Você está na página 1de 479

GUIA DE CÁLCULOS

TRABALHISTAS
Entenda e esteja em
Compliance com o eSocial
e a Fiscalização
GUIA DE CÁLCULOS
TRABALHISTAS
Entenda e esteja em
Compliance com o eSocial
e a Fiscalização
Presidente: Jorge Santos Carneiro
Gerente de Produtos: Vlamir Neves
Editorial: Equipe Técnica IOB
Diagramação: Ana Gomes

Edição concluída em 03.09.2020

CIP – Dados Internacionais de Catalogação na Publicação


_____________________________________________________________
G943 Guia de cálculos trabalhistas [recurso eletrônico] : entenda e
esteja em Compliance com o eSocial e a Fiscalização /
editorial Equipe Técnica IOB. – São Paulo : IOB, 2020.
1867 Kb ; PDF.

Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-379-3595-8

1. Contabilidade tributária - Legislação - Brasil. 2. eSocial


(Projeto). 3. Impostos - Custo de conformidade. 4. Fiscalização
tributária. I. Equipe Técnica IOB, coord. II. Título: IOB Guia de
cálculos trabalhistas: entenda e esteja em Compliance com o
eSocial e a Fiscalização.
CDU : 657:336.2
______________________________________________________________
Catalogação: Bibliotecária Jucelei Rodrigues Domingues - CRB 10/1569

Telefones Úteis IOB


São Paulo Outras
Localidades
Atendimento ao Cliente: (11) 2188-7900 0800-724 7900
Vendas: (11) 2188-7777 0800-724 7777

Consulte nosso site www.iob.com.br


Proibida a reprodução parcial ou total de qualquer matéria sem prévia autorização.
Registro na Vara dos Registros Públicos e no 1o Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo - Nome e Marca Registrados no INPI.
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO........................................................................................................................................................ 17
CAPÍTULO I - PREVALÊNCIA DO NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO .................................................. 19
CAPÍTULO II - SALÁRIO E REMUNERAÇÃO......................................................................................................23
Espécies de remuneração mínima......................................................................................................................................................24
Salário-utilidade...........................................................................................................................................................................................25
Habitação.................................................................................................................................................................................................26
Veículo.......................................................................................................................................................................................................27
Educação..................................................................................................................................................................................................28
Vestuário...................................................................................................................................................................................................29
Assistência médica..............................................................................................................................................................................29
Parcelas mais comuns concedidas aos empregados e suas implicações na remuneração........................... 30
Comissões................................................................................................................................................................................................32
Gorjetas.....................................................................................................................................................................................................34
Diárias para viagem.............................................................................................................................................................................34
Ajuda de custo.......................................................................................................................................................................................35
Prêmios......................................................................................................................................................................................................36
Gratificações...........................................................................................................................................................................................37
Quebra de caixa.....................................................................................................................................................................................38
Sobreaviso............................................................................................................................................................................................... 39
Abono.........................................................................................................................................................................................................40
Abono de férias...................................................................................................................................................................................... 41
Adicional de insalubridade...............................................................................................................................................................42
Adicional de periculosidade............................................................................................................................................................44
Adicional extraordinário.....................................................................................................................................................................45
Supressão de horas extra - Indenização....................................................................................................................................47
Adicional noturno.................................................................................................................................................................................48
Adicional de transferência............................................................................................................................................................... 50
Adicional de função............................................................................................................................................................................. 51
Adicional por tempo de serviço..................................................................................................................................................... 51
Verba de representação.....................................................................................................................................................................55
Indenizações...........................................................................................................................................................................................55
Multa rescisória do FGTS ou indenização compensatória................................................................................................55
Indenização por tempo de serviço.............................................................................................................................................. 56
Indenização por despedida sem justo motivo nos contratos a prazo determinado............................................57
Indenização adicional (dispensa antes da data-base)........................................................................................................57
Indenização por demissão voluntária.........................................................................................................................................58
Equiparação salarial...................................................................................................................................................................................58
Salário substituição................................................................................................................................................................................... 59
Substituição eventual........................................................................................................................................................................ 59
Substituição provisória ou temporária...................................................................................................................................... 60
Substituição permanente................................................................................................................................................................ 60
Acúmulo de funções.................................................................................................................................................................................. 61
Descontos nos salários - Possibilidades - Danos causados pelo empregado...............................................................62
Pagamento dos salários - Prazo, local e hora................................................................................................................................ 63
Proteção ao salário - Redução - Renúncia - Penhora - Falência.......................................................................................... 65
Salário-maternidade.................................................................................................................................................................................. 65
6 Guia de Cálculos Trabalhistas

Salário-família............................................................................................................................................................................................... 68
INSS, FGTS e IR/FONTE - Tabela prática de incidências...........................................................................................................77
CAPÍTULO III - JORNADA DE TRABALHO.........................................................................................................87
Prorrogação da jornada............................................................................................................................................................................88
Jornada 12 × 36.............................................................................................................................................................................................89
Jornada reduzida.........................................................................................................................................................................................89
Intervalos na jornada................................................................................................................................................................................ 90
Intervalo intrajornada (dentro da jornada)............................................................................................................................... 90
Períodos de descanso especiais................................................................................................................................................... 91
Motorista profissional................................................................................................................................................................................92
Intervalos não previstos em lei..............................................................................................................................................................92
Intervalos interjornadas (entre jornadas)..................................................................................................................................93
Quadros demonstrativos..................................................................................................................................................................93
Turnos Ininterruptos de revezamento................................................................................................................................................94
Empregados não subordinados à jornada...................................................................................................................................... 96
Controle da jornada de trabalho......................................................................................................................................................... 96
CAPÍTULO IV - REPOUSO SEMANAL REMUNERADO.................................................................................. 99
Proibição de trabalho nos dias de repouso............................................................................................................................. 99
Permissão permanente..................................................................................................................................................................... 99
Permissão transitória........................................................................................................................................................................100
Comércio em geral............................................................................................................................................................................. 101
Valor do RSR................................................................................................................................................................................................. 101
Empregado semanalista, diarista e horista............................................................................................................................ 101
Empregados tarefeiro e pecista................................................................................................................................................... 101
Empregado comissionista..............................................................................................................................................................102
Empregado mensalista e quinzenalista...................................................................................................................................103
Salário por produção.........................................................................................................................................................................103
Empregado com jornada reduzida....................................................................................................................................................103
Trabalhadores avulsos.............................................................................................................................................................................104
Jornada 12 × 36...........................................................................................................................................................................................104
Integração dos adicionais no cálculo do RSR..............................................................................................................................104
Adicional noturno...............................................................................................................................................................................104
Horas extras...........................................................................................................................................................................................105
Insalubridade e periculosidade.......................................................................................................................................................... 106
Gorjetas......................................................................................................................................................................................................... 106
Gratificações............................................................................................................................................................................................... 106
Escala de revezamento de folga (RSR)........................................................................................................................................... 106
Mulher..................................................................................................................................................................................................... 106
RSR - Pagamento em dobro.................................................................................................................................................................108
Feriados......................................................................................................................................................................................................... 109
Feriados estaduais............................................................................................................................................................................ 109
Feriados municipais ou religiosos.............................................................................................................................................. 112
Feriado que recai em dia de repouso........................................................................................................................................ 112
Feriado que recai em sábado compensado........................................................................................................................... 112
Desconto do RSR...................................................................................................................................................................................... 114
Admissão no curso da semana............................................................................................................................................................117
CAPÍTULO V - FÉRIAS INDIVIDUAIS.................................................................................................................. 119
Faltas não consideradas para fins de apuração do número de dias de férias.............................................................. 119
Período aquisitivo de férias...................................................................................................................................................................122
Período concessivo............................................................................................................................................................................122
Fracionamento............................................................................................................................................................................................123
Perda do direito..........................................................................................................................................................................................123
Guia de Cálculos Trabalhistas 7

Licença remunerada................................................................................................................................................................................123
Licença não remunerada.......................................................................................................................................................................124
Paralisação parcial ou total da empresa.........................................................................................................................................124
Serviço militar obrigatório.....................................................................................................................................................................125
Abono pecuniário......................................................................................................................................................................................126
Férias fracionadas e o abono...............................................................................................................................................................126
Remuneração do abono pecuniário.................................................................................................................................................128
Remuneração das férias......................................................................................................................................................................... 131
Cálculo das férias......................................................................................................................................................................................133
Adicionais...................................................................................................................................................................................................... 137
Trabalho em apenas alguns dias da semana...............................................................................................................................138
Salário-utilidade.........................................................................................................................................................................................138
Pagamento em dobro..............................................................................................................................................................................139
Férias parciais em dobro........................................................................................................................................................................139
Abono pecuniário......................................................................................................................................................................................140
Requisitos para concessão...................................................................................................................................................................140
Solicitação do adiantamento do 13º salário por ocasião das férias..................................................................................140
Prazo de pagamento das férias..........................................................................................................................................................140
Prescrição...................................................................................................................................................................................................... 141
Férias - fases legais - demonstrativo.........................................................................................................................................142
Férias na cessação do contrato de trabalho................................................................................................................................142
Férias vencidas....................................................................................................................................................................................142
Férias proporcionais .........................................................................................................................................................................143
Férias proporcionais na cessação do contrato de trabalho - Exemplo.....................................................................143
Trabalho a tempo parcial........................................................................................................................................................................146
Professores................................................................................................................................................................................................... 147
Direito às férias na rescisão contratual........................................................................................................................................... 147
Incidências sobre férias..........................................................................................................................................................................148
Férias gozadas na vigência do contrato de trabalho (simples e proporcionais)...................................................148
Férias em dobro pagas na vigência do contrato de trabalho........................................................................................149
Férias vencidas (simples ou em dobro) e proporcionais pagas na rescisão contratual...................................150
Abono pecuniário...............................................................................................................................................................................150
Terço constitucional - Férias.........................................................................................................................................................150
Terço constitucional sobre o abono pecuniário - Comentários...................................................................................150
Afastamentos do empregado das suas atividades na contagem do período concessivo de férias.................. 151
Prestação de serviços durante as férias - Proibição.................................................................................................................152
Empregado acometido de doença durante as férias...............................................................................................................152
Gestante - Superveniência de parto no gozo das férias.........................................................................................................152
Trabalho intermitente..............................................................................................................................................................................152
Férias coletivas...........................................................................................................................................................................................153
Concessão - Requisitos...................................................................................................................................................................153
Empregados afastados da atividade no curso das férias coletivas...................................................................................154
Empregados com menos de 12 meses de serviço.....................................................................................................................155
Exemplos de férias coletivas................................................................................................................................................................ 157
Concessão em dois períodos..............................................................................................................................................................159
Empregados com 12 ou mais meses de serviço......................................................................................................................... 161
Abono pecuniário......................................................................................................................................................................................163
Exemplos de férias coletivas................................................................................................................................................................163
CAPÍTULO VI - DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO................................................................................................167
1ª Parcela....................................................................................................................................................................................................... 169
Pagamento - Prazo............................................................................................................................................................................ 169
Valor..........................................................................................................................................................................................................170
Admissão até 17 de janeiro, inclusive........................................................................................................................................170
8 Guia de Cálculos Trabalhistas

Admissão após 17 de janeiro......................................................................................................................................................... 173


Encargos sociais.................................................................................................................................................................................. 175
2ª Parcela................................................................................................................................................................................................ 175
Salário variável...................................................................................................................................................................................... 176
Empregados com menos de 1 ano de serviço - Exemplos..................................................................................................... 177
Salário variável - Diferença - Ajuste...................................................................................................................................................180
Parcelas in natura - Integração........................................................................................................................................................... 181
Adicionais - Integração...........................................................................................................................................................................182
Afastamentos no curso do ano e reflexo no cálculo do 13º salário....................................................................................182
Benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença) não decorrente de acidente do trabalho..........182
Abono anual a cargo da Previdência Social...........................................................................................................................183
Benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença) decorrente de acidente do trabalho....................183
Serviço militar..............................................................................................................................................................................................184
Salário-maternidade.................................................................................................................................................................................184
13º salário proporcional - Pagamento pela empresa................................................................................................................185
Abono anual pago pelo INSS...............................................................................................................................................................185
Morte do empregado...............................................................................................................................................................................186
Dispensa por justa causa.......................................................................................................................................................................186
Prescrição......................................................................................................................................................................................................186
Contrato de trabalho intermitente....................................................................................................................................................186
Encargos sociais sobre o 13º salário.................................................................................................................................................186
Contribuição previdenciária..........................................................................................................................................................186
Recolhimento - Prazo........................................................................................................................................................................186
Base de cálculo....................................................................................................................................................................................187
Parte do empregado..........................................................................................................................................................................187
Parte da empresa................................................................................................................................................................................188
Salário variável - Acerto da diferença - Contribuição previdenciária ............................................................................... 191
13º Salário - Recolhimento em GPS específica...........................................................................................................................192
Recolhimento em atraso.................................................................................................................................................................193
Rescisão contratual - Recolhimento da contribuição previdenciária - Normas..........................................................194
Empresas que tiveram a base de cálculo da contribuição previdenciária patronal básica (20%)
substituída pela receita bruta.......................................................................................................................................................194
Contribuição previdenciária básica sobre a folha de 13º salário..................................................................................194
Empregado doméstico............................................................................................................................................................................195
FGTS - Depósito......................................................................................................................................................................................... 197
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).................................................................................................................................... 197
CAPÍTULO VII - CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE...................................................................199
Contrato de trabalho intermitente................................................................................................................................................... 199
Convocação................................................................................................................................................................................................ 199
Período de inatividade ..........................................................................................................................................................................200
Remuneração.............................................................................................................................................................................................200
Encargos legais...........................................................................................................................................................................................201
Férias...............................................................................................................................................................................................................201
Salário-maternidade................................................................................................................................................................................ 202
Rescisão contratual e verbas devidas............................................................................................................................................ 202
CAPÍTULO VIII - AVISO-PRÉVIO......................................................................................................................... 203
Início da contagem do prazo..............................................................................................................................................................203
Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço..................................................................................................................203
Contagem do prazo proporcional - Entendimentos doutrinários - Controvérsias....................................................203
Posição do antigo Ministério do Trabalho (MTb) divulgada por meio de nota técnica.................................... 204
Posição de renomados juristas acerca do tema.................................................................................................................206
Jurisprudência....................................................................................................................................................................................209
Guia de Cálculos Trabalhistas 9

Aviso-prévio - Formas de concessão................................................................................................................................................212


Trabalhado..............................................................................................................................................................................................212
Aviso-prévio indenizado...................................................................................................................................................................214
Rescisão por iniciativa do empregador (dispensa sem justa causa).........................................................................214
Rescisão por iniciativa do empregado (pedido de demissão).......................................................................................215
O aviso-prévio indenizado e a data da baixa na Carteira de Trabalho.......................................................................218
Aviso-prévio “cumprido em casa”................................................................................................................................................221
Pagamento das verbas rescisórias - Prazo....................................................................................................................................221
Aviso-prévio trabalhado...................................................................................................................................................................221
Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço - Data de quitação das verbas rescisórias...........................221
Aviso-prévio indenizado ou dispensa do seu cumprimento......................................................................................... 222
Aviso-prévio “cumprido em casa”............................................................................................................................................... 222
Pedido de demissão com cumprimento parcial do aviso-prévio - Prazo para quitação das verbas
rescisórias.............................................................................................................................................................................................. 222
Redução da jornada - Dispensa sem justa causa..................................................................................................................... 223
Diária (2 horas).................................................................................................................................................................................... 223
Redução facultativa (em dias)...................................................................................................................................................... 223
Momento da redução...................................................................................................................................................................... 224
Descumprimento pelo empregador......................................................................................................................................... 225
Rescisão por iniciativa do empregado (pedido de demissão)...................................................................................... 226
Integração ao tempo de serviço........................................................................................................................................................ 226
Reconsideração..........................................................................................................................................................................................227
Compensações de horário de trabalho..........................................................................................................................................227
Remuneração............................................................................................................................................................................................. 228
Salário pago por comissão............................................................................................................................................................ 229
Aviso-prévio indenizado - Apuração.......................................................................................................................................... 229
Comissões pagas pelo empregador - Aviso-prévio trabalhado - Apuração...........................................................230
Apuração do aviso-prévio trabalhado de empregado que recebe salário fixo e comissão com direito
a 30 dias de aviso - Exemplo.........................................................................................................................................................230
Salário por tarefa - Aviso-prévio indenizado - Apuração...................................................................................................231
Aviso-prévio trabalhado - Tarefeiro.............................................................................................................................................231
Inclusão de horas extras................................................................................................................................................................. 232
Aviso-prévio indenizado.................................................................................................................................................................. 232
Alimentação - Não integração do valor relativo à alimentação (vale-alimentação, ticket restaurante,
cesta básica, etc.) na remuneração do empregado para fins de cálculo do aviso-prévio indenizado...... 233
Aumentos salariais no curso do aviso..................................................................................................................................... 234
CAPÍTULO IX - VALE-TRANSPORTE.................................................................................................................. 235
Formas de transporte............................................................................................................................................................................. 235
Fornecimento de transporte pelo empregador - Obrigatoriedade de concessão do vale-transporte -
Exoneração.................................................................................................................................................................................................. 235
Proibição....................................................................................................................................................................................................... 236
Incidências................................................................................................................................................................................................... 236
Exercício do direito ao vale-transporte........................................................................................................................................... 236
Utilização exclusiva para o trabalho................................................................................................................................................. 236
Acumulação de benefícios - Vedação............................................................................................................................................. 238
Fornecimento do vale-transporte no intervalo para alimentação dos empregados................................................ 238
Custeio.......................................................................................................................................................................................................... 239
Desconto...................................................................................................................................................................................................... 239
Base de cálculo do desconto do vale-transporte de empregado que aufere salário misto.................................. 241
Afastamento do empregado no curso do mês - Procedimento......................................................................................... 242
CAPÍTULO X - ESTABILIDADES.......................................................................................................................... 245
Membro da Cipa....................................................................................................................................................................................... 245
Gestante....................................................................................................................................................................................................... 246
10 Guia de Cálculos Trabalhistas

Estabilidade da empregada gestante no contrato a prazo determinado...................................................................... 246


Dirigente sindical.......................................................................................................................................................................................247
Membros do Conselho Curador do FGTS......................................................................................................................................247
Não optantes pelo FGTS (estabilidade decenal)....................................................................................................................... 248
Membros do Conselho Nacional de Previdência Social........................................................................................................ 248
Acidente do trabalho.............................................................................................................................................................................. 248
Diretores de sociedades cooperativas........................................................................................................................................... 249
Representantes dos empregados na Comissão de Conciliação Prévia......................................................................... 249
Mulher em situação de violência doméstica e familiar.......................................................................................................... 249
Documento coletivo de trabalho...................................................................................................................................................... 249
Decisões TST.............................................................................................................................................................................................. 250
Discriminação............................................................................................................................................................................................ 250
Decisões TST e TRT 9ª Região.............................................................................................................................................................251
Encerramento da empresa ou do estabelecimento................................................................................................................ 252
CAPÍTULO XI - ENCARGOS SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS, FGTS E IRRF........................................................................................................................ 259
Contribuições previdenciárias........................................................................................................................................................... 259
Contribuições patronais - Base de cálculo............................................................................................................................ 259
Alíquota patronal básica..................................................................................................................................................................261
Desoneração da folha de pagamento - Alteração da base de cálculo da contribuição previdenciária
patronal básica para algumas empresas........................................................................................................................................261
Substituição da base de cálculo da contribuição previdenciária............................................................................... 262
Contribuição sobre a receita bruta - Alíquotas................................................................................................................... 262
Alíquota de 4,5%................................................................................................................................................................................. 262
Construção civil - Regras especiais.......................................................................................................................................... 264
Alíquota de 3%.................................................................................................................................................................................... 264
Alíquota de 2,5%................................................................................................................................................................................. 264
Alíquota de 2%..................................................................................................................................................................................... 265
Alíquota de 1,5%.................................................................................................................................................................................. 265
Alíquota de 1%.....................................................................................................................................................................................266
Atividades com alíquotas diferenciadas sobre a receita bruta....................................................................................266
Empresas optantes pelo Simples Nacional - Desoneração...........................................................................................266
Cooperativas de produção - Desoneração............................................................................................................................ 267
Receita bruta - Apuração............................................................................................................................................................... 267
Informações e recolhimento........................................................................................................................................................ 268
Atividades desoneradas e não desoneradas simultâneas - Contribuição previdenciária - Cálculo..........269
Situações em que a substituição da base de cálculo da contribuição previdenciária não será apli-
cada........................................................................................................................................................................................................... 271
Recolhimento - Prazo........................................................................................................................................................................ 271
Contribuição previdenciária básica sobre a folha de 13º salário.................................................................................. 271
Prestação de serviço mediante cessão de mão de obra - Retenção previdenciária.................................................272
EFD-Contribuições - Obrigatoriedade............................................................................................................................................273
Relação de atividades sujeitas à incidência da CPRB, a contar de 1º.09.2018......................................................273
Relação de itens cuja fabricação faculta a CPRB a partir de 1º.09.2018....................................................................274
Contribuição para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão
do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho
(GIIL-RAT) e o Fator Acidentário de Prevenção (FAP).............................................................................................................. 279
Enquadramento da empresa no grau de risco.................................................................................................................... 280
Obra de construção civil................................................................................................................................................................ 280
Erro no autoenquadramento........................................................................................................................................................ 280
Atividades que ensejam a concessão de aposentadoria especial - Contribuição adicional........................ 280
Cooperativas de produção - Trabalho em condições especiais - Contribuição adicional...............................281
Empresa de cessão de mão de obra..........................................................................................................................................281
Base de cálculo da contribuição adicional.............................................................................................................................281
Guia de Cálculos Trabalhistas 11

Fator Acidentário de Prevenção (FAP) - Redução ou aumento da alíquota............................................................281


Cálculo.................................................................................................................................................................................................... 282
Geração de índices de frequência, gravidade e custo..................................................................................................... 282
Índice de frequência......................................................................................................................................................................... 282
Índice de gravidade........................................................................................................................................................................... 282
Índice de custo................................................................................................................................................................................... 283
Cálculo anual do FAP....................................................................................................................................................................... 283
FAP - Cálculo - Início........................................................................................................................................................................ 284
Róis dos percentis de frequência, gravidade e custo - Divulgação........................................................................... 284
Aplicação do FAP...................................................................................................................................................................................... 284
Ano de 2020.......................................................................................................................................................................................... 284
Contestação - Possibilidade......................................................................................................................................................... 284
Declaração do FAP em GFIP......................................................................................................................................................... 284
Exemplo (dados hipotéticos) - Vigência em 2020.............................................................................................................. 285
Enquadramento da empresa - Alteração................................................................................................................................ 289
Contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros)..................................................................................318
Base de cálculo....................................................................................................................................................................................319
Entidades não sujeitas à contribuição para terceiros.......................................................................................................319
Empresa brasileira de navegação................................................................................................................................................319
Brasileiros contratado no Brasil para prestar serviços no exterior............................................................................. 320
Classificação da atividade e atribuição do código FPAS................................................................................................ 320
Tabelas de contribuição de terceiros........................................................................................................................................321
Atividades industriais....................................................................................................................................................................... 323
Atividades comerciais...................................................................................................................................................................... 325
Cooperativas........................................................................................................................................................................................ 325
Empresas com mais de um estabelecimento - Código FPAS...................................................................................... 326
Atividades rurais................................................................................................................................................................................. 326
Contribuição adicional destinada ao Incra........................................................................................................................... 326
Salário-educação............................................................................................................................................................................... 326
Arrecadação - Código FPAS - Regras especiais.................................................................................................................. 326
Empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra..........................................................................327
Trabalhador avulso não portuário...............................................................................................................................................327
Atividades vinculadas à Confederação Nacional de Transportes Marítimos, Fluviais e Aéreos...................327
Atividades vinculadas à Confederação Nacional de Transportes Terrestres.........................................................327
Atividades vinculadas à Confederação Nacional de Comunicações e Publicações..........................................327
Agroindústrias............................................................................................................................................................................................ 328
Agroindústria de piscicultura, carcinicultura, suinocultura ou avicultura.............................................................. 328
Agroindústria de florestamento e reflorestamento........................................................................................................... 328
Agroindústrias sujeitas à contribuição substitutiva.......................................................................................................... 328
Produtor rural pessoa jurídica...................................................................................................................................................... 329
Cooperativas de produção............................................................................................................................................................330
Transportador autônomo...............................................................................................................................................................330
Cooperativa de transportadores autônomos.......................................................................................................................330
Associação desportiva e sociedade empresária que mantêm equipe de futebol profissional.....................331
Empresa de trabalho temporário.................................................................................................................................................331
Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) e o operador portuário.................................................................................331
Tabela de Percentuais das Contribuições Arrecadadas pela RFB de Acordo com o Código FPAS........... 332
Empresas optantes pelo Simples Nacional........................................................................................................................... 338
Contribuinte individual.......................................................................................................................................................................... 338
Prestação de serviços a mais de uma empresa, no decorrer do mês......................................................................339
Comprovante de pagamento - Fornecimento......................................................................................................................341
Prestação de serviços à entidade beneficente de assistência social isenta.........................................................341
Prestação de serviços à empresa e exercício de atividade por conta própria - Simultaneidade.................341
Exercício simultâneo das atividades de empregado e contribuinte individual................................................... 342
12 Guia de Cálculos Trabalhistas

Contribuição previdenciária do empregado, doméstico e trabalhador avulso.................................................... 343


Exemplos de contribuição previdenciária sobre remunerações recebidas em janeiro e fevereiro/2020.... 343
Exemplos de remunerações recebidas a partir de março/2020.................................................................................. 345
Remuneração auferida inferior ao limite mínimo do salário-de-contribuição...................................................... 347
Prestação de serviços a pessoa física - Recolhimento - Responsabilidade.......................................................... 347
Prestação de serviço a outro contribuinte individual equiparado a empresa, missão diplomática e
repartição consular de carreira estrangeira.......................................................................................................................... 348
Contribuição previdenciária do empregado e do trabalhador avulso...................................................................... 348
Empregos simultâneos - Contribuição previdenciária nos meses de janeiro e fevereiro/2020.....................351
Prazo para recolhimento das contribuições previdenciárias.............................................................................................. 352
Dia 20 do mês seguinte ao da competência........................................................................................................................ 352
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS................................................................................................................353
Prazo para depósito.......................................................................................................................................................................... 354
Depósitos decorrentes de rescisão contratual................................................................................................................... 354
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)............................................................................................................................355
Empregado doméstico - Simples doméstico.............................................................................................................................. 357
Tabelas de salário-de-contribuição - Empregado doméstico.............................................................................................. 357
INSS, FGTS e IR/Fonte - Tabela prática de incidências........................................................................................................... 358
CAPÍTULO XII - DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO............................................................................................ 369
Previdenciário.............................................................................................................................................................................................369
Benefícios - Ato de concessão....................................................................................................................................................369
Anulação de atos administrativos..............................................................................................................................................369
Prestações vencidas - Prescrição..............................................................................................................................................369
Menores absolutamente incapazes e relativamente incapazes.................................................................................369
Acidente do trabalho........................................................................................................................................................................ 370
Créditos da Previdência Social - Decadência e prescrição........................................................................................... 370
Trabalhista.................................................................................................................................................................................................... 370
Fundo de garantia do tempo de serviço ....................................................................................................................................... 371
CAPÍTULO XIII - COOPERATIVAS........................................................................................................................373
Cooperados................................................................................................................................................................................................. 373
Cooperativas - Características........................................................................................................................................................... 373
Cooperativas de trabalho......................................................................................................................................................................374
Tipos de cooperativas de trabalho.............................................................................................................................................374
Intermediação de mão de obra - Proibição............................................................................................................................374
Vínculo empregatício - Inexistência.................................................................................................................................................374
Regras trabalhistas aplicáveis............................................................................................................................................................ 375
Direitos dos sócios.................................................................................................................................................................................. 375
CAPÍTULO XIV - TRABALHO TEMPORÁRIO....................................................................................................377
Conceito........................................................................................................................................................................................................377
Caracterização do trabalho temporário..........................................................................................................................................377
Empresa de trabalho temporário - Registro..................................................................................................................................377
Contrato de trabalho temporário - Prazo.......................................................................................................................................378
Contratos - Informações ao ME..........................................................................................................................................................378
Contrato de experiência - Celebração após término do contrato temporário.............................................................378
Contrato de Trabalho Temporário - Abrangência - Forma......................................................................................................378
Entre empresa de trabalho temporário e empresa tomadora.......................................................................................378
Entre trabalhador temporário e empresa de trabalho temporário............................................................................. 379
Direitos do trabalhador.......................................................................................................................................................................... 379
Aviso prévio (indevido)......................................................................................................................................................................381
Trabalhador temporário - Contrato - Indenização - Indevido........................................................................................ 382
Trabalhador temporário - Assistência e Remuneração - Competência................................................................... 382
Rescisão por justa causa...................................................................................................................................................................... 382
Por parte do trabalhador temporário.............................................................................................................................................. 383
Guia de Cálculos Trabalhistas 13

Proibições à empresa de trabalho temporário........................................................................................................................... 383


Encargos legais.......................................................................................................................................................................................... 383
FGTS......................................................................................................................................................................................................... 383
Contribuições previdenciárias.................................................................................................................................................... 384
Retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal.................................................................................................................... 384
Salário-educação............................................................................................................................................................................... 384
Acidente de qualquer natureza................................................................................................................................................... 384
Comprovante de regularidade perante o INSS................................................................................................................... 385
Fiscalização do Ministério da Economia....................................................................................................................................... 385
Responsabilidade da empresa de trabalho temporário.................................................................................................. 385
Responsabilidade da tomadora dos serviços ou cliente................................................................................................ 385
Vínculo empregatício com a empresa tomadora de serviços - Inexistência............................................................... 385
Rescisão contratual................................................................................................................................................................................. 385
Benefícios previdenciários - Garantia......................................................................................................................................386
Proibição de contratação para substituir trabalhadores em greve............................................................................386
Atividades excluídas.........................................................................................................................................................................386
CAPÍTULO XV - ESTAGIÁRIO............................................................................................................................... 387
Finalidade do estágio............................................................................................................................................................................. 387
Estágio obrigatório e não obrigatório............................................................................................................................................. 387
Parte concedente do estágio.............................................................................................................................................................. 387
Número máximo de estagiários.................................................................................................................................................. 388
Pessoas portadores de deficiência........................................................................................................................................... 388
Agentes de integração........................................................................................................................................................................... 388
Responsabilidade civil dos agentes de integração..................................................................................................................389
Inexistência de vínculo empregatício.............................................................................................................................................389
Obrigações das instituições de ensino..........................................................................................................................................389
Plano de atividades do estagiário..............................................................................................................................................390
Convênio de concessão de estágio..........................................................................................................................................390
Jornada de atividade..............................................................................................................................................................................390
Duração do estágio..................................................................................................................................................................................391
Bolsa em dinheiro......................................................................................................................................................................................391
Incidências....................................................................................................................................................................................................391
Contribuição previdenciária..........................................................................................................................................................391
FGTS..........................................................................................................................................................................................................391
Imposto de Renda..............................................................................................................................................................................391
Concessão de benefícios......................................................................................................................................................................391
Período de recesso...................................................................................................................................................................................391
Saúde e segurança do trabalho......................................................................................................................................................... 392
Isenção das obrigações trabalhistas............................................................................................................................................... 392
Estudantes estrangeiros....................................................................................................................................................................... 393
Trainee............................................................................................................................................................................................................ 393
CAPÍTULO XVI - EMPREGADO DOMÉSTICO................................................................................................. 395
Conceito.......................................................................................................................................................................................................395
Admissão......................................................................................................................................................................................................395
Contrato por prazo determinado - Possibilidade...................................................................................................................... 397
Contrato de experiência................................................................................................................................................................. 398
Contrato a prazo - Rescisão.......................................................................................................................................................... 398
Direitos.......................................................................................................................................................................................................... 398
Jornada de trabalho - Prorrogação e compensação de horas.....................................................................................399
Horário de trabalho de 12 × 36 horas - Possibilidade........................................................................................................400
Acompanhamento em viagem....................................................................................................................................................400
Registro de horário de trabalho - Obrigatoriedade...........................................................................................................400
Trabalho em regime de tempo parcial..................................................................................................................................... 402
14 Guia de Cálculos Trabalhistas

Intervalo para repouso ou alimentação...................................................................................................................................403


Trabalho noturno................................................................................................................................................................................403
Intervalo entre jornadas de trabalho........................................................................................................................................403
Remuneração - Pagamento - Prazo - Descontos................................................................................................................403
FGTS................................................................................................................................................................................................................404
Contas vinculadas no FGTS..........................................................................................................................................................404
FGTS - Rescisão contratual...........................................................................................................................................................404
Indenização compensatória - Rescisão sem justa causa ou por culpa do empregador.................................404
13º salário...............................................................................................................................................................................................405
Pagamento de 13º salário de empregado doméstico em 2019...........................................................................................405
Desconto previdenciário - Procedimentos............................................................................................................................406
Licença-maternidade.......................................................................................................................................................................406
Abono anual......................................................................................................................................................................................... 407
Licença-paternidade........................................................................................................................................................................408
Acidente do trabalho........................................................................................................................................................................408
Salário-família......................................................................................................................................................................................408
Repouso/Descanso semanal remunerado............................................................................................................................408
Férias.......................................................................................................................................................................................................408
Recibo de férias...................................................................................................................................................................................410
Anotação na CTPS..............................................................................................................................................................................410
Vale-transporte....................................................................................................................................................................................410
Aplicação das normas de segurança e saúde........................................................................................................................411
Aviso-prévio...........................................................................................................................................................................................412
Seguro-desemprego..........................................................................................................................................................................412
Parcelas - Pagamento.......................................................................................................................................................................413
Regime unificado de pagamento de tributos, de contribuições e dos demais encargos do empregador
doméstico (Simples Doméstico)........................................................................................................................................................414
Tabelas de salário-de-contribuição - Empregado doméstico...............................................................................................414
Rescisão contratual por justa causa................................................................................................................................................415
Prescrição - Arquivamento de documentos - Prazo.................................................................................................................416
Fiscalização trabalhista...........................................................................................................................................................................416
Rescisão contratual..................................................................................................................................................................................416
CTPS - Baixa.................................................................................................................................................................................................416
Impossibilidade de rescisão do contrato de trabalho de empregado doméstico aposentado por invalidez....416
Prática de atos ilícitos - Agências - Responsabilidade civil................................................................................................... 417
CAPÍTULO XVII - CORONAVÍRUS (COVID-19) - CONSEQUÊNCIAS TRABALHISTAS E PREVIDEN-
CIÁRIAS.......................................................................................................................................................................419
Medida de isolamento......................................................................................................................................................................419
Atestado médico - Necessidade................................................................................................................................................ 420
Distanciamento social - Pessoas com mais de 60 anos..................................................................................................421
Medida de quarentena.....................................................................................................................................................................421
Descumprimento das medidas - Consequências............................................................................................................. 422
Outras medidas que podem ser adotadas............................................................................................................................ 422
Atendimento das medidas - Obrigatoriedade............................................................................................................................ 422
Direitos assegurados às pessoas afetadas pelas medidas........................................................................................... 422
Faltas ao serviço - Abono............................................................................................................................................................... 423
Compartilhamento de informações - Obrigatoriedade................................................................................................... 423
Ações que devem ser tomadas pelo empregador para a preservação da segurança e da saúde do
trabalhador............................................................................................................................................................................................ 423
Orientações aos trabalhadores................................................................................................................................................... 424
Casos suspeitos, confirmados e contatantes da COVID-19 - Identificação.......................................................... 424
Afastamento do trabalhador das atividades laborais - Situações.............................................................................. 425
Procedimentos para identificação de casos suspeitos................................................................................................... 425
Guia de Cálculos Trabalhistas 15

Registros sobre a COVID-19 atualizado - Manutenção à disposição da fiscalização........................................ 426


Encaminhamento do trabalhador a ambulatório médico.............................................................................................. 426
Higiene das mãos, etiqueta respiratória e outras precauções..................................................................................... 426
Distanciamento social..................................................................................................................................................................... 427
Medidas de higiene, ventilação, limpeza e desinfecção dos ambientes de trabalho........................................ 427
Trabalhadores do grupo de risco................................................................................................................................................ 428
Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e outros equipamentos de proteção............................................ 428
Refeitórios............................................................................................................................................................................................. 428
Vestiários...............................................................................................................................................................................................429
Transporte de trabalhadores fornecido pelo empregador.............................................................................................429
Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).....................................................................................................430
Medidas para retomada das atividades..................................................................................................................................430
Medidas trabalhistas que poderão ser adotadas para preservação do emprego e da renda e para
enfrentamento do estado de calamidade pública.............................................................................................................430
Implantação temporária do home office ou teletrabalho................................................................................................431
Antecipação de férias individuais - Possibilidade.............................................................................................................. 432
Serviços de saúde - Suspensão das férias - Possibilidade............................................................................................. 433
Concessão de férias coletivas..................................................................................................................................................... 433
Aproveitamento e antecipação de feriados.......................................................................................................................... 433
Banco de horas................................................................................................................................................................................... 434
Exames médicos/Treinamentos.................................................................................................................................................. 434
FGTS................................................................................................................................................................................................................ 435
Prorrogação de prazo para os depósitos do FGTS - Pagamento parcelado.......................................................... 435
Parcelas - Pagamento......................................................................................................................................................................436
Rescisão contratual - Ocorrência.............................................................................................................................................. 437
Empresas de saúde - Prorrogação da jornada..................................................................................................................... 437
Processos administrativos - Prazos processuais - Suspensão..................................................................................... 438
Acordos e convenções coletivas - Efeitos - Prorrogação................................................................................................ 438
Medidas já tomadas pelas empresas - Convalidação...................................................................................................... 438
Vasos sob pressão (NR 13) - Postergação do prazo para inspeção periódica....................................................... 438
Autorização de saque de até um salário-mínimo do saldo das contas vinculadas, por trabalhador........ 438
Recontratação de empregados dispensados sem justa causa antes de 90 dias da dispensa....................439
Licença remunerada.........................................................................................................................................................................439
Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e da Renda.............................................................................439
Benefício emergencial de preservação do emprego e da renda (BEm)...................................................................440
Situações em que o BEm não será devido............................................................................................................................440
Concessão - Requisitos...................................................................................................................................................................441
Informações ao ME - Formas de transmissão.......................................................................................................................441
Análise e concessão do BEm....................................................................................................................................................... 443
Valor do benefício.............................................................................................................................................................................. 444
Empregado com mais de um vínculo - Benefício - Acumulação................................................................................ 445
Recurso administrativo................................................................................................................................................................... 445
Cessação e devolução do BEm recebido indevidamente..............................................................................................446
Redução proporcional de jornada de trabalho e de salário........................................................................................... 447
Valor do benefício emergencial (BEm) a ser pago............................................................................................................. 448
Restabelecimento da jornada e salário................................................................................................................................... 448
Complementação da contribuição previdenciária do empregado - Possibilidade............................................ 448
Suspensão temporária do contrato de trabalho.................................................................................................................450
Restabelecimento do contrato de trabalho...........................................................................................................................451
Descaracterização da suspensão contrato de trabalho...................................................................................................451
Ajuda compensatória a ser paga pela empresa...................................................................................................................451
Acordos sucessivos de redução de jornada/salário e suspensão temporária dos contratos....................... 453
Benefício emergencial e ajuda compensatória - Acumulação.................................................................................... 453
16 Guia de Cálculos Trabalhistas

Redução de jornada e salário e suspensão do contrato determinadas via negociação coletiva............... 454
Redução de jornada e salário ou a suspensão do contrato - Necessidade ou não de acordo com o
sindicato - Hipóteses....................................................................................................................................................................... 454
Empregados aposentados - Redução proporcional de jornada/salário ou suspensão do contrato -
Regras..................................................................................................................................................................................................... 455
Acordo coletivo celebrado após a pactuação de acordo individual - Consequências.................................... 455
Aviso prévio - Aplicação das medidas de redução de jornada e suspensão de contrato............................... 455
Factum principis - Não aplicação............................................................................................................................................... 455
Direito a futuro benefício de Seguro-desemprego - Manutenção.............................................................................456
Estabilidade provisória de emprego.........................................................................................................................................456
Dispensa do empregado durante o período de garantia - Consequências..........................................................456
Serviços essenciais - Manutenção............................................................................................................................................456
Fiscalização........................................................................................................................................................................................... 457
Curso ou programa de qualificação profissional................................................................................................................ 457
Contrato de trabalho na modalidade intermitente........................................................................................................... 457
Aspectos previdenciários..................................................................................................................................................................... 458
Prorrogação do prazo de recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às competências
março, abril e maio de 2020.......................................................................................................................................................... 458
Contribuições ao Serviços Sociais Autônomos - Sistema S - Redução temporária de alíquotas...............460
Parcelamentos efetuados no âmbito da Receita Federal do Brasil e da Procuradoria-Geral da Fazenda
Nacional - Recolhimento - Prorrogação de prazo...............................................................................................................461
Abono anual..........................................................................................................................................................................................461
Benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença)............................................................................................... 462
Pagamento dos 15 primeiros dias.............................................................................................................................................. 462
Benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) - Antecipação de 1 salário-mínimo.......463
Complementação da contribuição previdenciária do empregado - Possibilidade............................................464
Gestante - Salário maternidade..................................................................................................................................................465
Programas de aprendizagem profissional - Atividades práticas e teóricas...........................................................465
Contribuinte individual, microempreendedor individual, trabalhador informal - Auxílio emergencial
de R$ 600,00.........................................................................................................................................................................................466
Requisitos exigidos...........................................................................................................................................................................466
Operacionalização............................................................................................................................................................................. 467
Acesso do trabalhador ao auxílio emergencial.................................................................................................................... 467
Preferência de pagamento............................................................................................................................................................468
Auxílio Emergencial Residual.......................................................................................................................................................468
Situações em que o benefício não será pago......................................................................................................................469
Exigência de CPF regular............................................................................................................................................................... 470
Número de cotas - Limites............................................................................................................................................................ 470
Renda e grupos familiares - Caracterização......................................................................................................................... 470
Trabalhador formal - Caracterização......................................................................................................................................... 470
Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) - Observância................................................................................................... 471
Trabalhadores do setor cultural - Renda emergencial de R$ 600,00.......................................................................... 471
Requisitos exigidos............................................................................................................................................................................ 471
Atividades abrangidas......................................................................................................................................................................472
Modelo de Termo Aditivo ao Contrato de Trabalho............................................................................................................472
Trabalho portuário - Medidas especiais temporárias....................................................................................................... 475
Operações de empréstimos e financiamentos, com desconto em folha de pagamento................................476
CAPÍTULO XVIII - LEGISLAÇÃO..........................................................................................................................477
APRESENTAÇÃO

IOB GUIA DE CÁLCULOS TRABALHISTAS


Entenda e esteja em compliance com o eSocial e a fiscalização

O Guia de Cálculos Trabalhistas foi elaborado com base na Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017
e alterações posteriores) e na Emenda Constitucional nº 103 (Reforma Previdenciária), portanto constitui
o necessário apoio para o cumprimento das obrigações do eSocial com assertividade.

As alterações verificadas, além de numerosas, acarretaram profundas modificações na legislação,


entre elas, a forma de cálculo do desconto da contribuição previdenciária dos empregados, dos empre-
gados domésticos e dos trabalhadores avulsos, o que repercutiu no cálculo de encargos legais sobre
verbas trabalhistas devidas aos empregados, tais como férias e 13º salário.

Com o objetivo de manter as empresas atualizadas, tratamos neste Guia as modificações efetuadas
em diversos cálculos e trazendo para você exemplos práticos e desenvolvidos passo a passo.

Este conteúdo aborda, também, os encargos sociais incidentes sobre a remuneração, as parcelas
que integram e as que deixaram de integrar a remuneração do trabalhador, os direitos trabalhistas que
podem e os que não podem ser negociados, o trabalho intermitente, as modificações ocorridas na
concessão de férias e na jornada de trabalho. Tratamos também, das medidas emergenciais que podem
ser adotadas pelas empresas, no âmbito do trabalho, para o enfrentamento dos impactos econômicos
trazidos pela pandemia do coronavírus (COVID 19), ajudando-as a passar por este período de turbulência
com mais facilidade.

Por essas razões, este trabalho é indispensável para todos os empregadores e em especial para
os escritórios de contabilidade.

Boa leitura!
CAPÍTULO I
PREVALÊNCIA DO NEGOCIADO
SOBRE O LEGISLADO

A chamada Reforma Trabalhista, instituída pela Lei nº 13.467/2017, alterou mais de 100 artigos da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e seus efeitos passaram a ser observados desde 11.11.2017 (120
dias após a publicação da mencionada Lei ocorrida em 14.07.2017).

A principal alteração diz respeito à prevalência do negociado sobre o legislado. Isto significa que
aquilo que for acordado via negociação coletiva (acordo, convenção) será aplicado aos trabalhadores
representados ainda que contrário e menos vantajoso do que o determinado na legislação. Em outras
palavras, a negociação tem mais força do que a lei. Aplicam-se as normas estabelecidas em documen-
tos coletivos de trabalho, mesmo que elas sejam menos benéficas aos trabalhadores se comparadas
com a lei. Não há mais a garantia do mínimo legal.

Foi também determinado que o acordo coletivo (entre a(s) empresa(s) e o sindicato) tem mais
força do que a convenção coletiva (estabelecida entre o sindicato patronal e o sindicato da categoria
profissional). Assim, se no acordo coletivo for estabelecida uma condição prejudicial ao empregado, se
comparado à convenção, prevalecerá o acordo.

Direitos que podem ser negociados mediante documento coletivo de trabalho (CLT, art. 611-A)

A reforma determina que a convenção e o acordo coletivo têm prevalência sobre a lei quando,
entre outros (*), dispuseram sobre:
a) pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais;
b) banco de horas anual;
c) intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de 30 minutos para jornadas superiores a 6
horas;
d) adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei nº 13.189/2015;
e) plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado, bem
como identificação dos cargos que se enquadram como funções de confiança;
f) regulamento empresarial;
g) representante dos trabalhadores no local de trabalho;
h) teletrabalho, regime de sobreaviso e trabalho intermitente;
i) remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado e remunera-
ção por desempenho individual;
j) modalidade de registro de jornada de trabalho;
k) troca do dia de feriado;
l) enquadramento do grau de insalubridade
m) prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia das autoridades compe-
tentes da Secretaria Especial de Trabalho do Ministério da Economia;
20 Guia de Cálculos Trabalhistas

n) prêmios de incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de


incentivo;
o) participação nos lucros ou resultados da empresa.
(*) Observa-se que a expressão “entre outros” determina que a relação dos direitos que podem ser negociados, via documento
coletivo, é apenas exemplificativa e não exaustiva. Portanto, quase tudo pode ser decidido mediante negociação coletiva, ou
seja, tudo o que não for vedado à negociação poderá ser objeto de acordo.

Direitos que não podem ser suprimidos ou reduzidos via negociação coletiva (CLT, art. 611-B)

As convenções e os acordos coletivos não podem suprimir ou reduzir, exclusivamente (*), os seguintes
direitos:
1) normas de identificação profissional, inclusive as anotações na Carteira de Trabalho;
2) seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
3) valor dos depósitos mensais e da multa rescisória do FGTS;
4) salário-mínimo;
5) valor nominal do décimo terceiro salário;
6) remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
7) proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
8) salário-família;
9) Repouso Semanal Remunerado (RSR);
10) adicional de horas extras mínimo de 50%;
11) número de dias de férias devidas ao empregado;
12) gozo de férias anuais remuneradas com o acréscimo do terço constitucional;
13) licença-maternidade com duração mínima de 120 dias;
14) licença-paternidade;
15) proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos;
16) aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo, no mínimo, de 30 dias;
17) normas de saúde, higiene e segurança do trabalho;
18) adicional de insalubridade, periculosidade e atividades penosas;
19) aposentadoria;
20) seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador;
21) ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de
cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do
contrato de trabalho;
22) proibição de discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com
deficiência;
23) proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer tra-
balho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos;
24) medidas de proteção legal de crianças e adolescentes;
25) igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador
avulso;
Guia de Cálculos Trabalhistas 21

26) liberdade de associação profissional ou sindical do trabalhador, inclusive o direito de não so-
frer, sem sua expressa e prévia autorização, qualquer cobrança ou desconto salarial estabele-
cidos em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho;
27) direito de greve, competindo aos trabalhadores decidirem sobre a oportunidade de exercê-lo e
sobre os interesses que devam por meio dele defender;
28) definição legal sobre os serviços ou atividades essenciais e disposições legais sobre o atendi-
mento das necessidades inadiáveis da comunidade em caso de greve;
29) tributos e outros créditos de terceiros;
30) condutas proibidas ao empregador relativas ao trabalho da mulher previstas no art. 373-A da
CLT;

O art. 373-A da CLT estabelece:


Art. 373-A. Ressalvadas as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da
mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos trabalhistas, é vedado:
I - publicar ou fazer publicar anúncio de emprego no qual haja referência ao sexo, à idade, à cor ou situação
familiar, salvo quando a natureza da atividade a ser exercida, pública e notoriamente, assim o exigir;
II - recusar emprego, promoção ou motivar a dispensa do trabalho em razão de sexo, idade, cor, situação fa-
miliar ou estado de gravidez, salvo quando a natureza da atividade seja notória e publicamente incompatível;
III - considerar o sexo, a idade, a cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração,
formação profissional e oportunidades de ascensão profissional;
IV - exigir atestado ou exame, de qualquer natureza, para comprovação de esterilidade ou gravidez, na ad-
missão ou permanência no emprego;
V - impedir o acesso ou adotar critérios subjetivos para deferimento de inscrição ou aprovação em concursos,
em empresas privadas, em razão de sexo, idade, cor, situação familiar ou estado de gravidez;
VI - proceder o empregador ou preposto a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não obsta a adoção de medidas temporárias que visem ao estabe-
lecimento das políticas de igualdade entre homens e mulheres, em particular as que se destinam a corrigir
as distorções que afetam a formação profissional, o acesso ao emprego e as condições gerais de trabalho
da mulher.
30) proibição de empregar mulher em serviço que exija força muscular excessiva, prevista no art.
390 da CLT;
31) licença-maternidade prevista nos arts. 392 e 392-A da CLT;
32) faculdade de, mediante atestado médico, a mulher grávida romper o contrato de trabalho,
desde que este seja prejudicial à gestação (CLT, art. 394);
33) possibilidade de a empregada gestante ou lactante ser afastada, enquanto durar a gestação
e a lactação, de quaisquer atividades, operações ou locais insalubres, devendo exercer suas
atividades em local salubre (CLT, art. 394-A);
35) licença-maternidade em caso de aborto não criminoso;
36) períodos de intervalos de 30 minutos cada para amamentação até os 6 meses de idade da
criança;
37) creche.
(*) Note-se que, no que se refere aos direitos que não podem ser suprimidos ou reduzidos via negociação coletiva, a relação é
exaustiva, diferentemente daqueles que podem ser negociados cuja relação é exemplificativa.
CAPÍTULO II
SALÁRIO E REMUNERAÇÃO

Salário é a contraprestação devida ao empregado, pela prestação dos serviços ou pelo tempo à
disposição do empregador em decorrência do contrato de trabalho e é devido e pago diretamente pelo
empregador.

A remuneração é a soma do salário com outras parcelas salariais percebidas pelo empregado. Tais
parcelas decorrem da prestação de serviços, e, regra geral, são pagas diretamente pelo empregador.
Contudo, situações há em que o pagamento não vem diretamente do empregador, como, por exemplo,
a gorjeta, que é paga por terceiros.

Assim, a remuneração é o gênero do qual o salário é espécie.

Os salários poderão ser fixados por unidade de tempo ou por unidade de obra. O primeiro leva em
conta o tempo que o empregado fica à disposição da empresa e toma por base, para pagamento, o nú-
mero de horas, dias, etc. O segundo considera a produção dada pelo empregado (tarefa, peça, comissão,
etc.).

Note-se que o critério a ser adotado para a fixação do salário nada tem a ver com os intervalos
com que se paga o empregado. Assim, por exemplo, um empregado horista pode receber por mês. A
base de cálculo de seu salário é a hora, mas a forma de pagamento é mensal.

Exemplos
a) Contratação por unidade de tempo - Empregado mensalista contratado em fevereiro/2020 com jornada de 8
horas diárias e 44 horas semanais. Receberá como remuneração mínima R$ 1.045,00;
b) Contratação por unidade de obra (peças ou tarefa) - Empregado tarefeiro, contratado em janeiro/2020 com
jornada mensal de 220 horas e com valor de tarefa fixado em R$ 10,00. Apuração da remuneração:
Considerando que o valor das peças se refere apenas ao trabalho efetivamente realizado e que o empregado tem
direito ao repouso semanal remunerado é necessário obter o valor deste o qual corresponde à divisão do salário
relativo às tarefas ou peças executadas durante a semana ou mês, no horário normal de trabalho, pelo número
de dias de serviço (semanal ou mensal) efetivamente trabalhados.
Considerando que no mês 01/2020 produziu durante a sua jornada mensal 200 peças temos:

EXEMPLO

Tarefeiro

- nº de tarefas executadas no mês: 200

- valor da tarefa: R$ 10,00

- salário relativo às tarefas (R$ 10,00 × 200): R$ 2.000,00

- valor do RSR e feriado: R$ 2.000,00 ÷ 26 (dias efetivamente trabalhados de segunda-feira a sábado): R$ 76,92

- valor dos RSR e feriados do mês (5) (R$ 76,92 × 5) R$ 384,60

- remuneração total do mês (R$ 2.000,00 + R$ 384,60) R$ 2.384,60


24 Guia de Cálculos Trabalhistas

ESPÉCIES DE REMUNERAÇÃO MÍNIMA

Salário-mínimo - é a contraprestação mínima devida a todo trabalhador (urbano e rural), sem


distinção e capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, ali-
mentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social. Assim sendo, não
se poderá contratar remuneração inferior ao salário-mínimo. Determina a CLT que, nos casos de salário
fixado por unidade de obra, este mínimo deverá ser garantido ao empregado, ainda que sua produção
não o tenha atingido.

Não obstante o anteriormente exposto, ressaltamos que, conforme estabelece o art. 611-A da CLT,
acrescido pela Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), a qual vigora desde 11.11.2017, por meio de nego-
ciação coletiva (convenção ou acordo) poderá ser pactuada a forma de remuneração por produtividade
e por desempenho individual, situação em que, o que for negociado, terá prevalência sobre a disposição
legal. Baseados nesta determinação, poder-se-ia concluir, a princípio, que os mencionados documentos
coletivos poderiam autorizar salário por produção inferior ao mínimo legal, ou seja, o empregado seria
remunerado com base no que produziu independentemente de garantia de valor mínimo. Entretanto, é
bom lembrar que o art. 7º, VII, da Constituição Federal garante aos empregados que recebem remune-
ração variável salário nunca inferior ao mínimo. Desta forma, se o documento coletivo estabelecer forma
de remuneração inferior ao mínimo, esta regra poderá ter a sua constitucionalidade contestada.

Piso salarial estadual - A Lei Complementar nº 103/2000 autorizou os Estados e o Distrito Federal
a instituir, mediante lei de iniciativa do Poder Executivo, o piso salarial proporcional à extensão e à com-
plexidade do trabalho para os empregados que não tenham piso salarial definido em lei federal, conven-
ção ou acordo coletivo de trabalho. Desta forma, cada Estado da Federação pode instituir no âmbito do
seu respectivo território os pisos salariais para os empregados, desde que superior ao salário-mínimo
legalmente instituído e observadas as determinações da lei complementar em comento. Entretanto, os
pisos salariais fixados na Lei nº 6.702/2014, não se aplicam: aos empregados que têm piso salarial defini-
do em lei federal, convenção ou acordo coletivo e aos servidores públicos municipais.

Salário normativo - é o menor salário devido aos empregados que integram determinada catego-
ria profissional, o qual é fixado pelo documento coletivo de trabalho (acordo ou convenção) da categoria
respectiva.

Salário profissional - é o menor salário estabelecido por lei para trabalhadores que integram deter-
minada profissão (médicos, engenheiros, jornalistas, etc.).

Normalmente a remuneração mínima é fixada para uma jornada normal de trabalho (8 horas diá-
rias e 44 semanais. Entretanto, se a jornada for reduzida por força do contrato de trabalho, o salário-
-mínimo será observado em seu valor diário ou horário.

Exemplos
a) Considerando que um empregado mensalista tenha sido contratado em março/2020 para trabalhar apenas
4 horas por dia de segunda a sábado. Para apuração da remuneração mínima que lhe poderá ser paga temos:
Salário-mínimo mensal = R$ 1.045,00
Salário-mínimo/dia = R$ 34,83
Salário-mínimo/hora = R$ 4,75
Jornada mensal de trabalho contratada = 120 horas (4 × 30)
Remuneração mínima mensal = R$ 570,00 (120 × R$ 4,75)
Guia de Cálculos Trabalhistas 25

O salário dos empregados mensalistas e quinzenalistas já engloba o descanso semanal.


b) Considerando que em março/2020, o empregado tenha sido contratado para trabalhar 3 dias por semana
(segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras). Para apurar a remuneração mínima devida temos:
Salário-mínimo mensal = R$ 1.045,00
Salário-mínimo/dia = R$ 34,83
Salário-mínimo/hora = R$ 4,75
Considerando a apuração do menor valor devido ao empregado relativo ao mês 03/2020.
Dados:
13 dias de trabalho no mês
5 repousos semanais remunerados no mês
Remuneração da semana = R$ 104,49 (R$ 34,83 - valor dia do salário-mínimo × 3 - nº de dias trabalhados na se-
mana)
Como o empregado trabalhará apenas alguns dias na semana, há necessidade de calcular o Repouso Semanal
Remunerado que lhe será devido e correspondente a 1/6 da remuneração da semana.
Assim temos:
Dias trabalhados no mês = R$ 452,79 (R$ 34,83 - valor dia do salário-mínimo × 13 - nº de dias trabalhados no mês)
Repousos semanais devidos = R$ 87,10 (R$ 17,42 - 1/6 do valor da semana × 5 - nº de repousos no mês)
Remuneração total relativa ao mês = R$ 539,89 (R$ 452,79 + R$ 87,10)
Nestes dois exemplos, embora a remuneração total devida seja inferior ao salário-mínimo mensal integral, foi
observado no cálculo o salário-mínimo em seu valor hora (exemplo “a”) e em seu valor dia (exemplo “b”).

SALÁRIO-UTILIDADE
O salário poderá ser composto de utilidades, ou seja, prestações in natura concedidas com ha-
bitualidade, tais como habitação, transporte, etc. Todavia, não se permite que ao empregado seja pago
remuneração exclusivamente em utilidades, sendo-Ihe garantido, em dinheiro, um mínimo de 30% do
salário.
Entretanto, as importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimen-
tação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remu-
neração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência
de qualquer encargo trabalhista e previdenciário, conforme determinado pela nova redação do § 2º do
art. 457 da CLT, dada pela Lei nº 13.467/2017.

Em virtude de as utilidades integrarem o salário, desde que concedidas habitualmente, por força
de contrato ou do costume, deverão ser-lhes atribuídos valores, para efeito de integração nos cálculos
de férias, 13º salário, depósitos do FGTS, contribuição previdenciária, etc. Tais valores, todavia, devem
ser justos e razoáveis.

Só serão entendidas como salário as utilidades que realmente signifiquem vantagem ao trabalha-
dor. Assim, por exemplo, não se pode entender como tal o uniforme de trabalho que só pode ser utiliza-
do no local de serviço, fornecido pelo empregador, assim como o transporte destinado ao deslocamento
para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público.

Da mesma forma, os instrumentos de trabalho fornecidos ao empregado para que ele possa exer-
cer suas funções não são considerados como utiIidades.
26 Guia de Cálculos Trabalhistas

No contrato de trabalho deverá ser especificada a parte da remuneração correspondente às utili-


dades, discriminando-as.

Entre as parcelas in natura fornecidas aos empregados, as mais comuns são: a habitação, o ves-
tuário, o transporte e a educação.

Habitação
Não raro, os empregadores concedem a alguns de seus empregados, cujos contratos de trabalho
sejam regidos pela CLT, a utilidade habitação.

Conforme vimos, a remuneração do empregado não é composta apenas pelo valor em pecúnia
(dinheiro), mas também pelas prestações in natura que o empregador lhe fornecer habitualmente, como
é o caso da habitação.

Entretanto, essa regra não é absoluta, uma vez que, em algumas situações, pode haver a conces-
são da utilidade habitação sem que o valor correspondente seja considerado salário, como é o caso, por
exemplo, do zelador, que, por exigência contratual, é obrigado a morar no edifício onde presta serviço.
Nessa situação, a moradia é concedida para que o trabalho seja realizado a contento, configurando,
assim, uma condição para o satisfatório desempenho da atividade do trabalhador. Ainda que haja inte-
resse do empregado em receber o benefício, o interesse maior é do empregador e, por essa razão, o valor
correspondente à habitação não integra a remuneração do empregado.

Nesse sentido, a Súmula nº 367 do TST determina que a habitação fornecida pelo empregador ao
empregado, quando indispensável para a realização do trabalho, não tem natureza salarial.

Dessa forma, entende-se que a integração ou não do valor da moradia na remuneração do traba-
lhador dependerá do motivo e da forma pela qual a utilidade é concedida, ou seja, se visar tão somente
o interesse do empregado e/ou de sua família e for concedida de forma habitual, será caracterizada
como parcela integrante da remuneração. Caso contrário, ou seja, se a utilidade concedida objetivar
a excelência no desenvolvimento do trabalho, ela é de interesse do empregador e, portanto, o valor
respectivo não integrará a remuneração.

A CLT, art. 458, § 3º, estabeleceu, entre outros, que a habitação fornecida como salário-utilidade
deve atender aos fins a que se destina e não poderá exceder a 25% do salário contratual, sem esclarecer
se esse percentual se aplica aos que ganham salário inferior ou superior ao mínimo legalmente fixado.
Entretanto, o TST entendeu, por meio da Súmula nº 258, que os percentuais fixados em lei apenas se
aplicam às hipóteses em que o empregado percebe salário-mínimo, apurando-se, nas demais, o real
valor da utilidade.

Exemplo
Empresa contrata três gerentes, todos com salário de R$ 5.800,00 e, concede a estes a utilidade habitação, para
utilização durante a vigência do contrato, das seguintes formas:
a) ao primeiro gerente fornece uma residência de propriedade da empresa;
b) para o segundo, aluga uma residência;
c) o terceiro gerente aluga um imóvel para sua moradia e o empregador efetua o reembolso das despesas havi-
das com o aluguel.
Para calcular a remuneração destes empregados, deve-se apurar o valor correspondente à moradia.
No caso da letra “a”, apura-se o valor de mercado da habitação fornecida. No caso da letra “b”, o valor do aluguel
e no caso da letra “c” o valor do reembolso.
Guia de Cálculos Trabalhistas 27

Considerando que no caso da letra “a” o valor de mercado do aluguel de propriedade equivalente à fornecida pelo
empregador seja de R$ 2.500,00, este empregado terá uma remuneração de R$ 8.300,00, ou seja: salário de
R$ 5.800,00 + valor da moradia de R$ 2.500,00.
No caso da letra “b”, considerando que o valor do aluguel pago pela empresa seja de R$ 1.800,00, o empregado
terá uma remuneração de R$ 7.600,00, ou seja, salário de R$ 5.800,00 + aluguel de R$ 1.800,00.
No caso da letra “c”, considerando que o valor do reembolso do aluguel pago pelo empregador seja de R$ 2.000,00,
o empregado terá uma remuneração de R$ 7.800,00, ou seja, salário de R$ 5.800,00 + reembolso de aluguel de
R$ 2.000,00;

Veículo
Alguns empregados exercem total ou parcialmente as suas atividades fora do estabelecimento da
empresa e, para desempenharem de forma satisfatória as suas obrigações contratuais, recebem de seus
empregadores veículos para facilitar o próprio deslocamento.
Outros empregados utilizam veículo próprio no desempenho de suas atividades e têm reembolsa-
das as despesas correspondentes (combustível, lubrificação, lavagem, reparos, aquisição de peças, etc.),
por meio da verba intitulada “quilometragem rodada” ou “reembolso de despesas”.
Quando o veículo é fornecido pelo empregador ao empregado como instrumento para o melhor
desempenho das atividades, não têm natureza salarial, ainda que seja ele utilizado pelo empregado
também em atividades particulares, conforme determina a Súmula nº 367 do TST.
367. UTILIDADES IN NATURA. HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO
AO SALÁRIO
I - A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis
para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo
empregado também em atividades particulares.
II - O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde.

A parcela salarial in natura se caracteriza quando a prestação é concedida não para o trabalho, e
sim pelo trabalho, ou seja, se o empregador concede o veículo que visa tão somente atender ao interes-
se do empregado, sem relação com o trabalho efetuado, a parcela correspondente (veículo) acresce o
patrimônio do trabalhador e, portanto, integra a sua remuneração.
Na hipótese de uso de veículo de propriedade do trabalhador em que há ressarcimento de des-
pesas, devem-se observar as mesmas considerações, ou seja, se o veículo é utilizado para o exercício
da atividade, o entendimento é de que o valor respectivo não integra a remuneração, caso contrário, ou
seja, se o ressarcimento das despesas visa somente o interesse do empregado, estará caracterizada a
parcela salarial.
Recomenda-se que o valor a ser pago seja justo e razoável, obedecendo, de preferência, ao cálculo
de custos elaborados por entidades especializadas, tais como o do Sindicato dos Condutores Autônomos.
Não obstante o anteriormente comentado em relação ao ressarcimento de despesas pelo uso
de veículo do empregado, considerando que a Reforma Trabalhista, instituída pela Lei nº 13.467/2017,
alterou o conceito de salário, determinando ser este constituído da importância fixa estipulada, das
gratificações legais, das comissões pagas pelo empregador e das gorjetas, não fica afastada a possibili-
dade de entendimento no sentido de que o ressarcimento das despesas decorrentes do uso do veículo
deixam de integrar a remuneração do trabalhador para efeitos trabalhistas.
Ressalte-se, porém, que, no âmbito previdenciário, o valor correspondente ao ressarcimento de
despesas somente não estará sujeito à contribuição correspondente se houver comprovação das des-
28 Guia de Cálculos Trabalhistas

pesas efetuadas, o que vale dizer que, se houver pagamento de valor superior às despesas efetivamente
comprovadas, o valor excedente sofrerá incidência de contribuição previdenciária.
O acerto de contas mediante apresentação de notas exclui a possibilidade da integração da verba
no salário do empregado, tanto no aspecto trabalhista como previdenciário e do FGTS.

Educação

O inciso II do § 2º do art. 458 da CLT determina que não será considerada como salário a utilidade
educação concedida pelo empregador, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, com-
preendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático.

Assim, temos que, para fins trabalhistas, os valores gastos com mensalidade escolar (ensino fun-
damental, ensino médio, curso técnico e ensino superior) não integram o salário do empregado para
efeitos de remuneração, ou seja, não serão computados para cálculo e pagamento, entre outras, das
parcelas trabalhistas de férias, do 13º salário, do repouso semanal remunerado e do aviso-prévio.

Entretanto, para fins previdenciários, a Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, “t”, com a redação dada pela
Lei nº 12.513/2011, dispõe que não integram o salário-de-contribuição, em relação à educação, exclusiva-
mente, o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de emprega-
dos e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação
profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:
a) não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e
b) o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não
ultrapasse 5% da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma
vez e meia o valor do limite mínimo mensal do salário-de-contribuição, o que for maior.
Nota
O art. 39 da Lei nº 9.394/1996 determina:
“Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integra-se aos dife-
rentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.
§ 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a
construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino.
§ 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos:
I - de formação inicial e continuada ou qualificação profissional;
II - de educação profissional técnica de nível médio;
III - de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.
§ 3º Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a
objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Na-
cional de Educação.”

Conforme o inciso I do art. 21 da Lei nº 9.394/1996, educação básica é aquela formada pela educação
infantil, ensino fundamental e ensino médio.
Assim, constata-se que a legislação trabalhista e a legislação previdenciária tratam a educação
de forma diferenciada, ou seja, a CLT adota um conceito amplo, e a legislação previdenciária restringe a
verba apenas à educação básica e aos cursos de capacitação e qualificação profissional, nos quais não
se enquadram os cursos universitários em geral.
No que se refere ao FGTS, a Lei nº 8.036/1990, art. 15, § 6º, com redação da Lei nº 9.711/1998, esta-
belece que não se incluem na remuneração, para os fins daquela lei, as parcelas elencadas no § 9º do
art. 28 da Lei nº 8.212/1991.
Guia de Cálculos Trabalhistas 29

Dessa forma, caso o valor pago pela empresa a título de educação atenda aos requisitos estabele-
cidos no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, ou seja, que vise à educação básica, na forma anteriormente
descrita, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas
pela empresa, e desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial, não se sujeita ao de-
pósito do FGTS.
A Instrução Normativa SIT nº 144/2018, a qual baixa instruções para a fiscalização do FGTS e das
contribuições sociais, determinou que não integra a remuneração para fins de depósitos de FGTS o valor
relativo à concessão de educação em estabelecimento de ensino do empregador ou de terceiros, com-
preendendo valores referentes a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Observe-
-se que a mencionada Instrução Normativa está contrariando as determinações da Lei nº 8.036/1990,
art. 15, § 6º, anteriormente mencionada, a qual estabelece que não integram a remuneração para efeito
de depósito do FGTS as parcelas relacionadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991.
Ante a divergência constatada nos 2 atos, deve-se verificar que a Lei nº 8.036/1990 é norma hierar-
quicamente superior à Instrução Normativa SIT nº 144/2018 e, portanto, deve prevalecer.

Vestuário
O art. 458 da CLT determina que a utilidade vestuário não será considerada salário quando forne-
cida para utilização no local de trabalho, para a prestação dos serviços. Nessas condições, o vestuário
(uniforme) fornecido não integra a remuneração do trabalhador por não constituir parcela in natura,
uma vez que é fornecido para o trabalho e não pelo trabalho.

Importante
O art. 456-A da CLT, na redação dada pela Lei nº 13.467/2017, determina que cabe ao empregador definir o padrão de
vestimenta no meio ambiente laboral, sendo lícita a inclusão no uniforme de logomarcas da própria empresa ou de
empresas parceiras e de outros itens de identificação relacionados à atividade desempenhada.
A higienização do uniforme é de responsabilidade do trabalhador, salvo nas hipóteses em que forem necessários proce-
dimentos ou produtos diferentes dos utilizados para a higienização das vestimentas de uso comum.

Caso contrário, ou seja, se o empregador fornecer vestuário sem exigência de utilização no am-
biente do trabalho, podendo, portanto, ser usado dentro e fora do ambiente do trabalho, como ternos,
saias, vestidos, todos sem logotipos da empresa, estará caracterizada a prestação in natura, pois repre-
senta um ganho para o empregado, posto que atende unicamente ao seu interesse e não ao do empregador.

Assistência médica

A assistência médica, odontológica e hospitalar concedida aos empregados, prestada diretamen-


te ou mediante seguro-saúde, não integra a remuneração do trabalhador para efeitos trabalhistas, por
não constituir salário in natura.

A legislação previdenciária determinava que não integrava o salário-de-contribuição, para efeitos


previdenciários, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da
empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, apa-
relhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a
cobertura abrangesse a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.

Ocorre, porém, que a Lei nº 13.467/2017, a qual instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vi-
goram desde 11.11.2017, determinou que tais valores, independentemente de abranger a totalidade de
empregados e dirigentes, não integram o salário do empregado para qualquer efeito, nem o salário de
contribuição previdenciária.
30 Guia de Cálculos Trabalhistas

Parcelas mais comuns concedidas aos empregados e suas implicações na remuneração

Para efeito de integração ou não da verba paga mensalmente à remuneração do trabalhador, é


necessário saber a razão pela qual a mesma está sendo paga e se esta se enquadra na definição legal
de salário e remuneração, e não a nomenclatura que lhe é dada.

Se a verba estiver sendo paga para retribuir o trabalho executado ou o tempo à disposição do em-
pregador, ou seja, paga pelo trabalho, e desde que se enquadre na definição legal, tem natureza salarial
e, portanto, integra a remuneração. Se a verba for paga para possibilitar que o empregado execute o
seu trabalho a contento, ou seja, paga para o trabalho e não pelo trabalho, a sua natureza jurídica é de
ressarcimento, indenização, e não salarial, portanto, não integra a remuneração.

A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alte-
rou o art. 457 da CLT para determinar que se incluem na remuneração a importância fixa estipulada, as
gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador, bem como as gorjetas que receber.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina que não integram a remuneração do traba-
lhador as seguintes utilidades:
a) vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local
de trabalho, para a prestação do serviço;
b) educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores
relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;
c) transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não
por transporte público;
d) assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde;
e) seguros de vida e de acidentes pessoais;
f) previdência privada;
g) o valor correspondente ao vale-cultura.

A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017,
alterou o art. 457 da CLT para determinar que as verbas elencadas a seguir, mesmo quando pagas com
habitualidade, também não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de
trabalho e não constituem base de incidência de encargo trabalhista e previdenciário:
a) ajuda de custo;
b) auxílio-alimentação (vedado o pagamento em dinheiro);
c) diárias para viagem (independentemente do valor);
d) prêmios (assim considerados as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens,
serviços ou valor em dinheiro, a empregado, ou a grupo de empregados em razão de desem-
penho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades);
e) abonos.

Integram a remuneração do empregados as seguintes verbas:


a) salário;
b) comissões pagas pelo empregador - é uma forma de salário em que o empregado recebe um
percentual do produto de seu trabalho. Assim, por exemplo, o empregado recebe 5% sobre o
valor das vendas por ele realizadas.
Guia de Cálculos Trabalhistas 31

c) gorjetas: consideram-se gorjetas não só a importância dada de forma espontânea pelo cliente
ao empregado como também a que for cobrada pela empresa, como adicional nas notas e
destinada à distribuição aos empregados;
Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-A à
CLT para determinar, entre outras disposições, que os documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) têm
prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas
percebidas pelo empregado e remuneração por desempenho individual.

d) gratificações legais;
e) adicionais de periculosidade ou insalubridade: tais adicionais são devidos só e enquanto per-
durarem as condições desfavoráveis à segurança ou saúde do empregado.
Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito dos documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) a supressão ou a redução do adicional de remuneração para as atividades insalubres e perigosas.

Alerta
A legislação do FGTS determina que integram a remuneração para efeito dos depósitos fundiários, entre outras, as seguin-
tes parcelas;
I - o salário-base, inclusive as prestações in natura;
II - as horas extras;
III - os adicionais de insalubridade, periculosidade e do trabalho noturno;
IV - o adicional por transferência de localidade de trabalho;
V - o salário-família, no que exceder o valor legal obrigatório;
VI - o abono ou gratificação de férias, desde que excedente a vinte dias do salário, concedido em virtude de cláusula con-
tratual, de regulamento da empresa ou de convenção ou acordo coletivo;
VII - o valor de um terço do abono constitucional das férias;
VIII - as comissões pagas pelo empregador;
IX - as etapas, no caso dos marítimos;
X - as gorjetas;

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-A à
CLT para determinar, entre outras disposições, que os documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) têm
prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas
percebidas pelo empregado.

