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PRÉ-UNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER Aluno(a):

DISCIPLINA: História PROFESSORES: Ana Carolina Rocha, Diogo Alchorne e Fabrício Sampaio.
Data: / / 2020

APOSTILA DE PRIMEIRA REPÚBLICA.

A Primeira República é o período da história no Brasil compreendido com o fim da monarquia em 15


de novembro de 1889 até a Revolução de 1930.
Também foi denominada pelos historiadores de República Oligárquica, República dos Coronéis e República
do Café com Leite.

A derrubada da monarquia ocorreu pela perda de apoio político fazendo com que esse regime se
tornasse impopular entre as elites do Brasil. Os militares, insatisfeitos com a monarquia há tempos, e uma
parcela da sociedade civil, sobretudo os oligarcas paulistas, organizaram um movimento para derrubar a
monarquia.

Alguns pontos relevantes para entendermos a crise na monarquia.

 Crítica ao poder centralizado na figura de D. Pedro II.


 Abolição da escravidão e a não indenização aos latifundiários.
 Crise econômica e perdas econômicas com a guerra do Paraguai.
 Positivismo (Militares): República autoritária e modernizadora, contra o Estado (poder moderador) e
a Igreja.
 15 de Novembro Deodoro da Fonseca e sua tropa cercam o Ministério da Guerra e Proclamaram a
República.
 Silvério Martins é nomeado como novo Presidente.
 José do Patrocínio declara extinta a monarquia.

Para fins de estudo, a Primeira República é dividida em dois períodos:

1- República da Espada (1889-1894): governos dos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto
2- República Oligárquica (1895-1930): governos das oligarquias rurais de São Paulo e Minas Gerais. É o
chamado coronelismo, praticado, principalmente, pelos cafeicultores, aliados aos produtores rurais de
outros estados.

QUESTÕES REPUBLICANAS:

• Autonomia provincial;
• Limite ao mandato dos senadores;
• Democratização do voto;
• Estruturação do exército;

REPÚBLICA DA ESPADA (1889 – 1894)

Governo provisório Deodoro da Fonseca (1889 – 1891)

• Temor pela volta da Monarquia


• Governo Autoritário .
• Extinção das instituições imperiais.
• Extinção da pena de morte.
• Banimento da Família Imperial.
• Grande Naturalização.
• Convocação de Assembleia Constituinte.

MEDIDAS ECONÔMICAS:

 Rui Barbosa – Ministro da Fazenda:


 Emissão de Papel moeda;
 Permite alguns bancos a emitirem papel – moeda;
 Criação de altas taxas alfandegárias para dificultar a entrada de produtos estrangeiros;
 Crise do Encilhamento: processo inflacionário, falta de dinheiro circulante, empresas em declínio.

PROJETOS POLÍTICOS REPUBLICANOS:

Projeto Jacobino:

• Setores da população urbana, baixa classe média;


• Defendia: Liberdade de reunião, participação popular na atividade pública, fundado na liberdade e
vontade geral, xenófobos.

Projeto Positivista:

 Setores do Exército;
 Visava a promoção do progresso, defendia um Estado forte e centralizador;
 Cabia ao Estado por meio da racionalidade cientifica zelar pela ordem e proteger os cidadãos
garantindo – lhes seus direitos.

Projeto Liberal:

 Elite agrária;
 Defendia: descentralização política, autonomia dos Estados, República Federativa, Sistema de
competição econômica, Três poderes, separação entre Estado e Igreja;
 Influência do modelo dos EUA.

CONSTITUIÇÃO DE 1891

• República federativa;
• Governo central;
• Estados autônomos (20);
• Divisão dos três poderes(Executivo, legislativo e Judiciário);
• Liberdade de imprensa;
• Liberdade de reunião;
• Voto Universal (exceto: mulheres, analfabetos, menores de 21 anos, militares de baixa patente, e
mendigos. Voto não secreto);
• Primeira eleição de forma indireta.

DESFECHO DA REPÚBLICA DA ESPADA:


• Deodoro da Fonseca ganha às eleições, tendo como vice Floriano Peixoto.
• Governo criticado;
• Deodoro declara estado de sítio, fecha o congresso e manda prender vários opositores;
• Ameaça de Guerra Civil;
• Deodoro renuncia;
• Floriano Peixoto assume, e concilia a sua administração junto aos interesses de diferentes
vertentes políticas;
• Discurso nacionalista e política paternalista;

REPÚBLICA DAS OLIGARQUIAS (1894 – 1930)

 Presidentes civis.

