a serem adotadas na análise na presença de rótulas ou engastes
em estruturas. Além disso, serão apresentados alguns métodos de análise
mais gerais, como o método de Cremona, método dos nós e revisado o
método de Ritter (das seções). Juntamente com a apresentação dos métodos,
será abordada a construção dos diagramas de esforços solicitantes para cada
tipo de estrutura apresentado e para todos os métodos abordado na unidade.
III
Na terceira unidade, será dada continuidade na abordagem de
métodos de análises para estruturas, porém nesta seção serão tradados
os casos onde as estruturas apresentam grau de estaticidade maior que 0,
ou seja, estruturas hiperestáticas. Os métodos abordados para este tipo de
estruturas apresentados nesta apostila são o Método dos Deslocamentos, o
Método das Forças e o Método de Cross.

Antes de tudo, é importante pontuar que esta disciplina é baseada


nas leis da física, abordadas nas disciplinas de base do curso e que sempre
estão dando suporte à engenharia. Portanto, apesar da primeira unidade
desta apostila fazer uma breve revisão dos pontos mais importantes, é
recomendado ao acadêmico que estiver com alguma dificuldade, retomar as
disciplinas básicas para melhor aproveitamento deste conteúdo.

Bons estudos!

Prof. Lucas Onghero

NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS..................................................... 1

TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL.............................. 3


1 INTRODUÇÃO........................................................................................................................................ 3
2 NOÇÕES FUNDAMENTAIS ............................................................................................................... 4
2.1 REGRA DA MÃO DIREITA.............................................................................................................. 6
2.2 REDUÇÃO DE UM SISTEMA DE FORÇAS EM UM PONTO ................................................. 10
2.3 SISTEMAS MECANICAMENTE EQUIVALENTES . ................................................................. 11
2.3.1 Método direto........................................................................................................................... 14
2.3.2 Método indireto....................................................................................................................... 14
2.4 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE................................................................................................... 15
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 17
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 18

TÓPICO 2 – ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS................................................ 21


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 21
2 EQUILÍBRIO........................................................................................................................................... 21
2.1 REVISÃO............................................................................................................................................ 22
2.2 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE................................................................................................... 23
3 APOIOS .................................................................................................................................................. 23
4 DETERMINAÇÃO DAS REAÇÕES DE APOIO ............................................................................ 28
4.1 ESTRUTURA APORTICADA......................................................................................................... 29
4.2 PÓRTICO ISOSTÁTICO.................................................................................................................. 30
4.3 TRELIÇA ISOSTÁTICA................................................................................................................... 31
4.4 PÓRTICO TRIARTICULADO ISOSTÁTICO................................................................................ 32
5 ESTÁTICA DOS SISTEMAS ESPACIAIS ....................................................................................... 33
5.1 PÓRTICO ESPACIAL....................................................................................................................... 35
5.2 PÓRTICO ESPACIAL....................................................................................................................... 36
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 38
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 40

TÓPICO 3 – O CONCEITO DE TENSÃO........................................................................................... 49


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 49
2 ANÁLISE DE TENSÕES DE ESTRUTURAS................................................................................... 49
3 ESFORÇOS SOLICITANTES ............................................................................................................. 53
4 TEOREMA FUNDAMENTAL DA ESTÁTICA DAS CONSTRUÇÕES..................................... 56
5 RESUMO DO PROCEDIMENTO DE ANÁLISE............................................................................ 63
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 65
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 67
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 68

UNIDADE 2 – INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS................................................... 75

TÓPICO 1 – ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS...................................................................................... 77

VII
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 77
2 ANÁLISE DE ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS: ESFORÇOS E DESLOCAMENTOS.............. 77
2.1 DIAGRAMA DOS ESFORÇOS SOLICITANTES......................................................................... 78
2.2 GRÁFICOS DE ESFORÇOS SOLICITANTES............................................................................... 82
3 ANÁLISE DE TRELIÇAS .................................................................................................................... 88
3.1 ESTATICIDADE E ESTABILIDADE DAS TRELIÇAS................................................................. 90
4 MÉTODO DOS NÓS............................................................................................................................ 90
5 MÉTODO DE CREMONA................................................................................................................... 94
6 MÉTODO DE RITTER OU MÉTODO DAS SEÇÕES................................................................... 99
6.1 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE................................................................................................... 99
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................... 103
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 104

TÓPICO 2 – VIGAS ISOSTÁTICAS .................................................................................................. 115


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 115
2 MÉTODO DIRETO............................................................................................................................. 115
2.1 VIGAS SIMPLES: MÉTODO DIRETO PARA DIAGRAMAS................................................... 115
2.2 VIGAS GERBER.............................................................................................................................. 121
2.2.1 Procedimento de análise . .................................................................................................... 121
2.3 VIGAS INCLINADAS.................................................................................................................... 124
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................... 132
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 133

TÓPICO 3 – PÓRTICOS........................................................................................................................ 137


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 137
2 DIAGRAMAS DE ESFORÇOS......................................................................................................... 137
2.1 PÓRTICOS SIMPLES...................................................................................................................... 138
2.2 PÓRTICO COM ARTICULAÇÃO E TIRANTE ........................................................................ 140
2.3 PÓRTICOS COMPOSTOS............................................................................................................. 142
3 CABOS................................................................................................................................................... 147
3.1 REAÇÕES DE APOIO PARA CABOS......................................................................................... 149
5 ARCOS................................................................................................................................................... 153
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 157
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 159
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 160

UNIDADE 3 – ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS......................................................................... 167

TÓPICO 1 – MÉTODO DAS FORÇAS.............................................................................................. 169


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 169
2 MÉTODO DAS FORÇAS................................................................................................................... 170
2.1 HIPERESTÁTICOS E SISTEMAS PRINCIPAIS.......................................................................... 171
2.2 RESTABELECIMENTO DA COMPATIBILIDADE.................................................................... 173
3 MATRIZ DE FLEXIBILIDADE E VETOR DOS TERMOS DE CARGA................................... 178
3.1 ESCOLHA DO SISTEMA PRINCIPAL........................................................................................ 179
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................... 193
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 194

TÓPICO 2 – MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ................... 197


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 197
2 MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS............................................................................................. 197
2.1 DESCRIÇÃO DO MÉTODO.......................................................................................................... 198

VIII
2.1.1 Viga engastada-apoiada ...................................................................................................... 199
2.1.2 Viga biengastada.................................................................................................................... 201
2.1.3 Viga contínua......................................................................................................................... 205
2.1.4 Treliças – barra de material homogêneo e seção transversal constante
submetida à carga axial........................................................................................................ 210
2.1.5 Treliças – barra composta de duas hastes de materiais, comprimentos e seções
diferentes submetidas a carregamento axial...................................................................... 211
2.2 RESUMO DO MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS PARA ESTRUTURAS
RETICULADAS DIVIDIDAS EM ELEMENTOS....................................................................... 215
2.3 CÁLCULO DA MATRIZ DE RIGIDEZ....................................................................................... 216
2.4 ELEMENTO DE TRELIÇA PLANA............................................................................................. 220
2.5 ELEMENTO DE PÓRTICO PLANO............................................................................................ 222
2.6 REGRA DA CORRESPONDÊNCIA............................................................................................ 228
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................... 234
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 235

TÓPICO 3 – MÉTODO DE CROSS.................................................................................................... 237


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 237
2 PROCESSO DE CROSS...................................................................................................................... 237
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 244
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 245
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 246

REFERÊNCIAS........................................................................................................................................ 249

IX
X
UNIDADE 1

INTRODUÇÃO À ANÁLISE
DE ESTRUTURAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender como as forças agem em uma estrutura;

• utilizar programas básicos de resolução de análise estrutural;

• avaliar uma estrutura de qualquer grau de estaticidade;

• realizar a análise de diferentes configurações estruturais possíveis de


serem utilizadas;

• avaliar o resultado obtido em programas computacionais de análise


estruturais;

• escolher entre os métodos existentes de análise de acordo com a estrutura


ser avaliada.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividia em três tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

TÓPICO 2 – ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

TÓPICO 3 – O CONCEITO DE TENSÃO

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

1 INTRODUÇÃO
A estabilidade de uma edificação se dá devido a um projeto estrutural
bem elaborado, em que são apresentadas todas as partes resistentes de maneira
otimizada para as cargas consideradas.

Ao elaborar os projetos são realizadas algumas simplificações para ser


possível a verificação e análise do comportamento da estrutura, definindo o
modelo estrutural e, assim, poder encontrar um modelo que melhor se adéqua à
situação em estudo. Para isso, alguns fatores devem ser levados em consideração:

• projeto arquitetônico;
• aspectos funcionais (dimensões, iluminação, limitação do espaço);
• aspectos estéticos;
• carregamentos atuantes (permanentes ou acidentais);
• condições de fabricação, transporte e montagem da estrutura;
• material estrutural a ser utilizado.

Dessa forma, essa disciplina tem como objetivo proporcionar aos alunos o
conhecimento teórico necessário para dimensionar e analisar a concepção estrutural
adotada em projeto. Nessa disciplina serão abordados os conceitos fundamentais,
necessários para desenvolver a análise dos esforços e dos deslocamentos sofridos pela
estrutura com o carregamento previsto. Portanto, esse livro didático busca apresentar
estes conceitos de maneira prática e sistemática, apresentando um passo a passo.

Para efetuar a análise serão apresentados os métodos mais conhecidos


para a execução de estruturas hiperestáticas e isostáticas, dentre elas encontra-se
o método cremona, o método das seções, método do deslocamento e método das
forças, todos sendo detalhados no decorrer deste livro. Vale ressaltar que você,
acadêmico, deve ter o conhecimento básico de resistências dos materiais para
facilitar o entendimento da disciplina. Além disso, todos os cálculos apresentados
nesse documento levam em consideração a teoria de Euller-Bernoulli.

3
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

ATENCAO

Ressaltamos que todas as autoatividades propostas podem ser resolvidas


através do uso do software FTOOL, desenvolvido pela PUC-RIO, podendo ser encontrado
para download acessando o link: http://webserver2.tecgraf.puc-rio.br/ftool/.

2 NOÇÕES FUNDAMENTAIS
Para efetuar a análise de estruturas é necessário ter o conceito de força
bem assimilado. A força é definida pelo 3º Princípio da Mecânica Clássica: “em
cada instante, a ação mecânica de um corpo sobre um ponto material pode ser
representada por um vetor aplicada no ponto”. Desta forma, é possível afirmar
que a força aplicada sobre um ponto em um corpo rígido pode ser representada
por vetores aplicados em pontos sólidos.

Esta ação entre sólidos pode se manifestar a distância ou por contato direto
entre os corpos, podendo ser citado como exemplo a força gravitacional (ação de
forças de volume) e a força que o asfalto exerce nas rodas do carro (ação por contato).

Se a superfície sobre a qual a força está sendo aplicada é muito pequena,


pode-se considerá-la reduzida a um ponto, considerando assim a força
concentrada; já quando esta superfície de contato é muito estreita, admite-se que
ela seja uma linha, podendo assim considerar a força linearmente distribuída.

A consideração do ponto de aplicação da força é de extrema importância


para a análise da ação entre sólidos, pois ao aplicar uma força de mesma intensidade
em diferentes pontos de um mesmo sólido, produz efeitos totalmente distintos.

Matematicamente, as forças interativas são representadas por um par



constituído por um vetor e um ponto. Uma força concentrada F aplicada a um ponto
 
P é matematicamente representada por (P, F ), ou seja, pelo vetor aplicado (P, F ).

Outra definição importante é a linha de ação da força F quando é aplicada
a um ponto P. Esta força age no ponto P, tendo uma linha de ação paralela à força

F nele aplicada, conforme pode ser visto na Figura 1.

4
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

FIGURA 1 – LINHA DE AÇÃO DA FORÇA APLICADA EM UM PONTO


)
P,F
ã o(
e aç
ad
nh
Li

P
FONTE: Neto (1996, p. 2)


O momento de ação de uma força (P, F ) em relação a um ponto O é um
  
vetor passando por O e definido matematicamente por M= 0 0 P Λ F , e apresenta
como característica as seguintes propriedades:

• Direção: perpendicular ao plano determinado pela linha de ação da força e


pelo ponto O;
• Sentido: determinado pela regra da mão direita;
  
• Módulo ou intensidade: || M O || = || OP || . || F || sin α

Para simplificar o entendimento, sempre será desenhado M O com origem
no ponto O a ser analisado e, para não haver confusão entre força e momento,
o vetor de momento é representado por setas duplas. Todas as propriedades
citadas estão demonstradas na Figura 2.

FIGURA 2 – AÇÃO DE UMA FORÇA F EM UM PONTO O.

FONTE: Neto (1996, p. 2)

5
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS


De acordo com a Figura 2 é possível afirmar que OP sin α é igual a d

(Figura 3a e b), ou seja, a distância do ponto O à linha de ação de força (P, F ) e,
 
desta maneira, então é possível escrever a equação de momento sendo M O = F . d
e, para esta distância d se dá o nome de braço de momento (ou braço de alavanca).

FIGURA 3 – DETERMINAÇÃO DO BRAÇO DE ALAVANCA QUE COMPÕE O MOMENTO



DE (P, F ) EM RELAÇÃO A O

a) b)
FONTE: <https://docplayer.net/docview/81/83229432/#file=/storage/81/83229432/83229432.
pdf>. Acesso em: 23 maio 2019.

É possível observar que o momento de uma força em relação a um ponto


possui a dimensão do produto de uma força por uma distância, sendo mensuradas
em N.n, kgf.cm, tf.m, entre outras combinações possíveis.

Agora já é possível descobrir a intensidade do momento de força aplicado


ao ponto estudado, mas para descrever exatamente os efeitos desse momento se
faz necessário ainda descrever seu sentido e direção, para isso será explicada a
seguir a regra da mão direita.

2.1 REGRA DA MÃO DIREITA



Sabe-se que o momento M O tem a direção da reta “r” (mostrada na
Figura 4),
 passando por O e perpendicular ao plano definido pela linha de ação
de (P, F ) e pelo ponto O (plano p).

6
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

FIGURA 4 – APLICAÇÃO DA REGRADA MÃO DIREITA

FONTE: Neto (1996, p. 3)


O sentido de momento F é determinado da seguinte maneira:

• No plano que contém a linha de ação de (P, F ) e é perpendicular a π, coloque a
mão direita com a palma voltada para a reta “r” e com os dedos no sentido de F .
• Deixe o polegar perpendicular aos demais dedos.

• O sentido de M O é então apontado pelo polegar da mão direita (ver Figura 4).
 
A equação
 M O = F . d apresenta que a intensidade do momento de uma
força (P, F ) em relação a um ponto O é o produto de duas grandezas, sendo a
intensidade da força atuante e a distância entre a sua linha de ação e o ponto
aplicado. Portanto, desta equação é possível obter as seguintes propriedades:
 
M O 0 para
= = F 0=
ou d 0

Essa propriedade trata que o momento  é nulo em relação ao ponto de análise


(no caso, ponto O) se, e somente se, a força F é nula, ou então se a distância entre
o ponto O e a linha de ação for igual a 0, ou seja, a sua linha de ação passa pelo
ponto O (Figura 5).

7
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 5 – LINHA DE AÇÃO DA FORÇA PASSANDO PELO PONTO O

FONTE: <https://docplayer.net/docview/81/83229432/#file=/storage/81/83229432/83229432.pdf>.
Acesso em: 23 maio 2019.

 
1- Se (P, F ) e (Q, F ) têm a mesma linha de ação, então seus momentos em relação
a um mesmo ponto são iguais.
   
se que:
=
Dado um sistema de forças S {( P, F ) , ( P, F ) , ( P, F ) ,…, ( P, F )} tem-
1 2 3 n

• A resultante S é a soma vetorial das forças que o compõe, essa resultante é



indicada por R , sendo calculado por:

 n 
R = ∑ Fi
i =1

• O momento de S em relação a um ponto O é a soma vetorial dos momentos


de cada uma das forças do sistema em relação a esse ponto. Dessa maneira, o
momento de S em relação à O é indicado por:
n

M0 = Σ0P Λ F,
n=1

• Um binário é um sistema formado por duas forças que apresentam mesma


intensidade e direção, porém com sentidos opostos e com diferentes linhas de
ação, conforme mostrado na Figura 6.

8
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

FIGURA 6 – DEMONSTRAÇÃO DE UM SISTEMA BINÁRIO DE FORÇAS

FONTE: Neto (1996, p. 5)

• O momento de um binário é o mesmo, independentemente qual seja o ponto


de análise, essa afirmação pode ser comprovada facilmente de maneira
matemática (fica como dica para fixação dessa propriedade o desenvolvimento
matemático).
• Como o momento de um binário em relação a um ponto independente, ele será

simplesmente chamado de momento de binário e identificado por M .
• Já que o momento de um binário independe do polo, qualquer ponto pode ser
utilizado em sua determinação. Adotar os pontos P e Q conhecidos (Figura 6) facilita

a obtenção de M , já que em relação a eles, uma das forças do binário será nula.

Da mesma maneira que o momento de uma força aplicada a um ponto,


o momento de um binário apresenta características de intensidade, direção
e sentido. Sendo que o método utilizado para determinar a direção e sentido
do momento do binário é exatamente igual ao aplicado anteriormente para
encontrar o momento da força em um ponto. A única diferença se dá no cálculo
da intensidade, determinado por:

 
M = F. b

Em que b é a distância entre as linhas de ação entre as duas forças (braço


de alavanca de um binário).

9
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 7 – SISTEMA DE MOMENTO DE UM BINÁRIO

FONTE: Neto (1996, p. 6)

Portanto, como visto anteriormente, a intensidade do momento do


binário é o produto da intensidade de uma das forças que constituem o binário
pelo braço de alavanca.

2.2 REDUÇÃO DE UM SISTEMA DE FORÇAS EM UM PONTO


   
=
A Redução de um sistema de forças S {( )(
P, F1 , P, F2 , P, F3 , …, P, Fn
  )( ) ( )}
em
 um ponto A consiste em aplicar neste ponto dois vetores: R e M A . Nota-se que
R é a resultante do sistema de forças S e este componente independe do ponto
de redução.

A redução de um mesmo
sistema
de forças S em dois pontos distintos A e B
pode ainda levar aos momentos M A e M B , tendo sua relação descrita pela fórmula:

MB = MA + BA Λ R
 
Essa fórmula mostraque o momento M B é a soma vetorial de M A com o
momento que a resultante R aplicada em A tem em relação a B, ou seja, quando
se reduz em B um problema previamente reduzido em A, consistem  em aplicar
em B uma força ( R ) e dois momentos ( M A ) e o momento de (A, R ).

Após o exposto  acima, deve-se ressaltar outra propriedade dos vetores,

quando a resultante R de um sistema de forças é nula, então o momento M B
independe da posição do ponto B de redução, e a recíproca dessa situação também

M
se faz verdadeira, ou seja, sendo o momento B independe do ponto B de redução
(para qualquer ponto B), então a resultante R é nula.   Essa
afirmação pode ser
mostrada matematicamente da seguinte maneira: R= 0 ⇔ M B .

10
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

 Outra propriedade importante e que deve ser lembrada é que, se a resultante


R de um sistema de forças for nula, e seu momento em relação a um ponto A
também é nulo, então
a redução desse sistema para qualquer
     outro
 ponto B resulta
em um momento M B nulo. Portanto: R = 0e M A = 0 ⇔ M B =∀0, B .

2.3 SISTEMAS MECANICAMENTE EQUIVALENTES


É possível afirmar que dois sistemas de forças (S e S’) são equivalentes
quando suas reduções em um mesmo ponto genérico A levam aos mesmos
esforços solicitantes. Ou seja, um ponto de redução qualquer, sempre a redução de
dois sistemas de esforços mecânicos equivalentes em um mesmo ponto resultará
nos mesmos esforços, qualquer seja o ponto de redução considerado.

Inicialmente deve-se definir melhor o conceito de equivalente. É


considerado sistema equivalente quando dois sistemas de esforços aplicados em
um mesmo corpo rígido o levam a apresentar o mesmo movimento.

Como um exemplo, é possível considerar uma mesma barra rígida,


homogênea e submetida a dois sistemas de esforços distintos, porém
mecanicamente equivalentes. Imediatamente constata-se que os dois sistemas de
forças da Figura 8 são equivalentes mecanicamente. Para realizar essa conferência,
reduz-se os sistemas em um mesmo ponto qualquer.

Nesse caso será


 reduzido
 ao centro de massa da barra e, nos dois casos, será
obtido
= que R 2= P j e M 0 ; portanto o sólido passará a ter o mesmo movimento
ao ser aplicado os esforços, desde que esse sólido apresente as mesmas condições
no instante de aplicação da carga.

FIGURA 8 – EXEMPLOS DE SISTEMAS DE ESFORÇOS EQUIVALENTES

a)
FONTE: Neto (1996, p. 9) b)

Sabe-se que após o sistema de esforços ser reduzido a um ponto, essa


redução faz surgir uma força e um momento mecanicamente equivalente a esse
sistema no ponto selecionado, como é apresentado no exemplo a seguir.

Exemplo 1: considerando a barra da Figura 9a, em que são aplicadas duas


forças coplanares estabelecendo um sistema de esforços SI. Se reduzirmos esses
esforços no ponto A as resultantes dessa redução são apresentadas na Figura 9b,
formando um sistema de esforços SII.
11
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

   
R= 20i − 50i = − 30i
   
MA = −20.2k + 50.4k = 160k

FIGURA 9 – EXEMPLO DE REDUÇÃO DE ESFORÇOS PARA SISTEMAS


MECANICAMENTE EQUIVALENTES

a) b)

c)
FONTE: Neto (1996, p. 11)

Porém,caso a redução de SI ocorra


 no ponto
 B, leva
 a uma resultante de
força R = − 30i e momento dado por M B = 20.4
 k − 50.2
 k= −20k e, a redução
sistema SII­­­no ponto
do  B resulta
 em uma força R = − 30i e ao momento dado por
MB = −30.6k + 160k = −20k , comprovando que os sistemas SI e SII são sistemas
equivalentes.

Deve-se ressaltar que essa equivalência de sistemas de forças só poderá ser


considerada quando os esforços são aplicados em corpos rígidos e sob as mesmas
condições iniciais. Portanto, é de extrema importância observar que dois sistemas
de forças equivalentes podem produzir efeitos distintos em sólidos deformáveis,
como pode ser observado na Figura 10.

A redução
 de ambos
 os sistemas de forças no centro de massa (G) leva a
um valore de R = 0 e R = − 30i . Porém se as barras se encontram em repouso no
instante da solicitação dos esforços, elas irão se deformar, uma vez que se trata
de elementos deformáveis e permanecerão com sua configuração deformada, em
repouso, desde que seja mantida a configuração de carregamento nela aplicada.

Na Figura 10 são apresentados dois sistemas de aplicação de cargas


equivalentes, porém com diferentes configurações (Figuras 10a e 10c) e
suas respectivas deformações (Figuras 10b e 10d). É possível perceber que a
concavidade da deformada dos casos apresentados são totalmente diferentes,
mesmo os esforços sendo mecanicamente equivalentes.

12
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

FIGURA 10 – REPRESENTAÇÃO DA DIFERENÇA DE DEFORMAÇÃO SOFRIDA NA ESTRUTURA


DE DOIS SISTEMAS DE CARREGAMENTO EQUIVALENTE

a) b)

c) d)
FONTE: O autor

Portanto, como apresentado no exemplo da Figura 10, é mostrado


claramente que dois sistemas de forças equivalentes só produzem os mesmos
efeitos na estrutura quando ela for composta por um mesmo sólido rígido, sendo
completamente distintos quando se tratar de um sólido deformável.

NOTA

Esse conceito de redução de sistema de esforços deve estar bem esclarecido


para facilitar o processo de análise das estruturas.

Deve-se ressaltar ainda que toda análise realizada abrangerá apenas


forças coplanares, ou seja, que estejam atuando no mesmo plano de forças,
sendo assim, possível a redução de seu sistema. Para a realização da redução
do sistema serão apresentados dois métodos possíveis de serem utilizados: o
método direto e o indireto.

13
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

2.3.1 Método direto


Esse processo consiste na redução do sistema de forças em um ponto
qualquer (Q) da barra e na determinação de qual deve ser a posição desse ponto
para realizar o cálculo do momento de redução para que os esforços se anulem,
conforme é mostrado na Figura 11.

O momento de redução é

M Q = P.x − P. ( l − x )

Em que o valor encontrado para x é a posição que resulta em um


momento nulo do sistema, ou seja, encontrando o equilíbrio entre o sistema
original e o sistema reduzido.

FIGURA 11 – EXEMPLO DE REDUÇÃO DE SISTEMAS FORÇAS COPLANARES,


CONFIGURAÇÃO ORIGINAL (A) E CONFIGURAÇÃO REDUZIDA (B)

a) b)
FONTE: Neto (1996, p. 18)

Como se busca um valor de x para que o sistema entre em equilíbrio, tem-


se então:

M Q = P.x − P. ( l − x ) = 0
2 P.x − P. l =
0
l
x=
2

2.3.2 Método indireto


Esse método de solução se baseia no fato de que o sistema original e o
reduzido sejam mecanicamente equivalentes, possibilitando que a determinação
do ponto de redução procurada seja feita indiretamente, de modo a responder à
pergunta que se faz: Qual deve ser o valor da posição x do ponto Q em que os dois
sistemas se tornam equivalentes mecanicamente?

14
TÓPICO 1 | CONCEITOS FUNDAMENTAIS EM ANÁLISE ESTRUTURAL

Por exemplo, reduzindo os sistemas apresentados na Figura 12 no ponto


A, e impondo que os dois momentos sejam iguais, então é possível obter a posição
do ponto Q de aplicação da força.

FIGURA 12 – REDUÇÃO DOS SISTEMAS APRESENTADOS NO PONTO A

FONTE: Neto (1996, p. 20)

− P.l =
MA = −2.P.x
l
x=
2

É possível observar que os resultados encontrados pelo método direto e


indireto resultam nos mesmos valores. A maior diferença entre os métodos é que
pelo método indireto se tem maior liberdade da escolha do ponto de redução para
comparar com o sistema original.

2.4 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE


Exemplo: para o sistema mostrado na sequência, aplicar uma única carga
equivalente ao sistema.

FIGURA 13 – EXEMPLO DE SISTEMA

FONTE: O autor

Reduzindo esse sistema em relação ao ponto A, encontra-se:

−30.2 − 40.3 =
MA = −180 kN .m

O esforço resultante do sistema acima é:

15
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 14 – RESULTANTE DO SISTEMA

FONTE: O autor

Com a redução desse sistema no ponto A obtém-se M A = −90.x .

Sabendo que para comprovar a equivalência dos sistemas utilizados, esses


dois momentos encontrados são iguais. Portanto:

−180 kN .m =
MA = −90.x
−180
=x = 2m
−90

Portanto:

FIGURA 15 – RESULTADO DO SISTEMA

FONTE: O autor

16
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Toda força aplicada em um ponto possui módulo, direção e sentido.

• Toda força aplicada em um plano irá gerar um binário em outro ponto qualquer
diferente do qual a força é aplicada.

• O momento gerado por uma força é igual ao produto da sua intensidade e a


distância da força ao ponto analisado.

• O sentido do momento gerado obedece a regra da mão direita.

• Todo carregamento apresentado por uma estrutura pode ser reescrito em uma
forma mais simplificada, formando um sistema equivalente.

• Ao montar um sistema equivalente de esforços, são facilitados o entendimento


e a análise da estrutura.

17
AUTOATIVIDADE

1 Determinar a posição da força resultante para que o sistema reduzido seja


mecanicamente equivalente ao sistema original:
a)

FONTE: O autor
b)

FONTE: O autor
c)

FONTE: O autor
c)

FONTE: O autor
c)

FONTE: O autor

18
2 Substitua o sistema de forças que atua sobre a viga por uma força e um
momento equivalente no ponto B.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 149)

3 Substitua as três forças atuantes no cano por uma única força resultante.
Especifique onde a força atua, utilizando a extremidade B como referência.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 149)

4 Substitua as cargas por uma força equivalente e especifique a sua localização


sobre a viga, a qual deve ser medida a partir do ponto B.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 159)

19
5 Substitua o carregamento distribuído por uma força equivalente resultante,
especifique sua localização medida a partir do ponto A.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 159)

6 Substitua as cargas por uma força resultante e momento equivalente atuantes


no ponto O.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 160)

7 O concreto molhado exerce uma pressão distribuída ao longo das paredes


da fôrma. Determine a força resultante dessa distribuição e especifique a
altura h em que a escora deve ser colocada para que se posicione na linha de
ação da força resultante. O muro possui espessura de 5 m.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 160)

20
UNIDADE 1
TÓPICO 2

ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

1 INTRODUÇÃO
A estática dos sistemas materiais planos estuda o equilíbrio das estruturas
contidas no mesmo plano que as forças que atuam no sistema, através das
equações de equilíbrio apresentadas adiante, no Quadro 1.

Porém, uma exata análise da estrutura nunca poderá ser realizada,


devido à estimativa de carregamento e das resistências dos materiais utilizados
na estrutura. Outro fator que aumenta a imprecisão das análises é o ponto de
aplicação dos carregamentos utilizados.

Portanto, neste tópico, serão abordados todos os mecanismos que


envolvem o equilíbrio da estrutura, seus conceitos, classificação da estrutura
quanto a seu grau de estaticidade para, então, iniciar os cálculos de análise.

2 EQUILÍBRIO
Um sistema estrutural se encontra em equilíbrio quando ele estiver em
repouso em relação a um ponto de referência, ou seja, se qualquer ponto contido
em seu sistema não varia de posição em relação a esse referencial adotado.

Dessa forma, pode-se afirmar que para o corpo se encontrar em equilíbrio,


a resultante das forças atuantes no corpo é nula, assim como o momento resultante
dessas forças no ponto de análise também é nulo.

A teoria da análise estrutural é baseada no princípio da superposição, o


qual trata que: O deslocamento total ou cargas internas em um ponto de uma
estrutura sujeita a várias cargas externas podem ser determinadas pela soma dos
deslocamentos ou cargas internas causadas por cada uma das cargas externas
atuantes separadamente.

Porém essa declaração só é válida para:

• Material com comportamento elástico-linear, ou seja, obedece à Lei de Hooke


e, dessa maneira, a carga será proporcional ao deslocamento.
• A geometria da estrutura não pode passar por mudança significativa quando
as cargas são aplicadas, ou seja, não pode haver grandes deslocamentos da
estrutura de forma a mudar a orientação e posição das cargas.
21
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Portanto, através do exposto, para um ser possível afirmar que um corpo


está em equilíbrio é necessário que as seguintes condições sejam atendidas:

QUADRO 1 – CONDIÇÕES DE EQUILÍBRIO DE UM CORPO

No plano No espaço
ΣFx =0 ΣFx=0
ΣFy =0 ΣFy=0
ΣMx =0 ΣFZ=0
ΣMy =0 ΣMx=0
ΣMy=0
ΣMz=0

FONTE: O autor

No Quadro 1, as componentes F representam as somas das forças em cada


eixo (x,y e z) e M é o momento causado pelo carregamento, também podendo
ocorrer nos três eixos (x, y e z).

Toda vez que essas equações são aplicadas, se faz necessário traçar o
diagrama de corpo livre do sistema, o qual será abordado nos subtópicos a seguir.

2.1 REVISÃO
Equilíbrio: quando todas as forças que atuam sobre o ponto material
têm força resultante nula, podendo este corpo estar em repouso ou se movendo
com velocidade constante. Para realizar essa análise se faz necessário o estudo
do diagrama de corpo livre, que nada mais é que o contorno da forma do ponto
material, mostrando todas as forças com suas intensidades e sentidos conhecidos
e desconhecidos.

Duas dimensões: em duas dimensões, basta realizar o somatório das


forças nos dois eixos em que se encontra o corpo rígido e igualando-as a zero. Se
o resultado obtido for negativo, então a força desconhecida possui sentido oposto
àquela mostrada no diagrama de corpo livre.

Três dimensões: por ser um pouco mais difícil de visualizar, em sistemas


espaciais (tridimensionais) a equação de equilíbrio pode ser aplicada utilizando
a análise vetorial cartesiana, o que requer primeiro expressar cada força no
diagrama de corpo livre e então soma-se as forças de cada componente vetorial
(j, j, k). Quando somados e igualados a zero, esses componentes também devem
ser nulos, de modo que o somatório das forças em cada eixo seja igual a zero.

