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PRÉ-UNIVERSITÁRIO OFICINA DO SABER Monitoria

DISCIPLINA: História PROFESSORES: Ana Carolina Rocha, Diogo Alchorne Brazão, Fabrício
Data: 08/01/2021 Sampaio

Monitoria de História

1 – (Enem) Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira
cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora,
os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse
neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele
confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução
perfeitamente normal.

ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado).

A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à
naturalização do(a):

a) ideário nacional, que legitima as desigualdades sociais.


b) alienação ideológica, que justifica as ações individuais.
c) cosmologia religiosa, que sustenta as tradições hierárquicas.
d) segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos.
e) enquadramento cultural, que favorece os comportamentos punitivos.

2 – (Enem) Para o Paraguai, portanto, essa foi uma guerra pela sobrevivência. De todo modo, uma guerra
contra dois gigantes estava fadada a ser um teste debilitante e severo para uma economia de base tão estreita.
Lopez precisava de uma vitória rápida e, se não conseguisse vencer rapidamente, provavelmente não venceria
nunca.

LYNCH, J. As Repúblicas do Prata: da Independência à Guerra do Paraguai. BETHELL, Leslie (Org). História da América
Latina: da Independência até 1870, v. III. São Paulo: EDUSP 2004.

A Guerra do Paraguai teve consequências políticas importantes para o Brasil, pois

A) representou a afirmação do Exército Brasileiro como um ator político de primeira ordem.


B) confirmou a conquista da hegemonia brasileira sobre a Bacia Platina.
C) concretizou a emancipação dos escravos negros.
D) incentivou a adoção de um regime constitucional monárquico.
E) solucionou a crise financeira, em razão das indenizações recebidas.

3 – (Enem) No Segundo Congresso internacional de Ciências Geográficas, em 1875, a que compareceram o


presidente da República, o governador de Paris e o presidente da Assembleia, o discurso inaugural do
almirante La Roucière-Le Noury expôs a atitude predominante no encontro: “Cavalheiros, a Providência nos
ditou a obrigação de conhecer e conquistar a terra. Essa ordem suprema é um dos deveres imperiosos inscritos
em nossas inteligências e nossas atividades. A geografia, essa ciência que inspira tão bela devoção e em cujo
nome foram sacrificadas tantas vítimas, tornou-se a filosofia da terra”.

SAID, E. Cultura e política. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

No contexto histórico apresentado, a exaltação da ciência geográfica decorre do seu uso para o(a)

a) preservação cultural dos territórios ocupados.


b) formação humanitária da sociedade europeia.
c) catalogação de dados úteis aos propósitos colonialistas.
d) desenvolvimento de técnicas matemáticas de construção de cartas.
e) consolidação do conhecimento topográfico como campo acadêmico.

4 – (Enem) No aniversário do primeiro decênio da Marcha sobre Roma, em outubro de 1932, Mussolini irá
inaugurar sua Via del Impero; a nova Via Sacra do Fascismo, ornada com estátuas de César, Augusto, Trajano,
servirá ao culto do antigo e à glória do Império Romano e de espaço comemorativo do ufanismo italiano. Às
sombras do passado recriado ergue-se a nova Roma, que pode vangloriar-se e celebrar seus imperadores e
homens fortes; seus grandes poetas e apólogos como Horácio e Virgílio.

SILVA, G. História antiga e usos do passado: um estudo de apropriações da Antiguidade sob o regime de Vichy. São Paulo:
Annablume, 2007 (adaptado).

A retomada da Antiguidade clássica pela perspectiva do patrimônio cultural foi realizada com o objetivo de

a) afirmar o ideário cristão para reconquistar a grandeza perdida.


b) utilizar os vestígios restaurados para justificar o regime político.
c) difundir os saberes ancestrais para moralizar os costumes sociais.
d) refazer o urbanismo clássico para favorecer a participação política.
e) recompor a organização republicana para fortalecer a administração estatal.

