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DISCIPLINA: História PROFESSORES: Ana Carolina Rocha, Diogo Alchorne Brazão, Fabrício

Geral Sampaio

Período entreguerras (1918-1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

O período entreguerras compreende os anos de 1918 a 1939. Muitos historiadores concordam em


afirmar que o desfecho mal realizado da Primeira Guerra Mundial alimentou a Segunda Grande Guerra. Nesse
sentido, haveria uma relação de continuidade que só se torna inteligível se considerarmos a humilhação alemã
e os problemas de ordem econômica que afetaram todo o continente no período entreguerras.

Em linhas gerais, o período do entreguerras foi marcado por alguns processos fundamentais: 1) A
revolução russa; 2) A gripe espanhola; 3) A crise do liberalismo de 1929; 4) os regimes totalitários

1) A revolução russa

Para compreendermos a conjuntura da Rússia no contexto entreguerras, vale ressaltar que o país já
estava passando por uma série de contestações antes mesmo da eclosão da Primeira Grande Guerra. As
primeiras manifestações da Revolução se iniciaram em 1905, dada a situação do país até o início do século
XX, expressas no esquema abaixo:

Geralmente dividida em 3 períodos, a Revolução Russa foi caracterizada pelo:

1) Ensaio Geral (1905): manifestações pacíficas da população russa, reivindicando reformas


políticas, sociais e trabalhistas aos operários e industriais russos. Soldados do czar reprimiram a
manifestação com violência, deixando quase cem mortos no episódio conhecido como Domingo
Sangrento. Como consequência direta desse processo há o surgimento de conselhos políticos
liderados pelos trabalhadores (sovietes) e a criação de um conselho parlamentar, braço direito do
czar (imperador) Nicolau II, a Duma.
2) Revolução de fevereiro/março de 1917: A situação da Rússia se tornou insustentável. Inserida na
Primeira Guerra Mundial desde 1914, a população reivindicava a saída da guerra, promovendo
greves em meio a uma grave crise econômica e social. Sem sua base de sustentação militar, o czar
é deposto do poder e inicia-se a fase burguesa da Revolução. Liderado pelos mencheviques (ala
reformista do partido socialista que formava a minoria), instalou-se um governo provisório que
tinha como pauta emergencial a retirada das tropas russas da Grande Guerra. A despeito disso, a
Rússia permanecia na guerra. Nesse contexto, os sovietes ascendem como uma força política
alternativa aos mencheviques, liderando a resistência ao governo instituído. Lênin, figura política
exilada, retorna à Rússia e defende as teses de abril, sintetizadas na frase “paz, pão e terra”. Dentre
as diversas teses, defendiam a saída da Rússia da guerra (paz), fim da miséria russa (pão) e
redistribuição das terras à população (terra).

3) Revolução de outubro/novembro de 1917: Lênin propôs ao Partido Bolchevique (maioria do


partido socialista) a derrubada do governo e a tomada do poder. O soviete de Petrogrado, sob a
direção dos bolcheviques, tomou o poder na Rússia. Dentre as principais medidas tomadas pelos
bolcheviques, tem-se: estatização das indústrias e grandes propriedades; anulação dos títulos de
nobreza; separação entre Igreja e Estado; igualdade e soberania dos povos da Rússia; assinatura do
Tratado de Brest-Litovski, firmando a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.

1.1. A União Soviética

Consolidado o governo bolchevique na Rússia, a ala política conservadora que permanecia no país
organizou as suas primeiras iniciativas contra o governo socialista. O período de 1918 a 1921 é conhecido
como Guerra Civil, no qual dois Exércitos paralelos se organizam: o Exército Vermelho (pró-governo) e o
Exército Branco.

Para derrotar a contrarrevolução e salvar o Estado bolchevique, os revolucionários impuseram à população


medidas severas. Foi o chamado comunismo de guerra: toda a produção econômica e esforços industriais
estariam reservados ao abastecimento do Exército Vermelho na guerra civil. Durante os combates, o Exército
Vermelho anexou territórios que formaram, em 1922, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

O Partido Bolchevique lograra em derrotar os monarquistas e políticos conservadores, mas intensificou a


crise econômica e social russa. Nesse contexto, surge a Nova Política Econômica (NEP), organizada por
Lênin: medidas capitalistas provisórias para estimular a economia, estagnada pela guerra civil. A ideia por
trás da NEP consistia no lema “um passo para trás e dois passos para frente”: o restabelecimento da
propriedade privada, ainda que fiscalizada pelo Estado, representaria um passo para trás no governo socialista,
mas que possibilitaria o crescimento soviético posteriormente.
2) A Gripe Espanhola de 1918-1919

Também chamada la dansarina, gripe pneumônica, peste pneumônica ou simplesmente pneumônica,


a gripe espanhola foi uma violenta pandemia que atingiu o mundo em 1918-1919, provocando milhões de
mortes, especialmente entre os setores jovens da população. Considerada a mais severa pandemia da história
da humanidade, foi causada pela virulência incomum de uma estirpe do vírus Influenza A, do subtipo H1N1.