22
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

2.2 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE


Os problemas de equilíbrio de forças, sejam eles no plano, são resolvidos
usando o seguinte procedimento:

1- Diagrama de corpo livre:


• Definir os eixos x, y e z.
• Identificar todas as intensidades e sentidos conhecidos e desconhecidos das
forças no diagrama.
• O sentido de uma força que tenha intensidade desconhecida é suposto.

2- Equações de equilíbrio:
• Usar as equações escalares de equilíbrio ∑Fx = 0, ∑Fy = 0 e ∑Fz =0 nos casos em
que seja fácil decompor cada força em seus componentes x, y, z.
• Se a geometria tridimensional parecer difícil, primeiro expressar cada força
como vetores cartesianos e depois substituir pelos vetores na equação de ∑F=0,
igualando a zero os componentes i,j,k.
• Se a solução der resultado negativo, isso indica que o sentido da força é oposto
ao mostrado no diagrama de corpo livre.

3 APOIOS
Todos os esforços atuantes em um sistema podem ser classificados em
esforços externos ativos e reativos, ou seja, as ações atuantes (peso próprio dos
elementos, pressão de vento, cargas de uso da edificação etc.)

Portanto, os esforços ativos são todas as cargas que a estrutura das


construções deve suportar, caso contrário, a estrutura perde seu funcionamento
e não justifica o seu uso.

Já os esforços reativos são os esforços provindos dos apoios de ligação


entre os sistemas da estrutura, criando vinculação entre eles e impedindo alguns
movimentos da estrutura, de acordo com seu grau de rigidez.

Os principais tipos de apoios considerados nas análises estruturais, suas


representações e restrições impostas aos movimentos estão apresentados na
Quadro 2, sendo considerado o eixo de referência apresentado na Figura 16.

23
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 16 – COORDENADAS DE REFERÊNCIAS CARTESIANAS

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 3)

QUADRO 2 – RESUMO DOS TIPOS DE APOIOS UTILIZADOS NAS ANÁLISES DE ESTRUTURAS

Reações (impedimento
Tipo de Apoio Representação Plano
do movimento)
Apoio Simples ou de primeiro
Rx=0; Mz=0; Ry ≠ 0 X-Y
gênero
Articulação, rótula ou apoio do
Rx ≠ 0; Mz=0; Ry ≠ 0 X-Y
segundo gênero
Engaste Rx ≠ 0; Mz≠0; Ry ≠ 0 X-Y

FONTE: O autor

As restrições impostas pelos apoios ao movimento da estrutura recebem


o nome de vínculo, e o número de reações impostas pelos vínculos nos pontos
vinculados é igual à quantidade de movimentos que são impedidos pelo apoio.

E
IMPORTANT

Uma vez conhecendo as diferentes maneiras que as ligações das estruturas


podem ser idealizadas, serão apresentadas então algumas técnicas para elaborar a análise.

Inicialmente, quando as equações são aplicadas, se faz necessário traçar


o diagrama de corpo livre da estrutura e seus elementos. Dessa forma, se um
membro é escolhido para a análise, ele deve ser isolado dos suportes e adjacências,
assim pode-se descobrir os valores das reações de apoio do sistema.

24
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

O primeiro passo para iniciar a análise é estabelecer a determinação e


estabilidade da estrutura, em outras palavras, definir o grau de estaticidade do
sistema. Define-se determinação da estrutura sendo a condição que as equações
de equilíbrio fornecem para a estrutura analisada. Ou seja, quando todas as
forças podem ser determinadas a partir das equações de equilíbrio, a estrutura é
conhecida como estaticamente denominada.

Quando esse fato não é permitido, ou seja, há mais forças desconhecidas


do que equações de equilíbrio, a estrutura é chamada de estaticamente
indeterminada.

Para facilitar o entendimento, é possível definir a estrutura como:

r = 3n, estaticamente determinada


r > 3n, estaticamente indeterminada

Em que:
• r = número de componentes de reação;
• n = número de partes seletiva dos membros através do diagrama de corpo livre.

Em particular, em estruturas estaticamente indeterminadas, as equações


adicionais necessárias para selecionar os sistemas de equações encontrados
são obtidas relacionando as cargas aplicadas e reações aos deslocamentos das
estruturas. A quantidade de equações que serão necessárias obter está relacionada
diretamente com o grau de estaticidade (por grau de indeterminação) da estrutura.
Nesse aspecto, a estrutura pode ser classificada como:

• ISOSTÁTICA: quando a estrutura é restringida e o número de incógnitas é


igual ao número de equações de equilíbrio do sistema.
• HIPERESTÁTICA: quando a estrutura é restringida e o número de incógnitas
é superior ao número de equações de equilíbrio do sistema.
• HIPOSTÁTICA: quando a estrutura é restringida e o número de incógnitas é
inferior ao número de equações de equilíbrio do sistema.

Uma das formas de calcular o grau de estaticidade da estrutura é através


da seguinte fórmula:

gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m

Em que:
• gh = grau de estaticidade ou hiperestaticidade
• C1 = número de vínculos da 1ª classe
• C2 = número de vínculos da 2ª classe
• C3 = número de vínculos da 3ª classe
• m = número de hastes presentes na estrutura

25
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Através da fórmula apresentada é possível afirmar que quando gh=0, se


trata de uma estrutura ISOSTÁTICA; para gh<0, uma estrutura HIPOSTÁTICA;
e quando gh>0 trata-se de uma estrutura HIPERESTÁTICA, com seu grau de
hiperestaticidade igual ao valor encontrado na equação. Alguns exemplos do
cálculo do grau de hiperestaticidade serão apresentados a seguir:

Exemplos:

QUADRO 3 – ESTRUTURAS PLANAS

gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m


Quantidade de
gh = 1 + 2.(1) + 3.(0) – 3.(1)
apoios
gh = 1 + 2 – 3
C1=1; C2=1
gh = 0
Número de barras
m=1
Estrutura Isostática
Quantidade de gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
apoios gh = 0 + 2.(0) + 3.(1) – 3.(1)
C3=1 gh = 0
Número de barras
m=1 Estrutura Isostática
Quantidade de gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
apoios gh = 2 + 2.(0) + 3.(0) – 3.(1)
C1=2 gh = –1
Número de barras
m=1 Estrutura Hipostática
Quantidade de gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
apoios gh = 2 + 2.(1) + 3.(0) – 3.(1)
C1=2; C2=1 gh = 1
Número de barras
m=1 Estrutura Hiperestática
FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 10)

Existem situações em que há a presença de articulação ou uma rótula,


neles a rótula representa mais uma restrição, no caso interna, para esses casos é
considerado o tipo de ligação e o número de barras conectadas -1.

Exemplo:

26
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

QUADRO 4 - ARTICULAÇÃO OU RÓTULA

Quantidade de gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m


apoios gh = 2 + 2.(2) + 3.(0) – 3.(2)
C1=2; C2=1 gh = 0
Número de
barras Estrutura Isostática
A rótula é uma conexão do m=2
tipo C2 e, nesse caso, ligados Ligações internas
por 2 barras. C2 = 2-1 = 1

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 11)

Além da rótula, ainda é possível encontrar restrições internas como


Tirantes e Ligações engastadas, conforme representado a seguir.

QUADRO 5 – LIGAÇÕES INTERNAS

Tirantes (C1)

Articulação ou
Rótula (C2)

Ligação engastada

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 12)

27
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Exemplos:

QUADRO 6 – PÓRTICOS E ARCOS


Quantidade de apoios
gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
C1=1; C2=1
gh = 1 + 2.(2) + 3.(1) – 3.(3)
Número de barras
gh = 1 + 4 + 3 – 9
m=3
gh = –1
Ligações internas
C3= 2-1 = 1
Estrutura Hipostática
C2 = 2-1 = 1
gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
Quantidade de apoios gh = 0 + 2.(1) + 3.(1) – 3.(1)
C3=1; C2=1 gh = 0 + 2 + 3 – 3
Número de barras gh = 2
m=1
Estrutura Hiperestática
Quantidade de apoios
C1=1; C2=1 gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
Número de barras gh = 2 + 2.(2) + 3.(0) – 3.(2)
m=2 gh = 2 + 4 + 3 – 6
Ligações internas gh = 0
C1= 2-1 = 1
C2 = 2-1 = 1 Estrutura Isostática

Quantidade de apoios gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m


C1=1; C2=1 gh = 1 + 2.(1) + 3.(4) – 3.(4)
Número de barras gh = 1 + 2 + 12 – 12
m=4 gh = 3
Ligações internas
C3= 2-1 = 1 Estrutura Hiperestática
Quantidade de apoios
C1=1; C2=1 gh = C1 + 2.C2 + 3.C3 – 3.m
Número de barras gh = 2 + 2.(2) + 3.(1) – 3.(3)
m=3 gh = 2 + 4 + 3 – 9
Ligações internas gh = 0
C1= 2-1 = 1
C2 = 2-1 = 1 Estrutura Isostática
C3= 2-1 =1

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 12-13)

4 DETERMINAÇÃO DAS REAÇÕES DE APOIO


Uma vez que é conhecido o sistema a ser analisado e suas equações
(baseadas nas equações de equilíbrio já comentado anteriormente), então é
possível realizar os cálculos para encontrar as forças de reações nos apoios devido
à aplicação de carga, conforme exemplos a seguir.

Deve-se ressaltar que os somatórios de forças devem ocorrer no mesmo


plano, sendo relacionados aos eixos dos planos, portanto um esforço inclinado
deverá ser reduzido em duas componentes que o formaram.
28
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

4.1 ESTRUTURA APORTICADA

FIGURA 17 – EXEMPLO DE ESTRUTURA APORTICADA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 16)

Primeiramente é necessário encontrar os esforços nas direções x e y. Para


isso, o primeiro passo é decompor o esforço de 10 kN.

FIGURA 18 – ESTRUTURA APORTICADA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 16)

Uma vez encontrado o valor de cada componente, aplica-se as equações


de equilíbrio da estrutura no plano:

I- ∑Fx=0

HA + 6kN = 0 . . HA = –6kN

II- ∑Fy=0

VA + VB – 8kN – (10.3) = . . VA + Vb = 38kN

29
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

III- ∑MA=0

7.VB – (30.5,5) – (6.1,5) = 0 . . 7.VB = 190kN . . VB = 27,14kN

Como VA + VB = 38 kN e VB = 27,14 kN, temos que VA = 38 -27,14 = 10,86 kN.

A verificação dos valores encontrados pode ser feita através do somatório


de momentos em relação ao ponto B, em que o valor dessa soma precisa
necessariamente ser igual a zero.

4.2 PÓRTICO ISOSTÁTICO

FIGURA 19 – PÓRTICO ISOSTÁTICO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar Pillar (2013, p. 17)

I- ∑Fx=0

–HA + 40kN = 0 . . HA = 40kN

II- ∑Fy=0

VA + VB = 60kN

III- ∑MA=0

8.VB + 80 – (40.6) – (60.4) = 0 . . 8VB = 400kN . . VB = 50kN

Como VA + VB = 60 kN e VB = 50 kN, temos que VA = 60 -50 = 10 kN. A verificação


dos valores encontrados pode ser feita através do somatório de momentos em relação
ao ponto B, em que o valor dessa soma precisa, necessariamente, ser igual a zero.
30
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

4.3 TRELIÇA ISOSTÁTICA

FIGURA 20 – TRELIÇA ISOSTÁTICA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 17)

I- ∑Fx=0

–HB + 12 – 4 = 0 . . HB = 8kN

II- ∑Fy=0

VA + VB = 14kN

III- ∑MA=0

4
( 4.4 ) + (8.1,5) − (12.2 ) − 3.VA =0 ∴ 3VA =16 + 12 − 24 kN ∴VA =  =1,33 kN
3

Como VA + VB = 14 kN e VA = 1,33 kN, temos que VB = 14 -1,33 = 12,67


kN. A verificação dos valores encontrados pode ser feita através do somatório
de momentos em relação ao ponto B, em que o valor dessa soma precisa,
necessariamente, ser igual a zero.

31
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

4.4 PÓRTICO TRIARTICULADO ISOSTÁTICO

FIGURA 21 – PÓRTICO TRIARTICULADO ISOSTÁTICO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 18)

I- ∑Fx=0

HA + HB + 20 – 12 . . HA + HB = –8kN

II- ∑Fy=0

VA + VB – (10.4) = 0 . . VA + VB = 40kN

III- ∑MA=0

4VB–(40.2) + (12.2) – (20.4) = 0 . . 4VB = 80 – 24 + 80 . . VB = 40 – 34 = 6kN

IV- ∑MC=0

Por se tratar de uma rótula, nesse ponto da estrutura o momento fletor deve
ser sempre nulo. Portanto é possível continuar a análise da estrutura separando-a
em duas partes, passando o ponto de divisão pela rótula e escolhendo um dos
lados para ser analisado, conforme exemplo a seguir.

32
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

FIGURA 22 – ANÁLISE DA ESTRUTURA DO PÓRTICO TRIARTICULADO


À ESQUERDA DA RÓTULA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 18)

Mc – (6.2) + (20.1) + (HA.4) = 0

Como MC = 0 temos que 4HA= 12 – 20, logo, HA = -2kN. Se HA + HB = -8kN,


então HB = -6kN.

A verificação dos valores encontrados pode ser feita através do somatório


de momentos em relação ao ponto D, em que o valor dessa soma precisa,
necessariamente, ser igual a zero.

5 ESTÁTICA DOS SISTEMAS ESPACIAIS


Os sistemas espaciais são aqueles que não possuem suas partículas e
todos os esforços solicitantes situados no mesmo plano. Nesse sentido, existem
dois tipos de sistemas espaciais:

• Quando todas as partículas estão situadas no mesmo plano, porém os esforços


solicitantes não pertencem a esse plano (Figuras 23a e 23b).
• Quando nem todas as partículas estão situadas em um mesmo plano (Figuras
23c e 23d).

33
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 23 – SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE SISTEMAS ESPACIAIS

FONTE: Neto (1996, p. 55)

Assim como nas estruturas contidas em um único plano, os vínculos que


podem existir em uma estrutura podem ser de primeiro gênero, segundo gênero
e engaste. Além desses conhecidos, ainda é necessário destacar a utilização
de rótulas nos vínculos. As rótulas impedem qualquer movimento do ponto
analisado, porém possibilita a rotação do sistema pelos eixos que passam pelo
ponto de análise.

Dito isso, os esforços são encontrados através das equações de equilíbrio


de um corpo no espaço: ∑Fx =0; ∑Fy =0; ∑Fz =0; Mx =0; ∑My =0; ∑Mz =0.

34
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

5.1 PÓRTICO ESPACIAL

FIGURA 24 – TRELIÇA ESPACIAL

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 22)

Passo 1 – Verificação da estaticidade da estrutura:

r + b = 3n . . 9 + 3 = 3.4 . . 12 = 12

Portanto, trata-se de uma estrutura isostática.

Passo 2 – Cálculo de equilíbrio do nó D:

FIGURA 25 – EQUILÍBRIO DO NÓ

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 22)

35
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Nesse caso, temos três incógnitas (N1, N2, N3) e três equações (somatório das
forças em x, y e z). Após conhecer os valores desses esforços, é possível selecionar
os nós que possuem os apoios e calcular o valor das reações de cada apoio.

5.2 PÓRTICO ESPACIAL

FIGURA 26 – EXEMPLO DE PÓRTICO ESPACIAL

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 23)

Na estrutura apresentada é possível perceber que se trata de um pórtico


espacial engastado, que apresenta a seguinte configuração:

• 6 incógnitas;
• 6 equações de equilíbrio;
• restringida.

Dessa forma é possível resolver o sistema facilmente, conforme mostrado


a seguir:

I- ∑Fx =0;

RAX – 2tf = 0; RAX =2tf

II- ∑Fy =0;

RAy -4tf =0; RAy =4tf

36
TÓPICO 2 | ESTÁTICA DOS SISTEMAS MATERIAIS PLANOS

III- ∑Fz =0;

RAz – 1tf =0; RAz =1tf

IV- ∑Mx =0;

MAx – (4.3) - (1.5) =0; MAx = 17tf.m

V- ∑My =0;

MAy + (2.3) + (1.4) = 0; MAy =10tf.m

VI- ∑Mz =0;

MAz + (2.5) – (4.4) =0; MAz = 6tf.m

Portanto, encontrando assim os valores dos esforços de reação dos apoios


da estrutura. É possível verificar se as reações encontradas nos cálculos estão
corretas através do somatório dos momentos em cada eixo, utilizando os valores
das reações encontradas e, esse somatório, necessariamente, deve ser nulo para
satisfazer a condição de equilíbrio.

Porém, esse método de conferência não é infalível, pois essa é uma


condição necessária para o equilíbrio, mas não suficiente para que as reações
obtidas estejam corretas.

37
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• Ao analisar qualquer problema de equilíbrio, é necessário, antes de tudo,


desenhar um diagrama de corpo livre. Isso significa realizar um esquema das
forças e momentos atuantes na estrutura. Para isso, é importante lembrar que
os apoios exercem uma força sobre o corpo em uma direção particular, de
acordo com o tipo de vinculação.

• No caso de cargas e/ou apoios inclinados, a direção dos esforços deve ser
indicada no diagrama de corpo livre.

• Em estruturas de corpos rígidos no plano (duas dimensões), as três equações de


equilíbrios (somatórios de forças nas direções X e Y e somatório dos momentos
igual a zero) são suficientes para encontrar os esforços solicitantes. Para isso,
basta somar as forças em cada eixo, formando um sistema de equações e, para
eliminar os esforços desconhecidos, basta realizar o somatório dos momentos
no ponto onde essas forças são aplicadas.

• Para estruturas tridimensionais, em geral é vantajoso uma análise vetorial


cartesiana, para então para aplicar as equações de equilíbrio. Para essa
decomposição dos esforços é necessário expressar os momentos e as incógnitas
mostrados no diagrama de corpo livre como um vetor cartesiano. Dessa
forma, é possível realizar o somatório das forças de cada eixo e igualar a zero.
Considerar o momento em relação a um ponto qualquer, desde que ele se
encontre na linha de ação de tantos componentes de forças quanto possível.

• É preciso orientar os vetores de posição para cada força e usar o produto


vetorial para determinar o momento de cada uma.

• Um corpo rígido no espaço necessita de seis equações de equilíbrio para poder


ser determinado e igualar essas equações a zero.

• As cargas internas em um corpo consistem em uma força normal, uma força de


cisalhamento, um momento fletor e um momento torçor. Elas representam as
resultantes de uma distribuição de tensão normal e de tensão de cisalhamento
que agem na seção transversal.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 4)

38
• Para encontrar os valores da resultante, utiliza-se o método das seções e as
equações de equilíbrios:

◦ ∑Fy=0
◦ ∑Fx=0
◦ ∑Fz=0
◦ ∑My=0
◦ ∑Mx=0
◦ ∑Mz=0

39
AUTOATIVIDADE

1 Determine o grau de estaticidade das estruturas a seguir, classificando-as


em ISOSTÁTICA, HIPOSTÁTICA E HIPERESTÁTICA:

a)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)


b)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)


c)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)


d)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)

40
e)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)


f)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)


g)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)


h)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 176)

2 Determine as reações de apoio das seguintes estruturas:

a)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 20)

41
b)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 20)


c)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 20)


d)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 21)


e)

FONTE: Neto (1996, p. 97)

42
f)

FONTE: O autor
g)

FONTE: O autor

h)

FONTE: O autor
i)

FONTE: O autor

43
j)

FONTE: O autor
k)

FONTE: O autor
l)

FONTE: Hibbeler (2010, p. 189)

3 A estante simétrica está submetida a uma carga uniforme de 4 kPa. O apoio


é fornecido por um parafuso (ou pino) localizado em cada extremo A e A' e
pelos suportes simétricos que se apoiam na parede li a, em ambos os lados B
e B'. Determine a força de resistência oferecida por cada parafuso na parede
e a força normal em B para manter o equilíbrio.

44
FONTE: Hibbeler (2010, p. 218)

4 Determine a reações no apoio A e B para o equilíbrio da viga.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 218)

5 Determine o componente de reação x, y, z nos apoios esféricos B, C e na junta


esférica A (não mostrada na figura) para a placa carregada uniformemente.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 218)

45
6 Determine o componente horizontal vertical da reação no pino A e a reação
no rolete B, necessária para apoiar a treliça. Considere F = 600 kN.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 217)

7 Se o rolete em B é capaz de sustentar uma carga máxima de 3 kN,


determine a maior intensidade cada uma das três forças que podem ser
sustentadas pela treliça.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 217)

8 Determine a força no cabo e os componentes horizontal e vertical da


reação do pino em A. A polia em D é sem atrito e o cilindro pesa 80 lb.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 191)

46
9 O anteparo AD está sujeito às pressões da água e do aterramento. Supondo
que AD esteja ‘fixado por pinos’ ao solo em A, determine as reações horizontal
e vertical nesse ponto e a força do reforço BC necessária para manter o
equilíbrio da estrutura. Considere que o anteparo possui massa de 800 kg.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 193)

10 A lança AC é apoiada por uma junta esférica em A e por dois cabos BDC e CE.
O cabo BDC é contínuo e passa pela polia em D. Calcule a força nos cabos e
os componentes de reação x, y, z em A, se o engradado tem peso de 80 lb.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 215)

47
12 Determine os componentes x, y, z na parede fixa A. A força de 150 N é
paralela ao eixo z e a força de 200 N é paralela ao eixo y.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 219)

48
UNIDADE 1
TÓPICO 3

O CONCEITO DE TENSÃO

1 INTRODUÇÃO
Até o presente momento, foram apresentadas e recordadas algumas
noções de estática dos corpos rígidos. Agora, iremos adentrar no estudo dos
sólidos utilizados na mecânica das estruturas, os sólidos deformáveis, ou seja,
estruturas que mudam de forma quando solicitadas por esforços.

O comportamento dos sólidos deformáveis, no geral, é regido pela Lei


de Hooke, como visto na disciplina de resistência dos materiais, onde define que
a há uma relação entre a tensão aplicada na estrutura e a deformação que ela
sofre. Portanto, o objetivo de realizar uma análise é verificar a segurança desta
estrutura frente às tensões geradas pelos esforços, assim como as deformações
obtidas não ultrapassem os limites suportados.

Desta forma, no decorrer deste tópico, serão abordados os tipos de tensões


que podem surgir nos elementos estruturas, como devem ser considerados em
uma uma análise, seus efeitos quanto ao deslocamento da estrutura e apresentado
um método de análise.

2 ANÁLISE DE TENSÕES DE ESTRUTURAS


Ao projetar uma estrutura, se faz necessário considerar a deformabilidade
do material que a constitui, e para ser possível então iniciar esse estudo, deve-se
estar com o conceito de tensão bem consolidado. Portanto será apresentado uma
primeira ideia mais informal do que são tensões e das tensões internas geradas
em um sólido.

Se pensarmos nas edificações construídas, o que ocorre quando seu espaço


é ocupado? Ou em uma ponte, quando um automóvel passa por ela?

Todas essas solicitações citadas são transmitidas pela estrutura até suas
fundações, quando geram reações de apoios que, como visto anteriormente, são
vínculos necessários para que a estrutura se mantenha em equilíbrio e assim
possibilita sua utilização.

49
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 27 – ESQUEMA DE TRANSMISSÃO DOS ESFORÇOS EM UMA ESTRUTURA

FONTE: Neto (1996, p. 71)

Na Figura 27, a estrutura da ponte mostrada sofre a ação das forças P1 e


P2 (contato das rodas do veículo com a ponte). Esse carregamento é transferido
até as sapatas de fundação e, destas, transmitidos ao solo.

Mesmo não estando detalhado, o mecanismo de transferência de cargas,


nesse exemplo, no geral é o fenômeno que ocorre em qualquer estrutura,
mostrando a funcionalidade da estrutura, que é transmitir os esforços solicitantes
externos, do ponto de aplicação até os apoios onde serão transmitidos para o solo.

Essa transferência do esforço pela estrutura resulta em deformação da


estrutura, devido à modificação das posições relativas de suas moléculas.

Além da deformação, a ruptura da estrutura também pode ser explicada


por esse caminhamento dos esforços, em que a aplicação de uma carga muito
elevada pode levar a estrutura à ruptura, uma vez que os esforços internos
solicitantes também serão muito grandes, podendo romper a estrutura caso
supere a resistência do material.

Dentro desse aspecto, deve-se ressaltar que um mesmo material apresenta


resistência distinta a diferentes esforços internos. Uma peça de cerâmica apresenta
diferente resistência quando submetida a esforços de tração, compressão e flexão.

Deve-se acrescentar que o corpo se deforma com a aplicação da força,


qualquer que seja a natureza dela (tração, compressão ou flexão), e essa deformação,
para uma mesma carga, vai depender da rigidez que o material apresenta.

Como exemplo é possível comparar duas réguas escolares com diferentes


rigidezes e submetê-las a um mesmo carregamento. Se compararmos as duas, é
possível verificar que a régua que apresenta menor rigidez irá deformar mais.

Portanto, é possível afirmar que corpos muito rígidos deformam pouco


quando submetidos a um carregamento, muitas vezes, essa deformação será
imperceptível.

Dessa maneira, como já comentado, as tensões nada mais são que os


esforços internos que surgem em um sólido quando esforços externos são
transmitidos de um ponto a outro, e esses esforços externos, quando resultam
em tensões superiores ao suportado pelo material, ocorre a ruptura do material.

50
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

Uma vez entendendo como se transmite a tensão dentro da estrutura, é


possível então defini-la fisicamente, sendo as forças distribuídas que atuam nos
planos internos de um sólido. Matematicamente é possível definir a tensão em
um ponto qualquer P contido no plano sendo:
 
ρ m = ∆F ∆A

Em
 que:
∆ F
ρ == tensão
 m
  ∆A média;
F ∆F = resultante da força distruída atuando na região;
ρ m =ρ∆
m =
∆A ∆ =Aárea.
  
A tensão ρ m é um vetor com direção e sentido de ∆F e intensidade ∆F
/ ∆A , comprovando o conceito físico apresentado, tendo sua dimensão de uma
força dividida por uma área. No Sistema Internacional, a unidade de medida de
tensão é o pascal (Pa), onde 1 Pa = 1 N/m².

É possível analisar que a unidade de medida de tensão e de pressão são as


mesmas, isso ocorre pelo fato de serem grandezas de mesmas dimensões (força/área).

Deve-se ressaltar ainda que na prática de engenharia não é comum


representar as tensões em Pa, por se tratar de uma unidade muito pequena, sendo
normalmente expressa em: MPa = 0,1 kN/cm².

Porém, para avaliar o nível de solicitação de um elemento é necessário


considerar as tensões que ocorrem em todos os planos, isso porque dois
carregamentos distintos podem levar à mesma tensão em um ponto escolhido P,
porém, tensões totalmente diferentes em outros planos de análise, apesar de que
o estado de tensão seja caracterizado pelo nível de solicitação de um ponto.

Dessa forma, em projetos estruturais deve-se comparar o estado de tensão


em um ponto com os resultados experimentais, pois é o conjunto das tensões em
um ponto que deve ser comparado com os estados de tensões limites, uma vez que
tensões em planos particulares não caracterizam o nível de solicitação do ponto.

O conhecimento das tensões no ponto P permite que, utilizando apenas


as equações de equilíbrio da estática, obtenham-se as tensões segundo todos
os demais planos que passam por “P”. O trabalho de calcular infinitas tensões
não existe, reduzindo-se ao trabalho de calcular três tensões em três planos
perpendiculares entre si.

A influência da tensão na resistência do material pode ser melhor


visualizada no exemplo a seguir. Considere que um prisma de concreto é
submetido à compressão em uma prensa. A amostra acaba rompendo quando o
seu limite de resistência é atingido.

51
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Se lançarmos uma amostra idêntica à anterior no fundo do mar, a uma


distância de 20 km de profundidade (por exemplo), ela atinge o fundo sem ocorrer sua
ruptura, apesar de ser solicitado por um esforço maior do que o aplicado pela prensa.

O comportamento nas situações citadas é completamente diferente, devido


aos estados de tensão dos pontos do prisma nos dois casos serem diferentes,
resultando em resistências limites diferentes.

A Figura 28 mostra um pedaço desse prisma utilizado para demonstrar os


estados de tensão da situação acima. É possível ver que, nesses casos, as tensões
nas faces dos cubos são iguais às forças distribuídas que atuam nas faces dos
prismas paralelas a elas.

O estado de tensões na compressão simples (prisma colocado na prensa)


apresenta tensões nulas nas faces verticais do prisma e, nas faces horizontais,
só atuam forças normais de compressão. Para a amostra jogada no mar, temos
um estado hidrostático de compressão, em que todas as faces possuem apenas
tensões normais de compressão, sendo estas iguais em todas as faces.

Então, como é possível ver, há uma distinção dos estados de tensões nas
duas situações apresentadas, sendo submetido à compressão em uma direção no
caso da prensa e nas três direções no caso submerso.

Todo material apresenta resistência extremamente elevada quando


submetido à compressão em todas as direções, esse comportamento é, de certa
maneira, intuitivo, uma vez que, ao comprimir uma amostra em uma única
direção, não há tensões nos planos verticais para impedir a desagregação da
amostra e ter um efeito de confinamento. Portanto, é visível que a resistência do
material está diretamente ligada ao estado de tensão em que o corpo se encontra.

FIGURA 28 – DIFERENTES CARREGAMENTOS E SEUS EFEITOS NO ESTADO


DE TENSÃO DE UM CORPO

FONTE: Neto (1996, p. 82)

52
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

3 ESFORÇOS SOLICITANTES
Na análise e resistência de materiais são utilizados modelos idealizados
constituídos por barras, e para conseguir caracterizar o estado de tensão dos
pontos das estruturas, se faz necessário conhecer as tensões que atuam nos três
planos perpendiculares entre si. No caso de barras, um dos planos é a seção
transversal, que contém o ponto cujo o estado de tensão se pretende conhecer.

Os esforços solicitantes são os esforços obtidos pela redução das tensões


no centro de gravidade da seção transversal em que atuam, ou seja, aplicar no
ponto escolhido os esforços resultantes de tensão e momento.

Deve-se lembrar do princípio de ação e reação, em que diz: quando se


divide uma barra em duas seções, os esforços solicitantes da seção à direita da
divisão possuem intensidades e direção iguais aos esforços encontrados na seção
à esquerda, porém irão apresentar sentidos opostos.

Devido a essa propriedade, os esforços solicitantes se tornam úteis, e como


são de fácil determinação, tornam-se atrativos para executar a análise de estruturas.

Uma vez que se conhece os esforços externos atrativos e reativos, a


determinação dos esforços solicitantes atuantes na seção transversal de uma barra
é realizada com a utilização das equações de equilíbrio da estática, anteriormente
discutidas, aplicadas no centro de gravidade da seção de corte.

A seguir, serão exemplificados os efeitos dos diferentes esforços aplicados em


uma barra e a aplicação de seções para determinar os esforços solicitantes internos.

FIGURA 29 – BARRA SOLICITADA POR ESFORÇO EXTERNO DE TRAÇÃO (A) SISTEMA DE


ESFORÇOS E DETERMINAÇÃO DO LOCAL DA SEÇÃO, (B) ESFORÇOS INTERNOS NO PLANO
DE SEÇÃO E (C) DEFORMAÇÃO DEVIDO AO ESFORÇO APLICADO

FONTE: Neto (1996, p. 86)

53
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 30 – BARRA SOLICITADA POR ESFORÇO EXTERNO DE COMPRESSÃO (A) SISTEMA DE


ESFORÇOS E DETERMINAÇÃO DO LOCAL DA SEÇÃO, (B) ESFORÇOS INTERNOS NO PLANO
DE SEÇÃO E (C) DEFORMAÇÃO DEVIDO AO ESFORÇO APLICADO

FONTE: Neto (1996, p. 87)

FIGURA 31 – BARRA SOLICITADA POR ESFORÇO CORTANTE (A) SISTEMA DE ESFORÇOS E


DETERMINAÇÃO DO LOCAL DA SEÇÃO, (B) ESFORÇOS INTERNOS NO PLANO DE SEÇÃO E (C)
DEFORMAÇÃO DEVIDO AO ESFORÇO APLICADO

FONTE: Neto (1996, p. 87)

54
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

FIGURA 32 – BARRA SOLICITADA POR ESFORÇO EXTERNO DE TORÇÃO (A) SISTEMA DE


ESFORÇOS E DETERMINAÇÃO DO LOCAL DA SEÇÃO, (B) ESFORÇOS INTERNOS NO PLANO
DE SEÇÃO E (C) DEFORMAÇÃO DEVIDO AO ESFORÇO APLICADO

FONTE: Neto (1996, p. 88)

FIGURA 33 – BARRA SOLICITADA POR ESFORÇO DE MOMENTO FLETOR (A) SISTEMA DE


ESFORÇOS E DETERMINAÇÃO DO LOCAL DA SEÇÃO, (B) ESFORÇOS INTERNOS NO PLANO
DE SEÇÃO E (C) DEFORMAÇÃO DEVIDO AO ESFORÇO APLICADO

FONTE: Neto (1996, p. 88)

55
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

4 TEOREMA FUNDAMENTAL DA ESTÁTICA DAS CONSTRUÇÕES


Os esforços solicitantes atuantes na seção transversal são obtidos através do
corte de uma seção (S) da barra e reduzindo no centro de gravidade, ou todos os
esforços externos aplicados de um lado do corte ou todos os esforços externos aplicados
no outro lado deste corte, conforme pode ser observado no exemplo a seguir:

FIGURA 34 - DIAGRAMA DE CORPO LIVRE

FONTE: Neto (1996, p. 92)

Portanto, os esforços podem ser encontrados cortando a barra na seção S


e reduzindo os esforços no centro de gravidade da barra e analisando os esforços
externos aplicados tanto na direita como pela esquerda.

