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30/07/2019 1.

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1.2 - INCERTEZA DE MEDIÇÃO


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medicao/fundamentos-do-calculo-de-incerteza-em-medicao) / 1.2 - Incerteza de Medição

A incerteza do resultado de uma medição re ete a falta de conhecimento associado ao valor da grandeza a ser
medida. O resultado de uma medição, mesmo após correção devido aos efeitos relativos a erros sistemáticos
reconhecidos, é somente uma estimativa do valor da grandeza devido a incerteza proveniente dos efeitos dos
erros aleatórios e da correção imperfeita do resultado para efeitos devido aos erros sistemáticos.

O resultado de uma medição (após correção) pode, sem que se perceba, estar muito próximo do valor da grandeza
(e, assim, ter um erro desprezível), muito embora possa ter uma incerteza grande. Portanto, a incerteza do
resultado de uma medição não deve ser confundida com o erro desconhecido remanescente.

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Na prática, existem muitas fontes possíveis de incerteza em uma medição, incluindo:

a) De nição incompleta da grandeza;

b) Falhas na de nição da grandeza;    


c) Amostragem não-representativa - A amostra medida pode não representar a grandeza de nida;

d) Conhecimento inadequado dos efeitos das condições ambientais sobre a medição ou medição imperfeita das
condições ambientais;

e) Erro de tendência pessoal na leitura de instrumentos analógicos;

f) Resolução nita do instrumento ou limiar de mobilidade;

g) Valores inexatos dos padrões de medição e materiais de referência;

h) Valores inexatos de constantes e de outros parâmetros obtidos de fontes externas e usados no algoritmo para
obtenção de dados;

i) Aproximações e suposições incorporadas ao método e procedimento de medição;

j) Variações nas observações repetidas da grandeza sob condições aparentemente idênticas.

Essas fontes não são necessariamente independentes e algumas das fontes de (a) a (i) podem contribuir para a
fonte (j). Naturalmente, um efeito sistemático não reconhecido não pode ser levado em consideração na avaliação
da incerteza do resultado de uma medição, porém contribui para seu erro.

Em algumas publicações, os componentes da incerteza são categorizados como "aleatório'' e "sistemático'' e são
associados com erros provenientes de efeitos aleatórios e de efeitos sistemáticos conhecidos, respectivamente.
Tal categorização de componentes de incerteza pode se tornar ambígua quando aplicada genericamente. Por
exemplo, um componente "aleatório'' de incerteza em uma medição pode se tornar um componente "sistemático''
da incerteza em outra medição na qual o resultado da primeira medição é usado como dado de entrada.
Categorizando os métodos de avaliação (ou, cálculo) dos componentes de incerteza, em vez de fazermos com os
próprios componentes, evitamos tal ambiguidade. Ao mesmo tempo, isto não impede designar componentes
individuais que tenham sido avaliados pelos dois diferentes métodos em grupos distintos, a serem usados para
uma nalidade em particular.

A recomendação da norma ISO GUM (2008) (/1004-referências-bibliográ cas#isogum) consiste em dividirmos


os componentes de incerteza em dois tipos, denominados "A" e "B". Estas categorias são aplicados ao método de
avaliação da incerteza e não tem relação com as palavras aleatório ou sistemático. A incerteza associada a
correção de um efeito relacionado a um erro sistemático pode ser obtido por uma avaliação do tipo A ou por uma
avaliação do tipo B.

O propósito da classi cação Tipo A e Tipo B é de indicar as duas maneiras diferentes de avaliar os componentes
da incerteza e serve apenas para discussão. A classi cação não se propõe a indicar que haja qualquer diferença na
natureza dos componentes. Ambos os tipos de avaliação são baseados em distribuições de probabilidade e os
componentes de incerteza resultantes de cada tipo são quanti cados por variâncias ou desvios padrão.

A variância estimada , caracterizando um componente de incerteza obtido de uma avaliação do Tipo A, é


calculada a partir de uma série de observações repetidas, através da variância amostral da média das medidas
. O desvio padrão estimado é denominado incerteza padrão do Tipo A. Para um componente de

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incerteza obtido por uma avaliação do Tipo B, a variância estimada é avaliada através do conhecimento
disponível, e o desvio padrão estimado é, por vezes, denominado incerteza padrão do Tipo B.

Assim, uma incerteza padrão do Tipo A é obtida a partir de uma função densidade de probabilidade derivada da
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observação de uma distribuição de frequência, enquanto que a incerteza padrão do Tipo B é obtida de uma
suposta função densidade de probabilidade, baseada no grau de credibilidade de que um evento vá ocorrer
(frequentemente chamada probabilidade subjetiva). Ambos os enfoques empregam interpretações reconhecidas
de probabilidade. Uma avaliação do Tipo B de um componente de incerteza é usualmente baseada em um 
conjunto de informações comparativamente con áveis.

