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Tricograma

O tricograma é utilizado para avaliação das pontas, hastes e raízes dos pelos o que permite a
identificação da fase de crescimento, defeitos na pigmentação e, em alguns casos, infecções
por fungos.

As raízes podem ser examinadas para a caracterização do ciclo de renovação do folículo piloso.
Normalmente, a maioria das raças de cães e gatos apresenta maior número de pelos no
estágio telógeno (Figura 20). Em algumas raças, que apresentam o período de crescimento
prolongado, como os Poodles, a maioria dos pelos encontram-se na fase anágena, em
crescimento

Pesquisa direta de sarnas e fungos – raspados cutâneos A pesquisa direta de sarnas e fungos
compreende o exame complementar mais utilizado na dermatologia veterinária7, 8. A técnica
é simples, de baixo custo e extremamente útil, sendo utilizada no diagnóstico e
acompanhamento terapêutico de sarna demodécica, sarna O tricograma é utilizado para
avaliação das pontas, hastes e raízes dos pelos o que permite a identificação da fase de
crescimento, defeitos na pigmentação e, em alguns casos, infecções por fungos. A pesquisa
direta de sarnas e fungos compreende o exame complementar mais utilizado na dermatologia
veterinária 26 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 71 - dezembro de 2013
sarcóptica e dermatofitose
Esse ácaro é o causador da popularmente conhecida Sarna Negra ou Demodiciose
Canina, uma doença que não tem cura mas pode ser controlada com o tratamento
adequado.
Introdução

O Lynxacarus radovskyi é um ácaro relacionado c0m dermatopatias de felinos e sua


distribuição geográfica está relacionada com climas úmidos e tropicais
O pelo e o folículo piloso

2.1.1 Funções do pelo

A pelagem tem diversas funções importantes, como a manutenção da temperatura corporal,


perceção sensorial, camuflagem, comunicação, barreira contra microrganismos e radiação
ultravioleta.

2.1.2 Embriologia do pelo e folículo piloso

As estruturas primordiais a partir das quais o pelo se desenvolve, surgem durante o período
fetal inicial, quando a epiderme é composta por três camadas.

2.1.3 Estrutura do pelo e folículo piloso

O pelo é formado por uma coluna de células estratificadas, queratinizadas e muito aderentes,
organizadas em três camadas concêntricas: a cutícula, o córtex e a medula.

A porção mais interna é formada pela medula, constituída por filas longitudinais de células
cuboides ou achatadas e contendo ar, vacúolos de glicogénio ou pigmentos.

O córtex é a camada média, composta por células queratinizadas e fusiformes, onde se


encontra o pigmento que permite a coloração do pelo.

A cutícula, camada exterior, é constituída por uma camada única de células epiteliais cúbicas,
que se diferenciam em células queratinizadas lisas e não nucleadas, em que as extremidades
livres estão sobrepostas como telhas e direcionadas para a porção distal da haste.

O folículo piloso pode ser dividido em três secções: porção superior, média e inferior,
denominadas como infundíbulo, istmo e segmento inferior, respetivamente..

Considerados como componentes principais do folículo piloso encontram-se a papila dérmica,


matriz pilosa, o pelo em si, a bainha radicular interna e a bainha radicular externa.
É assim possível dividir o ciclo de crescimento do pelo em três fases principais: a fase de
crescimento, denominada anagénese; uma fase intermédia ou catagénese; e a fase de
descanso ou telogénese. A duração destas fases variam com a idade, região do corpo, raça e
sexo.
TRICOGRAMA

O tricograma consiste numa observação ao microscópio de um pelo previamente extraído.

Utiliza-se uma pinça simples ou uma pinça hemostática para remover os pelos, na direção em
que estes saem da pele, evitando assim traumas no pelo. São colocados cerca de vinte a trinta
pelos numa lâmina de microscópio, orientados na mesma direção e mantendo-se estabilizados
através de fita-cola ou óleo mineral.

Cada porção do pelo permite-nos retirar informações sobre afeções distintas: a observação da
haste pilosa permite distinguir entre a presença de prurido e causas não traumáticas de queda
de pelo, o pelo em si fornece-nos dados acerca da presença de fungos ou ectoparasitas e as
raízes da regularidade do ciclo folicular.

Através deste exame é possível então avaliar se a alopécia do animal se deve a excesso de
lambedura ou contacto com superfícies, devido a prurido ou a devido a uma causa não
pruriginosa como displasia folicular ou doença endócrina.

A observação do pelo também possibilita a identificação de esporos de Dermatophyte


ectothrix spp., apresentando-se como pequenas estruturas esféricas em fila ao longo deste.

Podem ser visíveis ovos de ectoparasitas nos casos de pediculoses ou infestação por
Cheyletiella spp.

Outras anomalias na estrutura do pelo, como trichorrhexis nodosa ou pili torti, podem ser
analisadas ao microscópio.

Ao analisar as raízes pilosas é possível avaliar se este se encontra normal, já que a maioria dos
pelos deverá estar em telogénese, identificando-se apenas alguns pelos na fase de
crescimento de anagénese (Frank, 2014). A presença de grânulos de melanina, de dimensões
anormais e escassamente estendidos é sugestivo de displasia folicular por diluição de cor ou
alopécia por 27 diluição de coR.
O prurido define-se como uma sensação desagradável que despoleta o desejo de coçar,
manifestando-se nos animais através de comportamentos como lamber, coçar, morder ou
roer.
Dermatofitose A dermatofitose é causada por uma infeção das camadas queratinizadas e
apêndices (pelo e unhas) da pele, devido a um grupo de fungos filamentosos especializados,
denominados de dermatófitos (Ramsey & Tennant, 2001).

São classificados em três géneros: Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton, incluindo


cerca de quarenta espécies, em que Microsporum canis juntamente com Microsporum
gypseum e Trichophyton mentagrophytes var. mentagrophytes são os responsáveis por mais
de 95% de todos os casos de dermatofitose em animais domésticos.