FIGURA 35 - DIAGRAMA DE CORPO LIVRE SECCIONADO NA SEÇÃO S

FONTE: Neto (1996, p. 92)

Dessa forma, aplicando as equações de equilíbrio da estática e fazendo


a redução dos esforços externos à direita e à esquerda, estão representados da
seguinte maneira:

FIGURA 36 - ANÁLISE DO DIAGRAMA DE CORPO LIVRE SECCIONADO NA SEÇÃO S

FONTE: Neto (1996, p. 93)

56
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

Através dos resultados encontrados é possível verificar que, na seção


delimitada, há um esforço cortante de 40 kN, tendendo a girar a barra no sentido
anti-horário, além da aplicação de um momento fletor de 120 Nm, tracionando as
fibras inferiores da barra.

ATENCAO

É importante lembrar que os esforços encontrados apresentam intensidades


iguais e sentidos opostos, obedecendo ao princípio da ação e reação citada anteriormente.

Tendo em vista isso, para encontrar os esforços solicitantes que atuam na


estrutura, basta iniciar a análise dos esforços por apenas um dos lados da estrutura,
tornando assim uma atividade simples de redução.

Na Unidade 2 iremos aprofundar a análise de diferentes estruturas


isostáticas pelo método da seção, mas de maneira geral, a análise se dá de maneira
sistemática, realizando uma seção entre cada tipo ou mudança de carregamento
ou apoio, possibilitando encontrar equações para cada seção realizada, estando
diretamente ligadas ao carregamento aplicado nessa parte da estrutura, assim é
possível conhecer o valor dos esforços solicitantes ao decorrer da estrutura.

Exemplo: utilizando o conceito apresentado do teorema fundamental,


determine os esforços solicitantes que atuam na seção S da viga a seguir:

FIGURA 37 – VIGA POLIGONAL

FONTE: Neto (1996, p. 97)

57
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Para encontrar os valores das reações de apoios, a parte direita da seção


é analisada utilizando as equações de equilíbrio da estática. Como resultado,
encontramos os valores a seguir:

FIGURA 38 – VIGA POLIGONAL

FONTE: Neto (1996, p. 97)

Uma vez encontrados os esforços solicitantes com a utilização das equações


de equilíbrio em casa seção, tem-se então:

• Esforço normal: será feito um somatório das forças em X.


• Esforço cortante: será feito um somatório das forças em Y.
• Esforço momento: será feito um somatório de momento na seção.

Portanto é possível traçar o diagrama de todos os esforços, dessa maneira


é possível analisar como os esforços estão sendo transmitidos pela estrutura. Para
ser possível traçar os diagramas, faz-se necessário convencionar os sinais de cada
esforço, conforme sugerido pelo quadro a seguir:

QUADRO 7 – CONVENÇÃO DE SINAIS DOS ESFORÇOS SOLICITANTES

Esforço Solicitante Sinal Positivo (+) Sinal Negativo (-)


Força normal Tração Compressão
Gira o trecho de barra em que atua Gira o trecho de barra em que atua
Força cortante
no sentido horário no sentido anti-horário
Traciona as fibras superiores da
Momento fletor Traciona as fibras inferiores da barra
barra
O vetor momento tem o sentido da O vetor momento tem o sentido
Momento de torção normal externa à seção transversal o contrário da normal externa à
em que atua seção transversal em que atua

FONTE: Neto (1996, p. 106)

58
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

Para melhor exemplificar, é possível ver na figura seguinte a convenção


de sinais adotada:

FIGURA 39 – CONVENÇÃO DE SINAIS DA RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS

FONTE: Teles (2013, p. 1)

Simplificando, para os gráficos de forças normais e cortantes, a carga positiva


é desenhada na parte superior ao eixo de simetria, para o momento fletor, a parte
positiva demonstrada pela parte tracionada inferior, portanto sua representação é
realizada na parte inferior, conforme pode ser visto no exemplo a seguir:

Exemplo:

a)

FIGURA 40 – EXEMPLO DE FORÇA NORMAL, CORTANTE E MOMENTO FLETOR

FONTE: Adaptado de Neto (1996)

59
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Passo 1: cálculo das reações de apoio.

ΣFy=0
ΣFy = Ra – 50 – 30 – 90 + Rb = 0
Ray + Rby = 50 + 30 + 90 = 170

Como Rby =110 kN, então:

Ray + 110 = 170 . . Ray = 60kN

ΣFx = 0
Rax = 0

ΣMA = 0
(50.4) + (30.8) + (90.11) – Rby.13 =0
13Rby = 1430 . . Rby = 110kN


Portanto, os esforços externos atuantes nessa estrutura são os apresentados
na seguinte figura:

FIGURA 41 – CÁLCULO DOS ESFORÇOS EXTERNOS ATUANTES

FONTE: Adaptado de Neto (1996)

Para conhecer os esforços internos atuantes e conseguir analisar o


comportamento da estrutura, é necessário analisar as seções separadas.

Seção 1: Para 0 ≤ x ≤ 4

60
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

FIGURA 42 – CÁLCULO DOS ESFORÇOS EXTERNOS ATUANTES

FONTE: Adaptado de Neto (1996)

ΣFy = 0
RS1 + 60 = 0 . . RS1y = –60kN

ΣFx = 0
RS1x = 0

ΣMS1 = 0
MS1 – 60.x = 0 . . MS1 = 60.x

Seção 2: Para 4 ≤ x ≤ 8

FIGURA 43 – CÁLCULO DOS ESFORÇOS EXTERNOS ATUANTES

FONTE: Adaptado de Neto (1996)

61
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

∑F y =0
RS 2 + 60 − 50 =0 ∴ RS 2 y =10kN

∑F x =0
4m=

. 0x−4

∑ MS 2 = 0
MS 2 − 60.x + 50( x − 4) =0 ∴ MS 2 =60.x − 50 x + 200 =10 x + 200

Seção 3: Para 8 ≤ x ≤ 11

FIGURA 44 – CÁLCULO DOS ESFORÇOS EXTERNOS ATUANTES

FONTE: Adaptado de Neto (1996)

∑F y =0
RS 3 + 60 − 50 − 30 =0 ∴ RS 3 y =20kN

∑F x =0
RS 3 x = 0

∑M S3 =0
M S 3 − 60.x + 50( x − 4) + 30( x − 8) =0 ∴ M S 3 =60.x − 50 x + 200 − 30.x =10 x + 240
−20.x + 440
M S3 =

62
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

Uma observação: a equação interna da seção 3 pode ainda ser feita através
da análise da parte esquerda da estrutura, conforme visto no decorrer da unidade
e como pode ser visto na sequência.

Para 0 ≤ x ≤ 2:

FIGURA 45 – CÁLCULO DOS ESFORÇOS EXTERNOS ATUANTES

FONTE: Adaptado de Neto (1996)

∑F y =0
RS 3 + 110 =
0 ∴ RS 3 y =
−110kN

∑F x =0
RS 3 x = 0

∑M S3 =0
M S 3 + 110.x =
0∴ M S3 =
−110.x

5 RESUMO DO PROCEDIMENTO DE ANÁLISE


O método das seções pode ser usado para determinar o carregamento
interno numa posição específica de um elemento, seguindo o procedimento já
mostrado e resumido logo na sequência:

• Reações de apoio: antes que um elemento seja cortado ou secionado, é


necessário determinar as reações de apoio desse elemento, utilizando as
equações de equilíbrio para calcular os esforços internos.

63
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

• Diagrama de corpo livre: mantenha toda a carga distribuída, o momento e


a forças atuante no elemento em suas posições exatas. Em seguida, faça um
secionamento imaginário através do elemento, perpendicularmente ao seu
eixo, no ponto onde o carregamento interno deve ser determinado. Feito isso,
desenhe um diagrama de corpo livre do segmento que contenha o menor
número de carga sobre ele e indique as componentes x,y e z e o momento
resultante na reação correspondente. Se o elemento está submetido a um
sistema de forças coplanares, apenas atuam nele V, M e N.
• Equações de equilíbrio: os momentos devem ser somados na seção em relação
aos eixos que passam pelos centroides ou centro geométrico da seção transversal
do elemento para eliminar as componentes de cisalhamento e normal, obtendo
soluções diretas para os momentos. Toda vez que a solução da equação para o
esforço a ser determinado for um escalar negativo, significa que o sentido real
da força é o oposto do adotado no diagrama de corpo livre.

64
TÓPICO 3 | O CONCEITO DE TENSÃO

LEITURA COMPLEMENTAR

EQUILÍBRIO INTERNO – SOLICITAÇÕES INTERNAS

Maria Regina Costa Leggenerini

I- EQUILÍBRIO INTERNO

Quando se trata do equilíbrio externo dos corpos, ou seja, não há a


consideração da possibilidade de deformação dos corpos sendo os mesmos
considerados rígidos. Nestes problemas, é conhecido o sistema de cargas ativas
que atua na estrutura e devem ser calculadas as cargas reativas capazes de manter
o corpo em equilíbrio.

As cargas reativas ou reações vinculares são determinadas com a aplicação


das equações fundamentais da estática. Observe-se que após o equilíbrio externo
ser obtido pode-se então passar a analisar o equilíbrio interno. De uma maneira
geral pode-se dizer que:

1- O equilíbrio externo não leva em conta o modo como o corpo transmite as


cargas para os apoios.
2- O corpo quando recebe carregamento vai gradativamente deformando-se até
atingir o equilíbrio, onde as deformações param de aumentar (são impedidas
internamente), gerando solicitações internas.
3- O equilíbrio interno ocorre na configuração deformada, que admitimos ser
bem próxima da inicial (campo das pequenas deformações).

Pretende-se analisar os efeitos que a transmissão deste sistema de


cargas externas aos apoios provoca nas diversas seções que constituem o corpo
em equilíbrio. Para tanto, supõe-se o corpo em equilíbrio sob efeito de um
carregamento qualquer. Se este corpo for cortado por um plano qualquer (a-a),
rompe-se o equilíbrio, pois é destruída a sua cadeia molecular na seção "S" de
interseção do plano com o corpo.

65
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Para que as partes isoladas pelo corte permaneçam em equilibradas, deve-se


aplicar, por exemplo, sobre a parte da esquerda, a ação que a parte da direita exercia
sobre ela, ou seja, resultante de força (R) e resultante de momento (M). O mesmo
deve ser feito com a parte da esquerda cujas resultantes estão também representadas.

R- Resultante de forças da parte retirada.


M- Resultante de momentos da parte retirada, criado pela translação da resultante
R para o baricentro da seção de corte.

As resultantes nas seções de corte de ambos os lados devem ser tais que
reproduzam a situação original quando as duas partes forem ligadas novamente,
ou seja, pelo princípio da ação e reação devem ser de mesmo módulo, mesma
direção e sentidos opostos.

R e M são as resultantes das solicitações internas referidas ao centro de


gravidade da seção de corte da barra.

Quando se quer conhecer os esforços em uma seção S de uma peça, deve-se


cortar a peça na seção desejada, isolar um dos lados do corte (qualquer um). Pode-
se dizer que no centro de gravidade desta seção devem aparecer esforços internos
(resultante de força e de momento) que mantém o corpo isolado em equilíbrio.

Estes esforços representam à ação da parte retirada do corpo. Em


isostática a seção de referência adotada será a seção transversal das peças em
estudo e estes esforços internos devidamente classificados se constituem nas
solicitações internas. Este procedimento descrito chama-se Método das Seções.
FONTE: LEGGERINE, M. R. Mecânica dos sólidos EQ. Porto Alegre: PUC – Rio Grande do Sul, 2007.
http://www.politecnica.pucrs.br/professores/mregina/ENGENHARIA_-_Mecanica_dos_Solidos/
mecanica_dos_solidos_apostila_2007_2.pdf. Acesso em: 27 maio 2019.

66
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Uma estrutura pode possuir esforços normais, cortantes e de momento fletores.

• O esforço normal é caracterizado por apresentar efeito de compressão ou de


tração no elemento ao qual está aplicado.

• O esforço cortante tende a cisalhar ou cortar a seção do elemento da estrutura.

• O momento fletor é a tendência de uma força aplicada em rotacionar a


estrutura em um ponto analisado, portanto é o produto de uma força aplicada
e a distância dela ao ponto de análise.

• Por convenção, o momento fletor positivo traciona as fibras inferiores da


estrutura e, quando negativo, as fibras tracionadas são as superiores.

• Os esforços internos das estruturas podem ser encontrados através da aplicação


do método das seções.

67
AUTOATIVIDADE

1 Sem calcular previamente as reações, determine as expressões analíticas do


esforço axial (N), esforço cortante (V) e momento fletor (M), em cada tramo
da estrutura representada na figura. Desenhe os diagramas dos esforços (N,
V e M) caracterizando todos os pontos notáveis.

a)

FONTE: Teles (2013b, p.1)


b)

FONTE: Teles (2013a, p.1)


c)

FONTE: Teles (2013c, p.1)

68
d)

FONTE: Teles (2013e, p.1)


e)

FONTE: Teles (2013d, p.1)


f)

FONTE: Teles (2013e, p.5)

69
g)

FONTE: Teles (2013e, p.9)


h)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 20)


i)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 20)

70
j)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 20)


k)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 21)


l)

FONTE: Neto (1996, p. 97)


m)

FONTE: O autor

71
n)

FONTE: O autor
o)

FONTE: O autor
p)

FONTE: O autor
q)

FONTE: O autor

72
r)

FONTE: O autor

2 O eixo é apoiado por um mancal de rolamento em A e um mancal axial em


B. Determine a força normal, a força de cisalhamento e o momento em uma
seção que passa (a) pelo ponto C, próximo ao lado direito do mancal em A,
e (b) pelo ponto D, próximo ao lado esquerdo da força de 3.000 lb.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 286)

3 Determine a força interna normal e de cisalhamento e o momento fletor nos


pontos C e D da viga. Considere que o apoio em B é um rolete. O ponto C
está localizado imediatamente à direita da carga de 8 kip.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 286)

73
4 Determine a força normal, a força de cisalhamento e o momento na seção
que passa pelo ponto C. Suponha que o apoio em A possa ser considerado
como um pino e B, como um rolete.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 287)

5 Determine a força normal, a força de cisalhamento e o momento na seção


reta que passa pelo ponto D. Considere w = 150 N/m.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 287)

6 A viga AB cederá se o momento interno máximo em D atingir o valor de 800


N.m ou a força normal no elemento BC for de 1.500 N. Determine a maior
carga “w” que pode ser sustentada pela viga.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 287)

7 Determine a força interna normal e de cisalhamento e o momento interno


atuante no ponto C e no ponto D, o qual está localizado imediatamente à
direita do suporte tipo rolete em B.

FONTE: Hibbeler (2010, p. 287)

74
UNIDADE 2

INTRODUÇÃO À ANÁLISE
DE ESTRUTURAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• identificar que se trata de uma estrutura isostática;

• identificar o tipo de estrutura isostática e definir melhor método de


análise para a mesma;

• aplicar o método de Ritter para a solução de análise de estruturas;

• aplicar o método dos nós para análise de treliças espaciais ou planas;

• realizar a análise de esforços internos para treliças;

• confeccionar os diagramas de esforços para qualquer estrutura; e

• determinar os esforços máximos aos quais a estrutura está submetida.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividia em três tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – ESTRUTURAS ISOSTÉTICAS

TÓPICO 2 – VIGAS ISOSTÁTICAS

TÓPICO 3 – PÓRTICOS

75
76
UNIDADE 2
TÓPICO 1

ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

1 INTRODUÇÃO
Conforme visto na unidade anterior, as estruturas são classificadas em
isostática, hiperestática e hipostática, de acordo com a quantidade de restrições
que são impostas às estruturas no momento da realização do projeto.

Neste tópico serão apresentados os métodos de análise possíveis de serem


executados na análise de estruturas, assim como a aplicação destes em estruturas.
Também será abordado os conceitos e procedimentos de análise de treliças.

Portanto, ao final deste tópico, o aluno deverá ser capaz de avaliar observar
a estrutura a ser analisada e escolher o método de análise mais conveniente
para encontrar os internos e deslocamentos sofridos pela estrutura ao receber o
carregamento de trabalho.

2 ANÁLISE DE ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS: ESFORÇOS E


DESLOCAMENTOS
Para resolver estruturas isostáticas pelo método das seções, aplica-se uma
forma sistemática de resolução a partir de cortes na estrutura entre cada mudança
de carregamento e/ou apoio. Esses cortes irão possibilitar a definição das equações
para cada tipo de esforço solicitante aplicado no trecho analisado da estrutura.

Uma vez encontrada a equação de cada tipo de esforços encontrados no


trecho, é necessário apenas realizar a plotagem desta equação ao longo deste pedaço
da estrutura e assim é possível encontrar os valores dos esforços solicitantes em
qualquer lugar da estrutura.

A facilidade deste método é que não necessita do uso de ábacos ou tabelas


para encontrar os deslocamentos, uma vez que este valor pode ser encontrado
apenas realizando a integração das equações dos esforços.

Para ficar mais claro, será demonstrado um exemplo de uma viga isostática
e pelo método das seções será encontrado o seu deslocamento.

77
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

• Exemplo:

Inicialmente, deve-se encontrar as reações de apoio da estrutura, conforme


foi abordado na unidade anterior.

FIGURA 1 – VIGA BIAPOIADA

FONTE: Júnior (2013, p. 7)

Reações de apoio:

∑M a = 0 (considerando o sentido horário positivo)


5.Rb
= 27 + 24
Rb = 10, 2kN
∑F
y =0
Ra + Rb = 24
Ra =24 − 10, 2 =13,8 kN

Como no eixo x não há nenhum esforço solicitante, a reação de A na direção


do eixo x é nula, resultando na configuração das reações apresentadas na sequência.

FIGURA 2 – DIAGRAMA DE ESFORÇO NORMAL

FONTE: Júnior (2013, p. 7)

2.1 DIAGRAMA DOS ESFORÇOS SOLICITANTES


Conforme comentado na explicação do método, para ser possível
encontrar os esforços solicitantes é necessário dividir a estrutura em pedaços a
fim de encontrar as equações dos esforços solicitantes.

78
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

Esses cortes devem ser posicionados de maneira correta, sendo necessários


sempre entre apoios ou em alteração de carregamento. No caso do exemplo
anterior, teremos uma divisão no carregamento distribuído, um segundo corte
entre o carregamento distribuído e o carregamento concentrado e outro corte
entre a carga concentrada e o apoio simples.

1º Corte:

FIGURA 3 – SEÇÃO 1 DA VIGA ISOSTÁTICA ANALISADA

FONTE: Júnior (2013, p. 8)

No corte apresentado, observa-se que foi realizado um corte da parte


esquerda da estrutura no carregamento distribuído, expondo-se os esforços
cortantes, normal e de momento. A distância total desse trecho é indeterminada,
sendo chamada de “X”.

Dessa forma, a carga concentrada resultante da carga distribuída nesse


trecho é igual a q*X, se encontrando na posição intermediária do intervalo X, nesse
caso, X/2. Para encontrar as equações de cada esforço desse trecho analisado, deve-
se aplicar as equações de equilíbrio da estática, em que o somatório dos esforços
é igual a zero.

Dessa forma tem-se:

• Esforço normal: será feito um somatório das forças no eixo X.

Para o exemplo que estamos desenvolvendo, temos N=0.

• Esforço cortante: é realizado o somatório das forças no eixo Y.

–V – 6.X + 13,8 = 0
V = –6.X + 13,8

• Momento: é feito o somatório de momento na seção andando para a esquerda


notando que 6X é a carga que foi concentrada a partir da carga distribuída e x/2
é a distância dessa carga à seção, além disso, 13,8 é a reação de apoio no ponto
A, e X é a distância total dessa carga até a seção, resultando assim em:

79
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

X
− M − 6. X .
+ 13,8 =0
2
X
−6. X . + 13,8
M=
2

E
IMPORTANT

As equações encontradas nessa primeira seção valem apenas para os valores de


X compreendidos entre o ponto inicial (ponto A) e o ponto onde se termina a uniformidade
de esforços da estrutura, nesse caso, 3 m. Portanto, pode-se escrever que estas equações
são válidas para as posições de X nesta estrutura, em que: 0 ≤ X ≤ 3.

2º Corte:

FIGURA 4 – SEÇÃO 2 DA VIGA ISOSTÁTICA ANALISADA

FONTE: Júnior (2013, p. 9)

Na figura anterior é possível observar que foi realizado um corte na


estrutura em que é avaliado o carregamento da parte esquerda, logo após o fim da
carga distribuída e antes da carga concentrada. Percebe-se que a distância total do
corte é chamada de X e, nesse caso, é conhecida a distância na qual o carregamento
distribuído é aplicado, sendo possível descobrir a carga concentrada resultante
desse esforço (q*3).

Essa força concentrada q*3 estará localizada a uma distância da seção


igual a [(x-3) +1,5]. A parte da expressão x-3 deve-se ao fato de que se conhece o
comprimento da força distribuída de 3 m, e X é a distância total do trecho, a qual
é desconhecida. Dessa forma, a distância da carga distribuída até a seção é x-3,
assim é possível encontrar as equações dos esforços para o trecho selecionado,
realizando o somatório para as equações de equilíbrio.

80
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

• Esforço normal: será feito um somatório das forças no eixo X.

Para o exemplo que estamos desenvolvendo, temos N=0.

• Esforço cortante: é realizado o somatório das forças no eixo Y.

−V − 18 + 13,8 =0
v = −4, 2kN

• Momento: é feito o somatório de momento na seção andando para a esquerda:

− M − 18.( x − 1,5) + 13,8.x =


0
M= −4, 2. X + 27

NOTA

As equações encontradas nessa seção valem apenas para os valores de


X compreendidos entre a primeira seção e o ponto onde se termina a uniformidade de
esforços da estrutura, nesse caso, 4 m. Portanto, pode-se escrever que essas equações são
válidas para as posições de X nessa estrutura, em que: 3 ≤ X≤ 4.

3º Corte:

FIGURA 5 – SEÇÃO 3 DA VIGA ISOSTÁTICA ANALISADA

FONTE: Júnior (2013, p. 10)

Observação:

• qc – carga concentrada;
• qd – carga concentrada do carregamento distribuído.

O procedimento de análise se repete das demais seções, portanto é possível


ir logo aplicando o somatório das equações de equilíbrio para a estrutura.

81
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

• Esforço normal: será feito um somatório das forças no eixo X.

Para o exemplo que estamos desenvolvendo, temos N=0.

• Esforço cortante: é realizado o somatório das forças no eixo Y.

-V – 6 – 18 + 13,8 = 0
V = –10,2 kN

• Momento: é feito o somatório de momento na seção andando para a esquerda:

–M – 6.(x–4) – 18.(x–1,5) + 13,8.x =0


M = –10,2.X + 47

Essas equações são válidas para as posições de X nessa estrutura, em


que: 4 ≤ X≤ 5.

2.2 GRÁFICOS DE ESFORÇOS SOLICITANTES


Uma vez encontradas as equações que regem o comportamento dos esforços
para todo o comprimento da estrutura ao longo da viga, é possível traçar os gráficos
desses esforços para todo o comprimento da estrutura, lembrando que é necessário
respeitar os limites de cada equação para obter o comportamento real da estrutura.

Dessa forma, as equações encontradas no trecho 1 serão utilizadas para a


parte inicial da viga, em que 0 ≤ x ≤ 3; para 3 ≤ x ≤ 4 deve-se utilizar as equações
da seção 2 e no último trecho, em que 4 ≤ x ≤ 5, só valerão as equações encontradas
para a seção 3.

Para o traçado do diagrama, não se faz necessário apenas o valor do


esforço no ponto calculado, mas também o sentido deles. Neste aspecto, deve-se
tomar alguns cuidados no momento da construção dos gráficos:

• A convenção adotada pelos engenheiros calculistas é que, para valores de momento


NEGATIVO, deve-se desenhar a curva acima da linha da viga (tracionando as
fibras superiores da viga), e, quando o momento for POSITIVO, desenha-se a
curva abaixo da viga (quando as fibras tracionadas serão as inferiores).
• A cortante segue o sentido da reação de apoio que causa o cisalhamento da
viga, portanto, quando positiva, ela deverá ser traçada para cima e quando
negativa deve ser traçada para baixo da viga.
• O esforço normal será positivo quando estiver tracionando a seção da viga, e
será negativo quando ela estiver comprimindo a seção.

Portanto, para a viga em que foi desenvolvido o equacionamento dos


esforços, teremos os seguintes diagramas para cada esforço:

• Cortante (V-kN)

82
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 6 – CORTANTE

FONTE: Júnior (2013, p. 11)

• Momento fletor (M-kN.m)

FIGURA 7 – MOMENTO FLETOR

FONTE: Júnior (2013, p. 11)

No caso do exemplo apresentado, o diagrama do esforço normal é uma


linha coincidente com a viga, uma vez que, em todas as seções, o valor de seu
equacionamento foi nulo, já que não há esforços normais aplicados na estrutura.

O método das seções acaba sendo uma solução sistêmica, uma vez que o
aluno só precisa plotar os pontos das equações conforme os respectivos trechos.

Além disso, o aluno ainda deve identificar as formas e os tipos de cargas e


esforços que aparecem na estrutura, fazendo assim uma verificação das equações
encontradas.

Exemplo:

Determine as equações analíticas do esforço normal, cortante e momento


fletor em cada tramo da estrutura representada na figura a seguir. Aproveite para
desenhar os diagramas e representar os pontos notáveis.

83
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 8 – ESTRUTURA DE PÓRTICO ISOSTÁTICO

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

FIGURA 9 - TRAMO CD

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

FIGURA 10 - TRAMO DE

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

84
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 11 - TRAMO EB

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

Seção em que o momento é nulo: M=0; 10 – 10.x – 4x2 = 0, então x=0,766 m.

FIGURA 12 - TRAMO IH

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

FIGURA 13 - TRAMO HG

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

85
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 14 - TRAMO FG:

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

Seção em que o momento é nulo: M=0; –6 + 14.x = 0, então x=0,429 m.

FIGURA 15 - TRAMO BF

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

Seção em que o momento é nulo: M=0; –8 + 14.x = 0, então x=0,571 m.

FIGURA 16 - TRAMO AB

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

86
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

Seção em que o momento é nulo: M=0; 7,64 – 7.x = 0, então x=1,091 m.

FIGURA 17 - DIAGRAMA DE ESFORÇO NORMAL (N)

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

FIGURA 18 - DIAGRAMA DE ESFORÇO CORTANTE (V)

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

87
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 19 - DIAGRAMA DE MOMENTO FLETOR (M)

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

3 ANÁLISE DE TRELIÇAS
Por definição, treliças são estruturas reticuladas, ou seja, formadas por
barras em que se tem uma direção predominante, apresentam eixo reto, ligadas
por rótulas ou articulações, formando unidades triangulares. As forças externas
e reações são consideradas, de maneira simplificada, aplicadas nesses pontos,
chamadas de nós.

Uma vez que as articulações são consideradas como rótulas, os esforços


que surgem nos elementos podem ser de tração ou compressão, além do que os
esforços são considerados aplicados diretamente nos nós.

As treliças podem ser classificadas em planar/bidimensional quando todos


os membros e nós encontram-se no mesmo plano ou espacial/tridimensional,
quando há membros e nós presentes nas três direções.

88
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 20 – TRELIÇA PLANA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 25)

Para realizar o projeto de treliças (membros e nós) é necessário determinar a


força desenvolvida em cada membro quando a treliça é submetida a um carregamento.
Para isso, é preciso seguir dois pressupostos para realizar a idealização da treliça:

1- Os membros são unidos por pinos lisos:


• Esta hipótese é geralmente satisfatória para estruturas aparafusadas ou
soldadas, desde que as linhas de centro dos membros se unindo sejam
concorrentes em um determinado ponto.
• Uma vez que as ligações reais proporcionem alguma rigidez ao nó, faz com
que surja uma tensão de flexão, chamada de tensão secundária. Enquanto a
tensão na treliça idealizada (ligadas por pinos) é chamada de tensão primária.

2- Todas as cargas são aplicadas nos nós:


• Na maioria das vezes, esse pressuposto é verdadeiro. Frequentemente se
despreza o peso dos membros da treliça, uma vez que a força resistente por
esses membros é muito superior ao seu peso.

FIGURA 21 – EXEMPLOS DE LIGAÇÕES DAS EXTREMIDADES DAS BARRAS

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 26)

89
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

3.1 ESTATICIDADE E ESTABILIDADE DAS TRELIÇAS


A partir do apresentado na unidade anterior, para se conseguir obter uma
treliça isostática é necessário que duas condições sejam obedecidas:

• Equilíbrio estável (restringida, com nós indeslocáveis).


• Número de incógnitas igual ao número de equações de equilíbrio da estática.

Desse modo é possível definir o número de incógnitas dado por:

• Número de reações (r) + Número de barras (b).


(Incógnitas externas) + (Incógnitas internas).
• Número de equações de equilíbrio é o resultado de:
◦ Número de nós (n) x 2 (o valor é multiplicado devido à existência de uma
equação no eixo x e outa no y).

Portanto, para uma estrutura de treliça isostática temos que r+b = 2.n,
conforme a Figura 10.

FIGURA 22 – ESTRUTURA DE TRELIÇA ISOSTÁTICA

r + b = 3 + 11 = 14
2n = 2 x 7 = 14
FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 29)

Uma vez determinado o grau de estaticidade resultando em uma


estrutura isostática é possível obter os esforços em treliças através dos métodos
de Equilíbrio de Nós, Método Cremona (Maxwell) e Método de Ritter, os quais
serão detalhados a seguir.

4 MÉTODO DOS NÓS


Se considerarmos que uma treliça se encontra em equilíbrio, então quer
dizer que cada um de seus nós também se encontra equilibrado. Sendo assim,
este método consiste em satisfazer às equações de equilíbrios da estática ( ∑Fx=0
e ∑Fy=0) para as forças exercidas sobre o pino de ligação de cada nó.

90
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

Para conseguir aplicar este método é necessário, primeiramente, traçar o


diagrama de corpo livre de cada nó da estrutura, para então conseguir aplicar as
equações de equilíbrio. Para isso, é necessário lembrar que a linha de ação das
forças aplicadas nos membros é especificada através da geometria da treliça e
passa ao longo do eixo do membro.

De maneira geral, recomenda-se iniciar a análise através de um nó em que


se tenha ao menos um esforço conhecido e, no máximo, duas forças desconhecidas,
assim, aplicando as equações ∑Fx=0 e ∑Fy=0 é possível encontrar a solução para
resolver as duas incógnitas. O sentido correto de uma força desconhecida pode
ser determinado de duas maneiras possíveis:

1- Sempre presumindo que as forças de membros desconhecidas atuando sobre


o diagrama de corpo livre da junta estão em tração (“puxando” o nó). Dessa
forma, o resultado algébrico apresentará escalares positivos quando o esforço
for de tração, e negativo caso o esforço atuante seja compressão. Deve-se
ressaltar que, uma vez encontrado o esforço, se faz o uso dele com seu sentido
correto para os diagramas de corpo livre subsequentes.
2- O sentido de direção correto de uma força de membro desconhecida pode ser
determinado por inspeção, ou seja, o calculista analisará os esforços aos quais
o nó é submetido e, através do sentido destes consegue presumir o sentido dos
esforços desconhecidos. Da mesma maneira que anteriormente, o resultado
algébrico das equações de equilíbrio será negativo caso o sentido real da força
deve ser revertido.