XI - a gratificação de natal, seu valor proporcional e sua parcela incidente sobre o aviso-prévio indenizado, inclusive na
extinção de contrato a prazo certo e de safra;
XII - as retiradas de diretores não empregados, quando haja deliberação da empresa, garantindo-lhes os direitos decorren-
tes do contrato de trabalho;
XIII - o valor pelo Repouso Semanal Remunerado;
XIV - o valor pelos domingos e feriados civis e religiosos trabalhados, bem como o valor relativo à dobra em razão de feriados
trabalhados, não compensados;
XV - o valor a título de aviso-prévio, trabalhado ou indenizado;
XVI - o valor do tempo de reserva, nos termos do § 6º do art. 235-E da CLT.
XVII - o valor contratual mensal da remuneração do empregado afastado da atividade com percepção de remuneração
ou contagem de tempo de serviço, inclusive sobre a parte variável, calculada segundo os critérios previstos na CLT e na
legislação esparsa, atualizada sempre que ocorrer aumento geral na empresa ou para a categoria;
XVIII - o valor da remuneração paga pela entidade de classe ao empregado licenciado para desempenho de mandato sindical,
idêntico ao que perceberia caso não licenciado, inclusive com as variações salariais ocorridas durante o licenciamento,
obrigatoriamente informadas pelo empregador à respectiva entidade;
32 Guia de Cálculos Trabalhistas

XIX - o salário contratual e o adicional de transferência devido ao empregado contratado no Brasil transferido para prestar
serviço no exterior;
XX - a remuneração percebida pelo empregado ao passar a exercer cargo de diretoria, gerência ou outro cargo de confiança
imediata do empregador, salvo se a do cargo efetivo for maior;
XXI - remuneração paga a empregado estrangeiro, em atividade no Brasil, independentemente do local em que for realizado
o pagamento.

Comissões
As comissões pagas pelo empregador constituem partes integrantes do salário propriamente
dito, isto é, comissão é salário principal, essencial, básico, e não parcela suplementar, ou seja, aquilo que
se dá a mais ao empregado. Portanto, as comissões não podem ser entendidas como parte adicional
ao salário.
Nesse contexto, podem as partes livremente estabelecer a forma de apuração da remuneração do
trabalhador, inclusive determinar a sua fixação exclusivamente com base em comissões sobre vendas.
Todos os empregados, inclusive os comissionistas puros (sem parte fixa), têm direito ao repouso
semanal remunerado. Não havendo cláusula mais benéfica no documento coletivo de trabalho da cate-
goria profissional respectiva (acordo, convenção ou sentença normativa), a remuneração dos repousos
semanais para esses trabalhadores será obtida dividindo-se o valor total das comissões recebidas no
mês pelo número de dias úteis, multiplicando-se o resultado pelo número de repousos semanais e feria-
dos existentes no respectivo mês.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, acresceu o art. 611-B à CLT para determinar, entre outras disposi-
ções, que constitui objeto ilícito dos documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) a supressão ou a redução
do direito ao Repouso Semanal Remunerado.

Dessa forma, a remuneração mensal do trabalhador corresponderá às comissões auferidas no


mês, acrescidas dos repousos semanais respectivos.
Considerando que nenhum empregado pode ter remuneração inferior a um salário-mínimo, caso
as comissões auferidas, acrescidas dos repousos semanais resultem valor inferior ao salário-mínimo,
este último deverá ser garantido ao trabalhador.

Importante
Não obstante o anteriormente exposto, ressaltamos que, conforme estabelece o art. 611-A da CLT, acrescido pela Lei nº
13.467/2017 (Reforma Trabalhista), a qual vigora desde 11.11.2017, por meio de negociação coletiva (convenção ou acordo),
poderá ser pactuada a forma de remuneração por produtividade e por desempenho individual, situação em que, o que
for negociado, terá prevalência sobre a disposição legal.
Baseados nesta determinação, poder-se-ia concluir, em princípio, que os mencionados documentos coletivos poderiam
autorizar salário por produção inferior ao mínimo legal, ou seja, o empregado seria remunerado com base no que pro-
duziu independentemente de garantia de valor mínimo.
Entretanto, é bom lembrar que o art. 7º, VII, da Constituição Federal garante aos empregados que recebem remunera-
ção variável salário nunca inferior ao mínimo. Desta forma, se o documento coletivo estabelecer forma de remuneração
inferior ao mínimo, esta regra poderá ter a sua constitucionalidade contestada.

Exemplos
a) considerando que um empregado contratado com salário fixado exclusivamente em comissões, no percentual
de 10% sobre as vendas que realizar. No mês de março/2020 vendeu o equivalente a R$ 50.000,00.
Mês 03/2020
26 dias úteis
5 RSR
Guia de Cálculos Trabalhistas 33

Cálculo da remuneração mensal:


- R$ 5.000,00 (10% sobre R$ 50.000,00) relativo aos dias trabalhados
Além do valor mencionado, o empregado tem direito aos repousos semanais e feriados do mês. Calcula-se o
repouso dividindo o salário obtido pelo número de dias úteis do mês e multiplica-se o resultado pelo número de
repousos do mesmo mês.
Assim temos:
- R$ 5.000, 00 ÷ 26 (nº de dias úteis) = R$ 192,31
- R$ 192,31 × 5 = R$ 961,55
- Remuneração de 03/2020 = R$ 5.961,55 (R$ 5.000,00 + R$ 961,55)
b) Empregado comissionista puro, com direito a 7% sobre vendas, efetuou, no mês 03/2020, vendas no valor de
R$ 5.000,00.
Cálculo:
- 7% de R$ 5.000,00 = R$ 350,00
- Salário-mínimo = R$ 1.045,00
RSR e feriados - considerando que o mês tem 26 dias úteis e 5 repousos, temos:
- R$ 350,00 ÷ 26 = R$ 13,46
- R$ 13,46 × 5 = R$ 67,30
Remuneração mensal = R$ 417,30 (R$ 350,00 + R$ 67,30)
- Menor remuneração a ser paga = R$ 1.045,00
Neste caso, considerando que o valor das comissões acrescido do valor dos RSR e feriados (R$ 417,30) resultou
valor inferior ao salário-mínimo (R$ 1.045,00), o empregador fica obrigado a complementar o valor apurado até
atingir o salário-mínimo nacionalmente assegurado, ou seja, R$ 627,70 (R$ 1.045,00 - R$ 417,30). Observar o “Im-
portante” anterior.
c) Pode ocorrer de o contrato de trabalho do comissionista assegurar a este um ganho mínimo. Neste caso, se
o valor das comissões acrescido dos RSR resultar valor superior ao ganho mínimo assegurado, paga-se ao em-
pregado o valor efetivamente apurado (comissões + RSR). Caso as comissões acrescidas dos RSR resultem valor
inferior à garantia mínima, o empregador deve efetuar a complementação do valor apurado até atingir o valor da
garantia.
Cálculo
Empregado recebe 5% sobre as vendas, com garantia de ganho mínimo de R$ 1.300,00 mensais. No mês 01/2020
vendeu o equivalente a R$ 25.000,00.
- 5% de R$ 25.000,00 = R$ 1.250,00
RSR = R$ 1.250,00 ÷ 26 = R$ 48,08
- R$ 48,08 × 5 = R$ 240,40
- Remuneração total = R$ 1.490,40 (R$ 1.250,00 + R$ 240,40)
- Considerando que o valor mínimo assegurado é de R$ 1.300,00, e que o valor da remuneração total foi de R$
1.490,40, o empregador deve efetuar o pagamento da efetiva remuneração apurada (comissões + RSR).
Caso as vendas efetuadas tivessem sido de R$ 20.000,00, teríamos:
Cálculo:
- 5% de R$ 20.000,00 = R$ 1.000,00
RSR
- R$ 1.000,00 ÷ 26 = R$ 38,46
- R$ 38,46 × 5 = R$ 192,30
- Total da remuneração = R$ 1.192,30 (R$ 1.000,00 + R$ 192,30)
- Renda mínima garantida = R$ 1.300,00
- Como a remuneração mensal apurada foi inferior ao mínimo contratualmente garantido, o empregador deve
complementar a remuneração com R$ 107,70 (R$ 1.300,00 - R$ 1.192,30).
34 Guia de Cálculos Trabalhistas

Gorjetas
As gorjetas são constituídas pelas importâncias espontaneamente dadas pelos clientes aos em-
pregados que os serviram, bem como por aquelas cobradas pelo estabelecimento comercial, como
adicional nas contas, a qualquer título, e destinadas à distribuição aos empregados.

São valores recebidos de terceiros (clientes) e não do empregador. Quando recebidos como adi-
cional na nota de serviço, tais valores formam um fundo especial, sob a custódia do empregador, que
fará a sua distribuição aos empregados. Portanto, a gorjeta não constitui receita própria dos emprega-
dores, destina-se aos trabalhadores.

O empregador não poderá contratar um empregado fixando a sua remuneração com base uni-
camente em gorjetas, posto ser esta um adicional ao salário e não salário propriamente dito. Por tais
razões sempre deverá ser fixado um salário não inferior ao mínimo nacionalmente unificado, em cuja
composição a gorjeta não poderá ser considerada.

Assim, a gorjeta integra a remuneração, gênero do qual o salário é espécie.


O Tribunal Superior do Trabalho (TST) por meio da Súmula nº 354 dispõe:

Súmula 354. Gorjetas. Natureza jurídica, Repercussões

As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes,
integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso prévio,
adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.

Costumeiramente, a gorjeta é calculada mediante a aplicação de um percentual sobre o valor da


nota, geralmente de 10%.

Para fins de integração na remuneração do empregado e recolhimento de encargos sociais, o valor


da gorjeta é o quantum determinado nas notas, rateado entre os empregados.

A gorjeta, quando entregue pelo consumidor diretamente ao empregado, em virtude da dificul-


dade em estipular o total percebido pelo empregado tem seu valor apurado com base na "tabela de
estimativa" divulgada pelos sindicatos.

Exemplo
Considerando que, no mês junho/2020, a empresa (restaurante) arrecadará o valor de R$ 6.500,00 relativo às
gorjetas cobradas nas notas fiscais, valor este que será rateado entre os 5 garçons que trabalham no estabele-
cimento, temos:
R$ 6.500,00 ÷ 5 = R$ 1.300,00 (valor das gorjetas devido a cada garçom)
Considerando que um dos garçons tenha salário mensal fixo de R$ 1.200,00, receberá a remuneração de R$
2.500,00 (R$ 1.200,00 (salário fixo) + R$ 1.300,00 de valor rateado da gorjeta que será distribuído pelo empregador).

Diárias para viagem


Diárias para viagem são quantias pagas para cobrir despesas habituais necessárias à execução
de serviço externo realizado pelo empregado, como, por exemplo, despesas de transporte, alimentação,
alojamento, etc., constituindo, portanto, condições dadas pelo empregador para que o trabalho seja
realizado e não retribuição pelos serviços prestados.
Para que haja o pagamento de tal verba é necessário que:
a) o empregado realize serviço externo, não havendo justificativa para o pagamento a empregado
que só trabalha internamente;
Guia de Cálculos Trabalhistas 35

b) haja habitualidade, necessidade contínua do pagamento, ou seja, que o serviço externo seja
sucessivamente realizado;
c) não haja a necessidade de comprovação das despesas efetuadas, o que vale dizer que, se o
valor pago for superior às despesas efetuadas, o empregado ficará com o excedente.
Lembramos, porém, que, embora a legislação não exija a comprovação das despesas efetuadas,
deve haver certa relação entre os valores gastos e o valor pago a título de diárias, não significando,
porém, que os valores devam ser idênticos, mas, numa comparação entre as quantias, não deve haver
desproporção que possa caracterizar remuneração disfarçada de diárias.
As diárias para viagem, independentemente do seu valor, não integram a remuneração do em-
pregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer
encargo trabalhista e previdenciário .

Exemplos
a) empregado com salário fixo de R$ 5.000,00, trabalha externamente e em janeiro/2020 realizou 10 viagens,
recebendo R$ 200,00 a título de diárias para cada viagem feita.
Assim temos:
Salário fixo = R$ 5.000,00
Diárias para viagem = R$ 2.000,00 (R$ 200,00 = valor da diária × 10 = nº de viagens efetuadas)
Remuneração devida = R$ 5.000,00. Portanto, o valor pago a título de diárias para viagem não integrou a remu-
neração.
b) empregado com salário fixo de R$ 3.000,00, trabalha externamente e, em janeiro/2020 realizou 12 viagens,
recebendo R$ 150,00 a título de diárias para cada viagem feita.
Assim temos:
Salário fixo = R$ 3.000,00
Diárias para viagem = R$ 1.800,00 (R$ 150,00 = valor da diária × 12 = nº de viagens efetuadas)
Remuneração mensal = R$ 3.000,00
Portanto, o valor pago a título de diárias para viagem não integrou a remuneração.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, em vigor desde 11.11.2017, alterou o § 2º do art. 457 da CLT e a letra “h” do § 9º do art. 28 da Lei nº
8.212/1991, para determinar que as importâncias pagas a título de diárias para viagem, ainda que habituais, não integram
a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de
qualquer encargo trabalhista e previdenciário. Observar que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º,
inciso X, consideram-se de natureza salarial para fins do FGTS as diárias para viagem, pelo seu valor global, desde que
não haja prestação de contas do montante gasto.
Constata-se que a citada Instrução Normativa condiciona a integração da parcela das diárias para viagem à não presta-
ção de contas dos valores gastos pelo trabalhador. Entretanto, o § 2º do art. 457 da CLT, na redação da Lei no 13.467/2017,
não trata de qualquer prestação de contas dos valores de diárias para viagem.

Ajuda de custo
Ajuda de custo é o valor (normalmente fixado unilateralmente pelo empregador) pago ao empre-
gado para cobrir despesas de deslocamento por ele realizadas, como, por exemplo, despesas de trans-
ferência, acompanhamento de clientes internos ou externos a eventos profissionais etc.

Da mesma forma que as diárias para viagem, a ajuda de custo se reveste da característica de
verba de natureza indenizatória, posto que visa ressarcir o empregado de despesas decorrentes da ne-
cessidade de serviço. Tal verba não está, também, sujeita à comprovação das despesas.
36 Guia de Cálculos Trabalhistas

A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alte-
rou o art. 457 da CLT para determinar que a ajuda de custo mesmo quando paga com habitualidade, não
integra a remuneração do empregado, não se incorpora ao contrato de trabalho e não constitui base de
incidência de encargo trabalhista e previdenciário.

Exemplos
a) empregado com salário de R$ 4.000,00 foi participar de 2 eventos semestrais, recebendo a título de ajuda de
custo, para fazer frente às despesas efetuadas, o valor de R$ 500,00 para cada evento que participou.
Assim temos:
Salário = R$ 4.000,00
Ajuda de custo paga (2 vezes) = R$ 1.000,00 (R$ 500,00 × 2)
Remuneração do trabalhador = R$ 4.000,00, uma vez que a ajuda de custo não integra a remuneração, mesmo
quando paga de forma habitual.
b) um vendedor externo foi contratado com salário fixo de R$ 5.000,00, percebendo a título de “ajuda de custo”
a quantia de R$ 2.000,00.
- remuneração total mensal = R$ 5.000,00
Neste exemplo, o valor foi pago erroneamente com o título de “ajuda de custo”, pois na realidade se trata de “diá-
rias para viagem”, porém, independentemente do erro de nomenclatura utilizada, não integrou a remuneração
do trabalhador.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, em vigor desde 11.11.2017, alterou o § 2º do art. 457 da CLT para determinar que as importâncias pa-
gas a título de ajuda de custo, ainda que habituais, não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao
contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário.
Observar que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 10, incisos, XIII, XIV e XV, não integram a remune-
ração para efeito de FGTS:
a) ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de localidade de trabalho
do empregado, na forma do art. 470 da CLT;
b) ajuda de custo, quando paga mensalmente, recebida como verba indenizatória para ressarcir despesa relaciona-
da à prestação de serviço ou à transferência do empregado nos termos do art. 470 da CLT; e
c) ajuda de custo, em caso de transferência permanente, e o adicional mensal, em caso de transferência provisória,
recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei no 5.929/1973.

Prêmios
São considerados prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, servi-
ços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior
ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades.

Portanto, o prêmio se vincula a fatores pessoais do trabalhador, por exemplo: seu esforço, sua
produtividade.

Tais verbas podem ser individuais ou coletivas, conforme fixados por trabalhador ou globalmente
em função de um departamento. Quanto ao valor, pode ser fixo ou variável.

Determina o § 2º do art. 457 da CLT, na redação da Lei nº 13.467/2017, que, ainda que pago com
habitualidade, o valor do prêmio não integra a remuneração do trabalhador e não constitui base de inci-
dência de encargo trabalhista ou previdenciário.
Guia de Cálculos Trabalhistas 37

Exemplo
Prêmio assiduidade - A empresa determina que o empregado que não faltar ou chegar atrasado durante 3 me-
ses receberá, um prêmio equivalente a R$ 500,00. Assim, a cada 3 meses, os trabalhadores que atenderem ao
estipulado receberão o prêmio. Considerando um empregado com salário fixo de R$ 3.200,00 que atendeu aos
requisitos determinados, temos:
- salário fixo = R$ 3.200,00
- prêmio devido = R$ 500,00
- remuneração no mês do pagamento do prêmio = R$ 3.200,00, posto que o prêmio não integra a remuneração.

Gratificações

Não há na legislação uma definição para gratificação. Esta verba, via de regra, constitui uma re-
compensa, uma retribuição além do salário, que se dá ao empregado em virtude, entre outros motivos,
do reconhecimento do seu bom desempenho, do tempo de serviço na empresa, etc.

Constata-se, portanto, que o prêmio e a gratificação, embora com nomenclaturas diversas, têm
finalidades semelhantes.

Alguns autores afirmam que a gratificação está mais ligada a aspectos alheios à vontade do em-
pregado, como, por exemplo, gratificação de função, paga em decorrência do cargo ocupado, enquanto
o prêmio se vincula a fatores pessoais do trabalhador, tais como seu esforço, sua produtividade, haven-
do no prêmio um elemento de competição.

Em geral, a gratificação não é prevista na legislação , salvo exceções. Normalmente, a sua conces-
são depende da liberalidade do empregador, de cláusula constante do documento coletivo de trabalho
da categoria profissional respectiva, do contrato de trabalho ou, ainda, do Regulamento Interno da Em-
presa.

As condições para a sua concessão, da mesma forma que o prêmio, devem ser previamente fixa-
das no documento que lhe deu origem. O seu pagamento pode observar uma periodicidade mensal,
bimestral, semestral, anual, etc.; quanto ao valor, pode ser fixo ou variável.

Determina o § 2º do art. 457 da CLT, na redação da Lei nº 13.467/2017, que, ainda que pago com
habitualidade, o valor do prêmio, não integra a remuneração do trabalhador e não constitui base de in-
cidência de encargo trabalhista ou previdenciário.

Ainda que o mencionado § 2º do art. 457 da CLT não tenha textualmente mencionado a gratifica-
ção não determinada por lei, poder-se-ia entender que, por se tratar de verba de natureza semelhante
ao prêmio, a gratificação também não deveria integrar a remuneração para qualquer efeito. Entretanto,
o mencionado parágrafo a ela não se referiu.

Para efeitos trabalhistas, verifica-se que o caput e o §§ 1º e 2º do art. 457 e o caput do art. 458,
ambos da CLT, determinam que a remuneração é constituída pelo salário fixo, pelas gratificações legais,
pelas comissões pagas pelo empregador e pelas gorjetas. Portanto, para fins trabalhistas, as gratifica-
ções não determinadas por lei não integram a remuneração.

Não integram a remuneração, não se incorporam ao contrato de trabalho, ainda que pagos com
habitualidade e, portanto, não sofrem incidências trabalhistas e previdenciárias:
a) ajuda de custo
b) auxílio-alimentação (vedado o pagamento em dinheiro);
38 Guia de Cálculos Trabalhistas

c) diárias para viagem (independentemente do valor);


d) prêmios;
e) abonos
f) assistência médica ou odontológica (própria ou conveniada);
g) reembolso de despesas médico-hospitalares, com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédi-
cos, próteses, órteses e outras similares.

Entretanto, no tocante à legislação previdenciária, há previsão da não integração de prêmios e


abonos ao salário-de-contribuição, não havendo qualquer menção à gratificação.

Por todas estas razões, o órgão competente, no caso, a Secretaria da Receita Federal do Brasil
(RFB), poderá ser consultada acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a
título de gratificações não determinadas por lei.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alterou os §§ 1º e 4º do art.
457 da CLT, para determinar que integram o salário a importância fixa estipulada, as gorjetas, as comissões pagas pelo
empregador e as gratificações legais. Também alterou a Lei nº 8.212/1991 determinando que os prêmios e os abonos não
integram a remuneração para efeito previdenciário.
Determinou ainda que, consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, servi-
ços ou valor em dinheiro, a empregado ou grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente
esperado no exercício de suas atividades.
Observar que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, inciso XIV, consideram-se de natureza salarial
para fins do FGTS, as gratificações legais, as de função e as que tiverem natureza de contraprestação pelo trabalho.
Ocorre que o § 1º do art. 457 da CLT na redação da Lei nº 13.467/2017, determina que integram a remuneração as gratifi-
cações legais, ou seja, aquelas previstas na legislação. A citada instrução normativa, por seu turno, determina integrar
a remuneração as gratificações legais, as de função e quaisquer outras gratificações que tenha relação com o trabalho.
Entende-se que a citada Instrução Normativa extrapolou a determinação legal, elastecendo o conceito de remuneração,
o qual passa a abarcar outras parcelas de gratificação que não as determinadas pelo mencionado dispositivo da CLT.
Lembra-se que a instrução normativa é um ato administrativo governamental que não tem competência para modificar
a lei.
Prêmio e gratificação são verbas que, embora com nomenclaturas diversas, têm finalidades semelhantes e constituem
uma forma de incentivo; a gratificação tem aspecto mais abrangente e o prêmio, mais restrito; em outras palavras, a
gratificação é o gênero e o prêmio, a espécie. Assim, conclui-se que as duas verbas deveriam ter o mesmo tratamento
tributário.
O caput do art. 15 da Lei nº 8.036/1990 (Lei do FGTS), determina que: “Para os fins previstos nesta Lei, todos os em-
pregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância
correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na
remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090,
de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965”. Assim, ocorrendo alteração nos
mencionados artigos da CLT, conclui-se que essas modificações alcançam as determinações do mencionado art. 15.

Quebra de caixa

A parcela quebra-de-caixa constitui verba que geralmente é paga a empregados que lidam perma-
nentemente com dinheiro, numerários da empresa, tais como caixas de bancos, de lojas, etc.

Sua finalidade é ressarcir os eventuais prejuízos sofridos pelo empregado no exercício da sua ativi-
dade, posto que as diferenças a menor apuradas no seu movimento diário podem ser deduzidas do seu
salário; por esta razão, é conferida a ele esta verba como forma, também, de remunerar a preocupação
que a atividade lhe impõe.
Guia de Cálculos Trabalhistas 39

Inexiste na legislação qualquer dispositivo determinando o pagamento dessa verba. Esta obriga-
ção, quando existe, deflui do documento coletivo de trabalho da categoria profissional respectiva, do
Regulamento Interno da Empresa ou, ainda, da liberalidade do empregador.
Normalmente o valor da quebra de caixa é fixado por meio dos documentos coletivos de trabalho
pelos sindicatos das categorias profissionais respectivas.
Lembramos que, dentre os Precedentes Normativos do TST, observa-se o de nº 103, o qual dis-
põe: “GRATIFICAÇÃO DE CAIXA (Positivo). Concede-se ao empregado que exercer permanentemente a
função de caixa a gratificação de 10% (dez por cento) sobre seu salário, excluídos do cálculo adicionais,
acréscimos e vantagens pessoais”.
Considerando que a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram
desde 11.11.2017, alterou a redação do § 1º do art. 457 da CLT para determinar que integram o salário a
importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador, retirou de tal
integração as percentagens e gratificações ajustadas. Assim, em princípio, entende-se que, conforme
a nova redação do mencionado artigo, a quebra de caixa deixou de integrar a remuneração para efeitos
trabalhistas. Ressaltamos, porém, a possibilidade de entendimento diverso.
Contudo, no aspecto previdenciário, é bom lembrar que o caput do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, o
qual não foi alterado pela Lei nº 13.467/2017, determina que se entende por salário-de-contribuição do
empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendi-
mentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,
qualquer que seja a sua forma.

Importante
A Lei nº 13.467/2017 alterou o art. 457, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para dispor que integram o sa-
lário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador. Assim, a princípio,
para efeitos trabalhistas, a quebra de caixa não integra a remuneração, uma vez que não mais se enquadra nesse con-
ceito. O caput do art. 15 da Lei nº 8.036/1990 (Lei do FGTS), determina que: “para os fins previstos nesta Lei, todos os
empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância
correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na
remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090,
de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965”. Assim, ocorrendo alteração nos
mencionados artigos da CLT, conclui-se que essas modificações alcançam as determinações do mencionado art. 15.
Entretanto, vale lembrar que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, inciso XXIII, considera-se a
quebra de caixa de natureza salarial para fins do FGTS. Como a CLT, em seus §§ 1º e 3º do art. 457, na redação da Lei nº
13.467/2017, determina que integram a remuneração a importância fixa estipulada, as gratificações legais, as gorjetas e
as comissões pagas pelo empregador, entende-se que a quebra de caixa não se enquadra no conceito de remuneração.

Sobreaviso
Regime de sobreaviso é aquele em que o empregado, mesmo estando em gozo dos seus perío-
dos de repouso, fica à disposição do empregador aguardando a qualquer momento o chamado para o
serviço.
A tecnologia eletrônica disponibiliza diversos sistemas e aparelhos que podem ser utilizados pelo
empregado quando ele permanece em regime de sobreaviso, ou seja, aguardando ordens do emprega-
dor. Enquadram-se nesses casos o uso de “bip”, radiocomunicador portátil (walkie talkie), rádio PX, pager,
telefone celular, laptop, etc., os quais visam não só à pronta localização do empregado como também à
transmissão de instruções para a execução dos trabalhos e possibilita o contato com clientes.
Embora o citado regime tenha origem e previsão legal nos serviços ferroviários, ele pode ser es-
tendido, por analogia, a empregados de outras atividades empresariais que permaneçam fora do local
da prestação dos serviços, na expectativa de serem chamados ao serviço em horas destinadas a des-
canso e lazer. A duração da escala de sobreaviso é de 24 horas, no máximo.
40 Guia de Cálculos Trabalhistas

O Tribunal Superior do Trabalho, por meio da Súmula nº 428 determinou que considera-se em so-
breaviso o empregado que, à distância e submetido a controle patronal por instrumentos telemáticos
ou informatizados, permanecer em regime de plantão ou equivalente, aguardando a qualquer momento
o chamado para o serviço durante o período de descanso, observando-se que o uso de instrumentos
telemáticos ou informatizados fornecidos pela empresa ao empregado, por si só, não caracteriza o regi-
me de sobreaviso.
As horas de sobreaviso devem ser remuneradas à razão de 1/3 do salário normal e, em princípio,
entende-se que integram a remuneração do trabalhador por ser verba que remunera o tempo à disposi-
ção do empregador, tendo, portanto, natureza salarial.
Importante
Não obstante o anteriormente mencionado, a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigo-
ram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-A à CLT para determinar, entre outras disposições, que os documentos coletivos
de trabalho (acordo e convenção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre o regime de
sobreaviso.
Assim, o mencionado documento deverá ser consultado a fim de verificar a existência de determinação acerca do so-
breaviso. Em caso positivo, valerá as disposições do documento coletivo.

Exemplos
a) Empregado mensalista com salário de R$ 1.500,40 ficou 10 horas sob regime de sobreaviso no mês janei-
ro/2020. Assim temos:
Jornada mensal = 220 horas
- valor da hora normal de trabalho: R$ 6,82 (R$ 1.500,40 ÷ 220)
- valor da hora de sobreaviso:
R$ 6,82 ÷ 3 = R$ 2,27
- valor a pagar a título de sobreaviso:
R$ 2,27 × 10 = R$ 22,70
Remuneração mensal = R$ 1.523,10 (R$ 1.500,40 + R$ 22,70)
b) Empregado mensalista com salário de R$ 3.801,60, permaneceu 12 horas de sobreaviso, tendo sido chamado
para trabalhar por 4 horas.
Cálculo:
- valor da hora normal = R$ 17,28 (R$ 3.801,60 ÷ 220)
- Valor da hora de sobreaviso = R$ 5,76 (R$ 17,28 ÷ 3)
- Período a ser pago a título de sobreaviso = 8 horas (12-4)
- Valor das horas de sobreaviso = R$ 46,08 (R$ 5,76 × 8)
- valor das horas extras realizadas após o chamado ao trabalho = R$ 103,68 (R$17,28 × 1,50 × 4)
- Remuneração mensal = R$ 3.951,36 (R$ 3.801,60 = salário + R$ 46,08 = horas de sobreaviso + R$ 103,68 = horas
extras)

Abono

É comum os sindicatos representativos de categorias profissionais estabelecerem por meio de


negociação coletiva, a concessão de abonos. Entretanto, esta concessão pode ocorrer também por
determinação legal ou ainda, por mera liberalidade do empregador.
Guia de Cálculos Trabalhistas 41

Via de regra, a concessão ocorre como antecipação da correção salarial a se verificar na data-base
da categoria profissional respectiva. A concessão pode ocorrer por meio de percentual sobre o salário
ou mediante valor fixo.
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, al-
terou o art. 457 da CLT e acresceu a letra “z” ao § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 para determinar, entre
outros, que os abonos mesmo quando pagos com habitualidade, não integram a remuneração do em-
pregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer
encargo trabalhista e previdenciário.

Exemplos
a) empresa concede abono equivalente a 5% do salário dos empregados, no mês de janeiro/2020. Considerando
um empregado com salário fixado em R$ 2.300,00, temos:
- salário = R$ 2.300,00
- abono = R$ 115,00 (5% de R$ 2.300,00)
- salário de contribuição = R$ 2.300,00
b) a negociação coletiva estabeleceu a concessão de abono no valor de R$ 400,00 para os empregados. Consi-
derando um empregado com salário de R$ 2.000,00, temos:
- salário = R$ 2.000,00
- abono = R$ 400,00
- salário de contribuição = R$ 2.000,00

Abono de férias
A legislação trabalhista faculta ao empregado (e não ao empregador) a conversão de até 1/3 do
período de férias a que tiver direito, em abono pecuniário.
Dessa forma, um trabalhador com direito a 30 dias de férias pode converter em abono pecuniá-
rio alguns dias de suas férias desde que a conversão não ultrapasse 10 dias (1/3). Um trabalhador com
direito a 24 dias de férias (em virtude das faltas injustificadas verificadas no período aquisitivo), pode
converte até 8 dias em abono pecuniário (1/3).
O valor correspondente ao abono pecuniário, incluindo o terço constitucional sobre, ele não inte-
gra a remuneração do empregado.
Entretanto, algumas empresas, em virtude de determinações constante do documento coletivo
de trabalho da categoria profissional respectiva ou do seu regulamento interno, ou, ainda, da mera li-
beralidade do empregador, concedem aos seus empregados o chamado abono de férias, o qual não se
confunde com o abono pecuniário anteriormente comentado.
Desde que o abono de férias não ultrapasse quantia equivalente a 20 dias de salário do trabalha-
dor não integra a remuneração deste.

Exemplos
a) empregado com salário de R$ 3.000,00 gozará férias de 01 a 30 de abril/2020 e receberá, a título de abono de
férias, o valor correspondente a R$ 1.500,00. Assim temos:
- valor das férias = R$ 3.000,00
- valor equivalente a 20 dias de salário = R$ 2.000,00
42 Guia de Cálculos Trabalhistas

- valor do abono de férias = R$ 1.500,00


- remuneração de 04/2020 = R$ 3.000,00
O valor a ser pago a título de abono de férias (R$ 1.500,00) é inferior ao valor equivalente a 20 dias de salário
(R$ 2.000,00), portanto, não integra o valor da remuneração.
b) empregado com salário de R$ 3.000,00 gozará férias de 01 a 30 de abril de 2020 e receberá, a título de abono
de férias, o valor correspondente a R$ 2.100,00. Assim temos:

- valor das férias = R$ 3.000,00


- valor equivalente a 20 dias de salário = R$ 2.000,00
- valor do abono de férias = R$ 2.100,00
- remuneração de 04/2020 = R$ 5.100,00
Neste caso, o valor do abono de férias a ser pago é superior ao valor equivalente a 20 dias de salário, portanto
integra a remuneração do trabalhador.
Lembre-se que o recebimento de abono de férias não é cumulativo com o recebimento do terço constitucional,
devendo prevalecer o que for mais vantajoso para o empregado.

Adicional de insalubridade
O exercício do trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos
pela Secretaria de Previdência e Trabalho, assegura ao trabalhador a percepção de adicional de 40%,
20% e 10%, conforme a insalubridade se classifique nos graus máximo, médio e mínimo, respectivamente.

A CLT estabelecia que a base de cálculo do adicional em comento era o salário-mínimo da região.
Entretanto, estes foram extintos e estabelecido o salário-mínimo nacionalmente unificado.

Ocorre que a Constituição Federal vedou a vinculação do salário-mínimo para qualquer fim. As-
sim, a base de cálculo do adicional de insalubridade passou a constituir matéria controvertida.

Parte da doutrina e da jurisprudência trabalhista defendia o entendimento de que a Constituição,


ao vedar a vinculação do salário-mínimo para qualquer fim, não admitia, a sua utilização como base de
cálculo do adicional de insalubridade, portanto, desde então, o adicional de insalubridade deveria ser
calculado sobre a remuneração efetiva auferida pelo trabalhador. Outros argumentavam no sentido de
que a previsão constitucional apenas se referia à proibição da adoção do salário-mínimo como unidade
monetária, ou seja, como fator de indexação, não impedindo, portanto, sua utilização para base de cál-
culo da insalubridade.

O Supremo Tribunal Federal acabou com a divergência de entendimentos, ao determinar por meio
da Súmula Vinculante nº 4, que a aplicação do salário-mínimo como base de cálculo do adicional de
insalubridade é inconstitucional.

Dessa forma, até seja divulgada norma legal estabelecendo a base de cálculo do adicional de
insalubridade, recomenda-se que as empresas se acautelem diante do critério a ser adotado nos casos
concretos de cálculo e pagamento do referido adicional aos empregados, lembrando principalmente
que:
a) por meio de negociação coletiva de trabalho é possível se estabelecer em documento coletivo
a base de cálculo do adicional de insalubridade a ser aplicada pelas partes, observando-se,
contudo, a Súmula Vinculante nº 4, que veda a utilização do salário-mínimo na citada base de
cálculo;
Guia de Cálculos Trabalhistas 43

b) como medida preventiva para definição da base de cálculo, a empresa poderá consultar, an-
tecipadamente, a respectiva entidade sindical representativa dos empregados, a fim de se
certificar se há cláusula expressa em documento coletivo de trabalho tratando da matéria.

Não obstante o anteriormente exposto, a maioria da doutrina e da jurisprudência tem entendido


que o salário-mínimo deve ser mantido provisoriamente como base de cálculo do adicional de insalubri-
dade até que novo parâmetro seja fixado legal ou convencionalmente.

Desta forma, na ausência de previsão no documento coletivo da categoria profissional o salário-


-mínimo continua sendo utilizado pela maioria das empresas.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, acresceu o art. 611-B à CLT para determinar, entre outras disposi-
ções, que constitui objeto ilícito dos documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) a supressão ou a redução
do direito relativo ao adicional de remuneração para as atividades insalubres.
O art. 611-A, inserido na CLT pela mesma Lei, determinou, entre outras disposições, que os documentos coletivos de
trabalho (acordo e convenção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre o enquadramento
do grau de insalubridade.
Assim, embora a negociação coletiva não possa reduzir ou suprimir o valor do adicional de insalubridade, poderá dispor
sobre o enquadramento da atividade no grau respectivo.

Enquanto percebido, o adicional de insalubridade integra a remuneração para todos os efeitos


legais.

Exemplos
Observadas as alegações anteriores, procedemos aos cálculos do adicional de insalubridade utilizando como
base o salário-mínimo. Assim temos:
a) Considerando um trabalhador com salário de R$ 1.500,00, em março/2020, submetido a condições de insalu-
bridade no grau mínimo:
- salário = R$ 1.500,00
- salário-mínimo = R$ 1.045,00
- adicional aplicado = 10%
- adicional de insalubridade = R$ 104,50 (10% de R$ 1.045,00)
- remuneração total = R$ 1.604,50 (R$ 1.500,00 + R$ 104,50)
b) Considerando um trabalhador com salário de R$ 2.000,00 submetido a condições de insalubridade no grau
médio:
- salário = R$ 2.000,00
- salário-mínimo = R$ 1.045,00
- adicional aplicado = 20%
- adicional de insalubridade = R$ 209,00 (20% de R$ 1.045,00)
- remuneração total = R$ 2.209,00 (R$ 2.000,00 + R$ 209,00)
c) Considerando um trabalhador com salário de R$ 3.000,00 submetido a condições de insalubridade no grau
máximo:
- salário = R$ 3.000,00
- salário-mínimo = R$ 1.045,00
44 Guia de Cálculos Trabalhistas

- adicional aplicado = 40%


- adicional de insalubridade = R$ 418,00 (40% de R$ 1.045,00)
- remuneração total = R$ 3.418,00 (R$ 3.000,00 + R$ 418,00)

No caso de existência de mais de um agente insalubre, é devido apenas o percentual correspon-


dente ao grau mais elevado, para efeito de acréscimo salarial, sendo vedada a percepção cumulativa.

Ocorrendo a presença simultânea dos agentes insalubres e perigosos na execução dos serviços,
o empregado poderá optar por apenas um dos adicionais devidos.
Uma vez caracterizada a eliminação ou neutralização da insalubridade, cessa a obrigatoriedade do
pagamento do adicional respectivo.

Adicional de periculosidade
As atividades ou operações perigosas são aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho,
impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a:
a) inflamáveis, explosivos ou energia elétrica;
b) roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pes-
soal ou patrimonial.

São também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta.


A caracterização e a classificação da periculosidade, segundo as normas da Secretaria Especial de
Trabalho, fazem-se por intermédio de perícia a cargo de engenheiro do trabalho.
O empregado que trabalha em condições de periculosidade faz jus ao adicional de 30% sobre o
seu salário básico, ou seja, sem o acréscimo de outros adicionais. Em relação aos eletricitários, o cálculo
do adicional de periculosidade deverá ser efetuado sobre a totalidade das parcelas de natureza salarial.
O mencionado adicional quando pago com habitualidade integra a remuneração do empregado.
O direito do empregado ao adicional de periculosidade cessa com a eliminação do risco.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito dos documentos coletivos de trabalho (acordo
e convenção) a supressão ou a redução do direito relativo ao adicional de remuneração para as atividades perigosas.

Exemplos
a) Empregado mensalista com salário básico de R$ 2.000,00, cujo serviço é exercido em condições de periculo-
sidade:
- adicional de periculosidade = R$ 600,00 (30% de R$ 2.000,00);
- remuneração total = R$ 2.600,00 (R$ 2.000,00 + R$ 600,00)
b) Empregado diarista com salário básico de R$ 100,00 por dia, cujo serviço é exercido em condições de pericu-
losidade:
- adicional de periculosidade = R$ 30,00 (30% de R$ 100,00);
- remuneração/dia total = R$ 130,00 (R$ 100,00 + R$ 30,00)
Guia de Cálculos Trabalhistas 45

c) Empregado horista com salário básico de R$ 20,00 por hora, cujo serviço é exercido em condições de pericu-
losidade:
- adicional de periculosidade = R$ 6,00 (30% de R$ 20,00);
- remuneração/hora total = R$ 26,00 (R$ 20,00 + R$ 6,00)
Lembra-se que, tanto no exemplo “b” como no “c”, o empregado contratado nas modalidades de diarista e ho-
rista, o salário/dia e o salário/hora, ambos com o valor do adicional discriminado separadamente na folha de
pagamento da empresa e no recibo de pagamento do empregado, conforme o período trabalhado, não eximem
o empregador de efetuar em separado o cálculo do repouso semanal remunerado com a integração dos respec-
tivos adicionais de periculosidade, também lançados a parte.

Adicional extraordinário
Em geral, a duração normal do trabalho dos empregados no âmbito urbano ou rural não excederá
a 8 horas diárias e 44 semanais. Entretanto, algumas categorias profissionais por força de lei, de cláu-
sula de documento coletivo de trabalho ou ainda, do próprio contrato de trabalho tem jornada inferior
a esta.

A jornada de trabalho fixada poderá ser prorrogada em até 2 horas diárias mediante acordo indi-
vidual firmado por escrito em 2 vias, ficando uma delas com o empregador e outra com o empregado,
e deverá ser anotado em livros ou fichas de registro de empregados. O acordo poderá também ser co-
letivo.

Do acordo ou da convenção coletiva de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância


da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 50% superior à da hora normal, ressal-
vados os casos de compensação e as jornadas especiais. Todavia o percentual de acréscimo sobre o
valor da hora normal, poderá ser superior a 50% se assim estabelecerem as partes ou houver dispo-
sição em convenção ou acordo coletivo vigente. As horas extraordinárias integram a remuneração do
trabalhador.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à
CLT para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo
e convenção) a supressão ou redução do direito relativo à remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo,
em 50% à do normal.

O acordo pode ser firmado por prazo indeterminado ou determinado. Todavia, como a Justiça
do Trabalho, se solicitada, pode entender que durante o prazo de vigência do contrato o empregado
permanece à disposição do empregador fazendo jus às horas extras nele estipuladas, ainda que não
trabalhadas, aconselha-se:
a) firmá-lo por tempo determinado (10 dias, 4, 5, 6, meses, etc.), ou seja, pelo prazo necessário à
execução do serviço, renovando-o, se necessário;
b) incluir cláusula que faculte as partes cancelar a prorrogação ajustada, se, antes de findo o
prazo do contrato, a sua continuidade não for conveniente ao empregado, ou se terminar ou
diminuir o serviço que a ocasionou.
O acordo de prorrogação de horas não pode ser celebrado com:
a) os empregados contratados sob o regime de tempo parcial cuja duração não exceda a 30
horas semanais;
b) cabineiros de elevador (ascensoristas);
46 Guia de Cálculos Trabalhistas

c) telefonistas, as quais somente poderão prestar serviço, além do período normal (máximo 6
horas diárias), em caso de indeclinável necessidade;
d) empregados que exerçam atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho,
devendo tal condição ser anotada na Carteira de Trabalho e no registro de empregados;
e) gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam, os
diretores e chefes de departamento ou filial;
f) empregados em regime de teletrabalho.

Importante
Considera-se trabalho em regime de tempo parcial aquele cuja duração não exceda a:
- 30 horas semanais, sem possibilidade de prorrogação de horas;
- 26 horas semanais, podendo haver até 6 horas suplementares semanais, compensadas diretamente até a semana ime-
diatamente posterior à da sua execução ou paga como hora extra (50%) na folha de pagamento do mês subsequente.
Na hipótese de o contrato de trabalho em regime de tempo parcial ser estabelecido em número inferior a 26 horas se-
manais, as horas suplementares serão consideradas horas extras, estando também limitadas a 6 horas suplementares
semanais.

É vedado prorrogar a duração normal diária do trabalho do menor de 18 anos de idade, exceto nas
seguintes condições:
a) até 2 horas, independentemente de acréscimo salarial, mediante convenção ou acordo cole-
tivo, desde que o excesso de horas em um dia seja compensado pela diminuição em outro,
de modo a ser observado o limite máximo de 44 horas semanais e 10 horas diárias, ou outro
inferior, legalmente fixado;
b) até o máximo de 12, excepcionalmente, por motivo de força maior, com acréscimo salarial de,
pelo menos, 50% sobre a hora normal e desde que o trabalho do menor seja imprescindível ao
funcionamento do estabelecimento.
As horas extraordinárias devem ser calculadas com base na remuneração, ou seja, salário acrescido
das parcelas de natureza salarial.

Exemplos
a) Empregado com salário normal (sem parcelas adicionais de natureza salarial) de R$ 1.540,00 e com direito ao
adicional legal de 50% de hora extra, realizou no mês 20 horas extraordinárias. Assim temos:
- valor da hora normal = R$ 7,00 (R$ 1.540,00 ÷ 220)
- valor do adicional de horas extra = 50%
- valor da hora extra = R$ 10,50 (R$ 7,00 × 1,50)
- valor total das horas extras devidas = R$ 210,00 (R$ 10,50 × 20)
b) Empregado com remuneração de R$ 1.320,00 e com percepção de adicional de horas extras de 70% concedido
por meio de documento coletivo de trabalho, realizou no mês 46 horas extraordinárias. Assim temos:
- valor da hora normal = R$ 6,00 (R$ 1.320,00 ÷ 220)
- valor do adicional de horas extra = 70%
- valor da hora extra = R$ 10,20 (R$ 6,00 × 1,70)
- valor total das horas extras devidas = R$ 469,20 (R$ 10,20 × 46)
c) Empregado com remuneração de R$ 1.760,00 e, por força do documento coletivo de trabalho da categoria
profissional, tem direito a adicional de 60% na primeira hora extra e 70% na segunda hora extra, realizou no mês
2 horas extras diárias, totalizando 40 horas extras. Assim temos:
Guia de Cálculos Trabalhistas 47

- valor da hora normal = R$ 8,00 (R$ 1.760,00 ÷ 220)


- valor do adicional da 1º hora extra = 60%
- valor do adicional da 2º hora extra = 70%
- valor da 1ª hora extra = R$ 12,80 (R$ 8,00 × 1,60)
- valor da 2ª hora extra = R$ 13,60 (R$ 8,00 × 1,70)
- valor das 20 horas extras com adicional de 60% = R$ 256,00 (R$ 12,80 × 20)
- valor das 20 horas extras com adicional de 70% = R$ 272,00 (R$ 13,60 × 20)
- valor total das horas extras devidas = R$ 528,00 (R$ 272,00 + R$ 256,00)
d) Empregado com salário básico de R$ 1.980,00, com adicional de hora extra de 50% e percepção de adicional de pe-
riculosidade de 30% sobre o salário, realizou no mês 2 horas extras diárias, totalizando 44 horas extras. Assim temos:
- valor da hora normal = R$ 9,00 (R$ 1.980,00 ÷ 220)
- valor do adicional de horas extra = 50%
- valor do adicional de periculosidade sobre a hora = R$ 2,70 (30% de R$ 9,00)
- base de cálculo da hora extra = R$ 11,70 (R$ 9,00 + R$ 2,70)
- valor da hora extra = R$ 17,55 (R$ 11,70 × 1,50)
- valor total das horas extras devidas = R$ 772,20 (R$ 17,55 × 44)
Empregado com salário mensal de R$ 2.200,00, com adicional de hora extra de 50% trabalha no horário noturno
e realizou no mês 38 horas extras. Assim temos:
- valor da hora normal = R$ 10,00 (R$ 2.200,00 ÷ 220)
- valor do adicional de horas extra = 50%
- valor do adicional noturno sobre a hora = R$ 2,00 (20% de R$ 10,00)
- base de cálculo da hora extra = R$ 12,00 (R$ 10,00 + R$ 2,00)
- valor da hora extra = R$ 18,00 (R$ 12,00 × 1,50)
- valor total das horas extras devidas = R$ 684,00 (R$ 18,00 × 38)

Supressão de horas extra - Indenização


As horas extras prestadas habitualmente durante pelo menos 1 ano, se suprimidas, total ou par-
cialmente, pelo empregador, assegura ao empregado o direito à indenização correspondente ao valor
de um mês das horas suprimidas, total ou parcialmente, para cada ano ou fração igual ou superior a 6
meses de prestação de serviço acima da jornada normal.
O cálculo deve ser efetuado com base na média das horas suplementares nos últimos 12 meses
anteriores à supressão multiplicada pelo valor da hora extra do dia da supressão.

Exemplos
Supressão total
a) Empregado presta serviços extraordinários durante 3 anos e 9 meses. As horas extras serão totalmente supri-
midas em fevereiro/2020. Seu salário/hora na data da supressão total das horas extras será de R$ 7,00.
Horas extras - Média - Apuração
Janeiro/2020 = 40h
Dezembro/2019 = 36h
Novembro/2019 = 39h
Outubro/2019 = 52h
48 Guia de Cálculos Trabalhistas

Setembro/2019 = 30h
Agosto/2019 = 28h
Julho/2019 = 25h
Junho/2019 = 14h
Maio/2019 = 33h
Abril/2019 = 44h
Março/2019 = 24h
Fevereiro/2019 = 23h
TOTAL = 388 horas
Média 388 ÷ 12 = 32,33
- Salário/hora normal = R$ 7,00
- Salário/hora extra = R$ 10,50 (R$ 7,00 × 1,50)
- Indenização/valor = R$ 1.357,88 (R$ 10,50 × 32,33 = R$ 339,47 × 4)
Supressão parcial
b) Empregado prestou 2 horas diárias de serviços extraordinários durante 3 anos e 2 meses. Em julho de 2019,
houve a supressão parcial de 1 hora extra por dia. Seu salário/hora na data da supressão total das horas extras
foi de R$ 8,00. Assim temos:
Horas extras - Média - Apuração
Junho/2019 = 40h
Maio/2019 = 36h
Abril/2019 = 39h
Março/2019 = 52h
Fevereiro/2019 = 30h
Janeiro/2019 = 28h
Dezembro/2018 = 25h
Novembro/2018 = 14h
Outubro/2018 = 33h
Setembro/2018 = 44h
Agosto/2018 = 24h
Julho/2018 = 23h
TOTAL = 388 horas
Média das horas extras total 388 ÷ 12 = 32,33
Média de horas extras suprimidas = 194 (388 ÷ 2)
Média mensal das horas extras suprimidas (194 ÷ 12 = 16,17)
- Salário/hora normal = R$ 8,00
- Salário/hora extra = R$ 12,00 (R$ 8,00 × 1,50)
- Indenização/valor = R$ 582,12 (R$ 12,00 × 16,17 = R$ 194,04 × 3)

Adicional noturno
O trabalho em horário noturno exige maior esforço do organismo humano, por desenvolver-se em
período normalmente destinado ao repouso do trabalhador e, ainda, pode gerar sérias dificuldades no
relacionamento familiar do trabalhador, comprometendo inclusive o seu bem-estar social.
Guia de Cálculos Trabalhistas 49

Por tais razões, à atividade noturna aplicam-se regras especiais de tutela ao trabalho, tanto no
que concerne à remuneração dos serviços quanto à duração da jornada, sem prejuízo de outras normas
gerais de proteção trabalhista.
É considerado noturno na atividade urbana o trabalho executado entre as 22 horas de um dia e as
5 horas do dia seguinte.
Nas atividades rurais, considera-se noturno o trabalho executado entre:
a) as 21 horas de um dia e as 5 horas do dia seguinte, na lavoura; e
b) as 20 horas de um dia e as 4 horas do dia seguinte, na pecuária.
A hora do trabalho noturno é computada como de 52 minutos e 30 segundos (7 minutos e 30 se-
gundos de redução em relação à hora diurna) para atividades urbanas.
Na prática, significa que 1 hora normal, trabalhada em período diurno, equivale a 60 minutos efeti-
vamente trabalhados, enquanto que no período noturno corresponde apenas a 52 minutos e 30 segun-
dos de efetivo trabalho. Nas atividades rurais, a hora noturna tem duração de 60 minutos, não sofrendo,
por conseguinte, qualquer redução temporal.
Aos empregados urbanos o trabalho noturno é remunerado com acréscimo de 20%, no mínimo,
sobre a hora diurna. Na área rural, esse acréscimo é de 25%.

Exemplos
a) considerando um empregado mensalista, com jornada de 220 horas mensais e com salário de R$ 1.100,00 e
que trabalha no horário das 22 horas às 5 horas, temos:
- salário-base mensal = R$ 1.100,00
- jornada mensal = 220 horas noturnas
Valor do adicional noturno mensal = R$ 220,00 (20% de R$ 1.100,00)
remuneração mensal = R$ 1.320,00 (R$ 1.100,00 + R$ 220,00)
b) considerando um empregado mensalista com salário de R$ 1.210,00, que labora parte da jornada em horário
noturno e parte em horário diurno e, em determinado mês realizou 80 horas noturnas, sem elastecer a jornada
mensal. Considerando que no mês houve 4 RSR, temos:
Dados fictícios
Salário-base mensal = R$ 1.210,00
Jornada mensal = 220 horas
Nº de horas noturnas trabalhadas = 80 horas
Nº de horas diurnas trabalhadas = 140 horas
Valor da hora diurna = R$ 5,50
Valor do adicional noturno = R$ 1,10
Valor da hora noturna = R$ 6,60
Remuneração mensal apurada
Salário-base = R$ 1.210,00
Adicional noturno devido = R$ 88,00 (R$ 1,10 × 80)
Integração do adicional noturno no RSR:
a) R$ 3,38 = R$ 88,00 ÷ 26 (nº de dias úteis no mês);
b) R$ 3,38 × 4 (nº de domingos e feriados no mês);
c) R$ 13,52 (valor a ser pago a título de integração do adicional noturno ao RSR).
Reflexo do adicional noturno no DSR = R$ 13,52
Total da remuneração = R$ 1.311,52 (R$ 1.210,00 +R$ 88,00 + R$ 13,52)
50 Guia de Cálculos Trabalhistas

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) a supressão ou redução da remuneração do trabalho noturno superior ao do diurno.

Adicional de transferência
Em observância ao princípio da inalterabilidade do contrato proíbe-se ao empregador transferir o
empregado, sem sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando
transferência a que não acarretar, necessariamente, a mudança de domicílio. Portanto, caracteriza-se a
transferência quando o deslocamento do empregado de um estabelecimento para outro implica mu-
dança de domicílio.

Essa regra, no entanto, não é absoluta, admitindo exceções. Assim, em caso de real necessidade
de serviço, é lícito ao empregador efetuar a transferência quando se tratar de:
a) empregados que exerçam cargos de confiança;
b) condição implícita ou explícita de transferência constante do contrato;
c) transferência provisória; ou
d) extinção do estabelecimento.

Quando o empregado for transferido provisoriamente para localidade diversa da resultante do


contrato de trabalho (deslocamento que acarreta mudança de domicílio), o empregador ficará obrigado
a pagar-lhe um adicional de, no mínimo, 25% de seu salário, enquanto durar a transferência.

Esse acréscimo tem natureza salarial, portanto, é computado para efeito de férias, 13º salário, re-
pouso semanal remunerado, desconto do Imposto de Renda na Fonte, contribuições previdenciárias,
depósito do FGTS, etc.

Exemplos
Empregado foi contratado para trabalhar em estabelecimento da empresa situado em São Paulo. Decorridos
alguns meses, em virtude de necessidade de serviço, a empresa deslocou este empregado, com a sua concor-
dância, para a filial situada em Osasco onde o mesmo passou a trabalhar.
Nesta situação foi caracterizada tão somente a mudança de local de trabalho e não a transferência, pois o des-
locamento de São Paulo para Osasco não determinou a mudança de domicílio do empregado, uma vez que este
pode diariamente se deslocar de São Paulo para Osasco e vice-versa. Assim não há que se falar em pagamento
de adicional de transferência, entretanto, se a mudança do local de trabalho acarretar aumento das despesas
com transporte, a empresa deverá pagá-las ao empregado.
Empregado contratado para trabalhar na filial de São Paulo foi transferido definitivamente, e com a sua concor-
dância, para a filial situada em Presidente Prudente.
Nesta situação ocorreu a transferência, pois é inviável o deslocamento diário deste trabalhador de São Paulo
para Presidente Prudente. Por tal razão a mudança de domicílio é inevitável. Entretanto, não é devido o pagamen-
to de adicional de transferência posto que a transferência foi definitiva e não provisória. Assim, a empresa deverá
arcar tão somente com as despesas com a transferência (viagem do empregado e familiares, mudança, etc.).
Empregado contratado para trabalhar em São Paulo, por necessidade de serviço e com a sua concordância,
foi transferido para trabalhar pelo período de 9 meses, na filial situada em Presidente Prudente. Nesta situação
ocorreu a transferência, pois é inviável o deslocamento diário deste trabalhador de São Paulo para Presidente
Prudente. Por tal razão a mudança de domicílio é inevitável e é devido o pagamento de adicional de transferência
posto que a transferência foi provisória, ocorrendo apenas durante 9 meses, findo os quais o trabalhador retor-
nará para o estabelecimento de São Paulo.
Guia de Cálculos Trabalhistas 51

Cálculo do adicional
Considerando que o empregado tenha salário de R$ 5.000,00, receberá durante o período em que perdurar a
transferência:
- salário básico R$ 5.000,00
- adicional de transferência = R$ 1.250,00 (25% de R$ 5.000,00)
- remuneração total durante a transferência = R$ 6.250,00 (R$ 5.000,00 + R$ 1.250,00)
Findo o período de transferência a remuneração do trabalhador voltará a ser de R$ 5.000,00, posto que o adicio-
nal deixará de ser pago.

Adicional de função

Quando o empregado é promovido, passando a ocupar cargo de relevância na empresa, em geral,


posições de confiança do empregador (gerentes, diretores, auditores, etc.), é comum o pagamento de
um adicional ao salário em virtude do exercício do cargo.

Esse acréscimo salarial é devido em observância às determinações do art. 468 da CLT, o qual
estabelece que nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições
por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao
empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.

Assim, se com a promoção havida o empregado passa a assumir maiores encargos e responsa-
bilidades, deverá receber o acréscimo salarial decorrente, sob pena de ficar configurada a alteração
contratual com prejuízo. Por tais razões, o adicional de função pago se reveste das características de
gratificação legal e, por conseguinte, integra a remuneração do trabalhador.

Exemplos
a) Empregado é promovido a diretor. Seu salário básico é R$ 15.000,00 e passa a receber o adicional de função
de 10%.
Neste caso, a remuneração do trabalhador corresponde a:
- salário básico = R$ 15.000,00 - adicional de função = R$ 1.500,00 (10% de R$ 15.000,00)
- remuneração = R$ 16.500,00
b) Empregado passa a exercer a função de gerente com salário básico de R$ 8.000,00 e adicional de função de
R$ 3.500,00.
- remuneração = R$ 11.500,00 (R$ 8.000,00 + R$ 3.500,00)

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alterou a redação do art.
468 da CLT para determinar, entre outras disposições, que, havendo a reversão do empregado ao cargo efetivo, ante-
riormente ocupado, com ou sem justo motivo, deixando o exercício de função de confiança, deixa de existir o direito à
manutenção do pagamento da gratificação correspondente, que não será incorporada, independentemente do tempo
de exercício da respectiva função.

Adicional por tempo de serviço

É verba paga ao empregado em virtude do tempo de vigência do contrato de trabalho na empresa.


Em geral é fixada com base em percentual sobre o salário básico ou quantia previamente estipulada.
52 Guia de Cálculos Trabalhistas

Assim temos, entre outros:


Anuênio - concedida a cada ano completo de trabalho.
Biênio - valor devido a cada 2 anos completos de trabalho.
Quinquênio - valor concedido a cada 5 anos completos de trabalho.

Considerando que a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram
desde 11.11.2017, alterou a redação do § 1º do art. 457 da CLT para determinar que integram o salário a
importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador, retirou de tal
integração as percentagens e gratificações ajustadas. Assim, em princípio, entende-se que, conforme
a nova redação do mencionado artigo, os adicionais por tempo de serviço, por não constituírem grati-
ficações legais, deixaram de integrar a remuneração para efeitos trabalhistas. Ressaltamos, porém, a
possibilidade de entendimento diverso.

Contudo, no aspecto previdenciário, é bom lembrar que o caput do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, o
qual não foi alterado pela Lei nº 13.467/2017, determina que se entende por salário-de-contribuição do
empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendi-
mentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,
qualquer que seja a sua forma.

Exemplos
a) o documento coletivo de trabalho da categoria profissional determina que a cada 5 anos completos trabalha-
dos na mesma empresa o empregado terá direito a 5% de adicional de tempo de serviço (quinquênio) calculado
sobre o seu salário básico.

Considerando um trabalhador com 16 anos de serviço na empresa e com salário básico de R$ 7.000,00 temos:

- salário básico = R$ 7.000,00

- valor do quinquênio = R$ 350,00 (5% de R$ 7.000,00)

- tempo de serviço na empresa 16 anos = 3 quinquênios

- valor dos quinquênios = R$ 1.050,00 (R$ 350,00 × 3)

- remuneração total para efeitos trabalhistas = R$ 7.000,00 )

b) o contrato individual de trabalho contém cláusula determinado a concessão de adicional de tempo de serviço
de R$ 500,00 a cada 2 anos de trabalho prestados (biênio).

Considerando um empregado contratado com salário de R$ 5.000,00 e com 10 anos de trabalho, temos:

- salário básico = R$ 5.000,00

- biênios devidos = 5

- valor do adicional = R$ 500,00

- valor total dos biênios devidos = R$ 2.500,00 (R$ 500,00 × 5)

- remuneração total para efeitos trabalhistas = R$ 5.000,00)

Quanto à integração dos adicionais por tempo de serviço no salário-de-contribuição previdenciária, em virtude
da não alteração do caput do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil poderá
ser consultada.
Guia de Cálculos Trabalhistas 53

Importante
A legislação previdenciária (Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º) determina que não integram a remuneração para efeito de
cálculo da contribuição previdenciária exclusivamente as seguintes parcelas:
a) os benefícios da Previdência Social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade;
b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929/1973;
c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo antigo Ministério do
Trabalho, nos termos da Lei nº 6.321/1976;
Não obstante o mencionado na letra “c”, deve-se observar que a Lei nº 13.467/2017, a qual é posterior à Lei nº 8.212/1991,
determinou que o auxílio-alimentação não integra a remuneração, ainda que pago com habitualidade, e, portanto, não
sofre incidências trabalhistas e previdenciárias.
d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor
correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da CLT;
e) as importâncias:
1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias;
2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo FGTS;
3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT;
4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889/1973;
5. recebidas a título de incentivo à demissão;
6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT;
7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;
Lembrar que a Lei nº 13.467/2017, a qual é posterior à Lei nº 8.212/1991, determinou que o abono não integra a remunera-
ção, ainda que paga com habitualidade.
8. recebidas a título de licença-prêmio indenizada;
9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238/1984;
f) a parcela recebida a título de vale-transporte, na forma da legislação própria;
g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do
empregado, na forma do art. 470 da CLT;
Não obstante o mencionado na letra “g”, deve-se observar que a Lei nº 13.467/2017, a qual é posterior à Lei nº 8.212/1991,
determinou que a ajuda de custo, não integra a remuneração, ainda que paga com habitualidade, e, portanto, não sofre
incidências trabalhistas e previdenciárias.
h) as diárias para viagens;
i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos
da Lei nº 6.494/1977;
j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;
l) o abono do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Assistência ao Servidor Público (Pasep);
m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado con-
tratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da
atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pela Secretaria Especial
de Previdência e Trabalho
n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxílio-doença, desde que este direito
seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;
o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº
4.870/1965;
p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência comple-
mentar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que
couber, os arts. 9º e 468 da CLT;
q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela con-
veniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses,
despesas médico-hospitalares e outras similares
54 Guia de Cálculos Trabalhistas

r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no


local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;
s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso-creche pago em conformidade
com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas
as despesas realizadas;
t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus depen-
dentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de
empregados, nos termos da Lei nº 9.394/1996, e:
1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e
2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% da
remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo
mensal do salário-de-contribuição, o que for maior;
u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade,
de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069/1990;
v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;
x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT;
y) o valor correspondente ao vale-cultura;
z) os prêmios e os abonos.
aa) os valores recebidos a título de bolsa-atleta, em conformidade com a Lei no 10.891/2004.
A legislação do FGTS determina que não integram a remuneração para efeito dos depósitos fundiários, entre outras:
I - participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a Lei
nº 10.101/2000;
II - abono correspondente à conversão de um terço das férias em pecúnia e seu respectivo adicional constitucional;
III - abono ou gratificação de férias, concedido em virtude de contrato de trabalho, de regulamento da empresa, de
convenção ou acordo coletivo de trabalho, cujo valor não exceda a vinte dias do salário;
IV - o valor correspondente ao pagamento da dobra da remuneração de férias concedidas após o prazo legal;
V - importâncias recebidas a título de férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional;
VI - indenização por tempo de serviço anterior a 05.10.1988, de empregado não optante pelo FGTS;
VII - indenização relativa à dispensa de empregado no período de trinta dias que antecede sua data-base, de acordo
com o disposto no art. 9º da Lei nº 7.238/1984;
VIII - indenização por despedida sem justa causa do empregado nos contratos com termo estipulado de que trata o
art. 479 da CLT, bem como na indenização prevista na alínea “f” do art. 12 da Lei nº 6.019/1974;
IX - indenização do tempo de serviço do safrista, quando do término normal do contrato de que trata o art. 14 da Lei
nº 5.889/1973;
X - indenização recebida a título de incentivo à demissão;
XI - indenização de quarenta por cento sobre o montante de todos os depósitos de FGTS realizados na conta vincu-
lada do trabalhador.
XVIII - vale-transporte, nos termos e limites legais, bem como transporte fornecido pelo empregador para desloca-
mento ao trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público;
XIX - valor da multa paga ao trabalhador em decorrência do atraso na quitação das parcelas rescisórias;
XX - abono do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Assistência ao Servidor Público (Pasep);
XXI - valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pelo empregador ao empregado
contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da
atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pela Secretaria Especial
de Previdência e Trabalho;
XXII - importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxílio-doença, desde que este direi-
to seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;
XXIII - parcelas destinadas à assistência ao empregado da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº
4.870/1965;
Guia de Cálculos Trabalhistas 55

XXIV - valor das contribuições efetivamente pagas pelo empregador a título de previdência privada;
XXV - valor relativo a assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente pelo empregador ou me-
diante seguro-saúde;
XXVI - valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados
no local de trabalho para prestação dos serviços;
XXVII - ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado, quando devidamente comprovadas;
XXVIII - valor relativo à concessão de educação, em estabelecimento de ensino do empregador ou de terceiros,
compreendendo valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;
XXIX - valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;
XXX - auxílio-creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, para ressarcimento de despesas devida-
mente comprovadas com crianças de até 6 (seis) anos de idade;
XXXI - auxílio-babá, limitado ao salário-mínimo, pago em conformidade com a legislação trabalhista e condicionado
a comprovação do registro na Carteira de Trabalho, para ressarcimento de despesas de remuneração e contribuição
previdenciária de empregado que cuide de crianças de até 6 anos de idade;
XXXII - valor de prêmios; e
XXXIII - o valor do tempo de espera, nos termos do § 9º do art. 235-C da CLT.

Verba de representação

Quando o empregado, em virtude do cargo ocupado, tem, entre suas atribuições, a de representar
a empresa em eventos realizados fora do estabelecimento desta, tais como reuniões, jantares, viagens
de negócios, etc., é comum receberem um valor determinado para cobrir as despesas efetuadas com
esta representação, que é a chamado “verba de representação”. Tais despesas não precisam ser com-
provadas mediante nota.

Essa verba tem, portanto, caráter de ressarcimento (indenização) e, desta forma, não integra a
remuneração do trabalhador.

Indenizações

A indenização tem por finalidade compensar o empregado por um dano ou prejuízo sofrido, por-
tanto, não tem relação com o trabalho ou com o tempo à disposição do empregador e, assim sendo, não
integra a remuneração.

As indenizações mais comuns são:

Multa rescisória do FGTS ou indenização compensatória

Quando o empregador dispensa o empregado sem justo motivo fica obrigado a depositar na sua
conta vinculada do FGTS a importância correspondente a 40% de todos os depósitos efetuados na
vigência do contrato de trabalho devidamente corrigidos e acrescido dos valores devidos no mês da
rescisão e do mês anterior que ainda não tiver sido depositado.

Se a ruptura contratual ocorrer por culpa recíproca ou força maior, reconhecida pela Justiça do
Trabalho, a multa será de 20%.

Quando o contrato de trabalho for extinto por acordo entre as partes (empregado e empregador),
a multa rescisória é devida pela metade.
56 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplo
Empregado dispensado sem justa causa tem assegurados R$ 120.000,00 de depósitos na sua conta do FGTS no
momento da dispensa, já tendo sido depositado o valor relativo ao mês anterior à ruptura contratual.

O valor de FGTS devido sobre as verbas rescisórias é igual a R$ 1.050,00 (8% sobre parcelas de natureza salarial).

Assim temos:

Dados fictícios:
- valor dos depósitos efetuados na conta vinculada devidamente corrigidos e acrescido dos juros correspon-
dentes = R$ 120.000,00

- valor dos depósitos devidos sobre verbas rescisórias a ser depositado na conta = R$ 1.050,00.

- valor da multa rescisória ou indenização compensatória a ser paga pela empresa ao empregado = 40% de R$
121.050,00 (R$ 120.000,00 + R$ 1.050,00)

- valor da multa rescisória = R$ 48.420,00

Indenização por tempo de serviço

Até a promulgação da Constituição Federal ocorrida em 05.10.1988, o empregado, no momen-


to da contratação, optava por integrar ou não o regime do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). Aqueles que optavam por não integrar o FGTS eram chamados de não optantes e, na ocor-
rência da ruptura contratual por parte do empregador e sem justo motivo, tinham direito a uma inde-
nização que correspondia a 1 mês da maior remuneração por ano de serviço ou ano e fração superior
a 6 meses.

A partir da promulgação da Constituição deixou de haver a possibilidade de opção passando to-


dos os empregados, inclusive os até então não optantes, a serem abrangidos pelo regime do FGTS.

Exemplo
Empregado contratado em 1º.01.1980 na condição de não optante pelo FGTS, foi dispensado sem justo motivo
em 1º.10.2019. Sua maior remuneração na empresa foi R$ 2.500,00.

Cálculo da indenização decenal

- maior remuneração = R$ 2.500,00

- tempo de serviço na condição de não optante = 8 anos e 9 meses (1º.01.1980 até 04.10.1988)

- Indenização decenal devida = R$ 22.500,00 (R$ 2.500,00 × 9)

Portanto, no cálculo da indenização foi considerado apenas o tempo de serviço na condição de não optante, ou
seja, o tempo anterior à data da promulgação da Constituição Federal.

O valor da indenização não integra a remuneração.

Ao completar 10 anos de trabalho na condição de não optante, o empregado passava a gozar de


estabilidade decenal, não podendo mais ser dispensado sem justa causa. O que vale dizer que a ruptura
do contrato de trabalho deste empregado só poderia ocorrer caso este cometesse falta grave ou então
por circunstância de força maior devidamente comprovada mediante inquérito judicial. Caso a empresa
fosse extinta sem a ocorrência de força maior, o empregado teria direito à indenização em dobro.
Guia de Cálculos Trabalhistas 57

Exemplo
Empregado admitido em 1º.02.1977 na condição de não optante teve o seu contrato de trabalho rompido em
20.10.2019 em decorrência do fechamento total da empresa sem motivo de força maior. Sua maior remuneração
foi de R$ 3.000,00. Assim, temos:
- maior remuneração = R$ 3.000,00
- tempo de serviço como não optante = 11 anos, 8 meses e 4 dias (período de 1º.02.1977 a 04.10.1988)
- indenização devida = R$ 72.000,00 (R$ 3.000,00 × 12 × 2)
No cálculo da indenização foram considerados 12 anos, pois a fração apurada após os 11 anos trabalhados na
condição de não optante foi superior a 6 meses. Considerando-se que nesta hipótese de rescisão a remuneração
é dobrada, o resultado da indenização apurada foi multiplicado por 2.

Indenização por despedida sem justo motivo nos contratos a prazo determinado
Nos contratos a prazo determinado, sem cláusula assecuratória de rescisão antecipada, caso o
mesmo venha a ser rompido, sem justo motivo e por iniciativa do empregador, antes do termo final
avençado, o empregado terá direito à indenização correspondente à metade da remuneração que lhe
seria devida até o final previsto do contrato.
A rescisão antecipada, sem justa causa, motivada pelo empregado obriga-o a indenizar o empre-
gador dos prejuízos resultantes. A indenização, contudo, não pode exceder àquela a que o empregado
teria direito em idênticas condições. Ressalta-se, entretanto, que a Justiça do Trabalho tem exigido a
comprovação dos prejuízos por meio de documentos, não bastando a simples alegação do empregador
de que tal ato (rescisão) resultou em prejuízo para a empresa.

Exemplo
Empregado mensalista contratado a prazo determinado para prestar serviços no período de 1º.02 a 30.06.2019,
teve o contrato de trabalho rompido sem justo motivo por iniciativa do empregador, em 30.04.2019. Seu salário
na ocasião era de R$ 3.500,00.
Cálculo da indenização:
Remuneração = R$ 3.500,00
- tempo que faltava para o término do contrato = 2 meses (1º.05 a 30.06.2019)
- R$ 3.500,00 × 2 = R$ 7.000,00 ÷ 2 = R$ 3.500,00
- valor da indenização devida = R$ 3.500,00

Indenização adicional (dispensa antes da data-base)


Ao empregado dispensado sem justa causa, no período de 30 dias que antecede a data de sua cor-
reção salarial (data-base), é assegurado o direito à indenização adicional equivalente a 1 salário mensal.

Exemplos
a) Empregado foi dispensado sem justo motivo em 30.10.2019, com aviso-prévio indenizado correspondente a
30 dias, sendo que a data-base da categoria profissional respectiva é 1º.12. Na ocasião, o seu salário era de R$
1.800,00. Assim, temos:
- dia da dispensa: 30.10.2019
- último dia do aviso-prévio (projetado): 29.11.2019
- período de 30 dias que antecede a data-base: 1º a 30.11.2019
- indenização devida: R$ 1.800,00
58 Guia de Cálculos Trabalhistas

Observe-se que o último dia do aviso-prévio projetado recaiu dentro dos 30 dias que antecedem a data-base,
razão pela qual a indenização é devida.
b) Empregado foi dispensado sem justo motivo em 03.11.2019, com aviso-prévio indenizado correspondente a 30
dias, sendo que a data-base da categoria profissional respectiva é 1º.12. Na ocasião, o seu salário era de R$ 3.000,00.
Assim, temos:
- dia da dispensa: 03.11.2019
- último dia do aviso-prévio (projetado): 03.12.2019
- período de 30 dias que antecede a data-base: 1º a 30.11.2019
Neste exemplo, observa-se que o último dia do aviso-prévio projetado recaiu no mês da data-base e não no pe-
ríodo de 30 dias que a antecedem, razão pela qual a indenização não é devida.

Indenização por demissão voluntária


Algumas empresas em virtude de dificuldades econômicas negociam diretamente com os empre-
gados ou com o sindicato da categoria profissional respectiva, a instituição, no seu âmbito, do chamado
Programa de Demissão voluntária (PDV). Os trabalhadores que aderirem ao mencionado programa re-
cebem, a título de indenização, quantia equivalente a determinado percentual sobre o salário, por ano
de serviço prestado à empresa. O valor pago a este título não integra a remuneração.
Exemplo
A empresa instituiu o PDV o qual prevê o pagamento de 90% do salário por ano de serviço ao empregado que
aderir ao programa. Considerando que um empregado com salário de R$ 4.000,00 e 15 anos de trabalho na em-
presa opte por aderir ao PDV, temos:
- percentual sobre o salário = 90%
- salário do trabalhador = R$ 4.000,00
- tempo de serviço na empresa = 15 anos.
Valor da indenização por ano de serviço = R$ 3.600,00 (90% de R$ 4.000,00)
- valor total da indenização = R$ 54.000,00 (R$ 3.600,00 × 15)

Lembre-se que a Lei nº 13.467/2017 incluiu os arts 477 A e B à CLT para determinar que as dispen-
sas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, não havendo neces-
sidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção coletiva ou acordo
coletivo de trabalho para sua efetivação e que o Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada, para
dispensa individual, plúrima ou coletiva, previsto em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho,
enseja quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação empregatícia, salvo disposição
em contrário estipulada entre as partes.

EQUIPARAÇÃO SALARIAL
Para que os empregados que exercem as mesmas funções em uma determinada empresa tenham
direito ao mesmo salário é necessário que haja o atendimento dos seguintes requisitos:
a) identidade de funções - o serviço executado pelo empregado que pretende ter equiparação sala-
rial deve ser igual ao do paradigma. Não basta que o cargo tenha a mesma denominação ou que
o serviço seja semelhante, é necessário que ambos façam exatamente o mesmo serviço.
Exemplo
Duas empregadas contratadas para exercer o mesmo cargo (redatoras), sendo que uma redige textos comple-
xos, elabora pesquisas técnicas, dá pareceres, enquanto a outra seleciona notícias e redige textos simples.
Neste caso, embora a denominação do cargo seja a mesma, não há identidade de funções.
Guia de Cálculos Trabalhistas 59

b) trabalho de igual valor - é aquele feito com a mesma produtividade e com a mesma perfeição
técnica entre pessoas, cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não seja
superior a 4 anos e a diferença de tempo na função não seja superior a 2 anos;

Exemplo
Dois empregados produzem no mesmo lapso de tempo, o mesmo número de peças com igual qualidade.

c) serviço prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial - o paradig-


ma e o trabalhador devem ser empregados do mesmo empregador e trabalharem no mesmo
estabelecimento.