A denominação “gripe espanhola” foi cunhada devido ao fato de muitas das informações a respeito da
doença terem sido transmitidas pela imprensa da Espanha. Os jornais desse país, que se manteve neutro
durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), não sofriam censura quanto às notícias sobre a epidemia, o
que não era o caso da imprensa dos países beligerantes. Por isso, assim que a gripe chegava a algum país, era
logo chamada de “espanhola”. Desconhece-se sua origem geográfica, mas sabe-se que o primeiro caso
observado verificou-se nos Estados Unidos em março de 1918, no Texas, e uma semana depois, em Nova
Iorque.

O Brasil acompanhou a doença inicialmente à distância, através dos jornais. A população brasileira
não demonstrava grande preocupação com a espanhola, por considerar que ela não se propagaria no território
nacional, devido à distância do continente europeu. Contrariando essas previsões otimistas, a gripe penetrou
no país a partir de setembro de 1918, quando a divisão naval enviada pelo Brasil a Dacar, para participar do
patrulhamento do Atlântico Sul como parte do esforço de guerra do país ao lado dos Aliados, retornou. Nesse
momento inicial, morreram mais de uma centena de marinheiros – o que correspondia ao número de brasileiros
mortos em decorrência da participação na Primeira Guerra Mundial.

Em território brasileiro propriamente dito, a disseminação da gripe pode ser atribuída a alguns navios
que aportaram em portos do Nordeste, como o inglês Demerara, que esteve em Recife e Salvador naquele mês
de setembro. Em pouco tempo a espanhola atingiu várias cidades nordestinas e no final de outubro já atingia
quase todas as grandes cidades do país, inclusive Rio de Janeiro e São Paulo. Em novembro chegava à
Amazônia. Sua expansão provocou um esvaziamento dos centros urbanos, causado pelo medo de contágio da
doença. Desconhecendo medidas terapêuticas para evitar o contágio, as autoridades pediam à população que
evitasse as aglomerações. Ao longo do período pandêmico, registraram-se mais de 35 mil mortes em todo o
Brasil.

3) A crise do liberalismo: Os Estados Unidos e o crash da Bolsa de Nova York


(1929)

Compreender o impacto da quebra da Bolsa de


Valores de Nova York no mundo é, antes de tudo, ter
conhecimento do grau de interdependência dos países
após o encerramento da Primeira Guerra Mundial. A
vitória sobre a Alemanha não representou a afirmação da
Inglaterra ou da França, pois todos foram atingidos por
uma crise econômica, e a Europa começava a perder
espaço no globo para os EUA, principalmente.

Os Estados Unidos tinham ampliado sua


capacidade produtiva, e a participação das potências
europeias na produção mundial havia declinado. O país
mais capitalizado e em condições de exportar capitais
agora se encontrava na América do Norte, o que fazia a
economia mundial tornar-se dependente de seus recursos.
Assim, entendemos que o eixo da interdependência dos
países se chamava EUA e, é claro, se algo acontecesse à
economia norte-americana, isso afetaria a economia
mundial.
Outro aspecto relevante do quadro econômico após a Primeira Grande Guerra encontramos na forma
de as empresas estadunidenses se capitalizarem para mais investimentos em sua capacidade produtiva, pois
imaginavam atender à demanda mundial por produtos industrializados. A forma era transformarem-se em
empresas de sociedade anônima com participação societária por ações, negociadas na Bolsa de Valores.

Assim, capitais podiam ser atraídos sem que houvesse necessidade de endividamento bancário. A
questão que gira em torno da venda das ações diz respeito a seus valores, pois depende de uma expectativa
do mercado de ações em relação à possibilidade de lucro da empresa. Acrescente-se a isso a atividade de
grupos especuladores e de uma visão da economia em que o progresso é um contínuo movimento da história.
O resultado: ações sobrevalorizadas.

Os sinais de que a economia mundial não estava bem eram vários, mas a euforia parecia ser maior que
a prudência. Os países europeus procuravam diminuir a dependência dos produtos norte-americanos por meio
de políticas protecionistas que possibilitassem a recuperação de suas indústrias. E não apenas o setor industrial
era visado. A produção agrícola também era o foco de ações protecionistas dos europeus.

A atividade na Bolsa de Valores continuou intensa, com a participação até mesmo da classe média
norte-americana, que aprendia o caminho da compra de ações como meio de enriquecimento. O problema é
que, se a classe média aumentava o nível e poupança para aplicar na Bolsa de Valores, quem iria comprar os
produtos que saíam da linha de produção?

Quando muitos começaram a perceber que as empresas não


iriam realizar o lucro imaginado por não conseguirem vender seus
produtos, houve uma corrida à Bolsa para a venda de ações. Essa foi
a "quinta-feira negra" da história dos Estados Unidos. Milhões de
títulos foram colocados à venda e não houve comprador. Era a quebra
da Bolsa de Valores de Nova York. Empresas faliram, o desemprego
cresceu, o consumo foi reduzido ainda mais e novas demissões foram
anunciadas. Homens se suicidavam por terem perdido todas as
economias na jogatina da Bolsa de Valores.