• Política do Café com Leite: A política do café com leite é um conceito clássico quando nos referimos
à Primeira República. Essa política ganhou força no Brasil, sobretudo a partir de 1913, com a
assinatura do Pacto de Ouro Fino, entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Esse conceito
refere-se ao revezamento dos candidatos lançados à presidência por essas duas oligarquias. Segundo
esse pacto, paulistas e mineiros alternavam-se na presidência da República. O nome “café com leite”
faz referência ao fato de que São Paulo era o maior produtor de café do Brasil, enquanto que Minas
Gerais era o maior produtor de leite.
• Política dos Governadores: A política dos governadores era o sistema de alianças baseado na troca de
favores políticos. Deste modo, os governadores apoiavam a eleição de um Congresso Nacional
favorável ao presidente. Em troca, recebiam mais recursos e garantiam nomeações em cargos
políticos os aliados.

• Comissão verificadora de Poder: A comissão verificadora dos poderes foi um instrumento importante
que o governo brasileiro usou na época da República das oligarquias, para reforçar a Política dos
Governadores. Seu objetivo era reconhecer a legitimidade dos deputados eleitos em cada estado e
excluir os que eram do grupo político da oposição. O chefe dessa comissão era, normalmente, uma
pessoa de confiança do presidente da República. Se um candidato de outro partido fosse eleito para o
congresso, um grupo de membros da câmara dos deputados o acusava de fraude eleitoral, e não lhe
entregava o diploma. O candidato da oposição sofria a chamada "degola", um ato injusto e desonesto

CORONELISMO

Se caracteriza pelo controle da política por um pequeno grupo de privilegiados que definem os rumos
políticos de uma cidade ou região, utilizando-se muitas vezes de meios ilegais.

• Líder Local para ter controle sobre a população.


• Voto de Cabresto: onde o coronel obrigava e usava até mesmo a violência para que os eleitores de
seu "curral eleitoral" votassem nos candidatos apoiados por ele. Como o voto era aberto, os eleitores
eram pressionados e fiscalizados por capangas do coronel, para que votassem nos candidatos por ele
indicados. O coronel também utilizava outros recursos para conseguir seus objetivos políticos, tais
como compra de voto, votos fantasmas, troca de favores, fraudes eleitorais e violência.
• Curral eleitoral:. As regiões controladas politicamente pelos coronéis que manipulavam votos eram
conhecidas como currais eleitorais. Nesses locais o coronel oferecia ao eleitor trabalho, dinheiro,
moradia, para em troca votar em seu candidato.

1894 – GOVERNO PRUDENTE DE MORAIS, 1° PRESIDENTE CIVIL.


• Forte presença de militares na política;
• Início da política de favorecimento dos interesses de cafeicultores;
• Crise econômica;
• Acordo entre o governo brasileiro e os bancos estrangeiros credores;
• Período de recessão;
• Convênio de Taubaté (1906):
• Fórmula que beneficiava os cafeicultores;
• Aumento de preço do Café;
• Cultivo de Café por outros países.

CICLO DE BORRACHA – 1910:

 Surto da Borracha: 40% das exportações brasileiras.


 Crescimento político e cultural de Manaus: conhecido como “Belle Époque Amazônica” que vai de
1890 a 1920, cidades como Manaus, Porto Velho e Belém, tornaram-se as capitais brasileiras mais
desenvolvidas, com eletricidade, sistema de água encanada e esgotos, museus e cinemas, construídos
sob influência europeia.
 1914 – Declínio: acabou de maneira repentina, o que se agravou pela falta de políticas públicas para
desenvolvimento da região.

CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA NACIONAL:

• 1914 – Primeira Guerra Mundial.


• Necessidade de crescimento da indústria nacional.
• Exportação de produtos para Europa.
• Aumento de população urbana.

REVOLTAS

REVOLTA DA VACINA (1904):

A Revolta da Vacina foi uma rebelião popular contra a vacina anti-varíola, ocorrida no Rio de Janeiro,
em novembro de 1904. Em meados de 1904, chegava a 1.800 o número de internações devido à varíola
no Hospital São Sebastião. Mesmo assim, as camadas populares rejeitavam a vacina, que consistia no
líquido de pústulas de vacas doentes. Afinal, era esquisita a ideia de ser inoculado com esse líquido. E
ainda corria o boato de que quem se vacinava ficava com feições bovinas.

• Crise econômica, logo aumento da miséria.


• Projeto de Modernização da Capital Federal.
• Prefeito Pereira Passos – “o prefeito bota abaixo”.
• Surto de doenças.
• Destruição de cortiços.
• Vacinação obrigatória.
• Boatos contra a campanha de vacinação.
• Uma semana de confronto entre populares e forças policiais.
• Vacinação facultativa.

REVOLTA DA CHIBATA (1910):


• Elite oficial branca,;
• Castigos físicos em oficiais de baixa patente;
• Liderança de João Candido;
• Após quatro dias de tensão, o presidente Hermes da Fonseca decretou o fim dos castigos físicos
dentro da Marinha;

GUERRA DE CANUDOS.

