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A IMPORTÂNCIA DA EDUCOMUNICAÇÃO COMO PERCUSORA NO

AMBIENTE EDUCACIONAL¹

Jacques Luan Moreira GOMES2

Ronaldo de Sousa ALMEIDA3

Resumo:
Este presente trabalho tem o propósito o conhecimento da educomunicação como instrumento
de grande importância nas escolas, a partir do uso de ferramentas que abrangem os meios de
comunicação. A educação e a comunicação estão mais ligadas, integrando, assim, aos alunos
pela forma de trabalho da equipe pedagógica. Por isso, essa prática é bastante importante para
uma comunicação mais popular, comunitária e de movimentos que resgatam o estudante para
além da sala de aula. Com isso, essa pesquisa pretende observar e definir os conceitos de
educomunicação, tanto de estudiosos e teóricos da área, como investigar a importância da
educação com os meios de comunicação atualmente.

Palavras-chave:
Educomunicação; escola; mídia; meios de comunicação.

1. INTRODUÇÃO:

O ponto chave dessa pesquisa consiste em avaliar, observa e definir qual o papel da
educomunicação e suas contribuições no ambiente escolar, buscando conceitos, ideias e
diferenciais que essa prática pode fazer aos alunos e no sistema educacional. É possível explicar
que a educação é não vem somente feita de forma tradicional, no qual o professor é transmissor
do conteúdo e o aluno receptor, ela também pode ser unilateral, construindo consciência crítica e
argumentos.

¹Trabalho apresentado na disciplina de Formação intercultural, do curso de pedagogia, na Universidade Federal do


Ceará.

²Graduando do sétimo semestre de Comunicação social, com habilitação em publicidade e


propaganda, na Universidade Federal do Ceará.

³Orientador do trabalho. Professor Dr., em Pedagogia da Universidade Federal do Ceará


Para tanto, foi escolhido a metodologia da pesquisa qualitativa exploratória ao tema, com a
procura de periódicos físicos e on-line, sites e blogs de pessoas que discorram sobre
educomunicação e suas práticas de fortalecimento na educação com os meios de comunicação
tradicional.

Os estudos da recepção encontram-se dentro da perspectiva da educação para a


comunicação, dimensão da educomunicação que se preocupa com o processo produtivo e a
recepção das mensagens, voltando-se fundamentalmente para a formação de receptores críticos
frente aos produtos e processos midiáticos, escrito por Sartori (2010), “no artigo
Educomunicação e sua relação com a escola: a promoção de ecossistemas comunicativos
e a aprendizagem distraída.”, Produzido na revista espm de comunicação, cultura e consumo.

1. DEFINIÇÃO: EDUCOMUNICAÇÃO

Os estudos sobre educomunicação começaram a surgir a partir dos anos 60 a 70, na escola de
comunicação e artes da usp e também com as instituições supra estatais, como a unesco. A
importância dessa criação propôs um novo plano pedagógico a partir da utilização das mídias
para o viés educacional. A educomunicação, então, seria o conceito da educação pedagógica para
massas e os meios de comunicação como elemento percurso disto.

Durante a década de 1990, no Brasil, algumas ONGs e serviços de extensão das


universidades ressaltaram que o exercício de “produzir comunicação” de forma democrática e
participativa, aplicados em suas práticas de formação para jovens e crianças, agregava um
diferencial, aos conceitos anteriores.

Para Ismar Soares (2014), um dos grandes autores e estudiosos na área de educação e mídias
na usp, diz que sua origem se deu na América Latina:

faz-se necessário que vislumbre com clareza a origem do fenômeno, o que o remete à
periferia da América Latina, especialmente no período compreendido entre as décadas
de 1960 e 1970, momento em que os principais países do continente viviam sob a
opressão de ditaduras militares, com restrições à circulação de informações. Como ação
de resistência, grupos na base social se articularam em favor da liberdade de expressão e
passaram a mobilizar-se em torno de práticas de educação popular (Paulo Freire), de
veículos alternativos de comunicação (Mario Kaplún) ou, ainda, de manifestações
culturais como a música e a arte cênica.
O surgimento da educomunicação traz a necessidade da educação se juntar com educação,
considerando que o diálogo proposto enriquece na elaboração das ações pedagógicas, seja no
ensino básico ao superior. Com os ecossistemas comunicativos, à estratégia da educação na
educomunicação tornaram essa aplicação em direção numa educação de melhor qualidade e mais
próxima de crianças e jovens. Hoje a educação está muito centralizada ao educador, mas essa
relação não se torna eficiente, visto que o aluno ideal numa sala de aula é ser quietinho,
comportado e obediente ao professor, recebendo tudo que o educador fala, sem nenhuma troca de
comunicação ou compartilhamento de conhecimento.