A incerteza padrão do resultado de uma medição, quando este resultado for  obtido de valores de outras
grandezas, é denominada incerteza padrão combinada e designada por . Ela é o desvio padrão estimado,
associado com o resultado, obtida a partir  de todos os componentes de variância e covariância, independente de
como tenham sido avaliados, usando o que é denominado, de lei da propagação de incerteza.

Para satisfazer as necessidades de algumas aplicações industriais e comerciais, assim como a requisitos nas áreas
da saúde e segurança, uma incerteza expandida é obtida multiplicando-se a incerteza padrão combinada por
um fator de abrangência . A nalidade pretendida para é fornecer um intervalo em torno do resultado de uma
medição com o qual se espera abranger uma grande fração da distribuição de valores que poderiam
razoavelmente ser atribuída a grandeza. A escolha de , o qual está geralmente na faixa de 2 a 3, é baseada na
probabilidade de abrangência ou nível da con ança requerido do intervalo.

O fator de abrangência deve sempre ser declarado de forma que a incerteza padrão da grandeza medida possa
ser recuperada para uso no cálculo de incerteza padrão combinada de outros resultados de medição que possam
depender dessa grandeza.

Se houver variação de todas as grandezas das quais o resultado de uma medição depende, sua incerteza poderá
ser calculada por meios estatísticos. Entretanto, uma vez que isso, na prática, raramente é possível, devido a
tempo e recursos limitados, a incerteza de um resultado de medição é, geralmente, avaliada quando utilizamos
um modelo matemático da medição e a lei de propagação da incerteza. Assim, está implícita a suposição de que
uma medição pode ser modelada matematicamente até o grau imposto pela exatidão requerida na medição.

Uma vez que o modelo matemático pode ser incompleto, todas as grandezas relevantes devem ser variadas até a
maior extensão prática possível, de modo que a avaliação da incerteza possa ser baseada, tanto quanto possível,
nos dados observados.

Sempre que factível, o uso de modelos empíricos da medição, fundamentados em dados quantitativos e
colecionados ao longo do tempo, e o uso de padrões de veri cação e grá cos de controle que possam indicar se
uma medição está sob controle estatístico, devem ser parte do esforço de obtenção de avaliações con áveis de
incerteza. O modelo matemático deverá sempre ser revisado quando os dados observados, incluindo o resultado
de determinações independentes da mesma grandeza, demonstrarem que o modelo está incompleto. Um
experimento bem projetado facilita as avaliações con áveis da incerteza e é uma parte importante da arte de
medição.

De forma a decidir se um sistema de medição está funcionando adequadamente, a variarbilidade observada


experimentalmente de seus valores de saída, conforme medida pelo seu desvio padrão observado é,
frequentemente, comparada com o desvio padrão previsto, obtido através da combinação dos vários

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componentes da incerteza que caracterizam a medição. Em tais casos, somente aqueles componentes (obtidos de
avaliações Tipo A ou Tipo B) que poderiam contribuir para a variabilidade experimentalmente observada destes
valores de saída devem ser considerados.
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Tal análise pode ser facilitada, quando reunimos aqueles componentes que contribuem para a variabilidade e
aqueles que não o fazem em dois grupos separados e adequadamente rotulados.

Em alguns casos, a incerteza de uma correção para um efeito sistemático não precisa ser incluída na avaliação da
incerteza de um resultado de medição. Embora a incerteza tenha sido avaliada, ela pode ser ignorada se sua
contribuição para a incerteza padrão combinada de um resultado de medição é insigni cante. Se o valor da
própria correção for insigni cante relativamente à incerteza padrão combinada, ele também pode ser ignorado.

Muitas vezes ocorre na prática, especialmente no domínio da metrologia legal, que um equipamento é ensaiado
através de uma comparação com um padrão de medição e as incertezas associadas com o padrão e com o
procedimento de comparação são desprezíveis relativamente à exatidão requerida do ensaio. Um exemplo é o
uso de um conjunto de padrões de massa bem calibrados para veri car a exatidão de uma balança comercial. Em
tais casos, como os componentes da incerteza são pequenos o bastante para serem ignorados, a medição pode ser
vista como determinação do erro do equipamento sob ensaio.

Exemplo 1.2.1
Um padrão de tensão Zener de alta qualidade é calibrado por comparação com uma referência de tensão de efeito
Josephson baseado no valor convencional da constante Josephson recomendada para uso internacional pelo
CIPM. A incerteza padrão combinada relativa da diferença de potencial calibrada é relatada em
termos do valor convencional, mas é quando é relatada em termos da unidade SI da
diferença de potencial, volt( ), por causa da incerteza  adicional associada com o valor SI da constante
Josephson.