5 – (Enem) No contexto da polis grega, as leis comuns nasciam de uma convenção entre cidadãos, definida
pelo confronto de suas opiniões em um verdadeiro espaço público, a ágora, confronto esse que concedia a
essas convenções a qualidade de instituições públicas.
MAGDALENO, F. S. A territorialidade da representação política: vínculos territoriais de compromisso dos deputados
fluminenses. São Paulo: Annablume, 2010.

No texto, está relatado um exemplo de exercício da cidadania associado ao seguinte modelo de prática
democrática:

a) Direta.
b) Sindical.
c) Socialista
d) Corporativista / Fascista
e) Representativa.

6 – (Enem)

Considerando a conjuntura histórica, o ordenamento jurídico abordado resultou na:

a) mercantilização do trabalho livre.


b) retração das fronteiras agrícolas.
c) demarcação dos territórios indígenas.
d) concentração da propriedade fundiária.
e) expropriação das comunidades quilombolas.

7 – (Enem) Mas a Primeira Guerra Mundial foi seguida por um tipo de colapso verdadeiramente mundial,
sentido pelo menos em todos os lugares em que homens e mulheres se envolviam ou faziam uso de transações
impessoais de mercado. Na verdade, mesmo os orgulhosos EUA, longe de serem um porto seguro das
convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto global
medido na escala Richter dos historiadores econômicos – a Grande Depressão do entreguerras.

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

A Grande Depressão econômica que se abateu nos EUA e se alastrou pelo mundo capitalista deveu-se ao(à)
a) produção industrial norte-americana, ocasionada por uma falsa perspectiva de crescimento econômico
pós-Primeira Guerra Mundial.
b) vitória alemã na Primeira Grande Guerra e, consequentemente, sua capacidade de competição
econômica com os empresários norte-americanos.
c) desencadeamento da Revolução Russa de 1917 e a formação de um novo bloco econômico, capaz de
competir com a economia capitalista.
d) Guerra Fria, que caracterizou o período de entreguerras, provocando insegurança e crises econômicas
no mundo.
e) tomada de medidas econômicas pelo presidente norteamericano Roosevelt, conhecidas como New
Deal, que levaram à crise econômica no mundo.

Gabarito comentado:

1 – (Enem) Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira
cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora,
os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse
neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele
confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução
perfeitamente normal.

ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado).

A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à
naturalização do(a):

a) ideário nacional, que legitima as desigualdades sociais.


b) alienação ideológica, que justifica as ações individuais.
c) cosmologia religiosa, que sustenta as tradições hierárquicas.
d) segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos.
e) enquadramento cultural, que favorece os comportamentos punitivos.

Comentário da questão: No texto, Hannah Arendt reflete sobre a separação de grupos em campos de
concentração. Para a autora, a segregação humana realizada nos campos é um ato de violência tamanha a
ponto de a própria humanidade desses indivíduos ser questionada. Dessa forma, há a banalização do mal pela
sociedade europeia, que naturaliza o “extermínio [desses grupos] como solução perfeitamente normal”. Vale
ressaltar que essa política de segregação não se dá apenas pela imposição da violência dos regimes totalitários:
há uma espécie de consenso da sociedade em relação a essas políticas. Daí a ideia de projetos biopolíticos:
projetos criados com o intuito de “adestrar” a vida humana, inserindo ideologias que vão se integrando à vida
da sociedade sem que haja a necessidade de um governante impô-las através da violência. Esses projetos se
consolidam através das instituições: escola, trabalho, família, mídias etc. Os campos de concentração faziam
parte do projeto biopolítico nazista, que tinha como uma das pautas a perseguição às minorias étnicas e sociais
na Alemanha, e que foi consentida por parte da população europeia.