Entretanto, foi o efeito dominó da crise nos Estados Unidos


que configurou a Grande Depressão. Recursos investidos no exterior
eram repatriados para fazer frente à crise, empresas dos EUA que
atuavam fora do país fechavam filiais e a crise começava a afetar o
mundo. Em meio ao caos econômico, políticos dos EUA começavam
a discutir de forma séria os textos de um economista chamado John
Maynard Keynes. Keynes já havia defendido a ideia de que o Estado
deveria atuar na economia como forma de alavancar o consumo e a
renda em sua Teoria do Juro da Moeda.

Foi nesse quadro que um político do partido democrata, Franklin Delano Roosevelt, se candidatou à
presidência dos EUA com um programa de governo que contemplava o pensamento de Keynes. Roosevelt
apresentou o New Deal, uma nova programação econômica que envolvia a participação do Estado como
instrumento da recuperação da economia. Foi eleito presidente e aplicou seu plano de governo criando várias
obras públicas, as chamadas frentes de trabalho, que ampliavam o mercado consumidor, pois o Estado se
tornava um grande empregador. Além disso, houve desvalorização do dólar, acordos entre bancos e
agricultores e entre industriais e sindicatos de trabalhadores mediados pelos órgãos governamentais com o
intuito do estabelecimento de um pacto produtivo que gerasse emprego sem que houvesse inflação.

Enquanto isso, as economias dos países dependentes do EUA acompanham a crise iniciada na Bolsa
de Valores. As falências e as demissões não ficaram circunscritas à economia norte-americana, promovendo
o que se chamou de Grande Depressão. Cada país procurava uma resposta para a crise e seus governantes
estavam interessados em resolver seus problemas internos mesmo que isso custasse a própria paz mundial.
Assim, políticas belicistas e nacionalistas integraram o quadro das tentativas de superação do colapso
econômico. Nos EUA não foi diferente, pois boa parte da recuperação de sua economia esteve atrelada ao
setor militar, principalmente em relação ao que os políticos norte-americanos chamavam de ameaça nipônica
do oceano Pacífico.

4) O totalitarismo

Na esteira dos acontecimentos posteriores à Primeira Guerra Mundial, uma série de críticas foram
tecidas à organização do mundo. A ascensão dos Estados Unidos da América como potência hegemônica e
principal responsável pela reestruturação dos países europeus, as medidas do Tratado de Versalhes impostas
à Alemanha e intensa crise econômica em dimensão mundial foram alguns dos fatores explicativos para a
ascensão de regimes centralizadores. É o surgimento do totalitarismo: um regime político que surgiu e
desapareceu em países europeus no século XX cujas bases se concentram no controle total da vida pública
e da vida privada. Para se manterem, os países que adotaram o totalitarismo elegeram líderes que
centralizaram as diversas figuras do poder e a atuação do Estado em si mesmos, além de investirem fortemente
em propaganda e elegerem inimigos em potencial.

Na Europa ocidental, dois regimes totalitários de extrema-direita ascenderam nesse contexto


conturbado: o nazismo alemão e o fascismo italiano. Cabe ressaltar dois outros regimes inspirados nas ideias
nazifascistas: o franquismo na Espanha e o salazarismo em Portugal.

De forma geral, podemos sintetizar as características do nazifascismo em:

• Ultranacionalismo (xenófobo): ideia de superioridade da nação italiana e alemã, justificando