2. EDUCOMUNICAÇÃO E CULTURA NA ESCOLA:

No livro comunicação e cultura, escrito pelo Paulo Freire, debate sobre a ideia de mostrar
que a comunicação e a cultura são uma ferramenta de bastante importância nas relações
humanas, e que esses estudos apontam vários modos de se comunicar sob vários aspectos.
Essas relações se dão a partir da concepção do ser humano de si sobre o mundo, no qual
implica dizer que a coparticipação do sujeito no ato de pensar, sendo um objeto de
conhecimento, o seu próprio mediador. Freire também aponta comunicação mais dialógica,
que não seja invasiva, com mais amor e transformação (FREIRE, apud, LIMA, 1984, p.
140).

Na questão da cultura, freire deixou claro que ela não é uma coisa insignificante na
sociedade. “Toda criação humana é um produto de atividade transformadora do homem sobre
o mundo” (FREIRE, apud, LIMA, 1984, p.140). Essa cultura, segundo Freire, segue um
dialético em constante movimento e mudança, que é criado pelo ser humano, estes, segundo
o autor, compreende o universo simbólico e abrangente em que os homens atuam como seres
conscientes.

Para Vera Maria (2016), no artigo “Cotidiano escolar e práticas interculturais”, traz a
vivência da cultura em experiência na sala de aula muito monótona, sem relação dos pais e
da comunidade. “Tudo parece concorrer para afirmar a homogeneização e padronização.
Acreditamos que somente avançaremos na construção de uma qualidade adequada aos
tempos atuais se questionarmos essa lógica” (CANDAU, 2016). Essa ideia, segundo a autora,
deixa a refletir de como à educomunicação pode fazer parte dessa mudança na cultura da
escola, e como isso pode trazer uma diferença na equipe pedagógica e nos alunos.
Acreditamos que esse é um dos pontos para “reinventar a escola” com propostas educativas
mais conscientes, engajadas e participativa em todo ambiente escola.

As questões instrumentais dos processos educativos centralizam as discussões e


políticas públicas. Os temas relativos ao sentido da educação escolar e seu formato
historicamente construído não são discutidos, por mais que os desafios enfrentados por
escolas e professores/as se multipliquem e apresentem, em episódios emblemáticos,
caráter dramático.

A educomunicação faz sua opção pela construção de modalidades abertas e criativas de


relacionamento, possibilitando a legitimidade do diálogo como metodologia de ensino,
aprendizagem e convivência, transformando a escola em um ambiente mais pluralista e
harmônico entre os alunos e professores.

3. FERRAMENTAS E PRÁTICAS DA EDUCOMUNICAÇÃO:

Rádio, televisão, jornais, revistas, blogs e muitos outros meios de comunicação estão
diretamente ligados ao conceito de educação no convívio escolar. Essa crescente prática na
educação mostra que é preciso trabalhar com educadores tenham acesso à formação no campo da
comunicação, com ferramentas pedagógicas necessárias para introduzir o aluno no modelo de
produção na informação, variando de forma imprensa, digital, e audiovisual existentes. Assim,
aliar educação e comunicação é utilizar o potencial inserido nos meios comunicativos para
aprimorar a capacidade de aprendizagem.

Para Adilson Odair Citelli (2004), a influência dos meios de comunicação na sociedade
gerou um maior número de trabalho, pesquisas e iniciativas de projetos relacionados à
comunicação na educação, o que levou um crescente de trabalhos acadêmicos em universidades,
congressos, cursos extracurriculares e atividade em campo sobre o tema. Citelli (2004) ainda
afirma que não é mais possível falar em educação sem pensar em comunicação, de modo que
tratar de forma socialmente responsável do rádio, da televisão, do jornal, da Internet, enfim, das
mensagens midiáticas implica estar atento às questões educacionais.

3.1 Jornal Educativo:

O jornal hoje é um dos maiores instrumentos da educomunicação dentro das escolas que
praticam essa modalidade. Esse meio em si, estimula a escrita dos alunos em uma linguagem
mais simples e direta, incentiva e coloca em hábito à leitura.
1 – Jornal escolar da escola municipal de Educação Infantil (EMEI) Pedro Alvares Cabral
Moraes, em São Paulo.

Ao usar o jornal como material didático, o professor estará aproximando a escola do


mundo que a cerca. Apenas em praticar o manuseio típico de um leitor de jornal, o
aluno está aprendendo a fazer escolhas críticas em relação ao que quer e quando quer
ler. Ele elege a reportagem, seção ou coluna que mais desperta seu interesse naquele
momento. E esta seleção, em si, já implica em posicionamento crítico, participativo,
denotando liberdade democrática de escolha (DINIZ, 2004, p. 138).

3.2 Rádio educativa:

Já nas rádios escolares, levam os alunos para ouvir e transmitir o que há de bom dentro do
convívio escolar, seja nas atividades das matérias, nos eventos escolares, nos talentos dos alunos
e em outros momentos. Com a prática desta modalidade, o aluno adquire o poder de locutor
informativo, habilidades comunicacionais e melhor capacidade de falar o que deseja, o que vê e
o faz o cotidiano da escola. A rádio é um objeto de linguagem radiofônica que é capaz de
facilitar muitos educadores de construir conteúdos educativos a partir do convívio onde os
estudantes se encontram.