O procedimento de análise através desse método pode ser resumido através


dos seguintes passos:

• traçar o diagrama de corpo livre do nó, tendo pelo menos uma força conhecida
e no máximo duas desconhecidas (para os nós que estejam nos apoios, primeiro
deve-se calcular as reações de apoio desses pontos);
• usar um dos métodos citados para estabelecer o sentido da força desconhecida;
• os eixos x e y devem ser orientados de maneira que as forças no diagrama de
corpo livre possam ser facilmente decompostas;
• aplicar as equações de equilíbrio;
• repetir o processo para todos os demais membros, lembrando sempre que um
membro comprimido “empurra” o nó e um membro tracionado “puxa” o nó.

Exemplo 1

Determinar a força em cada membro da treliça de telhado mostrada a seguir,


informando se os membros estão comprimidos ou tracionados.

91
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 23 - TRELIÇA

FONTE: Hibbeler (2013, p. 67)

Tendo em vista a simetria da treliça é necessário determinar apenas a


metade das forças aplicadas nos membros. Assim temos:

Nó A:

y
FAG
∑ Fy =
0; 4 − Fag sin 30 =
0
A x Fag = 8 kN (compressão)
FAB

4 kN
∑ Fx =0; Fab − 8cos 30 =0
FONTE: Hibbeler Fab = 6,928 kN (tração)
(2013, p. 67)

Nó G:

y
3 kN
30º
x
∑=
Fy 0; Fgb sin 60 − 3cos=
30 0
FGF
60º
Fgb = 3 kN (compressão)

8 kN
G FGB
∑ Fx =
0;8 − 3sin 30 − 3cos 60 − Fgf 0 0
==
Fgf = 5kN (compressão)
FONTE: Hibbeler
(2013, p. 68)

92
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

Nó G:
y

FBF ∑=
Fy 0; Fbf sin 60 − 3sin=
30 0
3,00 kN Fbf = 1, 73 kN (tração)
30º 60º

6,928 kN B FBC
x ∑ Fx = 0; Fbc + 1, 73cos 60 − 3cos 30 − 6,938 = 0
FONTE: Hibbeler Fbc = 3, 46kN (tração)
(2013, p. 68)

Exemplo 2

FIGURA 24 – RESOLUÇÃO DE TRELIÇAS PELO MÉTODO DE NÓS

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 29)

Construção do diagrama de corpo livre:

FIGURA 25 – NÓ A

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 29)

93
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 26 – NÓ B

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 30)

5 MÉTODO DE CREMONA
O Método de Cremona é um método de análise gráfica que consiste
em encontrar os esforços internos graficamente a partir dos nós da treliça. O
procedimento de análise consiste em:

Iniciar a análise em um nó com apenas duas incógnitas.


• Desenhar em escala as forças externas atuantes neste nó, formando um polígono
aberto.
• Nas extremidades dos polígonos são traçadas retas paralelas às barras que
concorrem no nó analisado.
• Na intersecção destas paralelas formará um polígono fechado, obtendo assim o
polígono de equilíbrio, em que é possível obter o módulo e sentido dos esforços
nas barras.
• Os sinais dos esforços podem ser verificados:
◦ se o esforço normal aponta para o nó, sinal negativo (compressão);
◦ se o esforço normal sai do nó, sinal positivo (tração).
• Obtém-se 2 a 2 incógnitas na análise.

Exemplo 1:

Considerando a treliça em que já foram calculadas as reações de apoio e os


esforços internos pelo método dos nós, será realizada a verificação do resultado
através do Método de Cremona.

94
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 27 – RESOLUÇÃO DE TRELIÇAS PELO MÉTODO DE CREMONA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 30)

FIGURA 28 – CONTRUÇÃO DO DIAGRAMA DE CORPO LIVRE

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 30-31)

95
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Pela teoria apresentada, se um nó está em equilíbrio, então a soma vetorial


das forças que atuam sobre ele será nula, portanto:

FIGURA 29 – NÓ A

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 31)

FIGURA 30 – NÓ B

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 31)

FIGURA 31 – NÓ C

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 31)

96
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

Conforme pôde ser visto, os esforços calculados foram confirmados,


pois em todos os nós foram obtidos dos polígonos de equilíbrio com os valores
encontrados através do método dos nós.

Exemplo 2:

FIGURA 32 – NOTAÇÃO DE BOW

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 36)

FIGURA 33 - REAÇÕES DE APOIO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 36)

97
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 34 – NÓ A

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 36)

FIGURA 35 – NÓ D

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 37)

FIGURA 36 - NÓ B

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 37)

98
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

6 MÉTODO DE RITTER OU MÉTODO DAS SEÇÕES


É o método mais direto de obtenção dos esforços quando necessita encontrar
apenas as forças atuantes em um dos nós da treliça. Este método consiste em passar
uma seção imaginária através da treliça, cortando-a em duas partes.

Uma vez que a treliça inteira esteja em equilíbrio, cada uma das duas partes
resultantes do corte também precisa estar em equilíbrio e, para determinar as forças
dos membros para que a estrutura esteja em equilíbrio, utiliza-se as equações de
equilíbrio, determinando assim as forças dos membros na seção de corte.

Porém, o posicionamento do corte deve ser realizado com muito critério,


uma vez que temos apenas três equações de equilíbrio. Portanto, a seção deve
conter, no máximo, três membros nos quais as forças sejam desconhecidas.

É necessário observar que a linha de ação de cada força em um membro


seccionado é especificada a partir da geometria da treliça, tendo em vista que a
força em um membro passa ao longo do eixo de um membro. Além disso, as forças
atuantes em um membro são iguais, mas opostas àquelas atuando na outra parte.

Assim como no método dos nós, há duas maneiras possíveis de determinar


o sentido correto de uma força de membro desconhecida.

1- Sempre presuma que as forças de membros desconhecidas na parte seccionada


estejam em tração. Com isso, a solução numérica resultará em um valor positivo
para membros tracionados ou negativo se o membro for comprimido.
2- O sentido correto de uma força de membro desconhecida pode, em muitos
casos, ser determinada por “inspeção”. Neste caso, se a solução produzir um
valor negativo, indica que o sentido é oposto àquele determinado no diagrama
de corpo livre.

6.1 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE


• Determinar as reações de apoios externas da treliça.
• Definir a melhor maneira de cortar ou selecionar a treliça através dos membros
em que as forças precisam ser determinadas.
• Traçar o diagrama de corpo livre.
• Determinar o sentido das forças desconhecidas por um dos métodos citados
acima.
• Aplicar as equações de equilíbrio para determinar as forças desconhecidas e
efetuar a análise.

Exemplo 1:

Considere a seguinte treliça:

99
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 37 – TRELIÇA (EXEMPLO 1)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 40)

Suponha que queira determinar os esforços nas barras 3, 6 e 10. Para isso
é possível dividir a estrutura em duas partes, particionando essas barras com
a seção SS. Se considerarmos a parte da esquerda, deve-se colocar os esforços
internos axiais que surgem nas barras para estabelecer o equilíbrio:

FIGURA 38 – AÇÃO NA PARTE DIREITA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 40)

As forças N3, N6 e N10 representam a ação da parte da direita da treliça


sobre a parte da esquerda e esta ação é indiferente se considerarmos a parte da
direita ou da esquerda.

100
TÓPICO 1 | ESTRUTURAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 39 – AÇÃO NA PARTE ESQUERDA

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 41)

Os esforços internos a serem encontrados (N3, N6 e N10) são iguais em


módulos e direção, porém apresentam sentidos opostos dos que aparecem na parte
esquerda, isso porque representam a ação da parte esquerda sobre a parte direita.

Com as equações de equilíbrio da estática é possível encontrar os valores


dos esforços, resolvendo:

ΣMC = 0; obtém-se N3;


ΣMD = 0; obtém-se N6;
ΣFy = 0; obtém-se N10 (tanto faz pela esquerda ou direita).

Se os esforços forem positivos terão o sentido indicado (tração), se não,


terão sentido inverso (compressão).

Exemplo 2:

Determinar as forças internas nos membros GJ e CO da treliça apresentada


a seguir.

101
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 40 – TRELIÇA (EXEMPLO 2)

FONTE: Hibbeler (2013, p. 75)

Membro CF:

FKJ 1200 N
1,155m

FGJ
600 N
∑M I =0
G −( FGJ sin 30).(2) + 1200.(1,155) =
0
I
30º FGH
2m 4637 N
FGJ = 1386(compressão)
FONTE: Hibbeler (2013, p. 75)

Membro GC:
1200 N FOP
1,155 m
600 N FCO
∑M A =0
30º
A FCO .(2) − 1200.(1,155) =
0
C FCD
2m FGJ = 693 N (tração)
4637 N
FONTE: Hibbeler (2013, p. 76)

102
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Através das equações dos esforços, é possível encontrar o valor de cada um dos
esforços em qualquer lugar da estrutura.

• O posicionamento das seções deve ser realizado corretamente, de maneira que


sempre exista uma seção entre apoios ou alteração de carregamento.

• Há uma relação entre a equação de esforço cortante e momento fletor, sendo que
as equações de esforço cortante é a derivada da equação do momento fletor.

• O diagrama de momento fletor é desenhado na direção das fibras tracionadas.

• Os carregamentos das treliças são realizados nos nós da estrutura.

• O grau de estaticidade de uma treliça é dado por r+b=2n.

• A análise de treliça isostática pode ser realizada através dos equilíbrios dos
nós, método cremona ou método de Ritter.

• Entende-se que todo nó da treliça se encontra estático, portanto o somatório


das forças em qualquer nó da treliça é igual a zero.

• O Método Cremona é um método gráfico, onde é possível encontrar os esforços


internos a partir do equilíbrio do nó.

• Para a utilização do método cremona, deve-se iniciar em um nó que possua


apenas duas incógnitas.

• Para utilizar o método de Ritter em estruturas de treliças, deve-se cuidar para


cortar no máximo três barras com esforços desconhecidos em uma seção.

103
AUTOATIVIDADE

1 Determine as expressões analíticas do esforço normal (N), esforço cortante


(V) e momento fletor (M) da viga apresentada a seguir:

FONTE: Teles (2013b, p.1)

2 Sem determinar as reações, determine as expressões analíticas do esforço


normal (N), esforço cortante (V) e momento fletor (M) em todas as barras
da estrutura representada. Desenhe os diagramas dos esforços (N, V e M)
caracterizando todos os pontos notáveis (máximos, mínimos e zeros).

FONTE: Teles (2013e, p. 1)

3 Sem determinar as reações, determine as expressões analíticas do esforço


normal (N), esforço cortante (V) e momento fletor (M) em todas as barras
da estrutura representada. Desenhe os diagramas dos esforços (N, V e M)
caracterizando todos os pontos notáveis (máximos, mínimos e zeros).

104
FONTE: Teles (2013e, p. 5)

4 Sem determinar as reações, determine as expressões analíticas do esforço


normal (N), esforço cortante (V) e momento fletor (M) em todas as barras
da estrutura representada. Desenhe os diagramas dos esforços (N, V e M)
caracterizando todos os pontos notáveis (máximos, mínimos e zeros).

FONTE: Teles (2013d, p. 1)

5 Sem determinar as reações, determine as expressões analíticas do esforço


normal (N), esforço cortante (V) e momento fletor (M) em todas as barras
da estrutura representada. Desenhe os diagramas dos esforços (N, V e M)
caracterizando todos os pontos notáveis (máximos, mínimos e zeros).

FONTE: Teles (2013a, p. 1)

105
6 Determine a força em cada membro da treliça do tipo tesoura mostrada na
figura, informando se eles estão comprimidos ou tracionados.

a) 700N
C
800N B
D

F
60º 60º
A 45º 45º
E
30º 30º
3m 3m
Ay=502 N (a) Ey=764 N
FONTE: Hibbeler (2013, p. 68)
b)

FONTE: Hibbeler (2013, p. 70)


c)
C 10kN

D
3m

A B

3m
FONTE: Hibbeler (2013, p. 70)

106
d) D C

60º

2m 8kN

A B

2m
FONTE: Hibbeler (2013, p. 71)
e)
H G F

2m
E
A
B C D
2m 2m 2m 2m

600N 600N
800N
FONTE: Hibbeler (2013, p. 71)
f)
8kN

8kN 8kN
F

4kN G E 4kN
2m
A
D
B C

4m 4m

FONTE: Hibbeler (2013, p. 72)

107
g)
G F

E
3m

A B C D
2m 2m 2m
5kN 5kN 5kN
FONTE: Hibbeler (2013, p. 72)
h)
F

G E
60º
30º 60º 60º 60º
A D
B C
2m 2m

2kN 2kN
FONTE: Hibbeler (2013, p. 72)
i)
15kN
10kN H
15kN
G
3,6m F

A
E
B C D

3m 3m 3m 3m
FONTE: Hibbeler (2013, p. 72)
j)
6kN

8kN F

8kN G
2m

H
E
1m
A

B C D

2m 2m 2m
FONTE: Hibbeler (2013, p. 71)

108
7 Encontre os esforços internos das treliças a seguir através do Método de
Cremona e classifique se são esforços de tração ou compressão:

a)
2tf
G
2tf 2tf
2m
F H
1tf 1tf
2m

A C D E B

VA=4tf VB=4tf
4m 1m 3m 3m 1m 4m

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 38)


b)
G 2tf

6m
E F 2tf
6m

C D 2tf
6m

B 6tf
A

6tf 6m 6m 6tf

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 39)

109
c)
D C

60º

2m 8kN

A B

2m
FONTE: Hibbeler (2013, p. 71)
d)
H G F

2m
E
A
B C D
2m 2m 2m 2m

600N 600N
800N
FONTE: Hibbeler (2013, p. 71)
e)
8kN

8kN 8kN
F

4kN G E 4kN
2m
A
D
B C

4m 4m

FONTE: Hibbeler (2013, p. 72)

8 Utilizando o Método de Ritter, encontre os esforços normais atuantes nas


treliças:

a)

FONTE: Süssekind (1981, p. 264)

110
b)

FONTE: Süssekind (1981, p. 264)


c)

FONTE: Süssekind (1981, p. 265)


d)

FONTE: Süssekind (1981, p. 266)

111
e)

FONTE: Süssekind (1981, p. 266)


f)

FONTE: Süssekind (1981, p. 266)

9 Para a treliça a seguir, determine:

I- Os esforços nas barras (2), (7), (16), (23) usando o método de Ritter.
II- Os esforços em todas as barras por método gráfico.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 180)

112
10 Obter os esforços atuantes através do Método de Ritter;

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 181)


11 Determine os esforços nas barras (14), (27), (28) e (30) da treliça a seguir
através do Método Ritter.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 181)

113
114
UNIDADE 2 TÓPICO 2

VIGAS ISOSTÁTICAS

1 INTRODUÇÃO
Até o presente momento, nós calculamos os esforços e diagramas de vigas
através do método das seções, em que a estrutura é dividida em diferentes seções,
sempre que houver alteração de carregamento.

Neste tópico será apresentado um método direto para o traçado dos


diagramas de esforços, facilitando a análise de estruturas mais complexas; também
serão apresentadas variações possíveis de serem encontradas em vigas, além da
relação existente entre os diagramas de esforço cortante e momento fletor.

2 MÉTODO DIRETO
Através do método das seções é possível verificar que o equacionamento
das estruturas resulta em alguns padrões dependentes exclusivamente do tipo de
carregamento aplicado, ou seja, cada tipo de carregamento terá uma característica
de forma e comportamento durante o trecho e seu ponto de transição.

Exemplo:

• Carga vertical concentrada:


◦ Diagrama de esforço cortante (DEC): apresenta descontinuidade no ponto
do carregamento.
◦ Diagrama de momento fletor (DMF): angulosidade no pondo do
carregamento.

Uma relação que pode auxiliar nesta análise é sempre lembrar que a
derivada do momento fletor da estrutura resulta no esforço cortante, ou seja, a
curva do momento fletor sempre será de uma ordem superior àquela obtida no
diagrama de esforço cortante.

2.1 VIGAS SIMPLES: MÉTODO DIRETO PARA DIAGRAMAS


O conhecimento dos comportamentos das cargas aplicadas na estrutura
permite que seja possível traçar os diagramas sem que seja realizado todo o seu
equacionamento, agilizando assim o processo de análise, por isso é conhecido
como método direto.

115
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Para melhor explicar o método, pode-se isolar um elemento de comprimento


“l”, permanecendo em equilíbrio, conforme apresentado na Figura 28.

FIGURA 41 – MÉTODO DIRETO

FONTE: Leggerini; Kalil (2003, p. 76)

Supondo que se conhece os esforços no ponto anterior (n-1), observa-se


as diferenças entre os cálculos através do método de seções e pelo método direto.

QUADRO 1 – DIFERENÇAS ENTRE OS MÉTODOS DE SEÇÕES E DIRETO

Método de seções Método direto


ΣFx=0 Nn=Nn–1–H1
Nn–Nn–1 + H1=0 Nn=Nn–1±∑Fxext
Nn=Nn–1–H1
Qn=+Qn–1+q.l–P1
ΣFY=0 Qn=Qn–1±∑Fyext
–Qn+Qn–1+q.l–P1=0
Qn=+Qn–1+q.l–P1 Mn=Mn–1 + Qn–1+q.l2/2–P1+M1
Mn=Mn–1+Qn–1±∑Fyiext.li±∑Miext
ΣMn=0
Mn–Mn–1–Qn–1–q.l2/2+P1–M1=0
Mn=Mn–1+Qn–1+q.l2/2–P1+M1

FONTE: Leggerini; Kalil (2003, p. 77)

É possível verificar que o método direto calcula diretamente os valores


dos esforços nos pontos de transição e, com o conhecimento do efeito do
comportamento da carga aplicada, é traçado o fechamento dos diagramas de
esforços internos.

Deve-se ressaltar que, por calcular os esforços diretamente, o sinal deles


segue a convenção já estudada, apresentada na Figura 42.

116
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 42 – CONVENÇÃO DE SINAIS UTILIZADA PARA ANÁLISE DOS ESFORÇOS

FONTE: Leggerini; Kalil (2003, p. 77)

Conforme já foi possível visualizar nos diagramas e nas equações


anteriormente desenvolvidas, podemos escrever as relações diferenciais dos
esforços sendo:

dM ( x )
= Q ( x) M ( x ) = ∫ Q ( x ) dx
dx

Como por definição de integral é possível definir que o momento fletor em


um ponto é igual à área do diagrama dos esforços cortantes em um determinado
trecho até o ponto em análise. Sendo assim, pode-se generalizar que:

• Nn = Nn–1 ± ∑Fxext
• Qn = Qn–1 ± ∑Fyext
• Mn = Mn–1 + área do diagrama de esforço cortante entre pontos (n–1) e (n)

Observações:

1- Quando somamos ao momento as áreas do cortante, elas devem entrar com os


sinais do diagrama.
2- As linhas de fechamento dos diagramas devem seguir as conclusões
matemáticas do método das equações.
3- O acima deduzido foi feito ao percorrermos a estrutura da esquerda para a
direita. Se invertermos o caminho, os sinais são trocados:

Qn = Qn-1 - Σ forças verticais de n-1 à n

Mn = Mn-1 - área do diagrama de cortante entre n-1 e n

4- As convenções devem ser observadas com cuidado.


5- O momento em um determinado ponto P só pode ser calculado se conhecermos
a área do diagrama de esforços cortantes no trecho considerado. Isso não
acontece quando o trecho contiver uma carga triangular, pois o diagrama
de cortante é delimitado por uma parábola de 2º grau de área desconhecida.
Nesse caso, ou se calcula neste trecho o momento pelo método das equações ou
se utiliza a equação:

117
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Mn = Mn–1 + Qn–1 .l ± ∑Fyiext.li ± ∑Miext

6- Os valores das solicitações à direita e à esquerda dos pontos de transição


devem ser calculados, pois dependendo do tipo de ponto de transição há
descontinuidade nos diagramas. Se for uma carga vertical concentrada
aparecerá descontinuidade no diagrama de esforços cortantes, de mesmo
valor da carga, no seu ponto de aplicação; se for um momento concentrado
aparecerá descontinuidade no diagrama de momentos fletores, de mesmo
valor do momento, em seu ponto de aplicação.
7- Com a prática, podemos agilizar o cálculo dispensando o estudo à direita e à
esquerda do ponto de transição.
8- As vigas Gerber (as quais veremos na sequência) tanto podem ser calculadas
pelo método das equações como pelo método direto. O cálculo delas pode ser
executado sobre toda a estrutura ou desmembrando-a em partes. Observe-se
que a rótula é um ponto de transmissão de cargas verticais e horizontais não
transmitindo momento, logo, o momento nas rótulas deve ser nulo. Quando
executamos os diagramas pelo método direto, a rótula pode servir como uma
referência para a confirmação da correção dos cálculos.

Exemplo 1:

FIGURA 43 - VIGAS ISOSTÁTICA PARA ANÁLISE ESTRUTURAL

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

DEN (kN):

Nesse caso, não há nenhum carregamento na direção horizontal da


estrutura, portanto o diagrama de esforço normal desta viga será nulo.

118
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

DEC (kN):

FIGURA 44 - DEC DA VIGA BIAPOIADA

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

Percebe-se que nos pontos em que há carga concentrada aplicada, ocorre


uma descontinuidade do diagrama de esforço cortante na mesma magnitude da
força aplicada.

DMF (kN.m):

FIGURA 45 - DMF DA VIGA BIAPOIADA

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

MCEsq = 60.4 = 240kN; MEDir = 110.2 = 220kN;


MDEsq = 60.8 – 50.4 = 280kN; MEEsq = 60.11 – 50.7 – 30.3 = 220kN;
ou MD = MC + VC x4m ou MEEsq = MD + VD x3m

Exemplo 2:

FIGURA 46 - VIGA BIAPOIADA COM MOMENTO APLICADO NO NÓ

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

DEN (kN):

Neste caso, não há nenhum carregamento na direção horizontal da


estrutura, portanto o diagrama de esforço normal desta viga será nulo.

119
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

DEC (kN):

FIGURA 47 - DEC DA VIGA BIAPOIADA COM MOMENTO APLICADO NO NÓ

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

DMF (kN.m):

FIGURA 48 - DMF DA VIGA BIAPOIADA COM MOMENTO APLICADO NO NÓ

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

Exemplo 3:

FIGURA 49 - DMF DA VIGA BIAPOIADA COM CARREGAMENTO DISTRIBUÍDO

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

DEN (kN):

Neste caso, não há nenhum carregamento na direção horizontal da


estrutura, portanto o diagrama de esforço normal desta viga será nulo.

120
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

DEC (kN):

FIGURA 50 - DMF DA VIGA BIAPOIADA COM CARREGAMENTO DISTRIBUÍDO

FONTE: ADAPTADO JÚNIOR (2013)

DMF (kN.m):

FIGURA 51 - DMF DA VIGA BIAPOIADA COM CARREGAMENTO DISTRIBUÍDO (2)

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

2.2 VIGAS GERBER


São vigas sobre diversos suportes, compostas com rótulas de forma que
seus trechos se tornem estaticamente determinados e possibilitem a determinação
dos esforços através das equações de equilíbrio. Este tipo de viga é muito aplicado
em pontes e estruturas pré-fabricadas.

Portanto, trata-se de vigas formadas pela associação de vigas simples


isostáticas, em que algumas delas servem de apoio para as outras, tornando o
conjunto estável.

O seu surgimento se deu devido a motivos estruturais e construtivos


e, para resolvê-la, basta fazer sua decomposição nas vigas que a constituem,
resolvendo, inicialmente, aquelas sem estabilidade própria e, posteriormente, as
que possuem estabilidade própria, considerando as cargas que são diretamente
transferidas pelas demais vigas através das rótulas.

2.2.1 Procedimento de análise


Será apresentado, na Figura 52, um roteiro de análise deste tipo de viga,
em que os passos a serem seguidos estarão destacados com algarismos romanos.
Basicamente o procedimento se dá da seguinte maneira:
121
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

I- Isola-se a viga que não apresenta estabilidade própria e resolve esta viga.
II- O diagrama do elemento já pode ser traçado separadamente, juntando as
demais partes no final da análise.
III- As rótulas transmitem os esforços verticais e horizontais, porém não
transmitem momento para as demais partes da estrutura, portanto nos pontos
rotulados dos DMF devem ser nulos.
IV- Basta que um dos apoios da viga resista às forças horizontais na Viga Gerber.
V- Apenas as cargas verticais provocam esforço cortante e momento fletor,
portanto, na decomposição, não há a necessidade de distinguir os apoios
entre 1º e 2º gêneros.

FIGURA 52 – EXEMPLOS DE RESOLUÇÕES DE VIGAS GERBER

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 52-53)

122
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

Exemplo 1:

FIGURA 53 – VIGAS GERBER – EXEMPLO DE DECOMPOSIÇÃO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 54)

FIGURA 54 – DEC (tf)

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

FIGURA 55 – DMF (tfm)

FONTE: Adaptado Júnior (2013)

123
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

MBesq = -6 x 2 = -12
MCesq = -6 x 5 + 9,33 x 3 – 12 x 1,5 = -20
MDesq = -6 x 7 + 9,33 x 5 – 20 x 2,5 + 22,67 x 2 = -0,01 ≈ 0, portanto, OK.
O momento fletor na rótula é sempre nulo, a não ser que haja um binário
aplicado na rótula.
MEdir = -36 + 18 x 3 – 12 x 1,5 = 0 OK
MFdir = -36
Quando, na rótula, não há força concentrada:
Vdesq = Vddir
Veesq = Vedir

2.3 VIGAS INCLINADAS


Seja uma viga igual à apresentada na figura a seguir, submetida a um
carregamento distribuído verticamentel, as suas reações possuem a mesma
magnitude, conforme indicado na figura.

Ao ser realizada uma seção pela estrutura, é possível verificar que o


momento fletor atuante na seção S é dado por:

q.a q.x 2 q.a 2  x   x 2  


MS = .x − =   −   
2 2 2  a   a 2  
 q.a 
VS 
= − q.x  cos α
 2 
 q.a 
NS 
= − q.x  sin α
 2 

Ao compararmos esta equação com a equação de momento de uma viga


simples, é possível afirmar que, para efeito de momento fletor, a viga se comporta
como uma viga horizontal de vão a e, o diagrama é o apresentado abaixo.

124
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 56 – VIGA INCLINADA COM CARREGAMENTO VERTICAL DISTRIBUÍDO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 58)

125
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

DEN:

FIGURA 57 – DIAGRAMAS DE ESFORÇOS PARA A VIGA INCLINADA


COM CARREGAMENTO VERTICAL DISTRIBUÍDO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 59)

Ou quando for submetido a um esforço distribuído verticalmente:

FIGURA 58 – VIGA INCLINADA COM CARREGAMENTO HORIZONTAL DISTRIBUÍDO

126
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

FIGURA 59 – DIAGRAMAS DE ESFORÇOS PARA A VIGA INCLINADA


COM CARREGAMENTO HORIZONTAL DISTRIBUÍDO

127
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 61)

Ou, ainda, em situação em que o carregamento também se encontra


inclinado, é possível o valor ser encontrado somando a parcela vertical e a parcela
horizontal, conforme pode ser visto na sequência:

FIGURA 60 – VIGA INCLINADA COM CARREGAMENTO INCLINADO DISTRIBUÍDO (2)

128
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 62)

Portanto, o diagrama de momento fletor é:

129
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 61 – DIAGRAMA DE MOMENTO FLETOR DA VIGA INCLINADA


COM CARREGAMENTO UNIFORME INCLINADO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 63)

Exemplo 1:

FIGURA 62 - VIGA INCLINADA SUBMETIDA A UM ESFORÇO DISTRIBUÍDO VERTICALMENTE

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 64)

130
TÓPICO 2 | VIGAS ISOSTÁTICAS

Exemplo 2:

FIGURA 63 - VIGA INCLINADA SUBMETIDA A UM ESFORÇO DISTRIBUÍDO VERTICALMENTE (2)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 63)

131
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• O traçado de diagramas de vigas pode ser realizado utilizado o método de


Ritter, ou o método direto.

• Para uma carga concentrada, o diagrama de esforço cortante (DEC) apresenta


descontinuidade no ponto do carregamento e o diagrama de momento fletor
(DMF) apresenta angulosidade no pondo do carregamento.

• Uma vez conhecendo o comportamento do carregamento da estrutura, é


possível traçar os diagramas de forma direta.

• Assim como no método de Ritter, existe relação entre o DEC e DMF, onde o valor
de máximo para o trecho analisado é a área do diagrama de esforço cortante.

• Vigas Gerber são vigas que apresentam rótulas em sua composição de forma a
tornar o sistema da estrutura estaticamente determinável.

• A análise das vigas Gerber é iniciada pelo trecho que não apresenta estabilidade
própria, ou seja, onde há a presença de rótulas.

• A presença de rótulas na estrutura faz com que os esforços horizontais e verticais


sejam transferidos, mas não transferem os esforços de momento fletor, portanto
no nó rotulado, o diagrama de momento fletor é necessariamente zero.

• Em vigas inclinadas, pode ocorrer de existir carregamento vertical, horizontal


ou ainda inclinado e, neste último caso, pode ser decomposto em carregamento
vertical + horizontal.

132
AUTOATIVIDADE

1 Utilizando o método direto, trace os diagramas de esforços (DEC, DEN e


DMF) das estruturas a seguir:

a)

FONTE: Adaptado de Júnior (2013)


b)

FONTE: Adaptado de Júnior (2013)


c)

FONTE: Adaptado de Júnior (2013)

133
d)

FONTE: Adaptado de Süssekind (1981)


e)

FONTE: Adaptado de Süssekind (1981)

2 Encontre as reações e trace o diagrama de esforços para as estruturas a


seguir:

a)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 56)


b)

FONTE: Adaptado de Süssekind (1981)


c)

FONTE: Adaptado de Süssekind (1981)

134
d)

FONTE: Adaptado de Süssekind (1981)

3 A figura a seguir representa o diagrama de esforço cortante de uma Viga


Gerber, que possui uma rótula a ser determinada. Portanto, determine:

I- A posição da rótula.
II- Reconstrua o carregamento aplicado nessa viga.
III- Trace o diagrama de momento fletor.

FONTE: Süssekind (1981, p. 88)

4 Obtenha os diagramas dos esforços solicitantes para a viga:

FONTE: Adaptado de Júnior (2013)

135
136
UNIDADE 2 TÓPICO 3

PÓRTICOS

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico será aplicado os métodos de análises vistos até agora em
estruturas de pórticos, arcos e cabos, apresentando em cada estilo de estrutura
suas particularidades.

Pórticos são estruturas lineares constituídas por barras retas ligadas entre
si. Eles podem ser planos (bidimensionais) ou espaciais (tridimensionais). Em
nosso estudo, estaremos limitados a análise de pórticos planos.

Os cabos são estruturas flexíveis, lineares e capazes de resistir apenas aos


esforços de tração, sem apresentar resistência aos demais esforços. Sua utilização
se dá de diversas maneiras na construção civil, sendo, desde pontes pênseis à
teleféricos portantes, linhas de transmissão de energias, entre outros.

Os arcos são estruturas que podem ser utilizadas para reduzir os


momentos fletores em estruturas que possuem vãos muito grandes. A atuação
do arco na estrutura é a inversa de um cabo, ou seja, ele recebe a sua carga
fundamentalmente em compressão. Ao contrário dos cabos, os arcos são rígidos,
portanto, necessitam resistir aos momentos fletores e esforços cortantes que agem
na estrutura carregada.

Será iniciado os estudos apresentando a confecção dos diagramas de


esforços para pórticos, e a partir daí, evoluindo para as outras estruturas.

2 DIAGRAMAS DE ESFORÇOS
A ligação entre as barras dos pórticos é realizada através de engastes ou
rótulas internas para permitir que a sua estrutura trabalhe em conjunto, e não
como ocorre em colunas e vigas, onde cada elemento trabalha isoladamente.

Os Diagramas de Esforço Normal (DEN) e Diagramas de Esforço Cortante


(DEC) não precisam ser feitos para o mesmo lado da barra, basta, apenas, ter os
mesmos valores e sinais. Já os Diagramas de Momento Fletor (DMF) devem estar
sempre no lado tracionado da barra, podendo os sinais dos resultados serem
diferentes dos sinais utilizados neste livro didático.

137
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

NOTA

Considerações sobre os sinais dos diagramas:

• As fibras inferiores serão tracejadas, definindo, portanto, a parte à esquerda e à direita


da seção.