as ações expansionistas. No caso da Alemanha, o ultranacionalismo ainda é intensificado pela
perseguição às minorias étnicas, fruto da teoria da raça ariana.
• Militarismo: defesa de uma sociedade militarizada. Há a ideia de construção de um novo
homem, cuja moral se estabelece na defesa de sua pátria. A ideologia do militarismo
fundamentou a tomada de poder pelos fascistas e a anexação de territórios pela Alemanha
Nazista.
• Anticomunismo: combate ao socialismo e comunismo. O nazifascismo perseguiu
sistematicamente membros do Partido Comunista, assassinando seus integrantes. Na Alemanha
nazista ainda havia uma parcela de comunistas direcionados aos campos de concentração.
• Antiliberalismo: combate à ideologia do capitalismo liberal. A ideia central não era adotar um
governo socialista, mas reafirmar o capitalismo com uma grande intervenção do Estado. A
propriedade privada foi mantida e o apoio da burguesia nacional foi um dos alicerces do
nazifascismo.
• Unipartidarismo: fechamento dos partidos políticos de oposição.
• Culto ao líder: valorização e deificação do representante da ideologia nazifascista. A utilização
de símbolos e panfletagem política foram fundamentais para a valorização de Hitler e
Mussolini.
• Propaganda governamental: As propagandas governamentais tinham como intuito ressaltar
o nazifascismo e inculcar a ideologia do regime na mentalidade da população através de
diferentes estratégias e instituições.
• Educação dirigida: A escola foi um importante instrumento na consolidação da propaganda
do governo; através de cartilhas, desde tenra idade os jovens das sociedades alemã e italiana
eram apresentados à moral nazifascista.
• Criação de um inimigo: a criação de um inimigo da nação foi um aspecto fundamental para a
legitimação do regime pela sociedade alemã e italiana. Os grandes inimigos, nesse contexto,
eram os liberais e principalmente socialistas.
• Romantismo: Crítica à razão e às artes modernas. Criação de uma estética de valorização do
passado; a reapropriação de símbolos de um suposto “passado glorioso” foi um instrumento
simbólico dos regimes.
• Expansionismo territorial: A ideia de expansionismo territorial vem conjugada à ideologia
do militarismo e do ultranacionalismo. Em Hitler, há ainda a apropriação da teoria do espaço
vital da geografia do século XIX, no sentido de fundamentar as anexações territoriais.
• Racismo (nazismo): Um aspecto que difere o fascismo do regime nazista se dá na perseguição
que este promovera às minorias étnicas, sobretudo aos povos semitas, com destaque aos judeus.
Além destes, negros e ciganos também foram perseguidos.
• Corporativismo (fascismo): As bases do corporativismo se dão na supressão dos interesses
individuais ou de grupos sociais em prol da nação italiana. Foi uma ideologia usada no sentido
de destruir os diferentes interesses dos sindicatos, das minorias e dos partidos políticos.
Fundamenta-se na ideia de que a Itália é um corpo político, liderado pelo Estado (cabeça) e
composto pela sociedade italiana (membros do corpo). Em alusão ao funcionamento de um ser
biológico, na medida em que a sociedade se divide em suas próprias pautas, relegando o aspecto
que os une (a Grande Itália), o corpo político deixa de entrar em funcionamento.

4.1. O fascismo

Compreender a ascensão do regime fascista é ter que necessariamente estudar o quadro político e
econômico da Itália após a Primeira Guerra Mundial. O país havia se envolvido no confronto ao lado dos
franceses e dos ingleses. Contudo, a vitória contra os alemães e os austríacos não significou ganho em termos
econômicos, e a Itália foi marginalizada nos debates em torno da paz acontecidos em Versalhes. Assim, o país
terminava a guerra com uma economia enfraquecida, pois empresas haviam fechado as portas, os preços dos
alimentos subiam e faltavam recursos para a reconstrução da Itália. Agravando ainda mais esse quadro, os
operários vinculados a organizações comunistas realizavam greves e pretendiam seguir o mesmo
caminho dos russos para chegar ao poder.

Para piorar a situação, os partidos políticos não eram fortes, existiam várias agremiações políticas, mas
nenhuma em condição de ter maioria parlamentar que garantisse um primeiro-ministro que pudesse atuar com
desenvoltura. Assim, qualquer disputa por cargos políticos acabava derrubando o primeiro-ministro e criando
uma situação de instabilidade político-institucional.

Esse foi o contexto de emergência do Partido Nacional Fascista. Benito Mussolini criou um partido
político de viés nacionalista que pregava a união nacional contra aqueles que dividiam a nação italiana.
Quem eram esses divisionistas? Mussolini apontava para os socialistas e para os liberais. Os socialistas porque
afirmavam, seguindo o pensamento marxista, que a história da humanidade era a luta de classes, colocando
em lados opostos o patrão e o empregado. Os liberais porque defendiam a existência do pluripartidarismo
como forma de exercício democrático e expressão das diferenças de opinião no seio da sociedade.
O fascio era um instrumento da autoridade real nos primórdios da história de
Roma. Os litores abriam caminho para a passagem do rei apresentando um
feixe de varas de avelã amarradas e com um machado à frente, daí o nome
fascio – feixe. A ideia básica era de que a “união faz a força”.

Em pouco tempo, o partido ganhou apoio dos


empresários, que viam no fascismo a possibilidade
de impedir o avanço dos socialistas na Itália. Além
disso, a Igreja Católica via com simpatia as ações dos
fascistas contra aqueles homens de esquerda que
afirmavam ser a religião o ópio do povo. O partido
tinha um grupo paramilitar conhecido como
"Exército dos Camisas Negras", que atuava à
margem da lei, eliminando líderes grevistas do
movimento operário. Muitos populares que não eram
politizados apreciavam as ações de força dos
fascistas, imaginando que um governo forte pudesse
resolver a situação de crise vivida no país.

Em 1922, o líder inconteste do partido organizou a


famosa "Marcha sobre Roma", em que membros dos
Camisas Negras de todo o país marcharam com simpatizantes
até a capital, com o intuito de mostrar sua força para o rei Victor
Emanuel III. O rei decidiu, então, dissolver o Parlamento e
convidar Mussolini a ser o primeiro-ministro italiano. Os
fascistas, dessa forma, chegavam ao poder sem passar por um
processo eleitoral. Pressionados pelas forças socialistas e
liberais, eleições em 1924 foram convocadas. Através de
fraudes, os fascistas conquistaram sessenta por cento das
cadeiras parlamentares, algo jamais visto em qualquer
momento da história italiana.