2- A Rádio Falante da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Orlando


Freire, em Porto Velho.
3.3 Tv Educativa:

E como é produzido o conteúdo educativo no formato de tv? Não é tão simples assim, visto
que as escolas não possuem nenhuma adesão para os canais abertos no Brasil. Os modos de falar,
agir e compreender o mundo transmitidos pela televisão atingem todos os segmentos sociais,
inclusive a escola, que deve saber lidar com essa realidade. Se a televisão educa, porque não a
utilizar como meio de ensino, trazendo sua linguagem, sua programação, suas formas de sedução
para a sala de aula? Esse é um grande desafio, ainda, para os educomunicadores em ampliar esse
tipo de meio para realidade da escola, aos moldes do aluno e da equipe pedagógica. Uma Tv
educativa é a forma de como ela consegue e efetivamente se dialoga com a população, e
consequentemente, sua cultura. E essa produção de conteúdo é feita por professores, alunos,
gestores e toda comunidade no contexto escolar.
3 - Bastidores do programa quarto mundo, pela TV USP, em São Paulo. Projeto de alunos do
curso de licenciatura em educomunicação aos jovens acadêmicos

3.4 Blogs:

Os blogs proporcionam uma comunicação aberta, onde todos podem expressar suas opiniões e
ponto de vista sobre os mais variados assuntos. Quando isso é explorado com finalidade didática
podem-se tornar uma inesgotável fonte de aprendizado. Seus resultados e facilidades em criar
conteúdo em determinado assunto são gigantescos, pois o blog contempla detalhes na escrita e
leitura da publicação de alunos ou professores, bem como a possiblidade de escrever algum
comentário deixado por visitantes que ali participam. Podemos dizer, assim, que essa ferramenta
ajuda desenvolver a escrita do aluno, compreensão de leitura o poder de argumentação sobre o
tema que ele escreveu. Na utilização, o aluno/professor ainda pode inserir vídeos, links, imagens
e músicas trabalhados em sala de aula.

4 - o blog da EMEF Zulmira Cavalheiro Faustino, em São Paulo,


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho foi possível observar e analisar o papel da educomunicação em prol da


educação que temos hoje. Vivemos no mundo que ocorre várias mudanças de paradigmas e uma
revisão de conceitos preestabelecidos na sociedade, como na educação, formação, informação e
do conhecimento. Com uma proposta mais de diálogo e participação, a educomunicação parece
apresentar novas soluções de integração de cultura, comunidade e convívio escolar.

Toda comunicação é educativa, mesmo sem qualquer interesse daquele assunto envolvido
ou sem fomentar a aquisição de conhecimentos julgados inadequados num certo momento e
contexto. Desta forma, pode considerar relevante que as práticas de comunicação na educação
são positivas e de extremo valor nas atividades de aprendizado. Os alunos expressam através do
uso de vários recursos comunicativos, artísticos, tecnológicos, assim como, nesse processo ir
criando uma identidade pessoal e ajudando a construir a identidade da comunidade na qual está
inserido, responsabilizando-se como cidadão, por esta construção. Ao longo das ferramentas de
educomunicação em amostra, principalmente nas fotos, percebe-se uma maior interação dos
alunos em favor de mostrar suas vozes diante do ambiente escolar.

Fazer parte desse estudo foi de grande importância para mim, como estudante de
comunicação social, pois era de interesse fazer algum trabalho ou projeto falando mais sobre
meus conhecimentos de futuro comunicólogo com a educação, outra área que tenho desejo de
estudar mais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS :

CANDAU, Vera Maria. Cotidiano escolar e práticas interculturais. Cadernos de Pesquisa, v.


46, n. 161, jul./set. 2016.

CITELLI, Adilson Odair. Comunicação e educação: a linguagem em movimento. 3 ed. São


Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.
DINIZ, José Péricles. O jornal impresso na formação de consciência crítica. Revista da
FAEEBA – Educação e Contemporaneidade. Salvador: v. 13, n. 21, p. 129-141, jan./jun.,
2004.

LIMA, Venício Artur de. Comunicação e Cultura: as ideias de Paulo Freire. 2. ed. Rio de
Janeiro:Paz e Terra, 1984

SARTORI, A. S. Educomunicação e sua relação com a escola: a promoção de ecossistemas


comunicativos e a aprendizagem distraída. In Revista Comunicação, Mídia e Consumo. Ano 7,
Volume 7, N. 19, 2010.

SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação e Educação: o conceito, o profissional, a


aplicação: contribuições para a reforma do ensino médio. In: APARICI, Roberto (org.)
Educomunicação: para além do 2.0. 3. ed. São Paulo: Paulinas, 2014