Exemplo:

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 70)

2.1 PÓRTICOS SIMPLES

FIGURA 64 – ESTRUTURA DE PÓRTICO SIMPLES

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 74)

138
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

É possível descobrir os esforços solicitantes na estrutura pelo método


direto, como visto anteriormente, facilitando a análise da estrutura. Os cálculos
estão apresentados a seguir:

Reações:
∑Fx = 0 . . RAx = 1tf
∑Fy = 0 . . RAy = 3 + 1.4 + 1
RAy = 8 tf
∑MA = 0 . . 3.2 – 1.4.2 – 1.1 + 1.2 + MA = 0
MA = 1 tf.m

Seção S1: trecho DC Seção S3: trecho FB


N = 0; N = -1 tf;
V = -3 tf V = 1 tf
MC = -6 tf.m M = -1.x
Para x =0; M =0
x = 1; M = -1 tf.m

Seção S2: trecho CE Seção S4: trecho BC


N = 0; N = -7tf
V = 1.x V=0
Para x = 0; V = 0 M = -2tf.m
x = 4; V = 4 tf
M = -1.x2/2
Para x = 0; M = 0
x = 4; M = -8 tf.m

Seção S5: trecho AB


N = -8 tf
V = -1 tf
M = -1 – 1.x
Para x = 0; M = -1 tf.m
x = 2; M = -3 tf.m

Com isso, é possível traçar os diagramas de esforços solicitantes do pórtico.

139
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 65 – DIAGRAMA DE ESFORÇOS DA ESTRUTURA DE PÓRTICO SIMPLES

FONTE: Süssekind (1981, p. 116)

2.2 PÓRTICO COM ARTICULAÇÃO E TIRANTE

140
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

FIGURA 66 – ESTRUTURA DE PÓRTICO COM ARTICULAÇÃO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 80)

141
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Diagramas:

FIGURA 67 – DIAGRAMA DE ESFORÇOS DO PÓRTICO ARTICULADO

FONTE: Süssekind (1981, p. 116)

2.3 PÓRTICOS COMPOSTOS


É denominado pórtico composto a associação de pórticos simples. Se eles
forem isostáticos, será uma associação de pórticos simples isostáticos.

142
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

FIGURA 68 – PÓRTICO COMPOSTO – EXEMPLO 1

FONTE: Süssekind (1981, p. 130)

FONTE: Süssekind (1981, p. 131)

143
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 69 – PÓRTICO COMPOSTO – EXEMPLO 2

FONTE: Süssekind (1981, p. 134)

FIGURA 70 – PÓRTICO COMPOSTO – EXEMPLO 3

FONTE: Süssekind (1981, p. 133)

FIGURA 71 – PÓRTICO COMPOSTO – EXEMPLO 4

FONTE: Süssekind (1981, p. 133)

144
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

FIGURA 72 – PÓRTICO COMPOSTO – EXEMPLO 5

FONTE: Süssekind (1981, p. 135)

Decompondo:

Decompondo:
∑Fx = 0 . . HC = 30 kN
∑Fy = 0 . . VA + VC = 80 kN
∑MA = 0 . . 8.VC + 4.HC – 80.4 – 30.2 = 0
VC = 32,5 kN VA = 47,5 kN

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 84)

∑Fx = 0 . . HD + HG + 30 = 0
∑Fy = 0 . . VD + VG = 20 + 32,5 + 80
VD + VG = 132,5 kN
∑MD = 0 . . 8.VG – 20.5 – 80.4 – 30.4 = 0
VG = 67,5 kN VD = 65 kN
MCD = 0 . . 4.HD = 0
HD = 0 HG = -30 kN

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 84)

145
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Diagramas:

FIGURA 73 – DIAGRAMA DE ESFORÇOS DA ESTRUTURA DE PÓRTICO COMPOSTO

FONTE: Süssekind (1981, p. 136)

146
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

3 CABOS
Os cabos são estruturas flexíveis, lineares e capazes de resistir apenas aos
esforços de tração, sem apresentar resistência aos demais esforços. Sua utilização
se dá de diversas maneiras na construção civil, sendo desde pontes pênseis à
teleféricos portantes, linhas de transmissão de energias, entre outros.

Na estática, assume-se a hipótese de que os cabos são perfeitamente


flexíveis, ou seja, o momento fletor e o esforço cortante, neste tipo de estrutura
são nulos durante todo o seu comprimento, tornando os cabos submetidos a
esforços de tração.

Quanto à consideração dos esforços de solicitação, dependendo do caso


deve-se considerar o peso próprio do cabo. Em situações em que o peso próprio
do cabo seja muito menor que as cargas externas solicitantes, pode-se desprezar a
parcela do peso próprio da estrutura. A geometria da configuração deformada do
cabo, para um dado carregamento é denominada forma funicular do cabo.

Alguns exemplos de formas funiculares podem ser observados a seguir:

QUADRO 3 – EXEMPLO DE FORMAS FUNICULARES

Carregamento Forma Funicular


Triângulo

Trapezoide

Polígono

147
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Parábola

Catenária

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 89)

É importante ressaltar que a catenária apresenta uma curvatura mais


baixa do que a parábola, uma vez que seu peso próprio se concentra mais nas
extremidades dos cabos.

A partir de estudos comparativos entre a forma da parábola e da


catenária, para várias relações de flecha (f) e do vão entre extremidades (L),
constata-se que para relações (f / L) ≤ 0,2 as formas da parábola e da catenária são
praticamente coincidentes. Nesses casos é mais prático usar a forma da parábola
para determinação dos lugares geométricos dos pontos ao longo do cabo.

FIGURA 74 – EXEMPLO DE CATENÁRIA DE ESTRUTURA DE CABO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 90)

148
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

3.1 REAÇÕES DE APOIO PARA CABOS


Os sistemas de cabos acabam desenvolvendo em suas extremidades
empuxos horizontais, fazendo com que sejam necessários vínculos de segunda
ordem para a manutenção da estabilidade.

Podemos considerar uma estrutura de cabos suportando duas cargas


pontuais (concentradas) P, dispostas nos terços do vão, conforme esquema a seguir:

FIGURA 75 – CATENÁRIA DE UM CABO SUPORTADO DUAS CARGAS CONCENTRADAS

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 91

Como estamos trabalhando com um sistema de forças em um plano,


utiliza-se as equações de equilíbrio para encontrar as incógnitas desconhecidas:

(∑Fx=0, ∑Fy=0, ∑Mz=0)

Deve-se ressaltar que, em qualquer ponto da estrutura o momento fletor


é nulo, portanto, temos:

ΣFx = 0
Ax – Bx = 0, logo Ax = Bx = H (empuxo horizontal)

ΣMA = 0
PL / 3 + P (2L / 3) – By.L = 0, portanto By = P

ΣFy = 0
Ay + By = 2P, então Ay = 2P – By = P

Ainda não é possível calcular o valor do empuxo horizontal “H” se


faz necessária uma quarta equação de equilíbrio, que sai da hipótese de que o
momento fletor em qualquer ponto do cabo é nulo. Portanto, basta fazer uma
seção em qualquer ponto conhecido que será possível obter a equação necessária.

Portanto, faremos uma seção no ponto C e temos:

149
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

FIGURA 76 – SEÇÃO 1, COINCIDENTE COM O PONTO C DO CABO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 92)

ΣMc = 0
- H.f + (P.L) / 3 = 0, portanto H = (P. L) / 3f.

Através da equação anterior é possível verificar que quanto menor for a


flecha, maior é o valor de empuxo obtido. Uma analogia interessante e que nos
auxilia para a resolução de problemas com cabos é a substituição do sistema por
uma viga simples de mesmo vão e mesmo carregamento.

Como é possível observar na figura a seguir, as reações de apoio verticais


coincidem para o cabo “AB” e para a viga de substituição “AB’, facilitando os
cálculos dos esforços da estrutura.

ATENCAO

De agora em diante, iremos referenciar as reações de apoio e esforços na viga


de substituição como Ay* e By*, e no cabo como Ay e By.

Além das reações de apoio, outra vantagem da substituição do sistema de


cabos por uma viga é a determinação do gráfico do empuxo do cabo.

150
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

QUADRO 4 – COMPARAÇÃO DO CARREGAMENTO EM CABOS COM UMA VIGA BIAPOIADA

Cabos

Viga de substituição

DMF

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 93)

M*máx = PL / 3, logo H = PL / 3f = M*máx / f.

Em que f é a distância vertical máxima do cabo até a linha de fechamento


entre as extremidades A e B do cabo.

ATENCAO

Esta analogia é válida para outros tipos de carregamentos, fica como desafio
ao acadêmico provar estas relações.

151
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Uma vez conhecidas as reações de apoio, é possível determinar os esforços


normais atuantes no cabo. Usando mais uma vez o exemplo do cabo submetido a
duas cargas concentradas equidistantes, de valor “P” cada uma:

QUADRO 5 – ESFORÇOS NORMAIS DE TRAÇÃO ATUANTES EM CABOS

Esforço normal no trecho AC Substitui-se a parte do cabo retirada,


pelo seu efeito, a Força Normal NAC.
Aplicam-se as equações de equilíbrio:
ΣFx = 0
NACx = PL/3f
ΣFy = 0
NACy = P, logo
NAC2 = (NACx)2 + (NACy)2
NAC = [(PL/3f) 2 + P2] ½

Esforço normal no trecho DC ΣFx = 0


NCD = H = PL/3f
ΣFy = 0
P – P = 0, equilíbrio satisfeito
Esforço normal no trecho DB:
NDB = NAC = [(PL/3f)2 + P2] ½

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 96)

152
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

De acordo com as equações encontradas da figura é possível verificar que


o esforço normal máximo se encontra nos trechos AC e DB, juntos da extremidade
do cabo, ficando de acordo com o pressuposto anteriormente, na caracterização
do sistema de cabos.

5 ARCOS
Os arcos são estruturas que podem ser utilizadas para reduzir os
momentos fletores em estruturas que possuem vãos muito grandes. A atuação
do arco na estrutura é a inversa de um cabo, ou seja, ele recebe a sua carga
fundamentalmente em compressão. Ao contrário dos cabos, os arcos são rígidos,
portanto, necessitam resistir aos momentos fletores e esforços cortantes que agem
na estrutura carregada.

Em particular, se o arco tem uma forma parabólica e é sujeito a uma carga


vertical uniforme distribuída horizontalmente, então da análise de cabos vê-se que
apenas forças compressivas serão resistidas pelo arco. Nessas condições, a forma
do arco é chamada de arco funicular porque nenhuma força de flexão ou cortante
ocorre dentro do arco. A figura a seguir apresenta uma estrutura típica de um arco.

FIGURA 77 – ESTRUTURA TÍPICA DE UM ARCO


extradorso vértice
(ou costas)

linha de pressão elevação da linha de centro


intradorso
(ou sofito)
côncavo
fundação
FONTE: Hibbeler (2013, p. 139)

O tipo de arco escolhido se dá devido a sua aplicação e aos esforços a que


estará submetido. Eles podem apresentar estruturas biengastadas, biarticuladas,
triarticuladas ou atirantadas. Suas diferenças consistem no seu método
construtivo, materiais utilizados, local de aplicação e grau de liberdade.

FIGURA 78 – DIFERENÇAS ENTRE OS TIPOS DE ARCOS

arco biengastado (a) arco bienarticulado (b)

arco triarculado (c) arco atirantado (c)


FONTE: Hibbeler (2013, p. 139)

153
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Os arcos com apoios rotulados permitem a rotação nas extremidades


quando o carregamento atuar.

Os arcos com vínculos engastados são mais rígidos que os de


extremidade rotulada, apresentando menores deslocamentos quando sob a ação
do carregamento. Por serem mais rígidos, adaptam-se menos às variações de
carregamento ao longo da vida da estrutura, surgindo, assim, esforços solicitantes
mais elevados que nos pórticos rotulados.

Os arcos hiperestáticos por dependerem de uma condição adicional de


compatibilidade das deformações, além das equações de equilíbrio, sofrem alterações
significativas nos esforços quando há recalques de apoios ou variações de temperatura.
Para eliminar esses efeitos, pode-se acrescentar uma rótula ao arco biarticulado.

Nos cabos, para cada tipo e intensidade de carregamento a forma funicular


seria diferente de forma que todas seções transversais estivessem submetidas a
momentos nulos. Além disso, o empuxo horizontal nos apoios sempre é com
sentido a afastar as extremidades.

Nos arcos, para cada tipo e intensidade de carregamento existirá uma forma
funicular para a qual os momentos serão nulos para todas as seções transversais.
Esta forma funicular é chamada “linha de pressão” de um carregamento sempre
que a geometria de um arco coincidir com a linha de pressão do carregamento
aplicado sobre o arco, os únicos esforços atuantes serão de compressão, com Ms=0
e Vs=0. Além disso, independentemente de o arco estar submetido exclusivamente
a esforços de compressão ou não, os empuxos horizontais nas extremidades do
arco têm sentido de aproximação das extremidades equilibrando a tendência de
o arco deformar-se com o afastamento dos apoios.

Exemplo:

Encontrar esforços internos no arco circular para pontos de coordenadas


x = 0, 4, 8, 12 e 16 m.

154
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

FIGURA 79 – ARCO TRIARTICULADO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 126)

(R-3)2 + 162 = R2 Centro do Círculo:


R2 - 6R + 9 + 256 = R2 a = 16m
6R = 256 + 9 b = - (R-3)
R = 44,17m

Equação do Arco:

(x-16)2 + [y + (R-3)]2 = R2
Derivando em relação a x:
2(x-16) + 2 [y + (R-3)] dy/dx = 0

Teremos que:

tg ϕ = dy/dx = (16 - x) / (y + R - 3) R = 44,17 m

Da viga de substituição obtemos:

q.l 8.32
V=
a = = 128 kN
2 2
* q.l 2 8.328
M= g = = 1024 kN
8 8
H= M*g/f = 1024/3 = 341,33 Kn

155
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

TABELA 1 - RESOLUÇÃO DOS ESFORÇOS INTERNOS PARA ESTRUTURA DE ARCOS

Pontos x y tg ϕ ϕ sen ϕ cos ϕ NS VS MS


0 0 0 0,388 21,24º 0,362 0,932 - 364,5 - 4,3 0
1 4 1,34 0,283 15,96º 0,272 0,962 - 354,5 - 0,5 - 9,4
2 8 2,27 0,184 10,43º 0,181 0,983 - 347,1 1,1 - 6,8
3 12 2,82 0,091 5,20º 0,091 0,996 - 342,9 0,8 - 2,6
4 16 3,00 0 0º 0 1,0 - 341,3 0 0

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 127)

M*s =Vax – (q.l2)/2

Diagramas:

FIGURA 80 – DIAGRAMAS DE ESFORÇOS CORTANTES PARA ARCO


COM CARREGAMENTO DISTRIBUÍDO

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 128)

156
TÓPICO 3 | PÓRTICOS

LEITURA COMPLEMENTAR

LINHAS DE INFLUÊNCIA PARA ESTRUTURAS


DETERMINADAS ESTATICAMENTE

R. C. Hibbeler

Linhas de influência têm uma aplicação importante para o projeto de


estruturas que resistem a grandes sobrecargas. Neste capítulo discutiremos como
traçar a linha de influência para uma estrutura determinada estaticamente. A
teoria é aplicada a estruturas sujeitas a uma carga distribuída ou a uma série
de forças concentradas, e são dadas aplicações específicas para vigas de piso e
treliças de pontes. A determinação do cortante e momento máximos absolutos em
um membro é discutida no fim do capítulo.

Nos capítulos anteriores desenvolvemos técnicas para analisar as forças em


membros estruturais em razão de cargas permanentes ou fixas. Foi mostrado que
os diagramas de cortante e n1ornento representam os métodos mais descritivos
para mostrar a variação dessas cargas em um membro. Se uma estrutura é sujeita
a uma sobrecarga ou cargas 111óveis, entretanto, a variação do cortante e do
momento fletor no membro é mais bem descrita se for usada a linha de influência.

Uma linhade influência representa a variação da reação, cortante, momento


ou deflexão em um ponto especifico em um membro à medida que uma força
concentrada se desloca sobre o membro. Uma vez que essa linha seja construída,
você pode dizer de relance onde a carga em movimento deve ser colocada sobre
a estrutura de maneira que ela crie a maior influência no ponto especificado.
Além disso, a magnitude da reação associada, cortante, momento ou deflexão no
ponto podem então ser calculados a partir das ordenadas do diagrama de linha
de influência. Por essas razões, linhas de influência têm um papel importante no
projeto de pontes, vigas de pontes rolantes, transportadores e outras estruturas
em que as cargas se deslocam através de seu vão.

Apesar de o procedimento para construir uma linha de influência ser bastante


básico, é preciso que se tenha bem claro a diferença entre construir uma linha de
influência e construir um diagrama de cortante ou momento. Linhas de influência
representam o efeito de uma carga em movimento apenas em um ponto especificado
em um membro, enquanto diagramas de cortante e momento representam o efeito
de cargas fixas em todos os pontos ao longo do eixo do membro.

Procedimento de análise

Qualquer um dos dois procedimentos a seguir pode ser usado para construir
a linha de influência em um ponto específico P em um membro para qualquer função
(reação, cortante ou momento). Para ambos os procedimentos consideraremos que
a força em movimento tem uma magnitude de unidade adimensional.

157
UNIDADE 2 | INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE ESTRUTURAS

Valores tubulados

• Coloque uma carga unitária em várias posições, x, ao longo do membro, em


cada posição use a estática para determinar o valor da função (reação, cortante
ou momento) no ponto especificado.
• Se a linha de influência para uma reação de força vertical em um ponto sobre
uma viga deve s~r construída, considere a reação como positiva no ponto
quando ela atua para cima sobre a viga.
• Se uma linha de influência de cortante ou momento deve ser traçada para um
ponto, tome o cortante ou momento no ponto como positivo de acordo com a
mesma convenção de sinais usada para traçar os diagramas de cortante e momento.
• Todas as vigas determinadas estaticamente terão linhas de influência que
consistem de segmentos em linha reta. Após alguma prática você deve ser
capaz de minimizar os cálculos e localizar a carga unitária somente em pontos
representando as extremidades de cada segmento de linha.
• Para evitar erros, recomenda-se que primeiro se construa uma tabela, listando
“carga unitária em x” versus o valor correspondente da função calculada no
ponto específico; isto é, “reação R”, “cortante V” ou “momento M”. Uma vez
que a carga tenha sido colocada em vários pontos ao longo do vão do membro,
os valores tabulados podem ser representados graficamente e os segmentos de
linha de influência construídos.

Equações de linho de influência

• A linha de influência também pode ser construída colocando a carga unitária


em uma posição variável x no membro e então calculando o valor de R, V ou
M no ponto como uma função de x. Desta maneira, as equações dos vários
segmentos de linha compondo a linha de influência podem ser determinadas e
representadas graficamente.
FONTE: HIBBELER, R. C. Análise das estruturas. 12. ed. São Paulo: Editora Pearson, 2013. p. 147-148.

158
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• A ligação entre as barras dos pórticos é realizada através de engastes ou rótulas


internas, resultando em diferentes comportamentos da estrutura.

• A adição de rótula fornece uma equação a mais para o sistema.

• Sempre que possível, utilizar da simetria da estrutura para a resolução de


estruturas de pórticos.

• O momento fletor e o esforço cortante nos cabos são nulos, estes apresentando
apenas esforços de tração.

• A geometria da configuração deformada do cabo, para um dado carregamento,


é denominada forma funicular do cabo.

• Extremidades dos cabos é necessário apoio de segundo grau.

• A substituição do sistema por uma viga simples de mesmo vão e mesmo


carregamento pode ser utilizado para facilitar a resolução da estrutura.

• A atuação do arco na estrutura é a inversa de um cabo, ou seja, ele recebe a sua


carga fundamentalmente em compressão.

• Como os arcos são rígidos, eles precisam resistir à momentos fletores e esforços
cortante.

• A análise de estruturas de arcos pode ser feita através da alteração da estrutura


por uma viga rígida de mesmo vão e carregamento.

159
AUTOATIVIDADE

1 Traçar os diagramas dos esforços solicitantes dos pórticos simples a seguir:

a)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, 76)


b)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, 78)

160
c)

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, 79)

2 Determine as reações de apoio no cabo AB e as cotas verticais nos pontos


“C” e “E”.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 104)

3 Qual é o comprimento total do cabo que suporta uma sobrecarga


uniformemente distribuída ao longo do vão de 100 N/m e que possui peso
próprio igual a 50 N/m, sabendo-se que os pontos de fixação estão no topo de
postes de 6 m de altura e que estão afastados entre si de 50 m? Além disso, há
a informação de que o ponto mais baixo do cabo está 4,5 m acima do solo.

161
FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 107)

4 Uma passarela, que liga duas edificações afastadas de 15,0 m, possui 3,0 m de
largura e deve suportar uma sobrecarga de 5 kN/m2 além de seu peso próprio,
também estimado em 5 kN/m2. A passarela será suspensa por dois cabos com
uma flecha de 3 m. Determine a força normal máxima que tracionará o cabo.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 108)

162
5 O cabo de aço de uma ponte pênsil de 600 m em vão, cujos pontos de
suspensão estão no mesmo nível, deve suportar uma carga total máxima
uniformemente distribuída de 3,5 kN/m. Se a flecha do cabo é de 90 m:

I- Determine a área necessária de sua seção transversal, sabendo que a tensão


admissível deste aço à tração é de σt=200 Mpa.
II- Calcule o comprimento total do cabo.

6 O cabo de uma linha de transmissão, suspenso entre dois pontos no mesmo


nível, deve vencer um vão de 80 m e suportar uma carga uniformemente
distribuída de 0,05 kN/m. Se o comprimento total do cabo é de 110 m, qual
é sua flecha e qual seu valor do esforço normal máximo atuante?

7 O cabo BC suporta uma carga uniformemente distribuída de 50 N/m e


possui comprimento total de 120 m. Se no ponto A atua um momento fletor
de 200 kN.m, calcule:

I- A flecha “f” do cabo.


II- O valor do esforço normal máximo no cabo.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 193)

8 Dois cabos parabólicos são unidos no ponto C, no topo de uma torre.


Considerando que a torre não deve ser solicitada por componentes
horizontais, determine h.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 194)

163
9 Calcule o valor de f para que o arco triarticulado AGB tenha a geometria da
linha de Pressões do carregamento indicado e para que o esforço normal
máximo valha 200 kN (compressão). Pede-se também:

I- Aspecto a Linha de Pressões.


II- Equações da Linha de Pressões em todos os trechos, referidas aos eixos x e y.
III- Esforço normal em G.
IV- Inclinação da Linha de Pressões no apoio A.
V- Esforço normal mínimo.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 195)

10 Deseja-se construir um sistema triarticulado AGB cuja geometria coincida


com a Linha de Pressões do carregamento da figura. Pede-se:

I- Equações da Linha de Pressões em todos os trechos, referidas aos eixos x e y.


II- Esforço normal máximo atuante.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 195)

164
11 O triarticulado AGB deve coincidir com a geometria da Linha de Pressões
do carregamento indicado, de tal forma que o esforço normal seja 100 kN
(compressão). Pede-se:

I- Equação da tangente da Linha de Pressões com a horizontal.


II- Abscissa da seção que tem o esforço normal mínimo.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 196)

12 Deseja-se construir um triarticulado AGB que trabalha segundo a Linha de


Pressões para o carregamento indicado, de tal forma que o esforço normal
máximo seja de 250 kN (compressão). Pede-se:

I- Valor de p.
II- Equação da Linha de Pressões.
III- Abscissa da seção que tem o esforço normal mínimo.
IV- Equação da tangente da Linha de Pressões com a horizontal.

FONTE: Valle; Rovere; Pillar (2013, p. 196)

165
166
UNIDADE 3

ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• identificar uma estrutura hiperestática;

• escolher o melhor método de análise de estrutura;

• aplicar o método das forças para análise da estrutura;

• aplicar o método dos deslocamentos para análise da estrutura;

• aplicar o método de cross para análise da estrutura;

• calcular a matriz de rigidez de qualquer estrutura hiperestática;

• aplicar a regra de correspondência para a avaliação das estruturas.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividia em três tópicos. No decorrer da unidade você
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – MÉTODO DAS FORÇAS

TÓPICO 2 – MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA


RIGIDEZ

TÓPICO 3 – MÉTODO DE CROSS

167
168
UNIDADE 3
TÓPICO 1

MÉTODO DAS FORÇAS

1 INTRODUÇÃO
O início de todo projeto estrutural consiste em estabelecer um modelo
estrutural a ser adotado na análise. As estruturas podem ser tratadas globalmente
ou divididas em diversos elementos. Essas estruturas podem receber diferentes
classificações, conforme vimos nas unidades anteriores, mas, resumidamente são:

• Reticuladas: quando uma dimensão predomina em relação às outras duas.


Normalmente são denominadas barras em que o eixo (retilíneo ou curvo) é
mais longo do que as demais dimensões.
• Laminar: quando duas dimensões predominam em relação a uma terceira. Ex.:
chapas, placas, paredes.
• Tridimensional: quando nenhuma dimensão é predominante. Ex.: blocos de
fundações, alguns modelos de barragens.

Além disso, as estruturas ainda são classificadas em hipostática,


isostáticas e hiperestáticas. As estruturas são denominadas hipostáticas quando
seus movimentos de corpo rígido não são restringidos e elas atingem uma
configuração de equilíbrio estável.

Por sua vez, as estruturas isostáticas, quando apresentam restrições ao


movimento de corpo rígido e o número de incógnitas a serem determinadas é igual
à quantidade de equações de equilíbrio da estática. Já as estruturas hiperestáticas,
que é objeto desta unidade, quando apresentam restrições ao movimento
do corpo rígido, o número de incógnitas a serem determinadas é superior ao
número de equações de equilíbrio estático. O método de cálculo utilizado para
a caracterização da estrutura já foi abordado na Unidade 1 e, portanto, não será
detalhado nesta unidade.

Deve-se ressaltar que sempre será admitido que as estruturas apresentam


comportamento elástico linear, ou seja, apresentam pequenos deslocamentos e
deformações ao se deformar, e são constituídas de material elástico linear.

O objetivo deste tópico é capacitar você, acadêmico, a analisar


estruturas hiperestáticas, determinando seus esforços internos e deslocamentos
generalizados, sendo apresentados três métodos de análise: método dos
deslocamentos, método das forças e o processo de Cross, que serão detalhados
no decorrer desta unidade.

169
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

E
IMPORTANT

Nesta unidade será adotado o método do princípio dos trabalhos virtuais (PTV),
o qual pode ser executado através de integração ou das tabelas de Kurt-Beyer.

2 MÉTODO DAS FORÇAS


Este subtópico possui o objetivo de apresentar a metodologia de análise
de estruturas hiperestáticas através do método das forças.

Para realizar a análise estrutural deve-se considerar três grupos básicos:


condições de equilíbrio e condições pelas leis constitutivas dos materiais,
condições estas abordadas pelo método das forças.

Procedimento: são liberados os vínculos excedentes ou hiperestáticos e


são substituídos por forças estaticamente equivalentes, impondo-se condições
de compatibilidade de deslocamentos. O sistema estrutural hiperestático é
transformado em um sistema isostático equivalente denominado sistema
principal (vários sistemas principais são possíveis).

• Incógnitas: forças (número de incógnitas = grau de hiperestaticidade = g).


• Equações: compatibilidade de deslocamentos.
• Formulação matricial: formula-se a Matriz de Flexibilidade da estrutura.

Os deslocamentos podem ser obtidos através do:

• Método da integração direta.


• Método da analogia de Mohr.
• Teorema de Castigliano.
• Princípio dos trabalhos virtuais.

Na prática, o método consiste em somar as soluções básicas que


satisfazem às condições de equilíbrio, mesmo não satisfazendo às condições
de compatibilidade da estrutura original, para no momento da superposição,
restabelecer as condições de compatibilidade.

Cada solução básica não satisfaz isoladamente a todas as condições de


compatibilidade da estrutura original, elas são restabelecidas no momento da
superposição de todos os casos.

A estrutura utilizada para a superposição é uma estrutura isostática


auxiliar, obtida a partir da estrutura original, que fica restabelecida quando se
superpõem todos os casos básicos.

170
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

Para essa estrutura isostática dá-se o nome de Sistema Principal (SP), em


que as forças ou momentos associados aos vínculos liberados são incógnitas do
problema e são denominados hiperestáticos.

Para facilitar o entendimento do método, sua explicação será baseada em


um modelo, conforme apresentado na seguinte figura:

FIGURA 1 – ESTRUTURA UTILIZADA PARA A DESCRIÇÃO DA METODOLOGIA


DO MÉTODO DAS FORÇAS

FONTE: Martha (2017, p. 130)

A configuração da deformada do pórtico apresentado está exagerada para


facilitar o entendimento. Neste exemplo será considerado que todas as barras
da estrutura têm os mesmos valores para área (A=5.10-3m²), momento de inércia
(I=5.10-4 m4) e módulo de elasticidade (E=2.108kN/m²).

2.1 HIPERESTÁTICOS E SISTEMAS PRINCIPAIS


Para ser realizada a análise da estrutura em relação as suas condições de
equilíbrio, são apresentadas na figura a seguir as suas componentes de reações.

171
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 2 – COMPONENTES DE REAÇÕES DE APOIO DA ESTRUTURA DA FIGURA 1

FONTE: Martha (2017, p. 131)

A estrutura deve obedecer às três equações de equilíbrio global de uma


estrutura plana:

• somatório das forças horizontais igual a zero;


• somatório das forças verticais igual a zero;
• somatório de momento em relação a um ponto qualquer igual a zero;

Como estamos tratando de estruturas hiperestáticas e o número de incógnitas


a serem determinados é superior ao número de equações de equilíbrio, este excesso
de incógnitas ao número de equações é denominado como grau de hiperestaticidade
(g). No caso do exemplo mostrado, o grau de hiperestaticidade g é 2 (g=2).

Então, para resolver este pórtico hiperestático pelo método das forças
é realizada a superposição de soluções isostáticas criando-se uma estrutura
isostática auxiliar (SP) através da estrutura original, eliminando alguns vínculos
necessários, como o exemplo mostrado na figura a seguir:

172
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

FIGURA 3 – SISTEMA PRINCIPAL ADOTADO PARA A SOLUÇÃO DA ESTRUTURA DA FIGURA 1

FONTE: Martha (2017, p. 131)

É possível observar que foram eliminados dois vínculos externos da estrutura


original (a rotação em A e o deslocamento horizontal em B), tornando as estruturas
isostáticas e possibilitando a sua resolução através das equações de equilíbrio.

A escolha do SP é arbitrária, assim, qualquer estrutura isostática escolhida


é válida para a resolução do sistema, desde que seja estável estaticamente.

Os esforços eliminados são reações de apoio, chamados de hiperestáticos,


e são incógnitas da solução pelo método das forças. É utilizada a nomenclatura
Xi para indicar os hiperestáticos, em que o índice i indica o hiperestáticos, que
varia de 1 até g.

Para o exemplo abordado, temos:

X1 = HA, reação de momento associada ao vínculo de apoio θA = 0;


X2 = HB, reação de momento associada ao vínculo de apoio ∆ HB = 0.

Os hiperestáticos estão mostrados no exemplo acima, com os sentidos que


foram convencionados como positivos.

2.2 RESTABELECIMENTO DA COMPATIBILIDADE


A solução do método recai em encontrar os valores que as incógnitas
X1­ e X2 devem ter para recompor os vínculos de apoio eliminados, levando em
consideração o carregamento aplicado na estrutura. Portanto, nada mais é que
procurar os valores dos hiperestáticos para que as condições de compatibilidade
na criação do SP sejam restabelecidas.

173
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Para determinar os valores dos hiperestáticos X1 e X2, deve-se aplicar a


superposição de efeitos utilizando a estrutura SP como estrutura para soluções
básicas. O número de casos básicos é sempre igual ao grau de hiperasticidade
mais um (g+1), portanto, para o exemplo aplicado, teremos o caso (0), (1) e (2).

• Caso (0) – Solução do carregamento externo isolado no SP

Nessa situação é isolado o efeito do carregamento externo na estrutura


isostática SP, conforme pode ser visto na Figura 4. Nessa configuração pode ser
observada a rotação δ10 e o deslocamento δ20.

Este termo de carga pode ser definido como sendo o deslocamento ou


rotação na direção do vínculo eliminado e que é associado ao hiperestático
naquele ponto. No caso o δ10, significa a rotação do primeiro hiperestático para o
caso 0 de análise.

FIGURA 4 – SOLICITAÇÃO EXTERNA ISOLADA NO SP DA ESTRUTURA DA FIGURA 1

FONTE: Martha (2017, p. 133)

O sinal negativo da rotação mostra que a rotação real apresenta sentido


contrário ao considerado para o hiperestático X1 no caso (1). Da mesma forma, o
sentido considerado para o hiperestático X2 no caso (2).