A Igreja apoiou o Estado fascista e firmou um


acordo na cidade de Latrão (1929) em que aceitava a perda
dos territórios anexados para a formação da Itália (Questão
Romana) mediante o pagamento de indenização do Estado, a
instituição do ensino religioso nas escolas italianas e a criação
do Estado do Vaticano, cujo chefe seria o Papa. Daí em diante,
a política do "Duce" teve caráter belicista. Mussolini falava da
Grande Itália do passado, que ressurgiria com ações militares
no globo que garantissem os interesses da indústria nacional
italiana por oposição à de outros países. O nível de emprego
aumentou, o custo de vida diminuiu e Mussolini ficou muito
popular. Seus pronunciamentos eram acompanhados por
milhares de pessoas nas praças públicas, constituindo um verdadeiro movimento de massas mobilizadas pelos
meios de comunicação.

4.2. O nazismo

Compreender a ascensão do nazismo é ter conhecimento da história da Alemanha após a Primeira


Guerra Mundial. O governo da chamada República de Weimar não tinha condições financeiras para
desenvolver políticas de recuperação do país, pois havia se comprometido a pagar uma reparação de guerra
para os países vencedores, em especial França e Inglaterra. Logo no encerramento da Guerra Mundial, a
Alemanha conheceu um levante dos comunistas alemães comandado por Rosa Luxemburgo, a Revolta
Espartaquista. O levante pretendia assumir o controle do país, a exemplo do que havia ocorrido na Rússia com
os bolcheviques. A situação só se acalmou um pouco após o assassinato de Rosa Luxemburgo.

Contudo, setores conservadores da Alemanha não aceitavam a assinatura do Tratado de


Versalhes pelos membros do governo republicano, e os militares acusavam o governo social-democrata
instituído de ter entregado o país aos inimigos. Em resumo, a Alemanha vivia o caos do fim da Primeira Guerra
Mundial. Os anos passavam e a situação só se agravava.

Em 1923, parecia que o país havia atingido o fundo do poço. Havia hiperinflação, e o governo
suspendeu o pagamento da reparação de guerra, por não ter recursos. Agitações aconteciam em todo o país
contra o governo social-democrata e uma, em especial, nos interessa, qual seja, o levante conhecido por Putsch
da Cervejaria, ocorrido em Munique. Um de seus líderes havia sido soldado na Primeira Guerra Mundial e
se chamava Adolf Hitler.

O levante contra o governo foi prontamente reprimido e


Hitler conheceu a prisão. Encarcerado, começou a escrever um
livro que se tornou a bíblia do nazismo: Mein Kampf (Minha
luta). Nessa obra, apresentou suas ideias sobre a supremacia
ariana e a conspiração judaica ("dos inferiores") para exercer o
domínio do mundo. Seu pensamento assentava-se nas teorias
racistas do século XIX e em uma visão estética que
recuperava o ideal clássico de beleza (greco-romano), por
oposição à arte das vanguardas modernas, considerada arte
degenerada. Havia no pensamento nazista uma proposta de
eugenia, ou seja, de limpeza racial.

Hitler organizou, em detalhes, o partido que passou a


expressar o ideal nazista: Partido Nacional Socialista dos
Trabalhadores Alemães, o NAZI. Tal partido tornou-se, em
pouco tempo, uma realidade política nos quadros institucionais
da Alemanha.

Entre 1925 e 1929, a produtividade cresceu no país, o


índice de desemprego declinou, a inflação foi reduzida e,
rapidamente, a Alemanha recuperou sua capacidade industrial,
chegando, em 1929, a ter a segunda maior produção industrial
do mundo. Só ficava atrás da economia estadunidense.

A essa altura, o partido nazista já estava bem estruturado, e Hitler iniciava seus discursos contra o que
considerava a conspiração internacional dos judeus para dominar o mundo. Além dessa afirmação explosiva,
o líder do NAZI apontava para o desfecho da Primeira Guerra Mundial como a origem da desgraça alemã.
Hitler acusava o Tratado de Versalhes, imposição da França e da Inglaterra, de corresponder a sérios prejuízos
que afetaram a estabilidade e a força dos alemães na Europa.
As eleições legislativas de 1930 já indicavam um aumento significativo da representação dos nazistas
no Reichstag (parlamento alemão). Outro aspecto a ser considerado é a existência de dois grupos
paramilitares no partido nazista que atuavam reprimindo agitações operárias daquele momento. O grupo
mais atuante e numeroso era a chamada SA (Tropas de Assalto). Este grupo foi responsável pela eliminação
sistemática de lideranças socialistas na Alemanha. A outra organização militar era a SS (Brigadas de
Defesa), um grupo de elite que fazia a segurança da cúpula do partido nazista, em especial de Hitler. Quando
no poder, as SS se tornam a única tropa militar, articuladas à nova polícia secreta nazista, a Gestapo.

Os nazistas não pretendiam governar dependendo de


partidos pequenos e não estavam dispostos a enfrentar uma
oposição parlamentar. Nos bastidores, discutiam a
possibilidade de um golpe que determinasse plenos poderes
a Hitler. Esse golpe foi o incêndio do Parlamento. Hitler
atribuiu a responsabilidade do atentado aos comunistas, que
faziam oposição ao seu governo.