2 – (Enem) Para o Paraguai, portanto, essa foi uma guerra pela sobrevivência. De todo modo, uma guerra
contra dois gigantes estava fadada a ser um teste debilitante e severo para uma economia de base tão estreita.
Lopez precisava de uma vitória rápida e, se não conseguisse vencer rapidamente, provavelmente não venceria
nunca.

LYNCH, J. As Repúblicas do Prata: da Independência à Guerra do Paraguai. BETHELL, Leslie (Org). História da América
Latina: da Independência até 1870, v. III. São Paulo: EDUSP 2004.

A Guerra do Paraguai teve consequências políticas importantes para o Brasil, pois

A) representou a afirmação do Exército Brasileiro como um ator político de primeira ordem.


B) confirmou a conquista da hegemonia brasileira sobre a Bacia Platina.
C) concretizou a emancipação dos escravos negros.
D) incentivou a adoção de um regime constitucional monárquico.
E) solucionou a crise financeira, em razão das indenizações recebidas.

Comentário da questão: A questão acima ressalta a importância da Guerra do Paraguai para a mobilização
dos militares na vida política. Após uma série de críticas tecidas pelo Exército em fins do Segundo Reinado,
além do descontentamento das elites pelas políticas antiescravistas impostas pela Inglaterra, os militares
mobilizaram suas forças para destituir o governo de D. Pedro II em conjunção aos fazendeiros através do
projeto republicano.

3 – (Enem) No Segundo Congresso internacional de Ciências Geográficas, em 1875, a que compareceram o


presidente da República, o governador de Paris e o presidente da Assembleia, o discurso inaugural do
almirante La Roucière-Le Noury expôs a atitude predominante no encontro: “Cavalheiros, a Providência nos
ditou a obrigação de conhecer e conquistar a terra. Essa ordem suprema é um dos deveres imperiosos inscritos
em nossas inteligências e nossas atividades. A geografia, essa ciência que inspira tão bela devoção e em cujo
nome foram sacrificadas tantas vítimas, tornou-se a filosofia da terra”.

SAID, E. Cultura e política. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

No contexto histórico apresentado, a exaltação da ciência geográfica decorre do seu uso para o(a)

a) preservação cultural dos territórios ocupados.


b) formação humanitária da sociedade europeia.
c) catalogação de dados úteis aos propósitos colonialistas.
d) desenvolvimento de técnicas matemáticas de construção de cartas.
e) consolidação do conhecimento topográfico como campo acadêmico.
Comentário da questão: O contexto histórico apresentado é da segunda metade do século XIX, momento
caracterizado pelo imperialismo ou neocolonialismo. A geografia, assim como todas as ciências surgidas no
século XIX, tinha como objetivo legitimar as ações europeias nos continentes colonizados – sobretudo em
África e Ásia. O conhecimento geográfico foi mobilizado no sentido de conhecer o território colonial para
melhor dominá-lo, através da catalogação de dados úteis sobre as sociedades não-europeias.

4 – (Enem) No aniversário do primeiro decênio da Marcha sobre Roma, em outubro de 1932, Mussolini irá
inaugurar sua Via del Impero; a nova Via Sacra do Fascismo, ornada com estátuas de César, Augusto, Trajano,
servirá ao culto do antigo e à glória do Império Romano e de espaço comemorativo do ufanismo italiano. Às
sombras do passado recriado ergue-se a nova Roma, que pode vangloriar-se e celebrar seus imperadores e
homens fortes; seus grandes poetas e apólogos como Horácio e Virgílio.

SILVA, G. História antiga e usos do passado: um estudo de apropriações da Antiguidade sob o regime de Vichy. São Paulo:
Annablume, 2007 (adaptado).

A retomada da Antiguidade clássica pela perspectiva do patrimônio cultural foi realizada com o objetivo de

a) afirmar o ideário cristão para reconquistar a grandeza perdida.


b) utilizar os vestígios restaurados para justificar o regime político.
c) difundir os saberes ancestrais para moralizar os costumes sociais.
d) refazer o urbanismo clássico para favorecer a participação política.
e) recompor a organização republicana para fortalecer a administração estatal.