Exemplo
Uma empresa com 2 estabelecimentos (matriz e filial) situados no mesmo município contrata 2 empregados, um
para trabalhar na matriz e outro na filial, exercendo a mesma função. Nesse caso, ainda que atendam aos demais
requisitos da equiparação salarial, os empregados não têm o direito de receber a mesma remuneração, uma vez
que o trabalho se dá em estabelecimentos distintos.

O trabalhador readaptado em nova função, por motivo de deficiência física ou mental atestada
por órgão competente da Previdência Social, não servirá de paradigma para fins de equiparação salarial.

Não se aplicam as normas relativas à equiparação salarial quando o empregador tiver pessoal
organizado em quadro de carreira ou adotar, por meio de norma interna da empresa ou de negociação
coletiva, plano de cargos e salários, dispensada qualquer forma de homologação ou registro em órgão
público. Neste caso, as promoções poderão ser feitas por merecimento e por antiguidade, ou por ape-
nas um destes critérios, dentro de cada categoria profissional.

A equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função,


ficando vedada a indicação de paradigmas remotos, ainda que o paradigma contemporâneo tenha ob-
tido a vantagem em ação judicial própria.

Para efeito de equiparação salarial, é vedada qualquer distinção em virtude de sexo, etnia, nacio-
nalidade ou idade. Caso a equiparação não seja aplicada em virtude de comprovada discriminação por
motivo de sexo ou etnia, o juízo determinará, além do pagamento das diferenças salariais devidas, mul-
ta, em favor do empregado discriminado, no valor de 50% do limite máximo dos benefícios do Regime
Geral de Previdência Social.

SALÁRIO SUBSTITUIÇÃO

Durante o afastamento do trabalhador das suas atividades em decorrência de férias, licenças


médicas, salário-maternidade, licença-paternidade, etc., muitas vezes a empresa tem necessidade de
proceder à substituição desse empregado por outro. Dependendo do tipo de substituição ocorrida o
empregado substituto tem direito a receber o salário do substituído.

Há 3 tipos de substituição de um empregado por outro:

Substituição eventual

É aquela que observa um curto período de tempo, não tornando, por consequência, segura a si-
tuação de substituição. Atendem, a princípio, a situações não previstas, excepcionais. São substituições
que decorrem de acontecimentos incertos, fortuitos, não passíveis de previsão, porém, mesmo quando
previsíveis, são de curta duração.
60 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplos
Empregado que substitua colegas afastados das suas atividades normais por motivo de:
a) saúde, cujo afastamento seja de alguns dias apenas;
b) licença-paternidade;
c) viagens de curta duração;
d) casamento;
e) falecimento.

Substituição provisória ou temporária


Na substituição provisória, o empregado passa a substituir o colega afastado por um lapso de
tempo maior, a situação ensejadora da substituição, na maioria das vezes, é previsível. Embora não seja
definitiva, a substituição, nesse caso, observa certa habitualidade, não é tão passageira como ocorre na
substituição eventual.

Exemplos
Estão situadas no âmbito das substituições provisórias ou temporárias as decorrentes de:
a) férias;
b) salário-maternidade;
c) afastamento do trabalho por motivo de saúde por período superior a um mês, etc.

Substituição permanente
Quando o titular é afastado do cargo ou da empresa em definitivo e outro trabalhador pertencente
ao quadro funcional da empresa ou contratado para esse fim passa a ocupar o cargo vago, não ocorre a
substituição, mas sim o preenchimento do cargo.

Exemplos
Entre os motivos que ensejam o afastamento do empregado do cargo ou da empresa em caráter definitivo, temos:
a) promoção;
b) remoção para outra função;
c) transferência definitiva;
d) ruptura contratual.

A legislação trabalhista não contém nenhum dispositivo que estabeleça a necessidade de pagar
ao empregado substituto a mesma remuneração do empregado substituído. Entretanto, o Tribunal Su-
perior do Trabalho (TST), por meio da Súmula nº 159 determinou:
Substituição de caráter não eventual e vacância do cargo.
I - Enquanto perdurar a substituição que não tenha caráter meramente eventual, inclusive nas
férias, o empregado substituto fará jus ao salário contratual do substituído.
II - Vago o cargo em definitivo, o empregado que passa a ocupá-lo não tem direito a salário igual
ao do antecessor.
Dessa forma, observa-se ser devido o pagamento do salário-substituição quando a substituição
não for definitiva e tampouco se caracterizar como eventual, isto é, não decorrer de acontecimento in-
certo, imprevisível, depender do acaso e, ainda, observar certa duração.
Guia de Cálculos Trabalhistas 61

Assim, o pagamento será devido quando se tratar de substituição decorrente de fatos, a princípio,
passíveis de previsão (férias, salário-maternidade, licença remunerada e não remunerada que observe
certa duração, etc.). Nessa situação, embora a substituição seja provisória, portanto, não definitiva, não
é tão efêmera, gerando certa frequência.

ACÚMULO DE FUNÇÕES
No caso de trabalhador contratado com previsão expressa de exercício de duas ou mais funções,
entende-se que caberá à empresa fixar a sua remuneração observando a proporcionalidade, ou seja,
fixar o salário de cada função proporcionalmente à carga horária respectiva.

O empregador deverá incluir no contrato de trabalho cláusula que preveja o desempenho das
duas ou mais funções, especificando as condições, a jornada de trabalho a ser cumprida em cada uma
delas, observado no somatório o limite máximo de até 8 horas diárias e 44 semanais ou outro, se legal-
mente previsto ou estipulado em documento coletivo de trabalho.

Exemplos
1) Considere-se um empregado sujeito à jornada mensal de 220 horas, que exerce a atividade de auxiliar de co-
brança por 110 horas mensais e a atividade de motorista nas outras 110 horas. Esse trabalhador poderá ter a sua
remuneração fixada da seguinte forma:
110 horas calculadas com base no salário de motorista e 110 horas com base no salário de auxiliar de cobrança,
as quais, somadas, irão perfazer a remuneração total do empregado.
- salário mensal de auxiliar de cobrança: R$ 1.100,00 (jornada integral de 220 horas/mês);
- salário mensal de motorista: R$ 1.600,00 (jornada integral de 220 horas/mês);
- remuneração proporcional mensal do empregado:
a) função de auxiliar de cobrança = RS 1.100,00 × 110 ÷ 220 = R$ 550,00
b) função de motorista = RS 1.600,00 × 110 ÷ 220 = R$ 800,00
Remuneração total = R$ 1.350,00 (R$ 550,00 + R$ 800,00)
2) Considere-se um empregado, sujeito à jornada mensal de 220 horas, que exerce a atividade de auxiliar de
cobrança por 60 horas mensais e a atividade de motorista por 160 horas. Tal empregado poderá ter a sua remu-
neração fixada da seguinte forma: 60 horas calculadas com base no salário de motorista e 160 horas com base
no salário de auxiliar de cobrança, as quais, somadas, irão perfazer a remuneração total do empregado. Assim,
temos:
- salário mensal de auxiliar de cobrança: R$ 1.080,00 (jornada integral de 220 horas/mês);
- salário mensal de motorista: R$ 1.100,00 (jornada integral de 220 horas/mês);
- remuneração proporcional mensal do empregado:
a) função de auxiliar de cobrança = RS 1.080,00 × 60 ÷ 220 = R$ 294,55
b) função de motorista = RS 1.100,00 × 160 ÷ 220 = R$ 800,00
remuneração total = R$ 1.094,55 (R$ 294,55 + R$ 800,00)

Não obstante o exposto, há doutrinadores que entendem ser legalmente aceita a fixação de um
determinado salário que retribua o duplo exercício de função.

Lembramos que alguns sindicatos representativos de categorias profissionais estabelecem, por


meio de documento coletivo de trabalho, um percentual a ser acrescido à remuneração do trabalhador
quando este acumula funções. Portanto, o aludido documento deve ser consultado antes da fixação do
salário do trabalhador na hipótese em análise.
62 Guia de Cálculos Trabalhistas

DESCONTOS NOS SALÁRIOS - POSSIBILIDADES - DANOS CAUSADOS PELO EMPREGADO

A legislação trabalhista, em princípio, veda qualquer desconto nos salários do empregado, salvo
quando este resultar de adiantamentos, dispositivos de lei ou de documento coletivo. Entre os descon-
tos decorrentes de lei a serem efetuados nos salários dos empregados, os mais comuns são os relativos
à contribuição previdenciária e a retenção de imposto de renda na fonte.

A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alte-
rou a redação dos arts. 578, 579 e 582 da CLT para determinar, entre outras disposições, que o desconto
da contribuição sindical está condicionado à prévia e expressa autorização do empregado. Desta forma,
a empresa só fica obrigada a efetuar o desconto da contribuição sindical na remuneração do mês de
março ou mês seguinte à admissão, conforme o caso, daqueles empregados que previamente o auto-
rizaram por escrito. Assim, a contribuição sindical deixou de ser obrigatória, passando a constituir uma
faculdade do empregado. Podem ser descontados, ainda, os adiantamentos de salário concedidos ao
empregado, observando-se, contudo, que, na hipótese de rescisão contratual, qualquer compensação
no pagamento não poderá exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado.

Não obstante o acima exposto, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), por meio da Súmula nº 342,
exarou o seguinte entendimento:
Nº 342 - Descontos salariais. Art. 462 da CLT

Descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para
ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada,
ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de
seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de
coação ou de outro defeito que vicie o ato jurídico.

Na hipótese de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilida-
de tenha sido previamente acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. Portanto, se o dano cau-
sado por empregado resultar da prática de ato doloso, ou seja, de ato praticado com o intuito deliberado
de prejudicar o empregador, é lícito o desconto, ainda que não previsto contratualmente.
No caso de dano decorrente de culpa do empregado, isto é, quando no exercício de suas funções,
embora não tenha tido ele a intenção de praticá-lo, tenha agido com imprudência, negligência ou impe-
rícia, o desconto ficará condicionado à existência de acordo firmado para este fim.
Assim, por ocasião da admissão do empregado, torna-se conveniente a inserção de cláusula no
seu contrato de trabalho que permita esse tipo de desconto salarial.
Referida cláusula pode, por exemplo, ter a seguinte redação:
“Além dos descontos previstos em Lei, reserva-se à empregadora o direito de descontar do empre-
gado as importâncias correspondentes aos danos causados por ele.”

Dicas eSocial
Com a implantação do eSocial, as verbas remuneratórias ou não, pagas ou devidas aos trabalhadores serão lançadas no
evento Tabelas de Rubricas e eventos de remuneração dos trabalhadores, do Manual de Orientação do eSocial.
O lançamento das rubricas propiciará o cruzamento dos dados lançados na Folha de Pagamento com o evento Tabela
de Natureza das rubricas da folha de pagamento (tabela 3 do eSocial). Portanto, todo lançamento na folha de pagamento
deverá ter uma rubrica correspondente na tabela 3.
Na simplificação do eSocial, a ser implantada em futuro próximo, está previsto que será criada uma tabela de rubrica
padrão com as incidências aplicáveis em cada uma. Se a empresa adotar a tabela padrão ficará dispensada de enviar
o evento S-1010 - Tabela de Rubricas.
Guia de Cálculos Trabalhistas 63

As informações relativas aos eventos “Tabelas” serão utilizadas para validação dos demais eventos (periódicos e não
periódicos).
Caberá ao empregador enquadrar cada rubrica, tanto para efeito de incidência de encargos (previdenciário, fundiário
e de imposto de renda retido na fonte) como para efeito de integração no cálculo das verbas trabalhistas (férias, 13º
salário, repouso semanal, etc.).
Dessa forma, se um enquadramento de verba for feito de forma incorreta, poderá acarretar recolhimento de tributo a
menor ou a maior. Por tais razões, o colaborador da empresa, responsável pela classificação e lançamento deve conhe-
cer profundamente os conceitos de remuneração, as parcelas que a integram ou não, as incidências que recaem sobre
as verbas salariais, etc., pois caberá a ele verificar, no momento do preenchimento dos eventos, se a verba será ou não
tributada.
As rubricas utilizadas pela empresa deverão ser adequadas às relacionadas na Tabela 3 do eSocial, ou seja, a empresa
não deve, a princípio, utilizar uma nomenclatura para determinada verba que não se encaixe em um dos tipos relacio-
nados na mencionada tabela. Assim, a empresa deverá proceder à adequação entre as rubricas usuais que utiliza e as
rubricas listadas na Tabela 3.
As informações relativas à remuneração também serão lançadas no evento S-1200 - Remuneração do Trabalhador vincu-
lado ao Regime Geral de Previdência Social e S- 1202 - Remuneração de servidor vinculado a Regime Próprio de Previ-
dência Social, no mês de referência. O evento deverá ser utilizado para todos os trabalhadores a serviço do empregador,
de qualquer categoria, ou seja, empregados, avulsos, contribuinte individual, dirigente sindical, estagiário e servidor
público.
Deve haver um evento Remuneração do Trabalhador para cada trabalhador utilizado pela empresa, seja ele empregado,
autônomo, estagiário, empresário, etc.

PAGAMENTO DOS SALÁRIOS - PRAZO, LOCAL E HORA


O pagamento dos salários não pode ser estipulado por prazo superior a um mês, salvo no tocante
a comissões, percentagens e gratificações.

Quando o pagamento for estipulado por mês, deverá ser efetuado, o mais tardar, até o quinto dia
útil do mês subsequente ao vencido, devendo-se sempre observar se há cláusula de acordo ou conven-
ção coletiva da respectiva categoria estabelecendo prazo menor para o pagamento.

Quando estipulado por semana ou quinzena, deverá o pagamento ser efetuado até 5º dia após o
vencimento. Utilizando-se o empregador de sistema bancário para o pagamento dos salários, os valores
deverão estar à disposição do empregado, o mais tardar, até o quinto dia útil. Na contagem dos dias será
incluído o sábado, excluindo-se o domingo e o feriado, inclusive o municipal.

O pagamento deve ser feito em dia útil, e no local de trabalho, durante a jornada ou imediata-
mente após o seu término, salvo quando efetuado por depósito em conta bancária. Nessas condições,
o tempo que o empregado aguarda o pagamento ou dirige-se para local distante da empresa onde o
pagamento será realizado é considerado tempo de serviço, devendo, portanto, ser remunerado.

O pagamento será feito em moeda corrente, não se permitindo o uso de moeda estrangeira ou
Nota Promissória. Permite-se, contudo, o pagamento por meio de conta bancária, aberta para esse fim
em nome de cada empregado e com o consentimento deste, em estabelecimento de crédito próximo
ao local de trabalho, ou em cheque emitido diretamente pelo empregador em favor do empregado.

O pagamento do salário deve ser efetuado contra-recibo no qual serão discriminadas todas as
parcelas pagas. O recibo conterá a assinatura do empregado ou sua impressão digital, se analfabeto;
será assinado a rogo, caso não seja possível tal procedimento.

Terá força de recibo o comprovante de depósito em conta corrente, conforme anteriormente men-
cionado.
64 Guia de Cálculos Trabalhistas

Recibo de Pagamento de Salários

R E C I B O D E P A G A ME N T O D E S A LÁ R I O S

Nome da Empresa
Nome do Empregado
Cargo Seção/Deptº Chapa nº
Período FGTS - Valor do Depósito

R E MU N E R A Ç Ã O

Dia a R$ R$
Horas a R$ R$
Horas a R$ R$
R$
R$
R$
R$
Total Bruto (A) R$

D E S CON T O S

INSS - % s/ R$
I. Renda s/ R$
R$
R$
R$
Total dos Descontos (B) R$
Salário-Família (C) Quotas R$
Líquido a Receber (A - B + C) R$
( )
por extenso

Recebi a importância mencionada, conforme demonstrativo, correspondente à minha remuneração relativa ao período acima.

Data Assinatura do empregado

Tratando-se de comissões, o pagamento será exigível quando ultimada a transação. A transação


será considerada aceita quando o empregador não recusar a proposta do empregado, por escrito, den-
tro do prazo de dez dias, ou de noventa dias, se a transação for concluída com quem estiver estabeleci-
do noutro estado ou no estrangeiro.

O vendedor tem direito a receber as comissões sobre as vendas que realizar diretamente e, ainda,
sobre aquelas realizadas por outrem, dentro da zona que Ihe foi atribuída com exclusividade.

O pagamento será mensal, podendo ser estipulado por prazo superior desde que não exceda a
três meses.

Na época do pagamento, a empresa deverá remeter, ao empregado, a respectiva conta juntamente


com a cópia das faturas relativas aos negócios concluídos no período correspondente.

Nas transações realizadas por prestações sucessivas (vendas a crédito), o pagamento das comis-
sões só é exigível de conformidade com o respectivo recebimento.
Guia de Cálculos Trabalhistas 65

Subsiste, ainda, a obrigatoriedade do pagamento das comissões, nos seguintes casos:


a) quando a recusa da proposta pelo empregador não se fundar em motivo justo, como, por
exemplo, quando não se tratar de comprador inidôneo;
b) quando o comprador não pagar a mercadoria, exceto se se tratar de comprador insolvente,
hipótese em que caberá o estorno da respectiva comissão paga;
c) se o negócio não se concluir por motivo de força maior, não tendo sido recusado, em tempo
hábil, pelo empregador;
d) inexecução do negócio por parte do empregador, não tendo sido recusado no tempo certo;
e) na cessação do contrato de trabalho, qualquer que tenha sido a sua causa.

PROTEÇÃO AO SALÁRIO - REDUÇÃO - RENÚNCIA - PENHORA - FALÊNCIA


A lei protege o salário de todo e qualquer fato que venha prejudicar direta ou indiretamente o
empregado, seja decorrente do procedimento do empregador, de terceiros ou do próprio empregado.
Assim temos:
a) irredutibilidade: o salário não pode sofrer redução, salvo o disposto em convenção ou acordo
coletivo;
b) irrenunciabilidade: o empregado não pode renunciar ao recebimento de seus salários. Nos ca-
sos de empregados que se encontram afastados do lugar de pagamento, este poderá ser feito
aos dependentes ou a procurador devidamente habilitado;
c) impenhorabilidade: o salário é impenhorável, salvo no tocante à pensão alimentícia;
d) os salários são ainda devidos no caso de falência ou concordata do empregador;
e) rescisão contratual: o pagamento da parte incontroversa dos salários deve ser efetuado, pelo
empregador, na 1ª audiência, sob pena de ser condenado ao pagamento das verbas rescisó-
rias, com acréscimo de 50%.
Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) a supressão ou redução do direito à proteção ao salário na forma da lei, constituindo crime a sua retenção
dolosa.

SALÁRIO-MATERNIDADE
O salário-maternidade é benefício previdenciário concedido às seguradas inscritas no Regime
Geral de Previdência Social (RGPS), desde que atendidos os requisitos exigidos, independentemente de
serem enquadradas na condição de empregada, empregada doméstica, contribuinte individual, traba-
lhadora avulsa, segurada especial ou facultativa e é devido em virtude de:
a) parto, inclusive o antecipado;
b) aborto não criminoso (espontâneo ou autorizado por lei);
c) adoção de criança;
d) obtenção de guarda judicial de criança para fins de adoção.
O prazo de duração do salário-maternidade é de:
a) em caso de nascimento de filho da segurada, ainda que o parto seja antecipado ou que a
criança nasça sem vida - 120 dias, com início até 28 dias antes, mais o dia do parto, e término
91 dias depois dele;
66 Guia de Cálculos Trabalhistas

b) em caso de adoção de criança ou obtenção de guarda judicial para fins de adoção - 120 dias;
c) em caso de aborto não criminoso - 2 semanas.
No caso de adoção de criança o salário-maternidade é devido também ao segurado do sexo mas-
culino. Entretanto, somente um dos pais adotivos receberá o benefício.

Em caso de morte da genitora, é assegurado ao cônjuge ou companheiro empregado o gozo de


licença por todo o período da licença-maternidade ou pelo tempo restante a que teria direito a mãe,
exceto no caso de falecimento do filho ou de seu abandono.

A empresa é responsável pelo pagamento do benefício à segurada empregada em caso de ocor-


rência de parto ou aborto não criminoso.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) a supressão ou redução do direito à licença-maternidade com duração mínima de 120 dias.

O INSS é responsável pelo pagamento do benefício salário-maternidade, diretamente à segurada


ou segurado, quando se tratar de:
a) adoção ou obtenção de guarda judicial para fins de adoção;
b) seguradas empregada doméstica, contribuinte individual, trabalhadora avulsa, especial, facul-
tativa e empregada do microempreendedor individual;
c) seguradas desempregadas, quando for o caso.
A renda mensal do salário-maternidade é calculada da seguinte forma:
a) para a segurada empregada - consiste numa renda mensal igual à sua remuneração integral,
ou se for o caso de salário total ou parcialmente variável, na igualdade da média aritmética
simples dos seus seis últimos salários;
b) para a segurada especial que não esteja contribuindo facultativamente - valor equivalente a 1
salário-mínimo;
c) para a contribuinte individual, facultativa e para as que mantenham a qualidade de segurada
- valor equivalente à média aritmética dos 12 últimos salários-de-contribuição, apurados em
período não superior a 15 meses;
d) para a trabalhadora avulsa - consiste numa renda mensal igual à sua última remuneração in-
tegral equivalente a um mês de trabalho, não sujeita ao limite máximo do salário-de-contribui-
ção.

Exemplos
a) Empregada com remuneração de R$ 1.800,00 se afastou por licença-maternidade.
Valor da renda mensal do benefício = R$ 1.800,00, ou seja, sua remuneração integral.
b) Contribuinte individual se afastou por licença-maternidade em maio/2019, seus últimos 15 salários-de-contri-
buição corresponderam a:
Abril/2019:............................................R$ 2.000,00
Março/2019:........................................R$ 2.300,00
Fevereiro/2019:..................................R$ 2.500,00
Janeiro/2019:.......................................R$ 2.100,00
Dezembro/2018:................................ R$ 1.900,00
Guia de Cálculos Trabalhistas 67

Novembro/2018:............................... R$ 1.950,00
Outubro/2018:....................................R$ 2.050,00
Setembro/2018:..................................R$ 2.100,00
Agosto/2018:.......................................R$ 1.500,00
Julho/2018:..........................................R$ 2.000,00
Junho/2018:........................................ R$ 2.200,00
Maio/2018:............................................R$ 1.700,00
Abril/2018:.............................................R$ 1.800,00
Março/2018:........................................ R$ 1.600,00
Fevereiro/2018:...................................R$ 1.300,00
Total da soma dos 12 últimos salários-de-contribuição (abril/2019 a maio/2018) = R$ 24.300,00
Média apurada = R$ 2.025,00 (R$ 24.300,00 ÷12)
Portanto, nesse exemplo, o valor do salário-maternidade da segurada contribuinte individual corresponde a
R$ 2.025,00.

O valor correspondente ao salário-maternidade pago pela empresa ou equiparado, à segurada


empregada em virtude da licença por parto ou aborto não criminoso, inclusive a parcela do 13º salário
correspondente ao período da licença, poderá ser deduzido por ocasião do pagamento das contribui-
ções sociais previdenciárias devidas, exceto das contribuições destinadas a outras entidades e fundos
(terceiros).

Para apuração do valor a deduzir a título de 13º salário correspondente ao período da licença, de-
verá a empresa observar o seguinte cálculo:
a) a remuneração correspondente ao 13º salário deverá ser dividida por 30;
b) o resultado da operação descrita na letra “a” deverá ser dividido pelo número de meses consi-
derados no cálculo da remuneração do 13º salário;
c) o valor apurado na forma da alínea “b” deverá ser multiplicado pelo número de dias de gozo de
licença-maternidade no ano. O resultado final corresponde ao valor da parcela referente ao 13º
salário proporcional ao período da licença-maternidade.

Exemplo
Empregada, com direito a 13º salário integral no valor de R$ 1.500,00, ficou afastada no curso do ano por 120 dias
em decorrência de salário-maternidade.
- 13º salário devido = R$ 1.500,00 (relativos aos 12 meses do ano)
- duração da licença-maternidade no ano = 120 dias
Cálculo
R$ 1.500,00 ÷ 30 = R$ 50,00
R$ 50,00 ÷ 12 = R$ 4,1667
R$ 4,1667 × 120 = R$ 500,00

Dicas eSocial
Com a implantação do eSocial, todos os afastamentos temporários por qualquer dos motivos elencados na Tabela 18
do Manual de Orientação do eSocial, entre os quais se encontra o decorrente de licença-maternidade, deverão ser
informados, no evento S-2230 - Afastamento Temporário.
68 Guia de Cálculos Trabalhistas

SALÁRIO-FAMÍLIA
Não é contraprestação pelo trabalho, mas sim benefício previdenciário pago ao segurado na pro-
porção do respectivo número de filhos ou equiparados de qualquer condição com até 14 anos de idade,
ou inválidos de qualquer idade, independente de carência e desde que o salário-de-contribuição do
segurado seja inferior ou igual ao limite máximo permitido. É devido:
a) ao empregado, inclusive o doméstico, e ao trabalhador avulso;
b) ao empregado e ao trabalhador avulso em gozo de benefício por incapacidade temporária e
aposentado por incapacidade permanente ou por idade, urbano ou rural;
c) ao trabalhador rural aposentado por idade; e
d) aos demais aposentados com 65 anos ou mais de idade, se homem, ou 60 anos ou mais, se
mulher.

Tendo havido divórcio, separação judicial ou de fato dos pais, ou em caso de abandono legalmente
caracterizado ou perda do poder familiar, o benefício passará a ser pago diretamente àquele a cujo cargo
ficar o sustento do menor, ou a outra pessoa, se houver determinação judicial nesse sentido.

Quando o pai e a mãe são segurados empregados ou trabalhadores avulsos, ambos têm direito
ao benefício.

O salário-família será pago mensalmente:


a) ao empregado, pela empresa, com o respectivo salário, e ao trabalhador avulso, pelo sindicato
ou órgão gestor de mão de obra, mediante convênio;
b) ao empregado e ao trabalhador avulso aposentados por incapacidade permanente ou em
gozo benefício por incapacidade temporária, pelo INSS, juntamente com o benefício;
c) às empregadas e trabalhadoras avulsas em gozo de salário-maternidade, pelas empresas;
d) ao trabalhador rural aposentado por idade, juntamente com a aposentadoria; e
e) aos demais empregados e trabalhadores avulsos aposentados aos 65 anos, se do sexo mascu-
lino, ou 60 anos, se do sexo feminino, pelo INSS, juntamente com a aposentadoria.

O valor da cota deste benefício, por filho ou equiparado de qualquer condição até 14 anos de
idade, ou inválido de qualquer idade, é de R$ 48,62 e será concedido apenas àqueles que tenham renda
bruta mensal igual ou inferior a R$ 1.425,56.

Na apuração do direito à cota deverão ser observados os seguintes critérios:


a) será tomado como parâmetro o salário-de-contribuição da competência a ser pago o benefício;
b) será considerado remuneração mensal do segurado o valor total do respectivo salário-de-
-contribuição, ainda que resultante da soma dos salários-de-contribuição correspondentes a
atividades simultâneas;
c) o direito à cota é definido em razão da remuneração que seria devida ao empregado no mês,
independentemente do número de dias efetivamente trabalhados;
d) todas as importâncias que integram o salário-de-contribuição devem ser consideradas como
parte integrante da remuneração do mês, exceto 13º salário e o adicional de férias (terço cons-
titucional) para efeito de definição do direito à cota de salário-família.

Exemplos
a) empregada com remuneração mensal de R$ 1.045,00, em março/2020 e com 5 filhos com idade inferior a 14
anos e que atende aos requisitos estabelecidos para a concessão do benefício. Assim, temos:
Guia de Cálculos Trabalhistas 69

Cálculo:
- salário mensal = R$ 1.045,00
- valor da cota do salário-família = R$ 48,62
- Valor total pago a título de salário-família = R$ 243,10 (R$ 48,62 × 5)
- Valor da remuneração mensal = R$ 1.045,00
b) empregado com remuneração mensal de R$ 1.200,00, com 2 filhos com idade inferior a 14 anos e que atende
aos requisitos estabelecidos para a concessão do benefício. Assim, temos:
Cálculo:
- salário mensal = R$ 1.200,00
- valor da cota do salário-família = R$ 48,62
- total pago a título de salário-família = R$ 97,24 (R$ 48,62 × 2)
- valor da remuneração mensal = R$ 1.200,00

O benefício será concedido apenas àqueles que tenham renda bruta mensal igual ou inferior a
R$ 1.425,56.

No mês da admissão e da dispensa do empregado, a cota do salário-família deve ser paga pro-
porcionalmente ao número de dias trabalhados, considerando-se, nesses casos, o valor da cota pela
remuneração que seria devida no mês.

Exemplos
a) considerando que o empregado tenha sido admitido no dia 13.03.2020 com remuneração mensal de R$ 1.045,00
SF = R$ 48,62 : 31 × 19 (nº de dias de vigência do contrato no mês) => R$ 29,80
b) considerando que o empregado seja admitido no dia 06.03.2020 com remuneração mensal de R$ 1.200,00.
Cálculo:
Período de vigência do contrato no mês - 26 dias (06 a 31.03.2020)
- R$ 48,62 ÷ 31 × 26 = R$ 40,78.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) a supressão ou redução do direito ao salário-família.

Dica Esocial
Os dados relativos ao salário-família serão lançados no evento S-1010 - Tabela de Rubricas do Manual de Orientação do
eSocial para propiciar o cruzamento dos dados lançados na Folha de Pagamento com os eventos Tabela de Natureza
das Rubricas da Folha de Pagamento (Tabela 3). Portanto, todo lançamento na folha de pagamento deve ter uma rubrica
correspondente na tabela 3.

Lembre-se que com a futura simplificação do eSocial, está prevista a criação de uma tabela de rubrica padrão com as
incidências aplicáveis em cada uma. Se a empresa adotar a tabela padrão ficará dispensada de enviar o evento S-1010 -
Tabela de Rubricas.
70 Guia de Cálculos Trabalhistas

TABELA 3 (NATUREZA DE RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO)


DO MANUAL DE ORIENTAÇÃO DO eSOCIAL, VERSÃO 2.5

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
Corresponde ao salário básico contratual do empregado
Salário, vencimento, soldo ou
1000 contratado de acordo com a CLT e o vencimento mensal do 01/01/2014 -
subsídio
servidor público e do militar
Valor correspondente a um dia de trabalho incidente sobre
Descanso semanal remunera-
1002 as verbas de natureza variável, tais como: horas extras, adi- 01/01/2014 -
do - DSR
cional noturno, produção, comissão, etc.
Valor correspondente à hora extraordinária de trabalho,
1003 Horas extraordinárias 01/01/2014 -
acrescido de percentual de no mínimo 50%
Valor correspondente a pagamento das horas extraordiná-
Horas extraordinárias - Indeni-
1004 rias, inicialmente destinadas para o banco de horas e que 01/01/2014 -
zação de banco de horas
não foram compensadas
Valores relativos a direito de arena decorrente do espetácu-
1005 Direito de arena 01/01/2014 -
lo, devidos ao atleta
Intervalos intra e inter jorna- Valores relativos a intervalos não concedidos de intrajorna-
1006 01/01/2014 -
das não concedidos da ou interjornada
1007 Luvas e premiações Valores correspondentes a prêmios e luvas, devidos ao atleta 01/01/2014 -
Valor excedente ao do fixado pela previdência social para o
1009 Salário-família - complemento 01/01/2014 -
salário-família
Salário in natura - pagos em Salário in natura, também conhecido por salário utilidade,
1010 01/01/2014 -
bens ou serviços correspondente a remunerações pagas em bens ou serviços
Valor correspondente a um percentual da hora normal de
1011 Sobreaviso e prontidão 01/01/2014 -
trabalho
Valor correspondente à remuneração a que faz jus na época
da concessão das férias e o adicional constitucional a que
o trabalhador adquiriu direito, inclusive o adiantamento de
1020 Férias férias, quando pagas antecipadamente - nessa opção deve 01/01/2014 -
ser classificado também o valor pago mensalmente ao tra-
balhador avulso e ao empregado com contrato de trabalho
intermitente, a título de férias
Remuneração a título de abono de férias, desde que exce-
Férias - abono ou gratificação dente a 20 (vinte) dias do salário e concedido em virtude de
1021 01/01/2014 -
de férias superior a 20 dias cláusula contratual, do regulamento da empresa, de conven-
ção ou acordo coletivo, como por exemplo, o art. 144 da CLT
Remuneração a título de abono de férias, desde que não ex-
Férias - abono ou gratificação cedente a 20 (vinte) dias do salário e concedido em virtude
1022 de férias não excedente a 20 de cláusula contratual, do regulamento da empresa, de con- 01/01/2014 -
dias venção ou acordo coletivo, como por exemplo o art. 144 da
CLT
Valor correspondente à conversão em dinheiro de parte dos
1023 Férias - abono pecuniário dias de férias a que o trabalhador adquiriu direito, inclusive o 01/01/2014 -
adicional constitucional
Valor correspondente à remuneração a que faz jus na época
Férias - o dobro na vigência
1024 da concessão das férias, concedidas após o prazo de con- 01/01/2014 -
do contrato
cessão, inclusive o adicional constitucional
Valor relativo à licença-prêmio, em decorrência de afasta-
1040 Licença-prêmio 01/01/2014 -
mento do trabalho
Valor correspondente à conversão em dinheiro da licença-
1041 Licença-prêmio indenizada 01/01/2014 -
-prêmio
Remuneração de dias de afas- Remuneração de dias nos quais o trabalhador esteja afasta-
1050 01/01/2014 -
tamento do do trabalho sem prejuízo de sua remuneração
Remuneração pelo exercício de opção de compra de ações
1080 Stock Option 01/01/2014 -
da empresa
Guia de Cálculos Trabalhistas 71

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
1099 Outras verbas salariais Outras verbas salariais não previstas nos itens anteriores 01/01/2014 -
Adicional de função/cargo Adicional ou gratificação concedida em virtude de cargo ou
1201 01/01/2014 -
confiança função de confiança
1202 Adicional de insalubridade Adicional por serviços em condições de insalubridade 01/01/2014 -
1203 Adicional de periculosidade Adicional por serviços em condições perigosas 01/01/2014 -
Adicional em razão de transferência de trabalhador, enquan-
1204 Adicional de transferência 01/01/2014 -
to durar a transferência
1205 Adicional noturno Adicional por trabalho em horário noturno 01/01/2014 -
Adicional por tempo de ser- Adicional em virtude do tempo de serviço (anuênio, quin-
1206 01/01/2014 -
viço quênio, etc.)
Valor correspondente à contraprestação de serviço, normal-
Comissões, porcentagens,
1207 mente baseada em um percentual sobre as vendas totais 01/01/2014 -
produção
desse trabalhador
Gueltas ou gorjetas - repas- Valores pagos diretamente por fornecedores a trabalhador
1208 sadas por fornecedores ou a título de incentivos de vendas (gueltas) ou por clientes a 01/01/2014 -
clientes título de recompensa por bons serviços prestados (gorjetas)
Gueltas ou gorjetas - repassa- Valores pagos relativos a gueltas ou gorjetas, por meio de
1209 01/01/2014 -
das pelo empregador repasse ao empregador
Gratificação por acordo ou Verba estabelecida em acordo ou convenção coletiva de
1210 01/01/2014 -
convenção coletiva trabalho
Verba não estabelecida em acordo ou convenção coletiva,
mas paga para o empregado em decorrência de ajuste en-
1211 Gratificações 01/01/2014 -
tre as partes ou por liberalidade do empregador, como por
exemplo produtividade, assiduidade, etc.
Órgão Público - Parcelas remuneratórias reconhecidamente
Gratificações ou outras ver-
1212 inerentes às funções do cargo efetivo, cujo valor integra a 01/01/2014 -
bas de natureza permanente
remuneração do cargo efetivo
Órgão Público - Parcelas remuneratórias vinculadas à ativi-
Gratificações ou outras ver-
1213 dade cujo recebimento dependa de avaliação de desempe- 01/01/2014 -
bas de natureza transitória
nho ou determinadas condições
Adicional pela realização de atividade árdua que exija do
1214 Adicional de penosidade 01/01/2014 -
trabalhador esforço, atenção ou vigilância acima do comum
1215 Adicional de unidocência Adicional de Unidocência para Professores de 1ª a 4ª série 01/01/2014 -
Valor destinado a cobrir os riscos assumidos por quem tra-
1225 Quebra de caixa balha com manuseio de valores, para compensar eventuais 01/01/2014 -
descontos ou diferenças de numerários
Remuneração do dirigente Remuneração paga ao trabalhador afastado, durante o exer-
1230 01/01/2014 -
sindical cício da atividade sindical
Valores relativos a outros adicionais não previstos nos itens
1299 Outros adicionais 01/01/2014 -
anteriores
PLR - Participação em Lucros Valor correspondente à participação em lucros ou resulta-
1300 01/01/2014 -
ou Resultados dos da empresa, de acordo com lei específica
Valor devido ao estagiário em atividades práticas de com-
1350 Bolsa de estudo - estagiário plementação do currículo escolar, inclusive os valores pagos 01/01/2014 -
a título de recesso remunerado - Lei nº 11.788 de 25/09/2008
Bolsa de estudo - médico re-
1351 Bolsa de estudo ao médico residente 01/01/2014 -
sidente
Remuneração a professores, pesquisadores e demais pro-
1352 Bolsa de estudo ou pesquisa fissionais com a finalidade de estudos ou pesquisa, exceto 01/01/2014 -
pagamentos a estagiário e médico-residente
Qualquer abono concedido de forma espontânea ou em vir-
1401 Abono 01/01/2014 -
tude de acordo ou convenção coletiva, norma, etc.
Abono e/ou rendimento do PIS/PASEP repassado pelo em-
1402 Abono PIS/PASEP 01/01/2014 -
pregador ou órgão público
72 Guia de Cálculos Trabalhistas

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os
1403 Abono legal abonos expressamente desvinculados do salário, por força 01/01/2014 -
da lei
Valor relativo a reembolso de despesas com babá, limitado
ao menor salário de contribuição mensal e condicionado à
comprovação do registro na carteira de trabalho e previdên-
cia social da empregada, do pagamento da remuneração e
1404 Auxílio babá do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em 01/01/2014 -
conformidade com a legislação trabalhista, observado o li-
mite máximo de 6 (seis) anos de idade da criança.
Caso haja previsão em acordo coletivo da categoria, este li-
mite de idade poderá ser maior
Valor pago diretamente ao trabalhador a título de assistên-
cia médica ou odontológica, inclusive o reembolso de des-
1405 Assistência médica 01/01/2014 -
pesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos,
despesas médico-hospitalares e outras similares
O reembolso creche pago em conformidade com a legisla-
ção trabalhista, observado o limite máximo de 6 (seis) anos
1406 Auxílio-creche de idade da criança, quando devidamente comprovadas as 01/01/2014 -
despesas realizadas. Caso haja previsão em acordo coletivo
da categoria, este limite de idade poderá ser maior
Valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que
vise à educação básica de trabalhadores e seus dependentes
e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela em-
presa, à educação profissional e tecnológica de trabalhado-
res, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:
1407 Auxílio-educação não seja utilizado em substituição de parcela salarial; 01/01/2014 -
o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo,
considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por
cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o
valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mí-
nimo mensal do salário de contribuição, o que for maior
Valor do salário-família, conforme limite legal, em virtude do
1409 Salário-família número de filhos menores de 14 anos, ou inválidos de qual- 01/01/2014 -
quer idade
Valor correspondente a transporte, habitação e alimentação
fornecido ao trabalhador contratado para prestar serviço em
1410 Auxílio - Locais de difícil acesso localidade distante da sua residência, em canteiro de obras 01/01/2014 -
ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e
estada
Adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da
1601 Ajuda de custo - aeronauta 01/01/2014 -
lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973
Ajuda de custo em parcela única, em razão de transferência
1602 Ajuda de custo de transferência 01/01/2014 -
de local de trabalho
1603 Ajuda de custo Ajuda de custo paga ao trabalhador 01/05/2018 -
Ajuda de custo - acima de Ajuda de custo paga ao trabalhador, superior a 50% da sua
1604 01/05/2018 31/03/2019
50% da remuneração mensal remuneração mensal
Ajuda compensatória paga pelo empregador ao empregado
1619 Ajuda Compensatória - MP 936 durante período de suspensão do contrato de trabalho ou 01/04/2020 -
redução proporcional de salário e jornada
Ressarcimento de despesas Ressarcimento de despesas ao trabalhador, pela utilização
1620 01/01/2014 -
pelo uso de veículo próprio de veículo de sua propriedade
Ressarcimento de despesas
Ressarcimento de despesas pagas com recursos do traba-
1621 de viagem, exceto despesas 01/01/2014 -
lhador em viagens a trabalho
com veículos
Guia de Cálculos Trabalhistas 73

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
Ressarcimento de desconto efetuado em recibos de férias
1623 Ressarcimento de provisão 01/01/2014 -
relativo a provisão de contribuição previdenciária
Ressarcimento de outras des- Ressarcimento de outras despesas pagas pelo trabalhador,
1629 01/01/2014 -
pesas não previstas nos itens anteriores
1650 Diárias de viagem Diárias de viagem ao trabalhador 01/05/2018 -
Diárias de viagem - até 50% Diárias de viagem ao trabalhador, desde que não exceda a
1651 01/01/2014 30/04/2018
do salário 50% do seu salário-base mensal
Diárias de viagem - acima de
1652 Diárias de viagem superior a 50% do salário-base mensal 01/01/2014 01/04/2018
50% do salário
1801 Alimentação Auxílio-alimentação 01/01/2014 -
1802 Etapas (marítimos) Auxílio-alimentação ao trabalhador marítimo 01/01/2014 -
1805 Moradia Auxílio-moradia 01/01/2014 -
1810 Transporte Auxílio-transporte 01/01/2014 -
Liberalidades concedidas pelo empregador em forma de
bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo
2501 Prêmios 01/01/2014 -
de empregados, em razão de desempenho superior ao ordi-
nariamente esperado no exercício de suas atividades
Liberalidades concedidas pelo empregador em forma de
bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo
Liberalidades concedidas em
2502 de empregados, em razão de desempenho superior ao or- 01/05/2018 31/03/2019
mais de duas parcelas anuais
dinariamente esperado no exercício de suas atividades, em
mais de duas parcelas anuais
Direitos autorais e intelec- Valor correspondente à participação em produção científica,
2510 01/01/2014 -
tuais intelectual ou artística
Valor equivalente à remuneração se em exercício estivesse,
2801 Quarentena remunerada 01/01/2014 -
devida ao trabalhador desligado, em período de quarentena
2901 Empréstimos Empréstimos ao trabalhador para posterior desconto 01/01/2014 -
Valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros
2902 Vestuário e equipamentos acessórios fornecidos ao trabalhador e utilizados no local de 01/01/2014 -
trabalho para prestação dos respectivos serviços
Valor relativo a reembolsos diversos referentes a descontos
2920 Reembolsos diversos 01/01/2014 -
indevidos efetuados em competências anteriores
Valor lançado em folha de pagamento para cobertura de
excesso de descontos em relação a vencimentos, tanto o
2930 Insuficiência de saldo 01/01/2014 -
valor do vencimento no mês em que houver a insuficiência de
saldo, como o respectivo desconto no(s) mês(es) posteriores
Valor lançado em folha de pagamento, não superior a 99
2999 Arredondamentos 01/01/2014 -
centavos, relativo a arrendamentos
Remuneração (inclusive adiantamentos) a contribuintes
Remuneração por prestação
3501 individuais, inclusive honorários, em trabalhos de natureza 01/01/2014 -
de serviços
eventual e sem vínculo trabalhista
Retiradas (pró-labore) de dire- Pró-labore ou retirada (remuneração) a diretores emprega-
3505 01/01/2014 -
tores empregados dos (CLT)
Retiradas (pró-labore) de dire- Pró-labore ou retirada (remuneração) a diretores não empre-
3506 01/01/2014 -
tores não empregados gados
Retiradas (pró-labore) de pro- Pró-labore ou retirada (remuneração) a proprietários ou só-
3508 01/01/2014 -
prietários ou sócios cios da empresa
Valor correspondente a honorários pagos a membros de
3509 Honorários a conselheiros 01/01/2014 -
conselho
Remuneração à cooperado vinculado à cooperativa de tra-
3520 Remuneração de cooperado 01/01/2014 -
balho
Valores pagos a ministros de confissão religiosa e que inde-
3525 Côngruas, prebendas e afins 01/05/2018 -
pendem de natureza e da quantidade do trabalho executado
74 Guia de Cálculos Trabalhistas

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
Complementação salarial de Complementação salarial de auxílio-doença ao trabalhador
4010 01/01/2014 -
auxílio-doença afastado por acidente de trabalho ou por doença
Remuneração mensal da trabalhadora empregada durante
4050 Salário maternidade a licença maternidade, quando paga pelo contratante ou 01/01/2014 -
órgão público
Salário maternidade - 13° sa- Valor correspondente ao 13° salário pago pelo contratante
4051 01/01/2014 -
lário ou órgão público, no período de licença maternidade
Valor relativo ao 13° salário de trabalhador, inclusive as mé-
dias de 13° salário (horas extras, adicional noturno, etc.), ex-
ceto se relativo à primeira parcela ou se pago em rescisão
5001 13º salário contratual - nessa opção deve ser classificado também o 01/01/2014 -
valor pago mensalmente ao trabalhador avulso e ao empre-
gado com contrato de trabalho intermitente, a título de 13°
salário
Valor do 13° salário complementar relativo a diferenças apu-
5005 13° salário complementar radas não consideradas na folha de fechamento do 13° sa- 01/01/2014 -
lário
Valor relativo a adiantamento, antecipação ou pagamento
5501 Adiantamento de salário 01/01/2014 -
parcial de folha de salários
5504 13º salário - Adiantamento Valor relativo a adiantamento do 13° salário 01/01/2014 -
Adiantamento de benefícios Valor relativo a adiantamento de benefícios a serem pagos
5510 01/01/2014 -
previdenciários pela Previdência Social Oficial
Saldo de salários na rescisão Valor correspondente aos dias trabalhados no mês da resci-
6000 01/01/2014 -
contratual são contratual
13º salário relativo ao aviso- Valor correspondente ao 13° salário incidente sobre o aviso-
6001 01/01/2014 -
-prévio indenizado -prévio indenizado
Valor correspondente ao 13° salário proporcional pago na
13° salário proporcional na res-
6002 rescisão do contrato de trabalho, exceto o pago sobre o 01/01/2014 -
cisão
aviso-prévio indenizado
Valor da maior remuneração do trabalhador, corresponden-
Indenização compensatória
6003 te ao número de dias relativo ao aviso prévio, calculado de 01/01/2014 -
do aviso-prévio
acordo com o tempo de serviço do empregado
Valor correspondente à remuneração a que faz jus a época
6004 Férias - o dobro na rescisão da rescisão contratual, correspondente a férias não conce- 01/01/2014 -
didas no prazo legal, inclusive o adicional constitucional
Valor correspondente a 1/12 avos da remuneração a que faz
jus à época da rescisão contratual, fração superior a 14 dias
6006 Férias proporcionais 01/01/2014 -
por mês de trabalho e à projeção do aviso-prévio indenizado,
inclusive o adicional constitucional
Valor correspondente à remuneração a que faz jus à época
da rescisão contratual, correspondente a férias vencidas,
6007 Férias vencidas na rescisão 01/01/2014 -
mas dentro do prazo concessivo, inclusive o adicional cons-
titucional
Valor correspondente à indenização por demissão sem justa
Indenização compensatória - causa, por culpa recíproca ou força maior (ambas reconheci-
6101 multa rescisória 20 das pela Justiça do Trabalho), por acordo entre empregado 01/01/2014 -
ou 40% (CF/88) e empregador ou por extinção do contrato de trabalho inter-
mitente, quando da rescisão do contrato de trabalho
Valor correspondente à indenização quando a dispensa
Indenização do art. 9º lei nº
6102 ocorrer sem justa causa dentro dos trinta dias que antece- 01/01/2014 -
7.238/84
dem a data base
Valor correspondente à indenização do tempo de serviço ao
Indenização do art. 14 da lei nº safrista, importância correspondente a 1/12 (um doze avos)
6103 01/01/2014 -
5.889, de 8 de junho de 1973 do salário mensal, por mês de serviço ou fração superior a
14 (quatorze) dias
Guia de Cálculos Trabalhistas 75

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
Valor correspondente à metade da remuneração devida até
6104 Indenização do art. 479 da CLT o término do contrato a prazo determinado em caso de res- 01/01/2014 -
cisão antecipada
Indenização recebida a título Valor correspondente a incentivo à demissão em Programas
6105 01/01/2014 -
de incentivo a demissão de Demissão Voluntária - PDV
Valor devido ao trabalhador por atraso no pagamento de
6106 Multa do art. 477 da CLT 01/01/2014 -
rescisão do contrato de trabalho (art. 477 da CLT, § 8º)
Valor correspondente à indenização por desligamento du-
Indenização por quebra de
6107 rante período de estabilidade legal, ou estabilidade derivada 01/01/2014 -
estabilidade
de acordo ou convenção coletiva de trabalho
Indenização pela dispensa sem justa causa que ocorrer du-
6119 Indenização rescisória - MP 936 rante o período de garantia provisória no emprego de que 01/04/2020 -
trata o art. 10 da MP 936/2020
Valor correspondente a outras indenizações previstas em
6129 Outras Indenizações leis ou em Instrumentos Coletivos de Trabalho, exceto as 01/01/2014 -
previstas nos itens anteriores
Valor descontado do trabalhador que tenha pedido demis-
6901 Desconto do aviso- prévio 01/01/2014 -
são e não cumpriu aviso-prévio, total ou parcialmente
Valor descontado do empregado pela rescisão antecipa-
Multa prevista no art. 480 da
6904 da, por iniciativa do empregado, do contrato de trabalho 01/01/2014 -
CLT
a termo
Valor dos proventos de Aposentadoria a servidor público
7001 Proventos 01/01/2014 -
vinculado a Regime Próprio de Previdência Social
Proventos - Pensão por morte Valor dos proventos por morte a beneficiário de servidor pú-
7002 01/01/2014 -
Civil blico vinculado a Regime Próprio de Previdência Social
7003 Proventos - Reserva Valor dos proventos a militar da reserva remunerada 01/01/2014 -
7004 Proventos - Reforma Valor dos proventos a militar reformado 01/01/2014 -
7005 Pensão Militar Valor da pensão a beneficiário de militar 01/01/2014 -
Valor relativo a descontos a título de adiantamentos em geral,
9200 Desconto de Adiantamentos 01/01/2014 -
como de salários e outros, exceto a 1ª parcela do 13° salário
9201 Contribuição Previdenciária Desconto a título de contribuição previdenciária 01/01/2014 -
Imposto de renda retido na
9203 Desconto a título de imposto de renda retido na fonte - IRRF 01/01/2014 -
fonte
Provisão de contribuição pre- Desconto efetuado em recibos de férias relativo a provisão
9205 01/01/2014 -
videnciária de contribuição previdenciária
Desconto correspondente a faltas, atrasos no início da jor-
9209 Faltas ou atrasos 01/01/2014 -
nada de trabalho ou à saída antecipada do trabalhador
Desconto correspondente ao Descanso Semanal Remu-
9210 DSR s/faltas e atrasos nerado - DSR, calculado sobre faltas e atrasos do traba- 01/01/2014 -
lhador
Desconto correspondente à pensão alimentícia sobre o sa-
9213 Pensão alimentícia 01/01/2014 -
lário mensal, 13° salário, PLR e férias
13° salário - desconto de
9214 Desconto de antecipação do 13° salário 01/01/2014 -
adiantamento
Desconto do vale-transporte referente à participação do tra-
9216 Desconto de vale- transporte balhador no custo ou em virtude de concessão do benefício 01/01/2014 -
em valor maior
Desconto relativo a contribuições destinadas a outras enti-
Contribuição a Outras Entida- dades e fundos (Terceiros), como por exemplo, Sest, Senat,
9217 01/01/2014 -
des e Fundos etc., devidas por algumas categorias de contribuintes indi-
viduais
Desconto relativo a retenções de verbas devidas a trabalha-
9218 Retenções judiciais 01/01/2014 -
dores por ordem judicial, exceto pensão alimentícia
76 Guia de Cálculos Trabalhistas

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
Desconto referente à participação do trabalhador no custo
Desconto de assistência mé-
9219 de assistência médica ou odontológica, ou em virtude de 01/01/2014 -
dica ou odontológica
concessão do benefício em valor maior
Desconto referente à participação do trabalhador no custo
9220 Alimentação - desconto 01/01/2014 -
ou em virtude de concessão do benefício em valor maior
Valor correspondente à remuneração (dias) de férias do mês
9221 Desconto de férias 01/01/2014 -
corrente pago no mês anterior ou adiantamento de férias
Desconto de outros impostos, taxas e contribuições, exceto
Desconto de outros impostos Imposto de Renda Retido na Fonte, contribuição previden-
9222 01/01/2014 -
e contribuições ciária e contribuições destinadas a outras entidades e fun-
dos (Terceiros)
Previdência complementar - Desconto referente à participação do trabalhador no custo
9223 01/01/2014 -
parte do empregado ou em virtude de concessão do benefício em valor maior
Desconto referente à participação do trabalhador no custo
9224 FAPI - parte do empregado de Fundo de Aposentadoria Programada Individual - FAPI, 01/01/2014 -
ou em virtude de concessão do benefício em valor maior
Previdência complementar - Desconto referente à participação do trabalhador no custeio
9225 01/01/2014 -
parte do servidor de Plano de Previdência Complementar do Servidor Público
Desconto correspondente ao abono de férias pago no mês
9226 Desconto de férias - abono 01/01/2014 -
anterior ou adiantamento de férias
Valor correspondente ao desconto da contribuição laboral
Contribuição Sindical - Com-
9230 correspondente a um dia de trabalho a título de contribui- 01/01/2014 -
pulsória
ção sindical obrigatória
Contribuição Sindical - Asso- Valor correspondente ao desconto referente a mensalidade
9231 01/01/2014 -
ciativa sindical do trabalhador
Contribuição Sindical - Assis- Valor correspondente ao desconto da contribuição destina-
9232 01/01/2014 -
tencial da ao custeio das atividades assistenciais do sindicato
Contribuição sindical - Confe- Valor correspondente ao desconto da contribuição destina-
9233 01/01/2014 -
derativa da ao custeio do sistema confederativo
Desconto referente à participação do trabalhador no custo
9250 Seguro de vida - desconto 01/01/2014 -
ou em virtude de concessão do benefício em valor maior
Desconto de trabalhadores a título de empréstimos con-
Empréstimos consignados -
9254 signados, para repasse a instituição financeira consignatá- 01/01/2014 -
desconto
ria
Empréstimos do empregador Desconto de trabalhadores a título de empréstimos efetua-
9255 01/01/2014 -
- desconto dos pelo empregador ao trabalhador
Desconto relativos a convênios diversos com empresas para
fornecimento de produtos ou serviços ao empregado, sem
9258 Convênios 01/01/2014 -
pagamento imediato, mas com posterior desconto em folha
de pagamento como farmácias, supermercados, etc.
Desconto referente à amortização de financiamento do Fun-
9260 Fies - desconto do de Financiamento Estudantil (Fies), para repasse à insti- 01/05/2018 -
tuição consignatária
Danos e prejuízos causados Desconto do trabalhador para reparar danos e prejuízos por
9270 01/01/2014 -
pelo trabalhador ele causados
Valor correspondente a desconto de verbas pagas indevi-
damente ao trabalhador em meses anteriores e que estão
Desconto de pagamento in-
9290 sendo descontadas no mês de referência, exceto valores re- 01/01/2014 -
devido em meses anteriores
lativos a assistência médica, alimentação, previdência com-
plementar e seguro de vida
9299 Outros descontos Outros descontos não previstos nos itens anteriores 01/01/2014 -
Base de cálculo da contribui-
9901 Valor total da base de cálculo da contribuição previdenciária 01/01/2014 -
ção previdenciária
Guia de Cálculos Trabalhistas 77

TABELA 03 - NATUREZA DAS RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO


NOME DA NATUREZA DA
CÓD. DESCRIÇÃO DA NATUREZA DA RUBRICA INÍCIO TÉRMINO
RUBRICA
Total da base de cálculo do
9902 Valor total da base de cálculo do FGTS 01/01/2014 -
FGTS
Total da base de cálculo do Valor total da base de cálculo do Imposto de Renda Retido
9903 01/01/2014 -
IRRF na Fonte
Total da base de cálculo do
9904 Valor total da base de cálculo do FGTS rescisório 01/01/2014 -
FGTS rescisório
Valor não relativo a vencimento ou desconto, relativo à remu-
9905 Serviço militar neração a que teria direito, se em atividade, o trabalhador afas- 01/01/2014 -
tado do trabalho para prestação do serviço militar obrigatório
Remuneração recebida no exterior por trabalhador expatria-
9906 Remuneração no exterior do sobre a qual incida contribuição previdenciária e/ou IRRF 01/01/2014 -
e/ou FGTS
9908 FGTS - depósito Valor do depósito do FGTS 01/01/2014 -
Valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo pago a
9910 Seguros 01/01/2014 -
empresa de seguros como benefício do trabalhador
Valor não relativo a vencimento ou desconto, relativo à as-
sistência prestada por serviço médico ou odontológico, pró-
9911 Assistência Médica 01/01/2014 -
prio da empresa ou por ela conveniado, como benefício ao
trabalhador
Valor correspondente à remuneração mensal do(a)
Salário maternidade pago
9930 trabalhador(a) durante a licença maternidade, quando paga 01/01/2014 -
pela Previdência Social
pela Previdência Social
Valor correspondente ao 13° salário do(a) trabalhador(a) du-
13° salário maternidade pago
9931 rante a licença maternidade, quando pago pela Previdência 01/01/2014 -
pela Previdência Social
Social
Valor relativo à base de cálculo do FGTS incidente sobre be-
9932 Auxílio-doença acidentário nefício previdenciário pago por Previdência Social Oficial a 01/01/2014 -
trabalhador afastado por acidente de trabalho
Valor de benefício previdenciário pago por Regime Próprio
9933 Auxílio-doença de Previdência Social ou valor de auxílio-doença dedutível 01/01/2014 -
conf. Lei nº 13.982 (Covid-19)
Valor da parcela isenta dos rendimentos de aposentadoria e
pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma,
9938 Isenção IRRF - 65 anos pagos por órgão público de previdência oficial ou por enti- 01/01/2014 -
dade de previdência complementar, no caso de contribuinte
com idade igual ou superior a 65 anos
Valor não relativo a vencimento ou desconto mas conside-
rado como base de cálculo do FGTS, e/ou da contribuição
9939 Outros valores tributáveis 01/01/2014 -
previdenciária e/ou do Imposto de Renda Retido na Fonte
inclusive suas deduções e isenções
Horas extraordinárias - Banco Quantidade (em número decimal com dois dígitos) de horas
9950 01/01/2014 31/10/2019
de horas extraordinárias incorporadas ao banco de horas
Horas compensadas - Banco Quantidade (em número decimal com dois dígitos) de horas
9951 01/01/2014 31/10/2019
de horas compensadas no banco de horas
Outros valores informativos, que não sejam vencimentos
9989 Outros valores informativos 01/01/2014 -
nem descontos

INSS, FGTS E IR/FONTE - TABELA PRÁTICA DE INCIDÊNCIAS

Com base na legislação e jurisprudência vigentes, foi elaborada a tabela adiante, ressaltando a
necessidade de sua atualização sempre que ocorrerem alterações nos dispositivos utilizados como fun-
damento.
78 Guia de Cálculos Trabalhistas

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


1 - Abono pecuniário de férias
Nota
O abono pecuniário de férias previsto no art. 143 da CLT, bem como o concedido
em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de
não não não
convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de 20 dias do salário, não
integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho, e
nem o salário-de-contribuição (CLT, arts. 143 e 144 e Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, letra
“e”, item 6).
2 - Adicionais (insalubridade, periculosidade, noturno, transferência e de função) sim sim sim
3 - Ajuda de custo
Notas
1ª) A Lei nº 13.467/2017 em vigor desde 11.11.2017, alterou o § 2º do art. 457 da CLT para
determinar que as importâncias pagas a título de ajuda de custo, ainda que habituais,
não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de
trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e
previdenciário.
Nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, alterada pela Instrução
Normativa SIT nº 145/2018, art. 10, incisos XIII, XIV e XV, não integram a remuneração
do empregado para fins do FGTS:
não não Não
a) ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de
(ver nota 1) (ver nota 1) (ver nota 2)
mudança de localidade de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;
b) ajuda de custo, quando paga mensalmente, recebida como verba indenizatória
para ressarcir despesa relacionada à prestação de serviços ou à transferência do
empregado, nos termos do art. 470 da CLT; e
c) ajuda de custo, em caso de transferência permanente, e o adicional mensal, em caso
de transferência provisória, recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929/1973.
2ª) A isenção do IR beneficia apenas a ajuda de custo destinada a atender às
despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em
caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo
contribuinte (Perguntas e Respostas IRPF/2020, questão nº 275).
4 - Benefício por incapacidade temporária (Auxílio-doença)
- 15 primeiros dias sim sim sim
- Complementação salarial (desde que o direito seja extensivo à totalidade dos
não não sim
empregados da empresa)
Nota
São isentos de IR apenas os rendimentos pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, ainda que pagos pelo empregador por força de convênios com órgãos previdenciários, e pelas entidades de
previdência complementar, decorrentes de seguro-desemprego, auxílio-natalidade, auxílio-doença, auxílio-funeral e auxílio-
acidente (Perguntas e Respostas IRPF/2020, questão nº 233).
5 -Aviso prévio trabalhado sim sim sim
6 -Aviso prévio indenizado
não sim (*) não
(*) Veja observação “Importante” no final desta tabela.
7 -13º salário
a) 1ª parcela até 30 de novembro não sim não
b) 2ª parcela até 20 de dezembro sim sim sim
c) proporcional (na rescisão contratual) sim sim sim
Notas
1ª) Ver observação “Importante” no final desta tabela sobre a incidência ou não do encargo previdenciário sobre a parcela do
13º salário proporcional relativo ao período projetado do aviso prévio indenizado.
2ª) O valor integral do 13º salário submete-se ao IR no ato da sua quitação (no mês de dezembro ou por ocasião da
rescisão do contrato de trabalho), separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, podendo ser
feitas no rendimento bruto todas as deduções permitidas para fins de determinação da base de cálculo do imposto
(RIR/2018, art. 700).
Guia de Cálculos Trabalhistas 79

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


8 - Comissões sim sim sim
9 -Diárias para viagem
Notas
1ª) A Lei nº 13.467/2017 em vigor desde 11.11.2017, alterou o § 2º do art. 457 da CLT e a letra
“h” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, para determinar que as importâncias pagas
a título de diárias para viagem, ainda que habituais, não integram a remuneração
do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base
de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. Observar que, nos
termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, alterada pela Instrução Normativa SIT
nº 145/2018, art. 9º, inciso X, considera-se de natureza salarial para fins do FGTS, as
diárias para viagem, pelo seu valor global, desde que não haja prestação de contas do
montante gasto. Assim sendo, o citado inciso condiciona a integração da parcela das
não não não
diárias para viagem à não prestação de contas dos valores gastos pelo trabalhador.
Entretanto, o § 2º do art. 457 da CLT, na redação da Lei nº 13.467/2017, não trata de
qualquer prestação de contas dos valores de diárias para viagem.
Ademais, o art. 10, inciso XVI da mesma Instrução Normativa SIT nº 144/2018, reza
que não integra a remuneração as diárias para viagem desde que comprovada
sua natureza indenizatória, portanto, sem exigir a prestação de contas, bastando
comprovar a natureza indenizatória.
2ª) A isenção do IR beneficia, exclusivamente, as diárias, destinadas ao pagamento
de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município
diferente do da sede de trabalho (RIR/2018, art. 35, I, letra “f”; e Parecer Normativo CST
nº 10/1992; Perguntas e Respostas IRPF/2020, questão nº 275).
10 - Estagiários (admitidos na forma da Lei nº 11.788/2008) não não sim
11 - Férias normais gozadas na vigência do contrato de trabalho (inclusive o terço
constitucional)
Nota
sim sim sim
O cálculo do IR efetua-se em separado do salário, computando-se o valor das férias,
acrescido dos abonos previstos na Constituição Federal/1988, art. 7º, XVII, e na CLT,
art. 143 (RIR/2018, art. 682).
12 - Férias em dobro na vigência do contrato de trabalho (CLT, art. 137)
Notas
1ª) Ressalte-se que, com base no art. 28, § 9º, “d”, da Lei nº 8.212/1991, ficou definido que
não integram o salário-de-contribuição “as importâncias recebidas a título de férias
indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à
dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do sim sim sim
Trabalho (CLT)”. (veja (veja (veja
2ª) O valor correspondente ao pagamento em dobro da remuneração de férias 1ª “Nota”) 2ª “Nota”) 3ª “Nota”)
concedidas após o prazo legal, não integra a remuneração para efeito de incidência
do FGTS (Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 10, inciso IV). A base de cálculo é a
remuneração simples.
3ª) Na base de cálculo do IRRF computa-se o total pago, efetuando-se as deduções
cabíveis (dependentes, contribuição ao INSS e pensão alimentícia).
13 -Férias indenizadas pagas na rescisão contratual (simples, em dobro e proporcionais)
Notas
1ª) O terço constitucional não integra o salário-de-contribuição quando pago em
rescisão contratual, conforme Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, “d”. Relativamente ao
FGTS, a Lei nº 8.036/1990, art. 15, § 6º, prevê que não se incluem na remuneração,
para os fins da Lei nº 8.036/1990, as parcelas elencadas na Lei nº 8.212/1991, art. 28, §
9º. Nesse aspecto, tendo em vista que o adicional de 1/3 de férias pago em rescisão
contratual não sofre a incidência previdenciária, também não sofrerá a incidência do (veja
não não
encargo de FGTS (Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 10, V). 2ª “Nota”)
2ª) Em decorrência do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/2002, com alterações da Lei
nº 11.033/2004, não são tributados os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias
não gozadas - integrais, proporcionais ou em dobro - convertidas em pecúnia, e de
adicional de 1/3 constitucional quando agregado a pagamento de férias, por ocasião
da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou exoneração, observados os
termos dos atos declaratórios editados pelo procurador- Geral da Fazenda Nacional
em relação a essas matérias (Perguntas e Respostas IRPF/2020, questão nº 162).
80 Guia de Cálculos Trabalhistas

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


3ª) Pela mesma razão, não são tributados pelo IR os pagamentos efetuados sob
as rubricas de abono pecuniário relativo à conversão de 1/3 do período de férias,
de que trata o art. 143 do Decreto-Lei nº 5.452/1943 - Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.535/1977. A pessoa física
que recebeu tais rendimentos com desconto do Imposto sobre a Renda na fonte e
que incluiu tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual como tributáveis, para
pleitear a restituição da retenção indevida, deve apresentar declaração retificadora
do respectivo exercício da retenção, excluindo o valor recebido a título de abono
pecuniário de férias do campo “rendimentos tributáveis” e informando-o no campo
“outros” da ficha “rendimentos isentos e não tributáveis”, com especificação da
natureza do rendimento (Perguntas e Respostas IRPF/2020, questão nº 162).
14 - Fretes, carretos ou transporte de passageiros pagos a pessoa jurídica
Nota
Rezava o inciso IV do art. 22, da Lei nº 8.212/1991, que as empresas, ao contratarem os
serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de serviço, ficavam obrigadas
ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal correspondente à aplicação
da alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura ou recibo de prestação
de serviços. Entretanto, em decisão prolatada com a repercussão geral reconhecida,
nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 595.838, o Supremo Tribunal Federal (STF)
declarou a inconstitucionalidade do mencionado inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991. não
não não
Por meio das Soluções de Consulta Cosit nºs 152/2015 e 99.012/2015, publicadas nos (veja “nota”)
DOU de 23.06.2015 e 11.11.2015, respectivamente, a RFB esclareceu que diante da
declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, deixa
de ser devida pela empresa tomadora de serviços a contribuição de 15% sobre o valor
da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por intermédio de cooperativa de
trabalho. Por meio da Resolução SF nº 10/2016, o Senado Federal suspendeu, nos
termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22
da Lei nº 8.212/1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo
STF nos autos do RE nº 595.838.
15 - Fretes, carretos ou transporte de passageiros pagos a pessoa física autônoma.
Notas
1ª) O rendimento tributável pelo IR corresponderá a 10% (desde 1º.01.2013) do
rendimento bruto pago, quando decorrente do transporte de cargas, e a 60% do
rendimento bruto pago, quando decorrente do transporte de passageiros (RIR/2018,
art. 39). sim não sim
2ª) A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário,
ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido
em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094/1974, pelo frete, carreto ou
transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a 20% do
rendimento bruto.
16 -Gorjeta
a) espontânea sim sim sim
b) compulsória sim sim sim
Nota
Conforme o art. 457, caput e § 3º, da CLT (este parágrafo com a redação dada pela Lei nº 13.419/2017), compreendem-se na
remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como
contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. Considera-se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo
cliente ao empregado, como também o valor cobrado pela empresa, como serviço ou adicional, a qualquer título, e destinado
à distribuição aos empregados.
17 -Gratificações ajustadas ou contratuais
Nota
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a reforma trabalhista, cujos efeitos vigoram desde
11.11.2017, alterou os §§ 1º e 4º do art. 457 da CLT, para determinar que integram o salário Veja nota Veja nota sim
a importância fixa estipulada, as gorjetas, as comissões pagas pelo empregador e as
gratificações legais. Também alterou a Lei nº 8.212/1991 determinando que os prêmios
e os abonos não integram a remuneração para efeito previdenciário.
Guia de Cálculos Trabalhistas 81

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


Determinou ainda que, consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo
empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro, a empregado ou grupo
de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no
exercício de suas atividades.
Observar que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, inciso XIV,
consideram-se de natureza salarial para fins do FGTS, as gratificações legais, as de
função e as que tiverem natureza de contraprestação pelo trabalho. Ocorre que o
§ 1º do art. 457 da CLT na redação da Lei nº 13.467/2017, determina que integram a
remuneração as gratificações legais, ou seja, aquelas previstas na legislação. A citada
instrução normativa, por seu turno, determina integrar a remuneração as gratificações
legais, as de função e quaisquer outras gratificações que tenha relação com o
trabalho. Entende-se que a citada instrução normativa extrapolou a determinação
legal, elastecendo o conceito de remuneração, o qual passa a abarcar outras parcelas
de gratificação que não as determinadas pelo mencionado dispositivo da CLT.
Lembra-se que a instrução normativa é um ato administrativo governamental que
não tem competência para modificar a lei.
Prêmio e gratificação são verbas que, embora com nomenclaturas diversas, têm
finalidades semelhantes e constituem uma forma de incentivo; a gratificação tem
aspecto mais abrangente e o prêmio, mais restrito; em outras palavras, a gratificação
é o gênero e o prêmio, a espécie. Assim, conclui-se que as duas verbas deveriam ter
o mesmo tratamento tributário.
O caput do art. 15 da Lei nº 8.036/1990 (Lei do FGTS), determina que: “Para os fins
previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7
(sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8
(oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador,
incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a
gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as
modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965”. Assim, ocorrendo alteração
nos mencionados artigos da CLT, conclui-se que estas modificações alcançam as
determinações do mencionado art. 15.
18 - Gratificações legais
Nota
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a reforma trabalhista, cujos efeitos vigoram desde
11.11.2017, alterou os §§ 1º e 3º do art. 457 da CLT, para determinar que integram o salário:
a importância fixa estipulada, as gorjetas, as comissões pagas pelo empregador e as
gratificações legais.
Observar que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, inciso XIV,
consideram-se de natureza salarial para fins do FGTS, as gratificações legais, as de
função e as que tiverem natureza de contraprestação pelo trabalho. Ocorre que o
sim sim sim
§ 1º do art. 457 da CLT na redação da Lei nº 13.467/2017, determina que integram a
remuneração as gratificações legais, ou seja, aquelas previstas na legislação. A citada
instrução normativa, por seu turno, determina integrar a remuneração as gratificações
legais, as de função e quaisquer outras gratificações que tenha relação com o
trabalho. Entende-se que a citada instrução normativa extrapolou a determinação
legal, elastecendo o conceito de remuneração, o qual passa a abarcar outras parcelas
de gratificação que não as determinadas pelo mencionado dispositivo da CLT.
Lembra-se que a instrução normativa é um ato administrativo governamental que
não tem competência para modificar a lei.
19 -Horas extras sim sim sim
20 - Indenização adicional (empregado dispensado sem justa causa no período de 30
não não não
dias que antecede a data de sua correção salarial - Lei nº 7.238/1984, art. 9º)
21 - Indenização por tempo de serviço não não não
22 - Indenização prevista na CLT, art. 479 (metade da remuneração devida até o
não não não
término do contrato a prazo determinado, rescindido antecipadamente)
23 -Licença-paternidade (CF/1988, art. 7º, XIX) sim sim sim
82 Guia de Cálculos Trabalhistas

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


24 - Participação nos lucros ou resultados da empresa nos termos da Lei nº 10.101/2000
Nota
A participação nos lucros aos empregados será tributada pelo Imposto de Renda
exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano
do recebimento ou crédito e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo
não não sim
beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.
O valor da participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa será
integralmente submetido à tabela progressiva anual, de que trata o Anexo III da
Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014, alterado pela Instrução Normativa RFB nº
1.558/2015).
25 - Prêmios
Notas
1ª) Consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma
de bens, serviços ou valor em dinheiro, a empregado ou grupo de empregados, em
razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas
atividades (CLT, art. 457, §§ 2º e 4º; Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea “z).
2ª) Quanto ao IRRF, observar que:
I - os prêmios em bens dados a funcionários ou a representantes comerciais autônomos,
como estímulo à produtividade, sem sorteio, concurso ou vale-brinde, são considerados
rendimentos do trabalho e submetem-se ao desconto do imposto mediante aplicação não não sim
da tabela progressiva, juntamente com os demais rendimentos pagos ao beneficiário
no mês (RIR/2018, arts. 36, IV e 681 e Parecer Normativo CST nº 93/1974);
II - os prêmios distribuídos em bens ou serviços por meio de concursos ou sorteios
de qualquer espécie sujeitam-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à
alíquota de 20%, aplicada sobre o valor de mercado dos bens na data da distribuição
(RIR/2018, art. 733);
III - os prêmios em dinheiro obtidos em loterias, concursos desportivos ou sorteios de
qualquer espécie submetem-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à
alíquota de 30% (RIR/2018, art. 732).
26 - Quebra-de-caixa
Notas
1ª) Como parte da reforma trabalhista, a qual entrou em vigor desde 11.11.2017, a Lei
nº 13.467/2017 alterou o art. 457, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para
dispor que integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e
as comissões pagas pelo empregador. Assim, a princípio, para efeitos trabalhistas, a
quebra de caixa não integra a remuneração, uma vez que não mais se enquadra neste
conceito. O caput do art. 15 da Lei nº 8.036/1990 (Lei do FGTS), determina que: “para os
fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia
7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8
(oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador,
incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a
gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as sim (ver Nota 1) sim
modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965”. Assim, ocorrendo alteração
nos mencionados artigos da CLT, conclui-se que estas modificações alcançam as
determinações do mencionado art. 15.
Entretanto, a Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, inciso XXIII, considera a
quebra de caixa como sendo de natureza salarial para fins do FGTS.
Como a CLT, em seus §§ 1º e 3º do art. 457, na redação da Lei nº 13.467/2017, determina
que integram a remuneração a importância fixa estipulada, as gratificações legais, as
gorjetas e as comissões pagas pelo empregador, entende-se que a quebra de caixa
não se enquadra no conceito de remuneração. Contudo, a mencionada Instrução
Normativa SIT nº 144/2018 tem posição diversa.
2ª) As gratificações por quebra de caixa são tributáveis pelo IR na fonte e na declaração
de ajuste anual (Perguntas e Respostas IRPF/2020, questão no 233).
27 - Retiradas (pro labore) de diretores-empregados sim sim sim
28 - Retiradas (pro labore) de diretores-proprietários (empresários)
Nota
sim não sim
A estes, facultativamente, o regime do FGTS pode ser estendido (Lei nº 6.919/1981 e
Lei nº 8.036/1990).
Guia de Cálculos Trabalhistas 83

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


29 - Retiradas de titulares de firma individual (empresários)
(*) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) deverá ser previamente consultada sim não sim
sobre o assunto.
30 -Salário-família sem exceder o valor legal não não não
31 - Salário in natura (utilidades) - CLT, art. 458
Notas
1ª) Como parte da reforma trabalhista, a qual entrou em vigor desde 11.11.2017, a Lei
nº 13.467/2017 introduziu o § 5º ao art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) para dispor que o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou
odontológico, próprio ou não, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos,
óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e
outras similares, mesmo quando concedido em diferentes modalidades de planos
e coberturas, não integram o salário do empregado para qualquer efeito nem o
salário-de-contribuição, para efeitos do previsto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da
Lei nº 8.212/1991. Também foi determinado que o auxílio-alimentação (vedado o seu
pagamento em dinheiro) não integra a remuneração do empregado, não se incorpora
ao contrato de trabalho e não constitui base de incidência de qualquer encargo sim sim sim
trabalhista e previdenciário.
Observar que nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 10, inciso XX,
não integram a remuneração do empregado para fins do FGTS, a parcela in natura
recebida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), instituído
pela Lei nº 6.321/1976. Não obstante tal previsão, o § 2º do art. 457 da CLT, na redação
da Lei nº 13.467/2017, estabelece que o auxílio-alimentação (vedado seu pagamento
em dinheiro), não integra a remuneração para fins de incidência de qualquer encargo
trabalhista e previdenciário. Assim, a parcela in natura, concedida com a observância
ou não das regras do PAT, não descaracteriza a parcela como auxílio-alimentação.
2ª) O IRRF não incide sobre a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas
especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados
ou mediante cobrança de preço inferior ao valor de mercado (RIR/2018, art. 35, I, letra ”a”).
32 -Salário-maternidade sim sim sim
33 - Saldo de salário
Nota
O desconto do IR sobre rendimentos pagos acumuladamente efetua-se no mês do
sim sim sim
pagamento, sobre o total dos rendimentos, diminuído do valor das despesas com
ação judicial necessária ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido
pagas pelo contribuinte sem indenização (RIR/2018, art. 702).
34 - Serviços autônomos de prestador inscrito na Previdência Social sim não sim
35 - Serviços eventuais sem relação de emprego sim não sim
36 -Vale-transporte (Lei nº 7.418/1985 e Decreto nº 95.247/1987) não não não
37 - Remuneração indireta (fringe benefits) concedida a diretores, administradores,
sócios e gerentes e aos assessores dessas pessoas
Notas
1ª) Se a empresa identificar o beneficiário, a remuneração indireta deve ser
adicionada à sua remuneração normal, incidindo o IR, mediante aplicação da tabela
progressiva, sobre o total dos rendimentos. Caso não seja identificado o beneficiário,
a remuneração indireta sujeita-se à incidência do IR, exclusivamente na fonte, à
alíquota de 35% (RIR/2018, arts. 679 e 731). (veja (veja
2ª) INSS - Na área previdenciária, a Lei nº 8.212/1991, art. 28, III, prevê que entende-se 2ª e 3ª 2ª e 3ª sim
por salário-de-contribuição, para o contribuinte individual, a remuneração auferida “Notas”) “Notas”)
em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria
durante o mês.
FGTS - As empresas sujeitas ao regime da CLT que equipararem seus diretores
(administradores) não empregados aos demais trabalhadores, para fins do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço, sujeitam-se ao respectivo depósito mensal sobre a
remuneração devida, incluindo as parcelas de que tratam a CLT, arts. 457 e 458 da CLT
(remuneração indireta) - Lei nº 8.036/1990, arts. 15 e 16.
84 Guia de Cálculos Trabalhistas

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


3ª) Como parte da reforma trabalhista, a qual entrou em vigor desde 11.11.2017, a Lei nº
13.467/2017 alterou o art. 457, §§ 1º, 2º e 4º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
para dispor que integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações
legais e as comissões pagas pelo empregador. As importâncias, ainda que habituais,
pagas a título de ajuda de custo, o auxílio-alimentação, vedado o seu pagamento em
dinheiro, as diárias para viagem, os prêmios e os abonos não integram a remuneração
do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de
incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. Consideram-se prêmios
as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em
dinheiro, a empregado ou grupo de empregados, em razão de desempenho superior
ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades.
38 -Salário-educação - Convênio - FNDE não não sim
39 - Remuneração pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza
profissional paga ou creditada por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas.
Notas
1ª) O desconto do IR é feito mediante aplicação:
a) da alíquota fixa de 1,5% (RIR/2018, art. 714); ou
b) da tabela progressiva prevista para o desconto do imposto sobre rendimentos
do trabalho, quando a pessoa jurídica prestadora dos serviços for sociedade civil
controlada, direta ou indiretamente, por pessoas físicas que sejam diretores,
(veja
gerentes ou controladores da pessoa jurídica que pagar ou creditar os rendimentos, não sim
3ª “Nota”)
bem como pelo cônjuge ou parente de primeiro grau das referidas pessoas
(RIR/2018, art. 715).
2ª) Não incide o IR na fonte quando o serviço for prestado por pessoas jurídicas
imunes ou isentas (Instrução Normativa SRF nº 23/1986).
3ª) Se a prestação de serviços estiver enquadrada, nos termos do Regulamento da
Previdência Social - RPS/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, art. 219, reter e
recolher em geral, 11% do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação
de serviços, a título de “Retenção para a Previdência Social.”
40 - Comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração por representação
comercial ou mediação na realização de negócios civis ou comerciais, pagas ou
creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas
Nota
A beneficiária dos rendimentos efetua o recolhimento do imposto, desobrigando-
se a fonte pagadora da retenção, nos casos de comissões e corretagens relativas a:
colocação ou negociação de títulos de renda fixa; operações realizadas em Bolsas de não não sim
Valores e em Bolsas de Mercadorias; distribuição de emissão de valores mobiliários,
quando a pessoa jurídica atuar como agente da companhia emissora; operações de
câmbio; vendas de passagens, excursões ou viagens; administração de cartão de
crédito; prestação de serviços de distribuição de refeições pelo sistema de refeições-
convênio e de administração de convênios (Instrução Normativa SRF nº 153/1987;
Instrução Normativa SRF nº 177/1987 e Instrução Normativa DRF nº 107/1991).
41 - Serviços de propaganda e publicidade, pagos ou creditados por pessoas jurídicas
a agências de propaganda
Nota não não sim
A agência de propaganda recolhe o imposto devido na fonte, por conta e ordem do
anunciante, observadas as normas contidas na Instrução Normativa SRF nº 123/1992.
42 - Serviços de limpeza e conservação de bens imóveis, segurança, vigilância e por
locação de mão de obra, pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas
jurídicas
Notas sim
(veja
1ª) O Imposto de Renda incide à alíquota de 1% (RIR/2018, art. 716). não (veja
2ª “Nota”)
2ª) Se a prestação de serviços estiver enquadrada, nos termos do Regulamento 1ª “Nota”)
da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, art. 219, reter e
recolher 3,5%, 11% ou mais, conforme o caso, do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou
do recibo de prestação de serviços, a título de “Retenção para a Previdência Social”.
Guia de Cálculos Trabalhistas 85

RUBRICAS INSS FGTS IRRF


43 - Importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de
trabalho, associações e assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem
prestados ou colocados à disposição por associados destas.
Notas
1ª) Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º.01.1995, o desconto do
imposto deverá ser efetuado à alíquota de 1,5% (RIR/2018, art. 719).
2ª) O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho com aquele
que tiver de reter por ocasião do pagamento dos rendimentos ao associado.
3ª) Rezava o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 que as empresas, ao contratarem
os serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de serviço, ficavam
obrigadas ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal correspondente
à aplicação da alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo não
de prestação de serviços. Entretanto, em decisão prolatada, com a repercussão (veja não sim
geral reconhecida, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 595.838, o Supremo 3ª “Nota”)
Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do mencionado inciso IV do
art. 22 da Lei nº 8.212/1991.
Por meio das Soluções de Consulta Cosit nºs 152/2015 e 99.012/2015, publicadas nos
DOU de 23.06.2015 e 11.11.2015, respectivamente, a RFB esclareceu que diante da
declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, deixa
de ser devida pela empresa tomadora de serviços a contribuição de 15% sobre o valor
da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por intermédio de cooperativa de
trabalho. Por meio da Resolução SF nº 10/2016, o Senado Federal suspendeu, nos
termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22
da Lei nº 8.212/1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo
STF nos autos do RE nº 595.838.
44 - Juros e indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial,
pagos a pessoas jurídicas
não não sim
Nota
O desconto é feito mediante aplicação da alíquota de 5% (RIR/2018, art. 739).
45 - Multa prevista na CLT, art. 477, § 8º (multa por atraso no pagamento das verbas
não não não
rescisórias)
46 - Compensação pecuniária paga com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador,
sim sim sim
no Programa Seguro-Emprego (PSE), nos termos do art. 9º da Lei nº 13.189/2015.