• Caso (1) – Hiperestático X1 isolado no SP

Analogamente ao caso (0), neste caso o Hiperestático X1 é colocado em


evidência, já que ele é uma incógnita a ser encontrada. Portanto, considera-se
o X1 com um valor unitário (1), sendo que o valor de X1 encontrado deverá ser
multiplicado por 1.

174
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

A rotação δ11 e o deslocamento δ21 provocado por X1=1, nas direções dos
vínculos eliminados para a criação do SP, são conhecidos como coeficientes de
flexibilidade, sendo definidos como:

δij = coeficiente de flexibilidade: deslocamento ou rotação na direção do


vínculo eliminado associado ao hiperestático Xi devido a um valor unitário do
hiperestático Xj, atuando isoladamente.

Os valores encontrados para o coeficiente de flexibilidade no caso (1) são


apresentados na figura a seguir, sendo suas unidades correspondentes as suas
respectivas unidades do hiperestático em questão. Ressalta-se que as considerações
feitas no caso (0) quanto aos sinais encontrados vale para qualquer caso analisado.

FIGURA 5 – HIPERESTÁTICO X1 ISOLADO NO SP DA FIGURA 1

FONTE: Martha (2017, p. 13A)

• Caso (2) – Hiperestático X2 isolado no SP

A Figura 6 mostra a configuração deformada do SP para o caso (2) com


uma amplificação para que seja possível de ser visualizada. Assim como no caso
(1), o hiperestático X2 é colocado em evidência, considerando um valor unitário e
multiplicando-o a sua deformação por este valor ao final das operações.

Desta forma, encontra-se a rotação δ12 e o deslocamento δ22 surgidos


considerando X2=1, assim como feito no caso (1). Após realizar as operações
matemáticas, é possível verificar que os valores encontrados para os coeficientes de
flexibilidades δ12 e δ21. Isso é devido ao teorema de Maxwell, que comprova que os
coeficientes δij e δji — sendo i e j os índices dos hiperestáticos —sempre serão iguais.

175
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 6 – HIPERESTÁTICO X2 ISOLADO NO SP DA FIGURA 1

FONTE: Martha (2017, p. 135)

Uma vez já encontrados os coeficientes de flexibilidade para todos os casos


considerados, é aplicado o teorema da superposição dos efeitos com o intuito de
restabelecer as condições de compatibilidade violadas na criação do SP. Desta
forma, então, são obtidas as seguintes equações:

Nó A (rotações surgidas nos casos analisados):

δ10 + δ11. X 1 + δ12 . X 2 =


0

Nó B (deslocamentos surgidos nos casos analisados):


δ 20 + δ 21. X 1 + δ 22 . X 2 =
0

Obtendo assim um sistema de equações de compatibilidade:

 δ10 + δ11. X 1 + δ12 . X 2 = 0



δ 20 + δ 21. X 1 + δ 22 . X 2 =
0

−13, 64.10−3 + 0,1152.10−3. X 1 − 0, 6997.10−3. X 2 =0


 −3 −3 −3
 115, 2.10 −0, 6997.10 . X 1 + 6,1180.10 . X 2 = 0

Resolvendo este sistema, obtém-se que X1=13,39 kN.m e X2=-17,29 kN.

Mais uma vez, os sinais encontrados nos resultados indicam os sentidos


dos esforços, se positivos, possuem o mesmo sentido arbitrado no início do
exercício, caso negativo, o sentido real é o oposto do arbitrado. Dessa forma, os
esforços do exemplo desenvolvido são apresentados na Figura 7.

176
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

FIGURA 7 – VALORES E SENTIDOS DOS HIPERESTÁTICOS NA SOLUÇÃO


DA ESTRUTURA DA FIGURA 1

FONTE: Martha (2017, p. 136)

Estes valores encontrados fazem com que a rotação no ponto A seja nula,
assim como o deslocamento horizontal no ponto B, atingindo a solução correta
para a estrutura, pois satisfazem às equações de equilíbrio e de compatibilidade.

Porém, a análise da estrutura não termina encontrando apenas os


valores dos hiperestáticos. Ainda se faz necessário obter os diagramas de
esforços internos e os deslocamentos da estrutura, para isso é possível executar
de duas maneiras diferentes:

1- Calcula-se uma estrutura isostática com o carregamento principal aplicado


simultaneamente aos hiperestáticos, como se fossem esforços aplicados nos nós.
2- Utiliza-se a superposição dos casos básicos para a obtenção dos esforços
internos finais.

Apesar da primeira maneira ser mais simples de ser calculada, a segunda


opção é a mais utilizada, isso porque no cálculo dos termos de carga e coeficientes
de flexibilidade é necessário o conhecimento dos diagramas de esforços internos
dos casos básicos (0), (1) e (2).

Desta maneira, como já se tem os diagramas de esforços internos disponíveis,


facilita a obtenção dos esforços internos finais da estrutura hiperestática original,
aplicando a superposição dos esforços internos dos casos básicos.

Desta forma:

M=M 0 + M1 X1 + M 2 X 2

177
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

A equação apresentada pode ser generalizada para todos os esforços internos


— normal (N), cortante (V) e momentos fletores (M) — de uma estrutura hiperestática.

3 MATRIZ DE FLEXIBILIDADE E VETOR DOS TERMOS DE CARGA


No subtópico anterior foi mostrado como chegar ao sistema de equações
de compatibilidade da estrutura. Este sistema pode ainda ser apresentado de
forma matricial:

δ10  δ11 δ12   X 1  0 


 +   =  
δ 20  δ 21 δ 22   X 2  0 

E no caso de uma estrutura com grau de hiperestaticidade g, pode-se


escrever:

{δ 0 } + [δ ]{ X } =
{0}

Em que:

• {δ0} : vetor dos termos de carga;


• [δ] : matriz de flexibilidade;
• {X} : vetor dos hiperestáticos.

O número de equações de compatibilidade é igual ao grau de


hiperestaticidade da estrutura, sendo que cada equação restabelece o vínculo
associado ao hiperestático genérico xi. O termo δi0 é o deslocamento ou rotação
que aparece no vínculo eliminado, diretamente associado ao vínculo eliminado
ao hiperestático Xi no caso (0). Já o coeficiente δij da matriz de flexibilidade é o
deslocamento ou a rotação que aparece no vínculo associado ao hiperestático Xi
originado pela aplicação do carregamento Xj = 1 no caso (j).

Percebe-se que o vetor termo de cargas depende do SP escolhido e da


solicitação externa. Desta maneira, caso o carregamento for alterado, mantendo-se
os SP, se faz necessário calcular novamente apenas os termos de cargas da estrutura.

Através do proposto até o momento a respeito do método, duas


observações devem ser feitas:

1- Através do teorema de Maxwell, a matriz de flexibilidade é simétrica, logo é


possível afirmar que δij = δji.
2- Os coeficientes de flexibilidades correspondentes a um dado caso básico
possuem o mesmo índice j do caso em específico. Portanto, a j-ésima coluna da
matriz de flexibilidade da estrutura corresponde ao conjunto de deslocamentos
generalizados nas direções dos vínculos eliminados do SP provocados por Xj=1.

178
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

3.1 ESCOLHA DO SISTEMA PRINCIPAL


Conforme foi explicado no início do método, não há uma única maneira
de construir o SP do método das forças. No exemplo anterior, os vínculos de apoio
foram tirados, porém há situações em que é conveniente eliminar os vínculos
internos da estrutura e, em alguns casos, esta é a única alternativa.

O próximo exemplo será desenvolvido aplicando as duas possibilidades


para as resoluções citadas. Neste exemplo, iremos considerar a viga contínua
mostrada, com três vãos e com carga uniformemente distribuída no primeiro
vão da esquerda. Considera-se a rigidez da estrutura da viga sendo EI e pede-
se para o diagrama de momentos fletores da estrutura. Neste cálculo não são
considerados os esforços axiais.

FIGURA 8 – VIGA CONTÍNUA COM TRÊS VÃOS E CARREGAMENTO


UNIFORME DISTRIBUÍDO NO PRIMEIRO VÃO

FONTE: Martha (2017, p. 139)

A estrutura apresentada possui grau de hiperestaticidade g=2 e serão


resolvidas considerando dois sistemas principais (SP), deixando visível para o
leitor as diferenças entre as opções de resolução.

Primeiramente, os vínculos externos (vínculos de apoios) serão


eliminados. Portanto, serão eliminados os apoios internos da viga para chegar
à estrutura isostática do SP. Assim irá resultar nos hiperestáticos X1 e X2, sendo
estes as reações de apoio associadas aos vínculos excluídos.

FIGURA 9 – PRIMEIRA OPÇÃO PARA SP DA ESTRUTURA DA FIGURA 8

FONTE: Martha (2017, p. 140)

Neste caso, necessitamos encontrar os valores que as reações de apoio X1


e X2 devem ter para que possam suportar as cargas atuantes. Lembramos que,
nestes pontos, o deslocamento vertical deve ser nulo, estabelecendo a condição
de compatibilidade do sistema para a criação do SP.

179
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

• Caso (0) – Solução do carregamento externo isolado no SP

Nesta situação é isolado o efeito do carregamento externo na estrutura


isostática SP e os valores dos hiperestáticos (X1 =0 e X2=0). A figura mostra a
configuração deformada do caso (0), indicando os termos de carga δ10 e δ20, assim
como o diagrama de momento fletor do caso.

FIGURA 10 – SOLICITAÇÃO EXTERNA ISOLADA NO SP DA FIGURA 8

FONTE: Martha (2017, p. 140)

Os termos de cargas no caso (0) possuem uma interpretação física:

• δ10: deslocamento vertical no ponto do apoio eliminado associado a X1,


provocado pelo carregamento externo (0).
• δ20: deslocamento vertical no ponto do apoio eliminado associado a X2,
provocado pelo carregamento externo (0).

• Caso (1) – Solução do carregamento externo isolado no SP

Nesta situação, somente o hiperestático X1=1 atua no SP, sem nenhuma


solicitação externa e o valor do hiperestático X2=0. A figura a seguir mostra a
configuração deformada do caso (1), indicando os termos de carga δ11 e δ21, assim
como o diagrama de momento fletor do caso.

Os coeficientes de flexibilidades para o caso (1) são fisicamente


interpretados como:

• δ11: deslocamento vertical no ponto do apoio eliminado associado a X1,


provocado por X1=1 no caso (1).
• δ21: deslocamento vertical no ponto do apoio eliminado associado a X2,
provocado por X1=1 no caso (1).

180
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

FIGURA 11 – HIPERESTÁTICO X1 ISOLADO NO SP DA FIGURA 9

FONTE: Martha (2017, p. 141)

• Caso (2) – Solução do carregamento externo isolado no SP

Nesta situação somente o hiperestático X2=1 atua no SP, sem nenhuma


solicitação externa e o valor do hiperestático X1=0. A Figura 12 mostra a
configuração deformada do caso (2), indicando os termos de carga δ12 e δ22, assim
como o diagrama de momento fletor do caso.

Os coeficientes de flexibilidades para o caso (2) são fisicamente


interpretados como:

• δ12: deslocamento vertical no ponto do apoio eliminado associado a X1,


provocado por X2=1 no caso (2).
• δ22: deslocamento vertical no ponto do apoio eliminado associado a X2,
provocado por X2=1 no caso (2).

FIGURA 12 – HIPERESTÁTICO X2 ISOLADO NO SP DA FIGURA 9

FONTE: Martha (2017, p. 142)

181
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Uma vez encontrados os valores dos deslocamentos, é possível reestabelecer


as condições de compatibilidade violadas pela criação do SP, desta forma,
reestabelecendo as condições impostas pelos apoios eliminados. Assim temos:

δ10  δ11 δ12   X 1  0 


 +  .  =  
δ 20  δ 21 δ 22   X 2  0 

Para determinar o valor do hiperestático X1 é preciso, primeiramente,


determinar os deslocamentos generalizados δ10 e δ11. Estes deslocamentos podem
ser encontrados através do Princípio dos Trabalhos Virtuais (TIMOSHENKO,
1967; POPOV, 1978; SUSSEKIND,1994b).

Segundo o teorema do Princípio dos Trabalhos Virtuais aplicados


aos corpos elásticos, o trabalho virtual das forças externas é igual ao trabalho
virtual das forças internas para quaisquer deslocamentos virtuais compatíveis
com os vínculos da estrutura. Este processo trabalha com um sistema real de
deformações e um sistema virtual de forças, com uma força aplicada na direção
do deslocamento a ser calculado.

No presente exemplo da viga contínua com três vãos, para o SP adotado,


os deslocamentos a serem calculados são sempre os deslocamentos verticais nos
pontos dos apoios eliminados para a criação do SP. Portanto, os sistemas de
forças virtuais adotados sempre serão forças unitárias aplicadas nestes pontos.
Observa-se que estes sistemas correspondem justamente aos casos (1) e (2) para
os hiperestáticos X1 e X2 com valores unitários.

Cálculo de δ10:

Para calcular o tempo de carga δ0 pelo método de trabalhos virtuais, o


sistema de deformação real é o caso (0) e o sistema de forças virtuais é o caso (1)
com X1 = 1. Portanto, a expressão para encontrar o coeficiente, desprezando as
deformações por cisalhamento é dado por:

3l
1 1
=δ10 = ∫
EI viga
MMdx
EI ∫0
M 1M 0 dx

3l l 2l 3l

∫M1M 0 dx = ∫M1M 0 dx + ∫M1M 0 dx + ∫M1M 0 dx


0 0 1 2l
3l 4
1 ql
δ10 = ∫
EI 0
M 1M 0 dx = −
4 EI

182
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

Os valores dessa integral para a viga em questão devem ser calculados


e, para facilitar a resolução do problema, é possível utilizar as tabelas que se
encontram ao longo desta unidade. Porém, para isso, deve-se aplicar a tabela
para cada trecho da estrutura. A figura a seguir mostra a solução para o caso (0) e
as composições dos seus momentos.

FIGURA 13 – COMBINAÇÃO DE DIAGRAMAS DE MOMENTOS FLETORES PARA O CÁLCULO DO


TERMO DE CARGA Δ10 RELATIVO AO SP DA FIGURA 9

FONTE: Martha (2017, p. 144)

Cálculo de δ20:

Para calcular o tempo de carga δ0 pelo método de trabalhos virtuais, o


sistema de deformação real é o caso (0) e o sistema de forças virtuais é o caso (2)
com X2 = 1. Portanto, a expressão para encontrar o coeficiente, desprezando as
deformações por cisalhamento é dado por:

3l
1 1
=δ 20 = ∫
EI viga
MMdx
EI ∫0
M 2 M 0 dx

3l l 2l 3l

∫M 2 M 0 dx = ∫M 2 M 0 dx + ∫M 2 M 0 dx + ∫M 2 M 0 dx
0 0 1 2l
3l
1 5ql 4
EI ∫0
δ 20 = M 2 M 0 dx = −
24 EI

183
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 14 – COMBINAÇÃO DE DIAGRAMAS DE MOMENTOS FLETORES PARA O CÁLCULO DO


TERMO DE CARGA Δ20 RELATIVO AO SP DA FIGURA 9

FONTE: Martha (2017, p. 145)

Cálculo de δ11:

Para calcular o coeficiente de flexibilidade δ11 pelo método de trabalho


virtual, o sistema real e o sistema de forças virtuais coincidem, assim como no
caso (1). Portanto:

3l
1 1
=δ11 = ∫
EI viga
MMdx
EI ∫0
M 1M 1dx

3l l 2l 3l

∫M M dx = ∫M M dx + ∫M M dx + ∫M M dx
0
1 1
0
1 1
1
1 1
2l
1 1

3l
1 4ql 3
EI ∫0
=δ11 = M 1 M 1 dx
9 EI

FIGURA 15 – COMBINAÇÃO DE DIAGRAMAS DE MOMENTOS FLETORES PARA O CÁLCULO DO


COEFICIENTE DE FLEXIBILIDADE Δ11 RELATIVO AO SP DA FIGURA 9

FONTE: Martha (2017, p. 146)

184
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

Cálculo de δ21e δ12:

Para calcular o coeficiente de flexibilidade δ21 pelo método de trabalho


virtual, o sistema real de deformação é o caso (1) com X1 = 1 e o sistema de forças
virtuais é o caso (2), com X2 = 1. Para o cálculo do coeficiente de flexibilidade δ12,
os papéis dos casos (1) e (2) se invertem, ou seja, o sistema de deformação passa
a ser o caso (2), em que X2 = 1 e o sistema de forças virtuais passa a ser o caso (1),
em que X1 = 1. Resultando em:

3l
1 1
=δ 21 = ∫
EI viga
MMdx
EI ∫0
M 2 M 1dx

3l
1 1
=δ12 = ∫
EI viga
MMdx
EI ∫0
M 1M 2 dx

Como mencionado anteriormente, δ21 e δ12 são iguais, portanto:

FIGURA 16 – COMBINAÇÃO DE DIAGRAMAS DE MOMENTOS FLETORES PARA O CÁLCULO


DOS COEFICIENTES DE FLEXIBILIDADE Δ12 E Δ21 RELATIVO AO SP DA FIGURA 9
3l 3l
7l 3
=δ12 δ 21
= ∫=
0
M 1M 2 dx ∫=
0
M 2 M 1dx
18 EI

FONTE: Martha (2017, p. 148)

Cálculo de δ22:

Para calcular o coeficiente de flexibilidade δ22 pelo método de trabalho


virtual, o sistema real e o sistema de forças virtuais coincidem, assim como no
caso (2). Portanto:

185
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

3l
1 1
=δ 22 = ∫
EI viga
MMdx
EI ∫0
M 2 M 2 dx

3l l 2l 3l

∫M
0
2 M 2 dx = ∫M 2 M 2 dx + ∫M 2 M 2 dx + ∫M 2 M 2 dx
0 1 2l
3l 3
1 4ql
=δ 22 = ∫
EI 0
M 2 M 2 dx
9 EI

FIGURA 17 – COMBINAÇÃO DE DIAGRAMAS DE MOMENTOS FLETORES PARA O CÁLCULO DO


COEFICIENTE DE FLEXIBILIDADE Δ22 RELATIVO AO SP DA FIGURA 9

FONTE: Martha (2017, p. 149)

Uma vez calculado os coeficientes de flexibilidades e os termos de cargas,


é possível resolver o sistema de equações de compatibilidade final, necessário
para descobrir os valores dos hiperestáticos.

δ10  δ11 δ12   X 1  0 


 +  .  =  
δ 20  δ 21 δ 22   X 2  0 
1  4 7 
ql 4  4  l3  9 18  X 1  0 
−   + .  =  
EI 5
 24  EI  7 4   X 2  0 
 18 9
 13ql
 X 1 = 20

 X = − ql
 2 10

186
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

Com o resultado obtido é possível observar que os valores dos hiperestáticos


independem do parâmetro EI (rigidez da viga).

Para finalizar a solução da viga contínua, falta apenas determinar o


diagrama de momentos fletores, e ele pode ser determinado de duas formas:

1- Calculando o SP principal com o carregamento aplicado simultaneamente com


os hiperestáticos obtidos nos cálculos.
2- Utilizando a superposição de casos básicos para a obtenção dos momentos
fletores finais:

M = M0 + M1X1 + M2X2

Normalmente utiliza-se a segunda opção, uma vez que os diagramas


de momentos dos casos já estão disponíveis durante a solução do problema. O
diagrama de momento fletor final da estrutura pode ser observado na Figura 18.

FIGURA 18 – REAÇÕES DE APOIO E DIAGRAMA DE MOMENTOS


FLETORES FINAIS DA ESTRUTURA DA FIGURA 8

FONTE: Martha (2017, p. 150)

Anteriormente foi realizada a análise da viga contínua eliminando os


vínculos externos (vínculos de apoios). Agora iremos obter o SP através da
inserção de rótulas internas. Portanto, serão inseridas duas rótulas nas seções dos
apoios internos da estrutura. Assim surgiram dois hiperestáticos X1 e X2, que serão
momentos fletores associados à continuidade da estrutura, conforme a Figura 19.

187
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 19 – SEGUNDA OPÇÃO PARA SP DA ESTRUTURA DA FIGURA 8

FONTE: Martha (2017, p. 151)

• Caso (0) – Solução do carregamento externo isolado no SP

Nesta situação é isolado o efeito do carregamento externo na estrutura


isostática SP. A figura mostra a configuração deformada do caso (0), indicando os
termos de carga δ10 = δ10 e δ20 = 0, assim como o diagrama de momento fletor do caso.

FIGURA 20 – SOLICITAÇÃO EXTERNA ISOLADA NO SP DA FIGURA 19

FONTE: Martha (2017, p. 151)

Os termos de cargas no caso (0) possuem uma interpretação física:

• δ10: rotação relativa entre as seções adjacentes à rótula associada a X1 devido ao


carregamento do caso (0).
• δ20: rotação relativa entre as seções adjacentes à rótula associada a X2 devido ao
carregamento do caso (0).

• Caso (1) – Solução do carregamento externo isolado no SP

• δ11: rotação relativa entre as seções adjacentes à rótula associada a X1 devido ao


carregamento do caso (1).
• δ21: rotação relativa entre as seções adjacentes à rótula associada a X2 devido ao
carregamento do caso (1).

188
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

FIGURA 21 – HIPERESTÁTICO X1 ISOLADO NO SP DA FIGURA 19

FONTE: Martha (2017, p. 152)

• Caso (2) – Solução do carregamento externo isolado no SP

• δ12: rotação relativa entre as seções adjacentes à rótula associada a X1 devido ao


carregamento do caso (2).
• δ22: rotação relativa entre as seções adjacentes à rótula associada a X2 devido ao
carregamento do caso (2).

FIGURA 22 – HIPERESTÁTICO X2 ISOLADO NO SP DA FIGURA 19

Martha (2017, p. 152)

Assim como executado anteriormente, uma vez encontrado os valores dos


deslocamentos, é reestabelecido as condições de compatibilidade violadas pela
criação do SP. Assim temos:

δ10  δ11 δ12   X 1  0 


 +  .  =  
δ 20  δ 21 δ 22   X 2  0 

189
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Primeiramente é determinado os valores de deslocamentos generalizados,


para então encontrar o valor do hiperestático X1. Para isso é aplicado o princípio
dos trabalhos virtuais, conforme realizado no exemplo anterior.

O cálculo dos coeficientes deste sistema de equações também é feito com


auxílio do Princípio das Forças Virtuais (PFV). Para o Sistema Principal adotado
são calculadas as rotações relativas entre as seções adjacentes a cada rótula
introduzida na criação do SP. Portanto, os sistemas de forças virtuais adotados
são sempre pares de momentos unitários aplicados adjacentes às rótulas.

Assim como para a primeira opção de resolução, observa-se que estes


sistemas correspondem justamente aos casos (1) e (2) para os hiperestáticos X1
e X2 com valores unitários. Assim, os sistemas de deformação real são os casos
(0), (1) e (2) e os sistemas de forças virtuais são os casos (1) e (2) com X1 = 1 e
X2 = 1, respectivamente.

Uma grande vantagem dessa segunda opção do SP é a facilidade no cálculo


dos termos de carga e dos coeficientes de flexibilidade. Este cálculo é mostrado
na sequência, com base na combinação dos diagramas de momentos fletores dos
casos básicos mostrados anteriormente:

1  1  ql 2  
3l
1 ql 3
( )
EI ∫0
δ10 = M 1 M 0 dx = .  − . 1 .   .l  =

EI  3  8   24 EI
δ 20 = 0
1 1 1 2l
δ=
11 )
.  . (1) . (1) . ( l ) + . (1) . (1) . ( l =
EI  3 3  3EI
1 1 l
δ=
12 δ=
21 )
.  . (1) . (1) . ( l =
EI  6  6
1 1 1  2l
δ 22=
EI  3 . (1) . (1) . ( l ) + 3 . (1) . (1) . ( l )=
 3EI

Uma vez calculados os coeficientes de flexibilidades e os termos de cargas,


é possível resolver o sistema de equações de compatibilidade final, necessário
para descobrir os valores dos hiperestáticos.

δ10  δ11 δ12   X 1  0 


 +  .  =  
δ 20  δ 21 δ 22   X 2  0 
2 1 
ql 3  1 4  l 3  3 6   X 1  0 
−  + .  =  
EI  0  EI  1 2   X 2  0 
 6 3

190
TÓPICO 1 | MÉTODO DAS FORÇAS

 ql 2
 1X =
15
 2
 X = − ql

2
60

Observa-se que os valores de X1 e X2 correspondem exatamente aos valores


dos momentos fletores nas seções dos apoios internos da viga contínua, conforme
calculado anteriormente. Portanto, esta opção do SP acarreta, como não poderia
deixar de ser, a mesma solução da estrutura hiperestática.

Outra vantagem desta segunda opção do SP é a facilidade no traçado do


diagrama dos momentos fletores finais. Nas seções em que foram introduzidas
rótulas o valor do momento fletor final é o próprio valor do hiperestático
correspondente a cada rótula. O traçado do diagrama ao longo das barras é obtido
por uma superposição simples dos diagramas dos casos básicos. No primeiro
vão é uma superposição de um triângulo com uma parábola, no segundo é uma
superposição de dois triângulos e no terceiro é só um triângulo.

A aplicação do método das forças para estruturas simétricas é facilitada


quando se analisa uma estrutura simétrica. Nestes casos, basta resolver a metade
da estrutura e traçar os diagramas de esforços. Depois, estender para o restante
da estrutura lembrando que estruturas simétricas com:

1- Carregamento simétrico: o diagrama de esforço normal (N) e momentos


fletores (M) são simétricos e o diagrama de esforço cortante (V) é antissimétrico.
2- Carregamento antissimétrico: o diagrama de esforço normal (N) e momentos
fletores (M), são antissimétricos e o diagrama de esforço cortante (V) é simétrico.

191
QUADRO 1 – TABELA DE KURT BEYER
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

192
FONTE: <https://engcivil20142.files.wordpress.com/2017/03/tabela-kurt-beyer.jpg>.
Acesso em: 24 maio 2019.
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• Para a análise estrutural completa deve levar em consideração três grupos básicos:
condições de equilíbrio e condições as pelas leis constitutivas dos materiais.

• O método das forças consiste em somar as soluções básicas que satisfazem


as condições de equilíbrio, mesmo não satisfazendo as condições de
compatibilidade da estrutura original, para no momento da superposição,
restabelecer as condições de compatibilidade.

• Cada solução básica não satisfaz isoladamente todas as condições de


compatibilidade da estrutura original, estas restabelecidas no momento da
superposição de todos os casos.

• A estrutura utilizada para a superposição é uma estrutura isostática auxiliar


obtida a partir da estrutura original, as quais ficam restabelecidas quando se
superpõem todos os casos básicos.

• A para essa estrutura isostática dá-se o nome de Sistema Principal (SP), onde
as forças ou momentos associados aos vínculos liberados são incógnitas do
problema e são denominados hiperestáticos.

• A estrutura deve obedecer às três equações de equilíbrio global de uma


estrutura plana:
◦ somatório das forças horizontais igual a zero;
◦ somatório das forças verticais igual a zero;
◦ somatório de momento em relação a um ponto qualquer igual a zero.

• Para resolver este pórtico hiperestático pelo método das forças, é realizado
a superposição de soluções isostáticas criando-se uma estrutura isostática
auxiliar (SP) através da estrutura original.

• Para formar a estrutura isostática, elimina-se os vínculos externos da estrutura


original até que essa se torne uma estrutura isostática, possibilitando a sua
resolução através das equações de equilíbrio.

• Os esforços eliminados são reações de apoio, chamados de hiperestáticos e, são


incógnitas da solução pelo método das forças.

• Para determinar os valores dos hiperestáticos X1 e X2, deve-se aplicar a superposição


de efeitos, utilizando a estrutura SP como estrutura para soluções básicas.

• O número de casos básicos é sempre igual ao grau de hiperasticidade mais


um (g+1.

193
AUTOATIVIDADE

1 Determine os esforços nas barras das treliças hiperestáticas a seguir:

a)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 65)


b)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 65)


c)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 65)

194
2 Determine os esforços e trace os diagramas para as seguintes estruturas:

a)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 71)


b)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 40)

3 Determine as reações de apoio e trace os diagramas dos esforços internos da


viga a seguir. Considere I1 = 4375 cm4 e I2 = 4102 cm4.

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 37)

195
196
UNIDADE 3
TÓPICO 2

MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

1 INTRODUÇÃO
Esse é o método mais adequado para implementação computacional, desta
forma, é o mais utilizado atualmente na maioria dos programas computacionais.

• Procedimento: definir o sistema principal (único), fixando todos os


deslocamentos dos nós (graus de liberdade). É calculado neste sistema principal
os esforços nas extremidades das barras causados por cargas atuantes nas
barras (esforços de engastamento perfeito); soma-se então, a eles, os esforços
causados pelos deslocamentos impostos nos nós iguala o resultado às forças
externas causadas nos nós, em cada direção ou grau de liberdade (∑Fext=∑Fint).
• Incógnitas: forças (dos nós, número de incógnitas = nº de graus de liberdade).
• Equações: compatibilidade de deslocamentos.
• Formulação matricial: formula-se a Matriz de rigidez da estrutura.

2 MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS


O procedimento matemático entre os métodos das forças e o método dos
deslocamentos é bastante parecido, devendo a escolha do método a ser utilizado
conforme a sua vantagem de aplicação.

O método dos deslocamentos pode ser utilizado tanto em estruturas


isostáticas como em estruturas hiperestáticas, sendo especialmente útil na
análise deste segundo tipo de estruturas. Este método é facilmente aplicável em
programação automática, diferentemente do método das forças, isso porque
todos os deslocamentos são restringidos, ao contrário do que acontece no método
das forças, em que apenas algumas liberações são introduzidas para se obter a
estrutura isostática. A única estrutura que não pode ser analisada por este método
é a viga biengastada, quando modelada por uma única barra.

No caso de estruturas reticuladas (barras ligadas por pontos nodais), o


número total de incógnitas será o número de deslocamentos nodais de todos os
nós da estrutura ou o número total de “grau de liberdade”.

Neste método, determina-se, primeiramente, o deslocamento e,


indiretamente os esforços; as incógnitas são, então, os deslocamentos.

197
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

O grau de liberdade (GL) de um nó é definido como a direção à qual este


nó pode se deslocar. Portanto, no caso de estruturas espaciais, há seis direções
possíveis de deslocamento, já em estruturas planas, em que os eixos das barras se
situam no plano XY, existem três direções possíveis de deslocamento para cada
nó, as quais são enumeradas sequencialmente.

O esforço axial das estruturas pode ser desprezado quando a magnitude


dos deslocamentos neste sentido não for significativa. Quando existirem forças
horizontais aplicadas nas vigas, elas devem ser modeladas como pórticos.

FIGURA 23 – SISTEMAS DE REFERÊNCIA E DIREÇÕES POSSÍVEIS DE DESLOCAMENTO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 89)

2.1 DESCRIÇÃO DO MÉTODO


Resumidamente, este método consiste em fixar a estrutura, introduzir
os vínculos fictícios tornando a estrutura cinematicamente determinada. Então
são consideradas as cargas aplicadas nas barras e calculados os esforços que elas
causam na estrutura fixa.

Em seguida, são impostos os deslocamentos nos nós e calculados os


esforços que eles provocam na estrutura. De acordo com a teoria da superposição,
os esforços totais que devem estar em equilíbrio com as forças externas, que estão
aplicadas, são calculados, chegando então a um sistema de equações de equilíbrio
de forças em torno dos nós da estrutura.

Em estruturas reticuladas, há apenas um único sistema principal a ser


encontrado através da fixação dos nós. Logo abaixo, o processo de aplicação do
método será melhor detalhado:

• Passo 1: determina-se o grau de indeterminação cinemática e é escolhido um


sistema de coordenadas de modo a poder identificar a posição e a direção dos
deslocamentos dos nós. Em seguida são introduzidas as forças de restrição que
impedem o deslocamento dos nós.
• Passo 2: determinam-se as forças de restrição somando as forças de fixação dos
extremos das barras convergentes nos nós. Essas forças impedem os deslocamentos
em qualquer tipo de ação externa (cargas, variação térmica, pré-carregamentos), e
estas ações podem ser consideradas individualmente ou em conjunto.