Dessa forma, conseguiu adotar medidas de exceção,


visando reprimir agitações no país. O pretexto para fechar o
Parlamento e governar sem oposição havia dado certo. Em
pouco tempo, a Alemanha foi dominada pelos nazistas e
uma política contrária às determinações do Tratado de
Versalhes foi assumida. Iniciava-se o rearmamento da
Alemanha, campanhas publicitárias atacavam os judeus,
campos de concentração eram criados para os inimigos do
nazismo e divulgava-se a ideia do arianismo associada ao
expansionismo territorial.

Além disso, Hitler e Mussolini se encontraram para


selar acordo anticomunista e unir forças contra o
liberalismo no continente europeu.

Contudo, a prova da emergência do nazifascismo encontramos em sua atuação na chamada Guerra


Civil Espanhola, pois os socialistas espanhóis haviam chegado ao poder pela via eleitoral e desenvolviam
uma política de reformas no país, até que uma insubordinação militar, apoiada por forças conservadoras e
liderada pelo general Francisco Franco, eclodiu na Espanha. Imediatamente, Hitler e Mussolini sustentaram
os conservadores espanhóis, ajudando com armamentos e com homens e utilizando a Guerra Civil para realizar
seus testes com tecnologia militar.
4.3. O totalitarismo de esquerda: stalinismo

O líder da revolução comunista, Lênin, não viu completar-se sua NEP, pois morreu em 1924, o que
abriu um debate dentro do partido sobre quem deveria sucedê-lo no comando do governo revolucionário. A
disputa aconteceu entre Trotski e Stálin no Congresso do Partido. Stálin desde 1922 era o secretário-geral do
Partido Comunista, tinha grande influência e sofria oposição do líder do Exército Vermelho, Leon Trotski.

No Congresso do Partido, os dois maiores representantes do movimento, àquela altura, defenderam


teses opostas. Trotski defendeu a "Revolução Permanente" que significava apoiar os outros levantes
comunistas. Já Stálin defendeu o "Socialismo num só país" que significava não se envolver nas agitações
continentais, concentrando recursos e esforços para a construção do socialismo na Rússia. O secretário-geral
do partido afirmava ser um absurdo a "Revolução Permanente", pois não permitiria a afirmação do socialismo
em nenhum lugar.

O vitorioso foi Stálin e sua vitória representou a realização de expurgos dentro do partido daqueles que
se opunham à sua política. Em poucos anos, constituía-se um Estado totalitário que absorveu territórios
vizinhos, transformando-se na URSS. Stálin era o líder máximo, cultuado por milhões em uma política que se
apropriava dos meios de comunicação para realização dos seus desígnios. Aos opositores restavam os campos
de concentração na Sibéria (Gulags) ou a morte imediata.

Foi na época de Stálin, a partir de 1929, que surgiram os chamados Planos Quinquenais, conhecidos
dessa forma por estabelecerem metas de produção definidas para cinco anos. Esses planos garantiram a
industrialização forçada e a coletivização das terras.

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A Segunda Guerra Mundial

O expansionismo territorial alemão teve curso com a anexação da Áustria, país de população alemã,
aos domínios da Alemanha. Hitler afirmava que os superiores não podiam ficar divididos em vários países,
então sua ação contribuía para a afirmação do arianismo em nome do espaço vital que possibilitasse o pleno
desenvolvimento dos alemães.

O nacionalismo nazista incluiu proclamações em defesa da tomada dos Sudetos, região com população
alemã que desde o final da Primeira Guerra estava em poder da Tchecoslováquia. Um encontro foi convocado
entre os quatro grandes europeus, Alemanha, Itália, França e Inglaterra, em Munique, para discutir o assunto.
O resultado foi uma sinalização favorável à incorporação da área pela Alemanha em nome de uma política de
apaziguamento.

Assim, sem que o governo tcheco fosse ouvido, tropas alemãs invadiram os Sudetos e, na sequência,
tomaram toda a Tchecoslováquia. Isso não estava previsto pelo acordo entre os quatro grandes em Munique,
mas a ação nazista de fato consumado só deu mais força às suas pretensões belicosas. Agora Hitler reclamava
o chamado "corredor polonês" que havia sido entregue à Polônia como parte dos acordos de Paz no
encerramento da Primeira Grande Guerra.

A partir desse momento, a chamada política do apaziguamento se esgotava, pois Inglaterra e França se
colocavam em defesa da Polônia, afirmando que qualquer ataque ao Estado soberano polonês seria entendido
como uma declaração de guerra às duas potências. A essa altura, os judeus sofriam perseguições de toda ordem
na Alemanha, e toda e qualquer oposição era lançada nos campos de concentração, campos de trabalho forçado
em que havia a eliminação sistemática das oposições. O povo alemão amava seu líder e informava isso nas
reuniões em praças públicas, nas concentrações humanas dispostas a defender o nazismo e a fé ariana.