Comentário da questão: O regime fascista de Benito Mussolini se estabeleceu através de uma ampla
articulação com o passado da Roma Antiga. Através do discurso ultranacionalista, os fascistas se apropriaram
do passado por meio de símbolos do período republicano e imperial romano. Dessa forma, criavam uma linha
de continuidade entre a “era de ouro” dos romanos – o período da Antiguidade Clássica – e o regime fascista.

5 – (Enem) No contexto da polis grega, as leis comuns nasciam de uma convenção entre cidadãos, definida
pelo confronto de suas opiniões em um verdadeiro espaço público, a ágora, confronto esse que concedia a
essas convenções a qualidade de instituições públicas.

MAGDALENO, F. S. A territorialidade da representação política: vínculos territoriais de compromisso dos deputados


fluminenses. São Paulo: Annablume, 2010.

No texto, está relatado um exemplo de exercício da cidadania associado ao seguinte modelo de prática
democrática:

a) Direta.
b) Sindical.
c) Socialista
d) Corporativista / Fascista
e) Representativa.
Comentário da questão: A democracia da Grécia Antiga se estabeleceu de forma direta. Os cidadãos
atenienses se reuniam na ágora e discutiam as principais medidas a serem tomadas na administração da cidade-
Estado.

6 – (Enem)

Considerando a conjuntura histórica, o ordenamento jurídico abordado resultou na:

a) mercantilização do trabalho livre.


b) retração das fronteiras agrícolas.
c) demarcação dos territórios indígenas.
d) concentração da propriedade fundiária.
e) expropriação das comunidades quilombolas.

Comentário da questão: A lei de 1850 a qual o texto se refere é a Lei de Terras. Esta lei estabelecia a compra
como a única forma de acesso à terra e abolia, em definitivo, o regime de sesmarias. Como consequência
direta da legislação tem-se a concentração da propriedade fundiária nas mãos dos que já concentravam poder
político e econômico na sociedade imperial: os latifundiários.

7 – (Enem) Mas a Primeira Guerra Mundial foi seguida por um tipo de colapso verdadeiramente mundial,
sentido pelo menos em todos os lugares em que homens e mulheres se envolviam ou faziam uso de transações
impessoais de mercado. Na verdade, mesmo os orgulhosos EUA, longe de serem um porto seguro das
convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto global
medido na escala Richter dos historiadores econômicos – a Grande Depressão do entreguerras.

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

A Grande Depressão econômica que se abateu nos EUA e se alastrou pelo mundo capitalista deveu-se ao(à)

a) produção industrial norte-americana, ocasionada por uma falsa perspectiva de crescimento econômico
pós-Primeira Guerra Mundial.
b) vitória alemã na Primeira Grande Guerra e, consequentemente, sua capacidade de competição
econômica com os empresários norte-americanos.
c) desencadeamento da Revolução Russa de 1917 e a formação de um novo bloco econômico, capaz de
competir com a economia capitalista.
d) Guerra Fria, que caracterizou o período de entreguerras, provocando insegurança e crises econômicas
no mundo.
e) tomada de medidas econômicas pelo presidente norteamericano Roosevelt, conhecidas como New
Deal, que levaram à crise econômica no mundo.

Comentário da questão: A Grande Depressão se insere no contexto do pós-Primeira Guerra Mundial, no qual
os EUA se consolidam como a maior superpotência do mundo e como os principais financiadores dos países
europeus no processo de reconstrução do continente. Na medida em que a produção industrial e o capital
financeiro cresciam, o consumo, por sua vez, não acompanhava o mesmo ritmo. No desequilíbrio entre oferta
e demanda (muita oferta e baixa demanda), a crise de superprodução estava conflagrada, atingindo seu ápice
em 1929 com o crash da Bolsa de Valores. No episódio, inúmeras empresas industriais sofreram uma intensa
desvalorização de suas ações.