Importante
A Lei nº 8.212/1991, que trata da organização da Seguridade Social e institui o Plano de Custeio da Previdência Social,
determina que, para o empregado e trabalhador avulso, salário-de-contribuição é a remuneração auferida em uma ou
mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante
o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob
a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados,
quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de
convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
A mesma disposição anterior se encontra prevista no inciso I do art. 214 do RPS e no inciso I do art. 55 da Instrução Nor-
mativa RFB nº 971/2009, que dispõe sobre as normas gerais de tributação e de arrecadação das contribuições sociais
destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela RFB.
Constata-se, portanto, que em geral a contribuição previdenciária incide sobre a contraprestação auferida decorrente
do exercício do trabalho no curso de uma relação empregatícia ou de trabalho avulso.
Desta forma, levando em consideração a conceituação legal de salário-de-contribuição anteriormente tratada, conclui-se
que o encargo previdenciário incide sobre a contraprestação auferida pelo trabalhador decorrente do exercício regular de
seu trabalho ou do tempo que esteja à disposição do empregador, no curso de uma relação empregatícia ou de trabalho.
O aviso-prévio, na sua forma meramente indenizatória, não representa contraprestação por trabalho executado, tam-
pouco tempo à disposição do empregador, visto que, durante o período de sua projeção, considerada para fins de pa-
gamento das demais verbas rescisórias, inexiste qualquer obrigação por parte do trabalhador em manter a prestação
de serviço que existia antes do rompimento do contrato laboral. Portanto, o empregador, ao indenizar o empregado,
libera-o totalmente de qualquer vínculo com a empresa.
Originariamente, a Lei nº 8.212/1991 (art. 28, § 9º, alínea “e”) e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo
Decreto nº 3.048/1999 (art. 214, § 9º, V, “f”), continham previsão expressa sobre a não incidência do encargo previdenciá-
rio sobre o aviso-prévio indenizado. Tais previsões foram suprimidas por legislações posteriores.
86 Guia de Cálculos Trabalhistas

Vale lembrar, porém, que a alínea “m” do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, a qual permanece em vigor, dispõe que não
integra o salário-de-contribuição as importâncias recebidas a título de “outras indenizações, desde que expressamente
previstas em lei”. Nesse aspecto, considerando que o aviso-prévio indenizado é verba de natureza indenizatória e tal
parcela é prevista em lei, estaria enquadrado na mencionada alínea “m”.
No que concerne ao encargo do FGTS sobre o aviso-prévio indenizado, há que se lembrar da sua incidência, conforme
expressa previsão contida na Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, XXI, bem como na Súmula TST nº 305 do TST.
Ressalte-se, ainda, que, apesar da expressa revogação dos dispositivos legais que previam expressamente a não inte-
gração do aviso-prévio indenizado no salário-de-contribuição, em nenhum momento a Lei nº 8.212/1991 ou o RPS previu
a sua integração.
Pela análise dos dispositivos legais anteriormente mencionados e considerando ser o aviso-prévio indenizado, tipica-
mente, verba de natureza indenizatória, o entendimento doutrinário e jurisprudencial predominante é no sentido da não
incidência do encargo previdenciário sobre os valores pagos a tal título.
No que concerne ao encargo previdenciário sobre a parcela (avo) correspondente do 13º salário proporcional decorren-
te da projeção do período do aviso-prévio indenizado, informamos que, atualmente, não há na Lei nº 8.212/1991, no seu
regulamento (Decreto nº 3.048/1999) e nem na Instrução Normativa RFB nº 971/2009 qualquer previsão expressa sobre
a não incidência previdenciária, conduzindo ao raciocínio de que, sobre a referida parcela acessória, haverá de se seguir
a mesma sorte da parcela principal, que é o aviso-prévio indenizado, observados todos os comentários anteriores.
Tanto em relação ao aviso-prévio indenizado quanto ao avo correspondente à projeção do aviso no 13º salário propor-
cional, vale lembrar que, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 362/2017 - DOU 1 de 18.08.2017, ficou esclarecido que,
nos termos da Nota PGFN/CRJ nº 485/2016, e com esteio no art. 19, inciso V, §§ 4º, 5º e 7º, da Lei nº 10.522/2002 e no
art. 3º, § 3º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, o aviso-prévio indenizado, exceto seu reflexo no 13º salário, não
integra a base de cálculo para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de
salários.
Por meio da Instrução Normativa RFB nº 925/2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.730/2017, a qual dispõe,
entre outras providências, sobre as informações a serem declaradas na GFIP, a RFB determinou que as pessoas jurídi-
cas ou os contribuintes equiparados que efetuarem rescisão de contrato de trabalho de seus empregados e pagarem
aviso-prévio indenizado deverão preencher o Sefip da seguinte forma:
a) o valor do aviso prévio indenizado não deverá ser informado; e
b) o valor do 13º salário correspondente ao aviso prévio indenizado deverá ser informado no campo “Base de Cálculo
13º salário da Previdência Social”, exceto no caso de empregado que tenha trabalhado por um período inferior a 15
dias durante o ano, cuja informação não poderá ser prestada até que o Sefip seja adaptado;
c) nas hipóteses mencionadas nas letras “a” e “b”:
c.1) até a competência maio/2016, a Guia da Previdência Social (GPS) gerada pelo Sefip deverá ser desprezada, e
os valores efetivamente devidos, incluindo as contribuições incidentes sobre o aviso prévio indenizado e sobre o
13º salário correspondente ao aviso prévio indenizado, devem ser recolhidos mediante GPS, preenchida manual-
mente, observado o disposto nas letras “d” e “e”;
c.2) a partir da competência junho/2016, o valor do aviso prévio indenizado não deve ser computado para fins de
preenchimento da GPS, podendo ser utilizada a GPS gerada pelo Sefip;
d) para fins de cálculo das contribuições e de enquadramento na tabela de salário-de-contribuição, o valor do aviso
prévio indenizado:
d.1) até a competência maio/2016, deverá ser somado, no mês em que o empregado for desligado da empresa, às
outras verbas rescisórias, sobre as quais incidem contribuições previdenciárias;
d.2) a partir da competência junho/2016, não deverá ser computado na base de cálculo das contribuições previ-
denciárias, exceto na base de cálculo das contribuições incidentes sobre o 13º salário, pelo valor correspondente
a 1/12 do valor do aviso prévio indenizado.
e) o 13º salário correspondente ao aviso prévio indenizado deve ser somado ao valor do 13º salário proporcional,
correspondente ao valor bruto da gratificação sem compensação dos adiantamentos pagos, mediante aplicação,
em separado, da tabela de salário-de-contribuição;
f) as informações prestadas em GFIP em desacordo com as letras anteriormente descritas poderão ser retificadas
por meio da apresentação de GFIP retificadora, circunstância que não sujeitará o sujeito passivo à multa prevista no
inciso II do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991.
Observar ainda que, nos termos da Instrução Normativa SIT nº 144/2018, art. 9º, inciso XXII, considera-se de natureza
salarial para fins do FGTS, o valor não pago a título de aviso prévio indenizado, nos casos da extinção de contrato de
trabalho por acordo, previsto no art. 484-A da CLT. Assim, no caso de rescisão contratual por acordo entre as partes, o
aviso prévio indenizado é devido por metade, conforme determina a Lei nº 13.467/2017. Diante dessa previsão há polêmi-
ca instaurada pela citada instrução normativa, no sentido de que a outra metade do aviso prévio indenizado, que não é
devida por força de lei, seria parcela integrante da remuneração.
CAPÍTULO III
JORNADA DE TRABALHO

Jornada de trabalho é a duração diária das atividades do empregado, ou seja, o lapso de tempo em
que o empregado, por força do contrato de trabalho, fica à disposição do empregador, seja trabalhando
efetivamente ou aguardando ordens. Durante esse período o trabalhador não pode dispor de seu tempo
em proveito próprio.

A jornada máxima diária de trabalho, fixada pela Constituição Federal de 1988 (CF/1988), é de 8
horas, não podendo exceder a 44 horas semanais.

Assim, considerando o módulo semanal de 44 horas, a jornada normal diária corresponde a


7h20min, obtida mediante o seguinte cálculo:
a) dias de trabalho na semana = 6 (2ª feira a sábado, por exemplo);
b) limite máximo semanal = 44 horas;
c) divisão da duração semanal pelo número de dias de trabalho na semana:

44 = 7,3333
6

Observa-se que o cálculo da divisão resulta em dízima periódica simples, não representando 7 horas
e 33 minutos, mas 7 horas e 20 minutos, tendo em vista que a operação matemática é realizada em
escala decimal, contrapondo-se, portanto, às frações de horário, cuja escala é sexagesimal (60 segundos
e 60 minutos), ou seja:

(7,3333 - 7) × 60 = 20 minutos ou, ainda,

1 hora = 60 minutos

44 horas × 60 minutos = 2.640 minutos


2.640 = 440 minutos ou 7 horas + 20 minutos
6
Para se obter a jornada mensal:

30 dias × 7h20min = 220 horas mensais ou

30 × 440 minutos = 13.200 minutos mensais


13.200 = 220 horas
60

Podem as partes (empregado e empregador), no entanto, fixar limite diverso ao estabelecido legal-
mente. Ressalte-se que algumas categorias, por força de lei, têm jornada inferior à prevista constitucio-
nalmente.
88 Guia de Cálculos Trabalhistas

PRORROGAÇÃO DA JORNADA
A duração normal de trabalho pode ser prorrogada (horas extras em período diurno ou noturno,
ou, ainda, sistema misto) em até 2 horas diárias, mediante acordo individual ou documento coletivo de
trabalho, para empregados maiores de idade de ambos os sexos, com adicional de 50%, no mínimo, so-
bre o valor da hora normal, desde que não ultrapasse o limite de 10 horas.
Entretanto, será dispensado esse acréscimo salarial se, por força de acordo ou convenção coletiva
de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela respectiva diminuição em outro dia
(acordo de compensação de horas), de maneira que não exceda, no período máximo de 1 ano, à soma das
jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de 10 horas diárias. É o
chamado “banco de horas”, que nada mais é do que uma forma de compensação de jornada mais flexível.
Não obstante o anteriormente informado, alertamos que os documentos coletivos de trabalho
(acordo e convenção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre o banco de
horas anual.
O banco de horas pode também ser firmado por acordo individual escrito, desde que a compen-
sação ocorra no período máximo de 6 meses.
Normalmente, a implantação do “banco de horas” visa tanto ao interesse da empresa (por exem-
plo: aumento ou redução da produção) quanto ao interesse do empregado (por exemplo: necessidade
de se ausentar do trabalho).
Será também considerado lícito o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo
individual, tácito ou escrito, para a compensação no mesmo mês.

Exemplo
Tratando-se de acordo de compensação integral de horas do sábado, a jornada diária pode ser de 8 horas e 48
minutos de 2ª a 6ª feira, ou de 9 horas de 2ª a 5ª feira e de mais 8 horas na 6ª feira, ou, ainda, outra qualquer, sem-
pre ajustando a duração para totalizar as 44 horas semanais.
44 = 8,8
5
(8,8 - 8) × 60 = 48 minutos
8h48min (2ª a 6ª feira)
Nota
As mencionadas compensações de horas que recaírem no período noturno não eximem o empregador do pagamento
do respectivo adicional noturno.

Importante
O não atendimento das exigências legais para compensação de jornada, inclusive quando estabelecida mediante acor-
do tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal diária se não ultrapassada a
duração máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional.
A prestação de horas extras habituais não descaracteriza o acordo de compensação de jornada e o banco de horas.

Tratando-se de acordo de prorrogação firmado simultaneamente ao de compensação de horas, a


jornada diária não pode ultrapassar o limite global de 10 horas.

Nas atividades insalubres, o acordo de prorrogação deve ser antecedido de licença prévia das au-
toridades competentes em matéria de medicina do trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos
Guia de Cálculos Trabalhistas 89

necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer
por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em en-
tendimento para tal fim. Não se submete à exigência da mencionada licença prévia as jornadas 12 × 36.

Não obstante o anteriormente mencionado, ressaltamos que os documentos coletivos de traba-


lho (acordo e convenção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre prorroga-
ção de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia das autoridades competentes da Secreta-
ria Especial de Trabalho.

JORNADA 12 × 36
É facultado às partes por meio acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de
trabalho, estabelecer a jornada 12 × 36, ou seja, 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas ininterruptas
de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação.
A remuneração mensal pactuada pelo horário 12 × 36 abrange os pagamentos devidos pelo des-
canso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feria-
dos e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver.

JORNADA REDUZIDA
Embora, em geral, a jornada normal de trabalho seja de até 8 horas diárias e 44 horas semanais,
algumas atividades profissionais, consideradas as condições específicas em que se realizam, têm, por
força de lei, jornada de trabalho reduzida.
Reproduzimos a seguir uma relação de profissões com jornada legalmente reduzidas. Entretanto,
a mencionada relação é meramente exemplificativa, devendo ser consultadas as demais legislações
pertinentes a outras profissões, bem como recomendamos consultar o documento coletivo de trabalho
das categorias profissionais respectivas para saber se há condições mais favoráveis.
QUADRO DEMONSTRATIVO DAS PROFISSÕES
JORNADA
CATEGORIA PROFISSIONAL FUNDAMENTO LEGAL
DIÁRIA
4 horas Técnico em radiologia (operador de raio X) Lei nº 7.394/1985, art. 14
Jornalistas profissionais:
- arquivista-pesquisador
- diagramador
- editor
- ilustrador CLT, arts. 302 e 303
- noticiarista Decreto nº 83.284/1979, arts. 11 e 12
- radio-repórter
- redator
- repórter (cinematográfico, fotográfico e de setor)
- revisor
Fisioterapeuta Lei nº 8.856/1994
5 horas Músicos:
- arranjadores e orquestradores
- cantores de todos os gêneros e especialidades
- compositores de música erudita ou popular
- copistas de música
- diretores de cena lírica
Lei nº 3.857/1960, arts. 29 e 41
- diretores de orquestras ou conjuntos populares
- instrumentistas de todos os gêneros e especialidades
- professores particulares de música
- regentes de orquestras sinfônicas, óperas, bailados, operetas, orques-
tras mistas, de salão, ciganas, jazz-sinfônico, conjuntos corais e bandas
de músicas
90 Guia de Cálculos Trabalhistas

JORNADA
CATEGORIA PROFISSIONAL FUNDAMENTO LEGAL
DIÁRIA
Radialistas (setores de autoria e locução) Decreto nº 84.134/1979, art. 20
5 horas
Terapeuta ocupacional Lei nº 8.856/1994
Artistas (radiodifusão, fotografia, gravação, cinema, circo e variedades,
Decreto nº 82.385/1978, art. 44
dublagem)
Ascensoristas Lei nº 3.270/1957
Bancários (inclusive porteiros, telefonistas de mesa, contínuos e serventes) CLT, arts. 224 e 226
Empregados de empresas de crédito, financiamento ou investimento Súmula TST nº 55
Músicos de estabelecimentos de diversões públicas (cabarés, boates,
dancings, taxis-dancings, salões de danças e congêneres), onde atuem Lei nº 3.857/1960, art. 42
dois ou mais conjuntos
Operadores cinematográficos e ajudantes CLT, art. 234
6 horas Operadores em serviço de telefonia, telegrafia submarina e subfluvial, ra-
CLT, art. 227 e Súmula TST nº 178
diotelegrafia e radiotelefonia
Operadores telegrafistas do serviço ferroviário CLT, art. 246
Radialistas (setores de produção, interpretação, dublagem, tratamento e
registros sonoros e visuais, montagem e arquivamento, transmissão de
Decreto nº 84.134/1979, art. 20
sons e imagens, revelação e copiagem de filmes, artes plásticas e anima-
ção de desenhos e objetos e manutenção técnica)
Técnicos em espetáculos de diversões Decreto nº 82.385/1978, art. 44
Telefonistas de mesa Súmula TST nº 178
Trabalhadores em minas no subsolo CLT, art. 293
Empregados sujeitos a horários variáveis das seções de técnica, telefo-
nes, revisão, expedição, entrega e balcão das empresas que exploram
CLT, art. 229
serviços de telefonia, telegrafia submarina e subfluvial, radiotelegrafia e
7 horas radiotelefonia
Músicos (no caso de força maior ou festejos populares e serviço reclama-
Lei nº 3.857/1960, art. 42
do pelo interesse nacional)
Radialistas (setores de cenografia e caracterização) Decreto nº 84.134/1979, art. 20

INTERVALOS NA JORNADA

Intervalo intrajornada (dentro da jornada)

Nas jornadas de trabalho com duração superior a 6 horas é obrigatória a concessão de um inter-
valo para repouso ou alimentação, não computado na duração do trabalho, o qual será, no mínimo, de 1
hora e, salvo acordo escrito ou contrato coletivo em contrário, não poderá exceder de 2 horas.

Entretanto, os documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) têm prevalência sobre


a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de 30
minutos para jornadas superiores a 6 horas. Assim, se houver previsão neste sentido nos mencionados
documentos, ela deverá ser observada.

Quando a duração da jornada for superior a 4 horas e não exceder a 6 horas deverá ser concedido
um intervalo de 15 minutos, não computado na jornada de trabalho.
Nas jornadas de até 4 horas diárias não há obrigação legal de concessão de intervalo.

DURAÇÃO DA JORNADA INTERVALO OBRIGATÓRIO


Até 4 horas 0
Acima de 4 até 6 horas 15min
Acima de 6 Mínimo de 1 hora e máximo de 2 horas, salvo
previsão em contrário em acordo escrito
ou contrato coletivo de trabalho.
Guia de Cálculos Trabalhistas 91

Exemplos
Considerando um empregado contratado com jornada normal de 8 diárias das 7 às 16 horas e com intervalo para
alimentação ou repouso de 1 hora. Assim temos:
- início da jornada = 7 horas
- intervalo para alimentação ou repouso = das 13 às 14 horas
- término da jornada = 16 horas.
Observa-se que neste exemplo o trabalhador cumpriu as 8 horas de trabalho, sendo que a hora destinada ao
intervalo para repouso e alimentação não foi computada na jornada.
Empregado contratado com jornada de 6 horas diárias das 8 às 14h15min.
- início da jornada = 8 horas
- intervalo para alimentação ou repouso = das 12 às 12h15min
- término da jornada = 14h15min
Observa-se que neste exemplo o trabalhador cumpriu as 6 horas de trabalho, sendo que o período destinado ao
intervalo para repouso e alimentação (15 minutos) não foi computado na jornada.

Dispõe o § 4º do art. 71 da CLT (com redação da Lei nº 13.467/2017 - reforma trabalhista) que a não
concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo para repouso e alimentação, a em-
pregados urbanos e rurais, implica o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do período suprimi-
do, com acréscimo de 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho.
Exemplo
Empregado com jornada de trabalho com início às 8 horas, intervalo para alimentação das 12 às 13 horas e saída
às 17 horas, e com salário de R$ 3.300,00, por motivo de acúmulo de serviço, teve o seu horário de intervalo redu-
zido para 30 minutos. Neste caso, o empregado trabalhou no dia efetivamente, das 8 às 12 horas e das 12h30min
às 17 horas, totalizando 8 horas e 30 minutos trabalhados. Considerando que o período destinado ao repouso
e à alimentação foi reduzido para 30 minutos, mediante documento coletivo de trabalho, o empregador ficará
obrigado a efetuar o cálculo, conforme a seguir:
Cálculo
- salário mensal = R$ 3.300,00
- salário/hora = R$ 15,00 (R$ 3.300,00 ÷ 220)
- 30 minutos reduzidos do repouso = R$ 7,50 (R$ 15,00 ÷ 60 × 30)
- adicional de 50% sobre o período reduzido = R$ 3,75 (50% de R$ 7,50);
- Valor devido a título de indenização relativa à redução do intervalo = R$ 11,25 (R$ 7,50 + R$ 3,75)

Períodos de descanso especiais


Alguns serviços específicos, em virtude das peculiaridades existentes, têm por determinação legal
a concessão de intervalos remunerados dentro da jornada, sem prejuízo do intervalo para alimentação
ou repouso, quais sejam:
a) nos serviços permanentes de mecanografia (datilografia, escrituração ou cálculo), a cada pe-
ríodo de 90 minutos de trabalho, deve ser concedido um intervalo de 10 minutos para repouso;
b) nos serviços subterrâneos, a cada período de 3 horas de trabalho, haverá um repouso de 15
minutos;
c) no trabalho realizado no interior de câmaras frigoríficas ou na hipótese de o empregado movi-
mentar mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, a cada período de
1 hora e 40 minutos, é assegurado um intervalo de 20 minutos;
92 Guia de Cálculos Trabalhistas

d) serviços de telefonia, telegrafia submarina e subfluvial, radiotelegrafia e radiotelefonia (sujeitos


a horários variáveis): 20 minutos após esforço contínuo de mais de 3 horas;
e) radialista nos setores de cenografia e caracterização: 20 minutos após esforço contínuo de
mais de 3 horas;
f) médico: 10 minutos a cada 90 minutos de trabalho;
g) atividades de processamento eletrônico de dados: assegura-se àqueles que desempenham
atividades de entrada de dados, uma pausa de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados.

A lei assegura, também, a todos os trabalhadores independentemente da atividade os seguintes


períodos:
a) amamentação: a mulher tem direito a 2 descansos especiais de 30 minutos cada um para ama-
mentar o próprio filho, até 6 meses de idade;
b) pagamento de salários por meio de cheque: assegura-se ao empregado horário que permita o
desconto imediato de cheque.

Motorista profissional
É vedado ao motorista profissional dirigir por mais de 5 horas e meia ininterruptas veículos de
transporte rodoviário coletivo de passageiros ou de transporte rodoviário de cargas.

Serão observados 30 minutos para descanso dentro de cada 6 horas na condução de veículo de
transporte de carga, sendo facultado o seu fracionamento e o do tempo de direção, desde que não ul-
trapassadas 5 horas e meia contínuas no exercício da condução.

Serão observados 30 minutos para descanso a cada 4 horas na condução de veículo rodoviário de
passageiros, sendo facultado o seu fracionamento e o do tempo de direção.

Em situações excepcionais de inobservância justificada do tempo de direção, devidamente regis-


tradas, o tempo de direção poderá ser elevado pelo período necessário para que o condutor, o veículo
e a carga cheguem a um lugar que ofereça a segurança e o atendimento demandados, desde que não
haja comprometimento da segurança rodoviária.

Além disto, são consideradas tempo de espera as horas em que o motorista profissional emprega-
do ficar aguardando carga ou descarga do veículo nas dependências do embarcador ou do destinatário
e o período gasto com a fiscalização da mercadoria transportada em barreiras fiscais ou alfandegárias,
não sendo computados como jornada de trabalho e nem como horas extraordinárias. As horas relativas
ao tempo de espera serão indenizadas na proporção de 30% do salário/hora normal.

Intervalos não previstos em lei


Caso o empregador conceda ao empregado intervalos não previstos em lei, o período correspon-
dente é considerado como tempo à disposição do empregador, devendo, por conseguinte, ser remune-
rado e computado na jornada de trabalho do empregado beneficiado.

Exemplo
Um empregado contratado para trabalhar na empresa Z, de 2ª a 6ª feira, das 8 às 17 horas, usufrui dos seguintes
intervalos:
a) para descanso e refeição, das 12 às 13 horas (obrigatório por lei);
b) dois descansos de 10 minutos cada um para tomar café, sendo um na parte da manhã e outro na parte da
tarde (concedidos por liberalidade do empregador).
Guia de Cálculos Trabalhistas 93

Neste exemplo, os dois intervalos de 10 minutos para café, por não serem previstos em lei, serão computados na
jornada de trabalho e, portanto, remunerados.
Caso o empregador considere que os 20 minutos (soma dos intervalos mencionados na letra “b”) não sejam
computados na duração do trabalho, e determine que eles sejam trabalhados ao final da jornada (no presente
exemplo, ocasionando a saída às 17h20), referidos minutos serão considerados como jornada extraordinária, ge-
rando direito ao pagamento adicional correspondente.

Intervalos interjornadas (entre jornadas)


Entre duas jornadas de trabalho, haverá um período de, no mínimo, 11 horas consecutivas para
descanso. Assim, por exemplo, se um empregado termina a sua jornada de trabalho às 21 horas de um
dia, só poderá iniciar a jornada do dia seguinte às 8 horas. Se, porventura, o empregado trabalha em duas
ou mais empresas, este intervalo deve ser observado em relação a cada uma delas, individualmente.

Exemplo
Se um empregado trabalha na empresa × das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas, e na empresa Y das 20 às 2h15min
(intervalo de 15 minutos), teremos que a jornada do dia seguinte poderá ser iniciada:
a) na empresa X, a partir das 4h00; e
b) na empresa Y, a partir das 13h15min.

Não obstante o anteriormente exposto, algumas categorias, como as a seguir relacionadas, obe-
decem intervalos diferenciados entre 2 jornadas de trabalho:
a) ferroviários cabineiros: 14 horas consecutivas;
b) serviços de equipagens de trem em geral: 10 horas contínuas;
c) serviços de telefonia, telegrafia submarina e subfluvial, radiotelegrafia e radiotelefonia: 17
horas, quando sujeitos a horários variáveis;
d) jornalistas profissionais: 10 horas;
e) operadores cinematográficos: 12 horas.

Quadros demonstrativos
INTERVALOS LEGAIS
DURAÇÃO DO TRABALHO
NA JORNADA ENTRE JORNADAS
Até 4 horas -0- 11 horas
Mais de 4 a 6 horas 15 minutos 11 horas
Mais de 6 horas 1 a 2 horas 11 horas
Trabalho noturno urbano (das 22 às 5 horas) 60 minutos no mínimo 11 horas

CLT - INTERVALOS ESPECIAIS PREVISTOS


CASOS ESPECÍFICOS ENTRE
NA JORNADA PRORROGAÇÃO DA JORNADA
JORNADAS
Ferroviários cabineiros -0- 14 horas -0-
Equipagem de trem -0- 10 horas -0-
Serviços de telefonia, telegrafia sub-
marina e subfluvial, radiotelegrafia 20 minutos após 3 horas de
17 horas -0-
e radiotelefonia (sujeitos a horários esforço contínuo
variáveis)
Jornalistas profissionais -0- 10 horas -0-
94 Guia de Cálculos Trabalhistas

CLT - INTERVALOS ESPECIAIS PREVISTOS


CASOS ESPECÍFICOS ENTRE
NA JORNADA PRORROGAÇÃO DA JORNADA
JORNADAS
2 horas entre o período destinado
a limpeza e manutenção do equi-
pamento e o destinado ao traba-
Operadores cinematográficos -0- 12 horas
lho em cabine; e 1 hora entre a
sessão diurna (extraordinária) e a
noturna (normal)
10 minutos a cada 90 de tra-
Mecanografia 11 horas -0-
balho
15 minutos a cada 3 horas de
Minas de subsolo 11 horas -0-
trabalho
20 minutos após 1 hora e 40
Câmaras frigoríficas 11 horas -0-
minutos de trabalho
2 descansos de meia hora
cada um, para amamentar o
Mulheres 11 horas 0
filho (inclusive em caso de
adoção)
20 minutos após 3 horas de
Radialista 11 horas -0-
esforço contínuo
15 minutos antes do início da jor-
Menores -0- 11 horas nada prorrogada por motivo de
força maior
30 minutos nos casos de prorroga-
Músicos -0- 11 horas
ção do período normal de trabalho.
10 minutos a cada 50 de tra-
Digitador 11 horas -0-
balho

TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO


A Constituição Federal/1988, art. 7º, XIV, estabelece a jornada de 6 horas para os trabalhadores
rurais e urbanos que executem seu labor em turnos ininterruptos de revezamento, ou seja, naquele tipo
de trabalho em que entre uma jornada de trabalho e outra, não há intervalo de tempo, de modo que as
atividades não sofrem interrupção entre a saída de um turno e a entrada de outro.
Para que haja turno de revezamento é necessária a ocorrência concomitante dos seguintes fatores:
a) existência de turnos. Isso significa que a empresa mantém uma ordem ou alternação dos ho-
rários de trabalho prestado em revezamento;
b) que os turnos sejam em revezamento. Isso quer dizer que o empregado, ou turmas de empre-
gados, trabalha alternadamente para que se possibilite, em face da ininterrupção do trabalho,
o descanso de outro empregado ou turma;
c) que o revezamento seja ininterrupto, isto é, não sofra solução de continuidade no período de
24 horas, independentemente de haver, ou não, trabalho aos domingos.

Importante
A escala de revezamento a seguir transcrita constitui tão somente uma demonstração hipotética de 8 semanas de
trabalho dos empregados de uma empresa comercial, em turnos fixos de trabalho, para fins de revezamento nos des-
cansos legais remunerados. As adequações em função das particularidades de trabalho devem feitas de acordo com
as necessidades de cada empresa, observando-se, contudo, as exigências legais para elaboração e funcionamento da
escala de revezamento, principalmente as disposições dos arts. 68 e 70 da CLT.
ESCALA DE REVEZAMENTO - EMPRESA COMERCIAL XXX & YYY Ltda. - CNPJ 99.999.999/0001-99

Empregador:

1ª SEMANA 2ª SEMANA 3ª SEMANA 4ª SEMANA

HORÁRIO DE TRABALHO SEMANA DE: 06.01.2020 A 12.01.2020 SEMANA DE: 13.01.2020 A 19.01.2020 SEMANA DE: 20.01.2020 A 26.01.2020 SEMANA DE: 27.01.2020 A 02.02.2020
EMPREGADOS
05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 01

ENTRADA INTERVALO SAÍDA SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Homem A 08h00 13h00 - 14h00 18h00 A A A A A DSR A A A A A DSR A A A DSR A A A A DSR A A A A A DSR A
Guia de Cálculos Trabalhistas

Homem B 08h00 12h00 - 13h00 18h00 DSR B B B B B DSR B B B B B DSR B B B DSR B B B B DSR B B B B B DSR

Homem C 08h00 13h00 - 14h00 18h00 C DSR C C C C C DSR C C C C B DSR C C C DSR C C C C DSR C C C C C

Homem D 08h00 12h00 - 13h00 18h00 D D DSR D D D D D DSR D D D D D DSR D D D D D DSR D D DSR D D D D

Mulher E 08h00 13h00 - 14h00 18h00 E E E DSR E E E E E DSR E E E DSR E E E E E DSR E E E E DSR E E DSR

Mulher F 08h00 12h00 - 13h00 18h00 F F F F F F DSR F F F DSR F F F F DSR F F F F DSR F F F F DSR F F

Mulher G 08h00 13h00 - 14h00 18h00 G G G G DSR G G G G DSR G G G DSR G G G G G DSR G G G DSR G G G DSR

5ª SEMANA 6ª SEMANA 7ª SEMANA 8ª SEMANA

HORÁRIO DE TRABALHO SEMANA DE: 03.02.2020 A 09.02.2020 SEMANA DE: 10.02.2020 A 16.02.2020 SEMANA DE: 17.02.2020 A 23.02.2020 SEMANA DE: 24.02.2020 A 01.03.2020
EMPREGADOS
02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 01

ENTRADA INTERVALO SAÍDA SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM

Homem A 08h00 13h00 - 14h00 18h00 A A A A DSR A A A DSR A A A A DSR A A A A A DSR A A A A A DSR A

Homem B 08h00 12h00 - 13h00 18h00 B B B B B DSR B B B DSR B B B B DSR B B B B B DSR B B B B B DSR B

Homem C 08h00 13h00 - 14h00 18h00 DSR C C C C C DSR C C C DSR C C C C DSR C C C C C DSR C C C C C DSR

Homem D 08h00 12h00 - 13h00 18h00 D DSR D D D D D DSR D D D D D DSR D D DSR D D D D D DSR D D D D D

Mulher E 08h00 13h00 - 14h00 18h00 E E DSR E E E E E DSR E E E E DSR E E E DSR E E E E E DSR E E E DSR

Mulher F 08h00 12h00 - 13h00 18h00 F F F DSR F F DSR F F F DSR F F F F F DSR F F F DSR F F F DSR F F F

Mulher G 08h00 13h00 - 14h00 18h00 G G DSR G G G G DSR G G G G G DSR G G G G G DSR G G G G G DSR G DSR
95
96 Guia de Cálculos Trabalhistas

EMPREGADOS NÃO SUBORDINADOS À JORNADA

Não estão subordinados à jornada de trabalho:


a) os empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de traba-
lho, devendo tal condição ser anotada na Carteira de Trabalho e no registro de empregados;
b) os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam,
para este efeito, os diretores e chefes de departamento ou filial, exceto quando o salário do
cargo de confiança, compreendendo a gratificação de função, se houver, for inferior ao valor do
respectivo salário efetivo acrescido de 40%;
c) os empregados em regime de teletrabalho.

Exemplos
a) a hipótese de um gerente ou um ocupante de cargo de chefia com poder de mando na empresa (contrata,
assalaria, demite, etc.), na seguinte situação:
- salário efetivo = R$ 4.000,00
- acréscimo pelo exercício do cargo de confiança = R$ 2.500,00
- total = R$ 6.500,00
Nesse caso, o total da remuneração (R$ 6.500,00) é superior ao salário efetivo do cargo, acrescido de 40% (R$
4.000,00 + 40% = R$ 5.600,00). Portanto, esse empregado não está submetido à jornada de trabalho.
b) a hipótese de um gerente ou um ocupante de cargo de chefia com poder de mando na empresa (contrata,
assalaria, demite, etc.), na seguinte situação:
- salário efetivo = R$ 4.000,00
- acréscimo pelo exercício do cargo de confiança = R$ 1.000,00
- total = R$ 5.000,00
Nesse caso, o valor do salário total auferido (R$ 5.000,00) é inferior ao salário efetivo do cargo, acrescido de 40%
(R$ 4.000,00 + 40% = R$ 5.600,00). Assim, esse empregado encontra-se submetido à jornada de trabalho.
Observe-se que a legislação não obriga a empresa a pagar o adicional de função, uma vez que utiliza a expressão
“se houver”. Contudo, ainda que não haja a separação da gratificação de função, mas se o salário do gerente, no
seu total, for superior em 40% do salário efetivo, aplicam-se às regras anteriormente referidas.
Lembre-se, porém, que os documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) têm prevalência sobre a lei,
quando dispuserem, entre outros, sobre a identificação dos cargos que se enquadram como funções de con-
fiança.

CONTROLE DA JORNADA DE TRABALHO


O documento de controle de jornada de trabalho determina direitos e deveres para a empresa e
os empregados, refletindo o cumprimento da jornada normal e das horas extraordinárias, se for o caso,
por este último. Por essa razão, não deverá conter emendas, rasuras, borrões ou qualquer outro elemen-
to que coloque em dúvida a sua autenticidade.

Para os estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores será obrigatória a anotação da hora de


entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções expedidas pela
Secretaria Especial de Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré-assinalação do período de
repouso.
Se o trabalho for executado fora do estabelecimento, o horário dos empregados constará do regis-
tro manual, mecânico ou eletrônico em seu poder.
Guia de Cálculos Trabalhistas 97

É também permitida a utilização de registro de ponto por exceção à jornada regular de trabalho,
mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.
A marcação de ponto será observada por estabelecimento, e não por empresa, portanto, se uma
empresa com vários estabelecimentos contar, no total, com mais de 20 empregados, desde que ne-
nhum deles isoladamente conte com aquele número de trabalhadores, não estará obrigada a exigir dos
seus empregados a marcação de ponto.
Não há, portanto, obrigatoriedade de um estabelecimento com até 20 empregados observar a
marcação da hora de entrada e saída deles. Contudo, caso queira, poderá o empregador, muito embora
não esteja obrigado, instituir a marcação do ponto, a fim de fazer prova da jornada efetuada por seus
empregados em eventual questionamento judicial.
A maneira pela qual a jornada de trabalho será anotada dependerá exclusivamente do emprega-
dor, que poderá optar pela marcação manual (folha ou livro de ponto), mecânica (cartão de ponto, o qual
é marcado mecanicamente no relógio de ponto) ou eletrônica (marcação computadorizada) e poderá,
ainda, fixar um tipo de marcação para um setor da empresa e outro para outro setor. Por exemplo: esta-
belecer para os setores de produção a marcação por meio mecânico (relógio de ponto) e para os setores
administrativos a marcação manual (folhas de ponto).
A qualquer momento, o empregador poderá mudar a forma de marcação do ponto, independen-
temente da anuência do trabalhador, sem que tal fato caracterize alteração das condições de trabalho.
Inexiste um modelo oficial de documento de controle de jornada de trabalho, bem como qualquer
dispositivo legal que discipline quais os elementos que esse controle deve conter. Entretanto, conside-
rando que tal documento deve espelhar a jornada individualizada de cada trabalhador, é conveniente
que contenha, no mínimo, os seguintes elementos:
a) identificação do empregador: razão social ou nome do empregador, Cadastro Nacional de Pes-
soas Jurídicas (CNPJ), Código de Atividade Econômica (CNAE) e endereço;
b) identificação do empregado: nome, função, número e série da Carteira de Trabalho e número
de ordem no livro ou ficha de registro de empregado;
c) horário de trabalho do empregado, com indicação dos intervalos para repouso ou alimentação,
bem como para os repousos semanais remunerados;
d) espaços para as anotações da hora de entrada e saída na jornada diária, para assinatura do
empregado e para registros das ocorrências que interessarem.
As empresas que optarem pelo registro de ponto na forma eletrônica devem adotar o Sistema de
Registro Eletrônico de Ponto (SREP) que é o conjunto de equipamentos e programas informatizados
destinado à anotação por meio eletrônico da entrada e saída dos trabalhadores das empresas.
O Registrador Eletrônico de Ponto (REP) é o equipamento de automação utilizado exclusivamente
para o registro de jornada de trabalho e com capacidade para emitir documentos fiscais e realizar con-
troles de natureza fiscal, referentes à entrada e à saída de empregados nos locais de trabalho.
Para a utilização de SREP é obrigatório o uso do REP no local da prestação do serviço, vedados
outros meios de registro.
A Lei nº 13.874/2019, alterou a redação do art. 74 da CLT, para entre outras disposições, determinar
que fica permitida a utilização de registro de ponto por exceção à jornada regular de trabalho, mediante
acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.
Não obstante o anteriormente informado, alertamos que os documentos coletivos de trabalho
(acordo e convenção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre modalidade
de registro de jornada de trabalho.
CAPÍTULO IV
REPOUSO SEMANAL
REMUNERADO
Todo empregado rural, urbano, inclusive doméstico, tem direito ao repouso semanal remunerado
(RSR) − também conhecido como descanso semanal remunerado (DSR) − de 24 horas consecutivas,
preferencialmente aos domingos e, nos limites das exigências técnicas das empresas, nos feriados civis
e religiosos, de acordo com a tradição local.

Dessa forma, sendo semanal o direito ao repouso, o empregado terá direito a, pelo menos, 1 dia de
folga, no máximo após 6 dias trabalhados.

A duração do repouso semanal é de 24 horas, as quais, acrescidas ao repouso entre jornadas


(11 horas), totalizam um descanso de 35 horas. Portanto, entre duas semanas de trabalho os emprega-
dos farão jus a um descanso mínimo de 35 horas consecutivas (24 + 11).

No caso de motorista profissional no transporte rodoviário de cargas em longa distância, des-


de que a viagem tenha duração superior a 1 semana, o descanso semanal do motorista será de 35
horas por semana trabalhada, e seu gozo ocorrerá no retorno do motorista à base (matriz ou filial) ou
em seu domicílio, salvo se a empresa oferecer condições adequadas para o efetivo gozo do referido
descanso.

É permitido o fracionamento do mencionado descanso semanal do motorista em 30 horas mais


5 horas a serem cumpridas na mesma semana e em continuidade de um período de repouso diário.

Importante
Constitui objeto ilícito de convenção ou acordo coletivo de trabalho a supressão ou a redução de direitos relativos ao
Repouso Semanal Remunerado.

Proibição de trabalho nos dias de repouso

Excetuados os casos em que a execução dos serviços seja imposta pelas exigências técnicas das
empresas, é vedado o trabalho nos dias de repouso, garantida, entretanto, a remuneração respectiva.

Constituem exigências técnicas aquelas que, em razão do interesse público, ou pelas condições
peculiares às atividades da empresa ou ao local onde estas se exercitarem, tornem indispensável a con-
tinuidade do trabalho em todos ou alguns dos respectivos serviços.

Permissão permanente

Às empresas em que, em razão do interesse público ou pelas condições peculiares às próprias


atividades ou ao local onde as atividades são exercidas, seja indispensável a continuidade do trabalho,
é concedida em caráter permanente permissão para o trabalho em dias de repouso, as quais estão rela-
cionadas no anexo da Portaria SEPRT nº 604/2019. Nesse caso, a empresa concederá outro dia de folga
ao empregado.
100 Guia de Cálculos Trabalhistas

Permissão transitória
As empresas não enquadradas no parágrafo anterior podem, excepcionalmente, realizar trabalho
em dia de repouso:
a) por motivo de força maior, devendo comunicar o fato à Superintendência Regional do Trabalho
e Emprego (SRTE) no prazo de 10 dias; ou
b) para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarre-
tar prejuízo manifesto, com autorização prévia da SRTE e com discriminação do período auto-
rizado, o qual não excederá de 60 dias, de cada vez. Nesse caso, se a empresa não determinar
outro dia de folga, a remuneração será paga em dobro.
De acordo com a Portaria MTE nº 945/2015, a autorização transitória para trabalho aos domingos e
feriados civis e religiosos a que se refere o art. 68, parágrafo único, da CLT poderá ser concedida:
a) mediante acordo coletivo específico firmado entre empregadores e entidade representativa da
categoria profissional de empregados;
b) mediante ato de autoridade competente da Secretaria Especial do Trabalho, baseado em rela-
tório da inspeção do trabalho, por meio de requerimento do empregador.
Fica concedida autorização transitória para trabalho aos domingos e feriados civis e religiosos aos
empregadores que firmarem acordo coletivo específico de trabalho com entidade representativa da
categoria profissional, após o devido registro na SEPRT.

Referido acordo coletivo disciplinará a prestação do trabalho aos domingos e feriados civis e reli-
giosos, devendo versar, no mínimo, sobre:
a) escala de revezamento;
b) prazo de vigência da prestação do trabalho aos domingos e feriados civis e religiosos;
c) condições específicas de segurança e saúde para o trabalho em atividades perigosas e insalubres;
d) os efeitos do acordo coletivo específico na hipótese de cancelamento da autorização.
Para a análise da pertinência da pactuação sobre o trabalho aos domingos e feriados civis e reli-
giosos, as partes considerarão:
a) o histórico de cumprimento da legislação trabalhista pela empresa, por meio de consulta às
certidões de débito e informações processuais administrativas no âmbito da SEPRT, através do
endereço eletrônico http://consultacpmr.mte.gov.br/ConsultaCPMR;
b) as taxas de incidência ou gravidade de doenças e acidentes do trabalho do empregador em re-
lação ao perfil do setor econômico, com base nas estatísticas oficiais anualmente publicadas
pela Previdência Social.
O registro do acordo coletivo específico deve ser requerido por meio do Sistema Mediador em
http://www.trabalho.gov.br, conforme instruções previstas no sistema.

A autorização se encerrará:
a) com o decurso do prazo previsto no acordo coletivo específico;
b) pelo distrato entre as partes.

Em geral, fica subdelegada competência aos SRTE, com circunscrição no local da prestação do
serviço, para conceder autorização de trabalho aos domingos e feriados. Estas autorizações somente
serão concedidas após inspeção na empresa requerente e serão consideradas na avaliação do pedido
de autorização a ocorrência das seguintes situações:
Guia de Cálculos Trabalhistas 101

a) infração reincidente nos atributos de jornada e descanso;


b) taxa de incidência ou gravidade de doenças e acidentes do trabalho superior à média do perfil
do setor econômico, com base nas estatísticas oficiais anualmente publicadas pela Previdên-
cia Social.
As autorizações poderão ser concedidas pelo prazo de até 2 anos, renováveis, com validade a par-
tir da publicação no Diário Oficial da União (DOU).

Comércio em geral
Compete à União, privativamente, de acordo com a CF/1988, art. 22, I, legislar, entre outros, sobre
direito do trabalho. Em outras palavras, cabe à legislação federal dispor sobre matéria trabalhista.
Obedecendo ao referido mandamento constitucional, dispõe a Lei nº 10.101/2000, nos seus arts.
6º, 6º-A e 6º-B, na redação dada pela Lei nº 11.603/2007, que fica autorizado o trabalho aos domingos nas
atividades do comércio em geral, observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, caput, inciso
I, da CF/1988.
O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de 3
semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem es-
tipuladas em negociação coletiva.
Quanto aos feriados, é permitido o trabalho nas atividades do comércio em geral, desde que au-
torizado em convenção coletiva de trabalho e observada a legislação municipal.
Importante ressaltar que a citada lei autoriza o trabalho aos domingos e feriados no comércio em
geral, cabendo aos municípios a decisão sobre a possibilidade de que haja o funcionamento dessa ati-
vidade específica, nesses dias, nos limites dos seus respectivos territórios.
Assim, antes de qualquer atitude no sentido de programar o funcionamento de um estabelecimen-
to dessa natureza aos domingos e feriados, é importante consultar a respectiva prefeitura municipal.

VALOR DO RSR
Empregado semanalista, diarista e horista
Para os contratados por semana, dia ou hora, a remuneração do repouso corresponde a um dia
normal de trabalho. Sendo a jornada normal diária de trabalho variável, a remuneração corresponderá a
1/6 do total de horas trabalhadas durante a semana.

Exemplos
a) empregado diarista com remuneração de R$ 40,00 por dia
- valor do RSR = R$ 40,00
b) empregado contratado por semana com jornada de 44 horas semanais e com remuneração semanal de
R$ 360,36
- jornada diária = 7h20m (44 ÷ 6 = 7,3333 que equivale a 7h20min)
- valor do salário/hora = R$ 8,19 (R$ 360,36 ÷ 44)
- valor do RSR = R$ 60,06 (R$ 8,19 × 7,3333)

Empregados tarefeiro e pecista


Aos empregados contratados por tarefa ou peça, a remuneração do repouso corresponde à divi-
são do salário relativo às tarefas ou peças executadas durante a semana, no horário normal de trabalho,
pelo número de dias de serviço efetivamente trabalhados.
102 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplos
a) tarefeiro
- nº de tarefas executadas na semana: 48
- valor da tarefa = R$ 6,00
- salário relativo às tarefas = R$ 288,00
- RSR = R$ 48,00 (R$ 288,00 ÷ 6 (dias efetivamente trabalhados na semana))
b) pecista
- nº de peças realizadas na semana: 700
- valor da peça = R$ 1,00
- salário relativo às peças = R$ 700,00 (R$ 1,00 × 700)
- RSR = R$ 116,67 (R$ 700,00 ÷ 6 - dias trabalhados na semana)
Cálculo mensal
a) tarefeiro - Considerando que tenha realizado 192 tarefas no mês 01/2020, no valor de R$ 6,00 a tarefa, que o
mencionado mês tenha 26 dias efetivamente trabalhados e 5 RSR, temos
- nº de tarefas executadas no mês: 192
- valor da tarefa = R$ 6,00
- salário relativo às tarefas = R$ 1.152,00 (R$ 6,00 × 192)
- RSR = R$ 221,50 (R$ 1.152,00 ÷ 26 (dias efetivamente trabalhados no mês) × 5 = número de RSR no mês)
b) pecista - Considerando que tenha realizado 2.800 peças no mês 01/2020, no valor de R$ 1,00 a peça, que o
mencionado mês tenha 26 dias úteis e 5 RSR, temos
- nº de peças realizadas no mês: 2.800
- valor da peça = R$ 1,00
- salário relativo às peças = R$ 2.800,00 (R$ 1,00 × 2.800)
- RSR = R$ 538,45 (R$ 2.800,00 ÷ 26 (dias efetivamente trabalhados no mês) × 5 = número de RSR no mês)

Empregado comissionista
Calcula-se o RSR somando-se as comissões percebidas durante a semana e dividindo-se o resul-
tado pelo número de dias úteis da respectiva semana.

Exemplos
a) Cálculo semanal
- valor total das comissões recebidas na semana = R$ 960,00
- nº de dias trabalhados na semana = 5
- nº de dias úteis da semana = 6
- RSR = R$ 160,00 (R$ 960,00 ÷ 6)
b) Cálculo mensal
Para o cálculo mensal, dividir o total das comissões pelo número de dias úteis e multiplicar pelo número de do-
mingos e feriados do mês. Considerando que o mês tenha 27 dias úteis e 4 RSR, temos:
- valor total mensal das comissões = R$ 3.840,00
Nº de dias de repouso = 4
- valor do RSR = R$ 568,88 (R$ 3.840,00 ÷ 27 × 4
Guia de Cálculos Trabalhistas 103

Não obstante o anteriormente exposto há doutrinadores que entendem que o cálculo do RSR so-
bre as comissões é feito dividindo-se a soma das comissões percebidas durante a semana pelo número
de dias de serviço efetivamente prestados ao empregador.

Exemplos
a) Cálculo semanal
- valor total das comissões recebidas na semana = R$ 960,00
- nº de dias trabalhados na semana = 5
- nº de dias úteis da semana = 6
- RSR = R$ 192,00 (R$ 960,00 ÷ 5)
b) Cálculo mensal
Para o cálculo mensal, dividir o total das comissões pelo número de dias efetivamente trabalhados no mês e
multiplicar pelo número de domingos e feriados do mês. Considerando que o mês tenha 22 dias efetivamente
trabalhados e 4 RSR, temos:
- valor total mensal das comissões = R$ 3.840,00
- nº de dias úteis do mês = 26
- nº de dias efetivamente trabalhados = 22
- nº de dias de repouso = 4
- valor do RSR = R$ 698,20 (R$ 3.840,00 ÷ 22 × 4)

Empregado mensalista e quinzenalista


O salário dos empregados mensalistas e quinzenalistas já engloba o descanso semanal.

Salário por produção


Aos empregados que recebem por produção, a remuneração do repouso é o equivalente ao quo-
ciente da divisão da importância total da produção na semana por 6.

Exemplos
a) Cálculo semanal
- valor da produção da semana = R$ 954,00
- valor do RSR = R$ 159,00 (R$ 954,00 ÷ 6)
b) Cálculo mensal - Considerando que o mês tenha 24 dias úteis e 6 RSR(domingos e feriados), temos:
- valor da produção do mês = R$ 3.816,00
- valor do RSR = R$ 954,00 (R$ 3.816,00 ÷ 24 × 6)

EMPREGADO COM JORNADA REDUZIDA


O empregado contratado para trabalhar em jornada reduzida faz jus ao RSR, calculado pela divi-
são do ganho semanal por 6.

Exemplo
Empregado contratado para trabalhar 3 dias por semana com salário semanal de R$ 252,00. Assim temos:
- dias trabalhados na semana = 3
- salário semanal = R$ 252,00
RSR = R$ 42,00 (R$ 252,00 ÷ 6)
104 Guia de Cálculos Trabalhistas

TRABALHADORES AVULSOS

Para os trabalhadores avulsos (os que trabalham com interveniência do sindicato), o valor do repou-
so consiste no acréscimo de 1/6 calculado sobre os salários efetivamente percebidos pelo trabalhador.

Exemplo
Considerando um trabalhador avulso que na semana obteve o salário de R$ 250,00, temos:
- salário semanal = R$ 250,00
- RSR = R$ 41,67 (R$ 250,00 ÷ 6)

JORNADA 12 × 36
Em caso de empregado com jornada 12 × 36, a remuneração mensal pactuada abrange os paga-
mentos devidos pelo Repouso Semanal Remunerado e pelo descanso em feriados, e serão também
considerados compensados os feriados.

INTEGRAÇÃO DOS ADICIONAIS NO CÁLCULO DO RSR

Adicional noturno
O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para todos os efeitos
legais; portanto, repercute também na remuneração do repouso semanal.

Exemplos
a) cálculo semanal - considerando um empregado com salário/hora de R$ 8,00 e que durante a semana realizou
30 horas noturnas, temos:
- salário/hora...............................................................................................= R$ 8,00
- horas trabalhadas na semana.........................................................= 44
- horas noturnas trabalhadas na semana.....................................= 30
- valor do adicional noturno................................................................= R$ 1,60 (20% de R$ 8,00)
- valor do RSR.............................................................................................= R$ 58,67 (44 ÷ 6 × R$ 8,00)
- valor do reflexo do adicional noturno no RSR..........................= R$ 8,00 (30 ÷ 6 × R$ 1,60)
- valor total do RSR..................................................................................= R$ 66,67 (R$ 58,67 + R$ 8,00)
b) cálculo mensal - considerando um empregado com salário mensal de R$ 1.760,00 e que durante o mês realizou
100 horas noturnas, tendo o mês 26 dias úteis e 4 RSR, temos:
- salário mensal.........................................................................................= R$ 1.760,00
- nº de horas noturnas realizadas no mês....................................= 100
- nº de dias úteis do mês......................................................................= 26
- média diária das horas noturnas....................................................= 3,85 (100 ÷ 26)
- valor do salário/hora.............................................................................= R$ 8,00 (R$ 1.760,00 ÷ 220)
- valor do adicional noturno................................................................= R$ 1,60 (20% de R$ 8,00)
- valor do adicional noturno no mês...............................................= R$ 160,00 (R$ 1,60 × 100)
- valor do reflexo do adicional noturno no RSR..........................= R$ 24,64 (3,85 × R$ 1,60 × 4)
c) considerando um empregado que trabalha integralmente no horário noturno e com salário de R$ 1.800,00, temos:
- salário..........................................................................................................= R$ 1.800,00
- valor do adicional noturno................................................................= R$ 360,00 (20% de R$ 1.800,00)
- remuneração total.................................................................................= 2.160,00 (R$ 1.800,00 + R$ 360,00)
Guia de Cálculos Trabalhistas 105

Horas extras
No cálculo do RSR são computadas as horas extras habitualmente prestadas.
Para proceder ao cálculo devem ser somadas as horas extras realizadas no mês ou na semana. O
número obtido deve ser multiplicado pelo valor da hora extra (valor da hora normal acrescido do adicio-
nal respectivo). O resultado deve ser dividido pelo número de dias úteis e multiplicado pelo número de
domingos e feriados no mês ou semana, conforme o caso.

Exemplos
a) considerando um empregado mensalista com salário de R$ 1.980,00 e que em determinado mês realizou 48
horas extraordinárias. Considerando que o mês tenha 26 dias úteis e 5 RSR, temos:
- salário mensal = R$ 1.980,00
- salário/hora = R$ 9,00 (R$ 1.980,00 ÷ 220)
- adicional de hora extra = 50% (adicional legal, os sindicatos podem estabelecer adicional superior)
- valor da hora extra = R$ 13,50 (R$ 9,00 × 1.50)
- valor total das horas extras realizadas no mês = R$ 648,00 (R$ 13,50 × 48)
- valor da média diária de horas extras = R$ 24,92 (R$ 648,00 ÷ 26)
- valor do reflexo das horas extras no RSR mensal = R$ 124,60 (R$ 24,92 × 5)
b) considerando um empregado horista com salário/hora de R$ 7,00 e que no mês realizou 38 horas extras, sa-
bendo que o mês tem 24 dias úteis e 6 RSR, temos:
- salário/hora = R$ 7,00
- adicional de hora extra = 50% (adicional legal, os sindicatos podem estabelecer adicional superior)
- valor da hora extra = R$ 10,50 (R$ 7,00 × 1.50)
- valor total das horas extras realizadas no mês = R$ 399,00 (R$ 10,50 × 38)
- valor da média diária de horas extras = R$ 16,63 (R$ 399,00 ÷ 24)
- valor do reflexo das horas extras no RSR mensal = R$ 99,78 (R$ 16,63 × 6)

O empregado remunerado com base em comissões, quando realizar horas extras também tem
direito ao reflexo destas no seu RSR.
O cálculo é efetuado dividindo-se o valor das comissões recebidas no mês pelo número de horas
efetivamente trabalhadas, obtendo-se assim, o valor hora das comissões.

Exemplo
Considerando um empregado comissionista puro, com jornada de 220 horas e que realizou no mês 40 horas extras,
e recebeu a título de comissões no mês o valor de R$ 7.000,00. Sabendo-se que o mês tem 27 dias e 4 RSR, temos:
- jornada diária = 7h20min (44 ÷ 6)
- RSR do mês = 4
- nº de horas relativas aos RSR do mês = 29h20min (7h20 × 4)
- horas efetivamente trabalhadas = 198 horas
- valor hora das comissões auferidas no mês = R$ 35,35 (R$ 7.000,00 ÷ 198)
- valor da hora extra = R$ 53,03 (R$ 35,35 × 1,50)
- valor das horas extras realizadas no mês = R$ 2.121,20 (R$ 53,03 × 40)
- média diária das horas extras = R$ 78,56 (R$ 2.121,20 ÷ 27)
- valor do reflexo das horas extras nos RSR = R$ 314,24 (R$ 78,56 × 4)
106 Guia de Cálculos Trabalhistas

INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE

Não se faz qualquer cálculo que vise incluir os adicionais decorrentes de condições penosas de
trabalho (insalubridade, periculosidade e também noturno) no RSR, quando estes, pelos seus totais,
englobarem a remuneração mensal.

Exemplo
Considerando um empregado mensalista com salário de R$ 1.600,00 e que preste serviços em condições de
periculosidade, portanto, com direito ao adicional de 30% sobre o valor do salário.
- salário mensal = R$ 1.600,00
- valor do adicional de periculosidade = R$ 480,00 (30% de R$ 1.600,00)
- remuneração total = R$ 2.080,00 (R$ 1.600,00 + R$ 480,00)
Neste caso, constata-se que, em virtude de o adicional de periculosidade já englobar todos os dias do mês (in-
clusive os dias destinados ao RSR e feriados), não há de se efetuar qualquer cálculo que vise a integração do
adicional nos dias de descanso.

GORJETAS
As gorjetas, quer sejam espontâneas, quer constantes da nota fiscal, embora integrem a remune-
ração do trabalhador não são consideradas no cálculo do RSR.

GRATIFICAÇÕES
As gratificações por produtividade e por tempo de serviço mesmo quando pagas mensalmente
também não compõem a base de cálculo do RSR.

ESCALA DE REVEZAMENTO DE FOLGA (RSR)


Exceto os elencos teatrais e congêneres, nos serviços que exijam trabalho aos domingos, será es-
tabelecida escala de revezamento, previamente organizada e constante de quadro sujeito à fiscalização.

O modelo da escala de revezamento é de livre escolha da empresa, organizada de maneira que,


a cada 6 dias de trabalho corresponda 1 folga e, no caso de autorização permanente, em um período
máximo de 7 semanas de trabalho, cada empregado usufrua ao menos um domingo de folga.

Lembramos que, em se tratando de autorização transitória e, também, no caso de comércio vare-


jista, conforme mencionando anteriormente, o repouso semanal deverá coincidir com o domingo pelo
menos 1 vez, no período máximo de 3 semanas.

Mulher
O trabalho da mulher aos domingos exige a organização de escala de revezamento quinzenal, que
favoreça o repouso dominical.

Importante
A escala de revezamento a seguir transcrita constitui tão somente uma demonstração hipotética de 8 semanas de
trabalho dos empregados (todos homens) de uma empresa comercial, em turnos fixos de trabalho, para fins de reve-
zamento nos descansos legais remunerados. As adequações em função das particularidades de trabalho devem ser
feitas de acordo com as necessidades de cada empresa, observando-se, contudo, as exigências legais para elaboração
e funcionamento da escala de revezamento, principalmente as disposições do art. 67 da CLT.
ESCALA DE REVEZAMENTO - EMPRESA COMERCIAL

Empregador: XXX & YYY Ltda. - CNPJ 99.999.999/0001-99

HORÁRIO DE TRABALHO 1ª SEMANA 2ª SEMANA 3ª SEMANA 4ª SEMANA

SEMANA DE: 06.01.2020 A 12.01.2020 SEMANA DE: 13.01.2020 A 19.01.2020 SEMANA DE: 20.01.2020 A 26.01.2020 SEMANA DE: 27.01.2020 A 02.02.2020
EMPREGADOS
05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 01

ENTRADA INTERVALO SAÍDA SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM
Guia de Cálculos Trabalhistas

A 08h00 13h00 - 14h00 18h00 A A A A A DSR A A A A A DSR A A A DSR A A A A DSR A A A A A DSR A

B 08h00 12h00 - 13h00 18h00 DSR B B B B B DSR B B B B B DSR B B B DSR B B B B DSR B B B B B DSR

C 08h00 13h00 - 14h00 18h00 C DSR C C C C C DSR C C C C B DSR C C C DSR C C C C DSR C C C C C

D 08h00 12h00 - 13h00 18h00 D D DSR D D D D D DSR D D D D D DSR D D D D D DSR D D DSR D D D D

HORÁRIO DE TRABALHO 5ª SEMANA 6ª SEMANA 7ª SEMANA 8ª SEMANA

SEMANA DE: 03.02.2020 A 09.02.2020 SEMANA DE: 10.02.2020 A 16.02.2020 SEMANA DE: 17.02.2020 A 23.02.2020 SEMANA DE: 24.02.2020 A 01.03.2020
EMPREGADOS
02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 01

ENTRADA INTERVALO SAÍDA SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB Dom

A 08h00 13h00 - 14h00 18h00 A A A A DSR A A A DSR A A A A DSR A A A A A DSR A A A A A DSR A

B 08h00 12h00 - 13h00 18h00 B B B B B DSR B B B DSR B B B B DSR B B B B B DSR B B B B B DSR B

C 08h00 13h00 - 14h00 18h00 DSR C C C C C DSR C C C DSR C C C C DSR C C C C C DSR C C C C C DSR

D 08h00 12h00 - 13h00 18h00 D DSR D D D D D DSR D D D D D DSR D D DSR D D D D D DSR D D D D D


107
108 Guia de Cálculos Trabalhistas

RSR - PAGAMENTO EM DOBRO

O trabalho em domingos ou feriados será remunerado em dobro, exceto se o empregador deter-


minar outro dia de folga compensatória.

A expressão "em dobro" (constante na Lei nº 605/1949) foi objeto de ampla discussão jurídica,
tanto na doutrina como na jurisprudência.

Perante o Supremo Tribunal Federal (STF), existe a Súmula nº 461 em que está previsto que “é du-
plo, e não triplo, o pagamento do salário nos dias destinados a descanso”.

A citada súmula do STF foi publicada no Diário da Justiça (DJ) de 08, 09 e 12.10.1964, e teve como
precedente o Agravo de Instrumento (AI) nº 32.529, publicado no DJ de 20.08.1964.

Nos argumentos constantes do mencionado agravo de instrumento, que teve votação unânime, o
STF manifestou sua interpretação no sentido de que o pagamento em dobro do trabalho realizado pelo
empregado em dia destinado a descanso é o resultado do pagamento do respectivo dia já compreendi-
do no salário normal mais a remuneração simples equivalente ao dia de repouso trabalhado.

Não obstante a previsão contida na súmula do STF anteriormente descrita, o Tribunal Superior do
Trabalho (TST), por meio da Resolução nº 121/2003, publicada no DJ de 19, 20 e 21.11.2003 e republicada
em 25.11.2003, editou a Súmula nº 146, que reproduzimos a seguir para melhor entendimento:

146 - Trabalho em domingos e feriados, não compensado

O trabalho prestado em domingos e feriados, não compensado, deve ser pago em dobro, sem prejuízo da
remuneração relativa ao repouso semanal.

Embora a redação da mencionada súmula faça referência apenas ao trabalho prestado em domin-
gos e feriados, há entendimento tanto na doutrina como na jurisprudência de que a súmula também se
aplica aos casos de trabalho em outros dias destinados ao repouso semanal remunerado (RSR) e não
só para domingos e feriados.

Portanto, de acordo com a Súmula TST nº 146, que atualmente predomina e norteia as decisões do
Poder Judiciário Trabalhista, a expressão “em dobro” significa o valor dobrado das horas trabalhadas em
domingo, feriado ou outro dia destinado ao repouso, mais o valor desses dias incluso na remuneração
do empregado, ou por cumprimento integral da jornada semanal, conforme o caso, o que equivale ao
pagamento em triplo, ou seja, o pagamento do salário mensal mais 2 vezes o valor do dia do repouso.

Exemplo
- salário mensal do empregado = R$ 1.100,00
- salário/hora = R$ 5,00 (R$ 1.100,00 ÷ 220)
- número de horas trabalhadas no dia de repouso = 8
- valor em dobro relativo às horas trabalhadas no RSR = R$ 80,00 (R$ 5,00 × 8 × 2)
- Total da remuneração mensal = R$ 1.180,00 (R$ 1.100,00 + R$ 80,00)

Vale ressaltar que a remuneração em dobro do RSR não se caracteriza como horário extraordinário
e sim como uma forma de compensar financeiramente o empregado por um trabalho realizado num dia
consagrado ao seu descanso semanal.
Guia de Cálculos Trabalhistas 109

Não obstante as considerações anteriores, a empresa deverá consultar o documento coletivo de


trabalho da respectiva categoria profissional a fim de verificar se há condição mais vantajosa garantida
ao empregado que trabalhe em dia destinado a descanso.

FERIADOS
Os feriados civis ou nacionais são declarados em lei federal. Os de âmbito estadual, correspon-
dentes às datas magnas dos Estados, devem ser pesquisados na legislação estadual. Os de âmbito mu-
nicipal (religiosos e os dias de início e término do ano do centenário de fundação do município) constam
de lei municipal.

Importante
Lembre-se que a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o
art. 611-A à CLT para determinar, entre outras disposições, que os documentos coletivos de trabalho (acordo e conven-
ção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre a troca do dia de feriado.
Assim, o mencionado documento deverá ser consultado a fim de verificar a existência de determinação sobre a mudança
do dia comemorativo do feriado. Em caso positivo, valerá as disposições do documento coletivo.

Consideram-se civis ou nacionais os feriados descritos no quadro a seguir:

DATAS SIGNIFICADO
1º de janeiro Dia da Confraternização Universal - Dia da Paz Mundial
21 de abril Dia de Tiradentes
1º de maio Dia do Trabalho - Dia do Trabalhador
7 de setembro Dia da Independência do Brasil
12 de outubro Dia Consagrado a Nossa Senhora da Conceição Aparecida - Padroeira do Brasil
2 de novembro Dia de Finados (Dia dos Mortos)
15 de novembro Dia da Proclamação da República do Brasil
25 de dezembro Natal - Dia do Natal de Nosso Senhor

O dia em que se realizarem eleições cuja data seja fixada pela Constituição Federal também é
considerado feriado nacional.