Hitler e Mussolini sabiam que qualquer nova investida poderia inaugurar outro conflito e procuraram
selar um pacto ofensivo-defensivo chamado Pacto do Aço. Além disso, Hitler não pretendia correr o risco de
dividir as tropas alemãs em dois fronts, como havia acontecido na Primeira Guerra Mundial. Assim, era funda-
mental que, num primeiro momento, a URSS não entrasse no confronto. Stálin, comandante da União
Soviética, também não pretendia entrar em uma guerra logo de início e imaginava o desgaste dos franceses e
dos ingleses mais interessante do que um combate imediato ao nazismo.

O sistema de alianças se formava antes da declaração oficial de guerra, demonstrando a tensão de uma
iminente guerra. Nesse contexto, os dois principais blocos que se formalizaram na Guerra foram:

EIXO: Alemanha, Itália e Japão

ALIADOS: Inglaterra e França (1939); Estados Unidos e União Soviética (1941)

Seguindo as diretrizes dos chefes dos dois países, Ribbentrop (ministro das Relações Exteriores da
Alemanha) e Molotov (ministro do Estrangeiro da URSS) se encontraram visando acertar um pacto de não
agressão. Este acordo foi fechado no dia 23 de agosto de 1939. Uma semana depois, a Alemanha invadia a
Polônia, sendo iniciada a Segunda Guerra Mundial.

A Segunda Guerra geralmente é dividida em duas fases:

1. A Ofensiva do Eixo (1939-1942):

A Alemanha estava preparada para agir e o seu plano era um ataque em massa usando a aviação, a
infantaria e os blindados de forma conjunta naquilo que foi denominado Blitzkrieg (Guerra Relâmpago).
No começo de 1940, sem declaração formal de guerra, os alemães invadiram países que haviam declarado
neutralidade. Realizando a blitzkrieg, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Luxemburgo foram anexados ao III
Reich. Agora os recursos desses países eram apropriados pelas forças nazistas para enfrentarem França e
Inglaterra.

Na França existiam colaboradores dos nazistas, como nos demonstra o marechal Pétain. Este chefe
militar passou informações da defesa francesa à Alemanha e, por meio desse conhecimento privilegiado, os
alemães entraram vitoriosos na França. Paris se tornava área administrada por Hitler e, ao sul do país, era
organizada a República de Vichy, conduzida pelo marechal Pétain, ou seja, era um estado satélite do nazismo
em parte da França.

As tropas nazistas não ficaram circunscritas aos territórios da Europa continental. Grupos
especializados ficaram conhecidos por Afrikacorps, atuando no norte da África. O plano era chegar ao Canal
de Suez, tomar o Egito dos britânicos, controlando, dessa forma, toda a bacia do Mediterrâneo, já que os
italianos haviam deslocado tropas para a Albânia e a Grécia e se aproximavam da Turquia.

Enquanto as forças nazifascistas obtinham sucesso nessas áreas, os japoneses se expandiam no oceano
Pacífico, criando uma expectativa de guerra contra os EUA, que se opunham à incorporação de território
pelos nipônicos. O Japão já havia invadido Hong Kong, Singapura, o Ceilão, a Birmânia, as Filipinas, a
Malásia, a Indonésia e a Indochina. Milícias nacionalistas e comunistas eram organizadas nesses territórios,
visando deter as anexações dos japoneses, e os EUA apoiavam a luta contra o Japão. O governo norte-
americano chegou a congelar os bens dos japoneses no território dos EUA e, além disso, propôs um embargo
econômico ao império nipônico.

A Grã-Bretanha resistia ao Eixo, porém sofria duros golpes, pois diariamente Londres era atacada pela
Luftwaffe, a poderosa aviação alemã. Os alemães não conseguiram realizar a blitzkrieg nas terras inglesas,
mas faziam estragos sérios, materiais e humanos, na Inglaterra.
Seguro de estar próximo de uma vitória, Hitler apresentou a Operação Barba Ruiva, um plano de
ataque à URSS. Pelo plano, as tropas alemãs atingiram Leningrado, no norte, Moscou, ao centro, e
transformariam a Ucrânia, ao sul, no celeiro dos alemães. Em agosto de 1941, o território soviético foi
invadido pelas tropas nazistas, e a União Soviética declarou guerra à Alemanha.

Os japoneses aproveitaram a situação, que parecia ser favorável, e atacaram a base naval de Pearl
Harbor, no Havaí, que pertencia aos EUA. O ataque aconteceu em dezembro de 1941. A partir disso, o governo
norte-americano declarou guerra não só ao Japão, mas ao Eixo. Acordos já haviam sido entabulados com a
Grã-Bretanha, e os EUA procuraram apoio também em países da América Latina, tendo boa receptividade do
México e do Brasil.

A partir da entrada da URSS e dos EUA, o quadro de guerra foi alterado. Se, antes, havia um
expansionismo do Eixo, agora iniciava-se a contraofensiva dos Aliados. Populações de todo o globo se
envolveram no confronto, que, de fato, era de um escopo mundial. As áreas coloniais das potências europeias
foram envolvidas; a destruição foi uma realidade, em maior ou menor grau, em todos os continentes.