198
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

Se na estrutura analisada existir algum deslocamento prescrito (assentamento


de apoio), as forças de restrição correspondentes ao impedimento devem ser
consideradas nesta etapa. Então, são determinados os esforços internos nas
barras, correspondentes aos impedimentos impostos na estrutura.
• Passo 3: a estrutura é considerada deformada de maneira que em uma das
suas coordenadas o deslocamento é considerado unitário (igual a 1) e nulo
nas demais coordenadas. As forças necessárias para levar a estrutura a esta
configuração, então, podem ser calculadas facilmente, devendo repetir este
processo para as demais restrições impostas.
• Passo 4: os deslocamentos obtidos no passo 2, que são necessários para eliminar os
esforços de restrições, são então determinados aplicando a sobreposição de efeitos
para todos os deslocamentos impostos e igualando aos esforços de restrição.
• Passo 5: por fim, encontra-se os esforços na estrutura original, que são obtidos
adicionando os esforços da estrutura restringida aos esforços originados pelos
deslocamentos encontrados no passo 4.

2.1.1 Viga engastada-apoiada


Considerando a viga engastada-apoiada de rigidez à flexão EI da figura
a seguir. Esta viga apresenta apenas um grau de liberdade, a rotação no ponto B.
As vigas em geral apresentam dois graus de liberdade por nó.

FIGURA 24 – VIGA ENGASTADA-APOIADA E SUA DEFORMADA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 91)

De acordo com os procedimentos apresentados anteriormente, primeiro


os esforços de engastamento perfeito são calculados. Portanto, é calculado para
a estrutura fixa, o momento que surge na barra na direção do GL devido ao
carregamento externo.

FIGURA 25 – ESFORÇOS DEVIDOS AO CARREGAMENTO EXTERNO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 91)

199
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Em seguida, é imposto o deslocamento θB no nó e calcula-se os esforços


correspondentes. Como a estrutura real não é fixa em B, o nó B sofre um
pequeno deslocamento θB. Após impor este deslocamento, calcula-se o esforço
correspondente na barra, na direção do grau de liberdade. Este esforço será
proporcional ao deslocamento imposto (θB) e esta proporcionalidade é dada pelo
coeficiente de rigidez da barra (4EI/l).

FIGURA 26 – ESFORÇO DEVIDO AO DESLOCAMENTO θB IMPOSTO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 91)

Para finalizar a análise, efetua-se o equilíbrio das forças em torno do nó


B. Através da superposição de efeitos, o esforço total na extremidade da barra é
calculado e igualado ao momento aplicado no nó.

q.l 2 4.E.I
− + .B =
0
12 l

Resolvendo a equação e isolando a incógnita θB, é obtido:


l q.l 2 q.l 3
=θB = . θB
4.E.I 12 48.E.I

É possível generalizar a equação escrevendo o equilíbrio das forças


conforme apresentado na equação a seguir:

FEP + S.d = Fno = A

Em que FEP é a força de engastamento perfeito, S é o coeficiente de rigidez


da barra, d é o deslocamento e A é a força ou binário aplicado no nó.

De maneira a sintetizar o Método dos Deslocamentos, ao invés de impor


deslocamentos reais são impostos deslocamentos unitários na direção do grau de
4.E.I
elasticidade. Portanto, para d1=1, tem-se= M B = S11 . Dessa maneira, para d1=θB
4.E.I l
se tem
= M =
B
l
.θ S .θ , em que S11 é o esforço na barra causado pelo deslocamento
B 11 B

unitário na direção 1.

200
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

FIGURA 27 – ESFORÇO NA BARRA CAUSADO POR UM DESLOCAMENTO UNITÁRIO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 92)

Para um grau de liberdade, tem-se a seguinte equação de equilíbrio de


forças na direção 1:

FEP + S11.d11 = A1

Em estruturas com muitos graus de liberdade é possível montar um


sistema de equações de equilíbrio de forças: {FEP} +[S].{D} = {A}.

Em que:

• {FEP} = vetor de esforços de engastamento perfeito;


• [S] = matriz de rigidez da estrutura;
• {D} = vetor de deslocamentos nodais;
• {A} = vetor de ações nodais.

Cada coeficiente Sij da matriz de rigidez (i = efeito; j = causa) representa


o esforço na barra na direção ou grau de liberdade i, causado pelo deslocamento
unitário na direção j. 

2.1.2 Viga biengastada


No caso de vigas biengastadas, os esforços de engastamento perfeito
podem ser encontrados através do Método das Forças. Vamos considerar o
exemplo da figura a seguir, em que é apresentada uma viga biengastada com
carregamento uniformemente distribuído. Neste caso, têm-se quatro incógnitas
(lembrando que se despreza os esforços axiais) e duas equações de equilíbrio.

FIGURA 28 – VIGA BIAPOIADA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 93)

201
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

A partir da estrutura mostrada, é montado o sistema principal de análise que,


devido à simetria da estrutura e do carregamento, é possível afirmar que X1 = X2.

FIGURA 29 – SISTEMA PRINCIPAL E HIPERESTÁTICOS

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 93)

É calculado, então, o momento fletor devido aos hiperestáticos e ao


carregamento aplicado na barra, em que o resultado está apresentado a seguir:

FIGURA 30 – DIAGRAMAS DE MOMENTOS FLETORES

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 93)

Combinando os diagramas de momentos fletores apresentados, obtém-se:

1 q.l 2 q.l 3
EI δ10 =
EI δ 20 =
− .l. =−
3 8 24
1
EI
= δ11 EI
= δ 22 .l
3
1
EI
= δ12 EI
= δ 21 .l
6

As equações de compatibilidade, então, podem ser dadas por:

δ1 =
δ10 + δ11. X 1 + δ12 . X 2 =
0
δ2 =
δ 20 + δ 21. X 1 + δ 22 . X 2 =
0

Uma vez que já se conhece os coeficientes δij, é possível substituí-los nas


equações de compatibilidade apresentadas, assim, encontrando o sistema de
equações da estrutura:

202
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

1 1 q.l 3
.X1 + .X 2 =
3 6 24
1 1 q.l 3
.X1 + .X 2 =
6 3 24

Resolvendo esse sistema e conforme comentado anteriormente, o valor


3
q.l
de X1 = X2 = 24 . Portanto, os esforços de engastamento perfeito estão indicados
na Figura 31. Deve-se ressaltar que há tabelas para o cálculo dos engastamento
perfeito de vigas bi engastadas para diversos tipos de carregamentos.

FIGURA 31 – ESFORÇOS DE ENGASTAMENTO PERFEITO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 94)

Os coeficientes de rigidez das vigas podem ser encontrados pelo método


das forças, impondo deslocamentos unitários em seus graus de liberdade. No
caso da viga engastada e apoiada, em que se faz necessário encontrar os valores
dos coeficientes S11, é fixada a estrutura e imposto um deslocamento unitário no
grau de liberdade 1, como apresentado na Figura 32.

FIGURA 32 – SISTEMA PRINCIPAL DA VIGA ENGASTADA-APOIADA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 94)

Aplicando o método das forças, é montado o sistema principal eliminando


os vínculos excedentes e compatibilizando os deslocamentos da estrutura, em
que δ1=1 e δ2=0.

203
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 33 – CONDIÇÕES DE COMPATIBILIDADE DE DESLOCAMENTO DA ESTRUTURA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 95)

Desta forma, é possível calcular o momento fletor devido aos


carregamentos. Neste caso, o momento originado pelo carregamento externo é
nulo, uma vez que a carga “q” aplicada é nula. O diagrama de momento devido
ao momento unitário aplicado na direção X1 é apresentado a seguir, assim como
o momento unitário na direção do hiperestático X2.

FIGURA 34 – MOMENTO UNITÁRIO E SEU RESPECTIVO DIAGRAMA (M2)

a) Momento Unitário M1 b) Diagrama de momento M1

c) Momento Unitário M2 d) Diagrama de momento M2


FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 95)

A partir dos diagramas de momentos é possível calcular os deslocamentos


generalizados:

EI
= δ10 EI
= δ 20 0
1
EI
= δ11 EI
= δ 22 .l
3
1
EI δ12 = EI δ 21 = − .l
6

As equações de compatibilidade, então, podem ser dadas por:

204
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

E.I .(δ10 + δ11. X 1 + δ12 . X 2 ) =E.I .δ1 =E.I .1 =E.I


E.I .(δ 20 + δ 21. X 1 + δ 22 . X 2 ) =E.I .δ 2 =E.I .0 =0

Uma vez que já se conhece os coeficientes δij, é possível substituí-los nas


equações de compatibilidade apresentadas, assim, encontrando o sistema de
equações da estrutura:

1 1
.X1 + .X 2 = E.I
3 6
1 1
− .X1 + .X 2 = 0
6 3
4.E.I
X1 =
l
2.E.I
X2 =
l

Portanto, o coeficiente de rigidez é S11 = X1 = (4EI/l). O esforço na


extremidade da barra será igual à reação no engaste, e é observado na outra
extremidade que o esforço é a metade.

2.1.3 Viga contínua


Considerando a viga contínua apresentada a seguir, com dois graus de
liberdade (d1 e d2) e não considerando os deslocamentos horizontais:

FIGURA 35 – VIGA CONTÍNUA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 96)

Aplicamos o princípio da superposição de efeitos, em que inicialmente é


fixada a estrutura, aplicado as cargas nas barras e, aí sim, calculado o engastamento
perfeito. Este cálculo pode ser realizado utilizando tabelas (encontradas nesta
unidade) e, então, são encontradas as forças Fep1 e Fep2.

205
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 36 – MOMENTO DE ENGASTAMENTO PERFEITO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 96)

Após calcular os esforços de engastamento perfeito, é imposto um


deslocamento unitário no primeiro grau de liberdade (d1=1 e d2=0). Encontram-se
os esforços correspondentes, sendo o S11 para o grau de liberdade 1 e S21 para o
grau de liberdade 2.

FIGURA 37 – DESLOCAMENTO UNITÁRIO EM 1

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 97)

Em seguida, é imposto um deslocamento no grau de liberdade 2 (d1=0 e


d2=1). Então, são encontrados os esforços correspondentes a esta configuração,
sendo o S12 para o grau de liberdade 1 e S22 para o grau de liberdade 2.

FIGURA 38 – DESLOCAMENTO UNITÁRIO EM 2

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 97)

Para a estrutura estar em equilíbrio, a soma dos esforços em um nó, em


uma certa direção ou grau de liberdade, tem que ser igual à ação aplicada neste
mesmo nó, na mesma direção. Portanto, para o grau de liberdade 1 tem-se:

FEP1 + S11.d1 + S12.d2 = A1 = M

De forma análoga, para o grau de liberdade 2, tem-se:

 FEP1   S11 S12   d1   M 


S 22  d 2   0  ou ainda { EP } [ ] { } { } .
 +  .  =   F + S . D = A
 EP 2   S 21
F

206
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

Em que:

• {FEP} = vetor de esforços de engastamento perfeito;


• [S] = matriz de rigidez da estrutura;
• {D} = vetor de deslocamentos nodais;
• {A} = vetor de ações nodais externas aplicadas diretamente nos nós.

Deve-se ressaltar que o produto de [S]. {D} é equivalente aos esforços


internos da estrutura, causados pelo deslocamento dos nós e que o somatório
{FEP} + [S]. {D} é o esforço interno total, o qual deve estar em equilíbrio com as
ações externas.

Portanto, para se obter o vetor {D} basta resolver o sistema de equações


apresentado anteriormente, isolando o vetor de deslocamentos nodais. Desta
forma temos:

[S].{D} = {A} – {FEP}


{D} = [S]-1.{A – FEP}

Para estruturas isostáticas, a matriz de rigidez sempre poderá ser invertida,


logo será fácil determinar o vetor de deslocamentos {D}. Porém, se a estrutura for
hipostática, a matriz de rigidez [S] será singular (determinante da matriz igual a
zero (det [S] =0)) e o sistema não terá solução.

Para a viga mostrada a seguir, em que a rigidez à flexão das barras (EI) é
igual a 73x103 kNm2. Trata-se de um sistema de 2 graus de liberdade, submetidos
às ações nodais mostradas na figura.

FIGURA 39 – VIGA CONTÍNUA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 98)

FIGURA 40 – GRAUS DE LIBERDADE E AÇÕES NOS NÓS

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 98)

207
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Conforme o procedimento de análise, fixa-se a estrutura e aplicam-se as


cargas às barras para então encontrar aos esforços de engastamento perfeito.

FIGURA 41 – ESTRUTURA PRINCIPAL PARA ANÁLISE

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 98-99)

Os momentos de engastamento perfeito nos graus de liberdade 1 e 2,


considerando o momento positivo no sentido anti-horário, temos: FEP1=4 kNm e
FEP2=-10 kNm. Portanto, já é conhecido o vetor de força de engastamento perfeito:

 4 
{FEP } =  
−10 

A seguir, é aplicado um deslocamento unitário em 1, ou seja, d1 = 1 e d2 =


0 e encontram-se os esforços correspondentes.

FIGURA 42 – APLICAÇÃO DO DESLOCAMENTO UNITÁRIO NO ELEMENTO 1 DA ESTRUTURA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 99)

Este procedimento é repetido para o ponto 2, implementando, dessa vez,


o deslocamento unitário no ponto 2, ou seja, d1 = 0 e d2 = 1, e encontram-se os
esforços correspondentes.

208
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

FIGURA 43 – APLICAÇÃO DE DESLOCAMENTOS UNITÁRIOS NO ELEMENTO 2 DA ESTRUTURA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 99)

Através da aplicação da teoria de superposição de efeitos, o sistema de


equações de equilíbrio de forças para os nós pode ser escrito por:

Nó B:

FEP1 + S11.d1 + S12.d2 = A1

Nó C:

FEP2 + S21.d1 + S22.d2 = A2

Ou, matricialmente, temos:

 FEP1   S11 S12   d1   A1 


 +  .  =  
 FEP 2   S 21 S 22  d 2   A2 

Então, aplicando as propriedades de rigidez das barras e os valores


conhecidos das ações e esforços de engaste perfeito, temos:

 4  168 36  3  d1  −12 
 +   .10 . d  =
 
−10   36 72   2  0 
168 36  3  d1  −16 
 36 72  .10 . d  =  10  ,
   2   então
 d1  −0,14 x10−3 rad 
 = 
d 2   0, 21 x10 rad 
−3

Uma vez encontrados os valores dos deslocamentos, é possível obter os


esforços nas barras multiplicando os coeficientes de rigidez de cada barra pelos
deslocamentos sofridos em suas extremidades, e somando o resultado com os
esforços de engastamento perfeito nas extremidades dessas barras. Além disso, as
reações de apoio também podem ser calculadas a partir dos deslocamentos nodais.

209
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

O exemplo que realizamos considerou a estrutura global, porém é mais


fácil encontrar a solução do problema se dividirmos a estrutura em elementos e
tratar cada elemento separadamente, como será abordado mais adiante.

2.1.4 Treliças – barra de material homogêneo e seção


transversal constante submetida à carga axial
Considere uma barra discretizada por um elemento de treliça, coincidente
com o eixo longitudinal da barra, possuindo dois nós nas extremidades. A
barra é fixa à esquerda, o deslocamento do nó 2 é nulo. Sendo assim, o sistema
fica reduzido a um sistema de apenas um grau de liberdade, o deslocamento
horizontal do nó 1.

FIGURA 44 – BARRA DE SEÇÃO TRANSVERSAL CONSTANTE

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 101)

A força aplicada P é proporcional ao deslocamento u1, sendo essa


proporcionalidade dada pela rigidez axial da barra ou do elemento, assim como
no caso de uma mola, em que a constante elástica k é proporcional a sua rigidez.
Portanto, a equação de equilíbrio das forças para o nó 1 na direção 1.

FIGURA 45 – ANALOGIA COM MOLA ELÁSTICA DE RIGIDEZ K

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 101)

Suponha que a rigidez axial da barra é o inverso da sua flexibilidade,


obtida através do método dos trabalhos virtuais:
E. A
k=
l

210
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

Então, a solução para o sistema de um grau de liberdade apresentado


pode ser expressa por:

P P.l
u=
1 =
k E. A

2.1.5 Treliças – barra composta de duas hastes de


materiais, comprimentos e seções diferentes submetidas a
carregamento axial
Neste caso, se tratando de duas hastes de características diferentes
(comprimento, material e seções), a estrutura pode ser idealizada como a
associação de dois elementos de treliças de rigidez diferentes, k1 e k2, interligados
por duas molas elásticas diferentes.

FIGURA 46 – SISTEMA ESTRUTURAL ORIGINAL

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 102)

FIGURA 47 – SISTEMA ESTRUTURAL IDEALIZADO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 102)

Uma vez que a extremidade da esquerda é fixa, trata-se de um problema


de dois graus de liberdade (u1 e u2). As equações de equilíbrio resultam, então, em
um sistema de equilíbrio de forças em torno dos nós da estrutura formados por
duas equações e duas incógnitas, sendo escrito por:

S11.u1 + S12.u2 = A1 = 0
S21.u1 + S22.u2 = A2 = P

Ou, ainda, sob a forma matricial: [S].{D}={A}.

Para encontrar a matriz de rigidez [S] são impostos os deslocamentos u1=1


e u2=0 à estrutura, originando assim os coeficientes S11=k1+k2 e S21=-k2.

211
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 48 - DISCRETIZAÇÃO DO SISTEMA POR DUAS MOLAS ELÁSTICAS DIFERENTES

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 102)

Em seguida é feito o mesmo procedimento aplicando o deslocamento no


nó 2, portanto u1=0 e u2=1, obtendo os coeficientes S12=-k2 e S22=k2. Substituindo os
coeficientes encontrados no sistema de equações de equilíbrio, temos:

 k1 + k2 −k2   u1   0 
 −k .  =  
 2 k2  u2   P 

Resolvendo o sistema de equações é possível encontrar o valor de u1 e u2.


No exemplo mostrado, não há formas axiais aplicadas nas barras, mas no caso
delas existirem, devem ser incluídas no equilíbrio de forças dos nós os esforços
de engastamento perfeito.

Quando uma estrutura é composta por diversas barras, divide-se ela em


diversos elementos, ao invés de tratá-la globalmente como fazemos até o momento.

Ao dividir as estruturas, cada elemento é calculado individualmente e,


a partir delas é possível obter a matriz de rigidez da estrutura, somando-se os
coeficientes correspondentes aos mesmos graus de liberdade.

As estruturas reticuladas, são ligadas entre si através dos pontos nodais,


onde se supõe que todos os esforços de ligação entre os elementos se concentram.
A discretização das ações e dos deslocamentos nos nós e a composição destes
elementos para constituir a estrutura resultam em um sistema matricial.

No método de deslocamento, esse sistema é o sistema de equilíbrio de


forças em torno de um nó. Portanto uma matriz com N nós e com uma quantidade
M de graus de liberdade resulta em um sistema N x M de equações, incluindo as
suas direções restringidas por vínculos.

Quanto ao processo de modelagem de uma estrutura, cada elemento é


representado por uma linha reta, coincidente com o eixo da barra, ligando os
dois nós. Os nós são posicionados nas extremidades das barras, sejam livres ou
vinculados a algum tipo de apoio.

Em situações em que há troca de material ou modificação de seção da


estrutura, para ser possível realizar a modelagem deve-se criar um nó fictício
neste local. A criação do nó fictício ainda pode ser realizada sob uma carga
concentrada, mas, neste caso, não é obrigatório o uso deste artifício.

212
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

FIGURA 49 – NÓ FICTÍCIO SOBRE UMA CARGA CONCENTRADA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 104)

O sistema de coordenadas cartesianas é utilizado como referencial para


solucionar estruturas reticuladas. Durante o processo utiliza-se um sistema global
(X, Y, Z) e um sistema local no elemento (x,y,z). Tanto no sistema global quanto no
sistema local, os eixos são perpendiculares entre si e obedecem à regra da mão direita.

Para o sistema local, o eixo x coincide com o eixo longitudinal da barra,


passando pelo seu centroide, sendo o positivo deste eixo, conforme apresentado
na figura a seguir.

FIGURA 50 – EXEMPLO DE PÓRTICO PLANO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 105)

Ressalta-se ainda que o grau de liberdade da estrutura é determinado em


relação ao eixo de coordenadas local.

Existem seis tipos de estruturas reticuladas, ou seja, estruturas em que uma


das suas dimensões são predominantes sobre as outras, sendo classificadas em:

213
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

• vigas (2 GL por nó);


• treliças planas (2 GL por nó);
• pórticos planos (3 GL por nó);
• treliças espaciais (3 GL por nó);
• grelhas (3 GL por nó); e
• pórticos espaciais (6 GL por nó).

Cada uma apresenta característica mecânica e geométrica especial. A


caracterização de uma estrutura plana se dá quando os eixos das barras e suas
deformações se situam no mesmo plano, caso contrário, a estrutura é classificada
em estrutura espacial.

Em estruturas planas é necessário que seu eixo vertical seja um eixo


de simetria, uma vez que essas estruturas se deformam em seu próprio plano.
Assim, o produto de inércia de sua seção em relação aos eixos da seção transversal
será nulo. Isso nos diz que os eixos x e y são os eixos principais de inércia e que
coincidem com o centro de torção da seção.

Desta forma, se existirem forças aplicadas no eixo XY e os binários


também atuarem no eixo XY, em um eixo paralelo ao eixo Z, não haverá torção,
sua deformação ocorrendo por flexão, axialmente ou por cisalhamento. Caso esta
situação não se apresente (y não for eixo de simetria), haverá torção da barra,
ocasionando a deformação da estrutura fora do plano XY.

Em geral as ligações entre as barras de treliças (espaciais ou planas) são


rotuladas e ligações das barras de vigas, grelhas, pórticos (planos e especiais)
são rígidos, mas neste caso pode ser que ocorra alguma situação em que seja
considerada uma ligação rotulada.

Até o momento foi visto que, considerando uma estrutura constituída


de material elástico linear, todos os esforços submetidos na estrutura resultam
em deformações correspondentes a suas ações em qualquer ponto da estrutura,
conforme apresentado na sequência.

FIGURA 51 – TIPOS DE DEFORMAÇÕES SOFRIDAS POR UMA BARRA DE ACORDO


COM O ESFORÇO APLICADO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 107)

214
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

Deve-se ressaltar que, em treliças (planas e espaciais), haverá apenas os


esforços e deformações axiais caso essas cargas estejam aplicadas diretamente
nos nós da treliça, ou se houver cargas axiais aplicadas ao longo das barras, caso
contrário, haverá ainda esforços de flexão e esforços cortantes, porém o esforço
axial predomina na estrutura.

Já no caso de vigas e pórticos planos, a deformação axial pode ser


desprezada, uma vez que as deformações por flexão são predominantes. Como
as barras das estruturas reticuladas são geralmente longas, normalmente é
desprezada a deformação por cisalhamento, porém devendo ser considerado no
caso de vigas ou pilares parede.

Nas estruturas espaciais (pórticos ou grelhas), em geral predomina a


deformação por flexão, mas em barras rígidas à torção, como as seções caixão, a
deformação por torção pode se tornar significativa. E, como os dois eixos da seção
de barras são eixos de simetria, não há uma iteração entre flexão e torção.

NOTA

É sugerido, aos acadêmicos, olhar as particularidades possíveis de encontrar em


cada tipo de estrutura, plana e espacial, para aprofundar o conhecimento. Algumas sugestões
de livros e apostilas para serem consultadas se encontram na bibliografia desta unidade.

2.2 RESUMO DO MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS PARA


ESTRUTURAS RETICULADAS DIVIDIDAS EM ELEMENTOS
1- Isolar cada elemento; calcular sua matriz de rigidez do elemento não restringido
considerando todos os graus de liberdade do elemento no sistema local de
coordenadas.
2- Calcular o vetor de engastamento perfeito para o elemento fixo, inicialmente
no sistema local, sempre que houver cargas aplicadas ao longo dos elementos
ou barras.
3- Após uma transformação de coordenadas são encontrados a matriz de rigidez
do sistema global e o vetor de engastamento perfeito do sistema global.
4- Assim, somando a contribuição de cada elemento no sistema é formado o
sistema de equação de equilíbrio para a estrutura não restringida, no sistema
global de coordenadas, em relação à cada grau de liberdade possível.

{FEP } + [ S ] .[ D ]
* * *
{ }
A*
=

215
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Em que:

• [ S ]* = ∑ elementos [ Sg ]*

• {FEP }* = ∑ elementos {FGEP }*

E, ∑elementos é a soma dos coeficientes que correspondem ao mesmo grau


de liberdade dos elementos que concorrem no mesmo nó. Portanto, se a estrutura
tem N nó e cada nó tem M graus de liberdade, a matriz resultante será N x M.

Então são aplicadas as condições de contorno da estrutura, encontrando o


sistema de equações de equilíbrio para a estrutura restringida:

{FEP} + [S].{D} = {A}

Portanto, resolvendo esse sistema, obtém-se:

{D} = [S]-1.{A–FEP}

Uma vez encontrado o vetor deslocamento {D} é possível obter as reações


de apoio da estrutura, os esforços no sistema local e o deslocamento das barras
no sistema local:

{AL} = {FLEP} + {SL}.{ul}

Da mesma forma que apresentado anteriormente para um elemento inteiro,


é necessário encontrar a matriz de rigidez da estrutura. Agora iremos abordar
o conceito, considerando a separação dos elementos que compõem a estrutura
separadamente, e, após análise individual, será formada a matriz global da estrutura.

2.3 CÁLCULO DA MATRIZ DE RIGIDEZ


Será abordado o exemplo de uma viga com dois graus de liberdade por
nó, em que o sistema local coincide com o sistema global da estrutura.

FIGURA 52 – ELEMENTO DE VIGA COM 2 GRAUS DE LIBERDADE POR NÓ

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 113)

216
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

O elemento ou barra (i) mostrado possui nó inicial J e nó final K, seu


comprimento l e o momento de inércia da seção do elemento é I. Desta forma, o
vetor de deslocamento nodal do elemento e a matriz de rigidez do elemento no
sistema local pode ser expressa, respectivamente por:

 u1   S11 S12 S13 S14 


u  S S 22 S 23 S 24 
{ul }4 x1 =  2  e [ Sl ]4 x 4 =  21
 S31
u3  S32 S33 S34 
u4   
 S 41 S 42 S 43 S 44 

Então é aplicado o método de deslocamento, inicialmente fixando as


extremidades das estruturas e impondo deslocamentos unitários em cada
elemento, conforme pode ser observado a seguir:

FIGURA 53 – IMPOSIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS UNITÁRIOS U1, U2, U3 E U4

a) Deslocamento unitário u1 b) Deslocamento unitário u2

c) Deslocamento unitário u3 d) Deslocamento unitário u4


FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 114)

Os coeficientes de rigidez podem ser calculados pelo método das forças.


Já foi demonstrado como se obtém os coeficientes S44, S24, ou S22, S42 anteriormente.
Já os demais coeficientes podem ser encontrados através do equilíbrio, sabendo
que a matriz de rigidez é uma matriz simétrica, ou seja, Sji = Sij.

Portanto, para o exemplo em questão, impondo-se inicialmente a


deformação unitária u2=1, têm-se:

4 EI 2 EI
=S 22 = e S 42
l l

217
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

E através das equações de equilíbrio (∑MJ=0 e ∑Fy=0), pode-se obter:

 4 EI 2 EI 
− − 
 l l  = 6 EI 6 EI
=S32 ∴− 2 e S12
l l l2

Da mesma forma, ao impor o deslocamento u4 =1 é possível obter


S 44 = 4 EI 2 EI e, através das equações de equilíbrio, S43 = S34 = − 6 EI e S= S= 6 EI .
l e S 24 = l l2
41 14
l 2

Conforme comentado anteriormente, a matriz de rigidez é uma matriz simétrica,


portanto, S23 = S32 e S12 = S21. E através das equações de equilíbrio é possível obter
os coeficientes restantes.

FIGURA 54 – IMPOSIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS UNITÁRIOS U1 E U2

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 115)

∑MJ=0:

 6 EI 2 + 6 EI 2 
l l  12 EI 
−
S31 = =− 3 
 l   l 
 

∑Fx=0:

12 EI
S11 =
−S31 = 3
l

218
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

FIGURA 55 – IMPOSIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS UNITÁRIOS U3 E U4

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 115)

6 EI 6 EI
S 23 =− 2 ; S 43 = − 2
l l

S31 =
S13 = −
(
6 EI 2 + 6 EI 2
l l =
)
−12 EI
l l3
e
12 EI
S33 =
− S13 =3
l

Dessa forma, a matriz de rigidez do elemento de viga (não restringido) no


sistema local é:

 12 EI 6 EI 12 EI 6 EI 
 l3 −
l2 l3 l2 
 
 6 EI 4 EI 6 EI
− 2
2 EI 
 l2 l l l 
[ Sl ]4 x 4 = 
 − 12 EI 6 EI
− 2
12 EI 6 EI
− 2 
 l3 l l3 l 
 6 EI 2 EI 6 EI 4 EI 
 2 − 2 
 l l l l 

Essa matriz de rigidez é singular, portanto, não pode ser inversível. Desta
forma, para ser possível a resolução do sistema de equações de equilíbrio faz-se
necessário restringir o elemento. Ou seja, não há uma matriz de flexibilidade
para elementos não restringidos.

Deve-se ressaltar que os coeficientes da diagonal principal da matriz de
rigidez são sempre positivos.

219
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

2.4 ELEMENTO DE TRELIÇA PLANA


Para o elemento de barra de dois graus de liberdade apresentado a seguir,
sabe-se que o sistema local não é coincidente com o sistema global e, portanto, o
vetor de deslocamentos nodais é {uL}4x1 e a matriz de rigidez é [SL]4x4.

FIGURA 56 – ELEMENTO DE TRELIÇA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 116)

Considerando que os elementos possuem comprimento l e seção


transversal é A. O procedimento de análise é similar ao realizado anteriormente
no caso da viga. Primeiro deve-se fixar os elementos a movimentos de translação,
uma vez que as ligações são articuladas e, portanto, as rotações não produzem
esforços nos elementos.

FIGURA 57 – ELEMENTO DE TRELIÇA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 117)

Feito isso, impõe-se o deslocamento unitário em u1 = 1 e é obtido:

S11 = EA
l

220
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

∑Fx=0:

EI
S31 =
−S11 =

l

E, ainda, que S21 = S41 = 0.

É feito o mesmo procedimento para o deslocamento u2 = 1 e, neste caso,


obtém-se que S12 = S22 = S32 = S42 =0:

FIGURA 58 – IMPOSIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS UNITÁRIOS U1 E U2

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 117)

Para deslocamento unitário em u3:

S33 = EA
l

∑Fx=0:

EA
S13 = −
l

E, ainda, que S23 = S43 = 0.

É feito o mesmo procedimento para o deslocamento u4 = 1 e, neste caso,


obtém-se que S14 = S24 = S34 = S44 =0:

FIGURA 59 – IMPOSIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS UNITÁRIOS U3 E U4

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 118)

221
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Desta forma, a matriz de rigidez do elemento da treliça plana no sistema


local pode ser escrita por:

 EA EA 
 l 0 0
l
 
0 0 0 0
[ Sl ]4 x 4 =  
EA EA
 0 0
 l l 
 0 0 0 0 

2.5 ELEMENTO DE PÓRTICO PLANO


Sendo que o elemento de pórtico plano, possuindo 3 graus de liberdade
por nó, formado pelos nós J e K. O vetor de deslocamentos nodais é {uL}6x1 e a
matriz de rigidez é [SL]6x6. E sabendo que normalmente o sistema local não
coincide com o sistema global do elemento.

FIGURA 60 – ELEMENTO DE PÓRTICO PLANO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 118)

Desta maneira, a matriz de rigidez do elemento do pórtico plano pode ser


encontrada superpondo-se à matriz de rigidez do elemento de viga com a matriz de
rigidez do elemento de treliça, já que não ocorre iteração entre o esforço axial e de
flexão, e a estrutura é considerada linear e submetida a pequenos deslocamentos.
Desta forma, a matriz de rigidez do pórtico é formada da seguinte maneira:

222
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

QUADRO 2 – MATRIZ DE RIGIDEZ DO PÓRTICO

Matriz de Rigidez da Viga/Treliça Matriz de Rigidez do Pórtico


GL 1 do elemento de viga GL 2 do elemento do pórtico plano
GL 2 do elemento de viga GL 3 do elemento do pórtico plano
GL 3 do elemento de viga GL5 do elemento do pórtico plano
Gl 4 do elemento de viga GL 6 do elemento do pórtico plano
GL 1 do elemento de treliça GL 1 do elemento do pórtico plano
GL 3 do elemento de treliça GL 4 do elemento do pórtico plano
FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 119)

Desta forma, a matriz de rigidez do sistema local do pórtico é dada por:

 EA EA 
 l 0 0 − 0 0 
l
 
 0 12 EI 6 EI 12 EI 6 EI 
0 −
 l3 l2 l3 l2 
 
 0 6 EI 4 EI 6 EI 2 EI 
0 − 2
 l2 l l l 
SL =  
EA EA
− 0 0 0 0 
 l l 
 12 EI 6 EI 12 EI 6 EI 
 0 − − 0 − 2 
 l3 l2 l3 l 
 6 EI 2 EI 6 EI 4 EI 
 0 l2 l
0 − 2
l l 

Em algumas situações, os eixos locais dos element em análise se


encontram rotacionados em relação ao eixo global da estrutura. Nesse caso
deve ser usada uma matriz de rotação para transportar os dados encontrados
no eixo local até o eixo global.