Feriados estaduais
Relacionamos, no quadro a seguir, os feriados instituídos por alguns Estados da Federação.
DIAS DA
ESTADOS DATAS SEMANA EM SIGNIFICADO BASE LEGAL
2020
23 de janeiro Quinta-feira Dia do Evangélico Lei estadual nº 1.538/2004
8 de março Domingo Dia Internacional da Mulher Lei estadual nº 1.411/2001
Elevação à categoria de Esta-
Acre 15 de junho Segunda-feira Lei estadual nº 14/1964
do - Aniversário do Estado
5 de setembro Sábado Dia da Amazônia Lei estadual nº 243/1968
17 de novembro (1) Terça-feira Tratado de Petrópolis Lei estadual nº 57/1965
24 de junho Quarta-feira São João Lei estadual nº 5.508/1993
29 de junho Segunda-feira São Pedro Lei estadual nº 5.509/1993
Alagoas Emancipação política do Es-
16 de setembro (2) Quarta-feira -0-
tado
20 de novembro Sexta-feira Zumbi dos Palmares Lei estadual nº 5.724/1995
110 Guia de Cálculos Trabalhistas

DIAS DA
ESTADOS DATAS SEMANA EM SIGNIFICADO BASE LEGAL
2020
Criação do ex-Território Fe-
13 de setembro Domingo Constituição do Estado/1991, art. 355
Amapá deral
20 de novembro Sexta-feira Dia da Consciência Negra Lei estadual nº 1.169/2007
Elevação à categoria de pro-
5 de setembro Sábado Lei promulgada nº 25/1977
víncia
Amazonas
Zumbi dos Palmares / Dia da
20 de novembro Sexta-feira Lei promulgada nº 84/2010
Consciência Negra
Consolidação da Indepen- Constituição do Estado/1989, art.
Bahia 2 de julho Quinta-feira
dência do Brasil 6º, § 3º
Constituição do Estado/1989, art.
Ceará 25 de março Quarta-feira Abolição da escravatura 18, parágrafo único, acrescido pela
Emenda Constitucional nº 73/2011
10 de abril Sexta-feira Sexta-Feira da Paixão Lei distrital nº 72/1989
21 de abril (3) Terça-feira Fundação de Brasília Lei distrital nº 72/1989
Distrito Federal 11 de junho Quinta-feira Corpus Christi Lei distrital nº 72/1989
12 de outubro (3) Segunda-feira Nossa Senhora Aparecida Lei distrital nº 72/1989
30 de novembro Segunda-feira Dia do Evangélico Lei distrital nº 963/1995
Espírito Santo 20 de abril (4) Segunda-feira Nossa Senhora da Penha Lei estadual nº11.010/2019
Adesão à Independência do
Maranhão 28 de julho Terça-feira Lei estadual nº 2.457/1964
Brasil
Zumbi dos Palmares / Dia da
Mato Grosso 20 de novembro Sexta-feira Lei estadual nº 7.879/2002
Consciência Negra
Mato Grosso do Sul 11 de outubro Domingo Criação do Estado Lei estadual nº10/1979
Constituição do Estado/1989 art.
256, caput e inciso I, com reda-
Minas Gerais 21 de abril (5) Terça-feira Tiradentes
ção da Emenda à Constituição nº
89/2011
Adesão à Independência do
Pará 15 de agosto Sábado Lei n° 5.999/1996
Brasil
Paraíba 5 de agosto Quarta-feira Fundação do Estado Lei estadual nº 10.601/2015
Eclosão da Revolução Per-
Pernambuco 6 de março Sexta-feira Lei estadual nº 16.241/2017, art. 49
nambucana de 1817
Dia do Piauí - Aclamação da
Piauí 19 de outubro Segunda-feira Lei estadual nº 176/1937
Independência
25 de fevereiro (6.a) Terça-feira Terça-feira de Carnaval Lei estadual nº 5.243/2008
23 de abril Quinta-feira São Jorge Lei estadual nº 5.198/2008
Rio de Janeiro 10 de maio (6.b) Domingo Dia das Mães Lei estadual nº 8.174/2018
Zumbi dos Palmares / Dia da
20 de novembro Sexta-feira Lei estadual nº 4.007/2002
Consciência Negra
Dia Estadual à Memória dos
Rio Grande do Norte 3 de outubro Sábado Protomártires de Uruaçu e Lei estadual nº 8.913/2006
Cunhaú
Constituição do Estado/1989, art.
Rio Grande do Sul 20 de setembro Domingo Revolução Farroupilha 6º, parágrafo único, com redação da
Emenda Constitucional nº 11/1995
4 de janeiro Sábado Criação e instalação do Estado Lei estadual nº 2.291/2010
Rondônia
18 de junho Quinta-feira Dia dos Evangélicos Veja nota (7)
Elevação do ex-território à
Roraima 5 de outubro Segunda-feira Constituição do Estado/1991 art. 9º
categoria de Estado
Guia de Cálculos Trabalhistas 111

DIAS DA
ESTADOS DATAS SEMANA EM SIGNIFICADO BASE LEGAL
2020
Lei estadual nº 10.306/1996 com
as alterações da Lei estadual nº
Dia do Estado de Santa Ca-
11 de agosto (8) Terça-feira 12.906/2004, da Lei estadual nº
tarina
13.408/2005 e consolidada pela Lei
estadual nº 17.335/2017
Santa Catarina
Lei estadual nº 10.306/1996, com
as alterações da Lei estadual nº
Dia de Santa Catarina de Ale-
25 de novembro (8) Quarta-feira 12.906/2004, da Lei estadual nº
xandria
13.408/2005 e consolidada pela Lei
estadual nº 17.335/2017
Revolução Constitucionalis-
São Paulo 9 de julho Quinta-feira Lei estadual nº 9.497/1997
ta de 1932
Constituição do Estado/1989, art.
269, com redação Emenda Consti-
Sergipe 8 de julho Quarta-feira Independência do Estado
tucional nº 20/2000
Decreto estadual nº 30.129/2015
Nossa Senhora da Nativida-
8 de setembro Terça-feira Lei estadual nº 627/1993
de - Padroeira do Estado
Tocantins Criação do Estado / Promul-
5 de outubro Segunda-feira gação da primeira Constitui- Lei estadual nº 098/1989
ção Estadual
(1) No Estado do Acre, a Lei estadual nº 2.126/2009, com as alterações da Lei estadual nº 2.247/2009, estabeleceu que serão
comemorados por adiamento, nas sextas-feiras, os feriados estaduais que caírem entre as terças e quintas-feiras, à exceção
do alusivo ao aniversário do Estado do Acre (15 de junho).
(2) Tendo em vista que a Lei nº 9.093/1995 (federal) prevê como feriado civil a data magna do Estado, fixada em lei estadual,
o feriado de 16 de setembro no Estado de Alagoas deverá ser previamente confirmado perante os Poderes Executivo e
Legislativo desse Estado, uma vez que esse feriado tem sido definido por meio de Decreto (ex.: em 2019, Decreto estadual
nº 62.819/2018) e não por uma lei estadual.
(3) No Distrito Federal, não obstante a Lei distrital nº 72/1989 tenha instituído os dias 21 de abril e 12 de outubro como
feriados estaduais, referidas datas foram, posteriormente, declaradas como feriados federais.
(4) No Estado do Espírito Santo, a Lei estadual nº 11.010/2019 definiu que a comemoração da Data Magna - dia dedicado
à Padroeira do Estado, Nossa Senhora da Penha, será sempre na segunda-feira, 8º dia posterior ao domingo de Páscoa.
(5) No Estado de Minas Gerais, não obstante a Constituição do Estado/1989 tenha instituído o dia 21 de abril como feriado
estadual, referida data foi, posteriormente, declarada como feriado federal.
(6) No Estado do Rio de Janeiro:
a) a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nº 4131-2, que questionou a Lei estadual nº 5.243/2008, não foi conhe-
cida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme decisão monocrática divulgada no DJE em 24.09.2018 e transitada
em julgado em 25.10.2018;
b) a Lei estadual nº 8.174/2018, que instituiu o segundo domingo do mês de maio como feriado estadual, em comemo-
ração ao Dia das Mães, é objeto da Adin nº 6133-2, em tramitação perante o STF.
(7) A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3.940, questionando a lei estadual de Rondônia que criou o feriado
estadual de 18 de junho. Foi julgada procedente pelo STF, declarando a inconstitucionalidade da Lei nº 1.026/2001, do Estado
de Rondônia, nos termos do voto do Relator e publicada no DOU de 14.08.2020.
(8) Lei estadual nº 12.906/2004, art. 1º, com as alterações da Lei estadual nº 13.408/2005, determinou que sempre que os
dias 11 de agosto (Dia do Estado de Santa Catarina) e 25 de novembro (Dia de Santa Catarina de Alexandria) coincidirem
com dias úteis da semana, os feriados e os eventos alusivos às datas serão transferidos para o domingo subsequente.

Não obstante o quadro anterior, os feriados estaduais, tanto nos Estados ora relacionados como
nas demais Unidades da Federação, deverão ser verificados e confirmados perante a legislação do res-
pectivo Estado, tendo em vista a possibilidade de alterações posteriores.
112 Guia de Cálculos Trabalhistas

Feriados municipais ou religiosos

São feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, segundo a tradição local e
em número não superior a 4, neste incluída a Sexta-feira da Paixão.

Relacionamos, a seguir, algumas datas de comemoração municipal (incluindo os dias de Carna-


val), cuja definição depende da existência de lei municipal específica.

MESES DIA DIAS DA SEMANA EM 2020 SIGNIFICADO COMEMORAÇÃO EM 2020


Fevereiro/Março Data móvel Terça-feira Carnaval 25 de fevereiro
Fevereiro/Março Data móvel Quarta-feira Cinzas 26 de fevereiro
Março/Abril Data móvel Sexta-Feira Sexta-Feira Santa 10 de abril
Março/Abril Data móvel Domingo Páscoa 12 de abril
Maio/Junho Data móvel Quinta-feira Corpus Christi 11 de junho
Junho 13 Sábado Santo Antônio -0-
Junho 24 Quarta-feira São João -0-
Junho 29 Segunda-feira São Pedro e São Paulo -0-

Feriado que recai em dia de repouso

Quando o feriado recai em dia que já é destinado ao repouso semanal do empregado o pagamento
do dia correspondente não é dobrado, ou seja, o empregado recebe a remuneração simples.

Exemplo
Considerando que o repouso semanal do empregado seja no domingo. O dia 15 de novembro (Proclamação da
República - feriado nacional) no ano de 2020 irá recair no domingo. Portanto, apesar de este domingo ser feria-
do, como haverá coincidência com o RSR do empregado, não há que se falar em remuneração dobrada, ou seja,
o empregado receberá remuneração do domingo, dia 15.11, de forma simples.
Empregado diarista com salário de R$ 50,00, temos:
- semana anterior integralmente trabalhada
- RSR = dia 15.11.2020 (coincide com o feriado)
- remuneração dos dias trabalhados na semana = R$ 300,00 (R$ 50,00 × 6)
- RSR relativo à semana = R$ 50,00
- remuneração total da semana = R$ 350,00 (R$ 300,00 + R$ 50,00)

Feriado que recai em sábado compensado

A compensação mais comum é a que visa ter o sábado livre em cada semana de trabalho. Entre-
tanto, pode ocorrer um feriado nesse dia e o empregado trabalhar horas a mais durante a semana para
compensar um sábado sem expediente.

Há os que entendem que as referidas horas trabalhadas a mais devem ser remuneradas como
extras, acrescidas de, no mínimo, 50% sobre a hora normal. Outros propõem a remuneração em dobro
de feriado que recai aos sábados.

Situação diversa ocorre, ainda, em feriado durante a semana (2ª a 6ª feira), e o empregado não
trabalha para compensar as horas correspondentes a esse dia.
Guia de Cálculos Trabalhistas 113

Em decorrência, inexistindo cláusula expressa em documento coletivo de trabalho que discipline


o assunto, entende-se que o caso poderá ser resolvido da seguinte forma:

Quando o feriado recair num sábado, o empregado cumprirá as horas excedentes trabalhadas
durante a semana, sem qualquer acréscimo salarial, como faz habitualmente, e, em troca, o empregado
percebe as horas normais mais as compensadas, quando o feriado recair em qualquer outro dia da se-
mana (de 2ª a 6ª feira).
a) feriado em sábado

HORAS EFETIVAMENTE TRABALHADAS DESCANSO REMUNERADO

2ª feira 8h48min Sábado (feriado) 7h20min compensadas durante a semana

3ª feira 8h48min Domingo 7h20min

4ª feira 8h48min

5ª feira 8h48min

6ª feira 8h48min

Total 44h

Total 51h20min (44h + 7h20min)

b) feriado em qualquer dia da semana (2ª a 6ª feira)

HORAS EFETIVAMENTE TRABALHADAS DESCANSO REMUNERADO

2ª feira 8h48min 3ª feira 8h48min

3ª feira feriado Sábado 7h20min

4ª feira 8h48min compensadas durante a semana

5ª feira 8h48min Domingo 7h20min

6ª feira 8h48min

Total 35h12min Total 16h08min

Total 51h20min (35h12min + 16h08min)

Se a empresa preferir, pode adotar o critério a seguir:


a) quando o feriado recair no sábado, os empregados deixam de compensar durante a semana.

HORAS EFETIVAMENTE TRABALHADAS

2ª feira 07h20min

3ª feira 07h20min

4ª feira 07h20min

5ª feira 07h20min

6ª feira 07h20min

sábado (feriado) 07h20min

Domingo 07h20min

Total 51h20min
114 Guia de Cálculos Trabalhistas

b) quando o feriado recair de 2ª a 6ª feira, os empregados completam as horas faltantes para com-
pensar o sábado nos demais dias, observando-se o limite máximo de 2 horas diárias, ou seja, 1
hora e 28 minutos do feriado distribuída nos outros 4 dias (88 minutos ÷ 4 = 22 minutos).
HORAS EFETIVAMENTE TRABALHADAS

2ª feira 09h10min

3ª feira 09h10min

4ª feira (feriado) 07h20min

5ª feira 09h10min

6ª feira 09h10min

sábado (já compensado)

Domingo 07h20min

Total 51h20min

Levando-se em consideração os comentários anteriores, pode-se, resumidamente, estabelecer as


seguintes situações:
a) feriado em sábado
Neste caso, parece razoável que, durante a semana, não haja compensação do sábado feriado
(48 minutos diários, na hipótese de jornada semanal de 44 horas), sem prejuízo aos emprega-
dos, que perceberão 5 dias de 8 horas, mais 1 dia de 4 horas e 7h20min/RSR, no total de 51h20
semanais, o que ocorreria na compensação normal (5 dias × 8h48min + 7h20min/RSR);
b) feriado que recai de 2ª a 6ª feira
Mediante acordo com os empregados, pode-se distribuir o período que seria trabalhado no
feriado (48 minutos) nos outros 4 dias da semana (12 minutos diários);
c) solução que pode ser adotada
Considerar como de 8h48min o feriado que recai de 2ª a 6ª feira. Em contrapartida, quando
o feriado recair em sábado, os empregados cumprem a jornada semanal normal (8h48min
diários, de 2ª a 6ª feira).

DESCONTO DO RSR
Para que o empregado tenha direito à remuneração do RSR, é necessário que o seu horário de
trabalho na semana anterior seja integralmente cumprido, sem faltas, atrasos ou saídas durante o expe-
diente, desde que tenham ocorrido sem motivo justificado ou em virtude de punição disciplinar.
“Semana anterior” corresponde ao período de segunda-feira a domingo anterior à semana em que
recair o dia de repouso.
Esse entendimento, contudo, não é pacífico, pois existe corrente que entende por “semana ante-
rior” aquela que inclui o repouso da semana em que ocorreu a falta.
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO
1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30
Guia de Cálculos Trabalhistas 115

Observando o calendário acima temos:

1º entendimento:

Empregado que faltou no dia 10, perde o repouso do dia 19.

2º entendimento

Empregado que faltou no dia 10 perde o repouso do dia 12.

Todavia, entre outras, as ausências a seguir são legais e não prejudicam a remuneração do RSR:

I - até 2 dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão;

II - até 3 dias consecutivos, em virtude de casamento;

III - por 5 dias, enquanto não for fixado outro prazo em lei, como licença-paternidade

IV - por 1 dia, em cada 12 meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamente
comprovada;

V - até 2 dias consecutivos ou não, para fins de alistamento eleitoral, nos termos da lei respectiva;

VI - no período de tempo em que tiver de cumprir as exigências do Serviço Militar referidas na Lei
nº 4.375/1964, art. 65, “c” (Lei do Serviço Militar);

VII - nos dias em que estiver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingres-
so em estabelecimento de ensino superior;

VIII - pelo tempo que se fizer necessário, quando tiver de comparecer a juízo;

IX - pelo tempo que se fizer necessário, quando, na qualidade de representante de entidade sin-
dical, estiver participando de reunião oficial de organismo internacional do qual o Brasil seja membro;

X - até 2 dias para acompanhar consultas médicas e exames complementares durante o período
de gravidez de sua esposa ou companheira;

XI - por 1 dia por ano para acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica;

XII - durante o licenciamento compulsório da empregada por motivo de maternidade ou aborto


não criminoso e de adoção ou guarda judicial de criança, para fins de adoção observados os requisitos
da legislação previdenciária para percepção do benefício de salário-maternidade;

XIII - justificadas pela empresa, assim entendidas as que não tiverem determinado o desconto do
correspondente salário;

XIV - durante a suspensão preventiva para responder a inquérito administrativo ou de prisão pre-
ventiva, quando for impronunciado ou absolvido;

XV - comparecimento para depor como testemunha, quando devidamente arrolado ou;

XVI - comparecimento como parte à Justiça do Trabalho;

XVII - para servir como jurado no Tribunal do Júri;


116 Guia de Cálculos Trabalhistas

XVIII - afastamento por doença ou acidente do trabalho, nos 15 primeiros dias pagos pela empresa
mediante comprovação, observada a legislação previdenciária;

XIX - convocação para serviço eleitoral;

XX - greve, desde que tenha havido acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do
Trabalho que disponha sobre a manutenção dos direitos trabalhistas aos grevistas durante a paralisação
das atividades;

XXI - período de frequência em curso de aprendizagem;

XXII - para o(a) professor(a), por 9 dias, em consequência de casamento ou falecimento de cônju-
ge, pai, mãe ou filho;

XXIII - dos representantes dos trabalhadores em atividade, decorrentes das atuações do Conselho
Nacional de Previdência Social (CNPS), as quais são computadas como jornada efetivamente trabalha-
da para todos os fins e efeitos legais;

XXIV - período de férias, que, inclusive, é computado para todos os efeitos como tempo de serviço;

XXV - dos representantes dos trabalhadores no Conselho Curador do FGTS, decorrentes das ativi-
dades desse órgão, serão abonadas, computando-se como jornada efetivamente trabalhada para todos
os fins e efeitos legais;

XXVI - o período de afastamento do representante dos empregados quando convocado para atuar
como conciliador nas Comissões de Conciliação Prévia, sendo computado como tempo de trabalho
efetivo o despendido nessa atividade;

XXVII - atrasos decorrentes de acidentes de transporte, comprovados mediante atestado da em-


presa;

XXVIII - dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo, 6
consultas médicas e demais exames complementares durante a gravidez;

XXIX - por motivo de acidente do trabalho ou enfermidade atestado pelo INSS;

XXX - nos dias em que não tenha havido serviço;

XXXI - até 3 dias (em cada 12 meses de trabalho) para realização de exames preventivos de câncer
devidamente comprovada;

XXXII - outros motivos previstos em acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho da entida-
de sindical representativa da categoria profissional.

Há polêmica quanto ao desconto ou não do RSR dos empregados mensalista e quinzenalista


quando faltam ao serviço sem justificativa legal.

Há corrente jurisprudencial que entende que o mensalista e o quinzenalista não estão sujeitos à
assiduidade para fazer jus ao repouso remunerado, ou seja, ainda que faltem ao trabalho sem justifica-
tiva legal, desconta-se somente o valor correspondente ao dia da falta, visto os dias de repouso serem
considerados já remunerados.

Corrente contrária entende que os requisitos para a concessão do RSR, assiduidade e pontualida-
de, se aplicam a todos os empregados, mensalistas ou não, sob pena de ferir o princípio da igualdade.
Guia de Cálculos Trabalhistas 117

Segundo entendemos, aos empregados contratados como quinzenalistas ou mensalistas não


será devido o RSR quando, sem motivo justificado, não tiverem trabalhado durante toda a semana,
cumprindo integralmente seu horário de trabalho.
Entretanto, se o empregador estiver seguindo o critério de não descontar o RSR de mensalista e
quinzenalista e vier a fazê-lo, poderá ser surpreendido com a arguição de nulidade dessa alteração por
contrariar a CLT, art. 468, que considera lícitas apenas as alterações dos contratos de trabalho que não
resultem, direta ou indiretamente, prejuízos aos empregados.
Ao horista, diarista e semanalista, não há qualquer controvérsia, o direito ao repouso semanal depende
de o empregado trabalhar durante toda a semana anterior, cumprindo integralmente o horário de trabalho.

Exemplo
Considerando um empregado mensalista que em um mês de 30 dias tenha faltado injustificadamente ao serviço
por 1 dia e, com salário mensal de R$ 2.220,00, temos:
1ª corrente de entendimento que defende que o mensalista não está sujeito à assiduidade para fazer jus ao RSR.
- salário mensal = R$ 2.220,00
- salário/dia = R$ 74,00 (R$ 2.220,00 ÷ 30)
- desconto do dia da falta = R$ 74,00
- remuneração mensal devida = R$ 2.146,00 (R$ 2.220,00 - R$ 74,00)
Observe-se que, neste exemplo, em virtude do entendimento desta corrente, o dia do repouso relativo à semana
da falta não foi descontado.
2ª corrente de entendimento que defende que o mensalista está sujeito à assiduidade para fazer jus ao RSR.
- salário mensal = R$ 2.220,00
- salário/dia = R$ 74,00 (R$ 2.220,00 ÷ 30)
- desconto do dia da falta = R$ 74,00
- desconto do repouso relativo à semana da falta = R$ 74,00
- desconto total = R$ 148,00 (R$ 74,00 + R$ 74,00)
- remuneração mensal devida = R$ 2.072,00 (R$ 2.220,00 - R$ 148,00)
Observe-se que, neste exemplo, em virtude do entendimento desta 2ª corrente, foi descontado tanto o dia da
falta como o RSR correspondente.

ADMISSÃO NO CURSO DA SEMANA


O empregado faz jus ao RSR caso a admissão ocorra no meio da semana.

EXEMPLO

3ª feira (admissão) 7h20min

4ª feira 7h20min

5ª feira 7h20min

6ª feira 7h20min

Sábado 7h20min

Domingo 7h20min

Total 44h
118 Guia de Cálculos Trabalhistas

O procedimento em comento leva em consideração a doutrina trabalhista, que prevê o pagamen-


to do repouso semanal ao empregado admitido no curso da semana em razão de não existir a obrigato-
riedade do trabalho nos dias anteriores à admissão. Assim, a empresa, por ter admitido um empregado
no decorrer da semana, assume, normalmente, o pagamento do respectivo repouso semanal, salvo se o
empregado nos dias posteriores à admissão tiver incorrido em faltas ou atrasos injustificados.

Dicas do eSocial
As informações relativas ao Repouso Semanal Remunerado serão lançadas no eSocial observando os códigos do even-
to S-1010 - Tabela de Rubricas, a qual será utilizada para validação do evento de Remuneração dos Trabalhadores.
Na simplificação do eSocial, a ser implantada em futuro próximo, está previsto que será criada uma tabela de rubrica
padrão com as incidências aplicáveis em cada uma. Se a empresa adotar a tabela padrão ficará dispensada de enviar
o evento S-1010 - Tabela de Rubricas.
CAPÍTULO V
FÉRIAS INDIVIDUAIS

Todo empregado tem direito, anualmente, ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remu-
neração. A finalidade básica das férias é a recuperação das forças gastas pelo trabalhador no decurso
de cada ano de serviços prestados ao mesmo empregador.

Assim, após cada período de 12 meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado tem
direito a férias na seguinte proporção.

Nº DE FALTAS INJUSTIFICADAS AO SERVIÇO


Nº DE DIAS CORRIDOS DE FÉRIAS
NO CURSO DO PERÍODO AQUISITIVO

30 Até 5

24 de 6 a 14

18 de 15 a 23

12 de 24 a 32

Os empregados contratados pelo regime de tempo parcial, ou seja, aquele cuja duração não exce-
da a 30 horas semanais, sem possibilidade de horas suplementares ou aquele cuja duração não exceda
26 horas semanais com possibilidade de até 6 horas suplementares semanais, também têm direito a 30,
24, 18 ou 12 dias de férias, conforme o número de faltas injustificadas no período aquisitivo respectivo.

Conclui-se que mais de 32 faltas injustificadas no curso do período aquisitivo implicam, para o
empregado, a perda do direito às férias correspondentes.

Cumpre observar, portanto, que, para fins do cálculo do período de férias a que o empregado terá
direito, não poderá o empregador descontar diretamente as faltas do empregado ao serviço. Deve, para
tanto, cumprir a escala proporcional de férias anteriormente mencionada.

Lembre-se de que a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram
desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT para determinar, entre outras disposições, que constitui
objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) a supressão ou redução do
número de dias de férias devidas ao empregado, bem como do gozo de férias anuais remuneradas com
pelo menos um terço a mais do que o salário normal.

FALTAS NÃO CONSIDERADAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO NÚMERO DE DIAS DE FÉRIAS

Uma vez justificada pela lei ou abonada por mera liberalidade do empregador (ambas não sujeitas
a desconto na remuneração), a falta não deve ser computada para efeito de reduzir o gozo das férias,
sendo, pois, ilegal qualquer acordo entre empregado e empregador para desconto de falta nas férias,
bem como o acordo firmado para que sejam “descontados” das férias os dias relativos a “pontes en-
tre feriados” em que não tenha havido expediente na empresa, como por exemplo, compensação das
120 Guia de Cálculos Trabalhistas

sextas e das segundas-feiras que, respectivamente, sucedem e antecedem os feriados das quintas e
terças-feiras.

Importante
Lembre-se de que a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acres-
ceu o art. 611-A à CLT para determinar, entre outras disposições, que os documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) têm prevalência sobre a lei, quando dispuserem, entre outros, sobre a troca do dia de feriado.
Assim, o mencionado documento deverá ser consultado a fim de verificar a existência de determinação sobre a mudan-
ça do dia comemorativo do feriado. Em caso positivo, valerão as disposições do documento coletivo.

Não se consideram faltas ao serviço para fins de apuração do direito às férias, entre outras:

I - até 2 dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão;


II - até 3 dias consecutivos, em virtude de casamento;
III - por 5 dias, enquanto não for fixado outro prazo em lei, como licença-paternidade;
IV - por 1 dia, em cada 12 meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamen-
te comprovada;
V - até 2 dias consecutivos ou não, para fins de alistamento eleitoral, nos termos da lei respectiva;
VI - no período de tempo em que tiver de cumprir as exigências do Serviço Militar referidas na Lei
nº 4.375/1964, art. 65, “c” (Lei do Serviço Militar);
VII - nos dias em que estiver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingres-
so em estabelecimento de ensino superior;
VIII - pelo tempo que se fizer necessário, quando tiver de comparecer a juízo);
IX - pelo tempo que se fizer necessário, quando, na qualidade de representante de entidade sin-
dical, estiver participando de reunião oficial de organismo internacional do qual o Brasil seja membro;
X - até 2 dias para acompanhar consultas médicas e exames complementares durante o período
de gravidez de sua esposa ou companheira;
XI - por 1 dia por ano para acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica;
XII - durante o licenciamento compulsório da empregada por motivo de maternidade ou aborto
não criminoso e de adoção ou guarda judicial de criança, para fins de adoção, observados os requisitos
da legislação previdenciária para percepção do benefício de salário-maternidade;
XIII - justificadas pela empresa, assim entendidas as que não tiverem determinado o desconto do
correspondente salário;
XIV - durante a suspensão preventiva para responder a inquérito administrativo ou de prisão pre-
ventiva, quando for impronunciado ou absolvido;
XV - comparecimento para depor como testemunha, quando devidamente arrolado ou;
XVI - comparecimento como parte à Justiça do Trabalho;
XVII - para servir como jurado no Tribunal do Júri;

XVIII - afastamento por doença ou acidente do trabalho, nos 15 primeiros dias pagos pela empresa
mediante comprovação, observada a legislação previdenciária;
Guia de Cálculos Trabalhistas 121

XIX - convocação para serviço eleitoral;

XX - greve, desde que tenha havido acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do
Trabalho que disponha sobre a manutenção dos direitos trabalhistas aos grevistas durante a paralisação
das atividades;

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à
CLT para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo
e convenção) a supressão ou redução:
a) do direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses
que devam por meio dele defender;
b) definição legal sobre os serviços ou atividades essenciais e disposições legais sobre o atendimento das necessi-
dades inadiáveis da comunidade em caso de greve.

XXI - período de frequência em curso de aprendizagem;

XXII - para o(a) professor(a), por 9 dias, em consequência de casamento ou falecimento de cônju-
ge, pai, mãe ou filho;

XXIII - dos representantes dos trabalhadores em atividade, decorrentes das atuações do Conselho
Nacional de Previdência Social (CNPS), as quais são computadas como jornada efetivamente trabalha-
da para todos os fins e efeitos legais;

XXIV - período de férias, que, inclusive, é computado para todos os efeitos como tempo de serviço;

XXV - dos representantes dos trabalhadores no Conselho Curador do FGTS, decorrentes das ativi-
dades desse órgão, serão abonadas, computando-se como jornada efetivamente trabalhada para todos
os fins e efeitos legais;

XXVI - o período de afastamento do representante dos empregados quando convocado para atuar
como conciliador nas Comissões de Conciliação Prévia, sendo computado como tempo de trabalho
efetivo o despendido nessa atividade;

XXVII - atrasos decorrentes de acidentes de transporte, comprovados mediante atestado da empresa;

XXVIII - dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo,
6 consultas médicas e demais exames complementares durante a gravidez;

XXIX - por motivo de acidente do trabalho ou enfermidade atestados pelo INSS, salvo se o bene-
fício perdurar por mais de 6 meses, ainda que descontínuos, dentro de um mesmo período aquisitivo,
hipótese em que o empregado não tem direito às férias;

XXX - nos dias em que não tenha havido serviço, exceto se o empregado deixar de trabalhar por
mais de 30 dias com percepção de salário no curso do período aquisitivo em virtude de paralisação par-
cial ou total dos serviços de empresas, caso em que não faz jus às férias;

XXXI - até 3 dias (em cada 12 meses de trabalho) para a realização de exames preventivos de cân-
cer devidamente comprovada;

XXXII - outros motivos previstos em acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho da entida-
de sindical representativa da categoria profissional.
122 Guia de Cálculos Trabalhistas

PERÍODO AQUISITIVO DE FÉRIAS


Período aquisitivo corresponde ao período de 12 meses de vigência do contrato de trabalho, ven-
cido os quais, o empregado passa a ter direito às férias correspondentes.

Exemplo
Empregado admitido em 02.01.2014.
Períodos aquisitivos de férias:
1º) 02.01.2014 a 1º.01.2015
2º) 02.01.2015 a 1º.01.2016
3º) 02.01.2016 a .1º.01.2017
4º) 02.01.2017 a .1º.01.2018
5º) 02.01.2018 a 1º.01.2019
6º) 02.01.2019 a 1º.01.2020
7º) 02.01.2020 a .... (período ainda em curso que se completará em 1º.01.2021, caso não ocorra afastamentos do
trabalho que interfira na contagem de férias.

Período concessivo
Vencido o período aquisitivo, o empregador tem o prazo de 12 meses a contar de então, para con-
ceder as férias ao empregado. Entretanto, a época de concessão das férias deve atender tanto ao inte-
resse do empregador como ao do empregado, ou seja, a ocasião em que as férias serão gozadas será
determinada pelo empregador, após consulta ao empregado, levando-se em conta as necessidades do
trabalho e as possibilidades de repouso e diversão do empregado.

Dessa forma, constata-se que não pode o empregador, unilateralmente, decidir sobre a época em
que o seu empregado gozará as férias, sendo necessário, para tanto, analisar não só as necessidades
da empresa, mas também o interesse do empregado no que se relaciona ao seu repouso e diversão;
portanto, o período de gozo de férias deve ser decidido em comum acordo.

É vedado o início das férias no período de dois dias que antecede feriado ou dia de Repouso Se-
manal Remunerado. Por exemplo, se ocorrer um feriado na quarta-feira, o empregado não poderá entrar
em férias na segunda feira antecedente.

Exemplo
Empregado admitido em 02.01.2014.
Períodos aquisitivos de férias Período concessivo de férias
1º) 02.01.2014 a 1º.01.2015 02.01.2015 a 1º.01.2016
2º) 02.01.2015 a 1º.01.2016 02.01.2016 a 1º.01.2017
3º) 02.01.2016 a 1º.01.2017 02.01.2017 a 1º.01.2018
4º) 02.01.2017 a 1º.01.2018 02.01.2018 a 1º.01.2019
5º) 02.01.2018 a 1º.01.2019 02.01.2019 a 1º.01.2020
6º) 02.01.2019 a 1º.01.2020 02.01.2020 a 1º.01.2021
Guia de Cálculos Trabalhistas 123

Deve-se observar, ainda, em relação ao gozo de férias:

a) o empregado estudante, menor de 18 anos de idade, tem o direito de fazer coincidir suas férias
com o período de suas férias escolares;

b) as férias dos trabalhadores aprendizes devem coincidir, preferencialmente, com as férias es-
colares, sendo vedado ao empregador fixar período diverso daquele definido no programa de
aprendizagem;

c) os membros de uma família, que trabalham no mesmo estabelecimento ou empresa, têm direi-
to a gozar férias no mesmo período, se assim o desejarem e se deste fato não resultar prejuízo
para o serviço.

FRACIONAMENTO

Reza a CLT que, desde que haja concordância do empregado, independentemente de sua idade,
as férias poderão ser usufruídas em até 3 períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a 14 dias
corridos e os demais não poderão ser inferiores a 5 dias corridos, cada um.

PERDA DO DIREITO

Não tem direito a férias o empregado que, no curso do período aquisitivo:

a) permanecer em gozo de licença, com percepção de salários, por mais de 30 dias;

b) deixar de trabalhar, com percepção de salário, por mais de 30 dias em virtude de paralisação
parcial ou total dos serviços da empresa; e

c) tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente do trabalho ou de benefício por


incapacidade temporária (auxílio-doença) por mais de 6 meses, embora descontínuos.

Nota
O item 2, do art. 6º, da Convenção OIT nº 132 dispõe que, em condições a serem determinadas pela autoridade compe-
tente ou pelo órgão apropriado de cada país, os períodos de incapacidade para o trabalho resultantes de doença ou de
acidentes não poderão ser computados como parte do período mínimo de férias anuais remuneradas previsto no § 3º do
art. 3º da mencionada Convenção. Portanto, entende-se que esta determinação fica na dependência de norma legal que
a regulamente.
Nestes casos, anota-se a interrupção da prestação de serviços na Carteira de Trabalho. Em consequência, inicia-se o
decurso de novo período aquisitivo quando o empregado, após o implemento de qualquer das condições previstas neste
tópico, retornar ao serviço.

LICENÇA REMUNERADA

A licença remunerada, não é disciplinada pela legislação trabalhista, ficando a critério do empre-
gador sua concessão ou não ao empregado. Quando concedida acarreta a interrupção do contrato de
trabalho.

Assim, caso haja concessão da citada licença no curso do período aquisitivo por mais de 30 dias,
o empregado perde o direito às férias do respectivo período.

Lembra-se que, caso a licença, embora superior a 30 dias, recaia em períodos aquisitivos distintos,
de tal forma que em nenhum deles ultrapasse a 30 dias, não haverá a perda do direito às férias.
124 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplos
a) licença remunerada de 31 dias dentro do mesmo período aquisitivo (perda do direito a férias)
b) licença remunerada de 44 dias em aquisitivos distintos (manutenção do direito a férias)
- Licença total = 44 dias (16.02 a 31.03.2018), porém em períodos aquisitivos distintos, assegurando a manutenção
das férias de ambos os períodos, visto que, em nenhum deles o período de licença ultrapassou a 30 dias.
c) licença remunerada de 56 dias (manutenção e perda do direito a férias em períodos aquisitivos distintos)
- Manutenção do direito a férias: aquisitivo de 08.07.2017 a 07.07.2018 (16 dias de licença remunerada);
- Perda do direito a férias: aquisitivo de 08.07.2018 a 07.07.2019 (40 dias de licença).

LICENÇA NÃO REMUNERADA

Assim como a licença remunerada, a licença não remunerada não é prevista em lei, podendo ser
concedida ou não pelo empregador, a pedido do empregado. Sua concessão, entretanto, acarreta a
suspensão temporária de todos os efeitos do contrato de trabalho.

Independentemente do seu tempo de duração, não ocasiona a perda do direito a férias, mas so-
mente suspende a contagem do período aquisitivo, cujo tempo de serviço deve ser complementado
pelo empregado quando de seu retorno ao trabalho, com o cumprimento do período aquisitivo que
ficou suspenso.

Observar que, a partir do dia seguinte ao término do cumprimento do aquisitivo restante, inicia-se
a contagem de novo período aquisitivo.

ADMISSÃO TÉRMINO DO INÍCIO


ÚLTIMO DIA LICENÇA NÃO RETORNO AO
E INÍCIO DE AQUISITIVO DE NOVO
TRABALHADO REMUNERADA TRABALHO
AQUISITIVO RESTANTE AQUISITIVO

10.03.2018 09.06.2018 10.06 a 09.09.2018 10.09.2018 09.06.2019 10.06.2019

Suspensão contratual
3 meses 9 meses
92 dias

A soma dos 3 meses anteriores à licença com os 9 meses após a licença, totalizam o período
aquisitivo de 12 meses.

PARALISAÇÃO PARCIAL OU TOTAL DA EMPRESA

O empregado, nestas hipóteses não faz jus a férias, desde que:


a) seja notificado do período de paralisação;
b) não seja convocado a trabalhar antes de 31 dias corridos;
c) tenha recebido os correspondentes salários;
d) a empresa tenha comunicado à Secretaria Especial de Trabalho, com antecedência mínima de
15 dias, as datas de início e fim da paralisação total ou parcial dos serviços;
e) em igual prazo supracitado, a empresa tenha comunicado, nos mesmos termos acima, o sindi-
cato representativo da categoria profissional; e
f) a empresa tenha afixado aviso, nos termos anteriormente mencionados nos respectivos locais
de trabalho.
Guia de Cálculos Trabalhistas 125

Prestações por doença ou acidente superiores a 6 meses, ainda que descontínuos, no mesmo
período aquisitivo

O afastamento por motivo de doença ou acidente, com recebimento de benefício pelo INSS, du-
rante mais de 6 meses, no mesmo aquisitivo ainda que descontínuos, implica a perda do direito às férias
correspondentes.

Exemplos
a) empregado admitido em 06.01.2019 afastou-se por motivo de doença ou acidente no período de 1º.05.2019
(16º dia de afastamento) a 30.11.2019, retornando ao serviço em 1º.12.2019. Observa-se que o período aquisitivo
iniciado em 06.01.2019 foi interrompido pelo acidente ou doença durante 7 meses contínuos. Portanto, ao em-
pregado não são devidas férias, iniciando-se novo período aquisitivo em 1º.12.2019.
b) o período aquisitivo do empregado, iniciado em 06.01.2018, foi interrompido pelos períodos de afastamento
(doença ou acidente) seguintes:
- de 1º.02.2019 (16º dia de afastamento) a 30.04.2019 e retorno em 1º.05. 2019;
- de 1º.08.2019 a 30.11.2019 e retorno em 1º.12.2019.
Assim:
Observa-se que a soma dos dois períodos de afastamento no curso do mesmo período aquisitivo resultou em
7 meses.
Neste exemplo, o empregado não tem direito a férias relativas ao período aquisitivo de 06.01.2019 a 05.01.2020
por ter-se afastado durante 7 meses, embora descontínuos, no mesmo período aquisitivo.
a) empregado admitido em 08.01.2018 afastou-se por motivo de doença ou acidente no período de 08.07.2018
(16º dia de afastamento) a 07.07.2019, retornando em 08.07.2019.
Portanto, o empregado afastou-se por 12 meses, dos quais 6 recaíram no aquisitivo de 08.01.2018 a 07.01.2019
(08.07.2018 a 07.01.2019) e os outros 6 no aquisitivo de 08.01.2019 a 07.01.2020 (08.01.2019 a 07.07.2019).
Neste caso, o empregado tem direito a férias (30, 24, 18 ou 12 dias corridos, conforme a escala proporcional),
relativas a cada um dos períodos aquisitivos, embora tenha recebido prestações de benefícios por 12 meses.
O período de benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença) não é considerado falta.
b) empregado admitido em 04.01.2018 afastou-se por motivo de doença ou acidente no período de 04.03.2018
(16º dia de afastamento) a 03.09.2019, retornando em 04.09.2019.
Logo, o empregado afastou-se por 18 meses, dos quais 10 recaíram no aquisitivo de 04.01.2018 a 03.01.2019
(04.03.2018 a 03.01.2019) e 8 meses no aquisitivo de 04.01.2019 a 03.01.2020 (04.01.2019 a 03.09.2019).
No caso, o empregado não faz jus a férias relativas a ambos os períodos aquisitivos, posto ter recebido presta-
ções de benefícios por período superior a 6 meses, em cada um, acarretando, portanto, o início da contagem de
novo período aquisitivo por ocasião de seu retorno em 04.09.2019.

SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO

O tempo de trabalho anterior à apresentação do empregado para prestar serviço militar obrigató-
rio computa-se no período aquisitivo, desde que ele compareça ao estabelecimento dentro do prazo de
90 dias da data em que se verificar a respectiva baixa.

Portanto, o período de afastamento não é computado para efeito de férias, sendo considerado
o período anteriormente trabalhado e complementado com o tempo que falta quando o empregado
retornar ao serviço.
126 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplos
a) empregado admitido em 1º.02.2018 se afastou para cumprimento do serviço militar obrigatório de 1º.01.2019 a
31.12.2019 e retornou ao trabalho em 19.01.2020 (dentro dos 90 dias após a baixa). Como trabalhou efetivamente
de 1º.02.2018 a 31.12.2018 (11 meses), deverá trabalhar mais 1 mês de 19.01.2020 a 18.02.2020, completando, por-
tanto, 1 período aquisitivo de férias.
b) empregado admitido em 1º.02.2018 se afastou para cumprimento do serviço militar obrigatório de 1º.01.2019 a
31.12.2019 e retorna ao trabalho em 25.04.2020 (vencido o prazo de 90 dias após a baixa). Embora o empregado
tenha efetivamente trabalhado de 1º.02.2018 a 31.12.2018 (11 meses), não se cogitará da complementação de 1
mês do período aquisitivo de férias, pois houve perda das férias em virtude de o retorno ao serviço ter ocorrido
em 25.04.2020 (após 90 dias da data da baixa no serviço militar).

ABONO PECUNIÁRIO

É facultado ao empregado, converter 1/3 do período de férias a que tiver direito em abono pecu-
niário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes.

Assim, conforme o número de dias corridos de férias a que faz jus, o empregado pode pleitear a
conversão e o pagamento do abono pecuniário na seguinte proporção:

PERÍODO EM DINHEIRO PERÍODO DE FÉRIAS EM DESCANSO FÉRIAS/LIMITE DE FALTAS


(CONVERSÃO DE 1/3) Nº DE DIAS Nº DE DIAS INJUSTIFICADAS

10 20 30 dias - até 5 faltas

8 16 24 dias - de 6 a 14 faltas

6 12 18 dias - de 15 a 23 faltas

4 8 12 dias - de 24 a 32 faltas

Embora a CLT fixe em 1/3 o limite do abono pecuniário, há quem admita ser possível a conversão
inferior a esse limite, mediante acordo entre empregado e empregador, pois, no caso, se amplia o perío-
do de gozo atendendo à finalidade principal das férias, ou seja, o descanso. Todavia, é ilegal aumentar o
período de abono pecuniário para reduzir as férias além do terço permitido.

O abono deve ser requerido pelo empregado, até 15 dias antes do término do período aquisitivo.
Se for requerido após o citado prazo, a concessão ou não do abono fica a critério exclusivo do empre-
gador.

FÉRIAS FRACIONADAS E O ABONO

Quando as férias do empregado são fracionadas (com o consentimento deste) em 2 ou 3 perío-


dos, surge a dúvida com relação ao cálculo do abono pecuniário.

Conforme vimos, a CLT determina que, com a concordância do empregado, as suas férias podem
ser fracionadas em até 3 períodos, sendo que um deles não pode ser inferior a 14 dias e os dois restantes
não podem ser inferiores a 5 dias.

A Convenção nº 132 da OIT determina que, excetuada previsão em contrário contida em acordo,
um dos períodos das férias fracionadas não poderá ser inferior a 14 dias.
Guia de Cálculos Trabalhistas 127

Assim, conclui-se que, ao fixar a possibilidade de fracionamento das férias em 3 períodos, o legis-
lador entendeu que o gozo de 24 dias de férias ao ano, considerando os 3 períodos (14+5+5), é o tempo
necessário para que o trabalhador se restabeleça física e mentalmente do desgaste provocado pelo ano
de trabalho transcorrido.

Dessa forma, considerando que o legislador, ao fixar o período de férias, buscou privilegiar o des-
canso e a higidez do trabalhador, entendemos que, em havendo o fracionamento das férias, atendidos
os requisitos legais já mencionados, o empregado poderá usar da faculdade legal que lhe é atribuída e
converter até 1/3 de suas férias individuais em abono pecuniário, desde que observe os períodos mínimos
de gozo.

Exemplos
a) empregado com direito a 30 dias de férias solicita o fracionamento das férias em 2 períodos
de 15 dias cada um. Goza o primeiro período e, quando da concessão do 2º período, solicita
a conversão de 10 dias em abono pecuniário. Assim temos:

2º PERÍODO DE FÉRIAS ABONO PECUNIÁRIO PERÍODO DE GOZO

15 DIAS 10 DIAS 5 DIAS

Nesse exemplo é legalmente possível atender


à solicitação do trabalhador, pois, ao conver-
ter 10 dias de suas férias em abono pecuniário,
restou o período mínimo de gozo estabelecido
pela lei (5 dias).

b) empregado com direito a 30 dias de férias solicita o seu fracionamento em dois períodos:
um de 20 dias e o outro de 10 dias. Goza os 20 dias de férias relativos ao primeiro período e,
na concessão do 2º período, solicita a conversão de parte das férias em abono pecuniário;

2º PERÍODO DE FÉRIAS ABONO PECUNIÁRIO PERÍODO DE GOZO

10 DIAS 5 DIAS 5 DIAS

Observe-se que, neste exemplo, somente foi possível converter 5 dias em abono, a fim de observar o período
mínimo de gozo de 5 dias estabelecido pela lei.

c) empregado com direito a 30 dias de férias solicita o seu fracionamento em 3 períodos (14,
9 e 7 dias). Goza o primeiro período e, quando da concessão do 2º e 3º períodos, solicita a
conversão de parte das férias em abono pecuniário.

ABONO PECUNIÁRIO MÁXIMO


2º PERÍODO DE FÉRIAS PERÍODO DE GOZO
POSSÍVEL

9 dias 4 dias 5 dias

ABONO PECUNIÁRIO MÁXIMO


3º PERÍODO DE FÉRIAS PERÍODO DE GOZO
POSSÍVEL

7 dias 2 dias 5 dias


128 Guia de Cálculos Trabalhistas

REMUNERAÇÃO DO ABONO PECUNIÁRIO


O abono pecuniário deve ser calculado sobre a remuneração das férias, já acrescida do terço
constitucional.
Considerando o gozo de férias em um só período:
Exemplos
a) mensalista - empregado que faz jus a 30 dias de férias e aufere um salário mensal de R$ 1.210,00 gozará férias
em um só período e opta pela conversão de 1/3 do período de férias a que tem direito em abono pecuniário.
Tem-se:
- Remuneração de férias
Base de cálculo = remuneração devida nos dias correspondentes (R$ 1.210,00) com adicional de 1/3 da CF/1988
(R$ 403,33).
- 20 dias de férias = R$ 1.210,00 × 20 ÷ 30...........................................................................................= R$ 806,67
- adicional de 1/3 CF/1988 = R$ 806,67 × 10 ÷ 30.............................................................................= R$ 268,89
- Remuneração do abono
- 10 dias de abono pecuniário = R$ 1.210,00 × 10 ÷ 30..................................................................= R$ 403,33
- adicional de 1/3 CF/1988 = R$ 403,33 × 10 ÷ 30.............................................................................= R$ 134,44
Valor total = (férias + abono) => R$ 1.075,56 + R$ 537,77.............................................................= R$ 1.613,33
Observar que, além da remuneração mencionada, o empregado tem direito a receber o saldo de salário normal
(sem o acréscimo de 1/3), relativo aos 10 dias que trabalhar do período de férias convertido em abono pecuniário.
Assim, na folha de pagamento para um mês de 30 dias, por exemplo (férias de 1 a 20 e abono de 21 a 30), devem
constar, dentre outros elementos:
- 20 dias de férias...........................................................................................................................................= R$ 806,67
- adicional de 1/3 sobre férias..................................................................................................................= R$ 268,89
- 10 dias de abono pecuniário.................................................................................................................= R$ 403,33 +
- adicional de 1/3 sobre abono pecuniário........................................................................................= R$ 134,44
- 10 dias de saldo de salário......................................................................................................................= R$ 403,33
Total.....................................................................................................................................................................= R$ 2.016,66
b) diarista (base de 30 dias por mês):
Empregado percebe um salário/dia de R$ 36,00, teve 4 faltas injustificadas no curso do período aquisitivo (30 dias
de férias) e opta pelo gozo em um só período e pelo abono pecuniário num mês de 30 dias, tem-se:
- Remuneração de férias
- base de cálculo = (salário/dia + 1/3 CF/1988) × 30 ÷ 30 × 20 =>
- base de cálculo = (R$ 36,00 + R$ 12,00) × 30 ÷ 30 × 20 =>
- base de cálculo = R$ 48,00 × 30 ÷ 30 × 20 =>
- base de cálculo = R$ 1.440,00 ÷ 30 × 20...........................................................................................= R$ 960,00, donde:
- 20 dias de férias = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 20.....................................................................................= R$ 720,00
- adicional de 1/3 CF/1988 = R$ 12,00 × 30 ÷ 30 × 20.....................................................................= R$ 240,00
- Remuneração do abono
- 10 dias de abono pecuniário = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 10.............................................................= R$ 360,00
- adicional de 1/3 CF/1988 = R$ 12,00 × 30 ÷ 30 × 10......................................................................= R$ 120,00
Valor total = (férias + abono) => R$ 960,00 + R$ 480,00..............................................................= R$ 1.440,00
Guia de Cálculos Trabalhistas 129

c) horista (base de 220 h por mês):


Empregado percebe um salário/hora de R$ 5,00, teve 8 faltas injustificadas no curso do período aquisitivo (24
dias de férias) e opta pelo gozo em um só período e pelo abono pecuniário num mês de 30 dias, tem-se:
- Remuneração de férias
- salário mensal = R$ 1.100,00 (R$ 5,00 × 220)
- conversão em abono = 8 dias (1/3 de 24)
- dias de gozo de férias = 16 (24 - 8)
- remuneração dos 16 dias de férias = R$ 586,72 (R$ 1.100,00 ÷ 30 × 16)
- 1/3 constitucional sobre férias = R$ 195,57 (R$ 586,72 ÷ 3)
- total das férias = R$ 782,29 (R$ 586,72 + R$ 195,57)
- Remuneração do abono
- salário mensal = R$ 1.100,00 (R$ 5,00 × 220)
- abono = 8 dias
- valor do abono = R$ 293,36 (R$ 1.100,00 ÷ 30 × 8)
- 1/3 constitucional sobre o abono = R$ 97,79 (R$ 293,36 ÷ 3)
- valor total do abono = R$ 391,15 (R$ 293,36 + R$ 97,79)
Valor total = (férias + abono) => R$ 782,29 + R$ 391,15 = R$ 1.173,44

Gozo de férias fracionadas - Cálculo do abono

Exemplos
a) mensalista - empregado que faz jus a 30 dias de férias e aufere um salário mensal de R$ 1.500,00, goza férias
em dois períodos de 15 dias cada um e opta pela conversão de 10 dias do segundo período de férias a que tem
direito em abono pecuniário, tem-se:
- 1º período de 15 dias já integralmente gozados.
- 2º período concedido em um mês de 30 dias
Base de cálculo = remuneração mensal (R$ 1.500,00).
- Direito ao período restante de férias = 15 dias
- Abono pecuniário - 10 dias
Gozo de férias - 5 dias
Remuneração das férias
- dias de férias = R$ 1.500,00 × 5 ÷ 30.......................................................................................R$ ....250,00
- adicional de 1/3 CF/1988 = R$ 250,00 ÷ 3.. ........................................................................... R$.......83,33
- Remuneração do abono
- 10 dias de abono pecuniário = R$ 1.500,00 × 10 ÷ 30.................................................................= R$ 500,00
- adicional de 1/3 CF/1988 = R$ 500,00 × 10 ÷ 30............................................................................= R$ 166,67
Valor total = (férias + abono) => R$ 333,33 + R$ 666,67..............................................................= R$ 1.000,00
Observar que, além da remuneração mencionada, o empregado tem direito a receber o saldo de salário
normal (sem o acréscimo de 1/3) relativo aos 10 dias que trabalhar do período de férias convertido em abono
pecuniário.
130 Guia de Cálculos Trabalhistas

Assim, na folha de pagamento para um mês de 30 dias, por exemplo (férias de 1 a 5 e abono de 6 a 15), devem
constar, entre outros elementos:
- 5 dias de férias.............................................................................................................................................= R$ 250,00
- adicional de 1/3 sobre férias..................................................................................................................= R$ 83,33
- 10 dias de abono pecuniário.................................................................................................................= R$ 500,00 +
- adicional de 1/3 sobre abono pecuniário........................................................................................= R$ 166,67
- 15 dias de saldo de salário......................................................................................................................= R$ 750,00
Total.....................................................................................................................................................................= R$ 1.750,00
b) diarista (base de 30 dias por mês):
Empregado percebe um salário/dia de R$ 36,00, teve 4 faltas injustificadas no curso do período aquisitivo (30 dias
de férias) e opta pelo gozo das férias em 3 períodos (1º de 14 dias, e os outros dois de 8 dias cada um), solicita que,
nos dois períodos restantes, parte das férias seja convertida em abono pecuniário.
Neste caso, considerando que o período mínimo de gozo em cada um dos dois períodos restantes de férias é de
5 dias, somente 3 dias em cada período podem ser convertidos em abono. Considerando que os 3 períodos de
férias sejam concedidos em meses de 30 dias, tem-se:
- Remuneração de férias
1º período
- dias de férias 14 = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 14 =................................................................................................................. R$ 504,00
- terço constitucional sobre férias R$ 504,00 ÷ 3 =..................................................................................................... R$ 168,00
Total relativo ao 1º período de férias (R$ 504,00 + R$ 168,00)=.............................................................................. R$ 672,00
2º período de férias
dias de férias 5 = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 5 =....................................................................................................................... R$ 180,00
- terço constitucional sobre férias R$ 180,00 ÷ 3 =...................................................................................................... R$ 60,00
Total férias....................................................................................................................................................................................... R$ 240,00
Abono pecuniário - 3 dias = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 3..................................................................................................... R$ 108,00
- Terço constitucional sobre o abono - R$ 108,00 ÷ 3................................................................................................. R$ 36,00
Total abono..................................................................................................................................................................................... R$ 144,00
Total geral relativo ao 2º período de férias (R$ 240,00 + R$ 144,00) =.................................................................. R$ 384,00
3º período de férias
dias de férias - 5 = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 5 =..................................................................................................................... R$ 180,00
- terço constitucional sobre férias R$ 180,00 ÷ 3 =...................................................................................................... R$ 60,00
Total férias....................................................................................................................................................................................... R$ 240,00
Abono pecuniário 3 dias = R$ 36,00 × 30 ÷ 30 × 3....................................................................................................... R$ 108,00
- terço constitucional sobre o abono (R$ 108,00 ÷ 3)................................................................................................. R$ 36,00
Total abono..................................................................................................................................................................................... R$ 144,00
Total geral relativo ao 3º período de férias (R$ 240,00 + R$ 144,00) =................................................................. R$ 384,00
Guia de Cálculos Trabalhistas 131

Ocorrendo reajuste salarial durante o período de conversão das férias em abono pecuniário, cujo
período foi previamente fixado pelo empregador, deve-se pagar as diferenças salariais existentes, visto
que a remuneração deve corresponder àquela que seria devida nos dias correspondentes.

REMUNERAÇÃO DAS FÉRIAS

O empregado perceberá, durante as férias, a remuneração que lhe for devida na data da sua con-
cessão.

As férias são pagas em número de dias. Desta forma, deve-se, primeiramente, encontrar a remu-
neração diária, qualquer que seja a forma de pagamento, observando-se os cálculos a seguir descritos:

Exemplos

a) Mês de 28 dias

Remuneração diária = Remuneração mensal ÷ 28


(quadro demonstrativo de gozo de férias de 30 dias)

TOTAL DA REMUNERAÇÃO
REMUNE-
REMUNERA- REMUNE- DE MARÇO SALDO
INÍCIO TÉRMINO RAÇÃO
ÇÃO DIÁRIA RAÇÃO DE (SEM FALTAS
MENSAL
FÉRIAS INJUSTIFICADAS)
Fevereiro Março Fevereiro Março Março
R$ 53,57 R$ 48,39 R$ 1.500,00 R$ 96,78
R$ 1.403,31
1º.02 02.03 R$ 1.500,00 (R$ 1.500,00 ÷ (R$ 1.500,00 ÷ (28 × R$ 53,57) + 1/3 (2 × R$ 48,39)
(29 × R$ 48,39)
28) 31) CF/1988 + 1/3 CF/1988
Período
Férias
posterior

Na hipótese de ter havido opção pelo gozo de férias em um só período e por abono pecuniário de 10 dias, no

{
caso de 1º a 10.02 por exemplo, tem-se:
- abono pecuniário (10 dias) = 10 × R$ 48,39................................................................R$ 483,90
1/3 da CF........................................................................R$ 161,30 +

{
soma................................................................................R$ 645,20

- férias (descanso) 11.02 a 02.03 = 18 dias × R$ 53,57.......................................................R$ 964,26


1/3 da CF........................................................................R$ 321,42 +
2 dias × R$ 48,39........................................................R$ 96,78
1/3 da CF........................................................................R$ 32,26
soma................................................................................R$ 1.414,72
- total (férias + abono) = R$ 1.414,72 + R$ 645,20...............................................................................R$ 2.059,92
- saldo de salário da folha de pagamento de
fevereiro (1º.02 a 10.02) =........................................ 10 × R$ 53,57........................................................R$ 535,70
- saldo de salário da folha de pagamento de
março (03.03 a 31.03) =........................................... 29 × R$ 48,39.......................................................R$ 1.403,31
Observar que o salário dos dias trabalhados relativos ao período de abono pecuniário é pago na folha de paga-
mento normal do mês a que se referir.
132 Guia de Cálculos Trabalhistas

b) Mês de 29 dias
Remuneração diária = Remuneração mensal ÷ 29
(quadro demonstrativo de gozo de férias de 30 dias)
REMUNE- REMUNE-
RAÇÃO DE RAÇÃO DE
TOTAL DA
FEVEREIRO/ REMUNE- REMUNE- MARÇO/
REMUNE-
SALDO (SEM INÍCIO TÉRMINO RAÇÃO RAÇÃO SALDO (SEM
RAÇÃO DE
FALTAS MENSAL DIÁRIA FALTAS
FÉRIAS
INJUSTIFICA- INJUSTIFICA-
DAS) DAS)
Fevereiro Março Fevereiro Março Março
R$ 744,80 R$ 37,24 R$ 34,84 R$ 446,88 R$ 975,52
21.02 21.03 R$ 1.080,00 R$ 348,40
(20 × R$ 37,24) (R$ 1.080,00 (R$ 1.080,00 (9 × R$ 37,24) + (21 × R$ 34,84)
(10 × R$ 34,84)
÷ 29) ÷ 31) 1/3 CF/1988 + 1/3 CF/1988
Período Período
Férias
anterior posterior

Na hipótese de ter havido opção pelo gozo de férias em um só período e por abono pecuniário de 10 dias, no
caso de 12 a 21.03, por exemplo, tem-se:


{
- abono pecuniário (10 dias) = 10 × R$ 34,84................................................................R$
1/3 CF..............................................................................R$
soma................................................................................R$
348,40
116,13 +
464,53

{
- férias (descanso) 11.02 a 02.03 = 9 × R$ 37,24...................................................................R$ 335,16
1/3 CF..............................................................................R$ 111,72 +
11 dias × R$ 34,84.......................................................R$ 383,24
1/3 CF..............................................................................R$ 127,75
soma................................................................................R$ 957,87

- total (férias + abono) = R$ 957,87 + R$ 464,53.................................................................................R$ 1.422,40


- Saldo de salário da folha de pagamento de março (12 a 31.03) = R$ 696,80 (R$ 34,84 × 20)

c) Mês de 30 dias
Exemplo de férias gozadas em período único e com abono pecuniário (de 6 a 14 faltas injustificadas) = (16 dias
de férias e 8 de abono)
- remuneração = R$ 1.200,00
- remuneração diária = R$ 1.200,00 ÷ 30 = R$ 40,00
- férias de 16 dias = R$ 40,00 × 16 = R$ 640,00
- 1/3 da CF/1988 = R$ 640,00 ÷ 3 = R$ 213,33
- total de férias + 1/3 da CF/1988 = R$ 640,00 + R$ 213,33 = R$ 853,33 (valor bruto)
- abono de 8 dias = R$ 40,00 × 8 = R$ 320,00
- 1/3 da CF/1988 = R$ 320,00 ÷ 3 = R$ 106,67
- total do abono pecuniário + 1/3 da CF/1988 = R$ 320,00 + R$ 106,67 = R$ 426,67 (valor bruto)
- total bruto de férias + abono pecuniário = R$ 853,33 + R$ 426,67 = R$ 1.280,00
Remuneração diária = Remuneração mensal ÷ 30 (Férias sem abono)
(quadro demonstrativo de gozo de férias de 30 dias)
REMUNERAÇÃO REMUNERAÇÃO DIÁRIA DE
INÍCIO TÉRMINO REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS + 1/3 CF/1988
MENSAL FÉRIAS
1º.04 30.04 R$ 1.500,00 R$ 2.000,00 = R$ 1.500,00 + (1/3 de R$ 1.500,00) R$ 66,67 (R$ 2.000,00 ÷ 30)
Guia de Cálculos Trabalhistas 133

d) Mês de 31 dias
Remuneração diária = Remuneração mensal ÷ 31 Férias sem abono
(quadro demonstrativo de gozo de férias de 30 dias)
REMUNE- REMUNERAÇÃO
REMUNERAÇÃO DIA 31.03 - EMPREGADO
INÍCIO TÉRMINO RAÇÃO DE FÉRIAS + 1/3
DIÁRIA SE:
MENSAL CF/1988
R$ 2.000,00 Falta injustificadamente Trabalha
R$ 50,00
1º.03 30.03 R$ 1.550,00 (R$ 50,00 × 30) + recebe + R$ 50,00
(R$ 1.550,00 ÷ 31) nada recebe
1/3 CF/1988 como saldo de salário
Férias Período posterior

CÁLCULO DAS FÉRIAS

Exemplos
Nos exemplos “a” a “f” adiante, foram utilizadas as alíquotas de desconto previdenciário em função da remunera-
ção global nos meses a que se referem (salário + férias + acréscimo constitucional de 1/3 sobre férias).
As alíquotas estão de acordo com a tabela de desconto da contribuição previdenciária vigente para efeito de
pagamento de remuneração a partir de 1º.03.2020 nos termos da Emenda Constitucional nº 103 e na Portaria
SEPRT nº 3.659/2020.
A Emenda Constitucional nº 103/2019 estabeleceu em seu art. 28 que até que lei altere as alíquotas de contribui-
ção previdenciária dos empregados, as alíquotas previstas em seu caput (7,5%, 9%, 12% e 14%) serão aplicadas
de forma progressiva sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota sobre a faixa de valores com-
preendida nos respectivos limites. A Portaria SEPRT nº 3.659/2020, divulgou a seguinte tabela de contribuição
previdenciária de empregados, domésticos e avulsos, válida a partir de 1º.03.2020. Portanto, os cálculos a seguir
observam a mencionada tabela.

ALÍQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS
Até 1.045,00 7,5%
De 1.045,01 até 2.089,60 9%
De 2.089,61 até 3.134,40 12%
De 3.134,41 até 6.101,06 14%

Exemplos de cálculo da contribuição previdenciária segundo os novos critérios


a) empregado com salário mensal de R$ 3.200,00 (abaixo do teto máximo de contribuição), temos:
ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 65,60, ou seja R$ 3.200,00 menos R$ 3.134,40 9,18
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 306,93

Contribuição total = R$ 306,93


Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qual-
quer arredondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de
valores de contribuição apurados em cada faixa salarial.
134 Guia de Cálculos Trabalhistas

b) empregado com salário mensal de R$ 6.500,00 (acima do teto máximo de contribuição), temos:
ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 2.966,66, ou seja R$ 6.101,06 menos R$ 3.134,40 415,33
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 713,08

Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qual-
quer arredondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de
valores de contribuição apurados em cada faixa salarial.
Contribuição total = R$ 713,08
Exemplos de Cálculo de Férias
a) mensalistas
Remuneração mensal vigente no mês da concessão das férias, acrescidas de 1/3 da CF/1988.
Remuneração do empregado com mais de 1 ano de serviço e salário mensal de R$ 1.209,00, ao receber 30 dias
de férias em março/2020:
- salário mensal.................................. R$ 1.209,00
- salário/dia........................................... (R$ 1.209,00 ÷ 31) = R$ 39,00
- remuneração..................................... R$ 39,00 × 30 = R$ 1.170,00
- acréscimo de 1/3 da CF/1988 (R$ 1.170,00 ÷ 3) = R$ 390,00
- total de férias + 1/3 da CF/1988 = (R$ 1.170,00 + R$ 390,00).............= R$ 1.560,00
- Contribuição previdenciária..........................................................................- R$ 124,72
- líquido...................................................................................................................... R$ 1.435,28
IRRF: isento
b) horistas
Remuneração horária vigente no mês da concessão das férias, multiplicada pelo número de horas de férias a
que o empregado fizer jus, acrescida de 1/3.
Supondo um horista (base de 220 h/mês), com jornada diária de 7 horas e 20 minutos, e salário/hora de R$ 9,00,
que recebeu 30 dias de férias em março/2020:
- salário/hora........................................ R$ 9,00
- salário/dia........................................... R$ 9,00 × 7,333333............................. = R$ 66,00
- remuneração..................................... R$ 66,00 × 30....................................... = R$ 1.980,00
- acréscimo de 1/3 da CF/1988 (R$ 1.980,00 ÷ 3)...................................... R$ 660,00
- total de férias + 1/3 da CF/1988 (R$ 1.980,00 + R$ 660,00)............... = R$ 2.640,00
- Contribuição previdenciária.......................................................................... - R$ 238,42
líquido........................................................................................................................ R$ 2.401,58
- Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte
Considerando que o trabalhador não tenha dependente, temos:
Remuneração total de férias + 1/3................................................................. = R$ 2.640,00
Dedução de contribuição previdenciária.................................................. = R$ 238,42
Base cálculo do IRRF........................................................................................... = R$ 2.401,58
- alíquota de IRRF = 7,5%.................................................................................... = R$ 180,12
- parcela a deduzir................................................................................................ = R$ 142,80
Guia de Cálculos Trabalhistas 135

- valor de retenção do IRRR.............................................................................. = R$ 37,32


Líquido a receber.................................................................................................. = R$ 2.364,26
c) diaristas
Remuneração diária vigente no mês da concessão das férias, multiplicada pelo número de dias de férias a que o
empregado fizer jus, acrescida de 1/3.
Admitindo-se que uma empregada diarista perceba R$ 60,00 por dia, e recebeu férias individuais de 1º a
30.04.2020, tem-se:
- salário/dia........................................... R$ 60,00
- remuneração de férias.................. (R$ 60,00 × 30) = R$ 1.800,00
- acréscimo de 1/3 da CF/1988 (R$ 1.800,00 ÷ 3) = R$ 600,00
- total de férias + 1/3 da CF/1988 (R$ 1.800,00 + R$ 600,00).............. = R$ 2.400,00
- Contribuição previdenciária......................................................................... - R$ 209,62
- líquido..................................................................................................................... R$ 2.190,38
- Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte
Considerando que o trabalhador não tenha dependente, temos:
Remuneração total de férias + 1/3................................................................ = R$ 2.400,00
Dedução de contribuição previdenciária................................................. = R$ 209,62
Base cálculo do IRRF.......................................................................................... = R$ 2.190,38
- alíquota de IRRF = 7,5%................................................................................... = R$ 164,28
- parcela a deduzir............................................................................................... = R$ 142,80
- valor de retenção do IRRR............................................................................. = R$ 21,48
Líquido a receber................................................................................................. = R$ 2.168,90
d) horistas com jornada de trabalho variável
Neste caso, apura-se a média do período aquisitivo, aplicando ao resultado o valor do salário/hora na data da
concessão, acrescido de 1/3 da CF/1988.
- salário/hora normal.......................................................................................... R$ 5,00
- total de horas do período aquisitivo........................................................ 2.200
- média aritmética mensal 2.200 ÷ 12......................................................... = 183,33
- salário-base R$ 5,00 × 183,33....................................................................... = R$ 916,65
- férias em julho ................................................................................................... 30 dias
- remuneração R$ 916,65 ÷ 31 = R$ 29,57 × 30........................................ = R$ 887,10
- acréscimo de 1/3 da CF/1988 (R$ 887,10 ÷ 3)......................................... = R$ 295,70
- total de férias + 1/3 da CF/1988 (R$ 887,10 + R$ 295,70)................... = R$ 1.182,80
Contribuição previdenciária........................................................................... - R$ 90,77
- líquido.................................................................................................................... R$ 1.092,03
IRRF: isento
e) tarefeiro
Toma-se por base a média da produção no período aquisitivo do direito a férias, aplicando ao resultado o valor
da remuneração da tarefa na data da concessão, acrescida de 1/3 da CF/1988.
- média aritmética mensal das tarefas no aquisitivo.......................... 600
- remuneração atual da tarefa....................................................................... R$ 2,00
- férias em julho.................................................................................................... 30 dias
136 Guia de Cálculos Trabalhistas

- remuneração 600 × R$ 2,00 × 30 => R$ 1.161,30


31
- acréscimo de 1/3 da CF/1988 (R$ 1.161,30 ÷ 3)...................... R$ 387,10
- total de férias + 1/3 CF/1988 (R$ 1.161,30 + R$ 387,10)........................ = R$ 1.548,40
- Contribuição previdenciária......................................................................... - R$ 123,67
- líquido..................................................................................................................... R$ 1.424,73
IRRF: isento
f) comissão
Apura-se a média percebida pelo empregado nos 12 meses que precederem a concessão das férias, acrescendo-
-se 1/3 da CF/1988.
Deve-se observar a média do nº de meses, quando prevista em cláusula de acordo, convenção coletiva de traba-
lho da respectiva categoria profissional ou sentença normativa, também acrescida de 1/3.
Cumpre notar, ainda, que a legislação trabalhista não faz qualquer menção quanto à atualização monetária do
valor das comissões, razão pela qual também deve ser consultada a entidade sindical da categoria profissional
respectiva, quanto a eventual existência de cláusula em documento coletivo de trabalho que disponha nesse
sentido.
Supondo-se que um empregado comissionista gozará férias de 1º a 30 de junho de 2020, relativas ao período
aquisitivo de 02.04.2019 a 1º.04.2020, tendo percebido as comissões adiante (já incluídas a integração do Des-
canso Semanal Remunerado - DSR) nos 12 meses que precedem a concessão das mesmas:

Junho/2019 R$ 1.200,00
Julho/2019 R$ 1.100,00
Agosto/2019 R$ 1.500,00
Setembro/2019 R$ 1.300,00
Outubro/2019 R$ 1.500,00
Novembro/2019 R$ 1.600,00
Dezembro/2019 R$ 1.300,00
Janeiro/2020 R$ 1.400,00
Fevereiro/2020 R$ 1.500,00
Março/2020 R$ 1.300,00
Abril/2020 R$ 2.000,00
Maio/2020 R$ 2.750,00
Total R$ 18.450,00
- média mensal:
- R$ 18.450,00 ÷ 12 = R$ 1.537,50
- remuneração de férias acrescida de 1/3 da CF/1988:
(R$ 1.537,50 + R$ 512,50 (1/3 de R$ 1.537,50)..............................................= R$ 2.050,00
- Contribuição previdenciária.........................................................................- R$ 168,82
- líquido...................................................................................................................... R$ 1.881,18
IRRF: isento
Sendo misto o salário, como comissões e fixo, por exemplo, à média do variável soma-se o fixo da época do afas-
tamento, para gozo das férias.
Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qual-
quer arredondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de
valores de contribuição apurados em cada faixa salarial.
Guia de Cálculos Trabalhistas 137

ADICIONAIS

Os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre ou perigoso são computados no sa-
lário que serve de base de cálculo da remuneração das férias. Também sofrem acréscimos de 1/3 da
CF/1988 na remuneração total de férias.

Exemplo
- nº de horas extras no período aquisitivo: 396
- média mensal de horas extras: 396 ÷ 12 = 33
- salário/hora normal: R$ 5,00
- adicional da hora extra no período: 50%
- valor da hora extra: R$ 5,00 × 1,50 = R$ 7,50
- valor a ser integrado à base de cálculo das férias: 33 × R$ 7,50 = R$ 247,50

Quando, no momento das férias, o empregado não estiver percebendo o mesmo adicional do
período aquisitivo, ou o valor deste não tiver sido uniforme, computa-se a média duodecimal recebida
naquele período, após a atualização das importâncias pagas, mediante incidência dos percentuais dos
reajustamentos salariais supervenientes.

Na hipótese de percepção de adicionais extraordinários variáveis (50%, 60%, 70%, 80%, 90%, 100%
etc.), deve-se fazer um cálculo separado para cada média.

Importante
Lembre-se que, nos termos da Súmula TST nº 347 o cálculo do valor das horas extras habituais, para efeito de reflexos em
verbas trabalhistas deve observar o número das horas efetivamente prestadas e sobre ele aplica-se o valor do salário/
hora da época do pagamento daquelas verbas.

Exemplo
Um empregado perfaz um total de 460 horas extras (HE) durante 12 meses do período aquisitivo de férias, das
quais, 215 HE a 50% por 4 meses e 245 HE a 75%, por 8 meses. O salário/hora normal do mês de férias é de R$ 6,00
a) HE a 50 %
- média mensal do nº de HE a 50% (215 ÷ 4)......................................................................... 53,75
- valor da HE com adicional de 50% (R$ 6,00 × 1,50)....................................................R$ 9,00
- valor da média do nº de HE prestadas a 50% (R$ 9,00 × 53,75)...........................R$ 483,75
- proporcionalidade: [(R$ 483,75 ÷ 12) × 4].....................................................................= R$ 161,24
b) HE a 75%
- média mensal do nº de HE a 75% (245 ÷ 8)......................................................................... 30,625
- valor da HE com adicional de 75% (R$ 6,00 × 1,75)................................................= R$ 10,50
- valor da média do nº de HE prestadas a 75% (R$ 10,50 × 30,625).......................R$ 321,56
- proporcionalidade: [(R$ 321,56 ÷ 12) × 8]..........................................................................R$ 214,40
Valor total de horas extras a ser integrado à base de cálculo de remuneração de férias:
(R$ 161,24 + R$ 214,40) = R$ 375,64
138 Guia de Cálculos Trabalhistas

No caso de adicionais que não variam, como, por exemplo, insalubridade (10%, 20% ou 40%, con-
forme o tipo de atividade desenvolvida) e periculosidade de 30%, integra-se o valor vigente à época de
concessão das férias, sem apurar qualquer média de importâncias anteriormente recebidas.

TRABALHO EM APENAS ALGUNS DIAS DA SEMANA


Nesta hipótese, o empregado faz jus a 30, 24, 18 ou 12 dias de férias, conforme o número de faltas
injustificadas no período aquisitivo, percebendo, entretanto, a remuneração que receberia em trabalho.
Há também o acréscimo constitucional de 1/3.