2. A contraofensiva dos Aliados (1942-1945)

A guerra foi difícil para os alemães nas terras soviéticas e, aos poucos, a resistência da URSS dava
seus sinais de vitória, como foi o caso da defesa de Stalingrado. A batalha de Stalingrado foi terrível, com
baixas consideráveis de ambos os lados, mas os soviéticos venceram e iniciaram a expulsão das tropas alemãs
do território da União Soviética. Dois fatores foram centrais para a vitória da URSS stalinista sobre os soldados
nazistas: o inverno russo rigoroso e a tática de terra arrasada adotada por Stálin, que consistia na
destruição de todo o território que as tropas adversárias posteriormente ocupassem. Dessa forma, o inverno
conjugado às péssimas condições de sobrevivência no território foram fundamentais para a vitória soviética.

Além disso, os Afrikacorps não conseguiram dominar o Egito. A Grã-Bretanha, com ajuda dos EUA,
começava a operação domínio aliado sobre o norte da África. Tal domínio foi fundamental para a organização
do desembarque aliado na Itália.

Enquanto os aliados obtinham vitórias importantes na África e no front soviético, os japoneses


conheciam suas primeiras derrotas diante dos EUA no Pacífico. Os porta-aviões norte-americanos realizavam
operações importantes na região. As batalhas de Middway e do Mar de Coral foram decisivas para a expansão
aliada contra o Japão. A certa altura, os japoneses começavam a fazer uso dos "filhos do vento", os aviadores
Kamikazes, para abalar o poderio naval e aéreo dos EUA. A guerra ficava ainda mais dramática.

Em 1943, a Itália foi invadida pelas forças aliadas e Benito Mussolini foi derrubado. Isso criava mais
problemas para os alemães, que viam um novo front de batalha sendo aberto no sul de seus territórios. Hitler
ordenou a invasão da Itália a partir da Áustria, e o esforço de guerra começava a exaurir as forças nazistas.
Para complicar ainda mais a situação, as tropas soviéticas recuperavam o território e iniciavam um ataque na
fronteira alemã.

Entrementes, era esboçado um plano de liberação do território francês da ocupação nazista. Tal plano
considerava um desembarque em massa no norte do país, na Normandia, e foi denominado de o Dia D. Este
plano foi executado em 6 de junho de 1944. Milhares de soldados aliados pereceram, mas os alemães foram
desalojados da região. Completamente desmobilizados, as tropas nazistas conheceriam seu fim em poucos
meses. O suicídio de Hitler em fins de abril de 1945 se sucedeu a rendição oficial da Alemanha no dia 2 de
maio de 1945.

O único país do Eixo que ainda resistia era o Japão. As


ações japonesas eram desesperadas, e os militares norte-
americanos consideravam que a guerra duraria ainda meses se
nenhuma iniciativa abalasse a moral dos japoneses. Cientistas, que
trabalhavam nas inovações tecnológicas aplicadas à guerra, já
haviam feito um experimento com a bomba atômica no estado do
Novo México.

O presidente Harry Truman passou a considerar que uma


boa iniciativa seria o lançamento daquela bomba em alguma
cidade japonesa. A decisão foi realizar um lançamento em
Hiroshima. Em uma segunda-feira, no dia 6 de agosto de 1945, o
avião Enola Gay jogou a bomba atômica (Little Boy) naquela
cidade. Alguns dias depois, foi a vez da cidade de Nagasaki ser
atingida por outro artefato atômico. A situação era caótica no
Japão, e os nipônicos iniciavam conversações sobre uma
capitulação.

A caminho do fim: acordos e negociações do pós-guerra.

Com as movimentações finais dos países Aliados, uma série de acordos foram entabulados no sentido
de refletir quais seriam os rumos geopolíticos tomados no pós-guerra. Liderados sobretudo pela URSS, EUA
e Inglaterra, as principais conferências engendradas nesse processo e suas resoluções foram:

• Conferência de Yalta (1945): criação da Organização das Nações Unidas (ONU); rearranjo
fronteiriço da Polônia; instalação de governos pró-soviéticos no Leste Europeu; divisão da
Coreia em duas;
• Conferência de Potsdam (1945): divisão da Alemanha em quatro zonas de ocupação [britânica,
estadunidense, francesa e soviética] e instauração do Tribunal de Nuremberg – julgamento dos
“carrascos nazistas”
• Conferência de São Francisco (1951): integridade territorial e isenção fiscal ao Japão –
estratégia de dominação capitalista na Ásia.

Referências Bibliográficas:

FGV CPDOC. Gripe espanhola. Verbete. Disponível em: <GRIPE ESPANHOLA.pdf (fgv.br)>. Acesso em:

Giardina, Andrea. O mito fascista da romanidade. Estud. av., São Paulo , v. 22, n. 62, p. 55-76, Apr. 2008
. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
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Hobsbawm, Eric. A era dos extremos.