FIGURA 61 – SISTEMA DE COORDENADAS (1)

a) Vetor de deslocamento no b) Vetor de deslocamento no


sistema local sistema global
FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 119)

223
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Decompondo os deslocamentos u1 e u2 nos eixos locais, tem-se:

uL1­ = uG1.cosθ + uG2.senθ


e
uL2­ = -uG1.senθ + uG2.cosθ

FIGURA 62– SISTEMA DE COORDENADAS (2)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 120)

 uL1   uG1 
Sendo que a resultante dos vetores de translação uL 2  = uG 2  é a mesma e
que uL3=uG3 e uL6 = uG6, pois a rotação nos nós J e K é a mesma no plano local e no
plano global. Matricialmente, pode ser escrito:

• Para o nó J:

 uL1   cosθ senθ 0   uG1 


   − senθ  
uL 2  =  cosθ 0  . uG 2 
u  1  uG 3 
 L3   0 0

• Para o nó K:

uL 4   cosθ senθ 0  uG 4 


   − senθ  
u L 5  =  cosθ 0  . uG 5 
u  1  uG 6 
 L6   0 0

Portanto, é possível escrever a relação entre os vetores de deslocamentos


nodais do elemento no sistema local e o vetor de deslocamento nodal do elemento
no sistema global.
224
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

 uL1 
u   cosθ senθ 0 0 0 0   uG1 
 L 2   − senθ cosθ 0 0 0 0  uG 2 
u L 3  
   0 0 1 0 0 0  uG 3 
uL 4  =  . 
u   0 0 0 cosθ senθ 0  uG 4 
 L5   0 0 0 − senθ cosθ 0  uG 5 
u L 6     
   0 0 0 0 0 1  uG 6 
 

Uma vez que cos(-θ) = cos(θ) e sen(-θ) = - sen(θ), é observado que [ℜ]-1
= [ℜ]T, ou seja, uma matriz [ℜ] é uma matriz ortogonal, dessa forma, {uG} = [ℜ]-
1
.{uL} = [ℜ]T.{uL}.

Em casos de treliça plana, há apenas dois graus de liberdade por nó. Não
se considera o grau de liberdade de rotação dos nós dos elementos, uma vez que
eles não resultam em esforços na barra, devido à presença de rotulação na junção
dos elementos de barra.

FIGURA 63 – SISTEMAS DE COORDENADAS (3)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 120)

Portanto, a sua matriz de transformação é:

 cosθ senθ 0 0 
 − senθ cosθ 0 0 
[ ]4 x 4 =
 0 0 cosθ senθ 
 
 0 0 − senθ cosθ 

Analogamente aos vetores de deslocamentos, os vetores de esforções


também podem ser escritos por:

225
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

{ AL } = [ℜ].{ AG }
{ AG } = [ℜ] .{ AL } = [ℜ] .{ AL }
−1 T

Sabendo que {AL} = [SL].{uL}, tem-se:

{ AL } = [ S L ].[ℜ].{uG }

{ AL } = [ Spor
Multiplica-se os dois lados da expressão L ] .[ ℜ ] .{uG }
T
:

[ℜ] .{ AL } = [ℜ] .[ S L ].[ℜ].{uG }


T T

Portanto:

{ AG } = [ℜ] .[ S L ].[ℜ].{uG }
T

E ainda é possível organizar essa equação isolando a matriz de rigidez


global da estrutura (este trabalho algébrico das equações fica como exercício para o
acadêmico, basta ir trabalhando com os conceitos vetoriais abordados até o momento):

{SG } = [ ℜ ] .[ S L ] .[ ℜ ]
T

Essas expressões são desenvolvidas considerando o elemento de pórtico


plano, porém, em sua forma genérica, podem ser aplicadas para todos os tipos de
estruturas reticuladas. Deve-se ressaltar que, para cada tipo de elemento, se tem
uma matriz de rotação e uma matriz de rigidez do sistema local diferente.

Já foi visto como encontrar a matriz de rigidez do sistema global,


utilizando os elementos de barras locais. O mesmo pode ser realizado para o
vetor de engastamento perfeito de todos os elementos do sistema local para o
global, utilizando a equação { FGEP } = [ℜ] .{ FLEP } .
T

As equações de equilíbrio das forças generalizadas em torno dos nós


podem ser escritas por = { A} {FEP } + [ S ].[ D ] , sendo {A}, as ações aplicadas nos
nós; {FEP} os esforços nas extremidades devido às cargas atuando nos elementos
para a estrutura fixa; [S].[D] os esforços devido aos deslocamentos nodais.

Para a forma não restringida (sem apoios), esta forma pode ser reescrita
como:

226
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

{A}*={FEP}*+[S]*[D]*

Todos os sistemas de equações apresentados anteriormente são


considerados no sistema global de todos os elementos, os quais são formulados
considerando o grau de liberdade dos elementos. Para relacionar o grau de
liberdade dos elementos com o grau de liberdade da estrutura é aplicada a regra
da correspondência, que será abordada mais adiante.

Primeiramente, deve ser mencionada a formação da matriz de rigidez da


estrutura não restringida [S]*, que é formada a partir da matriz de rigidez dos
elementos no sistema global:

n_elementos (i)T n _ elementos

[ S ] "=
∑ [SL ] . " " ∑ [S ] "
* i (i) i
= G
i=1 i =1

Portanto, a matriz de rigidez é formada somando-se à contribuição de


todos os elementos S*ij, em que o índice “i” se refere ao grau de liberdade do nó da
estrutura, os quais são obtidos somando os coeficientes das matrizes de rigidez [SG]
dos elementos que concorrem a este mesmo nó ao mesmo G.L. Dessa forma, é de
extrema importância identificar o G.L. na extremidade do elemento, correspondente
a um G.L. de nó da estrutura, como é exemplificado na figura a seguir:

FIGURA 64 – PÓRTICO PLANO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 124)

No exemplo apresentado, percebe-se que no nó 5 são ligadas as barras (4),


(6) e (7), em que os graus de liberdade nas suas extremidades, no sistema global,
são apresentados a seguir:

227
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 65 – PÓRTICO PLANO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 124)

Percebe-se que o sistema local e o sistema global são coincidentes para o


elemento (6), portanto, a sua matriz de rigidez será igual nos dois sistemas. Já nos
elementos (4) e (7), a matriz de rigidez global deve ser obtida através do cálculo
da matriz de rigidez e da matriz de rotação do elemento (
), conforme apresentado anteriormente. A aplicação desses conceitos deve ser
estendida aos demais elementos da estrutura, viabilizando a construção da matriz
de rigidez global da estrutura.

{SG } = [ ℜ ] .[ S L ] .[ ℜ ]
T

2.6 REGRA DA CORRESPONDÊNCIA


A regra da correspondência relaciona a numeração dos deslocamentos
das extremidades dos elementos ({uG}) com a numeração dos deslocamentos
nodais da estrutura ({D}). Em cada elemento (i) denominado J, o número do nó
inicial e K o número do nó final, os deslocamentos são numerados de 1 a 2 × NGL/
nó (NGL/nó = número de graus de liberdade por nó), iniciando sempre pelo nó J
e seguindo a ordem dos eixos no sistema global.

Levando em conta a estrutura de pórtico plana, anteriormente apresentada,


a regra da correspondência pode ser organizada na seguinte tabela:

228
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

TABELA 1 – REGRA DA CORRESPONDÊNCIA PARA ELEMENTOS DE UMA ESTRUTURA E SUAS


POSIÇÕES NA MATRIZ DE RIGIDEZ GLOBAL

GL da Estrutura GL do
Elemento
(2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) elemento
(i)
1-3 2-4 3-4 3-5 4-6 5-6 5-7 6-7 {uG}
3J-2 1 4 7 7 10 13 13 16 1
3J-1 2 5 8 8 11 14 14 17 2
3J 3 6 9 9 12 15 15 18 3
3k-2 7 10 10 13 16 16 19 19 4
3k-1 8 11 11 14 17 17 20 20 5
3k 9 12 12 15 18 18 21 21 6

FONTE: O autor

Assim, para formar a matriz de rigidez [S]* da estrutura deve-se levar


em conta a contribuição de todos os elementos, o que é normalmente feito por
acumulação. Portanto, para cada elemento deve-se efetuar as seguintes etapas:

1- Calcula-se a matriz de rigidez do elemento no sistema global [SG].


2- Calcula-se a regra da correspondência de cada elemento.
3- Armazena-se cada coeficiente da matriz [SG] do elemento na posição
correspondente na matriz [S]*, ou seja, os elementos são posicionados nas
linhas e colunas correspondentes aos graus de liberdade da estrutura, obtidos
através da regra da correspondência.

Como pode ser observado na Tabela 1, haverá situações em que coeficientes


de elementos diferentes ocupam a mesma posição na matriz de rigidez global.
Neste caso, deve-se somar os coeficientes. Desta maneira, os coeficientes que
concorrem em um mesmo nó da estrutura acabam somando-se automaticamente.

Estes procedimentos ao serem realizados para todos os elementos, a


matriz de rigidez estará pronta, restando, apenas, completá-la com zeros nas
posições que não estiverem preenchidas com nenhum elemento.

Este procedimento também é executado para formar o vetor de


engastamento perfeito da estrutura, {FEP}*, a partir dos vetores de engastamento
perfeitos global {FGEP}.

Para melhor exemplificar o exposto, considere a haste a seguir, composta por


duas barras de comprimentos, áreas e materiais diferentes, conforme a Figura 66.
Considere que sejam dadas as rigidezes axiais das barras: E1.A1/L1 = 10 e, E2.A2/L2 = 30.

A modelagem do elemento é realizada por dois elementos e três nós,


estando fixada na extremidade esquerda e submetida apenas a uma força axial
na extremidade direita. Portanto, as incógnitas do problema são, então, os
deslocamentos dos nós 2 e 3.

229
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 66 – ELEMENTO DE TRELIÇA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 128)

Como é o primeiro exemplo mostrado, os valores da matriz de rigidez não


apresentaram as suas unidades, facilitando a visualização. Os elementos de barra
utilizados na modelagem da barra são mostrados na Figura 67, sendo que cada
nó apresenta apenas um grau de liberdade.

FIGURA 67 – ELEMENTOS DE ESTRUTURA TRACIONADA

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 129)

Através da análise dos elementos é aplicada a regra da correspondência,


conforme a tabela a seguir:

TABELA 2 – REGRA DA CORRESPONDÊNCIA – GL DA ESTRUTURA


CORRESPONDENTE AO GL DOS ELEMENTOS

Grau de liberdade da estrutura


Elemento GL do elemento
J-K 1 2 {uG}
1-2 2-3
J 1 2 1
K 2 3 2
FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 129)

Portanto, a matriz de rigidez da estrutura não restringida é formada


levando em consideração a contribuição dos dois elementos, somando os
coeficientes das matrizes de rigidez no sistema global, que correspondem ao
mesmo grau de liberdade da estrutura:

 EA EA 
 −
L 
[ S L ] =  LEA EA 

−
 L L 

230
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

= (1)   (1)   10 −10 


 SG   = SL   
 −10 10 
= ( 2 )   ( 2 )   30 −30 
 SG   = SL   
 −30 30 

Portanto, a matriz de rigidez da estrutura é:

 10 −10 0   10 −10 0 
 −10 10 + 30 −30  = 
[S ] =
*
   −10 40 −30 
 0 −30 30   0 −30 30 

NOTA

Para a viga ilustrada, faça a análise da estrutura encontrando: matriz de rigidez


dos elementos; matriz de rigidez da estrutura; vetores de esforços de engastamento
perfeito dos elementos e da estrutura; o vetor deslocamento da estrutura não restringida e
o sistema de equações da estrutura não restringida. Obs.: considerar EI = 72 x 103.

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 133)

Ao ser realizado o exercício anterior, é percebido que temos incógnitas nos dois
lados da equação, portanto, para solucionar totalmente o problema deve-se considerar o
sistema de equilíbrio para a estrutura restringida.

Para isso, deve-se impor as condições de contorno da estrutura, ou seja,


deslocamentos nulos nas direções restringidas por apoios. Portanto, os elementos da
matriz [S]* que correspondem ao GL restringidos por apoios são eliminados. Desta forma,
o sistema da estrutura restringida é:

{FEP} + [S].{D} = {A}

Dessa forma, considerando a estrutura a seguir, o sistema possuindo 4 graus de


liberdade, em que dois desses graus de liberdade são restringidos. Portanto, o vetor de
esforços de engastamento perfeito do elemento ou da estrutura é:

231
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

 P/2 
 Pl / 8 
{ EPG } { EPL } 
F
= F
=


 P/2 
− Pl / 8

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 137)

Na estrutura não restringida, tem-se:

 P 
 2   S11
* * *
S12 S13 S14   D1   A1   R1 
 Pl  
 8   S 21 S 22 S 23 S 24  D   A   R 
   2  2 
 +  . 2  =   =  
 P 2   S31 S32 S33 S34   D3   A3   0 
   S 41 S 42 S 43 S 44   D4   A4  − Mo 
− Pl 
 8
Sabendo que D1 e D2 são nulos, os coeficientes da coluna 1 e da coluna 2 da
matriz [S]* serão multiplicados por zero, podendo então ser eliminadas. Desta forma,
obtém-se o sistema de equilíbrio para a estrutura restringida, em relação apenas aos
graus de liberdade livres.

 P  S * *
 2   33 S34  D   0 
 +  . 3  = 
 − Pl  S 43 S 44   D4  − Mo 
8 
Portanto, para obter os valores dos deslocamentos D3 e D4, basta resolver o
sistema de equações acima. E, as reações de apoio da estrutura podem ser encontradas
utilizando os resultados obtidos nas equações (i) e (ii):

2 11 ( 12) ( 13 3) (
P + S * x 0 + S * x 0 + S * .D + S * .D =
14 4 A1* =) (
R1 ( i ) )
8 21 ( 22) ( 23 ) (
Pl + S * x0 + S * x0 + S * .D + S * .D =
3 24 4 ) (
A2* =R2 ( ii ) )
2 31 ( 32) ( 33 3) (
P + S * x0 + S * x0 + S * .D + S * .D =
34 4 ) (
A3* =R3 ( iii ) )
− Pl + S 41
8
*
( *
x0 + S 42) ( *
x0 + S 43 ) ( *
.D3 + S 44 ) (
.D4 =A4* =R4 ( iv ) )
Exemplo: seja a viga analisada no exercício anterior e impondo-se as condições de
contorno no sistema de equações de equilíbrio da estrutura não restringida, obtendo:

232
TÓPICO 2 | MÉTODO DOS DESLOCAMENTOS OU MÉTODO DA RIGIDEZ

 4  168 36  3  D4  −12 
 +   .10 .  D  = 
−10   36 72   6  0 
168 36  3  D4  −12 − 4 
 36 72  .10 .  D  =  0 + 10 
   6  
−1
 D4  −3  −16  168 36 
  = 10 .  .  
 D6   10   36 72 
 D4  −0,14  −3
 =  .10 rad
 D6   0, 21 
Com esses valores obtidos de D4 e D6 é possível encontrar as reações de apoio
inserindo os valores dos deslocamentos nas equações para a estrutura não restringida:

8 + 103 x 48 xD4 + 0 xD6 =


R1 = 8 − x 48 x0,14 =
1, 28 kN
6 + 103 x 48 xD4 + 0 xD6 =
R2 = −0, 72 kNm
18 + 103 x ( −21) xD4 + 27 xD6  =
R3 = 18 + 8,58 =26,58 kN
R4 =10 + 103 x [ −27 xD4 − 27 xD6 ] =10 − 1,86 =8,14 kN

Encontrados os valores das reações de apoio, pode-se verificar o equilíbrio da


estrutura (somatório das forças e momentos é igual a zero) e traçar os diagramas de
esforços da estrutura.

233
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• A única estrutura que não pode ser analisada por este método é a viga bi-
engastada quando modelada por uma única barra.

• No caso de estrutura reticuladas (barras ligadas por pontos nodais), o número


total de incógnitas será o número de deslocamentos nodais de todos os nós da
estrutura ou o número total de “grau de liberdade”.

• Neste método, determinam-se primeiramente o deslocamento e, indiretamente


os esforços; as incógnitas são então os deslocamentos.

• O grau de liberdade (GL) de um nó é definido como a direção a qual este nó


pode se deslocar.

• O esforço axial das estruturas pode ser desprezado quando a magnitude dos
deslocamentos neste sentido não for significativa. Quando existirem forças
horizontais aplicadas nas vigas, estas devem ser modeladas como pórticos.

• Resumidamente este método consiste em fixar a estrutura, introduzir os


vínculos fictícios tornando a estrutura cinematicamente determinada. Então
é considerado as cargas aplicadas nas barras e calculado os esforços que elas
causam na estrutura fixa.

• É imposto os deslocamentos nos nós e calculados os esforços que estes


provocam na estrutura.

• A teoria da superposição sugere que seja calculado os esforços totais e estes que
devem estar em equilíbrio com as forças externas que estão aplicadas na estrutura.

• Estruturas reticuladas, há apenas um único sistema principal a ser encontrado


através da fixação dos nós.

234
AUTOATIVIDADE

1 Calcule os deslocamentos nodais, reações de apoio e trace os diagramas de


esforços cortantes e momentos fletores da estrutura a seguir, considerando
que as barras possuem seção transversal constante de 12x40 cm, constituída
com material homogêneo e módulo de elasticidade E=5x106 kN/m².

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 147)

2 Seja a viga apresentada a seguir possuindo o valor de EI = 72X103 kNm²,


calcule o valor das reações e trace os diagramas dos esforços.

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 139)

235
236
UNIDADE 3
TÓPICO 3

MÉTODO DE CROSS

1 INTRODUÇÃO
O método de Cross trata-se de um método aproximado e baseado no método
de deslocamento, em que as estruturas são classificadas em indeslocáveis (nós fixos)
ou deslocáveis (nós móveis), considerando-se indeslocável o nó sem deslocabilidade
de translação — normalmente é desprezado o efeito da deformação axial.

Nos casos de nós fixos, só há graus de liberdade de rotação e os esforços a


determinar são momentos fletores nas barras por meio de um processo iterativo
de equilíbrio de nós.

• Procedimento: os esforços nas barras são encontrados através de um processo


iterativo de equilíbrio dos nós (desequilibrados).
• Incógnitas: momentos nas barras adjacentes aos nós (nº de incógnitas = nº de
nós desiquilibrados).
• Equações: equilíbrio de momentos em torno dos nós.

NOTA

Em situações de estruturas deslocáveis, deve-se determinar também as


incógnitas de deslocabilidade de translação.

2 PROCESSO DE CROSS
Este processo de análise é baseado no método dos deslocamentos e nas
equações de equilíbrio de forças em torno de um nó.

O processo consiste em obter os esforços das barras por meio do equilíbrio


de nó, distribuindo o momento total no nó de acordo com a rigidez das barras.

O processo de Cross é inspirado em um processo de resolução matemática


por aproximações sucessivas dos sistemas lineares. Supõe-se, inicialmente, que
os nós não sofrem rotação, supondo que os nós estejam bloqueados.

237
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

Logo após a aplicação das cargas, os nós são liberados sucessivamente,


sofrendo rotação. Em seguida, o nó liberado é bloqueado antes de passar ao nó
seguinte. Essas operações são repetidas até que a liberação dos nós não provoque
mais rotações, ou seja, atinge-se o estado de equilíbrio da estrutura.

O processo de Cross depende da solução de três problemas: a determinação


dos momentos de engastamento perfeito; a rigidez de cada elemento; e o fator de
distribuição de carga de cada membro da estrutura analisada.

Quanto à distribuição de momentos, a teoria de Cross é de que todos os


nós da estrutura não pudessem girar e que momentos de engastamento perfeito
nas extremidades das barras fossem calculados para esta condição. Assim,
para cada nó da estrutura, distribui-se os momentos de engastamento perfeito
desequilibrados entre os membros conectados na proporção entre os membros
na proporção de cada rigidez.

O momento distribuído para cada nó é multiplicado pelo fator de


distribuição de carga, porém deve-se ressaltar que se distribui somente a
carga recebida. O processo é repetido até que os momentos transportados das
extremidades das barras de cada membro a fim de obter o momento verdadeiro.
Para uma estrutura com um único nó, a solução é exata, mas para mais de um nó
a solução é aproximada, dependendo de um processo iterativo.

Os momentos de engastamento perfeito já são conhecidos e podem ser


encontrados através de tabelas, que podem ser encontradas na bibliografia
sugerida. Algumas situações de carregamento e vinculações são apresentadas
no quadro a seguir:

QUADRO 3 – MOMENTOS DE ENGASTAMENTO PERFEITO

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 154)

238
TÓPICO 3 | MÉTODO DE CROSS

Neste procedimento de análise, a rigidez da barra (k) em nó é o valor do


momento aplicado no ponto capaz de provocar o giro unitário do nó.

Se considerarmos a barra biengastada, ela é dada por:

FIGURA 68 – MOMENTOS DEVIDOS AO GIRO UNITÁRIO A

4EI
k=
l

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 155)

que é equivalente ao momento que surge no nó A devido ao giro


unitário deste mesmo nó. Esse giro unitário em A provoca um momento no nó
B da estrutura, esse momento apresenta mesmo sentido da rotação unitária de
A. Portanto, o coeficiente de transmissão de um momento de um nó para outro
também engastado, supondo a barra com inércia constante, é definida pela relação:

MA 1
tA
= =
MB 2

Sendo MA e MB os momentos nas extremidades A e B, devido ao giro


unitário na extremidade A. Já se considerarmos uma viga engastada rotulada:

FIGURA 69 – MOMENTO DEVIDO AO GIRO UNITÁRIO A

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 155)

Uma vez que estamos tratando de estruturas indeslocáveis, em estruturas


em que há a presença de um único grau de liberdade, como por exemplo, em
estruturas de pórtico, ele está relacionado à rotação (ϕ) do ponto (nó) livre.

Uma vez aplicado o momento M no nó A, este resulta em deformação nas


demais barras do pórtico, e os esforços internos que surgirão nas extremidades das
mesmas, serão proporcional à rigidez das mesmas à rotação sofrida pelo nó A.

239
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

FIGURA 70 – PÓRTICO SUJEITO A UM BINÁRIO M

a) Atuação do binário M b) Deformação e rotação sofrida


nas barras
FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 156)

No nó de atuação do binário, os esforços que surgem apresentam sentido


inverso ao binário M aplicado no nó A, pois representam os esforços das barras
sobre o nó e busca-se o equilíbrio do nó através do somatório dos esforços sendo
igual a zero. Portanto, pode-se afirmar que:

(k1 + k2 + k3) . φ = M

Uma vez que o binário aplicado e os coeficientes de rigidez das barras (k)
são conhecidos, é possível descobrir o valor da rotação ocorrida em A.

M
ϕ=
∑ ki

E, com o resultado obtido para a rotação de A, obtém-se os valores dos


momentos internos das barras:

M
M
= 1 1 .ϕ
k= k1.
∑ ki
M
M
= 2 2 .ϕ
k= k2 .
∑ ki
M
M
= 3 3 .ϕ
k= k3 .
∑ ki

Portanto, um binário aplicado em um nó irá se distribuir pelas barras que


concorrem este nó, proporcionalmente a sua rigidez. Sendo relacionado por um
k
coeficiente de distribuição βi = i ∑ ki e, portanto, é possível escrever o momento
gerado na barra sendo: M1 = β1.M.

240
TÓPICO 3 | MÉTODO DE CROSS

A partir destes conceitos é possível utilizar o processo de Cross para


análise de estruturas hiperestáticas. Porém, deve-se ressaltar que, quando existir
cargas atuando ao longo das barras, os esforços de engastamento perfeito deve-se
levar estes esforços em consideração para o equilíbrio dos nós.

De maneira mais resumida, as etapas do processo de Cross podem ser


descritas assim:

1- Fixa-se os nós, calcula-se os momentos de engastamento perfeito devido aos


carregamentos no elemento (transferidos para os nós utilizando-se a convenção
de sinal de Grinter - horário +).
2- Soma-se os momentos aplicados nos nós.
3- Calcula-se a rigidez das barras (ki), coeficientes de distribuição (βi) e coeficientes
de transmissão (ti).
4- Distribui-se o momento total no nó pelas barras, utilizando os coeficientes de
distribuição, obtendo o equilíbrio no nó.
5- Transmitir os momentos obtidos nas barras ligadas ao nó até a outra extremidade
da barra.
6- Traçar o diagrama de momento fletores.

Exemplo:

Considere o pórtico indeslocável a seguir, em que a rigidez à flexão (EI)


seja constante.

FIGURA 71 – PÓRTICO INDESLOCÁVEL

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 158)

Resolvendo a estrutura utilizando o processo de Cross, primeiramente


fixa-se o nó e calcula-se o momento de engastamento perfeito da estrutura.

241
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

+20. ( 7,5 )
2

MA = = +93, 75 kN .m
12
−20. ( 7,5 )
2

MD = = −93, 75 kN .m
12

Determina-se as rigidezes das barras. Para este exemplo, consideramos


EI=30.

4 EI
k1
= = 24
5
4 EI
k2 = 40
=
3
4 EI
k3 = 16
=
7,5

O coeficiente de distribuição (βi) é dado por:

24
β=
1 = 0,30
80
40
β=
2 = 0,50
80
16
β=
3 = 0, 20
80

Obs.: o somatório dos coeficientes deve ser igual a 1.

O próximo passo é efetuar o equilíbrio do nó, obtendo-se, assim, o


momento nas barras.

FIGURA 72 – EQUILÍBRIO DO NÓ

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 159)

242
TÓPICO 3 | MÉTODO DE CROSS

Após a determinação dos momentos nas barras é efetuada a transmissão


destes momentos para as outras extremidades da estrutura, obtendo os momentos
finais. Sendo, por convenção de sinais, momentos positivos nas barras (sentido
anti-horário) e momentos negativos (sentido horário).

FIGURA 73 – DISTRIBUIÇÃO DOS MOMENTOS

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 160)

Dessa forma, é possível traçar o diagrama de momento fletor da estrutura,


conforme segue:

FIGURA 74 – DIAGRAMA DOS MOMENTOS FLETORES

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 160)

Até o momento, abordamos estruturas com apenas um grau de liberdade,


porém nada impede de a estrutura apresentar mais de um nó a ser equilibrado.
Quando surgir essa situação, deve-se iniciar o equilíbrio da estrutura pelo nó
mais desequilibrado equilibrado (o momento a ser equilibrado é maior).

Quando se tratar de estruturas deslocáveis é necessária a criação de um


vínculo de 1º grau no nó deslocável da estrutura, não impedindo a translação
do ponto, necessária à aplicação do método de Cross, surgindo neste ponto uma
reação de apoio.

243
UNIDADE 3 | ESTRUTURAS HIPERESTÁTICAS

LEITURA COMPLEMENTAR

ANÁLISE PELO MÉTODO DO DESLOCAMENTO:


DISTRIBUIÇÃO DE MOMENTO

R. C. Hibbler

O método de distribuição de momento é uma análise pelo método do


deslocamento fácil de aplicar uma vez que determinadas constantes elásticas tenham
sido determinadas. Neste capítulo, enunciaremos primeiro as definições e conceitos
importantes para a distribuição de momento e então aplicaremos o método para
solucionar problemas envolvendo vigas e pórticos indeterminados estaticamente. A
aplicação a pórticos com andares múltiplos é discutida na última parte do capítulo.

Princípios e definições gerais

O método de analisar vigas e pórticos usando a distribuição de momento


foi desenvolvido por Hardy Cross, em 1930. À época em que esse método foi
publicado pela primeira vez, ele logo chamou atenção e foi reconhecido como um
dos avanços mais notáveis da análise estrutural no século vinte.

Como será explicado em detalhes mais tarde, a distribuição de momento


é um método de aproximações sucessivas que pode ser executado com qualquer
grau desejado de precisão. Essencialmente, o método começa presumindo que
cada nó de uma estrutura'~ fixo. Então, travando e destravando esses nós em
sucessão, os momentos internos nos nós serão "distribuídos" e equilibrados até
que eles tenham girado para suas posições finais ou quase finais. Veremos que
esse processo de cálculo é repetitivo e fácil de aplicar. Entretanto, antes de explicar
as técnicas de distribuição de momento, determinadas definições e conceitos
precisam ser apresentados.

Convenção de sinais. Estabeleceremos a mesma convenção de sinais já


estabelecida para as equações de inclinação-deflexão: mon1entos no sentido
horário que atuam sobre o membro são considerados positivos e momentos no
sentido anti-horário são negativos.

Momentos de extremidade fixa (fixed-end Moments - FEMs)

Os momentos nas "paredes" ou nós fixos de um membro carregado são


chamados de momentos de extremidades fixas. Esses momentos podem ser
determinados a partir da tabela dada no Apêndice F, dependendo do tipo de
carga sobre o membro.

FONTE: HIBBELER, R.C, Análise estrutural. 12. ed., São Paulo: Editora Pearson, 2003. p.361-362

244
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

• O Processo de Cross é baseado no método dos deslocamentos e nas equações


de equilíbrio de forças em torno de um nó.

• Este método consiste em obter os esforços das barras por meio do equilíbrio de
nó, distribuindo o momento total no nó de acordo com a rigidez das barras.

• O processo de Cross é inspirado em um processo de resolução matemática por


aproximações sucessivas dos sistemas lineares.

• Supõe-se inicialmente que os nós não sofrem rotação, supondo que os nós
estejam bloqueados.

• O processo de Cross depende da solução de três problemas:


◦ a determinação dos momentos de engastamento perfeito;
◦ a rigidez de cada elemento; e
◦ o fator de distribuição de carga de cada membro da estrutura analisada.

• O momento distribuído para cada nó é multiplicado pelo fator de distribuição


de carga, porém deve-se ressaltar que se distribui somente a carga recebida.

• O processo é repetido até que os momentos transportados das extremidades


das barras de cada membro a fim de obter o momento verdadeiro.

• Para uma estrutura com um único nó, a solução é exata, mas para mais de um
nó, a solução é aproximada, dependendo de um processo iterativo.

• Os momentos de engastamento perfeito já são conhecidos e podem ser


encontrados através de tabelas,

245
AUTOATIVIDADE

1 Considerando as vigas contínuas mostradas a seguir, cuja rigidez é constante


e possui valor EI, encontre o valor das reações e trace os diagramas de
esforços para a estrutura.

a)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 161)


b)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 163)


c)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 166)


d)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 169)


e)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 171)

246
f)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 175)


g)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 176)


h)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 177)


i)

FONTE: Rovere e Moraes (2005, p. 181)

247
248
REFERÊNCIAS
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McGraw-Hill, 1989. Disponível em: https://www.estudocerteiro.com/single-
post/2017/07/23/Resistencia-dos-Materiais---Ferdinand-Beer---3-Edicao---
Download. Acesso em: 21 maio. 2019.

CAMPANARI, F. A. Teoria das estruturas. v. 1, 2, 3 e 4. Rio de Janeiro: Ed.


Guanabara Dois, 1985.

HIBBELER, R. C. Análise das estruturas. 12. ed. São Paulo: Editora Pearson,
2013. Disponível em: https://vdocuments.site/analise-estrutural-hibbelerpdf.
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HIBBELER, R. C. Resistência dos materiais. 7. ed. São Paulo: Editora


Pearson, 2010. Disponível em: https://www.academia.edu/23488984/Livro_
Resist%C3%AAncia_dos_Materiais_R._C._Hibbeler_7a_Edi%C3%A7%C3%A3o.
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de Campinas, 2013. Disponível em: https://www.researchgate.net/
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MARTHA, L. F. Métodos básicos da análise de estruturas. 2. ed. Rio de


Janeiro: PUC-Rio, 2017. Disponível em: https://www.academia.edu/9708589/
M%C3%89TODOS_B%C3%81SICOS_DA_AN%C3%81LISE_DE_ESTRUTURAS.
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NETO, H. L., Apostila Introdução à mecânica das estruturas. São Paulo:


Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1996. Disponível em: https://
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249
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SUSSEKIND, J. C. Curso de análise estrutural. v. 2, 11. ed. São Paulo: Ed. Globo,
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250