Exemplo
Supondo-se que um empregado diarista foi contratado para trabalhar às 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras, com direito a 30 dias
de férias, que serão gozadas de 1º a 30.04.2020, percebe remuneração referente a férias de 12 dias, acrescido do
Descanso Semanal Remunerado (DSR), porque foi este o número de dias que trabalharia no citado mês, como
se verifica:
- salário/dia: R$ 36,00
- remuneração de férias:
- 12 dias (nºs de dias em que receberia salário se estivesse trabalhado) × R$ 36,00 = R$ 432,00
- 6 dias (DSR e feriado no período de 1º a 30.04.2020) Remuneração da semana R$ 36,00 × 3 = R$ 108,00 ÷ 6 (1/6
da remuneração semanal) × 6 = R$ 108,00
- total das férias (R$ 432,00 + R$ 108,00) = R$ 540,00
- adicional de 1/3 CF/1988 sobre férias (R$ 540,00 ÷ 3) = R$ 180,00
- remuneração total a pagar de férias: (R$ 540,00 + R$ 180,00).......= R$ 720,00
- contribuição previdenciária: .........................................................................= - R$ 54,00
- líquido...................................................................................................................... R$ 666,00
IRRF: isento

SALÁRIO-UTILIDADE
Computa-se na base de cálculo das férias a parte do salário paga em utilidades (por exemplo,
vestuário e outras prestações in natura), integrantes da remuneração. Contudo, as utilidades usufruídas
durante as férias (habitação, por exemplo) não são computadas, salvo para o cálculo do terço constitu-
cional de férias, o qual deverá ser apurado e pago separadamente.

Exemplo
Supondo um empregado com salário de R$ 2.000,00 e que receba moradia concedida pelo empregador cujo
valor de mercado de aluguel é de R$ 700,00 e goza férias no período de 1º a 30.04.2020.
Cálculo das férias:
- salário = R$ 2.000,00
- salário in natura (habitação) = R$ 700,00
- valor dos 30 dias de férias = R$ 2.000,00 (R$ 2.000,00 ÷ 30 × 30)
- valor de 1/3 sobre férias = R$ 900,00 (R$ 2.000,00 + R$ 700,00 = R$ 2.700,00 ÷ 3)
- Valor total das férias = R$ 2.900,00 (R$ 2.000,00 + R$ 900,00)
Observe-se que, neste exemplo, o valor da habitação (salário in natura) não compôs a base de cálculo dos dias de
férias, posto que, durante as férias, o empregado continua utilizando a moradia, contudo o valor foi considerado
para se encontrar a base de cálculo sobre a qual incide o terço constitucional.
Guia de Cálculos Trabalhistas 139

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alterou o art. 457 da
CLT para determinar que, mesmo quando pagas com habitualidade, não integram a remuneração do empregado,
não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e
previdenciário, entre outros, o auxílio-alimentação (vedado o pagamento em dinheiro), a assistência médica ou odon-
tológica (própria ou conveniada) e o reembolso de despesas médico-hospitalares, com medicamentos, óculos, apare-
lhos ortopédicos, próteses, órteses e outras similares.

PAGAMENTO EM DOBRO
O empregado adquire direito à remuneração em dobro das férias quando o empregador não as
concede nos 12 meses subsequentes à aquisição do respectivo período, ou seja, quando não observa o
período concessivo.
O pagamento de férias em dobro tem, por conseguinte, caráter de penalidade, imposta ao empre-
gador que descumpre o prazo legal de concessão. Daí o gozo simples e a remuneração dobrada.
Logo, o empregado com direito a 30 dias corridos de férias faz jus à remuneração correspondente
a 60 dias, sem prejuízo do adicional de 1/3 da CF/1988. O gozo, contudo, corresponde a 30 dias.

Exemplo
Empregado admitido em 02.01.2016 e que nunca gozou férias. Temos:

PERÍODO AQUISITIVO PERÍODO CONCESSIVO PAGAMENTO EM DOBRO

Férias devidas em dobro, pois o período


02.01.2016 a 1º.01.2017 02.01.2017 a 1º.01.2018
concessivo já se esgotou

Férias devidas em dobro, pois o período


02.01.2017 a 1º.01.2018 02.01.2018 a 1º.01.2019
concessivo já se esgotou

Férias devidas em dobro, pois o período


02.01.2018 a 1º.01.2019 02.01.2019 a 1º.01.2020
concessivo já se esgotou

Se as férias forem integralmente gozadas


02.01.2019 a 1º.01.2020 02.01.2020 a 1º.01.2021
até 1º.01.2021, paga-se de forma simples

FÉRIAS PARCIAIS EM DOBRO


Na omissão da legislação vigente, os Tribunais trabalhistas entendem que os dias de férias, goza-
dos após o período legal de concessão (período concessivo), são remunerados em dobro.

Exemplo
Supondo um empregado admitido em 15.01.2018 e que teve suas primeiras férias de 30 dias concedidas no
período de 08.01 a 06.02.2020.

PERÍODO AQUISITIVO PERÍODO CONCESSIVO REMUNERAÇÃO EM DOBRO

15.01.2018 a 14.01.2019 15.01.2019 a 14.01.2020 15.01.2020 em diante

Assim, tem-se:
- 7 dias remunerados de forma simples (08 a 14.01.2020); e
- 23 dias remunerados em dobro (15.01 a 06.02.2020).
140 Guia de Cálculos Trabalhistas

ABONO PECUNIÁRIO
Na hipótese de férias devidas em dobro e tendo o empregado solicitado o abono pecuniário, este
também é devido em dobro. Vale dizer: a remuneração relativa a 10, 8, 6 ou 4 dias, conforme o caso, é
paga em dobro (20, 16, 12 ou 8 dias, respectivamente), sem prejuízo do acréscimo constitucional de 1/3.
Contudo, o empregado trabalha apenas o correspondente à metade, ou seja, 10, 8, 6 ou 4 dias, conforme
a hipótese.

Remuneração das Férias em Dobro com Abono Pecuniário

REMUNERAÇÃO TOTAL DA
DIAS DE ABONO ABONO EM DIAS DE DESCANSO
EM DOBRO DOS DIAS REMUNERAÇÃO
FÉRIAS (SIMPLES) DOBRO (A) (SIMPLES)
DE DESCANSO (B) (A + B)

30 10 20 20 40 60 (30 em dobro)

24 8 16 16 32 48 (24 em dobro)

18 6 12 12 24 36 (18 em dobro)

12 4 8 8 16 24 (12 em dobro)

REQUISITOS PARA CONCESSÃO


Para fins de concessão das férias, deverá o empregador observar:
a) participação por escrito ao empregado (“Aviso de Férias”) com antecedência mínima de 30 dias
do início do efetivo gozo e assinatura do empregado no respectivo documento;
b) anotação da concessão de férias no livro ou na ficha de registro de empregados;
c) apresentação da Carteira de Trabalho para a devida anotação da concessão, sob pena de o
empregado não poder entrar no gozo das férias.

Caso o empregado possua a Carteira de Trabalho em meio digital:


a) a anotação será feita nos sistemas informatizados da Carteira digital, gerados pelo empregador;
b) ficam dispensadas as anotações no registro de empregados e na Carteira de Trabalho.

As microempresas e empresas de pequeno porte:


a) são obrigadas, dentre outras atribuições, a anotar a concessão das férias na Carteira de Trabalho;
b) são dispensadas, entretanto, da obrigatoriedade da referida anotação no livro ou nas fichas de
registro dos empregados.

SOLICITAÇÃO DO ADIANTAMENTO DO 13º SALÁRIO POR OCASIÃO DAS FÉRIAS


O empregado que pretende receber, por ocasião das férias, a 1ª parcela do 13º salário (adianta-
mento) deve requerê-la no mês de janeiro do correspondente ano.

Lembra-se que o adiantamento da 1ª parcela, por ocasião das férias, somente é possível quando
estas são gozadas entre os meses de fevereiro e novembro.

PRAZO DE PAGAMENTO DAS FÉRIAS


O pagamento das férias deve ser efetuado até 2 dias antes do início do respectivo período, com-
petindo ao empregado dar quitação do pagamento com indicação do início e do término das férias.
Guia de Cálculos Trabalhistas 141

A legislação trabalhista é silente quanto à forma de contagem dos dias que antecedem o gozo
das férias, não determinando expressamente se esses dias são úteis ou corridos, e as decisões judiciais
sobre o assunto são escassas.

Ante a omissão legal, entendemos, salvo melhor juízo, que, sendo o pagamento efetuado median-
te depósito em conta bancária e considerando ser a finalidade do pagamento antecipado das férias a
de prover o empregado com recursos econômicos necessários para que este as desfrute da melhor
forma possível, o referido pagamento deve ocorrer com a antecedência mínima de 2 dias úteis. Esse é o
posicionamento também adotado por boa parte dos doutrinadores.

Tendo havido opção pelo abono pecuniário, a legislação trabalhista é omissa quanto ao respecti-
vo período em que o empregado deva trabalhar, se antes ou depois do período fixado para o gozo das
férias. Nesse caso, entendemos ser possível a ocorrência de ambas as situações, ficando a critério do
empregador a sua fixação. O prazo de pagamento, no entanto, conforme entendemos, será de 2 dias
úteis antes do início do gozo, no mínimo, desde que o período de férias convertido em trabalho seja
posterior ao de descanso.

Tratando-se, contudo, de período de abono fixado pelo empregador antes do início do gozo das
férias, entendemos que o pagamento de ambos (férias e abono) deva ocorrer até 2 dias úteis antes do
início do respectivo período de abono.

PRESCRIÇÃO

É o modo pelo qual o direito de ação se extingue em consequência da falta do seu exercício, por
determinado lapso de tempo.

A prescrição não extingue o direito em si, mas o direito à ação que o protege. Logo, caso o devedor
pague o débito, ainda que decorrido o prazo prescricional, o pagamento é válido, não podendo pleitear
o respectivo reembolso, posteriormente.

O direito de ação, quanto a créditos resultantes das relações de trabalho, observa o prazo pres-
cricional de 5 anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de 2 anos após a extinção do
contrato de trabalho.

A prescrição do direito de reclamar a concessão das férias ou o pagamento da respectiva remune-


ração é contada do término do prazo do período concessivo ou se for o caso, da cessação do contrato
de trabalho.

Contra os menores de 18 anos de idade não corre nenhum prazo de prescrição.

Exemplos
a) prescrição do direito de reclamar a não concessão de férias na vigência do contrato de trabalho.

Período aquisitivo de férias 1º.08.2007 a 31.07.2008

Período concessivo de férias 1º.08.2008 a 31.07.2009

Período em que persistiu o direito de reclamar a concessão de férias 1º.08.2009 a 31.07.2014 (5 anos)

Prescrição do direito de reclamar as férias desde 1º.08.2014


142 Guia de Cálculos Trabalhistas

b) prescrição do direito de reclamar a não remuneração de férias por ocasião da rescisão do contrato de
trabalho

Período aquisitivo de férias 05.08.2007 a 04.08.2008

Período concessivo de férias 05.08.2008 a 04.08.2009

Rescisão contratual 07.08.2009

Período em que persistiu o direito de reclamar a remuneração das férias de 08.08.2009 a 07.08.2011 (2 anos após a res-
cisão contratual)

Prescrição do direito de reclamar a remuneração das férias desde 08.08.2011

Férias - fases legais - demonstrativo

DEMONSTRATIVO

PERÍODO DE PAGAMENTO PRESCRIÇÃO


(NO CASO DE
PERÍODOS PERÍODOS
CONTRATO DE
AQUISITIVOS CONCESSIVOS EM DOBRO
SIMPLES TRABALHO EM
(A PARTIR DE)
VIGOR)

15.01.2008 a 14.01.2009 15.01.2009 a 14.01.2010 15.01.2009 a 14.01.2010 15.01.2010 15.01.2015

15.01.2009 a 14.01.2010 15.01.2010 a 14.01.2011 15.01.2010 a 14.01.2011 15.01.2011 15.01.2016

15.01.2010 a 14.01.2011 15.01.2011 a 14.01.2012 15.01.2011 a 14.01.2012 15.01.2012 15.01.2017

15.01.2011 a 14.01.2012 15.01.2012 a 14.01.2013 15.01.2012 a 14.01.2013 15.01.2013 15.01.2018

15.01.2012 a 14.01.2013 15.01.2013 a 14.01.2014. 15.01.2013 a 14.01.2014. 15.01.2014 15.01.2019

15.01.2013 a 14.01.2014 15.01.2014 a 14.01.2015 15.01.2014 a 14.01.2015 15.01.2015 15.01.2020

15.01.2014 a 14.01.2015 15.01.2015 a 14.01.2016 15.01.2015 a 14.01.2016 15.01.2016 15.01.2021

15.01.2015 a 14.01.2016 15.01.2016 a 14.01.2017 15.01.2016 a 14.01.2017 15.01.2017 15.01.2022

15.01.2016 a 14.01.2017 15.01.2017 a 14.01.2018 15.01.2017 a 14.01.2018 15.01.2018 15.01.2023

15.01.2017 a 14.01.2018 15.01.2018 a 14.01.2019 15.01.2018 a 14.01.2019 15.01.2019 15.01.2024

15.01.2018 a 14.01.2019 15.01.2019 a 14.01.2020 15.01.2019 a 14.01.2020 15.01.2020 15.01.2025

FÉRIAS NA CESSAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO

Férias vencidas

Na cessação do contrato de trabalho, qualquer que seja a sua causa (dispensa com ou sem justa
causa, culpa recíproca, aposentadoria, morte, etc.), assegura-se ao empregado a remuneração simples ou
em dobro, conforme o caso, correspondente ao período de férias vencidas cujo direito tenha adquirido.
Guia de Cálculos Trabalhistas 143

Férias proporcionais
Na cessação do contrato de trabalho, qualquer que seja a sua causa, exceto na demissão por justa
causa, tenha o contrato vigorado por mais ou menos de um ano, o empregado terá direito à remunera-
ção relativa ao período incompleto de férias (férias proporcionais), na proporção de 1/12 (um doze avos)
por mês de serviço ou fração superior a 14 dias.
Nestes casos, o empregado faz jus à remuneração relativa ao período incompleto de férias, na
proporção de 1/12 de 30, 24, 18 ou 12 dias, segundo as faltas injustificadas no período aquisitivo, por mês
de serviço ou fração igual ou superior a 15 dias, contados do início do período aquisitivo, e não dentro
do mês civil.

Férias proporcionais na cessação do contrato de trabalho - Exemplo


Empregado admitido em 08.06.2010 e cumpriu o último dia do aviso prévio trabalhado em
20.12.2019. Gozou férias relativas aos períodos aquisitivos até o de 08.06.2018 a 07.06.2019. No período de
08.06.2019 a 20.12.2019 faltou, injustificadamente, 5 dias ao serviço. O salário mensal, à época, era R$
1.500,00. Faz jus a férias proporcionais?

Exemplos
Considerando-se que a dispensa foi motivada pela empresa, sem justa causa; que o período
correspondente às férias proporcionais se estende de 08.06.2019 a 20.12.2019 (6 meses e 13 dias) e que
o empregado teve 5 faltas injustificadas, tem-se:
1/12 de R$ 1.500,00 = R$ 125,00 × 6 = R$ 750,00 +1/3 da CF/1988 (R$ 250,00) = R$ 1.000,00
Contagem:

Neste exemplo, caso o último dia do aviso prévio trabalhado recaísse em 22.12.2019, o empregado
faria jus a 7/12 (6 meses e mais a fração de 15 dias).

No caso de rescisão por justa causa o empregado não faz jus a férias proporcionais.

Tabela de Férias Proporcionais

FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA

30 DIAS/220H 24 DIAS/176H (DE 18 DIAS/132H (DE 12 DIAS/88H (DE


FALTAS INJUSTIFICADAS
(ATÉ 5 FALTAS 6 A 14 FALTAS 15 A 23 FALTAS 24 A 32 FALTAS
PROPORCIONALIDADE
INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)

1/12 2,5 dias ou 18h20min 2 dias ou 14h40min 1,5 dia ou 11h 1 dia ou 7h20min

2/12 5 dias ou 36h40min 4 dias ou 29h20min 3 dias ou 22h 2 dias ou 14h40min

3/12 7,5 dias ou 55h 6 dias ou 44h 4,5 dias ou 33h 3 dias ou 22h
144 Guia de Cálculos Trabalhistas

FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA

30 DIAS/220H 24 DIAS/176H (DE 18 DIAS/132H (DE 12 DIAS/88H (DE


FALTAS INJUSTIFICADAS
(ATÉ 5 FALTAS 6 A 14 FALTAS 15 A 23 FALTAS 24 A 32 FALTAS
PROPORCIONALIDADE
INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)

4/12 10 dias ou 73h20min 8 dias ou 58h40min 6 dias ou 44h 4 dias ou 29h20min

5/12 12,5 dias ou 91h40min 10 dias ou 73h20min 7,5 dias ou 55h 5 dias ou 36h40min

6/12 15 dias ou 110h 12 dias ou 88h 9 dias ou 66h 6 dias ou 44h

7/12 17,5 dias ou 128h20min 14 dias ou 102h40min 10,5 dias ou 77h 7 dias ou 51h20min

8/12 20 dias ou 146h40min 16 dias ou 117h20min 12 dias ou 88h 8 dias ou 58h40min

9/12 22,5 dias ou 165h 18 dias ou 132h 13,5 dias ou 99h 9 dias ou 66h

10/12 25 dias ou 183h20min 20 dias ou 146h40min 15 dias ou 110h 10 dias ou 73h20min

11/12 27,5 dias ou 201h40min 22 dias ou 161h20min 16,5 dias ou 121h 11 dias ou 80h40min

12/12 30 dias ou 220h 24 dias ou 176h 18 dias ou 132h 12 dias ou 88h

1ª) Mais de 32 faltas injustificadas no período aquisitivo implicam, para o empregado, a perda das
férias correspondentes.
2ª) Remuneração em horas calculada com base na jornada mensal de 220 horas (44 semanais ÷
6 × 30), conforme CF/1988, art. 7º, inciso XIII.

Exemplos
Aplicação da tabela de férias proporcionais
a) empregado admitido em 05.10.2019 é dispensado sem justa causa e cumpre o último dia de aviso-prévio em
30.04.2020. Faltou, injustificadamente, ao serviço, nesse período, 10 vezes. Salário mensal vigente no mês de
rescisão: R$ 1.200,00.
- tempo de serviço: 6 meses e 26 dias (05.10.2019 a 30.04.2020)
- férias proporcionais: 7/12 de 24 = 14 dias
- remuneração diária:
R$ 40,00 (R$ 1.200,00 ÷ 30)
valor das férias proporcionais - R$ 560,00 (R$ 40,00 × 14)
acréscimo do terço constitucional - R$ 186,67 (R$ 560,00 ÷ 3)
Total bruto das férias proporcionais = R$ 746,67 (R$ 560,00 + R$ 186,67)
ou
considerando que, conforme a tabela anteriormente descrita, o empregado faz jus a 14 dias ou 102h40min de
férias, temos que:
- R$ 1.200,00 ÷ 220h (base horária mensal) = R$ 5,4545 p/hora
- 102h 40min corresponde a 102,667, ou seja, 40min equivale a 0,667 em fração decimal
- R$ 5,4545 × 102,667 = R$ 560,00
- 1/3 da CF/1988 - R$ 560,00 ÷ 3 = R$ 186,67
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 CF/1988 − R$ 560,00 + R$ 186,67 = R$ 746,67
Guia de Cálculos Trabalhistas 145

b) Empregado admitido em 21.08.2019 é dispensado em 13.04.2020, mediante indenização do aviso-prévio (API)


de 30 dias. Não faltou durante o período. Percebe R$ 6,00 por hora (base de 220 horas mensais). O API integra o
tempo de serviço.
- tempo de serviço: 8 meses e 23 dias (21.08.2019 a 13.05.2020)
- férias proporcionais: 9/12 de 30 dias = 22,5 dias ou 165 horas
- remuneração mensal = R$ 6,00 × 220h = R$ 1.320,00
- acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 1.320,00 ÷ 3 = R$ 440,00
- proporcionalidade:
9/12 de R$ 1.320,00 = R$ 1.320,00 ÷ 12 × 9 = R$ 990,00 +
9/12 de R$ 440,00 = R$ 440,00 ÷ 12 × 9 = R$ 330,00
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 + R$ 330,00 = R$ 1.320,00
ou
- R$ 6,00/h × 7,333333 (7h20min) = R$ 44,00/dia
- R$ 44,00/dia × 22,5 dias = R$ 990,00 (férias proporcionais)
- 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 ÷ 3 = R$ 330,00
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 + R$ 330,00 = R$ 1.320,00
ou
considerando que, conforme a tabela anteriormente descrita, o empregado faz jus a 22,5 dias ou 165h de férias,
temos que:
- R$ 6,00 × 165h = R$ 990,00 (férias proporcionais)
- 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 ÷ 3 = R$ 330,00
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 CF/1988: R$ 990,00 + R$ 330,00 = R$ 1.320,00
c) empregado admitido em 11.11.2019, dispensado sem justa causa, mediante aviso-prévio indenizado (API) de 30
dias, em 16.04.2020. Percebe fixo mensal de R$ 200,00, mais comissões. Faltou, injustificadamente, 15 vezes ao
serviço. A média aritmética das comissões percebidas no período é de R$ 3.100,00.
- tempo de serviço: 6 meses e 6 dias (11.11.2019 a 16.05.2020), com projeção do API)
- férias proporcionais: 6/12 de 18 dias = 9 dias ou 66 horas
- remuneração diária: R$ 110,00 (R$ 3.100,00 + R$ 200,00 = R$ 3.300,00 ÷ 30)
- remuneração das férias = R$ 990,00 (R$ 110,00 × 9)
- acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 ÷ 3 = R$ 330,00
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 + R$ 330,00 = R$ 1.320,00
ou
- remuneração mensal: R$ 200,00 + R$ 3.100,00 = R$ 3.300,00
- remuneração diária: R$ 3.300,00 ÷ 30 = R$ 110,00
considerando que, conforme a tabela anteriormente descrita, o empregado faz jus a 9 dias ou 66h de férias,
temos que:
- R$ 110,00 × 18 dias (15 faltas injustificadas) = R$ 1.980,00 (férias proporcionais)
- acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 1.980,00 ÷ 3 = R$ 660,00 - proporcionalidade:
6/12 de R$ 1.980,00 = R$ 1.980,00 ÷ 12 × 6 = R$ 990,00 +
6/12 de R$ 660,00 = R$ 660,00 ÷ 12 × 6 = R$ 330,00
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 + R$ 330,00 = R$ 1.320,00
ou
146 Guia de Cálculos Trabalhistas

- R$ 3.300,00 ÷ 220h (base horária mensal) = R$ 15,00 p/hora


- R$ 15,00 × 66 horas = R$ 990,00 (férias proporcionais)
- 1/3 da CF/1988: R$ 990,00 ÷ 3 = R$ 330,00
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 CF/1988: R$ 990,00 + R$ 330,00 = R$ 1.320,00
d) Empregado tarefeiro, com 10 meses de serviço (incluindo o aviso-prévio), salário/tarefa atual de R$ 2,50 é dis-
pensado sem justa causa. Faltou, injustificadamente, 24 vezes e teve média aritmética de 500 peças produzidas
no período em que trabalhou.
- tempo de serviço: 10 meses
- férias proporcionais: 10/12 de 12 dias (24 faltas injustificadas) = 10 dias ou 73h20min (7h20min × 10)
- média aritmética das peças produzidas nos 10 meses: 500 peças
- base de cálculo das férias: 500 × R$ 2,50 = R$ 1.250,00
- remuneração diária: R$ 41,67 (R$ 1.250,00 ÷ 30)
remuneração das férias = R$ 416,70 (R$ 41,67 × 10)
- 1/3 da CF/1988: R$ 416,70 ÷ 3 = R$ 138,90
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 416,70 + R$ 138,90 = R$ 555,60
ou
considerando que, conforme a tabela anteriormente descrita, o empregado faz jus a 10 dias ou 73h20min de
férias, temos que:
- R$ 1.250,00 ÷ 220h (base horária mensal) = R$ 5,68181818 p/hora
- R$ 5,68181818 × 73,333333 (73h20min) = R$ 416,70
- acréscimo de 1/3 da CF/1988: R$ 416,70 ÷ 3 = R$ 138,90
- total de férias proporcionais + acréscimo de 1/3 CF/1988: R$ 416,70 + R$ 138,90 = R$ 555,60

TRABALHO A TEMPO PARCIAL


Para melhor visualização da proporção de férias a que o empregado tem direito, elaboramos as tabelas
a seguir com um panorama global das escalas proporcionais de férias na hipótese de trabalho sob o regime de
tempo parcial, nas modalidades de 30 e 26 horas semanais.

Tabela de Férias Proporcionais/Tempo Parcial - 30h semanais


FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA
30 DIAS/150H 24 DIAS/120H (DE 18 DIAS/90H (DE 12 DIAS/60H (DE
FALTAS INJUSTIFICADAS
(ATÉ 5 FALTAS 6 A 14 FALTAS 15 A 23 FALTAS 24 A 32 FALTAS
PROPORCIONALIDADE
INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)
1/12 2,5 dias ou 12h30min 2 dias ou 10h 1,5 dia ou 7h30min 1 dia ou 5h
2/12 5 dias ou 25h 4 dias ou 20h 3 dias ou 15h 2 dias ou 10h
3/12 7,5 dias ou 37h30min 6 dias ou 30h 4,5 dias ou 22h30min 3 dias ou 15h
4/12 10 dias ou 50h 8 dias ou 40h 6 dias ou 30h 4 dias ou 20h
5/12 12,5 dias ou 62h30min 10 dias ou 50h 7,5 dias ou 37h30min 5 dias ou 25h
6/12 15 dias ou 75h 12 dias ou 60h 9 dias ou 45h 6 dias ou 30h
7/12 17,5 dias ou 87h30min 14 dias ou 70h 10,5 dias ou 52h30min 7 dias ou 35h
8/12 20 dias ou 100h 16 dias ou 80h 12 dias ou 60h 8 dias ou 40h
9/12 22,5 dias ou 112h30min 18 dias ou 90h 13,5 dias ou 67h30min 9 dias ou 45h
10/12 25 dias ou 125h 20 dias ou 100h 15 dias ou 75h 10 dias ou 50h
Guia de Cálculos Trabalhistas 147

FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA


30 DIAS/150H 24 DIAS/120H (DE 18 DIAS/90H (DE 12 DIAS/60H (DE
FALTAS INJUSTIFICADAS
(ATÉ 5 FALTAS 6 A 14 FALTAS 15 A 23 FALTAS 24 A 32 FALTAS
PROPORCIONALIDADE
INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)
11/12 27,5 dias ou 137h30min 22 dias ou 110h 16,5 dias ou 82h30min 11 dias ou 55h
12/12 30 dias ou 150h 24 dias ou 120h 18 dias ou 90h 12 dias ou 60h

Tabela de Férias Proporcionais/Tempo Parcial - 26h semanais


FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA
FALTAS INJUSTIFICADAS 30 DIAS/130H 24 DIAS/104H (DE 18 DIAS/78H (DE 12 DIAS/52H (DE
PROPORCIONALIDADE (ATÉ 5 FALTAS 6 A 14 FALTAS 15 A 23 FALTAS 24 A 32 FALTAS
INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)
1/12 2,5 dias ou 10h50min 2 dias ou 8h40min 1,5 dia ou 6h30min 1 dia ou 4h20min
2/12 5 dias ou 21h40min 4 dias ou 17h20min 3 dias ou 13h00min 2 dias ou 8h40min
3/12 7,5 dias ou 32h30min 6 dias ou 26h 4,5 dias ou 19h30min 3 dias ou 13h
4/12 10 dias ou 43h20min 8 dias ou 34h40min 6 dias ou 26h 4 dias ou 17h20min
5/12 12,5 dias ou 54h10min 10 dias ou 43h20min 7,5 dias ou 32h30min 5 dias ou 21h40min
6/12 15 dias ou 65h 12 dias ou 52h 9 dias ou 39h 6 dias ou 26h
7/12 17,5 dias ou 75h50min 14 dias ou 60h40min 10,5 dias ou 45h30min 7 dias ou 30h20min
8/12 20 dias ou 86h40min 16 dias ou 69h20min 12 dias ou 52h 8 dias ou 34h40min
9/12 22,5 dias ou 97h30min 18 dias ou 78h 13,5 dias ou 58h30min 9 dias ou 39h
10/12 25 dias ou 108h20min 20 dias ou 86h40min 15 dias ou 65h 10 dias ou 43h20min
11/12 27,5 dias ou 119h10min 22 dias ou 95h20min 16,5 dias ou 71h30min 11 dias ou 47h40min
12/12 30 dias ou 130h 24 dias ou 104h 18 dias ou 78h 12 dias ou 52h

PROFESSORES
Considerando as condições peculiares de trabalho dos professores, o gozo de suas férias indivi-
duais deve coincidir com um dos períodos de recesso escolar (férias escolares), tendo em vista que a
atividade do estabelecimento de ensino não sofre interrupção.
Normalmente, o período de gozo de férias dos professores ocorre no mês de julho, tendo em vista
que nesse mês não há exames e que coincide com o período de férias escolares dos alunos.

DIREITO ÀS FÉRIAS NA RESCISÃO CONTRATUAL


EMPREGADO COM MAIS DE UM ANO DE SERVIÇOS NA EMPRESA

Pedido de demissão Férias integrais (simples ou em dobro)


Férias proporcionais

Dispensa sem justa causa Férias integrais (simples ou em dobro)


Férias proporcionais

Dispensa por justa causa Férias integrais (simples ou em dobro)

EMPREGADO COM MENOS DE UM ANO DE SERVIÇOS NA EMPRESA

Pedido de demissão Férias proporcionais


Dispensa sem justa causa Férias proporcionais
Dispensa por justa causa Não faz jus às férias
148 Guia de Cálculos Trabalhistas

CONTRATO A PRAZO DETERMINADO RESCINDIDO ANTES DE COMPLETAR UM ANO

Pedido de demissão Férias proporcionais


Dispensa sem justa causa Férias proporcionais
Dispensa por justa causa Não faz jus às férias
Extinção normal do contrato Faz jus às férias proporcionais

CONTRATO A PRAZO DETERMINADO RESCINDIDO APÓS COMPLETAR UM ANO

Pedido de demissão Férias integrais (simples ou em dobro)


Férias proporcionais

Dispensa sem justa causa Férias integrais (simples ou em dobro)


Férias proporcionais

Dispensa por justa causa Férias integrais (simples ou em dobro)

Férias integrais (simples ou em dobro)


Extinção normal do contrato Férias proporcionais

INCIDÊNCIAS SOBRE FÉRIAS

Férias gozadas na vigência do contrato de trabalho (simples e proporcionais)

a) contribuição previdenciária

Incide a contribuição previdenciária, observadas as alíquotas das tabelas de desconto previden-


ciário, adiante reproduzida (válida desde 1º.03.2020), conforme o salário-de-contribuição e a competên-
cia a que se referir, respeitado o limite máximo mensal.

O mês de competência é determinado em função do período de gozo das férias.

A Emenda Constitucional nº 103/2019 estabeleceu em seu art. 28 que até que lei altere as alíquo-
tas de contribuição previdenciária dos empregados, as alíquotas previstas em seu caput (7,5%, 9%, 12%
e 14%) serão aplicadas de forma progressiva sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota
sobre a faixa de valores compreendida nos respectivos limites. A Portaria SEPRT nº 3.659/2020, divulgou
a seguinte tabela de contribuição previdenciária de empregados, domésticos e avulsos válida a partir
de 1º.03.2020.

ALIQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS


SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS (%)

até 1.045,00 7,5%

de 1.045,01 até 2.089,60 9%

de 2.089,61 até 3.134,40 12%

de 3.134,41 até 6.101,06 14%

Será considerado para efeito de contribuição previdenciária, o valor do período de férias gozadas
no mês, com o respectivo adicional de 1/3 da CF/1988, mais o salário devido no mês e outras parcelas,
porventura pagas, que integram o salário-de-contribuição, ou seja, a incidência da contribuição sobre a
Guia de Cálculos Trabalhistas 149

remuneração das férias deverá ocorrer no mês a que elas se referirem, mesmo quando pagas antecipa-
damente na forma da legislação trabalhista.

O recolhimento efetiva-se até o dia 20 do mês seguinte ao de competência, antecipando-se o


prazo para o primeiro dia útil anterior, se o vencimento cair em dia em que não haja expediente bancário.

b) FGTS

Deposita-se a importância de 8%, calculada sobre o valor das férias, acrescido do terço constitu-
cional, relativo ao mês de gozo, juntamente com o salário devido no respectivo mês.

O prazo de pagamento, sem acréscimos, vai até o dia 07 do mês subsequente ao da competência
da remuneração. Não sendo dia útil, antecipar o recolhimento.

c) IRRF

O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incide sobre o resultado da soma das férias e do
adicional de 1/3 estabelecido pelo CF, separadamente da soma do salário percebido no mês, segundo
tabela progressiva vigente na data do pagamento.

Férias em dobro pagas na vigência do contrato de trabalho


a) contribuição previdenciária

É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração simples. Não incide, porém, sobre
o valor correspondente à dobra da remuneração de férias.

Exemplo
- remuneração simples de férias já incluído o terço constitucional = R$ 1.500,00 (base de cálculo da
contribuição previdenciária);

- valor correspondente à dobra = + R$ 1.500,00 (não integra a base de cálculo da contribuição);

- remuneração total (R$ 1.500,00 + R$ 1.500,00) = R$ 3.000,00

Desse total, portanto, apenas metade sofrerá incidência previdenciária na vigência do contrato laboral.

b) FGTS
É devido o depósito do FGTS sobre a remuneração simples das férias. Não incide, contudo,
sobre o valor correspondente à dobra da remuneração das férias.

Exemplo
a) remuneração simples de férias já incluído o terço constitucional = R$ 1.500,00 (base de cálculo dos
depósitos do FGTS);

b) valor correspondente à dobra = + R$ 1.500,00 (não é base de cálculo dos depósitos do FGTS);

c) remuneração total (R$ 1.500,00 + R$ 1.500,00) = R$ 3.000,00

Desse total, portanto, apenas metade serve de base de cálculo para o depósito do FGTS.

c) IRRF - as férias pagas em dobro na vigência do contrato de trabalho, são tributadas pelo Imposto
de Renda na Fonte.
150 Guia de Cálculos Trabalhistas

Férias vencidas (simples ou em dobro) e proporcionais pagas na rescisão contratual


a) contribuição previdenciária - a importância paga a título de férias indenizadas (simples, em
dobro e proporcionais) não integra o salário-de-contribuição e, portanto, não sofre a incidência
da contribuição previdenciária.
b) FGTS - não integram a remuneração, para efeito de depósito do FGTS, as férias indenizadas
(simples, em dobro e proporcionais);
c) IRRF - estão dispensados da retenção do IRRF os valores pagos ao empregado na rescisão
contratual a título de férias integrais ou proporcionais, e de seu terço constitucional, bem
como de férias em dobro.

Abono pecuniário
a) contribuição previdenciária - havendo pagamento do abono pecuniário (até 1/3 do período de
férias), o respectivo valor não estará sujeito à incidência da contribuição previdenciária.
b) FGTS - o valor do abono pecuniário não é base de cálculo para fins de depósito do FGTS;
c) IRRF - está dispensado da retenção do IRRF o valor pago a título de abono pecuniário de férias
de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho.

Terço constitucional - Férias


a) contribuição previdenciária - nas férias pagas durante a vigência do contrato de trabalho, o va-
lor do terço constitucional integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Quando as
férias são pagas na rescisão contratual, o terço constitucional sobre elas não sofre incidência
da contribuição;
b) FGTS - o valor pago a título de terço constitucional sobre férias pagas na vigência do contrato
de trabalho integra a base de cálculo para o depósito do FGTS. Entretanto, nas férias indeniza-
das (pagas na rescisão), o valor em comento não serve de base de cálculo do FGTS;
c) IRRF - o terço constitucional sobre férias pagas na vigência do contrato de trabalho sofre in-
cidência de IRRF. Entretanto, quando agregado a pagamento de férias (integrais ou propor-
cionais), convertidas em pecúnia, em razão de rescisão do contrato de trabalho, não sofre a
retenção de IRRF.

Terço constitucional sobre o abono pecuniário - Comentários

Embora não haja expressa previsão legal quanto à incidência ou não do encargo previdenciário
sobre o adicional de 1/3 de férias apurado sobre o abono pecuniário de férias, há quem entenda que,
da mesma forma que não incide o encargo previdenciário sobre as férias indenizadas com o respectivo
acréscimo constitucional de 1/3 (pagos em rescisão contratual), também não haverá incidência previ-
denciária sobre o adicional de 1/3 pago juntamente com o abono pecuniário de férias. Os defensores
dessa linha de entendimento argumentam com a tese de que o acessório (adicional de 1/3) segue a
sorte do principal (abono de férias). Assim, como não incide contribuição previdenciária sobre o abono
de férias, também não há que se cogitar da incidência sobre o respectivo terço constitucional.

Outra linha de entendimento defende a incidência previdenciária sobre a parcela do acréscimo


constitucional de 1/3 calculada em função do abono pecuniário de férias, embora este último não sofra
incidência, com o argumento de que, se a Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, não prevê, expressamente, a exclusão
Guia de Cálculos Trabalhistas 151

do encargo previdenciário sobre o adicional de 1/3 pago em função do abono pecuniário de férias, a
contribuição deve incidir sobre a parcela relativa ao adicional de 1/3 da Constituição Federal/1988, inde-
pendentemente de essa parcela referir-se ao abono pecuniário de férias.

Até que não haja um ato oficial mais esclarecedor sobre as controvérsias ora comentadas, reco-
menda-se que o empregador consulte, antecipadamente a Secretaria Especial da Receita Federal do
Brasil (RFB), a fim de certificar-se do correto procedimento a ser adotado.

AFASTAMENTOS DO EMPREGADO DAS SUAS ATIVIDADES NA CONTAGEM DO PERÍODO


CONCESSIVO DE FÉRIAS
Não há na legislação trabalhista dispositivo disciplinando a contagem do período concessivo de
férias quando, por qualquer motivo alheio à vontade do empregador (doença, licença-maternidade, be-
nefício por incapacidade permanente, licença sem remuneração etc.), o empregado afasta-se do traba-
lho no curso do mencionado período, inviabilizando a concessão das mesmas nos 12 meses subsequentes
à aquisição do direito.

No âmbito doutrinário e jurisprudencial, há controvérsias relativas ao assunto. Parte dos doutrina-


dores sustenta a posição de que, na ocorrência de afastamentos do empregado das suas atividades no
curso do período concessivo, a contagem do mesmo deverá ser suspensa, sendo retomada quando do
retorno do trabalhador às suas funções.

Outros defendem a inalterabilidade da contagem do período concessivo por falta de dispositivo


legal expresso que a autorize.

O nosso entendimento é no sentido de que, na ocorrência de afastamentos do empregado no cur-


so do período concessivo de férias, por motivos alheios à vontade do empregador, o respectivo período
será estendido por prazo idêntico ao do afastamento. Tal posição tem por base o fato de a lei garantir
ao empregador o lapso de 12 meses para conceder as férias adquiridas pelo empregado. Se houve afas-
tamento no curso desse período por motivo não decorrente da vontade do empregador, este não pode
ser prejudicado com a diminuição do prazo que lhe foi legalmente concedido.

Exemplo
Considerando que o empregado tenha se afastado das suas atividades para percepção de benefício por inca-
pacidade temporária (auxílio-doença) quando faltavam 3 meses para vencer o seu período concessivo de férias.
Neste caso, após a alta da perícia médica da Previdência Social, o empregador teria os mesmos 3 meses para
conceder as férias respectivas ao trabalhador.
Dados fictícios
- período concessivo de férias - 01.09.2019 a 31.08.2020
- afastamento para percepção de benefício previdenciário - 1º.06.2020 (3 meses antes do vencimento do concessivo)
- retorno ao trabalho - 1º.09.2020
- prazo final para o gozo integral das férias respectivas a serem pagas de forma simples - 31.11.2020
Portanto, após o retorno ao trabalho o empregador terá os mesmos 3 meses para conceder integralmente as
férias ao empregado.

Não obstante o entendimento ora adotado, considerando a existência de controvérsias acer-


ca do tema, para diminuir a possibilidade de eventuais questionamentos, na situação retratada, caso
queira e na medida do possível, mesmo com a dilação do período concessivo, o empregador poderá
conceder as férias logo após o retorno do empregado, ou seja, no menor prazo que as condições de
trabalho permitirem.
152 Guia de Cálculos Trabalhistas

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DURANTE AS FÉRIAS - PROIBIÇÃO


O empregado em gozo de férias não pode prestar serviços a outro empregador, salvo se estiver
obrigado a fazê-lo em virtude de contrato de trabalho regularmente mantido com aquele.
A legislação vigente não proíbe a acumulação de empregos, ou seja, a possibilidade de manter o
empregado, simultaneamente, contratos de trabalho com empregadores diversos.
Tendo em vista que a finalidade das férias é exatamente permitir o descanso ao empregado, jus-
tifica-se a proibição de trabalhar ao empregador que as concede, e a outro, com quem não mantenha
vinculação de emprego regular.
Nestas condições, se o empregado, em gozo de férias na empresa “A”, prestar serviços à empresa
“B”, sem vinculação empregatícia regular, estará sujeito a ter o seu contrato individual de trabalho com
a empresa “A” rescindido por justa causa.

EMPREGADO ACOMETIDO DE DOENÇA DURANTE AS FÉRIAS


Quando o empregado adoece no curso de suas férias, o respectivo gozo não é suspenso ou in-
terrompido, fluindo o período normalmente a título de férias. Entretanto, se a doença ocorrer antes do
início do gozo das férias ainda que estas já tenham sido pagas, as férias serão suspensas.

GESTANTE - SUPERVENIÊNCIA DE PARTO NO GOZO DAS FÉRIAS


Ocorrendo o nascimento de filho(a) no decorrer das férias, ou adoção de criança ou ainda obten-
ção de guarda judicial para fins de adoção que possibilite a concessão de salário-maternidade o gozo
das mesmas pela empregada fica suspenso durante o período do salário-maternidade, sendo retomado
logo após o término do benefício previdenciário, com o consequente pagamento das diferenças sala-
riais decorrentes de aumentos eventualmente ocorridos no período da licença-maternidade.

TRABALHO INTERMITENTE
O trabalho intermitente é uma figura nova criada pela Reforma Trabalhista, instituída pela Lei nº
13.467/2017, em vigor desde 11.11.2017. É considerado intermitente o contrato de trabalho no qual a pres-
tação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de pres-
tação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo
de atividade do empregado e do empregador.
Determina a lei em comento que, havendo o chamamento para o trabalho, ao final de cada perío-
do de prestação dos serviços o empregado receberá, de imediato, o pagamento, entre outras parcelas,
das férias proporcionais com acréscimo do terço constitucional.
Haverá, portanto, pagamento de férias em parcelas, ou seja, se o empregado for chamado no ano
4 vezes, haverá 4 parcelas de férias.
Dispõe, ainda, que, a cada 12 meses (período aquisitivo), o empregado adquire direito a usufruir,
nos 12 meses subsequentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar
serviços pelo mesmo empregador, podendo mediante acordo com o empregador parcelar suas férias
em até 3 períodos.
Lembre-se, porém, de que a remuneração relativa às férias já foram pagas no curso do ano, de
forma proporcional, ao final de cada período de prestação dos serviços.
Outra questão a ressaltar é que este empregado pode nunca ter direito ao repouso relativo às
férias, uma vez que, embora esteja em gozo de férias em relação a um empregador, poderá estar sendo
convocado para o trabalho em relação aos demais.
Guia de Cálculos Trabalhistas 153

A norma em comento também estabelece que o empregado terá um mês de férias. Entretanto,
conforme determina a CLT, as férias são concedidas em dias e não em mês. Pretendeu o legislador criar
um novo cálculo de férias ou se trata de um equívoco?
Aguarda-se, portanto, que esta questão venha a ser esclarecida mediante futuros atos legais dos
órgãos competentes.

FÉRIAS COLETIVAS
Muitas empresas, em virtude de aumento de seus estoques motivado pela diminuição do volume
de vendas, precisam paralisar ou diminuir a sua atividade produtiva visando dar vazão aos produtos
estocados ou enfrentar períodos de desaquecimento comercial. Nesse cenário, as férias coletivas se
apresentam como a solução mais indicada, tendo em vista que, além de atenderem às necessidades
empresariais, quitam direitos trabalhistas dos empregados.
São coletivas as férias concedidas simultaneamente a todos os empregados da respectiva empre-
sa ou de um ou mais estabelecimentos ou setores da empresa e, normalmente, visam atender a uma
necessidade do empregador. Podem ser concedidas em 2 períodos anuais, desde que nenhum deles
seja inferior a 10 dias corridos.

Concessão - Requisitos
As condições para concessão de férias coletivas podem ser objeto de acordo coletivo entre a
empresa e a entidade sindical representativa dos respectivos empregados ou de convenção coletiva de
trabalho entre sindicatos das categorias econômica e profissional. Na falta desses instrumentos ou na
ausência de previsão específica, cabe ao empregador determinar o regime e a época de férias coletivas
dos empregados.
Para esse fim, o empregador deve:
a) comunicar à Secretaria Especial de Trabalho, com antecedência mínima de 15 dias, as datas de
início e fim das férias;
b) precisar, na comunicação, quais os estabelecimentos ou setores abrangidos pela medida;
c) enviar, no prazo de 15 dias, cópia da aludida comunicação aos sindicatos representativos da
respectiva categoria profissional;
d) providenciar a afixação de aviso nos locais do trabalho, sobre a adoção do regime.

Modelo de Comunicação

Ilmo. Sr. Dr. ______________________


(Autoridade local da Secretaria Especial de Trabalho)
No Estado de _____________
Atendendo ao disposto no § 2º do art. 139 da Consolidação das Leis do Trabalho, a empresa
___________________________, com sede na ______________________________________________,
(endereço)
inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob nº ___________________, comunica que, no
período de _______ a ______, concederá férias coletivas a todos os empregados existentes na(o) __________
________________________, localizado(o) na _____________________________
(filial, estabelecimento, setor) (endereço)

São Paulo, _____ de ______________ de _____


_________________________________________________
carimbo e assinatura do responsável legal pela empresa
154 Guia de Cálculos Trabalhistas

As microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) estão dispensadas de efetuar a co-
municação à Secretaria Especial de Trabalho, porém devem comunicar o fato ao sindicato.

Modelo de Comunicação ao Sindicato

Ilmo. Sr. _______________


Presidente do Sindicato ____________
Endereço _______________
Cidade _____________
Ref.: Comunicação de férias coletivas (CLT, art. 139, § 3º)
Sr. Presidente:
Em cumprimento à vigente legislação trabalhista, enviamos anexa cópia da comunicação efetuada à
___________________________ nos termos da CLT, art. 139, § 3º.
(órgão local da Secretaria Especial de Trabalho)
Atenciosamente
___________________________________________________
carimbo e assinatura do responsável legal pela empresa

Modelo de Aviso a Empregados

Comunicação nos termos da CLT, art. 139, § 3º, aos empregados do ____________________________________
(estabelecimento(s), setor(es) ou seção(ões))
_________________________que, no período de ___/___/___ a ___/___/___, gozarão férias coletivas.
Referidos empregados devem procurar o Departamento Pessoal até ___/___/___, a fim de que sejam toma-
das as providências administrativas e financeiras necessárias.
A Direção

EMPREGADOS AFASTADOS DA ATIVIDADE NO CURSO DAS FÉRIAS COLETIVAS


Os empregados que, no curso das férias coletivas, estiverem afastados provisoriamente da ativi-
dade, cujos contratos de trabalho foram suspensos ou interrompidos, não gozarão as férias coletivas
com os demais empregados.

Nesse aspecto, os empregados afastados por motivo de benefício por incapacidade temporá-
ria (auxílio-doença), licença-maternidade, prestação de serviço militar, licença remunerada ou não etc.
continuam normalmente a usufruir o benefício ou a situação trabalhista em que se encontram fora do
exercício da atividade na empresa. Assim, esses empregados não gozarão as férias coletivas com os
demais empregados, salvo se o afastamento terminar antes da paralisação das atividades da empresa.

Caso o afastamento se encerre no curso das férias coletivas e não havendo condições de retorno
do empregado ao trabalho (por exemplo, paralisação total das atividades empresariais), este será consi-
derado em licença remunerada.

Exemplos
a) supondo que a empresa concedeu férias coletivas de 15 dias aos empregados no período de 11 a 25.11.2019, e
no citado período, uma empregada encontrava-se afastada por licença-maternidade, temos a seguinte situação:
- dias considerados como férias coletivas: 15 dias (11 a 25.11.2019);
- período da licença-maternidade de 120 dias (29.08 a 26.12.2019): a empregada, no caso, não entra no gozo de
férias coletivas e continua afastada pela licença-maternidade.
Guia de Cálculos Trabalhistas 155

b) supondo que uma empregada afastada por licença-maternidade retornou em 20.11.2019, sabendo-se que a
empresa concedeu férias coletivas aos empregados no período de 10 a 24.11.2019, temos a seguinte situação:
- data do retorno da licença-maternidade: 20.11.2019;
- dias considerados como licença remunerada: 5 dias (20 a 24.11.2019).
A empregada recebeu 5 dias da licença remunerada, desde que não tenha havido a possibilidade de retorno ao
trabalho em função da paralisação das atividades da empresa.

EMPREGADOS COM MENOS DE 12 MESES DE SERVIÇO

Os empregados que contem com menos de 12 meses de serviço por ocasião da concessão das
férias coletivas, gozam, na oportunidade, férias proporcionais relativas ao período de vigência dos res-
pectivos contratos individuais de trabalho, calculadas na proporção de 1/12 por mês de serviço ou fração
superior a 14 dias, de 30, 24, 18 ou 12 dias, conforme a quantidade de faltas injustificadas no curso do
período aquisitivo, remuneradas com 1/3 a mais que o salário normal, iniciando-se, então, novo período
aquisitivo.

Caso as condições de trabalho não permitam o retorno antecipado do empregado ao serviço em


relação aos demais, o período de gozo das férias coletivas excedente ao direito adquirido será conside-
rado licença remunerada.

Elaboramos a tabela prática de férias proporcionais a seguir, nos termos da CLT, art. 130.

FALTAS 30 DIAS/220H 24 DIAS/176H 18 DIAS/132H 12 DIAS/88H


INJUSTIFICADAS (ATÉ 5 FALTAS (DE 6 A 14 FALTAS (DE 15 A 23 FALTAS (DE 24 A 32 FALTAS
PROPORCIONALIDADE INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)

1/12 2,5 dias ou 18h20min 2 dias ou 14h40min 1,5 dia ou 11h 1 dia ou 7h20min

2/12 5 dias ou 36h40min 4 dias ou 29h20min 3 dias ou 22h 2 dias ou 14h40min

3/12 7,5 dias ou 55h 6 dias ou 44h 4,5 dias ou 33h 3 dias ou 22h

4/12 10 dias ou 73h20min 8 dias ou 58h40min 6 dias ou 44h 4 dias ou 29h20min

5/12 12,5 dias ou 91h40min 10 dias ou 73h20min 7,5 dias ou 55h 5 dias ou 36h40min

6/12 15 dias ou 110h 12 dias ou 88h 9 dias ou 66h 6 dias ou 44h

7/12 17,5 dias ou 128h20min 14 dias ou 102h40min 10,5 dias ou 77h 7 dias ou 51h20min

8/12 20 dias ou 146h40min 16 dias ou 117h20min 12 dias ou 88h 8 dias ou 58h40min

9/12 22,5 dias ou 165h 18 dias ou 132h 13,5 dias ou 99h 9 dias ou 66h

10/12 25 dias ou 183h20min 20 dias ou 146h40min 15 dias ou 110h 10 dias ou 73h20min

11/12 27,5 dias ou 201h40min 22 dias ou 161h20min 16,5 dias ou 121h 11 dias ou 80h40min

12/12 30 dias ou 220h 24 dias ou 176h 18 dias ou 132h 12 dias ou 88h

Notas
(1) Mais de 32 faltas injustificadas no período aquisitivo implicam, para o empregado, a perda das férias correspondentes.
(2) Remuneração em horas calculada com base na jornada mensal de 220 horas = (44 semanais ÷ 6) × 30.
156 Guia de Cálculos Trabalhistas

Tratando-se de empregados abrangidos pelo regime de trabalho a tempo parcial, a proporcionali-


dade das férias pode ser calculada utilizando as tabelas a seguir:

Tabela de Férias Proporcionais/Tempo Parcial - 26h semanais

FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA

FALTAS 30 DIAS/130H 24 DIAS/104H 12 DIAS/52H


18 DIAS/78H (DE 15 A 23
INJUSTIFICADAS (ATÉ 5 FALTAS (DE 6 A 14 FALTAS (DE 24 A 32 FALTAS
FALTAS INJUSTIFICADAS)
PROPORCIONALIDADE INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)

1/12 2,5 dias ou 10h50min 2 dias ou 8h40min 1,5 dia ou 6h30min 1 dia ou 4h20min

2/12 5 dias ou 21h40min 4 dias ou 17h20min 3 dias ou 13h00min 2 dias ou 8h40min

3/12 7,5 dias ou 32h30min 6 dias ou 26h 4,5 dias ou 19h30min 3 dias ou 13h

4/12 10 dias ou 43h20min 8 dias ou 34h40min 6 dias ou 26h 4 dias ou 17h20min

5/12 12,5 dias ou 54h10min 10 dias ou 43h20min 7,5 dias ou 32h30min 5 dias ou 21h40min

6/12 15 dias ou 65h 12 dias ou 52h 9 dias ou 39h 6 dias ou 26h

7/12 17,5 dias ou 75h50min 14 dias ou 60h40min 10,5 dias ou 45h30min 7 dias ou 30h20min

8/12 20 dias ou 86h40min 16 dias ou 69h20min 12 dias ou 52h 8 dias ou 34h40min

9/12 22,5 dias ou 97h30min 18 dias ou 78h 13,5 dias ou 58h30min 9 dias ou 39h

10/12 25 dias ou 108h20min 20 dias ou 86h40min 15 dias ou 65h 10 dias ou 43h20min

11/12 27,5 dias ou 119h10min 22 dias ou 95h20min 16,5 dias ou 71h30min 11 dias ou 47h40min

12/12 30 dias ou 130h 24 dias ou 104h 18 dias ou 78h 12 dias ou 52h

Tabela de Férias Proporcionais/Tempo Parcial - 30h semanais

FÉRIAS PROPORCIONAIS - REMUNERAÇÃO EM DIAS/HORAS - TABELA

FALTAS 30 DIAS/150H 24 DIAS/120H 12 DIAS/60H


18 DIAS/90H (DE 15 A 23
INJUSTIFICADAS (ATÉ 5 FALTAS (DE 6 A 14 FALTAS (DE 24 A 32 FALTAS
FALTAS INJUSTIFICADAS)
PROPORCIONALIDADE INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS) INJUSTIFICADAS)

1/12 2,5 dias ou 12h30min 2 dias ou 10h 1,5 dia ou 7h30min 1 dia ou 5h

2/12 5 dias ou 25h 4 dias ou 20h 3 dias ou 15h 2 dias ou 10h

3/12 7,5 dias ou 37h30min 6 dias ou 30h 4,5 dias ou 22h30min 3 dias ou 15h

4/12 10 dias ou 50h 8 dias ou 40h 6 dias ou 30h 4 dias ou 20h

5/12 12,5 dias ou 62h30min 10 dias ou 50h 7,5 dias ou 37h30min 5 dias ou 25h

6/12 15 dias ou 75h 12 dias ou 60h 9 dias ou 45h 6 dias ou 30h

7/12 17,5 dias ou 87h30min 14 dias ou 70h 10,5 dias ou 52h30min 7 dias ou 35h

8/12 20 dias ou 100h 16 dias ou 80h 12 dias ou 60h 8 dias ou 40h

9/12 22,5 dias ou 112h30min 18 dias ou 90h 13,5 dias ou 67h30min 9 dias ou 45h

10/12 25 dias ou 125h 20 dias ou 100h 15 dias ou 75h 10 dias ou 50h

11/12 27,5 dias ou 137h30min 22 dias ou 110h 16,5 dias ou 82h30min 11 dias ou 55h

12/12 30 dias ou 150h 24 dias ou 120h 18 dias ou 90h 12 dias ou 60h


Guia de Cálculos Trabalhistas 157

EXEMPLOS DE FÉRIAS COLETIVAS


Elaboramos a seguir dois exemplos de cálculos de férias coletivas de empregados.

Exemplos
a) férias coletivas inferiores ao direito adquirido:
Dados hipotéticos:
- Admissão: 05.01.2019
- Férias coletivas: 10 dias (04 a 13.11.2019)
- Faltas injustificadas ao serviço: 5
- Direito adquirido: 25 dias (10/12: 05.01.2019 a 03.11.2019)
- Início do novo período aquisitivo: 04.11.2019
- Remuneração:
- Salário = R$ 1.350,00 (mensalista)
- 10 dias de férias
- R$ 1.350,00 × 10 ÷ 30............................................................ = R$ 450,00 +
- 1/3 (CF) de R$ 450,00........................................................... = R$ 150,00
- Total bruto.................................................................................... R$ 600,00 −
- Contribuição previdenciária - 8% de R$ 600,00..... = R$ 48,00
Líquido.............................................................................................. R$ 552,00
ou
- salário = R$ 6,14 p/h (horista base 220h/mês)
- 10 dias de férias = 73h20min (7h20min × 10)
- R$ 6,14 × 73,33333..................................................................... R$ 450,00 +
- 1/3 (CF) de R$ 450,00............................................................... R$ 150,00
- Total bruto.................................................................................... R$ 600,00 −
- Contribuição previdenciária - 8% de R$ 600,00......... R$ 48,00
- Líquido........................................................................................... R$ 552,00
Nesse caso, o empregado tem um saldo favorável de 15 dias, cujo gozo deve observar o período concessivo.
Nota
Para fins de incidência do encargo previdenciário sobre as férias, o mês de competência é determinado em função do
período de seu gozo, cuja alíquota para desconto, no ano de 2019, incidiu sobre o total da remuneração mensal: valor do
período de férias gozadas no mês, com o respectivo adicional de 1/3 da CF, mais o salário devido no mês e outras parcelas
porventura pagas, que integram o salário-de-contribuição.
Lembrar que a partir de 1º.03.2020 o critério de cálculo da contribuição previdenciária a ser descontada da remuneração
do empregado sofreu alterações (Emenda Constitucional nº 103/2019), conforme já anteriormente mencionado.

b) Férias coletivas superiores ao direito adquirido:


Dados hipotéticos
- Admissão: 02.07.2019
- Férias coletivas: 15 dias (03 a 18.11.2019)
- Faltas injustificadas ao serviço: 3
158 Guia de Cálculos Trabalhistas

- Direito adquirido: 10 dias (4/12: 02.07 a 03.11.2019)


- Início do novo período aquisitivo: 04.11.2019
- Remuneração: 10 dias a título de férias proporcionais adquiridas:
- Salário = R$ 998,00 (mensalista)
- 10 dias de férias = R$ 998,00 × 10 ÷ 30........................ = R$ 332,67 +
- 1/3 (CF) de R$ 332,67........................................................... = R$ 110,89
- Total bruto.................................................................................... R$ 443,56 −
- Contribuição previdenciária − 8% de R$ 443,56..... = R$ 35,48
- Líquido........................................................................................... R$ 408,08
ou
- Salário = R$ 4,563 p/h (horista base 220h/mês)
- 10 dias de férias = 73h20min (7h20min × 10)
- R$ 4,563 × 73,33333.............................................................. = R$ 332,67 +
- 1/3 (CF) de R$ 332,67............................................................... R$ 110,89
- Total bruto.................................................................................... R$ 443,56 −
- Contribuição previdenciária − 8% de R$ 443,56..... = R$ 35,48
- Líquido........................................................................................... R$ 408,08
Nesse caso, o empregado não fez jus à remuneração de 15 dias de férias coletivas, pois as férias proporcionais
adquiridas correspondem a 10 dias. Contudo, o gozo desses 5 dias excedentes foi considerado licença remune-
rada, e paga em folha de pagamento normal, evitando-se, assim, a ocorrência de redução salarial. Observar que
sobre esses 5 dias de gozo não é devido o acréscimo constitucional de 1/3 de férias.
Portanto, 2 dias antes do início do gozo das férias proporcionais, usufruídas por ocasião da concessão de férias
coletivas, paga-se, tão somente, a remuneração correspondente a 10 dias, com 1/3 a mais.
Outrossim, desde que tenha havido expediente normal em outros setores da empresa e que sejam atendidas
as normas de concessão de férias coletivas previstas na CLT, o empregado pode regressar ao respectivo serviço
logo após o gozo dos 10 dias de férias, hipótese em que o retorno ao serviço ocorreu antes dos demais empre-
gados.

Importante
Desde 1º.03.2020, o critério de cálculo da contribuição previdenciária dos empregados foi alterado, pois a Emenda Cons-
titucional nº 103/2019 determinou em seu art. 28 que até que lei altere as alíquotas de contribuição previdenciária dos
empregados, domésticos e avulsos, as alíquotas previstas em seu caput (7,5%, 9%, 12% e 14%) serão aplicadas de forma
progressiva sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota sobre a faixa de valores compreendida nos respecti-
vos limites. A Portaria SEPRT nº 3.659/2020, divulgou a seguinte tabela de contribuição previdenciária de empregados,
domésticos e avulsos, válida a partir de março/2020.

ALIQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.045,00 7,5%
de 1.045,01 até 2.089,60 9%
de 2.089,61 até 3.134,40 12%
de 3.134,41 até 6.101,06 14%
Desta forma, a apuração da contribuição previdenciária do empregado sobre valores pagos a título de férias coletivas,
desde a mencionada data (1º.03.2020), observa os novos critérios.
Guia de Cálculos Trabalhistas 159

Exemplos de cálculos com base nos novos critérios


a) empregado recebe no total a título de férias coletivas o valor de R$ 3.200,00 (abaixo do teto máximo de contribuição),
temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 65,60, ou seja R$ 3.200,00 menos R$ 3.134,40 9,18
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 306,93

Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qualquer arre-
dondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de valores de contri-
buição apurados em cada faixa salarial.
Contribuição previdenciária total = R$ 306,93
b) empregado recebe no total a título de férias coletivas o valor R$ 6.500,00 (acima do teto máximo de contribuição),
temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 2.966,66, ou seja R$ 6.101,06 menos R$ 3.134,40 415,33
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 713,08

Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qualquer arre-
dondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de valores de contri-
buição apurados em cada faixa salarial.
Contribuição previdenciária total = R$ 713,08

CONCESSÃO EM DOIS PERÍODOS

Há duas hipóteses a considerar:

1ª hipótese: o empregado, ao gozar o 2º período de férias coletivas, conta com 12 ou mais meses
de vigência do contrato de trabalho.

Nesse caso, concede-se o 2º período de férias coletivas a título de antecipação do gozo de férias
individuais. Vale dizer que se segue rotina de concessão de férias coletivas idêntica à dos empregados
com 12 ou mais meses de vigência contratual na empresa.

2ª hipótese: o empregado, ao gozar o 2º período de férias coletivas, continua com menos de 12


meses de vigência do contrato de trabalho.

Na segunda hipótese, por ocasião do 2º período de concessão de férias coletivas, o empregado


fará jus a férias proporcionais relativas ao período iniciado no 1º dia de gozo do 1º período de férias cole-
tivas até o dia imediatamente anterior ao início do gozo relativo ao 2º período de férias coletivas.
160 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplos
I - Empregado admitido em 24.06.2019 gozou o 1º período de férias coletivas de 04 a 18.11.2019. Iniciou-se a conta-
gem de novo período aquisitivo em 04.11.2019. Em julho/2020, de 06 a 15, gozará o 2º período de férias coletivas.
Terá faltado, injustificadamente, 5 vezes ao serviço. No caso, observa-se:
1º período de gozo de férias coletivas (04 a 18.11.2019):
a) tempo de serviço: 4 meses e 11 dias (24.06 a 03.11.2019);
b) férias proporcionais: 4/12 de 30 dias = 10 dias;
c) férias coletivas: 15 dias, dos quais 10 dias são pagos como férias e 5 dias, como licença remunerada.
2º período de gozo de férias coletivas (06 a 15.07.2020):
a) tempo de vigência do contrato de trabalho: 12 meses e 12 dias (24.06.2019 a 05.07.2020);
b) férias coletivas: 10 dias, como antecipação do período aquisitivo em curso de 04.11.2019 a 03.11.2020.

INÍCIO
FÉRIAS COLETIVAS - DE NOVO FÉRIAS COLETIVAS -
ADMISSÃO
1º PERÍODO PERÍODO 2º PERÍODO
AQUISITIVO

Vigência contratual = 1 ano e 12


Gozo Férias proporcionais Gozo
dias (24.06.2019 a 05.07.2020)

Tempo de serviço = 4 meses e Período aquisitivo em curso de


11 dias (24.06 a 03.11.2019) 04.11.2019 a 03.11.2020

O gozo de férias coletivas de 06


a 15.07.2020 constitui antecipa-
4/12 de 30, 24, 18 ou 12 dias, ção de gozo relativo ao período
conforme as faltas injustifi- aquisitivo em curso de 04.11.2019
04 a 06 a
24.06.2019 cadas no período de 24.06 a 04.11.2019 a 03.11.2020. Assim, quando da
18.11.2019 15.07.2020
03.11.2019. No exemplo, 4/12 de concessão das férias relativas ao
30 dias = 10 dias citado período aquisitivo, permi-
te-se o desconto dos 10 dias de
férias coletivas.

Nesse exemplo, observar que, por ocasião da concessão de férias coletivas no 2º período (06 a 15.07.2020), não
há que se cogitar de gozo de férias proporcionais adquiridas, pois nessa data o empregado contará com mais de
12 meses de vigência do contrato de trabalho.
Assim, referido período de férias coletivas (10 dias) caracteriza apenas antecipação do aquisitivo em curso
(04.11.2019 a 03.11.2020), cujo saldo de férias a ser apurado, conforme as faltas injustificadas até 03.11.2020, deverá
ser concedido e quitado pelo empregador até 03.11.2021, sob pena de pagamento em dobro.
II - Empregado admitido em 04.08.2018 gozou o 1º período de férias coletivas de 03 a 17.11.2018. A contagem de
novo período aquisitivo iniciou-se em 03.11.2018. Em julho/2019, de 06 a 15, gozou o 2º período de férias coletivas.
Faltou, injustificadamente, 3 vezes ao serviço. Neste caso, tem-se:
1º período de gozo de férias coletivas (03 a 17.11.2018):
a) tempo de serviço: 2 meses e 30 dias (04.08 a 02.11.2018);
b) férias proporcionais: 3/12 de 30 dias = 7,5 dias;
c) férias coletivas: 15 dias, dos quais 7,5 dias são pagos como férias e 7,5 dias, como licença remunerada.
2º período de gozo de férias coletivas (06 a 15.07.2019):
a) tempo de vigência do contrato de trabalho: 11 meses e 2 dias (04.08.2018 a 05.07.2019);
b) tempo de serviço para efeito de férias proporcionais: 8 meses e 2 dias (03.11.2018 a 05.07.2019);
Guia de Cálculos Trabalhistas 161

c) férias proporcionais: 8/12 de 30 dias = 20 dias;


d) férias coletivas: 10 dias.
Visualizando o exemplo:

INÍCIO INÍCIO
FÉRIAS COLETIVAS - DE NOVO FÉRIAS COLETIVAS - DE NOVO
ADMISSÃO
1º PERÍODO PERÍODO 2º PERÍODO PERÍODO
AQUISITIVO AQUISITIVO

Gozo Férias proporcionais Gozo Férias proporcionais

Vigência contra- Aquisitivo = 8


Tempo de serviço =
tual = 11 meses e meses e 02 dias
2 meses e 30 dias
2 dias (04.08.2018 (03.11.2018 a
(04.08 a 02.11.2018)
a 05.07.2019) 05.07.2019)

3/12 de 30, 24, 18 ou


12 dias, conforme
8/12 de 30, 24, 18 ou 12 dias, conforme
as faltas injustifica-
03 a 06 a as faltas injustificadas no período de
04.08.2018 das no período de 03.11.2018 06.07.2019
17.11.2018 15.07.2019 03.11.2018 a 05.07.2019. No exemplo,
04.08 a 02.11.2018.
8/12 de 30 dias = 20 dias
No exemplo, 3/12 de
30 dias = 7,5 dias

Nessa hipótese, por ocasião da concessão do 2º período de férias coletivas (06 a 15.07.2019), o empregado con-
tinuava com menos de 12 meses de vigência do contrato de trabalho, devendo ser apuradas as férias proporcio-
nais consoante a regra da CLT, art. 140, iniciando-se, então, novo período aquisitivo a partir do 1º dia de gozo das
férias coletivas (2º período), em 06.07.2019. No caso, as férias proporcionais adquiridas correspondem a 20 dias
(8/12 de 30 dias), restando ao empregado um saldo favorável de 10 dias, que deverá ser concedido e pago pelo
empregador até 05.07.2020, ou seja, 12 meses após o 1º dia de gozo do 2º período de férias coletivas, sob pena
de pagamento em dobro.

EMPREGADOS COM 12 OU MAIS MESES DE SERVIÇO


Aos empregados cujos contratos de trabalho estejam em vigor há 12 meses ou mais, as férias co-
letivas são concedidas a título de antecipação do gozo de férias individuais, observando-se que a data
do período aquisitivo permanece inalterada.

Exemplo
a) Dados hipotéticos:
- admissão: 06.10.2018
- férias coletivas: 15 dias (04 a 18.11.2019)
- faltas injustificadas ao serviço: 4
- direito adquirido: 30 dias (06.10.2018 a 05.10.2019) = 12/12 de 30 dias
- início do novo período aquisitivo: 06.10.2018 (sem alteração)
- remuneração: o empregador opta por uma das seguintes hipóteses:
- o empregado goza integralmente o período adquirido de férias, isto é, 30 dias, retornando ao trabalho em
04.12.2019; ou
- o empregado goza apenas 15 dias concedidos a título de férias coletivas, restando-lhe um saldo favorável de 15
dias, cujo término do período de gozo deve ocorrer até 05.10.2020 (data-limite do período concessivo).
162 Guia de Cálculos Trabalhistas

Visualizando:

FÉRIAS COLETIVAS

O GOZO DE FÉRIAS
COLETIVAS, DE 04 A
18.11.2019, CONSTITUI
ADMISSÃO TÉRMINO CONCESSÃO PARCIAL TÉRMINO
INÍCIO DO
E INÍCIO DO DO 1º DE GOZO RELATIVO ÀS DO 2º
PERÍODO 2º PERÍODO
1º PERÍODO PERÍODO FÉRIAS ADQUIRIDAS DE PERÍODO
AQUISITIVO AQUISITIVO GOZO
AQUISITIVO AQUISITIVO 06.10.2018 A 05.10.2019, AQUISITIVO
EM CURSO
CUJO SALDO RESTANTE
(15 DIAS) DEVERÁ SER
QUITADO E CONCEDIDO
PELO EMPREGADOR ATÉ
05.10.2020.

06.10.2018 05.10.2019 06.10.2019 04 a 18.11.2019 05.10.2020

b) Dados hipotéticos:

- Admissão: 16.05.2015;

- Férias coletivas: 15 dias (04 a 18.11.2019);

- Faltas injustificadas ao serviço: 2;


- Férias quitadas e gozadas relativas aos seguintes períodos aquisitivos:

- 16.05.2015 a 15.05.2016;

- 16.05.2016 a 15.05.2017;

- 16.05.2017 a 15.05.2018;

- 16.05.2018 a 15.05.2019.

Período aquisitivo em curso: 16.05.2019 a 15.05.2020.

Nesse caso, a concessão do período de férias coletivas de 04 a 18.11.2019 constituiu antecipação do gozo de
férias relativas ao período aquisitivo em curso (16.05.2019 a 15.05.2020), cujo saldo de férias a ser apurado, con-
forme as faltas injustificadas até 15.05.2020, deverá ser concedido e quitado pelo empregador até 15.05.2021, sob
pena de pagamento em dobro. Assim, observa-se o quadro seguinte:

FÉRIAS COLETIVAS
INÍCIO TÉRMINO PERÍODO
PERÍODO
FÉRIAS QUITADAS E DE NOVO DO CONCESSIVO
ADMISSÃO AQUISITIVO
GOZADAS PERÍODO PERÍODO DE FÉRIAS
GOZO EM CURSO DE
AQUISITIVO AQUISITIVO NORMAIS
16.05.2019 A
15.05.2020

O gozo de férias
- 16.05.2015 a 15.05.2016 coletivas, de 04 a
18.11.2019, consti-
- 16.05.2016 a 15.05.2017; tui antecipação de 16.05.2020 a
16.05.2015 16.05.2019 04 a 18.11.2019 15.05.2020
- 16.05.2017 a 15.05.2018 gozo relativo ao pe- 15.05.2021
ríodo aquisitivo em
- 16.05.2018 a 15.05.2019 curso de 16.05.2019
a 15.05.2020.
Guia de Cálculos Trabalhistas 163

ABONO PECUNIÁRIO

A conversão de 1/3 do período de férias a que o empregado tem direito em abono pecuniário, no
caso de férias coletivas, é objeto de acordo coletivo entre o empregador e o sindicato representativo da
respectiva categoria profissional, independentemente de sua concessão por requerimento individual.
Modelo de Abono Pecuniário - Acordo Coletivo

Ilmo. Sr. _______________


Presidente do Sindicato ____________
Endereço _______________
Cidade _____________
Ref.: Acordo coletivo para pagamento de abono pecuniário em férias coletivas.
Prezado Sr.:
Nos termos da CLT, artigos 143, § 2º, e 511 e seguintes _____________ sita na ________________ solicita
(empresa) (endereço)
a participação sindical para o fim epigrafado.
Atenciosamente
___________________________________________________
carimbo e assinatura do responsável legal pela empresa

EXEMPLOS DE FÉRIAS COLETIVAS

a) Mensalistas
Na remuneração de empregado com mais de 1 ano de serviço e salário mensal de R$ 2.280,00, que recebeu 15
dias de férias coletivas em junho/2019, observou-se:
- salário mensal.................................................................................................................R$ 2.280,00
- salário/dia (R$ 2.280,00 ÷ 30)....................................................................................R$ 76,00
- remuneração:
- período de gozo (15 dias × R$ 76,00).....................................................................R$ 1.140,00 +
- 1/3 (CF/1988) de R$ 1.140,00.......................................................................................R$ 380,00
- total bruto.........................................................................................................................R$ 1.520,00 -
- contribuição previdenciária 9% de R$ 1.520,00..............................................R$ 136,80
- líquido.................................................................................................................................R$ 1.383,20
b) Horistas
Supondo-se um horista, com jornada diária de 7h 20min e salário/hora de R$ 12,00, recebeu 10 dias de férias
coletivas em junho/2019, tem-se:
- salário/hora (base de 220h/mês)............................................................................R$ 12,00
- salário/dia (7h20min, ou seja, 7,333333 × R$ 12,00).................................. =R$ 88,00
- remuneração:
- período de gozo (10 dias × R$ 88,00)................................................................ = R$ 880,00 +
- 1/3 (CF/1988) de R$ 880,00..................................................................................... = R$ 293,33
- total bruto.........................................................................................................................R$ 1 .173,33 -
- Contribuição previdenciária 11% de R$ 1.173,33 = a.......................................R$ 129,07
- líquido.................................................................................................................................R$ 1.044,26
164 Guia de Cálculos Trabalhistas

b.1) Horistas com jornada de trabalho variável


Nesse caso, apura-se a média do período aquisitivo aplicando-se ao resultado o valor do salário/hora na data da
concessão das férias (20 dias neste exemplo):
- total de horas do período aquisitivo de 12 meses, por exemplo.................. 2.160
- média aritmética (2.160 ÷ 12)......................................................................................... = 180
- salário/hora.......................................................................................................................R$ 14,00
- salário-base (R$ 14,00 × 180)................................................................................. = R$ 2.520,00
- remuneração:
- período de gozo: 20 dias × valor dia (R$ 2.520,00 ÷ 30 = R$ 84,00)..... = R$ 1.680,00 +
- 1/3 (CF/1988) de R$ 1.680,00......................................................................................R$ 560,00
- total bruto.........................................................................................................................R$ 2.240,00 -
- contribuição previdenciária 11% de R$ 2.240,00.............................................R$ 246,40
- Total......................................................................................................................................R$ 1.993,60
- Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte
Considerando que o trabalhador não tenha dependente, temos:
Remuneração total de férias + 1/3........................................................................ = R$ 2.240,00
Dedução de contribuição previdenciária......................................................... = R$ 246,40
Base cálculo do IRRF.................................................................................................. = R$ 1.993,60
- alíquota de IRRF = 7,5%........................................................................................... = R$ 149,52
- parcela a deduzir....................................................................................................... = R$ 142,80
- valor de retenção do IRRR..................................................................................... = R$ 6,72
Líquido a receber......................................................................................................... = R$ 1.986,88
c) Tarefeiro - Coletivas em 2019
Toma-se por base a média da produção no período aquisitivo de direito a férias, aplicando-se ao resultado o
valor da remuneração da tarefa na data da concessão das férias:
- total das tarefas no período aquisitivo de 12 meses, por exemplo............. 9.600
- média aritmética (9.600 ÷ 12)........................................................................................ = 800
- remuneração atual da tarefa....................................................................................R$ 4,00
- férias coletivas..................................................................................................................... 20 dias
- remuneração:
- R$ 4,00 × 800 ÷ 30.................................................................................................... = R$ 106,67
=> R$ 106,67 × 20.......................................................................................................... = R$ 2.133,40+
- 1/3 (CF/1988) de R$ 2.133,40................................................................................... = R$ 711,13
- total bruto.........................................................................................................................R$ 2.844,53
- contribuição previdenciária 11% de R$ 2.844,53......................................... = R$ 312,90
- Total......................................................................................................................................R$ 2.531,63
- Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte
Guia de Cálculos Trabalhistas 165

Considerando que o trabalhador não tenha dependente, temos:


Remuneração total de férias + 1/3........................................................................ = R$ 2.844,53
Dedução de contribuição previdenciária......................................................... = R$ 312,90
Base cálculo do IRRF.................................................................................................. = R$ 2.531,63
- alíquota de IRRF = 7,5%........................................................................................... = R$ 189,87
- parcela a deduzir....................................................................................................... = R$ 142,80
- valor de retenção do IRRR..................................................................................... = R$ 47,07
Líquido a receber......................................................................................................... = R$ 2.484,56
d) Comissão
Apura-se a média percebida pelo empregado nos 12 meses que precederem à concessão das férias.
Assim, no caso de empregado comissionista, sem parte fixa, que gozou férias coletivas de 15 dias (04 a 18.11.2019)
relativas ao período aquisitivo de 05.05.2018 a 04.05.2019, tem-se:
- férias coletivas..................................................................................................................... 15 dias
- média das comissões de 11/2018 a 10/2019.......................................................R$ 2.500,00
- remuneração:
R$ 2.500,00 × 15 ÷ 30................................................................................................... = R$ 1.250,00 +
- 1/3 (CF/1988) de R$ 1.250,00.................................................................................. = R$ 416,67
- total bruto.........................................................................................................................R$ 1.666,67
- contribuição previdenciária 9% de R$ 1.666,67........................................... = R$ 150,00
- líquido.................................................................................................................................R$ 1.516,67
- IR: isento.
Sendo misto o salário, comissões e fixo, por exemplo, à média do variável soma-se o fixo da época de gozo das
férias, proporcional ao período concedido de férias coletivas.