Erros grosseiros no registro ou na análise dos dados podem introduzir um erro desconhecido signi cativo no
resultado de uma medição. Grandes erros grosseiros podem ser, geralmente, identi cados por uma revisão
apropriada dos dados. Pequenos erros grosseiros podem ser mascarados por variações aleatórios, ou até mesmo
podem aparecer como tais. Medidas de incerteza não são projetadas para levar em conta tais erros.

A avaliação da incerteza não é uma tarefa de rotina nem uma tarefa puramente matemática, ela depende de
conhecimento detalhado da natureza da grandeza e da medição. A qualidade e utilidade da incerteza indicada
para o resultado de uma medição, dependem, portanto, e em última análise, da compreensão, análise crítica e
integridade daqueles que contribuem para o estabelecimento de seu valor.

Resultado da medição
 

Encontramos a expressão de um resultado de medição incompleta caso esta não se apresente com a declaração
da incerteza de medição associada. A incerteza de um resultado de ne uma faixa de valores em torno da média
das medições, dentro da qual o valor verdadeiro da grandeza se encontra com nível de con ança estabelecido.

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Embora não seja ainda de entendimento geral e até mesmo algumas vezes de desconhecimento
de  alguns,

cumpre-nos observar que dentre as parcelas mostradas na expressão do resultado de uma medição a IM
(incerteza de medição) é a mais importante, até mesmo do que a média (das medidas) e mereceria uma maior
compreensão e aplicação.

Vejamos um exemplo em que a um metrologista fosse solicitado para medir as dimensões do seu laboratório de
metrologia para a preparação de um layout, e este não dispusesse de trena ou qualquer outro meio de medição.
Neste poderíamos utilizar as dimensões padronizadas das placas do piso (por exemplo Pavi ex, 30 30 cm) e
após uma contagem do número de placas em cada lado emitir um resultado de medição como o seguinte: 4,0 4,0
m 0,15 m.

Metrologicamente falando, o resultado da sua medição está correto mesmo se o solicitante não estivesse
satisfeito com a IM apresentada e neste caso o mesmo poderia propor uma alteração no procedimento de
medição utilizado, como por exemplo, o uso de uma trena.

Sob o mesmo ponto de vista, errado estaria se a medição fosse feita, por exemplo, com uma trena e o resultado
apresentado fosse: 4,010 4,047 m (sem a declaração da IM).

Fluxo para o Cálculo de Incerteza


 

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erros-efeitos-e-correcoes) (/incerteza- medicao/13-avaliacao-da-incerteza-padrao)
de-
medicao/fundamentos-
do-
calculo-
de-
incerteza-
em-
medicao)

INCERTEZA DE MEDIÇÃO (/INCERTEZA-DE-MEDICAO)


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1 - Fundamentos do Cálculo de Incerteza em Medição (/incerteza-de-medicao/fundamentos-do-calculo-de-incerteza-em-medicao)


1 - Fundamentos do Cálculo de Incerteza em Medição (/incerteza-de-medicao/fundamentos-do-calculo-de-incerteza-em-medicao)

1.1 - Erros, Efeitos e Correções (/incerteza-de-medicao/11-erros-efeitos-e-correcoes)    


1.2 - Incerteza de Medição (/incerteza-de-medicao/12-incerteza-de-medicao)
1.3 - Avaliação da Incerteza Padrão (/incerteza-de-medicao/13-avaliacao-da-incerteza-padrao)
1.4 - Incerteza do Tipo A (/incerteza-de-medicao/14-incerteza-do-tipo)
1.5 - Incerteza do Tipo B (/incerteza-de-medicao/15-incerteza-do-tipo-b)
1.6 - Incerteza Padrão combinada (/incerteza-de-medicao/16-incerteza-padrao-combinada)
1.7 - Incerteza Expandida (/incerteza-de-medicao/17-incerteza-expandida)
1.8 - Expressão do Resultado da Medição (/incerteza-de-medicao/18-expressao-do-resultado-da-medicao)
1.9 - Teste de Valor Extremo (Grubbs) (/incerteza-de-medicao/19-teste-de-valor-extremo-grubbs)
1.10 - Comparação entre Sistemas de Medição (/incerteza-de-medicao/110-comparacao-entre-sistemas-de-medicao)
2 - Análise e interpretação do Certificado de Calibração (/incerteza-de-medicao/analise-e-interpretacao-do-certificado-de-calibracao)
3 - Aplicações do Cálculo de Incerteza em Calibrações (/incerteza-de-medicao/aplicacoes-do-calculo-de-incerteza-em-calibracoes)
4 - Aplicações do Cálculo de Incerteza em Ensaios (/incerteza-de-medicao/aplicacoes-do-calculo-de-incerteza-em-ensaios)
5 - Parâmetros Característicos de um Sistema de Medição (/incerteza-de-medicao/parametros-caracteristicos-de-um-sistema-de-medicao)
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