• Messianismo
• Movimento ligado a religiosidade
• 1893 fundação do Arraial de Canudos
• Líder Antônio Conselheiro
• Contra a República
• Fiéis seguidores da palavra de conselheiro
• Economia comunitária
• Rígida moral cristã
• Expedições contra Canudos: Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, inclusive
uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, conhecido como "corta-cabeças" por ter
mandado executar mais de cem pessoas a sangue frio na repressão à Revolução Federalista em Santa
Catarina. A derrota das tropas do Exército pelos canudenses nestas primeiras expedições apavorou a
opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até
vinte mil sertanejos.

GUERRA DO CONTESTADO (SC/PR 1912 – 1916):

• José Maria (líder).


• Causas: exploração de camponeses, concessão de terras e benefícios para empresas inglesas e
americanas que provocaram a expulsão e marginalização de pequenos camponeses.
• Origem do nome: região contestada entre os estados de Santa Catarina e Paraná.
• Assim como Canudos, os participantes foram violentamente massacrados.

REVOLTA DE JUAZEIRO (CE – 1913):

• Líder: Padre Cícero.


• Causa: Intervenção do governo central no Ceará, retirando do poder a tradicional família Accioly
(Política das Salvações).
• Padre Cícero lidera um exército formado por fiéis que recuperam o poder para a tradicional família.
• Prestígio político do Padre Cícero aumenta consideravelmente, e a família Accioly retoma o controle
do Estado do Ceará.

MOVIMENTO OPERÁRIO

• Luta por direitos de trabalho e sociais


• Primeiras greves
• Repressão
• Anarquismo
• Sindicalismo Revolucionário
• PCB
O TENENTISMO:

• Movimento da baixa oficialidade do exército (tenentes e capitães).


• Classe média urbana e letrada.
• Contra o poder central das oligarquias.
• Objetivos: moralização política (voto secreto, fim das fraudes, afastamento do controle oligárquico),
ensino obrigatório, centralização positivista.
• Programa elitista – para o povo, mas sem o povo.
• Consideravam-se a “salvação nacional”.

REBELIÃO PAULISTA (1924):

• Tenentes tomam o poder de São Paulo, liderados por Isidoro Dias Lopes, por 22 dias, até a
reorganização das tropas federais. Fogem para o Paraná onde se encontram com outro grupo de
tenentes vindos do RS, liderados por Luís Carlos Prestes.

• Coluna Prestes (1924 – 1926):

Líder: Luís Carlos Prestes (“o Cavaleiro da Esperança”).

• Marcha pelo interior do Brasil tentando debilitar o governo de Arthur Bernardes e conseguindo mais
adeptos para a causa tenentista.
• Caráter social mais amplo: alguns mencionavam o desejo pelo voto feminino e pela reforma agrária.
• Fracassou. Seus integrantes se exilaram na Bolívia. Alguns retornaram ao Brasil posteriormente.

REVOLTA DO FORTE DE COPACABANA OU OS 18 DO FORTE (RJ 1922):

• Contra a posse do presidente Arthur Bernardes (1922).


• Episódio das “Cartas Falsas”.
• Movimento fracassou, mas 18 integrantes (sendo um civil) marcharam em Copacabana contra uma
tropa do governo de mais de 3 mil homens. Sobreviveram ao gesto suicida dois tenentes: Siqueira
Campos e Eduardo Gomes.

CANGAÇO OU BANDITISMO.

• Do fim do sec XIX até a década de 1930


• Interior do Nordeste
• Viviam à margem da lei
• Contestavam a ordem dominante
• Saqueadores
• Difícil captura

A SEMANA DE ARTE MODERNA (SP – FEV/1922):

• Crítica aos padrões artísticos e literários formais (métrica, rima, saudosismo, sentimentalismo).
• Criação de uma nova estética sem fórmulas fixas e limitadoras da criatividade.
• “Paulicéia Desvairada” – MÁRIO DE ANDRADE: primeira obra modernista.
• Principais representantes: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del
Picchia (literatura), Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti (pintura), Villa-Lobos (música),
Vitor Brecheret (escultura).

O FIM DA REPÚBLICA VELHA:

Manifestações de diversos setores abalam o poder do governo.

• Movimento operário.
• Movimento tenentista.

A REVOLUÇÃO DE 30:

• Crise de 29 abala poder econômico dos cafeicultores.


• Governo não tem como valorizar artificialmente o café.
• Rompimento do pacto do café-com-leite: era a vez de MG indicar o candidato, porém, SP indica o
paulista Júlio Prestes para a sucessão do presidente Washington Luís.
• MG + RS + PB formam a ALIANÇA LIBERAL com os candidatos Getúlio Vargas (RS) e João
Pessoa (PB) para presidente e vice, respectivamente.
• Aliança liberal recebe apoio de alguns tenentes e classe média urbana, além de várias outras
oligarquias dissidentes.
• Júlio Prestes vence eleição fraudulenta.
• Protestos contra o resultado das urnas tomam conta do país.
• João Pessoa é assassinado na PB.
• Agitação popular aumenta.
• Exército resolve depor o então presidente Washington Luís antes mesmo da posse de Júlio Prestes e
entregar a presidência ao comandante em chefe da revolta, Getúlio Vargas.