Importante
A Emenda Constitucional nº 103/2019 estabeleceu em seu art. 28 que até que lei altere as alíquotas de contribuição
previdenciária dos empregados, domésticos e avulsos, as alíquotas previstas em seu caput (7,5%, 9%, 12% e 14%) serão
aplicadas de forma progressiva sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota sobre a faixa de valores com-
preendida nos respectivos limites. Esta determinação é aplicada a partir de competência março/2020.
A Portaria SEPRT nº 3.659/2020, divulgou a seguinte tabela de contribuição previdenciária de empregados, domésticos
e avulsos a ser observada a partir de março/2020.

ALIQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.045,00 7,5%
de 1.045,01 até 2.089,60 9%
de 2.089,61 até 3.134,40 12%
de 3.134,41 até 6.101,06 14%

Assim sendo, o cálculo da contribuição previdenciária aplicada sobre férias coletivas concedidas
a partir de 1º.03.2020, observará esta tabela.
166 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplo
Considerando que a remuneração total a título de férias coletivas (férias + terço constitucional) seja de R$
6.500,00, temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 2.966,66, ou seja R$ 6.101,06 menos R$ 3.134,40 415,33
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 713,08

Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qual-
quer arredondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de
valores de contribuição apurados em cada faixa salarial.

Dicas do eSocial
No eSocial, as informações relativas às férias (vencidas, simples, em dobro, proporcionais, indenizadas, abono pecuniá-
rio, terço constitucional, incidências, etc.) serão lançadas em eventos, tais como: S-1010 - Tabela de Rubricas, S-1200 -
Remuneração de Trabalhador vinculado ao Regime Geral de Previdência Social e S-2230 - Afastamento Temporário.
Na simplificação do eSocial, a ser implantada em futuro próximo, está previsto que será criada uma tabela de rubrica
padrão com as incidências aplicáveis em cada uma. Se a empresa adotar a tabela padrão ficará dispensada de enviar o
evento S-1010 - Tabela de Rubricas.
CAPÍTULO VI
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO

A gratificação natalina, devida a todos os empregados urbanos, rurais e domésticos, é paga em


duas parcelas; a primeira, entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, e a segunda, até 20 de
dezembro. Seu valor corresponde a 1/12 da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço do
ano correspondente, considerando-se mês integral a fração igual ou superior a 15 dias de trabalho, no
mês civil.

Lembre-se de que a Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram
desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT para determinar, entre outras disposições, que constitui ob-
jeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e convenção) a supressão ou redução do valor
nominal do 13º salário.

A base de cálculo da gratificação natalina é a remuneração integral ou o valor da aposentadoria.

Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário


devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
Ao salário integram-se: importância fixa estipulada, as comissões pagas pelo empregador, as gratifica-
ções legais. Os adicionais por trabalho insalubre e perigoso, bem como o salário-utilidade, também o
integram para esse efeito.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alterou os arts. 457 e 458
da CLT para determinar que as verbas elencadas a seguir, mesmo quando pagas com habitualidade, não integram a re-
muneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de encargo
trabalhista e previdenciário:
a) ajuda de custo;
b) auxílio-alimentação (vedado o pagamento em dinheiro);
c) diárias para viagem (independentemente do valor);
d) prêmios;
e) abonos
f) assistência médica ou odontológica (própria ou conveniada);
g) reembolso de despesas médico-hospitalares, com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses
e outras similares.

Para efeito de pagamento e cálculo do valor da gratificação de natal, é necessário apurar, mês a
mês, as faltas não justificadas pelo empregado, a fim de verificar se houve pelo menos 15 dias de trabalho.

Assim, para cada mês, restando um saldo de, no mínimo, 15 dias após o desconto das faltas injus-
tificadas nos respectivos meses, assegura-se ao empregado o recebimento de 1/12 de 13º salário.

Ressalte-se que as faltas legais e justificadas ao serviço não são computadas a esse efeito.

Os dias de repouso (Repouso/Descanso Semanal Remunerado) que eventualmente não tiverem


sido pagos ao empregado durante o ano, em decorrência de falta injustificada durante a semana ou
168 Guia de Cálculos Trabalhistas

punição disciplinar, não poderão ser computados para efeito da contagem dos 15 dias trabalhados no
mês para o empregado fazer jus a 1/12 de 13º salário proporcional por mês de serviço, ou seja, não di-
minuirá a contagem da proporcionalidade a que o empregado tiver direito. Esse critério é adotado para
não haver a ocorrência de dupla penalidade ao empregado, ou seja, uma vez, por ocasião do desconto
dos repousos durante o ano e outra vez, para fins de diminuir a contagem da proporcionalidade de 13º
salário.

Não se consideram faltas ao serviço para fins de apuração do 13º salário as seguintes ausências:

I - até 2 dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão;


II - até 3 dias consecutivos, em virtude de casamento;
III - em geral, por 5 dias, enquanto não for fixado outro prazo em lei, como licença-paternidade;
Nota
Segundo entendimento predominante, a licença-paternidade tem duração de 5 dias corridos. Todavia, o Secretário de
Relações de Trabalho, ao dispor que a referida licença deve ser entendida como ampliação da falta legal por motivo de
nascimento de filho, de 1 para 5 dias (CLT, art. 473, III), está se referindo a dias úteis.
Lembra-se que o documento coletivo de trabalho da respectiva categoria profissional deverá ser consultado para fins de
certificação da existência ou não de cláusula específica sobre o assunto.

IV - por 1 dia, em cada 12 meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamente
comprovada;

V - até 2 dias consecutivos ou não, para fins de alistamento eleitoral, nos termos da lei respectiva;

VI - no período de tempo em que tiver de cumprir as exigências do serviço militar referidas na Lei
nº 4.375/1964, art. 65, “c” (Lei do Serviço Militar);

VII - nos dias em que estiver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingresso
em estabelecimento de ensino superior;

VIII - pelo tempo que se fizer necessário, quando tiver de comparecer a juízo;

IX - pelo tempo que se fizer necessário, quando, na qualidade de representante de entidade sin-
dical, estiver participando de reunião oficial de organismo internacional do qual o Brasil seja membro;

X - até 2 dias para acompanhar consultas médicas e exames complementares durante o período
de gravidez de sua esposa ou companheira;

XI - por 1 dia por ano para acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica;

XII - durante o licenciamento compulsório da empregada por motivo de maternidade ou aborto


não criminoso e de adoção ou guarda judicial de criança, para fins de adoção, observados os requisitos
da legislação previdenciária para a percepção do benefício de salário-maternidade;

XIII - justificadas pela empresa, assim entendidas as que não tiverem determinado o desconto do
correspondente salário;

XIV - durante a suspensão preventiva para responder a inquérito administrativo ou de prisão pre-
ventiva, quando for impronunciado ou absolvido;

XV - o comparecimento para depor como testemunha, quando devidamente arrolado ou convocado;

XVI - o comparecimento como parte à Justiça do Trabalho;


Guia de Cálculos Trabalhistas 169

XVII - para servir como jurado no Tribunal do Júri;

XVIII - o afastamento por doença ou acidente do trabalho, nos 15 primeiros dias pagos pela empre-
sa mediante comprovação, observada a legislação previdenciária;

XIX - a convocação para serviço eleitoral;

XX - por greve, desde que tenha havido acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do
Trabalho que disponha sobre a manutenção dos direitos trabalhistas aos grevistas durante a paralisação
das atividades;

XXI - o período de frequência em curso de aprendizagem;

XXII - para o(a) professor(a), por 9 dias, em consequência de casamento ou falecimento de cônjuge,
pai, mãe ou filho;

XXIII - dos representantes dos trabalhadores em atividade, decorrentes das atuações do Conselho
Nacional de Previdência Social (CNPS), as quais são computadas como jornada efetivamente trabalha-
da para todos os fins e efeitos legais;

XXIV - o período de férias, que, inclusive, é computado para todos os efeitos como tempo de serviço;

XXV - dos representantes dos trabalhadores no Conselho Curador do FGTS, decorrentes das ati-
vidades desse órgão, que serão abonadas, computando-se como jornada efetivamente trabalhada para
todos os fins e efeitos legais;

XXVI - o período de afastamento do representante dos empregados quando convocado para atuar
como conciliador nas Comissões de Conciliação Prévia, sendo computado como tempo de trabalho
efetivo o despendido nessa atividade;

XXVII - atrasos decorrentes de acidentes de transporte, comprovados mediante atestado da em-


presa concessionária;

XXVIII - a dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de, no mínimo,
6 consultas médicas e demais exames complementares durante a gravidez;

XXIX - por motivo de acidente do trabalho ou enfermidade atestado pelo INSS;

XXX - nos dias em que não tenha havido serviço;

XXXI - até 3 dias (em cada 12 meses de trabalho) para realização de exames preventivos de câncer
devidamente comprovada;

XXXII - outros motivos previstos em acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho da entida-
de sindical representativa da categoria profissional.

1ª PARCELA

Pagamento - Prazo

O pagamento da 1ª parcela do 13º salário deve ser efetuado até o dia 30 de novembro, salvo se o
empregado já o recebeu por ocasião das férias.

Nota
O adiantamento é efetuado ao ensejo das férias, se requerido pelo empregado no mês de janeiro do correspondente ano.
170 Guia de Cálculos Trabalhistas

Valor

Admissão até 17 de janeiro, inclusive

Para os empregados admitidos até o dia 17 de janeiro, portanto, com direito ao 13º salário integral,
o valor da 1ª parcela corresponderá à metade da remuneração relativa ao mês anterior ao pagamento
da gratificação.

Exemplos
a) mensalistas, horistas e diaristas:
Metade do salário contratual percebido no mês anterior.
1 - mensalistas com salário de R$ 2.530,00 percebem R$ 1.265,00, ou seja:
R$ 2.530,00 = R$ 1.265,00
2
2 - Horista com salário de R$ 20,00 faz jus à metade de 220 horas (contratadas à base de 220 h mensais):
R$ 20,00 × 220 = R$ 2.200,00
2
3 - Diaristas com salário de R$ 200,00 recebem metade de 30 diárias:
R$ 200,00 × 30 = R$ 3.000,00
2
b) Salário variável
Metade da média mensal até o mês de outubro, aos que percebem salário variável (comissionistas, tarefeiros,
contratistas e modalidades semelhantes).
No caso de salário variável sem parte fixa, somam-se as parcelas percebidas mensalmente, divide-se o total
pelo número de meses trabalhados, encontrando-se a média mensal. A 1ª parcela do 13º salário corresponde à
metade dessa média mensal.
Comissionista
Empregado comissionista puro (sem parte fixa) recebeu, de janeiro a outubro/2019:

2019 COMISSÕES AUFERIDAS (R$)


Janeiro 3.700,00
Fevereiro 3.400,00
Março 2.700,00
Abril 2.200,00
Maio 2.500,00
Junho 2.800,00
Julho 2.300,00
Agosto 2.600,00
Setembro 2.500,00
Outubro 2.700,00
Total 27.400,00
Guia de Cálculos Trabalhistas 171

Apuração do reflexo das comissões sobre o RSR


Para apurar o RSR sobre comissões divide-se o total das comissões auferidas no mês pelo nº de dias úteis do
mês e o resultado será multiplicado pelo nº de domingos e feriados respectivos.

Nota
Há quem entenda que o total das comissões deve ser divido pelo nº de dias efetivamente trabalhados e não pelo nº de
dias úteis do mês.

Janeiro: R$ 3.700,00 × 5 = R$ 711,55


26
Fevereiro: R$ 3.400,00 × 4 = R$ 566,68
24
Março: R$ 2.700,00 × 5 = R$ 519,23
26
Abril: R$ 2.200,00 × 5 = R$ 440,00
26
Maio: R$ 2.500,00 × 5 = R$ 480,75
26
Junho: R$ 2.800,00 × 5 = R$ 560,00
25
Julho: R$ 2.300,00 × 4 = R$ 340,74
27
Agosto: R$ 2.600,00 × 4 = R$ 385,20
27
Setembro: R$ 2.500,00 × 6 = R$ 625,00
24
Outubro: R$ 2.700,00 × 5 = R$ 519,23
26

Total R$ 5.148,38 (valor total do reflexo das comissões sobre RSR nos meses de Janeiro a outubro/2019)
Média mensal
R$ 27.400,00 + R$ 5.148,38 = R$ 32.548,38 ÷ 10 = R$ 3.254,84
Cálculo da 1ª parcela do 13º salário:
R$ 3.254,84 = R$ 1.627,42
2

Nota
Verificar se há cláusula de acordo, convenção coletiva de trabalho da respectiva categoria profissional ou sentença
normativa que estabeleça critério de cálculo diverso, tal como período reduzido (meses) de comissões auferidas para
apuração da média, e/ou indexador de atualização.

Tarefeiro (pecista)
Empregado tarefeiro produziu 1.000 peças de janeiro a outubro/2019, com a média mensal de produção de 100
peças.
172 Guia de Cálculos Trabalhistas

Supondo-se que o salário/peça seja de R$ 17,00 em outubro/2019, temos:

2019 PEÇAS PRODUZIDAS


Janeiro 80
Fevereiro 100
Março 70
Abril 130
Maio 120
Junho 110
Julho 90
Agosto 110
Setembro 90
Outubro 100
Total 1.000

Média mensal das peças = 100 (1.000 ÷ 10)


Valor da média mensal = R$ 1.700,00 (R$ 17,00 × 100)
Apuração do reflexo das peças sobre o RSR
Para apurar o RSR sobre peças executadas durante o mês, multiplica-se o nº de peças pelo valor desta, o resul-
tado divide-se pelo nº de dias de efetivo trabalho no mês. O valor obtido será multiplicado pelo nº de domingos
e feriados do mês.
Considerando que o empregado não trabalhe nos sábados (dias livres).
Janeiro: 80 × R$ 17,00 × 5 = R$ 309,10
22
Fevereiro: 100 × R$ 17,00 × 4 = R$ 340,00
20
Março: 70 × R$ 17,00 × 5 = R$ 283,35
21
Abril: 130 × R$ 17,00 × 5 = R$ 526,19
21
Maio: 120 × R$ 17,00 × 5 = R$ 463,64
22
Junho: 110 × R$ 17,00 × 5 = R$ 467,50
20
Julho 90 × R$ 17,00 × 4 = R$ 332,61
23
Agosto: 110 × R$ 17,00 × 4 = R$ 340,00
22
Setembro: 90 × R$ 17,00 × 6 = R$ 442,00
21
Outubro: 100 × R$ 17,00 × 5 = R$ 369,57
23
Total R$ 3.873,96 (valor total do reflexo das peças sobre RSR nos meses de Janeiro a outubro/2019)
Média mensal do reflexo no DSR = R$ 387,40 (R$ 3.873,96 ÷ 10)
Média total mensal = R$ 2.087,40 (R$ 1.700,00 + R$ 387,40)
Guia de Cálculos Trabalhistas 173

Assim, temos:
R$ 2.087,40 = R$ 1.043,70
2
Salário misto
No caso de salário misto (fixo + variável), apura-se a média mensal da parte variável e adiciona-se o salário fixo
contratual vigente no mês anterior ao pagamento. Logo, para um fixo de R$ 1.070,00 e comissões + RSR, de ja-
neiro a outubro/2019, no montante de R$ 44.000,00, temos:
=> R$ 44.000,00 ÷ 10 = R$ 4.400,00 =>
=> R$ 4.400,00 + R$ 1.070,00 = R$ 5.470,00 =>
=> R$ 5.470,00 = R$ 2.735,00 (1ª parcela)
2
Deve ser considerado o salário ou a parte fixa dos salários mistos do mês anterior ao do pagamento e não a
média de janeiro a outubro. A média só é utilizada para apuração da parte variável ou da produção.
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

Admissão após 17 de janeiro


Os empregados admitidos após 17 de janeiro não tem direito ao 13º salário integral, assim, será
computado o período posterior à admissão do empregado, atribuindo-se metade de 1/12 da remuneração
mensal percebida ou apurada por mês de serviço ou fração igual ou superior a 15 dias dentro do mês civil.

Exemplos
Mensalista
Empregado admitido em 15.04.2019 com salário de R$ 4.800,00, mantido em outubro, recebeu a 1ª parcela de
R$ 1.400,00, isto porque:
=> R$ 4.800,00 = R$ 400,00 (valor de 1/12) =>
12
=> R$ 400,00 × 7 (nº de meses de serviço até outubro) = R$ 2.800,00 =>
=> R$ 2.800,00 = R$ 1.400,00
2

Comissionista (sem parte fixa)


Exemplo de empregado admitido em 1º de agosto de 2019:
Comissões pagas:
- agosto.........................................R$ 3.700,00
- setembro................................... R$ 3.400,00 +
- outubro........................................R$ 3.800,00
- total...............................................R$ 1 0.900,00
Média das comissões: R$ 10.900,00 ÷ 3 = R$ 3.633,33

Reflexo das comissões sobre o RSR


Agosto: R$ 3.700,00 × 4 = R$ 548,16
27
Setembro: R$ 3.400,00 × 6 = R$ 850,00
24
174 Guia de Cálculos Trabalhistas

Outubro: R$ 3.800,00 × 5 = R$ 730,77


26
Total R$ 2.128,93
Média mensal = R$ 709,64 (R$ 2.128,93 ÷ 3)
Média mensal total = R$ 4.342,97 (R$ 3.633,33 + R$ 709,64)
Cálculo de 1/12:
R$ 4.342,97 = R$ 361,91
12
Cálculo da 1ª parcela:
R$ 361,91 × 3 = R$ 542,87
2
Na hipótese de fixo e variável, apura-se a média mensal da parte variável, que se adiciona ao salário fixo do mês
anterior ao pagamento.
Pecista (tarefeiro)
Empregado admitido em 1º de agosto produziu nos meses de:
Agosto = 1.000 peças
Setembro = 1.200 peças
Outubro = 1.300 peças
Total = 3.500 peças
O salário/peça em outubro é R$ 9,00. Considerando que o empregado não trabalhe nos sábados (dias livres).
Assim, temos:
Média salarial:
R$ 3.500 × R$ 9,00 = R$ 10.500,00
3
Reflexo no RSR
Agosto: 1.000 × R$ 9,00 × 4 = R$ 1.636,36
22
Setembro: 1.200 × R$ 9,00 × 6 = R$ 3.085,71
21
Outubro: 1.300 × R$ 9,00 × 5 = R$ 2.543,48
23
Total R$ 7.265,56
Média do reflexo sobre RSR = R$ 2.421,85 (R$ 7.265,56 ÷ 3)
Média mensal total = R$ 12.921,85 (R$ 10.500,00 + R$ 2.421,85)
Cálculo de 1/12: R$ 12.921,85 ÷ 12 = R$ 1.076,82
Cálculo da 1ª parcela:
R$ 1.076,82 × 3 (nº de meses de serviço até outubro) = R$ 1.615,23
2
Nota
Há os que consideram o mês de novembro na contagem proporcional do tempo de serviço, para pagamento da 1ª
parcela do 13º salário aos admitidos após 17 de janeiro e com menos de 1 ano na empresa. Assim, o adiantamento seria
calculado computando-se os avos proporcionais de tempo de serviço até novembro, desde que o empregado já tenha
trabalhado, no mínimo, 15 dias naquele mês. Entretanto, como a Lei nº 4.749/1965, no art. 2º, determina o adiantamento
do 13º salário na importância correspondente à metade do salário do mês anterior (base de cálculo), entende-se que a
contagem dos avos proporcionais também deve ir até aquele mês; portanto, até outubro.
Guia de Cálculos Trabalhistas 175

Encargos sociais
• Contribuição previdenciária - Sobre a 1ª parcela do 13º salário não haverá incidência da contri-
buição previdenciária.

• IRRF - Não incide Imposto de Renda Retido na Fonte.

• FGTS - O depósito é efetuado até o dia 07 do mês seguinte àquele em que for paga ou devida a
1ª parcela.

2ª PARCELA
O pagamento da 2ª parcela do 13º salário deve ser efetuado até o dia 20 de dezembro, tendo por
base de cálculo a remuneração correspondente a este mês, deduzindo-se, após o desconto dos encar-
gos legais incidentes, o valor pago referente à 1ª parcela.

A 2ª parcela, que totaliza o 13º salário, corresponde a um salário mensal de dezembro para os men-
salistas, horistas e diaristas, admitidos até 17 de janeiro.

Exemplos
a) mensalista
Empregado mensalista, com salário de R$ 1.800,00 em outubro, recebe a 1ª parcela do 13º salário em novembro.
Qual o valor bruto da 2ª parcela, sabendo-se que o salário vigente em dezembro ficou mantido em R$ 1.800,00?
- remuneração em dezembro = R$ 1.800,00
- 13º salário integral = R$ 1.800,00
- 1ª parcela percebida = R$ 900,00
- 2ª parcela a receber:
=> R$ 1.800,00 − R$ 900,00 = R$ 900,00
b) horista (base: 220h mensais)
Empregado horista recebe a 1ª parcela do 13º salário em maio, por ocasião de suas férias, com salário/hora de R$
10,00 em abril. Qual o valor bruto da 2ª parcela, quando o salário/hora em dezembro é R$ 12,00?
1ª Parcela
- salário/hora em abril = R$10,00
- remuneração/base (R$ 10,00 × 220) = R$ 2.200,00

- 1ª parcela em abril R$ 10,00 × 220 = R$ 1.100,00

2
2ª Parcela
- salário/hora em dezembro = R$ 12,00
- 13º salário integral (R$ 12,00 × 220) = R$ 2.640,00
- 2ª parcela (R$ 2.640,00 - R$ 1.100,00 => 1ª parcela) = R$ 1.540,00
c) diarista
Empregado diarista recebe a 1ª parcela do 13º salário por ocasião das férias em abril, à razão da remuneração de
R$ 170,00 diários vigentes em março. Em dezembro passa a R$ 190,00 diários. Qual o valor bruto da 2ª parcela?
176 Guia de Cálculos Trabalhistas

1ª Parcela
- salário/dia em março = R$ 170,00
- 1ª parcela em abril => R$ 170,00 × 30 = R$ 2.550,00
2
2ª Parcela
- salário/dia em dezembro = R$ 190,00
- 13º salário integral (R$ 190,00 × 30) = R$ 5.700,00
- 2ª parcela (R$ 5.700,00 - R$ 2.550,00 => 1ª parcela) = R$ 3.150,00
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

SALÁRIO VARIÁVEL

Para os que recebem remuneração essencialmente variável (comissões, tarefas, etc.) apura-se a
média mensal das importâncias percebidas de janeiro a novembro.

Aos que auferem salário misto (fixo mais variável) apura-se a média da parte variável percebida de
janeiro a novembro, a qual será adicionada ao fixo vigente no mês de dezembro.

Em resumo, para apurar a remuneração integral mensal, em todos os casos, usa-se critério idên-
tico ao utilizado na apuração da remuneração integral mensal para pagamento da 1ª parcela: somar o
salário fixo de dezembro à média da parte variável de janeiro a novembro ou da admissão a novembro.

Exemplos
a) Comissionista
I - empregado percebe comissões de janeiro a novembro à média mensal de R$ 3.100,00 (já incluído o valor da
integração dos RSR). A parte fixa é de R$ 1.800,00 e o 13º salário, R$ 4.900,00 (R$ 1.800,00 + R$ 3.100,00), menos
a quantia eventualmente recebida como 1ª parcela e sujeita a acerto até 10 de janeiro do ano seguinte (*), em
decorrência das comissões percebidas em dezembro.
II - empregado comissionista recebe comissões de janeiro a junho no valor de R$ 9.600,00 (já incluído o valor da
integração dos RSR). O salário fixo na época era R$ 1.500,00. Recebe a 1ª parcela do 13º salário, por ocasião das
férias, em julho.
Nesse caso, temos:
1ª Parcela
- total das comissões de janeiro a junho = R$ 9.600,00
- média mensal das comissões (R$ 9.600,00 ÷ 6) = R$ 1.600,00
- 1ª parcela => (R$ 1.500,00 + R$ 1.600,00) ÷ 2 = R$ 1.550,00
2ª Parcela
Sabendo-se que de julho a novembro recebe mais R$ 16.000,00 de comissões e um fixo de R$ 1.600,00, tem-se:
- total das comissões de janeiro a novembro =>
=> R$ 9.600,00 + R$ 16.000,00 = R$ 25.600,00
- média mensal (R$ 25.600,00 ÷ 11) = R$ 2.327,27 − 2ª parcela (R$ 2.327,27 + R$ 1.600,00 − R$ 1.550,00 => 1ª parcela)
=> R$ 2.377,27
Guia de Cálculos Trabalhistas 177

Em dezembro o empregado recebe R$ 6.000,00 de comissões, mantendo-se o fixo em R$ 1.600,00. Refaz-se o


cálculo, da seguinte forma:
- total das comissões de janeiro a dezembro =>
=> R$ 9.600,00 + R$ 16.000,00 + R$ 6.000,00 = R$ 31.600,00
- média mensal (R$ 31.600,00 ÷ 12) = R$ 2.633,33
- 13º salário integral (R$ 2.633,33 + R$ 1.600,00) = R$ 4.233,33
- 1ª + 2ª parcelas (R$ 1.550,00 + R$ 2.377,27) = R$ 3.927,27
- valor a favor do empregado (R$ 4.233,33 - R$ 3.927,27) = R$ 306,06 (*)
(*) Há quem entenda que o pagamento da diferença do 13º salário deve ser efetuado até o 5º dia útil de janeiro
do ano seguinte, com base no art. 459 da CLT, e não até 10 de janeiro.
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

EMPREGADOS COM MENOS DE 1 ANO DE SERVIÇO - EXEMPLOS

a) empregado admitido em 13 de julho recebe a 1ª parcela do 13º salário em novembro, baseada na remuneração
de R$ 4.200,00 mensais (salário de outubro). Em dezembro passa a R$ 4.700,00 mensais.

1ª Parcela
- salário mensal em outubro = R$ 4.200,00
R$ 1.400,00 ÷ 2 = R$ 700,00
- 1ª parcela (4/12 de R$ 4.200,00) =>
=> R$ 4.200,00 × 4 = R$ 1.400,00 =>
12
=> (R$ 1.400,00 ÷ 2) = R$ 700,00

2ª Parcela
- salário mensal em dezembro = R$ 4.700,00
- 2ª parcela (6/12 de R$ 4.700,00) =>
=> R$ 4.700,00 × 6 = R$ 2.350,00 =>
12
=> (R$ 2.350,00 − R$ 700,00) = R$ 1.650,00
b) empregado admitido em 21 de setembro recebe a 1ª parcela do 13º salário em novembro, com salário/hora de
R$ 28,00 em outubro, que em dezembro passa a R$ 30,00.

1ª Parcela
- salário/hora em outubro = R$ 28,00
- remuneração/base (R$ 28,00 × 220) = R$ 6.160,00
- 1ª parcela (1/12 de R$ 6.160,00) =>
=> R$ 6.160,00 × 1 = R$ 513,33 =>
12
=> (R$ 513,33 ÷ 2) = R$ 256,67
178 Guia de Cálculos Trabalhistas

2ª Parcela
- salário/hora = R$ 30,00
- remuneração/base em dezembro (R$ 30,00 × 220) = R$ 6.600,00
- 2ª parcela (3/12 de R$ 6.600,00) =>
=> R$ 6.600,00 × 3 = R$ 1.650,00
12
=> (R$ 1.650,00 − R$ 256,67) = R$ 1.393,33
c) empregado admitido em 10 de agosto produziu 990 tarefas até outubro. A tarefa vigente em outubro, por oca-
sião do pagamento da 1ª parcela, foi de R$ 27,00, passando a R$ 29,00 em novembro.
1ª Parcela
- produção de agosto a outubro = 990
- média mensal (990 ÷ 3) = 330
- remuneração/base (330 × R$ 27,00) = R$ 8.910,00
Reflexo no RSR
Agosto: 300 × R$ 27,00 × 4 = R$ 1.472,72
22
Setembro: 350 × R$ 27,00 × 6 = R$ 2.700,00
21
Outubro: 340 × R$ 27,00 × 5 = R$ 1.995,65
23
Total R$ 6.168,37
Média do reflexo sobre RSR = R$ 2.056,12 (R$ 6.168,37 ÷ 3)
Média mensal total = R$ 10.966,12 (R$ 8.910,00 + R$ 2.056,12)
- 1ª parcela (3/12 de R$ 10.966,12) =>
=> R$ 10.966,12 × 3 = R$ 2.741,53
12
=> (R$ 2.741,53 ÷ 2) = R$ 1.370,77
2ª Parcela
Em novembro o empregado produziu 410 tarefas, o pagamento da 2ª parcela observou:
- produção de agosto a novembro (990 + 410) = 1.400
- média mensal (1.400 ÷ 4) = 350
- remuneração/base (350 × R$ 29,00) = R$ 10.150,00
Reflexo no RSR
Novembro: 410 × R$ 29,00 × 6 = R$ 3.567,00
20
Média do reflexo sobre RSR = R$ 2.433,84 (R$ 9.735,37 ÷ 4)
Média mensal total = R$ 12.583,84 (R$ 10.150,00 + R$ 2.433,84)
- 2ª parcela (5/12 de R$ 12.583,84) =>
=> R$ 12.583,84 × 5 = R$ 5.243,27
12
=> (R$ 5.243,27 - R$ 1.370,77) = R$ 3.872,50
Guia de Cálculos Trabalhistas 179

Considerando-se que em dezembro o empregado produziu 150 tarefas, observamos:


- produção de agosto a dezembro (990 + 410 + 150) = 1.550
- média mensal (1.550 ÷ 5) = 310
- remuneração/base em dezembro (310 × R$ 29,00) = R$ 8.990,00
Reflexo no RSR
Dezembro: 310 × R$ 29,00 × 6 = R$ 2.568,57
21
Média do reflexo sobre RSR = R$ 2.460,79 (R$ 12.303,94 ÷ 5)
Média mensal total = R$ 11.450,79 (R$ 8.990,00 + R$ 2.460,79)
- 13º salário proporcional (5/12 de R$ 11.450,79) =>
=> R$ 11.450,79 × 5 = R$ 4.771,16 =>
12
- 1ª + 2ª parcelas
(R$ 1.370,77 + R$ 3.872,50 = R$ 5.243,27
- valor a favor da empresa
(R$ 5.243,27 - R$ 4.771,16) = R$ 472,11 (*)
(*) Por ocasião do acerto até o 5º dia útil de janeiro do ano seguinte coube à empresa o desconto de R$ 472,11.
d) empregado comissionista admitido em 14 de julho recebeu a 1ª parcela do 13º salário em novembro. Percebeu
as seguintes comissões (já incluído o valor da integração dos RSR):
2019 COMISSÕES AUFERIDAS (R$)
Julho 3.600,00
Agosto 3.700,00
Setembro 3.100,00
Outubro 3.900,00
Total 14.300,00

1ª Parcela
- média mensal (R$ 14.300,00 ÷ 4) = R$ 3.575,00
- 1ª parcela (4/12 de R$ 3.575,00) =>
=> R$ 3.575,00 × 4 = R$ 1.191,67 =>
12
=> (R$ 1.191,67 ÷ 2) = R$ 595,83
2ª Parcela
Admitindo-se que em novembro o empregado recebeu R$ 4.400,00 de comissões, observou-se:
- total das comissões de julho a novembro =>
=> (R$ 14.300,00 + R$ 4.400,00) = R$ 18.700,00
- média mensal (R$ 18.700,00 ÷ 5) = R$ 3.740,00
- 2ª parcela (6/12 de R$ 3.740,00) =>
=> R$ 3.740,00 × 6 = R$ 1.870,00 =>
12
=> (R$ 1.870,00 - R$ 595,83) = R$ 1.274,17
180 Guia de Cálculos Trabalhistas

Considerando-se que o empregado recebeu R$ 5.600,00 de comissões em dezembro, o acerto observou:


- total das comissões de julho a dezembro =>
=> (R$ 14.300,00 + R$ 4.400,00 + R$ 5.600,00) = R$ 24.300,00
- média mensal (R$ 24.300,00 ÷ 6) = R$ 4.050,00
- 13º salário proporcional
(6/12 de R$ 4.050,00)
=> R$ 4.050,00 × 6 = R$ 2.025,00 =>
12
- 1ª + 2ª parcelas
(R$ 595,83 + R$ 1.274,17) = R$ 1.870,00
- valor a favor do empregado
(R$ 2.025,00 - R$ 1.870,00) = R$ 155,00 (*)
(*) Acerto até o 5º dia útil de janeiro do ano seguinte.
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

SALÁRIO VARIÁVEL - DIFERENÇA - AJUSTE


Até 20 de dezembro, nem sempre é possível saber quanto ganharão, neste mês, os empregados
que trabalham por tarefa, produção, comissão e outras modalidades semelhantes de salários variáveis.
Nesse caso, computada a parcela variável do mês de dezembro, o cálculo da gratificação deve
ser revisto, acertando-se a diferença, se houver. O resultado pode ser a favor do empregado ou da em-
presa. Havendo diferença favorável ao empregado, o prazo para o seu pagamento é até o 5º dia útil do
mês subsequente. Na contagem dos dias úteis, inclui-se o sábado e excluem-se o domingo e o feriado,
inclusive o municipal.
Não obstante as considerações anteriormente descritas, depreende-se que, caso a empresa te-
nha, efetiva e comprovadamente, o conhecimento antecipado do total da parte variável (comissões, por
exemplo) a que o empregado fará jus até o dia 31.12 (último dia do ano), poderá, então, apurar e pagar a
ele o respectivo 13º salário integral que for devido no próprio ano. Nessa hipótese, portanto, uma vez qui-
tada integralmente a gratificação a que o empregado tiver direito no mesmo ano, não haverá qualquer
acerto de diferença a ser efetuado em janeiro do ano seguinte.
Exemplos
Levando-se em consideração os comentários anteriores, os exemplos a seguir demonstram o critério de cálculo
para apuração de eventuais diferenças.
1ª Hipótese: de janeiro a novembro, a parte variável somou R$ 19.580,00, acusando uma média mensal de R$
1.780,00 (R$ 19.580,00 ÷ 11), que somada ao fixo de R$ 1.400,00 perfaz R$ 3.180,00 (valor do 13º salário a ser pago
até 20 de dezembro).
No mês de dezembro, o fixo permanece em R$ 1.400,00, mas as comissões totalizam R$ 4.300,00.
Para acertar a diferença, o processo é o seguinte:
- total das comissões de janeiro a novembro + comissões de dezembro ÷ 12 + o salário fixo de dezembro
- a quantia paga até 20 de dezembro, ou seja:
=> R$ 19.580,00 + R$ 4.300,00 + R$ 1.400,00 = R$ 3.390,00 =>
12
=> R$ 3.390,00 - R$ 3.180,00 = R$ 210,00
Nessa hipótese, o empregado recebe uma diferença de R$ 210,00.
Guia de Cálculos Trabalhistas 181

2ª Hipótese: admitindo-se que o empregado, em dezembro, ganhe R$ 550,00 de comissões e não R$ 4.300,00,
tem-se:
=> R$ 19.580,00 + R$ 550,00 + R$ 1.400,00 = R$ 3.077,50
12
=> R$ 3.180,00 - R$ 3.077,50 = R$ 102,50
O empregado recebeu R$ 3.180,00, mas a média mensal final encontrada, incluídos o fixo e as comissões de
dezembro, é R$ 3.077,50. A diferença de R$ 102,50, recebida a mais, poderá ser descontada em janeiro.
Nos exemplos anteriormente mencionados em que o salário é variável, já está incluída a integração dos repou-
sos semanais remunerados (RSR).
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

PARCELAS IN NATURA - INTEGRAÇÃO


Quando a remuneração do empregado for composta de parte em dinheiro e de parte em utilida-
des como, por exemplo, habitação, o valor da quantia correspondente a estas deve ser computado para
determinação do respectivo valor do 13º salário.

Exemplo
Empregada com salário mensal de R$ 2.200,00 de janeiro a dezembro/2019, recebeu da empresa, durante todo o
ano, o reembolso do valor do aluguel de sua moradia, correspondente a R$ 880,00. Assim, temos:
13º salário/2019
1ª parcela paga em 30.11.2019
R$ 2.200,00 + R$ 880,00 = R$ 1.540,00
2
2ª parcela paga até 20.12.2019
R$ 2.200,00 + R$ 880,00 = R$ 3.080,00 - R$ 1.540,00 = R$ 1.540,00
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, alterou os arts. 457 e 458
da CLT para determinar que:
Integram o salário:
a) a importância fixa estipulada;
b) as gorjetas;
c) as gratificações legais; e
d) as comissões pagas pelo empregador.
Não integram a remuneração, ainda que pagas com habitualidade e, portanto, não sofrerão incidências trabalhistas
e previdenciárias:
a) ajuda de custo;
b) auxílio-alimentação (vedado o pagamento em dinheiro);
c) diárias para viagem (independentemente do valor);
d) prêmios;
e) abonos
f) assistência médica ou odontológica (própria ou conveniada);
g) reembolso de despesas médico-hospitalares, com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órte-
ses e outras similares.
182 Guia de Cálculos Trabalhistas

ADICIONAIS - INTEGRAÇÃO
Considerando que a base de cálculo do 13º salário é a remuneração integral do empregado vigen-
te em dezembro, deverá ser efetuado na mesma a inclusão dos adicionais que integram remuneração,
tais como extraordinários, noturno, insalubridade, etc.

Exemplos
Para encontrar o valor do adicional a ser incluído na remuneração, a empresa deve:
a) Hora extra - empregado realiza horas extras habitualmente durante todos os meses do ano. Neste caso, a em-
presa obtém a média mensal da quantidade de horas extras prestadas, multiplicando o número médio obtido
pelo salário/hora vigente, no momento do pagamento, acrescido do adicional extraordinário.
Empregado com salário/hora de R$ 12,00 tem direito em dezembro a R$ 18,00 por hora extra (R$ 12,00 × 1,50).
Trabalha em horário extraordinário 550 horas, de janeiro a novembro, portanto, em média 50 horas por mês (550
÷ 11). No 13º deve-se acrescentar R$ 900,00 (50 × R$ 18,00). Na impossibilidade de acrescentar, à média, as horas
extras de dezembro, deve-se fazer o acerto em janeiro do ano seguinte.
Ainda no exemplo, se o empregado tivesse trabalhado apenas 10 meses (vigência contratual), a média seria de
55 horas (550 ÷ 10). Obtém-se a média dividindo o total das horas extras pelo número de meses trabalhados.
Nota
Há quem entenda que a média, para cálculo de horas extras, é sempre duodecimal (divisor 12), não importando quantos
meses no ano o empregado tenha efetuado horas extras.

Todavia, a empresa deve, por medida preventiva, verificar se há cláusula no acordo, convenção coletiva de tra-
balho da respectiva categoria profissional que estabeleça critério de cálculo diverso.
b) Horas noturnas - empregado realiza horas noturnas habitualmente durante todos os meses do ano. Neste
caso, a empresa obtém a média mensal da quantidade de horas noturnas prestadas, multiplicando o número
médio obtido pelo valor do adicional noturno.
Empregado com salário/hora de R$ 12,00 realizou 216 horas noturnas (janeiro a dezembro); portanto, em média
18 horas noturnas por mês (216 ÷ 12).
Valor do adicional noturno = R$ 2,40 (20% de R$ 12,00)
No 13º deve-se acrescentar R$ 43,20 (R$ 2,40 × 18).
Veja adiante os encargos sociais sobre o 13º salário

AFASTAMENTOS NO CURSO DO ANO E REFLEXO NO CÁLCULO DO 13º SALÁRIO


Benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença) não decorrente de acidente do trabalho
Trata-se de afastamento por motivo de doença ou outra incapacidade não decorrente de acidente
do trabalho, cujo tratamento se estende por mais de 15 dias, com suspensão contratual automática a
partir do 16º dia.
Durante os primeiros 15 dias de afastamento do trabalho, cabe à empresa pagar ao segurado o
respectivo salário.
O empregado que está ou esteve em gozo desse benefício recebe da empresa o 13º salário propor-
cional relativo ao período de efetivo trabalho, assim considerados os 15 primeiros dias de ausência, e o
tempo anterior e posterior ao afastamento. A Previdência Social assume o período relativo ao afastamento,
isto é, do 16º dia até o retorno ao trabalho, computando-o para fins de pagamento do abono anual.
Lembra-se, ainda, de que o documento coletivo de trabalho da respectiva categoria profissional
deverá ser consultado a fim de a empresa certificar-se se há disposição expressa que trate dos critérios
a serem observados quando o empregado estiver afastado por auxílio-doença.
Guia de Cálculos Trabalhistas 183

Exemplo
Empregado admitido em 08.02.2000 ficou afastado do trabalho por motivo de benefício por incapacidade tem-
porária (auxílio-doença) não decorrente de acidente do trabalho, no ano de 2019, de 1º.09 (16º dia de afastamen-
to da atividade) até 25.10. Nesse caso, a empresa calculou e quitou o 13º salário desse empregado proporcio-
nalmente aos períodos tidos como efetivamente trabalhados, antes e depois do lapso de tempo em que esteve
afastado percebendo benefício previdenciário.
Assim, no caso, a empresa computou 10/12 relativos ao 13º proporcional em 2019, dos quais:
a) 8/12 correspondem ao período de 1º.01 a 31.08.2019 (anterior ao início do benefício previdenciário); e
b) 2/12 são relativos ao período de 26.10 a 31.12.2019 (posterior ao afastamento).

Abono anual a cargo da Previdência Social


O abono anual é devido pela Previdência Social aos segurados e dependentes que, durante o ano,
tenham recebido aposentadoria, salário-maternidade, pensão por morte, auxílios acidente, benefício por
incapacidade temporária (auxílio-doença) ou reclusão. É apurado, no que couber, da mesma forma que
a gratificação de Natal dos trabalhadores, com base no valor da renda mensal do benefício do mês de
dezembro de cada ano.

Benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença) decorrente de acidente do trabalho


O entendimento da Justiça do Trabalho é de que as faltas ou ausências decorrentes de acidentes
do trabalho não são consideradas para efeito de cálculo da gratificação natalina (Súmula TST nº 46).
Portanto, as ausências ao serviço por acidente do trabalho não reduzem o cálculo e consequente paga-
mento do 13º salário.

Nesse caso, tendo em vista que o empregado receberá o abono anual da Previdência Social, en-
tende-se que a empresa deve apenas complementar o valor do 13º salário, calculando-o como se o
contrato de trabalho não tivesse sido interrompido pelo acidente. Assim, o valor do abono anual pago
pela Previdência Social mais o complemento a cargo da empresa devem corresponder ao valor integral
do 13º salário do empregado mencionado.

Nesse sentido, cumpre notar que já existem cláusulas estabelecidas em acordos, convenções co-
letivas de trabalho ou sentenças normativas, as quais deverão ser sempre consultadas pela empresa a
fim de certificar-se se há algum procedimento a ser adotado por ocasião do afastamento do empregado
por motivo de acidente do trabalho.

Exemplo
Empregado admitido em 10.05.2000 ficou afastado do trabalho por motivo de auxílio-doença decorrente de
acidente do trabalho, no período de 22.06.2019 (16º dia seguinte ao do afastamento do trabalho) até 19.10.2019.
Nesta hipótese, a empresa calculou e pagou o 13º salário/2019 desse empregado proporcionalmente aos perío-
dos tidos como efetivamente trabalhados, antes e depois do lapso de tempo em que esteve afastado por aci-
dente do trabalho, bem como pagou a diferença entre o efetivo valor do 13º salário no período de afastamento
e o valor do abono anual pago pela Previdência Social.
De acordo com o exemplo em questão, a empresa pagou o 13º salário/2019 de acordo com os seguintes critérios:
a) 6/12 correspondentes ao período de 1º.01 a 21.06.2019 (anterior ao afastamento);
b) 2/12 relativos ao período de 20.10 a 31.12.2019 (posterior ao afastamento); e
c) 4/12 pertinentes ao período de afastamento de 22.06 a 19.10.2019, deduzido o valor do abono anual pago pela
Previdência Social relativo a esse período de afastamento.
184 Guia de Cálculos Trabalhistas

SERVIÇO MILITAR
No caso de convocação para prestação do serviço militar obrigatório, o empregado não faz jus ao
13º salário correspondente ao período de afastamento. O período referente à ausência só é computado
para fins de indenização e estabilidade, não gerando qualquer outro direito.

Observe-se que o cargo anterior fica à disposição do empregado afastado para cumprir as exi-
gências do serviço militar. No entanto, para o exercício desse direito, ele deve apresentar-se à empresa
dentro do prazo de 30 dias contados da baixa.

Exemplo
Empregado admitido em 10.03.2018 ficou afastado do trabalho em 2019 para cumprimento das exigências do
serviço militar obrigatório no período de 11.03 até 06.12 e retornou em 07.12.2019 às atividades normais na mes-
ma empresa em que fora admitido.
Nessa hipótese, a empresa calculou e pagou o 13º salário/2019 desse empregado proporcionalmente aos pe-
ríodos tidos como efetivamente trabalhados, antes e depois do lapso de tempo em que esteve afastado para
cumprimento do serviço militar.
De acordo com o exemplo em questão, a empresa computou somente 3/12 relativos ao 13º proporcional em
2019, dos quais:
a) 2/12 correspondem ao período de 1º.01 a 11.03.2019 (anterior ao afastamento); e
b) 1/12 é relativo ao período de 07 a 31.12.2019 (posterior ao afastamento).

SALÁRIO-MATERNIDADE
Cabe à empresa pagar o salário-maternidade devido à sua empregada gestante, o qual será com-
pensado quando do recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais ren-
dimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço.

O INSS, entretanto, é responsável pelo pagamento do benefício de salário-maternidade, direta-


mente à segurada, quando se tratar de:
a) adoção ou obtenção de guarda judicial para fins de adoção;

Nota
A Lei nº 12.873/2013, objeto de conversão, com emendas, da Medida Provisória nº 619/2013, estabeleceu que o empregado
do sexo masculino que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança terá direito à licença e ao salário-
-maternidade pelo período de 120 dias. O benefício do salário-maternidade será pago diretamente pela Previdência Social.
Observa-se que a adoção ou a guarda judicial conjunta ensejará a concessão de licença-maternidade a apenas um dos
adotantes ou guardiães empregado ou empregada.

b) empregada doméstica;
c) empregada do microempreendedor individual de que trata o art. 18-A da Lei Complementar
nº 123/2006;
d) contribuinte individual (autônoma e empresária);
e) trabalhadora avulsa;
f) segurada especial;
g) segurada facultativa.
Guia de Cálculos Trabalhistas 185

13º SALÁRIO PROPORCIONAL - PAGAMENTO PELA EMPRESA


Observados os casos em que o pagamento do benefício é de competência da Previdência Social,
cabe à empresa pagar à sua empregada, em virtude de licença por parto ou aborto não criminoso, o
valor correspondente ao salário-maternidade, inclusive a parcela do 13º correspondente ao período da
licença, podendo tais valores serem deduzidos por ocasião do pagamento das contribuições sociais
previdenciárias devidas, exceto das destinadas a outras entidades e fundos (terceiros).

Para apuração do valor a deduzir a título de 13º salário correspondente ao período da licença, de-
verá a empresa observar o seguinte cálculo:
a) a remuneração correspondente ao 13º salário deverá ser dividida por 30;
b) o resultado da operação mencionada deverá ser dividido pelo número de meses considerados
no cálculo da remuneração do 13º salário;
c) o valor apurado na forma da letra “b” deverá ser multiplicado pelo número de dias de gozo de
licença-maternidade no ano. O resultado final corresponde ao valor da parcela referente ao 13º
salário proporcional ao período da licença-maternidade.

Exemplo
Empregada com remuneração mensal de R$ 2.280,00. Neste caso, temos:
R$ 2.280,00 ÷ 30 = R$ 76,00
R$ 76,00 ÷ 12 = R$ 6,333333
R$ 6,333333 × 120 = R$ 760,00

ABONO ANUAL PAGO PELO INSS


O INSS efetuará o pagamento do salário-maternidade e respectivo abono anual às empregadas
nas situações em que tal pagamento é de sua competência, correspondente ao período de duração do
salário-maternidade, em cada exercício, juntamente com a última parcela do benefício nele devida.
O pagamento do abono anual será efetuado em 2 parcelas:
a) a primeira, equivalente a até 50% do valor do benefício correspondente ao mês de agosto,
paga juntamente com o benefício correspondente a esse mês;
b) o valor da segunda parcela corresponderá à diferença entre o valor total do abono anual e o
valor da parcela antecipada, e será pago juntamente com os benefícios correspondentes ao
mês de novembro.

Exemplo
Empregada ficou afastada do trabalho por motivo de licença-maternidade (adoção de criança) durante 120 dias,
no período de 07.02 a 06.06.2019. Nesta hipótese, a Previdência Social arca com o pagamento do abono anual
de 4/12 correspondente ao período de afastamento por licença-maternidade e a empresa calculará e pagará o
13º salário/2019 dessa empregada proporcionalmente aos períodos tidos como efetivamente trabalhados, antes
e depois do lapso de tempo em que esteve afastada, bem como quitará eventual diferença entre o efetivo valor
do 13º salário no período de afastamento e o valor do abono anual pago pelo INSS, ou seja:
a) 1/12 correspondente ao período de 1º.01 a 06.02.2019 (anterior ao afastamento);
b) 7/12 relativos ao período de 07.06 a 31.12.2019 (posterior ao afastamento);
c) 4/12 pertinentes ao período de afastamento de 07.02 a 06.06.2019, deduzido o valor do abono anual pago pela
Previdência Social relativo a esse período de afastamento.
186 Guia de Cálculos Trabalhistas

MORTE DO EMPREGADO
A morte do empregado extingue automaticamente a relação empregatícia. Em consequência, o
13º salário é devido, proporcionalmente, à data do evento.

DISPENSA POR JUSTA CAUSA


O empregado só não faz jus à verba mencionada (13º salário) na hipótese de rescisão contratual
por justa causa.

PRESCRIÇÃO
O direito de ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, segundo a CF/1988,
art. 7º, XXIX, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 28/2000, tem prazo prescricional de 5 anos
para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de 2 anos após a extinção do contrato. Assim, se o
empregado ingressar com ação dentro dos 2 anos da data da cessação do contrato de trabalho, poderá
reclamar os últimos 5 anos.

O art. 440 da CLT determina que contra empregados menores de 18 anos, não corre prazo prescri-
cional. Vale dizer: somente quando o empregado completar 18 anos de idade é que o prazo prescricional
começará a fluir.

CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE


O trabalho intermitente é uma figura nova criada pela Reforma Trabalhista, instituída pela Lei nº
13.467/2017, em vigor desde 11.11.2017. É considerado intermitente o contrato de trabalho no qual a pres-
tação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de pres-
tação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo
de atividade do empregado e do empregador.

Determina a lei em comento que, havendo o chamamento para o trabalho, ao final de cada perío-
do de trabalho, o empregado receberá, de imediato, entre outras parcelas, do 13º salário proporcional.

Haverá, portanto, pagamento de 13º salário em mais de 2 parcelas, ou seja, se o empregado for
chamado no ano 4 vezes, haverá 4 parcelas de 13º salário.

O empregador efetuará o recolhimento da contribuição previdenciária e o depósito do Fundo de


Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma da lei, com base nos valores pagos no período mensal.

ENCARGOS SOCIAIS SOBRE O 13º SALÁRIO

Contribuição previdenciária
Recolhimento - Prazo
Em geral, a contribuição previdenciária incidente sobre o 13º salário é devida por ocasião do paga-
mento ou crédito da última parcela e deve ser recolhida até o dia 20 de dezembro do ano corresponden-
te. Na hipótese de não haver expediente bancário na mencionada data, a contribuição previdenciária
deverá ser recolhida no dia útil imediatamente anterior ao do vencimento.

Importante
Observar o item anterior relativo ao contrato de trabalho intermitente.
Guia de Cálculos Trabalhistas 187

Base de cálculo

Para fins de cálculo da contribuição, utiliza-se como base de incidência o valor bruto da remu-
neração do 13º salário, sem a compensação dos adiantamentos pagos, aplicando-se, em separado, as
alíquotas normais de contribuição, conforme procedimentos adiante descritos.

Parte do empregado
No ano de 2019, o empregado contribuiu, por ocasião do pagamento ou crédito da última parcela
ou na rescisão do contrato de trabalho, com alíquotas aplicadas de forma não cumulativa de 8%, 9% ou
11%, conforme o valor integral do 13º salário (gratificação natalina), sem compensação dos adiantamen-
tos pagos, mediante aplicação, em separado, da tabela de desconto previdenciário do empregado do
mês de dezembro ou do mês da rescisão, conforme o caso.

No ano de 2019, foi observada a seguinte tabela:

ALÍQUOTA PARA FINS DE


SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (R$)
RECOLHIMENTO AO INSS

até 1.751,81 8%

de 1.751,82 até 2.919,72 9%

de 2.919,73 até 5.839,45 11%

Meses de janeiro e fevereiro de 2020 foi observada a seguinte tabela

ALÍQUOTA NÃO CUMULATIVA PARA


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS

até 1.830,29 8%

de 1.830,30 até 3.050,52 9%

de 3.050,53 até 6.101,06 11 %

Desde 1º.03.2020, o critério de cálculo da contribuição previdenciária foi alterado, pois a Emenda
Constitucional nº 103/2019 determinou em seu art. 28 que até que lei altere as alíquotas de contribuição
previdenciária dos empregados, domésticos e avulsos, as alíquotas previstas em seu caput (7,5%, 9%,
12% e 14%) serão aplicadas de forma progressiva sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota
sobre a faixa de valores compreendida nos respectivos limites. A Portaria SEPRT nº 3.659/2020, divulgou
a seguinte tabela de contribuição previdenciária dos empregados, domésticos e avulsos, válida desde
março/2020.

ALIQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS

até 1.045,00 7,5%

de 1.045,01 até 2.089,60 9%

de 2.089,61 até 3.134,40 12%

de 3.134,41 até 6.101,06 14%


188 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplo de cálculo com base nos novos critérios

a) empregado com o total do 13º salário no valor de R$ 3.600,00 (abaixo do teto máximo de contribuição), temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)

até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37

de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01

de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37

de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 465,60, ou seja R$ 3.600,00 menos R$ 3.134,40 65,18

CONTRIBUIÇÃO TOTAL 362,93

Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qual-
quer arredondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de
valores de contribuição apurados em cada faixa salarial.

Contribuição total = R$ 362,93

b) empregado com o total do 13º salário no valor de R$ 6.500,00 (acima do teto máximo de contribuição), temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)

até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37

de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01

de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37

de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 2.966,66, ou seja R$ 6.101,06 menos R$ 3.134,40 415,33

CONTRIBUIÇÃO TOTAL 713,08

Contribuição total = R$ 713,08

Por esta razão, os cálculos de desconto de contribuição previdenciária dos empregados sobre 13º salário a ser
pago (2º parcela ou na rescisão) a partir de 1º.01.2020, deverão observar os valores constantes das novas tabelas.

Parte da empresa

A empresa assume, geralmente, o encargo patronal de 20% (ou 22,5% no caso de instituições fi-
nanceiras) sobre o total bruto (sem limite) das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no
decorrer do mês, aos segurados empregados (no caso, em uma GPS distinta, sobre o 13º salário). Sobre
o total bruto (sem limite), incide, ainda, geralmente, a contribuição da empresa devida a “Terceiros” e a
destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade
laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GIIL-RAT).

Lembramos que, nos afastamentos da empregada por motivo de licença-maternidade, o abono


anual pago pelo INSS (13º salário proporcional ao período de salário-maternidade) estará sujeito ao en-
cargo previdenciário patronal, por ocasião do pagamento da parcela final do 13º salário ou na rescisão
do contrato de trabalho.
Guia de Cálculos Trabalhistas 189

Exemplos de pagamento de 13º salário no ano de 2019


a) Remuneração de dezembro e 13º salário inferiores ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 12/2019: R$ 5.839,45;
- salário do empregado em 12/2019: R$ 1.310,00;
- 13º salário (valor integral): R$ 1.310,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2019: R$ 1.310,00. Valor a ser descontado:
R$ 104,80 (8% de R$ 1.310,00);
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário/2019: R$ 1.310,00. Valor a ser descontado: R$
104,80 (8% de R$ 1.310,00);
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 209,60 (R$ 104,80 + R$ 104,80);
- encargo patronal relativo à competência 12/2019 incidente sobre R$ 2.620,00 (R$ 1.310,00 + R$ 1.310,00);
b) Remuneração de dezembro superior e 13º salário inferior ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 12/2019: R$ 5.839,45
- salário do empregado em 12/2019: R$ 5.900,00;
- 13º salário (valor proporcional devido) = R$ 2.950,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2019: R$ 5.839,45 (teto). Valor a ser descon-
tado = R$ 642,34 (11% de R$ 5. 839,45);
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário: R$ 2.950,00. Valor a ser descontado: R$ 324,50
(11% de R$ 2.950,00);
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 966,84 (R$ 642,34 + R$ 324,50);
- encargo patronal relativo à competência 12/2019 incidente sobre R$ 8.850,00 (R$ 5.900,00 + R$ 2.950,00);
c) Remuneração de dezembro inferior e 13º salário superior ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 12/2019: R$ 5.839,45
- salário do empregado em 12/2019: R$ 4.100,00;
- 13º salário pago em dezembro/2019: R$ 5.900,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2019: R$ 4.100,00. Valor a ser descontado:
R$ 451,00 (11% de R$ 4.100,00);
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário/2019: R$ 5.839,45 (teto máximo em 12/2019). Valor
a ser descontado = R$ 642,34 (11% de R$ 5.839,45);
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 1.093,34 (R$ 451,00 + R$ 642,34);
- encargo patronal relativo à competência 12/2019 incidente sobre R$ 10.000,00 (R$ 4.100,00 + R$ 5.900,00);
d) Remuneração de dezembro e 13º salário superiores ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 12/2019: R$ 5.839,45
- salário do empregado em 12/2019: R$ 5.900,00;
- 13º salário (valor integral): R$ 5.900,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2019: R$ 5.839,45 (teto). Valor a ser
descontado = R$ 642,34 (11% de R$ 5.839,45);
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário: R$ 5.839,45 (teto máximo em 12/2019). Valor a ser
descontado = R$ 642,34 (11% de R$ 5.839,45);
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 1.284,68 (R$ 642,34 + R$ 642,34);
- encargo patronal relativo à competência 12/2019 incidente sobre R$ 11.800,00 (R$ 5.900,00 + R$ 5.900,00).
190 Guia de Cálculos Trabalhistas

Importante
Desde 1º.03.2020, o critério de cálculo da contribuição previdenciária dos empregados, domésticos e avulsos, foi alterado,
pois a Emenda Constitucional nº 103/2019 determinou em seu art. 28 que até que lei altere as alíquotas de contribuição
previdenciária destes, as alíquotas previstas em seu caput (7,5%, 9%, 12% e 14%) serão aplicadas de forma progressiva
sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota sobre a faixa de valores compreendida nos respectivos limites.
A Portaria SEPRT nº 3.659/2020, divulgou a seguinte tabela de contribuição previdenciária dos empregados, domésticos
e avulsos, válida desde março/2020.

ALIQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS


SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.045,00 7,5%
de 1.045,01 até 2.089,60 9%
de 2.089,61 até 3.134,40 12%
de 3.134,41 até 6.101,06 14%

Exemplo de cálculo de contribuição previdenciária do empregado com base nos novos critérios
a) empregado com salário mensal de R$ 4.200,00 (abaixo do teto máximo de contribuição), temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 1.065,60, ou seja R$ 4.200,00 menos R$ 3.134,40 149,18
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 446,93

Atenção:
Os cálculos das contribuições previdenciárias foram efetuados considerando duas casas decimais sem qual-
quer arredondamento, posto que até o momento, não há dispositivo legal determinando arredondamento de
valores de contribuição apurados em cada faixa salarial.
Contribuição total = R$ 446,93
b) empregado com salário mensal de R$ 7.000,00 (acima do teto máximo de contribuição), temos:

ALIQUOTAS VALOR DA
FAIXAS SALARIAIS (R$) CÁLCULO
(%) CONTRIBUIÇÃO (R$)
até 1.045,00 7,5% 7,5% de R$ 1.045,00 78,37
de 1.045,01 até 2.089,60 9% 9% de R$ 1.044,60, ou seja, R$ 2.089,60 menos R$ 1.045,00 94,01
de 2.089,61 até 3.134,40 12% 12% de R$ 1.044,80, ou seja, R$ 3.134,40 menos R$ 2.089,60 125,37
de 3.134,41 até 6.101,06 14% 14% de R$ 2.966,66, ou seja R$ 6.101,06 menos R$ 3.134,40 415,33
CONTRIBUIÇÃO TOTAL 713,08

Contribuição total = R$ 713,08


Por esta razão, os cálculos de desconto de contribuição previdenciária dos empregados sobre 13º
salário a ser pago (2º parcela ou na rescisão) a partir de 1º.03.2020, deverão observar os valores cons-
tantes da nova tabela.
Guia de Cálculos Trabalhistas 191

Exemplo
Exemplos de pagamento de 13º salário a partir de março de 2020
a) Remuneração de dezembro e 13º salário inferiores ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 2020: R$ 6.101,06;
- salário do empregado em 12/2020: R$ 1.310,00;
- 13º salário (valor integral): R$ 1.310,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2020: R$ 1.310,00.
Valor a ser descontado: R$ 102,22;
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário/2020: R$ 1.310,00. Valor a ser descontado: R$ 102,22;
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 204,44 (R$ 102,22 + R$ 102,22);
- encargo patronal relativo à competência 12/2020 incidente sobre R$ 2.620,00 (R$ 1.310,00 + R$ 1.310,00);
b) Remuneração de dezembro superior e 13º salário inferior ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 12/2020: R$ 6.101,06
- salário do empregado em 12/2020: R$ 6.900,00;
- 13º salário (valor proporcional devido) = R$ 4.025,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2020: R$ 6.101,06 (teto). Valor a ser des-
contado = R$ 713,08);
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário: R$ 4.025,00. Valor a ser descontado: R$ 422,43;
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 1.135,51 (R$ 713,08 + R$ 422,43);
- encargo patronal relativo à competência 12/2020 incidente sobre R$ 10.925,00 (R$ 6.900,00 + R$ 4;025,00);
c) Remuneração de dezembro e 13º salário superiores ao teto de contribuição previdenciária:
- teto de contribuição previdenciária em 12/2020: R$ 6.101,06
- salário do empregado em 12/2020: R$ 6.900,00;
- 13º salário (valor integral): R$ 6.900,00;
- salário-de-contribuição do empregado relativo à remuneração de 12/2020: R$ 6.101,06 (teto). Valor a ser des-
contado = R$ 713,08;
- salário-de-contribuição do empregado relativo ao 13º salário: R$ 6.101,06 (teto máximo em 12/2020). Valor a ser
descontado = R$ 713,08;
- valor total da contribuição previdenciária por parte do empregado: R$ 1.426,16 (R$ 713,08 + R$ 713,08);
- encargo patronal relativo à competência 12/2020 incidente sobre R$ 13.800,00 (R$ 6.900,00 + R$ 6.900,00).

SALÁRIO VARIÁVEL - ACERTO DA DIFERENÇA - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA


Havendo pagamento de remuneração variável em dezembro, o recolhimento das contribuições refe-
rentes ao ajuste do valor do 13º salário deve ocorrer no documento de arrecadação da competência dezem-
bro considerando-se para a apuração da alíquota da contribuição do segurado o valor total do 13º salário.

Exemplo
Considerando que o empregado comissionista puro recebeu em dezembro a título de 13º salário, considerando as
comissões até novembro, o valor de R$ 1.800,00. Em 20.12 foram recolhidas em GPS com competência 13, as contribui-
ções previdenciárias sobre este valor.
Posteriormente apurou-se o valor do 13º salário integral, computadas as comissões de dezembro, totalizando R$ 2.100,00.
As contribuições previdenciárias incidentes sobre a diferença apurada R$ 300,00 serão recolhidas na GPS relativa à
competência 12, com vencimento em 20.01.
192 Guia de Cálculos Trabalhistas

Nota
Vale destacar que é proibido a utilização de documento de arrecadação previdenciária de valor inferior a R$ 10,00. Se o
valor a recolher na competência for inferior ao valor mínimo estabelecido (R$ 10,00), deverá ser adicionado ao devido na
competência seguinte, e assim sucessivamente, até atingir o valor mínimo permitido para recolhimento.

Portanto, quanto ao critério para recolhimento ou restituição, conforme o caso, da quantia corres-
pondente ao acerto da diferença para os empregados que percebem salário variável, deve-se observar que:
a) a contribuição previdenciária sobre o valor favorável ao empregado deverá ser efetuada na
competência dezembro do mesmo ano a que se refere o pagamento do 13º salário, no docu-
mento de arrecadação normal da própria empresa. Nesse caso, recalcula-se a contribuição
previdenciária sobre o 13º salário (computado o valor favorável ao empregado). A diferença
entre a contribuição apurada e a efetivamente recolhida será somada às contribuições previ-
denciárias sobre a remuneração de dezembro, observando-se, em seguida, os procedimentos
descritos adiante;
b) apurado o valor da contribuição previdenciária conforme anteriormente mencionado, o em-
pregador deverá, então, registrá-lo no campo 6 da GPS (Valor do INSS). Assim, o valor da con-
tribuição previdenciária patronal relativo à diferença do 13º salário favorável ao empregado é
recolhido em conjunto com as demais contribuições normais da empresa e do empregado,
recolhidas no campo 6 da GPS, relativas à folha de pagamento da competência dezembro
(contribuições dos empregados mais a cota previdenciária patronal de, geralmente, 20% - ou
22,5%, no caso de instituições financeiras -, mais a contribuição relativa ao risco ambiental do
trabalho, GIIL-RAT de 1%, 2% ou 3%, conforme a atividade preponderante, observadas as regras
do FAP, incidentes sobre o valor bruto, sem limite, da folha de salários dos empregados, me-
nos o valor correspondente às deduções legalmente permitidas). No campo 9 da GPS - “Valor
de Outras Entidades”, a empresa também deverá lançar o valor da contribuição destinada a
“Terceiros”, apurado sobre o total bruto da folha de salários dos empregados, ressalvadas as
hipóteses legais de convênio de arrecadação direta entre a empresa e a entidade beneficiária
da contribuição;
c) por outro lado, tratando-se de recolhimento indevido de contribuição previdenciária decor-
rente de diferença favorável à empresa, a compensação do valor recolhido a maior poderá ser
efetuada pela empresa, nos termos da legislação própria. A parte relativa ao desconto pre-
videnciário que eventualmente tenha sido cobrada a maior do empregado deverá a ele ser
reembolsada, mediante discriminação em recibo.

13º SALÁRIO - RECOLHIMENTO EM GPS ESPECÍFICA

O recolhimento da contribuição previdenciária sobre o 13º salário deve ser efetuado por intermé-
dio da GPS utilizada especificamente para essa finalidade, ou seja, uma GPS separada da que for utiliza-
da para recolhimento das contribuições sobre a folha de pagamento normal da competência dezembro.

A GPS deve ser preenchida normalmente, observando-se que:


a) campo 4 - competência (mês/ano): utilizar a competência 13 (treze) e o ano a que se referir, com
4 dígitos.
Exemplo: 13/2019;
b) para fins de compensação ou dedução da importância relativa ao 13º salário proporcional ao
período de salário-maternidade, observar os critérios anteriormente mencionados;
c) no caso de rescisão de contrato de trabalho, as contribuições devidas serão recolhidas na
forma e nos prazos das contribuições normais sobre a folha de salários do mês, inclusive as
ocorridas no mês de dezembro;
Guia de Cálculos Trabalhistas 193

d) há incidência de contribuição para as demais entidades e fundos (Terceiros), devendo ser lan-
çado o valor no campo “9 - Valor de Outras Entidades”.
Entretanto, para as empresas a seguir, que já passaram a substituir a Guia de Recolhimento do
FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), para efeitos previdenciários, pela Declaração de Dé-
bitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb), o
recolhimento das contribuições previdenciárias passou a ser efetuado por meio do DARF emitido pelo
próprio aplicativo:

SUBSTITUIÇÃO DA GFIP PELA DCTFWEB - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

INÍCIO
CONTRIBUINTES
(FATO GERADOR)

Julho/2018 Entidades com faturamento acima de R$ 78.000.000,00 no ano-calendário de 2016

Abril/2019 Entidades com faturamento acima de R$ 4.800.000,00 no ano-calendário de 2017

Contribuintes não enquadrados nas situações anteriores (entidades com faturamento até R$ 4.800.000,00,
Data a ser definida optantes pelo Simples Nacional, empregadores pessoas físicas, entidades sem fins lucrativos, entes
públicos, etc.)

Ressalte-se que a DCTFWeb Anual, para a prestação de informações relativas aos valores pagos
aos trabalhadores a título de 13º salário, deve ser transmitida até o dia 20 de dezembro de cada ano, ou
dia útil imediatamente anterior.

Recolhimento em atraso

O recolhimento da contribuição previdenciária efetuado em atraso sofre a incidência de atuali-


zação monetária, conforme o caso, multa e juros moratórios conforme tabela divulgada, mensalmente,
pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB).

Desde a competência 01/1995 não há atualização monetária.

De acordo com o art. 26 da Lei nº 11.941/2009 que altera, entre outros, a redação do art. 35 da Lei nº
8.212/1991, ficou estabelecido que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previs-
tas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991, das contribuições instituídas
a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e
fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de
mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996.

O art. 61 da Lei nº 9.430/1996 prevê que:

Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria
da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos
previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três cen-
tésimos por cento, por dia de atraso.

§ 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do
prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.

§ 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.

§ 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §
3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do
pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
194 Guia de Cálculos Trabalhistas

RESCISÃO CONTRATUAL - RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - NORMAS

As contribuições devidas na rescisão contratual, inclusive a ocorrida no mês de dezembro, são


recolhidas em GPS ou DARF normal da empresa junto com as demais contribuições patronais, no dia
20 do mês subsequente à rescisão, antecipando-se o vencimento para o 1º dia útil anterior no caso de
não haver expediente bancário no vencimento.
A contribuição previdenciária do empregado sobre o 13º salário decorrente de rescisão contratual
também é calculada mediante aplicação em separado das alíquotas normais de contribuição.

Empresas que tiveram a base de cálculo da contribuição previdenciária patronal básica (20%)
substituída pela receita bruta

A desoneração da folha de pagamento das empresas beneficiadas e optantes pela medida con-
siste, exclusivamente, na substituição da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal básica
(20%), a qual é a folha de pagamento de empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais,
pela receita bruta (chamada "contribuição substitutiva").
A adoção do sistema de desoneração da folha de pagamento é temporária (podendo ocorrer até
31.12.2020) e opcional, ou seja, a empresa, antes de optar, irá verificar se a contribuição previdenciária
patronal básica (20%) sobre a folha de pagamento lhe acarretará aumento ou diminuição do encargo
previdenciário se comparado com a contribuição calculada sobre a sua receita bruta.

As demais contribuições previdenciárias patronais, tais como contribuição para o financiamento


do benefício de aposentadoria especial e aqueles concedidos em razão do grau de incidência de inca-
pacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GIIL-RAT) e para outras entidades e
fundos (terceiros), permanecem inalteradas.

Contribuição previdenciária básica sobre a folha de 13º salário


Tratando-se de empresas que se dedicam a outras atividades, além das desoneradas, o cálculo da
contribuição para o 13º salário será realizado com observância dos seguintes critérios:
a) para fins de cálculo da razão entre a receita bruta de atividades não relacionadas à desonera-
ção e a receita bruta total aplicada ao 13º salário, será considerada a receita bruta acumulada
nos 12 meses anteriores ao mês de dezembro de cada ano-calendário, portanto, no período de
novembro do ano em curso a dezembro do ano anterior;
b) no caso de empresa em início de atividades ou que ingressar no regime de tributação CPRB,
no decurso do ano, a apuração mencionada na letra “a” será realizada de forma proporcional à
data do início de atividades ou da entrada da empresa no regime de substituição.

O cálculo da contribuição previdenciária referente ao 13º salário pago na rescisão será realizado
utilizando-se a mesma sistemática aplicada às contribuições relativas às demais parcelas do salário-de-
-contribuição pagas no mês.

Exemplo

Considerando que, no ano de 2019, a empresa se encontrava sob o regime da desoneração e contou com:
Receita bruta total = R$ 600.000,00 - (período de dezembro/2018 a novembro/2019)
Receita bruta de atividade desonerada = R$ 450.000,00 - (período de dezembro/2018 a novembro/2019)
Guia de Cálculos Trabalhistas 195

Receita bruta de atividades não desoneradas = R$ 150.000,00 - (período de dezembro/2018 a novembro/2019)


Folha de 13º salário = R$ 9.000,00
Cálculo:
R$ 9.000,00 - base de cálculo sobre a qual incidiria a contribuição previdenciária básica de 20%
R$ 1.800,00 (20% de R$ 9.000,00)
Apurado o valor da contribuição, aplicou-se sobre ele o percentual resultante da razão da receita bruta anual
das atividades não relacionadas com a desoneração e a receita bruta total.
Assim, temos:
R$ 150.000,00 ÷ R$ 600.000,00 = 0,25
R$ 1.800,00 × 0,25 = R$ 450,50
R$ 450,00 - valor da contribuição previdenciária sobre a folha de 13º salário correspondente ao período alcan-
çado pela desoneração.
Obs.: Se não tivesse ocorrido a desoneração, esta empresa iria recolher sobre o valor da folha do 13º salário a
importância de R$ 1.800,00 correspondente à contribuição previdenciária básica de 20% (20% de R$ 9.000,00).

EMPREGADO DOMÉSTICO

O desconto previdenciário relativo ao 13º salário deve ser efetuado, por ocasião do pagamento da
parcela final, em separado do salário do mês, sem abatimento da antecipação.

Lembramos que, nos afastamentos da empregada doméstica por motivo de licença-maternidade,


o abono anual] pago pelo INSS (13º salário proporcional ao período de salário-maternidade) estará su-
jeito ao encargo previdenciário por ocasião do pagamento da parcela final do 13º salário ou da rescisão
do contrato de trabalho.

O recolhimento das contribuições previdenciárias (8% do empregador, 8% a 11% do empregado


doméstico vigente no ano de 2019 e nos meses de janeiro e fevereiro/2020, bem como a contribuição
de 0,8% do seguro contra acidentes do trabalho, incidentes sobre o 13º salário, deverá ocorrer até o dia
07 do mês de janeiro do ano seguinte ao período de apuração do 13º salário (pago em dezembro do ano
anterior), em conformidade com a Lei Complementar nº 150/2015, antecipando-se o recolhimento para
o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário no dia 7.

O recolhimento se dará em guia do Documento de Arrecadação do eSocial (DAE), utilizada espe-


cificamente para recolhimento dos encargos previdenciários (citados no parágrafo anterior) sobre o 13º
salário.

O DAE deve conter:


a) a identificação do contribuinte;
b) a competência;
c) os tributos, os depósitos e as contribuições que o compõem;
d) o valor total;
e) o número único de identificação do documento, atribuído pelo aplicativo de emissão do DAE;
f) a data-limite para acolhimento pela rede arrecadadora;
g) o código de barras e sua representação numérica.
196 Guia de Cálculos Trabalhistas

Exemplos de cálculo em 2019


ALÍQUOTA PARA FINS DE
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
RECOLHIMENTO AO INSS (%)
até 1.751,81 8,00
de 1.751,82 até 2.919,72 9,00
de 2.919,73 até 5.839,45 11,00

(1) 13º salário devido = R$ 1.200,00


• recolhimento no DAE = R$ 192,00
(16% de R$ 1.200,00, ou seja, 8% do empregado e 8% do empregador);
(2) 13º salário devido = R$ 2.300,00
• recolhimento no DAE = R$ 391,00
(17% de R$ 2.300,00, ou seja, 9% do empregado e 8% do empregador);
(3) 13º salário devido = R$ 6.200,00
• recolhimento no DAE = R$ 1.109,50
(19% de R$ 5.839,45 - limite máximo de contribuição vigente em dezembro/2019 - ou seja, 11% do
empregado e 8% do empregador).

Nota
Nos Estados da Federação onde houver legislação fixando piso salarial para a classe de empregados domésticos, este
deverá ser observado.

No ano de 2020, deverão ser observadas as seguintes tabelas de desconto previdenciário dos
empregados domésticos:

I - competências janeiro e fevereiro/2020:


(alíquotas aplicadas de FORMA NÃO CUMULATIVA)
ALÍQUOTA PARA FINS DE
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.830,29 8%
de 1.830,30 até 3.050,52 9%
de 3.050,53 até 6.101,06 11%

II - competências março/2020 em diante:


(alíquotas aplicadas de FORMA PROGRESSIVA - Emenda Constitucional nº 103/2019, art. 28, § 1º)
ALÍQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.045,00 7,5%
de 1.045,01 até 2.089,60 9%
de 2.089,61 até 3.134,40 12%
de 3.134,41 até 6.101,06 14%

A alíquota devida pelo empregador doméstico (8%) não sofre alteração.


Guia de Cálculos Trabalhistas 197

FGTS - DEPÓSITO

O depósito relativo ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) (8%) é devido com base na
remuneração paga ou devida no mês anterior, nela incluída, além de outras parcelas, a Gratificação de
Natal. Assim o depósito deve ser efetuado por ocasião do pagamento, tanto da 1ª como da 2ª parcela do
13º salário ou nos casos de rescisão contratual.

Importante
Observar que, com relação ao contrato de trabalho intermitente, o empregador efetuará o depósito do Fundo de Garan-
tia do Tempo de Serviço (FGTS), com base nos valores pagos no período mensal, e fornecerá ao empregado compro-
vante do cumprimento dessa obrigação.
Portanto, ao final de cada mês, tendo havido convocação para o trabalho, o empregador efetuará o depósito do FGTS
sobre o total da remuneração paga no mês (um ou mais chamamentos ao trabalho) até o dia 7 do mês subsequente.

O prazo para o depósito (excetuados os decorrentes de rescisão contratual comentados adiante)


sem quaisquer acréscimos legais vai até o dia 7 do mês subsequente ao da competência da remuneração.
Não sendo dia útil, antecipar o recolhimento.

Os valores relativos aos depósitos referentes ao mês da rescisão e ao mês imediatamente anterior
que ainda não houver sido recolhido, bem como a importância igual a 40% (despedida sem justa causa
ou indireta) ou 20%, no caso de culpa recíproca ou força maior, do montante de todos os depósitos rea-
lizados na conta vinculada do FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetaria-
mente e acrescidos dos respectivos juros, devem ser depositados por meio da Guia de Recolhimento
Rescisório do FGTS (GRRF).

Importante
Lembrar que, nas rescisões contratuais ocorridas por acordo entre empregado e empregador (possibilidade instituída
pela Reforma Trabalhista), a multa rescisória do FGTS é reduzida pela metade.

IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)


Incide o IRRF, no mês de dezembro ou da rescisão contratual, conforme o caso, sobre o valor total
do 13º salário (1ª e 2ª parcelas), separadamente dos demais rendimentos pagos, mediante a utilização
da respectiva tabela progressiva vigente no mês de dezembro ou da rescisão, podendo ser feitas no ren-
dimento bruto todas as deduções permitidas para fins de determinação da base de cálculo do imposto.

Exemplo
Empregado com remuneração mensal de R$ 8.500,00 em dezembro/2020, com 2 dependentes para fins de IR.
Assim, temos:
Remuneração integral de 13º salário/2020
(1ª + 2ª parcelas) = R$ 8.500,00
Desconto de INSS = R$ 713,08
Desconto relativo aos dependentes = R$ 379,18
Base de incidência do IR R$ 7.407,74
Imposto de Renda (27,5%) R$ 2.037,12
Parcela a deduzir = R$ 869,36
Total do Imposto de Renda a reter = R$ 1.167,76
198 Guia de Cálculos Trabalhistas

Importante
O trabalho intermitente é uma figura nova criada pela Reforma Trabalhista, instituída pela Lei nº 13.467/2017, em vigor des-
de 11.11.2017. Determina a lei em comento que, havendo o chamamento para o trabalho, ao final de cada período de pres-
tação de serviço, o empregado receberá, de imediato, o pagamento, entre outras parcelas, do 13º salário proporcional.
Haverá, portanto, pagamento de 13º salário em mais de 2 parcelas, ou seja, se o empregado for chamado no ano 4 vezes,
haverá 4 parcelas de 13º salário. Como o chamamento ao trabalho só ocorre em caso de necessidade, não há como
prever qual será o último chamamento do ano, a fim de apurar a parcela final do 13º salário.
O empregador efetuará o recolhimento das contribuições previdenciárias próprias e do empregado e o depósito do
FGTS com base nos valores pagos no período mensal e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas
obrigações.

Dicas do eSocial
No eSocial, as informações relativas ao 13º salário (integral e proporcional, etc.) serão lançadas nos eventos:
S-1010 - Tabela de Rubricas;
S-1200 - Remuneração do Trabalhador vinculado ao Regime Geral de Previdência Social;
S-1210 - Pagamentos de Rendimentos do Trabalho;
S-2299 - Desligamento.
Lembramos, porém que no processo de simplificação do eSocial, será criada uma tabela de rubrica padrão com as
incidências aplicáveis em cada uma. Se a empresa adotar a tabela padrão ficará dispensada de enviar o evento S-1010.
Está prevista também a unificação dos eventos S-1200 e S-1210.
CAPÍTULO VII
CONTRATO DE TRABALHO
INTERMITENTE
CONTRATO DE TRABALHO INTERMITENTE
É considerado intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordi-
nação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inativida-
de, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e
do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria.

O contrato de trabalho intermitente será celebrado por escrito e registrado na Carteira de Traba-
lho, ainda que previsto em acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva, e conterá:
a) identificação, assinatura e domicílio ou sede das partes;
b) valor da hora ou do dia de trabalho, que não poderá ser inferior ao valor horário ou diário do
salário mínimo, nem inferior àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que
exerçam a mesma função, assegurada a remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
c) o local e o prazo para o pagamento da remuneração.

É ainda, facultado às partes convencionar por meio do contrato de trabalho intermitente:


a) locais de prestação de serviços;
b) turnos para os quais o empregado será convocado para prestar serviços;
c) formas e instrumentos de convocação e de resposta para a prestação de serviços;

CONVOCAÇÃO
O empregador convocará o empregado para o trabalho, com antecedência mínima de 3 dias cor-
ridos, sendo aceita como válida a comunicação feita por qualquer meio de comunicação eficaz (e-mail,
whatsapp, telegrama, carta, etc.). Recomenda-se, portanto, que seja utilizada forma de comunicação
passível de ser comprovada. A informação deverá esclarecer qual será a jornada.

Após o recebimento da convocação, o empregado terá o prazo de 1 dia útil para responder ao
chamado. Caso não o faça no mencionado prazo, será caracterizada a recusa, a qual, para este tipo de
contrato, não descaracteriza a subordinação.

A recusa também não pode ser entendida como ato faltoso de insubordinação do empregado.

Constatada a prestação dos serviços pelo empregado, estarão satisfeitos os prazos mencionados
anteriormente.

Aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, a parte que descumprir, sem justo motivo,
pagará à outra parte, no prazo de trinta dias, multa de 50% da remuneração que seria devida, permitida
a compensação em igual prazo.

Na hipótese de o período de convocação exceder um mês, o pagamento das parcelas devidas não poderá ser estipulado
por período superior a um mês, contado a partir do primeiro dia do período de prestação de serviço e deve ocorrer até
o 5º útil do mês seguinte ao trabalhado.
200 Guia de Cálculos Trabalhistas

PERÍODO DE INATIVIDADE
Considera-se período de inatividade o intervalo temporal distinto daquele para o qual o emprega-
do intermitente haja sido convocado e tenha prestado serviços.

Durante o período de inatividade, o empregado poderá prestar serviços de qualquer natureza a


outros tomadores de serviço, que exerçam ou não a mesma atividade econômica, utilizando contrato de
trabalho intermitente ou outra modalidade de contrato de trabalho.

O período de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador e não será
remunerado, hipótese em que restará descaracterizado o contrato de trabalho intermitente caso haja
remuneração por tempo à disposição no período de inatividade.

REMUNERAÇÃO
Ao final de cada período de prestação de serviços, o empregado receberá, de imediato, as seguin-
tes parcelas:
a) remuneração relativa ao período trabalhado;
b) repouso semanal remunerado correspondente;
c) férias proporcionais com acréscimo do terço constitucional;
d) 13º salário proporcional;
e) adicionais legais.

O recibo de pagamento deverá conter a discriminação dos valores pagos relativos a cada uma das
parcelas devidas.

Exemplo
Empregado foi convocado para trabalhar com jornada de 7 horas diárias, de segunda a sábado, no período de 1º
a 25.02.2020. Aceita a convocação e presta os serviços.
Considerando que o seu salário/hora seja de R$ 25,00, temos:
a) nº de dias úteis (segunda-feira a sábado) no período de 1º a 25.02.2020 = 21
b) horas trabalhadas no período = 147
c) dias de RSR no período = 4
Cálculo
a) Remuneração das horas trabalhadas = R$ 3.675,00 (R$ 25,00 × 147)
b) RSR = R$ 700,00 (R$ 25,00 × 7 × 4)
c) Remuneração Total = R$ 4.375,00 (R$ 3.675,00 + R$ 700,00)
d) Férias proporcionais (1/12) = R$ 364,58 (R$ 4.375,00 ÷ 12)
e) Terço constitucional sobre férias = R$ 121,53 (R$ 364,58 ÷ 3)
f) 13º salário proporcional (1/12) = R$ 364,58 (R$ 4.375,00 ÷ 12)
Total bruto devido ao empregado: R$ 5.225,69 (R$ 4.375,00 + R$ 364,58 + R$ 121,53 + R$ 364,58)

Na hipótese de o período de convocação exceder um mês, o pagamento das parcelas devidas não poderá ser estipulado
por período superior a um mês, devendo ocorrer até o 5º dia útil do mês subsequente.
Guia de Cálculos Trabalhistas 201

ENCARGOS LEGAIS
O empregador efetuará o recolhimento das contribuições previdenciárias próprias e do empre-
gado e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com base nos valores pagos no
período mensal, e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas obrigações.

Para efeitos previdenciários, considera-se ocorrido o fato gerador da contribuição quando for
paga, devida ou creditada, o que ocorrer primeiro, a remuneração acrescida das parcelas mencionadas
anteriormente.

Lembra-se que a contribuição do empregado contratado para trabalho intermitente é calculada


até fevereiro/2020, mediante aplicação da alíquota de 8%, 9% ou 11% sobre o salário-de-contribuição
correspondente, de acordo com a tabela publicada periodicamente pelo Ministério da Economia.
Tabela de contribuição do empregado para pagamento entre 1º.01 a 29.02.2020
ALÍQUOTA NÃO CUMULATIVA PARA
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
FINS DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.830,29 8%
de 1.830,30 até 3.050,52 9%
de 3.050,53 até 6.101,06 11%

Desde 1º.03.2020, por força da Emenda Constitucional nº 103/2019, as alíquotas de contribuição


previdenciária dos empregados, domésticos e avulsos, são de 7,5%, 9%, 12% e 14% e são aplicadas de
forma progressiva sobre o salário de contribuição, incidindo cada alíquota sobre a faixa de valores com-
preendida nos respectivos limites, conforme a tabela a seguir (Portaria SEPRT nº 3.659/2020).
ALÍQUOTA PROGRESSIVA PARA FINS
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO (R$)
DE RECOLHIMENTO AO INSS
até 1.045,00 7,5%
de 1.045,01 até 2.089,60 9%
de 2.089,61 até 3.134,40 12%
de 3.134,41 até 6.101,06 14%

FÉRIAS
A cada 12 meses (período aquisitivo), o empregado adquire direito a usufruir, nos 12 meses subse-
quentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços pelo mesmo
empregador.

O empregado, mediante prévio acordo com o empregador, poderá usufruir suas férias em até três
períodos.

Lembre-se, porém, de que a remuneração relativa às férias já foram pagas no curso do ano, de
forma proporcional, ao final de cada período de prestação de serviços.

O fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a parcela relativa às férias propor-
cionais ocorrerá mensalmente quando essas parcelas forem pagas, devidas ou creditadas.

Outra questão a ressaltar é que este empregado pode nunca ter direito ao repouso relativo às
férias, uma vez que, embora esteja em gozo de férias em relação a um empregador, poderá estar sendo
convocado para o trabalho em relação aos demais.

Ainda, a norma estabelece que o empregado terá um mês de férias. Entretanto, conforme estabe-
lece a CLT, as férias são concedidas em dias e não em mês. Pretendeu o legislador criar um novo cálculo
de férias ou se trata de um equívoco?
202 Guia de Cálculos Trabalhistas

SALÁRIO-MATERNIDADE
O salário-maternidade devido à empregada contratada para trabalho intermitente constitui base
de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo contratante.

A base de cálculo da contribuição será o valor correspondente à soma das remunerações pagas
no período de 12 meses anteriores à data de início do pagamento do salário-maternidade, dividido pelo
número de meses em que houve pagamento de remuneração.

A contribuição devida pela segurada empregada contratada para trabalho intermitente, incide
sobre a parcela do 13º salário proporcional aos meses em que houve pagamento de salário-maternidade.

RESCISÃO CONTRATUAL E VERBAS DEVIDAS


As verbas rescisórias e o aviso-prévio serão calculados com base na média dos valores recebidos
pelo empregado no curso do contrato de trabalho intermitente. No cálculo da referia média serão con-
siderados apenas os meses durante os quais o empregado tenha recebido parcelas remuneratórias no
intervalo dos últimos 12 meses (ou o período de vigência do contrato de trabalho intermitente, se este
for inferior).

Exemplo
Considerando que o trabalhador no ano de 2019 prestou serviços intermitentes em apenas 2 oportunidades,
tendo auferido os seguintes valores:
Novembro - R$ 1.500,00 (já inseridos os RSR)
Dezembro - R$ 1.600,00 (já inseridos os RSR)
Cálculo da média mensal
R$ 1.5000 + R$ 1.600 = R$ 3.100,00 ÷ 2 = R$ 1.550,00
CAPÍTULO VIII
AVISO-PRÉVIO

A Constituição Federal/1988, art. 7º, XXI, prevê que é direito dos trabalhadores urbanos e rurais,
além de outros que visem à melhoria de sua condição social, o aviso-prévio proporcional ao tempo de
serviço, sendo no mínimo de 30 dias, nos termos da Lei.

O aviso-prévio é concedido nos contratos a prazo indeterminado e a prazo determinado, desde


que, neste último, haja expressa cláusula assecuratória de direito recíproco de rescisão antecipada e tal
direito seja exercido por qualquer das partes.

Concedido pelo empregador, possibilita ao empregado a procura de novo emprego. Por outro
lado, se o empregado pede demissão, a finalidade é dar ao empregador a oportunidade de contratar
outro empregado para o cargo.

Importante
A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a Reforma Trabalhista, cujos efeitos vigoram desde 11.11.2017, acresceu o art. 611-B à CLT
para determinar, entre outras disposições, que constitui objeto ilícito de documentos coletivos de trabalho (acordo e
convenção) a supressão ou redução do aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de 30 dias, nos
termos da lei.

INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO


O prazo correspondente ao aviso-prévio conta-se a partir do dia seguinte ao da comunicação, que
será formalizada por escrito.

Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço


A Lei nº 12.506/2011 determinou que o aviso-prévio será concedido na proporção de 30 dias aos em-
pregados que contem até 1 ano de serviço na mesma empresa. A este aviso serão acrescidos 3 dias por
ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 dias, perfazendo um total de até 90 dias.

CONTAGEM DO PRAZO PROPORCIONAL - ENTENDIMENTOS DOUTRINÁRIOS - CONTROVÉRSIAS


O texto da Lei nº 12.506/2011 foi sucinto, lacônico, não trazendo os esclarecimentos necessários
sobre as várias implicações legais decorrentes da aplicação do aviso-prévio proporcional ao tempo de
serviço. Daí o surgimento de várias correntes de entendimento acerca da contagem do prazo do aviso-
-prévio proporcional ao tempo de serviço:
a) a primeira corrente sustenta que em razão do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.506/2011
dispor que “ao aviso-prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por ano de ser-
viço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de
até 90 (noventa) dias”, conclui-se ser devido o acréscimo de 3 dias a cada ano trabalhado pelo
empregado, ou seja, para efeito da contagem dos 3 dias de acréscimo deve ser considerado o
ano completo de atividade, uma vez que a lei não fez menção a frações de ano. Entretanto, há
divergência com relação à contagem:
204 Guia de Cálculos Trabalhistas

a.1) alguns doutrinadores sustentam que o acréscimo de 3 dias a cada ano trabalhado pelo
empregado, será devido após completar 1 ano seguinte àquele que lhe garantiu os 30
dias iniciais, ou seja, com 2 anos completos de serviço ao mesmo empregador, estarão
garantidos 33 dias de aviso, equivalentes aos 30 dias do 1º ano e mais 3 dias do 2º ano, e
assim sucessivamente, de modo que o período máximo de 90 dias de aviso-prévio só será
garantido ao empregado com 21 anos ou mais de serviço prestado na mesma empresa;
a.2) outros alegam que na aplicação da proporcionalidade o primeiro ano de trabalho deve ser
considerado, pois não há previsão legal para sua exclusão. Desta forma, um empregado
com exatos 12 meses de serviço teria direito a 33 dias de aviso-prévio, pois segundo esta
corrente de entendimento, uma vez completado o primeiro ano, este lapso deve ser com-
putado;
b) a 2ª corrente de entendimento sustenta que a fração de ano deve ser considerada na aplica-
ção da norma. Dentre os que abraçam esta corrente há, também, divergência ainda quanto à
fração de ano a ser considerada;
b.1) alguns defendem a posição de que a partir do primeiro dia de trabalho após os 12 primei-
ros meses já seria assegurado ao empregado a contagem de mais 3 dias de aviso-prévio.
Assim, o empregado com 12 meses e 1 dia de trabalho ao ser dispensado sem justa causa
fará jus ao aviso-prévio de 33 dias;
b.2) outros alegam que o acréscimo de 3 dias seria devido quando o empregado tiver traba-
lhado pelo menos 6 meses após o ano completo, por analogia ao disposto no art. 478 da
CLT o qual determina que o cálculo da indenização decenal devida na rescisão do con-
trato a prazo indeterminado deve ser calculada considerando o ano de serviço ou o ano e
fração igual ou superior a 6 meses.

Posição do antigo Ministério do Trabalho (MTb) divulgada por meio de nota técnica

No ano da publicação da lei (2011), a Secretaria de Relações do Trabalho (SRT), no intuito de orientar
os servidores das seções de relações do trabalho, divulgou o Memo. Circular nº 10/2011 esclarecendo,
entre outros, que:

5. O aviso-prévio proporcional terá uma variação de 30 a 90 dias, dependendo do tempo de serviço na em-
presa. Dessa forma, todos terão no mínimo 30 dias durante o primeiro ano de trabalho, somado a cada ano
mais três dias, devendo ser considerada a projeção do aviso-prévio para todos os efeitos. Assim, o acréscimo
de que trata o parágrafo único da lei, somente será computado a partir do momento em que se configure
uma relação contratual de dois anos ao mesmo empregador.

Observa-se, portanto, que até então, o antigo MTb entendia que apenas após o 2º ano completo
de prestação de serviço ao mesmo empregador o empregado teria direito ao acréscimo proporcional ao
tempo de serviço.

Posteriormente (maio/2012) foi divulgada no site do antigo MTb a Nota Técnica CGRT/SRTMTE
nº 184/2012, a qual, entre outros, esclarece:

2. Do lapso temporal do aviso em decorrência da aplicação da regra da proporcionalidade

O aviso-prévio proporcional terá uma variação de 30 a 90 dias, conforme o tempo de serviço na empresa.
Dessa forma, todos os empregados terão no mínimo 30 dias durante o primeiro ano de trabalho, somado a
cada ano mais três dias, devendo ser considerada a projeção do aviso-prévio para todos os efeitos. Assim, o
acréscimo de que trata o parágrafo único da lei, somente será computado a partir do momento em que se
configure uma relação contratual que supere um ano na mesma empresa. (grifo nosso)
Guia de Cálculos Trabalhistas 205

Após a explicação divulgou a tabela reproduzida a seguir:

TEMPO DE SERVIÇO AVISO-PRÉVIO PROPORCIONAL


(ANOS COMPLETOS) AO TEMPO DE SERVIÇO (Nº DE DIAS)

0 30

1 33

2 36

3 39

4 42

5 45

6 48

7 51

8 54

9 57

10 60

11 63

12 66

13 69

14 72

15 75

16 78

17 81

18 84

19 87

20 90

Nota-se que, se no entender do antigo MTb, conforme informado no item 2 da Nota Técnica
nº 184/2012, o acréscimo de 3 dias só é devido na relação contratual que supere 1 ano, a tabela anterior-
mente transcrita está em desacordo com este entendimento, pois, na coluna relativa a 1 ano completo
de atividade encontramos a informação de ser devido 33 dias de aviso.

Ademais, o mesmo entendimento do antigo MTb encontra-se repetido no item III (Conclusão) da
mencionada Nota Técnica que esclarece:

3) o acréscimo de 3 (três) dias por ano de serviço prestado ao mesmo empregador, computar-se-á a partir
do momento em que a relação contratual supere um ano na mesma empresa.

Nota
Lembramos que as Notas Técnicas não são divulgadas no Diário Oficial da União (DOU) e não têm força coercitiva, apenas
divulgam o entendimento do órgão público sobre determinado tema.
206 Guia de Cálculos Trabalhistas

Posição de renomados juristas acerca do tema


Em pesquisa efetuada em 28.08.2014 encontramos artigos de renomados juristas acerca do tema
em comento, os quais reproduzimos, parcialmente, a seguir.

Dr. Sérgio Pinto Martins - Desembargador do TRT da 2ª Região - Professor titular de Direito do Trabalho da
Faculdade de Direito da USP

[...]

O art. 1º da Lei nº 12.506 é claro no sentido de que o aviso-prévio “será concedido na proporção de 30 (trinta)
dias aos empregados que contem até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa”. Logo, tendo o empregado
apenas um ano de empresa ou apenas 12 meses de empresa, faz jus a 30 dias de aviso-prévio.

Para cada ano de serviço haverá acréscimo de três dias no aviso-prévio de 30 dias. É preciso que o ano seja
completo, pois a lei faz referência a três dias por ano de serviço prestado na mesma empresa.

Se o empregado tiver um ano e seis meses de casa, terá direito apenas a 30 dias de aviso-prévio, pois ainda
não tem dois anos de empresa para se falar em 33 dias de aviso-prévio.

[...].

Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho - Mestre e Doutorando em Direito do Trabalho pela USP, Professor de
Direito do Trabalho e Processo do Trabalho em Diversos Cursos de Graduação e Pós-Graduação, Membro
pesquisador do Instituto Brasileiro de Direito Social Cesarino Júnior, Advogado Militante. Autor de obras e
artigos jurídicos

[...]

No silêncio da norma, há que se concluir que os três dias a mais de aviso-prévio serão devidos a partir de
cada aniversário. Quando, entretanto, o empregador dispensar os trabalhadores com salário muito alto ime-
diatamente antes de completar mais um ano de contrato de trabalho, deverá ele incluir nos dias de trabalho
ou no pagamento mais três dias de aviso-prévio.

[...].

Dr. Paulo Jakutis - Juiz do Trabalho

[...]

O legislador optou por um mecanismo menos ousado que aqueles indicados pelos debates no STF. Manteve
os trinta dias tradicionais do aviso-prévio para o primeiro ano de emprego do trabalhador e, a partir do segundo
(não fazendo menção alguma a fração de ano, destaco3), acrescentou três dias de benefício para cada ano
trabalhado. Dessa forma, se o trabalhador laborou cinco anos e seis meses na empresa, nos termos da nova
legislação, deveria fazer jus a um aviso-prévio de 62 (sessenta e dois) dias, ou seja, trinta dias em razão do
primeiro ano e mais três dias para cada um dos demais (quatro) anos que completou na empresa. No caso
do empregado que venha a ser despedido depois de dez anos e dois meses de emprego, o raciocínio seria
o mesmo: trinta dias para o primeiro ano e mais vinte e sete dias em razão de outros três dias para cada um
dos nove anos restantes de trabalho.

3. Algumas interpretações têm surgido no sentido de que o empregado que completa 12 meses de contra-
to teria direito a um aviso-prévio de 33 dias, pois receberia 30 dias em razão do primeiro ano e 3 dias pela
projeção do aviso-prévio para o ano seguinte. Ocorre que o texto legal dispõe que o acréscimo ocorre por
ano prestado, ou seja, ano trabalhado e não parcela ou fração do ano. Outra interpretação com que travei
contato foi no sentido que o primeiro ano de trabalho já significaria o direito a 33 dias de aviso-prévio, mas
essa possibilidade parece contrariar ainda mais o texto do dispositivo legal.

[...].
Guia de Cálculos Trabalhistas 207

Guilherme Guimarães Ludwig - Juiz do Trabalho no TRT da 5ª Região/BA, Ex-Membro do Conselho Consul-
tivo da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (2005-2011), Mestre em Direito Público
pela Universidade Federal da Bahia, Extensão Universitária em Economia do Trabalho pelo Cesit/Unicamp

[...]

[...] Por outro lado, a Lei nº 12.506/2011 fixa uma constante de proporcionalidade, na razão de três dias para cada
ano de serviço prestado na empresa, silenciando quanto às frações de tempo de serviço inferiores a um ano.

Nesse particular, entendemos que a nova lei regula suficiente e razoavelmente a proporcionalidade consignada
no inciso XXI do art. 7º da Constituição, tendo o legislador claramente eleito a unidade temporal correspon-
dente ao ano para a contagem da variável tempo de serviço do empregado. Não se tratou de frações, mas
exclusivamente do ano completo.

[...].

Lírio Denoni - Professor das Faculdades Inesc, Advogado do Escritório Lírio Denoni Sociedade de Advogados

[...]

Segundo a nova lei, o aviso-prévio será de 30 dias para os empregados que tenham até 1 (um) ano de em-
prego. Daí por diante, a cada ano de emprego, o empregado terá direito a um acréscimo de 3 (três) dias no
prazo do aviso-prévio, até o limite de 60 (sessenta) dias de acréscimo, perfazendo um total de, no máximo,
90 (noventa) dias.

Portanto, podemos elaborar a seguinte tabela:


PRAZO DO AVISO-
TEMPO DE EMPREGO
PRÉVIO (DIAS)
Até 1 ano 30
2 anos 33
3 anos 36
4 anos 39
5 anos 42
6 anos 45
7 anos 48
8 anos 51
9 anos 54
10 anos 57
11 anos 60
12 anos 63
13 anos 66
14 anos 69
15 anos 72
16 anos 75
17 anos 78
18 anos 81
19 anos 84
20 anos 87
21 anos ou mais 90
208 Guia de Cálculos Trabalhistas

[...].
Sonia Mascaro Nascimento - Mestre e Doutora em Direito do Trabalho
[...]
Aplicação da regra de acréscimo de 3 dias por ano de serviço.
A Lei 12.503/2011 estipula que a proporcionalidade do aviso-prévio prevista no artigo 7º, XXI da Constituição,
passa a ser computada a partir do primeiro ano de contrato do empregado, de forma que, para contratos com
prazos inferiores a esse, aplica-se o mínimo constitucional de 30 dias. Assim, depois de completar um ano
no emprego, o trabalhador terá direito ao acréscimo de 3 dias ao aviso-prévio por ano de serviço prestado,
com a limitação de que não ultrapassem 60 dias de acréscimo.
Por exemplo: um empregado com 2 anos completos de trabalho na empresa terá direito a 33 dias de aviso-
-prévio; um empregado com 3 anos de trabalho terá direito a 36 dias; e assim sucessivamente até que para
21 anos ou mais de serviço prestado o empregado terá direito a 90 dias de aviso-prévio.
[...].
Não obstante a posição dos renomados juristas anteriormente transcritas, há, também jurista não
menos renomado, com posição de que na contagem do acréscimo será considerado o primeiro ano
completo de atividade.
Gustavo Filipe Barbosa Garcia - Doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo,
Livre-Docente pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Professor Universitário em Cursos
de Graduação e Pós-Graduação em Direito, Procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho da
2ª Região, Ex-Juiz do Trabalho das 2ª, 8ª e 24ª Regiões, Ex-Auditor Fiscal do Trabalho
[...]
Manteve-se o prazo mínimo de 30 dias de aviso-prévio, devido aos empregados com até um ano de serviço
ao empregador (nas hipóteses de dispensa sem justa causa e despedida indireta). Após esse primeiro ano,
o empregado passa a ter o direito ao acréscimo de três dias de aviso-prévio, por ano de serviço prestado ao
mesmo empregador.
A interpretação lógica e teleológica do preceito deve ser no sentido de que esse acréscimo decorre da maior
duração do mesmo contrato individual de trabalho, firmado entre empregado e empregador, levando em
conta, quanto a este, as hipóteses de sucessão trabalhista (arts. 10 e 448 da CLT).
O limite máximo de acréscimo é de 60 dias, os quais, somados aos 30 dias iniciais, resultam no aviso-prévio
total de 90 dias.
Não há uma tabela expressa na lei, com o escalonamento dos prazos de aviso-prévio devidos. Embora a re-
dação dos dispositivos não seja totalmente clara, é certo que os empregados com “até 1 (um) ano de serviço
na mesma empresa” têm direito ao aviso-prévio de 30 dias (art. 1º, caput - destaquei).
Logo, os empregados com mais de 12 meses de serviço prestado na mesma empresa passam a ter direito
ao acréscimo no aviso-prévio, na proporção de “3 (três) dias por ano de serviço prestado na mesma empresa”
(parágrafo único).
Exemplificando, o empregado com um ano e quatro meses de serviço, justamente por ter mais de um ano
de serviço na empresa (art. 1º, caput, a contrario sensu) e por ter completado um ano de serviço (parágrafo
único), ao ser dispensado sem justa causa, passa a ter direito a 33 dias de aviso-prévio.

Tanto é assim que o parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.506/2011 não dispõe que o acréscimo de três dias
decorre de cada novo ano de serviço prestado depois de se completar o primeiro, mas sim que ao aviso-prévio
(de 30 dias) “serão acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço prestado na mesma empresa”.

Ou seja, o empregado com 11 meses de serviço tem direito ao aviso-prévio de 30 dias, por estar inserido na
hipótese de “até 1 ano de serviço” (art. 1º, caput).
Guia de Cálculos Trabalhistas 209

Nessa linha de entendimento, ao ultrapassar os 12 meses iniciais de serviço, o empregado passa a ter direito
ao aviso-prévio de 33 dias (parágrafo único). Ou seja, a partir de (após) 12 meses de serviço, até dois anos, o
aviso-prévio devido (em caso de dispensa sem justa causa ou despedida indireta) é de 33 dias.
Após dois anos de serviço, mas até três anos, o aviso-prévio total é de 36 dias, e assim sucessivamente.
[...].

Jurisprudência
No âmbito jurisprudencial verifica-se que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem decidido no
sentido de incluir na contagem do aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço o primeiro ano de tra-
balho na empresa, conforme se verifica nas decisões a seguir reproduzidas.
[...] Aviso-prévio proporcional - Cada ano de serviço na mesma empresa gera direito ao acréscimo de três
dias no prazo de seu aviso-prévio, não havendo que se falar em exclusão do primeiro ano de serviço, para o
cômputo do aviso-prévio proporcional, nos termos do art. 1º, da Lei nº 12.506/2011. Julgados. Recurso de re-
vista não conhecido. (TST - RR 57-65.2014.5.06-0121 - 8ª Turma - Rel. Min. Márcio Eurico Vitral - DJe 19.05.2017)
[...] Aviso-prévio proporcional - Contagem - Acréscimo dos primeiros três dias - Interpretação da Lei
nº 12.506/2011 - O entendimento predominante no âmbito desta Corte, acerca da interpretação da Lei
nº 12.506/2011, que em seu artigo 1º, parágrafo único, previu o acréscimo de três dias por ano de serviço pres-
tado na mesma empresa, até o máximo de sessenta dias, é de que os primeiros três dias são acrescidos a
partir do término do primeiro ano, ainda que não se tenha completado o segundo ano de serviço, não havendo
como excluir o primeiro ano de serviço do cômputo do aviso-prévio proporcional, por falta de previsão legal.
Estando a decisão de acordo com a jurisprudência desta Corte, não se conhece da Revista, nos termos do
artigo 896, § 7º, da CLT. Recurso de Revista não conhecido. (TST - ARR 689-39.2014.5.09-0661 - 4ª Turma - Relª
Min. Maria de Assis Casting - DJe 12.05.2017)
[...] 2 - Aviso-prévio proporcional - Rescisão do contrato na vigência da Lei 12.506/2011 - É pacífica a jurispru-
dência do TST no sentido de que o aviso-prévio de 30 dias incide apenas nos contratos de trabalho que não
superem 1 (um) ano de vigência. Consequentemente, quando o contrato ultrapassa 1 (um) ano, já é devido
o acréscimo de 3 (três) dias a ano, nos termos do artigo 1º, parágrafo único, da Lei12.506/2011. No caso dos
autos, em que o contrato de trabalho perdurou por mais de 2 anos, são devidos 36 dias de aviso-prévio. Re-
curso de revista conhecido e provido. (TST - ARR 1566-39.2013.5.12-0011 - 7ª Turma - Rel. Min. Douglas Alencar
Rodrigues - DJe 19.12.2016)

Reproduzimos a seguir algumas ementas de decisões de Tribunais Regionais do Trabalho acerca


do tema.
Aplicação da proporcionalidade considerando o ano completo de atividade sem considerar o 1º ano
Aviso-prévio - Acréscimo proporcional - Contagem - Início - “Aviso-prévio. Acréscimo proporcional. Conta-
gem. A contagem do aviso-prévio proporcional da Lei nº 12.506, publicada em 13 de outubro de 2011, é feita
excluindo-se o primeiro ano de serviço e a fração final que não completa 12 (doze) meses, pois se trata de um
acréscimo cujo parâmetro determinante do direito é o tempo de serviço na unidade ano”. (TRT 12ª Região - RO
0001591-35.2012.5.12.0028 - 5ª C. - Relª Juíza Maria de Lourdes Leiria - DJe 07.05.2013)
Aviso-prévio - Acréscimo proporcional - Contagem - A contagem do aviso-prévio proporcional da Lei nº 12.506,
publicada em 13 de outubro de 2011, é feita excluindo-se o primeiro ano de serviço e a fração final que não
completa 12 (doze) meses, pois se trata de um acréscimo cujo parâmetro determinante do direito é o tempo
de serviço na unidade ano. (TRT 12ª Região - RO 01591-2012-028-12-00-4 - 5ª C. - Relª Maria de Lourdes Leiria
- J. 30.04.2013)
Aviso-prévio proporcional - Contagem - De acordo com o artigo 1º, da Lei nº 12.506/11, se o empregado tiver
um ano de casa, tem direito a aviso-prévio de 30 dias. Dispõe o parágrafo único do artigo 1º que ao aviso-
-prévio previsto no artigo, ou seja, que é de 30 dias para quem tem um ano de serviço, serão acrescidos três
210 Guia de Cálculos Trabalhistas

dias por ano de serviço prestado na mesma empresa. Isso significa que o ano é contado depois dos primeiros
12 meses, porque com 12 meses, não faz jus a 33 dias de aviso-prévio. A lei em exame não contemplou ano
incompleto de trabalho. Logo, ainda que o autor tenha trabalhado por mais de dois anos faz jus a 33 dias de
aviso-prévio proporcional. Recurso ordinário da reclamada a que se dá provimento, neste aspecto. (TRT 2ª
Região - RO 00010732520125020254 - (20140188309) - 18ª T. - Relª Juíza Maria Cristina Fisch - DOE/SP 17.03.2014)
[...] 2. Aviso-prévio - Lei nº 12.506/2011 - Contagem - Consoante a Lei 12.506/2011, o aviso-prévio de trinta dias
será concedido aos empregados que possuem até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa (caput), acrescidos
três dias por ano de serviço (parágrafo único). Para este mister, a contagem proporcional não considera o ano
inicial, somente se iniciando após o primeiro ano de trabalho, pois a este se aplica a regra geral dos trinta dias.
(TRT 10ª Região - RO 755-58.2012.5.10.0015 - Rel. Des. Dorival Borges de Souza Neto - DJe 09.08.2013 - p. 60)
Aplicação da proporcionalidade considerando o ano completo de atividade, mas silente no que tange à
inclusão ou não do 1º ano
Aviso-prévio proporcional - Contagem do prazo - A Lei nº 12.506/2011 não permite dúvida quanto à interpre-
tação ao seu conteúdo, claramente garantindo ao empregado o pagamento de aviso-prévio proporcional
composto do lapso mínimo de 30 (trinta) dias, e acrescido de 3 (três) dias para cada ano de serviço completo
prestado em favor da mesma empresa. (TRT 12ª Região - RO 0000602-73.2013.5.12.0002 - 6ª C. - Relª Teresa
Regina Cotosky - DJe 26.09.2013)
Aviso-prévio proporcional - Contagem do prazo - A Lei nº 12.506/2011 não permite dúvida quanto à interpre-
tação ao seu conteúdo, claramente garantindo ao empregado o pagamento de aviso-prévio proporcional
composto do lapso mínimo de 30 (trinta) dias, e acrescido de 3 (três) dias para cada ano de serviço completo
prestado em favor da mesma empresa. (TRT 12ª Região. - RO 0002809-18.2013.5.12.0011 - 6ª C. - Relª Teresa
Regina Cotosky - DJe 13.06.2014)
Aviso-prévio proporcional - Lei 12.506/11 - Contagem - O parágrafo único do art. 1º da Lei 12.506/11 dispõe
que o aviso-prévio proporcional deverá ser acrescido de 3 (três) dias para cada ano completo de serviço
até o máximo de 60 (sessenta dias), perfazendo, no total, 90 (noventa) dias. Observância dos critérios es-
tabelecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego - MTE mediante a edição da Nota Técnica nº 184/2012/
CGRT/SRT/MTE. (TRT 4ª Região - RO 0000015-36.2012.5.04.0252 - 7ª T. - Rel. Des. Marcelo Gonçalves de
Oliveira - DJe 13.12.2013)
Aviso-prévio proporcional - Contagem - Com a edição da Lei nº 12.506/2011, o empregado faz jus ao aviso-
-prévio com duração mínima de 30 (trinta) dias e a um acréscimo de 3 (três) dias para cada ano completo de
serviço, limitado a 90 (noventa) dias. Observância do disposto na Nota Técnica nº 184/2012 do MTE. (TRT 18ª
R. - RO 2416-74.2012.5.18.0007 - 1ª T. - Rel. Eugênio José Cesário Rosa - DJe 12.12.2013 - p. 91)
Recurso ordinário - Rito sumaríssimo - Aviso-prévio proporcional - Contagem - Com a edição da Lei nº
12.506/2011, o empregado faz jus ao aviso-prévio com duração mínima de 30 (trinta) dias e a um acréscimo
de 3 (três) dias para cada ano completo de serviço, limitado a 90 (noventa) dias. Observância do disposto
na Nota Técnica nº 184/2012 do MTE. (TRT 18ª R. - RO 955-73.2012.5.18.0102 - Rel. Daniel Viana Júnior - DJe
22.10.2012 - p. 83)
Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço - Contagem - Lei nº 12.506/11 - Nos termos da referida Lei, o
aviso-prévio de que trata o Capítulo VI do Título IV da CLT, será concedido na proporção de 30 (trinta) dias
aos empregados que laboram até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa. Nele, serão acrescidos 3 (três)
dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um
total de até 90 (noventa) dias. Ou seja, o tempo mínimo devido a todos os empregados é de 30 (trinta) dias
durante o primeiro ano de trabalho. Uma vez completado esse período, deve ser somado, a cada ano, mais
três dias, considerando a projeção do aviso-prévio para todos os efeitos. Nesse sentido, inclusive, foi a Nota
Técnica nº 184/2012/CGRT/SRT/MTE, editada pelo Ministério do Trabalho e Emprego para esclarecer os pontos
controversos da nova lei. (TRT 8ª Região - RO 0000240-46.2013.5.08.0111 - Rel. Jose Edilsimo Eliziario Bentes
- DJe 23.05.2014 - p. 10)
Guia de Cálculos Trabalhistas 211

Aplicação da proporcionalidade considerando o ano completo de atividade, mas determinando a inclusão


do 1º ano
[...] Aviso-prévio proporcional - Contagem - Estabelece o art. 1º da Lei 12.506/2011 que o aviso-prévio “será
concedido na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contém até 1 (um) ano de serviço na mesma
empresa”. Já o parágrafo único da referida norma dispõe que ao aviso-prévio “serão acrescidos 3 (três) dias por
ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de até 90
(noventa) dias”, inexistindo previsão legal para a exclusão do primeiro ano de serviço na contagem do aviso-prévio
proporcional - . (TRT 17ª R. - RO 0080300-61.2013.5.17.0141 - Rel. Des. José Luiz Serafini - DJe 15.08.2014 - p. 127)
Aviso-prévio proporcional - Contagem - A Lei nº 12.506/2011, que regulamentou o aviso-prévio proporcional
ao tempo de serviço do empregado, estabelece a proporcionalidade como direito dos empregados, a partir
de um ano completo de serviço, à base de três dias por ano de serviço prestado na mesma entidade empre-
gadora até o máximo de 60 dias de proporcionalidade, perfazendo um total de 90 dias. Não há se falar em
exclusão do primeiro ano de serviço, para o cômputo do aviso-prévio proporcional, por ausência de previsão
legal. (TRT 17ª Região - RO 0038400-94.2013.5.17.0013 - Relª Desª Carmen Vilma Garisto - DJe 16.07.2014 - p. 103)
Aviso-prévio proporcional - Lei 12.506/11 - Contagem - O parágrafo único do art. 1º da Lei 12.506/11 não autoriza
a desconsideração do primeiro ano de serviço prestado à empresa pelo empregado para fins de apuração
do tempo de aviso-prévio proporcional, o qual deverá ser acrescido de 3 (três) dias para cada ano completo
de serviço até o máximo de 60 (sessenta dias), perfazendo, no total, 90 (noventa) dias. Observância dos
critérios estabelecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego - MTE mediante a edição da Nota Técnica nº
184/2012/CGRT/SRT/MTE. (TRT 4ª Região - RO 0000093-29.2012.5.04.0026 - 7ª T. - Rel. Des. Marcelo Gonçalves
de Oliveira - DJe 30.08.2012)
Aviso-prévio proporcional - Aplicação da Lei 12.506/11. Ao regulamentar o art. 7º, XXI da CR/88, a Lei 12.506/11
não estipulou qualquer proporção entre os dias de aviso-prévio e os anos incompletos no curso do contrato.
Logo, os empregados com período de trabalho superior a um ano fazem jus a um acréscimo equivalente a
três dias por ano de serviço prestado para a mesma empregadora até o máximo de 60 dias, perfazendo o total
de 90 dias (art. 1º, caput e parágrafo único). Conforme Nota Técnica 184/2012/CGRT/SRT do MTE, ao proceder
à apuração, não se pode excluir a contagem do primeiro ano de prestação de serviços. (TRT 3ª Região - RO
0010087-71.2013.5.03.0027 - Relª Desª Deoclecia Amorelli Dias - DJe 01.05.2014 - p. 43)
Aviso-prévio proporcional - Lei 12.506/11 - Contagem - O parágrafo único do art. 1º da Lei 12.506/11 dispõe
que o aviso-prévio proporcional deverá ser acrescido de 3 (três) dias para cada ano completo de serviço
até o máximo de 60 (sessenta dias), perfazendo, no total, 90 (noventa) dias. O primeiro ano de trabalho já
deve ser considerado na contagem. Observância dos critérios estabelecidos pelo Ministério do Trabalho e
Emprego - MTE mediante a edição da Nota Técnica nº 184/2012/CGRT/SRT/MTE. Professor - Hora-atividade
- A remuneração da hora-aula já inclui a realização de atividades de preparação e avaliação. (TRT 4ª Região -
RO 0000294-05.2013.5.04.0020 - 4ª T. - Rel. Des. Marcelo Gonçalves de Oliveira - DJe 21.07.2014)
Aplicação da proporcionalidade considerando a fração anual superior a 6 meses
Aviso-prévio proporcional - Lei nº 12.506/11 - A partir da publicação da Lei nº 12.506, de 11 de outubro de 2011,
ocorrida em 13 de outubro de 2011 é devido o aviso-prévio proporcional aos empregados que possuírem mais
de um ano de serviço na mesma empresa. A concessão do aviso-prévio será na proporção de três dias por
ano de serviço prestado, até o máximo de sessenta dias, perfazendo um total de noventa dias. Na conta-
gem, por aplicação analógica dos dispositivos que regulam o pagamento de verbas proporcionais, deve ser
considerado o ano completo ou o lapso superior a seis meses. Aplicação analógica do art. 478 da CLT, do art.
146, parágrafo único, da mesma Consolidação e também do art. 1º da Lei nº 4.090/62. (TRT 12ª Região - RO
0000178-78.2013.5.12.0051 - 5ª C. - Rel. José Ernesto Manzi - DJe 26.03.2014)
[...] Aviso-prévio proporcional - Lei nº 12.506/11 - A partir da publicação da Lei nº 12.506, de 11 de outubro de 2011,
ocorrida em 13 de outubro de 2011 é devido o aviso-prévio proporcional aos empregados que possuírem mais de
um ano de serviço na mesma empresa. A concessão do aviso-prévio será na proporção de três dias por ano de
serviço prestado, até o máximo de sessenta dias, perfazendo um total de noventa dias. Na contagem, por aplica-
212 Guia de Cálculos Trabalhistas

ção analógica dos dispositivos que regulam o pagamento de verbas proporcionais, deve ser considerado o ano
completo ou o lapso superior a seis meses. Aplicação analógica do art. 478 da CLT, do art. 146, parágrafo único,
da mesma Consolidação e também do art. 1º da Lei nº 4.090/62 [...]. (TRT 12ª Região - RO 0000899-36.2013.5.12.0049
- 5ª C. - Rel. José Ernesto Manzi - DJe 23.06.2014)
Aplicação da proporcionalidade considerando a fração anual independentemente de limite mínimo de fração
Aviso-prévio proporcional - Lei 12.506/11 - A Lei 12.506/11 dispõe em seu artigo 1º, parágrafo único. “Ao aviso-
-prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço prestado na mesma empresa,
até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de até 90 (noventa) dias”. Outrossim, a aplicação da
lei em referência gerou interpretações diversas, o que obrigou o Ministério de Trabalho e Emprego a emitir
recentemente a Nota Técnica nº 184/2012, orientando sobre a forma de contagem do aviso-prévio propor-
cional, vazado nos seguintes termos: “O acréscimo de 3 (três) dias por ano de serviço prestado ao mesmo
empregador, computar-se-á a partir do momento em que a relação contratual supere um ano na mesma
empresa”. Frise-se que referida interpretação se coaduna com as diretrizes do Direito Trabalhista e merece
ser prestigiada. Assim, não se há falar que somente é devido o aviso-prévio proporcional com acréscimo de
três dias somente após o segundo ano trabalhado. (TRT 3ª Região - RO 01008/2013-022-03-00.7 - Rel. Des.
Julio Bernardo do Carmo - DJe 14.07.2014 - p. 188)
Aviso-prévio proporcional - Lei 12.506/2011 - Forma de contagem - Lei do aviso-prévio proporcional dispondo
que “o aviso-prévio [...] será concedido na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contem até 1 (um)
ano de serviço na mesma empresa. Parágrafo único. Ao aviso-prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3
(três) dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo
um total de até 90 (noventa) dias”. Diante dos termos da nova legislação, conclui-se que, até um ano de pres-
tação de serviço, o aviso é de trinta dias, sendo acrescido de 03 dias por ano de serviço. Logo, ultrapassados
os primeiros 12 meses de trabalho, o aviso-prévio passa a ser de trinta e três dias. Nota Técnica emitida pelo
MTE que corrobora a interpretação ora emprestada à lei. Caso em que o reclamante laborou por cerca de
1 ano e sete meses para a reclamada. Recurso provido para acrescer à condenação 3 dias de aviso-prévio
proporcional. (TRT 4ª Região - RO 0001193-98.2011.5.04.0302 - 1ª T. - Rel. Juiz Conv. José Cesário Figueiredo
Teixeira - DJe 25.09.2012)

Não obstante todas as considerações aqui tratadas, considerando que a Lei nº 12.506/2011 não
trouxe os esclarecimentos necessários sobre as várias implicações legais decorrentes da aplicação do
aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço e, até que a Secretaria Especial de Trabalho venha a pu-
blicar uma portaria ou instrução normativa ou outro ato disciplinando tais implicações, recomendamos,
por medida preventiva, que o empregador antes de abraçar o entendimento que entender mais coeren-
te, consulte antecipadamente a mencionada Secretaria, e a entidade sindical da respectiva categoria
profissional, a fim de obter as orientações cabíveis. Recorda-se, por fim, que a decisão final sobre as
controvérsias decorrentes da aplicação da Lei nº 12.506/2011 competirá ao Poder Judiciário desde que
intentada a competente ação.

AVISO-PRÉVIO - FORMAS DE CONCESSÃO

Trabalhado

Ocorre o aviso-prévio trabalhado quando o empregado trabalha normalmente durante o aviso-


-prévio (seja o aviso-prévio recebido do empregador ou concedido pelo empregado).

Exemplo
Empregado recebeu ou concedeu aviso-prévio de 30 dias, com data da comunicação em 02.01.2020 e trabalhou
até o dia 1º.02.2020.
Guia de Cálculos Trabalhistas 213

Quando o aviso-prévio é superior a 30 dias em virtude do acréscimo da proporcionalidade relativa ao


tempo de serviço, o entendimento do antigo Ministério do Trabalho, conforme a Nota Técnica MTE nº 184/2012,
é de que a proporcionalidade somente beneficia o empregado. Dessa forma, a parte do aviso-prévio a ser
trabalhada não poderia superar a 30 dias, sendo que os dias restantes de aviso-prévio a que o empregado
fizer jus deveria ser indenizado.

No âmbito doutrinário a matéria também não comporta entendimento pacífico, alguns doutos
alegam que a bilateralidade ou reciprocidade do contrato se aplica apenas aos primeiros 30 dias do
aviso-prévio, após este prazo, constitui apenas benefício ao empregado. Nesta situação em caso de
dispensa do empregado, o período excedente aos 30 dias de aviso-prévio deverá ser indenizado. Em
caso de pedido de demissão o empregado estaria obrigado a conceder apenas 30 dias de aviso-prévio
ao empregador.

Outros, entendem que a bilateralidade ou reciprocidade deve ser considerada em todo o período
do aviso, portanto, o empregador pode optar por exigir o trabalho do empregado dispensado durante
todo o período do aviso-prévio proporcional. Em caso de pedido de demissão o empregado estaria tam-
bém obrigado a conceder o aviso-prévio proporcional ao empregador.

As decisões judiciais acerca do tema também são controvertidas, conforme se verifica das a seguir
transcritas.

Decisões judiciais favoráveis à possibilidade de exigência de trabalho durante todo o período do aviso-prévio

Agravo de instrumento - revista de revista - Aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço - Limitação do


período trabalhado a 30 dias - Ausência de violação direta ao dispositivo constitucional mencionado - Ares-
tos inespecíficos - Não há qualquer previsão legal que limite o aviso-prévio trabalhado em 30 (trinta) dias e
obrigue a indenizar o período restante. Assim, não há violação literal ao dispositivo constitucional apontado
(artigo 7º, XXI da Constituição Federal). Ademais, os arestos mencionados são inespecíficos pois deixaram
de enfrentar a principal questão jurídica tratada na decisão recorrida (Súmula 296, I do TST). Agravo de
instrumento não provido. (TST - AIRR 0106000-65.2013.5.17.0003 - Rel. Des. Min. Conv. Ronaldo Medeiros de
Souza - DJe 14.11.2014 - p. 1966)

Recurso de revista - Aviso-prévio trabalhado - Lei nº 12.506/2011 - Consigna o acórdão que o aviso-prévio foi
corretamente concedido, na forma da Lei nº 12.506/2011, que dispõe sobre a proporcionalidade do respectivo
pagamento, bem como que “não existe amparo jurídico para a tese de que o tempo excedente aos trinta
dias de aviso seriam obrigatoriamente indenizados, sem que houvesse qualquer labor nesse período, como
pretende o sindicato autor”. Não se vislumbra, pois, violação dos dispositivos invocados. Recurso de revista
não conhecido. (TST - RR 0067000-25.2013.5.17.0014 - Relª Min. Maria de Assis Calsing - DJe 07.11.2014 - p. 1389)

Aviso-prévio proporcional trabalhado por mais de trinta dias - Lei 12.506/11 - Validade - É válida a exigência
do empregador para que o empregado trabalhe no período total do aviso-prévio proporcional, ainda que por
mais de trinta dias, desde que observe a regra contida no artigo 488 da CLT. (TRT 17ª Região - RO 0151300-
29.2013.5.17.0010 - 3ª T. - Rel. Des. Carlos Henrique Bezerra Leite - J. 12.05.2014)

Decisões judiciais contrárias à possibilidade de exigência de trabalho durante o período do aviso-prévio


superior a 30 dias

[...] II - Recurso de revista - Sumaríssimo - Ruptura contratual por iniciativa patronal - Aviso-prévio proporcional
ao tempo de serviço - Direito exclusivo do empregado - Ausência de bilateralidade - Período proporcional
indenizado - Hipótese em que o empregado foi dispensado sem justa causa após trabalhar 5 (cinco) anos
para reclamada. Diante disso, a reclamada concedeu o aviso-prévio trabalhado no prazo de 45 dias com
base na Lei 12.506/2011. O reclamante sustenta que trabalhou 15 dias indevidamente em virtude de aplicação
equivocada do aviso-prévio proporcional, pois este período deve ser somente indenizado e não trabalhado,
214 Guia de Cálculos Trabalhistas

por constituir direito exclusivo do empregado. A Norma Técnica 184/2012 do Ministério do Trabalho consigna
que o aviso-prévio proporcional é direito exclusivo do trabalhador. A bilateralidade do aviso-prévio não se
estende no período proporcional, pois não se pode exigir que o empregado permaneça na empresa por mais
tempo, impedindo-o de receber logo suas verbas rescisórias, se sujeitando, muitas vezes, a um ambiente
de trabalho hostil, com vulnerabilidade a assédios. O Tribunal Regional, ao manter a sentença do Juízo de
primeiro grau no sentido de que o aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço trabalhado, na verdade,
beneficiou o empregado viola o art. 7º, XXI, da Constituição Federal. Recurso de revista conhecido e provido.
(TST - RR 0001560-92.2012.5.07.0015 - Relª Min. Delaíde Miranda Arantes - DJe 17.10.2014 - p. 858)

Aviso-prévio proporcional trabalhado - Período superior a trinta dias - Invalidade - Lei 12.506/11 - O aviso-prévio
proporcional tem por destinatário apenas o empregado, pois é um direito fundamental social do trabalhador,
e não do empregador. Logo, não se trata de um direito da parte (empregado ou empregador) que pretende
resilir o contrato individual de trabalho, mas um direito apenas do empregado. Neste diapasão, considera-se
restrita a reciprocidade prevista no inciso II do art. 487 da CLT ao período inicial de 30 dias do aviso-prévio,
devendo ser indenizado o lapso subsequente, referente aos dias acrescidos para cada ano de serviço traba-
lhado na empresa, nos termos da Lei 12.506/2011. (TRT 17ª Região - RO 0185600-26.2013.5.17.0007 - 3ª T. - Rel.
Des. Carlos Henrique Bezerra Leite - J. 06.10.2014)

Considerando a divergência existente, recomendamos, por medida preventiva, que o empregador


antes de abraçar o entendimento que entender mais coerente, consulte antecipadamente a Secretaria
Especial de Trabalho, e a entidade sindical da respectiva categoria profissional, a fim de obter as orienta-
ções cabíveis. Recorda-se, por fim, que a decisão final sobre as controvérsias decorrentes da aplicação da
Lei nº 12.506/2011 competirá ao Poder Judiciário desde que intentada a competente ação.

Aviso-prévio indenizado

Importante
Lembre-se de que, desde 11.11.2017, com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), além das demais
formas de rescisão, o contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador. Nesta situa-
ção, serão devidas por metade as verbas pagas a título de aviso-prévio indenizado e a multa rescisória do FGTS e pela
integralidade todas as demais verbas rescisórias.

Rescisão por iniciativa do empregador (dispensa sem justa causa)

Neste caso, o empregador dispensa o empregado, sem justa causa, e não concede o aviso-prévio,
lhe indenizando, portanto, o valor correspondente.

Exemplos
a) empregador dispensa sem justa causa o empregado no dia 02.03.2020, sem conceder o aviso-prévio, portan-
to, indenizando o período respectivo. Este empregado tem direito a 36 dias de aviso em virtude do tempo de
serviço na empresa. A sua remuneração em março/2020 é de R$ 1.395,00. Assim, temos:
Cálculo do aviso-prévio
Período do aviso = 03.03 a 07.04.2020 (36 dias)
Remuneração/dia em março = R$ 45,00 (R$ 1.395,00 ÷ 31 - nº de dias do mês)
Remuneração/dia em abril = R$ 46,50 (R$ 1.395,00 ÷ 30 - nº de dias do mês)
Valor do aviso-prévio relativo aos 29 dias de março = R$ 1.305,00 (R$ 45,00 × 29)
Valor do aviso-prévio relativo aos 7 dias de abril = R$ 325,50 (R$ 46,50 × 7)
Valor total dos 36 dias de aviso-prévio devido = R$ 1.630,50 (R$ 1.305,00 + R$ 325,50)
Guia de Cálculos Trabalhistas 215

b) empregador dispensou sem justa causa o empregado no dia 02.01.2020, sem conceder o aviso-prévio, por-
tanto, indenizando o período respectivo. Este empregado tem direito a 90 dias de aviso em virtude do tempo de
serviço na empresa. A sua remuneração em janeiro/2020 foi de R$ 1.178,00. Assim, temos:
Cálculo do aviso-prévio
Período do aviso-prévio = 03.01 a 1º.04.2020 (90 dias)
Remuneração/dia em janeiro = R$ 38,00 (R$ 1.178,00 ÷ 31 - nº de dias do mês)
Remuneração/dia em fevereiro = R$ 40,62 (R$ 1.178,00 ÷ 29 - nº de dias do mês)
Remuneração/dia em março = R$ 38,00 (R$ 1.178,00 ÷ 31 - nº de dias do mês)
Remuneração/dia em abril = R$ 39,27 (R$ 1.178,00 ÷ 31 - nº de dias do mês)
Valor do aviso-prévio relativo aos 29 dias de janeiro = R$ 1.102,00 (R$ 38,00 × 29)
Valor do aviso-prévio relativo aos 29 dias de fevereiro = R$ 1.177,98 (R$ 40,62 × 29)
Valor do aviso-prévio relativo aos 30 dias de março = R$ 1.178,00 (R$ 38,00 × 31)
Valor do aviso-prévio relativo a 1 dia de abril = R$ 39,27 (R$ 39,27 × 1)
Valor total dos 90 dias de aviso-prévio devido = R$ 3.497,25 (R$ 1.102,00 + R$ 1.177,98 + R$ 1.178,00 + R$ 39,27)

Rescisão por iniciativa do empregado (pedido de demissão)


Hipótese em que o empregado pede demissão e não quer cumprir o aviso-prévio, o que lhe acar-
reta o desconto do valor correspondente nas verbas rescisórias, ou seja, o empregado indeniza o em-
pregador da falta de cumprimento do aviso-prévio a que se obrigou.
No tocante ao aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço (superior a 30 dias) a matéria é con-
trovertida. Alguns doutos entendem que a bilateralidade do aviso-prévio se aplica somente aos primei-
ros 30 dias. Nesta situação, em caso de pedido de demissão o empregado estaria obrigado a conceder
apenas 30 dias de aviso-prévio ao empregador.
Outros, entendem que a bilateralidade deve ser considerada em todo o período do aviso, portan-
to, em caso de pedido de demissão o empregado estaria também obrigado a conceder o aviso-prévio
proporcional ao empregador.
No âmbito jurisprudencial, as decisões acerca do assunto ainda são escassas. Entretanto, encon-
tramos algumas decisões do TST (a seguir reproduzidas).
... - 1- Proporcionalidade do aviso-prévio ao tempo de serviço - Vantagem estendida apenas aos empregados
- 2- Multa do art. 477, § 8º, da CLT decorrente das diferenças de verbas rescisórias - Não cabimento - 3- Hono-
rários advocatícios - Súmula 219, I, TST - A Lei nº. 12.506/2011 é clara em considerar a proporcionalidade uma
vantagem estendida aos empregados (caput do art. 1º do diploma legal), sem a bilateralidade que caracteriza
o instituto original, fixado em 30 dias desde 5.10.1988. A bilateralidade restringe-se ao aviso-prévio de 30 dias,
que tem de ser concedido também pelo empregado a seu empregador, caso queira pedir demissão (caput
do art. 487 da CLT), sob pena de poder sofrer o desconto correspondente ao prazo descumprido ( art. 487,
§ 2º, CLT). Esse prazo de 30 dias também modula a forma de cumprimento físico do aviso-prévio (aviso tra-
balhado): redução de duas horas de trabalho ao dia, durante 30 dias (caput do art. 488, CLT) ou cumprimento
do horário normal de trabalho durante o pré-aviso, salvo os últimos sete dias (parágrafo único do art. 488
da CLT). A escolha jurídica feita pela Lei nº 12.506/2011, mantendo os trinta dias como módulo que abrange
todos os aspectos do instituto, inclusive os desfavoráveis ao empregado, ao passo que a proporcionalidade
favorece apenas o trabalhador, é sensata, proporcional e razoável, caso considerados a lógica e o direcio-
namento jurídicos da Constituição e de todo o Direito do Trabalho. Trata-se da única maneira de se evitar
que o avanço normativo da proporcionalidade se converta em uma contrafacção, como seria impor-se ao
trabalhador com vários anos de serviço gravíssima restrição a seu direito de se desvincular do contrato de
emprego. Essa restrição nunca existiu no Direito do Trabalho e nem na Constituição , que jamais exigiram
216 Guia de Cálculos Trabalhistas

até mesmo do trabalhador estável ou com garantia de emprego (que tem- ou tinha- vantagem enorme em
seu benefício) qualquer óbice ao exercício de seu pedido de demissão. Ora, o cumprimento de um aviso de
60, 80 ou 90 dias ou o desconto salarial nessa mesma proporção fariam a ordem jurídica retornar a períodos
selvagens da civilização ocidental, antes do advento do próprio Direito do Trabalho - Situação normativa
incompatível com o espírito da Constituição da República e do Direito do Trabalho brasileiros. Recurso de
revista conhecido e parcialmente provido. (TST - RR 1682-51.2015.5.17.0006 - 3ª Turma - Rel. Min. Mauricio
Godinho Delgado - DJe 26.05.2017)
Recurso de revista interposto na vigência da Lei nº 13.015/2014 - Aviso-prévio - proporcionalidade ao tempo de
serviço - Direito do empregado e do empregador - Bilateralidade - 1- O aviso-prévio é obrigação recíproca de
empregado e de empregador, em caso de rescisão unilateral do contrato de trabalho, sem justa causa, como
deriva do art. 487, caput, da . A circunstância de o art. 1º da Lei nº 12.506/2011 haver regulamentado o aviso-prévio
proporcional ao tempo de serviço dos empregados não significa que não se aplica a referida proporcionalida-
de também em favor do empregador. A própria Lei nº 12.506/2011 reporta-se expressamente ao aviso-prévio
de que trata "o Capítulo VI do Título IV da Consolidação das Leis do Trabalho", cujo art. 487 alude "à parte"
que, sem justo motivo, "quiser rescindir", aplicando a ambos os sujeitos do contrato de emprego a mesma
duração do aviso-prévio. A nova lei somente mudou a duração do aviso-prévio, tomando em conta o maior ou
menor tempo de serviço do empregado. 2- Afrontaria o princípio constitucional da isonomia reconhecer, sem
justificativa plausível para tal discrímen, a duração diferenciada para o aviso-prévio conforme fosse concedido
pelo empregador ou pelo empregado. Assim como é importante o aviso-prévio para o empregado, a fim de
buscar recolocação no mercado de trabalho, igualmente o é para o empregador, que se vê na contingência de
recrutar e capacitar um novo empregado. 3- Ademais, ainda que assim não se entendesse, o prolongamento
do aviso-prévio concedido pelo empregado ao empregador, observada sempre a mesma duração proporcional
ao tempo de serviço, não causa prejuízo ao empregado passível de gerar direito à indenização. Há pagamento
de salário correspondente aos dias supostamente trabalhados sem exigência legal e há a própria projeção
do contrato de emprego, asseguradas todas as demais obrigações contratuais e legais. 4- Recurso de revista
da Reclamante de que não se conhece. (TST - RR 1964-73.2013.5.09.0009 - 4ª Turma - Rel. Min. João Oreste
Dalazen - DJe 25.11.2016)
Recurso de revista - Aviso-prévio proporcional trabalhado - Limitação do período de trabalho aos trinta primei-
ros dias - Ausência de amparo legal - 1. A Lei nº 12.506/2011, que regulamentou o aviso-prévio proporcional,
não impôs a determinação de que o período correspondente, além dos 30 (trinta) primeiros dias, deva ser
pago em pecúnia, é dizer, na modalidade indenizada. 2. No aspecto, permanece em vigor a disposição contida
no art. 487, § 1º, da CLT, segundo a qual “a falta de aviso-prévio por parte do empregador dá ao empregado
o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período
no seu tempo de serviço”. 3. Concedido o aviso-prévio na modalidade trabalhada, portanto, não encontra
amparo legal a pretensão de que o período que ultrapassar os 30 (trinta) primeiros dias seja indenizado. 4.
Não constitui determinação prejudicial ao empregado a imposição de que permaneça prestando serviços
no período correspondente ao aviso-prévio proporcional, uma vez que ocorrerá a percepção de salário nos
dias respectivos, os quais serão projetados no contrato de emprego, aliado ao fato de que passará a dispor
de mais tempo para procurar novo posto de trabalho, dada a redução da jornada laboral ou, quando inexis-
tente, a equivalente dispensa de dias de trabalho. Violação do art. 7º, caput e XXI, da Constituição Federal
não reconhecida. Precedentes. 5. Recurso de revista do sindicato autor não conhecido. (TST - RR 0091500-
58.2013.5.17.0014 - Rel. Min. João Oreste Dalazen - DJe 21.08.2015 - p. 1755)
Recurso de revista - Lei 12.506/11 - Aviso-prévio proporcional - Elastecimento do Prazo - Indenização - Os
empregados beneficiados com o aviso-prévio proporcional previsto na Lei nº 12.506/2011 devem trabalhar a
totalidade dos dias apurados, não havendo que se falar em limitação do trabalho ao período de trinta dias
previstos no artigo 487 da CLT com pagamento da indenização correspondente aos dias que sobejam. Pre-
cedentes. Recurso de revista não conhecido. (TST - RR 0105900-89.2013.5.17.0010 - Rel. Des. Conv. Marcelo
Lamego Pertence - DJe 07.08.2015 - p. 662)
Agravo de instrumento - Recurso de revista - Aviso-prévio proporcional - Indenização - Nega-se provimento
a agravo de instrumento pelo qual a parte recorrente não consegue infirmar os fundamentos do despacho
Guia de Cálculos Trabalhistas 217

denegatório do recurso de revista. In casu, a decisão colegiada regional, ao registrar que não há previsão
legal a amparar a pretensão da recorrente de que o tempo excedente aos trinta dias de aviso-prévio sejam
obrigatoriamente indenizados, sem que houvesse qualquer labor nesse período, não contraria os artigos
apontados como violados, a teor do art. 896, “c”, da CLT. Agravo de instrumento a que se nega provimento.
(TST - AIRR 1286-70.2013.5.09.0005 - Rel. Min. Américo Bedê Freire - DJe 26.06.2015)
Recurso de revista - Aviso-prévio proporcional - Lei 12.506/2011 - Limitação do período trabalhado a 30 dias
- Inviabilidade - A tese segundo a qual o empregador não pode exigir o cumprimento de todo o período do
aviso-prévio proporcional carece de amparo legal. A Lei 12.506/2011, a qual regulamentou o aviso-prévio pro-
porcional, não prevê a obrigação de o empregador conceder, de forma indenizada, a parcela proporcional
excedente ao mínimo de trinta dias. Com efeito, a citada lei dispõe tão somente que os três dias acrescidos
para cada ano de serviço sejam acrescentados ao aviso-prévio de trinta dias, mas não determina que tal
período deva ser indenizado. Conclui-se, dessa forma, que, não havendo impedimento legal e não sendo
demonstrado que tal interpretação é nociva às condições sociais do empregado, não há óbice à concessão,
pelo empregador, de aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço, de forma trabalhada, no caso de dispensa
sem justa causa. Recurso de revista conhecido e não provido. (TST - RR 0000410-54.2013.5.04.0232 - Relª Min.
Dora Maria da Costa - DJe 19.06.2015 - p. 4453)

Considerando a divergência existente, recomendamos, por medida preventiva, que o empregador


antes de abraçar o entendimento que entender mais coerente, consulte antecipadamente a Secretaria
Especial de Trabalho, e a entidade sindical da respectiva categoria profissional, a fim de obter as orien-
tações cabíveis. Recorda-se, por fim, que a decisão final sobre as controvérsias decorrentes da aplicação
da Lei nº 12.506/2011 competirá ao Poder Judiciário, desde que intentada a competente ação.

Exemplos
a) empregado que em caso de dispensa sem justa causa teria direito a 45 dias de aviso-prévio em virtude
do tempo de serviço na empresa, e com salário de R$ 1.200,00, pede demissão em 11.03.2020 e declara por
escrito que não cumprirá o aviso-prévio, autorizando o empregador a deduzir o valor respectivo das verbas
rescisórias.
Cálculo considerando a corrente de entendimento de que a parte do aviso-prévio proporcional ao tempo de
serviço é direito exclusivo do empregado e não do empregador. Portanto não há reciprocidade.
Assim sendo, o empregador só poderá descontar das verbas rescisórias o valor equivalente a 30 dias de aviso.
Cálculo do aviso-prévio devido ao empregador
Período do aviso-prévio = 12.03 a 10.04.2020 (30 dias)
Remuneração/dia em março = R$ 38,71 (R$ 1.200,00 ÷ 31 - nº de dias do mês)
Remuneração/dia em abril = R$ 40,00 (R$ 1.200,00 ÷ 30 - nº de dias do mês)
Valor do aviso-prévio relativo aos 20 dias de março = R$ 774,20 (R$ 38,71 × 20)
Valor do aviso-prévio relativo aos 10 dias de abril = R$ 400,00 (R$ 40,00 × 10)
Valor total dos 30 dias de aviso-prévio que pode ser deduzido das verbas rescisórias = R$ 1.174,20 (R$ 774,20 +
R$ 400,00)
Cálculo conforme a corrente de entendimento que defende a aplicação da bilateralidade ou reciprocidade du-
rante todo o período do aviso-prévio
b) Considerando a mesma situação da letra “a”, ou seja, empregado que em caso de dispensa sem justa causa
teria direito a 45 dias de aviso-prévio em virtude do tempo de serviço na empresa, e com salário de R$ 1.200,00,
pede demissão em 11.03.2020 e declara por escrito que não cumprirá o aviso-prévio autorizando o empregador
a deduzir o valor respectivo das verbas rescisórias.
Segundo esta corrente de entendimento o empregador poderia descontar o valor corresponde ao total do pe-
ríodo do aviso-prévio não cumprido.
218 Guia de Cálculos Trabalhistas

Cálculo do aviso-prévio devido ao empregador


Período do aviso-prévio = 12.03 a 25.04.2020 (45 dias)
Remuneração/dia em março = R$ 38,71 (R$ 1.200,00 ÷ 31 - nº de dias do mês)
Remuneração/dia em abril = R$ 40,00 (R$ 1.200,00 ÷ 30 - nº de dias do mês)
Valor do aviso-prévio relativo aos 20 dias de março = R$ 774,20 (R$ 38,71 × 20)
Valor do aviso-prévio relativo aos 25 dias de abril = R$ 1.000,00 (R$ 40,00 × 25)
Valor total dos 45 dias de aviso-prévio que poderia ser deduzido das verbas rescisórias = R$ 1.774,20 (R